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<p>ENEM</p><p>Texto Poético, Intertextualidade e Interdiscursividade</p><p>IT0142 - (Enem)</p><p>An�ode</p><p>Poesia, não será esse</p><p>o sen�do em que</p><p>ainda te escrevo:</p><p>flor! (Te escrevo:</p><p>flor! Não uma</p><p>flor, nem aquela</p><p>flor-virtude – em</p><p>disfarçados urinóis).</p><p>Flor é a palavra</p><p>flor; verso inscrito</p><p>no verso, como as</p><p>manhãs no tempo.</p><p>Flor é o salto</p><p>da ave para o voo:</p><p>o salto fora do sono</p><p>quando seu tecido</p><p>se rompe; é uma explosão</p><p>posta a funcionar,</p><p>como uma máquina,</p><p>uma jarra de flores.</p><p>MELO NETO, J. C. Psicologia da composição.</p><p>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento).</p><p>A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da</p><p>linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse</p><p>fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da</p><p>geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação</p><p>poé�ca de</p><p>a) uma palavra, a par�r de imagens com as quais ela</p><p>pode ser comparada, a fim de assumir novos</p><p>significados.</p><p>b) um urinol, em referência às artes visuais ligadas às</p><p>vanguardas do início do século XX.</p><p>c) uma ave, que compõe, com seus movimentos, uma</p><p>imagem historicamente ligada à palavra poé�ca.</p><p>d) uma máquina, levando em consideração a relevância</p><p>do discurso técnico-cien�fico pós-Revolução</p><p>Industrial.</p><p>e) um tecido, visto que sua composição depende de</p><p>elementos intrínsecos ao eu lírico.</p><p>IT0125 - (Enem)</p><p>Falso moralista</p><p>Você condena o que a moçada anda fazendo</p><p>e não aceita o teatro de revista</p><p>arte moderna pra você não vale nada</p><p>e até vedete você diz não ser ar�sta</p><p>Você se julga um tanto bom e até perfeito</p><p>Por qualquer coisa deita logo falação</p><p>Mas eu conheço bem o seu defeito</p><p>e não vou fazer segredo não</p><p>Você é visto toda sexta no Joá</p><p>e não é só no Carnaval que vai pros bailes se acabar</p><p>Fim de semana você deixa a companheira</p><p>e no bar com os amigos bebe bem a noite inteira</p><p>Segunda-feira chega na repar�ção</p><p>pede dispensa para ir ao oculista</p><p>e vai curar sua ressaca simplesmente</p><p>Você não passa de um falso moralista</p><p>NELSON SARGENTO. Sonho de um sambista. São Paulo:</p><p>Eldorado, 1979.</p><p>As letras de samba normalmente se caracterizam por</p><p>apresentarem marcas informais do uso da língua. Nessa</p><p>letra de Nelson Sargento, são exemplos dessas marcas</p><p>1@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) “falação” e “pros bailes”.</p><p>b) “você” e “teatro de revista”.</p><p>c) “perfeito” e “Carnaval”.</p><p>d) “bebe bem” e “oculista”.</p><p>e) “curar” e “falso moralista”.</p><p>IT0134 - (Enem)</p><p>O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a</p><p>imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás</p><p>de casa.</p><p>Passou um homem e disse: Essa volta que o</p><p>rio faz por trás de sua casa se chama enseada.</p><p>Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que</p><p>fazia uma volta atrás de casa.</p><p>Era uma enseada.</p><p>Acho que o nome empobreceu a imagem.</p><p>BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro; Best</p><p>Seller. 2008.</p><p>O sujeito poé�co ques�ona o uso do vocábulo “enseada”</p><p>porque a</p><p>a) terminologia mencionada é incorreta.</p><p>b) nomeação minimiza a percepção subje�va.</p><p>c) palavra é aplicada a outro espaço geográfico.</p><p>d) designação atribuída ao termo é desconhecida.</p><p>e) definição modifica o significado do termo no</p><p>dicionário.</p><p>IT0138 - (Enem)</p><p>As atrizes</p><p>Naturalmente</p><p>Ela sorria</p><p>Mas não me dava trela</p><p>Trocava a roupa</p><p>Na minha frente</p><p>E ia bailar sem mais aquela</p><p>Escolhia qualquer um</p><p>Lançava olhares</p><p>Debaixo do meu nariz</p><p>Dançava colada</p><p>Em novos pares</p><p>Com um pé atrás</p><p>Com um pé a fim</p><p>Surgiram outras</p><p>Naturalmente</p><p>Sem nem olhar a minha cara</p><p>Tomavam banho</p><p>Na minha frente</p><p>Para sair com outro cara</p><p>Porém nunca me importei</p><p>Com tais amantes</p><p>[...]</p><p>Com tantos filmes</p><p>Na minha mente</p><p>É natural que toda atriz</p><p>Presentemente represente</p><p>Muito para mim</p><p>CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino,</p><p>2006 (fragmento).</p><p>Na canção, Chico Buarque trabalha uma determinada</p><p>função da linguagem para marcar a subje�vidade do eu</p><p>lírico ante as atrizes que ele admira. A intensidade dessa</p><p>admiração está marcada em:</p><p>a) “Naturalmente/ Ela sorria/ Mas não me dava trela”.</p><p>b) “Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com</p><p>outro cara”.</p><p>c) “Surgiram outras/ Naturalmente/ Sem nem olhar a</p><p>minha cara”.</p><p>d) “Escolhia qualquer um/ Lançava olhares/ Debaixo do</p><p>meu nariz”.</p><p>e) “É natural que toda atriz/ Presentemente represente/</p><p>Muito para mim”.</p><p>IT0139 - (Enem)</p><p>TEXTO I</p><p>Terezinha de Jesus</p><p>De uma queda foi ao chão</p><p>Acudiu três cavalheiros</p><p>Todos os três de chapéu na mão</p><p>O primeiro foi seu pai</p><p>O segundo, seu irmão</p><p>O terceiro foi aquele</p><p>A quem Tereza deu a mão</p><p>BATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro</p><p>da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado).</p><p>TEXTO II</p><p>Outra interpretação é feita e par�r das condições sociais</p><p>daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem</p><p>cantava a can�ga, e música falava do casamento como</p><p>um des�no natural na vida da mulher, na sociedade</p><p>brasileira do século XIX, marcada pelo patriarcalismo. A</p><p>música prepara a moça para o seu des�no não apenas</p><p>inexorável, mas desejável; o casamento, estabelecendo</p><p>uma hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho,</p><p>marido), de acordo com a época e circunstâncias de sua</p><p>vida.</p><p>Disponível em: h�p://provsjose.blogspot.com.br. Acesso</p><p>em: 5 dez. 2012.</p><p>2@professorferretto @prof_ferretto</p><p>O comentário do Texto II sobre o Texto I evoca a</p><p>mobilização da língua oral que, em determinados</p><p>contextos,</p><p>a) assegura existência de pensamentos contrários à</p><p>ordem vigente.</p><p>b) mantém a heterogeneidade das formas de relações</p><p>sociais.</p><p>c) conserva a influência sobre certas culturas.</p><p>d) preserva a diversidade cultural e comportamental.</p><p>e) reforça comportamentos e padrões culturais.</p><p>IT0124 - (Enem)</p><p>Sinhá</p><p>Se a dona se banhou</p><p>Eu não estava lá</p><p>Por Deus Nosso Senhor</p><p>Eu não olhei Sinhá</p><p>Estava lá na roça</p><p>Sou de olhar ninguém</p><p>Não tenho mais cobiça</p><p>Nem enxergo bem</p><p>Para que me pôr no tronco</p><p>Para que me aleijar</p><p>Eu juro a vosmecê</p><p>Que nunca vi Sinhá</p><p>[…]</p><p>Por que talhar meu corpo</p><p>Eu não olhei Sinhá</p><p>Para que que vosmincê</p><p>Meus olhos vai furar</p><p>Eu choro em iorubá</p><p>Mas oro por Jesus</p><p>Para que que vassuncê</p><p>Me �ra a luz.</p><p>CHICO BUAROUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro:</p><p>Biscoito Fino, 2011 (fragmento).</p><p>No fragmento da letra da canção, o vocabulário</p><p>empregado e a situação retratada são relevantes para o</p><p>patrimônio linguís�co e iden�tário do país, na medida</p><p>em que</p><p>a) remetem à violência �sica e simbólica contra os povos</p><p>escravizados.</p><p>b) valorizam as influências da cultura africana sobre a</p><p>música nacional.</p><p>c) rela�vizam o sincre�smo cons�tu�vo das prá�cas</p><p>religiosas brasileiras.</p><p>d) narram os infortúnios da relação amorosa entre</p><p>membros de classes sociais diferentes.</p><p>e) problema�zam as diferentes visões de mundo na</p><p>sociedade durante o período colonial.</p><p>IT0145 - (Enem)</p><p>Querido diário</p><p>Hoje topei com alguns conhecidos meus</p><p>Me dão bom-dia, cheios de carinho</p><p>Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus</p><p>Eles têm pena de eu viver sozinho</p><p>[...]</p><p>Hoje o inimigo veio me espreitar</p><p>Armou tocaia lá na curva do rio</p><p>Trouxe um porrete a mó de me quebrar</p><p>Mas eu não quebro porque sou macio, viu</p><p>HOLANDA, C. B. Chico. Rio de Janeiro:</p><p>Biscoito Fino, 2013 (fragmento).</p><p>Uma caracterís�ca do gênero diário que aparece na letra</p><p>da canção de Chico Buarque é o(a)</p><p>a) diálogo com interlocutores próximos.</p><p>b) recorrência de verbos no infini�vo.</p><p>c) predominância de tom poé�co.</p><p>d) uso de rimas na composição.</p><p>e) narra�va autorreflexiva.</p><p>IT0146 - (Enem)</p><p>Primeira lição</p><p>Os gêneros de poesia são: lírico, sa�rico, didá�co, épico,</p><p>ligeiro.</p><p>O gênero lírico compreende o lirismo.</p><p>Lirismo é a tradução de um sen�mento subje�vo, sincero</p><p>e pessoal.</p><p>É a linguagem do coração, do amor.</p><p>O lirismo é assim denominado porque em outros tempos</p><p>os versos sen�mentais eram declamados ao som da lira.</p><p>O lirismo pode ser:</p><p>a) Elegíaco, quando trata de assuntos tristes, quase</p><p>sempre a morte.</p><p>b) Bucólico, quando versa sobre assuntos campestres.</p><p>c) Eró�co, quando versa sobre o amor.</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>O lirismo elegíaco compreende a elegia, a nênia, a</p><p>endecha, o epitáfio e o epicédio.</p><p>Elegia é uma poesia que trata de</p><p>assuntos tristes.</p><p>Nênia é uma poesia em homenagem a uma pessoa</p><p>morta.</p><p>Era declamada junto à fogueira onde o cadáver era</p><p>incinerado.</p><p>Endecha é uma poesia que revela as dores do coração.</p><p>Epitáfio é um pequeno verso gravado em pedras</p><p>tumulares.</p><p>Epicédio é uma poesia onde o poeta relata a vida de uma</p><p>pessoa morta.</p><p>CESAR, A. C. Poé�ca, São Paulo: Companhia das Letras,</p><p>2013.</p><p>No poema de Ana Cris�na Cesar, a relação entre as</p><p>definições apresentadas e o processo de construção do</p><p>texto indica que o(a)</p><p>a) caráter descri�vo dos versos assinala uma concepção</p><p>irônica de lirismo.</p><p>b) tom explica�vo e con�do cons�tui uma forma peculiar</p><p>de expressão poé�ca.</p><p>c) seleção e o recorte do tema revelam uma visão</p><p>pessimista da criação ar�s�ca.</p><p>d) enumeração de dis�ntas manifestações líricas produz</p><p>um efeito de impessoalidade.</p><p>e) referência a gêneros poé�cos clássicos expressa a</p><p>adesão do eu lírico às tradições literárias.</p><p>IT0129 - (Enem)</p><p>Uma ouriça</p><p>Se o de longe esboça lhe chegar perto,</p><p>se fecha (convexo integral de esfera),</p><p>se eriça (bélica e mul�espinhenta):</p><p>e, esfera e espinho, se ouriça à espera.</p><p>Mas não passiva (como ouriço na loca);</p><p>nem só defensiva (como se eriça o gato)</p><p>sim agressiva (como jamais o ouriço),</p><p>do agressivo capaz de bote, de salto</p><p>(não do salto para trás, como o gato):</p><p>daquele capaz de salto para o assalto.</p><p>Se o de longe lhe chega em (de longe),</p><p>de esfera aos espinhos, ela se desouriça.</p><p>Reconverte: o metal hermé�co e armado</p><p>na carne de antes (côncava e propícia),</p><p>as molas felinas (para o assalto),</p><p>nas molas em espiral (para o abraço).</p><p>MELO NETO, J. C. A educação pela pedra.Rio de Janeiro;</p><p>Nova Fronteira, 1997</p><p>Com apuro formal, o poema tece um conjunto semân�co</p><p>que metaforiza a a�tude feminina de</p><p>a) tenacidade transformada em brandura.</p><p>b) obs�nação traduzida em isolamento.</p><p>c) inércia provocada pelo desejo platônico.</p><p>d) irreverência cul�vada de forma cautelosa.</p><p>e) desconfiança consumada pela intolerância.</p><p>IT0133 - (Enem)</p><p>Quebranto</p><p>às vezes sou o policial que me suspeito</p><p>me peço documentos</p><p>e mesmo de posse deles</p><p>me prendo e me dou porrada</p><p>às vezes sou o porteiro</p><p>não me deixando entrar em mim mesmo</p><p>a não ser</p><p>pela porta de serviço</p><p>[...]</p><p>às vezes faço questão de não me ver</p><p>e entupido com a visão deles</p><p>sinto-me a miséria concebida como um eterno</p><p>começo</p><p>fecho-me o cerco</p><p>sendo o gesto que me nego</p><p>a pinga que me bebo e me embebedo</p><p>o dedo que me aponto</p><p>e denuncio</p><p>o ponto em que me entrego.</p><p>às vezes!...</p><p>CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza. 2007</p><p>(fragmento).</p><p>Na literatura de temá�ca negra produzida no Brasil, é</p><p>recorrente a presença de elementos que traduzem</p><p>experiências históricas de preconceito e violência. No</p><p>poema, essa vivência revela que o eu lírico</p><p>a) incorpora sele�vamente o discurso do seu opressor.</p><p>b) submete-se à discriminação como meio de</p><p>fortalecimento.</p><p>c) engaja-se na denúncia do passado de opressão e</p><p>injus�ças.</p><p>d) sofre uma perda de iden�dade e de noção de</p><p>pertencimento.</p><p>e) acredita esporadicamente na utopia de uma sociedade</p><p>igualitária.</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>IT0137 - (Enem)</p><p>O mundo revivido</p><p>Sobre esta casa e as árvores que o tempo</p><p>esqueceu de levar. Sobre o curral</p><p>de pedra e paz e de outras vacas tristes</p><p>chorando a lua e a noite sem bezerros.</p><p>Sobre a parede larga deste açude</p><p>onde outras cobras verdes se arrastavam,</p><p>e pondo o sol nos seus olhos parados</p><p>iam colhendo sua safra de sapos.</p><p>Sob as constelações do sul que a noite</p><p>armava e desarmava: as Três Marias,</p><p>o Cruzeiro distante e o Sete-Estrelo.</p><p>Sobre este mundo revivido em vão,</p><p>a lembrança de primos, de cavalos,</p><p>de silêncio perdido para sempre.</p><p>DOBAL, H. A província deserta.Rio de Janeiro: Artenova,</p><p>1974.</p><p>No processo de recons�tuição do tempo vivido, o eu</p><p>lírico projeta um conjunto de imagens cujo lirismo se</p><p>funda menta no</p><p>a) inventário das memórias evocadas afe�vamente.</p><p>b) reflexo da saudade no desejo de voltar à infância.</p><p>c) sen�mento de inadequação com o presente vivido.</p><p>d) ressen�mento com as perdas materiais e humanas.</p><p>e) lapso no fluxo temporal dos eventos trazidos à cena.</p><p>IT0131 - (Enem)</p><p>Eu sobrevivi do nada, do nada</p><p>Eu não exis�a</p><p>Não �nha uma existência</p><p>Não �nha uma matéria</p><p>Comecei exis�r com quinhentos milhões e quinhentos mil</p><p>anos</p><p>Logo de uma vez, já velha</p><p>Eu não nasci criança, nasci já velha</p><p>Depois é que eu virei criança</p><p>E agora con�nuei velha</p><p>Me transformei novamente numa velha</p><p>Voltei ao que eu era, uma velha</p><p>PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org.). Reino dos bichos e</p><p>dos animais é meu nome.</p><p>Rio de Janeiro: Azougue, 2009.</p><p>Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da</p><p>expressão lírica manifesta-se na</p><p>a) representação da infância, redimensionada no resgate</p><p>da memória.</p><p>b) associação de imagens desconexas, ar�culadas por</p><p>uma fala delirante.</p><p>c) expressão autobiográfica, fundada no relato de</p><p>experiências de alteridade.</p><p>d) incorporação de elementos fantás�cos, explicitada por</p><p>versos incoerentes.</p><p>e) transgressão à razão, ecoada na desconstrução de</p><p>referências temporais.</p><p>IT0126 - (Enem)</p><p>Retrato de homem</p><p>A paisagem estrita</p><p>ao apuro do muro</p><p>feito vértebra a vértebra</p><p>e escuro.</p><p>A geração dos pelos</p><p>sobre a casca e os rostos</p><p>em seus diques de sombra</p><p>repostos.</p><p>Os poços com seu lodo</p><p>de ira e de tensão:</p><p>entre cimento e fronte</p><p>– um vão.</p><p>As setas se a�ram</p><p>às margens de ninguém,</p><p>ilesas a si mesmas</p><p>retêm.</p><p>Compassos de evasão</p><p>entre falange e rua</p><p>sondando a solitude</p><p>nua.</p><p>E na armadura de coisa</p><p>salobra, um só segredo:</p><p>a polpa toda é fruição</p><p>de medo.</p><p>ARAÚJO, L.C. Cantochão. Belo Horizonte: Imprensa</p><p>Publicações – Governo do Estado de Minas Gerais, 1967.</p><p>No poema, a descrição lírica do objeto representado é</p><p>orientada por um olhar que</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) desvela sen�mentos de vazio e angús�a sob a</p><p>aparente austeridade.</p><p>b) expressa desilusão ante a possibilidade de superação</p><p>do sofrimento.</p><p>c) contrapõe a fragilidade emocional ao uso desmedido</p><p>da força �sica.</p><p>d) associa a incomunicabilidade emocional às</p><p>determinações culturais.</p><p>e) privilegia imagens relacionadas à exposição do</p><p>dinamismo urbano.</p><p>IT0136 - (Enem)</p><p>O farrista</p><p>Quando o almirante Cabral</p><p>Pôs as patas no Brasil</p><p>O anjo da guarda dos índios</p><p>Estava passeando em Paris.</p><p>Quando ele voltou de viagem</p><p>O holandês já está aqui.</p><p>O anjo respira alegre:</p><p>“Não faz mal, isto é boa gente,</p><p>Vou arejar outra vez.”</p><p>O anjo transpôs a barra,</p><p>Diz adeus a Pernambuco,</p><p>Faz barulho, vuco-vuco,</p><p>Tal e qual o zepelim</p><p>Mas deu um vento no anjo,</p><p>Ele perdeu a memória...</p><p>E não voltou nunca mais.</p><p>MENDES. M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova</p><p>Fronteira. 1992</p><p>A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do</p><p>Modernismo, cujas propostas esté�cas transparecem, no</p><p>poema, por um eu lírico que</p><p>a) configura um ideal de nacionalidade pela integração</p><p>regional.</p><p>b) remonta ao colonialismo assente sob um viés</p><p>iconoclasta.</p><p>c) repercute as manifestações do sincre�smo religioso.</p><p>d) descreve a gênese da formação do povo brasileiro.</p><p>e) promove inovações no repertório linguís�co.</p><p>IT0141 - (Enem)</p><p>Receita</p><p>Tome-se um poeta não cansado,</p><p>Uma nuvem de sonho e uma flor,</p><p>Três gotas de tristeza, um tom dourado,</p><p>Uma veia sangrando de pavor.</p><p>Quando a massa já ferve e se retorce</p><p>Deita-se a luz dum corpo de mulher,</p><p>Duma pitada de morte se reforce,</p><p>Que um amor de poeta assim requer.</p><p>SARAMAGO, J. Os poemas possíveis.</p><p>Alfragide: Caminho, 1997.</p><p>Os gêneros textuais caracterizam-se por serem</p><p>rela�vamente estáveis e podem reconfigurar-se em</p><p>função do propósito comunica�vo. Esse texto cons�tui</p><p>uma mescla de gêneros, pois</p><p>a) introduz procedimentos prescri�vos na composição do</p><p>poema.</p><p>b) explicita as etapas essenciais à preparação de uma</p><p>receita.</p><p>c) explora elementos temá�cos presentes em uma</p><p>receita.</p><p>d) apresenta organização estrutural �pica de um</p><p>poema.</p><p>e) u�liza linguagem figurada na construção do poema.</p><p>IT0135 - (Enem)</p><p>Contranarciso</p><p>em mim</p><p>eu vejo o outro</p><p>e outro</p><p>e outro</p><p>enfim dezenas</p><p>trens passando</p><p>vagões cheios de gente</p><p>centenas</p><p>o outro</p><p>que há em mim</p><p>é você</p><p>você</p><p>e você</p><p>assim como</p><p>eu estou em você</p><p>eu estou nele</p><p>em nós</p><p>e só quando</p><p>estamos em nós</p><p>estamos em paz</p><p>mesmo que estejamos a sós</p><p>LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras.</p><p>2013.</p><p>A busca pela iden�dade cons�tui uma faceta da tradição</p><p>literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No</p><p>poema, essa nova dimensão revela a</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) ausência de traços iden�tários.</p><p>b) angús�a com a solidão em público.</p><p>c) valorização da descoberta do “eu” autên�co.</p><p>d) percepção da empa�a como fator de</p><p>autoconhecimento.</p><p>e) impossibilidade de vivenciar experiências de</p><p>pertencimento.</p><p>IT0127 - (Enem)</p><p>Senhor Juiz</p><p>O instrumento do “crime” que se arrola</p><p>Nesse processo de contravenção</p><p>Não é faca, revólver ou pistola,</p><p>Simplesmente, doutor, é um violão.</p><p>Será crime, afinal, será pecado,</p><p>Será delito de tão vis horrores,</p><p>Perambular na rua um desgraçado</p><p>Derramando nas praças suas dores?</p><p>Mande, pois, libertá-lo da agonia</p><p>(a consciência assim nos insinua)</p><p>Não sufoque o cantar que vem da rua,</p><p>Que vem da noite para saudar o dia.</p><p>É o apelo que aqui lhe dirigimos,</p><p>Na certeza do seu acolhimento</p><p>Juntada desta aos autos nós pedimos</p><p>E pedimos, enfim, deferimento</p><p>Disponível em: www.migalhas.com.br. Acesso em: 23 set.</p><p>2020 (adaptado).</p><p>Essa pe�ção de habeas corpus, ao transgredir o rigor da</p><p>linguagem jurídica,</p><p>a) permite que a narra�va seja obje�va e repleta de</p><p>sen�dos denota�vos.</p><p>b) mostra que o cordel explora termos próprios da esfera</p><p>do direito.</p><p>c) demonstra que o jogo de linguagem proposto atenua a</p><p>gravidade do delito.</p><p>d) exemplifica como o texto em forma de cordel</p><p>compromete a solicitação pretendida.</p><p>e) esclarece que os termos “crime” e “processo de</p><p>contravenção” são sinônimos.</p><p>IT0130 - (Enem)</p><p>A viagem</p><p>Que coisas devo levar</p><p>nesta viagem em que partes?</p><p>As cartas de navegação só servem</p><p>a quem fica.</p><p>Com que mapas desvendar</p><p>um con�nente</p><p>que falta?</p><p>Estrangeira do teu corpo</p><p>tão comum</p><p>quantas línguas aprender</p><p>para calar-me?</p><p>Também quem fica</p><p>procura</p><p>um oriente.</p><p>Também</p><p>a quem fica</p><p>cabe uma paisagem nova</p><p>e a travessia insone do desconhecido</p><p>e a alegria di�cil da descoberta.</p><p>O que levas do que fica,</p><p>o que, do que levas, re�ro?</p><p>MARQUES, A. M. In: SANT’ANNA, A (Org.). Rua Aribau.</p><p>Porto Alegre: Tag, 2018.</p><p>A viagem e a ausência remetem a um repertório poé�co</p><p>tradicional. No poema, a voz lírica dialoga com essa</p><p>tradição, repercu�ndo a</p><p>a) saudade como experiência de apa�a.</p><p>b) presença da fragmentação da iden�dade.</p><p>c) negação do desejo como expressão de culpa.</p><p>d) persistência da memória na valorização do passado.</p><p>e) revelação de rumos projetada pela vivência da solidão.</p><p>IT0123 - (Enem)</p><p>O pavão vermelho</p><p>Ora, a alegria, este pavão vermelho,</p><p>está morando em meu quintal agora.</p><p>Vem pousar como um sol em meu joelho</p><p>quando é estridente em meu quintal a aurora.</p><p>Clarim de lacre, este pavão vermelho</p><p>sobrepuja os pavões que estão lá fora.</p><p>É uma festa de púrpura. E o assemelho</p><p>a uma chama do lábaro da aurora.</p><p>É o próprio doge a se mirar no espelho.</p><p>E a cor vermelha chega a ser sonora</p><p>neste pavão pomposo e de chavelho.</p><p>Pavões lilases possuí outrora.</p><p>Depois que amei este pavão vermelho,</p><p>os meus outros pavões foram-se embora.</p><p>COSTA, S. Poesia completa: Sosígenes Costa. Salvador:</p><p>Conselho Estadual de Cultura. 2001.</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Na construção do soneto, as cores representam um</p><p>recurso poé�co que configura uma imagem com a qual o</p><p>eu lírico</p><p>a) revela a intenção de isolar-se em seu espaço.</p><p>b) simboliza a beleza e o esplendor da natureza.</p><p>c) experimenta a fusão de percepções sensoriais.</p><p>d) metaforiza a conquista de sua plena realização.</p><p>e) expressa uma visão de mundo mís�ca e</p><p>espiritualizada.</p><p>IT0143 - (Enem)</p><p>Esses chopes dourados</p><p>[...]</p><p>quando a geração de meu pai</p><p>ba�a na minha</p><p>a minha achava que era normal</p><p>que a geração de cima</p><p>só podia educar a de baixo</p><p>batendo</p><p>quando a minha geração ba�a na de vocês</p><p>ainda não sabia que estava errado</p><p>mas a geração de vocês já sabia</p><p>e cresceu odiando a geração de cima</p><p>aí chegou esta hora</p><p>em que todas as gerações já sabem de tudo</p><p>e é péssimo</p><p>ter pertencido à geração do meio</p><p>tendo errado quando apanhou da de cima</p><p>e errado quando bateu na de baixo</p><p>e sabendo que apesar de amaldiçoados</p><p>éramos todos inocentes.</p><p>WANDERLEY, J. In: MORICONI, I. (Org.).</p><p>Os cem melhores poemas brasileiros do século.</p><p>Rio de Janeiro: Obje�va, 2001 (fragmento).</p><p>Ao expressar uma percepção de a�tudes e valores</p><p>situados na passagem do tempo, o eu lírico manifesta</p><p>uma angús�a sinte�zada na</p><p>a) compreensão da efemeridade das convicções antes</p><p>vistas como sólidas.</p><p>b) consciência das imperfeições aceitas na construção do</p><p>senso comum.</p><p>c) revolta das novas gerações contra modelos</p><p>tradicionais de educação.</p><p>d) incerteza da expecta�va de mudança por parte das</p><p>futuras gerações.</p><p>e) crueldade atribuída à forma de punição pra�cada</p><p>pelos mais velhos.</p><p>IT0132 - (Enem)</p><p>o que será que ela quer</p><p>essa mulher de vermelho</p><p>alguma coisa ela quer</p><p>pra ter posto esse ves�do</p><p>não pode ser apenas</p><p>uma escolha casual</p><p>podia ser um amarelo</p><p>verde ou talvez azul</p><p>mas ela escolheu vermelho</p><p>ela sabe o que ela quer</p><p>e ela escolheu ves�do</p><p>e ela é uma mulher</p><p>então com base nesses fatos</p><p>eu já posso afirmar</p><p>que conheço o seu desejo</p><p>caro watson, elementar:</p><p>o que ela quer sou euzinho</p><p>sou euzinho o que ela quer</p><p>só pode ser euzinho</p><p>o que mais podia ser</p><p>FREITAS, A. Um útero é do tamanho de um punho. São</p><p>Paulo: Cosac Naify, 2013.</p><p>No processo de elaboração do poema, a autora confere</p><p>ao eu lírico uma iden�dade que aqui representa a</p><p>a) hipocrisia do discurso alicerçado sobre o senso</p><p>comum.</p><p>b) mudança de paradigmas de imagem atribuídos à</p><p>mulher.</p><p>c) tenta�va de estabelecer preceitos da psicologia</p><p>feminina.</p><p>d) importância da correlação entre ações e efeitos</p><p>causados.</p><p>e) valorização da sensibilidade como caracterís�ca de</p><p>gênero.</p><p>IT0122 - (Enem)</p><p>Se for possível, manda-me dizer:</p><p>– É lua cheia. A casa está vazia –</p><p>8@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Manda-me dizer, e o paraíso</p><p>Há de ficar mais perto, e mais recente</p><p>Me há de parecer teu rosto incerto.</p><p>Manda-me buscar se tens o dia</p><p>Tão longo como a noite. Se é verdade</p><p>Que sem mim só vês monotonia.</p><p>E se te lembras do brilho das marés</p><p>De alguns peixes rosados</p><p>Numas águas</p><p>E dos meus pés molhados, manda-me dizer:</p><p>– É lua nova –</p><p>E reves�da de luz te volto a ver.</p><p>HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São</p><p>Paulo: Cia. das Letras, 2018</p><p>Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um</p><p>desejo que remete ao</p><p>a) ce�cismo quanto à possibilidade do reencontro.</p><p>b) tédio provocado pela distância �sica do ser amado.</p><p>c) sonho de autorrealização desenhado pela memória.</p><p>d) julgamento implícito das a�tudes de quem se afasta.</p><p>e) ques�onamento sobre o significado do amor</p><p>ausente.</p><p>IT0128 - (Enem)</p><p>Toca a sirene na fábrica,</p><p>e o apito como um chicote</p><p>bate na manhã nascente</p><p>e bate na tua cama</p><p>no sono da madrugada.</p><p>Ternuras da áspera lona</p><p>pelo corpo adolescente.</p><p>É o trabalho que te chama.</p><p>Às pressas tomas o banho,</p><p>tomas teu café com pão,</p><p>tomas teu lugar no bote</p><p>no cais do Capibaribe.</p><p>Deixas chorando na esteira</p><p>teu filho de mãe solteira.</p><p>Levas ao lado a marmita,</p><p>contendo a mesma ração</p><p>do meio de todo o dia,</p><p>a carne-seca e o feijão.</p><p>De tudo quanto ele pede</p><p>dás só bom-dia ao patrão,</p><p>e recomeças a luta</p><p>na engrenagem da fiação.</p><p>MOTA, M. Canto ao meio. Rio de Janeiro: Civilização</p><p>Brasileira, 1964.</p><p>Nesse texto, a mobilização do uso padrão das formas</p><p>verbais e pronominais</p><p>a) ajuda a localizar o enredo num ambiente está�co.</p><p>b) auxilia na caracterização �sica do personagem</p><p>principal.</p><p>c) acrescenta informações modificadoras às ações dos</p><p>personagens.</p><p>d) alterna os tempos da narra�va, fazendo progredir as</p><p>ideias do texto.</p><p>e) está a serviço do projeto poé�co, auxiliando na</p><p>dis�nção dos referentes.</p><p>IT0140 - (Enem)</p><p>Soneto VII</p><p>Onde estou? Este sí�o desconheço:</p><p>Quem fez tão diferente</p><p>aquele prado?</p><p>Tudo outra natureza tem tomado;</p><p>E em contemplá-lo �mido esmoreço.</p><p>Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço</p><p>De estar a ela um dia reclinado:</p><p>Ali em vale um monte está mudado:</p><p>Quanto pode dos anos o progresso!</p><p>Árvores aqui vi tão florescentes,</p><p>Que faziam perpétua a primavera:</p><p>Nem troncos vejo agora decadentes.</p><p>Eu me engano: a região esta não era;</p><p>Mas que venho a estranhar, se estão presentes</p><p>Meus males, com que tudo degenera!</p><p>COSTA, C. M. Poemas. Disponível em:</p><p>www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 jul. 2012.</p><p>No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação</p><p>da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que</p><p>transparece uma</p><p>a) angús�a provocada pela sensação de solidão.</p><p>b) resignação diante das mudanças do meio ambiente.</p><p>c) dúvida existencial em face do espaço desconhecido.</p><p>d) intenção de recriar o passado por meio da paisagem.</p><p>e) empa�a entre os sofrimentos do eu e a agonia da</p><p>terra.</p><p>IT0144 - (Enem)</p><p>Sem acessórios nem som</p><p>Escrever só para me livrar</p><p>de escrever.</p><p>Escrever sem ver, com riscos</p><p>sen�ndo falta dos acompanhamentos</p><p>com as mesmas lesmas</p><p>9@professorferretto @prof_ferretto</p><p>e figuras sem força de expressão.</p><p>Mas tudo desafina:</p><p>o pensamento pesa</p><p>tanto quanto o corpo</p><p>enquanto corto os conec�vos</p><p>corto as palavras rentes</p><p>com tesoura de jardim</p><p>cega e bruta</p><p>com facão de mato.</p><p>Mas a marca deste corte</p><p>tem que ficar</p><p>nas palavras que sobraram.</p><p>Qualquer coisa do que desapareceu</p><p>con�nuou nas margens, nos talos</p><p>no atalho aberto a talhe de foice</p><p>no caminho de rato.</p><p>FREITAS FILHO, A. Máquina da escrever: poesia reunida e</p><p>revista.</p><p>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.</p><p>Nesse texto, a reflexão sobre o modo cria�vo aponta para</p><p>uma concepção de a�vidade poé�ca que põe em</p><p>evidência o(a)</p><p>a) angus�ante necessidade de produção, presente em</p><p>“Escrever só para me livrar/ de escrever”.</p><p>b) imprevisível percurso da composição, presente em “no</p><p>atalho aberto a talhe de foice/ no caminho de rato”.</p><p>c) agressivo trabalho de supressão, presente em “corto</p><p>as palavras rentes/ com tesoura de jardim/ cega e</p><p>bruta”.</p><p>d) inevitável frustração diante do poema, presente em</p><p>“Mas tudo desafina:/ o pensamento pesa/ tanto</p><p>quanto o corpo”.</p><p>e) conflituosa relação com a inspiração, presente em</p><p>“sen�ndo falta dos acompanhamentos/ e figuras sem</p><p>força de expressão”.</p><p>IT0395 - (Enem PPL)</p><p>O fim da história</p><p>Não creio que o tempo</p><p>Venha comprovar</p><p>Nem negar que a História</p><p>Possa se acabar</p><p>Basta ver que um povo</p><p>Derruba um czar</p><p>Derruba de novo</p><p>Quem pôs no lugar</p><p>É como se o livro dos tempos pudesse</p><p>Ser lido trás pra frente, frente pra trás</p><p>Vem a História, escreve um capítulo</p><p>Cujo �tulo pode ser “Nunca Mais”</p><p>Vem o tempo e elege outra história, que escreve</p><p>Outra parte, que se chama “Nunca É Demais”</p><p>“Nunca Mais”, “Nunca É Demais”, “Nunca Mais”</p><p>“Nunca É Demais”, e assim por diante, tanto faz</p><p>Indiferente se o livro é lido</p><p>De trás pra frente ou lido de frente pra trás</p><p>GILBERTO GIL. In: Parabolicamará. Rio de Janeiro: WEA,</p><p>1991.</p><p>Considerando-se o jogo de oposições presente nessa</p><p>letra e canção, infere-se que a narra�va histórica</p><p>a) está sujeita a diferentes interpretações.</p><p>b) é construída pela relação causa e efeito.</p><p>c) sucede-se em espaços de tempos cíclicos.</p><p>d) limita-se a fatos relevantes de um grupo social.</p><p>e) desenvolve-se em torno de uma mesma temá�ca.</p><p>IT0396 - (Enem PPL)</p><p>Jon Lord, fundador do DeepPurple, era um caso raro</p><p>na música. Depois de uma carreira bem-sucedida como</p><p>tecladista de duas das maiores bandas de rock do</p><p>planeta, aposentou-se em 2002 para compor peças</p><p>eruditas. Para ele, clássico e popular eram apenas</p><p>aspectos de uma mesma en�dade, a boa música. O</p><p>caminho era quase natural. Tendo aprendido a tocar os</p><p>clássicos no piano, Lord apaixonou-se pelo rock ao ouvir</p><p>Buddy Holly e começou a tocar em combos de jazz,</p><p>rhythm’n’blues e depois rock. Em 1969, aos 27 anos, ele</p><p>compôs, com a ajuda do maestro Malcolm Arnold,</p><p>um Concerto para grupo e orquestra, temperando a</p><p>estrutura de uma peça erudita com a eletricidade</p><p>agressiva da fase mais cria�va do Deep Purple, a mesma</p><p>equipe que comporia Smoke on the Water em 1972.</p><p>SOARES, M. Jon Lord foi um pioneiro na fusão entre rock</p><p>e erudito. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso</p><p>em: 16 nov. 2021 (adaptado).</p><p>A circulação do tecladista Jon Lord (1941-2012) entre</p><p>gêneros aparentemente distantes como o rock e a música</p><p>erudita foi possível porque ele</p><p>a) conheceu muitos países e culturas ao longo das</p><p>constantes viagens em turnê.</p><p>b) superou eventuais barreiras esté�cas ao se abrir para</p><p>novos es�los musicais.</p><p>c) aventurou-se em novas esté�cas musicais após a</p><p>aposentadoria da banda.</p><p>d) reconheceu a limitação de possibilidades de</p><p>composição da música popular.</p><p>e) adaptou-se a um repertório musical mais amplo diante</p><p>do sucesso do grupo.</p><p>IT0424 - (Enem PPL)</p><p>Da calma e do silêncio</p><p>10@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Quando eu morder</p><p>a palavra,</p><p>por favor,</p><p>não me apressem,</p><p>quero mascar,</p><p>rasgar entre os dentes,</p><p>a pele, os ossos, o tutano</p><p>do verbo,</p><p>para assim versejar</p><p>o âmago das coisas...</p><p>[...]</p><p>Quando meus pés</p><p>abrandarem na marcha,</p><p>por favor,</p><p>não me forcem.</p><p>Caminhar para quê?</p><p>Deixem-me quedar,</p><p>deixem-me quieta,</p><p>na aparente inércia.</p><p>Nem todo viandante</p><p>anda estradas,</p><p>há mundos submersos,</p><p>que só o silêncio</p><p>da poesia penetra.</p><p>EVARISTO, C. Poemas de recordação e outros</p><p>movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2021 (fragmento).</p><p>Na reflexão sobre mo�vos e soluções do trabalho com a</p><p>palavra, o eu lírico defende que a poesia</p><p>a) reflete as limitações inerentes à sua matéria-prima.</p><p>b) é um produto relacionado ao sen�mento de angús�a.</p><p>c) exige o engajamento social para a sua plena realização.</p><p>d) requer um tempo próprio de amadurecimento e</p><p>plenitude.</p><p>e) deve desvincular-se de questões de inspiração</p><p>meta�sica.</p><p>IT0492 - (Enem PPL)</p><p>Razão de ser</p><p>Escrevo. E pronto.</p><p>Escrevo porque preciso,</p><p>preciso porque estou tonto.</p><p>Ninguém tem nada com isso.</p><p>Escrevo porque amanhece,</p><p>E as estrelas lá no céu</p><p>Lembram letras no papel,</p><p>Quando o poema me anoitece.</p><p>A aranha tece teias.</p><p>O peixe beija e morde o que vê.</p><p>Eu escrevo apenas.</p><p>Tem que ter por quê.</p><p>LEMINSKI, P. Melhores poemas de Paulo Leminski. São</p><p>Paulo: Global, 2013.</p><p>Ao abordar o próprio processo de criação, o poeta</p><p>recorre a exemplificações com o propósito de representar</p><p>a escrita como uma a�vidade que</p><p>a) requer a cria�vidade do ar�sta.</p><p>b) dispensa explicações racionais.</p><p>c) independe da curiosidade do leitor.</p><p>d) pressupõe a observação da natureza.</p><p>e) decorre da livre associação de imagens.</p><p>IT0520 - (Enem PPL)</p><p>As cartas de amor</p><p>deveriam ser fechadas</p><p>com a língua.</p><p>Beijadas antes de enviadas.</p><p>Sopradas. Respiradas.</p><p>O esforço do pulmão</p><p>capturado pelo envelope,</p><p>a letra tremendo</p><p>como uma pálpebra.</p><p>Não a cola isenta, neutra,</p><p>mas a espuma, a gen�leza,</p><p>a gripe, o contágio.</p><p>Porque a saliva</p><p>acalma um machucado.</p><p>As cartas de amor</p><p>deveriam ser abertas</p><p>com os dentes.</p><p>CARPINEJAR, F. Como no céu. Rio de Janeiro: Bertrand</p><p>Russel, 2005.</p><p>No texto predomina a função poé�ca da linguagem, pois</p><p>ele registra uma visão imaginária e singularizada de</p><p>mundo, construída por meio do trabalho esté�co da</p><p>linguagem. A função cona�va também contribui para</p><p>esse trabalho na medida em que o enunciador procura</p><p>a) influenciar o leitor em relação aos sen�mentos</p><p>provocados por uma carta de amor, por meio de</p><p>opiniões pessoais.</p><p>b) definir com obje�vidade o sen�mento amoroso e a</p><p>importância das cartas de amor.</p><p>c) alertar para consequências perigosas advindas de</p><p>mensagens amorosas.</p><p>d) esclarecer como devem ser escritas as mensagens</p><p>sen�mentais nas cartas de amor.</p><p>e) produzir uma visão ficcional do sen�mento amoroso</p><p>presente em cartas de amor.</p><p>11@professorferretto @prof_ferretto</p><p>IT0522 - (Enem PPL)</p><p>TEXTO I</p><p>A dupla Claudinho e Buchecha foi formada por dois</p><p>amigos de infância que eram vizinhos na comunidade do</p><p>Salgueiro. Os cantores iniciaram sua carreira ar�s�ca no</p><p>início dos anos 1990, cantando em bailes funk de São</p><p>Gonçalo (RJ), e fizeram muito sucesso com a música Fico</p><p>assim sem você, em 2002. Buchecha trabalhou</p><p>por um</p><p>bom tempo como office boy e Claudinho atuou como</p><p>peão de obras e vendedor ambulante.</p><p>Disponível em: h�p://dicionariompb.com.br. Acesso em:</p><p>19 abr. 2018 (adaptado).</p><p>TEXTO II</p><p>Ouvi a canção Fico assim sem você no rádio e me</p><p>apaixonei instantaneamente. Quando isso acontece</p><p>comigo, não posso fazer nada a não ser trazer a música</p><p>pra perto de mim e então começar a cantar e tocar sem</p><p>parar, até que ela se torne minha. A canção caiu como</p><p>uma luva no repertório do disco e eu contava as horas</p><p>pra poder gravá-la.</p><p>CALCANHOTTO, A. Fico assim sem você. Disponível em:</p><p>www.adrianapar�mpim.com.br. Acesso em: 19 abr. 2018</p><p>(adaptado).</p><p>A letra da canção Fico assim sem você, que circulava em</p><p>meios populares, veiculada pela grande mídia, começou</p><p>a integrar o repertório de crianças cujas famílias �nham o</p><p>hábito de ouvir o que é conhecido como MPB. O novo</p><p>público que passou a conhecer e apreciar essa música</p><p>revela a</p><p>a) legi�mação de certas músicas quando interpretadas</p><p>por ar�stas de uma parcela específica da sociedade.</p><p>b) admiração pelas composições musicais realizadas por</p><p>sujeitos com pouca formação acadêmica.</p><p>c) necessidade que músicos consagrados têm de buscar</p><p>novos repertórios nas periferias.</p><p>d) importância dos meios de comunicação de massa na</p><p>formação da música brasileira.</p><p>e) função que a indústria fonográfica ocupa em resgatar</p><p>músicas da periferia.</p><p>IT0537 - (Enem PPL)</p><p>Biografia de Pasárgada</p><p>Quando eu �nha meus 15 anos e traduzia na classe de</p><p>grego do D. Pedro II a Ciropédia fiquei encantado com o</p><p>nome dessa cidadezinha fundada por Ciro, o An�go, nas</p><p>montanhas do sul da Pérsia, para lá passar os verões. A</p><p>minha imaginação de adolescente começou a trabalhar, e</p><p>vi Pasárgada e vivi durante alguns anos em Pasárgada.</p><p>Mais de vinte anos depois, num momento de</p><p>profundo desânimo, saltou-me do subconsciente este</p><p>grito de evasão: “Vou-me embora pra Pasárgada!”</p><p>Imediatamente sen� que era a célula de um poema.</p><p>Peguei do lápis e do papel, mas o poema não veio. Não</p><p>pensei mais nisso. Uns cinco anos mais tarde, o mesmo</p><p>grito de evasão nas mesmas circunstâncias. Desta vez, o</p><p>poema saiu quase ao correr da pena. Se há belezas em</p><p>“Vou-me embora pra Pasárgada!”, elas não passam de</p><p>acidentes. Não construí o poema, ele construiu-se em</p><p>mim, nos recessos do subconsciente, u�lizando as</p><p>reminiscências da infância — as histórias que Rosa,</p><p>minha ama-seca mulata, me contava, o sonho jamais</p><p>realizado de uma bicicleta etc.</p><p>BANDEIRA, M. I�nerário de Pasárgada. São Paulo: Global,</p><p>2012.</p><p>O texto é um depoimento de Manuel Bandeira a respeito</p><p>da criação de um de seus poemas mais conhecidos. De</p><p>acordo com esse depoimento, o fazer poé�co em “Vou-</p><p>me embora pra Pasárgada!”</p><p>a) acontece de maneira progressiva, natural e pouco</p><p>intencional.</p><p>b) decorre de uma inspiração fulminante, num momento</p><p>de extrema emoção.</p><p>c) ra�fica as informações do senso comum de que</p><p>Pasárgada é a representação de um lugar utópico.</p><p>d) resulta das mais fortes lembranças da juventude do</p><p>poeta e de seu envolvimento com a literatura grega.</p><p>e) remete a um tempo da vida de Manuel Bandeira</p><p>marcado por desigualdades sociais e econômicas.</p><p>IT0541 - (Enem PPL)</p><p>Canção</p><p>No desequilíbrio dos mares,</p><p>as proas giram sozinhas...</p><p>Numa das naves que afundaram</p><p>é que certamente tu vinhas.</p><p>Eu te esperei todos os séculos</p><p>sem desespero e sem desgosto,</p><p>e morri de infinitas mortes</p><p>guardando sempre o mesmo rosto.</p><p>Quando as ondas te carregaram</p><p>meus olhos, entre águas e areias,</p><p>cegaram como os das estátuas,</p><p>a tudo quanto existe alheias.</p><p>Minhas mãos pararam sobre o ar</p><p>e endureceram junto ao vento,</p><p>e perderam a cor que �nham</p><p>e a lembrança do movimento.</p><p>E o sorriso que eu te levava</p><p>12@professorferretto @prof_ferretto</p><p>desprendeu-se e caiu de mim:</p><p>e só talvez ele ainda viva</p><p>dentro destas águas sem fim.</p><p>MEIRELES, C. In: SECCHIN, A. C. (Org.). Obra completa.</p><p>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.</p><p>Na composição do poema, o tom elegíaco e solene</p><p>manifesta uma concepção de lirismo fundada na</p><p>a) contradição entre a vontade da espera pelo ser amado</p><p>e o desejo de fuga.</p><p>b) expressão do desencanto diante da impossibilidade da</p><p>realização amorosa.</p><p>c) associação de imagens díspares indica�vas de</p><p>esperança no amor futuro.</p><p>d) recusa à aceitação da impermanência do sen�mento</p><p>pela pessoa amada.</p><p>e) consciência da inu�lidade do amor em relação à</p><p>inevitabilidade da morte.</p><p>IT0543 - (Enem PPL)</p><p>A</p><p>Esbraseia o Ocidente na agonia</p><p>O sol... Aves em bandos destacados,</p><p>Por céus de ouro e púrpura raiados,</p><p>Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...</p><p>Delineiam-se além da serrania</p><p>Os vér�ces de chamas aureolados,</p><p>E em tudo, em torno, esbatem derramados</p><p>Uns tons suaves de melancolia.</p><p>Um mundo de vapores no ar flutua...</p><p>Como uma informe nódoa avulta e cresce</p><p>A sombra à proporção que a luz recua.</p><p>A natureza apá�ca esmaece...</p><p>Pouco a pouco, entre as árvores, a lua</p><p>Surge trêmula, trêmula... Anoitece.</p><p>CORRÊA, R. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso</p><p>em: 13 ago. 2017.</p><p>Composição de formato fixo, o soneto tornou-se um</p><p>modelo par�cularmente ajustado à poesia parnasiana.</p><p>No poema de Raimundo Corrêa, remete(m) a essa</p><p>esté�ca</p><p>a) as metáforas inspiradas na visão da natureza.</p><p>b) a ausência de emo�vidade pelo eu lírico.</p><p>c) a retórica ornamental desvinculada da realidade.</p><p>d) o uso da descrição como meio de expressividade.</p><p>e) o vínculo a temas comuns à An�guidade Clássica.</p><p>IT0555 - (Enem PPL)</p><p>As montanhas correm agora, lá fora, umas atrás das</p><p>outras, hos�s e espectrais, desertas de vontades novas</p><p>que as humanizem, esquecidas já dos an�gos homens</p><p>lendários que as povoaram e dominaram.</p><p>Carregam nos seus dorsos poderosos as pequenas</p><p>cidades decadentes, como uma doença aviltante e tenaz,</p><p>que se aninhou para sempre em suas dobras. Não</p><p>podendo matá-las de todo ou arrancá-las de si e vencer,</p><p>elas resignam-se e as ocultam com sua vegetação escura</p><p>e densa, que lhes serve de coberta, e resguardam o seu</p><p>sonho imperial de ferro e ouro.</p><p>PENNA, C. Fronteira. Rio de Janeiro: Ar�um, 2001.</p><p>As soluções de linguagem encontradas pelo narrador</p><p>projetam uma perspec�va lírica da paisagem</p><p>contemplada. Essa projeção alinha-se ao poé�co na</p><p>medida em que</p><p>a) explora a iden�dade entre o homem e a natureza.</p><p>b) reveste o inanimado de vitalidade e ressen�mento.</p><p>c) congela no tempo a prosperidade de an�gas cidades.</p><p>d) destaca a esté�ca das formas e das cores da paisagem.</p><p>e) captura o sen�do da ruína causada pela extração</p><p>mineral.</p><p>IT0560 - (Enem PPL)</p><p>Quantos há que os telhados têm vidrosos</p><p>E deixam de a�rar sua pedrada,</p><p>De sua mesma telha receiosos.</p><p>Adeus, praia, adeus, ribeira,</p><p>De regatões tabaquista,</p><p>Que vende gato por lebre</p><p>Querendo enganar a vista.</p><p>Nenhum modo de desculpa</p><p>Tendes, que valer-vos possa:</p><p>Que se o cão entra na igreja,</p><p>É porque acha aberta a porta.</p><p>GUERRA, G. M. In: LIMA, R. T. Abecê de folclore. São</p><p>Paulo: Mar�ns Fontes, 2003 (fragmento).</p><p>Ao organizar as informações, no processo de construção</p><p>do texto, o autor estabelece sua intenção comunica�va.</p><p>Nesse poema, Gregório de Matos explora os ditados</p><p>populares com o obje�vo de</p><p>13@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) enumerar a�tudes.</p><p>b) descrever costumes.</p><p>c) demonstrar sabedoria.</p><p>d) recomendar precaução.</p><p>e) cri�car comportamentos.</p><p>IT0567 - (Enem PPL)</p><p>E fui mostrar ao ilustre hóspede [o governador do</p><p>Estado] a serraria, o descaroçador e o estábulo. Expliquei</p><p>em resumo a prensa, o dínamo, as serras e o banheiro</p><p>carrapa�cida. De repente supus que a escola poderia</p><p>trazer a benevolência do governador para certos favores</p><p>que eu tencionava solicitar.</p><p>— Pois sim senhor. Quando V. Exa. vier aqui outra vez,</p><p>encontrará essa gente aprendendo car�lha.</p><p>RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1991.</p><p>O fragmento do romance de Graciliano Ramos dialoga</p><p>com o contexto da Primeira República no Brasil, ao</p><p>focalizar o(a)</p><p>a) derrocada de prá�cas clientelistas.</p><p>b) declínio do an�go atraso socioeconômico.</p><p>c) liberalismo desapartado de favores do Estado.</p><p>d) fortalecimento de polí�cas públicas educacionais.</p><p>e) aliança entre a elite agrária e os dirigentes</p><p>polí�cos.</p><p>IT0573 - (Enem PPL)</p><p>Filha do compositor Paulo Leminski lança disco com suas</p><p>canções</p><p>“Leminskanções” dá novos arranjos a 24 composições do</p><p>poeta</p><p>Frequentemente, a cantora e compositora Estrela Ruiz</p><p>é ques�onada sobre a influência da poesia de seu pai,</p><p>Paulo Leminski, na música que ela produz. “A minha</p><p>infância foi música, música, música”, responde</p><p>veementemente, lembrando que, antes de poeta,</p><p>Leminski era compositor.</p><p>Estrela frisa a faceta musical do pai</p><p>em Leminskanções. Duplo, o álbum soma Essa noite vai</p><p>ter sol, com 13 composições assinadas apenas por</p><p>Leminski, e Se nem for terra, se transformar, que tem 11</p><p>parcerias com nomes como sua mulher, Alice Ruiz, com</p><p>quem compôs uma única faixa, Itamar Assumpção e</p><p>Moraes Moreira.</p><p>BOMFIM, M. Disponível em:</p><p>h�p://cultura.estadao.com.br. Acesso em: 22 ago. 2014</p><p>(adaptado).</p><p>Os gêneros textuais são caracterizados por meio de seus</p><p>recursos expressivos e suas intenções comunica�vas.</p><p>Esse texto enquadra-se no gênero</p><p>a) biografia, por fazer referência à vida da ar�sta.</p><p>b) relato, por trazer o depoimento da filha do ar�sta.</p><p>c) no�cia, por informar ao leitor sobre o lançamento do</p><p>disco.</p><p>d) resenha, por apresentar as caracterís�cas do disco.</p><p>e) reportagem, por abordar peculiaridades sobre a vida</p><p>da ar�sta.</p><p>IT0580 - (Enem PPL)</p><p>esse cão que me segue</p><p>é minha família, minha vida</p><p>ele tem frio mas não late nem pede</p><p>ele sabe que o que eu tenho</p><p>divido com ele, o que eu não tenho</p><p>também divido com ele</p><p>ele é meu irmão</p><p>ele é que é meu dono</p><p>bicho se é por des�no sina ou sorte</p><p>só faltando saber se bicho decente</p><p>bicho de casa, bicho de carro, bicho</p><p>no trânsito, se bicho sem norte na fila</p><p>se bicho no mangue, se bicho na brecha</p><p>se bicho na mira, se bicho no sangue</p><p>catar papel é profissão, catar papel</p><p>revela o segredo das coisas, tem</p><p>muita coisa sendo jogada fora</p><p>muita pessoa sendo jogada fora.</p><p>OLIVEIRA, V. L. O músculo amargo do mundo. São Paulo:</p><p>Escrituras, 2014.</p><p>No poema, os elementos presentes do campo de</p><p>percepção do eu lírico evocam um realinhamento de</p><p>significados, uma vez que</p><p>a) emerge a consciência do humano como matéria de</p><p>descarte.</p><p>b) reside na eventualidade do acaso a condição do</p><p>indivíduo.</p><p>c) ocorre uma inversão de papéis entre o dono e seu cão.</p><p>d) se instaura um ambiente de caos no mosaico urbano.</p><p>e) se atribui aos rejeitos uma valorização imprevista.</p><p>IT0584 - (Enem PPL)</p><p>Quanto às mulheres de vida alegre, detestava-as;</p><p>�nha gasto muito dinheiro, precisava casar, mas casar</p><p>com uma menina ingênua e pobre, porque é nas classes</p><p>pobres que se encontra mais vergonha e menos</p><p>bandalheira. Ora, Maria do Carmo parecia-lhe uma</p><p>criatura simples, sem essa tendência fatal das mulheres</p><p>modernas para o adultério, uma menina que até chorava</p><p>14@professorferretto @prof_ferretto</p><p>na aula simplesmente por não ter respondido a uma</p><p>pergunta do professor! Uma rapariga assim era um caso</p><p>esporádico, uma verdadeira exceção no meio de uma</p><p>sociedade roída por quanto vício há no mundo. Ia</p><p>concluir o curso, e, quando voltasse ao Ceará, pensaria</p><p>seriamente no caso. A Maria do Carmo estava mesmo a</p><p>calhar: pobrezinha, mas inocente...</p><p>CAMINHA, A. A normalista. Disponível em:</p><p>www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 16 maio 2016.</p><p>Alinhado às concepções do Naturalismo, o fragmento do</p><p>romance de Adolfo Caminha, de 1893, iden�fica e</p><p>destaca nos personagens um(a)</p><p>a) compleição moral condicionada ao poder aquisi�vo.</p><p>b) temperamento inconstante incompa�vel com a vida</p><p>conjugal.</p><p>c) formação intelectual escassa relacionada a desvios de</p><p>conduta.</p><p>d) laço de dependência ao projeto de reeducação de</p><p>inspiração posi�vista.</p><p>e) sujeição a modelos representados por estra�ficações</p><p>sociais e de gênero.</p><p>IT0587 - (Enem PPL)</p><p>Talvez julguem que isto são voos de imaginação: é</p><p>possível. Como não dar largas à imaginação, quando a</p><p>realidade vai tomando proporções quase fantás�cas,</p><p>quando a civilização faz prodígios, quando no nosso</p><p>próprio país a inteligência, o talento, as artes, o comércio,</p><p>as grandes ideias, tudo pulula, tudo cresce e se</p><p>desenvolve?</p><p>Na ordem dos melhoramentos materiais, sobretudo,</p><p>cada dia fazemos um passo, e em cada passo realizamos</p><p>uma coisa ú�l para o engrandecimento do país.</p><p>ALENCAR, J. Ao correr da pena. Disponível em:</p><p>www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2013.</p><p>No fragmento da crônica de José de Alencar, publicada</p><p>em 1854, a temá�ca nacionalista constrói-se pelo elogio</p><p>ao(à)</p><p>a) passado glorioso.</p><p>b) progresso nacional.</p><p>c) inteligência brasileira.</p><p>d) imponência civilizatória.</p><p>e) imaginação exacerbada.</p><p>IT0596 - (Enem PPL)</p><p>Tenho visto criaturas que trabalham demais e não</p><p>progridem. Conheço indivíduos preguiçosos que têm</p><p>faro: quando a ocasião chega, desenroscam-se, abrem a</p><p>boca e engolem tudo.</p><p>Eu não sou preguiçoso. Fui feliz nas primeiras</p><p>tenta�vas e obriguei a fortuna a ser-me favorável nas</p><p>seguintes.</p><p>Depois da morte do Mendonça, derrubei a cerca,</p><p>naturalmente, e levei-a para além do ponto em que</p><p>estava no tempo de Salus�ano Padilha. Houve</p><p>reclamações.</p><p>—Minhas senhoras, Seu Mendonça pintou o diabo</p><p>enquanto viveu. Mas agora é isto. E quem não gostar,</p><p>paciência, vá à jus�ça.</p><p>Como a jus�ça era cara, não foram à jus�ça. E eu, o</p><p>caminho aplainado, invadi a terra do Fidélis, paralí�co de</p><p>um braço, e a dos Gama, que pandegavam no Recife,</p><p>estudando direito. Respeitei o engenho do Dr.</p><p>Magalhães, juiz.</p><p>Violências miúdas passaram despercebidas. As</p><p>questões mais sérias foram ganhas no foro, graças às</p><p>chicanas de João Nogueira.</p><p>Efetuei transações arriscadas, endividei-me, importei</p><p>maquinismos e não prestei atenção aos que me</p><p>censuravam por querer abarcar o mundo com as pernas.</p><p>Iniciei a pomicultura e a avicultura. Para levar os meus</p><p>produtos ao mercado, comecei uma estrada de rodagem.</p><p>Azevedo Gondim compôs sobre ela dois ar�gos, chamou-</p><p>me patriota, citou Ford e Delmiro Gouveia. Costa Brito</p><p>também publicou uma nota na Gazeta, elogiando-me e</p><p>elogiando o chefe polí�co local. Em consequência</p><p>mordeu-me cem mil réis.</p><p>RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1990.</p><p>O trecho, de São Bernardo, apresenta um relato de Paulo</p><p>Honório, narrador-personagem, sobre a expansão de</p><p>suas terras. De acordo com esse relato, o processo de</p><p>prosperidade que o beneficiou evidencia que ele</p><p>15@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) revela-se um empreendedor capitalista pragmá�co</p><p>que busca o êxito em suas realizações a qualquer</p><p>custo, ignorando princípios é�cos e valores</p><p>humanitários.</p><p>b) procura adequar sua a�vidade produ�va e função de</p><p>empresário às regras do Estado democrá�co de</p><p>direito, ajustando o interesse pessoal ao bem da</p><p>sociedade.</p><p>c) relata aos seus interlocutores fatos que lhe ocorreram</p><p>em um passado distante, e enumera ações que põem</p><p>em evidência as suas muitas virtudes de homem do</p><p>campo.</p><p>d) demonstra ser um homem honrado, patriota e</p><p>audacioso, atributos ressaltados pela realização de</p><p>ações que se ajustam ao princípio de que os fins</p><p>jus�ficam os meios.</p><p>e) amplia o seu patrimônio graças ao esforço pessoal,</p><p>contando com a sorte e a capacidade de inicia�va,</p><p>sendo um exemplo de empreendedor com</p><p>responsabilidade social.</p><p>IT0598 - (Enem PPL)</p><p>— Recusei a mão de minha filha, porque o senhor é…</p><p>filho de uma escrava.</p><p>— Eu?</p><p>— O senhor é um homem de cor!… Infelizmente esta</p><p>é a verdade…</p><p>Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no</p><p>fim de um silêncio:</p><p>— Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei</p><p>Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher</p><p>sempre foi muito escrupulosa a esse respeito, e como ela</p><p>é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja</p><p>uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O</p><p>senhor porém não imagina o que é por cá a prevenção</p><p>contra os mulatos!… Nunca me perdoariam um tal</p><p>casamento; além do que, para realizá-lo, teria que</p><p>quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a</p><p>neta senão a um branco de lei, português ou</p><p>descendente direto de portugueses.</p><p>AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Escala, 2008.</p><p>Influenciada pelo ideário cien�ficista do Naturalismo, a</p><p>obra destaca o modo como o mulato era visto pela</p><p>sociedade de fins</p><p>do século XIX. Nesse trecho, Manoel</p><p>traduz uma concepção em que a</p><p>a) miscigenação racial desqualificava o indivíduo.</p><p>b) condição econômica anulava os conflitos raciais.</p><p>c) discriminação racial era condenada pela sociedade.</p><p>d) escravidão negava o direito da negra à maternidade.</p><p>e) união entre mes�ços era um risco à hegemonia dos</p><p>brancos.</p><p>IT0606 - (Enem PPL)</p><p>Chamou-me o bragan�no e levou-me pelos corredores</p><p>e pá�os até ao hospício propriamente. Aí é que percebi</p><p>que ficava e onde, na seção, na de indigentes, aquela em</p><p>que a imagem do que a Desgraça pode sobre a vida dos</p><p>homens é mais formidável. O mobiliário, o vestuário das</p><p>camas, as camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem</p><p>fazer monopólio, os loucos são da proveniência mais</p><p>diversa, originando-se em geral das camadas mais pobres</p><p>da nossa gente pobre. São de imigrantes italianos,</p><p>portugueses e outros mais exó�cos, são os negros</p><p>roceiros, que teimam em dormir pelos desvãos das</p><p>janelas sobre uma esteira esmolambada e uma manta</p><p>sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de cavalariça,</p><p>trabalhadores braçais. No meio disto, muitos com</p><p>educação, mas que a falta de recursos e proteção a�ra</p><p>naquela geena social.</p><p>BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos.</p><p>São Paulo: Cosac& Naify, 2010.</p><p>No relato de sua experiência no sanatório onde foi</p><p>interno, Lima Barreto expõe uma realidade social e</p><p>humana marcada pela exclusão. Em seu testemunho,</p><p>essa reclusão demarca uma</p><p>a) medida necessária de intervenção terapêu�ca.</p><p>b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados.</p><p>c) compensação para as desgraças dos indivíduos.</p><p>d) oportunidade de ressocialização em um novo</p><p>ambiente.</p><p>e) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis e</p><p>periféricos.</p><p>IT0614 - (Enem PPL)</p><p>A madrasta retalhava um tomate em fa�as, assim finas,</p><p>capaz de envenenara todos. Era possível entrever o arroz</p><p>branco do outro lado do tomate, tamanha a sua</p><p>transparência. Com a saudade evaporando pelos olhos,</p><p>eu insis�a em jus�ficar a economia que administrava</p><p>seus gestos. Afiando a faca no cimento frio da pia, ela</p><p>cortava o tomate vermelho, sanguíneo, maduro, como se</p><p>degolasse cada um de nós. Seis. O pai, amparado pela</p><p>prateleira da cozinha, com o suor desinfetando o ar,</p><p>tamanho o cheiro do álcool, reparava na fome dos filhos.</p><p>Enxergava o manejo da faca desafiando o tomate e, por</p><p>16@professorferretto @prof_ferretto</p><p>certo, nos pensava devorados pelo vento ou tempestade,</p><p>segundo decretava a nova mulher. Todos os dias —</p><p>co�dianamente — havia tomate para o almoço. Eles</p><p>germinavam em todas as estações. Jabu�caba, manga,</p><p>laranja, floresciam cada uma em seu tempo. Tomate,</p><p>não. Ele fru�ficava, con�nuamente, sem demandar</p><p>adubo além do ciúme. Eu desconhecia se era mais</p><p>importante o tomate ou o ritual de cortá-lo. As fa�as</p><p>delgadas escreviam um ódio e só aqueles que se sentem</p><p>intrusos ao amor podem tragar.</p><p>QUEIRÓS, B. C. Vermelho amargo. São Paulo: Cosac &</p><p>Naify, 2011.</p><p>Ao recuperar a memória da infância, o narrador destaca a</p><p>importância do tomate nos almoços da família e a ação</p><p>da madrasta ao prepará-lo. A insistência nessa imagem é</p><p>um procedimento esté�co que evidencia a</p><p>a) saudade do menino em relação à sua mãe.</p><p>b) insegurança do pai diante da fome dos filhos.</p><p>c) raiva da madrasta pela indiferença do marido.</p><p>d) resistência das crianças quanto ao carinho da</p><p>madrasta.</p><p>e) convivência conflituosa entre o menino e a esposa do</p><p>pai.</p><p>IT0617 - (Enem PPL)</p><p>Fazer 70 anos</p><p>Fazer 70 anos não é simples.</p><p>A vida exige, para o conseguirmos,</p><p>perdas e perdas no ín�mo do ser,</p><p>como, em volta do ser, mil outras perdas.</p><p>[…]</p><p>Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!</p><p>Nós o conseguimos…</p><p>E sorrimos</p><p>de uma vitória comprada por que preço?</p><p>Quem jamais o saberá?</p><p>ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo:</p><p>Círculo do Livro, 1992 (fragmento).</p><p>O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o</p><p>conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante a</p><p>progressão temá�ca e o encadeamento textual,</p><p>recuperando o segmento</p><p>a) “Ó José Carlos”.</p><p>b) “perdas e perdas”.</p><p>c) “A vida exige”.</p><p>d) “Fazer 70 anos”.</p><p>e) “irmão-em-Escorpião”.</p><p>IT0680 - (Enem PPL)</p><p>Ave a raiva desta noite</p><p>A baita lasca fúria abrupta</p><p>Louca besta vaca solta</p><p>Ruiva luz que contra o dia</p><p>Tanto e tarde madrugada.</p><p>LEMINSKI, P. Distraídos venceremos. São Paulo:</p><p>Brasiliense, 2002 (fragmento).</p><p>No texto de Leminski, a linguagem produz efeitos sonoros</p><p>e jogos de imagens. Esses jogos caracterizam a função</p><p>poé�ca da linguagem, pois</p><p>a) obje�vam convencer o leitor a pra�car uma</p><p>determinada ação.</p><p>b) transmitem informações, visando levar o leitor a</p><p>adotar um determinado comportamento.</p><p>c) visam provocar ruídos para chamar a atenção do leitor.</p><p>d) apresentam uma discussão sobre a própria linguagem,</p><p>explicando o sen�do das palavras.</p><p>e) representam um uso ar�s�co da linguagem, com o</p><p>obje�vo de provocar prazer esté�co no leitor.</p><p>IT0695 - (Enem PPL)</p><p>Fogo frio</p><p>O Poeta</p><p>Fogo frio</p><p>A névoa que sobe</p><p>dos campos, das grotas, do fundo dos vales, é o hálito</p><p>quente da terra friorenta.</p><p>O Lavrador</p><p>Engana-se, amigo.</p><p>Aquilo é fumaça que sai da geada.</p><p>O Poeta</p><p>Fumaça, que eu saiba,</p><p>somente de chama e brasa é que sai!</p><p>O Lavrador</p><p>E, acaso, a geada não é</p><p>fogo branco caído do céu,</p><p>tostando tudinho, crestando tudinho, queimando</p><p>tudinho, sem pena, sem dó?</p><p>FORNARI, E. Trem da serra. Porto Alegre: Acadêmica,</p><p>1987.</p><p>Neste diálogo poé�co, encena-se um embate de ideias</p><p>entre o Poeta e o Lavrador, em que</p><p>17@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) a vitória simbólica é dada ao discurso do lavrador e</p><p>tem como efeito a renovação de uma linguagem</p><p>poé�ca cristalizada.</p><p>b) as duas visões têm a mesma importância e são</p><p>equivalentes como experiência de vida e a capacidade</p><p>de expressão.</p><p>c) o autor despreza a sabedoria popular e traça uma</p><p>caricatura do discurso do lavrador, simplório e</p><p>repe��vo.</p><p>d) as imagens contraditórias de frio e fogo referidas à</p><p>geada compõem um paradoxo que o poema não é</p><p>capaz de organizar.</p><p>e) o discurso do lavrador faz uma personificação da</p><p>natureza para explicar o fenômeno climá�co</p><p>observado pelos personagens.</p><p>IT0667 - (Enem PPL)</p><p>O rap cons�tui-se em uma expressão ar�s�ca por</p><p>meio da qual os MCs relatam poe�camente a condição</p><p>social em que vivem e retratam suas experiências</p><p>co�dianas.</p><p>SOUZA, J.; FIALHO, V. M.; ARALDI, J. Hip hop: da rua para</p><p>a escola. Porto Alegre: Sulina, 2008.</p><p>O “relato poé�co” é uma caracterís�ca fundamental</p><p>desse gênero musical, em que o</p><p>a) MC canta de forma melodiosa as letras, que retratam a</p><p>complexa realidade em que se encontra.</p><p>b) rap se limita a usar sons eletrônicos nas músicas, que</p><p>seriam responsáveis por retratar a realidade da</p><p>periferia.</p><p>c) rap se caracteriza pela proximidade das notas na</p><p>melodia, em que a letra é mais recitada do que</p><p>cantada, como em uma poesia.</p><p>d) MC canta enquanto outros músicos o acompanham</p><p>com instrumentos, tais como o contrabaixo elétrico e</p><p>o teclado.</p><p>e) MC canta poemas amplamente conhecidos,</p><p>fundamentando sua atuação na memorização de suas</p><p>letras.</p><p>18@professorferretto @prof_ferretto</p>