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laboratório de Juliana Matos - 4P - @medbyjuliana anatomopatologia LABORATÓRIO 01 - 08/08 - Esofagite erosiva e esôfago de Barret / Relação do DRGE com o esôfago de Barret / H. Pylori / Neoplasia esofágica e gástrica Corte transversal do esôfago A- Mucosa B- Submucosa C-Muscular D- Serosa/Adventícia Epitélio: O esôfago é revestido por um epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. Esse epitélio é adaptado para resistir ao desgaste mecânico causado pela passagem dos alimentos. Lâmina própria: Subjacente ao epitélio, é composta por tecido conjuntivo frouxo que contém vasos sanguíneos, nervos e pequenas glândulas esofágicas que produzem muco. Muscular da mucosa: Uma fina camada de músculo liso que ajuda na movimentação do muco para a superfície do epitélio. Composta por tecido conjuntivo denso irregular, esta camada é rica em fibras colágenas e elásticas, conferindo ao esôfago a capacidade de distensão durante a passagem do alimento. Contém glândulas submucosas esofágicas, que também produzem muco para lubrificar o esôfago. Músculo esquelético: Na porção superior do esôfago, predominam fibras de músculo esquelético, o que permite o controle voluntário da deglutição. Músculo liso: Na porção inferior, há a transição para o músculo liso, que é controlado involuntariamente e responsável pelos movimentos peristálticos que empurram o alimento em direção ao estômago. Camadas: A camada muscular é organizada em duas subcamadas — uma interna, com fibras musculares circulares, e outra externa, com fibras musculares longitudinais. A camada mais externa do esôfago é a adventícia, composta por tecido conjuntivo frouxo. Esta camada conecta o esôfago às estruturas adjacentes no mediastino. Diferente de outros órgãos do trato gastrointestinal, o esôfago não possui uma camada serosa, exceto na pequena porção intra-abdominal. METAPLASIA Substituição de um tipo de célula madura por outro tipo de célula madura, que não é típico daquele tecido. É geralmente uma resposta adaptativa reversível a um estímulo crônico. Se o estímulo for removido, o tecido pode voltar ao seu estado normal. Embora seja um processo adaptativo, a metaplasia pode predispor ao desenvolvimento de neoplasias malignas se o estímulo irritativo persistir. DISPLASIA refere-se a alterações anormais no tamanho, forma e organização das células em um tecido. Estas alterações são geralmente consideradas pré-neoplásicas, ou seja, podem preceder o desenvolvimento de câncer. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum do trato digestivo que ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esófago. Isto acontece quando o esfíncter esofágico inferior, o músculo que normalmente impede que o conteúdo gástrico retorne ao esófago, não funciona corretamente. Relação DRGE e esôfago de Barret: Com o tempo, a lesão crônica causada pelo refluxo faz com que as células do esôfago sofram alterações. É comum que um paciente apresente o esôfago de Barrett quando possui uma doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) não tratada. Estimativas sugerem que mais de 95% dos pacientes com esôfago de Barrett também têm DRGE. Descrição macroscópica e histológica do esôfago de Barret Macroscópica: Ilhas de metaplasia intestinal avermelhada, cercado por mucosa de cor pálida saudável, ulceração produz sangramento e dor. Histológica: Substituição do epitélio estratificado pavimentoso por epitélio colunar especializado com células caliciformes, expresso como metaplasia intestinal. Lesão induzida por refluxo CardiaEpitélio escamoso estratificado Metaplasia de Barret Lesão induzida por refluxo Lesão induzida por refluxo Células embrionárias residuais Metaplasia de Barret Metaplasia de Barret O epitélio escamoso estratificado do esôfago é exposto ao refluxo gástrico, o que pode causar danos às células epiteliais. Em resposta a essa lesão, o organismo inicia um processo de reparação. Nesse contexto, as células epiteliais danificadas podem sofrer um fenômeno conhecido como transdiferenciação, onde as células mudam seu tipo para um fenótipo diferente, adaptando-se ao novo ambiente. No caso específico do esôfago, essas células podem se transformar em células glandulares, típicas do epitélio intestinal, caracterizando a metaplasia de Barrett. Este processo é uma tentativa do organismo de proteger o tecido esofágico contra o ambiente ácido, mais comum no estômago, mas aumenta o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma esofágico. Além da transdiferenciação das células epiteliais esofágicas, a reparação da lesão induzida pelo refluxo pode ocorrer através da proliferação e diferenciação de células progenitoras localizadas na cárdia gástrica. A cárdia, que é a região onde o esôfago se conecta ao estômago, possui células que têm a capacidade de migrar para a área danificada do esôfago e se diferenciar em células que compõem o epitélio intestinal, contribuindo para o desenvolvimento da metaplasia de Barrett. Este processo pode ser uma estratégia adicional do organismo para reparar o dano tecidual crônico causado pelo refluxo ácido. Em um cenário mais complexo, a reparação da lesão esofágica pode envolver células embrionárias residuais que permanecem na junção gastroesofágica ou na cárdia gástrica desde o desenvolvimento fetal. Estas células, que possuem um potencial elevado de diferenciação, podem ser ativadas em resposta à lesão induzida pelo refluxo. Elas migram para a área danificada e se diferenciam em células características do epitélio intestinal, resultando na metaplasia de Barrett. Este mecanismo sugere que, mesmo após o desenvolvimento inicial, o organismo mantém uma reserva de células com potencial embrionário para lidar com lesões severas e crônicas, como as causadas pelo refluxo gastroesofágico. Características histológicas na neoplasia esofágica e gástrica Mucosa infiltrada por células neoplásicas. Aumento de volume, citoplasma amplo, róseo e claro. Núcleo atípico, volumoso, hipercromático (célula em “anel de sinete”.) As células neoplásicas secretam muco em abundância. Células em anel de sinete são um tipo de célula tumoral que se caracteriza por uma produção excessiva de muco, que fica retida na célula e desloca o núcleo para a periferia. Pesquisa H. Pylori Giemsa: Método frequentemente utilizado para a pesquisa de Helicobacter pylori em espécimes de origem gástrica. Warthin Starry: Coloração a base de prata muito utilizada para pesquisa de Helicobacter pylori e espiroquetas como as da Sífilis. Hematoxilina-eosina (HE): Não é tão específica, mas pode ser usada como triagem inicial. LABORATÓRIO 02- 15/08 - Doenças Inflamatórias Intestinais Colectomia total com pancolite mostrando doença ativa, com mucosa vermelha e granular no ceco (esquerda) e mucosa lisa e atrófica distalmente (direita) Demarcação nítida entre colite ulcerativa ativa (embaixo) e normal (em cima). A pancolite ocorre quando todo cólon é afetado pela retocolite ulcerativa. Os sintomas desse quadro podem ser um pouco mais graves, com fortes diarreias sanguinolentas, cólicas abdominais, fadiga e perda de peso exagerada. Mucosa avermelhada e granular, indicando inflamação ativa. Essa região do intestino grosso apresenta um processo inflamatório agudo, com ulcerações e inchaço da mucosa. Mucosa lisa e atrófica, com aparência mais pálida. Essa área indica um processo crônico da doença, com destruição da mucosa e perda das características normais do tecido. A atrofia sugere que a inflamação intensa já ocorreu nessa região e agora está em um estágio mais avançado. Observa-se uma clara separação entre a área de colite ulcerativa ativa (parte inferior) e a mucosa normal (parte superior). Essa demarcação demonstra a extensão da doença e como ela acomete segmentos específicos do intestino. A pancolite ocorre quando todo cólon é afetado pela retocolite ulcerativa. Os sintomas desse quadro podem ser um pouco maisgraves, com fortes diarreias sanguinolentas, cólicas abdominais, fadiga e perda de peso exagerada. As lesões afetam apenas a mucosa e submucosa, poupando a camada muscular e a serosa. Ulceras multifocais: São localizadas e se originam em abscessos de cripta. Abscessos em cripta: Neutrófilos se acumulam nas glândulas, destruindo-as. Os abscessos podem romper na luz ou estender-se à submucosa, solapando a mucosa. Pseudopólipos inflamatórios: Resultado da elevação da mucosa em pedúnculos; persistem mesmo em fases de remissão. Fase ativa: Forte congestão vascular, hemorragias, necrose das células epiteliais, infiltrado linfoplasmocitário e neutrofílico. Depleção de células caliciformes: Desaparecem na fase ativa, mas reaparecem na remissão. Retocolite Ulcerativa Constituem-se de mucosa e parte da submucosa descoladas da camada muscular pelo processo inflamatório supurativo e necrosante. Na fase ativa da doença, apresentam glândulas pobres em células caliciformes. A superfície pode estar erosada. Há tecido de granulação, com vasos congestos e infiltrado crônico inespecífico exuberante. Originados na profundidade das glândulas (criptas), destróem o epitélio glandular, afloram na superfície e penetram na submucosa causando lesões subminadas (mais largas na profundidade que na superfície). Vão destruindo a submucosa adjacente e levantando a mucosa, o que leva à formação dos pseudopólipos. Às vezes, as lesões formam túneis pela submucosa. Camada muscular normal Pseudopólico (mucosa e submucosa) Submucosa destruída por abscesso em cripta Inflamação transmural: Ao contrário da retocolite ulcerativa, a inflamação na Doença de Crohn afeta todas as camadas da parede intestinal (mucosa, submucosa, muscular e serosa). Granulomas não caseosos: Presença de granulomas com células epitelioides e células gigantes multinucleadas, uma característica distintiva da Doença de Crohn. Padrão de inflamação segmentar: A doença afeta segmentos dispersos do intestino, alternando áreas saudáveis com áreas doentes, conhecido como "padrão em salteado". Espessamento da parede intestinal: Devido à inflamação crônica, há fibrose e espessamento da parede intestinal, causando estreitamentos (estenoses). Fissuras e úlceras profundas: Ulcerações podem penetrar profundamente na parede intestinal, causando fissuras que podem levar a fístulas ou abscessos. Infiltrado inflamatório: Assim como na retocolite ulcerativa, há infiltração de linfócitos, plasmócitos e neutrófilos, mas atinge todas as camadas da parede intestinal. Arquitetura distorcida das criptas: As criptas intestinais podem apresentar distorção e ramificação, sinalizando inflamação crônica. Doença de Crohn A formação do granuloma ocorre como parte de uma tentativa do organismo de conter estímulos antigênicos que ele não consegue eliminar. Durante esse processo, o sistema imunológico, especialmente macrófagos e células T, tenta isolar esses estímulos por meio da formação de granulomas. Essas estruturas são formadas por macrófagos ativados que se transformam em células epitelioides e podem fundir-se para formar células gigantes multinucleadas. A ausência de necrose caseosa diferencia esses granulomas dos encontrados em outras condições, como a tuberculose, onde ocorre necrose central. O processo é não caseoso na Doença de Crohn, pois não há destruição tecidual característica de infecções como a tuberculose. PATOGNOMÔNICO! A distorção da arquitetura das criptas ocorre devido à inflamação crônica da mucosa intestinal. Esse processo inflamatório constante leva à destruição e regeneração repetida das criptas, o que resulta em uma estrutura anômala e desorganizada. Fatores como necrose, ulceração e fibrose contribuem para essa regeneração defeituosa, causando criptas bifurcadas ou ramificadas, uma característica comum nas doenças inflamatórias intestinais. w Diarreia Secretora: Enterotoxinas bacterianas Criptite inflamação críptica envolvendo o tecido dentro do cólon, mediada por neutrófilos; Abcesso na cripta; Arquitetura preservada; Células caliciformes ligeiramente reduzidas; Infiltrado inflamatório granulocítico. LABORATÓRIO 03- 22/08 - Enterocolite / Material biológico S. Stercoralis, S. Mansoni, G. Lamblia/ Obsevação dos parasitas em lâminas histológica e análise morfológica Diarréia exsudativa Diarréia Motora Diarréia Osmótica Estímulo síntese AMP -cíclico Intracelular Secreção de água e eletrólitos Inflamação, neoplasia e isquemia intestinal Hipertireoidismo Uso de lactulose, manitol via oral Material complementar: Mecanismos que alteram a fisiologia intestinal e a relação com as diarreias. Características histológicas da colite infecciosa aguda Colite pseudomebranosa A colite pseudomembranosa é uma doença diarreica, que pode variar de autolimitada à grave, associada à infecção pelo Clostridium difficile. Esta é uma bactéria anaeróbia gram-positiva formadora de esporos, produtora de toxinas e, na atualidade, uma importante causa de diarreia associada ao uso de antibióticos. Na estrogiloidíase disseminada, as larvas de Strogyloides stercoralis podem ser encontradas em fluídos corporais, escarros, espirados duodenais e fluido cerebro-espinhal. Essa situação pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo a natureza intermitente da excreção de ovos ou larvas pelos parasitas, a técnica de coleta e a própria sensibilidade do exame. Os parasitas intestinais, como os helmintos (vermes) e protozoários, não excretam seus ovos ou cistos de forma contínua. A liberação desses elementos é frequentemente intermitente, o que significa que nem sempre haverá ovos ou larvas presentes nas fezes em todas as amostras coletadas. Portanto, se um paciente estiver infectado, é possível que a coleta de uma única amostra ou até mesmo várias amostras em um curto intervalo de tempo não capture a presença dos ovos ou cistos, resultando em um exame negativo. Por que o exame de fezes pode ser negativo, mesmo em múltiplas amostras, em caso de doença parasitária? Importância da sorologia HIV / HTLV O tropismo do HTLV-I para linfócitos TCD4+ pode ocasionar algum grau de disfunção imunitária, o que potencialmente poderia modificar a interação do hospedeiro com outros agentes infecciosos. Têm sido descritos casos graves de estrongiloidíase entre portadores de HTLV-I Vários autores têm encontrado uma prevalência significativamente mais elevada de infestação por aquele parasita em portadores do HTLV, quando comparados a soronegativos. A co-infecção HTLV-I e S. stercoralis está associada a maior dificuldade em erradicar a parasitose entre indivíduos sem outras manifestações clínicas de doença por HTLV. -Diarreia -Gás ou flatulência -Fezes gordurosas -Epigastralgia ou náusea O diagnóstico dessa helmintose se dá pela identificação das larvas nas amostras fecais Porém: -Número de larvas é pequeno; -Eliminação delas é baixa e regular; -Diagnóstico por exames parasitológicos é limitado Giargia lamblia A mucosa encontra-se parte autolizada, parte ulcerada. Os parasitas são encontrados encontrados com abundância na submucosa e na camada muscular, que atravessavam praticamente sem nenhuma reação celular por parte do hospedeiro. Materiais biológicos onde pode ser encontrado: fezes; secreções duodenais; biópsia intestinal. Strongyloides stercoralis Schistosoma mansoni Submucosa Mucosa Ovo do Schistosoma Mansoni As principais características histológicas da infecção por Schistosoma mansoni envolvem a resposta inflamatória ao depósito de ovos no tecido intestinal. Inicialmente, a mucosa pode não apresentar alterações significativas, mas os ovos se localizam na submucosa. Com a progressão da infecção, formam-se granulomas epitelioides, que são agregados de células inflamatórias em torno dos ovos, especialmente na parede intestinal. Em estágios mais avançados, os granulomas podem conter ovos calcificados, indicativos de infecções crônicas. Nos granulomas, é comum encontrar macrófagos multinucleados que engolfam os ovos. Além disso, há deposiçãode material eosinofílico, como complexos de antígeno- anticorpo, no centro dos granulomas. Essas alterações refletem a tentativa do organismo de isolar os ovos do parasita, resultando em fibrose e danos teciduais. Granulomas O Schistosoma mansoni pode ser encontrado em diversos materiais biológicos durante sua fase parasitária. O diagnóstico mais comum é feito a partir da detecção de seus ovos nas fezes. Em fases iniciais da infecção, suas larvas, conhecidas como esquistossômulos, podem estar presentes no sangue. Em casos crônicos, os ovos podem se acumular no fígado e nos vasos sanguíneos, especialmente nas veias mesentéricas, provocando inflamação e formação de granulomas. Biópsias da parede intestinal e do tecido hepático também podem revelar a presença de ovos e granulomas associados ao parasita. Entender os eventos moleculares e as mutações gênicas é fundamental no estudo da carcinogênese colorretal porque o desenvolvimento desse câncer ocorre em estágios progressivos, envolvendo mutações em genes específicos. Isso ajuda a identificar os mecanismos de iniciação, promoção e progressão tumoral, permitindo não só o diagnóstico precoce, mas também o desenvolvimento de terapias-alvo mais eficazes. Além disso, o conhecimento sobre essas mutações auxilia na estratificação de risco dos pacientes, na personalização do tratamento e no acompanhamento pós-terapêutico. LABORATÓRIO 04- 29/08 - Câncer Colorretal Os genes mais comumente relacionados na evolução do câncer colorretal incluem: APC (Adenomatous Polyposis Coli): A mutação neste gene é um dos primeiros eventos, levando à formação de pólipos adenomatosos. KRAS: A mutação deste gene ocorre nas fases intermediárias da transformação, favorecendo a proliferação celular descontrolada. TP53: A perda ou mutação do gene TP53 ocorre em estágios mais avançados, comprometendo a capacidade de reparo do DNA e favorecendo a malignização do tumor. SMAD4: Associado à via de sinalização TGF-beta, sua inativação contribui para a invasão tumoral. COX-2: A superexpressão da COX-2 está ligada à progressão de adenomas para carcinomas. A margem cirúrgica refere-se ao limite de tecido removido ao redor de um tumor durante uma cirurgia. Para garantir que o câncer foi completamente excisado, é essencial que a margem esteja livre de células malignas, o que se chama "margem negativa". Uma margem positiva significa que há células tumorais presentes na borda do tecido removido, indicando que pode haver remanescência de doença no local e aumentando o risco de recidiva. O exame das margens é crucial no planejamento de cirurgias oncológicas, incluindo no tratamento do câncer colorretal. Associação dos genes e síndromes familiares relacionadas APC: Associado à polipose adenomatosa familiar (PAF). MLH1 e MSH2: Genes relacionados à síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário não polipose). KRAS: Envolvido na progressão tumoral. TP53: Associado à regulação da apoptose e à progressão para o carcinoma. O adenocarcinoma do intestino grosso geralmente origina-se a partir de pólipos adenomatosos. Suas características incluem: Infiltração na camada muscular e submucosa. Formação de estruturas glandulares malignas. A presença de necrose no centro do tumor. Aumento da celularidade e atipia celular, com núcleos pleomórficos e perda da arquitetura normal. Na mucosa normal, as glândulas (também chamadas de criptas glandulares) têm estrutura regular e, em cortes transversais, lembram um 'canteiro de margaridas'. As glândulas são compostas por células colunares e células caliciformes, indicando diferenciação em dois tipos celulares morfologica- e funcionalmente distintos. No adenocarcinoma há perda da arquitetura normal organizada. Na maior parte das áreas, as células formam glândulas com luz (diz-se que o tumor nestas áreas é bem diferenciado). Porém há perda da diferenciação em células colunares e caliciformes, notam-se atipias nucleares e mitoses. Em algumas glândulas nota-se o aspecto cribriforme (há várias pequenas luzes lembrando um crivo ou peneira). O tumor infiltra todas as camadas, da mucosa (onde se originou), passando pela submucosa, muscular até a serosa, onde se observam células neoplásicas junto aos adipócitos. Nesta região nota-se a chamada reação desmoplásica (desmo = conjuntivo; plasia = produção), que é a produção de tecido fibroso induzida pelas células neoplásicas. Este fenômeno é observado em muitos tumores, e depende da secreção pelas células tumorais de fatores hormonais locais que estimulam a proliferação de fibroblastos e produção de colágeno, dando ao tumor consistência dura. Fatores de risco para o surgimento de pólipos Predisposição genética. Idade avançada. Inflamação crônica no intestino devido a uma doença inflamatória intestinal (como a colite ulcerativa ou a doença de Crohn). Dieta pobre em fibras e rica em gorduras. Sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. Síndromes genéticas, como a polipose adenomatosa familiar. Tipo de Pólipo Características Clínicas Características Histológicas Pólipos Adenomatose - Frequentes em pacientes com síndrome familiar - Epitélio com atipia nuclear - Pode ser sessil ou pediculado - Estrutura glandular com alteração na arquitetura - Associado ao risco de câncer colorretal - Grau de displasia (baixa a alta) Pólipos Hiperplásicos - Geralmente assintomáticos - Epitélio com células hiperpigmentadas - Comuns em pessoas idosas - Estrutura glandular normal ou levemente distorcida - Raros associados ao câncer - Sem atipia significativa Pólipos Serrilhados - Inclui pólipos serrilhados tradicionais e sessil - Arquitetura serrilhada - Associados ao câncer colorretal - Atipia variável em pólipos sessil, podendo ser alta - Pode haver envolvimento de alteração na linhagem epitelial Pólipos Inflamatórios - Associados a condições inflamatórias (ex.: colite) - Inflamação aguda e crônica com células inflamatórias - Tipicamente surgem em áreas afetadas por colite - Hiperplasia epitelial Pólipos Hamartomatosos - Comuns em síndromes genéticas (ex.: síndrome de Peutz-Jeghers) - Composto por células normais em desorganização - Geralmente assintomáticos - Estruturas semelhantes às normais, mas com desvio na disposição - Componente muscular e glandular presente Pólipos adenomatosos: São os mais relevantes em termos de risco de transformação maligna. A progressão de pólipos adenomatosos para câncer colorretal é um processo bem documentado. Pólipos hiperplásicos: Geralmente não estão associados a um risco aumentado de câncer, exceto em casos raros. Pólipos serrilhados: A subclasse dos pólipos serrilhados é importante, pois pode estar associada à síndrome do câncer colorretal não polipose hereditário (Lynch). Pólipos inflamatórios: Esses pólipos surgem frequentemente em resposta a processos inflamatórios e não têm potencial maligno. Pólipos hamartomatosos: Embora possam estar associados a síndromes genéticas, o potencial maligno geralmente é baixo. LABORATÓRIO 05- 05/09 - Biópsia do fígado (histologia do fígado e escala de METAVIR) / Hepatite crônica causada pelo vírus B / Cirrose hepática irregular / Esteatohepatite alcóolica Indicações para biópsia hepática: Hepatite crônica B e C; Cirrose biliar primária; Hepatite auto-imune; Esteatohepatite não-alcoólica; Colangite esclerosante primária; Hemocromatose; Nódulos hepáticos; Transplantes. – um ramo da veia porta – um ramo da artéria hepática – um vaso linfático – um ou mais dutos biliares O espaço porta está cercado por hepatócitos. Pontos a serem avaliados em estudo histopatológico do fígado: Integridade estrutural; Tipo e grau/estádio da lesão e da fibrose; Manejo e eficácia do tratamento. Escala METAVIR A escala METAVIR é uma ferramenta utilizada para avaliar a necro-inflamação e a fibrose em pacientes infectados pelo vírus da hepatite C. A escala é composta por cinco classificações, que são pontuadas e indicam o estágio da doença. A necro-inflamação é avaliada numa escala de 0 a 3, enquanto a fibroseé avaliada numa escala de 0 a 4, totalizando até 7 pontos. Em análise histológica, o fígado com hepatite crônica causada pelo vírus B apresenta: Hepatócitos em vidro fosco (patognomônicos) Os hepatócitos em vidro fosco são uma característica histológica encontrada principalmente em doenças hepáticas, como a hepatite B crônica e outras condições associadas ao acúmulo de proteínas no retículo endoplasmático dos hepatócitos. Esses hepatócitos exibem um aspecto citoplasmático homogêneo e granular quando observados ao microscópio, dando uma aparência de "vidro fosco". O citoplasma dos hepatócitos em vidro fosco é uniformemente preenchido, sem a granularidade normal observada em células hepáticas saudáveis. A aparência em vidro fosco resulta do acúmulo de antígenos virais, como o antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg), dentro do retículo endoplasmático. Esse acúmulo confere ao citoplasma a aparência hialina e homogênea. Septos fibrosos A presença do VHB causa uma resposta inflamatória que resulta na infiltração de células inflamatórias, como linfócitos e macrófagos, no parênquima hepática. A infecção viral e a resposta inflamatória podem levar à apoptose (morte celular programada) e necrose das células hepáticas (hepatócitos). As células estelares hepáticas (ou células de Ito), que normalmente armazenam gordura e vitamina A, são ativadas em resposta à lesão e inflamação. Essas células se transformam em fibroblastos, que produzem colágeno e outras proteínas da matriz extracelular. O aumento da produção de colágeno leva à formação de septos fibrosos que dividem o parênquima hepático em áreas de tecido fibroso. Essa fibrose pode ser difusa ou se manifestar como septos que se estendem entre as áreas de hepatócitos viáveis. Agressão a placa limitante Chama-se placa limitante à interface entre o pseudolóbulo e o tecido fibroso circunjacente. Na hepatite crônica é característica a agressão à placa limitante por infiltrado inflamatório proveniente dos septos. Células inflamatórias penetram entre os hepatócitos da periferia, alguns dos quais sofrem necrose. O aspecto é também conhecido como necrose em saca bocado (piecemeal necrosis). Também há presença de infiltrado inflamatório inespecífico. Difícil identificar a predominância celular. Os virus B e C da hepatite, além de causar hepatite aguda, podem persistir indefinidamente nos hepatócitos causando hepatite crônica. A lesão hepatocelular é produzida em parte por linfócitos T citotóxicos, que reconhecem proteínas virais na membrana externa dos hepatócitos infectados. A inflamação é multifocal e produz septos fibrosos ligando um espaço portal a outro (septos porta-porta) ou um espaço portal a uma veia centrolobular (septos porta-centro). O processo vai desorganizando a arquitetura lobular do fígado e, após meses a anos, resulta em cirrose, dita pós-necrótica. Macroscopicamente, a cirrose pós-necrótica se caracteriza por um padrão macronodular ou irregular. Microscopicamente, é difícil definir o agente em muitos casos (como no exemplo acima). O virus B pode produzir o aspecto 'em vidro fosco'. No virus C é descrita maior associação com agregados linfóides no espaço portal e com esteatose dos hepatócitos. Participam células inflamatórias crônicas, principalmente linfócitos, mas há também neutrófilos. Alguns hepatócitos mostram núcleo denso e citoplasma eosinófilo, sugestivos de necrose. Na cirrose causada por hepatite viral crônica, podemos encontrar em análise: Perda de arquitetura normal Infiltrado inflamatório Aparecimento de pseudolóbulos Proliferação de ductos biliares Necrose de hepatócitos e aspecto conhecido como necrose em saca-bocado Este corte de fígado mostra cirrose, caracterizada por perda da arquitetura lobular normal e aparecimento de pseudolóbulos, separados por septos de tecido fibroso com infiltrado inflamatório crônico inespecífico (linfócitos, monócitos, plasmócitos), e proliferação de ductos biliares. A causa da cirrose aqui é uma hepatite viral crônica. A reação inflamatória agride os hepatócitos levando à necrose destes e estabelecendo novos septos fibrosos que vão subdividindo os pseudolóbulos já existentes. O termo pseudolóbulo é usado para diferenciar dos lóbulos hepáticos normais, que têm arquitetura radiada, o sangue fluindo da periferia para o centro. Nos pseudolóbulos a arquitetura é distorcida pela necrose e regeneração dos hepatócitos e a organização funcional do lóbulo hepático é perdida. Na hepatite aguda, o infiltrado inflamatório é predominantemente de neutrófilos e está concentrado nas áreas perivenulares e de necrose, com um caráter mais difuso e destrutivo. Na hepatite crônica, o infiltrado é composto por linfócitos e plasmócitos, concentrado nas áreas portal e periportal, com necrose focal e progressiva, acompanhada por fibrose. Perda de arquitetura normal: O fígado saudável apresenta uma estrutura organizada de lóbulos hepáticos. Na cirrose, essa arquitetura é severamente distorcida devido à fibrose e formação de nódulos regenerativos, o que leva à perda da funcionalidade do órgão. Infiltrado inflamatório: É comum observar células inflamatórias, principalmente linfócitos e macrófagos, infiltrando o parênquima hepático. Isso ocorre devido à resposta imunológica ao vírus da hepatite crônica, agravando a inflamação e o dano hepático. Aparecimento de pseudolóbulos: A regeneração anormal dos hepatócitos, cercados por septos fibrosos, leva à formação de pseudolóbulos, que são áreas de regeneração disfuncionais e não organizadas de forma normal. Esses pseudolóbulos são característicos da cirrose. Proliferação de ductos biliares: Em resposta ao dano hepático crônico e à obstrução biliar, há proliferação anormal dos ductos biliares, um sinal comum em doenças hepáticas crônicas, indicando tentativas de regeneração. Necrose de hepatócitos e necrose em saca-bocado: A necrose hepatocelular, ou morte de hepatócitos, é observada em várias áreas. O termo "necrose em saca-bocado" se refere à perda de pequenos fragmentos de hepatócitos nas bordas das placas hepáticas, deixando uma aparência irregular, como se pedaços do tecido tivessem sido "mordidos". Isso é consequência da destruição celular por linfócitos, característica das hepatites virais crônicas. A cirrose hepática irregular é caracterizada pelo tamanho irregular dos nódulos (nódulos pequenos, maiores..) Na esteatohepatite alcóolica, observa-se condensações grosseiras de proteínas do citoesqueleto da célula chamados de corpúsculos hialinos de Mallory. Alteração hialina de Mallory, material grumoso avermelhado no citoplasma de hepatócitos, geralmente visualisável em hepatócitos balonizados, e/ou em meio aos vacúolos lipídicos. Resulta da condensação de filamentos do citoesqueleto por ação tóxica do álcool. A alteração hialina de Mallory geralmente se acompanha de necrose de hepatócitos, que atrai neutrófilos. Contudo, nesta lâmina, tanto a necrose hepatocítica quanto os neutrófilos são raros. A esteatohepatite é uma das manifestações do alcoolismo crônico e, geralmente, ocorre após um episódio de ingesta excessiva de álcool. O termo hepatite alcoólica é empregado em parte por motivos clínicos, pois o quadro lembra uma hepatite viral, com icterícia, mas também porque costuma haver reação inflamatória no parênquima hepático. O mecanismo seria a toxicidade aguda do etanol, que lesa diretamente as células hepáticas, provocando a alteração balonizante e a alteração hialina de Mallory. A morte de hepatócitos induz reação inflamatória focal com neutrófilos. Surtos repetidos de hepatite alcoólica terminam por evoluir à cirrose em cerca de um terço dos casos. A formação dos cálculos biliares (colelitíase) ocorre quando há um desequilíbrio nos componentes da bile, resultando na cristalização de seus componentes. Existem três principais tipos de cálculos biliares: cálculos de colesterol, cálculos pigmentares e cálculos mistos Os fatores de risco para cálculos biliares incluem o seguinte: Sexo feminino. Idade avançada. Nativo-americano.Obesidade. Rápida perda de peso (como resultado de uma dieta muito baixa em calorias ou uma cirurgia para perda de peso) Uma dieta ocidental típica. Um histórico familiar de cálculos biliares.