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Aspectos morfológicos das neoplasias SUMÁRIO 1. Definição .....................................................................................................................3 2. Características ............................................................................................................5 3. Presença da invasão tumoral .....................................................................................7 4. Vias de disseminação dos cânceres .......................................................................11 5. Nomenclatura ...........................................................................................................12 Referências Bibliográficas: ............................................................................................14 Aspectos morfológicos das neoplasias 3 1. DEFINIÇÃO A neoplasia é um crescimento celular anormal das células de um tecido, que pode ou não ocasionar lesão tecidual. Elas são originadas de sucessivas mutações e danos ao DNA celular (danos estes que não foram corrigidos). Tumor é sinônimo de neoplasia, podendo ser benigno ou maligno (câncer). Portanto, embora “tumor” e “neoplasia” possam ser usados de forma intercambiável, é crucial entender a diferença entre tumores benignos e malignos, pois cada um tem implicações diferentes para a saúde do indivíduo e requer diferentes abordagens de tratamento. • Tumores benignos: São aqueles que possuem um crescimento bastante localizado e lento. Eles não se infiltram nos tecidos e nem se disseminam, além de poderem ser removidos por cirurgia. É importante salientar que mesmo os tumores benignos podem causar algum dano de morbidade ao indivíduo e podem sim ser fatais. • Tumores malignos: São aqueles que crescem rapidamente e causam invasão e consequentemente destruição dos tecidos, além de se disseminarem para órgãos mais distantes, processo que chamamos de metástase. Por conta dessas características, as neoplasias malignas podem gerar a morte, mas se descobertos precocemente são possíveis de serem excisados numa cirurgia ou tratados com radioterapia ou quimioterapia. • Tumores mistos: Nos tumores mistos as células parenquimatosas não são todas iguais entre si como nos tumores benignos e em alguns tumores malignos. Alguns clones celulares podem produzir tanto células epiteliais como mioepiteliais e outros tipos celulares. É o que encontramos no tumor misto de glândula salivar, também chamado de adenoma pleomórfico. • Todos os tumores, com exceção do teratoma, são compostos por células de uma única camada germinativa. O teratoma possui origem de células germina- tivas totipotentes, podendo ser compostos das três (endoderma, ectoderma e mesoderma). Autora: Graziella Helenna Rosa Rodrigues de Oliveira Aspectos morfológicos das neoplasias 4 Cordões de células mioepiteliais Estroma Mixóide Estroma Hialino Ductos Estruturas Pseudocísticas Imagem 1. Adenoma pleomórfico na glândula parótida. Podemos observar células mioepiteliais formando os ductos e um estroma mixóide que parece uma cartilagem. Fonte: Acervo Sanar. Imagem 2. Teratoma cístico aberto do ovário (A); Tumor com pele, glândulas sebáceas, células adiposas e feixe de tecido neural (B). Fonte: Acervo Sanar. Aspectos morfológicos das neoplasias 5 2. CARACTERÍSTICAS Os tumores malignos e benignos possuem algumas diferenças na sua morfologia. Podemos usar o grau de diferenciação ou de anaplasia das células desses tumores para podermos diferenciá-los. O grau de diferenciação corresponde ao quanto a célula do parênquima neoplásico se parece com as células de um parênquima normal. Já a anaplasia é a falta dessa diferenciação. 2.1. Tumores benignos Os tumores benignos possuem algumas características, como veremos a seguir: • Bem diferenciados: Morfologicamente parecidos com a célula normal; • Mitoses infrequentes; • Exemplos: leiomioma do útero, lipoma benigno, encondroma, adenoma da tireoide. Imagem 3. Leiomioma uterino, um tumor benigno originado nas células musculares lisas do útero. É um nódulo bem delimitado, não encapsulado, que se assemelha ao tecido normal. Fonte: Acervo Sanar. Aspectos morfológicos das neoplasias 6 2.2. Tumores malignos Os tumores malignos possuem algumas características, como veremos a seguir: • Variedade de diferenciação ou anaplasia completa a indiferenciação é uma marca de malignidade de um tumor; • Perda da organização tecidual; • Pleomorfismo: Células de formas e tamanhos variadas dentro do tumor. Exemplo: rabdomiossarcoma; • Alterações nucleares como hipercromasia (coloração mais escura da cromatina) e multinucleação; • Atividade proliferativa maior: A maioria das células analisadas estão na fase de mitose; • Áreas de necrose isquêmica: Pode ser observada porque o estroma vascular dos tumores é escasso. • Exemplos de tumores malignos: Adenocarcinoma do cólon e carcinoma de cé- lulas escamosas. Saiba mais! É importante destacar que nem todos os tumores malignos são anaplásicos. Podemos ter carcinomas diferenciados que podem se assemelhar às células do parênquima normal tanto morfologicamente quanto funcionalmente. Imagem 4. Adenocarcinoma do cólon. Há perda da arquitetura organizada, das células caliciformes e do epitélio colunar. Há núcleos atípicos e muitas mitoses. Fonte: Acervo Sanar. Aspectos morfológicos das neoplasias 7 2.3. Outros termos • Displasia: Trata-se de um desenvolvimento anormal de células de um determinado tecido, no qual essas células perdem a regularidade de suas formas e a organi- zação de uma estrutura normal. Embora geralmente não seja cancerígeno, pode aumentar o risco de desenvolvimento de um tumor maligno. Além disso, essas células anormais são frequentemente encontradas em neoplasias invasivas, que ocorrem quando o tumor rompe a membrana basal. • Carcinoma in situ (neoplasia pré-invasiva): Ocorre quando as proliferações dis- plásicas envolvem toda a espessura do epitélio, mas não chegam a invadi-lo. Imagem 5. Carcinoma in situ. Células displásicas atípicas. Não há tumor no estroma (A). Diferenciação anormal, pleomorfismo nuclear e figuras mitóticas que se estendem em direção à superfície (B). Fonte: Acervo Sanar. 3. PRESENÇA DA INVASÃO TUMORAL 3.1. Tumores Benignos • São bem delimitados, crescimento lento, expansivo e não infiltrativo, crescimento lento. Eles permanecem restritos ao local de origem; • Não conseguem se disseminar; • Na maioria das vezes desenvolvem uma cápsula fibrosa, a qual facilita sua ex- cisão cirúrgica; • Exemplo: Fibroadenoma mamário. Aspectos morfológicos das neoplasias 8 Tecido mamário limítrofe Boa delimitação Fina cápsula fibrosa Imagem 6. Fibroadenoma excisado. Note a presença da cápsula fibrosa delimitando os limites do tumor benigno. Fonte: Acervo Sanar. Fina cápsula fibrosa Tecido mamárioTecido mamário Fibroa de nomaFibroa de noma Imagem 7. Fibroadenoma mamário. Tumor benigno originado do tecido conjuntivo mamário. Formação de túbulos ramificados. Fonte: Acervo Sanar. Aspectos morfológicos das neoplasias 9 3.2. Tumores Malignos • Há invasão e destruição dos tecidos adjacentes; • Disseminação para áreas distantes das de origem (metástase); • Crescimento acelerado; • Imprescindível avaliação das margens para evitar recorrência tumoral (carcinoma mamário invasivo). Imagem 8. Câncer de mama invasivo. Fonte: Acervo Sanar. Imagem 9. Câncer de mama invasivo excisado. Fonte: Acervo Sanar. Aspectos morfológicos das neoplasias 10 3.3. Metástase É a disseminação tumoral para os sítios distantes e fisicamente descontínuos. Apenas as neoplasias malignas formam metástases. • Invadem vasos sanguíneos e linfáticos; • Invadem cavidades; • Nem todas as neoplasias malignas irão formar metástases; • A anaplasia, a invasão local, o crescimento rápido e um tumor de grandes dimensões são algumas características que predispõem à formação das neoplasias. Boa delimitaçãoBoa delimitação AdeocarcinomaAdeocarcinomametastáticometastático Tecido pulmonarTecido pulmonar Imagem 10. Metástase pulmonar ocasionada por adenocarcinoma do cólon. Fonte: Acervo Sanar. Aspectos morfológicos das neoplasias 11 4. VIAS DE DISSEMINAÇÃO DOS CÂNCERES 1. Implantes em cavidades e superfícies corpóreas: Ocorre quando há a penetração de uma área sem barreiras, como por exemplo em cavidade peritoneal, pericár- dica, pleural, subaracnóidea ou articular. Imagem 11. Carcinoma do cólon invadindo tecido adiposo pericolônico. Fonte: Acervo Sanar. 2. Disseminação linfática: é a via mais comum de disseminação dos carcinomas. Um exemplo clássico é o envolvimento dos linfonodos axilares no câncer de mama. Pesquisa de linfonodo sentinela: biópsia feita para avaliar se há metástase nos linfonodos. Esse termo se refere ao primeiro linfonodo que receberá o fluxo da linfa do tumor. Aspectos morfológicos das neoplasias 12 Imagem 12. Linfonodo axilar com carcinoma de mama metastático. Fonte: Acervo Sanar. 3. Disseminação hematogênica: acontece muito em sarcomas, mas pode ser vista nos carcinomas. Os tumores podem atravessar através dos leitos capilares ve- nosos ou arteriais, o que ajuda a disseminação das metástases. 5. NOMENCLATURA 5.1. Tumores benignos • Fibroma: Tumor do tecido conjuntivo; • Condroma: Tumor do tecido cartilaginoso; • Adenoma: Tumor do tecido glandular; • Cistadenoma: Tumor que possui aspecto cístico; • Papiloma: Tumor que possui aspecto papilífero. Aspectos morfológicos das neoplasias 13 5.2. Tumores malignos • Sarcoma: Tumor de células mesenquimais (osteossarcoma, lipossarcoma, rabdomiossarcoma); • Carcinoma: Tumor de células epiteliais (adenocarcinoma, carcinoma epidermói- de); câncer de células sanguíneas ou do tecido linfático: Leucemia e linfoma. Aspectos morfológicos das neoplasias 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. KUMAR, Vinay et al. Robbins & Cotran bases patológicas das doenças. In: Robbins & Cotran bases patológicas das doenças. 2016. Cap. 7. 2. Atlas de patologia da Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: . Acesso em 02/06/2023. 3. Atlas de patologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em: . Acesso em 02/06/2023. sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. 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