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1 GESTÃO AMBIENTAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL 2 Prezado (a) aluno (a)! A responsabilidade socioambiental é um princípio que guia indivíduos, empresas e organizações a considerar os impactos de suas ações na sociedade e no meio ambiente. Refere-se à consciência e ao compromisso de agir de forma ética, sustentável e responsável, buscando o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, o bem-estar social e a preservação ambiental. Esse conceito promove ações que visam minimizar os efeitos negativos das atividades humanas, priorizando ações que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a conservação dos recursos naturais para as gerações presentes e futuras. Bons estudos! AULA 8 – RESPONSABILIDADE AMBIENTAL. 3 8 RESPONSABILIDADE SOCIAL: RESPEITO AO MEIO AMBIENTE Conforme Starik e Marcus (2000) a partir da década de 1970, houve um aumento nos debates sobre a interligação dos movimentos sociais e ambientais. Essas discussões se centravam nos impactos atuais e futuros, positivos e negativos, relacionados às questões sociais e ambientais, estimulando mudanças nas organizações. Segundo Nascimento (2005), a conexão entre a gestão ambiental e social é justificada pelo fato de que as ações ambientais, sejam preventivas ou corretivas, geralmente têm implicações sociais. Por exemplo, um incidente de poluição em um rio devido ao vazamento de substâncias pode afetar não apenas a qualidade da água para as comunidades locais, mas também a saúde dessas populações e a subsistência dos pescadores devido à mortalidade dos organismos aquáticos, ilustrando a interseção entre problemas ambientais e sociais. Durante a Revolução Industrial, ocorreu um notável progresso global que impulsionou a economia, o crescimento das indústrias e avanços tecnológicos significativos. Contudo, esse desenvolvimento acarretou uma série de problemas sociais, incluindo a exploração descontrolada de recursos naturais, entre outros desafios que continuam sendo debatidos atualmente (SOUZA, 2008). Diante das crescentes preocupações com as questões socioambientais, as organizações têm enfrentado pressões tanto da sociedade quanto do governo para prestarem contas sobre suas práticas e envolvimento com esses temas. Esse contexto impulsionou o surgimento gradual da responsabilidade social empresarial e da gestão ambiental, delineando novos papéis sociais para as organizações (COUTINHO; MACEDO-SOARES, 2002). Segundo o Instituto Ethos (2001), ao adotar iniciativas que abordam a responsabilidade social e ambiental, uma organização não apenas cumpre seu papel na sociedade, mas também contribui para uma transformação social positiva e contínua. Ferreira e Guerra (2012) destacam que as organizações ampliaram seu escopo de atuação, indo além das obrigações convencionais, visando melhorar a qualidade de vida da população e satisfazer as demandas de seus stakeholders. A incorporação dos princípios de sustentabilidade tem levado os consumidores a esperarem das empresas não apenas o alcance de metas financeiras, mas também o desempenho 4 de papéis como agentes de transformação social e ambiental para o desenvolvimento sustentável das comunidades. Além disso, Medeiros (2015) ressalta que adotar medidas socioambientais pode representar uma forma de alcançar vantagem competitiva, sem comprometer significativamente os recursos financeiros, desde que tais ações sejam atrativas para os consumidores e funcionem como um diferencial em relação à concorrência. contudo, a integração da gestão socioambiental visa não apenas alcançar resultados imediatos, mas também oferecer contribuições de longo prazo para o futuro da organização. Essa inclusão é feita com o intuito de melhorar a competitividade e fortalecer parcerias com fornecedores, ao mesmo tempo em que promove a conscientização da sociedade, adotando publicamente uma postura responsável em relação ao meio ambiente. Essa ação reforça a imagem da organização perante a sociedade, (NASCIMENTO, 2005). Assim segundo Amorim (2009), a Responsabilidade Social tornou-se um tema relevante não apenas para a Administração, mas também para a Gestão Organizacional, que além de produzir bens e serviços, busca manter uma relação sustentável com o meio ambiente. É fundamental estabelecer um equilíbrio entre os interesses da empresa e da comunidade. As organizações desempenham um papel crucial na criação de oportunidades de trabalho e interagem com a sociedade ao oferecer e receber serviços visando lucro. Elas são responsáveis não apenas pela produção de bens e serviços, mas também pelo bem-estar de seus funcionários e da sociedade em geral. Elementos como o meio ambiente, a valorização do ser humano e sua cultura desempenham papéis significativos que influenciam diretamente o sucesso da empresa e são elementos- chave na competitividade do mercado. Os executivos contemporâneos reconhecem a importância das ações de responsabilidade social para garantir um desenvolvimento sustentável de longo prazo. Eles compreendem que a melhoria da qualidade de vida na comunidade onde a organização está inserida não só contribui para uma maior lucratividade, mas também influencia a imagem projetada da empresa junto a clientes, concorrentes e parceiros, pressionando por novas legislações nessa área. Essa abordagem envolve a ideia de preservação ambiental para as gerações futuras, promovendo a limitação do uso de recursos não renováveis e fomentando uma cultura de maior aproveitamento e 5 reciclagem (AMORIM, 2009). No século XX, várias invenções surgiram visando facilitar a vida cotidiana das pessoas, como fraldas descartáveis, celulares, computadores, garrafas PET, entre outras. No entanto, no século XXI, muitas dessas inovações se tornaram problemas devido ao acúmulo de lixo, incluindo substâncias tóxicas e materiais não reutilizáveis que contaminam o solo, a água e o ar. Diante disso, torna-se crucial a implementação de ações para controlar a poluição, promover o reflorestamento, reciclar plásticos e realizar a limpeza de mares, rios e lagos. Essas iniciativas são consideradas responsabilidades sociais e devem ser conduzidas por empresas e organizações, uma vez que são as principais produtoras desses produtos e têm grande responsabilidade na geração de poluição. Conforme Amorim (2009), a Responsabilidade Social Corporativa não possui uma definição universalmente aceita. No entanto, de maneira abrangente, refere-se às decisões empresariais fundamentadas em valores éticos que englobam dimensões legais e o respeito pelas pessoas, comunidades e meio ambiente. Essa responsabilidade promove a educação ambiental, estimulando os indivíduos a reconhecerem a importância de um estilo de vida que mantenha uma relação saudável com o meio ambiente. Essa interação busca melhorar a qualidade de vida de todos ao desenvolver uma nova consciência em relação à natureza e ao adotar atitudes que, no final das contas, têm um impacto significativo. Essa responsabilidade impulsiona a educação ambiental, conscientizando as pessoas sobre a importância de um estilo de vida que promova uma relação saudável com o meio ambiente. Essa interação visa aprimorar a qualidade de vida geral, desenvolvendo uma nova consciência em relação à natureza e adotando atitudes que têm um impacto significativo. Toledo e Pelicioni (2005) enfatizam que a educação ambiental, por ser integradora, abrange diversas áreas do conhecimento e pode ser implementada em vários contextos. Destacam-se atividades realizadas em ambientes que propiciam contato direto com a natureza, como estudos do meio, trilhas interpretativas e ecoturismo, frequentemente realizadosem unidades de conservação e parques estaduais. As mudanças ambientais têm influência significativa nos negócios, levando as empresas a tomarem decisões estratégicas que conferem vantagens competitivas. Ao se dedicarem ao estudo e planejamento de maneiras para reduzir seu impacto 6 ambiental, as empresas descobrem que é viável economizar recursos e, ao mesmo tempo, obter lucros através da responsabilidade social. Como ilustrado por Tachizawa (2010), a empresa 3M sendo está um grupo econômico multinacional americano de tecnologia diversificada, organizado em unidades de negócios reunidas em 6 grandes mercados, são eles: ➢ Indústria e transporte; ➢ Saúde; ➢ Consumo e escritório; ➢ Segurança; ➢ Produtos elétricos e comunicação; ➢ Controle de tráfego e comunicação visual; por exemplo, deixou de despejar 270 mil toneladas de poluentes na atmosfera e 30 mil toneladas de efluentes nos rios desde 1975. Essa iniciativa resultou em uma economia superior a US$810 milhões em ações de combate à poluição nos 60 países onde opera. Da mesma forma, a empresa Scania Caminhões registrou economia em torno de R$ 1 milhão com seu programa de gestão ambiental, alcançando reduções de 8,6% no consumo de energia, 13,4% no consumo de água e 10% no volume de resíduos produzidos somente no ano de 1999. Frente a essa perspectiva, a responsabilidade social direcionada para a educação ambiental em todos os setores da sociedade implica em tomar atitudes conscientes e promover uma nova mentalidade em relação à preservação do meio ambiente. Esse engajamento visa a possibilitar um significativo avanço para o futuro, por meio de um desenvolvimento sustentável apropriado, assegurando assim uma vida mais confortável e segura para todos os envolvidos. 8.1 Responsabilidade socioambiental De acordo com Nascimento (2008), a Responsabilidade Socioambiental refere- se ao compromisso dos empresários em adotar práticas éticas que promovam o desenvolvimento econômico, enquanto melhoram tanto a qualidade ambiental quanto a qualidade de vida de seus funcionários, suas famílias, a comunidade local e a sociedade em geral. Para que a gestão socioambiental estratégica seja efetiva, é fundamental integrar a variável socioambiental em todos os níveis da empresa, desde 7 o planejamento estratégico até as operações diárias. Isso implica adotar práticas de cidadania corporativa, como ações de voluntariado, gestão ambiental, estratégias de marketing voltadas para práticas sustentáveis e o respeito aos colaboradores, fornecedores e clientes. O objetivo é alcançar metas de maneira transparente e sustentável. Caso contrário, corre-se o risco de tornar-se apenas uma fachada de ações ambientalmente corretas, sem efetividade. É crucial que os gestores assumam um novo papel, alinhando os objetivos da empresa com os da comunidade, reconhecendo a interdependência entre os impactos ambientais, sociais e econômicos. Nascimento (2008) exemplifica a análise da poluição de um rio, destacando a importância de considerar não apenas os aspectos ambientais, mas também os impactos sociais e econômicos. Além dos efeitos na qualidade da água, a morte dos peixes afeta a subsistência dos pescadores, reduz o potencial turístico e pode gerar problemas de saúde para as comunidades que dependem desse recurso, evidenciando interconexões entre questões ambientais, sociais e econômicas. Segundo nascimento (2008) as vantagens significativas de adotar uma gestão com responsabilidade socioambiental incluem: estabelecimento de uma imagem de marca ecologicamente correta, fortalecimento da posição da empresa no mercado; demonstração de alinhamento com as expectativas do consumidor e potencial para expandir para novos mercados, inclusive internacionais; redução nos custos de produção e de seguros; atração de novos investimentos; melhoria na percepção dos consumidores e na competitividade dos produtos ou serviços; facilitação nas negociações para exportação e obtenção de financiamentos; criação de um diferencial de marketing; e facilitação na exportação de produtos com reconhecimento ambiental, evitando a necessidade de contratar consultorias estrangeiras. 8.2 Indicadores de gestão ambiental e de responsabilidade social É essencial estabelecer indicadores que possibilitem a avaliação do desempenho em gestão ambiental e responsabilidade social, representando uma relação entre duas variáveis que devem ser mensuradas em termos de suas qualidades e importância. Conforme Tachizawa (2005), um modelo de gestão nessas áreas depende da medição, informação e análise. As medições devem estar alinhadas 8 com as estratégias corporativas da organização, abrangendo processos e resultados essenciais. As informações necessárias para avaliar e aprimorar o desempenho incluem dados relacionados à produção, desempenho dos produtos, posição no mercado, comparações com concorrentes, informações sobre fornecedores, colaboradores e aspectos econômico-financeiros. O modelo de gestão ambiental e responsabilidade social, pode ser considerado como uma abordagem científica na qual as decisões são fundamentadas em fatos, dados e informações quantitativas que refletem as causas e impactos no meio ambiente. Esta abordagem enfatiza a importância da mensuração, já que aquilo que não pode ser medido não pode ser avaliado, dificultando a tomada de decisões sobre as medidas a serem adotadas. A análise consiste em extrair conclusões essenciais das informações para dar suporte à avaliação e à tomada de decisões necessárias para resolver questões ambientais e sociais. Esse processo permite identificar tendências, prever cenários e compreender relações de causa e efeito que podem não ser imediatamente evidentes. Esse conjunto de medições, informações e análises constitui a base para o planejamento, avaliação de desempenho, aprimoramento das operações e comparações com concorrentes ou padrões de excelência (TACHIZAWA, 2005). Nesse contexto, é evidente a importância que as empresas atribuem ao meio ambiente, refletida em seus projetos e modelos de gestão. Observa-se que algumas empresas demonstram um forte comprometimento e dedicam esforços significativos para melhorar o ambiente. Percebe-se também que as empresas que adotam tais projetos estão mais competitivas no mercado, enquanto aquelas que não o fazem correm o risco de serem excluídas dessa competitividade. Essas práticas contribuem para a minimização de custos ao evitar o desperdício e aumentar os lucros, especialmente porque a sociedade está mais interessada em adquirir produtos que se preocupam com o meio ambiente, o que tem resultado em um aumento na demanda por esses produtos. Contudo, destaca-se que as empresas não operam de maneira isolada, sendo acompanhadas pelo governo, que desempenha um papel fundamental na supervisão e garantia da aplicação correta dos projetos. Além disso, a sociedade desempenha um papel relevante no avanço dessas práticas. É perceptível que sem a união dessas forças - governo, empresas e sociedade - para promover uma gestão ambiental e 9 responsabilidade social eficazes, o alcance desses objetivos pode ficar comprometido. Assim, mesmo que nosso papel individual seja pequeno, a participação de todos é crucial para impulsionar o desenvolvimento e promover melhorias, alinhadas aos objetivos da Agenda 2030 da ONU. Assim, você compreendeu que os indicadores de gestão ambiental e responsabilidade social são ferramentas fundamentais para avaliar e quantificar o desempenho de uma empresa em relação às suas práticas ambientais e sociais. Esses indicadores ajudam a mensurar aspectos como consumo de recursos naturais, emissões de poluentes, engajamento comunitário, condições de trabalho, entre outros. São métricas que permitem à organização identificar áreas de melhoria e avaliar o progresso em direção a metas específicas.No próximo tópico vamos tratar brevemente sobre as ações sociais e práticas organizacionais que se referem às iniciativas concretas que as empresas implementam para promover mudanças positivas na sociedade e no ambiente em que estão inseridas. Isso inclui programas de responsabilidade social, campanhas de sustentabilidade, apoio a causas sociais, voluntariado corporativo, entre outros esforços direcionados para melhorar as condições sociais e ambientais. Ambos os temas residem em uma interconexão direta entre a mensuração do desempenho ambiental e social de uma organização e a implementação prática de iniciativas que buscam melhorar seu impacto na sociedade e no meio ambiente. 8.3 Ações sociais e a prática organizacional Conforme Rodrigues (2006), com a forte competição no mercado, as empresas estão percebendo nas práticas sociais uma oportunidade para inovar e oferecer vantagens competitivas aos consumidores. Elas estão se empenhando para resolver questões sociais, incorporando seus planos de desenvolvimento empresarial como estratégia para criar distinções competitivas. Para Buffara e Pereira (2003), no cenário atual dos negócios, além dos atributos de preço e qualidade, essenciais para a competitividade das empresas no mercado consumidor, outras organizações que buscam se destacar estão integrando aspectos que tradicionalmente eram considerados contrastantes no ambiente capitalista: o aspecto econômico e o aspecto social. No quadro 1 apresentado a 10 seguir, são delineadas as dimensões sociais que constituem a base da responsabilidade social: Quadro 1. Dimensões Sociais que abrangem a responsabilidade social. Fonte: Dahlsrud (2008) Nas dimensões sociais delineadas no quadro 1, é evidente a viabilidade de implementar ações simples no contexto ambiental das organizações. Isso inclui a responsabilidade ambiental, a preservação e conservação da fauna e flora. No âmbito social, há oportunidades para promover iniciativas que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa e avançar com campanhas sociais que gerem um impacto positivo (DAHLSRUD, 2008). Nesse contexto, o mesmo autor enfatiza que a responsabilidade social corporativa refere-se às obrigações que as empresas assumem ao executar ações visando proteger e aprimorar o bem-estar da sociedade, alinhadas aos seus próprios interesses. Em concordância com essa perspectiva, Ashley (2005) declara que um engajamento colaborativo entre os stakeholders na definição das estratégias organizacionais resulta em um comprometimento mútuo em relação aos objetivos estabelecidos. Para alcançar isso, é essencial estabelecer uma boa interação entre 11 funcionários, fornecedores e clientes por meio de uma comunicação eficaz para a implementação efetiva da responsabilidade social. 8.4 Responsabilidade social e o desafio dos gestores Segundo Vassallo (2000), para uma empresa se posicionar de forma responsável socialmente e ser economicamente sustentável, é fundamental que seus líderes e profissionais estejam comprometidos em integrar métodos de produção inovadores com estratégias decisivas que visem a sustentabilidade, abrangendo aspectos econômicos, sociais e ambientais. As empresas, como impulsionadoras do progresso econômico, exercem influência significativa na sociedade e têm potencial para liderar o desenvolvimento sustentável. Essa abordagem requer uma gestão intrínseca que integre as preocupações ambientais nos princípios fundamentais da empresa, incluindo sua missão, visão e valores. Assim, podem conceber e implementar iniciativas que envolvam não apenas os funcionários, mas também suas famílias e a comunidade em geral. As empresas comprometidas com a responsabilidade social devem agregar valor para as partes interessadas próximas, ao mesmo tempo em que buscam resultados superiores para si mesmas. Atualmente, a responsabilidade social não é mais uma escolha, mas sim uma estratégia vital para a continuidade e o sucesso das organizações. Vassallo (2000) destaca que não há uma fórmula universal para a responsabilidade social no ambiente corporativo. Ele sugere alguns passos fundamentais que podem facilitar a implementação de uma estratégia de boa cidadania empresarial. De acordo com o autor, é crucial estabelecer uma missão, uma visão e um conjunto de valores como parte integrante de cada decisão, incorporando a responsabilidade social ao núcleo da empresa – seus princípios fundamentais. Isso implica um comprometimento explícito dos líderes e funcionários com questões éticas nos negócios, respeitando acionistas, clientes, fornecedores, comunidades e meio ambiente. Incorporar os valores à prática diária é essencial. Ter valores exibidos na parede da empresa não é suficiente se não forem implementados em cada decisão. A liderança executiva deve ser responsável e comprometida, considerando os 12 interesses de todas as partes envolvidas antes de tomar decisões estratégicas. Comunicar, educar e treinar são fundamentais para que as pessoas conheçam e apliquem os valores da cidadania corporativa no cotidiano da organização. Publicar relatórios sociais e ambientais, preparados por peritos e auditores independentes, proporciona uma perspectiva crítica sobre como a empresa é percebida por acionistas, colaboradores, organizações comunitárias e ambientalistas. Além disso, é essencial utilizar a influência da organização de maneira positiva, pois o mundo corporativo consiste em uma ampla rede de relacionamentos. Os valores de responsabilidade social da empresa podem ser empregados para impactar de forma positiva os fornecedores, clientes e outras empresas do mesmo segmento. Segundo o Livro Verde (2000), a responsabilidade social das empresas é caracterizada pelo compromisso voluntário de contribuir para uma sociedade mais equitativa e um ambiente mais saudável. Uma empresa demonstra responsabilidade social ao não apenas cumprir com as leis, mas também ao colaborar ativamente para promover uma sociedade mais justa. Nesse sentido, os executivos desempenham um novo papel como agentes principais na transformação das esferas ambiental, econômica e social. Eles adotam práticas empresariais sustentáveis, abraçando novos valores e se engajando na promoção do desenvolvimento sustentável e na preservação do meio ambiente. De acordo com Almeida (2013), no contexto atual, a perspectiva é de união e cooperação, sugerindo uma abordagem inovadora para visualizar e alterar a realidade, fundamentada na comunicação entre diferentes tipos de conhecimento e entendimentos. Segundo a definição de Aligleri (2009), a responsabilidade social é aquela que resulta em ganhos para os acionistas, ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente e aprimora a qualidade de vida das pessoas com quem a empresa se relaciona. A gestão responsável visa ao equilíbrio entre os aspectos econômicos, sociais e ambientais das organizações com seus stakeholders. A responsabilidade social das organizações é um conceito recente que está gradualmente ganhando aceitação no mundo empresarial, seja por influência de regulamentações legais ou pela pressão da sociedade. Ir além do cuidado com o meio ambiente é essencial para praticar a responsabilidade social. Envolve reduzir a exclusão social ao gerar oportunidades de emprego e renda. As ações das empresas têm impacto na sociedade e no planeta como um todo. Portanto, os gestores atuais 13 precisam possuir a capacidade e sensibilidade para compreender as mudanças socioambientais, adotando uma abordagem mais consciente. Isso implica uma mudança de paradigma dos modelos de gestão tradicionais, passando de um modelo mecanicista para um mais abrangente e sistêmico. A perspectiva tradicional de desenvolvimento, centrada exclusivamente no crescimento econômico, negligencia os perigos de esgotamento dos recursos naturais e a degradaçãoambiental. O modelo convencional de negócios, baseado na extração, produção e descarte, está ameaçando as perspectivas futuras, causando mudanças climáticas que afetam o presente. As transformações globais atuam como um impulso para que as empresas adotem abordagens de gestão mais sustentáveis. A responsabilidade social, enquanto ferramenta prática, permite que as organizações comuniquem suas iniciativas em prol da sustentabilidade, melhorando sua reputação diante da sociedade. Contudo, apesar das alterações no sistema econômico e empresarial, ainda persistem visões limitadas das organizações, que se concentram exclusivamente em seu ambiente imediato (SANTOS, 2011). Uma gestão voltada para a sustentabilidade requer indivíduos capazes de desafiar paradigmas e aceitar desafios. No entanto, a promoção de uma cultura sustentável não deve ser coercitiva; os líderes devem acreditar em seu papel como agentes de mudança, cientes de sua capacidade para impulsionar transformações. A sociedade busca líderes que transcendam suas experiências individuais, interesses corporativos e setoriais. Esses líderes devem atuar como catalisadores para a inovação e a criação de novas abordagens, reconhecendo que a sobrevivência no planeta depende da capacidade de gerar mudanças e novas ideias (YOUNG, 2008). A perspectiva econômica atual está em constante evolução. O enfoque na equidade e na responsabilidade social transforma as prioridades organizacionais, alterando a gestão para considerar os impactos causados ao longo do tempo pelas atividades produtivas das empresas. Adotar uma abordagem sistêmica permite que a empresa assuma a responsabilidade social, pois as preocupações ambientais permeiam suas operações de maneira abrangente. Ser socialmente responsável envolve a incorporação de políticas de responsabil idade social no planejamento estratégico, a busca por práticas de produção mais sustentáveis, o gerenciamento adequado do descarte de resíduos por meio da logística reversa e a implementação 14 de programas educacionais para promover o consumo consciente. Além disso, inclui tratar os funcionários com igualdade, independente de gênero, cor ou religião, entre outras iniciativas, para que a empresa possa ser considerada socialmente responsável. A legislação estabelece diversas exigências que as empresas devem atender. Entre elas está a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2014. Esta política estabelece diretrizes para a gestão e o manejo adequado dos resíduos, uma vez que o tratamento do lixo é considerado um dos principais desafios enfrentados pela humanidade atualmente. Conforme Drucker (2012) aponta, os líderes das principais instituições, especialmente no âmbito empresarial, desempenham um papel crucial na promoção do bem coletivo. Diante dos desafios ambientais, o papel do gestor é essencial para enfrentar as questões e orientar as empresas rumo à responsabilidade social. Nesse contexto, é imprescindível que os gestores contemporâneos busquem um equilíbrio entre a obtenção de lucro e a promoção do bem-estar coletivo. Assim, a interseção entre a responsabilidade social, o respeito ao meio ambiente, os indicadores de gestão ambiental, e as ações sociais na prática organizacional representa um desafio essencial para os gestores. A busca por estratégias que harmonizem o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e a promoção do bem-estar social requer um compromisso contínuo e holístico. Os indicadores de gestão ambiental e social são fundamentais para avaliar o impacto das práticas empresariais, impulsionando ações que beneficiem não apenas a organização, mas também a comunidade e o meio ambiente. Os gestores desempenham um papel crucial ao liderar e integrar essas dimensões, buscando soluções inovadoras e sustentáveis para enfrentar os desafios contemporâneos, contribuindo assim para um futuro mais equilibrado e responsável. 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALIGLERI, L; ALIGLERI, L. A; KRUGLIANSKAS, I. Gestão Socioambiental: responsabilidade e sustentabilidade do negócio. São Paulo: Atlas, 2009. ALMEIDA, J. N. S; BARBOSA, R.C. P. Compreensão de educação por diferentes sujeitos: a voz dos idosos. Trabalho de graduação em Pedagogia. Faculdade Metodista Granbery. Juiz de Fora, 2013. AMORIM, T. N. G. F. Responsabilidade Social Corporativa. In: ALBUQUERQUE, J. L. de. (Org.). Gestão Ambiental e Responsabilidade Social. São Paulo: Atlas, 2009. ASHLEY, P. A. 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