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Esôfago e cavidade oral • Motilidade: mastigação e deglutição • Secreção: saliva • Digestão: carboidratos e lipídios (mínima) • Absorção: nenhuma Mastigação Funções: - Reduz o tamanho das partículas de alimento; - Lubrificação do bolo alimentar para deglutição; - Mistura dos carboidratos do alimento com a amilase salivar - Satisfação para comer Observações: Exige controle coordenado dos músculos da mandíbula, lábios, bochechas e língua É voluntária, porém contém componentes reflexos Glândulas salivares Funções: 1- Digestão inicial dos amidos e lipídios pelas enzimas salivares 2- Diluição e tamponamento dos alimentos ingeridos 3-Lubrificação dos alimentos ingeridos com muco As glândulas salivares maiores são a parótida, a sublingual e a submandibular, e elas produzem saliva com composições diferentes devido aos tipos de células que possuem. 1. Glândula Parótida: Composta principalmente por células serosas, que produzem uma secreção aquosa e rica em enzimas, especialmente a amilase. A saliva serosa é clara e mais fluida, o que auxilia na digestão inicial dos carboidratos. 2. Glândulas Sublingual e Submandibular: São chamadas de mistas porque têm tanto células serosas quanto células mucosas. As células mucosas produzem um muco mais viscoso, que facilita a lubrificação dos alimentos. Como resultado, essas glândulas produzem uma saliva que é uma mistura de fluido seroso e muco, sendo mais espessa que a produzida pela parótida, o que contribui para a formação e a deglutição do bolo alimentar. Formação da saliva Explicação do Processo: 1. Células Acinares: • No início, a saliva produzida pelas células acinares é isotônica, com concentrações de íons semelhantes ao plasma sanguíneo. • Essas células secretam principalmente íons de sódio (Na ) e cloreto (Cl ), criando um fluido inicial ⁺ ⁻ que se move em direção aos ductos. 2. Células Ductais: 1. Transporte de Sódio (Na )⁺ : • Reabsorção: O sódio é reabsorvido das células ductais para o sangue. • Esse transporte é feito através da bomba de sódio-potássio (Na /K -ATPase)⁺ ⁺ na membrana basolateral (lado voltado para o sangue). • A Na /K -ATPase troca três íons de Na pelo lado do sangue por dois íons de K que entram na célula, usando ⁺ ⁺ ⁺ ⁺ ATP para essa troca. • Como resultado, o sódio é removido do lúmen (parte interna do ducto) e retorna ao sangue, diminuindo a concentração de Na na saliva final.⁺ 2. Transporte de Cloreto (Cl )⁻ : • Reabsorção: O íon cloreto também é reabsorvido das células ductais para o sangue. • Esse movimento de Cl é feito por canais específicos que permitem que ele se mova passivamente, ⁻ acompanhando o gradiente eletroquímico gerado pela reabsorção de Na .⁺ • Dessa forma, o Cl é transportado para fora do lúmen e diminui a concentração de cloreto na saliva.⁻ 3. Secreção de Potássio (K )⁺ : • Secreção: O potássio é secretado ativamente para o lúmen do ducto pelas células ductais. • Esse processo é possível graças à ação da Na /K -ATPase, que traz K para dentro das células e o libera para o ⁺ ⁺ ⁺ lúmen por canais específicos. • Como resultado, o K aumenta na saliva final.⁺ 4. Secreção de Bicarbonato (HCO )₃⁻ : • Secreção: O bicarbonato é secretado para o lúmen do ducto pelas células ductais. • O HCO é produzido dentro das células pela ação da enzima ₃⁻ anidrase carbônica, que converte CO e H O ₂ ₂ em HCO e H .₃⁻ ⁺ • O bicarbonato então é transportado para o lúmen por trocadores específicos, enquanto o H é eliminado para o⁺ sangue. • O HCO ajuda a tornar a saliva mais alcalina, o que é importante para neutralizar ácidos e proteger contra o ₃⁻ ambiente ácido dos alimentos. Resultado Final: Ao final do processo, o ducto reabsorve mais Na e Cl do que secreta K e HCO , resultando em uma saliva ⁺ ⁻ ⁺ ₃⁻ hipotônica. Essa saliva com menor concentração de íons é menos densa que o plasma e adequada para suas funções de lubrificação e auxílio na digestão inicial. Regulação Parassimpática • Estímulos: A secreção salivar é estimulada por sinais como: • Condicionamento (expectativa de alimento), • Presença de alimentos, • Náusea, • Cheiro. • Esses estímulos ativam o sistema nervoso parassimpático, que envolve os nervos cranianos VII (facial) e IX (glossofaríngeo). • Liberação de ACh: O neurotransmissor acetilcolina (ACh) é liberado e se liga aos receptores muscarínicos nas células acinares e ductais das glândulas salivares. • Segundo Mensageiro (IP e Ca² )₃ ⁺ : A ativação dos receptores muscarínicos gera o segundo mensageiro inositol trifosfato (IP )₃ , que aumenta o cálcio intracelular (Ca² ). Esse aumento de Ca² estimula a secreção ⁺ ⁺ de saliva aquosa. • Inibição por Atropina: A atropina pode bloquear essa via, inibindo a secreção salivar ao competir com a ACh pelos receptores muscarínicos. Regulação Simpática • Estímulos: A secreção de saliva também pode ser regulada pelo sistema simpático, especialmente em situações de: • Desidratação, • Medo, • Sono. • O estímulo simpático atinge as glândulas salivares através dos nervos da cadeia simpática (T1-T3). • Liberação de NE: O neurotransmissor norepinefrina (NE) é liberado e se liga aos receptores -adrenérgicos β nas células acinares e ductais. • Segundo Mensageiro (AMPc): A ativação desses receptores aumenta o nível de AMP cíclico (AMPc) nas células, levando à produção de uma saliva mais espessa e rica em mucina, porém em menor quantidade. Resumo do Efeito Final: • A estimulação parassimpática gera uma saliva aquosa, abundante e fluida, facilitando a digestão e a lubrificação. • A estimulação simpática gera uma saliva mais espessa e viscosa, geralmente em menor quantidade, associada a situações de estresse. Reflexos Condicionados A produção de saliva pode ser iniciada não apenas pelo contato direto com alimentos, mas também por reflexos condicionados, que envolvem estímulos sensoriais como visão, olfato e até pensamento relacionado ao alimento. Esse processo depende do estado motivacional do indivíduo, ou seja, de fatores como fome, apetite e até mesmo experiências passadas. Reflexos Condicionados na Salivação • Estímulos Sensorias: A visão de um alimento apetitoso, o cheiro agradável de uma comida e o pensamento sobre o alimento podem ativar centros do sistema nervoso central (SNC), que sinalizam para as glândulas salivares começarem a produção de saliva. • Esses estímulos sensoriais chegam ao cérebro e ativam áreas específicas, como o sistema límbico, que é associado a emoções e comportamentos motivados, incluindo a resposta ao alimento. Núcleos Salivatórios e Integração com o SNC • Os núcleos salivatórios, localizados no tronco encefálico, recebem essas informações sensoriais e podem ativar as glândulas salivares, mesmo na ausência de estímulos orais diretos. • Esses núcleos também recebem aferências (sinais) de outras áreas do SNC, que podem ter um efeito estimulatório ou inibitório sobre a salivação, dependendo da situação: • Estimulatórios: Situações como o estado de fome ou o prazer associado ao alimento podem aumentar a atividade dos núcleos salivatórios, elevando a produção de saliva. • Inibitórios: Em situações de estresse, medo ou nervosismo, o sistema nervoso simpático é ativado, e isso pode inibir a produção de saliva, causando a sensação de boca seca. Exemplo de Reflexo Condicionado Um exemplo clássico de reflexo condicionado na salivação é o famoso experimento de Pavlov com cães, onde o som de uma campainha, inicialmente neutro, foi associado à apresentação de comida. Com o tempo, os cães passaram a salivar ao ouvir o som, mesmo sem ver ou cheirar o alimento. Esse reflexo condicionado mostra como estímulos sensoriais podem desencadear a salivação através de vias cerebrais, sem a presença direta do alimento. 1. Centros Superiores (Visão, Olfação e Pensamento): • Estes centros superiores incluem áreas do cérebro que processam estímulos visuais, olfativos e pensamentos relacionados à comida. • Esses estímulos podem ativar reflexos condicionados de salivação (comopensar ou ver comida e começar a salivar). 2. Tronco Encefálico: • O tronco encefálico integra informações de diferentes centros superiores e é a região onde estão localizados centros específicos de controle de funções autônomas e reflexas, como mastigação, deglutição e salivação. • Aqui, ocorre a coordenação e processamento de estímulos que afetam a produção de saliva. 3. Centro da Mastigação: • Esse centro recebe estímulos mastigatórios, transmitidos pelo nervo trigêmeo (N. V), que é responsável pela sensação e movimento dos músculos da mastigação. • A mastigação estimula a produção de saliva para ajudar no processamento e deglutição dos alimentos. 4. Centro da Deglutição: • Também localizado no tronco encefálico, ele coordena o ato de engolir, permitindo que o alimento passe da boca para o esôfago. • Esse centro é importante porque a deglutição exige uma quantidade adequada de saliva para facilitar a passagem do bolo alimentar. 5. Centro da Salivação: • Este é o centro responsável pelo controle direto das glândulas salivares e integra os estímulos gustativos, mastigatórios e de distensão gástrica. • Ele é ativado por diferentes nervos cranianos e responde a diversos estímulos para regular a quantidade e o tipo de saliva. Estímulos e Nervos Envolvidos • Estímulos Mastigatórios: Ativados pelo nervo trigêmeo (N. V), que leva as informações do ato de mastigar para o tronco encefálico. • Estímulos Gustativos: Transmitidos pelos nervos facial (N. VII), glossofaríngeo (N. IX) e vago (N. X), que levam ao centro da salivação. • Distensão Gástrica: A sensação de plenitude no estômago, causada pela presença de alimento, pode enviar sinais que modulam a produção de saliva. Inervação das Glândulas Salivares • Glândulas Submandibulares e Sublinguais: Inervadas pelo ramo parassimpático do nervo facial (N. VII). • Glândulas Parótidas: Inervadas pelo ramo parassimpático do nervo glossofaríngeo (N. IX). • Esses nervos estimulam a produção de saliva ao liberar neurotransmissores que ativam as glândulas. Sistema Simpático e Parassimpático • Ramos Parassimpáticos (PS): São os principais responsáveis pela produção de uma saliva fluida e abundante, essencial para a digestão e lubrificação. • Ramos Simpáticos (SP): Passam pelo gânglio cervical superior e originam-se do segmento superior torácico da medula espinhal. Eles promovem a produção de uma saliva mais espessa e viscosa, especialmente em situações de estresse. Resumo do Funcionamento • Os centros superiores podem iniciar a salivação através de estímulos visuais, olfativos e do pensamento. • O tronco encefálico recebe sinais de mastigação, deglutição e gustação, e os integra para regular as glândulas salivares. • A ativação dos nervos facial e glossofaríngeo envia sinais diretamente para as glândulas salivares, que secretam saliva conforme o tipo de estímulo e a necessidade do organismo Deglutição A deglutição é um processo complexo que envolve várias fases, coordenadas pelo sistema nervoso central para garantir a passagem segura e eficiente do bolo alimentar da boca ao estômago. Ela é dividida em três fases principais: a fase oral (ou voluntária), a fase faríngea e a fase esofágica. Cada uma delas tem funções e reflexos específicos que envolvem a ativação e relaxamento de diferentes estruturas da boca, faringe e esôfago. 1. Fase Oral (ou Voluntária) • Início da Fase: A deglutição começa de maneira voluntária. A língua posiciona o bolo alimentar na boca e, em seguida, inicia um movimento para empurrá-lo em direção à parte posterior da cavidade oral. • Movimento da Língua: A língua pressiona o bolo alimentar contra o palato duro (parte superior da boca) e, em seguida, para trás, em direção ao palato mole (parte posterior do teto da boca). • Estimulação Tátil: Esse movimento da língua contra o palato e a pressão exercida na parte posterior da cavidade oral estimulam receptores táteis, que enviam sinais ao tronco encefálico. Esses sinais iniciam o reflexo de deglutição. • Conclusão da Fase: A fase oral é voluntária e termina quando o bolo alimentar atinge a orofaringe, onde então o processo se torna involuntário. 2. Fase Faríngea Esta fase é reflexa e involuntária, desencadeada pelos estímulos táteis da fase oral. O objetivo principal dessa fase é proteger as vias aéreas e direcionar o bolo alimentar para o esôfago. • Fechamento das Pregas Vocais: O fechamento das pregas vocais impede que o alimento entre na traqueia e protege as vias respiratórias. • Descida da Epiglote: A epiglote se move para baixo, cobrindo a entrada da laringe. Isso garante que o alimento não entre nas vias respiratórias, desviando-o para o esôfago. • Levantamento da Faringe: Os músculos da faringe elevam essa estrutura, ajudando o bolo alimentar a passar pela garganta. • Abertura do Esfíncter Esofágico Superior (EES): O EES se abre, permitindo que o bolo alimentar entre no esôfago. • Inibição Temporária da Respiração: Durante essa fase, a respiração é brevemente inibida para evitar a entrada de alimento nas vias aéreas (chamado de "apneia de deglutição"). • Reinício da Respiração: Após a passagem do bolo alimentar pela faringe, as cordas vocais se abrem novamente, a epiglote relaxa e o EES se fecha, permitindo que a respiração seja retomada. 3. Fase Esofágica da Deglutição A fase esofágica é a última etapa da deglutição, na qual o bolo alimentar se move pelo esôfago em direção ao estômago. Esse processo é completamente involuntário. • Início da Onda Peristáltica: Uma onda peristáltica (um movimento coordenado de contração muscular) começa logo abaixo do EES. Esse movimento peristáltico empurra o bolo alimentar pelo esôfago. • Progressão da Onda Peristáltica: A onda peristáltica se move ao longo do esôfago, empurrando o bolo alimentar em direção ao esfíncter esofágico inferior (EEI). • Relaxamento do EEI (Relaxamento Receptivo): Quando o bolo alimentar se aproxima do EEI, esse esfíncter relaxa para permitir a passagem do alimento para o estômago. Isso é conhecido como relaxamento receptivo, que é um reflexo do estômago para se preparar para receber o conteúdo do esôfago. • Entrada do Bolo Alimentar no Estômago: Após a passagem do bolo pelo EEI, o esfíncter se fecha novamente para evitar o refluxo de ácido gástrico para o esôfago. Resumo do Processo de Deglutição 1. Fase Oral (Voluntária): A língua empurra o bolo alimentar para a parte posterior da boca, pressionando-o contra o palato duro e mole, iniciando a deglutição. 2. Fase Faríngea (Involuntária): Reflexo de proteção das vias aéreas com fechamento das pregas vocais, descida da epiglote e abertura do EES para que o bolo alimentar entre no esôfago. 3. Fase Esofágica (Involuntária): Movimentos peristálticos empurram o bolo alimentar pelo esôfago, com relaxamento do EEI para permitir a entrada do alimento no estômago. Explicação do Processo: 2. Transporte de Cloreto (Cl⁻): 3. Secreção de Potássio (K⁺): 4. Secreção de Bicarbonato (HCO₃⁻): Resultado Final: Regulação Parassimpática Regulação Simpática Resumo do Efeito Final: Reflexos Condicionados na Salivação Núcleos Salivatórios e Integração com o SNC Exemplo de Reflexo Condicionado Estímulos e Nervos Envolvidos Inervação das Glândulas Salivares Sistema Simpático e Parassimpático Resumo do Funcionamento 1. Fase Oral (ou Voluntária) 2. Fase Faríngea 3. Fase Esofágica da Deglutição Resumo do Processo de Deglutição