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Conteudista: Prof. Dr. Anderson Sena Barnabe
Revisão Textual: Esp. Pérola Damasceno
Objetivos da Unidade:
Conhecer os principais grupos de vitaminas;
Entender as funções de cada vitamina no organismo humano;
Compreender como as vitaminas participam dos diversos mecanismos
metabólicos atuando como coenzimas;
Identificar as principais doenças causadas pela falta de vitaminas
(avitaminoses).
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
Vitaminas e Coenzimas
Introdução
A homeostase corporal refere-se à capacidade do corpo de manter um ambiente interno estável,
apesar das flutuações externas. Envolve uma rede complexa de processos fisiológicos que
regulam vários parâmetros, como temperatura corporal, pH do sangue, equilíbrio eletrolítico e
níveis de fluidos. Os intrincados mecanismos da homeostase do corpo garantem o
funcionamento ideal das células, tecidos e sistemas de órgãos. Trata-se de um processo
dinâmico e altamente regulado que garante a estabilidade e o funcionamento ideal do ambiente
interno do corpo. A interação entre vários sistemas reguladores, como termorregulação,
equilíbrio ácido-base, equilíbrio eletrolítico e hídrico, regulação da glicose no sangue e troca
gasosa, permite que o corpo se adapte às mudanças e mantenha o equilíbrio. Compreender os
mecanismos da homeostase do corpo é crucial para identificar e gerenciar interrupções que
podem levar a doenças ou desequilíbrios no corpo (BATISTA et al., 2007).
Por sua vez, o metabolismo corporal refere-se aos processos bioquímicos complexos que
ocorrem nos organismos vivos para converter alimentos em energia, construir e reparar
tecidos, e manter funções vitais. Envolve uma série de reações químicas que ocorrem dentro das
células, coletivamente conhecidas como vias metabólicas. O metabolismo é um processo
altamente regulado e intrincado, que governa os requisitos de energia e o funcionamento geral
do corpo humano. As vias metabólicas interconectadas, incluindo o metabolismo de
carboidratos, lipídios e proteínas, garantem a disponibilidade de energia e nutrientes para as
atividades celulares. Compreender as complexidades do metabolismo corporal é essencial para
desvendar os mecanismos subjacentes dos distúrbios metabólicos e desenvolver intervenções
terapêuticas eficazes (BATISTA et al., 2007).
1 / 3
📄 Material Teórico
Inúmeros constituintes corporais contribuem para os processos metabólicos do corpo humano
e, consequentemente, para a manutenção do estado de homeostasia. Esta Unidade pretende
descrever dois destes constituintes: vitaminas e coenzimas.
Vitaminas
As vitaminas são compostos orgânicos essenciais para o funcionamento normal do organismo.
Elas são necessárias em pequenas quantidades, e desempenham um papel crucial em vários
processos fisiológicos, como metabolismo, crescimento e manutenção da saúde. As vitaminas
não podem ser sintetizadas em quantidades suficientes pelo corpo e, portanto, precisam ser
obtidas da dieta ou por meio de suplementos. Existem treze vitaminas conhecidas, que são
classificadas em duas categorias: vitaminas hidrossolúveis (vitaminas do complexo B e vitamina
C) e vitaminas lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K) (BATISTA et al., 2007).
Vitaminas Hidrossolúveis
As vitaminas hidrossolúveis são um grupo de nutrientes essenciais que desempenham papéis
cruciais em vários processos fisiológicos. Elas incluem as vitaminas do complexo B (tiamina,
riboflavina, niacina, ácido pantotênico, piridoxina, biotina, folato e cobalamina) e a vitamina C.
Ao contrário das vitaminas lipossolúveis, as vitaminas hidrossolúveis não são armazenadas em
grandes quantidades no corpo, necessitando de ingestão regular para manter a saúde ideal. Essa
Unidade fornece uma visão geral das vitaminas hidrossolúveis, suas funções, fontes dietéticas e
possíveis implicações para a saúde.
Vitaminas do Complexo B
Tiamina (Vitamina B1)
A tiamina é uma vitamina essencial para converter carboidratos em energia e manter a função
adequada, por exemplo, do sistema nervoso. Boas fontes dietéticas de tiamina incluem grãos
integrais, legumes, nozes e carne de porco.
A estrutura química da tiamina (Figura 1) consiste em um anel tiazólico e um anel pirimidina
conectados por uma ponte metileno. O anel tiazol contém um átomo de enxofre, enquanto o anel
de pirimidina contém um átomo de nitrogênio. A tiamina tem uma fórmula molecular de
C12H17N4OS e um peso molecular de 265,36 g/mol. A estrutura descrita permite que ela
participe de várias reações enzimáticas envolvidas no metabolismo de carboidratos. Ele serve
como uma coenzima na conversão de glicose em energia, particularmente na forma de trifosfato
de adenosina (ATP). Tiamina pirofosfato (TPP), a forma ativa da tiamina, atua como um cofator
para enzimas como piruvato desidrogenase e alfa-cetoglutarato desidrogenase, que são
essenciais no ciclo do ácido cítrico e na quebra da glicose.
Figura 1 – Estrutura da tiamina
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da tiamina com anéis benzênicos Nitrogênio,
Hidrogênio, Carbono e Oxigênio. Fim da descrição.
Importante!
Muitas enzimas requerem componentes químicos não protéicos para
Riboflavina (Vitamina B2)
A riboflavina está envolvida na produção de energia, reparo tecidual e defesa antioxidante. Pode
ser encontrada em produtos lácteos, folhas verdes e cereais fortificados.
Sobre a estrutura química da riboflavina (Figura 2), esta consiste em um açúcar ribose ligado a
uma molécula de flavina. A molécula de flavina consiste em um sistema de anéis tricíclicos de
isoaloxazina, que inclui dois anéis de benzeno conectados por um anel contendo nitrogênio. A
riboflavina tem uma fórmula molecular de C17H20N4O6 e um peso molecular de 376,36 g/mol. A
estrutura química da riboflavina permite que ela atue como cofator para um grupo de enzimas
conhecidas como flavoproteínas. Essas enzimas estão envolvidas em inúmeras reações redox
no corpo, incluindo produção de energia, metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas,
bem como mecanismos de defesa antioxidante. A riboflavina é convertida em suas formas
ativas, flavina mononucleotídeo (FMN) e flavina adenina dinucleotídeo (FAD), que participam
de reações de transferência de elétrons e servem como transportadores de hidrogênio e
elétrons.
sua função, que pode ser uma molécula orgânica, denominada de
coenzima, ou componente inorgânico, como íons, tais como Fe2+,
Mg2+ , Mn2+ ou Zn2.
As coenzimas funcionam como transportadoras transitórias de alguns
grupos funcionais específicos derivados do substrato. Muitas
vitaminas são precursoras das coenzimas, mas atenção: das vitaminas
lipossolúveis, só a vitamina K origina uma coenzima, e das
hidrossolúveis a vitamina C é a única que não origina.
Figura 2 – Estrutura da riboflavina
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da riboflavina formada por anéis e hidroxilas
ligadas às cadeias. Fim da descrição.
Niacina (Vitamina B3)
A niacina desempenha um papel crucial no metabolismo energético, reparo do DNA e
sinalização celular. As fontes dietéticas incluem carnes, aves, peixes, grãos integrais e legumes.
A estrutura química da niacina (Figura 3) pode se apresentar de duas formas, sendo elas o ácido
nicotínico e a nicotinamida. O ácido nicotínico contém um grupo carboxila, enquanto a
nicotinamida não o possui, mas retém o grupo amida. A fórmula molecular da niacina é
C6H5NO2 e tem um peso molecular de 123,11 g/mol. A estrutura química da niacina permite que
ela funcione como um precursor das coenzimas Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo (NAD) e
Fosfato de Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo (NADP). Estas coenzimas desempenham um
papel crucial no metabolismo energético, particularmente nas reações de oxidação e redução
envolvidas na síntese de ATP. A niacina também atua como cofator para várias enzimas
envolvidas na respiração celular e no reparo do DNA.
Figura 3 – Estrutura da niacina
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons#ParaTodosVerem: estrutura da niacina formada por anéis e hidroxilas ligadas
às cadeias carbônicas. Fim da descrição.
Ácido Pantotênico (Vitamina B5)
O ácido pantotênico também é essencial para o metabolismo energético, produção de
hormônios e síntese de neurotransmissores. É encontrado em uma ampla variedade de
alimentos, incluindo carne, grãos integrais e vegetais.
Quanto à estrutura química do ácido pantetônico, a mesma consiste em uma porção de ácido
pantoico ligada a um aminoácido β-alanina através de uma ligação amida. O ácido pantotênico
tem uma fórmula molecular de C9H17NO5 e um peso molecular de 219,23 g/mol. Sua estrutura
química permite que ele desempenhe um papel crucial no metabolismo energético como
componente da coenzima A (CoA). Por sua vez, a CoA está envolvida em numerosas reações
enzimáticas, particularmente na quebra de carboidratos, gorduras e proteínas para produzir ATP
– a principal fonte de energia do corpo. Além disso, a CoA é essencial para a síntese de ácidos
graxos, colesterol e certos neurotransmissores.
Piridoxina (Vitamina B6)
A piridoxina está envolvida no metabolismo de aminoácidos, na síntese de neurotransmissores
e na produção de glóbulos vermelhos. Boas fontes dietéticas incluem aves, peixes, bananas e
cereais fortificados.
A estrutura química da piridoxina (Figura 4) se baseia em um anel de piridina ligado a um grupo
hidroximetil e a um grupo álcool. A piridoxina tem uma fórmula molecular de C8H11NO3 e um
peso molecular de 169,18 g/mol. A sua estrutura química possibilita que a vitamina atue como
uma coenzima no metabolismo de aminoácidos, carboidratos e lipídios. Participa de reações
enzimáticas envolvidas na síntese de neurotransmissores como serotonina, dopamina e
norepinefrina. Ela também é essencial para o funcionamento adequado do sistema imunológico,
regulação da expressão gênica e síntese de hemoglobina.
Figura 4 – Estrutura da piridoxina
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da piridoxina formada por anéis e hidroxilas
ligadas às cadeias carbônicas. Fim da descrição.
Biotina (Vitamina B7)
A biotina desempenha um papel no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas. Pode ser
obtida de alimentos como ovos, nozes, sementes e certos vegetais. Sua estrutura química
consiste em um anel ureido fundido com um anel tetrahidrotiofeno. Ela tem uma fórmula
molecular de C10H16N2O3S e um peso molecular de 244,31 g/mol.
A estrutura química da biotina (Figura 5) permite que ela atue como uma coenzima em inúmeras
reações de carboxilação. Está envolvida no metabolismo de carboidratos, aminoácidos e ácidos
graxos, e funciona como um transportador de dióxido de carbono ativado, essencial para a
síntese de moléculas-chave em várias vias metabólicas. Ainda, desempenha um papel crítico no
apoio à produção de energia e na manutenção de cabelos, pele e unhas saudáveis.
Figura 5 – Estrutura da biotina
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da biotina formada por anéis e carbônicos, um íon
de enxofre, hidrogênios e um ácido orgânico ligados às cadeias carbônicas. Fim
da descrição.
Folato (Vitamina B9)
O folato é importante para a síntese de DNA, divisão celular e formação de hemácias. É
abundante em folhas verdes, legumes, grãos fortificados e frutas cítricas.
A estrutura química do folato consiste em um anel de pteridina fundido com uma porção de
ácido para-aminobenzóico (PABA) e um resíduo de ácido glutâmico. O folato tem uma estrutura
complexa com múltiplos átomos de carbono e nitrogênio, tornando-o um componente-chave
nas reações de transferência de um carbono. O anel de pteridina do folato contém três átomos de
nitrogênio, necessários para a transferência de unidades de um carbono. A porção de ácido
para-aminobenzóico fornece estabilidade e contribui para a estrutura geral da vitamina. O
resíduo de ácido glutâmico permite a ligação de múltiplas unidades de glutamato, o que afeta a
solubilidade e a função da vitamina.
Ainda sobre o folato, sua estrutura permite que ele participe de processos celulares importantes,
incluindo síntese, reparo e metilação do DNA. É necessário para a produção de glóbulos
hemácias e leucócitos, desenvolvimento adequado do tubo neural durante a gravidez e divisão e
crescimento celular normal.
Cobalamina (Vitamina B12)
A cobalamina é necessária para a produção de hemácias, função nervosa e síntese de DNA. É
encontrada principalmente em alimentos de origem animal, como carne, peixe, laticínios e
produtos vegetais fortificados.
Com relação à estrutura química da cobalamina (Figura 6), esta consiste em um anel de corrina
com um átomo central de cobalto rodeado por um arranjo complexo de átomos de carbono,
hidrogênio, nitrogênio e oxigênio. A cobalamina tem uma fórmula molecular de
C63H88CoN14O14P e um peso molecular de 1355,37 g/mol. A estrutura em anel da cobalamina é
responsável por seu complexo único de cobalto-corrina, que é essencial para sua atividade
biológica. O átomo de cobalto na cobalamina pode existir em diferentes estados de oxidação,
permitindo que funcione como um cofator para várias enzimas envolvidas em reações
importantes, incluindo síntese de DNA, metabolismo de aminoácidos e metabolismo de ácidos
graxos.
A complexa estrutura da cobalamina é necessária para sua absorção, transporte e utilização no
organismo. Requer proteínas de ligação específicas e processos mediados por receptores para
serem absorvidos no intestino e subsequentemente transportados para os tecidos por meio de
proteínas transportadoras especializadas. Uma vez dentro das células, a cobalamina participa de
reações enzimáticas como cofator, facilitando a conversão de vários compostos e
desempenhando um papel crítico no metabolismo celular.
Figura 6 – Estrutura da cobalamina
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da cobalamina formada por anéis carbônicos e
elementos tais como hidrogênio, nitrogênio e fósforo. Fim da descrição.
Vitamina C
A vitamina C, também chamada de ácido ascórbico, é um antioxidante que suporta a função
imunológica, a síntese de colágeno e a absorção de ferro. É abundante em frutas cítricas, frutas
vermelhas, kiwi, pimentão e folhas verdes. Sua estrutura química consiste em um anel lactona
de seis carbonos com dois grupos hidroxila adjacentes (-OH) e uma ligação dupla. A vitamina C
tem uma fórmula molecular de C6H8O6 e um peso molecular de 176,12 g/mol.
A estrutura química da vitamina C (Figura 7) permite que ela atue como um poderoso
antioxidante. A presença de grupos hidroxila em sua estrutura permite doar elétrons e
neutralizar os radicais livres, moléculas altamente reativas que podem danificar as células e
contribuir para várias doenças. Além disso, a vitamina C está envolvida na síntese de colágeno,
absorção de ferro, função imunológica e regeneração de outros antioxidantes no corpo.
Figura 7 – Estrutura do ácido ascórbico
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da vitamina C formada por anéis e hidroxilas
ligadas a Oxigênio. Fim da descrição.
Vitaminas Lipossolúveis
As vitaminas lipossolúveis são um grupo de vitaminas solúveis em lipídios (gorduras) e outros
solventes apolares. Essas vitaminas incluem vitamina A, vitamina D, vitamina E e vitamina K. Ao
contrário das vitaminas hidrossolúveis, que são prontamente excretadas na urina e não são
armazenadas em grandes quantidades no corpo, mas podem ser armazenadas no tecido adiposo
e no fígado por períodos mais longos.
Estas vitaminas são essenciais para vários processos biológicos e são normalmente obtidas
através do consumo de gorduras alimentares, sendo absorvidas junto às gorduras da dieta, no
intestino delgado, e requerem a presença de ácidos biliares e processos de digestão e absorção
de gorduras para uma absorção eficiente. Uma vez absorvidas, elas são transportadas na
corrente sanguínea ligadas a proteínas transportadoras, e são utilizadas conforme necessário
pelas células de todoo corpo.
As vitaminas lipossolúveis desempenham papéis importantes na manutenção da visão saudável
(vitamina A), promovendo a absorção de cálcio e a saúde óssea (vitamina D), atuando como
antioxidantes e protegendo as membranas celulares (vitamina E) e apoiando a coagulação
sanguínea e o metabolismo ósseo (vitamina K).
Vitamina A
A vitamina A desempenha um papel crucial na visão, função imunológica e crescimento e
diferenciação celular. Existe em várias formas, incluindo retinol, retinal e ácido retinóico. As
fontes dietéticas incluem fígado, óleos de peixe e laticínios.
A estrutura química da vitamina A (Figura 8) é um composto retinoide. Consiste em um sistema
de anel beta-ionona ligado a uma longa cadeia de hidrocarboneto chamada grupo retinol. A
estrutura central da vitamina A, conhecida como retinol, inclui um anel ciclohexeno e uma
cadeia isoprenoide. O grupo retinol pode sofrer várias modificações, como oxidação ou
esterificação, para formar outras formas ativas de vitamina A, incluindo retinal e ácido retinóico.
A fórmula química geral da vitamina A é C20H30O e tem um peso molecular de 286,45 g/mol. A
estrutura da vitamina A permite que ela desempenhe um papel vital na visão, crescimento e
diferenciação celular, função imunológica e reprodução.
É importante observar que o termo "vitamina A" pode se referir a um grupo de compostos que
exibem atividade de vitamina A, incluindo retinol, retinal, ácido retinóico e compostos
relacionados. Cada composto tem uma estrutura química ligeiramente diferente, mas todos
compartilham uma estrutura central comum e funcionam como nutrientes essenciais no corpo.
Figura 8 – Estrutura da vitamina A
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da vitamina A formada por anéis carbônicos e
hidroxila. Fim da descrição.
Vitamina D
A vitamina D pode ser obtida principalmente através da exposição à luz solar, e as fontes
alimentares incluem peixes gordurosos, laticínios fortificados e gema de ovo. Trata-se de uma
vitamina solúvel em gordura que desempenha um papel crucial na regulação do metabolismo do
cálcio e do fósforo, promovendo a saúde óssea e apoiando a função imunológica. A estrutura
química da vitamina D é um composto esterol conhecido como calciferol.
Especificamente, a principal forma ativa da vitamina D é chamada de 1,25-diidroxivitamina D3
ou calcitriol. Esta estrutura química é caracterizada por um núcleo o de quatro anéis com uma
cadeia lateral ligada. A estrutura central consiste em três anéis de seis membros (A, B e C) e um
anel de cinco membros (D). Os anéis A e B são fundidos, enquanto os anéis C e D formam uma
segunda estrutura fundida. A corrente lateral é presa ao anel D.
Na sua forma inativa, a vitamina D3 (colecalciferol) é sintetizada na pele após exposição à
radiação ultravioleta B (UVB) da luz solar. Ele sofre hidroxilação no fígado para formar 25-
hidroxivitamina D3 (calcidiol), que é então hidroxilada nos rins em sua forma ativa, 1,25-di-
hidroxivitamina D3 (calcitriol). O calcitriol liga-se a receptores de vitamina D em vários tecidos,
regulando a expressão de genes envolvidos na absorção e metabolismo de cálcio e fósforo.
A fórmula química da vitamina D3 é C27H44O e tem um peso molecular de 384,65 g/mol. É
importante observar que a vitamina D2 (ergocalciferol) é outra forma de vitamina D que pode ser
obtida de fontes alimentares, como alimentos fortificados e certos tipos de cogumelos. Tem
uma estrutura química ligeiramente diferente, mas funciona de forma semelhante à vitamina D3
no corpo.
Vitamina E
A vitamina E atua como um antioxidante, protegendo as membranas celulares dos danos
causados pelos radicais livres. Consiste em vários compostos de tocoferol e tocotrienol. As
fontes dietéticas incluem óleos vegetais, nozes, sementes e vegetais verdes folhosos. Sua
estrutura química (Figura 9) engloba um grupo de oito compostos relacionados chamados
tocoferois e tocotrienois. Entre estes, o alfa-tocoferol é a forma biologicamente mais ativa da
vitamina E. Basicamente, esta estrutura química apresenta um anel de cromanol com uma longa
cauda de hidrocarboneto. O anel de cromanol consiste em um anel de seis membros (anel A) e
um anel de benzeno (anel B) fundidos. A cauda de hidrocarboneto está ligada ao anel de
cromanol em uma extremidade.
Na forma de tocoferol da vitamina E, a cauda de hidrocarboneto é saturada, enquanto na forma
de tocotrienol, a cauda de hidrocarboneto contém três ligações duplas. A posição e o número de
grupos metil no anel cromanol podem variar entre as diferentes formas de vitamina E.
A fórmula química do alfa-tocoferol, a forma mais comum de vitamina E, é C29H50O2, com peso
molecular de 430,71 g/mol. Outras formas de vitamina E, como beta-tocoferol, gama-tocoferol e
delta-tocoferol, têm estruturas químicas ligeiramente diferentes, mas compartilham a estrutura
básica do anel de cromanol. A estrutura única da vitamina E permite que ela atue como um
potente antioxidante, protegendo as membranas celulares e os lipídios dos danos oxidativos
causados pelos radicais livres. A vitamina E pode doar átomos de hidrogênio de seu grupo
hidroxila para neutralizar os radicais livres, prevenindo ou reduzindo o estresse oxidativo.
Figura 9 – Estrutura da vitamina E
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: estrutura da vitamina E formada por anéis de carbono e
hidroxila. Fim da descrição.
Vitamina K
A vitamina K é essencial para a produção de fatores de coagulação no fígado, necessários para a
coagulação normal do sangue. Também está envolvido na ativação de proteínas envolvidas no
metabolismo e mineralização óssea. A vitamina K atua como cofator de enzimas que adicionam
um grupo carboxila a aminoácidos específicos dessas proteínas, possibilitando seu
funcionamento adequado. Vegetais de folhas verdes, óleos vegetais e alimentos fermentados são
fontes dietéticas de vitamina K.
A estrutura química da vitamina K compreende um grupo de compostos denominados
naftoquinonas, sendo a vitamina K1 (filoquinona) e a vitamina K2 (menaquinonas) as formas
mais comuns. A referida estrutura química consiste em um sistema de anéis naftoquinona, que,
por sua vez, consiste em dois anéis fundidos: um anel naftaleno (anel A) e um anel fenil (anel B).
O sistema de anel naftoquinona está ligado a uma cadeia lateral, que contém uma cauda de fitilo.
Por outro lado, a vitamina K2 (menaquinonas) consiste em um número variável de unidades
isoprenoides na cadeia lateral, variando de uma a treze unidades. O sistema de anéis da
naftoquinona permanece o mesmo da vitamina K1. A fórmula química da filoquinona (vitamina
K1) é C31H46O2, com peso molecular de 450,70 g/mol. Para menaquinonas (vitamina K2), a
fórmula química pode variar dependendo do número de unidades isoprenóides presentes na
cadeia lateral.
Avitaminoses
As avitaminoses, também conhecidas como deficiências de vitaminas, são condições que
surgem devido a uma falta prolongada e grave de uma ou mais vitaminas essenciais na dieta.
Como já explicado, as vitaminas são compostos orgânicos necessários, em pequenas
quantidades, para o funcionamento normal do organismo, que, por sua vez, desempenham
papéis cruciais em vários processos fisiológicos, como metabolismo, crescimento, função
imunológica e manutenção da saúde geral.
Quando o corpo carece de um suprimento adequado de vitaminas específicas, uma série de
sintomas e complicações de saúde podem ocorrer. A avitaminose pode se manifestar de
diferentes formas, dependendo da deficiência específica de vitaminas envolvida.
Deficiência de Vitamina A (Avitaminose A)
A vitamina A é essencial para a visão, função imunológica e manutenção da saúde dos tecidos
epiteliais. A deficiência de vitamina A pode levar à cegueira noturna, ressecamento e inflamação
dos olhos, comprometimento da função imunológica e problemas de pele.
Deficiências de Vitamina B (Avitaminose B)
O grupo de vitaminas B inclui tiamina (B1), riboflavina (B2), niacina (B3),ácido pantotênico
(B5), piridoxina (B6), biotina (B7), folato (B9) e cobalamina (B12). As deficiências dessas
vitaminas podem causar uma série de sintomas, como fadiga, fraqueza, distúrbios da pele,
problemas neurológicos, anemia e comprometimento da função cognitiva.
Deficiência de Vitamina C (Avitaminose C ou
Escorbuto)
A vitamina C é crucial para a síntese de colágeno, cicatrização de feridas, absorção de ferro e
função imunológica. A ingestão inadequada de vitamina C leva ao escorbuto, caracterizado por
fadiga, fraqueza, gengivas inchadas e sangrando, dores nas articulações, má cicatrização de
feridas e um sistema imunológico enfraquecido.
Deficiência de Vitamina D (Avitaminose D)
A vitamina D desempenha um papel vital na saúde óssea, no metabolismo do cálcio e na função
imunológica. A exposição insuficiente à luz solar e a baixa ingestão alimentar podem levar à
deficiência de vitamina D. Os sintomas podem incluir dor óssea, fraqueza muscular, aumento do
risco de fraturas e comprometimento da função imunológica.
Deficiência de Vitamina E (Avitaminose E)
A vitamina E é um antioxidante que protege as membranas celulares dos danos oxidativos. A
deficiência de vitamina E é rara, mas pode ocorrer em certas condições, como distúrbios de má
absorção de gordura. Pode levar a problemas neurológicos, fraqueza muscular e
comprometimento da função imunológica.
Deficiência de Vitamina K (Avitaminose K)
A vitamina K é essencial para a coagulação do sangue e a saúde dos ossos. A avitaminose K pode
resultar em sangramento anormal, hematomas fáceis e coagulação sanguínea prejudicada.
Causas da Avitaminose
Avitaminose pode ocorrer devido a vários fatores, incluindo ingestão alimentar inadequada, má
absorção de nutrientes, aumento das necessidades de nutrientes (por exemplo, durante a
gravidez ou doença), certas condições médicas e interações medicamentosas. A ingestão
insuficiente de uma dieta variada e equilibrada é a principal causa de avitaminose.
Sintomas e Consequências para a Saúde
Os sintomas da avitaminose podem variar dependendo da deficiência específica da vitamina. Os
sintomas comuns incluem fadiga, fraqueza, função imunológica prejudicada, problemas de pele,
má cicatrização de feridas, problemas neurológicos, anemia e distúrbios ósseos. Se não for
tratada, a avitaminose pode levar a complicações graves de saúde e até mesmo condições com
risco de vida.
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
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Brasileiro está Adoecendo por Falta de Vitaminas, Diz OMS
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ACESSE
BATISTA, E. S.; COSTA, A. G. V.; PINHEIRO-SANT'ANA, H. M. Adição da vitamina e aos alimentos:
implicações para os alimentos e para a saúde humana. Revista de Nutrição, v. 20, n. 5, p. 525–
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GROPPER, S. S.; SMITH, J. L.; CARR, T. P. Advanced Nutrition and Human Metabolism. Cengage
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NELSON, D. L.; COX, M. Lehninger Principles of Biochemistry: International Edition. Macmillan
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WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global Database on Vitamin A Deficiency. 2009.
Disponível em: . Acesso em: 15/05/2023.
3 / 3
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