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Hipotermoterapia: Efeitos e Agentes

Aula 4 de Eletrotermofototerapia sobre hipotermoterapia: aborda efeitos fisiológicos e terapêuticos do frio; principais agentes de crioterapia; indicações, contraindicações e precauções; e detalha efeitos hemodinâmicos (vasoconstrição, fluxo sanguíneo), reflexos simpáticos e termorregulação.

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ELETROTERMOFOTOTERAPIA 
Aula 4 : Hipotermoterapia
Apresentação
Nesta aula, compreenderemos como a aplicação do frio afeta os tecidos humanos, seus efeitos �siológicos e
terapêuticos. Analisaremos os principais agentes da crioterapia, suas indicações, contraindicações e precauções.
O objetivo dessa aula é que o aluno entenda como os agentes de resfriamento atuam em diferentes tecidos e patologias, e
desenvolva um pensamento crítico na escolha do melhor recurso para a aplicação clínica.
Objetivos
Descrever os efeitos �siológicos e terapêuticos do frio;
Identi�car os principais agentes de crioterapia;
Analisar as indicações, contraindicações e precauções de uso dos agentes hipotermoterapêuticos.
Hipotermoterapia
Classi�camos como hipotermoterapia a aplicação terapêutica de qualquer
substância ao corpo que resulte em remoção do calor, diminuindo a
temperatura dos tecidos.
Alguns autores ainda utilizam o termo crioterapia, que signi�ca um conjunto
de técnicas que utilizam o frio como terapia e não só uma técnica de
aplicação de gelo. Conjuntamente com a hipertermoterapia, a terapia pelo
frio representa seguramente a mais antiga aplicação terapêutica de agente
físicos. 
Utilizamos a crioterapia principalmente para promover vasoconstricção e analgesia, diminuir o metabolismo, o edema e a
espasticidade. O frio facilita a contração muscular, aumenta o limiar de dor e apresenta efeitos terapêuticos devido a seus
efeitos �siológicos, tais como: Efeitos hemodinâmicos, neuromusculares, metabólicos e na diminuição da velocidade de
condução nervosa.
É de suma importância que o �sioterapeuta conheça os efeitos �siológicos e terapêuticos dos agentes térmicos que diminuem
a temperatura do tecido. Vamos abordar agora cada um deles.
Efeitos �siológicos e terapêuticos do frio
A crioterapia tem como objetivo reduzir a temperatura tecidual, diminuindo o metabolismo local e a necessidade de consumo
de oxigênio pelos tecidos. Esse processo depende da diferença de temperatura entre o agente de resfriamento e os tecidos.
A crioterapia não causa somente mudanças locais na parte resfriada, mas também alterações sistêmicas gerais como no
processo de termorregulação corporal. Geralmente os efeitos �siológicos e terapêuticos da crioterapia são opostos àqueles
produzidos pelo uso do calor.
 Efeitos �siológicos
 Clique no botão acima.
Efeitos hemodinâmicos
Quando o frio é aplicado sobre a pele, causa diminuição imediata do diâmetro dos vasos sanguíneos, chamada de
vasoconstrição. Essa diminuição da permeabilidade dos poros dos capilares reduz o �uxo sanguíneo.
A aplicação do frio causa vasoconstrição cutânea direta e indiretamente. A ativação dos receptores de frio da pele
estimula diretamente a contração do músculo liso das paredes dos vasos sanguíneos. O resfriamento do tecido
indiretamente diminui a produção de substâncias reguladoras da vasodilatação, como a histamina e as
prostaglandinas, levando a uma diminuição da vasodilatação.
A diminuição da temperatura tecidual causa ativação re�exa dos neurônios adrenérgicos simpáticos, causando
vasoconstrição da área exposta ao frio e, consequentemente, diminuição do �uxo sanguíneo. A vasoconstrição e a
diminuição do �uxo sanguíneo são mais intensas no local em que é aplicado o frio.
Acredita-se também que a redução do �uxo sanguíneo ocorre devido ao aumento da viscosidade do sangue, pois há
um aumento da resistência ao �uxo.
 
Como o diâmetro dos vasos serve também para conservar calor?
Comentamos na aula 3 que a musculatura lisa dos vasos sanguíneos no nosso corpo está controlada pelo sistema
nervoso simpático, sob o controle do hipotálamo. Se a temperatura diminuir, o hipotálamo ativa seletivamente os
neurônios simpáticos que inervam os vasos sanguíneos cutâneos, ocorrendo uma contração desses vasos e a
diminuição de seu diâmetro.
Em seguida há um aumento da resistência ao �uxo sanguíneo e o desvio do sangue para os vasos de baixa resistência
no interior do corpo. Esse processo mantém o sangue no centro do corpo aquecido e longe da superfície da pele
resfriada, reduzindo a perda de calor.
O corpo então reduz o �uxo sanguíneo em resposta ao resfriamento para proteger áreas da queda excessiva de
temperatura e equilibrar a temperatura corporal central, pois quanto menos sangue circular pela área que está
resfriada menor será o efeito de resfriamento em outras áreas.
Ainda há muita dúvida no que diz respeito aos efeitos do frio sobre o diâmetro dos vasos. Estudos relataram que
ocorre uma vasodilatação após a vasoconstrição imediata, chamada de vasodilatação induzida pelo frio (VIF), que
ocorre quando o resfriamento tecidual é mantido por um longo período ou quando a temperatura do tecido está abaixo
de 10°C.
Outros estudos mostraram que após a retirada do agente hipotérmico a vasoconstrição permanece por um período, e
se observa uma dilatação dos vasos, e não uma vasodilatação. O que se vê é uma redução parcial da vasoconstrição;
o diâmetro do vaso após a terapia não ultrapassa seu diâmetro inicial, ele não aumenta em relação a antes do
resfriamento.
 
Efeitos metabólicos
A diminuição da temperatura leva a uma redução das reações metabólicas. Esse efeito é bené�co em tecidos com
lesão aguda, pois os ajuda a ter uma condição de sobrevivência maior, bem como um reparo mais rápido da lesão. 
Quando aplicamos o frio, há um decréscimo do metabolismo, com redução da necessidade de oxigênio e nutrientes
para a sobrevivência das células na área tratada. Há também uma diminuição de células destruídas por falta de
oxigênio (hipóxia), o que auxilia na limitação do grau da lesão.
 
Efeitos neuromusculares
A diminuição da temperatura reduz a velocidade de condução nervosa, podendo contribuir para o controle da dor,
alteração da força muscular, diminuição da espasticidade e facilitação da contração muscular (crioestimulação).
A aplicação do frio pode diminuir a velocidade de transmissão de impulsos nervosos, tanto de nervos sensitivos como
motores; depende do grau e da duração da variação da temperatura. Observa-se a queda na velocidade de condução
nervosa quando a crioterapia foi aplicada por cinco minutos ou mais.
A crioterapia pode diminuir a espasticidade temporariamente, pois reduz a sensação de dor, que diminui o limiar das
terminações nervosas aferentes. Também diminui a atividade dos neurônios motores gama, com efeito direto sobre a
sensibilidade dos fusos musculares (que regulam a variação do comprimento das �bras) e dos órgãos tendíneos de
Golgi (relacionados à intensidade da contração). Essa técnica da aplicação do frio é chamada de crioinibição.
Uma breve exposição ao frio não consegue diminuir a temperatura muscular, mas pode facilitar a atividade de
neurônios motores alfa para produzir contração no músculo �ácido devido à disfunção de neurônios motores
superiores.
A estimulação da contração dos músculos pela crioterapia é chamada de crioestimulação. A diminuição da atividade
dos neurônios motores gama após curta aplicação de frio pode estar relacionada à estimulação re�exa dos
termorreceptores cutâneos.
Entretanto, após uma aplicação mais prolongada do frio, entre 10 a 30 minutos, foi observada uma diminuição da
temperatura muscular, da espasticidade e uma redução da resistência à mobilidade passiva, que está relacionada à
diminuição da descarga de impulsos aferentes dos fusos musculares.
Esses efeitos podem durar por uma hora, sendo então vantajoso aplicar a crioterapia por até 30 minutos antes de
outras intervenções para reduzir a espasticidade. Observou-se também um decréscimo na redução da força gerada
pela contração muscular devido a uma atividade reduzida dos neurônios motores gama.
As �bras musculares de contração rápida têm sua capacidade de contração diminuída, pois são mais susceptíveis ao
resfriamento.
A diminuição da temperatura muscular reduz a capacidade de trabalho muscular, pois a diminuição do �uxo sanguíneo
pode levar a um acúmulo intenso de metabólitos, a uma conduçãonervosa mais lenta dos nervos motores e a um
aumento da viscosidade muscular. Além disso, pode causar uma rigidez das estruturas articulares ou de partes moles.
Controle da dor
A crioterapia afeta a percepção e a transmissão da dor. O uso do frio aumenta o limiar de dor pois pode bloquear parcial ou
totalmente a transmissão dos impulsos nervosos ao córtex cerebral, causando assim efeitos analgésicos.
A diminuição da dor causada indiretamente pela crioterapia tem efeitos pela diminuição da causa, seja por espasmo muscular,
já mencionado, ou redução do edema. O edema pode comprimir terminações nervosas ou outras estruturas sensíveis à
pressão.
Saiba mais
Para se obter efeitos terapêuticos bené�cos, a temperatura da pele deve diminuir para aproximadamente 13,8°C, para a
redução do �uxo sanguíneo ideal, e para 14,4°C, para se obter efeitos analgésicos.
Controle da in�amação
O uso da crioterapia é bem difundido quando se necessita controlar os processos in�amatórios agudos e acelerar a
cicatrização da lesão. A diminuição da temperatura reduz a atividade das reações químicas decorrentes da resposta
in�amatória aguda, diminuindo os principais sinais da in�amação, como o calor, o rubor, o edema, a dor e a perda da função.
Reduz-se diretamente o calor associado à in�amação ao diminuir a temperatura na área em que é aplicado o frio. A
vasoconstrição causa diminuição do �uxo sanguíneo; há o aumento da viscosidade do sangue e diminuição da permeabilidade
capilar.
Com isso, há redução do extravasamento de sangue para o espaço intersticial, com diminuição da pressão hidrostática,
diminuição da atividade dos leucócitos e liberação de mediadores in�amatórios. Todos esses efeitos reduzem o rubor e o
edema.
Comentário
Como mencionado, a crioterapia controla a dor ao bloquear a transmissão dos impulsos nervosos. A presença de edema e de
dor associados à in�amação causam perda da função. Recomenda-se que a crioterapia seja aplicada imediatamente após a
lesão e durante toda a fase in�amatória aguda para uma recuperação mais rápida do tecido lesionado.
Controle do edema 
A crioterapia pode ser utilizada para controlar a formação do edema principalmente se ele estiver acompanhado de in�amação
aguda. Quando há in�amação aguda, o edema se forma devido ao aumento do extravasamento de líquido para o espaço
intersticial, como resultado de um aumento da pressão hidrostática e da permeabilidade capilar.
O capilar mais permeável permite que proteínas escapem do plasma para o �uido intersticial, diminuindo a pressão
coloidosmótica do plasma e aumentando as proteínas intersticiais. Quando há mais proteínas fora do vaso sanguíneo do que
dentro, há saída de líquido. Esse líquido não consegue voltar para o interior do vaso e vai se acumulando, gerando assim o
edema.
A crioterapia reduz a pressão hidrostática capilar por causa da vasoconstrição e da diminuição do �uxo sanguíneo, bem como
reduz a liberação de mediadores in�amatórios, como a histamina e as prostaglandinas, diminuindo assim a permeabilidade
capilar.
Caso a crioterapia seja aplicada junto com o repouso, a elevação e a compressão do membro lesionado, o controle da
formação do edema será mais e�ciente. Essa técnica auxilia no retorno do líquido que está fora dos vasos (ou seja, no espaço
intersticial) para dentro dos capilares linfáticos.
A associação dessas quatro abordagens é conhecida como RICE, com as iniciais dos termos em inglês: Rest, Ice, Compression,
Elevation.
 Método RICE Fonte: https://www.shutterstock.com/image-vector/ rest-ice-compression-elevation-rice-used-509678419
Reparo tecidual
Como mencionado, o frio diminui o ritmo das reações metabólicas nas fases in�amatórias agudas e auxiliam no processo
cicatricial, diminuindo todos os sinais de in�amação. A crioterapia deve ser interrompida quando há resolução da fase
in�amatória aguda para não alterar a cicatrização.
Entretanto, se o processo cicatricial estiver nas fases proliferativa ou de remodelamento, não se recomenda a utilização da
crioterapia, pois a atividade de enzimas como a colagenase, elastase e outras proteases, que degradam as proteínas, é inibida
quando diminuímos a temperatura tecidual.
Se recomenda a intervenção pelo frio em doenças articulares in�amatórias, como a artrite reumatoide ou osteoartrite, quando
se deseja prevenir ou reduzir o processo de degradação de colágeno.
 Aumento de amplitude de movimento articular
 Clique no botão acima.
A utilização do frio para o aumento da amplitude articular ainda é incerta. O aumento do limiar de dor e a diminuição
da velocidade de condução nervosa auxiliam no alongamento muscular; entretanto, o frio pode diminuir a
extensibilidade do colágeno, reduzindo a �exibilidade muscular.
A aplicação estática do frio sobre a pele induz a um resfriamento progressivo dos tecidos da superfície até os tecidos
profundos. Ocorre a vasoconstrição, seguida do resfriamento da camada de gordura subcutânea, que funciona como
isolante térmico, impedindo o resfriamento rápido.
Para se resfriar o tecido muscular, deve-se levar em conta a espessura da camada de gordura. Por exemplo, em
indivíduos magros gasta-se menos tempo do que em indivíduos obesos para que haja esse resfriamento.
Além disso, demora um período para reaquecer o músculo após a aplicação do frio. Quando o músculo é resfriado, há
uma redução do �uxo sanguíneo. O aquecimento por aumento desse �uxo não ocorre rapidamente, pois a troca com o
tecido super�cial, que está aquecido, também é impedida pela camada de gordura.
Principais técnicas e agentes de hipotermoterapia
Com a evolução dos estudos na aplicação do frio como terapia, vários agentes e técnicas foram sendo acrescentados. Quando
aplicamos o frio, a ordem típica de sensações é: Frio intenso, queimação, dor, analgesia e perda da sensação tátil (dormência).
Abordaremos agora os principais agentes e técnicas de crioterapia, bem como suas indicações, contraindicações e
precauções.
Técnica de aplicação da crioterapia – aspectos gerais
Compressa fria
Podemos aplicar a compressa fria de várias formas ao nosso corpo. Geralmente, o tempo de aplicação varia de 15 a 30
minutos e pode haver repetição, caso necessário, devendo respeitar um intervalo de duas horas, no mínimo.
Bolsa plástica ou toalha com gelo moído
ou em cubos
É a técnica mais utilizada em lesões agudas e de fácil
aplicação, principalmente pelos pacientes em seus
domicílios. Consiste em um saco plástico ou toalha
contendo gelo triturado (ou em cubos) no seu interior.
É recomendado que o gelo seja moído, pois se molda
melhor à superfície do corpo em que será aplicado,
possibilitando um resfriamento mais rápido da área como
um todo. O tempo de aplicação gira em torno de 20
minutos. Geralmente, coloca-se uma toalha entre a pele do
paciente e a bolsa de gelo.
Podemos também preparar compressas frias com o auxílio
de uma toalha molhada em água fria (com cubos de gelo) e
dobrá-la em forma de compressa. Aplicamos diretamente
sobre o local.
Bolsa plástica com gelo
Bolsa de termo gel:
Bolsa de termogel ou bolsa reutilizável
de gel frio
De vários tamanhos, a bolsa de gel consiste em um
recipiente de vinil ou material plástico preenchida com uma
substância gelatinosa feita de sílica, com propriedades
anticongelantes, capaz de absorver e manter a temperatura
baixa. Esse gel impede que a água se solidi�que, mantendo
a bolsa �exível e moldável à área a ser tratada.
Até ser utilizada, a bolsa é armazenada no congelador a
uma temperatura abaixo de 0°C. Quando utilizada na
crioterapia, essa temperatura se mantém por um período de
aproximadamente 30 a 60 minutos.
Entretanto, no mercado existem produtos que não
conseguem manter essa temperatura; nesse caso,
recomenda-se que sejam trocadas a cada 10 minutos, para
que a transferência térmica com o corpo seja e�caz.
O tempo de aplicação gira em torno de 20 minutos.
Cuidados e precauções:
Para se prevenir as lesões causadas pelo frio, recomenda-se a utilizaçãode toalhas ou faixas molhadas entre a bolsa e a pele
do paciente.
Compressa fria química
Consiste em um saco de vinil que possui em seu interior
duas substâncias químicas separadas entre si. Ao apertar a
embalagem, as duas substâncias se misturam, dando início
a uma reação que promove o resfriamento. A temperatura
permanece abaixo de 0°C. Pode ser utilizada em lesões
super�ciais e profundas, com um tempo de aplicação de até
20 minutos, no máximo.
A desvantagem desse método é que essa compressa é
descartável.
Cuidados e precauções:
Devemos tomar cuidado na aplicação dessa modalidade
pois podem ocorrer queimaduras químicas devido a
vazamento dos �uidos, caso o saco esteja dani�cado.
 Compressa química fria
Compressão de frio controlado
Unidade de terapia de frio compressiva
(TFC) ou de compressão de frio
controlado
É um aparelho de refrigeração que bombeia de forma
alternada água e ar frio, que circulam através de um
material almofadado que se adapta ao redor da área a ser
tratada. A compressão é aplicada pelo enchimento
intermitente da almofada com o ar. Essa técnica é
geralmente utilizada em pós cirúrgicos e por atletas.
Também se pode utilizar para controlar a in�amação e o
edema em outras circunstâncias.
Sprays congelantes
O spray é uma técnica de resfriamento rápida que congela
momentaneamente os receptores cutâneos que levam os
estímulos de dor para o córtex cerebral, auxiliando assim no
seu alívio. Pulveriza líquidos que evaporam rapidamente e
resfriam a pele. Antigamente, utilizava-se como líquido o
cloreto etílico, que era altamente in�amável. Hoje o mais
utilizado é �uorimetano, que não é in�amável.
Aplicação de Spray congelante
A redução da temperatura da área na qual é pulverizado o spray é bem rápida, mas pouco duradoura. Geralmente, aplica-se o
spray em uma série de curtos toques de aproximadamente cinco segundos cada, com pouco intervalo entre eles. O bico
pulverizador deve estar entre 30 e 45cm de distância da superfície da pele.
Cuidados e precauções:
- Deve-se tomar cuidado para minimizar a inalação de vapores, especialmente em aplicações na cabeça ou no pescoço;
- Proteger os olhos, principalmente se a aplicação for próxima à face;
- Evitar a exposição do spray a fontes de calor, quando se tratar de um líquido in�amável;
- Os pacientes podem apresentar hipersensibilidade à substância ativa presente no spray; ou seja, pergunte antes de aplicar.
Imersão no gelo
Imersão no gelo ou turbilhão frio
A imersão no gelo, triturado ou não, é uma modalidade
utilizada sobretudo no tratamento das extremidades. A
temperatura da água misturada com gelo deve estar entre
10°C a 15,5°C. A água fornece mais contato com áreas de
contornos irregulares ou de tamanho pequenos, e pode-se
realizar exercícios junto com essa técnica.
Atenção
É uma técnica pouco tolerável pelo paciente, pois há uma grande e contínua exposição ao frio de uma maior superfície
corporal. Podemos imergir o segmento em baldes, banheiras e até associar com o turbilhão, comentado na aula anterior. Deve-
se evitar as posições contra a gravidade em lesões agudas e subagudas para prevenir a formação de edema.
No tratamento de lesões agudas e subagudas, recomenda-se que, após a imersão, o membro seja enfaixado e elevado para
estimular a drenagem linfática e o retorno venoso, diminuindo o edema e/ou a in�amação. O tratamento pode durar de 10 a 20
minutos.
Alguns estudos recomendam que atletas de alto rendimento realizem a crioimersão sistêmica, que é a imersão do corpo do
atleta em banheiras com água fria, no mínimo até as cristas ilíacas. Pode-se optar por imergir até o esterno ou os ombros.
Esse tipo de imersão é para prevenir a dor muscular de
início tardio (DMIT) causada pelo acúmulo de ácido lático no
músculo e/ou por danos no tecido conjuntivo. Entretanto, há
necessidade de mais estudos nessa área, pois os resultados
ainda são controversos e faltam evidências cientí�cas sobre
seus benefícios.
Imersão sistêmica
Cuidados e precauções:
- Deve-se seguir as mesmas recomendações fornecidos no tópico turbilhão da aula 3;
- Ao colocar o gelo no turbilhão, deve-se assegurar seu derretimento por completo, pois os pedaços de gelo podem tornar-se
projéteis e causar lesões no segmento imergido.
Banho de contraste
É a imersão alternada em água quente e fria do segmento a
ser tratado. Os efeitos da técnica são vasomotores, ou seja,
as alternâncias entre quente e frio irão causar vasodilatação
e vasoconstrição. O banho de contraste geralmente é
utilizado no tratamento de edema subagudo e equimoses,
sendo contraindicado em lesões agudas.
Os recipientes com água fria devem estar na temperatura de
10 a 15,5°C; com água quente, entre 40 e 41,1°C.
Banhos de contraste
O tempo de aplicação pode durar de 20 a 30 minutos. A
alternância ocorre da seguinte maneira: 3 a 4 minutos em
água quente para 1 minuto em água fria. Recomenda-se
terminar com 3 minutos de imersão na água fria quando o
objetivo for o resfriamento do tecido e a redução das
necessidades metabólicas.
Pode-se terminar com água quente para auxiliar no retorno
linfático após aplicação de drenagem linfática manual.
Massagem com gelo
A “criomassagem” é uma técnica de massagem utilizando
gelo, indicada para tratamento de espasmos musculares,
contusões e outras lesões delimitadas. O gelo pode ser
aplicado embrulhado num papel ou toalha ou no formato de
“picolé”, que facilita a aplicação. A área a ser tratada deve
ser lentamente massageada com gelo através de
movimentos de pequenos círculos sobrepostos.
O tratamento é interrompido quando o paciente relatar uma
sensação de dormência, o que ocorre geralmente entre 10 e
15 minutos.
Também podemos aplicar a massagem com gelo como
estímulo para facilitar a produção de padrões motores em
pacientes com comprometimento do controle motor,
fazendo assim uma crioestimulação.
Utilize um pequeno pedaço de gelo, sem superfícies
pontiagudas, e dê pequenas pinceladas, com movimentos
curtos e breves sobre o ventre muscular em que deseja
realizar a facilitação. Essa técnica promove a estimulação
de músculos paralisados.
Massagem com gelo
Criocinética e crioalongamento
A criocinéctica é uma técnica que combina a aplicação do frio com exercícios. Aplica-se a crioterapia com o objetivo de
resfriamento do segmento a ser tratado até o ponto de analgesia; em seguida, deve-se realizar exercícios ativos visando atingir
a amplitude de movimento normal.
Aplica-se o frio entre 12 e 20 minutos para obter uma sensação de dormência até a analgesia. Essa sensação dura em média
de 3 a 5 minutos, tempo no qual são realizados os exercícios. Em seguida, aplica-se novamente o gelo por mais 3 a 5 minutos,
realizando os exercícios durante o mesmo período. Essa sequência de resfriamento, exercício e resfriamento pode ser repetida,
em média, cinco vezes.
Atenção
O crioalongamento consiste na aplicação de um agente de resfriamento antes do alongamento passivo. O objetivo é reduzir o
espasmo muscular que pode estar associado a estiramentos e pontos de gatilho.
Pode-se aplicar um spray congelante, somente em uma direção, para reduzir rapidamente a temperatura da pele e a
transmissão da dor. Em seguida, deve-se alongar o músculo até o estágio livre de dor.
A aplicação do spray nos casos de espasmo é em direção da inserção proximal para a distal, e a partir do ponto de gatilho para
a área de dor referida. Duas a quatro varreduras são su�cientes para cobrir o músculo afetado.
Indicações gerais do uso da crioterapia:
- Traumas agudos;
- Processos in�amatórios agudos;
- Doenças in�amatórias agudas;
 - Dores agudas ou crônicas;
- Edema e condições pós-cirúrgicas;
- Espasticidade acompanhada de distúrbios do sistema nervoso central;
- Espasmo muscular agudo ou crônico;
- Nevralgias e mialgias.
Contraindicações gerais do uso da crioterapia:
- Problemas cardiorrespiratórios;
- Lesões de pele ou doenças dermatológicas;
- Hipersensibilidade ou alergia aofrio;
- Pele anestesiada ou alterações de sensibilidade térmica;
- Doença vascular periférica;
- Insu�ciência circulatória;
- Fenômeno de Raynaud;
- Doenças vasculares periféricas (frio compromete ainda mais);
- Hemoglobinúria (hemoglobina na urina).
O fenômeno de Raynaud é uma reação vascular espástica reversível que
ocorre na circulação periférica local, em pequenas artérias e arteríolas nas
extremidades, principalmente os dedos das mãos e dos pés. Há uma
modi�cação da coloração da pele, que pode �car pálida, arroxeada ou
vermelha. Acomete pessoas que se expõem de forma leve ao frio ou a um
estresse emocional.
Atividades
1. Qual dos seguintes efeitos não é um efeito da crioterapia?
a) Aumento da circulação.
b) Diminuição do espasmo muscular.
c) Diminuição do metabolismo.
d) Diminuição da condução nervosa.
e) Analgesia.
2. Indique se a a�rmação é verdadeira ou falsa: A crioterapia diminui a permeabilidade capilar, por isso devemos aplicá-la em
casos de edema e in�amação.
3. Indique se a a�rmação é verdadeira ou falsa: Devemos aplicar o spray congelante próximo à pele do paciente para o
resfriamento ser mais e�caz, pois o líquido evapora rapidamente.
4. Indique se a a�rmação é verdadeira ou falsa: Após imergimos um membro edemaciado na água com gelo, devemos elevá-
lo e comprimi-lo para que a redução do edema seja mais e�caz.
5. Qual dos seguintes sintomas é uma contraindicação para a crioterapia?
a) Edema agudo.
b) Espasmo muscular.
c) Dor aguda.
d) Anestesia da pele.
e) Artrite reumatoide.
Notas
Diatermia 1
Consiste na aplicação da energia elétrica de alta frequência para aumentar a temperatura no interior dos tecidos. A energia
dessa radiação vibrante e rápida produz calor à medida que é absorvida pelos tecidos, resultando em aumento da temperatura.
São exemplos de diatermia as radiações por ondas curtas e micro-ondas.
Título modal 1
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Referências
BARONI, B.M. et al. Efeito da crioterapia de imersão sobre a remoção do lactato sanguíneo após exercício. Revista Brasileira de
Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 12, p. 179-185, 2010.
BONGERS, C.C.; HOPMAN, M.T.; EIJSVOGELS, T.M. Cooling interventions for athletes: An overview of effectiveness,
physiological mechanisms, and practical considerations. Temperature (Austin), v. 4, n. 1, p. 60-78, 2017.
GUIRRO, E.C.O.; GUIRRO, R.R.J. Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos, patologias. 3.ed. rev. ampl. Barueri: São
Paulo: Manole, 2004.
MICHELLE, H.; CAMERON, M.D.P.T. Physical Agents in Rehabilitation: From Research to Practice. Elsevier Health Sciences,
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PEREIRA, D.S.L. Eletrotermofototerapia. 1.ed. Rio de Janeiro: SESES, 2017.
PRENTICE, W.E. Modalidades terapêuticas para �sioterapeutas. Artmed, 2004.
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SILVERTHORN, D.U. Fisiologia Humana - 5.ed.: Uma Abordagem Integrada. Artmed Editora, 2009.
Próxima aula
Propriedades físicas do ultrassom terapêutico; 
Efeitos �siológicos e terapêuticos do ultrassom terapêutico; 
Indicação, contraindicação e precauções do uso do ultrassom. 
Explore mais
Leia os capítulos 5 e 6 do livro Recursos terapêuticos em Fisioterapia 
https://bv4.digitalpages.com.br 
Leia o texto Efeito da crioterapia de imersão sobre a remoção do lactato sanguíneo após exercício 
https://doi.org/10.5007/1980-0037.2010v12n3p179 
Leia o texto Efeito da imersão em água fria sobre a recuperação pós-esforço em atletas de jiu-jitsu
https://doi.org/10.1590/1517-869220182401177165 
Leia o texto E�cácia da crioimersão e massagem desportiva na recuperação de atletas: uma revisão da
literatura
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