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ANATOMOFISIOLOGIA E
PATOLOGIA DO SISTEMA
DIGESTÓRIO
Aula 1
VISÃO GERAL DO SISTEMA
DIGESTÓRIO
Visão geral do sistema digestório
Olá, estudante! Nesta videoaula você irá conhecer a anatomia e histologia do
sistema digestório, suas funções essenciais e o papel do sistema entérico.
Prepare-se para uma jornada de conhecimento que enriquecerá sua
compreensão do corpo humano e fortalecerá suas habilidades profissionais.
Vamos começar?!
Ponto de Partida
O sistema digestório é fundamental para a sobrevivência e saúde do
organismo. Ele é responsável pelo processamento dos alimentos ingeridos e
transformação em nutrientes que possam absorvidos e, depois, utilizados
pelo nosso corpo. Dessa forma, esse sistema abastece nosso organismo
continuamente com água, eletrólitos, vitaminas e nutrientes.
Nesta aula, você, estudante, irá iniciar o estudo do sistema digestório. Você
conhecerá um pouco mais da anatomia desse sistema e suas principais
características histológicas. Você também será capaz de reconhecer a
importância funcional do sistema digestório, tornando possível a
compreensão e aplicação desses conhecimentos no seu dia a dia
profissional.
A partir de agora você vai acompanhar um paciente de 45 anos que há
meses vem sofrendo com sintomas persistentes de azia intensa, dificuldade
para engolir alimentos sólidos e regurgitação frequente de comida com sabor
ácido após as refeições. Esses desconfortos têm impactado negativamente
sua qualidade de vida, interferindo em suas atividades diárias e no sono.
Diante desses sintomas alarmantes, ele busca ajuda médica. Suspeitando
de refluxo gastroesofágico, o médico opta por realizar uma endoscopia para
investigar a presença ou não da patologia. Durante o procedimento, é
retirada uma amostra da parede do esôfago para análise patológica. Ao
examinar a amostra ao microscópio, o patologista observa a presença de
alterações significativas na camada mucosa do esôfago, incluindo a
presença de células inflamatórias na camada epitelial e seu espessamento
devido à hiperplasia de sua camada basal. Essas alterações indicam um
quadro de inflamação e irritação crônica no esôfago, compatível com o
diagnóstico de refluxo gastroesofágico. Aproveitando esse contexto, você é
capaz de explicar como é a estrutura geral do tubo gastrointestinal? Quais
são as características histológicas normais da camada mucosa do esôfago e
como elas diferem das observadas nesta amostra? 
Vamos Começar!
O sistema digestório é formado por uma série de órgãos que trabalham em
conjunto para quebrar os alimentos ingeridos em moléculas menores, que
podem ser absorvidas pelas células do corpo. Esses órgãos estão divididos
em dois grupos: 1) canal alimentar, que é um tubo que se estende do
esôfago até o ânus; e 2) órgãos acessórios do sistema digestório. O canal
alimentar, também conhecido como trato gastrointestinal (TGI), inclui
estruturas como o esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e
canal anal. Já os órgãos acessórios do sistema digestório incluem boca,
dentes, língua, glândulas salivares, faringe, fígado, vesícula biliar e
pâncreas, que atuam no processo da digestão, produzindo ou armazenando
secreções que auxiliam na decomposição química dos alimentos, ou ainda,
na digestão mecânica, mistura e deglutição dos alimentos ingeridos.
Figura 1 | Visão geral do sistema digestório. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Assim, ao longo do canal alimentar, contrações musculares fragmentam
fisicamente os alimentos e os impulsionam ao longo do trajeto, facilitando a
sua mistura com líquidos digestivos. Enzimas secretadas pelos órgãos
digestórios acessórios e por células do revestimento do canal alimentar
realizam a degradação química dos alimentos, tornando-os adequados para
a absorção ou eliminação. Dessa forma, o sistema digestório realiza uma
série de processos físicos e químicos para transformar o alimento em
nutrientes possíveis de serem absorvidos pelo corpo. Dentre os processos
realizados, temos:
Ingestão: o ato de ingerir os alimentos começa na boca, onde os
alimentos são colocados, mastigados e misturados com saliva,
facilitando a formação do bolo alimentar.
Secreção: ao longo do dia, as células presentes na parede do TGI,
bem como nos órgãos acessórios, secretam não somente enzimas, mas
também água, ácido e tampões no lúmen do canal alimentar, facilitando
o processo de digestão.
Mistura e propulsão: ocorre devido à contração e ao relaxamento da
musculatura lisa nas paredes do canal alimentar, que proporcionam a
mistura dos alimentos com as secreções e os movimenta ao longo de
todo TGI em direção ao ânus, um processo denominado motilidade.
Digestão mecânica: promovida pela mastigação na boca e pelas
contrações musculares ao longo do TGI (peristaltismo). Ocorre a quebra
dos alimentos em pedaços menores, aumentando a superfície de
contato e facilitando a digestão química.
Digestão química: realizada por enzimas digestivas que atuam
promovendo o desdobramento de moléculas de alimentos em nutrientes
menores, como glicose, aminoácidos e ácidos graxos, possíveis de
serem absorvidos pelo organismo.
Absorção: os nutrientes resultantes da digestão são absorvidos pelas
células da parede do intestino delgado e transportados para o sangue
ou linfa, para serem distribuídos pelo corpo e utilizados como energia
ou na construção e no reparo de tecidos.
Eliminação: o material não digerido, microrganismos e os resíduos
metabólicos que não foram absorvidos ao longo do TGI são eliminados
do corpo na forma de fezes, através do reto e ânus, em um processo
conhecido como defecação.
Siga em Frente...
O TGI consiste em um tubo oco com uma cavidade central denominada
lúmen. A parede do TGI apresenta uma composição básica formada por
quatro camadas (ou túnicas) distintas de tecido. Da camada mais interna
para a mais externa, temos: a mucosa, submucosa, muscular e serosa. A
camada mucosa é constituída por: (a) um revestimento epitelial; (b) lâmina
própria, uma camada de tecido conjuntivo frouxo contendo uma grande
quantidade de vasos sanguíneos, linfáticos, células musculares lisas e,
ocasionalmente, glândulas e tecido linfoide. A lâmina própria é responsável
por disponibilizar os nutrientes absorvidos no canal alimentar para outros
tecidos do corpo; e, (c) camada muscular da mucosa, que separa a camada
mucosa da camada submucosa e, geralmente, compreende duas finas
subcamadas de células musculares lisas, uma interna chamada de circular e
outra externa denominada longitudinal, que facilitam o movimento da mucosa
de forma independente dos outros movimentos do sistema digestório,
promovendo um contato mais eficaz da mucosa com o alimento. A camada
submucosa é formada por tecido conjuntivo e une a camada mucosa à
camada muscular. A camada submucosa é constituída principalmente por
muitos vasos sanguíneos e linfáticos e pelo plexo submucoso (cadeia de
neurônios interconectados que inervam as células secretoras do epitélio da
camada mucosa, regulando, principalmente, a secreção gastrointestinal e o
fluxo sanguíneo local). A camada muscular consiste em duas subcamadas
de músculo liso, uma subcamada interna circular e uma subcamada externa
longitudinal. A contração da subcamada circular resulta em diminuição do
diâmetro do lúmen do TGI, enquanto a contração da subcamada longitudinal
acarreta o encurtamento desse tubo. Entre as duas subcamadas de músculo
liso, encontramos o plexo mioentérico, além de tecido conjuntivo contendo
vasos sanguíneos e linfáticos. O plexo mioentérico controla e coordena a
atividade motora da camada muscular, permitindo que essa camada seja
responsável pela geração dos movimentos peristálticos e segmentares ao
longo do TGI. Os movimentos peristálticos são contrações rítmicas e
coordenadas que empurram o alimento e os resíduos através do sistema
digestório, facilitando a digestão e a eliminação. Já os movimentos
segmentares são movimentos de mistura, que ajudam a misturar o alimento
com os sucos digestivos e enzimas e, também a promover uma distribuição
homogênea dos nutrientesé causada por distúrbios da função
motora do intestino grosso; e 3) distúrbios da defecação, que também estão
relacionados às causas da constipação e são atribuídos mais comumente às
anormalidades da coordenação muscular do assoalho pélvico ou do esfíncter
anal. Existem algumas doenças que causam constipação intestinal crônica,
como os transtornos neurológicos (traumatismo raquimedular, doença de
Parkinson e esclerose múltipla), distúrbios endócrinos (hipotireoidismo) e
lesões obstrutivas do sistema digestório. Muitos fármacos também podem
ocasionar constipação intestinal, como os narcóticos, anticolinérgicos,
bloqueadores do canal de cálcio, diuréticos, cálcio (antiácidos e
suplementos), suplementos de ferro, antiácidos com alumínio, entre outros.
O diagnóstico da constipação intestinal é, comumente, baseado no relato de
defecação infrequente, esforço para defecar, eliminação de fezes duras e em
bolotas, ou sensação de esvaziamento incompleto depois de defecar. O
tratamento é voltado para amenizar as causas do quadro de constipação
intestinal e buscar alternativas que possam auxiliar esse processo, como:
estabelecer um horário depois das refeições para defecar; simular uma
posição agachada enquanto o indivíduo está sentado no vaso sanitário, com
a elevação dos pés, o que pode facilitar a defecação; ingestão adequada de
líquidos e alimentos que aumentam o bolo fecal, como as fibras alimentares;
prática de exercícios físicos. No entanto, laxantes e enemas devem ser
utilizados com cautela, uma vez que esses fármacos interferem no reflexo de
defecação e podem danificar a mucosa retal.
Diarreia
A diarreia é um outro distúrbio muito comum que compromete a motilidade
intestinal, sendo definida como uma eliminação excessivamente frequente de
fezes moles ou malformadas. Ela pode ser aguda ou crônica e tem como
causa agentes infecciosos, intolerância alimentar, fármacos ou doença
intestinal. A diarreia aguda começa de forma súbita, persiste por menos de
duas semanas e, geralmente, é causada por agentes infecciosos. Ela pode
ser inflamatória, caracterizada por febre e diarreia sanguinolenta (disenteria).
Neste caso, é ocasionada por microrganismos patogênicos, os quais
possuem a capacidade de invadir as células intestinais ou produzir toxinas.
Na diarreia aguda inflamatória, a eliminação de fezes é frequente e com
pequeno volume. A defecação está associada às cólicas, há uma urgência
para defecar e tenesmo. Já na diarreia aguda não inflamatória, há eliminação
de fezes líquidas volumosas, mas sem sangue, cólicas periumbilicais,
distensão abdominal por gases, náuseas ou vômitos. A diarreia é
considerada crônica quando os sintomas persistem por quatro semanas ou
mais. Neste caso, está relacionada a distúrbios do TGI, como doenças
inflamatórias intestinais, síndrome do intestino curto, síndromes de má
absorção, doenças endócrinas, entre outras. Pode ser definida como: 1)
secretória, que ocorre quando os processos secretórios do intestino estão
exacerbados, ou seja, o intestino delgado e o intestino grosso secretam sais
(especialmente, cloreto de sódio) e água nas fezes; 2) inflamatória,
associada a processos inflamatórios agudou ou crônicos, como a colite
ulcerativa ou Doença de Crohn, e se caracteriza por um aumento da
frequência e urgência para defecar, cólica, tenesmo, incontinência fecal e
despertar durante a noite com desejo urgente de defecar; 3) infecciosa,
causada por infecções parasitárias persistentes, como os
protozoários Giardia, E. histolytica e Cyclospora; e 4) osmótica, causada por
nutrientes ou eletrólitos mal absorvidos, que retêm água no lúmen. Essa
água é atraída para dentro do lúmen intestinal pela concentração
hiperosmótica do seu conteúdo em tal volume que o cólon não consegue
reabsorver o excesso de líquido. Isso ocorre nos casos de intolerância à
lactose, quando o indivíduo tem uma deficiência da enzima lactase, a qual
está localizada na extremidade das vilosidades da mucosa do intestino
delgado e tem a função de degradar a lactose em glicose e galactose. Uma
vez que a digestão e a absorção da lactose estão prejudicadas, a lactose
não hidrolisada tem atividade osmótica no lúmen intestinal, além de chegar
intacta ao intestino grosso, onde a microbiota intestinal cliva essa lactose em
ácidos graxos de cadeia curta e gás, principalmente hidrogênio (H2), dióxido
de carbono (CO2) e metano (CH4). Essa retenção da lactose no intestino é a
responsável pelos sintomas característicos, como diarreia osmótica e
distensão abdominal devido à produção de gases pela microbiota intestinal. 
Agora que você conheceu as principais patologias que acometem o sistema
digestório e como são os seus tratamentos medicamentosos, você é capaz
de compreender a importância do conhecimento desses temas para uma boa
atuação profissional. 
Vamos Exercitar?
Agora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais as principais
patologias que acometem o sistema digestório e como são os seus
tratamentos medicamentosos, vamos retomar a situação-problema. A partir
de agora, vamos considerar o caso do Pedro, 45 anos, que vinha sofrendo
de sintomas persistentes de queimação no estômago, desconforto abdominal
após as refeições e náuseas. Ele procurou atendimento médico, realizou
uma endoscopia, que mostrou presença de vermelhidão, edema e erosões
superficiais na sua mucosa gástrica, características compatíveis com um
quadro de gastrite. A análise patológica da mucosa gástrica de Pedro
também indicou um quadro de gastrite, evidenciando inflamação e infiltrado
de células inflamatórias. Além disso, o teste da urease realizado com a
amostra indicou a presença da bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), o que
contribui para o desenvolvimento da gastrite de Pedro. Diante do diagnóstico
de gastrite por H. pylori, o médico prescreveu um tratamento que inclui
amoxicilina 1g associado com claritromicina 500 mg, além do omeprazol 20
mg, a cada 12 horas, por 14 dias e solicitou o retorno de Pedro para
reavaliação após o final do tratamento medicamentoso. Agora você já é
capaz de explicar qual a relação da bactéria H. pylori com o quadro de
gastrite e se existem outros sintomas que podem estar associados a esse
quadro. E, também, quais seriam os medicamentos prescritos para o
tratamento da gastrite por H. pylori e qual o mecanismo de ação de cada um
deles. Além disso, você também é capaz de explicar, além da terapia
medicamentosa, que outras medidas de estilo de vida Pedro pode adotar
para auxiliar no tratamento da gastrite e promover a sua recuperação
completa.
Primeiramente, é importante lembrar que a gastrite é uma inflamação da
mucosa gástrica. Pode ser aguda ou crônica. A Helicobacter pylori (H. pylori)
é uma bactéria gram-negativa que coloniza o estômago humano e
desempenha um papel significativo na ocorrência de gastrite. Sua
participação na gastrite é complexa e envolve vários mecanismos. A H. pylori
coloniza a mucosa gástrica e desencadeia uma resposta inflamatória
crônica, causando danos às células da mucosa do estômago. Suas toxinas e
enzimas, como a urease, aumentam a acidez gástrica e causam danos
diretos às células da mucosa, levando à inflamação e às erosões na mucosa
gástrica, características do quadro de gastrite observado em Pedro. Além
disso, a H. pylori pode causar danos à barreira mucosa do estômago,
tornando-a mais vulnerável à ação de ácidos gástricos e pepsinas. Isso pode
levar à erosão da mucosa e ao desenvolvimento de gastrite erosiva. A
presença dessa bactéria está associada a um risco maior de
desenvolvimento de úlceras pépticas e câncer gástrico. Além dos sintomas
relatados por Pedro, como queimação no estômago, desconforto abdominal
após as refeições e náuseas, outros sintomas comuns da gastrite incluem
azia, perda de apetite, sensação de plenitude gástrica, vômitos e fezes
escuras devido a sangramento no TGI. O tratamento medicamentoso em
quadros de gastrite ocasionadas por H. pylori inclui: a associação dos
antibióticos amoxicilina 1g (age inibindo a síntese da parede celularbacteriana, resultando na morte das bactérias H. pylori) e claritromicina 500
mg (atua interferindo na síntese proteica bacteriana, levando à morte das
bactérias) e omeprazol 20 mg (inibidor da bomba de prótons que reduz a
produção de ácido gástrico, ajudando a aliviar os sintomas da gastrite e
facilitando a cicatrização da mucosa gástrica). Além da terapia
medicamentosa, o paciente acometido por gastrite crônica ocasionada por H.
pylori pode adotar algumas medidas para auxiliar no tratamento, que
incluem: evitar alimentos irritantes, como café, álcool, alimentos gordurosos
e condimentados; manter uma dieta leve e equilibrada, rica em frutas,
legumes e fibras; evitar fumar, pois o tabagismo pode piorar os sintomas da
gastrite; reduzir o estresse por meio de técnicas de relaxamento, como
meditação ou ioga; evitar o uso indiscriminado de anti-inflamatórios não
esteroides (AINEs), que podem irritar a mucosa gástrica e piorar a gastrite. 
Saiba Mais
Gastrites, úlceras e vômito
Você já se perguntou como as patologias do trato gastrointestinal, como a
gastrite e as úlceras, podem afetar nossa saúde? Essas condições,
frequentemente negligenciadas, têm um impacto significativo em nosso bem-
estar diário. Assim, conhecer a fisiopatologia e o tratamento dessas doenças
é crucial não somente para a sua formação profissional, mas também para
situações do seu dia a dia.
Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran: patologia
– bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2023. cap. 17, p. 791-798.
Cálculos biliares, intolerância à lactose,
constipação intestinal e diarreia
A intolerância à lactose é uma condição em que o organismo apresenta
dificuldade em digerir a lactose, um açúcar encontrado no leite e em
produtos lácteos, devido à deficiência ou ausência da enzima lactase,
responsável por quebrar a lactose em moléculas menores para sua absorção
pelo corpo. Quando a lactose não é devidamente digerida, ela permanece no
intestino e pode causar diferentes sintomas. A intolerância à lactose pode
variar em gravidade, sendo mais comum em adultos e em pessoas de certas
origens étnicas.
Para saber mais sobre a intolerância à lactose e suas consequências para o
organismo, leia a seguinte obra:
GANDRA, A. L. et al. Intolerância à lactose: deficiência de cálcio.
Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação,
São Paulo, v. 7, n.10, out. 2021.
Medicamentos e trato gastrointestinal
O sistema digestório pode ser acometido por diferentes patologias que
alteram o funcionamento desse sistema, trazendo consequências que variam
de leves a graves para o organismo humano. Alguns medicamentos podem
ser utilizados no tratamento dessas doenças, auxiliando no restabelecimento
da homeostase corporal perdida.
Para saber mais sobre os medicamentos utilizados no tratamento de
distúrbios gastrointestinais, seus mecanismos de ação e efeitos colaterais,
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159174/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:88
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159174/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:88
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159174/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:88
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159174/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:88
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159174/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:88
https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/2613/1016
leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual:
MOTYCKA, C. Antimiméticos e gastrointestinais. In: WHALEN, K.;
FICKEL, R.; PANAVELIL, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2016. cap. 31, p. 401-411. 
 
 
Referências Bibliográficas
KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran: bases
patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2021.
WHALEN, K.; FICKEL, R.; PANAVELIL, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2016. 
Encerramento da Unidade
ANATOMOFISIOLOGIA E
PATOLOGIA DO SISTEMA
DIGESTÓRIO
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá continuar a jornada fascinante pelo
sistema digestório, explorando conceitos essenciais que são fundamentais
para a sua prática profissional. Você já desvendou vários mistérios que
envolvem esse sistema, seus componentes e seu funcionamento, e
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582713235/pageid/0
mergulhou no estudo das patologias que podem acometer esse sistema.
Agora, convido você a continuar nessa jornada! Assista à videoaula e
descubra como o conhecimento sobre o sistema digestório pode enriquecer
e transformar a sua prática profissional. Não perca!
Ponto de Chegada
Para desenvolver a competência desta unidade, que é "conhecer as
características anatômicas e histológicas de todas as estruturas que fazem
parte do trato gastrointestinal, compreendendo como participam do processo
de digestão e absorção dos nutrientes, bem como evidenciar os mecanismos
fisiológicos das principais patologias associadas a esse sistema e seu
tratamento medicamentoso", você primeiro conheceu detalhadamente a
anatomia e a histologia do sistema digestório. Entendeu como cada estrutura
contribui para o funcionamento adequado do sistema e como as
características histológicas influenciam sua função. Ainda, analisou em
profundidade o processo de digestão e absorção de nutrientes,
compreendendo os mecanismos fisiológicos envolvidos em cada etapa. Além
disso, você também explorou as principais patologias associadas ao sistema
digestório, investigando suas causas, sintomas e consequências fisiológicas.
Por fim, você conheceu os principais fármacos utilizados no tratamento das
patologias digestivas. Assim, a abordagem desses assuntos ao longo da
unidade permitiu consolidar seu entendimento a respeito e incentivá-lo a
refletir sobre os assuntos abordados e como aplicar esses conhecimentos
em contextos práticos.
É Hora de Praticar!
Sara, 55 anos, vem se queixando de dificuldade para evacuar, fezes
ressecadas e sensação de evacuação incompleta. Ela relata que essa
condição vem afetando sua qualidade de vida e rotina diária. Também faz
uso de antiácidos contendo hidróxido de alumínio para amenizar uma azia
constante, mas não faz acompanhamento médico adequado. Após uma
consulta médica, é diagnosticada com constipação intestinal crônica. O
médico desconfia que o agente causador dessa constipação é o antiácido
utilizado rotineiramente. Diante do quadro, o médico realiza uma
colonoscopia para descartar outras causas para a constipação apresentada.
A colonoscopia não apresenta evidências de outras causas para a
constipação intestinal. Assim, o médico decide prescrever um tratamento
medicamentoso para Sara, visando aliviar seus sintomas e melhorar sua
qualidade de vida. Ele opta por iniciar o tratamento com um laxante
osmótico, que ajudará a aumentar a quantidade de água nas fezes e facilitar
sua passagem pelo intestino grosso. Ele orienta Sara a interromper o uso do
antiácido, aumentar a ingestão de fibras e líquidos e manter um
acompanhamento médico regular para monitorar sua condição tanto da
constipação intestinal como da azia constante.
Reflita
Como as características histológicas das diferentes camadas da
parede do trato gastrointestinal contribuem para suas funções
específicas?
Quais são os principais processos envolvidos na digestão e absorção
dos nutrientes no sistema digestório?
Quais são as principais famílias de fármacos utilizadas no tratamento
das patologias associadas ao sistema digestório e como elas atuam
no organismo?
Reflita
Diante do caso de Sara, você saberia explicar por que o médico desconfiou
que o antiácido seria a causa da constipaçãointestinal de Sara? Qual é o
mecanismo de ação dos laxantes osmóticos no tratamento da constipação
intestinal e como eles ajudam a aliviar os sintomas? Como o aumento da
ingestão de água e fibras melhoram o quadro de constipação intestinal? 
Resolução do estudo de caso
Primeiramente, você deve lembrar que a constipação intestinal, também
conhecida como prisão de ventre, é uma condição caracterizada pela
dificuldade persistente na evacuação das fezes ou pela evacuação menos
frequente que o habitual. Ela ocorre quando o trânsito intestinal é mais lento
do que o normal, resultando em fezes ressecadas e endurecidas. Dentre os
sintomas da constipação intestinal, destacam-se: dificuldade para evacuar,
com sensação de evacuação incompleta; fezes ressecadas e endurecidas;
esforço excessivo durante a evacuação; sensação de dor ou desconforto
abdominal; inchaço abdominal e distensão; e uma menor frequência de
evacuações, geralmente menos de três vezes por semana. As principais
causas da constipação intestinal incluem: dieta pobre em fibras; baixa
ingestão de líquidos; sedentarismo; uso de medicamentos como como
opioides, antidepressivos, antiácidos com alumínio e medicamentos para
pressão arterial e dor, que podem causar constipação como efeito colateral;
fatores psicológicos: estresse, ansiedade e depressão; suprimir o impulso de
evacuar; alterações hormonais, como na gravidez e ciclo menstrual; e, certas
condições médicas, como diabetes e síndrome do intestino irritável.
No caso estudado, o médico desconfiou que o antiácido poderia ser a causa
da constipação intestinal de Sara devido ao seu principal ingrediente ativo, o
hidróxido de alumínio. Esse composto pode levar a um aumento da absorção
de água no intestino, resultando em fezes ressecadas e dificuldade na
evacuação. O médico também prescreveu um laxante osmótico e aumento
da ingestão de água e fibras porque os laxantes osmóticos atuam
aumentando a quantidade de água nas fezes, o que ajuda a amolecer as
fezes ressecadas, facilitando sua passagem pelo intestino grosso. Eles
funcionam por meio da retenção de água no lúmen intestinal, criando um
gradiente osmótico que promove a entrada de água nas fezes, tornando-as
mais macias e fáceis de serem eliminadas. Já o aumento da ingestão de
água e fibras pode melhorar o quadro de constipação intestinal, pois as
fibras, como são formadas por celulose e hemicelulose, não são quebradas
pelas enzimas digestivas no sistema digestório e, também não são
absorvidas, permanecem intactas ao longo do trato gastrointestinal,
chegando ao intestino grosso, onde são fermentadas por bactérias
intestinais, produzindo ácidos graxos de cadeia curta, como o ácido butírico,
que têm efeitos benéficos na saúde intestinal, estimulando o crescimento de
bactérias benéficas e mantendo um ambiente intestinal saudável. Isso
contribui para a regularidade intestinal e previne a constipação, melhorando
o trânsito intestinal. Além disso, as fibras auxiliam no aumento do volume
fecal, pois apresentam capacidade de reter água, e na formação de fezes
mais macias. Isso promove o peristaltismo intestinal e facilita o trânsito das
fezes pelo intestino grosso. 
Dê o play!
Assimile
Por fim, você está convidado a embarcar a partir de agora na jornada
fascinante pelo sistema digestório, explorando as informações ricas e
instigantes presentes nesta animação. Aprecie e aproveite cada estrutura e
sua função no sistema digestório! Vamos lá? 
 
https://mdstrm.com/embed/66967cee0cfdb980689f140cao longo do TGI. A camada serosa é uma
membrana de tecido conjuntivo coberta por uma membrana serosa
composta por mesotélio, que reveste externamente de todo o TGI, estando
em continuidade com a membrana peritoneal (peritônio) que reveste a
cavidade abdominal. A camada serosa desempenha um papel fundamental
na proteção, lubrificação, fixação e suporte dos órgãos abdominais,
contribuindo para o funcionamento eficiente do sistema digestório e para a
integridade do sistema peritoneal.
Figura 2 | Camadas da parede do tubo digestório. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Os plexos submucosos (ou de Meissner) e mioentérico (ou de Auerbach)
fazem parte de uma terceira divisão do sistema nervoso chamada de sistema
nervoso entérico, responsável por inervar a parede do TGI. Nesses plexos
são encontrados neurônios motores, interneurônios e neurônios sensitivos.
Os neurônios motores presentes no plexo mioentérico, localizado entre os
músculos circular e longitudinal da camada muscular, controlam a motilidade
do TGI, enquanto os neurônios motores do plexo submucoso, localizados na
camada de células secretoras do epitélio da camada mucosa, controlam as
secreções de muco, enzimas e fluidos digestivos desse tubo. Os
interneurônios conectam os neurônios dos plexos mioentérico e submucoso.
Já os neurônios sensitivos desse sistema, inervam o epitélio da camada
mucosa e apresentam receptores que detectam estímulos oriundos do lúmen
do TGI. Esses receptores respondem a determinadas substâncias químicas,
presentes no alimento que se desloca pelo lúmen, e ao estiramento da
parede do TGI.
Embora o sistema nervoso entérico possa funcionar de forma independente,
ele pode ser regulado pelo sistema nervoso autônomo por meio de nervos
simpáticos e parassimpáticos, que podem intensificar ou inibir a ação do
sistema nervoso entérico. A estimulação parassimpática resulta em estímulo
das atividades do TGI, enquanto a estimulação simpática inibe as atividades
do TGI.
Agora que você conheceu as principais características morfofuncionais do
sistema digestório, você entende a importância do conhecimento desse tema
para uma boa atuação profissional. 
Vamos Exercitar?
gora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais características
anatômicas e histológicas do sistema digestório e como é a inervação desse
sistema, vamos retomar nossa situação-problema. A partir de agora, vamos
considerar o paciente de 45 anos que há meses vem sofrendo com sintomas
persistentes de azia intensa, dificuldade para engolir alimentos sólidos e
regurgitação frequente de comida com sabor ácido após as refeições. Ele
procurou ajuda médica e pela análise dos sintomas, o médico, suspeitando
de doença do refluxo gastroesofágico, opta por realizar uma endoscopia. A
amostra da parede do esôfago retirada foi analisada em microscópio, sendo
observada a presença de alterações significativas na camada mucosa do
esôfago, incluindo a presença de células inflamatórias na camada epitelial e
seu espessamento devido à hiperplasia de sua camada basal. A presença
dessas alterações indica um quadro de inflamação e irritação crônica no
esôfago, compatível com o diagnóstico de doença do refluxo
gastroesofágico.
Agora, você já é capaz de explicar como é a estrutura geral do tubo
gastrointestinal, quais são as características histológicas normais da camada
mucosa do esôfago e também como essas camadas diferem das observadas
na amostra. Vamos lá?!
Primeiramente, é importante lembrar que a doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE) é uma condição na qual ocorre o retorno
involuntário do conteúdo gástrico de volta para o esôfago, causando
sintomas como azia, regurgitação ácida e, em alguns casos, danos ao
revestimento do esôfago. A fisiopatologia da DRGE envolve uma combinação
de fatores anatômicos, fisiológicos e funcionais, como disfunção do esfíncter
esofágico inferior, hérnia de hiato, aumento da pressão intra-abdominal
(devido a gravidez ou obesidade, por exemplo) e aumento da produção de
ácido gástrico. É importante lembrar também que o sistema digestório é
dividido em: 1) trato gastrointestinal (TGI), compreendendo a boca, faringe,
esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso; e 2) órgãos
digestórios acessórios, como dentes, língua, glândulas salivares, fígado,
vesícula biliar e pâncreas. O trato gastrointestinal tem uma organização geral
sendo sua parede dividida em quatro camadas:
Mucosa: camada mais interna, que está em contato direto com o
conteúdo do lúmen. A mucosa é composta por três subcamadas: a)
epitélio, com células especializadas em proteção, secreção e absorção;
b) lâmina própria, formada por tecido conjuntivo frouxo, vasos
sanguíneos e linfáticos, podendo apresentar em alguns segmentos
glândulas responsáveis pela produção de muco e secreções; e, c)
muscular da mucosa, uma camada delgada de músculo liso que auxilia
no movimento da mucosa, independentemente dos outros movimentos
realizados pelo TGI.
Submucosa: camada constituída por tecido conjuntivo, vasos
sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. Além disso, contém glândulas
que secretam muco para lubrificação da mucosa.
Muscular: formada por duas subcamadas de músculo liso, a camada
circular interna e a camada longitudinal externa. Essas camadas são
responsáveis pelos movimentos do TGI, como os movimentos
peristálticos e segmentares.
Serosa ou adventícia: a camada mais externa do TGI, que reveste a
parte externa do órgão. É composta principalmente por tecido
conjuntivo, vasos sanguíneos e linfáticos.
Na amostra do paciente em questão, a camada mucosa apresentava
alterações como presença de células inflamatórias na subcamada epitelial da
mucosa e espessamento dessa subcamada (devido à hiperplasia da camada
basal do epitélio). Assim, as características observadas na amostra eram
bem diferentes do que se esperaria em condições normais, que seriam uma
mucosa composta por epitélio escamoso estratificado não queratinizado, no
qual a camada basal é formada por uma única camada de células, uma
lâmina própria formada por tecido conjuntivo e uma camada de células
musculares lisas. 
Saiba Mais
Funções do sistema digestório
O sistema digestório é responsável por uma série de processos complexos
que garantem a obtenção de nutrientes essenciais para o funcionamento do
corpo humano. Desse modo, compreender as funções do sistema digestório
é essencial para reconhecer a grande importância que este sistema
desempenha.
Para saber mais sobre o sistema digestório e a sua importância para o
funcionamento do nosso organismo, acesse a seguinte obra:
Sistema digestório. Khan Academy.
Características anatômicas e histológicas do trato
gastrointestinal 
https://pt.khanacademy.org/science/biology/crash-course-bio-ecology/crash-course-biology-science/v/crash-course-biology-127
Conhecer as características anatômicas e histológicas do trato
gastrointestinal (TGI) é crucial para compreender não apenas a estrutura do
sistema digestório, mas também sua função e as possíveis complicações
que podem surgir quando ocorrem alterações nesse sistema. Desde a boca
até o ânus, o TGI é responsável pelos processos da digestão dos alimentos,
absorção de nutrientes e eliminação de resíduos, sendo que cada segmento
desse sistema está relacionado com um papel específico nesse complexo
processo. Assim, ao compreender a anatomia e histologia do sistema
digestório, podemos identificar melhor as causas de doenças
gastrointestinais, além de diagnosticar e tratar problemas com mais eficácia.
Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 24, p.
939-945.
Inervação: sistema entérico e autônomo
O sistema nervoso entérico desempenha um papel fundamental no controle
das funções digestivas, incluindo a regulação do peristaltismo, secreção de
enzimas e neurotransmissores e coordenação da absorção de nutrientes.
Sua importância reside na capacidade decontrolar localmente esses
processos, independentemente do comando proveniente do sistema nervoso
central. O SNE é constituído de milhões de neurônios distribuídos ao longo
do trato gastrointestinal, que são responsáveis por manter a homeostase
digestiva. Diante de todas essas funções importantes exercidas por essa
divisão do sistema nervoso, torna-se fundamental conhecê-lo. Assim, para
saber mais sobre a inervação do sistema digestório e a sua importância para
o funcionamento do organismo, acesse a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
MANHÃES-DE-CASTRO, R.; MARINHO, S. M. O. C. Visão geral do
sistema digestório. In: CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. cap. 42, p. 571-573. 
 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4076:84
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4076:84
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732307/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:13
 
Referências Bibliográficas
GARTNER, L. P. Tratado de histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2022.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.
16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. 
Aula 2
DIGESTÃO MECÂNICA E
QUÍMICA NA BOCA E
ESTÔMAGO
Digestão mecânica e química na boca e
estômago
Olá, estudante! Nesta videoaula, você terá a oportunidade de explorar os
fundamentos essenciais da anatomia e funções da boca, esôfago e
estômago no processo da digestão, além de compreender em detalhes o
fascinante processo da deglutição. Prepare-se para essa jornada de
conhecimento e descobertas! Vamos lá?
Ponto de Partida
Nesta aula, você, estudante, irá continuar o estudo do sistema digestório.
Você conhecerá um pouco mais da anatomia do esôfago e estômago e suas
funções. Você também será capaz de reconhecer a importância funcional do
processo de deglutição e digestão mecânica e química dos alimentos no
estômago, tornando possível a compreensão e aplicação desses
conhecimentos no seu dia a dia profissional.
A partir de agora, você irá acompanhar o caso de Dona Isabel. Ela tem 82
anos e, há um pouco mais de um ano, teve um acidente vascular encefálico
(AVE) isquêmico, que comprometeu todo seu lado direito. Como
consequência, Dona Isabel tem apresentado dificuldade na hora de se
alimentar, tendo muita dificuldade em deglutir alimentos e líquidos. Isso faz
com que ela se engasgue com frequência e não consiga engolir os
alimentos. Ela também tem apresentado escape de alimentos pelo nariz e
pigarro após engolir. Por não conseguir se alimentar, ela acabou perdendo
12 kg nos últimos meses, comprometendo ainda mais sua saúde. Dona
Isabel procurou atendimento médico e, durante sua consulta, o médico
percebeu que ela apresentava sinais típicos de disfagia orofaríngea
neurogênica, ocasionada pelo AVE. Diante do quadro apresentado pela
Dona Isabel, você, estudante, conseguiria explicar qual seria a relação do
AVE isquêmico com a presença da disfagia orofaríngea neurogênica
apresentada pela Dona Isabel? Que fases da deglutição estariam
comprometidas? 
Vamos Começar!
O hábito de nos alimentarmos diariamente tem um propósito crucial para o
organismo: fornecer os nutrientes necessários para a sobrevivência e o
funcionamento adequado das células. No entanto, os alimentos, da forma
como os ingerimos, não podem ser absorvidos diretamente. Eles precisam
ser quebrados em moléculas menores para que possam ser absorvidos pelo
nosso corpo. Essa quebra das moléculas ingeridas é o chamado processo
de digestão e ocorre ao longo do sistema digestório.
Os processos de digestão mecânica e química iniciam na boca. O alimento,
ao ser ingerido, é inicialmente triturado e esmagado pelos dentes (digestão
mecânica), sendo manipulado pela língua e misturado à saliva, formando
uma massa amolecida e umedecida, chamada de bolo alimentar. A saliva é
secretada pelas glândulas salivares, principalmente pelas glândulas
parótidas, submandibulares e sublinguais, denominadas glândulas salivares
maiores. A saliva é composta principalmente por água (cerca de 99,5%) e
solutos (íons sódio, potássio, cloreto, fosfato e bicarbonato). Também contém
na sua constituição ureia, ácido úrico, muco e proteínas, como enzimas e
imunoglobulinas.
Duas enzimas secretadas na saliva contribuem para a digestão química na
boca, a amilase salivar e a lipase salivar. A amilase salivar é responsável
pela degradação do amido. A maior parte dos carboidratos que ingerimos na
dieta são amidos e dissacarídeos como sacarose (açúcar comum) e lactose
(açúcar do leite). Porém, esses carboidratos não podem ser absorvidos para
a corrente sanguínea da forma como os ingerimos, eles precisam ser
quebrados a monossacarídeos. A amilase salivar, após sua ativação por íons
cloreto presentes na saliva, inicia a digestão do amido, quebrando-o em
maltose que, posteriormente, junto com a sacarose e lactose ingeridas, é
degradada em monossacarídeos (glicose, galactose e frutose) por enzimas
no intestino delgado, podendo, dessa forma, ser absorvidos. Após o alimento
ser deglutido, a amilase salivar continua agindo por, aproximadamente, 1
hora, até ser totalmente inativada pelos ácidos do estômago. A saliva
também contém a lipase salivar (ou lipase lingual), que se torna ativa
somente no ambiente ácido do estômago após o alimento ser deglutido.
Essa enzima quebra os triglicerídeos (óleos e gorduras) em ácidos graxos e
glicerídeos. Além da ação digestiva e de umedecimento e lubrificação do
alimento e da boca, a saliva também está relacionada com: 1) gustação, pois
dissolve os compostos químicos dos alimentos, permitindo que os receptores
gustativos da língua detectem sabores; e 2) defesa, uma vez que apresenta
a lisozima, uma enzima antibacteriana, e imunoglobulinas, que auxiliam na
eliminação de vírus e bactérias. A saliva também auxilia na limpeza dos
resíduos alimentares e partículas de alimentos dos dentes e língua,
diminuindo o risco de cáries e outros problemas dentários.
Conforme o processo de mastigação acontece, o bolo alimentar é lubrificado
com a saliva, facilitando a sua deglutição. O ato de engolir, ou deglutição, é o
transporte do bolo alimentar ou de líquido para o estômago, passando pela
faringe e esôfago. A deglutição é um intrincado mecanismo que envolve a
ação conjunta e harmônica de músculos e nervos em etapas voluntárias e
involuntárias. Embora o ato de deglutir seja um movimento automático, todo
o processo é muito complexo.
A deglutição ocorre em três fases: (1) fase oral ou voluntária, que se inicia
quando o bolo alimentar é voluntariamente empurrado pela língua e se move
em direção à parte superior da cavidade oral. A laringe se eleva e a glote
começa a cobrir a entrada para o sistema respiratório, ou seja, a entrada
para a traqueia, impedindo que o material ingerido entre nesse sistema.
Dessa forma, o bolo alimentar passa para a parte oral da faringe. Quando o
bolo alimentar passa pela faringe em direção ao esôfago de forma
involuntária, se inicia a fase faríngea (2), na qual a presença do bolo
alimentar estimula os receptores da parte oral da faringe, fazendo com que o
palato mole e a úvula se movam para cima para fechar a parte nasal da
faringe, o que impede que os alimentos e líquidos ingeridos entrem na
cavidade nasal. A epiglote, por sua vez, cobre a glote e fecha a abertura da
traqueia. E, ainda, o esfíncter esofágico superior relaxa, permitindo a entrada
do bolo alimentar no esôfago. A última fase da deglutição é chamada de
esofágica (3), uma fase involuntária, que se inicia quando o bolo passa pelo
esfíncter esofágico superior para o esôfago. Após a passagem do bolo
alimentar, o esfíncter esofágicosuperior se fecha, a glote se abre e a
respiração recomeça. Uma vez no esôfago, o bolo alimentar é deslocado em
direção ao estômago por meio dos movimentos peristálticos (onda
progressiva de contrações musculares que prossegue ao longo do esôfago,
comprimindo o lúmen e forçando o bolo alimentar para frente). O esfíncter
esofágico inferior se abre e permanece relaxado durante toda a deglutição,
permitindo a entrada do bolo alimentar no estômago. Assim que o bolo
alimentar passa por esse esfíncter, ele se fecha, finalizando a deglutição.
Siga em Frente...
O estômago é um órgão em forma de saco, localizado do lado esquerdo do
abdômen e que se comunica com o esôfago e duodeno (primeira parte do
intestino delgado). É responsável por transformar o bolo alimentar em uma
massa viscosa, chamada quimo, por meio da atividade muscular e química.
O estômago é dividido em quatro partes: a cárdia, o fundo gástrico, o corpo
gástrico e a parte pilórica (ou antro). A cárdia é a região de junção entre o
esôfago e o estômago, localizada imediatamente abaixo do esfíncter
esofágico inferior. O fundo gástrico corresponde a uma porção arredondada
superior e à esquerda da cárdia. O corpo gástrico fica logo abaixo do fundo
gástrico e corresponde à parte central (e maior) do estômago. E, ao final do
estômago, temos a parte pilórica, porção mais próxima ao intestino delgado,
composta pelo antro pilórico (em contato com o corpo gástrico), canal pilórico
e piloro. O piloro se comunica com o duodeno por meio de um esfíncter de
músculo liso, chamado músculo esfíncter do piloro. Quando o bolo alimentar
adentra o estômago, ele fica armazenado no fundo gástrico, podendo
permanecer por até 1 hora nesse local sem ser misturado com as secreções
gástricas, como o suco gástrico. Isso permite que a amilase salivar continue
realizando a quebra do amido. Conforme os movimentos peristálticos
passam pelo estômago, o bolo alimentar se movimenta do corpo gástrico ao
antro, em um processo chamado propulsão. Esse bolo alimentar é forçado
para trás, em direção ao corpo gástrico, em um movimento chamado de
retropulsão. Esses movimentos se repetem e fazem com que as partículas
grandes dos alimentos sejam degradadas ao ponto de passarem pelo óstio
pilórico. O resultado dessa ação mecânica é o bolo alimentar transformado
em um líquido com consistência de sopa, chamado de quimo.
Figura 1 | Anatomia do estômago. Fonte: adaptada de OpenStax (c1999-2024).
A mucosa gástrica é constituída, principalmente, por células parietais,
principais e mucosa. As células parietais produzem fator intrínseco
(glicoproteína necessária para a absorção da vitamina B12 no íleo) e ácido
clorídrico (HCl). As células principais secretam pepsinogênio e lipase
gástrica; as células mucosas secretam bicarbonato e muco. As secreções
dessas células formam o suco gástrico, que totaliza 2 a 3 L/dia. O HCl é
responsável pelo pH baixo do estômago (podendo variar de 1 a 4). Essa
acidez inicia a digestão das proteínas, ativando o pepsinogênio em pepsina
(enzima proteolítica). Essa enzima quebra as ligações peptídicas presentes
nas proteínas, degradando-as em fragmentos menores chamados de
peptídeos. Esses peptídeos são mais facilmente digeridos por outras
enzimas presentes no trato gastrointestinal, que continuam o processo de
quebra das proteínas em aminoácidos, os quais podem ser absorvidos no
intestino delgado. A pepsina também desempenha um papel importante na
defesa contra patógenos, pois pode degradar proteínas de organismos
invasores, destruindo-os. Outra enzima do estômago que também participa
da digestão química é a lipase gástrica, que hidrolisa os triglicerídeos
(especialmente de cadeia média e curta) em ácidos graxos e
monoglicerídeos. As células mucosas presentes na mucosa gástrica do
estômago desempenham um papel crucial na proteção do revestimento
gástrico contra o HCl e as enzimas digestivas presentes no suco gástrico.
Elas secretam muco e bicarbonato para criar uma barreira protetora e manter
o pH do estômago em níveis adequados para a digestão.
Figura 2 | Histologia do estômago. Fonte: adaptada de OpenStax (c1999-2024).
A secreção gástrica ocorre em três fases: cefálica, gástrica e intestinal. A
fase cefálica é desencadeada pela percepção dos alimentos, mesmo antes
de serem ingeridos, em resposta a estímulos sensoriais, como visão, olfato,
sabor e pensamentos sobre comida. Este estágio é coordenado
principalmente pelo sistema nervoso autônomo, especificamente pela divisão
parassimpática, e envolve a liberação de acetilcolina (ACh) como
neurotransmissor-chave, que estimula as células parietais e principais do
estômago a secretar ácido clorídrico e pepsinogênio, respectivamente. A fase
cefálica responde principalmente a estímulos condicionados e é responsável
por cerca de 30% da produção total de suco gástrico. A ACh também
estimula a secreção de gastrina pelas células G da mucosa gástrica. A
gastrina também induz a produção de ácido clorídrico pelas células parietais.
Quando o alimento chega ao estômago, temos o início da fase gástrica, na
qual a presença de peptídeos e aminoácidos do bolo alimentar também
estimula a liberação de gastrina, a qual serve de estímulo para a produção
de suco gástrico. A fase gástrica responde principalmente a estímulos físicos
e químicos e é responsável por cerca de 60% da produção total de suco
gástrico. A última fase da secreção gástrica é a intestinal, que ocorre quando
o quimo é liberado ao duodeno. A presença de ácido e lipídios no intestino
delgado estimula a liberação de hormônios, como secretina e colecistocinina
(CCK), que inibem a secreção gástrica. A secretina estimula a secreção de
bicarbonato pelas células pancreáticas para neutralizar o ácido no intestino
delgado, enquanto a CCK inibe a liberação de gastrina e reduz a motilidade
gástrica. Essa fase regula a velocidade de esvaziamento gástrico e impede a
sobrecarga do intestino delgado.
Agora, que você conheceu as principais características anatômicas e
funcionais da boca, do esôfago e do estômago, você é capaz de
compreender a importância do conhecimento desses conteúdos para uma
boa atuação profissional. 
Vamos Exercitar?
Agora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais
características anatômicas e funcionais da boca, do esôfago e do estômago
e como é o processo da deglutição, vamos retomar à situação-problema. A
partir de agora, vamos considerar o caso da Dona Isabel, de 82 anos, que
sofreu um acidente vascular (AVE) isquêmico, há um pouco mais de um ano,
o qual comprometeu todo seu lado direito. Como consequência, ela tem
apresentado dificuldade na hora de se alimentar, tendo muita dificuldade em
deglutir alimentos e líquidos, fazendo com que ela se engasgue com
frequência e não consiga engolir os alimentos. Ela também tem apresentado
escape de alimentos pelo nariz e pigarro após engolir, além de perda de
peso considerável que tem comprometido ainda mais sua saúde. Dona
Isabel procurou atendimento médico e foi diagnosticada com disfagia
orofaríngea neurogênica, ocasionada pelo AVE.
Agora, você já é capaz de explicar qual seria a relação do AVE isquêmico
com a presença da disfagia orofaríngea neurogênica apresentada pela Dona
Isabel e também que fases da deglutição estariam comprometidas nessa
situação. Vamos lá?!
Primeiramente, é importante lembrar que o esôfago é responsável por
transportar o alimento mastigado da boca até o estômago por meio dos
movimentos peristálticos, que são ondas coordenadas de contração
muscular ao longo de sua parede. Quando ocorre um AVE, seja ele
isquêmico ou hemorrágico, áreas do cérebro que controlam a deglutição
podem ser afetadas. Isso pode levar a disfunções na coordenação dos
músculos responsáveis pela passagem do bolo alimentar da boca até o
esôfago. A disfagia orofaríngea é uma das consequências mais comuns de
um AVE, em que há dificuldade na fase oral ou faríngea da deglutição,
podendo resultar em aspiração de alimentos ou líquidos para as vias
respiratórias. Além disso, o comprometimento neurológicocausado pelo AVE
pode resultar em disfunção do esfíncter esofágico inferior, levando a um
relaxamento inadequado deste músculo e, consequentemente, dificuldade na
passagem do alimento do esôfago para o estômago, caracterizando a
disfagia esofágica. Portanto, o AVE pode estar relacionado à disfagia
esofágica devido aos efeitos diretos sobre o controle neurológico da
deglutição, tanto na fase oral/faríngea quanto na fase esofágica. Vale
lembrar que a deglutição compreende três fases: oral, faríngea e esofágica.
Na fase oral, o bolo alimentar é formado e impulsionado para trás pela língua
em direção à faringe. Assim, a disfunção na fase oral da deglutição pode
afetar a passagem do bolo alimentar pelo esôfago, pois uma coordenação
inadequada dos músculos orofaríngeos pode resultar em uma entrada
insuficiente do bolo alimentar na faringe, dificultando seu subsequente
transporte pelo esôfago. Na fase faríngea, o bolo alimentar passa pela
faringe e é direcionado para o esôfago. Nessa fase, o esôfago desempenha
um papel passivo ao receber o bolo alimentar da faringe e iniciar os
movimentos peristálticos para transportá-lo para o estômago. Na fase
esofágica, o bolo alimentar é impulsionado pelo esôfago até o estômago por
meio de movimentos peristálticos. 
Saiba Mais
Digestão na boca
A boca, um dos componentes do sistema digestório, desempenha um papel
crucial no processo da digestão, tanto por meio da digestão mecânica quanto
da digestão química. Os dois processos são fundamentais para a quebra dos
alimentos e a preparação para a digestão posterior no trato gastrointestinal.
A mastigação quebra os alimentos em pedaços menores e forma o bolo
alimentar, enquanto a salivação fornece enzimas digestivas e lubrificação
para facilitar a digestão de amido e a deglutição. Esses processos são
fundamentais para a eficiência do sistema digestório e para a absorção
adequada de nutrientes pelo corpo.
Para saber mais sobre a participação da boca no processo da digestão,
acesse a seguinte obra:
A boca. Khan Academy.
Processo de deglutição e movimentos
peristálticos
A deglutição é um processo complexo e vital que garante o transporte dos
alimentos da boca para o estômago de forma segura e eficiente, permitindo a
ingestão adequada de alimentos e líquidos, protegendo as vias respiratórias
e contribuindo para a nutrição e a qualidade de vida das pessoas.
Para saber mais sobre o processo da deglutição e a sua importância para o
nosso organismo, acesse a seguinte obra:
Etapas da deglutição. Kenhub.
Digestão no estômago
O estômago é essencial para o processo da digestão dos alimentos. Sua
participação nesse processo vai desde a sua capacidade de armazenamento
à liberação de ácido clorídrico e enzimas digestivas, sendo cada função
essencial para garantir que os alimentos sejam quebrados e preparados para
posterior absorção pelo corpo.
Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7
ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. cap. 21, p. 668-672. 
 
 
Referências Bibliográficas
CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2017.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
https://pt.khanacademy.org/science/5-ano/vida-e-evolucao-5-ano/sistema-digestorio/v/a-boca
https://www.kenhub.com/pt/library/fisiologia-pt/etapas-da-degluticao
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0
OPENSTAX. Anatomy and Physiology 2e: 23.4 The Stomach. [S. l.]:
OpenStax, c1999-2024. Disponível em: https://openstax.org/books/anatomy-
and-physiology-2e/pages/23-4-the-stomach. Acesso em: 16 jul. 2024.
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.
16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. 
Aula 3
DIGESTÃO E ABSORÇÃO NO
INTESTINO
Digestão e absorção no intestino
Olá, estudante! Nesta videoaula, você terá a oportunidade de mergulhar nos
intricados processos de digestão e absorção que ocorrem no intestino, além
de explorar o papel fundamental do fígado e do pâncreas nesse complexo
processo. Prepare-se para uma jornada de conhecimento enriquecedora!
Não perca esta oportunidade de expandir seus conhecimentos e aprimorar
sua prática profissional! Vamos lá!
https://openstax.org/books/anatomy-and-physiology-2e/pages/23-4-the-stomach
https://openstax.org/books/anatomy-and-physiology-2e/pages/23-4-the-stomach
Ponto de Partida
Nesta aula, você, estudante, irá continuar o estudo do sistema digestório.
Você conhecerá os fundamentos da digestão e absorção no intestino, bem
como irá compreender os papéis essenciais desempenhados pelo fígado,
vesícula biliar e pâncreas nesse complexo processo da digestão. Você
também será capaz de reconhecer a importância funcional de todo esse
processo, tornando possível a compreensão e aplicação desses
conhecimentos no seu dia a dia profissional.
A partir de agora, você irá acompanhar o caso de Maria, de 30 anos, que
procurou o serviço de emergência com dores abdominais intensas no
quadrante superior direito, acompanhadas de náuseas, vômitos e febre. Ela
relatou que os sintomas começaram há alguns dias e têm piorado
progressivamente. Além disso, Maria referiu uma dor intensa que irradiava
para o ombro direito. A dor iniciava em cólica e evoluía para contínua, sendo
desencadeada principalmente pela ingestão de alimentos gordurosos. Ao
realizar exames de imagem, ela foi diagnosticada com colecistite aguda.
Diante do quadro clínico grave, Maria precisou passar por uma cirurgia de
emergência para a remoção da vesícula biliar, conhecida como
colecistectomia. Ao receber alta do hospital, seu médico pediu que, a partir
daquele momento, ela tivesse uma dieta balanceada, com poucos alimentos
gordurosos. Isso seria essencial para evitar complicações e promover uma
boa saúde digestiva. Considerando o caso de Maria, você, estudante,
saberia explicar qual é a função da vesícula biliar no sistema digestório e
como ela está relacionada com a digestão de gorduras? Por que no caso da
colecistite, a dor se intensifica quando o indivíduo ingere alimentos
gordurosos? Por que após a remoção da vesícula biliar o ideal é uma dieta
com poucos alimentos gordurosos? Quais seriam as consequências de uma
dieta rica em alimentos gordurosos após a remoção da vesícula biliar? 
Vamos Começar!
Após a formação do quimo no estômago, este é movido para o próximo
seguimento do tubo gastrointestinal, o intestino delgado. A maior parte da
absorção e da digestão de nutrientes ocorre nesse seguimento. O intestino
delgado é um tubo com cerca de 3 metros de comprimento, que se estende
do estômago até o intestino grosso. Ele é dividido em um segmento inicial
denominado duodeno, com cerca de 25 cm de comprimento, seguido do
jejuno e, por fim, o segmento mais longo, denominado íleo, que se une ao
intestino grosso por um esfíncter de músculo liso, chamado óstio ileal. A
parede do intestino delgado é composta pelas mesmas quatro camadas que
formam a maior parte do canal alimentar: a túnica mucosa, a tela
submucosa, a túnica muscular e a túnica serosa. A mucosa do intestino
delgado possui diversas pregas que se projetam para o lúmen, semelhantes
a dedos de luva, denominadas vilos ou vilosidades. Entre as inserções das
vilosidades encontram-se as glândulas intestinais ou de Lieberkühn. No
epitélio da camada mucosa, encontramos diferentes tipos celulares: 1)
células absortivas ou enterócitos, que apresentam pequenas projeções
densamente agrupadas na porção apical, denominadas microvilosidades.
Essas células são responsáveis pela absorção de nutrientes, como glicose,
aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas, através das microvilosidades; 2)
células caliciformes, que secretam muco, que protegem a mucosa intestinal,
lubrificama superfície e ajudam na passagem do conteúdo intestinal; 3)
células de Paneth, localizadas nas criptas de Lieberkühn, são responsáveis
pela secreção de enzimas antimicrobianas, como a lisozima e a defensina,
que ajudam a proteger o intestino delgado contra bactérias patogênicas; 4)
células enteroendócrinas, secretoras de substâncias como serotonina,
gastrina, secretina, colecistocinina, glucagon e somatostatina, que regulam
funções do TGI, como a motilidade, a secreção de sucos digestivos e a
liberação de insulina e glucagon em resposta à presença de nutrientes; e 5)
células M, encontradas no epitélio da mucosa sobre as placas de Peyer
(situadas na submucosa do íleo), são responsáveis pela captura de
antígenos e partículas microbianas do lúmen intestinal e sua apresentação
aos linfócitos do sistema imunológico. Na submucosa duodenal, encontram-
se as glândulas de Brünner ou duodenais, que produzem um muco alcalino
espesso, que lubrifica a mucosa duodenal, a protege contra a ação do HCl.
Uma outra particularidade é a presença das pregas circulares na túnica
mucosa e tela submucosa. Essas cristas permanentes começam próximo à
parte proximal do duodeno e terminam aproximadamente na porção média
do íleo, aumentando a área de superfície para absorção, além de
promoverem o movimento do quimo em espiral conforme flui pelo intestino
delgado. Assim como as pregas circulares, as vilosidades e microvilosidades
aumentam a área de superfície para o processo de digestão e absorção.
Figura 1 | Anatomia do intestino delgado. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Siga em Frente...
Com a chegada do quimo no intestino delgado, o processo de digestão
química depende, em grande parte, da atividade de pâncreas, fígado e
vesícula biliar. O pâncreas é um órgão glandular, medindo,
aproximadamente, 12 a 15 cm de comprimento, e localizado posteriormente
à curvatura maior do estômago. O pâncreas é constituído de uma cabeça,
um corpo e uma cauda, e possui funções exócrinas e endócrinas. A parte
exócrina do pâncreas está diretamente relacionada com o processo de
digestão, sendo formada por ácinos (pequenos aglomerados de células
epiteliais glandulares), cujas células secretam o suco pancreático para o
interior do duodeno, por meio do ducto pancreático. O suco pancreático é
composto de água, eletrólitos, bicarbonato de sódio e várias enzimas. O
bicarbonato de sódio é importante para a neutralização do ácido clorídrico
proveniente do estômago, uma vez que o suco pancreático se mistura com o
quimo no duodeno. Ao elevar o pH do quimo, tornando-o menos ácido, o
bicarbonato de sódio interrompe a ação da pepsina do estômago e cria um
pH adequado (ambiente alcalino) para a ação das enzimas digestivas
pancreáticas, que são secretadas junto com o bicarbonato no duodeno. O
suco pancreático contém várias enzimas essenciais ao processo de digestão
dos nutrientes, como amilase pancreática, que digere o amido; tripsina,
quimotripsina, carboxipeptidase e elastase, que digerem proteínas em
peptídeos; lipase pancreática, que é a principal enzima que digere
triglicerídeos em adultos; ribonuclease e desoxirribonuclease, que digerem
ácido ribonucleico (RNA) e ácido desoxirribonucleico (DNA) em nucleotídeos.
A maior parte das enzimas secretadas pelo pâncreas é inativa e se torna
ativa quando chega ao intestino delgado. Como essas enzimas estão na
forma inativa, elas não digerem as células do próprio pâncreas. Quando o
tripsinogênio (forma inativa da tripsina) chega ao intestino delgado, é ativado
pela enteroquinase (uma enzima presente na borda em escova) e convertido
a tripsina, a forma ativa da enzima. A tripsina, por sua vez, atua no
quimotripsinogênio, procarboxipeptidase e proelastase para produzir a
quimotripsina, a carboxipeptidase e a elastase, respectivamente. A liberação
do suco pancreático é estimulada pela distensão do intestino delgado, pela
presença de alimentos, pelos sinais neurais e pelos hormônios secretina e
colecistoquinina (CCK). Quando o quimo ácido proveniente do estômago
entra no duodeno, ele estimula as células S enteroendócrinas, localizadas
principalmente no duodeno, que liberam secretina. Esse hormônio estimula a
produção e liberação de uma secreção rica em bicarbonato de sódio, ou
seja, do suco pancreático. A presença de proteínas e lipídios no quimo
estimulam as células I enteroendócrinas a liberar CCK, que induzem a
liberação das enzimas digestivas pancreáticas. Desse modo, a secretina e
CCK estimulam a liberação do suco pancreático para o duodeno. O suco
pancreático chega ao duodeno através do ducto pancreático e do ducto
pancreático acessório.
O fígado é a maior glândula do corpo e desempenha inúmeras funções
metabólicas e excretoras vitais. Está localizado imediatamente abaixo do
diafragma na cavidade abdominal. É dividido em dois lobos principais, o lobo
hepático direito, grande, e o lobo hepático esquerdo, menor, separados pelo
ligamento falciforme. Abaixo do fígado, no lobo hepático direito, está a
vesícula biliar, um órgão no formato de uma pera, medindo de 7 a 10 cm de
comprimento. A vesícula biliar pode ser dividida em fundo, corpo e colo. O
fígado é formado pelos hepatócitos, canalículos biliares e sinusoides
hepáticos. Os hepatócitos são as principais células funcionais do órgão,
compondo, aproximadamente, 80% do seu volume, e são o local de
produção da bile. Já os sinusoides hepáticos são capilares sanguíneos
altamente permeáveis, que ficam entre os enterócitos, onde recebem sangue
oxigenado da artéria hepática e sangue venoso rico em nutrientes da veia
porta do fígado. Os hepatócitos liberam bile constantemente, e sua produção
é aumentada conforme a presença de nutrientes durante o processo de
digestão e absorção. A bile é uma solução não enzimática de cor amarelada,
marrom ou verde-oliva, constituída por água, sais biliares, colesterol, lecitina,
bilirrubina (produto residual da degradação da hemoglobina) e produtos
insolúveis do metabolismo de xenobióticos e eletrólitos. Os sais biliares (sais
de sódio e sais de potássio) presentes na bile são derivados do colesterol e
agem na emulsificação dos lipídios, quebrando grandes glóbulos em
gotículas pequenas e permitindo o acesso da lipase pancreática para
hidrolisar os lipídios. Os sais biliares também ajudam na absorção de lipídios
após a sua digestão. Embora a bile seja secretada continuamente nos
hepatócitos, sua produção é aumentada durante as refeições, conforme a
digestão e a absorção prosseguem no intestino delgado. Nos intervalos entre
as refeições, depois que a maior parte da absorção já ocorreu, o ducto biliar
se fecha e a bile flui para dentro da vesícula biliar para ser armazenada. A
bile produzida pelos hepatócitos é drenada pelos canalículos biliares, os
quais, por sua vez, se rearranjam e formam o ducto colédoco, que é
responsável por liberar a bile no duodeno. O músculo do esfíncter da ampola
hepatopancreática é o responsável por manter fechada a entrada para o
duodeno (ducto colédoco). Com a chegada do quimo no duodeno, ocorre a
liberação dos hormônios secretina e CCK, que estimulam o fluxo biliar. A
secretina estimula a secreção de bile pelo fígado e a CCK faz a contração da
vesícula biliar e a liberação de bile no duodeno. O ducto pancreático se une
com o ducto biliar hepático antes de alcançar o duodeno, formando a ampola
hepatopancreática, de modo que as secreções pancreáticas e biliar se
misturam antes de entrarem no intestino.
A maior parte da digestão e absorção ocorre no intestino delgado, em razão
disso, ele é adaptado para aumentar sua superfície absortiva. Quando o
quimo chega ao duodeno, ocorre a formação de contrações rítmicas da
camada muscular circular. Essas contrações são controladas,
principalmente, pelo plexo mioentérico. Os movimentos de segmentação
misturam o quimo aos sucos digestórios e colocam as partículas de
alimentos em contato com a túnica mucosa para serem absorvidos. Esses
movimentos ocorrem mais rapidamente no duodeno e, de modo
progressivamente mais lento, no íleo. No entanto, elesnão empurram o
conteúdo intestinal ao longo do canal alimentar. Depois de a maior parte de
uma refeição ter sido absorvida, o que diminui a distensão da parede do
intestino delgado, os movimentos de segmentação cessam e o movimento
peristáltico se inicia. Ele começa na parte inferior do estômago e empurra o
quimo para a frente, ao longo de um trecho curto do intestino delgado. O
movimento peristáltico no intestino delgado faz com que o quimo alcance o
final do íleo em, aproximadamente, 90 a 120 minutos. Esse movimento se
repete, fazendo com que o quimo permaneça no intestino delgado por 3 a 5
horas. Assim, no intestino delgado, ocorre a finalização do processo de
digestão dos carboidratos, proteínas e lipídio, devido à mistura do quimo ao
suco pancreático, bile e suco intestinal no intestino delgado. O suco intestinal
é composto por água e muco e seu pH é ligeiramente alcalino, devido à alta
concentração de íons bicarbonato. As células absortivas do intestino delgado
sintetizam várias enzimas digestórias, chamadas enzimas da borda em
escova e, desta forma, parte da digestão enzimática ocorre na superfície das
células absortivas que revestem as vilosidades. Dentre as enzimas
digestivas presentes na borda em escova, temos: 1) quatro enzimas que
digerem carboidratos, a α-dextrinase, a maltase, a sacarase e a lactase; 2)
enzimas que digerem proteínas, as peptidases (aminopeptidase e
dipeptidase); e 3) dois tipos de enzimas que digerem nucleotídeos, as
nucleosidases e fosfatases. 
Todos os processos de digestão mecânica e química que ocorrem desde a
boca até o intestino delgado têm como objetivo alterar as formas dos
alimentos, para que eles possam ser absorvidos, ou seja, os nutrientes
digeridos passam do canal alimentar para o sangue ou linfa. Em torno de
90% de toda a absorção de nutrientes ocorrem no intestino delgado, e os
outros 10% ocorrem no estômago e no intestino grosso. Materiais não
digeridos ou não absorvidos que sobram no intestino delgado passam para o
intestino grosso, onde continua o processo de absorção.
O intestino grosso é a parte final do TGI, tendo como principais
funções: absorção de água, produção de determinadas vitaminas (como do
complexo B e K), fermentação, produção de muco, formação da massa fecal
e expulsão das fezes do corpo. Possui cerca de 1,5 m de comprimento e 6,5
cm de diâmetro em seres humanos vivos, se estendendo do íleo ao ânus. É
dividido em quatro regiões: ceco, cólon (ascendente, transverso,
descendente e sigmoide), reto e canal anal (ânus). Diferentemente do
intestino delgado, a camada mucosa no intestino grosso não tem pregas
(exceto no reto) e nem vilosidades. Contudo, existem as criptas, que
produzem muco e absorvem água da massa fecal. 
Figura 2 | Anatomia do intestino grosso. Fonte: adaptada de Needpix.
Agora que você conheceu as principais características anatômicas e
funcionais do intestino delgado e grosso, fígado, vesícula biliar e pâncreas
no processo da digestão, você é capaz de compreender a importância do
conhecimento desses temas para uma boa atuação profissional.
Vamos Exercitar?
Agora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais
características anatômicas e funcionais intestino delgado e grosso, fígado,
vesícula biliar e pâncreas e como essas estruturas participam do processo
da digestão e absorção de nutrientes, vamos retomar a situação-problema
do início da aula. A partir de agora, vamos considerar o caso de Maria, 30
anos, que procurou o serviço de emergência com dores abdominais intensas
no quadrante superior direito, acompanhadas de náuseas, vômitos e febre.
Os sintomas começaram há alguns dias e pioraram progressivamente. Além
disso, Maria apresentava uma dor intensa que irradiava para o ombro direito.
A dor iniciava em cólica e evoluía para contínua, sendo desencadeada
principalmente pela ingestão de alimentos gordurosos. Os exames de
imagem revelaram uma colecistite aguda. E, devido ao quadro clínico grave,
Maria precisou passar por uma cirurgia para a remoção da vesícula biliar,
uma colecistectomia. Ao receber alta do hospital, foi instruída a realizar uma
dieta balanceada, com poucos alimentos gordurosos, pois seria essencial
para evitar complicações e promover uma boa saúde digestiva. Agora, você
já é capaz de explicar: qual é a função da vesícula biliar no sistema
digestório e como ela está relacionada com a digestão de gorduras. Também
é possível explicar porque no caso da colecistite a dor se intensifica quando
o indivíduo ingere alimentos gordurosos, porque após a remoção da vesícula
biliar o ideal é uma dieta com poucos alimentos gordurosos e quais seriam
as consequências de uma dieta rica em alimentos gordurosos após a
remoção da vesícula biliar. Vamos lá?!
Primeiramente, é importante lembrar que a principal função da vesícula biliar
é armazenar e concentrar a bile produzida pelo fígado. Quando alimentos
gordurosos são ingeridos, a vesícula biliar libera bile no intestino delgado,
onde ela ajuda a emulsificar as gorduras, facilitando sua digestão e
absorção. A dor na colecistite geralmente se intensifica após a ingestão de
alimentos gordurosos devido à contração da vesícula biliar. Quando uma
pessoa ingere alimentos gordurosos, o estímulo para a liberação da bile da
vesícula biliar é aumentado. No entanto, se houver cálculos biliares
presentes na vesícula biliar ou se a vesícula estiver inflamada devido à
colecistite, a contração da vesícula para liberar a bile pode causar dor
intensa devido à obstrução parcial ou completa do fluxo de bile. Após a
remoção da vesícula biliar, recomenda-se seguir uma dieta com pouca
gordura e rica em fibras, incluindo alimentos como frutas, vegetais, grãos
integrais e proteínas magras. Evitar alimentos fritos, ricos em gordura
saturada e alimentos processados pode ajudar a minimizar os sintomas
digestivos. Isso porque, após a remoção da vesícula biliar, o fígado continua
a produzir bile, porém ela é liberada diretamente no intestino delgado, sem
passar e ser armazenada pela vesícula biliar, diminuindo a capacidade de
digestão de gorduras. Embora, muitas vezes, o fígado possa se adaptar
aumentando a produção de bile para facilitar a digestão de gorduras, após a
remoção da vesícula biliar, uma dieta rica em alimentos gordurosos pode
sobrecarregar o sistema digestório, levando a sintomas gastrointestinais,
como dor abdominal, flatulência e diarreia. 
Saiba Mais
Digestão no intestino
A digestão no intestino delgado desempenha um papel essencial na quebra
dos alimentos em nutrientes absorvíveis pelo corpo. Nesta porção do trato
gastrointestinal, enzimas digestivas secretadas pelo pâncreas e intestino
delgado decompõem proteínas, gorduras e carboidratos em seus
componentes básicos. Esses nutrientes são então absorvidos pelas
vilosidades intestinais e transportados para a corrente sanguínea,
fornecendo energia e nutrientes essenciais para as células do corpo. Assim,
a digestão no intestino delgado é crucial para a nutrição adequada e o
funcionamento saudável do organismo.
Para saber mais sobre o processo da digestão no intestino delgado, acesse
a seguinte obra:
Intestino delgado 1: estrutura. Khan Academy.
Absorção no intestino
A absorção no intestino delgado é vital para a assimilação dos nutrientes
essenciais dos alimentos. Por meio das vilosidades intestinais, os nutrientes
como glicose, aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas são absorvidos para a
corrente sanguínea e linfática, fornecendo energia e sustento para as células
do corpo. Essa absorção eficiente é crucial para manter um estado
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/gastrointestinal-system-introduction/v/small-intestine-part-1
nutricional adequado, suportar o crescimento, a reparação tecidual e o
funcionamento saudável de todos os sistemas do organismo.
Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7
ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. cap. 21, p.678-684.
Participação do fígado, vesícula biliar e pâncreas
no processo da digestão
O fígado, a vesícula biliar e o pâncreas são órgãos acessórios do sistema
digestório e são estruturas essenciais para o processo de digestão no nosso
organismo. O fígado produz a bile, que fica armazenada na vesícula biliar e
depois é liberada no intestino delgado para ajudar na digestão de gorduras.
O pâncreas secreta enzimas digestivas, cruciais para a quebra de
carboidratos, gorduras e proteínas. Juntos, esses órgãos garantem a eficácia
da digestão e absorção de nutrientes, promovendo a saúde e o bem-estar
geral do organismo.
Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 24, p.
962-968. 
 
 
Referências Bibliográficas
CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2017.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:2
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:2
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:2
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia.
16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. 
Aula 4
PATOLOGIAS E
FARMACOTERAPIA
ASSOCIADAS AO SISTEMA
DIGESTÓRIO
Patologias e farmacoterapia associadas
ao sistema digestório
Olá, estudante! Nesta videoaula, você terá a oportunidade de explorar as
principais patologias que acometem o trato gastrointestinal, bem como
entender como agem os medicamentos utilizados no tratamento dessas
patologias. Prepare-se para aprofundar seus conhecimentos e desenvolver
habilidades práticas para lidar com essas condições na sua rotina
profissional! Não perca esta oportunidade de expandir seus conhecimentos!
Vamos lá!
Ponto de Partida
Nesta aula, você, caro estudante, irá continuar o estudo do sistema
digestório. Você conhecerá as principais patologias relacionadas ao sistema
digestório, seus sinais e sintomas, bem como a farmacoterapia associada.
Você será capaz de compreender como esses temas o tornarão preparado
para desafios do cotidiano profissional, lidando com situações clínicas
complexas de maneira segura e competente. Portanto, mergulhe nesse
conhecimento com entusiasmo e dedicação, pois ele será fundamental em
sua jornada como futuro profissional. Vamos lá?!
A partir de agora, você irá acompanhar o caso do Pedro, 45 anos, vem
sofrendo de sintomas persistentes de queimação no estômago, desconforto
abdominal após as refeições e náuseas. Preocupado com sua saúde, ele
decide procurar um médico para investigar a causa desses sintomas. Após
uma consulta detalhada e a realização de exames clínicos, o médico solicita
uma endoscopia para avaliar o estado da mucosa gástrica de Pedro. Durante
a endoscopia, o médico observa que a mucosa gástrica de Pedro apresenta
vermelhidão, edema e erosões superficiais, características compatíveis com
um quadro de gastrite. Amostras da mucosa retiradas para análise patológica
também indicam a presença de um quadro de gastrite, evidenciando
inflamação e infiltrado de células inflamatórias na mucosa gástrica. Além
disso, o teste da urease realizado com a amostra indica a presença da
bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), o que contribui para o
desenvolvimento da gastrite de Pedro. Diante do diagnóstico de gastrite por
H. pylori, o médico prescreve um tratamento que inclui amoxicilina 1g
associado com claritromicina 500 mg, além do omeprazol 20 mg, a cada 12
horas, por 14 dias. E solicita o retorno de Pedro para reavaliação após o final
do tratamento medicamentoso. Considerando o caso de Pedro, você, caro
estudante, saberia explicar qual a relação da bactéria H. pylori com o quadro
de gastrite? Existem outros sintomas que podem estar associados a esse
quadro? Quais são os medicamentos prescritos para o tratamento da gastrite
por H. pylori e qual o mecanismo de ação de cada um deles? Além da
terapia medicamentosa, que outras medidas de estilo de vida Pedro pode
adotar para auxiliar no tratamento da gastrite e promover a sua recuperação
completa? 
Vamos Começar!
O sistema digestório, responsável pela digestão e absorção de nutrientes
essenciais, pode ser acometido por uma variedade de patologias que
comprometem sua função, desde condições comuns, como gastrite e
úlceras, até doenças mais complexas, como doença inflamatória intestinal e
câncer gastrointestinal. As patologias gastrointestinais podem causar
sintomas debilitantes e impactar significativamente a qualidade de vida de
um indivíduo.
Gastrite
Uma das patologias mais comuns e que acomete o estômago é a gastrite.
Esta é uma inflamação na mucosa gástrica que pode ser classificada em
aguda ou crônica. A gastrite aguda é caracterizada por um processo
inflamatório súbito e temporário da mucosa gástrica. As causas mais
frequentes de gastrite aguda incluem: 1) o consumo excessivo de álcool; 2) o
uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroides (AINES), como ácido
acetilsalicílico (AAS) e ibuprofeno; 3) infecções graves; e 4) lesões
traumáticas, como queimaduras e lesões graves na mucosa gástrica. É
importante lembrar que o revestimento do estômago é impermeável ao ácido
que ele secreta e também a outras substâncias irritantes. Isso se deve à
existência da barreira de muco, secretado pelas células epiteliais mucosas
superficiais, que impede a digestão das paredes estomacais pelas
substâncias digestivas. Além disso, as células epiteliais mucosas do colo
secretam bicarbonato, que é um importante componente do muco gástrico e
ajuda a neutralizar o ácido clorídrico produzido pelas células parietais,
contribuindo para manter um pH adequado na mucosa gástrica. Existem
algumas substâncias que rompem essa barreira protetora do estômago,
como o AAS e o álcool, que conseguem atravessar a camada lipídica das
células do epitélio gástrico, ocasionando a destruição dessas células. O
álcool também pode estimular a secreção de ácido clorídrico. Quando a
barreira mucosa do estômago é quebrada, o epitélio fica vulnerável à ação
dos ácidos e das enzimas gástricas, podendo ocasionar processos
inflamatórios (gastrite) e até mesmo erosões na mucosa (úlceras). Os
sintomas da gastrite aguda são variados e incluem: pirose, desconforto
gástrico, vômito e, em casos mais graves, hemorragia e hematêmese
(sangramento visível ao vômito). Em alguns casos, a gastrite aguda pode ser
assintomática, como em casos de gastrite ocasionada por AAS. Na maior
parte dos casos, a gastrite aguda se caracteriza por um distúrbio
autolimitado, com recuperação e cicatrização completas dentro de alguns
dias após a eliminação da condição ou do agente desencadeante.
A gastrite crônica é marcada por uma inflamação contínua da mucosa
gástrica, que pode ser leve, moderada ou grave, dependendo da gravidade e
da duração da condição. Com o tempo, a gastrite crônica pode levar à atrofia
da mucosa gástrica, resultando na redução do número e da função das
glândulas gástricas. Isso pode comprometer a capacidade do estômago de
produzir ácido gástrico e enzimas digestivas, afetando a digestão e absorção
de nutrientes. Em alguns casos, a gastrite crônica pode causar metaplasia
intestinal, em que as células da mucosa gástrica são substituídas por células
intestinais, aumentando o risco de desenvolvimento de câncer gástrico. A
gastrite crônica pode ter diversas causas, incluindo uso prolongado de
AINEs, consumo excessivo deálcool, estresse crônico, refluxo biliar e
doenças autoimunes. Contudo, a infecção por Helicobacter pylori (H. pylori) é
a causa mais comum da gastrite crônica, acometendo o antro e corpo do
estômago. A H. pylori é uma bactéria gram-negativa, que pode colonizar as
células epiteliais secretoras de muco do estômago, produzindo enzimas e
toxinas que têm a capacidade de interferir na proteção local da mucosa
gástrica contra a ação do ácido, causar inflamação intensa e desencadear
uma reação imune. Além disso, a H. pylori produz amônia, que ajuda a
protegê-lo do ácido gástrico e lhe permite romper e penetrar a camada
mucosa. Essa bactéria é extremamente comum, encontrada em mais da
metade da população mundial, porém as taxas de contaminação são ainda
mais altas nos países mais pobres, onde o saneamento básico e os padrões
de higiene pessoal são precários. A principal forma de contaminação é a via
fecal-oral, pois a bactéria só consegue alcançar a mucosa gástrica pela
boca, visto que se trata de um microrganismo não invasivo. Os pacientes
podem ser assintomáticos ou apresentar vários graus de dispepsia
(sensação de dor ou desconforto na parte superior do estômago). A infecção
pode evoluir e causar gastrite erosiva e até mesmo úlcera gástrica. A longo
prazo, a infecção aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de
estômago. A endoscopia digestiva alta com biópsia e o teste de urease, são
bastante utilizados para o diagnóstico de H. pylori. O tratamento da gastrite
ocasionada por essa bactéria consiste em sua eliminação com um esquema
que utiliza de dois a três antibióticos (amoxicilina e claritromicina, por
exemplo) combinado com inibidores da bomba de prótons (omeprazol, por
exemplo), por um período de 7-14 dias. 
Úlceras
As úlceras pépticas são lesões que ocorrem no revestimento do estômago
(úlceras gástricas) ou no duodeno (úlceras duodenais) e estão geralmente
associadas à infecção por H. pylori, ao uso de AINES ou ao tabagismo. Os
sintomas mais comuns são dor epigástrica, sensação de queimação,
eructações e distensão abdominal. Na úlcera gástrica, esses sintomas
tendem a aparecer logo após uma refeição; na úlcera duodenal, de duas a
três horas após a refeição. O diagnóstico é dado por exame de endoscopia,
pelo qual se pode visualizar a úlcera e determinar seu grau de sangramento.
As complicações mais comuns da úlcera péptica são hemorragia, perfuração
(ocorre quando uma úlcera erode e atravessa todas as camadas da parede
do estômago ou do duodeno), além de obstrução do orifício de saída do
estômago. O tratamento da úlcera tem como objetivo erradicar a causa e
assegurar a cura definitiva da doença. Assim, o tratamento farmacológico
enfatiza a erradicação da H. pylori, a atenuação dos sintomas da úlcera e a
cicatrização da lesão. Fármacos neutralizadores de acidez, inibidores da
secreção ácida e protetores da mucosa são usados para atenuar os
sintomas e promover a cicatrização da cratera da úlcera. Anti-inflamatórios
não esteroides e AAS devem ser evitados, quando possível.
Náuseas e vômitos
As náuseas e os vômitos são respostas fisiológicas comuns a muitos
distúrbios do trato gastrointestinal (TGI). A náusea é definida como uma
sensação desagradável e mal definida, ocasionada pela estimulação do
centro bulbar do vômito e, frequentemente, antecede ou acompanha os
vômitos. Pode ter diferentes causas, como enxaqueca, hipoglicemia,
intoxicação alimentar, gastroenterite, enjoo de movimento, medicamentos,
entre outras. A ânsia de vômito consiste em movimentos espasmódicos
rítmicos do diafragma, da parede torácica e dos músculos abdominais, que
antecede ou se alterna com períodos de vômitos. O vômito é a expulsão
forçada e súbita do conteúdo gástrico pela boca e, em geral, é precedido de
náuseas. Atua como um mecanismo fisiológico protetor, diminuindo a
possibilidade de substâncias nocivas ingeridas causarem danos, uma vez
que resulta no esvaziamento do conteúdo do estômago e de algumas partes
do intestino delgado. O ato de vomitar envolve ativação do centro do vômito
(localizado na região dorsal da formação reticular do bulbo, perto dos
núcleos sensoriais do nervo vago) e da zona do gatilho quimiorreceptor
(localizada em uma área pequena do assoalho do quarto ventrículo, onde
fica exposta ao sangue e ao líquido cerebrospinal). O centro do vômito
recebe estímulos do sistema digestório e de outros órgãos, do córtex
cerebral e do aparelho vestibular, enquanto a zona do gatilho quimiorreceptor
é ativada por muitos fármacos e por toxinas endógenas e exógenas. O ato
de vomitar consiste em uma respiração profunda, fechamento das vias
respiratórias e desencadeamento de uma contração forte e violenta do
diafragma e dos músculos abdominais, acompanhada pelo relaxamento do
esfíncter gastresofágico. A respiração é interrompida durante o ato, que pode
estar acompanhado de tontura, vertigem, queda da pressão arterial e
bradicardia.
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Cálculos biliares
Uma outra patologia que acomete o TGI, mais especificamente a vesícula
biliar, é a colelitíase ou cálculos biliares. Esta doença é caracterizada pela
presença de um ou mais cálculos dentro da vesícula biliar, ocasionados pela
precipitação das substâncias contidas na bile, principalmente colesterol e
bilirrubina. Diferentes fatores podem contribuir para a formação dos cálculos
biliares, como: 1) desequilíbrio na composição da bile, dos componentes
como colesterol, bilirrubina e sais biliares, podendo ocorrer a formação de
cristais que eventualmente se aglutinam para formar os cálculos biliares; 2)
supersaturação da bile, com colesterol ou bilirrubina, devido a vários fatores,
como dieta rica em gordura, obesidade, gravidez, uso de contraceptivos
orais, diabetes e condições genéticas. Quando a bile contém uma
quantidade excessiva desses componentes, pode ocorrer a precipitação de
cristais, que se aglutinam e formam cálculos biliares; e estase biliar, que é a
redução do fluxo de bile nos ductos biliares, predispondo à formação de
cálculos biliares. Isso pode ocorrer devido a uma variedade de fatores,
incluindo contração inadequada da vesícula biliar, obstrução dos ductos
biliares, ou função anormal do esfíncter de Oddi, que regula o fluxo de bile
do ducto biliar comum para o intestino delgado. Geralmente, a colelitíase é
assintomática, sendo observados sintomas quando os cálculos obstruem o
fluxo biliar ou provocam inflamação. Nesses casos, observa-se a presença
de dor (cólica biliar), geralmente localizada no quadrante superior direito ou
na região epigástrica, podendo ser referida à parte superior do dorso, ombro
direito ou à região interescapular. Pode ser acompanhada de náusea e
vômitos. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha
para a detecção de cálculos na vesícula biliar. O tratamento geralmente
envolve a remoção cirúrgica da vesícula biliar, chamada colecistectomia.
Constipação intestinal
A constipação intestinal, também conhecida como prisão de ventre, é um
distúrbio na motilidade gastrointestinal, caracterizada pela dificuldade
persistente em evacuar ou pela passagem de fezes duras e secas,
geralmente associadas a uma frequência reduzida de evacuações. É uma
condição multifatorial, influenciada por diversos fatores que afetam a função
normal do intestino, como distúrbio primário da motilidade intestinal, um
efeito colateral de um fármaco, um problema associado à outra doença ou
um sintoma de lesões obstrutivas do sistema digestório. Incapacidade de
reagir ao desejo urgente de defecar, ingestão insuficiente de fibras dietéticas
e líquidos, enfraquecimento dos músculos abdominais, inatividade e repouso
ao leito, gestação e hemorroidas são as causas mais comuns de constipação
intestinal. Essa condição pode ser classificada em três grupos: 1)
constipação intestinal com trânsito normal, caracterizada por dificuldade
percebida de defecar que, em geral, melhora com o aumento da ingestão de
líquidos e fibras; 2) constipação intestinal com trânsito lento, caracterizada
por defecação infrequente e, comumente,

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