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Prática dos recursos aos tribunais locais Prof. Arthur Bobsin Descrição Você vai entender a dinâmica dos processos nos tribunais e a escolha da técnica recursal mais adequada na prática dos recursos aos tribunais locais. Propósito O conhecimento sobre recursos é de fundamental importância para a prática cível, visto que é o recurso que garante ao jurisdicionado o duplo grau de jurisdição. É apenas por meio do recurso que o julgamento deixa de ser singular e monocrático, e passa para órgão colegiado, com a ampliação dos debates e das discussões. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 1 of 44 04/08/2024, 19:04 Preparação Antes de iniciar a leitura do conteúdo, tenha em mãos o Código de Processo Civil de 2015 (Lei nº 13.105/2015), para consultar os arts. 926 até 1.026. Objetivos Módulo 1 Processo nos tribunais locais Analisar a dinâmica dos processos nos tribunais e os sucedâneos recursais. Módulo 2 Recursos Identificar os recursos para aplicação da melhor técnica recursal na prática. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 2 of 44 04/08/2024, 19:04 Introdução O sistema recursal, nele compreendidos os processos nos tribunais e os recursos em espécies, sofreu significativas alterações no Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015). Nesse sentido, este conteúdo ajuda na compreensão de ideias novas e no posicionamento na vanguarda do tema. Assim, veremos a ordem dos processos nos tribunais, os incidentes da assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas, a ação rescisória e a reclamação. Depois, estudaremos a teoria geral dos recursos, o recurso de apelação, o agravo de instrumento, o agravo interno e os embargos de declaração. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 3 of 44 04/08/2024, 19:04 javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() javascript:CriaPDF() 1 - Processo nos tribunais locais Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a dinâmica dos processos nos tribunais e os sucedâneos recursais. Ordem dos processos nos tribunais locais Assista ao vídeo e confira a sistemática da ordem dos processos nos tribunais locais, assim como os poderes do relator e a possibilidade de sustentação oral. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 4 of 44 04/08/2024, 19:04 A função dos tribunais está prevista especialmente nos arts. 926 ao 928 do CPC. Por exemplo, no sistema de Justiça Civil brasileiro, os tribunais de Justiça e os tribunais regionais federais têm a responsabilidade de atuar como cortes de justiça. Em outras palavras, eles buscam assegurar a proteção dos direitos específicos, facilitando a emissão de decisões justas, efetivas e oportunas em relação a esses direitos. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça desempenham o papel de Cortes Supremas, ou seja, procuram garantir a tutela dos direitos em geral, promovendo a uniformidade do direito por meio de precedentes. Com a interposição do recurso, o processo avança para os tribunais, onde passa a ser examinado. Ao contrário do que ocorre na primeira instância, em que o caso é julgado por um único juiz, nas cortes a decisão é proferida por um colegiado, composto por um relator, um revisor e um vogal. Dessa forma, a colegialidade é a norma nos tribunais. Assim, no sistema processual brasileiro a regra geral é que no primeiro grau de jurisdição o magistrado atue de forma singular; isto é, a decisão é unicamente daquele juízo, sem a observância de um colegiado. Por sua vez, nos tribunais a regra é o oposto, imperando a vontade colegiada, por maioria de votos e, excepcionalmente, há a autorização para medidas determinadas unicamente pelo relator. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 5 of 44 04/08/2024, 19:04 Durante o julgamento, após a fase de debates entre as partes, o relator apresenta seu voto sobre as questões do caso, seguido pelo debate entre os demais julgadores que compõem o colegiado. Caso algum deles não se sinta apto para votar imediatamente, poderá solicitar vista dos autos para um estudo mais aprofundado. Após a manifestação de todos os votos, o presidente anunciará o resultado do julgamento. Poderes do relator O legislador estabeleceu alguns dispositivos que confirmam a liberdade dos poderes do relator na condução do processo. Os destaques são os arts. 932, 933 e 938 do CPC. O artigo 932, que apresenta uma regra geral de sanabilidade, traduz um dever geral de prevenção e impõe ao julgador, em especial ao próprio relator, um dever de esclarecimento, concretizando o princípio do julgamento do mérito, salvaguardando a oportunidade de se corrigirem defeitos, imprecisões e autorizando uma melhor compreensão dos fatos da causa. A leitura do art. 932 deve ser conjugada e complementada pelo art. 933, que admite, expressamente, a possibilidade de o julgador, constatando fato novo e superveniente, determinar a produção de prova naquele aspecto e proceder com a oitiva das partes sobre certo tema. Ao relator cabe, por exemplo, o poder e o dever de decidir monocraticamente acerca do mérito do recurso, negando-lhe provimento quando este for contrário a súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do próprio tribunal, ou a acórdãos proferidos em casos repetitivos ou incidentes de assunção de competência. Além disso, é também responsabilidade do relator, respeitando o contraditório (ou seja, ouvindo a parte contrária), dar provimento ao recurso quando a decisão recorrida for contrária a súmulas do STF, do STJ ou do próprio tribunal, ou a julgamentos de casos repetitivos ou incidentes de assunção de competência. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 6 of 44 04/08/2024, 19:04 O relator tem o dever de negar provimento a um recurso que contrarie um precedente vinculante (conforme estabelecido no art. 932, IV, b e c), bem como o dever de dar provimento a um recurso quando a decisão recorrida contrariar um precedente vinculante (conforme estabelecido no art. 932, V, b e c). Sustentação oral É um momento extremamente importante no processo, pois permite que o recorrente, o recorrido e eventuais intervenientes apresentem seus argumentos oralmente, durante o julgamento, por meio de seus procuradores. Essa prática é regulamentada pelo art. 937 do Código de Processo Civil de 2015. Em comparação com a disciplina equivalente no Código de Processo Civil de 1973, o CPC de 2015 ampliou, significativamente, a viabilidade dessa técnica essencial de persuasão dos julgadores. O prazo para a sustentação oral é de quinze minutos, e sua realização depende de um pedido expresso do procurador, a ser formulado até o início da respectiva sessão de julgamento (art. 937, §2º). Observe as hipóteses em que é cabível a sustentação oral: I. Recurso de apelação. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 7 of 44 04/08/2024, 19:04 I. Recurso de apelação. II. Recurso ordinário. III. Recurso especial. IV. Recurso extraordinário. V. Embargos de divergência. VI. Ação rescisória, mandado de segurança e reclamação (incluindo, nesses três casos, o agravo interno interposto contra sua extinção monocrática conforme expressamente previsto no §3° do art. 937). VII. Agravo de instrumento interposto contra decisões interlocutórias relacionadas a tutelas provisórias,tanto aquelas fundamentadas em urgência quanto aquelas fundamentadas em evidência. VIII. Outras hipóteses admitidas por leis específicas ou pelo regimento interno de cada tribunal. Também é possível, de acordo com o §1° do art. 937, a sustentação oral no incidente de resolução de demandas repetitivas, observando-se, nesse caso, o disposto no art. 984. Incidente de assunção de competência Assista ao vídeo e entenda os principais aspectos do incidente de assunção de competência, sua admissibilidade e seu cabimento. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 8 of 44 04/08/2024, 19:04 O incidente de assunção de competência (IAC) é regulamentado pelo art. 947 do CPC. Vamos acompanhar suas características a seguir. Admissibilidade do IAC O incidente de assunção de competência é um procedimento pelo qual o colegiado responsável pela uniformização da jurisprudência pode assumir a competência para julgar um recurso, uma remessa necessária ou um processo originário de um órgão judicial de menor composição. Isso acontece quando existe uma questão de direito relevante, com grande repercussão social, que não tenha sido repetida em múltiplos processos (conforme o art. 947 do CPC, caput). É admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos. A avocação ocorre quando é reconhecido o interesse público em assumir a competência (em consonância com o art. 947 do CPC, § 2°). Embora o incidente de assunção de competência não seja considerado uma das técnicas de julgamento de “casos repetitivos”, como definido pelo art. 928 do CPC/2015, ele pressupõe a possibilidade de existirem decisões divergentes sobre a mesma questão jurídica. Cabimento do IAC Quando uma questão de direito relevante é identificada, o incidente pode ser instaurado de ofício ou por requerimento. Após o deslocamento da competência, o colegiado designado para tratar do caso deve julgá-lo. Diferentemente do incidente de arguição de constitucionalidade, o caso Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 9 of 44 04/08/2024, 19:04 Diferentemente do incidente de arguição de constitucionalidade, o caso não retorna ao colegiado de origem. Qualquer recurso que possa ser interposto deve ser direcionado à decisão do próprio incidente. O incidente de assunção de competência pode ser suscitado de forma espontânea pelo relator (ou por qualquer membro do órgão colegiado de menor composição) ou por meio de requerimento apresentado por uma das partes, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. O colegiado responsável terá a tarefa de votar e de decidir se os requisitos para a instauração do incidente estão presentes. Se a maioria ou a unanimidade dos membros entender que os requisitos estão presentes, o incidente será instaurado. Nesse caso, a competência para julgar o processo de competência originária, a remessa necessária ou o recurso será transferida para outro órgão, de maior composição, de acordo com o estabelecido pelo regimento interno do tribunal. A esse órgão, caberá assumir a Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 10 of 44 04/08/2024, 19:04 regimento interno do tribunal. A esse órgão, caberá assumir a competência que originalmente não lhe pertencia e julgar o caso, reconhecendo a presença dos requisitos de admissibilidade do incidente. O órgão que assume a competência não se limita a estabelecer a tese para posterior aplicação pelo órgão originariamente competente. Ele tem a responsabilidade de assumir a competência e, assim, julgar o caso concreto conforme o próprio nome do incidente sugere. Ação rescisória Assista ao vídeo e confira os principais aspectos da ação rescisória para que você identifique os cuidados que deve ter na sua elaboração. A ação rescisória busca desconstituir a coisa julgada e, em certos casos, possibilitar um novo julgamento do caso. É importante ressaltar que a coisa julgada desempenha um papel fundamental no sistema jurídico ao garantir a segurança e a estabilidade das decisões judiciais. Portanto, a ação rescisória só é admitida em circunstâncias excepcionais. O prazo para propor essa ação é de dois anos, contados a partir do trânsito em julgado da decisão. As hipóteses de cabimento da rescisória são indicadas nos 8 incisos do art. 966, que correspondem às possíveis “causas de pedir” daquela ação. Condições da ação rescisória Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 11 of 44 04/08/2024, 19:04 A possibilidade de propor uma nova ação para rescindir a coisa julgada não se baseia simplesmente na injustiça da decisão a ser rescindida. Deve-se ter em mente que a ação rescisória não é admitida para reexame da prova. Permitir uma ação rescisória fundamentada apenas na injustiça da decisão a ser rescindida resultaria em sua utilização para corrigir a valoração da prova, o que transformaria a ação rescisória em um recurso de apelação com prazo de dois anos. Da mesma forma, não se pode buscar o fundamento da ação rescisória apenas na violação do direito em tese. A ação rescisória não deve ser vista como um instrumento para retroagir os precedentes. A ação rescisória tem o propósito de proteger o significado do dispositivo normativo que embasa uma decisão justa. Se, quando o caso foi decidido, as Cortes Supremas atribuíram determinado significado normativo ao dispositivo em questão, é dever dos demais juízes e tribunais observá-lo. Caso contrário, estariam violando, de forma evidente, a norma jurídica. Procedimento da ação rescisória A ação rescisória pode ser fundamentada na alegação de violação do direito ao devido processo ou do significado do dispositivo normativo que embasa uma decisão justa. No primeiro caso, a ação rescisória visa proteger direitos essenciais, como o direito de acesso à justiça, o direito ao juiz imparcial, o direito à prova e o direito à segurança jurídica processual. Isso inclui a garantia de uma cognição adequada e a confiança nas decisões judiciais, bem como a tutela de todos os demais direitos fundamentais processuais que fazem parte do direito ao devido processo legal. É interessante observar a redação utilizada pelo CPC no art. 975. Embora o prazo de dois anos para a propositura da ação rescisória seja mantido, o texto do caput chama atenção. Nele, é mencionado que o direito de propor a rescisória se extingue em dois anos a partir do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. O CPC Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 12 of 44 04/08/2024, 19:04 regula, assim, o prazo máximo para a ação rescisória, mas não menciona, explicitamente, o início do prazo. Portanto, é inegável que, nos casos em que há um julgamento parcial de mérito (conforme o art. 356), nada impede a parte interessada ingressar com a ação rescisória assim que a decisão transitar em julgado (conforme o § 3º do art. 356). Não há razão para aguardar o encerramento completo do processo e o trânsito em julgado da sentença. O que não pode ocorrer, nessas situações, é o prazo de dois anos ser ultrapassado após o trânsito em julgado da última decisão. Incidente de resolução de demandas repetitivas Assista ao vídeo e entenda o cabimento do incidente de resolução de demandas repetitivas, assim como suas principais regras. O incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR), um dos avanços procedimentais introduzidos pelo recente Código de Processo Civil, é disciplinado nos arts. 976 a 987. Seu principal propósito é encontrar casos com a mesma questãojurídica para serem julgados de forma conjunta. Cabimento do IRDR Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 13 of 44 04/08/2024, 19:04 O referido incidente está previsto nos arts. 976 a 987 do Código de Processo Civil, tendo como objetivo principal unificar as decisões para processos que envolvam a mesma questão de direito. O art. 927, inciso III, do Código de Processo Civil estabelece o dever dos juízes e dos tribunais de observar os acórdãos proferidos no incidente de resolução de demandas repetitivas, consolidando, assim, a decisão colegiada emitida no IRDR como um padrão decisório, sobretudo com o intuito de aliviar a carga de processos do Poder Judiciário. É importante ressaltar que o IRDR não possui natureza de recurso de acordo com o Código de Processo Civil, mas sim de um incidente processual. O art. 976 estipula que o incidente de resolução de demandas repetitivas é adequado quando estão presentes, simultaneamente, os seguintes incisos. Observe! I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito; II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica. (Código de Processo Civil, art. 976.) Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 14 of 44 04/08/2024, 19:04 Portanto, compreende-se que o rol do art. 976 é cumulativo, e não alternativo, exigindo que ambas as condições estejam presentes ao mesmo tempo. Procedimento do IRDR O pedido de instauração do IRDR pode ser apresentado pelo juiz ou pelo relator do processo (por meio de ofício), pelas partes (por meio de petição), pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública (também por meio de petição) e deve ser direcionado ao presidente do respectivo tribunal como estabelece o art. 977 do Código de Processo Civil. Após a instauração do IRDR, os processos que estão sob a competência do tribunal e tratam da mesma questão repetitiva devem ser suspensos por até um ano, por determinação do relator. No caso de o IRDR não ser julgado dentro de um ano, o incidente será encerrado e as causas relacionadas retomarão o trâmite normal, a menos que haja uma decisão fundamentada em contrário pelo relator. Além disso, o relator pode solicitar informações às varas em que os processos discutem o objeto do incidente, bem como intimar o Ministério Público a se manifestar dentro de um prazo de 15 dias. Durante a instrução do processo, o relator ouvirá as partes do processo original, bem como o Ministério Público e outras partes interessadas, podendo permitir a participação de amicus curiae e agendar audiência para solicitar informações, de acordo com o art. 893 do Código de Processo Civil. Reclamação Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 15 of 44 04/08/2024, 19:04 Assista ao vídeo e entenda as hipóteses de cabimento da reclamação e os principais aspectos do procedimento. Prevista nos arts. 988 e seguintes, a reclamação é um processo de competência originária de tribunais com natureza jurídica típica de ação. Trata-se, desse modo, de ação voltada para preservar a competência e a autoridade das decisões dos tribunais. Tradicionalmente, é chamada reclamação constitucional, por também estar prevista na Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB) (art. 102, I, l; art. 103-A, §3º; art. 105, I, f). Hipóteses da reclamação Todas as hipóteses de cabimento possuem em comum um ponto: respeitar a competência dos tribunais. Sua finalidade é, portanto, preservar a competência dos tribunais, garantir a autoridade das decisões de tribunal, garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do STF em controle concentrado de constitucionalidade, e assegurar a observância de acórdão proferido em julgamento de IRDR ou de incidente de assunção de competência (IAC). A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento cabe ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir. Como sua natureza é de ação, deve ser instruída com prova documental e dirigida ao presidente do tribunal. Exemplo No cenário em que um processo é instaurado com a União de um lado e Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 16 of 44 04/08/2024, 19:04 No cenário em que um processo é instaurado com a União de um lado e um estado da federação do outro, o Supremo Tribunal Federal (STF) é competente para julgar inicialmente o caso (de acordo com o art. 102, inciso I, alínea f da Constituição). Se o processo for conduzido por qualquer outra instância judicial, haverá uma violação da competência do STF, o que permitirá a apresentação de uma reclamação. Procedimento da reclamação O art. 988 do CPC esclarece que a reclamação pode ser apresentada perante qualquer tribunal, não se limitando ao STF ou ao STJ, desde que a decisão do órgão justifique essa medida. Tanto a parte interessada quanto o Ministério Público têm legitimidade para propor a reclamação conforme estabelecido no caput do art. 988. Não há dúvida de que a parte interessada é aquela que, em um caso específico, depara-se com uma decisão que entra em conflito com as circunstâncias que justificam a reclamação. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 17 of 44 04/08/2024, 19:04 No entanto, é possível argumentar que também possui legitimidade para a reclamação aquele com interesse jurídico, além do interesse no caso concreto, consoante a previsão do art. 990. A legitimidade do Ministério Público deve ser reconhecida tanto nos casos em que atua como parte (o que é suficiente com base na previsão genérica do cabeçalho do art. 988) quanto quando atua como fiscal da ordem jurídica. A petição inicial deve ser encaminhada ao presidente do tribunal competente, conforme as disposições do parágrafo 1º do art. 988, e acompanhada de provas documentais que comprovem a ocorrência de uma das situações descritas no cabeçalho do mesmo art. 988 (§ 2º). Após ser protocolada, a petição inicial será distribuída, sempre que possível, ao relator do processo original (art. 988, § 3º). Caso a reclamação seja julgada procedente, o tribunal irá anular a decisão que excede seus poderes, reduzindo-a ou ajustando-a aos limites de sua competência. Isso ocorrerá com mais frequência nos casos previstos no inciso I do art. 988. Além disso, o tribunal poderá determinar uma medida apropriada para resolver a controvérsia. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 18 of 44 04/08/2024, 19:04 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro depara-se com um pedido de instauração de incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) para solucionar as causas de um acidente rodoviário com numerosas vítimas, o que demandaria a realização de prova pericial para aferir se houve falha elétrica ou algum outro fator causador da queda do ônibus na região serrana do Rio. Assim, designou sessão de julgamento para análise colegiada a respeito do cabimento do incidente. Aponte quais as condições simultâneas de cabimento do IRDR e se estão presentes no caso concreto. Além das condições simultâneas, a quem o pedido deve ser dirigido, qual o órgão competente do TJRJ para julgar o incidente e qual o prazo de julgamento? No caso de cabimento, quais os efeitos da admissão do incidente? Justifique indicando a respectiva fundamentação legal. Digite sua resposta aqui Exibir solução Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 19 of 44 04/08/2024,19:04 De acordo com os incisos I e II do art. 976, o IRDR é cabível quando houver, simultaneamente, efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito (inciso I) e risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica (inciso II). O pedido deverá ser dirigido ao presidente do TJRJ (inciso II do art. 977); e a competência para julgamento, ao órgão indicado pelo regimento interno dentre aqueles responsáveis pela uniformização de jurisprudência do tribunal (art. 978). Considerando que o IRDR visa apenas resolver questão de direito, não é cabível no caso concreto, mas, na hipótese de admissão do incidente, o relator suspenderá os processos pendentes, individuais ou coletivos que tramitam no estado ou na região (inciso II do art. 982), e o processo deverá ser julgado no prazo de um ano e terá preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus (art. 980). Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 20 of 44 04/08/2024, 19:04 2 - Recursos Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os recursos para aplicação da melhor técnica recursal na prática. Classi�cação e efeitos dos recursos Assista ao vídeo e entenda o conceito, as classificações, os requisitos e os impactos dos recursos, aprofundando seu conhecimento sobre essa importante área do direito. Classi�cação dos recursos Talvez a melhor definição do que são os recursos seja a elaborada por José Carlos Barbosa Moreira, nos Comentários ao Código de Processo Civil (v. V). Segundo o autor, recurso é o remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração de decisão judicial que se impugne (Barbosa Moreira, 1978). Um dos critérios classificatórios considera o grau de insatisfação do recorrente em relação à decisão desfavorável. Desse modo, os recursos podem ser classificados como totais ou parciais, dependendo se o recorrente contesta a decisão por completo ou apenas parte dela. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 21 of 44 04/08/2024, 19:04 Outro critério leva em conta os tipos de vícios presentes em uma decisão que podem ser impugnados por recursos. Sob esse critério, os recursos podem ser classificados como de fundamentação livre ou de fundamentação vinculada. Nos recursos de fundamentação livre, basta a insatisfação do recorrente para recorrer. Já nos recursos de fundamentação vinculada, o recorrente deve demonstrar, além do interesse genérico de recorrer, um prejuízo específico que tenha sido previamente avaliado pela ordem jurídica. Um terceiro critério distingue os recursos ordinários dos recursos extraordinários, levando em consideração se os recursos permitem um reexame total e abrangente do caso em todos os seus aspectos, incluindo a análise de provas e de questões novas, ou se são direcionados a outro propósito, que é a uniformização da interpretação do direito constitucional federal e do direito federal infraconstitucional em todo o território brasileiro. Requisitos para os recursos Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 22 of 44 04/08/2024, 19:04 Requisitos para os recursos Os arts. 994 a 1.044 do CPC/2015 regulamentam o assunto e, de forma geral, é possível afirmar que o Novo Código de Processo Civil trouxe a extinção de alguns recursos, como os embargos infringentes e o agravo retido, além de restringir o uso de outros, como o agravo de instrumento. De acordo art. 994 do CPC/2015, são cabíveis os seguintes recursos: • Apelação. • Agravo de instrumento. • Agravo interno. • Embargos de declaração. • Recurso ordinário. • Recurso especial. • Recurso extraordinário. • Agravo em recurso especial ou extraordinário. • Embargos de divergência. Aqui, estudaremos apenas os recursos voltados aos tribunais locais. A adequação é um requisito de natureza objetiva e estabelece que o recurso a ser interposto deve ser o apropriado. Isso significa que a parte deve analisar qual é o tipo de decisão da qual deseja recorrer, o motivo dessa decisão e interpor o recurso adequado para o seu caso. Além disso, é um requisito objetivo que o recurso seja interposto dentro do prazo legal, de 15 dias, excetuados os embargos de declaração que devem ser interpostos em cinco dias. Caso contrário, será considerado intempestivo e, consequentemente, inadmissível. Outro requisito objetivo está relacionado ao pagamento das custas. Em outras palavras, como regra geral, os recursos exigem o pagamento de Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 23 of 44 04/08/2024, 19:04 outras palavras, como regra geral, os recursos exigem o pagamento de custas para sua interposição. Portanto, cada vez que uma parte interpõe um recurso, é necessário pagar as custas correspondentes a esse recurso. Além disso, as custas devem ser pagas antes da interposição do recurso e comprovadas no momento da sua interposição, conforme estabelecido no art. 1.007, caput, do CPC. Efeitos dos recursos Conheça agora os tipos de efeito. Efeito substitutivo É aquele que, quando um recurso é admitido para julgamento, a decisão que analisa o mérito do recurso substitui a decisão anterior. Efeito devolutivo É caracterizado pela transferência da competência de revisar a decisão do órgão a quo para o órgão ad quem. Efeito translativo É aquele que permite ao tribunal analisar questões de ordem pública, ou seja, questões que podem ser examinadas a qualquer momento e em qualquer grau de jurisdição, mesmo que não tenham sido Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 24 of 44 04/08/2024, 19:04 Atualmente, como regra geral, os recursos não possuem efeito suspensivo, a menos que haja previsão legal (por exemplo, a apelação) ou decisão judicial nesse sentido, de acordo com o art. 995 do CPC/2015. É possível que, em virtude de um recurso com efeito regressivo, após a análise das razões e dos documentos, o órgão a quo reverta sua decisão anterior e emita uma nova decisão, revogando ou desfazendo a decisão anterior (juízo de retratação). Nesse caso, o órgão ad quem nem chegará a julgar o recurso devido à perda superveniente do objeto por falta de interesse. Apelação grau de jurisdição, mesmo que não tenham sido levantadas pelas partes (art. 485, §3º, CPC). Efeito suspensivo É aquele que, devido à interposição do recurso, impede que a decisão recorrida produza efeitos imediatamente. Em outras palavras, a decisão é válida, porém sua eficácia é suspensa até o julgamento do recurso. Em geral, as decisões produzem efeitos imediatos, mas um recurso com efeito suspensivo impede que os efeitos naturais da decisão se concretizem. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 25 of 44 04/08/2024, 19:04 Confira no vídeo o cabimento da apelação e seus requisitos. O recurso de apelação tem previsão expressa no art. 1.009 do CPC/2015 e sua redação é didática: “Da sentença cabe apelação.” Contudo, apesar da redação clara, o recurso possui muitas questões que não estão inseridas no pequeno dispositivo. Uma das principais características do recurso de apelação é sua fundamentação livre, pois permite que a parte, independentemente de qualquer requisito específico, impugne a sentença apenas com sua irresignação, sem qualquer regra e limitação às matérias que podem ser objeto de recurso. O recurso de apelação é aquele voltado à impugnação das sentenças — nos termos dos arts. 203 e 485 ou 487 do CPC/2015 —, bem como daquelas decisões interlocutórias não recorríveis de imediato, consoantemandamento do §º1 do art. 1.009. O recurso de apelação permite que o órgão hierarquicamente superior reexamine as questões de fato e de direito decididas na sentença e, com amplo efeito devolutivo, é o instrumento mais importante de impugnação das decisões judiciais. Cabimento da apelação No Código de Processo Civil, encontramos as diretrizes fundamentais do recurso de apelação cível nos arts. 1.009 a 1.014. Essas disposições são consideradas regras gerais, uma vez que o recurso é mencionado em vários pontos ao longo do código, como nos arts. 101, 331, 332, 702, Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 26 of 44 04/08/2024, 19:04 724, 942, entre outros. O art. 1.010 do Código de Processo Civil estabelece os elementos essenciais que devem constar no recurso de apelação. Confira quais são eles. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I – os nomes e a qualificação das partes; II – a exposição do fato e do direito; III – as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV – o pedido de nova decisão. (Código de Processo Civil, art. 1.010) O art. 1.010 do CPC nos remete, então, à estrutura mínima de como o recurso de apelação cível deve ser apresentado para que seja possível a análise pela instância superior. Existem requisitos essenciais para que o recurso de apelação cível seja admitido pelo Tribunal de Justiça. Vamos a eles! Cabimento do recurso Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 27 of 44 04/08/2024, 19:04 O recurso de apelação é cabível para impugnar sentença como regra geral. Uma exceção é a sentença que decreta falência, sendo recorrível mediante agravo de instrumento. Legitimidade para recorrer A parte que interpõe o recurso deve ser legitimada, ou seja, deve ter o direito legal de recorrer. Interesse para recorrer A parte deve possuir um interesse jurídico atual na revisão da decisão, demonstrando prejuízos ou a necessidade de se obter uma decisão mais favorável. Ausência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer Não deve haver nenhuma circunstância que impeça ou extinga o direito de recorrer, como o trânsito em julgado da decisão ou a renúncia expressa ao recurso. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 28 of 44 04/08/2024, 19:04 Portanto, esses são os pressupostos internos que devem ser cumpridos para que o recurso de apelação cível seja admitido pelo Tribunal de Justiça. Existem ainda requisitos externos para que o recurso de apelação cível seja aceito pelo Tribunal de Justiça. Vamos conferi-los! Tempestividade O recurso deve ser interposto dentro do prazo legal estabelecido para a apelação. Caso contrário, será considerado intempestivo. Regularidade formal O recurso deve ser apresentado de acordo com as formalidades previstas em lei, incluindo a correta utilização dos modelos, a assinatura do advogado, a indicação das partes envolvidas, entre outros requisitos formais. Recolhimento do preparo É necessário efetuar o pagamento das despesas processuais devidas, conhecidas como preparo, dentro do prazo e na forma determinada pela Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 29 of 44 04/08/2024, 19:04 Além disso, será preciso trazer as razões para reforma ou anulação da decisão. Agravo de instrumento Assista ao vídeo para verificar a aplicação do agravo de instrumento e para entender os principais critérios a serem observados ao preparar esse recurso. O agravo de instrumento é um recurso estabelecido no Código de Processo Civil, nos arts. 1.015 a 1.020. Ele é o recurso adequado para impugnar certas decisões interlocutórias emitidas pelo juiz. O recurso de agravo de instrumento deve seguir determinados requisitos estabelecidos no Código de Processo Civil, sobretudo nos arts. 1.016 e 1.017. É fundamental ressaltar que o agravo de instrumento deve ser direcionado diretamente ao tribunal competente. A petição que apresentará o agravo de instrumento deve, obrigatoriamente, conter os legislação processual. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 30 of 44 04/08/2024, 19:04 apresentará o agravo de instrumento deve, obrigatoriamente, conter os seguintes elementos: • Nomes das partes envolvidas. • Exposição dos fatos e do direito. • Fundamentação do pedido de reforma ou invalidação da decisão e o próprio pedido. • Nome e endereço completos dos advogados envolvidos no processo. Além disso, o agravo de instrumento deve ser acompanhado por: • Cópias obrigatórias da petição inicial, da contestação, da petição que motivou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão de intimação correspondente ou outro documento oficial que comprove a tempestividade das procurações concedidas aos advogados do agravante e do agravado. • Declaração do advogado do agravante, sob pena de responsabilização pessoal, afirmando a inexistência de qualquer um dos documentos mencionados. • De forma opcional, outras peças que o agravante considerar úteis. O CPC trouxe uma inovação, ao dispensar que o agravo seja acompanhado das peças já mencionadas quando os autos do processo forem eletrônicos. No entanto, a parte agravante ainda tem a opção de anexar outros documentos que julgar relevantes para a compreensão da controvérsia. É importante ressaltar que o recurso deve ser acompanhado do pagamento das custas correspondentes. Hipóteses de cabimento do agravo de instrumento Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 31 of 44 04/08/2024, 19:04 Com o advento do CPC/2015, a dinâmica do recurso de agravo se altera: é retirado de nosso sistema o agravo retido, e o agravo de instrumento retoma o ar do CPC/1939, ao prever apenas hipóteses taxativas de cabimento com um rol expresso no art. 1.015 do CPC/2015. Atenção! A mudança do recurso de agravo, gerou inúmeras discussões, mas a principal delas é acerca da natureza do rol trazido pelo art. 1.015 do CPC/2015: se está diante de um rol verdadeiramente taxativo, ou exemplificativo, em especial nos casos de decisões não recorríveis de imediato e que causam grave lesão à parte. A solução para tal discussão é uma taxatividade fraca, isto é, cabendo ao agravante demonstrar que há inutilidade e risco de perecimento do direito no caso de interposição de apelação, autorizando a interposição do agravo de instrumento. Além disso, o próprio Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 1.704.520/MT) reconheceu a taxatividade mitigada do rol do art. 1.015 do CPC/2015, desde que seja comprovada a urgência do recurso. No Código de Processo Civil de 1973, o agravo de instrumento tinha aplicações menos precisas e menos detalhadas, o que gerava incertezas quanto à sua aplicabilidade. O Novo Código de Processo Civil, por sua vez, estabeleceu, no art. 1.015, uma lista de situações em que o recurso de agravo de instrumento pode ser utilizado. Vamos analisá-las! I - tutelas provisórias; II - mérito do processo; III - rejeição da alegação de convenção de Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 32 of 44 04/08/2024, 19:04 arbitragem; IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação; VI - exibição ou posse de documento ou coisa; VII - exclusão de litisconsorte; VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargosà execução; XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º; XII - (VETADO) XIII - outros casos expressamente referidos em lei. (Novo Código de Processo Civil, art 1.015) Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 33 of 44 04/08/2024, 19:04 O parágrafo único do art. 1.015 também estabelece que caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. No mesmo sentido, outro caso previsto em lei e em que é cabível o agravo de instrumento é no julgamento antecipado parcial do mérito (art. 356, § 5º). Agravo interno Assista ao vídeo e confira o cabimento do agravo interno e os cuidados que você deve ter na sua elaboração. O agravo interno, com previsão no art. 1.021 do CPC/2015, é cabível contra as decisões monocráticas proferidas pelo relator do processo, sendo que há ampla cognição em tal recurso. Assim, é possível discutir tanto questões de interpretação dos fatos, como direito, limitando-se apenas em relação à aplicação de enunciado de súmula vinculante, situação em que será discutida tão somente a distinção do caso. É importante, porém, a impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada. O objetivo primordial do agravo interno é levar a decisão ao conhecimento do órgão colegiado Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 34 of 44 04/08/2024, 19:04 competente a fim de que este emita sua manifestação favorável ou contrária. O agravo interno é, em essência, o direito de solicitar uma decisão colegiada. Embora todas as decisões de segunda instância devam ser tomadas pelo colegiado, em prol da celeridade processual, o relator é incumbido, temporariamente, de decidir em nome do órgão colegiado. Atenção! É de extrema importância garantir ao jurisdicionado o direito de discordar da decisão do relator e apresentar seus argumentos perante o órgão competente. Embora a lei possa dispensar a formação do colegiado em certos casos, é crucial lembrar que este é o órgão competente legítimo e qualquer restrição de acesso a ele seria inconstitucional. O prazo estabelecido para a interposição do recurso do agravo interno é de 15 dias úteis conforme define o art. 994 do Novo Código de Processo Civil. Hipóteses de cabimento do agravo interno Após a interposição do agravo interno, devidamente fundamentado, abre-se um prazo de 15 dias para que o agravado apresente sua manifestação em conformidade com o art. 1.021, §2º do Novo Código de Processo Civil. Caso não sejam apresentadas contrarrazões, os autos serão encaminhados para apreciação do relator, a fim de decidir se mantém ou se retrata da decisão impugnada. Caso o relator opte por manter a decisão, o recurso será levado a julgamento, com inclusão em pauta. O julgamento do agravo interno é realizado pelo órgão colegiado composto pelo prolator da decisão agravada. Não é admissível o julgamento monocrático pelo relator, pois isso tornaria o recurso Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 35 of 44 04/08/2024, 19:04 ineficaz. Durante a sessão de julgamento, serão proferidos votos, iniciando-se pelo voto do relator, o qual não pode se limitar a reproduzir os fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o recurso. No caso de o agravo interno ser declarado inadmissível ou improcedente por unanimidade, o órgão colegiado deverá, em decisão fundamentada, impor ao agravante o pagamento de multa, conforme previsto pelo art. 1.021, §4º do Novo Código de Processo Civil. É importante ressaltar que o depósito dessa multa é requisito de admissibilidade para qualquer outro recurso que a parte pretenda interpor. O parágrafo 4º do art. 1.021 define que se o órgão colegiado declarar que o recurso é inadmissível ou improcedente de forma unânime, e compreender que ele foi realizado com o objetivo de atrasar ou Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 36 of 44 04/08/2024, 19:04 tumultuar o processo, o órgão colegiado pode, com base em fundamentação, aplicar uma multa de até 5% do valor da causa ao agravante, que deverá pagar a quantia ao agravado. O parágrafo 5º, por sua vez, estabelece que a parte não poderá entrar com novos recursos até o pagamento da multa, a menos que se trate de parte beneficiada por gratuidade de justiça ou Fazenda Pública. Nesse caso, o pagamento fica para o final do processo. Embargos de declaração Assista ao vídeo e confira o cabimento dos embargos de declaração e os pontos de atenção ao se elaborar esse recurso. Os embargos de declaração estão inseridos no art. 1.022 do CPC/2015 e se voltam não para a reforma da decisão, mas para sua complementação. Desse modo, caso ocorra a necessidade de modificação da decisão, são atribuídos efeitos infringentes, excepcionalmente, aos embargos de declaração, vedado, de qualquer forma, o reexame de provas, mas apenas a integração da decisão embargada. Hipóteses de cabimento dos embargos de declaração Os embargos de declaração são cabíveis quando verificados os seguintes vícios na decisão: Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 37 of 44 04/08/2024, 19:04 seguintes vícios na decisão: Quanto às hipóteses de cabimento estabelecidas na legislação, observa- se que existe uma restrição legal para a interposição dos embargos, o que caracteriza essa modalidade recursal com uma fundamentação vinculada. Enquanto no recurso de apelação é possível abordar qualquer questão — a fundamentação é ampla —, nos embargos de declaração exige-se que a decisão seja omissa, obscura, contraditória ou contenha erro material. Os embargos não podem ser utilizados, por exemplo, como um substituto de um pedido de reconsideração de uma sentença ou acórdão. É exigido que todo pronunciamento judicial seja devidamente fundamentado conforme estabelece o art. 93, inciso IX da Constituição Federal, sob pena de nulidade. Com base nesse princípio, um Obscuridade Contradição Omissão Erro material Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 38 of 44 04/08/2024, 19:04 pronunciamento apresenta vícios quando é contraditório, obscuro, omisso ou contém erro material. Os embargos de declaração estão previstos no art. 994, inciso I do Código de Processo Civil (CPC), com suas regras de cabimento descritas no art. 1.022. Não há indicação no código das decisões passíveis de serem impugnadas por meio dos embargos de declaração, sendo esse recurso utilizado para questionar qualquer decisão. Conforme a doutrina e a jurisprudência, a obscuridade ocorre quando a redação da decisão não é suficientemente clara, dificultando a compreensão ou a interpretação. A contradição se manifesta quando o julgado apresenta proposições inconciliáveis, tornando incerto o resultado da decisão. Já a omissão ocorre quando uma questão ou um ponto controvertido deveria ter sido apreciado pelo órgão julgador, mas foi deixado de lado. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 João, ao dirigir pelo centro da cidade, por um descuido, causou um acidente automotivo ao chocar seu veículo com o de José, ocasionando diversos danos materiais. Entretanto, ao sair do veículo para verificar as condições do dano, João faltou com respeito a José e o xingou diante de inúmeros transeuntes que acompanhavam o ocorrido, violando seu direito e lhe causando dano. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 39 of 44 04/08/2024, 19:04 direito e lhe causando dano.José ajuizou ação condenatória, cumulando pedidos relacionados aos danos materiais e ao dano moral. Verificou que o pedido de dano material estava em condições de imediato julgamento, uma vez que João concordou com o orçamento apresentado e, em contestação, não impugnou esse pedido. O juiz, ao analisar o caso, julgou o pedido de danos materiais procedentes, acolhendo o pedido de José, aplicando o art. 356 do CPC/2015 e condenando João ao pagamento dos danos causados ao veículo de José. Após a instrução, o magistrado, deixando de considerar o depoimento das testemunhas, julgou improcedente o pedido de dano moral, por entender que a situação não havia causado abalo moral indenizável. Considerando apenas as informações expostas, elabore, na qualidade de advogado de José, a peça processual cabível para defesa dos interesses de seu cliente, que leve o tema à instância superior, indicando seus requisitos e fundamentos, nos termos da legislação vigente. Digite sua resposta aqui Exibir solução A peça processual cabível é o recurso de apelação (art. 1.009 do CPC), interposto no prazo de 15 dias úteis. Você deverá interpor o recurso em petição dirigida ao juízo de primeiro grau (art. 1.010 do CPC), contendo o nome e a qualificação das partes, além de requerer a intimação para Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 40 of 44 04/08/2024, 19:04 qualificação das partes, além de requerer a intimação para apresentação de contrarrazões e a remessa ao tribunal, independentemente do juízo de admissibilidade. Além disso, deverá indicar o recolhimento do preparo. Nas razões recursais, você deverá indicar os fatos ocorridos — que João faltou com respeito a José e o xingou na frente de inúmeras testemunhas — , bem como fundamentar, juridicamente, seu pleito. No mérito, deverá alegar que há dano moral indenizável, com fundamento no art. 186 do Código Civil, pois a ação de João violou o direito e causou dano a José. Tal fato ultrapassou o mero dissabor cotidiano e atraiu a incidência do art. 927 do Código Civil, que impõe o dever de indenizar àquele que, por ato ilícito, cause dano a outrem, conforme depoimento produzido durante audiência de instrução e julgamento (art. 361 do CPC). O examinando deverá formular o pedido de reforma da decisão que julgou improcedente o pedido de dano moral (art. 1.010, §4º) com a consequente condenação de João ao pagamento de honorários advocatícios. A seguir, deve proceder ao encerramento da peça. Considerações �nais Este conteúdo demonstrou a sistemática dos recursos cíveis, desde a ordem dos processos nos tribunais até os recursos cabíveis para os tribunais estaduais e federais, desenvolvendo a capacidade de distinguir as hipóteses de cabimento de cada recurso, bem como sua abrangência, efeitos, requisitos de admissibilidade e impacto no dia a dia do judiciário. Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 41 of 44 04/08/2024, 19:04 dia do judiciário. Além disso, alguns pontos foram esclarecidos: quais os poderes do relator; qual a dinâmica de uma sessão de julgamento; qual o recurso cabível quando se está diante de uma decisão interlocutória; e, ainda, qual o recurso voltado a sanar eventual obscuridade. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Pesquise o canal de vídeos produzidos pela Advocacia Geral da União (AGU Explica), no YouTube, e veja o vídeo sobre recursos. Busque por AGU Explica – Recurso. Confira o relatório Justiça em Números, importante fonte estatística do Poder Judiciário. Basta acessar o portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), clicar na aba Publicações e Pesquisas e selecionar Justiça em Números. Referências ASSIS, A. de. Manual dos recursos. 9. ed. São Paulo: RT, 2017. BRUSCHI, G. G. Apelação cível: teoria geral, procedimento e saneamento Prática dos recursos aos tribunais locais https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/39948/index.html?br... 42 of 44 04/08/2024, 19:04 BRUSCHI, G. G. Apelação cível: teoria geral, procedimento e saneamento de vícios pelo tribunal. São Paulo: Saraiva, 2012. CÂMARA, A. F. O novo processo civil brasileiro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2017. CARNEIRO, A. G. Recurso especial, agravos e agravo interno. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008. DANTAS, B. Art. 932. In: BUENO, C. S. (coord.) Comentários ao Código de Processo Civil: arts. 926 a 1.072 – parte especial. Processos nos tribunais e recursos e disposições finais e transitórias. São Paulo: Saraiva, 2017. v. 4. MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C.; MITIDIERO, D. Novo curso de processo civil: teoria do processo civil. 2. ed. São Paulo: RT, 2016. v. 1. MARINONI, L. G.; ARENHART, S. C.; MITIDIERO, D. Novo curso de processo civil: tutela dos direitos mediante procedimento comum. 2. ed. São Paulo: RT, 2016. v. 2. MITIDIERO, D. Processo civil. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021. MOREIRA, J. C. B. Comentários ao Código de Processo Civil. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1978. v. V. NERY JÚNIOR, N.; ARRUDA, T. A.; OLIVEIRA, P. M. de. (coord.) Aspectos polêmicos dos recursos cíveis e assuntos afins: 14. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2018. OLIVEIRA, P. M. de. Agravo interno e agravo regimental: hipóteses de incidência e poderes do relator nos tribunais. São Paulo: RT, 2009. OLIVEIRA, P. M. de. Novíssimo sistema recursal conforme o CPC/2015. Florianópolis: Conceito, 2015. WAMBIER, T. A. A. 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