Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Técnicas para análise morfoanatomia de flor, fruto e semente 
- Flor (estrutura morfológica e anatômica): a flor é uma das estruturas mais 
complexas das plantas, pode ser considerada um ramo altamente modificado que 
apresenta apêndices especializados (folhas metamorfoseadas). Podemos dizer que a 
constituição básica da flor é formada por: haste, pedicelo, geralmente apresentando 
uma porção dilatada terminal, conhecida como receptáculo, da qual emergem os 
apêndices modificados em sépalas, pétalas, estames e carpelos. As flores podem ser 
divididas em três principais conjuntos de órgãos apendiculares: perianto (apêndices 
externos de proteção e/ou atração de polinizadores), androceu e gineceu. O perianto 
pode se apresentar em duas partes: o cálice (conjunto de peças mais externas, 
denominadas sépalas, frequentemente verdes e de aspecto mais folioso) e a corola 
(conjunto de pétalas, frequentemente coloridas). O androceu é o conjunto de estames 
da flor (geralmente apresentados em antera e filete), responsáveis pela produção de 
esporos, mas, em algumas espécies, parte dos estames se modifica em nectários 
para atrair insetos. O gineceu é formado pelo conjunto de carpelos da flor, que pode 
ser só um (gineceu unicarpelar) ou vários (gineceu pluricarpelar). O carpelo é formado 
por estigma, estilete e ovário. A posição do gineceu, o número de carpelos, de 
estames, de pétalas e outras características são pontos fundamentais para a 
identificação das flores, por isso a necessidade de diferenciação dessas estruturas. 
 
Figura - Estrutura anatômica da flor 
. 
 
- Fruto (estrutura morfológica e anatômica): os frutos são estruturas que 
apresentam uma grande variação em sua origem e em suas características 
morfológicas. Geralmente, usa-se o termo “fruto” como a estrutura resultante do 
amadurecimento e do desenvolvimento do ovário floral. Porém, vale lembrar que há 
frutos que provêm somente do ovário da flor, e outros que envolvem em sua origem 
outras partes florais, como o receptáculo, sépalas, pétalas, estames, pedúnculo e eixo 
da inflorescência. O fruto é composto basicamente de duas partes: o pericarpo e a 
semente. Alguns frutos mantêm no seu interior a umidade necessária para o 
desenvolvimento da semente, liberando água dos pelos da superfície interna do 
pericarpo. Outros desenvolvem tecido parenquimático internamente no pericarpo, 
formando uma estrutura almofadada, que protege a semente em desenvolvimento na 
cavidade do fruto (GLORIA; GUERREIO, 2006). 
Além dessa classificação exemplificada anteriormente, ainda é possível 
caracterizar os frutos simples em vários subtipos de acordo com o número de 
carpelos, a deiscência (abertura do fruto) e o teor de água no pericarpo maduro. A 
Figura traz alguns exemplos de classificação de frutos. 
 
Figura - Exemplos de classificação de frutos 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
http://explorarasciencias.yolasite.com/resources/Constitui%C3%A7%C3%A3oFlor.jpg
 
 
 
 
 
Fonte: 
. 
 
- Semente (estrutura morfológica e anatômica): a semente pode ser 
compreendida como a unidade reprodutiva das espermatófitas (gimnospermas e 
angiospermas). Ela é formada pelo conjunto de: um esporófito jovem – o embrião; um 
tecido de reserva alimentar– o endosperma; e um envoltório protetor. O termo 
“gimnosperma” significa “semente nua”, referente ao fato de que nas gimnospermas 
as sementes não ficam protegidas no interior de um carpelo, como nas angiospermas, 
elas ficam expostas sobre esporófilos, escamas ou estruturas equivalentes. Já nas 
angiospermas a semente se encontra protegida pelo carpelo, geralmente dispondo-
se no interior dos frutos. Como as sementes são estruturas muito importantes para a 
dispersão das plantas, podem ser observados diversos apêndices e estruturas 
especiais que se desenvolvem nas sementes, a partir do óvulo, e conferem a elas 
diversas possibilidades de dispersão, as mais conhecidas são as asas (sementes 
aladas que se dispersam com o vento), os pelos, os apêndices carnosos (arilo, 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/figuras/Morfofisiologia_vegetal/classificacao_fruto.jpg
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/figuras/Morfofisiologia_vegetal/classificacao_fruto.jpg
 
 
 
 
ariloide, carúncula, estrofíolo) e a sarcotesta. A forma das sementes depende do tipo 
de óvulo e de variações no desenvolvimento, o que confere a essa estrutura 
diferenças bastante peculiares entre espécies. Um exemplo de variação de padrão de 
sementes é a presença de um único cotilédone no caso das sementes de 
monocotiledôneas e dois cotilédones no caso de sementes de dicotiledôneas. Além 
dessas diferenças, é importante notar que as sementes também são estruturas de 
reserva de diversas substâncias, sendo de extrema importância sua identificação 
morfológica e anatômica. 
 
Fisiologia vegetal e metabolismo básico/ processos extrativos 
 
 
Fisiologia vegetal 
Para compreendermos de maneira mais clara como os ativos vegetais de 
interesse terapêutico são produzidos pelas plantas medicinais, é necessário nos 
aprofundarmos um pouco mais nos processos metabólicos realizados pelas plantas e 
na fisiologia vegetal. Pode parecer um pouco distante da nossa realidade retomar 
esses conceitos de biologia vegetal, mas a base do conhecimento em farmacognosia 
está nas plantas, o que exige de nós um conhecimento maior sobre suas 
características fisiológicas básicas, como os processos de fotossíntese, respiração, 
transpiração e nutrição, além da ação dos hormônios vegetais. 
 
• Fotossíntese e respiração 
A fotossíntese pode ser vista como a maneira utilizada pelas plantas para 
produzir a energia necessária para realizar os seus processos metabólicos e manter 
a sua sobrevivência. O processo de fotossíntese ocorre graças à capacidade das 
plantas de retirar água e sais minerais do solo e levá-los até as folhas, na forma de 
seiva bruta, onde a água participa de uma série de reações, as quais resultam na 
liberação de oxigênio para a atmosfera e na formação de carboidratos que constituirão 
o que conhecemos como seiva elaborada. Essas reações só podem ocorrer porque, 
nas folhas e em outros órgãos vegetais que possuam clorofila, a planta é capaz de 
absorver energia na forma de luz e realizar a fotossíntese para transformar esta 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
energia em glicose. Podemos dizer, de maneira simplificada, que as plantas absorvem 
o dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera (produzido na combustão ou 
exalado por animais), ao mesmo tempo que os animais inalam o oxigênio (O2) 
liberado pelas plantas na fotossíntese. Esses processos relacionados ao fluxo de 
energia na natureza e às trocas gasosas realizadas pelas plantas são o que confere 
ao reino vegetal as características relacionadas à sua função de “purificadores do ar”, 
proporcionando a diminuição das taxas de CO2 atmosférico e aumento das 
concentrações de O2. Hoje, compreende-se que a energia gerada pela quebra de seis 
moléculas de H2O é utilizada para converter três moléculas de CO2 em um açúcar de 
três carbonos. A Figura ilustra a equação simplificada que representa esse processo 
e os compostos gerados nele. 
 
Figura - Ilustração da equação geral da fotossíntese 
 
. 
 
Esse processo é conhecidamente dependente de luz, mas, atualmente, sabe-
se que ele ocorre em duas etapas, sendo que apenas em umadelas as reações 
dependem da presença de luz, o que fez com que essa fase ficasse conhecida como 
fase “claro”, enquanto a fase em que as reações não dependem da luz é conhecida 
de fase “escuro”. Essas etapas consistem em reações luminosas (fase claro) e 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
http://dicionariosaude.com/wp-content/uploads/2014/01/Fotoss%C3%ADntese.jpg
http://dicionariosaude.com/wp-content/uploads/2014/01/Fotoss%C3%ADntese.jpg
 
 
 
 
reações de fixação do carbono (fase escuro). Na fase claro, a energia luminosa é 
absorvida pelas moléculas de clorofila, sendo utilizada indiretamente para movimentar 
a síntese de ATP na membrana do tilacoide (estrutura encontrada no interior dos 
cloroplastos). Nas reações de fixação do carbono, que acontecem no estroma do 
cloroplasto, os açúcares são finalmente sintetizados a partir do dióxido de carbono e 
do hidrogênio. Esse processo só é possível graças à presença de adenosina trifosfato 
(ATP – conhecido como a moeda energética dos organismos vivos, por armazenar 
energia em suas ligações químicas) e NADPH (que atua como coenzima em reações 
de redução), produzidos nas reações luminosas, o que faz com que a fase de fixação 
de carbono (fase escuro) seja dependente da fase de reações luminosas (fase claro). 
A Figura traz uma ilustração interessante para localizarmos onde esses processos 
ocorrem em uma planta. 
Figura - Ilustração das estruturas onde ocorrem as duas etapas da fotossíntese 
 
. 
 
A glicose, geralmente, é relacionada ao carboidrato produzido na fotossíntese, 
mas, na prática, muito pouca glicose livre é gerada nesse processo, sendo, na maioria 
das vezes, encontrados sacarose ou amido, este último representando a principal 
forma de armazenamento de carboidratos pelas plantas. Os carboidratos resultantes 
do processo de fotossíntese são exportados das folhas para as outras partes das 
plantas através dos feixes vasculares, o que caracteriza a seiva elaborada, que vai 
ser distribuída pelos órgãos vegetais para garantir a energia necessária às suas 
atividades metabólicas. O processo complementar à fotossíntese é a respiração 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
http://www.enemvirtual.com.br/wp-content/uploads/2011/09/fotossintese.png
http://www.enemvirtual.com.br/wp-content/uploads/2011/09/fotossintese.png
 
 
 
 
vegetal, nele ocorre a completa oxidação de açúcares ou outras moléculas orgânicas 
a dióxido de carbono e água. A respiração é um processo que se inicia com a glicose 
(produto final da hidrólise da 
sacarose ou do amido). A oxidação de glicose é a perda de elétrons, nela a 
molécula de glicose é quebrada e os átomos de hidrogênio são separados dos átomos 
de carbono e associados a átomos de oxigênio, formando a água. Esse processo 
transfere elétrons de níveis de energia mais elevados para níveis mais baixos, o que 
libera energia para as reações bioquímicas celulares. É sabido que a glicólise ocorre 
em uma série de 10 etapas, sendo cada uma delas catalisada por uma enzima 
específica. Essas etapas que configuram a glicólise são realizadas por todas as 
células vivas, de bactérias a células eucarióticas de plantas e animais. A respiração é 
um processo que envolve a quebra completa da glicose, passando pelas etapas de 
glicólise, ciclo do ácido cítrico e cadeia respiratória. Esse processo ocorre no 
citoplasma, mais propriamente nas mitocôndrias, e ao final libera energia na forma de 
ATP para que as células vegetais possam realizar suas atividades que envolvem gasto 
energético. A Figura ilustra a relação entre a fotossíntese e a respiração, assim como 
as organelas relacionadas a esse processo, mostrando, de A a C, as etapas de 
absorção de luz pelos cloroplastos e a realização da fotossíntese produzindo 
carboidratos como material de reserva energética e liberando O2 para a atmosfera. 
Em C, é ilustrada a posterior quebra do carboidrato no processo de respiração 
realizado na mitocôndria, liberando energia na forma de ATP e CO2 como gás residual 
desse processo. 
 
 
• Transpiração e condução da seiva 
 
As plantas são altamente eficientes no transporte de nutrientes orgânicos, 
inorgânicos e água por todo seu corpo. Essa atividade é muito importante para a 
determinação da estrutura final das plantas e para o seu desenvolvimento. Como já 
vimos nas seções anteriores, os tecidos vegetais especializados em transporte de 
substâncias a longas distâncias através das plantas são o xilema e o floema, que 
formam um sistema vascular contínuo presente em praticamente todas as partes da 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
planta. O xilema e o floema exercem as atividades de transporte de maneira 
associada, tanto espacialmente quanto em suas funções. O xilema é conhecido como 
o tecido de condução de água e nutrientes do solo para as folhas, e o floema, como o 
tecido de condução de seiva elaborada até as raízes, mas essa classificação não é 
absoluta. O floema pode movimentar grandes volumes de água pela planta, por 
exemplo, para hidratar os frutos em formação. É importante saber que substâncias 
são transferidas do floema para o xilema e podem voltar a circular pela planta. Nesse 
processo de circulação de água e substâncias orgânicas pelo interior do sistema 
vascular das plantas, foi observado que elas também são capazes de perder grandes 
quantidades de água por um processo chamado de transpiração. Estima-se que nas 
plantas, aproximadamente, 99% de toda a água absorvida é liberada posteriormente 
na forma de vapor. O principal órgão vegetal relacionado à transpiração é a folha, o 
que pode explicar o porquê dessa perda de água. Considera-se que as plantas 
necessitam de superfícies eficientes na absorção da radiação solar para poderem 
realizar a fotossíntese, desta maneira, ter estruturas que ampliem o contato dos 
cloroplastos com a luz envolve e, ao mesmo tempo, amplia a superfície de perda de 
água. Além disso, para a fotossíntese, é necessário que os cloroplastos absorvam 
dióxido de carbono, o qual deve se solubilizar para penetrar na célula vegetal, já que 
a membrana plasmática é praticamente impermeável ao dióxido de carbono na sua 
forma gasosa. Dessa forma, o gás deve entrar em contato com uma superfície celular 
úmida para ser absorvido pelos cloroplastos e participar da fotossíntese, o que 
estabelece uma relação entre a captação de dióxido de carbono para a fotossíntese e 
a perda de água por transpiração. A estrutura vegetal relacionada diretamente 
ao controle da transpiração é o estômato, sua capacidade de fechar-se e abrir-
se de acordo com as condições ambientais e da própria planta é muito importante 
para a manutenção da hidratação das plantas. É importante lembrar que a 
transpiração em excesso pode comprometer o crescimento das plantas ou mesmo 
levá-las à morte por desidratação. Nesse contexto, as plantas apresentam diversas 
adaptações especiais, que minimizam a perda de água e, ao mesmo tempo, 
promovem o ganho de dióxido de carbono. Um exemplo é a presença de cutícula 
cerosa, que torna a superfície das folhas, em grande parte, impermeável à água e ao 
dióxido de carbono. Com este mecanismo, a maior quantidade de água perdida para 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
a atmosfera na forma de transpiração, por uma planta vascular, é aquela que é 
liberada pelos estômatos. A abertura e o fechamento dos estômatos controlam as 
trocas gasosas. Apesar disso, vale lembrar que outros fatores, tanto ambientais 
quanto característicos da própria planta, influenciam a taxa de transpiração. Entre 
esses fatores, podemos citar a temperatura (a taxa de evaporação duplica-se a cada 
aumento de 10 °C na temperatura) e a umidade, já que a água é perdida muito maislentamente em um ambiente saturado de vapor de água. Correntes de ar também 
podem ser consideradas como um fator que altera as taxas de transpiração, já que o 
vento desloca o vapor de água da superfície das folhas, afetando a diferença na 
pressão de vapor da superfície. Esses fatores ressaltam a influência das 
características ambientais no desenvolvimento das plantas. 
Quando se observa a transpiração em uma folha, é possível imaginar o 
caminho que a água percorreu no interior daquela planta. A hipótese mais aceita 
atualmente quanto a como a água consegue ser absorvida pela raiz e chegar até 
folhas muito distantes do local de absorção é a de que a água é puxada para o alto 
através do corpo da planta, relacionando os processos de absorção e transpiração. 
Entende-se que, quando a água evapora pela superfície da parede das células no 
interior das folhas durante a transpiração, ela é reposta pela água vinda do interior 
das células, difundindo-se através da membrana plasmática (permeável à água, mas 
não aos solutos), dessa maneira, a concentração de solutos aumenta, gerando um 
potencial de saturação entre a célula e outras adjacentes, mais saturadas. Esses 
eventos exercem sobre o sistema vascular um efeito que pode ser chamado de 
“sucção”, ou tensão, na água que circula dentro do xilema. Considera-se que a coesão 
entre as moléculas de água transmite essa tensão por toda a extensão do caule até 
as raízes, fazendo com que a água seja retirada das raízes, puxada para o xilema e 
passada às células que estão perdendo vapor de água para a atmosfera. Dessa 
mesma maneira, a perda de água torna o potencial de água mais negativo nas raízes 
e aumenta sua capacidade de absorver a água do solo. 
 
 
• Nutrição mineral 
 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
Quando comparada à demanda nutricional dos animais, a nutrição vegetal 
é relativamente simples. Normalmente, os vegetais clorofilados sintetizam compostos 
orgânicos por meio da fotossíntese e podem, ainda, sintetizar todos os aminoácidos e 
as vitaminas necessários à sua sobrevivência, usando os produtos da fotossíntese e 
nutrientes inorgânicos, tais como o nitrogênio. A nutrição das plantas envolve, desta 
maneira, a absorção de todas as substâncias inorgânicas que são necessárias para a 
realização dos seus processos bioquímicos essenciais, assim como a distribuição 
dessas substâncias e sua utilização no metabolismo e no crescimento vegetal. 
Curiosamente, mais de 60 elementos químicos já foram identificados em plantas, 
entre eles ouro, prata, chumbo, mercúrio, arsênico e urânio. Atribui-se à composição 
do solo a presença de elementos não utilizáveis e potencialmente tóxicos no interior 
das plantas, já que a maioria dos elementos químicos presentes nos vegetais é 
absorvida como íons inorgânicos a partir do solo. Sabe-se, atualmente, que ao menos 
17 dos elementos inorgânicos presentes nas plantas são necessários para o seu 
crescimento normal, sendo eles: carbono, hidrogênio, oxigênio, potássio, cálcio, 
magnésio, nitrogênio, fósforo, enxofre, ferro, manganês, zinco, cobre, cloro, boro, 
molibdênio e níquel. Esses elementos, considerados essenciais, podem variar em 
concentração de espécies a espécies, caracterizando a necessidade metabólica de 
espécies individualmente. Eles podem ser utilizados para avaliação de produtividade 
de solo e devem ser avaliados para a caracterização de potencial nutricional das 
plantas. Eles desempenham diversos papéis no interior das plantas, o que inclui 
funções estruturais, enzimáticas, regulatórias e iônicas. Um bom exemplo são o 
nitrogênio e o enxofre, que estão presentes na composição tanto de proteínas quanto 
de coenzimas, e o magnésio, que faz parte da molécula de clorofila, e ainda é 
necessário para a atividade de diversas enzimas vegetais. O cálcio é um nutriente 
extremamente importante por sua relação com o controle da abertura e do fechamento 
dos estômatos e por regular os gradientes iônicos estabelecidos por íons de potássio 
e diversos ânions. Sabendo dessas funções específicas de cada nutriente, fica 
evidente a necessidade de manutenção de um solo rico e devidamente equilibrado 
para o fornecimento dos nutrientes minerais necessários ao desenvolvimento das 
plantas. A Figura ilustra as relações entre a nutrição mineral, a respiração e a 
fotossíntese como atividades fisiológicas da planta, destacando a separação dos 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
nutrientes essenciais em macro (aqueles exigidos em maiores concentrações) e 
micronutrientes (exigidos em menores concentrações pelas plantas). 
 
Figura Processos fisiológicos de nutrição, fotossíntese e respiração 
 
 
. 
 
• Hormônios vegetais 
 
O desenvolvimento de uma planta depende da interação de diversos fatores 
internos e externos, entre eles a absorção de luz e gás carbônico e a presença de 
água e nutrientes no solo. Além desses fatores externos, o controle do crescimento 
dos vegetais é regulado por sinais químicos, denominados hormônios, que regulam o 
seu metabolismo interno. Os hormônios vegetais, ou fitormônios, são sintetizados em 
diferentes locais do corpo de uma planta e são ativos em quantidades muito pequenas. 
A resposta aos sinais químicos pode variar para um mesmo hormônio, já que 
diferentes estruturas vegetais respondem de maneiras diferentes, assim como os 
tecidos vegetais podem necessitar de quantidades diferentes de hormônios para 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
determinadas tarefas. Os hormônios vegetais raramente atuam de forma isolada, eles 
estão relacionados a intrincados mecanismos de regulação metabólica e podem se 
apresentar em sua forma inativa no interior da planta até que sua ativação seja 
necessária para a atividade específica que carece de sua modulação. 
Tradicionalmente, são conhecidas cinco classes de hormônios vegetais: as auxinas, 
as citocininas, o etileno, o ácido abscísico e as giberelinas. Outras moléculas 
sinalizadoras foram identificadas por desempenharem funções importantes na 
resistência das plantas a patógenos e na defesa contra herbívoros; entre elas estão o 
ácido salicílico, o ácido jasmônico e a sistemina. A auxina tem sido relacionada com 
uma série variada de aspectos do desenvolvimento das plantas, entre eles se destaca 
a polaridade geral do eixo caule-raiz da planta, o desenvolvimento dos frutos, a 
disposição das folhas, a regeneração do xilema, a formação de raízes laterais e 
adventícias, entre outros. Já as citocinas regulam, junto às auxinas, o crescimento das 
plantas, além de retardar a senescência das folhas. O etileno, por sua vez, exerce um 
efeito inibitório sobre a expansão celular e regula o amadurecimento dos frutos. 
Enquanto isso, o ácido abscísico impede a germinação das sementes de maneira 
prematura, garantindo que as reservas de proteínas e carboidratos sejam 
completadas e a semente alcance seu melhor momento para que a germinação seja 
bem-sucedida. Por último, podemos citar as giberelinas como reguladores do 
processo de germinação, desempenhando um papel importante na quebra do período 
de dormência das sementes. Falando dos cinco fitormônios clássicos (auxinas, 
citocininas, etileno, ácido abscísico e giberelinas), já conseguimos ilustrar a 
importância dos hormônios vegetais para a vida e o desenvolvimento das plantas. 
Vale lembrar que esses mecanismos de modulação são complexos e interligados e 
que é graças a eles que os metabolismos primário e secundário são modulados. Esse 
refinado sistema de modulação que o reino vegetal apresenta garante a variedade de 
compostos químicos encontrados nas diferentesespécies de plantas. 
 
• Materiais estranhos encontrados em drogas vegetais 
 
Conhecendo as características das estruturas vegetais, sua anatomia e 
morfologia, acrescentando a esse conhecimento as informações sobre a fisiologia 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br
 
 
 
 
vegetal, é possível compreender a importância de caracterização de locais de reserva 
de ativos vegetais de interesse. As plantas possuem muitas peculiaridades na 
distribuição de compostos químicos em suas estruturas, desta forma, a obtenção de 
drogas vegetais compostas pelos órgãos vegetais que realmente contenham as 
concentrações ideais de ativos de interesse se torna fundamental para a qualidade 
dos produtos obtidos de plantas medicinais. Como vimos, as estruturas de folhas, 
caules, flores, frutos e raízes podem armazenar ativos de interesse terapêutico. 
Quando isso ocorre em concentrações adequadas para a obtenção de drogas 
vegetais apenas em uma dessas estruturas vegetais, é muito importante que seja 
realizado um controle de qualidade efetivo para a identificação e a separação de 
materiais estranhos. É comum a prática de manipulação de drogas vegetais, incluindo 
partes da planta que não possuem as concentrações ideais da substância com efeitos 
terapêuticos, o que aumenta o volume de produção e diminui a sua qualidade. Entre 
os chás de plantas medicinais comercializados atualmente, os testes de controle de 
qualidade já apresentaram presença de materiais estranhos provenientes de outras 
estruturas vegetais da mesma planta, de outras plantas e até mesmo materiais inertes, 
como areia. 
O controle de qualidade na produção de drogas vegetais é muito importante e 
passa desde a observação visual e separação de materiais estranhos até a análise 
microscópica e fitoquímica para a garantia da presença de marcadores vegetais nas 
concentrações adequadas. Vale a pena saber que as drogas vegetais devem 
invariavelmente passar por esse processo, para prevenção de fraudes e garantia da 
ação terapêutica dos produtos. 
 
file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br

Mais conteúdos dessa disciplina