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Videoaula sobre sistemas de custeio: aborda conceitos, tipos, departamentalização e os quatro pilares do sistema de custos; inclui estudo de caso da confecção Rampage (etapas produtivas, estoque, terceirização) e discussão sobre acumulação e critério temporal.

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SISTEMAS DE CUSTEIO
Aula 1
SISTEMAS DE CUSTEIO
Sistemas de custeio
Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai obter mais informações sobre os
sistemas de custeio.
Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois serão estudados
os sistemas de custeio no âmbito empresarial, no qual decisões precisam ser
tomadas. Entretanto, para que isto ocorra, é preciso lançar mão de ferramentas
que forneçam dados sobre a estrutura de custos do processo produtivo em cada
etapa.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
Ponto de Partida
Rampage é uma confecção de roupas de pequeno porte que atua no ramo
desde 1989. Direcionada ao público feminino, construiu ao longo do período uma
característica de vanguarda para suas roupas, o que permitiu uma rápida
aceitação de sua clientela. Em seu processo produtivo, parte da construção de
suas coleções é elaborada em sua própria estrutura, e a outra parte é
terceirizada. A distribuição dos produtos é feita predominantemente a lojistas,
mas a empresa mantém o showroom para atender, em menor proporção, o
varejo.
Problematização:
A Rampage possui em seu processo de produção as seguintes etapas: I) a
criação, em que entra o trabalho do estilista e do modelista; II) a linha de corte;
III) estamparia; e IV) o fechamento da peça. Entre o processo de criação e a
linha de corte há a aquisição de materiais (tecidos e aviamentos) que são
estocados a fim de, posteriormente, seguirem para a linha de produção. A
confecção utiliza como forma de custeio o custo histórico. A forma de divulgação
é realizada de maneira intensa, fazendo uso do trabalho de blogueiras e
vlogueiras, o que permite acionar a produção conforme parte dos pedidos forem
sendo feitos antecipadamente.
Desta forma, os proprietários precisam determinar o sistema de acumulação dos
custos mais adequado, como forma de gerir melhor as etapas do sistema de
produção. Para isso, será necessário: i) identificar a forma de trabalho da
empresa; ii) identificar como os custos serão acumulados; iii) identificar o critério
temporal de apuração do custo.
Para essa atividade, deveremos estudar o sistema de custeio, o conceito e os
tipos, além das bases conceituais sobre a departamentalização. Os sistemas de
custeios são instrumentos utilizados pelas organizações, como forma de apurar
os custos que envolvem não só o processo produtivo, como também as áreas de
apoio da empresa. Então, vamos encarar mais esse desafio?
Vamos Começar!
Importância do sistema de custeio nas organizações
O sistema de custos proporciona informações importantes para uma decisão
mais segura por parte dos dirigentes nas organizações, ou seja, funcionará como
um fio condutor de dados e informações prévias para as altas instâncias
organizacionais, ao se posicionar como uma ferramenta de coleta de dados da
operação.
Nele, segundo Crepaldi (2004), encontramos um sistema que gerencia e
monitora o desempenho dos custos, sendo cada vez maior o número de
organizações que recorrem a essa ferramenta para projetar vendas de produtos
ou serviços que venham a atender às expectativas do mercado consumidor e
ofereçam lucro, de modo que se possa fazer escolhas entre fornecedores, entre
outras funções. Em outras palavras, o sistema de custo deve abordar uma visão
geral do negócio para auxiliar a empresa nos desafios que enfrentam diante das
disputas intermináveis por um espaço maior no mercado como um todo.
Para que você entenda, Borinelli, Beurem e Guerreiro (2003) argumentam que,
na prática, significará implantar métodos e tecnologias adequadas nos
subsistemas do ambiente empresarial, como: no modelo de gestão, no sistema
de gestão e informação, nos processos de operação, e também fomentar as
competências necessárias aos colaboradores.
Quando tratamos dos sistemas em custos, os cálculos em si são consequências
de métodos que as organizações adotam no sentido de compreender o
comportamento dos gastos em seu processo operacional, seja no campo
industrial (transformação), seja no campo da prestação de serviços.
Quanto aos elementos que compõem esse sistema de custos, podemos
considerar a esquematização, conforme o quadro a seguir:
Quadro 1 | Sistema de custos. Fonte: Paim (2016).
Vamos então entender esse processo? O sistema de custos nas organizações é
composto por quatro pilares: o sistema de produção, o sistema de acumulação
de custos, o sistema de custeio e o método de custeio. O papel de cada um no
processo pode ser esquematizado da seguinte forma:
Sistema de
Produção
Sistema de
Acumulaçã
o
Sistema de
Custeio
Método de
Custeio
Elemen
to
fundam
ental no
sistema
de
custos.
Reflete
o modo
como a
organiz
ação
realiza
suas
operaç
ões e
consom
e os
recurso
s.
Exempl
o: o
process
o de
compra
r a
matéria
-prima,
estocar,
produzi
r.
Traduz
como
os
custos
deverã
o ser
acumu
lados,
ou
seja,
por
ordem,
por
proces
so ou
híbrido
.
Exemp
lo: por
ordem
(indúst
ria da
aviaçã
o) por
proces
so
(indúst
ria de
produç
ão de
energi
a)
Dimen
siona
o
aspec
to do
tempo
na
apura
ção
dos
custos
.
Exem
plo:
se o
sistem
a de
acum
ulaçã
o for
por
ordem
, os
custos
poder
ão ser
tratad
os
pelo
seu
históri
co ou
Define o
método
pelo
qual
serão
alocados
o objeto
que será
custead
o, ou
seja,
pelo
custeio
por
absorçã
o, pleno,
variável,
dentre
outros.
Quadro 2 | Esquematização do sistema de custo. Fonte: adaptado pelo autor a
partir de Borinelli, Beurem e Guerreiro (2003).
Podemos observar, no esquema do sistema de custos, que cada elemento tem a
sua função no que tange à forma pela qual será o processo de trabalho (sistema
de produção); pela qual deverá ser feita a acumulação dos custos ao longo do
processo (sistema de acumulação); e pela qual deverá ser o esquema temporal
na apuração dos custos, ou seja, por histórico ou por predeterminação (sistema
de custeio). Outro ponto a se considerar é qual método deverá reger a apuração
do custo (método de custeio).
Siga em Frente...
Introdução à departamentalização
A departamentalização se refere à unidade mínima administrativa para alocação
dos custos e despesas de uma organização (Martins, 2010). Essa
departamentalização pode estar ligada a um departamento ou à
responsabilidade de uma pessoa. Em diversos momentos, o próprio
departamento em uma estrutura organizacional atua como o centro de custos,
em que são alocados os custos indiretos e as despesas.
É interessante observarmos que, no sistema de custos das organizações, os
métodos de apuração vão traduzir a forma pela qual as empresas
operacionalizam os processos de trabalho, ao mesmo tempo que os resultados
dos custos apurados poderão ser diferentes entre si em função da metodologia
de apuração que é empregada.
Outro ponto a ser ressaltado nesse contexto é que todos os tipos de acumulação
de custos, sejam eles por ordem, por processo ou híbrido (lembra-se deles?),
híbrido
(agroin
dústria
).
reais,
ou
pelo
aspec
to do
custo
pré-
deter
minad
o.
podem ser trabalhados tanto pelo custeio histórico, bem como pelo
predeterminado. Podemos também utilizar o método de custeio de absorção, o
custeio variável ou o custo ABC, para efeito de apuração.
Agora falemos a pouco sobre a questão de acúmulo dos custos de cada objeto,
destacando a importância de organizá-lo e analisá-lo. Mas que objeto é esse? E
por que organizar e analisar? Vamos responder a essas perguntas.
Vimos que o sistema de acumulação de custos se refere a uma parte do sistema
de custos de uma organização, certo? A sua função é a de acumular os custos
de uma forma organizada, em consonância com o modo de operação da
empresa e as decisões que ela precisa tomar. Com base nesse pressuposto,
entendemos que, no sistema de custos, será necessário identificar o que
desejamos mensurar, ou seja, por que é importante atribuir valor aos objetos que
consomem os recursos da empresa. Isso pode ser traduzido por meio de alguns
exemplos, conforme o quadro a seguir:
Quando o controle for Objetivo de decisão
Por produto
Analisar lucratividade, definir mix de
venda, produção ou cortede produto.
Por departamento
Avaliar a eficiência do departamento,
avaliar desempenho, reestruturação,
etc.
Por cliente
Analisar a rentabilidade, priorizar
atendimento.
Por atividade
Avaliar atividades que agregam valor,
reduzir custo e atividades, reestruturar
as atividades.
Por projeto
Decidir manter ou não determinado
projeto.
Por programa
Viabilizar a implementação e
manutenção de um programa.
Quadro 3 | Exemplos de objetos de custos e decisões. Fonte: adaptado pelo
autor a partir de Borinelli, Beurem e Guerreiro (2003).
Diante desse quadro, podemos verificar que a escolha do sistema de
acumulação a ser adotado nas organizações será regida de acordo com o tipo
de controle que se espera fazer, juntamente com a decisão que se queira tomar.
Um outro aspecto que você deve se atentar, segundo Horngren, Foster e Datar
(2000), será com relação às atividades ou às operações que serão realizadas no
processo produtivo da empresa. Veja bem, aqui chamamos a atenção com o
objetivo de enfatizar a importância que deve ser dada a esse aspecto, pois será
essencial para o gestor saber que tipo de informações deverá ser armazenado e
passar a ser objeto de estudo na verificação dos custos operacionais nas
organizações. 
Papéis fundamentais do sistema de custos
Os estudos de Parisi et al. (1997 apud Catelli, 2001) fornecem algumas dicas
para determinar o sistema a ser adotado de acordo com as características da
empresa.
Esquema de adoção de sistemas de custos:
As organizações: possuem modelo natural para identificar acumulação dos
recursos.
O modelo: mostra a forma como a empresa trabalha para gerar lucro.
As decisões: refletem o modo da organização (sistema organizacional).
As variáveis físicas: refletem o modo de operação da organização.
Importante: o sistema de produção é diferente do sistema de acúmulo de
custos de produção. Enquanto o primeiro se preocupa em “como fazer”, o
segundo se preocupa com “o gasto para fazer”.
É sempre bom lembrar que, de acordo com Martins (2010), o sistema de
produção pode ser por “processo” (quando a produção é de forma continuada
por longos períodos), por “ordem” (quando a fabricação de um produto não é de
maneira continuada) e também pelo sistema híbrido, que é uma junção do
sistema por processo e o sistema por ordem.
Podemos citar como exemplo do sistema híbrido o serviço de restaurante,
principalmente quando há o serviço à la carte e o serviço de self-service, dentre
outros. Percebam que a preocupação aqui é com o processo de trabalho, e a
acumulação do custo deve estar de acordo com o processo de produção da
organização. Vamos avançar mais um pouco!
Devemos chamar atenção para alguns outros aspectos, já que são elementos
que ajudam os gestores a decidirem sobre o sistema de cálculo dos custos mais
adequado. Por exemplo, definir um sistema de acumulação de custos não deve
ser feito em função do produto requerido pelo cliente, ou pela maneira como o
produto é vendido ao cliente.
E por que não devemos acumular custos dessa forma? De acordo com a
abordagem conceitual trabalhada, a escolha é determinada pela maneira como a
empresa faz o produto e como são consumidos os recursos para fazer o produto
ou serviço. Também não podemos nos esquecer da importância do modelo de
decisão, pois os gestores precisam que as informações estejam alinhadas ao
modelo utilizado na empresa para tomarem decisões.
Saiba que o modelo utilizado está relacionado às informações que são
necessárias para se tomar uma decisão. Para ilustrar, podemos observar
empresas que adotam como modelo avaliar o desempenho dos custos por
departamento, por áreas, por etapas do processo de produção, dentre outros.
Nestes casos, as informações serão configuradas para que venham nos
relatórios de custos no formato em que são avaliados os parâmetros de
desempenho. Portanto, a mensuração dos custos estará estruturada de forma
que o gestor possa identificar o modelo de produção da empresa e o que se
pretende custear.
Por essa razão, a escolha do modelo de acumulação do custo na organização
deve ser, de fato, em função do próprio sistema de trabalho em que é executada
a atividade de elaboração do produto, para que então seja possível criar um
sistema de custos de maneira adequada às necessidades da empresa. Não
estamos falando de vantagens ou desvantagens, pois estas variáveis
independem da escolha entre um ou outro.
Vamos Exercitar?
Entender o sistema de produção da empresa.
Sistema de produção
Confecção que adquire a mercadoria (tecidos, aviamento e materiais de criação),
estoca e elabora o produto (roupa). Trata-se de um processo de transformação
que ocorre em quatro etapas.
Basicamente este é o jeito de a empresa trabalhar, ou seja, é o seu processo
produtivo.
Sistema de acumulação
Início do processo se dá com a compra da matéria-prima. Em seguida, há a
estocagem dos materiais. A produção é acionada de acordo com pedidos feitos
pelos clientes.
Neste item, o que define o sistema de acumulação do custo é como a produção
da empresa é acionada; neste caso, será por encomenda.
Sistema de custeio
Neste sistema, o aspecto temporal da apuração do custo será, como informado,
pelo custo histórico; ou seja, já está definido que será por este método.
Conclusão:
A Rampage adquire materiais para posteriormente elaborar a roupa que consta
no catálogo (isso revela o jeito de trabalhar). Há quatro etapas para a elaboração
(isso demonstra o processo de trabalho).
A produção é acionada conforme o pedido.
A apuração do gasto é pelo custo histórico.
Logo, o sistema mais adequado é o sistema por ordem ou encomenda (são
sinônimas).
Saiba Mais
Contextos, paradigmas e sistemas de custeio
Nesse estudo, os autores destacam que os sistemas de custeio evoluem de
acordo com os requisitos de informação da tecnologia de gestão adotada. Esta,
por sua vez, depende da tecnologia de produção e do contexto histórico, 
econômico e social. Diante disso, conclui-se que o contexto globalizado de
competição, a tecnologia de base microeletrônica e o aumento da
responsabilidade social das empresas trarão mudanças substanciais às atuais
práticas de custeio; aponta-se a direção em que essas mudanças estão
ocorrendo.
Referências Bibliográficas
https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/view/3288
BORINELLI, Márcio Luiz, BEUREM, Ilse Maria, GUERREIRO, Reinaldo. Os
sistemas de acumulação de custos em organizações de serviços: um estudo de
caso em uma entidade hospitalar. Anais do X Congresso Brasileiro de
Custos, Guarapari, 15 a 17 de outubro de 2003.
CATELLI, Armando. Controladoria: uma abordagem da gestão econômica –
GECON. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2001.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 3ª ed.
São Paulo: Atlas, 2004.
HORNGREN, Charles T., FOSTER, George; DATAR, Srikant. Contabilidade de
custos. Rio de Janeiro: LTC, 2000.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.
PAIM, W. M. Análise de custos. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2016. Disponível em: http://cm-kls-
content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS
/U1/LIVRO_UNICO.pdf. Acesso em: 21 ago. 2024.
Aula 2
SISTEMA DE CUSTEIO POR
ABSORÇÃO
Sistema de custeio por absorção
Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai obter mais informações sobre o
sistema de custeio por absorção.
Este conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois será estudado o
custeio por absorção, que representa a apropriação dos gastos do processo
produtivo dos produtos ou serviços elaborados nas organizações. É um método
originário da aplicação dos princípios da contabilidade, em que os gastos
relacionados ao esforço de produção são alocados aos produtos ou serviços.
http://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS/U1/LIVRO_UNICO.pdf
http://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS/U1/LIVRO_UNICO.pdf
http://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS/U1/LIVRO_UNICO.pdfPrepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
Ponto de Partida
A Rampage possui duas grandes linhas de produtos que são denominadas
Fashion e Week. Nelas, os volumes de produção serão, respectivamente, 5.160
e 6.840 unidades; estas serão destinadas à coleção outono-inverno para o
próximo ano. Os gastos totais (custos e despesas) de operação estão assim
descritos:
Quadro 1 | Gastos totais de operação. Fonte: Paim (2016).
Assim, considerando os gastos e seus respectivos valores, foi solicitado a você
determinar: i) o custo indireto de fabricação total e unitário de cada produto; ii) a
despesa total e unitária por produto; iii) o custo direto total e unitário por produto;
e iv) custo unitário geral por produto. Cabe observar que o critério de rateio para
a distribuição dos custos será em função da proporção do volume de produção
dos respectivos produtos; e, para as despesas, 60% para o produto Fashion e
40% para o produto Week.
Para o desenvolvimento desta atividade, você vai elaborar uma planilha de custo
em que será necessário: a) separar os custos das despesas; b) classificar os
custos em diretos e indiretos; c) alocar os custos indiretos para os produtos; d)
alocar as despesas para os produtos; e) alocar os custos diretos para cada
produto.
Vamos encarar esse desafio?
Vamos Começar!
Gastos Valores (R$) Gastos Valores (R$)
Matéria-prima 340.000,00 Administração 64.400,00
Energia (produção) 27.500,00 Salários
(almoxarifado)
23.200,00
Embalagem 62.100,00 Salários
planejamento
34.200,00
Mão de obra 75.400,00 Seguro (produção) 9.200,00
Material de
escritório
1.300,00 Vendas e
marketing
94.300,00
Sistemas de custeio por absorção
O custeio por absorção é uma metodologia contábil que busca alocar todos os
custos de produção aos produtos, considerando tanto os custos diretos quanto
os indiretos. Essa abordagem visa proporcionar uma visão abrangente dos
custos envolvidos na fabricação de produtos, permitindo uma análise mais
precisa e completa da rentabilidade de cada item.
Uma das características distintivas do custeio por absorção é a inclusão de todos
os custos de produção diretos e indiretos nos custos dos produtos. Custos
diretos, como matéria-prima e mão de obra direta, são facilmente atribuídos a
produtos específicos. No entanto, os custos indiretos, como os de fábrica e
despesas gerais, apresentam um desafio maior na atribuição, pois não podem
ser facilmente rastreados até um produto específico.
A alocação de custos indiretos no custeio por absorção é realizada por meio de
rateios, baseados em critérios que buscam distribuir equitativamente esses
custos entre os produtos. Esses critérios podem incluir horas de mão de obra,
custo da matéria-prima ou até mesmo horas de produção. A escolha do critério
de rateio pode impactar significativamente os custos atribuídos a cada produto,
influenciando, assim, as decisões gerenciais.
Um dos principais benefícios do custeio por absorção é a conformidade com os
princípios contábeis geralmente aceitos, que exigem a inclusão de todos os
custos de produção nos custos dos produtos. Isso proporciona uma imagem
mais precisa do custo total envolvido na fabricação de bens e serviços, sendo
fundamental para a elaboração de relatórios financeiros precisos e para a
tomada de decisões estratégicas.
Entretanto, vale ressaltar que o custeio por absorção não está isento de críticas
e desafios. Uma das principais críticas é a distorção que pode ocorrer nos custos
dos produtos em ambientes onde há uma grande diversidade de produtos ou
onde a produção é altamente automatizada. Em tais casos, a alocação de custos
indiretos pode não refletir com precisão o consumo real de recursos por parte de
cada produto.
Além disso, o custeio por absorção pode ser sensível a variações no volume de
produção. Em períodos de baixa produção, uma maior parte dos custos fixos por
unidade é atribuída a cada produto, resultando em custos mais elevados. Por
outro lado, em períodos de alta produção, os custos fixos por unidade diminuem,
levando a uma redução nos custos atribuídos.
A análise dos resultados obtidos pelo custeio por absorção é crucial para a
gestão eficiente dos recursos e a maximização da lucratividade. Os gestores
devem estar cientes das limitações do método e considerar cuidadosamente os
impactos das decisões operacionais sobre os custos dos produtos. Além disso, a
compreensão dos custos fixos e variáveis é essencial para uma interpretação
precisa dos resultados.
Em suma, o custeio por absorção desempenha um papel vital na contabilidade
de custos, proporcionando uma visão abrangente dos custos de produção.
Embora tenha suas vantagens, é essencial que os gestores estejam cientes das
limitações e desafios associados a esse método, adotando uma abordagem
crítica na interpretação dos resultados para uma tomada de decisão eficaz.
Siga em Frente...
Aplicabilidade do custeio por absorção
Podemos abordar diferentes maneiras de estabelecer as alocações dos custos
nas organizações; como ponto de partida, discutiremos um dos métodos mais
presentes no ambiente empresarial: o sistema de custeio por absorção.
Afinal, o que vem a ser o sistema de custeio por absorção? Conceitualmente, o
custeio por absorção representa a apropriação dos gastos do processo de
fabricação dos produtos ou serviços elaborados nas organizações. Para Martins
(2010), é um método originário da aplicação dos princípios da contabilidade, em
que os gastos relacionados ao esforço de produção, e somente eles, são
alocados aos produtos ou serviços; sua finalidade será a de determinar o custo
dos produtos.
Para facilitar o entendimento, o custeio por absorção é uma das formas
existentes no sistema de custos das organizações para determinar quanto custa
para se fazer um produto ou elaborar um serviço. Agora, quais caminhos você
poderia trilhar para calcular a absorção do custo? Para responder a essa
pergunta, vamos verificar os procedimentos para a absorção dos custos.
Passo 1 – proceder com a separação dos gastos em: custos e despesas.
Passo 2 – proceder com a classificação dos custos em: diretos e indiretos.
Passo 3 – a partir dos critérios de rateio, alocar os custos diretos e indiretos
ao produto ou serviço.
Para melhor entendimento, vamos verificar na prática como funcionaria esse
processo inicial de separação dos gastos. Você pode acompanhar isso pelo
exemplo a seguir:
Separando os gastos:
Em um grupo de gastos como:
Administrativos => 60.000.
Matéria prima => 120.000.
Mão de obra => 40.000.
Transportes => 10.000.
Materiais de produção => 50.000.
Para o sistema de custeio por absorção, a ideia é saber dos gastos para
elaboração do produto. Logo, no momento inicial, deveremos apenas separar os
custos das despesas. Lembre-se de que as despesas aqui representam as áreas
de apoio, ou departamentos de serviços administrativos!
Portanto, os custos serão:
Matéria-prima => 120.000.
Mão de obra => 40.000.
Transportes => 10.000.
Materiais de produção => 50.000.
As despesas:
Administrativas => 60.000.
Para atender ao objetivo, precisamos proceder dessa forma, pois, no processo
de alocação dos custos, aqueles denominados diretos estão mais explícitos ou
mais evidentes, e a atribuição ao produto ou serviço fica mais fácil. Porém, os
chamados custos indiretos não ficam tão evidentes a ponto de serem alocados a
produtos ou serviços de maneira fácil, pois muitas vezes esses gastos podem
ser comuns tanto para um quanto para os demais produtos da empresa.
Nessas situações, a distribuição ou rateio dos custos indiretos são realizados
atribuindo critérios (estabelecidos pelo gestor) que muitas vezes podem ser
questionáveis, mas que são usados para estabelecer as alocações de custos
para os produtos ou serviços. 
Alocações de custos aos produtos
Para melhor ilustrar o método, vamos exemplificar! Considere que uma fábrica
de componentes eletrônicos incorra nos seguintes gastos totais:
 Quadro 2 | Gastos totais. Fonte: Paim (2016).
 Vamos considerar que a empresa tenhaduas linhas de produtos, que
denominaremos: Produto A e Produto B. O critério a ser adotado para a
distribuição dos custos indiretos será em função do volume de produção, mas
dependendo da empresa, poderia ser por volume de vendas. A previsão do
volume de produção para o Produto A será de 48.000 unidades e, para o Produto
B, de 32.000 unidades.
A distribuição dos custos diretos será de acordo com a proporção de consumo da
matéria-prima; o Produto A consome 40% e o Produto B, 60%. Dessa forma,
vamos verificar como ficará a composição do custo de cada produto, calculada
pelo total e unitariamente, tudo bem? Vamos lá!
Passo 1: separar os custos e as despesas.
Para proceder com a separação, podemos pensar: a empresa produz o quê? O
gasto faz parte do processo de produção? Se a resposta for positiva, será um
custo; se for negativa, será despesa!
Gasto Valor (R$) Gasto Valor (R$)
Matéria-prima 80.000 Embalagem 15.000
MOD 20.000 Vendas 40.000
Administração 30.000 Transportes 5.000
Temos como exemplo uma empresa que produz componentes eletrônicos;
responda às perguntas:
Quadro 4 | Perguntas: relação entre gastos e processos de produção. Fonte:
Gasto Pergunta Resposta
Matéria-prima Faz parte do processo de
produção?
Sim
Mão de obra direta Faz parte do processo de
produção?
Sim
Embalagem Faz parte do processo de
produção?
Sim
Administração Faz parte do processo de
produção?
Não
Vendas Faz parte do processo de
produção?
Não
Transporte Faz parte do processo de
produção?
Sim
Paim (2016).
Quadro 5 | Custos e despesas. Fonte: Paim (2016).
Passo 2: classificar os custos em diretos ou indiretos.
Novamente, para fazermos a classificação em custos diretos ou indiretos,
recorreremos às seguintes dicas: é para fazer o produto? Se a resposta for sim,
será um custo direto. Se a resposta for não, será um custo indireto!
Custos Valor (R$) Despesas Valor (R$)
Matéria-prima 80.000 Administração 30.000
Mão de obra direta 20.000 Vendas 40.00
Embalagem 15.000 
Transportes 5.000 
Total 120.000 70.000
 A partir dessa classificação, já podemos alocar os custos diretos para cada
produto de acordo com o critério de rateio a ser utilizado, conforme o enunciado
do exemplo.
Quadro 6 | Perguntas: classificação em custos diretos ou indiretos relação entre
gastos e processos de produção.Fonte: Paim (2016).
Passo 3: alocação dos custos diretos para cada produto.
No caso da matéria-prima, ficou definido que a alocação do gasto para o produto
“A” e “B” será de acordo com o volume de produção de cada um. Logo, o produto
A consome 40% da matéria-prima, e o produto B consome 60%.
O gasto com matéria-prima foi de R$ 80.000. Então 40% x R$ 80.000 = R$
32.000, para o produto “A”; e 60% x R$ 80.000 = R$ 48.000, para o produto “B”.
O gasto com mão de obra direta também será de acordo com o consumo da
matéria-prima (como está no enunciado). Então, o gasto com mão de obra direta
será: 40% x R$ 20.000 = R$ 8.000, para o produto “A”, e 60% x R$ 20.000 = R$
Gasto Pergunta Resposta
Matéria-prima É para fazer o produto? Sim
Mão de obra direta É para fazer o produto? Sim
Embalagem É para fazer o produto? Não
Transportes É para fazer o produto? Não
12.000, para o produto “B”. O custo direto unitário é calculado pela divisão do
custo direto total pelo volume de produção.
Quadro 7 | Rateio dos custos diretos. Fonte: Paim (2016).
O que fizemos, por enquanto, foi atribuir os custos diretos a cada um dos
produtos da empresa. Perceba que o valor total dos custos não se altera, ou
seja, continua como 120.000; porém, 100.000 se referem a custo direto e 20.000,
a custo indireto. Desse valor, se quisermos saber qual é o custo direto para cada
produto total e unitário, teremos: 40.000, para o Produto “A” e 60.000, para o
Produto “B”.
Vamos Exercitar?
 Diretos Indiretos Total
Matéria-prima Produto A Produto B 
Mão de obra
direta
R$ 32.000 R$ 48.000 - R$ 80.000
Embalagem R$ 15.000 R$ 15.000
Transporte R$ 5.000 R$ 5.000
Custo direto
total
R$ 40.000 R$ 60.000 R$ 20.000 R$ 120.000
Volume de
produção (em
unidades)
48.000 32.000 
Custo direto
unitário
R$ 0,83 R$ 1,88
a) Separar os custos das despesas.
Quadro 8 | Custos e despesas
Custos Valores R$ Despesas Valores R$
Matéria-prima 340.000,00 Material de
escritório
1.300,00
Energia (produção) 27.500,00 Administração 64.400,00
Embalagem 62.100,00 Vendas e
marketing
94.300
Mão de obra direta 75.400 Total 160.000,00
Salários (PCP) 34.200,00 
Seguro (produção) 9.200,00
Total 571.600,00
b) Classificar os custos em diretos ou indiretos.
Alocar custos diretos e indiretos
Custos Direto Indireto Total
 Fashion Week 
Matéria-prima 146.200,00 193.800,00 340.000,00
Energia
(produção)
11.825,00 15.675,00 27.500,00
Mão de obra
direta
34.422,00 42.978,00 75.400,00
Embalagem 62.100,00 62.100,00
Salários
(almoxarifado
)
 
Salários
(PCP)
 
Seguro
(produção)
 
Total 190.447,00 252.453,00 128.700,00 571.600,00
Volume de
produção (em
unidades)
5.160 6.840 12.000
Custo direto
unitário
38,91 36,91 
Quadro 9 | Custos diretos e indiretos
Total de unidades produzidas = 12.000 peças (5.160 + 6.840).
Para alocar os custos diretos:
Fashion – 5.160 / 12.000 = 0,43 x 100 = 43%
Week – 6.840 / 12.000 = 0,57 x 100 = 57%
Matéria-prima:
Fashion: 340.000 x 43% = 146.200
Week: 340.000 x 57% = 193.800
Energia:
Fashion: 27.500 x 43% = 11.825
Week: 27.500 x 57% = 15.675
Mão de obra direta:
Fashion: 75.400 x 43% = 32.422
Week: 75.400 x 57% = 42.978
190.447 / 5.160 = 36,91
252.453 / 6.840 = 36,91
Quadro 10 | Alocação dos custos diretos e indiretos
Alocar custos diretos e indiretos
Custos Direto e indireto Total
 Fashion Week 
Matéria-prima 146.200,00 193.800,00 340.000,00
Energia
(produção)
11.825,00
15.675,00 27.500,00
Mão de obra
direta
32.422,00 42.978,00 75.400,00
Embalagem 26.703,00 35.397,00 62.100,00
Salários
(almoxarifado)
9.976,00 13.224,00 23.200,00
Salários (PCP) 14.706,00 19.494,00 34.200,00
Seguro
(produção)
3.956,00 5.244,00 9.200,00
Total 245.788,00 325.812,00 571.600,00
Volume de
produção (em
unidades)
5.160,00 6.840,00 12.000
Custo dir. e ind.
unitário
47,63 47,63 
Para alocar os custos indiretos:
Fashion - 5.160 / 12.000 = 0,43 x 100 = 43%
Week - 6.840 / 12.000 = 0,57 x 100 = 57%
Embalagem:
Fashion: 62.100 x 43% = 26.703
Week: 62.100 x 57% = 35.397
Salários:
Fashion: 23.200 x 43% = 9.976
Week: 23.200 x 57% = 13.224
Salários (PCP):
Fashion: 34.200 x 43% = 14.706
Week: 34.200 x 57% = 19.494
Seguro (produção):
Fashion: 9.200 x 43% = 3.956
Week: 9.200 x 57% = 5.244
245.788 / 5.160 = 47,63
325.812 / 6840 = 47,63
Saiba Mais
É o Custeio por Absorção o único método aceito pela Contabilidade?
Nesse artigo, apresenta-se uma discussão acerca da utilização de outro método,
que não o Custeio por Absorção, para a determinação dos custos dos produtos e
serviços na contabilidade financeira. Por meio de um estudo exploratório, teórico,
com base bibliográfica, observa-se que não há qualquer orientação que indique
algum método de custeio, como obrigatório, nas normas tributárias, contábeis ou
societárias.
Referências Bibliográficas
https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/view/1370
BORNIA, Antônio Cezar. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas
modernas. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2019.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.
PAIM, W. M. Análise de custos. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2016. Disponível em: http://cm-kls-
content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS
/U1/LIVRO_UNICO.pdf. Acesso em: 21 ago. 2024.
SANTOS, Joel J. Manual de Contabilidade e Análise de Custos. 7ª ed. São
Paulo: Atlas, 2017.
Aula 3
SISTEMAS DE CUSTEIO ABC
Sistemas de custeio ABC
Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai obter mais informações sobre o
sistema de custeio ABC.
Este conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois será estudado o
sistema de custeio ABC e seus aspectosconceituais, a aplicabilidade do método,
bem como os cálculos que serão necessários para elaborar o mapa de custos,
sob a perspectiva deste critério de apuração dos custos no âmbito
organizacional.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
http://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS/U1/LIVRO_UNICO.pdf
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Ponto de Partida
A Rampage, para a produção do próximo ano, necessita implantar processos de
melhoria para reduzir os índices de perdas de materiais na linha de produção.
Para isso, alguns gastos deverão ser realizados em áreas envolvidas no
processo produtivo para que a empresa alcance o seu objetivo.
Quadro 1 | Previsão custos indiretos adicionais. Fonte: Paim (2016).
Atividade Valores (R$) Gastos Valores (R$)
Compras 180.000,00 PCP 34.200,00
Almoxarifado 23.300,00 Controle de
qualidade
75.400,00
Os custos diretos e indiretos por unidade produzida, após serem elaborados os
procedimentos para determinar os valores pelo método do custeio ABC, serão:
Quadro 2 | Custos diretos e indiretos. Fonte: Paim (2016).
Ao realizar um estudo de correlações e regressões, identificou-se que os
direcionadores serão:
Quadro 3 | Direcionadores de custos. Fonte: Paim (2016).
Dessa forma, é esperado que você determine o valor do custo indireto adicional
unitário e total, e o custo total para fabricação dos produtos, considerando os
gastos relacionados às atividades e aos direcionadores de custos. Para o
Custos Fashion Week
Direto R$40,76 R$42,75
Indireto R$17,40 R$19,72
Volume de produção 5.160 6.840
 Fashion Week
Nº de pedidos de
compras
1.900 1.100
Nº de requisições 300 500
Horas de trabalho do
analista PCP
180 150
Horas de trabalho do
analista de controle de
qualidade
75 100
desenvolvimento da atividade, necessitaremos: a) Alinhar as atividades com os
direcionadores de custos.
b) Calcular os custos indiretos adicionais para cada um dos produtos.
c) Calcular os custos totais e unitários da operação.
Vamos encarar mais este desafio?
Vamos Começar!
Introdução ao sistema de custeio ABC
Agora, será a vez de abordarmos o sistema de custeio baseado em atividades
(ABC – Activity-Based Costing) e seus aspectos conceituais, a aplicabilidade do
método, bem como os cálculos que serão necessários para elaborar o mapa de
custos, sob a perspectiva deste critério de apuração dos custos no âmbito
organizacional.
Vamos entender o contexto desse método no ambiente das organizações? Os
sistemas tradicionais de apuração dos custos partiam da premissa de que os
custos indiretos afetavam muito pouco os custos diretos. Contudo, com a
inversão do modo de operação das organizações, devido à inserção de novas
tecnologias no processo de trabalho, há um substancial crescimento dos custos
indiretos e uma redução nos custos com mão de obra (Megliorini, 2012),
principalmente no ambiente das indústrias. A justificativa se baseia no advento
das novas tecnologias, já que há uma redução do custo da mão de obra, ou seja,
menos pessoas e mais máquinas!
Talvez você esteja se perguntando: onde entra o sistema de custeio ABC? Com
qual sua finalidade? O que pode trazer de novidade? Para formular as respostas
para tais reflexões, devemos entender que a implementação das novas
tecnologias nas operações das empresas já foi um importante motivo para a
adoção do método ABC, mas ainda não suficiente, pois os sistemas tradicionais
de apuração do custo poderiam atender de alguma forma a tais necessidades.
Quanto à finalidade, as organizações perceberam a necessidade de avaliar o
desempenho dos seus gastos no processo operacional de maneira mais
detalhada, observando o comportamento em cada uma das etapas de
elaboração do produto ou serviço. Era preciso verificar em quais das etapas de
trabalho poderiam apresentar restrições e pontualmente agir para correção de
tais distorções.
Podemos dizer que, como consequência das novas situações tecnológicas que
passaram a ocorrer no ambiente das empresas, haveria a necessidade de
implantar um modelo de apuração de gastos que permitisse ao gestor alocar os
custos a partir do uso dos recursos de cada área ou departamento da
organização.
Vamos esclarecer? O sistema de custeio ABC é um método que passou a ter a
notoriedade no ambiente das empresas devido a sua metodologia de apuração
dos gastos operacionais, principalmente dos custos indiretos e
consequentemente das despesas, que é o foco desta metodologia, mas sem
isentar os demais gastos nas organizações.
Conceitualmente, trata-se de uma ferramenta que permite a apuração dos custos
dos produtos ou serviços partindo da ideia de que os recursos disponíveis nas
organizações são consumidos de acordo com as atividades que estão em
execução, e os produtos ou serviços, ou o objeto de custeio, são resultados das
atividades que necessitam destes recursos (Megliorini, 2012). Em essência, o
método ABC de alocar os custos, para Martins (2010), procura reduzir as
distorções que ocorrem quanto à utilização do método de custeio por absorção
sobre os problemas dos parâmetros de rateio arbitrário.
Siga em Frente...
Propósito do custeio ABC
A proposta do custeio ABC é a de alocar os custos indiretos às atividades, pois
conceitualmente não são estas as atividades que geram os custos? Os custos
indiretos muitas vezes são comuns em parte das etapas ou em todo o processo
produtivo da empresa, e não é fácil a divisão desse tipo de gasto para as etapas
ou para os produtos finais!
Nesse contexto, o custeio ABC deve ser pensado da seguinte forma: os custos
indiretos que vierem a acontecer devem ser associados às suas atividades, com
os direcionadores de recursos que melhor venham representar as formas de
consumo dos departamentos, para em seguida alocá-los de acordo com a
atividade adequada (Megliorini, 2012).
Ao seguirmos no entendimento do método de custeio ABC, vamos compreender
as duas etapas de funcionamento desse critério, começando pela etapa 1:
1ª etapa custeio ABC:
Identificar: as atividades que são executadas nos departamentos.
Tipos: atividades que deverão ser identificadas como mais relevantes.
Técnica para levantamento de informações: entrevistas com gestores,
aplicação de questionários e observação direta.
Para sua melhor compreensão, na primeira etapa do método ABC, devemos
observar que, para a sua aplicação, é necessário identificar as etapas que são
operacionalizadas em cada departamento. Em seguida, após identificar as
atividades que são executadas, devemos verificar quais são as mais relevantes.
Como forma de executar este trabalho, sugere-se a entrevista com gestores,
aplicação de questionários ou até mesmo por meio da observação direta.
2ª etapa custeio ABC:
Valorar: custos dos recursos.
Alocar: aos objetos de custeio.
Atribuir: 1º por apropriação direta; 2º por rastreamento; 3º por rateio.
É importante esclarecer que, quanto às atribuições, podemos entender como
apropriação direta quando identificamos os recursos com uma atividade bem
específica. Essa atribuição também pode ser feita por rastreamento, que significa
verificar, por meio dos direcionadores, os recursos que melhor representarão a
relação entre recurso e atividade. Finalmente utilizamos o rateio quando já não
há meios de apropriar via apropriação direta ou por rastreamento; como
alternativa, efetua-se a distribuição (rateio) do custo considerando um parâmetro
que represente essas atribuições.
Atividades e direcionadores de custos
O custeio ABC é uma metodologia de apuração de custos que se destaca por
sua abordagem detalhada na alocação de custos indiretos. Este sistema oferece
uma visão mais precisa dos gastos operacionais, especialmente em um cenário
empresarial marcado por mudanças tecnológicas e complexidades nas
operações. Vamos explorar o papel fundamental das atividades e direcionadores
de custosno contexto do custeio ABC.
No custeio ABC, as atividades desempenham um papel central na apuração dos
custos. Uma atividade é qualquer ação executada na organização para criar,
produzir ou entregar um produto ou serviço. Diferentemente do custeio
tradicional, que se concentra em departamentos e processos, o ABC destaca as
atividades como unidades de análise, permitindo uma compreensão mais
granular dos custos envolvidos.
A metodologia ABC preconiza a atribuição de custos às atividades,
reconhecendo que os custos indiretos são originados devido à realização de
atividades específicas. Cada atividade consome recursos da empresa, e a
alocação de custos é direcionada de acordo com a intensidade do uso dessas
atividades pelos produtos ou serviços.
Os direcionadores de custos são fatores que estabelecem a relação entre as
atividades executadas e os custos incorridos. Esses direcionadores podem ser
classificados em duas categorias principais: direcionadores de recursos e
direcionadores de atividades.
Os direcionadores de recursos identificam como as atividades consomem os
recursos disponíveis na organização. Por exemplo, se uma atividade demanda
horas de máquina, o número de horas de máquina pode ser um direcionador de
recursos. A associação correta dos recursos às atividades é essencial para a
precisão na alocação de custos.
Os direcionadores de atividades identificam como os produtos ou serviços
consomem as atividades. Em outras palavras, eles revelam em que medida um
determinado produto utiliza as atividades da empresa. Um exemplo seria o
número de pedidos processados, que poderia ser um direcionador de atividade
para uma atividade de processamento de pedidos.
O primeiro passo na implementação do Custeio ABC é identificar e classificar as
atividades realizadas pela organização. Isso envolve entender todas as ações
que contribuem para a produção ou entrega de produtos e serviços.
Com as atividades identificadas, o próximo passo é determinar os direcionadores
de custos adequados. Isso requer uma análise cuidadosa para garantir que os
direcionadores escolhidos reflitam de maneira precisa a relação entre atividades,
recursos e custos.
Uma vez estabelecidos os direcionadores de custos, procede-se à atribuição de
custos às atividades. Isso é feito considerando o consumo de recursos por cada
atividade, utilizando os direcionadores para distribuir os custos indiretos de forma
mais acurada.
Vamos Exercitar?
1° Passo: associar as atividades aos direcionadores para que se possam
calcular os valores dos custos diretos unitários por atividade.
Calculando o custo unitário de cada direcionador, utilizaremos as informações
dos gastos com as atividades a serem desenvolvidas e dividiremos pelos totais
dos direcionadores de atividade. É importante, neste processo, fazermos o
alinhamento da atividade com o direcionador, para que os dados gerados
estejam apresentados de forma coerente.
Quadro 4 | Alinhamento das atividades e direcionadores
Compras: 180.000 / 3.000 pedidos de compras = R$ 60,00 por pedido de
compra.
Almoxarifado: 23.200 / 800 requisições = R$ 29,00 por requisição.
PCP: 34.200 / 330 horas-trabalho = R$ 103,64 por hora-trabalho.
Controle de qualidade: 75.400 / 175 hora-trabalho = R$ 430,86 por hora.
2º Passo: vamos atribuir os custos indiretos deste processo de melhoria a cada
um dos produtos respeitando a quantidade proporcionalmente consumida. Para
Atividades (o
que precisa ser
feito)
Direcionadores
(como deverá
ser feito)
Valores (R$) Quantidade
Custo indireto
unitário (R$)
Compras
Nº de pedidos
de compras
180.000 3.000 60,00
Almoxarifado
Nº de
requisições
23.200 800 29,00
PCP
Horas de
trabalho do
analista PCP
34.200 330 103,64
Controle de
qualidade
Horas de
trabalho
analista C.Q
75.400 175 430,86
isso, vamos montar um mapa de rateio.
Faremos a multiplicação do custo unitário de cada item do custo indireto pela
quantidade de consumo de cada produto (ver o quadro dos direcionadores de
consumo).
Quadro 5 | Multiplicação dos custos 
Compras = custo indireto unitário x quantidade de consumo por produto
Fashion = 60,00 x 1.900 = 114.000,00
Week = 60,00 x 1.100 = 66.000,00
Atividades Fashion Week Total
Compras R$114.000,00 R$66.000,00 R$180.000,00
Almoxarifado R$8.700,00 R$14.500,00 R$23.200,00
PCP R$ 18.654,55 R$ 15.545,45 R$ 34.200,00
Controle de qualidade R$ 32.314,29 R$ 43.085,71 R$ 312.800,00
Custo indireto total R$ 173.668,84 R$ 139.131,16 R$ 312.800,00
Volume de eventos 5.160 6.840 12.000
Custo unitário indireto
adicional
Custo unitário indireto
R$ 17,40 R$ 19,72
 
 
Custos diretos R$40,76 R$42,75 
Custo unitário geral
(direto+indireto+indiret
o adicional
R$91,82 R$82,81 
Almoxarifado = custo indireto unitário x quantidade de consumo por produto
Fashion = 29,00 x 300 = 8.700,00
Week = 29,00 x 500 = 14.500,00
PCP = custo indireto unitário x quantidade de consumo por produto
Fashion = 103,64 x 180 = 18.654,55
Week = 103,64 x 150 = 15.545,45
Controle de qualidade = custo indireto unitário x quantidade de consumo por
produto
Fashion = 430,86 x 75 = 32.314,29
Week = 430,86 x 100 = 43.085,71
Obs.: para os cálculos, fique atento aos arredondamentos
Desta forma, o custo total, considerando o custo indireto adicional será de R$
91,82 para o produto Fashion e R$ 82,81 para o produto Week!
Saiba Mais
Implantação do sistema do custeio ABC em empresa prestadora de serviços de
saúde: vantagens e limitações
Esse trabalho procura demonstrar a possibilidade de empresas prestadoras de
serviços obter ganhos de eficiência e controle de custos aplicando a metodologia
do sistema de custeio com base no sistema ABC. Após seu desenvolvimento na
década de 1960, esse sistema foi pouco usado, tendo ressurgido através de
trabalhos desenvolvidos na década de 1980 após se reconhecer que os
controles de custos e ganhos de eficiência podem propiciar vantagens
estratégicas importantes.
Referências Bibliográficas
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MEGLIORINI, Evandir. Custos: análise e gestão. 3ª ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2012.
https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/view/3168
https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/view/3168
PAIM, W. M. Análise de custos. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2016. Disponível em: http://cm-kls-
content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS
/U1/LIVRO_UNICO.pdf. Acesso em: 21 ago. 2024.
SANTOS, Joel J. Manual de Contabilidade e Análise de Custos. 7ª ed. São
Paulo: Atlas, 2017.
Aula 4
SISTEMA DE CUSTEIO VARIÁVEL
Sistema de custeio variável
Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai obter mais informações sobre o
sistema de custeio variável.
Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional, pois vamos abordar
outra forma de identificar os gastos das empresas e atribuí-los aos produtos ou
serviços que serão elaborados; esta forma denominaremos sistema de custeio
variável.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
http://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS/U1/LIVRO_UNICO.pdf
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Ponto de Partida
A Rampage possui uma estrutura de gastos que estão relacionados aos
processos operacionais. Os referidos gastos são para a fabricação das duas
linhas de produtos, as quais serão desenvolvidas para a coleção de outono-
inverno, e os gastos com as áreas de apoio da empresa. O preço de venda
médio dos produtos é de R$ 270,00.
Os dados sobre os gastos se referem ao levantamento feito para os quatro
meses de atividade, cujo objetivo será o de elaborar uma planilha de custos de
produção, identificando os custos fixos e variáveis no período, que estão assim
projetados:
Quadro 1 | Previsão dos gastos. Fonte: Paim (2016).
 Desta forma, foi solicitado a você: i) separar os gastos fixosdas variáveis; ii)
determinar a parte fixa e a parte variável dos gastos semivariáveis; iii) apurar o
resultado do exercício pelo método de custeio variável para o período. Para o
desenvolvimento desta atividade, serão necessários: reclassificar os gastos,
determinar os custos variáveis e semivariáveis, além dos gastos fixos.
Portanto, vamos a mais este desafio!
 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Total
Matéria-prima 112.000,00 124.000,00 135.000,00 79.750,00 450.750,00
Custos
indiretos
56.400,00 62.350,00 65.400,00 39.500,00 223.650,00
Vendas/MKT 35.000,00 47.035,00 60.265,00 31.700,00 174.000,00
Administração 23.000,00 36.075,00 39.425,00 16.500,00 115.000,00
Salários 64.000,00 88.200,00 95.800,00 44.000,00 292.000,00
Qtde.
produção
2.500 3.600 4.400 1.500 
Vamos Começar!
Sistema de custeio variável
O sistema de custeio variável é uma abordagem contábil que desempenha um
papel crucial na gestão e análise de custos em organizações. Ao contrário do
método de custeio por absorção, que apropria todos os custos, fixos e variáveis,
aos produtos, o custeio variável foca apenas nos custos variáveis, enquanto os
custos fixos são tratados como despesas do período. Nesse contexto, é
essencial entender os principais conceitos relacionados a esse sistema e como
eles impactam a análise de custos.
Esse fato é referendado por Megliorini (2012) ao argumentar que, no âmbito
gerencial, os custos apurados pelo método de absorção, por exemplo, podem
não trazer as informações eficientes para uma tomada de decisão, em razão
justamente da forma pela qual a empresa venha a tratar os custos indiretos e a
sua respectiva absorção pelo produto elaborado.
O comportamento dos custos é central para o sistema de custeio variável.
Custos fixos permanecem inalterados, enquanto custos variáveis flutuam
proporcionalmente ao volume de produção ou vendas. Isso é particularmente
relevante em situações nas quais a demanda por produtos ou serviços varia. A
capacidade de identificar e isolar esses comportamentos permite aos gestores
compreender melhor como os custos se relacionam com a produção e as
vendas.
A margem de contribuição é um conceito-chave no custeio variável. Ela
representa a diferença entre as receitas obtidas com as vendas e os custos
variáveis associados à produção. Essa métrica fornece uma visão clara da
contribuição de cada unidade vendida para cobrir os custos fixos e gerar lucro. A
análise da margem de contribuição é valiosa para tomada de decisão, ajudando
a determinar a viabilidade econômica de produtos ou serviços específicos.
O sistema de custeio variável é uma ferramenta poderosa na tomada de
decisões gerenciais. Permite avaliar a rentabilidade de diferentes produtos ou
linhas de negócios, identificar pontos de equilíbrio operacional e entender o
impacto financeiro de alterações no volume de produção. Ao adotar essa
abordagem, as empresas podem tomar decisões mais informadas sobre
precificação, mix de produtos e estratégias de produção.
Apesar de suas vantagens, o sistema de custeio variável também apresenta
limitações. Em setores com altos custos fixos, essa abordagem pode subestimar
os custos totais associados à produção. Além disso, em ambientes de produção
complexos, onde a distinção entre custos fixos e variáveis pode ser desafiadora,
a análise pode se tornar mais complexa. Portanto, é crucial aplicar o sistema de
custeio variável com discernimento, considerando as características específicas
de cada negócio.
O sistema de custeio variável emerge como uma ferramenta valiosa na análise
de custos, proporcionando uma compreensão mais precisa do comportamento
dos custos em diferentes cenários operacionais. Sua capacidade de separar
custos fixos e variáveis, analisar a margem de contribuição e apoiar decisões
gerenciais fundamenta-se na busca por eficiência e rentabilidade. Ao adotar essa
abordagem, as organizações podem aprimorar seus processos de gestão
financeira, promovendo uma visão mais estratégica e informada sobre os custos
associados às suas operações.
Siga em Frente...
Análise de custos semivariáveis: método dos pontos
máximos e mínimos
A análise de custos é uma ferramenta fundamental para gestores e contadores,
permitindo uma compreensão mais profunda dos elementos que impactam a
rentabilidade e eficiência operacional de uma empresa. No âmbito dessa análise,
os custos semivariáveis desempenham um papel crucial. Vamos explorar o
conceito de custos semivariáveis, destacando o método dos pontos máximos e
mínimos como uma abordagem valiosa para compreender e gerenciar esses
custos singulares.
Custos semivariáveis, também conhecidos como custos mistos, apresentam
características tanto de custos fixos quanto variáveis. Essa natureza híbrida
torna a análise desses custos mais desafiadora, mas também mais essencial.
Exemplos comuns incluem salários que possuem uma parte fixa e uma variável
atrelada à produção, como comissões. A chave para gerenciar esses custos está
na identificação precisa das porções fixa e variável.
A identificação correta dos custos semivariáveis é crucial para uma análise
eficaz. O método dos pontos máximos e mínimos é uma ferramenta valiosa
nesse processo. Começa-se coletando dados de custos em diferentes níveis de
produção ou atividade. Ao analisar esses dados, é possível discernir a parte fixa,
que permanece constante em todos os níveis, e a variável, que muda
proporcionalmente com a atividade. Esse insight é vital para o planejamento
estratégico e tomada de decisões informadas.
A análise de custos semivariáveis não está isenta de desafios. Em alguns casos,
pode ser difícil separar claramente a porção fixa da variável. Além disso,
mudanças nas condições de mercado ou nas operações podem afetar a
natureza semivariável dos custos, exigindo uma análise contínua e ajustes na
gestão. A complexidade desses custos destaca a importância de métodos
analíticos robustos, como o dos pontos máximos e mínimos.
A análise de custos semivariáveis, especialmente por meio do método dos
pontos máximos e mínimos, é uma ferramenta valiosa para os gestores
modernos. A habilidade de discernir entre os elementos fixos e variáveis desses
custos proporciona uma visão mais nítida das operações financeiras. Ao
compreender e gerenciar eficazmente os custos semivariáveis, as empresas
podem maximizar o controle sobre sua estrutura de custos, impulsionando a
sustentabilidade e sucesso a longo prazo.
Vamos Exercitar?
Separar os custos fixos e os custos variáveis:
 Quadro 2 | Previsão dos gastos fixos
Quadro 3 | Previsão dos gastos variáveis
Temos como ponto mínimo a quantidade do mês 4, que é de 1.500, com o custo
variável total de R$ 119.250,00.
Temos como ponto máximo a quantidade do mês 3, que é de 4.400, com o custo
variável total de R$ 200.400,00.
 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Total
Vendas/MKT 35.000,00 47.035,00 60.265,00 31.700,00 174.000,00
Administração 23.000,00 36.075,00 39.425,00 16.500,00 115.000,00
Salários 64.000,00 88.200,00 95.800,00 44.000,00 292.000,00
Total 122.000,00 171.310,00 195.490,00 92.200,00 581.000,00
 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Total
Matéria-
prima
112.00,00 124.000,00 135.000,00 79.750,00 450.750,00
Custos
indiretos
56.400,00 62.350,00 65.400,00 39.500,00 223.650,00
Total 168.400,00 186.350,00 200.400,00 119.250,00 674.400,00
Quantidades 2.500 3.600 4.400 1.500 12.00
Quadro 4 | Calculando os valores das diferenças entre o máximo e o mínimo
 Para chegarmos ao custo variável unitário, teremos:
Custo variável unitário = 81.150,00 / 2.900 = R$27,98
Apurar o resultado do exercício:
Para a apuração dos resultados, devemos apenas alocar os valores referentes
às receitas e custos, em seus respectivos campos:
Começando pela receita = Preço de venda X quantidade
Período Volume de vendas (em
unidades)
Custo total (em R$)
3 4.400 200.400,00
4 1.500 119.250,00
Variação 2.900 81.150,00
Os custos fixos devem ser somados, para formar um total a cada mês.
Quadro 5 | Soma dos custos fixos
Saiba Mais
Comparativo entre o custeio por absorção, custeiovariável e o custeio ABC em
uma escola estadual
A utilização de um sistema de custeio, no Setor Público, pode possibilitar que os
gestores apliquem de uma melhor maneira os recursos disponíveis. Ao permitir
 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Total
 Preço de
venda
270,00 270,00 270,00 270,00 
Quantidad
e
2.500 3.600 4.400 1.500 
 Receita
com
vendas
675.000,0
0
972.000,0
0
1.188.000,
00
405.000,0
0
3.240.000,0
0
(-) Custo
variável
168.400,0
0
186.350,0
0
200.400,0
0
119.250,0
0
674.400,00
= Margem
de
contribuiçã
o
506.600 785.650,0
0
987.600,0
0
285.750,0
0
2.565.600,0
0
(-) Custos
fixos
122.000,0
0
171.310,0
0
195.490,0
0
92.200,00 581.000,00
= Lucro 384.600,0
0
614.340,0
0
792.110,00 193.550,0
0
1.984.600,0
0
https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/view/3773
https://anaiscbc.abcustos.org.br/anais/article/view/3773
uma visão mais ampla do todo, este sistema vem servir de subsídio para uma
melhor tomada de decisões. A problemática do artigo sugerido é identificar qual é
o método de custeio mais adequado à Escola Estadual de Ensino Fundamental e
Médio José Bronzeado Sobrinho.
Referências Bibliográficas
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MEGLIORINI, Evandir. Custos: análise e gestão. 3ª ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2012.
PAIM, W. M. Análise de custos. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional
S.A., 2016. Disponível em: http://cm-kls-
content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS
/U1/LIVRO_UNICO.pdf. Acesso em: 21 ago. 2024.
SANTOS, Joel J. Manual de Contabilidade e Análise de Custos. 7ª ed. São
Paulo: Atlas, 2017.
Encerramento da Unidade
SISTEMAS DE CUSTEIO
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai obter mais informações sobre o
sistema de custeio, seus tipos mais comuns e o conceito de
departamentalização.
Esse conteúdo é importante para a sua prática profissional e vai desenvolver as
competências gerais, que consistem em conhecer as teorias e métodos de
custeio para auxílio na tomada de decisão, além das competências técnicas que
se referem aos principais conceitos e metodologias de custos para apoio na
tomada de decisão gerencial.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
http://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201601/INTERATIVAS_2_0/ANALISE_DE_CUSTOS/U1/LIVRO_UNICO.pdf
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Ponto de Chegada
Para desenvolver a competência desta unidade, que é “compreender e aplicar os
diferentes tipos de sistemas de custeio, entendendo sua importância e vantagens
para as organizações; saber quando e como aplicar cada sistema de custeio,
considerando a natureza da atividade e os objetivos da análise, além das bases
conceituais sobre a departamentalização”, você deverá primeiramente conhecer
as teorias e métodos de custeio para auxílio na tomada de decisão, além das
competências técnicas que se referem aos principais conceitos e metodologias
de custos para apoio na tomada de decisão gerencial.
Para entendermos o sistema de custeio de uma organização, precisaríamos,
antes de mais nada, compreender o sistema de custos e como ele se constitui
em uma empresa.
O sistema de custo se refere a uma ferramenta que coleta, classifica e organiza
os dados da empresa relacionados aos custos e despesas de maneira geral,
relacionando-os aos produtos ou serviços. Ele permite ao gestor transformar os
dados em informações para que se possa decidir sobre diferentes situações na
empresa.
Esse sistema está composto por quatro elementos que se referem: ao sistema
de produção (que reflete como a empresa consome os recursos para fazer o
produto); ao sistema de acumulação (que traduz se a acumulação dos custos
será por ordem, por processo ou híbrido); ao sistema de custeio (critério de
cálculo do custo); e ao método de custeio (que se refere à forma pela qual será
alocado o custo).
A escolha de um sistema de custos mais adequado para a empresa não
depende de analisar a relação vantagem-desvantagem, mas sim de refletir a
rotina operacional da organização, ou seja, o sistema mais adequado será
aquele que representa, de fato, o jeito de a empresa trabalhar no processo de
elaboração do produto ou do serviço.
Perguntas-chave: como a empresa trabalha? De que forma é acionada a
produção? Qual o critério utilizado para calcular o custo?
Como chegar ao sistema adequado de custos para as organizações, entendendo
que, a cada situação, a escolha do sistema pode ser diferente?
O sistema de custeio por absorção se refere a uma forma, entre tantas, de
determinar o valor do custo de um produto ou serviço nas organizações. Possui
ampla utilização no ambiente organizacional em razão de sua aderência aos
princípios fundamentais da contabilidade, além de estar alinhado às questões da
legislação do imposto sobre a renda.
Esses são aspectos fundamentais para a aceitabilidade de um sistema de
apuração dos custos, mas não são os únicos.
A ideia do sistema de cálculo consiste na apuração dos custos, pela qual se
atribuem os gastos diretos e indiretos aos processos, às etapas ou aos produtos
finais, entre outros.
A questão de se atribuir aos processos, etapas ou produtos, os gastos incorridos
para produzir ou elaborar, consiste na seguinte premissa: os gastos existem em
uma organização porque existe um produto ou serviço a ser produzido ou
elaborado. Então, o conceito da absorção passa pela alocação dos custos
diretos e indiretos de produção.
A departamentalização é um instrumento importante, e que é utilizada para
elaborar os rateios para os diversos departamentos ou centros de custos, sejam
eles do setor produtivo, que envolve as áreas de produção e apoio à produção,
ou setor de serviços, que estão relacionados às áreas administrativas das
organizações, como o departamento de marketing, o de vendas, o financeiro e
administrativo, entre outros.
Vale destacar os problemas existentes no que concerne aos rateios
determinados de maneira arbitrária. A arbitrariedade aqui é entendida como os
critérios de distribuição dos gastos comuns, que são estabelecidos pelos
gestores ou algo do gênero, tornando questionáveis os modelos que estão
estabelecidos nas organizações.
Nos ambientes altamente competitivos, as organizações evoluíram modificando
suas estruturas de operação; como consequência, passou-se a ter cada vez
mais a necessidade de realinhar o fluxo de atividade e, ao mesmo tempo,
aperfeiçoar seus instrumentos de análise e desempenhos dos custos.
Para entender melhor o que isso significou, é possível verificamos que, nos
métodos tradicionais, as apurações do custo se pautavam na ideia de que os
custos indiretos influenciavam muito pouco os custos diretos de produção de
bens ou serviços. Porém, essa lógica se inverteu a partir do momento em que a
indústria (principalmente) passou a trazer inovações tecnológicas no processo de
operação, o que acarretou, como consequência, um aumento substancial nos
custos indiretos.
Ao mesmo tempo em que isso ocorreu, um processo inverso se desencadeou:
houve a redução dos custos com a mão de obra. Era perceptível que, nas
planilhas de custos das organizações, esse item mantinha um peso relevante na
composição dos custos para produção de um produto ou na elaboração de um
serviço.
Com um novo cenário se desenhando nas empresas, surgiu a preocupação de
estabelecer os rateios dos custos indiretos aos produtos (já que passaram a ser
relevantes), porém, a discussão era em qual proporção deveriam se atribuir os
rateios de gastos dessa natureza, ou até mesmo estabelecer o critério de
distribuição dos gastos indiretos.
Foi a partir dessa necessidade que surgiu o método de custeio ABC, que visa
estabelecer critérios de rateio dos custos indiretos, seja para os processos ou
para os produtos, de acordo com o nível de consumo que cada processo ou
produto venha a demandardos diversos setores ou áreas de uma organização.
O método ABC consiste em estabelecer os rateios aos produtos em função das
atividades, vinculadas ao que precisa ser feito, além dos direcionadores de
recursos, que se referem aos recursos que serão necessários para se executar
uma atividade no âmbito das organizações.
É Hora de Praticar!
O Restaurante Boi Bravo atua há duas décadas em serviços à la carte.
Tradicionalíssima no ramo, a empresa adota em seu sistema produtivo as
seguintes etapas: o processo tem início com a aquisição da mercadoria (matéria-
prima) que vai para o estoque.
Na ocorrência dos pedidos, os alimentos são retirados do estoque e enviados à
cozinha para o processo de elaboração dos alimentos, conforme a solicitação do
cliente.
Esse processo de transformação acontece em três etapas distintas até que o
produto fique pronto. Como critério de custeio, o restaurante adota o custo
histórico.
Diante deste contexto, determine o sistema de acumulação de custo mais
adequado para este restaurante.
Reflita
Qual ferramenta pode apresentar maior aderência às necessidades da
empresa?
Há diferenças na composição dos custos dos produtos em razão da adoção
de um sistema específico?
Por que é importante estabelecer critérios de rateios para os produtos
elaborados?
Resolução do estudo de caso
Sistema de produção:
Restaurante que adquire a mercadoria (alimento), estoca e elabora o produto
(comida). O processo de transformação para o produto final ocorre em três
etapas.
Sistema de acumulação:
Início do processo se dá com a compra da matéria-prima. Em seguida, há a
estocagem dos materiais. A produção é acionada de acordo com os pedidos
feitos pelos clientes.
Sistema de custeio:
Apuração pelo critério de custo histórico.
Conclusão:
Restaurante adquire mercadorias para posteriormente elaborar os pratos que
constam no cardápio (isso revela o jeito de trabalhar). Há três etapas para a
elaboração (isso demonstra o processo de trabalho). A produção é acionada
conforme o pedido. A apuração do gasto é pelo custo histórico.
Logo, o sistema mais adequado é o sistema por ordem ou encomenda.
Dê o play!
Assimile
Sistema de custo por absorção
Método de custeio por absorção, também chamado custeio pleno ou integral, é o
mais utilizado quando se trata de apuração de resultado. Ele consiste em
associar aos produtos e serviços os custos que ocorrem na área de elaboração,
ou seja, os gastos referentes às atividades de execução de bens e serviços.
Esse método, que satisfaz aos princípios fundamentais de contabilidade, não
considera as despesas como integrantes dos estoques dos bens e serviços, mas
todos os custos aplicados em sua obtenção.
O método de custeio por absorção é, do ponto de vista técnico-contábil, o mais
utilizado, por seguir os princípios contábeis que lhe são pertinentes e ainda por
atender à legislação em vigor no país. Ele possibilita a apuração de resultados e
o cálculo dos impostos e dos dividendos a distribuir, pois todos os custos de
produção (variáveis e fixos; diretos e indiretos) são incluídos no custo dos
produtos para fins de valoração dos estoques.
Na gestão de gastos, o custeio por absorção oferece uma análise mais completa
dos custos associados à produção. Isso permite que os gestores tomem
decisões embasadas ao precificar produtos, analisar a rentabilidade de linhas de
produção e identificar áreas de otimização de custos. Ao considerar todos os
custos envolvidos, o custeio por absorção contribui para uma gestão mais
estratégica e eficiente.
Em resumo, o custeio por absorção desempenha um papel crucial na gestão de
gastos, fornecendo uma base sólida para a tomada de decisões financeiras e
estratégicas. Ao considerar todos os custos associados à produção, essa
abordagem contribui para uma gestão mais eficiente e para a sustentabilidade
financeira das organizações.
Referências
BORNIA, Antônio Cezar. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas
modernas. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2019.
MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2010.
SANTOS, Joel J. Manual de Contabilidade e Análise de Custos. 7ª ed. São
Paulo: Atlas, 2017.

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