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<p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá, pessoal, tudo certo?!</p><p>Em 28/01/2024, foi aplicada a prova objetiva do concurso público para o Ministério Público do</p><p>estado do Goiás. Assim que encerrada, nosso time de professores elaborou o gabarito extraoficial,</p><p>que, agora, será apresentado juntamente com a nossa PROVA COMENTADA.</p><p>Este material visa a auxiliá-los na aferição das notas, elaboração de eventuais recursos, verificação</p><p>das chances de avanço para fase discursiva, bem como na revisão do conteúdo cobrado no</p><p>certame.</p><p>Desde já, destacamos que nosso time de professores identificou 1 questão passível de recurso e/ou</p><p>que deve ser anulada, por apresentarem duas ou nenhuma alternativa correta, como veremos</p><p>adiante. No tipo de prova comentado, trata-se da questão 87.</p><p>De modo complementar, elaboramos também o RANKING do MP-GO, em que nossos alunos e</p><p>seguidores poderão inserir suas respostas à prova, e, ao final, aferir sua nota, de acordo com o</p><p>gabarito elaborado por nossos professores. Através do ranking, também poderemos estimar a nota</p><p>de corte da 1º fase. Essa ferramenta é gratuita e, para participar, basta clicar no link abaixo:</p><p>https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/simulados/d803bcc2-9fa8-4c0e-bd2d-945ed88a63a5</p><p>Além disso, montamos um caderno para nossos seguidores, alunos ou não, verem os comentários</p><p>e comentar as questões da prova:</p><p>https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/8dac4e94-3208-4806-8c2a-6cdd7493cb49</p><p>Por fim, acompanhe todas as novidades sobre essa e outras provas da carreira no nosso canal do</p><p>Youtube. Inscreva-se e ative as notificações!</p><p>Estratégia Carreira Jurídica - YouTube</p><p>Esperamos que gostem do material e de todos os novos projetos que preparamos para que</p><p>avancem rumo à aprovação.</p><p>Contem sempre conosco.</p><p>Yasmin Ushara,</p><p>Coordenação de Metas do Estratégia Carreiras Jurídicas.</p><p>https://www.youtube.com/@EstrategiaCarreiraJuridica</p><p>2</p><p>117</p><p>PROVA COMENTADA –</p><p>MINISTÉRIO PÚBLICO DE GOIÁS</p><p>QUESTÃO 01. Lei Municipal delegou ao Poder Executivo a avaliação individualizada, para</p><p>fins de cobrança do IPTU, de imóvel (novo não previsto na Planta Genérica de Valores,</p><p>fixando os critérios para a avaliação técnica e assegurando ao contribuinte o direito ao</p><p>contraditório.</p><p>Diante do exposto, é correto afirmar que a referida norma é</p><p>a) constitucional, pois é compatível com o princípio da anterioridade nonagesimal.</p><p>b) inconstitucional, pois viola o princípio da legalidade tributária.</p><p>c) inconstitucional, pois viola o princípio da separação de poderes.</p><p>d) constitucional, pois é compatível com o princípio da legalidade tributária.</p><p>e) inconstitucional, pois viola competência privativa da União para editar normas gerais</p><p>sobre a matéria.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>Tema 1084 STF. Apreciação da constitucionalidade da norma que outorga ao poder administrativo</p><p>municipal a atribuição de realizar a avaliação individualizada de imóveis para fins tributários, em</p><p>específico o IPTU, quando estes não constam na lista da Planta Genérica de Valores no momento</p><p>da imposição do tributo. Caso de referência: ARE 1245097. O recurso extraordinário em questão</p><p>visa elucidar, sob a perspectiva dos artigos 30, 146, 150, I, e 156, I, da Constituição Federal, a</p><p>validade jurídico-constitucional da Lei Municipal nº 7.303/97 de Londrina. Esta legislação é objeto</p><p>de análise por conferir ao Poder Executivo local a prerrogativa de definir critérios de avaliação para</p><p>determinar o valor venal de propriedades resultantes de loteamento urbano efetuado após a</p><p>promulgação oficial da Planta Genérica de Valores.</p><p>Tese: É constitucional a lei municipal que delega ao Poder Executivo a avaliação individualizada,</p><p>para fins de cobrança do IPTU, de imóvel novo não previsto na Planta Genérica de Valores, desde</p><p>que fixados em lei os critérios para a avaliação técnica e assegurado ao contribuinte o direito ao</p><p>contraditório.</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 02. Determinado candidato estrangeiro, embora aprovado, foi excluído do</p><p>concurso público para provimento de cargo de professor em universidade federal, em razão</p><p>da sua nacionalidade.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que o</p><p>referido candidato</p><p>a) tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de cargo de</p><p>professor em universidade pública, nos termos da Constituição Federal, mesmo que a</p><p>3</p><p>117</p><p>restrição da nacionalidade esteja expressa no edital do certame e sem a necessidade de</p><p>estar devidamente justificada.</p><p>b) não tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de cargo</p><p>de professor em universidade pública, nos termos da Constituição Federal, ainda que a</p><p>autorização de outra nacionalidade esteja expressa no edital do certame.</p><p>c) não tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de</p><p>cargos de professor em universidade pública, mesmo que a restrição da nacionalidade esteja</p><p>expressa no edital do certame, com o exclusivo objetivo de preservar o interesse público.</p><p>d) tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de cargo de</p><p>professor em universidade pública, salvo se a restrição da nacionalidade estiver expressa</p><p>no edital do certame, com o exclusivo objetivo de preservar o interesse público e desde que,</p><p>sem prejuízo do controle judicial, devidamente justificada.</p><p>e) não tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de</p><p>cargos de professor em universidade pública, já que a Constituição Federal veda</p><p>expressamente que estrangeiro possa exercer a atividade de magistério público no ensino</p><p>superior.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>Tema 1032 STF. Direito de candidato estrangeiro à nomeação em concurso público para</p><p>provimento de cargos de professor, técnico e cientista em universidades e instituições de pesquisa</p><p>científica e tecnológica federais, nos termos do art. 207, § 1º, da Constituição Federal. A</p><p>repercussão foi reconhecida. Recurso extraordinário 1177699, de relatoria do Ministro Edson</p><p>Fachin, em que se discute, à luz dos arts. 3º, inciso IV; 5º, caput; 37, incisos I e II; 39, § 3º; e 207,</p><p>§ 1º, da Constituição Federal, a constitucionalidade da negativa de nomeação para o cargo de</p><p>professor de informática de candidato iraniano aprovado em concurso público realizado pela</p><p>Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e</p><p>Tecnologia Catarinense (IFC), por ter ele nacionalidade diversa daquela permitida pelo edital do</p><p>certame para o acesso ao cargo, no caso de candidato estrangeiro.</p><p>Tese: O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para</p><p>provimento de cargos de professor, técnico e cientista em universidades e instituições de pesquisa</p><p>científica e tecnológica federais, nos termos do art. 207, § 1º, da Constituição Federal, salvo se a</p><p>restrição da nacionalidade estiver expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo de</p><p>preservar o interesse público e desde que, sem prejuízo de controle judicial, devidamente</p><p>justificada.</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 03. Lei Y do Estado Beta, em razão da alta evasão populacional daquela</p><p>territorialidade para outros estados do país, estabeleceu que é assegurada aos candidatos</p><p>que nasceram e residem no referido Estado a bonificação de 10% (dez por cento) na nota</p><p>obtida nos concursos públicos, na área de segurança pública.</p><p>Diante do exposto, é correto afirmar que a referida norma é</p><p>4</p><p>117</p><p>a) inconstitucional, pois o tratamento desigual conferido pela lei estadual impugnada, apesar</p><p>de conferir efetividade aos princípios da isonomia e da impessoalidade, não atende ao</p><p>interesse público.</p><p>b) inconstitucional, pois a imposição legal de critérios de distinção entre os candidatos não</p><p>é constitucionalmente admitida, ainda que</p><p>idoso; II – contra</p><p>mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código;</p><p>III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma".</p><p>A afirmativa II está correta, conforme entendimento do STJ: “[...] Incide ao caso o princípio da</p><p>continuidade normativo-típica, pois, embora a Lei n.14.342/21 tenha revogado o art. 65 do Decreto-</p><p>Lei n.º 3.888/1941, a conduta que ele reprovava continua punível, pois a própria lei revogadora</p><p>23</p><p>117</p><p>deslocou tal ação para o tipo penal do art. 147-A do Código Penal, não se cuidando, portanto, como</p><p>já afirmado, de hipótese de abolitio criminis. Importante destacar que tal ato teria ocorrido pelo</p><p>menos duas vezes, não se tratando se fato isolado como defensivo pelo agravante”. (AgRg no HC</p><p>n.º 680.738/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, julgado em 28/9/2021, DJe de 4/10/2021).</p><p>A afirmativa III está correta, conforme Enunciado n.º 50 da Comissão Permanente de Combate à</p><p>Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (COPEVID): "Enunciado nº 50 da COPEVID:</p><p>Considera-se também relação íntima de afeto, a fim de ensejar a aplicação da Lei Maria da Penha,</p><p>aquela estabelecida e/ou mantida por meio da rede mundial de computadores".</p><p>Assim, as alternativas A, B, C e E estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 19. Com relação à prescrição, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a</p><p>verdadeira e (F) para a falsa.</p><p>( ) A decisão confirmatória da pronúncia proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em</p><p>recurso especial sempre interrompe a prescrição, nos termos do Art. 117, inciso III, do</p><p>Código Penal.</p><p>( ) De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, em caso de sentença absolutória imprópria</p><p>a prescrição pelo máximo da pena em abstrato cominada ao delito.</p><p>( ) A prescrição da pretensão executória tem curso durante o cumprimento de suspensão</p><p>condicional da pena.</p><p>As afirmativas são, respectivamente,</p><p>a) F - V - F.</p><p>b) F - V - V.</p><p>c) V - F - F.</p><p>d) F - F - V.</p><p>e) V - V - F.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A primeira afirmativa é falsa, pois de acordo com o STJ: "As decisões proferidas pelo Superior</p><p>Tribunal Justiça, em recurso interposto contra o acórdão confirmatório da pronúncia, não se inserem</p><p>no conceito do art. 117, inciso III, do Código Penal como causa interruptiva da prescrição". (HC n.º</p><p>826.977-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. para acórdão Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª</p><p>Turma, julgado em 5/12/2023, informativo n.º 798). Assim, nem sempre haverá interrupção da</p><p>prescrição hipótese.</p><p>A segunda afirmativa é verdadeira, conforme entendimento do STJ: "A prescrição da medida de</p><p>segurança imposta em sentença absolutória imprópria é regulada pela pena máxima abstratamente</p><p>prevista para o delito". (RHC n.º 39.920-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma, julgado em 6/2/2014,</p><p>Informativo n.º 535).</p><p>A terceira afirmativa é falsa, pois conforme entende do STF: "Durante a suspensão condicional da</p><p>pena não corre o prazo prescricional". (Ext n.º 1254/Romênia, 2ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki,</p><p>julgado em 29/4/2014, Informativo n.º 744). Aliás, o próprio Código Penal dispõe em seu art. 112, I,</p><p>que a prescrição da pretensão executória começa a correr do dia em que transita em julgado a</p><p>24</p><p>117</p><p>sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o</p><p>livramento condicional, assim, é incabível de qualquer modo, a fluência do prazo prescricional da</p><p>execução da pena.</p><p>Assim, as alternativas B, C, D e E estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 20. Isabel e os filhos, Carlos, Eduardo e Luiz, crianças de sete, nove e onze anos,</p><p>comemoravam o aniversário de Carlos, quando foram surpreendidos pela entrada de Caio</p><p>no imóvel.</p><p>Caio, sob influência de álcool, exibiu arma de fogo a Isabel e sua família para impedir que</p><p>eles resistissem, e, assim, subtrair os pertences dela. Assustado, Luiz começou a chorar e</p><p>a gritar por socorro, após o que Carlos o agrediu com coronhadas para que permanecesse</p><p>em silêncio e garantir o sucesso da empreitada. Isabel, então, colocou-se entre Carlos e o</p><p>filho, após o que Carlos atirou na cabeça de Isabel e de seus filhos, que vieram a óbito.</p><p>Na sequência, Carlos pegou o computador, as joias é a quantia de R$20.000,00, quantia esta</p><p>que Isabel escondia no armário. Após, evadiu-se do local, na posse dos mencionados bens</p><p>de Isabel. Do lado de fora do imóvel, estava Pedro, pessoa com quem Carlos ajustou que iria</p><p>praticar o furto, enquanto ele vigiava a aproximação de policiais, mas que estava ciente de</p><p>que Carlos trazia com ele arma de fogo.</p><p>Diante destes fatos, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Carlos, de acordo com a jurisprudência mais atual tanto do Supremo Tribunal como do</p><p>Superior Tribunal de Justiça, deverá responder, em concurso material por quatro latrocínios.</p><p>b) Carlos, segundo a jurisprudência mais atual tanto do Supremo Tribunal como do Superior</p><p>Tribunal de Justiça, deverá responder, em concurso formal impróprio.</p><p>c) Carlos, nos termos da jurisprudência mais atual tanto do Supremo Tribunal como do</p><p>Superior Tribunal de Justiça, restará configurada a continuidade delitiva.</p><p>d) A pluralidade de vítimas de violência não afasta, pelo Supremo Tribunal Federal, quando</p><p>há subtração de um só patrimônio, o reconhecimento de crime único de latrocínio.</p><p>e) Configurada hipótese de cooperação dolosamente distinta, nos termos do Art. 29, caput,</p><p>do Código Penal, Pedro deve responder por furto, não sendo caso de se reconhecer dolo</p><p>eventual por parte de Pedro.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D, conforme entendimento do STF, que foi seguido pelo STJ: "[...] 7.</p><p>Caracterizada a prática de latrocínio consumado, em razão do atingimento de patrimônio único. 8.</p><p>O número de vítimas deve ser sopesado por ocasião da fixação da pena-base, na fase do art. 59</p><p>do CP [...]" (HC n.º 109.539, Rel. Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, julgado em 7/5/2013). "[...]</p><p>Segundo entendimento acolhido por esta Corte, a pluralidade de vítimas atingidas pela violência no</p><p>crime de roubo com resultado morte ou lesão grave, embora único o patrimônio lesado, não altera</p><p>a unidade do crime, devendo essa circunstância ser sopesada na individualização da pena [...]" (HC</p><p>n.º 96.736, Rel. Min. Teori Zavascki, 2ª Turma, julgado em 17/9/2013). "Subtraído um só patrimônio,</p><p>a pluralidade de vítimas da violência não impede o reconhecimento de crime único de latrocínio".</p><p>(AgRg no AREsp n.º 2.119.185/RS, Rel. Min. Laurita Vaz, 3ª Seção, julgado em 13/9/2023,</p><p>Informativo n.º 789).</p><p>As alternativas A, B, C e E estão incorretas.</p><p>25</p><p>117</p><p>QUESTÃO 21. Isabela vivia com sua mãe Patrícia, seu avô, Maurício, e seus dois irmãos mais</p><p>velhos, Diego e Ricardo, de 10 e 12 anos, respectivamente, em Rochester, Inglaterra.</p><p>Maurício, aproveitando-se dos momentos em que Patrícia o deixava supervisionando os</p><p>filhos, diariamente, acariciava os seios e a vagina da neta. Em certa ocasião, vizinhos</p><p>ouviram gritos de socorro e acionaram a polícia local, que encontrou a pequena com</p><p>hemorragia e ferimentos na região da vagina e nádegas e os irmãos, Diego e Ricardo,</p><p>trancados dentro do armário, com fitas adesivas nos tornozelos e sinais, com hematomas e</p><p>marcas de queimadura nas costas e tórax, em vários estágios de cicatrização. Os policiais</p><p>não encontraram Maurício no local, porque este fugira para o Brasil, após notar que a Polícia</p><p>tinha sido acionada.</p><p>Os infantes Diego e Ricardo, em contato com a rede protetiva inglesa, ainda esclareceram</p><p>que Maurício, rotineiramente, queimava as costas dos netos com cigarro, utilizava alicate</p><p>para causar cortes na barriga deles e desferia tapas e golpes com cinto, quando eles o</p><p>desobedeciam, bem como pontuaram que ficavam trancados no armário, de onde tinham</p><p>visão, por ser de vidro, de tudo o que ocorria no quarto, enquanto o avô abusava da irmã, e</p><p>que foram eles que gritaram por socorro, permitindo o acionamento da polícia. Em avaliação,</p><p>as crianças apresentavam sinais indicativos de transtorno de estresse pós-traumático.</p><p>Ciente da narrativa acima, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Apesar do lugar do crime não ser o Brasil, aplica-se a lei brasileira ao caso, com base nos</p><p>princípios da nacionalidade passiva e da justiça universal.</p><p>b) A conduta de Maurício de acariciar a neta Isabela configura, de acordo com recente</p><p>julgado do Superior Tribunal de Justiça, importunação sexual e a de ferir Diego e Ricardo,</p><p>na presença dela, configura violência psicológica, na forma da Lei n° 13431/2017.</p><p>c) A violência empregada contra Diego e Ricardo, por configurar tortura, não admite a</p><p>aplicação da Lei brasileira, nos termos da Lei n° 9455/1997, porque, mesmo as vítimas sendo</p><p>brasileiras, Maurício não está mais no território nacional.</p><p>d) De acordo como Superior Tribunal de Justiça, como não se pode delimitar o número de</p><p>atos libidinosos perpetrados por Maurício contra a neta não é possível aplicar o aumento</p><p>máximo previsto no Art. 71 do Código Penal.</p><p>e) Para a violência sexual perpetrada por Maurício, a prescrição, antes de transitar em</p><p>julgado a sentença final, começa a correr da data em que a vítima completar dezoito anos</p><p>salvo se, a esse tempo, já tiver sido proposta ação penal.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E, conforme art. 111, V, do CP, conforme alteração promovida pela</p><p>Lei n.º 14.344/2022: "Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa</p><p>a correr: [...] V - nos crimes contra a dignidade sexual ou que envolvam violência contra a criança</p><p>e o adolescente, previstos neste Código ou em legislação especial, da data em que a vítima</p><p>completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal".</p><p>A alternativa A está incorreta, pois não basta que o agente seja brasileiro para a aplicação da lei</p><p>brasileira, tendo em vista que o crime praticado não está no rol de crimes cuja extraterritorialidade</p><p>é incondicionada, nos termos do art. 7º, I, do CP: "Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora</p><p>cometidos no estrangeiro: I - os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;</p><p>b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de</p><p>26</p><p>117</p><p>Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo</p><p>Poder Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio,</p><p>quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil".</p><p>A alternativa B está incorreta, por duas razões. A primeira razão é que no caso narrado houve</p><p>estupro de vulnerável, conforme entendimento do STJ: "Presente o dolo específico de satisfazer à</p><p>lascívia, própria ou de terceiro, a prática de ato libidinoso com menor de 14 anos configura o crime</p><p>de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), independentemente da ligeireza ou da superficialidade</p><p>da conduta, não sendo possível a desclassificação para o delito de importunação sexual (art. 215-</p><p>A do CP)". (REsp n.º 1.959.697/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 3ª Seção, julgado em 8/6/2022</p><p>(Recurso Repetitivo – Tema 1121), Informativo n.º 740)". A segunda razão é que a violência descrita</p><p>no enunciado é física e não psicológica, conforme art. 4º, I, da Lei n.º 13.431/2017: "Art. 4º Para os</p><p>efeitos desta Lei, sem prejuízo da tipificação das condutas criminosas, são formas de violência: I -</p><p>violência física, entendida como a ação infligida à criança ou ao adolescente que ofenda sua</p><p>integridade ou saúde corporal ou que lhe cause sofrimento físico".</p><p>A alternativa C está incorreta, pois a lei brasileira se aplica independentemente de o crime ter sido</p><p>cometido no território nacional, nos termos do art. 2º da Lei n.º 9.455/1997: "Art. 2º O disposto nesta</p><p>Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima</p><p>brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira".</p><p>A alternativa D está incorreta, pois a impossibilidade de deliminar o número de infrações não afasta</p><p>a possibilidade de aplicação da continuidade delitiva, conforme entendimento do STJ: "No crime de</p><p>estupro de vulnerável, é possível a aplicação da fração máxima de majoração prevista no art. 71,</p><p>caput, do Código Penal, ainda que não haja a delimitação precisa do número de atos sexuais</p><p>praticados, desde que o longo período de tempo e a recorrência das condutas permita concluir que</p><p>houve 7 (sete) ou mais repetições". (REsp n.º 2.029.482/RJ e REsp n.º 2.050.195/RJ, Rel. Min.</p><p>Laurita Vaz, 3ª Seção, julgado em 17/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1202) Informativo n.º</p><p>792).</p><p>QUESTÃO 22, Sobre a classificação das infrações penais, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. No crime omissivo espúrio, a omissão é descrita no próprio tipo penal e não admite a</p><p>tentativa nem a modalidade culposa.</p><p>II. Ricardo desferiu uma facada no pescoço de Carlos, com objetivo de matá-lo. Na</p><p>sequência, para assegurar o resultado, ele desferiu um disparo de arma de fogo contra a</p><p>cabeça de Carlos. Carlos veio a falecer em virtude dos ferimentos causados pelo disparo da</p><p>arma de fogo. Este homicídio é exemplo de crime de passagem.</p><p>III. A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o</p><p>resultado, originando-se o dever de agir somente de dever de cuidado, proteção ou vigilância</p><p>oriundos da lei e de assunção de responsabilidade para impedir o resultado.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) II e III, apenas.</p><p>b) I e III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II, apenas.</p><p>e) II, II e III.</p><p>27</p><p>117</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D, pois apenas a afirmativa II está correta.</p><p>A afirmativa I está incorreta, pois nos crimes omissivos impróprios (ou espúrios) é possível a</p><p>tentativa, de acordo com a doutrina, em razão da possibilidade de fracionamento dos atos</p><p>executórios do crime.</p><p>A afirmativa II está correta, pois corresponde a descrição correta do crime de passagem.</p><p>A afirmativa III está incorreta, pois a afirmativa não considerou a hipótese prevista no art. 13, § 2º,</p><p>"c", do CP: "Art. 13 [...] § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia</p><p>agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: [...] c) com seu comportamento</p><p>anterior, criou o risco da ocorrência do resultado".</p><p>Assim, as alternativas A, B, C e E estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 23. No tocante à parte geral do Código Penal, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Ricardo conduzia uma ambulância em alta velocidade. Ao ultrapassar o sinal vermelho,</p><p>colidiu com o carro em que estava Mariana, que veio a falecer em virtude dos ferimentos</p><p>suportados. Todavia, ele o fez para levar Felipe, criança de 5 anos, que corria risco de vida;</p><p>ao hospital para ser socorrido após tentativa de homicídio. Neste contexto restará</p><p>configurado estrito cumprimento de um dever legal.</p><p>b) A frustração, embora solvente, da execução da pena de muita e não reparação do dano,</p><p>sem motivo justificado, configuram causas de revogação obrigatória da suspensão</p><p>condicional da pena.</p><p>c) Considerando a disciplina sobre o estado de necessidade, inexiste qualquer causa de</p><p>diminuição de pena quando o sacrifício do direito próprio ou alheio ameaçado fosse razoável</p><p>exigir, nos termos do Art. 78 do Código Penal.</p><p>d) Bruno, em 30/01/2023, subtraiu durante o período noturno, mediante escalada,</p><p>computadores e televisões de uma loja na cidade de Sorocaba. Não satisfeito, em 09/03/2023,</p><p>ele retornou à loja mencionada e, valendo-se das mesmas condições de tempo, lugar e</p><p>maneira de execução, subtraiu mais televisões, computadores, tablets e relógios.</p><p>Considerando a posição do Supremo Tribunal Federal, não é possível o reconhecimento da</p><p>continuidade delitiva.</p><p>e) A pena, unificada nos termos do Art. 75 do Código Penal, é a utilizada para identificação</p><p>do prazo para livramento condicional, nos termos da Corte Suprema.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta</p><p>é a letra B, conforme art. 81, II, do CP: "Art. 81 - A suspensão será revogada</p><p>se, no curso do prazo, o beneficiário: [...] II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa</p><p>ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano".</p><p>A alternativa A está incorreta, pois na hipótese, a causa excludente de ilicitude que se amolda seria</p><p>a do estado de necessidade, prevista no art. 24 do CP: "Art. 24 - Considera-se em estado de</p><p>necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade,</p><p>nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não</p><p>era razoável exigir-se".</p><p>28</p><p>117</p><p>A alternativa C está incorreta, pois o art. 24, § 2º, do CP, prevê a existência de causa de diminuição:</p><p>"Art. 24 [...] § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá</p><p>ser reduzida de um a dois terços".</p><p>A alternativa D está incorreta, pois de acordo com parcela da doutrina não há como determinar o</p><p>número máximo de dias ou mesmo de meses para que se possa entender pela continuidade delitiva,</p><p>em que pese o STF ter posição no sentido de que não há continuidade delitiva em fatos praticados</p><p>em intervalo superior a 30 dias (HC n.º 107.636/RS, 1ª Turma).</p><p>A alternativa E está incorreta, pois não está de acordo com a Súmula n.º 715 do STF: "Súmula n.º</p><p>715: A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art.</p><p>75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento</p><p>condicional ou regime mais favorável de execução".</p><p>QUESTÃO 24. Sobre os crimes de furto e roubo, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. De acordo com a teoria da contrectatio, a consumação do crime de furto ocorre quando há</p><p>o contato físico com a coisa alheia móvel, desde que haja a inversão da posse.</p><p>II. Há delito de furto e não de roubo quando o sujeito ativo se vale de narcóticos para reduzir</p><p>a vítima à impossibilidade de resistência para se apoderar dos pertences dela.</p><p>III. Não é cabível tentativa de roubo impróprio.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) Ill, apenas.</p><p>b) I e II, apenas.</p><p>c) I e III, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A, tendo em vista que apenas a afirmativa III está correta.</p><p>A afirmativa I está incorreta, pois para a teoria da concretactio, não é necessária a inversão da</p><p>posse da coisa, sendo bastante o contato do agente com a coisa.</p><p>A afirmativa II está incorreta, pois o uso de narcóticos para praticar a subtração é fato se amolda</p><p>ao art. 157 do CP (roubo), tendo em vista que, embora não houve violência ou grave ameaça, houve</p><p>a impossibilidade de resistência da vítima, elementar do crime de roubo.</p><p>A afirmativa III está correta. Vejamos a diferenciação realizada pela doutrina do roubo próprio e do</p><p>roubo impróprio: " Enquanto no roubo próprio o agente usa a violência ou grave ameaça para retirar</p><p>os bens da vítima, no roubo impróprio "a violência ou a grave ameaça ocorrem após a consumação</p><p>da subtração, visando o agente assegurar a posse da coisa subtraída ou a impunidade do crime"</p><p>(MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal, 18 ed., p. 238).</p><p>Assim, de acordo com a doutrina majoritária, não há como haver tentativa no roubo impróprio. Se</p><p>o agente é impedido de praticar a subtração e não pratica qualquer ato executório, não há crime.</p><p>Se o agente subtrai a coisa, mas não consegue empregar a violência ou grave ameaça por qualquer</p><p>motivo, haverá crime de furto.</p><p>29</p><p>117</p><p>Assim, as alternativas B, C, D e E estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 25. Leia as opções a seguir e assinale a afirmativa correta.</p><p>a) No estrito cumprimento de um dever legal, este dever funda-se em disposição jurídico-</p><p>normativa e moral.</p><p>b) A pena é aumentada de 1/3 a 2/3 no crime de divulgação de cena de estupro, de sexo ou</p><p>pornografia, se a vítima é pessoa com quem o sujeito ativo mantenha ou tenha mantido</p><p>relação íntima de afeto ou com a finalidade de vingança ou humilhação.</p><p>c) Em caso de ilegalidade aparente em ordem de superior hierárquico, o subordinado será</p><p>responsabilizado pelo ato ilícito na qualidade de autor mediato.</p><p>d) A apropriação de coisa perdida configura o crime de furto.</p><p>e) É possível a aplicação do princípio da insignificância ao delito de lesão corporal, quando</p><p>os ferimentos suportados pela vítima forem reduzidíssimos, mesmo nos casos envolvendo</p><p>violência doméstica e familiar contra a mulher.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B, pois está de acordo com o art. 218-C, § 1º, do CP: "Art. 218-C [...]</p><p>§ 1º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente</p><p>que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou</p><p>humilhação".</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a excludente de ilicitude do estrito cumprimento de dever legal,</p><p>como o próprio nome sugere, se funda em disposição normativa apenas. Vejamos o que a doutrina</p><p>majoritária dispõe sobre: "Ao contrário do que fez em relação ao estado de necessidade e à legítima</p><p>defesa, o Código Penal não apresentou o conceito de estrito cumprimento de dever legal, nem seus</p><p>elementos característicos. Pode-se defini-lo, contudo, como a causa de exclusão da ilicitude que</p><p>consiste na prática de um fato típico, em razão de cumprir o agente uma obrigação imposta por lei,</p><p>de natureza penal ou não" (MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de direito penal. Parte geral. 24. ed.</p><p>São Paulo: Atlas, 2007. v. 1, p. 185).</p><p>A alternativa C está incorreta, pois na hipótese, o subordinado seria o autor imediato do crime.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois a apropriação de coisa perdida configura crime autônomo</p><p>previsto no art. 169, parágrafo único, II, do CP: "Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda</p><p>ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza: Pena - detenção, de um mês a um ano,</p><p>ou multa. Parágrafo único - Na mesma pena incorre: [...] Apropriação de coisa achada II - quem</p><p>acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono</p><p>ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias".</p><p>A alternativa E está incorreta, pois não é aplicável o princípio da insignificância nos crimes ou</p><p>contravenções penais praticadas contra a mulher no âmbito das relações domésticas, nos termos</p><p>da Súmula n.º 589 do STJ: "Súmula n.º 589: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes</p><p>ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas".</p><p>QUESTÃO 26. No curso de uma persecução penal processual, em que se imputa a suposta</p><p>prática do crime de roubo a Tarcísio, a acusação argui, por escrito, a falsidade de documento</p><p>constante dos autos. Em assim sendo, o juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca Alfa, após a</p><p>30</p><p>117</p><p>observância de todas as formalidades previstas em lei, decide que, de fato, o documento</p><p>impugnado é falso.</p><p>Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal, é correto afirmar</p><p>que a defesa poderá interpor</p><p>a) recurso em sentido estrito em face da decisão judicial, no prazo de cinco dias.</p><p>b) recurso de apelação em face da decisão judicial, no prazo de cinco dias.</p><p>c) carta testemunhável em face da decisão judicial, no prazo de oito dias.</p><p>d) recurso de apelação em face da decisão judicial, no prazo de oito dias.</p><p>e) correição parcial em face da decisão judicial, no prazo de cinco dias.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A. A questão aborda o tema recursos no CPP.</p><p>A alternativa A está correta. Conforme previsto no artigo 581, XVIII, do Código Processo Penal:</p><p>"Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: (...) XVIII - que decidir o</p><p>incidente de falsidade;". Portanto, é correta a interposição do RESE.</p><p>A alternativa B</p><p>está incorreta. Conforme comentários da letra A.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra A.</p><p>A alternativa D está incorreta. Conforme comentários da letra A.</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme comentários da letra A.</p><p>QUESTÃO 27. José responde, em juízo, pela suposta prática do crime de estupro de</p><p>vulnerável, que teria sido perpetrado durante as festividades de réveillon, na presença de</p><p>três pessoas, quais sejam:</p><p>i. Caio, que tem 13 anos de idade;</p><p>ii. Matheus, que possui 17 anos de idade; e</p><p>iii. Maria, genitora do acusado.</p><p>Buscando elucidar os fatos, o Ministério Público requer a oitiva dos indivíduos, ora</p><p>elencados, em sede judicial. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de</p><p>Processo Penal, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Caio e Matheus não poderão se eximir da obrigação de prestar depoimento, mas os dois</p><p>não prestarão o compromisso legal de dizer a verdade. Por sua vez, Maria poderá se recusar</p><p>a depor, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do</p><p>fato e de suas circunstâncias, hipótese em que será ouvida sem prestar o compromisso legal</p><p>de dizer a verdade.</p><p>b) Caio e Matheus não poderão se eximir da obrigação de prestar depoimento, mas o primeiro</p><p>não prestará o compromisso de dizer legal e verdade. Por sua vez, Maria poderá se recusar</p><p>a depor, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do</p><p>fato e de suas circunstâncias, hipótese em que será ouvida sem prestar o promisso legal de</p><p>dizer a verdade.</p><p>31</p><p>117</p><p>c) Caio e Matheus estão proibidos de prestar depoimento. Por sua vez, Maria poderá se</p><p>recusar a depor, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a</p><p>prova do fato e de suas circunstâncias, hipótese em que será ouvida sem prestar o</p><p>compromisso legal de dizer a verdade.</p><p>d) Caio e Matheus não poderão se eximir da obrigação de prestar depoimento, sendo certo</p><p>que os dois prestarão o compromisso legal de dizer a verdade. Por sua vez, Maria está</p><p>proibida de prestar depoimento.</p><p>e) Caio e Matheus estão proibidos de prestar depoimento. Por sua vez, Maria não poderá se</p><p>recusar a depor, mas não prestará o compromisso legal de dizer a verdade.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B. A questão trata sobre prova testemunhal.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>A alternativa B está correta. O caso em apreço exige uma leitura conjunta dos artigos 206 e 208 do</p><p>CPP. Enquanto o artigo 206 exime alguns indivíduos de prestar o depoimento, tal qual o</p><p>ascendente: "A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, entretanto,</p><p>recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que</p><p>desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível,</p><p>por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.". O artigo 208</p><p>estabelece que certas pessoas, embora prestem depoimento, não assumem o compromisso de</p><p>falar a verdade, dentre esses os menores de 14 anos: "Não se deferirá o compromisso a que alude</p><p>o art. 203 aos doentes e deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas</p><p>a que se refere o art. 206.".</p><p>Desta forma, como regra, Caio, por ser menor de 14 anos não prestará o compromisso de dizer a</p><p>verdade, embora deva depor. Matheus deverá depor, prestando o compromisso. Já Maria poderá</p><p>se recusar a depor, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova</p><p>do fato e de suas circunstâncias, hipótese em que será ouvida sem prestar o promisso legal de</p><p>dizer a verdade, em razão da parte final do artigo 208 do CPP, acima transcrito.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>A alternativa D está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>QUESTÃO 28. José, responsável por grande operação de subtração e posterior alienação de</p><p>motocicletas em âmbito nacional, adquiriu diversos imóveis com os valores pecuniários</p><p>arrecadados por intermédio da atividade ilícita. Desta forma, após tomar ciência dos fatos,</p><p>João, Delegado de Polícia, deflagra inquérito policial para investigar os crimes perpetrados</p><p>por José, mapeando todos os apartamentos e casas que pertencem ao agente e que são</p><p>proventos das diversas infrações penais perpetradas, visando à adoção das medidas legais</p><p>cabíveis. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal,</p><p>assinale a afirmativa correta.</p><p>a) O juiz de ofício, a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou mediante</p><p>representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro, em qualquer fase do</p><p>processo ou ainda antes de oferecida a denúncia.</p><p>32</p><p>117</p><p>b) O sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo investigado com os proventos da infração,</p><p>é cabível, salvo se já tiveram sido transferidos a terceiro.</p><p>c) O sequestro será levantado se a ação penal não for intentada no prazo de trinta dias,</p><p>contado da data em que ficar concluída a diligência.</p><p>d) O sequestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos infringentes e de nulidade.</p><p>e) Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios mínimos da proveniência</p><p>ilícita dos bens.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A . A questão trata sobre sequestro.</p><p>A alternativa A está correta. A afirmativa traz a literalidade do artigo 127 do CP, o qual prevê: "O</p><p>juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da</p><p>autoridade policial, poderá ordenar o seqüestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de</p><p>oferecida a denúncia ou queixa."</p><p>A alternativa B está incorreta. A transferência a terceiro não é impeditivo da realização do sequestro,</p><p>nos termos do artigo 125 do CP: "Caberá o seqüestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado</p><p>com os proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro".</p><p>A alternativa C está incorreta. Diferentemente do afirmado pela alternativa, o lapso é de 60 dias e</p><p>não de 30 dias. Neste sentido, o artigo 131,I, do CPP estabelece que o sequestro será levantado:</p><p>"se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar</p><p>concluída a diligência;"</p><p>A alternativa D está incorreta. Os embargos infringentes e de nulidades são espécies recursais</p><p>cabíveis em face de decisões colegiadas, de segunda instância, não unânimes e manejável apenas</p><p>pela defesa. Desse modo, no caso do sequestro, embora seja autuado em apartado, contra ele,</p><p>caberá embargos de terceiro, nos termos do artigo 129 do CPP: "O seqüestro autuar-se-á em</p><p>apartado e admitirá embargos de terceiro."</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme o artigo 126 do CPP, os indícios devem ser veementes:</p><p>"Para a decretação do seqüestro, bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita</p><p>dos bens."</p><p>QUESTÃO 29. José responde, em juízo, pela prática dos crimes de homicídio qualificado</p><p>(feminicídio) e de descumprimento de medida protetiva - conexos -, em concurso material.</p><p>Finda a instrução probatória na primeira fase do procedimento bifásico inerente ao Tribunal</p><p>do Júri, há a apresentação de alegações finais orais pelo Ministério Público e pela defesa</p><p>técnica. O Parquet, requer, em síntese, a pronúncia do acusado. A defesa, por sua vez, traz</p><p>à baila a tese de insuficiência probatória, e, subsidiariamente, alega e comprova a</p><p>inimputabilidade do acusado, o qual, ao tempo da ação, era inteiramente incapaz de entender</p><p>o caráter ilícito dos fatos, em razão de doença mental grave.</p><p>À luz do acervo probatório produzido, o juiz, titular de Vara Criminal com competência</p><p>exclusiva de Tribunal do Júri, se convence que há prova da existência dos fatos e indícios</p><p>suficientes de autoria, malgrado a inimputabilidade do réu seja cabal.</p><p>Nesse cenário, considerando as disposições</p><p>do Código de Processo Penal, é correto afirmar</p><p>que o juiz deverá</p><p>33</p><p>117</p><p>a) absolver sumariamente o acusado José em relação ao homicídio qualificado e declinar da</p><p>competência para o julgamento do crime de descumprimento de medida protetiva.</p><p>b) pronunciar o acusado José em relação ao homicídio qualificado e absolvê-lo</p><p>sumariamente no que se refere ao crime de descumprimento de medida protetiva.</p><p>c) absolver sumariamente o acusado José em relação ao homicídio qualificado e ao crime</p><p>de descumprimento de medida protetiva.</p><p>d) impronunciar o acusado José em relação ao homicídio qualificado e ao crime de</p><p>descumprimento de medida protetiva.</p><p>e) pronunciar o acusado José em relação ao homicídio qualificado e ao crime de</p><p>descumprimento de medida protetiva.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E. A questão trata sobre o Tribunal do Júri.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa D está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa E está correta. A questão exige a análise do artigo 415, parágrafo único, do CPP, o</p><p>qual trata das possibilidades da absolvição sumária. Neste sentido, causas de isenção de pena ou</p><p>exclusão do crime podem levar à absolvição sumária demonstradas. Todavia, o parágrafo único do</p><p>artigo 415 do CPP traz regra própria para os casos de inimputabilidade: "Não se aplica o disposto</p><p>no inciso IV do caput deste artigo ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Código</p><p>Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva.". Ou seja, apenas quando a inimputabilidade</p><p>seja a única tese defensiva é que ela poderá levar à absolvição sumária.</p><p>QUESTÃO 30. Mário, advogado criminalista, passou a estudar, nas nuances, as inovações</p><p>trazidas à baila pela Lei nº 13.964/2019, em especial a implementação do instituto do Juiz das</p><p>garantias, em razão do potencial impacto no exercício de suas funções. Registre-se que o</p><p>escritório de Mário atua em quatro diferentes áreas, quais sejam:</p><p>I. processos de competência do Tribunal do Júri;</p><p>ii. casos de violência doméstica e familiar;</p><p>iii. crimes previstos na Lei 11.343/2006 (Lei de drogas); e</p><p>iv. processos de competência originária dos Tribunais.</p><p>Nesse cenário, considerando o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar</p><p>que Mário deverá observar as normas relativas ao juiz das garantias na(s) seguinte(s) área(s)</p><p>de atuação do seu escritório de advocacia:</p><p>a) processos de competência do Tribunal do Júri; casos de violência doméstica e familiar: e</p><p>processos de competência originária dos Tribunais.</p><p>b) casos de violência doméstica e familiar; crimes previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de</p><p>Drogas); e processos de competência originária dos Tribunais.</p><p>34</p><p>117</p><p>c) crimes previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas); e processos de competência</p><p>originária dos Tribunais.</p><p>d) processos de competência do Tribunal do Júri; e casos de violência doméstica e familiar.</p><p>e) crimes previstos na Lei n® 11.343/2006 (Lei de Drogas).</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E. A questão trata sobre juiz das garantias.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa D está incorreta. Conforme comentários da letra E.</p><p>A alternativa E está correta. O STF, no julgamento das ADIs 6.298/DF, 6.299/DF, 6.300/DF</p><p>e 6.305/DF, analisou a constitucionalidade dos dispositivos que introduziram o juiz das garantias</p><p>no CPP. Dentre estes, definiu-se que o artigo 3º-C do CPP, que dispõe que : " A competência do</p><p>juiz das garantias abrange todas as infrações penais, exceto as de menor potencial ofensivo, e</p><p>cessa com o recebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código” , deve ser</p><p>interpretado conforme a constituição, de modo que "as normas relativas ao juiz das garantias não</p><p>se aplicam às seguintes situações: a) processos de competência originária dos tribunais, os quais</p><p>são regidos pela Lei 8.038/1990; b) processos de competência do tribunal do júri; c) casos de</p><p>violência doméstica e familiar; e d) infrações penais de menor potencial ofensivo".</p><p>QUESTÃO 31. Maria após ser agredida e ameaçada por João, companheiro de data,</p><p>conseguiu fugir, logrando êxito em localizar, nas proximidades, uma viatura da Polícia</p><p>Militar, ocasião em que narrou o ocorrido.</p><p>Em assim sendo, os policiais militares se dirigiram ao domicílio do casal e prenderam o</p><p>agente em flagrante, encaminhando-o à Delegacia de Polícia especializada. Na sequência,</p><p>João foi direcionado ao sistema prisional para a realização da audiência de custódia.</p><p>Nesse cenário, considerando as disposições da Resolução nº 213/2015 do Conselho</p><p>Nacional de Justiça sobre a audiência de custódia, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da</p><p>liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão ou</p><p>quando determinado o imediato arquivamento do inquérito, a autoridade policial será</p><p>cientificada e, se a vítima de violência doméstica e familiar contra a mulher não estiver</p><p>presente na audiência, deverá, em até vinte e quatro horas, contadas da expedição do alvará</p><p>de soltura, ser notificada da decisão sem prejuízo intimação do seu advogado ou do seu</p><p>defensor público.</p><p>b) A ata da audiência conterá, apenas e resumidamente, a deliberação fundamentada do</p><p>magistrado quanto à legalidade e à manutenção da prisão, cabimento de liberdade provisória</p><p>sem ou com a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, considerando-se o</p><p>pedido de cada parte, como também, em caso da constatação de indícios de tortura e maus</p><p>tratos, a expedição de ofício, com cópias dos autos, ao órgão ao qual estão veiculados os</p><p>agentes públicos executores da prisão.</p><p>35</p><p>117</p><p>c) Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão da</p><p>liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar, ou quando determinado o</p><p>imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito será colocada em</p><p>liberdade em até vinte e quatro horas, mediante à expedição de alvará de soltura, e será</p><p>informada sobre seus direitos e obrigações, salvo se, por outro motivo, tenha que continuar</p><p>presa.</p><p>d) Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue a pessoa presa em</p><p>flagrante delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se à ciência de todos, e apenas</p><p>o auto de prisão em flagrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre</p><p>distribuição.</p><p>e) A oitiva do preso será registrada, preferencialmente, em mídia, como também haverá a</p><p>formalização de termo de manifestação de pessoa presa ou do conteúdo das postulações</p><p>das partes, ficando arquivada na unidade responsável pela audiência de custódia.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D. A questão trata da Audiência de Custódia.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme previsto no artigo 8º,§§ 5 e 6, da Resolução 213/15 do</p><p>CNJ: "§ 5º Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na concessão</p><p>da liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão, ou quando</p><p>determinado o imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito será</p><p>prontamente colocada em liberdade, mediante a expedição de alvará de soltura, e será informada</p><p>sobre seus direitos e obrigações, salvo se por outro motivo tenha que continuar presa. § 6º Na</p><p>hipótese do § 5º, a autoridade policial será cientificada e se a vítima de violência doméstica e familiar</p><p>contra a mulher não estiver presente na audiência, deverá, antes da expedição do alvará de soltura,</p><p>ser notificada</p><p>da decisão, sem prejuízo da intimação do seu advogado ou do seu defensor público.".</p><p>Ou seja, no caso de violência doméstica, não estando presente a vítima na audiência, a notificação</p><p>desta deverá anteceder a expedição do alvará de soltura.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme o artigo 8,§3, da Resolução 213 do CNJ estabelece que a</p><p>" A ata da audiência conterá (...) as providências tomadas, em caso da constatação de indícios de</p><p>tortura e maus tratos.". Deste modo, a alternativa, ao restringir que na ata constará a expedição de</p><p>ofício, ignorando demais medidas que devem ser tomadas, conforme estabelecido no artigo 11, da</p><p>referida Resolução, está incorreta.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme previsto no artigo 8º,§ 5, da Resolução 213/15 do CNJ, a</p><p>pessoa custodiada, nesses casos, deverá ser prontamente colocada em liberdade e não aguardar</p><p>por 24 horas: "§ 5º Proferida a decisão que resultar no relaxamento da prisão em flagrante, na</p><p>concessão da liberdade provisória sem ou com a imposição de medida cautelar alternativa à prisão,</p><p>ou quando determinado o imediato arquivamento do inquérito, a pessoa presa em flagrante delito</p><p>será prontamente colocada em liberdade, mediante a expedição de alvará de soltura, e será</p><p>informada sobre seus direitos e obrigações, salvo se por outro motivo tenha que continuar presa".</p><p>A alternativa D está correta. A alternativa traz a redação do artigo 8,§4º, da Resolução 213 do CNJ:</p><p>"Concluída a audiência de custódia, cópia da sua ata será entregue à pessoa presa em flagrante</p><p>delito, ao Defensor e ao Ministério Público, tomando-se a ciência de todos, e apenas o auto de</p><p>prisão em flagrante, com antecedentes e cópia da ata, seguirá para livre distribuição."</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme o artigo 8,§4º, da Resolução 213 do CNJ, é dispensada a</p><p>formalização de termo de manifestação da pessoa presa: "A oitiva da pessoa presa será registrada,</p><p>preferencialmente, em mídia, dispensando-se a formalização de termo de manifestação da pessoa</p><p>36</p><p>117</p><p>presa ou do conteúdo das postulações das partes, e ficará arquivada na unidade responsável pela</p><p>audiência de custódia.".</p><p>Questão 32. Lucas, membro do Ministério Público, ao deflagrar um procedimento</p><p>investigatório criminal, escarnece às vítimas sobre seus direitos materiais e processuais,</p><p>afirmando, ainda, que adotará todas as medidas necessárias para a reparação dos danos por</p><p>elas sofridos e para preservar seus direitos fundamentais, em especial a intimidade, a vida</p><p>privada, a honra e a imagem. Nesse cenário, considerando as disposições da Resolução nº</p><p>181/2017 do Conselho Nacional do Ministério Público, é correto afirmar que</p><p>a) O membro do Parquet que preside o procedimento investigatório criminal até o</p><p>ajuizamento da ação penal, deverá providenciar o encaminhamento da vítima ou de</p><p>testemunhas, caso presentes os pressupostos legais, para inclusão em Programa de</p><p>Proteção de Assistência a Vítimas e a Testemunhas ameaçadas ou em Programa de Proteção</p><p>a Crianças e Adolescentes Ameaçados, conforme o caso.</p><p>b) O membro do Parquet que preside o procedimento investigatório criminal providenciará</p><p>o encaminhamento da Vítima e outras pessoas atingidas pela prática do fato criminoso</p><p>apurado e rede de assistência, para atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas</p><p>psicossocial, de assistência jurídica e de saúde, à expensas do Ministério Público.</p><p>c) Em caso de medidas de proteção ao investigado, as vítimas e testemunhas, o membro do</p><p>Ministério Público observará a tramitação prioritária do feito, bem como providenciar, se o</p><p>caso, a oitiva antecipada dessas pessoas ou pedirá a antecipação dessa oitiva em juízo.</p><p>d) O membro do Parquet velará pela segurança de vítimas e testemunhas que sofrerem</p><p>ameaça ou que, de modo concreto, estejam suscetíveis a sofrer intimidação por parte de</p><p>acusados, de parentes deste ou pessoas a seu mando, podendo, inclusive, solicitar ao juiz</p><p>competente proteção policial em seu favor.</p><p>e) Nos procedimentos de acolhimento, oitiva e atenção à vítima, o membro do Ministério</p><p>Público diligenciará para que a ela seja assegurada e possibilidade de prestar declarações e</p><p>informações em geral, eventualmente sugerir diligências, indicar meios de prova e deduzir</p><p>alegações, que deverão ser avaliadas e respondidas, fundamentadamente, no prazo de dez</p><p>dias.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C. A questão trata sobre o Procedimento investigatório criminal a</p><p>cargo do Ministério Público.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme previsto no artigo 17,§2º, da Resolução 181/2017 do</p><p>CNMP, o dever de encaminhamento para inclusão em Programa de Proteção de Assistência a</p><p>Vítimas e a Testemunhas ameaçadas ou em Programa de Proteção se mantém mesmo após</p><p>proposta a ação penal: "O membro do Ministério Público que preside o procedimento investigatório</p><p>criminal, no curso da investigação ou mesmo após o ajuizamento da ação penal, deverá</p><p>providenciar o encaminhamento da vítima ou de testemunhas, caso presentes os pressupostos</p><p>legais, para inclusão em Programa de Proteção de Assistência a Vítimas e a Testemunhas</p><p>ameaçadas ou em Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados, conforme o</p><p>caso."</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme previsto no artigo 17,§4º, da Resolução 181/2017 do</p><p>CNMP, o dever de arcar com os custos é do Estado e não do MP: "O membro do Ministério Público</p><p>37</p><p>117</p><p>que preside o procedimento investigatório criminal providenciará o encaminhamento da vítima e</p><p>outras pessoas atingidas pela prática do fato criminoso apurado à rede de assistência, para</p><p>atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas psicossocial, de assistência jurídica e de</p><p>saúde, a expensas do ofensor ou do Estado."</p><p>A alternativa C está correta. A alternativa traz a literalidade do artigo 17, §3º, da Resolução</p><p>181/2017 do CNMP: “Em caso de medidas de proteção ao investigado, as vítimas e testemunhas,</p><p>o membro do Ministério Público observará a tramitação prioritária do feito, bem como providenciará,</p><p>se o caso, a oitiva antecipada dessas pessoas ou pedirá a antecipação dessa oitiva em juízo."</p><p>A alternativa D está incorreta. A alternativa está incorreta, pois a solicitação de proteção policial não</p><p>precisa ser feita por intermédio do juiz, conforme o artigo 17, §1º, da Resolução 181/2017 do CNMP:</p><p>"O membro do Ministério Público velará pela segurança de vítimas e testemunhas que sofrerem</p><p>ameaça ou que, de modo concreto, estejam suscetíveis a sofrer intimidação por parte de acusados,</p><p>de parentes deste ou pessoas a seu mando, podendo, inclusive, requisitar proteção policial em seu</p><p>favor."</p><p>A alternativa E está incorreta. A parte final da alternativa, ao prever a avaliação e resposta no prazo</p><p>de dez dias, não está adequada, à luz do artigo 17, §5º, da Resolução 181/2017 do CNMP: "Nos</p><p>procedimentos de acolhimento, oitiva e atenção à vítima, o membro do Ministério Público</p><p>diligenciará para que a ela seja assegurada a possibilidade de prestar declarações e informações</p><p>em geral, eventualmente sugerir diligências, indicar meios de prova e deduzir alegações, que</p><p>deverão ser avaliadas fundamentadamente pelo Ministério Público.”</p><p>QUESTÃO 33. O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Fábio, imputando-lhe a</p><p>prática de dois crimes em concurso formal próprio. Em síntese, o denunciado ingressou em</p><p>um coletivo e simulando portar uma arma de fogo, determinou que duas pessoas</p><p>entregassem os seus pertences, o que fora prontamente atendido. Na sequência, Fábio se</p><p>evadiu na posse dos telefones celulares dos ofendidos.</p><p>Sobre a hipótese, considerando as disposições do Código de Processo Penal e o</p><p>entendimento doutrinário dominante é correto afirmar que o processo e julgamento dos</p><p>crimes de roubo perpetrados dar-se-á em conjunto em razão da</p><p>a) continência por cumulação subjetiva,</p><p>b) continência por cumulação objetiva.</p><p>c) conexão concursal.</p><p>d) conexão objetiva.</p><p>e) conexão lógica.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B. A questão trata sobre Conexão e Continência.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>A alternativa B está correta. Conforme previsto no artigo 77,II, do CPP: "A competência será</p><p>determinada pela continência quando: II - no caso de infração cometida nas condições previstas</p><p>nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal ( atuais artigos 70, 73 e 74 do Código</p><p>Penal)".</p><p>38</p><p>117</p><p>Portanto, a continência objetiva determina a reunião de julgamento de fatos cometidos em concurso</p><p>formal, com aberratio ictus (erro na execução) ou aberratio criminis (resultado diverso do</p><p>pretendido). Logo, aplicável ao caso narrado.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>A alternativa D está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme comentários da letra B.</p><p>QUESTÃO 34. Matheus, Promotor de Justiça no âmbito do Ministério Público do Estado de</p><p>Goiás, preside investigação em face de João, suposto autor de crime contra o patrimônio.</p><p>Durante a tramitação do procedimento, o Investigado argui a suspeição do membro do</p><p>Parquet.</p><p>Nesse cenário, considerando as disposições da Resolução nº 07/2018 do Colégio de</p><p>Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás, assinale a afirmativa</p><p>correta,</p><p>a) Com a recusa fundamentada da alegação de suspeição por parte do presidente do</p><p>procedimento investigatório criminal e, encaminhados os autos ao Procurador-Geral de</p><p>Justiça, este poderá, sendo relevante o fundamento da arguição de suspeição, suspender</p><p>liminarmente a tramitação do feito, pelo prazo máximo de sessenta dias, dando ciência ao</p><p>Promotor de Justiça e ao excipiente.</p><p>b) O presidente do procedimento investigatório criminal, caso não concorde com a alegação</p><p>de suspeição, lançará nos autos da exceção, no prazo de cinco dias, manifestação</p><p>fundamentada ne qual recusará a suspeição, remetendo os autos, em três dias, ao</p><p>Procurador-Geral de Justiça para decisão, a ser tomada no prazo máxima de trinta dias.</p><p>c) presidente do procedimento investigatório criminal, caso concorde com a alegação de</p><p>suspeição, transferirá a presidência ao substituto legal, dando conhecimento dos fatos, em</p><p>três dias, ao Procurador-Geral.</p><p>d) A arguição de suspeição será formalizada em peça própria, cujas razões deverão ser</p><p>apresentadas no prazo de 2 dias, instruídas com a prova do fato constitutivo alegado, sob</p><p>pena de não conhecimento.</p><p>e) Os autos do procedimento Investigatório criminal, se transferida a presidência da</p><p>investigação, tramitarão na Promotoria de Justiça do substituto legal.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B. A questão trata sobre o Procedimento investigatório criminal a</p><p>cargo do Ministério Público.</p><p>A alternativa A está incorreta. A alternativa afronta o disposto no artigo 18,§1º, da Resolução nº</p><p>07/2018 do Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás: "No caso</p><p>do inciso I deste artigo, o Procurador-Geral de Justiça poderá, sendo relevante o fundamento da</p><p>arguição de suspeição ou de impedimento, suspender liminarmente a tramitação do procedimento</p><p>investigatório criminal até sua final decisão, dando ciência ao presidente da investigação e ao</p><p>excipiente.". A suspensão, portanto, é até a a decisão final.</p><p>A alternativa B está correta. A alternativa traz a literalidade do disposto no artigo 18,caput e I, da</p><p>Resolução nº 07/2018 do Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de</p><p>39</p><p>117</p><p>Goiás: "O presidente do procedimento investigatório criminal lançará nos autos da exceção, no</p><p>prazo de 5 (cinco) dias, manifestação fundamentada na qual: I - recusará a suspeição ou o</p><p>impedimento, remetendo os autos, em 3 (três) dias, ao Procurador-Geral de Justiça para decisão,</p><p>a ser tomada no prazo máximo de 30 (trinta) dias;".</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme disposto no artigo 18, caput e II, da Resolução nº 07/2018</p><p>do Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás, não há menção</p><p>de comunicação ao Procurador-Geral: "Art. 18. O presidente do procedimento investigatório criminal</p><p>lançará nos autos da exceção, no prazo de 5 (cinco) dias, manifestação fundamentada na qual: II -</p><p>concordará com a alegação, com o que ficará, automaticamente, transferida a presidência da</p><p>investigação a seu substituto."</p><p>A alternativa D está incorreta. Conforme disposto no artigo 16 da Resolução nº 07/2018 do Colégio</p><p>de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás, a arguição já deve ser</p><p>acompanhada das razões: "A arguição de suspeição ou de impedimento será formalizada em peça</p><p>própria, acompanhada das respectivas razões, e instruída com a prova do fato constitutivo alegado,</p><p>sob pena de não conhecimento."</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme disposto no artigo 18,§2º, da Resolução nº 07/2018 do</p><p>Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás: "Ainda que</p><p>transferida a presidência da investigação, os autos do procedimento investigatório criminal</p><p>permanecerão tramitando na Promotoria de Justiça de origem."</p><p>QUESTÃO 35. Daniel, primário e portador de bons antecedentes, está sendo investigado por</p><p>ter praticado, em tese, o crime de estelionato.</p><p>Preocupado com o andamento do inquérito policial, o agente contrata um advogado, que lhe</p><p>informa sobre as vantagens e desvantagens dos institutos despenalizadores que existem na</p><p>ordem jurídica pátria, em especial o acordo de não persecução penal.</p><p>Sobre a hipótese narrada, considerando as disposições do Código de Processo Penal e o</p><p>entendimento do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) No caso de recusa de oferecimento do acordo de não persecução penal pelo membro do</p><p>Parquet, o recurso dirigido às instâncias administrativas contra o parecer de instância</p><p>superior do Ministério Público detém efeito suspensivo capaz de sustar o andamento de</p><p>ação penal.</p><p>b) Após a assinatura do acordo de não persecução penal pelas partes, os autos serão</p><p>encaminhados ao juiz, o qual, verificada a legalidade e voluntariedade do negócio jurídico</p><p>processual, o homologará.</p><p>c) Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz encaminhará os</p><p>autos ao juízo da execução penal, para dar início ao cumprimento das condições postas.</p><p>d) A revogação do acordo de não persecução penal não exige que o Investigado seja</p><p>intimado para justificar o descumprimento das condições impostas na avença.</p><p>e) O Ministério Público deve notificar o investigado acerca da proposta do Acordo de Não</p><p>Persecução Penal.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D. A questão trata sobre o ANPP.</p><p>40</p><p>117</p><p>A alternativa A está incorreta. A alternativa afronta entendimento do STJ proferido pela 5ª Turma,</p><p>e veiculado no informativo 780, segundo o qual: "No caso de recusa de oferecimento do acordo de</p><p>não persecução penal pelo representante do Ministério Público, o recurso dirigido às instâncias</p><p>administrativas contra o parecer da instância superior do Ministério Público não detém efeito</p><p>suspensivo capaz de sustar o andamento de ação penal.". Portanto, não há efeito suspensivo em</p><p>tais casos.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme exposto pelo artigo 28-A,§4º, do CPP, o juiz deverá realizar</p><p>"audiência na qual o juiz deverá verificar a sua voluntariedade, por meio da oitiva do investigado na</p><p>presença do seu defensor, e sua legalidade".</p><p>A alternativa C está incorreta. Embora a literalidade do artigo 28-A,§6, do CPP indique que a</p><p>execução se dará perante o juízo da execução: "Homologado judicialmente o acordo de não</p><p>persecução penal, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para que inicie sua execução</p><p>perante o juízo de execução penal”. O STJ, por meio da 3ª Seção, no julgamento do CC 192.158-</p><p>MT, estabeleceu que: “A competência para a execução do acordo de não persecução penal</p><p>é do</p><p>Juízo que o homologou”.</p><p>A alternativa D está correta. A afirmativa está de acordo com o posicionamento do STJ, o qual</p><p>decidiu, no HC 809.639/GO, veiculado no informativo 795, que: "Prevê o § 10 do art. 28-A do Código</p><p>de Processo Penal que o descumprimento das condições impostas no acordo de não persecução</p><p>penal implica a revogação do benefício, devendo o Ministério Público comunicar o fato ao juízo,</p><p>para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia, não havendo previsão legal para</p><p>que o investigado seja intimado, mesmo que por edital, para justificar o descumprimento das</p><p>condições pactuadas.".</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme posicionamento do STJ, exposto no REsp 2.024.381: "III -</p><p>Na legislação vigente atualmente que permanece em vigor não existe a obrigatoriedade do</p><p>Ministério Público notificar o investigado em caso de recusa em se propor o acordo de não</p><p>persecução penal."</p><p>QUESTÃO 36. José e Mário, patrocinados pela Defensoria Pública, respondem, em juízo, pela</p><p>suposta prática do crime de homicídio triplamente qualificado. Funda a instrução probatória</p><p>na primeira fase do procedimento bifásico inerente ao Tribunal do Júri, o juiz concederá a</p><p>palavra à acusação e, em seguida, à defesa para que apresentem alegações finais orais.</p><p>Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal, é correto afirmar</p><p>que o Ministério Público e a Defensoria Pública terão a palavra pelo prazo de</p><p>a) vinte minutos, prorrogáveis por mais quinze minutos, sendo certo que, mesmo havendo</p><p>mais de um réu, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será contado</p><p>globalmente.</p><p>b) quinze minutos, prorrogáveis por mais dez minutos, sendo certo que, mesmo havendo</p><p>mais de um réu, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será contado</p><p>globalmente.</p><p>c) trinta minutos, prorrogáveis por mais quinze minutos, sendo certo que, por haver mais de</p><p>um réu, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual.</p><p>d) Vinte minutos prorrogáveis por mais dez minutos, sendo certo que, por haver mais de um</p><p>réu, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual.</p><p>41</p><p>117</p><p>e) quinze minutos, prorrogáveis por mais dez minutos, sendo certo que, por haver mais de</p><p>um réu, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D. A questão trata sobre o Procedimento do Tribunal do Júri.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>A alternativa D está correta. Conforme previsto no artigo 411,§§ 4º e 5º, do CPP: "§ 4º As alegações</p><p>serão orais, concedendo-se a palavra, respectivamente, à acusação e à defesa, pelo prazo de 20</p><p>(vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez).</p><p>§ 5º Havendo mais de 1 (um) acusado, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um</p><p>deles será individual."</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>QUESTÃO 37. João, Delegado de Polícia, recebe denúncia anônima no sentido de que na</p><p>Rua XYZ, próximo ao número 123, haveria um grande depósito, contendo, em seu interior,</p><p>centenas de discos clássicos que consistem em reproduções totais de obras artísticas de</p><p>profissional brasileiro consagrado pela crítica especializada.</p><p>Com efeito, após apurar a verossimilhança do alegado, a autoridade policial obtém, em juízo,</p><p>mandado de busca e apreensão, vindo a constatar, in loco, que as Informações recebidas</p><p>eram fidedignas. Sobre a hipótese narrada, considerando as disposições do Código de</p><p>Processo Penal e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o processo e</p><p>julgamento dos crimes contra a propriedade imaterial, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A autoridade policial procederá à apreensão dos bens ilicitamente reproduzidos, em sua</p><p>totalidade, juntamente com os equipamentos, suportes e materiais que possibilitaram a sua</p><p>existência, desde que sejam bens cujo fabrico constitua fato ilícito.</p><p>b) Ressalvada a possibilidade de preservar o corpo de delito o juiz poderá determinar de</p><p>ofício ou mediante requerimento do Ministério Público ou do ofendido, a destruição dos bens</p><p>apreendidos, desde que não haja impugnação quanto à sua ilicitude.</p><p>c) no caso de haver o crime deixado vestígio, a denúncia não será recebida se não for</p><p>instruída com o exame pericial dos objetos que constituam o corpo de delito, vedando-se à</p><p>realização de perícia do produto apreendido por amostragem.</p><p>d) Na ocasião da apreensão será lavrado termo, assinado por três ou mais testemunhas, com</p><p>a descrição de todos os bens apreendidos e as informações sobre suas origens, o qual</p><p>deverá integrar o inquérito policial ou o processo.</p><p>e) Após a apreensão, será realizada, por perito oficial, ou, na falta deste, por pessoa</p><p>tecnicamente habilitada, perícia sobre todos os bens apreendidos e elaborado o laudo que</p><p>deverá integrar o inquérito policial ou o processo.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>A questão trata sobre o processo e julgamento dos crimes contra a propriedade imaterial.</p><p>42</p><p>117</p><p>A alternativa A está incorreta. A afirmação está equivocada, pois contraria o artigo 530-B do CPP:</p><p>"Art. 530-B. Nos casos das infrações previstas nos §§ 1o, 2o e 3o do art. 184 do Código Penal, a</p><p>autoridade policial procederá à apreensão dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos, em</p><p>sua totalidade, juntamente com os equipamentos, suportes e materiais que possibilitaram a sua</p><p>existência, desde que estes se destinem precipuamente à prática do ilícito", visto que, tal dispositivo</p><p>não exige que equipamentos, suportes e materiais sejam, em si, de natureza ilícita.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme previsto o artigo 530-F do CPP: "Ressalvada a</p><p>possibilidade de se preservar o corpo de delito, o juiz poderá determinar, a requerimento da vítima,</p><p>a destruição da produção ou reprodução apreendida quando não houver impugnação quanto à sua</p><p>ilicitude ou quando a ação penal não puder ser iniciada por falta de determinação de quem seja o</p><p>autor do ilícito.". Verifica-se, assim, que o juízo não poderá atuar de ofício, nem apenas por</p><p>requerimento do Ministério Público.</p><p>A alternativa C está incorreta. A alternativa viola o disposto na Súmula 574 do STJ, a qual</p><p>estabelece que: "Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação de</p><p>sua materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos</p><p>aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais</p><p>violados ou daqueles que os representem". Logo, é suficiente a perícia realizada por amostragem.</p><p>A alternativa D está incorreta. O termo deve ser assinado por duas ou mais testemunhas, conforme</p><p>o artigo 530-C do CPP: Art. 530-C. Na ocasião da apreensão será lavrado termo, assinado por 2</p><p>(duas) ou mais testemunhas, com a descrição de todos os bens apreendidos e informações sobre</p><p>suas origens, o qual deverá integrar o inquérito policial ou o processo.</p><p>A alternativa E está correta. A alternativa traz a literalidade do artigo 530-D do CPP: "Subseqüente</p><p>à apreensão, será realizada, por perito oficial, ou, na falta deste, por pessoa tecnicamente</p><p>habilitada, perícia sobre todos os bens apreendidos e elaborado o laudo que deverá integrar o</p><p>inquérito policial ou o processo."</p><p>QUESTÃO 38. Fábio, em dezembro de 2023 foi condenado, definitivamente, em diferentes</p><p>persecuções penais processuais, pela prática dos seguintes delitos, praticados nos anos</p><p>2022 e 2023:</p><p>i. homicídio doloso, circunstanciado pela idade da vítima (menor de 14 anos de idade);</p><p>ii. roubo circunstanciado pelo emprego de arma branca;</p><p>iii. comércio ilegal de arma de fogo;</p><p>iv. organização criminosa, direcionada à prática do crime de extorsão circunstanciada</p><p>pelo</p><p>emprego de arma; e</p><p>v. furto qualificado pelo emprego de explosivo.</p><p>Nesse contexto, o juízo competente, visando à aplicabilidade dos benefícios inerentes à</p><p>execução penal, estuda as referidas condenações e as coteja com a Lei dos Crimes</p><p>Hediondos. Considerando as disposições da Lei nº 8.072/1990, assinale a opção que indica</p><p>os crimes hediondos que Fábio teria cometido.</p><p>a) Homicídio doloso, circunstanciado pela idade da vítima (menor de 14 anos de idade);</p><p>roubo circunstanciado pelo emprego de arma branca; comércio ilegal de arma de fogo; e</p><p>organização criminosa, direcionada à prática do crime de extorsão circunstanciado pelo</p><p>emprego de arma.</p><p>43</p><p>117</p><p>b) Homicídio doloso, circunstanciado pela idade da vítima (menor de 14 anos de idade);</p><p>roubo circunstanciado pelo emprego de arma branca; e organização criminosa, direcionada</p><p>à prática do crime de extorsão circunstanciada pelo emprego de arma.</p><p>c) Comércio ilegal de arma de fogo; e furto qualificado pelo emprego de explosivo.</p><p>d) Comércio ilegal de arma de fogo; organização criminosa, direcionada à prática do crime</p><p>de extorsão circunstanciado pelo emprego de arma; e furto qualificado pelo emprego de</p><p>explosivo.</p><p>e) Homicídio doloso, circunstanciado pela idade da vítima (menor de 14 anos de idade);</p><p>organização criminosa, direcionada à prática do crime de extorsão circunstanciado pelo</p><p>emprego de arma; e furto qualificado pelo emprego de explosivo.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>O ordenamento jurídico penal adota o sistema da legalidade para a definição dos crimes hediondos.</p><p>De acordo com Renato Brasileiro: “O critério adotado pela legislação brasileira para rotular</p><p>determinada conduta como hedionda é o sistema legal. De modo a saber se uma infração penal é</p><p>(ou não) hedionda, incumbe ao operador tão somente ficar atento ao teor do art. 1 º da Lei nº</p><p>8.072/90: se o delito constar do rol taxativo de crimes ali enumerados, a infração será considerada</p><p>hedionda, sujeitando-se a todos os gravames inerentes a tais infrações penais, independentemente</p><p>da aferição judicial de sua gravidade concreta. Lado outro, se a infração penal praticada pelo agente</p><p>não constar do art. 1° da Lei nº 8.072/90, jamais será possível considerá-la hedionda, ainda que as</p><p>circunstâncias fáticas do caso concreto se revelem extremamente gravosas. Afinal, por força da</p><p>adoção do sistema legal, os crimes hediondos constam do rol taxativo do art. 1 ° da Lei nº 8.072/90,</p><p>que não pode ser ampliado com base na analogia nem por meio de interpretação extensiva”.</p><p>Portanto, é possível classificar os delitos praticados por Fábio da seguinte forma:</p><p>i) homicídio doloso, circunstanciado pela idade da vítima (menor de 14 anos de idade): não é crime</p><p>hediondo, por ausência de previsão legal. De acordo com o art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.072/90 são</p><p>considerados hediondos: o homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de</p><p>extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I,</p><p>II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX).</p><p>ii) roubo circunstanciado pelo emprego de arma branca: não é crime hediondo, por ausência de</p><p>previsão legal. Conforme o disposto no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.072/90 são considerados</p><p>hediondos: II - roubo: a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso</p><p>V); b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego</p><p>de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B); c) qualificado pelo resultado lesão</p><p>corporal grave ou morte (art. 157, § 3º).</p><p>iii) comércio ilegal de arma de fogo: é crime hediondo, nos termos do art. 1º, parágrafo único, inciso</p><p>III, da Lei nº 8.072/90. Aduz o dispositivo legal que: “Parágrafo único. Consideram-se também</p><p>hediondos, tentados ou consumados: III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no</p><p>art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003”.</p><p>iv) organização criminosa, direcionada à prática do crime de extorsão circunstanciada pelo emprego</p><p>de arma: não é crime hediondo, por ausência de previsão legal. Cumpre destacar que o crime de</p><p>organização criminosa somente é considerado hediondo quando direcionado à prática de crime</p><p>hediondo ou equiparado (art. 1º, parágrafo único, inciso V, da Lei nº 8.072/90). Nesse sentido,</p><p>analisando a alternativa, constata-se que o crime de extorsão circunstanciada pelo emprego de</p><p>44</p><p>117</p><p>arma não é crime hediondo, por ausência de previsão legal. Portanto, a organização criminosa</p><p>direcionada à prática do mencionado delito igualmente não é crime hediondo.</p><p>v) furto qualificado pelo emprego de explosivo: é crime hediondo. De acordo com o art. 1º, inciso</p><p>IX, da Lei nº 8.072/90: “Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados</p><p>no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: IX -</p><p>furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art.</p><p>155, § 4º-A)”.</p><p>Ante o exposto, verifica-se que são hediondos na situação narrada somente os delitos de: comércio</p><p>ilegal de arma de fogo; e furto qualificado pelo emprego de explosivo.</p><p>As alternativas A, B, D e E estão incorretas pelo fundamento supramencionado.</p><p>A alternativa C está correta, nos termos do art. 1º, inciso IX e parágrafo único, inciso III, da Lei nº</p><p>8.072/90.</p><p>QUESTÃO 39. O Ministério Público ofereceu denúncia, no âmbito do Juizado Especial</p><p>Criminal, em face de José, sob o fundamento de que o último praticou infração penal de</p><p>menor potencial ofensivo em detrimento de Mário. O juízo, contudo, em decisão</p><p>fundamentada, rejeitou a peça acusatória. Irresignado com a decisão judicial, o Promotor de</p><p>Justiça demonstra o interesse em recorrer do provimento jurisdicional. Nesse cenário,</p><p>considerando as disposições da Lei nº 9.099/1995, é correto afirmar que o membro do</p><p>Ministério Público deverá interpor um(a)</p><p>a) recurso inominado, no prazo de dez dias, por petição escrita ou oralmente, sem prejuízo</p><p>do prazo subsequente de dois dias para apresentação das razões e do pedido do recorrente.</p><p>b) apelação, no prazo de cinco dias, por petição escrita ou oralmente, sem prejuízo do prazo</p><p>subsequente de dois dias para apresentação das razões e do pedido do recorrente.</p><p>c) recurso em sentido estrito, no prazo de cinco dias, por petição escrita, da qual constarão</p><p>as razões e o pedido do recorrente.</p><p>d) recurso inominado, no prazo de cinco dias, por petição escrita, da qual constarão as</p><p>razões e o pedido do recorrente.</p><p>e) apelação, no prazo de dez dias, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido</p><p>do recorrente.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>As alternativas A, C e D estão incorretas, pois o recurso cabível da decisão que rejeita a peça</p><p>acusatória no âmbito dos Juizados Especiais Criminais é apelação, no prazo de dez dias, por</p><p>petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente, conforme dispõe o art. 82,</p><p>caput e §1º, da Lei nº 9.099/1995.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois a apelação será interposta no prazo de dez dias, por petição</p><p>escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente. Conforme dispõe o art. 82, §1º, da</p><p>Lei nº 9.099/1995: “§ 1º A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência da</p><p>sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor, por petição escrita, da qual constarão as</p><p>razões e o pedido do recorrente”.</p><p>45</p><p>117</p><p>A alternativa E está correta, nos termos do art. 82, caput e §1º, da Lei nº 9.099/1995, que assim</p><p>dispõe: “Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que</p><p>poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição,</p><p>reunidos na sede do Juizado. § 1º A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da</p><p>ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu</p><p>defensor, por petição escrita, da qual</p><p>constarão as razões e o pedido do recorrente”.</p><p>QUESTÃO 40. Tiago, estudante de Direito, cursando, atualmente, o oitavo período, foi</p><p>capturado em flagrante por policiais civis que atuam na Delegacia Especializada de</p><p>Repressão a Entorpecentes, quando transportava grande quantidade de ecstasy. Após</p><p>meses de investigação, a Polícia Civil concluiu que o agente era o responsável por distribuir</p><p>material entorpecente no ambiente universitário, o que foi objeto de confissão por Tiago,</p><p>após ser cientificado de todos os direitos constitucionais e convencionais a que faz jus. Em</p><p>sede de audiência de custódia, houve a conversão da prisão flagrancial em prisão</p><p>preventiva, com o encaminhamento de Tiago ao sistema prisional. Consigne-se que o</p><p>advogado constituído por Tiago compareceu à unidade prisional em que o último se</p><p>encontra acautelado, ocasião em que ambos, conhecedores dos aspectos processuais</p><p>atinentes à Lei de Drogas, conversaram sobre o diploma legal visando à adoção da melhor</p><p>estratégia defensiva. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 11.343/2006,</p><p>assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Na resposta, consistente em defesa preliminar e exceções, o acusado poderá arguir</p><p>preliminares e invocar todas as razões de defesa, oferecer documentos e justificações,</p><p>especificar as provas que pretende produzir e, até o número de oito, arrolar testemunhas.</p><p>b) O juiz, se a resposta não for apresentada no prazo, nomeará defensor para oferecê-la em</p><p>dez dias, concedendo-lhe vista dos autos no ato de nomeação.</p><p>c) O juiz, se entender imprescindível, determinará, no prazo máximo de quinze dias, a</p><p>apresentação do preso, realização de diligências, exames e perícias.</p><p>d) O juiz, oferecida a denúncia, ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa</p><p>preliminar, por escrito, no prazo de quinze dias.</p><p>e) O juiz, apresentada a defesa preliminar, decidirá em dez dias.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois o acusado poderá arrolar até o número de 5 (cinco) testemunhas,</p><p>conforme dispõe o art. 55, §1º, da Lei nº 11.343/2006: “Na resposta, consistente em defesa</p><p>preliminar e exceções, o acusado poderá argüir preliminares e invocar todas as razões de defesa,</p><p>oferecer documentos e justificações, especificar as provas que pretende produzir e, até o número</p><p>de 5 (cinco), arrolar testemunhas”.</p><p>A alternativa B está correta, nos termos do art. 55, §3º, da Lei nº 11.343/2006: “Se a resposta não</p><p>for apresentada no prazo, o juiz nomeará defensor para oferecê-la em 10 (dez) dias, concedendo-</p><p>lhe vista dos autos no ato de nomeação.”</p><p>A alternativa C está incorreta, pois o prazo máximo é 10 (dez) dias. De acordo com o art. 55, §5º,</p><p>da Lei nº 11.343/2006: “Se entender imprescindível, o juiz, no prazo máximo de 10 (dez) dias,</p><p>determinará a apresentação do preso, realização de diligências, exames e perícias”.</p><p>46</p><p>117</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o prazo para apresentação da defesa preliminar, por escrito, é</p><p>10 (dez) dias, nos termos do art. 55, caput, da Lei nº 11.343/2006: “Oferecida a denúncia, o juiz</p><p>ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa prévia, por escrito, no prazo de 10 (dez)</p><p>dias.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 (cinco) dias, conforme</p><p>dispõe o art. 55, §4º, da Lei nº 11.343/2006: “Apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 (cinco)</p><p>dias”.</p><p>QUESTÃO 41. Tiago, após ganhar na loteria, compareceu a uma concessionária e adquiriu o</p><p>carro importado dos seus sonhos, com motor extremamente potente. Para testar o</p><p>automóvel, que ainda estava sem placa, Tiago foi para uma estrada pouco movimentada e</p><p>passou a trafegar, de forma imprudente, a cento e quinze quilômetros por hora, malgrado a</p><p>velocidade máxima permitida para a via fosse de sessenta quilômetros por hora. Em um</p><p>determinado momento, o condutor colidiu com um transeunte que caminhava pela faixa de</p><p>pedestre, o qual, por sorte, sofreu, apenas, lesões corporais leves. Nesse cenário,</p><p>considerando as disposições da Lei nº 9.503/1997, é correto afirmar que Tiago responderá</p><p>pela prática do crime de lesão corporal culposa na condução de veículo automotor, com a</p><p>incidência de</p><p>a) uma causa de aumento de pena e de uma agravante, sendo certo que a ação penal é</p><p>pública condicionada à representação do ofendido.</p><p>b) uma causa de aumento de pena e de uma agravante, sendo certo que a ação penal é</p><p>pública incondicionada.</p><p>c) duas causas de aumento de pena, sendo certo que a ação penal é pública condicionada à</p><p>representação do ofendido.</p><p>d) duas agravantes, sendo certo que a ação penal é pública condicionada à representação</p><p>do ofendido.</p><p>e) duas causas de aumento de pena, sendo certo que a ação penal é pública incondicionada.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>A causa de aumento de pena consiste na prática do crime de lesão corporal culposa na condução</p><p>de veículo automotor em faixa de pedestres, pois, de acordo com o enunciado: “o condutor colidiu</p><p>com um transeunte que caminhava pela faixa de pedestre, o qual, por sorte, sofreu, apenas, lesões</p><p>corporais leves”. Nesse sentido, o art. 303, §1º, da Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro)</p><p>prevê que: “Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor: § 1º Aumenta-</p><p>se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se ocorrer qualquer das hipóteses do § 1º do art. 302”.</p><p>Nesse contexto, o art. 302, §1º, II, do diploma legal dispõe que a pena é aumentada se o agente:</p><p>“II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada”.</p><p>Ademais, a agravante do art. 298, II, está presente no caso do enunciado, tendo em vista que Tiago</p><p>conduzia o automóvel sem placa. De acordo com a norma citada: “Art. 298. São circunstâncias que</p><p>sempre agravam as penalidades dos crimes de trânsito ter o condutor do veículo cometido a</p><p>infração: II - utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas”.</p><p>Por fim, cumpre destacar que a ação penal é pública incondicionada. No caso narrado, afasta-se a</p><p>incidência do art. 88 da Lei nº 9.099, que afirma que dependerá de representação a ação penal</p><p>47</p><p>117</p><p>relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas, tendo em vista que Tiago trafegava,</p><p>de forma imprudente, a 115 km/h (cento e quinze quilômetros por hora), apesar da velocidade</p><p>máxima permitida para a via ser de 60 km/h (sessenta quilômetros por hora). Trata-se de exceção</p><p>expressamente prevista no art. 291, §1º, da Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro):</p><p>§ 1º Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da</p><p>Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: III - transitando em velocidade</p><p>superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta quilômetros por hora).</p><p>A alternativa B está correta, pois Tiago responderá pela prática do crime de lesão corporal culposa</p><p>na condução de veículo automotor, com a incidência de uma causa de aumento de pena e de uma</p><p>agravante, sendo certo que a ação penal é pública incondicionada.</p><p>As alternativas A, C, D e E estão incorretas, conforme o fundamento exposto na alternativa B.</p><p>QUESTÃO 42. João e Antônio, primários e portadores de bons antecedentes, são capturados</p><p>em flagrante pela suposta prática do crime de estelionato majorado, em razão da vítima ser</p><p>pessoa idosa, considerada a relevância do resultado gravoso. Em sede de audiência de</p><p>custódia, o juiz homologa as prisões flagranciais, mas deixa de convertê-las em prisão</p><p>preventiva, concedendo liberdade provisória com fiança, arbitrada, para cada um, em</p><p>R$2.000,00.</p><p>No curso da persecução penal processual subsequente, João, regularmente intimado para</p><p>ato do processo, deixa de comparecer sem motivo justo. Antônio, por sua vez, comete</p><p>Nova infração peral dolosa.</p><p>Nesse cenário, considerando a disposições do Código de Processo Penal, é correto afirmar</p><p>acompanhada de justificação plausível e decorra</p><p>da natureza do cargo a ser preenchido.</p><p>c) constitucional, pois o tratamento desigual conferido pela lei estadual impugnada confere</p><p>efetividade aos princípios da isonomia e do interesse público.</p><p>d) constitucional, pois a imposição legal de critérios de distinção entre os candidatos é</p><p>admitida quando acompanhada de justificação plausível e não decorra da natureza do cargo</p><p>a ser preenchido.</p><p>e) inconstitucional, pois o fator discriminatório é irrazoável e não se qualifica como critério</p><p>idôneo apto a embasar tratamento mais favorável aos candidatos especificados na</p><p>legislação.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>Constituição Federal. Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>(...) III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.</p><p>AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONCURSO PÚBLICO. BÔNUS DE 10% NA</p><p>NOTA AOS CANDIDATOS PARAIBANOS RESIDENTES NA PARAÍBA. LEI ESTADUAL Nº</p><p>12.753/23 - PB. DISCRIMINAÇÃO ARBITRÁRIA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA</p><p>IMPESSOALIDADE E DA ISONOMIA. OFENSA AOS ARTS. 5º, 19, II E 37, II, DA CONSTITUIÇÃO</p><p>FEDERAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA. AÇÃO DIRETA JULGADA</p><p>PROCEDENTE. 2. Discriminação em razão da origem. Critério espacial que não se justifica como</p><p>discrímen na busca à garantia do fortalecimento da identidade regional no que concerne aos</p><p>certames da área de segurança pública estadual. 3. Os princípios da administração pública da</p><p>isonomia e da vedação à desigualdade entre brasileiros são corolários da igualdade perante a lei,</p><p>vedadas distinções de qualquer natureza ou preferências que ofendam àqueles que preencham os</p><p>requisitos legais para a investidura em cargo ou emprego público. 4. A imposição legal de critérios</p><p>de distinção entre os candidatos é admitida tão somente quando acompanhada da devida</p><p>justificativa em razão de interesse público e/ou em decorrência da natureza e das atribuições do</p><p>cargo ou emprego a ser preenchido. 5. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente</p><p>para declarar a inconstitucionalidade da Lei 12.753/2023, do Estado da Paraíba. (ADI 7458,</p><p>Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 12-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO</p><p>DJe-s/n DIVULG 08-01-2024 PUBLIC 09-01-2024)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 04. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi notificada pelo Tribunal de</p><p>Contas da União (TCU) para prestar contas de suas atividades financeiras, em razão do</p><p>serviço público prestado e por estar sujeita ao controle externo daquela instituição.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que o</p><p>TCU agiu de forma</p><p>5</p><p>117</p><p>a) correta, pois mostra-se imprescindível assegurar a observância dos princípios</p><p>republicanos, da moralidade e da publicidade, a imporem transparência na gestão, inclusive</p><p>mediante prestação de contas à sociedade.</p><p>b) incorreta, pois a OAB não é uma entidade da Administração Indireta, tal como as</p><p>autarquias, porquanto não se sujeita a controle hierárquico ou ministerial da Administração</p><p>Pública, nem a qualquer das suas partes está vinculada.</p><p>c) incorreta, pois a OAB é instituição que detém natureza jurídica própria, embora não seja</p><p>dotada de autonomia e independência, características indispensáveis ao cumprimento de</p><p>seus múnus públicos.</p><p>d) correta, pois além da atribuição de fiscalizar, funções institucionais ligadas aos</p><p>postulados da República democrática brasileira, a OAB é instituição não estatal investida de</p><p>competências públicas, a justificar a prestação de contas.</p><p>e) correta, pois prestará contas ao TCU qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou</p><p>privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores</p><p>públicos ou pelos quais, em nome da União, assuma obrigações de natureza pecuniária.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>Tema 1054. Controvérsia relativa ao dever, por parte da Ordem dos Advogados do Brasil, de prestar</p><p>contas ao Tribunal de Contas da União. Leading Case: Recurso extraordinário n. 1182189, em que</p><p>se discute, à luz do artigo 70, parágrafo único, da Constituição Federal, se a Ordem dos Advogados</p><p>do Brasil deve prestar contas ao Tribunal de Contas da União.</p><p>Tese: O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não</p><p>estão obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da União nem a qualquer outra entidade</p><p>externa.</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 05. Lei ordinária (estadual) de 2023 permitiu a criação do Município Alfa,</p><p>condicionada à divulgação de estudo favorável de viabilidade municipal.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) A norma é constitucional, desde que tenha sido realizada consulta prévia às populações</p><p>dos municípios envolvidos e a criação tenha sido aprovada, mediante plebiscito.</p><p>b) A norma é inconstitucional, uma vez que a divulgação de estudo de viabilidade municipal</p><p>precisa ser anterior à aprovação da lei que autoriza a criação do Município.</p><p>c) A norma é inconstitucional, uma vez que ainda não foi editada a legislação complementar</p><p>federal que discipline a criação de municípios e é da União a competência para disciplinar o</p><p>tema.</p><p>d) A norma é constitucional, condicionada a consulta posterior, mediante referendo, às</p><p>populações dos municípios envolvidos, após a divulgação de estudo favorável de viabilidade</p><p>municipal.</p><p>e) A norma é inconstitucional, uma vez que a Constituição exige que a criação de municípios</p><p>seja autorizada e regulamentada por lei complementar estadual.</p><p>6</p><p>117</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>ADI 4711. É inconstitucional lei estadual que permita a criação, incorporação, fusão e</p><p>desmembramento de municípios sem a edição prévia das leis federais previstas no art. 18, § 4º, da</p><p>CF/88.</p><p>EMENTA: Direito constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Leis estaduais que dispõem</p><p>sobre a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios. 1. Ação direta proposta</p><p>pelo Procurador-Geral da República contra a Lei Complementar nº 13.587/2010, do Estado do Rio</p><p>Grande do Sul, que dispõe sobre a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios.</p><p>A cadeia normativa impugnada pelo autor inclui, ainda, as Leis Complementares nºs 13.535/2010,</p><p>10.790/1996, 9.089/1990 e 9.070/1990, todas do mesmo Estado. 2. A declaração de</p><p>inconstitucionalidade em abstrato de normas legais, diante do efeito repristinatório que lhe é</p><p>inerente, importa a restauração dos preceitos normativos revogados pela lei declarada</p><p>inconstitucional, de modo que o autor deve impugnar toda a cadeia normativa pertinente. 3. Nesse</p><p>sentido, o Supremo Tribunal Federal exige a impugnação da cadeia de normas revogadoras e</p><p>revogadas até o advento da Constituição de 1988, porquanto o controle abstrato de</p><p>constitucionalidade abrange tão somente o direito pós-constitucional. Nada obstante, esta Corte</p><p>admite o cabimento de ação direta de inconstitucionalidade nos casos em que o autor, por</p><p>precaução, inclui, em seu pedido, também a declaração de revogação de normas anteriores à</p><p>vigência do novo parâmetro constitucional. 4. A redação original do art. 18, § 4º, da CF/1988</p><p>condicionava a criação de municípios à edição de lei estadual, obedecidos os requisitos previstos</p><p>em Lei Complementar estadual, e a uma consulta prévia, mediante plebiscito, às populações</p><p>diretamente interessadas. Esse procedimento simplificado, que delegou exclusivamente à esfera</p><p>estadual a regulamentação dos parâmetros para a emancipação, propiciou a proliferação de entes</p><p>municipais no Brasil após a promulgação da Constituição de 1988. 5. Atento a essa realidade, o</p><p>constituinte derivado alterou o texto constitucional e dificultou a criação de municípios, restringindo</p><p>a fragmentação da federação. O art. 18, § 4º, da CF/1988, com redação dada pela EC nº 15/1996,</p><p>que</p><p>a) a conduta de João dará azo ao quebramento da fiança, importando na perda da metade do</p><p>seu valor. Por sua vez, o comportamento de Antônio ensejará a cassação da fiança, gerando</p><p>a perda da totalidade do seu valor.</p><p>b) a conduta de João dará azo à cassação da fiança, importando na perda da metade do seu</p><p>valor. Por sua vez, o comportamento de Antônio ensejará o quebramento da fiança, gerando</p><p>a perda da totalidade do seu valor.</p><p>c) a conduta de João dará azo ao quebramento da fiança, importando na perda da totalidade</p><p>do seu valor. Por sua vez, o comportamento de Antônio ensejará a cassação da fiança,</p><p>gerando a perda da totalidade do seu valor.</p><p>d) conduta de João e o comportamento Antônio darão azo ao quebramento da fiança,</p><p>importando a perda da metade do seu valor.</p><p>e) a conduta de João e o comportamento Antônio darão azo à cassação da fiança,</p><p>importando na perda da totalidade do seu valor.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D. A questão trata sobre Fiança.</p><p>A alternativa A está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>A alternativa C está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>48</p><p>117</p><p>A alternativa D está correta. Ambos os casos são listados no CPP como hipóteses de quebramento</p><p>da fiança, conforme se depreende do art. 341, I e V, do CPP: "Julgar-se-á quebrada a fiança</p><p>quando o acusado: I - regularmente intimado para ato do processo, deixar de comparecer, sem</p><p>motivo justo; V - praticar nova infração penal dolosa."</p><p>O artigo 343 do CPP, ao seu turno, estabelece que a consequência do quebramento é a perda da</p><p>metade do valor desta: "O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do</p><p>seu valor, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o caso,</p><p>a decretação da prisão preventiva."</p><p>A alternativa E está incorreta. Conforme comentários da letra D.</p><p>QUESTÃO 43. João, José e Carlos, militares do Exército Brasileiro, após receberem ordem</p><p>legal de Petrônio, superior hierárquico, reuniram-se espontaneamente e, mediante o</p><p>emprego de arma de fogo, negaram-se a cumpri-la. Registre-se, que, no momento da recusa</p><p>ao cumprimento da determinação, Márcio, militar subordinado a Petrônio, agindo com dolo</p><p>e sem dispor de prévio conhecimento sobre os fatos, deixou de utilizar de todos os meios</p><p>ao seu alcance para impedir o ato criminoso. Nesse cenário, considerando as disposições</p><p>do Decreto-Lei nº 1.001/1969 (Código Penal Militar), assinale a afirmativa correta.</p><p>a) João, José e Carlos responderão pelo crime de motim. Por sua vez, Márcio praticou o</p><p>delito de omissão de lealdade militar.</p><p>b) João, José e Carlos responderão pelo crime de conspiração. Por sua vez, Márcio praticou</p><p>o delito de motim.</p><p>c) João, José e Carlos responderão pelo crime de revolta. Por sua vez, Márcio praticou o</p><p>delito de omissão de lealdade militar.</p><p>d) João, José e Carlos responderão pelo crime de conspiração. Por sua vez, Márcio praticou</p><p>o delito de revolta.</p><p>e) João, José e Carlos responderão pelo crime de motim. Por sua vez, Márcio praticou o</p><p>delito de revolta.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>A conduta de João, José e Carlos, militares do Exército Brasileiro, que após receberem ordem legal</p><p>de Petrônio, superior hierárquico, reuniram-se espontaneamente e, mediante o emprego de arma</p><p>de fogo, negaram-se a cumpri-la, amolda-se ao tipo penal previsto no parágrafo único do art. 149</p><p>do Decreto-Lei nº 1.001/1969 (Código Penal Militar):</p><p>Art. 149. Reunirem-se militares:</p><p>I - agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-la;</p><p>Revolta</p><p>Parágrafo único. Se os agentes estavam armados:</p><p>Pena - reclusão, de oito a vinte anos, com aumento de um têrço para os cabeças.</p><p>Quanto à conduta de Márcio, verifica-se que está caracterizado o crime de omissão de lealdade</p><p>militar, previsto no art. 155 do Decreto-Lei nº 1.001/1969 (Código Penal Militar):</p><p>Omissão de lealdade militar</p><p>49</p><p>117</p><p>Art. 151. Deixar o militar de levar ao conhecimento do superior o motim ou a revolta de cuja</p><p>preparação teve notícia ou, se presenciar o ato criminoso, não usar de todos os meios ao seu</p><p>alcance para impedi-lo: Pena - reclusão, de três a cinco anos.</p><p>Diante do exposto, passamos à análise das alternativas.</p><p>A alternativa C está correta, pois João, José e Carlos praticaram o crime de revolta. Por sua vez,</p><p>Márcio praticou o delito de omissão de lealdade militar.</p><p>As alternativas A, B, D e E estão incorretas, conforme o fundamento exposto na alternativa C.</p><p>QUESTÃO 44. Luiz condenado definitivamente pela prática de crime contra o patrimônio,</p><p>obtém, em observância às formalidades legais, o direito de se ausentar, por um determinado</p><p>período, do estabelecimento prisional. Antes de retornar ao presídio onde cumpre pena, o</p><p>agente cometeu um latrocínio, gerando grande repercussão na imprensa e comoção social,</p><p>fazendo exsurgir movimentos para que haja modificações na legislação de regência sobre a</p><p>matéria. Sobre o tema, considerando as disposições da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução</p><p>Penal), assinale a afirmativa correta.</p><p>a) A autorização para saída temporária será concedida por ato motivado do Juiz da execução,</p><p>ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da existência de</p><p>comportamento adequado, do cumprimento mínimo de um sexto da pena, se o condenado</p><p>for primário ou um terço, se reincidente, além da compatibilidade do benefício com os</p><p>objetivos da pena.</p><p>b) A ausência de vigilância direta ao condenado que obtém permissão de saída não impede</p><p>a utilização de equipamento de monitoração eletrônica, quando assim determinar a</p><p>administração penitenciária.</p><p>c) A autorização para saída temporária será concedida por prazo não superior a dez dias,</p><p>podendo ser renovada por três vezes durante o ano, com prazo mínimo de quarenta e cinco</p><p>dias entre uma e outra.</p><p>d) O condenado que cumpre pena em regime semiaberto poderá obter permissão de saída</p><p>do estabelecimento, sem vigilância direta, no caso de visita à família, preenchidos os</p><p>requisitos legais para tanto.</p><p>e) Não terá direito à saída temporária o condenado que cumpre pena por praticar crime</p><p>hediondo com resultado morte.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>A alternativa A está incorreta. No caso do condenado reincidente, a Lei de Execução Penal exige o</p><p>requisito de cumprimento mínimo de 1/4 (um quarto) da pena. De acordo com o art. 123 da Lei nº</p><p>7.210/1984 (Lei de Execução Penal): “Art. 123. A autorização será concedida por ato motivado do</p><p>Juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da</p><p>satisfação dos seguintes requisitos: I - comportamento adequado; II - cumprimento mínimo de 1/6</p><p>(um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente; III -</p><p>compatibilidade do benefício com os objetivos da pena”.</p><p>A alternativa B está incorreta, nos termos do art. 122, §1º, da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução</p><p>Penal): “§ 1º A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração</p><p>eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz da execução”.</p><p>50</p><p>117</p><p>A alternativa C está incorreta, conforme dispõe o art. 124, caput, da Lei nº 7.210/1984 (Lei de</p><p>Execução Penal): “Art. 124. A autorização será concedida por prazo não superior a 7 (sete) dias,</p><p>podendo ser renovada por mais 4 (quatro) vezes durante o ano.” Ademais, quando se tratar de</p><p>frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída</p><p>será o necessário para o cumprimento das atividades discentes (art. 124, §2º). Por outro lado, nos</p><p>demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com prazo mínimo de 45</p><p>(quarenta e cinco) dias de intervalo entre uma e outra (art. 124, §3º).</p><p>A alternativa D está incorreta, pois a hipótese de visita à família é</p><p>caso de concessão de saída</p><p>temporária. É importante distinguir as hipóteses que autorizam a saída temporária e a permissão</p><p>de saída. Acerca da saída temporária, dispõe o art. 122 que: Os condenados que cumprem pena</p><p>em regime semi-aberto poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem</p><p>vigilância direta, nos seguintes casos: I - visita à família; II - freqüência a curso supletivo</p><p>profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da</p><p>Execução; III - participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social.</p><p>Por outro lado, as hipóteses de permissão de saída estão previstas no art. 120: Os condenados</p><p>que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos provisórios poderão obter</p><p>permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos:</p><p>I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão; II -</p><p>necessidade de tratamento médico (parágrafo único do artigo 14).</p><p>A alternativa E está correta, nos termos do art. 122, §2º, da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução</p><p>Penal): “Art. 122. Os condenados que cumprem pena em regime semi-aberto poderão obter</p><p>autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos</p><p>(...) § 2º Não terá direito à saída temporária a que se refere o caput deste artigo o condenado que</p><p>cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte”.</p><p>QUESTÃO 45. João compareceu à sede de um pequeno estabelecimento comercial, no</p><p>âmbito do qual adquiriu determinados bens essenciais à saúde. Após a realização do</p><p>pagamento, João solicitou a Tício, proprietário da loja, o fornecimento de nota fiscal relativa</p><p>à venda das mercadorias, o que fora prontamente negado. Ato contínuo, tão logo o</p><p>consumidor deixou o local, Tício comemorou a venda e, em especial, a conduta adotada, que</p><p>acabou por suprimir tributo. Sobre a hipótese narrada, considerando as disposições da Lei</p><p>nº 8.137/1990 e o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que a conduta</p><p>de Tício, em tese, caracteriza crime contra a ordem tributária,</p><p>a) com a incidência de uma causa de aumento de pena, por envolver o comércio de bens</p><p>essenciais à saúde, sendo prescindível o lançamento definitivo do tributo.</p><p>b) com a incidência de uma agravante, por envolver o comércio de bens essenciais à saúde,</p><p>sendo prescindível o lançamento definitivo do tributo.</p><p>c) com a incidência de uma agravante, por envolver o comércio de bens essenciais à saúde</p><p>e desde que haja o lançamento definitivo do tributo.</p><p>d) sem a incidência de agravante ou de causa de aumento de pena, sendo prescindível o</p><p>lançamento definitivo do tributo.</p><p>e) sem a incidência de agravante ou de causa de aumento de pena, desde que haja o</p><p>lançamento definitivo do tributo.</p><p>Comentários</p><p>51</p><p>117</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A alternativa A está correta. Depreende-se do enunciado que Tício, proprietário da loja, ao negar</p><p>prontamente o fornecimento de nota fiscal relativa à venda das mercadorias, praticou o delito</p><p>previsto no art. 1º, V, da Lei nº 8.137/1990: “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir</p><p>ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: V</p><p>- negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a</p><p>venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo</p><p>com a legislação”.</p><p>Ademais, por consistir em comércio de determinados bens essenciais à saúde, incidirá a causa de</p><p>aumento de pena do art. 12, III, do mesmo diploma legal: “Art. 12. São circunstâncias que podem</p><p>agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°: III - ser o crime</p><p>praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à saúde”.</p><p>Sobre o tema, afirma Renato Brasileiro que: “a despeito do verbo agravar utilizado pelo legislador</p><p>no art. 12 da Lei nº 8.137/90, cuida-se, na verdade, de verdadeira causa de aumento de pena -</p><p>majoração da pena de 1/3 (um terço) até a ½ (metade) -, a ser aplicada na terceira fase do cálculo</p><p>da pena”.</p><p>Cumpre destacar que, no caso narrado, é prescindível o lançamento definitivo do tributo. De acordo</p><p>com a súmula vinculante nº 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no</p><p>art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. Verifica-se,</p><p>portanto, que seu âmbito de aplicação está restrito exclusivamente às condutas previstas nos</p><p>incisos I a IV, sendo possível concluir a conduta do inciso V e a do parágrafo único do art. 1 ° não</p><p>teriam o lançamento definitivo do tributo como condição objetiva de punibilidade para a deflagração</p><p>da persecução penal.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois embora tenha sido utilizado o verbo “agravar” no art. 12 da Lei</p><p>nº 8.137/90, cuida-se, na verdade, de verdadeira causa de aumento de pena a ser aplicada na</p><p>terceira fase do cálculo da pena, conforme aduz Renato Brasileiro.</p><p>A alternativa C está incorreta, pois embora tenha sido utilizado o verbo “agravar” no art. 12 da Lei</p><p>nº 8.137/90, cuida-se, na verdade, de verdadeira causa de aumento de pena a ser aplicada na</p><p>terceira fase do cálculo da pena, conforme aduz Renato Brasileiro. Além disso, a conduta do inciso</p><p>V do art. 1º não tem o lançamento definitivo do tributo como condição objetiva de punibilidade para</p><p>a deflagração da persecução penal.</p><p>A alternativa D está incorreta, tendo em vista que, por consistir em comércio de determinados bens</p><p>essenciais à saúde, incidirá a causa de aumento de pena do art. 12, III, do mesmo diploma legal:</p><p>“Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas</p><p>nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°: III - ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao</p><p>comércio de bens essenciais à vida ou à saúde”.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois, diante do comércio de determinados bens essenciais à saúde,</p><p>incidirá a causa de aumento de pena do art. 12, III, do mesmo diploma legal: “Art. 12. São</p><p>circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. 1°,</p><p>2° e 4° a 7°: III - ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens</p><p>essenciais à vida ou à saúde”. Além disso, a conduta do inciso V do art. 1º não tem o lançamento</p><p>definitivo do tributo como condição objetiva de punibilidade para a deflagração da persecução penal.</p><p>QUESTÃO 46. João, Delegado de Polícia, presidiu investigação que buscou identificar as</p><p>lideranças de uma organização criminosa especializada na prática de crimes violentos</p><p>52</p><p>117</p><p>contra o patrimônio e que vem ampliando a sua esfera de influência e de atuação para</p><p>dezenas de Municípios do Estado Alfa. Nada obstante, em razão da complexidade da matéria,</p><p>a autoridade policial enfrenta dificuldades consideráveis para o adequado deslinde do</p><p>procedimento investigatório. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº</p><p>12.850/2013, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais, observadas as formalidades</p><p>legais, na internet, com o fim de investigar os crimes previstos na Lei nº 12.850/2013 e a eles</p><p>conexos, praticados por organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade</p><p>e indicados o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas</p><p>investigadas e, quando possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a</p><p>identificação dessas pessoas.</p><p>b) As informações quanto à necessidade da operação de infiltração serão dirigidas</p><p>diretamente ao juiz competente, que decidirá no prazo de cinco dias, após manifestação do</p><p>Ministério Público na hipótese de representação do delegado de polícia, devendo-se adotar</p><p>as medidas necessárias para o êxito das investigações e a segurança</p><p>do agente infiltrado.</p><p>c) Findo o prazo da infiltração de agentes, o relatório circunstanciado e todos os atos</p><p>eletrônicos praticados durante a operação deverão ser registrados, gravados, armazenados</p><p>e apresentados ao juiz competente, o qual, no prazo de cinco dias, cientificará o Ministério</p><p>Público.</p><p>d) No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes,</p><p>e o Ministério Público e o juiz competente poderão requisitar, a qualquer tempo, relatório da</p><p>atividade de infiltração, que será fornecido em até vinte e quatro horas.</p><p>e) A infiltração será autorizada pelo prazo de até cento e oitenta dias, sem prejuízo de</p><p>eventuais renovações, mediante ordem judicial fundamentada, desde que o total não exceda</p><p>a trezentos e sessenta dias e seja comprovada sua necessidade.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A alternativa A está correta, nos termos do art. 10-A da Lei nº 12.850/2013: “Art. 10-A. Será admitida</p><p>a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais, obedecidos os requisitos do caput do art. 10, na</p><p>internet, com o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos, praticados por</p><p>organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e indicados o alcance das</p><p>tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados</p><p>de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas”.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois o prazo é 24 (vinte e quatro) horas, conforme o art. 12, §1º, da</p><p>Lei nº 12.850/2013: “As informações quanto à necessidade da operação de infiltração serão</p><p>dirigidas diretamente ao juiz competente, que decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, após</p><p>manifestação do Ministério Público na hipótese de representação do delegado de polícia, devendo-</p><p>se adotar as medidas necessárias para o êxito das investigações e a segurança do agente</p><p>infiltrado”.</p><p>A alternativa C está incorreta, pois o Ministério Público será imediatamente cientificado, nos termos</p><p>do art. 10, § 4º, da Lei nº 12.850/2013: “Findo o prazo previsto no § 3º, o relatório circunstanciado</p><p>será apresentado ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério Público”.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o juiz competente não poderá requisitar o relatório. Além disso,</p><p>a lei não prevê o prazo de até vinte e quatro horas para que o relatório da atividade de infiltração</p><p>53</p><p>117</p><p>seja fornecido. De acordo com o art. 10, § 5º, da Lei nº 12.850/2013: “No curso do inquérito policial,</p><p>o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público poderá requisitar,</p><p>a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração”.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois a infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses,</p><p>sem prejuízo de eventuais renovações, desde que comprovada sua necessidade, nos termos do</p><p>art. 10, § 3º, da Lei nº 12.850/2013. Cumpre destacar que a lei não estipula um prazo máximo total</p><p>referente às renovações.</p><p>QUESTÃO 47. Maria, primária e possuidora de bom comportamento carcerário, comprovado</p><p>pelo diretor do estabelecimento prisional, foi condenada, definitivamente, pela prática de três</p><p>crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança, em continuidade delitiva, em detrimento</p><p>do seu patrão, perpetrados em 2023. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº</p><p>7.210/1984 (Lei de Execução Penal), é correto afirmar que Maria, que se encontra grávida,</p><p>progredirá de regime com o cumprimento de</p><p>a) dezesseis por cento da pena.</p><p>b) vinte por cento da pena.</p><p>c) um décimo da pena</p><p>d) um oitavo da pena.</p><p>e) um sexto da pena.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>O art. 112, §3º, da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) prevê que:</p><p>§ 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com</p><p>deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente:</p><p>I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;</p><p>II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;</p><p>III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;</p><p>IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento;</p><p>V - não ter integrado organização criminosa.</p><p>No caso narrado, estão presentes todos os requisitos legais para a progressão de regime de acordo</p><p>com a norma citada, vejamos:</p><p>i) No caso de mulher gestante: Maria se encontra grávida;</p><p>ii) Não ter cometido crime com violência ou grave ameaça à pessoa: Maria foi condenada pela</p><p>prática de três crimes de furto qualificado;</p><p>iii) Não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente: Maria foi condenada pela prática de</p><p>três crimes de furto qualificado em detrimento do seu patrão;</p><p>54</p><p>117</p><p>iv) Ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento:</p><p>Maria é primária e possuidora de bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do</p><p>estabelecimento prisional;</p><p>v) Não ter integrado organização criminosa: no enunciado não há elementos indicativos de que</p><p>Maria integrava organização criminosa.</p><p>Ante o exposto, é correto afirmar que Maria progredirá de regime com o cumprimento de 1/8 (um</p><p>oitavo) da pena.</p><p>As alternativas A, B, C e E estão incorretas, conforme o fundamento exposto na alternativa D.</p><p>QUESTÃO 48. Maria comparece à Delegacia de Polícia do Município Alfa, que não é sede de</p><p>comarca, ocasião em que é recebida pelo policial João. Ato contínuo, a mulher afirma que é</p><p>vítima de violência doméstica e familiar, perpetrada por Sérgio, seu marido, e comprova a</p><p>existência de risco iminente à sua integridade física. A ofendida declara, ainda, que está com</p><p>muito receio de retornar ao local de convivência com o ofensor. Registre-se que, no</p><p>momento da denúncia, não há Delegado de Polícia disponível na localidade, mas apenas no</p><p>Município Beta, que também não sede de comarca. Nesse cenário, considerando as</p><p>disposições da Lei nº 11.340/2006, é correto afirmar que Sérgio será imediatamente afastado</p><p>do local de convivência com a ofendida pelo</p><p>a) Delegado de Polícia do Município Beta, que será informado sobre os fatos, incontinente,</p><p>pelo policial João, sendo certo que o juiz será comunicado no prazo máximo de quarenta e</p><p>oito horas e decidirá, em igual período, sobre a manutenção ou a revogação da medida</p><p>aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.</p><p>b) Delegado de Polícia do Município Beta, que será informado sobre os fatos, incontinente,</p><p>pelo policial João, sendo certo que o juiz será comunicado no prazo máximo de vinte e quatro</p><p>horas e decidirá em igual período, após ouvir o Ministério Público, sobre a manutenção ou a</p><p>revogação da medida aplicada.</p><p>c) policial João, sendo certo que o juiz será comunicado, no prazo máximo de vinte e quatro</p><p>horas, e decidirá, em igual período, sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada,</p><p>devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.</p><p>d) policial João, sendo certo que o juiz será comunicado, no prazo máximo de quarenta e</p><p>oito horas, e decidirá em igual período, após ouvir o Ministério Público, sobre a manutenção</p><p>ou a revogação da medida aplicada.</p><p>e) policial João, sendo certo que o juiz será comunicado, no prazo máximo de vinte e quatro</p><p>horas, e decidirá em igual período, após ouvir o Ministério Público, sobre a manutenção ou</p><p>a revogação da medida aplicada.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>O art. 12-C da Lei nº 11.340/2006 dispõe que:</p><p>Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou</p><p>psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o</p><p>agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida:</p><p>I - pela autoridade judicial;</p><p>55</p><p>117</p><p>II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca;</p><p>ou</p><p>III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível</p><p>no momento da denúncia.</p><p>§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo</p><p>de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da</p><p>medida aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.</p><p>Após a leitura do dispositivo legal, passamos à análise das alternativas.</p><p>A alternativa A está incorreta. Considerando que o Município não é sede de comarca e não há</p><p>delegado disponível no momento da denúncia, conforme ocorre na hipótese do enunciado, o</p><p>agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida pelo</p><p>policial (art. 12-C da Lei nº 11.340/2006). Além disso, o juiz será comunicado no prazo máximo de</p><p>24 (vinte e quatro) horas (art. 12-C, §1º, da Lei nº 11.340/2006).</p><p>A alternativa B está incorreta. Considerando que o Município não é sede de comarca e não há</p><p>delegado disponível no momento da denúncia, conforme ocorre na hipótese do enunciado, o</p><p>agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida pelo</p><p>policial, nos termos do art. 12-C da Lei nº 11.340/2006.</p><p>A alternativa C está correta, nos termos do art. 12-C, caput e §1º, da Lei nº 11.340/2006, ipsis</p><p>litteris:</p><p>Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou</p><p>psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o</p><p>agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida:</p><p>I - pela autoridade judicial;</p><p>II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou</p><p>III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível</p><p>no momento da denúncia.</p><p>§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo</p><p>de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da</p><p>medida aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o juiz será comunicado no prazo máximo de 24 (vinte e quatro)</p><p>horas, conforme dispõe o art. 12-C, §1º, da Lei nº 11.340/2006.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois é dispensável a prévia oitiva do Ministério Público, que será</p><p>cientificado concomitantemente, nos termos do art. 12-C, §1º, da Lei nº 11.340/2006: “Nas</p><p>hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24</p><p>(vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida</p><p>aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente”.</p><p>QUESTÃO 49. Após a observância do contraditório e da ampla defesa, como consectários</p><p>do devido processo legal, a sociedade empresária XYZ foi condenada pela prática de crime</p><p>contra o meio ambiente, nos termos da legislação de regência e em observância às</p><p>disposições constitucionais, que consagraram a possibilidade de a pessoa jurídica</p><p>responder na esfera processual penal. Nesse cenário, considerando as disposições</p><p>criminais da Lei nº 9.605/1998, aplicáveis às pessoas jurídicas, assinale a afirmativa correta.</p><p>56</p><p>117</p><p>a) A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir,</p><p>facilitar ou ocultar a prática de crime definido na Lei nº 9.605/1998, terá decretada sua</p><p>liquidação forçada, sendo certo que seu patrimônio será considerado instrumento do crime</p><p>e, como tal, perdido em favor de fundo destinado à reconstituição do meio ambiente.</p><p>b) A suspensão de atividades, espécie de pena restritiva de direitos aplicável à pessoa</p><p>jurídica, será adotada quando o estabelecimento, obra ou atividade da entidade estiver</p><p>funcionando sem a devida autorização, em desacordo com a concedida ou com violação de</p><p>disposição legal ou regulamentar.</p><p>c) Eventual multa aplicada à pessoa jurídica será calculada segundo os critérios do Código</p><p>Penal, sendo certo que, caso se revele ineficaz, ainda que fixada no valor máximo, poderá</p><p>ser aumentada até cinco vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida.</p><p>d) A interdição, espécie de pena restritiva de direitos aplicável à pessoa jurídica, será</p><p>adotada quando a entidade não estiver obedecendo às disposições legais ou</p><p>regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.</p><p>e) A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou</p><p>doações, espécie de pena restritiva de direitos aplicável à pessoa jurídica, não poderá</p><p>exceder o prazo de dez anos.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois, nessa hipótese, o patrimônio da pessoa jurídica será perdido</p><p>em favor do Fundo Penitenciário Nacional, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.605/1998: “Art. 24. A</p><p>pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou</p><p>ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio</p><p>será considerado instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário</p><p>Nacional”.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois trouxe o conceito referente à pena restritiva de interdição</p><p>temporária de estabelecimento, obra ou atividade. De acordo com o art. 22, § 2º, da Lei nº</p><p>9.605/1998: “A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver</p><p>funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de</p><p>disposição legal ou regulamentar.”</p><p>A alternativa C está incorreta, pois eventual multa poderá ser aumentada até 3 (três) vezes, nos</p><p>termos do art. 18 da Lei nº 9.605/1998: “A multa será calculada segundo os critérios do Código</p><p>Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três</p><p>vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida”.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois trouxe o conceito da pena de suspensão parcial ou total de</p><p>atividades, conforme dispõe o art. 22, § 1º, da Lei nº 9.605/1998: “1º A suspensão de atividades</p><p>será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições legais ou regulamentares,</p><p>relativas à proteção do meio ambiente”.</p><p>A alternativa E está correta. Segundo o art. 22 da Lei nº 9.605/1998, que dispõe sobre as sanções</p><p>penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente:</p><p>Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:</p><p>I - suspensão parcial ou total de atividades;</p><p>II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;</p><p>57</p><p>117</p><p>III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou</p><p>doações.</p><p>§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às</p><p>disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.</p><p>§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando</p><p>sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal</p><p>ou regulamentar.</p><p>§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações</p><p>não poderá exceder o prazo de dez anos.</p><p>QUESTÃO 50. João, Delegado de Polícia, preside investigação complexa, que versa sobre</p><p>dois latrocínios, em concurso material, que ocorreram no Município Alfa, chocando a</p><p>comunidade local. Em assim sendo, a autoridade policial estuda a possibilidade de</p><p>representar, em juízo, pela interceptação telefônica em detrimento dos investigados,</p><p>seguindo uma das linhas investigatórias sugeridas pela sua equipe de policiais, visando à</p><p>correta elucidação dos fatos. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº</p><p>9.296/1996, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) A decisão que autoriza a interceptação telefônica será fundamentada, sob pena</p><p>de</p><p>nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o</p><p>prazo de dez dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do</p><p>meio de prova.</p><p>b) O juiz poderá, excepcionalmente, admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde</p><p>que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação telefônica, caso em</p><p>que a concessão será condicionada à sua redução a termo.</p><p>c) A autoridade policial, cumprida a diligência, encaminhará o resultado da interceptação</p><p>telefônica ao juiz e ao Ministério Público, acompanhado de auto circunstanciado, que</p><p>conterá o resumo das operações realizadas.</p><p>d) A autoridade policial, deferido o pedido, conduzirá os procedimentos de interceptação</p><p>telefônica, dando ciência ao Ministério Público, que deverá acompanhar a sua realização.</p><p>e) O juiz, no prazo máximo de quarenta e oito horas, decidirá sobre o pedido de interceptação</p><p>telefônica.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a execução da diligência não poderá exceder o prazo de quinze</p><p>dias. Dispõe o art. 5º da Lei nº 9.296/1996 que: “A decisão será fundamentada, sob pena de</p><p>nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo</p><p>de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de</p><p>prova”.</p><p>A alternativa B está correta, nos termos do art. 4º, §1º, da Lei nº 9.296/1996: “Excepcionalmente, o</p><p>juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os</p><p>pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua</p><p>redução a termo”.</p><p>58</p><p>117</p><p>A alternativa C está incorreta, pois a autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação</p><p>telefônica somente ao juiz. Conforme o disposto no art. 6º, §§2º e 3º, da Lei nº 9.296/1996: “§ 2°</p><p>Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação ao juiz,</p><p>acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas. §</p><p>3° Recebidos esses elementos, o juiz determinará a providência do art. 8º, ciente o Ministério</p><p>Público”.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o Ministério Público poderá acompanhar a realização dos</p><p>procedimentos de interceptação telefônica, nos termos do art. 6º: “Deferido o pedido, a autoridade</p><p>policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que</p><p>poderá acompanhar a sua realização”.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois o prazo máximo é de 24 (vinte e quatro) horas, nos termos do art.</p><p>4º, §2º, da Lei nº 9.296/1996: “O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o</p><p>pedido”.</p><p>QUESTÃO 51. O Projeto Florença, coordenado por Mauro Cappelletti, delineou três ondas</p><p>renovatórias enquanto analisava os obstáculos ao acesso à Justiça.</p><p>Sobre as ondas renovatórias, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira</p><p>e (F) para a falsa.</p><p>I. A primeira onda renovatória concentra-se na abordagem da desigualdade de gênero nos</p><p>sistemas de justiça, buscando a implementação de ações destinadas a reestruturar o</p><p>sistema jurídico em prol dos direitos das mulheres.</p><p>II. A segunda onda renovatória caracteriza-se pela busca mais eficaz da proteção de direitos</p><p>metaindividuais, como os direitos das áreas de proteção ambiental e dos consumidores,</p><p>sejam eles difusos ou coletivos.</p><p>III. A terceira onda renovatória abrange a assistência jurídica gratuita, referindo-se à</p><p>prestação de serviços jurídicos para indivíduos em situação de hipossuficiência.</p><p>As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,</p><p>a) F, V, F.</p><p>b) F, V, V.</p><p>c) V, F, F.</p><p>d) V, V, F</p><p>e) F, F, V.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra A.</p><p>A primeira afirmação está incorreta, tendo em vista que a primeira onda renovatória diz respeito à</p><p>assistência judiciária aos pobres, com vistas à superação dos obstáculos financeiros daqueles que</p><p>necessitam de acesso à Justiça. Para Mauro Cappelletti, "[...] medidas muito importantes foram</p><p>adotadas nos últimos anos para melhorar os sistemas de assistência judiciária. Como</p><p>consequência, as barreiras ao acesso à Justiça começaram a ceder. Os pobres estão obtendo</p><p>assistência judiciária em números cada vez maiores, não apenas por causas de família ou defesa</p><p>criminal, mas também para reivindicar seus direitos novos, não tradicionais, seja como autores ou</p><p>como réus. É de esperar que as atuais experiências sirvam para eliminar essas barreiras [...]".</p><p>59</p><p>117</p><p>(CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à justiça. Tradução de Ellen Gracie Nothfleet.</p><p>Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editor, 1988. p.17.)</p><p>A segunda afirmação está correta, já que, de fato, a segunda onda renovatória refere-se à busca</p><p>da proteção de direitos metaindividuais. Vejamos: "[...] centrando seu foco de preocupação</p><p>especificamente nos interesses difusos, esta segunda onda de reformas forçou a reflexão sobre</p><p>noções tradicionais muito básicas do processo civil e sobre o papel dos tribunais. Sem dúvida, uma</p><p>verdadeira “revolução” está se desenvolvendo dentro do processo civil [...]" (CAPPELLETTI;</p><p>GARTH, 2002, p.18).</p><p>A terceira afirmação está incorreta, já que a terceira onda renovatória refere-se à necessidade de</p><p>superação de entraves processuais. Vejamos: "[...] essa “terceira onda” de reforma inclui advocacia,</p><p>judicial ou extrajudicial, seja por meio de advogados particulares ou públicos, mais vai além. Ela</p><p>centra sua atenção no conjunto geral de instituições e mecanismos, pessoas e procedimentos</p><p>utilizados para processar e mesmo prevenir disputas nas sociedades modernas. Nós denominamos</p><p>“o enfoque do acesso à justiça” por sua abrangência. Seu método não consiste em abandonar as</p><p>técnicas das duas primeiras ondas de reforma, mas em tratá-las com apenas algumas de uma série</p><p>de possibilidades para melhorar o acesso [...]" (CAPPELLETTI; GARTH, 2002. p.25).</p><p>Dessa forma, a alternativa a conter a correta associação entre as afirmações e seus valores é a</p><p>letra A, o que torna as demais, B, C, D e E incorretas.</p><p>QUESTÃO 52. O Ministério Público desempenha um papel contínuo ao acompanhar a política</p><p>urbana dos municípios. A REURB engloba um conjunto de normas gerais e procedimentos</p><p>destinados a implementar medidas jurídicas, ambientais e urbanísticas que viabilizem a</p><p>inserção de determinados núcleos urbanos e seus habitantes na legalidade. Seu propósito</p><p>é impulsionar o pleno desenvolvimento das funções sociais e ambientais da cidade, ao</p><p>mesmo tempo em que desestimula a formação de novos núcleos urbanos informais.</p><p>Em relação a esse importante instrumento de política urbana, assinale a afirmativa correta.:</p><p>a) A REURB de interesse Social (REURB-S) é a regularização fundiária aplicável aos núcleos</p><p>urbanos informais ocupados por população não qualificada como baixa renda;</p><p>b) REURB de interesse específico (REURB-E) é a regularização fundiária aplicável aos</p><p>núcleos urbanos informais ocupados predominantemente por população de baixa renda,</p><p>assim declarados em ato do Poder Executivo municipal;</p><p>c) A classificação de REURB pode ser realizada de maneira integral ou fragmentada. Isso</p><p>implica na possibilidade de coexistirem as modalidades REURB dentro do mesmo núcleo</p><p>urbano informal, cumpridas as condições legais;</p><p>d) A Certidão de Regularização Fundiária (CRF) é o ato judicial de aprovação da REURB e</p><p>formaliza a conclusão do processo judicial de regularização fundiária independentemente</p><p>da observância de um conteúdo mínimo legalmente previsto;</p><p>e) A REURB Inominada, que diz respeito à regularização de glebas parceladas após o</p><p>advento da Lei de Parcelamento do Solo Urbano, é aplicada à regularização de parcelamento</p><p>perante o Registro Imobiliário.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>60</p><p>117</p><p>A lei n.º: 13.465/17 dispõe sobre dispõe, entre outros assuntos, sobre a</p><p>regularização fundiária rural</p><p>e urbana.</p><p>Regra geral, a cessão de crédito abrange todos os acessórios, salvo disposição em contrário.</p><p>De acordo com o art. 36, § 2º, da lei n.º: 13.465/17, a Reurb pode ser implementada por etapas,</p><p>abrangendo o núcleo urbano informal de forma total ou parcial.</p><p>Art. 36. O projeto urbanístico de regularização fundiária deverá conter, no mínimo, indicação:</p><p>§ 2º A Reurb pode ser implementada por etapas, abrangendo o núcleo urbano informal de forma</p><p>total ou parcial.</p><p>A Reurb compreende duas modalidades: Reurb de Interesse Social (Reurb-S) e Reurb de Interesse</p><p>Específico (Reurb-E).</p><p>De acordo com o decreto nº 9.310, de 15 de março de 2018, no mesmo núcleo urbano informal</p><p>poderá haver as duas modalidades de Reurb, desde que a parte ocupada predominantemente por</p><p>população de baixa renda seja regularizada por meio de Reurb-S e o restante do núcleo por meio</p><p>de Reurb-E.</p><p>Art. 5º, § 4º: No mesmo núcleo urbano informal poderá haver as duas modalidades de Reurb, desde</p><p>que a parte ocupada predominantemente por população de baixa renda seja regularizada por meio</p><p>de Reurb-S e o restante do núcleo por meio de Reurb-E.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a Reurb-S é regularização fundiária aplicável aos núcleos</p><p>urbanos informais ocupados predominantemente por população de baixa renda, assim declarados</p><p>em ato do Poder Público municipal ou distrital.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois a Reurb-E é a regularização fundiária aplicável aos núcleos</p><p>urbanos informais ocupados por população não qualificada na hipótese de Reurb-S.</p><p>Art. 5º do Decreto n.º 9.310/2018: A Reurb compreende duas modalidades:</p><p>I - Reurb-S - regularização fundiária aplicável aos núcleos urbanos informais ocupados</p><p>predominantemente por população de baixa renda, assim declarados em ato do Poder Público</p><p>municipal ou distrital; e</p><p>II - Reurb-E - regularização fundiária aplicável aos núcleos urbanos informais ocupados por</p><p>população não qualificada na hipótese de que trata o inciso I.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois a Certidão de Regularização Fundiária - CRF é o documento</p><p>expedido pelo Município ou pelo Distrito Federal ao final do procedimento da Reurb, constituído do</p><p>projeto de regularização fundiária aprovado, do termo de compromisso relativo a sua execução e,</p><p>no caso da legitimação fundiária e da legitimação de posse, da listagem dos ocupantes do núcleo</p><p>urbano informal regularizado, da devida qualificação destes e dos direitos reais que lhes foram</p><p>conferidos.</p><p>Art. 3º Para fins do disposto na Lei nº 13.465, de 2017, e neste Decreto, considera-se:</p><p>V - Certidão de Regularização Fundiária - CRF - documento expedido pelo Município ou pelo Distrito</p><p>Federal ao final do procedimento da Reurb, constituído do projeto de regularização fundiária</p><p>aprovado, do termo de compromisso relativo a sua execução e, no caso da legitimação fundiária e</p><p>da legitimação de posse, da listagem dos ocupantes do núcleo urbano informal regularizado, da</p><p>devida qualificação destes e dos direitos reais que lhes foram conferidos;</p><p>A alternativa E está incorreta, pois a Regularização Fundiária Inominada (Reurb–I) consiste na</p><p>regularização fundiária aplicável aos núcleos urbanos informais consolidados em data anterior à Lei</p><p>61</p><p>117</p><p>do Parcelamento do Solo Urbano - Lei 6.766/1979, de 19 de dezembro 1979 (art. 69, da Lei</p><p>13.465/2017).</p><p>Art. 69. As glebas parceladas para fins urbanos anteriormente a 19 de dezembro de 1979, que não</p><p>possuírem registro, poderão ter a sua situação jurídica regularizada mediante o registro do</p><p>parcelamento, desde que esteja implantado e integrado à cidade, podendo, para tanto, utilizar-se</p><p>dos instrumentos previstos nesta Lei.</p><p>§ 1º O interessado requererá ao oficial do cartório de registro de imóveis a efetivação do registro</p><p>do parcelamento, munido dos seguintes documentos:</p><p>I - planta da área em regularização assinada pelo interessado responsável pela regularização e por</p><p>profissional legalmente habilitado, acompanhada da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)</p><p>no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) ou de Registro de Responsabilidade</p><p>Técnica (RRT) no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), contendo o perímetro da área a ser</p><p>regularizada e as subdivisões das quadras, lotes e áreas públicas, com as dimensões e numeração</p><p>dos lotes, logradouros, espaços livres e outras áreas com destinação específica, se for o caso,</p><p>dispensada a ART ou o RRT quando o responsável técnico for servidor ou empregado público;</p><p>II - descrição técnica do perímetro da área a ser regularizada, dos lotes, das áreas públicas e de</p><p>outras áreas com destinação específica, quando for o caso;</p><p>III - documento expedido pelo Município, atestando que o parcelamento foi implantado antes de 19</p><p>de dezembro de 1979 e que está integrado à cidade.</p><p>§ 2º A apresentação da documentação prevista no § 1º deste artigo dispensa a apresentação do</p><p>projeto de regularização fundiária, de estudo técnico ambiental, de CRF ou de quaisquer outras</p><p>manifestações, aprovações, licenças ou alvarás emitidos pelos órgãos públicos.</p><p>Nesse sentido, as alternativas A, B, D, E estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 53. Ciente de que o poder público deve garantir o pleno exercício dos direitos</p><p>fundamentais às pessoas com deficiência, a família de um indivíduo com deficiência,</p><p>necessitando de tratamento de saúde, procurou orientação junto ao Ministério Público (MP)</p><p>sobre os direitos garantidos a ele.</p><p>Assinale a opção que apresenta a orientação correta dada pelo membro do MP.</p><p>a) Para a realização de tratamento, procedimento e hospitalização, o consentimento prévio,</p><p>livre e esclarecido da pessoa com deficiência, como regra geral, é dispensável.</p><p>b) Em caso de pessoa com deficiência em situação de curatela, sempre será dispensada sua</p><p>participação para a obtenção de consentimento.</p><p>c) A criação de uma rede de serviços especializados em reabilitação e habilitação é</p><p>obrigatória, apenas nos estabelecimentos de saúde privados.</p><p>d) Se necessário, é garantido o atendimento domiciliar de saúde à pessoa portadora de</p><p>deficiência grave, não internada.</p><p>e) As operadoras de planos e seguros privados de saúde não têm obrigação legal de garantir</p><p>a pessoa com deficiência todos os serviços e produtos oferecidos aos demais clientes.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>62</p><p>117</p><p>A alternativa A está incorreta. O artigo 12, caput, do Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPCD),</p><p>exige o consentimento livre e esclarecido.</p><p>Art. 12. O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com deficiência é indispensável para</p><p>a realização de tratamento, procedimento, hospitalização e pesquisa científica.</p><p>A alternativa B está incorreta. Conforme parágrafo 1º, do artigo 12 do EPCD.</p><p>§ 1º Em caso de pessoa com deficiência em situação de curatela, deve ser assegurada sua</p><p>participação, no maior grau possível, para a obtenção de consentimento.</p><p>A alternativa C está incorreta. A criação da rede de serviços especializados também deve ocorrer</p><p>na rede pública.</p><p>A alternativa D está correta. A Lei 7.853/89, no artigo 2º, inciso III, alínea e, especificação à pessoa</p><p>com deficiência grave não internada.</p><p>Art. 2º Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o</p><p>pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho,</p><p>ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes</p><p>da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico.</p><p>II - na área da saúde:</p><p>e) a garantia de atendimento domiciliar de saúde ao deficiente grave não internado;</p><p>A alternativa E está incorreta. Artigo 20 do EPCD.</p><p>Art. 20. As operadoras de planos e seguros privados de saúde são obrigadas a garantir à pessoa</p><p>com deficiência, no mínimo, todos os serviços e produtos ofertados aos demais clientes.</p><p>QUESTÃO 54. A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito</p><p>Federal e Entorno</p><p>(RIDE/DF) é uma região integrada de desenvolvimento econômico para efeitos de articulação</p><p>da ação administrativa da União, dos Estados de Goiás, Minas Gerais e do Distrito Federal.</p><p>Consideram-se de interesse da RIDE os serviços públicos comuns ao Distrito Federal, aos</p><p>Estados de Goiás e Minas Gerais e aos Municípios que a integram, relacionados com as</p><p>diversas áreas, entre elas o transporte de passageiros.</p><p>Idosos residentes em uma das cidades goianas que integram a região da RIDE, buscaram o</p><p>Ministério Público para relatar múltiplas violações de seus direitos no transporte de</p><p>passageiros. Considerando o Estatuto do Idoso, no contexto do direito ao transporte,</p><p>assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Para que o idoso tenha acesso à gratuidade no transporte semi-urbano deverá apresentar</p><p>contracheque ou carteira de trabalho para comprovar a renda de até 2 (dois) salários</p><p>mínimos.</p><p>b) O Estatuto do Idoso assegura aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos a gratuidade dos</p><p>transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e</p><p>especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares.</p><p>c) Conforme preceitua o Estatuto do Idoso, os veículos de transporte coletivo deverão</p><p>manter (10%) dez por cento dos assentos reservados para pessoas idosas, devidamente</p><p>identificados com a placa "reservado preferencialmente para pessoas idosas".</p><p>63</p><p>117</p><p>d) No caso das pessoas compreendidas na faixa etária acima de 65 (sessenta e cinco) anos,</p><p>ficará a critério da legislação local dispor sobre as condições para exercício do gratuidade</p><p>nos meios de transporte.</p><p>e) No transporte semi-urbano a gratuidade está vinculada à reserva de 2 (duas) vagas por</p><p>veículo para pessoas idosas com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários mínimos.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>A alternativa A está incorreta. Artigo 39 do Estatuto da Pessoa Idosa (EPI), parágrafo 1º. Exige</p><p>apresentação de documento pessoal com comprovação da idade, apenas.</p><p>Art. 39. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes</p><p>coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando</p><p>prestados paralelamente aos serviços regulares.</p><p>§ 1º Para ter acesso à gratuidade, basta que a pessoa idosa apresente qualquer documento pessoal</p><p>que faça prova de sua idade.</p><p>A alternativa B está incorreta. Pessoa idosa é aquela com 60 anos ou mais. Gratuidade de</p><p>transporte é a partir dos 65 anos.</p><p>Art. 1º É instituído o Estatuto da Pessoa Idosa, destinado a regular os direitos assegurados às</p><p>pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.</p><p>A alternativa C está correta. Artigo 39, parágrafo 2º do EPI.</p><p>Art. 39. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes</p><p>coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando</p><p>prestados paralelamente aos serviços regulares.</p><p>§ 2º Nos veículos de transporte coletivo de que trata este artigo, serão reservados 10% (dez por</p><p>cento) dos assentos para as pessoas idosas, devidamente identificados com a placa de reservado</p><p>preferencialmente para pessoas idosas. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022)</p><p>A alternativa D está incorreta. Não existe a previsão mencionada.</p><p>A alternativa E está incorreta. Essa baliza serve para o transporte coletivo interestadual. Artigo 40</p><p>do EPI.</p><p>Art. 40. No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á, nos termos da legislação</p><p>específica: (Regulamento) (Vide Decreto nº 5.934, de 2006)</p><p>I – a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para pessoas idosas com renda igual ou inferior</p><p>a 2 (dois) salários mínimos; (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022)</p><p>II – desconto de 50% (cinquenta por cento), no mínimo, no valor das passagens, para as pessoas</p><p>idosas que excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários</p><p>mínimos. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022)</p><p>Parágrafo único. Caberá aos órgãos competentes definir os mecanismos e os critérios para o</p><p>exercício dos direitos previstos nos incisos I e II.</p><p>QUESTÃO 55. O Ministério Público do Estado de Goiás recebeu inúmeras notícias de que</p><p>uma grande empresa farmacêutica comercializou um determinado medicamento para dor de</p><p>cabeça em estado impróprio para consumo, gerando danos à saúde de inúmeros</p><p>64</p><p>117</p><p>consumidores. Instaurado inquérito civil para apurar o fato, o Promotor de Justiça com</p><p>atribuição verificou que algumas ações Individuais haviam sido ajuizadas objetivando</p><p>indenizações por danos materiais e morais decorrentes desse fato. Considerando as</p><p>peculiaridades da sistemática processual das ações coletivas de consumo, analise as</p><p>afirmativas a seguir.</p><p>I. O ajuizamento de ação coletiva não induz litispendência para as ações individuais que em</p><p>curso, mas, caso julgada procedente, os efeitos da coisa julgada não beneficiarão, em regra,</p><p>os autores das ações individuais que não tiverem requerido sua suspensão no prazo de trinta</p><p>dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva.</p><p>II. Uma associação constituída há mais de um ano e que inclua, dentre suas finalidades</p><p>institucionais, a proteção dos consumidores, tem legitimidade para celebrar compromisso</p><p>de ajustamento de conduta com a empresa farmacêutica para o recolhimento dos</p><p>medicamentos impróprios e indenização dos consumidores afetados.</p><p>III. Não são admitidas hipóteses de intervenção de terceiros nas ações coletivas de consumo</p><p>em razão do interesse público tutelado.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I e III, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I, apenas.</p><p>d) II, apenas.</p><p>e) I e II, apenas.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>O item I está correto, de acordo com o art. 104 do CDC, para o autor da ação individual já proposta</p><p>aproveitar o transporte in utilibus da coisa julgada coletiva, deverá requerer a suspensão da sua</p><p>ação individual em 30 dias, a contar da data em que o autor é avisado, nos autos da ação individual,</p><p>de que há uma ação coletiva. Trata-se do exercício da opção de ser excluído da abrangência da</p><p>decisão coletiva, chamado no sistema norte-americano do class action de right to opt out. Vejamos:</p><p>“As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem</p><p>litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes</p><p>a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais,</p><p>se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do</p><p>ajuizamento da ação coletiva.”</p><p>O item II está incorreto, conforme art. 5º, §6º, da LACP: “Os órgãos públicos legitimados poderão</p><p>tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais,</p><p>mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial.”</p><p>O item III está incorreto, pois, no processo coletivo é plenamente possível a intervenção de</p><p>terceiros, sendo mais comum na modalidade assistência. Do mesmo modo, nada obsta à utilização</p><p>da denunciação da lide no processo coletivo, sempre que presente um dos requisitos de cabimento</p><p>previsto pelo art. 125 do CPC, em especial a hipótese prevista pelo inciso III. A vedação da sua</p><p>utilização deve ser expressa pela lei, como ocorre no art. 88 do CDC.</p><p>Portanto, apenas o item I está correto, devendo ser assinalada a alternativa C.</p><p>65</p><p>117</p><p>QUESTÃO 56. A assistência social, direito inalienável do cidadão e responsabilidade do</p><p>Estado, constitui uma Política de Seguridade Social não contributiva. É por meio dela que se</p><p>desenvolvem programas, projetos e ações que visam a suprir carências imediatas, mas</p><p>também fomentar a autonomia e a participação cidadã, com o fortalecimento dos laços</p><p>comunitários.</p><p>A respeito do Sistema Único de Assistência Social relacione os conceitos listados</p><p>a seguir</p><p>aos seus respectivos objetivos.</p><p>1. Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico)</p><p>2. Centro de Referência de Assistência Social (CRAS)</p><p>3. Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)</p><p>4. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF)</p><p>( ) Integra a proteção social básica e consiste na oferta de ações e serviços</p><p>socioassistenciais de prestação continuada, por meio do trabalho social com famílias em</p><p>situação de vulnerabilidade social, com o objetivo de prevenir o rompimento dos vínculos</p><p>familiares e a violência no âmbito de suas relações, garantindo o direito à convivência</p><p>familiar e comunitária.</p><p>( ) Destinado(a) à prestação de serviços, programas e projetos socioassistenciais de</p><p>proteção social básica às famílias, em áreas com maiores índices de vulnerabilidade e risco</p><p>social e à articulação dos serviços socioassistenciais no território de abrangência.</p><p>( ) Tem a finalidade de coletar, processar, sistematizar e disseminar informações para a</p><p>identificação e a caracterização socioeconômica das famílias de baixa renda, nos termos do</p><p>regulamento.</p><p>( ) Destinado(a) à prestação de serviços a indivíduos e famílias que se encontram em</p><p>situação de risco pessoal ou social, por violação de direitos ou contingência, que demandam</p><p>intervenção especializada da proteção social especial, de abrangência e gestão municipal,</p><p>estadual ou regional.</p><p>Assinale a opção que indica, segundo a ordem apresentada, a relação correta.</p><p>a) 4 – 2 – 1 – 3.</p><p>b) 3 – 4 – 2 – 1.</p><p>c) 1 – 4 – 2 – 3.</p><p>d) 4 – 3 – 1 – 2.</p><p>e) 2 – 1 – 3 – 4.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) está previsto na Lei 8.742/93, Lei Orgânica da</p><p>Assistência Social (LOAS).</p><p>1. CadÚnico - Art. 6º-F Fica instituído o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo</p><p>Federal (CadÚnico), registro público eletrônico com a finalidade de coletar, processar,</p><p>sistematizar e disseminar informações para a identificação e a caracterização socioeconômica</p><p>66</p><p>117</p><p>das famílias de baixa renda, nos termos do regulamento. (Redação dada pela Lei nº 14.601,</p><p>de 2023).</p><p>2. CRAS - Art. 6o-C. As proteções sociais, básica e especial, serão ofertadas precipuamente no</p><p>Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e no Centro de Referência Especializado de</p><p>Assistência Social (Creas), respectivamente, e pelas entidades sem fins lucrativos de</p><p>assistência social de que trata o art. 3o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011) §</p><p>1o O Cras é a unidade pública municipal, de base territorial, localizada em áreas com maiores</p><p>índices de vulnerabilidade e risco social, destinada à articulação dos serviços socioassistenciais</p><p>no seu território de abrangência e à prestação de serviços, programas e projetos</p><p>socioassistenciais de proteção social básica às famílias. (Incluído pela Lei nº 12.435, de</p><p>2011)</p><p>3. CREAS - Art. 6o-C. As proteções sociais, básica e especial, serão ofertadas precipuamente no</p><p>Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e no Centro de Referência Especializado de</p><p>Assistência Social (Creas), respectivamente, e pelas entidades sem fins lucrativos de</p><p>assistência social de que trata o art. 3o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011) (...)</p><p>§ 2o O Creas é a unidade pública de abrangência e gestão municipal, estadual ou regional,</p><p>destinada à prestação de serviços a indivíduos e famílias que se encontram em situação de</p><p>risco pessoal ou social, por violação de direitos ou contingência, que demandam intervenções</p><p>especializadas da proteção social especial.</p><p>4. PAIF - Art. 24-A. Fica instituído o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif),</p><p>que integra a proteção social básica e consiste na oferta de ações e serviços socioassistenciais</p><p>de prestação continuada, nos Cras, por meio do trabalho social com famílias em situação de</p><p>vulnerabilidade social, com o objetivo de prevenir o rompimento dos vínculos familiares e a</p><p>violência no âmbito de suas relações, garantindo o direito à convivência familiar e</p><p>comunitária. (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011)</p><p>QUESTÃO 57. O aumento da divulgação, por parte da mídia, de incidentes violentos nas</p><p>escolas, muitos dos quais relacionados a adolescentes, tem se tornado cada vez mais</p><p>comum. Esses eventos despertam preocupações crescentes e chamam a atenção para a</p><p>necessidade urgente de compreender e abordar as causas subjacentes a essas situações.</p><p>Sobre os procedimentos administrativos de acompanhamento que o Ministério Público</p><p>poderá iniciar, com vistas a implementar medidas que protejam a integridade de toda a</p><p>comunidade escolar, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. Verificar as medidas de capacitação dos professores e outros profissionais da educação,</p><p>para a conscientização, a prevenção e o combate a todos os tipos de violência,</p><p>especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas.</p><p>II. Atuar com foco na priorização do fortalecimento das medidas repressivas/punitivas e</p><p>cobrador intransigentes quanto à existência de programa de enfrentamento ao adolescente</p><p>infrator, para fortalecer ações que estimulem a coação e o constrangimento dos</p><p>adolescentes nas escolas de forma periódica.</p><p>III. Fomentar a solução consensual de conflitos com a participação e a capacitação de</p><p>profissionais da educação e da comunidade escolar, tendo como objetivo a construção de</p><p>uma cultura de paz nas escolas, com iniciativas como mediação escolar, justiça restaurativa,</p><p>rodas de conversa, comunicação não violenta, círculo de construção de paz, combate ao</p><p>discurso de ódio etc.</p><p>67</p><p>117</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I e III, apenas.</p><p>b) I e II, apenas.</p><p>c) II e III, apenas.</p><p>d) II, apenas.</p><p>e) I, apenas.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A questão tem fundamento superficial na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e fundamento mais</p><p>forte na Lei de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) - Lei 13.185/2015.</p><p>Item I está correto. Artigo 4º, II, da Lei do Bullying.</p><p>Art. 4º Constituem objetivos do Programa referido no caput do art. 1º: II - capacitar docentes e</p><p>equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e</p><p>solução do problema;</p><p>Item II está incorreta. Artigo 4º, VIII, da Lei do Bullying. A lei não é punitiva. Há previsão de</p><p>mecanismos alternativos.</p><p>VIII - evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e</p><p>instrumentos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de</p><p>comportamento hostil;</p><p>Item III está correta. Artigo 4º, VII, da Lei do Bullying.</p><p>VII - promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma</p><p>cultura de paz e tolerância mútua;</p><p>QUESTÃO 58. O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho</p><p>Nacional de Justiça está baseado no Protocolo para Julgar com Perspectiva de Gênero,</p><p>criado pelo Estado do México, após uma determinação da Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos. Este protocolo é um instrumento adicional para promover a igualdade de gênero,</p><p>alinhando-se ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 5) da Agenda 2030 da ONU.</p><p>Segundo as disposições constantes no referido protocolo, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) O Protocolo orienta, no primeiro momento, a necessidade de desensibilização das</p><p>assimetrias de poder envolvidas no conflito, exclusivamente em casos que apresentem</p><p>questões de gênero de maneira autoevidente.</p><p>b) Os métodos tradicionais de interpretação como analogia, dedução, indução, argumentos</p><p>consequencialistas e aplicação de princípios devem ser empregados de forma autônoma e</p><p>desvinculada do método dogmático trazido pelo protocolo para Julgamento com perspectiva</p><p>de gênero.</p><p>c) A aplicação do protocolo significa dizer que a resolução do conflito será sempre favorável</p><p>à presença do grupo subordinados já que esse</p><p>modo de julgar permitirá uma atuação</p><p>jurisdicional mais transparente, legítima, fundamentada e respeitosa às partes envolvidas.</p><p>68</p><p>117</p><p>d) A compreensão de que as vivências de opressão de gênero influenciadas por diferentes</p><p>formas é conceituada como "interseccionalidade". Essa noção se conecta com a ideia de</p><p>discriminação múltipla ou agravada, abordada na Convenção Interamericana contra o</p><p>Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância.</p><p>e) Em relação aos conflitos que aparentemente são neutros, ao avaliá-los com uma</p><p>perspectiva de gênero, os julgadores podem ser considerados parciais. Assim, o Protocolo</p><p>recomenda que esses casos sejam analisados de maneira abstrata e desvinculada do</p><p>gênero, visando assegurar maior igualdade e justiça.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>A alternativa A está incorreta. O protocolo atenta para uma atuação em questões de gênero, mesmo</p><p>para casos em que pareça haver neutralidade da aplicação da norma. A lógica é que em casos</p><p>aparentemente neutros, a situação em si pode trazer uma situação de desigualdade estrutural a ser</p><p>identificada pelo órgão julgador. O erro está na palavra exclusivamente.</p><p>A alternativa B está incorreta. O protocolo informa que o julgamento com interpretação com</p><p>aplicação de perspectiva de gênero deve ser utilizado com os demais métodos de interpretação.</p><p>Há uma complementação da interpretação.</p><p>A alternativa C está incorreta. Nem sempre o julgamento será favorável. O método não existe para</p><p>gerar julgamento sempre favoráveis. Busca-se imparcialidade, transparência e legitimidade. Com</p><p>fundamentação na legitimidade das partes.</p><p>A alternativa D está correta. Há a associação entre interseccionalidade, discriminação com base</p><p>em mais de um elemento, exemplo, mulher, negra, pobre e trans, e discriminação multipla ou</p><p>agravada.</p><p>A alternativa E está incorreta. O protocolo recomenda o contrário, analisando-se o julgamento a</p><p>partir da questão de gênero.</p><p>QUESTÃO 59. Conforme estipulado pela Constituição Federal de 1988, as funções</p><p>institucionais do Ministério Público incluem a promoção do inquérito civil e da ação civil</p><p>pública para proteger os interesses difusos e coletivos. Além disso, o órgão tem a</p><p>competência de expedir notificações nos procedimentos administrativos e requisitar</p><p>informações e documentos para instruí-los.</p><p>Em relação ao poder de requisição constitucionalmente atribuído ao Ministério Público,</p><p>assinale a afirmativa correta.</p><p>a) A Notícia de Fato será apreciada no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do seu recebimento,</p><p>prorrogável uma vez, fundamentadamente, por até 60 (sessenta) dias; o membro do</p><p>Ministério Público poderá colher informações preliminares imprescindíveis para deliberar</p><p>sobre a instauração do procedimento próprio, com a expedição de requisições.</p><p>b) O membro do Ministério Público será responsável pelo uso indevido das informações e</p><p>documentos que requisitar apenas nas hipóteses legais de sigilo.</p><p>c) Quaisquer membros do Ministério Público podem requisitar informações, exames</p><p>periciais, certidões e outros documentos diretamente a autoridade federais, estaduais e</p><p>municipais, bem como dos órgãos e entidades da administração direta, indireta ou</p><p>69</p><p>117</p><p>fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos</p><p>Municípios.</p><p>d) No Inquérito Civil Público, os ofícios de requisições do Ministério Público terão um prazo</p><p>razoável estabelecido para resposta, que não precisam ser fundamentadas.</p><p>e) No âmbito do procedimento preparatório, todos os ofícios de requisição devem ser</p><p>justificados e acompanhados por uma cópia da portaria que deu início ao procedimento ou</p><p>indicar o endereço eletrônico oficial onde essa peça esteja disponível.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra E.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois contraria o artigo 3º da Resolução 174 do CNMP, que estipula</p><p>prazo diverso, vejamos: "Art. 3º A Notícia de Fato será apreciada no prazo de 30 (trinta) dias, a</p><p>contar do seu recebimento, prorrogável uma vez, fundamentadamente, por até 90 (noventa) dias."</p><p>A alternativa B está incorreta, pois contraria a Resolução 181 do CNMP, vejamos: "Art. 7º. O</p><p>membro do Ministério Público, observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e</p><p>sem prejuízo de outras providências inerentes a sua atribuição funcional, poderá: [...] § 9º O membro</p><p>do Ministério Público será responsável pelo uso indevido das informações e documentos que</p><p>requisitar, inclusive nas hipóteses legais de sigilo e de documentos assim classificados."</p><p>A alternativa C está incorreta, pois o artigo 26, inciso I, alínea b, da Lei 8625, estipula: "Art. 26. No</p><p>exercício de suas funções, o Ministério Público poderá: I - instaurar inquéritos civis e outras medidas</p><p>e procedimentos administrativos pertinentes e, para instruí-los: b) requisitar informações, exames</p><p>periciais e documentos de autoridades federais, estaduais e municipais, bem como dos órgãos e</p><p>entidades da administração direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos</p><p>Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;".</p><p>A alternativa D está incorreta, pois contraria a resolução 164 do CNMP, em seu artigo 8º, que</p><p>determina: "Art. 8º A recomendação conterá a indicação de prazo razoável para a adoção das</p><p>providências cabíveis, indicando-as de forma clara e objetiva."</p><p>A alternativa E está correta, pois está de acordo com a resolução 23 do CNMP, em seu artigo 6º, §</p><p>10, vejamos: "Art. 6º A instrução do inquérito civil será presidida por membro do Ministério Público</p><p>a quem for conferida essa atribuição, nos termos da lei. § 10 Todos os ofícios requisitórios de</p><p>informações ao inquérito civil e ao procedimento preparatório deverão ser fundamentados e</p><p>acompanhados de cópia da portaria que instaurou o procedimento ou da indicação precisa do</p><p>endereço eletrônico oficial em que tal peça esteja disponibilizada."</p><p>QUESTÃO 60. O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) moveu uma Ação Civil</p><p>Pública em defesa do Meio Ambiente, alegando sérias falhas no mérito do Estudo de Impacto</p><p>Ambiental (EIA) utilizado para justificar a instalação de um aterro sanitário.</p><p>Com base nas conclusões de um laudo técnico pericial, o MPGO afirmou a grande</p><p>probabilidade de vazamento do chorume do aterro, podendo afetar a bacia do manancial que</p><p>abastece o município. Em função da gravidade do risco descrito, o Ministério Público de</p><p>Goiás formulou pedido de tutela inibitória.</p><p>Sobe a tutela inibitória prevista no Código de Processo Civil (CPC), assinale a alternativa</p><p>correta.</p><p>70</p><p>117</p><p>a) A tutela inibitória possui requisitos diferentes quando visa evitar a prática do ato ilícito em</p><p>comparação àquela direcionada para impedir sua reiteração, continuidade ou remoção. Esta</p><p>última requer a demonstração prévia de existência de culpa ou dolo.</p><p>b) Na formulação do pedido para a concessão da tutela específica destinada a inibir a prática</p><p>do ato de instalação do aterro sanitário no local indicado no EIA, é irrelevante a</p><p>demonstração da ocorrência de dano ou da existência de culpa ou dolo.</p><p>c) A tutela inibitória tem como objetivo combater atos ilícitos, porém, ainda requer a</p><p>demonstração de culpa ou dolo como pressupostos. Isso se dá porque o interesse do</p><p>Estado-Juiz é tanto reprimir o dano quanto prevenir a ocorrência ou a continuidade do ilícito.</p><p>d) O CPC aborda a tutela inibitória, reconhecendo-a como uma medida destinada a prevenir</p><p>o ilícito, sua repetição, continuidade ou remoção; destaca-se que a comprovação do dano é</p><p>um requisito fundamental no processo para assegurar essa proteção jurisdicional.</p><p>e) A tutela inibitória tem como base a necessidade de correlação entre repressão e dano,</p><p>diversamente da prevenção e afastamento do ilícito, conforme descrito no CPC.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra B, pois encontra-se em conformidade com o Código</p><p>de Processo</p><p>Civil, em seu artigo 497, vejamos: "Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação</p><p>de fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá a tutela específica ou</p><p>determinará providências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente.</p><p>Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir a prática, a reiteração ou</p><p>a continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a demonstração da ocorrência de dano</p><p>ou da existência de culpa ou dolo."</p><p>As demais alternativas, A, C, D e E, trazem como necessária, para a concessão da tutela específica</p><p>inibitória, a comprovação de ocorrência de dano ou existência de dolo ou culpa, o que, conforme</p><p>instituto legal supracitado, é irrelevante.</p><p>QUESTÃO 61. O agravamento na frequência, intensidade e impacto de eventos climáticos</p><p>extremos, somado à vulnerabilidade dos assentamentos humanos, provoca desastres</p><p>urbanos, tais como inundações, desmoronamentos de edifícios, deslizamentos de terra,</p><p>entre outros. Cada vez mais, testemunhamos no nosso país, situações em que construções</p><p>e atividades irregulares em Áreas de Preservação Permanente, especialmente às margens</p><p>de rios, encostas, restingas e manguezais, resultam em tragédias recorrentes, muitas vezes</p><p>fatais. Essas ocorrências acarretam danos patrimoniais devastadores, sobrecarregam o</p><p>orçamento público, destroem propriedades privadas e são terreno fértil para corrupção e</p><p>desvio de fundos de emergenciais.</p><p>Sobre a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal</p><p>(STF), no que se refere a assuntos que impactam os desastres socioambientais e as</p><p>mudanças climáticas, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para verdadeiro e (F) para</p><p>falso:</p><p>( ) Para o STJ, a violação ao dever do Estado de fiscalização ambiental contribui como</p><p>causa indireta do dano, resultando em responsabilidade objetiva, conforme previsto</p><p>na Lei nº 6.938/1981. Quando o dano é causado ativamente por indivíduos privados, é</p><p>imputada uma responsabilidade civil solidária, sendo o Estado responsável</p><p>subsidiariamente pela reparação.</p><p>71</p><p>117</p><p>( ) O Supremo Tribunal Federal firmou, em Ação Direta de Inconstitucionalidade, o</p><p>entendimento de que a prevalência do auto de infração lavrado pelo órgão originalmente</p><p>competente para o licenciamento ou autorização ambiental não exclui a atuação supletiva</p><p>de outro ente federado, desde que comprovada omissão ou insuficiência na tutela</p><p>fiscalizatória.</p><p>( ) Para o STJ, poderá ser autorizada, excepcionalmente, a construção de residências de</p><p>veraneio e estabelecimentos comerciais em locais onde a função ecológica do manguezal</p><p>esteja comprometida. Isso ocorre para preservar os efeitos assegurados ao possuidor de</p><p>boa-fé, levando em conta a situação já consumada e consolidada.</p><p>a) V – V – F;</p><p>b) F – V - F;</p><p>c) V – F - V;</p><p>d) F – V – V;</p><p>e) V – F - F.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A primeira assertiva está correta, pois de acordo com o STJ, a responsabilidade civil por dano</p><p>ambiental é objetiva e solidária. Nos casos em que o Poder Público concorre para o prejuízo por</p><p>omissão, a sua responsabilidade solidária é de execução subsidiária ou com ordem de preferência.</p><p>(STJ. 2ª Turma. AREsp 1.756.656-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18/10/202)</p><p>Inclusive, o STJ possui entendimento sumulado nesse sentido: Súmula 652-STJ: A</p><p>responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente, decorrente de sua</p><p>omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução subsidiária.</p><p>A segunda assertiva está correta, pois o STF, no julgamento da ADI 4757, analisou a</p><p>constitucionalidade do § 3º do art. 17 da LC 140/2011 e decidiu pela sua constitucionalidade</p><p>conferindo interpretação conforme no sentido de que a prevalência do auto de infração lavrado pelo</p><p>órgão originalmente competente para o licenciamento ou autorização ambiental não exclui a</p><p>atuação supletiva de outro ente federado, desde que comprovada omissão ou insuficiência na tutela</p><p>fiscalizatória.</p><p>No exercício da cooperação administrativa cabe atuação suplementar — ainda que não conflitiva</p><p>— da União com a dos órgãos estadual e municipal. (STF. Plenário. ADI 4757/DF, Rel. Min. Rosa</p><p>Weber, julgado em 12/12/2022)</p><p>Eis o teor da literalidade do § 3º do art. 17 da LC 140/2011.</p><p>Art. 17. Compete ao órgão responsável pelo licenciamento ou autorização, conforme o caso, de</p><p>um empreendimento ou atividade, lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo</p><p>administrativo para a apuração de infrações à legislação ambiental cometidas pelo empreendimento</p><p>ou atividade licenciada ou autorizada.</p><p>§ 3o O disposto no caput deste artigo não impede o exercício pelos entes federativos da atribuição</p><p>comum de fiscalização da conformidade de empreendimentos e atividades efetiva ou</p><p>potencialmente poluidores ou utilizadores de recursos naturais com a legislação ambiental em vigor,</p><p>prevalecendo o auto de infração ambiental lavrado por órgão que detenha a atribuição de</p><p>licenciamento ou autorização a que se refere o caput.</p><p>72</p><p>117</p><p>A terceira assertiva está incorreta, pois para o STJ, é vedada tal autorização não se aplicando, em</p><p>tema de Direito Ambiental, a teoria do fato consumado.</p><p>AMBIENTAL E PROCESSUAL CIVIL. LICENCIAMENTO AMBIENTAL MUNICIPAL. ALVARÁ DE</p><p>CONSTRUÇÃO. CASA DE VERANEIO. MANGUEZAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO</p><p>PERMANENTE. ART. 3º, XIII, E 4º, VII, DO CÓDIGO FLORESTAL DE 2012. FUNÇÃO</p><p>ECOLÓGICA DA PROPRIEDADE. TERRENO DE MARINHA. TERRENOS MARGINAIS DO RIO</p><p>ITAPOCU. BEM DE USO COMUM DO POVO E DE USO ESPECIAL. ARTS. 98, 99, 100, 102, 104,</p><p>II, 166, II, 168, 169 E 186 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE LICENÇA OU AUTORIZAÇÃO</p><p>AMBIENTAL VÁLIDAS. ESTADO ECOSSOCIAL DE DIREITO. PRINCÍPIO IN DUBIO PRO</p><p>NATURA. GRILAGEM AMBIENTAL. 1. Trata-se, na origem, de Ação Civil Pública proposta pelo</p><p>Ministério Público Federal contra proprietários de casa de veraneio - construída sobre imóvel</p><p>localizado inteiramente em terreno de marinha e Área de Preservação Permanente (manguezal e</p><p>faixa ciliar do Rio Itapocu) - e contra o Município de Araquari/SC. Sentença e acórdão condenaram,</p><p>além da municipalidade, os corréus, solidariamente, a demolirem as edificações ilegais e retirarem</p><p>detritos remanescentes. 2. No principal, incidem as Súmulas 7 e 83 do STJ, pois o acórdão recorrido</p><p>está amparado em fatos e provas, além de seguir o atual entendimento do STJ, motivo pelo qual</p><p>não merece prosperar a irresignação. Ademais, "Não se admite a aplicação da teoria do fato</p><p>consumado em tema de Direito Ambiental." (Súmula 613 da Primeira Seção). No mesmo sentido:</p><p>"Esta Corte é pacífica no sentido de que não há direito adquirido a poluir ou degradar o meio</p><p>ambiente." (REsp 1.222.723/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe</p><p>17/11/11); "a concessão de licenciamento ambiental, por si só, não afasta a responsabilidade pela</p><p>reparação do dano causado ao meio ambiente, mormente quando reconhecida a ilegalidade do</p><p>aludido ato administrativo" (AgInt no REsp 1.419.098/MS, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda</p><p>Turma, DJe 21/5/2018). 3. O manguezal integra o domínio público federal, in usu público sunt. No</p><p>Código Florestal de 2012, encontram-se sua definição legal e seu regime jurídico de proteção</p><p>ambiental como Área de Preservação Permanente, ou seja, o instrumento mais rigoroso do regime</p><p>especial da flora. 4. Segundo o acórdão recorrido, o Município expediu Alvará de construção para</p><p>a casa de veraneio impugnada, ignorando por inteiro a União, titular do bem (terreno de marinha e</p><p>manguezal), e o órgão ambiental estadual, que também deveria ter sido ouvido. Muito pode o</p><p>Município em matéria urbanístico-ambiental. A ele se recusa, contudo, nos termos do pacto</p><p>federativo vigente no Brasil, competência para, direta ou indiretamente (por meio de leis municipais</p><p>ou alvará de construção, p. ex.), ignorar, reduzir, enfraquecer ou estorvar o grau de proteção</p><p>passou a exigir, além dos requisitos anteriormente previstos, a edição de lei complementar federal</p><p>e a divulgação prévia dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma</p><p>da lei. 6. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido de que a inexistência da lei complementar</p><p>federal a que se refere o art. 18, § 4º, da CF/1988 impede a criação, fusão, incorporação ou</p><p>desmembramento de novos municípios. Precedentes. 7. Ao promulgar a Lei Complementar nº</p><p>13.587/2010, o legislador gaúcho instaurou procedimento administrativo e legislativo que se esgota</p><p>no âmbito estadual, praticamente repristinando a redação originária do art. 18, § 4º, da CF/1988. A</p><p>atual dicção desse dispositivo constitucional impõe a aprovação prévia de leis federais para que os</p><p>Estados sejam autorizados a iniciar novos processos de emancipação municipal. Até que isso</p><p>ocorra, leis estaduais que versem sobre o tema são inconstitucionais. 8. Pedido julgado procedente</p><p>para declarar a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 13.587/2010 e a não recepção das</p><p>Leis Complementares nº 10.790/1996, 9.089/1990 e 9.070/1990, todas do Estado do Rio Grande</p><p>do Sul. 9. Fixação da seguinte tese de julgamento: “É inconstitucional lei estadual que permita a</p><p>criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios sem a edição prévia das leis</p><p>federais previstas no art. 18, § 4º, da CF/1988, com redação dada pela Emenda Constitucional nº</p><p>15/1996”. (ADI 4711, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2021,</p><p>PROCESSO ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 15-09-2021 PUBLIC 16-09-2021)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>7</p><p>117</p><p>QUESTÃO 06. O Governador do Estado Alfa ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade</p><p>contra dispositivo de Lei estadual Y, que determinou o afastamento parcelado do orçamento</p><p>estadual, que não refletia o ciclo da safra de determinados segmentos dos programas</p><p>agrícolas. A referida Lei estadual foi fruto de projeto de lei de iniciativa popular.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) A Lei Y é inconstitucional, pois a CRFB/88, ao disciplinar o orçamento público dos entes</p><p>da Federação, prevê de forma categórica, no Art. 165, a iniciativa do orçamento executivo</p><p>para propositura de leis do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e dos orçamentos</p><p>anuais, em função da competência técnica da Administração Pública para gerir as finanças</p><p>e definir as políticas do ente.</p><p>b) A Lei Y é inconstitucional, pois a CRFB/88 determina que as normas orçamentárias anuais</p><p>promovam políticas públicas por contínua revisão das prioridades de gastos e da alocação</p><p>dos recursos escassos, a fim de garantir o equilíbrio econômico-financeiro e a</p><p>sustentabilidade fiscal do ente político, sendo impossibilitada a vinculação de receitas para</p><p>determinado setor econômico.</p><p>c) A Lei Y é constitucional, pois o STF consolidou o entendimento de que a aplicabilidade da</p><p>regra de iniciativa do Art. 61, § 1º, inciso II, alínea b, da CRFB/88 é restrita aos Territórios e,</p><p>além disso, também não se verifica ofensa à regra de não vinculação de receita de impostos</p><p>preconizada no Art. 167, inciso IV, da Lei Maior, uma vez que o dispositivo impugnado diz</p><p>respeito à política financeira do Estado.</p><p>d) A Lei Y é constitucional, pois apesar da iniciativa legislativa em matéria orçamentária ser</p><p>reservada ao Chefe do Poder Executivo, conforme preconiza o Art. 61, § 1º, inciso II, alínea</p><p>b, da CRFB/88, houve a convalidação do vício de iniciativa decorrente da sanção do projeto</p><p>de lei.</p><p>e) A Lei Y é constitucional, pois a iniciativa popular é uma garantia e fundamento que</p><p>assegura a efetividade da democracia participativa e a legitimidade democrática das normas</p><p>de orçamento público, uma vez que é exercida pela apresentação de projeto de lei subscrito</p><p>por, no mínimo, um por cento do eleitorado.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>ADI 2674. EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI ESTADUAL.</p><p>AFETAÇÃO DE DEZ POR CENTO DO ORÇAMENTO BRUTO A PROGRAMAS AGRÍCOLAS. LEI</p><p>DE INICIATIVA POPULAR. INICIATIVA RESERVADA AO EXECUTIVO. PRECEDENTES.</p><p>CARÁTER CÍCLICO DO SISTEMA ORÇAMENTÁRIO CONSTITUCIONAL. PROCEDÊNCIA. 1. O</p><p>Supremo consolidou o entendimento de que a aplicabilidade da regra de iniciativa a que alude o</p><p>art. 61, § 1º, II, “b”, da Constituição Federal é restrita aos Territórios. 2. A Constituição de 1988, ao</p><p>disciplinar o orçamento público dos entes da Federação, prevê de forma categórica, no art. 165, a</p><p>iniciativa do Poder Executivo para a propositura de leis voltadas a estabelecer o plano plurianual,</p><p>as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais, em função da competência técnica do dirigente</p><p>da Administração Pública para gerir as finanças e definir as políticas do ente. 3. As regras do</p><p>processo legislativo são corolário da autonomia, independência e harmonia dos Poderes e</p><p>reveladoras do sistema federativo (CF, arts. 1º e 2º). Constituem, portanto, normas de reprodução</p><p>obrigatória pelos Estados e pelo Distrito Federal. Precedentes. 4. A elaboração de ato normativo</p><p>que afeta receitas orçamentárias a partir de projeto de lei de iniciativa popular usurpa a iniciativa</p><p>8</p><p>117</p><p>exclusiva do Governador do Estado, subtraindo de sua alçada a avaliação a respeito da</p><p>conveniência e da oportunidade dos investimentos públicos. 5. A Constituição Federal determina</p><p>que as normas legais de índole orçamentária passem por renovações periódicas, por meio da</p><p>contínua revisão das prioridades de gastos, da reorganização das despesas e da alocação dos</p><p>recursos escassos, a fim de garantir o equilíbrio econômico-financeiro e a sustentabilidade fiscal do</p><p>ente político. Disso decorre a inviabilidade de se supor que todos os anos seja necessário investir</p><p>ao menos 10% do orçamento em projetos agrícolas, o que descaracterizaria a natureza do sistema</p><p>orçamentário constitucional. 6. Pedido julgado procedente. (STF, ADI n. 2674, Relator Ministro</p><p>Nunes Marques, julgado em 22/08/2023, publicado em 20/09/2023)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 07. Determinada Confederação Nacional representante de setor regulado por</p><p>agência reguladora ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade de dispositivos que</p><p>impediam participação de membros que exercem cargos em (organização) sindical na</p><p>composição das diretorias colegiadas, órgãos de gestão e organização em que são</p><p>discutidos os processos decisórios das respectivas agências reguladoras.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) A ação deve ser julgada improcedente, pois as agências reguladoras - apesar de não</p><p>guardarem autonomia para uma atuação independente, esta será levada a efeito por órgãos</p><p>colegiados com notória especialização - devem seguir as orientações políticas do governo,</p><p>sem a participação dos setores regulados na tomada de decisão.</p><p>b) A ação deve ser julgada improcedente, pois a exigência de preenchimento de certos</p><p>requisitos para a ocupação de cargos públicos, quando devidamente justificada e por meio</p><p>legal, não implica discriminação inconstitucional. No caso, há a justificativa racional de</p><p>preservar a atuação técnica e imparcial das agências.</p><p>c) A ação deve ser julgada procedente, pois os dispositivos impugnados estabelecem</p><p>restrições inconstitucionais para participação na estrutura diretiva de agências reguladoras,</p><p>porquanto são discriminatórios no que toca às atividades sindicais.</p><p>d) A ação deve ser julgada procedente, pois a restrição configura intervenção, por via</p><p>transversal, do poder público na liberdade de organização sindical e a exclusão de pessoas</p><p>qualificadas para o exercício dos cargos em questão viola os princípios da impessoalidade,</p><p>da moralidade e da eficiência.</p><p>e) A referida Confederação não tem legitimidade para propor a ação, pois não havendo</p><p>confederação que represente todos os setores regulados por agências, não</p><p>estatuído na legislação federal e na estadual. Perfeitamente invocável o interesse local para</p><p>agregar, mesmo no plano legislativo, salvaguardas ambientais, existam lacunas ou não. No entanto,</p><p>tal esforço se legitima somente se orientado a ampliar e fortalecer os instrumentos de controle</p><p>ambiental, inclusive as Áreas de Preservação Permanente, já que o microssistema ambiental</p><p>federal representa piso, e não teto, não esgotando a disciplina jurídica da matéria. Se o desiderato</p><p>for rebaixar o patamar federal ou estadual, em vez de atuação regular, configurará insurreição</p><p>contra pilar estruturante da federação, nomeadamente em biomas ou regiões fitogeográficas</p><p>constitucionalmente batizados de "patrimônio nacional", in casu a Zona Costeira, a Mata Atlântica</p><p>e a Serra do Mar. 5. Alegam os recorrentes que se limitaram a trocar e expandir uma casa de</p><p>madeira por outra de alvenaria. Quem substitui ou amplia construção ou empreendimento precisa</p><p>iterar, do zero, o licenciamento ambiental. A preexistência deste não implica, nem viabiliza sucessão</p><p>de licença ou autorização, atos administrativos que não se transmitem ou transmudam com o fito</p><p>de acomodar o novo ou o reformado. Com maior razão quando se põe abaixo o que antes existia</p><p>ou, pior, quando a suposta licença pretérita é nula ou antagoniza os requisitos atuais. 6. Recurso</p><p>Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (STJ - REsp: 1732700 SC</p><p>2018/0052074-4, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/09/2018, T2 -</p><p>SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 07/08/2020)</p><p>73</p><p>117</p><p>Destaca-se que o art. 8º da Lei 12.651/2012 dispõe que: A intervenção ou a supressão de</p><p>vegetação nativa em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de</p><p>utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei.</p><p>§ 2º A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente de</p><p>que tratam os incisos VI e VII do caput do art. 4º poderá ser autorizada, excepcionalmente, em</p><p>locais onde a função ecológica do manguezal esteja comprometida, para execução de obras</p><p>habitacionais e de urbanização, inseridas em projetos de regularização fundiária de interesse social,</p><p>em áreas urbanas consolidadas ocupadas por população de baixa renda.</p><p>Nesse sentido, as alternativas B, C, D, E estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 62. O Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente realiza</p><p>assembleias extraordinárias, a fim de deliberar sobre políticas públicas prioritárias para o</p><p>atual biênio. Em uma das assembleias, o gestor do Sistema Socioeducativo do Estado, que</p><p>integra o Conselho de Direitos, indaga aos demais Conselheiros qual será o percentual de</p><p>recursos do fundo estadual de direitos da criança e do adolescente (FIA) a ser aplicado no</p><p>financiamento de ações previstas na Lei nº 12.594/12 (SINASE) sendo respondido pelo</p><p>Presidente do Conselho que tal política não é considerada prioritária no atual biênio e que</p><p>não haverá a destinação de verbas oriundas do FIA para o financiamento de políticas</p><p>públicas do sistema socioeducativo.</p><p>Considerando o disposto na Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na Lei</p><p>nº 12.594/12 (SINASE), assinale a afirmativa correta.</p><p>a) O SINASE é cofinanciado apenas com recursos dos orçamentos fiscal e de seguridade</p><p>social, inexistindo previsão legal de utilização de verbas oriundas do FIA.</p><p>b) A utilização de verbas do FIA para o financiamento da política socioeducativa dependerá</p><p>de ato discricionário do Governador do Estado.</p><p>c) O percentual de recursos do FIA a serem aplicados no financiamento das ações previstas</p><p>na Lei do SINASE será definido, obrigatoriamente, pelos Conselhos de Direitos da Criança e</p><p>do Adolescente, a cada ano.</p><p>d) O FIA tem como únicas destinações obrigatórias o incentivo ao acolhimento e programas</p><p>de atenção integral à primeira infância em áreas de maior carência socioeconômica e em</p><p>situações de calamidade, conforme previsto no ECA.</p><p>e) Os entes federados beneficiados com recursos do FIA para ações de atendimento</p><p>socioeducativo prestarão informações sobre o desempenho dessas ações diretamente ao</p><p>Poder Judiciário, ao final de cada exercício.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>A alternativa A está incorreta. Artigo 31 da Lei do SINASE.</p><p>Art. 31. Os Conselhos de Direitos, nas 3 (três) esferas de governo, definirão, anualmente, o</p><p>percentual de recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente a serem aplicados no</p><p>financiamento das ações previstas nesta Lei, em especial para capacitação, sistemas de</p><p>informação e de avaliação.</p><p>A alternativa B está incorreta. Ver resposta da alternativa A.</p><p>74</p><p>117</p><p>A alternativa C está correta. Ver resposta da alternativa A.</p><p>A alternativa D está incorreta. A destinação dos recursos do FIA, conforme artigo 260, parágrafo</p><p>1º-A, do ECA, não é unicamente para a atenção integral à primeira infância.</p><p>Art. 260. Os contribuintes poderão efetuar doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do</p><p>Adolescente nacional, distrital, estaduais ou municipais, devidamente comprovadas, sendo essas</p><p>integralmente deduzidas do imposto de renda, obedecidos os seguintes limites:</p><p>§ 1 o -A. Na definição das prioridades a serem atendidas com os recursos captados pelos fundos</p><p>nacional, estaduais e municipais dos direitos da criança e do adolescente, serão consideradas as</p><p>disposições do Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e</p><p>Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária e as do Plano Nacional pela Primeira Infância.</p><p>(Redação dada dada pela Lei nº 13.257, de 2016).</p><p>A alternativa E está incorreta. Não há essa previsão.</p><p>QUESTÃO 63. Município da Região Metropolitana instituiu um centro de atendimento</p><p>integrado a crianças e adolescentes vítimas de violência, contando, em sua estrutura, com</p><p>núcleo de delegacia especializada, serviços de saúde e de perícia médico-legal, em</p><p>observância ao disposto na Lei nº 13.431/17.</p><p>Ao receber o fluxo de atendimento estabelecido pelo referido serviço, o Promotor de Justiça</p><p>constata que está prevista a realização de uma escuta especializada de crianças e</p><p>adolescentes vítimas pela autoridade policial, tendo o objetivo informado de coletar provas</p><p>para a instrução criminal. Além disso, caso as provas se mostrem insuficientes, prevê-se,</p><p>ainda, que caberá à autoridade policial realizar uma segunda escuta especializada, na busca</p><p>pela verdade real.</p><p>Considerando o disposto na Lei nº 13.431/17, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) A escuta especializada é o procedimento de oitiva da criança ou adolescente vítima ou</p><p>testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária.</p><p>b) O depoimento especial é o procedimento de entrevista sobre situação de violência com</p><p>criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção, limitando o relato estritamente</p><p>ao necessário para o cumprimento de sua finalidade.</p><p>c) A realização de sucessivas escutas especializadas não é apta a causar a revitimização de</p><p>crianças e adolescentes, na medida em que se buscará prova para a responsabilização</p><p>criminal de seu agressor.</p><p>d) O procedimento a ser realizado pela autoridade policial é o depoimento especial, de</p><p>caráter excepcional, observadas as diretrizes traçadas pela Lei nº 13.431/17 para o</p><p>depoimento especial em juízo.</p><p>e) A escuta especializada é procedimento cuja realização observará os protocolos previstos</p><p>em lei, sendo de atribuição exclusiva do serviço de saúde encarregado de atender a crianças</p><p>e adolescentes vítimas em cada município.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>O fundamento da resposta encontra-se na Lei n 13.431/17.</p><p>75</p><p>117</p><p>A alternativa A está incorreta. Art. 7º Escuta especializada é o procedimento de entrevista sobre</p><p>situação de violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção, limitado o</p><p>relato estritamente ao necessário para o cumprimento de sua finalidade.</p><p>A alternativa B está incorreta. Art. 8º Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou</p><p>adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária.</p><p>A alternativa C está incorreta. A realização de sucessivas escutas especializadas é apta a causar</p><p>a revitimização. Art. 4º Para os efeitos desta Lei, sem prejuízo da tipificação das condutas</p><p>criminosas, são formas de violência: IV - violência institucional, entendida como a praticada por</p><p>instituição pública ou conveniada, inclusive quando gerar revitimização.</p><p>A alternativa D está correta. O depoimento especial é feito para fins criminais. Art. 11. O depoimento</p><p>especial reger-se-á por protocolos e, sempre que possível, será realizado uma única vez, em sede</p><p>de produção antecipada de prova judicial, garantida a ampla defesa do investigado.</p><p>A alternativa E está incorreta. A escuta especializada não tem fins criminais. Ver comentário da</p><p>letra A.</p><p>QUESTÃO 64. Uma determinada instituição financeira com atuação em todo o território</p><p>nacional decidiu criar e implementar a cobrança de uma tarifa de todos os seus correntistas</p><p>em violação direta às normas contidas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).</p><p>Após receber inúmeras reclamações de consumidores goianos sobre cobranças indevidas</p><p>da referida tarifa pelo banco e apurar a abusividade da conduta em questão no bojo do</p><p>respectivo Inquérito Civil, um promotor de Justiça do MPGO ajuizou na capital do estado a</p><p>primeira ação coletiva do país em face da instituição financeira, com o objetivo de proibir a</p><p>referida cobrança e obrigá-la a indenizar seus clientes pelos danos causados, com a</p><p>devolução em dobro do valor arrecadado ilegalmente.</p><p>Com relação à atuação do Ministério Público na Tutela Coletiva do Consumidor, analise as</p><p>afirmativas a seguir.</p><p>I. Caso o pedido da referida ação civil pública seja julgado procedente, a eficácia da sentença</p><p>estará limitada às filiais e consumidores localizados no estado de Goiás.</p><p>II. Não pode o Ministério Público promover a fluid recovery por mera estimativa de</p><p>consumidores lesados, devendo coletar as informações necessárias a quantificar</p><p>adequadamente os correntistas prejudicados pela prática abusiva.</p><p>III. Sendo julgada procedente a ação, eventual recurso de apelação da instituição financeira</p><p>não terá efeito suspensivo automático, mas este poderá ser concedido pelo juiz ou pelo</p><p>tribunal, dependendo das circunstâncias do caso.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) I e II, apenas.</p><p>c) I e III, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) III, apenas.</p><p>Comentários</p><p>76</p><p>117</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra E.</p><p>A afirmação I está incorreta, pois o STF, no Tema 1075, declarou a inconstitucionalidade do artigo</p><p>16 da Lei da Ação Civil Pública, vejamos: "É inconstitucional o art. 16 da Lei nº 7.347/85, na redação</p><p>dada pela Lei nº 9.494/97." e "É inconstitucional a delimitação dos efeitos da sentença proferida em</p><p>sede de ação civil pública aos limites da competência territorial de seu órgão prolator." (STF.</p><p>Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021).</p><p>A afirmação II está incorreta, pois no julgamento do Recurso Especial nº 1.927.098, o STJ decidiu</p><p>que, caso não seja viável identificar os lesados individualmente, a fluid recovery terá caráter</p><p>residual. Vejamos: "Se for viável definir a quantidade de beneficiários da sentença coletiva, bem</p><p>como o montante exato do prejuízo sofrido individualmente por cada um deles, a fluid recovery terá</p><p>caráter residual. De outro lado, se esses dados forem inacessíveis, a reparação fluida assumirá</p><p>natureza sancionatória, evitando-se, com isso, a ineficácia da sentença e a impunidade do autor do</p><p>ilícito." (REsp n. 1.927.098/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em</p><p>22/11/2022, DJe de 24/11/2022.)</p><p>A afirmação III está correta, pois segue o artigo 14 da Lei 7347/85, vejamos: “Art. 14. O juiz poderá</p><p>conferir efeito suspensivo aos recursos, para evitar dano irreparável à parte.”</p><p>Sendo assim, a única alternativa a conter somente a afirmação III, correta, é a letra E, o que torna</p><p>as demais alternativas, A, B, C e D, incorretas.</p><p>QUESTÃO 65. No âmbito criminal, o Ministério Público do Estado Alfa celebrou acordo de</p><p>colaboração premiada com o réu João, sendo que uma das cláusulas do acordo previa que</p><p>os seus efeitos se estenderiam para si no âmbito da improbidade administrativa.</p><p>Diante das informações e documentos trazidos por João, devidamente ratificados por outras</p><p>provas sobre os atos de corrupção, o MP ajuizou ação de improbidade administrativa contra</p><p>outras pessoas físicas e jurídicas envolvidas nos atos ilícitos. Citadas, essas pessoas</p><p>apresentaram contestação alegando que é inconstitucional a utilização de colaboração</p><p>premiada em ação de improbidade administrativa em razão da ausência de previsão legal.</p><p>De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, a utilização da</p><p>colaboração premiada, nos termos da Lei nº 12.850/2013, no âmbito civil, em ação de</p><p>improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, é</p><p>a) inconstitucional, diante do princípio da independência das instâncias de</p><p>responsabilização e da intranscendência subjetiva das sanções</p><p>b) inconstitucional, pois, pelo princípio da especialidade, deveria ser celebrado um acordo</p><p>de não persecução cível, instituto de direito negocial legalmente previsto no ordenamento</p><p>jurídico para consensualidade no âmbito da improbidade administrativa.</p><p>c) constitucional, desde que observadas algumas diretrizes, como, por exemplo, a obrigação</p><p>de ressarcimento do dano causado ao erário pelo agente colaborador ser integral, não</p><p>podendo ser objeto de transação ou acordo, sendo válida a negociação em torno do modo e</p><p>das condições para a indenização.</p><p>d) inconstitucional, pois deveria ser celebrado, adicionalmente, um acordo de leniência,</p><p>instituto de direito negocial legalmente previsto no ordenamento jurídico para</p><p>consensualidade no âmbito administrativo, que pode ser estendido para ações de</p><p>improbidade administrativa, por força da teoria do diálogo das fontes.</p><p>77</p><p>117</p><p>e) constitucional, desde que observadas algumas diretrizes, como, por exemplo, o acordo</p><p>de colaboração deve ser celebrado pelo Ministério Público, independentemente da</p><p>interveniência da pessoa jurídica interessada, mas devidamente homologado pela</p><p>autoridade judicial.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>Trata-se de entendimento apresentado no Tema 1043 do STF: "É constitucional a utilização da</p><p>colaboração premiada, nos termos da Lei 12.850/2013, no âmbito civil, em ação civil pública por</p><p>ato de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, observando-se as seguintes</p><p>diretrizes: (1) Realizado o acordo de colaboração premiada, serão remetidos ao juiz, para análise,</p><p>o respectivo termo, as declarações do colaborador e cópia da investigação, devendo o juiz ouvir</p><p>sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisará os</p><p>seguintes aspectos na homologação: regularidade, legalidade e voluntariedade da manifestação de</p><p>vontade, especialmente nos casos em que o colaborador está ou esteve sob efeito de medidas</p><p>cautelares, nos termos dos §§ 6º e 7º do artigo 4º da referida Lei 12.850/2013; (2) As declarações</p><p>do agente colaborador, desacompanhadas de outros elementos de prova, são insuficientes para o</p><p>início da ação civil por ato de improbidade; (3) A obrigação de ressarcimento do dano causado ao</p><p>erário pelo agente colaborador deve ser integral, não podendo ser objeto de transação ou acordo,</p><p>sendo válida a negociação em torno do modo e das condições para a indenização; (4) O acordo de</p><p>colaboração deve ser celebrado pelo Ministério Público, com a interveniência da pessoa jurídica</p><p>interessada e devidamente homologado pela autoridade judicial; (5) Os acordos já firmados</p><p>somente pelo Ministério Público ficam preservados até</p><p>a data deste julgamento, desde que haja</p><p>previsão de total ressarcimento do dano, tenham sido devidamente homologados em Juízo e</p><p>regularmente cumpridos pelo beneficiado.".</p><p>Incorretas, portanto, as demais alternativas.</p><p>QUESTÃO 66. A Lei n° 14.230/2021 promoveu uma série de mudanças na Lei de Improbidade</p><p>Administrativa (LIA), alterando substancialmente o combate à corrupção pública e o próprio</p><p>regime jurídico de tutela do patrimônio público. Chamado a decidir sobre a</p><p>constitucionalidade de diversos dispositivos oriundos da Reforma de 2021 da Lei de</p><p>Improbidade Administrativa, o Supremo Tribunal Federal, em sede de Repercussão Geral,</p><p>fixou tese no sentido de que</p><p>a) o novo regime prescricional, previsto na Lei n° 14.230/2021, é retroativo, haja vista que é</p><p>mais benéfico, aplicando-se os novos marcos temporais inclusive aos fatos ocorridos antes</p><p>publicação da lei.</p><p>b) é necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de</p><p>improbidade administrativa, exigindo-se, para configuração dos atos de improbidade</p><p>tipificados nos artigos 98, 10 e 11 da LIA, a presença do elemento subjetivo do dolo ou culpa</p><p>grave.</p><p>c) é constitucional a norma que estabelece que somente o Ministério Público tem</p><p>legitimidade para propor ação de improbidade e celebrar acordo de não persecução cível, tal</p><p>como ocorre com o exercício privativo da ação penal pública pelo Parquet, diante da</p><p>indisponibilidade dos bens jurídicos tutelados.</p><p>d) é vedada, em qualquer caso, a defesa judicial do agente público que cometeu ato de</p><p>improbidade por parte da Advocacia Pública, pois a sua predestinação constitucional,</p><p>78</p><p>117</p><p>enquanto função essencial à Justiça, identifica-se com a representação judicial e</p><p>extrajudicial dos entes públicos.</p><p>e) a norma benéfica da Lei nº 14.230/2021, referente à revogação da modalidade culposa do</p><p>ato de improbidade administrativa, é irretroativa, em virtude do Art, 5º, inciso XXXVI, da</p><p>CRFB/88, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada, nem tampouco</p><p>durante o processo de execução das penas e seus incidentes.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>A alternativa apresenta a tese do Tema nº 1199 do STF, Leading Case: ARE 843989, que assim</p><p>dispõe: "É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de</p><p>improbidade administrativa, exigindo-se — nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA — a presença do elemento</p><p>subjetivo — DOLO; A norma benéfica da Lei 14.230/2021 — revogação da modalidade culposa do</p><p>ato de improbidade administrativa —, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da</p><p>Constituição Federal, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco</p><p>durante o processo de execução das penas e seus incidentes; A nova Lei 14.230/2021 aplica-se</p><p>aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei,</p><p>porém sem condenação transitada em julgado, em virtude de sua revogação expressa do texto</p><p>anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente; O novo regime</p><p>prescricional previsto na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO aplicando-se os novos marcos</p><p>temporais a partir da publicação da lei. ARE 843989/PR, relator Min. Alexandre de Moraes,</p><p>julgamento finalizado em 18.8.2022".</p><p>A alternativa A está incorreta. Nos termos do tema apresentado anteriormente, o novo regime</p><p>prescricional não irá retroagir para marcos temporais anteriores a norma.</p><p>A alternativa B está incorreta. Nos termos do tema apresentado anteriormente, é necessário dolo,</p><p>não sendo suficiente a modalidade culposa.</p><p>A alternativa C está incorreta. O Supremo, ADI 7042 e 7043, declarou inválidos dispositivos da Lei</p><p>de Improbidade, que conferiam ao Ministério Público (MP) legitimidade exclusiva para a propositura</p><p>das ações por improbidade.</p><p>A alternativa D está incorreta. A lei de improbidade prevê, em seu texto, a defesa judicial por parte</p><p>da advocacia pública. “Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será</p><p>proposta pelo Ministério Público e seguirá o procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16</p><p>de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o disposto nesta Lei. § 20. A assessoria jurídica</p><p>que emitiu o parecer atestando a legalidade prévia dos atos administrativos praticados pelo</p><p>administrador público ficará obrigada a defendê-lo judicialmente, caso este venha a responder ação</p><p>por improbidade administrativa, até que a decisão transite em julgado."</p><p>QUESTÃO 67. O processo coletivo brasileiro tem por base a influência das normas</p><p>intercomunicantes que integram o microssistema normativo. A respeito do panorama</p><p>legislativo que viabiliza a garantia dos direitos transindividuais no país, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) Os pilares fundamentais do microssistema ou minissistema e tutela coletiva são</p><p>estabelecidos pelas primeiras e mais relevantes normas, representadas pelo Código de</p><p>Proteção e Defesa do Consumidor (CDC) e pela lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.</p><p>79</p><p>117</p><p>b) O CDC incluiu uma referência à Lei de Ação Civil Pública, permitindo sua aplicação em</p><p>questões relacionadas aos direitos do consumidor. Além disso, por meio do CDC, o atual</p><p>Art. 21 foi incorporado à Lei nº 7.347/85. Essa forma de aplicação normativa mútua é também</p><p>chamada de "normas de reenvio".</p><p>c) O Código de Proteção e Defesa do Consumidor determina uma remissão à Lei dos</p><p>Juizados Especiais Cíveis e Criminais, ao declarar expressamente que para a defesa dos</p><p>direitos e interesses difusos, coletivos e individuais do consumidor, aplica-se os</p><p>dispositivos da Lei nº 9.099/95.</p><p>d) O conceito delineado no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, estipula que os</p><p>interesses difusos são direitos transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular</p><p>grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma</p><p>relação jurídica base.</p><p>e) No Brasil, é possível afirmar que já existe uma regulamentação específica, consolidada</p><p>em uma lei única, que codifica e estrutura o sistema de tutela coletiva.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra B.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois são incabíveis as ações coletivas em sede de Juizados</p><p>Especiais. Vejamos o Enunciado 139, que trata deste tema: “ENUNCIADO 139 (substitui o</p><p>Enunciado 32) – A exclusão da competência do Sistema dos Juizados Especiais quanto às</p><p>demandas sobre direitos ou interesses difusos ou coletivos, dentre eles os individuais homogêneos,</p><p>aplica-se tanto para as demandas individuais de natureza multitudinária quanto para as ações</p><p>coletivas. Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos</p><p>que possam ensejar a propositura da ação civil coletiva, remeterão peças ao Ministério Público e/ou</p><p>à Defensoria Pública para as providências cabíveis” (Alterado no XXXVI Encontro – Belém/PA).</p><p>A alternativa B está correta, pois encontra-se em conformidade com os artigos 117, do Código de</p><p>Defesa do Consumidor, que dispõe: “Art. 117. Acrescente-se à Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985,</p><p>o seguinte dispositivo, renumerando-se os seguintes: Art. 21. Aplicam-se à defesa dos direitos e</p><p>interesses difusos, coletivos e individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que</p><p>instituiu o Código de Defesa do Consumidor"; e em conformidade com o artigo 21 da Lei da Ação</p><p>Civil Pública, vejamos: “Art. 21. Aplicam-se à defesa dos direitos e interesses difusos, coletivos e</p><p>individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que instituiu o Código de Defesa</p><p>do Consumidor.”</p><p>A alternativa C está incorreta, pois não há tal remissão no Código de Proteção e Defesa do</p><p>Consumidor.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o conceito apresentado refere-se aos direitos coletivos stricto</p><p>sensu, definidos no inciso II, parágrafo único, do artigo 81 do Código de Defesa do Consumidor,</p><p>vejamos: " Art. 81.</p><p>A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser</p><p>exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será</p><p>exercida quando se tratar de: II - Interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos</p><p>deste Código, os transindividuais de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou</p><p>classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base."</p><p>A alternativa E está incorreta, pois o que existe é um microssistema de tutela coletiva, formada por</p><p>leis esparsas. Vejamos: "[...] o microssistema de tutela coletiva pode ser conceituado, como um</p><p>conjunto de normas materiais, processuais e híbridas, positivadas ao longo do ordenamento</p><p>jurídico, que versam sobre o processo coletivo, regulando o funcionamento de demandas [...]".</p><p>80</p><p>117</p><p>(BASTOS, FABRÍCIO ROCHA. Do microssistema de tutela coletiva e sua interação com o</p><p>CPC/2015. Revista do Ministério Público do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, nº 68, abr./jun. 2018.</p><p>Disponível em: https://www.mprj.mp.br/documents/20184/1242829/Fabricio_Rocha_Bastos.pdf.</p><p>Acesso em: 29/01/2024).</p><p>QUESTÃO 68. O Ministério Público recebeu representação de um grupo de pessoas que</p><p>denunciou situações envolvendo os direitos de comunidades específicas, sejam elas raciais,</p><p>étnicas ou religiosas.</p><p>No que se refere à proteção dos interesses descritos, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados à honra e</p><p>dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos devem ser exclusivamente impetradas por</p><p>Organizações Não-Governamentais (ONGs), cabendo ao Ministério Público agir apenas</p><p>como fiscal da lei.</p><p>b) Os legitimados aptos para provocar a iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhes</p><p>informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil pública e indicando-lhes os</p><p>elementos de convicção, são apenas o servidor público e a associação legalmente</p><p>constituída.</p><p>c) Poderá intentar ação principal, com o intuito de prevenir danos aos interesses difusos e</p><p>coletivos relacionados à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, associação</p><p>estabelecida há pelo menos 2 (dois) anos conforme a legislação civil, ou que inclua, entre</p><p>seus propósitos institucionais, a proteção dos interesses abordados na ação.</p><p>d) Os valores pecuniários provenientes de danos resultantes de atos de discriminação</p><p>étnica, em ações civis públicas, serão direcionados para iniciativas de promoção da</p><p>igualdade étnica conforme definição dos Conselhos de Promoção de Igualdade Racial</p><p>estaduais ou locais, nas hipóteses de danos com extensão regional ou local.</p><p>e) Passados noventa dias do trânsito em julgado da sentença condenatória, caso a</p><p>associação autora não inicie a execução, o Ministério Público tem a prerrogativa de fazê-lo,</p><p>não sendo possível tal iniciativa aos demais legitimados.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra D.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a Lei da Ação Civil Pública permite a tutela desses interesses</p><p>descritos, vejamos: “Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular,</p><p>as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: VII - à honra e à dignidade</p><p>de grupos raciais, étnicos ou religiosos. (Incluído pela Lei nº 12.966, de 2014). Ademais, a mesma</p><p>traz em seu artigo 5º um rol de legitimados, vejamos: “Art. 5º. Têm legitimidade para propor a ação</p><p>principal e a ação cautelar: I - o Ministério Público; II - a Defensoria Pública; III - a União, os Estados,</p><p>o Distrito Federal e os Municípios; IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de</p><p>economia mista; V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há pelo menos 1</p><p>(um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao</p><p>patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre</p><p>concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico,</p><p>estético, histórico, turístico e paisagístico.”</p><p>A alternativa B está incorreta, pois contraria o artigo 6º da Lei da Ação Civil Pública, que dispõe:</p><p>“Art. 6º Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério</p><p>81</p><p>117</p><p>Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil e indicando-</p><p>lhe os elementos de convicção."</p><p>A alternativa C está incorreta, pois contraria o artigo 5º da Lei da Ação Civil Pública, que estipula o</p><p>prazo de 1 (um) ano de constituição da associação, vejamos: “Art. 5º. Têm legitimidade para propor</p><p>a ação principal e a ação cautelar: V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída</p><p>há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a</p><p>proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à</p><p>livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico,</p><p>estético, histórico, turístico e paisagístico.”</p><p>A alternativa D está correta, pois o Estatuto da Igualdade Racial incluiu o artigo 13, § 2º, à Lei da</p><p>Ação Civil Pública, que dispõe: “Art. 13. Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano</p><p>causado reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais de que</p><p>participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade, sendo seus</p><p>recursos destinados à reconstituição dos bens lesados. § 2º Havendo acordo ou condenação com</p><p>fundamento em dano causado por ato de discriminação étnica nos termos do disposto no art. 1o</p><p>desta Lei, a prestação em dinheiro reverterá diretamente ao fundo de que trata o caput e será</p><p>utilizada para ações de promoção da igualdade étnica, conforme definição do Conselho Nacional</p><p>de Promoção da Igualdade Racial, na hipótese de extensão nacional, ou dos Conselhos de</p><p>Promoção de Igualdade Racial estaduais ou locais, nas hipóteses de danos com extensão regional</p><p>ou local, respectivamente.” (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010).</p><p>A alternativa E está incorreta, pois contraria o princípio da obrigatoriedade da execução coletiva,</p><p>previsto nos seguintes diplomas legais: Lei 7.347/85, em seu artigo 15: “Art. 15. Decorridos</p><p>sessenta dias do trânsito em julgado da sentença condenatória, sem que a associação autora lhe</p><p>promova a execução, deverá fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa aos demais</p><p>legitimados.”; bem como a Lei 4.717/65, em seu artigo 16, vejamos: “Art. 16. Caso decorridos 60</p><p>(sessenta) dias da publicação da sentença condenatória de segunda instância, sem que o autor ou</p><p>terceiro promova a respectiva execução. o representante do Ministério Público a promoverá nos 30</p><p>(trinta) dias seguintes, sob pena de falta grave.”</p><p>QUESTÃO 69. Em todo o mundo, foram desenvolvidos diferentes modelos de tutela</p><p>jurisdicional dos direitos coletivos. Sobre o processo coletivo e seus modelos, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) As Class Actions norte-americanas, garantem um sistema de tutela de direitos de grupos</p><p>e opera de maneira mais restrita em comparação ao modelo da Verbandsklage e às ações</p><p>coletivas brasileiras. Sua ênfase principal reside na proteção de obrigações de fazer e não</p><p>fazer.</p><p>b) O modelo da Verbandsklage, amplamente difundido na Europa Continental, visa tutelar os</p><p>direitos coletivos de forma abrangente, envolvendo a substituição do grupo de indivíduos</p><p>com interesses comuns. Tradicionalmente é direcionado principalmente para a obrigação de</p><p>indenizar.</p><p>c) Algumas características do modelo brasileiro de processo coletivo são a não-taxatividade</p><p>dos direitos tutelados e a atipicidade da ação, o que implica a admissibilidade de todas as</p><p>espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela.</p><p>82</p><p>117</p><p>d) O sujeito ativo, passivo e a relação jurídica litigiosa são elementos</p><p>essenciais para</p><p>caracterizar o processo coletivo. Assim, no modelo brasileiro, somente se presentes o</p><p>sujeito coletivo nos dois polos da ação está-se diante de um processo coletivo.</p><p>e) Quando a questão envolve a defesa de direitos individuais homogêneos dos</p><p>consumidores relacionados a alegações de ilegalidade no reajuste das mensalidades</p><p>escolares, o Ministério Público brasileiro não possui legitimidade, visto que se trata de um</p><p>interesse patrimonial.</p><p>Comentários</p><p>Os dois modelos de tutela jurisdicional dos direitos coletivos destacados nas alternativas são: o</p><p>Modelo da Verbandsklage (ações associativas), cujas características são: 1) a legitimação ativa das</p><p>associações especiais: com a escolha de um “sujeito supraindividual” para tutelar em nome próprio</p><p>o direito que passa ser considerado como próprio. Ex: associações de consumidores, associações</p><p>ambientais; 2) duas formas de tutela para as associações: ou representa o indivíduo, mediante sua</p><p>autorização; ou representa um direito supraindividual, porém em hipóteses restritíssimas e</p><p>excepcionais; 3) afastamento da tutela dos direitos individuais de forma extremada e radical: nesse</p><p>modelo não há espaço, em nenhuma hipótese, de tutela individual; o dano deve ser ressarcido para</p><p>o Estado; 4) a tutela permitida em juízo é somente a inibitória ou injuncional: ou seja, tutela voltada</p><p>para as obrigações de fazer e não fazer, e, consequentemente, nesse caso, com caráter meramente</p><p>de advertência ou de admoestação, sem, de fato, garantir a reparação de danos.</p><p>O segundo modelo é o Class Action, voltado para a proteção integral do direito coletivo. São suas</p><p>características: 1) a legitimidade do indivíduo ou de um grupo de indivíduos, caracterizada pelo</p><p>controle jurisdicional da “adequada representação”; 2) vinculatividade da coisa julgada para toda a</p><p>classe, quer beneficiando-‐a, quer prejudicando-a, no caso da improcedência da ação (no Brasil é</p><p>um pouco diferente do modelo norteamericano puro, uma vez que a coisa julgada erga omnes ou</p><p>ultra partes, nos termos do art. 103 do CDC, é secundum eventum litis, ou seja, só beneficia); 3)</p><p>adequada notificação para aderir à iniciativa aos indivíduos: visando proteger o “direito de colocar-</p><p>se a salvo da coisa julgada” (right to opt out). Ou seja, se o membro da classe entender mais</p><p>vantajoso fazer valer seu direito com uma ação individual, ele tem o direito de “sair” do grupo ou</p><p>classe comunicando ao legitimado que não pretende ser representado na demanda coletiva; 4)</p><p>atribuição de amplos poderes ao juiz: o que distingue esse modelo do modelo tradicional de litígio</p><p>(vinculado predominantemente a atividade das partes e a uma radical neutralidade judicial).</p><p>(ARAUJO, Évelyn Cintra. Direito Processual Civil Coletivo. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 29/01/2024.)</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra C.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois, conforme acima explicitado, o modelo das Class Actions é mais</p><p>abrangente que o Verbandsklage. Ademais, a alternativa inverte as características das duas tutelas,</p><p>já que a tutela permitida em juízo nas Verbandsklage é somente a inibitória ou injuncional: ou seja,</p><p>tutela voltada para as obrigações de fazer e não fazer, conforme acima explicitado.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois, conforme acima explicitado, o modelo Verbandsklage é utilizado</p><p>em hipóteses restritas e excepcionais; Ademais, a alternativa inverte as características das duas</p><p>tutelas, já que a tutela permitida em juízo nas Verbandsklage é somente a inibitória ou injuncional:</p><p>ou seja, tutela voltada para as obrigações de fazer e não fazer, conforme acima explicitado.</p><p>A alternativa C está correta, pois trata-se da abrangência da tutela coletiva brasileira, que é regida</p><p>pelo princípio da atipicidade da ação e do processo coletivo, vejamos: "[...] esse princípio preza pela</p><p>83</p><p>117</p><p>observação e conhecimento do conteúdo e não somente da forma, já que essa não deve aniquilar</p><p>aquela. Nesse sentido qualquer tipo de direito coletivo pode ser protegido e deve ser protegido [...]"</p><p>(ALMEIDA, Gregório Assagra de. Direito processual coletivo brasileiro: um novo ramo do direito</p><p>processual. Op. Cit., p.575.)</p><p>A alternativa D está incorreta, pois não há tal previsão normativa.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois contraria a Súmula 643 do STF, vejamos: "O Ministério Público</p><p>tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de</p><p>mensalidades escolares."</p><p>QUESTÃO 70. As demandas dirigidas aos órgãos da atividade-fim do Ministério Público</p><p>podem se materializar por meio da realização de atendimentos, bem como pela entrada de</p><p>notícias, documentos, requerimentos ou representações.</p><p>Sobre a resolução nº 17/2017 do Conselho Nacional do Ministério Público, que disciplina a</p><p>instauração e tramitação da Notícia de Fato, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. Poderão ser criados mecanismos de triagem, autuação, seleção e tratamento das Notícias</p><p>de Fato para favorecer a tramitação futura de procedimentos decorrentes, consoante</p><p>critérios para racionalização de recursos e máxima efetividade e resolutividade da atuação</p><p>finalística, observadas as diretrizes do Planejamento Estratégico de cada ramo do Ministério</p><p>Público.</p><p>II, O membro do Ministério Público a quem for encaminhada a Notícia de Fato poderá</p><p>entender que a atribuição para apreciá-la é de outros órgão do Ministério Público e promover</p><p>a sua remessa a este. Em todos os casos a remessa só poderá ser concretizada após a</p><p>homologação pelo Conselho Superior ou pela Câmara de Coordenação e Revisão.</p><p>III. A Notícia de Fato não pode ser arquivada com base na possibilidade de solução por meio</p><p>de atuação mais abrangentes e resolutivas, mediante ações, projetos e programas alinhados</p><p>ao Planejamento Estratégico de cada ramo, com vistas à concretização da unidade</p><p>institucional.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) II e III, apenas.</p><p>c) I e III, apenas.</p><p>d) I e II, apenas.</p><p>e) I, apenas.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta a ser assinalada é a letra E.</p><p>A afirmação I está correta, pois está em conformidade com o artigo 2º, § 4º da resolução nº 17/2017</p><p>do Conselho Nacional do Ministério Público. Vejamos: "Art. 2º A Notícia de Fato deverá ser</p><p>registrada em sistema informatizado de controle e distribuída livre e aleatoriamente entre os órgãos</p><p>ministeriais com atribuição para apreciá-la. § 4º Poderão ser criados mecanismos de triagem,</p><p>autuação, seleção e tratamento das notícias de fato com vistas a favorecer a tramitação futura de</p><p>procedimentos decorrentes, consoante critérios para racionalização de recursos e máxima</p><p>84</p><p>117</p><p>efetividade e resolutividade da atuação finalística, observadas as diretrizes do Planejamento</p><p>Estratégico de cada ramo do Ministério Público."</p><p>A afirmação II está incorreta, pois contraria o artigo 2º, § 3º da resolução nº 17/2017 do Conselho</p><p>Nacional do Ministério Público. Vejamos: "Art. 2º A Notícia de Fato deverá ser registrada em sistema</p><p>informatizado de controle e distribuída livre e aleatoriamente entre os órgãos ministeriais com</p><p>atribuição para apreciá-la. §3º Na hipótese do parágrafo anterior, a remessa se dará</p><p>independentemente de homologação pelo Conselho Superior ou pela Câmara de Coordenação e</p><p>Revisão se a ausência de atribuição for manifesta ou, ainda, se estiver fundada em jurisprudência</p><p>consolidada ou orientação desses órgãos."</p><p>A afirmação III está incorreta, pois contraria o artigo 4º, § 5º da resolução nº 17/2017 do Conselho</p><p>Nacional do Ministério Público. Vejamos: "Art. 4º A Notícia de Fato será arquivada quando: § 5º A</p><p>Notícia de Fato também poderá ser arquivada quando seu objeto puder ser solucionado em atuação</p><p>mais ampla e mais resolutiva, mediante ações, projetos e programas alinhados ao Planejamento</p><p>Estratégico de cada ramo, com vistas</p><p>à concretização da unidade institucional."</p><p>Dessa forma, a letra E é a única a conter apenas a afirmação I, correta, o que torna as letras A, B,</p><p>C e D incorretas.</p><p>QUESTÃO 71. Mariana, solteira, não convivente em união estável, relativamente incapaz em</p><p>razão da idade, sem filhos e sem ascendentes vivos, elaborou, de próprio punho, testamento</p><p>particular o qual foi lido por ela na presença de três testemunhas que o subscreveram,</p><p>dispondo sobre a destinação post mortem de todos os bens integrantes de seu patrimônio.</p><p>Pelo instrumento, Mariana determinou que o imóvel no qual reside, recebido por herança de</p><p>seus pais, seria transferido à Clara, sua amiga de infância, gravado com cláusula de</p><p>inalienabilidade e incomunicabilidade. Dispôs ainda que as ações de sua titularidade seriam</p><p>destinadas à Associação Patinhas e a constituição de uma fundação de defesa dos</p><p>interesses dos animais, sem determinar como seria a divisão de quotas. Destinou um imóvel</p><p>rural, também recebido por herança de seus pais, ao filho que Pedro, seu primo, viesse a ter.</p><p>Por fim, destinou a biblioteca de livros jurídicos, incluindo obras raras, que pertenceu ao seu</p><p>avô já falecido, para Túlio, estudante de direito e filho de Joana, uma das testemunhas que</p><p>subscreveu o testamento. Considerando a situação hipotética narrada e as normas jurídicas</p><p>que regem a sucessão testamentária, assinale a opção correta.</p><p>a) O testamento de Mariana, em razão da sua incapacidade civil no momento da sua</p><p>elaboração, independentemente da sua capacidade no momento da abertura da sucessão, é</p><p>anulável, assim como a deixa em favor de Túlio é nula, por ser ele presumidamente pessoa</p><p>interposta a não legitimado a suceder.</p><p>b) A incapacidade relativa de Mariana no momento da elaboração do testamento afeta a</p><p>validade do ato, mas a deixa em favor de Clara constitui legado que, em razão da abusividade</p><p>dos gravames impostos, será tido como puro e simples.</p><p>c) A incapacidade relativa de Mariana no momento da elaboração do testamento não afeta a</p><p>validade do ato, assim como é válida a deixa em favor do filho que Pedro vier a ter, mas a</p><p>deixa em favor de Túlio é nula.</p><p>d) A incapacidade relativa de Mariana no momento da elaboração do testamento não afeta a</p><p>validade do ato, mas a destinação do imóvel rural ao filho que Pedro vier a ter será tida por</p><p>não escrita, na eventualidade de o contemplado não ser coexistente ao autor da herança.</p><p>85</p><p>117</p><p>e) A incapacidade relativa de Mariana no momento da elaboração do testamento não afeta a</p><p>validade do ato, mas a destinação do imóvel rural ao filho que Pedro vier a ter é inválida; a</p><p>deixa das ações para a Associação Patinhas e para a constituição de uma fundação de</p><p>defesa dos interesses dos animais é válida.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>As alternativas A e B estão incorretas, pois a incapacidade relativa de Mariana no momento da</p><p>elaboração do testamento não afeta a validade do ato, nos termos do art. 1.860, parágrafo único,</p><p>do CC: “Podem testar os maiores de dezesseis anos”.</p><p>A alternativa C está correta. A incapacidade relativa de Mariana no momento da elaboração do</p><p>testamento não afeta a validade do ato, nos termos do art. 1.860, parágrafo único, do CC: “Podem</p><p>testar os maiores de dezesseis anos”.</p><p>Além disso, foram observados os requisitos legais na elaboração do testamento previstos no art.</p><p>1.876, caput e §1º, do CC: “Art. 1.876. O testamento particular pode ser escrito de próprio punho</p><p>ou mediante processo mecânico. § 1º Se escrito de próprio punho, são requisitos essenciais à sua</p><p>validade seja lido e assinado por quem o escreveu, na presença de pelo menos três testemunhas,</p><p>que o devem subscrever”.</p><p>Cumpre destacar a validade da disposição que destinou um imóvel rural, também recebido por</p><p>herança de seus pais, ao filho que Pedro, seu primo, viesse a ter. De acordo com o art. 1.799, I, do</p><p>CC: “Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos, ainda não</p><p>concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão”.</p><p>Por outro lado, é nula a disposição que destinou a biblioteca de livros jurídicos, incluindo obras</p><p>raras, que pertenceu ao seu avô já falecido, para Túlio, estudante de direito e filho de Joana, uma</p><p>das testemunhas que subscreveu o testamento. Aduz o art. 1.801, II, do CC que: “Não podem ser</p><p>nomeados herdeiros nem legatários: II - as testemunhas do testamento”. Ademais, conforme o art.</p><p>1.802, caput e parágrafo único, do CC: “São nulas as disposições testamentárias em favor de</p><p>pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou</p><p>feitas mediante interposta pessoa. Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpostas os</p><p>ascendentes, os descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a</p><p>suceder”.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois é válida a disposição que destinou um imóvel rural, também</p><p>recebido por herança de seus pais, ao filho que Pedro, seu primo, viesse a ter. De acordo com o</p><p>art. 1.799, I, do CC: “Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos,</p><p>ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a</p><p>sucessão”.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois é válida a disposição que destinou um imóvel rural, também</p><p>recebido por herança de seus pais, ao filho que Pedro, seu primo, viesse a ter. De acordo com o</p><p>art. 1.799, I, do CC: “Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos,</p><p>ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a</p><p>sucessão”.</p><p>QUESTÃO 72. Edivaldo Reis, produtor de soja em Jataí, celebrou com Dionísio Celso,</p><p>exportador de grãos, em 10/01/2023, contrato de compra e venda da safra de soja de 2023,</p><p>que seria colhida em setembro do mesmo ano. Considerando a área cultivada e as safras</p><p>86</p><p>117</p><p>anteriores, Dionísio Celso estimou que a produção seria de cerca de 20.000 toneladas e,</p><p>visando garantir o melhor preço, comprometeu-se a adquirir a totalidade (100%) da soja</p><p>cultivada, pagando por 18.000 toneladas, o preço equivalente a R$105,00 por saca de 60kg</p><p>de soja, independentemente da quantidade colhida, desde que superior a 10.000 toneladas.</p><p>Foi estabelecido que o pagamento e a entrega da coisa seriam realizados em 10/10/2023,</p><p>sendo de responsabilidade de Dionísio Celso a retirada do produto. No dia 10/10/2023,</p><p>Dionísio Celso não compareceu, forçando Edivaldo Reis a armazenar a referida soja em um</p><p>galpão de uma fazenda vizinha, pois o seu próprio já estava comprometido por contrato, a</p><p>partir do dia 11/10/2023. Em 15/10/2023, Dionísio Celso procura Edvaldo Reis para pagar o</p><p>preço e retirar a mercadoria, quando toma ciência de que ele receberá 11.220 toneladas de</p><p>soja. O comprador, indignado, diz que não pagará por 18.000 toneladas de soja, ao que</p><p>Edvaldo Reis exige o pagamento integral, nos termos contratualmente ajustados. Explica</p><p>ainda que entre julho e agosto de 2023, a plantação foi negativamente impactada pela brusca</p><p>mudança de temperatura provocada pelo fenômeno La Niña, acarretando a perda de cerca</p><p>de 40% do cultivo. Para piorar a situação, sem que soubesse ou pudesse saber, o galpão da</p><p>fazenda vizinha estava contaminado por um fungo raro, o que resultou na perda de outros</p><p>15% da colheita. Diante da situação hipotética narrada, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Dionísio Celso tomou o risco de a safra de soja vir a existir em qualquer quantidade e, por</p><p>essa razão, deverá pagar a integralidade do preço ajustado para as 18.000 toneladas, ainda</p><p>que só receba 11.220 toneladas.</p><p>b) Dionísio Celso tomou o risco de a safra de soja vir a existir em qualquer quantidade, mas,</p><p>em virtude dos acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, o contrato poderá ser</p><p>resolvido.</p><p>c) Dionísio Celso tomou o risco de a safra de soja vir a existir em qualquer quantidade, mas</p><p>não será obrigado ao pagamento das 18.000</p><p>toneladas em razão do perecimento parcial da</p><p>coisa por fato de força maior.</p><p>d) Dionísio Celso tomou o risco de a safra de soja vir a existir em qualquer quantidade,</p><p>devendo pagar o preço ajustado, descontados os valores referentes ao que se perdeu em</p><p>razão da contaminação por fungo.</p><p>e) Dionísio Celso tomou o risco de a safra de soja vir a existir em qualquer quantidade, mas</p><p>em virtude da contaminação por fungo, poderá enjeitar a totalidade das sacas de soja,</p><p>resolvendo o contrato.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A alternativa A está correta, nos termos do art. 459 do CC: “Se for aleatório, por serem objeto dele</p><p>coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá</p><p>também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda</p><p>que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada”.</p><p>O caso narrado consiste em contrato aleatório, pois Dionísio Celso comprometeu-se a adquirir a</p><p>totalidade (100%) da soja cultivada, pagando por 18.000 toneladas, o preço equivalente a R$105,00</p><p>por saca de 60kg de soja, independentemente da quantidade colhida, desde que superior a 10.000</p><p>toneladas. Nesse contexto, considerando que a quantidade colhida foi superior ao estipulado,</p><p>Dionísio Celso tomou o risco de a safra de soja vir a existir em qualquer quantidade e, por essa</p><p>razão, deverá pagar a integralidade do preço ajustado para as 18.000 toneladas, ainda que só</p><p>receba 11.220 toneladas.</p><p>87</p><p>117</p><p>As alternativas B, C, D e E estão incorretas, pelo fundamento exposto na alternativa A.</p><p>QUESTÃO 73. Em junho de 2014, Melissa firmou compromisso de compra e venda de unidade</p><p>autônoma em construção com a incorporadora Construir S/A, que se comprometeu a</p><p>entregar as chaves em janeiro de 2016, com cláusula expressa de tolerância de 180 dias. O</p><p>imóvel foi entregue em maio de 2016, sob protestos de Melissa quanto ao atraso na entrega</p><p>do bem. De todo modo, já na posse do imóvel, Melissa, fortemente atingida pela pandemia</p><p>de covid-19, já não consegue suportar as prestações mensais do imóvel, motivo pelo qual</p><p>deixa de efetuar o pagamento a partir do mês de outubro de 2023, sendo notificada em</p><p>novembro de 2023 para purgar a mora, sob pena de desfazimento do contrato. Melissa havia</p><p>financiado o saldo do preço, por ocasião da entrega das chaves, com o banco Sonho Vivo</p><p>S/A, transferindo a propriedade do bem em garantia fiduciária ao credor, em contrato</p><p>devidamente registrado em cartório, com previsão de quitação da dívida no prazo de 8 (oito)</p><p>anos. A mora não foi purgada, consolidando-se a propriedade em dezembro de 2023,</p><p>oportunidade na qual o fiduciário busca inaugurar o procedimento de leilão público para</p><p>alienação do imóvel. Diante deste caso, responda, levando-se em conta a jurisprudência do</p><p>Superior Tribunal de Justiça,</p><p>a) considerando o inadimplemento do devedor, devidamente constituído em mora, a</p><p>resolução do pacto deverá observar a forma prevista na Lei nº 9.514/97, aplicando-se</p><p>também, segundo a tese do diálogo das fontes, o Código de Defesa do Consumidor.</p><p>b) a defesa não pode alegar adimplemento substancial, porque a Corte Superior já decidiu,</p><p>em decisão colegiada, que, em caso de alienação fiduciária de coisa imóvel, não é admissível</p><p>a alegação da tese do adimplemento substancial.</p><p>c) consolidada a propriedade em seu nome, o fiduciário deve promover o leilão público para</p><p>a alienação do imóvel no prazo de 30 (trinta) dias.</p><p>d) na hipótese de segundo leilão, caso não haja lance que atenda ao referencial mínimo</p><p>estabelecido pela lei, o fiduciário ficará investido na livre disponibilidade do imóvel e</p><p>exonerado da obrigação de restituir a importância que sobejar.</p><p>e) na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel, deve</p><p>ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente comprador integralmente.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>A alternativa C está correta, nos termos da redação do art. 27 da Lei nº 9.514/1997 antes do advento</p><p>da Lei nº 14.711, de 30 de outubro de 2023, que alterou o mencionado dispositivo legal. Constava</p><p>da redação anterior que: “Uma vez consolidada a propriedade em seu nome, o fiduciário, no prazo</p><p>de trinta dias, contados da data do registro de que trata o § 7º do artigo anterior, promoverá público</p><p>leilão para a alienação do imóvel”.</p><p>Cumpre destacar a redação vigente após a Lei nº 14.711, de 30 de outubro de 2023: Art. 27.</p><p>Consolidada a propriedade em seu nome, o fiduciário promoverá leilão público para a alienação do</p><p>imóvel, no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data do registro de que trata o § 7º do art. 26</p><p>desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.711, de 2023)</p><p>As alternativas A, B, D e E estão incorretas, conforme o fundamento da alternativa C.</p><p>88</p><p>117</p><p>QUESTÃO 74. Carlota, comodatária, recebeu notificação de Joaquim, comodante, para que</p><p>restitua o bem imóvel no prazo de 90 (noventa) dias. Transcorrido o prazo, Carlota decide</p><p>manter a posse do bem, porque ainda não encontrou um imóvel ideal para morar,</p><p>considerando que os bens que visitou para locação não atendem aos seus interesses.</p><p>Assim, informou ao comodante que só sairá após ter uma residência garantida, requerendo</p><p>um prazo de graça até a desocupação voluntária. Carlota justifica sua ação com base no</p><p>princípio da função social da posse e da propriedade. Joaquim não concorda e aciona sua</p><p>advogada para cuidar de seus interesses. Dois dias após o transcurso do prazo, o</p><p>encanamento da residência, que não passou por manutenção durante os anos em que a</p><p>comodatária residiu no imóvel, estourou, após o uso simultâneo de todos os chuveiros da</p><p>casa. Diante do caso apresentado, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Carlota, ao negar a restituição do imóvel, viola o princípio do equilíbrio contratual,</p><p>tornando o contrato excessivamente oneroso ao comodante.</p><p>b) Carlota, ao negar a restituição do imóvel, viola o princípio da boa-fé objetiva, qualificando-</p><p>se, por consequência, como possuidora de má-fé, após o transcurso do prazo da</p><p>desocupação.</p><p>c) Carlota, ao negar a restituição do imóvel, pode usar como fundamento legítimo o princípio</p><p>da função social da posse, na medida em que teria o seu direito à moradia prejudicado.</p><p>d) Carlota só responde pela deterioração da coisa se restar comprovado que ela contribuiu</p><p>diretamente para o evento danoso, verificando-se o nexo causal direto e imediato.</p><p>e) Carlota não tem razão em invocar a função social da posse e propriedade, pois a noção</p><p>contemporânea de função social não subordina interesses individuais legítimos a interesses</p><p>ou entidades supraindividuais.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>A alternativa E está correta, com fundamento nas lições de Gustavo Tepedino apresentadas no</p><p>artigo denominado “O princípio da função social no direito civil contemporâneo”, publicado na</p><p>Revista do Ministério Público do Rio de Janeiro: MPRJ, n. 54, out./ dez. 2014. Ao tratar acerca da</p><p>função social e a autonomia privada, o autor afirma que “a noção contemporânea de função social</p><p>em nenhum momento subordina os interesses individuais legítimos a interesses ou entidades</p><p>supraindividuais. A funcionalização imposta pelo constituinte, ao revés, postula a plena promoção</p><p>da dignidade da pessoa humana e de seus interesses existenciais”.</p><p>Disponível em: .</p><p>Acesso em 29/01/2024.</p><p>As alternativas A, B, C e D estão incorretas, conforme o fundamento da alternativa E.</p><p>QUESTÃO 75. Pedro Silva é o sócio majoritário das sociedades empresárias pertencentes à</p><p>família Silva: Silva Eventos Ltda., Silva Tour Ltda. e Silva Alimentos e Bebidas Ltda. A Silva</p><p>Eventos Ltda. foi constituída há 2 anos e é administrada diretamente por Carlos, filho mais</p><p>novo de Pedro, com 20 anos de idade. A sociedade empresária enfrenta dificuldades</p><p>financeiras, deixando de cumprir</p><p>algumas obrigações. Em razão disso, Carlos não faz</p><p>qualquer retirada, nem mesmo a título de pro labore. No entanto, utiliza o cartão de crédito</p><p>da sociedade para algumas despesas pessoais de pequeno valor, como transporte e</p><p>alimentação. A Silva Tour Ltda. foi constituída há mais de 30 anos e sempre foi a grande</p><p>89</p><p>117</p><p>realização de Pedro Silva que, justamente por isso, não poupa esforços e estratégias para</p><p>reerguer a sociedade empresária que perdeu muitos clientes e está deficitária desde 2020.</p><p>Já a Silva Alimentos e Bebidas Ltda. vem apresentando crescimento e lucros consideráveis.</p><p>Diante dos resultados das três empresas e visando preservar ao máximo, o patrimônio da</p><p>família, Pedro Silva transfere parte considerável dos bens móveis e imóveis da Silva</p><p>Alimentos e Bebidas Ltda. para Silva Tour Ltda., além de pagar os credores da Silva Tour</p><p>com recursos da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. A estratégia é bem-sucedida para salvar a</p><p>Silva Tour Ltda. mas a Silva Alimentos e Bebidas passa a acumular dívidas e entra em</p><p>colapso financeiro, deixando de cumprir suas obrigações com diversos credores. Diante da</p><p>situação hipotética narrada, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. A utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para as despesas de transporte e</p><p>alimentação de Carlos configura confusão patrimonial, independentemente do valor de tais</p><p>despesas.</p><p>II. A existência do grupo econômico, por si só, autoriza a desconsideração da personalidade</p><p>jurídica para a satisfação dos credores.</p><p>III. A estratégia adotada por Pedro Silva para salvar a Silva Tour Ltda. configura confusão</p><p>patrimonial.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) II, apenas.</p><p>c) III, apenas.</p><p>d) l e ll, apenas.</p><p>e) I e III, apenas.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>O item I está incorreto, pois a utilização do cartão de crédito da Silva Eventos Ltda. para algumas</p><p>despesas pessoais de pequeno valor não configura confusão patrimonial. De acordo com o art. 50,</p><p>§ 2º, II, do CC: “Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os</p><p>patrimônios, caracterizada por: II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas</p><p>contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante”.</p><p>O item II está incorreto, nos termos do art. 50, § 4º, do CC: “A mera existência de grupo econômico</p><p>sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da</p><p>personalidade da pessoa jurídica”.</p><p>O item III está correto, pois a estratégia adotada por Pedro Silva consistente em transferir parte</p><p>considerável dos bens móveis e imóveis da Silva Alimentos e Bebidas Ltda. para Silva Tour Ltda.,</p><p>além de pagar os credores da Silva Tour com recursos da Silva Alimentos e Bebidas Ltda.</p><p>caracteriza confusão patrimonial prevista no art. 50, §2º, do CC. Sobre o tema, é importante a leitura</p><p>completa do dispositivo legal.</p><p>Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou</p><p>pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando</p><p>lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas</p><p>90</p><p>117</p><p>relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios</p><p>da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.</p><p>§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios,</p><p>caracterizada por:</p><p>I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-</p><p>versa;</p><p>II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor</p><p>proporcionalmente insignificante; e</p><p>III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.</p><p>Portanto, a alternativa C está correta, pois apenas o item III está certo.</p><p>QUESTÃO 76. Paulo Roberto, após muitos estudos e um completo planejamento, decidiu</p><p>empreender na área de artigos desportivos. Para viabilizar seu negócio, celebra contrato de</p><p>mútuo feneratício com José em 10/08/2023. Pelo referido contrato, José emprestou a quantia</p><p>de R$20.000,00 a Paulo Roberto, que se comprometeu a restituir o valor, acrescido de 10%,</p><p>em 10/10/2023. Ocorre que, antes do vencimento do mútuo, Paulo Roberto precisou de um</p><p>novo aporte financeiro e procurou novamente José. Em 20/09/2023 celebraram novo</p><p>contrato, pelo qual José emprestou a importância de R$20.000,00 à Paulo Roberto, sendo</p><p>estabelecido a incidência de juros de 10% e o vencimento dessa nova obrigação em</p><p>10/11/2023. Paulo Roberto inadimpliu ambos os contratos, mas, em 10/12/2023, conseguiu</p><p>juntar a importância de R$22.000,00 e procurou José para saldar parte da sua dívida. Diante</p><p>da situação hipotética narrada, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. Paulo Roberto tem o direito de indicar a qual dos débitos oferece pagamento, mas o</p><p>pagamento será imputado primeiro nos juros vencidos, salvo se convencionarem</p><p>diversamente.</p><p>II. Paulo Roberto tem o direito de indicar a qual dos débitos oferece pagamento, mas se não</p><p>o declarar, José poderá fazê-lo, indicando sua escolha na quitação.</p><p>III. Se Paulo Roberto não indicar a qual dos débitos oferece pagamento e José também não</p><p>indicar na quitação, o pagamento será referente ao empréstimo celebrado em 10/08/2023.</p><p>Está correto o que afirma em</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) I e II, apenas.</p><p>c) I e III, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>O item I está correto, nos termos do art. 352 do CC: “A pessoa obrigada por dois ou mais débitos</p><p>da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se</p><p>todos forem líquidos e vencidos”. Além disso, havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á</p><p>91</p><p>117</p><p>primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor</p><p>passar a quitação por conta do capital, conforme dispõe o art. 354 do CC.</p><p>O item II está correto, nos termos do art. 352 do CC: “A pessoa obrigada por dois ou mais débitos</p><p>da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se</p><p>todos forem líquidos e vencidos”. Ademais, conforme o art. 353: “Não tendo o devedor declarado</p><p>em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma</p><p>delas, não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele</p><p>cometido violência ou dolo”.</p><p>O item III está correto, conforme o disposto na primeira parte do art. 355 do CC: “Se o devedor não</p><p>fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas</p><p>líquidas e vencidas em primeiro lugar”.</p><p>Portanto, a alternativa E está correta, pois os itens I, II e III estão certos.</p><p>QUESTÃO 77. Pietro, aposentado, pai de Bento e Sofia, frutos do seu matrimônio com Clara,</p><p>falecida há 10 anos, mantém união estável há 5 anos com Tereza, 28 anos, mãe de Túlio de</p><p>apenas 2 anos de idade. Pietro e Tereza não tiveram filhos comuns. Apesar de Bento e Sofia</p><p>gostarem muito de Pietro, romperam relações com ele, pois não aceitaram o relacionamento</p><p>dele com Tereza. Em respeito aos sentimentos dos filhos, Pietro convenceu Tereza a</p><p>abandonar sua carreira e a se mudar com ele para um sítio, localizado em Caldas Novas.</p><p>Além disso, celebrou pacto de convivência com Tereza, pelo qual optaram pelo regime da</p><p>separação de bens. Diante do contexto, Pietro, preocupado com o futuro de Tereza,</p><p>contratou um seguro de vida no valor de R$ 5 milhões de reais, indicando-a como única</p><p>beneficiária. Na última sexta-feira, Pietro e Tereza foram a Goiânia, levar o pequeno Túlio</p><p>para a casa do pai, com quem passaria duas semanas de férias. No retorno, Pietro e Tereza</p><p>envolveram-se em grave acidente de trânsito, resultando na morte de ambos, não sendo</p><p>possível precisar quem faleceu primeiro. Diante</p><p>da situação hipotética narrada, assinale a</p><p>opção correta.</p><p>a) Pietro e Tereza são comorientes e o capital segurado será pago a Bento, Sofia e Túlio por</p><p>direito sucessório.</p><p>b) Pietro e Tereza são comorientes e o capital segurado será pago a Bento e Sofia por direito</p><p>obrigacional.</p><p>c) Pietro e Tereza são comorientes e o capital segurado será pago a Túlio, por direito</p><p>obrigacional.</p><p>d) Pietro e Tereza são comorientes e o capital segurado será pago a Bento e Sofia, por direito</p><p>sucessório.</p><p>e) Pietro e Tereza são comorientes e o capital segurado será pago a Túlio, por direito</p><p>sucessório.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>O art. 8º do Código Civil dispõe que: “Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não</p><p>se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão</p><p>simultaneamente mortos.”</p><p>92</p><p>117</p><p>De acordo com Cristiano Chaves: “somente haverá comoriência entre pessoas sucessíveis entre si</p><p>ou que tenham estabelecido, entre si, uma relação jurídica de transmissão de direitos (como, por</p><p>exemplo, um contrato de seguro de vida). É que não há interesse jurídico em determinar quem</p><p>precedeu a morte de quem em relação a pessoas que não travam qualquer relação jurídica de</p><p>transmissão de direitos. (…) Daí a importância do instituto para o Direito das Sucessões, produzindo</p><p>seu mais relevante efeito: faz cessar os direitos sucessórios entre os comorientes, que não poderão</p><p>suceder uns aos outros ou receber indenizações a título de seguro de vida”.</p><p>Portanto, a indenização decorrente de apólice de seguro de vida, em que Tereza constava como</p><p>beneficiária, deve ser paga ao herdeiro de Tereza, no caso, o capital segurado será pago a Túlio,</p><p>por direito sucessório, na qualidade de descendente da beneficiária. Nesse sentido, dispõe o art.</p><p>1.829, I, do CC que: “A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em</p><p>concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da</p><p>comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se,</p><p>no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares”.</p><p>As alternativas A, B, C e D estão incorretas, conforme o fundamento apresentado na alternativa E.</p><p>QUESTÃO 78. José Leôncio e João Inocêncio, proprietários de fazendas vizinhas, apenas</p><p>separadas pelo leito de um rio, sempre mantiveram uma relação pautada pelo respeito e pela</p><p>cordialidade. No entanto, em 05 de novembro de 2022 ocorreu um forte temporal na região</p><p>que, entre outras consequências, resultou no desprendimento de porção considerável de</p><p>terra da fazenda de João Inocêncio, situada à margem direita do rio que faz divisa entre as</p><p>fazendas, vindo a se juntar de forma natural e súbita, ao terreno de José Leôncio, sito à</p><p>margem esquerda do rio. Diante do ocorrido, em 08 de novembro de 2023, João Inocêncio</p><p>ajuizou ação em face de José Leôncio, na qual foi provado, por meio de perícia, que, em</p><p>razão da tempestade, houve o desprendimento da porção de terra do autor e que essa veio</p><p>a se juntar a propriedade do réu. Em razão da disputa judicial, cortaram relações.</p><p>Considerando a situação hipotética narrada, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Em razão da aluvião, José Leôncio adquiriu a propriedade da porção de terra acrescida,</p><p>não sendo devida qualquer indenização à João Inocêncio.</p><p>b) Em razão da aluvião, José Leôncio adquiriu a propriedade da porção de terra acrescida,</p><p>mas deverá indenizar João Inocêncio.</p><p>c) Em razão da avulsão, José Leôncio adquiriu a propriedade da porção de terra acrescida,</p><p>não sendo devida qualquer indenização a João Inocêncio.</p><p>d) Em razão da avulsão, José Leôncio adquiriu a propriedade da porção de terra acrescida,</p><p>mas deverá indenizar João Inocêncio.</p><p>e) Em razão da avulsão e da ação judicial tempestiva, José Inocêncio pode exigir que se</p><p>remova a parte de terra acrescida, mas não tem direito à indenização.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>De acordo com o art. 1.251 do CC, que trata da avulsão: “Quando, por força natural violenta, uma</p><p>porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade</p><p>do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém</p><p>houver reclamado”.</p><p>93</p><p>117</p><p>Portanto, o enunciado narra uma hipótese de avulsão, tendo em vista que, em decorrência de forte</p><p>temporal na região, ocorreu um desprendimento de porção considerável de terra da fazenda de</p><p>João Inocêncio, situada à margem direita do rio que faz divisa entre as fazendas, vindo a se juntar</p><p>de forma natural e súbita, ao terreno de José Leôncio, sito à margem esquerda do rio.</p><p>Além disso, segundo o dispositivo mencionado, José Leôncio adquirirá a propriedade do acréscimo</p><p>se indenizar João Inocêncio (dono da primeira porção de terra), pois, em 08 de novembro de 2023,</p><p>João Inocêncio ajuizou ação em face de José Leôncio.</p><p>A alternativa D está correta, nos termos do art. 1.251 do CC.</p><p>As alternativas A, B, C e E estão incorretas, conforme o fundamento supramencionado.</p><p>QUESTÃO 79. A Associação Patinhas Fofíneas foi criada e estabelecida em Goiânia - GO,</p><p>voltada à proteção da causa animal, conforme estabelecido em seu estatuto social.</p><p>Recentemente, a Associação propôs ação civil pública em face do Município de Goiânia,</p><p>requerendo a condenação do ente municipal a construir cinco hospitais veterinários, um em</p><p>cada região da cidade, com vistas a atender animais abandonados. Ao tomar o primeiro</p><p>contato com a petição inicial, o juízo intimou a Associação a apresentar autorização</p><p>assemblear dos associados para propor a ação coletiva e relação dos filiados naquele</p><p>momento, sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito. Ato contínuo, a</p><p>Associação apresentou petição informando que, por se tratar de ação civil pública para</p><p>defesa do direito ao meio ambiente equilibrado, bem como por haver relação com sua</p><p>atividade de proteção da causa animal, de previsão estatutária, não haveria necessidade de</p><p>autorização assemblear para propositura da demanda, nem de juntada de relação nominal</p><p>de filiados. Sobre o caso acima, assinale a opção correta.</p><p>a) O caso traduz hipótese de representação processual, pelo que a autorização em</p><p>assembleia, bem como a juntada da relação nominal de associados, é essencial para fins de</p><p>admissibilidade da ação civil pública.</p><p>b) Tanto para a propositura de ações coletivas em geral quanto para o ajuizamento de ação</p><p>civil pública é indispensável a autorização em assembleia, bem como a juntada da relação</p><p>nominal de associados, assistindo razão ao juízo.</p><p>c) A associação autora, enquanto representante processual, necessita apresentar a</p><p>autorização assemblear para propositura da demanda, dispensando-se a juntada de relação</p><p>nominal de filiados, necessária apenas para eventual cumprimento de sentença.</p><p>d) Ainda que se trate de ação civil pública, proposta para a defesa de direito difuso, a juntada</p><p>do rol de filiados é indispensável, pois destinada à verificação da eficácia subjetiva do título</p><p>executivo posteriormente formado.</p><p>e) Por se tratar de ação civil pública, proposta para a defesa de direito difuso, cuja proteção</p><p>é finalidade da associação prevista em seu estatuto, a autorização em assembleia e a juntada</p><p>de relação de filiados é desnecessária, pois a associação atua, no caso, como substituta</p><p>processual.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>A alternativa E está correta, pois nos casos de substituição processual, a Associação, como</p><p>legitimada adequada, substitui toda a coletividade indeterminada que sofre as consequências</p><p>94</p><p>117</p><p>provocadas pelos danos sofridos por animais abandonados, o que atinge um indeterminado número</p><p>de indivíduos, todos ligados entre si por uma situação de fato. Assim, por se tratar de legitimação</p><p>extraordinária, não há necessidade de autorização assemblear ou de juntada</p><p>da relação nominal</p><p>dos associados, o que apenas é exigido nos casos de representação processual, o que ocorre tão</p><p>somente quando a associação defende interesses individuais de seus associados. Nesse sentido:</p><p>"(...) 1. Ação civil pública, ajuizada pelo Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas</p><p>Gerais, na qual sustenta a nulidade de cláusulas de contratos de arrendamento mercantil. (...) 3.</p><p>Por se tratar do regime de substituição processual, a autorização para a defesa do interesse coletivo</p><p>em sentido amplo é estabelecida na definição dos objetivos institucionais, no próprio ato de criação</p><p>da associação, sendo desnecessária nova autorização ou deliberação assemblear. (...) 9. As teses</p><p>de repercussão geral resultadas do julgamento do RE 612.043/PR e do RE 573.232/SC tem seu</p><p>alcance expressamente restringido às ações coletivas de rito ordinário, as quais tratam de</p><p>interesses meramente individuais, sem índole coletiva, pois, nessas situações, o autor se limita a</p><p>representar os titulares do direito controvertido, atuando na defesa de interesses alheios e em nome</p><p>alheio. (...) STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1799930/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em</p><p>26/08/2019.".</p><p>Essa justificativa torna todas as demais incorretas, portanto.</p><p>QUESTÃO 80. Joana ajuizou ação de divórcio, cumulada com partilha de bens e fixação de</p><p>alimentos em face de Pedro. O casal não teve filhos e ambos são maiores e capazes. Após a</p><p>oferta de contestação por Pedro, o juiz decretou o divórcio, prosseguindo o processo para</p><p>fins de partilha de bens e fixação de alimentos. Não foi interposto recurso em face da decisão</p><p>que decretou o divórcio. Ao fim da fase instrutória, foi aberta vista ao Ministério Público.</p><p>Embora tenha entendido não ser caso de intervenção obrigatória do Parquet, João, promotor</p><p>de justiça, decidiu ofertar parecer, de modo a melhor subsidiar a decisão do órgão julgador.</p><p>Ato contínuo, o juiz proferiu sentença, fixando a partilha de bens e condenando Pedro a</p><p>pagar alimentos em favor de Joana pelo período de três anos, no percentual de 15% de seus</p><p>rendimentos líquidos mensais, incluídos férias e décimo-terceiro salário. Inconformado,</p><p>Pedro interpôs recurso de apelação, pugnando pela reforma da sentença no capítulo que</p><p>fixou alimentos em favor de Joana. Sobre o caso acima, assinale a afirmativa correta:</p><p>a) Por se tratar de ação de família, a intervenção do Ministério Público é obrigatória em todo</p><p>e qualquer caso, não assistindo razão a João.</p><p>b) A decisão que decretou o divórcio possui natureza jurídica de sentença impugnável,</p><p>portanto, mediante recurso de apelação.</p><p>c) Por se tratar de ação de família sem parte incapaz, é dispensada a realização de esforços</p><p>para a solução consensual da controvérsia.</p><p>d) A apelação interposta por Pedro terá efeito meramente devolutivo por expressa</p><p>disposição do CPC.</p><p>e) É possível afirmar que o mandado de citação de Pedro foi obrigatoriamente acompanhado</p><p>de cópia da petição inicial.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a intervenção do Ministério Público, mesmo em se tratando de</p><p>ações de família, só ocorre nas hipóteses em que houver interesse de incapaz e em casos de</p><p>95</p><p>117</p><p>violência doméstica, conforme o texto do art. 698, do CPC: "Nas ações de família, o Ministério</p><p>Público somente intervirá quando houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à</p><p>homologação de acordo. Parágrafo único. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas</p><p>ações de família em que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da</p><p>Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha). ".</p><p>A alternativa B está incorreta, pois o divórcio foi decretado por ocasião do saneamento do feito, o</p><p>que importa em decisão interlocutória parcial de mérito, recorrível por meio de agravo de</p><p>instrumento, conforme o previsto no art. 356, II e §5º, do CPC: "O juiz decidirá parcialmente o mérito</p><p>quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: [...] II - estiver em condições de</p><p>imediato julgamento, nos termos do art. 355. [...] §5º A decisão proferida com base neste artigo é</p><p>impugnável por agravo de instrumento.". Também, no mesmo sentido, o art. 1.015, II, do CPC: "</p><p>Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: [...] II - mérito</p><p>do processo; [...].".</p><p>A alternativa C está incorreta, pois a mediação é estimulada pelo nosso Código em todos os</p><p>conflitos, em especial, nas ações de família, conforme o expresso texto do art. art. 694, caput, do</p><p>CPC: "Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da</p><p>controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento</p><p>para a mediação e conciliação.".</p><p>A alternativa D está correta, pois está de acordo com o expresso texto do art. 1.012, §1º, II, do CPC:</p><p>"Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua</p><p>publicação a sentença que: [...] II - condena a pagar alimentos; [...]".</p><p>A alternativa E está incorreta, pois o mandado de citação, em ações de família, não é acompanhado</p><p>de cópia da petição inicial, conforme o previsto no art. 695, §1º, do CPC: "O mandado de citação</p><p>conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da</p><p>petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo.".</p><p>QUESTÃO 81. O advogado Noel foi procurado por seu cliente Fernando acerca de uma</p><p>eventual ação monitória para ingresso no Poder Judiciário, em razão de um cheque emitido</p><p>em seu favor por João, visando a quitação de serviços prestados, o qual não foi pago em</p><p>razão de insuficiência de fundos junto à instituição financeira. A respeito do instituto da</p><p>monitória, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Em razão de se tratar de procedimento especial, a ação monitória não admite citação por</p><p>edital, mas apenas por correio ou oficial de justiça.</p><p>b) Não é admissível a propositura de ação monitória fundada em cheque prescrito, diante da</p><p>eficácia executiva do título.</p><p>c) Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável</p><p>a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula.</p><p>d) Na ação monitória admite-se a reconvenção, bem como a reconvenção à reconvenção.</p><p>e) O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força</p><p>executiva é trienal a contar do dia seguinte à data da emissão estampada na cártula.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>96</p><p>117</p><p>A alternativa A está incorreta, pois o CPC admite, expressamente, a citação por edital na ação</p><p>monitória, conforme o texto de seu art. 700, §7º: "Na ação monitória, admite-se citação por qualquer</p><p>dos meios permitidos para o procedimento comum." Ainda, no mesmo sentido, veja-se a Súmula</p><p>282 do STJ: "Cabe a citação por edital em ação monitória.".</p><p>A alternativa B está incorreta, pois, mesmo tendo título executivo, é admissível que a parte se valha</p><p>da ação monitória, se assim entender mais adequado no caso concreto, conforme o previsto no art.</p><p>785 do CPC: "A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo</p><p>processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial.". E, no mesmo sentido, é o</p><p>enunciado da Súmula 299 do STJ: "É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito".".</p><p>A alternativa C está correta, pois a descrição da causa debendi é facultativa na ação monitória,</p><p>conforme o enunciado da Súmula 531 do STJ: “Em ação monitória fundada em cheque prescrito,</p><p>ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da</p><p>cártula.”.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois inadmite-se, na ação monitória, a reconvenção da reconvenção,</p><p>conforme expresso texto do art. 702, §6º, do CPC: "Na ação monitória admite-se a reconvenção,</p><p>sendo vedado o oferecimento de reconvenção</p><p>há interesse</p><p>destas nas decisões de profissões não abraçadas diretamente ou por entidades fortemente</p><p>vinculadas ao setor regulado.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>ADI 6276. Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE</p><p>INCONSTITUCIONALIDADE. LEGITIMIDADE ATIVA DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE</p><p>TRANSPORTE – CNT. ALTERAÇÃO DO ART. 8º-A, II E VII, DA LEI N. 9.986/2008, COM</p><p>REDAÇÃO DADA PELA LEI 13.848/2019. VEDAÇÃO DE INDICAÇÃO DE PESSOA QUE EXERÇA</p><p>CARGO EM ORGANIZAÇÃO SINDICAL PARA O CONSELHO DIRETOR OU DIRETORIA</p><p>9</p><p>117</p><p>COLEGIADA DAS AGÊNCIAS REGULADORAS. OFENSA AOS ARTS. 1º, 5º, VIII, XIII E XVII, 8º,</p><p>I, 19, III, e 37, I E VI, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. OFENSA AOS ARTS. 4º E 5º DA</p><p>CONVENÇÃO 121 DA OIT. INEXISTÊNCIA. AÇÃO DIRETA CONHECIDA E PEDIDO JULGADO</p><p>IMPROCEDENTE. 1. A requerente visa à declaração de inconstitucionalidade de normas que</p><p>impedem a participação de membros que exerçam cargo na organização sindical na composição</p><p>das Diretorias Colegiadas, órgãos de gestão e organização, em que são discutidos os processos</p><p>decisórios. Não havendo confederação que represente todos os setores regulados por agências,</p><p>há interesse da CNT nas decisões proferidas no âmbito da Diretoria da ANTT. Tal interpretação vai</p><p>ao encontro, assim, da desejada ampliação do debate democrático no âmbito da jurisdição</p><p>constitucional, de modo que reconheço a legitimidade da entidade autora, rejeitando a preliminar</p><p>arguida. 2. A regulação tem como objetivo promover o interesse público, atingindo seu objetivo</p><p>quando veicula um processo político eficiente acompanhado de atuação de agências reguladoras</p><p>também eficientes. 3. A atuação independente e tecnicamente justificada deve ser realizada por um</p><p>Conselho Diretor ou Diretoria Colegiada imparcial, sendo os impedimentos previstos pelo legislador</p><p>destinados à impessoalidade da gestão. 4. A exigência de preenchimento de certos requisitos para</p><p>a ocupação de cargos públicos, quando devidamente justificada e por meio legal, não implica</p><p>discriminação inconstitucional. No caso, há a justificativa racional de preservar a atuação técnica e</p><p>impessoal das agências. 5. Pedido de declaração de inconstitucionalidade julgado improcedente.</p><p>(ADI 6276, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 20/09/2021, PROCESSO</p><p>ELETRÔNICO DJe-192 DIVULG 24-09-2021 PUBLIC 27-09-2021)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 08. Lei estadual dispôs sobre o reconhecimento de diploma obtido por</p><p>instituições de ensino superior de países estrangeiros e reconheceu a internalização de</p><p>títulos acadêmicos de mestrado e doutorado expedidos por instituições de ensino superior</p><p>localizadas nos países integrantes do MERCOSUL e de Portugal.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) A norma é constitucional, pois os Estados possuem competência suplementar para</p><p>legislar sobre a matéria, na forma prevista no Art. 24, inciso IX, § 2º, da CRFB/88.</p><p>b) A norma é inconstitucional, pois apesar do Estado ter competência suplementar para</p><p>legislar sobre a matéria, houve afronta ao princípio da igualdade.</p><p>c) A norma é constitucional, pois os Estados possuem competência para legislar sobre a</p><p>matéria, desde que digam respeito ao reconhecimento de diplomas de servidores públicos</p><p>estaduais.</p><p>d) A norma é inconstitucional, pois invade a competência privativa da União para legislar</p><p>sobre diretrizes e bases da educação nacional.</p><p>e) A norma é constitucional, pois os Estados possuem competência para legislar sobre a</p><p>matéria, desde que digam respeito ao reconhecimento de diplomas de servidores públicos</p><p>estaduais que sejam profissionais da educação.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>ADI 6592. EMENTA: Direito constitucional. Ação direta de inconstitucionalidade. Lei estadual que</p><p>dispõe sobre a admissão de diplomas expedidos por instituições de ensino superior de Portugal e</p><p>10</p><p>117</p><p>de países do Mercosul. 1. Ação direta contra a Lei nº 245/2015, do Estado do Amazonas, que</p><p>dispõe sobre a admissão de diplomas de pós-graduação stricto sensu originários de países do</p><p>MERCOSUL e de Portugal. 2. Há inconstitucionalidade formal, por violação à regra que confere</p><p>competência privativa à União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22,</p><p>XXIV, da CF). Precedentes (ADI 5.341, Rel. Min. Edson Fachin; ADI 5.168, Relª. Minª. Cármen</p><p>Lúcia). 3. Procedência do pedido. Fixação da seguinte tese de julgamento: “É inconstitucional lei</p><p>estadual que dispõe sobre a aceitação de diplomas expedidos por universidades estrangeiras”. (ADI</p><p>6592, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2021, PROCESSO</p><p>ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 15-09-2021 PUBLIC 16-09-2021)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 09. Determinado partido político com representação no Congresso Nacional</p><p>ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido de concessão de medida cautelar,</p><p>contra artigos de Resolução do Tribunal Superior Eleitoral, alegando que o ato impugnado</p><p>inova no ordenamento jurídico, mediante estabelecimento de novas vedações e sanções</p><p>distintas das previstas em lei, viola a competência legislativa da União sobre Direito Eleitoral</p><p>e fere a liberdade de manifestação do pensamento, tendente à liberdade censura prévia, ao</p><p>vedar a divulgação ou compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente</p><p>descontextualizados, locução cuja vagueza conceitual não há de alcançar a liberdade de</p><p>opinião e o direito à informação sobre esses mesmos fatos, bem como permite</p><p>indevidamente a suspensão temporária de perfis existentes em redes sociais.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que o</p><p>pleito deve ser julgado</p><p>a) procedente, pois o Tribunal Superior Eleitoral, ao exercer a atribuição de elaboração</p><p>normativa em relação à propaganda eleitoral, usurpou a competência legislativa da União.</p><p>b) improcedente, pois a competência normativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é</p><p>admitida pela Constituição, mesmo que os dispositivos do ato normativo estendam</p><p>implicações em censura prévia, em razão do exercício do poder de polícia.</p><p>c) procedente, pois ao inovar no ordenamento jurídico por resolução o Tribunal Superior</p><p>Eleitoral (TSE) violou o princípio da legalidade.</p><p>d) procedente, pois no âmbito do processo eleitoral, as regras definidas pelo Tribunal</p><p>Superior Eleitoral (TSE) devem respeitar princípios como a igualdade política, a igualdade</p><p>de oportunidades e a liberdade de expressão político-eleitoral.</p><p>e) improcedente, pois a liberdade de expressão não é direito absoluto e a resolução teve o</p><p>objetivo de resguardar a democracia por meio de eleições livres.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>ADI 7261. EMENTA. DIREITO CONSTITUCIONAL E ELEITORAL. CONSTITUCIONALIDADE DA</p><p>RESOLUÇÃO TSE Nº. 23.714/2022. ENFRENTAMENTO DA DESINFORMAÇÃO CAPAZ DE</p><p>ATINGIR A INTEGRIDADE DO PROCESSO ELEITORAL. 1. Não se reveste de fumus boni iuris a</p><p>alegação de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao exercer a sua atribuição de elaboração</p><p>normativa e o poder de polícia em relação à propaganda eleitoral, usurpa a competência legislativa</p><p>da União, porquanto a Justiça Especializada vem tratando da temática do combate à desinformação</p><p>por meio de reiterados precedentes jurisprudenciais e atos normativos, editados ao longo dos</p><p>11</p><p>117</p><p>últimos anos. 2. A Resolução TSE nº. 23.714/2022 não consiste em exercício de censura prévia. 3.</p><p>A disseminação de notícias falsas, no curto prazo do processo eleitoral, pode ter a força de ocupar</p><p>todo espaço público, restringindo a circulação de ideias e o livre exercício do direito à informação.</p><p>4. O fenômeno da desinformação veiculada por meio da internet, caso não fiscalizado pela</p><p>autoridade eleitoral, tem o condão de restringir a formação livre e consciente da vontade do eleitor.</p><p>5. Ausentes elementos que,</p><p>à reconvenção.".</p><p>A alternativa E está incorreta, pois o prazo prescricional é quinquenal, conforme o enunciado da</p><p>Súmula 503 do STJ: "O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque</p><p>sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na</p><p>cártula.".</p><p>QUESTÃO 82. Genésio, no quarto dia de prazo, interpôs recurso de apelação em face de</p><p>decisão do Juízo da X Vara Cível da Comarca Y, a qual não acolheu impugnação ao</p><p>cumprimento de sentença deflagrada por João em seu desfavor. Três dias depois, no sétimo</p><p>dia de prazo, Genésio interpôs recurso de agravo de instrumento em face da mesma decisão,</p><p>por entender ser esse o recurso apropriado no caso concreto. Sobre o caso acima, assinale</p><p>a afirmativa correta.</p><p>a) Em razão do princípio da fungibilidade, o Tribunal poderá escolher qualquer dos recursos</p><p>para fins de conhecimento, desde que assentada a boa-fé de Genésio.</p><p>b) Não conhecer nenhum dos recursos, em razão da preclusão consumativa do direito de</p><p>recorrer, exercido pela interposição do recurso de apelação.</p><p>c) Conhecer o segundo recurso, por se tratar do recurso correto em face da decisão de</p><p>desacolhimento da impugnação ao cumprimento de sentença, não conhecendo do primeiro</p><p>recurso, ante seu descabimento na hipótese.</p><p>d) Não conhecer nenhum dos recursos, eis que a decisão que não acolhe a impugnação ao</p><p>cumprimento de sentença é irrecorrível, eis que não elencada nas hipóteses legais de seu</p><p>cabimento previstas no Código de Processo Civil.</p><p>e) Conhecer o primeiro recurso, por se tratar do recurso correto em face da decisão de</p><p>desacolhimento da impugnação ao cumprimento de sentença, não conhecendo do segundo</p><p>recurso, ante seu descabimento na hipótese.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>97</p><p>117</p><p>A alternativa B está correta, pois se a parte interpõe o recurso equivocado, já exerceu seu direito e</p><p>apenas este será examinado. Logo, um segundo recurso, mesmo corrigindo o equívoco do primeiro,</p><p>não é examinado em face da preclusão consumativa. Nesse sentido: “[...] 2. A antecedente</p><p>preclusão consumativa proveniente da interposição de um recurso contra determinada decisão</p><p>enseja a inadmissibilidade do segundo recurso, simultâneo ou subsequente, interposto pela mesma</p><p>parte e contra o mesmo julgado, haja vista a violação ao princípio da unirrecorribilidade, pouco</p><p>importando se o recurso posterior seja o adequado para impugnar a decisão e tenha sido interposto</p><p>antes de decorrido, objetivamente, o prazo recursal.” (REsp n. 2.075.284/SP, relator Ministro Marco</p><p>Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 15/8/2023.).</p><p>Essa justificativa torna todas as demais incorretas, portanto.</p><p>QUESTÃO 83. O Juízo da X Vara Cível da Comarca X concedeu tutela antecipada</p><p>antecedente, atendendo a requerimento formulado por Jonas em face do Hospital Beta. O</p><p>Hospital Beta, tempestivamente, ofertou contestação, na qual, além da defesa de mérito,</p><p>pugnou pela não estabilização dos efeitos da tutela antecipada antecedente. Não houve a</p><p>interposição tempestiva de agravo de instrumento em face da decisão de concessão da</p><p>tutela, bem como Jonas aditou a petição inicial, com a complementação de sua</p><p>argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final.</p><p>Tendo em vista as disposições do Código de Processo Civil e a jurisprudência mais recente</p><p>do Superior Tribunal de Justiça, sobre o caso acima assinale a afirmativa correta:</p><p>a) O impedimento à estabilização da tutela antecipada antecedente prescinde da interposição</p><p>de recurso, sendo a contestação meio suficiente para tal tarefa.</p><p>b) Apenas a interposição de agravo de instrumento contra a decisão concessiva da tutela</p><p>requerida em caráter antecedente impediria a estabilização.</p><p>c) O Hospital Beta poderá demandar Jonas para reformar a tutela antecipada antecedente,</p><p>no prazo de cinco anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo.</p><p>d) O aditamento à inicial somente é legítimo, caso tenha sido feito após a concessão de prazo</p><p>legal de cinco dias, nos termos do Código de Processo Civil.</p><p>e) O aditamento feito por Jonas, após a decisão concessiva da tutela antecipada</p><p>antecedente, foi feito com incidência de novas custas processuais.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>A alternativa B foi apontada como correta, pois, a contestação não tem força de impedir a</p><p>estabilização da tutela antecipada antecedente, só ocorrendo o fenômeno com a interposição de</p><p>agravo de instrumento, conforme expresso texto do art. 304, caput, do CPC: "A tutela antecipada,</p><p>concedida nos termos do art. 303 , torna-se estável se da decisão que a conceder não for interposto</p><p>o respectivo recurso.". Nesse sentido, dando uma interpretação literal ao dispositivo:</p><p>"PROCESSUAL CIVIL. ESTABILIZAÇÃO DA TUTELA ANTECIPADA CONCEDIDA EM CARÁTER</p><p>ANTECEDENTE. ARTS. 303 E 304 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. NÃO</p><p>INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE</p><p>CONTESTAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. I - Nos termos do disposto no art. 304 do Código de Processo</p><p>Civil de 2015, a tutela antecipada, deferida em caráter antecedente (art. 303), estabilizar-se-á,</p><p>quando não interposto o respectivo recurso. II - Os meios de defesa possuem finalidades</p><p>específicas: a contestação demonstra resistência em relação à tutela exauriente, enquanto o agravo</p><p>98</p><p>117</p><p>de instrumento possibilita a revisão da decisão proferida em cognição sumária. Institutos</p><p>inconfundíveis. III - A ausência de impugnação da decisão mediante a qual deferida a antecipação</p><p>da tutela em caráter antecedente, tornará, indubitavelmente, preclusa a possibilidade de sua</p><p>revisão. IV - A apresentação de contestação não tem o condão de afastar a preclusão decorrente</p><p>da não utilização do instrumento processual adequado - o agravo de instrumento. V - Recurso</p><p>especial provido. (REsp 1797365/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra</p><p>REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/10/2019, DJe 22/10/2019). Em</p><p>2023, a 1ª Turma do STJ reafirmou essa posição: "[...] III - Acórdão embargado que acolheu a tese</p><p>no sentido de que apenas a interposição de agravo de instrumento contra a decisão antecipatória</p><p>dos efeitos da tutela requerida em caráter antecedente seria capaz de impedir a estabilização e</p><p>voto condutor no qual consignada a determinação de retorno dos autos ao tribunal de origem para</p><p>julgamento da apelação, quando, em verdade, deveria ter registrado o reestabelecimento da</p><p>sentença como consequência do provimento do Recurso Especial. [...] (EDcl no REsp n.</p><p>1.797.365/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 26/6/2023, DJe</p><p>de 28/6/2023.). Sugere-se essa alternativa por se tratar da posição jurisprudencial mais recente e</p><p>que está de acordo com o texto literal do CPC.</p><p>A alternativa A, por sua vez, foi apontada como incorreta, mas representa posição da 3ª Turma do</p><p>STJ, que adota uma interpretação extensiva e sistemática. Nesse sentido: "RECURSO ESPECIAL.</p><p>PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA REQUERIDA EM CARÁTER ANTECEDENTE. ARTS. 303 E</p><p>304 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU QUE REVOGOU</p><p>A DECISÃO CONCESSIVA DA TUTELA, APÓS A APRESENTAÇÃO DA CONTESTAÇÃO PELO</p><p>RÉU, A DESPEITO DA AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO.</p><p>PRETENDIDA ESTABILIZAÇÃO DA TUTELA ANTECIPADA. IMPOSSIBILIDADE. EFETIVA</p><p>IMPUGNAÇÃO DO RÉU. NECESSIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO FEITO. RECURSO</p><p>ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A controvérsia discutida neste recurso especial consiste em saber se</p><p>poderia o Juízo de primeiro grau, após analisar as razões apresentadas na contestação,</p><p>reconsiderar a decisão que havia deferido o pedido de tutela antecipada requerida em caráter</p><p>antecedente, nos termos dos arts. 303 e 304 do CPC/2015, a despeito da ausência de interposição</p><p>de recurso pela parte ré no momento oportuno. [...] 3.2. É de se observar, porém, que, embora o</p><p>caput do art. 304 do CPC/2015</p><p>determine que "a tutela antecipada, concedida nos termos do art.</p><p>303, torna-se estável se da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso", a</p><p>leitura que deve ser feita do dispositivo legal, tomando como base uma interpretação sistemática e</p><p>teleológica do instituto, é que a estabilização somente ocorrerá se não houver qualquer tipo de</p><p>impugnação pela parte contrária, sob pena de se estimular a interposição de agravos de</p><p>instrumento, sobrecarregando desnecessariamente os Tribunais, além do ajuizamento da ação</p><p>autônoma, prevista no art. 304, § 2º, do CPC/2015, a fim de rever, reformar ou invalidar a tutela</p><p>antecipada estabilizada. 4. Na hipótese dos autos, conquanto não tenha havido a interposição de</p><p>agravo de instrumento contra a decisão que deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela</p><p>requerida em caráter antecedente, na forma do art. 303 do CPC/2015, a ré se antecipou e</p><p>apresentou contestação, na qual pleiteou, inclusive, a revogação da tutela provisória concedida,</p><p>sob o argumento de ser impossível o seu cumprimento, razão pela qual não há que se falar em</p><p>estabilização da tutela antecipada, devendo, por isso, o feito prosseguir normalmente até a prolação</p><p>da sentença. 5. Recurso especial desprovido. (REsp n. 1.760.966/SP, relator Ministro Marco Aurélio</p><p>Bellizze, Terceira Turma, julgado em 4/12/2018, DJe de 7/12/2018.).".</p><p>A alternativa C está incorreta, pois o prazo para ajuizamento da ação de revisão da tutela</p><p>antecedente estabilizada é de dois anos, conforme art. 304, §5º, do CPC: "O direito de rever,</p><p>reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto no § 2º deste artigo, extingue-se após 2 (dois)</p><p>anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo, nos termos do § 1º.".</p><p>99</p><p>117</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o prazo para aditamento da inicial é de 15 (quinze) dias da</p><p>intimação da concessão da tutela antecedente (se o juiz não fixar prazo maior), conforme art. 303,</p><p>§1º, I, do CPC: §1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: I - o autor</p><p>deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos</p><p>documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior</p><p>que o juiz fixar; [...].".</p><p>A alternativa E está incorreta, pois não há incidência de novas custas processuais no aditamento</p><p>da inicial, conforme o expresso texto do art. 303, §3º: "O aditamento a que se refere o inciso I do §</p><p>1º deste artigo dar-se-á nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais.".</p><p>QUESTÃO 84. O Condomínio Flor de Pedra ofertou execução fundada em título extrajudicial</p><p>em face de Urbano, com vistas à satisfação de crédito de contribuições extraordinárias para</p><p>a manutenção do condomínio edilício. Urbano foi citado e, no prazo legal, apresentou</p><p>embargos à execução, nos quais alegou que a dívida não existe, eis que os boletos de</p><p>cobrança teriam sido adimplidos. Ato contínuo, durante a fase instrutória dos embargos à</p><p>execução, o Condomínio requereu a penhora do imóvel de Urbano, pedido esse que foi</p><p>deferido. Ao fim da fase instrutória dos embargos à execução, o pedido foi julgado</p><p>procedente. O juízo entender assistir razão a Urbano, que apresentou comprovantes de</p><p>pagamento dos boletos de cobrança, extinguindo a execução e condenando o Condomínio</p><p>Lindinho aos ônus da sucumbência. Na sequência, Urbano formulou requerimento de</p><p>liquidação dos prejuízos oriundos da efetivação da penhora, sustentando que perdeu</p><p>excelente oportunidade de negócio em razão de tal ato, pois o imóvel não pôde ser vendido</p><p>à época. O Condomínio, em defesa, alegou que agiu de boa-fé, confiando na higidez da</p><p>escrita contábil elaborada pela administradora, bem como não ter atuado dolosa ou</p><p>culposamente de modo a causar dano a Urbano. Sobre o caso acima, assinale a alternativa</p><p>correta.</p><p>a) O Condomínio é responsável pelos prejuízos causados a Urbano, pois buscou em juízo a</p><p>satisfação de dívida inexistente, cabendo sua responsabilidade objetiva, à luz do Código de</p><p>Processo Civil.</p><p>b) A via eleita pelo Condomínio foi inadequada, eis que o crédito de contribuições</p><p>condominiais não tem eficácia executiva, demandando a propositura de ação de</p><p>conhecimento para sua cobrança.</p><p>c) A penhora do imóvel foi indevida, pois a mera propositura de embargos à execução</p><p>impede a prática de atos executivos, independentemente da concessão de efeito suspensivo.</p><p>d) Cabe a Urbano demonstrar o dolo ou a culpa do Condomínio Flor de Pedra em propor a</p><p>execução lastreada em dívida inexistente.</p><p>e) Não é cabível a fixação de honorários advocatícios em sede de execução de título</p><p>extrajudicial, pelo que agiu mal o juízo ao estabelecer tal ônus em desfavor do Condomínio</p><p>Flor de Pedra.</p><p>Comentários</p><p>A resposta correta é a letra A.</p><p>A alternativa A está correta, pois os embargos de execução não têm efeito suspensivo automático</p><p>e, mesmo se concedido, não impedem a realização de penhora, conforme art. 919, caput e §1º, do</p><p>CPC: "Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. §1º O juiz poderá, a requerimento do</p><p>100</p><p>117</p><p>embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a</p><p>concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito</p><p>ou caução suficientes.". Por outro lado, o exequente responde objetivamente pelos atos praticados</p><p>no curso da execução, a qual deve se dar em seu exclusivo risco, conforme art. 776 do CPC: " O</p><p>exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em</p><p>julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução.". Assim,</p><p>se a execução infundada provocou prejuízos ao executado, deve o exequente indenizá-los, sendo</p><p>tal responsabilidade objetiva, ou seja, baseada na teoria do risco criado. Nesse sentido: "O</p><p>exequente responde objetivamente pela reparação de eventuais prejuízos causados ao executado,</p><p>tendo em vista o risco da execução. STJ, 4ª T, REsp 1.931.620-SP, Rel. Min. Raul Araújo, d.j.</p><p>5/12/23, info 798.".</p><p>A alternativa B está incorreta, pois o crédito relativo a cobranças condominiais é espécie de título</p><p>executivo extrajudicial, a teor do previsto no art. 784, VIII, do CPC: "São títulos executivos</p><p>extrajudiciais: [...] X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de</p><p>condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde</p><p>que documentalmente comprovadas; [...].".</p><p>A alternativa C está incorreta, pois é contrária ao texto do já citado art. 919, caput, e §1º, do CPC.</p><p>Destaca-se que a concessão do efeito suspensivo depende de requerimento da parte, da presença</p><p>dos requisitos da tutela provisória (probabilidade do direito e urgência) e da segurança do juízo.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois a demonstração de dolo ou culpa é requisito, tão somente, para</p><p>condenação por litigância de má-fé (art. 79 e 80 do CPC) e na pena civil do art. 940, do CC</p><p>(repetição do indébito em dobro), nesse caso, a teor da Súmula 159 do STF.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois no despacho inicial da execução de título extrajudicial são</p><p>fixados, de forma antecipada, os honorários advocatícios sucumbenciais em 10% (dez por cento)</p><p>sobre o valor do crédito executado, conforme o previsto no art. 827, caput, do CPC: "Ao despachar</p><p>a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo</p><p>executado.".</p><p>QUESTÃO 85. João, Joel e Jonas conversavam sobre o incidente de assunção de</p><p>competência. Inicialmente, João afirmou que o incidente é cabível nos processos de</p><p>competência originária de tribunal. Por sua vez, Joel afirmou que o incidente é cabível desde</p><p>que trate sobre questão de direito e de fato. Por fim, José afirmou ser necessária grande</p><p>repercussão social e repetição em múltiplos processos para fins do cabimento do incidente</p><p>de assunção de competência. Tendo em</p><p>vista o caso acima, é correto afirmar que</p><p>a) Os três amigos estão corretos.</p><p>b) Apenas Joel está correto.</p><p>c) Apenas João está correto.</p><p>d) Apenas João e Jonas estão corretos.</p><p>e) Apenas Joel e Jonas estão corretos.</p><p>Comentários</p><p>A resposta correta é a letra C.</p><p>A alternativa C está correta, pois o incidente de assunção de competência é cabível no julgamento</p><p>de processos de competência originária dos tribunais, conforme o previsto no art. 947, do CPC: "É</p><p>101</p><p>117</p><p>admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária</p><p>ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande</p><p>repercussão social, sem repetição em múltiplos processos.". Logo, apenas João está correto. Joel</p><p>está equivocado, pois só cabe o incidente quando o tema a ser pacificado for relevante questão de</p><p>direito, não se aplicando a questões de fato. Já o erro de José foi afirmar que o incidente exige</p><p>repetição em múltiplos processos, quando, na verdade, esse incidente é preventivo. O incidente</p><p>que exige múltiplos processos é o de resolução de demandas repetitivas, conforme art. 976, I, do</p><p>CPC: "É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas quando houver,</p><p>simultaneamente: [...] I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a</p><p>mesma questão unicamente de direito.".</p><p>Essa justificativa torna todas as demais incorretas, portanto.</p><p>QUESTÃO 86. Maria ocupa indevidamente determinado imóvel, que é bem público dominical</p><p>do Estado Ômega, há mais de vinte anos, sem qualquer oposição do proprietário, de modo</p><p>que, em tese, preenche os requisitos necessários para a usucapião.</p><p>Ela conferiu função social ao imóvel em questão, considerando que nele constituiu sua</p><p>moradia, mas, enquanto visitava parentes em uma cidade distante, o bem foi invadido por</p><p>Laura, de modo que Maria visa a ajuizar ação possessória em face de Laura para debelar o</p><p>esbulho.</p><p>Diante dessa situação hipotética, considerando o entendimento do Superior Tribunal de</p><p>Justiça acerca dos bens públicos, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Diante do preenchimento dos respectivos requisitos houve a aquisição do bem público</p><p>por Maria por meio da usucapião.</p><p>b) O bem público não poderia ser adquirido por Maria, a quem, não obstante, são</p><p>reconhecidos os efeitos da posse, inclusive, em face do Poder Público.</p><p>c) Maria apenas poderia se valer de proteção possessória em face de Laura se o bem público</p><p>em questão fosse de uso comum.</p><p>d) Não é possível reconhecer nenhuma proteção possessória para Maria, nem mesmo para</p><p>debelar o esbulho realizado por Laura.</p><p>e) Apesar de não ter proteção possessória em face do proprietário do bem público, o direito</p><p>de Maria, no tocante ao imóvel, é passível de proteção nas contendas entre particulares.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>Conforme decidido de forma reiterada pelo STJ: "A ocupação indevida de bem público configura</p><p>mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e</p><p>benfeitorias. (SÚMULA 619, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/10/2018, DJe 30/10/2018). No</p><p>entanto, para o STJ, frente ao poder público, o ocupante irregular não é considerado possuidor,</p><p>mas mero detentor. Contudo, frente a outros particulares, não existe subordinação nem</p><p>dependência, de modo que o ocupante irregular pode ser considerado como possuidor e, inclusive,</p><p>defender sua posse. REsp 1.484.304-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 10/3/2016, DJe</p><p>15/3/2016 (Info 579)."</p><p>A alternativa A está incorreta. Nos termos da Súmula 340 do STF – "Desde a vigência do Código</p><p>Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião."</p><p>102</p><p>117</p><p>A alternativa B está incorreta. Vejamos trecho de um julgado: "3. A jurisprudência do STJ é</p><p>sedimentada no sentido de que o particular tem apenas detenção em relação ao Poder Público,</p><p>não se cogitando de proteção possessória. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.296.964 - DF</p><p>(2011/0292082-2) RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO)"</p><p>A alternativa C está incorreta. Vejamos trecho de um julgado: "6. Nos bens do patrimônio disponível</p><p>do Estado (dominicais), despojados de destinação pública, permite-se a proteção possessória pelos</p><p>ocupantes da terra pública que venham a lhe dar função social. 7. A ocupação por particular de um</p><p>bem público abandonado/desafetado - isto é, sem destinação ao uso público em geral ou a uma</p><p>atividade administrativa -, confere justamente a função social da qual o bem está carente em sua</p><p>essência. 8. A exegese que reconhece a posse nos bens dominicais deve ser conciliada com a</p><p>regra que veda o reconhecimento da usucapião nos bens públicos (STF, Súm 340; CF, arts. 183, §</p><p>3°; e 192; CC, art. 102); um dos efeitos jurídicos da posse - a usucapião - será limitado, devendo</p><p>ser mantido, no entanto, a possibilidade de invocação dos interditos possessórios pelo particular.</p><p>9. Recurso especial não provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.296.964 - DF (2011/0292082-2)</p><p>RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO)"</p><p>A alternativa D está incorreta. Vejamos trecho de um julgado: "4. É possível o manejo de interditos</p><p>possessórios em litígio entre particulares sobre bem público dominical, pois entre ambos a disputa</p><p>será relativa à posse. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.296.964 - DF (2011/0292082-2) RELATOR :</p><p>MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO)"</p><p>QUESTÃO 87. No exercício de suas atribuições como Promotor de Justiça do Estado de</p><p>Goiás, Joaquim encontrou as seguintes demandas, que envolvem os efeitos do tempo no</p><p>âmbito do ressarcimento ao erário</p><p>1ª situação: ação regressiva ajuizada por certo Município em face do servidor Álvaro, nove</p><p>anos após a condenação do ente federativo no dever de indenizar Ana em sede de</p><p>responsabilidade civil, diante dos prejuízos por ele dolosamente ocasionados quando atuava</p><p>na qualidade de agente público.</p><p>2ª situação: execução fundada em decisão do Tribunal de Contas, que determinou o</p><p>ressarcimento ao erário, ajuizada nove anos depois de sua constituição definitiva no âmbito</p><p>da aludida Corte de Contas.</p><p>Sobre a hipótese apresentada, à luz do entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Não ocorreu a prescrição em nenhuma das hipóteses, na medida em que as ações de</p><p>ressarcimento ao erário são imprescritíveis</p><p>b) Não ocorreu a prescrição em nenhuma das hipóteses, considerando que o prazo</p><p>prescricional em ambos os casos é de dez anos</p><p>c) Ocorreu a prescrição apenas em relação à pretensão do Município (1ª situação), em</p><p>decorrência do ressarcimento decorrer de responsabilização civil.</p><p>d) Ocorreu a prescrição somente em relação à hipótese relacionada ao Tribunal de Contas</p><p>(2ª situação), considerando que a pretensão versa sobre título extrajudicial.</p><p>e) Não ocorreu a prescrição em nenhuma das hipóteses, pois somente são consideradas</p><p>imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato de</p><p>improbidade doloso.</p><p>103</p><p>117</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D. Questão passível de recurso</p><p>Quanto ao ressarcimento, válido apontar o seguinte julgado: "São imprescritíveis as ações de</p><p>ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade</p><p>Administrativa (RE 852475/SP)."</p><p>A questão, entretanto, necessita que o candidato pressuponha que houve um ato de improbidade</p><p>administrativa, razão pela qual a questão é passível de anulação, uma vez que é elemento essencial</p><p>para a resposta.</p><p>Já sobre a decisão do tribunal de contas, destaca-se o Tema 899 do STF: “É prescritível a pretensão</p><p>de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas”. (RE 636886, Relator(a):</p><p>ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 20/04/2020, PROCESSO ELETRÔNICO</p><p>DJe-157 DIVULG 23-06-2020 PUBLIC 24-06-2020)"</p><p>Incorretas, portanto, as demais alternativas.</p><p>QUESTÃO 88. Com vistas a acompanhar a gestão de recursos e programas</p><p>realizados por</p><p>certo Município para a recuperação da cidade, após ela ter sido assolada por uma tragédia</p><p>climática, certa organização da sociedade civil, que se dedica a buscar a transparência nas</p><p>contas e políticas públicas, solicitou, junto ao órgão competente, os dados atinentes à</p><p>implementação, acompanhamento e resultados dos respectivos programas, projetos e</p><p>ações, bem como aqueles relacionados às metas e indicadores propostos para tanto.</p><p>A autoridade competente deferiu em parte a solicitação, fornecendo apenas informações</p><p>quanto às ações adotadas. No ponto em que o acesso foi negado, houve a indicação dos</p><p>seguintes fundamentos: a requerente não apresentou a motivação necessária para a</p><p>obtenção de alguns dados; inexistência de obrigatoriedade de fornecer as informações</p><p>atinentes às metas e indicadores propostos; os projetos relacionados à situação descrita</p><p>são, em essência sigilosos.</p><p>A aludida organização da sociedade civil apresentou recurso administrativo para impugnar</p><p>o indeferimento do acesso, exatamente uma semana depois de tomar ciência da decisão</p><p>impugnada. A irresignação foi dirigida à mesma autoridade que decidiu anteriormente, que</p><p>não a admitiu, em razão da intempestividade.</p><p>Diante disso, a organização da sociedade civil representou ao Ministério Público para</p><p>solicitar providências quanto ao descumprimento do disposto na Lei de Acesso à</p><p>Informação (Lei n° 12.527/2011).</p><p>Nesse contexto, à luz da mencionada legislação, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) Não há direito de obter acesso aos projetos em questão, na medida em que eles realmente</p><p>são sigilosos, em essência, independentemente da classificação.</p><p>b) A irresignação apresentada é tempestiva, na medida em que o prazo para tanto é de 10</p><p>(dez) dias, a contar da ciência da decisão impugnada.</p><p>c) O órgão competente agiu corretamente ao indeferir a divulgação dos dados para os quais</p><p>não foram apresentados os motivos determinantes da solicitação.</p><p>d) O recurso administrativo foi adequadamente dirigido para a autoridade responsável pela</p><p>decisão impugnada.</p><p>104</p><p>117</p><p>e) O fundamento da decisão no sentido de que não há obrigatoriedade de informação quanto</p><p>às aludidas metas e indicadores está em consonância com a norma em questão.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>Nos termos da lei: "Art. 15. No caso de indeferimento de acesso a informações ou às razões da</p><p>negativa do acesso, poderá o interessado interpor recurso contra a decisão no prazo de 10 (dez)</p><p>dias a contar da sua ciência.</p><p>A alternativa A está incorreta. Apenas as informações pessoais terão acesso restrito</p><p>independentemente de classificação de sigilo: " Art. 31. O tratamento das informações pessoais</p><p>deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das</p><p>pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais. § 1º As informações pessoais, a que se</p><p>refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem: I - terão seu acesso restrito,</p><p>independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da</p><p>sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se</p><p>referirem; e".</p><p>A alternativa C está incorreta. Nos termos da lei: "Art. 10 (...) § 3º São vedadas quaisquer exigências</p><p>relativas aos motivos determinantes da solicitação de informações de interesse público."</p><p>A alternativa D está incorreta. Nos termos da lei: "Art.15 (...) Parágrafo único. O recurso será dirigido</p><p>à autoridade hierarquicamente superior à que exarou a decisão impugnada, que deverá se</p><p>manifestar no prazo de 5 (cinco) dias."</p><p>A alternativa E está incorreta. Nos termos da lei: "Art. 5º É dever do Estado garantir o direito de</p><p>acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma</p><p>transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão."</p><p>QUESTÃO 89. Lúcia e Inalda cursaram a faculdade de Direito, estudaram juntas para</p><p>concurso público, mas foram aprovadas em certames distintos.</p><p>Lúcia ingressou como advogada em uma sociedade de economia mista de capital</p><p>majoritariamente público, que presta exclusivamente serviço público de atuação própria do</p><p>Estado, em regime não concorrencial, e não tem intuito primário de lucro.</p><p>Inalda ingressou como advogada em empresa pública que atua em regime de concorrência,</p><p>que distribui lucro entre os sócios e que não recebe qualquer aporte financeiro do Poder</p><p>Público para o pagamento de pessoal ou para o custeio de atividades em geral.</p><p>Sobre as semelhanças e diferenças dos regimes jurídicos atinentes a cada uma das aludidas</p><p>entidades administrativas, à luz da orientação dos Tribunais Superiores, assinale a</p><p>afirmativa correta.</p><p>a) A remuneração percebida por Inalda pelo seu trabalho junto à entidade administrativa em</p><p>questão não está sujeita ao teto remuneratório, diante de suas peculiaridades.</p><p>b) A entidade em que Lúcia atua tem tratamento equiparado às pessoas jurídicas de direito</p><p>público, razão pela qual, após três anos de efetivo exercício, deve ser a ela assegurada a</p><p>garantida da estabilidade prevista para os servidores públicos na Constituição da República.</p><p>105</p><p>117</p><p>c) Há de ser reconhecida a imunidade tributária recíproca para a entidade em que Inada atua,</p><p>em razão dela integrar a Administração Pública Indireta, apesar da personalidade jurídica de</p><p>direito privado.</p><p>d) As entidades administrativas em questão, por serem pessoas jurídicas de direito privado,</p><p>não podem ser delegatárias da fase de sancionamento no exercício do poder de polícia,</p><p>ainda que mediante determinação legal.</p><p>e) Não há possibilidade de se reconhecer o regime dos precatórios para nenhuma das</p><p>entidades administrativas em questão, considerando que ambas são pessoas jurídicas de</p><p>direito privado, que não integram o conceito de Fazenda Pública.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>Nos termos da Constituição, não se aplica o teto às empresas que não recebem recursos públicos</p><p>para pagamento de despesas de pessoal ou custeio geral: "Art. 37. A administração pública direta</p><p>e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios</p><p>obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,</p><p>também, ao seguinte: XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e</p><p>empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer</p><p>dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de</p><p>mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie</p><p>remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de</p><p>qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do</p><p>Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos</p><p>Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o</p><p>subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos</p><p>Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por</p><p>cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do</p><p>Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos</p><p>Defensores Públicos; § 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades</p><p>de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito</p><p>Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral."</p><p>A alternativa B está incorreta. Nos termos do art. 41 da Constituição a estabilidade não abrange o</p><p>emprego público: Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados</p><p>para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.</p><p>A alternativa C está incorreta. Não distribuir lucro é requisito para concessão da imunidade. Tema</p><p>1140 do ST, Leading Case: RE 1320054 " As empresas públicas e as sociedades de economia</p><p>mista delegatárias de serviços públicos essenciais, que não distribuam lucros a acionistas privados</p><p>nem ofereçam risco ao equilíbrio concorrencial, são beneficiárias da imunidade tributária recíproca</p><p>prevista no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, independentemente de cobrança de tarifa</p><p>como contraprestação do serviço."</p><p>A alternativa D está incorreta. Tema 532 do STF - Aplicação de multa de trânsito por sociedade de</p><p>economia mista "É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas</p><p>jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social</p><p>majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado</p><p>e em regime não concorrencial."</p><p>106</p><p>117</p><p>A alternativa E está incorreta. "4. É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia</p><p>mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial.</p><p>Precedentes. 5. Ofensa aos princípios constitucionais do sistema financeiro e orçamentário, em</p><p>especial ao da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF), aos princípios da independência e da</p><p>harmonia entre os Poderes (art. 2º da CF) e ao regime constitucional dos precatórios (art. 100 da</p><p>CF). 6. Arguição de descumprimento de preceito fundamental julgada procedente. (ARGÜIÇÃO DE</p><p>DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 387 PIAUÍ RELATOR : MIN. GILMAR</p><p>MENDES 23/03/2017)"</p><p>QUESTÃO 90. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal prolatou decisão envolvendo o</p><p>controle de políticas públicas, especificamente em uma situação em que o Tribunal de</p><p>origem acolheu pleito formulado pelo Ministério Público por meio de ação civil pública</p><p>objetivando a realização de concursos públicos, a contratação de servidores e execução de</p><p>obras com vistas a implementar o direito social à saúde, diante de problemas graves</p><p>verificados no funcionamento de certo hospital público, devidamente verificados e</p><p>apontados, inclusive, pelos Conselhos Profissionais na respectiva área, notadamente com</p><p>relação ao déficit de profissionais.</p><p>Considerando os parâmetros estabelecidos pelo STF na aludida situação, assinale a</p><p>afirmativa correta.</p><p>a) Incumbe ao Poder Judiciário formular e implementar políticas sociais e econômicas que</p><p>visem a garantir aos cidadãos o acesso universal e igualitário às ações e serviços para a</p><p>promoção, proteção e recuperação da saúde, independentemente da atuação do Poder</p><p>Executivo.</p><p>b) A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos</p><p>fundamentais em questão é vedada, pois viola a separação de poderes, ainda que verificada</p><p>a ausência ou deficiência grave na prestação do serviço de saúde.</p><p>c) As decisões judiciais devem, em regra, determinar medidas pontuais a serem realizadas</p><p>pelo Poder Público para fins de concretizar as políticas públicas de saúde, em lugar de</p><p>apontar finalidades a serem alcançadas pela Administração.</p><p>d) No caso dos serviços de saúde, o déficit de profissionais pode ser suprimido por concurso</p><p>público e pelo remanejamento de recursos humanos ou, ainda, pela contração de</p><p>organizações sociais (OS) e organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP).</p><p>e) Verificada a ausência ou deficiência grave do serviço em questão, devem ser afastados</p><p>os parâmetros de controle no âmbito das políticas públicas de saúde, situação em que o</p><p>Poder Judiciário não precisa respeitar o espaço de discricionariedade do Administrador.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>Fixação das seguintes teses de julgamento pelo STF: “1. A intervenção do Poder Judiciário em</p><p>políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, em caso de ausência ou</p><p>deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação dos poderes. 2. A decisão judicial,</p><p>como regra, em lugar de determinar medidas pontuais, deve apontar as finalidades a serem</p><p>alcançadas e determinar à Administração Pública que apresente um plano e/ou os meios</p><p>adequados para alcançar o resultado; 3. No caso de serviços de saúde, o déficit de profissionais</p><p>pode ser suprido por concurso público ou, por exemplo, pelo remanejamento de recursos humanos</p><p>107</p><p>117</p><p>e pela contratação de organizações sociais (OS) e organizações da sociedade civil de interesse</p><p>público (OSCIP)”. (RE 684612, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão:</p><p>ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 03-07-2023, PROCESSO ELETRÔNICO</p><p>REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 04-08-2023 PUBLIC 07-08-2023)</p><p>Incorretas, portanto, as demais alternativas.</p><p>QUESTÃO 91. No Município Delta observou-se que a Lei local ABC exige o depósito ou</p><p>arrolamento de bens para a admissibilidade de recurso administrativo, bem como determina</p><p>que o efeito suspensivo para tal irresignação depende de apreciação da autoridade</p><p>competente, salvo disposição legal em contrário.</p><p>Além disso, a mencionada norma prevê a possibilidade de agravamento de sanções e</p><p>penalidades que se revelem em desacordo com a lei, de ofício, mesmo que em decorrência</p><p>de impugnação apresentada apenas pelo particular, independentemente de sua prévia</p><p>notificação.</p><p>Diante dessas circunstâncias, à luz da jurisprudência dos Tribunais Superiores, é correto</p><p>afirmar que</p><p>a) todas as normas em questão são inválidas, pois cada uma delas viola aspecto distinto do</p><p>princípio do devido processo legal, aplicável em âmbito administrativo.</p><p>b) é válida a exigência de prestação de caução ou arrolamento de bens para a apresentação</p><p>de recurso administrativo, pois não foi consagrado, no ordenamento pátrio, o duplo grau de</p><p>jurisdição obrigatório na esfera administrativa.</p><p>c) apesar de o agravamento de penalidades ser possível, em tese, no exercício da autotutela,</p><p>para a adequação aos parâmetros legais, há necessidade de prévia notificação do</p><p>interessado, à luz dos consectários do devido processo legal.</p><p>d) não há qualquer invalidade em nenhuma das mencionadas normas, na medida em que</p><p>todas se revelam em consonância com o princípio do devido processo legal, aplicável em</p><p>âmbito administrativo.</p><p>e) é inválido o condicionamento de apreciação da autoridade competente para fins de</p><p>conceder efeito suspensivo aos recursos administrativos, pois viola a regra geral de que as</p><p>impugnações são dotadas de tal efeito.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>Nos termos da lei 9784/99, é necessária a intimação do interessado: "Art. 64. O órgão competente</p><p>para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a</p><p>decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do</p><p>disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado</p><p>para que formule suas alegações antes da decisão."</p><p>A alternativa B está incorreta. Em acordo com Súmula Vinculante 21: "É inconstitucional a exigência</p><p>de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso</p><p>administrativo". Dessa forma, não é correta a exigência da caução.</p><p>A alternativa E está incorreta. Quanto ao efeito suspensivo, a própria lei de procedimento</p><p>administrativo determina que a regra é a não verificação de tal efeito, entretanto, a autoridade pode</p><p>108</p><p>117</p><p>conceder se verificar a necessidade. " Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não</p><p>tem efeito suspensivo. Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta</p><p>reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de</p><p>ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso."</p><p>Nos termos justificados, nas alternativas anteriores, possível verificar que as assertivas A e D</p><p>também estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 92. Na interação entre o Estado</p><p>e a iniciativa privada por meio da celebração de</p><p>contratos de parceria para a execução de empreendimentos públicos de infraestrutura e de</p><p>outras medidas de desestatização, considerando a definição e contornos constantes do</p><p>Programa de Parcerias de Investimentos (PPl) e a jurisprudência do Supremo Tribunal</p><p>Federal acerca do tema, é correto afirmar que relicitação</p><p>a) é inconstitucional, por autorizar a prorrogação de contrato por prazo indeterminado.</p><p>b) é equiparada a uma alteração unilateral do contrato, de modo que pode ser imposta pelo</p><p>Poder Público, observados os limites estabelecidos pela norma.</p><p>c) corresponde à alteração do prazo de vigência do contrato de parceria, quando</p><p>expressamente admitida, realizada a critério do órgão ou da entidade competente e de</p><p>comum acordo com o contratado, produzindo efeitos antes do término da vigência do ajuste.</p><p>d) Importará no sobrestamento das medidas destinadas a instaurar ou dar seguimento a</p><p>processos de caducidade eventualmente em curso contra o contratado, caso o contrato seja</p><p>qualificado para tanto nos termos da lei.</p><p>e) é matéria de competência legislativa privativa da União, de modo que é inconstitucional</p><p>norma municipal que estabeleça diretrizes gerais para sua realização nos contratos de</p><p>parceria entre o ente federativo e a iniciativa privada, ainda que não verse sobre novas</p><p>figuras de licitação e contratação.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>A questão cobra conhecimentos sobre a Lei nº 13447/2017 que " Estabelece diretrizes gerais para</p><p>prorrogação e relicitação dos contratos de parceria definidos nos termos da Lei nº 13.334, de 13 de</p><p>setembro de 2016, nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário da administração pública</p><p>federal, e altera a Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, e a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de</p><p>1995.". A norma em questão assim dispõe: "Art. 4º (...) III - relicitação: procedimento que</p><p>compreende a extinção amigável do contrato de parceria e a celebração de novo ajuste negocial</p><p>para o empreendimento, em novas condições contratuais e com novos contratados, mediante</p><p>licitação promovida para esse fim."</p><p>Nota-se, assim, que a alternativa é uma cópia da letra da lei: "Art. 14. A relicitação de que trata o</p><p>art. 13 desta Lei ocorrerá por meio de acordo entre as partes, nos termos e prazos definidos em ato</p><p>do Poder Executivo. § 3º Qualificado o contrato de parceria para a relicitação, nos termos do art. 2º</p><p>desta Lei, serão sobrestadas as medidas destinadas a instaurar ou a dar seguimento a processos</p><p>de caducidade eventualmente em curso contra o contratado." Incorretas, portanto, as demais</p><p>alternativas.</p><p>109</p><p>117</p><p>QUESTÃO 93. Jaime foi condenado por tráfico de drogas por decisão criminal transitada em</p><p>julgado, sendo certo que, atualmente, está em livramento condicional e vem estudando para</p><p>concursos públicos relacionados a cargos da área administrativa da Administração Pública</p><p>Direta e Indireta, que não se revelam incompatíveis com a infração penal por ele cometida.</p><p>Nesse contexto, Jaime foi aprovado em certame realizado para cargo que era o seu foco em</p><p>entidade autárquica, cujo respectivo ente federativo tem lei que exige que o candidato esteja</p><p>em pleno gozo dos direitos políticos para fins de nomeação, o que não é a situação de Jaime,</p><p>que está com tais direitos suspensos em decorrência da mencionada decisão criminal, nos</p><p>termos de Art. 15, inciso III, da CRFB/88.</p><p>Diante dessa situação hipotética, à luz da orientação consolidada pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) É inviável a nomeação e posse de Jaime no cargo em questão enquanto estiver com os</p><p>seus direitos políticos suspensos, tal como vedado pela aludida norma local, diante do</p><p>princípio da legalidade.</p><p>b) É inviável a nomeação e posse de Jaime no cargo em questão, diante do impedimento do</p><p>ingresso no serviço público, a qualquer tempo, como efeito do trânsito em julgado da</p><p>decisão criminal, em razão do princípio da moralidade.</p><p>c) É viável a nomeação e posse de Jaime no cargo em questão, diante dos princípios da</p><p>dignidade da pessoa humana e da valorização do trabalho, sendo que o início do efetivo</p><p>exercício no cargo ficará condicionado ao regime de pena ou à decisão do juízo da execução</p><p>penal, que analisará a compatibilidade de horário.</p><p>d) É inviável a pronta nomeação e posse de Jaime no cargo em questão, na medida em que</p><p>o princípio da presunção de inocência não pode ser a ele aplicado, mas ele poderá ingressar</p><p>no serviço público após o cumprimento integral da penalidade a ele aplicada por meio da</p><p>condenação criminal transitada em julgado.</p><p>e) É viável a investidura de Jaime no cargo em questão, diante do dever do Estado de</p><p>proporcionar as condições necessárias para a harmônica integração social do condenado,</p><p>de modo que o efetivo exercício independe do regime de cumprimento da pena ou da</p><p>inexistência de conflito de horários com a jornada de trabalho.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>Fixada, para fins de repercussão geral, a seguinte tese ao TEMA 1190: É inconstitucional, por</p><p>violação aos princípios da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho (CF, artigo 1º,</p><p>III e IV), a vedação a que candidato aprovado em concurso público venha a tomar posse no cargo,</p><p>por não preencher os requisitos de gozo dos direitos políticos e quitação eleitoral, em razão de</p><p>condenação criminal transitada em julgado (CF, artigo 15, III), quando este for o único fundamento</p><p>para sua eliminação no certame, uma vez que é obrigatoriedade do Estado e da sociedade fornecer</p><p>meios para que o egresso se reintegre à sociedade. O início do efetivo exercício do cargo ficará</p><p>condicionado ao término da pena ou à decisão judicial. (RE 1282553, Relator(a): ALEXANDRE DE</p><p>MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 04-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG</p><p>11-12-2023 PUBLIC 12-12-2023 REPUBLICAÇÃO: DJe-s/n DIVULG 14-12-2023 PUBLIC 15-12-</p><p>2023)</p><p>Incorretas, portanto, as demais alternativas.</p><p>110</p><p>117</p><p>QUESTÃO 94. O Art. 15, inciso Ill, da Constituição Federal de 1988 prevê, como hipótese de</p><p>suspensão dos direitos políticos, a condenação criminal transitada em julgado, enquanto</p><p>durarem seus efeitos.</p><p>Considerando a legislação em vigor e o posicionamento atualizado do Tribunal Superior</p><p>Eleitoral, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) A pendência de pagamento da pena de multa, ou sua cominação isolada nas sentenças</p><p>criminais transitadas em julgado, não tem condão de ensejar a suspensão dos direitos</p><p>políticos.</p><p>b) A suspensão dos direitos políticos decorrentes de condenação criminal transitada em</p><p>julgado depende de reabilitação ou de prova de reparação de danos.</p><p>c) A suspensão dos direitos políticos não deve ser imposta a quem aceita proposta de</p><p>transação penal, aplicando-se a suspensão aquele que celebra acordo de não persecução</p><p>penal, por ausência de previsão legal em contrário.</p><p>d) A decisão que impõe medida de segurança não enseja suspensão dos direitos políticos</p><p>uma vez que se trata de sentença absolutória imprópria.</p><p>e) Aquele que tem contra si decretada prisão civil decorrente de débito de alimentos não tem</p><p>os direitos políticos suspensos.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>Conforme previsão constitucional, Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou</p><p>suspensão só se dará nos casos de: [...] III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto</p><p>durarem seus efeitos.</p><p>Logo, a suspensão depende de condenação criminal transitada em julgado, não bastando a mera</p><p>decretação de prisão civil.</p><p>QUESTÃO 95. João, candidato a prefeito no Município Alfa, teve seu registro de candidatura</p><p>deferido pelo Juízo eleitoral competente. Não houve impugnação ao pedido inicial desse</p><p>registro pelo Ministério Público, no prazo legal.</p><p>Considerando o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, assinale a</p><p>afirmativa correta.</p><p>a) O Ministério Público somente possui</p><p>legitimidade para recorrer de decisão que deferiu o</p><p>registro de candidatura se houver apresentado, anteriormente, impugnação ao pedido inicial.</p><p>b) No processo de registro de candidatos, o partido que não o impugnou não tem</p><p>legitimidade para recorrer da sentença que o indeferiu, salvo se se cuidar de matéria</p><p>constitucional.</p><p>c) O Ministério Público, ainda que tenha apresentado anterior impugnação ao pedido inicial</p><p>de registro de candidatura, não possui legitimidade para recorrer da decisão que deferiu o</p><p>registro.</p><p>d) No processo de registro de candidatos, o partido que não o impugnou não tem</p><p>legitimidade, em qualquer hipótese, para recorrer da sentença que o indeferiu.</p><p>111</p><p>117</p><p>e) O Ministério Público possui legitimidade para recorrer de decisão que deferiu o registro</p><p>de candidatura apenas se não houver sido interposto por algum partido, no prazo legal, o</p><p>recurso cabível.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>Trata-se do teor da Súmula 11 do TSE, segundo a qual "No processo de registro de candidatos, o</p><p>partido que não o impugnou não tem legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se</p><p>se cuidar de matéria constitucional".</p><p>QUESTÃO 96. O Estado Beta editou lei estadual dispondo que as despesas da folha</p><p>complementar do exercício de 2023 não poderão exceder a 1% (um por cento) da despesa</p><p>anual da folha normal de pagamento de pessoal projetada para o exercício de 2023, em cada</p><p>um dos Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como no Ministério Público</p><p>Estadual. Quanto ao Ministério Público, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, essa</p><p>limitação de despesas da folha complementar do MP Estadual em percentual da despesa</p><p>anual da folha normal de pagamento é</p><p>a) constitucional, pelo princípio da separação dos poderes, haja vista que são leis de</p><p>iniciativa do Poder Executivo aquelas referentes ao plano plurianual, às diretrizes</p><p>orçamentárias e aos orçamentos anuais.</p><p>b) constitucional, pois a Constituição da República dispõe que ao Ministério Público é</p><p>assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo propor ao Poder Legislativo a</p><p>criação e a extinção de seus cargos e serviços auxiliares, a política remuneratória e os</p><p>planos de carreira, mas não há previsão de autonomia orçamentária e financeira.</p><p>c) constitucional, pois a Constituição da República assegura expressamente a autonomia</p><p>financeira do MP e estabelece que, durante a execução orçamentária do exercício, não</p><p>poderá haver a realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os</p><p>limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas,</p><p>mediante a abertura de créditos adicionais e extraordinários.</p><p>d) inconstitucional, pois textualmente a Seção da Constituição a República sobre o</p><p>Ministério Público lhe assegura autonomia funcional, administrativa e financeira, e, se a</p><p>proposta orçamentária do MP for encaminhada em desacordo com os limites estabelecidos</p><p>na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para</p><p>fins de consolidação da proposta orçamentária anual, mediante prévio parecer do Tribunal</p><p>de Contas.</p><p>e) inconstitucional caso não haja a devida participação efetiva do órgão financeiramente</p><p>autônomo no ato de estipulação em conjunto dessa limitação na Lei de Diretrizes</p><p>Orçamentárias, pois, apesar de textualmente a Seção da Constituição sobre o MP não</p><p>assegurar expressamente sua autonomia financeira, esta é corolário da independência</p><p>funcional, sendo que a Constituição da República consagra a autonomia orçamentária do</p><p>MP ao prever a prerrogativa de elaboração da proposta orçamentária, além de que a</p><p>autonomia financeira expressamente assegurada ao Poder Judiciário deve ser aplicada, sem</p><p>qualquer distinção, ao MP.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D.</p><p>112</p><p>117</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a referida lei estadual não oportunizou a devida participação do</p><p>MP, afrontando a sistemática orçamentária e financeira fixada na Constituição da República.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois a Constituição Federal prevê em seu art. 127, §2º, que, ao</p><p>Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa.</p><p>A alternativa C está incorreta, pois, nos termos do art. 127, §6º, da CF, durante a execução</p><p>orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção de</p><p>obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se</p><p>previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais.</p><p>A alternativa D está correta. É inconstitucional a limitação de despesas da folha complementar do</p><p>Ministério Público do Estado do Ceará em percentual da despesa anual da folha normal de</p><p>pagamento, sem a devida participação efetiva do órgão financeiramente autônomo no ato de</p><p>estipulação em conjunto dessa limitação na Lei de Diretrizes Orçamentárias. (ADI 7073, Relator</p><p>André Mendonça, Tribunal Pleno, julgado em 26/09/2022)</p><p>A alternativa E está incorreta, pois, ao contrário do afirmado, o texto constitucional prevê assegura</p><p>autonomia funcional e administrativa ao Ministério Público.</p><p>QUESTÃO 97. Acerca do regime jurídico dos membros do Ministério Público, analise as</p><p>afirmativas a seguir.</p><p>I. É dever do membro do MP manter ilibada conduta pública e particular, bem como residir,</p><p>se titular, na respectiva Comarca.</p><p>II. É vedado ao membro do MP exercer o comércio ou participar de sociedade comercial,</p><p>exceto como cotista ou acionista.</p><p>III. Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas, a membro do Ministério Público, nos</p><p>termos da lei, algumas vantagens, como a gratificação pela prestação de serviço à Justiça</p><p>Eleitoral, equivalente àquela devida ao Magistrado ante o qual oficiar.</p><p>De acordo com Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei nº 8.625/93), que dispõe</p><p>sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos Estados, está correto o</p><p>que se afirma em</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) II, apenas.</p><p>c) l e ll, apenas.</p><p>d) II e Ill, apenas.</p><p>e) I, II e III.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E.</p><p>O item I está correto, pois se encontra em conformidade com o art. 91, II, da Lei nº 8.625/93,</p><p>segundo o qual é dever do membro do Ministério Público, além de outros previstos em lei, manter</p><p>conduta ilibada e irrepreensível na vida pública e particular, guardando decoro pessoal.</p><p>O item II está correto, pois, de acordo com o art. 92, III, da Lei nº 8.625/93, aos membros do</p><p>Ministério Público é vedado exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como</p><p>cotista ou acionista.</p><p>113</p><p>117</p><p>O item III está correto, pois se encontra em conformidade com o art. 100, VIII, da Lei nº 8.625/93,</p><p>segundo o qual, além dos vencimentos, será outorgada ao membro do Ministério Público</p><p>gratificação pela prestação de serviço à Justiça Eleitoral, com os recursos desta e equivalente à</p><p>devida ao Magistrado perante o qual oficie.</p><p>A alternativa E está correta, pois os itens I, II e III estão corretos.</p><p>QUESTÃO 98. A Lei Orgânica do Ministério Público do Estado Delta estabelece que é</p><p>prerrogativa institucional dos membros do Ministério Público daquele estado sentar-se no</p><p>mesmo plano imediatamente à direita dos juízes singulares ou presidentes dos órgãos</p><p>judiciários perante os quais oficiem. Determinado legitimado para o controle concentrado de</p><p>constitucionalidade impugnou a norma, indicando que no atual ordenamento jurídico- pátrio,</p><p>por necessidade de paridade das armas dos atores do processo, a concepção cênica da sala</p><p>de audiência desenhada pela lei orgânica do Estado Delta ofende o princípio da isonomia.</p><p>Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, a norma que estabelece a</p><p>prerrogativa atribuída aos membros do Ministério Público de situar-se no mesmo plano e</p><p>imediatamente à direita dos magistrados nas audiências e sessões de julgamento é</p><p>a) constitucional, e a natureza as funções</p><p>desempenhadas pelo Ministério Público, sempre</p><p>voltadas à proteção do interesse público e dos valores constitucionais a ele confiados, não</p><p>permite dissociar completamente a sua atuação como parte processual e fiscal da lei.</p><p>b) inconstitucional, por violação aos princípios da isonomia (na vertente da igualdade</p><p>formal), do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e, em última análise, do</p><p>democrático.</p><p>c) objeto de interpretação conforme à Constituição, de maneira que a prerrogativa apenas</p><p>não seja aplicada nos casos de competência do Tribunal de Júri, pela natureza e função dos</p><p>jurados, sobretudo pelo sistema da íntima convicção.</p><p>d) objeto de interpretação conforme à Constituição, de maneira que a prerrogativa apenas</p><p>não seja aplicada na esfera criminal, diante da natureza do jus puniendi.</p><p>e) objeto de interpretação conforme à Constituição, de maneira que a prerrogativa seja</p><p>aplicada apenas nos casos em que o Ministério Público oficie como fiscal da lei.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>A alternativa A está correta. No julgamento da ADI 4768/DF, o Supremo Tribunal Federal</p><p>considerou que as normas que garantem a membros do Ministério Público a prerrogativa de se</p><p>sentarem do lado direito de juízes durante sessões de julgamentos e nas salas de audiência são</p><p>constitucionais. De acordo com esse entendimento, o membro do MP tem exatamente as mesmas</p><p>garantias, prerrogativas e vedações do magistrado, mas atua com funções diversas. Para os</p><p>ministros, cabe ao Poder Legislativo redimensionar, excluir ou transferir, por meio de lei, as normas</p><p>sobre o posicionamento das partes nos fóruns, nas salas de audiências e nos tribunais. (ADI</p><p>4768/DF, Relatora Cármen Lúcia, julgado em 23/11/2022)</p><p>A alternativa B está incorreta, pois no julgamento da ADI 4768/DF, considerou-se que “a</p><p>Constituição não exige nenhum tipo de organização dos assentos, e a conclusão de que o</p><p>simbolismo da posição física das partes traria prejuízo ao equilíbrio processual, especialmente no</p><p>processo penal, é especulativa”.</p><p>114</p><p>117</p><p>A alternativa C está incorreta. No julgamento da ADI 4768/DF, ficou vencida, em parte, a Ministra</p><p>Rosa Weber (Presidente), que conferia interpretação conforme a Constituição aos mesmos</p><p>dispositivos exclusivamente quanto aos julgamentos pelo Tribunal do Júri.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois não houve fixação do referido entendimento no julgamento da</p><p>ADI 4768/DF.</p><p>A alternativa E está incorreta. No julgamento da ADI 4768/DF, ficou vencido, em parte, o Ministros</p><p>Ricardo Lewandowski, o qual apresentou voto divergente por entender que deveria haver</p><p>procedência do pedido a fim de que a prerrogativa seja garantida ao MP apenas quando seus</p><p>membros atuarem como fiscais da lei.</p><p>QUESTÃO 99. Os Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás, Maria e</p><p>João, integrantes da mesma carreira, instância e entrância, desejam realizar permuta,</p><p>preservada a respectiva antiguidade no cargo. De acordo com a atual redação da Lei</p><p>Orgânica Estadual do Ministério Público do Estado de Goiás, no caso tela, deve ser</p><p>observado que</p><p>a) a permuta será apreciada pelo Órgão Especial do Colégio dos Procuradores de Justiça.</p><p>b) não se admite, em qualquer caso, a remoção por permuta de membros em estágio</p><p>probatório.</p><p>c) remoção por permuta impede a remoção voluntária para a localidade de lotação anterior,</p><p>pelo prazo de 2 (dois) anos e vice-versa.</p><p>d) nova permuta somente será permitida após o decurso de 5 (cinco) anos, contados da</p><p>publicação do ato administrativo que a houver deferido.</p><p>e) o prazo para a conclusão do procedimento administrativo instaurado a partir do</p><p>requerimento de permuta será de, no máximo, 30 (trinta) dias, prorrogáveis uma vez por igual</p><p>período.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 169, §1º da LC .25/1998, a remoção por permuta</p><p>poderá ser indeferida pelo Conselho Superior do Ministério Público por motivo de interesse público.</p><p>A alternativa B está incorreta, pois não há qualquer disposição nesse sentido na LC 25/1998.</p><p>A alternativa C está correta, pois, nos termos do art. 169, §3º, da LC 25/1998, a renovação de</p><p>remoção por permuta só será admitida após o decurso de 2 (dois) anos.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois o prazo previsto no art. 169, §3º, da LC 25/1998 é de 2 (dois)</p><p>anos.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois não há qualquer disposição nesse sentido na LC 25/1998.</p><p>QUESTÃO 100. No Estado Alfa, nos últimos, intensificaram-se os conflitos fundiários,</p><p>caracterizados pela disputa da posse ou propriedade de imóvel urbano ou rural, públicos e</p><p>privados, envolvendo famílias de baixa renda ou grupos sociais vulneráveis, que na garantia</p><p>do direto humano demandam a proteção do Estado na garantia do direito humano à moradia.</p><p>115</p><p>117</p><p>Assim, o Estado Alfa editou lei estadual, de iniciativa parlamentar, prevendo regras para a</p><p>atuação do Ministério Público no cumprimento de medidas possessórias de caráter coletivo</p><p>relacionadas à operação que envolva força policial estadual para despejar de imóveis, áreas</p><p>ou prédios públicos ou privados, urbanos ou rurais, quantidade superior a cinquenta</p><p>pessoas, ressalvados os despejos fundados em contratos de locação.</p><p>A norma estadual estabelece que "a força policial do Estado Alfa, sempre que requisitada,</p><p>judicial ou administrativamente, a atuar em medidas possessórias que produzam efeitos</p><p>coletivos em prédios públicos ou privados deverá se fazer acompanhada na operação, pelo</p><p>membro representante do Ministério Público estadual".</p><p>De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a norma reproduzida acima é</p><p>a) constitucional, haja vista que tutela direitos individuais homogêneos indisponíveis, de</p><p>relevância social, diante da coletividade determinada que é afetada pela medida.</p><p>b) inconstitucional, por usurpar a prerrogativa legislativa conferida ao Procurador-Geral de</p><p>Justiça e ofender a autonomia e a independência do Ministério Público.</p><p>c) constitucional, eis que está de acordo com a função institucional ministerial de defender</p><p>o Estado Democrático de Direito, entre cujos fundamentos está a dignidade da pessoa</p><p>humana, na dimensão do direito à moradia.</p><p>d) objeto de interpretação conforme à Constituição, pois, não cabendo ao Ministério Público</p><p>a defesa de direitos individuais, sua participação obrigatória no cumprimento de medidas</p><p>possessórias é constitucional apenas quando houver interesse de populações indígenas.</p><p>e) constitucional, uma vez que compatível com as funções Institucionais do parquet,</p><p>instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa</p><p>da ordem jurídica, sobretudo de direitos fundamentais, como o da moradia digna.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>A alternativa A está incorreta. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional lei</p><p>estadual que tornava obrigatória a presença de integrante do Ministério Público em operações de</p><p>execução de ordem judicial ou administrativa de despejos que envolvessem mais de 50 pessoas,</p><p>no julgamento da ADI 3238.</p><p>A alternativa B está correta. No julgamento da ADI 3228, fixou-se entendimento no sentido de que</p><p>lei estadual, ao instituir espécie de controle e fiscalização do Ministério Público sobre as operações</p><p>policiais de cumprimento de medidas possessórias, inova o rol de atribuições do órgão. “Ainda que</p><p>se conclua, à luz do art. 129, IX, da Constituição Federal, pela compatibilidade da referida atuação</p><p>com os objetivos do Parquet, fica configurado o vício de iniciativa, pois o diploma ora em exame é</p><p>fruto de proposição legislativa de origem parlamentar”. (ADI 3238, Relator: Nunes Marques, Tribunal</p><p>Pleno, julgado em 28/08/2023)</p><p>A alternativa C está incorreta. O relator da ADI 3228, ministro Nunes Marques, reafirmou princípios</p><p>constitucionais garantidos ao Ministério Público, como a independência e o autogoverno,</p><p>e</p><p>ressaltou a autonomia do chefe do MP para conduzir a instituição sem interferência dos três</p><p>Poderes. Assim, a referida lei estadual de iniciativa parlamentar desrespeita a autonomia funcional</p><p>e administrativa do Ministério Público.</p><p>116</p><p>117</p><p>A alternativa D está incorreta, pois não foi fixado qualquer entendimento nesse sentido no</p><p>julgamento em que o STF invalidou lei de Pernambuco que previa a presença do MP em despejos</p><p>coletivos.</p><p>A alternativa E está incorreta. No julgamento da ADI 3238, considerou-se que o Poder Legislativo</p><p>não tem iniciativa para tratar da organização, das atribuições e do estatuto dos MPs. Portanto, lei</p><p>estadual, ao criar novas atribuições para o MP, não poderia ter origem parlamentar.</p><p>117</p><p>117</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Esperamos que tenham gostado do material.</p><p>Bons estudos!</p><p>Para qualquer dúvida, crítica ou sugestão, entre em contato pelos seguintes canais:</p><p>E-mail: yasmin.ushara@estrategia.com / thiago.carvalho@estrategia.com</p><p>Instagram: estrategiacarreirajurídica / yasminushara</p><p>mailto:yasmin.ushara@estrategia.com</p><p>mailto:thiago.carvalho@estrategia.com</p><p>https://www.instagram.com/profigormaciel/</p><p>CAPA.pdf</p><p>Prova comentada - MP-GO.pdf</p><p>nesta fase processual, conduzam à decretação de</p><p>inconstitucionalidade da norma impugnada, há que se adotar atitude de deferência em relação à</p><p>competência do Tribunal Superior Eleitoral de organização e condução das eleições gerais. 6.</p><p>Medida cautelar indeferida. (STF, ADI 7261 MC-REF / DF, Relator Min. Edson Fachin, Julgado em</p><p>26/10/2022, Publicado em 10/11/2022)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 10. O Estado Beta, com o objetivo de incentivar atividades menos nocivas ao meio</p><p>ambiente, editou a Lei W que dispensou o licenciamento ambiental para atividades</p><p>econômicas que combinem espécies florestais, produção animal e outras culturas agrícolas.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) A Lei W é constitucional, pois o Estado no exercício da competência suplementar tem a</p><p>possibilidade de complementação da legislação federal para o atendimento de interesse</p><p>regional.</p><p>b) A Lei W é inconstitucional, pois a dispensa de licenciamento ambiental,</p><p>independentemente do potencial de degradação, e a consequente dispensa do prévio estudo</p><p>de impacto ambiental implicam proteção deficiente ao direito fundamental ao meio ambiente</p><p>ecologicamente equilibrado.</p><p>c) A Lei W é inconstitucional, pois compete ao Município, e não ao Estado, no exercício da</p><p>competência suplementar a complementação da legislação ambiental para o atendimento de</p><p>interesse local.</p><p>d) A Lei W é constitucional, pois a dispensa de licenciamento ambiental para atividades</p><p>econômicas com menor potencial lesivo garante uma proteção eficiente ao direito</p><p>fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.</p><p>e) A Lei W é inconstitucional, pois compete à União, privativamente, legislar sobre meio</p><p>ambiente, não podendo o Estado, em nenhuma hipótese, suplementar a legislação federal</p><p>para o atendimento de interesse regional.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>Constituição Federal.</p><p>Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do</p><p>povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever</p><p>de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.</p><p>§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:</p><p>(...)</p><p>12</p><p>117</p><p>IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de</p><p>significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará</p><p>publicidade;</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 11. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado Gama declarou</p><p>incidentalmente a inconstitucionalidade formal de artigo de lei federal, com fundamento na</p><p>interpretação do Art. 91 do Regimento Interno do Senado Federal, sem apontar diretamente</p><p>o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) O OETJ agiu incorretamente, pois em observância à separação dos poderes, quando não</p><p>caracterizada violação direta às normas constitucionais, é defeso ao Poder Judiciário</p><p>exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do alcance de normas regimentais</p><p>das Casas Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis.</p><p>b) O OETJ agiu corretamente, pois quando as normas regimentais geram um resultado</p><p>inconstitucional, a liberdade de conformação do Poder Legislativo deve ser mitigada,</p><p>tomando-se como parâmetro de controle não somente os dispositivos constitucionais</p><p>pertinentes especificamente ao processo legislativo, mas o texto constitucional como um</p><p>todo.</p><p>c) O OETJ agiu incorretamente, pois mesmo quando as normas regimentais geram um</p><p>resultado inconstitucional, a liberdade de conformação do Poder Legislativo não pode ser</p><p>mitigada, e qualquer vício de procedimento durante o processo legislativo será sanado após</p><p>a promulgação da norma.</p><p>d) O OETJ agiu corretamente, pois constatados o vício procedimental e a supressão de uma</p><p>fase do processo legislativo, está configurada a inconstitucionalidade formal e material,</p><p>devendo o poder judiciário, em observância ao princípio da separação de poderes, declarar</p><p>a inconstitucionalidade.</p><p>e) O OETJ agiu incorretamente, pois só as normas constantes da Constituição podem ser</p><p>parâmetro de controle, sendo os dispositivos que forem aprovados sem a observância das</p><p>regras previstas no regimento interno das Casas Legislativas apenas suscetíveis de controle</p><p>de legalidade.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra A.</p><p>RE 1297884. Não se pode declarar a inconstitucionalidade formal da lei sob o argumento de que</p><p>houve mero descumprimento das regras do regimento interno, sendo indispensável o desrespeito</p><p>às normas constitucionais que tratam sobre o processo legislativo.</p><p>EMENTA Repercussão geral. Tema nº 1.120 da sistemática de repercussão geral. Constitucional.</p><p>Penal. Utilização de arma branca no roubo majorado (art. 157, § 2º, inciso I, do CP). Exclusão da</p><p>causa de aumento decorrente da revogação promovida pelo art. 4º da Lei nº 13.654/2018.</p><p>Declaração incidental de inconstitucionalidade formal do artigo em tela pelo Órgão Especial do</p><p>TJDFT, com fundamento na interpretação do art. 91 do Regimento Interno do Senado Federal.</p><p>Suposta ofensa à interpretação e ao alcance das normas meramente regimentais das Casas</p><p>13</p><p>117</p><p>Legislativas. Ausente demonstração de afronta às normas pertinentes ao processo legislativo</p><p>previstas nos arts. 59 a 69 da Constituição Federal. Impossibilidade de controle jurisdicional, por se</p><p>tratar de matéria interna corporis. Precedentes. Recurso ao qual se dá provimento, cassando-se o</p><p>acórdão recorrido na parte em que nele se reconheceu como inconstitucional o art. 4º da Lei nº</p><p>13.654/2018, a fim de que o Tribunal de origem recalcule a dosimetria da pena imposta ao réu.</p><p>Fixação da seguinte tese: Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º</p><p>da Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais</p><p>pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em</p><p>relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas</p><p>Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis”. (RE 1297884, Relator(a): DIAS TOFFOLI,</p><p>Tribunal Pleno, julgado em 14/06/2021, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL -</p><p>MÉRITO DJe-155 DIVULG 03-08-2021 PUBLIC 04-08-2021)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 12. Dispositivo de norma estadual permitiu única reeleição de membros das</p><p>mesas diretoras das Assembleias Legislativas para o mesmo cargo na eleição</p><p>imediatamente subsequente, dentro da mesma legislatura. Considerando o exposto e a</p><p>jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que o referido dispositivo é</p><p>a) constitucional, em razão da necessidade de observância do princípio da simetria em</p><p>normas que tratam da matéria em referência.</p><p>b) inconstitucional, em razão da necessidade de observância do princípio da simetria em</p><p>normas que tratam da matéria em referência.</p><p>c) constitucional, pois a eleição deve observar o limite de uma única reeleição ou</p><p>recondução, independentemente de os mandatos consecutivos referirem-se à mesma</p><p>legislatura.</p><p>d) inconstitucional, pois a eleição não pode ser limitada a uma única reeleição ou</p><p>recondução, podendo os mandatos consecutivos se referiram à diversa legislatura.</p><p>e) inconstitucional, pois a eleição deve observar o limite de uma única reeleição ou</p><p>recondução, desde que os mandatos consecutivos não se refiram à mesma legislatura.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>ADI 6654. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PERDA DE OBJETO.</p><p>INOCORRÊNCIA. MESA DIRETORA DE ASSEMBLEIA LEGISLATIVA ESTADUAL. REELEIÇÃO</p><p>ILIMITADA AO MESMO CARGO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS REPUBLICANO,</p><p>DEMOCRÁTICO</p><p>E DO PLURALISMO POLÍTICO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO.</p><p>INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO. 1. O art. 57, § 4º, da Constituição Federal não</p><p>consiste em preceito de observância obrigatória pelos Estados, de modo que tampouco pode</p><p>funcionar como parâmetro de controle da constitucionalidade de regra inserida em Constituição</p><p>estadual. Precedentes: ADI 6684, 6707, 6709 e 6710, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Redator do</p><p>acórdão Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe de 06/12/2021; ADI 6721, Rel. Min. Roberto</p><p>Barroso, Tribunal Pleno, DJe de 17/12/2021. 2. Ainda que observada a relativa autonomia das</p><p>Casas legislativas estaduais para reger o processo eletivo para Mesa diretora, esse campo jurídico</p><p>é estreitado por outros princípios constitucionais, que exigem o implemento de mecanismos que</p><p>impeçam resultados inconstitucionais às deliberações regionais. A afirmação do princípio</p><p>14</p><p>117</p><p>republicano, no que assentada a alternância de poder e a temporariedade dos mandatos,</p><p>reconhecida à unanimidade pelo colegiado, impõe o estabelecimento de limite objetivo à reeleição</p><p>de membros da Mesa. 3. O redimensionamento que a EC 16/1997 causou no princípio republicano</p><p>serve ao equacionamento da questão constitucional ao fornecer o critério objetivo de 1 (uma) única</p><p>reeleição/recondução sucessiva para o mesmo cargo da Mesa, independentemente da legislatura</p><p>dos mandatos consecutivos. Precedentes: ADI 6685, Rel. Min. Alexandre de Moraes; ADI 6719,</p><p>Rel. Min. Edson Fachin, Tribunal Pleno, julgado na Sessão Virtual de 10/12/2021 a 17/12/2021. 4.</p><p>Em situações de nova interpretação do texto constitucional, impõe-se ao Tribunal, tendo em vista</p><p>razões de segurança jurídica, a tarefa de proceder a uma ponderação das consequências e ao</p><p>devido ajuste do resultado, adotando a técnica de decisão que possa melhor traduzir a evolução</p><p>jurisprudencial. Precedentes: ADI 6704, Rel. Min. Rosa Weber, Tribunal Pleno, DJe de 17/11/2021;</p><p>ADI 6685 e 6699, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, DJe de 05/11/2021; ADI 6684,</p><p>6707, 6709 e 6710, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Redator do acórdão Min. Gilmar Mendes,</p><p>Tribunal Pleno, DJe de 06/12/2021. 5. Procedência em parte do pedido para conferir interpretação</p><p>conforme a Constituição Federal ao o art. 30, § 4º, da Constituição do Estado de Roraima e</p><p>estabelecer que é permitida apenas uma reeleição ou recondução sucessiva ao mesmo cargo da</p><p>Mesa Diretor, mantida a composição da Mesa de Assembleia Legislativa eleita antes da publicação</p><p>da ata de julgamento da ADI 6524 (7.1.2021). 6. Teses de julgamento: (i) a eleição dos membros</p><p>das Mesas das Assembleias Legislativas estaduais deve observar o limite de uma única reeleição</p><p>ou recondução, limite cuja observância independe de os mandados consecutivos referirem-se à</p><p>mesma legislatura; (ii) a vedação à reeleição ou recondução aplica-se somente para o mesmo cargo</p><p>da mesa diretora, não impedindo que membro da mesa anterior se mantenha no órgão de direção,</p><p>desde que em cargo distinto; (iii) o limite de uma única reeleição ou recondução, acima veiculado,</p><p>deve orientar a formação da Mesa da Assembleia Legislativa no período posterior à data de</p><p>publicação da ata de julgamento da ADI 6.524, de modo que não serão consideradas, para fins de</p><p>inelegibilidade, as composições eleitas antes de 7.1.2021, salvo se configurada a antecipação</p><p>fraudulenta das eleições como burla ao entendimento do Supremo Tribunal Federal. (STF, ADI</p><p>6.654 RO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para o Acórdão Min. Gilmar Mendes, Julgado em</p><p>19/04/2023, Publicado em 15/08/2023).</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 13. O Ministério Público do Estado Alfa ajuizou ação civil pública contra o Estado</p><p>Alfa e um policial militar, sob o fundamento do tutela do patrimônio público, postulando a</p><p>anulação do ato administrativo que transferiu o referido policial para a reserva, porquanto</p><p>ele não contava com tempo de serviço suficiente para esse fim, além de pleitear a exclusão</p><p>do pagamento de gratificações e limitação da remuneração ao teto salarial estadual.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a) A referida ação não merece prosperar, pois há restrição, de ordem constitucional, que</p><p>veda ao Ministério Público a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades</p><p>públicas.</p><p>b) A referida ação merece prosperar, pois o Ministério Público possui legitimidade</p><p>concorrente com o ente estatal para, na qualidade de substituto processual de toda a</p><p>coletividade, exercer a tutela do patrimônio público.</p><p>15</p><p>117</p><p>c) A referida ação não merece prosperar, pois a extensão material do conceito de patrimônio</p><p>público se limita aos bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou</p><p>turístico.</p><p>d) A referida ação merece prosperar, pois é função institucional do Ministério Público a</p><p>defesa do patrimônio público e social, desde que não titularizado por uma pessoa jurídica</p><p>de direito público.</p><p>e) A referida ação não merece prosperar, pois entende-se que o direito deduzido nos autos</p><p>é individual e disponível, sufocado legitimidade do Ministério Público para exercer a defesa</p><p>em juízo.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra B.</p><p>RE 409356. O Ministério Público pode ajuizar ACP para anular aposentadoria que lese o erário.</p><p>Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO EM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO</p><p>CONSTITUCIONAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO.</p><p>LEGITIMIDADE COLETIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA A TUTELA DO PATRIMÔNIO</p><p>PÚBLICO. ARTIGOS 127, CAPUT, E 129, II, III E IX, DA CONSTITUIÇÃO. RELEVÂNCIA</p><p>CONSTITUCIONAL DA ATUAÇÃO COLETIVA DO PARQUET NA DEFESA DO INTERESSE</p><p>PÚBLICO. VEDAÇÃO À REPRESENTAÇÃO JUDICIAL E CONSULTORIA JURÍDICA DE</p><p>ENTIDADES PÚBLICAS. INAPLICABILIDADE. EXCEPCIONALIDADE DAS RESTRIÇÕES À</p><p>LEGITIMIDADE COLETIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE TAMBÉM CONFERIDA</p><p>A QUALQUER CIDADÃO (ART. 5º, LXXIII, CRFB). NECESSIDADE DE FORTALECIMENTO DO</p><p>SISTEMA DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PRECEDENTES DO PLENÁRIO.</p><p>RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NA PARTE CONHECIDA, NÃO PROVIDO. 1. O</p><p>Ministério Público ostenta legitimidade para a tutela coletiva destinada à proteção do patrimônio</p><p>público, mormente porque múltiplos dispositivos Constitucionais evidenciam a elevada importância</p><p>que o constituinte conferiu à atuação do parquet no âmbito das ações coletivas. 2. O Ministério</p><p>Público, por força do art. 127, caput, da Carta Magna, tem dentre suas incumbências a “defesa da</p><p>ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”, mercê</p><p>de o art. 129 da Lei Maior explicitar as funções institucionais do Ministério Público no sentido de</p><p>“zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos</p><p>assegurados” na Constituição (inciso II), “promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a</p><p>proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos”</p><p>(inciso III) e “exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua</p><p>finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas”</p><p>(inciso IX). 3. A tutela coletiva exercida pelo Ministério Público se submete apenas a restrições</p><p>excepcionais, como, verbi gratia a norma que veda ao Ministério Público a representação judicial e</p><p>a consultoria jurídica de entidades públicas (art. 129, IX, in fine, da CRFB), sendo certo que a Carta</p><p>Magna atribui ao parquet ampla atribuição no campo da tutela do patrimônio público, interesse de</p><p>cunho inegavelmente transindividual, bem como que sua atuação na proteção do patrimônio público</p><p>não afasta a atuação do próprio ente público prejudicado, conforme prevê o art. 129, § 1º, da</p><p>Constituição: “A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não</p><p>impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto</p><p>nesta Constituição e na lei”. 4.</p><p>O parquet, ao ajuizar ação coletiva para a tutela do Erário, não age como representante da entidade</p><p>pública, e sim como substituto processual de uma coletividade indeterminada, é dizer, a sociedade</p><p>como um todo, titular do direito à boa administração do patrimônio público, da mesma forma que</p><p>qualquer cidadão também poderia fazê-lo por meio de ação popular (art. 5º, LXXIII, da CRFB). 5. O</p><p>16</p><p>117</p><p>combate em juízo à dilapidação ilegal do Erário configura atividade de defesa da ordem jurídica,</p><p>dos interesses sociais e do patrimônio público, sendo todas essas funções institucionais atribuídas</p><p>ao Ministério Público pelos artigos 127 e 129 da Constituição, de modo que entendimento contrário</p><p>não apenas afronta a textual previsão da Carta Magna, mas também fragiliza o sistema de controle</p><p>da Administração Pública, visto que deixaria a persecução de atos atentatórios à probidade e à</p><p>moralidade administrativas basicamente ao talante do próprio ente público no bojo do qual a lesão</p><p>ocorreu. 6. A jurisprudência do Plenário deste Supremo Tribunal Federal reconhece a legitimidade</p><p>do Ministério Público para o ajuizamento de ação coletiva destinada à proteção do patrimônio</p><p>público: RE 225777, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI,</p><p>Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2011; RE 208790, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal</p><p>Pleno, julgado em 27/09/2000. 7. In casu: a) O Ministério Público do Estado de Rondônia ajuizou</p><p>ação civil pública contra o Estado de Rondônia e um policial militar, postulando a anulação do ato</p><p>administrativo que transferiu o referido policial para a reserva, porquanto ele não contava com</p><p>tempo de serviço suficiente para esse fim, mercê de pleitear também exclusão do pagamento de</p><p>gratificações e limitação da remuneração ao teto salarial estadual. b) A alegação recursal de</p><p>impossibilidade de exercício de controle de constitucionalidade incidental no bojo de ação civil</p><p>pública demanda interpretação do art. 103 do Código de Defesa do Consumidor, o qual versa sobre</p><p>os limites subjetivos da coisa julgada nas ações coletivas, revelando-se incabível o Recurso</p><p>Extraordinário para “rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão</p><p>recorrida”, nos termos da Súmula n.º 636 deste Supremo Tribunal Federal. c) Por sua vez, a causa</p><p>de pedir recursal que sustenta o direito à incorporação da gratificação por cargo de gerenciamento</p><p>superior aos proventos do Recorrente demanda o exame da legislação local, não havendo questão</p><p>propriamente constitucional a ser apreciada, de modo que incide o óbice da Súmula n.º 280 desta</p><p>Corte, verbis: “Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário.” 8. Recurso Extraordinário</p><p>parcialmente conhecido e, na parte conhecida, desprovido, fixando-se a seguinte tese para</p><p>aplicação a casos idênticos, na forma do art. 1.040, III, do Código de Processo Civil de 2015: “O</p><p>Ministério Público tem legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública que vise anular ato administrativo</p><p>de aposentadoria que importe em lesão patrimônio público”.</p><p>(RE 409356, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 25/10/2018, PROCESSO</p><p>ELETRÔNICO DJe-187 DIVULG 28-07-2020 PUBLIC 29-07-2020)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 14. Dispositivo da Constituição do Estado Gama estabelece que o chefe da</p><p>Procuradoria-Geral daquele estado deve ser escolhido entre os integrantes da carreira.</p><p>Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que a</p><p>norma da Constituição estadual é</p><p>a) constitucional, pois a Procuradoria-Geral do Estado é instituição de Estado, com função</p><p>essencial à Justiça, relacionada ao controle dos atos administrativos, devendo</p><p>obrigatoriamente o Procurador-Geral do Estado ser integrante da carreira.</p><p>b) inconstitucional, pois a Procuradoria-Geral do Estado é vinculada ao chefe do Poder</p><p>Executivo, e apesar de instituição de Estado, com função essencial à Justiça, não é dotada</p><p>de autonomia e independência.</p><p>c) constitucional, uma vez que inserida na margem de conformação atribuída ao constituinte</p><p>estadual no exercício de sua auto-organização, norma que restringe a escolha do</p><p>procurador-geral aos integrantes da carreira da advocacia pública local.</p><p>17</p><p>117</p><p>d) inconstitucional, por violação ao princípio da simetria, a previsão, em ato normativo</p><p>estadual, de obrigatoriedade de escolha do Procurador-Geral do Estado entre os integrantes</p><p>da carreira da advocacia pública local.</p><p>e) constitucional, em observância ao princípio da simetria, a previsão, em ato normativo</p><p>estadual, de obrigatoriedade da escolha do seu procurador-geral aos integrantes da carreira</p><p>da advocacia pública local.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>ADI 3056. Constituição Estadual pode exigir que o Procurador-Geral do Estado seja</p><p>obrigatoriamente um membro da carreira.</p><p>Ementa: Direito constitucional e administrativo. Norma de constituição estadual que rege a escolha</p><p>do procurador-geral do Estado do Rio Grande do Norte. 1. Ação direta de inconstitucionalidade</p><p>contra dispositivo da Constituição estadual que estabelece que o chefe da Procuradoria-Geral do</p><p>Estado deve ser escolhido entre os integrantes da carreira. 2. A regra estabelecida no art. 131, §</p><p>1º, da CF/1988 para a escolha do Advogado-Geral da União não é aplicável aos Estados-membros</p><p>por simetria. Assim, os demais entes públicos podem editar normas que fixem requisitos diversos</p><p>para a escolha de seus Procuradores-Gerais. Precedentes. 3. O critério eleito pela norma</p><p>impugnada se insere em margem legítima de conformação atribuída ao constituinte estadual. Isso</p><p>porque, embora a Procuradoria-Geral do Estado seja vinculada ao Governador, não há dúvida de</p><p>que se trata de verdadeira instituição de Estado, com funções relacionadas ao controle de</p><p>juridicidade dos atos administrativos que extrapolam a mera aderência à vontade de governos</p><p>transitórios. 4. Pedido julgado improcedente, com a fixação da seguinte tese de julgamento: “Não</p><p>ofende a Constituição Federal a previsão, em ato normativo estadual, de obrigatoriedade de escolha</p><p>do Procurador-Geral do Estado entre os integrantes da respectiva carreira”.</p><p>(ADI 3056, Relator(a): NUNES MARQUES, Relator(a) p/ Acórdão: LUÍS ROBERTO BARROSO,</p><p>Tribunal Pleno, julgado em 25-09-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 11-10-2023</p><p>PUBLIC 16-10-2023)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 15. O Decreto Y estabeleceu uma faculdade em benefício de candidato com</p><p>deficiência, autorizando a utilização de suas próprias tecnologias assistivas e adaptações</p><p>adequadas, se assim preferir, e definiu critérios de aprovação nas provas físicas que</p><p>poderão ser os mesmos para candidatos com e sem deficiência.</p><p>Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) É constitucional a exclusão da previsão de adaptação das provas físicas para candidatos</p><p>com deficiência, em razão da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência ainda não ter sido incorporada à ordem jurídica brasileira com o status de</p><p>Emenda Constitucional, na forma do Art. 5º, § 3º, da CRFB/88.</p><p>b) É constitucional a exclusão da previsão de adaptação das provas físicas para candidatos</p><p>com deficiência, em razão da observância ao bloco de constitucionalidade composto pela</p><p>Constituição Federal e pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência, mesmo que ainda não incorporada à ordem jurídica brasileira.</p><p>18</p><p>117</p><p>c) É inconstitucional a exclusão da previsão de adaptação das provas físicas para candidatos</p><p>com deficiência, pois viola o bloco de constitucionalidade composto pela Constituição</p><p>Federal e pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,</p><p>incorporada à ordem jurídica brasileira com o status de Emenda Constitucional.</p><p>d) É constitucional a exclusão da previsão de adaptação das provas físicas para candidatos</p><p>com</p><p>deficiência, em razão da observância ao bloco de constitucionalidade composto pela</p><p>Constituição Federal e pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência, incorporada à ordem jurídica brasileira com o status de Emenda Constitucional.</p><p>e) É inconstitucional a exclusão da previsão de adaptação das provas físicas para candidatos</p><p>com deficiência, pois viola o bloco de constitucionalidade composto pela Constituição</p><p>Federal e pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,</p><p>incorporada à ordem jurídica brasileira com o status de Lei Ordinária.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C.</p><p>ADI 6476. É inconstitucional ato normativo que exclui o direito dos candidatos com deficiência à</p><p>adaptação razoável em provas físicas de concursos públicos.</p><p>EMENTA: Direito Constitucional e Administrativo. Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referendo</p><p>da Medida Cautelar. Conversão em Julgamento de Mérito. Concurso Público. Decreto que exclui a</p><p>adaptação de provas físicas para candidatos com deficiência. 1. Ação direta contra decreto que tem</p><p>por objeto “excluir a previsão de adaptação das provas físicas para candidatos com deficiência e</p><p>estabelecer que os critérios de aprovação dessas provas poderão seguir os mesmos critérios</p><p>aplicados aos demais candidatos”. 2. De acordo com o art. 2º da Convenção de Direitos das</p><p>Pessoas com Deficiência – CDPD, a recusa de adaptação razoável é considerada discriminação</p><p>por motivo de deficiência. 3. O art. 3º, VI, do Decreto nº 9.508/2018, estabelece uma faculdade em</p><p>benefício do candidato com deficiência, que pode utilizar suas próprias tecnologias assistivas e</p><p>adaptações adicionais, se assim preferir. É inconstitucional a interpretação que exclua o direito</p><p>desses candidatos à adaptação razoável. 4. O art. 4º, § 4º, do Decreto nº 9.508/2018, que</p><p>estabelece que os critérios de aprovação nas provas físicas poderão ser os mesmos para</p><p>candidatos com e sem deficiência, somente é aplicável às hipóteses em que essa exigência for</p><p>indispensável ao exercício das funções próprias de um cargo público específico. É inconstitucional</p><p>a interpretação que submeta candidatos com e sem deficiência aos mesmos critérios nas provas</p><p>físicas, sem a demonstração da sua necessidade para o desempenho da função pública. 5.</p><p>Referendo da medida cautelar convertido em julgamento de mérito. Pedido julgado procedente,</p><p>com a fixação das seguintes teses de julgamento: 1. É inconstitucional a interpretação que exclui o</p><p>direito de candidatos com deficiência à adaptação razoável em provas físicas de concursos</p><p>públicos; 2. É inconstitucional a submissão genérica de candidatos com e sem deficiência aos</p><p>mesmos critérios em provas físicas, sem a demonstração da sua necessidade para o exercício da</p><p>função pública.</p><p>(ADI 6476, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2021, PROCESSO</p><p>ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 15-09-2021 PUBLIC 16-09-2021)</p><p>As demais alternativas estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 16. No tocante à parte especial do Código Penal, assinale a afirmativa correta.</p><p>19</p><p>117</p><p>a) Aquele que conduz veículo automotor com número do chassi ou placa de identificação</p><p>adulterada, devendo ter ciência da adulteração, responde pelo delito de receptação.</p><p>b) A pena em caso de furto mediante fraude por meio de dispositivo eletrônico ou informático</p><p>é aumentada de 1/3 até a metade, se o crime é praticado mediante a utilização de servidor</p><p>mantido fora do território nacional e, de 1/3 ao dobro, se o crime for praticado contra idoso</p><p>ou vulnerável.</p><p>c) Na extorsão mediante sequestro, se o concorrente denunciar o crime à autoridade policial,</p><p>facilitando a libertação do sequestrado, a pena será reduzida de um a dois terços.</p><p>d) Inexiste causa de diminuição da pena pela imputação de prática de contravenção em crime</p><p>de denunciação caluniosa.</p><p>e) Inexiste causa de aumento de pena, se a vítima é menor ou tem diminuída a capacidade</p><p>de resistência no caso de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação,</p><p>assim como se a prática decorre de motivo egoístico, torpe ou fútil.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra C, conforme a literalidade do art. 159, § 4º, do CP: "Art. 159 -</p><p>Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição</p><p>ou preço do resgate: Pena - reclusão, de oito a quinze anos [...] § 4º - Se o crime é cometido em</p><p>concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá</p><p>sua pena reduzida de um a dois terços".</p><p>A alternativa A está incorreta, pois a conduta descrita no enunciado é uma figura equiparada do</p><p>crime de adulteração de sinal identificador de veículo, incluída pela Lei n.º 14.562/2023, conforme</p><p>se verifica do novo § 2º, III, do art. 311 do CP: "Art. 311. Adulterar, remarcar ou suprimir número de</p><p>chassi, monobloco, motor, placa de identificação, ou qualquer sinal identificador de veículo</p><p>automotor, elétrico, híbrido, de reboque, de semirreboque ou de suas combinações, bem como de</p><p>seus componentes ou equipamentos, sem autorização do órgão competente: Pena - reclusão, de</p><p>três a seis anos, e multa [...] § 2º Incorrem nas mesmas penas do caput deste artigo: (Redação</p><p>dada pela Lei nº 14.562, de 2023) [...] III – aquele que adquire, recebe, transporta, conduz, oculta,</p><p>mantém em depósito, desmonta, monta, remonta, vende, expõe à venda, ou de qualquer forma</p><p>utiliza, em proveito próprio ou alheio, veículo automotor, elétrico, híbrido, de reboque, semirreboque</p><p>ou suas combinações ou partes, com número de chassi ou monobloco, placa de identificação ou</p><p>qualquer sinal identificador veicular que devesse saber estar adulterado ou remarcado. (Incluído</p><p>pela Lei nº 14.562, de 2023)".</p><p>A alternativa B está incorreta, pois a causa de aumento do furto praticado mediante fraude por meio</p><p>de dispositivo eletrônico ou informático é de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), conforme art. 155, §</p><p>4º-B e § 4º-C, I, do CP: "Art. 155 [...] § 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e</p><p>multa, se o furto mediante fraude é cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático,</p><p>conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança</p><p>ou a utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo.§ 4º-C. A</p><p>pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso: I – aumenta-</p><p>se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor</p><p>mantido fora do território nacional".</p><p>A alternativa D está incorreta, pois existe sim causa de diminuição caso a imputação seja de</p><p>contravenção penal, conforme art. 339, § 2º, do CP: "Art. 339 [...] § 2º - A pena é diminuída de</p><p>metade, se a imputação é de prática de contravenção".</p><p>20</p><p>117</p><p>A alternativa E está incorreta, pois as hipóteses do enunciado implicam na aplicação da pena em</p><p>dobro, conforme art. 122, 3º, do CP: "Art. 122 [...] § 3º A pena é duplicada: I - se o crime é praticado</p><p>por motivo egoístico, torpe ou fútil; II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a</p><p>capacidade de resistência".</p><p>QUESTÃO 17. Leia o texto a seguir.</p><p>(...) Lagarde (apud CHAKIAN, 2018) sustenta que o feminicídio pode ser praticado pelo atual</p><p>ou ex-parceiro da vítima, parente, familiar, colega de trabalho, desconhecido, grupos de</p><p>criminosos, de modo individual ou serial, ocasional ou profissional; e, em com um, denota</p><p>intensa crueldade e menosprezo para com as mulheres, tratadas como mero objetos e,</p><p>portanto, descartáveis, destituídas de direitos. Cuida-se de verdadeiro crime de ódio contra</p><p>as mulheres para o qual também concorre a negligência e omissão das autoridades</p><p>encarregadas de prevenir e erradicar esses delitos, razão pela qual o feminicídio seria</p><p>também um crime de Estado. Na análise do que denominou de teoria del feminicídio, a</p><p>também antropóloga Rita Laura Segato (apud</p><p>CHAKIAN, 2018) ressalta que esse impulso de</p><p>ódio com relação à mulher se explica como consequência à violação às duas leis do</p><p>patriarcado: a norma de controle e possessão sobre o corpo feminino e a norma de</p><p>superioridade, de hierarquia masculina.</p><p>Dessa forma, a reação de ódio surge quando a mulher exerce autonomia no uso de seu</p><p>corpo, desrespeitando regras de fidelidade ou de celibato. Ou, ainda, quando a mulher</p><p>ascende posições de autoridade, de poder econômico ou político, tradicionalmente</p><p>ocupadas por homens, desafiado o equilíbrio assimétrico.</p><p>BIANCHINI, Alice; BAZZO, Mariana; CHAKIAN, Silvia, Crimes contra Mulheres: Lei Maria da</p><p>Penha, Crimes Sexuais, Feminicídio, Violência Política de Gênero. São Paulo: Editora</p><p>Juspodivm, 2023.</p><p>Ciente das lições trazidas, no que pertine ao feminicídio, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 até a metade se o crime for praticado na presença</p><p>física ou virtual de descendente ou ascendente da vítima, assim como em caso de</p><p>descumprimento apenas das medidas protetivas de urgência previstas no Art. 22, caput,</p><p>incisos Il e Ill, da Lei n° 11340/2006.</p><p>II. A legítima defesa da honra não pode ser invocada como argumento inerente à plenitude</p><p>de defesa própria do tribunal do júri e sua utilização, direta ou indiretamente pela defesa,</p><p>sendo que sua utilização configura nulidade, que não poderá ser arguida pelo acusado que</p><p>dela se valeu.</p><p>Ill. X matou várias mulheres, sendo que ao falar sobre os crimes afirmou que escolhia as</p><p>vítimas de forma aleatória. Todas elas eram garotas de programa com quem se relacionou.</p><p>Nesse contexto, X não pode ser considerado como autor de crime de ódio, porque as vítimas</p><p>não eram estranhas a ele.</p><p>IV. Caso Flávio, ciente de que Bianca, sua esposa, está grávida de 4 meses, atire nela e, com</p><p>isso, cause seu falecimento e o do feto, ele responderá pelo feminicídio consumado e pelo</p><p>aborto consumado sem consentimento da gestante, em concurso formal.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I e II, apenas.</p><p>21</p><p>117</p><p>b) I e Ill, apenas.</p><p>c) I e IV, apenas.</p><p>d) Il e Ill, apenas.</p><p>e) Il e IV, apenas.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra E, tendo em vista que apenas os itens II e IV estão corretos.</p><p>A afirmativa I está incorreta, pois a causa de aumento do feminicídio prevista no art. 121, § 7º, IV,</p><p>engloba os incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei Maria da Penha: "Art. 121 [...] § 7º A pena do</p><p>feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: [...] IV - em</p><p>descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art.</p><p>22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006".</p><p>A afirmativa II está correta, conforme entendimento do STF no julgamento da ADPF n.º 779: "[...]</p><p>Arguição de descumprimento de preceito fundamental julgada parcialmente procedente para (i)</p><p>firmar o entendimento de que a tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar</p><p>os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III, da CF), da proteção</p><p>da vida e da igualdade de gênero (art. 5º, caput, da CF); (ii) conferir interpretação conforme à</p><p>Constituição ao art. 23, inciso II, ao art. 25, caput e parágrafo único, do Código Penal e ao art. 65</p><p>do Código de Processo Penal, de modo a excluir a legítima defesa da honra do âmbito do instituto</p><p>da legítima defesa; (iii) obstar à defesa, à acusação, à autoridade policial e ao juízo que utilizem,</p><p>direta ou indiretamente, a tese de legítima defesa da honra (ou qualquer argumento que induza à</p><p>tese) nas fases pré-processual ou processual penais, bem como durante o julgamento perante o</p><p>tribunal do júri, sob pena de nulidade do ato e do julgamento; e (iv) diante da impossibilidade de o</p><p>acusado beneficiar-se da própria torpeza, fica vedado o reconhecimento da nulidade referida no</p><p>item anterior na hipótese de a defesa ter-se utilizado da tese da legítima defesa da honra com essa</p><p>finalidade [...]".</p><p>A afirmativa III está incorreta, pois o que ilustra a existência de crime de ódio é a existência de uma</p><p>aversão completa ao outro, onde o ódio tende a eliminação, de modo que os crimes de ódio</p><p>pressupõem violência física e psicológica, podendo ser desde homicídio até uma injúria motivada</p><p>por uma característica específica de pertencimento de uma pessoa a um determinado grupo. Neste</p><p>sentido, são exemplos de crimes de ódio, o racismo, a homofobia, o feminicídio, o etnocentrismo,</p><p>a LGBTfobia, a xenofobia e a intolerância religiosa. Deste modo, o indivíduo que mata várias</p><p>pessoas (mulheres) pertencentes a determinado grupo social (garotas de programa) comete crime</p><p>de ódio, uma vez que não se exige que o agente conheça as vítimas.</p><p>A afirmativa IV está correta, tendo em vista que na hipótese narrada o agente praticou uma conduta</p><p>(atirar na vítima) e produziu mais de um resultado, aplicando-se a regra do art. 70 do CP: "Art. 70 -</p><p>Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou</p><p>não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas</p><p>aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,</p><p>cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios</p><p>autônomos, consoante o disposto no artigo anterior".</p><p>Assim, as alternativas A, B, C e D estão incorretas.</p><p>QUESTÃO 18. Leia os fragmentos a seguir.</p><p>22</p><p>117</p><p>O Instituto Avon no estudo “Misoginia e Violência contra mulheres na internet: um</p><p>levantamento sobre fóruns anônimos", realizado em parceria com a empresa Timelens,</p><p>constatou que, dentre as regras dos Chans, está a proibição de participação de mulheres e</p><p>que, quando as mulheres não correspondem às expectativas dos frequentadores, são</p><p>articulados ataques coordenados, bem como que as mulheres inclusive denominadas de</p><p>depósito.</p><p>Estudo disponível em: https://institutoavon.org.br/estudo-do-instituto-avon-traz-dados-</p><p>sobre-misoginia-e-violencia-contra-mulheres-na-internet/</p><p>Já, Danielle Keats Ciron, em seu livro "Hate Crimes in CyberSpace" ressaltou que estudos</p><p>evidenciaram que usuários com nomes femininos receberam em média "cem mensagens</p><p>privadas maliciosas", que o estudo define como "linguagem sexualmente explicita ou</p><p>ameaçadora", para cada quatro recebidas por usuários masculinos; que usuários humanos</p><p>masculinos visavam especificamente os femininos; e que ser mulher aumenta o risco de</p><p>assédio cibernético e, para mulheres lésbicas, transexuais ou bissexuais e mulheres negras</p><p>o risco pode ser maior.</p><p>Harvard University Press, 2014.</p><p>Considerando os fragmentos acima, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. O delito de perseguição tem a pena majorada quando é cometido contra criança,</p><p>adolescente ou idoso; mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos da lei;</p><p>ou mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.</p><p>II. Considerando que o delito de perseguição foi previsto no Art. 147-A, do Código Penal, por</p><p>força da Lei n° 14132/2021, bem como que esta mesma lei revogou o disposto no Art. 65 do</p><p>Decreto-lei n° 3688/1941, é possível afirmar que, pela jurisprudência, inexistiu automática</p><p>abolítio criminis para todos os fatos que estavam enquadrados no Art. 65, citado, uma vez</p><p>que permanece a reprovação penal em continuidade normativo-típica.</p><p>III. Considera-se também relação íntima de afeto, a fim de ensejar a aplicação da Lei Maria</p><p>da Penha, aquela estabelecida e/ou mantida por meio da rede mundial de computadores.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I e Il, apenas.</p><p>b) I e III, apenas.</p><p>c) Il e III, apenas.</p><p>d) I, II, III.</p><p>e) II, apenas.</p><p>Comentários</p><p>A alternativa correta é a letra D, uma vez que todas as afirmativas estão corretas.</p><p>A afirmativa I está correta, conforme art. 147-A, § 1º, do CP: "Art. 147-A [...] § 1º A pena é</p><p>aumentada de metade se o crime é cometido: I – contra criança, adolescente ou</p>