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330 - HIS'TÓRIA DA QUEDA DO IMPÉRIO 
lidar com o tempo"314• Outros não lhe tinham simples­
mente fé, dados os vícios que a marcavam e a tornavam 
cada vez mais vulnerável aos ataques de quantos pro­
curavam destruí-la. 
Era essa descrença que levava um homem como o 
Cons-eJ.heiro Saraiva, tido, no entanto, como um dos mais 
sinceramente afeiçoados à Monarqui~. a escrever ao 
seu amigo Barão de Penedo, nosso ministro em Londres, 
dizendo que os vícios, como êle dizia, do regime, não 
estavam somente nos homens que o serviam, mas na 
própria instituição, o que valia pela sua mais formal 
condenação. De outra vez era também um monarquist.a, 
tão sincero e tão leal quanto Saraiva, que escrevendo a 
Silveira Martins lamentava que os políticos que tinham 
por dever defender e zelar pelo regime, fizessem ouvidos 
de mercador aos erros, que se apontavam, dos nossos 
partidos, e os meios de corrigi-los. "Pior para êles, acres­
centava, pior para todos, porque está sendo tarde, infe­
lizmente, para tomar juízo". E terminava vaticinando 
que "quando os homens da idéia avançada [ os republi­
canos] se decidirem, vão encontrar as portas abertas"3111• 
Isso escrevia êle em 1876, quer dizer, treze anos antes 
da derrocada do regime. 
Pouco antes de morrer, ou seja em 1878, o velho 
Nabuco, já dizia que não tendo a dedicação dos partidos, 
dos chefes políticos e de nenhuma classe, e mais com o 
desapêgo do Imperador a quaisquer interêsses dinásticos, 
a Monarquia lhe parecia exposta a um colapso. Preo­
cupava-o, sobretudo, vê-la posta em dúvida pelas gera­
ções novas, sem que houvesse nas outras a fé robusta e 
a sabedoria que a salvaram nos dias tormentosos da 
Maioridade. Isso êle declarava em 1878, e de então 
( 3 I 4 ) M Is prlmeros 80 a/los. 
(315) J. J. da Silveira Martins, op. ele. r · 
DESCRENÇA DA MONARQUIA - 331 
para diante as coisas s6 haviam feito piorar. Já pouco 
antes tinha havido a célebre Questão dos Bispos, cujo 
desfecho, com a condenação e a prisão dos dois prelados, 
havia levado o clero a desinteressar-se da sorte da 
Monarquia. Viera depois a Abolição da Escravatura, que 
tendo sido feita sem a esperada indenização para os 
senhores de escravo·s, afastara dela a numerosa classe 
dos fazendeiros - numerosa e poderosa, pois sôbre ela 
assentava então tôda a economia do País, vale dizer, tôda 
a riqueza da Nação. E para agravar ainda mais êsse 
estado de coisas, essa irritante e perniciosa "questão 
militar", que só servia para indispor com a Monarquia 
as novas gerações de oficiais do Exército, que envene­
nados pela filosofia com.tista advogavam aberta e afron­
tosamente a vinda da República. 
Foi levando em conta tudo isso, que Vicente Quesada 
dizia ser a Monarquia no Brasil uma instituição insus­
tentável. Notava que lhe faltava um partido militar que 
a pudesse manter e defender dos perigos que a amea­
çavam. Por outro lado, ela não soubera ou não quisera 
formar uma aristocracia vitalícia, que unida e solidária 
com a Família Imperial, se tornasse um sustentáculo 
do trono. O que havia, concluía Quesada, era apenas uma 
caricatura de aristocracia, e penalizava-o contemplar de 
perto essa "símile-Monarquia, com a sua símile-nobreza, 
e onde tudo parecia similar"3rn. 
Em suma, era um regime que a9onizava. Abando­
nado, por assim dizer, à sua sorte, ja ninguém mais se 
preocupava com êle, indiferentes à morte que o aguar­
dava. Aohavam que não valia a pena fazer qualquer 
esfôrço para prolongar-lhe a existência quando o Monarca, 
que sempre o encarnara, era um homem já no fim da 
vida, velho e decadente, e todos sabiam que uma vez 
(316) Vicente Quesada, op. cit. 
332 - msrÓRIA DA QUEDA DO IMPÉRIO 
êle desaparecido, não haveria meios nem modos de se 
salvarem as instituições. Essa descrença, êsse abandono 
,ou essa indiferença pela sorte da Monarquia, não partia 
sómente daqueles que a combatiam ou lhe eram simples­
mente adversos: também de seus próprios partidários, 
daqueles que estavam ou se presumia que estivessem 
associados à sua sorte, detentores que eram das posições 
políticas e de uma parcela ainda que mínima do Poder. 
"A decadência da Monarquia não faz senão acentuar-se, 
escrevia o Conde d'Eu ao pai, o público está-se aperce­
bendo de que o Imperador, por melhor boa vontade que 
tenha, não pode mais, em virtude dos cuidados que 
requer sua saúde, governar como fazia antes de sua 
moléstia"317• 
Quando algumas Câmaras Municipais votaram Mo­
ções em favor de uma mudança de regime político, q ue 
fêz o Govêmo ? Mandou, é verdade, que fôssem respon­
sabilizados os vereadores em causa. Mas, processados 
êles, o Poder Judiciário deixou de pronunciá-los, e todos 
foram depois reintegrados em suas cadeiras. Interpelado 
o Chefe do Govêrno, na Câmara dos Deputados, sôhre 
a atitude que contava assumir ante a corrente repu­
blicana que engrossava de dia para dia, que disse êie ? 
Não duvidou em confessar simplesmente a sua impo­
tência; e em vez de responder, era êle que a seu turno 
perguntava: "Que há de fazer o Govêrno ?", Um depu­
tado, dizendo-se republicano, recusava prestar juramento 
de fidelidade à Monarquia. Longe de ser chamado à 
ordem, era a Câmara que modificava o seu regimento 
para satisfazer a êsse e a outros deputados que se con­
fessassem também contrários ao regime. Um outro 
deputado, antigo Ministro do Imperador e Presidente do 
Conselho de Ministros, Martinho Campos, confessava-se 
(317) Alberto Rangel, op. clt. 
I>EsCRENÇA OA MONARQUIA - 33,1 
envergonhado de ser monarquista, e isso sob risadas e 
ditos de pilhéria de quase t6da a Câmara. No Senado, 
Silveira Lôbo declarava-se republicano, mas ninguém ali 
se atrevia a convidá-lo a renunciar à cadeira vitalícia que 
recebera das mãos do Imperador. 
Sim, era bem a fase da- dissolução, como dizia 
Joaquim Nabuco. 
 
 
d) a criação de incentivos à exportação de produtos industrializados. 
 
 
31 - (UCS RS) 
Assinale a alternativa que apresenta características da economia brasileira no período imperial 
(1822-1889). 
 
 
a) Convivência das mãos-de-obra escrava e imigrante e incentivo à pequena propriedade cafeeira. 
b) Estímulo às imigrações italiana e japonesa e fomento à incipiente indústria. 
c) Estrutura agroexportadora e dependência em relação ao capital estrangeiro. 
d) Emprego da mão-de-obra escrava e apoio à diversificação da produção agrária. 
e) Produção destinada ao mercado interno e estimulo à imigração européia. 
 
 
32 - (UECE) 
Considere a quadrinha popular, a seguir: 
 
 
“Por subir Pedrinho ao trono 
Não fique o povo contente 
Não pode ser coisa boa 
Servindo com a mesma gente.” 
 
Assinale a opção correspondente ao momento da história do Brasil a que esses versos se referem. 
 
 
a) Início do Período Regencial. 
b) Início do Segundo Reinado. 
c) Início do Período Republicano. 
 
 
d) Início da República da Espada. 
 
 
33 - (UFSCAR SP) 
Considere a linha do tempo e cinco acontecimentos importantes na História do Brasil no século XIX, 
relacionados a seguir. 
 
 
 
 
I. Fim da Guerra do Paraguai. 
II. Abolição do tráfico negreiro. 
III. Revolta dos Malês na Bahia. 
IV. Primeira Constituição brasileira. 
V. Café começa a ser produzido no Vale do Paraíba. 
 
 
Seguindo a linha do tempo, os cinco acontecimentos que ocorreram ao longo do século XIX foram 
 
 
a) I, II, III, IV, V. 
b) II, III, IV, I, V. 
c) III, V, I, II, IV. 
d) V, II, IV, I, III. 
e) IV, III, V, II, I. 
 
 
34 - (UNISC RS) 
“ Por subir Pedrinho ao trono, Não fique o povo contente. Não pode ser boa coisa, Servindo com a 
mesma gente.” 
“Parlamentarismo às avessas.” 
 
 
“Não há nada mais parecido com um Saquarema do que um Luzia no poder.” 
“O partido que sobe entrega ao partido que desce o programa de oposição e dele recebe o 
programa de governo.” 
 
 
Os chavões e quadrinhas populares acima referem-se a que período histórico brasileiro? 
 
 
a) Brasil Colonial. 
b) Segundo Império. 
c) Nova República. 
d) Estado Novo. 
e) República Velha.35 - (UFSM RS) 
Assinale a alternativa que contém as palavras ou expressões que se relacionam com as 
transformações estruturais do Brasil na segunda metade do século XIX. 
 
 
a) Segunda Revolução Industrial - expansão cafeeira - interiorização das ferrovias - trabalho 
assalariado 
b) máquina a vapor - rodovias - desenvolvimento industrial - imigração branca 
c) ideologia do branqueamento - imperialismo 0 urbanização acelerada - mecanização da lavoura 
d) imigração asiática - migração rural-urbana - novo ciclo da cana-de-açucar - bóias frias 
e) indústria automobilística - favelização - sindicalismo de resultados - trabalhadores temporários 
 
 
36 - (UFV MG) 
Observe a imagem abaixo: