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<p>CBI of Miami</p><p>2</p><p>DIREITOS AUTORAIS</p><p>Esse material está protegido por leis de direitos autorais. Todos os direitos</p><p>sobre ele estão reservados.</p><p>Você não tem permissão para vender, distribuir gratuitamente, ou copiar</p><p>e reproduzir integral ou parcialmente esse conteúdo em sites, blogs, jornais ou</p><p>quaisquer veículos de distribuição e mídia.</p><p>Qualquer tipo de violação dos direitos autorais estará sujeito a ações</p><p>legais.</p><p>CBI of Miami</p><p>3</p><p>O Que é Psicopedagogia Comportamental</p><p>Liliane Guethe</p><p>Psicopedagogia Comportamental</p><p>A Psicopedagogia é uma área de estudo e de atuação em aprendizagem</p><p>humana e tem como objetivos compreender o processo de aprendizagem e</p><p>intervir para prevenir, diagnosticar e tratar possíveis dificuldades relacionadas a</p><p>este processo. A aprendizagem ocorre em todos os ambientes e a todo momento</p><p>e, por isso, o trabalho psicopedagógico não é restrito ao ambiente escolar e a</p><p>um período determinado da vida das pessoas.</p><p>A prática psicopedagógica pode apresentar-se de diferentes maneiras. O</p><p>profissional pode atuar na adequação de condições de aprendizagem para que</p><p>o processo ocorra da melhor forma possível e que, por consequência, sejam</p><p>evitados comprometimentos neste percurso, como é o caso das intervenções em</p><p>questões didático-metodológicas, formação e orientação de professores e</p><p>orientação de familiares. Mas também pode atuar com o objetivo de eliminar</p><p>problemas de aprendizagem já instalados em um aluno ou grupo de alunos.</p><p>Independente do tipo de atuação que o psicopedagogo vá praticar, todas</p><p>elas se caracterizam por um trabalho individualizado, que respeita as</p><p>características de uma instituição, de um aluno ou grupo de alunos e que se</p><p>dedica a identificar suas necessidades ou dificuldades e a melhor maneira de</p><p>abordá-las.</p><p>Fazendo um breve histórico da Psicopedagogia, podemos considerar a</p><p>sua origem na Europa, ainda no século XIX, mas foi somente em 1946 que os</p><p>primeiros centros psicopedagógicos foram fundados na França. A literatura</p><p>francesa influenciou as ideias sobre a Psicopedagogia na Argentina, que por sua</p><p>vez, devido à proximidade geográfica e ao acesso fácil à literatura pela facilidade</p><p>da língua, influenciou a prática psicopedagógica no Brasil. O primeiro registro de</p><p>um curso de orientação psicopedagógica no Brasil, data de 1954, no Rio Grande</p><p>do Sul. Os primeiros cursos de especialização em Psicopedagogia no Brasil</p><p>surgiram no final da década de 1970 e em 1984 ocorreu o primeiro encontro de</p><p>psicopedagogos em São Paulo. E foi no início dos anos 1990 que houve a</p><p>multiplicação dos cursos de especialização em Psicopedagogia pelo país.</p><p>CBI of Miami</p><p>4</p><p>Para chegarmos à construção do conceito de Psicopedagogia</p><p>Comportamental, abordaremos a seguir a ciência denominada Análise do</p><p>Comportamento. Para facilitar a compreensão, faremos a apresentação desta</p><p>ciência como sendo formada por três áreas:</p><p>O Behaviorismo Radical, que representa a filosofia que fundamenta a</p><p>Análise do Comportamento, fundado por Burrhus Frederic Skinner, segundo o</p><p>qual, a raiz de toda a compreensão humana poderia ocorrer pela análise de seu</p><p>comportamento, já que todo fazer humano é comportamento.</p><p>A Análise Experimental do Comportamento, a ciência básica, que abrange</p><p>os estudos científicos sobre os processos comportamentais e como as variáveis</p><p>do ambiente afetam o comportamento.</p><p>E a Análise do Comportamento Aplicada (do inglês, Applied Behavior</p><p>Analysis - ABA), a ciência aplicada, que utiliza os resultados das pesquisas</p><p>científicas para modificar comportamentos socialmente relevantes. Neste</p><p>sentido, a ABA está diretamente relacionada à qualidade de vida dos seres</p><p>humanos.</p><p>Em 1968, um grupo de cientistas descreveu as dimensões que definem a</p><p>ABA, e até hoje elas são utilizadas para guiar os estudos realizados por esta</p><p>ciência e também a prática de profissionais que a utilizam em suas intervenções.</p><p>São 7 as dimensões da ABA:</p><p>1. APLICADA: o comportamento selecionado para modificação deve ter</p><p>relevância social, ou seja, ter impacto no mundo real;</p><p>2. COMPORTAMENTAL: o comportamento-alvo deve poder ser observado</p><p>e medido;</p><p>3. ANALÍTICA: deve ser possível demonstrar, por meio de dados visuais,</p><p>que a melhora no comportamento foi resultado da intervenção realizada;</p><p>4. TECNOLÓGICA: a descrição dos procedimentos de intervenção deve ser</p><p>precisa, clara e simples a ponto de qualquer pessoa conseguir reproduzi-los;</p><p>5. CONCEITUAL: a intervenção deve seguir sistematicamente os princípios,</p><p>os conceitos da Análise do Comportamento;</p><p>6. GENERALIDADE: a melhora do comportamento deve ser duradoura e</p><p>ocorrer em outros ambientes, com outros estímulos e pessoas e está</p><p>generalização deve ser planejada desde o início;</p><p>CBI of Miami</p><p>5</p><p>7. EFICAZ: a intervenção deve produzir o resultado desejado, ou seja, a</p><p>melhora do comportamento.</p><p>Agora que já sabemos o que é a Análise do Comportamento e</p><p>conhecemos as suas dimensões, podemos então pensar o que é</p><p>comportamento. Para isso, vamos recorrer a uma metáfora muito utilizada nos</p><p>cursos sobre Análise do Comportamento, a metáfora do homem morto.</p><p>Comportamento é tudo o que o homem morto não faz! E não são somente</p><p>as ações que são consideradas comportamentos, mas também os pensamentos,</p><p>sentimentos e emoções. Além disso, todo comportamento ocasiona mudanças</p><p>no ambiente e também sofre influência destas mudanças.</p><p>E, afinal, de que maneira a Psicopedagogia pode se relacionar com a</p><p>Análise do Comportamento Aplicada e com comportamentos? A aprendizagem</p><p>e os problemas relacionados a este processo envolvem diversos</p><p>comportamentos. Ler, escrever, calcular, pensar, etc, são comportamentos e,</p><p>por isso, podemos aplicar os conhecimentos da ABA, que possuem evidência</p><p>científica robusta, com estratégias rigorosamente demonstradas, a estes</p><p>processos de ensino. Ao mobilizarmos os conhecimentos da ABA para a prática</p><p>psicopedagógica, ou seja, para melhorar as dificuldades de aprendizagem,</p><p>estamos construindo uma Psicopedagogia Comportamental, pautando a nossa</p><p>atuação em Práticas Baseadas em Evidências (PBE).</p><p>O movimento pelas PBE foi inicialmente defendido pela Medicina na</p><p>década de 1980 e seu objetivo era fazer com que os médicos utilizassem sempre</p><p>o melhor tratamento para seus pacientes, que tivesse sido demonstrado</p><p>cientificamente, baseado na melhor evidência disponível, para evitar o uso de</p><p>práticas antigas por longos períodos que pudessem, até mesmo, colocar em</p><p>risco a vida de seus pacientes. O sucesso deste movimento pelo uso das PBE,</p><p>posteriormente, influenciou outros campos de intervenção, como a Educação,</p><p>por exemplo. Desta forma, a prática dos profissionais envolvidos com a</p><p>Educação poderia se beneficiar do uso das evidências científicas nos processos</p><p>de aprendizagem e nos problemas decorrentes destes processos.</p><p>Há algum tempo, no mundo inteiro, muitas revistas publicam os resultados</p><p>das pesquisas baseadas em Análise do Comportamento Aplicada, como por</p><p>CBI of Miami</p><p>6</p><p>exemplo, o Journal of Applied Behavior Analysis, o JABA. Os artigos dessas</p><p>revistas descrevem procedimentos de ensino para diversos comportamentos</p><p>socialmente relevantes. Existem pesquisas que estudam sobre esportes, abuso</p><p>de substâncias, fala, alimentação e também sobre dificuldades de</p><p>aprendizagem. As pesquisas sobre dificuldades de aprendizagem envolvem</p><p>procedimentos de ensino de matemática, alfabetização e muitas outras</p><p>habilidades e podem ser utilizadas no campo da Psicopedagogia</p><p>Comportamental, guiando a prática do profissional.</p><p>Diante deste contexto, apresentamos aqui a nossa proposta para o curso</p><p>de Psicopedagogia Comportamental: o uso de Práticas Baseadas em</p><p>Evidências, especificamente aquelas provenientes da ABA, para avaliação,</p><p>planejamento e intervenção no ensino de habilidades</p><p>acadêmicas para pessoas</p><p>com dificuldades de aprendizagem, transtornos específicos de aprendizagem e</p><p>transtornos do neurodesenvolvimento.</p><p>Atuação do Psicopedagogo Comportamental</p><p>O Psicopedagogo Comportamental é o profissional que utiliza os</p><p>conhecimentos produzidos pela Análise do Comportamento Aplicada - ABA, para</p><p>avaliar, planejar e intervir em dificuldades de aprendizagem. Este profissional</p><p>pode atuar em ambientes educacionais ou clínicos, de duas formas distintas,</p><p>considerando o tipo de intervenção a ser realizada. A literatura de pesquisa</p><p>descreve duas classes amplas de intervenções: os modelos de tratamento</p><p>abrangentes e as práticas de intervenção focadas. De acordo com estas classes</p><p>de intervenções, a atuação pode acontecer em equipes interdisciplinares ou de</p><p>maneira independente.</p><p>Quando falamos na atuação em equipes interdisciplinares, estamos nos</p><p>referindo ao modelo de intervenção abrangente. Neste modelo, as práticas são</p><p>planejadas para alcançar um aprendizado amplo do aluno, em múltiplos</p><p>domínios do desenvolvimento que estejam afetados como, por exemplo,</p><p>domínios cognitivos, de comunicação, social, emocional e funcional. Este tipo de</p><p>intervenção também tem como características importantes um número</p><p>substancial de horas por semana, ou seja, é uma intervenção intensiva e ocorre</p><p>em um ou mais anos, o que define uma duração prolongada.</p><p>CBI of Miami</p><p>7</p><p>Estas equipes interdisciplinares são especializadas em ABA e oferecem</p><p>tratamento a pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e outros</p><p>transtornos do desenvolvimento e contam com prestadores de serviços com</p><p>níveis diferentes de formação. Existe um tipo de organização destas equipes que</p><p>favorece a realização da intervenção com a intensidade de horas necessária e</p><p>também a fidelidade da intervenção. Preferencialmente, as equipes devem</p><p>contar com os seguintes prestadores de serviços, com as respectivas formações:</p><p>• Analista do Comportamento Supervisor: Mestre ou Doutor em Análise do</p><p>Comportamento ou áreas associadas ao desenvolvimento atípico;</p><p>• Analista do Comportamento Coordenador: Especialista em Análise do</p><p>Comportamento;</p><p>• Aplicador: Cursos livres de Análise do Comportamento e</p><p>TEA/desenvolvimento atípico.</p><p>A seguir, falaremos resumidamente sobre algumas das atribuições de</p><p>cada um destes prestadores de serviços.</p><p>• Supervisor: tem autonomia na condução da intervenção e tomada de</p><p>decisões. É responsável por elaborar e implementar as avaliações de</p><p>habilidades e de comportamentos problema, definir os objetivos e a carga horária</p><p>da intervenção, definir equipe de intervenção, elaborar planos de ensino, treinar</p><p>e supervisionar o trabalho do coordenador e do aplicador;</p><p>• Coordenador: fornece todas as informações necessárias para a tomada</p><p>de decisões do supervisor com o objetivo de garantir uma intervenção de</p><p>qualidade. O coordenador tem a responsabilidade de acolher e orientar as</p><p>famílias, avaliar, contribuir na elaboração de planos de ensino, elaborar</p><p>programas de ensino, treinar e supervisionar o aplicador. Não tem autonomia</p><p>para a condução dos atendimentos, precisa estar sob a supervisão de um</p><p>analista do comportamento supervisor;</p><p>• Aplicador: atende diretamente a criança, ensinando as habilidades que</p><p>foram definidas como objetivos da intervenção. O aplicador organiza os materiais</p><p>para a intervenção, tem a responsabilidade de estabelecer um vínculo com a</p><p>criança que será atendida, de aplicar os procedimentos de ensino e registrar o</p><p>desempenho do aluno de maneira fidedigna. Não tem autonomia para avaliar ou</p><p>CBI of Miami</p><p>8</p><p>planejar as intervenções, segue exatamente o que foi programado pelo</p><p>supervisor e é acompanhado de perto pelo coordenador e pelo supervisor, que</p><p>são os responsáveis pela intervenção.</p><p>O Psicopedagogo Comportamental que tenha como objetivo atuar em</p><p>equipes interdisciplinares especializadas em ABA, deve se atentar à formação</p><p>necessária à função que deseja desempenhar na equipe.</p><p>Considerando ainda a atuação em equipes interdisciplinares,</p><p>especializadas em ABA, há também a possibilidade da avaliação ser feita em</p><p>conjunto pela equipe, com profissionais de várias áreas envolvidos, como</p><p>Fonoaudiólogo, Psicólogo, Terapeuta Ocupacional e Psicopedagogo. Estes</p><p>profissionais podem selecionar os objetivos de intervenção de maneira conjunta</p><p>e cada um deles fica responsável por criar os programas de ensino da sua área</p><p>de especialidade. Nesta situação, o Psicopedagogo Comportamental é o</p><p>responsável por escrever os programas de ensino de habilidades acadêmicas.</p><p>Além de escrever os programas de ensino, este profissional pode aplicar</p><p>o programa de ensino com o aluno ou treinar um aplicador para esta finalidade.</p><p>Além desta situação, pode ocorrer que o aluno precise de várias horas de</p><p>intervenção semanal para o desenvolvimento do seu processo de alfabetização,</p><p>por exemplo, mas a família não disponha de recursos financeiros para além de</p><p>uma sessão semanal com o psicopedagogo. Neste caso, o profissional pode</p><p>criar os programas de ensino e treinar a família ou professores para realizarem</p><p>a aplicação.</p><p>Vamos agora apresentar a atuação independente, aquela que está</p><p>relacionada ao modelo de intervenção focada, no qual as práticas são planejadas</p><p>para abordar uma única habilidade ou objetivo e se concentram em resultados</p><p>específicos do aluno como, por exemplo, ensino de leitura e escrita e habilidades</p><p>matemáticas.</p><p>Neste tipo de prestação de serviços, o Psicopedagogo Comportamental</p><p>não está inserido em uma equipe, seu trabalho é independente, mas isso não o</p><p>isenta de manter contato com outros profissionais, caso o aluno seja atendido</p><p>por outras especialidades, a depender de suas necessidades. Esta troca de</p><p>CBI of Miami</p><p>9</p><p>informações entre profissionais que atendem o mesmo aluno é essencial para o</p><p>melhor delineamento e efetividade da intervenção.</p><p>Podemos ainda diferenciar duas modalidades dentro da prestação de</p><p>serviços independente, uma baseada em diagnóstico e outra baseada em</p><p>queixa.</p><p>Quando a prestação de serviços é baseada em diagnóstico, o aluno chega</p><p>até o profissional com um diagnóstico médico, que vai informar o nome do que</p><p>o aluno apresenta como, por exemplo, Dislexia, Discalculia, entre outros. E a</p><p>partir daí, conhecendo o que estes diagnósticos (nomes) significam, ele pode ter</p><p>uma ideia geral de quais dificuldades o aluno pode apresentar.</p><p>A prestação de serviços baseada em queixa configura-se quando o aluno</p><p>chega até o profissional com demandas formuladas pelos pais, pelos</p><p>professores ou outros agentes escolares a respeito de dificuldades e problemas</p><p>que o aluno esteja enfrentando no ambiente escolar.</p><p>Dando continuidade ao modelo de intervenção focada, descreveremos a</p><p>seguir algumas práticas focais baseadas em evidências, provenientes da ABA,</p><p>que podem ser usadas pelo Psicopedagogo Comportamental e que serão</p><p>abordadas com mais detalhes no decorrer do curso.</p><p>Intervenções Baseadas no Antecedente: estas intervenções incluem</p><p>modificações feitas no ambiente/contexto para tentar alterar ou moldar o</p><p>comportamento de um aluno. Além de direcionar comportamentos desafiadores,</p><p>as Intervenções Baseadas no Antecedente também podem ser usadas para</p><p>aumentar a ocorrência dos comportamentos ou habilidades desejados. Os</p><p>procedimentos comuns destas práticas incluem: 1) modificar atividades,</p><p>materiais ou cronogramas educacionais, 2) incorporar a escolha do aluno em</p><p>atividades/materiais, 3) preparar os alunos antecipadamente para as próximas</p><p>atividades, 4) variar o formato, o nível de dificuldade ou a ordem de instruções</p><p>durante as atividades educacionais, 5) enriquecer o ambiente para fornecer</p><p>pistas adicionais ou acesso a materiais adicionais e 6) modificar os horários de</p><p>entrega e estímulo e reforço.</p><p>Intervenção Momentum Comportamental: é uma estratégia na qual a</p><p>apresentação das</p><p>tarefas é modificada para que aquelas que requerem</p><p>respostas menos trabalhosas (sequências de respostas de alta probabilidade)</p><p>CBI of Miami</p><p>10</p><p>ocorram antes daquelas que exigem respostas mais difíceis (sequências de</p><p>respostas de baixa probabilidade). Isso é feito para que os alunos recebam</p><p>reforço mais cedo e tenham maior probabilidade de permanecer engajados e</p><p>persistir com as tarefas ou solicitações mais desafiadoras que se seguem. A</p><p>Intervenção Momentum Comportamental pode ser usada nos domínios</p><p>acadêmico, social, de comunicação e comportamental.</p><p>Ensino por Tentativas Discretas (DTT): esta é uma abordagem</p><p>instrucional individual, geralmente usada para ensinar habilidades de maneira</p><p>planejada, controlada e sistemática. A DTT é caracterizada por tentativas</p><p>repetidas ou agrupadas que têm começo e fim definidos. Na DTT, o uso de</p><p>antecedentes e consequências é cuidadosamente planejado e implementado. A</p><p>tentativa começa quando o praticante apresenta uma instrução ou estímulo</p><p>claro, o que provoca um comportamento-alvo. Elogios e/ou recompensas</p><p>tangíveis são usados para reforçar as habilidades ou comportamentos</p><p>desejados. Os dados geralmente são coletados em todas as tentativas.</p><p>Modelação: envolve a demonstração de um comportamento-alvo</p><p>desejado que resulta no uso do comportamento pelo aluno e que leva à aquisição</p><p>do comportamento-alvo. Assim, o aluno está aprendendo uma habilidade</p><p>específica através da aprendizagem observacional. Esta prática é</p><p>frequentemente combinada com outras estratégias, como estímulo e reforço.</p><p>Intervenção Naturalística: é uma coleção de práticas, incluindo arranjo</p><p>ambiental e técnicas de interação implementadas durante rotinas diárias e</p><p>atividades na sala de aula ou no ambiente doméstico do aluno. Essas práticas</p><p>são projetadas para incentivar comportamentos-alvo específicos com base nos</p><p>interesses dos alunos, criando habilidades mais complexas que são</p><p>naturalmente reforçadoras e adequadas à interação. A Intervenção Naturalística</p><p>está incorporada em atividades e/ou rotinas típicas das quais o aluno participa.</p><p>Intervenção Implementada por Pais: nesta prática, os pais são as principais</p><p>pessoas a usarem uma prática de intervenção com seu próprio filho. Os</p><p>profissionais ensinam os pais em formato individual ou de grupo (em ambientes</p><p>domésticos ou comunitários). Os métodos para ensiná-los variam, mas podem</p><p>incluir instruções didáticas, discussões, modelação, treinamento ou feedback de</p><p>desempenho. O papel dos pais é usar a prática de intervenção para ensinar ao</p><p>CBI of Miami</p><p>11</p><p>filho novas habilidades, como: formas de comunicação, maneiras de brincar ou</p><p>habilidades de autocuidado, o envolvimento do filho na comunicação social e</p><p>interações e/ou como diminuir comportamentos desafiadores. Depois que os</p><p>pais são treinados, eles utilizam as intervenções (ou parte delas) com seus filhos.</p><p>Dicas (Prompting): estas estratégias incluem o suporte dado aos alunos</p><p>que os ajudam a usar uma habilidade específica. Dica verbal, gestual ou física é</p><p>dada aos alunos para ajudá-los a adquirir ou se envolver em um comportamento</p><p>ou habilidade direcionada. Geralmente, as Dicas são dadas por um adulto ou um</p><p>colega antes ou quando o aluno tenta usar uma habilidade. Esses procedimentos</p><p>são frequentemente usados em conjunto com outras práticas baseadas em</p><p>evidências, incluindo atraso e reforço, ou fazem parte de protocolos para o uso</p><p>de outras práticas baseadas em evidências, como o Treino de Habilidades</p><p>Sociais, Ensino por Tentativas Discretas e a Videomodelação.</p><p>Reforçamento: é a aplicação de consequências após a ocorrência de um</p><p>comportamento que aumenta a probabilidade do uso deste comportamento em</p><p>situações futuras. O reforçamento inclui reforço positivo, reforço negativo</p><p>(diferente de punição), reforço não-contingente e economia de fichas. O</p><p>reforçamento é uma prática fundamental baseada em evidências, na medida que</p><p>quase sempre é usada com outras práticas baseadas em evidências, incluindo</p><p>Dicas, Ensino por Tentativas Discretas, Treino de Comunicação Funcional,</p><p>Intervenção Naturalística.</p><p>Análise de Tarefas: é o processo de decompor uma habilidade</p><p>comportamental complexa ou “encadeada” em componentes menores para</p><p>ensinar uma habilidade. O aluno pode ser ensinado a executar etapas individuais</p><p>da cadeia progressivamente, até que toda a habilidade seja dominada (também</p><p>chamada de “encadeamento direto”). Ou o aluno pode ser ensinado a executar</p><p>etapas individuais, começando com a etapa final e retornando progressivamente</p><p>pela cadeia de habilidades até que toda a tarefa seja dominada desde o início</p><p>(encadeamento de trás para frente). A Análise de Tarefas também pode ser</p><p>usada para apresentar uma tarefa inteira a um aluno de uma só vez, com etapas</p><p>claras sobre como atingir a habilidade do início ao fim. Outras práticas, como</p><p>reforço, videomodelação ou atraso de tempo devem ser usadas para facilitar o</p><p>aprendizado das etapas menores. Conforme os passos menores são</p><p>CBI of Miami</p><p>12</p><p>dominados, o aluno se torna mais independente em sua capacidade de executar</p><p>a habilidade maior.</p><p>Atraso de tempo: é uma prática usada para diminuir sistematicamente o</p><p>uso de Dicas durante as atividades de ensino. Com este procedimento, é</p><p>fornecido um breve atraso entre a instrução inicial e quaisquer instruções ou</p><p>dicas adicionais. A pesquisa, baseada em evidências, concentra-se em dois</p><p>tipos de procedimentos de Atraso de Tempo: progressivo e constante. No atraso</p><p>progressivo do tempo, o praticante aumenta gradualmente o tempo de espera</p><p>entre uma instrução e qualquer solicitação que possa ser usada para obter uma</p><p>resposta do aluno. À medida em que o aprendiz se torna mais competente no</p><p>uso da habilidade, o praticante aumenta gradualmente o tempo de espera entre</p><p>a instrução e a dica. Em um atraso de tempo constante, sempre é usado um</p><p>período fixo de tempo entre a instrução e a dica, e isso à medida em que o aluno</p><p>se torna mais experiente no uso da nova habilidade. O atraso de tempo é sempre</p><p>usado em conjunto com procedimento de dica (por exemplo, dica de menos para</p><p>mais, dica simultânea, condução graduada).</p><p>Suportes Visuais: são dicas concretas que fornecem informações sobre</p><p>uma atividade, rotina ou expectativa e/ou suporte para alguma habilidade. Os</p><p>Suportes Visuais são frequentemente combinados com outras práticas, como</p><p>Dica e Reforçamento, e também são incorporados em muitas intervenções mais</p><p>complexas ou pacotes interventivos. Alguns exemplos de Suportes Visuais</p><p>comuns são: rotinas visuais, agendas visuais, sistemas de trabalho,</p><p>organizadores gráficos, dicas visuais e scripts.</p><p>Cabe aqui ressaltar que a formação continuada em ABA é tão importante</p><p>ao profissional que atue em equipes quanto àquele que atue de maneira</p><p>independente, já que a ABA é uma ciência e toda ciência está em constante</p><p>mudança, não permanece estática. Buscar formação atualizada, baseada na</p><p>melhor evidência disponível é uma característica inerente ao Psicopedagogo</p><p>Comportamental.</p><p>CBI of Miami</p><p>13</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>ABPMC. Critérios para acreditação específica de prestadores de serviços</p><p>em análise do comportamento aplicada (ABA) ao TEA/desenvolvimento</p><p>atípico da ABPMC (Associação Brasileira de Psicologia e Medicina</p><p>Comportamental). Disponível em:</p><p>http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/16070173662d2c85bd1c.pdf. Acesso</p><p>em: 03 out. 2021.</p><p>BAER, Donald M.; WOLF, Monterose M.; RISLEY, Todd R. Some current</p><p>dimensions of applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior</p><p>Analysis. 1, p. 91-97, 1968.</p><p>BOSSA, Nadia Aparecida. Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir</p><p>da prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.</p><p>DITTRICH, Alexandre; STRAPASSON, Bruno Angelo. Bases filosóficas da</p><p>análise do comportamento aplicada. In: SELLA, Ana Carolina; RIBEIRO,</p><p>Daniela Mendonça (Orgs). Análise</p><p>do comportamento aplicada ao</p><p>transtorno do espectro autista. Curitiba: Appris Editora, 2018. p. 61-74.</p><p>LACERDA, Lucelmo. Práticas baseadas em evidências e o autismo. In:</p><p>LIBERALESSO, Paulo; LACERDA, Lucelmo. Autismo: compreensão e</p><p>práticas baseadas em evidências (livro eletrônico). Curitiba: Movimento</p><p>Capricha na Inclusão, 2020. p. 27-55. Disponível em:</p><p>https://contato.site/bd3413fa63/capricha-na-inclusao/captura. Acesso em: 02</p><p>out. 2021.</p><p>STEINBRENNER, Jessica R.; HUME, Kara.; ODOM, Samuel L.; MORIN, Kristi,</p><p>L; NOWELL, Sallie. W.; TOMASZEWSKI, Brianne; SZENDREY, Susan;</p><p>MCINTYRE, Nancy S.; YüCESOY-ÖZKAN, Şerife; SAVAGE, Melissa N.</p><p>Prática baseada em evidências para crianças, adolescentes e jovens</p><p>adultos com autismo. Traduzido ao português por equipe Terapia ABA:</p><p>GUIMARÃES, Luiza; DIAS, Roberta. Disponível em:</p><p>https://www.terapiaaba.com.br/upload/ebp-traducao-vf-0606.pdf. Acesso em:</p><p>03 out. 2021.</p><p>http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/16070173662d2c85bd1c.pdf</p><p>https://contato.site/bd3413fa63/capricha-na-inclusao/captura</p><p>https://www.terapiaaba.com.br/upload/ebp-traducao-vf-0606.pdf</p>