NARRATIVA JURÍDICA conteúdo
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DisciplinaTeoria e Prática da Narrativa Jurídica738 materiais3.486 seguidores
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NARRATIVA JURÍDICA 
Algumas características da narrativa jurídica 
\uf0d8 Impessoalidade 
\uf0d8 Verbos no passado 
\uf0d8 Paragrafação 
\uf0d8 Elementos constitutivos da demanda (Quem quer? O quê? De quem? Por quê?) 
\uf0d8 Correta identificação do fato gerador 
\uf0d8 Narrativa jurídica simples 
\uf0d8 Narrativa jurídica valorada 
\uf0d8 A construção de versões 
 
No Direito, é de grande relevância o que se denomina tipologia textual: narração, descrição e dissertação. O que 
torna essa questão de natureza textual importante para o direito é a sua utilização na produção de peças 
processuais, como a Petição Inicial, a Contestação, o Parecer, a Sentença, entre outras, podendo cada uma delas 
apresentar diferentes estruturas, a um só tempo. A Petição Inicial pertence a um gênero híbrido do discurso 
jurídico, o que exige do profissional do direito o domínio pleno desses tipos textuais. 
Assim, ainda que cada gênero textual tenha sua relevância na estrutura redacional das peças processuais, não se 
pode desconsiderar que, se não há o acesso aos fatos, não há como dizer o direito. Portanto, em um primeiro 
momento, o operador deve saber contar, com habilidade, a história a partir da qual se pretende verificar a 
violação de um direito subjetivo. Não por outra razão, o primeiro tipo a ser aqui observado mais atentamente é o 
da narração. 
A presença da narração no discurso jurídico: narrativa simples e narrativa valorada 
 Como se percebe pelo esquema anterior, as peças processuais têm um denominador comum: precisam, em 
primeiro lugar, narrar os fatos importantes do caso concreto, tendo em vista que o reconhecimento de um direito 
passa pela análise do fato gerador do conflito. Ainda assim, vale dizer que essa narrativa será imparcial ou 
parcial, podendo ser tratada como simples ou valorada, a depender da peça que se pretende redigir. 
Pode-se entender, portanto, que valorizar ou não palavras e expressões merece atenção acurada, pois poderá 
influenciar na compreensão e persuasão do auditório. Essa valoração das informações depende dos mecanismos 
de controle social que influenciam na compreensão do fato jurídico. São diferentes os objetivos de cada operador 
do direito; sendo assim, o representante de uma parte envolvida não poderá narrar os fatos de um caso concreto 
sob o mesmo ponto de vista da parte contrária. Por conta disso, não se poderia dizer que todas as narrativas 
presentes no discurso jurídico são idênticas no formato e objetivo, visto que depende da intencionalidade de cada 
um. 
Exemplo de narrativa valorada: 
Dos fatos 
 O alimentado teve, para seu júbilo e regozijo, o nascimento de seu filho, em 22 de abril de 
1983, contando, atualmente, com vinte e cinco anos de vida (doc. anexo). 
 Os genitores do alimentante permaneceram por quase 22 anos formando uma família feliz, 
tendo a ele dispensado todos os desvelos e carinho de que um filho é merecedor, até fins de 2005, quando o 
alimentante já contava com mais de vinte anos de bela, serena e pacata convivência com o alimentado, no seio 
familiar. 
 Vale mencionar que o alimentado se separou e constituiu nova família; desde então, vem 
passando prementes necessidades, razão pela qual pede alimentos, porque, em desditosa data de 8 de janeiro de 
2006, sofreu acidente de trânsito, com traumatismo craniano, ocorrendo, daí, terríveis sequelas de epilepsia pós-
traumática, com parte de quase todo o corpo comprometido, conforme se comprova em todos os documentos 
anexados; ficou, assim, impossibilitado de trabalhar e tentou junto ao INSS alcançar, sem sucesso, o benefício 
previdenciário de que tanto necessita. Está, pois, sem qualquer assistência legal ou financeira. 
 Em síntese, a situação do alimentado é hoje deveras deplorável, haja vista que carece de 
forma premente da ajuda de amigos e familiares, visto que seus ganhos se reduziram a zero, pois não pode 
trabalhar devido à sua doença, e o INSS resiste ao seu pedido de ajuda. 
 O Autor vive, constantemente, a ingerir medicamentos de alto custo; caso contrário, seu 
estado poderá levá-lo ao óbito, não tendo, assim, como suportá-lo. 
 Ressalta-se, inclusive, que o alimentado não é mais pessoa jovem, mas sim doente, 
necessitando constantemente de cuidados médico e farmacêutico. Para supri-los, vive de Posto a Posto de Saúde, 
Prefeituras, Prontuário hospitalar, Pronto Socorro etc. a mendigar a gratuidade dos medicamentos necessários à 
sua mantença em vida; recorre a vizinhos, parentes e amigos que amiúde o socorrem. Hoje, vive na esperança de 
quaisquer benéficos acontecimentos que possam mudar os rumos de seu destino. 
 Outrossim, a carência, verdadeira indigência de recursos do alimentado, contraposta à franca 
disponibilidade financeira do alimentante, obriga o último, como filho, a pensionar o genitor, cotejado e provado, 
para tanto, de forma inquestionável, o liame de parentesco que os une, em linha reta (primeiro grau), na relação 
descendente ascendente, bem como o binômio necessidade/possibilidade. [...] 
Objetividade e subjetividade na narrativa do texto jurídico. 
 Fatos importantes a serem narrados em cada peça processual. 
\uf097 Num relato pessoal, interessa ao narrador não apenas contar os fatos, mas justificá-los. No mundo 
jurídico, entretanto, muitas vezes, é preciso narrar os fatos de forma objetiva, sem justificá-los. Ao redigir 
um parecer, por exemplo, o narrador deve relatar os fatos de forma objetiva antes de apresentar a sua 
opinião técnico-jurídica na fundamentação. 
\uf097 Antes de iniciar seu relato, o narrador deve selecionar o que narrar, pois é necessário garantir a 
relevância do que é narrado. Logo, o primeiro passo para a elaboração de uma boa narrativa é selecionar 
os fatos a serem relatados. 
 Os fatos mais relevantes 
no mundo jurídico 
 
Os fatos que contribuem 
para a ênfase daqueles mais 
relevantes 
O que narrar? Os fatos que satisfazem a 
curiosidade do leitor, 
despertando seu interesse 
 Os fatos que contribuem 
para a compreensão dos 
mais relevantes 
 
 
1. Os textos a seguir são narrações em que se observa a subjetividade, pois os sujeitos envolvidos no conflito 
narram os fatos na primeira pessoa do discurso, conforme seus pontos de vista, faça o seguinte: desconsidere 
todas as passagens em que a subjetividade do narrador é predominante e produza uma narrativa de modo 
objetivo, isto é, uma narrativa em terceira pessoa que apenas relate os fatos, sem qualquer posicionamento 
pessoal sobre eles. 
Sua narrativa deve apresentar o vocabulário e o grau de formalidade adequados ao discurso jurídico. Use os dois 
textos para produzir uma única narrativa. 
 Eu e Sandra vivemos sob o mesmo teto, como se marido e mulher fôssemos, por mais de dez anos. Para que 
isso acontecesse, tive de passar por cima de muita coisa. Minha família não aceitava nossa união e meu pai dizia, 
com certa razão, que eu não tinha muito futuro ao lado dela. Sandra estudou pouco e nunca trabalhou de carteira 
assinada, mas sabe cuidar como ninguém da casa: duvido que alguém faça uma moqueca melhor que a dela. 
 Durante a constância dessa união de fato, tivemos filhos e construímos patrimônio. Vivemos bem por alguns 
anos, quase acreditando que a nossa união seria para sempre, mas, como já disse a música, \u201co pra sempre sempre 
acaba... \u201d. O ciúme que ela sente por mim gerou a discórdia entre nós. Ninguém consegue viver ao lado de uma 
mulher tão ciumenta. Como ela acha que eu consegui comprar o que temos hoje? O dinheiro não cai do céu. Tive 
de trabalhar
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