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Prévia do material em texto

CAPRINOCULTURA 
E OVINOCULTURA
Prof. Robson Helen da Silva
Setor de Ensino a Distância
Barbacena – MG
2011
 
 APOSTILA DE 
 CAPRINOCULTURA E OVINOCULTURA 
 PROF. PEDRO SILVA DE OLIVEIRA.
BARBACENA - MG
Março/2009
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 2
FICHA CATALOGRÁFICA: elaborada pela Bibliotecária da Biblioteca do Instituto 
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Sudeste de Minas Gerais – Campus 
Barbacena.
636.3 OLIVEIRA, Pedro Silva de. 
O48a Apostila de caprinocultura e ovinocultura. Barbacena: Instituto Federal 
 de Educação, Ciência e Tecnologia, 2009. 95 p.
1. Caprinocultura. 2. Ovinocultura. I.Título.
 
 CDD 636.3
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 3
ÍNDICE
 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 7 
1.1 PANORAMA MUNDIAL ........................................................................................................................ 7 
1.2 PANORAMA BRASILEIRO .................................................................................................................... 8 
TABELA 5: DIFERENÇAS NUTRICIONAIS ENTRE AS CARNES DE DIVERSAS ESPÉCIES DE ANIMAIS. ....................................... 12 
 2. RAÇAS DE OVINOS .................................................................................................................................. 13 
2.1. RAÇAS ESPECIALIZADAS NA PRODUÇÃO DE LÃ FINA ............................................................ 14 
2. 2 RAÇAS MISTAS ................................................................................................................................... 15 
2.3 RAÇAS ESPECIALIZADAS NA PRODUÇÃO DE CARNE ............................................................... 15 
2.3.1 RAÇAS LANADAS ............................................................................................................................. 15 
2.3.2 RAÇAS DESLANADAS ..................................................................................................................... 17 
3. RAÇAS DE CAPRINOS ............................................................................................................................. 18 
3.1 RAÇAS COM APTIDÃO LEITEIRA .................................................................................................... 18 
3.2 RAÇAS COM APTIDÃO PARA CARNE ............................................................................................. 20 
3.3 RAÇAS COM DUPLA APTIDÃO ........................................................................................................ 22 
4. INSTALAÇÕES PARA OVINOS DE CORTE ......................................................................................... 24 
4.1 PASTAGENS .......................................................................................................................................... 24 
4.2 CERCAS .................................................................................................................................................. 25 
4. 3 CENTRO DE MANEJO ......................................................................................................................... 26 
4.4 CABANHA ............................................................................................................................................. 28 
4. 5 COCHOS ................................................................................................................................................ 28 
4.6 BEBEDOUROS ....................................................................................................................................... 29 
4.7 EQUIPAMENTOS .................................................................................................................................. 29 
5. INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS EM REGIME DE CRIAÇÃO INTENSIVA .............................. 30 
5.1 CABRIL OU CAPRIL OU APRISCO ................................................................................................... 31 
5.10 EQUIPAMENTOS: .............................................................................................................................. 34 
BEBEDOUROS: ................................................................................................................................................... 34 
COCHOS: ..........................................................................................................................................................34 
MANJEDOURA: ................................................................................................................................................... 34 
PLATAFORMA DE ORDENHA: ................................................................................................................................. 34 
CAIXA DE ALEITAMENTO ...................................................................................................................................... 34 
5.11 CERCAS: .............................................................................................................................................. 34 
6. NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE OVINOS E CAPRINOS .............................................................. 35 
 6.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS ................................................................................................................ 35 
6.2 PASTAGENS .......................................................................................................................................... 36 
6.3 FORRAGEIRAS MAIS RECOMENDADAS PARA A FORMAÇÃO DE PASTAGENS .................. 38 
6.4 ALIMENTOS VOLUMOSOS ................................................................................................................ 40 
6.5 RAÍZES E TUBÉRCULOS ..................................................................................................................... 42 
6.6 GRÃOS, SUBPRODUTOS E OUTROS CONCENTRADOS ............................................................... 42 
6.7 SUPLEMENTOS PROTÉICOS .............................................................................................................. 44 
6.8 OUTROS ALIMENTOS ......................................................................................................................... 46 
7. MANEJO ALIMENTAR DOS REBANHOS ............................................................................................ 47 
7.1 OVINOS DE CORTE .............................................................................................................................. 47 
7.2 CAPRINOS LEITEIROS ........................................................................................................................ 50 
8. MANEJO REPRODUTIVO DOS REBANHOS ...................................................................................... 55 
8.1 OVINOS ................................................................................................................................................. 55 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 4
8.1.1 IDADE PARA REPRODUÇÃO .......................................................................................................... 55 
8.1.2 CICLO ESTRAL .................................................................................................................................. 56 
 8.1.3 SINCRONIZAÇÃO DO CIO .............................................................................................................. 57 
8.1.4 GESTAÇÃO ......................................................................................................................................... 58 
8.1.5 PARIÇÃO ............................................................................................................................................. 58 
8.1.6 PERÍODO DE ALEITAMENTO ......................................................................................................... 58 
 8.2 CAPRINOS ............................................................................................................................................ 59 
8.2.1 FÊMEAS .............................................................................................................................................. 59 
 8.2.2 INDUÇÃO DE CIO ............................................................................................................................. 61 
 8.2.3 DURAÇÃO DA GESTAÇÃO ............................................................................................................ 63 
 8.2.4 DIAGNÓSTICO DA GESTAÇÃO ..................................................................................................... 64 
8.2.5 CUIDADOS COM A CABRA EM GESTAÇÃO ............................................................................... 64 
8.2.6 PARIÇÃO............................................................................................................................................. 65 
8.2.7 CUIDADOS COM AS CRIAS ............................................................................................................. 65 
 9. MANEJO SANITÁRIO DOS REBANHOS ............................................................................................. 67 
 9.1 ASPECTOS GERAIS ............................................................................................................................. 67 
 9.2 VIAS DE APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS .................................................................... 67 
9.3 OVINOS .................................................................................................................................................. 72 
 9.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS ............................................................................................................ 72 
9.3.2 PRINCIPAIS ENFERMIDADES NA OVINOCULTURA ................................................................. 72 
9.3.3 ECTOPARASITAS .............................................................................................................................. 72 
9.3.4 ENDOPARASITAS ............................................................................................................................ 76 
9.3.5 ENFERMIDADES INFECCIOSAS ..................................................................................................... 85 
9.4 CAPRINOS ............................................................................................................................................ 91 
9.4.1 ECTOPARASITAS .............................................................................................................................. 92 
 9.4.2 ENDOPARASITAS ............................................................................................................................ 92 
9.4.3 PROGRAMA DE VACINAÇÕES ...................................................................................................... 93 
10. LITERATURA CONSULTADA (BIBLIOGRAFIAS) .......................................................................... 94 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 5
PREFÁCIO
Este material foi elaborado com base em revisão de literatura técnica, especializada 
e em observações de campo vivenciadas pelo autor como criador e Técnico. E tem como 
objetivo auxiliar no desenvolvimento da disciplina de Ovino e caprinocultura, contribuindo 
para o entendimento dos diferentes tópicos que compõem a produção de caprinos e ovinos. 
Devendo, portanto, ser lido com atenção, à medida que os temas sejam apresentados em 
sala de aula e conforme necessário e possível, sejam desenvolvidos em atividades práticas 
nos respectivos setores. Cabendo ao estudante o empenho e interesse pela leitura atenciosa 
desta apostila e também a pesquisa complementar das fontes citadas ao longo dos textos e 
no referencial bibliográfico. Realizando as devidas anotações, de maneira ordenada em seu 
caderno, a fim de alcançar o entendimento, aprendizado e o domínio de competência sobre 
as técnicas de manejo na Cadeia produtiva dos diversos produtos oferecidos ao homem por 
esses pequenos e brilhantes ruminantes. 
Desejo contribuir na formação técnica do estudante e na multiplicação de novos 
criadores de caprinos e ovinos no Brasil. 
Bons estudos!
O Autor. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 6
1. INTRODUÇÃO
1.1 PANORAMA MUNDIAL
A criação de ovinos e caprinos é uma atividade praticada há séculos em quase todo 
o globo terrestre, havendo, porém grande concentração de rebanhos na China, Índia, 
Austrália, Nova Zelândia e Turquia, que são, em ordem decrescente, os cinco maiores 
produtores e abrigam mais de 75% dos efetivos mundiais (Tabela 1). A China detém 
sozinha, quase 36% do total de caprinos e ovinos criados no mundo, e responde por mais de 
39% da produção de carnes dessas espécies no âmbito mundial. O Brasil figura em 10º 
lugar.
Tabela 1. Participação do rebanho caprino e ovino no mundo e contribuição para produção 
 de carne
Ao fazer-se uma relação dos efetivos de ovinos e caprinos e a população dos 
respectivos países, têm-se uma substancial modificação no quadro. Com efeito, a Nova 
Zelândia, que é a 4ª colocada no quantitativo, assume o 1º lugar, com 13 cabeças por 
habitante; a Austrália sobe de 3º para 2º, com 7 cabeças/habitante, enquanto a China desce 
para a 7ª posição, com 0,22 cabeças/habitante. O Brasil permanece em 10º lugar, com 0,13 
cabeças/habitante. O que pode parecer mera curiosidade tem elevado significado do ponto 
de vista econômico, porquanto são exatamente os dois primeiros colocados na relação 
animal/habitante, Nova Zelândia e Austrália, que têm obtido os melhores resultados nessa 
atividade, destacando-se por suas exportações de produtos das espécies em referência.
Para se ter uma idéia dessa pujança, ressalta-se que a Austrália chegou a exportar, 
no período de 1998/99, mais de cinco milhões de carneiros, números superiores ao efetivo a 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 7
Irlanda, que está entre os 20 (vinte) maiores criatórios do mundo. Vale destacar também, 
que Nova Zelândia e Austrália têm o maior consumo per capita, algo em torno de 20 a 28 
kg/habitante/ano respectivamente. Também merecem destaque no cenário mundial a 
França, pela expressividade na produção de queijos e outros derivados do leite de cabra e 
ovelha e a África do Sul, pelo que vem oferecendo ao mundo em termos de pesquisas 
quanto a raças para produção de carne. Apesar de todo o avanço que vem conseguindo, a 
ovino caprinocultura não se desenvolve linearmente no mundo. Assim, ainda há países que 
detêm grandes efetivos, mas com a utilização de sistemas tradicionais de exploração e 
baixas taxas de desfrute, vivendo num estágio de auto-suficiência no qual os produtores 
mantêm uma relação irregular com o mercado. Outros países experimentam a fase de 
especialização, onde existe uma maior visão e integração ao mercado, enquanto os mais 
desenvolvidos praticam o Agronegócio,bastante integrados ao mercado. 
Um dado muito importante é que o mercado mundial de produtos da ovino 
caprinocultura (carne, leite e pele) é comprador, indicando, com isso, demanda insatisfeita. 
No caso das carnes de ovinos e caprinos, verifica-se um aumento de consumo superior a 
22% no período de 1989/1998. Apenas o mercado de lã está em declínio.
1.2 PANORAMA BRASILEIRO
Dotado de excelentes características edafoclimáticas para a criação de ovinos e 
caprinos, o Brasil está longe de alcançar um satisfatório grau de desenvolvimento nessa 
atividade. Isso porque as explorações não tiveram um caráter empresarial ou profissional 
em sua quase totalidade, exceto aquelas criações destinadas à produção de lã, cujos efetivos 
ocupam basicamente a região Sul. Ademais, a criação de bovinos sempre conferiu prestígio 
e status aos criadores, enquanto havia preconceito quanto às explorações de ovinos e, 
principalmente, de caprinos. Essa visão excluiu a ovino caprinocultura de muitas ações 
desenvolvimentistas, colocando-a no nível de simples subsistência na maioria das regiões, à 
exceção do Rio Grande do Sul, pela importância que tinha a lã. Algumas iniciativas foram 
tomadas no início da Segunda metade do século passado, mas de forma incipiente, nada que 
promovesse mudanças substanciais. Na década de 80, também houve alguma 
movimentação, produziram-se alguns pacotes tecnológicos, porém o quadro não evoluiu 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 8
satisfatoriamente, somente no que tange à profissionalização e organização dos agentes 
produtivos e a uma visão de mercado. Foi na década de 90 que a atividade passou a merecer 
mais atenção das autoridades, técnicos e produtores, ocorrendo profundas mudanças em 
alguns segmentos dessa exploração: algumas pesquisas foram desenvolvidas, tecnologias 
de ponta foram assimiladas e, o que é mais importante, aumentou a demanda por produtos 
de caprinos e ovinos no Brasil. Foi nessa década que o País passou a discutir efetivamente a 
atividade dentro de uma visão de cadeia produtiva e de agronegócio. Desenha-se assim um 
novo cenário, a partir do qual se cria uma maior consciência sobre a importância do 
consumidor, esteja ele onde estiver. Constata-se a necessidade de articulação entre os 
diversos elos da Cadeia Produtiva. Conquanto existam criações de ovinos e caprinos em 
todas as regiões do Brasil, é no Nordeste que essa atividade assume relevância em termos 
de efetivos. Conforme dados do IBGE, 2003 (Tabela 2), nessa região estão concentrados 
92,95% dos caprinos brasileiros e 56,56% dos ovinos. A região Sul detém o 2º lugar na 
exploração de ovinos, com 31,75% dos animais da espécie, ficando, portanto, pouco mais 
de 10% para as demais regiões. No caso de caprinos, a supremacia do Nordeste é muito 
grande, pois o Sudeste, que ocupa o 2º lugar, tem apenas 2,36%, contra os 92,95% acima 
citados. Observa-se que são menos de 5% dos caprinos distribuídos pelas demais regiões 
geográficas do país. 
Tabela 2. Efetivo Rebanho Ovino e Caprino - Brasil e Regiões.
Essa enorme hegemonia do Nordeste apóia-se na riqueza de sua vegetação, com 
grande ocorrência de leguminosas, e no clima que, embora cause, com certa freqüência, 
prejuízos às explorações, favorece a procriação em qualquer período do ano e diminui a 
infestação dos rebanhos por verminose nos períodos de estiagem. Some-se a isso a grande 
confiança que o sertanejo deposita nessa atividade, porquanto ela se constitui uma 
salvaguarda nos períodos mais críticos. Vale ressaltar que em algumas regiões do Nordeste, 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 9
os animais são os únicos capazes de transformar a biomassa da vegetação seca em energia e 
proteína. As transformações em curso, os aspectos técnicos e mercadológicos têm 
despertado interesse de empresários de outras regiões, e o quadro de evolução dos rebanhos 
começa a sofrer mudanças significativas. Conforme dados publicados no do Anualpec de 
1998; enquanto no Nordeste o número de caprinos cresceu apenas 0,7% no período 
1989/1998, o Norte e o Centro-Oeste aumentaram 32,2% e 28,3%, respectivamente; com 
relação a ovinos, para o mesmo período, o Nordeste sofreu uma queda de 4,7% ao tempo 
em que o Norte cresceu 38,7% e o Centro-Oeste também aumentou seu rebanho em 35,7%. 
Para essa espécie (ovino), segundo a mesma fonte, o Sul diminuiu seu criatório em 
9,5% e o Brasil, 7,15%. O que existe de mais positivo e estimulante no Brasil é a certeza de 
que há um grande mercado comprador na atualidade, com amplas possibilidades de 
ampliação a médios e longos prazos, cujo suprimento depende de ações conjuntas do poder 
público e da iniciativa privada. O baixo consumo de 700 g/pessoa/ano verificado no Brasil, 
segundo dados oficiais, contra um consumo per capita da ordem de 20 a 28 kg / ano em 
países do primeiro mundo, aponta para a existência de uma grande fatia de mercado 
interno, pois somente agora, nos últimos 03/05 anos, é que as carnes de ovinos e caprinos 
começaram a ser vendidas nos supermercados, açougues e restaurantes finos das grandes 
cidades, ultrapassando assim as barreiras da zona rural e das pequenas cidades. Se no 
mercado interno as possibilidades de expansão são grandes, para o mercado externo as 
perspectivas também são animadoras. Mas para exportar não basta produzir. È preciso 
proceder muitas mudanças em relação às nossas explorações, principalmente no item 
sanidade animal. As barreiras sanitárias existem, mas o País ainda enfrenta sérios 
problemas nessa área. O governo federal havia assumido o compromisso de tornar o nosso 
território livre da febre aftosa até 2005, o que colocaria numa boa situação para exportar 
carnes. Esse processo, porém não tem se desenvolvido com a mesma intensidade em todas 
as unidades da federação. Falta-nos também uma cultura de exportação.
No segmento carnes e animais vivos, enquanto não se reúnem condições para 
exportar, parte de nossa demanda é atendida através da compra no mercado externo.
No período de 1992/2000, importou-se uma média de 4.272 toneladas/ano de carneiro vivo 
e 5.150 toneladas/ano de carne de ovinos. Já no período de 1996/2000, importou-se uma 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 10
média de 6,4 toneladas de carne de caprinos. Esse é o cenário atual, que tende a se 
modificar substancialmente, podendo o País passar a exportador no longo prazo. 
Com relação ao leite de cabra e derivados também somos importadores. Tem-se 
uma demanda estimada de 12 milhões de litros de leite por ano, para uma oferta potencial 
de 6,1 milhões de litros. Para suprir o déficit importa-se leite em pó e derivados dos EUA, 
Alemanha, Bélgica, Holanda, França e outros países.
No setor de peles tem-se um superávit quanto a peles de ovinos, no período de 
1992/2000, ao contrário das peles de caprinos, cujo volume de importação é superior às 
exportações. O rebanho de cabras leiteiras está concentrado nos Estados de Minas Gerais e 
Rio de Janeiro. As ovelhas para produção de lã estão prioritariamente no Rio Grande do 
Sul. As deslanadas habitam o Nordeste e o Centro-Oeste do País (Tabela 3).
Tabela 3. Estados Produtores de Lã no Brasil.
No que diz respeito ao efetivo rebanho de ovinos e caprinos da Região Sudeste pode 
se verificar que os Estados de São Paulo e Minas Gerias apresentam os maiores rebanhos 
em ambos os casos, com destaque para São Paulo com o maior rebanho de ovinos da região 
e Minas Gerais, por sua vez, apresentando o maior rebanho de caprinos do sudeste. Os dois 
Estados analisados em conjunto respondem por 87,81% e 79,58% respectivamente do 
rebanho de ovinos e caprinos da região sudeste (Tabela 4).
Tabela 4. Efetivo Rebanho Ovino e Caprino - Região Sudeste.“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 11
Tabela 5: Diferenças nutricionais entre as carnes de diversas espécies de animais.
Além da carne, cujas características nutricionais são iguais ou até melhores, se 
comparadas com a de outras espécies (Tabela 5), existem os subprodutos que são 
aproveitados comercialmente, em especial a lã nos ovinos e a pele nos ovinos deslanados e 
caprinos. Por todos esses motivos a criação de ovinos e caprinos tem alcançando uma 
posição de destaque e é crescente o interesse nos últimos anos na criação destes animais. 
Apesar do crescimento no número de cabeças de ovinos, o rebanho brasileiro não consegue 
abastecer o mercado interno, abrindo espaço para a importação de carne, de carcaças e 
animais vivos. Entre 1992 e 2000 a importação de ovinos vivos para abate passou de 119 
ton para mais de 6.200 ton anuais, segundo dados do Ministério de Indústria e Comércio 
publicados em 2002, demonstrando o aumento na importação de carcaças de ovinos no 
mesmo período, passando de 2.230 ton para quase 8.500 ton anuais. No ano de 2000 o 
Brasil importou 15 milhões de dólares em peles de ovinos e caprinos para processamento 
na indústria de couros e calçados. Portanto, apesar dos ovinos serem uma tradição no Sul 
como uma criação extensiva, e no nordeste, como uma atividade de subsistência, a 
produção brasileira não tem conseguido atender à sua demanda interna, tanto em produtos 
ovinos como em caprinos. Um manejo reprodutivo e sanitário adequado associado aos 
princípios básicos na criação destes animais possibilitará o uso mais eficiente dos recursos 
forrageiros disponíveis, transformando a ovino caprinocultura em uma alternativa de renda 
viável para os produtores rurais.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 12
2. RAÇAS DE OVINOS
(Extraído do Curso de Atualização em Ovinocultura – UNESP Campus de Araçatuba - 
Novembro de 2001).
O tronco original dos ovinos domésticos deve ser procurado no gênero Ovis e, 
dentro deste, nos grupos de ovinos selvagens representados pelo Argali (Ovis ammon), 
Urial (Ovis vignet) e Mouflon (Ovis musimon). Desses grupos, o Mouflon ainda é 
encontrado em estado selvagem nas montanhas da Córsega e da Sardenha. O Urial ainda 
existe no Irã, Afeganistão, partes da Índia e do Tibet. É conveniente reconhecer duas 
espécies de ovelhas selvagens: Ovis canadensis, a ovelha de corno grosso americana e Ovis 
ammon, a ovelha selvagem asiática e européia. A Ovis canadensis nunca foi domesticada e 
foi eliminada como antepassado das ovelhas domésticas por razões zoogeográficas. Só 
restou como animal primitivo para a domesticação, a Ovis ammon com suas subespécies. 
Atualmente, existem no mundo mais de 800 raças de ovelhas domésticas. A grande 
variedade de fenótipos sugeriu investigações sobre quais seriam as subespécies selvagens 
da ovelha doméstica, sendo provável que algumas subespécies tenham mudado de lugar 
devido a alterações climáticas ao final da época glacial. Também podem ter desaparecido 
algumas subespécies anteriores que intervieram na domesticação. Durante as migrações dos 
povos e entre as tribos vizinhas, trocavam-se animais de cria. Alguns rebanhos de ovelhas 
domésticas chegaram a regiões nas quais viviam outras subespécies, e com elas podem ter 
se cruzado. Daí ser impossível definir, atualmente, a espécie de ovelha selvagem que deu 
origem às raças ovinas atuais. O menor tamanho dos animais é uma característica da 
domesticação, referente às ovelhas que, em algumas estações do ano, sofriam restrições 
alimentares, determinando perdas de peso e diminuição da produção de leite. No início, o 
homem domesticou as ovelhas por sua carne e depois demonstrou interesse pelo leite, 
ordenhando as ovelhas, constituindo uma nova orientação a cria. Entretanto, a mudança 
mais importante para o homem, quanto à domesticação, aconteceu quando o pêlo da ovelha 
selvagem foi substituído por fibras de lã. Não se pode demonstrar se o aparecimento da 
ovelha de lã fina foi devido à mutação ou seleção, aproveitando-se crias obtidas através de 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 13
cruzamentos consangüíneos. A palavra “raça” é aplicada ao grupo de animais que possuem 
caracteres similares, capaz de serem transmitidos aos seus descendentes quando as 
condições ambientais são semelhantes. O ovino tem diversas aptidões logo, suas raças são 
divididas no mesmo sentido. Sabe-se que, no mundo há de 800 a 1000 (mil) raças de 
ovinos. Alguns autores citam cerca de 1.400. E a classificação zoológica é a seguinte:
Reino: Animal
Sub-reino: Vertebrata
Filo: Chordata
Classe: Mamalia
Ordem: Ungulata
Sub-ordem: Artiodactyla
Grupo: Ruminantia
Família: Bovidae
Sub-família: Ovinae
Gênero: Ovis
Espécie: Ovis aries (ovinos domésticos)
Neste material serão citadas as principais raças utilizadas no Brasil. 
2.1. RAÇAS ESPECIALIZADAS NA PRODUÇÃO DE LÃ FINA
Merino Australiano:
Raça que apresenta lã de excelente qualidade e elevado valor econômico, destinada 
à fabricação de tecidos finos. Adapta-se perfeitamente às condições de alta temperatura e 
vegetação pobre em vista de seu pequeno porte e velo muito fino e denso, que funciona 
como verdadeiro isolante térmico. Não tolera, todavia, umidade excessiva. Em termos 
teóricos, teria 70% de potencial para produzir lã e 30% para carne. A lã atinge, via de regra, 
as classes merina e amerinada.
Ideal ou Polwarth:
Originária da Austrália, a raça Ideal possui em sua formação ¾ de sangue Merino 
Australiano e ¼ de sangue Lincoln, raça inglesa de grande porte e de lã grossa. O trabalho 
de seleção efetuado pelos Australianos deu como resultado uma raça com excelente 
capacidade para produzir lã, aliada à produção de carcaça com desenvolvimento 
satisfatório. A lã é um pouco mais grossa que a da raça Merino Australiano, em decorrência 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 14
da infusão de sangue Lincoln, conservando, no entanto, excelente qualidade em termos de 
classificação, enquadrando-se, basicamente, nas classes prima A e prima B. A raça Ideal 
apresenta 60% de potencial para lã e 40% para carne. 
2. 2 RAÇAS MISTAS
Corriedale:
Raça mista por excelência (50% de potencial para lã e 50% de potencial para carne). 
Foi formada na Nova Zelândia, também a partir das Raças Merino Australiano e Lincoln, 
possuindo, porém, ½ sangue de cada. Em vista disto, sua lã se apresenta mais grossa que a 
da raça ideal (classificada como cruzadas 1 ou 2). Um pouco mais exigente que as raças 
anteriormente referidas, adaptam-se bem, todavia, ao regime extensivo de exploração. É um 
fato natural que, à medida que aumentam o tamanho do animal, estarão se elevando, 
paralelamente, seus requerimentos nutritivos.
 Romney Marsh:
Originária da Inglaterra caracteriza-se pela produção de lã bastante grossa 
(predominantemente cruzas de 3 e 4) e boa aptidão para a produção de carne. Um aspecto 
que cabe salientar, diz respeito a sua adaptabilidade a solos mais úmidos, tendo em vista 
que sua região de origem é baixa e tem bastante umidade. Exige, porém, melhor nível 
nutricional que as raças já citadas. Apresenta 40% de potencial para produção de lã e 60% 
para produção de carne.
2.3 RAÇAS ESPECIALIZADAS NA PRODUÇÃO DE CARNE
2.3.1 RAÇAS LANADAS
Este grupo é sabidamente mais exigente em termos nutricionais e de ambiente em 
geral, adaptando-se melhor às criações mais intensificadas, como no caso das pequenas 
propriedades. Nestas, em virtude da impossibilidade de se trabalhar com grandes rebanhos, 
o retorno econômico propiciado pela lã não seria tão significativo.
Ile de France:
Originária da França foi formada através de cruzamentos de raças inglesas com 
Merino Rambonillet. Foi introduzida no Brasil por voltade 1973 e teve uma boa aceitação 
em virtude de produzir lã de melhor qualidade, em relação às demais raças de carne. São 
animais de grande porte, com bom desenvolvimento de massa muscular nas regiões nobres 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 15
(pernil, lombo e paleta). As fêmeas apresentam altos índices de fertilidade e prolificidade, 
com média de 1,40 a 1,70 cordeiros por parto. Os cordeiros são bastante precoces, 
apresentando ótimo ganho de peso, o que propicia a obtenção de carcaças de boa qualidade.
Hampshire Down:
Raça originária do Sul da Inglaterra através de cruzamentos entre carneiros 
Wiltshire e Berkshire. Também pertence ao grupo dos “Cara Negra” e expandiu-se bastante 
em determinadas regiões do Brasil, tendo se adaptado bem dentro das condições de meio 
ambiente já comentadas. Possui grande capacidade para produção de carne de excelente 
qualidade.
 Poll Dorset:
Raça introduzida recentemente no Brasil por uma cabanha paulista, no ano de 1991. 
É uma raça de carne, originária da Austrália. Em sua formação, entraram principalmente, as 
raças Ideal, Dorset Horn e Poll Merino. Embora de origem Australiana, os melhores 
rebanhos são Neozelandeses, os quais sofreram um grande melhoramento para produção de 
carne. Suas principais aptidões são; a produção de carne de excelente qualidade, velo sem 
fibras meduladas e pigmentadas e não estacionalidade de cio, sendo essa uma característica 
ainda não testada em condições brasileiras.
Texel:
De origem Holandesa, foi introduzida no Brasil por volta de 1972. São animais que, 
também, apresentam lã branca e, por isso, são muito utilizados no cruzamento industrial 
com matrizes laneiras ou mistas. São animais bastante precoces, caracterizando-se pela 
produção de carcaças de boa qualidade, com baixo teor de gordura.
Suffolk:
Raça originária da Inglaterra através de cruzamentos entre ovelhas Norfolk (animais 
nativos da região sudeste da Inglaterra) com carneiros da raça Southdown. Foi aceita como 
raça a partir de 1859. Pertence ao grupo dos “Cara Negra”, apresentando cabeça e membros 
totalmente desprovidos de lã e cobertos por pelos negros. Adaptou-se bem ao Brasil, sendo 
criada nas mais diferentes regiões. As fêmeas têm boa habilidade materna, com grande 
produção leiteira, permitindo alimentar bem mais de um cordeiro. São animais bastante 
precoces, produzindo carcaças magras e de boa qualidade.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 16
2.3.2 RAÇAS DESLANADAS
As raças deslanadas se apresentam como alternativa para regiões onde não é 
conveniente a exploração da lã, como, por exemplo, regiões de vegetação inadequada ou 
com carência de mão-de-obra para tosquia. Destacam como produtoras de pele de ótima 
qualidade, sendo representadas principalmente pelas raças Santa Inês e Morada Nova.
Morada Nova:
Raça nativa do Nordeste, resultante possivelmente, de seleção natural e 
recombinação de fatores em ovinos Bordeleiros e Churros trazidos pelos colonizadores 
portugueses. A ação continuada do ambiente quente e seco do Nordeste promoveu a perda 
da lã e a adaptação do animal. Apresenta pelagem vermelha ou branca. São animais 
bastante rústicos, que se adaptam às regiões mais áridas, desempenhando importantes 
funções sociais. Produzem carne e, principalmente, peles de ótima qualidade, são ovelhas 
muito prolíferas.
Santa Inês:
Existem muitas hipóteses em relação à origem da raça Santa Inês, como a que diz 
que esta é o resultado do cruzamento entre as raças Bergamácia (raça italiana) e Morada 
Nova; e a que cita a descendência de ovelhas africanas, trazidas pelos escravos negros.
O Santa Inês é um ovino de grande porte, produzindo boas carcaças e peles fortes e 
resistentes. As fêmeas são ótimas criadeiras, parindo cordeiros vigorosos, com freqüentes 
partos duplos e apresentando excelente capacidade leiteira. A raça é caracterizada por 
quatro pelagens: branca, chitada, vermelha ou marrom e preta.
2.4 RAÇAS PRODUTORAS DE LEITE: Lacaune; Bergamácia; Comisana; Santa 
Inês.
2.5 RAÇAS PRODUTORAS DE PELE: Crioula; Karakul; Morada Nova; Rabo 
Largo; Somalis Brasileira. 
 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 17
3. RAÇAS DE CAPRINOS 
 A cabra foi o primeiro animal domesticado pelo homem capaz de produzir 
alimentos, há cerca de dez mil anos, por volta de 8.000 A.C. pelos povos nômades da Ásia 
e Oriente Médio. De lá para cá, sempre acompanhou a história da humanidade, conforme 
atestam os diversos relatos históricos, mitológicos e até mesmo bíblicos, que mencionam os 
caprinos. Apesar disso, poucas vezes teve seu valor devidamente reconhecido. Os caprinos 
têm a mesma origem que os bovinos, com o tronco ancestral dos antílopes e a diferenciação 
ocorrendo no Plioceno. As raças domésticas atuais descendem provavelmente da Capra 
aegagrus,da Pérsia e Ásia Menor, Capra falconeri, do Himalaia, e Capra prisca,da bacia 
do Mediterrâneo. A cabra doméstica é a Capra hircus.
3.1 RAÇAS COM APTIDÃO LEITEIRA
Para a produção de leite a dúvida deverá ficar entre as raças Saanen, Alpina, Alpina 
britânica, Alpina americana, Toggenburg, Murciana ou mesmo a Anglo-nubiana.
Saanen
De origem Suíça, vale do rio Saanen nos cantões de Berna e Appenzel, é 
considerada uma das melhores raças para produção de leite. É uma raça cosmopolita. É um 
animal de grande corpulência, profundo, espesso, possuindo uma grande estrutura óssea. 
Pêlos curtos, orelha ereta e curta. Cabeça cônica e alongada, fina e bem elegante, fronte 
larga, perfil retilíneo, orelhas pequenas e horizontais, olhos grandes e claros, com ou sem 
cornos, com ou sem barba. Pelagem uniformemente branca ou levemente creme. A média 
de produção de leite é de 2 a 3 kg, com 3 a 3,5% de gordura. No Brasil, em criatórios com 
manejo adequado, conseguem-se produções médias de 2 a 3 litros. O animal padrão 
brasileiro possui grande porte, orelhas pequenas a medianas e eretas, chanfro reto, presença 
ou não de chifres, pelagem totalmente branca, pêlos curtos. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 18
Parda Alpina
Origem Suíça, encontrada desde as regiões baixas até as regiões montanhosas. 
Apresenta cabeça com perfil retilíneo, fronte larga, orelhas levantadas de tamanho médio, 
pelagem parda (claro-acinzentado ao vermelho escuro), apresenta uma faixa negra no dorso 
sendo os membros escuros na parte inferior, e a cabeça assim como a cauda mais escura 
que o restante do corpo. No Brasil apresenta grande porte; orelhas pequenas a medianas e 
eretas; chanfro reto; presença ou não de chifres; pelagem de cor variada, sendo no Brasil o 
padrão alpino de cor acamurçada, com listra preta na linha nuca-dorso lombar até a garupa; 
ponta das orelhas escuras; linha preta dos olhos ao focinho; parte distal dos membros preta; 
ventre escuro. 
Toggenburg
Origem suíça no Vale do Toggenburg, proveniente do cruzamento inicial da cabra 
Fulva de Saint-Gall x Saanen. Muito produtiva e rústica. Apresenta porte médio, com 
cabeça bem feita e alongada, fronte larga, perfil retilíneo, pouco côncavo, orelhas pequenas 
na horizontal, sem cornos (podendo eventualmente apresentar chifres). Pêlos podem ser 
curtos ou apresentar fios mais compridos no dorso e na parte externa das coxas, bodes com 
pêlos mais longos e mais grossos. Cor castanho-cinza claro. Apresenta duas faixas brancas 
que partem do lado da boca e terminam junto às orelhas. A média de produção de leite é de 
600 a 900 kg em 275 - 305 dias de lactação. O animal padrão brasileiro é de porte grande, 
mostrando orelhas de tamanho mediano elevadas e dirigidas para frente; chanfro reto; 
presença ou não de chifres; pelagem de cor acinzentada, variando do claro ao escuro, com 
listras de cor clara que partindo das orelhas, passam pelos olhos e vão terminarnas 
comissuras labiais; focinho, parte distal dos membros e inserção da cauda de cor branca; 
pelos de comprimento mediano a longo.
Murciana
A raça é originária da Espanha na província de Múrcia. Os espanhóis têm dedicado, 
ao longo das últimas décadas, bastante atenção à exploração e seleção, para o 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 19
aprimoramento da produção de leite. Essa raça praticamente desapareceu ao longo dos anos 
no Brasil, sendo reintroduzida por criadores do Estado da Paraíba na década de 90. 
São animais de pêlos curtos e finos, de cor geralmente preta, podendo haver 
exemplares de cor castanho-escura. A cabeça é triangular, de perfil reto com frontal amplo 
e ligeiramente deprimido ao centro. As orelhas são de tamanho médio, eretas e muito 
móveis. É um animal geralmente mocho, de porte pequeno, com peso variando nas fêmeas 
adultas de 45 kg a 60 kg, e nos machos adultos de 60 kg a 70 kg. A altura média da 
cernelha é de 0,80m nos machos adultos e de 0,70m nas fêmeas. A média de produção é de 
600 kg de leite por lactação. 
3.2 RAÇAS COM APTIDÃO PARA CARNE
Bôer
Originária da África do Sul, a raça Bôer é o resultado do cruzamento de várias raças 
de cabra, especialmente de cabras Indianas com a Angorá. Essa seleção vem sendo feita 
desde o final do século passado, quando os criadores procuraram, através de seleções, criar 
animais rústicos, bons produtores de leite, que produzissem carne de boa qualidade com 
melhor aproveitamento de carcaça e que apresentassem melhor conversão alimentar, com o 
melhor peso. Os animais dessa raça chegam a apresentar ganho de peso de 200 até 300 
gramas por dia. São animais robustos, pesados e harmônios, cabeça proeminente, com 
chifres fortes, de comprimento moderado, posicionados bem distantes e com uma curva 
inversa gradual, tendendo a sair para as laterais. Os animais são brancos com o pescoço 
avermelhado, pêlo curto e macio.
Savana
A raça surgiu em meados de 1957 na África do Sul, a partir de acasalamentos 
realizados pelo criador D.S.U.Cilliers e seus filhos, de fêmeas com pelagem colorida com 
um reprodutor branco. O hábitat destas cabras brancas seria no campo tipo Savana, perto do 
rio Vaal, vivendo em condições edafoclimáticas extremamente precárias. Como resultados 
da seleção natural somente teriam sobrevivido os mais aptos. Por isso, se admite que o 
manejo sanitário da raça Savana seja simples e de baixo custo. A cabeça é triangular; as 
orelhas são de comprimento médio a longo. A pele é flexível, grossa, totalmente 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 20
pigmentada de preto e os pêlos são curtos. O Savana é um caprino de grande porte, os 
machos podem passar de 130 kg. As fêmeas pesam normalmente entre 60 kg e 70 kg. Os 
animais são compridos, de boa conformação de carcaça, lombo comprido e largo, com 
pernil bastante desenvolvido. Os aprumos são bem definidos com membros fortes, 
ligamentos robustos, bom desenvolvimento muscular e ossos, quartelas e cascos muito 
fortes.
Azul
Tipo naturalizado do Nordeste Brasileiro. A cabra Azul é originalmente africana e 
pertence ao grupo "Wad", que significa "West African Dwarf", ou "cabras pequenas do 
oeste africano". Nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará 
encontram-se a maioria dos animais da raça ou tipo racial, entretanto, são próprios da 
caatinga do Estado do Piauí. É conhecida também pelas denominações de Azulego, 
Azulona, Azula e Azulanha. A pele é escura, as mucosas nasais e perineal são negras ou 
em tom cinza-escuro. A pelagem é azulada ou cinza-azulada, podendo apresentar as 
extremidades bastante escuras. Algumas apresentam o debrum isto é, o contorno da orelha 
também escuro. Animais com peso médio em torno de 34 kg a 36 kg. Rústica e adaptada ao 
ambiente semi-árido.
Gurguéia
É um tipo nativo do Nordeste brasileiro. Alguns autores sugerem ser descendente da 
cabra Charnequeira de Portugal. Seu nome se deve a um afluente do rio Parnaíba, no Piauí. 
Apresenta pelagem vermelha escura com ventre de cor baia a castanha, linha dorso-lombar, 
ventre e parte inferior dos membros de cor preta. Perfil retilíneo; chifres voltados para cima 
e para trás, com as extremidades também voltadas para trás; orelhas pequenas; pescoço 
proporcional à cabeça e ao corpo; linha de dorso reta; garupa curta e inclinada; corpo 
ligeiramente alongado; cascos escuros. Pesam em média 36 kg.
Repartida
Tipo naturalizado do Nordeste brasileiro, também conhecida como "Surrão", que 
significa, pessoa suja ou roupa rasgada e suja. Possivelmente são oriundos do cruzamento 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 21
de animais da raça Alpina Francesa com animais de pelagem parda. Apresenta a pelagem 
dividida ao meio, com duas cores distintas, sendo em geral, a parte anterior de cor baia e 
posterior preta. Admite-se, porém, o inverso, isto é, que a parte anterior seja escura e a 
posterior baia. A delimitação da cor da pelagem entre o anterior e o posterior é irregular. 
Apresenta peso corporal médio de cerca de 36 kg.
3.3 RAÇAS COM DUPLA APTIDÃO 
Anglo - Nubiana
Originária da Inglaterra, do cruzamento de cabras comuns Inglesas com bodes 
Nubianos importados da Núbia, India e Arábia. O resultado foi uma raça muita rústica. A 
cabeça apresenta um típico e acentuado perfil convexo. Orelhas grandes, largas e 
pendentes, terminando em ponta voltada para frente, pavilhão interno voltado para a face. 
Normalmente é mocha, mas pode apresentar chifres. Pêlo curto e lustroso, com coloração 
extremamente variável, desde preta a branco em todas as tonalidades, ou manchada, sem 
predominância de qualquer cor. Para efeito de registro são aceitos animais de qualquer cor, 
com preferência para animais de pelagem apatacada (tartaruga). No padrão brasileiro os 
animais possuem grande porte; orelhas grandes, largas e pendentes, com as extremidades 
voltadas para fora; chanfro convexo; presença ou não de chifres; pelagem de cores variadas 
exceto a totalmente branca, sendo mais comum as cores preta, vermelha, parda e suas 
combinações; pelos curtos.
Canindé
Raça naturalizada do Nordeste Brasileiro, e, provavelmente, originária da raça 
Grisonne Negra, dos Alpes Suíços. Alguns afirmam que o nome é oriundo de "Calindé" que 
era a tanga branca de algodão, usada pelos escravos. O escravo vestia sua "calindé" da 
mesma maneira que essa cabra vestia a sua "calindé", alusão da parte baixa do corpo de cor 
branca, mantendo-se o restante de cor preta. Apresenta a cabeça negra, com mancha baia, 
de tamanho variado, na região da garganta. Na face, uma faixa branca ("lágrima") estreita 
percorre a arcada orbitária pelo lado interno (cranial), descendo até os lacrimais, ou pouco 
mais. Os pêlos da parte externa da orelha são negros, mas claros na parte interna e nos 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 22
bordos são claros. O focinho é negro. A linha branca ventral tem início na base do peito, 
seguindo pelas axilas, passando pela região inguinal e pelas nádegas, chegando até á base 
da inserção da cauda, onde os pêlos das bordas inferiores são claros. Os membros dianteiros 
e traseiros são negros na frente e brancos atrás, com exceção dos joelhos que são brancos, 
tanto na frente como atrás. Os cascos são sempre negros. E comum encontrar-se animais 
com pelagem preta e vermelha ao invés de preta e baia. Apresenta peso corporal médio de 
35 kg a 40 kg e altura aproximada de 55 cm. São rústicas e prolíferas.
Marota
Tipo naturalizado do Nordeste brasileiro, que se originou de raças trazidas pelos 
colonizadores. Provavelmente se originou da própria alpina branca. Encontrada nos sertões 
da Bahia, Pernambuco e Piauí. Apresenta pelagem branca ou baia. Em geral, apresenta 
barba e pequenas pintaspretas nas orelhas, que são de tamanho pequeno e com pontas 
arredondadas. Os pêlos são um pouco maiores nos machos. A cabeça é ligeiramente grande, 
vigorosa; os chifres são bem desenvolvidos, divergentes desde a base e voltados levemente 
para trás e para fora, com as pontas reviradas quase sempre para frente, são grossos na base 
e afinando para as pontas. o pescoço é delgado, propiciando ao animal um aspecto elegante; 
a linha de dorso é reta; a garupa é levemente inclinada; o corpo é ligeiramente alongado; os 
membros são alongados, fortes e bem aprumados, terminando em cascos claros; a pele e as 
mucosas são claras, com pigmentação na cauda e face interna das orelhas, que nem sempre 
são pigmentadas; o úbere é bem conformado, embora pouco desenvolvido, com tetas claras. 
Apresenta em média 36 kg de peso corporal.
Graúna
Tipo naturalizado do Nordeste brasileiro, provavelmente, descendente da raça 
Murciana, trazida da Zona árida da Região Sul da Espanha. Também, conhecida por Preta 
Graúna ou Preta de Corda. Apresenta pelagem preta, sem quaisquer outras nuanças. É 
rústica, com peso corporal entre 35 kg e 40 kg.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 23
Moxotó
Raça naturalizada do Nordeste brasileiro. Foi introduzida no País pelos 
colonizadores, é rústica e adaptada a zona semi-árida da região Nordeste. A origem do 
nome "Moxotó" provém do vale do Rio Moxotó, no Estado de Pernambuco, onde se 
concentrava a raça. Na atualidade é criada, principalmente, nos Estados da Bahia, Ceará, 
Paraíba, Pernambuco e Piauí. Apresenta pelagem branca, com o ventre, uma lista que se 
estende do bordo superior do pescoço à base da cauda, duas faixas longitudinais que se 
estendem até a ponta do focinho e as extremidades dos membros, de coloração preta. As 
orelhas são pequenas e as mucosas, as unhas e o úbere pigmentados. O peso médio das 
fêmeas é de cerca de 31 kg, com uma estatura média de 62 cm.
4. INSTALAÇÕES PARA OVINOS DE CORTE
O manejo dos ovinos pode ser considerado simples, quando se puder dispor de mão-
de-obra habilitada e infra-estrutura adequada. As instalações necessárias para o perfeito 
manejo dos animais não são complexas, devendo, no entanto, ser planejadas dentro de 
padrões específicos. Os principais componentes da estrutura necessária à implantação de 
uma ovinocultura visando a exploração de ovinos de corte serão descritos a seguir.
4.1 PASTAGENS
O ovino é um ruminante. Portanto, a pastagem é, sem dúvida, o primeiro fator a ser 
analisado. Antes de tudo, deve-se ter conhecimento, através de uma análise, das 
necessidades do solo, sabendo-se que são comuns a deficiência de fósforo, elevado teor de 
alumínio (tóxico para as plantas) e o baixo pH (acidez). A ovelha não tolera pastagens 
muito altas. Esta condição é altamente estressante à espécie, que tem por hábito o convívio 
comunitário e a busca das partes mais baixas do capim. Por isso, depois de corrigir o solo, é 
recomendável formar pastagens com gramíneas de crescimento rasteiro. O manejo das 
pastagens é muito importante. Deve-se levar em conta o comportamento do capim, a época 
do ano, o microclima da região e também o comportamento animal. A subdivisão em 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 24
piquetes vai depender muito do espaço disponível. Em áreas pequenas não se recomendam 
muitas subdivisões, em função de alta concentração de animais em espaços reduzidos, 
provocando elevado índice de reinfestação parasitária. Para calculo de lotação trabalha-se 
com unidade animal (U.A), sabendo-se que uma vaca equivale a 1 U.A e um ovino adulto a 
0,2 U.A Sendo assim se, por exemplo, uma pastagem suportar 2 U.A por hectare 
equivaleria a 2 vacas ou 1 vaca e 5 ovelhas. Outros aspectos importantes na pastagem estão 
relacionados à drenagem e sombreamento. Os pastos devem ser isentos de alagadiços e 
áreas inundadas. A falta de sombra na pastagem é fator limitante para a reprodução. O 
estresse térmico provoca em ovelhas no inicio de gestação a reabsorção do embrião, e nos 
reprodutores a má qualidade do sêmen. Isto coloca em risco toda reprodução de cordeiros 
em um ano. Daí a importância da arborização dos pastos ou dos bosques naturais e 
artificiais para a proteção contra os ventos e, principalmente, radiação solar. A proporção 
dos bosques é de 0,5 hectare para cada 500 ovelhas.
4.2 CERCAS
As cercas para ovinos (Figura 1) devem ser construídas com 6 á 7 fios de arame 
liso, mourões com espaçamentos de 10 metros e 4 a 5 tramas nos meios. O 1º fio de arame 
deve ficar a 10 cm do solo. O 2º e o 3º fios devem distanciar 15 cm entre si e em relação ao 
1º. Entre o 3º e o 4º fios o espaço deve ser de 25 cm e entre o 4º, 5º e o 6º fios de 30 cm, 
dando uma altura total de 1,30 m que servirá também para manter animais de grande porte. 
No entanto, se a propriedade já possuir cercas para bovinos, mesmo de arame farpado, 
basta acrescentar 2 ou 3 fios nos espaços inferiores.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 25
Figura 1. Modelo de cerca para ovinos (medidas em centímetros). 
A cerca eletrificada pode ser utilizada na subdivisão de pasto. Neste caso são 2 fios, um a 
10 e outro a 20 cm do solo.
Cercas de arame farpado:
Este material só é utilizado para ovinos deslanados, explorados para produção 
exclusiva de carne. Deve ser construída com seis fios, com o seguinte espaçamento a partir 
do solo:
1º fio – 5 cm
2º fio – 10 cm
3º fio – 15 cm
4º fio – 15 cm
5º fio – 20 cm
6º fio – 25 cm
Total – 90 cm de altura
Em locais onde há consorciação com eqüinos e bovinos, a altura da cerca será 
dimensionada em função destes, podendo-se construí-la de arame farpado, colocando-se 
arame liso galvanizado apenas nos vãos inferiores.
Cercas de arame liso:
É o mais utilizado. Geralmente usamos fio ovalado, galvanizado, nº 15/17 (1000 m/ 15 Kg).
Cerca de 5 fios: 1º fio – 10 cm; 2º fio – 15 cm;; 3º fio – 20 cm; 4º fio – 25 cm; 5º fio – 25 
cm; Total – 95 cm de altura.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 26
Cerca de 6 fios: 1º fio – 10 cm; 2º fio – 15 cm; 3º fio – 20 cm; 4º fio – 25 cm; 5º fio – 30 
cm; 6º fio – 30 cm; Total – 1,30 m de altura (atendendo não só aos ovinos, como também 
aos bovinos e eqüinos).
4. 3 CENTRO DE MANEJO
Como o próprio nome diz, esta indispensável instalação centraliza, funcionalmente, 
todas as práticas com o rebanho. É composto de:
Mangueiras: têm a finalidade de facilitar a repartição do rebanho nas várias categorias 
desejadas, de modo de a caber um numero razoável de uma só vez. Podem ser feitas de 
tábuas de madeira ou outro material que a substitua numa altura de 1 metro. Considerar 
1m2/ animal.
 Tronco de contensão: preferencialmente de tábua, deve ter 90 cm de altura, e de 6 a 12 m 
de comprimento, abertura superior a 50cm inferior a 30 cm (figura 2). Outro modelo é o 
tronco no sistema australiano, em que a largura é maior e no qual se enfileiram vários 
animais sendo que o tratador caminha entre eles.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 27
Figura 2. Vista frontal do tronco de contenção para ovinos
Pedilúvio: Para tal, pode ser aproveitado o piso do tronco ou ainda uma mangueira menor, 
com profundidade de 10 cm. Requer atenção para não deixar bordas que permitam que o 
animal deixe os cascos fora da solução.
Banheiro anti-sárnico: para controlar as parasitoses externas do ovino (basicamente, sarna 
e piolho). Esta é a parte mais cara do centro de manejo, mas indispensável para aquelas 
criações onde a lã tem representatividade importante em termos econômicos. O tanque de 
imersão, em concreto, deve ter 60 cm de largura, 1,20m de profundidade e no mínimo 8m 
de comprimento, com rampa de saída iniciando-se 4m após a entrada. Estas medidas não 
devem ser superiores se não houver pretensão de expandir o rebanho, umavez que o 
excesso do produto utilizado torna a prática de alto custo. Ao final da rampa de saída 
deverá haver dois currais cimentados denominados escorredouros, com a finalidade de 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 28
retornar à banheira parte da solução absorvida pela lã, após a passagem por uma caixa de 
decantação.
Local de tosquia: pode ser usado um barracão já existente na propriedade, ou mesmo uma 
mangueira do centro de manejo, desde que tenha piso cimentado, cobertura e energia 
elétrica.
Cobertura (Telhado): deverá cobrir essencialmente o tronco de contenção, a banheira 
antisárnica e escorredouros, além do local para tosquia.
4.4 CABANHA
Trata-se de uma instalação com piso ripado, elevada do solo, que tem por finalidade 
principal abrigar reprodutores, animais de exposição e de alto nível. Portanto é dispensável 
nas criações comerciais. É conveniente que nas cabanhas destinadas a abrigar reprodutores 
de raças de carne não se use o piso ripado em função dos problemas de aprumo que podem 
causar.
4. 5 COCHOS
Os cochos são usados basicamente para o fornecimento de sal mineral e rações. No 
campo, os cochos de sal podem seguir vários modelos, assim como os de gado, mas em 
menores proporções. Podem ser constituídos de qualquer material que não contamine o 
produto fornecido, como madeira, fibra e cimento. Os cochos de sal devem ser de fácil 
manipulação, podendo-se transportá-los de um piquete para outro, conforme o uso. A 
cobertura é importante para evitar que o sal seja molhado em dias de chuva. Ao contrário 
do sal, os cochos para rações devem ter medidas mínimas para atender a todos animais que, 
depois de acostumados, procuram a dieta avidamente. Estes são usados mais 
especificamente nas cabanhas ou nos confinamentos. Os cochos para confinamento devem 
oferecer de 10 a 15cm/cabeça, no caso de cordeiros, e de 25 a 30 cm/cabeça, para os 
animais adultos. As outras medidas podem variar em torno de 30 cm para a largura, 20 a 25 
cm para a profundidade e 15 a 30 cm distantes do solo, conforme a categoria. Tambores 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 29
serrados ao meio funcionam bem para oferecer alimentos no pasto, como silagens. As 
manjedouras para fornecimento de capins e fenos seguem as medidas de 10 cm entre ripas 
verticais de 5 cm, saindo de um ângulo de 45º. As telas, como as de alambrado, também 
funcionam na substituição das ripas de madeira. Na cabanha, as manjedouras construídas 
sobre o cocho permitem um maior aproveitamento do volumoso.
4.6 BEBEDOUROS
A água pode ser fornecida em caixas de alvenaria providas de bóia, ou recipientes 
de fácil manutenção e limpeza. Nas cabanhas, o sistema em que cada baia apresenta seu 
bebedouro, onde todos são alimentados por uma única caixa provida de bóia, é o mais 
recomendável pela eficiência de manutenção e limpeza.
4.7 EQUIPAMENTOS
São poucos os equipamentos necessários para a ovinocultura. De modo geral, eles 
não são muito diferentes dos utilizados para bovinos e eqüinos. São eles: tesoura para corte 
de lã (tipo martelo), tesoura para aparo dos cascos, seringa dosadora tipo pistola com sonda 
oral para vermifugação e vacinação, tatuador ou alicate para brincos, ripado de madeira 
para tosquia, seringas, agulhas, dentre outros.
5. INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS EM REGIME DE CRIAÇÃO INTENSIVA
Os alojamentos para caprinos leiteiros devem ser dimensionados para não haver 
desperdício de capital e a atividade consiga ser bem remunerada. São freqüentes instalações 
sofisticadas e caras, mas pouco funcionais com animais de baixo potencial e mal 
alimentandos. As instalações para serem eficientes devem obedecer aos seguintes 
princípios:
• Abrigar adequadamente os animais, fornecendo-lhes conforto e segurança;
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 30
• Ser prática funcional e de fácil limpeza;
• Ser resistente e duradoura;
• Facilitar a produção higiênica do leite;
• Conter adequadamente os animais;
• Ser arejada, mas protegida de ventos e umidade;
• Proteger contra a variação de clima;
• Espaçosas e racionalmente divididas;
• Estar em local de fácil acesso, com facilidade de água e energia elétrica;
• Ser de baixo custo de construção e manutenção.
Localização: Devem estar localizadas em áreas secas, com ligeira inclinação para que não 
haja acúmulo de umidade, sendo mais indicada a meia encosta, procurando evitar a face do 
terreno mais exposta ao vento, normalmente a face sul.
Acesso: É necessário planejar não só a distribuição das instalações pelo terreno como, 
também, a proximidade de capineira, do armazém de alimentos, das residências e das áreas 
de beneficiamento de leite, além da estrutura de estradas da propriedade.
Distribuição de Água e Luz: Deve ser considerada no planejamento para evitar despesas 
excessivas com redes elétricas e hidráulicas. A água deve ser de boa qualidade, proveniente 
de fonte ou poço próximo e bem protegido.
Posicionamento: As instalações precisam ser construídas de forma a permitir a insolação 
plena das dependências, devendo, sempre que possível, apresentar o seu maior 
comprimento no eixo norte-sul, o que permitirá a insolação plena e uniforme dos dois lados 
da instalação. No caso de a região apresentar problemas com ventos constantes ou frios, o 
lado da instalação mais exposto deve prever proteção, seja por cortinas de plástico, seja por 
vedação ou, ainda, pela formação de quebra-vento natural.
Funcionalidade: As instalações devem prever o manejo a ser dado ao rebanho, visando 
facilitar a movimentação pelas dependências, através de corredores e portões de dimensão 
adequada. O posicionamento dos equipamentos deve ser bem estudado, visando a maior 
facilidade na distribuição de alimentos.
Para o sistema intensivo devem ser previstas as seguintes instalações:
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 31
5.1 CABRIL OU CAPRIL OU APRISCO 
Baia Individual para Bodes: Local: afastado do local da ordenha e manipulação do leite. 
Número: função (nº de cabras do rebanho): 1 bode/30 - 40 fêmeas Área: 2 - 5 m2/animal - 
grade divisória - 1,4m Piso: ripado - 2 cm entre ripas ou cimentado com 2 - 3 % de 
declividade
Baia Coletiva para Cabras em Lactação: Área: 1,5 - 2,0 m2/animal. Nº. de animais: 6 - 
12 cabras/baia - grade divisória - 1,2 m
Baia Coletiva Para Crias: Nº de baias: função (nº de fêmeas e fertilidade); considerar: 
fertilidade 80 %; prolificidade 1,5 cabritos/parto; Área: 0,5 m2/animal; Nº de animais: 30 - 
40 animais/baia.
Baia Coletiva para cabras secas: Área: 1,20 - 1,50 m2/Cabras; Nº. de animais: 10 - 20 
cabras/baia. Cabras Secas: 20 % do rebanho; Cabras de Reposição: função da fertilidade e 
esquema de reposição.
Baia Maternidade: Área: 1,80 m2/cabra; N.º 1 baia/30 Fêmeas do rebanho 2 - 3 
cabras/baia
5.2 FARMÁCIA: 5 - 8 m2 ; . Equipamentos: armários, prateleiras, pia, energia 
elétrica para esterilização de instrumentos.
5.3 ÁREA DE PREPARO E ARMAZENAMENTO DE RAÇÃO: Local: fácil 
acesso às baias, mas não muito perto, para evitar o problema do barulho prejudicial aos 
animais. Área: 0,40 - 0,50 m2/animal. Equipamentos: balança, moedor e misturador de 
ração.
5.4 ÁREA DE EXERCÍCIO: Próxima ao capril, permitindo a desocupação das 
instalações para limpeza e desinfestação. Pode ser coletivo ou individual por baias. Piso: 
cimentado ou impermeável para facilitar o escoamento da urina e limpeza das fezes. Área: 
2 m2/animal, permitindo a ocupação pela metade do rebanho ao mesmo tempo.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 32
5.5 BRETE: altura: 1m, largura inferior: 0,4 m e superior; 0,6 m, comprimento 5 - 6 
m. No seu final deverá contar com porteira apartadora para permitir separação dos animais 
e ainda com pedilúvio com ± 5 cm de profundidade. Se possível ser coberto.5.6 ÁREA PARA ORDENHA: Local: de fácil acesso, porém não próximo aos 
reprodutores; Disposição: espinha de peixe. Equipamentos: refrigerador para leite, pia e 
tanque para lavagem dos utensílios. Exigência da Secretaria de Agricultura e 
Abastecimento (SAA): 
A dependência para ordenha deverá estar afastada de fonte produtora de mau cheiro 
e/ou construção que venha causar prejuízos à obtenção higiênica do leite podendo ser 
construída contígua ao capril, desde que dele separada fisicamente por paredes internas;
Poderá ser dispensada pelo serviço de inspeção, a sala de ordenha desde que o capril 
tenha condições satisfatórias, sendo, nesse caso, obrigatória a ordenha mecânica. A 
dependência para ordenha deverá ainda atender as seguintes condições:
I - possuir piso suspenso na plataforma de ordenha;
II - ter piso impermeável, revestido de cimento áspero ou outro material 
aprovado, com declividade não inferior a 2 % e provido de canaletas 
sem cantos vivos, de largura, profundidade e inclinação suficientes, de 
modo a permitirem fácil escoamento de água e resíduos orgânicos;
III - possuir rede de esgoto para escoamento de águas servidas e dos resíduos 
orgânicos, canalizados a uma distância suficiente para que não venha 
constituir-se em fonte de mau cheiro. As áreas adjacentes devem ser 
drenadas e possuir escoamento para as águas pluviais;
IV - possuir abastecimento de água potável em volume e pressão suficientes 
para atender aos trabalhos diários de higienização dos animais, 
equipamentos e instalações;
V - ter janelas protegidas por telas e portas que impeçam a entrada de 
insetos, não podendo o local ser utilizado para depósito de utensílios, 
equipamentos, alimentos ou outros produtos estranhos à ordenha.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 33
5.7 ÁREA DE MANIPULAÇÃO DO LEITE E QUEIJARIA: Local: no mínimo 
a 50 m do cabril a 100 m da esterqueira. Equipamentos: área de recepção de leite, área de 
pasteurização, sala para fabricação de queijos, câmara de maturação. Exigência da SAA: 
O beneficiamento do leite deverá ocorrer em sala própria, separada da ordenha. A 
dependência de pasteurização deverá atender também as seguintes condições:
I - possuir pé direito de 3 (três) metros, podendo, ser inferior, a critério do 
serviço de inspeção, e desde que disponha de recursos adequados de 
ventilação e exaustão, e não utilize vapores no processo produtivo e/ou 
limpeza;
II - possuir iluminação e ventilação adequadas;
III - possuir paredes impermeáveis;
IV - possuir piso impermeável e antiderrapante;
V - possuir água potável em quantidade e pressão adequadas;
VI - possuir telas nas janelas e portas;
VII - possuir forro impermeável.
5.8 RESERVATÓRIO D'AGUA: Deve ser construído a menor distância possível 
das instalações e em lugar elevado. Volume: 50 - 70 l./animal.
5.9 ESTERQUEIRA: Previsão de produção de dejetos/animal: animal adulto 1,5 a 
2,0 kg fezes/dia ou 550 - 700 kg fezes/ano ≅ volume 1 m3/animal/ano. Local: distante pelo 
menos 50 m do aprisco e a 100 m do local de manipulação do leite. Tipo: Encosta, tendo o 
fundo declividade de 25 % para facilitar a descarga, abertura para escoamento do chorume 
e chaminés teladas para escoamento de gazes. Deve ser dividida em 2 câmaras, para que 
quando uma estiver cheia possa permanecer alguns meses fechada para a fermentação.
5.10 EQUIPAMENTOS: 
Bebedouros: 
Bebedouros Internos (dentro das baias): Posição: altura: 70 cm para animais adultos e 40 
cm para crias. Tipos: Concha; Caixa com nível fixo: na qual o nível é dado por uma bóia 
colocada em cada bebedouro. Vasos comunicantes: controlado pelo nível de uma caixa 
“mãe”. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 34
Bebedouros Externos (na área de exercício): Proteção para evitar que os animais urinem 
dentro da água. Profundidade: 20 - 25 cm, bebedouros muito fundo tornam a água gelada e 
isto pode reduzir a ingestão em até 40 %.
Cochos: 
Comprimento: 15 a 20 cm / animal. Altura: Crias: 10 cm do solo. Adultos: 25 - 30 cm do 
solo. Dimensões: fundo: 25 - 30 cm; altura anterior: 15 cm; altura posterior: 30 cm.
Manjedoura:
Altura: 30 - 40 cm do piso; comprimento: 20 cm / animal; altura da manjedoura: 80 cm; 
espaçamento das ripas (5 x 2 cm): 15 cm.
Plataforma de ordenha:
Altura: 1 m; largura: 1m
Saleiros
Caixa de aleitamento
5.11 CERCAS: 
Para um maior aproveitamento das áreas de pastejo é necessário a construção de 
cercas, dividindo em piquetes, o que possibilita a troca dos animais entre as áreas, 
conforme a disponibilidade de forragem. A divisão dos piquetes poderá ser feita com arame 
liso, farpado ou tela. Nos piquetes deverão existir áreas sombreadas próximas às aguadas 
ou bebedouros. 
Tela: Altura: 1,4 - 1,5 m. Distancia entre lascas: 3m. Obs.: conveniente ter arame (n° 10) 
trançado na tela em baixo e em cima..
Pau a pique: Altura: 1,4 - 1,5 m. Distancia entre lascas: 2m. Obs.: deve ter arame (n° 
10) em baixo e em cima amarrado com arame mais fino em cada pau.
Cerca de arame liso: Altura: 1,35 - 1,4 m. Distancia entre lascas: 3m. Obs.: distância entre 
mourões de 100 m. Distância entre fios: 1° - 5 cm, 2° - 10 cm, 3° - 10 cm, 4° - 10 cm 5° - 
10 cm, 6° - 15 cm, 7° - 20 cm, 8° - 25 cm, 9° - 30 cm.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 35
6. NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE OVINOS E CAPRINOS
6.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Os alimentos consumidos pelos ovinos e caprinos são destinados a mantença de 
suas atividades vitais e à produção, a que se destinam (lã, carne, leite, pele, etc.).
Os caprinos e ovinos são pequenos ruminantes herbívoros, logo deve ser 
aproveitado o potencial das espécies, na transformação de fibras vegetais em fibras animal, 
principalmente carne e leite (alimentos protéicos de alto valor biológico e baixo custo de 
produção). Como ruminantes são capazes de obter a maior parte da energia que necessitam 
dos ácidos de cadeia curta ou ácidos graxos voláteis (AGV´s), produtos da fermentação dos 
alimentos no rúmen, destacando-se o ácido acético, propiônico e o butírico. No intestino 
delgado é onde ocorre a absorção dos nutrientes resultantes da digestão dos alimentos 
(glicose, aminoácidos, lipídeos, minerais, vitaminas e água), incluindo os microorganismos 
do retículo-rúmen, importante fonte de proteína microbiana. Desta maneira, observa-se na 
fisiologia desses ruminantes que os ovinos e caprinos são capazes de digerir e aproveitar as 
forragens. Sendo recomendado pelas pesquisas o fornecimento de 50 a 70% de matéria seca 
na dieta na forma de volumosos. O fornecimento excessivo de concentrados, além de 
acarretar menor eficiência no aproveitamento de nutrientes, com evidente reflexos no 
resultado econômico da atividade, também, poderá favorecer a ocorrência de problemas 
fisiopatológicos nos animais (timpanismo, cetose, enterotoxemia e diarréias). 
A produção animal com forragem é função de sua capacidade de consumo e do 
valor nutritivo da mesma (Composição Química e Digestibilidade). A capacidade de 
consumo do animal é influenciada pelos seguintes fatores: palatabilidade (aceitabilidade) da 
forrageira, velocidade de passagem pelo trato digestivo, efeito do ambiente sobre o animal 
(temperaturas excessivamente altas ou baixas, deprimem o consumo) e quantidade de 
forragem disponível ao animal. Os pequenos ruminantes têm preferência por gramíneas de 
porte baixo e dividem seu tempo em três principais atividades: busca do alimento, 
ruminação e descanso. Uma característica marcante do hábito alimentar desses animais é a 
seletividade, a qual não se prende apenas à escolha preferencial de uma planta frente a 
outra, havendo também seleção dentro de uma mesma espécie e dentro de uma planta, que 
poderá ter algumas partes preferidas pelo animal. Desta forma, hácasos em que 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 36
determinado sistema de produção não se mostra eficiente, mesmo com uma disponibilidade 
satisfatória de forragem, sem, contudo ser aceita pelos animais.
As forrageiras tropicais sofrem grande variação, em quantidade e qualidade, durante 
as estações do ano. Este problema poderá ser solucionado, adotando preferencialmente, 
técnicas de conservação de forragens (fenação e ensilagens), que permitem armazenar as 
sobras da época de maior produção, para suprir as deficiências da fase seca invernal.
6.2 PASTAGENS
Considerando-se as condições de clima e solo e ainda as características da estrutura 
e divisão fundiária predominantes na região Sudeste do Brasil, a utilização de pastagem 
formada por forrageiras de elevada produtividade e bom valor nutritivo, utilizadas em 
regime de pastejo intensivo, mostra-se como uma das alternativas de maior interesse para a 
ovinocaprinoculturacultura intensiva. É importante ressaltar que as ovelhas em fase final de 
gestação e cabras em lactação principalmente aquelas com crias múltiplas no ventre, 
apresentam altos níveis de exigência nutricional, o que quer dizer, necessidade do aporte de 
quantidades consideráveis de proteína, energia, minerais e vitaminas. Pastagem com 
elevada disponibilidade de forragens de alto valor nutritivo podem suprir a totalidade de 
nutrientes necessários, tanto à manutenção corporal das matrizes como às demandas da 
gestação. Já em condições de pastagens mais fracas, seja em termos de disponibilidade de 
matéria seca (MS) ou baixa qualidade da espécie forrageira predominante no pasto, há 
necessidade de suplementação alimentar de forma a se fornecer, em quantidade e qualidade, 
os nutrientes que a pastagem não consegue suprir. Nessas condições é necessária a 
utilização excessiva de concentrados na alimentação das matrizes, o que eleva 
significativamente o custo de produção e pode comprometer a viabilidade econômica da 
atividade.
A obtenção de boas pastagens para a utilização com ovinos e caprinos depende do 
atendimento de alguns pontos básicos:
• Uso de forrageiras produtivas e de elevado valor nutritivo, ou seja, com alta 
aceitabilidade pelos animais, elevada concentração em nutrientes (energia, proteína, 
minerais e vitaminas) e boa digestibilidade.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 37
• A utilização de gramíneas de porte médio a baixo, com altura inferior a 1,0 m, é 
mais adequada ao comportamento dos ovinos em pastejo.
• Manutenção de níveis de fertilidade de solo adequados às exigências da forrageira 
utilizada, com reposição dos nutrientes removidos pelo pastejo e lixiviação através de 
adubações em épocas estratégicas. 
• Adoção do sistema de pastejo rotacionado como forma de melhorar e uniformizar 
a utilização da forragem e, principalmente, diminuir o nível de infestação por lavas de 
helmintos (endoparasitos).
• Diversificação das forrageiras utilizadas, seja pelo uso da consorciação com 
leguminosas ou pela formação de áreas com gramíneas diversas, em pastos exclusivos, 
garantindo a diversificação dos nutrientes disponíveis e aumentando o nível de ingestão de 
matéria seca pela variação da dieta. Isto resulta ainda em maior segurança em termos de 
problemas de ordem climática (secas e geadas) e fitossanitárias (pragas e doenças), em 
função da diferenciação das características e potencialidades das diversas forrageiras.
• Uso preferencial de espécies de hábito de crescimento cespitoso (porte ereto), que 
em função da sua arquitetura, favorecem a inativação de larvas e ovos de helmintos 
(endoparasitos), em razão de permitirem uma maior insolação (dessecação das larvas pela 
diminuição da umidade e ação de radiação ultravioleta).
6.3 FORRAGEIRAS MAIS RECOMENDADAS PARA A FORMAÇÃO DE 
PASTAGENS
Os ovinos e de modo muito semelhante os caprinos, têm por habito pastejar 
preferencialmente o topo das plantas, rebaixando a altura da pastagem pouco a pouco, 
como se estivesse retirando a forragem em camadas. Todavia em função da anatomia bucal, 
caracterizada pela extrema mobilidade dos lábios e pela forma de apreensão do alimento 
com uso de lábios, dentes e língua, conseguem ser bastante eficientes na separação e 
escolha do alimento a ser ingerido, conseguindo apreender, com facilidade, partes 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 38
específicas da forragem mesmo as de menor tamanho. Isso possibilita ao animal, quando 
em pastejo, escolher as partes mais tenras e palatáveis da planta, rejeitando as fibrosas e, 
portanto de menor valor nutritivo. Dessa maneira os ovinos conseguem realizar o pastejo 
bastante seletivo e rente ao solo.
Em função disso as forrageiras mais indicadas são aquelas que suportem o manejo 
baixo, apresentem intensa capacidade de rebrota através das gemas basais e que possuem 
sistema radicular bem desenvolvido garantindo boa fixação ao solo O ovino mostra 
acentuada preferência por forrageiras de porte médio a baixo.
Em pastagens com plantas de porte mais elevado, com altura acima de 1,0 metro, os 
animais tendem a explorar mais intensivamente as áreas marginais, resultando em 
subaproveitamento da forragem das áreas centrais. Outra característica típica é o 
comportamento extremamente gregário apresentado pela espécie, que dificilmente explora 
a pastagem isoladamente, movimentando-se sempre em grupos. Em face disto, quando em 
pastagens de porte mais alto, que dificultam a visualização entre os animais do rebanho, os 
ovinos tendem apresentar intensa movimentação pela área, mostrando maior preocupação 
em se manterem próximos aos demais, o que prejudica o nível de ingestão de alimento e 
resulta em aumento de perdas por acamamento devido ao pisoteio excessivo. Tomando-se 
em conta somente esses aspectos, as forrageiras mais indicadas seriam aquelas de hábito 
estolonífero (prostrado), tais como Coast Cross, Tiftons e Estrelas (gênero Cynodon), 
Pangola (gênero Digitaria), Pensacola (gênero Paspalum). Estas gramíneas atendem 
relativamente bem às exigências da espécie e seus hábitos de pastejo peculiares, no entanto 
e apesar de serem as mais utilizadas atualmente com ovinos, apresentam dois pontos 
bastante negativos: a maioria apresenta propagação por mudas, o que dificulta e encarece a 
formação de áreas maiores de pastagens e mais importante, em função do hábito de 
crescimento prostrado formam uma massa vegetal fechada que, mesmo quando rebaixada, 
impede a penetração mais intensa da radiação solar e mantém um microclima favorável a 
sobrevivência das larvas dos helmintos. Isso dificulta o controle de verminose, principal 
problema sanitário para os ovinos, sendo essa tanto maior quanto maior a lotação das 
pastagens, podendo chegar a inviabilização da atividade. Em face disso e em determinadas 
circunstâncias, essas forrageiras começam a ser preteridas por alguns criadores. Outras 
forrageiras, normalmente utilizadas em pastagens para bovinos, têm sua utilização 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 39
dificultada para ovinos por apresentar porte excessivamente elevado ou por não tolerarem o 
pastejo rente ao solo e pisoteio intensivo promovido pelo ovino. Nesse grupo estão 
incluídas a maioria das gramíneas dos gêneros Panicum (colonião), Chloris (Rhodes) e 
Setaria, que ainda tem o agravante da baixa aceitabilidade. 
As gramíneas do gênero Brachiaria, apesar da vantagem de propagação por semente 
e da acentuada persistência e rusticidade, apresentam problemas de baixo valor nutritivo, 
limitando a sua utilização àquelas categorias de menor exigência nutricional. Alem disso, 
em função do habito de crescimento prostrado,dificultam o controle da verminose. Esses 
aspectos são ainda agravados pela maior possibilidade de ocorrência de fotossensibilização 
em ovelhas paridas e animais mantidos exclusivamente sobre essa forrageira.
Uma das alternativas que tem mostrado melhores resultados é o capim Aruana 
(Panicum maximum cv. Aruana) que apresenta as seguintes características:
• Cultivar do “colonião”, selecionado no Instituto de Zootecnia em Nova Odessa;
• Elevado valor nutritivo e excelente aceitabilidade pelos animais;
• Alta produtividade de forragem, variando de 18 a 21 toneladas de matéria seca 
(MS)/ha/ano, com 35 a 40% dessa produção ocorrendo no inverno (período seco do ano);
• Porte médio, atingindo aproximadamente 80 a100 cm de altura;
• Grande capacidade e rapidez de perfilhamento, com grande número de gemas 
basais, rebrotando após cada ciclo de pastejo.
• Boa capacidade de ocupação da área de pasto, não deixando áreas de solo 
descobertas, o que evita o praguejamento e auxilia no controle de erosão;
• Propagação por sementes (formação mais fácil, rápida e de menor custo); 
• Boa produção de sementes, garantindo o restabelecimento rápido da pastagem em 
caso de necessidade de recuperação (após eventuais “acidentes”, como queima e geadas, ou 
degradação por falha de manejo);
• Boa tolerância ao pastejo baixo (rente ao solo) promovido pelo ovino, o que 
possibilita a adoção dessa técnica de manejo como parte estratégica no controle de parasitas 
(helmintos), promovendo a exposição de larvas às intempéries climáticas (radiação solar e 
vento);
• Arquitetura foliar ereta e aberta, típica das forragens cespitosas (em touceiras), que 
propicia uma maior incidência de radiação solar e maior ventilação dentro do perfil da 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 40
pastagem. Isso força a migração das larvas para a base do capim logo às primeiras horas da 
manhã, após a secagem do orvalho, favorecendo o controle da verminose;
• Mostra-se relativamente tolerante às geadas e ao ataque de cigarrinha.
Outra alternativa de interesse é o capim Tanzânia, também cultivar de Panicum 
maximum, que apresenta algumas características semelhantes ao Aruana, apresentando, 
todavia, porte um pouco mais elevado e capacidade de perfilhamento um pouco menor 
(menor quantidade de gemas basais). Essas forrageiras, em função do habito de crescimento 
cespitoso, apresentam um manejo mais complexo que aquelas de habito prostrado. No 
entanto, o ganho em desempenho e, principalmente, o aspecto favorável com relação ao 
controle da verminose, justificam a sua indicação como forrageiras ideais para os ovinos, 
prestando-se tanto para pastejo como para fenação (ou silagem).
6.4 ALIMENTOS VOLUMOSOS
Fenos:
Os fenos (ou pasto seco) constituem alimentos de grande valor para a alimentação 
dos ovinos e, especialmente, quando são de leguminosas. É conveniente lembrar que o 
valor nutritivo dos fenos vai depender especialmente da época de corte, dos métodos 
utilizados na colheita da pastagem, preparação, proporção de folhas e armazenamento. Em 
geral, pode-se dizer que todos os fenos de boa qualidade e muito especialmente os de 
leguminosas (alfafa e trevos), podem compor perfeitamente 100% da dieta. Como índice 
geral, o feno de leguminosas, cortado oportunamente e preparado adequadamente, 
apresenta em torno de 52% de NDT na MS. O feno de gramínea cortada no período de 
crescimento bem preparado apresenta ao redor de 47% de NDT.
Palhadas:
Principalmente as palhas de cereais são mais alimentos de emergência, podendo 
utilizar-se somente como parte da ração já que são de baixo valor nutritivo e pouca 
palatabilidade. Assim, são pobres em energia, proteína, cálcio, fósforo e vitaminas. 
Apresentam 35% de NDT e não se prestam para rações de produção. A palha de aveia 
figura como a de maior valor, seguida de cevada e depois a de trigo.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 41
Silagens:
Quando há falta de forragens verdes, a silagem bem preparada é em alimento 
suculento e apetecível, de grande utilidade.
a) Silagem de Milho – Essa forragem é satisfatória para a alimentação de ovinos, e 
calcula-se um valor nutritivo comparativo (quilo a quilo) de 33% a 50% a respeito de um 
quilo de feno de leguminosa. A boa silagem de milho contém em média 52% de NDT, e é 
boa fonte de caroteno. Em geral, exige proteína e fósforo suplementares.
b) Silagem de pastos – Sendo de boa qualidade e, especialmente se elaborada, a 
partir de leguminosas, tem um valor nutritivo e utilização semelhante à silagem de milho, 
no entanto, é normalmente superior a este no seu conteúdo de proteína e cálcio. Esse 
aspecto deve ser levado em conta de forma especial, já que isso pode significar importante 
economia de suplementos protéicos.
c) Silagem de Sorgo – Essa forragem pode constituir um bom substituto da silagem 
de milho, especialmente naquelas regiões, onde é difícil a obtenção de bons rendimentos 
com o milho. Se lhe atribui um valor nutritivo de 25% a 30% junto a um feno de 
leguminosa de boa qualidade.
Forragens de corte:
Possuem característica, semelhante às dos pastos, porém, um pouco inferiores, pois, 
quando pastejam, os animais rejeitam as partes menos apetecíveis das plantas, de menor 
valor nutritivo, que são incluídas na colheita mecânica. A composição e o valor nutritivo da 
planta cortada verde dependem do estágio de vegetação, da fertilidade do solo e de outros 
fatores. Nas capineiras e culturas forrageiras para corte, é mais fácil o emprego de 
fertilizantes e da irrigação, porque em áreas pequenas pode ser obtida uma grande massa 
verde com diversos cortes anuais, embora o custo da forragem seja mais alto que do pasto 
cortado diretamente pelos animais.
6.5 RAÍZES E TUBÉRCULOS
Tem um alto conteúdo em água e, dessa maneira, sua porcentagem de MS fica entre 
10% e 15%, na maioria dos casos. Por essa razão, seu valor nutritivo no estado fresco é 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 42
escasso, comparado a outras forragens de um conteúdo de MS superior, No entanto, as 
raízes e os tubérculos, tais como mandioca, batata doce, beterraba, cenoura e nabos, 
possuem teores razoáveis de fósforo e são pobres em proteínas e cálcio. Em geral, são, 
também, pobres em vitaminas, exceto a batata doce e a cenoura que são fontes de caroteno. 
A MS possui um baixo conteúdo de fibra que é muito digestível e de valor energético 
consideravelmente elevado, por seu alto conteúdo de carboidratos (açúcares). As raízes 
podem ser fornecidas ao gado ovino, segundo recomendações européias, em quantidades 
que oscilem entre 7 e 9 kg diário por animal, cuidando-se de suplementá-las, 
convenientemente, no que diz respeito ao cálcio, ao fósforo e à vitamina A. Para engorda, 
calculam-se que as raízes e os tubérculos, tenham em média, um valor comparativo de 68% 
em comparação com a silagem de milho. Assim, 4 kg de raízes correspondem praticamente 
a 2.5 kg de silagem de milho ou a 1 kg de milho em grão. Recomenda-se seu fornecimento 
convenientemente picado, evitando-se possíveis problemas de atragamento e afogo nos 
animais.
6.6 GRÃOS, SUBPRODUTOS E OUTROS CONCENTRADOS
Os cereais e seus subprodutos são muito usados na alimentação dos animais, porque 
são de fácil produção em muitas regiões. São palatáveis e ricos em energia, embora pobres 
em proteínas e minerais.
a) Aveia – Constitui o grão perfeito para a alimentação de ovinos (ovelhas, 
carneiros, cordeiros de engorda). Possui alta palatabilidade um moderado conteúdo de fibra 
que ajuda a evitar transtornos digestivos que são freqüentes ao se fornecer grãos aos 
animais. Atribui-se lhe um valor nutritivo de 75% - 100%, sendo que comparado ao milho 
em grão podesubstituir de 10 a 100% do alimento básico da ração, no entanto atinge seu 
maior valor quando substitui somente uma porcentagem menor que 100%. Deve ser 
fornecida esmagada, ou como grão inteiro moído grosso. Supera o milho em proteína, 
energia, cálcio e fósforo.
b) Milho – Tem alto valor nutritivo e seu uso na alimentação ovina está restrito, 
especialmente por seu preço elevado, comparado outros grãos. No caso de se fornecê-lo aos 
animais, deve-se cuidar não fazê-lo em excesso, já que seu baixo conteúdo de fibra e sua 
concentração nutritiva podem produzir transtornos digestivos sérios. Além disso, é mais 
pobre em proteína que outros grãos de cereais e seu conteúdo de cálcio é baixo, razões 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 43
pelas quais se recomenda seu fornecimento juntamente com uma forragem de boa 
qualidade, para se obter máximo benefício. Deve ser fornecido aos ovinos de preferência 
como quirera ou desintegrado, com ou sem palha.
c) Cevada, trigo, centeio – Esses grãos de cereais têm um valor nutritivo 
semelhante, destacando-se os dois últimos pelo seu maior conteúdo em proteína que o 
milho. Constituem alimentos satisfatórios para o gado ovino e quando comparados com o 
milho, seus valores relativos quanto à alimentação são: trigo 90% - 95%, cevada 85% - 
100% e centeio 83% - 87%. Podem substituir 100% do alimento básico, porém, isso não é 
conveniente nem econômico, já que seu máximo rendimento e utilidade são alcançados 
quando figura como complemento de uma ração, cujo grosso está constituído por forragem 
de qualidade. Nesse aspecto, deve-se lembrar que os grãos de cereais são, em geral, baixos 
em cálcio e sua maior utilidade está no fato de fornecerem quantidades consideráveis de 
energia que deve ser administrado aos ovinos só em certos períodos críticos.
d) Sorgo – Seu cultivo e utilização estão especialmente indicados para aquelas 
regiões onde não é possível conseguir bons rendimentos com o milho. Os grãos de Sorgo 
podem substituir parcialmente o milho, embora possuam valor nutritivo um pouco menor, 
devendo ser triturados grossos.
e) Farelo de trigo – Esse subproduto de moinho constitui um bom alimento para os 
ovinos, alcançando um valor nutritivo relativo de 90% comparado ao milho, quando usado 
em proporção não superior a 33% em substituição ao alimento básico. Seu conteúdo 
protéico é superior ao dos grãos de cereais, sendo, talvez, o alimento comum mais rico em 
fósforo. No entanto, é baixo em cálcio e contém quantidades mínimas de vitimas A e D. 
Dado o seu conteúdo relativamente alto em fibra, é um alimento “sadio” que não produz 
transtornos digestivos e, conseqüentemente, pode constituir uma valiosa ajuda para tornar 
mais “leve” os concentrados mais pesados e para iniciar os animais no consumo de grãos 
ou concentrados.
f) Arroz – Os grãos moídos podem substituir parcialmente o milho, mas são pouco 
empregados, ao contrário de alguns subprodutos. O farelo comum de arroz é pobre em 
proteína e rico em gordura e sua digestibilidade varia com a proporção das cascas. É de 
difícil conservação, pois estraga facilmente. Já o farelo desengordurado, é mais rico em 
proteína e contém menos energia, porém é de conservação mais prolongada.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 44
g) Subprodutos agroindustriais – A utilização de resíduos e produtos 
agroindustriais que apresentam valores de comercialização mais reduzidos, tem sido 
preconizada, para a alimentação de animais, especialmente em sistema intensivo de 
terminação de bovinos. Apesar de aproximadamente 70% dos resultados existentes sobre 
avaliação nutritiva dos alimentos para ruminantes, terem sido obtidas em pesquisas com 
ovinos, são muito escassas as informações não-convencionais, principalmente em sistemas 
de alta produção. Dessa forma, torna-se importante à discussão de alguns aspectos relativos 
à viabilidade da utilização de subprodutos agroindustriais na alimentação de cordeiros em 
sistema intensivo de produção, objetivando-se aumentar a rapidez de comercialização e a 
produção de carcaças de melhor qualidade.
6.7 SUPLEMENTOS PROTÉICOS
Como seu nome indica, esses alimentos caracterizam-se pelo seu elevado conteúdo 
de proteína em comparação com os alimentos comuns. Considerando-se que a maioria 
desses suplementos constitui subprodutos da elaboração de diferentes materiais, sua 
composição é bastante instável dada às variações existentes na matéria prima mesma e nos 
diversos processos empregados na elaboração do produto principal. Isso deve ser 
considerado na avaliação das quantidades nutritivas desses suplementos, já que isso 
determinará sua correta utilização na alimentação. Estes alimentos são usados em 
quantidades relativamente pequenas por serem de alto custo, comparados com outros 
alimentos. No entanto, a incorporação de alguns poucos gramas diários são geralmente 
suficientes. Porém, podem ser fornecidas quantidades altas, sem inconveniente algum, mas 
seu uso e proporções estarão determinados, principalmente, pela classe e pela qualidade da 
forragem que estiver sendo fornecida ao gado, considerando-se suas necessidades 
alimentares, num determinado momento, e pelo custo relativo dos outros alimentos em 
comparação com o suplemento protéico. Os suplementos protéicos, então, estão destinados 
especialmente a fornecer a proteína necessária para o crescimento normal e o 
desenvolvimento do gado, e serão usados essencialmente durante os períodos “críticos” da 
alimentação e quando forem administradas forrageiras de qualidade deficiente ou não 
leguminosa.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 45
a) Farelo de linhaça – É um excelente suplemento protéico para o gado ovino e seu 
uso está limitado especialmente pelo alto custo e escassa digestibilidade. Atribuindo, 
normalmente um conteúdo protéico de 35% e de um baixo conteúdo de fibra, comparado a 
outros suplementos protéicos de origem vegetal, é um excelente suplemento para rações de 
animais destinados a exposições. É rico em fósforo.
b) Farelo de girassol – Sua composição e seu valor nutritivo são variáveis, 
dependendo, principalmente, da quantidade de casca que contenha. Em algumas análises, 
tem-se determinado 47% de proteína em dependência do teor de fibra. Seu conteúdo de 
fibra é superior ao farelo de linhaça. É um suplemento que possui, ainda, proteína de boa 
qualidade, junto a condições de alta palatabilidade, o que faz desse alimento um 
suplemento protéico de alto valor para toda classe de gado ovino. Tem, também, a 
qualidade de conservar-se em boas condições durante o armazenamento. É rico em fósforo 
e seu uso depende do preço.
c) Farelo de colza – Contém aproximadamente 33% de proteína e quando usado em 
pequenas quantidades, seu valor nutritivo é semelhantes ao dos suplementos anteriores. No 
entanto, é de palatabilidade inferior, e a literatura cita casos de toxicidade e abortos, quando 
fornecido em quantidades altas a ovelhas prenhes. Assim, recomenda-se sua administração 
em níveis não superiores a 250 g diários para ovelhas prenhes. Usado nessa proporção em 
rações balanceados, estima-se que seu valor nutritivo seja similar ao do farelo de linhaça. 
d) Farelo de soja – É palatável e contém, aproximadamente, 47% de proteína, além 
de ser boa fonte de cálcio e fósforo. Seu emprego em rações de ruminantes depende do 
preço, pois é muito procurado para rações de aves e suínos.
e) Farelo de amendoim – Quando de boa qualidade, não-oriundo de amendoim 
atacado por fungo é um bom suplemento protéico, pois apresenta em torno de 50% de 
proteína e é apetecível.
f) Farelo de coco – O farelo de coco da Bahia contém em torno de 20% de proteína 
e é de difícil conservação;o de coco babaçu é semelhante mas seu teor protéico é de 22%. 
Não devem ser usados com exagero.
g) Farinha de peixe – Esse suplemento é utilizado, principalmente, nas rações de 
aves e suínos, no entanto, pode também incorporar-se nas rações ovinas sempre que o preço 
for conveniente. Nesse aspecto é interessante destacar que a farinha de peixe possui 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 46
geralmente, o dobro do conteúdo de proteína (60%) comparada aos suplementos protéicos 
vegetais (33%). No entanto, tem-se demonstrando que a proteína de ambas as classes de 
suplementos é igualmente efetiva na alimentação de ovinos adultos. Dessa maneira, será 
conveniente usar farinha de peixe sempre que seu preço não for superior ao dobro do preço 
dos suplementos protéicos vegetais. Deve-se levar em conta, também, que, em geral, a 
farinha de peixe não é palatável. Nesse sentido, aconselha-se sua incorporação às mesclas 
de concentrados, em proporção não superior a 10% ou 15%.
6.8 OUTROS ALIMENTOS
Nesse grupo, incluem-se os chamados alimentos de emergência, tais como cascas de 
cereais, cascas de amendoim, sabugos de milho e bagaço de cana. São pobres em todos os 
sentidos, e devem ser fornecidos moídos, em quantidade limitadas e devidamente 
suplementados. As cascas de arroz podem irritar o tubo digestivo. Dentre os produtos de 
origem vegetal, merece ainda atenção o melaço de cana. Só contém 3% de proteína, mas é 
rico em energia, muito palatável e laxante. Deve ser usado diluído em água, na proporção 
de 1:1 a 1:2, e dado juntamente com volumosos e concentrados secos, devidamente 
suplementados com proteínas. O melaço, por peso, possui 67% do valor energético do 
milho, mas oferece a vantagem de estimular a multiplicação bacteriana no rumem, portanto, 
a digestão das forragens fibrosas. Desde que o custo do melaço não seja superior a 60% do 
custo do milho, ele pode substituir com vantagem até 1/3 dos concentrados da ração com 
introdução gradativa na dieta. Como indicação geral, a dose do melaço para ovinos deve ser 
a seguinte por cabeça: 100 g para cordeiros e 250 g para adultos.
a) Antibióticos: Tem-se realizado inúmeros experimentos para determinar a 
conveniência de se administrar diversos antibióticos aos ovinos. Nesse sentido, os 
resultados tem sido contraditórios e, assim, em algumas ocasiões tem-se conseguido 
melhores aumentos de peso e maior eficiência alimentar na cria e engorda de cordeiros, 
mas, em muitos casos, as vantagens obtidas não tem sido suficientemente grandes para 
compensar o custo extra que significou fornecer o antibiótico.
b) Hormônios: A implantação de péletes contendo estilbestrol tem sido praticada 
no gado ovino, com resultados não totalmente claros. As doses usadas têm sido variáveis 
(3mg – 6mg – 12mg) e os efeitos do hormônio, especialmente em cordeiros de engorda, 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 47
traduzem-se em ganhos de peso e eficiência nutritiva superiores à dos animais não-
implantados. No entanto, em alguns ensaios, a implantação com 12 mg de estilbestrol 
trouxe como conseqüência em vários animais, prolapso uterino nas fêmeas e do reto nos 
machos, além de complicações nas vias urinárias.
7. MANEJO ALIMENTAR DOS REBANHOS
7.1 OVINOS DE CORTE
Alimentação das Ovelhas:
Ovelhas solteiras e até o terço final da gestação podem ser alimentadas 
exclusivamente com volumosos de média qualidade (ao redor de 9% de PB, 55% de NDT e 
0,2% de cálcio e 0,2% de fósforo) e sal mineral. No período das águas podem ser 
alimentadas com pastagens, capins cortados, leguminosas, etc. Na seca devem alimentadas 
com pastagens diferidas e suplementadas com volumosos conservados (silagens ou feno) 
ou cana-de-açúcar, com adequação do teor protéico da dieta, o que permite mantê-las em 
bom estado corporal. (BUENO, et al., 2007).
Durante os dois primeiros terços de gestação, ocorrem os processos de implantação 
do feto no útero, a diferenciação dos órgãos do novo indivíduo e a formação das fibras 
primárias e secundárias, período muito importante, para uma nutrição adequada das 
gestantes. No terço final de gestação ocorre o maior crescimento do feto e as necessidades 
nutricionais das gestantes, de único feto, aumentam em 100%, sendo ainda maiores para 
gestações múltiplas. Neste período, de acordo com Bueno et al., (2007), o requerimento 
energético fica aumentado devido ao crescimento fetal e sua exigência nutricional é por 
volta de 11% de proteína bruta e 60% de NDT, 0,35% de Ca e 0,23% de P. O consumo é ao 
redor de 3 a 3,5% do peso vivo em matéria seca. Esta categoria deve receber pastagens de 
boa qualidade ou serem suplementadas com 300 a 600g/dia de ração concentrada com 14 a 
16 % de PB (BUENO, et al., 2007). 
Restrições alimentares moderadas, nos primeiros 90 dias de gestação não causam 
efeitos negativos sobre o número de cordeiros nascidos, principalmente se as gestantes 
estiverem em bom estado à cobertura, entretanto, os cordeiros nascerão com menor número 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 48
de fibras secundárias, o que poderá refletir sobre o desempenho. Um plano nutricional, 
demasiadamente alto, nesta fase, pode causar crescimento retardado no feto, nas fases 
avançadas, além de predispor as gestantes à Toxemia da gestação. 
Nos últimos 15 dias de gestação, as fêmeas sofrem uma diminuição significativa em 
sua capacidade de ingestão, devido, principalmente à compressão do(s) feto(s) sobre o 
rúmen, além do aumento do nível de estrógenos circulantes, recomenda-se fornecer 
forragens com menor teor de umidade. Nos últimos 60 dias, as gestantes deverão 
permanecer em um piquete, previamente reservado, para tal finalidade, quando não for 
possível, suplementá-las diariamente com 0,500 - 0,700 kg de fenos de boa qualidade, ou 4 
- 5 kg de silagem.
Alimentação dos Cordeiros:
É fundamental a ingestão de colostro nas primeiras duas horas de vida, período de 
maior absorção das imunoglobulinas, que vai diminuindo gradativamente, podendo chegar 
a zero, após 24 horas de nascidos. Nas duas primeiras semanas, os cordeiros (não-
ruminantes) alimentam-se exclusivamente de leite, no início da terceira, começam a ingerir 
alimentos sólidos, entretanto, essa ingestão só é significativa a partir da quinta semana (fase 
transição ruminal). Com oito semanas, em geral, os cordeiros já são ruminantes e deverão 
ser desmamados. A alimentação do cordeiro deve ser estimulada ainda no período de 
amamentação com a adoção de Creep-feeding, trata-se de um sistema em que os cordeiros 
em amamentação têm acesso a uma suplementação alimentar, através de uma instalação 
onde apenas eles conseguem ter acesso. O sistema pode ser aplicado a partir dos 10 dias de 
idade dos cordeiros. A instalação deve ser disposta em local sombreado (quando na 
pastagem) ou coberto, preferencialmente em áreas de descanso do rebanho. A ração do 
creep-feeding deve ser palatável e fornecida a vontade, formulada preferencialmente por 
concentrado com altos valores de proteína e energia. Podem-se utilizar rações a base de 
milho, farelo de soja, algodão e trigo e ou leite em pó, com 20 - 22% de proteína a partir de 
15 dias em cochos separados. Cordeiras para reposição a partir dos 4 meses, devem receber 
volumosos de boa qualidade a vontade em aproximadamente 1,5 - 2% do peso vivo de 
ração com 14 - 16% de proteína, dos seis meses em diante podem ser adaptadas às 
pastagens e deverão atingir o peso de cobertura (70% do peso adulto) entre 8 - 12 meses. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 49
Alimentação das Borregas:
Nesta fase as fêmeas apresentam exigência nutricional de 11% de proteína bruta, 
65% de NDT e 0,4%de cálcio e 0,2%de fósforo na matéria seca total ingerida e consomem 
entre 3,5 e 4% do peso vivo em matéria seca. Devem ser alimentadas com volumosos de 
boa qualidade, à vontade, e quantidade moderada de ração (aproximadamente 1,5-2% do 
peso vivo) com 14-16% de proteína. A partir dos cinco meses podem ser adaptadas às 
pastagens e devem atingir o peso de cobertura (70% do peso adulto) entre 8-14 meses 
(BUENO et al., 2007).
Borregos das raças de carne, machos e fêmeas, deverão receber alimentação 
suficiente para um bom desenvolvimento, sem, contudo engordarem, principalmente as 
fêmeas que estarão formando os alvéolos nesse período, não podem acumular tecido 
adiposo nas glândulas mamárias, prejudicando a lactação durante toda a vida produtiva. 
Pode-se adotar uma suplementação por 2 - 3 semanas antes do acasalamento a adoção de 
“Flushing”, visando alcançar os seguintes benefícios: aumento nos cios no momento da 
entrada dos carneiros; maiores taxas ovulatória, de concepção e de sobrevivência 
embrionária, havendo aumento nas taxas de fertilidade e prolificidade.
Alimentação dos Reprodutores:
Devem ser alimentados preferencialmente a base de volumosos de boa qualidade e 
com quantidade máxima de ração concentrada de 0,5 a 0,8 kg/dia, com 14% de proteína 
bruta. Dietas com excesso de ração concentrada e pouco volumoso levam a ingestão 
acentuada de fósforo e, muitas vezes, baixa em cálcio, ocasionando o aparecimento de 
urolitíase obstrutiva (cálculos na uretra), caracterizada por dificuldade para urinar ou 
obstrução total da urina, inviabilizando o reprodutor. Os carneiros poderão receber 4,735 
kg/animal/dia de silagem mais 0,280 kg/animal/dia da ração concentrada, constituída de 
86,12% de milho moído, 11,74% de farelo de soja e 2,14% de fosfato bicálcico. Está dieta 
foi balanceada visando manter a relação cálcio e fósforo igual a 1,4 com o objetivo de 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 50
previr a ocorrência de urolitíase. Por ocasião do período reprodutivo, os animais terão suas 
exigências nutricionais aumentadas e a dieta deve estar devidamente ajustada.
7.2 CAPRINOS LEITEIROS
Os caprinos possuem alta capacidade de ingestão de MS (Tabela 6) as dietas devem 
conter volume e balanceamento adequados. A atividade ruminal é dependente do 
volume de fibra na dieta em baixas temperaturas há um consumo máximo de alimentos 
fibrosos para gerar calor 
Tabela 6. Níveis médios e máximos de ingestão diária de MS:
Categoria Animal
Consumo MS (kg MS em % PV)
Caprinos de Corte
Cabras Leiteiras européias
Cabras Leiteiras européias nos 
trópicos
2,5 %
3,0 a 8,0%
3,0 a 5,0%
 
Os caprinos apresentam elevadas exigências energéticas (Tabela 7), devido ao seu 
tamanho corporal e ritmo metabólico a cabra exige menos alimento para mantença que a 
vaca, destinando mais nutrientes para a digestão e metabolismo e conseqüentemente, 
produzindo mais com a mesma quantidade de alimentos que uma vaca.
Tabela 7. Comparação do gasto de energia. 
Espécie
Manutenção
Digestão 
Metabolismo
Produção de leite
Capino médio 33% 32% 35%
Vaca média
50% 19% 31%
As dietas para caprinos devem ter em média 60% de NDT, variando de 55% NDT 
(cabras secas) a 68 % de NDT (alta lactação e desmamados). Oliveira (1979), com base no 
NDT, cita as seguintes exigências diárias de energia: 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 51
 mantença: 835g NDT/100kg PV/dia
 ganho de peso 3,5g de NDT/g de ganho
 produção de leite de 345g de NDT/kg de leite produzido 
Alimentação de Cabras Adultas:
Se mantidos a pasto, de acordo com a qualidade da forragem o consumo varia de 6,0 
a 12 kg de MN/dia, determinando-se a composição bromatológica do pasto e com base na 
exigência do animal calcula-se a suplementação concentrada necessária. Semi-estabuladas, 
em oito horas/dia de pastejo o consumo médio é de 8,0 kg de MN, devendo-se fazer a 
suplementação volumosa e de concentrados, conforme a composição dos alimentos e as 
exigências nutricionais das cabras o fornecimento de concentrado poderá ser de acordo com 
a produção: 400 a 600 g/dia por litro de leite produzido. Confinadas: a dieta volumosa deve 
ser a base de feno e verdes picados, observando-se as relações 1,0 kg de feno: 4,0 kg de 
verde ou 5,0 kg de raízes ou tubérculos. Os concentrados deverão ser balanceados com base 
nas exigências e no déficit da dieta volumosa, visando a produção pretendida. Flushing: 30 
dias antes da estação de monta e até a concepção, recomenda-se elevar em 20% o nível 
alimentar das cabras, com finalidade de aumentar a taxa de ovulação.
Alimentação de caprinos jovens:
Tem como objetivos: obter o maior número de partos com 1 ano de idade e 
valorização do potencial genético do animal; proporcionar um crescimento adequado e 
desenvolver a capacidade de ingestão; diminuir o consumo de leite sem comprometer o 
desempenho das cabras; prevenção sanitária que sempre será mais barata que a 
intervenção.
Com base na evolução das exigências nutricionais durante o crescimento, pode-se 
dividir este período em 3 fases:
• 1ª Fase - do nascimento ao 4º mês de idade, a velocidade de crescimento 
é muito importante, compreende o período de aleitamento, desmama e pós-desmama
• 2ª Fase - 4º mês à primeira cobertura
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 52
• 3ª Fase - período de concepção ao 1º parto, fase de preparação para a 
primeira lactação
Aleitamento:
O primeiro e mais importante alimento é o COLOSTRO, rico em imunoglobulinas, 
cuja concentração decresce rapidamente com o passar do tempo. A permeabilidade da 
parede intestinal à passagem das moléculas de imunoglobulina, é máxima nas primeiras 6 
horas da vida do cabrito, decaindo paulatinamente a partir dai, até tornar-se nula 24 horas 
após o nascimento. Deve ser adotado o aleitamento artificial: em rebanhos infectados com o 
vírus da CAEV (Caprine Arthritis Encephalitis Virus), realizando uma adaptação ao 
Sistema de aleitamento artificial da seguinte maneira:
• separar o cabrito logo após o nascimento e fornecer o colostro de outra 
espécie na mamadeira, balde ou caixa de aleitamento
• até o 7º dia fornecer leite de cabra, fervido ou pasteurizado em 2 
fornecimentos diários
• após o 7º dia fornecer leite da vaca ou sucedâneo em 1 fornecimento 
diário, de preferência à tarde
• a partir da 10º dia colocar a disposição feno, concentrado e água (retirar 
na hora da amamentação como prevenção à diarréias)
Desmame:
São critérios de desmame rotineiramente praticados, conforme o esquema adotado 
(Tabela 9): idade: entre a 5ª e 8ª semana, peso vivo: entre 7 a 10 kg e consumo de 
concentrado: a partir de 100g.
Tabela 9. Consumo de leite até a desmama.
Idade
(dias)
Tipo de Leite Aleitamentos 
diários
Desmama precoce 
(litros/dia)
Desmama tardia 
(litros/dia)
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 53
1 a 5
6 a 11
12 a 30
31 a 33
31 a 35
35 a 60
61 a 80
81 a 90
Colostro/substituto
Cabra ou cabra/vaca
Leite cabra/vaca
Leite vaca
Leite vaca
Cabra/vaca/substituto
Cabra/vaca/substituto
Cabra/vaca/substituto
5
3
2
2
1
2
2
1
0,5
1,0
1,5
1,0
0,5
---
---
---
0,5
1,0
1,5
1,0
0,5
1,5
1,0
0,5
No desmame aos 35 dias, o consumo total de leite é de 49,5 litros e os cabritinhos, 
nascidos com 3,5 kg poderão ganhar 190 g/dia, atingindo 10,0 kg à desmama. Para realizar 
o desmame aos 49 dias, o consumo total de leite é de 70 litros e os cabritinhos nascidos 
com 3,5 kg poderão ganhar 190 g/dia nas cinco primeiras semanas e 250 g/dia nas duas 
semanas seguintes, alcançando 13,5 a 14,0 kg à desmama. 
Pós Desmama: recomendações 
• limitar o consumo de concentrado em 300 a 400 g/dia em dois fornecimentos 
diários
• ingestão de feno deverá se situar ao redor de 650 a 750 g no final de 3º mês
• parteda suplementação mineral deverá ser feita pelo concentrado
• ao final do 4º mês a cabrita deverá ter entre 20 - 22 kg de peso vivo
2ª FASE: do 4º mês à 1ª cobertura:
 Desenvolvimento ponderal recomendado para atingir o peso de cobertura ao 7º mês
Idade Peso vivo (kg)
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 54
6 semanas
3 meses
4 meses
5 meses
6 meses
7 meses
10 a 12
18 a 20
20 a 22
25
28 a 30
33 a 35
Para o correto desenvolvimento do rúmen e evitar o excesso de gordura, fornecer maior 
proporção de volumoso na dieta, utilizar feno de leguminosa ou gramínea, introduzir 
forragens verdes e limitar o concentrado à 250 - 400 g/dia.
3ª FASE: da 1ª cobertura ao 1º Parto
A alimentação correta nesta fase refletirá sobre a futura produção de leite da cabrita, os 
ganhos na gestação são de aproximadamente 18 kg (12 a 14 kg da cabrita e 4 a 6 kg do 
feto), no terço final ocorre redução na ingestão de MS devido ao aumento no volume do 
útero, o rápido crescimento fetal nesta fase, aumenta a demanda por nutrientes. Deve-se 
fornecer 300 – 600 g/dia de concentrado com 14 a 16% PB. Em caso de super 
condicionamento, restringir a dieta como prevenção à TOXEMIA DA PRENHEZ 
(hipoglicemia, acetonemia, acidose sistêmica, anorexia, depressão nervosa e prostração). 
Plano de alimentação sugerido para gestantes: feno de boa qualidade a vontade mais o 
concentrado 100 a 150 g/dia nos 3 primeiros meses; 200 a 250 g/dia no 4º mês e 400 a 450 
g/dia no último mês.
Alimentação de Cabras Secas:
Recomenda-se fornecer uma alimentação que possibilite recuperar o desgaste da 
lactação, que se apresenta mais acentuado, em fêmeas com maior capacidade produtiva. 
Devendo-se fornecer forragens de qualidade, se necessário, 200 a 700 g/dia de concentrado 
e sal mineralizado, conforme sugerido no esquema abaixo.
 Esquema de arraçoamento.
Manhã Meio do dia Tarde
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 55
1/2 dos concentrados, 
1/3 dos suculentos, 
1/4 do feno 
1/2dos concentrados, 
1/3 dos suculentos, 
1/4 do feno 
1/3 dos suculentos, 
2/4 do feno 
------
Alimentação dos Bodes:
 Os bodes devem permanecer em bom estado corporal, normalmente, suplementação 
mineral e 500g/dia de concentrado balanceado são suficientes, na estação de monta, 15 dias 
antes e durante a estação fornecer concentrado com 14 a 18% de PB, no máximo 1% do PV 
atenção a relação Ca:P na dieta, manter a proporção 2:1, como prevenção à UROLITÍASE.
8. MANEJO REPRODUTIVO DOS REBANHOS 
8.1 OVINOS 
As ovelhas lanadas são poliéstricas estacionais, apresentando vários cios no período 
de dias curtos. Para os trópicos onde se inclui o Brasil, o maior dia do ano é 21 de 
dezembro. A partir desta data, inicia-se a diminuição do período de luz natural (dias curtos) 
quando a glândula pineal libera melatonina, responsável pela ativação dos hormônios da 
reprodução. Logo, a maior incidência de cios férteis, inicia-se em janeiro, prolongando-se 
até junho, quando novamente os dias começam a crescer. Dentro do período natural de cio, 
existem raças tardias, principalmente as produtoras de lã (Merina Australiana, Ideal) e a 
Corriedale. As raças para corte (Suffolk, Hampshire Down, Ile de France e Texel), já 
apresentam cios férteis a partir do final de dezembro.
8.1.1 IDADE PARA REPRODUÇÃO
A puberdade nos ovinos ocorre por volta dos 8 meses de idade. Entretanto, o 
amadurecimento sexual é um pouco mais tardio. Os machos podem ser usados para 
cobertura aos 10 meses, porém não deverão servir mais do que 20 fêmeas. Entre 1,0 e 1,5 
anos, poderão servir a 30 fêmeas e a partir de 1,5 anos até 40 fêmeas. Nunca iniciar a vida 
reprodutiva do carneiro com borregas.
As fêmeas poderão ser cobertas quando atingirem 70% do peso vivo adulto da raça, 
ocorrendo, em geral, em torno de 1,5 anos de idade.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 56
Para melhor uso dos carneiros, recomenda-se utilização de rufiões. Identificada a 
fêmea no cio, esta deverá ser levada ao potreiro de cobertura. Assistir a cópula e retirá-la 
imediatamente, só retornando 24 horas depois.
8.1.2 CICLO ESTRAL
Os ciclos estrais nas fêmeas ovinas têm duração média de 17 dias, variando de 14 a 
19, independendo da origem do animal. A duração do cio é de 24 a 36 horas para as raças 
de clima temperado e cerca de 45 horas para raças de clima tropical. No pró-estro, a 
concentração de 17-β-estradiol no sangue aumenta de 10 para 20 ηg/ml, o que estimula a 
liberação de LH pela hipófise. A concentração de LH atinge o pico de 80 ηg/ml, cerca de 
10 horas após o início do cio. A ovulação ocorre aproximadamente 24 horas após o início 
do cio, já no terço final.
As fêmeas ovinas apresentam uma variação, na consistência e quantidade do muco 
liberado durante o cio. No início ele é claro, tornando-se turvo, abundante e de maior 
consistência no meio do cio, momento em que a fêmea se mostra altamente receptiva ao 
macho. No final do período, o muco vai se tornando cada vez mais opaco e pegajoso. As 
fêmeas ovinas não apresentam sinais psíquicos característicos do cio, como as cabras e 
vacas.
As fêmeas (borregas e ovelhas) devem ser tosquiadas, preferencialmente 15 a 30 
dias antes do início da estação de monta, quando deverão ser colocadas em piquetes 
reservados, com forragem em quantidade e qualidade suficiente para ganharem peso neste 
período e durante o encarneiramento (Flushing alimentar), aumentando assim o número de 
partos múltiplos. Embora o carneiro possa estar sexualmente ativo 24 horas/dia, o momento 
de pico de suas atividades sexuais é logo ao nascer do sol, diminuindo até o final da tarde. 
O excesso de calor pode levar a uma diminuição da libido, pelo desconforto.
Economicamente a idade máxima de uso dos ovinos, para reprodução, é de 6,0 anos. 
Entretanto, cada animal deve ser avaliado individualmente, para decisão do descarte ou 
permanência no rebanho. A estação de cobertura não deve ultrapassar 60 dias, para 
concentração da parição.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 57
8.1.3 SINCRONIZAÇÃO DO CIO
A sincronização do cio pode ser realizada utilizando-se de diversos mecanismos, 
tendo como princípio fundamental, a alimentação adequada do rebanho, destacando-se:
Efeito Macho:
A introdução de rufiões ou carneiros ao rebanho de fêmeas adultas, em anestro 
fisiológico, no período de pré-estação de monta, estimula o crescimento folicular, 
desencadeando os ciclos estrais. Recomenda-se a cobertura dessas fêmeas a partir do 
aparecimento do segundo cio, quando esses serão mais evidenciados, inclusive com maior 
probabilidade de fertilização. O efeito macho, por ser o mais econômico, sem, contudo ser 
mais eficiente é recomendado para fêmeas de rebanho geral.
Estímulos Climáticos (Luz e Temperatura)
No Brasil esse mecanismo é difícil de ser colocado em pratica, pois o rebanho geral, 
na maioria das vezes nem têm abrigo para se alojarem e mesmo fêmeas de plantel, por 
ficarem a maior parte do tempo no campo, sofrerão efeitos indesejáveis (problemas de 
cascos, timpanismo etc), quando submetidas à 24 horas de alojamento, por períodos acima 
de 15 dias.
Indução Hormonal:
É utilizada principalmente fora da estação reprodutiva e/ou durante o anestro 
lactacional, sendo necessários o uso de hormônios hipofisários, com custos elevados, sendo 
economicamente viável somente para rebanhos de alto valor comercial.
Os produtos utilizados são: progestágeno acetato de fluorogestona (FGA) e o soro 
de égua prenhe (PMSG) como indutor do crescimento folicular. Procedimento: Uma 
esponja de poliuretano, impregnada com 50 mg de Progesterona é colocada na porção 
cranial da vagina da ovelha, permanecendo por um período entre 11 a 14 dias. No momento 
de ser retirada é injetado o PMSG (600 U.I).
Em monta natural o cio pode ser identificado através do uso de rufiões. Nos casos 
de Inseminação, estas deverão ser feitas, 48 e 60 horas, após retirada das esponjas.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 58
8.1.4 GESTAÇÃO
A fêmea ovina fecundada precisa do(s) corpo(s) lúteo nos 60 dias iniciais da 
gestação. Depois disso, a placenta passa a secretar progesterona para manutenção da 
gestação. O período de gestação varia de 142 à 156 dias, para partos normais. Existem 
vários métodos para diagnosticar a gestação. Entretanto o método de maior segurança e 
mais benéfico é a ultra-sonografia que, além de diagnóstico da gestação, fornece, a partir de 
45 dias de prenhez, o número de óvulos, fertilizados, orientando a nutrição da gestante. 
Entretanto, pelo elevado preço do aparelho de ultra-som, aqui no Brasil, ainda não é 
significativo o número de criadores que utilizam desse recurso.
8.1.5 PARIÇÃO
As fêmeas devem ser separadas por lote, baseando-se no estágio de gestação, 
observado visualmente, por volta de 30 dias antes da parição, e colocadas em um potreiro 
(piquete) de parição, próximo da sede, com algum tipo de abrigo, para proteção dos recém-
nascidos. Nesse período é preciso preparar as fêmeas para parição, fazendo-se a “toillet” na 
região do úbere e posterior, próximo à vulva (cascarreio) e também corte da lã ao redor dos 
olhos das ovelhas que necessitarem (desolha). Durante a parição deve-se evitar 
interferência, só a recorrendo em casos extremos (partos problemas) uma hora depois de 
observado trabalho de parto e este não ter sido concluído. Observar à distância, se o 
cordeiro mamou o colostro até 3 horas após o nascimento. Se necessário, conter a mãe e 
ajudar o recém-nascido a pegar a teta. O corte da cauda do cordeiro deverá ser feito 
do 3.º ao 5.º dia, após o nascimento.
8.1.6 PERÍODO DE ALEITAMENTO
Como os ovinos são não ruminantes nas duas primeiras semanas de vida, passando 
por transições da 3.ª à 6.ª semana, para se tornarem ruminantes da 7.ª a 8.ª semana. Para 
animais de plantel, principalmente de partos múltiplos, recomenda-se auxiliar o aleitamento 
materno bem como disponibilidade de concentrado de forma peletizada a partir da 3.a 
semana, afim de que os cordeiros possam expressar todo o potencial de desenvolvimento, 
característico desta fase. O desmame deverá ser feito aos 45 dias, caso tenha 
disponibilidade de forragens e 60 dias, para escassez. Os cordeiros deverão ser separados 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 59
de suas mães, everminados e contidos em local apropriado para eliminação dos parasitos, e 
no próximo dia serem levados para um piquete vedado há pelo menos 30 dias. Outra opção 
será terminar os cordeiros, para abate, em confinamento.
 
8.2 CAPRINOS
8.2.1 FÊMEAS
Puberdade: 
Quando as glândulas sexuais entram em atividade, os animais novos manifestam 
pela primeira vez o instinto genésico e, portanto alcançam a puberdade (1ª ovulação na 
fêmea e presença de espermatozóide no ejaculado do macho ). Nos caprinos a puberdade se 
manifesta antes do desenvolvimento total dos animais (com 40 a 50 % do seu peso adulto), 
e por isso não é conveniente a procriação imediata. Recomenda-se o acasalamento com 60 
% do peso adulto (Puberdade zootécnica, 7 - 8 meses) e separação dos sexos aos 4 - 5 
meses. Uma cobertura precoce poderá trazer as seguintes conseqüências:
a) Primeiro parto dificultado;
b) Desenvolvimento prejudicado, pois são obrigadas a desviar nutrientes para a 
formação do feto e para a lactação;
c) Baixa frequência de partos múltiplos;
d) Maior mortalidade de cabritos; 
e) Crias de cabras muito novas são pouco desenvolvidas, leves ao nascer e de 
criação mais difícil.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 60
Ciclo Estral:
a) Tipo: poliéstrica estacional
As cabras de raças leiteiras exóticas, como a maioria dos animais de origem de zonas 
temperadas, apresentam variações estacionais no comportamento reprodutivo. Fatores 
climáticos como luminosidade e temperatura, além dos interindividuais, são responsáveis 
por esta variação individual. Do ponto de vista reprodutivo, caprinos são chamados de 
espécie de dia curto, por apresentarem maior manifestação de estros em razão da 
diminuição da duração da luz do dia. A duração do fotoperíodo (luz do dia) parece 
constituir o principal fator condicionador a estacionalidade reprodutiva, A luz recebida pela 
retina dos olhos, e pelo nervo óptico envia uma mensagem, por meio de estímulo nervoso, 
até a glândula pineal. Essa, na ausência de luz no meio ambiente, produz a melatonina que, 
por sua vez, estimula o hipotálamo, a hipófise e os ovários (ou os testículos) ao retorno da 
atividade reprodutiva. O anestro estacional (ausência de manifestação de cios) varia de 
intensidade e duração em função da latitude, raça, linhagem dentro de uma mesma raça, dos 
fatores climáticos, genéticos, sociais, do estádio da lactação e das práticas de manejo como 
os níveis nutricionais a que o animal é submetido (ESPESCHIT, 1998). 
b) Duração do ciclo estral: 
A duração normal varia de 18-24 dias, com média de 21 dias. Pode haver a 
ocorrência de ciclo estrais curtos. Geralmente são ciclos inférteis e são sintomas de 
desbalanços hormonais.
c) Variação: 
Estro: ou cio, é a manifestação do instinto genésico (reprodutivo), e o 1º cio marca o 
início da puberdade. Os cios surgem à medida que os dias vão encurtando, o que sucede a 
partir do mês de agosto, no hemisfério norte. Por outro lado, quanto mais próximo do 
equador, melhor a distribuição do cio, nos diferentes meses. Sob condições Tropicais as 
Cabras nacionais; apresentam cio fértil em todos os meses do ano. E as cabras importadas; 
apresentam cio fértil de fevereiro a maio e os partos de julho a outubro (RJ, SP, MG).
d) Cio e Ovulação: 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 61
Duração do cio é de 12 a 24 horas, e a ovulação ocorre geralmente no fim do cio, 
entre 12 a 36 horas após o início do cio. Sinais de cio: Perda do apetite; excitação; esforço 
para urinar e procura do macho; vulva mostra-se intumescida, com muco que atrai o bode; 
berra com frequencia; agita a cauda repetidamente.
e) Sincronização de cios ( indução de cios férteis ) : 
 Fora da estação de monta ( raças estacionais ), os ovários são afuncionais. Para 
tornar viável um programa de parições durante todo o ano, torna-se necessário o uso de 
hormônios que estimulem a atividade ovariana, de maneira a permitir a ovulação e a 
concepção fora da época normal. Trata-se, nesse caso, da indução de cios férteis e não 
propriamente de sincronização.
8.2.2 INDUÇÃO DE CIO
Método Hormonal:
Indução utilizando Progestágenos: Os progestágenos são progesteronas sintéticas. 
As mais utilizadas são o acetato de medroxiprogesterona (MAP) e o acetato de 
fluorogesterona (FGA).
a) Método longo:
Esponjas vaginais previamente tratadas com antibióticos, impregnadas de 45 mg de 
progesterona (acetato de Fluorogesterona) por 21 dias, dois dias antes da retirada da 
esponja, aplica-se uma injeção de 400 - 600 U.I. de P.M.S.G. (Gonadotrofina Sérica). No 
momento do retirada da esponja, é comum o aparecimento de um corrimento aquoso, de 
coloração amarelo-esverdeado e odor fétido, não se tratando de processo infeccioso e não 
interferindo na concepção. O cio aparecerá de 12 a 48 horas após a retirada da esponja. 
Trabalhos da França recomendam a inseminação 43 ± 2 horas após a retirada da esponja 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 62
com ou sem observação de cio, para a raça Alpina e 45 ± 2 horas para a Saanen. No Brasil 
TRALDI (1994) recomenda 38 horas para todas as raças.
b) Método curto: 
Consiste na permanência de esponjas na porção craneal davagina apenas 11 dias, 
com aplicação de 400 U.I. de P.M.S.G. e 100 mg de Cloprostenol por via intramuscular.
 
D i a 
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D i a 
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D i a 
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2 5 
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( 4 0 0 - 6 0 0 U I d e P M S G ) 
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( 4 5 m g d e p r o g e s t e ro n a ) 
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( 4 0 0 - 6 0 0 U I d e P M S G ) 
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R e t i r a d a 
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O b s e r v a r 
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Efeito Macho:
Nos animais, os feromônios liberados pela urina, muco cervical, fezes e glândulas 
de diversas regiões do corpo como pescoço, região anogenital e ao redor dos chifres 
estimulam os sistemas olfatório e oral que, somados aos sistemas visual, auditivo e tátil, 
levam a alterações nos sistemas reprodutivo e endócrino. Desta forma o forte odor do bode, 
que é acentuado pela estação de reprodução, associado à visualização do macho pela fêmea, 
poderá desencadear o aparecimento do estro nas cabras adultas e mesmo da puberdade nas 
fêmeas jovens. O “efeito macho” consiste na indução do estro em cabras em anestro que se 
encontravam separadas dos machos. Esse efeito ocorre logo após a reintrodução súbita dos 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 63
bodes. O isolamento, entretanto, deve ser completo, não se permitindo qualquer contato, 
como tocar, ver, ouvir ou sentir o cheiro dos bodes por um período de pelo menos 30 dias.
A introdução de bodes no rebanho de fêmeas após dois meses de separação 
determinou alta sincronização dos estros, que ocorreram em 85 % durante 20 dias 
(DEBENEDETTI et al., 1982 citado por CHEMINEAU et al. 1992).
CHEMINEAU et al. (1992), recomenda que ao introduzir o macho, as fêmeas não 
devam estar em anestro profundo, ou seja, pelo menos 50 % delas deverão estar ciclando.
 Em cabras sem atividade ovariana, foi demonstrado que no dia seguinte a 
reintrodução do macho foram induzidas ovulações na quase totalidade dos animais, sendo 
às vezes acompanhadas de estro (33 %), porém não resultantes em gestações. As ovulações 
deram origem a ciclos curtos (3 a 9 dias de duração), cujos níveis de progesterona estavam 
sempre abaixo de 0,5 µg/ml, que são resultados de baixa atividade do corpo-lúteo. Todos os 
animais apresentaram estros após estes ciclos curtos, que resultaram em gestações em 79 % 
das cabras. Segundo HENDERSON (1987), ciclos estrais de curta duração estão associados 
a situações em que os requerimentos para um ciclo normal não são encontrados, a ovulação 
pode ou não ocorrer e a fertilização tem sido descrita no primeiro estro que deu origem ao 
ciclo curto. É recomendado que se façam os acasalamentos somente no segundo estro, pois 
o primeiro estro induzido é de fertilidade inconstante (TAVARES, et al.1998). As 
cobrições deverão ocorrer num período de 3 a 35 dias após a introdução dos machos 
(CHEMINEAU et al., 1992).
8.2.3 DURAÇÃO DA GESTAÇÃO
A duração da gestação é bastante variável entre raças 143 a 153 dias, em média 152 
dias. O período de gestação é maior para as raças maiores. Entretanto, como acontece em 
bovinos e ovinos, a duração da gestação depende mais do genótipo do feto (efeito genético 
direto) do que do genótipo da mãe (efeito genético materno). Além disso, tem-se observado 
que os machos e partos simples apresentam gestações maiores.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 64
8.2.4 DIAGNÓSTICO DA GESTAÇÃO
• Dosagem de progesterona no plasma sangüíneo: resultado mais precoce a partir de 21 
dias de gestação, com precisão de 98%. (valores séricos menor que 1 nanograma/ml - o 
resultado é negativo).
• Ultra-som
• Desaparecimento do cio.
• Falta de atração pelo macho.
• Hábitos mais tranqüilos.
• Tendência p/ engordar.
• Desenvolvimento do ventre após uns 3 meses.
• Movimentos do feto: Depois da metade da gestação podem-se notar os movimentos do 
feto por compressão do flanco quando a cabra está em jejum (lado direito).
• Palpação da cervix:
 Vazias: Cervix é firme e cônica, com anéis bem distintos.
Gestantes: A partir de 30 dias tem a cervix mais mole, tendendo gradualmente a ser 
puxada para a cavidade pélvica pelo peso do útero grávido. Aos 50 dias é comum a 
incapacidade de se palpar a cervix.
8.2.5 CUIDADOS COM A CABRA EM GESTAÇÃO
Maiores cuidados no terço final da gestação. Devem ser evitados; golpes, pancadas, 
correrias, quedas e sustos, imobilidade e movimentação exagerada. Alimentação pouco 
volumosa, saudável, refrescante, equilibrada e de fácil digestão. Evitar o pastejo pela 
manhã com pasto orvalhado. Não administrar vermífugos e purgantes em cabras com 
gestação adiantada. Na última semana, o sal deve ser abolido. Evitar mudar os animais de 
baia.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 65
8.2.6 PARIÇÃO
Alguns dias antes do parto a cabra deve ser recolhida num abrigo ou em baia 
maternidade. Sinais indicativos da proximidade do parto:
a) Úbere volumoso e tetas distendidas
b) Ventre caído
c) Flancos fundos e garupa deprimida
d) Vulva inchada e com corrimento viscoso.
Após a parição mãe e cria devem ser abrigados, com boa cama, alimentação leve e 
água limpa sempre a disposição. A vulva e a região perineal da cabra devem ser bem 
lavadas com água morna. A placenta geralmente é liberada 2 horas após o parto. Lavagem 
vaginal deve ser empregado permanganato de potássio a 1:1000.
Nº de cabritos: Varia de acordo com a raça, família, linhagem, individualidade, 
idade da cabra (h2 = 10%). Primeiras parições partos simples. Cabras mais velhas 
apresentam mais cabritos por parto que as mais novas. Existe correlação positiva entre o nº 
de cabritos nascidos e produção de leite (TRON, 1986).
8.2.7 CUIDADOS COM AS CRIAS
Limpeza dos restos placentários ao redor de narinas e bocas, corte do cordão 
umbilical, caso não haja rompimento natural e desinfecção com iodo até a sua cicatrização. 
Sistemas Intensivo as crias são mantidas em baias apropriadas, devendo serem soltas às 10 
horas da manhã e recolhidas às 16 horas. As crias tem necessidade de sol e exercício com 
maior constância que os adultos.
Aleitamento: É importante ensinar os cabritos a mamar na caixa de aleitamento, 
biberon ou balde no período em que estiverem com a mãe (1 a 5 dias) para não sentirem a 
separação. O mais lógico seria separá-los após o nascimento e aleitá-los artificialmente, 
principalmente em rebanhos infectados com o vírus da CAEV.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 66
Marcação: Com vista a escrituração zootécnica do rebanho e exigências da 
Associação de Criadores os animais devem ser identificados, ao nascer, e pode-se usar:
1- Tatuagem
2- Brinco
3- Colar
Descorna: Facilidade de manejo, beleza. Devendo ser feita entre 6 a 10 dias após o 
nascimento.
1- Soda ou potassa caústica
2- Ferro em brasa
3- Elásticos
Seleção e descarte: Registrar o peso ao nascer e a cada 14 dias até o desmame, após 
este, realizar controle mensal. Os animais que não se enquadrarem para reprodução deverão 
ser vendidos para abate entre 3 e 4 meses de idade.
Castração: Precoce; Problemas no desenvolvimento devido a ausência de 
andrógenos que atuam no desenvolvimento. Tardia: Depreciação da carne devido ao sabor 
forte que ela adquire e riscos com coberturas indesejáveis. Melhor época é por volta dos 60 
dias, podendo ser feito através de Elástico ou Extirpação dos testículos.Morte de animais: Enterrar bem fundo e colocar cal por cima do cadáver. Em 
casos de doenças graves, recomenda-se a incineração.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 67
9. MANEJO SANITÁRIO DOS REBANHOS
9.1 ASPECTOS GERAIS
Em sentido bem amplo, os principais fatores prejudiciais à saúde animal são: 
traumatismo; perturbações fisiológicas; enfermidades infecciosas; deficiências nutricionais; 
substâncias tóxicas. O controle sanitário é fundamental para os resultados econômicos 
quando tratamos de qualquer atividade relacionada aos animais, pois os resultados 
produtivos dependem do estado de saúde de cada animal que compõem o rebanho. 
Basicamente pode-se subdividir os procedimentos relacionados à sanidade dos animais em 
dois grupos: de caráter preventivo e de caráter curativo. Recomenda-se estabelecer para os 
rebanhos um Calendário sanitário ou Cronograma de práticas sanitárias, em conformidade 
com as categorias animais e suas necessidades, procurando adequá-las às regiões, segundo 
as particularidades locais e a possibilidade de incidências das enfermidades. 
 9.2 VIAS DE APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS
 
Subcutânea: Consiste na deposição de medicamento entre a pele e o tecido 
muscular logo abaixo desta. O local de aplicação deve ter a pele mais solta, como por 
exemplo, na tábua do pescoço ou atrás da paleta. Técnica: puxar a pele de maneira que 
forme um triângulo e introduzir a agulha na face anterior; a ponta da agulha deverá estar, 
obrigatoriamente, no espaço subcutâneo. Possíveis complicações: Abscesso por falta de 
assepsia do local de aplicação ou do material; Necrose de músculos, por erro na aplicação 
(intramuscular superficial); Choque, por sensibilidade ao produto injetado. São inevitáveis, 
com o uso de certos medicamentos, manifestação dolorosa imediata, porém de curta 
duração, ou reação inflamatória tardia (sem gravidade, se a assepsia foi correta). 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 68
 
Intramuscular: Consiste na deposição de medicamentos, irritantes pela via 
subcutânea, dentro da massa muscular. O local de aplicação deve apresentar grande massa 
muscular, tal como a região das coxas. Técnica: após a assepsia do local, introduzir a 
agulha no músculo. Antes de injetar o medicamento, deve-se voltar ligeiramente o êmbolo 
da seringa, para certificar-se de que a agulha não atingiu nenhum vaso sanguíneo. Aplicar 
no máximo cinco mililitros por ponto de injeção em animais adultos, evitando-se, com isto, 
a dilaceração das fibras musculares. Possíveis complicações: Abscesso por falta de 
assepsia; Medicamentos irritantes (caso a injeção não tenha sido profunda, difundindo-se 
sob a pele); Volumes superiores a cinco ml; Manqueira por paralisia, no nervo ciático, 
imediatamente após a injeção.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 69
Intraperitoneal: Consiste na deposição do medicamento dentro da cavidade 
peritoneal. Técnica: após desinfecção local criteriosa, introduzir a agulha no flanco direito, 
na direção do membro posterior esquerdo. O medicamento deve ser ligeiramente morno e 
injetado lentamente. Possíveis complicações: Cólicas, provenientes de produtos injetados 
frios ou muito rapidamente, ou por medicamentos incompatíveis com esta via; Peritonite 
(inflamação do peritônio), por má assepsia ou pela utilização de produtos oleosos, que são 
mal absorvidos por esta via.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 70
Endovenosa: Consiste na deposição do medicamento na corrente sanguínea, através 
da punção de uma veia superficial. Vantagens: Ação instantânea do medicamento, que 
atinge concentração sanguínea máxima, sendo por isto muito usada nas doenças 
metabólicas ou infecciosas (particularmente nas septicemias); Permite a administração de 
grandes doses de medicamentos, como por exemplo, na reidratação. Inconvenientes: O 
efeito do medicamento é de curta duração, porque o produto começa a ser eliminado 
rapidamente do organismo. Recomenda-se, portanto, fracionar a dose total, aplicando dois 
terços por via endovenosa e um terço por outra via. Local de injeção: veias superficiais, 
como a jugular direita ou esquerda. Técnica: faz-se necessário uma pessoa para conter o 
animal. O operador pressiona a veia jugular, no terço inferior do pescoço. Após esta 
pressão, a veia aumenta de volume. O operador deve observar o trajeto da veia e, com a 
seringa na outra mão, introduzir a agulha. Para certificar-se da introdução correta da agulha 
dentro da veia, voltar um pouco o êmbolo da seringa, verificando se o sangue reflui. 
Relaxar a compreensão feita na base do pescoço e injetar o medicamento lentamente. 
Terminada a injeção, retirar a agulha e friccionar o local, para evitar a formação de 
hematoma. Para facilitar a visualização da veia, pode-se fazer a compreensão (“garrote”) no 
pescoço, com auxílio de uma corda e, ainda, depilar a região do pescoço onde será feita a 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 71
aplicação. Possíveis complicações: Septicemia, se a desinfecção local não foi bem feita; 
Choque, por medicamentos injetados muito frios ou rapidamente; Hematoma (acúmulo de 
sangue no tecido perivascular), em decorrência de injeções repetidas e falta de prática do 
operador; se a assepsia for bem feita, dificulta as complicações. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 72
9.3 OVINOS
 9.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Fora de seu estado de higidez, um animal como uma fábrica complexa destinada à 
produção de carne ou lã, mesmo quando criado em condições ambientais favoráveis e com 
a melhor tecnologia, deixa de produzir economicamente ou simplesmente não produz nada. 
Inúmeros fatores contribuem favorável ou desfavoravelmente para a manutenção da saúde 
dos animais, como os decorrentes do meio ambiente, do manejo e os provocados por 
doenças causadas por agentes físicos, químicos e biológicos. Dentre os problemas de ordem 
sanitária que prejudicam o desempenho de nossos rebanhos, notadamente os ovinos, as 
doenças provocadas por parasitas ou parasitoses, são responsáveis por grandes prejuízos, 
merecendo a atenção de todos que estejam envolvidos nesse setor. Um parasito, de maneira 
abrangente, pode ser definido como um ser vivo que se aloja em outro ser vivo, de espécie 
diferente da sua, que é chamado de hospedeiro, dele auferindo vantagens e provocando-lhe 
algum dano. Trata-se, portanto, de uma associação entre seres vivos onde ocorre uma 
unilateralidade de benefícios, sendo o ser beneficiado denominado parasito e o prejudicado, 
o hospedeiro. Esse conceito, porém, inclui também as bactérias, os vírus e os fungos e, 
então para efeito didático, as doenças provocadas por esses agentes são denominadas de 
enfermidades infecciosas e são estudadas no âmbito da Microbiologia. 
9.3.2 PRINCIPAIS ENFERMIDADES NA OVINOCULTURA
Os parasitos de importância médica e veterinária estão distribuídos em 3 grandes 
grupos: Artrópodes, Protozoários e Helmintos. 
Na ovinocultura ocorrem agravos à saúde dos animais provocados por 
representantes desses três grupos, como se verá a seguir. 
9.3.3 ECTOPARASITAS
Os artrópodes abrangem os chamados ectoparasitos ou parasitas externos, que são 
aqueles que se localizam na superfície externa dos animais. Dentro desse grupo encontram-
se os animais invertebrados com patas articuladas como os carrapatos, as sarnas, os piolhos, 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 73
as pulgas, as moscas e os mosquitos, que provocam danos aos animais e ao homem de uma 
maneira direta ou indiretamente, agindo como veiculadores de agentes causadores de outras 
doenças Sob a denominação de miíase é reconhecida a presença e o desenvolvimento delarvas de moscas em tecidos de animais vivos. Na espécie ovina, as principais miíases são a 
"bicheira" e a oestrose ou "mal da cabeça". 
A oestrose é provocada pelas larvas de moscas da espécie Oestrus ovis, as quais se 
localizam nas cavidades nasais e seios frontais dos ovinos. As moscas fêmeas adultas após 
serem fertilizadas pelos machos põem as larvas contidas no interior de um envoltório, nas 
narinas dos animais. Cada mosca coloca cerca de 25 larvas de cada vez e durante a sua vida 
produz cerca de 500 larvas. Uma vez na cavidade nasal dos ovinos, essas larvas que medem 
cerca de um mm de comprimento quando ovipostas se dirigem para dentro das fossas 
nasais, aderem-se à mucosa dos condutos alimentando-se do muco aí existente. Em seguida 
essas larvas vão se dirigir aos seios frontais onde se desenvolvem e crescem atingindo o 
tamanho de 2,5 a 3 cm, sendo então expelidas através de descargas nasais e espirros dos 
animais. O período em que a larva fica parasitando o animal ou período larval é de 
aproximadamente 25 dias, porém, pode se estender por até um ano nas regiões de clima 
frio. Durante esse período, as larvas ficam exercendo a sua ação deletéria sobre os ovinos.
Altas infestações podem fazer com que o animal perca o apetite, emagreça, podendo 
mesmo morrer. Uma vez expelidas pelo animal, as larvas maduras vão ao solo e nele 
penetram nas suas camadas mais superficiais e passam para outra fase de sua vida que é a 
de pupa. Nessa fase, a mosca passa se desenvolver no interior da pupa, que tem a casca 
escura e imóvel. Nessa forma, o parasito permanece por um período variável de 21 a 42 
dias. Passado esse período, as moscas adultas emergem do pupário. As moscas adultas do 
gênero Oestrus não se alimentam e vivem por cerca de 15 dias. Os animais acometidos 
pelas larvas de Oestrus, ficam irritados, espirram com freqüência, balançam muito a cabeça 
e esfregam as narinas nas patas. Geralmente apresentam também, corrimentos nasais e 
dificuldade respiratória Esses sintomas ocorrem porque no período larval as larvas exercem 
uma ação mecânica extremamente irritativa, através dos seus ganchos orais e espinhos que 
provocam uma inflamação das membranas mucosas nasais com secreção muco-purulento 
ou mesmo sanguinolenta. O diagnóstico da oestrose pode ser feito através da observação 
dos sintomas apresentados, pela identificação da larva expelida pelas descargas nasais e 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 74
espirros do animal e também por necropsia. O tratamento poderá ser realizado através da 
aplicação de drogas endectocidas, que atuam sobre parasitos internos e externos dos 
animais.
As miíases conhecidas como "bicheiras" são provocadas por larvas de moscas da 
espécie Cochliomyia hominivorax, também conhecida como "varejeira". As moscas dessa 
espécie copulam apenas uma vez na vida. Essa peculiaridade biológica permitiu a sua 
erradicação nos Estados Unidos da América do Norte através da utilização de machos 
esterilizados por radiação. Normalmente elas depositam seus ovos em massas compactas 
contendo de 200 a 300 ovos que são colocados nas bordas de feridas recentes dos animais. 
Cada fêmea pode ovipor cerca de 1800 ovos. Uma vez postos nas bordas das feridas, em 
menos de 24 horas, desses ovos eclodem as larvas. Essas larvas se alimentam de tecido 
vivo dos animais fazendo uma cavidade na ferida que tende a aumentar de profundidade 
progressivamente, pois novas posturas de ovos são realizadas na mesma ferida. Isso pode 
ser comprovado pelo encontro de larvas de diferentes tamanhos numa mesma ferida. A 
ferida geralmente fica sangrando constantemente pelo seu orifício e exala um mau cheiro 
característico, facilmente sentido quando se chega perto do animal acometido pela 
"bicheira". Se o animal com essa miíase não for medicado, as larvas se alimentam por um 
período de 5 a 9 dias e abandonam a lesão indo ao solo para puparem. Nas camadas mais 
superficiais do solo (2 a 3 cm) se transformam em pupas. O período pupal é de 7 a 10 dias 
nas épocas quentes, podendo se prolongar nas épocas mais frias. As moscas adultas vivem 
por cerca de 15 dias podendo sobreviver por até 42 dias nos períodos mais frios. As moscas 
causadoras de "bicheiras" se alimentam de néctar das flores e substâncias açucaradas 
produzidas pelas plantas e, somente após a cópula e com o desenvolvimento dos seus 
ovários, é que ocorre um aumento das suas necessidades protéicas para a maturação dos 
seus ovos. Elas são então atraídas pelo odor das feridas e cortes na pele dos animais nos 
quais vão provocar a ocorrência de miíases. A gravidade e extensão dos danos que a 
"bicheira" provoca depende do local do corpo do animal que for atingido e das 
reinfestações provocadas por novas posturas. Existem casos que podem levar o animal a 
morte quando não tratados, ou mesmo podem provocar lesões sérias e incapacitantes. O 
mau cheiro exalado atrai outras espécies de moscas podendo então ocorrer miíases 
secundárias provocadas por larvas de moscas que se alimentam de tecido necrosado, 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 75
agravando ainda mais o processo. Geralmente os locais do corpo do animal mais atingidos 
pela "bicheira" são decorrentes de práticas normais de manejo como castração, tosquia, 
corte de cauda, tratamento inadequado ou não tratamento de umbigo dos recém nascidos, 
colocação de brincos ou marcação, e ferimentos provocados por arames farpados, etc. 
Como medidas preventivas recomendam-se, na medida do possível, que certas práticas de 
manejo, como a descola dos cordeiros e outras que predispõem o animal à "bicheira", sejam 
executadas no período seco (agosto) quando a população de moscas varejeiras é menor. É 
muito importante ressaltar que se deve manter uma vigilância constante nos animais 
realizando-se inspeções freqüentes para surpreender a ocorrência de "bicheira" para logo no 
início do seu aparecimento. Para isso deve-se sempre orientar o funcionário que cuida do 
rebanho para que o mesmo possa identificar a ocorrência da bicheira logo no início de seu 
aparecimento. O tratamento deve ser providenciado imediatamente com aplicação de 
inseticidas em aerossóis ou spray ("mata bicheiras") ou mesmo com medicamentos que 
atuam também sobre ectoparasitos (Ivermectinas), evitando assim que as larvas caiam no 
solo e continue o seu ciclo de vida. 
O berne, juntamente com a "bicheira" e o carrapato é uma das mais importantes 
pragas que atingem a pecuária bovina brasileira, porém, embora tenha sido assinalado em 
alguns ovinos após a tosquia, atualmente parece não ser de ocorrência muito freqüente 
nessa espécie animal. O berne nada mais é do que a larva de uma outra mosca chamada 
Dermatobia hominis, e se caracteriza por se localizar no tecido subcutâneo dos animais ou 
mesmo do homem, formando nódulos com um orifício, por onde ela respira. Essa mosca é 
de ocorrência mais freqüente em regiões de matas e morros.
Os ovinos podem ainda ser atacados por outras espécies de artrópodes como os 
ácaros produtores de sarna Psoroptes ovis e pelos piolhos Damalinia ovis. A sarna ovina 
não tem sido observada no Estado de São Paulo ao contrário da Damalinia, cuja presença 
tem sido freqüentemente assinalada nesse Estado. Esses dois ectoparasitos são parasitos 
permanentes não apresentando uma fase não parasitária. Eles são transmitidos através do 
contato direto entre um animal infestado com outro sadio. Como eles completam o seu 
ciclo de vida nos animais, o seu controle é relativamente mais fácil e pode ser realizado 
através do tratamento com banhos com produtos à base de inseticidas (piretróides). 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 76
9.3.4 ENDOPARASITAS 
O segundo grande grupode parasitas é o dos protozoários. Esse grupo abrange 
organismos unicelulares que podem provocar doenças nos animais entre eles os ovinos. 
Várias espécies de protozoários do gênero Eimeria têm sido diagnosticadas em exames de 
fezes de ovinos, nos quais provocam uma doença chamada coccidiose. Esses parasitos são 
microscópicos e se localizam no tubo digestivo dos animais. Eles penetram nas células 
epiteliais do tubo digestivo onde se multiplicam, provocando uma destruição das células 
parasitadas podendo resultar, em conseqüência disso, diarréia hemorrágica, com a saída de 
oocistos, que são suas formas de disseminação, nas fezes dos animais. Essas formas de 
disseminação da coccidiose são visíveis apenas ao microscópio. Os animais acometidos 
pela coccidiose em alguns casos sofrem perda de peso, fraqueza e podem chegar à morte. A 
doença é mais freqüente nos animais jovens com até 8 semanas de idade, porém pode 
atingir também os animais mais velhos. Várias espécies de Eimeria já foram identificadas 
parasitando cordeiros criados a campo, porém, a enfermidade adquire maior importância 
em animais confinados. As infecções com pequeno número de oocistos induzem à 
imunidade sem produzir doença, ou seja, os animais conseguem adquirir uma relativa 
resistência a essa doença. Parece que essa é a regra nas condições de criação extensiva, 
porém, em cordeiros confinados, podem ocorrer casos severos levando os animais à morte. 
Os animais adquirem a infecção através da ingestão de oocistos esporulados juntamente 
com os alimentos, portanto, as principais medidas para a prevenção da coccidiose são as de 
impedir que os animais comam alimentos contaminados, colocando os cochos de ração e 
bebedouros em altura adequada para evitar a contaminação do alimento com as fezes e 
manter os locais de confinamento limpos e secos pois a umidade favorece a esporulação 
dos oocistos. A coccidiose em ovinos é um assunto pouco estudado quando comparado com 
a mesma doença em outras espécies como as aves comerciais. Na avicultura de corte, por 
exemplo, as espécies de Eimeria que parasitam os frangos são de grande patogenicidade e o 
sistema de produção, com elevada densidade animal, favorece a sua ocorrência. A 
alternativa encontrada foi fazer a prevenção através da adição de medicamentos 
coccidiostáticos na ração, fornecida continuadamente às aves. Pesquisas com ovinos têm 
demonstrado que o tratamento contínuo dos animais com coccidiostáticos pode 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 77
proporcionar um ganho de peso superior aos não tratados, porém, o assunto é carente de 
maiores informações a respeito dos possíveis e reais prejuízos causados pela coccidiose em 
cordeiros. A toxoplasmose também é uma doença provocada por um protozoário chamado 
Toxoplasma gondii. Essa é uma das doenças que atingem uma enorme variedade de 
espécies animais, inclusive o homem. Nos ovinos, entretanto, na maioria das vezes ela é 
assintomática, mas quando atinge ovelhas gestantes, pode provocar abortamento. Os gatos 
são os hospedeiros definitivos do Toxoplasma e eliminam as formas infectantes do parasito, 
chamadas de oocistos, através das fezes. Os outros animais, entre eles os ovinos, se 
infectam, principalmente, ao ingerir alimento contaminado com fezes de gato portador do 
Toxoplasma. Como medida preventiva, recomenda-se impedir que os gatos tenham acesso 
aos cochos e aos locais de armazenamento de rações, pois eles poderiam contaminar os 
alimentos com as suas fezes contendo oocistos. 
O último grupo de parasitos é o dos helmintos, vulgarmente denominados de 
vermes. É o grupo de maior importância, devido aos prejuízos que provoca especialmente 
na ovinocultura. De uma maneira geral, os vermes podem ser achatados ("vermes chatos") 
ou cilíndricos ("vermes redondos"). Os vermes chatos podem ser em forma de folha ou em 
forma de fita segmentada. A Fasciola hepatica é um verme chato freqüente na Região Sul e 
em algumas áreas da Região Sudeste do Brasil. No Estado de São Paulo é muito freqüente 
na região do Vale do Paraíba. Esse verme se localiza no fígado dos animais acometidos e 
apresenta um ciclo biológico complexo, pois necessita de um caramujo para completar o 
seu desenvolvimento. Os animais adquirem a infecção ao ingerirem alimento ou água 
contendo as formas imaturas da Fasciola denominadas metacercárias. Essas metacercárias 
uma vez ingeridas vão atingir o fígado e canais biliares que são o habitat desse verme. 
Durante o seu crescimento a Fasciola provoca intensa destruição do tecido hepático, 
provocando hemorragias que resultam em anemia, emagrecimento e mesmo a morte do 
animal parasitado. A doença é comum nas áreas alagadiças e locais de plantação de arroz, 
onde a presença do caramujo é comum. Nas regiões tradicionais de criação de carneiro nos 
Estados do Sudeste, na atualidade, ela não tem sido assinalada, mas deve se ter em mente 
que essa doença pode estar se expandindo podendo vir a ocorrer no futuro. Existem duas 
espécies de parasitos achatados em forma de fita segmentada muito freqüentes em 
ruminantes chamadas Moniezia expansa e Moniezia benedeni, que devido à semelhança 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 78
com a tênia humana ou solitária, são chamadas de tênias dos bovinos e ovinos. As 
moniezias se localizam no intestino delgado e podem atingir vários metros de 
comprimento. Elas se fixam na parede do intestino através de 4 ventosas localizadas na sua 
cabeça, e eliminam continuamente os segmentos finais de seu corpo juntamente com as 
fezes. É muito comum, se observar esses pequenos filamentos amarelados ou 
esbranquiçados nas fezes dos carneiros, não havendo necessidade de outros exames para 
diagnosticar a doença. Esses segmentos estão repletos de ovos do verme que são mais ou 
menos triangulares. Esses ovos, porém, não são visíveis a olho nu, sendo somente 
observados quando se utiliza um microscópio. Nas pastagens, esses ovos são espalhados 
pela desintegração desses filamentos e são ingeridos por pequenos ácaros que vivem 
livremente no solo. No interior do corpo desses ácaros esses ovos se desenvolvem em 
larvas infectantes para os ovinos. Os ovinos ao pastarem, ingerem juntamente com o 
alimento, os ácaros contendo as formas larvárias da Moniezia. Os sucos digestivos do 
carneiro irão digerir os tecidos do ácaro e liberar a larva da Moniezia que irá se aderir na 
mucosa do intestino delgado onde irá crescer até se transformar em adulto. O corpo da 
Moniezia pode atingir vários metros de comprimento sendo constituído de dezenas de 
segmentos. A Moniezia não é hematófaga. Não possuindo tubo digestivo, ela absorve os 
alimentos através de seu próprio tegumento. A capacidade da Moniezia provocar prejuízos 
à saúde dos ovinos é considerada pequena por muitos, porém, vale lembrar que elas 
competem com os ovinos na absorção do alimento pré-digerido, diminuindo, portanto o 
aproveitamento do mesmo pelos animais. Da mesma forma que os ovinos podem ser 
parasitados pelas moniezias, os cães podem ser parasitados por outros vermes chatos que se 
localizam no seu intestino delgado. O principal deles, em relação aos ovinos, é o 
Echinococcus granulosus, que é a menor "tênia" conhecida, pois o seu corpo é constituído 
de apenas 3 segmentos. Periodicamente, o cão elimina o último segmento repleto de ovos 
do Echinococcus juntamente com as suas fezes que irão contaminar o solo, as pastagens e a 
água do meio ambiente. Os ovinos ao ingerirem capim contaminado com esses ovos do 
parasito irão funcionar como seu hospedeiro intermediário. O ovo após ser ingerido irá 
liberar um embrião que irá atingir principalmente ofígado e os pulmões dos carneiros. 
Nesses órgãos, irá se desenvolver gradativamente a larva do parasito que é chamada de 
Cisto hidatico. Essa larva tem um aspecto de uma bexiga e pode ser de tamanhos variados 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 79
podendo ser do tamanho de uma bola de sinuca ou mesmo maior. Com outras espécies de 
animais pode ocorrer o mesmo que ocorre com os ovinos, até mesmo com o homem, 
porém, a doença é mais comum nos ovinos. Essa doença nos animais e no homem é 
chamada de hidatidose e, nas regiões onde ocorre, é de grande importância pelas perdas que 
provoca na criação de ovinos e em Saúde Pública, por atingirem também a espécie humana.
Os cães se infectam quando comem vísceras, principalmente o fígado e pulmões contendo o 
Cisto hidatico. Como medidas indicadas para o controle da hidatidose, portanto, é 
recomendado o tratamento dos cães portadores do verme adulto ("tênia" Echinococcus) 
com vermífugo adequado para que eles não contaminem as pastagens disseminando a 
doença, não fornecer vísceras cruas dos ovinos abatidos para os cães e não permitir que eles 
tenham acesso a carcaças de animais mortos. Os chamados "vermes redondos", que na 
verdade são cilíndricos, são também conhecidos como nematóides.
Das espécies de vermes que se localizam no pulmão e vias aéreas dos ovinos o 
Dictyocaulus filaria é o mais importante e comum. Esse verme determina um quadro de 
bronquite parasitária com o animal acometido apresentando tosse e dificuldade respiratória. 
A verminose pulmonar é de ocorrência menos comum do que a gastrintestinal não só nos 
ovinos como também nos bovinos. Os animais infectados eliminam larvas através das fezes 
que irão contaminar as pastagens. Após um curto período de tempo, essas larvas se 
desenvolvem nas pastagens se tornando infectantes para outros animais. Os animais 
contraem a verminose pulmonar através da ingestão de larvas infectantes juntamente com o 
alimento. Com relação à verminose gastrointestinal existem vários gêneros de vermes que a 
provocam. Os mais comumente encontrados no Sudeste são o Haemonchus, 
Trichostrongylus, Cooperia, Oesophagostomum e Strongyloides. Nos Estados da Região 
Sul outros gêneros como Ostertagia e Nematodirus também ocorrem, sendo o primeiro 
extremamente patogênico para os ovinos. Por enquanto a sua presença não tem sido 
relatada no Estado de São Paulo. Raramente a verminose gastrointestinal é provocada por 
apenas um tipo de verme. Geralmente as infecções são mistas havendo uma somatória dos 
efeitos deletérios que eles provocam nos animais parasitados. Esses vermes são 
responsáveis por elevados prejuízos econômicos por provocarem retardo do crescimento, 
diminuição da produção de carne ou lã e aumento da taxa de mortalidade, além do gasto 
com vermífugos e mão de obra. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 80
Embora cada tipo de verme apresente peculiaridades próprias, de uma maneira geral 
pode-se considerar o ciclo biológico de Haemonchus, Cooperia, Trichostrongylus e 
Oesophagostomum como se segue: a vida de um nematódeo típico se inicia com a cópula 
entre machos e fêmeas adultas que estão no seu habitat. Depois de fertilizadas, as fêmeas 
realizam a postura de ovos que irão para o meio exterior com as fezes do animal. Esses 
ovos só são visíveis quando se usa um microscópio e quando eliminados, apresentam várias 
células em seu interior, que em conjunto tem um aspecto de amora. Possuem também um 
câmara de ar que permite que eles flutuem quando colocados em uma solução mais densa. 
Essa propriedade permite a sua visualização em laboratório através de técnicas de 
flutuação. Esses ovos, encontrando condições propícias de umidade, temperatura, evoluem 
passando a conter uma larva em seu interior (embrionamento). Quando completamente 
desenvolvida, essa larva eclode e fica no meio ambiente se alimentando de 
microorganismos e matéria orgânica presentes no solo e nas pastagens, cresce e evolui até 
atingir a forma infectante, chamada de L 3. Para prosseguir o seu desenvolvimento a L 3 
necessita ser ingerida pelo animal. Essas larvas são bastante resistentes podendo 
permanecer por vários meses nas pastagens. Elas são bastante móveis e são governadas 
pelo estímulo da umidade. Nas horas mais frescas do dia, elas se locomovem pela película 
de orvalho que recobre as vegetações indo em direção das partes mais altas das vegetações. 
Nas horas mais quentes e ensolaradas elas se dirigem para as partes inferiores das plantas, 
chegando a penetrar na superfície do solo em busca de um ambiente mais propício para a 
sua sobrevivência. A umidade ótima para os ovos e larvas é de 80 a 100% e a temperatura 
entre 22 a 26 ºC. Temperaturas superiores a 30ºC provocam um desenvolvimento mais 
rápido, porém, as larvas se tornam hipercinéticas e consomem rapidamente suas reservas e 
morrem mais rapidamente. As larvas podem sobreviver por longos períodos no microclima 
existente nas partes baixas da vegetação, rente ao solo, onde o grau de umidade e 
temperatura é mais ou menos constante, graças à proteção das camadas das folhas. O 
animal adquire a infecção ao ingerir a larva infectante juntamente com o pasto. Dentro do 
organismo do animal, a larva evolui e cresce até atingir o estágio adulto no local de sua 
preferência ao longo do tubo digestivo do animal. 
O Haemonchus preferencialmente se localiza no abomaso, assim como o 
Trichostrongylus axei. Uma outra espécie de Trichostrongylus, o Trichostrongylus 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 81
colubriformis e a Cooperia se localizam o intestino delgado e o Oesophagostomum parasita 
o intestino grosso. Localizados em seu habitat, machos e fêmeas copulam e passam a 
produzir ovos que serão eliminados através das fezes do animal, fechando o chamado ciclo
biológico. Deve-se observar que durante a vida desses vermes, ocorrem duas fases distintas: 
uma se passa no interior do animal, que vai desde a ingestão da larva infectante até o verme 
adulto (fase parasitária) e a outra que se passa no meio ambiente, que vai do ovo até a 
forma infectante (fase de vida livre ou pré-parasitária). Esse reconhecimento é muito 
importante quando se discute as medidas de manejo zootécnico que podem ser aplicadas 
para dificultar o contato entre os vermes e os animais. Geralmente as larvas seguem um 
desenvolvimento padrão no interior do organismo do animal de maneira que após 3 a 4 
semanas elas já se transformaram em adultas. Entretanto, sob certas condições, esse 
desenvolvimento pode se retardar por um tempo mais longo (até 4 meses) no interior da 
mucosa do tubo digestivo. As larvas retornam ao seu crescimento principalmente quando a 
resistência do hospedeiro é quebrada ou diminuída. A partir do momento em que essas 
formas imaturas reassumem o seu desenvolvimento elas se tornam adultas rapidamente e 
passam a causar doença nos hospedeiros. 
O Strongyloides é um verme que apresenta um ciclo de vida diferente dos demais. 
Em sua forma adulta ele se localiza no intestino delgado e as fêmeas põem ovos de casca 
fina que saem com as fezes do animal contendo uma larva no seu interior. O 
desenvolvimento da fase não parasitária é semelhante ao dos outros vermes acima citados, 
porém, as larvas infectantes penetram através da pele dos animais para infectá-los. Esse 
parasito também pode ser transmitido da mãe para a sua cria através da placenta e do leite 
podendo ser encontrado em animais recém nascidos. Diferentemente do que ocorre com 
outras doenças, a verminose gastrointestinal se apresenta sob forma pouco aparente ou 
subclínica e crônica, de maneira que apenas 5% dos casos se manifestam de maneira clarae 
visível. Agindo lentamente, os vermes mostram seus efeitos a longo prazo, passando muitas 
vezes despercebidos pelos criadores. As mortes nem sempre se devem diretamente aos 
efeitos dos vermes no metabolismo do animal, mas o enfraquecimento provocado por eles 
torna o animal mais sensível a outras enfermidades que, em condições normais, eles não 
seriam. Em outras palavras, a morte pode ser resultado de uma outra doença que se instalou 
em conseqüência da debilidade orgânica que o animal parasitado apresenta. Novamente 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 82
deve-se enfatizar a importância do desenvolvimento harmonioso do tripé de fatores da 
produção animal. Quando há abundância de pastagens de boa qualidade a ação dos vermes
pode ser pouco notada, mas quando as pastagens são de baixa qualidade, superlotação e 
condições ambientais deficientes, as verminoses causam estragos consideráveis. O 
Haemonchus é considerado o verme de maior patogenicidade para os ovinos. É um verme 
que se alimenta de sangue do seu hospedeiro. Acredita-se que ele injete uma substância 
anticoagulante no ferimento que provoca na mucosa estomacal de modo que a perda de 
sangue por parte do animal continue por mais 5 ou 6 minutos após ele ter abandonado o 
local de adesão. Estima-se que um ovino maciçamente infectado por Haemonchus pode 
perder cerca de 140 ml de sangue por dia e que cada verme possa sugar 0.08 ml de sangue 
por dia. As espécies de Ostertagia também são hematófagas, porém, as principais lesões 
são causadas pelas larvas infectantes que penetram na mucosa gástrica formando nódulos 
esféricos, no interior dos quais se desenvolvem. Esses parasitos lesam as glândulas 
gástricas fazendo com que desapareçam as células produtoras de ácido clorídrico, o que 
eleva o pH normalmente de 2 a 3 para 7. Essa elevação do pH inibe a ação da pepsina e o 
pepsinogênio, interrompe a digestão péptica e leva ao desenvolvimento de bactérias 
anaeróbias desencadeando o aparecimento de diarréias. 
O Trichostrongylus e a Cooperia não são hematófagos. Eles se nutrem de alimento 
pré-digerido e de células superficiais da mucosa do tubo digestivo, provocando reações 
inflamatórias, erosão e hiperplasia do epitélio, e aumentam a secreção de muco tornando a 
digestão deficiente. Essas espécies e também o Strongyloides provocam lesões menos 
graves, porém determinam inflamação catarral, espessamento do epitélio e erosão na 
mucosa do tubo digestivo. O Oesophagostomum embora se localize no intestino grosso em 
sua forma adulta, logo que suas larvas saem do abomaso, podem penetrar na mucosa do 
intestino delgado formando nódulos na sua parede. Esses nódulos tendem a se calcificar, 
interferindo na mecanicidade e no bom funcionamento do intestino prejudicando o 
peristaltismo e a absorção intestinal. Vários são os fatores que interferem na ocorrência das 
verminoses. Os cordeiros passam a sofrer infecções significativas a partir de 1 mês e meio 
de idade, sendo mais sensíveis que os animais mais velhos. O estado fisiológico dos 
animais também influi bastante. Está comprovado que no período periparto e durante a 
lactação as ovelhas sofrem infecções mais pesadas que após o desmame. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 83
Em estudos comparativos, animais das raças Romney-Marsh foram mais 
resistentes que animais das raças Merino Australiano, Ideal e Corriedale e animais da raça 
Crioula lanada foram mais resistentes que os da raça Corriedale. Além da diferença entre 
animais de raças diferentes existem diferenças de sensibilidade entre animais de uma 
mesma raça. (resistência individual), existindo uma correlação positiva entre resistência e 
produtividade, havendo possibilidades de formação de rebanhos mais resistentes à 
verminose através de seleção genética dentro de cada raça. Uma medida de caráter prático 
para identificar os animais mais sensíveis é observar aqueles que apresentam 
sintomatologia clínica, devendo na medida do possível, serem eliminados do rebanho, pois 
se calcula que cerca de 10% dos animais de um rebanho alberguem a metade dos vermes 
existentes enquanto a outra metade estaria distribuída entre os outros animais (90%). As 
lotações altas facilitam a transmissão das verminoses e baixas desfavorecem. 
O diagnóstico da verminose ovina pode ser estabelecido com base na 
sintomatologia apresentada pelos animais como emagrecimento, anemia, edema 
submandibular, caquexia e diarréia. Melhor ainda é complementar o diagnóstico clínico 
com exame parasitológico de fezes, cultura de larvas e necropsia de alguns animais 
doentes. Para a colheita das fezes para exame laboratorial, deve-se colhê-las diretamente do 
reto do animal. Para tanto é bastante prático a utilização de luvas de plástico descartáveis. 
Em animais de pequeno porte introduz-se apenas um dedo, em animais maiores podem-se 
introduzir dois dedos, fazendo-se uma massagem na mucosa retal. Após ter obtido o 
material, descalçar a luva, invertendo-a, podendo-se dar um nó na luva para melhor conter 
as fezes colhidas. O envio para o laboratório deve ser o mais rápido possível e as amostras 
de fezes devem ser, preferencialmente, acondicionadas em caixas isotérmicas com gelo. É 
importante que se analise uma amostra representativa do rebanho para o diagnóstico da 
verminose. Recomenda-se que se colha material de 10% de cada categoria animal, e que 
sejam colhidas amostras tanto de animais aparentemente saudáveis como dos que estão 
apresentando algum sinal indicativo de verminose. Com relação ao tratamento e controle 
das verminoses gastrintestinais devesse ter em mente que 95% das verminoses são 
subclínicas, ou seja, não apresentam sintomas evidentes, ressaltando-se a importância da 
realização de exames de fezes dos animais. O controle tem sido baseado na aplicação de 
drogas anti-helmínticas existindo propriedades onde a aplicação de medicamentos tem sido 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 84
feita a cada 15 dias. Entretanto, esse uso exclusivo e intenso, tem levado ao aparecimento 
de populações de vermes resistentes a essas drogas. Calcula-se que, em decorrência do 
ciclo de vida dos vermes gastrintestinais, apenas cerca de 5% da sua população esteja na 
fase parasitária, passível de sofrer a ação do medicamento enquanto 95% estejam em fase 
de vida livre na forma de ovos e larvas nas pastagens.
Muitos são os fatores que devem ser considerados no controle dos vermes como as 
fases de vida do animal que eles são mais atacados, as espécies de vermes predominantes 
no rebanho, o tipo de vermífugo a ser usado, as condições climáticas, as condições das 
pastagens, etc. A resistência dos vermes a uma droga pode ser definida como um aumento 
na habilidade de uma estirpe de parasito para tolerar doses de uma droga que são letais para 
a maioria dos indivíduos de uma população da mesma espécie (dose terapêutica). O seu 
aparecimento em um rebanho ocorre devido à seleção de alelos de genes cuja expressão 
está envolvida nos mecanismos de ação da droga anti-helmíntica. Essa habilidade é 
hereditária sendo transferida aos descendentes. O uso indiscriminado, intenso e freqüente 
de vermífugos exerce uma pressão de seleção muito grande resultando no aparecimento de 
populações de vermes resistentes a um ou vários grupos químicos de vermífugos. 
Atualmente, o fenômeno da resistência dos vermes de ovinos aos anti-helmínticos é um dos 
principais problemas no desenvolvimento da ovinocultura no Estado de São Paulo e no 
Brasil, pois se pode chegar a uma situação onde nenhuma base farmacológica disponível 
seja eficiente. A utilização de medicamentos deve ser empregada em esquemas de manejo 
que visem diminuir o número de aplicaçõesminimizando a pressão de seleção exercida e 
mantendo a produtividade do rebanho.
O controle da verminose gastrointestinal dos ovinos é um assunto complexo e 
carente de informações de pesquisa, e para o estabelecimento de programas de controle, é 
recomendável que o ovinocultor procure assistência técnica especializada a fim de que as 
medidas gerais possam ser adequadas e aplicáveis a cada situação específica. Entretanto, 
uma série de recomendações pode ser relacionada com o intuito de diminuir o aparecimento 
e a disseminação de populações de vermes resistentes. 
1. Não se deve confiar apenas no vermífugo, devendo-se buscar medidas auxiliares 
de controle relacionadas com a descontaminação das pastagens.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 85
2. Administrar a dose correta de vermífugo quando for tratar os animais, pois as 
sub-dosagens podem acelerar o aparecimento de populações resistentes.
3. Utilizar os grupos de vermífugos de amplo espectro em rodízio lento ou anual 
com a utilização de uma ou duas aplicações de um vermífugo com ação contra 
Haemonchus, em áreas onde ele for problema, com o objetivo de retardar o aparecimento 
da resistência.
4. Não introduzir parasitas resistentes junto com animais de compra, tratando os 
previamente e mantendo-os confinados no mínimo por 24 horas antes de serem 
incorporados ao rebanho. 
5. Utilizar apenas drogas com eficácia anti-helmíntica igual ou acima de 90%
para o rebanho.
6. Adotar práticas combinadas que permitam a utilização de áreas de pastagens 
livres ou com baixos índices de contaminação por larvas ou que visem a descontaminação 
das pastagens, como a utilização de pastagens recém implantadas, áreas utilizadas com 
outras culturas agrícolas, pastejo rotacionado de ovinos com outras espécies animais como 
bovinos e eqüinos, pastejo dos jovens na frente dos adultos, etc.
7. Desmame precoce e terminação de cordeiros em confinamento.
8. Seleção de animais geneticamente resistentes aos vermes.
Essas recomendações são de caráter geral e não são aplicáveis a todas as 
propriedades na sua totalidade, entretanto, julga-se que possam contribuir para uma melhor 
eficiência dos programas de controle da verminose ovina, programas esses que devem ser 
avaliados periodicamente através da realização de exames de fezes dos animais.
9.3.5 ENFERMIDADES INFECCIOSAS
Doenças bacterianas:
São bactérias que se encontram no meio ambiente em forma de esporos. Estes 
esporos são camadas que os protege contra o calor, raios solares, a maioria dos 
desinfetantes e até a fervura. Elas penetram nos animais através de cortes, injeções, pela 
respiração, comendo e bebendo. Após a penetração nos animais, eles ficam aguardando o 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 86
momento propício para a sua multiplicação, eles são anaeróbios e qualquer contusão que 
diminua o aporte de oxigênio na região é o suficiente para o aparecimento da doença. No 
intestino a doença ocorre quando há mudanças súbitas na alimentação com a adição de 
concentrados.
Clostridioses:
Carbúnculo sintomático (Clostridium chauvei): manqueira
Ocorre uma destruição extensa da área muscular em um ou dois dias. Ocorre 
claudicação, inchaço e alteração da cor dos músculos para vermelho escuro ou preto.
Edema maligno (Clostridium septicum): gangrena gasosa
No local afetado ocorre uma infecção gasosa. A morte ocorre entre 12 a 48 horas.
Clostridium sordeli
Morte súbita dos animais devido a sua potente toxina, a pele fica enegrecida no 
peito e garganta.
Hepatite necrótica (Clostridium novy)
Morte súbita, líquido no abdômen, fígado necrosado e a pele ficam enegrecidos no 
abdômen.
Intestino purpúreo (Clostridium perfringens B e C)
Os sintomas são cólicas, diarréia fétida com sangue e convulsões, a parte afetada do 
intestino fica azul escura.
Doença da superalimentação (Clostridium perfringens D)
Mudanças bruscas de alimentação, com altas taxas de carboidratos, liberam os 
clostrídios, suas toxinas caem na corrente sanguínea matando os animais em poucas horas. 
Tratamento: para estas seis clostridioses, altas doses de penicilina podem salvar os animais, 
se detectados a tempo. Profilaxia: a maioria das vacinas encontradas no mercado é de alta 
eficácia na prevenção das doenças acima citadas. Vacinando-se as mães antes do parto, elas 
irão passar a imunidade para os cordeiros através do colostro. Aos três meses de idade 
vaciná-los e repetir a vacinação de seis em seis meses ou de ano em ano de acordo com o 
tipo de vacina.
Tétano (Clostridium tetani)
É uma bactéria que sobrevive por vários anos no meio ambiente porque se mantém 
esporulada, encontra-se na terra e no esterco, principalmente de eqüinos. A fase que mais 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 87
aparece na cabanha é no parto, na castração, na descola e na tosquia. Qualquer ferida que o 
esporo se aloje, ao formar a casca para cicatrizar, torna o meio anaeróbio, propiciando o 
meio ambiente ideal para o desenvolvimento do Clostridium tetani, neste momento inicia-
se a liberação das toxinas que são neurotóxicas, provocando espasmos tônicos musculares e 
enrijecimento progressivo dos membros, da boca e das orelhas. Tratamento: nos casos leves 
de tétano, altas doses de penicilina e a limpeza das feridas resolvem o problema. Nos caso 
agudos, mesmo com a limpeza das feridas e antibioticoterapia, a morte é inevitável. 
Prevenção: em propriedades com muitos problemas, vacinar os animais e sempre cuidar 
bem das feridas de castrações, corte do rabo dos cordeiros e cortes na tosquia, evitar a 
criação de eqüinos no piquete dos carneiros.
Pasteurelose (Pasteurella haemolytica)
A Pasteurela encontra-se normalmente nas vias aéreas dos animais. O estresse do 
desmame, de transporte, castração, mistura com outros animais e locais mal arejados, 
facilitam a multiplicação e a invasão dos pulmões pelos microrganismos. Em certos casos a 
enfermidade é tão aguda que o animal morre sem apresentar sintomas. Na maioria dos 
casos os animais têm febre, respiram com dificuldade e, devido à destruição dos alvéolos e 
dos capilares, ocorrem áreas extensas de hemorragias tornando os pulmões hepatizados. 
Tratamento: é importante começar o tratamento o mais cedo possível através de 
antibioticoterapia de largo espectro de ação e em altas doses. Prevenção: a maioria das 
vacinas produz baixa resposta imunitária, as importadas têm um adjuvante que facilita o 
contato das células “T” com antígeno, o que aumenta em muito a resposta imunitária. 
Esquema de vacinação: vacinar as ovelhas prenhas um mês antes da parição, com duas 
doses em intervalos de 10 dias. Após a parição vacinar os cordeiros com 15 dias de vida e 
com 30 dias e repetir a vacinação de seis em seis meses.
Diarréia dos cordeiros
A diarréia por Escherichia coli ocorre principalmente nos confinamentos onde a 
mãe fica junto ao cordeiro e o local não é bem arejado e seco. A mãe deita com o úbere em 
cima das fezes umedecidas e o cordeiro ao mamar se contamina com coliformes 
patogênicos aparecendo uma diarréia de coloração amarelo brilhante, cólicas abdominais, 
diminuição do apetite e muitas vezes o animal desidrata e morre. Tratamento: antibióticos 
de largo espectro, preferencialmente após o antibiograma. Prevenção: criar os animais em 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 88
um ambiente arejado e o mais seco e limpo possível, de preferência uma vez por semana 
passar o lança chamas nas instalações.
Podridão do casco (foot rot)
Esta enfermidade é causada pela associação de duas bactérias, o Fusobacterium 
necrophorum que ataca o epitélio interdigital e o Bacteróides nodosus que penetra pela 
muralha do casco, deslocando-o e facilitando a penetração de outras contaminações. A lama 
e o estercofacilitam a aparição do processo, devido a dois fatores: o amolecimento do 
casco pela umidade e a proliferação das bactérias pelo meio se tornar anaeróbio no casco. 
Estas bactérias têm pouco tempo de vida nas pastagens, sendo que a sua sobrevida gira em 
torno de três semanas. Por isso é importante o isolamento dos animais afetados, porque eles 
mantêm a contaminação no meio ambiente. O surto pode atingir até 70% do rebanho, os 
animais enfermos ficam muito debilitados, eles não se alimentam bem devido à dor nos 
membros. Tratamento e Prevenção: casquear todos os animais do rebanho, iniciando pelos 
animais que já estiverem claudicando, e isolar os mesmos após casquear. Desinfetar os 
materiais, queimar os resíduos de casco e casquear o resto dos animais repetindo o processo 
acima. Sempre tirar toda a área contaminada, porque qualquer resíduo que fique o problema 
retorna. Usar pedilúvio com formol (5 a 10%) ou sulfato de zinco (10%). Passar 
inicialmente os animais sadios, com uma duração dentro do pedilúvio de 5 minutos, e após 
os enfermos por 20 minutos. Repetir o tratamento uma vez por semana por três semanas 
consecutivas e após de 15 em 15 dias por mais quatro vezes. Os animais sadios devem ser 
levados para uma pastagem com pelo menos 30 dias de descanso e os doentes levados a um 
local seco, de preferência em estrados de madeira. Nos casos mais complicados, a aplicação 
de três doses de tetraciclina, com um intervalo de 48 horas entre cada aplicação, auxilia em 
muito o tratamento. Os corredores de acesso ao centro de manejo são fundamentais para a 
disseminação da doença, principalmente em períodos de umidade, por isso se torna 
necessário novos casqueamentos, para evitar o crescimento excessivo dos cascos, com isto 
as bactérias não ficarão alojadas nos animais. A vacina nacional não tem demonstrado 
muita eficácia e a importada auxilia em torno de 50% na prevenção, mas é proibitiva 
devido ao preço elevado. Os animais confinados se estiverem em local úmido, também irão 
apresentar o mesmo problema. Ao comprar animais de fora, fazer uma quarentena após o 
casqueamento. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 89
Queratoconjuntivite (Pink Eye)
Várias bactérias podem causar este problema nos ovinos: Mycoplasma psitacci, 
Moraxela ovis, Branhamella ovis e Ricktsia conjuntivae. É uma doença altamente 
contagiosa e dependendo do agente patogênico pode levar à graves lesões, como ulcerações 
da córnea e até cegueira permanente. Esta doença é transmitida através de moscas, poeira, 
pastagens altas e principalmente quando os animais se alimentam em chocos, pelo contato 
com os enfermos ou ao esfregarem os olhos nos cochos contaminados. Tratamento: 
geralmente colírios à base de cloranfenicol ou tetraciclinas, associados com 
antiinflamatórios, resolvem o problema. Prevenção: ao comprar animais ou ao retornar de 
exposições, deixar os animais de quarentena, ao menor sinal da doença tratar todo o lote. 
Caso a doença já esteja disseminada no plantel, separar os animais afetados tratá-los por 10 
dias e em cada tratamento desinfetar o rosto dos animais com uma solução de iodo a 5%, 
parar o tratamento por alguns dias e se aparecer algum animal novamente com o problema 
eliminá-lo porque ele é um portador crônico da doença. Os animais que não tinham 
problema devem ser tratados preventivamente com colírio por cinco dias. As vacinas 
existentes não são muito eficazes devido ao grande número de agentes da doença.
Linfadenite caseosa ou Mal do caroço
È uma doença infecto-contagiosa, crônica, acomete caprinos e principalmente 
ovinos deslanados, formando abscessos geralmente na parte anterior do corpo, paleta e 
pescoço (gânglios superficiais), e em menor escala nos gânglios internos e órgãos como 
pulmão, fígado e baço, por isso é conhecida como mal do caroço. É causada pela bactéria 
Corynebacterium pseudotuberculosis que é transmitida pelo contato do material purulento 
com arranhões e ferimentos na pele. Após a penetração, a bactéria se aloja nos gânglios 
mais próximos formando abscessos. Prevenção e controle: o ideal é realizar o descarte do 
animal, evitando que a doença se espalhe no rebanho, não introduzir animais comprados 
sem a devida observação (quarentena). A vacina disponível atualmente, não apresenta 
poder imunitário satisfatório. Tratamento: proceder a tricotomia e desinfecção na região 
afetada, fazer incisão no sentido vertical, permitindo a abertura ampla do local para a 
retirada de todo o conteúdo purulento, seguida de lavagem com iodo a 10%. O tratamento 
deve ser realizado fora das instalações, todo o material retirado deve ser queimado e os 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 90
instrumentos desinfetados; os animais tratados só devem retornar ao reabaho após completa 
cicatrização. 
Doenças virais:
Ectima contagioso
Esta doença é viral e atinge animais adultos e jovens, sendo os jovens os mais 
suscetíveis. Na forma benigna os vírus saem da corrente sanguínea e se alojam no epitélio 
nasal e bucal. Na forma maligna se alojam também na cavidade bucal e em várias regiões 
do corpo, podendo levar os cordeiros novos à morte por causar dificuldade na alimentação 
e problemas de infecção secundária. Nas mães ocorrem feridas graves nos tetos que podem 
levar a mastites severas, inclusive inutilizando as mamas. Tratamento: tratar as feridas dos 
animais enfermos com um chumaço de algodão embebido em iodo ou com pomada à base 
de cloranfenicol e violeta genciana. Prevenção: fazer quarentena dos animais comprados ou 
que participam de exposições. Em caso de um surto na propriedade, isolar os animais 
doentes e vacinar todo plantel. As vacinas são muito eficientes contra a doença. Se houver 
algum caso maligno, é necessário revacinar anualmente o rebanho e principalmente os 
cordeiros nascidos por pelo menos três anos consecutivos. A vacina é efetuada riscando-se 
a face interior da coxa com um estilete, mas sem provocar sangramento, com um cotonete 
embebido com o líquido vacinal, esfrega-se na lesão. Após 10 dias, aparece uma crosta no 
local, o que indica que a vacina está funcionando. 
Aftosa
O animal doente apresenta erupções vesiculares na boca, língua, 
espaço interdigital e úbere. Tratamento: Higienização das instalações, bebedouros e 
comedouros. Vacinação dos animais. Tratar as lesões (evitar infecções secundárias). 
Aplicar solução de sulfato de cobre a 10% ou formol a 5% nos cascos. 
Raiva
É transmitida através da mordida de cães, gatos e morcegos hematófagos (o 
principal transmissor). Sintomas: observam-se mudanças de hábito (ansiedade e dilatação 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 91
da pupila), podendo ocorrer excitação e agressividade, embora a forma paralítica seja a 
mais frequente. Observa-se ainda sialorréia e dificuldade na deglutição. A morte ocorre em 
poucos dias. Tratamento e controle: não há tratamento. A prevenção se faz com vacinação 
e combate aos morcegos hematófagos. 
9.4 CAPRINOS 
O manejo sanitário é realizado para manter a saúde dos animais, controlando e 
prevenindo doenças, tornando os rebanhos mais sadios e produtivos, tem como objetivo, 
obter bons resultados de desempenho e econômicos, evitando-se queda na produção e 
prejuízos, sendo o foco a PREVENÇÃO. Para tanto, recomenda-se: 
Higiene das instalações:
• Limpar o aprisco por meio de varredura;
• Lavar os bebedouros diariamente;
• Limpar os comedouros diariamente, não deixando alimentos velhos e estragados;
• Desinfetar as instalações com creolina ou vassoura-de-fogo, semanalmente.
Quarentena:
• Observar os animais comprados recentemente por no mínimo, 30 a 60 dias, em 
local isolado (Quarentenário). Com essa medida oprodutor pode evitar o aparecimento de 
doenças dentro da propriedade.
Isolamento:
• Isole todo animal doente para evitar contaminação do rebanho. O animal só 
deverá voltar ao rebanho quando estiver totalmente curado. 
Descarte de animais:
• Abater ou sacrificar os animais que apresentem doenças transmissíveis ao 
homem (Zoonoses) como, por exemplo, a brucelose, a febre aftosa, a toxoplasmose, a raiva 
e o carbúnculo hemático (carbúnculo verdadeiro);
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 92
• Abater os animais que tenha doenças que causem grandes prejuízos econômicos, 
como a artrite encefalite caprina a vírus (CAEV); 
• Abater os animais com defeitos, caprinos mochos (sem chifre) de nascimento, 
animais velhos e improdutivos, animais que apresentem doença crônica nos cascos, animais 
que apresentarem linfadenite caseosa (mal-do-caroço) mais de duas vezes e matrizes com 
mastite crônica (úbere “duro”).
Avaliação rotineira dos animais no rebanho (SEMIOLOGIA):
• Aparência Geral: atitude alerta e ativa; com pêlos finos, em bom estado 
corporal; membros firmes, locomovendo-se com segurança e conforto; sem a presença pelo 
corpo, de inchaços, abscessos, corrimentos ou secreções; olhar vivo e brilhante; focinho 
gelado e seco; tendo apetite e mostrando ruminação normal; seguindo sempre o rebanho. 
• Temperatura corporal: entre 39 a 40ºC
• Respiração: regular e sem esforço; observada pela movimentação do vazio, 
12 a 15 movimentos/minuto no animal adulto e 15 a 24 nos animais jovens.
• Fezes normais, firmes, brilhantes, de formato e cor característicos, sendo 
excretadas sem esforços.
• Urina: parda, clara e sem vestígios de sangue.
• Órgãos da reprodução: íntegros e de aparência normais.
9.4.1 ECTOPARASITAS
 Pediculose e Sarna: banhos a base de organofosforados ou piretróides, dois banhos 
com intervalo de 10 dias, a otoacaríase deve ser tratada com a limpeza do canal auditivo e 
aplicação de sarnicida diluído em solução oleosa 1:3.
 Miíase: tratar as feridas, retirando as larvas, limpando e aplicando no local repelentes e 
cicatrizantes.
 9.4.2 ENDOPARASITAS
 Helmintoses: os parasitos comuns na região Centro-Sul do Brasil são: Strongyloides, 
Haemonchus, Trichostrongylus, Oesophagostomum, Cooperia, Muellerius e Moniezia,o 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 93
controle com o uso de vermífugos deve ser feito com base em exames clínicos periódicos e 
resultados de testes de OPG, segundo as recomendações técnicas, evitar áreas de baixadas e 
úmidas. 
Eimeriose ou Coccidiose (protozoários): assume maior importância em animais 
confinados, afetando principalmente animais jovens, as espécies consideradas patogênicas 
dos caprinos são apenas algumas dentre elas Eimeria arloingi e E cristenseni, provoca alta 
morbidade em animais com menos de seis meses de idade; como prevenção se deve evitar 
superpopulação, contaminação de comedouros e bebedouros com fezes, drenagem de áreas 
alagadas e higienização.
 Enterotoxemia (bactéria): é causada pelo Clostridium perfringens, que habita 
normalmente o trato digestivo dos ruminantes e sob dadas condições, ainda não bem 
conhecidas, prolifera rapidamente e produz grandes quantidades de toxinas, que são 
absorvidas, a troca súbita de alimentos, ingestão de grande quantidade de forrageiras muito 
palatáveis ou ingestão de alimento fibroso, deficiência de cálcio e outros elementos podem 
funcionar como fatores predisponentes. Deve-se vacinar as cabras gestantes, no terço final 
da gestação e a cria aos 2 meses de idade e anualmente.
9.4.3 PROGRAMA DE VACINAÇÕES
Aftosa: vacinar a cada 6 meses, a partir do 3º mês de vida 
Clostridioses: em regiões com diagnóstico da doença, vacinar todo o rebanho a partir de 2 
a 6 meses, aplicar duas doses com intervalo de duas semanas em áreas endêmicas, vacinar 
antes de práticas de manejo como castrações e descornas vacinar as cabras 30 dias antes do 
parto e revacinar anualmente todo o rebanho. 
Ectima contagioso: em casos de surto vacinar com autovacinas obtidas meio de 
suspensão de crostas secas em solução glicerol salina e aplicadas por escarificação da pele 
na parte interna da coxa. 
Anti-rábica: vacinar anualmente todo o rebanho, em regiões com diagnóstico da 
doença e presença de morcegos hematófagos ou cães contaminados. 
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 94
10. LITERATURA CONSULTADA (BIBLIOGRAFIAS)
BELLUZO, Carlos Eduardo; KANETO, Carlos N.; FEREIRA, Gustavo Martins. Curso de 
Atualização em Ovinocultura. Araçatuba: UNESP, 2001. CAETANO, Hamilton; 
FONSECA, Luiz Eduardo Corrêa (Coord. e Org.). 106 p.
BUENO, M. S.; SANTOS, L. E. dos; CUNHA, E. A. Alimentação de ovinos criados 
intensivamente. 2007. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/
Artigos/2007_2/alimentovinos/index.htm>. Acesso em: 29/10/2008.
CARVALHO, E.B., OLIVEIRA, M.A.G., DOMINGUES, P.F. Base para criação de 
ovinos no Estado de São Paulo. São Manuel: ASPACO, 2001, 81p.
CUNHA, E.A. et al. Produção intensiva de ovinos. Nova Odessa: IZ, 1999. (Apostila)
______ EMBRAPA. Caprinos: o produtor pergunta, a Embrapa responde. 
MEDEIROS, L. P.; GIRÃO, R. N.; GIRÃO, E. S.; LEAL, J. A. (Org. ). Sobral: Embrapa 
Caprinos, 2000. 170 p. (Coleção 500 perguntas 500 respostas).
ESPESCHIT, C. B. Alternativas para controle da estacionalidade reprodutiva de cabras 
leiteiras. In: In: ANAIS DO ENCONTRO NACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO 
DA ESPÉCIE CAPRINA, V, 1998, Botucatu, SP. Anais... Botucatu. p. 7-33. 1998.
 _______ GRUPO UNIOVINOS. HISTÓRIA DOS OVINOS. 2008. Artigo em 
Hypertexto. Disponível em: http://www.uniovinos.unipampa.edu.br Fornecido por Joomla 
Produzido em 04 Setembro, 2008, Acesso em 30/11/2008.
NETO, L. J. M.; Curso básico de manejo de ovinos. Gália: Instituto de Zootecnia, 2000. 
77p. 
NUNEZ, C.M. Profilaxia das enfermidades de ovinos criados em pastejo intensivo e 
confinamento. In: SIMPÓSIO PAULISTA DE OVINOCULTURA E ENCONTRO 
INTERNACIONAL DE OVINOCULTURA, 5. Botucatu: UNESP, Campinas: SAA/CATI,
Nova Odessa: IZ, Anais... São Manuel: ASPACO, 1999. p.11-20
SILVA SOBRINHO, A. G. Criação de ovinos. Jaboticabal: FUNEP, 2001. 302 p.
SILVA SOBRINHO, A. G. Nutrição de ovinos./por A. G. SILVA SOBRINHO; A. M.V. 
BATISTA; E. R. SIQUEIRA; E. L. ORTOLANI; I. SUSIN; J. F. COELHO; da SILVA; J. 
C. TEIXIEIRA; M. F. S. BORBA.Jaboticabal: FUNEP, 1996. 302 p.
SILVA SOBRINHO, A.G. Tópicos em Ovinocultura. Jaboticabal: FCAV/UNESP, 1993. 
179p (Apostila)
SILVA, R. H. Apostila de Caprinocultura. Barbacena: EAFB, 2006. 69p.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 95
http://www.infobibos.com/Artigos/2007_2/alimentovinos/index.htm
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TAVARES, A.C.; NUNES, J.F.; ARAUJO, A.A.; MARTINS FILHO, R.; MAGALHÃES, 
J.A. Efeito de diferentes doses de PMSG sobre a fertilidade de cabras Leiteiras. In: 
REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 35, 1998, 
Botucatu, SP. Anais... Botucatu. p.372-374. 1998.
TRON, J. L. Reproducción. In: PRODUCCION de caprinos. México, A. G. T. Editor S.A. 
1986. p.183-234.
VALVERDE, C. 250 Maneiras de preparar rações balanceadas para ovinos. Viçosa:
Ed. Aprenda Fácil, 2000. 180p.
“O princípio da sabedoria é o temor a Deus”. 96
		1. INTRODUÇÃO
	1.1 PANORAMA MUNDIAL
	1.2 PANORAMA BRASILEIRO
	Tabela 5: Diferenças nutricionais entre as carnes de diversas espécies de animais.
		2. RAÇAS DE OVINOS
	2.1. RAÇAS ESPECIALIZADAS NA PRODUÇÃO DE LÃ FINA
	2. 2 RAÇAS MISTAS
	2.3 RAÇAS ESPECIALIZADAS NA PRODUÇÃO DE CARNE
	2.3.1 RAÇAS LANADAS
	2.3.2 RAÇAS DESLANADAS
	3. RAÇAS DE CAPRINOS 
	3.1 RAÇAS COM APTIDÃO LEITEIRA
	3.2 RAÇAS COM APTIDÃO PARA CARNE
	3.3 RAÇAS COM DUPLA APTIDÃO 
	4. INSTALAÇÕES PARA OVINOS DE CORTE
	4.1 PASTAGENS
	4.2 CERCAS
	4. 3 CENTRO DE MANEJO
	4.4 CABANHA
	4. 5 COCHOS4.6 BEBEDOUROS
	4.7 EQUIPAMENTOS
	5. INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS EM REGIME DE CRIAÇÃO INTENSIVA
	5.1 CABRIL OU CAPRIL OU APRISCO 
	5.10 EQUIPAMENTOS: 
	Bebedouros: 
	Cochos: 
	Manjedoura:
	Plataforma de ordenha:
	Caixa de aleitamento
	5.11 CERCAS: 
	6. NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE OVINOS E CAPRINOS
		6.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
	6.2 PASTAGENS
	6.3 FORRAGEIRAS MAIS RECOMENDADAS PARA A FORMAÇÃO DE PASTAGENS
	6.4 ALIMENTOS VOLUMOSOS
	6.5 RAÍZES E TUBÉRCULOS
	6.6 GRÃOS, SUBPRODUTOS E OUTROS CONCENTRADOS
	6.7 SUPLEMENTOS PROTÉICOS
	6.8 OUTROS ALIMENTOS
	7. MANEJO ALIMENTAR DOS REBANHOS
	7.1 OVINOS DE CORTE
	7.2 CAPRINOS LEITEIROS
	8. MANEJO REPRODUTIVO DOS REBANHOS 
	8.1 OVINOS 
	8.1.1 IDADE PARA REPRODUÇÃO
	8.1.2 CICLO ESTRAL
		8.1.3 SINCRONIZAÇÃO DO CIO
	8.1.4 GESTAÇÃO
	8.1.5 PARIÇÃO
	8.1.6 PERÍODO DE ALEITAMENTO
		8.2 CAPRINOS
	8.2.1 FÊMEAS
		8.2.2 INDUÇÃO DE CIO
		8.2.3 DURAÇÃO DA GESTAÇÃO
		8.2.4 DIAGNÓSTICO DA GESTAÇÃO
	8.2.5 CUIDADOS COM A CABRA EM GESTAÇÃO
	8.2.6 PARIÇÃO
	8.2.7 CUIDADOS COM AS CRIAS
		9. MANEJO SANITÁRIO DOS REBANHOS
		9.1 ASPECTOS GERAIS
	 9.2 VIAS DE APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS
	9.3 OVINOS
	 	9.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
	9.3.2 PRINCIPAIS ENFERMIDADES NA OVINOCULTURA
	9.3.3 ECTOPARASITAS
	9.3.4 ENDOPARASITAS 
	9.3.5 ENFERMIDADES INFECCIOSAS
	9.4 CAPRINOS 
	9.4.1 ECTOPARASITAS
	 9.4.2 ENDOPARASITAS
	9.4.3 PROGRAMA DE VACINAÇÕES
	10. LITERATURA CONSULTADA (BIBLIOGRAFIAS)

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