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<p>ENEM</p><p>Língua e Patrimônio</p><p>IT0425 - (Enem PPL)</p><p>O povo indígena Wajãpi u�liza o Kusiwa —</p><p>reconhecido como bem imaterial da humanidade em</p><p>2003 — como repertório codificado de padrões gráficos</p><p>que decora e colore o corpo e os objetos. Para além de</p><p>enfeitar, Kusiwa aparece como “arte”, “marca”, “pintura”</p><p>e “desenho”. Esses grafismos ultrapassam a noção</p><p>esté�ca e alcançam a cosmologia e as crenças religiosas.</p><p>ALMEIDA, C. S.; CARDOSO, P. B. Arte coussiouar,</p><p>perspec�vas históricas de alteridade e reconhecimento.</p><p>Espaço Ameríndio, n. 1, jan.-jul. 2021.</p><p>O povo Wajãpi, que vive na Serra do Tumucumaque,</p><p>entre Amapá, Pará e Guiana Francesa, vivencia prá�cas</p><p>culturais que</p><p>a) perdem significado quando desprovidas de elementos</p><p>gráficos.</p><p>b) revelam uma concepção de arte para além de funções</p><p>esté�cas.</p><p>c) funcionam como elementos de representação</p><p>figura�va de seu mundo.</p><p>d) padronizam uma mesma iden�dade gráfica entre</p><p>diferentes povos indígenas.</p><p>e) primam pela u�lização dos grafismos como</p><p>contraposição ao mundo imaginário.</p><p>IT0428 - (Enem PPL)</p><p>Dentre as músicas clássicas que �nham potencial para</p><p>ganhar as ruas das grandes cidades brasileiras, uma se</p><p>destacou e acabou se transformando em um recado ao</p><p>inconsciente cole�vo: se as notas ouvidas lá longe são a</p><p>melodia Für Elise, interpretada ao piano, é um caminhão</p><p>vendendo gás que se aproxima. Essa história, que torna a</p><p>obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven um</p><p>meme nacional, começou quando as firmas de venda de</p><p>gás porta a porta queriam uma solução para subs�tuir o</p><p>barulho das buzinas e os gritos de “Ó o gás”. Com o</p><p>obje�vo de diminuir a poluição sonora, a prefeitura de</p><p>São Paulo promulgou a Lei n. 11 016, em 1991, que</p><p>ins�tui que “Fica proibido o uso da buzina, pelos</p><p>caminhões de venda de gás engarrafado a domicílio, para</p><p>anunciar a sua passagem pelas vias e logradouros”.</p><p>Entregadores de empresas de distribuição de gás</p><p>recorreram a chips com músicas livres de direitos</p><p>autorais. No início, não era apenas Für Elise — notas de</p><p>outros temas clássicos também eram ouvidas. Mas a</p><p>força da bagatela beethoveniana composta em 1810</p><p>acabou se sobrepondo às demais e virou pra�camente</p><p>um símbolo.</p><p>Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 21 dez. 2020</p><p>(adaptado).</p><p>Ludwig van Beethoven (1770-1827) é mundialmente</p><p>conhecido como um dos maiores representantes da</p><p>música de concerto do período român�co. A adoção de</p><p>uma de suas obras mais difundidas como anúncio de</p><p>venda de gás engarrafado indica a</p><p>a) u�lização da música erudita como forma de educar a</p><p>população em geral.</p><p>b) manutenção da música europeia nos mais variados</p><p>aspectos da cultura brasileira.</p><p>c) contribuição que a obra do compositor alemão tem na</p><p>diminuição da poluição sonora.</p><p>d) modificação da função que uma obra ar�s�ca pode</p><p>sofrer em diferentes épocas e lugares.</p><p>e) ar�culação entre o poder público e as empresas para</p><p>contornar as limitações das leis de direito autoral.</p><p>IT0445 - (Enem PPL)</p><p>A historiografia do país demonstra que foi necessário</p><p>considerável esforço do colonizador português em impor</p><p>sua língua pátria em um território tão extenso. Trata-se</p><p>de um fenômeno polí�co e cultural relevante o fato de,</p><p>na atualidade, a língua portuguesa ser a língua oficial e</p><p>plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das</p><p>especificidades e da grande diversidade dos chamados</p><p>“sotaques” regionais. Esse empreendimento relacionado</p><p>à imposição da língua portuguesa foi adotado como uma</p><p>das estratégias de dominação, ocupação e demarcação</p><p>das fronteiras do território nacional, sucessivamente, em</p><p>pra�camente todos os períodos e regimes polí�cos. Da</p><p>1@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Colônia ao Império, da República ao Estado Novo e daí</p><p>em diante.</p><p>Tomemos como exemplo o nheengatu, uma língua</p><p>baseada no tupi an�go e que foi fruto do encontro,</p><p>muitas vezes belicoso e violento, entre o colonizador e as</p><p>populações indígenas da costa brasileira e de grande</p><p>parte da Amazônia. Foi a língua geral de comunicação no</p><p>período colonial até ser banida pelo Marquês de Pombal,</p><p>a par�r de 1758, caindo em pleno processo de desuso e</p><p>decadência a par�r de então. Foram falantes de</p><p>nheengatu que nominaram uma infinidade de lugares,</p><p>paisagens, acidentes geográficos, rios e até cidades.</p><p>Atualmente, resta um pequeno con�ngente de falantes</p><p>dessa língua no extremo norte do país. É u�lizada como</p><p>língua franca em regiões como o Alto Rio Negro, sendo</p><p>inclusive fator de afirmação étnica de grupos indígenas</p><p>que perderam sua língua original, como os Barés,</p><p>Arapaços, Baniwas e Werekenas.</p><p>Disponível em: h�p://desafios.ipea.gov.br. Acesso em: 20</p><p>out. 2021 (adaptado).</p><p>Da leitura do texto, depreende-se que o patrimônio</p><p>linguís�co brasileiro é</p><p>a) cons�tuído por processos históricos e sociais de</p><p>dominação e violência.</p><p>b) decorrente da tenta�va de fusão de diferentes línguas</p><p>indígenas.</p><p>c) exemplifica�vo da miscigenação étnica da sociedade</p><p>nacional.</p><p>d) caracterizado pela diversidade de sotaques e</p><p>regionalismos.</p><p>e) resultado de sucessivas ações de expansão territorial.</p><p>IT0450 - (Enem PPL)</p><p>Pelo modo como seleciona e organiza as informações,</p><p>esse infográfico cumpre a função de</p><p>a) ques�onar o processo de enfraquecimento da</p><p>iden�dade indígena.</p><p>b) apresentar dados sobre a atual configuração da</p><p>realidade indígena no país.</p><p>c) defender polí�cas de preservação da cultura indígena.</p><p>d) divulgar as etnias indígenas mais representa�vas do</p><p>Brasil.</p><p>e) cri�car a distribuição geográfica desigual das</p><p>comunidades indígenas.</p><p>IT0423 - (Enem PPL)</p><p>A sobrevivência dos pomeranos</p><p>Ocorrem no Brasil atual casos como o da língua falada</p><p>pelos pomeranos, que imigraram para o Brasil devido à</p><p>Segunda Guerra Mundial, e que conseguiu manter-se viva</p><p>em pequenas comunidades do Rio Grande do Sul e do</p><p>Espírito Santo. Essa língua, em pleno uso e transmissão</p><p>no Brasil, não é mais falada na Europa Central, sua região</p><p>de origem. Após a guerra, a região onde ficava Pomerode</p><p>foi incorporada à Polônia pela força do regime sovié�co.</p><p>Quanto à etnia dos pomeranos, pra�camente foi ex�nta</p><p>e os sobreviventes dispersados pela Polônia. Mas a língua</p><p>permanece viva no Brasil.</p><p>CASAL JR., M. Disponível em: h�p://desafios.ipea.gov.br.</p><p>Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).</p><p>De acordo com esse texto, a língua falada pelos</p><p>pomeranos</p><p>2@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) con�nua sendo transmi�da em Pomerode, na Polônia.</p><p>b) permanece preservada em algumas regiões do Brasil.</p><p>c) apresenta caracterís�cas dis�ntas no Brasil.</p><p>d) contribui para o isolamento da Polônia no Leste</p><p>Europeu.</p><p>e) foi dispersada por ação do regime sovié�co.</p><p>IT0461 - (Enem PPL)</p><p>As ruas de calçamento irregular feito com pedras pé</p><p>de moleque e o casario colonial do centro histórico de</p><p>Paraty, município ao sul do estado do Rio de Janeiro,</p><p>foram palco de uma polêmica encerrada há pouco mais</p><p>de dez anos: o nome da cidade deveria ser escrito com</p><p>“y” ou com “i”?</p><p>Tudo começou após mudanças nas regras ortográficas</p><p>da língua portuguesa no Brasil terem determinado a</p><p>subs�tuição do “y” por “i” em palavras como “Paraty”,</p><p>que então passou a figurar nos mapas como “Para�”.</p><p>Revoltados com a alteração, os para�enses se</p><p>mobilizaram para que o “y” retornasse ao seu devido</p><p>lugar na grafia do nome da cidade, o que só ocorreu</p><p>depois da aprovação de uma lei pela Câmara de</p><p>Vereadores, em 2007.</p><p>No caso de “Paraty”, uma das argumentações em</p><p>favor do uso do “y” teve por base a origem indígena da</p><p>palavra. “Foi percebido que existem várias tonalidades</p><p>para a pronúncia do ‘i’ para os indígenas. E cada uma</p><p>delas tem um significado diferente. O ‘y’ é mais próximo</p><p>à pronúncia que eles usavam para significar algo no</p><p>território. É como se fosse ‘Para�i’, que significa água que</p><p>corre. Aí o linguista achou por bem u�lizar o ‘y’ para</p><p>representar essa pronúncia, o ‘i’ longo, o ‘i’ dobrado”,</p><p>esclarece uma técnica da coordenação de cartografia do</p><p>IBGE.</p><p>BENEDICTO, M.; LOSCHI, M. Nomes geográficos. Retratos:</p><p>a revista do IBGE, fev. 2019.</p><p>A resolução da polêmica, com a permanência da grafia da</p><p>palavra “Paraty”, revela que a norma�zação da língua</p><p>portuguesa</p><p>foi desconsiderada por</p><p>a) conveniência polí�co-par�dária.</p><p>b) mo�vação de natureza esté�ca e lúdica.</p><p>c) força da tradição e do sen�mento de pertença.</p><p>d) convenção ortográfica de alcance geral.</p><p>e) necessidade de sistema�zação dos usos da língua.</p><p>IT0477 - (Enem PPL)</p><p>Agora sei que a minha língua é a língua de sinais.</p><p>Agora sei também que o português me convém. Eu quero</p><p>ensinar português para os meus alunos surdos, pois eles</p><p>precisam dessa língua para ter mais poder de negociação</p><p>com os ouvintes [G, 2004].</p><p>Eu me sinto bilíngue, eu converso com os surdos na</p><p>minha língua e converso com os ouvintes no português,</p><p>porque aprendi a falar o português, embora eu tenha voz</p><p>de surdo, mas as pessoas muitas vezes me entendem. Eu</p><p>já me acostumei a conversar com os ouvintes no meu</p><p>português. Se alguns não me entendem, eu escrevo [SZ,</p><p>2011].</p><p>QUADROS, R. M. Libras. São Paulo: Parábola, 2019.</p><p>Considerando os contextos de uso da Libras e da língua</p><p>portuguesa, o depoimento desses surdos revela que no</p><p>contato entre essas línguas há uma</p><p>a) situação de complementariedade quanto aos efeitos</p><p>sociais e intera�vos.</p><p>b) condução do contrato comunica�vo com base nas</p><p>regras do português falado e escrito.</p><p>c) ameaça à proficiência em Libras provocada por</p><p>dificuldades de ar�culação.</p><p>d) preferência pela língua de sinais em decorrência de</p><p>fatores iden�tários.</p><p>e) ideia do bilinguismo como fator de dis�nção</p><p>econômica dos interlocutores.</p><p>IT0489 - (Enem PPL)</p><p>De acordo com alguns estudos, uma inovação do</p><p>português brasileiro é o R caipira, às vezes tão intenso</p><p>que parece valer por dois ou três, como</p><p>em porrrta ou carrrne.</p><p>Associar o R caipira apenas ao interior paulista é uma</p><p>imprecisão geográfica e histórica, embora o R tenha sido</p><p>uma das marcas do es�lo matuto do ator Mazzaropi em</p><p>32 filmes. Seguindo as rotas dos bandeirantes paulistas</p><p>em busca de ouro, os linguistas encontraram o R</p><p>supostamente �pico de São Paulo em cidades de Minas</p><p>Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste</p><p>de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, formando um</p><p>modo de falar similar ao português do século XVIII.</p><p>Quem �ver paciência e ouvido apurado poderá</p><p>encontrar também na região central do Brasil o S chiado,</p><p>uma caracterís�ca �pica do falar carioca que veio com os</p><p>portugueses em 1808 e era um sinal de pres�gio por</p><p>representar o falar da Corte.</p><p>A história da língua portuguesa no Brasil está</p><p>revelando as caracterís�cas preservadas do português,</p><p>como a troca do L pelo R, resultando em pranta em vez</p><p>de planta. Camões registrou essa troca em Os Lusíadas —</p><p>lá está um frautasno lugar de flautas —, e o cantor e</p><p>compositor paulista Adoniran Barbosa a deixou</p><p>registrada em frases como “frechada do teu olhar”, do</p><p>samba Tiro ao Álvaro.</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>FIORAVANTI, C. Disponível em:</p><p>h�p://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 11 dez.</p><p>2017.</p><p>Com base na afirmação de que “associar o R caipira</p><p>apenas ao interior paulista é uma imprecisão geográfica e</p><p>histórica”, o texto propõe uma discussão sobre a(s)</p><p>a) relevância da fala de pres�gio na época da Corte</p><p>portuguesa.</p><p>b) inovação do português brasileiro sem equivalente em</p><p>Portugal.</p><p>c) razões históricas do preconceito sobre a fala regional</p><p>no Brasil.</p><p>d) importância do estudo, da preservação e do respeito à</p><p>língua falada no Brasil.</p><p>e) variedade de uso da língua, caracterís�ca da literatura</p><p>e da música brasileiras.</p><p>IT0526 - (Enem PPL)</p><p>A porca e os sete leitões</p><p>É um mito que está desaparecendo, pouca gente o</p><p>conhece. É provável que a geração infan�l atual o</p><p>desconheça. (Em nossa infância em Botucatu, ouvimos</p><p>falar que aparecia atrás da igreja de São Benedito no</p><p>largo do Rosário.) Aparece atrás das igrejas an�gas. Não</p><p>faz mal a ninguém, pode-se correr para apanhá-la com</p><p>seus bacorinhos que não se conseguirá. Desaparecem do</p><p>lugar costumeiro da aparição, a qual só se dá à noite,</p><p>depois de terem “cumprido a sina”.</p><p>Em São Luís do Parai�nga, informaram que se a gente</p><p>a�rar contra a porca, o �ro não acerta. Ninguém é dono</p><p>dela e por muitos anos apareceu atrás da igreja de Nossa</p><p>Senhora das Mercês, na cidade onde nasceu Oswaldo</p><p>Cruz.</p><p>ARAÚJO, A. M. Folclore nacional I: festas, bailados, mitos</p><p>e lendas. São Paulo: Mar�ns Fontes, 2004.</p><p>Os mitos são importantes para a cultura porque, entre</p><p>outras funções, auxiliam na composição do imaginário de</p><p>um povo por meio da linguagem. Esse texto contribui</p><p>com o patrimônio cultural brasileiro porque</p><p>a) preserva uma história da tradição oral.</p><p>b) confirma a veracidade dos fatos narrados.</p><p>c) iden�fica a origem de uma história popular.</p><p>d) apresenta as diferentes visões sobre a aparição.</p><p>e) reforça a necessidade de registro das narra�vas</p><p>folclóricas.</p><p>IT0564 - (Enem PPL)</p><p>O tradicional ornato para cabelos, a �ara ou diadema,</p><p>já foi uma exclusividade feminina. Na origem, tanto</p><p>“�ara” quanto “diadema” eram palavras de bom berço.</p><p>“Tiara” nomeava o adorno que era o signo de poder</p><p>entre os poderosos da Pérsia an�ga e povos como os</p><p>frísios, os bizan�nos e os e�opes. A palavra foi</p><p>incorporada do Oriente pela Grécia e chegou até nós por</p><p>via la�na, para quem queria referir-se à mitra usada pelos</p><p>persas. Diadema era a faixa ou �ra de linho fino colocado</p><p>na cabeça pelos an�gos la�nos, herança do derivado</p><p>grego para diádo (atar em volta, segundo o Houaiss). No</p><p>Brasil, a forma de arco ou de laço das �aras e alguns usos</p><p>específicos (o nordes�no “gigolete” faz alusão ao ornato</p><p>usado por cafe�nas, versões femininas do “gigolô”)</p><p>produziram novos sinônimos regionais do objeto.</p><p>Os sinônimos da �ara. Língua Portuguesa, n. 23, 2007</p><p>(adaptado).</p><p>No texto, relata-se que o nome de um enfeite para cabelo</p><p>assumiu diferentes denominações ao longo da história.</p><p>Essa variação jus�fica-se pelo(a)</p><p>a) distanciamento de sen�dos mais an�gos.</p><p>b) registro de fatos históricos ocorridos em uma dada</p><p>época.</p><p>c) associação a questões religiosas específicas de uma</p><p>sociedade.</p><p>d) tempo de uso em uma comunidade linguís�ca.</p><p>e) u�lização do objeto por um grupo social.</p><p>IT0571 - (Enem PPL)</p><p>Os azulejos das fachadas do centro histórico de São Luís</p><p>(MA) integram o patrimônio cultural da humanidade</p><p>reconhecido pela Unesco. A técnica ar�s�ca u�lizada</p><p>para a produção desses reves�mentos advém das</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) confluências de diferentes saberes do Oriente Médio e</p><p>da Europa.</p><p>b) adequações para aproveitamento da mão de obra</p><p>local.</p><p>c) inovações decorrentes da Revolução Industrial.</p><p>d) influências das culturas francesa e holandesa.</p><p>e) descobertas de recursos naturais na Colônia.</p><p>IT0634 - (Enem PPL)</p><p>Baião é um ritmo popular da Região Nordeste do</p><p>Brasil, derivado de um �po de lundu, denominado</p><p>“baiano”, cujo nome é corruptela. Nasceu sob a</p><p>influência do cantochão, canto litúrgico da Igreja Católica</p><p>pra�cado pelos missionários, e tornou-se expressiva</p><p>forma modificada pela inconsciente influência de</p><p>manifestações locais. Um dos grandes sucessos veio com</p><p>a música homônima, Baião (1946), de Luiz Gonzaga e</p><p>Humberto Teixeira.</p><p>CASCUDO, C. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de</p><p>Janeiro: Ediouro, 1998 (adaptado).</p><p>Os elementos regionais que influenciaram culturalmente</p><p>o baião aparecem em outras formas ar�s�cas e podem</p><p>ser verificados na obra</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>IT0640 - (Enem PPL)</p><p>O mistério do brega</p><p>Famoso no seu tempo, o marechal Schönberg (1615-</p><p>90) ditava a moda em Lisboa, onde seu nome foi</p><p>aportuguesado para Chumbergas. Consta que ele foi</p><p>responsável pela popularização dos vastos bigodes</p><p>tufados na Metrópole. Entre os adeptos estaria o</p><p>governador da província de Pernambuco, o português</p><p>Jerônimo de Mendonça Furtado, que, por isso, aqui</p><p>ganhou o apelido de Chumbregas – variante do</p><p>aportuguesado Chumbergas. Talvez por ser um homem</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>não muito benquisto na Colônia, o apelido deu origem ao</p><p>adje�vo xumbrega: “coisa ruim”, “ordinária”. E talvez por</p><p>ser um homem também da folia, surgiu o verbo</p><p>xumbregar, que inicialmente teve o sen�do de</p><p>“embriagar-se” e depois veio a adquirir o de “bolinar”,</p><p>“garanhar”. Dedução lógica: de coisa ruim a bebedeira</p><p>e</p><p>atos libidinosos, as palavras xumbrega ou xumbregar</p><p>chegaram aos anos 60 do século XX na forma reduzida</p><p>brega, designando locais onde se bebe, se bolina e se</p><p>ouvem cantores cafonas. E o que inicialmente era</p><p>substan�vo, “música de brega”, acabou virando adje�vo,</p><p>“música brega” – numa já distante referência a um certo</p><p>marechal alemão chamado Schönberg.</p><p>ARAÚJO, P. C. Revista USP, n. 87, nov. 2010 (adaptado).</p><p>O texto trata das mudanças linguís�cas que resultaram</p><p>na palavra “brega”. Ao apresentar as situações co�dianas</p><p>que favoreceram as reinterpretações do seu sen�do</p><p>original, o autor mostra a importância da</p><p>a) interação oral como um dos agentes responsáveis pela</p><p>transformação do léxico do português.</p><p>b) compreensão limitada de sons e de palavras para a</p><p>criação de novas palavras em português.</p><p>c) eleição de palavras frequentes e representa�vas na</p><p>formação do léxico da língua portuguesa.</p><p>d) interferência da documentação histórica na</p><p>cons�tuição do léxico.</p><p>e) realização de ações de portugueses e de brasileiros a</p><p>fim de padronizar as variedades linguís�cas lusitanas.</p><p>IT0646 - (Enem PPL)</p><p>É viajando pelo mundo que os dois profissionais do</p><p>Living Tongues Ins�tute for Endangered Languages</p><p>reúnem subsídios para formar os chamados “dicionários</p><p>falantes” de idiomas em fase de ex�nção, com poucos</p><p>falantes no planeta. “A maioria das línguas do mundo é</p><p>oral, o que significa que não estão escritas ou seus</p><p>falantes não costumam escrevê-las. E, apesar de os</p><p>projetos tradicionais dos linguistas serem os de escrever</p><p>gramá�cas e dicionários, gostamos de pensar em línguas</p><p>vivas, e saber que as pessoas as estão falando. Então, se</p><p>você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. Foi</p><p>com isso em mente que criamos os dicionários para oito</p><p>de algumas das línguas mais ameaçadas do mundo”,</p><p>disse o linguista K. David Harrison. Para os a�vistas de</p><p>cada comunidade com idioma ameaçado, esse dicionário</p><p>é uma ferramenta que pode ser usada para disseminar o</p><p>conhecimento da língua entre os mais jovens. Para todas</p><p>as outras pessoas interessadas, é a oportunidade de</p><p>encontrar sons e formas de discursos humanos</p><p>desconhecidos para grande parte da população do globo.</p><p>É a diversidade linguís�ca escondida e que agora pode</p><p>ser revelada.</p><p>Disponível em: h�p://revistalingua.uol.com.br. Acesso</p><p>em: 28 jul. 2012 (adaptado).</p><p>Considerando o projeto dos “dicionários falantes”,</p><p>compreende-se que o trabalho dos linguistas</p><p>apresentado no texto obje�va</p><p>a) destacar a importância desse �po de inicia�va para a</p><p>recons�tuição de línguas ex�ntas.</p><p>b) ra�ficar a tradição oral como instrumento de</p><p>preservação das línguas no mundo.</p><p>c) demonstrar a existência de registros linguís�cos sob</p><p>risco de desaparecer.</p><p>d) preservar a memória cultural de um povo por meio de</p><p>registros escritos.</p><p>e) es�mular projetos voltados para a escrita de</p><p>gramá�cas e dicionários.</p><p>IT0601 - (Enem PPL)</p><p>O úl�mo refúgio da língua geral no Brasil</p><p>No coração da Floresta Amazônica é falada uma língua</p><p>que par�cipou intensamente da história da maior região</p><p>do Brasil. Trata-se da língua geral, também conhecida</p><p>como nheengatu ou tupi moderno. A língua geral foi ali</p><p>mais falada que o próprio português, inclusive por não</p><p>índios, até o ano de 1877. Alguns fatores contribuíram</p><p>para o desaparecimento dessa língua de grande parte da</p><p>Amazônia, como perseguições oficiais no século XVIII e a</p><p>chegada maciça de falantes de português durante o ciclo</p><p>da borracha, no século XIX. Língua-testemunho de um</p><p>passado em que a Amazônia brasileira alargava seus</p><p>territórios, a língua geral hoje é falada por mais de 6 mil</p><p>pessoas, num território que se estende pelo Brasil,</p><p>Venezuela e Colômbia. Em 2002, o município de São</p><p>Gabriel da Cachoeira ficou conhecido por ter oficializado</p><p>as três línguas indígenas mais usadas ali: o nheengatu, o</p><p>baníua e o tucano. Foi a primeira vez que outras línguas,</p><p>além do português, ascendiam à condição de línguas</p><p>oficiais no Brasil. Embora a oficialização dessas línguas</p><p>não tenha ob�do todos os resultados esperados,</p><p>redundou no ensino de nheengatu nas escolas municipais</p><p>daquele município e em muitas escolas estaduais nele</p><p>situadas. É fundamental que essa língua de tradição</p><p>eminentemente oral tenha agora sua gramá�ca estudada</p><p>e que textos de diversas naturezas sejam escritos,</p><p>justamente para enfrentar os novos tempos que</p><p>chegaram.</p><p>NAVARRO, E. Estudos Avançados, n. 26, 2012 (adaptado).</p><p>O esforço de preservação do nheengatu, uma língua que</p><p>sofre com o risco de ex�nção, significa o reconhecimento</p><p>de que</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) as línguas de origem indígena têm seus próprios</p><p>mecanismos de autoconservação.</p><p>b) a construção da cultura amazônica, ao longo dos anos,</p><p>cons�tuiu-se, em parte, pela expressão em línguas de</p><p>origem indígena.</p><p>c) as ações polí�cas e pedagógicas implementadas até o</p><p>momento são suficientes para a preservação da língua</p><p>geral amazônica.</p><p>d) a diversidade do patrimônio cultural brasileiro,</p><p>historicamente, tem se construído com base na</p><p>unidade da língua portuguesa.</p><p>e) o Brasil precisa se diferenciar de países vizinhos, como</p><p>Venezuela e Colômbia, por meio de um idioma comum</p><p>na Amazônia brasileira.</p><p>IT0683 - (Enem PPL)</p><p>Abrimos o Brasil a todo o mundo: mas queremos que o</p><p>Brasil seja Brasil! Queremos conservar a nossa raça, a</p><p>nossa história, e, principalmente, a nossa língua, que é</p><p>toda a nossa vida, o nosso sangue, a nossa alma, a nossa</p><p>religião.</p><p>BILAC, O. Úl�mas conferências e discursos. Rio de</p><p>Janeiro: Francisco Alves, 1927.</p><p>Nesse trecho, Olavo Bilac manifesta seu engajamento na</p><p>cons�tuição da iden�dade nacional e linguís�ca,</p><p>ressaltando a</p><p>a) transformação da cultura brasileira.</p><p>b) religiosidade do povo brasileiro.</p><p>c) abertura do Brasil para a democracia.</p><p>d) importância comercial do Brasil.</p><p>e) autorreferência do povo como brasileiro.</p><p>IT0660 - (Enem PPL)</p><p>Em primeiro lugar gostaria de manifestar os meus</p><p>agradecimentos pela honra de vir outra vez à Galiza e</p><p>conversar não só com os an�gos colegas, alguns dos</p><p>quais fazem parte da mesa, mas também com novos</p><p>colegas, que pertencem à nova geração, em cujas mãos,</p><p>com toda certeza, está também o des�no do Galego na</p><p>Galiza, e principalmente o des�no do Galego incorporado</p><p>à grande família lusófona.</p><p>E, portanto, é com muito prazer que teço algumas</p><p>considerações sobre o tema apresentado. Escolhi como</p><p>tema como os fundadores da Academia Brasileira de</p><p>Letras viam a língua portuguesa no seu tempo. Como</p><p>sabem, a nossa Academia, fundada em 1897, está agora</p><p>completando 110 anos, foi organizada por uma reunião</p><p>de jornalistas, literatos, poetas que se reuniam na</p><p>secretaria da Revista Brasileira, dirigida por um crí�co</p><p>literário e por um literato chamado José Veríssimo,</p><p>natural do Pará, e desse entusiasmo saiu a ideia de se</p><p>criar a Academia Brasileira, depois anexada ao seu �tulo:</p><p>Academia Brasileira de Letras.</p><p>BECHARA, E. Disponível em: www.academiagalega.org.</p><p>Acesso em: 31 jul. 2012.</p><p>No trecho da palestra proferida por Evanildo Bechara, na</p><p>Academia Galega da Língua Portuguesa, verifica-se o uso</p><p>de estruturas grama�cais �picas da norma padrão da</p><p>língua. Esse uso</p><p>a) torna a fala inacessível aos não especialistas no</p><p>assunto abordado</p><p>b) contribui para a clareza e a organização da fala no</p><p>nível de formalidade esperado para a situação.</p><p>c) atribui à palestra caracterís�cas linguís�cas restritas à</p><p>modalidade escrita da língua portuguesa.</p><p>d) dificulta a compreensão do auditório para preservar o</p><p>caráter rebuscado da fala.</p><p>e) evidencia distanciamento entre o palestrante e o</p><p>auditório para atender os obje�vos do gênero</p><p>palestra.</p><p>IT0485 - (Enem PPL)</p><p>Muitos imigrantes de Hunsrück, localizada no</p><p>sudoeste da Alemanha, chegaram ao Brasil no século 19</p><p>trazendo consigo uma variante do alemão, o</p><p>hunsrückisch. Em contato com o português, essa variante</p><p>se fundiu com algumas palavras, dando origem a uma</p><p>nova língua falada no Brasil há quase 200 anos,</p><p>considerada uma língua de imigração.</p><p>A par�r de 2007, línguas de imigração se tornaram</p><p>línguas cooficiais em 19 municípios, sendo ensinadas nas</p><p>escolas municipais.</p><p>Em 2012, o hunsrückisch se tornou</p><p>patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul,</p><p>falado também em Santa Catarina e no Espírito Santo.</p><p>Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 11 jun. 2019</p><p>(adaptado).</p><p>Ao informar que o hunsrückisch é falado em algumas</p><p>regiões do país, o texto revela que o Brasil</p><p>a) foi subordinado à cultura alemã.</p><p>b) é caracterizado pelo plurilinguismo.</p><p>c) foi consagrado por sua diversidade linguís�ca.</p><p>d) foi beneficiado pelo ensino bilíngue em seu território.</p><p>e) está sujeito a imposições linguís�cas de outros povos.</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p>