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GÊNERO CONTOS: LEITURA DELEITE, NUMA TURMA DO 1° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DOS ANOS INICIAIS INTRODUÇÃO Um dos grandes desafios do professor de educação básica é despertar no aluno o gosto pela leitura. Não somente a leitura baseada na decifração dos códigos linguísticos, mas acima de tudo, ter hábitos de ler por prazer, com vontade e sabendo o que está lendo. A prática da leitura informa, aprimora o vocabulário, dinamiza o raciocínio e a interpretação, levando aqueles que dela fazem uso, a ver o mundo com outros olhos. No entanto, ler por prazer, é desafiante. Esse desafio é ainda maior, perante os avanços tecnológicos no qual a sociedade está inserida. Neste contexto, os alunos estão acostumados a ter respostas através de um clique e sentem-se desmotivados à uma boa leitura. (SANTOS et al, 2021). O presente estudo aborda a importância da leitura dentro de um contexto prazeroso, que ao mesmo tempo proporcione aprendizado e satisfação. Dentro deste contexto questiona-se: até que ponto os educandos do 1° Ano sente deleite ao participarem de rodas de leitura sobre o gênero Contos? Neste sentido o presente trabalho tem como objetivo geral: Acompanhar reações e expressões dos educandos da turma, ao escutar a professora na contação de histórias do gênero Contos. E como específicos: Verificar atitudes e comportamentos dos educandos ao escutarem Conto, XXXXX, XXXXX. Os procedimentos metodológicos ocorreram através do estudo bibliográfico sobre o caso, buscando entender o que já existe de escrito sobre o assunto e através dele fundamentar e criar uma nova pesquisa, mas também com a pesquisa de campo, buscando entender a temática questionada, através da prática diária de uma sala de aula do 1º ano do ensino fundamental, suas reações e motivações, diante da proposta de trabalho. OS CONTOS COMO INSTRUMENTO PEDAGÓGICO DURANTE A APRENDIZAGEM A leitura é um processo importante para o desenvolvimento infantil. Nos últimos anos, percebe-se que há uma falha progressiva na tentativa de formar bons leitores, leitores fluentes. Por essa razão existe programas e cobranças para que as escolas alfabetizem até o segundo ano do ensino fundamental. Nesta perspectiva de leitura, os contos infantis, entram como algo que pode desenvolver o gosto pela leitura, a partir de um contexto não forçado. A leitura deleite faz parte do programa PNAIC, é uma leitura realizada sem cobranças, sem compromisso, simplesmente pelo prazer de ler. O aluno, e o professor degusta essa leitura. Pode ser realizado no início ou no final da aula. A leitura deleite pode ser realizada de diversas maneiras: pelo professor, pelo aluno, por grupos de alunos, em outros ambientes para não se tornar monótona (MELO, 2020). A leitura é sem dúvidas uma prática capaz de propiciar diversos benefícios para o desenvolvimento. Quando mais cedo os estímulos, mais probabilidade de ocasionar impactos positivos na vida da criança. A leitura possibilita ampliar o repertório cultural, favorecendo as crianças lidar com diversas situações do dia a dia. Desde cedo somos introduzidos nessa cultura, mas é quando frequentamos a escola que aprendemos de forma sistematizada. A leitura é uma das formas de inserir o indivíduo na sociedade, pois possibilita, enxergar e compreender as coisas a sua volta através do que se leu (MELO, 2020). Soares, 2012, p. 48, coloca a leitura como sendo: Um conjunto de habilidades e comportamentos que se estendem desde simplesmente decodificar sílabas ou palavras até ler Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa... uma pessoa pode ser capaz de ler um bilhete, ou uma história em quadrinhos, e não ser capaz de ler um romance, um editorial de jornal... [...] Diante da necessidade de formação de bons leitores, estimular as crianças a fazer desse momento algo prazeroso é de fundamental importância, uma vez que se percebe, que grande parte das pessoas apresentam uma grande dificuldade para ler e compreender o que leu. É preciso mostrar que há um vasto e diversificado tipo de leitura e que o leitor pode escolher de acordo com seu gosto pessoal e aquilo que se adeque as suas necessidades. Neste contexto de leitura de deleite, existe uma grande contribuição dos livros literários. A leitura realizada nesse tipo de livro possibilita estimular o lúdico, a fantasia, a imaginação e estreita uma conexão entre aquilo que é ficção e a realidade. PAULO FREIRE A obra de Paulo Freire é sem dúvida uma das mais provocadoras reflexões educacionais. Ela promove uma contínua reflexão, ação que leva o indivíduo a ver a realidade de uma outra maneira. Nesta obra em especial, ele se debruça em trazer sua trajetória de alfabetização na infância e também relatos de sua pedagogia utilizada em adultos em fase de alfabetização. Aqui compreende-se a profundidade e a necessidade de entender a palavra mundo. Como ele mesmo colocou: “a palavra mundo precede a leitura da palavra”. Paulo Freire relata sua aprendizagem de infância em meio a natureza, utilizando-se do que nela havia e partindo dessas palavras para sua alfabetização. Para ele, a maneira que foi alfabetizado com palavras de seu mundo, deram ao seu aprendizado, real significado. “Fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo”. Na sua perspectiva de ensino, Freire critica a chamada escola tradicional, “bancaria” (nas palavras dele), que utiliza apenas métodos de decoração e reprodução automática. Neste contexto, cria-se um distanciamento enorme entre a vida real e o que se aprende na escola. Percebe-se que nesta obra que Freire, já trazia a pauta sobre a importância da alfabetização atrelada ao letramento, tão defendido por Magda Soares. A proposta de Freire é que seja uma metodologia que busque promover um diálogo reflexivo, entre autor e leitor. Trata-se de algo que se inicia, antes mesmo da alfabetização propriamente dita, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra. ATITUDES E COMPORTAMENTOS DOS EDUCANDOS DAS HISTÓRIAS CONTADAS Para verificação do comportamento dos alunos diante dos contos, utilizou-se de 9 histórias de Contos Infantis. A escolha do gênero surgiu por ser algo de grande interesse das crianças. Esse tipo de gênero consegue fazer uma ligação entre o real e o imaginário, e leva o aluno a refazer o caminho dos acontecidos de forma crítica. As histórias escolhidas foram: Chapeuzinho Vermelho, O Patinho Feio, Rapunzel, Soldadinho de Chumbo, O Gato de Botas, O Mágico de Oz, A Nova Roupa do Rei, A Bela e a Fera e Cinderela. Cada história foi contada durante uma semana. Cada dia lia-se uma parte da história, para aguçar a o pensamento e vontade da criança em querer saber o final. De início houve uma conversa com as crianças mostrando o que seria feito nos próximos dias com relação a leitura. Realizou-se um levantamento sobre os conhecimentos prévios dos alunos, questionando-os se sabem o que são contos de fadas, quais contos eles já conhecem, qual favorito. Em todas as histórias, para iniciar a leitura explorou-se a capa do livro, autores, detalhes ilustrativos presente na capa. Toda história foi lida de forma colaborativa, no qual os alunos expressavam-se oralmente de acordo com seu conhecimento. A partir das leituras lidas, eram realizadas atividades de palavras, reconto, colagens etc, em torno dessa história. No último dia sempre era sorteado um aluno para fazer o reconto, mas toda a turma interagiu de forma participativa, inclusive cantado músicas, representando através de desenho, dramatizando etc. Dentre os contos lidos, uma das mais que chamou a atenção foi a do Patinho Feio. Após apresentar a proposta, já houve um diálogo entre eles. Alguns afirmando que já assistiram a história, outros antecipando de que não se trata de um pato, mas sim de um cisne, pois os patos são amarelos e os cisnes brancos. Com essa história, os alunos não só identificaram os personagens como analisaram cenários, conflitos e sentimentos presentes. Ao realizar uma análise sobre os sentimentose emoções envolvidos da história, as crianças conseguiram trazer emoções do dia a dia para o ambiente de discussão, enfatizando a importância do respeito, identificando e valorizando as características individuais de cada aluno, promovendo o acolhimento de todos. Foi possível notar que há uma empolgação muito grande por parte das crianças nas leituras de contos. Elas deixam a imaginação fluir, recontam, recriam, e aprendem trazendo para suas vivências aquilo que é real, e deixando no imaginário o que não é. Os sentimentos, medos, situações de angústia e alegria presente nas histórias, são coisas que fazem parte do cotidiano desde a infância. E mesmo inconsciente as crianças procuram referências para seu crescimento pessoal é tanto que a maioria dos contos apresentados já era de conhecimento de todos. Neste sentido, a linguagem imaginativa, coloca a criança de frente com questões reais e imaginárias, próprias de sua idade. Os contos possibilitam fazer boas explorações, inclusive mantendo a criança em contato com outras épocas e realidades diferenciadas. Lembrando que a medição feita pelo professor, é essencial, começando pelo aguçamento em querer ouvir ou ler a história e depois nos momentos de exploração. A leitura dos contos, foi utilizada para além do deleite, no entanto, via-se prazer em ouvir e participar dos acontecimentos. Oliveira et al (2021, p. 4), enfatiza: É importante ressaltar que as crianças não são somente receptoras de informações, elas possuem hipóteses e ideias do meio em que vive por isso que o trabalho com o desenvolvimento da leitura não pode ser visto como um processo mecânico, realizado por meio de repetição ou memorização, mas, um processo que busca a interação e novas descobertas de aprendizagens. Com a experiência de trabalhar a leitura de deleite, foi possível perceber que além de ler com prazer, a aprendizagem tornou-se mais significativa e envolvente. Formar bons leitores, requer compromisso e dedicação para desenvolver no aluno, não só a capacidade de ler, mas também o gosto (OLIVEIRA et al, 2021). Referencias FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 46 ed. São Paulo, Cortez, 2006. MELO, Silmara Francisca dos Santos de. O problema do baixo domínio na leitura e escrita no Brasil: análise de metodologia e práticas pedagógicas do cotidiano escolar- 2020. Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/7571. Acesso em: 05 de jul. 2024. SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo horizonte: Autêntica, 2012. SANTOS, R. B. O. .; OLIVEIRA, H. C. de; CARVALHO, J. de J.; JORGE, R. S. .; GUIMARÃES, E. O. .; CUNHA, I. M. da S. .; FURTUNATO, K. V. .; QUEIROZ, N. R. de .; SILVA, K. S. B. da. The importance of reading in the classroom. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 4, p. e33510414129, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i4.14129. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/14129. Acesso em: 8 jul. 2024.