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<p>O DESENVOLVIMENTO E A</p><p>ENTREGA DE SERMÕES EXPOSITIVOS</p><p>HADDON ROBINSON</p><p>Copyright - S h e d d P u b l i c a ç õ e s</p><p>Título do original em inglês: B ib lical preaching: the development</p><p>and delivery o f expository messages</p><p>Publicado pela Baker Academic, 2001- 2a Edição</p><p>Ia Edição (Atualizada e Ampliada) - Fevereiro de 2003</p><p>Reimpressões - 11/05, 09/08, 08/11, 01/14, 10/15</p><p>Publicado no Brasil com a devida autorização</p><p>e com todos os direitos reservados por</p><p>S h e d d P u b l ic a ç õ e s L t d a</p><p>Rua São Nazário, 30, Sto Amaro</p><p>São Paulo-SP - 04741-150</p><p>Tel. (011) 5521-1924</p><p>Proibida a reprodução por quaisquer</p><p>meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos,</p><p>fotográficos, gravação, estocagem em banco de</p><p>dados, etc.), a não ser em citações breves</p><p>com indicação de fonte.</p><p>ISBN 978-85-88315-17-3</p><p>Printed in Brazil / Impresso no Brasil</p><p>T r a d u ç ã o - Hope Gordon Silva</p><p>R e v isã o - Ruth Hayashi Yamamoto</p><p>D ia g ra m a ç ã o / C a p a - Edmilson Frazão Bizerra</p><p>DADOS INTERNACIONAIS PARA CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO</p><p>(CIP) DO DEPARTAMENTO NACIONAL DO LIVRO</p><p>R661 Robinson, Haddon W</p><p>Pregação bíblica : o desenvolvimento e a entrega de</p><p>sermões expositivos / Haddon W Robinson ; tradução Hope</p><p>Gordon Silva. - São Paulo: Shedd Publicações, 2002.</p><p>272p.; 140x21 Ocm</p><p>ISBN: 978-85-88315-17-3</p><p>1. Pregação. I. Silva, Hope Gordon. II. Título.</p><p>CDD: 232</p><p>Aos hom ens e mulheres</p><p>que guardam seu com prom isso sagrado</p><p>n o dom ingo d e manhã.</p><p>Desnorteados p o r vozes sedutoras,</p><p>tratando feridas que a vida lhes causou,</p><p>ansiosos acerca d e coisas que não importam.</p><p>M esm o assim vêm escu tar uma palavra clara da parte d e D eus</p><p>que fala à sua condição.</p><p>E aos que m inistram a eles agora</p><p>e aos que farão isso n o futuro.</p><p>Sumário</p><p>P refác io à Segun d a E d iç ão ....................................................... Ç</p><p>P refác io à P rim eira E d ição ...................................................... 1 3</p><p>1 . O A rgum en to a fav o r da P regação E x p o sitiv a ............. 1 7</p><p>2■ Q u a l é a C irande id é ia ? ............................................................. 3 5</p><p>3 . F erram en tas do O fíc io ..................................................................5 5</p><p>4 . O C am inho do Texto ao S e rm ão ........................................ 7Ç</p><p>5 . A F lech a e o A lv o ............................................................................ 111</p><p>6. A s F o rm as que o s S erm õ es A ssum em ................... 123</p><p>7 . D ando Vida ao s O ssos S e c o s ................................................. 14Ç</p><p>8 . Com ece com um E strondo e Term ine com Tudo</p><p>C om pleto .............................................................................................1 7 7</p><p>Ç. A V estim enta do P en sam en to ..................................................1 Ç7</p><p>1 0 . Com o P reg a r p a ra q ue a s P esso as O uçam .. 2 1 5</p><p>Um a Ú ltim a P a lav ra ...................................................................2 3 5</p><p>A pênd ice no . 1 : R esp o sta s ao s E x e rc íc io s .. 2 4 1</p><p>A pênd ice no . 2 : M odelo de S erm ão e a</p><p>A v a lia ç ã o do S e rm ã o ........ 2 4 5</p><p>N o tas ......................................................................................................2 6 3</p><p>B ib lio grafia ........................................................................ 2 6 9</p><p>ác io à S eg u n d a E d ição</p><p>Vinte anos já se passaram, desde que escrevi A Pregação</p><p>Bíblica. Vinte anos. Quando se trata da vida de uma pessoa, isso</p><p>é muito tempo. Nas palavras de Charles Dickens, foram os</p><p>melhores dos tempos e os piores dos tempos. As ocasiões sofridas</p><p>acrescentaram um tom novo em minha pregação - uma</p><p>compaixão para com os pecadores e uma apreciação muito grande</p><p>pela graça de Deus. Infelizmente não tenho como colocar isso</p><p>neste livro.</p><p>Nos vinte anos desde então, fiquei feliz e surpreso pelas</p><p>pessoas que adquiriram A Pregação Bíblica. Eu me convenci de</p><p>que alguns até o leram. Estudantes de minhas classes no Seminário</p><p>de Denver e no Seminário Teológico Gordon-Conwell tiveram</p><p>que ler o livro como tarefa de classe. Em geral, falaram bem dele.</p><p>Estudantes de outros estabelecimentos também já o usaram como</p><p>texto. As vezes recebo comentários de apreciação de outros que</p><p>me escreveram, ou que me procuraram em uma conferência, para</p><p>me dizer que o livro lhes forneceu alguma orientação em sua</p><p>pregação. Veteranos experientes que estudaram homilética no</p><p>tempo da idade média falaram bem dele e o empregaram para</p><p>fazer um curso de atualização. Fico feliz com a aceitação.</p><p>Então, por que uma segunda edição? Bem, eu mudei. Sou</p><p>mais velho agora e talvez um pouco mais sábio. Vejo algumas</p><p>coisas mais claramente agora do que duas décadas atrás. Não</p><p>10</p><p>mudei meu procedimento básico: os sermões precisam tratar de</p><p>idéias, pois, caso contrário, não tratam de nada. Ao reler estas</p><p>páginas, no entanto, percebo que possuo uma capacidade incrível</p><p>de tomar embaraçadas as coisas claras. Algumas seções do livro,</p><p>portanto, foram, em sua maior parte, reescritas para terem nova</p><p>oportunidade de esclarecer o que eu queria dizer.</p><p>O retorno dado por estudantes também me induziu a mudar</p><p>alguns dos exercícios, na conclusão dos primeiros capítulos. Parte</p><p>do material original estava complexo e abstrato demais, e isso</p><p>frustrava mais do que auxiliava o estudante. Tentei melhorar o</p><p>texto.</p><p>Também mudei minha linguagem, para que refletisse minha</p><p>teologia. Deus não distribui seus dons de acordo com a distinção</p><p>de gênero. Tanto mulheres como homens têm a capacidade e</p><p>responsabilidade de comunicar a Palavra de Deus. Sempre acreditei</p><p>nisso, mas a linguagem em meu primeiro livro refletia um claro</p><p>preconceito a favor do homem. Aquelas mulheres que já usaram</p><p>meu livro, apesar disso, expresso gratidão pela gentileza. Nesta</p><p>revisão espero ter demonstrado os frutos de meu arrependimento.</p><p>Nos últimos vinte anos, a cultura mudou. A televisão e o</p><p>computador influenciaram nossas maneiras de aprender e pensar.</p><p>A pregação narrativa tornou-se moda e reflete ser uma realidade</p><p>que os ouvintes, em uma cultura televisiva, pensam com imagens,</p><p>com figuras em suas mentes. Dei um pouco mais de atenção es</p><p>pecial à discussão da pregação narrativa, desta vez. Sermões</p><p>indutivos também refletem a influência de uma cultura baseada</p><p>em acontecimentos narrados. Embora eu escrevesse sobre a</p><p>indução, vinte anos atrás, dei mais ênfase a isso na revisão.</p><p>Muitos outros autores escreveram sobre a pregação, durante</p><p>os últimos vinte anos. Não só ampliei a bibliografia na conclusão</p><p>do livro, para atualizá-lo, como também, no fim de vários</p><p>capítulos, sugeri livros para estudo adicional.</p><p>No primeiro prefácio mencionei um rol de honra de pessoas</p><p>que me influenciaram de modo especial. Quero agradecer a todos</p><p>eles novamente. Além disso quero incluir na lista meu amigo</p><p>11</p><p>Scott Gibson. Ele é um valioso companheiro que deixou sua marca</p><p>em minha vida. Sid Buzzell, Terry Mattingly e Don Sunukjian</p><p>lecionaram a meu lado, na área de Doutorado em Ministério,</p><p>em Gordon-Conwell. Ao ensinarem aos participantes do</p><p>programa, ensinaram-me também muita coisa.</p><p>O que devo a Alice Mathews, que tem um coração nobre e</p><p>uma mente brilhante, nunca poderei recompensar. Ela não só</p><p>me deu sugestões valiosas, como investiu horas no manuscrito,</p><p>quando já tinha seu horário cheio, escrevendo e lecionando. Sei</p><p>o quanto é valioso seu tempo. Sócrates certa vez perguntou a um</p><p>velho simples o que ele mais agradecia na vida. O homem idoso</p><p>respondeu: “Que sendo como sou, tenho tido os amigos que tive”.</p><p>E assim que eu me sinto.</p><p>Para terminar, mais uma vez agradeço a minha esposa,</p><p>Bonnie. Nos cinqüenta anos juntos, seu calor humano não esfriou</p><p>nem sua beleza diminuiu. E uma mulher notável. Nunca deixou</p><p>de me maravilhar o fato de que ela escolheu casar-se comigo.</p><p>P re íá c io à P rim e ira E d ição</p><p>Durante a leitura de um livro, às vezes tenho pensado no</p><p>prefácio como sendo matéria que poderia</p><p>O autor de</p><p>Hebreus não diz a seus leitores tudo acerca da obra sumo sacer</p><p>dotal de Cristo neste único parágrafo. Nem sequer está falando</p><p>acerca da intrepidez para entrar no Santo dos Santos, que</p><p>realmente é uma idéia secundária na passagem.</p><p>O sujeito pode sempre ser declarado como pergunta.</p><p>Portanto, o sujeito pode ser estreitado a “O que deve acontecer,</p><p>para que os crentes possam entrar na presença de Deus com</p><p>confiança e ter um grande sumo sacerdote?” Os complementos</p><p>deste sujeito serão uma série de resultados, e há três. Primeiro,</p><p>eles devem aproximar-se com a confiança que advém de um</p><p>coração purificado; segundo, eles devem firmar-se na esperança</p><p>que professam; e terceiro, eles devem incentivar uns aos outros</p><p>ao amor e às boas obras. Tudo mais neste parágrafo desenvolve</p><p>este sujeito com seus complementos.</p><p>Veja como o processo funciona com a poesia, num livro do</p><p>Antigo Testamento. O pequeno diário de Habacuque consiste</p><p>de uma série de conversas que o profeta teve com Deus. No</p><p>capítulo inicial, Habacuque está contrariado com Deus, por ele</p><p>não castigar o mal na nação de Judá e no mundo mais amplo.</p><p>Primeiramente, precisamos colocar as idéias que compõem o</p><p>debate que o profeta teve com Deus.</p><p>Habacuque começa com uma queixa em 1.2-4. Declarada</p><p>como sujeito e complemento, a idéia é a seguinte:</p><p>* Sujeito: Qual é a queixa de Habacuque sobre a injustiça</p><p>que ele vê em Judá?</p><p>* C om plem ento : Ele quer saber por que Deus, que é justo,</p><p>não julga a nação pelo seu pecado.</p><p>* Idéia: Habacuque lamenta que seu Deus justo não castigue</p><p>o pecado em Judá.</p><p>Deus responde ao profeta em 1:5-7. A resposta de Deus</p><p>também pode ser declarada com um sujeito e complemento.</p><p>* Sujeito: De que maneira Deus trará juízo sobre Judá?</p><p>48</p><p>* C om p lem en to : Deus usará os ímpios babilônios para</p><p>punirem seu povo.</p><p>* Idéia: Deus usará os ímpios babilônios para punir seu povo.</p><p>Note que estes dois parágrafos (1.2-11) podem agora ser</p><p>ligados a um sujeito e complemento maiores:</p><p>* Sujeito: Como Deus vai punir o mal e a injustiça que estão</p><p>soltos em Judá, povo dele?</p><p>* C om plem ento: Deus usará os ímpios babilônios como sua</p><p>vara de correção.</p><p>* Idéia: Deus julgará o mal em seu próprio povo, Judá, através</p><p>de uma invasão dos ímpios babilônios.</p><p>Isso nos leva, então, ao terceiro parágrafo da passagem</p><p>encontrado em 1.12-2.1:</p><p>* Sujeito: Como um Deus justo usa a Babilônia ímpia e ateísta,</p><p>para punir uma nação mais justa como Judá?</p><p>* C om plem ento : Deus também punirá os babilônios na hora</p><p>determinada.</p><p>* Idéia: Mesmo que Deus for usar os maus babilônios para</p><p>punir Judá, ele também julgará os babilônios pelo pecado</p><p>deles.</p><p>Há muitas imagens empregadas na poesia deste capítulo, mas</p><p>devem ser separadas das idéias que elas sustentam. E importante</p><p>passar pelo processo de declarar o sujeito e complemento para</p><p>chegar às idéias. Idéias são criaturas escorregadias que facilmente</p><p>escapam de suas mãos.</p><p>Em cada uma destas passagens, determinamos o(s) sujeito(s)</p><p>e seu(s) complemento(s) para descobrir a estrutura da idéia. A</p><p>fim de pensarmos de modo claro, devemos distinguir</p><p>constantemente entre a estrutura da idéia e a maneira pela qual a</p><p>idéia se desenvolve. O esforço para declarar a idéia de uma</p><p>passagem ou de um sermão, em palavras exatas, pode ser frustrante</p><p>e irritante, mas, no cômputo geral, é o emprego mais econômico</p><p>do tempo. Mais importante ainda, não conseguimos chegar a</p><p>49</p><p>lugar algum, sem fazer isso. Não entendemos o que estamos lendo</p><p>a não ser que possamos expressar claramente o sujeito e</p><p>complemento da seção que estamos estudando. E aqueles que</p><p>nos ouvem, não entendem o que estamos dizendo, a não ser que</p><p>possam responder às pergunta básicas. Sobre o que nós estávamos</p><p>falando hoje? O que estávamos dizendo sobre aquilo do qual</p><p>falávamos? Mas domingo após domingo, homens e mulheres saem</p><p>da igreja sem ser capazes de declarar a idéia básica do pregador,</p><p>porque este pregador não se deu ao trabalho de declará-la no</p><p>sermão. Quando as pessoas saem envoltas numa neblina mental,</p><p>eles estão assumindo o risco espiritual.</p><p>Pensar é difícil, mas consta como a obra essencial do pregador.</p><p>Que não haja mal-entendido algum sobre a dificuldade da tarefa.</p><p>Freqüentemente é lenta, desanimadora, opressiva. Mas quando</p><p>Deus chama os homens para pregar, chama-os a amá-lo com suas</p><p>mentes. Deus merece esse tipo de amor, e assim também as pessoas</p><p>às quais ministramos.</p><p>Em certa manhã fria e sombria um pregador trabalhou com</p><p>seu sermão desde o café da manhã até o meio-dia, com pouca</p><p>coisa para mostrar pelo esforço feito. Impaciente, largou sua caneta</p><p>na mesa e olhou desconsolado pela janela, sentindo pena de si,</p><p>porque lhe custava fazer os sermões aparecerem. Foi então que</p><p>raiou na sua mente um pensamento que produziu um efeito</p><p>profundo sobre seu ministério, a partir de então. “Seus irmãos</p><p>cristãos”, ele pensou, “dedicarão muito mais tempo a esse sermão</p><p>do que você. Vieram de mais de uma centena de lares. Viajam</p><p>mil quilômetros, no cômputo global, para estarem no culto.</p><p>Passarão trezentas horas participando do culto e escutando o que</p><p>você tem a dizer. Não se queixe das horas que está passando no</p><p>preparo, nem da agonia que sente. O povo merece tudo quanto</p><p>você pode dar-lhe”.</p><p>50</p><p>N ovos C o n ceito s</p><p>Idéia</p><p>Dois elementos essenciais na declaração de uma idéia:</p><p>* sujeito</p><p>* complemento</p><p>D efin içõ es</p><p>Idéia. - uma destilação da vida que abstrai das experiências</p><p>particulares o que eles têm em comum e os relaciona entre si.</p><p>C om plem en to — a resposta à pergunta, “O que estou dizendo</p><p>exatamente sobre aquilo do qual estou falando?”</p><p>Sujeito - a resposta completa e definitiva à pergunta: “Sobre</p><p>o quê estou falando?”</p><p>E xerc íc io s</p><p>Determinar o sujeito e complemento dos seguintes pará</p><p>grafos;</p><p>1. Um bom sermão deixa você pensando como é que o</p><p>pregador conhecia tudo sobre você?</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:________________________________</p><p>2. O púlpito de hoje perdeu sua autoridade, porque em</p><p>grande parte desconsidera a Bíblia como fonte de sua</p><p>mensagem.</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:________________________________</p><p>51</p><p>3. Os jovens têm muito tempo e pouca memória, enquanto</p><p>que os idosos têm muita memória e pouco tempo.</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:________________________________</p><p>4. O ditado popular diz “A caridade começa em casa”. Não é</p><p>assim. A caridade começa onde o amor se liga à</p><p>necessidade.</p><p>Sujeito:_______________________________________</p><p>Complemento:________________________________</p><p>5. Atenção, adolescentes: Se vocês estão cansados de serem</p><p>amolados por pais irracionais, agora é a hora de agir. Saiam</p><p>de casa agora e paguem suas próprias despesas, enquanto</p><p>vocês ainda sabem tudo.</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:________________________________</p><p>6. “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará</p><p>no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade</p><p>de meu Pai que está nos céus” (Mt 7.21).</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:.</p><p>52</p><p>7. “Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude,</p><p>antes que venham os dias difíceis e se aproximem os anos</p><p>em que você dirá: ‘Não tenho satisfação neles’ “ (Ec 12.1).</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:________________________________ _</p><p>8. “Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-</p><p>o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos;</p><p>as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs,</p><p>com toda a pureza” (lTm 5.1-3).</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:_________________________________</p><p>9. Perdão “não pode significar que encobrimos uma falta com</p><p>um ‘manto de caridade’. As coisas divinas nunca são uma</p><p>ilusão e engano propositado. Pelo contrário, antes de o</p><p>pecado ser perdoado, o manto com o qual está coberto,</p><p>precisa ser removido. O pecado precisa ser exposto sem</p><p>misericórdia sim, sem misericórdia,</p><p>à luz da face de Deus</p><p>(SI 90)” (Helmut Thielicke).</p><p>Sujeito:_________________________________ _____</p><p>Complemento:</p><p>53</p><p>10. “Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas</p><p>e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o</p><p>Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia!”</p><p>(SI 32.1-2).</p><p>Sujeito:______________________________________</p><p>Complemento:________________________________</p><p>(Há as respostas no apêndice 1).</p><p>C a p ít u lo 3</p><p>F erram en tas do O Íício</p><p>E tap a s n o D esen v o lv im en to ã e M en sag en s E x p o siliv a s</p><p>1 . E s c o l h e n d o a P a s s a g e m</p><p>2 . E s t u d a n d o a P a s s a g e m</p><p>3 . D e s c o b r in d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>E difícil pensar. É mais difícil pensar sobre pensar. E mais</p><p>difícil falar acerca de pensar sobre pensar. Mesmo assim, esta é a</p><p>tarefa básica da homilética. Um mestre de homilética observa</p><p>como trabalham os pregadores, e procura penetrar em suas mentes</p><p>para descobrir o que acontece ali, enquanto se preparam para</p><p>pregar. Depois, deve explicar o processo com suficiente clareza,</p><p>para que faça sentido para o estudante. A tarefa chega às raias do</p><p>impossível.</p><p>A quem um mestre de homilética deve estudar? Certamente</p><p>não a todo pregador. Há patetas no púlpito assim como há no</p><p>campo de golfe, e para descobrir como fazer bem alguma coisa,</p><p>geralmente estudamos aqueles que são eficazes naquilo que fazem.</p><p>Mesmo assim, muitos homens famosos do púlpito que escrevem</p><p>livros sobre “como eu o faço” revelam tantas variedades de</p><p>procedimento quanto de autores. Talvez mais desconcertantes</p><p>sejam os sem-métodos supostamente empregados por alguns</p><p>pregadores eficazes. Estes ministros que “falam com um coração</p><p>cheio” ou que “compartilham” insistem em dizer que, embora</p><p>56</p><p>tenham abandonado as regras, seus sermões continuam atingindo</p><p>o alvo. Semelhante pregação deve ser levada em conta. Quanto</p><p>às perícias profissionais, a construção do sermão classifica-se en</p><p>tre as mais inexatas, quando comparada com, digamos, cozinhar</p><p>espaguete, remover um apêndice, ou pilotar um avião.</p><p>Como podemos avaliar o sortimento de abordagens ou</p><p>explicar a eficácia aparente de sermões que não parecem ter, por</p><p>detrás deles, método algum? Mais exatamente: como derivamos</p><p>de tudo isto procedimentos que outros podem seguir?</p><p>Primeiro, estamos ocupados com a pregação expositiva, e os</p><p>ministros cuja pregação é moldada pela Bíblia, possuem mais em</p><p>comum do que os pregadores de modo geral. Além disto, os</p><p>expositores que alegam que não seguem regra alguma, geralmente</p><p>não analisaram como estudam. Qualquer coisa que fazemos</p><p>regularmente, fica sendo nosso método, ainda que tenhamos</p><p>chegado a ele de modo intuitivo, e poucos expositores eficazes</p><p>são tão desprovidos de método quanto às vezes alegam. Além</p><p>disso, para analisar como fazer bem alguma coisa, somos atraídos</p><p>para aqueles que a fazem bem, de modo consistente, e não para</p><p>aqueles que a fazem bem, de vez em quando, e isto, por acaso. A</p><p>exposição bíblica clara e relevante não ocorre domingo após</p><p>domingo por intuição ou acidente. Os bons expositores têm</p><p>métodos para seu estudo.</p><p>Duas conclusões realmente surgem do fato de que os</p><p>expositores procedem em seu trabalho, de modos diferentes: (1)</p><p>pensar é um processo dinâmico, e (2) instrução pormenorizada</p><p>acerca de como pensar pode, às vezes, ser um empecilho para o</p><p>processo. O dano que a instrução pode fazer é refletido na história</p><p>de um advogado e um médico que regularmente jogavam golfe</p><p>juntos. Eram iguais na capacidade, e sentiam um forte senso de</p><p>prazerosa rivalidade. Certa primavera o jogo do advogado</p><p>melhorou tanto que o médico estava perdendo regularmente. As</p><p>tentativas do médico para melhorar seu próprio jogo eram mal</p><p>sucedidas, mas depois ocorreu-lhe uma idéia. Numa livraria</p><p>comprou três manuais sobre como jogar golfe, e enviou-os para</p><p>o advogado, como presente de aniversário. Dentro em breve,</p><p>voltaram a estar equiparados</p><p>Em segundo lugar, pensar é um processo dinâmico. A</p><p>pregação bíblica eficaz requer discernimento, imaginação e</p><p>sensibilidade espiritual e nenhuma destas coisas advém</p><p>meramente de seguir instruções. Quando uma discussão sobre</p><p>o preparo de um sermão expositivo se assemelha a instruções</p><p>sobre como construir um canil, algo deu errado. Edificar o</p><p>sermão expositivo aproxima-se mais da edificação de catedrais</p><p>do que de martelar, até produzir um abrigo de animal. Mas até</p><p>mesmo os construtores de catedrais têm sua forma de fazer as</p><p>coisas. Embora seja necessária uma vida toda com as Escrituras</p><p>e com as pessoas, para fazer exposição madura, o aprendiz precisa</p><p>de ajuda específica para saber como começar. Saber como outros</p><p>trabalham com a Bíblia pode ser uma ajuda bem-vinda. A estes</p><p>conselhos, cada um de nós precisa contribuir com sua própria</p><p>mente, espírito e experiência, e, a partir de prática repetida no</p><p>trabalho árduo de pensar, devemos desenvolver nosso próprio</p><p>modo de operar. Mas estar consciente de como outras pessoas</p><p>abordam a tarefa, produz confiança e contribui para um</p><p>emprego mais eficiente de tempo e energia.</p><p>No decurso da discussão de como desenvolver um sermão</p><p>expositivo, portanto, devemos conservar em mente que, embora</p><p>as etapas para o preparo sejam tratadas em seqüência, às vezes se</p><p>misturam. Por exemplo, o momento lógico para preparar uma</p><p>introdução chega, quando já ficou claro o desenvolvimento do</p><p>sermão inteiro. Um pregador experimentado, porém, às vezes</p><p>acha, por acaso, uma idéia funcional para uma introdução logo</p><p>no início do seu preparo. Aceita-a, sempre quando a pode</p><p>conseguir, embora talvez espere até perto do fim da sua obra,</p><p>para adaptá-la ao seu sermão.</p><p>Quais são, pois, as etapas no preparo do sermão expositivo?</p><p>E t apa 1 : E s c o l h a a p a s s a g e m a s e r p r e g a d a .</p><p>Uma receita antiga de guisado de coelho começa assim: “Em</p><p>primeiro lugar, caçar o coelho”. Isso é pôr as primeiras coisas em</p><p>primeiro lugar. Sem o coelho, não há o prato. As primeiras</p><p>perguntas óbvias que nos confrontam são: Acerca do quê falarei?</p><p>De que passagem da Bíblia tirarei meu sermão?</p><p>Estas perguntas nao precisam ser enfrentadas na terça-feira</p><p>de manhã, seis dias antes de pregar o sermão. Um ministério</p><p>consciencioso das Escrituras depende do planejamento bem</p><p>pensado para o ano inteiro. O expositor sábio poupará tempo</p><p>para si mesmo, ao investir num calendário de pregação. Algum</p><p>tempo antes de seu ano começar, ele se forçará a resolver o que</p><p>pregará no domingo após domingo, culto após culto.</p><p>Embora toda a Escritura seja proveitosa, nem toda a Escritura</p><p>possui igual proveito para uma congregação, num determinado</p><p>tempo. O discernimento e a solicitude do pregador serão refletidos</p><p>na escolha de quais verdades bíblicas ele oferece ao seu povo. No</p><p>seu ministério, o expositor serve como construtor de pontes, ao</p><p>se esforçar para fornecer a ponte sobre o abismo entre a Palavra</p><p>de Deus e as preocupações dos homens e mulheres. Para fazer</p><p>isso, precisa estar tão familiarizado com as necessidades da sua</p><p>igreja quanto com o conteúdo de sua Bíblia. Embora os pastores</p><p>relacionem as Escrituras com as vidas do seu povo, em sermões</p><p>distintos, conhecem a importância de um calendário de pregação</p><p>que escolhe temas amplos ou passagens das Escrituras que falam,</p><p>de perto, às necessidades de suas igrejas, em particular.</p><p>U n id ad es d e P en sam en to</p><p>Freqüentemente avançaremos trabalhando, capítulo após</p><p>capítulo, versículo por versículo, através de diversos livros da</p><p>Bíblia. Ao fazer nosso calendário, portanto, leremos o conteúdo</p><p>total dos livros várias vezes, e depois os dividiremos em trechos</p><p>que vamos apresentar em sermões específicos. Fazendo isso,</p><p>deveremos selecionar as passagens segundo as divisões naturais,</p><p>e não forçadas, da matéria. Nao faremos a contagem de dez ou</p><p>doze versículos por sermão como se cada versículo pudesse ser</p><p>manejado como pensamento separado. Ao invés disto</p><p>pesquisaremos as idéias do escritor bíblico. Nas Epístolas</p><p>do Novo</p><p>Testamento, isto quer dizer que os textos serão selecionados</p><p>segundo as divisões dos parágrafos, visto que os parágrafos</p><p>delineiam os blocos de construção do pensamento. O expositor</p><p>geralmente escolherá um ou mais destes parágrafos para expor,</p><p>dependendo de como se relacionam entre si e, assim, com a idéia</p><p>do autor.</p><p>E claro que nenhuma mão divina formou nossas divisões em</p><p>parágrafos. Os títulos [e reentrâncias na n v i] em nossas traduções</p><p>refletem as decisões dos editores que procuram destacar mudanças</p><p>do pensamento no original. Conseqüentemente, as divisões dos</p><p>parágrafos em determinada tradução podem ser diferentes</p><p>daquelas em outra tradução. Como regra geral, as traduções mais</p><p>antigas tendem para parágrafos mais longos e pesados do que as</p><p>traduções mais modernas, que enfatizam a facilidade de leitura e</p><p>a atração visual. Até mesmo os textos grego e hebraico refletem</p><p>variações editoriais nas divisões dos parágrafos. Mesmo assim,</p><p>todos os esforços no sentido de dividir em parágrafos reconhecem</p><p>os princípios centrais do desenvolvimento e transição do</p><p>pensamento. O expositor diligente examinará a separação dos</p><p>parágrafos tanto nos textos originais quanto nas traduções em</p><p>português, selecionará as divisões da matéria que parecem ser de</p><p>maior utilidade, e as empregará como base de sua exposição.</p><p>Se estivermos trabalhando dentro de seções narrativas, porém,</p><p>o expositor provavelmente tratará com uma unidade literária</p><p>maior do que um ou dois parágrafos. Por exemplo, ao explorar</p><p>um episódio tal como o adultério de Davi com Bate-Seba, o ex</p><p>positor violaria a história, se fosse pregá-la um parágrafo por vez.</p><p>Ao invés disso, provavelmente tiraria seu sermão da totalidade</p><p>do capítulo 11 de 2Samuel, e pelo menos de parte do capítulo</p><p>12, visto que tudo isto registra o pecado e suas conseqüências</p><p>devastadoras.</p><p>Na literatura poética, tal como o salmo, um parágrafo é</p><p>aproximadamente igual à estrofe de um poema. Embora o</p><p>pregador, talvez, faça exposição de uma única estrofe, normal</p><p>mente tratará do salmo inteiro. Ao selecionar passagens para o</p><p>sermão expositivo, um princípio para seguir é este: Baseie o sermão</p><p>nalguma unidade d e p en sam en to bíblico.</p><p>Trabalhar no livro de Provérbios, no entanto, apresenta um</p><p>desafio especial a esta regra. Mesmo que os nove capítulos</p><p>introdutórios possam ser divididos em unidades de pensamento,</p><p>relativamente fáceis de identificar, os ditados que se encontram</p><p>nos capítulos 10 a 31 parecem ser uma coletânea de sentenças</p><p>incisivas, aparentemente não relacionadas. Pregar nos provérbios</p><p>um atrás do outro, porém, fará do sermão uma rajada de</p><p>metralhadora.. Por essa razão, mensagens pregadas de Provérbios</p><p>geralmente tratam dos ditados por tópicos. Vários deles são tirados</p><p>de capítulos diversos e são unidos em uma seqüência lógica ou</p><p>psicológica, que forme as unidades de pensamento para o sermão.</p><p>Derek Kidner sugere oito destes estudos por assuntos, em seu</p><p>breve comentário do livro.1</p><p>Devemos notar, no entanto, que comentaristas recentes de</p><p>Provérbios apontam ligações lingüísticas entre os provérbios no</p><p>texto hebraico, sugerindo que os provérbios podem não ser tão</p><p>aleatórios quanto possam parecer, a princípio.2</p><p>Como expositores, podemos normalmente seguir</p><p>trabalhando o roteiro de livros inteiros ou passagens extensas da</p><p>Bíblia. Contudo, em alguma época ou outra durante o ano,</p><p>pregaremos por tópicos. Sermões pregados no Domingo da</p><p>Ressurreição ou no Natal requerem tratamento tópico especial.</p><p>Além disso, poderemos pregar sobre tópicos teológicos tais como</p><p>a Trindade, a reconciliação, a adoração, a preocupação de Deus</p><p>com os pobres, ou a autoridade da Palavra de Deus. Tratando-se</p><p>de doutrina cristã, poderemos começar nosso estudo das Escrituras</p><p>com o auxílio de uma concordância analítica ou uma Bíblia de</p><p>estudo por tópicos. O índice em livros sobre teologia poderá nos</p><p>levar a discussões do assunto e passagens da Escritura nas quais a</p><p>doutrina se baseia.</p><p>Certas vezes, também poderemos querer dirigir nossa</p><p>mensagem a interesses pessoais, tais como culpa, luto, perdão,</p><p>solidão, ciúme, casamento e divórcio. Pregar sobre problemas</p><p>pessoais, às vezes chamado de pregação sobre situações da vida,</p><p>apresenta uma dificuldade especial. Como encontramos a</p><p>passagem ou passagens para pregar? Se temos um conhecimento</p><p>amplo da Bíblia, estaremos cientes das passagens que tratam de</p><p>pessoas que enfrentam estes problemas. Já conheceremos a</p><p>tentação de Adão, o ciúme de Caim, a consciência pesada de</p><p>Jacó, a depressão de Elias, ou o ensino de Jesus sobre a necessidade</p><p>de confrontar e perdoar alguém que nos tenha ofendido. Se não</p><p>temos essa vasta compreensão da Escritura, uma concordância</p><p>poderá fornecer dicas funcionais. Além disso, livros que debatem</p><p>questões morais e éticas de uma perspectiva cristã, podem não só</p><p>analisar o problema como sugerir material bíblico a ser</p><p>considerado. Na exposição tópica, portanto, começamos com um</p><p>assunto ou um problema e então procuramos uma passagem ou</p><p>passagens que estão relacionadas com ele.</p><p>A exposição tópica enfrenta dois problemas. Primeiro, o</p><p>assunto, o tópico que estamos considerando poderá ser tratado</p><p>em várias passagens da Bíblia. Cada uma das passagens específicas,</p><p>então, deve ser examinada em seu contexto. Isolar uma passagem</p><p>única na qual basear um ensino, poderá desconsiderar tensões</p><p>que são parte integral daquele registro bíblico. Em geral a</p><p>exposição tópica exige mais estudo do que a exposição baseada</p><p>numa só passagem.</p><p>Um outro problema da exposição tópica é que podemos</p><p>inferir algo no relato bíblico, a fim de ler ali algo significativo.</p><p>Começar pelos problemas pessoais apresenta o perigo específico</p><p>de fazer mau uso das Escrituras. Se a dificuldade de começar com</p><p>a Bíblia é podermos nunca chegar ao século vinte e um, então a</p><p>armadilha de começar com o século vinte e um é podermos correr</p><p>o perigo de tratar desonestamente da Bíblia. Em nossa ansiedade</p><p>de dizer algo que ajude pessoas machucadas, podemos acabar</p><p>dizendo o que a Bíblia não diz, de modo algum. Podemos nos</p><p>servir de textos da Escritura que nós sentimos que apóiam o que</p><p>queremos dizer, sem considerar a intenção do escritor bíblico ou</p><p>o contexto daqueles versículos. Aqueles que querem dirigir-se às</p><p>necessidades sentidas de seu povo, devem ser elogiados pelo desejo</p><p>de ser relevante em nossos dias. Ao mesmo tempo, não há maior</p><p>traição de nosso chamado do que a de colocar palavras na boca</p><p>de Deus.</p><p>Seja como for que façamos a seleção da passagem, precisamos</p><p>permitir que ela fale por si. Freqüentemente uma passagem não</p><p>diz o que esperávamos que dissesse. Poderemos lançar mão de</p><p>“textos de comprovação” para apoiar doutrinas prediletas, com</p><p>uma desconsideração completa do contexto, no qual esses textos</p><p>se inserem. Poderemos ser tentados a transformar escritores</p><p>bíblicos em psicólogos modernos, dizendo num sermão o que</p><p>eles nunca pretenderam dizer. A exposição tópica difere do</p><p>chamado sermão tópico, portanto, no fato de que o pensamento</p><p>da Escritura escolhida formata tudo que é dito, para definir e</p><p>desenvolver o tópico.</p><p>A D u ração do S e rm ão</p><p>Outro fator a considerar na escolha do que pregar, diz respeito</p><p>ao tempo. Devemos pregar nossos sermões dentro de um número</p><p>limitado de minutos. Poucas congregações que recebem alimento</p><p>bíblico bem preparado e servido de modo atraente, ficarão</p><p>assentados diante do pastor com cronômetros na mão, mas se</p><p>somos honestos, não vamos tomar tempo que não nos é oferecido.</p><p>Precisamos fazer nossos sermões sob medida, para o tempo</p><p>disponível, e os cortes devem ser feitos no escritório e não no</p><p>púlpito.</p><p>Se você está numa situação que permite só de doze a quinze</p><p>minutos para o sermão, ainda assim pode fazer exposição. Você</p><p>está limitado, é claro, no tamanho da passagem que pode</p><p>apresentar e no detalhe com que a pode desenvolver. Talvez ficará</p><p>limitado à idéia principal daquele trecho e, em poucas pinceladas,</p><p>pode mostrar como essa idéia</p><p>vem da passagem e se aplica à vida.</p><p>Ainda que lhe sejam permitidos quarenta e cinco minutos para</p><p>seu sermão, você ainda terá que fazer opções. Raramente você</p><p>poderá contar a seu povo tudo quanto descobriu acerca de uma</p><p>passagem, e nem sequer deve tentar fazê-lo. Quer tenha quinze</p><p>minutos ou uma hora, portanto, você precisa escolher o que incluir</p><p>ou excluir num dado sermão. Pela experiência, você consegue</p><p>descobrir o tamanho da passagem que pode tratar em detalhe. Sabe</p><p>também quando tem de restringir-se a uma visão geral de uma</p><p>passagem, ao invés de uma análise detalhada. E preciso considerar</p><p>tanto as unidades do pensamento como o tempo alocado para tratar</p><p>delas, ao selecionar uma passagem para ser pregada.</p><p>E t apa 2 : E st u d e s u a p a s s a g e m e c o l e c io n e s u a s</p><p>a n o t a ç õ e s</p><p>Nossa tarefa começa com o estudo da passagem e o registro</p><p>de nossas descobertas. Há várias coisas que devemos considerar.</p><p>O C o n texto</p><p>Tendo escolhido a passagem, devemos primeiro examiná-la</p><p>em seu contexto. A passagem não existe isolada. Assim como</p><p>versos individuais estão dentro de um parágrafo, os parágrafos</p><p>são partes de um capítulo, e os capítulos são partes do livro. Se</p><p>você estivesse lendo qualquer outro livro, você não o abriria à</p><p>página 50 para ler um parágrafo, e disso achar que poderia falar</p><p>com certa autoridade sobre o sentido do autor. O escritor poderia</p><p>estar dando a você a posição do adversário e não a dele. No</p><p>mínimo, você deveria ler o capítulo todo para descobrir como</p><p>este parágrafo se relaciona com o todo desta seção maior. Se</p><p>realmente quisesse entender seu parágrafo, você faria perguntas</p><p>também sobre como o capítulo, que contém seu parágrafo, se</p><p>encaixa no livro todo. O velho adágio ainda está afiado: “O texto</p><p>sem o contexto é pretexto”.</p><p>Por esse motivo, começamos nosso estudo de uma passagem</p><p>bíblica, relacionando-a à unidade literária mais ampla, da qual</p><p>faz parte. Geralmente isso exige que leiamos o livro várias vezes e</p><p>em diferentes traduções. Mesmo que tenhamos habilidade em</p><p>ler hebraico ou grego, em geral achamos mais fácil mapear o</p><p>desenvolvimento dos pensamentos do autor, com a leitura em</p><p>nosso idioma, e várias versões diferentes estão disponíveis, desde</p><p>as traduções de palavra por palavra, como os interlineares (onde</p><p>palavras do inglês [e em breve a opção do português] são colocadas</p><p>abaixo do texto hebraico ou grego) até versões que apresentam as</p><p>Escrituras em linguagem contemporânea.</p><p>Diferentes traduções nos servem de formas diferentes.</p><p>Podemos obter a impressão da nitidez e vitalidade do grego ou</p><p>hebraico original, ao ler vários tipos de traduções. Duas que</p><p>empregam a forma de falar e o vocabulário atual são a esmerada</p><p>Nova Versão Internacional (NVI) que procura o caminho entre</p><p>lealdade ao hebraico ou grego e uma delicada sensibilidade para</p><p>com o estilo; e a Nova Tradução na L inguagem d e H oje (NTLH)</p><p>que busca o equivalente dinâmico do original e se concentra em</p><p>idéias mais do que nas palavras em si. Como Bíblias de estudo,</p><p>temos também outras, com diversas notas. E útil também a leitura</p><p>da Bíblia Viva. Com o emprego destas traduções e outras, o ex</p><p>positor pode entender por si o contexto geral da passagem.</p><p>Colocar a passagem dentro do seu arcabouço mais amplo</p><p>simplesmente oferece à Bíblia a mesma oportunidade que damos</p><p>ao autor de um romance. O que um escritor quer dizer num</p><p>parágrafo ou capítulo específico pode ser basicamente</p><p>determinado, ao encaixá-lo no argumento mais amplo do livro.</p><p>O estudante não precisa investigar sozinho. Seções introdutórias</p><p>dos comentários e introduções ao Antigo Testamento e ao Novo</p><p>Testamento usualmente discutem por que um livro foi escrito, e</p><p>fazem um esboço do seu conteúdo. Embora os comentaristas às</p><p>vezes discordem entre si, sobre estas questões, o expositor pode</p><p>fazer uso das conclusões deles, à medida que lê a Escritura por si</p><p>mesmo.</p><p>Não somente a passagem deve ser colocada dentro da unidade</p><p>geral do livro, mas também ela deve ser relacionada com o</p><p>contexto imediato. Mais indícios do significado advém de um</p><p>estudo do contexto, em volta da passagem, do que de um exame</p><p>de pormenores dentro dela. Para entendermos um parágrafo ou</p><p>subseção, devemos explicar como é desenvolvido a partir do que</p><p>o antecede, e qual seu relacionamento com aquilo que o segue.</p><p>Faria alguma diferença se esta passagem específica não estivesse</p><p>ali? Qual o propósito a que esta passagem específica do livro serve?</p><p>Para entender ICoríntios 13, por exemplo, devemos entender</p><p>que faz parte de uma unidade maior que trata dos dons espirituais</p><p>- capítulos 12-14. Estes capítulos devem ser estudados juntos</p><p>apropriadamente, para interpretar o contraste entre o amor e os</p><p>dons espirituais no capítulo 13. Além disso, os capítulos anteriores</p><p>da carta escrita aos Coríntios revelam a condição espiritual dos</p><p>leitores e nos fazem refletir sobre como o amor poderia ser aplicado</p><p>na situação deles.</p><p>À medida que você lê a passagem nas várias traduções, use</p><p>uma caneta na mão. Escreva por extenso, tão exatamente quanto</p><p>possível, os problemas que encontra no entendimento da</p><p>passagem. Anote todos eles - force-se a declará-los. Se as diferentes</p><p>traduções discordam entre si de modo relevante, anote o fato.</p><p>Geralmente quer dizer que os tradutores vêem a passagem de</p><p>pontos de vista diferentes. Procure descrever as diferenças. Talvez</p><p>aquilo que o deixa confuso seja um pano de fundo pouco</p><p>conhecido ou figuras de linguagem que você desconhece. Quem</p><p>sabe você não capte o pensamento do autor, porque ele segue</p><p>uma lógica muito compacta. Fazer as perguntas certas é o passo</p><p>essencial para achar as respostas certas.</p><p>Lembre-se de que você está procurando as idéias do autor.</p><p>Comece escrevendo como der sobre o que você acha que o escritor</p><p>está falando - isto é, seu sujeito. Em seguida tente determinar</p><p>que afirmação (ou afirmações) importante(s) o escritor bíblico</p><p>está fazendo sob re o sujeito, isto é, o(s) complemento(s).</p><p>Se você não consegue declarar um sujeito a esta altura, o que</p><p>está impedindo que você o descubra?</p><p>* Há um versículo que parece não se encaixar?</p><p>* O escritor presume uma ligação entre suas afirmações que</p><p>você precisa declarar?</p><p>* Será que você nao descobriu como esse parágrafo se relaciona</p><p>com o que o antecede ou o que segue?</p><p>* Há uma figura de linguagem que o autor emprega, que</p><p>você nao entende?</p><p>Uma coisa é não saber, mas é outra coisa não saber o que</p><p>você não sabe. Descobrir e formular as perguntas que você tem,</p><p>e escrevê-las pode ajudá-lo a chegar ao sujeito do autor da</p><p>passagem.</p><p>Uma vez colocada a passagem dentro de seu contexto, você</p><p>deve agora examinar seus detalhes. Nas Epístolas e em partes dos</p><p>Evangelhos, isto significa examinar o vocabulário e a estrutura</p><p>gramatical da passagem. Em passagens narrativas você vai procurar</p><p>declarações do autor que explicam o que está acontecendo. Por</p><p>exemplo, em 2Samuel 11, o historiador relata o pecado de Davi,</p><p>sem julgá-lo. Só no fim do capítulo ele comenta que “o que Davi</p><p>fez desagradou ao Senhor”. Onde não há comentário editorial,</p><p>você deve fazer perguntas como: “Por que o autor bíblico inclui</p><p>este episódio?” ou “Há detalhes nesta passagem que, a princípio,</p><p>parecem alheios ao relato?” Os escritores do Antigo Testamento</p><p>são exímios contadores de histórias, mas são também teólogos.</p><p>Eles não estão simplesmente dando-nos histórias para contar para</p><p>nossos filhos, na hora de ir para a cama; estão contando-nos suas</p><p>histórias, para nos transmitir verdade sobre Deus.</p><p>E maravilhoso o quanto da Bíblia você pode aprender,</p><p>simplesmente lendo-a em sua língua, mas algum conhecimento</p><p>dos idiomas originais lhe dá uma vantagem. Ler uma passagem</p><p>em hebraico ou grego se assemelha a assistir a um filme em D V D ,</p><p>comparado com televisão comum. Ambos lhe dão a mesma</p><p>imagem, mas o d v d acrescenta qualidade, resultando em imagem</p><p>viva e precisa. Você nao necessita ser perito em hebraico ou grego</p><p>para usá-los com vantagem,</p><p>e quase qualquer pessoa pode usar</p><p>algumas das ferramentas lingüísticas disponíveis. A precisão, bem</p><p>como a integridade, exige que desenvolvamos todas as habilidades</p><p>possíveis nas línguas originais, para tentar determinar a idéia geral</p><p>da passagem, através da formulação de perguntas para esclarecer</p><p>o que não entendemos. Agora podemos usar ferramentas, para</p><p>ajudar-nos a cavar para o entendimento desta passagem. Pelo</p><p>menos seis recursos diferentes estão disponíveis para ajudar-nos,</p><p>ao examinarmos nosso texto.</p><p>L éx ico s</p><p>Um léxico serve como uma espécie de dicionário para as</p><p>línguas originais. Usando um léxico, nós podemos encontrar</p><p>definições de uma palavra conforme é usada em hebraico ou grego.</p><p>Mas é mais do que um dicionário: junto com a definição de uma</p><p>palavra, o livro nos dá os sentidos que tem a raiz, a identificação</p><p>de algumas formas gramaticais, uma lista de passagens onde a</p><p>palavra ocorre, a classificação de seus usos nos vários contextos, e</p><p>algumas ilustrações que ajudam a dar cor à palavra.</p><p>C o n co rd ân cia B íb lic a</p><p>Enquanto léxicos, como dicionários, definem palavras, por</p><p>vezes é essencial estudar uma palavra nas passagens onde ocorre.</p><p>Para determinar o sentido das palavras através de seu uso,</p><p>empregamos uma Concordância Bíblica.</p><p>G ram áticas</p><p>O sentido, porém, não advém de palavras apenas. As palavras</p><p>precisam ser entendidas conforme são usadas em frases, cláusulas,</p><p>sentenças e parágrafos. Um estudo da sintaxe examina como as</p><p>palavras se combinam para dar o sentido, e as gramáticas nos</p><p>auxiliam nesse estudo. Uma gramática não só oferece ajuda geral</p><p>em descrever como as palavras são formadas e combinadas em</p><p>sentenças, mas as que têm índice com referências bíblicas muitas</p><p>vezes dão discernimento relevante sobre certas passagens em</p><p>questão.</p><p>L iv ro s d e E stu d o d e P a la v ra s</p><p>Muito do trabalho de avaliar como os escritores bíblicos usam</p><p>as palavras já foi feito para nós, pelos estudiosos. Livros de estudo</p><p>de palavras nos fornecem um entendimento especial de palavras</p><p>usadas em todo o Antigo e Novo Testamentos, e, visto que as</p><p>palavras são coisas simples, até serem colocadas em um contexto,</p><p>esses livros tratam de seu uso gramatical, quando isso cabe.</p><p>D ic io n á rio s d a B íh lia e E n c ic lo p é d ia s</p><p>Diferentes da maioria dos dicionários comuns, os dicionários</p><p>da Bíblia oferecem mais do que uma definição de uma palavra.</p><p>Dão-nos discussões breves de pessoas, eventos e cenário histórico</p><p>do material bíblico. Muitas de suas perguntas sobre quando ou</p><p>onde um livro foi escrito, seus leitores e o autor serão respondidas</p><p>por um bom dicionário bíblico ou enciclopédia da Bíblia. O</p><p>exame do mesmo assunto em vários livros de consulta deste tipo</p><p>o capacita a conseguir equilíbrio e informação completa. Além</p><p>disso, com o uso de bibliografias encontradas no final de cada</p><p>artigo, você pode pesquisar um assunto mais a fundo.</p><p>C om en Lários</p><p>À medida que você ensina a Bíblia, você precisa de mestres</p><p>que o ensinem. Através de comentários, estudiosos prestam serviço</p><p>à igreja. Oferecem um tesouro imenso de informações sobre o</p><p>sentido das palavras, o pano de fundo das passagens, e o</p><p>argumento de um escritor. Normalmente é mais prudente (e mais</p><p>barato!) escolher os melhores volumes sobre livros específicos em</p><p>coleções diferentes. Também é bom consultar uma variedade de</p><p>comentários sobre uma passagem e avaliar o que dizem, pesando</p><p>um contra o outro, para determinar o sentido do autor bíblico.</p><p>Para seu estudo básico, você desejará consultar comentários</p><p>baseados nas línguas originais e não só no texto em sua própria</p><p>língua. Existem bibliografias para dirigi-lo em sua seleção de uma</p><p>biblioteca.</p><p>Para seus primeiros estudos, ajuda especial será encontrada</p><p>pela consulta de comentários baseados nas línguas originais.</p><p>Volumes do Comentário Crítico Internacional da série Word</p><p>Biblical C om m cn tary são exemplos desta categoria. Estes muitas</p><p>vezes são bem técnicos e exigem algum conhecimento das línguas</p><p>originais, mas destrinçam o sentido do texto.</p><p>Você também há de querer consultar comentários expositivos.</p><p>Escolha os que são escritos por autores que trabalham a partir</p><p>das línguas originais. Típicas desse grupo seriam a série Tyndale</p><p>OldTestament Commentary da publicadora InterVarsity, e a série</p><p>Expositors Bible Commentary da editora Zondervan.</p><p>Outra fonte de ajuda em comentários enfoca mais a aplicação</p><p>do texto: há os Application Commentaries NVI tanto do Antigo</p><p>como do Novo Testamento. São volumes que tratam de exegese</p><p>e exposição, mas por vezes vão menos a fundo do que os</p><p>comentários críticos ou expositivos.</p><p>Há muitos livros e fitas gravadas de sermões de pregadores</p><p>bem conhecidos. Embora possam dar-lhe algumas idéias de como</p><p>abordar ou aplicar seu sermão, não devem ser usados cedo, em</p><p>sua preparação. A tentação será você se apoiar demais neles e</p><p>assim dar um curto circuito em seu próprio estudo do texto.</p><p>Há livros e programas de computador para três níveis: leigos</p><p>informados, estudantes de Institutos Bíblicos e Seminários, e</p><p>pastores. Existem bibliografias críticas para ajudar na avaliação</p><p>de material. As livrarias de Seminários podem ajudá-lo a formar</p><p>sua biblioteca básica ou sugerir os melhores comentários sobre</p><p>livros individuais da Bíblia. Alguns seminários já têm bibliografias</p><p>compiladas por professores, para aconselhar os melhores livros</p><p>para comprar. Formar uma biblioteca própria é indispensável para</p><p>qualquer pessoa que faz estudo bíblico sério. Se os livros são</p><p>escolhidos com cuidado, seu valor vai durar uma vida inteira.</p><p>O u tras F erram en ta s</p><p>Hoje temos os benefícios de computadores e recursos de</p><p>estudo em CD-ROM. Colocam ao alcance dos dedos uma</p><p>biblioteca, incluindo o texto grego e hebraico, traduções da Bíblia,</p><p>concordâncias, comentários (clássicos e modernos), e auxílios para</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>3</p><p>70</p><p>o estudo de palavras, todos visando a passagens específicas. Mais</p><p>impressionante ainda, esses programas são altamente interativos</p><p>e permitem que se acesse interativamente o texto bíblico e as</p><p>ferramentas da erudição.</p><p>Em meu próprio estudo, uso um bloco de papel tamanho</p><p>ofício, para registrar os resultados de meu estudo. Para passagens</p><p>que abrangem apenas poucos versículos, dedico uma folha</p><p>diferente para cada verso. Para trechos mais longos, como as</p><p>histórias do Antigo Testamento, por exemplo, posso dar uma</p><p>folha para um parágrafo inteiro. Tenho folhas à parte para</p><p>anotações sobre a idéia e sua evolução, possíveis ilustrações, e</p><p>material que possa levar às introduções e aplicações. Admito, é a</p><p>confissão de um dinossauro. Muitos pastores utilizam um</p><p>computador para cuidar de todas essas informações. Seja como</p><p>for que você trabalhe, vai precisar de um lugar para registrar suas</p><p>descobertas.</p><p>Ao estudar os detalhes da passagem e colocá-la em seu</p><p>contexto, já estamos nos movendo em direção à próxima etapa.</p><p>E t apa 3 : A o e st u d a r a p a s s a g e m , r e l a c io n e a s</p><p>p a r t e s e n tre s i , p a r a d e t e r m in a r a IDÉIA e x e g é t ic a</p><p>E SEU DESENVOLVIMENTO.</p><p>Nossas análises, tanto lingüística quanto gramatical, nunca</p><p>devem se tornar um fim em si, mas sim, devem levar a uma</p><p>compreensão mais clara da passagem como um todo. O processo</p><p>se assemelha à forma de uma ampulheta, indo da síntese para a</p><p>análise e então voltando à síntese. Inicialmente lemos a passagem</p><p>e seu contexto em português para entender o sentido que o autor</p><p>quis. Depois, através da análise, testamos nossa impressão inicial</p><p>mediante um exame dos detalhes. E então, chegamos a uma</p><p>declaração final do sujeito e complemento à luz daquele estudo.</p><p>No decurso do processo você perguntará: “Exatamente sobre</p><p>o que o escritor bíblico está falando?” Quando você tiver um</p><p>sujeito possível, volte a ler a passagem e relacione o sujeito aos</p><p>detalhes.</p><p>* O sujeito se ajusta a todas as partes?</p><p>* E amplo demais? Como se faria para estreitá-lo?</p><p>* E estreito demais? Há um sujeito mais amplo que</p><p>responde</p><p>por todas as partes?</p><p>* Seu sujeito é uma descrição exata daquilo sobre o qual a</p><p>passagem fala?</p><p>O S u je ito</p><p>A declaração inicial de um sujeito freqüentemente será ampla</p><p>demais. Para estreitá-la, procure testar seu sujeito com uma série</p><p>de perguntas definidoras. Um versinho nos diz quais são essas</p><p>perguntas:</p><p>Eu tinha estes seis amigos fiéis,</p><p>Tudo que sei ensinaram-me bem.</p><p>Seus nomes são Como e O que e Por que,</p><p>Onde e Quando e Quem.</p><p>Lembre-se, seu sujeito pode sempre ser afirmado na forma</p><p>de uma pergunta. Aplicar estas seis perguntas a seu assunto</p><p>proposto, portanto, o ajudará a ser mais exato. Vejamos o caso</p><p>específico de Tiago 1.5-8:</p><p>Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a</p><p>todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-</p><p>a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é</p><p>semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não</p><p>pense tal pessoa que receberá coisa alguma do Senhor, pois tem</p><p>mente dividida e é instável em tudo o que faz.</p><p>Nossa resposta inicial a este parágrafo poderá ser que Tiago</p><p>está falando acerca de sabedoria. Embora a sabedoria apareça como</p><p>elemento importante no texto, é um sujeito amplo demais; porque</p><p>Tiago não discute o que a sabedoria é, porque precisamos dela,</p><p>ou quando ela nos é necessária. Olhando a passagem mais de</p><p>perto, descobrimos que está falando sobre “como obter a</p><p>sabedoria”, uma declaração mais exata do sujeito. A percepção</p><p>do contexto imediato, no entanto, nos capacita a limitar ainda</p><p>mais o sujeito. O parágrafo anterior, versos. 2-4, demonstra que</p><p>a alegria é a resposta apropriada às provações, e o presente</p><p>parágrafo continua aquela discussão. Logo, um sujeito mais</p><p>completo para Tiago 1.5-8 seria com o ob ter a sabedoria em m eio</p><p>às p ro va çõ es . Todos os pormenores no parágrafo, direta ou</p><p>indiretamente, têm relação com esse sujeito. Quando um sujeito</p><p>proposto descreve com exatidão aquilo sobre o qual o autor está</p><p>falando, ele ilumina os pormenores da passagem; e o sujeito, por</p><p>sua vez, será iluminado pelos pormenores.</p><p>O C om plem ento</p><p>Tendo isolado o sujeito, você agora deve determinar o</p><p>complemento, ou os complementos, que com p letam o sujeito e o</p><p>transformam em idéia. Ao fazer isso, você deve tomar consciência</p><p>da estrutura da passagem e fazer distinção entre as afirmações</p><p>principais e as de apoio, contidas nela. Freqüentemente o</p><p>complemento se torna imediatamente óbvio, uma vez que você</p><p>tenha declarado o sujeito. Em Tiago 1.5-8 o complemento do</p><p>sujeito “como obter a sabedoria em meio às provações ” é “peça-</p><p>a a Deus com fé ”. Uma declaração completa da idéia meramente</p><p>liga o sujeito ao complemento: A sabedoria em m eio às p rova çõ es é</p><p>obtida, ao p ed i-la a D eus com fé. Tudo o mais no parágrafo apóia</p><p>ou elabora essa idéia.</p><p>Especialmente em passagens encontradas nas epístolas do</p><p>Novo Testamento, os escritores bíblicos, muitas vezes, tecem de</p><p>bates bem argumentados. As idéias podem ser desvendadas através</p><p>do uso de um layout mecânico. Tal diagramaçao determina o</p><p>relacionamento das cláusulas dependentes às cláusulas inde</p><p>pendentes. A diagramação, um método mais exigente para dese</p><p>maranhar a estrutura, determina o relacionamento entre palavras</p><p>individuais dentro de sentenças. Uma disposição mecânica ou</p><p>um diagrama pode ser baseado no texto original ou numa</p><p>tradução em português. Os dois métodos juntam a análise e a</p><p>síntese de tal forma que a idéia principal da passagem fique</p><p>destacada do seu material de apoio.</p><p>Mesmo que as cartas do Novo Testamento ofereçam uma</p><p>contribuição fundamental à teologia cristã, elas constituem apenas</p><p>uma das muitas formas literárias encontradas na Bíblia. As</p><p>Escrituras contêm muitos tipos de literatura tais como parábolas,</p><p>poesia, provérbios, orações, discursos, alegorias, história, leis,</p><p>contrato, biografia, drama, apocalíptica e contos. Para encontrar</p><p>a idéia em qualquer deles, precisamos estar alertas para o tipo de</p><p>literatura que estamos lendo, e as convenções que lhe são</p><p>exclusivas. Não interpretamos poesias como interpretamos</p><p>contratos legais. Uma parábola difere de modo significativo de</p><p>uma narrativa histórica ou uma canção de amor. Quando se</p><p>trabalha com literatura narrativa, raras vezes temos que encarar</p><p>um labirinto de relacionamentos gramaticais complexos; mas, ao</p><p>invés disso, derivamos o que o autor quer dizer, de um estudo</p><p>global de vários parágrafos.</p><p>Uma série de perguntas diferentes deve ser feita, quando se</p><p>procura compreender uma história. Uma amostra dessas</p><p>perguntas poderia ser:</p><p>* Quais são as personagens na história, e por que o autor as</p><p>incluiu?</p><p>* Há contraste entre as personagens?</p><p>* Como estas personagens se desenvolvem, à medida que a</p><p>história se desdobra?</p><p>* Qual a contribuição do cenário à história?</p><p>* Qual estrutura mantém a história coesa e fornece sua</p><p>unidade?</p><p>* Como os episódios individuais se encaixam no arcabouço</p><p>total?</p><p>* Quais conflitos se desenvolvem, e como são resolvidos?</p><p>* Por que o escritor se deu ao trabalho de narrar a história?</p><p>* Que idéias subjazem à história, subentendidas, mas não</p><p>declaradas?</p><p>* Essas idéias podem ser declaradas através de um sujeito e</p><p>complemento?</p><p>Boa parte do Antigo Testamento é poética, quanto à sua</p><p>forma. Naquelas traduções bíblicas que imprimem a poesia como</p><p>poesia e não como prosa, descobrimos que a poesia se revela como</p><p>sendo a forma mais usada na literatura do Antigo Testamento.</p><p>Até mesmo as seções que comumente consideramos como sendo</p><p>prosa (a história, a profecia, a literatura sapiencial) contêm grande</p><p>quantidade de poesia. Os poetas geralmente não contam histórias;</p><p>pelo contrário, expressam sentimentos e reflexões acerca da vida.</p><p>Na literatura hebraica, comunicam através do paralelismo que</p><p>repete, contrasta ou acrescenta aos pensamentos anteriores, e</p><p>empregam linguagem figurada que talvez não corresponda</p><p>exatamente ao fato, mas sim aos sentimentos. As imagens e figuras</p><p>de linguagem dão mais vida e força à fala, porque unem</p><p>experiência ao fato. Quando os fazendeiros observam que “a terra</p><p>precisa de chuva”, estão sendo fiéis ao fato, mas, se dizem que “a</p><p>terra está sedenta por chuva”, são tanto fiéis ao fato como ao</p><p>sentimento. Os poetas se especializam nas estruturas e linguagem,</p><p>para acrescentar força e profundidade àquilo que estão dizendo.</p><p>Logo, a interpretação da poesia levanta sua própria coletânea de</p><p>perguntas:</p><p>* Que sentidos estão expressos por trás das imagens poéticas</p><p>e figuras de linguagem?</p><p>* Quais os sentimentos que o poeta expressa através de seu</p><p>uso da linguagem?</p><p>* Quais os elementos que o poeta emprega, para disciplinar</p><p>seu pensamento?</p><p>* O que seria perdido, se a mesma verdade fosse apresentada</p><p>em prosa?</p><p>Em qualquer gênero de literatura que você estudar, você não</p><p>só procurará determinar a idéia do escritor, como também desejará</p><p>discernir como a idéia é desenvolvida na passagem. Tome sua</p><p>declaração da idéia (sujeito ligado a complemento) e verifique-a</p><p>na passagem. Você consegue explicar como as partes se adaptam</p><p>à sua idéia? O autor pode não desenvolver um salmo numa ordem</p><p>75</p><p>lógica, mas poderá haver um relacionamento psicológico. Você o</p><p>identificou? O contador de histórias narra a história, mas se há</p><p>detalhes na narração que não parecem contribuir para a história,</p><p>pergunte-se por quê. A Bíblia é excelente literatura. Fala a nossas</p><p>mentes e nossos sentimentos. Como literatura excelente, ela não</p><p>trata de trivialidades desnecessárias. Os autores querem que nós</p><p>entendamos e sintamos aquilo sobre o qual escrevem. Quando</p><p>incluem detalhes, fazem isso com um propósito. Se você descobriu</p><p>a idéia do autor, então as diferentes partes da passagem devem</p><p>iluminá-la. Muitas vezes é justamente nos pontos que não</p><p>entendemos, de imediato, que serão revelados alguns dos</p><p>discernimentos mais importantes.</p><p>Um esquema que você poderá achar valioso é parafrasear a</p><p>passagem em suas próprias palavras. Seja exato em seu pensamento,</p><p>e afirme cuidadosamente os relacionamentos</p><p>que você vê dentro</p><p>do texto, quer o escritor bíblico os afirme declaradamente quer</p><p>não. Ao escrever, talvez precise alterar a declaração de sua idéia</p><p>exegética, para que corresponda às partes da passagem. Não dobre</p><p>a passagem, para ela se adequar à sua declaração da idéia.</p><p>A esta altura, como resultado de seu estudo, você deve ser</p><p>capaz de fazer duas coisas: primeiro, declarar a idéia da passagem</p><p>em uma única sentença que combina seu sujeito e complemento;</p><p>segundo, afirmar como as partes da passagem se relacionam à</p><p>idéia.</p><p>Isso é trabalho suado, difícil, mas tem que ser feito.</p><p>N ovos C o n ceito s</p><p>Contexto</p><p>Léxico</p><p>Concordância Bíblica</p><p>Dicionário e enciclopédia bíblica</p><p>Layout mecânico</p><p>Diagramação</p><p>Paráfrase de uma passagem</p><p>76</p><p>C oncordância Bíblica - ajuda a determinar o significado de</p><p>palavras através de seu uso.</p><p>C ontex to — o arcabouço mais amplo no qual uma passagem</p><p>ocorre. Pode ser tão estreito como um parágrafo ou capítulo,</p><p>mas, em última análise, inclui o argumento maior do livro</p><p>todo.</p><p>Diagramaçao - demonstra o relacionamento entre as palavras</p><p>individuais dentro das sentenças bem como o relacionamento</p><p>entre as cláusulas.</p><p>D icionário B íb lico e E nciclopédia Bíblica - contêm artigos</p><p>sobre ampla variedade de assuntos bíblicos, incluindo cenário</p><p>histórico dos livros da Bíblia e biografias de personagens</p><p>bíblicos.</p><p>L ayout m ecâ n ico - demonstra o relacionamento entre as</p><p>cláusulas dependentes e independentes, em um parágrafo.</p><p>Léxico - fornece definições, significado de raízes, identificação</p><p>de algumas formas gramaticais, uma lista de passagens nas</p><p>quais uma palavra ocorre, classificações do uso de uma palavra</p><p>em seus vários contextos, e algumas ilustrações que ajudam a</p><p>dar cor a uma palavra.</p><p>Paráfrase d e uma passagem - exprime a progressão de idéias</p><p>de uma passagem, em linguagem contemporânea.</p><p>P ara L e itu ra A d ic io n a l</p><p>Diferentes gêneros de literatura requerem diferentes atitudes</p><p>mentais para sua apreciação. Você não lê um documento legal da</p><p>mesma maneira que lê uma novela ou poesia ou uma carta de sua</p><p>companhia de seguros. Um livro que vale a pena ser lido é Entendes</p><p>o que lês? por Gordon Fee e Douglas Stuart (Edições Vida Nova,</p><p>2001). E um guia bem fácil de entender, para ajudá-lo a fazer as</p><p>perguntas certas em seu esforço de interpretar e aplicar as</p><p>Escrituras com precisão. Um outro livro que também vale a pena</p><p>ser lido é O uvindo a Deus: uma abordagem m ultid iscip linar da</p><p>leitura bíblica editado por Elmer Dyck (Shedd Publicações, 2001).</p><p>77</p><p>Há dez capítulos proveitosos a respeito de pregar as várias</p><p>partes e os vários gêneros da Escritura em The H andbook o f Con-</p><p>tem porary P reaching (Nashville: Broadman, 1992) que podem</p><p>ajudá-lo a atacar os diferentes tipos de literatura na Bíblia.</p><p>Um gênero importante da Bíblia é a narrativa. Um tratamento</p><p>bem prático de como estudar a narrativa do Antigo Testamento é</p><p>escrito por Steve Mathewson (The Art of Preaching Old Testa-</p><p>ment Narrative [Grand Rapids: Baker, a ser lançado]). Mathewson</p><p>compreende bem os leitores que podem estar tentando caminhar</p><p>pelas histórias bíblicas. Ao mesmo tempo, dá diretrizes úteis</p><p>àqueles que já conhecem o básico e querem aprender mais.</p><p>Se você está disposto a lutar um pouco, então tente atacar o</p><p>livro de Robert Alter The Art o f B iblical Narrative (New York:</p><p>Basic Books, 1982). Ele aborda as narrativas do Antigo Testa</p><p>mento, do ponto de vista de um crítico literário. Seu livro se</p><p>baseia no texto hebraico; não obstante, leitores pensantes que</p><p>não conhecem hebraico, aproveitarão a leitura mesmo assim. Alter</p><p>escreveu também The Art o f B iblical P oetry (New York: Basic</p><p>Books, 1987), que faz pela poesia o que seu primeiro livro fez</p><p>pela narrativa.</p><p>Outro livro que auxilia, escrito por amigos meus, robustece</p><p>os princípios deste capítulo. É The B ig Idea o f Biblical Preaching,</p><p>ed. Keith Willhite e Scott Gibson (Grand Rapids: Baker, 1998).</p><p>Em um capítulo, Bruce Waltke trata de como o estudo da poética</p><p>pode desvendar o pensamento central de passagens mais amplas</p><p>de Provérbios. Ele se utiliza de Provérbios 26.1-12 como sendo</p><p>um caso que exemplifica isso. Em outro capítulo, Paul Borden</p><p>expõe, em detalhe, como um pregador encontra e comunica a</p><p>grande idéia em uma história bíblica.</p><p>Outra exposição criteriosa das formas literárias encontradas</p><p>nas Escrituras é a de Leland Ryken em A C om plete Literary Guide</p><p>to th e B ible (Grand Rapids: Zondervan, 1993). Ryken, que ama</p><p>a boa literatura, nos faz lembrar que, mesmo sabendo que a Bíblia</p><p>difere de outra grande literatura, devemos lê-la como outros livros.</p><p>Deve ser abordada não só como um livro texto de teologia, mas</p><p>como literatura.</p><p>C a p ítu lo 4</p><p>O C am in h o do Texto ao S erm ão</p><p>E tap a s n o D esen vo lv im en to J e M en sag en s E x p o sitiv a s</p><p>1 . S e l e c io n a n d o a P a s s a g e m</p><p>2 . E s t u d a n d o a P a s s a g e m</p><p>3 . D e s c o b r in d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>4 . A n a l is a n d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>Os sermões expositivos consistem em idéias tiradas das</p><p>Escrituras, mas as idéias da Escritura precisam ser relacionadas</p><p>com a vida. Para pregar de modo eficaz, portanto, os expositores</p><p>precisam estar envolvidos em três mundos: o mundo da Bíblia, o</p><p>mundo moderno, e o mundo específico no qual somos chamados</p><p>para pregar.</p><p>Até agora, em nosso estudo, entramos no mundo da Bíblia.</p><p>Deus escolheu revelar-se dentro da história a nações que podem</p><p>ser localizadas num mapa. Usavam línguas que podem ser descritas</p><p>em gramáticas. Precisamos, primeiramente, tentar entender o que</p><p>a revelação de Deus significava para os homens e mulheres, aos</p><p>quais originalmente foi dada.</p><p>Um segundo mundo que precisamos considerar é o mundo</p><p>moderno. Precisamos estar conscientes das correntes que vão</p><p>redemoinhando através de nossos próprios dias. Cada geração se</p><p>desenvolve a partir da sua própria história e cultura, e fala sua</p><p>própria língua. Podemos ficar em pé diante de uma congregação</p><p>80</p><p>e pregar sermões exegeticamente corretos, eruditos e organizados,</p><p>mas são mortos e sem poder, porque desconsideram os problemas</p><p>e as perguntas que retorcem as vidas dos nossos ouvintes. Tais</p><p>sermões, pronunciados em voz de vitral magnífico, com linguagem</p><p>em código nunca ouvida na praça, mexem superficialmente com</p><p>grandes conceitos bíblicos, mas nosso auditório poderá sentir que</p><p>Deus pertence aos tempos antigos e a lugares longínquos. Preci</p><p>samos não só responder às perguntas que nossos pais e nossas</p><p>mães faziam; precisamos enfrentar as perguntas que nossos filhos</p><p>fazem. Os homens e mulheres que falam por Deus, de modo</p><p>eficaz, primeiro precisam lutar com as questões de sua época e,</p><p>então, se dirigir àquelas questões, tendo por base a verdade eterna</p><p>de Deus.</p><p>Um terceiro mundo do qual precisamos participar, é nosso</p><p>próprio mundo específico. Uma igreja tem um código postal, e</p><p>fica perto da Rua Tal e Avenida Central, nalguma cidade de algum</p><p>estado. As questões profundas da Bíblia e as questões éticas,</p><p>filosóficas de nossos tempos assumem formatos diferentes em</p><p>vilarejos rurais, em comunidades de classe média, ou nos guetos</p><p>e favelas de metrópoles superpovoadas. Em última análise, não</p><p>nos dirigimos à humanidade toda; falamos a um povo específico</p><p>e o chamamos pelo nome. A Bíblia fala do dom de “pastor-e-</p><p>mestre” (Ef 4.11). Isto subentende que as duas funções devem</p><p>ser ligadas, porque senão, pode surgir uma exposição irrelevante</p><p>que reflita negativamente contra Deus. Conforme a expressão de</p><p>certo freqüentador desnorteado: “O problema é que Deus é como</p><p>o pastor: não o vemos durante a semana, e não o entendemos aos</p><p>domingos”. J. M. Reu estava bem no alvo, quando escreveu: “A</p><p>pregação é fundamentalmente uma parte do cuidado das almas,</p><p>e o cuidado das almas envolve uma compreensão total da</p><p>congregação”.1 Os pastores competentes conhecem seus rebanhos.</p><p>Durante as etapas a seguir, esforçamo-nos para juntar o</p><p>mundo antigo, o mundo</p><p>moderno e nosso mundo específico, à</p><p>medida que desenvolvemos o sermão. Ao fazer isso, não é como</p><p>se estivéssemos tirando uma ilustração apropriada de uma velha</p><p>história que tornamos relevante a Bíblia. Os homens e mulheres</p><p>modernos estão sujeitos a Deus, exatamente na mesma posição</p><p>como seus equivalentes na Bíblia, e eles ouvem a Palavra de Deus</p><p>que se dirige a eles, agora. “O Senhor, o nosso Deus, fez conosco</p><p>uma aliança em Horebe”. Essa afirmação vem de um povo que</p><p>ouvia a Lei uma segunda vez, várias décadas depois de ela ter sido</p><p>dada originalmente. Mas declararam através de Moisés: “O</p><p>Senhor, o nosso Deus, fez conosco uma aliança em Horebe. Não</p><p>foi com os nossos antepassados que o Senhor fez esta aliança,</p><p>mas conosco, com todos nós que hoje estamos vivos aqui” (Dt</p><p>5.2-3). A comunidade da fé, relembrando um evento que ocorrera</p><p>num tempo distante e num lugar diferente, experimentou aquela</p><p>história como uma realidade presente. A palavra de Deus falada</p><p>no Sinai continuava a falar àquela nova geração, e não somente a</p><p>colocou em relacionamento com Deus, como também definiu o</p><p>que Deus esperava da geração deles, no seu relacionamento de</p><p>uns com os outros.</p><p>Expor as Escrituras de modo que o Deus contemporâneo</p><p>nos confronte onde vivemos, requer que estudemos nosso</p><p>auditório bem como nossa Bíblia. Também significa que é mister</p><p>fazer e responder algumas perguntas básicas e práticas, para</p><p>descobrir como a idéia exegética e seu esboço podem expandir</p><p>em sermão. Nós relacionamos a Bíblia com a vida, quando</p><p>entramos na próxima etapa de nosso estudo.</p><p>E t apa 4 : S u b m e t a a id é ia e x e g é t ic a a t r ê s</p><p>p e r g u n t a s de d e se n v o l v im e n t o .</p><p>A idéia exegética pode ficar parada em nossos apontamentos</p><p>como sucrilhos empapados numa tigela. Já a tendo identificado,</p><p>poderemos querer saber se temos alguma coisa para pregar. Como</p><p>poderemos agir para obter o “croc” e o “crac” da idéia, a fim de</p><p>desenvolvê-la em sermão vital e vivo? Para responder a essa</p><p>pergunta prática, o pregador deve ter consciência de como um</p><p>pensamento se desenvolve.</p><p>Quando pronunciamos qualquer sentença declarativa,</p><p>podemos fazer só quatro coisas com ela: podemos reformulá-la,</p><p>explicá-la, prová-la ou aplicá-la. Nada mais. Reconhecer esse fato</p><p>simples abre o caminho para se compreender a dinâmica do</p><p>pensamento.</p><p>Pelo emprego da reformulação, o autor ou expositor</p><p>meramente declara uma idéia ”em outras palavras”, para esclarecê-</p><p>la ou para imprimi-la na mente do leitor ou ouvinte. A refor</p><p>mulação é usada em toda espécie de discurso, mas ocupa um</p><p>lugar importante no paralelismo da poesia hebraica: “Cantarei</p><p>ao Senhor toda a minha vida, louvarei ao meu Deus enquanto eu</p><p>viver” o salmista nos informa em SI 104.33: “Louvarei ao meu</p><p>Deus enquanto eu viver”. Ele afirmou, depois reformulou sua</p><p>idéia em palavras diferentes. O apóstolo Paulo, enfurecido pelos</p><p>falsos mestres que substituem o evangelismo pelo legalismo,</p><p>emprega a reformulação para enfatizar a condenação deles: “Mas</p><p>ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente</p><p>daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!” Mas ele o</p><p>reformula: “Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes</p><p>anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que</p><p>seja amaldiçoado!” (G1 1.8-9).</p><p>Jeremias martela até o fundo sua denúncia da Babilônia, ao</p><p>reformular o mesmo pensamento em, pelo menos, seis</p><p>pormenores diferentes:</p><p>“Uma espada contra os falsos profetas!”</p><p>declara o Senhor;</p><p>“contra os que vivem na Babilônia</p><p>e contra seus líderes e seus sábios!</p><p>Uma espada contra os seus falsos profetas!</p><p>Eles se tornarão tolos.</p><p>Uma espada contra os seus guerreiros!</p><p>Eles ficarão apavorados.</p><p>Uma espada contra os seus cavalos,</p><p>contra os seus carros de guerra</p><p>e contra todos os estrangeiros em suas fileiras!</p><p>Eles serão como mulheres</p><p>Uma espada contra os seus tesouros!</p><p>Eles serão saqueados.</p><p>Uma espada contra as suas águas!</p><p>Elas secarão.</p><p>Porque é uma terra de imagens esculpidas,</p><p>e eles enlouquecem por causa de seus ídolos horríveis.</p><p>Jeremias 50.35-38</p><p>A reformulação enfatiza que os babilônios estão em profundas</p><p>dificuldades!</p><p>A reformulação ocupa bastante espaço numa comunicação</p><p>escrita e, especialmente, numa comunicação oral, mas a</p><p>reformulação não desenvolve o pensamento, não o leva adiante.</p><p>Simplesmente diz a mesma coisa em outras palavras. Para</p><p>desenvolver um pensamento, porém, precisamos fazer uma ou</p><p>mais de três coisas. Precisamos explicar, provar ou aplicá-lo. Para</p><p>conseguir isso, podemos usar três perguntas de desenvolvimento.2</p><p>1 . N ó s o E x p lic am o s: “O Q u e Is to S ig n if ic a ? ”</p><p>A primeira questão relativa ao desenvolvimento está centrada</p><p>na explicação. O que isto significa? Esse conceito, ou partes dele,</p><p>precisa de explicação?</p><p>A pergunta “O que isto quer dizer?” pode visar a vários alvos.</p><p>Em primeiro lugar, pode ser dirigida para a Bíblia: “O autor, na</p><p>passagem à minha frente, está desenvolvendo seu pensamento,</p><p>antes de tudo, pela explicação?” Quando Paulo escreveu a seus</p><p>amigos em Corinto, ele explicou como a diversidade de dons</p><p>concedidos aos membros deve operar a favor da união na</p><p>congregação, e não contra ela. Ele resume sua idéia em 1 Coríntios</p><p>12.11-12: “Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo</p><p>e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um,</p><p>como quer. Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora</p><p>tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo</p><p>muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a</p><p>Cristo”. Nos versículos em volta desta declaração, Paulo explica</p><p>o conceito, ou analisando-o em pormenores, como na enume</p><p>ração dos dons espirituais, ou ilustrando-o mediante o exemplo</p><p>do corpo humano. Com essa analogia, ele explica que uma igreja,</p><p>como um corpo, consiste de muitas partes diferentes, mas cada</p><p>uma delas contribui para a vida e benefício de todos. O pregador</p><p>que trata desta parte da Epístola aos Coríntios deve ter consciência</p><p>de que Paulo expande seu pensamento primariamente, através</p><p>da explicação, e que a explicação, provavelmente, será o impacto</p><p>principal de um sermão tirado desta passagem.</p><p>Quando o Apóstolo Paulo escreveu a seu jovem associado</p><p>Tito, queria que ele nomeasse presbíteros em Creta. Em Tito</p><p>1.5-9 Paulo explicou a Tito o que deveria procurar, ao nomear</p><p>supervisores nas igrejas. Ele escreveu:</p><p>A razão de tê-lo deixado em Creta foi para que você pusesse em</p><p>ordem o que ainda faltava, e constituísse presbíteros em cada</p><p>cidade, como eu o instruí. E preciso que o presbítero seja</p><p>irrepreensível, marido de uma só mulher e tenha filhos crentes</p><p>que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão. Por</p><p>ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja</p><p>irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao</p><p>vinho, nao violento, nem ávido por lucro desonesto. Ao</p><p>contrário, é preciso que ele seja hospitaleiro, amigo do bem,</p><p>sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio e apegue-se</p><p>firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada,</p><p>para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de</p><p>refutar os que se opõem a ela.</p><p>O sujeito de Paulo é: “Quais são as qualificações para um</p><p>líder na igreja?”</p><p>Seu complemento é: “O candidato precisa ser ‘irrepre</p><p>ensível”.</p><p>Paulo afirma isso duas vezes. O apóstolo explica o que</p><p>“irrepreensível’ significa em três estruturas concretas: a vida fa</p><p>miliar do candidato, sua vida pessoal, e seu ministério. Um sermão</p><p>baseado nesta passagem fará muita explicação dos detalhes que</p><p>Paulo determina. (Você poderá considerar ainda outras caracte</p><p>rísticas que poderiam perfazer um líder “irrepreensível” hoje).</p><p>Em segundo lugar, a pergunta de desenvolvimento: “O que</p><p>quer dizer isto?” também pode sondar o auditório. Assume várias</p><p>formas. Se eu, meramente, declarasse minha idéia exegética, meu</p><p>auditório responderia: “O que ele quer dizer com isto?” Há</p><p>elementos na passagem que o escritor bíblico toma por certos,</p><p>mas que requerem</p><p>uma explicação para meu auditório? Quando</p><p>Paulo aconselhou os coríntios em 1 Coríntios 8 acerca da carne</p><p>oferecida aos ídolos, a idolatria e os sacrifícios eram tão familiares</p><p>aos leitores dele como os “shopping centers” o são para os</p><p>auditórios modernos. Por outro lado, as pessoas hoje estão de tal</p><p>forma desnorteadas acerca das práticas da idolatria como um</p><p>coríntio ficaria num supermercado. Logo, quando falamos acerca</p><p>de “comida sacrificada a ídolos”, devemos oferecer algumas</p><p>explicações. A passagem pode ser entendida erroneamente, ou,</p><p>mais danoso ainda, pode ser aplicada erroneamente, a não ser</p><p>que os ouvintes entendam o fundo histórico no qual o problema</p><p>se desenvolveu. Eles precisam entrar nas tensões psicológicas,</p><p>emocionais e espirituais colocadas, por se comer carne que antes</p><p>havia sido oferecida em sacrifício a deuses pagãos.</p><p>Como caso típico, quando Paulo fala de um “irmão fraco”,</p><p>não se refere necessariamente a um indivíduo que é facilmente</p><p>influenciado a pecar. Pelo contrário, tem em mente alguém que é</p><p>demasiadamente escrupuloso e que não aplicou a teologia à</p><p>experiência. O cristão fraco não aprecia que “nenhum ídolo é</p><p>alguma coisa no mundo”, mas é apenas uma criação da</p><p>superstição. Nas igrejas modernas, portanto, muitas pessoas</p><p>demasiadamente escrupulosas que se consideram “fortes”, seriam,</p><p>na mente de Paulo, “fracas”. Num tratamento desta passagem,</p><p>portanto, aquilo que Paulo tomava por certo com seus leitores,</p><p>requer explanações extensas hoje.</p><p>Em ICoríntios 12.13, o apóstolo observa: “Pois, em um só</p><p>corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer</p><p>judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi</p><p>dado beber de um único Espírito”. Aqui, também, Paulo toma</p><p>por certo aquilo que não podemos que seus leitores entendem a</p><p>obra batizadora do Espírito Santo. Uma referência ao “batismo</p><p>no Espírito Santo” hoje leva alguns ouvintes a deslocar-se,</p><p>inquietados nos bancos da igreja, e a perguntar a si mesmos: “O</p><p>que significa isso?” “O que é que as pessoas na minha</p><p>denominação pensam acerca disto?” “Isso não é uma experiência</p><p>importante para carismáticos, e não tem alguma coisa a ver com</p><p>o falar em línguas?” Numa congregação carismática, os ouvintes</p><p>podem presumir que já sabem o que é o batismo do Espírito</p><p>Santo, mas querer saber o que isso tem a ver com o argumento de</p><p>Paulo. Se estivéssemos pregando sobre esta passagem, então, não</p><p>poderíamos desconsiderar essas respostas. Pelo contrário, vamos</p><p>antecipá-las no nosso preparo e poderemos dedicar algum tempo</p><p>no sermão, para nos estendermos sobre o batismo no Espírito</p><p>Santo, embora Paulo não tenha feito assim.</p><p>Napoleão tinha três ordens para seus mensageiros que são</p><p>aplicáveis a qualquer comunicador: “Seja claro! Seja claro! Seja</p><p>claro!” A clareza não vem com facilidade. Quando treinamos para</p><p>ser pregadores, provavelmente passamos três ou quatro anos no</p><p>seminário. Embora esse treinamento nos prepare para ser teólogos,</p><p>às vezes nos estorva como comunicadores. O jargão teológico, o</p><p>pensamento abstrato, os questionamentos dos estudiosos tornam-</p><p>se parte da bagagem intelectual que impede os pregadores de</p><p>falarem, claramente, a homens e mulheres comuns. Se entrássemos</p><p>num hospital, num estúdio de televisão, numa gráfica, num</p><p>vestiário ou na oficina de carros local, e quiséssemos entender o</p><p>que acontece ali, teríamos de perguntar persistentemente “O que</p><p>você quer dizer?” Os peritos em outras ocupações raras vezes</p><p>precisam fazer-se entender aos que estão fora da sua profissão,</p><p>mas os pregadores são diferentes. Ninguém é de fora na religião.</p><p>Todos precisam entender o que Deus diz. Realmente, é matéria</p><p>de vida ou morte. Logo, devemos antever o que os ouvintes podem</p><p>não saber e, através de nossas explicações, ajudá-los a entender.</p><p>A pergunta de desenvolvimento “O que isto quer dizer?”</p><p>portanto, lida não só com a passagem mas também com o povo.</p><p>Se você imaginar um corajoso levantando-se no meio do sermão</p><p>para gritar “Pastor, o que você quer dizer exatamente com isto?”</p><p>você tomará consciência das questões que devem ser esclarecidas,</p><p>à medida que seu sermão é desenvolvido.</p><p>2- N ó s o P ro v am o s: “É V erd ad e?"</p><p>Nossa segunda pergunta de desenvolvimento é centrada na</p><p>validade. Depois de entendermos (ou pensarmos que</p><p>entendemos) o que uma declaração significa, freqüentemente</p><p>perguntamos: “Isso é verdade? Posso realmente acreditar nisso?”</p><p>Exigimos prova.</p><p>Um impulso inicial daqueles de nós que levamos a Bíblia a</p><p>sério, é não fazer caso desta pergunta. Presumimos que as pessoas</p><p>devem aceitar uma idéia como verdadeira, porque vem da Bíblia.</p><p>Não é necessariamente uma suposição válida. Talvez precisemos</p><p>conquistar a aceitação psicológica dela, através de raciocínio</p><p>lógico, provas ou ilustrações. Até mesmo os escritores inspirados</p><p>do Novo Testamento (todos eles crendo que o Antigo Testamento</p><p>era um testemunho vivo inspirado), por vezes, estabeleceram a</p><p>validade de suas afirmações, não somente citando o Antigo Tes</p><p>tamento, mas fazendo referência à vida comum.</p><p>Quando Paulo quis comprovar à congregação de Corinto</p><p>que tinha o direito de receber apoio financeiro para seu ministério,</p><p>por exemplo, argumentou não só a partir da lei mosaica como</p><p>também da experiência de fazendeiros, pastores e soldados. Numa</p><p>série de perguntas retóricas, expôs seu argumento:</p><p>Ou será que só eu e Barnabé temos direito de receber sustento</p><p>sem trabalhar? Quem serve como soldado à própria custa? Quem</p><p>planta uma vinha e nao come do seu fruto? Quem apascenta</p><p>um rebanho e não bebe do seu leite? Não digo isso do ponto de</p><p>vista meramente humano; a Lei não diz a mesma coisa? Pois está</p><p>escrito na Lei de Moisés: “Não amordace o boi, enquanto ele</p><p>estiver debulhando o cereal”. Por acaso é com bois que Deus</p><p>está preocupado? Não é, certamente, por nossa causa que ele o</p><p>diz? Sim, isso foi escrito em nosso favor. Porque “o lavrador,</p><p>quando ara e o debulhador, quando debulha, devem fazê-lo na</p><p>esperança de participar da colheita”. Se entre vocês semeamos</p><p>coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas</p><p>materiais? Se outros têm direito de ser sustentados por vocês,</p><p>não o temos nós ainda mais? (ICo 9.6-12).</p><p>Paulo apelou primeiro à lógica da experiência. Afinal, se</p><p>soldados, vinhateiros, pastores de ovelhas e agricultores recebem</p><p>salário pelo seu trabalho, por que não um apóstolo ou mestre?</p><p>Depois Paulo arrazoou a partir de um princípio abrangente que</p><p>se encontra na lei, onde é proibido amordaçar os bois, quando</p><p>debulham o milho. Um trabalhador - seja animal ou homem -</p><p>deve ser recompensado pelo trabalho. Ao empregar esta pergunta</p><p>de desenvolvimento, devemos, portanto, notar como os escritores</p><p>bíblicos validavam o que tinham a dizer.</p><p>Os apóstolos usavam todos os meios legítimos que lhes</p><p>estavam disponíveis, para obter o assentimento de seus auditórios.</p><p>Quando Pedro pregou seu sermão no Dia de Pentecoste,</p><p>raciocinou da experiência bem como da Bíblia para comprovar</p><p>que “Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e</p><p>Cristo” (At 2.36). Os milagres de Jesus, a crucificação, a</p><p>ressurreição, o túmulo de Davi, os fenômenos do Pentecoste:</p><p>aqueles eventos passíveis de verificação suportavam o peso do</p><p>argumento de Pedro. Honrados pelo auditório judaico como</p><p>profetas inspirados, Joel e Davi foram citados como testemunhas,</p><p>para interpretarem o que o povo experimentou. Quando</p><p>escreviam e quando pregavam, os apóstolos adaptavam-se aos</p><p>seus leitores e ouvintes, a fim de estabelecerem a verdade das suas</p><p>idéias.</p><p>Quando Paulo se dirigiu aos intelectuais no Campo de Marte,</p><p>discutiu a teologia natural - o fato da criação e suas implicações</p><p>necessárias. Embora propusesse conceitos bíblicos, o apóstolo não</p><p>citou nenhuma vez o Antigo Testamento, pois a Bíblia nada</p><p>significava a seu auditório grego pagão. Pelo contrário, apoiava</p><p>seus argumentos, referindo-se aos ídolos e filósofos poetas deles,</p><p>e tirando deduções da vida comum. Ao citar os poetas e filósofos</p><p>gregos, é claro, Paulo não estava recomendando a filosofia</p><p>89</p><p>ateniense aos filósofos atenienses. O Antigo Testamento era a</p><p>autoridade para suas asseverações maiores e menores (conforme</p><p>demonstram as referências à margem do texto grego de Nestle).</p><p>Ao citar fontes pagas, Paulo meramente aproveitou discer</p><p>nimentos consistentes com a revelação bíblica e mais facilmente</p><p>aceitos pelos seus ouvintes.3</p><p>Embora a competência requeira que entendamos como os</p><p>escritores bíblicos estabeleciam validade, também exige que nós</p><p>nos esforcemos para enfrentar a pergunta: “Isso é verdade?” e</p><p>“Posso realmente crer nisso?” Numa geração passada, talvez</p><p>pudéssemos ter contado com um sentimento de culpa nas orlas</p><p>do pensamento da congregação. Hoje podemos contar com uma</p><p>atitude de questionamento e dúvida. Nosso sistema educacional</p><p>e a mídia contribuem para este ceticismo generalizado. Os</p><p>propagandistas criaram um auditório de cépticos que dão os</p><p>ombros diante de reivindicações dogmáticas e endossos entusias</p><p>mados de quem quer que os faça, como sendo nada mais que</p><p>propaganda de patrocinador.</p><p>Fazemos bem, portanto, em adotar a atitude de que uma</p><p>afirmação não é verdade, por estar na Bíblia; está na Bíblia, porque</p><p>é verdade. O fato de uma afirmação estar escrita nas páginas de</p><p>um livro encadernado em couro não o torna válido, necessa</p><p>riamente. Pelo contrário, a Bíblia afirma a realidade como ela</p><p>existe no universo, conforme Deus o fez e conforme ele o governa.</p><p>Esperamos, portanto, que as afirmações da Escritura estejam</p><p>demonstradas no mundo ao nosso redor. Não se quer dizer com</p><p>isso que estabelecemos a verdade bíblica mediante o estudo da</p><p>sociologia, astronomia ou arqueologia, mas sim, que os dados</p><p>válidos destas ciências apóiam a verdade ensinada na Escritura.</p><p>Como o pregador lida com as perguntas de desenvolvimento:</p><p>“Isso é verdade? Será que eu creio nisso realmente?” Imagine que</p><p>você fosse declarar diante de uma congregação a poderosa</p><p>afirmação de Paulo: “Sabemos que Deus age em todas as coisas</p><p>para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de</p><p>acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). A maioria das pessoas</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>4</p><p>recebe essa declaração com expressão de dúvida. “Isso é verdade?</p><p>Podemos crer nisso realmente?” O que se diz da mãe que foi</p><p>morta por um motorista fugitivo, e que deixou sozinhos o marido</p><p>e três filhos? E aqueles pais cristãos cujo filho de quatro anos de</p><p>idade foi diagnosticado como tendo leucemia? Como é que isto</p><p>é bom? O que há de “bom”, quando um jovem missionário é</p><p>afogado nas águas lamacentas de um rio, na mata, antes de ter</p><p>testificado a um só indígena? Trabalhar com esta passagem e deixar</p><p>de tratar de perguntas tão desconcertantes como estas é deixar,</p><p>totalmente, de atingir o auditório.</p><p>Donald Grey Barnhouse lida com a questão da validade, ao</p><p>fazer exposição de João 14.12: “Fará coisas ainda maiores do que</p><p>estas, porque eu estou indo para o Pai”. Fez uso de uma analogia</p><p>para estabelecer a validade da sua explicação:</p><p>A bordo de um submarino dos Estados Unidos, em águas</p><p>inimigas do Pacífico, um marinheiro foi atingido por apendicite</p><p>aguda. O cirurgião mais próximo estava a uma distância de</p><p>milhares de quilômetros. O imediato e farmacêutico Wheller</p><p>Lipes observou a temperatura do marinheiro subir para 44 graus.</p><p>Sua única esperança seria uma operação. Lipes disse: “Já observei</p><p>médicos fazê-lo. Penso que posso. O que você acha?” O</p><p>marinheiro consentiu. No salão dos oficiais, mais ou menos do</p><p>tamanho de uma saleta num trem de luxo, o paciente foi</p><p>estendido numa mesa debaixo de um holofote. O imediato e os</p><p>oficiais assistentes, vestindo paletós de pijama de traz para a frente,</p><p>mascararam todo o rosto com gaze. Os tripulantes ficaram ao</p><p>lado dos controles de mergulho para conservar equilibrada a</p><p>embarcação, o cozinheiro ferveu água para a esterilização. Um</p><p>coador de chá serviu como cone de anestesia. Um bisturi de</p><p>cabo quebrado foi o instrumento para operar. Álcool drenado</p><p>de torpedos foi o anti-séptico. Colheres de sopa dobradas</p><p>serviram para afastar os músculos. Depois de fazer cortes pelas</p><p>camadas de músculos, o imediato levou vinte minutos para achar</p><p>o apêndice. Duas horas e meia mais tarde, foi costurado o último</p><p>ponto de categute, exatamente quando se esgotou a última gota</p><p>de éter. Treze dias mais tarde o paciente estava de volta ao</p><p>trabalho.</p><p>Admite-se que esta foi uma proeza mais admirável do que se</p><p>tivesse sido realizada por cirurgiões preparados, numa sala de</p><p>operações completamente equipada de um hospital moderno.</p><p>Estude esta analogia e você entenderá o verdadeiro significado</p><p>das palavras de Cristo: “Fará coisas maiores ainda do que estas,</p><p>porque eu estou indo para o Pai”. Para Cristo, Deus perfeito,</p><p>operar diretamente com uma alma perdida, a fim de vivificá-la</p><p>e trazê-la da morte para a vida, é coisa grandiosa, mas quando</p><p>faz a mesma coisa através de nós, é uma obra ainda maior.4</p><p>Cynddylan Jones esforça-se para conquistar a crença com</p><p>uma única frase: “Seria tão fácil você cruzar o Atlântico em um</p><p>barquinho de papel”, ele declara, “como chegar ao céu por meio</p><p>das suas próprias obras”.</p><p>C. S. Lewis aborda a validade, ao identificar-se com uma</p><p>pergunta que pessoas que pensam, fazem acerca do evangelho:</p><p>Aqui está outra coisa que me deixava perplexo. Não é</p><p>horrivelmente injusto que esta vida nova seja limitada a pessoas</p><p>que ouviram falar de Cristo e que conseguiram crer nele? Mas a</p><p>verdade é que Deus não nos contou seus planos para as demais</p><p>pessoas. Sabemos que ninguém poderá ser salvo, senão através</p><p>de Cristo; não sabemos que somente aqueles que o conhecem,</p><p>podem ser salvos através dele? No ínterim, porém, se você estiver</p><p>preocupado com as pessoas que estão fora, a coisa mais irracional</p><p>que você pode fazer, é você mesmo ficar fora. Os cristãos são o</p><p>corpo de Cristo, o organismo através do qual ele opera. Cada</p><p>acréscimo àquele corpo o capacita a fazer mais. Se você quiser</p><p>ajudar os que estão fora, deve acrescentar sua pequena célula ao</p><p>corpo de Cristo, pois somente ele pode ajudá-los. Amputar os</p><p>dedos de algum homem seria um modo estranho de levá-lo a</p><p>fazer mais serviço.5</p><p>Quer você concorde plenamente com Lewis, quer não, ele</p><p>levanta uma pergunta clássica, lida com ela e a dirige, de volta, a</p><p>quem fez a pergunta.</p><p>J. Wallace Hamilton, pregando sobre a providência de Deus,</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>4</p><p>92</p><p>entende as perguntas sérias que surgem, quando alguém nos diz</p><p>que vivemos cada momento de nossas vidas pela providência de</p><p>Deus. Ele cita um poeta anônimo a começar a lidar com as</p><p>dúvidas:</p><p>“Oh, onde está o mar?” clamavam os peixinhos,</p><p>Por águas do Atlântico a nadar.</p><p>“Falaram-nos do mar, falaram de marés</p><p>O azul do oceano sonhamos contemplar!”</p><p>A nossa volta toda há peixinhos procurando o mar; pessoas que</p><p>vivem, se movimentam e têm sua existência num oceano de</p><p>providência divina, mas que não enxergam o oceano, por causa</p><p>da água. Talvez seja porque o chamamos por outro nome. Os</p><p>hebreus antigos, dos quais nos veio a Bíblia, eram um povo</p><p>religioso. Pensavam segundo padrões religiosos, falavam em frases</p><p>religiosas, viam em todos os eventos a atuação direta de Deus.</p><p>Se chovia, era Deus que enviara a chuva. Quando as ceifas eram</p><p>boas, Deus quem as multiplicava. Mas aquela não é nossa</p><p>linguagem, nem o padrão do nosso pensamento. Pensamos em</p><p>termos de lei - a lei química, lei natural. Quando chove, sabemos</p><p>que é a condensação natural do vapor. Quando as colheitas são</p><p>boas, os créditos vão para o fertilizante. Uma coisa impressionante</p><p>aconteceu ao nosso modo de pensar. Num mundo que não</p><p>poderia existir, por um momento sequer, sem a atividade de</p><p>Deus, condicionamos nossas mentes a um modo de pensar que</p><p>não deixa lugar para ele. Tantas das nossas necessidades são</p><p>atendidas por forças que parecem naturais e impessoais, que</p><p>perdemos de vista o grande Provedor, no meio da providência.</p><p>Alguns de nós, que fomos criados no campo e depois nos</p><p>mudamos para a cidade, nos lembramos de como foi</p><p>ser omitida. E como</p><p>os hinos num culto mal planejado. O autor o colocou como um</p><p>pára-choque, antes de tratar do assunto do seu livro.</p><p>Como autor, porém, considero o prefácio algo absolutamente</p><p>necessário. Nao é sem hesitação que escrevo este volume, e o</p><p>prefácio me dá a oportunidade de registrar a necessária renúncia</p><p>de responsabilidades. A literatura da homilética destaca os nomes</p><p>de pregadores brilhantes e de mestres elevados. Deve-se pensar</p><p>duas vezes — e mais duas vezes — antes de nomear-se como membro</p><p>desse grupo.</p><p>É compreensível que um leitor tome por certo que qualquer</p><p>pessoa que escreve sobre a pregação, deve considerar-se um mestre</p><p>na disciplina. Não é o caso! Já preguei minha porção de sermões</p><p>esquecíveis. Conheço a agonia de preparar uma mensagem e,</p><p>depois de a ter pregado, sentir que não sabia absolutamente nada</p><p>acerca da arte da pregação.</p><p>Se posso alegar possuir qualquer qualificação, é esta: sou um</p><p>bom ouvinte. Durante duas décadas, na sala de aula, avaliei quase</p><p>seis mil sermões de estudantes. Meus amigos ficam maravilhados,</p><p>porque, depois de eu escutar centenas de pregadores principiantes</p><p>passarem tropeçando por seus primeiros sermões, ainda não sou</p><p>ateu. Contudo, escutando-os, aprendi quais os ingredientes de</p><p>14</p><p>um sermão eficaz, e acho que descobri o que fazer e o que evitar.</p><p>Como professor de pregadores, sou um pouco como Leo</p><p>Durocher. Quando jogava beisebol, sua média de pontos não era</p><p>muito maior que o número da sua camisa, mas como técnico</p><p>treinou vários times bem-sucedidos.</p><p>Muitos dos meus estudantes passaram a ser comunicadores</p><p>eficientes da Palavra de Deus, e me garantem que eu tive influência</p><p>sobre seus ministérios. Eles e eu sabemos que as regras da</p><p>homilética, em si, não produzem pregadores eficientes. O</p><p>estudante deve possuir algum dom e, muito mais, um desejo</p><p>inapagável de colocar uma passagem da Escritura em contato</p><p>com a vida. Richard Baxter comentou, certa vez, que nunca</p><p>conheceu um homem que valesse qualquer coisa no seu ministério</p><p>que não tivesse um desejo, chegando quase à tristeza, de ver o</p><p>fruto de seu labor. É preciso haver a união entre princípios e</p><p>paixão, antes de muita coisa significativa ocorrer no púlpito. Neste</p><p>livro, portanto, passo adiante um método para aqueles que estão</p><p>aprendendo a pregar, ou para pessoas experimentadas que querem</p><p>fazer uma recordação dos princípios básicos. Espero ter-me</p><p>expressado de modo suficientemente claro, para beneficiar leigos</p><p>- homens e mulheres - que ensinam as Escrituras. Mesmo assim,</p><p>a esta matéria o leitor acrescenta sua própria pessoa - sua vida,</p><p>seus discernimentos, sua maturidade, sua imaginação e sua</p><p>dedicação. Como o hidrogênio e o oxigênio na produção da água,</p><p>o desejo e a instrução juntos produzem comunicadores eficazes</p><p>da verdade de Deus.</p><p>Quando comecei a ensinar, não pretendia escrever. Só queria</p><p>achar conselhos úteis suficientes para dar a meus alunos um modo</p><p>de proceder, enquanto se preparavam para pregar. Desesperado</p><p>por achar alguma coisa sensata para dizer, fiz muita leitura. É</p><p>difícil agradecer suficientemente a dívida imensa que eu tenho</p><p>para com outras pessoas. Por exemplo, H. Grady Davis fez uma</p><p>contribuição especial. Enquanto estava procurando achar meu</p><p>caminho, o livro dele me achou. Embora ele queira, talvez,</p><p>repudiar qualquer conexão com este volume, sua obra D esign fo r</p><p>15</p><p>Preaching foi como que fermento para meus pensamentos. Fiz</p><p>uso de uma miríade de outras fontes também — algumas já</p><p>esquecidas, mas não deliberadamente. Diante daqueles</p><p>contribuintes desconhecidos, pleiteio a experiência de Homero,</p><p>conforme Rudyard Kipling a relata:</p><p>Ao dedilhar Homero a sua lira,</p><p>em terra e mar o canto humano ouvira;</p><p>e o pensamento que ele requereu,</p><p>bem cedo adotou — assim como eu.</p><p>As moças do mercado e pescadores,</p><p>marinheiros, e também pastores</p><p>canções antigas ouviram reviver - ...</p><p>pois não “dedaram” — assim como você.</p><p>Sabiam que era plágio (sabia que sabiam)</p><p>Não contavam, nem escândalo faziam —</p><p>piscavam para Homero. Isto só.</p><p>E Homero lhes piscava - como nós!1</p><p>Reconheço minha dívida a centenas de outros. Àqueles</p><p>estudantes que levantaram as perguntas que fui forçado a re</p><p>sponder - e que eram francos, de maneira gentil, quando eu</p><p>simplesmente não conseguia explicar com clareza - devo mais</p><p>do que agradecimentos. Meus ex-colegas do Seminário Teológico</p><p>de Dallas contribuíram muito mais do que fazem idéia. Duane</p><p>Litfin, John Reed, Mike Cocoris, Elliott Johnson, Harold</p><p>Hoehner, e Zane Hodges, entre outros, são homens que amam</p><p>a Deus com suas mentes - e que não hesitam em dar sua opinião.</p><p>Bruce Waltke, do Regent College, contribuiu enormemente à</p><p>minha vida, no decurso de vinte anos, e providenciou um</p><p>modelo de erudição ligado à vida. Visto que todos estes e outros</p><p>me influenciaram profundamente, é apenas justo que carreguem</p><p>boa parte da culpa, pelas fraquezas existentes neste volume!</p><p>16</p><p>Nancy Hardin merece menção especial. Não somente</p><p>preparou e datilografou o manuscrito, como também, qual</p><p>sentinela vigilante, protegeu meu tempo, para que eu pudesse</p><p>achar oportunidades para escrever.</p><p>E minha esposa, Bonnie! Quanta coisa devo a ela! Só ela</p><p>sabe, enquanto lê estas palavras, quanta coisa fez por mim. Só eu</p><p>conheço a influência profunda que ela tem tido sobre minha vida.</p><p>Agora que o prefácio já está escrito, podemos ocupar-nos com</p><p>a tarefa. Qualquer pessoa que é sensível às Escrituras, conhece o</p><p>reverente temor do ministério. Matthew Simpson, em sua obra</p><p>Lectures on Preaching, colocou o pregador no seu devido lugar: “Seu</p><p>trono é o púlpito; ele representa a Cristo, sua mensagem é a palavra</p><p>de Deus, em derredor dele há almas imortais; o Salvador, sem ser</p><p>visto, está a seu lado; o Espírito Santo paira sobre a congregação;</p><p>anjos contemplam a cena, e o céu e o inferno aguardam o resultado.</p><p>Que associações e que vasta responsabilidade!”.2</p><p>C a p ítu lo 1</p><p>O A rgu m en to a F av o r da</p><p>P regação E x p o sitiv a</p><p>Este é um livro a respeito da pregação expositiva, mas pode</p><p>ter sido escrito para um mercado em baixa. Nem todos concordam</p><p>que a pregação expositiva - ou qualquer tipo de pregação - seja</p><p>uma necessidade urgente da igreja. Em certos círculos, o recado é</p><p>que a pregação deve ser abandonada. O dedo que avança, já passou</p><p>por ela e agora aponta para outros métodos e ministérios que são</p><p>mais “eficazes” e mais sintonizados com os tempos.</p><p>A D esv a lo riz ação d a P reg ação</p><p>Explicar por que a pregação recebe estas notas baixas, nos</p><p>levaria a cada uma das áreas da nossa vida comum. Como os</p><p>pregadores já não são mais vistos como líderes intelectuais ou</p><p>mesmo espirituais em suas comunidades, a imagem deles mudou.</p><p>Peça ao homem no banco da igreja que descreva um ministro, e</p><p>a descrição poderá não ser lisonjeira. Segundo Kyle Hasselden, o</p><p>pastor surge como “um compósito insípido” da congregação:</p><p>como “escoteiro agradável, sempre prestativo, sempre pronto para</p><p>ajudar; como o querido das senhoras idosas e como</p><p>suficientemente reservado com as mais jovens; como a imagem</p><p>paternal para os moços e companheiro para os homens solitários;</p><p>18</p><p>como o cordial recepcionista afável nos chás e nos almoços dos</p><p>clubes cívicos”.1 Se isto, de algum modo, retrata a realidade,</p><p>mesmo que as pessoas gostem do pregador, certamente não irão</p><p>respeitá-lo.</p><p>Além disto, a pregação acontece numa sociedade que é alvo</p><p>de comunicações em demasia. A mídia massificada nos</p><p>bombardeia com cem mil “mensagens” por dia. A televisão e o</p><p>rádio apresentam mascates que entregam uma “palavra do</p><p>patrocinador” com toda a sinceridade de um evangelista. Dentro</p><p>desse contexto, o pregador talvez dê a impressão de ser mais uma</p><p>pessoa mercenária que, nas palavras de John Ruskin, “faz truques</p><p>de palco com as doutrinas da vida e da morte”.</p><p>Mais importante, talvez, é que alguns ministros no púlpito</p><p>se sentem furtados de uma mensagem de autoridade. Boa parte</p><p>da teologia moderna lhes oferece pouco mais do que palpites</p><p>santificados,</p><p>fácil perder</p><p>o hábito de dar graças à mesa, em parte porque a comida posta</p><p>ali veio, não diretamente da terra, e sim do armazém. Um médico</p><p>da cidade de Nova York disse: Se você perguntar a uma criança</p><p>de onde vem o leite, ele não pensa em dizer “De uma vaca”.</p><p>Dirá “De uma lata ou caixinha”.6</p><p>93</p><p>Só perguntar “Isso é verdade? Eu e meus ouvintes acreditamos</p><p>nisso?” não produz respostas instantâneas. Mas se deixarmos de</p><p>tratar destas perguntas básicas, nos dirigiremos somente àqueles</p><p>que já estão comprometidos. Pior, se não estamos dispostos a viver,</p><p>por um tempo, nas costas curvas de um ponto de interrogação,</p><p>podemos tornar-nos em mascates de uma mensagem, na qual nós</p><p>mesmos não acreditamos. A congregação tem o direito de esperar</p><p>de nós que, pelo menos, tenhamos consciência do problema, antes</p><p>de oferecermos soluções. Trabalhe sistematicamente cada uma das</p><p>idéias do esboço exegético e trate honestamente da pergunta: “Meu</p><p>auditório aceitaria esta declaração como sendo verdadeira? Se não,</p><p>por quê?” Escreva as perguntas específicas que aparecerem e, se</p><p>possível, a direção de algumas das respostas. Dentro em breve,</p><p>descobrirá muita coisa em que você e seus ouvintes terão que pensar,</p><p>à medida que o sermão se desenvolve.</p><p>3 . N ó s a A p lic a m o s: “Q u e D ife ren ça F a z ? ”</p><p>A terceira pergunta de desenvolvimento diz respeito à</p><p>aplicação. Enquanto seja essencial que você explique a verdade</p><p>de uma passagem, sua tarefa não está completa, até que tenha</p><p>relacionado aquela passagem com a experiência de seus ouvintes.</p><p>Em última análise, o homem ou mulher no banco da igreja espera</p><p>que você responda às perguntas: “E daí? Que diferença faz?” Todos</p><p>os cristãos têm a responsabilidade de fazer essas perguntas, porque</p><p>são chamados para viver sob Deus, à luz da revelação bíblica.</p><p>Mortimer J. Adler classifica os livros como sendo ou teóricos</p><p>ou práticos. Um livro teórico pode ser entendido e depois</p><p>guardado na prateleira. Um livro prático, no entanto, não somente</p><p>deve ser lido, como também deve ser usado. Entendida assim, a</p><p>Bíblia é um livro intensamente prático, porque foi escrita não só</p><p>para ser entendida, mas para ser obedecida.</p><p>Os homiléticos não têm dado a atenção merecida à aplicação</p><p>correta e precisa. Nenhum livro foi publicado com exclusiva, ou</p><p>mesmo primária, dedicação aos problemas intricados, levantados</p><p>pela aplicação.7 Como resultado, muitos membros de igrejas,</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>4</p><p>tendo escutado sermões ortodoxos durante sua vida inteira,</p><p>podem ser hereges na prática. Nossos credos afirmam as doutrinas</p><p>centrais da fé e nos relembram daquilo que os cristãos devem crer.</p><p>Infelizmente, nossos credos não podem informar-nos como a crença</p><p>nestas doutrinas deve levar-nos a agir. Este comportamento faz</p><p>parte da responsabilidade do pregador, e você precisa dedicar a isso</p><p>atenção diligente.</p><p>A exegese correta é básica para a aplicação perceptiva. Não</p><p>podemos decidir o que uma passagem significa para nós, a não</p><p>ser que tenhamos determinado primeiro qual é o sentido da</p><p>passagem, quando a Bíblia foi escrita. Para fazer isso, devemos</p><p>assentar-nos diante do escritor bíblico e procurar entender aquilo</p><p>que ele quis transmitir a seus leitores originais. Somente depois</p><p>de compreendermos aquilo que ele quis dizer em seus próprios</p><p>termos e para seus próprios dias, é que podemos esclarecer que</p><p>diferença aquilo deve fazer na vida dos nossos dias.</p><p>A fim de aplicar uma passagem de modo exato, devemos</p><p>definir a situação em que a revelação foi dada originalmente, e</p><p>então decidir o que o homem ou mulher de hoje compartilha ou</p><p>não compartilha com os leitores originais. Quanto mais estreito</p><p>o relacionamento entre as pessoas de hoje e as pessoas daquela</p><p>época, tanto mais direta a aplicação. Tiago escreve aos cristãos</p><p>judaicos espalhados pelo mundo antigo: “Meus amados irmãos,</p><p>tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios</p><p>para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz</p><p>a justiça de Deus” (Tg 1.19-20). Esse conselho aplica-se a crentes</p><p>de todas as eras, visto que todos os cristãos ficam neste mesmíssimo</p><p>relacionamento com Deus e Sua Palavra, quando enfrentam</p><p>provações.</p><p>Quando a correspondência entre o século vinte-e-um e a</p><p>passagem bíblica é menos direta, no entanto, a aplicação correta</p><p>torna-se mais difícil. O expositor deve dar atenção especial não</p><p>somente àquilo que os homens e mulheres modernos têm em</p><p>comum com aqueles que receberam a revelação original, mas</p><p>também às diferenças que há entre eles. Por exemplo: as muitas</p><p>95</p><p>exortações que Paulo fez aos escravos, tinham aplicação direta aos</p><p>escravos cristãos no século 1 e àqueles no decurso da história. Muitos</p><p>dos princípios abordados a respeito do relacionamento entre o</p><p>senhor e o escravo também podem reger os relacionamentos entre</p><p>empregadores e empregados hoje em dia, mas desconsiderar o fato</p><p>de que os empregados não são escravos de seus empregadores levaria</p><p>à aplicação grosseiramente falsa destas passagens. Por exemplo,</p><p>denunciar a participação num sindicato de trabalhadores, porque</p><p>os escravos devem “obedecer” a seus “senhores” (Ef 6.5) seria</p><p>desatender a diferença entre empregados e escravos.</p><p>Os problemas se multiplicam, quando aplicamos textos do</p><p>Antigo Testamento a auditórios contemporâneos. Na realidade,</p><p>a falsa aplicação do Antigo Testamento tem tido uma história</p><p>constrangedora. Uma abordagem insatisfatória consiste em</p><p>empregar estas passagens como um teste Rorschach santificado.</p><p>Os intérpretes alegorizam as histórias do Antigo Testamento, para</p><p>descobrir nelas significados ocultos que não estavam enterrados</p><p>no texto, e sim em suas próprias mentes.</p><p>Orígenes, por exemplo, alegorizou o relato da batalha por</p><p>Jericó (Js 6). Sustentou que Josué representava Jesus, e a cidade</p><p>de Jericó representava o mundo. Os sete sacerdotes que levavam</p><p>trombetas ao redor da cidade representavam Mateus, Marcos,</p><p>Lucas, João, Tiago, Judas e Pedro. Raabe, a prostituta, representava</p><p>a Igreja, que é composta de pecadores; e o cordão vermelho que</p><p>ela exibiu para se livrar com toda sua casa, era o sangue de Cristo.8</p><p>Os comentaristas que fazem uso de alegoria merecem nota alta</p><p>pela criatividade, mas nota baixa, por abordarem o relato bíblico</p><p>como literatura.</p><p>Outro método inadequado de manusear o Antigo Testamento</p><p>emprega-o somente como exemplo ou ilustração da doutrina do</p><p>Novo Testamento. Aqui, a autoridade para aquilo que é pregado,</p><p>não advém nem da teologia do Antigo Testamento, nem da</p><p>intenção do escritor vetero-testamentário, mas sim, inteiramente</p><p>da teologia do expositor, atribuída ao texto. Se aqueles que fazem</p><p>isso forem questionados acerca da sua interpretação ou aplicação,</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>4</p><p>apelam, não à passagem diante deles, e sim a alguma passagem</p><p>no Novo Testamento, ou a uma teologia que supõem que eles</p><p>compartilham com seu auditório.</p><p>Como podemos proceder, então, ao responder à terceira</p><p>pergunta de desenvolvimento: “E daí? Que diferença faz?” Em</p><p>primeiro lugar, a aplicação deve vir do propósito teológico do</p><p>escritor bíblico. John Bright afirma o argumento em prol de</p><p>determinar a intenção do autor: “...o pregador precisa entender</p><p>não somente o que o texto diz, mas também aquelas preocupações</p><p>que o levaram a ser dito, e dito daquela exata maneira. Suas labutas</p><p>exegéticas não estão completas, portanto, até que tenha dominado</p><p>a intenção teológica do texto. Antes de ter feito isso, ele não pode</p><p>interpretar o texto, e poderá dar-lhe uma interpretação clamoro</p><p>samente errônea, se atribuir a suas palavras uma intenção bem</p><p>diferente daquela do autor”.9</p><p>Não poderemos entender ou aplicar uma certa passagem,</p><p>quer do Antigo Testamento quer do Novo, até que tenhamos</p><p>estudado seu contexto. Por exemplo, lançar-nos a uma análise de</p><p>um parágrafo ou capítulo de Eclesiastes, sem primeiramente</p><p>obtermos uma apreciação do livro inteiro, poderia levar a muitas</p><p>idéias indignas e aplicações devastadoras para as pessoas dos nossos</p><p>dias. Somente depois de dominar</p><p>a passagem maior é que achamos</p><p>os indícios para entender o significado das passagens menores e</p><p>por que foram escritas.</p><p>Seguem-se algumas perguntas que nos ajudam a descobrir o</p><p>propósito teológico do autor:</p><p>1. Há n o texto quaisquer ind ica ções d e propósito, com entários</p><p>editoriais, ou d eclarações interpretativas feitas acerca dos</p><p>even tos? No Livro de Rute, por exemplo, a matéria em</p><p>4.11-21 fornece uma conclusão feliz para uma história</p><p>com um começo sombrio, e afirma a gloriosa orientação</p><p>de Deus nas vidas das personagens envolvidas. Rute</p><p>demonstra a providência de Deus. E o tema da orientação</p><p>amorosa de Deus, focalizada na conclusão, é subentendido</p><p>em todas as partes do livro, especialmente nas sete orações</p><p>de bênção e no modo comum e corriqueiro como cada</p><p>oração foi respondida. A operação de Deus é tecida na</p><p>tapeçaria dos eventos de todos os dias, de modo tão perito</p><p>que, na primeira leitura, talvez nem sequer o percebamos</p><p>na sua atuação. E somente mediante reflexão que tomamos</p><p>consciência de que Deus estava continuamente agindo,</p><p>para satisfazer as necessidades e as esperanças de pessoas</p><p>simples.10 O que você não poderia pregar legitimamente,</p><p>a partir de Rute, é um sermão sobre “Como Tratar de</p><p>uma Sogra Difícil”. Embora Rute reflita tensões entre uma</p><p>sogra e sua nora, o livro não foi escrito para resolver</p><p>problemas entre parentes por casamento. Um sermão</p><p>sobre o tópico, usando Rute, poderia oferecer algum</p><p>aconselhamento prático sobre como tratar de conflitos</p><p>em família, mas ele não teria autoridade bíblica nenhuma.</p><p>Isso ignora por completo o que o autor pretendeu. Pior</p><p>ainda, leva os ouvintes a crer que qualquer conselho</p><p>salpicado de versículos bíblicos pode ser considerado como</p><p>sendo o que Deus diz sobre o assunto.11</p><p>2. São fe ito s quaisquer ju lgam en to s t e o ló g ico s n o texto?</p><p>Comentários tais como “Naquela época não havia rei em</p><p>Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo”, feito duas</p><p>vezes no livro de Juizes (17.6; 21.25), indicam por que</p><p>estas narrativas sórdidas são registradas como parte da</p><p>história de Israel. A narrativa do pecado de Davi com Bate-</p><p>Seba e do seu assassinato de Urias foi registrada de modo</p><p>meramente fatual pela pena do historiador, até chegar à</p><p>declaração em 2Samuel 11.27: “Mas o que Davi fez</p><p>desagradou ao Senhor”. Essa sentença única é a declaração</p><p>teológica que põe em perspectiva o evento e aquilo que</p><p>segue em 2Samuel.</p><p>3. As passagens narrativas da Bíblia oferecem dificuldades</p><p>especiais ao intérprete. Além das perguntas normalmente</p><p>levantadas, devemos perguntar: Esta história é dada com o</p><p>exemplo ou advertência? Se fo r assim, d e que maneira? Este</p><p>in cid en te é uma regra ou uma ex ceção? Quais lim ita ções</p><p>devem ser postas sob re a passagem narrativa? Por exemplo,</p><p>na história de Raabe (Js 2.1-7) nao se podem derivar</p><p>quaisquer lições sobre a moralidade do engano, mas à luz</p><p>de várias passagens do Novo Testamento (Hb 11.31, Tg</p><p>2.25), pode-se concluir que Raabe era uma mulher de fé</p><p>vibrante.</p><p>4. Qual a m ensagem pretendida para aqueles que originalm ente</p><p>receberam a revelação, e também para as gerações subseqüentes</p><p>que o escritor sabia que a leriam?</p><p>5. Por que o Espírito Santo in clu i nas Escrituras esta narrativa?</p><p>Se nao estivesse na Bíblia, algo teria sido perdido?</p><p>Existem outras perguntas que devemos fazer, a fim de aplicar</p><p>a Palavra de Deus a um auditório contemporâneo, que vive numa</p><p>situação diferente daquela das pessoas a quem a revelação foi</p><p>originalmente dada.</p><p>1. Qual fo i a situação ambiental em que a Palavra d e D eus</p><p>originalmente veio? Que peculiaridades os hom ens e m ulheres</p><p>d e h o je têm em com um com aquele auditório original'1 Por</p><p>exemplo, Deuteronômio foi falado por Moisés a uma</p><p>nova geração do outro lado do Rio Jordão. Os membros</p><p>do seu auditório acreditavam em Javé e faziam parte de</p><p>uma teocracia estabelecida pela aliança de Deus. Deus</p><p>celebrara com eles um tratado que dispunha, em detalhe,</p><p>as recompensas e os castigos pela sua obediência ou</p><p>desobediência. Todos eles tinham saído do deserto com</p><p>Moisés, e estavam antegozando a entrada na terra que</p><p>Deus prometera a Abraão.</p><p>Os cristãos de hoje não podem ser diretamente</p><p>identificados com aquela nação. Somos, porém, crentes</p><p>em Javé, e somos, nesta era, o povo de Deus, escolhido</p><p>mediante sua graça, para sermos testemunhas diante do</p><p>mundo. Além disto, como eles, temos da parte de Deus</p><p>uma revelação a que ele espera que obedeçamos.</p><p>2. C om o p od em o s iden tificar-nos com os h om en s e m ulheres</p><p>bíblicos, à m edida que escutavam a Palavra d e D eus e</p><p>correspondiam , ou deixavam d e corresponder, na situação</p><p>d e le s ? Embora não possamos identificar-nos com os</p><p>israelitas, em realmente entrar na terra de Canaã, ou com</p><p>Davi reinando como rei em Jerusalém, ou com a situação</p><p>da vida de um hebreu debaixo da lei, temos participação</p><p>na humanidade destes homens e mulheres. Podemos</p><p>identificar-nos com suas reações intelectuais, emocionais,</p><p>psicológicas e espirituais, diante de Deus e do seu próximo.</p><p>Faríamos bem em lembrar-nos da observação de J. Daniel</p><p>Baumann: “Somos muito semelhantes às pessoas do</p><p>mundo antigo. E somente nalguns pensamentos</p><p>superficiais, crenças racionais, e disposições mentais que</p><p>somos diferentes. Em todas as realidades básicas do coração</p><p>somos iguais. Ficamos diante de Deus exatamente como</p><p>pessoas de todas as eras ficaram diante dele. Todos nós</p><p>tivemos experiência da culpa de Davi, da dúvida de Tomé,</p><p>da negação de Pedro, da apostasia de Demas, talvez até</p><p>mesmo do beijo do traidor Judas. Estamos vinculados,</p><p>através dos séculos, pelas realidades e ambigüidades da</p><p>alma humana”.12 Em todos as narrativas bíblicas, Deus</p><p>confronta os homens e as mulheres, e nós mesmos</p><p>podemos entrar nas respostas que as pessoas dão a Deus e</p><p>a outras pessoas como indivíduos, num grupo, ou am</p><p>bos. Aquele mesmo Deus cuja Pessoa e caráter nunca</p><p>mudam, dirige-se a nós hoje, em nossas situações, e os</p><p>princípios e dinâmicas envolvidos nestes encontros</p><p>permanecem sendo bem semelhantes, no decurso da</p><p>história.</p><p>3. Que discern im entos adicionais ja tem os adquirido acerca das</p><p>maneiras d e D eus lidar com seu p ovo , através d e revelação</p><p>adicional? O escritor de romances policiais freqüentemente</p><p>encaixa, no primeiro capítulo da sua história, incidentes</p><p>que parecem irrelevantes ou perplexos. A significância</p><p>desses eventos se torna óbvia em capítulos posteriores.</p><p>Visto que a Bíblia fica inteira e completa, nenhuma</p><p>passagem deve ser interpretada ou aplicada isoladamente</p><p>da totalidade daquilo que Deus tem falado. Cada texto</p><p>deve ser interpretado dentro do livro no qual aparece. Mas</p><p>cada um dos livros da Bíblia constitui uma parte da</p><p>revelação toda. Por vezes, o que podemos negligenciar no</p><p>começo das Escrituras, torna-se uma dica a uma revelação</p><p>mais plena.</p><p>4. Quando en ten d o uma verdade eterna ou um p rin cíp io</p><p>orientador, que aplicações específicas e práticas isso tem para</p><p>m im e para minha congregação? Quais as idéias, sentimentos,</p><p>atitudes ou a çõ es que isso d ev e afetar? Eu m esm o v ivo em</p><p>ob ed iên cia a esta verdade? P retendo ob ed ecer? Quais os</p><p>obstáculos que im pedem m eu auditório d e reagir com o deve?</p><p>Que su gestõ es poderiam ajudá-lo a reagir, con fo rm e D eus</p><p>deseja quereajam?</p><p>Normalmente você começa seu estudo com uma única</p><p>passagem da Escritura, e sua aplicação surge daquela passagem.</p><p>Se você começar com uma necessidade específica na sua</p><p>congregação, e voltar-se para a Bíblia, em busca de soluções, deve,</p><p>então, resolver quais passagens dizem respeito às questões</p><p>levantadas. Mediante a exegese daquelas passagens separadas,</p><p>portanto, o assunto é explorado. Quando a Bíblia fala diretamente</p><p>destas questões, numa variedade de textos, a aplicação e a</p><p>autoridade advêm diretamente da Escritura.</p><p>A aplicação se torna mais complexa, no entanto, quando</p><p>devemos lidar com problemas que os escritores bíblicos</p><p>nunca</p><p>enfrentaram. Visto que Jesus Cristo existe como Senhor de toda</p><p>a história, os cristãos devem responder às preocupações éticas e</p><p>políticas da atualidade, a partir da perspectiva divina. Tomamos</p><p>por certo que o Espírito Santo tem sua vontade a respeito de</p><p>assuntos tais como o aborto, os bebês de proveta, proteção do</p><p>meio ambiente, a fome do mundo, o emprego da tecnologia ou</p><p>os programas governamentais de assistência social. A Bíblia, no</p><p>entanto, não pode falar e não fala sobre todas as situações políticas</p><p>101</p><p>ou morais e, como resultado, a maneira como cremos, votamos</p><p>ou agimos não pode vir diretamente das Escrituras. Se podemos</p><p>dizer “Assim diz o Senhor” sobre questões específicas que não são</p><p>tratadas na Bíblia, depende de nossa análise das questões, e de</p><p>nossa aplicação de princípios teológicos. Como uma pergunta é</p><p>formulada e que partes da questão enfatizamos poderão formatar</p><p>nossa conclusão. Várias perguntas nos ajudam a testar a exatidão</p><p>da nossa aplicação:</p><p>1. Entendi corretamente os fatos e formulei apropriadamente</p><p>as perguntas envolvidas nesta questão? Essas perguntas</p><p>podem ser formuladas de outro modo, a fim de deixar</p><p>emergir outras questões? Será que as pessoas que</p><p>discordam de mim, formulariam a questão de uma outra</p><p>maneira?</p><p>2. Determinei todos os princípios teológicos que devem ser</p><p>considerados? Atribuo peso igual a cada princípio? Há</p><p>outros princípios que escolhi desconsiderar?</p><p>3. A teologia que esposo é verdadeiramente bíblica, derivada</p><p>da exegese disciplinada e da interpretação acurada das</p><p>passagens bíblicas? Citar textos de prova constitui um</p><p>perigo especial neste ponto. Esta prática acha apoio para</p><p>uma doutrina ou posição ética, em passagens arrancadas</p><p>do seu contexto ou interpretadas, sem referência ao</p><p>propósito do autor, ou mesmo sem olhar outras passagens</p><p>que podem limitar a aplicação.</p><p>Na formação destes julgamentos morais e políticos, Alexandre</p><p>Miller oferece uma sugestão útil: “Uma decisão cristã válida é</p><p>sempre uma composição de duas coisas, de f é e fa to s .</p><p>Provavelmente será válida, na medida em que a fé for corretamente</p><p>apreendida e os fatos, corretamente medidos”.13 Visto que nossa</p><p>análise dos fatos e nossa interpretação da fé podem ser diferentes,</p><p>os cristãos discordam entre si quanto a questões éticas e políticas.</p><p>Mesmo assim, a não ser que lutemos com os fatos à luz da nossa</p><p>fé, nenhuma decisão que tomarmos, pode legitimamente ser</p><p>chamada de crista.</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>4</p><p>Deus se revela na Escritura. A Bíblia, portanto, não é um</p><p>livro texto sobre ética ou um manual sobre como resolver</p><p>problemas pessoais. A Bíblia é um livro sobre Deus. Quando</p><p>você estuda um texto bíblico, então, você deve perguntar: “Qual</p><p>é a visão de Deus nesta passagem?” Deus está sempre ali. Procure</p><p>por ele. Em diferentes momentos, ele é o Criador, um bom Pai, o</p><p>Redentor, um Amante rejeitado, um Esposo, um Rei, um Salva</p><p>dor, um Guerreiro, um Juiz, um Ceifeiro, um Guardador de vinha,</p><p>um Anfitrião de banquete, um Fogo, uma Galinha protegendo</p><p>seus pintainhos, e assim por diante.</p><p>No andamento do seu estudo, então, há pelo menos quatro</p><p>perguntas que você pode fazer sobre uma passagem:</p><p>* Primeiro, qual é a visão de Deus neste texto em particular?</p><p>* Segundo, onde, precisamente, eu encontro isso na</p><p>passagem? (A visão de Deus está sempre nas palavras</p><p>específicas e na situação de vida do escritor ou dos leitores).</p><p>* Terceiro, qual é a função dessa visão de Deus? Quais as</p><p>implicações para a fé ou o comportamento que o autor</p><p>tirou dessa figura de linguagem?</p><p>* Quarto, qual é a significância desse quadro de Deus para</p><p>mim e para outros?14</p><p>Não só é importante você procurar a visão de Deus numa</p><p>passagem, como também você há de querer ver o fator humano.</p><p>Como as pessoas no texto bíblico responderam a essa visão de</p><p>Deus? Como foi que reagiram ? Essa visão de Deus deveria ter</p><p>produzido uma diferença prática em suas vidas? Esse fator humano</p><p>é a condição que as pessoas têm em comum com os personagens</p><p>da Bíblia. O fator humano pode aparecer em pecados tais como</p><p>rebeldia, descrença, adultério, cobiça ou gula, preguiça, egoísmo</p><p>ou fofoca. Também pode se mostrar em pessoas quebrando a</p><p>cabeça sobre a condição humana, como resultado de doença,</p><p>tristeza, ansiedade, dúvida, sofrimentos ou sentindo que Deus</p><p>pôs, em lugar esquecido, seus nomes e endereços. Geralmente</p><p>foi esse fator humano que motivou os profetas e apóstolos a</p><p>falarem e escreverem o que nos deixaram.1’</p><p>103</p><p>Para aplicar uma passagem, portanto, você precisa perceber</p><p>o que esse seu texto revela sobre Deus e o modo como as pessoas</p><p>corresponderam e viveram diante de Deus. Procure esses mesmos</p><p>fatores na vida contemporânea. Como a condição das pessoas</p><p>revela hoje os pecados, temores, esperanças, frustrações, ansiedades</p><p>e confusão das mulheres e homens de séculos no passado? Qual a</p><p>visão de Deus de que necessitam? Como respondem ou não</p><p>respondem a essa visão? Desta forma, você pode passar do texto</p><p>bíblico à situação de hoje com integridade.16</p><p>Pense em maneiras específicas nas quais essa verdade sobre</p><p>Deus e as pessoas realmente funcionaria na experiência. Para fazer</p><p>isso, faça a si mesmo perguntas tais como:</p><p>* Onde as dinâmicas da situação bíblica aparecem hoje?</p><p>* E daí? Que diferença real esta verdade sobre Deus faz para</p><p>mim ou para os outros? Que diferença deveria fazer? Que</p><p>diferença poderia fazer? Por que não faz diferença?</p><p>* Será que posso retratar para meus ouvintes, em termos</p><p>específicos, como esta visão de Deus poderia ser uma de</p><p>que necessitariam em uma dada situação? Será que algum</p><p>dia haveria de surgir uma ocasião em que alguém pudesse</p><p>se chegar a mim com um problema ou necessidade, e eu</p><p>lhes apontaria essa passagem e essa verdade? Os ouvintes</p><p>sentem que um sermão é relevante, quando podem dizer:</p><p>“Eu consigo v er como isso se aplicaria na minha vida”.</p><p>Para ser eficaz, os sermões precisam relacionar a verdade</p><p>bíblica à vida. Os sermões mais eficazes são os que fazem isso de</p><p>modo específico, e não geral. Se você não aplicar a Bíblia à</p><p>experiência de vida das pessoas, você não pode esperar que eles o</p><p>façam. Tiago avisou-nos sobre o perigo de “ouvir a Palavra”, mas</p><p>não a pôr em prática. Os ouvintes são enganados, se simplesmente</p><p>conhecerem a Palavra de Deus, mas não a praticarem. Como</p><p>pregadores, não ousamos contribuir para esta ilusão. Nossos</p><p>ouvintes precisam tanto da verdade para crer, como de maneiras</p><p>específicas, que formatem sua vida, para aplicá-la.</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>4</p><p>104</p><p>Estas três perguntas de desenvolvimento, portanto, estimulam</p><p>nossos pensamentos e nos ajudam a resolver o que deve ser dito</p><p>acerca de nossa passagem. Tome essas perguntas e dirija-as aos</p><p>detalhes de seu texto, e então dirija-as a seu auditório. Escreva o</p><p>que precisa ser dito para responder às perguntas. Você logo saberá</p><p>se tem ou não tem um sermão, e que tipo de estudo você precisa</p><p>fazer para tornar eficaz esse seu sermão.</p><p>Observe que as perguntas se edificam uma sobre a outra.</p><p>Somente quando pensamos que entendemos uma afirmação é</p><p>que questionamos sua validade. E somente quando entendemos</p><p>e cremos numa afirmação é que ela fará diferença positiva em</p><p>nossas vidas. Embora você possa tratar de todas as três perguntas</p><p>no desenvolvimento de seu sermão, uma das três predomina e</p><p>determina a forma que sua mensagem terá. Toda essa pesquisa o</p><p>leva em direção a sua idéia homilética, que o ocupará no estágio</p><p>de desenvolvimento seguinte.</p><p>N ovos C o n ce ito s</p><p>Reformulação</p><p>Três perguntas de desenvolvimento</p><p>A idéia homilética</p><p>Três perguntas d e desenvolvim ento:</p><p>1. O que isto quer dizer? Explora a explicação.</p><p>2. E verdade? Eu creio nisto? Explora a validade.</p><p>3. E daí? Que diferença faz? Explora as implicações e as</p><p>aplicações.</p><p>Idéia hom ilética — a declaração de um conceito bíblico de tal</p><p>modo que reflita com precisão a Bíblia, e cujo significado se</p><p>relacione plenamente com a congregação.</p><p>R eform u la ção - a declaração de uma idéia em palavras</p><p>diferentes para</p><p>esclarecê-la ou para sensibilizar o auditório.</p><p>105</p><p>E x er c íc io s</p><p>Determinar o sujeito e complemento dos seguintes exercícios.</p><p>Além disso, indique qual a pergunta funcional que você acha</p><p>que cada autor responde.</p><p>1. “A razão pela qual não se pode ensinar truques novos a</p><p>um cachorro velho não é que ele seja incapaz de aprendê-</p><p>los. E que ele está bem satisfeito com seu domínio dos</p><p>truques velhos, e pensa que aprender truques novos é só</p><p>para filhotes. Além disso, está ocupado em pagar as</p><p>prestações do seu canil” (John Gardner).</p><p>Sujeito: ____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>2. “A voz poderosa de Deus adverte do juízo, e a mesma voz</p><p>expressa sua compaixão por aqueles que se voltam a ele,</p><p>pelos meios dados por ele. Devemos escutar com a mesma</p><p>intensidade de reverente temor que sentimos, ao observar</p><p>o poder da água. Sua verdade falada não é para nós</p><p>julgarmos ou editarmos; cabe-nos escutar, absorver,</p><p>compreender, e curvar-nos.” (Edith Schaeffer)</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>3. “A melhor coisa que você pode fazer para o bem do seu</p><p>golfe neste inverno é olhar-se num espelho. Um espelho</p><p>106</p><p>de tamanho natural é uma ajuda valiosa à aprendizagem.</p><p>Com ele você pode melhorar sensivelmente, sobretudo</p><p>na posição da saída e nas tacadas leves ” (N ew York Times).</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>4. “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns</p><p>pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem</p><p>cumprido a Lei. Pois estes mandamentos: ‘Não</p><p>adulterarás’, ‘Não matarás’, ‘Não furtarás’, ‘Não cobiçarás’</p><p>e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste</p><p>preceito: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. O amor</p><p>não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o</p><p>cumprimento da Lei” (Rm 13.8-10).</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>5. Um menino chinês que queria aprender acerca do jade foi</p><p>estudar com um velho professor de talento. Este cavalheiro</p><p>colocou um pedaço dessa pedra na mão do jovem e</p><p>mandou que o segurasse com firmeza. Depois, começou</p><p>a falar de filosofia, dos homens, das mulheres, do sol e de</p><p>quase tudo que há debaixo dele. Depois de uma hora</p><p>pegou a pedra de volta e mandou o menino de volta para</p><p>casa. O mesmo procedimento foi repetido por semanas a</p><p>fio. O menino sentiu-se frustrado, quando seria informado</p><p>107</p><p>sobre o jade? mas ele era cortês demais para interromper</p><p>o venerável mestre. Então, um dia, quando o velho</p><p>colocou uma pedra em suas mãos, o menino exclamou</p><p>no mesmo instante: “Isso não é jade!”</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>6. “Rudolf Fellner relembra a suas classes da Universidade</p><p>Carnegie-Mellon que ‘a melodia só existe em sua memória,</p><p>porque num dado momento você só está escutando uma</p><p>nota da melodia.’. A música é uma arte cumulativa. É</p><p>uma mudança de sons através do tempo, cada som</p><p>tomando seu sentido daqueles que o precederam. Não é a</p><p>arte para quem sofre de amnésia.” (William Mayer).</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>7. Passarei por esta vida apenas uma vez.</p><p>Qualquer bem, pois, que eu possa fazer,</p><p>Ou qualquer bondade que eu possa mostrar a qualquer</p><p>semelhante,</p><p>Que eu o faça agora.</p><p>Que eu não o adie nem negligencie,</p><p>Pois não passarei por aqui novamente.</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: ______________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:</p><p>108</p><p>8. “O trabalho, hoje, perdeu muitas de suas características</p><p>tradicionais; e assim também a diversão. A diversão tem</p><p>sido transformada cada vez mais em esportes organizados,</p><p>e os esportes, por sua vez, se assemelham cada vez mais ao</p><p>trabalho na prática e preparação árdua, no envolvimento</p><p>intenso de técnicos e atletas (no espírito de trabalho), e</p><p>na própria produtividade econômica. Num paradoxo fi</p><p>nal, somente aqueles esportes que começaram como sendo</p><p>trabalho, ou seja, a caça e a pesca, são agora dominados</p><p>pelo espírito da diversão.” (Sport and Society).</p><p>Sujeito:_____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>9. A lei pode motivar-nos a pecar. Contam-me que, vários</p><p>anos atrás, um prédio alto para hotel foi construído em</p><p>Galveston, Texas, à beira do Golfo do México. O fato é</p><p>que baixaram palafitas no golfo e construíram o edifício</p><p>sobre a água. Quando o hotel estava para ter sua grande</p><p>inauguração, alguém pensou: “E se as pessoas decidirem</p><p>pescar pelas janelas do hotel?” Então colocaram avisos nos</p><p>quartos: “E proibido pescar pelas janelas do hotel”. Muitas</p><p>pessoas desconsideraram os avisos, no entanto, isso criou</p><p>um grande problema. As linhas se enroscavam. Os</p><p>hóspedes no restaurante viam peixes batendo contra as</p><p>grandes vidraças. O gerente do hotel resolveu a situação,</p><p>tirando aqueles pequenos avisos. Ninguém se registra num</p><p>hotel pensando em pescar pelas janelas. A lei, embora bem</p><p>intencionada, havia criado o problema.</p><p>Sujeito: _____________________________________</p><p>Complemento: _______________________________</p><p>Pergunta prática sendo considerada:________________</p><p>109</p><p>C a p ítu lo 5</p><p>A F lech a e o A lvo</p><p>E tap a s n o D esen v o lv im en to d e M en sagen s E x p o sitiv as</p><p>1 . S e l e c io n a n d o a P a s s a g e m</p><p>2 . E s t u d a n d o a P a s s a g e m</p><p>3 . D e s c o b r in d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>4 . A n a l is a n d o a I d é ia E x e g é t i c a .</p><p>5 . F o r m u l a n d o a I d é ia H o m i l é t i c a</p><p>6 . D e t e r m i n a n d o o P r o p ó s it o d o S e r m ã o</p><p>Tomemos um minuto para recordar. Nas duas primeiras</p><p>etapas de sua preparação, você estuda o texto para determinar</p><p>qual é a idéia exegética e seu desenvolvimento. Você quer declarar</p><p>qual o sujeito e o complemento daquilo que o escritor bíblico</p><p>escreveu para seus leitores. Você faz também um esboço geral da</p><p>passagem. Como o autor desenvolveu sua idéia?</p><p>Tendo feito isso, você ainda se depara com a pergunta: “Tenho</p><p>alguma coisa para pregar?” Embora todo bom sermão seja o</p><p>desenvolvimento de uma idéia central, nem toda idéia do texto</p><p>bíblico pode ser transformada em um sermão. Na etapa seguinte,</p><p>portanto, você submete sua idéia exegética e seu desenvolvimento</p><p>a três perguntas práticas:</p><p>* O que isto quer dizer?</p><p>* E verdade? Eu creio nisto?</p><p>* E daí? Que diferença faz?</p><p>112</p><p>Estas três perguntas cuidam do sentido, validade e implicações</p><p>de qualquer idéia. Não se deve dirigir as perguntas apenas à idéia</p><p>principal mas também às idéias de apoio e aos detalhes da</p><p>passagem. Isso o ajuda a decidir de que tipo de material de apoio</p><p>você precisa para comunicar a mensagem de seu texto.</p><p>Você também guarda em mente seu auditório, ao responder</p><p>a essas três perguntas.</p><p>“O que isto quer dizer?” O que tem que ser explicado para que</p><p>meus ouvintes entendam a passagem?</p><p>* O escritor bíblico explica suas declarações ou define seus</p><p>termos? Ele presume que os leitores originais o entenderam</p><p>e não precisavam de nenhuma explicação?</p><p>* Há conceitos, termos ou ligações que os ouvintes de hoje</p><p>poderiam não entender, que você lhes deve explicar?</p><p>“Isto é verdade? Eu creio nisto?” O que precisa ser provado?</p><p>* O autor está argumentando, provando ou defendendo</p><p>demoradamente algum conceito que é mais provável seus</p><p>ouvintes aceitarem, por exemplo, que Jesus era humano,</p><p>ou que os cristãos não precisam ser circuncidados?</p><p>* O autor está argumentando, provando ou defendendo um</p><p>conceito que</p><p>seus ouvintes poderão não aceitar facilmente,</p><p>e de que vão precisar, então, para entender o argumento da</p><p>passagem, por exemplo, que escravos deviam ser obedientes</p><p>a seus mestres?</p><p>* O autor está presumindo a validade de uma idéia que seus</p><p>ouvintes poderão não aceitar de imediato? Precisam ser</p><p>convencidos de que aquilo que a passagem diz é realmente</p><p>certo, por exemplo, que Jesus é o único caminho para Deus,</p><p>ou que os demônios existem realmente?</p><p>“E daí? Que diferença faz?” Como esse conceito deve ser aplicado?</p><p>* O autor bíblico está aplicando sua idéia? Onde ele a</p><p>desenvolve? Nas Escrituras as exortações decorrem do</p><p>contexto. Alguns sermões se assemelham a flores apanhadas:</p><p>113</p><p>a admoestaçao do autor está desligada da verdade que a</p><p>produziu. Os imperativos estao sempre ligados ao</p><p>indicativo. O efeito deve ser rastreado até a causa.</p><p>* O autor está apresentando uma idéia que ele não aplica</p><p>diretamente, mas que vai aplicar mais adiante em sua carta?</p><p>Onde ele faz isso? Como você aplica essa verdade a seus</p><p>ouvintes agora?</p><p>* O escritor bíblico presume que o leitor verá a aplicação de</p><p>uma afirmativa? Os escritores dos evangelhos muitas vezes</p><p>presumem que os leitores verão o sentido implícito de uma</p><p>parábola ou de um milagre. Especialmente em literatura</p><p>narrativa, pergunte a si mesmo: “Por que o autor incluiu</p><p>este incidente?”</p><p>À medida que você trabalha essas questões, tome nota daquilo</p><p>que você precisa explicar, provar ou aplicar aos ouvintes. Logo</p><p>você saberá se tem algo que pregar e qual a pesquisa que deve</p><p>fazer. Você verá a direção geral que seu sermão deve seguir e de</p><p>que você precisa tratar em seu sermão.</p><p>E t apa 5 : À luz d o c o n h e c im e n t o e e x p e r iê n c ia d o</p><p>AUDITÓRIO, ESTUDE BEM SUA IDÉIA EXEGÉTICA E</p><p>DECLARE-A NA SENTENÇA MAIS EXATA E MEMORÁVEL</p><p>POSSÍVEL.</p><p>Na quinta etapa, declare a essência de sua idéia exegética em</p><p>uma sentença que comunica a seus leitores. Esta sentença é sua</p><p>idéia homilética. Lembre-se de que você não está fazendo uma</p><p>preleção sobre a Bíblia. Você está falando com pessoas sobre elas</p><p>mesmas, pela Bíblia. Essa declaração, portanto, deve estar em</p><p>linguagem viva, nova, contemporânea.</p><p>Os propagandistas sabem que não nos lembramos de</p><p>abstrações, mas lembramo-nos de slogans. Embora os slogans da</p><p>propaganda sejam geralmente “muito barulho por nada”, não</p><p>devemos subestimar o impacto de uma idéia bem declarada. As</p><p>pessoas têm maior probabilidade de pensar os pensamentos de</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>5</p><p>Deus, adotando-os; de viver e amar e escolher com base nestes</p><p>pensamentos, quando estão expressas em sentenças memoráveis.</p><p>Algumas declarações da idéia homilética podem ser idênticas</p><p>à declaração da idéia exegética. Este é o caso, quando você trata</p><p>de princípios universais que se aplicam a qualquer pessoa, em</p><p>qualquer época: “Não adulterarás”, “Não furtarás”, ou “Ame a</p><p>seu próximo como a si mesmo” não precisam de tradução para o</p><p>século vinte-e-um. Já estão aqui. “A resposta calma desvia a fúria,</p><p>mas a palavra ríspida desperta a ira” não tem limite de duração.</p><p>Habacuque declarou: “O justo viverá pela sua fidelidade” (Hb</p><p>2.4). Essa idéia fundamental da Escritura não precisa ser tornada</p><p>contemporânea. Só precisa ser explicada e aplicada.</p><p>Outras idéias exegéticas, no entanto, são transformadas em</p><p>idéias homiléticas, quando você as faz mais atualizadas ou pessoais.</p><p>A idéia exegética de lTessalonicenses 1.2-10 poderia ser: “Paulo</p><p>agradeceu a Deus os tessalonicenses, porque, através do ministério</p><p>do apóstolo, Deus os tinha trazido para si e operado uma diferença</p><p>que podia ser notada em suas vidas”. A idéia a pregar deve ser</p><p>mais direta e pessoal: “Agradeça a Deus, todos os dias, os cristãos</p><p>que você conhece, por causa daquilo que Deus fez por eles e está</p><p>fazendo por intermédio deles”.</p><p>Uma declaração exegética de ITimóteo 4.12-16 poderia ser:</p><p>“Paulo exortou o jovem Timóteo a ganhar respeito, sendo um</p><p>exemplo para outros, tanto em sua vida pessoal como em seu</p><p>ministério público das Escrituras”. Fosse essa passagem a base de</p><p>um sermão para seminaristas, a idéia poderia ser declarada assim:</p><p>“Faça-se respeitar tanto pelo seu modo de viver como pelo seu</p><p>modo de ensinar”.</p><p>Sua declaração homilética pode ser mais contemporânea e</p><p>menos presa às palavras do texto. Don Sunukjian pregou um</p><p>sermão sobre Êxodo 13.17-18:</p><p>Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota</p><p>da terra dos fllisteus, embora este fosse o caminho mais curto,</p><p>pois disse: “Se eles se defrontarem com a guerra, talvez se</p><p>arrependam e voltem para o Egito. Assim, Deus fez o povo dar</p><p>a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar</p><p>Vermelho. Os israelitas saíram do Egito preparados para lutar.</p><p>A idéia homilética da pregação de Sunukjian foi: “A menor</p><p>distância entre dois pontos pode ser um ziguezague”. Isso foi fiel</p><p>ao texto, e também é fiel à vida.</p><p>Quando James Rose expôs Romanos 12.1-17, sua idéia</p><p>homilética foi: Quando o efeito do evangelho é de suprema</p><p>importância na igreja, a força do evangelho não pode ser freada</p><p>no mundo”.</p><p>Na pregação de Romanos 2.1-19, você poderia ter como</p><p>conceito central: “Se você usar a lei como sua escada para o céu,</p><p>você será deixado em pé no inferno”.</p><p>A declaração exegética de Romanos 6.1-14 poderia ser:</p><p>“Através de sua união com Jesus Cristo na morte e ressurreição</p><p>dele, os cristãos morreram para o domínio do pecado e foram</p><p>vivificados para a santidade”. Aqui está uma afirmação mais</p><p>chocante desse conceito: “Você não é mais a pessoa que era;</p><p>portanto, não trate de sua vida conforme costumava tratar”.</p><p>Alição central da parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-</p><p>37) poderia ser: “Seu próximo é qualquer pessoa cuja necessidade</p><p>você perceber, cuja necessidade você está em condições de</p><p>satisfazer”.</p><p>Como você vê, a idéia homilética é simplesmente a verdade</p><p>bíblica aplicada à vida.</p><p>Aqui estão algumas sugestões gerais para a formulação de</p><p>uma idéia homilética:</p><p>* Declare a idéia da maneira mais simples e memorável</p><p>possível. Faça cada palavra valer. Afirme para o ouvido. Os</p><p>ouvintes não devem ter que trabalhar, para poder lembrá-</p><p>la.</p><p>* Declare a idéia em palavras concretas e conhecidas. Estude</p><p>as propagandas em revistas para achar slogans de que você</p><p>pode lembrar-se. Se lhe dessem o espaço de uma só sentença</p><p>na qual comunicar sua idéia a alguém que não conhecesse</p><p>o jargão religioso e que não pudesse escrevê-la, como você</p><p>a diria?</p><p>* Coloque a idéia de modo que esteja focalizada na resposta.</p><p>Como você quer que os ouvintes correspondam? Em vez</p><p>de “Você pode se regozijar em tribulações, porque elas levam</p><p>à maturidade”, tente “Fique alegre quando vêm tempos</p><p>difíceis”. Se você sabe o que os ouvintes devem fazer, diga-</p><p>lhes.</p><p>* Coloque a idéia de tal forma que seus ouvintes sintam que</p><p>você está falando com eles, a respeito deles mesmos.</p><p>O P o d er d e um P ro p ó sito</p><p>O notável pregador A. W. Dale foi, evidentemente, um</p><p>homem que estava tão seguro como a Rocha de Gibraltar. Todo</p><p>sábado à noite ele pregava seu sermão a sua esposa. Um dia, depois</p><p>que havia feito este treino, sua esposa perguntou: “Diga-me, por</p><p>que você está pregando esse sermão?</p><p>Essa pergunta óbvia enfrenta a todos nós, enquanto nos</p><p>preparamos, e recebe muitas respostas inadequadas. Por exemplo:</p><p>“Quando chegar a hora certa no domingo, esperam que eu diga</p><p>algo religioso”. Ou então: “Na semana passada eu passei Gênesis</p><p>21, por isso esta semana vou pregar sobre Gênesis 22”. Por vezes</p><p>nossa resposta à pergunta, “Por que você está pregando esse</p><p>sermão?” é tão clara como uma neblina espessa: “Estou pregando</p><p>este sermão, porque quero dar ao povo um desafio”. Tais respostas,</p><p>em geral subentendidas em vez de declaradas, produzem sermões</p><p>que parecem uma torta de limão que se deixa cair, salpicam tudo</p><p>de creme e suspiro, mas não atingem nada com muita força. Falta-</p><p>lhes propósito!</p><p>Por mais brilhante ou bíblico que seja um sermão, se não</p><p>tem propósito definido, não vale a pena nós o pregarmos. Não</p><p>temos</p><p>idéia adequada da razão de estar falando. Imagine perguntar</p><p>a um treinador de hóquei: “Qual o propósito de seu time de hóquei?</p><p>E melhor ele saber a resposta. Ali todo tipo de atividade acontece</p><p>sobre o gelo: a patinação, manobras de bastões, bloqueios, passes,</p><p>mas o propósito do time de hóquei tem que ser marcar mais pontos</p><p>do que o adversário. O time que não conserva isto firmemente</p><p>em mira, joga só para fazer exercício. Por que pregar este sermão?</p><p>Fazemos uma variedade de coisas, quando estamos diante da</p><p>congregação. Explicamos, ilustramos, exortamos, fazemos exegese,</p><p>gesticulamos, para enumerar algumas poucas. Mas somos dignos</p><p>de dó, se deixamos de entender que este sermão específico deve</p><p>mudar vidas, de alguma maneira específica. A. W. Tozer traz uma</p><p>palavra perceptiva a todos nós:</p><p>Não existe quase nada tão enfadonho e sem sentido quanto a</p><p>doutrina bíblica ensinada por amor a ela mesma. A verdade</p><p>divorciada da vida não é a verdade no sentido bíblico, mas sim,</p><p>é algo diferente e algo menor.... Nenhuma pessoa fica melhor</p><p>por saber que Deus, no princípio, criou o céu e a terra. O diabo</p><p>sabe disso, bem como Acabe e Judas Iscariotes. Nenhum homem</p><p>ficará melhor, por saber que Deus amou o mundo dos homens</p><p>de tal maneira que deu seu Filho unigênito para morrer, a fim</p><p>de redimi-los. No inferno há milhões que sabem disso. A verdade</p><p>teológica é inútil até que seja obedecida. O propósito por detrás</p><p>de toda a doutrina é garantir ação moral.1</p><p>O propósito por detrás de cada sermão individual é garantir</p><p>alguma ação moral. Precisamos saber qual é essa açao.</p><p>E t apa 6 : D e t e r m in a n d o o p r o p ó s it o d o s e r m ã o .</p><p>O propósito declara aquilo que esperamos que aconteça com</p><p>o ouvinte, como resultado da pregação deste sermão. George</p><p>Sweazey sustentava que um propósito distingue um sermão de</p><p>um ensaio literário: “Um ensaio olha as idéias, mas um sermão</p><p>olha as pessoas”.2 Um propósito difere da idéia do sermão assim</p><p>como um alvo é diferente da flecha; assim como fazer uma viagem</p><p>é diferente de estudar o mapa; assim como assar uma torta é</p><p>diferente de ler a receita. Enquanto a idéia declara a verdade, o</p><p>propósito define o que aquela verdade deve levar a efeito. Henry</p><p>Ward Beecher dava valor à importância do propósito, quando</p><p>declarou: “O sermão não é como um rojão que se solta, por causa</p><p>do barulho que faz. É a espingarda do caçador, e a cada tiro, ele</p><p>deve olhar para ver sua caça cair.” Isso pressupõe, naturalmente,</p><p>que o caçador sabe o que está caçando.</p><p>Como, então, você determina o propósito do seu sermão?</p><p>Determina-o, ao descobrir o propósito por trás da passagem que</p><p>está pregando. Como parte de sua exegese, deve perguntar: “Por</p><p>que o autor escreveu isto? Que efeito esperava que teria sobre</p><p>seus leitores?” Nenhum escritor bíblico tomou a pena na mão,</p><p>para anotar “umas poucas observações apropriadas” sobre um</p><p>assunto religioso. Cada um deles escreveu para afetar vidas. Por</p><p>exemplo, quando Paulo escreveu a Timóteo, ele o fez para que</p><p>Timóteo ‘[soubesse] como as pessoas devem comportar-se na</p><p>casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento</p><p>da verdade” (lTm 3.15).</p><p>Judas mudou o propósito de sua carta, depois de sentar-se</p><p>para escrever: “Embora estivesse muito ansioso por lhes escrever</p><p>acerca da salvação que compartilhamos’, ele confessou, “senti que</p><p>era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de</p><p>uma vez por todas confiada aos santos” (Jd 3). João propôs narrar</p><p>a vida de Jesus, para ganharem crença em Jesus como “o Cristo, o</p><p>Filho de Deus”, e garantir para aqueles que crêem, “vida em seu</p><p>nome” (Jo 20.31). Livros inteiros, bem como seções dentro de</p><p>livros, foram escritos para fazer alguma coisa acontecer no</p><p>pensamento e nas ações dos leitores. O sermão expositivo,</p><p>portanto, tem seu propósito em harmonia com os propósitos</p><p>bíblicos. Você deve cogitar, em primeiro lugar, sobre o motivo de</p><p>uma passagem específica ter sido incluída na Bíblia e, com este</p><p>fato em mente, decidir o que Deus deseja realizar através do</p><p>sermão em seus ouvintes, hoje.</p><p>As Escrituras inspiradas foram dadas de modo que fôssemos</p><p>“aptos e plenamente preparados para toda boa obra” (2Tm 3 .16</p><p>17). Segue-se daí que você deve saber pôr em palavras quais as</p><p>crenças, atitudes, ou valores que devem mudar ou ser confirmados,</p><p>ou que qualidade de vida ou boas obras devem resultar da pregação</p><p>e do ouvir seu sermão. Você realiza esse propósito, Paulo disse a</p><p>Timóteo, ao (1) ensinar uma doutrina, (2) refutar algum erro na</p><p>crença ou ação, (3) corrigir aquilo que está errado, e (4) instruir</p><p>as pessoas a enfrentarem corretamente a vida.</p><p>Os educadores reconhecem, no entanto, que uma declaração</p><p>eficaz de propósito vai além do procedimento e descreve o</p><p>comportamento observável que deve advir como resultado do</p><p>ensinamento. Uma declaração de propósito não somente descreve</p><p>nosso destino e o itinerário que seguiremos para chegar ali, mas,</p><p>se possível, nos conta como saberemos se chegamos. Se não</p><p>tivermos clareza acerca do lugar para onde vamos, acabaremos</p><p>chegando, sem dúvida, nalgum outro lugar.3</p><p>Roy B. Zuck fez uma lista de verbos de grande valia para</p><p>declarar os objetivos do “itinerário”. Estes verbos são úteis para</p><p>lidar com o propósito de dar conhecimento e compreensão (o</p><p>âmbito cognitivo) e de mudar atitudes e ações (o âmbito afetivo).</p><p>Esta lista está reproduzida na Tabela 1.</p><p>Embora a pregação difira de modo significativo da preleção,</p><p>declarar o propósito de um sermão, como se fosse um objetivo</p><p>instrutivo, torna o sermão mais direto e eficaz. Aqui estão alguns</p><p>propósitos declarados em termos mensuráveis:</p><p>* O ouvinte deve entender a justificação pela fé e ser capaz de</p><p>escrever uma definição simples da doutrina. (Quer os ouvintes</p><p>realmente escrevam a definição ou não, você será muito mais</p><p>específico, se você pregar como se fosse escrevê-la).</p><p>* O ouvinte deve ser capaz de enumerar os dons espirituais e</p><p>determinar quais dons já recebeu.</p><p>* O ouvinte deve ser capaz de escrever o nome de, pelo menos,</p><p>um não-cristão e deve resolver que orará por aquele</p><p>indivíduo todos os dias, durante a quinzena seguinte. (Se</p><p>alguém faz alguma coisa durante uma quinzena, tem maior</p><p>possibilidade de fazê-lo durante vários meses).</p><p>* Meus ouvintes devem identificar alguma situação moral</p><p>mente indiferente, acerca da qual os cristãos discordam</p><p>entre si, e ter a capacidade de pensar bem sobre como agir</p><p>naquela situação.</p><p>* Os membros da congregação devem entender como Deus</p><p>ama cada um deles, e explicar pelo menos uma maneira</p><p>como esse amor os faz sentir mais seguros.</p><p>* Os crentes devem saber explicar o que as pessoas devem</p><p>crer para tornar-se cristãs, e devem resolver falar com, pelo</p><p>menos, uma pessoa a respeito do Senhor, durante a semana</p><p>seguinte.</p><p>* Os ouvintes devem estar convictos da necessidade de estudar</p><p>a Bíblia e devem matricular-se em alguma classe de estudo</p><p>bíblico da igreja, em um estudo bíblico num lar, ou em</p><p>curso bíblico por correspondência.</p><p>Formular propósitos que descrevem resultados mensuráveis</p><p>o força a refletir sobre como as atitudes e o comportamento devem</p><p>ser alterados. Isso, por sua vez, o capacita a ser mais concreto na</p><p>sua aplicação da verdade à vida. Afinal de contas, se um sermão</p><p>realiza alguma coisa, deve ser algo específico.</p><p>David Smith, um pregador escocês, descreve o sermão como</p><p>sendo “um discurso concluído com uma proposta”. Um dos meios</p><p>eficazes de incorporar o propósito no sermão, portanto, acha-se</p><p>em escrever por extenso uma conclusão, com o propósito em</p><p>mente. Afirme, de modo geral, o que você está pedindo que a</p><p>congregação faça como resultado daquilo que você pregou. Seja</p><p>tão específico quanto possível. Se alguém viesse a você na semana</p><p>seguinte e dissesse: “Fiquei pensando sobre o que você pregou</p><p>domingo passado, mas não sei o que você disse que se aplica a</p><p>minha vida”, você teria uma resposta? Visualize a verdade que</p><p>você pregou, sendo posta em prática em alguma situação</p><p>específica. Em seguida ponha isso na sua conclusão. Aqui estão</p><p>alguns exemplos:</p><p>* “Há alguém com quem você tem um relacionamento</p><p>desfeito? Um cônjuge, um pai ou mãe, um amigo ou amiga?</p><p>Como seguidor de Jesus Cristo, você precisa tomar o</p><p>primeiro passo hoje para acertar isso. Há uma carta que</p><p>você deva escrever? Um telefonema que ajudaria alguém?</p><p>Há uma visita que deve fazer ou uma conversa que deve</p><p>121</p><p>ter? Então você vai pedir a Deus a coragem para fazer esse</p><p>contato e tomar esse passo para resolver este assunto?”</p><p>* “Seu trabalho é a vontade de Deus para você. Amanhã,</p><p>quando você chegar ao trabalho, pegue um papel de recados</p><p>(um ‘post-it’ adesivo, talvez) e escreva, “Deus me colocou</p><p>aqui para servi-lo hoje’, e coloque-o na sua mesa ou no seu</p><p>armário, num lugar onde você pode vê-lo com facilidade.</p><p>Toda vez que você olhar para esse recado, pense numa</p><p>oração. ‘Senhor, estou trabalhando neste serviço para o</p><p>Senhor. Ajude-me a fazê-lo de modo que lhe agrade’. Desta</p><p>maneira você pode guardar o dia de trabalho, para fazê-lo</p><p>santo”.</p><p>Você pode até mudar a conclusão, mais tarde, no seu preparo,</p><p>mas você já determinou aonde tem o propósito de ir. Você</p><p>concentra seu pensamento com maior eficiência, se, quando</p><p>começa, já sabe o que pretende realizar.</p><p>N ovos C o n ce ito s</p><p>Resultados mensuráveis</p><p>Propósito</p><p>D efin içõ es</p><p>P ropósito - o que a pessoa espera que aconteça no ouvinte</p><p>como resultado de ouvir o sermão</p><p>Resultados m ensuráveis — o propósito do sermão declarado</p><p>em termos de comportamento observável.</p><p>TA</p><p>BE</p><p>LA</p><p>1</p><p>LU0</p><p>QO</p><p>CE</p><p>CE</p><p>cc</p><p>CQO</p><p>LUQ3 2</p><p>CC</p><p>UJ</p><p>LU > o</p><p>O</p><p>z</p><p>UJ o</p><p>CO tfi cc</p><p>Li] UJ UJ</p><p>CC Q H</p><p>Ot—o</p><p>>zOo</p><p>xh-</p><p>z</p><p>UJ</p><p>cc</p><p>cc</p><p>LU</p><p>CL cco</p><p>ÇO</p><p>Q</p><p>CC z X</p><p>UJ cn</p><p>O</p><p>*</p><p>e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a</p><p>supremacia”.</p><p>Dentro do sermão, Maclaren declara seu propósito: “Meu</p><p>trabalho não é tanto procurar comprovar as palavras de Paulo</p><p>como explicá-las, e depois inculcá-las”. Seu sujeito é: “Por que</p><p>Jesus Cristo é supremo em tudo, sobre todas as criaturas?” e seu</p><p>complemento é: “Por causa de sua relação com Deus, com a</p><p>criação e com a igreja”. Juntando seu sujeito e complemento, a</p><p>declaração de sua idéia para o sermão seria: “Jesus Cristo é supremo</p><p>sobre todas as criaturas, em tudo, por causa de seu relacionamento</p><p>com Deus, com a criação e com a igreja”. Ao desenvolver esta</p><p>idéia através da explicação, o propósito de Maclaren é motivar os</p><p>cristãos a tornarem Cristo preeminente em suas vidas.</p><p>Então, como Maclaren procede com o sermão? Oferece sua</p><p>idéia duas vezes na introdução. “Cristo”, declara ele, “enche o</p><p>espaço entre Deus e os homens. Não há necessidade de uma</p><p>multidão de seres ilusórios para vincular o céu à terra. Jesus Cristo</p><p>coloca sua mão sobre os dois. Ele é o cabeça e o manancial de</p><p>vida para sua igreja. Logo, ele tem a primazia em tudo para ser</p><p>escutado, amado e adorado pelos homens”. O sermão todo não</p><p>dirá mais do que isso. No parágrafo seguinte, Maclaren apresenta</p><p>a idéia pela segunda vez, numa forma abreviada: “Aqui temos</p><p>três grandes conceitos dos relacionamentos de Cristo. Temos</p><p>Cristo e Deus, Cristo e a criação, Cristo e a igreja, e, edificada</p><p>sobre todos estes, a proclamação triunfante da sua supremacia</p><p>sobre todas as criaturas, em todos os aspectos”.</p><p>No corpo do seu sermão, Maclaren explica o que está</p><p>envolvido nesses relacionamentos. O sermão, reduzido ao seu</p><p>esboço, procede da seguinte maneira:</p><p>I. O relacionamento entre Cristo e Deus é que ele é “a imagem do</p><p>Deus invisível” (Cl 1.15)</p><p>A. Deus em si mesmo é inconcebível e inabordável.</p><p>B. Cristo é a perfeita manifestação e imagem de Deus.</p><p>1. Nele, o invisível se torna visível.</p><p>2. Somente ele dá certeza suficientemente firme, para acharmos</p><p>poder de sustentação, em face às provações da vida.</p><p>II. O relacionamento entre Cristo e a criação é que ele é “o</p><p>primogênito de toda a criação” (Cl 1.15-17).</p><p>A. Cristo é o agente de toda a criação, e as frases que Paulo</p><p>emprega, dão a entender a prioridade de existência e supremacia</p><p>sobre todas as coisas.</p><p>B. Cristo sustenta uma variedade de relacionamentos com o</p><p>universo, fato este que é desenvolvido através das várias</p><p>preposições que Paulo usou.</p><p>III. O relacionamento entre Cristo e sua igreja é que ele é “a cabeça</p><p>do corpo”. Ele é “o princípio, o primogênito de entre os mortos”</p><p>(Cl 1.18).</p><p>A. Aquilo que o Verbo de Deus, antes da encarnação, era para o</p><p>universo, assim também é o Cristo encarnado para sua igreja.</p><p>Ele é o “primogênito” para os dois.</p><p>B. Como “a cabeça do corpo”, ele é a fonte e o centro da vida da</p><p>igreja.</p><p>C. Como “princípio” da igreja mediante sua ressurreição, ele é o</p><p>poder que deu origem à igreja, e mediante o qual seremos</p><p>ressuscitados.</p><p>Conclusão: “O apóstolo tira a conclusão de que Cristo, em</p><p>todas as coisas, tem a primazia e que todas as coisas existem para</p><p>que ele tenha a primazia. Seja na natureza, seja na graça, a</p><p>preeminência é total e suprema... De modo que a pergunta</p><p>suprema para todos nós é: “Que pensais de Cristo?”... Ele é alguma</p><p>coisa para nós além de um nome?... Felizes somos, se dermos a</p><p>Jesus a preeminência e se nosso coração estabelecer a noção: “Ele,</p><p>em primeiro lugar. Ele, em último lugar. Ele, no meio e sem fim”.1</p><p>Neste sermão inteiro Maclaren pouco mais faz do que responder</p><p>à pergunta: “O que significa esta passagem?” Ao explicá-la, ele a</p><p>aplica. Com todo o respeito, o sermão de Maclaren poderia ter</p><p>sido mais forte. Em sua introdução, ele poderia ter feito mais</p><p>para mostrar aos ouvintes por que eles precisavam entender esta</p><p>passagem. À parte de não entendê-la (o que constitui uma</p><p>necessidade, mas não uma que seja muito forte), um auditório</p><p>de hoje pensaria: “Mas por que abordar esse assunto?”</p><p>Uma outra coisa é essencial em um sermão sobre uma idéia</p><p>explicada: sua introdução é crucial a seu sucesso. Você precisa</p><p>encontrar uma necessidade para a explicação. Este formato de</p><p>sermão só funciona, se você vai coçá-los onde está coçando.</p><p>Ninguém escuta instruções sobre como fazer um suflê, se ele ou</p><p>ela nunca ao menos preparou um ovo cozido.</p><p>U m a P r o p o s iç ã o a S e r C o m p r o v a d a</p><p>Os sermões dedutivos assumem outras formas; no entanto,</p><p>às vezes, uma idéia requer não uma explicação, e sim provas.</p><p>Quando o caso for este, a idéia aparecerá na introdução como</p><p>uma proposição que você defenderá. Como sua posição de</p><p>pregador se assemelha àquela assumida em um debate, seus pontos</p><p>se tornam razões ou provas de sua idéia. Você responde às</p><p>perguntas de desenvolvimento: “Isto é verdade?” e “Por que devo</p><p>acreditar isto?</p><p>Um exemplo de um sermão no qual uma proposição é</p><p>comprovada, pode ser tirado de 1 Coríntios 15.12-19, onde Paulo</p><p>argumenta a favor da ressurreição do corpo. No contexto, Paulo</p><p>contendeu com os coríntios, pois eles não podem acreditar que</p><p>Jesus ressuscitou dentre os mortos e continuar a sustentar que</p><p>não existe ressurreição. Um sermão tirado de w. 12-19 defenderá</p><p>a proposição “A fé cristã não tem valor, se os cristãos não</p><p>ressuscitam dentre os mortos”. O pregador visa a convencer os</p><p>ouvintes de que a doutrina da ressurreição está no centro do</p><p>cristianismo. A idéia é declarada na introdução, e os pontos</p><p>principais defendem-na com uma série de argumentos. Na forma</p><p>de um esboço, o sermão tem a seguinte aparência:</p><p>I. Se os cristãos não ressuscitam, falta à fé crista conteúdo válido (w.</p><p>12-14).</p><p>A. Se os mortos não ressuscitam, segue-se que Cristo não</p><p>ressuscitou.</p><p>B. Se Cristo não ressuscitou, então o evangelho é uma ilusão.</p><p>C. Se o evangelho é uma ilusão, então nossa fé nesse evangelho</p><p>não tem substância</p><p>(Uma segunda razão pela qual a fé cristã não tem valor, a não ser</p><p>que os cristãos ressuscitem...)</p><p>II. Se os cristãos não ressuscitam, os apóstolos são mentirosos</p><p>desprezíveis (v. 15).</p><p>A. Visto que todos os apóstolos pregavam a ressurreição de Jesus,</p><p>que não poderia ter acontecido, se não existisse a ressurreição,</p><p>então são “falsas testemunhas”.</p><p>B. São culpados do pior tipo de falsidade, visto que deram</p><p>testemunho falso acerca de Deus que, segundo eles alegavam,</p><p>ressuscitou Jesus dentre os mortos.</p><p>(Uma terceira razão pela qual a fé crista não tem valor, sem a</p><p>ressurreição...)</p><p>III. Se os cristãos não ressuscitam, então é fútil a fé cristã (w. 16-17).</p><p>A. Se a ressurreição de Cristo não ocorreu, que seria o caso, se</p><p>não existisse ressurreição dentre os mortos, então não são</p><p>válidos os efeitos a ela atribuídos.</p><p>B. Os cristãos, portanto, ainda estão mortos em seus pecados.</p><p>Um Salvador morto não é Salvador, de modo algum.</p><p>(Um quarto argumento a ser considerado...)</p><p>IV. Se os cristãos não ressuscitam, então os cristãos não têm esperança</p><p>(w. 18-19).</p><p>A. Se não existe ressurreição, então Jesus não ressuscitou, e sua</p><p>morte não levou a efeito coisa alguma.</p><p>B. Seguir-se-ia, portanto, que os santos que morreram,</p><p>“pereceram”.</p><p>C. Os cristãos que sofrem por Cristo, na expectativa da vida do</p><p>porvir, são dignos de dó. Sem a ressurreição, a esperança que</p><p>os sustenta é apenas fé naquilo que desejam que seja verdade.</p><p>Conclusão: A ressurreição dentre os mortos consta como uma</p><p>doutrina crucial do cristianismo. Se cair por terra, a totalidade do</p><p>sistema da fé cristã desmorona com ela, e o evangelho cristão e</p><p>seus pregadores nada oferecem ao mundo. Visto que Cristo foi</p><p>ressuscitado, a crença na ressurreição e na fé cristã baseia-se em</p><p>alicerces fortes. Vivemos em esperança.</p><p>A primeira vista, a idéia explicada e a idéia comprovada</p><p>parecem ser idênticas, porque os dois sermões expõem a idéia do</p><p>sermão na introdução e depois a desenvolvem. O que deve ser</p><p>reconhecido, porém, é que os sermões são expandidos em direções</p><p>diferentes, para atingir propósitos diferentes.</p><p>U m P r in c íp io</p><p>a S e r A p l ic a d o</p><p>Um terceiro formato que os sermões dedutivos assumem,</p><p>evolve da pergunta da aplicação: E daí? Que diferença faz? Neste</p><p>tipo de sermão, você delineia um princípio bíblico ou na sua</p><p>introdução ou, então, no seu primeiro ponto principal, e no</p><p>restante da sua mensagem explora as implicações do princípio.</p><p>Um esboço de um sermão que visa a aplicar um princípio,</p><p>pode ser tirado de 1 Pedro 2.11-3.9. A introdução ao sermão</p><p>discute como nossas atitudes podem determinar ação, e depois</p><p>faz a pergunta: “Qual deve ser nossa atitude como homens e</p><p>mulheres de Cristo em um mundo que não é amigo de Deus</p><p>nem da graça?” O propósito por detrás do sermão é levar os</p><p>cristãos a desenvolver um espírito submisso nos seus</p><p>relacionamentos sociais. O princípio a ser aplicado aparece no</p><p>primeiro ponto principal.</p><p>I. Devemos ser sujeitos, por amor a Deus, a toda instituição humana</p><p>(2 . 11- 12 , 21 -25 ).</p><p>A. A sujeição traz glória para Deus (2.11-12).</p><p>B. Cristo ilustra a submissão até mesmo a instituições que operam</p><p>o mal contra ele (2.21-25).</p><p>1. Era completamente inocente (v. 22).</p><p>2. Guardou silêncio e confiou-se a Deus (v. 23).</p><p>3. Seus sofrimentos eram redentores (w. 24-25).</p><p>(Que diferença este princípio de submissão às instituições humanas</p><p>deve fazer em nossa vida diária?)</p><p>II. Este princípio de adotar um espírito submisso, por amor a Deus,</p><p>deve governar-nos em nossos relacionamentos sociais (2.13-20;</p><p>3.1-7).</p><p>A. Devemos submeter-nos, por amor a Deus, aos líderes cívicos</p><p>(2.13-17).</p><p>B. Devemos submeter-nos, por amor a Deus, aos nossos</p><p>empregadores (2.18-20).</p><p>C. Devemos submeter-nos, por amor a Deus, ao nosso cônjuge</p><p>(3.1-7)</p><p>1. As esposas devem ter um espírito submisso para com seus</p><p>maridos (w. 1 -6)</p><p>2. Os maridos devem ter um espírito submisso para com suas</p><p>esposas (v. 7)</p><p>Conclusão: “Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo</p><p>de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam</p><p>misericordiosos e humildes. Não retribuam mal com mal, nem</p><p>insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso</p><p>vocês foram chamados, para receberem bênção por herança”</p><p>(3.8-9).</p><p>Os três padrões de sermão que discutimos - uma idéia</p><p>explicada, uma proposição comprovada e um princípio aplicado</p><p>- são disposições dedutivas do sermão. Em todos os três, sua</p><p>idéia é declarada na introdução ou no primeiro ponto do sermão.</p><p>Tudo dentro do sermão, depois, relaciona-se de volta à idéia.</p><p>Existem também sermões semi-indutivos. Estes sermões caem</p><p>numa posição entre a dedução e a indução.</p><p>D isp o siçõ es S e m i-In d u tiv a s</p><p>U m A s s u n t o a S e r C o m pl e t a d o</p><p>O primeiro padrão semi-indutivo apresenta apenas o sujeito</p><p>na introdução, não a idéia inteira, e os pontos principais</p><p>completam o sujeito. Este formato de desenvolvimento é o mais</p><p>comum, usado em nossos púlpitos, e muitos pregadores nunca</p><p>saem dele.</p><p>Nas mãos de um pregador perito, um sermão que segue este</p><p>padrão, pode ter um senso de tensão e de forte clímax. James S.</p><p>Stewart, numa exposição de Hebreus 12.22-25, oferece um</p><p>exemplo para nosso estudo. Em sua introdução, Stewart estabelece</p><p>seu sujeito. O escritor de Hebreus, ele nos diz: “está dizendo cinco</p><p>coisas acerca da nossa comunhão de culto cristão na igreja”. O</p><p>propósito do sermão é “levar-nos a reconhecer as riquezas da nossa</p><p>herança, quando nos reunimos em nossos lugares de culto”. Com</p><p>o assunto “O que torna rico o nosso culto?” declarado na</p><p>introdução, cada ponto no corpo nos ajuda a completá-lo.</p><p>I. É uma comunhão espiritual: “mas vocês chegaram ao monte Sião,</p><p>à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo” (v. 22). Os cristãos</p><p>têm contato direto com aquele mundo espiritual visível o qual,</p><p>em última análise, é a única realidade.</p><p>(Passo para o segundo fato que nosso texto sublinha, acerca da</p><p>comunhão na adoração cristã”) .</p><p>II. E uma comunhão universal: “Vocês chegaram à igreja dos</p><p>primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus” (v. 23). Os</p><p>cristãos são membros da maior comunhão na terra: a igreja</p><p>universal.</p><p>(Passo para a terceira descrição que ele nos dá, da nossa comunhão</p><p>na adoração cristã”).</p><p>III. E uma comunhão imortal: “Vocês chegaram aos milhares de</p><p>milhares de anjos, em alegre reunião... e aos espíritos dos justos</p><p>aperfeiçoados” (v. 22, 23). Quando os cristãos estão em adoração,</p><p>seus entes queridos no além estão perto deles e uma nuvem de</p><p>testemunhas os cerca.</p><p>IV. E uma comunhão divina: “Vocês chegaram a Deus, juiz de todos</p><p>os homens... e a Jesus, mediador de uma nova aliança” (v. 23, 24).</p><p>Em seu culto, ele lhes diz — chegando agora até o próprio âmago</p><p>do assunto — vocês chegaram a Deus segundo é revelado em Jesus.</p><p>(“Mais um fato sobre nossa comunhão na adoração ele acrescenta,</p><p>e assim conclui”).</p><p>V. É uma comunhão que redime: “Vocês chegaram ao sangue</p><p>aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel” (v. 24).</p><p>“Quando nossos pecados clamam a Deus, exigindo castigo e</p><p>vingança, outra coisa também acontece: o sangue de Cristo clama</p><p>mais alto, sobrepuja e silencia o próprio clamor dos nossos pecados,</p><p>e Deus, por amor a Cristo, perdoa”.2</p><p>Stewart não chega a nenhuma conclusão formal, mas ao invés</p><p>disto, seu ponto principal serve para concluir o sermão de modo</p><p>eficaz. Note que em suas transições, ele relaciona cada ponto</p><p>distinto não ao ponto anterior, mas sim, somente com o assunto</p><p>que ele completa.</p><p>Este formato de sermão depende de uma palavra chave que</p><p>mantém juntos os pontos. No sermão de Stewart, é a palavra</p><p>genérica coisas. Cada um de seus cinco pontos é uma “coisa” sobre</p><p>nossa comunhão, quando nos reunimos para prestar culto. Uma</p><p>queixa com respeito à forma de assunto-a-ser-completado é que</p><p>pode ser enfadonho. Cansa o pregador e, quando usado</p><p>constantemente, pode cansar o auditório. Mais importante ainda,</p><p>há o perigo de impor sobre o pensamento do escritor bíblico</p><p>aquilo que o próprio escritor não está dizendo. Forçamos o</p><p>pensamento da passagem a um molde predeterminado. A</p><p>vantagem do formato, contudo, é que é simples e fácil de usar.3</p><p>I n d u ç ã o -D e d u ç ã o</p><p>A indução e a dedução podem ser combinadas em seu sermão.</p><p>A idéia é declarada em algum lugar, no meio do sermão. A</p><p>introdução e o primeiro ou o segundo ponto levarão até a idéia.</p><p>Depois, o restante do sermão procede de modo dedutivo para</p><p>explicar, comprovar ou aplicar a idéia.</p><p>Uma das variações da disposição indutiva-dedutiva é a</p><p>exploração de um problema. Dentro da introdução e do primeiro</p><p>ponto principal, o pregador identifica um problema pessoal ou</p><p>ético, explora suas raízes e talvez discuta soluções inadequadas.</p><p>No segundo ponto principal, propõe um princípio bíblico ou</p><p>abordagem bíblica ao problema e, no decurso do restante do</p><p>sermão, explica, defende ou aplica o mesmo.</p><p>Este arranjo também é aplicável à pregação sobre “situações</p><p>vivenciais”. Na introdução você discorre em termos pessoais sobre</p><p>uma pergunta, um problema ou uma experiência desconcertante,</p><p>tal como a depressão ou a aflição. Você poderá, então, demonstrar</p><p>que o caso específico que você apresenta, reflete, na verdade, um</p><p>problema teológico ou filosófico mais geral. Finalmente, você</p><p>oferece uma solução bíblica positiva de uma forma útil e prática.</p><p>Seu sermão, então, torna-se um projeto que constrói uma ponte</p><p>que transpõe o golfo entre as necessidades pessoais, de um lado,</p><p>e a verdade bíblica do outro.</p><p>F o rm as In d u tiv a s</p><p>Os sermões também podem ser desenvolvidos de modo</p><p>indutivo. Os sermões indutivos caminham em direção a uma</p><p>declaração completa de sua idéia, no final do sermão. Em sua</p><p>introdução, portanto, você não dá a idéia completa de seu sermão.</p><p>Você faz a relação de sua introdução apenas com o primeiro ponto</p><p>do sermão. Em seguimento a esse ponto, você levanta outra</p><p>pergunta, ou direta ou indiretamente, para o auditório considerar.</p><p>Seu segundo ponto, então, sai do seu primeiro ponto. Quando</p><p>seu segundo ponto já estiver desenvolvido, você deve fazer surgir</p><p>ainda outra pergunta que saia desse ponto, a qual é respondida,</p><p>no ponto seguinte. Só quando todos seus pontos já foram</p><p>desenvolvidos é que você declara a idéia de seu sermão.</p><p>E óbvio que as transições são cruciais em um sermão indutivo.</p><p>Seus ouvintes não podem se referir de volta à idéia central, porque</p><p>você ainda não a verbalizou. Estao completamente à sua mercê.</p><p>Se suas transições não os remetem para onde estiveram, e para a</p><p>pergunta emergente que ainda está por ser respondida, o auditório</p><p>estará voando, perdida. Se você é um pregador inexperiente,</p><p>avance com cautela. As congregações que já foram expostas a um</p><p>sermão indutivo, nas mãos de um pregador inexperiente, podem</p><p>estar ainda perdidos por aí, tentando achar o caminho para casa.</p><p>Ao mesmo tempo, os sermões indutivos têm vantagens.</p><p>Produzem nos ouvintes um senso de descoberta. Nós, como</p><p>pregadores, muitas vezes percebemo-nos voltando às Escrituras e</p><p>encontrando a verdade e entregando-a aos nossos ouvintes. O</p><p>sermão se torna uma questão de mostrar e contar. No sermão</p><p>indutivo, os ouvintes podem ter a experiência de aprender a</p><p>verdade por si. Pode produzir uma sensação forte de estar</p><p>descobrindo.</p><p>Os sermões indutivos são especialmente eficientes com</p><p>auditórios indiferentes ou mesmo hostis. Funcionam bem com</p><p>ouvintes que poderiam rejeitar sua idéia de sermão de saída. Pela</p><p>indução, você consegue apresentar uma série de idéias com as</p><p>quais o auditório concorda, antes de você apresentar sua idéia</p><p>principal, e eles são forçados a aceitá-la. Esta tem sido chamada</p><p>de abordagem “sim-sim”. Você faz com que o auditório diga sim</p><p>a certo número de coisas com as quais concordam, antes de</p><p>apresentar um conceito do qual eles vão discordar. Quando Pedro</p><p>se dirigiu à turba do Pentecoste — a multidão que recentemente</p><p>crucificara a Jesus — ele empregou uma abordagem indutiva. Em</p><p>sua introdução, ele respondia à pergunta que pairava nas mentes</p><p>de seus ouvintes sobre os fenômenos do Pentecoste. Citando o</p><p>profeta Joel, ele prosseguiu para provar, pela Escritura deles e</p><p>pela experiência, que Jesus é o Cristo e Senhor que eles haviam</p><p>matado, o único que os poderia salvar do juízo. Ele declarou sua</p><p>idéia na conclusão de sua mensagem: “Portanto, que todo o Is</p><p>rael fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus</p><p>o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). Se tivesse apresentado essa idéia</p><p>no começo de seu sermão, os ouvintes o poderiam ter matado.</p><p>Através de sua abordagem indutiva, ele transformou um auditório</p><p>desconfiado e antagônico em pessoas que perguntaram: “Que</p><p>faremos?”</p><p>E difícil esboçar a estrutura de um sermão indutivo, usando</p><p>um esquema tradicional. Como todos os esboços têm que ser</p><p>dedutivos (um ponto principal declarado e então sustentado) é</p><p>mais fácil mapear um sermão indutivo em uma série de</p><p>movimentos que marcam a ascensão, até chegar à idéia principal</p><p>única do sermão. Comece com um problema humano genuíno e</p><p>prossiga em direção a uma solução bíblica. Seu sermão poderá se</p><p>assemelhar a algo parecido com o seguinte:</p><p>A con fu são que a lguém enfrenta. Desenvolva um problema</p><p>em termos pessoais. Como aquela pessoa em particular o</p><p>experiencia? Como as pessoas realmente falam sobre aquilo que</p><p>enfrentam? Todas as questões teológicas aparecem na vida de</p><p>alguma forma, em algum lugar, ou então não valem a pena.</p><p>Comece seu sermão com a vida de alguém.</p><p>Mas veja! Essa con fusão pessoa l é realm ente parte d e algo maior.</p><p>A situação do indivíduo é, realmente, um caso particular de algo</p><p>muito mais amplo. Dê exemplos de onde o problema aparece, de</p><p>várias maneiras, na experiência das pessoas. Quais são as</p><p>conseqüências que este problema maior cria em nós ou em pessoas</p><p>que conhecemos? Que perguntas isso faz surgir?</p><p>Não só isso, mas a con fu são não com eço u con o sco . Estamos</p><p>falando sobre algo fundamental na experiência humana. Fale sobre</p><p>o problema, conforme ocorreu com pessoas, através da história</p><p>e, particularmente, com alguém na Bíblia.</p><p>Isso levanta a questão mais profunda: com o alguém entrou nessa</p><p>con fu são?Foi por querer? As pessoas caem nisso com um tropeção?</p><p>As pessoas não caem sem uma luta. Que soluções elas têm tentado,</p><p>para sair da con fu são em que estavam? Como as pessoas da Bíblia</p><p>responderam? As soluções funcionaram ou só pioraram a situação?</p><p>Finalmente, p recisa haver boas novas. Existe uma saída da</p><p>con fu são ! Exponha o princípio bíblico operante na passagem</p><p>bíblica que você escolheu. Como funcionou nos homens e</p><p>mulheres da Bíblia? Então relacione o princípio ao indivíduo</p><p>que você apresentou em sua introdução. Aplique essa solução a</p><p>outros que lutam com o mesmo tipo de problema.</p><p>Nem todos esses passos em seu sermão recebem espaço</p><p>equivalente. Embora seja uma tentação falar sobre o problema,</p><p>você precisa gastar tempo suficiente, mostrando a solução do relato</p><p>bíblico e a solução que opera na vida.</p><p>O sermão indutivo é mais uma conversa do que uma preleção.</p><p>Para fazer com que funcione, temos de saber como as pessoas</p><p>realmente pensam e agem. Os ouvintes têm que sentir que “aquele</p><p>poderia ser eu”. Também temos que ir entrando, identificando-</p><p>nos com a experiência da Bíblia. A diferença entre um discurso</p><p>religioso e um sermão pulsando de vida é a diferença entre ler</p><p>um livro sobre a pobreza e ficar na fila com uma mãe e seus três</p><p>filhos famintos, à espera de uns vales de comida. Participe da</p><p>fúria de Paulo, ao estar escrevendo aos gálatas. Sinta um nó no</p><p>estômago com as dúvidas do abalo da fé de Asafe, no Salmo 73.</p><p>Sinta o mau cheiro das feridas de Jó. Sinta a ansiedade de Timóteo,</p><p>ao sentir a força dos adversários e a fraqueza das pessoas com que</p><p>podia contar, quando recebeu o cargo para atuar em Efeso. A</p><p>Bíblia é grande literatura, mas literatura não é vida. “A palavra</p><p>impressa é isenta demais de sangue e lágrimas”, Ernest Campbell</p><p>observou, “para ser pelo menos uma cópia xérox razoável da</p><p>realidade”. Os sermões indutivos funcionam melhor, quando,</p><p>do começo ao fim, de problemas atuais à solução bíblica, nós</p><p>estamos falando sobre pessoas reais, e não sobre personagens de</p><p>papelão em tramas de papel de seda.</p><p>U m a H is t ó r ia a S e r C o n ta d a</p><p>Os sermões indutivos têm apelo especial para habitantes de</p><p>uma cultura dominada pela televisão e cinema. Tornamo-nos uma</p><p>cultura de contos. Quer seja um conto policial dramático, uma</p><p>comédia ou mesmo uma competição esportiva, há um grande</p><p>elemento de indução. O drama não está resolvido, enquanto não</p><p>chega o fim do último ato, e a piada leva à frase-clímax, e o evento</p><p>desportivo vai até a pontuação final. Os sermões indutivos se</p><p>encaixam nessa linha de raciocínio. Isso é especialmente verdade,</p><p>quando se fala de um tipo específico de sermão indutivo - a</p><p>história a ser contada. Você se liga ao auditório de hoje, quando</p><p>conta uma história bíblica com entendimento e imaginação.</p><p>Infelizmente, através de alguma forma tortuosa de raciocínio,</p><p>persuadimos a nós mesmos que as histórias pertencem às crianças,</p><p>e que os adultos maduros aceitam seus princípios de modo direto,</p><p>sem uma camada de açúcar. Logo, relegamos as histórias para o</p><p>berçário ou levamos uma novela conosco, nas férias, somente</p><p>como meio de passar o tempo.</p><p>As notas baixas que temos dado às histórias devem ser revistas</p><p>e aumentadas, se observarmos o impacto que as histórias fazem</p><p>em todos nós. A televisão está cheia delas: algumas de segunda,</p><p>algumas suspeitas, algumas fraquinhas, algumas que valem a pena,</p><p>mas as novelas da TV atraem o auditório e formulam os valores</p><p>dele. O futuro da nossa cultura talvez dependa das histórias que</p><p>captam a imaginação e a mente desta geração e dos seus filhos.</p><p>Qualquer pessoa que ama a Bíblia deve dar valor à história,</p><p>pois, por mais que ela seja outra coisa, ela é um livro de histórias.</p><p>A teologia do Antigo Testamento vem envolvida em narrativas</p><p>de homens e mulheres que saem correndo, para erigir seus deuses</p><p>feitos manualmente, e de outros que levam Deus suficientemente</p><p>a sério, para apostar nele a sua vida. Quando Jesus apareceu, veio</p><p>e eles suspeitam que os sofisticados nos bancos das</p><p>igrejas tenham mais fé nos textos de ciência do que nos textos da</p><p>pregação. Para alguns pregadores, portanto, os últimos modismos</p><p>na comunicação seduzem mais do que a mensagem..</p><p>Apresentações multimídia, vídeos, sessões de compartilhamento,</p><p>luzes estroboscópicas e a música do momento podem ser sintomas</p><p>ou de saúde ou de doença. Sem dúvida, as técnicas modernas</p><p>podem realçar a comunicação, mas, por outro lado, podem</p><p>substituir a mensagem. O surpreendente e o incomum podem</p><p>servir de disfarce para um vácuo.</p><p>A ação social apela mais a certo segmento da igreja do que</p><p>o falar ou o escutar. Para que servem palavras de fé, perguntam</p><p>eles, quando a sociedade exige obras de fé? As pessoas com</p><p>este cunho mental julgam que os apóstolos inverteram as</p><p>coisas, quando resolveram: “Não é certo negligenciarmos o</p><p>ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas” (At</p><p>6.2). Num dia de ativismo, seria mais relevante declarar: “Não</p><p>é razoável que abandonemos o serviço às mesas para pregar a</p><p>Palavra de Deus”.</p><p>19</p><p>O A rg u m en to a fa v o r d a P reg ação</p><p>A despeito da maledicência contra a pregação e os pregadores,</p><p>ninguém que leva a sério a Bíblia ousa descartar a pregação. Para</p><p>os escritores do Novo Testamento, a pregação destaca-se como o</p><p>evento através do qual Deus opera. Pedro, por exemplo, lembrou</p><p>seus leitores de que “foram regenerados, não de uma semente</p><p>perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus, viva e</p><p>permanente” (lPe 1.23 n v i) . Como foi que esta palavra veio a</p><p>afetar a vida deles? Pedro explicou: “Essa é a palavra que lhes fo i</p><p>anunciada ’ (1.25; “que foi pregada a vocês” Bíblia Viva). Através</p><p>da pregação, Deus os havia remido.</p><p>Paulo era um escritor. Da sua pena, temos a maioria das cartas</p><p>inspiradas do Novo Testamento e, encabeçando a lista de suas</p><p>cartas, há aquela aos Romanos. Medida pelo impacto que tiveram</p><p>sobre a história, poucos documentos se comparam com ela.</p><p>Mesmo assim, quando Paulo escreveu esta carta à congregação</p><p>em Roma, confessou: “Anseio vê-los, a fim de compartilhar com</p><p>vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los, isto é, para que eu</p><p>evocês sejamos mutuamente encorajados pela fé” (Rm 1.11-12).</p><p>Paulo reconhecia que alguns ministérios não podem ser realizados,</p><p>de forma alguma, sem o contato face a face. Nem a leitura de</p><p>uma carta inspirada serve de substituto: “Estou disposto a pregar</p><p>o evangelho também a vocês que estão em Roma” (1.15). Através</p><p>da palavra pregada vem um poder que nem mesmo a palavra</p><p>escrita pode substituir.</p><p>Além disto, Paulo relatou a história espiritual dos tessalo-</p><p>nicenses que “voltaram-se a Deus, deixando os ídolos, a fim de</p><p>servir ao Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus seu Filho”</p><p>(lTs 1.9-10). Aquela reviravolta ocorreu, explicou o apóstolo,</p><p>porque “vocês o aceitaram, não como palavra de homens, mas</p><p>conforme ela verdadeiramente é, como palavra de Deus, que atua</p><p>com eficácia em vocês, os que crêem” (2.13). A pregação, no</p><p>pensar de Paulo, não consistia em alguma pessoa discutir religião.</p><p>Pelo contrário, o próprio Deus falava através da personalidade e</p><p>20</p><p>mensagem de um pregador, para confrontar os homens e mulheres</p><p>e trazê-los para si.</p><p>Tudo isso explica por que Paulo encorajava seu jovem</p><p>companheiro Timóteo a “pregar a palavra” (2Tm 4.2). Pregar</p><p>significa proclamar, anunciar ou exortar. Pregadores devem</p><p>conclamar a mensagem com paixão e fervor, a fim de comover</p><p>almas. Nem todas as súplicas apaixonadas feitas do púlpito, no</p><p>entanto, possuem autoridade divina. Quando o pregador fala</p><p>como arauto, deve proclamar “a Palavra”. Qualquer coisa a menos</p><p>não pode legitimamente passar como sendo pregação cristã.</p><p>A N ecessid ad e d e P reg ação E x p o sitiv a</p><p>O homem no púlpito enfrenta a insistente tentação de pregar</p><p>alguma mensagem que não seja aquela das Escrituras - um sistema</p><p>político (quer da direita ou da esquerda), uma teoria de ciência</p><p>econômica, uma nova filosofia religiosa, antigos slogans religiosos</p><p>ou uma tendência da psicologia. Um pregador pode proclamar</p><p>qualquer coisa, com voz imponente, no domingo de manhã,</p><p>depois de serem cantados os hinos. Mesmo assim, quando um</p><p>pregador deixa de pregar as Escrituras, perde sua autoridade. Já</p><p>não confronta seus ouvintes com uma palavra vinda da parte de</p><p>Deus. Logo, a maior parte da pregação moderna provoca pouco</p><p>mais do que grandes bocejos. Deus não está nela.</p><p>Deus fala através da Bíblia. E a principal ferramenta de</p><p>comunicação, mediante a qual ele se dirige aos indivíduos, hoje.</p><p>A pregação bíblica, portanto, não deve ser igualada com “a velha</p><p>história de Cristo e seu amor”, como se recontasse uma história</p><p>acerca de tempos melhores, quando Deus estava com vida e</p><p>passando bem. A pregação também não é um prato requentado</p><p>de idéias acerca de Deus ortodoxas, sim porém distantes da vida.</p><p>Através da pregação das Escrituras, Deus se encontra com homens</p><p>e mulheres e os traz à salvação (2Tm 3.15) e à riqueza e maturidade</p><p>do caráter cristão (2Tm 3.16-17). Algo nos enche de reverente</p><p>admiração, quando Deus confronta um indivíduo através da</p><p>pregação e agarra-o pela alma.</p><p>21</p><p>O tipo de pregação que melhor transmite a força da autoridade</p><p>divina é a pregação expositiva. Seria fátuo, porém, pressupor que</p><p>todos concordam com esta declaração. Uma pesquisa de</p><p>freqüentadores de igrejas que se contorceram durante horas,</p><p>ouvindo pregação rotulada expositiva, mas seca como flocos de</p><p>milho sem leite, não mostraria acordo sobre esse ponto, e nem</p><p>seria de se esperar. Embora a maioria dos pregadores já tenham</p><p>sido apresentados à pregação expositiva, sua prática os delata. Como</p><p>poucas vezes eles a empregam, também votam “não”.</p><p>Admitimos que a pregação expositiva já sofreu, severamente,</p><p>nos púlpitos de homens que alegam ser seus amigos. Nem toda a</p><p>pregação expositiva é, contudo, necessariamente qualificada como</p><p>sendo “expositiva”, nem sequer como “pregação”. Infelizmente,</p><p>a Repartição de Pesos e Medidas ( a b n t — Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas) não tem numa redoma de vidro um sermão</p><p>expositivo padrão, com o qual as demais mensagens devam ser</p><p>comparadas. Qualquer fabricante pode colar o rótulo “expositivo”</p><p>em qualquer sermão que queira, e nenhum Ralph Nader o</p><p>corrigirá. Mas a despeito dos danos feitos por impostores, a</p><p>pregação expositiva genuína tem, por detrás dela, o poder do</p><p>Deus vivo.</p><p>Qual é, pois, o artigo genuíno? Em que se constitui a pregação</p><p>expositiva? Como se compara ou contrasta com outros tipos de</p><p>pregação?</p><p>A D e f in i ç ã o d a P r e g a ç ã o E x p o s it iv a</p><p>Tentar uma definição torna-se uma questão desajeitada,</p><p>porque, ao definir algo, às vezes o destruímos. O menino que</p><p>dissecou uma rã, para descobrir o que a levava a pular, aprendeu</p><p>algo sobre as partes, mas matou a rã. A pregação é uma interação</p><p>viva que envolve Deus, o pregador e a congregação, e nenhuma</p><p>definição pode ter a pretensão de captar essa dinâmica. Mas, por</p><p>amor à clareza, devemos tentar uma definição aproveitável para a</p><p>prática.</p><p>22</p><p>A pregação expositiva é a comunicação de um conceito bíblico,</p><p>derivado de, e transmitido através de um estudo histórico,</p><p>gramatical e literário de uma passagem em seu contexto, que o</p><p>Espírito Santo primeiramente aplica à personalidade e experiência</p><p>do pregador, e depois, através dele, a seus ouvintes.</p><p>A P a s s a g e m G o v e r n a o S e r m ã o</p><p>Quais são os pormenores desta definição complexa e um tanto</p><p>seca que devemos ressaltar? Primeiro, e acima de tudo, o</p><p>pensamento do escritor bíblico determina a substância de um</p><p>sermão expositivo. Em muitos sermões, a passagem bíblica lida à</p><p>congregação se assemelha ao hino nacional tocado num jogo de</p><p>futebol dá início às atividades, mas não é mais ouvido naquela</p><p>ocasião. Na pregação expositiva, conforme a descrição de R. H.</p><p>Montgomery, “o pregador empreende a apresentação de livros</p><p>específicos (da Bíblia) como alguns homens abordariam o último</p><p>b es</p><p>contando histórias, e a maioria delas já entrou no folclore do</p><p>mundo. Na realidade, ele era tão brilhante contador de histórias</p><p>que, às vezes, deixamos de perceber a teologia profunda que está</p><p>escondida nas suas histórias de um delinqüente rebelde e seu irmão</p><p>intolerável, de um fariseu piedoso, de tesouros enterrados, e de</p><p>um negociante que teve um inesperado encontro com a morte.</p><p>A pregação com narrativas, porém, não apenas repete os</p><p>detalhes de uma história, como a pessoa repetiria uma piada já</p><p>gasta e sem graça. Através da história, o pregador comunica idéias.</p><p>Num sermão de narrativa, assim como em outro sermão qualquer,</p><p>uma idéia principal continua a ser apoiada por outras idéias, mas</p><p>o conteúdo que apóia as lições, é tirado diretamente dos incidentes</p><p>da história. Em outras palavras, os detalhes da história são</p><p>entretecidos para se tirar uma lição, e todas as lições desenvolvem</p><p>a idéia central do sermão.</p><p>As narrativas parecem mais eficazes, quando o auditório ouve</p><p>a história e chega às idéias do preletor, sem ele as declarar</p><p>diretamente.</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>7</p><p>140</p><p>O diretor de filmes cinematográficos Stanley Kubrick</p><p>discutiu o poder da idéia indireta, numa entrevista relatada na</p><p>revista Time: “A essência da forma dramática é deixar uma idéia</p><p>chegar às pessoas sem ser declarada de modo claro. Quando</p><p>você diz alguma coisa de modo direto, realmente não tem a</p><p>potência que tem, quando você permite que as pessoas, a descubram</p><p>por si”.4 Se as lições são declaradas ou apenas subentendidas,</p><p>depende da perícia do pregador, do propósito do sermão e da</p><p>percepção do auditório. De qualquer maneira, a história deve</p><p>desdobrar-se de tal maneira que os ouvintes se identifiquem com</p><p>os pensamentos, motivos, reações e racionalizações das personagens</p><p>bíblicas e, enquanto isso, obtenham maior conhecimento sobre si</p><p>mesmos também.</p><p>Vimos diversas formas que os sermões podem assumir. Alguns</p><p>são dedutivos, outros indutivos, e ainda outros recaem em algum</p><p>ponto intermediário. O que vimos não deve ser considerado</p><p>exaustivo, e sim sugestivo. Em última análise, não existe “um</p><p>formato de sermão”. A verdade de Deus seria melhor servida, se</p><p>nem pensássemos em pregar qualquer sermão. Quando chegamos</p><p>àquilo que cremos ser o sentido de uma passagem e já meditamos</p><p>sobre as necessidades e questionamentos de nosso auditório, então</p><p>a pergunta é: Qual a melhor maneira desta idéia ser desenvolvida?</p><p>O sapato não deve ensinar ao pé como crescer; portanto, deve-se</p><p>permitir às idéias e propósitos que tomem seu próprio formato</p><p>em sua mente. Para testar um formato, você deverá fazer pelo</p><p>menos duas perguntas: (1) Este desenvolvimento comunica o</p><p>que a passagem ensina? (2) Ele vai realizar meu propósito com</p><p>este auditório? Se seu desenvolvimento comunica sua mensagem,</p><p>sem dúvida, você deve usá-lo; se é um empecilho à sua mensagem,</p><p>então crie uma forma que se adapte mais à idéia e propósito da</p><p>Escritura e das necessidades de seus ouvintes.</p><p>Quando um arquiteto projeta um prédio, ele ou ela começa</p><p>com um conceito derivado da função que o edifício terá (o que o</p><p>prédio deve fazer) e da forma (qual será a aparência do prédio).</p><p>Para construir o prédio, o arquiteto transforma sua idéia em</p><p>desenho técnico que mostra em detalhe como o conceito se</p><p>traduzirá em aço, pedra e vidro.</p><p>E t apa 8 : T e n d o r e so l v id o c o m o a id é ia d e v e s e r</p><p>d e se n v o l v id a p a r a r e a l iz a r s e u p r o p ó s it o , f a ç a o</p><p>ESBOÇO DO SERMÃO</p><p>Quando você já derivou um conceito a partir dos dados</p><p>bíblicos e o moldou à necessidade de seu auditório, agora deve</p><p>fazer um desenho técnico, que é o esboço de seu sermão. Embora</p><p>o esboço possa existir sem a forma, a estrutura fornece ao sermão</p><p>um senso de ordem, unidade e progresso. Certamente nenhum</p><p>sermão veio a fracassar, por causa de possuir um esboço sólido.</p><p>O esboço é para proveito seu. As congregações não ouvem</p><p>esboços. Eles ouvem um pregador falar. Seu esboço, portanto,</p><p>ajuda-o, pelo menos, de quatro maneiras. Primeiro, você vê seu</p><p>sermão como um todo, pois, assim, ressalta seu senso de unidade.</p><p>Em segundo lugar, o esboço realça na visão e na mente os</p><p>relacionamentos entre as partes de seu sermão. Terceiro, seu esboço</p><p>também cristaliza a ordem das idéias, de forma que você as</p><p>apresenta a seus ouvintes na seqüência apropriada. Finalmente,</p><p>você reconhecerá os lugares no sermão que requerem matéria</p><p>adicional de apoio, para desenvolver os pontos a apresentar.</p><p>As vezes a disposição de idéias na passagem terá de ser alterada</p><p>no esboço. O escritor bíblico não teve em mente o seu auditório.</p><p>Ele pode ter seguido uma ordem indutiva, mas, por causa de seus</p><p>ouvintes, talvez você selecione um plano dedutivo. Os sermões</p><p>baseados nas epístolas se adaptam mais facilmente a esboços do</p><p>que os poemas, parábolas ou narrativas. A não ser que você</p><p>permaneça flexível quanto às maneiras de comunicar passagens,</p><p>achará impossível cumprir o propósito de algumas passagens</p><p>diante de seu auditório. Se você for tratar do epílogo de Provérbios,</p><p>por exemplo, descobrirá que a passagem não pode ser esboçada</p><p>de modo lógico. Provérbios 31.10-31 consiste de um acróstico</p><p>hebreu, descrevendo as qualidades de uma mulher sábia de Alefe</p><p>até Tau, o A até Z do alfabeto hebraico. E um resumo das virtudes</p><p>da sabedoria já detalhada em Provérbios, agora completada na</p><p>experiência de vida. Embora o acróstico seja um dispositivo eficaz</p><p>para a memorização, por parte de um leitor hebreu, este acróstico</p><p>não faz sentido para os ouvintes brasileiros. Para ensinar esta</p><p>passagem, pois, você deve impor seu próprio esboço sobre o</p><p>conteúdo.</p><p>Os esboços geralmente consistem de uma introdução, um</p><p>corpo e uma conclusão.</p><p>* A introdução (que será discutida em mais detalhe) introduz</p><p>a idéia, o assunto, ou, no caso de sermões indutivos, o</p><p>primeiro ponto.</p><p>* O corpo do esboço, então, elabora a idéia.</p><p>* A conclusão (que também será discutida mais tarde) traz a</p><p>idéia a um enfoque e termina o sermão.</p><p>O sermão é composto de uma multidão de idéias, todas</p><p>relacionadas umas às outras. Nem todas as idéias de um sermão</p><p>têm importância equivalente. Algumas são mais básicas do que</p><p>outras. As idéias mais fundamentais se tornam os pontos principais</p><p>e formam o arcabouço, em volta do qual o sermão é constituído.</p><p>Estes pontos principais constam de algarismos romanos, no corpo</p><p>da mensagem. Por exemplo:</p><p>IDÉIA: Os cristãos devem louvar a Deus por causa de tudo</p><p>que ele tem feito por nós.</p><p>I. Devemos louvar a Deus, porque nos escolheu em Cristo (Ef 1.4-6).</p><p>II. Devemos louvar a Deus, porque nos tratou de acordo com as</p><p>riquezas da sua graça (1 .7-12 )</p><p>III. Devemos louvar a Deus, porque nos selou com o Espírito Santo,</p><p>até adquirirmos a plena posse da nossa herança (1.13-14).</p><p>A mera listagem destes pontos principais, no entanto, não</p><p>desenvolve o sermão completamente. E porque os pontos</p><p>principais precisam de expansão, pontos secundários que</p><p>aperfeiçoam os pontos principais, são acrescentados ao esboço.</p><p>Podemos usar letras maiúsculas para designar esses pontos e, além</p><p>disso, são escritas com reentrância.</p><p>I. Devemos louvar a Deus, porque nos escolheu em Cristo (Ef 1.4-6)</p><p>A. Ele nos escolheu antes da fundação do mundo (v. 4).</p><p>B. Ele nos escolheu, porque nos predestinou para a filiação,</p><p>mediante adoção (v. 5).</p><p>C. Ele nos escolheu, a fim de que seja louvado pela glória da sua</p><p>graça (v. 6).</p><p>O acréscimo destes pontos secundários melhora o esboço,</p><p>ao tornar o desenvolvimento mais claro e mais específico. O</p><p>esboço pode ficar ainda mais completo, se incluir detalhes</p><p>específicos, para apoiar os pontos secundários. Geralmente uma</p><p>cifra arábica e mais uma reentrância demonstra a subordinação</p><p>aos pontos principais e secundários. No esboço de amostra, o</p><p>sermão é expandido pelo acréscimo dos detalhes.</p><p>II. Devemos louvar a Deus, porque nos tratou de acordo com as</p><p>riquezas da sua graça (Ef 1.7-12)</p><p>A. Redimiu nossos pecados pelo sangue de Cristo (v. 7).</p><p>B. Deu-nos sabedoria</p><p>para entender o mistério da sua vontade (v.</p><p>8- 10).</p><p>1. Sua vontade está de acordo com seu bom propósito que ele</p><p>estabeleceu em Cristo (w. 8-9).</p><p>2 . Sua vontade propõe fazer convergir em Cristo todas as coisas,</p><p>no tempo apropriado (v. 10).</p><p>A cada expansão do esboço, a substância do sermão torna-se</p><p>mais óbvia. Um indivíduo que nunca viu a passagem, poderia ler</p><p>o esboço e obter alguma idéia da organização e desenvolvimento</p><p>do sermão pelo pregador.</p><p>^ Se você precisar de desenvolvimento adicional, você o indica</p><p>pelo emprego de letras minúsculas e mais uma reentrância. Um</p><p>esboço de sermão, em comparação com o esboço para tese ou</p><p>artigo de pesquisa, deve ser simples e ter relativamente poucos</p><p>pontos. Um esboço complicado cortado em várias subdivisões</p><p>com reentrâncias, embora impressionante para o olho, só pode</p><p>deixar desnorteado o auditório que deve escutá-lo.</p><p>Guarde em mente que cada ponto no esboço representa uma</p><p>idéia, portanto deve ser uma sentença gramatical completa.</p><p>Quando apenas palavras ou frases constam como pontos,</p><p>enganam-nos por serem incompletas e vagas. Declarações parciais</p><p>deixam o pensamento escorregar por nossa mente como uma</p><p>bola de futebol, coberta de graxa. Embora você possa levar um</p><p>esboço abreviado para o púlpito, descobrirá que tal esboço será</p><p>insuficiente para a utilização em seu escritório.</p><p>Há algo mais para lembrar: cada ponto deve ser uma</p><p>declaração, não uma pergunta. As perguntas não demonstram</p><p>relacionamentos, porque não são idéias. Os pontos no esboço</p><p>devem responder a perguntas, e não suscitá-las. As perguntas</p><p>podem ser usadas na pregação do sermão como transições que</p><p>introduzem pontos novos. Tais perguntas transicionais precedem</p><p>um ponto no seu esboço e são colocadas em parênteses.</p><p>Embora o pregador veja seu esboço diante dele na página,</p><p>lembre-se de que a congregação somente ouvirá o conteúdo. Este</p><p>fato óbvio faz com que sejam especialmente significativas as</p><p>afirmativas de transição, porque apontam os relacionamentos das</p><p>partes ao todo. Você deve ajudar os ouvintes a distinguir seus</p><p>pontos principais do material que serve de apoio. É por isso que</p><p>apresenta pelo menos três ou quatro declarações e reformulações</p><p>de um ponto, para tornar um ponto claro aos ouvintes. Transições</p><p>cuidadosamente construídas ajudam o ouvinte a pensar</p><p>juntamente com você, de modo que avancem juntos, pelo sermão</p><p>afora. Uma transição eficaz avisa o auditório que você está dando</p><p>um passo para a frente. Você recorda com freqüência onde você</p><p>esteve, identifica o pensamento pelo qual está passando, conta o</p><p>que foi dito sobre o assunto ou idéia principal, e interessa o ouvinte</p><p>no pensamento seguinte.</p><p>Visto que transições claras não surgem facilmente na mente,</p><p>devem ser planejadas de antemão. Transições eficazes afirmam</p><p>ou subentendem a conexão lógica ou psicológica entre a</p><p>introdução e o corpo, entre os pontos dentro do corpo, e entre o</p><p>corpo e a conclusão. Respondem à pergunta: Por que estes pontos</p><p>estão nesta ordem? Algumas transições de ligação entre os</p><p>145</p><p>subpontos de seu sermão realizam isto com poucas palavras, mas</p><p>outras transições poderão exigir um parágrafo para estabelecer a</p><p>unidade, a ordem dos pontos, e o movimento do sermão. Embora</p><p>devam ser escritas por extenso e incluídas no esboço, as transições,</p><p>freqüentemente, serão amplificadas e desenvolvidas, sobretudo</p><p>quando você pregar, de fato, o sermão.</p><p>N ovos C o n ceito s</p><p>Disposição dedutiva</p><p>Disposição indutiva</p><p>Disposição semi-indutiva</p><p>Alguns formatos que os sermões tomam:</p><p>Idéia explicada</p><p>Proposição comprovada</p><p>Princípio aplicado</p><p>História contada</p><p>Sujeito completado</p><p>Esboço</p><p>Transição</p><p>D isp osiçã o d ed u tiva - a idéia aparece como parte da</p><p>introdução, e o corpo a explica, comprova ou aplica.</p><p>D isposição indu tiva - a introdução apresenta apenas o</p><p>primeiro ponto no sermão, depois, com uma transição forte,</p><p>cada ponto novo forma um elo com o ponto anterior, até</p><p>que a idéia venha à tona, na conclusão.</p><p>E sboço - mostra ao preletor o relacionamento entre as idéias</p><p>do sermão. Você pode perceber, em um relance, quais idéias</p><p>são superiores, subordinadas e coordenadas.</p><p>História contada - uma história da Escritura é narrada de tal</p><p>maneira que a idéia seja desenvolvida diretamente ou por</p><p>implicação.</p><p>Idéia explicada - a idéia é apresentada na introdução, e os</p><p>pontos do sermão são passos na explicação da idéia.</p><p>146</p><p>Princípio aplicado — a idéia é declarada na introdução ou no</p><p>primeiro ponto, como o princípio da fé ou da vida. O restante</p><p>do sermão aplica esse princípio à experiência diária.</p><p>Proposição com provada — a idéia é declarada na introdução</p><p>como a proposição de um debate. Os pontos são provas</p><p>daquela proposição.</p><p>Sujeito com pletado - o sujeito do sermão aparece na introdução.</p><p>Os pontos principais do sermão são complementos daquele</p><p>sujeito.</p><p>Transição - notifica o auditório que o pregador está indo</p><p>adiante, declararando (ou, ocasionalmente, subentendendo)</p><p>a conexão lógica ou psicológica entre a introdução e o corpo,</p><p>entre os pontos dentro do corpo, e entre o corpo e a</p><p>conclusão.</p><p>P ara L e itu ra A d ic io n a l</p><p>Se desejar explorar mais os sermões indutivos, talvez queira</p><p>começar com Inductive Preaching: H elping People Listen, por Ralph</p><p>e Greg Lewis (Wheaton: Crossway, 1983). Fred Craddock</p><p>também apresenta as vantagens da pregação indutiva em seu livro</p><p>que faz pensar, As O ne W ithoutA uthority (Nashville, Abingdon,</p><p>1979). Para conhecer instruções específicas em como preparar</p><p>um sermão narrativo, incluindo o sermão narrativo na primeira</p><p>pessoa, leia Variety in B iblical P reach ing por Harold Freeman</p><p>(Waco: Word, 1987). Paul Borden responde à pergunta, “Is There</p><p>Really One Idea in That Story?” [“Há Mesmo Uma Idéia Naquela</p><p>História?”] e lhe mostra como ele trabalha para esse fim, no</p><p>capítulo 5 de The B igld ea o f Biblical Preaching, editado por Keith</p><p>Willhite e Scott Gibson (Grand Rapids: Baker, 1998). Daniel</p><p>Buttry oferece dez de seus sermões na primeira pessoa, junto com</p><p>comentários sobre como os preparou e pregou, em First-Person</p><p>P reach ing (Valley Forge, Pa.: Judson, 1998). Você encontrará</p><p>também uma variedade de sermões narrativos em meu livro Bibli</p><p>ca l Serm ons (Grand Rapids: Baker, 1989). Eugene Lowry, em</p><p>D oingT im ein th eP u lp it(Nashville: Abingdon, 1985), argumenta</p><p>147</p><p>que qualquer sermão pode ser mapeado com fortes qualidades</p><p>narrativas.</p><p>A pregação de versículo-por-versículo, outro formato de</p><p>sermão, caiu da moda em anos recentes. Talvez tenha fracassado</p><p>tanto nas mãos de seus amigos como nas mãos de seus inimigos.</p><p>A pregação de versículo-por-versículo se assemelha a tocar o</p><p>saxofone: é fácil tocá-lo mal. Uma defesa da pregação do</p><p>comentário corrido, no entanto, vem de dois autores que são</p><p>“neo-homiliastas”. E Preaching Verse b y Verse por Ronald J. Allen</p><p>e Gilbert L. Bartholomew (Louisville: Westminster/John Knox,</p><p>1999). Este pequeno livro não só defende a pregação de verso</p><p>por verso, mas também demonstra como fazê-lo.</p><p>C a p ítu lo 7</p><p>E tap a s no D esen v o lv im en to J e M en sag en s E x p o sitiv a s</p><p>1 . S e l e c io n a n d o a P a s s a g e m</p><p>2 . E s t u d a n d o a P a s s a g e m</p><p>3 . D e s c o b r in d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>4 . A n a l is a n d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>5 . F o r m u l a n d o a I d é ia H o m i l é t i c a</p><p>6 . D e t e r m i n a n d o o P r o p ó s it o d o S e r m ã o</p><p>7 . D e c id i n d o c o m o R e a l iz a r e s t e P r o p ó s it o</p><p>8 . M o n t a n d o o E s b o ç o d o S e r m ã o</p><p>9 . P r e e n c h e n d o o E s b o ç o d o S e r m ã o</p><p>Os esboços servem como esqueletos para o pensamento, e</p><p>na maioria dos sermões, assim como na maioria dos corpos, o</p><p>esqueleto não ficará completamente escondido. Mesmo assim,</p><p>não devemos fazer uma exposição grosseira do esboço, como se o</p><p>esqueleto fosse “Amostra C. Vítima da Fome”. O meio mais</p><p>eficiente de esconder os ossos desnudos de um sermão não é</p><p>desfazer-se do esqueleto, e sim, cobri-lo com carne. A matéria de</p><p>apoio é para o esboço aquilo que a pele é para os ossos ou as</p><p>paredes para a estrutura de uma casa.</p><p>E t apa 9 : P r e e n c h e r o e s b o ç o d o s e r m ã o c o m</p><p>m a t e r ia l de a p o io q u e e x p l iq u e , c o m p r o v e , a p l iq u e</p><p>o u a m p l ie o s p o n t o s .</p><p>Um auditório não reage a idéias abstratas, e ninguém já foi</p><p>impelido à fé pela leitura de um esboço. Se o esboço permanece</p><p>sem desenvolvimento, um auditório poderá deixar de captar seu</p><p>significado e permanecer inconvicto. A medida que o sermão se</p><p>desdobra, os ouvintes levantam várias perguntas: “O que será</p><p>que ele quer dizer com isto?” “Que evidências ele tem para apoiar</p><p>essa declaração?” “Achei isso muito interessante, mas como</p><p>funcionaria na vida?” “Não peguei isso. Quer dizer isso de novo,</p><p>por favor?” Para amplificar, explicar, comprovar ou aplicar suas</p><p>idéias e torná-las compreensíveis e atraentes, você usa uma</p><p>variedade de matérias de apoio.</p><p>Já falamos em reformulação durante nossa discussão de</p><p>transições. A reformulação - dizer a mesma coisa em palavras</p><p>diferentes - é empregada em outros lugares em seu sermão. A</p><p>reformulação serve, pelo menos, a dois propósitos. Primeiro,</p><p>ajuda-o a esclarecer um conceito. Os ouvintes, diferentemente</p><p>dos leitores, devem captar o que você diz, quando você o diz.</p><p>Uma leitora que fica confusa por aquilo que está lendo, pode</p><p>voltar as páginas e pegar o raciocínio do autor. Mas os ouvintes</p><p>não têm tal opção. Se não o entendem da primeira vez, então a</p><p>nao ser que você diga aquilo de novo, em outras palavras, o ouvinte</p><p>fica perdido.</p><p>A reformulação é diferente da repetição. A repetição diz a</p><p>mesma coisa com as mesmas palavras; a reformulação diz a mesma</p><p>coisa com palavras diferentes. A repetição poderá ser usada, com</p><p>proveito, em todo o sermão como um refrão para reforçar uma</p><p>idéia importante, mas o pregador hábil aprende a reformular um</p><p>ponto diversas vezes, de maneiras diferentes. A reformulação se</p><p>parece com o cursor que pisca na tela do computador. Mostra</p><p>aos ouvintes onde é que estão. A reformulação é como marchar</p><p>no mesmo lugar. Não indica movimento de avanço, mas é parte</p><p>do desfile. E dizer a mesma coisa com palavras diferentes.</p><p>Clovis G. Chappell emprega a reformulação na sua</p><p>introdução a um sermão sobre a mulher apanhada em adultério</p><p>(Jo 8.1-11). “Os estudiosos estão incertos quanto ao lugar no</p><p>registro sagrado, onde esta história deve ficar. Alguns pensam</p><p>que não pertence mesmo. De certos manuscritos antigos é</p><p>omitida. Entretanto, falando não como erudito, mas meramente</p><p>como leitor da Bíblia, tenho certeza de que realmente pertence a</p><p>ela. Aqui, segundo sinto, temos uma história verdadeira. Se não</p><p>é verdadeira, é uma história com a qual a própria verdade pode</p><p>aprender. Não somente é verdadeira esta história como também,</p><p>segundo julgo, é fato real. E o registro de um evento que realmente</p><p>ocorreu. Teria sido necessário um gênio realmente sublime para</p><p>inventar uma história tão fiel à vida real. Certamente é consistente</p><p>com aquilo que sabemos acerca dos escribas e fariseus; é ainda</p><p>mais consistente com aquilo que sabemos acerca do próprio</p><p>Jesus”.1</p><p>Tudo que Clovis Chappell está dizendo neste parágrafo de</p><p>pensamento é: “Eu acho que esta história realmente aconteceu”.</p><p>Peter Marshall enfatiza uma lição mediante a reformulação</p><p>em seu sermão “A Arte de Mover Montanhas”:</p><p>Estou certo de que cada um de vocês já leu esta declaração muitas</p><p>vezes: A Oração Muda as Coisas.</p><p>Vocês a viram pintada em cartazes que adornam as paredes de</p><p>nossas salas da Escola Dominical.</p><p>Vocês a viram gravadas em plaquetas de metal,</p><p>leram-na na Bíblia,</p><p>ouviram-na do púlpito, ah, tantas vezes.</p><p>Mas vocês crêem nisto?</p><p>Vocês realmente, honestamente, acreditam que a oração muda</p><p>as coisas?</p><p>Você já viu a oração mudar alguma coisa para você?</p><p>Suas atitudes</p><p>suas circunstâncias</p><p>seus obstáculos</p><p>seus temores?2</p><p>A reformulação, então, torna seus conceitos claros. Ouvintes</p><p>podem não pegar o sentido de seu ponto, quando você o diz da primeira</p><p>vez, mas quando você o reformula em palavras diferentes, isso pode</p><p>fazer com que digam: “Ah, eu entendo o que você quer dizer”.</p><p>A reformulação serve a um segundo propósito: também</p><p>imprime uma idéia na mente do ouvinte. Se você diz algo uma só</p><p>vez, pode ser desconsiderado, mas se você o repete várias vezes,</p><p>ficará sublinhado no pensamento e nos sentimentos desse ouvinte.</p><p>Os propagandistas investem centenas de milhões de reais para</p><p>reformular suas idéias no rádio, na televisão e nas revistas. Você</p><p>precisa desenvolver esta habilidade também.</p><p>A D efin iç ão e a E x p lic aç ão</p><p>Uma definição estabelece limites. Delineia aquilo que deve</p><p>ser incluído e excluído por um termo ou declaração. Quando</p><p>pensamos em definições, geralmente pensamos em dicionários</p><p>onde encontramos explicações enxutas e rápidas de uma palavra.</p><p>A explicação, como a definição, também delineia limites, mas</p><p>poderá fazer isso, ampliando a maneira como as idéias se</p><p>relacionam umas às outras, ou o que uma idéia subentende. Note</p><p>como Earl E Palmer explica o que quer dizer a palavra grega eros\</p><p>Eros é amor que é merecido, amor que é conquistado por nós.</p><p>Não é o amor instintivo que temos para com nossos pais ou</p><p>nossos filhos, nossa família ou nossa estrutura social ou racional.</p><p>Não é o tipo de amor que temos por algo como a sabedoria ou</p><p>a humanidade. E o amor que é merecido de nós, por causa da</p><p>excelência compulsiva daquela pessoa, coisa ou realidade. E o</p><p>amor à beleza, o amor ao poder, o amor à força.3</p><p>Definições e explicações operam de várias maneiras. Em geral,</p><p>definimos um termo ou idéia, colocando-o numa classe ampla</p><p>de coisas da qual faz parte. Ao mesmo tempo, porém, devemos</p><p>demonstrar como difere de outras coisas naquela classe. A</p><p>classificação, pois, explica tanto as semelhanças quanto as</p><p>diferenças. Palmer diz: “Eros é o amor [a classe ampla da qual faz</p><p>parte] que é merecido, o amor que é conquistado por nós [o</p><p>modo de diferir de outros tipos de amor]”.</p><p>Às vezes definimos e explicamos através de sinônimos. No</p><p>entanto, um sinônimo funciona, só se tocar na experiência prévia</p><p>de um ouvinte e o levar a entender e sentir o significado</p><p>pretendido. Presumivelmente todos sabem o que são seitas; mas</p><p>talvez não o saibam do modo específico que queremos transmitir,</p><p>e daí poderemos dizer: “As seitas são as contas não pagas da igreja”.4</p><p>A comparação e o contraste também desenvolvem e explicam</p><p>idéias. Palmer empregou os dois na sua explicação de eros.</p><p>As ilustrações, também, ajudam-nos a explicar. RayC. Stedman</p><p>fez isso, quando perguntou num sermão: “O que queremos dizer</p><p>quando falamos que uma coisa é santa?” E responde: “Olhe para</p><p>sua Bíblia, e está escrito: ‘Bíblia Sagrada. O que a torna santa,</p><p>sagrada? A terra de Israel é chamada ‘A Terra Santa e a cidade de</p><p>Jerusalém é chamada ‘A Cidade Santa. Por quê? Há uma qualidade</p><p>inerente, compartilhada mutuamente, por todas as três. Todas</p><p>pertencem a Deus. A Bíblia é o Livro de Deus; Israel é a Terra de</p><p>Deus; Jerusalém é a Cidade de Deus - são propriedade de Deus!</p><p>É por isso que são santas; pertencem a Deus”.</p><p>A explicação prova ser mais difícil ,se você não conhece seu</p><p>auditório. Quanto mais familiarizado com o assunto, tanto menor</p><p>consciência você poderá ter da ignorância da congregação, acerca</p><p>dele. O povo nos bancos da igreja vive num mundo intelectual</p><p>diferente do seu. Na realidade, eles o sustentam financeiramente,</p><p>para que você possa estudar aquilo que eles não podem estudar.</p><p>Você não deve tomar por certo que seus ouvintes entendam</p><p>imediatamente aquilo de que você está falando. Você lhes deve</p><p>uma explicação clara do sentido exato do que quer dizer. E óbvio</p><p>que não devemos usar jargão ou linguagem que seja desnecessa</p><p>riamente abstrata. Se precisa mesmo usar linguagem teológica,</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>9</p><p>154</p><p>deve definir cada termo importante, em linguagem que o auditório</p><p>compreenda.</p><p>Certamente é melhor definir termos demais do que</p><p>poucos demais. No explicar os relacionamentos e implicações das</p><p>idéias, devemos nós mesmos saber a explicação de modo tão claro</p><p>que nenhuma incerteza exista em nossa própria mente. Depois,</p><p>devemos estudar sistematicamente os passos na explicação de tal</p><p>maneira que os detalhes venham na ordem lógica ou psicológica.</p><p>Uma névoa no púlpito pode facilmente tornar-se uma espessa</p><p>bruma nos bancos da igreja.</p><p>In fo rm açõ es F a tu a is</p><p>Os fatos consistem em observações, exemplos, estatísticas,</p><p>e outros dados que podem ser averiguados, independentemente</p><p>do preletor. Você faz uma declaração fatual quando você declara:</p><p>“O grego é uma língua rica e variada que tem várias palavras</p><p>para ‘amor’. Destas palavras, no entanto, somente duas, philia</p><p>e eros, tiveram muita influência na literatura e pensamento grego</p><p>no século 1”. Se um ouvinte se interessasse em fazê-lo, poderia</p><p>verificar a exatidão de tal declaração, verificando as palavras</p><p>que os gregos empregavam para ‘amor’. No sermão expositivo,</p><p>observações acerca do conteúdo de uma passagem são fatuais,</p><p>porque o ouvinte pode ver por si mesmo aquilo que a Bíblia</p><p>diz.</p><p>Muita coisa que se ostenta como fato, é opinião disfarçada.</p><p>“O fato é”, diz o pregador, “que a maior ameaça à mortalidade da</p><p>América é a TV”. E claro que não se trata de matéria fatual: trata-</p><p>se de questão de opinião. Essa opinião pode ser válida ou não,</p><p>dependendo dos fatos. Os fatos, naturalmente, são coisas tolas</p><p>até que sejam relacionados entre si e conclusões sejam tiradas</p><p>deles. As opiniões, por outro lado, são igualmente tolas, a não ser</p><p>que sejam edificadas sobre os fatos. O expositor, como qualquer</p><p>preletor que tenha ética, precisa conhecer os fatos e ter certeza</p><p>quanto à sua validade. “Cada homem tem direito a sua própria</p><p>opinião”, observa Bernard Baruch, e ele completa, “mas nenhum</p><p>homem tem o direito de estar errado quanto a seus fatos”. Os</p><p>fatos não somente ajudam o ouvinte a entender, como também</p><p>granjeiam respeito para o preletor.</p><p>As estatísticas são uma forma especial de fatos que nos</p><p>capacitam a fazer o levantamento de grande quantidade de</p><p>terreno, em bem pouco tempo. Apelam especialmente aos</p><p>cidadãos numa sociedade que é muito consciente das cifras. Na</p><p>realidade, parece que o apetite dos cidadãos de hoje por estatísticas</p><p>é insaciável, e os especialistas no assunto vão girando a manivela,</p><p>para produzir um suprimento interminável delas, desde o número</p><p>de horas que uma família mediana gasta vendo TV até à</p><p>porcentagem de casamentos infelizes em nossa cultura. Essa</p><p>lealdade às cifras tem criado suas próprias armadilhas para os</p><p>inocentes e oportunidades para os desonestos. Um ar de certeza</p><p>paira sobre o ponto decimal ou a porcentagem fracionada mesmo</p><p>quando a medida é imponderável ou absurda. Uma ilustração</p><p>clássica é o relatório feito, há muitos anos, de que 33% das alunas</p><p>da Universidade John Hopkins tinham se casado com membros</p><p>do corpo docente. A porcentagem era exata. Johns Hopkins só</p><p>tinha três estudantes do sexo feminino na época, e uma delas</p><p>casou-se com um membro do corpo docente. As estatísticas</p><p>estavam corretas, mas a afirmação não deixava de levar a uma</p><p>conclusão enganosa. Os pregadores ansiosos por ganhar seu</p><p>argumento podem ser especialmente suscetíveis à estatística sem</p><p>fundamento. Um evangelista anunciou: “Li há pouco tempo atrás</p><p>que 50 por cento dos grupos de “rock” praticam adoração ao</p><p>diabo e bruxaria, e creio que a cifra esteja ficando maior a cada</p><p>dia”. Quem fez a contagem? O que foi contado? Quando? Onde?</p><p>Quando as estatísticas entram mesmo num sermão, devem</p><p>ser tão simples quanto possível ,sem sacrificar a exatidão. Números</p><p>arredondados geralmente são suficientes. Embora um contador</p><p>talvez se impressione com a informação de que em 1950 a</p><p>população de Chicago era de 3.620.962 pessoas, a maioria de</p><p>nós achará mais fácil guardar a cifra “pouco acima de três milhões</p><p>e meio”. Ao trabalhar com estatísticas, os dados podem ser tor</p><p>nados significantes e vividos, se comparados com coisas dentro</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>9</p><p>156</p><p>da experiência do auditório. Ao descrever o templo de Diana em</p><p>Efeso, podemos dizer: “Tinha 55m de largura, 115m de</p><p>comprimento, e pilares que subiam até uma altura de uns 18m”;</p><p>depois acrescentar: “Aquele templo era mais largo e comprido do</p><p>que um campo de futebol com as pistas de atletismo ao redor, e</p><p>as colunas eram mais altas do que um prédio de cinco andares”.</p><p>Um preletor tornou compreensível o tamanho minúsculo de um</p><p>elétron, ao dar primeiramente a fração decimal, que era</p><p>incompreensível, e ao acrescentar, depois: “Se um elétron fosse</p><p>aumentado até ficar tão grande como uma maçã, e um ser humano</p><p>crescesse na mesma proporção, essa pessoa poderia segurar o</p><p>sistema solar inteiro na palma da mão, e teria de usar uma lupa</p><p>para vê-lo”. Já pensou?!</p><p>C itaçõ es</p><p>Introduzimos citações para apoiar ou expandir um argumento,</p><p>por duas razões: para impressionar e para dar autoridade. Quando</p><p>descobrimos que outra pessoa declarou a idéia de modo mais eficaz</p><p>do que nós, empregamos as palavras dela. James S. Stewart introduz</p><p>um sermão sobre Isaías 5.30, com parte de uma frase de Robert</p><p>Browning: “De todas as dúvidas que, conforme a frase de Brow-</p><p>ning, podem ‘dar pancadas e batidas e entrar em nossa alma’, a</p><p>mais devastadora, de longe, é o duvidar do propósito final de Deus.</p><p>Stewart desenvolve sua introdução com uma série de outras citações,</p><p>todas selecionadas pelo seu poder de expressão. Diz ele:</p><p>... é precisamente esta a dúvida que jaz como um peso horrendo</p><p>sobre multidões de vidas hoje. Pensariam duas vezes, antes de</p><p>consentir à fé de Tennyson:</p><p>Mas não duvido que um propósito sempre crescente percorre todas</p><p>as eras.</p><p>E que os pensamentos dos homens se alargam no decorrer dos sóis.</p><p>“Onde existe qualquer evidência de tal propósito?” querem</p><p>perguntar... Então estão de volta onde Eclesiastes estava: “Vaidade</p><p>de vaidades! Tudo é vaidade”. Que adiantam, exclamouThomas</p><p>Hardy, todas as suas orações, povo de oração, quando vocês não</p><p>têm nada melhor para orar do que</p><p>A Coisa sonhadora, escura e muda</p><p>Que gira a manivehi desta Peça vã?</p><p>“Uma piada de mau gosto” foi o veredicto final de Voltaire sobre a</p><p>vida. “Desça a cortina”, disse o ator moribundo, “a farsa terminou”.5</p><p>Há muitas maneiras de falar acerca do papel que a dor</p><p>desempenha em nossa vida. Certo pregador resumiu uma das</p><p>perspectivas, ao citar palavras mais impressionantes do que as</p><p>suas próprias: “A dor ergue a bandeira da realidade na fortaleza</p><p>de um coração rebelde”.</p><p>Ancorar uma lição com alguma explicação que, como com</p><p>escavadeira, penetra a mente é, provavelmente, a razão principal</p><p>pela qual os pregadores apelam às citações nos sermões. Quando</p><p>damos crédito ao autor da citação, fazemos isto, porque a pessoa</p><p>que a disse tem melhores condições para falar do que nós. Ernest</p><p>T. Campbell faz assim, ao falar acerca de tempos em que a aparente</p><p>futilidade daquilo que fazemos, nos leva a recuar do envolvimento</p><p>de ação social. Campbell diz:</p><p>Fiquei impressionado, outro dia, pelo conceito que Leonard</p><p>Woolf tinha da obra da sua vida. “Vejo claramente”, disse ele,</p><p>“que não realizei praticamente nada. O mundo hoje, e a história</p><p>do formigueiro humano no decurso dos últimos 5-7 anos seriam</p><p>exatamente o mesmo que são, se eu tivesse jogado pingue-</p><p>pongue, ao invés de ter participado de comissões e escrito livros</p><p>e memorandos. Preciso fazer, portanto, a confissão ignominiosa</p><p>de que, numa vida longa, devo ter penosamente feito entre</p><p>150.000 e 200.000 horas de trabalho perfeitamente inútil”.6</p><p>Citamos outras pessoas, também, porque têm melhores</p><p>condições para conhecer os fatos ou interpretá-los, ou porque o</p><p>auditório teria mais probabilidade de aceitar a avaliação delas.</p><p>Quem diz alguma coisa, faz uma diferença. Citar um pregador</p><p>fundamentalista sobre a importância de proclamar o juízo de Deus</p><p>se assemelha a citar um muçulmano sobre as virtudes do Corão.</p><p>É esperado</p><p>que ele abrace essa causa. É muito mais impressionante</p><p>citar John Steinbeck sobre o assunto. Em seu livro Traveis with</p><p>C harley (Viagens com Charley) ele descreveu uma visita em dia</p><p>de domingo, numa igreja do estado de Vermont, no nordeste</p><p>americano. O ministro fez um sermão sério a respeito de fogo e</p><p>inferno. O renomado autor refletia sobre a experiência</p><p>favoravelmente:</p><p>Já faz alguns anos, Deus tem sido um amigão para nós, praticando</p><p>a convivência familiar, e isso causa o mesmo vazio que um pai</p><p>jogando bola com seu filho causa. Mas esse Deus de Vermont se</p><p>importava comigo o suficiente para me dar uma surra! Ele pôs</p><p>meus pecados numa nova perspectiva. Onde tinham sido</p><p>pequenos, mesquinhos, chatos e melhor esquecidos, esse ministro</p><p>deu-lhes um certo tamanho, viço e dignidade. Eu não vinha me</p><p>considerando muito boa gente há alguns anos, mas, se meus</p><p>pecados tinham essa dimensão, havia sobrado um pouco de</p><p>orgulho. Eu não era uma criança malcriada e sim um pecador</p><p>de primeira, e eu ainda ia cair feio.7</p><p>Em outras ocasiões, o perito é melhor qualificado para falar</p><p>com autoridade, acerca de determinado assunto. D. M. Baillie</p><p>busca um historiador, T. R. Glover, para demonstrar que os</p><p>cristãos primitivos possuíam uma qualidade intelectual em sua</p><p>fé:</p><p>Dr. T. R. Glover, que foi grande autoridade sobre aquele período</p><p>[os primeiros séculos d.C.], nos conta que uma das razões pelas</p><p>quais o cristianismo conquistou o mundo foi porque seu pensar</p><p>era superior ao do restante do mundo. Não somente sabia melhor</p><p>como viver e como morrer; também sabia melhor como pensar.</p><p>Nos pensamentos, excedia ao mundo todo. Aqui temos uma</p><p>passagem profundamente interessante: “O cristão lia os melhores</p><p>livros, assimilava-os, e vivia a vida intelectual mais livre que havia</p><p>no mundo. Jesus o libertara para ser leal à verdade. Não há lugar</p><p>para um cristão ignorante. Desde os primeiros tempos, cada</p><p>cristão tinha de conhecer e entender, e tinha de ler os Evangelhos,</p><p>e também precisava ter a capacidade para dar uma razão da sua</p><p>fé. Liam acerca de Jesus, e o conheciam, e sabiam qual era a</p><p>posição deles... Quem é que realizava o raciocinar naquele mundo</p><p>antigo? Vez após vez era o cristão. Sobrepujava o mundo inteiro</p><p>no pensamento”.8</p><p>As autoridades devem levar consigo credenciais. Várias</p><p>perguntas devem ser feitas sobre peritos, para estabelecer a sua</p><p>competência:</p><p>1. Sua experiência ou treinamento os qualifica para falar com</p><p>autoridade acerca deste assunto?</p><p>2 . O testemunho é baseado em conhecimento de primeira</p><p>mão?</p><p>3. A autoridade tem preconceitos? Autoridades com</p><p>preconceitos não inspiram confiança, porque tendem a</p><p>considerar favoravelmente as evidências que apoiam suas</p><p>opiniões, e desconsiderar as demais. Autoridades com</p><p>preconceitos, falando con tra suas propensões, podem dar,</p><p>naturalmente, testemunho excelente. Um agnóstico ou</p><p>ateísta falando a favor do cristianismo seria um apoio forte,</p><p>porque o esperado é que ele fale contra.</p><p>4. Como o auditório considera o testemunho? Conhecem a</p><p>testemunha? Têm respeito por ele ou ela? Quando um</p><p>indivíduo obscuro é citado como autoridade, devemos</p><p>contar ao auditório as qualidades que o qualificam para</p><p>que ele seja aceito como tal.9</p><p>As citações devem ser pouco usadas no sermão. Uma</p><p>mensagem do púlpito não deve soar como monografia. Em geral,</p><p>as citações devem ser breves. Citações longas muitas vezes perdem</p><p>a clareza e embaraçam a comunicação. Às vezes, uma citação mais</p><p>longa pode ser parafraseada, e então algumas frases importantes</p><p>da citação podem ser lidas diretamente para o auditório.</p><p>Introduza suas citações no sermão, com um toque mais vivo.</p><p>Requer pouco esforço introduzir uma citação como “Spurgeon</p><p>disse”, “Paulo escreveu”, ou “a Bíblia diz”. É exigida mais reflexão,</p><p>mas mais resultados são obtidos, se damos uma nova disposição</p><p>a estas expressões: “Escrita de modo marcante na Bíblia há esta</p><p>frase...”, “Paulo sentia acentuadamente que...”, “E isto que Charles</p><p>Dickens quis dizer-nos quando escreveu...”, “Podem ver, então,</p><p>a relevância dessas palavras encaixadas no versículo 10 ...”</p><p>A N arração</p><p>Quando tagarelamos, não é'acerca de idéias, e sim sobre</p><p>pessoas. Quando revistas noticiosas populares tais como Time ou</p><p>Veja lidam com assuntos complexos, tais como a economia ou os</p><p>distúrbios políticos na China, fazem isto em boa parte, discutindo</p><p>as pessoas envolvidas. A narração dentro de um sermão descreve</p><p>os indivíduos e eventos abrangidos nos relatos bíblicos. Cada</p><p>passagem tem suas personagens: às vezes ficam ali expostos, rindo,</p><p>xingando, orando e, em outras ocasiões, se escondem e devemos</p><p>procurá-las. Em todos os textos, porém, sempre há alguém</p><p>escrevendo e alguém lendo. Ao puxar de lado uma doutrina,</p><p>achará personalidades. Por exemplo, a graça não existe armazenada</p><p>numa geladeira no céu. O que há é alguém que dá a graça, e</p><p>alguém que a recebe.</p><p>Os homens e mulheres na Galácia nunca pensaram em si</p><p>como sendo “legalistas”. Sentiam que eram dedicados ao Antigo</p><p>Testamento e, provavelmente, nem conseguiam calcular por que</p><p>Paulo ficava tão perturbado com eles. O Espírito Santo conhecia</p><p>o valor da narração, quando encheu dela as Escrituras, e Jesus</p><p>demonstrou o impacto da narração, nas parábolas que contava.</p><p>Você pode usar a narração em um sermão, para providenciar</p><p>o pano de fundo, preenchendo o contexto histórico, o cenário,</p><p>ou as ações e enfocando as personalidades envolvidas. John</p><p>Hercus nos permite viver com Davi, enquanto escrevia o Salmo</p><p>24:</p><p>Davi endireitou-se na cadeira, esticou os braços e bocejou. Tinha</p><p>sido um dia de ensaios, repetindo toda a rotina da procissão</p><p>com os músicos, os cantores, e o corpo de balé. A partitura e a</p><p>coreografia já estavam bem adiantadas, e Davi estava mais do</p><p>que satisfeito. O salmo era bom - curto, claro, bem apropriado</p><p>para a ocasião. Hm-m-m-m-m... era mesmo excelente aquela</p><p>frase sobre “subir o monte do Senhor... entrar no seu Santo</p><p>Lugar”. Muito bem. Seria uma base excelente para o trabalho</p><p>com os címbalos e as trombetas e o coro. E o balé teria</p><p>oportunidades esplêndidas sob sua liderança, para expressar seu</p><p>sentimento crescente de drama espiritual.</p><p>E aquelas quatro condições para a entrada no santo lugar: estavam</p><p>perfeitamente certas. Concisas, compactas, nítidas. Mãos limpas,</p><p>coração puro, nenhuma ênfase em valores indignos (era isso que</p><p>ele queria dizer com “não entrega sua alma à falsidade” (SI 24.4</p><p>a r a ) . Nada de enganar ou ser traiçoeiro. Sim, na realidade, isto</p><p>examina um homem tão plena e corretamente quanto se possa</p><p>desejar.</p><p>Mãos limpas... como suas próprias mãos limpas.</p><p>De repente, uma lembrança raiou em sua mente. Uma lembrança</p><p>de lavar e continuar a lavar aquelas suas mãos “limpas”,</p><p>procurando esfregar até não existir mais uma coisa sangrenta</p><p>que não podia ser desfeita. Como aconteceu? Ah, sim, por causa</p><p>de Mical.10</p><p>A narração se reveste de energia, quando os verbos e</p><p>substantivos pintam quadros em nossas mentes. Muitas vezes um</p><p>ponto de vista diferente acrescenta novidade a um relato</p><p>freqüentemente contado. Como saber o que a mulher tomada</p><p>em adultério ou a mulher à beira do poço pensava de Jesus,</p><p>quando o conheceu pela primeira vez? Nas epístolas, Paulo retrata</p><p>um opositor que se pôs em pé, de um só pulo, para argumentar</p><p>com ele: “Que vantagem há... em ser judeu?” (Rm 3.1), alguém</p><p>pergunta. “Alimentos... para o estômago e o estômago para os</p><p>alimentos” (ICo 6.13), argumenta um hedonista daquele tempo.</p><p>Como eram eles? Você pode descrever como poderiam ter levado</p><p>adiante a discussão?</p><p>Empregue o diálogo. As narrativas dos Evangelhos e as</p><p>parábolas estão repletas dele. Coloque palavras na boca das</p><p>pessoas. Quando aparece uma só pessoa, use o solilóquio, a</p><p>conversa consigo mesmo. É isto que Hercus faz com Davi, e foi</p><p>assim que Jesus fez com o sagaz gerente de filial (Lc 16.2-7) e</p><p>com o moço reduzido a pedinte, em país distante (Lc 15.11-32).</p><p>O rapaz pergunta a si mesmo: “Quantos empregados de meu pai</p><p>têm comida de</p><p>sobra, e eu aqui, morrendo de fome!” (v. 17).</p><p>A narração significa comunicar com imaginação, e a</p><p>imaginação reflete os “insights”, os discernimentos da fé. A</p><p>imaginação é meia-irmã da interpretação, pois ambas relacionam-</p><p>se com o texto. Na interpretação, a partir daquilo que o texto diz,</p><p>determinamos o que a passagem significa. Logo, a imaginação</p><p>vai um passo além dos fatos bíblicos, contudo permanece</p><p>vinculada a eles.</p><p>ilu s tra ç õ e s</p><p>O conselho de S. I. Hayakawa para os oradores que querem</p><p>desenvolver a clareza é que estudem um livro de receitas, visto</p><p>que é subdividindo as receitas em suas partes específicas que ele</p><p>explica os conceitos gerais. Por exemplo, uma receita para Filé</p><p>Wellington diz: “Colocar o filé no forno para assar numa panela</p><p>aberta. Não acrescentar água. Não cobrir. Assar em forno a 425°</p><p>F. (aprox. 218° C), de 20 a 25 minutos”. O conselho de Hayakawa</p><p>é de valia especial para peritos, cujo conhecimento extensivo de</p><p>um assunto, pode impedir de serem comunicadores eficazes. A</p><p>erudição deles os remove dos pormenores para os âmbitos não</p><p>claros da abstração.</p><p>Os teólogos, por exemplo, podem falar em hamartiologia em</p><p>vez de pecado , porque a palavra abstrata serve como maior cobertura</p><p>para os vários aspectos do tópico. Quando o teólogo se dirige a um</p><p>auditório menos familiarizado com sua disciplina, deve descer de</p><p>sua abstração e falar acerca do assassinato, da mentira, do furto, ou</p><p>do adultério. Se não puder ou não quiser fazer assim, embora receba</p><p>notas elevadas como estudioso, fracassa como comunicador. Sõren</p><p>Kierkegaard queixou-se de que, ao pedir ao filósofo Georg Hegel a</p><p>orientação para chegar a um endereço numa rua de Copenhagen,</p><p>só recebeu o mapa da Europa.</p><p>Os pregadores hábeis tratam de níveis altos e baixos de</p><p>abstração, subindo e descendo como um ajudante de pedreiro</p><p>numa escada. Para terem significado, todos os pormenores devem</p><p>ser reunidos em generalizações, e as abstrações devem ser reduzidas</p><p>a pormenores, para ficarem compreensíveis. “O escritor</p><p>interessante, o preletor informativo, o pensador exato e o indivíduo</p><p>mentalmente são, todos estes operam em todos os níveis da escada</p><p>da abstração, movimentando-se com rapidez, harmonia e boa</p><p>ordem, da parte mais alta para a mais baixa, e de baixo para cima</p><p>também, com mentes tão ágeis e destras e belas como macacos</p><p>numa árvore”.11</p><p>Um dos meios de ligar nossos sermões à terra acha-se no</p><p>emprego de ilustrações. As ilustrações bem escolhidas, empregadas</p><p>com perícia, reformulam, validam, ou aplicam idéias, ao relacioná-</p><p>las a experiências tangíveis. Afixar uma verdade à mente exige</p><p>que batamos várias vezes no prego. Enquanto a maior parte da</p><p>reformulação acontece com a repetição de declarações</p><p>proposicionais, as ilustrações podem apresentar a verdade outra</p><p>vez, sem cansar os ouvintes. Consegue-se também compreensão</p><p>através de analogias e anedotas. Uma ilustração, como a imagem</p><p>na TV, deixa claro aquilo que o preletor está explicando.</p><p>As ilustrações dão credibilidade à verdade. Pela lógica,</p><p>naturalmente, os exemplos não podem constar como prova, mas</p><p>psicologicamente cooperam com os argumentos, para conseguir</p><p>aceitação. O pregador que argumenta que toda a verdade é</p><p>igualmente válida, mas não de igual valor, pode empregar uma</p><p>analogia para levar seu auditório a aceitar aquilo que está dizendo.</p><p>Um centavo e uma nota de um real são igualmente genuínos,</p><p>mas não são de igual valor. Logo, devemos distinguir entre a</p><p>verdade de um centavo e a de um real. A analogia convence tanto</p><p>quanto o argumento lógico.</p><p>As ilustrações também aplicam suas idéias à experiência das</p><p>pessoas. Seus ouvintes não só precisam entender o conceito bíblico</p><p>como também saber a diferença que ele faz. Os exemplos</p><p>demonstram a verdade em ação. William E. Sangster pregou um</p><p>sermão baseado em Gênesis 41.51 que desenvolveu a idéia:</p><p>“Precisamos lembrar-nos de esquecer”. Concluiu seu sermão com</p><p>uma anedota:</p><p>Era Natal no meu lar. Um dos meus hóspedes havia chegado</p><p>alguns dias mais cedo e me viu despachando os últimos dos</p><p>meus cartões de Natal. Ficou espantado ao ver certo nome e</p><p>endereço. “Decerto você não vai mandar um cartão de Natal</p><p>para ele”, comentou.</p><p>“Por que não?” respondi.</p><p>“Mas você se lembra”, começou, “há dezoito meses...”</p><p>Lembrei-me, então, daquilo que o homem dissera em público</p><p>acerca de mim, mas também me lembrei que resolvera, naquela</p><p>ocasião, com a ajuda de Deus, que me lembraria de esquecer. E</p><p>Deus me “fizera” esquecer!</p><p>Coloquei o cartão no correio.</p><p>As pessoas hoje precisam de aplicações que lhes mostram</p><p>“como fazer” e precisam de muitas dessas aplicações. Os fiéis</p><p>sazonados precisam de ajuda. E aquelas almas, então, que talvez</p><p>sejam produtos de famílias disfuncionais, ou que têm passado de</p><p>largo da igreja em seu caminho até a vida adulta, e que se chegam</p><p>à fé, saindo do frio secularismo? Muitas vezes faltam-lhes as</p><p>habilidades para viverem uma vida de fé. Precisam que nós lhes</p><p>desenhemos um quadro. Se um pai não deve “provocar seus filhos</p><p>à ira” (Ef 6.4, a r a ) , exatamente como ele faz isso, ou não o faz?</p><p>Confiar em Deus numa crise é uma idéia cem por cento, mas</p><p>como é isso na prática? Há insistência para que “confessemos</p><p>nossos pecados”, mas como se procede, e mais, você está falando</p><p>sobre todos eles? A Bíblia ensina que, se um irmão “se arrepende”,</p><p>nós devemos perdoá-lo. Numa história em quadrinhos de Bill</p><p>Waterson, o personagem, Calvino, diz para Hobbes, seu</p><p>companheiro tigre: “Eu estou muito sentido por ter xingado Suzie</p><p>e a magoado. Sinto muito”. “Talvez você deva pedir-lhe</p><p>desculpas”, Hobbes sugere. Calvino pensa e então responde: “Fico</p><p>esperando achar uma solução menos óbvia”. Calvino precisa de</p><p>165</p><p>Hobbes para ajudá-lo a fazer o que é certo. Assim também as</p><p>pessoas que vêm escutar-nos.</p><p>Lynn Anderson, em seu livro útil, I flR ea lly Believe, W hyD o</p><p>I Have These Doubts?, (“Se creio mesmo, por que tenho estas</p><p>dúvidas?”) emprega uma ilustração para aplicar o conceito de</p><p>que a Palavra viva de Deus se auto-valida:</p><p>Jesus disse: “Há maior felicidade em dar do que em receber”.</p><p>“Bem”, você diz, “é uma bela teoria, mas será mesmo verdade?”</p><p>Na realidade só há uma maneira de descobrir: Dê! Dê de forma</p><p>generosa e consistente, e dentro em pouco você começará a</p><p>experimentar as bênçãos de ser um grande doador. E quando</p><p>isso acontecer, você poderá dizer: “Ei, eu sei que isso é verdade!”</p><p>Sharon descobriu, em primeira mão, que o estilo de vida da fé</p><p>dá. Poucos anos atrás, a fé de Sharon estava de molho. Ela sentia</p><p>que deveria contribuir mais para o trabalho de Deus, mas a</p><p>verdade é que ela não sentia vontade. Além disso, ela não achava,</p><p>realmente, que ela tinha alguma coisa importante para dar ou</p><p>que alguém quisesse sua “dádiva”. Mas Sharon queria muito ter</p><p>mais fé. Então ela se comprometeu a ensinar a uma classe de</p><p>Escola Dominical de quarta série.</p><p>Mas há mais nesta história. Sharon tem esclerose múltipla e vive</p><p>em cadeira de rodas. Só se mover já é trabalhoso. Ela sabia que o</p><p>trabalho de transportar seu material de ensino na ida e volta de</p><p>sua casa, o carro e a sala de aula poderiam ser demais para ela,</p><p>mas Sharon quis fazer o que a fé faria.</p><p>Isso se passou há alguns anos! Hoje Sharon é um membro</p><p>valorizado de uma equipe de professores atuante. Suas crianças</p><p>a adoram e elas aprenderam muito sobre desvantagens físicas</p><p>também.... Sharon descobriu que fazer o que a fé faria dá certo.</p><p>Novos sentimentos de valorização própria e confiança no cuidado</p><p>de Deus a têm abençoado com uma qualidade de vida</p><p>tremendamente melhorada.12</p><p>Exige esforço pensar em maneiras como uma grande verdade</p><p>pode ser aplicada à vida. Algumas vezes você tem uma ilustração</p><p>de sua própria vida e ministério. Outras vezes você pode imaginar</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>9</p><p>uma situação pela qual alguém, em seu auditório, poderia passar,</p><p>e na qual um discernimento bíblico poderia ser útil. Seja tão</p><p>específico quanto possível. Preencha os detalhes, para que as</p><p>pessoas respondam: “Sim,</p><p>eu en ten d o o que você quer dizer!” Os</p><p>sermões não podem ser sempre um manual de “como fazer”, é</p><p>claro, mas os sermões raramente fracassam, porque são específicos.</p><p>A maioria de nós prega sermões que são tudo rolha e nenhum</p><p>estalo.</p><p>As ilustrações servem ao pregador e a sua congregação de</p><p>outras maneiras. Ajudam a memória, despertam emoções, criam</p><p>necessidades, prendem a atenção, e estabelecem um clima de</p><p>entendimento mútuo entre o preletor e os ouvintes.13</p><p>O princípio fundamental para o uso de ilustrações é que as</p><p>ilustrações devem ilustrar.</p><p>Ilustrar é verbo transitivo. Leva um objeto. Uma ilustração</p><p>deve ilustrar alguma coisa. Logo, não existe uma coisa chamada</p><p>“boa ilustração”, mas somente uma boa ilustração de uma verdade</p><p>específica. Segundo sua etimologia, ilustrar significa “lançar luz</p><p>sobre um assunto”. As ilustrações se assemelham a uma fileira de</p><p>luzes da ribalta que ilumina a ação num palco. Se uma luz brilhar</p><p>nos olhos do auditório, cega-o para aquilo que deve ver.14 Uma</p><p>história contada por amor a ela mesma pode entreter ou divertir,</p><p>mas é um obstáculo para o sermão. Uma anedota opera a serviço</p><p>da verdade, apenas quando centraliza a atenção na idéia e não em</p><p>si mesma.</p><p>As ilustrações também devem ser compreensíveis. Por meio</p><p>de exemplos, esclarecemos o desconhecido por meio do</p><p>conhecido. Se a ilustração precisa ser explicada para torná-la clara,</p><p>você não deve usá-la. Explicar uma ilustração, que por sua vez</p><p>explica um conceito, é usar o não familiar para ilustrar o não</p><p>familiar. Exemplos tirados da Bíblia às vezes violam a regra, por</p><p>ilustrarem o desconhecido com o desconhecido. Em época de</p><p>analfabetos bíblicos, as histórias bíblicas podem ser tão remotas</p><p>aos ouvintes modernos como a história da China antiga. Se as</p><p>empregarmos como ilustrações de outras passagens bíblicas,</p><p>podemos estar cedendo ao gosto de um exercício em futilidade.</p><p>Se você contar histórias da Bíblia, precisa dar tempo e cuidado</p><p>em relatá-las, de modo que o auditório possa penetrar nelas e</p><p>sentir a sua força. Em geral você ganha, ilustrando uma verdade</p><p>bíblica com a vida moderna. Como você quer mesmo é iluminar</p><p>o desconhecido, empregando o conhecido, suas ilustrações mais</p><p>eficazes tocam na vida dos ouvintes tão de perto quanto possível.</p><p>As histórias de “interesse humano” têm grande poder, porque</p><p>tratam de assuntos da nossa vida comum, tais como crianças,</p><p>animais e personagens das histórias em quadrinhos.</p><p>Algumas ilustrações são mais eficazes que outras. A</p><p>comunicação eficaz é mais como um aperto de mãos do que uma</p><p>mensagem em e-mail. É algo que experimentamos tanto como</p><p>ouvimos. As melhores ilustrações não só apelam à mente das</p><p>pessoas como também tocam suas emoções. Os exemplos mais</p><p>fortes fluem de nossa vida para a vida dos ouvintes.</p><p>Pense em dois grandes círculos sobrepostos. Os círculos</p><p>representam sua vida e a vida de seu ouvinte (ver figura 2). Dentro</p><p>de cada círculo grande há outro círculo. Este círculo menor</p><p>representa tudo que você já vivenciou pessoalmente: o cão com o</p><p>qual cresceu, os amigos que você teve, os jogos que jogou, a escola</p><p>que freqüentou, a primeira vez que saiu com uma namorada. O</p><p>círculo externo, por outro lado, representa as coisas sobre as quais</p><p>leu, viu em filme, assistiu na TV, ouviu na escola. Algumas destas,</p><p>tais como um filme impressionante, você sente como estando</p><p>bem próximas do círculo interno. Outras coisas, como um evento</p><p>do século dezoito, ficam bem mais longe. Seu ouvinte também</p><p>tem um círculo interno e um círculo externo, representando</p><p>experiências reais e experiências vicárias.</p><p>Figura 2</p><p>Orador Ouvinte</p><p>1) A experiência vivida do orador e do ouvinte se sobrepõem.</p><p>2) A experiência aprendida do orador se sobrepõe à experiência</p><p>vivida do ouvinte.</p><p>3) A experiência vivida do orador se sobrepõe à experiência</p><p>aprendida do ouvinte.</p><p>4) A experiência aprendida do orador se sobrepõe à experiência</p><p>aprendida do ouvinte.</p><p>5) A experiência vivida ou aprendida do orador não se sobrepõe à</p><p>experiência vivida ou aprendida do ouvinte.</p><p>As ilustrações mais possantes são aquelas onde sua experiência</p><p>pessoal se sobrepõe à experiência pessoal de seu ouvinte. Exemplos</p><p>tirados destes círculos nós chamamos de histórias de interesse</p><p>humano. Essas ilustrações nos fazem rir, chorar ou estremecer,</p><p>porque já estivemos ali, já fizemos isso, e temos a camiseta que</p><p>comprova isso.</p><p>As ilustrações melhores, depois dessas, são aquelas onde sua</p><p>experiência aprendida se sobrepõe à experiência aprendida de seu</p><p>ouvinte. Quando for possível, queremos nos dirigir às experiências</p><p>vividas de nosso auditório. Pastores de igrejas rurais que cresceram</p><p>na cidade, têm que aprender o mais possível sobre os lavradores e</p><p>o campo, se esperam ilustrar bem seus sermões para suas</p><p>congregações.</p><p>Em terceiro lugar estão as ilustrações que saem da experiência</p><p>direta do orador e se sobrepõem à experiência vicária do ouvinte.</p><p>Um pastor que cresceu no campo e está falando a uma</p><p>congregação urbana, pode contar uma história sobre o parto de</p><p>um bezerro tão vivamente que até mesmo um auditório de cidade</p><p>pode se identificar com ela.</p><p>Em quarto lugar estão as ilustrações menos eficazes; falam</p><p>da experiência aprendida do orador à experiência aprendida do</p><p>auditório. As ilustrações de missionários, a vida de Abraão Lin</p><p>coln, ou Cristóvão Colombo caem nessa categoria. O auditório</p><p>poderá entender a ilustração, mas os ouvintes não a vivenciam.</p><p>O quinto nível de ilustração é de histórias que nada produzem</p><p>no ouvinte. Ficam totalmente fora da percepção do ouvinte. O</p><p>pregador ilustra uma verdade abstrata com algum incidente,</p><p>completamente desconhecido pelo auditório. Pode ser possível,</p><p>com tempo e esforço, trazer o incidente para dentro do círculo</p><p>externo da congregação. Mas por que se incomodar? A finalidade</p><p>de uma ilustração é explicar o desconhecido com o conhecido, o</p><p>distante com o familiar. Essas histórias não comunicam. O</p><p>princípio básico da ilustração foi ignorado por completo. Em</p><p>geral, os incidentes bíblicos usados para ilustrar outras passagens</p><p>caem nessa categoria. As congregações da época atual não</p><p>conhecem sua Bíblia, e mesmo quando a conhecem, as histórias</p><p>soam como parte de um passado remoto no tempo e no espaço,</p><p>distante da vida, conforme é vivida hoje.</p><p>Jay Adams acrescenta mais um aviso sobre as ilustrações</p><p>bíblicas: muitas vezes não são bíblicas. “Sempre use a Bíblia como</p><p>autoridade; nunca como pura ilustração. A Escritura não foi dada</p><p>para ilustrar pontos; foi dada para apresentar pontos. Se você</p><p>não prestar toda atenção a esse aviso, de repente se encontrará</p><p>apresentando pontos que você quer dar e usando a Bíblia</p><p>(abusando dela) para ilustrar e apoiar idéias suas”15.</p><p>As ilustrações também devem ser convincentes. Dentro das</p><p>suas possibilidades, tenha certeza de seus fatos. Embora uma</p><p>história inexata quanto aos fatos possa ilustrar sua idéia</p><p>claramente, se você a empregar com um auditório que tem</p><p>consciência do erro, sua credibilidade será enfraquecida. E mais,</p><p>as ilustrações não devem ofender o bom senso de um auditório.</p><p>A verdade pode ser mais estranha do que a ficção, mas uma</p><p>anedota improvável deixa o auditório a suspeitar que você é</p><p>estranho. Se precisa usar um incidente que parece estranho, diga</p><p>isso e mencione qual a autoridade que lhe serve de base. Deixe</p><p>que outrem leve a culpa.</p><p>Os pastores parecem gerar filhos que falam em ilustrações.</p><p>Quando você conta histórias demais sobre seus filhos espertos e</p><p>inteligentes, as congregações céticas só podem perguntar a si</p><p>mesmas se você está sempre lhes contando a verdade. E outra</p><p>coisa: pelo fato de as ilustrações pessoais terem grande força, talvez</p><p>você caia na tentação de contar histórias como se tivessem</p><p>acontecido com você, quando, na realidade, não foi esse o caso.</p><p>O próprio evangelho põe em julgamento os métodos usados para</p><p>proclamá-lo e, em última análise, a verdade de Deus não produz</p><p>benefício nenhum com nossas falsidades. Se uma congregação</p><p>suspeitar que somos capazes de mentir, para reforçar um</p><p>argumento, terá bom motivo para acreditar que também</p><p>mentiremos para ganhar um convertido.</p><p>Suas ilustrações devem ser apropriadas para o tema do sermão</p><p>e para o auditório. Grandes temas podem ser trivializados por</p><p>suas ilustrações. Um pregador aprendiz, ansioso por ressaltar a</p><p>onipresença de Deus declarou: “Deus está até mesmo naquela</p><p>lata de lixo!” O que a ilustração possuía em exatidão, faltava-lhe</p><p>em decoro. Algumas ilustrações que são aceitáveis para um</p><p>auditório, talvez não sejam apropriadas para outro. Por exemplo,</p><p>esta história, embora reflita sobre a moralidade de nossa época,</p><p>teria que ser aquilatada, quanto ao seu decoro, para vários grupos</p><p>diferentes:</p><p>Um homem estava sentado em um restaurante, falando</p><p>informalmente com uma jovem senhora atraente. No decurso</p><p>da conversa, indicou um jovem bem vestido assentado numa</p><p>mesa no canto.</p><p>“Está vendo aquele rapaz ali? Se ele lhe oferecesse R$50.000,00</p><p>para você ir à cama com ele hoje à noite, você o faria?”</p><p>“Cinqüenta mil reais”, a jovem respondeu, “bem, por</p><p>R$50.000,00 acho que o faria”.</p><p>Poucos minutos mais tarde, o homem indicou outro jovem</p><p>sentado noutra parte da sala.</p><p>“Está vendo aquele tipo? Imagine que lhe oferecesse R$2.000,00</p><p>para passar a noite com ele. Você o faria?”</p><p>“Dois mil reais?” a moça falou com desdém. “Claro que não. O</p><p>que você pensa que sou?”</p><p>O homem respondeu: “Ah, já descobri isto. Apenas procuro</p><p>determinar qual é o seu preço!”</p><p>Essa ilustração talvez fosse perfeitamente aceitável num campus</p><p>universitário, ou numa preleção diante de homens de negócios,</p><p>mas o ministro teria que considerar com cuidado, se seria</p><p>apropriada para sua congregação, no domingo de manhã.</p><p>Conte suas ilustrações com energia e entusiasmo. Perguntaram</p><p>certa vez a um escultor como esculpiu uma estátua de um leão,</p><p>quando não tinha um modelo. Explicou: “Simplesmente fui</p><p>cortando fora tudo quanto não tinha a aparência de um leão”. Isto</p><p>serve de bom conselho para pregadores, também. Um contador</p><p>perito de histórias corta fora os pormenores adicionais que não</p><p>contribuem à atmosfera ou à frase-clímax de sua história. Quando</p><p>você usa uma ilustração que contém narrativa, use diálogo e</p><p>citação direta. Não se limite a repetir a história. Reviva a história.</p><p>Entre nela. Se você enxergar a ação na história, seu auditório</p><p>também a verá. A história deve ser contada de modo tão dramático</p><p>quanto possível, para que seus ouvintes entrem na ilustração, a</p><p>entendam e sintam. Quando isso acontece, não só acreditam no</p><p>seu ponto - eles o sentem.</p><p>Onde você os encontra? Boas ilustrações podem ser achadas</p><p>em todos os lugares. Comece com sua experiência pessoal. Cada</p><p>vida é um circo. Algumas pessoas conseguem achar mais</p><p>ilustrações em uma caminhada, em volta da vizinhança, do que</p><p>outros encontram numa viagem em volta do mundo. A diferença</p><p>não está naquilo que experimentamos, mas naquilo que</p><p>enxergamos em nossa experiência. Você precisa observar, a fim</p><p>de ver. O mundo pode ser o livro ilustrado de Deus, se nos eventos</p><p>comuns da vida você vê analogias, aplicações ou verdade espiritual.</p><p>Ilustrações pessoais acrescentam calor e vitalidade, mas, para</p><p>usá-las com eficácia, guarde em mente três regras gerais.</p><p>* Primeiro, como já dissemos, a ilustração deve ser verdadeira.</p><p>Não diga que algo aconteceu com você, se não foi assim.</p><p>* Segundo, a ilustração deve ser modesta. Igrejas não gostam</p><p>de histórias na primeira pessoa, quando o pastor sai sempre</p><p>como o herói do incidente. Reagimos negativamente,</p><p>quando indivíduos de conversa enfadonha se gabam de</p><p>quanto foram inteligentes, divertidos ou espirituais. Essas</p><p>reações não se alteram, quando a jactância é feita do púlpito</p><p>A maioria de nossas experiências, é claro, não fazem de nós</p><p>nem vencedores nem vilões, e podem ser recontadas com</p><p>modéstia, e grande benefício. Se você usar uma ilustração</p><p>pessoal, faça-o, sem pedir desculpas. Se o pregador diz: “Se</p><p>me perdoam uma ilustração pessoal...” isso chama atenção</p><p>àquilo que não deve ser nem reparado. Se o incidente deve</p><p>ser usado, então não há por que pedir desculpas. Se não</p><p>deve ser usado, pedir desculpas não ajudará.</p><p>* A terceira regra que deve ser escrupulosamente observada,</p><p>ao usar ilustrações pessoais, é que não se pode violar uma</p><p>confidência. As pessoas logo resistirão ao impulso de</p><p>compartilhar uma preocupação com seu pastor, se há</p><p>qualquer receio de que façam parte do sermão dele na</p><p>semana seguinte. Mesmo quando um incidente pessoal</p><p>pode ser usado, sem magoar ou constranger qualquer</p><p>pessoa, peça permissão para fazer uso dele. Ainda que você</p><p>sinta que está lisonjeando as pessoas, elas podem ressentir-</p><p>se da exposição pública.</p><p>Ilustrações não só podem ser colhidas de sua experiência</p><p>pessoal, como também de sua leitura. Poucos de nós temos</p><p>memórias forradas de “velcro”. Não temos condições de ler sem</p><p>caneta na mão, para anotar materiais que um dia poderão iluminar</p><p>nossos sermões. Todo tipo de leitura serve: histórias em</p><p>quadrinhos, poesias infantis, revistas, jornais, e a história, todos</p><p>fornecem matéria para sermões. Leia sermões de pregadores</p><p>dotados, que oferecem ilustrações no contexto, que as torna</p><p>superiores às coletâneas, onde as histórias geralmente aparecem</p><p>divorciadas daquilo que ilustram.</p><p>Certamente, muitas ilustrações lhe ocorrerão, enquanto</p><p>trabalha seu sermão. Escreva com clareza o ponto a que você</p><p>quer chegar, e então pense nas partes desse argumento as quais</p><p>exigem iluminação. Você precisa saber exatamente o que você</p><p>quer ilustrar, se espera que sua mente e memória vão suprir o que</p><p>você precisa. Sua capacidade de fazer analogias e aplicações</p><p>adequadas pode ser desenvolvida através da prática.</p><p>Sem dúvida, o lugar para onde o pregador apela mais</p><p>freqüentemente como material de apoio, é seu arquivo de</p><p>ilustrações. É claro que o que você obtém do seu arquivo para</p><p>um determinado sermão, depende inteiramente daquilo que</p><p>colocou dentro dele. Muitos sistemas foram desenvolvidos para</p><p>capacitar o ministro a conservar os resultados do seu estudo e da</p><p>sua leitura. Em geral, você há de querer manter dois tipos de</p><p>arquivos de ilustrações:</p><p>* Um deles é o arquivo tamanho ofício, em que você armazena</p><p>notas de sermões, livrinhos, ou até mesmo páginas</p><p>arrancadas de livros que não quer guardar. Este arquivo</p><p>pode ser organizado por assuntos e pelos vários livros da</p><p>Bíblia. Talvez você queira checar com a biblioteca do</p><p>seminário local o sistema usado ali, para catalogar seu acervo</p><p>e adaptar o sistema dela a seu próprio uso. O sistema deci</p><p>mal Dewey, empregado pela maioria das bibliotecas, pode</p><p>formar a base do arquivo dos assuntos.</p><p>* Além desse arquivo tamanho ofício, talvez você queira</p><p>considerar um arquivo de cartões pequenos de 1 2 .5cm. x</p><p>7.5cm. Uma seção do arquivo pode ser dividida em livros</p><p>da Bíblia, com os cartões arranjados atrás do livro, segundo</p><p>o capítulo e versículo. Nesta seção do arquivo você pode</p><p>armazenar ilustrações, notas exegéticas, ou bibliografia a</p><p>respeito de passagens específicas das Escrituras. Por vezes</p><p>você encontrará num comentário de Romanos um</p><p>discernimento proveitoso sobre uma passagem de Gênesis,</p><p>por exemplo. Acrescente isso ao arquivo. Outra seção de</p><p>seu arquivo de cartões pode ser indexado por assuntos. Um</p><p>modo de organizar os assuntos é com o uso da primeira</p><p>letra e a primeira vogal do assunto:</p><p>Aa Ae Ai Ao Au</p><p>Ba Be Bi Bo Bu</p><p>Ca Ce Ci Co Cu</p><p>Ilustrações sobre o assunto “arrependimento” seriam</p><p>arquivadas sob AE: a primeira letra e a primeira vogal dentro</p><p>da palavra.</p><p>A vantagem desse sistema está na simplicidade e versatilidade.</p><p>A maioria do material que você desejará guardar para apoio</p><p>de um sermão - incidentes, citações, poesias, notas exegéticas,</p><p>analogias, referências bibliográficas - pode ser arquivada em</p><p>cartões do tipo 1 2 ,5cm. x 7 .5cm. .</p><p>175</p><p>Estamos no século vinte e um. Outra maneira de arquivar</p><p>material de apoio é no seu computador. Existem vários programas</p><p>de</p><p>software que podem ser adaptados para o uso de um pregador.</p><p>Agora que os computadores já se tornaram menores e que são</p><p>portáteis, você pode levar consigo sua coleção de dados.</p><p>Você precisa de um sistema para organizar o arquivo.</p><p>Qualquer sistema que lhe permite armazenar as informações é</p><p>melhor do que não ter nenhum sistema. O sistema de arquivar</p><p>também precisa de você. Nenhum sistema funciona, a não ser</p><p>que você resolva fazê-lo funcionar. Agur, escritor de provérbios,</p><p>louva a formiga por sua grande sabedoria: “As formigas [são]</p><p>criaturas de pouca força, contudo, armazenam sua comida no</p><p>verão” (Pv 30.25). Você fará bem em aprender com a formiga</p><p>essa lição.</p><p>N ovos C o n ceito s</p><p>Repetição</p><p>Reformulação</p><p>Explicação</p><p>Definição</p><p>Informações fatuais</p><p>Citações</p><p>Narração</p><p>Ilustração</p><p>D efin içõ es</p><p>D efin ição - estabelece o que deve ser incluído e excluído por</p><p>um termo ou declaração.</p><p>Explicação - define fronteiras, ao amplificar o relacionamento</p><p>de uma idéia a outra ou ao que uma idéia subentende.</p><p>In form ações fatuais - consistem em observações, exemplos,</p><p>estatísticas e outros dados que podem ser verificados,</p><p>independentemente do pregador</p><p>Narração - descreve quem fez o quê, a quem e com que efeito,</p><p>nas narrativas bíblicas. Pode ser usada para fornecer o pano</p><p>de fundo do sermão, ao discutir a história, âmbito ou</p><p>personalidades envolvidos numa passagem.</p><p>Ilustrações - reformulam, explicam, comprovam ou aplicam</p><p>idéias, ao relacioná-las a experiências tangíveis.</p><p>P ara L e itu ra A d ic io n a l</p><p>Há dezenas de livros a respeito de ilustrações. A maioria dos</p><p>livros sobre a homilética trata dessas coleções como se fossem</p><p>pornografia. Se você fizer o pedido de uma pelo correio, dão a</p><p>entender que você deveria mandar embalá-la em papel de embrulho</p><p>liso. Argumentam com razão que o perigo destes volumes está em</p><p>usá-los como “edições especiais para o sábado à noite”. Histórias</p><p>apanhadas no desespero da última hora geralmente soam como</p><p>enlatados e artificiais.</p><p>Eu creio, contudo, que os livros de ilustrações têm seu lugar</p><p>em sua biblioteca. Para evitar os abusos, eis uma sugestão: leia</p><p>esses livros, de capa a capa, em seu lazer e assinale as ilustrações</p><p>que achou que realmente parecem eficazes. Guarde-as em seu</p><p>arquivo pessoal. Se você as usar mais tarde, elas têm maior chance</p><p>de ser tão vivas como o material que você reuniu por si mesmo.</p><p>Aqui estão algumas coletâneas que você poderá querer examinar.</p><p>* R. Kent Hughes repassou seu arquivo e ajuntou 1001 Great</p><p>Stories and Q uotcs (Wheaton: Tyndale, 1998). Nem todas</p><p>as histórias e citações são “grandes” mas muitas valem a</p><p>pena ser usadas.</p><p>* Illustrations fo r B iblical Preaching, editado por Michaei</p><p>Green (Grand Rapids: Baker, 1989), é um livro,</p><p>especialmente útil, de analogias e histórias, aguardando</p><p>serem usadas como ilustrações.</p><p>* Ed Rowell, em Fresh Illustrations fo r Preaching and Teaching</p><p>(Grand Rapids: Baker, 1997), reuniu mais de 200</p><p>ilustrações do Leadership Jou rna l que medem uns dois</p><p>pontos acima da média.</p><p>Naturalmente, as melhores ilustrações ainda são aquelas que</p><p>você colhe de sua própria vida e leitura.</p><p>176</p><p>C a p ítu lo 8</p><p>C om ece com um E stro n d o e</p><p>T erm ine com Tudo C om pleto</p><p>E tap a s n o D esen v o lv im en to d e M en sag en s E x p o sitiv a s</p><p>1 . S e l e c io n a n d o a P a s s a g e m</p><p>2 . E s t u d a n d o a P a s s a g e m</p><p>3 . D e s c o b r in d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>4 . A n a l is a n d o a I d é ia E x e g é t i c a</p><p>5 . F o r m u l a n d o a I d é ia H o m i l é t i c a</p><p>6 . D e t e r m i n a n d o o P r o p ó s it o d o S e r m ã o</p><p>7 . D e c id i n d o c o m o R e a l iz a r e s t e P r o p ó s it o</p><p>8 . F a z e n d o o E s b o ç o d o S e r m ã o</p><p>9 . P r e e n c h e n d o o E s b o ç o d o S e r m ã o</p><p>1 0 . P r e p a r a n d o a I n t r o d u ç ã o e a C o n c l u s ã o</p><p>As introduções e as conclusões têm relevância, além da</p><p>proporção de sua duração. Durante a introdução, o auditório</p><p>obtém impressões a seu respeito como pregador, o que</p><p>freqüentemente determina se aceitarão o que você diz, ou não.</p><p>Se você parece nervoso, hostil ou despreparado, terão a tendência</p><p>de rejeitá-lo. Se você parece alerta e amistoso, decidem que você</p><p>é uma pessoa capaz, com uma atitude positiva para consigo mesmo</p><p>e seus ouvintes. Sua introdução, portanto, é uma apresentação</p><p>pessoal à congregação. Em última análise, os ouvintes não ouvem</p><p>um sermão. Eles ouvem você. Conquanto sempre tenha sido</p><p>importante os ouvintes gostarem de um mensageiro, hoje,</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>178</p><p>especialmente, constitui uma verdade. Os homens e mulheres de</p><p>nossa cultura valorizam os relacionamentos, e farão um juízo de</p><p>você e suas atitudes, antes de darem atenção àquilo que você tem</p><p>a dizer.</p><p>E t apa 1 0 : P re pa r e a in t r o d u ç ã o e a c o n c l u s ã o</p><p>DO SERMÃO</p><p>A In trodação</p><p>A introdução não só o apresenta ao auditório, como também</p><p>deve apresentar seu auditório ao sujeito da idéia de seu sermão, à</p><p>sua idéia central, ou, no caso de um sermão indutivo, a seu</p><p>primeiro ponto importante. As características de introduções</p><p>eficazes se desenvolvem a partir desse propósito.</p><p>U m a I n t r o d u ç ã o B fic a z P re n d e a A t e n ç ã o</p><p>Uma introdução deve atrair as atenções. Quando você sobe ao</p><p>púlpito, não ousa pressupor que sua congregação se senta atenta,</p><p>na beira dos bancos, na expectativa de seu sermão. Na realidade,</p><p>provavelmente estão um pouco entediados, e acalentando uma</p><p>suspeita de que você tornará a situação pior. Um provérbio russo</p><p>oferece sábio conselho ao pregador: “Acontece com os homens o</p><p>mesmo que com os asnos: quem quiser segurá-los firme, deve</p><p>agarrar-se muito bem às suas orelhas!” As palavras iniciais de um</p><p>sermão não precisam, portanto, ser dramáticas, nem sequer</p><p>precisam ser simples, mas devem ir atrás das mentes dos ouvintes,</p><p>para forçá-los a escutar. Se o pregador não captar a atenção du</p><p>rante os primeiros trinta segundos, talvez nunca a consiga de modo</p><p>algum. Os produtores de novelas sabem isto muito bem. A ação</p><p>começa imediatamente. Só mais tarde é que conhecemos os títulos</p><p>ou nomes dos atores e atrizes. Os produtores estão cientes de que</p><p>o auditório se senta diante da tela, com os controles nas mãos. Se</p><p>sua atenção não é captada, então os telespectadores vão logo</p><p>migrar para inúmeros outros canais, para encontrar outra coisa.</p><p>Quando as pessoas vêm à igreja, elas vêm com os controles</p><p>179</p><p>remotos em suas cabeças. Se você nao cativar a atenção deles</p><p>depressa, podem viajar para o cardápio da próxima refeição, ou</p><p>para uma disputa de futebol, ou para algum conflito pelo qual</p><p>estão passando no trabalho.</p><p>Os escritores estão lutando desde Homero, para definir a</p><p>arte de iniciar uma história. Charles Dickens em The Tale o fT w o</p><p>Cities (C onto d e Duas Cidades) escreveu um início memorável:</p><p>“Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos”. Alguns</p><p>editores crêem que os leitores lêem livros na base do primeiro</p><p>parágrafo. Herman Melville em M oby Dick faz a abertura com</p><p>três palavras: “Call me Ishmael” (Chame-me Ismael). Leo Tolstoy</p><p>em Anna Karenina cativa nossa mente com: “As famílias felizes</p><p>são todas iguais: toda família infeliz é infeliz a seu próprio modo”.</p><p>AmyTan tem um começo interessante em The K itchen G ods Wife</p><p>(“A Esposa do Deus da Cozinha”): “Sempre que minha mãe</p><p>conversa comigo, ela começa a conversa como se nós já</p><p>estivéssemos no meio de uma discussão”. Só se pode ficar curioso</p><p>sobre o que vem a seguir, quando Joseph Heller principia Catch-</p><p>22 dizendo: “Foi amor à primeira vista. A primeira vez que</p><p>Youssarian viu o capelão, apaixonou-se loucamente por ele”.</p><p>Portanto um sermão se assemelha a uma conversa entre você e</p><p>seu auditório. Baseado nas palavras iniciais, seus ouvintes decidem</p><p>se estão interessados em levar adiante a conversa.</p><p>As possibilidades de uma declaração de abertura que consiga</p><p>prender a atenção, são tão amplas quanto é sua criatividade.</p><p>* Você talvez</p><p>comece com um paradoxo: “Muitos dos filhos</p><p>de Deus vivem como se fossem órfãos”</p><p>* Pode empregar um pensamento familiar numa situação</p><p>pouco familiar: “A honestidade é a melhor política’ .</p><p>Quando alguém diz isso talvez não seja honesto de modo</p><p>algum. Talvez seja meramente astuto”.</p><p>* As perguntas retóricas apelam à atenção: “Se fosse possível</p><p>Deus morrer, e ele morresse hoje de manhã, quanto tempo</p><p>levaria para você ficar sabendo?”</p><p>* Um fato ou estatística alarmante talvez faça com que um</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>180</p><p>auditório escute: “Um casamento em cada três acaba no</p><p>tribunal do divórcio. Apenas um casamento em seis é feliz”.</p><p>* Depois de ler o texto, o pregador pode fazer um comentário</p><p>provocador acerca dele: “Há um toque delicioso de humor</p><p>neste teto. Jesus fala com tremenda seriedade, mas esse fato</p><p>não impede o riso dele”.1</p><p>* Às vezes, é o humor que capta a atenção: “Um negociante,</p><p>completando seu exame médico anual, recebeu esta garantia</p><p>do seu médico: “O senhor está tão sólido quanto a mais</p><p>forte moeda!” O homem desmaiou.</p><p>* A própria passagem pode ser a base de atenção: “Para muitas</p><p>pessoas, Hebreus seis é a passagem mais desconcertante da</p><p>Bíblia”. Vez ou outra você pode ir diretamente à passagem:</p><p>“Hoje gostaria de começar fazendo uma confissão. Gostaria</p><p>de trazer-lhes a mensagem de outro pregador. E assim, afinal</p><p>de contas, que Salomão, o autor de Eclesiastes, se</p><p>apresentava”.</p><p>* Todos nós nos endireitamos nos bancos e escutamos, diante</p><p>da perspectiva de uma história: “Mary Meireles era uma</p><p>dona de casa perto dos quarenta anos de idade.</p><p>Considerava-se jovem e ainda atraente, embora já tivesse</p><p>quinze anos de casada e fosse mãe de três filhos. No decurso</p><p>de um só mês, transformou-se em mulher velha e feia”.</p><p>* Noutras ocasiões você se dirige diretamente ao assunto,</p><p>com uma declaração de confronto: “Se você diz que é</p><p>cristão, você precisa crer na Trindade”.</p><p>Seja como for que você começar, aproveite ao máximo suas</p><p>primeiras vinte-cinco ou trinta palavras para agarrar a atenção.</p><p>Uma abertura que prende os ouvidos é sinal de que aquilo que</p><p>segue, poderá valer os trinta minutos seguintes do tempo de todos</p><p>os presentes.</p><p>U m a I n t r o d u ç ã o E ficaz T raz à T o n a a s N e c e ssid a d e s</p><p>Uma introdução eficaz também deve trazer necessidades à</p><p>superfície. Você precisa transformar a atenção voluntária em</p><p>181</p><p>atenção involuntária. Quando você começa, as pessoas escutam,</p><p>porque devem escutar, mas dentro de pouco tempo, você deve</p><p>motivá-las a escutar, porque não conseguem ficar sem escutar.</p><p>Paul 0 ’Neil, um dos escritores da revista Life, evolveu a Lei de</p><p>0 ’Neil: “Sempre agarre o leitor pela garganta no primeiro</p><p>parágrafo, afunde os polegares na traquéia, para lhe prender a</p><p>respiração no segundo parágrafo, e segure-o contra a parede, até</p><p>o ponto final”.2 O cientista social Arthur R. Cohen chegou à</p><p>conclusão de que quando os auditórios recebem informações que</p><p>vêm ao encontro de suas necessidades, duas coisas acontecem:</p><p>(1) realiza-se mais aprendizagem; e (2) as opiniões se transformam</p><p>de modo mais rápido e mais permanente do que quando as</p><p>informações são dadas e depois, aplicadas à vida.3 Tudo isto diz</p><p>que o ponto de contato importante com uma congregação acha-</p><p>se em responder às perguntas: “Por que levantar este assunto?</p><p>Por que preciso escutar?”</p><p>Charles R. Swindoll começou um sermão baseado em</p><p>2Coríntios 1.3-11 levantando uma pergunta que deixa exposto</p><p>o nervo vivo da necessidade:</p><p>El Tablazo parecia tão perto. Perto demais. Aconteceu tão</p><p>depressa. Explodindo contra o pico serrado de quase 5.000</p><p>metros de altura, o DC-4 desintegrou-se com um grito metálico.</p><p>Aquilo que sobrava do vôo das Linhas Aéreas Avianca com</p><p>destino a Quito, Equador, caiu loucamente em chamas pela</p><p>encosta da montanha abaixo, para dentro de um desfiladeiro</p><p>profundo. Um só momento terrível iluminou uma fria montanha</p><p>da Colômbia em plena noite, e então a escuridão voltou. E o</p><p>silêncio.</p><p>Antes de deixar o aeroporto mais cedo naquele dia, um jovem</p><p>nova-iorquino chamado Glenn Chambers rabiscou</p><p>apressadamente uma nota num papel que achara no chão do</p><p>terminal. O pedacinho fazia parte de uma propaganda impressa,</p><p>com uma única palavra, “Por quê?” estendida através do centro.</p><p>Chambers, precisando de papel com pressa, rabiscou um bilhete</p><p>para sua mãe, ao redor da palavra impressa no meio. Dobrando</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>182</p><p>apressadamente este pensamento de último momento, colocou-</p><p>o, sem cuidados, num envelope e deixou-o cair numa caixa de</p><p>correio. Naturalmente, haveria mais notícias. Mais para dizer</p><p>acerca do desabrochar de um sonho acalentado durante toda a</p><p>vida, no sentido de começar um ministério com a Voz dos Andes,</p><p>no Equador.</p><p>Não haveria mais notícias, no entanto. Entre o depositar do</p><p>bilhete de Chambers na caixa do correio, e a entrega do mesmo,</p><p>El Tablazo arrancou seu vôo e seus sonhos do céu noturno. O</p><p>envelope chegou depois da notícia de sua morte. Quando sua</p><p>mãe o recebeu, a pergunta pulou ardente da página para os olhos</p><p>dela: Por quê?</p><p>E a pergunta que golpeia primeiro e permanece por mais tempo.</p><p>Por quê? Por que eu? Por que não? Por que isto?4</p><p>A necessidade pode ser tocada rapidamente. Perguntar: “Uma</p><p>mulher que trabalha fora pode ser uma boa mãe? O que você</p><p>acha? O que diz a Bíblia?” toca numa necessidade em menos de</p><p>vinte palavras.</p><p>Os sermões pegam fogo, quando a pedra bate no aço. Quando</p><p>a pedra do problema de uma pessoa bate no aço da Palavra de</p><p>Deus, produz-se uma centelha que fica queimando na mente.</p><p>Dirigir nossa pregação em direção às necessidades das pessoas</p><p>não é, meramente, uma técnica persuasiva; é a tarefa do ministério.</p><p>Leslie J. Tizard entendeu de que trata a pregação, ao declarar:</p><p>“Quem quiser tornar-se um pregador deve sentir as necessidades</p><p>dos homens, até o assunto tornar-se em opressão para sua alma”.5.</p><p>As necessidades assumem muitos formatos e formas. Os</p><p>crentes são diferentes dos descrentes, não em suas necessidades,</p><p>mas na maneira como estas são satisfeitas. Abraham H. Maslow,</p><p>um psicólogo de renome, acredita que as necessidades se edificam</p><p>umas sobre as outras. No decurso da nossa vida, avançamos de</p><p>um grupo de necessidades para outro como motivações para</p><p>nossas ações.6 Certos grupos básicos de necessidades, argumenta</p><p>ele, têm sua origem em nosso corpo. Estas necessidades fisiológicas</p><p>são satisfeitas pelo alimento, pela bebida, pela recreação, pela</p><p>183</p><p>expressão sexual e pela evacuação e, se não forem satisfeitas,</p><p>dominarão o pensamento e a vida.</p><p>Os homens e as mulheres também têm necessidades que</p><p>resultam do convívio com outras pessoas. As necessidades da</p><p>dependência social incluem o desejo por estima, amor e afeição,</p><p>segurança, auto-realização e auto-expressão. As pessoas querem</p><p>saber que são amadas, que possuem valor, que podem crescer,</p><p>desenvolver-se e realizar seu potencial.</p><p>Em outro nível, as pessoas também precisam ter satisfeita a</p><p>sua curiosidade. Maslow sustenta que a curiosidade como forte</p><p>motivação vem somente depois de terem sido satisfeitas as</p><p>necessidades físicas e de dependência social. Em sua introdução,</p><p>você poderá tocar a necessidade que há em seu auditório, de ter</p><p>satisfeita sua curiosidade. Mas você deve estar ciente de que</p><p>satisfazer a curiosidade não fará as pessoas responder à mesma</p><p>profundidade de quando entendem como Deus satisfaz seus</p><p>anseios por auto-estima, segurança, afeição e amor. Quanto mais</p><p>básica a necessidade, tanto mais forte o interesse.</p><p>Bem cedo no sermão, portanto, seus ouvintes devem</p><p>reconhecer que você está lhes falando sobre eles mesmos. Você</p><p>levanta uma pergunta, sonda um problema, identifica uma</p><p>necessidade, desvenda uma questão vital à qual a passagem oferece</p><p>uma resposta. Ao contrário da abordagem tradicional na</p><p>homilética, que segura a aplicação até a conclusão, a aplicação</p><p>começa na introdução. Se pregadores de capacidade até limitada</p><p>trouxerem à superfície as perguntas, problemas e dores das pessoas,</p><p>t seller. O pregador procura levar a seu povo a mensagem de</p><p>unidades específicas da Palavra de Deus”.</p><p>A pregação expositiva é, no seu âmago, mais uma filosofia</p><p>do que um método. Se um homem pode ser chamado expositor,</p><p>ou não, depende do seu propósito e da sua resposta à pergunta:</p><p>“Você, como pregador, procura curvar seu pensamento às</p><p>Escrituras, ou emprega as Escrituras para apoiar seu pensamento?”</p><p>Essa não é a mesma pergunta que: “O que você prega é ortodoxo</p><p>ou evangélico?” Nem é a mesma como: “Você tem um alto</p><p>conceito da Bíblia ou crê que ela é a Palavra infalível de Deus?”</p><p>Por mais importantes que estas perguntas possam parecer noutras</p><p>circunstâncias, alcançar nota de aprovação em teologia sistemática</p><p>não qualifica um indivíduo como expositor da Bíblia. A teologia</p><p>talvez nos proteja dos males que ficam de espreita, nas</p><p>interpretações atomísticas e míopes, mas, ao mesmo tempo, pode</p><p>vendar e impedir-nos de ver o texto. Em nossa abordagem a uma</p><p>passagem, devemos estar dispostos a reexaminar nossas convicções</p><p>doutrinárias e a rejeitar as opiniões dos nossos professores mais</p><p>respeitados. Devemos abandonar nossos modos anteriores de</p><p>23</p><p>entender a Bíblia, caso estes entrem em conflito com os conceitos</p><p>do escritor bíblico.</p><p>Adotar essa atitude para com a Escritura exige tanto</p><p>simplicidade como sofisticação. De um lado, o expositor aborda</p><p>sua Bíblia com uma atitude infantil, para ouvir a história de novo.</p><p>Não vem argumentar, nem comprovar um ponto de vista, nem</p><p>sequer achar um sermão. Lê para entender e para experienciar o</p><p>que entende. Ao mesmo tempo, sabe que vive, não como criança,</p><p>e sim como adulto trancado nas pressuposições e cosmovisões</p><p>que tornam difícil o entendimento. A Bíblia não é um livro de</p><p>histórias para crianças, e sim, literatura grandiosa que requer uma</p><p>resposta bem pensada. Todos os seus diamantes não jazem</p><p>expostos na superfície para serem colhidos como flores. Sua</p><p>riqueza é extraída somente através de árduo trabalho preparatório,</p><p>intelectual e espiritual.</p><p>O E x p o s it o r C o m u n ic a u m C o n c e it o</p><p>A definição da pregação expositiva também enfatiza que o</p><p>expositor comunica um conceito. Alguns pregadores</p><p>conservadores foram desencaminhados por sua doutrina da</p><p>inspiração e por uma compreensão inadequada de como funciona</p><p>a linguagem. Os teólogos ortodoxos insistem que o Espírito Santo</p><p>protege as palavras individuais do texto original. As palavras são</p><p>o material do qual idéias são feitas, argumentam eles, e a não ser</p><p>que as palavras sejam inspiradas, as idéias não podem ser</p><p>preservadas de erro.</p><p>Embora uma doutrina ortodoxa da inspiração possa ser um</p><p>princípio necessário da plataforma evangélica sobre a autoridade</p><p>bíblica, às vezes isso atrapalha a pregação expositiva. Embora</p><p>examinemos palavras no texto e por vezes tratemos de palavras</p><p>específicas na pregação, as palavras e frases nunca devem tornar-se</p><p>finalidades em si mesmas. As palavras são coisas vazias, até que</p><p>venham a ser ligadas com outras palavras para transmitir significado.</p><p>Em nossa abordagem à Bíblia, portanto, estamos primeira</p><p>mente ocupados não com o significado das palavras individuais,</p><p>24</p><p>e sim com aquilo que os escritores bíblicos querem dizer, mediante</p><p>seu emprego das palavras. Colocando isso de outra forma, não</p><p>entendemos os conceitos de uma passagem, meramente analisando</p><p>suas palavras separadas. Uma análise gramatical de palavra por</p><p>palavra pode ser tão sem finalidade e enfadonha quanto a leitura</p><p>de um dicionário. Se pretendemos entender a Bíblia, a fim de</p><p>comunicar sua mensagem, devemos pegar firme nela, no nível das</p><p>idéias.</p><p>Francis A. Schaeffer, no seu livro Verdadeira Espiritualidade</p><p>argumenta que a grande batalha pelos homens é travada no âmbito</p><p>do pensamento:</p><p>Idéias são o material do mundo do pensamento, e das idéias é</p><p>que explodem todas as coisas externas: a pintura, música, prédios,</p><p>o amar e odiar as pessoas na prática, assim como os resultados</p><p>de amar a Deus ou rebelar-se contra Deus, no mundo exterior....</p><p>A pregação do evangelho é idéias, idéias flamejantes trazidas aos</p><p>homens, conforme Deus as revelou para nós na Escritura. Não</p><p>é uma experiência sem conteúdo, recebida internamente, e sim</p><p>idéias cheias de conteúdo, sobre as quais internamente se age</p><p>que fazem a diferença. Portanto, quando afirmamos nossas</p><p>doutrinas, elas precisam ser idéias e não só frases. Não podemos</p><p>usar doutrinas como se fossem peças mecânicas de um quebra-</p><p>cabeça. A doutrina verdadeira é uma idéia revelada por Deus,</p><p>na Bíblia; uma idéia que se ajusta apropriadamente dentro do</p><p>mundo externo como ele é, e como Deus o fez, e ao homem</p><p>como ele é, conforme Deus o fez, e que pode ser retornada através</p><p>do corpo do homem para seu mundo-do-pensamento e ali</p><p>tornar-se base para a atuação. Centralmente a batalha pelo</p><p>homem está no mundo do pensamento.2</p><p>Se vamos conseguir sermões, precisamos, portanto, obtê-los</p><p>primeiro como idéias.</p><p>O C o n c e it o V e m d o T e x t o</p><p>Essa ênfase em idéias, como sendo a substância da pregação</p><p>expositiva, não nega, em nenhum aspecto, a importância de</p><p>25</p><p>vocabulário ou gramática. A definição passa a explicar que, no</p><p>sermão expositivo, a idéia é derivada de e transmitida através de</p><p>um estudo histórico, gramatical e literário de um texto, em seu</p><p>contexto. Trata, em primeiro lugar, de como o pregador chega a</p><p>sua mensagem e, em segundo lugar, de como a comunica. As</p><p>duas coisas envolvem o exame das formas gramaticais, históricas</p><p>e literárias. Em seu escritório, o expositor procura o significado</p><p>objetivo de uma passagem através de seu entendimento da</p><p>linguagem, pano de fundo e cenário do texto. Depois, no púlpito,</p><p>apresenta à congregação o resultado do seu estudo, para que o</p><p>ouvinte possa averiguar, por si mesmo, a interpretação.</p><p>Em última análise, a autoridade por detrás da pregação re</p><p>side não no pregador, e sim, no texto bíblico. Por esta razão, o</p><p>expositor lida principalmente com uma explicação da Escritura,</p><p>de tal maneira que focaliza na Bíblia a atenção do ouvinte. Um</p><p>expositor pode ser respeitado por suas capacidades exegéticas e</p><p>por seu preparo diligente, mas estas qualidades não o transformam</p><p>em papa protestante que fala ex cátedra. Os ouvintes também</p><p>têm a responsabilidade de verificar a correspondência entre o</p><p>sermão e o texto bíblico. Conforme escreveu Henry David</p><p>Thoreau: “Leva duas pessoas para falar a verdade, uma para falar</p><p>e outra para escutar”. Nenhuma verdade que vale a pena ser</p><p>conhecida, será adquirida sem uma luta; logo, para uma con</p><p>gregação crescer, terá que participar da luta. “Para haver grandes</p><p>poetas, é preciso haver grandes auditórios”, confessou Walt</p><p>Whitman. A pregação expositiva eficaz exige ouvintes com</p><p>ouvidos para ouvir. Visto que as almas deles dependem disto, o</p><p>pregador deve oferecer a seus ouvintes informações suficientes</p><p>para decidirem se aquilo que estão ouvindo é aquilo que a Bíblia</p><p>realmente diz.</p><p>Se as pessoas, nos bancos da igreja, devem esforçar-se para</p><p>entender o pregador, ele próprio deve labutar para entender os</p><p>escritores da Bíblia. Comunicação significa “um encontro de</p><p>significados”, e para a comunicação ocorrer por todo um auditório</p><p>ou através dos séculos, as pessoas envolvidas devem compartilhar</p><p>26</p><p>de coisas em comum: uma língua, cultura, uma cosmovisão,</p><p>formas de comunicação. Procuramos aproximar nossas cadeiras</p><p>de onde se assentavam os escritores bíblicos. Procuramos</p><p>enveredar-nos, buscando atrás o mundo das Escrituras, para</p><p>entender bem a mensagem original. Embora possamos não</p><p>dominar as línguas, a história e as formas literárias dos escritores</p><p>bíblicos, devemos apreciar a contribuição de cada uma destas</p><p>disciplinas. Também devemos tornar-nos conscientes do amplo</p><p>sortimento de recursos à interpretação que temos, disponíveis</p><p>para nosso estudo.3 Na medida do possível, o expositor procura</p><p>um conhecimento, em primeira mão, dos escritores bíblicos e</p><p>das suas idéias no seu contexto.</p><p>O C o n c e it o é A p l ic</p><p>e desejarem tratar deles a partir da Bíblia, eles farão com que a</p><p>graça de Deus se aplique às preocupações e tensões angustiosas</p><p>da vida diária.</p><p>U m a I n t r o d u ç ã o E f ic a z I n t r o d u z o C o r p o</p><p>d o S e r m ã o</p><p>As introduções devem orientar a congregação em direção ao</p><p>corpo do sermão. In troduz ir é um verbo transitivo. Uma</p><p>introdução precisa introduzir alguma coisa. Logo, não existe algo</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>184</p><p>que seja “uma boa introdução” e sim, uma boa introdução de um</p><p>sermão em particular. Em outras palavras, uma introdução deve</p><p>introduzir, deve apresentar. O mínimo que deve fazer, é apresentar</p><p>o assunto do sermão, para que ninguém precise adivinhar sobre</p><p>o que o pastor planeja falar. Se só o assunto é introduzido, então</p><p>os pontos principais geralmente o completam. Por exemplo, se</p><p>você levanta a questão “Como podemos saber a vontade de Deus?”</p><p>o auditório espera que as afirmações mais importantes do sermão</p><p>darão passos para a resposta.</p><p>A introdução pode ir além do assunto e orientar os ouvintes</p><p>para a idéia principal. Uma exposição de Romanos 1.1-17 que</p><p>levanta a questão daquilo que deve ser feito para evangelizar a</p><p>sociedade, talvez leve à declaração: “Quando o efeito do evangelho</p><p>é de suma importância na igreja, então a força do evangelho não</p><p>pode ser detida no mundo”. Uma vez que você declara sua idéia</p><p>completa, você precisa, então, passar a levantar uma destas</p><p>perguntas básicas a respeito: O que significa isto? E verdade? Que</p><p>diferença faz? Embora você talvez não empregue estas palavras,</p><p>deve levantar uma destas perguntas para ampliar sua idéia. Se</p><p>deixar de fazer assim, direta ou indiretamente, o sermão já acabou,</p><p>mesmo que você continue a falar por mais trinta minutos. Os</p><p>sermões eficazes mantêm um senso de tensão - a sensação de que</p><p>alguma coisa mais precisa ser dita para o sermão estar completo.</p><p>Quando a tensão se vai, acabou o sermão. Logo, através das</p><p>perguntas de desenvolvimento, você explora o que precisa ser</p><p>feito com sua idéia, durante o restante do sermão. Pode</p><p>desenvolvê-lo como uma idéia que precisa ser explicada, uma</p><p>proposição que deve ser comprovada ou um princípio que tem</p><p>que ser aplicado à vida.</p><p>Se seu sermão é para ser desenvolvido de modo indutivo,</p><p>então sua introdução introduz seu primeiro ponto principal. Até</p><p>onde seu auditório está ciente, o primeiro ponto é a idéia da</p><p>mensagem inteira. À medida que a mensagem se desenvolve, seu</p><p>primeiro ponto precisa, então, ser ligado ao segundo ponto, por</p><p>uma transição forte. Essa transição serve como outra introdução.</p><p>185</p><p>Levanta uma pergunta ou expõe uma necessidade que segue do</p><p>primeiro ponto. Leva os ouvintes a entrarem no segundo ponto.</p><p>Do mesmo modo, seu segundo ponto deve ser ligado ao terceiro.</p><p>Num sermão indutivo, sua idéia completa vem à luz, somente</p><p>no movimento final do sermão.</p><p>U m a I n t r o d u ç ã o E fic a z P o d e E x ib ir O u t r a s</p><p>C a r a c t e r ís t ic a s</p><p>Uma introdução eficaz precisa captar a atenção, pôr à mostra</p><p>necessidades e orientar os ouvintes ao corpo da mensagem. Essas</p><p>características são imprescindíveis. Há outros fatores que</p><p>geralmente aparecem em boas introduções. Por exemplo, a maioria</p><p>das introduções é contemporânea. Começam no século vinte-e-</p><p>um A.D. e não no século vinte-e-um a.C. Em última análise,</p><p>estamos usando a Bíblia para falar com as pessoas sobre elas</p><p>mesmas. Não estamos falando com elas sobre a Bíblia. Visto que</p><p>o objetivo do sermão é o ouvinte, o começo do sermão luta com</p><p>as necessidades do auditório da época atual. E uma questão de</p><p>reportagem, precisa, no entanto, registrar que isso nem sempre</p><p>ocorre. Alguns sermões falam sobre o texto bíblico logo de</p><p>imediato. Levantam perguntas, dão descrições superinteressantes,</p><p>ou apontam necessidades no cenário bíblico que refletem,</p><p>claramente, necessidades parecidas de hoje. Mas é preciso ter bons</p><p>motivos para começar seu sermão no mundo antigo, em vez de</p><p>no mundo moderno.</p><p>As introduções mais fortes geralmente serão pessoais. Mesmo</p><p>que seja possível você citar estatísticas sobre lares desfeitos e</p><p>casamentos destruídos em nossa sociedade, você terá uma</p><p>introdução mais forte, se você também falar com as pessoas à sua</p><p>frente sobre seus casamentos. Um sermão sobre relacionamentos</p><p>na família terá maior impacto, se você estiver falando sobre as</p><p>discussões que as pessoas à sua frente tiveram com seus cônjuges,</p><p>três semanas atrás, e que não foram resolvidas. Os homens e</p><p>mulheres o ouvirão, se sentirem que você está falando sobre as</p><p>tensões e tentações que eles sentem, ao tentarem guardar os votos</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>Et</p><p>cip</p><p>a</p><p>10</p><p>186</p><p>matrimoniais que eles assumiram. Algumas vezes, porém, você</p><p>recuará de ser pessoal, porque força as coisas. Se na introdução as</p><p>pessoas sentirem medo ou ficarem chateadas ou iradas com aquilo</p><p>que você diz, eles poderão fechar os ouvidos àquilo que você está</p><p>dizendo, e parar de ouvir tudo o mais no sermão. Então, como</p><p>regra boa que tem exceções, as introduções mais possantes são</p><p>pessoais.</p><p>Outras coisas podem ser ditas sobre introduções. Não comece</p><p>o sermão pedindo desculpas. Com um pedido de desculpas, o</p><p>pregador espera granjear simpatia. Mas o máximo que ganhamos</p><p>é compaixão. Uma congregação raramente se deixa persuadir pelo</p><p>pregador de quem tem pena. Se você está menos preparado do</p><p>que quer estar, deixe que a congregação o descubra por si. Em</p><p>muitos casos nunca vão descobrir.</p><p>Conserve curta a introdução. Depois que obtém água, pare</p><p>de bombear. Infelizmente, nenhuma porcentagen vai ajudá-lo</p><p>aqui. A maioria das introduções gastam 10 por cento do tempo</p><p>do sermão, mas sua introdução deve ser suficientemente longa</p><p>para captar a atenção, levantar necessidades, e orientar o auditório</p><p>para o assunto, a idéia, ou o primeiro ponto. Até que isso seja</p><p>feito, a introdução é incompleta; depois que isso foi feito, se você</p><p>continuar, a introdução é longa demais. Certa senhora idosa disse</p><p>do pregador galês John Owen que ele levava tanto tempo pondo</p><p>a mesa, que ela perdia o apetite para a refeição.</p><p>A introdução não deve prometer mais do que entrega. Quando</p><p>faz isso, é como um tiro de canhão para atirar uma ervilha.</p><p>Introduções sensacionais a sermões medíocres assemelham-se a</p><p>promessas quebradas. Quando você deixa de satisfazer a necessidade</p><p>que levantou, a congregação se sente enganada.</p><p>Em algum ponto da abertura do sermão, você geralmente</p><p>lerá seu texto. Alguns ministros colocam a leitura das Escrituras</p><p>imediatamente antes do sermão, porque o sermão deve ser uma</p><p>exposição da passagem. Infelizmente, a não ser que o texto seja</p><p>lido com perícia, as congregações poderão vê-la como um enfado</p><p>necessário que vem antes de se disporem a ouvir o que é dito</p><p>187</p><p>sobre a Bíblia. Como regra geral, se seu texto é breve, leia-o depois</p><p>da introdução. Quando você faz isso, você dá ao auditório uma</p><p>disposição mental que o ajuda a prestar atenção à leitura. Se ler</p><p>seu texto antes de introduzir seu sermão, você ajudará sua</p><p>congregação, dando-lhes “óculos’ para essa leitura.</p><p>Por exemplo, se você fosse introduzir uma leitura de Tiago</p><p>2.1-13, você poderia introduzi-la dizendo: “Nós não pregamos</p><p>com freqüência sobre diáconos, mas eles desempenham um papel</p><p>crucial em qualquer igreja. Em Tiago 2, Tiago descreve um culto</p><p>que saiu errado, porque o diácono não fez as coisas direito. Escute</p><p>o que Tiago diz”. As pessoas lerão o texto com maior</p><p>discernimento. Há uma vantagem sutil em fazer isso. Quando as</p><p>pessoas sabem o que é que estão buscando, à medida que você lê</p><p>o texto, muitas vezes descobrem que eles podem ler a Bíblia</p><p>sozinhos. Compreender a Escritura não é algo reservado para a</p><p>elite profissional.</p><p>E o humor? A resposta simples é “use-o com cuidado”. Se o</p><p>humor dirige a atenção do ouvinte à idéia, então o riso contribui</p><p>como ferramenta útil. Se meramente entretém, o humor pode</p><p>fazer o sermão parecer um desapontamento. As vezes, quando</p><p>você enfrenta um auditório novo, o humor ajuda-o</p><p>a construir</p><p>uma ponte, mas piadas em demasia podem levar os ouvintes a</p><p>eliminá-lo como comediante. Quando se usa o humor, então,</p><p>deve ser deliberadamente. Deve promover o relacionamento de</p><p>seu auditório com você ou com sua mensagem.</p><p>A maneira como você sobe ao púlpito já diz muita coisa sobre</p><p>você a seu auditório. Se você avança de maneira confiante, sem</p><p>pressa, a linguagem corporal comunica que você está no controle</p><p>de si mesmo e que tem algo importante a dizer, ao qual o auditório</p><p>ganha em escutar. Antes de falar, você deve fazer uma pausa para</p><p>captar a atenção. Você e a congregação devem começar juntos,</p><p>mesmo que talvez não terminem juntos. Olhe para as pessoas,</p><p>não para seus apontamentos, e nem mesmo para sua Bíblia. Numa</p><p>conversa particular, se alguém não lhe olha nos olhos, você se</p><p>sente desassossegado. Isso é verdade também, quando você fala</p><p>do púlpito às pessoas.</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>Eta</p><p>pa</p><p>10</p><p>188</p><p>Quando você está nervoso, a tensão poderá tornar sua voz</p><p>aguda e guinchante. Portanto, você precisa de controle, a fim de</p><p>falar suas primeiras palavras de modo bem composto e relaxado.</p><p>Respire fundo uma vez, antes de começar. Ao começar, use um</p><p>gesto largo e específico, depois de umas duas sentenças. Você</p><p>também descobrirá que o nervosismo e a tensão ficarão reduzidos,</p><p>se você, antes de se colocar de pé, sabe exatamente como começará</p><p>o sermão.</p><p>Antes de falar, há algumas coisas que você pode fazer para</p><p>relaxar sua garganta. Por exemplo, enquanto está no seu escritório,</p><p>movimente a cabeça devagar até tocar no ombro esquerdo, depois</p><p>movimente-o devagar na outra direção para tocar o ombro direito.</p><p>Faça isso quatro ou cinco vezes. Depois vire a cabeça devagar até</p><p>onde vai para a esquerda, depois vire a cabeça até onde vai para a</p><p>direita. Repita isso algumas vezes. Para terminar, deixe a cabeça</p><p>cair no peito e movimente-o devagar para trás e depois para o</p><p>peito novamente. Repita o exercício cinco vezes. Enquanto está</p><p>esperando para subir ao púlpito, passe a língua no fundo de sua</p><p>boca. Tente lamber as amígdalas. Ou faça um bocejo com a boca</p><p>fechada. Todos esses exercícios o ajudarão a relaxar a garganta.</p><p>Há três tipos de pregadores: aqueles aos quais você não</p><p>agüenta escutar; aqueles aos quais você pode escutar; e aqueles</p><p>aos quais você precisa escutar. Durante a introdução, a</p><p>congregação geralmente resolve qual o tipo de preletor que lhes</p><p>está dirigindo a palavra naquela hora.</p><p>A C o n clu são</p><p>Assim como um piloto experimentado sabe que aterrizar um</p><p>avião requer concentração especial, assim também o pregador</p><p>capaz entende que as conclusões requerem um preparo bem</p><p>pensado. Como piloto hábil, você deve saber onde seu sermão</p><p>aterrizará.</p><p>Na realidade, a conclusão possui tanta importância que muitos</p><p>pastores a esquematizam, logo depois de terem determinado a idéia</p><p>do sermão e o objetivo de pregá-lo. Quer você empregue tal técnica</p><p>189</p><p>ou nao, você deve trabalhar sua conclusão com cuidado especial.</p><p>Senão, tudo acaba ficando em nada.</p><p>O propósito de sua conclusão é concluir — e não meramente</p><p>parar. Deve ser mais do que um golpe generalizado para sair-se</p><p>de uma situação embaraçosa: “Que Deus nos ajude a viver à luz</p><p>destas grandes verdades”. Deve ser mais do que pedir à</p><p>congregação que curve a cabeça em oração, de modo que você</p><p>possa fugir quietinho, enquanto ninguém está olhando. Você deve</p><p>concluir, e o sermão deve produzir uma sensação de finalidade.</p><p>Como um advogado capaz, o ministro pede um veredicto. Sua</p><p>congregação deve ver sua idéia inteira e completa, e eles devem</p><p>saber e sentir aquilo que a verdade de Deus exige da parte deles.</p><p>Direta ou indiretamente, a conclusão responde à pergunta: E</p><p>daí? Que diferença isto faz?” E seu povo enfrenta outra pergunta</p><p>como resultado de uma conclusão eficaz: “Estou disposto a</p><p>permitir que Deus faça essa diferença na minha experiência?”</p><p>Paul Whiteman, reconhecido líder de uma banda, entendia as</p><p>exigências de introduções e conclusões, quando deu o conselho:</p><p>“Quando começar, comece com um estrondo e quando terminar,</p><p>termine com tudo completo!”</p><p>Dependendo do sermão, do auditório e do pastor, as</p><p>conclusões assumem diferentes formatos e formas. Visto que o</p><p>elemento de novidade acrescenta interesse à pregação, empenhe-</p><p>se em variar suas conclusões. Quais são alguns elementos que se</p><p>empregam para aterrizar um sermão e levá-lo a um enfoque</p><p>abrasador?</p><p>U m R e s u m o</p><p>Em muitas conclusões, os pregadores olham para o terreno</p><p>que foi atravessado, e reformulam as lições tratadas ao longo da</p><p>pista. Quando você faz isso, passe em revista as afirmações</p><p>importantes, a fim de vinculá-las à idéia principal do sermão. O</p><p>resumo liga pontos soltos. Não deve ser uma segunda pregação</p><p>do sermão.</p><p>OT</p><p>edea</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>190</p><p>U m a I l u s t r a ç ã o</p><p>Um “caso” que resume a idéia ou que mostra como ela</p><p>funciona na vida, acrescenta impacto a uma conclusão. A</p><p>ilustração deve estar precisamente no alvo de modo que os</p><p>ouvintes peguem bem o significado, num piscar de olhos, sem</p><p>explicação. Depois de ter oferecido a ilustração, pare. Faça com</p><p>que a ilustração seja tão transparente que somente uma ou duas</p><p>frases precisem ser acrescentadas - e há até mais poder, quando a</p><p>ilustração não precisa de explicação nenhuma.</p><p>Peter Marshall termina um sermão sobre Tiago 4.14 com</p><p>uma história fascinante:</p><p>Uma lenda antiga conta de um mercador de Bagdá que, certo</p><p>dia, mandou seu servo ao mercado. Dentro de pouco tempo o</p><p>servo voltou, pálido e trêmulo, e grandemente agitado, disse ao</p><p>seu senhor: “Lá na praça do mercado fui empurrado por uma</p><p>mulher na multidão, e quando me virei, vi que era a Morte que</p><p>me havia empurrado. Ela olhou para mim e fez um gesto</p><p>ameaçador. Senhor, por favor, empreste-me seu cavalo, pois terei</p><p>que fugir para evitá-la. Cavalgarei até Samarra, e ali me</p><p>esconderei, e a morte não me achará”.</p><p>O mercador emprestou-lhe seu cavalo e o servo saiu galopando</p><p>com grande pressa. Mais tarde, o mercador desceu à praça do</p><p>mercado e viu a Morte em pé entre a multidão. Foi para onde</p><p>ela estava e perguntou: “Por que assustou meu servo hoje de</p><p>manhã? Por que fez um gesto ameaçador?”</p><p>“Aquilo não era um gesto ameaçador”, respondeu a Morte. “Foi</p><p>apenas um sobressalto de surpresa. Fiquei atônita ao vê-lo em</p><p>Bagdá, pois tenho um encontro marcado com ele hoje à noite,</p><p>em Samarra”.</p><p>Cada um de nós tem um encontro marcado em Samarra. Mas</p><p>isso é motivo de regozijo, e não de medo, posto que já colocamos</p><p>nossa confiança naquele que é o único que segura as chaves da</p><p>vida e da morte.7</p><p>191</p><p>U m a C it a ç ã o</p><p>Uma citação bem escolhida, na sua conclusão, às vezes declara</p><p>a idéia do sermão em frases mais eficazes e vividas do que você</p><p>mesmo pode produzir. Se você usar uma citação, ela deve ser curta,</p><p>e você deve tê-la de cor. Citações longas são difíceis de ler bem, e</p><p>em momento no qual você precisa ser direto, uma citação mais</p><p>longa torna-se indireta. Umas poucas linhas tiradas de uma poesia</p><p>ou hino poderão captar a verdade de seu sermão com eficácia. Em</p><p>geral, a poesia também deve ser breve, bem como clara e aplicável.</p><p>Quando o hino é citado e passa a ser cantado pela congregação,</p><p>seu impacto pode ser duplicado. Por vezes um só versículo da</p><p>Escritura, tirado do texto que você apresentou, pode resumir todo</p><p>seu sermão e ainda aplicá-lo. Quando esse versículo volta a ser</p><p>citado no final de uma exposição, sua força, aumentada pelo sermão,</p><p>poderá fixar a verdade na mente do ouvinte.</p><p>U m a P e r g u n t a</p><p>Uma pergunta apropriada ou até mesmo uma série de</p><p>perguntas pode concluir um sermão com eficácia. Certo sermão</p><p>sobre o Bom Samaritano terminou: “Deixe-me terminar onde</p><p>comecei. Vocês amam a Deus? Que ótimo. Estou contente por</p><p>ouvi-lo. Mas você ama seu próximo? Como podemos falar acerca</p><p>de amar a Deus, a quem não vemos, quando não amamos nossos</p><p>irmãos e vizinhos aos quais estamos vendo? Se vocês amam seus</p><p>vizinhos, você se importa se eu pergunto isso a eles?”</p><p>U m a O r a ç ã o</p><p>Uma oração</p><p>pode formar uma conclusão apropriada,</p><p>contanto que seja um pedido genuíno e não um dispositivo para</p><p>resumir o sermão ou fazer uma aplicação indireta ao auditório.</p><p>Quando um desejo para fazer a obra de Deus emerge de uma</p><p>resposta ao sermão, então pode ser expresso em oração sincera.</p><p>Por exemplo, no fim de um sermão sobre o publicano e o fariseu,</p><p>o pregador, sem chamar o povo à oração, clamou: “O Deus, tem</p><p>misericórdia de nós, que somos pecadores. Amém”.</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>192</p><p>O r ie n t a ç ã o E s p e c íf ic a</p><p>Em minha mesa tenho uns versos pobres. Contam o seguinte:</p><p>Quando Tommy Snooks e Bessie Brooks</p><p>No domingo passeavam,</p><p>Disse Tommy Snooks a Bessie Brooks,</p><p>“Amanhã é segunda”. E calavam.</p><p>Embora isso possa ganhar o prêmio do último lugar em</p><p>conversação social, para um pastor tem alta cotação. O que é que</p><p>as pessoas podem fazer para viver à altura do sermão do domingo,</p><p>no mundo da segunda-feira cedo? Sua conclusão pode responder</p><p>a pergunta: se você não enfrentar esta pergunta para sua</p><p>congregação, é possível que os membros não consigam mesmo</p><p>respondê-la. Embora alguns indivíduos esbarrem com a verdade</p><p>bíblica, porque fazem a pergunta p o r quê, muitos mais deixam de</p><p>aplicar a verdade bíblica em suas vidas, porque não sabem responder</p><p>a pergunta com o. Faça a você mesmo esta pergunta: Se as pessoas</p><p>na minha igreja levassem a sério esta idéia, como ela funcionaria</p><p>no mundo da semana seguinte? Poderiam usá-la onde trabalham?</p><p>Faria qualquer diferença na cozinha? Ou no quarto? Sua idéia</p><p>tem grande aplicabilidade para um adolescente que está lutando</p><p>com a pressão dos colegas de sua faixa etária? Tem algo a dizer</p><p>para um casal que enfrenta a aposentadoria? Sua idéia fala algo</p><p>para pessoas dominadas pela dor que prefeririam nem estar</p><p>presentes no culto, mas que vieram somente porque faz parte da</p><p>rotina? Em outras palavras, faça um passeio pela sua congregação,</p><p>e pergunte para si: “Como as pessoas aplicariam esta verdade</p><p>bíblica ao modo como vivem?” E então, por amor a Deus e por</p><p>amor a eles, diga-lhes!</p><p>Nem todo sermão pode terminar com “como fazer”. Algumas</p><p>pregações exploram questões grandiosas, e realizam seu propósito,</p><p>quando as pessoas entendem como Deus trabalha no mundo.</p><p>Nenhum dever claro e específico poderá ser detalhado. Mesmo</p><p>assim, a pregação tem maior probabilidade de ser incorporada</p><p>na estrutura da vida das pessoas, quando você oferece sugestões</p><p>193</p><p>práticas sobre como traduzir verdade bíblica em experiência de</p><p>vida.</p><p>A V is u a l iz a ç ã o</p><p>Nos desfiladeiros das Montanhas Rochosas do Noroeste</p><p>americano, placas de sinalização alertam os motoristas: “Cuidado</p><p>com Queda de Rochas”. Mas parecem avisos inúteis. Se aquelas</p><p>pedras maciças vêm rolando dos seus lugares, geralmente é tarde</p><p>demais para evitá-las.</p><p>Nem todas as verdades podem ser postas em prática</p><p>imediatamente. Muita de nossa pregação prepara as pessoas para</p><p>“rochas em queda” que podem irromper sobre suas vidas, em</p><p>algum futuro imprevisível. A visualização é um método que</p><p>projeta a congregação num futuro e retrata uma situação na qual</p><p>poderiam aplicar a verdade que nós pregamos. A visualização é</p><p>forte, se a situação que ela projeta é possível, ou melhor ainda,</p><p>provável. Os ouvintes podem se imaginar naquela situação ou</p><p>em uma semelhante, antes que aconteça. Ao concluir um sermão</p><p>sobre o trabalho que tem como idéia básica, “Lembre-se do dia</p><p>d e trabalho, para o santificar”, você poderia visualizar um cenário</p><p>como este:</p><p>Se você levar esta verdade a sério, poderá enfrentar dias difíceis</p><p>mais adiante. Em algum dia do futuro, um chefe o mandará</p><p>fazer algo que você sabe que é errado. Ele ou ela poderá insistir</p><p>com você, para falsificar sua conta de despesas. “E até bom ser</p><p>honesto” seu chefe lhe dirá, “mas sua consciência superzelosa</p><p>está prejudicando a imagem de outras pessoas no departamento;</p><p>você há de reconhecer que você responderá a Deus por isso”. E</p><p>de maneira educada e cortês você dirá: “Sinto muito. Eu</p><p>simplesmente não posso fazer isso”.</p><p>Poderá descobrir que seu chefe não aprecia seu compromisso</p><p>com a honestidade. Dentro de pouco tempo, com acusações</p><p>forjadas, você poderá perder o emprego. Se isso acontecer, você</p><p>se sentirá arrasado. Não será tentado a cantar um cântico alegre.</p><p>Você se sentirá ameaçado. Ficará a pensar sobre seu futuro.</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>Et</p><p>ap</p><p>a</p><p>10</p><p>194</p><p>Talvez aconteça que você, naquelas horas aflitivas, se recorde da</p><p>verdade desse texto. Seu mestre está no céu. Ele não dá o</p><p>pagamento nos dias primeiro e quinze de cada mês. Mas ele</p><p>promete que o recompensará por tudo de bom que você fizer no</p><p>seu trabalho. Você chegará a um lugar em sua vida, quando você</p><p>já terá apostado seu serviço, sua segurança e até seu futuro naquilo</p><p>que Deus tem dito. Que compromisso! Que testemunho! Na</p><p>confiança de que em Deus você pode confiar, até seu trabalho,</p><p>você se lembrou mesmo do dia de trabalho e o santificou.8</p><p>Seja qual for o formato que sua conclusão tomar, há várias</p><p>outras coisas para guardar em mente. Não introduza matéria nova</p><p>na conclusão. Esses momentos finais devem acabar de fixar aquilo</p><p>que você já disse, e não levar o auditório para novas avenidas de</p><p>pensamento. O sermão propriamente dito coloca os canhões na</p><p>posição certa. Agora veio o momento de detonar o tiro, em direção</p><p>à mente e as emoções do ouvinte. Gaste estes momentos</p><p>importantes, reforçando a penetração da idéia central de seu</p><p>sermão.</p><p>Não diga a sua congregação que você pretende concluir, para</p><p>depois deixar de fazê-lo. Infelizmente palavras como “finalmente”</p><p>ou “em conclusão” por vezes prometem aquilo que não cumprem.</p><p>De fato, palavras como essas devem ser usadas com muita</p><p>economia. Num sermão bem planejado, as conclusões devem</p><p>concluir sem anunciar de antemão a sua vinda.</p><p>As conclusões não precisam ser longas. Às vezes uma parada</p><p>repentina pode ter efeito penetrante. Conclusões mal preparadas</p><p>que vão perambulando à busca de uma saída, deixam a</p><p>congregação já olhando em direção à saída da igreja. Nas palavras</p><p>de um velho fazendeiro: “Quando terminar de bombear, solte a</p><p>alavanca”. William E. Sangster coloca o assunto de modo claro.</p><p>Tendo chegado ao fim, pare. Não fique dando voltas, procurando</p><p>um lugar para chegar à terra, como algum nadador cansado,</p><p>voltando do mar e chapinhando, até que possa achar algum lugar</p><p>inclinado na praia que possa subir andando. Chegue logo certo,</p><p>195</p><p>e aterrize imediatamente. Acabe o que tem para dizer e termine</p><p>ao mesmo tempo. Se a frase final tiver alguma qualidade de</p><p>memorabilidade enxuta, tanto melhor, mas não vá tateando até</p><p>achar uma assim. Que seu sermão tenha a qualidade que Charles</p><p>Wesley desejou para sua própria vida: que a obra e o prazo</p><p>terminem juntos.9</p><p>N ovos co n ceito s</p><p>Introdução</p><p>Características principais de uma introdução eficaz</p><p>Conclusão</p><p>D efin içõ es</p><p>Conclusão - dá à congregação uma visão geral da idéia, inteira</p><p>e completa. Conduz o conceito central a um enfoque</p><p>abrasador e torna a verdade dele claramente entendida, na</p><p>mente e vida dos ouvintes.</p><p>In trodu ção - expõe a congregação ao sujeito e à idéia princi</p><p>pal ou então ao primeiro ponto do sermão.</p><p>Características principais d e uma in trodução e fíca z -</p><p>* capta atenção para a idéia</p><p>* levanta a necessidade</p><p>* orienta a congregação ao corpo do sermão e seu desen</p><p>volvimento</p><p>A V estim en ta do P en sam en to</p><p>C a p ítu lo 9</p><p>O pregador de Eclesiastes esperou até chegar à conclusão para</p><p>registrar suas credenciais. “Além de ser sábio”, ele diz com franqueza</p><p>perturbadora, “o mestre também ensinou conhecimento ao povo.</p><p>Ele escutou, examinou e colecionou muitos provérbios. Procurou</p><p>também encontrar as palavras certas, e o que ele escreveu era reto e</p><p>verdadeiro” (Ec 12.9-10). Para comunicar seu conhecimento e para</p><p>achar as palavras certas, é evidente que o Pregador da antigüidade</p><p>escreveu um manuscrito.</p><p>Nem todos os pregadores escrevem por extenso seus</p><p>sermões, e nem mesmo aqueles que escrevem assim seus sermões,</p><p>escrevem</p><p>cada sermão, mas a disciplina de preparar um</p><p>manuscrito melhora a pregação. Escrever raspa o mofo do</p><p>pensamento, dispõe as idéias em ordem, e sublinha as idéias</p><p>importantes. “Escrever”, conforme uma citação de Francis Ba</p><p>con, “faz com que um homem exato seja exato no pensamento</p><p>e na fala”. Um pregador expositor que professa um alto conceito</p><p>da inspiração, deve respeitar o poder das palavras. Afirmar que</p><p>as palavras da Bíblia foram individualmente inspiradas pelo</p><p>fôlego de Deus, e depois desconsiderar nossa própria escolha</p><p>de linguagem, dá a impressão de inconsistência grave. Nossa</p><p>teologia, se não o nosso bom senso, deve dizer-nos que idéias e</p><p>palavras não podem ser separadas. Como a gelatina, os conceitos</p><p>tomam o molde das palavras nas quais são derramadas. Assim</p><p>198</p><p>como pigmentos definem o quadro do pintor, assim também as</p><p>palavras captam e dão cor ao pensamento do pregador.</p><p>O sábio de Provérbios compara a palavra devidamente falada</p><p>a “frutas de ouro em escultura de prata” (Pv 25.11). “A diferença</p><p>entre a palavra certa e a palavra quase certa”, escreveu MarkTwain,</p><p>“é a diferença entre o lampejo do relâmpago e o do vagalume”. O</p><p>poeta inglês John Keats estava muito consciente de como as</p><p>palavras dão forma às idéias. Certa tardezinha, Keats estava</p><p>sentado no seu escritório com o amigo Leigh Hunt que lia,</p><p>enquanto ele trabalhava com um poema. A certa altura, Keats</p><p>olhou para cima e perguntou: “Hunt, o que pensa disto? ‘Uma</p><p>bela coisa é uma alegria infinda’ ”.</p><p>“Está bom”, disse Hunt, “mas não perfeito”.</p><p>Houve silêncio por um tempo. Depois Keats levantou o olhar</p><p>mais uma vez. “E que me diz disto? ‘Uma coisa bela é uma alegria</p><p>infinda’”.</p><p>“Melhor”, respondeu o amigo, “mas ainda não está bem</p><p>certo”.</p><p>Keats mais uma vez curvou-se sobre sua escrivaninha,</p><p>enquanto sua pena fazia leves barulhos de raspar o papel.</p><p>Finalmente perguntou: “Agora, o que pensa disto? ‘Uma coisa</p><p>bela é uma alegria para sempre’”.</p><p>“Isso,” disse Hunt, “sobreviverá, enquanto a língua inglesa</p><p>for falada!” “A th ing o fb ea u ty is a j o y forever”.</p><p>A maior parte das Escrituras que mais amamos, expressa a</p><p>verdade de Deus em linguagem memorável: o Salmo 23,</p><p>ICoríntios 13, Romanos 8, João 3.16. Mesmo que Paulo</p><p>desdenhasse a eloqüência como tendo valor em si, ele escreveu</p><p>suas epístolas inspiradas em linguagem inspirada. Embora uma</p><p>pintura como Cristo em Emaús, de Rembrandt, possa nos deixar</p><p>com o fôlego suspenso, qualquer pessoa que generaliza que “um</p><p>quadro vale mil palavras”, nunca tentou captar João 3.16, uma</p><p>sentença de vinte e seis palavras, numa pintura.1</p><p>Há palavras lustrosas que brilham como uma aurora tropi</p><p>cal, e há palavras insípidas tão pouco atraentes como um ponto</p><p>199</p><p>de ônibus. Há palavras duras que dão um soco como um</p><p>profissional de boxe, e palavras tao fracas quanto chá feito com</p><p>uma única mergulhada do saquinho de chá. Há palavras tipo</p><p>travesseiro que consolam as pessoas e palavras frias como o aço</p><p>que as ameaçam. Algumas palavras transplantam um ouvinte,</p><p>pelo menos por instantes, para perto dos átrios de Deus, e outras</p><p>palavras o mandam para a sarjeta. Vivemos por palavras, amamos</p><p>por palavras, oramos por palavras, xingamos por palavras e</p><p>morremos por palavras. Joseph Conrad exagerou só um pouco,</p><p>quando declarou: “Dê-me a palavra certa e a tonalidade certa, e</p><p>eu moverei o mundo!”</p><p>“Mas a linguagem não é o meu dom”, protestou um servo de</p><p>um só talento, que estava em processo de enterrar seu ministério.</p><p>Dom ou não, devemos empregar palavras, e a única dúvida é se</p><p>as empregaremos mal ou bem. Se você está disposto a se esforçar</p><p>para isso, você pode se tornar mais hábil com elas do que é agora.</p><p>Se você se comparar com C. S. Lewis, Malcolm Muggeridge ou</p><p>Philip Yancey, talvez tenha vontade de declarar falência. Deixe</p><p>que artífices como esses lhe forneçam um ideal na direção do</p><p>qual você pode se mover. Mas em cada sermão você pode esforçar-</p><p>se para ser claro e exato naquilo que quer dizer.</p><p>Nossa escolha das palavras é chamada estilo. Toda pessoa</p><p>possui um estilo: seja insípido, enfadonho, estimulador, preciso,</p><p>mas o modo de usarmos as palavras ou abusarmos delas fica sendo</p><p>nosso estilo. O estilo varia para preletores diferentes, e cada</p><p>preletor alterará seu estilo para auditórios diferentes e ocasiões</p><p>diferentes. Discursar diante de uma classe do ensino médio, por</p><p>exemplo, permite um estilo diferente daquele que se emprega, ao</p><p>dirigir-se a uma congregação de culto dominical. O palavreado</p><p>esmerado num sermão para formandos soaria completamente</p><p>fora de lugar, num estudo bíblico em grupo pequeno.</p><p>Embora as regras que governam a boa redação, também se</p><p>apliquem ao sermão escrito, um sermão não é uma composição</p><p>bem comportada, porque aquilo que você escreve, serve apenas</p><p>como preparo geral para aquilo que na realidade dirá. O</p><p>200</p><p>manuscrito não é o produto final do pregador. O sermão não</p><p>deve ser lido diante da congregação. A leitura geralmente mata a</p><p>sensação viva da comunicação. Além disto, o sermão não deve</p><p>ser decorado. A memorização não só coloca um fardo pesado</p><p>nos ombros seus, se você fala várias vezes por semana, como</p><p>também o auditório percebe quando o preletor está lendo palavras,</p><p>na parede de sua mente. Agonize com os pensamentos e as palavras</p><p>na sua mesa, e aquilo que você escreve passará para seu íntimo.</p><p>Ensaie várias vezes em voz alta, sem seu manuscrito. Não faça</p><p>qualquer esforço consciente para relembrar suas palavras exatas.</p><p>Simplesmente procure guardar o fluxo de seu pensamento bem</p><p>claro em sua mente. Quando você subir ao púlpito, seu texto</p><p>escrito terá feito sua obra de formatar seu uso da linguagem. Muito</p><p>de seu uso das palavras lhe ocorrerá, à medida que você prega,</p><p>mas não tudo. No calor de sua apresentação, a estrutura das</p><p>sentenças mudará. Novas frases lhe ocorrerão, e sua fala cintilará</p><p>como conversação espontânea. Seu manuscrito, portanto,</p><p>contribuirá ao pensamento e escolha de palavras de seu sermão,</p><p>mas não os determinará.</p><p>Escrever um sermão é diferente de escrever uma crônica</p><p>ou um livro. Escreva como se estivesse conversando com alguém,</p><p>e assim como na conversação, esforce-se por compreensão</p><p>imediata. Os escritores sabem que seus leitores não precisam captar</p><p>uma idéia no mesmo instante. Os leitores podem examinar uma</p><p>página com calma, refletir sobre aquilo que já leram, debater as</p><p>idéias, e avançar a qualquer ritmo que considerarem confortável.</p><p>Se tropeçarem em alguma palavra pouco conhecida, podem</p><p>levantar-se e consultar um dicionário. Se perderem o rumo do</p><p>pensamento do autor, podem procurá-lo de novo. Resumindo,</p><p>os leitores controlam a experiência. Ouvintes, ao contrário, não</p><p>podem dar-se ao luxo de refletir com tempo. Não podem voltar</p><p>para escutar uma segunda vez. Se não absorvem o que é dito,</p><p>enquanto é dito, eles perdem aquilo completamente. Se tirarem</p><p>tempo para passar em revista o argumento do preletor, perderão</p><p>o que ele está dizendo agora. Os ouvintes sentados ficam à mercê</p><p>201</p><p>do pregador. Pregadores, em contraste com escritores, precisam</p><p>se fazer entender instantaneamente.</p><p>Há várias técnicas que podem ajudá-lo a pensar com ímpeto e</p><p>falar com clareza. Experimente fazer reentrâncias no manuscrito e</p><p>rotular seu manuscrito de acordo com seu esboço. Por exemplo, a</p><p>matéria que você quer colocar sob um número romano está junto</p><p>à margem. A matéria de apoio para esse ponto está na reentrância.</p><p>Fazendo assim, você fixa na mente a coordenação e subordinação</p><p>das idéias em seu sermão. Os ouvintes, naturalmente, não ouvem</p><p>um esboço. Eles ouvem um sermão. O esboço e o manuscrito são</p><p>em benefício próprio.</p><p>Além disto, como as transições carregam um fardo pesado</p><p>na comunicação falada, tomam mais espaço no manuscrito de</p><p>um sermão. O ouvinte escuta o sermão somente como uma série</p><p>de frases. As transições ficam como placas de sinalização</p><p>rodoviária, para indicar onde foi que o sermão já esteve e para</p><p>onde vai. As transições, portanto, são mais longas e detalhadas</p><p>do que na matéria escrita.</p><p>E difícil superestimar a importância de transições claras para</p><p>a comunicação transparente. As transições principais aparecerão</p><p>entre a introdução e o primeiro ponto principal, e depois entre</p><p>os pontos importantes dentro do sermão, e entre o corpo do</p><p>sermão e a conclusão. Transições fortes geralmente passam em</p><p>revista os pontos principais já percorridos e mostram ao ouvinte</p><p>como esses pontos se relacionam com a idéia principal e entre si;</p><p>e então introduzem o ponto seguinte. Como resultado, transições</p><p>importantes podem ocupar até um parágrafo ou mais no</p><p>manuscrito do sermão.</p><p>Transições menores que ligam subpontos podem ser mais</p><p>curtas: às vezes uma única palavra (portanto, também, mas,</p><p>conseqüentemente), em outros lugares uma frase (além disso, e o</p><p>que é mais, como resultado disso), e com até maior freqüência,</p><p>uma ou duas sentenças. Embora um escritor possa dar a entender</p><p>202</p><p>transições, um orador precisa desenvolvê-los. É importante declarar</p><p>seu ponto, reformulá-lo “em outras palavras”, até reformulá-lo</p><p>novamente, e então repeti-lo. Transições claras, plenas e específicas</p><p>parecem desajeitadas no papel, mas correm facilmente num sermão,</p><p>e habilitam a congregação a pensar seus pensamentos com você.</p><p>Uma razão importante pela qual os sermões não são claros, é que</p><p>as transições não foram bem trabalhadas.</p><p>Um E stilo C la ro</p><p>Quais as características de estilo que você deve procurar cul</p><p>tivar? Primeiramente e antes de tudo, você deve ser claro.</p><p>Talleyrand certa vez observou que a linguagem foi inventada para</p><p>ocultar, e não para revelar os pensamentos dos homens e mulheres.</p><p>Pessoas cultas às vezes falam como se Talleyrand tivesse sido seu</p><p>instrutor na arte de falar. Tentam impressionar seu auditório com</p><p>a profundidade do seu pensamento, através da obscuridade da</p><p>sua linguagem. O sermão não é profundo por ser lamacento.</p><p>Qualquer coisa que tenha sido bem estudada, pode ser declarada</p><p>com simplicidade e clareza. Poincaré, o brilhante matemático</p><p>francês, insistia: “Ninguém sabe coisa alguma acerca da</p><p>matemática avançada, até que saiba explicá-la com clareza ao</p><p>homem da rua!” De modo semelhante, nenhum pregador entende</p><p>uma passagem da Bíblia nem uma lição de teologia, a não ser que</p><p>possa explicá-la com clareza à congregação sentada diante dele.</p><p>Não se engane. Para os pregadores, a clareza é questão moral.</p><p>Não é meramente uma questão de retórica, mas é matéria de</p><p>vida e morte. Imagine um médico clínico que receita um</p><p>medicamento, mas deixa de dar uma instrução clara de como e</p><p>quando o medicamento deve ser usado. O médico põe em risco</p><p>a vida do paciente. É uma questão moral um médico ser claro. Se</p><p>cremos que o que pregamos ou atrai as pessoas a Deus ou as</p><p>mantém longe dele, então, por amor a Deus e por amor às pessoas,</p><p>devemos ser claros. Helmut Thielicke nos lembra que o tropeço</p><p>vem, não porque as pessoas não entendem, mas porque entendem</p><p>bem demais, ou pelo menos temem que terão que entender.2</p><p>203</p><p>Imagine uma reunião em massa, na China, com um</p><p>comunista lançando uma tirada contra o cristianismo. Alguém</p><p>se põe de pé de um só pulo e grita: “Jesus é o Messias!” O auditório</p><p>ficaria espantado, e o cristão expulso por ter perturbado a reunião.</p><p>Se, porém, tivesse exclamado: “Jesus Cristo é Deus! Ele é o único</p><p>Senhor, e todos aqueles que transformam o sistema num deus</p><p>irão para o inferno, juntamente com seus líderes comunistas!”</p><p>Arriscar-se-ia a ser despedaçado pela multidão. A clareza revela o</p><p>escândalo do evangelho. Também providencia a vida e a esperança.</p><p>U m E s b o ç o C l a r o</p><p>Como, pois, dotamos nossos sermões de clareza? Manuscritos</p><p>claros desenvolvem-se a partir de esboços claros. A comunicação</p><p>tem sua origem na mente; não nos dedos, não na boca, mas na</p><p>cabeça. Alguns pregadores têm mentes espasmódicas. Embora</p><p>tenham “insights” estimulantes, seu pensamento não segue</p><p>qualquer seqüência natural, e o seu pensar em ziguezague deixa os</p><p>ouvintes correr, até esgotar-se. Depois de meia hora desnorteante</p><p>na tentativa de acompanhar um preletor espasmódico, escutar um</p><p>amigo enfadonho é um alívio que acalma, como pegar um gato</p><p>manso no colo depois de segurar um esquilo esquivo. Esboçar o</p><p>pensamento global, antes de trabalhar os detalhes, é a única forma</p><p>de endireitar o pensamento ziguezague. Trabalhar em cima de</p><p>um parágrafo ou sentença não tem razão de ser, se você ainda</p><p>não sabe o que deseja dizer no todo do seu pensamento no sermão.</p><p>Manuscritos claros e sermões claros se desenvolvem a partir de</p><p>esboços claros.</p><p>S e n t e n ç a s C u r t a s</p><p>Além disto, para ser claro é necessário manter as sentenças</p><p>curtas. Rudolph Flesch, em The Art o f Plain Talk insiste que a</p><p>clareza aumenta, à medida que diminui o comprimento das</p><p>sentenças. Segundo a fórmula dele, um escritor claro terá uma</p><p>média de dezessete ou dezoito palavras por sentença, e não</p><p>permitirá que qualquer sentença vá se estendendo além de trinta</p><p>204</p><p>palavras.3 No manuscrito do seu sermão, as orações curtas evitam</p><p>que o pensamento se emaranhe e, por isso, são mais fáceis para</p><p>você lembrar. Quando você prega seu sermão, você não se</p><p>preocupará com o comprimento de sentenças de modo algum,</p><p>assim como já não pensará em vírgulas, pontos finais ou pontos</p><p>de exclamação. A medida que prega, suas palavras vão caindo em</p><p>sentenças longas, curtas, e até mesmo quebradas, pontuadas por</p><p>pausas, deslizes vocais, e variações entre grave e agudo, lento e</p><p>rápido, e no volume e força. Sentenças curtas no manuscrito</p><p>ajudam sua mente; elas têm pouco a ver com sua entrega do</p><p>sermão.</p><p>E s t r u t u r a S im p l e s d a s S e n t e n ç a s</p><p>Conserve simples a estrutura das orações. Um estilo mais</p><p>claro, mais enérgico emerge, quando você segue a seqüência do</p><p>pensamento: sujeito principal, verbo principal, e (onde necessário)</p><p>o objeto principal. No jargão dos gramáticos, concentre a atenção</p><p>na cláusula independente, antes de acrescentar cláusulas</p><p>dependentes (Uma cláusula independente pode constar sozinha</p><p>como sentença completa; uma cláusula dependente não pode).</p><p>Se entrarmos numa sentença, sem definirmos aquilo que</p><p>queremos enfatizar, em geral acabamos ressaltando detalhes</p><p>insignificantes. Se acrescentarmos um número demasiado de</p><p>cláusulas dependentes, complicamos nossas sentenças, fazendo</p><p>com que sejam mais difíceis de serem entendidas e lembradas.</p><p>Em geral, o estilo será mais claro, se acondicionamos um</p><p>pensamento em uma sentença. Para dois pensamentos, use duas</p><p>sentenças. Arthur Schopenhauer repreendia os alemães: “Se é coisa</p><p>impertinente interromper outra pessoa, quando ela está falando,</p><p>não é menos impertinente interromper a você mesmo”. Sentenças</p><p>complicadas têm uma outra desvantagem: reduzem a velocidade</p><p>do desenvolvimento do sermão. Segundo o expressou Henry</p><p>Ward Beecher: “Uma vara com folhas não dói”.</p><p>205</p><p>P a l a v r a s S im p l e s</p><p>Palavras simples também contribuem para um estilo claro.</p><p>Ernest Campbell conta de certo humorista que, num momento</p><p>de frustração, declarou: “Toda profissão é uma conspiração con</p><p>tra o leigo”.4 Qualquer cidadão que já teve de entender-se com</p><p>uma Declaração para o Imposto de Renda, gostaria de saber por</p><p>que o Ministério da Fazenda não pode dizer claramente o que</p><p>quer dizer. Os advogados garantem seu emprego, ao embalsamar</p><p>a legislação em “linguagem jurídica”. Os cientistas mantêm à</p><p>distância o homem comum, ao apelarem para símbolos e</p><p>linguagem que somente os iniciados entendem.</p><p>Os teólogos e ministros também, segundo parece, mantêm</p><p>seu cargo, ao fazerem uso de linguagem que deixa desnorteados</p><p>os mortais comuns. Fujam de jargão. O vocabulário especializado</p><p>ajuda os profissionais dentro de uma disciplina a se comunicarem.</p><p>Mas torna-se jargão, quando é empregado sem necessidade.</p><p>Embora leve cerca de quatro anos para passar por um seminário,</p><p>pode levar dez anos para o efeito passar. Se você condimenta seus</p><p>sermões com palavras como: escatologia , angst, pn eum atologia ,</p><p>exegese,</p><p>existencial, joan ino, soteriologia, você levanta barreiras à</p><p>comunicação. O jargão combina a pretensão de palavras “grandes”</p><p>com a morte do chavão, e freqüentemente é empregado para</p><p>impressionar um auditório, ao invés de informá-lo,</p><p>Use uma palavra curta, a não ser que você julgue absolutamente</p><p>necessário usar uma mais longa. Josh Billings marcou um gol a</p><p>favor da simplicidade e clareza, quando disse: “Jovem, quando</p><p>você fizer uma busca no dicionário completo, para encontrar</p><p>palavras de tamanho suficiente para transmitir seu sentido, você</p><p>pode chegar à conclusão de que não é muita coisa o que você</p><p>queria dizer”. As palavras longas têm paralisia na cauda. Corre a</p><p>seguinte lenda: há poucas décadas um jovem redator preparou</p><p>uma propaganda para um novo tipo de sabonete: “O elemento</p><p>alcalino e as gorduras neste produto estão combinados de tal</p><p>maneira a assegurar a mais alta qualidade de saponificação,</p><p>juntamente com a gravidade específica que o mantém na</p><p>206</p><p>superfície da água, o que alivia o banhista da inconveniência e do</p><p>aborrecimento de procurar pescá-lo no fundo da banheira, no</p><p>decurso das suas abluçoes”. Um homem mais experiente na pro</p><p>paganda captou a mesma idéia numa só palavra simples: “Flutua”.</p><p>George G. Williams estima que de 70 a 78 por cento das palavras</p><p>empregadas pelos célebres autores W. Somerset Maugham,</p><p>Sinclair Lewis, Robert Louis Stevenson e Charles Dickens têm</p><p>uma só sílaba.5 Em inglês 73% das palavras do Salmo 23, 76%</p><p>das palavras da Oração do Senhor, e 80% das palavras em</p><p>1 Coríntios 13 são palavras de uma única sílaba. Muitas das coisas</p><p>grandes da vida têm nomes pequenos, tais como vida, m orte, paz,</p><p>guerra, luz, dia, noite, amor, lar, cruz. Aprenda a escolher palavras</p><p>mais simples, descomplicadas.</p><p>Por maior que seja a exatidão com que uma cláusula ou</p><p>palavra expresse o sentido de quem fala, nenhum valor terá, se os</p><p>ouvintes não souberem seu significado. “Fale”, disse Abraão Lin</p><p>coln, “de tal modo que os mais humildes possam entender, e os</p><p>demais não terão dificuldade alguma”. Billy Sunday, o notável</p><p>evangelista, entendia o valor da simplicidade, quando ele disse:</p><p>“Se um homem fosse pegar um pedaço de carne e o cheirasse e</p><p>fizesse careta, e seu filhinho perguntasse: ‘O que há de errado</p><p>com ela, pai?’ e o pai respondesse: ‘Está passando por um processo</p><p>de decomposição na formação de novos elementos químicos’, o</p><p>garoto ficaria totalmente perdido. Mas se o pai dissesse: ‘Está</p><p>podre’, então o menino entenderia e seguraria seu nariz. Podre é</p><p>uma boa palavra... e você não precisa olhar num dicionário para</p><p>descobrir o que significa”.6</p><p>Isso não significa que você deva falar a sua congregação, como</p><p>se fosse ignorante. Ao invés disso, sua regra prática deve ser: Não</p><p>superestime o vocabulário religioso do povo, nem subestime sua</p><p>inteligência.</p><p>Um E s tilo D ire to e P e sso a l</p><p>Além de ser claro, uma segunda característica do estilo é que</p><p>deve ser direto e pessoal. Embora um artigo informativo possa</p><p>207</p><p>ser dirigido “a quem possa interessar”, um sermão é pregado a</p><p>homens e mulheres, num culto da Primeira Igreja tal, de tal lugar,</p><p>em tal dia e horário. O escritor de um livro e o leitor se sentam</p><p>sozinhos, distantes um do outro e desconhecidos entre si. Os</p><p>pregadores falam face a face com seus ouvintes e os chamam pelo</p><p>nome. A linguagem escrita comunica os resultados do</p><p>pensamento, enquanto que a linguagem falada representa uma</p><p>espontaneidade de pensamento que Donald Bryant e Karl Wallace</p><p>descrevem como sendo “realização-vívida-da-idéia-no-momento-</p><p>da-enunciação”.7 Logo, um sermão não deve soar como uma</p><p>tese lida diante da congregação. Soa como uma conversa em que</p><p>pensamentos estão sendo gerados e em que o pregador fala a seus</p><p>ouvintes e com eles. Você está pensando em idéias, no instante</p><p>em que as pronuncia. Tanto orador como ouvinte sentem que</p><p>estão em contato um com o outro.</p><p>Os sermões empregam o estilo do discurso direto. Embora</p><p>um escritor talvez diga: “Na sua conversa, o cristão deve tomar</p><p>cuidado de como fala dos outros”, um pregador dirá, mais</p><p>provavelmente: “Vocês precisam tomar cuidado de como falam</p><p>dos outros”. O pronome pessoal vocês dá ao ministro e ao</p><p>auditório um senso de união. Embora “v o c ê s” possa ser eficaz,</p><p>noutras ocasiões você dirá nós porque quer dizer “eu e vocês”. O</p><p>nós do discurso direto contrasta-se com o nós editorial que substitui</p><p>o pronome eu. Um n ós editorial soa como se o pregador falasse</p><p>em nome de uma comissão. O nós do estilo oral, como o n ós da</p><p>boa conversação, quer dizer “vocês e eu juntamente”.</p><p>Os preletores empregarão perguntas onde escritores talvez</p><p>não o façam. Uma pergunta convida o ouvinte a pensar acerca</p><p>daquilo que o pregador falará em seguida, e muitas vezes é usado</p><p>numa transição, para apresentar um ponto principal ou uma nova</p><p>idéia. As perguntas às vezes são empregadas na conclusão de um</p><p>sermão. Perguntas mostram claramente que o auditório e o orador</p><p>estão frente a frente. Boas perguntas fazem pensar e ajudam os</p><p>ouvintes a antecipar o que virá em seguida.</p><p>O estilo pessoal presta pouca atenção às convenções da</p><p>208</p><p>composição escrita formal. Ao falar em público, não é problema</p><p>usar contrações (como d ’água, ua. mãe, né?) nem infinitivos</p><p>separados (para logo fazer). Aquilo que é apropriado numa conversa</p><p>animada encaixa-se na pregação. Isso não quer dizer que qualquer</p><p>coisa é aceitável. A gramática defeituosa ou pronúncias falhas</p><p>enervam o ouvinte, e assim como uma risadinha em reunião de</p><p>oração, levantam dúvidas quanto à competência do pregador.</p><p>E a gíria? Ela atrai avaliações de vários tipos. Quando é</p><p>empregada deliberadamente, a gíria pode captar a atenção e injetar</p><p>um sentimento de casualidade e informalidade no sermão.</p><p>Quando é empregada impensadamente, a gíria soa trivial e até</p><p>mesmo barata, e revela uma mente preguiçosa. A fala pessoal e</p><p>direta não pede linguagem descuidada ou um português</p><p>impróprio. A linguagem da pregação eficaz deve ser a linguagem</p><p>da conversa inteligente, entre pessoas pensantes.</p><p>U m E stilo V iv ido</p><p>A vivacidade é uma terceira característica do estilo eficiente.</p><p>Wayne Minnick argumenta que a comunicação que sonda a</p><p>experiência do ouvinte, apela à mente bem como aos sentimentos.</p><p>Aprendemos acerca do mundo em que vivemos, através do</p><p>ouvido, da vista, do olfato, do paladar e do tato. Para você levar</p><p>um auditório a experimentar sua mensagem, é preciso, portanto,</p><p>apelar aos sentidos deles.8 Você faz isso diretamente através da</p><p>vista e do som. Sua congregação vê seus gestos e expressões faciais</p><p>e ouve o que você diz. Além disto, você estimula os sentidos deles</p><p>diretamente, através do seu uso de palavras. A linguagem leva os</p><p>ouvintes a relembrar experiências do passado e, até certo ponto,</p><p>responder às palavras assim como antes responderam ao evento.</p><p>Por exemplo, os sucos gástricos podem correr, quando escutamos</p><p>as palavras pãozinho qu en te com manteiga, e cessam com um</p><p>estremecimento, quando pensamos em barata andando sobre ele.</p><p>Suas palavras capacitam as pessoas a se ligarem a uma experiência</p><p>nova, por causa de sentimentos que tiveram em experiências</p><p>passadas.</p><p>209</p><p>A vividez aumenta, quando você emprega pormenores</p><p>específicos e concretos em abundância. A frase leva o rótulo de</p><p>“específica” quando é explícita e exata, e “concreta”, se pinta</p><p>quadros na mente. A cifra R$120.923.212,92 é específica até o</p><p>último centavo, mas não é concreta. A cifra R$275,00 na sua</p><p>conta mensal de eletricidade é concreta. Você não pode visualizar</p><p>a primeira cifra, mas a segunda, você pode. Pormenores específicos</p><p>acrescentam interesse, se são concretos. Comunicam, porque se</p><p>relacionam com as experiências do auditório. Logo, ao invés de</p><p>dizer “produtos agrícolas”, diga “repolho, pepinos e laranjas”. Ao</p><p>invés de “arma”, diga “cano pesado de chumbo”. Ao invés de</p><p>“cidades principais”, seja específico: “Brasília, Rio de Janeiro, São</p><p>Paulo, Curitiba”. A seguinte declaração é abstrata: “No decurso</p><p>da</p><p>experiência humana, observamos que os eventos de nossa</p><p>existência têm características cíclicas distintas. A consciência destas</p><p>orientará o observador para um alto grau de acomodação em</p><p>suas ações ao que é apropriado”. O pregador em Eclesiastes</p><p>expressou o mesmo pensamento assim: “Para tudo há uma ocasião</p><p>certa: há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu:</p><p>Tempo de nascer e tempo de morrer.... tempo de chorar e tempo</p><p>de rir.... tempo de prantear e tempo de dançar.... tempo de calar</p><p>e tempo de falar” (3.1-7).</p><p>Como um artista ou escritor de ficção, você precisa aprender</p><p>a pensar em quadros. Isto quer dizer que precisa visualizar detalhes.</p><p>Gustave Flaubert deu uma tarefa de redação para Guy de</p><p>Maupassant, seu discípulo na arte de escrever: “Você deve descer</p><p>à estação ferroviária, onde achará cerca de cinqüenta charretes.</p><p>Todas parecem bem semelhantes, mas não são iguais. Escolha</p><p>uma e descreva-a com tanta exatidão, que quando ela passar por</p><p>aqui não terei qualquer possibilidade de deixar de reconhecê-</p><p>la”.9</p><p>A vividez desenvolve-se, quando deixamos os substantivos e</p><p>verbos levarem o sentido daquilo que você quer dizer. Os adjetivos</p><p>e advérbios atravancam a fala e fazem companhia aos substantivos</p><p>e verbos fracos. Segundo E. B. White: “Ainda não foi construído</p><p>210</p><p>um adjetivo que possa arrancar um substantivo fraco ou inexato</p><p>de um lugar apertado”. Substantivos e verbos fortes subsistem</p><p>sozinhos. O h om em alto deve se tornar um “gigante”; uma ave</p><p>grand e deve se tornar um “pelicano” ou uma “águia” ou um</p><p>“urubu”. Diga “berrou”, e não fa lou alto; ou “galopou” ao invés</p><p>de fo i depressa. Tenha especial cuidado com modificadores tais</p><p>como m uito, tão, bem , um p o u co demasiado. Revelam a falta de</p><p>escolher palavras de substância.</p><p>“Escaldante” tem força, m u ito qu en te não tem; uma dor</p><p>“tormentosa” dói mais do que dolorosa; e “cintilante” pinta um</p><p>quadro melhor do que tão interessante. Ao escolher verbos, faça</p><p>uso de verbos vivos. Os verbos finitos ativos fazem as frases</p><p>avançar. O princípio a seguir é: “Alguém faz alguma coisa”. Verbos</p><p>passivos chupam a vida da fala: “Opiniões e julgamentos são</p><p>formados por nós, na base daquilo que temos conhecido” soa</p><p>como frase morta. “Pensamos conforme conhecemos” possui</p><p>vitalidade. “Uns bons momentos foram passados por todos” fica</p><p>aí parado, ao passo que “Todos se divertiam” tem movimento.</p><p>Verbos, assim como substantivos, despertam a imaginação,</p><p>quando são exatos. Ela fo i coloca a pessoa no seu destino, mas</p><p>não tão claramente como “arrastou-se”, “foi tropeçando”,</p><p>« • 1 » « t 1 55 T 7 l « • C5 « 55 « >5engatinhou , cambaleou . hla grita , uiva , arenga , sussurra</p><p>nos informa aquilo que diz não nos informa.</p><p>Sua vividez também aumenta, quando você emprega novas</p><p>figuras de linguagem. Metáforas e símiles produzem sensações</p><p>no ouvinte ou levam-no a relembrar quadros de experiências</p><p>anteriores. Alexander Maclaren estimula o sentido do tato, quando</p><p>diz: “A totalidade do pecado está interligada num entrelaçamento</p><p>gosmento como uma área de algas marinhas, de sorte que uma</p><p>vez preso um homem nos seus dedos limosos, é quase certo que</p><p>se afogará”. Lord Bvron apela à vista quando nos conta:</p><p>O assírio desceu como um lobo sobre o aprisco,</p><p>E o bando reluzia de prata e ouro.</p><p>Charles H. Spurgeon captou os sentidos num símile que se</p><p>refere a uma era passada: “quando o grande universo se estendia</p><p>211</p><p>na mente de Deus como florestas a nascer em tacinha de bolota”.</p><p>Alfred North Whitehead tocou em visão e olfato quando refletiu:</p><p>“O conhecimento não se conserva melhor do que o peixe”. Figuras</p><p>de linguagem poupam tempo ao encaixar mais numa só frase do</p><p>que preletores esbanjadores expressam num parágrafo inteiro.</p><p>Considere algumas:</p><p>Frases folha-de-figo que encobrem ignorância nua</p><p>Palavras escavadas por dentro e recheadas de chantili</p><p>Chavões que se postam como lápides sobre idéias mortas.</p><p>Se o protestantismo for encontrado morto, o sermão terá sido o</p><p>punhal no seu coração.</p><p>Ele evitou as questões difíceis e pegajosas como se estivesse dando</p><p>passos ao redor de poças de asfalto quente.</p><p>Metáforas e símiles, como lagostas, devem ser servidas frescas.</p><p>Tanto o sentido literal como o figurado devem vir à mente do</p><p>ouvinte no mesmo instante. Quando a imagem literal perde a</p><p>cor, porque a comparação se desgastou, a figura perde a força. Os</p><p>ouvintes têm uma surdez condicionada. As seguintes figuras que</p><p>antigamente podem ter caído como golpe certeiro, agora quase</p><p>não alcançam o queixo:</p><p>O alcance da igreja</p><p>Testado e comprovado</p><p>Mundo perdido e moribundo</p><p>Crentes renascidos</p><p>Jogar tudo por água abaixo</p><p>Salvando almas</p><p>Ficar em cima do muro</p><p>O Deus que ouve e atende</p><p>Oração que não passa do teto</p><p>Comunhão santa</p><p>Quando uma comparação ficou mofada, jogue-a fora e</p><p>apareça com uma nova que esclareça a lição e mantenha o</p><p>auditório em alerta. A relevância se mostra no estilo bem como</p><p>no conteúdo. Embora falemos a mensagem eterna, ela precisa</p><p>212</p><p>estar nas palavras de hoje. Estude as propagandas de revistas, os</p><p>anúncios de jornais ou os comerciais de rádio e TV para achar a</p><p>linguagem facilmente entendida, que fala aos habitantes da nossa</p><p>cultura. A simples observação nos diz aquilo que os testes de</p><p>lingüística já comprovaram: boa parte da linguagem empregada</p><p>em nossos púlpitos é “imprecisa, irrelevante e insignificante”.10</p><p>O estilo eficaz não pode ser ensinado como uma fórmula</p><p>matemática. O domínio da “palavra bem vestida” requer um olho</p><p>para se ver os detalhes e uma busca de semelhanças relevantes</p><p>entre coisas que, geralmente, não se associam entre si. Resumindo,</p><p>acabar com a fala batida e esgotada exige imaginação. Na pregação</p><p>expositiva, nada tem sido mais necessário: e nada está mais em</p><p>falta. Os expositores que representam o Deus criativo não ousam</p><p>tornar-se, como descreveu Robert Browning, “cabeças-duras</p><p>nunca tocadas por uma centelha”.</p><p>Como você pode esquivar-se do pecado de soar desinteressante?</p><p>1. Preste atenção ao seu próprio em prego da linguagem . Na sua</p><p>conversação particular, não coloque a mente em ponto morto,</p><p>nem use frases que ficam em ponto morto, ao invés de andar.</p><p>Cultive comparações novas em conversação comum, e descobrirá</p><p>que são mais fáceis de usar na hora de pregar. Beecher dá esse</p><p>testemunho sobre ilustrações que também se aplicam ao estilo:</p><p>“... enquanto as ilustrações são tão naturais para mim quanto o</p><p>respirar, emprego cinqüenta agora em comparação com uma que</p><p>empregava nos primeiros anos do meu ministério... Desenvolvi</p><p>uma tendência que estava latente em mim, e me eduquei quanto</p><p>a isso; e isto, também, mediante o estudo e a prática, por muito</p><p>pensar e por grande número de tentativas, tanto com a caneta</p><p>como extemporaneamente, sozinho, enquanto andava para lá e</p><p>11para ca .</p><p>2. Estude com o o s ou tros em pregam a linguagem . Quando</p><p>escritores ou preletores sacodem você, até que fique despertado,</p><p>examine como o fizeram. Visto que a poesia explode de símiles e</p><p>metáforas, estudar poemas desenvolve a sensibilidade pela</p><p>linguagem figurada.</p><p>213</p><p>3. Leia em voz alta. Ler em voz alta faz duas coisas. Em</p><p>primeiro lugar, seu vocabulário aumenta. Quando crianças, foi</p><p>escutando e imitando que aprendemos a falar, muito antes de</p><p>sabermos ler ou escrever. Ler em voz alta cria de novo aquela</p><p>experiência. Em segundo lugar, à medida que você lê um estilo</p><p>melhor do que o seu, novos padrões de fala e criatividade de</p><p>vocabulário serão gravados em sua mente. Você desenvolverá uma</p><p>percepção da linguagem que cria imagens mentais. Leia para o</p><p>seu cônjuge e filhos, para que você seja forçado a interpretar aquilo</p><p>que lê. Leia novelas, peças de teatro, e especialmente a Bíblia.</p><p>Conforme já dissemos, a versão Almeida apresenta a verdade de</p><p>Deus em português, e a Nova Versão Internacional a apresenta</p><p>em português atual, em estilo atual. Há também a Bíblia na</p><p>Linguagem de Hoje, a Bíblia Viva, e outras versões.</p><p>N ovos C o n ce ito s</p><p>Estilo</p><p>Características</p><p>de um estilo eficaz para sermões</p><p>Claro</p><p>Direto e pessoal</p><p>Vivido</p><p>Estilo - a escolha de palavras.</p><p>C a p ítu lo 10</p><p>Com o P rctf a r P ara q u e</p><p>a s P esso as O uçam</p><p>A maioria dos livros sobre como pregar tem muito a dizer</p><p>sobre o desenvolvimento do sermão, mas pouco sobre sua entrega.</p><p>Isso se reflete no modo como pregamos. Embora os pastores</p><p>gastem horas, todas as semanas, na construção do sermão, raras</p><p>vezes dedicam umas poucas horas por ano a pensar sobre a entrega</p><p>da mensagem. Mas, os sermões não entram no mundo como</p><p>esboços ou manuscritos. Têm vida, somente quando são pregados.</p><p>Um sermão pregado inadequadamente já nasce morto.</p><p>A eficácia de nossos sermões depende de dois fatores: o que</p><p>dizemos e como o dizemos. Os dois são importantes. Sem</p><p>conteúdo bíblico relacionado à vida, nada temos que valha a pena</p><p>comunicar; mas sem uma entrega habilidosa, nós nao</p><p>transmitiremos nosso conteúdo para a congregação. Na ordem</p><p>de relevância, os ingredientes que compõem o sermão são o</p><p>pensamento, a disposição, a linguagem, a voz e os gestos. Na</p><p>prioridade das impressões, no entanto, a ordem é invertida. Os</p><p>gestos e a voz emergem como os fatores mais determinantes. Cada</p><p>estudo empírico da entrega e do seu efeito sobre o resultado de</p><p>um discurso ou sermão chega à idêntica conclusão: a entrega é de</p><p>máxima importância.1</p><p>Não somente a voz e os gestos do preletor impressionam, em</p><p>primeiro lugar, os sentidos do auditório, mas também suas</p><p>inflexões e ações transmitem seus sentimentos e atitudes mais</p><p>216</p><p>acuradamente do que suas palavras. Durante a década de 1970,</p><p>estudiosos em várias disciplinas - psicologia, antropologia,</p><p>sociologia, e comunicação verbal, para mencionar algumas poucas</p><p>- investigaram os efeitos da comunicação não verbal. Estes</p><p>pesquisadores observaram como transmitimos mensagens pelo</p><p>modo de nos sentarmos ou ficarmos em pé, pelas expressões</p><p>faciais, pelos gestos, e até pelo espaço que deixamos entre nós</p><p>mesmos e as pessoas com as quais nos encontramos.2 Como</p><p>subproduto destes estudos, vários livros de bolso prometeram</p><p>que interpretariam esta linguagem silenciosa de tal maneira que</p><p>os leitores pudessem usá-la, visando a vantagens pessoais. A</p><p>alegação exagerada destes livros, provavelmente, produziu tantos</p><p>céticos quanto fiéis. As diferenças individuais e culturais na</p><p>comunicação não verbal tornam simplistas e possivelmente</p><p>perigosas as definições dogmáticas do significado da linguagem</p><p>corporal. Por exemplo, asseverar que os braços cruzados no peito</p><p>revelam que o indivíduo deseja excluir todos os indivíduos ao</p><p>seu redor é como dizer que a palavra m od e lo sempre se refere a</p><p>uma réplica, em escala pequena, de um objeto maior.</p><p>Mesmo assim, nenhuma pessoa observadora negaria</p><p>seriamente que comunicamos mensagens, mesmo quando não</p><p>falamos. Os amigos acreditam que uma das medidas da</p><p>profundidade do seu relacionamento se acha na sua capacidade</p><p>de entender um ao outro, mesmo quando estão sentados juntos,</p><p>em silêncio. Determinamos, certo ou errado, que conhecidos</p><p>casuais ou até mesmo os estranhos estão amigáveis, zangados, ou</p><p>preocupados pela postura, pelas expressões faciais, ou tom de voz.</p><p>Sorrisos, carrancas, olhares encarados, piscadas de olhos, ou</p><p>olhadelas, aparentam se gostamos ou não gostamos, confiamos</p><p>ou desconfiamos das pessoas que ficamos conhecendo. O escritor</p><p>de Provérbios entendeu bem o poder da comunicação não ver</p><p>bal, quando declarou: “O perverso não tem caráter. Anda de um</p><p>lado para o outro dizendo coisas maldosas; pisca o olho, arrasta</p><p>os pés e faz sinais com os dedos; tem no coração o propósito de</p><p>enganar; planeja sempre o mal e semeia discórdia” (Pv 6.12-14).</p><p>217</p><p>Os olhos, as mãos, o rosto e os pés dizem tanto a uma congregação</p><p>quanto as palavras que pronunciamos, e mais, na realidade. Num</p><p>estudo bem conhecido, o psicólogo Albert Mehravian reduz tudo</p><p>isto a uma fórmula. Só sete por cento da mensagem de um orador</p><p>vem através de suas palavras, trinta e oito por cento se comunica</p><p>pela sua voz; cinqüenta e cinco por cento vem de suas expressões</p><p>faciais.3</p><p>Esta pesquisa tem a ver com os pastores e a pregação. Primeiro,</p><p>nossa linguagem não verbal tem importância estratégica no falar</p><p>em público. Quando nos dirigimos a uma congregação, três redes</p><p>de comunicação diferentes operam ao mesmo tempo: nossas</p><p>palavras, nossa entonação e nossos gestos. Todas as três</p><p>comunicam idéias. Quando o ator George Arliss leu pela primeira</p><p>vez a peça de teatro Disraeli, aconselhou o autor a remover duas</p><p>páginas. “Posso dizer isso com um olhar”, disse ele. “Qual olhar?”</p><p>perguntou o autor. Arliss demonstrou e as páginas foram</p><p>retiradas.4 De fato, nossas ações muitas vezes podem ser mais</p><p>expressivas do que as palavras. Colocar um dedo nos lábios</p><p>significa mais do que ”Fique quieto”. Abrir os olhos e levantar as</p><p>sobrancelhas expressa uma surpresa que as palavras não conseguem</p><p>expressar, e encolher os ombros comunica uma idéia que está</p><p>além das palavras. De modo geral, porém, os elementos não</p><p>verbais mais freqüentes comunicam emoções e atitudes. Edward</p><p>T. Hall resume as conclusões dos cientistas sociais, quando</p><p>observa: “Além daquilo que dizemos com nossa linguagem ver</p><p>bal, estamos constantemente comunicando nossos verdadeiros</p><p>sentimentos em nossa linguagem silenciosa: a linguagem do</p><p>comportamento”.5</p><p>Em segundo lugar, as pesquisas e a experiência concordam</p><p>em que, se as mensagens não verbais contradizem as verbais, os</p><p>ouvintes terão maior probabilidade de acreditar na linguagem</p><p>silenciosa. Parece mais difícil mentir com o corpo inteiro do que</p><p>com os lábios somente. E este o impacto da observação de</p><p>Sigmund Freud. “Nenhum mortal pode guardar um segredo. Se</p><p>seus lábios ficam em silêncio, você tagarela com as pontas dos</p><p>218</p><p>seus dedos; a revelação do segredo escoa dele a cada poro”. As</p><p>palavras do pastor talvez insistam que “Isto é importante”, mas</p><p>se sua voz soar vazia e sem expressão, e seu corpo amolecer, a</p><p>congregação não acreditará nas palavras. Se o pregador sacode o</p><p>punho cerrado diante dos seus ouvintes, ao dizer em tom de ralho:</p><p>“O que esta igreja precisa é de mais amor e profunda solicitude</p><p>de uns para com os outros!” as pessoas nos bancos da igreja ficarão</p><p>em dúvida se você conhece o amor de que está falando. Visto que</p><p>vasta quantidade da pregação envolve atitudes que ou reforçam</p><p>ou contradizem aquilo que nossas palavras proclamam, o pregador</p><p>não pode arriscar-se a desconsiderar a entrega.</p><p>Em terceiro lugar, a entrega eficaz começa com desejos. O</p><p>filósofo-humorista Abe Martin sugeriu: “Há mais diferença en</p><p>tre um profissional e um amador do que qualquer outra coisa no</p><p>mundo!” Ao falar em público o amador fala palavras. O</p><p>profissional, por outro lado, possui um desejo muito grande de</p><p>comunicar. O amador se satisfaz, se consegue pôr suas idéias fora</p><p>de sua cabeça, ao passo que o profissional se esforça para as colocar</p><p>em nossas cabeças. No pregador, o conhecimento técnico e o</p><p>treinamento na arte de falar em público não podem substituir a</p><p>convicção e a responsabilidade. Ter para dizer a uma congregação</p><p>alguma coisa que você quer que ela entenda e viva, providencia o</p><p>estímulo essencial para a boa pregação. Produz o posicionamento</p><p>emotivo para o falar com eficácia. Não estamos meramente</p><p>recitando um roteiro. Estamos comunicando idéias que são muito</p><p>importantes para nós.</p><p>Quando nos concentramos em idéias, para fazer os outros</p><p>entender e aceitá-las, a entrega forte vem naturalmente. Não</p><p>emerge de seguir como escravo uma coletânea de regras. Charles</p><p>R. Brown, em suas preleçÕes em Yale sobre a pregação, descreveu</p><p>a obra de púlpito de George Macdonald em Londres:</p><p>Leu como leitura bíblica daquela manhã o capítulo onze de</p><p>Hebreus. Quando veio a hora para o sermão, disse: “Todos vocês</p><p>já ouviram acerca destes homens de fé. Não procurarei dizer-</p><p>lhes o que é a fé: existem professores de teologia que podem</p><p>219</p><p>fazê-lo muito melhor do que eu. Estou aqui para ajudar vocês a</p><p>crerem”.</p><p>Seguiu-se então uma manifestação tão simples, sincera</p><p>e majestosa da própria fé que aquele homem tinha naquelas</p><p>realidades invisíveis que são eternas, que gerou a fé nas mentes</p><p>de todos os seus ouvintes. Seu coração estava no seu trabalho e</p><p>sua entrega era eficaz, porque se fundamentava na beleza genuína</p><p>de sua própria vida interior.6</p><p>“Seu coração estava no seu trabalho”. Nenhuma regra pode</p><p>substituir isso. A sinceridade, o entusiasmo e a seriedade pro</p><p>funda rompem barreiras que permitem que o eu-próprio</p><p>verdadeiro se liberte. Nesse sentido, a entrega eficaz aproxima-se</p><p>do intercâmbio da conversação honesta de cada dia.</p><p>Dizer que a pregação no púlpito se assemelha à conversação,</p><p>porém, não quer dizer que nossos modos comuns de falar são,</p><p>necessariamente, os melhores modos que temos. Nossa maneira</p><p>de conversar em particular desenvolve-se de um acúmulo de</p><p>hábitos adquiridos no decurso da vida. Podemos adquirir hábitos</p><p>inferiores de comunicação assim como desenvolvemos maus</p><p>hábitos de postura ou de alimentação. Além disso, algum</p><p>comportamento que passa despercebido em situações particulares,</p><p>torna-se aflitivamente óbvio no falar em público. Quando nos</p><p>dirigimos a um auditório, tudo que nos diz respeito fica ampliado</p><p>e enfático. Enfiar as mãos no bolso, afagar os cabelos ou o rosto,</p><p>brincar com um anel, mexer com a gravata, arrastar os pés, são a</p><p>má gramática da entrega do sermão. Os maneirismos e</p><p>comportamento repetitivo que lhe são particulares talvez passem</p><p>despercebidos pelos amigos e sejam tolerados por colegas, mas</p><p>no púlpito gritam por atenção e desviam as pessoas daquilo que</p><p>você está dizendo. No púlpito, pois, o movimento do corpo deve</p><p>ser disciplinado para ser eficaz.</p><p>No começo, tentativas para melhorar a entrega muitas vezes</p><p>parecerão forçadas. O novato talvez insista que deva abandonar</p><p>o esforço, porque o ministro não é um ator, e aplicar seus</p><p>esforços à apresentação da mensagem violenta sua personalidade.</p><p>Adquirir qualquer hábito que seja, porém, geralmente envolve</p><p>220</p><p>a autoconsciência no início. Quando, pela primeira vez, guiamos</p><p>um automóvel ou começamos a jogar tênis, por exemplo, sentimo-</p><p>nos desajeitados, enquanto procuramos controlar nosso</p><p>comportamento. Depois da prática e da experiência, no entanto, o</p><p>constrangimento desaparece, e o comportamento recém-aprendido</p><p>nos vem com facilidade. E preciso esforço e disciplina para darmos</p><p>a aparência de naturalidade, diante do auditório.</p><p>Quais são alguns dos fatores não verbais na pregação aos quais</p><p>devemos dar nossa atenção?</p><p>E le g â n c ia e R o u p a</p><p>Quando o apóstolo Paulo declarou que ele se tornava “tudo</p><p>para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (ICo 9.22),</p><p>estabeleceu uma doutrina básica da comunicação cristã. Em</p><p>matérias moralmente indiferentes, o que importa não é seu</p><p>sentimento, e sim os sentimentos e as atitudes dos outros. Visto</p><p>que a aparência de cuidado pessoal e as roupas fazem diferença</p><p>em como o ouvinte responde a nós, devem fazer diferença para</p><p>nós.</p><p>Uma regra básica para como se arrumar e que roupas usar é</p><p>que devem ser apropriadas para o auditório, a situação e o preletor.</p><p>Por causa de modas que se alteram, em estilos de cabelo, barbas,</p><p>costeletas, bigodes ou comprimento de roupas, torna-se impossível</p><p>ter regras absolutas. Se você está consciente de sua comunidade e</p><p>dos padrões vigentes, você não há de querer que sua roupa ou</p><p>estilo de cabelo atrapalhe seu ministério. Na maioria dos casos,</p><p>as pessoas esperam que nosso cabelo esteja penteado e nossos</p><p>sapatos engraxados. A roupa, qualquer que seja o estilo, deve estar</p><p>em ordem.</p><p>Um programa de exercício e de dieta apropriada pode re</p><p>mover de modo elegante os quilos excessivos que, por vezes,</p><p>impedem a comunicação. E difícil acreditar que um ministro</p><p>que tenha quinze quilos de peso excessivo, esteja levando a sério</p><p>as instruções bíblicas sobre o domínio próprio. Isso é ainda mais</p><p>verdade em comunidades onde há conscientização especial sobre</p><p>221</p><p>a preservação da boa saúde. O cuidado com a aparência também</p><p>inclui o uso de desodorantes, pasta dental e refrescantes de hálito.</p><p>Embora os comerciais de TV façam o mau hálito parecer pior do</p><p>que o câncer, os odores do hálito ou do corpo podem mesmo ser</p><p>tropeços que levantam paredes onde queremos construir pontes.</p><p>Como nos vestimos faz com que outros façam juízos a respeito</p><p>de nós, sem que eles estejam cientes do porquê da reação deles</p><p>próprios. Ministros não provam que são pregadores da Palavra,</p><p>por terem a aparência de quem se vestiu olhando num texto grego</p><p>e não no espelho. Embora nos vistamos para nos sentir</p><p>confortáveis, as roupas devem fazer com que as outras pessoas se</p><p>sintam confortáveis conosco também. Você precisa estar alerta</p><p>sobre as expectativas culturais de sua comunidade, e então vestir-</p><p>se apropriadamente. Como regra geral, um preletor se vestirá à</p><p>altura, um toque acima do auditório. Uma oradora, por exemplo,</p><p>poderá usar uma saia, quando as mulheres no auditório usam</p><p>calças compridas. Um orador poderá usar uma gravata, quando</p><p>os homens do auditório usam camisa esporte. Nos cultos do</p><p>domingo, um terno é apropriado. Em situações litúrgicas onde</p><p>os ministros usam togas, a questão de roupa não é tão importante.</p><p>Alexander Pope, em outro contexto, dá-nos um conselho para a</p><p>escolha de nosso guarda-roupa. Ele disse:</p><p>Não seja o primeiro por quem o novo é experimentado,</p><p>Nem seja o último por quem o antigo é deixado.</p><p>Se você se sente um tanto inadequado para selecionar o</p><p>melhor guarda-roupa para seu orçamento, ponha-se nas mãos de</p><p>um experiente vendedor da sua região. O conselho de um</p><p>profissional pode poupar-lhe dinheiro e transformar uma</p><p>desvantagem em vantagem. Pessoas experientes no ramo podem</p><p>dizer-lhe o que é moda passageira, o que vai logo passar, e quais</p><p>os estilos que duram vários anos. Os ternos devem ser conservados</p><p>limpos e passados. As meias masculinas devem cobrir a perna;</p><p>bolsos não devem ser salientes com coletânea de canetas, agen</p><p>das, óculos e carteira; a camisa deve ser recém-lavada, e se for</p><p>usada uma gravata, deve ter nó bem feito. As mulheres deverão</p><p>222</p><p>se vestir profissionalmente e com bom gosto. Roupa mais escura,</p><p>em geral, é melhor escolha do que roupa de cores brilhantes.</p><p>Evite excesso de jóias. A saía não deverá ser muito curta, porque</p><p>a mulher subirá em plataforma à frente. O importante em tudo</p><p>isso é que nossa roupa não chame atenção a nós, e sim coopere</p><p>para chamar atenção à Palavra de Deus.</p><p>M o vim en to e G esto s</p><p>Deus projetou o corpo humano para movimentar-se. Se a</p><p>congregação quiser olhar uma estátua, poderá ir para um museu.</p><p>Mesmo ali, no entanto, as estátuas mais impressionantes são</p><p>aquelas que parecem vivas. Na maioria dos campos, o profissional</p><p>emprega a totalidade do seu corpo. O regente de uma sinfonia, o</p><p>pianista de concerto, , o árbitro de esportes, a atriz, e a jogadora</p><p>de golfe, todos colocam seu corpo em tudo quanto fazem. O</p><p>preletor aperfeiçoado também deixa seu corpo falar por ele. Aqui</p><p>há o princípio básico para o movimento e os gestos: o conteúdo</p><p>deve motivar o movimento.</p><p>Este princípio se aplica de duas formas. Primeiro, às vezes</p><p>você precisa se mover. Você desiste de uma grande vantagem, se</p><p>você fica de pé, quase parado, à frente de seu povo e se torna</p><p>pouco mais do que uma cabeça falante que recusa deixar o corpo</p><p>interagir com a mensagem. Você precisa libertar seu corpo, deixá-</p><p>lo livre para fazer o que sua mente e sua emoção exigem. Não</p><p>iniba as expressões físicas que acompanham o pensamento</p><p>vigoroso. Você precisa transportar para a pregação a mesma</p><p>liberdade que você dá às mãos, braços e cabeça, em conversação</p><p>particular. Embora alguns de nós gesticulemos mais do que outros,</p><p>não devemos gesticular menos no púlpito do que fazemos em</p><p>particular. Na realidade, devemos fazer nossos gestos mais largos,</p><p>mais enfáticos e deliberados.</p><p>Segundo, que esse conteúdo deve motivar movimento</p><p>também quer dizer que alguns preletores devem</p><p>movimentar-se</p><p>menos. Se você andar para lá e para cá, você revela sua inquietação,</p><p>e seu movimento perturba a concentração do ouvinte. Suas ações</p><p>devem ser motivadas por seu conteúdo. Se não forem, então você</p><p>está meramente descarregando energia nervosa. Embora a andança</p><p>possa lhe trazer benefício, não faz nada a favor de sua congregação.</p><p>Se seu movimento provém de hábito, fique parado em pé. Se</p><p>provém do conteúdo, deixe suas inibições de lado e expresse-o.</p><p>Por exemplo, quando introduzir um ponto novo do seu sermão,</p><p>você pode dar um ou dois passos do lugar onde está, para mostrar,</p><p>pelo seu movimento, a transição no pensamento. Quando aquela</p><p>idéia já está desenvolvida e você seguir para outro ponto, então</p><p>volte à posição original de novo. Se você quer que os ouvintes</p><p>relaxem depois de um ponto principal, pode dar um passo para</p><p>trás e fazer uma pausa. As instruções que Hamlet deu aos seus</p><p>atores ainda estão válidas: “Ajustem a ação à palavra, a palavra à</p><p>ação”.</p><p>Uma parte específica do movimento total do corpo são os</p><p>gestos. Estão relacionados à fala como os diagramas se relacionam</p><p>ao livro. Os gestos são para expressão e não para exibição, e eles</p><p>comunicam de várias maneiras. Os gestos nos ajudam a explicar</p><p>e descrever. Se você desejar retratar os muros da Babilônia, pode</p><p>fazê-lo de modo mais eficaz se gesticular, enquanto os descreve.</p><p>Imagine a seguinte descrição sem gestos, e depois com gestos: “A</p><p>Babilônia se erguia como monumento ao poderio pagão. A cidade</p><p>era cercada por um sistema complexo de muros duplos; a volta</p><p>externa se estendia sobre quase vinte e oito quilômetros e era</p><p>suficientemente forte e larga para carruagens passarem em cima.</p><p>Esses muros maciços eram fortalecidos por torres gigantescas de</p><p>defesa e vazados por oito portões grandes.”</p><p>Seus gestos dão ênfase a sua fala. Contraste a declaração: “Isto</p><p>é extremamente importante” com as mãos penduradas soltas ao</p><p>seu lado, e depois com o punho cerrado sacudindo ao dizer a</p><p>palavra extremamente. Seu gesto injeta vigor na sua voz. Ao dar</p><p>ênfase, se precisar esmurrar o púlpito, faça-o suavemente; e evite</p><p>sacudir seu dedo para o auditório. Esta ação repreende seus</p><p>ouvintes e trata-os como inferiores. Faça o mesmo gesto com a</p><p>mão aberta; é bem menos ameaçador.</p><p>224</p><p>Os gestos mantêm o interesse e prendem a atenção. Um</p><p>objeto em movimento capta o olho mais do que um parado. Pare</p><p>na calçada e observe a rapidez com que você fica olhando um</p><p>carro que está passando, e como quase não vê um estacionado na</p><p>rua.</p><p>Os gestos põem você à vontade. Quando seu corpo opera</p><p>para reforçar suas idéias, você se sente mais confiante e alerta.</p><p>Um modo de vencer a tensão que você sente, ao começar seu</p><p>sermão, é fazer gestos. Um ou dois gestos largos dirigem seu</p><p>nervosismo para uma ação positiva.</p><p>Os gestos também ajudam os ouvintes a experimentar o que</p><p>sentimos, identificando-se conosco. Num jogo de futebol, os fãs</p><p>se encolhem, quando um avante predileto perde o gol diante de</p><p>um goleiro bem colocado; às vezes chegam a dar pontapé no</p><p>assento da fila abaixo deles ao olhar uma tentativa crucial de</p><p>marcar gol. Esse comportamento projetivo é chamado de empada.</p><p>Em essência, a empatia é uma resposta simpática e muscular com</p><p>que seus ouvintes, de modo limitado, agem juntamente com você.</p><p>Visto que estas ações subliminais atingem os sentimentos, os</p><p>ouvintes sentem o que você sente e, segundo se espera, aquilo</p><p>que você deseja que eles sintam, a respeito de suas idéias. Se você</p><p>se remexe, ou deixa de controlar seus gestos, suas ações refletem</p><p>sua inquietação. Seu auditório pode contorcer-se ou, de algum</p><p>outro modo, ter empatia com esses movimentos, sentindo-se</p><p>inquieto também. Pode ser o mesmo desconforto que um adulto</p><p>responsável por uma criança sente, quando a criança lá na frente</p><p>erra ou esquece o que era para apresentar. Do outro lado, se você</p><p>puder, através de seus gestos, levar sua congregação a agir e sentir-</p><p>se de modo apropriado ao seu pensamento e propósito - ainda</p><p>que isto aconteça num nível subconsciente - você aumentará a</p><p>probabilidade de ganhar atenção positiva para sua mensagem.7</p><p>Eis aqui quatro características de gestos expressivos:</p><p>G e s t o s E sp o n t â n e o s</p><p>Primeiro, seus gestos devem ser espontâneos. Gesticule, mas</p><p>não “faça gestos”. Seus gestos devem desenvolver-se de dentro de</p><p>225</p><p>você, como resultado da convicção e do sentimento. Embora você</p><p>possa produzir gestos, não os planeje. Se na pregação do sermão</p><p>os gestos não aparecem naturalmente, esqueça-se deles.</p><p>G e s t o s P o s it iv o s</p><p>Segundo, seus gestos devem também ser positivos, bem</p><p>definidos. Quando você faz um gesto, faça-o. Um gesto</p><p>desanimado nada comunica de positivo. Coloque seu corpo por</p><p>detrás dele. Um simples gesto com o dedo indicador envolve não</p><p>somente o dedo, a mão e o pulso, como também o braço supe</p><p>rior, o ombro e as costas. Até o peso do seu corpo é levemente</p><p>deslocado para dar força adicional. Se um gesto parece desajeitado,</p><p>talvez seja que o corpo inteiro não lhe esteja dando apoio.</p><p>G e s t o s V a r ia d o s</p><p>Os gestos devem ser variados. A repetição de um único gesto,</p><p>até mesmo de um gesto espontâneo e eficaz, chama atenção para</p><p>si mesmo e irrita o auditório. Por exemplo, um gesto de alavanca</p><p>de bomba produz ênfase, mas quando for empregado com</p><p>demasia, parece que lhe falta um poço. Fique defronte de um</p><p>espelho e note de quantas maneiras diferentes pode fazer uso do</p><p>seu corpo. Alguém que se deu ao trabalho de contá-los insiste</p><p>que podemos produzir 700.000 sinais elementares distintos com</p><p>nossos braços, pulsos, mãos e dedos.8 Tente usar uma mão ou</p><p>outra, as duas mãos, uma mão aberta, uma mão fechada, palma</p><p>para cima, palma para baixo. Experimente com os braços, a cabeça,</p><p>os olhos, o rosto. Quando subir no púlpito, sua prática será</p><p>refletida em gestos melhores.</p><p>G e s t o s D e v id a m e n t e S in t o n iz a d o s</p><p>Em último lugar, seus gestos devem ser devidamente</p><p>sintonizados. O gesto ou acompanha ou precede a palavra ou</p><p>frase que transmite a maior parte do seu significado. Se o</p><p>movimento do gesto segue a palavra ou frase, pode parecer</p><p>ridículo. Os gestos mal sintonizados geralmente refletem uma</p><p>falta de espontaneidade e motivação apropriada. Planejar seus</p><p>226</p><p>gestos, antes de falar, muitas vezes resulta em gestos mal</p><p>sintonizados.</p><p>O C o n tato com o s O lh o s</p><p>O contato com os olhos provavelmente se classifica como o</p><p>único meio mais eficaz de comunicação não verbal que você tem</p><p>à disposição. Os olhos comunicam. Dão-lhe “feed-back”, o re</p><p>torno de informações e, ao mesmo tempo, conservam a atenção</p><p>do auditório. Quando você olha diretamente para seus ouvintes,</p><p>colhe indícios que lhe dizem se eles entendem aquilo que você está</p><p>dizendo, se estão interessados, e se estão gostando suficientemente</p><p>do sermão, para continuar escutando. Sendo um preletor alerta,</p><p>você ajustará aquilo que diz - por exemplo, acrescentará uma</p><p>explicação ou ilustração - à medida que interpreta estas respostas.</p><p>Além disto, quando você “olha os ouvintes diretamente nos</p><p>olhos”, eles sentem que você quer falar com eles pessoalmente.</p><p>Logo, os pastores que ficam com o olhar fixo acima das cabeças</p><p>do auditório, que lêem um manuscrito, que olham fixamente</p><p>para baixo para seguir os apontamentos, que olham pelas janelas,</p><p>ou pior, fecham os olhos, enquanto falam, colocam-se numa</p><p>desvantagem aleijante. Quase sem exceção, uma congregação não</p><p>escutará atentamente um preletor que não olha para eles. Também</p><p>é significativo que homens e mulheres desconfiam de quem evita</p><p>o contato de olho no olho, e como resultado, subestimam o que</p><p>aquela pessoa diz.</p><p>Embora você se dirija a uma congregação como grupo, você</p><p>fala com os membros como indivíduos. Quando você se levanta</p><p>para falar, faça uma pausa para estabelecer o contato pessoal com</p><p>seus ouvintes. Movimente os olhos pela congregação, e deixe-os</p><p>parar por um instante em várias pessoas diferentes. No decurso</p><p>do sermão, continue</p><p>a d o a o E x p o s it o r</p><p>Nossa definição da pregação expositiva continua, para dizer</p><p>que a verdade deve ser aplicada à personalidade e experiência do</p><p>pregador. Isso coloca no centro do processo o modo de Deus</p><p>l i d a r com o pregador. Por mais que desejássemos que a situação</p><p>fosse diferente, não podemos nos separar da mensagem. Quem é</p><p>que nunca ouviu algum piedoso irmão ou irmã orar antes do</p><p>sermão: “Esconde nosso pastor atrás da cruz, de modo que não o</p><p>vejamos, mas somente Jesus”? Louvamos o espírito de tal oração.</p><p>Os homens e mulheres que ouvem, precisam passar pelo pregador</p><p>e chegar ao Salvador. (Ou talvez seja o Salvador que precisa passar</p><p>pelo pregador, para chegar às pessoas!).</p><p>Contudo não existe lugar algum onde o pregador possa</p><p>esconder-se. Nem um púlpito grande pode ocultá-lo da vista.</p><p>Phillips Brooks descobriu alguma coisa, quando descreveu a</p><p>pregação, como sendo “a verdade derramada através da persona</p><p>lidade”.4 Nós afetamos nossa mensagem. Nós podemos enunciar,</p><p>pela boca, uma idéia bíblica, e permanecer tão impessoais como</p><p>mensagem gravada no telefone, tão superficiais quanto uma</p><p>propagada comercial no rádio, ou tão manipuladores como um</p><p>vigarista. As pessoas do auditório não ouvem um sermão, ouvem</p><p>um homem, ouvem você.</p><p>27</p><p>O Bispo William A. Quayle tinha isto em mente, quando</p><p>rejeitava definições padronizadas de homilética. “A pregação é a</p><p>arte de fazer um sermão e entregá-lo?” perguntava. “Mas não,</p><p>isso não é pregação. A pregação é a arte de fazer um pregador e</p><p>entregar isso!” Um compromisso com a pregação expositiva deve</p><p>desenvolver o pregador em um cristão maduro. A medida que</p><p>estudamos nossa Bíblia, o Espírito Santo nos estuda. A medida</p><p>que preparamos sermões expositivos, Deus nos prepara. Como</p><p>disse P. T. Forsyth: “A Bíblia é o supremo pregador ao pregador”.5</p><p>Distinções feitas entre “estudar a Bíblia à procura de um</p><p>sermão e estudar a Bíblia, para alimentar sua própria alma”, são</p><p>enganosas e até falsas. Um estudioso pode examinar a Bíblia como</p><p>poesia hebraica ou como registro dos nascimentos e reinados de</p><p>reis que morreram há muito tempo, e não ser confrontado com a</p><p>verdade dela. Nenhum desligamento deste tipo, no entanto, pode</p><p>existir para alguém que abre a Bíblia como sendo a Palavra de</p><p>Deus. Antes de proclamarmos aos outros a mensagem da Bíblia,</p><p>devemos nós mesmos conviver com aquela mensagem.</p><p>Lamentavelmente, muitos pregadores fracassam como</p><p>cristãos, antes de fracassar como pregadores, porque não pensam</p><p>biblicamente. Um número significativo de ministros, dos quais</p><p>muitos professam alta estima pelas Escrituras, preparam seus</p><p>sermões, sem consultar a Bíblia, de modo algum. Para estes,</p><p>embora o texto sagrado sirva como aperitivo para colocar o sermão</p><p>em andamento, ou decoração para enfeitar a mensagem, o prato</p><p>principal consiste do pensamento do próprio pregador ou do</p><p>pensamento de outra pessoa, requentado para a ocasião.</p><p>Mesmo naquilo que é anunciado como “pregação expositiva”,</p><p>os versículos podem ficar sendo plataformas de lançamento para</p><p>as opiniões do próprio pregador. Certa receita comum que se</p><p>acha nos livros de receitas homiléticas, diz algo mais ou menos</p><p>assim: “escolher vários chavões teológicos ou morais, misturar</p><p>com partes iguais de ‘dedicação’, evangelização’ ou mordomia’,</p><p>acrescentar vários ‘reinos’ ou ‘a Bíblia diz’ e ao mesmo tempo</p><p>bater bem com uma seleção de histórias, juntar ‘salvação’ a gosto.</p><p>28</p><p>Servir quente sobre uma massa de versículos bíblicos”. Tais</p><p>sermões não só deixam uma congregação subnutrida, como</p><p>também matam de fome os pregadores. Eles não crescem, porque</p><p>o Espírito Santo não tem com que nutri-los. William Barclay fez</p><p>o diagnóstico da causa da subnutrição espiritual na vida de um</p><p>ministro, quando destacou que, se nossas mentes se tornam</p><p>relaxadas, preguiçosas e balofas, o Espírito Santo não consegue</p><p>falar-nos. “A pregação verdadeira aparece, quando o coração</p><p>amoroso e a mente disciplinada estão colocados à disposição do</p><p>Espírito Santo”.6 Em última análise, Deus está mais interessado</p><p>em desenvolver mensageiros do que mensagens, e visto que é</p><p>através da Bíblia que o Espírito Santo nos confronta, precisamos,</p><p>em primeiro lugar, aprender a escutar a Deus, antes de falarmos</p><p>em nome dele.</p><p>O C o n c e it o é A p l ic a d o a o s O u v in t e s</p><p>O Espírito Santo, entretanto, não aplica sua verdade apenas</p><p>à personalidade e experiência do pregador, mas também, conforme</p><p>nossa definição de pregação expositiva, em seguida, ele então aplica</p><p>essa verdade, através desse pregador, a seus ouvintes. Um exposi</p><p>tor pensa em três áreas. Primeiramente, como exegeta, lutamos</p><p>com os significados do escritor bíblico. Depois, como homens</p><p>de Deus, nós lutamos com o modo como Deus quer mudar-nos.</p><p>Finalmente, como pregadores, nós ponderamos sobre o que Deus</p><p>quer dizer à congregação, através de nós.</p><p>A aplicação dá propósito à pregação expositiva. Como</p><p>pastores das ovelhas, nós nos relacionamos com as dores, gritos e</p><p>temores de nosso rebanho. E por isso que estudamos as Escrituras,</p><p>querendo saber o que dizer às pessoas que vivem com aflições e</p><p>sentimentos de culpa, com dúvida e morte. Paulo lembrou a</p><p>Timóteo que as Escrituras foram dadas para serem aplicadas.</p><p>“Toda a Escritura é inspirada por Deus”, escreveu, “e é útil para</p><p>ensinar a fé e corrigir o erro, para orientar a vida do homem e</p><p>ensiná-lo a viver. As Escrituras são um vasto repositório de</p><p>equipamentos, que preparam devidamente o crente, para todos</p><p>29</p><p>os ramos da sua atividade” (2Tm 3.16-17 Phillips, Canas às Igrejas</p><p>Novas).</p><p>A pregação expositiva enfadonha geralmente é deficiente em</p><p>aplicações criativas. Os sermões enfadonhos evocam duas queixas</p><p>principais. Em primeiro lugar, os ouvintes resmungam: “E sempre</p><p>a mesma velharia”. O pregador dá a todas as passagens a mesma</p><p>aplicação, ou pior ainda, nenhuma aplicação. “Que o Espírito</p><p>Santo aplique esta passagem às nossas vidas”, entoa um preletor</p><p>que não tem o mínimo palpite de como o conteúdo bíblico</p><p>poderia mudar as pessoas.</p><p>Uma segunda reação negativa reflete que o sermão não tem</p><p>relacionamento com o mundo, de modo suficientemente direto,</p><p>para ter utilidade prática: “E, está tudo certo, eu acho, mas e daí?</p><p>Que diferença faz?” Afinal de contas, se um homem ou uma</p><p>mulher resolve viver sob a orientação das Escrituras, esta ação</p><p>normalmente acontecerá fora do prédio da igreja. Lá fora, as</p><p>pessoas perdem empregos, preocupam-se com seus filhos, e</p><p>descobrem que a tiririca está invadindo seus gramados. É muito</p><p>raro que pessoas normais percam sono por causa dos jebuseus,</p><p>dos cananeus ou dos perizeus, ou mesmo por causa daquilo que</p><p>Abraão, Moisés ou Paulo disse ou fez. Ficam na cama acordados</p><p>com as preocupações a respeito dos preços no supermercado, da</p><p>quebra das safras, de discussões com um cônjuge, do diagnóstico</p><p>de um tumor maligno, de uma vida sexual frustrada, do corre-</p><p>corre da vida de cada dia em que parece que só os ordinários</p><p>vencem. Se o sermão não faz muita diferença naquele mundo,</p><p>ficam pensando que talvez não faça diferença nenhuma.</p><p>Devemos esquecer-nos de falar às eras, e falar agora, para</p><p>nossos próprios dias. Um pregador expositivo confronta os</p><p>indivíduos sobre eles próprios, a partir da Bíblia, em vez de lhes</p><p>falar sobre a história ou arqueologia da Bíblia. Uma congregação</p><p>não se reúne como júri, para condenar Judas, Pedro ou Salomão,</p><p>mas para julgar a si mesmos. Precisamos conhecer as pessoas,</p><p>bem como a mensagem, e para adquirir esse conhecimento,</p><p>fazemos exegese tanto da Escritura quanto da congregação.</p><p>30</p><p>Afinal de contas, quando Deus falou nas Escrituras, ele se</p><p>dirigiu a mulheres e homens do jeito como estivessem, onde quer</p><p>que estivessem. Imaginemos que as cartas de Paulo aos Coríntios</p><p>tivessem se extraviado no correio, e que acabassem sendo entregues</p><p>em Filipos. Os filipenses teriam ficado perplexos acerca dos</p><p>problemas específicos sobre os quais Paulo escrevia para eles, pois</p><p>viviam em situação diferente</p><p>o contato com os olhos. Fale com um ouvinte</p><p>por vez por um ou dois segundos. Olhe bem para os olhos daquela</p><p>pessoa, depois olhe para outro ouvinte. Escolha ouvintes em cada</p><p>uma das seções do auditório, e mantenha o contato por tempo</p><p>suficiente para eles saberem que você os selecionou, por um</p><p>227</p><p>instante, e que está falando com eles. Se a congregação for muito</p><p>grande, você pode selecionar um grupo pequeno numa das áreas,</p><p>e olhar para aquelas pessoas por um momento ou dois, e depois</p><p>mudar para outro grupo, e continuar a fazer assim, no decurso</p><p>do sermão inteiro. Tenha certeza de que não está só olhando para</p><p>seus ouvintes mas também falando com eles. Concentre em</p><p>comunicar a cada um a mensagem que ansiosamente deseja que</p><p>o grupo todo entenda.</p><p>Por ser a expressão facial muito importante, seu povo precisa</p><p>ver seu rosto. Ilumine, portanto, o púlpito com uma luz forte,</p><p>colocada a um ângulo que evita que seus olhos sejam lançados</p><p>em sombra. Pegue um medidor de luz e teste o foco de iluminação</p><p>da frente da igreja. A luz mais forte deve ser dirigida sobre o</p><p>púlpito. Domingo após domingo, os pregadores ficam em pé em</p><p>púlpitos fracamente iluminados e a congregação só vê na sombra</p><p>suas expressões faciais. Se você precisa usar um púlpito, deve ser</p><p>localizado o mais perto possível de seus ouvintes, e em ângulo</p><p>que lhes facilite ver seus olhos e toda a gama de emoções que</p><p>passa pelo seu rosto.</p><p>A Hn ir cg a V ocal</p><p>A fala consiste em mais do que palavras e frases. A voz</p><p>transmite idéias e sentimentos, à parte das palavras. Os ouvintes</p><p>fazem seus julgamentos acerca do seu estado físico e emocional -</p><p>se está com medo, zangado, cansado, doente, feliz, confiante -</p><p>baseados no tremor da sua voz, seu volume, velocidade e altura.</p><p>Visto que sua voz é uma ferramenta principal na sua profissão,</p><p>você deve entender como seu mecanismo vocal opera, e como</p><p>usá-lo com perícia.</p><p>A voz humana é produzida de modo muito semelhante ao</p><p>som que é produzido por um instrumento de sopro. Assim como</p><p>a palheta no instrumento deve vibrar, assim também as cordas</p><p>vocais na laringe devem vibrar, quando o ar é expelido dos</p><p>pulmões. A voz começa, pois, quando uma coluna de ar é</p><p>bombeada através dos brônquios, que ligam os pulmões à traquéia.</p><p>228</p><p>À medida que o fôlego é exalado, movimenta-se através das cordas</p><p>vocais na laringe, localizada na extremidade superior da traquéia,</p><p>estabelecendo as vibrações que se transformam em ondas sonoras.</p><p>Este som é então ampliado, enquanto vibra na laringe, garganta,</p><p>cavidades (os sinos) e boca. Essas cavidades, chamadas ressonadores,</p><p>agem de modo semelhante à seção oca ou tampa de ressonância de</p><p>um instrumento de cordas. Aumentam o volume de som feito</p><p>pelas cordas. À medida que as cavidades de ressonância mudam</p><p>de formato, mediante o movimento do paladar, dos maxilares,</p><p>dos dentes, dos lábios, da língua e da parede posterior da faringe,</p><p>produzem a qualidade final da voz. As consoantes, tais como 1, p,</p><p>t, d, s, r, também são formadas, enquanto esses movimentos</p><p>ocorrem.9</p><p>Até mesmo esse entendimento informal do mecanismo</p><p>vocálico revela que, visto ser o tom produzido na corrente exalada</p><p>do ar, uma boa reserva de ar, controlada com estabilidade, é</p><p>essencial. Visto que o tom começa pela vibração das cordas vocais,</p><p>um impulso de cordas vocais livre de força ou tensão indevida,</p><p>também é necessário. Sendo o som final resultante da modificação</p><p>nas cavidades ressonadoras, deve-se prestar atenção à garganta, à</p><p>boca e aos ressonadores nasais. Você pode melhorar a qualidade</p><p>de sua voz, mesmo sem extensos exercícios, se você compreender</p><p>como os sons vocais se produzem. Por exemplo, para respirar</p><p>eficientemente, você deve dilatar a linha do cinto em vez do peito.</p><p>Você deve poder recitar o alfabeto inteiro, de um só fôlego. Alguns</p><p>ministros deixam a altura da sua voz subir, quando aumentam o</p><p>volume. Isso pode forçar seu mecanismo vocálico. Pratique fazer</p><p>descer a altura da voz, quando subir no volume. Isso não só levará</p><p>a uma atuação mais possante, como também preservará, por anos,</p><p>a sua voz.</p><p>Outros oradores amortecem seu som, ao falar com um</p><p>maxilar tenso, uma língua preguiçosa ou dentes cerrados. Abra</p><p>sua boca, quando falar. Abra-a bem. Outros oradores deixam</p><p>muito ar escapar, enquanto falam, o que dá à voz deles uma</p><p>qualidade de estar soprando. Alguns pastores falam rápido demais,</p><p>229</p><p>e pronunciam indistintamente as palavras, ao passo que outros</p><p>falam num só tom, um tom monótono. A maioria dos textos</p><p>básicos acerca da elocução oferece exercícios que podem corrigir</p><p>estas falhas comuns.10 As universidades maiores e muitas</p><p>faculdades menores mantêm clínicas de fonologia, com</p><p>profissionais competentes, que podem ajudar os oradores que</p><p>têm problemas mais complexos. Com tal assistência ao dispor,</p><p>temos pouca desculpa por não otimizar a capacidade de nossas</p><p>vozes.</p><p>Os escritores têm muitos modos diferentes de enfatizar o</p><p>que escrevem. Podem usar pontos de exclamação, vírgulas, pontos</p><p>de interrogação, sublinhado, itálicos, reentrâncias e fontes em</p><p>negrito. O preletor, em contraste, enfatiza o que diz, em apenas</p><p>quatro maneiras: pela variedade do tom de agudo a grave, pelo</p><p>impacto, pelo andamento e pela pausa. O emprego destes, ou de</p><p>uma combinação deles, fica sendo a pontuação da fala. E uma</p><p>variedade nesses elementos que torna a entrega interessante.</p><p>A A l t u r a d a V oz</p><p>A altura da voz envolve o movimento da voz para cima e</p><p>para baixo na escala, em registros diferentes, com várias inflexões.</p><p>As vezes, as mudanças da altura são chamadas melodia. Se alguém</p><p>perguntar, com uma inflexão que sobe rapidamente de um tom</p><p>grave até um agudo, “Você crê no inferno?” está fazendo uma</p><p>pergunta. Precisamente essa mesma frase, com uma progressão</p><p>de altura diferente, pode subentender: Você não quer dizer que</p><p>você, justamente você entre todas as pessoas, estaria tão fora de</p><p>contato com a teologia moderna, a ponto de acreditar numa</p><p>superstição medieval dessas!” Se o indivíduo responder com</p><p>degraus abruptos para baixo, “Não creio assim”, aquela melodia</p><p>comunica: “Não, não sustento essa posição. Claro que não. Não</p><p>me acuse de semelhante idiotice”. Embora as palavras em si não</p><p>expressem repulsa, a altura a expressa.</p><p>A altura única fala de modo monótono, até nos fazer</p><p>adormecer, ou nos cansa, como quando uma criança bate com</p><p>230</p><p>força numa mesma tecla de um piano. A falta de controlar a</p><p>altura de modo eficaz é, por vezes, a razão pela qual o humor cai</p><p>por terra. Os ouvintes não conseguem perceber, pela oscilação</p><p>da nossa voz, que estamos brincando.</p><p>O I m p a c t o</p><p>As variações no impacto ou volume podem conquistar tanto</p><p>interesse como ênfase. Uma mudança no volume comunica a</p><p>importância relativa das idéias. Na declaração, “O Senhor é o</p><p>meu pastor” só há seis palavras; mas, se você repetir essa sentença</p><p>seis vezes, e a cada vez destacar uma palavra diferente, o significado</p><p>muda. Não só palavras, mas seções inteiras do sermão podem ser</p><p>ressaltadas no pensamento das pessoas, se você as pronunciar com</p><p>aumento de volume.</p><p>Infelizmente, alguns pregadores não conhecem nenhuma</p><p>outra maneira de sublinhar suas lições e, como resultado, seus</p><p>sermões soam como sessões de gritaria. Confundem o volume</p><p>com o poder espiritual, achando que Deus só fala no redemoinho.</p><p>Como a altura única, a monotonia do volume invariável cansa o</p><p>ouvinte. Em séculos passados, os pregadores tinham que gritar,</p><p>para serem ouvidos. Hoje, com sistemas de som eficazes, gritar</p><p>não é mais necessário, nem desejável. A ênfase vem através da</p><p>variedade. Deixar a voz cair a um mero sussurro pode colocar</p><p>uma idéia em itálicos tão eficientemente como um brado forte.</p><p>A intensidade pode ser tão eficaz quanto o volume. Infelizmente,</p><p>a maioria dos ministros usa um só grau de força, quando empregar</p><p>uma larga amplitude de volume - desde o forte até o suave -</p><p>poderia realçar sua apresentação do sermão.</p><p>O P r o g r e s s o</p><p>Você pode conseguir ênfase, alterando</p><p>daquela dos irmãos e irmãs em</p><p>Corinto. As cartas do Novo Testamento, bem como as profecias</p><p>do Antigo, foram endereçadas a grupos específicos que estavam a</p><p>braços com certos problemas bem seus. Nossos sermões</p><p>expositivos hoje serão ineficazes, a não ser que reconheçamos que</p><p>nossos ouvintes também existem num endereço específico e têm</p><p>mentalidade própria deles.</p><p>A aplicação eficaz nos lança tanto na teologia como na ética.</p><p>Passando da exegese para a aplicação, fazemos uma viagem difícil</p><p>através de perguntas relacionadas com a vida e que, por vezes,</p><p>causam perplexidade. Além dos relacionamentos gramaticais,</p><p>também exploramos relacionamentos pessoais e psicológicos.</p><p>Como os personagens do texto se relacionam entre si? Como se</p><p>relacionam com Deus? Quais valores se escondem sob as escolhas</p><p>que fazem? O que passava pelas mentes daqueles que estavam</p><p>envolvidos? Estas perguntas não se dirigem ao “ali e então”, como</p><p>se Deus lidasse só com os homens e as mulheres lá naquele tempo</p><p>do “era uma vez”. As mesmas perguntas podem ser feitas no</p><p>“aqui e agora”. Como nos relacionamos hoje em dia? Como é</p><p>que Deus nos confronta em questões semelhantes? De que</p><p>maneira o mundo moderno se compara ou se contrasta com o</p><p>mundo bíblico? As perguntas solucionadas na Escritura são as</p><p>perguntas que os homens fazem hoje? Estão propostas da mesma</p><p>maneira, ou de formas diferentes? Estas investigações ficam sendo</p><p>a matéria prima da ética e da teologia. A aplicação anexada a um</p><p>sermão expositivo, numa tentativa de torná-lo relevante, passa</p><p>ao largo destas perguntas e desconsidera a máxima dos nossos</p><p>antepassados protestantes: “As doutrinas devem ser pregadas de</p><p>modo prático, e os deveres, doutrinariamente”.</p><p>31</p><p>A aplicação inapropriada pode ser tão destrutiva quanto a</p><p>exegese inepta. Quando Satanás tentou Jesus no deserto, procurou</p><p>ganhar a vitória mediante a falsa aplicação da Escritura. O tentador</p><p>sussurrou o Salmo 91 com exatidão admirável: “Porque a seus</p><p>anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em</p><p>todos os seus caminhos... para que você não tropece em alguma</p><p>pedra” (w. 11-12). Então Satanás argumentou: “Visto que você</p><p>possui esta promessa forte, por que não aplicá-la a um salto do</p><p>pináculo do templo e não demonstrar de uma vez por todas que</p><p>você é o Filho de Deus?” Ao refutar o diabo, Jesus não debateu a</p><p>gramática do texto hebraico. Ao invés disto atacou a aplicação</p><p>do Salmo 91 ao ato de saltar do templo. Outra passagem da</p><p>Escritura cabia melhor naquela situação: “Não ponham à prova</p><p>o Senhor, o seu Deus” (Dt 6.16).</p><p>Devemos pregar a um mundo ao qual se dirige a mídia, com</p><p>seus escritores e comentaristas de TV e jornal. Senão, teremos</p><p>ouvintes que são ortodoxos na sua cabeça, mas hereges na sua</p><p>conduta. E claro que, ao pregar a um mundo secular, não devemos</p><p>pregar uma palavra secular. William Willimon observou que</p><p>alguns pregadores parecem ter se inclinado tanto para trás, para</p><p>falar a um auditório secular, que se desequilibraram e caíram nesse</p><p>caminho. Mesmo que idéias bíblicas devam ser formatadas em</p><p>experiência humana, homens e mulheres precisam ser chamados</p><p>a conformar-se com a verdade bíblica. Sermões “relevantes”</p><p>poderão se tornar bagatelas de púlpito, a não ser que relacionem</p><p>a situação atual com a Palavra eterna de Deus.</p><p>F. B. Meyer entendia o reverente temor com que os pregadores</p><p>bíblicos falam às questões difíceis de seu tempo. Eles estão “na</p><p>linhagem de uma grande sucessão. Os reformadores, os puritanos,</p><p>os pastores dos Pais Peregrinos na América do século dezessete</p><p>eram essencialmente expositores. Não proclamavam suas próprias</p><p>opiniões particulares, que talvez fossem questão de interpretação</p><p>particular ou de disposição duvidosa, mas, tomando posição na</p><p>Escritura, faziam sua mensagem chegar ao alvo com efeito</p><p>irresistível, com Assim diz o Senhor’.”4</p><p>32</p><p>Vamos resumir isso. Pregamos sermões expositivos, quando:</p><p>* Estudamos uma passagem em seu contexto, dando atenção</p><p>ao contexto histórico, gramatical e literário.</p><p>* Experimentamos de alguma forma, através da operação do</p><p>Espírito Santo, o poder de nosso estudo em nossa própria</p><p>vida.</p><p>* E com isso, damos forma ao sermão, para que ela</p><p>comunique os conceitos bíblicos centrais, de modo a fazer</p><p>muito sentido para nossos ouvintes.</p><p>N ovos C o n ceito s</p><p>Pregação expositiva</p><p>Pregação expositiva — a comunicação de um conceito bíblico,</p><p>derivado de, e transmitido de um estudo histórico, gramatical e</p><p>literário de uma passagem em seu contexto, que o Espírito Santo</p><p>primeiro aplica à personalidade e experiência do pregador, e então,</p><p>através do pregador, aplica aos ouvintes.</p><p>P ara L e itu ra e R e flex ão A d ic io n a l</p><p>Muitos escritores procuram definir ou descrever a pregação</p><p>bíblica. Alguns descrevem as árvores e outros se contentam com</p><p>a floresta.</p><p>* Richard Mayhue gasta um capítulo de R ed iscoverin g Ex</p><p>p o s ito r y P reaching (Dallas: Word, 1992) debatendo o que a</p><p>pregação expositiva não é e depois o que é. Um expositor,</p><p>ele conclui, explica a Escritura, abrindo o texto à visão do</p><p>público, a fim de apresentar o sentido dele, explicar o que</p><p>é difícil de entender e fazer uma aplicação apropriada” (p.</p><p>11).</p><p>* Jerry Vines e Jim Shaddix põem maior ênfase nos ouvintes</p><p>em sua definição de pregação bíblica, como sendo “a</p><p>comunicação oral da verdade bíblica pelo Espírito Santo,</p><p>33</p><p>através de uma personalidade humana, a um dado auditório</p><p>com a intenção de possibilitar uma resposta positiva” (Power</p><p>in th e Pulpit [Chicago: Moody, 1999], p. 27).</p><p>* Bryan Chapell dá margem a uma definição mais ampla, ao</p><p>observar que “qualquer sermão que explora um conceito</p><p>bíblico no sentido mais amplo, é expositivo’”, mas ele não</p><p>consegue deixá-la aí. Ele acrescenta que “a defin ição técn ica</p><p>d e um serm ão expositivo [ênfase dele] requer que o sermão</p><p>exponha a Escritura, derivando de um texto específico os</p><p>pontos e subpontos dele que revelam o pensamento do</p><p>autor, abrangem o escopo da passagem, e se aplicam às vidas</p><p>dos ouvintes” (Christ-CcntcrcdPreaching [Grand Rapids: Baker,</p><p>1994], pp. 128-29).</p><p>* John Stott, em seu livro Between Two Worlds (Grand Rapids:</p><p>Eerdmans, 1982), faz a afirmação generalizada: “Toda</p><p>verdadeira pregação é pregação expositiva”. Prossegue para</p><p>dizer, no entanto, que “expositiva” se refere ao conteúdo e</p><p>não ao método, e então descreve a aparência que isso toma.</p><p>“Na pregação expositiva, o texto bíblico não é uma</p><p>introdução convencional a um sermão sobre um tema, na</p><p>maior parte diferente, nem um gancho conveniente no qual</p><p>pendurar uma sacola de retalhos de miscelâneas, e sim, um</p><p>mestre que dita e controla o que é dito”(pp. 125-26).</p><p>* Fred Craddock, que poderia não se sentir confortável com</p><p>minha definição, reconhece que estamos lutando com “uma</p><p>questão teológica fundamental de autoridade”. Ele vai direto</p><p>à questão central daquilo que qualquer um de nós faz no</p><p>púlpito. “O pregador, sejam quais forem os sermões que os</p><p>membros da igreja apreciem”, ele diz, “é obrigado a</p><p>perguntar e responder às perguntas: O que autoriza meus</p><p>sermões? Se a autorização é dada pelas Escrituras, de que</p><p>maneira? Como eu me preparo, a fim de entrar no púlpito,</p><p>com alguma confiança em que minha compreensão da</p><p>pregação bíblica foi implementada com honestidade e</p><p>integridade?... Não é provável que qualquer pregador</p><p>34</p><p>chegue a uma posição satisfatória, se ele não vier às mãos</p><p>com o texto da Bíblia” (Preach ing [Nashville, Abingdon,</p><p>1986], p. 100).</p><p>Em outro nível, numa ou noutra ocasião, você terá que</p><p>responder à pergunta: “Como a centralidade de Jesus Cristo</p><p>afeta o modo como eu manejo os textos bíblicos? Se um</p><p>muçulmano ou judeu pensante ficar satisfeito com minha</p><p>interpretação do Antigo Testamento, poderá ser realmente uma</p><p>interpretação cristã?” Dois livros que contribuem para uma</p><p>maneira de resolver este problema são de Sidney Greidanus:</p><p>P rea ch in g C hrist fr om th e O ld T estam en t (Grand Rapids:</p><p>Eerdmans, 1999) e Preaching th e W hole B ible</p><p>as Christian Scrip-</p><p>ture (Grand Rapids: Eerdmans, 2000). Um livro, um tanto mais</p><p>velho, de Walter Kaiser, Toward an Exegetical T h eo logy : Biblical</p><p>Exegesis fo r Preaching and Teaching (Grand Rapids: Baker, 1981),</p><p>aborda a mesma questão de um ângulo diferente.</p><p>C a p ítu lo 2</p><p>Não aprecio a ópera; o que é pior, tenho vários amigos que a</p><p>apreciam. O convívio com eles faz-me sentir que existo num</p><p>deserto cultural; e já tomei várias medidas para alterar minha</p><p>condição. Ocasionalmente, cheguei mesmo a ir à ópera. Como</p><p>um pecador envergonhado, ao freqüentar a igreja, fui caminhando</p><p>para o teatro musical, para deixar a cultura ter livre curso dentro</p><p>de mim. Na maioria destas visitas, porém, voltei para casa</p><p>indiferente àquilo que os artistas procuraram fazer.</p><p>Entendo suficientemente acerca da ópera, naturalmente, para</p><p>saber que uma história foi encenada, e que os atores cantaram</p><p>seus papéis em lugar de falá-los. Geralmente, porém, o fio da</p><p>meada da história continua sendo tão vago para mim como a</p><p>letra em italiano, mas os apaixonados da ópera me informam</p><p>que o enredo é incidental ao espetáculo. Se alguém se desse ao</p><p>trabalho de pedir minha avaliação da ópera, comentaria os</p><p>cenários bem construídos, as vestes brilhantes, ou o peso da so</p><p>prano. Não poderia emitir um juízo fidedigno quanto à</p><p>interpretação da música ou nem mesmo do impacto dramático</p><p>do espetáculo. Quando volto da ópera com um programa</p><p>amassado e um monte de impressões aleatórias, realmente não</p><p>sei como avaliar o que aconteceu.</p><p>Quando as pessoas freqüentam a igreja, talvez reajam ao</p><p>pregador, como um novato à ópera. Nunca foram informadas</p><p>36</p><p>sobre aquilo que um sermão deve fazer. É comum o ouvinte reagir</p><p>aos pontos altos de emoção. Gosta das histórias de interesse</p><p>humano, anota uma ou outra frase cativante, e julga que o sermão</p><p>é um sucesso, se o pregador termina dentro do horário. Questões</p><p>importantes, tais como o assunto do sermão, talvez lhe escapem</p><p>completamente. Há muitos anos, quando Calvin Coolidge voltou</p><p>para casa, depois do culto, certo domingo, e a esposa perguntou-</p><p>lhe sobre o que o ministro havia falado, Coolidge respondeu: “O</p><p>pecado”. Quando a esposa insistiu em saber o que o pregador</p><p>dissera sobre o pecado, Coolidge respondeu: “Acho que ele era</p><p>contra”.</p><p>A verdade é que muitas pessoas, nos bancos das igrejas, não</p><p>ganhariam uma nota muito mais alta do que Coolidge, se fossem</p><p>interrogadas acerca do conteúdo do sermão do domingo ante</p><p>rior. Para elas, os pregadores pregam acerca do pecado, da salvação,</p><p>da oração ou do sofrimento - todos juntos ou um por vez, em</p><p>trinta e cinco minutos. A julgar pelo modo incompreensivo de</p><p>os ouvintes falarem acerca de um sermão, é difícil acreditar que</p><p>escutaram uma m ensagem . Em vez disso, as respostas indicam</p><p>que saem de lá com uma cesta cheia de fragmentos, mas nenhum</p><p>senso adequado do conjunto.</p><p>Infelizmente, alguns de nós pregamos conforme temos</p><p>ouvido. Os pregadores, como seus auditórios, podem conceber</p><p>os sermões como sendo uma coletânea de pontos que tenham</p><p>pouco relacionamento entre si. Aqui os livros-texto que visam a</p><p>ajudar preletores, podem realmente atrapalhá-los. As discussões</p><p>sobre esboços geralmente enfatizam as posições dos algarismos</p><p>romanos e arábicos, juntamente com as reentrâncias apropriadas,</p><p>mas esses fatores (por importantes que sejam) talvez deixem</p><p>despercebido o óbvio - um esboço é o formato da idéia do sermão,</p><p>e todas as partes precisam ser relacionadas ao todo. Três ou quatro</p><p>idéias não relacionadas a uma idéia mais inclusiva não fazem uma</p><p>mensagem; fazem três ou quatro sermoezinhos, todos pregados</p><p>de uma só vez. Reuel L. Howe escutou centenas de sermões</p><p>gravados em fita e reuniu-se com leigos para debater o assunto.</p><p>37</p><p>Concluiu que as pessoas nos bancos “queixam-se quase unani</p><p>memente de que os sermões freqüentemente contêm um número</p><p>excessivo de idéias”.1 Esta observação talvez não seja exata. Os</p><p>sermões raramente fracassam, porque têm idéias demais; mas</p><p>freqüentemente fracassam, porque lidam com idéias não</p><p>relacionadas entre si.</p><p>A fragmentação apresenta um perigo especial para o pregador</p><p>expositivo. Alguns sermões expositivos oferecem pouco mais do</p><p>que comentários espalhados baseados em palavras e frases de</p><p>uma passagem, sem fazerem tentativa alguma de demonstrar como</p><p>os vários pensamentos se encaixam. Logo de início, o pregador</p><p>pode captar a mente da congregação com alguma observação</p><p>acerca da vida, ou, pior, pode atacar o texto diretamente, sem</p><p>pensamento algum acerca do tempo presente. À medida que o</p><p>sermão continua, o pregador comenta sobre as palavras e frases</p><p>encontradas na passagem com os subtemas e temas principais e</p><p>palavras individuais, todos eles recebendo ênfase igual. A</p><p>conclusão, se houver, em geral substitui pela aplicação relevante</p><p>uma vaga exortação, visto que nenhuma verdade una emergiu</p><p>para ele aplicar. Quando a congregação volta ao mundo, não</p><p>recebeu nenhuma mensagem pela qual viver, porque ao pregador</p><p>não ocorreu pregar nenhuma.</p><p>Uma afirmação importante da nossa definição de pregação</p><p>expositiva, portanto, sustenta que “a pregação expositiva é a</p><p>comunicação de um conceito bíblico:. É uma afirmação do óbvio.</p><p>Um sermão deve ser uma bala e não chumbo grosso. O ideal é o</p><p>sermão ser a explicação, interpretação ou aplicação de uma única</p><p>idéia dominante, apoiada por outras idéias, todas tiradas de uma</p><p>passagem ou várias passagens da Escritura.</p><p>A Im p o rtân c ia d e um a id é ia Ú n ica</p><p>Estudantes de oratória e pregação defendem, há séculos, que</p><p>a comunicação eficaz exige um tema único. Os retóricos</p><p>sustentam tão fortemente este conceito que praticamente todo</p><p>manual dedica algum espaço a um tratamento do princípio. A</p><p>38</p><p>terminologia pode variar: a idéia central, a proposição, o tema, a</p><p>declaração da tese, o pensamento principal, mas o conceito é o</p><p>mesmo: um discurso eficiente “centraliza-se numa só coisa</p><p>específica, numa idéia central”.2 Este pensamento é tão</p><p>axiomático para a comunicação da fala que alguns autores, tais</p><p>como Lester Thossen e A. Craig Baird, quase o tomam por</p><p>garantido:</p><p>Pouca coisa precisa ser dita aqui acerca da necessidade do tema</p><p>central. Toma-se por certo que o discurso possui uma tese ou</p><p>propósito claramente definido e facilmente determinado; esta</p><p>tese está desembaraçada de teses colaterais que interfiram na</p><p>percepção clara da principal, e que o desenvolvimento é de tal</p><p>caráter que proporciona a emergência fácil e inconfundível da</p><p>tese, através do desdobramento do conteúdo do discurso.3</p><p>Os homiléticos juntam suas vozes para insistir que um sermão,</p><p>como qualquer outro bom discurso, incorpora um conceito único</p><p>que a tudo abrange. Donald G. Miller, num capítulo dedicado</p><p>ao coração da pregação bíblica, fala claramente:</p><p>...qualquer sermão individual deve ter uma só idéia principal.</p><p>Os pontos ou subdivisões devem ser partes deste único grande</p><p>pensamento. Assim como bocados de qualquer determinado</p><p>alimento são todos partes da totalidade, cortados em tamanhos</p><p>apropriados para o paladar e a digestão, assim também os pontos</p><p>principais de um sermão devem ser seções menores do tema</p><p>único, quebrado em fragmentos muito menores, de maneira tal</p><p>aue a mente possa captá-los e a vida, assimilá-los... Agora estamos</p><p>prontos para declarar nos termos mais simples o tema principal</p><p>deste capítulo. E este: Todo sermão deve ter um tema, e esse tema</p><p>deve ser o tema do trecho da Escritura sobre o qual é baseado.4</p><p>Participando de uma tradição diferente, Alan M. Stibbs</p><p>acrescenta uma voz de apoio: “O pregador deve desenvolver seu</p><p>tratamento expositivo do texto com relação a um único tema</p><p>dominante...”5 H. Grady Davis desenvolve seu livro D esign fo r</p><p>Preaching para sustentar a tese de que “um sermão bem preparado</p><p>39</p><p>é a corporificação, o desenvolvimento, a declaração plena de um</p><p>pensamento relevante”.6 Uma declaração clássica desse conceito</p><p>nos chega de J. H. Jowett em suas preleções de Yale sobre a</p><p>pregação:</p><p>Tenho a convicção de que nenhum sermão está pronto para ser</p><p>pregado, ou para ser escrito por extenso, enquanto não pudermos</p><p>expressar seu tema numa frase curta e fecunda, clara como cristal.</p><p>Acho que chegar a essa frase é a labuta mais pesada, mais exigente</p><p>e mais frutífera no meu escritório. Compelir-se a formular aquela</p><p>frase, a ir pensando até chegar a formar as palavras que definam</p><p>o tema com exatidão escrupulosa — este é, decerto, um dos fatores</p><p>mais vitais e essenciais na produção de um sermão: e não penso</p><p>que qualquer sermão deva ser pregado ou nem mesmo escrito,</p><p>até que surja essa frase, clara e lúcida como uma lua sem nuvens.7</p><p>Negligenciar o princípio de que uma idéia central e unificadora</p><p>deve estar no âmago de um sermão eficiente, é deixar de lado</p><p>aquilo que os versados em teoria da comunicação e em pregação</p><p>têm para nos dizer.8</p><p>Um novato pode rejeitar a importância de uma idéia central</p><p>como sendo manobra dos professores de homilética, para forçar</p><p>pregadores jovens a entrarem no molde deles. Deve ser notado,</p><p>portanto, que este fato básico da comunicação também confirma</p><p>forte respaldo bíblico. No Antigo Testamento, os sermões dos</p><p>profetas são chamados “o peso do Senhor”. Estas proclamações</p><p>não eram algumas “observações apropriadas” proferidas, porque</p><p>se esperava que o homem de Deus dissesse alguma coisa. Pelo</p><p>contrário, o profeta dirigia-se a seus compatriotas, porque tinha</p><p>algo para dizer. Pregava uma mensagem completa e inteira, para</p><p>persuadir seus ouvintes a voltarem para Deus. Como resultado,</p><p>os sermões dos profetas possuíam forma assim como propósito.</p><p>Cada um deles corporificava um único tema que se dirigia a um</p><p>auditório específico, para conseguir uma resposta específica.</p><p>No Novo Testamento, o historiador Lucas apresenta amostras</p><p>da pregação que capacitava a igreja a penetrar no mundo antigo.</p><p>40</p><p>Os sermões dos apóstolos eram, sem exceção, a proclamação de</p><p>uma única idéia dirigida a um auditório específico. Donald R.</p><p>Snukjian concluiu que:</p><p>Cada mensagem de Paulo centraliza-se em volta de uma só idéia</p><p>ou pensamento simples. Cada preleção se cristaliza numa única</p><p>frase que expressa a soma e a substância do discurso inteiro.</p><p>Tudo nos sermões... leva para um tema unificador, ou desenvolve</p><p>este tema, ou se segue a ele.9</p><p>Esta avaliação da pregação de Paulo poderia ser aplicada</p><p>igualmente a todos os sermões de Atos. Cada idéia recebe um</p><p>tratamento diferente por parte do pregador apostólico. Em Atos</p><p>2, por exemplo, no dia de Pentecoste, Pedro ficou em pé diante</p><p>de um auditório antagônico e, para conseguir ser ouvido, pregou</p><p>um sermão indutivo. Sua idéia não é verbalizada até a conclusão:</p><p>“Portanto, que todo o Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem</p><p>vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). Em</p><p>Atos 13, por outro lado, Paulo emprega uma disposição dedutiva.</p><p>Sua idéia principal consta no começo do sermão, e os pontos que</p><p>seguem a amplificam e apoiam. A declaração achada no v. 23</p><p>anuncia: “Da descendência desse homem Deus trouxe a Israel o</p><p>Salvador Jesus, como prometera”.</p><p>Em Atos 20, quando o apóstolo falava aos presbíteros de Efeso,</p><p>sua estrutura foi indutiva bem como dedutiva. Primei-ramente,</p><p>Paulo traz da sua própria vida um exemplo de cuidado para com a</p><p>igreja, depois adverte, no v. 28: “Cuidem de vocês mesmos e de</p><p>todo o rebanho”. Tendo declarado aquele pensamento central, Paulo</p><p>passa a explicar e aplicar aquela idéia aos líderes assentados diante</p><p>dele. Nem todos os sermões em Atos se desenvolvem do mesmo</p><p>modo, mas cada um deles focaliza-se num só conceito central,</p><p>unificador.</p><p>Se pregamos de modo eficiente, devemos saber o que estamos</p><p>fazendo. Sermões eficazes especializam-se em idéias bíblicas que</p><p>são reunidas numa unidade que dê cobertura a todas elas. Tendo</p><p>pensado os pensamentos de Deus atrás dele, o expositor comunica</p><p>41</p><p>e aplica esses pensamentos a seus ouvintes. Em dependência do</p><p>Espírito Santo, ele visa a confrontar, convencer, converter e</p><p>consolar homens e mulheres, através da proclamação de conceitos</p><p>bíblicos. As pessoas moldam suas vidas e determinam seu destino</p><p>eterno, em resposta a idéias.</p><p>A D e í in i ç ã o d e u m a i d é i a</p><p>O que queremos dizer com uma idéia? Uma olhada no</p><p>dicionário demonstra que definir uma idéia é como tentar fazer</p><p>uma embalagem de neblina. Uma definição completa poderia</p><p>nos remeter aos campos da filosofia, lingüística e gramática. O</p><p>Dicionário Webster, tem um alcance que percorre o caminho</p><p>desde “uma entidade transcendente que é um padrão real do qual</p><p>as coisas existentes são representações imperfeitas” até “uma</p><p>entidade (tal como um pensamento, conceito, sensação ou</p><p>imagem) real ou potencialmente presente à consciência”.</p><p>A própria palavra idéia veio para a língua portuguesa a partir</p><p>da palavra grega e id óá que significa “ver”, e portanto, “saber”.</p><p>Uma idéia às vezes nos capacita para ver aquilo que antes não era</p><p>claro. Na vida do dia-a-dia, quando uma explicação fornece nova</p><p>compreensão, exclamamos: “Oh, vejo o que você quer dizer!”</p><p>Ainda outro sinônimo para idéia é conceito, que vem do verbo</p><p>“conceber”. Assim como o esperma e o óvulo se juntam no útero</p><p>para produzir vida nova, assim também uma idéia começa na</p><p>mente, quando as coisas que normalmente estão separadas,</p><p>juntam-se para formar uma unidade que ou não existia ou não</p><p>era reconhecida anteriormente.</p><p>A capacidade para abstrair e sintetizar, ou seja, para pensar</p><p>em termos de idéias, desenvolve-se com a maturidade. As crianças</p><p>pequenas pensam em termos de itens particulares. A criança ora,</p><p>antes do café da manhã, agradecendo a Deus o leite, os flocos, o</p><p>suco de laranja, os ovos, o pão, manteiga e geléia, mas o adulto</p><p>combina todos estes itens separados na única palavra alim ento.</p><p>Uma idéia, portanto, pode ser considerada uma destilação da</p><p>vida. Abstrai dos particulares da vida o que eles têm em comum</p><p>42</p><p>e relaciona-os uns aos outros. Através das idéias damos sentido</p><p>às partes de nossa experiência.</p><p>Nem todas as idéias, naturalmente, são igualmente válidas;</p><p>temos boas e más idéias. As idéias más oferecem explicações da</p><p>experiência as quais não refletem a realidade. Atribuem à vida</p><p>um significado que não existe. Muitas vezes aceitamos idéias</p><p>inválidas, porque não foram enunciadas com clareza e, por isso,</p><p>não podem ser avaliadas. Em nossa cultura, que é influenciada</p><p>pela comunicação da mídia, somos bombardeados por conceitos</p><p>ridículos que, deliberadamente, são formulados imprecisamente,</p><p>para agirmos sem pensar. Anos atrás, os cigarros Marlboro foram</p><p>lançados no mercado como cigarros para mulheres sofisticadas,</p><p>mas Marlboro conquistou menos de um por cento das vendas</p><p>totais. Pesquisas entre consumidores revelaram, no entanto, que</p><p>os homens fumam, porque acreditam que assim ficam sendo mais</p><p>homens, ao passo que as mulheres fumam, porque pensam que</p><p>assim ficam sendo mais atraentes aos homens. Como resultado</p><p>desta constatação, os propagandistas tiraram das mulheres a</p><p>campanha que vinham fazendo, e a aplicaram aos homens, dando</p><p>aos cigarros Marlboro uma imagem masculina. Vaqueiros</p><p>robustos, marcados pelas intempéries, eram retratados fumando</p><p>cigarros, enquanto arrebanhavam o gado, e a frase com o tema</p><p>convidava o consumidor a “vir para o mundo de Marlboro”.</p><p>Visto que a associação de cigarros com vaqueiros transmitia</p><p>a idéia de que fumar cigarros Marlboro torna os homens másculos,</p><p>as vendas subiram rapidamente, até quatrocentos por cento. A</p><p>idéia, obviamente, é um contra-senso. As evidências médicas nos</p><p>advertem que o mundo de Marlboro é um cemitério e que o</p><p>homem Marlboro provavelmente sofre de câncer ou doença</p><p>pulmonar. Mesmo assim, porque a idéia de que “fumar o torna</p><p>másculo” escorregou para dentro da mente ,sem ser claramente</p><p>declarada, conseguiu ampla aceitação e deu um ímpeto dramático</p><p>às vendas.</p><p>Esse não é um incidente isolado. William Bryan Key, falando</p><p>acerca da propaganda, fez esta declaração perturbadora acerca de</p><p>43</p><p>uma doutrina</p><p>da Madison Avenue, lugar que concentra os</p><p>negócios de propaganda: “Nenhuma crença ou atitude relevante,</p><p>sustentada por qualquer indivíduo, é adotada, segundo parece,</p><p>com base em fatos conscientemente percebidos”. Se essa for uma</p><p>afirmação fundamental por trás da “palavra do patrocinador”,</p><p>não devemos ficar surpresos, por ser tão raro achar a verdade em</p><p>matéria de propaganda.</p><p>As idéias, às vezes, ficam de espreita no subsolo de nossa mente</p><p>como fantasmas. Com freqüência lutamos para dar a essas idéias</p><p>insignificantes um corpo. “Sei o que quero dizer”, dizemos, “mas</p><p>só não consigo expressá-lo em palavras”. A despeito da dificuldade</p><p>de revestir em palavras os pensamentos, o pregador precisa fazê-</p><p>lo. A menos que as idéias sejam expressas em palavras, nós não</p><p>poderemos entender, avaliar ou comunicá-las. Se não queremos,</p><p>ou não sabemos, pensar até chegar à clareza, para podermos dizer</p><p>o que queremos dizer, não temos direito de estar no púlpito.</p><p>Somos como cantor que não sabe cantar, ator que não sabe</p><p>representar, contador que não sabe somar.</p><p>A F o rm ação d e um a id é ia</p><p>Definir uma idéia com “exatidão escrupulosa” significa que</p><p>devemos saber como são formadas as idéias. Quando reduzida à</p><p>sua estrutura básica, uma idéia consiste em apenas dois elementos</p><p>essenciais: um su jeito e um com p lem en to . Os dois são necessários.</p><p>Quando falamos acerca do sujeito de uma idéia, queremos dizer</p><p>a resposta completa e definida à pergunta: “Acerca de quê estou</p><p>falando?” O sujeito, conforme é empregado na homilética, não é</p><p>a mesma coisa como o sujeito na gramática. Um sujeito gramatical</p><p>muitas vezes é uma palavra única. O sujeito de uma idéia de</p><p>sermão nunca pode ser uma palavra única. Pede a resposta</p><p>completa e definida à pergunta “Acerca do quê estou falando?”</p><p>Palavras únicas como discipu lado, testemunhar, adoração, a flição</p><p>ou am or podem disfarçar-se em sujeitos, mas são vagas demais</p><p>para serem viáveis.</p><p>Um sujeito não pode subsistir sozinho. Por si só é incompleto,</p><p>44</p><p>e precisa, portanto, de um complemento. O complemento</p><p>“completa” o sujeito, ao responder a pergunta “O que estou</p><p>dizendo sobre aquilo de que estou falando?” Um sujeito sem</p><p>complemento fica pendurado como uma pergunta aberta.</p><p>Complementos sem sujeitos se parecem com peças automotivas</p><p>que não estão fixadas num carro. Uma idéia só surge, quando o</p><p>complemento é ligado a um sujeito específico.</p><p>Além disso, atrás de todo sujeito há uma pergunta, ou</p><p>declarada ou implícita. Se eu digo que meu sujeito, meu assunto,</p><p>é “a importância da fé”, a pergunta implícita será: “Qual é a</p><p>importância da fé?” “As pessoas que Deus justifica...” forma um</p><p>sujeito porque responde a pergunta “Acerca do quê estou falando?”</p><p>Mas a pergunta não declarada é “Quem são as pessoas que Deus</p><p>justifica?” Se as palavras su jeito e com p lem en to o confundem, então</p><p>experimente pensar no sujeito como sendo uma pergunta e seu</p><p>complemento como sendo a resposta. Os dois juntos formam a</p><p>idéia.</p><p>Um exemplo de um sujeito é o teste d o caráter d e uma pessoa.</p><p>(Para ser totalmente exato, o sujeito é: Qual é o teste d o caráter d e</p><p>uma pessoa?) Esta frase, porém, deve ser completada para ter</p><p>significância. Não sabemos qual é o teste do caráter. Uma</p><p>variedade de complementos poderia ser acrescentada a esse sujeito,</p><p>para se formar uma idéia. Aqui temos alguns:</p><p>O teste do caráter de uma pessoa é o que é necessário, para fazê-</p><p>lo parar.</p><p>O teste do caráter de uma pessoa é o que ele faria, se tivesse a</p><p>certeza de que nunca ninguém ficaria sabendo.</p><p>O teste do caráter de uma pessoa é como o teste de um carvalho:</p><p>quanta força tem nas raízes?</p><p>Cada novo complemento nos informa o que está sendo dito</p><p>acerca do sujeito, e cada novo complemento forma uma idéia</p><p>diferente. Cada idéia pode ser explicada, comprovada ou aplicada.</p><p>Os estudantes de pregação devem procurar idéias, quando</p><p>lêem um sermão ou preparam sermões seus. Davis ressalta que</p><p>45</p><p>um principiante, especialmente, deve prestar atenção ao modo</p><p>de serem formadas as idéias:</p><p>Ele deve parar de perder-se nos pormenores e estudar a estrutura</p><p>essencial dos sermões. Por enquanto, deve esquecer-se das frases,</p><p>dos argumentos que são empregados, das citações, das histórias</p><p>com interesse humano. Precisa recuar-se do sermão até uma</p><p>distância, a partir da qual possa ver seu formato como um todo.</p><p>Obstinadamente precisa perguntar: “Acerca do quê o homem</p><p>realmente está falando, e quais são as coisas básicas que está</p><p>dizendo, acerca do seu assunto?” Isto quer dizer que ele deve</p><p>aprender a distinguir entre a estrutura orgânica, de um lado, e</p><p>seu desenvolvimento, do outro lado. E como começar com o</p><p>esqueleto no estudo da anatomia.10</p><p>Achar o sujeito e o complemento não começa, quando o</p><p>pregador expositivo começa a construção de seu sermão. Nós</p><p>procuramos o sujeito e complemento, quando estudamos o texto</p><p>bíblico. Visto que cada parágrafo, seção ou subseção da Escritura</p><p>contém uma idéia, nós não entendemos uma passagem, até que</p><p>possamos declarar com exatidão seu sujeito e complemento.</p><p>Embora outras perguntas surjam na luta para entender o</p><p>significado de um escritor bíblico, estas duas (“Sobre o quê,</p><p>precisamente, o autor está falando?” e “O que o autor está dizendo</p><p>quanto àquilo, sobre o qual está falando?”) são fundamentais.</p><p>E x em p lo s d a F o rm ação d e um a id é ia</p><p>Em algumas passagens, o sujeito e o complemento podem</p><p>ser descobertos com relativa facilidade, ao passo que em outras,</p><p>determinar a idéia fica sendo um desafio muito grande. O Salmo</p><p>117 oferece um exemplo de um pensamento sem complicação.</p><p>O salmista conclama:</p><p>Louvem o Senhor, todas as nações;</p><p>exaltem-no, todos os povos!</p><p>Porque imenso é o seu amor leal por nós</p><p>e a fidelidade do Senhor dura para sempre. Aleluia!</p><p>46</p><p>Não entendemos o salmo até que possamos declarar seu</p><p>sujeito. Sobre o quê está falando o salmista? Poderíamos ser</p><p>tentados a dizer que o sujeito é louvor, mas louvor é amplo e sem</p><p>precisão. O salmista não nos conta tudo acerca do louvor. O</p><p>sujeito nem sequer é lou vor a Deus, que ainda é amplo demais. O</p><p>sujeito precisa de mais limites. O sujeito exato é p o r que todos</p><p>d evem louvar o Senhor. O que, então, o salmista está dizendo sobre</p><p>isso? Ele tem dois complementos para seu sujeito. O Senhor deve</p><p>ser louvado, em primeiro lugar, porque seu amor é grande, e</p><p>também porque sua fidelidade é eterna. Neste breve salmo, o</p><p>salmista declara sua idéia desguarnecida, despida de qualquer</p><p>desenvolvimento, mas, mesmo no seu mero esqueleto, tem um</p><p>sujeito definido e dois complementos.</p><p>Passagens mais longas, em que a idéia recebe desenvol</p><p>vimento extensivo, podem ser mais difíceis de analisar à procura</p><p>do sujeito e do complemento, mas o trabalho terá que ser feito.</p><p>Em Hebreus 10.19-25 o autor aplica uma discussão prévia da</p><p>obra sumo-sacerdotal de Jesus:</p><p>Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo</p><p>dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho</p><p>que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo. Temos,</p><p>pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Sendo assim,</p><p>aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena</p><p>convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar</p><p>de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados</p><p>com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que</p><p>professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremos</p><p>uns aos outros, para nos incentivarmos ao amor e às boas obras.</p><p>Não deixemos de reunir-nos como é costume de alguns, mas</p><p>procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando</p><p>vocês vêem que se aproxima o Dia.</p><p>Embora muitos pormenores nesta passagem exijam</p><p>explicação, o estudante cuidadoso separará o tronco dos galhos</p><p>das árvores. Até que um sujeito surja, não é possível determinar</p><p>o valor ou relevância de qualquer outra coisa que é dita. Um</p><p>47</p><p>leitor casual talvez seja tentado a declarar que o sujeito é o sumo</p><p>sacerdócio de Jesus, mas esse sujeito abrange demais.</p>