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<p>DESCRIÇÃO</p><p>A Ergonomia e suas transformações ao longo das décadas e os benefícios nas condições de trabalho</p><p>para aqueles que realizam algum tipo de tarefa produtiva.</p><p>PROPÓSITO</p><p>Construir os conhecimentos teóricos e práticos sobre os aspectos ergonômicos que estão presentes em</p><p>qualquer ambiente de trabalho dentro de uma organização produtiva.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Descrever o surgimento das primeiras contribuições em Ergonomia</p><p>MÓDULO 2</p><p>Reconhecer o caráter interdisciplinar da Ergonomia</p><p>MÓDULO 3</p><p>Reconhecer as Normas Regulamentadoras</p><p>A ERGONOMIA NOS TEMPOS ATUAIS</p><p>MÓDULO 1</p><p> Descrever o surgimento das primeiras contribuições em Ergonomia</p><p>LIGANDO OS PONTOS</p><p>VOCÊ SABE CONCEITUAR ERGONOMIA? CONSEGUE EXPLICAR</p><p>COMO A ERGONOMIA ESTÁ RELACIONADA COM OS PROCESSOS</p><p>PRODUTIVOS DE UMA ORGANIZAÇÃO? VOCÊ PODE APRESENTAR</p><p>AS DUAS ESCOLAS PIONEIRAS NOS ESTUDOS DE ERGONOMIA?</p><p>Para entendermos como a Ergonomia hoje é compreendida nos meios acadêmicos e dentro das</p><p>empresas, vamos imaginar uma situação prática, analisando o case descrito a seguir.</p><p>Um aluno do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho foi orientado em sala de aula pelo seu</p><p>professor a realizar uma pesquisa bibliográfica com o tema: “A Evolução da Ciência Ergonômica” que</p><p>servisse de base para a elaboração de um trabalho a ser apresentado em data oportuna. No dia</p><p>seguinte, esse aluno convidou um colega também interessado no tema para visitar uma biblioteca mais</p><p>próxima de sua universidade e iniciou a consulta na literatura disponível no acervo bibliográfico.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>A primeira obra que ele acessou era intitulada A evolução histórica da ergonomia no mundo e seus</p><p>pioneiros, de José Carlos Plácido da Silva e Luis Carlos Paschoarelli (2010). Durante a leitura, ele</p><p>aprendeu que, desde a Antiguidade, a forma de trabalho foi motivo de estudos e de preocupações por</p><p>parte da sociedade. O texto dizia que a simplificação, a organização e a execução do trabalho</p><p>provavelmente foram de grande importância, sem as quais possivelmente não existiriam as grandiosas</p><p>realizações do Egito Antigo, da Grécia, da Roma Antiga e de outras civilizações do mundo. Ele ficou</p><p>encantado com as muitas contribuições de um dos grandes gênios da humanidade, chamado Leonardo</p><p>da Vinci. Além disso, pôde saber que existiram duas escolas que foram importantes para a consolidação</p><p>das discussões que resultaram no entendimento do conceito atual de Ergonomia.</p><p>No outro dia, ele retornou à biblioteca, mas dessa vez acessou na Internet um artigo cujo título era A</p><p>importância da ergonomia nos estudos de tempos e movimentos, de Luciene de Barros Rodrigues</p><p>Silveira e Eleine de Oliveira Salustiano (2012). O aluno e seu colega aprenderam que a Ergonomia, no</p><p>seu processo evolutivo, enquanto disciplina científica, considera um conjunto de atividades de caráter</p><p>sistêmico e interdisciplinar e, quando faz suas análises sobre as condições de trabalho humano, tem que</p><p>dar conta de dimensões múltiplas na sua avaliação, com possíveis desdobramentos sobre ganhos em</p><p>indicadores que são definidos para os processos produtivos, inclusive.</p><p>Dando prosseguimento às suas investigações, o aluno e seu colega aprenderam que o termo</p><p>“Ergonomia” foi utilizado pela primeira vez em 1857, pelo polonês Woitej Yastembowsky, por ocasião de</p><p>sua publicação de um artigo intitulado Ensaios de ergonomia ou ciência do trabalho, baseado nas leis</p><p>objetivas da ciência sobre a natureza. Com tantos conhecimentos aprendidos, elaboraram o trabalho em</p><p>poucos dias e, em data marcada, realizaram uma excelente apresentação para toda a turma.</p><p>Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?</p><p>1. POR MEIO DA NARRATIVA, PODEMOS COMPREENDER O QUANTO A</p><p>ERGONOMIA TEM PASSADO POR DISCUSSÕES DESDE OS TEMPOS MAIS</p><p>REMOTOS. MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA A RESPEITO DO CONCEITO</p><p>MAIS ATUAL SOBRE ESSA CIÊNCIA.</p><p>A) É o estudo científico que estuda as adaptações do trabalho ao ser humano para que possa</p><p>desenvolver as atividades de maneira segura e eficiente.</p><p>B) É o saber das situações presentes nos ambientes (interno e externo) de trabalho, que busca evitar</p><p>acidentes por má postura, durante a execução do ofício.</p><p>C) É a pesquisa científica preocupada com a gestão do trabalho, em chão de fábrica, com intuito de</p><p>otimizar a produção, minimizando o impacto ambiental.</p><p>D) É a investigação sobre a saúde de pessoas, que é iniciada por meio de discussões acadêmicas e</p><p>posteriormente é aplicada em situações profissionais.</p><p>E) É uma ciência antiga que, desde os primórdios, considerava o impacto dos instrumentos de trabalho</p><p>sobre a melhoria dos indicadores de produtividade.</p><p>2. O TEXTO DEIXA TRANSPARECER A RELAÇÃO EXISTENTE ENTRE A</p><p>ERGONOMIA E AS MELHORIAS SOBRE OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO,</p><p>DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE SEUS MÉTODOS. MARQUE A ALTERNATIVA</p><p>QUE DEMONSTRA ESSA AFIRMAÇÃO.</p><p>A) As empresas procuram contratar funcionários para trabalharem em regimes de turnos que permitam</p><p>aumentar a produção gradativamente.</p><p>B) As organizações adaptam seus postos de trabalho às necessidades de seus trabalhadores, com o</p><p>intuito de aumentar a produtividade e a qualidade de seus produtos e/ou serviços.</p><p>C) Os recursos destinados aos processos fabris devem ser sempre mantidos para corresponderem às</p><p>expectativas ou metas de produção.</p><p>D) Os custos são sempre os indicadores operacionais que precisam ser minimizados nem que para isso</p><p>ocorra a maximização do emprego da mão de obra.</p><p>E) A firma deve procurar sempre aumentar a qualidade com a redução de recursos aplicados para</p><p>alcançar custos cada vez menores.</p><p>GABARITO</p><p>1. Por meio da narrativa, podemos compreender o quanto a Ergonomia tem passado por</p><p>discussões desde os tempos mais remotos. Marque a alternativa correta a respeito do conceito</p><p>mais atual sobre essa ciência.</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>É o estudo científico que busca a melhor adaptação do ambiente de trabalho ao ser humano, com</p><p>objetivo de mitigar lesões, doenças e acidentes durante o expediente de trabalho e fora dele.</p><p>2. O texto deixa transparecer a relação existente entre a Ergonomia e as melhorias sobre os</p><p>processos de produção, decorrentes da utilização de seus métodos. Marque a alternativa que</p><p>demonstra essa afirmação.</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>Existe uma relação intrínseca entre aplicar a Ergonomia e a perspectiva de melhorar indicadores dentro</p><p>da operação, entre os quais a produtividade.</p><p>3. CASO VOCÊ FOSSE O ALUNO DO TEXTO E O</p><p>PROFESSOR LHE SOLICITASSE QUE ESCOLHESSE UMA</p><p>DAS ESCOLAS QUE VOCÊ ESTUDOU E FOI REFERÊNCIA</p><p>PARA A EVOLUÇÃO DO ENTENDIMENTO DE ERGONOMIA,</p><p>QUAL DELAS VOCÊ ESCOLHERIA PARA COMENTAR NO</p><p>MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DO SEU TRABALHO?</p><p>RESPOSTA</p><p>Duas escolas da concepção da evolução da Ergonomia tiveram um enorme destaque mundialmente: a</p><p>escola de Ergonomia europeia e a escola de Ergonomia americana. A escola europeia se concentrava na</p><p>Inglaterra e na França, e tinha seus esforços concentrados em atividades ergonômicas praticadas nas áreas</p><p>administrativas, ou seja, estudava a Ergonomia de maneira prática, com observações laborais. Já a escola</p><p>americana estudava a anatomia humana, a antropometria, a natureza física e humana, as medidas em</p><p>postos de trabalho, a interface existente entre o recurso humano e da máquina e equipamentos, ou seja,</p><p>estudo voltado para o campo teórico/prático.</p><p>O SURGIMENTO DAS PRIMEIRAS</p><p>CONTRIBUIÇÕES EM ERGONOMIA</p><p>O SURGIMENTO DA ERGONOMIA</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Durante muitas décadas, a Ergonomia foi discutida muito timidamente dentro dos contextos produtivos,</p><p>mas nos últimos anos ela tem se mostrado fundamental para proporcionar ambientes de trabalho mais</p><p>seguros e saudáveis para os trabalhadores que se esforçam ao longo de suas jornadas de trabalho.</p><p>Dentro de um contexto mais histórico, cabe destacar alguns registros para que possamos entender</p><p>como as questões relacionadas ao trabalho humano foram sendo evoluídas na sociedade ao longo de</p><p>algumas centenas de anos.</p><p></p><p>Na Antiguidade,</p><p>Ergonómica de Jacques Leplat. Laboreal [On-line], v. 2 n. 2,</p><p>2006. Consultado na Internet em: 03 set. 2021.</p><p>SILVA, J. C. P.; PASCHOARELLI, L. C. (Orgs.). A evolução histórica da ergonomia no mundo e seus</p><p>pioneiros [On-line]. São Paulo: UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 103 p.</p><p>SILVEIRA, L. D. B. R.; SALUSTIANO, E. D. O. A importância da Ergonomia no estudo dos tempos e</p><p>movimentos. PAndamp; D em Engenharia de Produção, v. 10, n. 1, p. 71-80, Itajubá, 2012.</p><p>VANÍCOLA, M. C.; MASSETO, S. T.; MENDES, E. F. Biomecânica Ocupacional: uma revisão de</p><p>literatura. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, ano II, n. 3, pp. 38-44, jan./jun. 2004.</p><p>Zanotti, F.; Merino, E.; Batista, V. J. A Ergonomia e a Toxicologia: Caracterização de Risco Grave e</p><p>Iminente. Ignis: Periódico Científico de Arquitetura e Urbanismo, Engenharias e Tecnologia da</p><p>Informação, v. 03, n. 01, 2014.</p><p>EXPLORE+</p><p>Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, leia:</p><p>O capítulo 1 do livro Ergonomia: Fundamentos e Aplicações, de Vanderlei Moraes e Rosane Rosner, e</p><p>entenda como surgiu a Ergonomia, também denominada de ciência do trabalho.</p><p>O artigo A avaliação dos riscos ergonômicos como ferramenta gerencial em saúde ocupacional,</p><p>de Ronildo Pavani e Osvaldo Quelhas, publicado nos anais do XIII SIMPEP, 2006, e entenda como a</p><p>gestão da saúde do trabalhador nas empresas depende da atuação da área de Ergonomia.</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Fernando Medina</p><p>muitos relatos já descreviam os problemas de coluna existentes em carregadores de</p><p>pedra, as cólicas provocadas pelo manuseio de chumbo por mineiros e a intoxicação grave causada</p><p>pelo uso do mercúrio.</p><p>No Egito Antigo, foi descoberto um papiro que descrevia um acidente com diagnóstico de lombalgia</p><p>aguda que acometeu um homem que trabalhou na construção de uma pirâmide.</p><p></p><p></p><p>Na Grécia e Roma Antiga, o trabalho era de obrigação exclusiva dos escravos, que não recebiam</p><p>qualquer tipo de contrapartida pelos seus esforços realizados.</p><p>Os hebreus acreditavam que o trabalho era visto de forma menos indigna. Algo que remetia a uma</p><p>missão sagrada para a expiação do pecado original.</p><p></p><p></p><p>Na época do Renascimento, começa uma mudança mais discreta sobre o trabalho. Existiu um</p><p>reconhecimento maior, uma vez que era algo que remetia à valorização da vida terrena, ou mesmo</p><p>material.</p><p>Na Reforma Protestante, que aconteceu na Europa, no século XVI, a percepção ficou bem evidente</p><p>sobre a importância do trabalho, sendo visto como um instrumento que poderia viabilizar a obtenção de</p><p>conquistas materiais.</p><p></p><p>CONTRIBUIÇÕES DE LEONARDO DA VINCI PARA A</p><p>CIÊNCIA DA ERGONOMIA</p><p>Atribui-se ao grande gênio Leonardo da Vinci uma série de contribuições, ou práticas, registradas em</p><p>manuscritos, para a ciência da Ergonomia. Justificativa que encontra fundamento haja vista o seu</p><p>enorme interesse em áreas do saber que encontram correspondência para aplicação de conhecimentos</p><p>ergonômicos, tais como: Engenharia, Fisiologia, Anatomia, entre outras.</p><p>EM UMA DE SUAS OBRAS MAIS CONHECIDAS, DENOMINADA DE O</p><p>HOMEM VITRUVIANO, LEONARDO DA VINCI BASEOU-SE NO</p><p>CONCEITO APRESENTADO NA OBRA OS DEZ LIVROS DA</p><p>ARQUITETURA, ESCRITA PELO ARQUITETO E MESTRE ROMANO</p><p>MARCUS VITRUVIUS POLLIO (75-25 A.C.), PARA FAZER UM</p><p>REDESENHO QUE PROCURAVA UNIR O HOMEM CANÔNICO DO</p><p>QUADRADO E DA CIRCUNFERÊNCIA, EM SEUS CENTROS</p><p>GERADORES E CLÁSSICOS, EM UMA SÓ FIGURA.</p><p>A ideia consistia em deixar o homem fixo em um dado lugar, girando ou articulando os seus membros</p><p>superiores e inferiores juntos ao tronco. Na verdade, ele imaginava que era possível modificar a posição</p><p>das formas, tanto o quadrado como a circunferência, neste caso, o que chegaria a ser um princípio da</p><p>ciência da Ergonomia. Assim, o local de trabalho, o ambiente laboral, a vestimenta e as questões</p><p>periféricas deveriam se adaptar ao próprio indivíduo, e não o contrário (Figura 1).</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p> O Homem Vitruviano, ou o homem de Leonardo. Desenho com detalhes da obra de arte de</p><p>Leonardo da Vinci, realizada por volta do ano de 1490, tendo como base o manuscrito antigo do mestre</p><p>romano Vitruvius.</p><p>Leonardo da Vinci combinou em um único desenho o homem dentro de um círculo e um quadrado,</p><p>ampliando a correspondência entre as dimensões e os movimentos humanos, algo que nos remete ao</p><p>conhecimento presente na Antropometria, quando se estuda os formatos e as medidas do corpo que têm</p><p>aplicação em projetos.</p><p>Muitos autores defendem que O homem vitruviano foi uma referência fundamental para o início dos</p><p>estudos da Antropometria e da própria Ergonomia. Adicionalmente, era fácil notar que seus estudos e</p><p>projetos contemplavam as máquinas, bem como suas respectivas funções, que se ajustavam ao</p><p>homem. Isso facilitava a execução de movimentos no momento que eram utilizados.</p><p>A RELAÇÃO DA ERGONOMIA COM A</p><p>ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Com as muitas transformações que ocorreram na civilização industrial, sobretudo em projetos de</p><p>sistemas de produção, surgiram pensadores preocupados com a realidade do trabalho que era</p><p>desempenhado pelas muitas vidas humanas que estavam presentes em tais contextos.</p><p>WOITEJ YASTEMBOWSKY</p><p>No ano de 1857, o termo “Ergonomia” foi empregado pela primeira vez pelo cientista e biólogo polonês</p><p>Woitej Yastembowsky em sua obra intitulada Ensaios de Ergonomia ou ciência do trabalho, com base</p><p>nas leis objetivas da ciência da natureza.</p><p>YASTEMBOWSKY DEFINIU ERGONOMIA UNINDO DOIS TERMOS</p><p>GREGOS DA SEGUINTE MANEIRA:</p><p>ERGON = TRABALHO E NOMOS = LEIS, REGRAS OU NORMAS</p><p>Yastembowsky teve o entendimento de que a Ergonomia era como uma ciência do trabalho e exigia o</p><p>entendimento da atividade humana em termos de esforço, pensamento, relacionamento e dedicação.</p><p>Portanto, essa ciência devia possuir aplicação sobre o trabalho, o que significa que ela é voltada para</p><p>melhor compreensão sobre esforço do corpo humano.</p><p>FREDERICK WINSLOW TAYLOR</p><p>No século XIX, Frederick Winslow Taylor, em sua obra denominada Administração científica, apresentou</p><p>um conjunto de conhecimentos que descrevia a melhor maneira de se executar determinado trabalho,</p><p>considerando todo o grupo de tarefas respectivas.</p><p>TAYLOR ACREDITAVA NA BUSCA POR AÇÕES QUE PUDESSEM</p><p>OTIMIZAR A REALIZAÇÃO DE TAREFAS DENTRO DO TRABALHO,</p><p>ALÉM DE RECOMENDAR O USO MAIS RACIONAL DE RECURSOS,</p><p>EVITANDO PERDAS, E A MÁXIMA ECONOMIA DE ESFORÇO FÍSICO</p><p>FEITA PELO OPERÁRIO.</p><p>Todavia, era preciso refletir sobre as condições de trabalho oferecidas aos recursos humanos. Naquela</p><p>época, foram feitas muitas críticas severas pela sociedade contra os pensamentos e aplicações da</p><p>teoria de Taylor. Inclusive, uma das mais importantes foi associar o modelo de administração</p><p>desenvolvido por Taylor ao entendimento do Homo economicus, cujo interesse maior era explorar o</p><p>indivíduo a fim de extrair o máximo de retorno possível em favor do sistema produtivo de uma dada</p><p>fábrica. Com isso, não eram consideradas todas as suas limitações físicas, ambientais e psicológicas,</p><p>ou seja, os aspectos ergonômicos como realmente deviam ser.</p><p>Em 1936, o filme de Charles Chaplin, chamado de Tempos modernos, reproduziu diversas cenas que</p><p>evidenciavam as condições de trabalho existentes nas fábricas que soaram como críticas contundentes</p><p>ao taylorismo, também associado à administração científica.</p><p>Foto: neftali / Shutterstock.com</p><p> Um selo impresso no Quirguistão retrata uma cena do filme Tempos modernos, de Charles Chaplin</p><p>(1936).</p><p> SAIBA MAIS</p><p>Do ponto de vista da ciência de Ergonomia, as ideias de Taylor foram um verdadeiro marco para a</p><p>organização do trabalho. Isso é fato, uma vez que contribuiu diretamente para os conceitos de projeto de</p><p>tarefas, controle dos seus tempos de execução e no que tange aos imprescindíveis estudos de</p><p>movimentos. Esses estudos se tornaram referência para os métodos de análise de tarefas que são</p><p>executadas até hoje dentro de muitos ambientes fabris.</p><p>A International Ergonomics Association (IEA) conceitua a Ergonomia como sendo o estudo científico da</p><p>relação entre o homem e seus meios, métodos e espaços de trabalho. A associação entende que o</p><p>propósito da Ergonomia é elaborar um conjunto de saberes que possam ser aplicados adaptando os</p><p>meios tecnológicos e os postos de trabalho ao homem.</p><p>Por sua vez, a Associação Brasileira de Ergonomia conceitua Ergonomia (2004) como:</p><p>O ESTUDO DA ADAPTAÇÃO DO TRABALHO ÀS</p><p>CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS E PSICOLÓGICAS DO</p><p>SER HUMANO.</p><p>APLICAÇÃO DA ERGONOMIA NOS CONTEXTOS</p><p>PRODUTIVOS</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Desde o momento que o homem decidiu migrar dos campos para os grandes centros urbanos em busca</p><p>de oportunidades profissionais, sobretudo na indústria que começa a surgir na Inglaterra em 1780, por</p><p>ocasião da Primeira Revolução Industrial, e em outros países da Europa a partir de 1850, sempre</p><p>estiveram presentes em discussões os assuntos relacionados com as melhores condições de trabalho.</p><p>Essas condições, por sua vez, ganharam novas abordagens, provocando impactos em todo o processo</p><p>produtivo. Passaram a ser comuns as considerações feitas acerca do regime de trabalho (em muitos</p><p>casos, alcançava 16 horas por dia), sobre a precariedade das condições locais (falta de higiene, ruídos,</p><p>pouca segurança) para o exercício de atividades, entre outros aspectos.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Isso é fruto de um aumento gradual, muito embora lento, a respeito da necessidade de se pensar em</p><p>mudanças dentro dos ambientes laborais de modo que pudessem garantir a própria sobrevivência</p><p>em</p><p>uma sociedade com um foco cada vez mais voltado para a produção e o consumo.</p><p>No século XVIII, alguns estudos tentaram realizar a medição da capacidade de trabalho físico em locais</p><p>onde os operadores de máquinas e de equipamentos estavam situados. O propósito disso era indicar se</p><p>existiam cargas muito elevadas de trabalho por longos períodos, que podiam levar a uma predisposição</p><p>às doenças ocupacionais, desgastes musculares, comprometimentos na postura ou, ainda, que</p><p>pudessem implicar em uma melhor organização de tarefas executadas.</p><p>O avanço desses estudos tem propiciado mudanças contínuas e velozes. O que pode parecer como</p><p>algo totalmente contraditório é que, à medida que se aumentam as exigências em relação a esse</p><p>contexto, os homens têm se mostrado cada vez mais sedentários. Isso por si só, segundo especialistas</p><p>no assunto, pode suscitar em um fator de risco para diversas doenças consideradas perigosas para os</p><p>seres humanos, que precisam sair, na maioria das vezes, de suas casas para se dedicarem às suas</p><p>responsabilidades profissionais.</p><p>CONTRIBUIÇÕES DE ESCOLAS PARA A</p><p>APRENDIZAGEM DA ERGONOMIA</p><p>As primeiras discussões em Ergonomia emergiram por meio de duas escolas de Ergonomia: uma na</p><p>Europa e outra nos Estados Unidos da América. Veja as principais características de cada uma.</p><p>ESCOLA NA EUROPA (ERGONOMIA DA ATIVIDADE)</p><p>A Inglaterra e a França, a partir de 1949, tiveram a participação na construção e na consolidação da</p><p>ciência da Ergonomia. Os dois países direcionavam o foco de seus estudos sobre as atividades</p><p>realizadas pelos recursos humanos e na própria administração onde o trabalho era feito. A ênfase dos</p><p>estudos era empírica e envolvia a análise sobre a tarefa, cujo objetivo era voltado para compreender</p><p>como os problemas que ocorriam no chão de fábrica eram resolvidos. A atenção recaía sobre</p><p>indicadores de desempenho, tais como: eficácia, eficiência e custos.</p><p>ESCOLA AMERICANA (ERGONOMIA DOS FATORES</p><p>HUMANOS)</p><p>Por ocasião das guerras mundiais, o interesse das investigações sobre o trabalho foi aprofundado e</p><p>estava todo direcionado entre o homem e o recurso de produção (maquinário). Essencialmente, existia</p><p>uma forte inclinação para se estudar as ciências da anatomia humana, da antropometria, da natureza</p><p>física e humana, das medidas em postos de trabalho, da interface existente entre o recurso humano e</p><p>da máquina e equipamentos. Durante os estudos, era muito comum utilizar a técnica de simulação</p><p>dentro dos laboratórios de pesquisa onde os experimentos eram realizados.</p><p>REVISÃO DOS ASPECTOS ERGONÔMICOS NOS</p><p>SISTEMAS PRODUTIVOS</p><p>Com as modificações econômicas, políticas, sociais e ambientais nas últimas décadas, as indústrias</p><p>precisaram rever os seus processos de gestão dentro de seus sistemas produtivos. E essa revisão</p><p>considerou aspectos ergonômicos, no sentido de serem mais incorporados aos projetos de layout de</p><p>postos de trabalho.</p><p>AS DISCUSSÕES NASCEM, NA MAIORIA DAS VEZES, DENTRO DOS</p><p>AMBIENTES ACADÊMICOS E DEPOIS GANHAM FORÇA EM TERMOS</p><p>DE APLICAÇÃO DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES DE NEGÓCIOS.</p><p>ESSAS ORGANIZAÇÕES, POR SUA VEZ, AMADURECEM AO</p><p>CONSIDERAR A ERGONOMIA UM IMPORTANTE CAMPO DE ESTUDO</p><p>QUE BUSCA PROPORCIONAR CONFORTO E CONDIÇÕES</p><p>ADEQUADAS PARA QUE UM PROFISSIONAL DESEMPENHE SUAS</p><p>TAREFAS COM MAIS SAÚDE E SEGURANÇA EM SEU AMBIENTE DE</p><p>TRABALHO.</p><p>Diante disso, é preciso compreender técnicas, conceitos, ferramentas, entre outros mecanismos, com o</p><p>intuito de se chegar a um nível maior de satisfação no momento que se desempenha uma função. Por</p><p>conseguinte, uma vez que são considerados os aspectos ergonômicos, existe uma preocupação por</p><p>parte da gestão do trabalho em alcançar melhores resultados para indicadores de desempenho, tais</p><p>como: eficácia, eficiência, qualidade, custo, produtividade, lucratividade, entre outros.</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Temos de considerar o quanto é importante que ocorra essa preocupação por parte das empresas em</p><p>relação aos seus colaboradores. Afinal de contas, quando os conhecimentos encontram oportunidades</p><p>de serem aplicados (mesas niveladas, cadeiras confortáveis, descanso para os pés, apoio para os</p><p>pulsos, intervalos para repouso, limite de tempo em frente às telas de computadores e celulares, entre</p><p>tantas outras necessidades), é bem possível que bons resultados comecem a surgir, principalmente em</p><p>relação às melhorias nas condições de trabalho e, consequentemente, ao bem-estar dos principais</p><p>ativos que integram qualquer empresa, que são os seus recursos humanos.</p><p>Devemos compreender que a presença da Ergonomia no trabalho pode ajudar muito no aumento da</p><p>confiança entre o empregado e o empregador, estabelecendo uma relação mais harmoniosa entre</p><p>ambos. Isso abre caminho para que se possam discutir estratégias, de maneira construtiva, que possam</p><p>ser empregadas na realidade operacional.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. SELECIONE A ALTERNATIVA CORRETA A RESPEITO DE ALGUNS MARCOS</p><p>HISTÓRICOS EM RELAÇÃO À EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO EM ERGONOMIA.</p><p>A) No Egito Antigo, um papiro revelou um acidente que provocou uma dor aguda sobre um homem que</p><p>ajudou a construir uma pirâmide.</p><p>B) Na Antiguidade, existiam poucos relatos sobre os problemas de coluna existentes em carregadores</p><p>de pedra.</p><p>C) Na Grécia e Roma Antiga, o trabalho não era feito por escravos, uma vez que estes já realizavam</p><p>outras atribuições, como servirem aos reis e rainhas.</p><p>D) Os povos hebreus acreditavam que o trabalho não devia ser realizado por ser humano, pois não era</p><p>visto de forma digna.</p><p>E) O Renascimento não reconhecia o trabalho como relevante para as pessoas.</p><p>2. O POLONÊS WOITEJ YASTEMBOWSKY, UM DOS PRECURSORES DO ESTUDO</p><p>DA ERGONOMIA, UNIU DOIS TERMOS GREGOS PARA DEFINI-LA. ASSINALE A</p><p>ALTERNATIVA QUE APRESENTA EXATAMENTE A TRADUÇÃO PARA O</p><p>PORTUGUÊS DESSES TERMOS EM GREGO.</p><p>A) Leis naturais e tarefas.</p><p>B) Métodos e tarefas.</p><p>C) Atividades e leis naturais.</p><p>D) Trabalho e leis naturais.</p><p>E) Trabalho e métodos.</p><p>GABARITO</p><p>1. Selecione a alternativa correta a respeito de alguns marcos históricos em relação à evolução</p><p>do pensamento em Ergonomia.</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Foi descoberto um papiro, que data do Egito Antigo (2500 a. C.), descrevendo um acidente que gerou</p><p>graves danos a um trabalhador construtor de pirâmide. Na Antiguidade (4.000 a.C.), ao contrário do que</p><p>se pensa, foram feitos muitos registros sobre os problemas de coluna apresentados pelos carregadores</p><p>de pedras. Na época da Roma e da Grécia Antiga (167 a.C.), somente os escravos realizavam os</p><p>trabalhos que exigiam força física. Os hebreus acreditavam que o trabalho era digno para o homem. Na</p><p>época do Renascimento, houve um reconhecimento maior do trabalho, uma vez que era algo que</p><p>remetia à valorização da vida terrena.</p><p>2. O polonês Woitej Yastembowsky, um dos precursores do estudo da Ergonomia, uniu dois</p><p>termos gregos para defini-la. Assinale a alternativa que apresenta exatamente a tradução para o</p><p>português desses termos em grego.</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>Woitej Yastembowsky definiu em 1857 a Ergonomia como sendo a união de dois termos gregos, ergon e</p><p>nomos, cujas traduções para o idioma português são: trabalho e leis naturais, respectivamente.</p><p>MÓDULO 2</p><p> Reconhecer o caráter interdisciplinar da Ergonomia</p><p>LIGANDO OS PONTOS</p><p>VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NA ABERGO? QUAL É A SUA RELAÇÃO</p><p>COM A ERGONOMIA? SABE RECONHECER O CARÁTER</p><p>INTERDISCIPLINAR DA ERGONOMIA? VOCÊ CONSEGUE</p><p>DESCREVER OS PRINCIPAIS DOMÍNIOS DA ERGONOMIA?</p><p>Quando estudamos Ergonomia, é muito importante conhecer sobre os seus domínios, segundo a</p><p>ABERGO. Vamos analisar mais um case e ampliar nosso conhecimento sobre Ergonomia.</p><p>Considere o Instituto Emënisne de Ergonomia. Esse instituto trabalha com observação do ser humano</p><p>em ambiente laboral para produção de conhecimento científico sobre Ergonomia, tendo como</p><p>especialidade o chão de fábrica, local onde se exige muito esforço físico, equilíbrio tanto físico quanto</p><p>emocional e medidas preventivas de segurança para evitar lesões e acidentes.</p><p>O instituto Emënisne</p><p>foi contratado pela fábrica de tubos de aço Magntubo. Essa fábrica compra o</p><p>minério de ferro, transforma-o em tubo e depois propicia o endurecimento das superfícies interna e</p><p>externa, com a técnica de carbonetação.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>O instituto elaborou um relatório, pontuando que há necessidade de carregamento de peso nas etapas</p><p>de: recebimento de insumo, carregamento do insumo na forja da barra de aço, calandragem e</p><p>armazenamento do tubo finalizado, e verificou que, em média, os funcionários carregam 55% do seu</p><p>peso, em todas essas etapas. No relatório, apontou também a percepção da falta de equipamentos de</p><p>segurança ergonômica para os seres humanos carregadores de peso e que estes necessitavam de</p><p>treinamento para poder elevar o peso sem forçar tanto a coluna cervical como constatado.</p><p>Prosseguindo com a abordagem, o instituto pontuou em sua análise a necessidade da aplicação dos</p><p>conhecimentos em Ergonomia para treinamento dos funcionários, com intuito de melhorar sua</p><p>produtividade e qualidade de vida. Por fim, apresentou diversas práticas que devem ser implementadas</p><p>culturalmente na Magntubo para evitar acidentes e lesões no ambiente de trabalho, de acordo com os</p><p>parâmetros discutidos e apresentados pela Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO).</p><p>Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?</p><p>1. A RESPEITO DA ABERGO, COMO O PRÓPRIO CASE RETRATA, NOTA-SE QUE</p><p>É UMA ASSOCIAÇÃO DE REFERÊNCIA QUANDO SE TRATA DE</p><p>CONHECIMENTOS SOBRE ERGONOMIA. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA</p><p>SOBRE A ABERGO.</p><p>A) Tem como propósito a promoção de ações de Ergonomia por meio das interações entre indivíduos e</p><p>ambientes organizacionais, com todos os fatores tecnológicos disponíveis para o trabalho.</p><p>B) É uma associação que busca produzir conhecimento científico por meio de observações laborais,</p><p>para implementação de cursos profissionalizantes.</p><p>C) Tem o mesmo nível de importância que a Associação Internacional de Ergonomia, uma vez que</p><p>apresenta um rigor técnico científico tão exigente quanto.</p><p>D) Procura centralizar as políticas industriais e servir de referência para debater questões trabalhistas.</p><p>E) É um órgão de defesa da segurança do trabalhador, com objetivo de fomentar recursos para melhorar</p><p>as condições de trabalho dentro dos ambientes de produção.</p><p>2. COMO PODE SER VISTO NO ESTUDO DE CASO, A ERGONOMIA É CAPAZ DE</p><p>INTERAGIR COM VÁRIAS ÁREAS DO SABER. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE</p><p>APRESENTA A ÁREA DO SABER QUE SE RELACIONA COM A ERGONOMIA QUE</p><p>ESTÁ CORRETAMENTE DESCRITA.</p><p>A) Desenho Industrial – apresenta linhas características de objetos que facilitam o entendimento do</p><p>comportamento da natureza animal e vegetal no ambiente de trabalho.</p><p>B) Psicologia do Trabalho – estuda a criação e o desenvolvimento de diversos tipos de produtos</p><p>fabricados em uma indústria e como o ser humano pode trabalhar em cada atividade.</p><p>C) Biomecânica Ocupacional − estuda a adaptação do corpo humano ao ambiente de trabalho,</p><p>objetivando retirar o máximo do esforço humano.</p><p>D) Antropometria − estuda as posturas e analisa os movimentos do corpo humano.</p><p>E) Fisiologia Humana – estuda os fatores físicos, químicos, físico-químicos etc. que afetam as funções e</p><p>o equilíbrio dos seres humanos.</p><p>GABARITO</p><p>1. A respeito da ABERGO, como o próprio case retrata, nota-se que é uma associação de</p><p>referência quando se trata de conhecimentos sobre Ergonomia. Assinale a alternativa correta</p><p>sobre a ABERGO.</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>A ABERGO tem como objetivo contribuir para disseminação de práticas de Ergonomia. Essa associação</p><p>tem como finalidade a prática e a divulgação das interações das pessoas com a tecnologia, a gestão e o</p><p>ambiente, considerando as suas necessidades, capacidades e fatores limitantes.</p><p>2. Como pode ser visto no estudo de caso, a Ergonomia é capaz de interagir com várias áreas do</p><p>saber. Assinale a alternativa que apresenta a área do saber que se relaciona com a Ergonomia</p><p>que está corretamente descrita.</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>A Fisiologia Humana estuda os processos físicos, químicos, físico-químicos, biológicos, bioquímicos etc.</p><p>que inferem na vida humana. Esses fatores podem afetar o organismo humano internamente, desde</p><p>células a órgãos e até mesmo sistema nervoso.</p><p>3. NO CASE FOI APRESENTADO O CASO DA EMPRESA</p><p>MAGNTUBO, QUE PRECISA REALIZAR TREINAMENTOS</p><p>PARA MUDAR O PROCEDIMENTO DE TRABALHO DE SEUS</p><p>COLABORADORES, EM ESPECIAL, AQUELES QUE</p><p>CARREGAM PESO. CONSIDERE QUE VOCÊ É UM</p><p>ENGENHEIRO DE SEGURANÇA, CONTRATADO PELA</p><p>MAGNTUBO PARA DAR TAL TREINAMENTO. DIANTE DO</p><p>RELATÓRIO APRESENTADO PELO EMËNISNE, QUAL SERIA</p><p>O DOMÍNIO ERGONÔMICO NO QUAL VOCÊ SE BASEARIA</p><p>PARA MONTAR O TREINAMENTO? JUSTIFIQUE A SUA</p><p>RESPOSTA.</p><p>RESPOSTA</p><p>Os principais domínios de especialização da Ergonomia são: Ergonomia Física, Ergonomia Cognitiva e</p><p>Ergonomia Organizacional.</p><p>Primeiramente, deve-se abordar domínio da Ergonomia Física, pois deve-se considerar uma análise da</p><p>anatomia humana, da antropometria, da fisiologia humana e da biomecânica em relação à atividade física</p><p>desempenhada no trabalho.</p><p>Em seguida, deve ser abordado o domínio da Ergonomia Cognitiva, levando em consideração a preocupação</p><p>quanto à percepção, à memória, ao raciocínio e à resposta motora, de modo que o trabalhador possa</p><p>interagir da melhor maneira com o seu ambiente laboral.</p><p>Por fim, deve-se abordar o domínio da Ergonomia Organizacional, para analisar temas referentes aos</p><p>projetos de postos de trabalho; à gestão da qualidade; à comunicação; ao próprio trabalho em equipe; à</p><p>cultura organizacional; entre outros.</p><p>O CARÁTER INTERDISCIPLINAR DA</p><p>ERGONOMIA</p><p>A ERGONOMIA E OUTRAS ÁREAS DO</p><p>CONHECIMENTO HUMANO</p><p>javascript:void(0)</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Podemos admitir o caráter interdisciplinar da Ergonomia, que pode perfeitamente fazer uso de</p><p>conhecimentos de outras áreas do saber humano que são importantes, como, por exemplo: a Fisiologia</p><p>e a Psicologia do Trabalho.</p><p> SAIBA MAIS</p><p>Considerando o entendimento de interdisciplinaridade, tem-se que o prefixo “inter” indica a presença de</p><p>uma ação recíproca de um elemento sobre o outro e vice-versa. Por exemplo: em uma equipe de</p><p>trabalho interdisciplinar, existe a opção pelo compartilhamento de instrumentos, técnicas, metodologias e</p><p>outros elementos entre as disciplinas.</p><p>Isso leva à possibilidade de um diálogo que pode contribuir para a construção e transformação das</p><p>disciplinas que estão sendo consideradas. Autores sustentam que a interdisciplinaridade implica na</p><p>interação de diferentes disciplinas científicas, quando apenas uma delas está coordenando as demais.</p><p>A seguir, descreveremos algumas das áreas científicas que estão intrinsecamente relacionadas com a</p><p>ciência da Ergonomia, estabelecendo a correspondência dentro de situações de trabalho.</p><p>Antropometria</p><p>É um ramo da Antropologia que estuda as medidas e dimensões das partes</p><p>que compõem o corpo humano. Está relacionada aos estudos da</p><p>Antropologia Física ou Biológica, que procura analisar aspectos genéticos e</p><p>biológicos pertencentes ao ser humano, bem como efetuar comparações</p><p>entre eles. Em se tratando da Ergonomia, a Antropometria pode empregar</p><p>modelos bidimensionais para testes de dimensionamentos de postos de</p><p>trabalhos.</p><p>Biomecânica</p><p>Ocupacional</p><p>A Biomecânica Ocupacional é uma área de atuação da Biomecânica. Trata-</p><p>se de uma área interdisciplinar que possui relação estreita com a Ergonomia</p><p>e que procura estudar as posturas e analisar os movimentos do corpo,</p><p>procurando determinar os limites e as capacidades do ser humano para a</p><p>realização de tarefas laborais durante o seu trabalho sem correr riscos de</p><p>lesões.</p><p>Fisiologia</p><p>Humana</p><p>É o estudo das funções e do funcionamento e equilíbrio dos seres vivos,</p><p>explicando fatores físicos, químicos, bioquímicos que estão presentes nas</p><p>células, tecidos, órgãos e sistemas nervosos. A Ergonomia faz uso de</p><p>conceitos da Fisiologia Humana para compreender os impactos do trabalho</p><p>na vida do ser humano, com a finalidade de atuar preventivamente,</p><p>garantindo a manutenção da saúde de cada colaborador presente em sua</p><p>estação de trabalho.</p><p>Psicologia do</p><p>Trabalho</p><p>É uma ciência que estuda o comportamento da natureza humana e animal</p><p>no trabalho, considerando os processos mentais, tais como: razão,</p><p>inteligência, aprendizagem, percepção, sentimentos, pensamentos e</p><p>atitudes. A Psicologia do Trabalho é constituída pelo conjunto de</p><p>conhecimentos psicológicos pertinentes à análise e à solução dos</p><p>problemas ergonômicos.</p><p>Toxicologia</p><p>Analisa os impactos de diversos agentes químicos sobre os organismos</p><p>vivos e ambiente, observando seus danos e benefícios em diferentes</p><p>horizontes de tempo, evitando que os efeitos nocivos de sustâncias que</p><p>utilizamos possam afetar a saúde ou o próprio meio ambiente. Logo, os</p><p>conhecimentos nessa área são extremamente úteis para selecionar</p><p>trabalhadores com perfis para atuação em determinadas atividades com</p><p>riscos graves e iminentes, operações insalubres, bem como para projetar</p><p>equipamentos de proteção e postos de trabalho.</p><p>Engenharia de</p><p>Produção</p><p>É a área do conhecimento aplicada ao projeto, à implantação, à</p><p>implementação, à otimização e à manutenção de sistemas produtivos, que</p><p>compreendem homens, normas, materiais, tecnologias, informação e</p><p>energia. Há décadas surge outra perspectiva para a complementaridade</p><p>entre as áreas de Engenharia de Produção e Ergonomia, sendo crescentes</p><p>as intervenções ergonômicas nos projetos de desenvolvimento tecnológico,</p><p>de automação, de modernização tecnológica e de criação de unidades</p><p>produtivas existentes em diferentes setores industriais e de serviços.</p><p>Desenho</p><p>Industrial</p><p>Essa área do conhecimento é responsável pela criação e o desenvolvimento</p><p>de diversos tipos de produtos fabricados em uma indústria. Basicamente,</p><p>utiliza seis conceitos que caracterizam o design, sendo estes: homem,</p><p>forma, utilidade, indústria, custo e ambiente. Ainda no campo do design, a</p><p>Ergonomia é uma disciplina essencial para o desenvolvimento dos projetos</p><p>que resultam em produtos, uma vez que são utilizados parâmetros e</p><p>conceitos ergonômicos. Essa atividade visa à otimização das condições de</p><p>trabalho humano. As duas áreas têm sido fundamentais dentro de qualquer</p><p>organização de negócios, muito embora possuam alguns objetivos</p><p>específicos em comum.</p><p>Informática</p><p>É uma área de informação digital, que inclui os processos de recuperação,</p><p>armazenamento, processamento, transferência e divulgação de dados.</p><p>Entende-se que o computador é um instrumento de trabalho, assumindo um</p><p>papel de mediação à ação e ao objeto de trabalho. Por sua vez, a</p><p>Ergonomia e a Informática atuam de modo complementar tanto no</p><p>planejamento como no momento de execução de atividades humanas. As</p><p>duas áreas trabalham na introdução de tecnologias que são inseridas dentro</p><p>dos ambientes de trabalho que podem resultar em contribuições para a</p><p>saúde, aumento de produtividade, entre outros fatores.</p><p>Medicina</p><p>Ocupacional ou</p><p>do Trabalho</p><p>É definida como a especialidade médica que compreende as relações entre</p><p>a saúde de recursos humanos e os seus ambientes de trabalho, com a</p><p>finalidade de prevenir quanto ao surgimento de doenças, incidentes e</p><p>acidentes do trabalho, promovendo a saúde e a qualidade de vida. Atua por</p><p>meio de ações capazes de assegurar a saúde individual, nas dimensões</p><p>física e mental, melhorando a inter-relação das pessoas e destas com seu</p><p>ambiente social e profissional. Assim, a Saúde Ocupacional surge dentro</p><p>das grandes empresas, contemplando a interdisciplinaridade, com a</p><p>organização de equipes progressivamente multifuncionais, entre as quais</p><p>estão incluídos os ergonomistas.</p><p>Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>OS DOMÍNIOS DA ERGONOMIA</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>A Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) é uma associação sem fins lucrativos. De modo</p><p>objetivo, ela tem como propósito promover a prática da Ergonomia por meio das interações entre</p><p>indivíduos e ambientes organizacionais, com todos os fatores tecnológicos disponíveis para o trabalho.</p><p>Exatamente dentro desses ambientes organizacionais, quando não existem intervenções ergonômicas,</p><p>é bem possível que o colaborador tenha o seu desempenho diminuído. Isso pode ser justificado por ele</p><p>não se sentir confortável em seu local de trabalho. Por outro lado, uma vez presente de fato, a</p><p>Ergonomia tem a capacidade de transformar desconfortos durante a realização de uma tarefa em</p><p>confortos. Além disso, aumenta a sensação de segurança diante da execução de atividades em</p><p>ambientes com ou sem salubridade ou, ainda, com ou sem periculosidade.</p><p>OS ERGONOMISTAS TÊM CONSCIÊNCIA DO QUE PRECISAM FAZER</p><p>PARA CORRESPONDER E INTERVIR SOBRE AS MUITAS DEMANDAS</p><p>QUE SÃO INERENTES ÀS SITUAÇÕES DE TRABALHO. NESSE</p><p>MOMENTO, É MISTER QUE BUSQUEM UMA ABORDAGEM</p><p>HOLÍSTICA DO CAMPO DE AÇÃO, QUE INCLUI ASPECTOS FÍSICOS,</p><p>COGNITIVOS E ORGANIZACIONAIS.</p><p>A ABERGO faz parte da Associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association)</p><p>– IEA, e estabelece os seguintes domínios de especialização da Ergonomia:</p><p>ERGONOMIA FÍSICA</p><p>ERGONOMIA COGNITIVA</p><p>ERGONOMIA ORGANIZACIONAL</p><p>ERGONOMIA FÍSICA</p><p>Está relacionada com as características da anatomia humana, da antropometria, da fisiologia humana e</p><p>da biomecânica em sua relação à atividade física. Alguns temas que são abordados nesses domínios</p><p>são os seguintes: postura ideal para realizar uma tarefa, manuseio de recursos de produção, movimento</p><p>repetitivo, doenças musculoesqueléticas, layout de posto de trabalho, saúde e segurança de todos que</p><p>participam de uma área.</p><p>ERGONOMIA COGNITIVA</p><p>Antes mesmo de um trabalhador iniciar o seu conjunto de tarefas, que integram uma dada atividade e</p><p>que pertencem a um processo, é fundamental a consideração de processos mentais, tais como: a</p><p>percepção, a memória, o raciocínio e a resposta motora. Estamos nos referindo à capacidade humana</p><p>de refletir sobre como pode interagir da melhor maneira com o seu ambiente laboral, com todos os</p><p>recursos de produção presentes. Continue lendo...</p><p>ERGONOMIA ORGANIZACIONAL</p><p>A Ergonomia também tem interesse quando se pretende otimizar sistemas sociotécnicos, compostos por</p><p>pessoas que são partes que compõem um sistema, bem como o seu funcionamento e todas as</p><p>estruturas organizacionais, políticas traçadas e processos que precisam ser iniciados e finalizados.</p><p>Assim, os principais temas tratados nessa área de estudo são: projetos de postos de trabalho; gestão da</p><p>qualidade; comunicação; trabalho em equipe; cultura organizacional; entre outros.</p><p>É preciso que cada profissional tenha conhecimento, sempre que possível em nível de detalhes,</p><p>sobre o que será executado. Logicamente que, por meio de um treinamento, ou mesmo de uma</p><p>capacitação, informações poderão ser transmitidas a fim de se possibilitar o domínio sobre o que</p><p>será realizado.</p><p>Nesse domínio, é comum a consideração de estudos que envolvem a carga de trabalho, a tomada</p><p>de decisão pela liderança da área, a interação homem-máquina, a compreensão do método de</p><p>trabalho, o estresse (inevitável em muitos casos), o treinamento e a capacitação de recursos</p><p>humanos em suas atribuições em um sistema de produção.</p><p>javascript:void(0)</p><p>A CERTIFICAÇÃO ERGONÔMICA</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>Ao longo dos anos, a análise ergonômica do trabalho tem possibilitado evidenciar as condições pelas</p><p>quais uma atividade é realizada na realidade. Ou seja, é possível analisar o conjunto de movimentos,</p><p>decisões e atitudes que são usados com frequência pelos colaboradores enquanto estes desempenham</p><p>as suas funções.</p><p>Agora, a discussão que surge está relacionada se cada atividade realmente está sendo feita da maneira</p><p>correta. Os gestores operacionais de uma organização têm o papel de cumprir a legislação que se aplica</p><p>dentro dos sistemas produtivos, principalmente quando esta possui relação direta com a gestão da</p><p>Ergonomia.</p><p>Portanto, é preciso que uma empresa providencie todas as condições necessárias para a realização de</p><p>trabalhos que precisaram ser realizados</p><p>de forma que todos tenham a saúde e a segurança garantidas.</p><p>Estando atenta a todas as exigências previstas em leis, a empresa pode, enfim, buscar uma certificação</p><p>ergonômica.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Esse importante documento ratifica a situação de comprovação que a empresa deve possuir no sentido</p><p>de adaptar as condições de trabalho ao conjunto das características psicofisiológicas de todos os seus</p><p>colaboradores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, saúde, segurança e desempenho efetivo.</p><p>É sempre importante frisar que a sociedade tem acompanhado o movimento de muitas empresas em</p><p>relação às questões que envolvem temas de saúde e segurança dentro do trabalho. Uma vez que se</p><p>demonstre que realmente existe uma preocupação com esses assuntos, que convergem com um</p><p>pensamento voltado para a prevenção, traduzido por esforços em relação às condições de trabalho</p><p>ideais para aqueles (contratados) que integram sistemas produtivos, tanto a própria sociedade como os</p><p>mercados consumidores e os próprios trabalhadores adotam naturalmente uma postura de maior</p><p>aceitação junto às empresas contratantes.</p><p>Em outras palavras, uma certificação ergonômica permite estabelecer uma identificação positiva para a</p><p>empresa, garantindo qualidade, credibilidade e confiabilidade aos consumidores, dentro de princípios</p><p>éticos e moralmente aceitos.</p><p>VEJA ALGUNS DOS BENEFÍCIOS QUE PODEM SER ALCANÇADOS</p><p>COM A CERTIFICAÇÃO ERGONÔMICA:</p><p>Redução nos casos de incidentes e de ocorrências de acidentes de trabalho.</p><p>Redução no absenteísmo.</p><p>Melhoria nos aspectos motivacionais dos trabalhadores.</p><p>Melhoria na produtividade dentro dos processos organizacionais.</p><p>Minimização de custos operacionais.</p><p>Melhoria da imagem junto aos clientes das empresas.</p><p>AS PRINCIPAIS CERTIFICAÇÕES ERGONÔMICAS</p><p>Conforme estudamos até o momento, uma certificação ergonômica comprova que uma dada</p><p>organização reúne qualidades necessárias para a adaptação das condições de trabalho às</p><p>características psicofisiológicas de seu corpo funcional.</p><p>Veja algumas das principais certificações ergonômicas que são amplamente buscadas no mercado</p><p>atualmente.</p><p>OHSAS 18001 E ISO 45001</p><p>Trata-se de uma norma do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional. Podemos dizer que</p><p>a certificação pode ser obtida quando a empresa consegue finalmente implementar um procedimento</p><p>formal que vai proporcionar a minimização dos eventos de riscos associados à saúde e segurança nos</p><p>postos de trabalho. Isso se torna possível quando se faz uso dos conhecimentos ergonômicos. Há</p><p>décadas, a Norma OHSAS 18001 tem se constituído em uma preciosa ferramenta para atingir, controlar</p><p>e melhorar o nível de desempenho da Saúde e Segurança do Trabalho (SST). Entretanto, as empresas</p><p>estão iniciando a migração para a norma ISO 45001 porque esta tende a oferecer uma segurança maior</p><p>para evitar afastamentos temporários ou definitivos de funções, redução de incidentes e acidentes do</p><p>trabalho, assuntos que são de grande interesse da Ergonomia.</p><p>BS 8800</p><p>A temática principal dessa certificação é a implantação de um Sistema de Gestão de Segurança e</p><p>Saúde no Trabalho eficiente. Foi publicada em maio de 1996, estruturada e de responsabilidade do</p><p>órgão britânico de normas técnicas denominado British Standards. Essencialmente, tal norma auxilia na</p><p>implantação de um sistema de gerenciamento relativo à Segurança do Trabalho, contribuindo também</p><p>para a elaboração de uma política de segurança na organização. Como objetivos principais dessa</p><p>ferramenta, podemos destacar os seguintes: minimizar os riscos dos colaboradores; alcançar, monitorar</p><p>e controlar o desempenho dos negócios de uma organização e proporcionar uma imagem responsável</p><p>perante o seu ambiente externo.</p><p>ISO 9000</p><p>Considera um conjunto de normas internacionais que averiguam a existência de um sistema de garantia</p><p>da qualidade na empresa e exigem a identificação e o gerenciamento de diversas atividades presentes</p><p>nesse sistema. Em nosso país, o sistema ISO é representado pela ABNT (Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas). Em dezembro de 2000, a série de normas foi revisada e passou a se chamar ISO</p><p>9001:2000. Aliás, essa tem se esforçado no sentido de divulgar a aplicação de normas técnicas de</p><p>Ergonomia voltadas para a interação humano-sistema e para o mobiliário existentes em ambientes de</p><p>trabalho.</p><p>No que tange à implantação das normas ISO 9000, como modelo de gestão, cabe pontuar que exige</p><p>identificar e gerenciar os muitos processos pertencentes aos sistemas de uma organização, sendo que</p><p>um deles exige elaboração de documentação específica que comprove que esses mesmos processos</p><p>estejam normatizados e que atendam aos requisitos definidos pela norma.</p><p>Existe outro conjunto de normas que tratam também de temas de interesse da Ergonomia, pois servem</p><p>para nortear todo o processo de esforço físico no ambiente de trabalho. Vejamos:</p><p>ABNT NBR ISO 11228-3:2014</p><p>Movimentação de cargas leves em alta frequência de repetição</p><p>ABNT ISO/TR 16982:2014</p><p>Ergonomia da interação humano-sistema. Métodos de usabilidade que apoiam o projeto centrado no</p><p>usuário.</p><p>ABNT NBR ISO 9241-143:2014</p><p>Ergonomia da interação humano-sistema.</p><p>ABNT NBR ISO 11226:2013</p><p>Avaliação de posturas estáticas de trabalho.</p><p>O conhecimento presente nesses documentos garante a segurança, a saúde e o bem-estar do</p><p>profissional e permite que sejam identificados ganhos em indicadores de desempenho perante os</p><p>processos realizados e na qualidade dos produtos entregues aos clientes.</p><p>Um dos tópicos presentes e considerados fundamentais para a Ergonomia é o envolvimento das</p><p>pessoas, pois os trabalhadores precisam possuir a consciência sobre o quanto é relevante a qualidade e</p><p>como pode ser determinante para atenderem, ou até mesmo superarem, a expectativa do cliente que</p><p>demanda por produtos e serviços da empresa.</p><p>ETAPAS PARA UMA CERTIFICAÇÃO EM ERGONOMIA</p><p>Uma empresa que pretenda obter uma certificação em Ergonomia pode adotar estratégias bem</p><p>específicas para se atingir uma boa gestão de Ergonomia. Veja alguns passos que podem ser</p><p>empregados por um gestor responsável:</p><p></p><p>1ª ETAPA</p><p>Empreender uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), com intuito de pontuar a necessidade de</p><p>melhorias para maior segurança dos trabalhadores.</p><p>2ª ETAPA</p><p>Implantação de um Comitê Gestor de Ergonomia, para gerenciar as implementações em melhorias</p><p>ergonômicas. Esse comitê analisa, discute, decide e implementa medidas ergonômicas.</p><p></p><p></p><p>3ª ETAPA</p><p>Sensibilizar todos os colaboradores. Aqui, são feitos treinamentos, para ensino e/ou reciclagem,</p><p>priorizando o uso dos equipamentos adequados e das práticas adequadas para a segurança</p><p>ergonômica.</p><p>4ª ETAPA</p><p>Executar ações de melhorias. Aqui, além dos treinamentos, também entram os equipamentos de</p><p>segurança.</p><p></p><p></p><p>5ª ETAPA</p><p>Monitorar e controlar ações. Nessa etapa, há a necessidade de constante supervisão para garantir a</p><p>segurança do trabalhador no ambiente laboral.</p><p>6ª ETAPA</p><p>Avaliação de resultados obtidos. Aqui, o Comitê Gestor de Ergonomia analisa os resultados obtidos, em</p><p>razão das decisões tomadas.</p><p></p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. NO ESTUDO DE ERGONOMIA, APRENDEMOS QUE A CIÊNCIA VISA À</p><p>OTIMIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO HUMANO, POR MEIO DE</p><p>MÉTODOS DA TECNOLOGIA E DO DESENHO INDUSTRIAL. ASSINALE A</p><p>ALTERNATIVA CORRETA REFERENTE À RELAÇÃO DA ERGONOMIA COM O</p><p>DESENHO INDUSTRIAL.</p><p>A) A Ergonomia cuida dos projetos de produtos e o Desenho Industrial da prevenção dos trabalhadores.</p><p>B) O Desenho Industrial preocupa-se unicamente com a qualidade de vida no trabalho e a Ergonomia</p><p>com o projeto dos postos de trabalho.</p><p>C) No campo do design, a Ergonomia é uma disciplina essencial para o desenvolvimento dos projetos,</p><p>sobretudo por criar produtos ergonômicos.</p><p>D) O Desenho Industrial vem se tornando mais relevante dentro das empresas, nos últimos anos,</p><p>quando comparado à Ergonomia.</p><p>E) Torna-se impossível estabelecer uma relação entre Ergonomia e Desenho Industrial, pois ambas as</p><p>áreas não apresentam objetivos específicos em comum.</p><p>2. APRENDEMOS</p><p>QUE O ESTUDO DA ERGONOMIA ESTÁ DIVIDIDO EM TRÊS</p><p>DOMÍNIOS. COM ISSO, OS ERGONOMISTAS PRECISAM COMPREENDER A</p><p>NECESSIDADE DE SE TRABALHAR DENTRO DE UMA ABORDAGEM HOLÍSTICA.</p><p>MARQUE A ALTERNATIVA QUE DESCREVE CORRETAMENTE UM DOS</p><p>DOMÍNIOS DA ERGONOMIA.</p><p>A) Ergonomia Organizacional está relacionada às características da biomecânica.</p><p>B) Ergonomia Cognitiva está relacionada às características da anatomia humana.</p><p>C) Ergonomia Física está relacionada às características das estruturas organizacionais.</p><p>D) Ergonomia Organizacional está relacionada às políticas.</p><p>E) Ergonomia Cognitiva está relacionada às características de melhoria de sistemas sociotécnicos.</p><p>GABARITO</p><p>1. No estudo de Ergonomia, aprendemos que a ciência visa à otimização das condições de</p><p>trabalho humano, por meio de métodos da tecnologia e do desenho industrial. Assinale a</p><p>alternativa correta referente à relação da Ergonomia com o Desenho Industrial.</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>A Ergonomia e o Desenho Industrial são essenciais para o projeto de produtos ergonômicos que vão</p><p>facilitar a vida do trabalhador, evitando exposição aos riscos que podem levar a incidentes ou acidentes</p><p>de trabalho. Essas duas áreas do conhecimento se preocupam em projetar produtos com segurança e</p><p>que prezem pelo bem-estar dos usuários ou trabalhadores. Daí, compreende-se que as duas áreas têm</p><p>sido muito importantes dentro de qualquer empresa atualmente. As áreas possuem alguns objetivos</p><p>específicos em comum.</p><p>2. Aprendemos que o estudo da Ergonomia está dividido em três domínios. Com isso, os</p><p>ergonomistas precisam compreender a necessidade de se trabalhar dentro de uma abordagem</p><p>holística. Marque a alternativa que descreve corretamente um dos domínios da Ergonomia.</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>O estudo da Ergonomia divide-se em 3 domínios: Física, Cognitiva e Organizacional. A Ergonomia Física</p><p>está relacionada com a anatomia humana, biomecânica e melhoria de sistemas sociotécnicos.</p><p>Ergonomia Cognitiva está relacionada às características de processos. A Ergonomia Organizacional</p><p>compreende estudos sobre as estruturas organizacionais.</p><p>MÓDULO 3</p><p> Reconhecer as Normas Regulamentadoras</p><p>LIGANDO OS PONTOS</p><p>VOCÊ SABIA QUE UM ERGONOMISTA DEVE POSSUIR</p><p>CONHECIMENTO DE NORMAS REGULAMENTADORAS (NRS) QUE</p><p>TRATAM DE TEMAS RELACIONADOS COM A SAÚDE E A</p><p>SEGURANÇA DENTRO DO TRABALHO? SABIA QUE AS NORMAS</p><p>REGULAMENTADORAS DEVEM SER RESPEITADAS TANTO POR</p><p>EMPRESAS PÚBLICAS QUANTO PRIVADAS, INCLUINDO OS SEUS</p><p>RESPECTIVOS COLABORADORES? EM SE TRATANDO DA NORMA</p><p>DE ERGONOMIA (NR-17), VOCÊ CONSEGUE DESCREVER ALGUMAS</p><p>CARACTERÍSTICAS ASSOCIADAS AO BEM-ESTAR NO TRABALHO?</p><p>SABE QUAL É A IMPORTÂNCIA DE SER ORIENTADO POR TAL</p><p>NORMA?</p><p>Para aprendermos mais sobre esses assuntos, vamos verificar o case a seguir.</p><p>O dono de uma empresa de entrega constatou que muitos de seus funcionários estão sofrendo lesões</p><p>musculares, e até mesmo ósseas (quebras), em razão do seu ofício. Então, pesquisando rapidamente</p><p>na Internet, ele descobriu que uma das razões para tamanhas lesões poderia estar na má postura física</p><p>dos trabalhadores em meio à realização de seu trabalho. Por meio de sua pesquisa, ele chegou à NR-</p><p>17, que é a Norma de Ergonomia e, ao lê-la, percebeu que não possuía implementado em sua empresa</p><p>nenhum dos itens indicados por essa NR.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>A fim de se adequar à NR-17, o dono dessa empresa pesquisou por profissionais de Segurança do</p><p>Trabalho que entendessem de Ergonomia, chegou até você e lhe pediu que fizesse a adequação da</p><p>empresa dele (parte física + equipe) à norma. A partir disso, você solicitou a ele 30 dias para a</p><p>implementação de toda a NR, sendo 10 dias para observar como as atividades são praticadas, 10 dias</p><p>para montagem de um plano de ação para implementação dos requisitos para atendimento da NR-17 e</p><p>10 dias para implementação das medidas. Uma dessas medidas é o treinamento dos</p><p>funcionários/domínios de especialização da Ergonomia. Após os 30 dias, a empresa teve toda a sua</p><p>cultura organizacional, gestora e operacional transformada, para garantir a saúde e a segurança dos</p><p>trabalhadores.</p><p>Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?</p><p>1. SOBRE A NECESSIDADE DE EMPREGO DAS NORMAS</p><p>REGULAMENTADORAS (NRS) DENTRO DAS EMPRESAS COM O PROPÓSITO DE</p><p>EVITAR EVENTOS DE RISCO QUE PODEM RESULTAR EM ALGUM TIPO DE</p><p>DANO PARA A SAÚDE E A SEGURANÇA DO TRABALHADOR, ESTÁ CORRETO</p><p>AFIRMAR QUE TAIS NORMAS:</p><p>A) foram criadas para assegurar a segurança e a saúde do trabalhador no ambiente de trabalho, durante</p><p>a sua jornada de trabalho.</p><p>B) servem para garantir que todos os eventos de risco sejam neutralizados nos ambientes produtivos.</p><p>C) orientam os gestores de trabalho das organizações produtivas a evitarem incidentes e acidentes,</p><p>isentando de possíveis multas ou indenizações junto à justiça.</p><p>D) são parte essencial para garantir a saúde, o conforto e a segurança dos trabalhadores, mas não</p><p>podem contribuir na prevenção de acidentes e promoção da saúde ocupacional.</p><p>E) devem se adaptar sempre quando as empresas contratarem os seus trabalhadores, pois cada</p><p>empresa tem realidades operacionais distintas.</p><p>2. A NR-17 (ERGONOMIA) ESTABELECE:</p><p>A) medidas de proteção para resguardar a saúde e a integridade física dos trabalhadores para evitar</p><p>acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização de máquinas e equipamentos.</p><p>B) requisitos e condições mínimas visando a medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a</p><p>garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que atuam em instalações elétricas e serviços com</p><p>eletricidade.</p><p>C) parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas</p><p>dos trabalhadores, procurando atender às questões referentes ao conforto, segurança e eficiência.</p><p>D) a obrigatoriedade da empresa em fornecer aos empregados EPIs adequados ao risco da atividade.</p><p>E) a obrigatoriedade de elaboração e implementação do Programa de Controle Médico de Saúde</p><p>Ocupacional.</p><p>GABARITO</p><p>1. Sobre a necessidade de emprego das Normas Regulamentadoras (NRs) dentro das empresas</p><p>com o propósito de evitar eventos de risco que podem resultar em algum tipo de dano para a</p><p>saúde e a segurança do trabalhador, está correto afirmar que tais normas:</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>As NRs orientam os gestores de trabalho das organizações produtivas a evitarem incidentes e acidentes</p><p>e procuram preservar a saúde e a integridade física de trabalhadores durante o exercício de suas</p><p>atividades.</p><p>2. A NR-17 (Ergonomia) estabelece:</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>Os parâmetros de Ergonomia no ambiente de trabalho são estabelecidos pela NR-17. Por meio desses</p><p>parâmetros, é possível promover adaptações do ambiente de trabalho ao ser humano, preservando sua</p><p>saúde física e emocional.</p><p>3. O ESTUDO DE CASO DEMONSTROU QUE AS NRS</p><p>PRECISAM SER EMPREGADAS EM CONTEXTOS</p><p>PRODUTIVOS. IMAGINE UM CENÁRIO, DENTRO DE UMA</p><p>FÁBRICA, ONDE FORAM NOTADOS A AUSÊNCIA DE</p><p>PROJETOS PARA POSTOS DE TRABALHO E</p><p>TRABALHADORES (NOVOS E ANTIGOS) QUE RELUTAM EM</p><p>USAR EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL, NÃO</p><p>SEGUINDO RECOMENDAÇÕES PARA EVITAREM RISCOS</p><p>DE ACIDENTES. SE VOCÊ FOSSE O ERGONOMISTA DA</p><p>FÁBRICA, QUE TIPO DE DECISÃO TOMARIA PARA</p><p>SENSIBILIZÁ-LOS COM O INTUITO DE AUMENTAR A</p><p>PROTEÇÃO DELES EM RELAÇÃO ÀS OCORRÊNCIAS QUE</p><p>PODEM LEVAR A POSSÍVEIS AFASTAMENTOS POR</p><p>MOTIVOS DE SAÚDE E DE SEGURANÇA?</p><p>RESPOSTA</p><p>A decisão pode ser tomada visando a treinamentos quanto ao conhecimento de NRs tanto para</p><p>trabalhadores que foram contratados para iniciarem as suas tarefas e que não possuam experiências e</p><p>capacitações quanto para aqueles que já vinham atuando normalmente dentro da fábrica. A NR-17</p><p>(Ergonomia) pode ser um bom instrumento para resolver o problema de ausência de projetos para postos de</p><p>javascript:void(0)</p><p>trabalho. Já a norma NR-06 (Equipamentos de Proteção Individual) é uma das maneiras para se trabalhar por</p><p>uma cultura mais preventiva.</p><p>ENTENDER AS NORMAS</p><p>REGULAMENTADORAS</p><p>AS NORMAS REGULAMENTADORAS</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>A segurança dentro do ambiente de trabalho tem sido objeto recorrente de discussão dentro das</p><p>indústrias no mundo todo. É importante compreender o que realmente acontece dentro das rotinas</p><p>diárias das empresas e o que está sendo feito para garantir melhores condições laborais para o conjunto</p><p>de funcionários que executam tarefas produtivas, que têm como missão entregar resultados. Ou seja,</p><p>podemos dizer que esforços em gestão são essenciais para que sejam identificados e corrigidos</p><p>quaisquer fatores que porventura causem paradas ou descontinuidade no fluxo de trabalho.</p><p>A FIGURA DO PROFISSIONAL ERGONOMISTA SE FAZ</p><p>IMPRESCINDÍVEL, POIS ASSUMIRÁ O COMPROMISSO DE ATENDER</p><p>AO QUE ESTÁ PREVISTO NAS LEGISLAÇÕES TRABALHISTAS OU</p><p>NORMAS REGULAMENTADORAS (NRS) EM SEGURANÇA E</p><p>MEDICINA DO TRABALHO, COM TODOS OS SEUS REQUISITOS QUE</p><p>CONSIDERAM A SEGURANÇA, O CONFORTO E A EFICIÊNCIA</p><p>DENTRO DO TRABALHO. A RESPEITO DESSAS NRS, PODEM SER</p><p>DESTACADAS AS DISPOSIÇÕES SUPERIORES, QUE INSTITUEM</p><p>OBRIGAÇÕES DE CARÁTER MAIS ESPECÍFICO SOBRE O QUE DEVE</p><p>SER EFETIVAMENTE REALIZADO PARA QUE O COLABORADOR</p><p>SEJA PROTEGIDO ENQUANTO REALIZA O SEU CONJUNTO DE</p><p>TAREFAS.</p><p>As NRs são instrumentos valiosos para ergonomistas e/ou gestores de trabalho treinarem ou</p><p>capacitarem as suas equipes de trabalho.</p><p>Tomando o caso específico em nosso país, é fundamental conhecer as NRs que orientam os gestores</p><p>de trabalho das organizações produtivas a evitarem incidentes e acidentes, procurando preservar a</p><p>saúde e a integridade física de suas equipes de trabalho. A segurança no trabalho ainda conta com a</p><p>CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).</p><p>Com base na Constituição Federal, observamos que, no primeiro artigo, são assegurados valores</p><p>sociais do trabalho e a livre iniciativa como fundamentos do Estado brasileiro. Corroborando com isso,</p><p>as NRs também reafirmam que, além de tutelarem os interesses dos colaboradores dentro do trabalho,</p><p>também orientam a conduta organizacional para que ela não tenha posições arbitrárias. Sendo assim,</p><p>cabe enfatizar que qualquer atividade empresarial tem obrigações econômicas, políticas e sociais e,</p><p>portanto, não deve submeter qualquer um de seus empregados às condições inseguras sem que se</p><p>tenha a devida proteção.</p><p> ATENÇÃO</p><p>As NRs relativas à Segurança e Saúde do Trabalho devem ser respeitadas tanto por empresas privadas</p><p>e públicas quanto por órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como por órgãos dos</p><p>Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do</p><p>Trabalho (CLT). O governo federal tem autonomia para realizar uma atualização de regras que regulam</p><p>o universo trabalhista brasileiro, ou seja, das normas regulamentadoras.</p><p>As NRs foram aprovadas por uma Portaria do Ministério do Trabalho em 1978 e têm como objetivo</p><p>regulamentar as medidas de Segurança, Saúde e Medicina do Trabalho. Atualmente, existem no Brasil</p><p>trinta e seis NRs de Saúde e Segurança do Trabalho em vigor, cujos assuntos são de interesse da</p><p>Ergonomia, como, por exemplo:</p><p>NR-</p><p>1</p><p>Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Estabelece o conjunto</p><p>de normas técnicas direcionadas à Saúde e Segurança do Trabalho, trazendo as</p><p>disposições gerais que devem ser seguidas pela empresa e pelos seus trabalhadores</p><p>em todas as atividades profissionais. Podemos também considerar que essa norma</p><p>oferece condições para que gestores, técnicos e especialistas consigam mapear todas</p><p>as ameaças para a saúde do trabalhador (físicas, psicológicas, entre outras).</p><p>NR-</p><p>5</p><p>Considera aspectos relacionados à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes –</p><p>CIPA. A necessidade dessa norma reside na inspeção e investigação das funções de</p><p>cada área de uma empresa para identificar se existem, ou não, eventos de risco que</p><p>possam resultar em algum tipo de dano à saúde ou até mesmo à vida de colaboradores.</p><p>NR-</p><p>6</p><p>Relaciona-se com o Equipamento de Proteção Individual (EPI). Estabelece obrigações</p><p>tanto para o empregador como para o empregado quanto ao uso de EPI com a</p><p>finalidade de preservar a segurança e o conforto em todos os postos de trabalho.</p><p>NR-</p><p>7</p><p>Determina a implementação em empresas e instituições do Programa de Controle</p><p>Médico de Saúde Ocupacional – o PCMSO. A observância dessa norma pode evitar</p><p>prejuízos, como faltas ao trabalho, multas e ações trabalhistas. Por outro lado, a</p><p>empresa poderá apresentar melhorias em indicadores de desempenho operacionais,</p><p>uma vez que mais trabalhadores estarão mais saudáveis, seguros e satisfeitos em seus</p><p>postos laborais.</p><p>NR-</p><p>10</p><p>Trata da proteção de profissionais que trabalham com instalações elétricas e serviços</p><p>que envolvam eletricidade. As empresas devem manter os trabalhadores informados</p><p>sobre os riscos a que estão expostos. Do lado dos trabalhadores, é preciso que zelem</p><p>pela segurança e saúde de todos que possam ser afetados por ações ou omissões no</p><p>trabalho, assumam responsabilidades junto com a empresa pelo cumprimento das</p><p>disposições legais e regulamentares e comuniquem imediatamente ao responsável pela</p><p>execução do serviço as situações que forem de risco para sua segurança e saúde e a</p><p>de outros colegas.</p><p>NR-</p><p>12</p><p>Regulamenta a segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. É preciso atentar</p><p>para os padrões posturais que serão exigidos para a operação dos equipamentos. Além</p><p>disso, os comandos existentes nas máquinas precisam ser projetados e posicionados</p><p>de modo a deixar claras as suas funções, não deixando margens para interpretações</p><p>equivocadas.</p><p>NR-</p><p>23</p><p>Tem por propósito determinar quais são as medidas de proteção e combate a incêndios</p><p>a serem adotadas pelas empresas em todos os casos. Em caso de sinistros dessa</p><p>natureza, é preciso que todo trabalhador tenha informação e conhecimento sobre</p><p>procedimentos que ajudem na evacuação, entre outras ações.</p><p>NR-</p><p>26</p><p>Descreve as regras para sinalizações de informações dentro de uma empresa,</p><p>prezando pela segurança dos trabalhadores. Ambientes devem ser sempre sinalizados</p><p>para evitar a possibilidade de incidentes e de acidentes de trabalho.</p><p>NR-</p><p>33</p><p>Aplicada ao trabalho em espaços confinados. Muitos trabalhadores atuam dentro de</p><p>postos de trabalho que são limitantes quanto aos movimentos. Isso pode trazer uma</p><p>série de riscos à saúde daqueles, tais como: intoxicação e sufocamento.</p><p>NR-</p><p>35</p><p>Estabelece os requisitos mínimos de proteção para o trabalho em altura, envolvendo o</p><p>planejamento, a organização e a execução. Sempre que houver uma atividade</p><p>executada a um desnível de dois metros, é preciso atentar para a NR-35, pois uma</p><p>queda sofrida nessa situação pode implicar no afastamento temporário ou até mesmo</p><p>definitivo de quem sofre o acidente.</p><p>Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>A NR-17</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>A Norma Regulamentadora 17 estabelece os parâmetros ergonômicos, ou seja, que permitem a</p><p>adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas de trabalhadores, visando ao</p><p>máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Ela fornece um conjunto de orientações sobre</p><p>procedimentos obrigatórios relacionados à Segurança e Medicina do Trabalho.</p><p>A NR-17 É REGULAMENTADA PELA PORTARIA Nº 3.214, DE 8 DE</p><p>JUNHO DE 1978, QUE APROVA AS NRS RELATIVAS À SEGURANÇA E</p><p>MEDICINA DO TRABALHO. LOGO, O TRABALHADOR E A</p><p>ERGONOMIA POSSUEM RELAÇÃO ESTREITA.</p><p>A NR-17 inclui diversos aspectos, os quais estão relacionados ao levantamento, ao transporte e à</p><p>descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho</p><p>e à própria organização do trabalho. Com isso, a empresa se torna responsável pela realização de uma</p><p>análise ergonômica dentro de cada área de trabalho, sendo obrigada a abordar, ao menos, as condições</p><p>ideais para que o trabalho ocorra conforme o que está previsto em tal norma.</p><p>Vejamos algumas considerações adicionais sobre a NR-17:</p><p>SOBRE O TRANSPORTE MANUAL DE CARGAS</p><p>A norma não admite que um trabalhador carregue um peso que possa</p><p>comprometer a sua saúde ou</p><p>segurança. Acrescenta-se, ainda, que todo trabalhador deve ser treinado sobre os métodos de manuseio</p><p>que serão usados para preservar a sua saúde e prevenir acidentes. Em se tratando de mulheres, outras</p><p>exigências são igualmente importantes. Ou seja, o peso máximo carregado pela mulher deverá ser</p><p>inferior àquele admitido para os homens a fim de não implicar em danos para a sua saúde ou</p><p>segurança.</p><p>SOBRE O MOBILIÁRIO DOS POSTOS DE TRABALHO</p><p>A norma exige a necessidade de planejamento ou de adaptação para o trabalho que for realizado em</p><p>posição sentada. São destacadas condições de postura correta, de visualização e de desempenho para</p><p>o trabalho manual sentado ou em pé. É preciso observar se a altura e a superfície de trabalho estão</p><p>compatíveis com a natureza das tarefas que serão realizadas. Além disso, cabe apontar se está correta</p><p>a distância dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento do trabalhador. Acrescentam-se,</p><p>ainda, as características dimensionais que permitem o posicionamento e a movimentação adequados</p><p>dos segmentos corporais. Em relação aos assentos utilizados, cabe considerar os requisitos de conforto,</p><p>se estes incluem ajuste de altura em função da estatura do trabalhador e da função da tarefa que será</p><p>desempenhada; borda frontal arredondada; e encosto, que pode ser adaptado ao corpo do trabalhador</p><p>para evitar dores na região lombar.</p><p>SOBRE OS EQUIPAMENTOS DOS POSTOS DE TRABALHO</p><p>A norma expressa que equipamentos devem ser adaptados às características psicofisiológicas dos</p><p>trabalhadores e à natureza da tarefa a ser feita. As atividades que exigem a leitura de documentos para</p><p>digitação devem restringir movimentações frequentes da região do pescoço e de fadiga visual. Além</p><p>disso, recomendam-se documentos que sejam legíveis e que sejam evitadas condições que provoquem</p><p>ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. Nos últimos anos, muitos trabalhos</p><p>têm sido realizados de forma remota. Especificamente para esse contexto, a norma também orienta que</p><p>devem existir ajustes da tela do equipamento e de luminosidade adequada, observando os ângulos de</p><p>visibilidade. O ideal é considerar tanto o teclado como o mouse independentes, sendo ajustados</p><p>conforme a execução de tarefas. É recomendado também o uso de suporte para documentos para que</p><p>estejam niveladas as distâncias entre o olho e a tela, entre o olho e o teclado e entre olho e documento.</p><p>SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>Existem atividades que trazem sobrecargas musculares estáticas ou dinâmicas na região do pescoço,</p><p>nos ombros, dorsos e membros superiores e inferiores de trabalhadores. Em tarefas que envolvem</p><p>eventos de risco, devem ser incluídos intervalos para descanso do trabalhador. E, por fim, quando um</p><p>trabalhador estiver afastado por período igual ou maior a 15 dias, por algum motivo, e retornar ao</p><p>trabalho, deverá ser permitido um retorno de maneira gradual aos níveis de desempenho anteriores.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. ANALISE CADA ITEM E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.</p><p>I. UMA EMPRESA QUE SE PREOCUPA EM REALIZAR INVESTIMENTO NA</p><p>PREVENÇÃO DE ACIDENTES POSSUI UMA POLÍTICA SÉRIA E RIGOROSA.</p><p>LOGO, O CONHECIMENTO DAS NORMAS REGULAMENTADORAS NÃO DEVE</p><p>SER APRENDIDO SOMENTE PELO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA DO</p><p>TRABALHO, MAS POR TODOS OS FUNCIONÁRIOS DE UMA EMPRESA, DESDE</p><p>O CHÃO DE FÁBRICA ATÉ AO ALTO ESCALÃO.</p><p>II. A ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO QUE NÃO CUMPRIR AS NORMAS</p><p>REGULAMENTADORES PODE SOFRER MULTAS APLICADAS PELO MINISTÉRIO</p><p>DO TRABALHO (MTE), MAS JAMAIS SER EMBARGADA OU INTERDITADA.</p><p>III. AS NORMAS REGULAMENTADORAS SÃO DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA</p><p>PELAS EMPRESAS PRIVADAS E PÚBLICAS.</p><p>A) Apenas os itens I e III estão corretos.</p><p>B) Apenas o item II está correto.</p><p>C) Apenas o item III está correto.</p><p>D) Os itens I e III estão corretos.</p><p>E) Os itens II e III estão corretos.</p><p>2. AS NRS, OU NORMAS REGULAMENTADORAS, SÃO REGRAS PARA EVITAR</p><p>ACIDENTES, DOENÇAS OCUPACIONAIS E OUTROS FATORES QUE CAUSEM</p><p>DANOS À SAÚDE DE UM TRABALHADOR. EM SÍNTESE, A NR-17 É UMA</p><p>REGULAMENTAÇÃO ESPECÍFICA DAS CONDIÇÕES LABORAIS. ASSINALE A</p><p>ALTERNATIVA CORRETA A RESPEITO DESSA NORMA.</p><p>A) Trata de medidas de combate a incêndios.</p><p>B) Orienta sobre o uso de equipamento de proteção individual.</p><p>C) Descreve questões relacionadas com trabalho confinado.</p><p>D) Recomenda medidas de proteção para trabalhos com eletricidade.</p><p>E) Inclui aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais.</p><p>GABARITO</p><p>1. Analise cada item e assinale a alternativa correta.</p><p>I. Uma empresa que se preocupa em realizar investimento na prevenção de acidentes possui uma</p><p>política séria e rigorosa. Logo, o conhecimento das Normas Regulamentadoras não deve ser</p><p>aprendido somente pelo profissional de Segurança do Trabalho, mas por todos os funcionários</p><p>de uma empresa, desde o chão de fábrica até ao alto escalão.</p><p>II. A organização de trabalho que não cumprir as Normas Regulamentadores pode sofrer multas</p><p>aplicadas pelo Ministério do Trabalho (MTE), mas jamais ser embargada ou interditada.</p><p>III. As Normas Regulamentadoras são de observância obrigatória pelas empresas privadas e</p><p>públicas.</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Quando uma organização de trabalho não cumpre as Normas Regulamentadoras, pode sofrer</p><p>penalidades, tais como multas aplicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, ser embargada ou</p><p>interditada.</p><p>2. As NRs, ou Normas Regulamentadoras, são regras para evitar acidentes, doenças</p><p>ocupacionais e outros fatores que causem danos à saúde de um trabalhador. Em síntese, a NR-17</p><p>é uma regulamentação específica das condições laborais. Assinale a alternativa correta a</p><p>respeito dessa norma.</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>A NR-17 aborda os parâmetros ergonômicos que permitem a adaptação das condições de trabalho às</p><p>características psicofisiológicas de trabalhadores.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Como estudamos ao longo de cada módulo, toda empresa deveria considerar os fatores ergonômicos</p><p>que podem provocar diferentes impactos sobre os colaboradores, afetando diretamente seus</p><p>desempenhos no trabalho. É notório que grande parte das queixas ergonômicas em diferentes</p><p>categorias de profissionais está relacionada ao sistema osteomuscular, principalmente no que concerne</p><p>à postura inadequada durante a atividade laboral. Isso tem forte relação com o aumento do grau de</p><p>absenteísmo, de afastamentos temporários e definitivos.</p><p>O estudo da Ergonomia torna-se fundamental para identificar as situações de trabalho que deixam os</p><p>colaboradores mais vulneráveis. Sobretudo, para aqueles que nunca receberam qualquer orientação</p><p>sobre cuidados ergonômicos. Contudo, pesquisas têm demonstrado a viabilidade na adoção de</p><p>soluções pouco onerosas no sentido de minimizar problemas osteomusculares que possam atingir</p><p>profissionais. Muito embora exista bastante trabalho pela frente no intuito de amadurecer uma posição</p><p>mais voltada para a prevenção, práticas vêm sendo adotadas visando à promoção da qualidade de vida</p><p>e, sobretudo, o aumento da produtividade dentro dos ambientes organizacionais.</p><p>AVALIAÇÃO DO TEMA:</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABEPRO. A Profissão. Consultado na Internet em: 03 set. 2021.</p><p>ABRAHÃO, J. I.; PINHO, D. L. M. Teoria e Prática Ergonômica: seus limites e possibilidades. In: PAZ,</p><p>M. G. T., TAMAYO, A. Escola, Saúde e Trabalho: estudos psicológicos. Brasília: UnB, 1999, p. 01-14.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA. Estatuto da Associação Brasileira de Ergonomia:</p><p>(ABERGO), 2004. Consultado na Internet em: 15 set. 2021.</p><p>DUARTE, F. (Org.). Ergonomia e projetos nas indústrias de processo contínuo. Rio de Janeiro:</p><p>Lucerna, 2002.</p><p>GRANDJEAN, E. Fatigue: its physiological and psychological significance. 1968. Consultado na Internet</p><p>em: 03 set. 2021.</p><p>MÁRIAS, F. Leonardo da Vinci: grandes mestres da pintura clássica. Lisboa: Estampa, 1997.</p><p>MENDES, R.; DIAS, E. C. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Rev. Saúde Pública. São</p><p>Paulo, v. 25, n. 5, p. 341-349, out. 1991.</p><p>Silva, C. Sobre a Psicologia</p>