Prévia do material em texto
PRINCIPAIS BACTÉRIAS GRAM-POSITIVAS E GRAM-NEGATIVAS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA: ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO Considerando os cocos gram-positivos (CGP), três gêneros têm importância clínica. Estafilococo: cacho de uva Estreptococo: em cadeia longa Diplococos: em dupla A: S. aureus (Morfologia típica de estafilococos em “cacho de uva”); B: S. pneumoniae (Morfologia em diplococos); C: E. faecalis (Morfologia típica de estreptococos “Em fileira”). COCOS GRAM-POSITIVOS Staphylococcus sp. S. aureus S. epidermidis S. saprophyticus S. lugdunensis Streptococcus sp. S. pyogenes S. pneumoniae S. agalactiae Streptococcus do grupo viridans Enterococcus sp. E. faecalis E. faecium Os Staphylococcus spp. São anaeróbias facultativas e catalase positivas. Diferenciando apenas estafilococos coagulase positiva (S. aureus) dos estafilococos coagulase negativa (todos as demais espécies). Staphylococcus aureus Poder patogênico, que causa desde simples infecções (furúnculos e espinhas) até infecções mais graves (endocardite, septicemia, síndrome do choque tóxico). PRINCIPAIS PROPRIEDADES DO S. AUREUS Espécie Origem Histórica Doenças S. aureus Aureus, dourado ou amarelo; as colônias de S. aureus podem ficar amarelas com o tempo. Infecções pirogênicas em geral; infecções mediadas por toxinas. S. epidermidis Epidermidis, epidermidis (pele). Infecções oportunistas (p.ex., infecções associadas ao uso de cateteres, infecção em um local onde foi introduzido um corpo estranho, como por exemplo uma válvula cardíaca artificial [endocardite subaguda]) S. saprophyticus Saprophyticus: sapros, pútrido; phyton, planta (saprofítico ou que cresce em tecido morto) Infecções do trato urinário, particularmente em mulheres jovens e ativas sexualmente S. lugdunensis Lugdunensis: Lugdunun, nome de leão em latim, animal em que a bactéria foi inicialmente isolada. Endocardite aguda em pacientes com válvulas cardíacas naturais. Capacidade para crescer em condições aeróbias e anaeróbias, em um amplo intervalo de temperaturas e na presença de altas concentrações de sal; Cápsula: polissacarídica que protege as bactérias da fagocitose. Proteínas de superfície celular (proteína A, proteínas que são fatores de aglutinação bacteriana) responsáveis pela adesão das bactérias aos tecidos do hospedeiro. Catalase: que protege os estafilococos dos peróxidos produzidos pelos neutrófilos e macrófagos Enzimas hidrolíticas e citotoxinas: Toxinas: As doenças causadas pelo S. aureus são classificadas em dois grupos: (1) Piogênicas localizadas ou “produtoras de pus”, que são caracterizadas por destruição tecidual, provocada por enzimas hidrolíticas e citotoxinas; (2) Causadas por toxinas, que funcionam como superantígenos que provocam manifestações sistêmicas Doenças Piogênicas Doenças provocadas por toxinas: Coagulase: converte o fibrinogênio em fibrina insolúvel que forma coágulos e pode proteger o S. aureus da fagocitose. Lipases, nucleases e hialuronidase que causam destruição tecidual. Citotoxinas (alfa, beta, delta, gama, leucocidina) que lisam hemácias, neutrófilos, macrófagos e outras células do hospedeiro. Enterotoxinas (muitas antigenicamente distintas) são termoestáveis e ácido-resistentes, responsáveis por intoxicação alimentar Toxinas esfoliativas A e B, provocam descamação da pele (síndrome da pele escaldada). Toxina da síndrome do choque tóxico, é resistente ao calor e a proteases, e é responsável por uma patologia envolvendo múltiplos órgãos. Impetigo: infecção cutânea localizada, caracterizada por vesículas cheias de pus sobre uma base avermelhada ou eritematosa; Foliculite: impetigo envolvendo os folículos pilosos, como os da barba. Furúnculos (abscessos) e carbúnculos: grandes nódulos cheios de pus; Infecções de ferida: caracterizadas por eritema e pus em locais de trauma ou cirurgia; Pneumonia: formação de abscessos nos pulmões; Endocardite: infecção do endotélio cardíaco; pode progredir rapidamente e está associada a uma alta taxa de mortalidade. Osteomielite: destruição óssea Artrite séptica: infecção das articulações, caracterizada por inchaço, vermelhidão, com acúmulo de pus; Intoxicação alimentar Síndrome da pele escaldada: bactérias em uma infecção localizada produzem a toxina que se espalha pelo sangue, provocando a formação de bolhas e descamação da epiderme; Síndrome do choque tóxico: bactérias em uma infecção localizada produzem a toxina que afeta vários órgãos; caracterizada inicialmente por febre, hipotensão e uma erupção eritematosa macular difusa DESCRIÇÃO DOS PADRÕES DE HEMÓLISE CARACTERÍSTICOS PARA A DIFERENCIAÇÃO DOS STREPTOCOCCUS SPP. Alfa-hemólise (α): é caracterizada por uma hemólise parcial, associada com a perda parcial de hemoglobina pelas hemácias, ocorrendo uma zona cinza-esverdeada no meio de cultura ao redor da colônia. Streptococcus pneumoniae caracteriza-se por produzir este tipo de hemólise. Beta-hemólise (ß): é caracterizada pela lise completa das hemácias que rodeiam a colônia, ocorrendo uma zona transparente (zona de lise total) ao redor da colônia. Streptococcus pyogenes realizam esse tipo de hemólise. Gama-hemólise (γ): é caracterizada pela ausência de hemólise. Cepas desses microrganismos não hemolíticos, ou d-hemolíticos, não causam modificação no meio de ágar sangue de carneiro. Exemplo: Enterococos. A: Todos conjuntamente. B: Beta-hemólise. C: Alfa-hemólise. D: Gama-hemólise. Espéci es Hem ólise Habi tat Doença Grupo A Β Farin ge e pele Infecções primárias, faringites, septicemia, impetigo. Sequelas de infecções: febre reumática, endocardite e glomerulonefrite. S. pyoge nes Grupo B α, β, γ Farin ge e vagi na Endocardites, pneumonia, infecções neonatais (meningite, septicemia e pneumonia). S. agalac tiae Grupo C α, β Farin ge, vagi na e pele Endocardite, febre puerperal e infecções de feridas. S. equi S. equisi milis S. dysgal actiae Grupo D - não entero cocos α, β Intes tino gros so Infecções urinárias, abscessos pelvianos peritonites, endocardites e infecções de feridas. S. bovis S. equinu s Grupo D – Entero cocco s α, β, γ Intes tino gros so Infecções urinárias, abscessos pelvianos peritonites, endocardites e infecções de feridas. S. faecali s S. faeciu m S. duran s Grupo F Β Boca , dent e e farin ge Sinusites, cárie dentária, abscessos cerebrais, pneumonia e meningite. S. aginos us Grupo G Β Farin ge, vagi na e pele Infecções de feridas e endocardites. Strept ococcu s Grupo H Α Boca , dent e e farin ge Septicemia, endocardites, Cárie dentária, sinusite. S. sangui s Grupo K Α Farin ge e Septicemia, endocardites, S. pyogenes As doenças causadas por este microrganismo são subdivididas em supurativas (caracterizadas pela formação de pus) e não supurativas. S. agalactiae São mais comuns em recém-nascidos, adquiridas durante a gestação ou durante o trabalho de parto, e estão associadas a uma alta mortalidade ou sequelas neurológicas importantes Meningite, pneumonia e sepse neonatal são infecções graves que podem acometer os neonatos nascidos de mães que são colonizadas por esse tipo de estreptococo. S. pneumoniae (pneumococo) É o membro mais importante dos alfa-hemolíticos porque é uma das causas mais comuns de um espectro de doenças: pneumonia, meningite, otite e sinusite Enterococcus São bactérias amplamente distribuídas na natureza, fazem parte da microbiota normal do ser humano, principalmente do trato gastrointestinal. São cocos Gram-positivos agrupados em cadeia, anaeróbios facultativos e de catalase negativa. ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO Os isolamentos dos cocos gram-positivos não apresentam muitas dificuldades, crescem bem em ágares não seletivos, como Ágar sangue de carneiro e Ágar chocolate. boca meningite, sinusite. Strept ococcu s pneum oniae Α Farin ge, boca e traq uéia Otite, endocardites, septicemia, meningite e pneumonia. As doenças supurativasvariam de faringite a infecções localizadas da pele e de tecidos moles, até fascite necrosante (também conhecida por gangrena estreptocócica hemolítica) e síndrome estreptocócica do choque tóxico. As doenças não supurativas são complicações autoimunes que ocorrem após a faringite estreptocócica (febre reumática e glomerulonefrite aguda) e infecções piodérmicas (apenas glomerulonefrite aguda). A diferenciação entre estreptococos e estafilococos é baseada na morfologia que apresentam em meios líquidos. Sendo o estreptococo uma cadeia normalmente longa e os estafilococos mostrando-se em forma de cocos aos pares, em cachos de uva ou agrupados. A principal prova para diferenciar os cocos gram-positivos é a prova da catalase. Com a alça bacteriológica ou com um palito, coleta-se o centro de uma colônia suspeita e esfrega-se em uma lâmina de vidro. Em seguida, coloca-se sobre este esfregaço uma gota de água oxigenada a 3% e observa-se se há formação de bolhas. Para a família Microccocacea (estafilococos), a prova é geralmente positiva, enquanto que para a família Streptococcacea (estreptococos), é negativa. DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS TESTES BIOQUÍMICOS PARA A IDENTIFICAÇÃO DE COCOS GRAM- POSITIVOS Cocos Gram-positivos Prova Bioquímica Características Staphylococcus Teste da resistência a Novobiocina Realizado em cepas coagulase negativas. As cepas de S. saprophyticus são resistentes. Prova da Coagulase (Lâmina ou tubo) Positividade identifica S. aureus Teste Dnase Positividade identifica S. aureus Crescimento em ágar manitol Positividade identifica S. aureus Streptococcus Teste da bacitracina Positividade identifica S. pyogenes Teste de CAMP Positividade identifica S. agalactiae Teste de Hipurato Positividade identifica S. agalactiae PYR Positividade identifica S. pyogenes ou Enterococcus Teste da Optoquina Positividade identifica S. pneumoniae Teste da Bile solubilidade Positividade idenfitica S. pneumoniae Enterococcus Bile esculina Positividade identifica Entecococcusspp Crescimento em BHI + NaCl 6,5% Positividade identifica Entecococcusspp