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<p>Terapia Cognitiva</p><p>Baseada em</p><p>Mindfulness (MBCT)</p><p>e-book</p><p>ín</p><p>d</p><p>ic</p><p>e Introdução ........................................................................... 3</p><p>Definição de mindfulness ................................................... 4</p><p>Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT) ........... 5</p><p>Como a MBCT é conduzida? ............................................... 8</p><p>Evidências da MBCT ......................................................... 13</p><p>Considerações finais ........................................................ 15</p><p>Sobre este e-book ............................................................ 16</p><p>A Pós Artmed ................................................................... 17</p><p>Referências ...................................................................... 18</p><p>3TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Este e-book tem como objetivo apresentar a Terapia Cognitiva Baseada em</p><p>Mindfulness (MBCT). Para tal, será descrita primeiramente a prática de mindful-</p><p>ness, englobando sua definição, aplicação e interseções com o enfoque cogni-</p><p>tivo-comportamental. Em seguida, será abordada a MBCT em maiores detalhes,</p><p>englobando sua estrutura, objetivos, modalidades de intervenção, técnicas e</p><p>evidências de eficácia desta abordagem para as principais demandas psicoló-</p><p>gicas, como depressão e ansiedade.</p><p>Ao longo dos últimos 40 anos, o mindfulness surgiu e se estabeleceu na litera-</p><p>tura científica e, mais recentemente, tem consolidado seu espaço na sociedade</p><p>como um todo. Em 2005, havia apenas 143 publicações com a palavra “mind-</p><p>fulness” em seu título, ao passo que, apenas no ano de 2019, foram publicados</p><p>5.823 trabalhos com essa temática (Kabat-Zinn, 2021). Dessa forma, nota-se</p><p>um aumento exponencial de interesse neste tópico e, consequentemente, um</p><p>crescimento robusto nas evidências científicas apontando para a pertinência</p><p>desta prática.</p><p>Com base nos dados supracitados, é possível compreender o destaque obtido</p><p>pelo mindfulness na atualidade e sua progressiva difusão nos mais diversos</p><p>contextos de saúde, especialmente dentro da prevenção e tratamento em psi-</p><p>cologia. Portanto, o conhecimento deste tema se mostra cada vez mais funda-</p><p>mental para o profissional da área de saúde mental.</p><p>A seguir, iremos discutir as definições de mindfulness e iremos conhecer a Te-</p><p>rapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT). Aproveite essas informações</p><p>para incorporar as estratégias e conceitos da MBCT na sua prática clínica!</p><p>4TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Dentro da temática mindfulness, não há uma única definição estabelecida em</p><p>consenso na literatura. Contudo, existem dois autores no campo da saúde mental</p><p>que se destacam, sendo eles a psicóloga Ellen Langer e o médico Jon Kabat-Zinn</p><p>(Vandenberghe & Assunção, 2009). Enquanto Langer se relacionou diretamente</p><p>à pesquisa empírica, Kabat-Zinn focou na introdução da meditação à prática clí-</p><p>nica. Langer se dedicou ao estudo do conceito de mindlessness, uma forma de</p><p>viver a vida no piloto automático e, portanto, combatida com o mindfulness (Van-</p><p>denberghe & Assunção, 2009).</p><p>Já o autor Kabat-Zinn (2015) partiu do resgate às definições ancestrais acerca</p><p>da prática meditativa, tais como as tradições budistas e correntes orientais do</p><p>Zen. A partir disso, ele delimitou sua concepção própria de mindfulness, a qual</p><p>é a descrição mais utilizada no enfoque cognitivo-comportamental atualmente.</p><p>De acordo com Kabat-Zinn (2015), o conceito de mindfulness pode ser compre-</p><p>endido como uma forma específica de prestar atenção no momento presente.</p><p>Entretanto, o autor ressalta a importância de que essa atenção seja praticada</p><p>genuinamente “de coração aberto”, sendo o máximo possível livre de reatividade</p><p>e julgamentos.</p><p>Assim, a aplicação do mindfulness objetiva direcionar o indivíduo à tomada de</p><p>consciência. Ainda, por vezes estes dois conceitos são inclusive vistos como</p><p>sinônimos, ao passo que são indissociáveis dentro desta prática (Kabat-Zinn,</p><p>2015).</p><p>DEFINIÇÃO DE MINDFULNESS</p><p>5TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Tradicionalmente, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é orien-</p><p>tada para ação. Entretanto, nota-se que ter a mudança como único</p><p>propósito em todos os momentos não é benéfico, podendo ocasionar</p><p>a sensação de invalidação (Wenzel, 2018). Alguns exemplos de cená-</p><p>rios nos quais o foco na ação é pouco proveitoso são aqueles em que</p><p>o indivíduo não consegue modificar diretamente, como uma situação</p><p>familiar disfuncional ou uma condição de saúde crônica. Sendo as-</p><p>sim, notou-se que explorar o equilíbrio entre a aceitação e a mudança</p><p>nas intervenções psicológicas se mostra útil (Wenzel, 2018).</p><p>Na busca por trazer a aceitação ao cerne do processo terapêutico,</p><p>as terapias cognitivo-comportamentais objetivaram abarcar este as-</p><p>pecto de diversas maneiras, dentre elas através da prática de mind-</p><p>fulness. Assim, as interseções das TCCs com o mindfulness se dão</p><p>através de contemplá-lo como mais uma técnica na terapia até uti-</p><p>lizá-lo como base de todo processo (Almeida et al., 2020a). Dentre</p><p>os programas baseados em mindfulness, destaca-se a Terapia Cog-</p><p>nitiva Baseada em Mindfulness (MBCT, do inglês Mindfulness-based</p><p>Cognitive Therapy).</p><p>A MBCT surgiu a partir do desafio da recorrência da depressão, como</p><p>um tratamento a ser utilizado principalmente na manutenção dos</p><p>ganhos e prevenção de recaídas. Para tal, a MBCT se pauta na in-</p><p>tegração entre a Terapia Cognitiva para depressão de Beck e cola-</p><p>boradores (TC; Beck et al., 1979) e o Programa de Redução de Es-</p><p>tresse Baseado em Mindfulness desenvolvido por Kabat-Zinn (MBSR,</p><p>do inglês Mindfulness-based Stress Reduction; Almeida et al., 2020a).</p><p>Portanto, se mostra importante conhecer brevemente os principais</p><p>aspectos dessas duas intervenções base da MBCT, a fim de melhor</p><p>compreender esta abordagem que será detalhada na próxima seção</p><p>deste material.</p><p>Assim, tanto a TC quanto o MBSR surgiram no final dos anos 1970.</p><p>Ao passo que o foco inicial de Beck foi o tratamento da depressão,</p><p>Kabat-Zinn estava focado neste momento no alívio e manejo do es-</p><p>tresse. Portanto, na TC de Beck o principal objetivo é a identificação e</p><p>reestruturação cognitiva de pensamentos distorcidos, que geralmen-</p><p>te possuem como conteúdo uma visão pessimista e desesperançosa</p><p>de si e da vida (Beck et al., 1979).</p><p>Kabat-Zinn, por sua vez, desenvolveu um programa para redução do</p><p>estresse, o qual integrou mindfulness à prática clínica de saúde men-</p><p>tal, atuando como um dos pioneiros nesta área (Kabat-Zinn, 2003).</p><p>Este programa foi denominado MBSR e idealizado com o principal</p><p>objetivo de proporcionar alívio do sofrimento, através do treino de</p><p>habilidades de meditação e mindfulness. Outro objetivo secundário</p><p>da MBSR foi consolidar-se como um modelo de intervenção a ser</p><p>seguido, ao passo que agregava ao movimento de integração do min-</p><p>dfulness como base para programas de saúde mental. O programa</p><p>MBSR é conduzido em dez sessões oferecidas no período de oito se-</p><p>manas, guiado por um programa estruturado (Santorelli et al., 2017).</p><p>A intervenção é grupal e pode incluir de 15 a 40 pessoas, sendo que</p><p>TERAPIA COGNITIVA BASEADA</p><p>EM MINDFULNESS (MBCT)</p><p>6TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>1. Ênfase excessiva no papel dos pensamentos: segundo alguns autores, a TC foca de-</p><p>masiadamente nos processos de pensamento que ocorrem nos níveis mais conscientes da</p><p>cognição, em detrimento de explorar também os processos cognitivos de forma mais am-</p><p>pliada.</p><p>2. O papel das distorções cognitivas: este conceito é fundamental na TC beckiana, entre-</p><p>tanto evidências sugerem que as distorções se dão de maneiras diferentes para os pacien-</p><p>tes deprimidos, especialmente quanto ao seu conteúdo.</p><p>3. O modelo beckiano é centrado da depressão episódica: nos pacientes com depressão</p><p>crônica, nota-se que sua visão de mundo geralmente é por definição negativa, diferente-</p><p>mente das pessoas com depressão episódica. Assim, é mais difícil para os pacientes crônicos</p><p>relacionarem seu comportamento</p><p>e contexto atual com as consequências desagradáveis.</p><p>4. Diferença de processos envolvidos na ocorrência do primeiro episódio depressivo</p><p>quanto aos recorrentes: no primeiro episódio depressivo, a literatura aponta que os pro-</p><p>cessos envolvidos em seu início geralmente são relacionados a estressores de vida. Já em</p><p>pacientes crônicos, a reincidência dos episódios está mais relacionada ao humor disfórico e</p><p>aos estilos de pensamento disfuncionais do indivíduo.</p><p>o treinamento é realizado em formato de aula seguida de prática (Santorelli et al., 2017).</p><p>Com base nessas intervenções e nos desafios advindos do tratamento da depressão,</p><p>algumas críticas à TC são pertinentes, especialmente ao considerar a recorrência dos</p><p>episódios depressivos. Assim, Korman & Garay (2012) compilaram quatro motivos que</p><p>apontam para a necessidade de uma abordagem voltada especialmente à depressão</p><p>recorrente, ao invés de apenas continuar na aplicação da TC. Confira a seguir:</p><p>7TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Portanto, baseando-se neste principal problema da depressão re-</p><p>corrente e seus desafios de tratamento, Segal, Williams e Teasdale</p><p>(Segal et al., 2018) desenvolveram a MBCT, integrando aspectos das</p><p>duas intervenções mencionadas acima.</p><p>O objetivo central da MBCT é que os participantes percebam seus</p><p>pensamentos e emoções apenas como eventos da sua consciência,</p><p>logo conseguindo se descentrar destes estados mentais e não reagir</p><p>a eles no piloto automático (Korman & Garay, 2012). Para atingir a</p><p>este propósito, o programa combina práticas tradicionais de medi-</p><p>tação, como o escaneamento corporal (body scam) e a respiração,</p><p>assim como técnicas consolidadas da terapia cognitivo-comporta-</p><p>mental, por exemplo a psicoeducação (Korman & Garay, 2012)</p><p>Por fim, Kabat-Zinn (2003) aponta um importante desafio para o</p><p>ensino das terapias baseadas em mindfulness como a MBCT e, por</p><p>consequência, de sua difusão efetiva como abordagem terapêutica.</p><p>Visto que a prática de mindfulness não consiste apenas em uma</p><p>aplicação rasa e mecânica de técnicas, é fundamental que o facilita-</p><p>dor da aprendizagem tenha sua própria experiência individual com o</p><p>mindfulness, seja ele terapeuta ou professor. Isso se dá pois o mind-</p><p>fulness é, em essência, uma atitude, a qual não deve ser circunscrita</p><p>apenas em um período restrito. Como estratégia para superar este</p><p>desafio, o autor sugere o exercício constante do instrutor, inclusive</p><p>com a sua própria participação em grupos de treinamento e prática.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A MBCT foi delineada inicialmente para o formato grupal, incluindo</p><p>uma entrevista individual inicial. O programa consiste em sessões</p><p>semanais durante oito semanas, acompanhadas de quatro sessões</p><p>de seguimento no ano seguinte.</p><p>Tabela 1. Resumo da MBCT</p><p>Fonte: Elaborada pelas autoras.</p><p>MBCT</p><p>Modalidade</p><p>da intervenção Grupal</p><p>Duração 8 sessões + 4 sessões</p><p>de seguimento</p><p>Duração Descentramento dos</p><p>estados mentais</p><p>Estratégias</p><p>terapêuticas</p><p>Meditação + Terapia</p><p>Cognitivo-Comportamental</p><p>8TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>A MBCT foi desenvolvida no formato grupal e apresenta maior apor-</p><p>te de evidências para esta modalidade de intervenção (Almeida et</p><p>al., 2020b). Consiste em um tratamento breve que inclui uma en-</p><p>trevista individual inicial e sessões grupais durante 8 semanas, in-</p><p>cluindo quatro sessões de acompanhamento no ano seguinte. O pro-</p><p>grama combina práticas tradicionais de meditação, como varredura</p><p>corporal, treinamento de respiração e técnicas tradicionais de terapia</p><p>cognitiva, como psicoeducação (que permite a conscientização dos</p><p>pensamentos negativos e da possibilidade de recaída) (Korman &</p><p>Garay, 2012).</p><p>O objetivo do treinamento é permitir que os participantes considerem</p><p>os pensamentos e sentimentos como eventos em suas vidas. Assim,</p><p>objetiva-se manter distância dos pensamentos sem reagir, interrom-</p><p>pendo o funcionamento automático da mente. O pressuposto é de</p><p>que as pessoas com vulnerabilidade à depressão se tornarão cons-</p><p>cientes de sua experiência e aprenderão a reagir de forma diferente</p><p>às mudanças de humor ou às mudanças de comportamento (Seagal</p><p>et al., 2013).</p><p>O foco das primeiras 4 sessões consiste em aprender os fundamen-</p><p>tos da atenção plena.</p><p>Primeiro, os participantes se conscientizam da pouca atenção</p><p>que geralmente prestam à vida cotidiana. Eles são ensinados a se</p><p>conscientizar sobre a rapidez com que a mente muda de um tópico</p><p>para outro.</p><p>COMO A MBCT É CONDUZIDA?</p><p>9TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Segundo, tendo percebido que a mente está divagando, eles apren-</p><p>dem como trazê-la de volta a um único foco. Isso é ensinado, pri-</p><p>meiro, com referência a partes do corpo e à respiração.</p><p>Em terceiro lugar, os participantes aprendem a se conscientizar de</p><p>como essa divagação da mente pode permitir o aumento de pen-</p><p>samentos e sentimentos negativos, sem que eles estejam cientes</p><p>de que isso está acontecendo. Somente quando a pessoa se cons-</p><p>cientiza desses aspectos é que ela é provável que ela use a MBCT</p><p>para ficar atenta às mudanças de humor e, então, passar a lidar</p><p>com elas (Seagal et al., 2013).</p><p>Nas sessões 5 a 8, o objetivo é desenvolver formas para lidar com</p><p>as mudanças de humor. Sempre que um pensamento ou sentimen-</p><p>to negativo surgir, as instruções enfatizam o fato de permitir que</p><p>ele simplesmente esteja presente, explorando-o como ele é, antes</p><p>de tomar medidas para reagir habilmente usando estratégias espe-</p><p>cíficas (Seagal et al., 2013).</p><p>Para tal objetivo, os participantes aprendem a se tornar totalmente</p><p>conscientes do pensamento ou sentimento e, depois de reconhecê-</p><p>-lo, direcionar a atenção para a respiração por um ou dois minutos</p><p>antes de expandir a atenção para o corpo como um todo. Esse pro-</p><p>cesso é chamado de espaço de respiração. Introduzido pela primeira</p><p>vez na Sessão 3, ele se torna o fio condutor do restante do programa,</p><p>permitindo gradualmente que os participantes incorporem o que está</p><p>sendo aprendido das práticas formais na vida cotidiana. O uso do</p><p>espaço de respiração desenvolve-se nas Sessões 3 a 7, à medida que</p><p>os participantes aprofundam sua prática. No início, os participantes</p><p>aprendem a fazer um intervalo de 3 minutos para respirar três vezes a</p><p>cada dia. A partir da Sessão 4, eles complementam isso vendo como</p><p>o espaço para respirar pode ser pode ser usado em momentos de</p><p>dificuldade, quando pode ser suficiente para lidar com as dificulda-</p><p>des no momento, para libertar os participantes de pensamentos ou</p><p>sentimentos desagradáveis. Gradualmente, os participantes são con-</p><p>vidados a ver o espaço para respirar de forma mais explícita como a</p><p>primeira etapa essencial para lidar com as dificuldades (Seagal et al.,</p><p>2013).</p><p>Devido à grande variedade de contextos em que o espaço para res-</p><p>pirar é usado, é importante enfatizar sua flexibilidade. Nem sempre</p><p>será possível para que os participantes fechem os olhos e fiquem</p><p>exatamente 3 minutos, mas fazer uma pausa (1) para reconhecer o</p><p>que está acontecendo, (2) para se recompor, voltando à respiração,</p><p>antes de (3) expandir o foco da atenção para sentir a perspectiva</p><p>mais ampla do aqui e agora, compreende uma “mini-meditação” de</p><p>três passos que é um primeiro passo importante (Seagal et al., 2013).</p><p>No fim do programa, os participantes são incentivados a se tornarem</p><p>mais conscientes de seus sinais de alerta exclusivos de depressão</p><p>iminente e a desenvolver planos de ação específicos para quando</p><p>isso ocorrer (Seagal et al., 2013).</p><p>Apesar de os principais achados da MBCT serem voltados para o for-</p><p>mato grupal, estudos apontam para a efetividade da intervenção indi-</p><p>vidual, assim como há a demanda por este tipo de intervenção devido</p><p>10TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>a tendência de preferência dos pacientes com depressão (Almeida et</p><p>al., 2020b). Na modalidade individual, o objetivo, a estrutura geral e</p><p>o conteúdo dos atendimentos são mantidos. Porém, são necessárias</p><p>algumas adaptações na MBCT original, conforme descrito por Almeida</p><p>et al.</p><p>(2020b). Em sessões grupais, a duração da sessão é de 2 horas,</p><p>já na intervenção individual este período é reduzido para 1 hora, sem</p><p>excluir nenhuma prática, mas sim diminuindo seu tempo. Ainda, há a</p><p>possibilidade de adaptar o programa frente às necessidades individu-</p><p>ais de cada paciente, ao ajustar o tempo dedicado a cada prática ou</p><p>técnica. É possível também considerar comorbidades clínicas, interes-</p><p>ses pessoais, contexto cultural e socioeconômico, entretanto sem se</p><p>desvencilhar do protocolo original.</p><p>Ao realizar esta adaptação de modalidade, é possível denotar vanta-</p><p>gens e desvantagens. Dentre as vantagens, há o aumento da adesão</p><p>ao tratamento devido ao vínculo fortalecido com o instrutor, o que ocor-</p><p>re devido ao contato próximo durante os encontros individuais. Outro</p><p>aspecto interessante diz respeito à possibilidade de particularização</p><p>da intervenção, tornando-a o máximo possível adaptada e pertinente</p><p>para aquele indivíduo, considerando suas características e demandas</p><p>individuais (Almeida et al., 2020b). Já em relação às desvantagens, é</p><p>possível mencionar a ausência da atuação de fatores grupais, a redu-</p><p>ção do tempo dedicado a cada prática e o custo-benefício.</p><p>Para atingir os objetivos terapêuticos mencionados anteriormente nas</p><p>intervenções grupais e individuais, são utilizados diversos exercícios e</p><p>práticas. Visto que há uma vasta extensão de técnicas compreendidas</p><p>na MBCT, serão descritas a seguir apenas algumas delas.</p><p>11TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Nome da técnica Objetivo Descrição da prática</p><p>Exercício da</p><p>uva passa</p><p>Meditação de</p><p>escaneamento corporal</p><p>Exercício de</p><p>pensamentos e</p><p>sentimentos</p><p>Consciência de</p><p>experiências agradáveis</p><p>Mindfulness da</p><p>respiração</p><p>Exercício de visão</p><p>Conscientização sobre</p><p>o piloto automático</p><p>Identificar onde está</p><p>a tensão no corpo</p><p>Identificar atribuição de</p><p>julgamentos automáticos</p><p>Tomar consciência dos</p><p>julgamentos das experiências e</p><p>valorizar o positivo</p><p>Concentrar-se na respiração</p><p>Passar do modo “fazer”</p><p>para o modo “ser”</p><p>Explorar uma uva passa com a</p><p>visão, tato, olfato e paladar, como</p><p>se fosse o primeiro contato</p><p>Deitar e trazer à consciência</p><p>cada parte do corpo</p><p>Analisar uma situação cotidiana</p><p>com outro olhar</p><p>Refletir sobre experiências</p><p>agradáveis de suas vidas</p><p>Passar 10 minutos concentrado</p><p>na respiração</p><p>Analisar os elementos de uma</p><p>cena (ex: cores, formas, etc)</p><p>e não a cena em si</p><p>Tabela 2. Técnicas da MBCT</p><p>12TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Nome da técnica Objetivo Descrição da prática</p><p>Espaço para respiração</p><p>de três minutos</p><p>Concentração na respiração e</p><p>expansão da consciência corporal</p><p>Prestar atenção à respiração</p><p>e expandir atenção ao corpo</p><p>Alongamento consciente Atenção às sensações</p><p>do corpo e respiração</p><p>Realizar movimentos</p><p>de alongamento</p><p>Consciência de</p><p>experiências</p><p>desagradáveis</p><p>Conscientizar-se de suas reações Observar experiências</p><p>desagradáveis de suas vidas</p><p>Mindfulness de sons</p><p>e pensamentos Estar plenamente no momento Focar em sons e depois</p><p>em pensamentos</p><p>O “território”</p><p>da depressão</p><p>Identificar sinais de alerta</p><p>precoces para recorrência</p><p>de depressão</p><p>Reconhecer pensamentos</p><p>automáticos de episódios</p><p>depressivos</p><p>Caminhada consciente Identificar sensações físicas Atentar-se a cada sensação</p><p>ocasionada na caminhada</p><p>Prevenção de recaídas</p><p>Identificar sinais de alerta</p><p>precoces e elencar respostas</p><p>funcionais</p><p>Identificar e registrar sinais de alerta</p><p>(pensamentos, emoções, sensações</p><p>corporais e impulsos de ação)</p><p>Fonte: Adaptado de Wenzel, 2018.</p><p>13TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>EVIDÊNCIAS DA MBCT</p><p>Conforme já mencionado neste e-book, a MBCT justamente foi de-</p><p>senvolvida para a depressão, mais especificamente para a cronifica-</p><p>ção deste transtorno. Dessa forma, esta é a demanda mais estudada</p><p>e com maiores evidências científicas (Goldberg et al., 2019; Kuyken</p><p>et al., 2016; MacKenzie & Kocovski, 2016; Williams et al., 2014). A</p><p>MBCT encontra-se na lista recomendada do Instituto Nacional de Ex-</p><p>celência Clínica (NICE, do inglês National Institute for Clinical Excel-</p><p>lence) para prevenção de recaídas (PR) em quadros de depressão</p><p>recorrente (Baer, 2003; Crane & Kuyken, 2013; Souza et al., 2014)</p><p>Kuyken et al. (2016) conduziram uma metanálise incluindo nove</p><p>ensaios clínicos randomizados, contemplando 1.258 participantes</p><p>dentre eles. A partir deste trabalho, concluiu-se que a MBCT é um</p><p>tratamento eficaz para a prevenção de recaídas em pessoas com de-</p><p>pressão recorrente, especialmente aquelas com sintomas residuais</p><p>marcantes. Ainda, foi realizada também a comparação entre a MBCT</p><p>e o tratamento usual ou um programa psicoeducativo (Williams et</p><p>al., 2014). Assim como em estudos anteriores, o objetivo foi analisar</p><p>a MBCT para a depressão recorrente. Neste estudo, foi observado</p><p>que o efeito maior ocorreu para pacientes com maior vulnerabilidade,</p><p>especialmente relacionada a traumas na infância. Quanto à compa-</p><p>ração com o controle ativo (através do tratamento usual ou psicoe-</p><p>ducativo), não foi observada diferença significativa. Goldberg et al.</p><p>(2019) conduziram uma metanálise a fim de avaliar a MBCT para o</p><p>tratamento do episódio depressivo em si, não apenas da prevenção</p><p>de recorrência. Os resultados mostram que o programa é mais eficaz</p><p>para o pós-tratamento da depressão episódica.</p><p>14TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Dessa forma, é possível compreender que a MBCT é útil no tratamen-</p><p>to da depressão recorrente e para a prevenção de recaídas após um</p><p>episódio depressivo, porém se mostra superior para pacientes mais</p><p>vulneráveis ou com sintomas residuais. Por fim, MacKenzie & Koco-</p><p>vski (2016) apontam que, apesar das limitações, a MBCT é um trata-</p><p>mento promissor para a depressão e possui evidências que apoiam</p><p>o seu uso atualmente.</p><p>A MBCT tem apresentado eficácia para o tratamento sintomas de</p><p>ansiedade e transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Haller et</p><p>al. (2021), demonstraram, em uma revisão sistemática como me-</p><p>tanálise, que MBCT proporcionou melhoras de curto prazo nos sin-</p><p>tomas de ansiedade, em comparação com tratamentos convencio-</p><p>nais. Quando comparadas à TCC, a MBCT e a terapia de aceitação e</p><p>compromisso (ACT) tiveram efeitos semelhantes nos resultados de</p><p>ansiedade, depressão e qualidade de vida. Ghahari et al. (2020) iden-</p><p>tificaram que, em comparação com condições de tratamento contro-</p><p>le, a MBCT melhorou significativamente o resultado do tratamento do</p><p>TAG, demonstrando eficácia para o tratamento deste quadro.</p><p>15TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Este e-book teve por objetivo explorar a Terapia Cognitiva Baseada em</p><p>Mindfulness (MBCT) e sua aplicação nos transtornos mentais, em es-</p><p>pecial para a depressão recorrente e para sintomas de ansiedade. É</p><p>notável o exponencial crescimento de interesse e pesquisa no campo</p><p>do mindfulness, especialmente no contexto da saúde mental, demons-</p><p>trado pelo significativo aumento do número de publicações científicas</p><p>ao longo das últimas décadas; o que reflete não apenas um aumento</p><p>de popularidade, mas também a consolidação desta prática nos âmbi-</p><p>tos, clínicos, de pesquisa e da sociedade em si.</p><p>A MBCT, concebida como uma resposta específica aos desafios apre-</p><p>sentados pela depressão recorrente, integra os elementos da Terapia</p><p>Cognitiva da depressão e do Programa de Redução de Estresse Base-</p><p>ado em Mindfulness. O desenvolvimento da MBCT se torna ainda mais</p><p>significativo à luz das críticas direcionadas à ênfase excessiva no pa-</p><p>pel dos pensamentos na Terapia Cognitiva beckiana, especialmente</p><p>quando aplicada a pacientes com depressão recorrente.</p><p>As evidências científicas respaldam a eficácia da MBCT na prevenção</p><p>de recaídas em casos de depressão recorrente, sendo recomendada</p><p>por diretrizes clínicas. Além deste foco inicial, observa-se uma promis-</p><p>sora extensão de suas aplicações, especialmente no tratamento de</p><p>sintomas de ansiedade, o que amplia ainda mais seu impacto na saú-</p><p>de mental.</p><p>Torna-se crucial</p><p>considerar os desafios inerentes ao ensino efetivo</p><p>das terapias baseadas em mindfulness, destacando a necessidade de</p><p>experiência prática por parte dos facilitadores. Vale destacar que a</p><p>MBCT também desafia os profissionais da saúde mental a incorpora-</p><p>rem genuinamente a prática de mindfulness em suas próprias vidas.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>16TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>SOBRE ESTE E-BOOK</p><p>SOBRE AS AUTORAS</p><p>SOBRE A EDITORA-CHEFE</p><p>Psicóloga e Mestra em Psicologia – área de concentração Cognição</p><p>Humana pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul</p><p>(PUCRS). Especialista em Terapias Cognitivo-Comportamentais</p><p>com Formação em Terapia do Esquema. Professora em cursos</p><p>de Pós-Graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia</p><p>Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência e Terapia</p><p>do Esquema. Supervisora Clínica. Pesquisadora Colaboradora do</p><p>Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental -</p><p>LaPICC-USP da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão</p><p>Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP).</p><p>Psicóloga clínica graduada pela Universidade de São Paulo (USP-</p><p>RP). Especializada em Psicologia da Saúde no Contexto Hospitalar</p><p>com ênfase em Psicologia Pediátrica pelo Hospital das Clínicas da</p><p>Faculdade de Medicina da USP-RP (HCFMRP-USP). Mestranda no</p><p>Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental</p><p>- LaPICC-USP da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de</p><p>Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP).</p><p>Como citar este e-book: Lobo, B. O. M., Santos, E. F. L., & Neufeld, C. B. (Fev., 2024).</p><p>Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT). [E-Book]. Artmed.</p><p>Psicóloga, Pós-Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Intervenção</p><p>Cognitivo-Comportamental - LaPICC-USP. Pesquisadora Associada do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências</p><p>e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - USP. Presidente da Federação Latino Americana de Psicoterapias Cognitivas e</p><p>Comportamentais - ALAPCCO (2019-2022). Presidente da Associação de Ensino e Supervisão Baseados em Evidências (2020-2023)</p><p>Eloha Flória Lima Santos</p><p>Dra. Carmem Beatriz Neufeld</p><p>Beatriz de Oliveira Meneguelo Lobo</p><p>17TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>Este conteúdo foi útil para você?</p><p>No nosso site, você encontra soluções</p><p>para continuar se atualizando na área de</p><p>Psicologia quando e onde quiser.</p><p>Acesse o site e confira as opções de</p><p>livros, cursos e programas de atualização</p><p>para se aprimorar profissionalmente:</p><p>www.artmed.com.br</p><p>http://www.artmed.com.br</p><p>18TERAPIA COGNITIVA BASEADA EM MINDFULNESS</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Almeida, N. O., Demarzo, M., & Neufeld, C. B. (2020a). Interseções possíveis entre mindfulness e compaixão com a terapia cognitivo-comportamental. In</p><p>Federação Brasileira de Terapias Cognitivas, C. B. Neufeld, E. M. O. Falcone & B. P. Rangé (Orgs.), PROCOGNITIVA Programa de Atualização em Terapia Cognitivo-</p><p>Comportamental: Ciclo 6 (pp. 75-110). Porto Alegre: Artmed Panamericana. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 4).</p><p>Almeida, N. O., Demarzo, M., & Neufeld, C. B. (2020b). Terapia cognitiva baseada em mindfulness no atendimento clínico individual de depressão. SMAD, Revista</p><p>Eletrônica Saúde Mental Álcool E Drogas, 16(3), 55-63.</p><p>Baer, R. A. (2003). Mindfulness training as a clinical intervention: a conceptual and empirical review. Clinical Psychology: Science and Practice, 10, 125-143.</p><p>Beck, A. T., Rush, A. J., Shaw, B. F., Emery G. (1979). Cognitive therapy of depression. New York; NY: Guilford Press.</p><p>Crane, R. S., & Kuyken, W. (2013). The implementation of mindfulness-based cognitive therapy: learning from the UK health service experience. Mindfulness, 4, 246-</p><p>254.</p><p>Ghahari, S., Mohammadi-Hasel, K., Malakouti, S. K., & Roshanpajouh, M. (2020). Mindfulness-based cognitive therapy for generalised anxiety disorder: A systematic</p><p>review and meta-analysis. 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