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Fisiologia Muscular SUMÁRIO 1. Introdução ..........................................................................................................3 2. Tecido muscular estriado esquelético .................................................................4 Contração muscular esquelética ............................................................................... 13 3. Tecido muscular liso .........................................................................................21 Contração da célula muscular lisa ............................................................................ 25 4. Tecido muscular estriado cardíaco ....................................................................28 Potencial de ação no músculo cardíaco ................................................................... 29 Acoplamento excitação-contração ........................................................................... 32 Frequência cardíaca e contratilidade ........................................................................ 33 Mecanismo de Frank-Starling .................................................................................... 33 Hipertrofia do músculo cardíaco ............................................................................... 34 Referências ...................................................................................................................... 36 Fisiologia Muscular 3 1. INTRODUÇÃO Muitas células do nosso organismo possuem habilidades contráteis limitadas, po- rém apenas as células musculares, que são especializadas na contração, permitem a locomoção dos animais. Essas células especializadas na contração, além da loco- moção, também realizam o bombeamento sanguíneo, constrição de vasos e movi- mentos de propulsão. As células musculares podem ser classificadas como lisas ou estriadas, sendo que as estriadas têm esse nome porque as suas proteínas contráteis estão organi- zadas em miofilamentos, que conferem uma aparência de estrias ao microscópio. Além disso, o tecido muscular estriado também é diferenciado em estriado cardíaco e estriado esquelético. Tabela 1: Terminologia das células musculares Termo geral Termo equivalente no músculo Célula muscular Fibra muscular Membrana plasmática Sarcolema Citoplasma Sarcoplasma Retículo endoplasmático modificado Retículo sarcoplasmático Fonte: Elaborado pelo autor. Saiba mais! Todos os três tipos de fibras musculares são deriva- dos do mesoderma: - Tecido muscular estriado cardíaco: mesoderma esplancnopleura; - Tecido muscular estriado esquelético: maior parte derivada do mesoderma somático; - Tecido muscular liso: maior parte derivada do mesoderma somático e esplâncnico. Fisiologia Muscular 4 Figura 1: Tecido muscular. Fonte: Aldona Griskeviciene/Shutterstock.com 2. TECIDO MUSCULAR ESTRIADO ESQUELÉTICO As fibras musculares são células longas, cilíndricas, multinucleadas e com es- triações transversais. Elas são decorrentes da fusão dos mioblastos no desen- volvimento embrionário, que, após a fusão, começam a sintetizar constituintes citoplasmáticos e as miofibrilas contendo miofilamentos. Fisiologia Muscular 5 CORTES CORADOS COM HEMATOXILINA-EOSINA, COM NÚCLEOS EM AZUL ESCURO E CITOPLASMA EM VERMELHO. MEE: MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO. CORTE TRANSVERSAL DO MEE, MOSTRANDO AS FIBRAS MUSCULARES DISPOSTAS LADO A LADO CORTES LONGITUDINAIS SALIENTANDO AS BANDAS ESTRIADAS, QUE DÃO NOME A ESSE TIPO DE MÚSCULO Figura 2: Músculo estriado esquelético, corte longitudinal. Fonte: Jose Luis Calvo/Shutterstock. Conceito: Miofilamentos são estruturas proteicas responsáveis pela capacidade contrátil da célula. Paralelamente às fibras musculares, nos espaços intercelulares, estão os capila- res contínuos, que, juntamente com a presença da mioglobina, conferem ao tecido muscular uma coloração que varia do rosa ao vermelho. Características como diâmetro da fibra muscular, quantidade de mioglobina, quantidade de mitocôndrias, extensão do retículo sarcoplasmático e da concen- tração e variação de enzimas definem se a fibra muscular é vermelha, branca ou intermediária. Fisiologia Muscular 6 Se liga! Nos seres humanos, todos os músculos apresentam por- centagens variadas de fibras de contração rápida e fibras de contração lenta, porém algumas pessoas têm uma quantidade consideravelmente maior de fibras de contração rápida e outras têm uma quantidade maior de fibras de con- tração lenta. Essa disposição, que é hereditária, pode determinar, até certo pon- to, as capacidades atléticas dos indivíduos. Todo o músculo esquelético é envolvido pelo epimísio, um tecido conjuntivo den- so não modelado. O epimísio dá origem ao perimísio, um tecido conjuntivo mais frouxo e menos fibroso que envolve os feixes de fibras musculares. Cada célula muscular é envolvida pelo endomísio, que são fibras reticulares e uma lâmina basal. Todos esses elementos de tecido conjuntivo são interconectados, o que faz com que todas as contrações individuais de fibras musculares sejam transferidas para eles, suas aponeuroses e tendões. Fisiologia Muscular 7 Nuclei MP: MEMBRANA PLASMÁTICA TECIDO CONJUNTIVO FIBROSO QUE CONECTA O TECIDO MUSCULAR AO ÓSSEO TECIDO CONJUNTIVO DENSO NÃO MODELADO TECIDO CONJUNTIVO FROUXO (MENOS FIBROSO) DERIVADO DO EPIMÍSIO FIBRAS RETICULARES E UMA LÂMINA BASAL QUE ENVOLVE CADA CÉLULA MUSCULAR COMPÕEM A MAIOR PARTE DO CITOPLASMA (SARCOPLASMA) DA FIBRA MUSCULAR A FIBRA MUSCULAR É ENVOLVIDA PELO SARCOLEMA, A MP DA CÉLULA MUSCULAR INTERCO- NECTADOS Endomísio Perimísio Figura 3: Estrutura do músculo esquelético. Fonte: Fonte: Teguh Mujiono/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 8 Olhando a fibra muscular propriamente dita, grande parte do seu sarcoplasma é ocupado por arranjos longitudinais de miofibrilas cilíndricas, que se estendem por todo o comprimento da célula e estão alinhadas umas às outras. Figura 4: Detalhe de um sarcômero muscular mostrando filamentos finos e grossos e mecanismo de contração mecânica. Fonte: Blamb/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 9 A microscopia ótica revela a presença de estrias transversais com faixas claras e es- curas vistas em corte longitudinal. As faixas escuras são conhecidas como BANDAS A e as faixas claras são conhe- cidas como BANDAS I. O centro de cada banda A é ocupado por uma BANDA H, pálida, que é dividida por uma fina LINHA M. Cada banda I é dividida por uma linha escura, a LINHA Z. A distância entre duas linhas Z é conhecida como sarcômero. O sarcômero é a unidade contrátil das fibras musculares esqueléticas. Figura 5: Micrografias de microscopia eletrônica de transmissão mostrando o aspecto dos compo- nentes do sarcômero da fibra muscular em seções longitudinais (abaixo) e transversais (acima) na linha Z, bandas I e A e zona H. Fonte: Jose Luis Calvo/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 10 A microscopia eletrônica auxiliou em revelar o que são essas bandas e linhas vistas na microscopia ótica, mostrando que, por exemplo, o sarcolema tem sua es- trutura semelhante à de outras membranas plasmáticas, com a diferença de possuir invaginações tubulares (túbulos T) que se dispõem entre as miofibrilas. Os túbulos T se dispõem exatamente nos planos de junção entre as bandas A e I, de modo que cada sarcômero apresenta dois conjuntos de túbulos T e eles facilitam a condução de ondas de despolarização ao longo do sarcolema. O retículo sarcoplasmático está presente na fibra muscular sobre a forma de tú- bulos anastomosados, associados aos túbulos T, que armazenam cálcio intracelular. Nas proximidades das bandas A e I, eles formam as cisternas terminais, em íntima disposição com um túbulo T. Se liga! A contração muscular é regulada pelo retículo sarcoplas- mático. Isso se da através da dinâmica entre o sequestro e liberação de cálcio no interior do sarcoplasma. FLUXOGRAMA 1: ESTRUTURA DE UM SARCÔMERO SARCÔMERO Disco Z BandaI Banda A Zona H Linha M Sítio de ligação dos filamentos finos (actina) Região ocupada somente por filamentos finos Local de sobreposição entre a actina e a miosina Região ocupada somente por filamentos grossos (miosina) Sítio de ligação dos filamentos grossos (miosina) Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 11 Quando uma onda de despolarização chega ao sarcolema, ela é transmitida pelos túbulos T, resultando na abertura dos canais de cálcio no retículo sarcoplasmático a partir das cisternas terminais, resultando na liberação de cálcio no sarcoplasma, nas proximidades das miofibrilas. Na periferia dos discos Z, as miofibrilas são firmadas através dos filamentos inter- mediários de desmina e vimentina. As mitocôndrias das fibras musculares são alongadas e podem estar paralelas ao eixo longitudinal da miofibrila ou se enovelar ao redor delas. Já as miofibrilas apresentam miofilamentos grossos (miosina II) e miofilamentos finos (actina), dispostos paralelamente, intercalados e em formato de bastão. Os miofilamentos finos se originam no disco Z e se projetam em direção ao centro de dois sarcômeros adjacentes; os miofilamentos grossos também formam arranjos paralelos, porém eles estão dispostos de forma entremeada entre os miofilamentos finos. Se a fibra muscular estriada não estiver contraída, os miofilamentos espessos não se estendem por todo o comprimento do sarcômero e os miofilamentos finos não se encontram na região mediana do sarcômero. Com isso, quando a fibra está relaxada, existem regiões onde somente miofilamentos finos estão presentes, que correspon- dem à banda I. A banda A é a região onde está contida toda a extensão dos miofilamentos es- pessos, sendo que a banda H é a região onde somente encontramos miofilamentos grossos. Se liga! Durante a contração, os miofilamentos não se encurtam! O que acontece é que os dois discos Z se aproximam na extremidade do sarcô- mero. Os miofilamentos finos deslizam sobre os grossos. Fisiologia Muscular 12 FLUXOGRAMA 2: ESTRUTURA DA FIBRA MUSCULAR ESQUELÉTICA MÚSCULO ESQUELÉTICO Tecido conectivo Fascículos musculares Vasos sanguíneos Nervos Compostos por fibras musculares Sarcolema e Túbulos T Sarcoplasma Vários núcleos Retículo sarcoplasmático Miofibrilas Mitocôndrias Grânulos de glicogênio Sarcômeros Filamentos finos Filamentos grossos Troponina Actina Tropomiosina Miosina Titina Nebulina Fonte: Silverthorn (2017) Fisiologia Muscular 13 Contração muscular esquelética O músculo esquelético, bastante inervado, recebe dois tipos de fibras nervosas, sendo elas motora e sensorial, sendo a primeira atuante no início da contração. No encéfalo encontramos os corpos celulares dos nervos motores e pelo tecido conjuntivo do músculo passam os axônios mielínicos que se ramificam e acabam perdendo a bainha de mielina. No final de cada axônio ele se dilata e é transforma- do em placa motora. Então um axônio com uma fibra muscular dá origem à junção neuromuscular. Nessa junção, chega o estímulo em forma de acetilcolina, despolarizando a mem- brana sarcolêmica e, quando é atingido um limiar, é formada uma onda despolarizan- te, que passa pela fibra muscular e assim ocorre a contração muscular. Os íons cálcio deixam as cisternas terminais, entram no sarcoplasma e se ligam à subunidade TnC da troponina, alterando a sua conformação. Com a mudança confor- macional da troponina, a posição da tropomiosina na actina é alterada, revelando o sítio ativo para a miosina na molécula de actina. No subfragmento S1 da miosina o ATP vai ser hidrolisado e se ligar ao sítio ativo da actina, permanecendo a ligação ATP e fosfato ao subfragmento. Logo após a liga- ção, o Pi é liberado e uma forte ligação entre actina e miosina ocorre e também uma alteração conformacional no subfragmento S1. A molécula de ADP então é liberada e o miofilamento delgado é arrastado em di- reção ao centro do sarcômero, no evento conhecido como golpe de força. Após esse processo, um novo ATP se une ao subfragmento S1 e desconecta actina e miosina. Fisiologia Muscular 14 FLUXOGRAMA 3A: CONTRAÇÃO DAS FIBRAS MUSCULARES ESTRIADAS ESQUELÉTICAS – PARTE 1 IMPULSO ELÉTRICO SARCOLEMA LIBERAÇÃO DE Ca++ INTRACELULAR RETÍCULO SARCOPLASMÁTICO SUBUNIDADE TnC TROPONINA MUDANÇA NA CONFORMAÇÃO ACTINA ALTERA A POSIÇÃO DA TROPOMIOSINA SÍTIO DE LIGAÇÃO COM A MIOSINA CISTERNA TERMINAL TÚBULOS T chega ao através dos e segue para se liga à gerando uma localizada na revelando Figura 6: Estrutura do músculo esquelético. Fonte: Aldona Griskeviciene/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 15 Saiba mais! As unidades motoras de um dado músculo podem ser recrutadas independentemente uma das outras, pois dependem de moto- neurônios distintos. Por isso, a força de contração vai depender de quantas unidades motoras foram recrutadas pelo sistema nervoso, isso é chamado de mecanismo de recrutamento. Além disso, existe um segundo mecanismo utilizado pelo sistema nervoso cen- tral. Nele, o intervalo entre potenciais de ação sucessivos de um motoneurônio determina o grau de somação temporal dos abalos produzidos nas fibras mus- culares da unidade motora. Portanto, depende da frequência dos potenciais de ação em um motoneurônio se as fibras vão ter apenas abalos isolados ou de- senvolvimento de sua máxima força de contração. Fisiologia Muscular 16 HIDRÓLISE FLUXOGRAMA 3B: CONTRAÇÃO DAS FIBRAS MUSCULARES ESTRIADAS ESQUELÉTICAS - PARTE 2 ATP ADP + Pi FRAGMENTO S1 MIOSINA PERMANECE LIGADO LIGA AO SÍTIO ATIVO ACTINA LIBERANDO Pi FORMANDO UMA FORTE LIGAÇÃO GOLPE DE FORÇA ACTINA DESLIZA SOBRE A MIOSINALIBERAÇÃO DE ADP ATP SE LIGA NOVAMENTE ATP FICA LIVRE PARA UMA NOVA PONTE TRANSVERSAL HIDRÓLISE se liga ao alterando ocorrendo o é desfeita a COMPLEXO1 24 Fonte: Akor86/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 17 Fontes de energia para a contração muscular A contração muscular consome grandes quantidades de energia; com isso, as células musculares estriadas esqueléticas mantêm uma alta concentração de com- ponentes ricos em energia. Existem três sistemas metabólicos de energia que forne- cem energia para a contração muscular. Esses sistemas de energia estão presentes em todas as demais partes do corpo, entretanto medidas quantitativas especiais das suas atividades são extremamente importantes para o entendimento dos limites da atividade física. De fato, a fonte de energia utilizada para a contração muscular é o ATP, que tem a seguinte fórmula: FLUXOGRAMA 4: MECANISMO MOLECULAR DA CONTRAÇÃO MUSCULAR Ligação do Ca2+ à troponina Elevação do Ca2+ citosólico Complexo Ca-troponina desloca a tropomiosina Afasta sítio de ligação da miosina na actina G Miosina liga-se fortemente à actina Conclui o movimento de força Filamento de actina é movido Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 18 As ligações “~” que unem os últimos radicais fosfato são de alta energia, e cada uma delas armazena aproximadamente 7.300 calorias de energia por mol de ATP nas condições normais de temperatura e pressão. Ou seja, quando um radical fosfa- to é removido, ocorre a liberação de 7.300 calorias de energia para suprir o processo de contração muscular. O mesmo ocorre quando o segundo radical fosfato é removi- do da molécula. A quantidade de ATP no músculo, mesmo em atletas bem treinados, é suficiente para sustentar uma potência máxima por cerca de três segundos. Com isso, é ne- cessário que novos ATPs sejam formados continuamente. E essa ressíntese de ATP ocorre através dos sistemas de energia. Os sistemas energéticos são: Sistema fosfocreatina-creatina A fosfocreatina é um componente químico que também apresenta uma ligação fosfa- to de alta energia, podendo ser decomposta em creatina e íons fosfato, com liberação de energia para a contração muscular. Se liga! Existe, na maioria das células musculares, de duas a quatro vezes mais fosfocreatina do que ATP.E, além disso, a quantidade de energia existente na ligação da creatina com o fosfato é maior do que a do ATP, apre- sentando aproximadamente 10.300 calorias por mol. Com isso, ela facilmente consegue fornecer energia para a ressíntese de ATP. O sistema de energia fosfatogênico gera quatro moles de ATP por minuto e conse- gue fornecer potência muscular máxima por 8-10 segundos, ou seja, essa energia é suficiente para pequenas solicitações de potência muscular máxima. Sistema glicogênio-ácido lático Esse sistema leva em consideração a utilização da glicose como fonte energética para a geração de ATP. O estágio inicial desse processo, chamado de glicólise, con- segue gerar 2,5 moles de ATP por minuto e não utiliza oxigênio. Durante a glicólise, cada molécula de glicose é dividida em duas de ácido pirúvi- co, gerando energia para a formação de quatro moléculas de ATP. Quando não há oxigênio suficiente, ocorre a formação de ácido lático, que é liberado na corrente sanguínea. Fisiologia Muscular 19 Se liga! A fadiga muscular é gerada pela diminuição do pH sanguí- neo, o que causa uma inibição das pontes cruzadas de actina e miosina. O sistema de energia anaeróbica (porque não utiliza oxigênio) ocorre quando se exige grandes quantidades de ATP para períodos curtos a moderados de contração muscular (cerca de 1,3-1,6 minuto de atividade muscular máxima), com a potência um pouco reduzida. Sistema aeróbico Quando ocorre a utilização do oxigênio para a ressíntese do ATP, estamos no sis- tema aeróbico. Ele corresponde à oxidação dos “alimentos” na mitocôndria. Esse sis- tema é utilizado quando se exige grandes quantidades de ATP para períodos longos Fisiologia Muscular 20 FLUXOGRAMA 5: SISTEMAS DE ENERGIA glicólise O2 insuficiente na presença de O2 ATP FONTE DE ENERGIA CONTRAÇÃO MUSCULAR FÓRMULA ADENOSINA- PO3~PO3~PO3- LIGAÇÕES ~ DE ALTA ENERGIA 7300 CAL. CADA ESGOTÁVEL SINTETIZADO SISTEMAS METABÓLICOS FOSFOCREATINA – CREATINA GLICOGÊNIO – ÁCIDO LÁTICO GLICOGÊNIO 4x ATP 2x ÁCIDO PIRÚVICO MITOCÔNDRIA GLICOSE ÁCIDO LÁTICO CORRENTE SANGUÍNEA AERÓBICO GRANDES SOLICITAÇÕES MITOCÔNDRIA GLICOSE, ÁC. GRAXOS, AA. OXIGÊNIO CICLO DO ÁC. CÍTRICO NÃO LIBERA MUITA ENERGIA 1x GLICOSE 24x H+2x ATP + 4x H+ RESTANTES 2x H+ NAD NADH + H+FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA 10x GERAÇÃO ATP MECANISMO QUIMIOSMÓTICO FOSFOCREATINA > ATP LIGAÇÃO PO3- DE ALTA ENERGIA 8-10 SEGUNDOS 10300 CAL. CONTRAÇÃO MUSCULAR ATP-CP PEQUENAS SOLICITAÇÕES POT. MUSCULAR MÁXIMA Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 21 de contração muscular, ainda que a potência seja reduzida, ou seja, em atividades atléticas mais prolongadas (de resistência). Saiba mais! O tamanho médio dos músculos de uma pessoa é de- terminado, em grande parte, pela hereditariedade, juntamente com os níveis de testosterona, porém, com o treinamento, os músculos podem ser hipertrofiados em até 30-60%. A hipertrofia muscular é resultado do aumento do diâmetro das fibras musculares e no aumento das fibras musculares propriamente ditas. As mudanças que ocorrem em uma fibra hipertrofiada são: aumento no núme- ro de miofibrilas; até 120% de aumento nas enzimas mitocondriais; 60-80% de aumento nos componentes do sistema ATP-CP (fosfatogênico); até 50% de au- mento no estoque de glicogênio; e 75-100% de aumento nos estoques de trigli- cerídeos. Com todas essas mudanças, a taxa máxima de oxidação e a eficácia do sistema oxidativo também aumentam em torno de 45%. 3. TECIDO MUSCULAR LISO O tecido muscular liso é encontrado na parede de vísceras ocas, nas paredes dos vasos sanguíneos, nos ductos maiores de glândulas compostas, nas vias respi- ratórias e em pequenos feixes no interior da derme da pele. Ele é considerado um músculo involuntário, ou seja, não está sob controle voluntário, sendo regulado pelo sistema nervoso autônomo, hormônios e condições fisiológicas locais. O músculo liso tem esse nome também porque não possui as estriações transver- sais encontradas no músculo estriado esquelético e também não possui um sistema de túbulos T. Mas o que isso significa? Isso significa que o tecido muscular liso não apresenta os seus filamentos inter- mediários, seus miofilamentos de actina e miosina organizados em sarcômeros. Fisiologia Muscular 22 Existem dois tipos de tecido muscular liso: • Músculo liso multiunitário, cujas células podem se contrair independentemente umas das outras porque cada célula muscular apresenta o seu suprimento ner- voso. O padrão de ativação é tônico, ou seja, esse músculo está constantemen- te ativado. Por exemplo: vasos sanguíneos, esfíncter. • Músculo liso unitário, cujas membranas plasmáticas das células formam junções comunicantes com células musculares lisas adjacentes, e as fibras nervosas fazem sinapse apenas com algumas fibras musculares. Por isso, uma célula não pode contrair independentemente uma da outra. O padrão de ativação é fásico, ou seja, é rítmico. Por exemplo: músculo liso do trato gastrointestinal. MAPA MENTAL 1: TECIDO MUSCULAR LISO TECIDO MUSCULAR LISO REGULAÇÃO CARACTERÍSTICAS TIPOS LOCALIZAÇÃO DUCTOS DE GLDS COMPOSTAS VIAS RESPIRATÓRIAS FEIXES INT. DA DERME PAREDE DOS VASOS PAREDE DE VÍSCERAS OCAS HORMÔNIOS COND. FISIOLÓGICAS SNA MULTIUNITÁRIO UNITÁRIO NÃO POSSUI ESTRIAÇÕES NÃO POSSUI TÚBULOS T Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 23 VARICOSIDADE DE NEURÔNIO AUTONÔMICO NEUROTRANSMISSOR RECEPTOR JUNÇÕES COMUNICANTES NEURÔNIO MÚSCULO LISO UNITÁRIO MÚSCULO LISO MULTIUNITÁRIO AS CÉLULAS ESTÃO CONECTADAS POR UNIÕES EM FENDA E ELAS SE CONTRAEM COMO UMA SÓ CÉLULA AS CÉLULAS NÃO ESTÃO CONECTADAS E CADA CÉLULA DEVE SER ESTIMULADA INDIVIDUALMENTE CÉLULA MUSCULAR LISA VARICOSIDADE MAPA MENTAL 2: TIPOS DE TECIDO MUSCULAR LISO Fonte: Alila Medical Media/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 24 As células musculares lisas são alongadas e fusiformes, de extremidade fina, medindo cerca de 0,2 mm de comprimento e 5-6 μm de diâmetro, cujo núcleo é alon- gado e centralizado. Se este núcleo estiver enrugado, enrolado ou de formato helicoi- dal, sugere que a célula ao ser fixada na lâmina estava contraída. O seu citoplasma é muito acidófilo e corado facilmente pela eosina. Cada célula é separada por uma membrana basal própria, tendo fibras reticulares sendo produzida pela musculatura lisa e mergulhada nessa membrana, prendendo as extremidades das célula fazendo a sua reunião. Ademais, a célula também produz elastina e proteoglicanos, que são fibras que fazem parte da membrana basal. Os capilares sanguíneos irrigam as células lisas passando pela membrana basal que as recobrem. Na microscopia eletrônica, é possível ver que as organelas estão apertadas na re- gião perinuclear, ao redor dos polos do núcleo. Além disso, o músculo liso apresenta corpos densos, que são regiões amorfas e arredondadas espalhadas pelo citoplasma da célula muscular. E os seus filamentos intermediários são de desmina ou vimentina. MAPA MENTAL 3: CÉLULA MUSCULAR LISA FIBRA MUSCULAR LISA CONTRAÍDA AS CÉLULAS MUSCULARES LISAS SÃO ALONGADAS E FUSIFORMES, COM NÚCLEOS ALONGADOS E CENTRALIZADOS CONTRAÇÃO CORPOS DENSOS MIOFILAMENTOS DE ACTINA E MIOSINA FIBRA MUSCULAR LISA RELAXADA Fonte: Gritsalak karalak/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 25 Se liga! Os miofilamentos leves da célula muscular lisa são cons- tituídos de actina e tropomiosina, pois a troponina não está presente. Os mio- filamentos grossos são constituídos de miosina II, assim como nas células musculares estriadas esqueléticas. Contração da célula muscular lisa Essa célula é inervada pelo sistema nervoso autônomo, portanto, por neurônios simpáticos (atividade excitatória) e parassimpáticos (atividade inibitória), ou seja, é um musculo involuntário. Não existindo um sistema de junções neuromusculares, onde os axônios dos nervos autônomos fazem a dilatação entre as células muscula- res lisas.As células musculares lisas, ao receberem os neurotransmissores do sistema ner- voso autônomo, permitem a entrada de cálcio das cavéolas para o sarcoplasma e o influxo do cálcio do retículo sarcoplasmático. FLUXOGRAMA 6: AUMENTO DO CÁLCIO INTRACELULAR DESPOLARIZAÇÃO HORMÔNIOS OU NEUROTRANSMISSORES HORMÔNIOS OU NEUROTRANSMISSORES ABERTURA DE CANAIS DE CÁLCIO VOLTAGEM-DEPENDENTES ABERTURA DE CANAIS DE CÁLCIO LIGANTE-DEPENDENTES IP3 LIBERAÇÃO DE CÁLCIO INDUZIDA PELO CÁLCIO LIBERAÇÃO DE CÁLCIO PELO RETÍCULO SARCOPLASMÁTICO AUMENTO DE CÁLCIO Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 26 Já no sarcoplasma, o cálcio se liga à calmodulina, alterando a sua conformação e formando o complexo cálcio-calmodulina, que se une à caldesmona, resultando na liberação do sítio ativo para a actina e, logo depois, ativa a quinase de cadeia leve da miosina. Essas quinases de cadeia leve da miosina II, quando fosforiladas, fazem o estira- mento sobre o filamento de actina. A partir da ATPase da miosina II, o ATP se quebra e libera energia movendo a ca- beça da miosina sobre a actina, deslizando. Isso é semelhante à contração da mus- culatura estriada esquelética. Os miofilamentos de actina e miosina estão ligados aos corpos densos, em que, quando uma célula se contrai, as outras também se estimulam e se contraem (mús- culo liso unitário). Enquanto se contrai o núcleo se deforma assumindo a forma rugosa, enrolada ou helicoidal. Figura 6: O controle do músculo liso. Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 27 FLUXOGRAMA 7: A CONTRAÇÃO DA MUSCULATURA LISA Ca++-calmodulina (CaM) ↑ CÁLCIO INTRACELULAR ↑ DA CINASE DA CADEIA LEVE DA MIOSINA FOSFORILAÇÃO DAS CADEIAS LEVES DA MIOSINA ↑ MiosinaATPase MIOSINA-P + ACTINA CICLO DAS PONTES CRUZADAS TENSÃO Os hormônios que podem atuar sobre o músculo liso podem ter efeito na concen- tração sarcoplasmática de AMP-cíclico, aumentando ou diminuindo, que leva a uma ativação ou uma inibição da enzima cinase independente da entrada de cálcio na cé- lula, regulando a contração muscular. Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 28 4. TECIDO MUSCULAR ESTRIADO CARDÍACO Esse tipo de tecido é encontrado apenas no coração e nas veias pulmonares, onde estas se unem ao coração e ele é derivado do manto mioepicárdico, cujas células originam o epicárdio e o miocárdio. O miocárdio adulto compreende uma rede anastamosada de células musculares cardíacas ramificadas, dispostas em lâminas, separadas por bainhas de tecido conjun- tivo onde são veiculados vasos sanguíneos, nervos e o sistema autogerador de impulso cardíaco. Os capilares que são derivados desses vasos se ramificam e invadem o tecido con- juntivo intersticial, formando uma rica rede de leitos capilares, que envolvem cada célu- la muscular cardíaca. Diferentemente dos demais músculos, o tecido muscular cardíaco apresenta uma contração involuntária e ritmo próprio, realizado por um sistema de células especia- lizadas na geração e coordenação da função contrátil desse tecido. Quase metade do volume de uma fibra cardíaca é ocupado por mitocôndrias, sen- do o glicogênio e os triglicerídeos os responsáveis pelo suprimento energético do coração. Justamente pela alta demanda energética, esse tecido contêm uma grande quantidade de mioglobina. As células musculares cardíacas têm tamanhos variados, porém apresentam em média 15 µm de diâmetro e 80 µm de comprimento. Possuem também, geralmente, um núcleo único, central e oval, mas algumas delas podem ter dois núcleos. As cé- lulas musculares atriais, além de menores, armazenam grânulos contendo peptídeo natriurético atrial, uma substância que funciona como redutora da pressão arterial, pois atua na redução da capacidade dos túbulos renais em reabsorver sódio e água. O músculo cardíaco contêm miofibrilas típicas, com filamentos de actina e miosina, assim como os encontrados no músculo estriado esquelético, e esses filamentos se dis- põem lado a lado e deslizam juntos durante as contrações. O sarcolema das células cardíacas formam junções altamente especializadas que unem uma célula à outra: os discos intercalares. Em cada disco intercalado, as membranas celulares se fundem, formando junções comunicantes (junções do tipo gap) nas suas porções laterais, que permitem rápida difusão de íons. Se liga! As junções comunicantes permitem um fluxo rápido de in- formação de uma célula para outra, de modo que, quando ocorre um potencial de ação, ele é transmitido pelas fibras miocárdicas e elas funcionam como um sincício. Fisiologia Muscular 29 Os átrios são separados dos ventrículos por um tecido fibroso, que circunda as aberturas das valvas atrioventriculares, o que faz com que, na realidade, o coração tenha dois sincícios: o atrial e o ventricular. O potencial de ação não é propagado do átrio para o ventrículo célula a célula, pois ele não consegue ultrapassar essa barreira fibrosa. Em vez disso, ele é conduzi- do pelo feixe-AV, que é um feixe de fibras condutoras. MICROSCOPIA DO MÚSCULO CARDÍACO O NÚCLEO GERALMENTE É ÚNICO, CENTRAL E OVALADO. OS DISCOS INTERCALARES PERMITEM A CONTRAÇÃO SINCRONIZADA DO TECIDO CARDÍACO. ASSIM COMO NO MEE, TAMBÉM APRESENTAM ESTRIAS TRANSVERSAIS (SARCÔMEROS). Potencial de ação no músculo cardíaco O potencial de ação do músculo cardíaco passa de um valor extremamente nega- tivo (-85 milivolts) para um valor ligeiramente positivo (+ 20 milivolts) a cada bati- mento e, após o potencial em ponta inicial, a membrana continua despolarizada por cerca de 0,2 segundos (platô) e aí vem uma repolarização abrupta. Fonte: Jose Luis Calvo/Shutterstock.com Fisiologia Muscular 30 A presença desse platô faz com que a contração da célula muscular cardíaca du- re até 15 vezes mais do que a da célula muscular esquelética. Isso ocorre por dois motivos: • No músculo cardíaco, o potencial de ação é causado pela abertura de dois ti- pos de canais: os canais rápidos de sódio e os canais lentos de cálcio-sódio, que são mais lentos para abrir e demoram mais tempo abertos. Esse tempo extra permite que uma quantidade maior de cálcio e sódio entre na célula e pro- voque o platô. • A permeabilidade da membrana plasmática ao potássio diminui (cerca de cinco vezes) e isso aumenta ainda mais o influxo de cálcio pelos canais de cálcio- -sódio, esse processo ocorre logo após o inicio do potencial de ação. A perme- abilidade da MP só aumenta novamente ao potássio quando esses canais de cálcio-sódio se fecham, possibilitando assim o retorno imediato do potencial de membrana da fibra ao seu nível de repouso. Se liga! O músculo cardíaco fica cerca de 0,25 a 0,30 segundos sem conseguir ter um novo estimulo, então ele é refratário à reestimulação quando está acontecendo o potencial de ação. Somado a isso, em um período (0,05 segundos) existe o chamado período refratário onde fica mais difícil exci- tar o músculo, mas, se houver um impulso mais forte, a excitação pode ocorrer. Fisiologia Muscular 31 FLUXOGRAMA 8: O POTENCIAL DE AÇÃO NO MÚSCULO CARDÍACO POTENCIAL DE AÇÃO NO MÚSCULO CARDÍACO EM MÉDIA, 105 MILIVOLTS APRESENTA UM PLATÔ ↑ DURAÇÃO DA CONTRAÇÃO INFLUXO DE CÁLCIO DO LÍQUIDO EXTRACELULAR PELOS TÚBULOS T REPOLARIZAÇÃO ABRUPTA ↑ Permeabilidade AO POTÁSSIO APÓS O FECHAMENTO DOS CANAIS DE CÁLCIO-SÓDIO LENTOS O potencial de ação de uma célula cardíaca contrátil. 0: Canais de sódio abertos 1: Canais de sódio fechados 2: Canais de cálcio abertos; Canais de potássio rápido fechados 3: Canais de cálcio fechados; Canais de potássio lento abertos 4: Potencial de repouso Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 32 Acoplamento excitação-contração Quando o potencial de ação é iniciado na membrana miocárdica, ele se difunde para o interior das fibras cardíacas, passando ao longo dos túbulos T até as cister- nas terminais do retículo sarcoplasmático, fazendo com que haja um influxo de cál- cio para o sarcoplasma.O ciclo das pontes cruzadas, onde há o deslizamento da actina sobre a miosina, é igual ao que ocorre nas células musculares esqueléticas (discutido acima). O que difere do músculo cardíaco para o esquelético é que, além dessa fonte de cálcio, ainda existe a entrada de cálcio advinda dos canais de cálcio dependentes de voltagem, presentes nos próprios túbulos T, que ativam canais de receptores de ria- nodina na membrana do retículo sarcoplasmático, provocando a liberação de mais cálcio para o sarcoplasma, para seguirmos para as pontes cruzadas. Essa fonte extra de cálcio é importante pois o retículo sarcoplasmático das cé- lulas miocárdicas é menos desenvolvido do que o das células musculares, não ar- mazenando cálcio suficiente para uma contração muscular efetiva. Inversamente ao que ocorre no retículo sarcoplasmático, os túbulos T das fibras miocárdicas são ex- tremamente desenvolvidos e realizam um contato direto com o líquido extracelular. Bombas de cálcio-ATPase e trocadores de cálcio-sódio bombeiam cálcio para fora das fibras miocárdicas após o potencial de ação cardíaco. Com isso, a contração se encerra, até que ocorra um novo potencial de ação. Após o início do potencial de ação, poucos milissegundos depois o músculo cardí- aco começa a se contrair e segue a sua contração após alguns outros milissegundos do término do potencial. Então, o músculo atrial contrai com uns 0,2 segundos e o ventricular com uns 0,3 segundos. Saiba mais! A contração do músculo estriado esquelético quase não é afetada por mudanças moderadas na concentração de cálcio extracelu- lar, pois o cálcio necessário para a contração fica retido no retículo sarcoplas- mático. Em contraste, no músculo estriado cardíaco, como a maior parte do cálcio depende dos túbulos T, que têm contato direto com o líquido extracelular, pequenas variações nos níveis de cálcio provocam grandes alterações na con- tração desse músculo. Com isso, podemos perceber que o inotropismo (a contratilidade) da fibra mio- cárdica depende do armazenamento prévio de cálcio no retículo sarcoplasmá- tico (muito pouco pelo explicitado acima), mas também pelo influxo (no platô) através dos túbulos T. Ainda sobre a contratilidade, o sistema nervoso autônomo apresenta um efeito po- sitivo ou negativo: o SNA simpático tem um efeito inotrópico positivo e o SNA pa- rassimpático, particularmente na região atrial, tem um efeito inotrópico negativo. Fisiologia Muscular 33 Frequência cardíaca e contratilidade O aumento da frequência cardíaca provoca um aumento na contratilidade por dois motivos: • Efeito escada positivo: isso ocorre porque, com o aumento da frequência car- díaca, ocorre um aumento no número de platôs (número de correntes de influ- xo), aumentando a quantidade de cálcio intracelular. Com isso, a contratilidade também aumenta. Ademais, quanto mais cálcio entra na célula, mais cálcio o retículo sarcoplasmático vai acumular no final do potencial de ação. • Efeito potenciação pós-extrassistolia: após o acontecimento de uma extrassís- tole, existe uma sístole exacerbada, que ocorre por causa do acúmulo de cálcio extra que ocorre no retículo sarcoplasmático. Com isso, ele fornece mais cálcio na contração pós-extrassístole. Mecanismo de Frank-Starling A lei de Frank-Starling diz que: “a energia de contração é proporcional ao compri- mento inicial da fibra do músculo cardíaco”. Essa frase ganhou uma explicação lógica após estudos de microscopia eletrônica, que permitiram relacionar a contração desenvolvida pelo músculo com o compri- mento dos sarcômeros. Esses estudos evidenciaram que existe uma determinada variação de comprimento em que o músculo desenvolve maior força, que é entre 2,05 e 2,25 µ. Nesse caso, até esse tamanho, a relação tamanho-força é diretamente proporcional, e isso ocorre por- que, nesse comprimento do sarcômero, toda porção ativa do filamento grosso pode interagir com o filamento fino, possibilitando o maior número possível de ligações en- tre a miosina e a actina. Outro mecanismo que explica o aumento da contratilidade cardíaca é que uma fibra cardíaca mais distendida significa que mais sangue está chegando ao coração. Esse sangue exerce uma pressão que distende as câmaras. A distensão, especial- mente no átrio esquerdo, aumenta a frequência cardíaca em 10-20%, o que, pelo me- canismo explicado acima, também aumenta a força de contração. Fisiologia Muscular 34 Se liga! Quando a fibra se estira demais e temos sarcômeros com comprimentos maiores que 2,25 µ, ocorre um decréscimo da força de contra- ção, pois o filamento fino se afasta do centro do filamento grosso, implicando perda de pontos de interação miosina-actina. A partir de 2,25 µ, o afastamento dos filamentos finos será tanto maior quanto mais estirado estiver o sarcômero e, com isso, ocorre a diminuição progressiva do número de pontos de interação miosina-actina e da tensão gerada durante a contração. Hipertrofia do músculo cardíaco Assim como o músculo esquelético, o músculo cardíaco pode ser hipertrofiado. Quando ocorre por causa de uma atividade física, essa hipertrofia, até certo ponto, é be- néfica, por melhorar o desempenho da bomba cardíaca. Entretanto, quando o paciente é portador de hipertensão arterial sistêmica, existe uma sobrecarga de pressão que também ocasiona uma hipertrofia, só que agora patológica. A hipertrofia concêntrica (aumento da parede miocárdica sem aumento das câ- maras) e a hipertrofia dilatada (dilatação das câmaras cardíacas) são exemplos de hipertrofias cardíacas patológicas. Fisiologia Muscular 35 FLUXOGRAMA 9: CONTRATILIDADE E HIPERTROFIA CARDÍACA CONTRATI- LIDADE CARDÍACA MECANISMO DE FRANK-STARLING EFEITO ESCADA POSITIVO ↑ COMPRIMENTO DA FIBRA ↑ FORÇA DE CONTRAÇÃO ↑ INTERAÇÃO DAS PONTES CRUZADAS EFEITO POTENCIAÇÃO PÓS-EXTRASSISTOLIA FREQUÊNCIA CARDÍACA ↑ FC ↑ PLATÔS ↑ Ca2+ INTRACEL. ↑ CONTRATILIDADE ACÚMULO DE CÁLCIO DA EXTRASSÍSTOLE HIPERTROFIA CARDÍACA FISIOLÓGICA PATOLÓGICA BENÉFICA MALÉFICA CAUSADA PELO EXERCÍCIO FÍSICO CAUSADA POR SOBRECARGA PATOLÓGICA HIPERTROFIA CONCÊNTRICA HIPERTROFIA DILATADA Fonte: Elaborado pelo autor. Fisiologia Muscular 36 REFERÊNCIAS HALL, John Edward; GUYTON, Arthur C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. SILVERTHORN, Dee Unglaub. 7. ed. Porto Alegre (2017). Berne & Levy Fisiologia. Elsevier Health Education; Edição 6, 2011. BICAS, Harley EA. Oculomotricidade e seus fundamentos. Arq. Bras. Oftalmol. São Paulo, v. 66, n. 5, p. 687-700, outubro de 2003. Disponível em . acesso em 10 de abril de 2020. https://doi.org/10.1590/S0004-27492003000500026 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, 556 p. Pereira Diego Araújo. Tecido Muscular [Internet]. Laboratório de anatomia animal: Guilherme Pinheiro Santos; [cited 2023 Feb 23]. Disponível em: https://laan.jatai.ufg. br/p/7325-tecido-muscular Baldo Macus Vinícius C. Fisiologia do movimento humano [Internet]. DOCPLAYER; [cited 2023 Feb 23]. 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