Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Prática dos
recursos aos
tribunais locais
Prof. Arthur Bobsin
Descrição
Você vai entender a dinâmica dos processos nos tribunais e a escolha
da técnica recursal mais adequada na prática dos recursos aos tribunais
locais.
Propósito
O conhecimento sobre recursos é de fundamental importância para a
prática cível, visto que é o recurso que garante ao jurisdicionado o duplo
grau de jurisdição. É apenas por meio do recurso que o julgamento deixa
de ser singular e monocrático, e passa para órgão colegiado, com a
ampliação dos debates e das discussões.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
1 of 44 04/08/2024, 19:04
Preparação
Antes de iniciar a leitura do conteúdo, tenha em mãos o Código de
Processo Civil de 2015 (Lei nº 13.105/2015), para consultar os arts. 926
até 1.026.
Objetivos
Módulo 1
Processo nos tribunais locais
Analisar a dinâmica dos processos nos tribunais e os sucedâneos
recursais.
Módulo 2
Recursos
Identificar os recursos para aplicação da melhor técnica recursal na
prática.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
2 of 44 04/08/2024, 19:04
Introdução
O sistema recursal, nele compreendidos os processos nos
tribunais e os recursos em espécies, sofreu significativas
alterações no Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015).
Nesse sentido, este conteúdo ajuda na compreensão de ideias
novas e no posicionamento na vanguarda do tema.
Assim, veremos a ordem dos processos nos tribunais, os
incidentes da assunção de competência e de resolução de
demandas repetitivas, a ação rescisória e a reclamação. Depois,
estudaremos a teoria geral dos recursos, o recurso de apelação, o
agravo de instrumento, o agravo interno e os embargos de
declaração.
Material para download
Clique no botão abaixo para fazer o download do
conteúdo completo em formato PDF.
Download material

Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
3 of 44 04/08/2024, 19:04
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
1 - Processo nos tribunais locais
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a dinâmica dos processos nos tribunais e
os sucedâneos recursais.
Ordem dos processos nos tribunais
locais
Assista ao vídeo e confira a sistemática da ordem dos processos nos
tribunais locais, assim como os poderes do relator e a possibilidade de
sustentação oral.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
4 of 44 04/08/2024, 19:04
A função dos tribunais está prevista especialmente nos arts. 926 ao 928
do CPC. Por exemplo, no sistema de Justiça Civil brasileiro, os tribunais
de Justiça e os tribunais regionais federais têm a responsabilidade de
atuar como cortes de justiça. Em outras palavras, eles buscam
assegurar a proteção dos direitos específicos, facilitando a emissão de
decisões justas, efetivas e oportunas em relação a esses direitos. Por
sua vez, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça
desempenham o papel de Cortes Supremas, ou seja, procuram garantir
a tutela dos direitos em geral, promovendo a uniformidade do direito por
meio de precedentes.
Com a interposição do recurso, o processo avança para os tribunais,
onde passa a ser examinado. Ao contrário do que ocorre na primeira
instância, em que o caso é julgado por um único juiz, nas cortes a
decisão é proferida por um colegiado, composto por um relator, um
revisor e um vogal. Dessa forma, a colegialidade é a norma nos
tribunais.
Assim, no sistema processual brasileiro a regra geral é que no primeiro
grau de jurisdição o magistrado atue de forma singular; isto é, a decisão
é unicamente daquele juízo, sem a observância de um colegiado. Por
sua vez, nos tribunais a regra é o oposto, imperando a vontade
colegiada, por maioria de votos e, excepcionalmente, há a autorização
para medidas determinadas unicamente pelo relator.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
5 of 44 04/08/2024, 19:04
Durante o julgamento, após a fase de debates entre as partes, o relator
apresenta seu voto sobre as questões do caso, seguido pelo debate
entre os demais julgadores que compõem o colegiado. Caso algum
deles não se sinta apto para votar imediatamente, poderá solicitar vista
dos autos para um estudo mais aprofundado. Após a manifestação de
todos os votos, o presidente anunciará o resultado do julgamento.
Poderes do relator
O legislador estabeleceu alguns dispositivos que confirmam a liberdade
dos poderes do relator na condução do processo. Os destaques são os
arts. 932, 933 e 938 do CPC. O artigo 932, que apresenta uma regra
geral de sanabilidade, traduz um dever geral de prevenção e impõe ao
julgador, em especial ao próprio relator, um dever de esclarecimento,
concretizando o princípio do julgamento do mérito, salvaguardando a
oportunidade de se corrigirem defeitos, imprecisões e autorizando uma
melhor compreensão dos fatos da causa.
A leitura do art. 932 deve ser conjugada e complementada pelo art. 933,
que admite, expressamente, a possibilidade de o julgador, constatando
fato novo e superveniente, determinar a produção de prova naquele
aspecto e proceder com a oitiva das partes sobre certo tema. Ao relator
cabe, por exemplo, o poder e o dever de decidir monocraticamente
acerca do mérito do recurso, negando-lhe provimento quando este for
contrário a súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) ou do próprio tribunal, ou a acórdãos
proferidos em casos repetitivos ou incidentes de assunção de
competência.
Além disso, é também responsabilidade do relator, respeitando o
contraditório (ou seja, ouvindo a parte contrária), dar provimento ao
recurso quando a decisão recorrida for contrária a súmulas do STF, do
STJ ou do próprio tribunal, ou a julgamentos de casos repetitivos ou
incidentes de assunção de competência.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
6 of 44 04/08/2024, 19:04
O relator tem o dever de negar provimento a um recurso que contrarie
um precedente vinculante (conforme estabelecido no art. 932, IV, b e c),
bem como o dever de dar provimento a um recurso quando a decisão
recorrida contrariar um precedente vinculante (conforme estabelecido
no art. 932, V, b e c).
Sustentação oral
É um momento extremamente importante no processo, pois permite que
o recorrente, o recorrido e eventuais intervenientes apresentem seus
argumentos oralmente, durante o julgamento, por meio de seus
procuradores. Essa prática é regulamentada pelo art. 937 do Código de
Processo Civil de 2015.
Em comparação com a disciplina equivalente no Código de Processo
Civil de 1973, o CPC de 2015 ampliou, significativamente, a viabilidade
dessa técnica essencial de persuasão dos julgadores. O prazo para a
sustentação oral é de quinze minutos, e sua realização depende de um
pedido expresso do procurador, a ser formulado até o início da
respectiva sessão de julgamento (art. 937, §2º).
Observe as hipóteses em que é cabível a sustentação oral:
I. Recurso de apelação.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
7 of 44 04/08/2024, 19:04
I. Recurso de apelação.
II. Recurso ordinário.
III. Recurso especial.
IV. Recurso extraordinário.
V. Embargos de divergência.
VI. Ação rescisória, mandado de segurança e reclamação (incluindo,
nesses três casos, o agravo interno interposto contra sua extinção
monocrática conforme expressamente previsto no §3° do art.
937).
VII. Agravo de instrumento interposto contra decisões interlocutórias
relacionadas a tutelas provisórias,tanto aquelas fundamentadas
em urgência quanto aquelas fundamentadas em evidência.
VIII. Outras hipóteses admitidas por leis específicas ou pelo regimento
interno de cada tribunal.
Também é possível, de acordo com o §1° do art. 937, a sustentação oral
no incidente de resolução de demandas repetitivas, observando-se,
nesse caso, o disposto no art. 984.
Incidente de assunção de
competência
Assista ao vídeo e entenda os principais aspectos do incidente de
assunção de competência, sua admissibilidade e seu cabimento.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
8 of 44 04/08/2024, 19:04
O incidente de assunção de competência (IAC) é regulamentado pelo
art. 947 do CPC. Vamos acompanhar suas características a seguir.
Admissibilidade do IAC
O incidente de assunção de competência é um procedimento pelo qual
o colegiado responsável pela uniformização da jurisprudência pode
assumir a competência para julgar um recurso, uma remessa necessária
ou um processo originário de um órgão judicial de menor composição.
Isso acontece quando existe uma questão de direito relevante, com
grande repercussão social, que não tenha sido repetida em múltiplos
processos (conforme o art. 947 do CPC, caput).
É admissível a assunção de competência quando o julgamento de
recurso, de remessa necessária ou de processo de competência
originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão
social, sem repetição em múltiplos processos.
A avocação ocorre quando é reconhecido o interesse
público em assumir a competência (em consonância
com o art. 947 do CPC, § 2°).
Embora o incidente de assunção de competência não seja considerado
uma das técnicas de julgamento de “casos repetitivos”, como definido
pelo art. 928 do CPC/2015, ele pressupõe a possibilidade de existirem
decisões divergentes sobre a mesma questão jurídica.
Cabimento do IAC
Quando uma questão de direito relevante é identificada, o incidente pode
ser instaurado de ofício ou por requerimento. Após o deslocamento da
competência, o colegiado designado para tratar do caso deve julgá-lo.
Diferentemente do incidente de arguição de constitucionalidade, o caso
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
9 of 44 04/08/2024, 19:04
Diferentemente do incidente de arguição de constitucionalidade, o caso
não retorna ao colegiado de origem. Qualquer recurso que possa ser
interposto deve ser direcionado à decisão do próprio incidente.
O incidente de assunção de competência pode ser suscitado de forma
espontânea pelo relator (ou por qualquer membro do órgão colegiado de
menor composição) ou por meio de requerimento apresentado por uma
das partes, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública.
O colegiado responsável terá a tarefa de votar e de decidir se os
requisitos para a instauração do incidente estão presentes. Se a maioria
ou a unanimidade dos membros entender que os requisitos estão
presentes, o incidente será instaurado.
Nesse caso, a competência para julgar o processo de competência
originária, a remessa necessária ou o recurso será transferida para outro
órgão, de maior composição, de acordo com o estabelecido pelo
regimento interno do tribunal. A esse órgão, caberá assumir a
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
10 of 44 04/08/2024, 19:04
regimento interno do tribunal. A esse órgão, caberá assumir a
competência que originalmente não lhe pertencia e julgar o caso,
reconhecendo a presença dos requisitos de admissibilidade do
incidente. O órgão que assume a competência não se limita a
estabelecer a tese para posterior aplicação pelo órgão originariamente
competente. Ele tem a responsabilidade de assumir a competência e,
assim, julgar o caso concreto conforme o próprio nome do incidente
sugere.
Ação rescisória
Assista ao vídeo e confira os principais aspectos da ação rescisória para
que você identifique os cuidados que deve ter na sua elaboração.
A ação rescisória busca desconstituir a coisa julgada e, em certos
casos, possibilitar um novo julgamento do caso. É importante ressaltar
que a coisa julgada desempenha um papel fundamental no sistema
jurídico ao garantir a segurança e a estabilidade das decisões judiciais.
Portanto, a ação rescisória só é admitida em circunstâncias
excepcionais. O prazo para propor essa ação é de dois anos, contados a
partir do trânsito em julgado da decisão. As hipóteses de cabimento da
rescisória são indicadas nos 8 incisos do art. 966, que correspondem às
possíveis “causas de pedir” daquela ação.
Condições da ação rescisória
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
11 of 44 04/08/2024, 19:04
A possibilidade de propor uma nova ação para rescindir a coisa julgada
não se baseia simplesmente na injustiça da decisão a ser rescindida.
Deve-se ter em mente que a ação rescisória não é admitida para
reexame da prova. Permitir uma ação rescisória fundamentada apenas
na injustiça da decisão a ser rescindida resultaria em sua utilização para
corrigir a valoração da prova, o que transformaria a ação rescisória em
um recurso de apelação com prazo de dois anos. Da mesma forma, não
se pode buscar o fundamento da ação rescisória apenas na violação do
direito em tese. A ação rescisória não deve ser vista como um
instrumento para retroagir os precedentes.
A ação rescisória tem o propósito de proteger o significado do
dispositivo normativo que embasa uma decisão justa. Se, quando o
caso foi decidido, as Cortes Supremas atribuíram determinado
significado normativo ao dispositivo em questão, é dever dos demais
juízes e tribunais observá-lo. Caso contrário, estariam violando, de forma
evidente, a norma jurídica.
Procedimento da ação rescisória
A ação rescisória pode ser fundamentada na alegação de violação do
direito ao devido processo ou do significado do dispositivo normativo
que embasa uma decisão justa. No primeiro caso, a ação rescisória visa
proteger direitos essenciais, como o direito de acesso à justiça, o direito
ao juiz imparcial, o direito à prova e o direito à segurança jurídica
processual. Isso inclui a garantia de uma cognição adequada e a
confiança nas decisões judiciais, bem como a tutela de todos os demais
direitos fundamentais processuais que fazem parte do direito ao devido
processo legal.
É interessante observar a redação utilizada pelo CPC no art. 975.
Embora o prazo de dois anos para a propositura da ação rescisória seja
mantido, o texto do caput chama atenção. Nele, é mencionado que o
direito de propor a rescisória se extingue em dois anos a partir do
trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. O CPC
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
12 of 44 04/08/2024, 19:04
regula, assim, o prazo máximo para a ação rescisória, mas não
menciona, explicitamente, o início do prazo.
Portanto, é inegável que, nos casos em que há um julgamento parcial de
mérito (conforme o art. 356), nada impede a parte interessada ingressar
com a ação rescisória assim que a decisão transitar em julgado
(conforme o § 3º do art. 356). Não há razão para aguardar o
encerramento completo do processo e o trânsito em julgado da
sentença. O que não pode ocorrer, nessas situações, é o prazo de dois
anos ser ultrapassado após o trânsito em julgado da última decisão.
Incidente de resolução de demandas
repetitivas
Assista ao vídeo e entenda o cabimento do incidente de resolução de
demandas repetitivas, assim como suas principais regras.
O incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR), um dos
avanços procedimentais introduzidos pelo recente Código de Processo
Civil, é disciplinado nos arts. 976 a 987. Seu principal propósito é
encontrar casos com a mesma questãojurídica para serem julgados de
forma conjunta.
Cabimento do IRDR
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
13 of 44 04/08/2024, 19:04
O referido incidente está previsto nos arts. 976 a 987 do Código de
Processo Civil, tendo como objetivo principal unificar as decisões para
processos que envolvam a mesma questão de direito.
O art. 927, inciso III, do Código de Processo Civil
estabelece o dever dos juízes e dos tribunais de
observar os acórdãos proferidos no incidente de
resolução de demandas repetitivas, consolidando,
assim, a decisão colegiada emitida no IRDR como um
padrão decisório, sobretudo com o intuito de aliviar a
carga de processos do Poder Judiciário.
É importante ressaltar que o IRDR não possui natureza de recurso de
acordo com o Código de Processo Civil, mas sim de um incidente
processual.
O art. 976 estipula que o incidente de resolução de demandas
repetitivas é adequado quando estão presentes, simultaneamente, os
seguintes incisos. Observe!
I - efetiva repetição de processos
que contenham controvérsia sobre a
mesma questão unicamente de
direito;
II - risco de ofensa à isonomia e à
segurança jurídica.
(Código de Processo Civil, art. 976.)
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
14 of 44 04/08/2024, 19:04
Portanto, compreende-se que o rol do art. 976 é cumulativo, e não
alternativo, exigindo que ambas as condições estejam presentes ao
mesmo tempo.
Procedimento do IRDR
O pedido de instauração do IRDR pode ser apresentado pelo juiz ou pelo
relator do processo (por meio de ofício), pelas partes (por meio de
petição), pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública (também
por meio de petição) e deve ser direcionado ao presidente do respectivo
tribunal como estabelece o art. 977 do Código de Processo Civil.
Após a instauração do IRDR, os processos que estão sob a competência
do tribunal e tratam da mesma questão repetitiva devem ser suspensos
por até um ano, por determinação do relator. No caso de o IRDR não ser
julgado dentro de um ano, o incidente será encerrado e as causas
relacionadas retomarão o trâmite normal, a menos que haja uma
decisão fundamentada em contrário pelo relator.
Além disso, o relator pode solicitar informações às varas em que os
processos discutem o objeto do incidente, bem como intimar o
Ministério Público a se manifestar dentro de um prazo de 15 dias.
Durante a instrução do processo, o relator ouvirá as partes do processo
original, bem como o Ministério Público e outras partes interessadas,
podendo permitir a participação de amicus curiae e agendar audiência
para solicitar informações, de acordo com o art. 893 do Código de
Processo Civil.
Reclamação
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
15 of 44 04/08/2024, 19:04
Assista ao vídeo e entenda as hipóteses de cabimento da reclamação e
os principais aspectos do procedimento.
Prevista nos arts. 988 e seguintes, a reclamação é um processo de
competência originária de tribunais com natureza jurídica típica de ação.
Trata-se, desse modo, de ação voltada para preservar a competência e a
autoridade das decisões dos tribunais. Tradicionalmente, é chamada
reclamação constitucional, por também estar prevista na Constituição
da República Federativa do Brasil (CRFB) (art. 102, I, l; art. 103-A, §3º;
art. 105, I, f).
Hipóteses da reclamação
Todas as hipóteses de cabimento possuem em comum um ponto:
respeitar a competência dos tribunais. Sua finalidade é, portanto,
preservar a competência dos tribunais, garantir a autoridade das
decisões de tribunal, garantir a observância de enunciado de súmula
vinculante e de decisão do STF em controle concentrado de
constitucionalidade, e assegurar a observância de acórdão proferido em
julgamento de IRDR ou de incidente de assunção de competência (IAC).
A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu
julgamento cabe ao órgão jurisdicional cuja competência se busca
preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir. Como sua natureza é
de ação, deve ser instruída com prova documental e dirigida ao
presidente do tribunal.
Exemplo
No cenário em que um processo é instaurado com a União de um lado e
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
16 of 44 04/08/2024, 19:04
No cenário em que um processo é instaurado com a União de um lado e
um estado da federação do outro, o Supremo Tribunal Federal (STF) é
competente para julgar inicialmente o caso (de acordo com o art. 102,
inciso I, alínea f da Constituição). Se o processo for conduzido por
qualquer outra instância judicial, haverá uma violação da competência
do STF, o que permitirá a apresentação de uma reclamação.
Procedimento da reclamação
O art. 988 do CPC esclarece que a reclamação pode ser apresentada
perante qualquer tribunal, não se limitando ao STF ou ao STJ, desde que
a decisão do órgão justifique essa medida. Tanto a parte interessada
quanto o Ministério Público têm legitimidade para propor a reclamação
conforme estabelecido no caput do art. 988.
Não há dúvida de que a parte interessada é aquela que, em um caso
específico, depara-se com uma decisão que entra em conflito com as
circunstâncias que justificam a reclamação.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
17 of 44 04/08/2024, 19:04
No entanto, é possível argumentar que também possui legitimidade para
a reclamação aquele com interesse jurídico, além do interesse no caso
concreto, consoante a previsão do art. 990.
A legitimidade do Ministério Público deve ser reconhecida tanto nos
casos em que atua como parte (o que é suficiente com base na previsão
genérica do cabeçalho do art. 988) quanto quando atua como fiscal da
ordem jurídica.
A petição inicial deve ser encaminhada ao presidente do tribunal
competente, conforme as disposições do parágrafo 1º do art. 988, e
acompanhada de provas documentais que comprovem a ocorrência de
uma das situações descritas no cabeçalho do mesmo art. 988 (§ 2º).
Após ser protocolada, a petição inicial será distribuída, sempre que
possível, ao relator do processo original (art. 988, § 3º).
Caso a reclamação seja julgada procedente, o tribunal irá anular a
decisão que excede seus poderes, reduzindo-a ou ajustando-a aos
limites de sua competência. Isso ocorrerá com mais frequência nos
casos previstos no inciso I do art. 988. Além disso, o tribunal poderá
determinar uma medida apropriada para resolver a controvérsia.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
18 of 44 04/08/2024, 19:04
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro depara-se com um
pedido de instauração de incidente de resolução de demandas
repetitivas (IRDR) para solucionar as causas de um acidente rodoviário
com numerosas vítimas, o que demandaria a realização de prova
pericial para aferir se houve falha elétrica ou algum outro fator causador
da queda do ônibus na região serrana do Rio. Assim, designou sessão
de julgamento para análise colegiada a respeito do cabimento do
incidente.
Aponte quais as condições simultâneas de cabimento do IRDR e se
estão presentes no caso concreto. Além das condições simultâneas, a
quem o pedido deve ser dirigido, qual o órgão competente do TJRJ para
julgar o incidente e qual o prazo de julgamento? No caso de cabimento,
quais os efeitos da admissão do incidente? Justifique indicando a
respectiva fundamentação legal.
Digite sua resposta aqui
Exibir solução
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
19 of 44 04/08/2024,19:04
De acordo com os incisos I e II do art. 976, o IRDR é cabível
quando houver, simultaneamente, efetiva repetição de
processos que contenham controvérsia sobre a mesma
questão unicamente de direito (inciso I) e risco de ofensa à
isonomia e à segurança jurídica (inciso II). O pedido deverá
ser dirigido ao presidente do TJRJ (inciso II do art. 977); e a
competência para julgamento, ao órgão indicado pelo
regimento interno dentre aqueles responsáveis pela
uniformização de jurisprudência do tribunal (art. 978).
Considerando que o IRDR visa apenas resolver questão de
direito, não é cabível no caso concreto, mas, na hipótese de
admissão do incidente, o relator suspenderá os processos
pendentes, individuais ou coletivos que tramitam no estado
ou na região (inciso II do art. 982), e o processo deverá ser
julgado no prazo de um ano e terá preferência sobre os
demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os
pedidos de habeas corpus (art. 980).
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
20 of 44 04/08/2024, 19:04
2 - Recursos
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os recursos para aplicação da melhor
técnica recursal na prática.
Classi�cação e efeitos dos recursos
Assista ao vídeo e entenda o conceito, as classificações, os requisitos e
os impactos dos recursos, aprofundando seu conhecimento sobre essa
importante área do direito.
Classi�cação dos recursos
Talvez a melhor definição do que são os recursos seja a elaborada por
José Carlos Barbosa Moreira, nos Comentários ao Código de Processo
Civil (v. V). Segundo o autor, recurso é o remédio voluntário idôneo a
ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, o
esclarecimento ou a integração de decisão judicial que se impugne
(Barbosa Moreira, 1978).
Um dos critérios classificatórios considera o grau de insatisfação do
recorrente em relação à decisão desfavorável. Desse modo, os recursos
podem ser classificados como totais ou parciais, dependendo se o
recorrente contesta a decisão por completo ou apenas parte dela.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
21 of 44 04/08/2024, 19:04
Outro critério leva em conta os tipos de vícios presentes em uma
decisão que podem ser impugnados por recursos. Sob esse critério, os
recursos podem ser classificados como de fundamentação livre ou de
fundamentação vinculada. Nos recursos de fundamentação livre, basta
a insatisfação do recorrente para recorrer. Já nos recursos de
fundamentação vinculada, o recorrente deve demonstrar, além do
interesse genérico de recorrer, um prejuízo específico que tenha sido
previamente avaliado pela ordem jurídica.
Um terceiro critério distingue os recursos ordinários dos recursos
extraordinários, levando em consideração se os recursos permitem um
reexame total e abrangente do caso em todos os seus aspectos,
incluindo a análise de provas e de questões novas, ou se são
direcionados a outro propósito, que é a uniformização da interpretação
do direito constitucional federal e do direito federal infraconstitucional
em todo o território brasileiro.
Requisitos para os recursos
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
22 of 44 04/08/2024, 19:04
Requisitos para os recursos
Os arts. 994 a 1.044 do CPC/2015 regulamentam o assunto e, de forma
geral, é possível afirmar que o Novo Código de Processo Civil trouxe a
extinção de alguns recursos, como os embargos infringentes e o agravo
retido, além de restringir o uso de outros, como o agravo de instrumento.
De acordo art. 994 do CPC/2015, são cabíveis os seguintes recursos:
• Apelação.
• Agravo de instrumento.
• Agravo interno.
• Embargos de declaração.
• Recurso ordinário.
• Recurso especial.
• Recurso extraordinário.
• Agravo em recurso especial ou extraordinário.
• Embargos de divergência.
Aqui, estudaremos apenas os recursos voltados aos tribunais locais.
A adequação é um requisito de natureza objetiva e estabelece que o
recurso a ser interposto deve ser o apropriado. Isso significa que a parte
deve analisar qual é o tipo de decisão da qual deseja recorrer, o motivo
dessa decisão e interpor o recurso adequado para o seu caso. Além
disso, é um requisito objetivo que o recurso seja interposto dentro do
prazo legal, de 15 dias, excetuados os embargos de declaração que
devem ser interpostos em cinco dias. Caso contrário, será considerado
intempestivo e, consequentemente, inadmissível.
Outro requisito objetivo está relacionado ao pagamento das custas. Em
outras palavras, como regra geral, os recursos exigem o pagamento de
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
23 of 44 04/08/2024, 19:04
outras palavras, como regra geral, os recursos exigem o pagamento de
custas para sua interposição. Portanto, cada vez que uma parte interpõe
um recurso, é necessário pagar as custas correspondentes a esse
recurso. Além disso, as custas devem ser pagas antes da interposição
do recurso e comprovadas no momento da sua interposição, conforme
estabelecido no art. 1.007, caput, do CPC.
Efeitos dos recursos
Conheça agora os tipos de efeito.
 Efeito substitutivo
É aquele que, quando um recurso é admitido para
julgamento, a decisão que analisa o mérito do
recurso substitui a decisão anterior.
 Efeito devolutivo
É caracterizado pela transferência da competência
de revisar a decisão do órgão a quo para o órgão ad
quem.
 Efeito translativo
É aquele que permite ao tribunal analisar questões
de ordem pública, ou seja, questões que podem ser
examinadas a qualquer momento e em qualquer
grau de jurisdição, mesmo que não tenham sido
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
24 of 44 04/08/2024, 19:04
Atualmente, como regra geral, os recursos não possuem efeito
suspensivo, a menos que haja previsão legal (por exemplo, a apelação)
ou decisão judicial nesse sentido, de acordo com o art. 995 do
CPC/2015. É possível que, em virtude de um recurso com efeito
regressivo, após a análise das razões e dos documentos, o órgão a quo
reverta sua decisão anterior e emita uma nova decisão, revogando ou
desfazendo a decisão anterior (juízo de retratação). Nesse caso, o órgão
ad quem nem chegará a julgar o recurso devido à perda superveniente
do objeto por falta de interesse.
Apelação
grau de jurisdição, mesmo que não tenham sido
levantadas pelas partes (art. 485, §3º, CPC).
 Efeito suspensivo
É aquele que, devido à interposição do recurso,
impede que a decisão recorrida produza efeitos
imediatamente. Em outras palavras, a decisão é
válida, porém sua eficácia é suspensa até o
julgamento do recurso. Em geral, as decisões
produzem efeitos imediatos, mas um recurso com
efeito suspensivo impede que os efeitos naturais da
decisão se concretizem.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
25 of 44 04/08/2024, 19:04
Confira no vídeo o cabimento da apelação e seus requisitos.
O recurso de apelação tem previsão expressa no art. 1.009 do
CPC/2015 e sua redação é didática: “Da sentença cabe apelação.”
Contudo, apesar da redação clara, o recurso possui muitas questões
que não estão inseridas no pequeno dispositivo.
Uma das principais características do recurso de apelação é sua
fundamentação livre, pois permite que a parte, independentemente
de qualquer requisito específico, impugne a sentença apenas com
sua irresignação, sem qualquer regra e limitação às matérias que
podem ser objeto de recurso. O recurso de apelação é aquele voltado
à impugnação das sentenças — nos termos dos arts. 203 e 485 ou
487 do CPC/2015 —, bem como daquelas decisões interlocutórias
não recorríveis de imediato, consoantemandamento do §º1 do art.
1.009.
O recurso de apelação permite que o órgão hierarquicamente superior
reexamine as questões de fato e de direito decididas na sentença e, com
amplo efeito devolutivo, é o instrumento mais importante de
impugnação das decisões judiciais.
Cabimento da apelação
No Código de Processo Civil, encontramos as diretrizes fundamentais
do recurso de apelação cível nos arts. 1.009 a 1.014. Essas disposições
são consideradas regras gerais, uma vez que o recurso é mencionado
em vários pontos ao longo do código, como nos arts. 101, 331, 332, 702,
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
26 of 44 04/08/2024, 19:04
724, 942, entre outros.
O art. 1.010 do Código de Processo Civil estabelece os elementos
essenciais que devem constar no recurso de apelação. Confira quais
são eles.
A apelação, interposta por petição
dirigida ao juízo de primeiro grau,
conterá:
I – os nomes e a qualificação das
partes;
II – a exposição do fato e do direito;
III – as razões do pedido de reforma
ou de decretação de nulidade;
IV – o pedido de nova decisão.
(Código de Processo Civil, art. 1.010)
O art. 1.010 do CPC nos remete, então, à estrutura mínima de como o
recurso de apelação cível deve ser apresentado para que seja possível a
análise pela instância superior.
Existem requisitos essenciais para que o recurso de apelação cível seja
admitido pelo Tribunal de Justiça. Vamos a eles!
 Cabimento do recurso
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
27 of 44 04/08/2024, 19:04
O recurso de apelação é cabível para impugnar
sentença como regra geral. Uma exceção é a
sentença que decreta falência, sendo recorrível
mediante agravo de instrumento.
 Legitimidade para recorrer
A parte que interpõe o recurso deve ser legitimada,
ou seja, deve ter o direito legal de recorrer.
 Interesse para recorrer
A parte deve possuir um interesse jurídico atual na
revisão da decisão, demonstrando prejuízos ou a
necessidade de se obter uma decisão mais
favorável.
 Ausência de fato impeditivo ou extintivo do
poder de recorrer
Não deve haver nenhuma circunstância que impeça
ou extinga o direito de recorrer, como o trânsito em
julgado da decisão ou a renúncia expressa ao
recurso.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
28 of 44 04/08/2024, 19:04
Portanto, esses são os pressupostos internos que devem ser cumpridos
para que o recurso de apelação cível seja admitido pelo Tribunal de
Justiça.
Existem ainda requisitos externos para que o recurso de apelação cível
seja aceito pelo Tribunal de Justiça. Vamos conferi-los!
 Tempestividade
O recurso deve ser interposto dentro do prazo legal
estabelecido para a apelação. Caso contrário, será
considerado intempestivo.
 Regularidade formal
O recurso deve ser apresentado de acordo com as
formalidades previstas em lei, incluindo a correta
utilização dos modelos, a assinatura do advogado,
a indicação das partes envolvidas, entre outros
requisitos formais.
 Recolhimento do preparo
É necessário efetuar o pagamento das despesas
processuais devidas, conhecidas como preparo,
dentro do prazo e na forma determinada pela
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
29 of 44 04/08/2024, 19:04
Além disso, será preciso trazer as razões para reforma ou anulação da
decisão.
Agravo de instrumento
Assista ao vídeo para verificar a aplicação do agravo de instrumento e
para entender os principais critérios a serem observados ao preparar
esse recurso.
O agravo de instrumento é um recurso estabelecido no Código de
Processo Civil, nos arts. 1.015 a 1.020. Ele é o recurso adequado para
impugnar certas decisões interlocutórias emitidas pelo juiz.
O recurso de agravo de instrumento deve seguir
determinados requisitos estabelecidos no Código de
Processo Civil, sobretudo nos arts. 1.016 e 1.017.
É fundamental ressaltar que o agravo de instrumento deve ser
direcionado diretamente ao tribunal competente. A petição que
apresentará o agravo de instrumento deve, obrigatoriamente, conter os
legislação processual.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
30 of 44 04/08/2024, 19:04
apresentará o agravo de instrumento deve, obrigatoriamente, conter os
seguintes elementos:
• Nomes das partes envolvidas.
• Exposição dos fatos e do direito.
• Fundamentação do pedido de reforma ou invalidação da decisão e
o próprio pedido.
• Nome e endereço completos dos advogados envolvidos no
processo.
Além disso, o agravo de instrumento deve ser acompanhado por:
• Cópias obrigatórias da petição inicial, da contestação, da petição
que motivou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da
certidão de intimação correspondente ou outro documento oficial
que comprove a tempestividade das procurações concedidas aos
advogados do agravante e do agravado.
• Declaração do advogado do agravante, sob pena de
responsabilização pessoal, afirmando a inexistência de qualquer
um dos documentos mencionados.
• De forma opcional, outras peças que o agravante considerar úteis.
O CPC trouxe uma inovação, ao dispensar que o agravo seja
acompanhado das peças já mencionadas quando os autos do processo
forem eletrônicos. No entanto, a parte agravante ainda tem a opção de
anexar outros documentos que julgar relevantes para a compreensão da
controvérsia. É importante ressaltar que o recurso deve ser
acompanhado do pagamento das custas correspondentes.
Hipóteses de cabimento do agravo de instrumento
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
31 of 44 04/08/2024, 19:04
Com o advento do CPC/2015, a dinâmica do recurso de agravo se altera:
é retirado de nosso sistema o agravo retido, e o agravo de instrumento
retoma o ar do CPC/1939, ao prever apenas hipóteses taxativas de
cabimento com um rol expresso no art. 1.015 do CPC/2015.
Atenção!
A mudança do recurso de agravo, gerou inúmeras discussões, mas a
principal delas é acerca da natureza do rol trazido pelo art. 1.015 do
CPC/2015: se está diante de um rol verdadeiramente taxativo, ou
exemplificativo, em especial nos casos de decisões não recorríveis de
imediato e que causam grave lesão à parte.
A solução para tal discussão é uma taxatividade fraca, isto é, cabendo
ao agravante demonstrar que há inutilidade e risco de perecimento do
direito no caso de interposição de apelação, autorizando a interposição
do agravo de instrumento. Além disso, o próprio Superior Tribunal de
Justiça (Recurso Especial nº 1.704.520/MT) reconheceu a taxatividade
mitigada do rol do art. 1.015 do CPC/2015, desde que seja comprovada
a urgência do recurso. No Código de Processo Civil de 1973, o agravo de
instrumento tinha aplicações menos precisas e menos detalhadas, o
que gerava incertezas quanto à sua aplicabilidade. O Novo Código de
Processo Civil, por sua vez, estabeleceu, no art. 1.015, uma lista de
situações em que o recurso de agravo de instrumento pode ser
utilizado. Vamos analisá-las!
I - tutelas provisórias;
II - mérito do processo;
III - rejeição da alegação de convenção de
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
32 of 44 04/08/2024, 19:04
arbitragem;
IV - incidente de desconsideração da
personalidade jurídica;
V - rejeição do pedido de gratuidade da
justiça ou acolhimento do pedido de sua
revogação;
VI - exibição ou posse de documento ou
coisa;
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do
litisconsórcio;
IX - admissão ou inadmissão de intervenção
de terceiros;
X - concessão, modificação ou revogação do
efeito suspensivo aos embargosà execução;
XI - redistribuição do ônus da prova nos
termos do art. 373, § 1º;
XII - (VETADO)
XIII - outros casos expressamente referidos
em lei.
(Novo Código de Processo Civil, art 1.015)
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
33 of 44 04/08/2024, 19:04
O parágrafo único do art. 1.015 também estabelece que caberá agravo
de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de
liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de
execução e no processo de inventário. No mesmo sentido, outro caso
previsto em lei e em que é cabível o agravo de instrumento é no
julgamento antecipado parcial do mérito (art. 356, § 5º).
Agravo interno
Assista ao vídeo e confira o cabimento do agravo interno e os cuidados
que você deve ter na sua elaboração.
O agravo interno, com previsão no art. 1.021 do CPC/2015, é cabível
contra as decisões monocráticas proferidas pelo relator do processo,
sendo que há ampla cognição em tal recurso. Assim, é possível discutir
tanto questões de interpretação dos fatos, como direito, limitando-se
apenas em relação à aplicação de enunciado de súmula vinculante,
situação em que será discutida tão somente a distinção do caso. É
importante, porém, a impugnação específica dos fundamentos da
decisão agravada.
O objetivo primordial do agravo interno é levar a
decisão ao conhecimento do órgão colegiado
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
34 of 44 04/08/2024, 19:04
competente a fim de que este emita sua manifestação
favorável ou contrária.
O agravo interno é, em essência, o direito de solicitar uma decisão
colegiada. Embora todas as decisões de segunda instância devam ser
tomadas pelo colegiado, em prol da celeridade processual, o relator é
incumbido, temporariamente, de decidir em nome do órgão colegiado.
Atenção!
É de extrema importância garantir ao jurisdicionado o direito de
discordar da decisão do relator e apresentar seus argumentos perante o
órgão competente. Embora a lei possa dispensar a formação do
colegiado em certos casos, é crucial lembrar que este é o órgão
competente legítimo e qualquer restrição de acesso a ele seria
inconstitucional.
O prazo estabelecido para a interposição do recurso do agravo interno é
de 15 dias úteis conforme define o art. 994 do Novo Código de Processo
Civil.
Hipóteses de cabimento do agravo interno
Após a interposição do agravo interno, devidamente fundamentado,
abre-se um prazo de 15 dias para que o agravado apresente sua
manifestação em conformidade com o art. 1.021, §2º do Novo Código
de Processo Civil. Caso não sejam apresentadas contrarrazões, os
autos serão encaminhados para apreciação do relator, a fim de decidir
se mantém ou se retrata da decisão impugnada. Caso o relator opte por
manter a decisão, o recurso será levado a julgamento, com inclusão em
pauta.
O julgamento do agravo interno é realizado pelo órgão colegiado
composto pelo prolator da decisão agravada. Não é admissível o
julgamento monocrático pelo relator, pois isso tornaria o recurso
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
35 of 44 04/08/2024, 19:04
ineficaz.
Durante a sessão de julgamento, serão proferidos votos, iniciando-se
pelo voto do relator, o qual não pode se limitar a reproduzir os
fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o recurso.
No caso de o agravo interno ser declarado inadmissível ou
improcedente por unanimidade, o órgão colegiado deverá, em decisão
fundamentada, impor ao agravante o pagamento de multa, conforme
previsto pelo art. 1.021, §4º do Novo Código de Processo Civil. É
importante ressaltar que o depósito dessa multa é requisito de
admissibilidade para qualquer outro recurso que a parte pretenda
interpor.
O parágrafo 4º do art. 1.021 define que se o órgão colegiado declarar
que o recurso é inadmissível ou improcedente de forma unânime, e
compreender que ele foi realizado com o objetivo de atrasar ou
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
36 of 44 04/08/2024, 19:04
tumultuar o processo, o órgão colegiado pode, com base em
fundamentação, aplicar uma multa de até 5% do valor da causa ao
agravante, que deverá pagar a quantia ao agravado.
O parágrafo 5º, por sua vez, estabelece que a parte não poderá entrar
com novos recursos até o pagamento da multa, a menos que se trate de
parte beneficiada por gratuidade de justiça ou Fazenda Pública. Nesse
caso, o pagamento fica para o final do processo.
Embargos de declaração
Assista ao vídeo e confira o cabimento dos embargos de declaração e
os pontos de atenção ao se elaborar esse recurso.
Os embargos de declaração estão inseridos no art. 1.022 do CPC/2015
e se voltam não para a reforma da decisão, mas para sua
complementação. Desse modo, caso ocorra a necessidade de
modificação da decisão, são atribuídos efeitos infringentes,
excepcionalmente, aos embargos de declaração, vedado, de qualquer
forma, o reexame de provas, mas apenas a integração da decisão
embargada.
Hipóteses de cabimento dos embargos de declaração
Os embargos de declaração são cabíveis quando verificados os
seguintes vícios na decisão:
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
37 of 44 04/08/2024, 19:04
seguintes vícios na decisão:
Quanto às hipóteses de cabimento estabelecidas na legislação, observa-
se que existe uma restrição legal para a interposição dos embargos, o
que caracteriza essa modalidade recursal com uma fundamentação
vinculada. Enquanto no recurso de apelação é possível abordar qualquer
questão — a fundamentação é ampla —, nos embargos de declaração
exige-se que a decisão seja omissa, obscura, contraditória ou contenha
erro material. Os embargos não podem ser utilizados, por exemplo,
como um substituto de um pedido de reconsideração de uma sentença
ou acórdão.
É exigido que todo pronunciamento judicial seja
devidamente fundamentado conforme estabelece o
art. 93, inciso IX da Constituição Federal, sob pena de
nulidade. Com base nesse princípio, um
Obscuridade
Contradição
Omissão
Erro material
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
38 of 44 04/08/2024, 19:04
pronunciamento apresenta vícios quando é
contraditório, obscuro, omisso ou contém erro
material.
Os embargos de declaração estão previstos no art. 994, inciso I do
Código de Processo Civil (CPC), com suas regras de cabimento
descritas no art. 1.022. Não há indicação no código das decisões
passíveis de serem impugnadas por meio dos embargos de declaração,
sendo esse recurso utilizado para questionar qualquer decisão.
Conforme a doutrina e a jurisprudência, a obscuridade ocorre quando a
redação da decisão não é suficientemente clara, dificultando a
compreensão ou a interpretação. A contradição se manifesta quando o
julgado apresenta proposições inconciliáveis, tornando incerto o
resultado da decisão. Já a omissão ocorre quando uma questão ou um
ponto controvertido deveria ter sido apreciado pelo órgão julgador, mas
foi deixado de lado.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
João, ao dirigir pelo centro da cidade, por um descuido, causou um
acidente automotivo ao chocar seu veículo com o de José, ocasionando
diversos danos materiais. Entretanto, ao sair do veículo para verificar as
condições do dano, João faltou com respeito a José e o xingou diante
de inúmeros transeuntes que acompanhavam o ocorrido, violando seu
direito e lhe causando dano.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
39 of 44 04/08/2024, 19:04
direito e lhe causando dano.José ajuizou ação condenatória, cumulando pedidos relacionados aos
danos materiais e ao dano moral. Verificou que o pedido de dano
material estava em condições de imediato julgamento, uma vez que
João concordou com o orçamento apresentado e, em contestação, não
impugnou esse pedido.
O juiz, ao analisar o caso, julgou o pedido de danos materiais
procedentes, acolhendo o pedido de José, aplicando o art. 356 do
CPC/2015 e condenando João ao pagamento dos danos causados ao
veículo de José.
Após a instrução, o magistrado, deixando de considerar o depoimento
das testemunhas, julgou improcedente o pedido de dano moral, por
entender que a situação não havia causado abalo moral indenizável.
Considerando apenas as informações expostas, elabore, na qualidade
de advogado de José, a peça processual cabível para defesa dos
interesses de seu cliente, que leve o tema à instância superior, indicando
seus requisitos e fundamentos, nos termos da legislação vigente.
Digite sua resposta aqui
Exibir solução
A peça processual cabível é o recurso de apelação (art.
1.009 do CPC), interposto no prazo de 15 dias úteis. Você
deverá interpor o recurso em petição dirigida ao juízo de
primeiro grau (art. 1.010 do CPC), contendo o nome e a
qualificação das partes, além de requerer a intimação para
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
40 of 44 04/08/2024, 19:04
qualificação das partes, além de requerer a intimação para
apresentação de contrarrazões e a remessa ao tribunal,
independentemente do juízo de admissibilidade. Além
disso, deverá indicar o recolhimento do preparo.
Nas razões recursais, você deverá indicar os fatos ocorridos
— que João faltou com respeito a José e o xingou na frente
de inúmeras testemunhas — , bem como fundamentar,
juridicamente, seu pleito. No mérito, deverá alegar que há
dano moral indenizável, com fundamento no art. 186 do
Código Civil, pois a ação de João violou o direito e causou
dano a José. Tal fato ultrapassou o mero dissabor cotidiano
e atraiu a incidência do art. 927 do Código Civil, que impõe
o dever de indenizar àquele que, por ato ilícito, cause dano a
outrem, conforme depoimento produzido durante audiência
de instrução e julgamento (art. 361 do CPC).
O examinando deverá formular o pedido de reforma da
decisão que julgou improcedente o pedido de dano moral
(art. 1.010, §4º) com a consequente condenação de João
ao pagamento de honorários advocatícios. A seguir, deve
proceder ao encerramento da peça.
Considerações �nais
Este conteúdo demonstrou a sistemática dos recursos cíveis, desde a
ordem dos processos nos tribunais até os recursos cabíveis para os
tribunais estaduais e federais, desenvolvendo a capacidade de distinguir
as hipóteses de cabimento de cada recurso, bem como sua
abrangência, efeitos, requisitos de admissibilidade e impacto no dia a
dia do judiciário.
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
41 of 44 04/08/2024, 19:04
dia do judiciário.
Além disso, alguns pontos foram esclarecidos: quais os poderes do
relator; qual a dinâmica de uma sessão de julgamento; qual o recurso
cabível quando se está diante de uma decisão interlocutória; e, ainda,
qual o recurso voltado a sanar eventual obscuridade.
Explore +
Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Pesquise o canal de vídeos produzidos pela Advocacia Geral da União
(AGU Explica), no YouTube, e veja o vídeo sobre recursos. Busque por
AGU Explica – Recurso.
Confira o relatório Justiça em Números, importante fonte estatística do
Poder Judiciário. Basta acessar o portal do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), clicar na aba Publicações e Pesquisas e selecionar
Justiça em Números.
Referências
ASSIS, A. de. Manual dos recursos. 9. ed. São Paulo: RT, 2017.
BRUSCHI, G. G. Apelação cível: teoria geral, procedimento e saneamento
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
42 of 44 04/08/2024, 19:04
BRUSCHI, G. G. Apelação cível: teoria geral, procedimento e saneamento
de vícios pelo tribunal. São Paulo: Saraiva, 2012.
CÂMARA, A. F. O novo processo civil brasileiro. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2017.
CARNEIRO, A. G. Recurso especial, agravos e agravo interno. 5. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2008.
DANTAS, B. Art. 932. In: BUENO, C. S. (coord.) Comentários ao Código
de Processo Civil: arts. 926 a 1.072 – parte especial. Processos nos
tribunais e recursos e disposições finais e transitórias. São Paulo:
Saraiva, 2017. v. 4.
MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C.; MITIDIERO, D. Novo curso de
processo civil: teoria do processo civil. 2. ed. São Paulo: RT, 2016. v. 1.
MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C.; MITIDIERO, D. Novo curso de
processo civil: tutela dos direitos mediante procedimento comum. 2. ed.
São Paulo: RT, 2016. v. 2.
MITIDIERO, D. Processo civil. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.
MOREIRA, J. C. B. Comentários ao Código de Processo Civil. 3. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 1978. v. V.
NERY JÚNIOR, N.; ARRUDA, T. A.; OLIVEIRA, P. M. de. (coord.) Aspectos
polêmicos dos recursos cíveis e assuntos afins: 14. São Paulo:
Thomson Reuters Brasil, 2018.
OLIVEIRA, P. M. de. Agravo interno e agravo regimental: hipóteses de
incidência e poderes do relator nos tribunais. São Paulo: RT, 2009.
OLIVEIRA, P. M. de. Novíssimo sistema recursal conforme o CPC/2015.
Florianópolis: Conceito, 2015.
WAMBIER, T. A. A. Os agravos no CPC brasileiro. 4. ed. São Paulo: RT,
2006.
ZAMPAR JÚNIOR, J. A. Produção de prova em sede recursal. São Paulo:
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
43 of 44 04/08/2024, 19:04
Thomson Reuters Brasil, 2019.
Material para download
Clique no botão abaixo para fazer o download do
conteúdo completo em formato PDF.
Download material
O que você achou do conteúdo?
Relatar problema
Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br...
44 of 44 04/08/2024, 19:04
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()
javascript:CriaPDF()

Mais conteúdos dessa disciplina