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Movimentos da Psicologia no século XX
A origem e a organização da Psicologia e os movimentos da Psicologia no século XX.
Prof. Roberto Sena Fraga Filho
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender que o conhecimento de facetas diversas do campo da Psicologia e de seus desenvolvimentos
ao longo dos séculos XX e XXI instrumentalizam profissionais a multiplicar suas capacidades e abordagens.
Objetivos
Descrever os movimentos históricos que contribuíram para a organização da Psicologia como ciência.
Identificar os movimentos da Psicologia do século XX.
Identificar o marco histórico, os conceitos fundamentais e os métodos da Psicologia Cognitiva.
Relacionar a Psicologia do século XX com a Psicologia do século XXI.
Introdução
Estudar a história de uma ciência, de uma área do conhecimento humano, permite-nos compreender o
propósito, a utilidade desse conhecimento em nossas vidas, em nossa prática profissional e na forma como
exercemos nossa profissão. 
A Psicologia como uma profissão é restrita ao psicólogo e à psicóloga, devidamente inscritos em um conselho
regional de Psicologia. No entanto, a Psicologia como ciência embasa o trabalho de psicólogos, pedagogos,
professores, gestores e de qualquer outro profissional que necessite compreender o ser humano para manejar
comportamento e cognição dentro de sua prerrogativa profissional. 
Algumas práticas da Psicologia são, portanto, restritas aos seus profissionais, mas o uso do conhecimento, em
interseção com outras profissões, após uma formação de nível superior para atuar na pedagogia, na docência,
na gestão de pessoas, no desenvolvimento de soluções e produtos para as pessoas é possível e desejável.
Essa é nossa proposta para você. Vamos nessa!
• 
• 
• 
• 
1. Influências na história da Psicologia
Perspectiva e Zeitgeist
Leonardo Boff afirma o seguinte:
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com
os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é um ponto.Para
entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz
da leitura sempre uma releitura.A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam.Para compreender, é
essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que
experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e
que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.
(BOFF, 1999, p. 4)
Sem a pretensão de analisar a complexidade revelada nessas poucas linhas do texto de Leonardo Boff, uma
palavra atende ao nosso propósito inicial: perspectiva. Em perspectiva, estudamos Psicologia, em perspectiva,
usamos do conhecimento da Psicologia. Fundamentalmente, em perspectiva, buscamos compreender a
complexidade dos fenômenos humanos, as pessoas e, também, os eventos históricos da Psicologia.
Atenção
Não conseguimos estudar Psicologia desconsiderando o Zeitgeist (o espírito, as necessidades, o clima
intelectual e cultural de uma época). Uma ciência não se desenvolve no vácuo, ela usa a tecnologia
disponível de sua época e tenta dar respostas às perguntas que são feitas. Essas perguntas (as
indagações dos filósofos e dos cientistas) consideram o acúmulo de conhecimento até aquele ponto da
história. 
A tecnologia está mais avançada no século XXI. Podemos dizer que, atualmente, os filósofos e os cientistas
podem fazer perguntas mais complexas, pois detêm mais conhecimentos do que os filósofos e cientistas de
meados do século XIX, quando surgiu a Psicologia Científica. Uma frase atribuída a Sir Isaac Newton
(1643-1727), cientista do século XVII e cavaleiro da Coroa Real Inglesa, traduz bem essa ideia:
Se enxerguei um pouco mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes.
(Isaac Newton)
Não é recomendado julgar e/ou refutar um dado histórico se você estiver pensando com a cabeça do século
XXI, a partir de suas ideias preconcebidas e do que você acha certo ou errado, ou seja, do seu sistema de
crenças, de sua perspectiva, eventualmente, nutrida pelo senso comum, pelo conhecimento popular que não
tenha sido testado e analisado pelo método da Filosofia ou da Ciência. 
Segundo Schultz (2019), é necessário um distanciamento: afastar-se momentaneamente do seu sistema de
crenças e também do seu conhecimento do século XXI. Compreenda a perspectiva e o Zeitgeist do momento
histórico que estiver estudando.
Em ciência, não achamos, não deduzimos sem antes observar, experimentar, demonstrar evidências.
Em ciência, não existe o óbvio. Tudo precisa ser investigado e evidenciado.
Com essa postura, você absorverá melhor o conteúdo, compreenderá melhor a nossa história, e, assim,
perceberá o propósito e a utilidade daquele conhecimento para não cometer os mesmos erros dos nossos
antepassados, para prospectar o futuro, ou compreender como chegamos até o nosso momento histórico do
século XXI. 
Em ciência, algumas vezes, para acertar é necessário errar. É a partir dos erros que alguns pesquisadores
ficam inquietos, buscam evidências válidas e fidedignas para refutar o erro e alcançar evidências de maior
qualidade. Os erros são tão relevantes quanto os acertos.
Vamos analisar um exemplo prático do que tratamos até aqui!
O que você diria se disséssemos que sua inteligência e suas características de personalidade podem ser
medidas pelo tamanho de sua cabeça e do formato do seu crânio? Isso faria sentido? 
Chave de resposta
Pode parecer estranho, mas os primeiros indivíduos a tentar entender como funcionava a mente humana
partiram do método de dissecação de corpos e do exame do cérebro, buscando compreender sua
estrutura e a relação entre suas partes e as funções que desempenhava. Vamos conhecer um pouco mais
sobre os caminhos dos estudiosos da mente.
Vejamos a seguir um caso interessante de uma ciência que foi relevante no passado, mas que atualmente já
não é tão considerada.
Saiba mais
Nos dias atuais, afirmamos que a Frenologia é uma pseudociência, mas, em 1796, o alemão Franz Joseph
Gall (1758-1828) exerceu influência na Psicologia e na psiquiatria com essa teoria. Com a Frenologia, Gall
acreditava ser possível estudar as aptidões mentais analisando o tamanho e o formato do crânio. Por
muitos anos, o tamanho e o formato do crânio de Gall e de outros estudiosos da Frenologia foram
considerados, por eles mesmos, o padrão de excelência e um exemplo do melhor da espécie humana. 
Atualmente, essa ideia é um absurdo. No entanto, não podemos achar que esse conhecimento seja inútil, pois,
em ciência, não chegamos a conclusões simplesmente por pensarmos que algo é obviamente verdadeiro ou
falso. Precisamos buscar evidências. Isso quer dizer que só foi possível descartar essa teoria porque esta foi
posta à prova. 
Entretanto, as ideias de Gall de que algumas características são específicas de certas áreas do cérebro se
sustentaram em momentos posteriores. Em ciência, aproveitamos o que é útil, como uma evidência
consistente, e descartamos o resto, mas sem esquecer esse resto, pois, assim, evitamos cometer os mesmos
erros no futuro (ao menos isso é o desejável).
A Psicologia é recheada de exemplos de acertos e erros. Os erros nem sempre são oriundos de 
pseudociências, mas podem ser também resultado do método científico levado a sério, ético e rigoroso (errar
faz parte — perceba, com humor, que “herrar é umano” —, mas permanecer nesse “herro” é obscurantismo).
Até nos dias atuais, precisamos ficar atentos e ser críticos. Podemos encontrar informações que se dizem
embasadas no método científico, mas são pseudociências. Devemos ter cuidado e não acreditar em tudo, só
porque dizem que é ciência.
Pseudociências
Entendemos como pseudociência algo que se diz ciência, mas que não é. 
Nessa jornada fantástica, podemos perceber como algumas discussões são fundamentais e
demonstrar que teses e hipóteses foram testadas e não se sustentaram quando passaram pela
prova, como ocorreu com a Frenologia.de áreas no cérebro resultam em cognição, uma
vez que apenas apontar uma localização (blobology) está caindo em desuso, e até os modelos
computacionais estão buscando correlações com o cérebro. Nas Neurociências, vamos encontrar as
evidências científicas que são levantadas pelo uso da tecnologia, especialmente o uso de técnicas de
neuroimagem, que são capazes de demonstrar atividades em regiões e circuitos do sistema nervoso central
durante um processamento sensorial, motor ou cognitivo.
A organização de nosso sistema nervoso, basicamente, traduz-se por atividades excitatórias (ativação) e
inibitórias (inibição), algo como sim e não.
As estruturas como hipotálamo, feixe prosencefálico medial,
área septal, córtex cerebral e córtex pré-frontal esquerdo
estão relacionadas à aproximação, enquanto o córtex pré-
frontal direito e a amígdala, à evitação.
Existem correlações na literatura entre um sistema de
ativação comportamental e um sistema de inibição
comportamental e características da personalidade, por
exemplo, o neuroticismo e a extroversão. Constantemente,
a atividade cortical vai gerenciar as metas conscientes dos
indivíduos. Por exemplo, quando um indivíduo durante a
perda de peso pensa:
Devo comer?
Sistema de ativação comportamental.
Não devo comer?
Sistema de inibição comportamental.
As interpretações cognitivas oriundas de nossas crenças, sistemas de crenças, pensamentos, sentimentos e
humor a respeito das coisas também vão ativar os sistemas de ativação e inibição comportamental. Agir ou
não agir? Fazer ou não fazer? Respostas automáticas ou voluntárias? Todas essas perguntas têm respostas
que envolvem mecanismos complexos que nos impulsionam ou nos inibem diante das situações de
desempenho. Tais sistemas se formam em decorrência de sua evolução ontogenética, e isso determina sua
maneira de ser.
Muitas evidências das Neurociências Cognitivas vão apoiar a ideia de que as pessoas apresentam
características que demonstram um sistema de inibição comportamental (por exemplo,
neuroticismo) ou um sistema de ativação comportamental (por exemplo, extroversão).
Veja a seguir como o sistema dorsal, o sistema ventral e a amígdala influenciam as respostas
comportamentais:
Sistema dorsal
Um sistema dorsal é composto por hipocampo, regiões dorsais do cíngulo anterior e córtex pré-
frontal. Esse sistema está relacionado à regulação dos estados afetivos, eliciando respostas
comportamentais contextualmente apropriadas, e também está relacionado à cognição (memória e
atenção).
Sistema ventral
O sistema ventral é composto por circuitos envolvendo amígdala, ínsula, corpo estriado ventral,
regiões ventrais do cíngulo anterior e córtex órbito-frontal. É um sistema que está relacionado às
etapas de identificação do significado emocional de estímulos e de produção dos estados afetivos.
Esse sistema também recebe aferências de áreas sensoriais primárias e de associação.
Amígdala
A amígdala estimula respostas automáticas diante de um evento ameaçador, por exemplo: ativação
do sistema nervoso simpático estimulando o núcleo hipotalâmico lateral; estimulação do núcleo
paraventricular do hipotálamo para liberação de hormônios de estresse; e estimulação do nervo facial
trigêmeo para expressão facial de medo.
Richard J. Davidson, em seu livro O estilo emocional do cérebro, mostra os resultados de uma pesquisa que
indicam que o temperamento típico observado em crianças, quanto a características típicas de uma inibição
ou ativação comportamental em situações de desempenho, não é permanente em um indivíduo. Isso contraria
alguns trabalhos que apontam a personalidade como características constantes e formadas precocemente. 
Mesmo com as divergências, a discussão de tais sistemas (ativação e inibição) envolve aspectos muito
interessantes das bases neurobiológicas da personalidade e dos sistemas cognitivos, no que se refere ao
processamento e às interpretações dos eventos que nos circundam. Se tais características são permanentes
ou podem variar no desenvolvimento da pessoa é outra análise. Existem pesquisas muito relevantes
evidenciando a relação de nossa cognição, de como interpretamos eventos, com a Neurobiologia e a de nosso
comportamento típico com as diversas situações ambientais aversivas ou favoráveis.
Resumindo
O sistema nervoso humano exerce atividades de ativação e inibição, ou seja, influencia em decisões,
como: Posso? Não posso? 
O método da Psicologia Cognitiva (pesquisa básica)
Diversos são os métodos que podemos identificar, com e sem o uso de tecnologia. Optamos por apresentar
uma metodologia de baixo custo e que é responsável por grandes paradigmas da Psicologia Cognitiva quanto
às etapas de processamento da informação e do planejamento de uma resposta (comportamento). Trata-se
da cronometria mental.
A cronometria mental é utilizada para construir
modelos do processo cognitivo. 
Podemos discutir por meio de tarefas se a
informação tem um processamento serial, ou
seja, uma etapa cognitiva é concluída antes de
outra começar, ou um processamento em
paralelo, ou seja, dois ou mais processos
cognitivos ocorrem ao mesmo tempo. 
Tarefas de compatibilidade estímulo-resposta,
como efeito Simon e efeito Stroop, são
clássicos da Psicologia Cognitiva.
Na tarefa de Stroop, o voluntário nomeia a cor na qual o nome das cores é apresentado – por exemplo, 
VERMELHO ou VERMELHO. O voluntário é mais rápido em processar e executar a resposta quando o nome da
palavra é congruente com a cor que deve nomear.
Vamos fazer um exercício!
Nomeie a cor das palavras nas listas a seguir e perceba em qual delas
você será mais rápido e obterá maior acurácia (acertos). Lembre-se de
que você precisa dizer o nome da cor, e não ler a palavra.
As pesquisas básicas em Psicologia Cognitiva vão estabelecer como processamos os estímulos (a entrada da
informação); como nosso sistema atentivo gerencia (alocação de recursos cognitivos); e como construímos
nossa percepção, processamos os pensamentos e tomamos uma decisão. Veja a seguir um modelo de
processamento da informação:
Modelo de processamento de informação.
Ou seja, a cronometria mental auxilia a Psicologia Cognitiva a identificar os modelos de processamento da
informação.
O método da Psicologia Cognitiva (aplicada)
A terapia cognitiva-comportamental é um modelo para a atuação na Psicologia Clínica que, tradicionalmente,
busca correlacionar o pensamento, a emoção e o comportamento. Veja como esse modelo funciona:
I.
O modelo clínico cognitivo propõe que
pensamentos disfuncionais influenciam o humor
e o comportamento.
II.
Pensamentos automáticos são ideias que
invadem sua mente e são um produto de seu
sistema de crenças.
III.
Seu sistema de crenças pode ser adaptado e
funcional ou produzir distorções cognitivas.
IV.
Distorções cognitivas e pensamentos
automáticos disfuncionais estão na base de
desordens psíquicas, são usual a todos os
transtornos psicológicos.
Por meio de nosso sistema de crenças, interpretamos: a nós mesmos (crenças sobre nossas próprias
capacidades; o outro (o quanto somos otimistas sobre as pessoas); o meio em que vivemos (o quanto
acreditamos que estamos seguros, o meio nos oferece as condições para vivermos e nos desenvolvermos); e
o futuro (o quanto somos otimistas a respeito do futuro). 
O terapeuta promove o que chamamos de reestruturação cognitiva, ou seja, perceber os eventos e interpretar
as ideias de uma maneira mais funcional. O objetivo é desenvolver qualidade de vida e, para isso, também se
utiliza de técnicas comportamentais, por exemplo, treinamento em habilidades sociais.
Resumindo
A terapia cognitiva-comportamental auxilia na identificação de distorções cognitivas e na promoção da
reestruturação cognitiva. 
A Neuropsicologia
No Brasil, a Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 002/2004 reconhece a Neuropsicologia como
uma especialidade em Psicologia que atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa
da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento, sob o enfoque darelação entre esses
aspectos e o funcionamento cerebral. 
Utiliza-se, para isso, de conhecimentos teóricos angariados
pelas Neurociências e pela prática clínica, com metodologia
estabelecida experimental ou clinicamente. 
A Neuropsicologia atua na reabilitação cognitiva e na
avaliação psicológica.
Premissas e conceitos
fundamentais da Psicologia
Cognitiva
O pensamento é um ponto central para a Psicologia Cognitiva, e saber como ele opera sobre a motivação
parece um bom lugar para começar. Segundo Reeve (2006), os pesquisadores, após a revolução cognitiva,
voltaram sua atenção para destrinchar quais as bases cognitivas do pensamento sobre: vontade, otimismo,
eficácia, sucesso, realização, autoestima, autoeficácia, meta, planejamento, criatividade, escolha,
persistência, desempenho, crenças, valores, sucesso, fracasso, empreendedorismo etc. 
No início dos anos 1970, o Zeitgeist da Psicologia definitivamente era cognitivo, e tais construtos foram
amplamente estudados. A vontade não é um constructo psicológico capaz de explicar a complexidade e a
variabilidade do comportamento motivado humano, até porque nosso comportamento e nosso perfil cognitivo
são predeterminados em decorrência de nossa evolução ontogenética e de muitas outras variáveis que
exercem influência sobre nós.
Constructo psicológico
São conceitos ideativos e intencionais que foram criados ou são utilizados com uma finalidade científica
com base em uma definição operacional e constitutiva. É o primeiro passo para a construção de uma
teoria. 
Pense em um adicto (dependente químico).
O trabalho psicológico de reabilitação estará
pautado na força de vontade da pessoa? 
A resposta é, absolutamente, não.
O trabalho será investigar a tríade cognitiva,
como pensam. Força de vontade, como um
motivador de comportamentos, é uma ideia
associada à Psicologia do senso comum, e não
à Psicologia Cognitiva científica.
A vontade, como um construto para explicar um comportamento motivado, foi utilizada no século XVII, com
René Descartes (1596-1650). Depois, foi substituída pelo instinto, com Charles Darwin (1809-1882) e, por fim,
pelas teorias de impulso, com Sigmund Freud (1856-1939), um psicanalista, e Clark L. Hull (1884-1952), um
neobehaviorista. 
O próximo movimento que construiu teorias para explicar o comportamento motivado, e que permanece até
hoje, foi o cognitivismo da década de 1950. Os psicólogos passaram a investigar as bases cognitivas da
motivação não como vontade ou instinto. Os motivos por déficits (impulsos) explicam parte do
comportamento motivado, mas não sua totalidade. 
A Psicologia Cognitiva passa a elaborar modelos teóricos para explicar aquilo que as Neurociências ainda não
conseguem demonstrar, por exemplo, o motivo pelo qual tais características variam de pessoa para pessoa. A
Neurociência Cognitiva pode demonstrar áreas ativas em um processo criativo, mas não consegue explicar,
por exemplo, como a criatividade acontece, onde ela está no cérebro.
Atenção
Ainda não é possível fazer ligações, uma a uma, entre as áreas do cérebro e os processos cognitivos. A
forma como o cérebro implementa vários processos cognitivos, como nosso sistema de crenças,
permanece um mistério. 
A Psicologia Cognitiva interpretou que uma emoção não ocorre sem a avaliação do indivíduo e que é esta
avaliação que causa a emoção, não o evento. Essa contribuição teve bastante impacto na Psicologia. Vejamos
um exemplo: 
Pense em duas pessoas trabalhando no mesmo ambiente de trabalho. A gerência do setor é agressiva e
autoritária:
Em relação à produtividade:
Em relação às emoções no ambiente de trabalho:
Pessoa 1 
Um dos indivíduos fica extremamente
estressado. Diariamente, sente raiva, tristeza,
angústia e medo, em vários momentos do
dia.
Pessoa 2 
O outro indivíduo é resiliente à situação
e, embora fique preocupado com seu
colega, a rotina de trabalho não o afeta
tanto.
Pessoa 1 
Deixa a desejar na produtividade levando em
conta sua potencialidade, pois a
interpretação cognitiva dos eventos não é
favorável, e seu humor se mantém
deprimido. 
Pessoa 2 
Vivencia um estado de humor normal,
mantém uma produtividade constante,
uma conduta proativa, pois entende
que é a única forma de conseguir uma
promoção e/ou conquistar um
ambiente de trabalho melhor. 
Pessoa 1 
Suas emoções são tristeza, medo, raiva e
repulsa, experimentando afetos negativos ao
longo do dia. Ele acaba com uma autoestima
prejudicada, não conseguindo construir
crenças positivas a seu respeito. 
Pessoa 2 
Consegue vivenciar, ao longo do dia,
emoções como a alegria, mesmo que,
em alguns momentos, sinta raiva ou
fique triste, diante de condutas
aversivas de seu gerente. 
Como consequência: 
Você pode mudar as avaliações cognitivas dos eventos e, com isso, mudar sua emoção e seu comportamento.
Não se engane: a tarefa de uma reestruturação cognitiva nem sempre é fácil, mas é possível e demonstrada
empiricamente pela clínica cognitiva. 
Veja agora um resumo do que estudou!
O que você aprendeu
A Psicologia estuda como o indivíduo dá significado ao ambiente, a partir dos seus processos
internos, permitindo a sua ressignificação.
A Psicologia Cognitiva estuda o indivíduo em diferentes aspectos: ambiental, psicológico e físico.
A Psicologia Cognitiva usa a ciência básica e a ciência aplicada para estudar as diversas variáveis que
influenciam o comportamento do indivíduo.
O cérebro, no cognitivismo, é ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos. Para o
behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e descrever
em que circunstâncias eles acontecem.
O cognitivismo quer compreender o que causa um comportamento, quais as fontes de um
comportamento motivado, por exemplo, a criatividade, a arte etc. Na atualidade, são sistemas
teóricos que se complementam.
O sistema nervoso humano exerce atividades de ativação e inibição, ou seja, influencia em decisões,
como “posso?” e “não posso?”.
A cronometria mental auxilia a Psicologia Cognitiva a identificar os modelos de processamento da
informação.
A terapia cognitiva-comportamental auxilia na identificação de distorções cognitivas e na promoção
da reestruturação cognitiva.
A Psicologia Cognitiva busca identificar o motivo pelo qual as características variam de pessoa para
pessoa.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Origem da psicologia cognitivista
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Pessoa 1 
Seu comportamento reflete sua insatisfação,
o que dificulta perspectivas melhores de
trabalho. É um forte candidato ao
desamparo aprendido. 
Pessoa 2 
Seu estado de afeto é positivo e, ao
longo do dia, experimenta menos
afetos negativos. 
Os marcos históricos relativos ao surgimento da psicologia cognitiva
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Godofredo era um jovem de 19 anos que acabara de ingressar na faculdade. Como era do interior, saiu da
casa dos pais e foi morar na capital com outro rapaz, da mesma cidade, que também entrou na faculdade.
Depois de poucos meses, Godofredo não fez nenhum novo amigo. “As pessoas não são confiáveis na cidade
grande”, pensava. No início, conseguia ir às aulas, mas essa ação começou a ficar muito difícil para ele, e sua
frequência foi gradualmente caindo nas aulas. Ele tinha medo de estar com as pessoas. Quando não
aguentava mais, voltou para casa com um pensamento fixo na "cabeça": “Eu não sou capaz, e tudo em minha
vida dá errado”. Qual a fonte desse pensamento?
A
Pensamento automático
B
Sistema de crenças
C
Um neurônio
D
Uma emoção
E
Um impulso
A alternativa B está correta.
Os pensamentos automáticos são um produto de crenças disfuncionais e de distorções cognitivas.
Godofredo está fazendo inferências errôneas com base em algumas distorções cognitivas, atividade
complexa para explicarmos apenas com um viés das Neurociências, sendo necessáriauma interpretação
de uma teoria clínica, da Psicologia aplicada.
Questão 2
O cérebro é um órgão ativo que faz mediação de comportamento, e não apenas um depositário de
contingências por mera codificação neuronal. Identifique o sistema teórico que faz oposição a essa "ideia":
A
Psicologia Cognitiva
B
Conexionismo
C
Funcionalismo
D
Behaviorismo
E
Estruturalismo
A alternativa D está correta.
No comportamentalismo, o sistema nervoso era visto como um depositário de contingências, passivo, que
apenas codificava em uma linguagem neural (eletroquímica) e armazenava as experiências. Diante de um
estímulo eliciador ou discriminante, o sistema nervoso geraria uma resposta — de fato, "uma tábula rasa".
A inovação do cognitivismo foi buscar compreender as operações internas do organismo, ou seja, estudar o
efeito dos processos cognitivos e como esses medeiam comportamentos. O cérebro, no cognitivismo, é
ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos.
Para o behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e descrever
em que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer compreender o que causa um comportamento,
quais as fontes de um comportamento motivado, por exemplo, como a criatividade, a arte etc. Na
atualidade, são sistemas teóricos que se complementam, e ainda existem profissionais que são
behavioristas radicais. O cognitivismo não veio para substituir esse modelo comportamentalista, mas para
ampliá-lo.
4. Psicologia: do século XX para o século XXI
A Psicologia no século XXI
Antes de dar prosseguimento ao conteúdo, vamos ver o vídeo a seguir para entender sobre Psicologia
Positiva.
Psicologia Positiva
Antes de dar prosseguimento ao conteúdo, vamos ver o vídeo a seguir para entender sobre Psicologia
Positiva.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Observamos que a Psicologia se organiza e se desenvolve a partir da evolução do pensamento do ser
humano. Desde a Grécia Antiga, passando pela Filosofia medieval e avançando nos períodos moderno e
contemporâneo, até os dias atuais, sempre existiu um filósofo indagando sobre a natureza do homem e
buscando compreender como o pensamento funciona, para revelar o que motiva a nossa espécie e justifica o
nosso comportamento. 
O avanço da tecnologia, ao longo da história, também impulsionou, obviamente, o desenvolvimento da
Psicologia, como ciência autônoma e como profissão. Por tecnologia, entendemos não apenas aquela que
está em nossas mãos, como os smartphones. 
Para chegarmos até o século XXI, gradualmente evoluímos o nosso jeito de pensar. Por esse motivo,
desenvolvemos tecnologias de acordo com a necessidade do ambiente e sempre em um continuum histórico
de acúmulo de conhecimento.
Exemplo
Dominamos o fogo 800 mil anos atrás; 8 mil anos atrás, a agricultura; atualmente temos smartphones;
amanhã, robôs. 
Essa é a ideia e a tônica: pensar nesses movimentos históricos, no acúmulo de conhecimento, no
desenvolvimento do pensamento humano e na tecnologia. Estamos interessados no tempo presente, mas
queremos saber como evoluímos o nosso pensamento, nossos processos cognitivos, as emoções e o
comportamento, além de nos interessar o papel dessa evolução para a adaptabilidade da espécie. Assim,
conseguimos prospectar nosso futuro, fundamentalmente analisando o impacto das tecnologias em nossas
vidas, ou seja, analisamos o passado para buscar compreender as consequências da inteligência artificial, da
automação no futuro, em nossa empregabilidade, por exemplo. 
No século XIX, vimos a Psicologia demarcar a sua área de conhecimento, não apenas utilizando os métodos
da Filosofia, mas empregando o método científico.
1879 - O objeto de estudo da Psicologia era a consciência, e o método foi a introspecção.
1913 - Abandonamos o estudo da consciência e passamos a focar no comportamento, por meio da
observação.
1950 - Voltamos a estudar a consciência e também o comportamento, mas, então, a Psicologia era
cognitiva.
• 
• 
• 
 
Os processos cognitivos e a forma como modulam o comportamento eram o interesse dos psicólogos. O
impacto da tecnologia, o modelo computacional e as Neurociências são importantes impulsionadores dessa
parte da história, até os dias atuais. 
Em paralelo ao desenvolvimento da Psicologia, temos a história da Psicanálise, em suas sucessivas tentativas
de compreender a aprimorar um sistema clínico que atue eficazmente no sofrimento psíquico do ser humano. 
Na década de 1960, o humanismo criticou a Psicanálise e o behaviorismo. Estabeleceu que estudar a
personalidade humana, o seu potencial criativo e a tendência do aprimoramento do ego seriam objetos de
estudo da Psicologia.
Os humanistas, diferentemente de sistemas teóricos anteriores, acreditavam que a personalidade
era moldada pelo presente, como o percebemos de modo consciente, ao contrário das experiências
da infância, da Psicanálise, e do modelo do determinismo ambiental, do behaviorismo.
Entretanto, quando surge uma nova escola de Psicologia, uma nova perspectiva teórica, a outra não é
abandonada por completo, pois as diversas escolas coexistem ou se transformam. A Psicologia também viu o
movimento da Gestalt, a era das testagens psicológicas (que é forte no século XXI), entre outros movimentos
que duram até os dias atuais. 
Mas, no século XXI, a Psicologia apresentou uma proposta nova?
O movimento da Psicologia Positiva
A Psicologia Positiva como um movimento, um sistema dentro da Psicologia, é humanista? Em certos aspectos
sim; em outros, não. 
A Psicologia Positiva recebe influências do humanismo, mas é um movimento que ocorre na transição do
século XX para o século XXI. Lembre que uma ciência não se desenvolve no vácuo! Um sistema teórico surge
em uma área de conhecimento, basicamente, para preencher lacunas abertas, para estabelecer uma crítica
(antítese) ou para inovar. De certa maneira, a Psicologia Positiva cumpre esses três papéis.
Tanto a Psicologia Positiva quanto o humanismo procuram saber:
O que as pessoas que são felizes têm que os demais não têm?
Essa pergunta é totalmente diferente de procurarmos saber como as pessoas psicologicamente
doentes se diferenciam dos demais.
A Psicologia Humanista também enfatizou aspectos positivos do desenvolvimento das pessoas e buscou
compreender as razões dos comportamentos motivados, mas seu status científico, por diversas razões, não
causou grande impacto na Psicologia dentro de uma perspectiva metodológica (metodologia científica). 
Maslow reconheceu a limitação de sua teoria dentro de uma perspectiva científica, mas também identificou
que não existiria outra maneira para estudar os aspectos da autorrealização e, talvez, pudesse ter a
esperança de que um dia seus estudos alcançariam confirmações. Mesmo sem estudos atuais que tragam
evidências contundentes acerca da hierarquia de necessidades, em cinco pontos, empiricamente, a
abordagem de Maslow é amplamente utilizada em certos contextos. Como vimos, a hierarquia em apenas dois
eixos possui evidências que podemos generalizar para diversas populações.
Qual a inovação da Psicologia Positiva?
A Psicologia Positiva tenta compreender alguns adjetivos que são muito admirados quando os encontramos
nas pessoas e superar as limitações pouco científicas do humanismo.
Martin Seligman.
Estruturas do sistema límbico.
Vamos falar um pouco sobre Martin Seligman,
psicólogo norte-americano, nascido em 1942,
que ficou conhecido por sua teoria do
desamparo aprendido, tanto pela qualidade dos
achados, mas também pelas críticas ao
desenho experimental que resultava em
sofrimento para as cobaias. 
Foi presidente da Associação Americana de
Psicologia (APA) no ano de 1997 e, em conjunto
com Christopher Peterson (1950-2012),
publicou Character, strengths and virtues
(Caráter, forças e virtudes).
Nesse livro, os autores estabelecem um
contraponto para o DSM (Manual diagnóstico e
estatístico de transtornos mentais norte-americano).
Enquanto o DSM é utilizado para compreensão de psicopatologias etratamento (doenças mentais ou do
comportamento), o Character, strengths and virtues é utilizado para a análise das virtudes, potencialidades do
indivíduo e para o seu desenvolvimento.
E qual foi a inovação dessa publicação?
Comentário
Ela sistematizou as forças de caráter e virtude tanto quanto os manuais nosológicos (Classificação
Internacional de Doenças – CID) sistematizam doenças. 
A Psicologia Positiva, além de pensar os indivíduos, também pensa em instituições positivas que fomentem
espaço para o desenvolvimento das virtudes. Além disso, pessoas positivas geram ambientes positivos.
Psicologia Positiva versus Psicologia Cognitiva versus Neurociências
Um cérebro emocional se desenvolveu e funciona de modo adaptativo, em respostas psicológicas e
ambientais aos estímulos do meio destinados para nos afastar do perigo e nos aproximar de recompensas.
De acordo com Bear, Connors e Paradiso (2017), o sistema
límbico é descrito como o principal circuito mediador de
nossas emoções. É um conjunto de estruturas situadas em
regiões inferiores ao córtex. Ele integra uma série de áreas
e se comunica com todo o sistema nervoso, demonstrando
a interação entre essas áreas e estruturas com a finalidade
de produzir, gerenciar uma função.
A especialização de determinadas áreas do cérebro não é
questionada, por exemplo, as áreas de linguagem e de
memória. Mas pensar que é a interação de diversas
estruturas que gerencia aspectos do nosso funcionamento
e comportamento é muito atrativo e atual. 
A Psicologia Positiva não refuta as Neurociências, pois
compreende a importância das redes neurais e da forma como as informações são processadas. 
A Psicologia Positiva trabalha com parâmetros fenomenológicos da consciência, baseada em teorias da
informação. Busca a compreensão dos acontecimentos, dos fenômenos e suas respectivas interpretações, e
não apenas por meio do processamento das redes neurais, dos aspectos psicofisiológicos ou não
conscientes.
Psicologia Positiva: um projeto para Psicologia do século XXI
Seligman apresenta uma reflexão do papel da Psicologia para o nosso século: o desenvolvimento de forças de
caráter e de valores como uma proposta para saúde mental. Vejamos a seguir alguns pontos principais:
1
Sabedoria e conhecimento
Forças que envolvem a aquisição e a utilização do conhecimento. Criatividade, pensamento crítico,
gostar de aprender, curiosidade.
2
Coragem
Forças emocionais que envolvem o exercício da vontade para alcançar metas perante a oposição,
externa e interna. Honestidade e perseverança.
3
Humanidade
Ajudar os outros. Amar, ser amado, bondade, habilidades sociais.
4
Justiça
Ações cívicas para promover uma vida comunitária saudável. Liderança, cidadania, integridade.
5
Temperança
A busca pelo equilíbrio, misericórdia, humildade, autorregulação, prudência.
6
Transcendência
Perceber a beleza, bom humor, gratidão, espiritualidade.
Isso não significa abandonar os estudos das funções cognitivas e como elas modulam o comportamento,
tampouco abandonar a Psicologia clínica em suas diversas modalidades. Continuamos em interseção com as
Neurociências, com a discussão sobre a tecnologia, como incorporá-la à Psicologia e o impacto dela em
nossas vidas. 
Como um projeto para o século XXI, a Psicologia Positiva propõe rompermos com os discursos tradicionais e
buscar novas práticas em como avaliar e desenvolver as forças de caráter e virtude nas pessoas, nas
organizações e nas instituições.
Atenção
Um alerta que já tratamos é sobre as falácias do conhecimento: muitas pessoas pegam carona na
Psicologia para propor soluções e serviços para população. Algumas palavras da moda como coaching e
Psicologia Positiva podem estar associadas a práticas meramente comerciais que não resultam no real
desenvolvimento de pessoas, mas apenas fazem uma persuasão verbal, convencem, não são
transformadoras da realidade. Por esse motivo, buscar um psicólogo para discutir sobre o seu
desenvolvimento pessoal pode ser um exercício que trará melhores frutos para você, para o seu tempo e
para o seu investimento financeiro. O psicólogo terá toda a bagagem histórica, poderá avaliar a sua
personalidade com cientificidade e tecnicidade. Poderá avaliar o seu perfil cognitivo, as maneiras que
você usa para tomar uma decisão, suas forças de caráter e virtudes, utilizando as práticas psicológicas
refinadas ao longo de mais de um século. 
Para a Psicologia Positiva, os pontos fortes de uma pessoa são tão importantes quanto as vulnerabilidades.
Práticas no mercado que atuam com a Psicologia Positiva focadas nos pontos fortes cometem um erro
técnico. Uma avaliação global é necessária. 
O profissional de Psicologia possui conhecimento técnico e a prerrogativa profissional para avaliar
sua saúde mental, seu perfil de personalidade, seu perfil cognitivo e correlacionar com os seus
pontos fortes, suas forças de caráter e virtudes. Esses dois aspectos compõem um projeto mais
sustentável para o seu desenvolvimento pessoal. 
Existem muitas variáveis que impactam o nosso comportamento e, para um projeto sustentável no médio e
longo prazo, para que você mude a sua vida e busque o desenvolvimento das suas forças de caráter e virtude,
o profissional qualificado no mercado é o da Psicologia com uma inscrição ativa em um conselho profissional
(conselho regional de Psicologia). 
A Psicologia como ciência e a Psicologia Positiva funcionam muito bem em interseção com outras áreas de
atuação, dentro das prerrogativas profissionais próprias das áreas de: pedagogia, licenciaturas, gestão,
desenvolvimento de soluções e produtos para pessoas, entre outros. Agir com ética, cientificidade e
tecnicidade, em acordo com sua formação, é seguro para o cidadão, para nossos filhos, pais, irmãos,
familiares e amigos.
Psicologia Positiva e orientação profissional
Orientação profissional, no século XXI, é uma expressão que substitui a conhecida orientação vocacional.
Podemos usar outras expressões, por exemplo, orientação de carreira, eleição de carreira ou gestão da
carreira. O trabalho do orientador profissional implica qualquer etapa da vida que esteja associada ao mercado
de trabalho.
Primeira Revolução Industrial (final do século XVIII)
Foi marcada pela tecnologia da máquina a vapor e a produção em larga
escala.
Segunda Revolução Industrial (final do século XIX)
Foi marcada por tecnologias como a eletricidade e, na Filosofia, a discussão
da sociedade industrial com os filósofos Marx e Engels.
Terceira Revolução Industrial (primeiras décadas do século XX)
Foi marcada por tecnologias da automação e pelos conceitos de taylorismo,
menor jornada de trabalho com aumento da produção e Henry Ford e as
linhas de produção.
Essas transformações nas sociedades capitalistas e, fundamentalmente, no Ocidente4 resultaram em algumas
consequências para a vida das pessoas. 
Atualmente, vivenciamos a Quarta Revolução Industrial, também chamada de indústria 4.0. O termo sociedade
da informação, em vez de sociedade pós-industrial, demarca essa revolução. Tecnologia, inteligência artificial,
robôs, profissões do futuro são discussões do nosso momento histórico, do nosso Zeitgeist.
Perfil demográfico da população, comparando o ano de 2020 e a projeção para o
ano de 2060.
O perfil populacional está mudando e, com isso, as características do mercado de trabalho também mudam.
As necessidades das pessoas ao longo da história, principalmente com o advento da tecnologia, mudam.
Compreender essas mudanças e o impacto da tecnologia na vida das pessoas e desenvolver as forças de
caráter e virtude para o futuro é o projeto da Psicologia como uma profissão do futuro.
O desafio é compreender o perfil de cada pessoa, levando em consideração o seu desenvolvimento
ontogenético. Isso implica compreender em que época essa pessoa se desenvolveu, como ela
formou seus valores e suas forças de caráter e como a Psicologia pode auxiliar cada geração a lidar
com as demandas da sociedade 4.0.
Cada geração apresenta um estilo próprio na maneira de aprender e se desenvolver.Cada geração possui
forças de caráter e virtude desenvolvidas, de acordo com a necessidade de seu tempo, com a influência do
momento cultural em que viveu, dos acontecimentos políticos e econômicos que vivenciou.
Baby boomers: nascidos entre 1940 e 1960.
Geração X: nascidos entre 1961 e 1980.
Geração Y: nascidos entre 1981 e 1995.
Geração Z: nascidos entre 1996 e 2010.
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• 
Geração Alpha: nascidos depois de 2010.
Por que se diz que a Psicologia é uma profissão do futuro?
Reflexão
Porque é uma ciência e uma profissão que foi desenvolvida na pressão da história, sempre preocupada
em compreender o ser humano em seu tempo, com raízes na Filosofia e no método científico. 
Pressão e tempo transformam...
Carvão Em diamante
No século XXI, a Psicologia como uma profissão do futuro significa o desenvolvimento de forças de caráter e
virtudes das pessoas, bem como de suas habilidades emocionais e comportamentais (as chamadas soft
skills). 
Um projeto de desenvolvimento pessoal significa compreender a história de aprendizagem, que é diferente de
pessoa para pessoa, mas vinculada a um período cultural de determinada época. 
Desenvolver uma pessoa é investigar as fragilidades, descartar patologias ou encaminhar para um cuidado de
saúde, quando necessário. Esses cuidados, associados ao levantamento das virtudes e das forças de caráter,
resultam em um projeto para um desenvolvimento individual, personalizado, para o florescimento das soft
skills de uma pessoa, com ética, cientificidade e tecnicidade, necessárias para a segurança e o respeito à
população.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O movimento da psicologia positiva
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• 
Psicologia positiva e orientação profissional
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sistematizamos alguns dos principais eventos históricos que estão no alicerce da Psicologia como uma
ciência e uma profissão. Essa diversidade de sistemas teóricos da Psicologia se dá por divergências do objeto
de estudo e do método empregado para estudá-lo. A Psicologia Positiva se caracteriza
A
pela busca da objetividade do método científico, abandonando a introspecção, para compreender como os
conteúdos mentais influenciam comportamentos.
B
pela busca de compreender as forças e a virtude do caráter de uma pessoa.
C
pelo uso da observação sistemática e do método experimental para descrever as circunstâncias que um
comportamento ocorre e modificá-lo, se necessário.
D
pelo estudo da percepção humana e das suas propriedades, pela análise do comportamento e pela
reestruturação do campo perceptual.
E
pelo uso da observação para descrever comportamentos disfuncionais e modificá-los.
A alternativa B está correta.
O psicólogo Martin Seligman publicou, com Christopher Peterson, um texto que sistematiza o que
chamaram de forças de caráter e virtudes, estabelecendo um contraponto aos manuais dos transtornos
mentais e do comportamento.
Questão 2
Sistema analítico da Psicologia no século XXI que compreende o cérebro como um órgão ativo,
fenomenológico consciente. A Psicologia tenta compreender alguns adjetivos que são muito admirados
quando os encontramos. De qual sistema estamos falando?
A
Psicologia Cognitiva
B
Conexionismo
C
Funcionalismo
D
Positivismo
E
Determinismo
A alternativa D está correta.
A Psicologia Positiva visa construir processos singulares, menos científicos e mais sociais e relacionados a
dinâmicas sociais. No limite, percebemos que esse movimento tenta superar as limitações pouco científicas
do humanismo.
5. Conclusão
Considerações finais
A produção de paradigmas tem sido a identidade da Psicologia. Conta a história que nascemos formalmente
introspectivos com Wundt, nos anos de 1873 e 1879, respectivamente, com a publicação dos Princípios de
Psicologia Fisiológica, e a abertura do primeiro laboratório de Psicologia Experimental, na Alemanha. Até os
dias atuais, ainda não encontramos uma grande teoria compatibilizadora, única metodologia ou definição para
os seus construtos e as mesmas definições operacionais. Somos uma ciência ainda pré-paradigmática. 
O resultado é que, na Psicologia, encontramos profissionais que são comportamentalistas, cognitivistas,
psicanalistas, humanistas, existencialistas, entre outras possibilidades. Existem também os que se dedicam a
estudar os processos psicológicos básicos, o social, o desenvolvimento humano, a psicoterapia, a
psicofisiologia e outros campos de interesse. Além disso, há a Psicologia aplicada ao trânsito, à escola, às
instituições, às organizações, entre outras áreas de atuação. 
A Psicologia é plural como profissão e como ciência, fazendo interseção com diversas outras áreas de
conhecimento. Muitas profissões se beneficiam da Psicologia como ciência: pedagogos, professores,
gestores, marketing, entre outros. 
Em todas as formas de atuação do psicólogo, em todas as áreas, tenha convicção de que a Psicologia
apresenta paradigmas capazes de compreender com profundidade a complexidade do comportamento
humano.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
 
Assista ao filme Nise: o coração da loucura, dirigido por Roberto Berliner (2016). Nise da Silveira foi
pioneira na Psicologia Analítica (Psicologia Junguiana) no Brasil.
Para saber sobre a lei do efeito, pesquise sobre o experimento clássico da caixa de problemas do
Thorndike.
Para saber mais sobre o reflexo condicionado, pesquise sobre o experimento clássico do cão de
Pavlov.
Se gostou da perspectiva do humanismo, leia o livro Torna-se pessoa, de Carl Rogers.
Leia o artigo Modulações dos efeitos Simon e Stroop espacial por tarefas prévias de compatibilidade
espacial, de Roberto Sena Fraga-Filho e colaboradores, e compreenda como é feita uma pesquisa
experimental na área da cognição utilizando a cronometria mental.
Leia o artigo Métodos de investigação em história da Psicologia, de Marina Massini.
Leia o artigo História da Psicologia, de William Gomes.
Referências
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• 
ALLPORT, G. W. The nature of prejudice. 3. ed. Wokingham: Addison-Wesley, 1954.
 
ANTUNES, M. A. M. Psicologia Escolar e Educacional: história, compromissos e perspectivas. Psicologia
Escolar e Educacional, v. 12, n. 2, p. 469-475, 2008.
 
BEAR, M. F.; CONNORS B. W.; PARADISO M. A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 3. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2017.
 
BECK, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
BOFF, L. A águia e a galinha. 4. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 1999.
 
DAVIDSON, R. J.; BEGLEY, S. O estilo emocional do cérebro. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.
 
REEVE, J. Motivação e emoção. 4. ed. São Paulo: LTC, 2006.
 
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2019.
 
SKINNER, B. F. Enjoy old age. [S.l.]: Grand Central Pub, 1983.
 
SKINNER, B. F. Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1974
	Movimentos da Psicologia no século XX
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Influências na história da Psicologia
	Perspectiva e Zeitgeist
	Atenção
	Saiba mais
	Exemplo
	Caminhos e descaminhos da Psicologia
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Na escola
	Na gestão de pessoas
	Nos tratamentos humanizados
	Na atuação dos psicólogos
	Influências
	Influência da Filosofia
	Influência de movimentos e estudos
	Saiba mais
	As categorias do pensamento
	O mecanismo das inferências lógicas
	A noção de causalidade
	O sentido do propósito
	Influência da Psicofísica
	Saiba mais
	Origens e cientistas
	Wilhelm M. Wundt (1832-1920)
	Ernst Weber (1795-1878)
	Gustav Theodor Fechner (1801-1887)
	Hermann von Helmholtz (1821-1894)
	Hermann Ebbinghaus(1850-1909)
	Franz Brentano (1838-1917)
	Vem que eu te explico!
	As influências da filosofia na psicologia
	Conteúdo interativo
	Origens e primeiros cientistas da psicologia
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. A Psicologia no século XX
	Movimentos da Psicologia
	Estruturalismo
	Funcionalismo
	Exemplo
	A história em perspectiva
	Uma história à parte
	Atenção
	Exemplo
	Id Evita a dor e maximiza o prazer.
	Ego O aspecto racional da personalidade.
	Superego Introjeção da moral da sociedade na estrutura de personalidade.
	Behaviorismo (comportamentalismo)
	Origem do behaviorismo
	Momento 1
	Momento 2
	Momento 3
	Psicologia da Gestalt
	Max Wertheimer
	Kurt Koffka
	Wolfgang Köhler
	Gestalt e seu desenvolvimento
	Conteúdo interativo
	A terceira força da Psicologia: humanismo
	Realização pessoal
	Estima
	Amor/Relacionamento
	Segurança
	Fisiologia
	Vem que eu te explico!
	Psicologia estruturalista
	Conteúdo interativo
	Behaviorismo
	Conteúdo interativo
	Psicologia humanista
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. A Psicologia Cognitiva
	Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica
	A dor
	A tensão pré-menstrual
	A depressão pós-parto
	Conceito e princípios da Psicologia Cognitiva
	Atenção
	Percepção
	Aprendizagem
	Memória
	Motivação
	Linguagem
	Resolução de problemas
	Raciocínio
	Pensamento
	Comentário
	Ensinar a pensar diferente sobre...
	Ensinar a pensar diferente sobre...
	Ensinar a pensar diferente sobre...
	Resumindo
	Mas como fazer essa interpretação?
	Como desenvolvemos essa vulnerabilidade?
	Na infância
	Na adolescência
	Resumindo
	Em um aspecto físico
	Em um aspecto psicológico
	Em um aspecto ambiental/funcional
	Gestação
	Ocorrências no meio externo
	Resumindo
	Os marcos históricos relativos ao surgimento da Psicologia Cognitiva
	Quais são os processos cognitivos?
	Como eles funcionam?
	Quais variáveis intervenientes que se pode identificar / descrever?
	Resumindo
	Marcos históricos
	O ano é 1956
	Fim dos anos 1950 e década de 1960
	Exemplo
	Resumindo
	a) Behaviorismo
	b) Cognitivismo
	Os principais representantes da Psicologia Cognitiva e suas contribuições
	Os principais nomes da Psicologia Cognitiva
	Conteúdo interativo
	Comparação dos métodos de pesquisa na Psicologia Cognitiva
	Psicologia Cognitiva
	Neuropsicologia
	Neurociências
	Ciência Cognitiva Computacional
	O método das Neurociências
	Devo comer?
	Não devo comer?
	Sistema dorsal
	Sistema ventral
	Amígdala
	Resumindo
	O método da Psicologia Cognitiva (pesquisa básica)
	Vamos fazer um exercício!
	O método da Psicologia Cognitiva (aplicada)
	I.
	II.
	III.
	IV.
	Resumindo
	A Neuropsicologia
	Premissas e conceitos fundamentais da Psicologia Cognitiva
	Atenção
	O que você aprendeu
	Vem que eu te explico!
	Origem da psicologia cognitivista
	Conteúdo interativo
	Os marcos históricos relativos ao surgimento da psicologia cognitiva
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Psicologia: do século XX para o século XXI
	A Psicologia no século XXI
	Psicologia Positiva
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	O movimento da Psicologia Positiva
	O que as pessoas que são felizes têm que os demais não têm?
	Comentário
	Psicologia Positiva versus Psicologia Cognitiva versus Neurociências
	Psicologia Positiva: um projeto para Psicologia do século XXI
	Sabedoria e conhecimento
	Coragem
	Humanidade
	Justiça
	Temperança
	Transcendência
	Atenção
	Psicologia Positiva e orientação profissional
	Primeira Revolução Industrial (final do século XVIII)
	Segunda Revolução Industrial (final do século XIX)
	Terceira Revolução Industrial (primeiras décadas do século XX)
	Reflexão
	Carvão
	Em diamante
	Vem que eu te explico!
	O movimento da psicologia positiva
	Conteúdo interativo
	Psicologia positiva e orientação profissional
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	ReferênciasAssim, podemos afirmar, em pleno século XXI, com evidências científicas robustas, que somos seres únicos,
ninguém é melhor do que ninguém, existe um lugar no mundo para os extrovertidos e para os introvertidos.
Antigas afirmações foram reavaliadas, por exemplo:
Não existe raça superior
O melhor tratamento para o doente mental não é ser descartado em um hospício
A orientação sexual de uma pessoa só importa a ela mesma.
A Psicologia Científica é autônoma e não se confunde com dogma religioso. Portanto, as discussões
polêmicas que as civilizações se propuseram a debater, como a questão da raça, foram submetidas a
contestações científicas e amplos estudos, com evidências científicas demonstrando sua ineficácia de
partida.
Exemplo
A eugenia como uma hipótese não se sustenta para os seres humanos, pois apresenta sérios conflitos
éticos. A homossexualidade não é uma doença para ser tratada. Na escola, não devemos separar as
crianças por dificuldades de aprendizado e/ou outras condições como surdez, autismo etc. 
Entre outras discussões delicadas, só com reflexões e críticas amparadas pela ciência prosseguimos
absorvendo as transformações pelas demandas sociais e atuando de forma a promover bem-estar e
qualidade de vida. 
Caminhos e descaminhos da Psicologia
Confira os caminhos acertados e os erros cometidos na trajetória da Psicologia que levaram a "descaminhos".
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Dessas discussões e pesquisas ao longo da nossa história, surgem os argumentos para projetos
individualizados para educação, mas sem desconsiderarmos a inclusão e promovendo uma educação para o
convívio com as diferenças.
Exemplo
Os doentes mentais, em certas circunstâncias, ficarão internados, mas as comunidades terapêuticas são
uma solução viável, em vez de internações de longa permanência. 
Várias estratégias vêm sendo desenvolvidas a partir de erros e acertos, para promovermos tolerância,
compaixão, autocompaixão, saúde, e bem-estar físico e emocional. Buscamos os acertos e as evidências
científicas, bem como caminhos mais éticos, humanizados, integradores.
Mas, para acharmos a ética, em algum momento da história, foi necessário perdê-la. Para achar nossa
humanidade, em algum momento da história, foi necessário nos depararmos com práticas desumanas. Para
chegarmos às estratégias e ao manejo que promovem inclusão, foi necessário que vivenciássemos as
• 
• 
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consequências econômicas, sociais, éticas e políticas das práticas segregacionistas. Infelizmente, não
aprendemos com todos os erros e, em parte de nossa civilização e de nossa sociedade, ainda encontraremos
mazelas, mas estamos em tempos melhores como humanidade do que já estivemos em outras épocas. 
A história da Psicologia como ciência demonstra como essa área tem sido importante em diferentes campos:
Na escola
Na escola, para pedagogos e outros profissionais entenderem o
desenvolvimento humano e designarem estratégias de aprendizagem,
atendendo a maturação biológica, funcionamento do cérebro e perfil
cognitivo do aluno.
Na gestão de pessoas
Para organizações e instituições desenvolverem melhores práticas na
gestão de pessoas.
Nos tratamentos humanizados
Para o estabelecimento de tratamentos mais humanizados na saúde
mental, bem como de práticas para a promoção de saúde, negócios e
neuromarketing.
Na atuação dos psicólogos
Para psicoterapia, para avaliação psicológica, neuropsicologia, entre
outras possibilidades de atuação dos psicólogos.
Os eventos históricos são fundamentais para evitar equívocos e não repetir algumas práticas que trouxeram
mais confusão do que solução. Analisar a história e compreender nosso passado nos ajuda a imaginar o futuro
e a direcionar melhor nossos esforços. Essa história é nossa. Ela é sua. É da nossa civilização, para o bem ou
para o mal. 
A Psicologia como ciência e profissão, no Brasil do século XXI, tem sido posicionada de modo a evitar os erros
da história, buscando o caminho do bem, promovendo os direitos universais humanos, a inclusão, a tolerância,
a ciência, mas sabendo que: todo ponto de vista é a vista de um ponto (BOFF, 1999). 
Por onde começamos?
A Psicologia, como ciência, foi influenciada por inúmeros pensadores, cientistas, movimentos e áreas.
Veremos a seguir alguns.
Influências
Influência da Filosofia
A história da Psicologia está imersa na história do desenvolvimento do pensamento humano, na história da
Filosofia: é assim que a Psicologia se organiza. 
René Descartes (1596-1650).
Até certo ponto, a história da tradição filosófica é a história da Psicologia. Isso inclui o período da Grécia
Antiga com os mitos gregos, a exigência racional com Tales de Mileto, Pitágoras, Heráclito e Parmênides,
Sócrates, os Sofistas, Platão e Aristóteles. 
A Filosofia aborda o objeto que deseja conhecer por intermédio da razão, da argumentação (indutiva e
dedutiva), da lógica, da retórica. Esses métodos são necessários para questionar o que é o conhecimento, os
tipos de conhecimento e o que é verdadeiro nesse conhecimento.
A Filosofia também se ocupa das falácias do conhecimento, ou seja, dos erros da argumentação
filosófica, mas que convencem e enganam.
Uma falácia do conhecimento sempre vem disfarçada de boas intenções e, eventualmente, confirma ideias do 
senso comum, confirma os desejos e as opiniões de algumas pessoas, e por isso convence os mais ingênuos. 
O papel da Filosofia, de apontar as falácias do conhecimento, é fundamental para nossa civilização, para os
psicólogos, para os educadores (ensinantes), para os gestores e para o cidadão. As falácias do conhecimento
estão em nosso passado, mas também no presente. O pensamento filosófico é uma vacina poderosa contra o
obscurantismo e contra tais falácias, pois desenvolve o pensamento crítico.
Influência de movimentos e estudos
Vejamos a seguir dois exemplos de influências.
Mecanicismo, a doutrina filosófica do século XVII, pela qual
todos os fenômenos se explicam pela causalidade; pela
discussão dos racionalistas (tese) e dos empiristas
(antítese) e pela síntese do filósofo Immanuel Kant, no
século XVIII.
René Descartes (1596-1650) era racionalista. A publicação
relevante para nossa discussão é de 1637: Discurso sobre o
método para bem conduzir a razão na busca da verdade
dentro da ciência.
Charles R. Darwin (1809-1882).
Saiba mais
Há vários representantes no movimento conhecido como empirismo inglês. Destaque para a “mente
como uma tabula rasa”, na publicação Ensaio sobre o entendimento humano, do filósofo John Locke
(1632-1704). 
A origem das espécies (1872), livro publicado
por Charles R. Darwin (1809-1882), abordou o
desenvolvimento filogenético das espécies,
incluindo a espécie humana.
Isso aproxima os seres humanos de outras
espécies que habitam o planeta em uma corrida
por adaptabilidade e sobrevivência. Nossa
espécie Homo sapiens (homem sábio), com as
características morfológicas atuais, tem 350 mil
anos; as características comportamentais
modernas, cerca de 50 mil anos.
Essas evidências são importantes para a
delimitação da Psicologia como ciência e para o
movimento do funcionalismo com o estudo do
papel adaptativo da consciência, em vez do seu
conteúdo.
Desde o início da Idade Moderna até a época do Iluminismo, os filósofos especularam sobre o funcionamento
da mente humana, com o intuito de determinar por meio de quais processos o conhecimento é produzido. A
ideia de que a faculdade da razão era o que possibilitava o saber não era exatamente nova: já na Grécia Antiga
e durante a Idade Média se atribuía à razão essa função. No entanto, a compreensão de seu funcionamento
ainda representava um desafio. John Locke concebeu a mente como uma espécie de folha em branco, ou 
tabula rasa, onde a experiência sensorial deixava suas impressões, assumindo que não havia pressupostos
preestabelecidos, tanto para o pensar quanto para o agir. 
Outros pensadores, como René Descartes e Gottfried Leibniz (1646-1716), posicionavam-se de maneira
diferente em relação à questão, pois,para eles, havia funções da consciência humana que não poderiam ser
resultado da mera experiência sensorial, como:
As categorias do pensamento O mecanismo das inferências lógicas
A noção de causalidade O sentido do propósito
Independentemente do mecanismo, para os pensadores iluministas, a especulação precedente abriu uma
porta para o funcionamento da mente humana que não poderia mais ser fechada. O debate sobre o 
mecanismo racional envolvia desde a ideia de que uma porção “divina” nos oferecia o sentido da verdade, do
belo e do correto, até uma crítica necessária da “Razão Pura”, empreendida por Immanuel Kant. Outros
pensadores afirmaram ainda que as ideias deviam seu processo de construção às dinâmicas sociais,
interpretações e relações do sujeito com o meio.
Nesse contexto, destaca-se o pensamento dialético de 
Hegel (1770-1831). O conceito de dialética apresentado
pelo autor defende que os seres humanos constroem e
reconstroem os seus conceitos. Seja em expedientes
sociais, seja nas concepções artísticas, para Hegel, esse
processo deve ser descrito como uma espiral constante.
As sociedades — e os indivíduos que nelas vivem — estão
sempre ancorados em teses, naturalizadas em seu
cotidiano e assumidas como verdadeiras.
Entretanto, no processo histórico, essas teses são
constantemente contrastadas, negadas, enfrentadas, e
desse enfrentamento, entre tese e antítese, emerge sempre
algo novo, uma síntese (por isso espiral), que posteriormente será consolidada no meio social, tornando-se a
tese então vigente.
Influência da Psicofísica
A Psicofísica demarca uma mudança de abordagem. Eventualmente, você pode ler que a Psicologia, em sua
fundação, rompe com a Filosofia, mas essa afirmação está equivocada.
Psicofísica
É a relação entre um estímulo em seu aspecto físico e a resposta consciente do sujeito. 
Toda ciência precisa de uma base filosófica consistente para operar: a isso chamamos de bases
epistemológicas (filosofia da ciência ou, dependendo do momento histórico, teoria do
conhecimento).
A inovação dos psicofísicos é empregar o método experimental para estudar uma Psicologia sensorial, uma 
Fisiologia experimental, não romper com o pensamento filosófico, buscando evidências empíricas por meio do
método experimental e de resultados reprodutíveis. É fundamental conseguir dados constantes, não apenas
as especulações, induções e deduções filosóficas. 
A teoria da evolução das espécies, os avanços da Fisiologia Experimental com os psicofísicos, correlacionando
nosso aparato sensorial à mente humana, a rigor, aos estados conscientes dessas sensações, e o Zeitgeist do
século XIX impulsionaram a criação do primeiro laboratório de Psicologia, em 1879, na Alemanha.
Sensorial
Tecnicamente, na Psicologia Científica, as sensações são os nossos sentidos: visão, audição, olfação,
paladar, tato, propriocepção. Isso se difere da percepção. Enquanto as sensações são descritas
puramente em termos fisiológicos e por uma linguagem neural (sinapses), as percepções são descritas
como uma função psicológica. 
Saiba mais
Para compreender o plano de fundo e o Zeitgeist do século XIX, é preciso considerar que os métodos
das ciências naturais estavam em alta, e a Psicologia precisava seguir esse caminho. A Fisiologia foi uma
resposta possível. O espírito metódico e rigoroso dos pensadores alemães construiu o ambiente propício
para o desenvolvimento de uma Fisiologia experimental. Aparelhos tecnológicos estavam sendo
desenvolvidos. Além disso, a influência do empirismo inglês, que preconizava a necessidade de se
estudar os sentidos e como podem levar ao erro, foi fundamental em um contexto social em que havia
urgência de se fazer ciência, devido à predominância do espírito positivista, que defendia o método
experimental. Nesse contexto, o conhecimento científico era considerado a via mais segura para se
construir um conhecimento verdadeiro. 
Origens e cientistas
No século XX, a medida em Psicologia, ou seja, a mensuração de construtos psicológicos, era basicamente de
natureza cognitiva, por intermédio de testes psicológicos das diferenças individuais.
Isso quer dizer compreender as particularidades de uma pessoa, por exemplo, mensurando o nível de
inteligência ou investigando os traços de sua personalidade e correlacionando a dificuldades escolares ou ao
desempenho em determinada área no mercado de trabalho.
Na Psicologia, considerando a segunda metade do século XIX, as primeiras medidas não eram de natureza
psicológica, mas psicofísicas — uma Psicologia sensorial. Essa influência da Fisiologia, por meio das primeiras
medidas psicofísicas, buscava as regularidades e os padrões da nossa fisiologia, isto é, o geral, não o
particular ou as singularidades.
Singularidades
O que não é padrão, o que se tem de resultado ímpar em uma movimentação que tende a ser recorrente.
Wilhelm M. Wundt (1832-1920)
Ficou registrado na história como o responsável pelo marco fundante da 
Psicologia Científica. Foi esse pesquisador que, em 1879, delimitou em
seu laboratório, fundado na Universidade de Leipzig, na Alemanha, o 
Psychologische Institut (Instituto Psicológico).
Outros psicofísicos precederam o primeiro laboratório de Psicologia e
trabalharam juntos (ou separados) a Wundt. Lembre-se de que uma
ciência não se desenvolve no vácuo, mas em um continuum de acúmulo
de conhecimento e tecnologia. Os psicofísicos estavam abrindo as portas
para a Psicologia Científica, e Wundt era um deles. Eles concordavam
entre si e/ou se criticavam. Acertaram e erraram. Mas sempre
persistiram.
Wilhelm Wundt (sentado) com colegas em seu
laboratório psicológico, o primeiro desse tipo.
Ernst Weber (1795-1878)
Desenvolveu estudos para discriminar a distância tátil perceptível entre
dois pontos (limiar de dois pontos), ou seja, a relação de uma estimulação
física (sensação) e uma percepção (mental).
Gustav Theodor Fechner (1801-1887)
Fechner disputa com Wundt o título de pioneiro da Psicologia
Experimental e da própria Psicologia, embora suas primeiras
contribuições para as ciências tenham se desenvolvido nos campos da
Matemática e da Física. Posteriormente, devido a uma crise pessoal e
influenciado pelo filósofo alemão Friedrich Schelling (1775-1854), passou
a interessar-se por questões psicológicas e religiosas.
De acordo com sua concepção de paralelismo psicofísico, as realidades
física e psíquica não estariam em oposição, mas constituiriam aspectos
de uma mesma realidade essencial. Fechner demonstrou que o mundo
mental e o mundo material estão relacionados quantitativamente; e que
se pode medi-los.
Hermann von Helmholtz (1821-1894)
Foi pioneiro em medir a velocidade do impulso nervoso, de uma
estimulação sensorial tátil até a resposta, ou seja, o movimento motor
resultante. Para a Psicologia, isso foi importante na ideia de que o
pensamento e o movimento se seguem um ao outro, e o intervalo entre
um pensamento e um movimento resultante poderia ser medido.
Esses estudos, inovadores na época, foram gradualmente encorajando Wundt a conseguir os recursos e o
espaço necessários para fundar um Instituto de Psicologia na Universidade de Leipzig. Antes desses estudos,
a mente humana era abordada apenas pelos argumentos filosóficos, fundamentais, mas incapazes de
demonstrar como a mente funciona e/ou se estrutura em aspectos fisiológicos.
Wundt prosseguiu usando o método
experimental, mas, diferentemente de seus
antecessores e contemporâneos, estava mais
focado em delimitar o campo da nova ciência
(Psicologia) e o seu objeto de estudo
(consciência). 
Buscou definir a consciência e descrever o
caráter de seus elementos básicos. A maneira
de estudá-la foi a introspecção, ou seja, a
observação da experiência consciente. Uma
forma de auto-observação guiada. O exame do
próprio estado mental. Mas negou que a
Psicologia seria capaz de estudar funções
superiores.
Alguns pesquisadores seguiram Wundt, mas
outros o contestaram, desenvolvendo uma Psicologia não wundtiana:
Hermann Ebbinghaus (1850-1909)
Estudou a aprendizagem e memória(funções
superiores).
Franz Brentano (1838-1917)
Fez uma distinção entre o conteúdo mental e a
atividade mental.
Muitos cientistas somaram esforços para delimitar esse campo de estudo no século XIX e essa nova
Psicologia resultou em duas escolas: o estruturalismo e o funcionalismo.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
As influências da filosofia na psicologia
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Origens e primeiros cientistas da psicologia
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos eventos históricos que estão no alicerce da Psicologia como uma ciência e uma profissão. Quais
cuidados devemos ter, ao estudar determinado conteúdo da nossa história, para torná-lo útil e significativo no
tempo presente?
A
Considerar o Zeitgeist e usar do conhecimento do senso comum para dar sentido em minha vida cotidiana.
B
Usar o método filosófico para evitar as falácias do conhecimento e o método científico para coletar
evidências.
C
Usar o método filosófico para, por meio da razão, desenvolvermos o conhecimento científico.
D
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. O método científico nem sempre trará um resultado para a
Psicologia, como uma ciência e uma profissão, por causa dos erros e das pseudociências.
E
Não se deve considerar os pontos de vista, mas somente o Zeitgeist de seu tempo.
A alternativa B está correta.
Ao ler sobre esses eventos e essas ideias, é natural interpretá-los a partir de determinado ponto de vista e,
eventualmente, compará-los ao tempo presente e ao sistema de crenças pessoal, que tipicamente vai
julgar o certo e o errado pelas ideias do senso comum. Mas, em ciência, usamos o método filosófico para
delimitar as bases epistemológicas e o método científico para colher as evidências.
Questão 2
A Psicologia Científica, surgida no século XIX, rompe com a Filosofia para delimitar-se como uma ciência,
evento que é um marco de 1879 com Wundt fundando o primeiro laboratório de Psicologia Experimental.
Analise essa afirmação e "responda":
A
Afirmativa correta. A Psicologia deixa de ser estudada pela Filosofia e passa a ser investigada pelo método
científico.
B
Afirmativa correta. Por uma exigência do positivismo, a Psicologia abandona a Filosofia.
C
Afirmativa errada. A Psicologia Científica, como a conhecemos, foi fundada no século XX por Titchener nos
Estados Unidos da América.
D
Afirmativa errada. A Psicologia Científica amplia a abordagem dos fenômenos psicológicos pelo método
experimental, mas não rompe com a Filosofia.
E
Afirmativa correta. A Psicologia Científica rompe com a Filosofia e passa a usar somente o método
experimental.
A alternativa D está correta.
Toda ciência, para operar, necessita dos argumentos filosóficos para delimitar o seu campo de estudo e os
seus métodos. Chamamos isso de bases epistemológicas.
Edward B. Titchener.
Um fantasma do curso das fibras no cérebro humano,
Edward B. Titchener, 1895.
2. A Psicologia no século XX
Movimentos da Psicologia
Estruturalismo
Na transição do século XIX para o início do século XX, a Psicologia alcançou visibilidade nas universidades dos
Estados Unidos e da Europa, notadamente na Alemanha, e o ritmo de seu desenvolvimento foi marcado pelos
movimentos do estruturalismo e do funcionalismo.
Em 1896, nos Estados Unidos, o britânico Edward B.
Titchener (1867-1927), discípulo de Wundt, divulgou um
projeto diferente do de seu professor, em termos
epistemológicos.
Titchener e seus colaboradores identificaram mais de 40 mil
qualidades e sensações, e afirmavam que cada elemento
era consciente e poderia ser combinado para formar
percepções e ideias.
Esses elementos eram determinados pela qualidade,
intensidade, duração e nitidez.
Todos os processos conscientes e perceptuais poderiam
ser reduzidos a esses elementos que, em última análise, são
os átomos do pensamento.
O reducionismo de chegar ao átomo do
pensamento era uma exigência do Zeitgeist —
aproximar a Psicologia das ciências naturais e
do espírito positivista.
Titchener treinou vários observadores a
descrever o seu estado consciente em vez de
descrever o estímulo, por intermédio de uma
introspecção experimental sistemática.
O pesquisador criticava que, até então, os
instrumentos de medida da Fisiologia
Experimental aplicados à Psicologia, como
taquistoscópio e o cronoscópio, eram mais
importantes do que o próprio observador. Por
isso, havia a urgência em treiná-los para
empregar a introspecção. 
Vamos fazer um exercício!
Observe a imagem a seguir e depois responda o que você vê.
Pensou? Vamos ver a seguir a resposta:
Chave de resposta
O que você vê? Uma maçã? Resposta errada. Um objeto vermelho? Resposta errada. Analise suas
sensações e descreva essa percepção, detalhando sua experiência consciente. A diferença entre luz e
sombra, de tons, intensidade, duração e nitidez dessa experiência consciente. Pois é, não é fácil
compreender a introspecção experimental sistemática.
Funcionalismo
O norte-americano William James (1842-1910) publicou, em 1890, o texto Princípios da Psicologia, que se
transformou nas bases do funcionalismo nos Estados Unidos no século XX. Ele foi um representante da escola
do pragmatismo e do funcionalismo. 
James não estava interessado nos átomos do pensamento, mas na experiência imediata que um objeto
impunha à consciência, ou seja, um fenômeno. Suas principais teorias são os estudos sobre a emoção, sua
origem e função, com grande impacto para a Psicologia no século XX.
William James.
James acreditava que uma alteração fisiológica no organismo levaria a uma emoção, ideia que foi corroborada
em um estudo independente pelo fisiologista Carl G. Lange (1834-1900), psicólogo dinamarquês. 
Na perspectiva desses autores, não experimentamos uma emoção se não houver uma alteração fisiológica no
organismo. Assim, o corpo reagiria de modo diverso aos eventos ambientais causadores de emoções, e as
experiências emocionais nada mais seriam do que uma tentativa de dar sentido à alteração no organismo.
Exemplo
Se você escuta um barulho muito alto, como uma explosão, esse evento ambiental vai aumentar seu
batimento cardíaco, causar sudorese, respiração mais rápida e curta, e o resultante disso é sua
percepção de medo. Essa é a teoria James-Lange para explicar uma emoção. 
Os funcionalistas sofreram influência da teoria da evolução das espécies e estavam mais interessados no
papel adaptativo da consciência, dos hábitos, da emoção, ou seja, em suas respectivas funções. Para os
funcionalistas, isso era mais válido e pragmático do que investigar o conteúdo da consciência em termos
estruturais. 
Pragmático
Pragmatismo é uma doutrina da Filosofia que define os critérios de utilidade do conhecimento.
No início do século XX, entre 1901 e 1913, a Psicologia norte-americana vivenciou o debate, muitas vezes,
fundamentalista e não amistoso, entre estruturalistas e funcionalistas. Na Europa, observamos outras
discussões.
A história em perspectiva
Nesse pequeno espaço, é difícil contar tudo o que acontecia na Europa e nos Estados Unidos, pois existiam
intercâmbios e influência mútua, mas é uma escolha didática destacar aquilo que era mais evidente nessas
localidades.
A marcha da humanidade, David Alfaro Siqueiros, 1971.
Igualmente difícil é narrar todas as influências, as perspectivas e os acontecimentos que tiveram impacto na
formação da Psicologia como ciência entre 1879 e o fim do século XX, pois a proposta deste estudo é dar uma
visão panorâmica.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. 
(BOFF, 1999, p. 4)
Antes de prosseguirmos, vamos analisar o que se desenvolveu ao longo do século XX, por influência da
Psicologia do século XIX.
Sigmund S. Freud
Uma história à parte
A Psicanálise é uma história à parte da Psicologia, mas que exerce grande influência nos psicólogos,
pedagogos, médicos psiquiatras, neurocientistas, entreoutros interessados no estudo das funções
psicológicas humanas.
Erros de tradução colocam Sigmund S. Freud (1856-1939),
em certos livros, como um teórico do instinto, mas isso está
equivocado. A palavra instinto não se aplica a Freud, pois
ele não usou o termo instinkt (instinto, em alemão). Para os
seres humanos, ele usou trieb, traduzido como impulso ou
pulsão. Freud também apresenta sua teoria sobre o
desenvolvimento psicossexual (fase oral, anal, fálica,
período de latência, genital).
Lembra-se de quando abordamos o tópico perspectiva e 
Zeitgeist? Nesse aspecto, do desenvolvimento
psicossexual, a Psicanálise é mal compreendida por leigos e
pelo senso comum.
Atenção
Não reproduza esses enganos, mas busque compreender a perspectiva do autor. 
De maneira geral, uma teoria do impulso, como compreensão do funcionamento humano, concentra-se em
explicar como o nosso comportamento mantém o organismo em equilíbrio. A experiência psicológica de um
desequilíbrio interno seria um impulso, ou seja, o “energizador” do comportamento.
Exemplo
A sede é um desconforto psicológico para a necessidade de ingestão de líquidos. 
As teorias do impulso explicam comportamentos e são focadas nas causas, em nosso funcionamento interno,
na fisiologia e/ou na estrutura da nossa mente. Não é incomum compararmos a proposta libidinal (energia
mental) de Freud com um sistema hidráulico. Imagine uma caixa de água sendo abastecida: se a boia da caixa
falhar, a água escorrerá por um mecanismo de escape para fora da casa, um meio simples de segurança para
sua casa não ser inundada pela água. 
Vamos descrever com essa analogia o funcionamento da mente humana na perspectiva desse autor: à medida
que os impulsos corporais acumulam energia (por analogia, a água de nosso sistema hidráulico), a experiência
psicológica resultante é um aumento da ansiedade, um desconforto psíquico. Então, é preciso proteger, por
meio de um mecanismo de escape (como aquele presente na caixa-d’água), nossa saúde física e mental (para
evitar a inundação de nossa residência). 
Freud descreverá minuciosamente esses mecanismos de defesa. Ele elenca três estruturas do aparato
psicológico humano que vivem em uma interação dinâmica e, digamos, medindo forças:
Id Evita a dor e maximiza o prazer. 
A girafa ardente, Salvador Dalí.
Ego O aspecto racional da
personalidade.
Figura Clássica e Cabeça (inacabada), Salvador
Dalí.
Superego Introjeção da moral da
sociedade na estrutura de
personalidade.
A Madonna de Port Lligat, Salvador Dalí.
O Id, como uma estrutura psíquica inata, é regido pelo princípio do prazer e pela busca da satisfação imediata;
representa, por analogia, a pressão da água que chega à nossa caixa. Essa pressão é constante e buscamos
objetos que sejam capazes de satisfazer o desconforto psíquico. Como não podemos atender às pressões
mais primitivas em busca do prazer, devido à ação do Superego e dos mecanismos de defesa, eventualmente,
adoecemos, pois não podemos buscar os objetos que, de fato, desejamos. Esse adoecimento, muitas vezes,
não apresenta os motivos para consciência (para o Ego). 
A produção intelectual da Psicanálise, inicialmente, foi direcionada para a saúde mental e para o tratamento
clínico de enfermidades mentais. Uma inovação para a época. Durante o século XX, a Psicanálise foi
empregada de maneira mais ampla para compreender diversas manifestações humanas, uma vez que se
constitui como uma teoria da personalidade e do desenvolvimento humano. Pode ser aplicada na
psicopedagogia, na psicoterapia, na educação, na saúde e nas práticas institucionais e comunitárias.
Carl Gustav Jung.
A Psicanálise sofreu algumas variações, ao
longo do século XX, nas mãos de outros
autores que discordaram de certos aspectos da
abordagem de Freud e/ou ampliaram algo que
anteriormente não tinha sido abordado ou
aprofundado. 
Para encerrar esse tópico, falaremos sobre Carl
Gustav Jung (1875-1961), cuja teoria dos tipos
psicológicos é amplamente utilizada como
orientação profissional, no levantamento do
estilo de aprendizagem de uma pessoa e dos
seus interesses; isso pode ser utilizado no
planejamento de projetos educacionais, bem
como na seleção de pessoas em recursos
humanos.
Jung foi um discípulo de Freud, mas romperam relações por divergências teóricas. O seu sistema é conhecido
como Psicologia Analítica, que é aplicada na psicoterapia, em saúde mental e na avaliação da personalidade. A
tipologia de Myers-Briggs (classificação tipológica de Myers-Briggs) é um instrumento padrão-ouro para
avaliação da personalidade (MBTI). Outro teste que é amplamente utilizado no Brasil é o questionário de
avaliação tipológica (QUATI). Ambos os recursos são de uso restrito do psicólogo e da psicóloga.
Sigmund Freud, Stanley Hall, Carl Gustav Jung, Abraham Arden Brill, Ernest Jones e
Sándor Ferenczi em fotografia de 1909.
No Brasil, o uso e a comercialização de testes psicológicos são restritos aos profissionais da Psicologia com
inscrição ativa em um conselho regional de Psicologia. Existem questões técnicas e psicométricas delicadas
para garantir a correta utilização e fazer inferências corretas sobre a população brasileira.
Psicométricas
Trata-se do embasamento para a medida em Psicologia.
Behaviorismo (comportamentalismo)
O behaviorismo, também conhecido como comportamentalismo, tem como objeto de estudo a análise
científica dos comportamentos humano e animal. Busca descrever as circunstâncias relevantes para que um
comportamento seja instalado no repertório comportamental de uma pessoa e o que é preciso para modificar
esse comportamento, quando necessário. Desse modo, é possível evidenciar por que determinada pessoa se
comporta dessa ou daquela maneira, os motivos de alguma decisão, e prever e alterar os possíveis
comportamentos futuros. 
Behaviorismo
Um neologismo, criação de uma nova palavra a partir de outra já existente. Behavior (inglês) =
comportamento
Nenhum sistema teórico, ou perspectiva psicológica, como vimos, surge em um vácuo, mas pelo acúmulo de
conhecimento e pelo avanço da tecnologia. O behaviorismo foi um protesto contra a Psicologia Wundtiana, a
consciência como objeto de estudo e a introspeção como um método.
Origem do behaviorismo
Em 1913, John Broadus Watson publicou o artigo A Psicologia como um behaviorista a vê, no qual expõe os
principais posicionamentos científicos da Psicologia Comportamental. Watson propõe defini-la como uma
ciência do comportamento, já que esta é fisicamente observável: é possível ver as pessoas andarem,
comerem, conversarem, mas é difícil observar seus pensamentos e sentimentos. Vamos ver um exemplo. 
John Broadus Watson
John Broadus Watson (1878-1958) foi um cientista que fez conferências em que rejeitava as abordagens
estruturalistas e funcionalistas e afirmava o abandono de métodos introspectivos. Inseriu a Psicologia
como uma ciência que deveria ter um objeto natural e aplicações práticas para melhorar a qualidade de
vida das pessoas. Estudou os reflexos aprendidos e as reações emocionais básicas (incondicionadas —
medo, raiva, amor) e complexas (condicionadas).
Podemos dizer que comemos porque sentimos fome. Você já parou para pensar nos eventos que fazem parte
dessa contingência, ou seja, da probabilidade de um evento ser causado por outro evento?
Momento 1
Podemos dizer que houve um período de privação de comida.
Momento 2
Durante essa privação, os processos associados à homeostase causam a
sensação de fome materializada na consciência mediante pensamentos
sobre comida e/ou estratégias para saciar a fome (ir a uma lanchonete ou
fritar um ovo na cozinha).
Entendemos homeostase como processo fisiológico que faz a
manutenção da vida e busca o equilíbrio interno no organismo; por
exemplo, a experiência na consciência de sede e fome é resultado de
processo homeostático.
Burrhus Frederic Skinner.
Momento 3
Com a sensação, você se dirige à cozinha, para fritar um ovo ou outro
alimento de sua preferência, ou vai até uma lanchonete e come.
Os momentos 1 e 3 podem serobservados diretamente. Já o momento 2 é encoberto aos olhos de um
observador externo e só pode ser descrito pela introspecção, mas esse método é falho, uma vez que dois ou
mais introspectistas podem experimentar ideias diferentes a respeito do fato. 
Essa é uma crítica feita pelos funcionalistas para os estruturalistas, embora os funcionalistas tenham
continuado com a introspecção até o Manifesto Behaviorista de 1913. 
Os introspectistas, pela Psicologia Wundtiana, tratariam o momento 2, a sensação de fome, como a causa do
momento 3, o comportamento de comer. Essa é a base do pensamento mentalista ingênuo, crítica feita pelos
behavioristas: “como porque sinto fome”. Se a fome é resultado da privação de comida, pode-se
desconsiderar a causa mental, os pensamentos, a sensação, porque não é possível estudar os eventos só
acessíveis pela introspecção. 
A tese do behaviorismo é se preocupar somente com os fatos naturais, facilmente mensuráveis.
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) recebeu influência de
Watson e Thorndike e estabeleceu a distinção entre o
behaviorismo radical e o metodológico, além de descrever a
aprendizagem por contingência (probabilidade de um
evento ser causado por outro; relação entre eventos
ambientais).
Skinner buscava descrever contingências, como elas
ocorrem e são mantidas. O behaviorismo apresenta
protocolos interessantes para o manejo do comportamento
na escola, nas organizações etc. Na perspectiva desse
autor, o cérebro é um depositário de contingências, ou seja,
armazena nossas experiências e os padrões do nosso
repertório comportamental. 
As ideias essenciais de Skinner são reveladas em algumas frases:
Seja inato ou adquirido, o comportamento é selecionado por suas consequências. 
(SKINNER, 1983, p. 155)
Um eu ou uma personalidade é, na melhor das hipóteses, um repertório de comportamento partilhado
por um conjunto organizado de contingências. 
(SKINNER, 1974, p. 130)
Psicologia da Gestalt
A Psicologia da Gestalt é uma importante perspectiva da Psicologia. Foi crítica à Psicologia Wundtiana; à lei do
efeito, de Thorndike (1874-1949), nos Estados Unidos; e à Psicologia do Reflexo, de Pavlov (1849-1936), na
Rússia. 
Psicologia da Gestalt
Não confunda com Gestalt terapia, pois são movimentos diferentes.
As principais personalidades desse movimento foram:
Max Wertheimer
1880-1943
Kurt Koffka
1886-1941
Wolfgang Köhler
1887-1967
Os gestaltistas aceitavam o objeto de estudo da Psicologia Wundtiana, a consciência, mas negavam-se a
aceitar que o seu estudo acontecesse pela busca de seus elementos. Nesse aspecto, concordavam com a
crítica que William James estabeleceu aos estruturalistas. 
De certo modo, a Psicologia da Gestalt foi um movimento funcionalista, mas ao estilo alemão; foi influenciada
pela Filosofia de Immanuel Kant (1724-1804) e de Franz Brentano, bem como pelo movimento fenomenológico
alemão.
Max Wertheimer foi o precursor da Psicologia da Gestalt, sendo o principal fundador desse movimento. Em
1912, descreveu o movimento Phi , um fenômeno que demonstrou as propriedades da percepção humana e
serviu de base para a tese inicial da Gestalt se opor a outros sistemas teóricos.
Movimento Phi
No fenômeno Phi, uma sequência de imagens foi apresentada, na época, por um taquistoscópio, com um
intervalo de tempo de 60 milissegundos, dando a ilusão de que era a mesma imagem se movimentando.
Ao demonstrar uma ilusão, ou seja, um movimento aparente, os gestaltistas constataram que a consciência, a
percepção do movimento, não poderia ser analisada a partir dos seus elementos sensoriais, premissa da
Psicologia de Wundt.
 
Como o movimento aparente não é real, não possui os dados sensoriais concretos de um
movimento.
A Psicologia da Gºestalt também criticou a ideia de que a percepção seria a soma de elementos básicos, tese
atomista defendida por Wundt. Os cientistas defendiam que uma percepção não dependia de processos
mentais superiores ou de aprendizagem, mas os dados da percepção estavam presentes no próprio estímulo
apreendido pela percepção, em um todo, não no somatório de partes elementares.
Gestalt e seu desenvolvimento
Entenda agora uma das premissas da Gestalt que trata da organização perceptiva. 
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A terceira força da Psicologia: humanismo
O humanismo é um movimento, uma perspectiva teórica da Psicologia, do início da década de 1960.
Todas as perspectivas analisadas até aqui têm por base uma doutrina filosófica — o determinismo, ambiental
no caso do behaviorismo, psíquico no caso da Psicanálise; os movimentos anteriores recebiam uma influência
muito grande da Fisiologia e do determinismo biológico.
Gordon Allport.
Abraham Harold Maslow.
Determinismo
Segundo essa perspectiva, eventos ordenados podem ser explicados por leis simples. Da mesma
maneira, eventos psicológicos e/ou comportamentais são regidos por essas leis (propriedades).
O humanismo evidencia outra doutrina filosófica: o livre-arbítrio, que preconiza que as pessoas dirigem seus
atos de modo consciente, independentemente de determinações psíquicas, cognitivas ou ambientais. O
objeto de estudo do humanismo não é a consciência ou o comportamento, tampouco a percepção, mas os
interesses e valores humanos. Os humanistas se opunham ao mecanicismo e ao materialismo da cultura
ocidental da época.
As escolas com as quais os humanistas rivalizavam eram o
behaviorismo e a Psicanálise; criticavam que os dois
sistemas ofereciam uma visão da natureza humana limitada
e depreciativa.
Entre muitas influências, destacamos Gordon Allport
(1897-1967), com o livro A natureza do preconceito, de
1954. Allport utilizou a expressão Humanismo de forma
pioneira, em 1930.
Além de Allport, as principais referências da terceira força
da Psicologia são: Kenneth B. Clark (1914-2005), militante
dos direitos civis e representante do Zeitgeist da época —
mesmo que não associado diretamente ao movimento do
humanismo; Abraham Maslow (1908-1970); e Carl Rogers
(1902-1987).
Abraham Harold Maslow foi um precursor do
movimento da Psicologia Humanista. Defendia a
capacidade de autorrealização de cada pessoa
e criou a famosa pirâmide de necessidades.
Embora seja uma teoria muito criticada dentro
da Psicologia e careça de evidências para
generalizar diversas populações, é amplamente
utilizada, principalmente, em treinamentos para
o desenvolvimento de pessoas.
Na perspectiva desse autor, todos temos
tendência a buscar uma realização pessoal, que
só é alcançada quando atingimos as
prioridades dos degraus da pirâmide, da base
para o topo. A ideia da hierarquia é criticada, sem dúvida temos necessidades que são fisiológicas, 
psicológicas e sociais.
Realização pessoal
Moralidade, criatividade, espontaneidade, solução de problemas,
ausência de preconceitos, aceitação dos fatos.
Estima
Autoestima, confiança, conquista, respeito dos outros, respeitos aos
outros.
Amor/Relacionamento
Amizade, família, intimidade sexual.
Segurança
Segurança do corpo, do empregro, de recursos, da moralidade, da
família, da saúde e da propriedade.
Fisiologia
Respiração, comida, água, sexo, sono, homeostase, excreção.
Pesquisas que buscaram evidências da hierarquia em cinco níveis, em amostras mais amplas de pessoas,
sugerem que é coerente pensar em apenas dois níveis que são necessidades por deficiência e necessidade
por crescimento.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Psicologia estruturalista
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Behaviorismo
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Psicologia humanista
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos inúmeros sistemas teóricos da Psicologia, que surgiram por divergências do objeto de estudo e do
método empregado para estudá-lo. Das alternativas abaixo, identifique aquela que caracteriza obehaviorismo.
A
Busca da objetividade do método científico, abandonando a introspecção, para compreender como os
conteúdos mentais influenciam comportamentos.
B
Busca da compreensão das motivações humanas e dos comportamentos de autorrealização.
C
Uso da observação sistemática e do método experimental para descrever as circunstâncias em que um
comportamento ocorre e modificá-lo, se necessário.
D
Estudo da percepção humana e de suas propriedades e análise do comportamento pela reestruturação do
campo perceptual.
E
Estudo do comportamento humana por meio da percepção e de suas propriedades.
A alternativa C está correta.
O behaviorismo refuta o estudo da mente humana, rompe com o modelo da Psicologia Wundtiana e elege o
comportamento observável como objeto de estudo.
Questão 2
A frase “O todo é mais importante que o somatório das partes” expressa uma reflexão que nos é dada pela
Psicologia da Gestalt, no estudo da consciência e da percepção. Analise as sentenças abaixo e identifique
aquela que melhor expressa os argumentos que defendem essa ideia.
A
Evidências de um experimento que demonstrou que um movimento aparente não era real e que não podia ser
compreendido por teses atomistas, pois o fenômeno simplesmente acontecia e não podia ser explicado, mas
era apreendido pela consciência.
B
O fenômeno Phi demonstrava os átomos da percepção consciente do movimento. Tal fenômeno demonstrou
que o movimento como um todo é mais importante e pode ser percebido pela consciência pela apresentação
sucessiva de estímulos a 60 milissegundos.
C
Descrevendo em detalhes o estado consciente em vez de descrever o estímulo do movimento Phi, ou
movimento aparente, por meio de uma introspecção experimental sistemática, que era um método falho na
perspectiva gestaltista.
D
A Psicologia da Gestalt amplia a abordagem dos estruturalistas pelo método experimental, demonstrando
como podemos analisar comportamentos estudando contingências.
E
A Psicologia da Gestalt com o movimento de Phi amplia a abordagem dos estruturalistas pelo método
percepcional, quando analisa comportamentos por meio do entendimento do todo.
A alternativa A está correta.
O experimento do movimento aparente (fenômeno Phi) apresentou uma ilusão, que demonstrou que uma
percepção consciente não poderia ser descrita por um dado sensorial, uma vez que o movimento não era
real, mas ilusório.
3. A Psicologia Cognitiva
Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica
A Psicologia Cognitiva traduz, em essência, o que é a ciência psicológica. Percorrer a história da Psicologia é
uma viagem fantástica. Sabe o porquê? Tudo é cognição.
Cérebro e as funções cognitivas.
Sabemos que essa afirmação, por hora, talvez não faça muito sentido. No entanto, a partir de agora é
importante você se lembrar da diferença entre a Psicologia do senso comum e a Psicologia Científica. Vamos
analisar alguns exemplos? Pense nos seguintes eventos da vida, que são psicológicos:
A dor A tensão pré-menstrual
A depressão pós-parto
O senso comum, quando utiliza a expressão “é psicológico”, tipicamente está fazendo menção a uma frescura,
a algo que é inventado e/ou que podemos mudar se tivermos força de vontade. Força de vontade não é um
construto que explica um comportamento motivado — essa é uma visão equivocada do senso comum. Vamos
aprender que tudo é psicológico do ponto de vista da Psicologia Cognitiva (científica). 
Você já parou para analisar algo a seu respeito, por exemplo, sobre seu estilo cognitivo? Pare agora por alguns
minutos e pense sobre você.
Uma autoanálise sobre o estilo cognitivo
Agora vamos refletir sobre alguns dos exemplos que vimos:
Você já parou para pensar por que algumas pessoas relatam serem felizes e gozar de bem-estar e outras
pessoas não, mesmo quando as circunstâncias (o meio) estão favoráveis? O que é felicidade? O que é bem-
estar e qualidade de vida? Lembra-se da proposta de viajar pela história da Psicologia para entender que tudo
é psicológico, tudo é cognição? Vamos lá!
Conceito e princípios da Psicologia Cognitiva
A Psicologia Cognitiva pode ser definida como uma área de conhecimento que analisa os processos internos
implicados na forma como as pessoas extraem sentido do ambiente — interno (fisiológico) e externo (cultura)
— e decidem quais ações são apropriadas. Estuda a atividade e a estrutura do cérebro para compreender a
cognição e o comportamento humano. 
A investigação dos processos cognitivos inclui:
Atenção
Percepção
Aprendizagem
Memória
A tensão pré-menstrual 
Por que algumas pessoas, diante de alguns
eventos, alteram seu humor — por exemplo,
na tensão pré-menstrual — e outras não?
A depressão pós-parto 
Por que alguns eventos resultam em
depressão em algumas pessoas e em
outras não? Já tentou refletir sobre a
depressão pós-parto? Todas as
mulheres ficam deprimidas depois de
darem à luz?
Motivação
Linguagem
Resolução de problemas
Raciocínio
Pensamento
Sobre o pensamento, podemos dizer que:
O pensamento é a “cereja do bolo” da Psicologia Cognitiva, principalmente clínica.
Existe diferença entre a Psicologia Cognitiva aplicada à clínica, seus métodos e objetos de estudo, e a
Psicologia Cognitiva enquanto um sistema teórico da Psicologia. A perspectiva teórica vai explicar o
psicológico como um todo, definir e descrever os processos cognitivos, por exemplo. Gradualmente, ao longo
desta leitura, você compreenderá melhor essa distinção. 
Existem processos psicoterapêuticos que podem atuar no manejo da dor, da irritabilidade, da angústia, da
ansiedade etc. Mudar determinado padrão de comportamento, determinado padrão cognitivo (um perfil
cognitivo) — obviamente quando necessário e desejado —, porém, exige investimento e engajamento da
pessoa no processo de mudança, que pode ser conduzido, por exemplo, em uma terapia cognitivo-
comportamental.
Comentário
Tudo é psicológico, e chamamos esse tipo de trabalho de reestruturação cognitiva, ou seja, ensinar uma
pessoa a reinterpretar eventos e utilizar essas informações para motivar comportamentos mais
adaptados e funcionais em suas vidas, ou seja, buscar qualidade de vida e bem-estar.Para Sternberg
(2016), a Psicologia Cognitiva é o estudo de como as pessoas percebem, aprendem, lembram-se de algo
e pensam sobre informações. Podemos descrever as áreas do cérebro ativas na percepção, no
aprendizado, na lembrança e no pensamento. A Psicologia Cognitiva vai estabelecer como tais
informações são codificadas, interpretadas e utilizadas. 
Dito de outra forma, a reestruturação cognitiva significa:
Ensinar a pensar diferente sobre...
...si próprio (o eu, o ego).
Ensinar a pensar diferente sobre...
...o mundo (pessoas e acontecimentos).
Ensinar a pensar diferente sobre...
...o futuro.
Esses três fatores compõem a tríade cognitiva, na expressão teórica do autor da Psicologia Clínica Aaron Beck
(2013).
Resumindo
A Psicologia estuda como o indivíduo dá significado ao ambiente, a partir dos seus processos internos,
permitindo a sua ressignificação. 
Você deve estar dizendo “certo, entendi tudo”, mas, afinal, o que é interpretar e decidir? A forma como
decidimos as ações que são apropriadas e/ou simplesmente como agimos, nos comportamos e/ou
interpretamos os eventos depende de nossa evolução ontogenética .
Evolução ontogenética
Trata-se do ciclo da vida, do ciclo de desenvolvimento do organismo (pessoa) ao longo da vida, desde o
desenvolvimento embrionário.Ontogenia é o desenvolvimento de um organismo. Já filogenia é o
desenvolvimento da espécie, por exemplo, de nossa espécie, Homo sapiens sapiens (O sapiens repete
duas vezes, isso mesmo, está correto!).
Mas como fazer essa interpretação?
A Psicologia Cognitiva adota o determinismo como um pressuposto epistemológico. Eventos no
decorrer de nosso desenvolvimento podem resultar em um ambiente propício para desenvolvermos
resiliência ou não, assim como em mais ou menos controle emocional e psicológico. Podemos ter uma
vulnerabilidade a desenvolver transtornos de humor, por exemplo, adepressão. Segundo o paradigma
de diátese-estresse, pessoas vulneráveis cognitivamente desenvolvem psicopatologias ao passar por
eventos estressores.
Como desenvolvemos essa vulnerabilidade?
A vulnerabilidade é inata, depende de muitos fatores, por exemplo, eventos do período gestacional e
condições hereditárias. Mas, tais vulnerabilidades se desenvolvem em nossas vidas por gatilhos
ambientais, acontecimentos da vida.
Imagine a seguinte situação:
Na infância
Na infância, uma criança não tem as suas
necessidades psicológicas básicas atendidas.
Na adolescência
Na adolescência, essa ausência pode resultar
em esquemas cognitivos disfuncionais em
graus de impacto variados.
A Psicologia trata o tema das necessidades psicológicas básicas com base em teorias diferentes, mas
podemos entender as necessidades psicológicas em um âmbito geral como: Fisiológicas: sede, fome e sexo.
Psicológicas: autonomia, relacionamento e competência. Sociais: afiliação e intimidade, realização e poder.
Esses são alguns poucos exemplos. Na infância, as necessidades emocionais fundamentais são: vínculos
seguros, autonomia, liberdade de expressão, espontaneidade e lazer, limites realistas e autocontrole.
Um esquema cognitivo pode ser positivo ou negativo, adaptado ou desadaptado. Se seu padrão de respostas
está desadaptado ao meio e/ou com respostas (comportamentos) muito exacerbados, a Psicologia Clínica
pode ajudar. 
Sabe o porquê? Tudo é psicológico, e podemos mudar algumas coisas — outras não, e há aquelas de difícil
mudança. A visão é monista, ou seja, não dualista (mente-corpo). Trata-se de uma visão integrada e holística.
Falar da mente, do psicológico, ou do cérebro é falar da mesma coisa com vieses diferentes. Vejamos alguns
exemplos:
 
Tomar uma medicação para depressão resulta em mexer na bioquímica do cérebro regulando algo que
estava em desequilíbrio.
Fazer psicoterapia (Psicologia Clínica) também mexe com essa bioquímica do cérebro regulando algo
que estava em desequilíbrio. A psicoterapia resulta em plasticidade neural.
Você sabe o que é plasticidade neural?
Resumindo
Trata-se da mudança do sistema nervoso em decorrência dos eventos da vida, da experiência, do
comportamento. Podemos pensar a plasticidade neural por dois vieses básicos: estrutural, por conexões
sinápticas; ou funcionais, que se traduzem por mudanças no comportamento e/ou no perfil cognitivo.
Trata-se da mesma coisa, ou seja, plasticidade neural, explicada por vieses diferentes. 
Tanto manejo medicamentoso quanto psicoterapia agem sobre o cérebro, sobre o psicológico, apenas operam
com mecanismos distintos. 
• 
• 
Nessa perspectiva, não existe um corpo adoecendo uma mente, ou uma mente adoecendo um corpo. O que
vai existir é uma pessoa saudável, relativamente saudável, ou não saudável, em uma abordagem simplista e
didática a respeito dos estados de saúde e de qualidade de vida de uma pessoa. 
O que importa, neste momento, é compreendermos essa visão da Psicologia Cognitiva contemporânea. Não
se trata de um reducionismo materializante, mas de uma visão integrativa entre Psicologia, Ciências da Saúde,
Ciências Sociais e Neurociências. Com essa ideia de base, os determinantes do comportamento podem ser
analisados:
Em um aspecto físico
Mapeamento neurológico.
Em um aspecto psicológico
Sensopercepção, atenção, pensamento, memória, volição, emoções,
sentimentos etc.
Em um aspecto ambiental/funcional
Mapeamento cultural, socioeconômico etc.
Isso não significa dividir uma pessoa em três coisas diferentes, pois, como demonstrado, essa divisão é
meramente didática. Uma pessoa é inteira e indivisível. Falar do psicológico, da mente ou do cérebro é falar da
mesma coisa, em perspectivas didáticas diferentes, que permitam trabalhos diferentes. Nada mais, nada
menos.
Qual o motivo dessa divisão didática?
É simples. Existe uma grande quantidade de variáveis que exercem influência em como os neurônios codificam
as informações, e isso gradualmente vai determinar nossa estrutura de personalidade e nosso repertório
comportamental. Vejamos alguns exemplos dessas variáveis!
Gestação
Uma mulher que durante a gestação sofra
descargas hormonais, bem-estar e estresse.
Ocorrências no meio externo
Em países com menos sol, estatisticamente, há
mais prevalência de depressão e ideação
suicida na população do que em países com
mais sol.
 
Tudo isso influencia quem somos, nosso estilo de agir e de tomar decisões, nossa forma de interpretar os
eventos, sejam os externos, sejam os internos (mudanças do próprio corpo).
Resumindo
A Psicologia Cognitiva estuda o indivíduo em diferentes aspectos: ambiental, psicológico e físico. 
Os marcos históricos relativos ao surgimento da Psicologia
Cognitiva
Questionar como o cérebro ou a mente funciona e, fundamentalmente, o que motiva o comportamento está na
base de nossa discussão. Podemos buscar esse entendimento na Filosofia e nas Ciências. As respostas que a
Psicologia Cognitiva adota não são fruto de um único autor. Certamente, na Psicologia Cognitiva, há alguns
marcos históricos, que podem ser antigos, modernos ou contemporâneos. Veja alguns desses marcos:
Ainda devemos compreender que existem duas modalidades de Psicologia Cognitiva, uma básica e outra
aplicada. Veja a definição de cada modalidade:
 
Ciência básica
Busca delimitar uma área de conhecimento, definir construtos, construir e testar hipóteses, elaborar teorias
que possam descrever os fenômenos.
 
Ciência aplicada
Utiliza as diversas formas de conhecimento e a ciência básica para encontrar soluções para a vida das
pessoas. As teorias de uma ciência aplicada são construídas com um viés de prática, ou seja, em nosso caso,
no fazer do psicólogo.
 
Esses são modelos de ciência interdependentes, e essa divisão, muitas vezes, é meramente didática. O que é
relevante é o uso que se faz da ciência, sendo básica ou aplicada. Na Psicologia Cognitiva aplicada, vamos
encontrar, por exemplo, as teorias das práticas clínicas. Na Psicologia Cognitiva básica, vamos encontrar
algumas teorias sobre como nosso aparato cognitivo funciona, ou seja, esse modelo vai responder a três
perguntas fundamentais:
Quais são os processos cognitivos? Como eles funcionam?
Quais variáveis intervenientes que se
pode identificar / descrever?
No escopo da Psicologia Cognitiva básica, surgem teorias da linguagem, da memória, da atenção, da
percepção etc., ou seja, o que chamamos de processos cognitivos básicos. A Psicologia Cognitiva estuda,
principalmente, alguns construtos que explicam como nos motivamos (comportamentos motivados), como
criamos (criatividade), resiliência, autoeficácia, crenças, entre outras variáveis que exercem influência em
nosso comportamento. As variáveis intervenientes, por exemplo, são estados internos que motivam um
comportamento, como o comportamento criativo, entre outros.
Resumindo
A Psicologia Cognitiva usa a ciência básica e a ciência aplicada para estudar as diversas variáveis que
influenciam o comportamento do indivíduo. 
Vejamos a seguir os marcos históricos:
Marcos históricos
O ano é 1956
Esse foi um ano de grande relevância para coroar o movimento da Psicologia Cognitiva. 
Noam Chomsky.
Wilhelm Wundt.
O cientista cognitivo Noam Chomsky fez uma
exposição sobre uma teoria para a linguagem
(um processo cognitivo) para o famoso e
internacionalmente conhecido Massachusetts
Institute of Techonology (MIT).
Nessa mesma ocasião, George Miller
(1920-2012) apresentou o que ficou conhecido
como o mágico número 7 na memória de curto
prazo (outro processo cognitivo), e Newell
(1927-1992) e Simon (1916-2001) expuseram
seu modelo de solução de problemas (General
Problem Solver), precursor do desenvolvimento
de programas de inteligência artificial. 
Solução de problemas e tomada de decisões
são duas grandes áreas de interesse de cientistas cognitivos.
Pesquise sobre essas personalidades e suas produções teóricas. Isso poderá enriquecer muito sua
compreensão da Psicologia Cognitiva.
Fim dos anos 1950 e década de 1960
Vamos conhecerum pouco mais sobre esses marcos. No fim dos anos 1950 e na década de 1960, os sistemas
clínicos (ciência aplicada) começam a ganhar forma, e surgem as terapias cognitivas. A tradição filosófica
tratou do tema do funcionamento da mente, da consciência, com base em seus métodos, que
fundamentalmente englobam o manejo da palavra, a elaboração de ideias, a lógica, a dialética, mas não a
experimentação.
Como você viu na cronologia sobre os marcos históricos,
Wilhelm Wundt demarcou o primeiro laboratório de
Psicologia. Curiosamente, os objetos de estudo são os
processos elementares da percepção e a velocidade de
processos mentais. Isso não quer dizer que Wundt rompeu
com a Filosofia, mas buscou demarcar a Psicologia como
uma ciência experimental. Seu método de estudo era a
introspecção.
Percepção e velocidade de processamento da informação,
são objetos de estudo da Psicologia Cognitiva. Temas que
são abordados desde as escolas funcionalistas e
estruturalistas do século XIX. E segue
Desenvolvimento da Psicologia Cognitiva.
O movimento que ficou conhecido como revolução cognitivista é mais bem identificado, por seus métodos,
pela analogia ao processamento computacional, pelo uso de tecnologia para demonstrar suas teorias, e tem
como marco a conferência no MIT de proeminentes cientistas cognitivos em 1956. 
Edward Chace Tolman.
A formação da Psicologia Cognitiva, contudo, é
demarcada formalmente, pelos historiadores da
Psicologia, nas décadas de 1950 até 1970. 
A Psicologia Cognitiva resgata a história do
estudo da mente que foi negligenciada pela
força do behaviorismo como um sistema teórico
dentro da Psicologia. Para entender o
cognitivismo, é necessário compreender a
história da Psicologia.
Edward Chace Tolman (1886-1959), um
behaviorista, declarou que o behaviorismo de
Watson foi um alívio, pois trazia cientificidade
para a Psicologia, mas não foi um “watsoniano”.
Tolman tentou superar o monismo materialista de Watson (pensamento com hábito). De certa forma, esse
autor estabelece os alicerces para o cognitivismo, pois afirma que aprendizagem não é mudança no
comportamento, mas aquisição de novos conhecimentos/cognições. Apresenta as definições de um
comportamento intencional — tal intencionalidade, embora existente, é um evento particular ao organismo,
uma variável interveniente, e não estaria ao alcance dos instrumentos objetivos da ciência.
Exemplo
Tolman diria, por exemplo, que a fome é a intencionalidade para o comportamento de comer. Isso
significaria ver a mente no comportamento, ou seja, falar da mente sem recorrer a teses mentalistas e a
métodos não científicos. 
O ponto-chave para entender a revolução cognitivista (uma revolução lenta que demorou décadas para se
consolidar) é perceber os esquemas dos modelos behavioristas. As contingências behavioristas descreviam
diretamente a relação entre um estímulo e uma resposta sem a mediação do cérebro e/ou de uma cognição. 
O estímulo discriminativo pode ser compreendido pelo contexto que estabelece a ocasião para o
comportamento ser afetado por suas consequências. Tais consequências são seletivas que ocorrem após o
comportamento e modificam a probabilidade futura de comportamentos equivalentes acontecerem. Punição:
Apresentação de punidores positivos produzidos pela resposta ou a remoção de punidores negativos. Os
punidores são os estímulos, a punição é uma operação (ou processo), e respostas, e não organismos, são
punidas. Um estímulo é um punidor positivo se sua presença reduz a probabilidade da resposta ou um punidor
negativo, se a sua remoção reduz a probabilidade da resposta. Reforço: Apresentação de reforçadores
positivos produzidos pela resposta ou a remoção de reforçadores negativos. Os reforçadores são os
estímulos, o reforço é uma operação (ou processo), e respostas, e não organismos, são reforçados. Um
estímulo é um reforçador positivo se sua presença aumenta a probabilidade da resposta ou um reforçador
negativo, se a sua remoção aumenta a probabilidade da resposta. Por exemplo: Na ocasião da luz do sol
incomodar (estímulo discriminativo) você irá colocar os óculos escuros (resposta) e isso retira o incômodo que
a luz do sol estava causando aos seus olhos. Chamamos isso de um reforçador negativo, ou seja, a
probabilidade de você usar óculos escuros em situações semelhantes no futuro pela retirada de um estímulo
aversivo. 
Observe que, nas contingências behavioristas (respondentes e operantes), a relação entre um estímulo e uma
resposta é direta, não mediada. Nesse modelo teórico, o sistema nervoso era visto como um depositário de
contingências, passivo, que apenas codificava em uma linguagem neural (eletroquímica) e armazenava as
experiências. Uma vez diante de um estímulo eliciador ou discriminante, gerava uma resposta – de fato, “uma
tábula rasa”. 
A inovação do cognitivismo foi buscar compreender as operações internas do organismo, ou seja, estudar o
efeito dos processos cognitivos e como esses medeiam comportamentos. O esquema a seguir ilustra essas
operações:
inovação do cognitivismo
Foco no estudo das variáveis intervenientes.
Operações internas do organismo.
Resumindo
O cérebro, no Cognitivismo, é ativo, coordena e faz a mediação de comportamentos. Para o
behaviorismo, o importante não é saber o que causa os comportamentos, mas explicar e descrever em
que circunstâncias eles acontecem. O cognitivismo quer compreender o que causa um comportamento,
quais as fontes de um comportamento motivado, por exemplo, a criatividade, a arte etc. Na atualidade,
são sistemas teóricos que se complementam. 
Ainda existem profissionais que são behavioristas radicais, pois o Cognitivismo não veio para substituir esse
modelo comportamentalista, mas para ampliá-lo. Na década de 1970, os temas do momento eram o
Cognitivismo e a Computação. Temas discutidos com a mesma intensidade que a civilização debate hoje, no
século XXI, inteligência artificial, automação e as Neurociências. 
Vamos fazer um exercício!
Imagine que um individuo tenha motivação para a arte, a corrente que busca compreender as causas dessa
motivação é chamada de:
a) Behaviorismo
Opa! Resposta errada.
b) Cognitivismo
Parabéns! É isso mesmo. Enquanto o behaviorismo busca explicar as circunstâncias em que um
comportamento acontece, o cognitivismo busca identificar as causas de determinado
comportamento.
Os principais representantes da Psicologia Cognitiva e
suas contribuições
A Neurociência Cognitiva, a Psicofisiologia e a Computação, na era informacional, constituem um Zeitgeist.
Não se trata de estabelecer um monismo materialista e reduzir os eventos comportamentais e os processos
cognitivos em termos físico-químicos — até porque os modelos computacionais e das Neurociências não
conseguem explicar tudo —, mas sim de superar uma influência do dualismo e do realismo como uma base
epistemológica presente na história da Psicologia e desenvolver um olhar mais integrativo. 
Para chegarmos até aqui, no que chamamos de Psicologia Cognitiva, muitos pesquisadores somaram esforços
em um movimento histórico e epistemológico. Não necessariamente eram psicólogos ou estavam envolvidos
em uma revolução cognitiva, apenas estavam fazendo ciência que fosse útil para o Zeitgeist que vivenciavam
em suas épocas.
Os principais nomes da Psicologia Cognitiva
Conheça alguns dos principais nomes da Psicologia Cognitiva e a contribuição de seus trabalhos.
Conteúdo interativo
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Comparação dos métodos de pesquisa na Psicologia
Cognitiva
Existe uma Ciência Cognitiva e uma Psicologia Cognitiva. A Ciência Cognitiva inclui a Psicologia Cognitiva, mas
também outros modelos com interesses e métodos de investigação distintos. São modelos que se
complementam em certos contextos e estudos, mas também divergem. Podemos identificar algumas
abordagens da Ciência Cognitiva:
Psicologia Cognitiva Neuropsicologia
Neurociências Ciência Cognitiva Computacional
O método das Neurociências
As Neurociências buscam evidências de como a interação

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