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Integração do metabolismo A glicose dentro do fígado está fosforilada (glicose-6-fosfato) e, por isso, não sai da célula. A concentração de glicose no sangue é muito parecida com a concentração de glicose no interior do fígado; altas de glicose no sangue levam a sua entrada no fígado para sua metabolização. Dependendo da quantidade de glicose, uma parte é armazenada na reserva de glicogênio do fígado, que é queimada (glicogenólise) em baixas de glicose no organismo. Parte da glicose-6-fosfato é desviada para a via das pentoses, produzindo NADPH e nucleotídeos. Parte do acetil-CoA sai da mitocôndria como citrato e volta a ser acetil-CoA no citosol. O acetil-CoA recém reconstruído no citoplasma pode vir a ser convertido em colesterol. A partir desse acetil-CoA são produzidos ácidos graxos e, a partir daí, triacilgliceróis e fosfolipídios. Várias das proteínas sintetizadas no fígado são transportadas para o sangue (grande parte das proteínas plasmáticas, inclusive as lipoproteínas popularmente conhecidas como colesterol). Ao contrário dos lipídios, os aminoácidos circulam livremente no sangue. Os aminoácidos, no fígado, podem ser usados na síntese de hormônios, nucleotídeos e porfirinas. Alguns dos aminoácidos (como aspartato e glicina) doam nitrogênios ou carbonos para anéis de purina ou pirimidina para a síntese de nucleotídeos. Esses aminoácidos são degradados e liberam amônia e, nas células do fígado, é sintetizada uréia a partir de NH 4 a partir dessa amônia. Essa amônia pode vir de tecidos extra hepáticos na forma de alanina. No hepatócito a alanina pode doar um nitrogênio, restabelecendo um piruvato; esse piruvato entra no ciclo do ácido cítrico, produzindo ATP, ou participa da gliconeogênese, restaurando moléculas de glicose. A glutamina também traz nitrogênio dos tecidos extra hepáticos. Eventualmente alguns desses aminoácidos podem participar da produção de corpos cetônicos (cetogênicos). Aminoácidos glicocetogênicos (como a leucina) podem gerar intermediários tanto para a síntese de glicose quanto para a síntese de corpos cetônicos. Excesso de acetil-CoA pode ser desviado para a síntese de lipídios. Os ácidos graxos presentes no fígado, por meio da ß-oxidação, produz NADH, FADH e grandes quantidades de acetil-CoA. Esse acetil-CoA pode produzir colesterol e, a partir dele, hormônios esteróides e sais biliares. Ligados à albumina, esses ácidos graxos podem ser transportados livremente pelo sangue. Também são formadas lipoproteínas plasmáticas (popularmente conhecidas como colesterol). Esse acetil-CoA produzido pode ser desviado para a produção de corpos cetônicos. Uso das reservas energéticas na contração muscular: A fosfocreatina, reserva energética formada a partir de aminoácidos, é um dos poucos exemplos de moléculas com um fosfato (PO 3 ) ligado diretamente a um nitrogênio. O fosfato entra e sai como PO 3 , ou seja, não leva consigo um átomo de oxigênio. Esse fosfato se liga ao ADP, formando uma molécula de ATP. Concentrações de fosfocreatina, ATP e fosfato inorgânico em diferentes momentos: No músculo, a produção de ATP para a contração rápida se dá pela quebra anaeróbica do glicogênio muscular em lactato. Esse lactato, no fígado, é usado na gliconeogênese para a produção de glicose, a partir da quebra de ATP. A glicose produzida a partir do lactato no fígado pode ser transportada pelo sangue de volta ao músculo. No músculo, essa glicose pode ser tanto usada prontamente para a produção de ATP quanto armazenada na forma de glicogênio. Transporte eletrogênico pelo sistema nervoso (bomba de sódio e potássio): Composição do sangue: Efeitos da insulina sobre a glicose sanguínea (captação de glicose pelas células e armazenamento como triacilgliceróis e glicogênio): Sinalização nas células ßpancreáticas (síntese e secreção de insulina): A glicose entra na célula ß pancreática e, em seu interior, é fosforilada. O aumento de ATP inibe a saída de potássio da célula. Isso causa uma despolarização na célula, permitindo a entrada de cálcio. A sinalização do cálcio no retículo endoplasmático leva à secreção dos grânulos de insulina: resposta do organismo para o aumento de glicose no sangue. Efeitos do glucagon sobre a glicose sanguínea (produção e liberação de glicose pelo fígado): Combustível metabólico disponível em um homem com peso normal (70kg) e em um homem obeso (140kg) no início do jejum: Efeitos de um jejum severo prolongado: Efeitos fisiológicos e metabólicos da adrenalina: Sinalização neuronal e sinalização endócrina: Na sinalização endócrina, os tipos de hormônios lançados na corrente sanguínea podem ter ação mais rápida ou mais lenta e progressiva. Essa secreção hormonal também pode começar a partir de um impulso nervoso. Os neurônios fazem sinalização local. Classes de hormônios: Os hormônios têm sinalizações diferentes. Hormônios que são peptídeos, por exemplo, são normalmente hidrofílicos, ou seja, são incapazes de atravessar a membrana celular e precisam de um receptor específico que, a partir de um segundo mensageiro, permite a passagem de informação para a célula. Ao se desligar do receptor, o hormônio é prontamente destruído. Já hormônios hidrofóbicos, como os hormônios esteróides, atravessam facilmente tanto a membrana celular quanto a membrana do núcleo. Esses hormônios se ligam aos receptores do interior do núcleo — normalmente relacionados à transcrição gênica. Esses hormônios têm normalmente ação mais lenta e mais prolongada. Processamento da insulina: A insulina apresenta em sua cadeia seis resíduos de cisteína e, em uma desuas extremidades, uma sequência sinalizadora ligada a um grupo amino. Em seguida, a sequência sinalizadora sai do peptídeo e no lugar dos seis resíduos de cisteína há seis pontes dissulfeto. No processamento seguinte, o chamado peptídeo C é clivado e sobram duas cadeias (A e B) ligadas por duas pontes dissulfeto intercadeias — há ainda uma ponte dissulfeto intracadeia na cadeia A. Sinalização hormonal a partir de estímulos do ambiente: Conforme o esquema ao lado, os estímulos do ambiente percebidos pelo sistema nervoso central ativam a liberação de hormônios pelo hipotálamo. Quanto maior a região de ação de um hormônio, maior a quantidade liberada (cascata de amplificação — a sinalização local é feita por nanogramas de hormônio e assim sucessivamente). O aumento da concentração do cortisol liberado nos tecidos é responsável por inibir a ação das glândulas que estimulam sua produção nas glândulas suprarrenais — hipotálamo e adeno-hipófise. O tecido adiposo, principalmente quando aumentado, é capaz de liberar leptina. A leptina é responsável principalmente pela inibição da ingestão de alimento e pelo estímulo da ß-oxidação da gordura, transformando-a em energia na forma de ATP ou em calor. A leptina liberada pelo tecido adiposo chega no hipotálamo via sangue e libera sinal neuronal via neurônio simpático para a liberação de noradrenalina. O receptor ß-adrenérgico, presente principalmente em células do tecido adiposo marrom, uma vez estimulado, desencadeia na célula uma série de modificações para mensageiros intracelulares. As lipases são ativadas para a liberação de ácidos graxos livres (que vão para a mitocôndria para ß-oxidação), conforme o esquema ao lado. No núcleo, sinalização a proteína-cinase A — ativada pela ação da noradrenalina — aumenta a expressão de UCP, proteína desacopladora de mitocôndrias, que impede o acoplamento da cadeia respiratória para gerar ATP na membrana da matriz mitocondrial. A energia proveniente da ß-oxidação, em vez de ATP, produz calor. Além da noradrenalina, a sinalização de leptina no hipotálamo estimula a liberação de POMC, CRH e KART — hormônios anorexígenos, que induzem a saciedade. Os três hormônios bloqueiam a atividade de NPY — hormônio orexígeno, que induzem o aumento do apetite. Aumentando o apetite e, portanto, o tecido adiposo, é liberada mais leptina. Essa leptina, por sua vez, estimula a produção de hormônios que bloqueiam o NPY. Além disso, o NPY desestimula o uso de energia: diminui a termogênese e a massa do tecido adiposo. Conforme a representação ao lado, a liberação tanto de leptina quanto de insulina estimulam a liberação de α-MSH, que induz a diminuição no apetite, e inibem a liberação do NPY, que induz o aumento no apetite. É importante comer devagar para que o tempo seja suficiente para a liberação de hormônios que inibem o apetite.