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Apostila para Técnico em Farmácia com conceitos de farmacologia, vias de administração e formas farmacêuticas; preparo estéril e não estéril; boas práticas, cálculos, infraestrutura e controle de qualidade; equipamentos, biossegurança e manejo de resíduos; classificação, dispensação, logística, fracionamento e interpretação de bulas e guias (DEF/RENAME).

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SES-PE 
Técnico em Farmácia 
 
 
Conceitos básicos em farmacologia: droga, fármaco, medicamento, especialidade farmacêutica. Vias 
de administração de medicamentos ........................................................................................................ 1 
Noções básicas em farmacotécnica: formas farmacêuticas sólidas, semissólidas, líquidas. 
Componentes de uma forma farmacêutica. Preparo de medicamentos estéreis e não estéreis ............ 12 
Boas práticas de manipulação em farmácia hospitalar. Cálculos relacionados ao preparo de 
medicamentos ....................................................................................................................................... 26 
Aspectos técnicos aplicados à infraestrutura física e controle de qualidade ...................................... 43 
Organização das áreas de produção em centrais de manipulação ................................................... 51 
Vidrarias e outros utensílios de laboratório ....................................................................................... 52 
Limpeza, lavagem, desinfecção e esterilização ................................................................................ 57 
Equipamentos de laboratório: Identificação, princípios de funcionamento, uso e conservação ......... 64 
Controle da contaminação durante a manipulação de medicamentos estéreis e não estéreis .......... 64 
Equipamentos de proteção individual e medidas de segurança ocupacional .................................... 65 
Noções de biossegurança e manejo de resíduos em farmácia hospitalar ......................................... 77 
Definições, conceituação de medicamentos, classificação de Psicotrópicos, Entorpecentes, 
Imunossupressores ............................................................................................................................... 82 
Dispensação de Medicamentos ...................................................................................................... 104 
Receita e notificação de receita de controle especial ...................................................................... 105 
Aquisição ........................................................................................................................................ 110 
logística e gestão de estoque ......................................................................................................... 110 
Classificação e organização de medicamentos ............................................................................... 114 
Fracionamento de medicamentos ................................................................................................... 115 
Interpretação de bulas e orientação na utilização de medicamentos .............................................. 119 
Interpretação de guias de Medicamentos (DEF, RENAME) ............................................................ 120 
Interpretação de dosagens ............................................................................................................. 121 
Atendimento e relacionamento com o público ................................................................................. 122 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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Candidatos ao Concurso Público, 
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar 
em contato, informe: 
- Apostila (concurso e cargo); 
- Disciplina (matéria); 
- Número da página onde se encontra a dúvida; e 
- Qual a dúvida. 
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O 
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
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Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br 
 
FARMACOLOGIA 
 
É a ciência que estuda como as substâncias químicas interagem com os sistemas biológicos. Como 
ciência nasceu em meados do século XIX. Se essas substâncias tem propriedades medicinais, elas são 
referidas como "substâncias farmacêuticas". O campo abrange a composição de medicamentos, 
propriedades, interações, toxicologia e efeitos desejáveis que podem ser usados no tratamento de 
doenças. Esta ciência engloba o conhecimento da história, origem, propriedades físicas e químicas, 
associações, efeitos bioquímicos e fisiológicos, mecanismos de absorção, biotransformação e excreção 
dos fármacos para seu uso terapêutico ou não. 
 
Principais objetivos da farmacologia: 
- propriedades medicinais de determinadas substâncias químicas (fármacos, remédios); 
- composição física e química dos fármacos; 
- absorção dos fármacos pelo organismo; 
- ação dos fármacos no combate de determinadas doenças; 
- efeitos das associações entre remédios diferentes; 
- excreção dos remédios pelo organismo; 
 
Essa ciência utiliza-se de conceitos e nomenclaturas próprias, sendo os principais: 
Farmacocinética: é definida como o estudo quantitativo do desenvolvimento temporal dos processos 
de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Sendo que: 
Absorção: A absorção é a passagem de substâncias do local de contato, que pode ser um órgão, a 
pele, os endotélios, para o sangue. 
Distribuição: é a passagem que ocorre da corrente sanguínea para líquido intersticial e intracelular. 
Biotransformação: a biotransformação submete o fármaco a reações químicas, geralmente mediadas 
por enzimas, que o convertem em um composto diferente do originalmente administrado. É a preparação 
para excreção, que ocorre geralmente no fígado para que, ao passar pelos túbulos renais, o fármaco não 
seja reabsorvido. 
Fármaco (pharmacon = remédio): É uma estrutura química conhecida com propriedade de modificar 
uma função fisiológica já existente, ou seja, substâncias ativas com ação terapêutica. 
Medicamento: É quando um fármaco se encontra em uma forma farmacêutica. 
Forma Farmacêutica: É a forma de apresentação do medicamento, podendo ser: Comprimidos, 
Cápsulas, Drágeas, Pílulas, Soluções, Suspenção, Emulsão, Óvulos, Pomadas, Supositórios. 
Placebo: é como se denomina um fármaco inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos 
efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está a sendo tratado. 
Efeito Placebo: a administração de medicamentos pode produzir além do efeito farmacológico, um 
efeito adicional: o “efeito placebo”, que é um efeito psicológico que depende da fé ou confiança que o 
paciente tem no medicamento, na Unidade de saúde ou na pessoa que o orienta (geralmente o médico, 
a enfermagem e a pessoa do serviço de farmácia). Ex: Se ao tomar um comprimido de ácido 
acetilsalicílico, sentirmos alívio do sintoma (dor ou febre) em 5 minutos é considerado efeito placebo, pois 
são necessários 20 minutos para o efeito farmacológico deste medicamento ocorrer. 
Droga: é um composto químico de origem definida, capaz de interagir com um receptor específico e 
produzir um efeito farmacológico. 
Princípio Ativo: é o componente químico capaz de produzir efeito farmacológico. 
Efeito Farmacológico: o princípio ativo atua sobre determinadas células e órgãos ou em todo onormalmente 
preparadas por laboratórios farmacêuticos. 
 
Quanto à forma Física 
 
As formas farmacêuticas consoante a forma física em que se encontram, podem-se classificar como 
sólidas, pastosas, líquidas, gasosas e especiais. 
 
Sólidas são aquelas que encontram no estado sólido e são: cápsulas, comprimidos, comprimidos 
vaginais, drágeas, grânulos, hóstias, implantações, óvulos, papeis, pérolas, pílulas, pós, supositórios. 
Pastosas são aquelas que se encontram sob uma forma pastosa e são: cataplasmas, cremes, 
pastas, pomadas, unguentos. 
Líquidas são aquelas que estão no estado líquido e são: alcoolatos, alcoolaturas, álcoolaturas 
estabilizadas, colutórios, emulsões, enemas, linimentos, óleos medicinais, poções, tinturas, xaropes. 
Gasosas são aquelas que se apresentam sob uma forma gasosa (seca ou húmida), e são: 
fumigações e vaporizações. 
Especiais são aquelas formas farmacêuticas que, ou se podem apresentar em mais do que uma 
forma física, ou se encontram num estado da matéria diferente dos anteriores, e são: aerossóis, 
alimentos medicamentosos, ampolas, bandagens, banhos medicamentosos, colírios. 
Novas formas farmacêuticas são as formas farmacêuticas resultantes da adaptação de formas 
farmacêuticas tradicionais às novas tecnologias, ou então resultam de novos desenvolvimentos 
técnico-científicos 
 
Formas Farmacêuticas Sólidas 
 
CÁPSULAS São pequenos invólucros destinados a conter, um pó ou um líquido. Têm forma 
cilíndrica e são formados por duas partes que se encaixam. Se se destinam a conter 
um líquido as cápsulas devem ser soldadas. Quando as cápsulas contêm 
substâncias que sejam destruídas pelo suco gástrico, ou substâncias que se 
pretenda que atuem no intestino, então elas devem ser gastro-resistentes (o 
invólucro deverá ser: quitina ou glúten). ". 
DRÁGEAS São comprimidos revestidos por uma substância de modo a evitar a sua fácil 
desagregação, para proteger a substância ativa da umidade e luz, para ocultar 
características organolépticas indesejáveis, para facilitar a sua ingestão ou para 
proteger a substância ativa da destruição estomacal. Administram-se "per os". 
COMPRIMIDOS São formas farmacêuticas cilíndricas ou lenticulares, que resultam da compressão 
de um pó cristalino ou de um granulado em máquinas apropriadas. 
Frequentemente, junta-se à substância ativa um excipiente para lhe dar o volume 
conveniente. Podem ser administrados "via oral”, colocados subcutaneamente 
(implantes) ou aplicados localmente (comprimidos bocais e comprimidos vaginais). 
SUPOSITÓRIOS São formas farmacêuticas de forma cónica ou ovoide, destinadas a serem 
introduzidas na ampola retal, contendo um veículo de baixo ponto de fusão. Os 
excipientes usados podem ser Lipossolúveis (óleo de cacau ou sucedâneos) ou 
Hidrossolúveis (gelatina glicerinada ou polietilenoglicois de peso molecular 
elevado). 
O emprego de tais excipientes, com a particularidade de terem um baixo ponto de 
fusão, destinam-se a uma mais fácil administração e conservação por um lado, e à 
difusão das substâncias ativas na ampola retal, por outro.. 
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PÓS São substâncias medicamentosas suficientemente divididas para que a sua 
administração se facilite. Podem ser SIMPLES (obtidos por pulverização de 
substâncias dessecadas à mais baixa temperatura possível não devendo 
ultrapassar os 45º C, ou 25ºC se estiverem presentes substâncias voláteis ou 
facilmente alteráveis) ou COMPOSTOS (resultantes da mistura cuidadosa de pós 
simples). A sua conservação deve ser feita ao abrigo da luz e da umidade. Os pós 
administram-se incorporados em poções, xaropes, cápsulas, papeis, comprimidos, 
ou ainda em aplicação tópica na pele. 
ÓVULOS São preparações destinadas a serem introduzidas na vagina. Os excipientes mais 
utilizados, que têm que ter baixo ponto de fusão, são a gelatina glicerinada para 
substâncias ativas hidrossolúveis, e a manteiga de cacau para substâncias ativas 
lipossolúveis. O peso médio do óvulo é de 12 a 15 gramas. 
 
Formas Farmacêuticas Pastosas 
 
CATAPLASMAS São preparações geralmente magistrais, de aplicação tópica na pele. Fazem-se com 
farinha (linhaça, amido, fécula, etc.) e água, que se misturam a aquecem, em lume 
brando até obter a consistência desejada. A sua aplicação é feita a quente, e o seu 
efeito (vasodilatação local) dura enquanto a temperatura do cataplasma se conserva 
elevada, devendo ser renovados periodicamente. 
CERATOS São um tipo de pomada, em que o excipiente é constituído por uma mistura de cera 
e óleo. 
CREMES São um tipo de pomada em que o excipiente utilizado é uma emulsão do tipo 
água/óleo (creme) ou óleo/água (cold-cream). 
PASTAS São pomadas espessas devido à grande quantidade de pós insolúveis que 
veiculam. Podem aparecer sob a forma de pastas dérmicas (aplicação tópica na 
pele) ou pastas orais (administração oral de antiparasitários). 
POMADAS São preparações farmacêuticas de consistência mole, destinadas a serem aplicadas 
externamente, para ação tópica ou geral, e também com fins de proteção e 
lubrificação. São preparadas misturando ou dissolvendo as substâncias ativas em 
excipientes, inócuos, não irritantes e de boa conservação. Quanto aos excipientes 
as pomadas classificam-se em: pomadas gordurosas (vaselina, banha, vaselina 
com lanolina, mistura de óleos, silicones); pomadas hidrófilas (vaselina hidrófila); 
pomadas hidrossolúveis (mistura de polietilenoglicois, glicerado de amido, gels); 
pomadas emulsivas (pomada rosada, creme hidrófilo, creme de estearato); 
pomadas resinosas (resina). Para facilitar a sua conservação podem-se empregar 
conservantes (álcool benzílico, parahidroxibenzoato de metilo) ou antioxidantes. 
SINAPISMOS “São folhas de papel, sem cola, uniformemente revestidas numas das faces com 
farinha de mostarda desengordurada e aderente por intermédio de substância 
aglutinante adequada. Molhada com água desenvolve cheiro irritante de essência 
de mostarda” (in FARMACOPEIA PORTUGUESA, IV Edição). São aplicados a frio 
e têm as mesmas funções dos cataplasmas. Desenvolvem ação vasodilatadora 
devido a processos irritativos locais. 
 
Formas Farmacêuticas Líquidas 
 
ALCOOLATOS São preparações farmacêuticas que se obtêm pela maceração alcoólica de 
plantas frescas, seguida de destilação. 
ALCOOLATURAS São preparações que resultam da ação dissolvente do álcool a frio nas 
graduações de 75, 80 ou 95º, sobre plantas frescas, com o objetivo de lhes 
retirar as substâncias ativas. 
COLUTÓRIOS São preparações magistrais destinadas a serem depostas na mucosa bocal ou 
oro-faríngea. São soluções viscosas devido à presença de glicerina ou mel. As 
substâncias ativas empregues são antissépticos. 
EMBORCAÇÕES "São banhos por aspersão de um líquido medicamentoso sobre qualquer parte 
enferma do corpo" (in Grande Dicionário da Língua Portuguesa, A, Morais Silva, 
10ª edição, vol. IV; pp. 273). Podem ser gerais ou locais. São geralmente 
utilizados como alternativa aos banhos medicamentosos 
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EMULSÕES São sistemas dispersos constituídos por duas fases líquidas, em que a fase 
dispersa pode ser a água e a contínua o óleo (tipo água em óleo, A/O) ou o 
contrário (tipo óleo em água, O/A). Para conferir às emulsões estabilidade 
satisfatória pode-se recorrer ao uso de substâncias que atuem sobre a 
viscosidade ou sobre a tensão interfacial (intermediários). 
ENEMAS (ou 
ENTEROCLISES) 
Ainda chamados clisteres, são formas farmacêuticas destinadas a serem 
introduzidas na porção terminal do intestino (ampola retal). Consoante o fim a 
que se destinam assim teremos: 
enemas evacuativos destinados a favorecer a evacuação das matérias fecais; 
enemas medicamentosos destinados quer a agir diretamente sobre a mucosa 
intestinal, quer a serem absorvidos por via retal; 
enemas alimentares, constituindo um método alternativo para a administração 
de soros alimentares;duche retal frio que ao contrário dos outros três tipos de enemas que devem 
ser administrados à temperatura corporal, este é administrado frio a fim de 
provocar um rápido efeito antipirético. 
LINIMENTOS São preparações oficinais ou magistrais, destinadas exclusivamente a uso 
externo, em unção ou fricção sobre a pele. Têm um efeito vasodilatador por 
ação do movimento mecânico de massagem. 
ÓLEOS 
MEDICINAIS 
São óleos de origem animal, vegetal ou mineral que entram na composição de 
diversas formas farmacêuticas, ou que as constituem por si sós. 
POÇÕES São formas farmacêuticas magistrais de preparação extemporânea, e que 
devem ser consumidas rapidamente. A substância ativa pode estar dissolvida, 
suspensa ou emulsionada. 
SOLUÇÕES São misturas de substâncias ativas (normalmente sólidas) em solventes 
líquidos (normalmente a água), em concentrações inferiores à sua solubilidade 
à temperatura ambiente. Podem constituir por si só uma forma farmacêutica, ou 
serem incorporadas noutras. 
TINTURAS São formas farmacêuticas oficinais que resultam da ação do álcool, por 
maceração ou lexivação, sobre produtos secos de origem animal, vegetal ou 
mineral. São portanto soluções alcoólicas, a 10 ou 20%, geralmente. Usam-se 
por via tópica, "per os" em poções ou xaropes. 
CHÁ OU INFUSÕES São formas farmacêuticas magistrais, também conhecida como "chás" ou 
"infusos". Resultam da ação da água sobre plantas secas, a fim de lhes retirar 
a substância ativa. As tisanas podem ser obtidas por vários processos: 
maceração - Ação prolongada da água à temperatura ambiente sobre a planta 
seca. Utiliza-se no caso de substâncias ativas termolábeis e fixas; 
digestão - Ação prolongada da água morna (40 - 50º C) sobre a planta seca. 
Utiliza-se para substâncias ativas termolábeis e pouco fixas; 
decocção - Ação da água desde a temperatura ambiente até à ebulição sobre 
a planta seca. Utiliza-se nos casos de substâncias ativas termo resistentes e 
altamente fixas; 
infusão - Ação instantânea da água fervente sobre plantas secas. 
VESICANTES São formas farmacêuticas líquidas, para aplicação tópica, também conhecidas 
como fogos líquidos. Têm uma ação rubefaciente e hiperemiante local. 
XAROPES São formas farmacêuticas em que a substância ativa, sob a forma de pó, líquido, 
etc., se encontra dissolvida numa solução aquosa açucarada concentrada (1 
parte de água para 2 partes de açúcar). Esta preparação medicamentosa é 
administrada "per os". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Formas Farmacêuticas Gasosas 
 
FUMIGAÇÕES São gases resultantes da combustão de determinadas plantas, ou libertação de 
gases (p. ex. formol) com fins desinfetantes de espaços, ou dirigidos para as vias 
respiratórias com fins medicamentosos antissépticos - inalações. 
VAPORIZAÇÕES São formas farmacêuticas magistrais resultantes da libertação de vapor de água 
por si só, ou contendo antissépticos, e que se destinam a ser inalados. 
 
Formas Farmacêuticas Especiais 
 
Denominam-se formas farmacêuticas especiais aquelas que, ou não se podem facilmente inserir num 
determinado grupo, ou que têm inserção em mais do que um grupo. 
 
AEROSSOIS São formas farmacêuticas que se caracterizam por constituírem um 
"nevoeiro não molhante" formado por microgotas (diâmetro compreendido 
entre 0.05 e 0.2 µ). Formam uma suspensão coloidal, em que fase contínua 
é o gás e a fase dispersa o líquido, daí o seu nome. Este efeito obtém-se pela 
brusca descompressão de um gás que, conjuntamente com o líquido, se 
encontra encerrado dentro de uma cápsula 
AMPOLAS São tubos de vidro ou plástico, colorido ou incolor, estirados nos dois topos, 
ou pequenas "garrafas" seladas, que contém um líquido ou um pó (Servem 
para facilitar a esterilização e conservação do seu conteúdo. O pó é 
normalmente utilizado na preparação extemporânea de solutos injetáveis. O 
seu conteúdo, ou a preparação daí resultante, pode ser administrado por via 
parental, "per os" ou aplicado topicamente. 
BANDAGENS (ou 
LIGADURAS) 
As bandagens podem-se classificar em amovíveis ou inamovíveis, 
consoante possam ser facilmente retiradas para os tratamentos, ou fiquem 
até à cura sem serem mexidas. As primeiras são as ligaduras elásticas, 
ligaduras de gaze, etc., as segundas são as ligaduras gessadas (que 
constituem os aparelhos de gesso). As ligaduras amovíveis podem conter 
substâncias ativas incorporadas (antibióticos, queratoplásticos, protetores 
dérmicos, etc). 
BANHOS 
MEDICAMENTOSOS 
São formas farmacêuticas líquidas magistrais, onde se mergulha a totalidade 
(banhos medicamentosos gerais - ou parte do corpo (banhos 
medicamentosos locais).. 
COLÍRIOS São formas farmacêuticas destinadas a serem aplicadas sobre a mucosa 
ocular. Os colírios podem ser colírios secos (constituídos por pós 
porfirizados), colírios moles (também chamados de "pomadas oftálmicas") 
e colírios líquidos (destinados à instilação sobre a conjuntiva e podendo 
apresentar-se sob a forma de soluções ou suspensões). Os colírios devem 
ser isotónicos em relação à secreção lacrimal (nas formas líquida e pastosa), 
estéreis e não irritativos. 
SPRAYS São formas farmacêuticas semelhantes aos aerossóis, mas o diâmetro da 
partícula é maior (superior a 0.5 µ), pelo que podem ser considerados um 
"nevoeiro molhante" 
 
Lista de Formas Farmacêuticas 
 
Designação Vias de administração (1) Exclusivamente veterinária 
Açúcares or 
Aerossóis in, tp, tm 
Alcoolatos 
Alcoolaturas 
Alcoolaturas estabilizadas 
Ampolas 
Bandagens ou ligaduras tp 
Banhos medicamentosos tp 
Cápsulas or 
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. 22 
Cataplasmas tp 
Cataplasmas sinapisados tp 
Ceratos tp 
Coleiras antiparasitárias tp s 
Colírios of 
Colutórios tm 
Comprimidos or 
Comprimidos vaginais tm 
Cremes tp, tm 
Drageias or 
Duche retal frio re 
Emborcações tp 
Emulsões 
Enemas ou enteroclises ou clisteres re 
Extratos 
Fumigações tp, in 
Grânulos or 
Hidrolatos 
Hóstias or 
Implantes pa 
Intratos ou extratos estabilizados 
Lápis tp 
Limonadas or 
Linimentos tp 
Melitos or 
Óleos medicinais 
Óvulos tm 
Oximeis or 
Papéis 
Pastas dérmicas tp 
Pérolas or 
Pílulas or 
Poções or 
Pomadas tp, tm 
Pomadas oftálmicas of 
Pós 
Saboretas or 
Sinapismos tp 
Soluções 
Sprays tp, tm 
Supositórios re 
Tinturas 
Tisanas ou infusos 
Unguentos tp 
Vaporizações in, tp, tm 
Velas tm 
Vesicantes ou fogos líquidos tp 
Xaropes or 
Pastas orais or 
(1) Sinonímia das abreviaturas das vias de administração 
 
IN: inalatória 
OF: oftálmica 
OR: oral 
PA: parenteral 
RE: retal 
TP: tópica na pele 
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. 23 
UT: uterina 
TM: tópica em mucosas (exceto ocular) 
 
Texto adaptado de BRANDÃO, A. C. da C. 
 
Manipulação de soluções e medicamentos não estéreis 
Um medicamento não estéril é um medicamento que não exige condições estéreis durante sua 
manipulação. Ao preparar um medicamento desse tipo, é importante seguir algumas etapas básicas 
para evitar erros e reduzir o risco de contaminação: 
- Avaliar a adequação da prescrição em termos de segurança e uso indicado. 
- Fazer os cálculos necessários para determinar a quantidade de ingredientes necessária. 
- Identificar os equipamentos necessários para o preparo. 
- Fazer a higiene adequada das mãos. 
- Limpar a área de manipulação e os equipamentos necessários. 
- Usar os equipamentos de proteção individual (EPIs), incluindo luvas. 
- Manipular uma prescrição de uma vez só. Isso evita não apenas a contaminação, mas também 
outros erros médicos, como mistura de medicamentos. 
- Reunir todos os materiais necessários para manipulação. Como os manipuladores já avaliaram os 
ingredientes e equipamentos necessários, esse processo de separação do material é bem rápido. 
- Manipular omedicamento de acordo com a prescrição. 
- Avaliar as variações, como aquelas relacionadas a peso, mistura, limpidez, odor, cor, pH, etc. 
- Descrever e documentar a aparência do medicamento. 
- Rotular o medicamento, incluindo nome, número de identificação, data de validade, rubrica do 
manipulador, exigências de armazenamento e outras informações exigidas pela lei estadual. 
- Assinar e datar a prescrição. 
- Limpar completa e adequadamente todos os equipamentos e armazená-los de forma correta. 
- Limpar as mãos de acordo com os protocolos de higiene das mãos. 
 
As áreas de manipulação devem ter espaço adequado para equipamentos e materiais, de modo a 
evitar misturas entre ingredientes, rótulos e produtos acabados. Para evitar a contaminação, elas devem 
ser bem iluminadas e ventiladas e projetadas para minimizar a contaminação cruzada. Além disso, 
esses locais devem ser fisicamente separados das áreas de preparação estéril. Todas as áreas de 
manipulação não estéril devem estar limpas e sanitizadas. As instalações para lavagem das mãos e 
lixeiras – incluindo lixeiras para lixo hospitalar e não hospitalar – devem ser de fácil acesso, e deve ser 
realizada uma limpeza diária desses locais. 
Para evitar a contaminação dos medicamentos pelos farmacêuticos e por outros profissionais de 
assistência à saúde (PASs) que estejam doentes, as atividades devem ser limitadas para funcionários 
que apresentem sintomas de resfriado, gripe ou outras condições gastrintestinais ou infecciosas. Isso se 
aplica particularmente a todos os PAS com exantemas, pele ferida ou outras doenças cutâneas. 
 
Manipulação de soluções e medicamentos estéreis 
Diferentemente das soluções e dos medicamentos não estéreis, as soluções e os medicamentos 
estéreis devem ser preparados em ambiente estéril e com o uso de técnicas estéreis. Um ambiente estéril 
– ou sala limpa – é uma sala onde o número de partículas por metro cúbico de ar é controlado. A 
International Organization for Standardization (ISO) classifica as salas limpas de acordo com o número 
de partículas permitidas por volume de ar. As salas limpas para manipulação estéril costumam ser ISO 
classe 5, classe que tem menos de 100.000 partículas por metro cúbico de ar. 
 
O ar nas salas limpas é filtrado para excluir a poeira e constantemente recirculado através de filtros de 
particulado de ar de alta eficiência (HEPA) e/ou ultra filtro de penetração de ar (ULPA). Os PASs entram 
e deixam a sala através de airlocks e usam EPIs, como aventais, máscaras, gorros, luvas e propés, para 
manter rigorosa esterilidade. Equipamentos, produtos de limpeza e mobília dentro de uma sala limpa 
também são projetados para produzir um número mínimo de partículas. 
 
Com relação ao preparo de medicamento estéril, a USP define cinco níveis de risco, descritos a seguir, 
os quais relacionam o grau de risco de contaminação envolvido no processo de manipulação: 
1. Categoria de uso imediato. Os medicamentos nessa categoria são preparados para uso em 
situações de emergência ou em situações nas quais a manipulação de baixo risco é perigosa para o 
paciente devido a atrasos. Esses tipos de medicamentos devem ser administrados dentro de 1h após o 
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. 24 
preparo ou descartados, não sendo permitido seu armazenamento ou manipulação em batelada. Eles 
devem ser preparados usando técnicas assépticas. 
2. Nível de baixo risco. Esses medicamentos são preparados a partir de ingredientes comerciais, 
usando equipamentos estéreis. Eles não incluem mais do que três ingredientes comercialmente 
disponíveis. Eles devem ser preparados em ambientes ISO classe 5 e com áreas buffer ISO classe 7 e 
antessalas ISO classe 8. 
3. Nível de baixo risco com 12 horas além da data de uso. Esse tipo de medicamento deve ser 
preparado em um ambiente ISO classe 5, em uma área de manipulação que seja separada e tenha ar 
ambiente. 
4. Nível de médio risco. Esses medicamentos incluem as preparações manipuladas a partir de produtos 
comerciais estéreis múltiplos para uso em vários pacientes ou várias vezes em um paciente. Eles também 
incluem preparações que exigem transferências múltiplas ou que consomem muito tempo. Eles devem 
ser preparados em ambientes ISO classe 5 e com áreas buffer ISO classe 7 e antessalas ISO classe 8. 
5. Nível de alto risco. São medicamentos que estão contaminados ou que possuem elevado risco de 
contaminação. Eles podem incluir preparações estéreis a partir de ingredientes estéreis, preparações 
usando ingredientes estéreis em um ambiente que não seja ISO classe 5 ou preparações nas quais exista 
um prazo maior entre a manipulação e a esterilização. 
Todas as cinco categorias de risco exigem que os manipuladores executem o teste de media fill para 
técnica asséptica. O grau de complexidade envolvido nesse teste varia com o nível de risco. 
 
Existem várias outras questões com relação à manipulação de medicamentos estéreis sobre as quais 
a equipe de farmácia deve estar ciente, incluindo as seguintes: 
- Os ingredientes devem ter identidade, qualidade e pureza adequadas. 
- Recipientes abertos ou parcialmente usados devem ser adequadamente armazenados. 
- Produtos não estéreis com água devem ser esterilizados dentro de 6h. 
- Devem ser seguidos os procedimentos corretos e adequados de esterilização. Tais procedimentos 
são definidos por leis e regulamentos. 
- Os componentes usados para preparar os produtos são limpos, exatos e adequados. 
- São usados os procedimentos de manipulação corretos. 
- O ambiente de manipulação mantém a esterilidade ou a pureza dos itens. O ambiente deve ter uma 
indicação de ISO classe 5 e incluir a mobília adequada. As bancadas de fluxo laminar, as cabines de 
segurança biológica (CSBs) e os isoladores de retenção asséptica para manipulação são comuns nesses 
ambientes. 
- O potencial dano pelas substâncias adicionadas é avaliado antes da dispensação. 
- A embalagem adequada é selecionada para manter a esterilidade e a estabilidade. 
- Os rótulos são adequados e estão completos. 
- As datas para uso posterior estão adequadas e são baseadas em critérios científicos válidos. 
 
É importante que os farmacêuticos façam a higiene das mãos e usem EPIs ao preparar medicamentos 
estéreis. Eles também devem lavar mãos e antebraços imediatamente antes e após preparar os 
medicamentos e usar luvas estéreis e aventais ou macacões. 
Para evitar a contaminação cruzada, a área de manipulação estéril deve ser separada das atividades 
não essenciais para essa atividade. Qualquer sala de separação (buffer) ou antessala deve estar 
fisicamente separada da área de manipulação e incluir um diferencial de pressão positiva. Se não houver 
separação física, devem ser usados os princípios de deslocamento de fluxo de ar – como velocidade 
elevada do ar ou diferenciais de baixa pressão. 
 
Como ocorre com as áreas de preparação não estéril, as áreas de preparação estéril devem ser limpas 
e sanitizadas. Esses procedimentos devem ser adequados para as áreas ISO classe 5. Balcões, 
superfícies de trabalho e chão devem ser limpos todos os dias, e qualquer área de separação ou antessala 
deve ser higienizada todo mês. Deve ser feita observação visual das técnicas de limpeza e desinfecção 
de todos que trabalham ou não no setor de manipulação em intervalos específicos. Os PASs que 
trabalham na manipulação estéril da farmácia devem evitar trabalhar nessa área ou abreviar suas 
atividades se estiverem doentes. 
 
Teste ambiental para áreas de preparação estéril 
Para garantir que sejam mantidas as condições adequadas na área de manipulação estéril, o 
monitoramento ambiental deve ser feito rotineiramente. A contagem de partículas totais deve ser feita 
pelo menos a cada seis meses para todas as partes das áreas de manipulação estéril. A contagem deve 
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. 25 
ser realizada caso a área seja realocada ou seforem feitas alterações físicas. Além disso, os hospitais 
devem fazer amostragem regular da superfície para testar a conformidade com os procedimentos de 
limpeza e desinfecção. As ações corretivas devem se basear nos níveis de contaminação microbiana e 
identificação dos micro-organismos. 
 
Educação dos profissionais de assistência à saúde sobre contaminação 
A educação e o treinamento das pessoas que trabalham na farmácia são essenciais para a prevenção 
e o controle de contaminação dos medicamentos estéreis. Esse treinamento deve incluir os 
procedimentos de preparo assépticos, as técnicas adequadas para a colocação de avental e luvas, os 
procedimentos de garantia da qualidade, os fatores de contaminação das áreas críticas e a conduta geral 
na área controlada. Esses esforços de educação devem ser documentados. 
 
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5348/farmacia.htm 
Questões 
 
01. (Prefeitura de Campo Verde – MT – Atendente de Farmácia – CONSUPLAN) Qual dessas 
formas farmacêuticas NÃO pode ser classificada como líquida? 
(A) Soluções. 
(B) Xaropes. 
(C) Elixires. 
(D) Tinturas. 
(E) Aerossóis. 
 
02. (Prefeitura de Poço Redondo – SE – Farmacêutico – CONSUPLAN) Qual dessas formas 
farmacêuticas NÃO é classificada como semissólida? 
(A) Pomadas. 
(B) Cremes. 
(C) Géis. 
(D) Cápsulas. 
(E) Pastas. 
 
03. (EBSERH – Técnico de Farmácia – IBFC/2017) As formas farmacêuticas classificam-se em 
formas farmacêuticas líquidas, sólidas e semissólidas. Assinale a alternativa que apresenta uma forma 
farmacêutica semissólidas: 
(A) Emulsão. 
(B) Espuma. 
(C) Óleo. 
(D) Gel. 
(E) Coluntório. 
 
04. (EBSERH – Técnico de Farmácia – Instituo AOCP/2017) A respeito dos princípios básicos de 
farmacotécnica, assinale a alternativa correta. 
(A) Pomadas são preparações semissólidas destinadas à aplicação externa que devem 
obrigatoriamente conter substâncias medicamentosas. 
(B) Cápsulas são formas farmacêuticas sólidas em que o fármaco está encerrado em um invólucro 
solúvel duro ou mole. As cápsulas duras estão disponíveis em tamanhos que variam do menor, 5, ao 
maior, 000. 
(C) Xaropes são soluções orais que contêm baixa concentração de sacarose ou outros açúcares. 
(D) Suspensões são preparações líquidas constituídas de partículas líquidas dispersas em uma fase 
líquida na qual são insolúveis. 
(E) Emulsões são sistemas bifásicos nos quais um sólido está disperso em outro na forma de pequenas 
gotículas. 
 
Gabarito 
 
01.E / 02.D / 03.D / 04.B 
 
 
Comentários 
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01. Resposta: E 
Os aerossóis e vapores são classificados como gasosos e não líquidos. 
 
02. Resposta: D 
As cápsulas (invólucro gelatinoso) é classificada como sólida, os semissólidos são as pomadas, 
cremes, geleias. 
 
03. Resposta: D 
Os semissólidos são as pomadas, cremes, gel, geleias. 
 
04. Resposta: B 
As cápsulas são pequenos invólucros destinados a conter, um pó ou um líquido. Têm forma cilíndrica 
e são formados por duas partes que se encaixam. São classificadas como sólidas. 
 
 
 
De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), Farmácia Hospitalar e outros serviços de 
saúde definem-se como “unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por farmacêutico, ligada 
hierarquicamente à direção do hospital ou serviço de saúde e integrada funcionalmente com as demais 
unidades administrativas e de assistência ao paciente”. 
Neste contexto, a farmácia hospitalar deve desenvolver atividades clínicas e relacionadas à gestão. A 
farmácia é um setor do hospital que demanda elevados valores orçamentários e, por isso, o farmacêutico 
hospitalar deve assumir atividades gerenciais para contribuir com a eficiência administrativa e, 
consequentemente, com a redução dos custos. 
Por outro lado, a farmácia hospitalar também tem o objetivo de contribuir no processo de cuidado à 
saúde, por meio da prestação de assistência ao paciente com qualidade, que vise ao uso seguro e 
racional de medicamentos, conforme preconiza a Política Nacional de Medicamentos, regulamentada pela 
Portaria nº 3.916/98, do Ministério da Saúde. 
As atividades desenvolvidas pela farmácia hospitalar podem ser observadas sob o ponto de vista da 
organização sistêmica da Assistência Farmacêutica. Segundo a Resolução nº 338/04, do Conselho 
Nacional de Saúde, Assistência Farmacêutica é: 
(...) um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual 
como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. 
Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem 
como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos 
produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de 
resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população. 
A Assistência Farmacêutica, no contexto hospitalar, engloba atividades relacionadas à logística, 
manipulação, controle de qualidade, atenção farmacêutica e farmácia clínica, conforme representado na 
Figura 1. Além disso, existem atividades intersetoriais, que requerem interação com outros setores do 
hospital. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 - Esquema da Assistência Farmacêutica no Âmbito Hospitalar 
Boas práticas de manipulação em farmácia hospitalar. Cálculos relacionados ao 
preparo de medicamentos 
 
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. 27 
 
 
 
A fim de estabelecer alguns parâmetros para as atividades hospitalares, a Sociedade Brasileira de 
Farmácia Hospitalar (SBRAFH) publicou os Padrões Mínimos para a Farmácia Hospitalar e Serviços de 
Saúde. 
Um dos itens abordados são os recursos humanos na farmácia hospitalar. De acordo com este 
documento, a unidade de farmácia hospitalar, para proporcionar o desenvolvimento de processos 
seguros e sem sobrecarga ocupacional, deve contar com farmacêuticos e auxiliares em número 
adequado para a realização das suas atividades. 
O número mínimo de farmacêuticos recomendado dependerá das atividades desenvolvidas, da 
complexidade do cuidado e do grau de informatização e mecanização da unidade. 
Os farmacêuticos hospitalares deverão buscar continuamente melhorias nas condições técnicas e de 
trabalho, de forma a alcançar, além dos parâmetros recomendados como “padrões mínimos”, processos 
mais refinados e um ambiente mais seguro para o paciente. 
Recentemente, em 2010, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 4.283, que estabeleceu 
diretrizes relacionadas e estratégias, objetivando organizar, fortalecer e aprimorar as ações da 
assistência farmacêutica em hospitais, tendo como eixos estruturantes a segurança e a promoção do 
uso racional de medicamentos e de outras tecnologias em saúde. 
Esta Portaria reconhece como áreas de atuação da Farmácia Hospitalar: a gestão, a distribuição e a 
dispensação de medicamentos e produtos para a saúde, a manipulação e a unitarização de 
medicamentos, bem como o cuidado ao paciente, a informação sobre medicamentos e outras 
tecnologias em saúde e, inclusive, as atividades de ensino e pesquisa e educação continuada. Além 
disso, a farmácia hospitalar deve contar com farmacêuticos e auxiliares, necessários ao pleno 
desenvolvimento de suas atividades, considerando a complexidade do hospital, os serviços ofertados, o 
grau de informatização e mecanização, o horário de funcionamento e a segurança para o trabalhador e 
usuários. 
 
http://portal.crfsp.org.br/component/phocadownload/category/cartilhas-das-comissoes-assessoras-comites.html?download=6:cartilha-da-comissao-de-farmacia-
hospitalar 
 
CÁLCULOS FARMACÊUTICOS 
 
A medição de volumes dos líquidos é outra das operações praticadas na farmácia. Faz-se utilizando 
instrumentos de vidro ou plástico (pipetas, provetas, cálices graduados, copos graduados), onde a escala 
cuja unidade fundamental é o “ml”.Conta-gotas: Alguns médicos prescrevem medicamentos para serem administrados na forma de 
gotas. É certo que podemos utilizar frascos conta-gotas ou pipetas com bulbos de borracha, mas qualquer 
destes processos não origina gotas com peso ou volume uniforme. A uniformidade depende de vários 
fatores como a densidade do líquido, a temperatura que o utilizaremos e a capilaridade. Podemos 
padronizar um conta-gotas, onde a uma temperatura de 25ºC, 20 gotas de água destilada correspondem 
a l g. 
 
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. 28 
Um medicamento líquido para uso interno, como um xarope, raramente é prescrito para ser 
administrado de uma só vez. Em regra destina-se a ser ingerido em doses fracionadas. É de se esperar 
que a farmácia forneça os copos ou colheres medidas para o paciente administrar o medicamento em 
casa. Mas, na prescrição médica podem estar indicado alguns utensílios domésticos. Assim 
relacionaremos alguns utensílios e suas medidas: 
- Colher de café = 2,5 ml de água 
- Colher de chá = 5 ml de água 
- Colher de sobremesa = 10 ml de água 
- Colher de sopa = 15 a 20 ml de água 
 
Conversão de Cálculos 
 
Uma das maiores causas de erro no aviamento de prescrições magistrais relaciona-se à “matemática 
farmacêutica” ou aos cálculos em farmácia. Apesar da maioria dos processos serem relativamente 
simples, um ponto decimal mal colocado ou um valor estimado erroneamente pode ter consequências 
sérias, levando inclusive à morte. Um profissional que não esteja preparado para executar esses cálculos 
não deve envolver-se com a manipulação magistral. É extremamente importante que o farmacêutico 
possua um excelente embasamento no que se refere à metodologia dos cálculos e nenhum erro pode ser 
tolerado nessa etapa vital do processo de manipulação. 
 
Para pós: Um bom exercício de conversão de cálculos é a seguinte fórmula: 
 
Zinco 40mg 
Cobre 2mg 
Vitamina C 60mg 
Vitamina E 30mg 
Betacaroteno 5.000UI 
Selênio 40mcg 
 
Manipule 30 cápsulas. 
 
Analisando cada matéria prima teremos: 
 
Se o ZINCO for fornecido diluído a 20%, devemos fazer o seguinte cálculo: 
 
40 mg X 30 (cps) = 1.200 mg ou 1,2 g 
 
1,2 g - 20 % 
 X - 100 % 
 
Portanto 1,2 X 100 = 6 g. 
 20 
Assim teremos que pesar 6 gramas de zinco. 
 
Alguns programas de computador necessitam de um fator de correção para o cálculo das fórmulas. 
Podemos achar um fator e aplicá-lo: 
 
100 % = 5, se multiplicarmos o 1,2 g por 5 encontraremos o peso que devemos obter. 
 20 
 
Se o COBRE for obtido em uma diluição de 13,66 %, aplicamos a regra de três ou calculamos o fator: 
 
 _100_ = 7,32 
 13,66 
 
Assim, 2 mg X 30 (cps) = 60 mg. 
 
60 mg X 7,32 = 439,20 mg (total do sal que devemos pesar) 
 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 29 
A VITAMINA C é pura, portanto faz-se o cálculo diretamente: 
 
60 mg X 30 (cps) = 1.800 mg ou 1,8 g. 
 
A VITAMINA E compramos geralmente a 50%: 
 
30 mg X 30 (cps) = 900 mg. Como é a 50 %, multiplica-se por 2. Pesaremos 1.800 mg ou 1,8 g. 
 
BETACAROTENO: pode vir dos distribuidores assim: 1.670 UI/mg, a 10 %. 
 
5.000 UI X 30 (cps) = 150.000 UI 
 
Assim temos: 1 mg = 1.670 UI 
 X = 150.000 
 
Resultado: 89,82 mg. Mas, o produto é a 10%, então devemos converter se a prescrição não mencionar 
a diluição: pesaremos 898,20 mg do betacaroteno. 
 
SELÊNIO é geralmente adquirido a 0,2%. 
 
40mcg = 0,04mg X 30 (cps) = 1,2mg x 500 = 600mg. 
 
Existem alguns princípios ativos que não devemos converter, pois utilizamos já na forma como os 
adquirimos: é o caso do Ginkgo biloba extrato seco a 24%, ácido lático a 50%, etc. 
 
Outro cálculo que nos deparamos é com líquidos e suas doses fracionadas: 
 
Exemplo: 
 Ciproheptadina ......................3 mg 
 Xarope simples qsp................5 ml 
 
 Manipule 200 ml 
 
Para cada 5 ml de xarope simples, 3 mg de ciproheptadina. Portanto, é só sabermos quantas frações 
de 5 ml existe em 200 ml do total. 
200 = 40 40 X 3 = 120 mg ou 
 5 
 
3 mg (ciproheptadine) 5 ml (xarope) 
 x 200 ml (xarope) 
 
Aplicando-se a regra de 3, teremos: x = 200 x 3 = 120 mg. 
 5 
 
Outros cálculos na Farmácia Magistral 
 
Um farmacêutico necessita preparar um lote de um descongestionante oftálmico. Cada frasco deverá 
conter 15 ml. O conservante a ser utilizado é o cloreto de benzalcônio a 0,01 %. O farmacêutico dispõe 
de uma solução-estoque contento cloreto de benzalcônio a 17 %. Qual o volume da solução estoque para 
preparar os três frascos? 
 
15 x 3 = 45 
45 x 0,0001 = 0,0045 g 
 
0,0045 17 
 ----------- = ---------- x = 0,026 mL 
 x 100 
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. 30 
Uma solução anticolinérgica foi prescrita para um bebê, em uma dose de 0,25 mL. O conta-gotas que 
acompanha o medicamento libera 2 ml de líquido a cada 56 gotas. O farmacêutico deve instruir os pais 
para ministrarem quantas gotas para o bebê? 
 
56  2 = 28 gotas / ml 1 28 X = 7 gotas 
 ------ = ------- 
 0,25 X 
Formas anidras e formas hidratadas: 
 
Qual a quantidade de MgSO4. 7 H2O deve ser tomada para obter-se 5 g de MgSO4? 
 
Mg = 24 S = 32 O = 16 
 
O peso molecular do MgSO4 é: 
 
Mg 1 x 24 = 24 
S 1 x 32 = 32 
O 4 x 16 = 64 
 120 
 
o peso molecular do MgSO4. 7 H2O é: 
 
MgSO4 1 x 120 = 120 
H 14 x 1 = 14 
O 7 x 16 = 112 
 246 
 
A quantidade de MgSO4. 7 H2O necessária será de: 
 
120 5 
-------- = --------- X = 10,25 g 
246 X 
 
Assim, 10,25 g de MgSO4. 7 H2O conterão 5 g de MgSO4. 
 
Sistema métrico decimal: medidas de massa e volume 
 
Um sistema de medidas é um conjunto de unidades de medida que mantém algumas relações entre 
si. O sistema métrico decimal é hoje o mais conhecido e usado no mundo todo. Na tabela seguinte, 
listamos as unidades de medida de comprimento do sistema métrico. A unidade fundamental é o metro, 
porque dele derivam as demais. 
 
Unidades de Comprimento 
km hm dam m dm cm mm 
quilômetro hectômetr
o 
decâmetr
o 
metro decímetr
o 
centímetr
o 
milímetr
o 
1000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m 
 
Há, de fato, unidades quase sem uso prático, mas elas têm uma função. Servem para que o sistema 
tenha um padrão: cada unidade vale sempre 10 vezes a unidade menor seguinte. 
Por isso, o sistema é chamado decimal. 
 
E há mais um detalhe: embora o decímetro não seja útil na prática, o decímetro cúbico é muito usado 
com o nome popular de litro. 
As unidades de área do sistema métrico correspondem às unidades de comprimento da tabela anterior. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 31 
São elas: quilômetro quadrado (km2), hectômetro quadrado (hm2), etc. As mais usadas, na prática, são 
o quilômetro quadrado, o metro quadrado e o hectômetro quadrado, este muito importante nas atividades 
rurais com o nome de hectare (ha): 1 hm2 = 1 ha. 
No caso das unidades de área, o padrão muda: uma unidade é 100 vezes a menor seguinte e não 10 
vezes, como nos comprimentos. Entretanto, consideramos que o sistema continua decimal, porque 100 
= 102. 
 
Unidades de Área 
km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2 
quilômetro 
quadrado 
hectômetro 
quadrado 
decâmetro 
quadrado 
metro 
quadrado 
decímetro 
quadrado 
centímetro 
quadrado 
milímetro 
quadrado 
1000000m2 10000m2 100m2 1m2 0,01m2 0,0001m2 0,000001m2 
 
Agora, vejamos as unidades de volume. De novo, temos a lista: quilômetro cúbico (km3), hectômetro 
cúbico (hm3), etc. Na prática, são muitos usados o metro cúbico e o centímetro cúbico. 
Nas unidades de volume, há um novo padrão: cada unidade vale 1000 vezes a unidade menor 
seguinte. Como 1000 = 103, o sistema continua sendo decimal.Unidades de Volume 
km3 hm3 dam3 m3 dm3 cm3 mm3 
quilômetro 
cúbico 
hectômetro 
cúbico 
decâmetro 
cúbico 
metro 
cúbico 
decímetro 
cúbico 
centímetro 
cúbico 
milímetro 
cúbico 
1000000000m3 1000000m3 1000m3 1m3 0,001m3 0,000001m3 0,000000001m3 
 
A noção de capacidade relaciona-se com a de volume. Se o volume da água que enche um tanque é 
de 7 000 litros, dizemos que essa é a capacidade do tanque. A unidade fundamental para medir 
capacidade é o litro (l); 1l equivale a 1 dm3. 
Cada unidade vale 10 vezes a unidade menor seguinte. 
 
Unidades de Capacidade 
kl hl dal l dl cl ml 
quilolitro hectolitro decalitro 
 
litro decilitro centímetro 
 
mililitro 
1000l 100l 10l 1l 0,1l 0,01l 0,001l 
 
O sistema métrico decimal inclui ainda unidades de medidas de massa. A unidade fundamental é o 
grama. 
 
Unidades de Massa 
kg hg dag g dg cg mg 
quilograma hectograma decagrama grama decigrama centigrama miligrama 
1000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m 
 
Dessas unidades, só têm uso prático o quilograma, o grama e o miligrama. No dia-a-dia, usa-se ainda 
a tonelada (t): 1t = 1000 kg. 
 
Formas de Expressão de Concentrações na Manipulação Farmacêutica 
 
A quantidade e a concentração dos componentes de uma preparação farmacêutica podem ser 
expressas de diferentes maneiras. A massa de fármaco pode ser dada em gramas, miligramas ou 
microgramas; a Unidade Internacional (UI) expressa a atividade específica das vitaminas contida em certa 
quantidade padrão, dentre outras. 
A concentração fornece a quantidade de fármaco presente em determinada quantidade de preparação 
(massa ou volume), por exemplo, amoxicilina 250 mg / 5 ml, dextrose 5% em água ou cápsulas contendo 
200 mg de carbamazepina. As unidades de concentrações usuais na manipulação são: 
 
a) Porcentagem (%) pode ser definida com partes por cem (100). Utilizada nos compêndios oficiais 
para expressar a faixa de aceitação de uma forma de dosagem. Por exemplo: 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 32 
Cápsulas de teofilina devem conter não menos que 90% e não mais que 110% do valor rotulado de 
teofilina anidra. 
 
Qual a faixa de teor para cápsulas de teofilina de 300 mg? 
 
300 mg 100% 300 mg 100% 
X 90% X 110% 
X = 270 mg X = 330 mg 
 
As cápsulas podem conter de 270 mg a 330 mg de teofilina. 
 
b) % peso por volume, volume por volume ou peso por peso 
- Para sólidos em líquidos? % p / v: g em 100 ml 
- Para líquidos em líquidos? % v / v: ml em 100 ml 
- Para sólidos em sólidos? % p / p: g em 100 g 
 
 c) Proporção quantidade em partes do fármaco no total de partes da preparação. Representada por 
“: - dois pontos”. Assim, em uma diluição 1:10 de biotina, entende-se que, em 10 partes de mistura, 1 
parte é de biotina (1 g de biotina + 9 g de excipiente inerte). 
 
A interpretação correta seria misturar 1 parte da pomada de gentamicina (15 g) com 1 parte de vaselina 
branca (15 g). Neste caso, 50% da preparação seriam de pomada de gentamicina e 50% de base. Um 
modo errado de interpretar seria misturar 1 parte de pomada de gentamicina (10 g) com 2 partes de 
vaselina branca (20 g). A % de pomada de gentamicina cairia para 33,33%. Como consequência, a dose 
do fármaco estaria menor. 
 
d) Miligramas por mililitro a utilização da expressão mg / ml para preparações líquidas é a mais usual 
e não deixa qualquer margem de dúvida. Por exemplo, a concentração de acetato de hidrocortisona em 
uma suspensão oral é de 10 mg / 5 ml. Isto equivale dizer que, cada 1 ml da suspensão contém 2 mg do 
sal. 
 
Expressão de concentrações 
 
As concentrações definidas em percentagem são expressas como se segue: 
 
- Por cento p/p (peso em peso) ou % p/p - Expressa o número de g de um componente em 100 g de 
mistura. 
- Por cento p/v (peso em volume) ou % p/v - Expressa o número de g de um componente em 100 ml 
de solução. 
- Por cento v/v (volume em volume) ou % v/v - Expressa o número de ml de um componente em 100 
ml de solução. 
- Por cento v/p (volume em peso) ou % v/p - Expressa o número de ml de um componente em 100 g 
de mistura. 
 
A expressão por cento, usada sem outra atribuição, significa: mistura de sólidos e semissólidos, por 
cento p/p; para soluções ou suspensões de sólidos em líquidos, por cento p/v; para soluções de líquidos, 
por cento v/v; para soluções de gases em líquidos, por cento p/v; para expressar teor de óleos essenciais 
em drogas vegetais, por cento v/p. 
 
Praticamente todas as operações farmacotécnicas envolvem algum tipo de cálculo. Os mais comuns 
são baseados em regra de três simples, empregados em cálculos de diluição, fator de correção ou 
equivalência, conversão de unidades dentre outros. É de extrema importância que o farmacêutico e sua 
equipe técnica tenham pleno conhecimento e entendimento destes cálculos, pois são essenciais para se 
produzir uma fórmula eficaz e segura ao paciente. Erros de cálculos podem levar à produção de fórmulas 
com teor diminuído ou aumentado de princípios ativos, gerando ineficácia na terapêutica ou incidência de 
efeitos adversos, que podem apresentar diferentes magnitudes ou, até mesmo, levar o paciente ao óbito. 
A seguir serão discutidos os principais cálculos empregados na rotina de produção de medicamentos 
magistrais. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 33 
O resultado de uma medição deve ser representado pelo valor numérico da medida seguido pelo 
símbolo da unidade de medida em questão. Por exemplo: 25ºC; 100 g; 50 ml; 5%Um valor sem unidade 
de medida é apenas um número qualquer e, em muitos casos, pode não ter utilidade alguma. 
 
Razão 
 
Sejam dois números reais a e b, com b ≠ 0. Chama-se razão entre a e b (nessa ordem) o quociente a 
÷ b, ou 
𝑎
𝑏
. 
A razão é representada por um número racional, mas é lida de modo diferente. 
 
Exemplos 
 
a) A fração 
5
3
 lê-se: “três quintos”. 
b) A razão 
5
3
 lê-se: “3 para 5”. 
 
Os termos da razão recebem nomes especiais. 
 
 O número 3 é numerador 
 
a) Na fração 
5
3
 
 O número 5 é denominador 
 
 O número 3 é antecedente 
 
a) Na razão 
5
3
 
 O número 5 é consequente 
 
 
Exemplo 1 
 
A razão entre 20 e 50 é 
5
2
50
20
 ; já a razão entre 50 e 20 é 
2
5
20
50
 . 
 
 
Exemplo 2 
 
Numa classe de 42 alunos há 18 rapazes e 24 moças. A razão entre o número de rapazes e o número 
de moças é 
4
3
24
18
 , o que significa que para “cada 3 rapazes há 4 moças”. Por outro lado, a razão entre 
o número de rapazes e o total de alunos é dada por 
7
3
42
18
 , o que equivale a dizer que “de cada 7 alunos 
na classe, 3 são rapazes”. 
 
Razão entre grandezas de mesma espécie 
 
A razão entre duas grandezas de mesma espécie é o quociente dos números que expressam as 
medidas dessas grandezas numa mesma unidade. 
 
Exemplo 
 
Uma sala tem 18 m2. Um tapete que ocupar o centro dessa sala mede 384 dm2. Vamos calcular a 
razão entre a área do tapete e a área da sala. 
 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 34 
Primeiro, devemos transformar as duas grandezas em uma mesma unidade: 
Área da sala: 18 m2 = 1 800 dm2 
Área do tapete: 384 dm2 
Estando as duas áreas na mesma unidade, podemos escrever a razão: 
 
75
16
1800
384
1800
384
2
2

dm
dm 
 
Razão entre grandezas de espécies diferentes 
 
Exemplo 1 
 
Considere um carro que às 9 horas passa pelo quilômetro 30 de uma estrada e, às 11 horas, pelo 
quilômetro 170. 
 
Distância percorrida: 170 km – 30 km = 140 km 
Tempo gasto: 11h – 9h = 2h 
 
Calculamos a razão entre a distância percorrida e o tempo gasto para isso: 
 
hkm
h
km
/70
2
140
 
 
A esse tipo de razão dá-se o nome de velocidade média. 
 
Observe que: 
- as grandezas “quilômetro e hora” são de naturezas diferentes; 
- a notação km/h (lê-se: “quilômetros por hora”)deve acompanhar a razão. 
 
Exemplo 2 
 
A Região Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) tem uma área 
aproximada de 927 286 km2 e uma população de 66 288 000 habitantes, aproximadamente, segundo 
estimativas projetadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 1995. 
 
Dividindo-se o número de habitantes pela área, obteremos o número de habitantes por km2 (hab./km2): 
 
2/.5,71
927286
66288000
kmhab 
 
A esse tipo de razão dá-se o nome de densidade demográfica. 
 
A notação hab./km2 (lê-se: ”habitantes por quilômetro quadrado”) deve acompanhar a razão. 
 
Exemplo 3 
 
Um carro percorreu, na cidade, 83,76 km com 8 L de gasolina. Dividindo-se o número de quilômetros 
percorridos pelo número de litros de combustível consumidos, teremos o número de quilômetros que esse 
carro percorre com um litro de gasolina: 
 
lkm
l
km
/47,10
8
76,83
 
 
A esse tipo de razão dá-se o nome de consumo médio. 
 
A notação km/l (lê-se: “quilômetro por litro”) deve acompanhar a razão. 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 35 
Exemplo 4 
 
Uma sala tem 8 m de comprimento. Esse comprimento é representado num desenho por 20 cm. Qual 
é a escala do desenho? 
 
Escala = 40:1
40
1
800
20
8
20
ou
cm
cm
m
cm
orealcompriment
onodesenhocompriment
 
 
A razão entre um comprimento no desenho e o correspondente comprimento real, chama-se Escala. 
 
 
Proporção 
 
A igualdade entre duas razões recebe o nome de proporção. 
 
Na proporção 
10
6
5
3
 (lê-se: “3 está para 5 assim como 6 está para 10”), os números 3 e 10 são 
chamados extremos, e os números 5 e 6 são chamados meios. 
Observemos que o produto 3 x 10 = 30 é igual ao produto 5 x 6 = 30, o que caracteriza a propriedade 
fundamental das proporções: 
 
“Em toda proporção, o produto dos meios é igual ao produto dos extremos”. 
 
Exemplo 1 
 
Na proporção 
9
6
3
2
 , temos 2 x 9 = 3 x 6 = 18; 
e em 
16
4
4
1
 , temos 4 x 4 = 1 x 16 = 16. 
 
Exemplo 2 
 
Na bula de um remédio pediátrico recomenda-se a seguinte dosagem: 5 gotas para cada 2 kg do 
“peso” da criança. 
Se uma criança tem 12 kg, a dosagem correta x é dada por: 
 
kg
x
kg
gotas
122
5
 → x = 30 gotas 
 
Por outro lado, se soubermos que foram corretamente ministradas 20 gotas a uma criança, podemos 
concluir que seu “peso” é 8 kg, pois: 
 
pgotas
kg
gotas
/20
2
5
 → p = 8kg 
 
(nota: o procedimento utilizado nesse exemplo é comumente chamado de regra de três simples.) 
 
Propriedades da Proporção 
 
O produto dos extremos é igual ao produto dos meios: essa propriedade possibilita reconhecer quando 
duas razões formam ou não uma proporção. 
 
9
12
3
4
e formam uma proporção, pois 
 
Produto dos extremos 
36
9.4 = 
36
12.3 Produto dos meios 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 36 
A soma dos dois primeiros termos está para o primeiro (ou para o segundo termo) assim como a soma 
dos dois últimos está para o terceiro (ou para o quarto termo). 
 
10
14
5
7
10
410
5
25
4
10
2
5





 
 
 
ou 
 
4
14
2
7
4
410
2
25
4
10
2
5





 
 
 
A diferença entre os dois primeiros termos está para o primeiro (ou para o segundo termo) assim como 
a diferença entre os dois últimos está para o terceiro (ou para o quarto termo). 
 
8
2
4
1
8
68
4
34
6
8
3
4





 
 
 
ou 
 
6
2
3
1
6
68
3
34
6
8
3
4





 
 
 
A soma dos antecedentes está para a soma dos consequentes assim como cada antecedente está 
para o seu consequente. 
 
8
12
10
15
8
12
28
312
2
3
8
12






 
 
ou 
 
2
3
10
15
2
3
28
312
2
3
8
12






 
 
A diferença dos antecedentes está para a diferença dos consequentes assim como cada antecedente 
está para o seu consequente. 
 
15
3
10
2
15
3
515
13
5
1
15
3






 
 
ou 
 
5
1
10
2
5
1
515
13
5
1
15
3






 
 
Porcentagem 
 
 A porcentagem é o resultado das frações que possuem denominadores iguais a 100; por isso são 
conhecidas como razões centesimais e podem ser representadas pelo símbolo "%". Portanto, valores 
expressos em porcentagem são considerados como valores relativos, como mostrado no exemplo a 
seguir: 20% de 100 g = 20 g, enquanto que 20% de 1000 g = 200 g. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 37 
Cálculos com porcentagem são frequentemente empregados no nosso cotidiano, como em acréscimos 
ou reduções de preços, determinação de grupos populacionais e concentração de produtos, sempre tendo 
como base 100 unidades. 
 
Regra de Três Simples 
 
Os problemas que envolvem duas grandezas diretamente ou inversamente proporcionais podem ser 
resolvidos através de um processo prático, chamado regra de três simples. 
 
Exemplo 1: Um carro faz 180 km com 15L de álcool. Quantos litros de álcool esse carro gastaria para 
percorrer 210 km? 
 
Solução: 
 
O problema envolve duas grandezas: distância e litros de álcool. 
Indiquemos por x o número de litros de álcool a ser consumido. 
Coloquemos as grandezas de mesma espécie em uma mesma coluna e as grandezas de espécies 
diferentes que se correspondem em uma mesma linha: 
 
 Distância (km) Litros de álcool 
 180 15 
 210 x 
 
Na coluna em que aparece a variável x (“litros de álcool”), vamos colocar uma flecha: 
 
 
 Distância (km) Litros de álcool 
 180 15 
 210 x 
 
Observe que, se duplicarmos a distância, o consumo de álcool também duplica. Então, as grandezas 
distância e litros de álcool são diretamente proporcionais. No esquema que estamos montando, 
indicamos esse fato colocando uma flecha na coluna “distância” no mesmo sentido da flecha da coluna 
“litros de álcool”: 
 
 Distância (km) Litros de álcool 
 180 15 
 210 x 
 
 
 mesmo sentido 
 
Armando a proporção pela orientação das flechas, temos: 
 
x
15
210
180
7
6
  6x = 7 . 15  6x = 105  x = 
6
105
  x = 17,5 
 
Resposta: O carro gastaria 17,5 L de álcool. 
 
Exemplo 2: Viajando de automóvel, à velocidade de 60 km/h, eu gastaria 4 h para fazer certo percurso. 
Aumentando a velocidade para 80 km/h, em quanto tempo farei esse percurso? 
Solução: Indicando por x o número de horas e colocando as grandezas de mesma espécie em uma 
mesma coluna e as grandezas de espécies diferentes que se correspondem em uma mesma linha, temos: 
 
Velocidade (km/h) Tempo (h) 
 60 4 
 80 x 
 
Na coluna em que aparece a variável x (“tempo”), vamos colocar uma flecha: 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 38 
Velocidade (km/h) Tempo (h) 
 60 4 
 80 x 
 
Observe que, se duplicarmos a velocidade, o tempo fica reduzido à metade. Isso significa que as 
grandezas velocidade e tempo são inversamente proporcionais. No nosso esquema, esse fato é 
indicado colocando-se na coluna “velocidade” uma flecha em sentido contrário ao da flecha da coluna 
“tempo”: 
 
Velocidade (km/h)Tempo (h) 
 60 4 
 80 x 
 
 
 sentidos contrários 
 
Na montagem da proporção devemos seguir o sentido das flechas. Assim, temos: 
 
3
4
60
804

x
  4x = 4 . 3  4x = 12  x = 
4
12
  x = 3 
 
Resposta: Farei esse percurso em 3 h. 
 
Exemplo 3: Ao participar de um treino de Fórmula 1, um competidor, imprimindo velocidade média de 
200 km/h, faz o percurso em 18 segundos. Se sua velocidade fosse de 240 km/h, qual o tempo que ele 
teria gasto no percurso? 
 
Vamos representar pela letra x o tempo procurado. 
Estamos relacionando dois valores da grandeza velocidade (200 km/h e 240 km/h) com dois valores 
da grandeza tempo (18 s e x s). 
Queremos determinar um desses valores, conhecidos os outros três. 
 
Velocidade Tempo gasto 
para fazer o 
percurso 
200 km/h 18 s 
240 km/h x 
 
Se duplicarmos a velocidade inicial do carro, o tempo gasto para fazer o percurso cairá para a metade; 
logo, as grandezas são inversamente proporcionais. Assim, os números 200 e 240 são inversamente 
proporcionais aos números 18 e x. 
Daí temos: 
 
200 . 18 = 240 . x 
 3 600 = 240x 
 240x = 3 600 
 x = 
240
3600
 
 x = 15 
 
O corredor teria gasto 15 segundos no percurso. 
 
Fator de Correção (FCr) 
 
Fator utilizado para corrigir a diluição de uma substância, o teor de princípio ativo, o teor elementar de 
um mineral ou a umidade. Essas correções são feitas baseando-se nos certificados de análise das 
matérias-primas ou nas diluições feitas na própria farmácia. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 39 
A Coordenação de Equivalência Farmacêutica da Gerência de Tecnologia Farmacêutica 
(CEFAR/GTGAR/GGMED/Anvisa) informa que, para efeito da avaliação do Certificado de Equivalência 
Farmacêutica, foi elaborada a árvore decisória para análise dos critérios que subsidiam a aprovação ou 
reprovação do Estudo de Equivalência Farmacêutica. Para fins de aplicação da árvore decisória, torna-
se necessário o conhecimento da definição de equivalentes farmacêuticos e de ensaios informativos, 
dispostos pela Resolução - RDC 31/2010: 
 
“Equivalentes Farmacêuticos: são medicamentos que possuem mesma forma farmacêutica, mesma 
via de administração e mesma quantidade da mesma substância ativa, isto é, mesmo sal ou éster da 
molécula terapêutica, podendo ou não conter excipientes idênticos, desde que bem estabelecidos para a 
função destinada. Devem cumprir com os mesmos requisitos da monografia individual da Farmacopeia 
Brasileira, preferencialmente, ou com os de outros compêndios oficiais, normas ou regulamentos 
específicos aprovados/referendados pela Anvisa ou, na ausência desses, com outros padrões de 
qualidade e desempenho. Formas farmacêuticas de liberação modificada que requerem reservatório ou 
excesso podem conter ou não a mesma quantidade da substância ativa, desde que liberem quantidades 
idênticas da mesma substância ativa em um mesmo intervalo posológico”. 
 
“Ensaios Informativos: ensaios analíticos preconizados na monografia individual ou nos métodos 
gerais de compêndios oficiais ou, ainda, em normas e regulamentos aprovados/referendados pela Anvisa, 
para os quais não exista especificação definida, cujos resultados não devem ser utilizados para fins de 
comparação entre os Medicamentos Teste e de Referência/Comparador no Estudo de Equivalência 
Farmacêutica. Para tais ensaios, o medicamento teste deve cumprir com suas próprias especificações”. 
 
As informações relacionadas aos ensaios informativos estão preconizadas no Art. 13 da Resolução-
RDC nº 31/2010. 
 
Diante do exposto, algumas especificações poderão ser alteradas ou serem divergentes entre o 
medicamento teste e referência, mediante justificativa técnica, desde que não comprometam o conceito 
de “equivalentes farmacêuticos”. Dentre essas especificações podemos incluir os exemplos mais 
corriqueiros e as exigências técnicas a serem atendidas: 
 
a. pH: serão aceitas especificações diferentes, desde que a empresa comprove tecnicamente, 
preferencialmente por meio de artigos publicados em literatura indexada, que não há interferência na 
eficácia do medicamento e apresente estudo de estabilidade na faixa de pH sugerida; 
 
b. Umidade: serão aceitas especificações diferentes, desde que tecnicamente justificadas e mediante 
apresentação de estudo de estabilidade. 
 
A metodologia para os ensaios abaixo especificados poderá ser modificada, mediante justificativa 
técnica e validação da metodologia analítica, conforme parâmetros da Resolução-RE nº. 899/2003. Nesse 
caso, tanto o medicamento teste quanto o referência deverão atender às especificações da metodologia 
utilizada. 
 
a. Ensaios cuja finalidade é o doseamento do(s) ativo(s) do(s) medicamento(s) em estudo. Estão 
incluídos nessa categoria: determinação do teor e uniformidade de doses unitárias; 
 
b. Ensaios para quantificação de substâncias químicas presentes em menor quantidade nos 
medicamentos testados. Estão incluídos nessa categoria: quantificação de impurezas e substâncias 
relacionadas; 
 
c. Ensaios para quantificação da dissolução do fármaco a partir de uma formulação, e de sua 
velocidade de dissolução. Estão incluídos nessa categoria: dissolução e perfil de dissolução; 
 
d. Ensaios de identificação do fármaco em uma formulação, não sendo necessária sua quantificação. 
 
Matérias-Primas que necessitam de correção 
 
A não correção ou correção indevida do teor de um princípio ativo em uma forma farmacêutica 
implicará em uma dose errada e consequentemente uma não conformidade passível de sanções legais. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 40 
Quando devemos fazer a correção? 
 
- Quando a substância é comercializada na forma diluída. 
- Quando a substância é diluída na farmácia, por razões farmacotécnicas e de segurança. 
- Quando a substância é comercializada na forma de sal e a dose é administrada em relação a sua 
molécula base. 
- Quando a substância é comercializada na forma de sal ou base hidratada, e o produto de referência 
é dosificado em relação à base ou sal anidro. 
- Sais minerais ou minerais aminoácidos quelados em prescrições em que se deseja o teor elementar. 
- Correção do teor, quando o doseamento indicar valores menores do que o mínimo especificado na 
literatura. 
 
Cálculo do fator de correção: 
 
Fc = Peso molecular do sal 
 Peso molecular da base 
 
Exemplo: Se tivermos que manipular uma receita contendo 60 cápsulas de ranitidina 150mg: 
 
Neste caso, as literaturas indicam o cloridrato de ranitidina para administração oral e o cálculo deverá 
ser feito em relação a sua base. 
 
Assim teremos: Peso molecular da ranitidina, cloridrato = 350.9 
 Peso molecular da ranitidina base = 314.4 
 
Fc = 350.9 = 1,116 (1,12) 
 314.4 
 
60 (cápsulas) X 150 mg X 1,12 = 10.080 mg 
 
Assim, teremos que utilizar 10,080 g de cloridrato de ranitidina para obtermos 150 mg de ranitidina 
base para cada cápsula. 
 
Para moléculas hidratadas: 
 
Fc = Peso molecular da molécula hidratada 
 Peso molecular da molécula anidra 
 
Exemplo: Se tivermos que manipular uma receita contendo 30 cápsulas de amoxicilina 500 mg: 
 
Neste caso as literaturas indicam que a molécula de referência é anidra. 
 
Assim teremos: Peso molecular da amoxicilina tri hidratada = 419.5 
 Peso molecular da amoxicilina anidra = 365.4 
 
Fc = 419.5 = 1.148 (1,15) 
 365.4 
 
30 (cápsulas) X 500 mg X 1,15 = 17.250 mg 
 
Assim, teremos que pesar 17,250 g para obtermos 500 mg de amoxicilina base para cada cápsula. 
 
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Acesso em: 29/jun/2010. 
Araújo, RQ de. Participação da Farmácia Hospitalar no Controle das Infecções Hospitalares. Disponível em: http://www.racine.com.br/participacao‑da‑farmacia
‑hospitalar‑no‑controle‑das‑infeccoes‑hospitalares/portal‑racine/setor‑hospitalar/farmacia‑hospitalar/participacao‑da‑farmacia‑hospitalar‑no‑controle‑das‑
infeccoes‑hospitalares 
 
Questões 
 
01. (SEAP – DF – Farmácia – IADES) A farmácia hospitalar é uma unidade clínica administrativa e 
econômica, dirigida por profissional farmacêutico, ligada hierarquicamente à direção do hospital e 
integrada funcionalmente com as demais unidades de assistência ao paciente. A respeito das atribuições 
e das funções da farmácia hospitalar, assinale a alternativa incorreta. 
(A) Planejamento, aquisição, análise, armazenamento, distribuição e controle de medicamentos e de 
correlatos. 
(B) Desenvolvimento e (ou) manipulação de fórmulas magistrais e oficinais. 
(C) Dispensação e venda de medicamentos. 
(D) Desenvolvimento de pesquisas. 
(E) Desenvolvimento de atividades didáticas. 
 
02. (EMSERH – Farmacêutico – FUNCAB/2016) Qual das alternativas a seguir NÃO se enquadra nos 
princípios da Farmácia Hospitalar? 
(A) Seu principal objetivo é contribuir no processo de cuidado à saúde, visando melhorar a qualidade 
da assistência prestada ao paciente. 
(B) A Farmácia Hospitalar é uma unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por farmacêutico, 
sem vínculo hierárquico com a direção do hospital sendo, portanto, considerada uma unidade 
independente. 
(C) No campo de atuação clínica, o foco da Farmácia Hospitalar e de serviços de saúde deve estar no 
paciente e no atendimento de suas necessidades. 
(D) O desenvolvimento das ações da Farmácia Hospitalar vai além dos planos assistencial, econômico, 
de pesquisa e de ensino. 
(E) A atuação da Farmácia Hospitalar deverá ser pautada em conceitos da economia da saúde, 
modernas técnicas de controle de custos buscando o desenvolvimento de ações economicamente viáveis 
e soluções sustentáveis para a instituição hospitalar. 
 
03. (EBSERH – Técnico em Farmácia – IBFC/2017) Alguns princípios ativos farmacêuticos são 
utilizados na sua forma de sal, e para alguns deles, na hora do cálculo farmacêutico, deve ser aplicado o 
fator de equivalência, que é o fator utilizado para fazer o cálculo da conversão da massa do sal ou éster 
para a massa do fármaco ativo. Assinale a alternativa que corresponde à quantidade total de pó que 
deverá ser pesado para o preparo de 20 cápsulas de ranitidina, cada uma na dose de 75 mg (miligramas), 
considerando que o pó utilizado será o cloridrato de ranitidina cujo fator de equivalência é 1,12: 
(A) 15 g (gramas) 
(B) 1,5 g (gramas) 
(C) 1,68 g (gramas) 
(D) 16,8 g (gramas) 
(E) 1,12 g (gramas) 
 
04. (EBSERH – Técnico em Farmácia – Instituto AOCP/2016) Em um hospital, pretende-se preparar 
uma solução com concentração de 2%. Sabe-se que a concentração da solução inicial que será utilizada 
é de 50%. Qual volume dessa solução será necessário para obter 200 mL da solução desejada? 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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(A) 8 mL. 
(B) 10 mL. 
(C) 12 mL. 
(D) 15 mL. 
(E) 20 mL. 
 
05. (UFSM – Técnico em Farmácia – UFSM/2017) Uma paciente pediátrica de dez meses de idade, 
pesando nove quilogramas (Kg) e com histórico familiar de rinite alérgica sazonal realizou uma consulta 
com seu pediatra por apresentar sibilo inspiratório (chiado), tosse e secreção nas vias áreas superiores. 
Após avaliação o médico prescreveu a seguinte receita: 
 
1) Predsim® (Fosfato sódico de prednisolona) ‒ Solução Oral (3 mg/mL) ‒ Tomar: 3,5 mL, 1 vez ao 
dia, por 5 dias. 
2) Allegra ® (Cloridrato de fexofenadina) ‒ Suspensão oral (6 mg/mL) ‒ Tomar: 2,5 mL, 2 vezes ao 
dia, por 7 dias. 
3) Berotec® (Bromidrato de fenoterol) ‒ Solução gotas (5 mg/mL) ‒ Nebulizar 3 gotas de Berotec® + 
3 mL de Soro Fisiológico, de 4 em 4 horas, por 5 dias. 
 
De acordo com a posologia prescrita pelo médico, quantos miligramas (mg) do princípio ativo a 
paciente toma por dia da solução oral de Fosfato Sódico de Prednisolona (3 mg/mL) e da suspensão oral 
de Cloridrato de Fexofenadina (6 mg/mL), respectivamente? 
 
(A) 3 mg e 6 mg. 
(B) 3,5 mg e 2,5 mg. 
(C) 3,5 mg e 5 mg. 
(D) 10,5 mg e 15 mg. 
(E) 10,5 mg e 30 mg. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.B / 03.C / 04.A / 05.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
(...) um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual 
como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. 
Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem 
como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos 
produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de 
resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população. 
 
02. Resposta: B 
De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), Farmácia Hospitalar e outros serviços de 
saúde definem-se como “unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida porfarmacêutico, ligada 
hierarquicamente à direção do hospital ou serviço de saúde e integrada funcionalmente com as demais 
unidades administrativas e de assistência ao paciente”. 
 
03.Resposta: C 
20 (cápsulas) X 75 mg X 1,12 = 1,680 mg 
Assim, teremos que utilizar 1,680 g de cloridrato de ranitidina para obtermos 75 mg de ranitidina base 
para cada cápsula. 
 
04.Resposta: A 
50 % - 200 ml 
2% - X 
50 X = 200.2 
X = 400/50 = 8 ml 
 
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. 43 
05.Resposta: E 
Fosfato sódico de prednisolona 
3 mg/ml – 3,5 ml 
3 x 3,5 = 10,5 mg 
Cloridrato de fexofenadina 
6 mg/ml – 5 ml 
6 x 5 = 30 mg 
 
 
 
Local de atendimento – ambiente destinado aos serviços farmacêuticos clínicos1 
 
Para que seja montado um SAF, a farmácia deve dispor de um espaço adequado para atendimento 
privado ou semiprivado de pacientes. No balcão, pode ser aceitável conversar e informar pacientes sobre 
suas prescrições ou sobre automedicação, mas não é possível desenvolver um atendimento clínico de 
alta qualidade em pé́ no balcão. Muitas farmácias no Brasil têm adaptado espaços para atendimento 
privado de pacientes, objetivando construir serviços ligados à atenção farmacêutica. A Figura 10.7 mostra 
o mesmo exemplo de planta baixa da farmácia comunitária de forma renovada, dando destaque à 
prestação de serviços ligados ao medicamento, com área de espera e espaços de cuidado farmacêutico 
semiprivatizo e privativo. Do ponto de vista do merchandising de produtos alheios, como cosméticos, a 
planta propõe uma área de autoatendimento que pode ser aberta e integrada à área de espera e ao caixa. 
 
 
 
Há diversas farmácias, principalmente as públicas ou as de manipulação, que eliminaram o balcão 
tradicional, optando pela criação de guichês semiprivados, nos quais os pacientes são atendidos 
sentados, com mais conforto e privacidade. Esse leiaute acolhe melhor o paciente, humaniza o serviço e 
permite que atendentes bem treinados realizem dispensação de medicamentos com bom nível de 
qualidade, podendo solicitar a presença do farmacêutico quando surgem problemas com a prescrição ou 
queixas de saúde pelo paciente. Esses espaços permitem a realização de consultas farmacêuticas para 
alguns tipos de serviços clínicos, como a dispensação especializada e o manejo de transtornos menores. 
Essa organização de atendimento ainda é rara em farmácias e drogarias tradicionais, mas tende a 
aumentar, na medida em que o respeito aos diretos do consumidor seja efetivamente exigido e que a 
 
1 CORRER, Cassyano J.; OTUKI, Michel F. A Prática Farmacêutica na Farmácia Comunitária. Artmed. 2013. 
Aspectos técnicos aplicados à infraestrutura física e controle de qualidade 
 
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. 44 
farmácia adquira maior responsabilidade social como estabelecimento de saúde, e não meramente 
comercial. 
Segundo a Anvisa, o ambiente destinado à atenção farmacêutica deve ser diverso daquele destinado 
à dispensação e à circulação de pessoas em geral, devendo o estabelecimento dispor de espaço 
especifico para esse fim. Não é necessário dispor de diversos ambientes separados para realização de 
cada procedimento, sendo todos os serviços farmacêuticos realizados no mesmo ambiente, destinado 
exclusivamente para esse fim. Na maioria das farmácias brasileiras, a criação desse ambiente pode se 
dar pela adaptação da sala de injetáveis, por exemplo, devendo-se registrar e aprovar o espaço junto à 
vigilância Sanitária local. O ambiente para prestação dos serviços que demandam atendimento 
individualizado deve garantir a privacidade e o conforto dos usuários, possuindo dimensões, mobiliário e 
infraestrutura compatíveis com as atividades e os serviços a serem oferecidos. Outras características 
básicas de um ambiente apropriado para a atenção farmacêutica e a realização da entrevista clinica estão 
descritas no Quadro 10.5. 
Segundo a Agencia, a atenção farmacêutica tem por objetivo a identificação e a resolução de 
problemas relacionados aos medicamentos e o uso racional de medica- mentos. No contexto do serviço 
de atenção farmacêutica, podem ser realizados a administração de medicamentos (injetáveis, 
nebulização), a determinação de parâmetros fisiológicos (pressão arterial, temperatura) e bioquímicos 
(glicemia capilar) ou o atendimento domiciliar. Esses procedimentos assistenciais básicos devem ser 
vistos como meio, e não como fim. É possível realizá-los de forma desarticulada de qualquer serviço 
clínico, mas isso seria indesejável do ponto de vista da gestão clínica do medicamento. Infelizmente, é 
isso que a maioria das farmácias comunitárias no Brasil faz hoje. 
Em todo atendimento, deve ser entregue uma declaração de serviço farmacêutico ao paciente, na qual 
se descrevem os resultados do atendimento, os dados sobre o medicamento administrado e as 
orientações ao paciente ou a indicação de medicamentos e respectiva posologia, quando houver. Além 
da RDC n° 44, de 17 de agosto de 2009,36 da Anvisa, o leitor deve consultar também legislações de seu 
Estado ou Município, as quais podem conter outras exigências além das aqui expostas. 
 
QUADRO 10.5 Características de um bom ambiente para a atenção farmacêutica 
Local privado. Mesa e cadeiras para atendimento sentado. A distância ideal entre farmacêutico e 
paciente deve estar entre 90 e 120 cm. Distancia acima de 150 cm pode transmitir muita 
impessoalidade, e distâncias menores que 90 cm interferem com o “espaço de privacidade” do 
paciente. 
Temperatura ambiente agradável e iluminação suficiente, de modo que farmacêutico e paciente 
possam se ver e possam ler materiais escritos com facilidade. 
Ambiente silencioso, sem ruídos externos significativos, telefones tocando, equipamentos barulhentos 
ligados, odores desagradáveis ou interrupções sucessivas. 
Local limpo e organizado, de modo que se crie uma atmosfera profissional, sem muitos fatores de 
distração e exageros decorativos. Entretanto, pode possuir toques pessoais, como objetos que o 
diferenciem do restante da farmácia e criem um ambiente aconchegante 
O ambiente deve ser provido de lavatório contendo água corrente e dispor de toalha de uso individual 
descartável, sabonete líquido, gel bactericida e lixeira com pedal e tampa. 
A altura em que farmacêutico e paciente devem estar sentados deve ser parecida, de modo que os 
olhos se alinhem na mesma altura. Não é recomendado que o farmacêutico sente-se em nível acima 
do paciente, pois isso causa intimidação. Algumas vezes, é útil ter o paciente sentado em um nível 
mais alto que o profissional, para dar a ele uma vantagem visual. Nessa posição, o paciente pode achar 
mais fácil estar aberto a questões. 
Devem-se minimizar as barreiras de comunicação entre profissional e paciente. A própria mesa é uma 
barreira que o farmacêutico pode eliminar, caso se sinta confortável com isso. Pode-se utilizar a lateral 
da mesa, ou mesas arredondadas, de modo que profissional e paciente formem um ângulo de 90 graus. 
O acesso ao sanitário, caso exista, não deve se dar por meio do ambiente destinado aos serviços 
farmacêuticos. 
O conjunto de materiais para primeiros-socorros deve estar identificado e de fácil acesso nesse 
ambiente. 
O procedimento de limpeza do espaço para a prestação de serviços farmacêuticos deve ser registrado 
e realizado diariamente no início e ao término do horário de funcionamento. O ambiente deve estar 
limpo antes de todos os atendimentos nele realizados, a fim de minimizar riscos à saúde dos usuários 
e dos funcionários do estabelecimento. 
 
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A ampliação do escopo da assistência farmacêutica, pela incorporação de tecnologias de gestão 
clínica do medicamento, é uma forma de restabelecer a coerência entre as necessidades relacionadas 
aos medica- mentos da população e a organizaçãocorpo. 
O resultado é chamado de efeito farmacológico. Um medicamento em geral produz múltiplos efeitos e 
entre eles: 
Conceitos básicos em farmacologia: droga, fármaco, medicamento, 
especialidade farmacêutica. Vias de administração de medicamentos 
 
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. 2 
Efeito principal: É aquele que queremos obter. Ex: o efeito farmacológico principal do salbutamol é a 
dilatação dos brônquios (broncodilatação) que permite aliviar um paciente com crise de asma. 
Efeito colateral, indesejável ou adverso: Conforme o próprio nome está dizendo é um efeito que 
não desejamos, mas é produzido pelo mesmo medicamento. Frequentemente são inevitáveis e pouco 
graves, mas às vezes podem ser muito graves. Ex: o salbutamol, além de atuar sobre os brônquios, atua 
também sobre o coração provocando um aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia). É um efeito 
adverso, geralmente não grave. 
 
A farmacologia pode ser dividida em: Farmacologia geral, Farmacologia aplicada, Farmacodinâmica, 
Farmacocinética, Farmacotécnica, Farmacognosia, Farmacoterapêutica, Farmacologia clínica e 
Toxicologia. 
 
Farmacologia Geral: Estuda os conceitos básicos e comuns a todos os grupos de drogas. 
Farmacologia Aplicada: Estuda os fármacos reunidos em grupos de ação farmacológica similar. 
Farmacodinâmica: Estuda o local de ação, mecanismo de ação, ações e efeitos, efeitos terapêuticos 
e efeitos tóxicos de uma droga. 
Farmacocinética: Atende aos estudos sobre: Vias de administração, absorção distribuição, 
metabolismo e excreção de uma droga. Os caminhos percorridos por um medicamento no corpo do 
animal. 
Farmacotécnica: Trata-se da preparação de das formas farmacêuticas sob as quais os medicamentos 
são administrados: cápsulas, comprimidos, suspensões etc. A sua purificação e conservação, visando 
um melhor aproveitamento do medicamento no organismo do animal. 
Farmacognosia: Estuda a origem, as características, a estrutura, e composição química das drogas 
no seu estado natural sob a forma de órgãos ou organismos vegetais e animais, assim como seus 
extratos. 
Farmacoterapêutica: orientação do uso dos medicamentos para prevenção, tratamento e 
diagnósticos das enfermidades. 
Farmacologia Clínica: preocupa-se com os padrões de eficácia e segurança da administração de 
medicamentos aos animais, comparando informações obtidas em animais saudáveis com as obtidas no 
animal doente. 
 
Toxicologia: área próxima da farmacologia. Ciência que estuda os agentes tóxicos. 
 
Após essa análise geral sobre a farmacologia, veremos agora o destino, forma de absorção, 
distribuição, transformação e excreção dos fármacos em nosso organismo. 
 
Destino dos fármacos no organismo: qualquer substância que atue no organismo vivo pode ser 
absorvida por este, distribuída pelos diferentes órgãos, sistemas ou espaços corporais, modificada por 
processos químicos e finalmente eliminada. A farmacologia estuda estes processos e a interação dos 
fármacos com o homem e com os animais, os quais se denominam: 
 
Absorção - Para chegar na circulação sanguínea o fármaco deve passar por alguma barreira dada 
pela via de administração, que pode ser: cutânea, subcutânea, respiratória, oral, retal, muscular. Ou pode 
ser inoculada diretamente na circulação pela via intravenosa, sendo que neste caso não ocorre absorção, 
pois não transpassa nenhuma barreira, caindo diretamente na circulação. A absorção (nos casos que 
existe barreira) do fármaco, é como já foi citado anteriormente, fundamental para seu efeito no organismo. 
A maioria dos fármacos é absorvida no intestino, e poucos fármacos no estômago, os fármacos são 
melhor absorvidos quando estiverem em sua forma não ionizada, então os fármacos que são ácidos 
fracos serão absorvidos melhor no estômago que tem pH ácido, Exemplo(Àcido Acetil Salicilico), já os 
fármacos que são bases fracas, serão absorvidos principlamente no intestino, sendo que esse tem um 
pH mais básico que o do estômago. Os fármacos na forma de comprimido, passam por diversas fases de 
quebra, até ficarem na forma de pó e assim serem solubilizados e absorvidos, já os fármacos em 
soluções, não necessitam sofrer todo esse processo, pois já estão na forma solúvel, e podem ser 
rapidamente absorvidos. A seguir uma ordem de tempo de absorção, para várias formas farmacêuticas: 
Comprimido > Cápsula > Suspensão > Solução. 
 
Distribuição - Uma vez na corrente sanguínea o fármaco, por suas características de tamanho e peso 
molecular, carga elétrica, pH, solubilidade, capacidade de união a proteínas se distribui pelos distintos 
compartimentos corporais. 
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. 3 
Metabolismo ou Biotransformação - Muitos fármacos são transformados no organismo por ação 
enzimática. Essa transformação pode consistir em degradação (oxidação, redução, hidrólise), ou em 
síntese de novas substâncias como parte de uma nova molécula (conjugação). O resultado do 
metabolismo pode ser a inativação completa ou parcial dos efeitos do fármaco ou pode ativar a droga 
como nas "pródrogas" p.ex: sulfas. Ainda mudanças nos efeitos farmacológicos dependendo da 
substância metabolizada. Alguns fatores alteram a velocidade da biotransformação, tais como, inibição 
enzimática, indução enzimática, tolerância farmacológica, idade, patologias, diferenças de idade, sexo e 
espécie e e claro uso de outras drogas concomitantemente. 
 
Excreção - Finalmente, o fármaco é eliminado do organismo por meio de algum órgão excretor. Os 
principais são rins e fígado p.ex: através da bile, mas também são importantes a pele, as glândulas 
salivares e lacrimais, ocorre também a excreção pelas fezes. 
 
Os fármacos geralmente tem uma lipofília moderada, caso contrário eles não conseguiriam penetrar 
através da membrana das células com facilidade, e a via de excreção mais usada pelo organismo é a via 
renal, através da urina, então geralmente os fármcos como são mais apolares tendem a passar pelo 
processo de metabolização, que os torna mais polares e passíveis de serem eliminados pela urina, mas 
aí o que está sendo eliminado do organismo são os metabólitos do fármaco, já não é mais o fármaco. Já 
os fármacos que são polares são eliminados pela urina sem passar pela metabolização, e então o que 
está sendo eliminado agora é o fármaco mesmo e não seus metabólitos. 
 
Conceitos básicos em farmacologia: 
 
- Droga: qualquer substância química, exceto alimentos, capaz de produzir efeitos farmacológicos, ou 
seja, provocar alterações em um sistema biológico. 
- Fármaco: sinônimo de droga 
- Forma Farmacêutica: forma de apresentação do medicamento: comprimido, drágea, pílula, xarope, 
colírio, etc. 
- Remédio: palavra usada pelo leigo como sinônimo de medicamento e especialidade farmacêutica – 
remédio refere-se a qualquer procedimento que possa ser usado para tratamento de patologias. 
- Medicamento: droga ou preparação com drogas usadas terapeuticamente. 
- Nome Químico: diz respeito à constituição da droga. 
- Farmacopeia: livro que oficializa as drogas/medicamentos de uso corrente e consagrada como 
eficazes. 
- Dose: é a quantidade a ser administrada de uma vez a fim de produzir efeitos terapêuticos. 
- Dose letal: leva o organismo a falência (morte) generalizada. 
- Dose Máxima: É a maior quantidade de uma droga capaz de produzir efeitos terapêuticos. 
- Dose Mínima: É a menor quantidade de uma droga capaz de produzir efeitos terapêuticos. 
- Dose tóxica: É a maior quantidade de uma droga que causa efeitos adversos. 
- Posologia: É o estudo das doses. 
- Pró-droga: substância química que precisa transforma-se no organismo a fim de tornar-se uma droga 
ativa. 
- Latrogenia: problemas ou complicações resultantes de tratamentos clínicos ou cirúrgicos. 
- Placebo: palavra derivado do latim: “vou agradar”. Em farmacologia significa uma substância inativa 
administradas para satisfazer a necessidade psicológica do paciente.dos serviços farmacêuticos no Brasil. Faz-se 
necessário reduzir a fragmentação das ações de assistência farmacêutica, que hoje ocorrem de forma 
tecnicista, centradas no medicamento, e desarticuladas do processo de cuidado em saúde. A atenção 
farmacêutica, ou cuidado farmacêutico, consiste em um novo modelo de prática, cujos princípios éticos, 
filosóficos e clínicos podem colaborar com esse processo de ampliação dos serviços farmacêuticos. Os 
farmacêuticos devem estar preparados para assumir novas responsabilidades na equipe de saúde, indo 
além das ações gerenciais, ao encontro ao paciente e à promoção do uso racional de medicamentos e 
dos resultados terapêuticos positivos. A farmácia comunitária deve incorporar essas novas tecnologias, 
convertendo-se em um ponto de atenção à saúde articulado ao sistema de saúde como um todo. Essa 
incorporação de serviços deve, ainda, possibilitar o desenvolvimento de novas formas de remuneração 
farmacêutica e sustentabilidade financeira dos estabelecimentos. 
 
Qualidade dos Medicamentos 
 
Os medicamentos são utilizados no diagnóstico, na prevenção e no tratamento de doenças, ou também 
em uma melhor qualidade de vida. Desta forma, as condições de estocagem, distribuição e transporte 
desempenham papel fundamental para a manutenção dos padrões de qualidade dos medicamentos. 
Um dos componentes essenciais do sistema de fornecimento de medicamentos é a estocagem em 
local bem localizado, bem construído, bem organizado e seguro. 
Ter clareza sobre a qualidade dos medicamentos também permite distinguir o que está em jogo por 
trás de cada propaganda ou oferta comercial. Assim como são importantes na área da saúde, os 
medicamentos também são um bem chave para as empresas farmacêuticas, que vivem da sua venda. 
Estas empresas formam um dos setores industriais mais lucrativos do mundo, surgindo assim, um 
evidente conflito de interesses. 
Desta forma é importante enfatizar que um a importância no controle de qualidade de medicamentos 
irá garantir não só o lucro, mas sim o marketing de vendas da farmácia. 
 
Definições 
 
Embalagem – Invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento, removível ou não, 
destinado a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter especificamente ou não os produtos. 
 
Estocagem – Conservação racional e segura de medicamentos. 
 
Inspeção de qualidade – Conjunto de medidas destinadas a garantir, a qualquer momento, durante 
o processo de recebimento, estocagem e distribuição, as características originais do produto. 
 
Medicamento – É toda substância ou associação de substâncias utilizadas para modificar ou explorar 
sistemas fisiológicos ou estado patológico, para o benefício do receptor. 
 
Partida ou lote – Quantidade de um medicamento ou produto que se produz em um ciclo de 
fabricação, cuja característica essencial é a homogeneidade. 
 
Número do lote – Designação impressa no rótulo e na embalagem de medicamentos, que permita 
identificar a partida, série ou lote a que pertencem, para em caso de necessidades, localizar e rever todas 
as operações de fabricação e inspeção praticadas durante a produção. 
 
Quarentena – Período de tempo, durante o qual os medicamentos são retidos com proibição de seu 
emprego. 
 
Rótulo – Identificação impressa ou litografada, bem como dizeres pintados ou gravados a fogo, 
pressão, ou decalco, aplicada diretamente sobre recipiente, vasilhames, invólucros, envoltórios ou 
qualquer outro protetor de embalagem. 
 
Um medicamento é formado por: O princípio ativo ou fármaco (ou uma combinação deles), que vai 
exercer a ação farmacológica, e os ingredientes inativos, que denominamos de auxiliares de formulação 
e permitem transformar o fármaco em medicamento. 
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. 46 
Qualificação e responsabilidade do pessoal 
 
O pessoal envolvido na estocagem de medicamentos, tanto no seu manuseio, como no seu controle, 
deve possuir conhecimentos e experiência para o trabalho ao qual se propõe. 
A chefia do almoxarifado deve ser exercida por farmacêutico, por ser exigida perante a legislação 
específica tal responsabilidade pela guarda de medicamentos. 
O farmacêutico responsável deve receber de seus superiores todo o apoio necessário para um trabalho 
eficiente, como exigem as boas normas de estocagem de medicamentos. Tal apoio traduzir-se-á na 
autoridade e nos meios adequados que cada um deverá ter na esfera de suas atividades, para exercer, 
efetiva e responsavelmente suas tarefas, recebendo os materiais e pessoal necessário. 
 
Edifícios e instalações 
 
Qualquer edifício destinado a estocagem de medicamentos, deve ter área, construção e localização 
adequadas para facilitar sua manutenção, limpeza e operação, com espaço suficiente para estocagem 
racional dos medicamentos. Toda área alocada para estocagem deve destinar-se somente a esse 
propósito, além de oferecer condições de flexibilidade que permitam eventuais modificações futuras. 
 
Assim, devem ser consideradas como necessárias, as seguintes áreas: 
- de recepção; 
- de quarentena; 
- de expedição. 
- de estocagem 
- de medicamentos termolábeis 
- de medicamentos controlados 
- de imunobiológicos 
- de administração 
- de recebimento 
- de distribuição 
- instalações sanitárias 
- para os funcionários da área de estocagem 
- para os funcionários administrativos 
 
Os interiores dos almoxarifados devem apresentar superfícies lisas, sem rachaduras e sem 
desprendimento de pó, facilitando a limpeza e não permitindo a entrada de roedores, aves, insetos ou 
quaisquer outros animais. 
A iluminação, a ventilação e a umidade devem ser controladas, para evitar efeitos prejudiciais sobre 
os medicamentos estocados. 
O espaço ao redor dos almoxarifados deve ser urbanizado, a fim de impedir a formação de pó, permitir 
fácil acesso e manobra dos caminhões. 
Para se determinar a adequação das áreas, devem ser tidas em conta as seguintes condições: 
Compatibilidade das operações de estocagem e manipulação a serem conduzidas nos diferentes 
locais. 
 
Espaço suficiente para o fluxo racional de pessoal e materiais, visando reduzir ao mínimo o risco de: 
- mistura de diferentes medicamentos 
- mistura de lotes diferentes de um mesmo medicamento. 
 
Lixo 
O lixo coletado nas dependências do almoxarifado e em suas proximidades deve ser eliminado 
através de sistemas seguros e higiênicos. 
 
Lavatórios e instalações sanitárias 
Devem existir lavatórios e instalações sanitárias em condições de higiene perfeitas e separadas para 
uso do pessoal administrativo e para o pessoal da área de estocagem. 
 
Higiene 
Todas as áreas circundantes ou adjacentes ao almoxarifado, bem como seu interior, devem ser 
mantidos limpos, sem acúmulo ou formação de pó. 
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. 47 
Alimentação 
As refeições devem ser preparadas e ingeridas somente nos locais especialmente designados para 
tal, fora das áreas de estocagem e de escritório. 
 
Uniformes 
Nas áreas de trabalho, os funcionários deverão usar uniformes condizentes com o tipo de trabalho a 
executar. 
 
Higiene pessoal 
Devem existir instalações sanitárias, bem como chuveiros em número suficiente, para uso dos 
funcionários da área de estocagem, localizados nas proximidades dos locais de trabalho. 
 
Limpeza dos locais 
Os locais de trabalho e de estocagem devem ser mantidos limpos e isentos de pó e contaminação. 
O lixo deverá ser depositado em recipientes especiais, com tampa e deverão ser esvaziados e 
limpos, fora das áreas de estocagem. 
 
Equipamentos 
Todos os equipamentos usados no manuseio de medicamentos devem ser apropriados para o uso a 
que se destinam. 
 
Segurança 
Medidas apropriadas devem ser tomadas para a segurança dos almoxarifados, tanto para os 
medicamentos quanto para o pessoal que ali trabalha. 
Medidas rigorosas devem ser praticadas para a prevenção e combate a incêndios. 
É indispensável a instalaçãoadequada de equipamento contra incêndio. 
O pessoal deve sofrer treinamento periódico no combate a incêndio. 
Aconselha-se a existência de uma CIPA (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes) 
permanente. 
 
Recebimento de medicamentos 
 
Devem existir instruções por escrito, descrevendo com detalhes o recebimento, a identificação e o 
manuseio dos medicamentos. Elas devem indicar adequadamente os métodos de estocagem e definir 
os procedimentos burocráticos para com as outras áreas de organização. 
No ato do recebimento, cada entrada deve ser examinada quanto a sua documentação e fisicamente 
inspecionada para se verificar suas condições, rotulagem, tipo e quantidade. 
Se for o caso de recebimento de um produto com mais de um lote de fabricação, ele deve ser 
subdividido em quantos lotes forem necessários e estocados dessa forma. 
Os lotes que forem submetidos a amostragem ou os julgados passíveis de análise, devem ser 
conservados em quarentena até decisão do Controle de qualidade. 
 
Estocagem. Considerações gerais 
 
Toda e qualquer área destinada a estocagem de medicamentos deve ter condições que permitam 
preservar suas condições de uso. 
Nenhum medicamento poderá ser estocado antes de ser oficialmente recebido e nem liberado para 
entrega sem a devida permissão, também oficial. 
Os estoques devem ser inventariados periodicamente e qualquer discrepância devidamente 
esclarecida. 
Os estoques devem ser inspecionados com frequência para verificar-se qualquer degradação visível, 
especialmente se os medicamentos ainda estiverem sob garantia de seus prazos de validade. 
Medicamentos com prazos de validade vencidos, devem ser baixados do estoque e destruídos, com 
registro justificado por escrito pelo farmacêutico responsável, obedecendo ao disposto na legislação 
vigente. 
A estocagem, quer em estantes, armários, prateleiras ou estrados, deve permitir a fácil visualização 
para a perfeita identificação dos medicamentos, quanto ao nome do produto, seu número de lote e seu 
prazo de validade. 
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A estocagem nunca deve ser efetuada diretamente em contato direto com o solo e nem em lugar que 
receba luz solar direta. 
As áreas para estocagem devem ser livres de pó, lixo, roedores, aves, insetos e quaisquer animais. 
Para facilitar a limpeza e a circulação de pessoas, os medicamentos devem ser estocados à 
distância mínima de 1 (um) metro das paredes. 
A movimentação de pessoas, escadas e veículos internos nas áreas de estocagem deve ser 
cuidadosa para evitar avarias e comprometimento e/ou perda de medicamentos. 
Embalagens parcialmente utilizadas devem ser fechadas novamente, para prevenir perdas e/ou 
contaminações, indicando a eventual quantidade faltante no lado externo da embalagem. 
A liberação de medicamentos para entrega deve obedecer a ordem cronológica de seus lotes de 
fabricação, ou seja, expedição dos lotes mais antigos antes dos mais novos. 
A presença de pessoas estranhas aos almoxarifados deve ser terminantemente proibida nas áreas 
de estocagem. 
 
Estocagem de medicamentos termolábeis 
 
Para os medicamentos que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, além das 
recomendações do item anterior, devem ser observadas as seguintes: 
O local de estocagem deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (± 2º). 
As medições de temperatura devem ser efetuadas de maneira constante e seguras, com registros 
escritos. 
Deverão existir sistemas de alerta que possibilite detectar defeitos no equipamento de ar 
condicionado para pronta reparação. 
 
Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros) 
 
Esses produtos, para manterem suas efetividades de uso, requerem condições ótimas de 
estocagem, especialmente no que se refere a temperatura. Assim, sem prejuízo das recomendações 
referente a Estocagem Recomendações Gerais, mais as seguintes, devem ser observadas. 
O manuseio de medicamentos imunobiológicos deve ter prioridade em relação aos demais, bem 
como sua liberação para entrega. 
Deve ser evitada, ao máximo, a exposição desses produtos a qualquer tipo de luz. 
As áreas de estocagem devem ser em equipamento frigorífico, constituído de refrigeradores, 
“freezers” e câmaras frias. 
- Refrigerador é o equipamento que permite temperaturas entre 4ºC e 8ºC. 
- “Freezer” é o equipamento que permite temperaturas não superiores a 10ºC. 
- Câmara fria é o equipamento que permite temperaturas entre 8ºC e 15ºC. 
 
Os equipamentos frigoríficos devem ser controlados diariamente por: 
- Termógrafos, nas câmaras frias. 
- Termômetros de máxima e mínima em refrigeradores e “freezers”. 
 
As medições de temperatura efetuadas devem ser registradas diariamente pelo responsável pelo 
almoxarifado e, qualquer anormalidade, corrigida no mais breve espaço de tempo. 
A distribuição dos produtos dentro dos equipamentos frigoríficos deve permitir a livre circulação do ar 
frio entre as diversas embalagens contidas nos mesmos. 
No caso das câmaras frias é aconselhável a existência de antecâmaras para evitar a perda 
desnecessária de frio, quando da abertura das portas dessas câmaras. 
As entradas e retiradas de produtos de qualquer equipamento frigorífico devem ser programadas 
antecipadamente, visando diminuir, ao máximo, as variações internas de temperatura. 
Os equipamentos frigoríficos devem estar permanentemente em funcionamento, ligados a rede 
elétrica local e sempre que possível, possuindo uma rede alternativa de energia (gerador) para atender 
eventuais faltas de energia no sistema. 
Cada equipamento do sistema frigorífico deve ter ligação exclusiva para evitar sobrecarga de energia 
elétrica e facilitar seu controle de uso. 
Tanto os refrigeradores como os “freezers”, devem ser aproveitados também para a produção de 
gelo, a ser utilizado na remessa dos produtos e para segurança do próprio equipamento e dos produtos 
que ele contém, numa eventual falha do seu sistema interno de resfriamento. 
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Todo o pessoal do almoxarifado, especialmente os ligados a estocagem de medicamentos 
imunobiológicos, deve estar familiarizado com as técnicas de estocagem desses produtos, para poder 
atender qualquer situação de emergência, consequente a um eventual corte de energia elétrica ou 
defeito no sistema de refrigeração. 
Todos os equipamentos, geladeiras, “freezers” e câmaras frias, devem possuir um sistema de alarme 
confiável, que indique prontamente qualquer tipo de anormalidade em seu funcionamento. 
 
Estocagem de medicamentos de uso controlado 
 
Dada às características desses medicamentos, sua área de estocagem deve ser considerada de 
segurança máxima. 
Independentemente das recomendações contidas nos itens anteriores referente a Estocagem, onde 
elas couberem, esses medicamentos precisam estar em área isolada das demais, somente podendo ter 
acesso a ela o pessoal autorizado pelo farmacêutico responsável do almoxarifado. 
Os registros de entrada e de saída desses medicamentos, devem ser feitos de acordo com a 
legislação sanitária específica, sem prejuízo daquelas que foram determinadas pela própria 
administração do almoxarifado. 
 
Distribuição 
 
Deve existir um sistema de distribuição que permita a fácil identificação do seu destino. Para tanto, 
os registros de distribuição devem conter a identificação do produto, seu número de lote, nome e 
endereço do destinatário, data e quantidade enviada e o número da nota fiscal, ou do documento de 
despacho. 
 
Características do medicamento que podem determinar a qualidade 
A qualidade de um medicamento é determinada pelas características do próprio produto e pelo 
cumprimento das boas práticas de fabricação. Vejamos quais são as características principais: 
Identidade: indica que o produto contém de fato o que o fabricante diz que contém, ou seja, é a 
presença no produto farmacêutico dos ingredientes descritosno rótulo. 
Pureza: indica que o produto não sofreu contaminação por outras substâncias, sejam de origem 
química (ex: óleos ou solventes), biológica (ex: bactérias, fungos, sangue, tecidos orgânicos ou dejetos) 
ou física (ex: poeira ou outras partículas), ou mesmo de outros medicamentos. 
Potência: indica a capacidade do medicamento de produzir os resultados desejados. Esta 
característica está mais relacionada aos agentes anti-infecciosos, como os antibióticos e antirretrovirais. 
Concentração: é a quantidade do princípio ativo (fármaco) contida em uma unidade do 
medicamento - em um comprimido, uma ampola ou uma medida de líquido (colher-de-chá, colher-de-
sopa, 5 ml, 15mL), por exemplo. 
Uniformidade: indica que todas as unidades daquele medicamento produzido (cada comprimido, 
cada ampola etc.) possuem a mesma quantidade de princípio ativo. Dois comprimidos produzidos pelo 
mesmo fabricante, portanto, devem ter quantidades iguais ou tão equivalentes de princípio ativo, que a 
diferença não interfira no efeito. 
Estabilidade: refere-se à capacidade do medicamento em manter suas características originais 
inalteradas durante o seu tempo de validade. 
Biodisponibilidade: Tudo o que até agora revisamos, nos mostra os cuidados seguidos para que 
quando tomemos um medicamento, o fármaco chegue ao nosso organismo e exerça o seu efeito. Mas 
agora é importante sabermos que o nosso organismo — vivo e em constante atividade — também 
exerce mudanças no fármaco que tomamos. A biodisponibilidade informa sobre essas relações. 
 
Todos os esforços anteriores para garantir qualidade visam promover que o medicamento esteja o 
mais biodisponível possível, de modo a exercer sua ação no organismo. A biodisponibilidade é 
particular para cada tipo de fármaco e deve estar dentro de um intervalo definido e aceitável. 
 
https://www.ebah.com.br/content/ABAAABXuwAB/controle-qualidade-medicamentos# 
 
 
 
 
 
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. 50 
Questões 
 
01. (UFMT – Técnico de Farmácia – UFMT) - A capacidade do produto farmacêutico manter suas 
propriedades químicas, físicas, microbiológicas e biofarmacêuticas dentro dos limites especificados 
durante todo o seu prazo de validade refere-se 
(A) ao controle de qualidade do medicamento. 
(B) à biotransformação do medicamento. 
(C) à estabilidade do medicamento. 
(D) à especificidade do medicamento. 
 
02. (EBSERH – Técnico de Farmácia – Instituto AOCP/2016) - São boas práticas de armazenamento 
de medicamentos, EXCETO 
(A) armazenar medicamentos termolábeis em temperaturas entre 15°C e 30°C. 
(B) conservar os medicamentos nas embalagens originas, ao abrigo da luz externa. 
(C) estocar medicamentos isolados de produtos de limpeza. 
(D) manter distância entre os produtos para facilitar a circulação interna de ar. 
(E) não armazenar produtos diferentes no mesmo estrado ou prateleira para evitar possíveis trocas. 
 
03. (Prefeitura de Mogi das Cruzes - SP – Farmacêutico – CAIP-IMES) - O correto armazenamento 
e conservação de medicamentos e correlatos em Farmácias e Drogarias é um fator crucial para a 
manutenção da qualidade desses produtos. São procedimentos adequados, EXCETO: 
(A) o ambiente de armazenamento deve ser mantido limpo, protegido da ação direta da luz solar, 
umidade e calor, de modo a preservar a identidade e integridade química, física e microbiológica, 
garantindo a qualidade e segurança dos produtos. 
(B) os produtos devem ser armazenados em gavetas, prateleiras ou suporte equivalente, afastados do 
piso, parede e teto, a fim de permitir sua fácil limpeza e inspeção. 
(C) a temperatura e umidade dos locais de armazenamento desses produtos devem ser monitoradas 
e registradas semanalmente. 
(D) deve ser definido em Procedimento Operacional Padrão (POP) a metodologia de verificação da 
temperatura e umidade, especificando faixa de horário para medida considerando aquela na qual há maior 
probabilidade de se encontrar a maior temperatura e umidade diariamente. 
 
04. (Prefeitura de Cascavel - PR – Técnico em Farmácia – CONSUPLAN/2016) - O princípio ativo 
está presente em todos os medicamentos e possui a função de: 
(A) Dar sabor ao medicamento. 
(B) Dar coloração ao medicamento 
(C) Aumentar a absorção de excipientes 
(D) Exercer a ação farmacológica do medicamento. 
(E) Dar proteção gástrica em caso de medicamentos administrados por via oral. 
 
05. (FIOCRUZ – Técnico em Saúde Pública - Farmácia – FIOCRUZ/2016) - O armazenamento de 
medicamentos diferencia-se de outros produtos devido às suas características singulares. A área 
destinada à segregação física dos materiais rejeitados, vencidos, recolhidos ou devolvidos de forma que 
esses produtos não sejam dispensados indevidamente é chamada de: 
(A) expedição. 
(B) CAF. 
(C) DML. 
(D) expurgo. 
(E) quarentena. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.A / 03.C / 04.D / 05.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
A estabilidade refere-se à capacidade do medicamento em manter suas características originais 
inalteradas durante o seu tempo de validade. 
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02. Resposta: A 
Os medicamentos termolábeis que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, deve 
manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (± 2º). 
 
03. Resposta: C 
A temperatura e umidade dos locais de armazenamento desses produtos devem ser monitoradas e 
registradas diariamente e havendo qualquer anormalidade deverá ser corrigida o mais breve possível. 
 
04. Resposta: D 
Um medicamento é formado por: O princípio ativo ou fármaco (ou uma combinação deles), que vai 
exercer a ação farmacológica, e os ingredientes inativos, que denominamos de auxiliares de formulação 
e permitem transformar o fármaco em medicamento. 
 
05. Resposta: E 
Quarentena trata-se do período de tempo, durante o qual os medicamentos são retidos com proibição 
de seu emprego. 
 
 
 
Boas Práticas de Manipulação de hormônios, antibióticos, citostáticos e substâncias sujeitas a 
controle especial2 
 
A manipulação de hormônios, antibióticos, citostáticos, e substâncias sujeitas a controle especial deve 
seguir os padrões técnicos mínimos das Boas Práticas de Manipulação, acrescidos de (Anvisa, 2007): 
- Prescrições de substâncias sujeitas a controle especial devem seguir as diretrizes da Portaria 
SVS/MS no 344/98; 
- Dispensação mediante atenção farmacêutica (quando se tratar de antibióticos, reforçar a importância 
do período de tratamento informada pelo prescritor); 
- Autorização da Vigilância Sanitária para manipulação de tais produtos; 
- Deve haver uma sala específica para manipulação, com antecâmara que impeça o lançamento de 
pós no laboratório ou no meio ambiente e com local para pesagem; 
- Balanças e bancadas devem ser rigorosamente limpas antes e depois de cada pesagem; 
- Equipamentos e utensílios utilizados na manipulação devem ser separados e identificados por 
classes terapêuticas; 
- Os funcionários envolvidos na manipulação devem ser submetidos a exames específicos, e 
recomenda-se trabalhar num sistema de rodízio; 
- Pesagem com dupla checagem, sendo o farmacêutico responsável por uma. 
 
Boas Práticas de Manipulação de produtos estéreis 
 
A manipulação de produtos estéreis deve seguir os padrões técnicos mínimos das Boas Práticas de 
Manipulação, acrescidos de (Anvisa, 2007): 
- Produtos utilizados em terapia de nutrição parenteral devem seguir disposições da Portaria SVS/MS 
no 272/98; 
- Produtos utilizados em terapias antineoplásicas devem seguir as disposições da RDC no 220/04; 
- Os funcionários envolvidos na manipulação de produtos estéreis devem receber treinamento 
específico, inclusive, em relação aos processos de higiene; 
- O uniforme dos funcionários deve assegurar que não haverá́ liberação de partículas do manipulador 
e do tecido para o produto manipulado, devendo ser substituído a cada manipulação, sendo lavado e 
esterilizado por responsabilidadeda farmácia; 
- Áreas de manipulação de produtos estéreis com acesso restrito; 
- Além das áreas comuns que constam nos procedimentos mínimos, para manipulação de produtos 
estéreis, a farmácia tem de apresentar sala de limpeza, higienização e esterilização, sala ou local 
específico de pesagem, sala de manipulação exclusiva e sala de paramentação específica (antecâmara); 
 
2 BERMAR, Kelly Cristina de Oliveira. Farmacotécnica Técnicas de Manipulação de Medicamentos. 1ª Ed. Érica. 
Organização das áreas de produção em centrais de manipulação 
 
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- Equipamentos e utensílios devem ser lavados e higienizados com produtos que foram avaliados em 
relação à atividade microbiana; 
- A água deve ser obtida no próprio estabelecimento, por destilação ou por osmose reversa, 
obedecendo às características farmacopeias de água para injetáveis; não poderá́ ser armazenada após 
24 horas, a não ser que seja mantida em recirculação a uma temperatura igual ou superior a 80 °C, e 
devem ser feitos controles físico-químicos e microbiológicos; 
- Além dos testes de controle de qualidade já descritos nos padrões técnicos mínimos, para os produtos 
estéreis, deve-se inspecionar visualmente 100% das amostras, bem como realizar teste de esterilidade e 
teste de toxinas bacterianas. 
 
Boas Práticas de Manipulação de preparações homeopáticas 
 
A manipulação de preparações homeopáticas deve seguir os padrões técnicos mínimos das Boas 
Práticas de Manipulação, acrescidos de (Anvisa, 2007): 
- Funcionários envolvidos na manipulação devem estar higienizados e não odorizados; 
- A farmácia deve possuir uma sala exclusiva para manipulações homeopáticas com baixo índice de 
radiação e odores fortes e com os seguintes equipamentos: alcoômetro de Gay-Lussac e balança de uso 
exclusivo; 
- A prescrição do medicamento homeopático deve conter nomenclatura específica, potência, escala, 
método, forma farmacêutica, quantidades e unidades; 
- A tintura-mãe deve ser identificada com nome científico da droga, data de fabricação, prazo de 
validade, parte usada, conservação, grau alcoólico e número de lote; 
- A matriz deve ser identificada com dinamização, escala e método, insumo inerte e grau alcoólico, 
data da manipulação, prazo de validade e origem; 
- As preparações dispensadas devem conter nome da preparação, dinamização, escala e método, 
forma farmacêutica, quantidade e unidade, data da manipulação e prazo de validade. 
 
 
 
As vidrarias são, em sua maioria, instrumentos de vidro cristal ou temperado, para que as medidas 
sejam precisas e o recipiente não reaja com a substância contida nele. Entretanto, elas devem ser 
tratadas com o maior cuidado possível, principalmente porque o vidro utilizado nelas é mais trabalhado 
que os de outros vidros quaisquer, assim sendo mais caros, obviamente. Os materiais de metal podem 
servir para suporte e manuseamento das vidrarias. Existem também materiais de porcelana, de borracha 
ou plástico e materiais que são fontes de aquecimento. 
 
Vidrarias3 
Note que as vidrarias são encontradas em vários tamanhos. 
 
Balão de fundo chato: utilizado como recipiente para conter líquido ou soluções, ou fazer reações 
com desprendimento de gases. 
 
 
Balão volumétrico: possibilita medidas de volumes exatos. Possui volume definido e nele se 
preparam as soluções. Inicialmente, a solução pode ser preparada em um béquer, em menor volume, e 
depois adicionada ao balão para completar o volume. 
 
 
3 COMPRI-NARDY, Mariane B.; STELLA, Mércia Breda; OLIVEIRA, Carolina de. Prática de Laboratório de Bioquímica e Biofísica. Guanabara Koogan. 
Vidrarias e outros utensílios de laboratório 
 
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Béquer: serve para fazer reações entre soluções, dissolver substâncias sólidas, efetuar reações de 
precipitação e aquecer líquido. Mede volumes aproximados. 
 
 
Erlenmeyer: utilizado em titulações, aquecimento de líquidos, para dissolver substâncias e proceder 
a reações entre soluções. Usado principalmente para misturar substâncias líquidas. 
 
 
 
Proveta: não pode ser aquecida e serve para medir e transferir volumes de líquidos que, embora não 
exatos, são mais precisos do que de um béquer ou Erlenmeyer. 
 
 
Funil de haste longa: também não pode ser aquecido. Usado na filtração e para a retenção de 
partículas sólidas. 
 
 
Tubo de ensaio: empregado para fazer reações em pequena escala, principalmente em testes de 
reação em geral. Pode ser aquecido cuidadosamente direto sob a chama do bico de Bünsen. Existem 
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. 54 
tubos especiais para centrífugas, utilizados em reações químicas, que formam substâncias insolúveis, e 
que necessita de uma precipitação rápida por meio de um centrifugador. 
 
 
Bureta: aparelho utilizado em analises volumétricas para dispensar líquidos com grande exatidão. 
Pode livrar-se de quantidades de volume variáveis, devido às marcas de graduação e extensão. 
 
 
Condensador: é utilizado na destilação e tem como finalidade condensar vapores gerados pelo 
aquecimento de líquidos. 
 
Pipeta graduada: utilizada para medir volumes pequenos e variáveis. Possui precisão superior à da 
proveta. Não pode ser aquecida. 
 
 
 
Pipeta volumétrica: usada para medir e transferir volumes fixos de líquidos. Não pode ser aquecida, 
pois possui grande precisão de medida. A pipeta volumétrica fornece a medida mais exata em 
laboratório. 
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Nota. Atualmente, são muito utilizadas nos laboratórios as pipetas automáticas, que podem ter 
volumes variáveis e possibilitam a transferência de quantidades muito pequenas de líquidos, da ordem 
de microlitros. 
 
 
Vidro de relógio: é uma peça de vidro de forma côncava, usada em análises e evaporações, que 
não pode ser aquecida diretamente. 
 
 
 
Almofariz com pistilo: usado na trituração e pulverização de sólidos. 
 
 
Cadinho: peça, geralmente de porcelana, usada para aquecer substâncias a seco. 
 
 
Outros materiais 
Há ainda outros materiais importantes utilizados em práticas laboratoriais. São eles: 
 
Bico de Bünsen: é a fonte de aquecimento mais utilizada em laboratório. Atualmente tem sido 
substituído pelas mantas e chapas de aquecimento. 
 
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Tripé́: sustentáculo para efetuar aquecimentos de soluções em diversas vidrarias de laboratório. É 
utilizado em conjunto com a tela de amianto. 
 
 
Tela de amianto: é um suporte para as peças a serem aquecidas, que tem como função distribuir 
uniformemente o calor recebido pelo bico de Bünsen. 
 
 
 
Pinça de madeira: usada para segurar o tubo de ensaio durante o aquecimento. 
 
 
Estante para tubo de ensaio: é usada para suporte de tubos de ensaio. 
 
Pisseta ou frasco lavador: usada para lavagens de materiais ou recipientes por meio de jatos de 
água, álcool ou outros solventes. 
 
 
 
Suporte universal: serve para sustentar peças em geral. Utilizado em operações como filtração, 
suporte para condensador, bureta, sistemas de destilação etc. 
 
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Dessecador: utilizado para guardar substâncias em atmosfera com baixo índice de umidade. 
 
 
Questões 
 
01. (FUB – Farmacêutico – CESP) Julgue o seguinte item, relativo ao uso de equipamentos e 
vidrarias em um laboratório de controle da qualidade de fármacos e medicamentos. 
O cadinho é uma peça de porcelana cuja finalidade é aquecer substâncias a seco e com grande 
intensidade de calor. 
( ) Certo ( )Errado 
 
02. (FUB – Farmacêutico – CESP) Julgue o seguinte item, relativoao uso de equipamentos e 
vidrarias em um laboratório de controle da qualidade de fármacos e medicamentos. 
O almofariz deve ser utilizado para trituração e pulverização de sólidos. 
( ) Certo ( )Errado 
 
Gabarito 
 
01.Certo / 02.Certo 
 
Comentários 
 
01. Resposta: Certo 
Cadinho: peça, geralmente de porcelana, usada para aquecer substâncias a seco. 
 
02. Resposta: Certo 
Almofariz com pistilo: usado na trituração e pulverização de sólidos. 
 
 
 
Limpeza de Vidrarias 
 
São chamados de “vidraria” todos os instrumentos fabricados em vidros e que são utilizados para 
medições e experiências dentro de um laboratório, tais como buretas, almofarizes, cálices e 
condensadores, cubas para coloração, frascos e pipetas. Por se tratarem de instrumentos aplicados em 
análises que exigem precisão e clareza, sua higienização é fundamental para que os resultados estejam 
corretos. 
 
Limpeza, lavagem, desinfecção e esterilização 
 
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A limpeza adequada de vidrarias e demais instrumentos de laboratório é fundamental para garantir a 
precisão dos resultados obtidos nas experiências e medições. 
Em geral, as vidrarias são utilizadas para a medição de variados tipos de substâncias líquidas, dia 
após dia, e que podem influenciar diretamente nos resultados quando não existe uma limpeza correta dos 
materiais de laboratório. 
 
Limpeza correta de limpeza de vidrarias e materiais de laboratório 
 
O primeiro passo para realizar uma limpeza correta de vidrarias e materiais de laboratório é saber 
quais os tipos de substâncias foram utilizados nos instrumentos. Isso porque existem métodos, produtos 
e tipos de limpezas específicos para soluções químicas comuns ou orgânicas. Confira as diferenças e 
detalhes de cada técnica: 
 
Soluções químicas comuns 
 
Para limpeza de soluções solúveis, como cloreto de sódio ou sacarose, é preciso limpar de três a 
quatro vezes com água deionizada. Em seguida, é necessário deixar o vidro secando antes de guardá-
lo; 
Ao limpar vidrarias que acabaram de ser utilizadas com soluções insolúveis, como hexano ou 
clorofórmio, deve-se lavar com água deionizada e também deixar descansar na sequência. Repita o 
processo de três a quatro vezes e, se necessário, utilize solventes; 
Em vidrarias utilizadas para análises de HCI concentrado e outros ácidos fortes, a indicação é realizar 
a limpeza (de três a quatro vezes) sob um exaustor, lavando a vidraria em água corrente abundante; 
Bases fortes também exigem a limpeza sob exaustor e em uma fonte abundante de água corrente, 
como uma torneira. A vidraria, neste caso, também precisa secar naturalmente; 
Já no caso de bases e ácidos fracos, é preciso utilizar água deionizada e repetir a limpeza de três a 
quatro vezes antes de colocar o vidro para secar. 
 
Vidrarias especiais 
 
Quando utilizadas em química orgânica: deve-se lavar a vidraria com o solvente adequado e indicado 
pelo fabricante. Além disso, faça todo o processo com água deionizada (para solúveis em água) e etanol 
(solúveis em etanol). Caso precise esfregar a vidraria, utilize uma escova própria para vidro, com água 
quente e sabão, enxaguando abundantemente em água corrente; 
Para limpar buretas de laboratório, é preciso utilizar sabão e água quente, enxaguando a vidraria em 
água corrente e repetindo o processo de três a quatro vezes. Lembre-se: uma bureta precisa estar sempre 
100% limpa; 
Balões volumétricos e pipetas laboratoriais: dependendo do produto químico utilizado, é preciso deixar 
tais vidrarias em molho de um dia para o outro em água morna com sabão. Após este período também é 
recomendável esfregar com escova adequada e enxaguar com água corrente. 
 
Dicas para limpeza correta de limpeza de vidrarias no laboratório 
 
É fundamentar evitar secar as vidrarias de laboratório com pano, toalha ou secador de ar. Isto é 
necessário devido a impurezas e pequenas fibras que podem grudar na vidraria e influenciar diretamente 
uma futura medição. Outra sugestão diz respeito à necessidade de utilizar uma vidraria que ainda está 
secando naturalmente: lave ela de duas a três vezes com acetona. 
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Métodos Químicos e Físicos de Desinfecção e Esterilização de Materiais para uso em Ensaios 
Laboratoriais 
 
Assepsia: é o conjunto de medidas que utilizamos para impedir a penetração de microrganismos num 
ambiente que logicamente não os tem, logo um ambiente asséptico é aquele que está livre de infecção. 
 
Antissepsia: é o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de microrganismos ou 
removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não destruí-los e para tal fim utilizamos 
antissépticos ou desinfetantes. A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois 
processos: degermação e antissepsia. É a destruição de micro-organismos existentes nas camadas 
superficiais ou profundas da pele, mediante a aplicação de um agente germicida de baixa causticidade, 
hipoalergenico e passível de ser aplicado em tecido vivo. Os detergentes sintéticos não-iônicos 
praticamente são destituídos de ação germicida. Sabões e detergentes sintéticos aniônicos exercem ação 
bactericida contra microrganismos muito frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para 
Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias Gram negativas. Consequentemente, 
sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniônicos) devem ser classificados como degermantes, e 
não como antissépticos. 
 
Degermação: Vem do inglês degermation, ou desinquimação, e significa a diminuição do número de 
microrganismos patogênicos ou não, após a escovação da pele com água e sabão. É a remoção de 
detritos e impurezas depositados sobre a pele. Sabões e detergentes sintéticos, graças a sua propriedade 
de umidificação, penetração, emulsificação e dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora 
microbiana existente nas camadas superficiais da pele, também chamada flora transitória, mas não 
conseguem remover aquela que coloniza as camadas mais profundas ou flora residente. 
 
Fumigação: é a dispersão sob forma de partículas, de agentes desinfectantes como gases, líquidos 
ou sólidos. 
 
Desinfecção: é o processo pelo qual se destroem particularmente os germes patogênicos e/ou se 
inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimento. Os esporos não são necessariamente destruídos. 
 
Esterilização: é processo de destruição de todas as formas de vida microbiana (bactérias nas formas 
vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos e ou químicos. Toda 
esterilização deve ser precedida de lavagem e enxaguadura do artigo para remoção de detritos. 
 
Esterilizantes: são meios físicos (calor, filtração, radiações, etc) capazes de matar os esporos e a 
forma vegetativa, isto é, destruir todas as formas microscópicas de vida. 
 
Esterilização: o conceito de esterilização é absoluto. O material é esterilizado ou é contaminado, não 
existe meio termo. 
 
Germicidas: são meios químicos utilizados para destruir todas as formas microscópicas de vida e são 
designados pelos sufixos "cida" ou "lise", como por exemplo, bactericida, fungicida, virucida, bacteriólise 
etc. Na rotina, os termos antissépticos, desinfetantes e germicidas são empregados como sinônimos, 
fazendo que não haja diferenças absolutas entre desinfetantes e antissépticos. Entretanto, 
caracterizamos como antisséptico quando a empregamos em tecidos vivo e desinfetante quando a 
utilizamos em objetos inanimados. Sanitização, neologismo do inglês sanitization, em que emprega 
sanitizer, tipo particular de desinfetante que reduz o número de bactérias contaminantes a níveis julgados 
seguros para as exigências de saúde pública. 
 
Antissépticos: Um antisséptico adequado deve exercer a atividade germicida sobre a flora 
cutaneomucosa em presença de sangue, soro, muco ou pus, semirritar a pele ou as mucosas. Muitos 
testes in vitro foram propostos para avaliar a ação de antissépticos, mas a avaliação definitiva desses 
germicidas só pode feita mediante testes in vivo. Os agentes que melhor satisfazem as exigências para 
aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o hexaclorofeno. 
 
Para a desinfecção das mãos temos: 
- Soluções antissépticas com detergentes (degermantes) e se destinam à degermação da pele, 
removendo detritos e impurezas e realizando antissepsia parcial. Como exemplos citam: Solução 
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detergente de PVPI a 10% (1% de iodo ativo); Solução detergente de clorhexidina a 4 %, com 4% de 
álcool etílico. 
- Solução alcoólica para antissepsia das mãos: Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 % (álcool etílico a 
70%, com ou sem 2 % de glicerina); Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de glicerina. 
 
Técnicas de Esterilização 
 
Esterilização é a destruição de todos os organismos vivos, mesmo os esporos bacterianos, de um 
objeto. Para isso dispomos de agentes físicos e químicos. 
 
Meios de Esterilização: 
 
Físico: Calor seco (Estufa, Flambagem e Fulguração); Calor úmido (Fervura e Autoclave); Radiações 
(Raios alfa, Raios gama e Raios x). 
Químico: Desinfetantes - Para conseguir-se a esterilização, há vários fatores importantes: Das 
características dos microrganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das 
bactérias produtoras de esporos e o número de microrganismos e da característica do agente empregado 
para a esterilização. 
 
Esterilização pelo calor: A susceptibilidade dos organismos ao calor é muito variável e dependem de 
alguns fatores, e dentre eles citamos: 
- Variação individual de resistência, 
- Capacidade de formação de esporos, 
- Quantidade de água do meio, 
- ph do meio, 
- Composição do meio. 
 
Esterilização pelo calor seco: A incineração afeta os microrganismos de forma muito parecida a 
como afeta as demais proteínas. Os microrganismos são carbonizados ou consumidos pelo calor 
(oxidação), assim, podemos usar a chama para esterilizar (flambagem) e a eletricidade (fulguração). O 
aparelho mais comum para a esterilização pelo calor seco é a estufa, que consiste em uma caixa com 
paredes duplas, entre as quais circula ar quente, proveniente de uma chama de gás ou de uma resistência 
elétrica. A temperatura interior é controlada por um termostato. 
As estufas são usadas para esterilizar materiais ¨secos¨, como vidraria, principalmente as de precisão, 
seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes, gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina, 
etc. A esterilização acontece quando a temperatura no interior da estufa atinge de 160 oC a 170oC, 
durante 2 horas, ocorrendo destruição de microrganismos, inclusive os esporos. Deve-se salientar que a 
temperatura precisa permanecer constante por todo esse tempo, evitando-se abrir a porta da estufa antes 
de vencer o tempo. 
 
Esterilização pelo calor úmido: Podemos usar o calor das seguintes formas: 
 
Fervura: Foi um método correntemente usado na prática diária, mas não oferece uma esterilização 
completa, pois a temperatura máxima que pode atingir é 100°C ao nível do mar, e sabemos que os 
esporos, e alguns vírus, como o da hepatite, resistem a essa temperatura, alguns até por 45 h. Por outro 
lado, a temperatura de ebulição varia com a altitude do lugar. 
 
Cuidados na esterilização pela fervura: Devem-se eliminar as bolhas, pois estas protegem as 
bactérias - no interior da bolha impera o calor seco, e a temperatura de fervura (100°C), este calor é 
insuficiente para a esterilização; Devem-se eliminar as substâncias gordurosas e proteicas dos 
instrumentos, pois estas impedem o contato direto do calor úmido com as bactérias. 
 
Esterilização pelo vapor sob pressão (autoclave): Age através da difusão do vapor d'água para 
dentro da membrana celular (osmose), hidratando o protoplasma celular, produzindo alterações químicas 
(hidrólise) e coagulando mais facilmente o protoplasma, sob ação do calor. O autoclave é uma caixa 
metálica de paredes duplas, delimitando assim duas câmaras; uma mais externa que é a câmara de 
vapor, e uma interna, que é a câmara de esterilização ou de pressão de vapor. A entrada de vapor na 
câmara de esterilização se faz por uma abertura posterior e superior, e a saída de vapor se fazem por 
uma abertura anterior e inferior, devido ao fato de ser o ar mais pesado que o vapor. 
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O vapor é admitido primeiramente na câmara externa com o objetivo de aquecer a câmara de 
esterilização, evitando assim a condensação de vapor em suas paredes internas. Sabe-se que 1 grama 
de vapor saturado sob pressão, libera 524 calorias ao se condensar. Ao entrar em contato com as 
superfícies frias o vapor saturado se condensa imediatamente, molhando e aquecendo o objeto, 
fornecendo assim dois fatores importantes para a destruição dos micro-organismos. O vapor d'água, ao 
ser admitido na câmara de esterilização é menos denso que o ar, e portanto empurra este para baixo, até 
que sai da câmara, e através de correntes de convecção, retira todo o ar dos interstícios dos materiais 
colocados na câmara. Ao condensar-se, reduz de volume, surgindo assim áreas de pressão negativa, 
que atraem novas quantidades de vapor. Desse modo, as disposições dos materiais a serem esterilizados 
dentro da autoclave devem obedecer a certas regras, formando espaços entre eles e facilitando o 
escoamento do ar e vapor, tendo-se em mente a analogia com o escoamento de água de um reservatório, 
evitando assim a formação de “bolsões” de ar seco (onde agiria apenas o calor seco, insuficiente para 
esterilizar nas temperaturas atingidas habitualmente pelo autoclave. 
A quantidade efetiva de água sob a forma de vapor dentro da câmara de pressão pode ser reduzida, 
de modo que, ao retirar-se os objetos esterilizados, estes estejam quase secos. A ação combinada de 
temperatura, pressão e da umidade são suficientes para uma esterilização rápida, de modo que vapor 
saturado a 750 mmHg e temperatura de 121ºC são suficientes para destruir os esporos mais resistentes, 
em 30 minutos. Essa é a combinação mais usada, servindo para todos os objetos que não estragam com 
a umidade e temperatura alta como panos meios bacteriológicos, soluções salinas, instrumentais (não os 
de corte), agulhas, seringas, vidraria (não as de precisão) etc. 
Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º C, o tempo cai para 6 minutos, podendo se assim 
evitar a ação destruidora do calor sobre panos e borracha. Em casos de emergência, usamos durante 2 
minutos a temperatura de 132ºC e 1400 mmHg. Para testar a eficiência da esterilização em autoclave 
lançamos mão de indicadores, que pode ser tintas que mudam de cor quando submetidas a determinada 
temperatura durante certo tempo, ou tiras de papel com esporos bacterianos, que são cultivados em 
caldos após serem retirados do autoclave. Como exemplo citamos tubinho contendo ácido benzoico mais 
eosina, que tem ponto de fusão de 121ºC. Anidrido ftalico mais verde metila tem ponto de fusão de 132ºC. 
Ácido salicílico mais violeta de genciana tem ponto de fusão de 156ºC. 
 
Bioindicadores: Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo de cultura com açúcares mais um 
indicador de pH e esporos de bacilo Stearo thermophilus (espécie não patogênica), esporo estes que 
morrem quando submetidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a 48 horas a 55ºC, e se a 
esterilização foi suficiente a cor violeta não se altera. Podemos também usar cadarços embebidos com 
suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em esporulação acentuada) colocados no interior de um 
campo cirúrgico dobrado, que será colocado no centro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo 
de esterilização, o cadarço é enviado para cultura no laboratório. (o Bacilo subtilis não é patogênico eé 
um dos mais resistentes ao calor) 
 
Éter cíclico - Óxido de etileno: É um gás incolor, inflamável, tóxico, altamente reativo, é 
completamente solúvel em água, álcool, éter e muitos solventes orgânicos, borracha, couro e plásticos. 
É bactericida esporicida e virucida. Eficaz em temperatura relativamente baixa, penetra em substâncias 
porosas, não corroe ou danifica materiais, age rapidamente, removível rapidamente. 
 
Esterilização pelo óxido de etileno: Autorizado pelo Ministério da Saúde como agente químico para 
esterilização, portaria 930/1992. Necessita de três unidades: aparelho de autoclave combinado, gás e 
vapor; aparelho de comando que vai misturar o gás, e o freon na concentração pré-estabelecida e o 
aparelho aerador. Existem quatro condições que são primordiais e que guardam relação entre si para que 
o óxido de etileno se torne um agente esterilizante: 
- Tempo - o tempo de exposição ao gás varia de acordo com a temperatura do aparelho, 
- Temperatura - Geralmente utiliza a temperatura de 55oC e a exposição em 2 horas. Em temperaturas 
mais baixas necessitamos de exposições maiores e vice-versa. 
- Umidade relativa - usa de 20 a 40%, 
- Concentração do gás - usa a concentração de 450 mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser 
altamente inflamável quando puro, usamos misturar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%). 
 
Técnica 
- Preparo do material - deverão estar completamente limpos e secos. O material que os empacota 
deve ser permeável, flexível e forte para aguentar a manipulação normal do processo de esterilização. 
Usar fitas adesivas para identificação e indicadores de óxido de etileno dentro dos pacotes. 
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- Não sobrecarregar o esterilizador para evitar bolsões isoladores e também o rompimento e abertura 
dos pacotes durante o aumento de pressão da câmara. 
- Aeração - o objetivo é ventilar para remover o gás contido no material esterilizado e sendo executado 
a 50ºC, o tempo varia de acordo com o tipo de material, assim: Borracha e material plástico fino = 6 horas; 
Borracha e material plástico grosso = 24 horas; Marca passos internos = 4 dias; Luvas, cateteres e outros 
materiais em invólucros de plásticos = 7 dias; Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7 dias. 
 
Vantagens 
- É bactericida, esporicida e virucida; 
- Agente esterilizante em temperatura relativamente baixa; 
- Facilmente removível; 
- Fácil de obter, armazenar e manusear; 
- Penetra em qualquer material permeável e poroso; 
- Esteriliza uma grande variedade de instrumentos e equipamentos sem danificar a maioria; 
- É método simples, eficaz econômico e seguro; 
- O material esterilizado pode ser estocado por período prolongado. 
 
Desvantagens 
- Necessita de controle cuidadoso da concentração de gás, temperatura e umidade. 
- A aparelhagem é cara e requer supervisão técnica especializada. 
- O gás etileno possui efeito tóxico. 
- O processo é demorado. 
- A utilização do aparelho é limitada a estabelecimentos grandes. 
 
Flambagem: O Ministério da Saúde, através da portaria 930 de 27 de agosto de 1992, relaciona a 
flambagem como meio possível de esterilização nos laboratórios de microbiologia para a manipulação de 
material biológico ou transferência de massa bacteriana pela alça bacteriológica e para a esterilização de 
agulhas, na vacina de BCG intradérmico. 
 
Radiação: A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termos sensíveis, (seringa de 
plástico, agulha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em baixas temperaturas, é um método 
disponível em escala industrial devido aos elevados custos de implantação e controle. 
 
Radiações ionizantes: (raios beta, gama, (cobalto), X, alfa). Tem boa penetrabilidade nos materiais 
mesmos já empacotados o que justifica a sal comodidade. 
 
Radiações não ionizantes: (raios ultravioleta, ondas curtas e raios infravermelhos) devido a sua baixa 
eficiência está vetado o seu uso pelo Ministério da Saúde desde 1992. Filtração é usada como controle 
ambiental, criando áreas limpas e áreas estéreis, podendo inclusive lançar utilizar se do fluxo laminar. 
 
Aldeído: Agente químico autorizado pelo Ministério da Saúde, (portaria 930/1992). Glutaraldeído a 
2%, associada a um antioxidante, por 8 a 12 horas, é usado para esterilizar material de acrílica, cateteres, 
drenos, nylon, silicone, teflon, pvc, laringoscópios e outros); Formaldeído, usado tanto na forma líquida 
ou gasosa por 18 horas. Paraformaldeído, as pastilhas tem ação esterilizante na concentração de 3 
gramas por 100 centímetros cúbico de volume do recipiente onde o material é esterilizado por um período 
de 4 horas a 50°C. 
 
Controle de Qualidade e Validação do Processo de Esterilização.4 
 
Atualmente, sabe-se que para a escolha mais segura e econômica do método de esterilização a ser 
utilizado é muito importante a classificação dos artigos médico hospitalares, levando-se em conta o risco 
potencial de transmissão de infecção para o paciente. 
A utilização do vapor saturado sob pressão por meio de autoclaves, como processo de esterilização, 
é hoje considerado o método de maior segurança, pois os microrganismos são destruídos pela ação 
combinada de temperatura, pressão e u m idade, promovendo a termo coagulação e desnaturação das 
proteínas de sua estrutura genética celular. O vapor saturado sob pressão dentro da câmara das 
autoclaves circula por condução, penetrando através de objetos porosos, como os invólucros que 
 
4 http://www.scielo.br/pdf/reben/v55n4/v55n4a09.pdf 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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envolvem os pacotes. O vapor saturado sob pressão é o meio de esterilização mais comumente usados 
para todos os artigos termo resistentes. 
Ressalta-se que, quando utilizamos o método de esterilização em autoclaves devemos levar em 
consideração o calor e a umidade, temperatura e pressão, qualidade do vapor e tempo de esterilização. 
A seleção de embalagens para o acondicionamento dos artigos médico- hospitalares merece atenção 
especial e devemos considerar que o processamento ocorre dentro de uma sequência de etapas até o 
momento do uso, sendo necessário cuidados em todas as etapas para evitar a contaminação. A 
Association of Operating Room Nurses (AORN, 2000), recomenda que o sistema de embalagem deve 
permitir a esterilização, manter a esterilidade do conteúdo até a abertura do pacote e possibilitar a entrega 
do conteúdo sem contaminá-lo. 
 
As embalagens utilizadas para esterilização devem apresentar as seguintes características: 
- ser apropriada para o (s) artigo (s) e método de esterilização; 
- prover integridade adequada de selagem e ser à prova de violação; 
- prover barreira adequada; 
- permitir a adequada remoção do ar; 
- proteger o conteúdo do pacote de danos físicos; 
- resistir a rasgos e perfurações; - ter uma relação custo/benefício positiva. 
 
As embalagens recomendadas para esterilização por vapor saturado sob pressão são as seguintes: 
- tecido de algodão cru, 
- duplo, sem goma, devem ser mantidas à temperatura ambiente (18 a 22° e), permanecer em uma 
umidade relativa de 35 a 70%. 
 
As embalagens de tecido devem ter sido lavadas recentemente antes do uso. A reesterilização sem a 
lavagem do tecido pode levar ao superaquecimento e ser um obstáculo para alcançar a esterilização. 
Reparos na embalagem nunca devem ser esticados nem tão pouco costurados, pois a costura cria 
buracos permanentes reduzindo a eficiência da barreira; - papéis - o uso como embalagem para 
esterilização é tão antigo quanto o tecido de algodão cru. Os papéis recomendados podem ser divididos 
em: 
 - papel grau cirúrgico - normatizado pela NBR 1 2 946 da ABNT, deve ser resistente ao calor, tração 
e perfuração, não podendo conter amido e corantes, deve ser permeável ao calor e ao ETO (óxido de 
etileno ). Ele pode apresentar-se comduas faces de papel ou uma face de papel e outra com filme 
transparente; 
- papel Kraft - deve ser de superfície regular, não podendo apresentar furos. 
 
Devido a irregularidade deste papel e a presença de amido, este tipo de embalagem provavelmente 
venha a ser substituído; 
- papel crepado - é composto de celulose tratada, suportando temperaturas de até 1 500 e em 
condições de exposição de uma hora. Apresenta-se como principal alternativa ao tecido de algodão; 
 - caixas metálicas - utilizadas na esterilização à vapor, somente sem tampas ou perfuradas e 
recobertas com embalagens permeáveis ao vapor; - não tecido de 1 00% polipropileno - (manta de 
polipropileno) usada em camada dupla apresenta propriedades de barreira microbiana. 
 
A escolha da embalagem apropriada para cada artigo deve contemplar as recomendações da AORN 
(2000) e as características da cada serviço de esterilização. Para obtermos um produto final de qualidade 
o processo de esterilização deve ser constante mente monitorado em todas as suas etapas por meio de 
indicadores químicos e biológicos. 
A questão do tempo pelo qual os artigos esterilizados podem permanecer estocados é um componente 
econômico de grande importância, pois menores prazos implicam maiores custos, relacionados ao 
consumo dos invólucros, fitas adesivas, fitas indicadoras do processo de esterilização, mão de obra, 
embalagem e controle dos artigos, consumo do equipamento esterilizador e desgaste do artigo 
processado, entre outros aspectos. O Centro de Material e Esterilização (CME) "é a unidade que responde 
pelo preparo, distribuição e controle dos materiais hospitalares e que tem por finalidade assegurar a 
quantidade e à qual idade necessárias a todo o hospital, para que os pacientes possam ser assistidos 
com segurança". Os autores acrescentam que compete ao enfermeiro o gerenciamento desta unidade, o 
qual deve buscar estratégias para a melhoria do controle dos artigos médico-hospitalares, "com a 
finalidade de facilitar a realização dos procedimentos necessários com a máxima segurança e qualidade 
para o cliente". 
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Equipamentos5 
 
Conheça a seguir alguns equipamentos indispensáveis em um laboratório. 
 
Balança digital: é usada para medir massa de sólidos e líquidos não-voláteis com grande precisão. 
Banho-maria: é um aquecedor de água termostatizado por meio de resistência elétrica que atinge a 
temperatura máxima de 100°C. 
Centrífuga: serve para acelerar o processo de decantação. São aparelhos que, por meio da força 
centrífuga, forçam uma substância insolúvel em uma mistura líquido–sólido a se precipitar rapidamente. 
Estufa: é utilizada para secagem de material cujo controle de temperatura se dá́ por meio de 
termostato; em geral alcança até́ 300°C. 
Mufla: produz altas temperaturas. É utilizada, por exemplo, para calcinação com alcance de até́ 
1.200°C. 
Agitador magnético: equipamento destinado a homogeneizar soluções que podem ou não possuir 
aquecimento próprio. 
Capela: é uma câmara de exaustão na qual são manuseadas substâncias ou realizados 
experimentos que originam gases tóxicos ou inflamáveis. 
Chuveiro e lava-olhos: equipamento de segurança utilizado no caso de acidentes no laboratório. 
 
 
 
O Ambiente para Manipulação de Produtos Estéreis6 
 
O ambiente em que é realizado este procedimento é outro importante fator envolvido no processo de 
garantia da qualidade do medicamento estéril administrado ao paciente. O controle do ambiente em que 
é realizada a manipulação baseia- se no conceito de que microrganismos podem ser carregados por 
partículas em suspensão no ar e, portanto, contaminando as soluções em frascos e ampolas abertas, 
assim como os pontos críticos dos dispositivos de administração. Existem normas que estabelecem os 
limites (quantidade e dimensão) destas partículas em um ambiente controlado de manipulação de 
medicamentos injetáveis. Estas normas são aplicadas às indústrias de medicamentos e às farmácias de 
manipulação de produtos estéreis. 
No Brasil, no entanto, somente alguns poucos hospitais possuem uma área diferenciada dedicada à 
preparação, controle e dispensação da terapia parenteral prescrita, seja na forma de uma unidade 
centralizada no serviço de farmácia do hospital, ou em estacoes descentralizadas para atender grandes 
clinicas. Na grande maioria dos hospitais, o preparo dos medicamentos estéreis administrados aos 
pacientes é realizado em ambiente não controlado (postos de enfermagem), classicamente dividindo as 
atividades da enfermagem entre a assistência e o preparo dos medicamentos injetáveis. 
 
Técnica Asséptica de Preparação de Produtos Estéreis 
 
Para preservar as características iniciais de esterilidade dos medicamentos a serem administrados 
ao paciente, é necessário que eles sejam adequadamente manipulados, ou seja, que a técnica utilizada 
na manipulação evite a contaminação desses medicamentos ou dos dispositivos envolvidos no seu 
preparo e na sua administração. A técnica asséptica, como é conhecida, consiste em não expor os 
pontos críticos dos dispositivos e recipientes (todas as superfícies que irão entrar em contato com as 
soluções estéreis – agulhas, bicos de seringas e extremidades de encaixe de dispositivos de 
transferência) a superfícies não-estéreis (mãos, bancada, objetos presentes na área de manipulação e 
vestimentas). Para que a técnica seja efetiva, algumas outras condutas devem ser seguidas: 
 
5 5 COMPRI-NARDY, Mariane B.; STELLA, Mércia Breda; OLIVEIRA, Carolina de. Prática de Laboratório de Bioquímica e Biofísica. Guanabara Koogan. 
 
6 STORPIRTIS, Silvia; GONÇALVES, José Eduardo; CHIANN, Chang; GAI, Maria Nella. Ciências Farmacêuticas – Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica. 
Guanabara Koogan. 
Equipamentos de laboratório: Identificação, princípios de funcionamento, uso e 
conservação 
 
Controle da contaminação durante a manipulação de medicamentos estéreis e 
não estéreis 
 
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• as conversas e movimentos bruscos devem ser evitados para reduzir a quantidade de partículas 
em suspensão no ar; 
• apenas materiais essenciais ao preparo devem ser colocados na bancada. Os componentes devem 
ser dispostos na bancada de forma a evitar a interrupção do fluxo de ar sobre as superfícies críticas de 
agulhas, seringas, frascos e ampolas; 
• as mãos calcadas de luvas estéreis não devem tocar o uniforme, e devem ser mantidas, 
preferencialmente, dentro da área de manipulação (fora da zona de turbulência). Durante o processo, as 
luvas podem ser lavadas com um agente adequado (álcool 70%) e trocadas quando houver 
comprometimento da sua integridade. 
 
 
 
Segurança do Trabalho 
 
É o conjunto de medidas técnicas, médicas e educacionais, empregadas para prevenir acidentes, quer 
eliminando condições inseguras do ambiente de trabalho quer instruindo ou convencionando pessoas na 
implantação de práticas preventivas. 
 
Acidente do Trabalho 
 
É o que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou 
perturbação funcional, que cause a morte, ou perda, ou redução permanente ou temporária, da 
capacidade para o trabalho. 
 
Acidente de Trajeto 
 
Fica caracterizado como acidente de trabalho também aquele que ocorra na ida ou na volta do trabalho, 
ou o ocorrido no mesmo trajeto quando o trabalhador efetua as refeições na sua residência. Deixa de 
caracterizar-se o acidente quando o trabalhador tenha por vontade própria, interrompido ou alterado o 
trajeto normal. 
 
Doença Profissional 
 
É a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à determinada atividade e 
constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o da Previdência 
Social. Ex: Saturnismo (intoxicação provocada pelo chumbo) e Silicose (sílica).Doença do Trabalho 
 
É a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e 
com ele se relacione diretamente (também constante da relação supracitada). Ex: Disacusia (surdez) em 
trabalho realizado em local extremamente ruidoso. 
 
Incidente 
 
No conceito prevencionista é todo acidente sem lesão física, sendo que esta conceituação permite a 
análise de todos os acidentes ocorridos, para que possamos descobrir as verdadeiras causas e as 
consequentes medidas de prevenção. 
 
Causas do Acidente do Trabalho 
 
Em um passado não muito distante, a responsabilidade do acidente do trabalho era colocada muito 
mais nos trabalhadores através dos atos inseguros, essa tendência acabou criando uma "consciência 
culposa" nos mesmos, sendo que era tendência a negligência, o descuido, a facilitação e o excesso de 
confiança serem apontados como causas dos acidentes. 
Equipamentos de proteção individual e medidas de segurança ocupacional 
 
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Atualmente com o avanço e a socialização das técnicas prevencionistas, o que queremos é apurar 
quais são as verdadeiras causas e não os culpados pelos acidentes do trabalho, portanto, não é que não 
exista o ato inseguro e a condição insegura, o que precisamos é compreendê-los melhor. 
 
- Condição insegura: é a condição do meio ambiente de trabalho, que causou o acidente, ou contribuiu 
para a sua ocorrência. 
 
- Fator pessoal de insegurança: é causa relativa ao comportamento humano, que propicia a ocorrência 
de acidentes. Ex: Doença na família, excesso de horas extras, problemas conjugais, etc. 
 
Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) 
 
A Lei nº 8.213/91 determina no seu artigo 22 que todo acidente de trabalho ou doença profissional 
deverá ser comunicado pela empresa ao INSS, sob pena de multa em caso de omissão. 
 
Tipos de CAT 
 
A. CAT inicial - acidente do trabalho, típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho. 
B. CAT reabertura - reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do 
trabalho ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS. 
C. CAT comunicação de óbito - falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do 
trabalho, ocorrido após a emissão da CAT inicial. 
 
A comunicação em epígrafe deverá ser feita ao INSS, em 24 horas úteis, em seis vias, com a seguinte 
destinação: 
1. ao INSS 
2. à empresa 
3. ao segurado ou dependente 
4. ao sindicato de classe do trabalhador 
5. ao Sistema Único de Saúde (SUS) 
6. à Delegacia Regional do Trabalho 
 
Técnicas de Investigação de acidentes 
 
A quem interessa a prevenção de acidentes? 
 
 
1. Ao trabalhador: 
- assegura qualidade de vida 
- evita perda de rendimentos 
- mantém sua autoestima 
- trabalho como prazer, alegria, motivação para vida 
 
2. Ao empregador: 
- ganhos de produtividade 
- preservação da imagem da empresa perante à comunidade 
- redução dos custos diretos e indiretos 
- diminuição de litígios trabalhistas 
- menor rotatividade da mão-de-obra 
 
3. A sociedade/governo: 
- menores encargos previdenciários 
- imagem positiva da nação perante organismos internacionais 
- valorização do ser humano por meio de políticas públicas 
- diminuição do "Custo Brasil" 
 
A prevenção de acidentes deve obedecer a um processo dinâmico e constante que se caracterize por 
ações efetivamente prevencionistas que devem ser tomadas no sentido de evitar, eliminar, controlar ou 
impedir a evolução e consolidação dos riscos no ambiente de trabalho. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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A cuidadosa investigação de um acidente oferece elementos valiosos para a análise que deve ser feita, 
concluindo-se sobre suas causas e suas consequências. 
A análise dos acidentes fornece dados que se acumulam e possibilitam uma visão mais correta sobre 
as condições de trabalho nas empresas, com indicações sobre os tipos de acidentes mais comuns, as 
causas mais atuantes, a gravidade das consequências e os setores que necessitam de maior atenção do 
SESMT e da CIPA. 
 
Passos a serem seguidos: 
- Levantar os fatos, fazendo pesquisa no local do acidente e entrevistas com as pessoas envolvidas. 
- Ordenar os fatos e não fazer prejulgamentos. 
- Identificar as causas, sem querer achar um culpado. 
- Definir as medidas preventivas que visem eliminar o risco identificado. 
 
A realidade demonstra que a melhor maneira de evitar acidentes é praticar a prevenção, a análise de 
acidentes estruturada em fatos reais, com a participação efetiva de todos os envolvidos, proposição de 
medidas viáveis e consensuais para evitar a reincidência constituem-se em uma arma valiosa na 
prevenção de acidentes quer de ordem pessoal, quer de ordem material. 
Investigar um acidente é reconstituir o ocorrido através dos vestígios encontrados no local e através 
dos dados coletados nas indagações feitas junto aos elementos diretamente envolvidos com o acidente. 
Após as providências imediatas (socorro ao acidentado e marcha normal do processo), iniciar 
imediatamente, no próprio local do evento, a investigação do acidente que deve ser feita por todos os 
envolvidos na análise e deve necessariamente ser realizada no local do evento. 
 
A investigação deve ser a mais completa possível e não omitir os seguintes aspectos: 
- Tarefa no momento do acidente; 
- Descrição do acidente; 
- Equipamentos envolvidos; 
- Ferramentas utilizadas; 
- EPI's utilizados; 
- Produtos envolvidos; 
- Tipo de acidente; 
- Fator pessoal. 
 
Importância da Saúde do Trabalhador: 
 
A organização, no seu cotidiano, se depara com uma brutal concorrência no mercado, com isso a 
natureza do trabalho favorece uma vida sedentária, movimentos repetitivos e posturas incorretas. A busca 
inconstante pela produtividade e pela qualidade dos produtos e do serviço vem impondo condições 
extremamente insalubres e prejudiciais ao organismo humano (ROCHA, 2004). 
Um dos problemas que mais tem afetado as empresas são os distúrbios na saúde dos trabalhadores, 
na maioria das vezes ocasionados devido a uma organização do trabalho que envolve tarefas repetitivas, 
pressão constante por produtividade, jornada prolongada, além de tarefas fragmentadas, monótonas, que 
reprimem o funcionamento mental do trabalhador. Esses distúrbios trazem para os empresários, onerosas 
despesas com assistência médica, alto absenteísmo, pagamento de seguros e redução da produtividade 
e, para os trabalhadores, sofrimento, queixas de dores e, principalmente, falta de motivação no 
desenvolvimento das tarefas (MORAES, 2007). 
A promoção e proteção da saúde do trabalhador proporciona ao empregado uma vida melhor e 
provavelmente mais longa, com melhor saúde física e principalmente mais feliz. Este estado de felicidade 
não advém única e exclusivamente de um bem estar físico, mas principalmente de um bem estar interior 
decorrente das melhorias das relações pessoais que mantém no trabalho, além de passar a vivenciar o 
trabalho não como tortura e fonte de problemas, mas como algo prazeroso e desejável (ASFAHL, 2005). 
Porque é tão importante o bem estar e a saúde no trabalho? A resposta é simples, é só lembrarmos 
da quantidade de tempo que passamos em nossas atividades de trabalho, sem exagero podemos dizer 
que é a maior parte de nossas vidas, quando estamos acordados, e por meio dele (trabalho), é que 
realizamos grande parte das nossas aspirações (COSTA, 2005). 
O ambiente de trabalho deve ser visto como um todo, inserido na sociedade com toda a sua 
capacidade de agressão ou de proteção. Mudanças profundas, intensas e aceleradas no processo 
produtivo, aliadas à adversidade de situações de trabalho, adoção de novas tecnologias, de métodos 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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gerenciais que deterioram as relações de trabalho, podem causar consequências negativas paraa saúde 
do trabalhador (FIALHO, 2006). 
A vivência depressiva em relação ao trabalho alimenta-se da sensação de adormecimento intelectual, 
na verdade, marca de alguma forma o triunfo do condicionamento em relação ao comportamento 
produtivo e criativo. As más condições físicas e psicológicas no ambiente laboral influenciam diretamente 
na qualidade de vida no trabalho, com reflexo nas relações interpessoais e na execução das funções. A 
relação entre o ambiente e o ser humano se configura no bem-estar físico e psicológico no trabalho, a 
qual se caracteriza por ser o sustentáculo para a eficácia na execução das tarefas organizacionais. O 
trabalhador que se encontra num ambiente laboral que prioriza sua integridade física, emocional e social, 
estará disposto, motivado para exercer de forma eficiente suas tarefas.(GRANDJEAN, 2005) 
Dentre isso, destacam-se os aspectos indispensáveis para um ambiente de trabalho saudável: 
- A promoção e prevenção do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as 
ocupações; 
- A prevenção da deterioração da saúde do trabalhador causada pelas condições de trabalho; 
- A colocação e manutenção do trabalhador em emprego adequado às suas aptidões físicas e 
psicológicas; 
Esses aspectos envolvem a promoção e preservação da saúde do trabalhador, em que se tornam 
necessários desenvolver medidas no ambiente organizacional, conforme o processo de trabalho 
desenvolvido, as quais se caracterizam como medidas ergonômicas, ou seja, a análise ergonômica do 
ambiente de trabalho (BELLUSCI, 2007). 
 
Adaptado de: BARBOSA, D. A. 
 
Prevenção e causas dos acidentes do trabalho. 
 
Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, no exercício de 
suas atividades, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou 
redução, temporária ou permanente, da capacidade para o trabalho. O acidente do trabalho será 
caracterizado tecnicamente pela perícia médica do INSS, mediante a identificação do nexo entre o 
trabalho e o agravo. 
Considera-se estabelecido o nexo entre o trabalho e o agravo quando se verificar nexo técnico 
epidemiológico entre a atividade da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade, elencada 
na Classificação Internacional de Doenças (CID). Considera-se agravo para fins de caracterização técnica 
pela perícia médica do INSS a lesão, doença, transtorno de saúde, distúrbio, disfunção ou síndrome de 
evolução aguda, subaguda ou crônica, de natureza clínica ou subclínica, inclusive morte, 
independentemente do tempo de latência. Reconhecidos pela perícia médica do INSS a incapacidade 
para o trabalho e o nexo entre o trabalho e o agravo, serão devidas as prestações acidentárias a que o 
beneficiário tenha direito, caso contrário, não serão devidas as prestações. A empresa é responsável pela 
adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador, 
sendo também seu dever prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e 
do produto a manipular. 
Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de 
segurança e higiene do trabalho. Nos casos de negligência quanto às normas de segurança e saúde do 
trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a previdência social proporá ação regressiva 
contra os responsáveis. O pagamento pela Previdência Social das prestações decorrentes do acidente 
do trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de terceiros. A empresa deverá comunicar 
o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso 
de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o 
limite máximo do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e 
cobrada pela Previdência Social. Desta comunicação receberão cópia fiel o acidentado ou seus 
dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. 
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus 
dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, 
não prevalecendo nestes casos o prazo de apenas um dia útil. Nesta hipótese, a empresa permanecerá 
responsável pela falta de cumprimento da legislação. Caberá ao setor de benefícios do INSS comunicar 
a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. Os sindicatos e 
entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela Previdência Social, das 
multas previstas para o descumprimento desta obrigatoriedade. 
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Considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do trabalho, a data do início da 
incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o 
dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro. O segurado que 
sofreu acidente de trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato 
de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente da 
percepção de auxílio-acidente. Vamos conferir os artigos 19, 20 e 21 da Lei 8.213/91 
 
Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo 
exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal 
ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da 
capacidade para o trabalho. 
§ 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e 
segurança da saúde do trabalhador. 
§ 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de 
segurança e higiene do trabalho. 
§ 3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar 
e do produto a manipular. 
§ 4º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os sindicatos e entidades 
representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores, 
conforme dispuser o Regulamento. 
 
Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades 
mórbidas: 
I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho 
peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho 
e da Previdência Social; 
II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições 
especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação 
mencionada no inciso I. 
§ 1º Não são consideradas como doença do trabalho: 
a) a doença degenerativa; 
b) a inerente a grupo etário; 
c) a que não produza incapacidade laborativa; 
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo 
comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. 
§ 2º Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos 
I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona 
diretamente, a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho. 
 
Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos desta Lei: 
I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído 
diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou 
produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação; 
II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de: 
a) ato de agressão,Na farmacologia, agonista refere-se às ações ou estímulos provocados por uma resposta, referente 
ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 
 
Os denominados antagonistas agem como bloqueadores dos receptores, ou seja, diminuem as 
respostas dos neurotransmissores, presentes no organismo. O antagonismo pode diminuir ou anular o 
efeito do agonista. 
Os antagonistas são classificados em: 
- parcial/total 
- reversível/irreversível 
- competitivo/alostérico 
O antagonista parcial não anula totalmente o efeito de um agonista, sendo este mais utilizado, já o 
total atua somente no problema, não interferindo nas partes que estão funcionando. Em caso de 
intoxicação é aconselhável o antagonista total, pois protege melhor o organismo. 
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. 4 
No antagonista reversível/irreversível, o agonista tem ao poder de reverter e o outro de inibir os efeitos 
do antagonista. Já o antagonista competitivo impede o agonista de se encaixar, competindo com o mesmo 
e o alostérico atua em receptores que tem o efeito diminuidor liberado pelo agonista. 
O efeito de um antagonista sobre o agonista se torna inferior devido as constantes estimulações. 
 
A Natureza das Drogas: 
Uma droga pode ser definida como qualquer substância capaz de produzir uma alteração em 
determinada função biológica através de suas ações químicas. Na maioria dos casos, a molécula da 
droga interage com uma molécula específica no sistema biológico, que desempenha um papel regulador, 
isto é, faz o papel de uma molécula receptora. 
 
Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/ 
 
Farmacocinética - é o estudo da velocidade com que os fármacos atingem o sítio de ação e são 
eliminados do organismo, bem como dos diferentes fatores que influenciam na quantidade de fármaco a 
atingir o seu sítio. Basicamente, estuda os processos metabólicos de absorção, distribuição, 
biotransformação e eliminação das drogas. 
 
Absorção - é a passagem do fármaco do local em que foi administrado para a circulação sistêmica. 
Constitui-se do transporte da substância através das membranas biológicas. Tratando-se da via de 
administração intravenosa, não se deve considerar a absorção, uma vez que, neste caso, o fármaco é 
administrado diretamente na corrente sanguínea. Alguns fatores influenciam a absorção, tais como: 
características físico-químicas da droga, veículo utilizado na formulação, perfusão sanguínea no local de 
absorção, área de absorção à qual o fármaco é exposto, via de administração, forma farmacêutica, entre 
outros. As principais vias de administração de fármacos são: via oral (a mais usada), via intravenosa, via 
intramuscular, via subcutânea, via retal. Cada uma dessas vias possui características próprias, que 
influenciam na absorção. Após a absorção do fármaco, um fração deste geralmente se liga a proteínas 
plasmáticas (principalmente a albumina) ou proteínas de tecidos, formando um complexo reversível. A 
outra fração circula livremente pelo fluido biológico. É importante frisar que apenas a porção livre, 
dissolvida no plasma, é farmacologicamente ativa. O complexo proteína-fármaco atua como um 
reservatório do fármaco no sangue. Esta relação droga ligada/ droga livre é definida por um equilíbrio. A 
ligação proteica geralmente é inespecífica, variando de acordo com a afinidade do fármaco pela proteína. 
Desse fato é que se explica o deslocamento de um fármaco por outro de maior afinidade pela proteína. 
 
Biodisponibilidade - indica a quantidade de drogas que atinge seu local de ação ou um fluido biológico 
de onde tem acesso ao local de ação. É uma fração da droga que chega à circulação sistêmica. 
Bioequivalência - é a equivalência farmacêutica entre dois produtos, ou seja, dois produtos são 
bioequivalentes quando possuem os mesmos princípios ativos, dose e via de administração, e 
apresentam estatisticamente a mesma potência. 
 
Distribuição - é a passagem de um fármaco da corrente sanguínea para os tecidos. A distribuição é 
afetada por fatores fisiológicos e pelas propriedades físico-químicas da substância. Os fármacos pouco 
lipossolúveis, por exemplo, possuem baixa capacidade de permear membranas biológicas, sofrendo 
assim restrições em sua distribuição. Já as substâncias muito lipossolúveis podem se acumular em 
regiões de tecido adiposo, prolongando a permanência do fármaco no organismo. Além disso, a ligação 
às proteínas plasmáticas pode alterar a distribuição do fármaco, pois pode limitar o acesso a locais de 
ação intracelular. 
 
Biotransformação ou metabolismo - é a transformação do fármaco em outra(s) substância(s), por 
meio de alterações químicas, geralmente sob ação de enzimas inespecíficas. A biotransformação ocorre 
principalmente no fígado, nos rins, nos pulmões e no tecido nervoso. Entre os fatores que podem 
influenciar o metabolismo dos fármacos estão as características da espécie animal, a idade, a raça e 
fatores genéticos, além da indução e da inibição enzimáticas. 
 
Indução enzimática - é uma elevação dos níveis de enzimas (como o complexo Citocromo P450) ou 
da velocidade dos processos enzimáticos, resultantes em um metabolismo acelerado do fármaco. Alguns 
fármacos têm a capacidade de aumentar a produção de enzimas ou de aumentar a velocidade de reação 
das enzimas. Como exemplo, podemos citar o Fenobarbital, um potente indutor que acelera o 
metabolismo de outro fármacos quanto estes são administrados concomitantemente. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 5 
Inibição enzimática - caracteriza-se por uma queda na velocidade de biotransformação, resultando 
em efeitos farmacológicos prolongados e maior incidência de efeitos tóxicos do fármaco. Esta inibição em 
geral é competitiva. Pode ocorrer, por exemplo, entre duas ou mais drogas competindo pelo sítio ativo de 
uma mesma enzima. 
 
Metabólito - é o produto da reação de biotransformação de um fármaco. Os metabólitos possuem 
propriedades diferentes das drogas originais. Geralmente, apresentam atividade farmacológica reduzida 
e são compostos mais hidrofílicos, portanto, mais facilmente eliminados. Em alguns casos, podem 
apresentar alta atividade biológica ou propriedades tóxicas. 
 
Excreção ou eliminação - é a retirada do fármaco do organismo, seja na forma inalterada ou não de 
metabólitos ativos e/ou inativos. A eliminação ocorre por diferentes vias e varia conforme as 
características físico-químicas da substância a ser excretada. 
 
Meia-vida - a meia-vida (T1/2) é o tempo necessário para que a concentração plasmática de 
determinado fármaco seja reduzida pela metade. Supondo então que a concentração plasmática atingida 
por certo fármaco seja de 100 mcg/mL e que sejam necessários 45 minutos para que esta concentração 
chegue a 50 mcg/mL, a sua meia-vida é de 45 minutos. 
 
http://www.ebah.com.br 
Outros conceitos: 
Medicamentos Simples - Aqueles usados a partir de um único fármaco. Ex. Xarope de Vitamina C. 
Medicamento Composto - São aqueles preparados a partir de vários fármacos. Ex. Comprimido de 
Ácido Salicílico+ Cafeína. 
Medicamento de Uso Externo - São aqueles aplicáveis na superfície do corpo ou nas mucosas. Ex. 
Cremes, Xampus... 
Medicamentos de Uso Interno - São aqueles que se destinam à administração no interior do 
organismo por via bucal e pelas cavidades naturais (vagina, nariz, ânus, ouvidos, olhos etc.) 
Medicamentos Oficiais - São aqueles oficializados pela nas monografias. 
Medicamentos Oficinais ou de Manipulação - ­São aqueles preparados na própria farmácia, de 
acordo com normas e doses estabelecidas por farmacopeia ou formulários e com uma designação 
uniforme. 
Adição - Efeito combinado de dois fármacos. 
Efeito Adverso ou Indesejado- Ação diferente do efeito planejado. 
Potencialização - Efeito que ocorre quando um fármaco aumenta ou prolonga a ação de outro 
fármaco. 
Efeito Colateral - Efeitosabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; 
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; 
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; 
d) ato de pessoa privada do uso da razão; 
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior; 
III - a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade; 
IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: 
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; 
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar 
proveito; 
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus 
planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, 
inclusive veículo de propriedade do segurado; 
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio 
de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. 
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§ 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras 
necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício 
do trabalho. 
§ 2º Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, resultante de 
acidente de outra origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior. 
 
Princípios de ergonomia no trabalho. 
 
A palavra ergonomia é de origem grega, em que ERGO significa trabalho e NOMOS significa regras, 
normas, leis. Podemos entender que seriam as regras/normas/leis para a execução do trabalho. Se 
considerarmos como ciência, poderemos dizer que é a ciência aplicada em facilitar o trabalho executado 
pelo homem, sendo que aqui se interpreta a palavra “trabalho” como algo muito abrangente, em todos os 
ramos e áreas de atuação. 
Sendo, desta forma, uma ciência que pesquisa, estuda, desenvolve e aplica regras e normas a fim de 
organizar o trabalho, tornando este último compatível com as características físicas e psíquicas do ser 
humano. Alguns autores a consideram como ciência, outros como tecnologia. Segundo Montmollin, a 
ergonomia é uma ciência interdisciplinar que compreende a fisiologia e a psicologia do trabalho. 
Murrel a define como o estudo científico das relações entre o homem e o seu ambiente de trabalho. 
Self cita que ergonomia reúne os conhecimentos da fisiologia e psicologia e das ciências vizinhas 
aplicadas ao trabalho humano, na perspectiva de uma melhor adaptação ao homem dos métodos, meios 
e ambientes de trabalho. Wisner explica ergonomia como sendo o conjunto dos conhecimentos científicos 
relacionados ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que 
possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência. 
Na definição de Couto é um conjunto de ciências e tecnologias que procura a adaptação confortável e 
produtiva entre o ser humano e seu trabalho, basicamente buscando adaptar as condições de trabalho 
às características do ser humano. Já Leplat nos informa que ergonomia é uma tecnologia, e não uma 
ciência, cujo objetivo é a organização dos sistemas homem-máquina. 
 
Segundo a Ergonomics Research Society, “Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem 
e seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, 
fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento”. 
 
Segundo a International Ergonomics Association – IEA, a Ergonomia é a disciplina científica 
preocupada com o entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema 
e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e métodos para projetar, de modo a otimizar, o bem-
estar humano e a performance geral do sistema. 
 
Em 1960 a Organização Internacional do Trabalho − OIT define a ergonomia como sendo a: “Aplicação 
das ciências biológicas conjuntamente com as ciências da engenharia para lograr o ótimo ajustamento 
do homem ao seu trabalho, e assegurar, simultaneamente, eficiência e bem-estar” (MIRANDA, 1980). 
 
Algumas considerações sobre interações entre homem e seus ambientes de trabalho foram 
encontradas em alguns documentos da Grécia Antiga, em alguns outros artigos medievais com mais de 
cem anos na Alemanha. Falando em relação à história moderna da ergonomia, que surgiu no período 
entre 1939 a 1945 com a Segunda Grande Guerra, houve a necessidade de adaptação das armas 
utilizadas no combate ao homem, com o principal objetivo de obter vantagens sobre o adversário, além 
de preservar a própria sobrevivência. 
Para Abrahão e Pinho (2002), a importância da ergonomia nos anos 1940 se deu pela abordagem do 
trabalho humano e suas interações nos contextos social e tecnológico, buscando mostrar a complexidade 
dessas interações. A ergonomia trouxe a ideia de proteger o trabalhador dos riscos físicos, ambientais e 
psicológicos provocados, principalmente, pelo sistema capitalista, que visa sempre o lucro através do 
aumento da produção. Promovendo a intensificação da carga de trabalho e implementação do tempo de 
trabalho, sem se preocupar com o conforto do funcionário. Podemos exemplificar com o que aconteceu 
nos EUA, quando os norte-americanos construíram o projeto da cápsula espacial, em que o homem tentou 
adaptar qualquer tipo de máquina às características humanas. Mas o desconforto provocado aos 
astronautas no primeiro protótipo da cápsula espacial fez com que houvesse a necessidade de replanejar 
o tempo e os meios para a viagem ao espaço. 
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É importante citarmos que o conforto do trabalhador é necessário para que tenha uma boa relação 
com o trabalho. Dentro das atribuições da ergonomia temos alguns domínios de especialização com 
competências mais profundas. São elas: 
 
- Ergonomia Física – versa sobre as características humanas anatômicas, antropométricas, fisiológicas 
e biomecânicas que se relacionam com a atividade física. Os tópicos relativos incluem posturas de 
trabalho, manipulação de materiais, movimentos repetitivos, lesões musculoesqueléticas relacionadas 
com o trabalho, layout do posto de trabalho, segurança e saúde. 
 
- Ergonomia Cognitiva – relata sobre os processos mentais, como a percepção, memória, raciocínio, 
e resposta motora, que afetam as interações entre humanos e outros elementos de um sistema. Os 
tópicos relevantes incluem a carga de trabalho mental, tomada de decisão, desempenho especializado, 
interação homem-computador, fiabilidade humana, stress do trabalho e formação relacionadas com a 
concepção homem-sistema. 
 
- Ergonomia Organizacional – diz respeito à otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo as suas 
estruturas organizacionais, políticas e processos. Os tópicos relevantes incluem comunicação, gestão de 
recursos de equipes, concepção do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, 
concepção participativa, “community ergonomics”, trabalho cooperativo, novos paradigmas do trabalho, 
cultura organizacional, organizações virtuais, tele trabalho e gestão da qualidade. 
 
Segundo HENDRICK (1992), a ergonomia possui quatro componentes identificáveis: 
 
- Tecnologia de interface homem-máquina ou ergonomia de Hardware – é aplicada no projeto de 
controles, displays e arranjo das estações de trabalho para otimizar a performance do sistema e diminuir 
as probabilidades de erros humanos; 
- Tecnologia da interface homem-ambiente ou ergonomia ambiental – que consiste no estudo das 
capacidades e limitações humanas em relação às demandas impostas pelas variações do ambiente. É 
utilizada afim de minimizar o estresse ambiental para a performance humana e também para proporcionar 
maior conforto e segurança, além do aumento da produtividade; 
- Tecnologia de interface usuário-sistema ou ergonomia de software – estuda como as pessoas 
conceitualizam e processam as informações. É frequentemente chamada de ergonomia cognitiva. A maior 
aplicação desta tecnologia é no projeto ou modificação de sistemas para aumento da usabilidade; 
- Tecnologia da interface homem-organização-máquina ou macro ergonomia – o foco central das três 
tecnologias da ergonomia é o operador individual, no time de operadores ou em níveis de subsistemas. 
A macro ergonomia tem seu foco na estrutura do sistema de trabalho como um todo, ou seja, em suas 
interfaces com os avanços tecnológicos, com o sistema organizacional e com a interface homem-
máquina. 
 
Quando falamos em ergonomia temos que levar em consideração alguns pontos, como: 
- Produtividade da empresa; 
- Qualidade do produto; 
- Condições de trabalho; 
- Qualidade de vida dos trabalhadores. 
 
Alguns objetivos devem sempre ser levados em consideração, tais como: 
- Melhoria das condições ambientais; 
- Prevenção de acidentes de trabalho; 
- Prevenção de lesões por esforço repetitivo. 
 
Outra consideração que devemos ter, quando se trata de ergonomia, é a sua tríade básica de 
sustentação, composta por: 
- Eficiência 
- Segurança 
- Conforto 
 
Através desta tríade podemos observar que a eficiência de uma intervenção ergonômica é muito 
importante, tanto para justificar o trabalho do ergonomista como para melhoria das condições da empresa 
(financeira, econômica, social ou profissional). Além da própria melhoria da eficiência dos trabalhadores. 
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A segurança é de extrema importância, tanto para os trabalhadores como para os empregados. A 
diminuição dos riscos indica uma maior preocupação com os funcionários. O conforto nos mostra que o 
indivíduo, quando em situações satisfatórias, produz e trabalha mais e com melhor humor. 
 
Tipos Principais 
 
Ergonomia de Correção: atua de maneira restrita, modificando os elementos parciais do posto de 
trabalho, como: Dimensões, Iluminação, Ruído, Temperatura, etc. 
Ergonomia de Concepção: Interfere amplamente no projeto do posto de trabalho, do instrumento, da 
máquina ou do sistema de produção, organização do trabalho e formação de pessoal. 
Ergonomia de Conscientização: Ensina o trabalhador a usufruir os benefícios de seu posto de 
trabalho: 
- Boa postura, uso adequado de mobiliários e equipamentos. 
- Implantação de pausas, ginástica laboral (antes, durante e depois da atividade) 
- Como conscientizar as pessoas da limitação de seu corpo. 
- Como treinar as pessoas a serem mais eficientes com seu corpo. 
 
Ergonomia Participativa: Estimulada pela presença de um Comitê Interno de Ergonomia (CIE): CIE 
– comissão que engloba representantes da empresa e dos funcionários, utiliza as ferramentas da 
ergonomia de conscientização para que haja o pleno usufruto do projeto ergonômico, seja esse 
implementado pela ergonomia de concepção ou de correção. Um CIE só funciona quando é simples, de 
baixo custo. 
 
Princípios da Ergonomia 
 
Princípio 1: Posição vertical - O corpo humano deve trabalhar na vertical ou posição neutra onde 
encontra seu melhor ponto de equilíbrio, com baixo nível de tensão dos músculos em geral. Para que seja 
possível esta postura o posto de trabalho deve proporcionar: 
- Altura adequada das bancadas: trabalho pesado, moderado ou leve. 
- Para trabalhos de escrita a bancada ou mesa na altura da linha epigástrica (parte superior do 
estômago). 
- Quando o trabalho envolver mais de um tipo de tarefa, analisar a tarefa de maior tempo e assim 
utilizar a altura da bancada adequada. 
- Na medida do possível dotar o posto com regulagem de altura. 
 
Principio 2: Boa situação mesa – cadeira: 
- Manter o tronco apoiado ajuda a aliviar a tensão muscular. 
- Durante a escrita manter a inclinação anterior do assento permitindo assim que utilize corretamente 
o assento e não posicionar-se na extremidade do mesmo. 
- Utilizar cadeira com rodízios a fim de evitar torcer o corpo e sim girar a cadeira. 
- Quando possível inclinar a superfície de trabalho. 
 
Princípio 3: Auxílio mecânico. 
- Diminuição do peso dos objetos deve ser uma prioridade constante em qualquer trabalho de 
ergonomia. 
- Utilizar carrinhos com elevação manual lenta. 
 
Princípio 4: Eliminar esforço estático: 
- Eliminar tronco encurvado corrigindo com altura adequada de bancada. 
- Sustentação de cargas pesadas através principalmente de suportes e correntes. 
- Evitar apertar pedais estando de pé se a frequência deste esforço for maior que 3 vezes por minuto, 
colocar o trabalhador sentado ou colocar atarefa para ser feita através de botões manuais. 
- Evitar braços acima do nível dos ombros; 
- Eliminar o manuseio, movimentação e carregamento de cargas muito pesadas. 
- Instituir a flexibilidade postural, pois é através desta que se consegue um bom revezamento dos 
esforços, sem sobrecarga. 
 
Principio 5: Melhorar a alavanca do movimento: 
- Melhoria de projeto de ferramentas manuais; motosserras, cortadeiras, etc. 
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- Aumento do cabo de ferramentas, especialmente quando envolver esforço de distorcer uma porca. 
- Substituir o levantar por puxar; melhor ainda é empurrar. 
 
Princípio 6: Os instrumentos de controle devem estar dentro da área de alcance das mãos. Todos os 
objetos, ferramentas e controles a serem pegos/operados frequentemente devem estar dentro da área de 
alcance normal. Todos os objetos, ferramentas e controles a serem pegos/operados ocasionalmente 
devem estar dentro da área de alcance máximo. 
Alcance normal: entende-se por braços esticados na linha do ombro. 
Alcance Máximo: entende-se por braços esticados na linha do ombro e giro do tronco. 
 
Princípio 7: Evitar torcer e fletir o tronco ao mesmo tempo. Para evitar esforços deste tipo: 
- orientação ao trabalhador. 
- eliminar obstáculos das cargas que tenham que ser manuseadas. 
- reposicionar locais de armazenamento. 
- peças pesadas devem ser colocadas sobre caixas rasas, e estas sobre bancada. 
 
Princípio 8: Criar facilidades mecânicas no trabalho. Para evitar esforços desnecessários utilizar: 
- carrinhos; talhas com corrente; 
- gancho com corrente; 
- talhas mecânicas; 
- talhas com ventosas ou com prendedores laterais e dispositivos auxiliares para transportar tambores. 
 
Princípio 9: Utilizar o princípio PEPLOSP para manusear peças. PEPLOSP quer dizer: 
P- perto do corpo 
E- elevada na altura de 75 cm do piso 
P- pequena distância vertical entre a origem e o destino 
L- leve 
O- ocasionalmente 
S- simetricamente, sem ângulo de rotação do tronco 
P- pega adequada para as mãos 
 
Princípio 10: Usar análises biomecânicas para avaliar o risco das tarefas. Duas formas de análises 
são muito úteis: 
- Modelo biomecânico bidimensional da Universidade de Michigan. 
- Critério de NIOSH para avaliar o risco do levantamento manual de cargas. 
 
A aplicação destes princípios visa prevenir os riscos de lombalgias nas empresas em até 80%. A 
Ergonomia é a ciência do conforto, e é através dela que procuramos assegurar uma boa adaptabilidade 
entre o homem e seu trabalho, seus equipamentos, seu ambiente físico, suas ferramentas e muitos fatores 
que cercam seu sistema de trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Códigos e símbolos específicos de Saúde e Segurança no Trabalho. 
 
 
 
 
 
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Questões 
 
01. Assinale certo ou errado para a assertiva abaixo: 
Segurançado trabalho é o conjunto de medidas técnicas, médicas e educacionais, empregadas para 
prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente de trabalho quer instruindo ou 
convencionando pessoas na implantação de práticas preventivas. 
 
( ) certo ( ) errado 
 
02. Assinale certo ou errado para a assertiva abaixo: 
Acidente de trajeto é o que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão 
corporal ou perturbação funcional, que cause a morte, ou perda, ou redução permanente ou temporária, 
da capacidade para o trabalho. 
 
( ) certo ( ) errado 
 
03. Quantos tipos de CAT existem em nosso país? 
(A) 03 
(B) 02 
(C) 05 
(D) 04 
 
04. Quanto a ergonomia, qual das alternativas abaixo está correta: 
(A) Ergonomia Física – relata sobre os processos mentais, como a percepção, memória, raciocínio, e 
resposta motora, que afetam as interações entre humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos 
relevantes incluem a carga de trabalho mental, tomada de decisão, desempenho especializado, interação 
homem-computador, fiabilidade humana, stress do trabalho e formação relacionadas com a concepção 
homem-sistema. 
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(B) Ergonomia Cognitiva – versa sobre as características humanas anatômicas, antropométricas, 
fisiológicas e biomecânicas que se relacionam com a atividade física. Os tópicos relativos incluem 
posturas de trabalho, manipulação de materiais, movimentos repetitivos, lesões musculoesqueléticas 
relacionadas com o trabalho, layout do posto de trabalho, segurança e saúde. 
(C) Ergonomia Organizacional – diz respeito à otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo as suas 
estruturas organizacionais, políticas e processos. Os tópicos relevantes incluem comunicação, gestão de 
recursos de equipes, concepção do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, 
concepção participativa, “community ergonomics”, trabalho cooperativo, novos paradigmas do trabalho, 
cultura organizacional, organizações virtuais, teletrabalho e gestão da qualidade. 
 
Respostas 
 
01. Resposta: certo 
Segurança do trabalho é o conjunto de medidas técnicas, médicas e educacionais, empregadas para 
prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente de trabalho quer instruindo ou 
convencionando pessoas na implantação de práticas preventivas. 
 
02. Resposta: errado 
Acidente de Trajeto 
Fica caracterizado como acidente de trabalho também aquele que ocorra na ida ou na volta do trabalho, 
ou o ocorrido no mesmo trajeto quando o trabalhador efetua as refeições na sua residência. Deixa de 
caracterizar-se o acidente quando o trabalhador tenha por vontade própria, interrompido ou alterado o 
trajeto normal. 
 
03. Resposta: A 
-.CAT inicial - acidente do trabalho, típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho. 
-.CAT reabertura - reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do 
trabalho ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS. 
-.CAT comunicação de óbito - falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do 
trabalho, ocorrido após a emissão da CAT inicial. 
 
04. Resposta: C 
Ergonomia Organizacional – diz respeito à otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo as suas 
estruturas organizacionais, políticas e processos. Os tópicos relevantes incluem comunicação, gestão de 
recursos de equipes, concepção do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, 
concepção participativa, “community ergonomics”, trabalho cooperativo, novos paradigmas do trabalho, 
cultura organizacional, organizações virtuais, teletrabalho e gestão da qualidade. 
 
 
 
A segurança7 nas atividades laboratoriais, a preservação da saúde e a proteção do meio ambiente 
são essenciais na prática moderna do laboratório destinado às atividades farmacêuticas, sejam elas de 
pesquisa, ensino, produção ou controle de medicamentos e alimentos, diagnostico laboratorial, entre 
outras. A prevenção ou a redução do risco de desenvolver doença profissional por exposição a diversos 
agentes, presentes no ambiente de laboratório, podem ser alcançadas pelo uso de práticas seguras nas 
atividades laboratoriais e de outras medidas que visam a preservar a saúde e o meio ambiente. 
A organização das atividades no laboratório é um aspecto fundamental para a segurança do 
pesquisador ou analista e para a garantia de resultados precisos e de qualidade. A falta de organização 
no ambiente de trabalho pode gerar situações de risco para o analista e para outros indivíduos 
presentes no local, além de promover danos às instalações prediais. As situações de risco predispõem 
à ocorrência de acidentes que podem ser irreversíveis, levando ao afastamento temporário ou definitivo 
do analista ou pesquisador. Portanto, é fundamental que qualquer atividade laboratorial seja 
previamente planejada e executada em ambiente seguro. 
 
7 HIRATA, Mario Hiroyuki; HIRATA, Rosario Domingues Crespo; MANCINI FILHO, Jorge. Manual de Biossegurança. 2ª Ed. Manole. 
Noções de biossegurança e manejo de resíduos em farmácia hospitalar 
 
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No ambiente de laboratório, é preciso considerar as condições de trabalho e todos os fatores que 
oferecem risco ao analista, como as instalações, os locais de armazenamento, o manuseio de produtos 
químicos, as condições operacionais dos equipamentos, as bancadas, os equipamentos de proteção, 
entre outros. 
 
Práticas Seguras no Laboratório 
 
As práticas seguras no laboratório são um conjunto de procedimentos que visam reduzir a exposição 
dos analistas a riscos no ambiente de trabalho. Essas práticas compreendem a ordem e a limpeza dos 
materiais, a separação e a limpeza das áreas de trabalho, o manuseio adequado de equipamentos 
elétricos, substâncias químicas, materiais biológicos e radioativos, o uso adequado de equipamentos de 
proteção e segurança, entre outras. 
A limpeza das áreas do laboratório (bancadas, pisos, equipamentos, instrumentos e demais 
superfícies) deve ser realizada regular e imediatamente após o término de uma atividade. Essa tarefa é 
essencial para reduzir os riscos de contaminação acidental pelo analista ou por outro individuo presente 
no local. 
A desinfecção do ambiente é empregada antes e após a atividade laboratorial para prevenir 
contaminação com materiais ou produtos biológicos que ofereçam risco. Em algumas situações, é 
necessário o uso de radiação ultravioleta; portanto, cuidados devem ser tomados para evitar exposição 
a esse tipo de radiação. 
A descontaminação e a limpeza inicial de vidrarias, amostras biológicas ou equipamentos têm de ser 
realizadas regular e imediatamente após o derramamento de produtos químicos, radioativos ou 
biológicos. 
O manuseio e o transporte de vidrarias e de outros materiais devem ser realizados de forma segura. 
As vidrarias maiores têm de ser colocadas na parte posterior e à direita na bancada. Para o transporte 
das vidrarias, deve-se utilizar um suporte firme, evitando quedas e derramamentos. As vidrarias mal 
posicionadas ou transportadas podem causar acidentes e, se contiverem produtos tóxicos, os 
derramamentos podem gerar situações de emergência com consequências desastrosas. Outros 
materiais, como tubos de ensaio, estantes, placas, tubos de microcentrífuga e outros, precisam ser 
posicionados à frente da bancada, à esquerda do equipamento a ser utilizado, para oferecer mais 
conforto ao analista. Os fatores ergonômicos (posição do analista, dos instrumentos e dos materiais) 
devem ser considerados no planejamento e na execução das atividades laboratoriais. 
Os equipamentos têm de ser posicionados na parte direita anterior das bancadas, evitando-se que os 
cabos elétricos atravessem a área de trabalho. Os fios dos cabos elétricos devem estar bem protegidose identificados quanto à fonte (110V/220V) para evitar curtos ou outras situações de risco. Não devem 
ser utilizadas extensões elétricas para ligar equipamentos, pois elas podem afetar a estabilidade da 
energia ou gerar sobrecarga elétrica criando uma situação de emergência. Cabe ressaltar que cabos e 
fios soltos podem causar acidentes graves, principalmente no local de trânsito de pessoas. De acordo 
com a Norma Regulamentadora n°12 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que trata da 
segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, as áreas de circulação e os espaços em torno de 
equipamentos precisam ser dimensionados de modo que os analistas possam movimentar-se com 
segurança. 
 
Orientações para planejamento e organização das atividades laboratoriais 
Atividades Orientações 
Manuseio de equipamentos e instrumentos Verificar a disponibilidade e o funcionamento do 
equipamento; agendar a data e o horário de uso para 
os equipamentos de multiusuários; ter disponível o 
protocolo de uso e limpeza do equipamento; ter 
disponível o manual do equipamento e o nome do 
responsável para solucionar dúvidas de operação ou 
para as situações de emergência. 
Manuseio de vidraria e outros materiais Verificar o estado de limpeza, a presença de trincas e 
rachaduras, a resistência térmica, a resistência 
química e a compatibilidade com solventes e outros 
reagentes. Observar a necessidade de tratamento 
prévio (esterilização, descontaminação química ou 
biológica). 
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Preparo de reagentes e soluções Preparar antecipadamente as quantidades 
necessárias, observando as condições de 
armazenamento, a estabilidade e o prazo de 
validade. Observar se o reagente/solução deve ser 
preparado apenas no momento do uso. Seguir os 
procedimentos adequados de manuseio e 
armazenamento dos produtos químicos, observando 
a compatibilidade entre os mesmos 
Condições de segurança no laboratório Observar a necessidade do uso de equipamentos de 
proteção individual (EPI), tais como: óculos de 
segurança, máscaras, aventais, luvas e outros. 
Observar a necessidade do uso de equipamentos de 
proteção coletiva (EPC), como capela de segurança 
química para a manipulação de substâncias químicas 
tóxicas, cabine de segurança biológica para a 
manipulação de materiais biológicos, entre outros. 
Sinalização das áreas de trabalho Observar os sinais universais de indicação de risco 
químico, biológico, físico ou outro. As atividades de 
alto risco devem ser realizadas em área restrita e 
bem sinalizada. Os analistas e os visitantes 
autorizados devem ser informados sobre os riscos a 
que possam estar expostos. A sinalização dos 
materiais de combate a incêndio (extintores e 
hidrantes), das saídas de emergência e das rotas de 
fuga para situações de emergência também deve ser 
indicada nos ambientes laboratoriais e nos 
corredores de acesso. 
Tempo de execução da atividade É possível determinar o tempo necessário para a 
execução de uma atividade laboratorial, quando os 
materiais estão disponíveis e o procedimento é bem 
planejado. É importante ressaltar que as atividades 
realizadas por períodos muito longos e sem 
planejamento prévio predispõem a acidentes que 
podem causar danos irreparáveis à saúde do 
analista, principalmente pela falta de socorro imediato 
Procedimentos operacionais Elaborar e/ou ter disponíveis os procedimentos 
necessários para realizar as atividades laboratoriais. 
Os protocolos escritos auxiliam na otimização do 
trabalho, na redução do tempo gasto nas atividades 
laboratoriais e na redução dos riscos de acidentes. 
Práticas seguras As recomendações de práticas seguras de 
laboratório devem ser conhecidas e cumpridas, com 
a finalidade de reduzir a exposição dos analistas aos 
riscos ambientais. 
Registro das atividades Os reagentes, os materiais e os equipamentos 
utilizados, assim como os resultados e as análises de 
dados obtidos, devem ser registrados de modo a 
assegurar a rastreabilidade dos procedimentos 
experimentais realizados e dos dados obtidos. 
 
O manuseio e o armazenamento adequados de produtos químicos são necessários para evitar 
riscos, como queimaduras, explosões, incêndio e fumaça tóxica. Portanto, o conhecimento das 
propriedades das substâncias químicas em uso e os procedimentos de manuseio adequados reduzem 
significativamente as situações de risco ocupacional. 
Os frascos de produtos químicos têm de ser manipulados com cuidado e um carrinho deve ser usado 
para transportar um recipiente pesado ou vários recipientes de uma área para outra. Frascos de vidro 
com produtos químicos têm de ser transportados em recipientes de plástico ou borracha que os 
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protejam de vazamento e, quando quebrados, contenham o derramamento. Os materiais para 
contenção de derramamento de produtos químicos devem estar disponíveis em locais estratégicos. 
O manuseio de produtos químicos voláteis (solventes), metais, ácidos e bases fortes têm de ser 
realizado em capela de segurança química. As substâncias inflamáveis precisam ser manipuladas com 
extremo cuidado, evitando proximidade de equipamentos e fontes geradoras de calor. O uso de 
equipamento de proteção individual (EPI), como óculos de proteção, máscara facial, luvas, aventais e 
outros durante o manuseio de produtos químicos é obrigatório. Todos os produtos químicos e frascos 
com soluções e reagentes devem ser adequadamente identificados, com a indicação do produto, as 
condições de armazenamento, o prazo de validade e a toxicidade do produto. 
O laboratório deve ter disponível a Ficha de Informações sobre Segurança de Produtos Químicos 
(FISPQ), que contém informações sobre os riscos e os cuidados no manuseio do produto químico e 
também a conduta adequada em situações de emergência. As FISPQ devem ser acessíveis como parte 
de um manual de segurança ou operações. No laboratório, devem ser mantidas pequenas quantidades 
de produtos químicos, a fim de reduzir o risco de acidentes. Produtos químicos em grandes quantidades 
têm de ser armazenados em almoxarifados muito bem organizados, de acordo com a compatibilidade 
química, e administrados por pessoal qualificado. 
Os resíduos de produtos químicos devem ser acondicionados em recipientes adequados, em 
condições seguras, e encaminhados ao serviço de descarte de resíduos da instituição para o destino 
final. É preciso tomar cuidado no manuseio e no transporte de resíduos de produtos químicos de modo 
a preservar a saúde e o meio ambiente. Com a finalidade de reduzir a exposição do pessoal e o impacto 
ambiental, devem ser adotados procedimentos que visem a minimizar a geração de resíduos químicos e 
outros resíduos laboratoriais. 
Os materiais biológicos têm de ser manuseados de forma segura e em cabine de segurança 
biológica, de acordo com o nível do risco ambiental. Cuidados especiais precisam ser tomados para 
prevenir o risco de exposição acidental a culturas de microrganismos, sangue e outros líquidos 
corporais, provocados por acidentes ou instrumentos perfuro cortantes. Os materiais biológicos a serem 
transportados e descartados têm de ser adequadamente embalados para evitar derramamento 
acidental e identificados com o símbolo de resíduo infectante (Figura 2). Os resíduos de materiais 
biológicos devem ser descontaminados antes de serem descartados como resíduos da classe A. 
 
 
Procedimentos e precauções específicos devem ser seguidos no manuseio de materiais ou 
equipamentos que emitam radiação ionizante ou não ionizante. Os locais de armazenamento e as áreas 
de trabalho com materiais radioativos (radiação ionizante) precisam ser identificados com o símbolo 
específico, apresentado na Figura 3. O pessoal do laboratório deve estar capacitado a manipular os 
materiais que possuem radioisótopos, seguindo os procedimentos de aquisição, manuseio, 
descontaminação e descarte desses.Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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O uso de EPI e EPC é fundamental para a prática das atividades laboratoriais de forma a assegurar 
a saúde do pessoal e minimizar a possibilidade de acidentes. Tais equipamentos devem estar 
disponíveis no laboratório para executar procedimentos específicos que exijam seu uso. Para adquiri-
los, deve-se considerar a relação custo/benefício, pois o afastamento do laboratorista acidentado e o 
tratamento dispensado à sua recuperação podem representar gastos elevados para a instituição, muitas 
vezes, superior ao custo do investimento em equipamentos de proteção e treinamento do pessoal de 
laboratório. 
As atividades administrativas, assim como os cálculos e a análise de resultados, devem ser 
realizadas em local separado da área de trabalho, para evitar contaminação e derramamento sobre 
manuais e livros de anotações e também reduzir a exposição dos analistas e demais trabalhadores a 
riscos desnecessários. 
O pessoal de apoio, responsável pela limpeza geral e pela lavagem da vidraria do laboratório, tem de 
ser orientado quanto aos cuidados na execução de suas tarefas. É preciso informar sobre os riscos 
ambientais a que pode estar exposto. Devem ser dadas orientações sobre o descarte adequado de lixo 
comum, resíduos biológicos, vidros quebrados e outros resíduos do laboratório. O pessoal de apoio não 
deve manusear frascos vazios que contenham substâncias químicas, pois estes têm de sofrer um 
tratamento previ de limpeza e depositados em locais próprios e protegidos para que não sejam uti- 
lizados para outras finalidades. 
Os uniformes, aventais e outras vestimentas de trabalho precisam ser compatíveis com o tipo de 
atividade a ser executada. As atividades laboratoriais exigem o uso de calça comprida, calcado baixo, 
fechado e confortável, e avental de mangas compridas. O uso de lentes de contato, maquiagem e 
adornos deve ser evitado. 
A pipetarem com a boca é terminantemente proibida; portanto, devem ser utilizados sistemas 
automáticos de pipetarem. A ingestão de líquidos corrosivos e tóxicos leva a consequências extremas, 
podendo causar queimaduras graves e provocar a morte. 
A ingestão de alimentos e bebidas e o uso de cosméticos, cabelos soltos, adornos e barba devem 
ser proibidos para evitar sua contaminação com produtos manuseados no laboratório e risco de 
acidentes durante a operação de equipamentos. 
Os ouvidos têm de estar desobstruídos de qualquer tipo de equipamento sonoro, pois os analistas 
precisam estar atentos a qualquer ruído estranho à sua volta, principalmente os emitidos pelos 
equipamentos em operação. 
A higienização das mãos deve ser feita com frequência durante o dia de trabalho, antes e após o 
contato com produtos químicos, radioativos ou biológicos, após a retirada das luvas, e antes de comer 
ou beber. 
 
Medidas de Controle e Proteção 
 
Outro aspecto a ser considerado na segurança das atividades laboratoriais é o conjunto de medidas 
de controle e proteção contra os riscos ambientais, como de proteção coletiva e individual, de 
organização do trabalho e de higiene e conforto. 
As medidas de proteção coletiva são as mais importantes, porque com elas o pessoal de laboratório 
fica protegido. 
As medidas de proteção individual, pelo emprego de EPI, são controles possíveis da exposição a 
agentes ambientais que, se adequadamente utilizados, protegem a saúde e a integridade física do 
pessoal de laboratório. A Norma Regulamentadora n° 6 do MTE determina o cumprimento das 
exigências legais para uso de EPI. Cabe lembrar que o uso deste tipo de equipamento possibilita 
apenas reduzir a probabilidade de risco à saúde e ao meio ambiente, pois o agente perigoso continua 
presente. Portanto, as medidas de proteção individual devem ser indicadas para situações em que há́ 
manuseio direto de agentes químicos, biológicos ou de outra natureza, e em situações específicas. 
As medidas organizacionais, no laboratório, têm a finalidade de proporcionar ambientes mais 
cooperativos e motivadores, evitando sacrifícios desnecessários do pessoal de laboratório. 
As medidas organizacionais, no laboratório, têm a finalidade de proporcionar ambientes mais 
cooperativos e motivadores, evitando sacrifícios desnecessários do pessoal de laboratório. 
As medidas de higiene e conforto também são indispensáveis na execução de atividades 
laboratoriais, principalmente quando há́ manuseio de produtos perigosos à saúde. As condições 
sanitárias e de conforto nos locais de trabalho estão definidas na Norma Regulamentadora n° 24 do 
MTE. Essas medidas estabelecem a higiene pessoal, que previne doenças ocupacionais e evita a 
transmissão de doenças contagiosas, e a disponibilidade de banheiros, lavatórios, vestiários, armários, 
bebedouros, refeitório e áreas de lazer. 
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Caro leitor o assunto Definições, conceituação de medicamentos foi abordado no tópico Conceitos 
básicos em farmacologia: droga, fármaco, medicamento, especialidade farmacêutica. Vias de 
administração de medicamentos. 
 
Classificação Das Drogas 
 
As drogas são substâncias químicas de origem sintética, quando processadas industrialmente, ou 
natural, quando extraídas em altas concentrações a partir de órgãos vegetais (as folhas), ou de 
substâncias provenientes de secreção animal ou de estruturas fúngicas. 
O consumo contínuo, além de ocasionar a morte do indivíduo quando em altas quantidades (overdose), 
pode ocasionar sérias sequelas no sistema nervoso (lesões neuronais), no circulatório (tensões arteriais) 
e respiratório, bem como problemas de ordem social, envolvendo a marginalização de adolescentes 
atraídos pelo tráfico. 
As drogas podem ser classificadas de acordo com a ação: acentuada ou branda, sobre o sistema 
nervoso central: 
Perturbadoras – aquelas com efeito alucinógeno, acelerando o funcionamento do cérebro além do 
normal, causando perturbações na mente do usuário. Exemplo: LSD (sintetizadas a partir do ácido 
lisérgico), a maconha e o haxixe (produto e subproduto extraídos da planta Cannabis sativa), os solventes 
orgânicos (cola de sapateiro). 
Depressoras (as mais perigosas) – diminuem a atividade cerebral, deixando os estímulos nervosos 
mais lentos. Exemplo: tranquilizantes produzidos por indústrias farmacêuticas (antidepressivos, soníferos 
e ansiolíticos), o ópio, a morfina e a heroína (extraídos da planta Papoula somniferum). 
Estimulantes – substâncias que aumentam a atividade cerebral. Estimulam em especial áreas 
sensoriais e motoras. Integra esse grupo a cocaína e seus derivados (o crack), extraídos da folha da 
planta da coca, Erytroxylum coca. 
Drogas mistas – combinações de dois ou mais efeitos. A mais comum e conhecida desse grupo é o 
Ecstasy. 
 
Portanto, independente de sua classificação ou da substância utilizada, gera dependência química e 
causa sérios danos ao organismo da pessoa viciada, acometendo de forma irreversível o sistema 
nervoso. 
 
Texto adaptado de FONSECA, K. 
 
DROGAS QUE ATUAM EM NÍVEL DE SISTEMA NERVOSO CENTRAL 
 
As drogas psicotrópicas agem no sistema nervoso central, produzindo alterações de comportamento, 
humor e cognição. De acordo com a ação destas no organismo do indivíduo, um pesquisador francês, 
denominado Chaloult, classificou as drogas em três grandes grupos: 
 
Drogas estimulantes do sistema nervoso central: 
Estas substâncias aumentam a atividade cerebral, uma vez que imitam ou cooperam com os 
neurotransmissores estimulantes do organismo do indivíduo, como a epinefrina e dopamina. Assim, dão 
sensação de alerta, disposição e resistência, mas que, ao fim de seus efeitos, conferem cansaço, 
indisposição e depressão, devido à sobrecarga que o organismo se expôs. 
 
Algumas delas são: 
- nicotina 
- cafeína 
- anfetamina 
- cocaína 
- crack 
- merla 
 
Definições, conceituação de medicamentos, classificação de Psicotrópicos,Entorpecentes, Imunossupressores 
 
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Drogas depressoras do sistema nervoso central: 
Tais drogas apresentam uma diminuição das atividades cerebrais de seu usuário, deixando-o mais 
devagar, desligado e alheio; menos sensível aos estímulos externos. 
 
Algumas delas são: 
- álcool 
- inalantes/solventes 
- soníferos 
- ansiolíticos 
- antidepressivos 
- morfina 
 
Drogas perturbadoras do sistema nervoso central: 
São aquelas drogas cujos efeitos são relativos à distorção das atividades cerebrais, podendo causar 
perturbações quanto ao espaço e tempo; distorções nos cinco sentidos e até mesmo alucinações. Grande 
parte destas substâncias é proveniente de plantas, cujos efeitos foram descobertos por culturas primitivas, 
associando as experiências vivenciadas a um contato com o divino. 
 
Algumas delas são: 
- maconha 
- haxixe 
- ecstasy 
- cogumelo 
- LSD 
- medicamentos anticolinérgicos. 
 
Texto adaptado de ARAGUAIA, M. 
 
HIPNÓTICOS E SEDATIVOS 
 
Os agentes sedativo-hipnóticos produzem sedação, sono, inconsciência, anestesia cirúrgica, coma e 
depressão respiratória e da função cardiovascular dependendo da dose. Um fármaco sedativo é definido 
como um agente capaz de reduzir a excitação e exercer efeito calmante, sem induzir ao sono, embora 
produza sonolência. 
A sedação está relacionada à diminuição da estimulação estando associada a alguma redução da 
atividade motora e do processo de pensamento. Um agente hipnótico induz ao e/ou mantém o sono, 
semelhante ao estado de sono natural. 
Em altas doses, os hipnóticos podem levar à anestesia geral. Ambos os fármacos deprimem o SNC 
com leves diferenças nas relações de tempo e ação, assim como dose e ação. 
 
Esses agentes são classificados como: 
- Barbitúricos; 
- Benzodiazepínicos; 
- Hipnóticos não benzodiazepínicos. 
 
Barbitúricos 
 
Os barbitúricos (ou derivados do ácido barbitúrico) foram por muito tempo, a droga de escolha para o 
tratamento da insônia. O declínio de seu uso deu-se por vários motivos como: mortes por ingestão 
acidental, o uso em homicídios e suicídios, e principalmente pelo aparecimento de novas drogas como 
os benzodiazepínicos. Hoje em dia, os barbitúricos ainda são utilizados no tratamento de distúrbios 
convulsivos e na indução da anestesia geral. 
Os barbitúricos são produzidos através da condensação de derivados do ácido malônico e da ureia. 
Atualmente existem diversas barbitúricos disponíveis: 
 
 
 
 
 
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Nome Genérico Nome Comercial Duração da Ação 
Amobarbital Amytal Ação curta a intermediária 
Barbital Veronal Ação prolongada 
Butabarbital Butisol Ação curta a intermediária 
Fenobarbital Gardenal, Luminal Ação prolongada 
Hexobarbital Evipal Ação curta a intermediária 
Mefobarbital Mebaral Ação prolongada 
Pentobarbital Nembutal Ação curta a intermediária 
Secobarbital Seconal Ação curta a intermediária 
Tiamilal Surital Ação ultracurta 
Tiopental Delvinal Ação curta a intermediária 
 
Ação no organismo 
 
A principal ação do barbitúrico é sobre o Sistema Nervoso Central. Eles podem causar depressão 
profunda, mesmo em doses que não têm efeito sobre outros órgãos. A depressão pode variar sendo 
desde um efeito sedativo, anestésico cirúrgico, ou até a morte. Outro efeito dos barbitúricos é o de causar 
sono, podendo induzir apenas o relaxamento (efeito sedativo) ou o sono (efeito hipnótico), dependendo 
da dose utilizada. 
 
Absorção, Metabolismo e Excreção dos barbitúricos 
 
O uso de barbitúricos pode ser oral, intramuscular, endovenoso, ou retal. Independentemente da via 
de administração eles se distribuem uniformemente pelos tecidos. Após a absorção, eles se ligam a 
proteínas do sangue e vão agir principalmente no cérebro, devido ao seu alto fluxo sanguíneo. Os efeitos 
depressores aparecem entre 30 segundos e de 15 minutos, dependendo do tipo de barbitúrico utilizado. 
Os barbitúricos são metabolizados no fígado e excretados na urina 
 
Envenenamento Barbitúrico 
 
O envenenamento barbitúrico é um problema clínico significativo, podendo levar à morte em alguns 
casos. A dose letal do barbitúrico varia de acordo com muitos fatores, mas é provável que o 
envenenamento grave ocorra com a ingesta de uma só vez de doses dez vezes maiores que a dose 
hipnótica total. Se o álcool ou outros agentes depressores forem utilizados junto com o barbitúrico, as 
concentrações que causam morte são mais baixas. 
Em casos de envenenamento grave o paciente apresenta-se comatoso, com a respiração lenta ou 
rápida e curta, a pressão sanguínea baixa, pulso fraco e rápido, pupilas mióticas reativas à luz e volume 
urinário diminuído. As complicações que podem ocorrer são: insuficiência renal e complicações 
pulmonares (atelectasia, edema e broncopneumonia). 
O tratamento nestes casos é de suporte. 
 
Tolerância aos barbitúricos 
 
O uso crônico de barbitúricos pode levar ao desenvolvimento da tolerância. Isso ocorre tanto pelo 
aumento do metabolismo da droga, como pela adaptação do sistema nervoso central à droga. O grau de 
tolerância é limitado, já que há pouca ou nenhuma tolerância aos efeitos letais destes compostos. 
 
Benzodiazepínicos 
 
Os benzodiazepínicos produzem cinco efeitos principais no organismo: sedativos, hipnóticos, 
ansiolíticos, relaxantes musculares e anticonvulsivantes. Os efeitos descritos são diferentes conforme o 
benzodiazepínico, entretanto, as respostas citadas estão presentes em todos os eles. Por exemplo, o 
Midazolam (Dormonid), Flurazepam (Dalmadorm) e Flunitrazepam (Rohypnol) são benzodiazepínicos 
com propriedades eminentemente sedativo-hipnóticas; Eles são usados, também no preparo de 
pequenas cirurgias e exames laboratoriais. Por outro lado, o Alprazolam (Frontal) tem uma ação mais 
ansiolítica e menos sedativa. 
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As propriedades descritas acima tornam os benzodiazepínicos úteis no tratamento da ansiedade, 
insônia, agitação, apreensões, espasmos musculares, abstinência do álcool e como pré-medicação nos 
procedimentos médicos ou odontológicos. 
Alguns benzodiazepínicos (entre eles o Rivotril) são também usados nas crises mioclônicas 
(contrações musculares súbitas e involuntárias), ausências (perda transitória de consciência), crises 
convulsivas tônico-clônicas e ainda, no tratamento da Doença do Pânico. 
Na maioria das vezes o benzodiazepínico é administrado por via oral, no entanto, ele também pode 
ser dado por via intravenosa, intramuscular ou retal. Atenção: o pico do efeito (ponto máximo da 
concentração sanguínea) do é alcançada mais rapidamente quando a via de administração for oral e não 
intramuscular. Assim sendo, havendo necessidade de rapidez, a via oral ou endovenosa é preferível à 
intramuscular. 
 
Duração das ações dos Benzodiazepínicos 
 
Os diferentes benzodiazepínicos existentes, Clordiazepóxido (Librium, Psicossedin); Diazepan 
(Valium, etc.); Clonazepam (Rivotril, etc.); Bromazepam (Lexotam, etc.); Alprazolan (Frontal e etc.); 
Lorazepam (Lorax, etc.); Cloxazolan, (Olcadil) e outros, são classificados como sendo de curto, médio e 
longo prazo quanto ao tempo que permanecem fazendo efeito (agindo) no organismo. Apoiados na 
duração do tempo de ação, pode-se deduzir que os benzodiazepínicos de tempo médio são os mais 
indicados para tratar a insônia. Já os benzodiazepínicos de duração maior são recomendados para o 
tratamento da Ansiedade Generalizada. 
 
Efeitos colaterais 
 
O novo grupo de drogas, inicialmente recebida com otimismo pela profissão médica, aos poucos 
produziu preocupações, em particular, o risco de dependência que se tornou evidente na década de 1980. 
Embora os antidepressivos com propriedades ansiolíticas foram introduzidos, e existe uma crescente 
consciência dos efeitos adversos dos benzodiazepínicos, eles continuama ser usados de forma 
exagerada e trivial para aliviar qualquer ansiedade. 
Os efeitos colaterais mais comuns dos benzodiazepínicos estão relacionados à sua ação sedativa e 
relaxante muscular, variando de indivíduo para indivíduo. A sedação produz a depressão, sonolência, 
tonturas, diminuição da atenção e concentração. A falta de coordenação muscular pode resultar em 
quedas e lesões, especialmente entre os idosos, além da dificuldade para andar. A diminuição da libido 
e dificuldade em ter ereção é um efeito colateral comum. A desinibição pode surgir levando a pessoa a 
ter uma conduta social inconveniente. A hipotensão e a respiração reprimida podem ser encontrada após 
o uso intravenoso. Efeitos colaterais menos comuns incluem náuseas e alterações do apetite, visão 
borrada, confusão, euforia, despersonalização e pesadelos. Casos de toxicidade hepática têm sido 
descritos, mas são raros. 
 
Efeitos a longo prazo 
 
Efeitos adversos tardios produzidos pelos benzodiazepínicos incluem uma deterioração geral da saúde 
mental e física que tendem a aumentar com o tempo. Nem todos, porém, enfrentam problemas com o 
uso a longo prazo. Os efeitos adversos podem incluir também o comprometimento cognitivo, bem como 
os problemas afetivos e comportamentais: agitação, dificuldade em pensar de forma construtiva, perda 
do desejo sexual, agorafobia e fobia social, ansiedade, depressão maior, perda de interesse em 
atividades de lazer e incapacidade de sentir ou de expressar as emoções. Além disso, pode ocorrer uma 
percepção alterada de si, do ambiente e nas relações sociais. 
 
Uso e abuso dos benzodiazepínicos 
 
Os benzodiazepínicos são comumente utilizados abusivamente e tomado em combinação com outras 
drogas de abuso. Em geral, os benzodiazepínicos são seguros e eficazes durante poucos dias, apesar 
dos prejuízos cognitivos e comportamentais, tais como a agressão e desinibição que podem ocorrer 
ocasionalmente. 
Os benzodiazepínicos tomados em overdoses podem causar inconsciência perigosa e profunda. No 
entanto, eles são muito menos tóxicos que seus antecessores, os barbitúricos (Gardenal, etc.). A morte 
raramente resulta quando um benzodiazepínico é a única droga tomada. Ele, junto a outros depressores 
do sistema nervoso central (álcool e opiáceos), gera um aumento da toxicidade. 
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Os benzodiazepínicos provocaram uma história original. Eles foram os responsáveis pelo maior 
número de ações contra os fabricantes de medicamentos no Reino Unido, A disputa envolveu cerca de 
14.000 pacientes e 1.800 escritórios de advocacia. A alegação básica foi a de que os fabricantes sabiam 
do potencial de dependência, mas, intencionalmente, não forneceram essa informação aos médicos. 
Enquanto isto, 117 médicos de clínica geral e 50 autoridades de saúde foram processados pelos 
pacientes supostamente atingidos pelo efeito indesejado dos benzodiazepínicos, isto é, a dependência e 
a difícil retirada do ansiolítico. Alastrou-se o sistema: alguns médicos passaram a exigir um formulário de 
consentimento assinado pelos clientes. Além disso, os médicos decidiram, antes de iniciar o tratamento, 
advertir seus pacientes dos possíveis riscos de dependência e da complicada retirada. Entretanto o 
processo judicial contra os fabricantes do remédio deu em nada. 
 
Idosos e os benzodiazepínicos 
 
Os efeitos adversos dos benzodiazepínicos são aumentados e os benefícios são diminuídos nos 
idosos. Os efeitos indesejáveis sobre a cognição neles podem ser confundidos e tratados como resultante 
da velhice ou de demência (Alzheimer e outras). 
Assim, os benefícios dos benzodiazepínicos são menores, e os riscos, maiores nos idosos. Os idosos 
têm o risco de aumentar a dependência e ficarem mais sensíveis aos efeitos adversos, tais como 
problemas de memória, sedação diurna, dificuldade de coordenação motora e aumento do risco de 
acidentes automobilísticos e quedas. O efeito a longo prazo dos benzodiazepínicos e a dependência deles 
em idosos pode assemelhar-se à demência, depressão ou síndromes de ansiedade e, progressivamente 
piorar ao longo do tempo. 
Os benzodiazepínicos devem ser prescritos aos idosos com cuidado, em doses baixas e por um curto 
período de tempo. Os benzodiazepínicos de vida curta ou intermediaria são os preferíveis para os idosos, 
como Oxazepam e Temazepam. Os benzodiazepínicos de alta potência Alprazolam e Triazolam e os 
benzodiazepínicos de longa duração não são recomendados para os idosos devido ao aumento dos 
efeitos adversos. O uso a longo prazo dos benzodiazepínicos tem sido associado ao aumento do risco de 
comprometimento cognitivo. Mas sua relação com a demência permanece inconclusiva. Os 
benzodiazepínicos são prescritos, às vezes, para tratar os sintomas comportamentais das demências. No 
entanto, à semelhança dos antidepressivos, eles não só têm pouca eficácia, como também podem piorar 
a demência. 
 
Hipnóticos não benzodiazepínicos 
 
Zolpidem e zaleplon são agentes hipnóticos que atuam seletivamente no receptor de benzodiazepínico 
subtipo ômega-1 (BZ1), acredita-se que esta seletividade esteja associada a um risco menor de 
dependência em comparação com os benzodiazepínicos. A ação ansiolítica, anticonvulsivante e 
miorrelaxante são pouco significativas clinicamente. 
Esses agentes não formam metabólitos ativos, sendo considerados hipnóticos de curta duração. 
 
- Zolpidem (5-10 mg) - derivado do imidazopiridínico com ação hipnótica e ação curta; eficácia 
comprovada na indução e na manutenção do sono. Possui tempo de meia-vida curto e relatos de sedação 
diurna mínima; 
 
- Zaleplon (5-20 mg) – derivado do pirazolopirimidima de ação curta; administrado no meio da noite. 
Possui efeitos sedativos residuais mínimos após 4 horas da administração. Seu metabolismo é inibido 
por cimetidina. 
 
O tratamento de pacientes com disfunção hepática deve ser monitorado. Os efeitos adversos destes 
fármacos hipnóticos são semelhantes aos descritos com o tratamento com os benzodiazepínicos de ação 
curta; efeito amnésico e incoordenação motora. Menor incidência no desenvolvimento de tolerância e 
dependência. 
 
Efeitos Colaterais: 
- Diarreia. 
- Amnésia Anterógrada (dificuldade de se lembrar de fatos recentes - esquecendo-se de fatos 
acontecidos pós o trauma nos casos de quando esse sintoma é causado por um trauma e não por um 
fármaco). 
- Efeito ressaca: Alucinações, fadiga, prejuízo da coordenação motora 
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(Tendo dificuldade na fala, diminuição da força e comprometimento do equilíbrio, tendo nesse ponto 
os mesmos efeitos do etanol - molécula que também se liga ao GABAA - consequentemente os 
barbitúricos e os benzodiazepínicos podem em caso de intoxicação causar efeitos parecidos também). 
 
Dificilmente apresenta dependência e tolerância, portanto o risco de abstinência é menor. 
 
O zolpidem é comumente indicado ao tratamento de insônia pelo seu efeito alto como depressor do 
SNC, passando do efeito sedativo e causando diretamente efeito de sonolência, induzindo ao sono 
(hipnótico). 
 
* O receptor GABAA é um dos dois canais iônicos ativado por ligante, responsável por mediar os efeitos 
do ácido gama-aminobutírico, o principal neurotransmissor inibidor no cérebro. 
 
ÁLCOOIS ALIFÁTICOS 
 
O etanol é formado por moléculas pequenas que são rápida e facilmente absorvidas após a ingestão. 
Parte do álcool presente em uma bebida é absorvida pelas paredes do estômago. Se o estômago estiver 
cheio, a comida reduz o contato do álcool com suas paredes e a absorção pode chegar a ser até seis 
vezes mais lenta do que se o estômago estiver vazio. 
O álcool absorvido é metabolizado no fígado, onde é transformado em CO2 e H2O. Assim, é papel do 
fígado se livrar do álcool ingerido. No entanto, se a ingestão de álcool for mais rápida do que o fígado 
consegue metabolizá-lo, o teor de etanol no sangueirá subir. Sua atuação se dá principalmente no 
cérebro, onde, primeiramente, altera a razão. A seguir, a fala e a visão são afetadas. Se a ingestão 
continuar, o próximo efeito é o da perda de coordenação motora. Finalmente, o indivíduo pode perder a 
consciência. 
Se o consumo de bebida alcoólica for rápido e em grande quantidade, pode acontecer de o indivíduo 
estar com muito álcool no estômago quando perder a consciência. Mesmo inconsciente, o nível de etanol 
no sangue da pessoa continua a aumentar, podendo conduzir à morte. O álcool não metabolizado pelo 
fígado é eliminado na urina e pelo ar expirado. Nisso se baseia o batómetro, aparelho que mede o teor 
de álcool no ar expirado pela pessoa e, em função do resultado da medida, infere seu nível de 
embriaguez. 
Entre os muitos riscos do consumo de álcool está a alta chance de uma pessoa embriagada se 
envolver em acidentes de automóvel. Outro risco se relaciona ao fato de algumas pessoas terem 
propensão para se tornar alcoólicos (anteriormente denominadas alcoólatras), ou seja, dependentes de 
etanol. 
O uso do álcool por longos períodos provoca inúmeros problemas de saúde. O esquema abaixo mostra 
alguns deles, entre os quais merecem destaque os que envolvem o fígado. 
O primeiro consiste na produção e na deposição de gordura nesse órgão. A seguir, vem a hepatite 
alcoólica, que é uma inflamação do fígado. Ambos os problemas regridem se o consumo cessar e uma 
boa dieta alimentar for retomada. No entanto, se o consumo prosseguir, poder-se-á desenvolver ao longo 
do tempo uma cirrose hepática, que consiste num acúmulo de proteínas fibrosas no fígado e que 
interferem em seu funcionamento. Como se trata de um órgão responsável por muitas reações químicas 
fundamentais à sobrevivência, a cirrose hepática pode ser fatal. 
 
Consequências: 
 
- Cérebro: abuso prolongado de álcool pode acelerar a degeneração de células do cérebro e 
comprometer as funções nervosas e cerebrais. O cérebro frequentemente apresenta, nesses casos, 
estruturas anormais como, por exemplo, estrias largas e profundas. 
 
- Esôfago: câncer do esôfago é uma possível consequência do abuso prolongado de álcool. O etanol 
é tóxico para as células da parede esofágica, aumentando a probabilidade de tumores. 
 
- Coração: altas doses de bebidas alcoólicas produzem aumento de pressão sanguínea, o que 
acarreta deposição de gordura e aumento de tamanho dos órgãos. Ataques cardíacos e morte podem 
ocorrer. 
 
- Fígado: o fígado é o principal órgão responsável pela metabolização do álcool. A ingestão prolongada 
de álcool pode conduzir à cirrose hepática, que leva à falha no funcionamento do fígado e à morte. 
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- Ascite: o fluido produzido pelo fígado lesado preenche o abdome. 
 
- Estômago e Pâncreas: o etanol é tóxico para as células do estômago e pode conduzir à inflamação 
desse órgão (gastrite), com dor e hemorragia. Abuso de álcool também conduz à inflamação do pâncreas, 
que pode evoluir para falha pancreática e até morte. 
 
ANESTÉSICOS GERAIS 
 
São depressores do sistema nervoso central que produzem anestesia geral. Esta corresponde à 
abolição, de forma previsível e reversível, de percepção de sensações e de estado de consciência. A 
anestesia geral envolve a combinação dos seguintes elementos: inconsciência, amnésia, analgesia, 
relaxamento muscular e bloqueio de respostas neuro-humorais ao estresse anestésico-cirúrgico. Porém, 
nem sempre a presença de todos é necessária, nem com a mesma intensidade. Os anestésicos gerais 
classificam-se em agentes de inalação e intravenosos, usados em indução (estabelecimento do estado 
de inconsciência) e manutenção (preservação da perda de consciência e de adequados níveis de 
analgesia, relaxamento muscular e bloqueio de reflexos neurovegetativos) anestésicas. As necessidades 
decorrentes de cada procedimento anestésico-cirúrgico habitualmente levam à administração 
concomitante de anestésicos de inalação e intravenosos em indução e manutenção da anestesia, 
permitindo manuseio mais preciso e seguro das condições do paciente e favorecendo uso de menores 
doses, com redução de toxicidade. 
 
Efeitos da anestesia geral 
 
Em baixas doses: amnésia, euforia, analgesia, hipnose, excitação, hiperreflexia. 
 
Em altas doses: sedação profunda, relaxamento muscular, resposta motora diminuída, diminuição 
das respostas autônomas, proteção miocárdica contra isquemia, depressão cardiovascular/respiratória, 
hipotermia, náuseas, êmese e até mesmo ocasionando a morte na proporção de 1 : 250.000. 
 
ESTIMULANTES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 
 
Os medicamentos estimulantes centrais podem atuar em diferentes regiões do sistema nervoso central 
(SNC), sendo classificados de acordo com o local em que atuam de maneira predominante e, muitas 
vezes, até mesmo específica, em três grandes grupos: 
• Estimulantes corticais; 
• Estimulantes bulbares; 
• Estimulantes medulares. 
• Estimulantes Corticais 
 
Os fármacos deste grupo atuam de forma preponderante sobre os centros superiores. Nesta categoria 
encontramos a anfetamina e seus respectivos derivados e as metilxantinas (cafeína, teofilina, teobromina) 
e seus derivados. 
Causam, em graus distintos, alterações comportamentais; podem levar a excitação e euforia, reduzir 
a sensação de fadiga e aumentar a atividade motora. 
 
Anfetamina e derivados 
 
Este grupo de fármacos, na medicina humana, é utilizado no tratamento da obesidade, pois é inibidora 
do apetite. 
Além de inibir o apetite, as anfetaminas também podem, em certa dosagem, provocar um estado de 
excitação e sensação de poder. Seu uso foi popularizado durante a Segunda Guerra Mundial, na década 
de 50, para combater a fadiga causada pelo combate. 
O uso deste fármaco passou a ser comum entre os jovens. Conhecida entre eles como “bolinha” ou 
“rebite”, deixam o indivíduo “ligado”. A partir da década de 1970, iniciou-se o controle da comercialização, 
pois as anfetaminas passaram e ser consideradas drogas psicotrópicas, sendo, deste modo, ilegal seu 
uso sem acompanhamento médico adequado. 
As anfetaminas e seus derivados são simpatomiméticos de ação indireta. Inicialmente, produzem seus 
efeitos por liberar catecolaminas da terminação nervosa pré-sináptica, dentre outros mecanismos 
adicionais. Além disso, interagem com receptores de catecolaminas e têm uma pequena ação inibitória 
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da monoamina oxidase (MAO), especialmente a MAO-A, caracterizada por apresentar preferência pela 
serotonina. 
Por serem poderosos estimulantes do SNC, quando utilizados como droga de abuso, causam 
dependência física e psíquica. A remoção abrupta de tratamento prolongado resulta em depressão e, o 
uso continuado, psicose anfetamínica. 
Os mecanismos tóxicos destas substâncias envolvem a produção de radicais livres, os quais lesionam 
os neurônios do sistema nervoso central. Neste aspecto, a anfetamina e seus derivados exercem efeitos 
importantes sobre a função mental e o comportamento, e podem até produzir neurodegeneração. 
 
Metilxantinas e derivados 
 
As substâncias derivadas das xantinas são: cafeína, teofilina e teobromina, encontradas naturalmente 
em alimentos ou bebidas como o café, o chá, o chocolate e certos tipos de refrigerantes de sabor cola. 
São rapidamente absorvidas pelo organismo, após administração oral, parenteral e retal. 
Existem evidências de que este grupo de fármacos são antagonistas competitivos de receptores da 
adenosina, em contraposição a outras possíveis ações observadas com doses mais altas, como a 
translocação do cálcio, a inibição da fosfodiesterase ou a liberação de neurotransmissores, especialmente 
a noradrenalina. 
A teofilina apresenta grande importância no tratamento da asma, na doença pulmonar obstrutiva 
crônica, além de funcionar como estimulante do SNC. 
A cafeína é encontrada em certas plantas e utilizadapara o consumo em bebidas, na forma de infusão, 
como estimulantes. Dentre as três substâncias do grupo das xantinas, esta é a que mais atua sobre o 
SNC. Atua ainda sobre o metabolismo basal e eleva a síntese de suco gástrico. Doses terapêuticas dessa 
substância aumentam a capacidade de trabalho do músculo cardíaco, além de causar vasodilatação 
periférica. 
A teobromina, substância normalmente encontrada no fruto do Theobroma cacao, estando, portanto, 
normalmente presente no chocolate. Este é indicada para o tratamento de edema, ataques de angina 
sifilítica e angina degenerativa. Atualmente, esta substância é utilizada como vasodilatador, que auxilia 
na liberação da urina e estimulação do coração. Esta causa menor impacto no SNC. Mesmo que a 
teobromina não seja uma substância que leve ao vício, foi incriminada como causadora do vício em 
chocolate, pois este alimento afeta os níveis de serotonina. 
A teobromina pode causar efeitos colaterais como: insônia, tremores, inquietude, ansiedade, elevar a 
excreção de urina. Também pode causar perda de apetite, náuseas e vômitos. 
 
Estimulantes Bulbares 
 
São medicamentos que apresentam ações estimulantes nos centros bulbares, especialmente no 
centro respiratório e, em num segundo momento, no centro vasomotor, levando à exacerbada 
excitabilidade reflexa e, em doses maiores, convulsões. Também são chamados de analépticos. 
Atuam sobre o centro respiratório, elevando a ventilação pulmonar, efeito mais potente quando ocorre 
depressão deste centro pelo uso de barbitúricos, hidrato de cloral, entre outros. Nesta categoria estão 
englobados o doxapram, a niquetamida, o amifenazol, o etamivam, a picrotoxina e o pentilenotetrazol. 
 
Estimulantes medulares 
 
São fármacos que estimulam de preponderante a medula espinhal. O principal representante desta 
categoria é a estricnina, um alcalóide oriundo da planta Strychnus nux vomica. 
A estricnina age de forma indireta, inibindo seletivamente a neurotransmissão inibitória, o que leva ao 
aumento da atividade neuronal e aumento exagerado da atividade sensorial de todo o SNC. É um 
bloqueador de receptores da glicina, mediador dos neurônios medulares, causando hiperpolarização dos 
motoneurônios e inibindo as células de Renshaw, responsáveis pela condução seletiva de impulsos 
excitatórios alternados para músculos antagônicos. Além disso, em doses elevadas, a estricnina é 
também um inibidor da liberação do GABA, que é um dos principais neurotransmissores inibitórios do 
SNC. 
Este é um dos estimulantes centrais mais poderosos. Causa convulsões tônicas e simétricas em toda 
a musculatura esquelética, sendo estes efeitos desencadeados por estímulos ambientais. 
 
Texto adaptado de MELDAU, D. C. 
 
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NEUROLÉPTICOS 
 
Os antipsicóticos ou neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, a qual 
pode encontrar-se aumentada em estados, por exemplo, de excitação e de agitação. Paralelamente eles 
atenuam também os sintomas neuropsíquicos considerados psicóticos, tais como os delírios e as 
alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente nas células nervosas 
que regulam os processos psíquicos no ser humano e a conduta em animais. 
Os neurolépticos são drogas lipossolúveis e, com isso, têm facilitada sua absorção e penetração no 
Sistema Nervoso Central. Os antipsicóticos têm sua primeira passagem pelo fígado, portanto, sofrem 
metabolização hepática. A grande maioria dos neurolépticos possui meia vida longa, entre 20 e 40 horas, 
e esse conhecimento é importante na medida em que permite prescrição em uma única tomada diária. 
Outra consequência desta meia vida longa é o fato de demorar aproximadamente cinco dias para se 
instalar estado estável da droga no organismo. 
Por causa disso, o uso contínuo dos antipsicóticos resulta num acúmulo progressivo no organismo, 
até que o nível se estabilize depois de alguns dias. O equilíbrio ideal seria atingir uma situação onde a 
quantidade absorvida seja igual à excretada. Neste momento ocorre chamado de Equilíbrio Plasmático. 
 
Mecanismo de Ação 
 
Apesar dos neurolépticos tradicionais bloquearem ora os receptores adrenérgicos, serotoninérgicos, 
ora os receptores colinérgicos e histaminérgicos, todos eles têm em comum a ação farmacológica de 
bloquear os receptores dopaminérgicos. É em relação a estes últimos que os estudos têm demonstrado 
os efeitos clínicos dos neurolépticos. O bloqueio dos outros receptores, além dos dopaminérgicos, estaria 
relacionado mais aos efeitos colaterais da droga do que aos terapêuticos. 
Atualmente, uma das hipóteses mais aceitas como sendo relacionadas na patogenia da esquizofrenia 
fala de uma combinação de hiperfunção da dopamina e hipofunção dos glutamatos no sistema neuronal, 
juntamente com um envolvimento pouco esclarecido dos receptores da serotonina (5HT2) e um balanço 
entre esses receptores com os receptores dopamínicos (D2). 
Os receptores da dopamina mais conhecidos são o D1 e o D2 (ambos pós-sinápticos), além dos 
receptores localizados no corpo do neurônio dopamínico e no terminal pré-sináptico. A atividade 
terapêutica dos antipsicóticos parece estar relacionada, principalmente, com o bloqueio da dopamina nos 
receptores pós-sinápticos do tipo D2. 
Os antipsicóticos tradicionais, tais como a Clorpromazina e o Haloperidol, são eficazes em mais de 
80% dos pacientes com esquizofrenia, atuando predominantemente nos sintomas chamados produtivos 
ou positivos (alucinações e delírios) e, em grau muito menor, nos chamados sintomas negativos (apatia, 
embotamento e desinteresse). 
Duas vias, mesolímbicas e mesocorticais, são as envolvidas nos efeitos terapêuticos dos 
antipsicóticos. As vias mesolímbicas e mesocorticais confundem-se anatomicamente e ambas se 
originam no segmento ventral do mesencéfalo. A via mesolímbica inerva diversos núcleos subcorticais do 
Sistema Límbico: amígdala, núcleo acumbens, tubérculo olfatório e o septo lateral. A via mesocortical tem 
suas terminações sinápticas localizadas no córtex frontal, na parte anterior do giro do cíngulo e no córtex 
temporal medial. 
As primeiras suspeitas de que este era o sítio da atuação terapêutica surgiram pela observação da 
semelhança sintomatológica entre determinadas patologias dos lobos frontais e temporais com a 
esquizofrenia, além da notável importância do sistema límbico nas emoções e na memória. 
A dopamina liberada próxima aos capilares da circulação porto-hipofisária chega à hipófise anterior e 
acaba, dentre outros efeitos, por aumentar a liberação secundária de prolactina. Mais um efeito colateral 
indesejável. 
A hipotensão, sedação e tontura, efeitos colaterais comuns aos neurolépticos tradicionais, 
normalmente acontecem devido à capacidade desses medicamentos bloquearem também os receptores 
alfa-adrenérgicos. 
 
Efeitos Colaterais 
 
Entre os efeitos colaterais provocados pelos neurolépticos, o mais estudado é o chamado Impregnação 
Neuroléptica ou Síndrome Extrapiramidal. Essa situação é o resultado da ação do medicamento na via 
nigro-estriatal, onde parece haver um balanço entre as atividades dopaminérgicas e colinérgicas. Desta 
forma, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos provocará uma supremacia da atividade colinérgica e, 
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consequentemente, uma liberação dos sintomas ditos extrapiramidais. Estes efeitos colaterais, com 
origem no Sistema Nervoso Central, podem ser divididos em cinco tipos: 
 
1 - Reação Distônica Aguda 
Este sintoma extrapiramidal ocorre com frequência nas primeiras 48 horas de uso de antipsicóticos, 
portanto, é uma das primeiras manifestações de impregnação pelo neuroléptico. 
Clinicamente se observam movimentos espasmódicos da musculatura do pescoço, boca, língua e às 
vezes um tipo crise oculógira, quando os olhos são forçadamente desviados para cima. A possibilidadedessa Reação Distônica deve estar sempre presente nas hipóteses de diagnóstico em prontos-socorros, 
para diferenciá-la dos problemas neurológicos circulatórios. 
O tratamento desse efeito colateral é feito à base de anticolinérgicos injetáveis intramusculares 
(Biperideno - Akineton®, por exemplo), e são sempre eficazes em poucos minutos. 
 
2 - Parkinsonismo Medicamentoso 
Esse tipo de impregnação geralmente acontece após a primeira semana de uso dos antipsicóticos. 
Clinicamente há tremor de extremidades, hipertonia e rigidez muscular, hipercinesia e fácies inexpressiva. 
O tratamento com anticolinérgicos ou antiparkinsonianos é igualmente eficaz. 
Para prevenir o aparecimento desses desagradáveis efeitos colaterais muitos autores preconizam o 
uso concomitante ao antipsicótico de antiparkinsonianos (Biperideno - Akineton®) por via oral. 
Muitas vezes, pode haver desaparecimento de tais problemas após 3 meses de utilização dos 
neurolépticos, como se houvesse uma espécie de tolerância ou adaptação ao seu uso. Esse fato favorece 
uma possível redução progressiva na dose do antiparkinsoniano que comumente associamos ao 
antipsicótico no início do tratamento. 
Alguns autores preferem utilizar os antiparkinsonianos apenas depois de constatada a existência de 
efeitos extrapiramidais, entretanto, em nossa opinião essa não é a melhor prática. Sabendo 
antecipadamente da cronicidade do tratamento com neurolépticos e, principalmente, sendo as doses 
empregadas um pouco mais incisivas, será quase certa a ocorrência desses efeitos colaterais. Já que o 
paciente deverá utilizar esses neurolépticos por muito tempo, é desejável que tenham um bom 
relacionamento com eles. Ora, nenhum paciente aceitará de bom grado um medicamento capaz de fazê-
lo sentir-se mal, como é o caso dos efeitos extrapiramidais. 
 
3 - Acatisia 
A Acatisia ocorre, geralmente, após o terceiro dia de medicação. Clinicamente é caracterizado por 
inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O 
paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, 
quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. 
A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos como a Ração Distônica Aguda e o Parkinsonismo 
Medicamentoso, e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento antipsicótico com 
aquele medicamento e com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. 
Com frequência é necessária a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. 
Quando isso acontece, normalmente deve-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos ou de última geração. 
 
4 - Discinesia Tardia 
Como o próprio nome diz, a Discinesia Tardia aparece após o uso crônico de antipsicóticos 
(geralmente após 2 anos). Clinicamente é caracterizada por movimentos involuntários, principalmente da 
musculatura oro-língua-facial, ocorrendo protusão da língua com movimentos de varredura latero-lateral, 
acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também 
podem apresentar movimentos discinéticos. 
A Discinesia Tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora em alguns casos possa 
ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou, paradoxalmente, aumentando-se a dose 
anteriormente utilizada. Procedimento questionável do ponto de vista médico. 
É importante sublinhar que, embora alguns estudos mostrem uma correlação entre o uso de 
antipsicóticos e esta síndrome, ainda não existem provas conclusivas da participação direta destes 
medicamentos na etiologia do quadro discinético. Alguns autores afirmam que a Discinesia Tardia é 
própria de alguns tipos de esquizofrenia mais deteriorantes. 
Tem sido menos frequente a Discinesia Tardia depois do advento dos Antipsicóticos Atípicos ou de 
última geração. 
 
5 - Síndrome Neuroléptica Maligna 
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Trata-se de uma forma raríssima de toxicidade provocada pelo neurolépticos. É uma reação adversa 
dependente mais do agente agredido que do agente agressor, tal como uma espécie de 
hipersensibilidade à droga. Clinicamente se observa um grave distúrbio extrapiramidal acompanhado por 
intensa hipertermia (de origem central) e distúrbios autonômicos. A Síndrome Neuroléptica Malígna leva 
a óbito numa proporção de 20 a 30% dos casos. Os elementos fisiopatológicos desta síndrome são objeto 
de preocupação de pesquisadores e não há, até o momento, nenhuma conclusão sobre o assunto, nem 
se pode garantir, com certeza, ser realmente uma consequência dos neurolépticos. 
Além dos efeitos adversos dos neurolépticos tradicionais sobre o Sistema Nervoso Central, são 
observados reflexos de sua utilização em nível sistêmico. São seis as principais ocorrências colaterais: 
 
1 - Efeitos Autonômicos 
Por serem, os antipsicóticos, drogas que desequilibram o sistema dopamina-acetilcolina, em algumas 
situações podemos encontrar efeitos colinérgicos, em outros efeitos anticolinérgicos. É o caso da secura 
da boca e da pele, constipação intestinal, dificuldade de acomodação visual e, mais raramente, retenção 
urinária. 
 
2 - Cardiovasculares 
Alguns neurolépticos podem produzir alterações eletrocardiográficas, como por exemplo, um aumento 
do intervalo PR, diminuição do segmento ST e achatamento de onda T. Estas alterações são benignas e 
não costumam ter significado clínico. Das alterações cardiovasculares a mais comum é a hipotensão 
(postural ou não) a qual, como dissemos, decorre do bloqueio alfa-adrenérgico proporcionado por essas 
drogas. 
Na maioria das vezes a hipotensão desencadeada pela utilização de neurolépticos tradicionais 
proporciona apenas um certo incômodo ao paciente, entretanto, nos casos com comprometimento 
vascular prévio, como nas arterioscleroses, poderá precipitar um acidente vascular cerebral isquêmico, 
isquemia miocárdica aguda ou traumatismos por quedas. 
 
3 - Endocrinológicos 
A ação dos neurolépticos no sistema túbero-infundibular repercute na hipófise anterior produzindo 
distúrbios hormonais. Embora incomum, esses antipsicóticos tradicionais podem produzir amenorréia 
(parada das menstruações) e, menos frequente, galactorréia (secreção de leite) e ginecomastia (aumento 
da mama). 
Todos esses efeitos são decorrentes das alterações na síntese de prolactina, ou seja, da 
hiperprolactinemia. Há também referências de alterações nos hormônios gonadotróficos e do 
crescimento, porém, ainda não há consenso conclusivo sobre isso. 
 
4 - Gastrintestinais 
Tendo em vista a ação nos mecanismos da acetilcolina, os neurolépticos tradicionais podem ter boa 
ação antiemética. A constipação intestinal e boca seca também podem ser observadas durante o 
tratamento, como consequência dos efeitos anticolinérgicos. 
 
5 - Oftalmológicos 
Embora raras, duas síndromes oftálmicas podem ser descritas com a utilização dos antipsicóticos 
tradicionais. A primeira pode ocorrer com uso da Clorpromazina em altas doses, e é consequência do 
depósito de pigmentos no cristalino. A segunda, com o uso de altas doses de Tioridazina, causando uma 
retinopatia pigmentosa. 
 
6 - Dermatológicos 
Com uma incidência de 5 a 10% podemos encontrar o aparecimento de um rash cutâneo, foto-
sensibilização e aumento da pigmentação nos pacientes em uso de Clorpromazina. 
 
Tipos de Antipsicóticos 
Os antipsicóticos podem ser divididos em três grupos: 
1. Antipsicóticos Sedativos 
2. Antipsicóticos Incisivos 
3. Antipsicóticos Atípicos e de última geração 
 
ANSIOLÍTICOS. 
 
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Existem medicamentos capazes de atuar sobre a ansiedade e tensão. Estas drogas foram chamadas 
de tranquilizantes, por tranquilizar a pessoa estressada, tensa e ansiosa. Atualmente, estes tipos de 
medicamentos são denominados de ansiolíticos, ou seja, que "destroem" (lise) a ansiedade. 
Quando falamos deimprevisível que não está relacionado à principal ação do fármaco. 
Medicamentos Placebos - São substâncias ou preparações inativas, administradas para satisfazer a 
necessidade psicológica do paciente de tomar drogas. 
Medicamentos Homeopáticos: são preparados a partir de substâncias naturais provenientes dos 
reinos animal, vegetal e mineral, e não apenas plantas como muitos acreditam. 
 
Origem dos medicamentos: 
Segundo a sua origem os medicamentos podem ser: 
Naturais: extraídos de órgãos, glândulas, plantas ou peçonhas de animais. Ex: Insulinas 
Sintéticos: preparados com o auxílio de matéria-prima natural, são resultados exclusivamente do 
trabalho de laboratórios. Ex: alguns antibióticos. 
Semissintético: resultam de alterações produzidas em substâncias naturais, com a finalidade de 
modificarem as características das ações por elas exercidas. 
 
Ação dos medicamentos: 
Os medicamentos agem no organismo vivo sob várias maneiras, produzindo efeito ou ação. 
Ação Local: Aquele que exerce seu efeito no local da aplicação. 
Pele: Através da aplicação direta. (aplicação de pomada em uma ferida). 
Corrente Sanguínea: contaste radiológico. 
Mucosa: Supositório retal, aplicação vaginal ou instilação na conjuntiva. 
 
Tipos de ação local. 
a) Antisséptico: Impede o desenvolvimento de microrganismos. Ex: álcool iodado, clorexidina. 
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b) Adstringente: Medicamento que contrai o tecido. Ex: loção para fechar os poros. 
c) Irritante: Medicamentos que irritam os tecidos. 
d) Paliativo: Aplicado no local para alívio da dor. 
e) Emoliente: Lubrifica e amolece o tecido. 
f) Anestésico: Paralisa as terminações nervosas sensoriais. 
 
Ação Geral ou Sistêmica: para produzir um efeito geral, é necessário que o remédio caia na corrente 
sanguínea, pois através dela o medicamento atinge o órgão ou tecido sobre o qual tem ação específica. 
 
Tipos de ação geral ou sistêmica 
a) Estimulante: aumentam a atividade de um órgão ou tecido. EX: Cafeína estimula o SNC. 
b) Depressor: diminuem as funções de um tecido ou órgão Ex.: Morfina deprime o SNC. 
c) Cumulativo: medicamento cuja a eliminação é mais lenta do que sua absorção, e a concentração 
do mesmo vai aumentando no organismo. Ex.. Digitalina 
d) Anti-infecioso: Capaz de destruir os microrganismos responsáveis por uma infecção. 
e) Antagônicos: Quando as duas ou mais substâncias administradas têm efeito contrário. 
 
Ação Remota: Ocorre em partes distantes do organismo. Uma droga pode estimular um órgão que 
por sua vez estimula outro (digitalina = coração – aumenta a circulação = maior atividade diurética). 
 
Ação Local Geral: Uma droga aplicada poderá produzir um efeito local, ser absorvida e provocar um 
efeito geral. Ex: epinefrina aplicada na mucosa nasal = estanca a hemorragia = absorção da corrente 
circulatória = aumento da pressão arterial. 
 
Formas de Apresentação dos Medicamentos: 
Os medicamentos são apresentados no mercado nos seguintes estados: sólido, líquido e gasoso. 
 
Sólido: 
a) Comprimidos: possuem consistência sólida e formato variável. São obtidos pela compreensão em 
moldes da substância medicamentosa. 
b) Pó: Deve ser tomado em colheradas ou é acondicionado em saches. (fluimicil) 
c) Drágeas: O princípio ativo está no núcleo da drágea, contendo revestimento com goma-laca, açúcar 
e corante. São fabricados em drágeas os medicamentos que não devem ser administrados em forma de 
comprimidos, por apresentarem: sabor desagradável, exigem absorção no intestino, medicamentos que 
atacam a mucosa e/ou que devem ser deglutidos com facilidade. 
d) Cápsulas: O medicamento está revestido por um invólucro de gelatina para eliminar sabor 
desagradável, facilitar a deglutição e/ou facilitar a liberação do medicamento. 
e) Pastilhas: É um preparado sólido, de forma circular com o princípio ativo unido com açúcar e uma 
mucilagem para que a dissolução seja lenta na cavidade oral. 
f) Enema, clister, enteroclisma, lavagem ou irrigação: Sua composição varia de acordo com a 
indicação. 
g) Supositórios: óvulos ou lápis - tem formato cônico ou oval, destina-se à aplicação retal, pode ter 
ação local ou sistêmica. 
h) Pomadas: Formas pastosas ou semissólidas constituídas de veículos oleosos, o princípio ativo é o 
pó. 
i) Cremes: São exclusivamente para uso tópicos, na epiderme (com ação epidérmica, endodérmica), 
vaginais e retais. 
 
Líquidos: 
a) Soluções: mistura homogênea de líquidos ou de um líquido e um sólido. 
b) Xarope: Solução que contém dois terço de açúcar. 
c) Elixir: São preparações líquidas, hidroalcoólicas; açucaradas ou glicerinada, destinadas ao uso oral, 
contendo substâncias aromáticas e medicamentosas. 
d) Emulsão: Preparação feita de dois líquidos, óleo e água. 
e) Colírios: Soluções aquosas para uso na mucosa ocular. 
 
Gasosos: 
a) Gás: Oxigênio, carbogênio... 
b) Aerossol: com aerolin spray. 
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Fatores que Modificam a Dosagem 
1- IDADE 
2- SEXO 
3- CONDIÇÕES DO PACIENTE 
4- FATORES PSICOLÓGICOS 
5- FATORES AMBIENTAIS 
6- TEMPERATURA 
7- MÉTODO DE ADMINISTRAÇÃO 
8- FATORES GENÉTICOS 
9- PESO CORPORAL 
 
COMUNS UTILIZADAS EM PRESCRIÇÕES MÉDICAS 
 
ACM:.......................................................a critério médico 
AP/AMP .................................................................. ampola 
Cáp .........................................................................cápsula 
Ca ............................................................................. cálcio 
Col ............................................................................ colírio 
CP/comp ......................................................... comprimido 
Cpm .......................................conforme prescrição médica 
CR ............................................................................ creme 
DG .......................................................................... drágeas 
ENV ....................................................................... envelope 
EV ..................................................................... endovenoso 
FL ......................................................................... flaconete 
FR ............................................................................. frasco 
g ............................................................................... grama 
Gt/gts ......................................................................... gotas 
h ................................................................................ horas 
IM ................................................................. intra muscular 
IV ..................................................................... intra venoso 
KCI ........................................................ cloreto de potássio 
kg ...................................................................... quilograma 
L .................................................................................... litro 
mcg .................................................................. micrograma 
mEq .............................................................. miliequivalente 
mg........................................................................ miligrama 
Mg......................................................................... magnésio 
min. ........................................................................... minuto 
mL............................................................................. mililitro 
NaCI .......................................................... cloreto de sódio 
NPT ............................................... nutrição parenteral total 
PM .......................................................................... pomada 
seg .......................................................................... segundo 
S/N ................................................................. se necessário 
SC ......................................................................ansiolíticos estamos falando, praticamente, dos Benzodiazepínicos. De longe, os 
Benzodiazepínicos são as drogas mais usadas em todo o mundo e, talvez por isso, consideradas um 
problema da saúde pública nos países mais desenvolvidos. 
Os benzodiazepínicos são capazes de estimular no cérebro os mecanismos que normalmente 
equilibram estados de tensão e ansiedade. Ultimamente as pesquisas têm indicado a existência de 
receptores específicos para os Benzodiazepínicos no Sistema Nervoso Central (SNC), sugerindo a 
existência de substâncias endógenas (produzidas pelo próprio organismo) muito parecidas com os 
benzodiazepínicos. Tais substâncias seriam uma espécie de "benzodiazepínicos naturais", ou mais 
precisamente, de "ansiolíticos naturais". 
Aparentemente o efeito ansiolítico dos Benzodiazepínicos está relacionado com um sistema de 
neurotransmissores chamado gabaminérgico do Sistema Límbico. O ácido gama-aminobutírico (GABA) 
é um neurotransmissor com função inibitória, capaz de atenuar as reações serotoninérgicas responsáveis 
pela ansiedade. Os Benzodiazepínicos seriam, assim, agonistas (simuladores) deste sistema agindo nos 
receptores gabaminérgicos. 
Assim, quando, devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas do 
cérebro funcionam exageradamente, resultando num estado de ansiedade, os benzodiazepínicos 
exercem um efeito contrário, isto é, inibem os mecanismos que estavam funcionando demais e a pessoa 
fica mais tranquila e menos responsiva aos estímulos externos. Como consequência desta ação, os 
ansiolíticos produzem uma depressão da atividade do nosso cérebro que se caracteriza por: 
 
1) diminuição de ansiedade; 
2) indução de sono; 
3) relaxamento muscular; 
4) redução do estado de alerta. 
 
É importante notar que os efeitos dos benzodiazepínicos podem ser fortemente aumentados pelo 
álcool, e a mistura álcool + benzodiazepínico pode ser prejudicial. Os Benzodiazepínicos são utilizados 
nas mais variadas formas de ansiedade e, infelizmente, sua indicação não tem obedecido, 
desejavelmente, determinadas regras básicas. 
Os Benzodiazepínicos são ansiolíticos e nada mais que isso, não são antineuróticos, antipsicóticos ou 
antiinsônia, como podem estar pensando muitos clínicos e pacientes. Naturalmente podemos nos valer 
dos Benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a causa básica da 
ansiedade ainda não estiver sendo prontamente resolvida. No caso, por exemplo, de um paciente 
deprimido e, simultaneamente ansioso, os Benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento 
antidepressivo não estiver fazendo o efeito desejável. Trata-se, neste caso, de uma associação 
medicamentosa provisória e benéfica ao paciente. Entretanto, com a progressiva melhora do quadro 
depressivo não haverá mais razões clínicas para a continuação dos Benzodiazepínicos e/ou ansiolíticos. 
 
Efeitos Colaterais 
 
Do ponto de vista orgânico, os benzodiazepínicos são bastante seguros, pois são necessárias altas 
doses (20 a 40 vezes mais altas que as habituais) para trazer efeitos mais graves. Nessas doses pode 
haver hipotonia muscular, dificuldade grande para ficar de pé e andar, a hipotensão, perda da consciência 
(desmaio). Com doses maiores a pessoa pode entrar em coma e morrer. 
O principal efeito colateral dos ansiolíticos benzodiazepínicos é a sedação e sonolência, variável de 
indivíduo para indivíduo e de acordo com a dose do medicamento. Um aumento da pressão intraocular 
teoricamente pode ocorrer mas, na clínica, trata-se de raríssima observação. Os efeitos teratogênicos 
(malformações fetais) são ainda objeto de estudo, porém, tendo em vista sua utilização clínica durante 
décadas, permite-se uma indicação mais flexível do diazepam durante a gravidez. 
A prática clínica tem demonstrado que a dependência aos Benzodiazepínicos pode acontecer, mas 
não invariavelmente. A tendência do paciente em aumentar a dose dos Benzodiazepínicos para obter o 
mesmo efeito, ou seja, a tolerância, acontece mas não é o mais comum. Em relação a isso notamos, no 
mais das vezes, uma má utilização da droga. Isto é, em não sendo tratada a causa básica da ansiedade 
e está se tornando mais intensa, haverá maior necessidade da droga. 
Essa maior necessidade da droga decorrente do aumento da ansiedade não deve, de forma alguma, 
ser confundida com o fenômeno da tolerância aos sintomas de abstinência aos Benzodiazepínicos, 
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embora possa ser possível com alguns deles, o que observamos com mais frequência é o retorno dos 
sintomas psíquicos que promoveram sua indicação por ocasião de sua retirada. Isso pode, 
eventualmente, ser confundido com abstinência na expressiva maioria dos casos. Ora, se a situação 
psicoemocional que determinou a procura da droga não foi decididamente resolvida, mas apenas 
protelada, então, retirando-se o ansiolítico os sintomas voltarão. Isso não pode ser tomado como 
síndrome de abstinência. 
Em alguns poucos casos, de fato, observamos sintomas de abstinência. Estes ocorrem, 
predominantemente, com o Clonazepam e Lorazepam. Quando ocorre a síndrome de abstinência ao 
benzodiazepínico, esta tem início cerca de 48 horas após a interrupção da droga e os sintomas 
correspondem à ansiedade acentuada, tremores, visão turva, palpitações, confusão mental e 
hipersensibilidade a estímulos externos. 
Antes de confirmar o diagnóstico de síndrome de abstinência convém observar, como alertamos, se 
tais sintomas não são os mesmos que anteriormente levaram o paciente a iniciar o tratamento. 
Os casos de dependência aos Benzodiazepínicos relatados na literatura ou constatados na clínica se 
prendem, na grande maioria das vezes, ao uso muito prolongado e com doses acima das habituais. Há 
uma tendência atual em se considerar o fenômeno da dependência ao Benzodiazepínico, até certo ponto, 
mais dependente de traços da personalidade do que de alguma característica da droga. 
Antes de considerarmos a dependência, pura e simplesmente, devemos ter em mente que, se o 
Benzodiazepínico não foi bem indicado e estiver sendo usado como paliativo de uma situação emocional 
não resolvida, como atenuante de uma situação vivencial problemática, como corretivo de uma maneira 
ansiosa de viver, enfim, como um "tapa-buracos" para alguma circunstância existencial anômala, então a 
sua supressão colocará à tona a penúria situacional em que se encontra a pessoa, dando assim a falsa 
impressão de dependência ou até de síndrome de abstinência. 
 
Ansiolíticos Benzodiazepínicos disponíveis no Brasil 
Nome químico Nome comercial 
Alprazolam Apraz, Frontal, Tranquinal, Altrox 
Bromazepam Lexotam, Deptran, Somalium, Sulpam 
Buspirona** Ansitec, Bromoprim, Buspanil, Buspar 
Clobazam Frizium, Urbanil 
Clonazepam Rivotril, Clonotril 
Clordiazepóxido Psicosedim 
Cloxazolam* Olcadil, Elum 
Diazepam Diazepam, Noam, Valium, Ansilive, Kiatrium 
Lorazepam* Lorax, Lorium, Mesmerim 
 *-ansiolíticos usados também como hipnóticos devido a grande sonolência e 
sedação. **- considerado ansiolítico não-benzodiazepínico 
 
ANOREXÍGENOS. 
 
Os anorexígenos, também conhecidos como anotéticos ou anomirineronéticos, são medicamentos 
usados para induzir a anorexia a base de anfetamina, ou seja, a aversão à comida. Assim, são usados 
como poderosos remédios para emagrecer há mais de 30 anos. Porém, além disso, causam inúmeros 
efeitos colaterais, muitas vezes prejudiciais à saúde física e mental. Sendo assim, conheça melhor os 
anorexígenos para optar em usá-los ou não. 
 
Remédios Anorexígenos 
 
Os remédios anorexígenos mais comuns são os que levam em suas fórmulas o mazindol, o 
femproporex e a anfepramona. Alguns dos mais conhecidos são o Delgar, o Desobesi-M, o Fagolipo, o 
Fluril, o Hipofagin S 75 e o Moderine. 
Porém, como causam muito mais malefícios que benefícios, foram retirados do mercado pela ANVISA 
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2011. Sendo assim,sua venda é proibida, com ou sem 
receita médica. 
 
Efeitos Colaterais 
 
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São vários os efeitos colaterais causados pelos anorexígenos porque agem diretamente sobre o 
sistema nervoso central, aumentado a excitação, a concentração, a atividade autônoma e também, 
diminuindo o apetite. Alguns desses medicamentos ainda aumentam a liberação dos neurotransmissores 
serotonina e dopamina, o que aumenta ainda mais a agitação e a falta de apetite e de sono. 
Além disso, há outros efeitos maléficos como a alteração de humor constante, as tontura, a arritmia 
cardíaca, o vômito, a sudorese, a confusão mental, a hipertensão arterial, a taquicardia, a dor de cabeça, 
o calafrio, o enjoo, a ansiedade, a verborragia e a confusão mental. 
Com isso, muitos usuários tiveram quadros graves de hipertensão pulmonar e de problemas 
cardiovasculares que os levaram à morte. Isso levou a proibição da venda desses remédios na Europa e 
nos Estados Unidos. Em outros casos, a depressão e a síndrome do pânico foram instaladas após a 
supressão do medicamento, além do retorno ao peso inicial ou até mesmo ao ganho de mais quilos que 
antigamente. Por isso, os pacientes tornaram-se ainda mais deprimidos e menos autoconfiantes que com 
o seu uso, o que gerou a dependência química. 
 
Por fim, pessoas que usavam intensamente os anorexígenos e conseguiram parar, apresentaram 
sintomas de abstinência como lentidão, depressão, pesadelos, ansiedade, fissura interna, sonolência, 
agitação e cansaço. 
 
Contra Indicações 
 
O uso dos anorexígenos é contraindicado para todos os casos, mas principalmente para pessoas que 
tiveram doenças psicóticas, transtorno de ansiedade, epilépticos, hipertensos, crianças, idosos, gestantes 
e lactantes. Pacientes com hipertireoidismo, doenças cardiovasculares e com glaucoma também devem 
ficar longe desses remédios. 
Com tantos efeitos colaterais, o melhor modo de emagrecer é saudavelmente, ou seja, com muita 
atividade física e alimentação balanceada. Sendo assim, procure um endocrinologista ou um nutricionista 
para que possam formular o seu cardápio corretamente. Esse procedimento pode ser mais demorado, 
mas certamente fará com que você continue com saúde e com o corpo esbelto por muito mais tempo. 
 
ANTIDEPRESSIVOS. 
 
Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, 
consequentemente, melhorando o conforto emocional e o desempenho de maneira global. Acredita-se 
que o efeito antidepressivo se dê às custas de um aumento da disponibilidade de neurotransmissores no 
SNC, notadamente da serotonina (5-HT), da noradrenalina ou norepinefrima (NE) e da dopamina (DA), 
juntamente com a diminuição no número dos neurorreceptores e aumento de sua sensibilidade. Ao 
bloquearem receptores 5HT2 (da serotonina) os antidepressivos também funcionam como 
antienxaqueca. 
O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica se dá através do bloqueio da recaptação da 
noradrenalina e da serotonina no neurônio pré-sináptico ou ainda, através da inibição da 
Monoaminaoxidase (MAO), que é a enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores. 
Será, portanto, nos sistemas noradrenérgico o serotoninérgico do Sistema Límbico o local de ação das 
drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade. 
 
Dividindo os antidepressivos em 4 grupos: 
1 - Antidepressivos Tricíclicos (ADT) 
2 - Inibidores da Monoaminaoxidase (IMAO) 
3 - Inibid. Seletivos de Recap. da Serotonina 
4 - Antidepressivos Atípicos 
 
Antidepressivos Tricíclicos (ADT) 
 
O local de ação dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. Este 
aumento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição 
na recaptação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos. 
Há também, com o uso prolongado dos ADT, uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos 
do tipo Alfa-2, cuja estimulação do tipo feedback inibiria a liberação de NE. Desta forma, quanto menor o 
número destes receptores, menor seria sua estimulação e, consequentemente, mais NE seria liberada na 
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fenda. Portanto, dois mecanismos relacionados à recaptação; um inibindo diretamente a recaptação e 
outro diminuindo o número dos receptores. 
Em relação à farmacocinética dos ADT, é muito importante saber que o período de latência para a 
obtenção dos resultados terapêuticos é em torno de 3-4 semanas. Normalmente os resultados 
terapêuticos são iniciados após um período mínimo de 15 dias de utilização da droga e, não raro, podendo 
chegar até 30 dias. Os ADT são potentes anticolinérgicos e, por esta característica, justificam-se alguns 
de seus efeitos colaterais. 
Infelizmente, enquanto os efeitos terapêuticos exigem um longo período de latência, o mesmo não 
acontece com os efeitos colaterais. Estes aparecem imediatamente após a ingestão da droga e são 
responsáveis pelo grande número de pacientes que abandonam o tratamento antes dos resultados 
desejados. Vem daí a importância da orientação ao paciente. 
 
A - Efeitos Colaterais 
 
1 - Oftalmológicos 
 
Pode-se observar com certa frequência alguma dificuldade de acomodação visual dependendo da 
dose do ADT, fato que não é tão importante a ponto de obrigar uma interrupção no tratamento. 
Midríase (dilatação da pupila) também é uma ocorrência que pode ser observada, tratando-se de uma 
consequência dos efeitos anticolinérgicos dos ADT. 
 
2 - Gastrintestinais 
 
Secura na boca ocorre em quase 100% dos pacientes em doses terapêuticas dos ADT. Embora 
incômoda, esse sintoma pode perfeitamente ser suportável e em casos mais severos podemos ter como 
consequência gengivite e mesmo glossite. Constipação intestinal também acontece em quase 100% das 
vezes e é resolvido com a mudança no hábito alimentar ou com a utilização de laxantes. 
 
3 - Cardiocirculatórios 
 
Os ADT podem provocar, principalmente no início do tratamento, um aumento na frequência cardíaca, 
mas as taquicardias importantes são de ocorrência rara. Embora tenha havido grandes preocupações no 
passado em relação ao potencial disrítmico dos ADT, na realidade, hoje se constata que podem ter uma 
atuação até antiarrítmica, principalmente quando a arritmia é consequência de problemas emocionais. 
Outro efeito circulatório que pode molestar o paciente é a ocorrência de hipotensão postural, também 
perfeitamente suportável e que não exige mudança na posologia. 
 
4 - Endocrinológico 
 
Alguns trabalhos apontam um aumento nos níveis de prolactina e, paradoxalmente, outros autores 
demonstram diminuição e outros ainda, níveis inalterados. A mesma disparidade encontramos em relação 
aos trabalhos sobre alterações dos hormônios tireoideanos. 
Em relação ao eixo hipófise-suprarrenal também não há nada conclusivo. A maioria dos autores 
concorda em que não há alterações neste sistema. Entretanto, parece ser relevante o aumento nos níveis 
de hormônio do crescimento com o uso de desipramina, um metabólito da imipramina. 
 
5 - Geniturinário 
 
A retenção urinária pode ser observada, principalmente, em pacientes homens e portadores de 
adenoma de próstata. Embora deva ser dado mais atenção a estes pacientes, tal ocorrência não é 
contraindicação absoluta ao uso dos ADT. Com muita frequência encontramos disúria em ambos os 
sexos. Na esfera sexual podemos ter uma diminuição da libido, retardamento do orgasmo e mais 
raramente, anorgasmia (em ambos sexos). 
Como frequentemente na depressão a libido já se encontra diminuída ou até abolida, com a melhora 
do quadro afetivo pelos ADT o paciente notar comumente uma melhora desta função, ao contrário do que 
poderíamos esperar se considerarmos apenas os efeitos colaterais. 
 
 
 
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6 - Sistema Nervoso Central 
 
A sedaçãoinicial e sonolência são encontradas no início do tratamento, diminuindo sensivelmente 
após os 6 primeiros dias. Em doses terapêuticas a insônia, agitação e aumento da ansiedade não são 
comuns de se observar. 
Em pacientes mais idosos podemos encontrar a chamada "síndrome anticolinérgica central" com 
agitação, confusão mental, delírios e alucinações. Daí considerar-se a utilização de doses menores em 
tais pacientes. Em pessoas predispostas podem ocorrer convulsões do tipo generalizadas devido ao fato 
dos ADT diminuírem o limiar convulsígeno. 
 
7 - Alterações Gerais 
 
Tremores finos das mãos são observados com certa frequência e respondem muito bem aos 
betabloqueadores (Propranolol). Sudorese excessiva pode também incomodar o paciente mas não 
necessita cuidado especial. 
É comum um ganho de peso e, às vezes, os pacientes referem impulso para comer doce. Apesar disso 
os estudos controlados sobre o metabolismo dos glicídios não revelam maiores explicações. 
 
C - Intoxicação 
 
Sinais de intoxicação começam a aparecer quando a ingestão de ADT ultrapassa 500 mg/dia, porém, 
a dose letal e maior que isso: varia entre 1.800 e 2.500 mg (a dose terapêutica é de 75-150 mg/dia). Na 
intoxicação por ADT podemos encontrar agitação ou sedação, midríase, taquicardia, convulsões 
generalizadas, perda da consciência, depressão respiratória, arritmia cardíaca, parada cardíaca e morte. 
Tendo em vista a grande afinidade proteica dos ADT, sua eliminação por diálise ou diurese é muito 
difícil. Nos casos de intoxicação está indicado o uso de anticolinesterásicos (Prostigmina IM ou EV) e 
medidas de sustentação geral. 
 
D - Indicações 
 
Os ADT, em geral, estão indicados para tratamento dos estados depressivos de etiologia diversa: 
depressão associada com esquizofrenia e distúrbios de personalidade, síndromes depressivas senis ou 
pré-senis, distimia, depressão de natureza reativa, neurótica ou psicopática, síndromes obsessivo-
compulsivas, fobias e ataques de pânico, estados dolorosos crônicos, enurese noturna (a partir dos 5 
anos e com prévia exclusão de causas orgânicas). 
A Amitriptilina (Tryptanol®, Amytril®) está mais indicada também para os casos de ansiedade 
associados com depressão, Depressão com sinais vegetativos, Dor neurogênica, Anorexia e nos casos 
de dor crônica grave (câncer, doenças reumáticas, nevralgia pós-herpética, neuropatia pós-traumática ou 
diabética). 
A Maprotilina (Ludiomil®), embora seja descrito pelo fabricante como tetracíclico, não se justifica uma 
abordagem em separado dos tricíclicos. Tem melhor indicação na depressão de início tardio (involutiva 
ou senil), depressão na menopausa e na depressão por exaustão (esgotamento). 
Alguns autores indicam a maprotilina para os casos de Depressão Mascarada (denominação antiga 
da Depressão Atípica com Sintomas Somáticos). Também é útil na depressão com ansiedade subjacente, 
devido sua capacidade sedativa (como a Amitriptilina). 
A Nortriptilina é um antidepressivo tricíclico cujo mecanismo de ação é desconhecido. Inibe a ação de 
certos neurotransmissores, como a histamina, a serotonina e a acetilcolina, e aumenta o efeito pressor 
da noradrenalina, mas bloqueia o da fenetilamina. 
A indicação mais habitual para a nortriptilina é para as síndromes depressivas de diversas etiologias; 
a depressão endógena parece responder melhor que outros estados depressivos. Depressão reativa, 
neurose reativa, neurose depressiva, coadjuvante da terapêutica hormonal na síndrome do climatério, 
arritmia ventricular, incontinência urinária. 
 
Inibidores Seletivos de Recaptação da Serotonina (ISRS) 
 
O efeito antidepressivo dos ISRS parece ser consequência do bloqueio seletivo da recaptação da 
serotonina (5-HT). A fluoxetina foi o primeiro representante dessa classe de antidepressivos e ela tem um 
metabólito ativo, a norfluoxetina. Esse metabólito é o ISRS que se elimina mais lentamente do organismo. 
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As doses dos ISRS, seja a fluvoxamina, sertralina, paroxetina, fluoxetina ou outros, devem ser 
individualizadas para cada paciente. A incidência de efeitos colaterais anticolinérgicos, anti-histamínicos 
e alfa-bloqueantes, assim como o risco de superdosagem é menor nos ISRS que nos chamados 
antidepressivos tricíclicos (ADT). Estes últimos, causam mais efeitos colaterais que os ISRS, mais 
intolerância digestiva (até 21 % dos pacientes podem experimentar náuseas, anorexia, boca seca), 
sudorese excessiva, temores, ansiedade, insônia. 
Por outro lado, a fluoxetina tem se associado a alguns casos de acatisia, especialmente quando a dose 
é muito alta, e a estimulação de SNC parece maior com a fluoxetina que com outros ISRS. A fluvoxamina 
também parece produzir mais intolerância digestiva, sedação e interações farmacológicas que outros 
ISRS. A paroxetina origina mais sedação (também a fluvoxamina), efeitos anticolinérgicos e 
extrapiramidais que outros ISRS. Tem-se relatado sintomas de abstinência com a supressão brusca do 
tratamento com a paroxetina e com a venlafaxima. 
 
ANTIDEPRESSIVOS ISRS 
Nome Químico Nome Comercial 
Fluoxetina Prozac, Daforim, Deprax, Fluxene, Nortec, Verotina 
Nefazodona Serzone 
Paroxetina Aropax, Cebrilim, Pondera, Benepax 
Sertralina Zoloft, Tolrest, Novativ, Assert 
Citalopram Cipramil, Procimax, Cittá 
 
Indicações 
 
Os ISRS estão indicados para o tratamento dos Transtornos Depressivos, Transtorno obsessivo-
compulsivo (TOC), Transtorno do Pânico, Transtornos Fóbico-Ansiosos, neuropatia diabética, dor de 
cabeça tensional crônica e Transtornos Alimentares. 
Nos casos de Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, alguns fabricantes de ISRS não 
recomendam essas drogas, como é o caso, por exemplo, da orientação da Nafazodona (Serzone®). 
Outros, como é o caso da Paroxetina (Aropax®), já preconizam-na também para Episódios Depressivos 
maiores ou severos. 
Outros, como é o caso do Citalopram (Cipramil®, Procimax®, etc), recomendam a substância para o 
tratamento das depressões e do abuso do álcool. 
 
Precauções 
 
A fluoxetina tem ação anorexígena com uma discreta redução do peso corporal durante seu uso. Nos 
pacientes sensíveis pode ocorrer rash cutâneo, urticária, incluindo febre, leucocitose e artralgias, edema. 
Esses sintomas de hipersensibilidade são extremamente raros. 
 
Antidepressivos Atípicos 
 
São os antidepressivos que não se caracterizam como Tricíclicos, como ISRS e nem como Inibidores 
da MonoAminaOxidase (IMAOs). Alguns deles aumentam a transmissão noradrenérgica através do 
antagonismo de receptores a2 (pré-sinápticos) no Sistema Nervoso Central, ao mesmo tempo em que 
modulam a função central da serotonina por interação com os receptores 5-HT2 e 5-HT3, como é o caso 
da Mirtazapina. A atividade antagonista nos receptores histaminérgicos H1 da Mirtazapina é responsável 
por seus efeitos sedativos, embora esteja praticamente desprovida de atividade anticolinérgica. 
 
ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS 
Nome Químico Nome Comercial 
Fluvoxamina Luvox 
Mianserina Tolvon 
Mirtazapina Remeron 
Reboxetina Prolift 
Tialeptina Stablon 
Trazodona Donarem 
Venlafaxina Efexor 
Duloxetina Cymbalta 
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Bupropiona Welbutrin, Zetron, Bup 
Ecitalopram Lexapro 
 
Outros atípicos são inibidores da recaptação de Serotonina e Norepinefrina, alguns inibindo também, 
a recaptação de dopamina. É o caso da Venlafaxina, da Mirtazapina. Algumas dessas drogas também 
costumam reduzir a sensibilidade dos receptores beta-adrenérgicos, inclusive após administração aguda, 
o que pode sugerir um início de efeito clínico mais rápido. Também estão aqui os inibidores da recaptação 
da Norepinefrina (Noradrenalina), como é o caso da Riboxetina. 
Alguns atípicos, como é o caso da Tianeptina, embora sejam serotoninérgicos, não inibem a 
recaptação da Serotonina no neurônio pré-sináptico, mas, induzem sua recaptaçãopelos neurônios da 
córtex, do hipocampo e do Sistema Límbico. 
Amineptina, outro atípico, é uma molécula derivada dos tricíclicos mas seu mecanismo de ação é 
essencialmente dopaminérgico, enquanto que os outros antidepressivos tricíclicos são essencialmente 
noradrenérgicos e serotoninérgicos. As melhoras sintomáticas poderão ser observadas a partir do 3º ao 
5º dias e sobre o sono REM a partir do 20º dia de tratamento em posologia suficiente. 
 
Antidepressivos IMAOs 
 
Os chamados antidepressivos Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO) promovem o aumento da 
disponibilidade da serotonina através da inibição dessa enzima responsável pela degradação desse 
neurotransmissor intracelular. 
A monoaminoxidase (MAO), é uma enzima envolvida no metabolismo da serotonina e dos 
neurotransmissores catecolaminérgicos, tais como adrenalina, noradrenalina e dopamina. Os 
antidepressivos IMAOs são inibidores da MAO e, havendo uma redução na atividade MAO, produz-se um 
aumento da concentração destes neurotransmissores nos locais de armazenamento, em todo o SNC ou 
no sistema nervoso simpático. 
Acredita-se que a ação antidepressiva dos IMAOs se correlacione também, e principalmente, com 
alterações nas características dos neurorreceptores, alterações essas no número e na sensibilidade 
desses receptores, mais até do que com o bloqueio da recaptação sináptica dos neurotransmissores, 
propriamente dita. Isso explicaria o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. 
 
ANTIDEPRESSIVOS IMAOs 
Nome Químico Nome Comercial 
Tranilcipromina Parnate, Stelapar 
Moclobemida Aurorix 
Selegilina Elepril, Jumexil 
 
Indicações para Antidepressivos 
As indicações para o uso dos antidepressivos veem, progressivamente, sofrendo ampliação, de acordo 
com o melhor entendimento sobre a participação dos elementos emocionais em outros transtornos 
médicos, além da própria depressão. 
A própria manifestação clínica polimórfica da depressão já recomenda o uso desses medicamentos 
para os casos onde essa alteração afetiva se manifesta atipicamente. 
 
Indicações Formais 
- Estados Depressivos 
- Estados Ansiosos (Pânico...) 
- Estados Fóbicos 
- Estados Obsessivo-Compulsivos 
- Anorexia 
- Bulimia 
 
Segundas Indicações 
- Estados Hipercinéticos 
- Somatizações 
- Ejaculação Precoce 
- Doenças Psicossomáticas 
- Enxaqueca 
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- Dores neurogênicas 
 
Para ilustrar o manejo com antidepressivos, poderíamos didaticamente compará-los com o os 
antialérgicos; não importa se a manifestação da alergia se dá através de rinite, bronquite, sinusite, 
urticária, dermatite, etc. Para todos esses casos, tendo como base da patologia uma reação alérgica, 
estariam indicados antialérgicos indistintamente. 
Hoje nós sabemos que uma série de manifestações emocionais teria uma base depressiva, portanto, 
objetos do tratamento com antidepressivos; é o caso, por exemplo, da Síndrome do Pânico, Transtorno 
Obsessivo-Compulsivo, etc. Nesses casos o próprio paciente pode não se sentir clinicamente deprimido 
mas o afeto depressivo (inseguro e pessimista) estaria na base da manifestação ansiosa. 
 
OPIÁCEOS 
 
Ópio 
 
O ópio, que significa suco, em grego, é um látex, obtido através da incisão feita nos bulbos da papoula 
branca (Papaver somniferum), conhecida popularmente como papoula do Oriente. Depois de seco, o látex 
é transformado em pó de ópio. No pó de ópio, extraído da papoula, existem várias substâncias com 
grande atividade, sendo que as mais conhecidas são a morfina e a codeína. É possível obter também 
outra substância, a heroína, fazendo pequena modificação química na fórmula da morfina. 
Estas substâncias todas são chamadas de drogas opiáceas ou simplesmente opiáceos, ou seja, 
oriunda do ópio. Elas podem ser opiáceos naturais, quando não sofrem nenhuma modificação (morfina, 
codeína), ou opiáceos semissintéticos, quando são resultantes de modificações parciais das substâncias 
naturais do ópio (heroína). Várias substâncias com ação semelhante à dos opiáceos são produzidas em 
laboratório: a meperidina, o propoxifeno e a metadona são alguns exemplos. Estas substâncias 
totalmente sintéticas são chamadas de opióides (isto é, semelhantes aos opiáceos). 
São chamados também de narcóticos, drogas hipnoanalgésicas ou analgésicos narcóticos. São, ainda, 
classificados como substâncias entorpecentes. O próprio nome da planta de onde é extraído o ópio – 
Papaver somniferum, que em latim significa papoula sonífera – dá uma ideia da sua ação no organismo. 
Ele age como depressor do sistema nervoso central (SNC) fazendo com que o cérebro funcione mais 
devagar. Todos os derivados do ópio, naturais ou sintéticos, têm ação anestésica, diminuindo ou 
suprimindo a dor, e esse é o propósito da sua utilização em medicamentos. 
Todas as drogas do tipo opiáceo ou opióide têm basicamente os mesmos efeitos no SNC: diminuem 
a sua atividade, produzindo analgesia e hipnose (fazem dormir). As diferenças existentes são com relação 
à quantidade necessária para produzir os mesmos efeitos, ou seja, se são mais ou menos eficientes. Para 
algumas drogas, a dose necessária para este efeito é pequena, ou seja, elas são muito potentes, como 
a morfina e a heroína. Outras necessitam de doses maiores para produzir os mesmos efeitos, como a 
codeína e a meperidina. 
Algumas drogas podem ter também uma ação mais específica, como a codeína, por exemplo, utilizada 
nos medicamentos para acalmar a tosse. O ópio e seus derivados levam facilmente à dependência, tanto 
física quanto psíquica. O organismo humano se torna tolerante a todas as drogas narcóticas, assim como 
as de outros tipos. Ou seja, como o dependente não consegue se equilibrar sem sentir os seus efeitos, 
ele precisa tomar cada vez doses maiores. 
Os opiáceos em geral podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. Em doses maiores, o 
usuário pode perder a consciência e ficar com cor azulada (cianose) porque a respiração se torna muito 
fraca e não oxigena o sangue adequadamente; a pressão arterial cai e o sangue não consegue circular 
direito, ocasionando o estado de coma. Se não houver atendimento imediato, pode levar à morte. 
(Azevedo, 2002) 
 
ALUCINÓGENOS 
 
Com o nome de drogas alucinógenas denomina-se um conjunto de substâncias naturais ou sintéticas 
capazes de atuar sobre o sistema nervoso de uma forma ainda não muito bem conhecida. A classificação 
mais consensualmente aceita para tal classe de substâncias psicoativas foi proposta por Jean Delay que 
as classifica como Dislépticas (modificadoras) em oposição aos compostos moleculares ou moléculas 
cujo efeito pode ser considerado como Lépticos (estimulantes) e Analépticos (depressores). A utilização 
destas drogas com fins recreativos oferecem sérios riscos. Distorcem os sentidos e confundem o cérebro 
e afetam a concentração, os pensamentos e a comunicação. As drogas sintéticas, a exemplo do LSD, 
Anticolinérgicos e ecstasy Metilenodioximetanfetamina com um grau de pureza maior podem causar a 
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confusão da noção de tempo e de espaço e causar um efeito similar ao sonho e às psicoses. Observe-
se porém que nem todas as drogas que causam alucinações são consideradas alucinógenos, a exemplo 
da clássica visão dupla induzida pela intoxicação alcoólica ou por grandes doses de café tal como 
recentemente se constatou e foi amplamente divulgado. 
As drogas alucinógenas, em Portugal, drogas alucinógenas, são assim chamadas por um de seus 
possíveis e mais relatados efeitos que é a propriedade de causar alucinações (falsas percepções) e visões 
irreais ou oníricas aos seus utilizadores. Outros nomes propostos também estão associados a efeitos 
atribuídos e relatados tais como: Psicotomiméticos e Psicotogênicos por induzir efeitos semelhantes à 
psicose (mais especificamente as alucinoses e alucinações) ou as causar; Psicodélicos por sua 
propriedadede fazer aparecer ou revelar a psique oculta; Enteógeno pelo reconhecimento antropológico 
de que tal classe de substâncias é frequentemente utilizado nas mais diversas culturas em rituais 
religiosos. 
Esse último efeito atribuído também decorre da associação dessas substâncias à capacidade de 
facilitar a concentração ou meditação também descrita como expansão da consciência. No conjunto de 
alterações da consciência detectáveis por medidas do eletroencefalograma (eeg) situa-se na faixa das 
frequências alfa - a ou “sonhos lúcidos” entre a vigília plena e sono. 
No plano das interpretações psicológicas ou psicanalíticas situa-se entre os fenômenos de modificação 
das emoções e personalidade, superficialmente descritas como uma relação entre o ego e o mundo 
exterior/interior, análogo as interpretações que se dá ao satori zen–budista, efeitos da yoga ou transe das 
religiões de possessão africanas, gregas, indígenas entre outras. 
Na descrição da categoria Psicodislépticos, Goodman & Gilman referem-se a efeitos estimulantes e 
depressores simultâneos em diferentes sistemas (circuitos) de neurotransmissores ou regiões do cérebro, 
incluem os anticonvulsivantes não barbitúricos e relaxantes da musculatura esquelética narcoanalgésicos 
e analgésicos e antitérmicos psicotogênicos. 
 
Plantas & Moléculas 
 
O inventário de plantas (e elementos ativos) com propriedades alucinógenas proposto por Hofmann 
(apud: Fontana) inclui: 
- Lophophora williamsii (mescalina) da América do Norte e Central; 
- Rivea corymbosa - (Ergina) México (América Central); 
- Amanita muscaria (Muscimol, ácido ibotênico). Europa, Irã e Ásia; 
- Psilocybe mexicana (Psilocina, Psilocibina) México A. Norte e Central; 
- Psilocybe cubensis (Psilocina, Psilocibina) México Américas; 
- Peganum harmala (harmina) da Ásia e América do Sul; 
- Banisteria caapi (Harmina, Harmalina) Amazônia / componente da Ayahuasca América do Sul; 
- Piptadenia peregrina (Anadenanthera peregrina e Anadenanthera colubrina (Dimetiltriptamina) 
Orenoco / América do Sul; 
 
A essa lista que originalmente inclui a Cannabis sativa (haxixe) da Ásia, acerca da qual existe grande 
controvérsia, assim como também é controversa a inclusão da muscarina – substância derivada do 
cogumelo Amanita muscaria. Quanto à ampliação dessa classificação, nesse grupo deve-se acrescentar 
um conjunto de outras plantas que contém a N,N-Dimetiltriptamina a saber: Psychotria viridis (Chacrona, 
Chacruna) utilizada em combinação com a B. caapi por diversos grupos indígenas da Amazônia a Virola 
calophylla (V. theidora, V. rufula, V. colophylla) o Epena também da Amazônia, a Jurema (Mimosa hostilis 
ou M. nigra) do nordeste brasileiro incluindo entre estas sapos do gênero Bufos (Bufo alvarius; Bufo 
marinus ou Cururu) que contém a bufotenina em suas secreções que por sua vez corresponde a uma 
variação molecular da dimetiltriptamina. Observe-se também que alguns autores discordam quanto a 
identidade da planta que seria o ololiuhqui dos astecas/toltecas e contém ácido lisérgico são comuns 
referências à Rivea coribosa e a Ipomoea violácea (glórias-da-manhã). Essa última também utilizada em 
preparados homeopáticos do tipo floral. 
 
Efeitos Colaterais 
 
Estudos antropológicos ou etno farmacológicos com resultados consistentes sobre a utilização ritual e 
efeito dessas plantas ainda são incipientes. Mesmo os estudos de psicofarmacologia ainda não 
produziram resultados definitivos. Os relatos de psicose são escassos e se contrapõe as frequências 
observadas nas populações que tradicionalmente fazem uso. Estima-se para a esquizofrenia, por 
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inquéritos epidemiológicos, uma incidência em torno de 1% em populações urbanas das diversas 
Américas. 
O mesmo pode ser dito quanto a segurança de uso para gestantes, ou seja, seu potencial mutagênico 
e teratogênico há referência à diminuição da quantidade mobilidade de espermatozoides e fertilidade 
feminina com o uso de maconha (Cannabis sativa) um planta que, para muitos autores, não deveria ser 
incluída nessa categoria de substâncias e há referências à efeito clastogênico (quebra de cromossomos) 
em pesquisa com LSD in vitro e aumento do número de abortos (Goth, Mota). Deve-se ressaltar que 
esses estudos são isolados e não há quaisquer estatísticas massivas para comprová-los. 
 
Mecanismos de ação 
 
A semelhança das substâncias psicodélicas (como recomendamos designá-las no lugar de 
alucinógenas) com a Serotonina (5-HT) e Noradrenalina (NA) tem sido a maior pista para explicação do 
seu efeito. O LSD e a Psilocibina tem em comum a semelhança o núcleo indoletilamina da 5-HT e a 
Mescalina é um derivado da feniletilamina que por sua vez figura na NA. Contudo por ciclização, isto é 
fechamento da cadeia lateral, a mescalina pode gerar um composto semelhante a 5-HT. 
Estudos bioquímicos do composto da B. caapi e P. viridis presentes na bebida dos remanescentes 
indígenas do império inca a Ayahuasca ou Hoasca como é conhecida no Brasil apontam uma interação 
entre os inibidores da monoamina-oxidase I-MAO e o composto indólico. 
A N,N-Dimetiltriptamina (DMT) foi sintetizada pela primeira vez em 1931 (Manzke), isolada de duas 
plantas distintas por investigadores independentes, em 1946 (Gonçalves) da Mimosa hostilis e em 1955 
(Fish, Jonson and Horning) da Piptadenia peregrina. O efeito da Jurema, Chacrona e outras plantas 
podem ser atribuídos presença pode ser atribuída a presença da N,N-DMT ou N,N-dimethyltryptamine 
(C12H16N2). 
Estudando rapés epena (paricá) de uso mágico medicinal entre tribos do norte da amazônia (Tukano, 
Waika, Araibo, Piaroa e Surara) Holmsted e Lindgren (1967) revelaram a presença de triptaminas (5 
Metoxi-N,N, Dimetiltriptamina [5Meo-DMT] e N,N-Dimetiltrptamina [DMT]) e, apenas em 1 amostra (o 
parica dos Piaroa da região do Orinoco da Venezuela), encontraram além do N,N-DMT, e 5-Meo-DMT a 
bufoteína 5-OH-DMT junto com o alcaloide beta-carbolínico harmina. Na época observaram que essa 
composição molecular de triptaminas e betacarbolinas atua sinergicamente para o efeito psicoativo “...as 
betacarbolinas são inibidoras da monoamina-oxidase e podem potencializar a ação de indóis simples.”... 
(Holmsted e Lindgren, 1967). Nessa concepção não basta a presença do anel indólico para se obter o 
efeito psicodélico ou psicodisléptico dos rituais xamânicos. 
 
Psicotomiméticos e serotonina 
 
LSD, Psilocibina e Mescalina, variam quanto ao tempo de ação, produzem tolerância e tolerância 
cruzada, não produzem dependência fisiológica, as duas últimas estão associadas a vômitos como efeito 
colateral. Esse último efeito pode estar relacionado a alta concentração de 5HT (90% do disponível no 
organismo) é encontrada nas células enterocromafins do trato gastrointestinal ou a uma ainda não bem 
conhecida interferência nos centros de vômito e postura do bulbo. 
Em grandes doses esse neuro-hormônio é sedativo, sua ação depressiva entretanto é bloqueada pela 
clorpromazina (Himwich). É antagonizado pelo LSD o que levou a elaboração de teorias serontoninérgicas 
sobre a esquizofrenia, contudo outros antagonistas da serotonina não são alucinógenos (himwich, Barron 
et all). Há pesquisas que diferenciam os efeitos do LSD e Psilocibina nos diversos receptores da 5-HT e 
estudos com pontes radioligantes e experimentos funcionais apontam para o efeito agonista dessa classe 
de substancias sobre a serotonina (receptores 5-HT1a e 5-HT2). 
Segundo Graeff o LSD combina-se também com receptores da Dopamina reforçando por sua vez as 
hipóteses dopaminérgicas da esquizofrenia, pois diversos agentes antipsicóticos antagonizam 
competitivamente com a dopamina. A depressão e os Distúrbios Obsessivos Compulsivos (DOC) também 
estão associados aos níveis de serotonina e ambos os quadros psicopatológicos tem sido tratados 
(farmacologicamente) de modo - nem sempre - eficiente com bloqueadores de recaptação sináptica 
(fluoxetina)que aumentam a serotonina ativa. O surgimento e a explosão de vendas de novos anti-
depressivos/anti-psicóticos demonstram que há certo fracasso no tratamento de milhares de casos. 
Pesquisas neuroetológicas associam os níveis desse neurotransmissor ao comportamento de 
liderança e agressividade. As funções da serotonina e seus diversos sítios receptores, portanto 
permanecem como o grande enigma para explicação do efeito psicodélico. O sucesso da utilização de 
substâncias alucinógenas no tratamento de depressão, alcoolismo e outras drogadições tem explorado a 
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compreensão dos sistemas bioquímicos referidos além dos efeitos psicossociais do contexto (set) de sua 
utilização ritual. 
 
As drogas estão com força total atingindo a sociedade de maneira geral, não importando sexo, idade, 
profissão, classe social ou etnia. Ainda mais influente do que nos anos anteriores, a dependência física e 
psicológica das pessoas com relação às drogas, tornou-se algo comum principalmente entre os jovens. 
A maconha, cocaína, crack, entre outros tipos de drogas são muito mais usados nos dias de hoje, e 
mesmo com o esforço das autoridades para impedir o tráfico dessas substâncias químicas é praticamente 
impossível bloquear o comércio para uso dos viciados. O tabaco e o álcool também são considerados 
tipos de droga, porém são legalizados, por isso mais comum o seu uso. Há tempos atrás fumar era hábito 
de pessoas de nível social mais alto, sendo considerado um hábito elegante; o que atualmente já está 
sendo mais recriminado e dispensado pela geração mais nova que possui o pensamento e a 
personalidade diferente da geração anterior. 
Há discussões em alguns países com o objetivo de legalizar também a maconha, como a venda de 
cigarros. Há quem apoie a ideia de legalização dessa droga, pois relatam que esse seria um meio de 
diminuir o tráfico dela já que seria legalizada. Porém, esse argumento não convenceu totalmente a 
população, e há quem não concorde com a opinião da legalização da maconha. Quanto às outras drogas, 
permanecem longe de serem legalizadas, pois são alucinógenos e causam consequências bem mais 
graves do que o tabaco, o álcool e a maconha, assim não seria possível a discussão de legalização 
desses outros tipos de drogas em qualquer país. Existem inúmeros casos de mortes causadas por 
overdose, muitos dos envolvidos nessa vida de dependência acabam morrendo por violência. 
A violência é uma das principais causas trazidas pela droga. Quem se envolve com esse tipo de 
assunto, dificilmente consegue sair depois que se arrepende, pois os envolvidos são pessoas de baixo 
nível psicológico e muitas vezes acabam em situações trágicas, além da dependência ser extremamente 
forte sendo praticamente insuperável. Por isso muitas pessoas afirmam que uma vez envolvido nas 
drogas, permanecerá para a vida toda. Obviamente há exceções de casos de pessoas que conseguiram 
se recuperar em clínicas especializadas para esse objetivo, tratamento com psicólogos, enfim, diversos 
recursos de ajuda que possibilitam a recuperação do paciente viciado em drogas, mas são casos raros 
de pessoas que realmente tem vontade e se esforçam para isso. A maioria da população que se envolve, 
acabam em presídios, sem estudos, sem profissão permanente, sem amigos, sem família e muitas vezes 
o resultado disso é uma séria doença ou a própria morte por meio da violência. 
Segundo o promotor de Justiça, César Danilo Ribeiro de Novais, vivemos em tempos terríveis. Dentre 
os males que assolam nossa sociedade, a droga figura como um de seus grandes expoentes. Esse mal 
atinge a humanidade principalmente de quatro formas: 
- a pessoa-usuária, que vive amarrada a um sistema de criminalidade para adquirir a droga, 
substância destruidora de sua própria saúde; 
- a família da pessoa usuária, que, dia após dia, é carcomida pelo sofrimento de acompanhar um 
ente querido destruir paulatinamente a própria vida, em razão de sua dependência química; 
- o Estado, por assistir sua autoridade sendo afrontada e confrontada pela ação dos traficantes; 
- a sociedade, que vive aterrorizada pelas ações criminosas, movidas em torno do tráfico de drogas: 
furta-se, rouba-se e mata-se em decorrência da droga. 
 
Fuga, negação da realidade, fonte de prazer, caminho para expandir a percepção, veneno. Todas 
essas definições podem ser usadas para falar das drogas, principalmente as ilegais. Hoje a sociedade 
sente o peso dos efeitos catastróficos que o uso indevido e indiscriminado das drogas pode fazer a uma 
pessoa e a sua família. O balanço das consequências que mudou o curso da história da humanidade, é 
devastador e difícil de se reparar. Numa época de opressão e luta de classes pelos mais variados tipos 
de direitos, a droga ganhou força entre as classes tornando-se um catalisador de coesão entre aqueles 
que defendiam uma causa em comum, até mesmo entre os intelectuais o seu uso passou ser aceito com 
naturalidade. 
As relações da sociedade com as drogas estão em discussão, como o problema de saúde pública e a 
questão de segurança, por exemplo. De todas as faixas etárias, os jovens são os mais envolvidos na 
questão. 
 
 
 
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SISTEMA DE DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM FARMÁCIA AMBULATORIAL E 
HOSPITALAR 
 
Da mesma forma que uma Farmácia pública, uma Farmácia Hospitalar precisa estar organizada para 
dispensar adequadamente os produtos que dispõe para os pacientes. A escolha da forma de dispensação 
a ser adotada deve levar em consideração características de cada Hospital, e os recursos disponíveis 
para sua implantação. Os recursos resumem-se em financeiros e técnicos, sendo que neste último caso, 
ainda há uma carência de farmacêuticos especialistas no mercado capazes de implantar com eficiência 
um sistema de dispensação. Um sistema hospitalar de dispensação de medicamentos deve ter alguns 
objetivos importantes, dos quais destacamos: 
- Uso racional de medicamentos; 
- Redução de gastos com medicamentos; 
- Aumentar o controle sobre o uso dos medicamentos, permitindo acesso do farmacêutico às 
informações do paciente. 
- Diminuição dos erros de administração de medicamentos; 
- Colaboração na Farmacoterapia iniciada pelo médico; 
- Aumentar a segurança para o paciente; 
 
Podemos destacar 03 tipos de sistemas de dispensação de medicamentos, sendo: 
- Dose Coletiva; 
- Dose Individualizada; 
- Dose Unitária. 
 
Dose Coletiva: É o sistema pelo qual a farmácia fornece materiais e medicamentos, atendendo a um 
pedido feito pela unidade solicitante. Estas requisições são feitas em nome de setores, e não de 
pacientes, gerando total descontrole do uso. Na Dose Coletiva, a farmácia se torna um mero fornecedor 
de medicamentos, ocorrendo armazenamento em estoques descentralizados e retirando da farmácia a 
atividade de dispensação. 
 
Vantagens: 
- As movimentações do estoque são registradas com facilidade; 
- Custo de implantação muito baixo; 
- Baixo número de colaboradores na farmácia; 
- Horário de funcionamento da farmácia: reduzido. 
 
Desvantagens: 
- Formação de subestoques; 
- Dificuldades no controle logístico dos estoques; 
- Erros de administração de medicamentos; 
- Maior quantidade de perdas; 
- Dispensação feita pela enfermagem: desvio de atividade. 
 
Dose Individualizada: É um pré-requisito para implantação da Dose Unitária. Neste caso, a farmácia 
já recebe as solicitações de medicamentos através de uma transcrição de prescrição médica feita pela 
enfermagem, ou mesmo através de um pedido médico, só que sem esquema posológico rígido. 
 
Vantagens: 
- A Farmácia centraliza os estoques; 
- Quantidade reduzida de estoques, se comparado com a Dose Coletiva; 
- Menor quantidade de perdas e desvios; 
- Possibilidade de garantia de qualidade. 
 
Desvantagens: 
- Custo de implantação e nº de colaboradores é maior, em comparação àDose Coletiva; 
Dispensação de Medicamentos 
 
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- Farmácia funciona em horário integral; 
- Erros de medicação ainda podem ocorrer; 
 
Dose Unitária: Sistema de dispensação existente nos Estados Unidos, já desde os anos 60, 
apresentando inúmera vantagens em relação aos outros modelos, principalmente pelo controle que 
proporciona à Farmácia, no que se refere ao consumo de medicamentos. Neste sistema os medicamentos 
são dispensados de acordo com a prescrição médica, sendo separados e identificados pelo nome do 
paciente, nº do leito e horário de administração. 
 
Objetivos da Dose Unitária: 
- Integrar o farmacêutico à equipe multidisciplinar; 
- Medicamento correto na hora certa; 
- Reduzir incidência de erros de administração de medicamentos; 
 
Vantagens: 
- Segurança na farmacoterapia: otimizada; 
- Redução dos custos; 
- Disponibiliza maior tempo para a enfermagem se dedicar ao paciente; 
- Promove a Instituição: qualidade; 
 
Desvantagens: 
- Custo de implantação, embora seja facilmente recuperado a curto ou médio prazo; 
- Investimento em contratação de colaboradores e treinamento; 
 
Portanto, com base nas informações acima, fica fácil identificar na Dose Unitária, um modelo eficaz e 
capaz de trazer algumas vantagens ao hospital, entretanto, ratificando o que já fora dito, há a necessidade 
de planejamento e do preenchimento de pré-requisitos, sem os quais fica impossível a introdução da dose 
unitária. 
 
 
 
O receituário médico é um documento muito importante da consulta. Nele, o profissional indica o 
caminho terapêutico a ser adotado e o medicamento usado no tratamento. Existem diferentes tipos de 
receita médica, com cores e formatos distintos de acordo com a categoria da substância que for prescrita. 
No Brasil, as normas estabelecidas determinam que o receituário médico seja escrito à tinta, com letra 
de forma, de maneira clara e por extenso. Além disso, os diferentes tipos de receita médica devem, 
necessariamente, conter: 
- Cabeçalho; 
- Informações do paciente; 
- Nome do medicamento; 
- Dosagem; 
- Orientações de como deve ser administrado; 
- Data, assinatura e número do registro do profissional. 
 
Quais são os tipos de receita médica? 
 
Receituário simples - Modelo mais comum. Usado para prescrição de medicamentos paliativos e de 
medicamentos de tarja vermelha. Têm modelos variados, respeitando sempre a legislação. Geralmente 
não há retenção da receita no momento da compra. 
 
Receituário para aquisição de antimicrobianos - usado para a categoria de medicamentos que inclui 
os antibióticos. Também possui modelos variados. 
 
Receituário de controle especial - usado para a compra de substâncias controladas ou sujeitas a 
controle especial. Este tipo de receituário possui três categorias, que devem ser utilizadas de acordo com 
a classe do medicamento a ser prescrito. 
Receita e notificação de receita de controle especial 
 
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Receituário de controle especial varia de acordo com o medicamento. 
 
Existem substâncias que precisam de um monitoramento mais rígido devido a forma como atuam no 
sistema nervoso central e pela capacidade de causar dependência física ou psíquica. 
Também são consideradas substâncias controladas os anabolizantes, as substâncias abortivas ou que 
causam má-formação fetal, além das substâncias que podem ser usadas na fabricação de entorpecentes 
e psicotrópicos. 
 
As receitas de controle especial diferenciam-se da seguinte maneira: 
Notificação de receita A - tem cor amarela e é usada para a prescrição de substâncias entorpecentes 
e psicotrópicas; 
Notificação de receita B - tem cor azul e é usada para substâncias psicotrópicas e psicotrópicas 
anorexígenas; 
Notificação de receita C - tem cor branca e é usada para anabolizantes, antirretrovirais, retinóicas de 
uso tópico, retinóicas de uso sistêmico e talidomida. 
 
No caso dos receituários para antimicrobianos e especiais, pede-se a identificação do paciente e/ou 
do comprador no momento da compra e, geralmente, a via original fica retida no local em que a medicação 
foi dispensada. 
 
https://www.pfizer.com.br/noticias/Como-entender-os-diferentes-tipos-de-receita-m%C3%A9dica 
 
Notificação de Receita8 
 
A Notificação de Receita (NR) é o documento que, acompanhado da receita, autoriza a dispensação 
de medicamentos das listas A1 A2, A3, B1, B2, C2e C3. A Notificação de Receita deve conter somente 
uma substância e ficará retida pela farmácia ou drogaria no momento da compra do medicamento. A 
receita deve ser devolvida ao paciente devidamente carimbada, como comprovação do aviamento ou da 
dispensação. 
 
A notificação de Receita modelo de talonário oficial A, para as listas A1, A2 e A3, modelo de talonário 
– B, para as listas B1 e B2, modelo para os retinoides de uso sistêmico, lista C2 e modelo para a 
Talidomida, lista C3 deverá conter os itens referentes às alíneas a, b e c devidamente impressos e 
apresentando as seguintes características apontadas a seguir. 
 
Dados que devem ser impressos pela gráfica na notificação de Receita: 
- Sigla da Unidade da Federação; 
- Identificação da gráfica: nome, endereço e CNPJ/CGC impressos no rodapé́ de cada folha do 
talonário. Deverão constar também a numeração inicial e final concedidas ao profissional ou instituição e 
o número da Autorização para confecção de talonários emitida pela Vigilância Sanitária local; 
- Identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional com a sigla 
da respectiva Unidade da Federação; ou nome da instituição, endereço completo e telefone; 
- Identificação numérica: a sequência numérica será́ fornecida pela Autoridade Sanitária competente 
dos Estados, Municípios e Distrito Federal; 
- Símbolo indicativo: no caso da prescrição de retinoides deverá conter um símbolo de uma mulher 
grávida, recortada ao meio, com a seguinte advertência: «Risco de graves defeitos na face, nas orelhas, 
no coração e no sistema nervoso do feto. 
 
Dados a serem preenchidos pelo médico ou profissional: 
- Identificação do usuário: nome e endereço completo do paciente, e, no caso de uso veterinário, nome 
e endereço completo do proprietário e identificação do animal; 
- Nome do medicamento ou da substância: prescritos sob a forma de Denominação Comum Brasileira 
(DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade (em algarismos arábicos e por 
extenso) e posologia; 
- Data da emissão; 
- Assinatura do prescritor: quando os dados do profissional estiverem devidamente impressos no 
campo do emitente, este poderá́ apenas assinar a Notificação de Receita. No caso de o profissional 
 
8 PEREIRA, Josimara Pinho. Aspectos Legais da Comercialização de Produtos em Farmácia. 1ª Ed. Érica. 
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pertencer a uma instituição ou estabelecimento hospitalar, deverá identificar a assinatura com carimbo, 
constando a inscrição no Conselho Regional, ou manualmente, de forma legível. 
 
Dados a serem preenchidos pela farmácia: 
- Identificação do comprador: nome completo, número do documento de identificação, endereço 
completo e telefone; 
- Identificação do fornecedor: nome e endereço completo, nome do responsável pela dispensação e 
data do atendimento; 
- Identificação do registro: anotação da quantidade aviada, no verso, e, quando tratar-se de 
formulações magistrais, o número de registro da receita no livro de receituário. 
 
Notificação da Receita A 
 
É válida em todo o território nacional por 30 dias contados a partir da data de sua emissão, sendo 
necessário que seja acompanhada da receita com justificativa do uso quando para aquisição em outro 
estado. 
As farmácias e drogarias devem apresentar, dentro do prazo de 72 horas, à autoridade sanitárialocal, 
as Notificações de Receita A procedentes de outros estados para averiguação e visto. As Notificações de 
Receita A que contiverem medicamentos à base das substâncias constantes das listas A1 e A2 
(entorpecentes) e A3 (psicotrópicas) deverão ser remetidas até́ o dia 15 do mês subsequente às 
Autoridades Sanitárias Estaduais ou Municipais e do Distrito Federal, através de relação em duplicata, 
que será́ recebida pela Autoridade Sanitária competente mediante recibo, as quais, após conferência, 
serão devolvidas no prazo de 30 dias. 
Poderão conter no máximo cinco ampolas e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade 
correspondente, no máximo, a 30 dias do tratamento. 
A Notificação de Receita A, para a prescrição dos medicamentos e substâncias das listas A1 e A2 
(entorpecentes) e A3 (psicotrópicos), de cor amarela, será́ impressa a expensas da Autoridade Sanitária 
Estadual ou do Distrito Federal, contendo 20 folhas em cada talonário. Será́ fornecida gratuitamente pela 
Autoridade Sanitária competente do Estado, Município ou Distrito Federal aos profissionais e instituições 
devidamente cadastrados. 
Para o recebimento do talonário, o profissional ou o portador deverá estar munido do respectivo 
carimbo, que será́ aposto na presença da Autoridade Sanitária, em todas as folhas do talonário, no campo 
“Identificação do Emitente”. 
 
 
 
Notificação de Receita B1 
 
É válida somente dentro do estado que concedeu a numeração por 30 dias contados a partir de sua 
emissão. Poderá́ conter no máximo cinco ampolas e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade 
correspondente, no máximo, a 60 dias de tratamento. Deve ser empregada para a prescrição de 
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medicamentos ou substâncias da lista B1. Devem ser prestada contas à Vigilância Sanitária através da 
escrituração eletrônica no SNGPC e figurar nos balanços trimestrais e anuais. 
 
 
 
 
 
Notificação de Receita B2 
 
É válida somente dentro do estado que concedeu a numeração por 30 dias contados a partir de sua 
emissão. Poderá́ conter no máximo cinco ampolas e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade 
correspondente, no máximo, a 30 dias de tratamento. Deve ser empregada para a prescrição de 
medicamentos ou substâncias anorexígenas da lista B2. Devem ser prestadas contas à Vigilância 
Sanitária através da escrituração eletrônica no SNGPC e figurar no Balanço Mensal de Notificação de 
Receita B2, a ser entregue mensalmente aos órgãos de vigilância municipais pelas farmácias e droga- 
rias, nos Balanços de Medicamentos Psicotrópicos e Outros Sujeitos a Controle Especial (BMPO), nos 
Balanços de Substâncias Psicotrópicas e Outros Sujeitos a Controle Especial (BSPO) trimestrais e 
anuais. 
 
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A partir da publicação da RDC 52/11, além de a sibutramina ter que ser prescrita na Notificação de 
Receita B2, de acordo com o estabelecido na RDC 58/07, o médico e o paciente terão também de assinar 
um Termo de Responsabilidade. O documento especificará que o médico esclareceu o paciente sobre os 
riscos da utilização da sibutramina e o paciente assinará que está́ ciente dos riscos. O documento será́ 
feito em três vias (uma para a farmácia ou drogaria dispensadora, uma para o paciente e outra para o 
médico). 
 
Notificação de Receita C2 
 
A Notificação de Receita Especial C2 (retinoides de uso sistêmico), de cor branca, será́ impressa a 
expensas do médico prescritor ou da instituição à qual esteja filiado, e terá́ validade por um período de 
30 dias, contados a partir de sua emissão, e somente dentro da Unidade Federativa que concedeu a 
numeração. Poderá́ conter no máximo cinco ampolas, e, para as demais formas farmacêuticas, a 
quantidade para o tratamento correspondente no máximo a 30 dias, contados a partir de sua emissão e 
somente dentro da Unidade Federativa que concedeu a numeração. Deverá estar acompanhada de 
«Termo de Consentimento Pós-Informação», fornecido pelos profissionais aos pacientes, alertando-os de 
que o medicamento é pessoal e intransferível, e das suas reações e restrições de uso. 
 
 
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A função compras9 é um segmento essencial do departamento de materiais ou suprimentos. Tem por 
finalidade suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las 
no momento certo com as quantidades corretas. É importante salientar que, nas modernas 
organizações hospitalares, essa função pode e deve ser exercida por farmacêuticos ou pessoas da área 
administrativa, gabaritadas para a atividade e com ampla experiência. 
A necessidade de comprar cada vez melhor é enfatiza-da por todos os empresários, juntamente com 
a necessidade de estocar em níveis adequados. Comprar bem é um dos principais meios para a 
redução dos custos hospitalares. Isso significa verificar cuidadosamente preços, prazos e qualidade do 
material e do serviço. 
A seleção de fornecedores é considerada posto-chave no processo de compras. A potencialidade do 
fornecedor deve ser confirmada, assim como suas instalações e seus produtos. É imprescindível o 
estabelecimento de critérios para o cadastramento de fornecedores, assim como são recomendáveis 
visitas periódicas e programas de auditoria, em especial no caso de fornecedores que interferem com a 
qualidade dos serviços prestados pelo hospital. 
 
Atividades Típicas da Seção de Compras 
 
1. Pesquisa dos Fornecedores 
• estudo do mercado; 
• estudo dos materiais; 
• análise dos custos; 
• investigação das fontes de fornecimento; 
• desenvolvimento de fontes de materiais alternativos. 
 
2. Aquisição 
• conferência de requisições; 
• análise das cotações; 
• decisão sobre comprar por meio de contratos ou no mercado aberto; 
• entrevista com vendedores; 
• negociação de contratos; 
• efetivação das encomendas de compras; 
• acompanhamento do recebimento de materiais. 
 
3. Administração 
• manutenção de estoques mínimos; 
• transferências de materiais; 
• evitar excessos e obsolescência de estoques; 
• padronização de todos os aspectos possíveis. 
 
4. Diversos 
• estimativa de custo; 
• descarte de materiais desnecessários, obsoletos ou excedentes; 
• preservação das relações comerciais recíprocas. 
 
 
 
A administração de recursos materiais10 no ambiente hospitalar confunde-se com as funções 
desempenhadas pela farmácia hospitalar. Muitas empresas prestadoras de serviços na área da saúde 
 
9 CAVALLINI, Míriam Elias; BISSON, Marcelo Polacow. Farmácia Hospitalar Um Enfoque em Sistemas de Saúde. 2ª Ed. Manole. 
10 CAVALLINI, Míriam Elias; BISSON, Marcelo Polacow. Farmácia Hospitalar Um Enfoque em Sistemas de Saúde. 2ª Ed. Manole. 
 
Aquisição 
 
logística e gestão de estoque 
 
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entendem que a questão logística é responsabilidade única e exclusiva de uma gerência de 
suprimentos ou de materiais, podendo o gerente ser um profissional farmacêutico, pois ninguém 
entende mais de medicamentos e materiais correlatos do que esse profissional, e esses itens chegam a 
representar, financeiramente, até́ 75% do que se consome em um hospital geral. 
O conveniente gerenciamento das atividades de administração de materiais e de medicamentos em 
um hospital representa diferencial de gestão e economia de recursos financeiros, os quais, na maioria 
dos hospitais, são escassos. 
Para assumir ações de gerência de logística, é necessário que o farmacêutico ou administrador 
hospitalar possua grande vivência e cursos de especialização na área, de modo que se garanta o 
emprego conveniente das modernas técnicas de gestão de materiais. Os profissionais que acreditam 
que a administração de materiais limita-se à administraçãode estoque incorrem em grande erro, pois 
esta é somente uma parcela da extensa matéria pertinente à função. Na realidade, a administração de 
materiais engloba suprimento de materiais e medicamentos, movimentação e controle de produtos, 
aquisição e padronização de itens, montagem de custos, estabelecimento do preço de venda de 
materiais e medicamentos utilizados por pacientes, muitas vezes cobrados de convênios médicos pelos 
hospitais. 
 
A administração de materiais compõe-se de dois subsistemas: 
 
1. Administração de Materiais e Distribuição Física 
• compras; 
• recebimento; 
• planejamento; 
•controle de produção (manipulação), expedição, tráfego e estoques. 
 
2. Coordenação Demanda/Suprimento 
• transporte; 
• armazenagem; 
• movimentação física de materiais; 
• embalagem; 
• controle de estoques; 
• seleção de locais para armazenagem; 
• processamento de pedidos; 
• atendimento ao cliente. 
 
O rápido crescimento de custos – em particular os de serviços de transporte e armazenagem – tem 
obrigado os hospitais a desenvolver técnicas matemáticas e adquirir equipamentos de informática 
capazes de tratar eficientemente a massa de dados necessários à análise de problemas logísticos. 
Há atualmente uma forte tendência, em hospitais e clínicas, de transferir as responsabilidades de 
administração dos estoques para os distribuidores e fabricantes – processo que pode ser conduzido por 
consignação e terceirização. 
Uma série de técnicas estão disponíveis para o gerenciamento de estoques, cada uma aplicável ao 
estágio em que o hospital se encontra. 
Uma preocupação que deve estar sempre presente em qualquer situação é a precisão das 
informações. 
 
Os maiores problemas gerados pela imprecisão de dados são: 
• má́ localização dos estoques; 
• armazenamento inadequado; 
• erros de cálculo nos relatórios de entrada e saída de materiais; 
• erros no recebimento; 
• esquecimento e atraso na emissão de documentos relativos a entrada e saída de materiais; 
• procedimentos inadequados de contagem física. 
 
 
 
 
 
 
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CONTROLE DE ESTOQUE 
 
Recebimento de medicamentos 
Devem existir instruções por escrito, descrevendo com detalhes o recebimento, a identificação e o 
manuseio dos medicamentos. Elas devem indicar adequadamente os métodos de estocagem e definir os 
procedimentos burocráticos para com as outras áreas de organização. 
- No ato do recebimento, cada entrada deve ser examinada quanto a sua documentação e fisicamente 
inspecionada para se verificar suas condições, rotulagem, tipo e quantidade. 
- Se for o caso de recebimento de um produto com mais de um lote de fabricação, ele deve ser 
subdividido em quantos lotes forem necessários e estocados dessa forma. 
- Os lotes que forem submetidos a amostragem ou os julgados passíveis de análise, devem ser 
conservados em quarentena até decisão do Controle de Qualidade. 
 
Estocagem. Considerações gerais 
- Toda e qualquer área destinada a estocagem de medicamentos deve ter condições que permitam 
preservar suas condições de uso. 
- Nenhum medicamento poderá ser estocado antes de ser oficialmente recebido e nem liberado para 
entrega sem a devida permissão, também oficial. 
- Os estoques devem ser inventariados periodicamente e qualquer discrepância devidamente 
esclarecida. 
- Os estoques devem ser inspecionados com frequência para verificar-se qualquer degradação visível, 
especialmente se os medicamentos ainda estiverem sob garantia de seus prazos de validade. 
- Medicamentos com prazos de validade vencidos, devem ser baixados do estoque e destruídos, com 
registro justificado por escrito pelo farmacêutico responsável, obedecendo o disposto na legislação 
vigente. 
- A estocagem, quer em estantes, armários, prateleiras ou estrados, deve permitir a fácil visualização 
para a perfeita identificação dos medicamentos, quanto ao nome do produto, seu número de lote e seu 
prazo de validade. 
- A estocagem nunca deve ser efetuada diretamente em contato direto com o solo e nem em lugar que 
receba luz solar direta. 
- As áreas para estocagem devem ser livres de pó, lixo, roedores, aves, insetos e quaisquer animais. 
- Para facilitar a limpeza e a circulação de pessoas, os medicamentos devem ser estocados à distância 
mínima de 1(um) metro das paredes. 
- A movimentação de pessoas, escadas e veículos internos nas áreas de estocagem deve ser 
cuidadosa para evitar avarias e comprometimento e/ou perda de medicamentos. 
- Embalagens parcialmente utilizadas devem ser fechadas novamente, para prevenir perdas e/ou 
contaminações, indicando a eventual quantidade faltante no lado externo da embalagem. 
- A liberação de medicamentos para entrega deve obedecer a ordem cronológica de seus lotes de 
fabricação, ou seja, expedição dos lotes mais antigos antes dos mais novos. 
- A presença de pessoas estranhas aos almoxarifados deve ser terminantemente proibida nas áreas 
de estocagem. 
 
Estocagem de medicamentos termo lábeis 
Para os medicamentos que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, além das 
recomendações do tópico anterior, devem ser observadas as seguintes: 
- O local de estocagem deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (±2º). 
- As medições de temperatura devem ser efetuadas de maneira constante e segura, com registros 
escritos. 
- Deverão existir sistemas de alerta que possibilite detectar defeitos no equipamento de ar 
condicionado para pronta reparação. 
 
Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros) 
Esses produtos, para manterem suas efetividades de uso, requerem condições ótimas de estocagem, 
especialmente no que se refere a temperatura. Assim, sem prejuízo das recomendações do tópico 
Estocagem. Considerações Gerais, mais as seguintes, devem ser observadas. 
- O manuseio de medicamentos imunobiológicos deve ter prioridade em relação aos demais, bem 
como sua liberação para entrega. 
- Deve ser evitada, ao máximo, a exposição desses produtos a qualquer tipo de luz. 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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- As áreas de estocagem devem ser em equipamento frigorífico, constituído de refrigeradores, 
“freezers” e câmaras frias. 
- Refrigerador é o equipamento que permite temperaturas entre 4ºC e 8ºC. 
- “Freezer” é o equipamento que permite temperaturas não superiores a -10ºC. 
- Câmara fria é o equipamento que permite temperaturas entre 8ºC e 15ºC. 
- Os equipamentos frigoríficos devem ser controlados diariamente por: Termógrafos, nas câmaras frias. 
Termômetros de máxima e mínima em refrigeradores e “freezers”. 
- As medições de temperatura efetuadas devem ser registradas diariamente pelo responsável pelo 
almoxarifado e, qualquer anormalidade, corrigida no mais breve espaço de tempo. 
- A distribuição dos produtos dentro dos equipamentos frigoríficos deve permitir a livre circulação do ar 
frio entre as diversas embalagens contidas nos mesmos. 
- No caso das câmaras frias é aconselhável a existência de antecâmaras para evitar a perda 
desnecessária de frio, quando da abertura das portas dessas câmaras. 
- As entradas e retiradas de produtos de qualquer equipamento frigorífico devem ser programadas 
antecipadamente, visando diminuir, ao máximo, as variações internas de temperatura. 
- Os equipamentos frigoríficos devem estar permanentemente em funcionamento, ligados a rede 
elétrica local e sempre que possível, possuindo uma rede alternativa de energia (gerador) para atender 
eventuais faltas de energia no sistema. 
- Cada equipamento do sistema frigorífico deve ter ligação exclusiva para evitar sobrecarga de energia 
elétrica e facilitar seu controle de uso. 
- Tanto os refrigeradores como os “freezers”, devem ser aproveitados também para a produção de 
gelo, a ser utilizado na remessa dos produtos e para segurança do próprio equipamento e dos produtos 
que ele contém, numa eventual falhado seu sistema interno de resfriamento. 
- Todo o pessoal do almoxarifado, especialmente os ligados a estocagem de medicamentos 
imunobiológicos, deve estar familiarizado com as técnicas de estocagem desses produtos, para poder 
atender qualquer situação de emergência, consequente a um eventual corte de energia elétrica ou defeito 
no sistema de refrigeração. 
- Todos os equipamentos, geladeiras, “freezers” e câmaras frias, devem possuir um sistema de alarme 
confiável, que indique prontamente qualquer tipo de anormalidade em seu funcionamento. 
 
Estocagem de medicamentos de uso controlado 
Dada às características desses medicamentos, sua área de estocagem deve ser considerada de 
segurança máxima. 
- Independentemente das recomendações contidas nos tópico Estocagem. Considerações Gerais, 
Estocagem de medicamentos termo lábeis e Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e 
soros), onde elas couberem, esses medicamentos precisam estar em área isolada das demais, somente 
podendo ter acesso a ela o pessoal autorizado pelo farmacêutico responsável do almoxarifado. 
- Os registros de entrada e de saída desses medicamentos, devem ser feitos de acordo com a 
legislação sanitária específica, sem prejuízo daquelas que foram determinadas pela própria administração 
do almoxarifado. 
 
Controle de validade de medicamentos 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), define prazo de validade como a data limite para 
utilização de um produto farmacêutico definido pelo fabricante, com base nos seus respectivos testes de 
estabilidade, mantidas as condições de armazenamento e transporte estabelecidas pelo mesmo. 
Normalmente, este é expresso em mês/ano, o que denota que o medicamento poderá ser usado, até o 
último dia do mês estipulado. 
Por exemplo, se um produto tem prazo de validade de 03/2014, significa que poderá ser utilizado até 
o dia 31 de março do ano 2014, respeitadas as orientações do fabricante. Entretanto, deve‑se considerar 
antecipadamente vencido o medicamento cuja posologia não possa ser inteiramente efetivada no prazo 
de validade ainda remanescente, como os anticoncepcionais que, para obtenção dos resultados 
esperados, devem ser ingeridos diariamente por 21 a 30 dias. 
Para um eficaz controle de validade, é indispensável uma estocagem adequada, onde os 
medicamentos fiquem distribuídos, de forma a permitir a fácil visualização da validade, ficando os 
produtos de vencimento próximo, colocados na frente dos demais. Sugere‑se, ainda, que sejam 
separados, em local específico, os medicamentos a vencer, nos próximos seis meses, facilitando a 
priorização de sua venda e a sua retirada do estoque, após o vencimento. 
O destino dos produtos vencidos deve ser definido e escrito no” Plano de Gerenciamento de Resíduos 
de Serviços de Saúde” (Resolução RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004). Constatado o vencimento, 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
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os produtos devem ser acondicionados em caixas lacradas e armazenados em local devidamente 
identificado, até serem entregues à vigilância sanitária local. 
Os medicamentos sujeitos ao controle especial obedecem a critérios mais rígidos, devendo ser seu 
vencimento registrado no SNGPC (Resolução RDC nº 27, de 30 de março de 2007) e sua segregação 
feita em armários chaveados, até o recolhimento ou envio à Visa municipal. 
 
Legislação 
 
A legislação sanitária exige o controle da estabilidade dos medicamentos para definição e 
acompanhamento do prazo de validade do produto a ser comercializado 
- Resolução RE n.1 de 29.07.2005 – Guia para a realização de estudos de estabilidade; 
- RDC 210 de 04.08.2003 Boas Práticas para a fabricação de medicamentos; 
- RDC 67 de 08.10.2007 – Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais. 
 
Referências: 
 
BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – NBR ISO9000 2: Normas de Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade: diretrizes gerais para 
a aplicação nas normas ISO9001, 9002 e 9003, 2000. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº67, de 8 de outubro de 2007. Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais 
e Oficinais para Uso Humano em farmácias. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 09 de outubro de 2007, Seção 1. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº87, 21 novembro de 2008. Altera o Regulamento Técnico sobre Boas Práticas de Manipulação em 
Farmácias. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 de novembro de 2008, Seção 1. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº37, de 06 de julho de 2009. Trata da admissibilidade das Farmacopeias estrangeiras. Diário Oficial da 
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 08 de julho de 2009, Seção 1. 
 
 
 
Caro leitor o assunto referente a Classificação de medicamentos foi abordado no tópico Definições, 
conceituação de medicamentos, classificação de Psicotrópicos, Entorpecentes, 
Imunossupressores. 
 
Organização11 e Exposição dos Produtos 
 
Os medicamentos deverão permanecer em área de circulação restrita aos funcionários, não sendo 
permitida sua exposição direta ao alcance dos usuários do estabelecimento. Os medicamentos isentos 
de prescrição poderão permanecer ao alcance dos usuários para obtenção por meio de autosserviço no 
estabelecimento. 
De acordo com a Resolução da Anvisa RDC no 41/12, os medicamentos isentos de prescrição 
devem ficar em área separada da de produtos como cosméticos e dietéticos e devem ser organizados 
por princípio ativo para permitir a fácil identificação pelos consumidores. O texto exige que, na área 
destinada aos remédios isentos de prescrição, sejam afixados cartazes com a seguinte orientação: 
“Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o 
farmacêutico.” Também na área destinada aos medicamentos de venda sob prescrição médica deve 
estar exposto cartaz, em local visível ao público, contendo a seguinte orientação, de forma legível e 
ostensiva, que permita a fácil leitura a partir da área de circulação comum: “Medicamentos podem 
causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico.” 
 
Dispensação de Medicamentos 
A dispensação de medicamentos deve assegurar ao usuário o direito à informação e orientação 
quanto ao uso de medicamentos. São elementos importantes da orientação farmacêutica, entre outros, 
a ênfase no cumprimento da posologia, a influência dos alimentos, a interação com outros medica- 
mentos, o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições de conservação do produto. 
 
 
11 PEREIRA, Josimara Pinho. Aspectos Legais da Comercialização de Produtos em Farmácia. 1ª Ed. Érica. 
Classificação e organização de medicamentos 
 
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. 115 
 
 
O estabelecimento deve manter à disposição dos usuários, em local de fácil visualização, a lista 
atualizada dos medicamentos genéricos. 
 
 
 
É o procedimento capaz de promover o uso racional de medicamentos por meio da dispensação de 
unidades farmacotécnicas ao usuário, na quantidade estabelecida pela prescrição médica, odontológica 
ou necessária ao tratamento correspondente, nos casos dos medicamentos isentos de prescrição, sob 
orientação e responsabilidade do farmacêutico. Isso ocorre a partir da subdivisão da embalagem de um 
medicamento em partes individualizadas, suficientes para atender ao tratamento clínico prescrito ou às 
necessidades terapêuticas do consumidor e usuário de medicamentos, quando isentos de prescrição. A 
embalagem que pode ser fracionada, chamada de embalagem primária fracionável, é especialmente 
desenvolvida pelo fabricante e aprovada pela Anvisa para essa finalidade. Ela vem acondicionada em 
uma embalagem externa, chamadasubcutâneo 
SF ........................................................... solução fisiológica 
SG ........................................................... solução glicosada 
SGF ....................................................... soro glicofisiológico 
SL ......................................................................... sublingual 
SNE ........................................................ sonda nasoenteral 
SNG .................................................... sonda nasogástrica 
Sol. .......................................................................... solução 
SP/Sup ............................................................... supositório 
SS/Susp ............................................................. suspensão 
SY .............................................................................. spray 
TB ................................................................................. tubo 
UI ................................................ unidades internacionais 
VD ................................................................................ vidro 
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VO ........................................................................... via oral 
VR .......................................................................... via retal 
XP ............................................................................ xarope 
 
Denominação Comum Brasileira (DCB) é a denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente 
ativo aprovada pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária (Lei n.° 9.787/1999). Atualmente, com 
o advento do registro eletrônico, adquiriu uma concepção mais ampla e inclui também a denominação de 
insumos inativos, soros hiperimunes e vacinas, radiofármacos, plantas medicinais, substâncias homeopáticas 
e biológicas. 
 
Fonte: http://portal.anvisa.gov.br/denominacao-comum-brasileira 
 
Reação Adversa a Medicamentos 
 
Embora os medicamentos sejam formulados, indiscutivelmente sob critérios de proteção e segurança, 
convive-se com o risco associado ao seu uso. 
Motivos diversos expõem as pessoas a efeitos indesejados. A utilização de medicamentos em 
situações não indicadas ou em circunstâncias que desrespeitem os critérios de uso racional pode 
provocar danos. É comum haver consequências como intoxicação. 
Tipos Categorias de Frequência e Critérios de Gravidade das Reações Adversas a 
Medicamentos 
 
Reações adversas, tradicionalmente, foram separadas entre aquelas que se apresentavam como 
efeito farmacológico aumentado, também chamadas reações tipo A - aumentada - a partir de uma 
proposta mnemônica ou dose relacionadas, e aquelas que resultavam de um efeito aberrante, também 
chamadas reações tipo B - bizarras - não relacionadas à dose. 
Reações tipo A tendem a ocorrer com maior frequência e estão relacionadas à dose. São previsíveis 
e menos graves. Podem ser tratadas simplesmente com a redução da dose do medicamento. Tendem a 
ocorrer entre indivíduos que apresentem uma destas três características: 
1) os indivíduos podem ter recebido dose maior que a que lhes é apropriada; 
2) podem ter recebido quantidade convencional do medicamento, mas metabolizá-lo ou excretá-lo de 
forma mais lenta que o usual, apresentando níveis quantitativos muito elevados; 
3) podem apresentar níveis normais do medicamento, porém, por alguma razão, são demasiadamente 
sensíveis a ele (10). 
Em contraste, reações tipo B tendem a ser incomuns. 
 
Classificação de reações adversas a medicamentos não relacionadas à dose, imprevisíveis e 
potencialmente mais graves. Quando ocorrem, frequentemente é necessária a suspensão do 
medicamento. Elas podem ser consequentes do que é conhecido como reações de hipersensibilidade ou 
reações imunológicas. Também podem constituir reações idiossincráticas ao medicamento ou ser 
consequentes de algum outro mecanismo. Por isso, reações tipo B são mais difíceis de predizer, ou 
mesmo de identificar, e representam o foco principal da farmacoepidemiologia (10). 
Com a inclusão de novos tipos de RAMs, atualmente são considerados os tipo A, B, C, D, E, F. Ainda 
assim, nem sempre é possível classificar uma RAM nessas categorias, uma vez que o mecanismo que 
leva à sua ocorrência pode não ser conhecido. O quadro seguinte apresenta essa classificação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Tipo de 
reação 
Mnemônico Características Exemplos 
A: 
Relacionado 
à dose 
Aumento • Comum 
• Relacionada a um 
efeito farmacológico da droga 
• Esperada 
• Baixa mortlidade 
• Efeitos tóxicos: Intoxicação 
digitálica; síndrome serotoninérgica 
com ISRSs 
• Efeitos Colaterais:efeitos 
anticolinérgicos de antidepressivos 
tricíclicos 
B: Não 
relacionado à 
dose 
Bizarro • Incomum 
• Não relacionada a um 
efeito farmacológico da droga 
• Inesperada 
• Alta mortlidade 
• Reações imunológicas: 
hipersensibilidade à penicilina 
• Reações idiossincráticas: 
porfiria aguda, hipertermia maligna, 
pseudoalergia (ex.: rash em uso de 
ampicilina) 
C: 
Relacionado 
à dose e ao 
tempo de uso 
Crônico • Incomum 
• Relacionada ao efeito 
cumulativo do fármaco 
• Supressão do eixo 
hipotalâmicohipofisário- adrenal por 
corticosteroides 
D: 
Relacionado 
ao tempo de 
uso 
Atraso (do 
inglês, 
delayed) 
• Incomum 
• Normalmente 
relacionado à dose • Ocorre 
ou aparece algum tempo 
após o uso do medicamento 
• Teratogênese (ex.: 
adenocarcinoma associado ao 
dietiletilbestrol) 
• Carcinogênese 
• Discinesia tardia 
E: 
Abstinência 
Fim do uso 
(do inglês, 
end of use) 
• Incomum 
• Ocorre logo após a 
suspensão do medicamento 
• Síndrome de abstinência à opiáceos • 
Isquemia miocárdica (suspensão de â- 
bloqueador) 
F: Falha 
inesperada 
da terapia 
Falha • Comum 
• Relacionado à dose 
• Frequentemente 
causado por interação de 
medicamentos 
• Dosagem inadequada de 
anticoncepcional oral particularmente 
quando utilizados indutores 
enzimáticos 
Fonte: adaptado de Edwards; Aronson; 2000 (11). 
Quanto à frequência das RAMs, são consideradas as categorias seguintes: 
 
Classificação das reações adversas quanto à frequência 
 
Muito comum* >1/10 >10 % 
Comum (freqüente) >1/100 e 1% e 1/ 1.000 e 0.1% e 1/ 10.000 e 0.01% ede embalagem original para fracionáveis, facilmente identificada pela 
inscrição “EMBALAGEM FRACIONÁVEL”, na cor vermelha. 
 
O fracionamento começa com a avaliação da prescrição e termina com a dispensação, 
percorrendo os seguintes passos: 
- Avaliação da prescrição pelo farmacêutico. 
- Subdivisão da embalagem do medicamento em frações menores, realizada na área de 
fracionamento, a partir de sua embalagem original para fracionáveis, a fim de atender à quantidade 
prescrita ou às necessidades terapêuticas do consumidor e usuário de medicamentos, quando isentos de 
prescrição. 
- Acondicionamento das unidades fracionadas na embalagem da própria farmácia ou drogaria, 
contendo uma bula do medicamento correspondente. 
- Retorno das unidades remanescentes à embalagem original para fracionáveis, quando for o caso. 
- Rotulagem da embalagem destinada à dispensação direta ao usuário, contendo as informações 
exigidas pela RDC nº 80/2006. 
- Registro das operações relacionadas com a dispensação de medicamentos na forma fracionada. 
- Restituição da receita ao usuário, devidamente carimbada em cada item dispensado e assinada pelo 
farmacêutico. 
- Dispensação do medicamento fracionado. 
 
Importante: O fracionamento e a dispensação de medicamentos devem ser realizados no mesmo 
estabelecimento, sendo vedada a captação de prescrições oriundas de qualquer outro estabelecimento, 
ainda que da mesma empresa. 
 
O fracionamento deve ser realizado sob a supervisão e responsabilidade do farmacêutico, segundo as 
Boas Práticas para Fracionamento estabelecidas pela RDC nº 80/2006. 
 
Importante: A avaliação da prescrição e a dispensação dos medicamentos fracionados são atos que 
só o farmacêutico pode realizar. A delegação dos demais atos não exclui a responsabilidade do 
farmacêutico. 
 
 
Fracionamento de medicamentos 
 
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. 116 
Quais os medicamentos que podem ser fracionados? 
Os medicamentos nas apresentações de bisnaga monodose, frasco-ampola, ampola, seringa 
preenchida, flaconete, sachê, envelope, blister e strip podem ser fracionados e dispensados de forma 
fracionada. Também são passíveis de fracionamento os medicamentos que se apresentam nas formas 
farmacêuticas de comprimidos, cápsulas, óvulos vaginais, drágeas, adesivos transdérmicos e 
supositórios. É preciso ainda que estejam acondicionados em embalagens especialmente desenvolvidas 
pelo fabricante para essa finalidade, com mecanismos que permitam a subdivisão em frações 
individualizadas. Desse modo, visa-se garantir a manutenção das características asseguradas na forma 
original. Essas embalagens são registradas na Anvisa e são facilmente identificadas pela inscrição 
“EMBALAGEM FRACIONÁVEL” no rótulo da embalagem secundária. 
 
Como são as embalagens desenvolvidas pelo fabricante e registradas pela Anvisa para fins de 
fracionamento? 
O fracionamento requer uma embalagem especial, que seja desenvolvida e registrada para esse fim, 
de modo a assegurar as condições necessárias para a manutenção da qualidade do medicamento no 
atendimento individualizado da prescrição. É oportuno destacar as seguintes características das 
embalagens relacionadas com o fracionamento: 
 
 
 
Acondicionamento que contém os medicamentos em embalagens primárias, as quais poderão ser 
subdivididas e dispensadas ao usuário para atender à prescrição. 
Sua identificação se dá pela inscrição “EMBALAGEM FRACIONÁVEL”, em caixa alta e na cor 
vermelha, localizada logo acima da faixa de restrição de venda ou posição equivalente, no caso de sua 
inexistência. Para os Medicamentos Genéricos, essa inscrição será localizada logo acima da faixa 
amarela que contém o logotipo definido pela legislação específica. 
As embalagens originais fracionáveis devem ser armazenadas de forma organizada, em local que, 
além das características comuns à estocagem de medicamentos, deve estar identificado de forma legível 
e ostensiva com a indicação “Embalagens Fracionáveis”, permitindo fácil distinção com relação às 
embalagens comuns (não fracionáveis). 
 
Importante: Após a ruptura do lacre ou selo de segurança, as embalagens que contêm os 
medicamentos fracionáveis devem ser armazenadas separadamente das demais, ainda que 
permaneçam no mesmo local de estocagem. Também é permitida a guarda de embalagens fracionáveis 
na área de fracionamento, desde que asseguradas as características indispensáveis de organização e de 
segurança. 
 
Acondicionamento que está em contato direto com o medicamento, capaz de assegurar a manutenção 
de sua qualidade e segurança. 
Contém mecanismos adequados à subdivisão da embalagem em frações individualizadas para 
viabilizar a dispensação de unidades farmacotécnicas ao usuário, sem contato do medicamento com o 
meio externo e em quantidade suficiente para atender ao tratamento prescrito. 
 
Importante: Após o fracionamento, as embalagens primárias fracionáveis remanescentes devem 
retornar para a embalagem original correspondente. 
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. 117 
 
 
É a menor unidade da embalagem obtida a partir da embalagem primária fracionável, sem qualquer 
contato do medicamento com o meio externo, preservando-se as características de qualidade e de 
segurança do produto até que este chegue ao usuário final, assim como os dados de identificação (nome, 
concentração do princípio ativo, nº de registro, lote, prazo de validade etc.). 
 
Cada embalagem primária fracionada registrada pela Anvisa deve conter as seguintes 
informações: 
• Nome comercial do medicamento, quando não se tratar de medicamento genérico, isento de registro, 
homeopático isento de registro e imunoterápico. 
• Denominação Comum Brasileira (DCB) ou, na sua falta, Denominação Comum Internacional (DCI), 
em letras minúsculas, ou nomenclatura botânica (gênero e espécie), no caso de fitoterápicos. 
• Concentração da substância ativa por unidade posológica, com exceção de medicamentos com mais 
de quatro fármacos. 
• Nome do titular do registro ou logomarca, desde que esta contenha o nome da empresa. 
• Número do registro (contendo até nove dígitos), número do lote e data de validade (mês/ano). 
• Via de administração, quando restritiva. 
• A expressão “Medicamento genérico Lei nº 9.787, de 1999” ou o logotipo caracterizado pela letra “G” 
estilizada e as palavras “Medicamento” e “Genérico”, conforme legislação específica, quando se tratar de 
medicamento genérico. 
• A expressão “Exija a bula”. 
 
Em que estabelecimentos o fracionamento pode ser realizado? 
O procedimento de fracionamento integra a dispensação de medicamentos, sendo desnecessária a 
expedição de nova licença ou autorização de funcionamento para execução desse procedimento. 
Portanto, o fracionamento de medicamentos a partir das embalagens especialmente desenvolvidas 
para essa finalidade pode ser realizado em qualquer farmácia ou drogaria que esteja funcionando 
regularmente perante os órgãos de Vigilância Sanitária competentes, desde que disponham de 
instalações adequadas ao procedimento e atendam às condições técnicas e operacionais estabelecidas 
na RDC n° 80/2006 e seus anexos. 
 
Quais as características que as farmácias e drogarias devem possuir para realizar o 
fracionamento? 
Além das condições sanitárias normalmente exigidas para o funcionamento regular de uma farmácia 
ou drogaria, elas devem possuir as seguintes características: 
• Área para o fracionamento (identificada e visível para o usuário). 
• Placa com identificação do nome completo do farmacêutico e do horário de sua atuação no 
estabelecimento, de forma legível e ostensiva para o público. 
• Indicação, em local visível para o público, contendo informações legíveis e ostensivas de que o 
fracionamento deve ser realizado sob a responsabilidade do farmacêutico. 
• Documentos comprobatórios quanto à regularidade de funcionamento do estabelecimento, expedidos 
pelos órgãos sanitáriosA participação ativa desses profissionais garante a efetividade 
da vigilância durante o período de comercialização dos “Os profissionais de saúde são os mais aptos 
a identificar as reações adversas a medicamentos, devido à sua estreita relação com os 
pacientes.” 
 
Como Notificar Suspeitas de RAM (Reação Adversa ao Medicamento) 
Todos os profissionais de saúde devem notificar as RAMs, mesmo quando houver dúvidas quanto à 
sua relação com determinado medicamento (6). A notificação deve ser remetida a instituições de saúde, 
desde que a instituição tenha profissional designado especificamente para recebê-la, aos centros de 
vigilância locais ou diretamente ao Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos, sediado da 
Unidade de Farmacovigilância da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 
As reações adversas graves e as reações não descritas ou pouco conhecidas merecem atenção 
especial e constituem o principal interesse da farmacovigilância. 
O formulário de notificação de suspeita de reação adversa a medicamento poderá ser preenchido e 
enviado por meio eletrônico em: https://www.anvisa.gov.br/multimidia/Formulario/ notifica_med.asp. Para 
preenchimento por escrito, encontra-se disponível no endereço eletrônico: 
http://www.anvisa.gov.br/servicos/form/farmaco/ notificacao_prof.pdf, e deve ser enviado por fax, pelo 
número (61) 448-1275, ou pelo correio à Unidade de Farmacovigilância, no seguinte endereço: SEPN 
515, bloco B, 2º andar. Ed. Ômega. CEP: 70770-502. Brasília, DF. 
 
Reações Adversas a Medicamentos e Saúde Pública 
Apesar do avanço da farmacovigilância no mundo, os efeitos nocivos, conhecidos ou não, de 
medicamentos comercializados ainda acarretam grande impacto à saúde dos indivíduos. Por esse motivo, 
tornase de grande importância a utilização racional de medicamentos. 
Podem-se relatar alguns desastres relacionados a reações adversas. A talidomida, sintetizada em 
1953, a partir de 1958 passou a ser prescrita e utilizada de forma indiscriminada, principalmente para o 
tratamento do enjôo matinal de mulheres grávidas. Com isso, provocou numerosos casos de má formação 
rara (focomelia) (14). 
Esse fato representou um marco para a farmacovigilância, pois estimulou a instalação de sistemas de 
monitorização da segurança de medicamentos e a elaboração de legislação específica (4,14). 
As substâncias fenfluramina e dextrofenfluramina foram proscritas no Brasil mediante a comprovação 
científica de que podem causar lesões nas válvulas cardíacas (15). 
Em 2001, houve a retirada da cerivastatina do mercado mundial por ocorrência de vários casos de 
rabdomiólise associados ao seu uso (16). 
Em outubro de 2001, o Kava-Kava (Piper methysticum L), um dos fitoterápicos mais utilizados no mundo 
para alívio dos sintomas da ansiedade e insônia, considerado inócuo, foi responsável por vinte e cinco 
casos de hepatotoxicidade na Suíça e Alemanha. Dentre estes, seis foram de insuficiência hepática grave, 
com, pelo menos, um óbito. Além da insuficiência hepática, o Kava-Kava apresenta interações com 
diversas substâncias, acarretando outras reações adversas graves (17). 
Em 2004, o rofecoxibe, um dos antiinflamatórios mais vendidos no mundo, também teve sua 
comercialização suspensa no mercado mundial, a partir de dados de estudos clínicos que evidenciaram 
a ocorrência de eventos cardiovasculares graves, se usado continuamente (18). 
As reações adversas a medicamentos refletem de forma negativa na saúde da população e aumentam 
os gastos com saúde. No ano de 1987, foram notificadas nos EUA, aproximadamente, 12 mil mortes e 
quinze mil hospitalizações por RAM (19). Um trabalho feito em 1994 estimou que um de cada mil 
pacientes hospitalizados sofre reação cutânea grave relacionada ao uso de medicamento (20). 
Em 1998, as reações adversas a medicamentos foram apontadas como a quarta causa mais frequente 
de morte nos EUA, superada apenas por infarto do miocárdio, câncer e acidentes vasculares cerebrais 
(21). Esses eventos são frequentemente passíveis de prevenção (22). 
Os eventos adversos no campo de medicamentos causaram aumento significativo na duração e custo 
da hospitalização, com prolongamento de 1,74 dias, em média. Além disso, foi demonstrado aumento no 
risco de morte de 1,88 (pde 
medicamentos aos animais, comparando informações obtidas em animais saudáveis com as obtidas no 
animal doente. 
( ) Certo ( ) Errado 
 
03. Composição física e química dos fármacos, excreção dos remédios pelo organismo e ação dos 
fármacos no combate de determinadas doenças são alguns dos principais objetivos da farmacologia. 
( ) Certo ( ) Errado 
 
04. A administração de medicamentos pode produzir além do efeito farmacológico, um efeito adicional 
– o “efeito placebo”. 
( ) Certo ( ) Errado 
 
 
Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40
 
. 12 
Gabarito 
 
01.Errado / 02.Certo / 03.Certo / 04.Certo 
 
Comentários 
 
 
01. Resposta: Errado 
A farmacodinâmica estuda o local de ação, os efeitos de uma droga. 
 
02. Resposta: Certo 
 
03. Resposta: Certo 
Podemos destacar outros objetivos da farmacologia: propriedades medicinais de determinadas 
substâncias químicas, absorção dos fármacos pelo organismo e efeitos das associações entre remédios 
diferentes. 
 
04. Resposta: Certo 
O efeito placebo é um efeito psicológico que depende da fé ou confiança que o paciente tem no 
medicamento ou na pessoa que o prescreve. 
 
 
 
PRINCÍPIOS BÁSICOS DE FARMACOTÉCNICA 
 
A farmacologia é a ciência que estuda como as substâncias químicas interagem com os sistemas 
biológicos. Como ciência nasceu em meados do século XIX. Se essas substâncias tem propriedades 
medicinais, elas são referidas como "substâncias farmacêuticas". O campo abrange a composição de 
medicamentos, propriedades, interações, toxicologia e efeitos desejáveis que podem ser usados no 
tratamento de doenças. 
Nos últimos anos a farmacologia adquiriu grande importância, não apenas para os médicos e 
droguistas, como também para biólogos investigadores que pesquisam e buscam produtos novos. 
Diversos bioquímicos do século XIX auxiliaram na construção desta ciência que estuda a ação das 
drogas. Porém, até o século passado era desconhecida a forma pela qual as drogas curavam, nem a 
biologia e a química estavam bem desenvolvidas. 
 
Principais objetivos da farmacologia: 
- propriedades medicinais de determinadas substâncias químicas (fármacos, remédios); 
- composição física e química dos fármacos; 
- absorção dos fármacos pelo organismo; 
- ação dos fármacos no combate de determinadas doenças; 
- efeitos das associações entre remédios diferentes; 
- excreção dos remédios pelo organismo; 
 
Essa ciência utiliza-se de conceitos e nomenclaturas próprias, sendo os principais: 
Farmacocinética: é definida como o estudo quantitativo do desenvolvimento temporal dos processos 
de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Sendo que: 
Absorção: A absorção é a passagem de substâncias do local de contato, que pode ser um órgão, a 
pele, os endotélios, para o sangue. 
Distribuição: é a passagem que ocorre da corrente sanguínea para líquido intersticial e intracelular. 
Biotransformação: a biotransformação submete o fármaco a reações químicas, geralmente mediadas 
por enzimas, que o convertem em um composto diferente do originalmente administrado. É a preparação 
para excreção, que ocorre geralmente no fígado para que, ao passar pelos túbulos renais, o fármaco não 
seja reabsorvido. 
Fármaco (pharmacon = remédio): É uma estrutura química conhecida com propriedade de modificar 
uma função fisiológica já existente, ou seja, substâncias ativas com ação terapêutica. 
Noções básicas em farmacotécnica: formas farmacêuticas sólidas, 
semissólidas, líquidas. Componentes de uma forma farmacêutica. Preparo de 
medicamentos estéreis e não estéreis 
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Medicamento: É quando um fármaco se encontra em uma forma farmacêutica. 
Forma Farmacêutica: É a forma de apresentação do medicamento, podendo ser: Comprimidos, 
Cápsulas, Drágeas, Pílulas, Soluções, Suspenção, Emulsão, Óvulos, Pomadas, Supositórios. 
Placebo: é como se denomina um fármaco inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos 
efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está a sendo tratado. 
Efeito Placebo: a administração de medicamentos pode produzir além do efeito farmacológico, um 
efeito adicional: o “efeito placebo”, que é um efeito psicológico que depende da fé ou confiança que o 
paciente tem no medicamento, na Unidade de saúde ou na pessoa que o orienta (geralmente o médico, 
a enfermagem e a pessoa do serviço de farmácia). Ex: Se ao tomar um comprimido de ácido 
acetilsalicílico, sentirmos alívio do sintoma (dor ou febre) em 5 minutos é considerado efeito placebo, pois 
são necessários 20 minutos para o efeito farmacológico deste medicamento ocorrer. 
Droga: é um composto químico de origem definida, capaz de interagir com um receptor específico e 
produzir um efeito farmacológico. 
Princípio Ativo: é o componente químico capaz de produzir efeito farmacológico. 
Efeito Farmacológico: o princípio ativo atua sobre determinadas células e órgãos ou em todo o corpo. 
O resultado é chamado de efeito farmacológico. Um medicamento em geral produz múltiplos efeitos e 
entre eles: 
Efeito principal: É aquele que queremos obter. Ex: o efeito farmacológico principal do salbutamol é a 
dilatação dos brônquios (broncodilatação) que permite aliviar um paciente com crise de asma. 
Efeito colateral, indesejável ou adverso: Conforme o próprio nome está dizendo é um efeito que 
não desejamos, mas é produzido pelo mesmo medicamento. Frequentemente são inevitáveis e pouco 
graves, mas às vezes podem ser muito graves. Ex: o salbutamol, além de atuar sobre os brônquios, atua 
também sobre o coração provocando um aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia). É um efeito 
adverso, geralmente não grave. 
 
A farmacologia pode ser dividida em: Farmacologia geral, Farmacologia aplicada, Farmacodinâmica, 
Farmacocinética, Farmacotécnica, Farmacognosia, Farmacoterapêutica, Farmacologia clínica e 
Toxicologia. 
 
Farmacologia Geral: Estuda os conceitos básicos e comuns a todos os grupos de drogas. 
 
Farmacologia Aplicada: Estuda os fármacos reunidos em grupos de ação farmacológica similar. 
 
Farmacodinâmica: Estuda o local de ação, mecanismo de ação, ações e efeitos, efeitos terapêuticos 
e efeitos tóxicos de uma droga. 
 
Farmacocinética: Atende aos estudos sobre: Vias de administração, absorção distribuição, 
metabolismo e excreção de uma droga. Os caminhos percorridos por um medicamento no corpo do 
animal. 
 
Farmacotécnica: Trata-se da preparação de das formas farmacêuticas sob as quais os medicamentos 
são administrados: cápsulas, comprimidos, suspensões etc. A sua purificação e conservação, visando 
um melhor aproveitamento do medicamento no organismo do animal. 
 
Farmacognosia: Estuda a origem, as características, a estrutura, e composição química das drogas 
no seu estado natural sob a forma de órgãos ou organismos vegetais e animais, assim como seus 
extratos. 
 
Farmacoterapêutica: orientação do uso dos medicamentos para prevenção, tratamento e 
diagnósticos das enfermidades. 
 
Farmacologia Clínica: preocupa-se com os padrões de eficácia e segurança da administração de 
medicamentos aos animais, comparando informações obtidas em animais saudáveis com as obtidas no 
animal doente. 
 
Toxicologia: área próxima da farmacologia. Ciência que estuda os agentes tóxicos. 
 
 
 
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Boas práticas de manipulação de medicamentos 
 
A qualidade dos produtos magistrais depende muito do conhecimento científico, da capacitação 
profissional e competência técnica do farmacêutico e da contínua interação entre farmacêutico, prescritor 
e paciente. Entretanto, são fatores igualmente importantes e necessários à organização e o constante 
controle do farmacêutico sobre as técnicas de preparo, matérias-primas, equipamentos e instrumentos 
utilizados, condições de armazenamento dos insumos e produtos e da documentaçãosobre todos os 
procedimentos, materiais e recursos empregados na preparação dos produtos magistrais em todas as 
suas fases, incluindo aquelas posteriores à dispensação. 
A organização de um sistema integrado, documentado e rastreável de gestão que assegure o controle 
contínuo da obtenção dos medicamentos e das atividades exercidas na farmácia é fundamental para o 
sucesso terapêutico do paciente, possibilitando resguardar responsabilidades profissionais do médico e 
do farmacêutico, bem como o atendimento às normas sanitárias vigentes. O sistema de controle integrado 
por meio do qual é possível gerenciar a qualidade é denominado de Garantia da Qualidade. 
 
Garantia da Qualidade (GQ): A Garantia da Qualidade tem como objetivos: 
- assegurar a elaboração de especificações, procedimentos operacionais padrão (POP), manual de 
BPM, ordens de manipulação, metodologia analítica e especificações para matérias-primas, produtos e 
material de embalagem, controle das condições ambientais e programas de limpeza dos locais de 
trabalho, armazenamento e dispensação dos produtos e insumos, treinamentos de pessoal, auditorias e 
inspeções, calibração, manutenção e verificação de equipamentos e de instrumentos, entre outros 
procedimentos documentados; 
- garantir o cumprimento das especificações, procedimentos, controles, treinamentos, auditorias e 
demais tarefas listadas anteriormente, e prover seus registros; 
- zelar pelo gerenciamento dos registros e da documentação envolvida e de seu arquivamento; 
- providenciar o adequado dimensionamento físico e organização de espaços para a realização das 
diversas tarefas e para o armazenamento seguro de substâncias químicas, solventes, material de 
contraprova, reagentes, documentos, entre outros, bem como de alocação de equipamentos e pessoal; 
- prever e fornecer todos os subsídios necessários para garantir segurança e eficácia dos produtos 
obtidos na farmácia e para o atendimento das normas técnicas, fiscais e sanitárias vigentes. 
 
Nas BPM que constituem uma parte integrante da GQ, estão estabelecidos os requisitos mínimos para 
a avaliação farmacêutica da prescrição, manipulação, conservação, dispensação de produtos magistrais 
e oficinais, fracionamento de produtos industrializados, bem como os critérios para aquisição de matérias-
primas e materiais de embalagem. As BPM são aplicadas por meio dos POP elaborados pelo 
farmacêutico responsável e que devem ser parte integrante do Manual de Boas Práticas de Manipulação. 
O farmacêutico é o profissional capacitado para criar, atualizar ou invalidar esses procedimentos. 
Todo POP deve ser redigido com linguagem clara e direta, descrever todas as etapas do procedimento 
a ser executado, incluir os materiais e equipamentos necessários e sua consulta ser de fácil acesso aos 
operadores. Somente pode ser executado por operadores previamente treinados e comprovadamente 
capacitados para o desempenho daquela atividade. Deve haver controle de cópias, datas de elaboração 
e modificação, e conter os nomes dos responsáveis pela elaboração, revisão e aprovação. 
 
Controle de Qualidade: A farmácia deve ter área destinada às atividades de Controle de Qualidade, 
cujas instalações estejam dimensionadas conforme a demanda e atendam a critérios adequados quanto 
à organização do espaço físico e equipamentos. As principais análises realizadas relacionam-se às 
diferentes fases de obtenção do produto magistral, a partir da aquisição dos insumos. Assim, nessa área 
são analisadas matérias-primas, produtos em processamento e produtos acabados. Os materiais de 
acondicionamento e embalagem também devem ser avaliados quanto às suas especificações. 
 
Matérias-primas e demais insumos: Na aquisição de matérias-primas e outros insumos é desejável 
que os fornecedores sejam qualificados por meio dos critérios estabelecidos pela legislação vigente, que 
incluem: a comprovação da regularidade do distribuidor perante aos órgãos de vigilância sanitária, a 
realização de uma auditoria in loco para verificar o cumprimento das boas práticas de fabricação ou de 
fracionamento, a correspondência dos resultados analíticos obtidos na farmácia com aqueles fornecidos 
pelo distribuidor (ou fabricante) e o histórico de fornecimento de matérias-primas e outros insumos 
aprovados conforme as especificações. 
As especificações de cada material ou insumo, elaboradas pela farmácia, devem ser fundamentadas 
nas monografias oficiais, preferencialmente da Farmacopeia Brasileira e, na sua falta, das demais 
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farmacopeias reconhecidas pelos órgãos de vigilância sanitária. Não havendo especificações oficiais, 
essas devem ser elaboradas em conformidade com o fabricante. Para a escolha apropriada das matérias-
primas, quanto ao tipo de sal, grau de hidratação, tamanho de partícula, polimorfismo, isomeria, 
incompatibilidades com outras substâncias, estabilidade, o farmacêutico deve consultar a literatura 
científica relacionada e avaliar a mais adequada para o emprego, considerando a forma farmacêutica; 
composição da fórmula; tipo de veículo ou excipiente; estabilidade e pH, dentre outros parâmetros. 
 
Inspeção de Recebimento: A Inspeção de Recebimento é realizada no momento de entrega de todo 
material adquirido pela farmácia e deve ser conduzida por funcionário qualificado e devidamente treinado, 
que fará o registro adequadamente. Assim, fármacos, matérias-primas, materiais de acondicionamento e 
de limpeza, entre outros, devem ser submetidos à inspeção de recebimento. É fundamental verificar a 
integridade da embalagem e do rótulo e certificar que as condições de transporte da matéria-prima foram 
adequadas. Os materiais devem estar acompanhados de certificados de análise fornecidos pelo 
distribuidor ou fabricante, nos quais estão descritas as especificações e são indicados os métodos 
analíticos aplicados com seus respectivos resultados. As condições de armazenagem constantes no 
rótulo devem ser conferidas conforme dados científicos obtidos pelo farmacêutico e fazem parte das 
especificações. Com base nos critérios estabelecidos na legislação vigente, os rótulos têm que conter os 
itens obrigatórios. 
 
Controle de qualidade das matérias-primas, produtos acabados e em processo 
 
Enquanto as matérias-primas estiverem sob avaliação devem receber rótulos específicos, como por 
exemplo, “em quarentena” para indicar que elas não estão liberadas para o consumo, necessitando 
aguardar os resultados para tomada de decisão quanto à aprovação do material. É recomendável, 
portanto, que as matérias-primas em análise ou avaliação sejam armazenadas em local próprio e 
separadas daquelas em uso na farmácia, porém, sob condições controladas e adequadas. 
Os ensaios mínimos requeridos para as matérias-primas, produtos acabados e em processamento 
estão descritos e têm sua periodicidade definida na legislação sanitária, incluindo os ensaios físico-
químicos e/ou microbiológicos para matérias-primas de origem vegetal ou sintética, água de 
abastecimento e purificada, bases galênicas e pós diluídos, entre outros. São também destacados os 
controles para produtos acabados na forma sólida e de baixo índice terapêutico, que têm de atender a 
requisitos específicos. Todas as etapas de obtenção do produto devem ser conferidas e registradas, como 
por exemplo, as pesagens, tomadas de volume, medições de pH durante o preparo, entre outras. 
 
Controle de qualidade da farmacotécnica ou controle do processo 
 
Todas as operações de preparo de medicamentos, cosméticos, suplementos nutricionais, entre outros, 
devem estar descritas em POP, acompanhadas por ordem de produção. A cada formulação deve 
corresponder documentação na qual as pesagens estejam registradas e conferidas. São consideradas 
etapas críticas as pesagens e tomadas de volume, determinações de pH, operações de diluição e mistura 
de pós, agitação e aquecimento. Essa última deve ter critérios bem estabelecidosquanto à temperatura 
e tempo de aquecimento. 
Na mistura de pós, para facilitar a obtenção de misturas homogêneas, recomendam-se as seguintes 
práticas farmacotécnicas: 
- sempre misturar pós de tenuidades semelhantes e, se preciso for, deverá haver operação de 
trituração e tamisação para homogeneizar o tamanho de partícula; 
- iniciar a mistura com o pó presente na fórmula em menor quantidade e ir adicionando os demais 
conforme a ordem de quantidade crescente; 
- usar indicador de mistura (corante permitido) quando houver necessidade de misturar pequena 
quantidade de substância ativa a uma grande massa de excipiente; 
- ainda no caso anterior, adotar o princípio da diluição geométrica; 
- após mistura dos pós, passar por tamis. 
 
Inspeções e Auditorias 
 
A GQ deve prever e promover inspeções e auditorias internas periódicas. Além de serem obrigatórias, 
com essas inspeções tem-se como objetivos assessorar no cumprimento das leis e regulamentos; corrigir 
falhas de BPM; detectar possíveis erros na manipulação ou no controle de qualidade; revisar os 
procedimentos com fins preventivos, para evitar a comercialização de produtos que coloquem em risco a 
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saúde pública; ajudar a implantar novos procedimentos ou técnicas; auxiliar na investigação de 
reclamações de efeitos secundários tóxicos, alterações, adulterações ou contaminações e aprimorar a 
qualidade dos medicamentos e assegurar sua eficácia e segurança. 
As auditorias e inspeções são baseadas nos roteiros de inspeção oficiais, incluindo, no mínimo, os 
requisitos dos órgãos de vigilância, podendo incluir itens específicos, de acordo com a necessidade que 
o farmacêutico julgar apropriada. 
Os relatórios das auditorias e inspeções devem ser redigidos em linguagem simples e direta, 
apontando os itens não conformes. Como resultado prático, cada não conformidade registrada no relatório 
deve ser avaliada imediatamente e indicados prazo e responsáveis pela sua correção. 
 
Manipulação de medicamentos sólidos, semissólidos, líquidos e injetáveis. 
 
É o processo de preparo e introdução de medicamento no organismo humano, visando obter efeitos 
terapêuticos. 
 
Naturais: podem ser de origem: 
- animal - as substâncias medicamentosas são extraídas de glândulas ou peçonhas de animais. Ex: 
peçonha de cobra. 
- vegetal - as substâncias são obtidas das diversas partes das plantas. 
- minerais - as substâncias são extraídas das fontes de minérios e empregadas sob a forma de 
elementos simples como: cloro, ferro, cálcio ou elementos compostos como sulfato de magnésio, 
bicarbonato de sódio, permanganato de potássio. 
 
Sintéticos: São os obtidos em laboratórios – podem também ser preparados com auxílio de matéria 
prima natural. 
 
Semissintéticos: Alteram-se as substâncias naturais objetivando modificar as características 
exercidas por elas. 
 
Quantidade prescrita do medicamento. 
Dose Mínima: É a menor quantidade da droga capaz de produzir efeito terapêutico. 
Dose Máxima: É a maior quantidade de uma droga, capaz de produzir efeito terapêutico, sem 
apresentar efeitos indesejáveis. 
Dose de Manutenção: É a dose necessária para manter os níveis desejáveis de medicamento na 
corrente sanguínea e tecidos durante o tratamento. 
 
Formas de apresentação dos Medicamentos 
 
Sólida: Pó, comprimido, drágeas (tem revestimento gelatinoso), óvulos, pílulas, supositório 
(semissólido), cápsulas (invólucro gelatinoso), pérola. 
Líquidos: Soluções, xarope, elixir, suspensão (agitar antes de usar), colírio, tintura, emulsão 
(combinação de dois líquidos que não se misturam totalmente). 
Gasosos: Aerossol, vapores, gasosos. 
Semissólidos: Pomadas, cremes, geleia. 
Drogas Irradiantes: Cobalto, césio, raios laser, iodo radioativo. 
 
Quando um fármaco modifica a ação do outro. Um fármaco pode diminuir ou potencializar a ação do 
outro. Pode alterar a forma como um fármaco é absorvido. 
 
Sinergismo: Quando o efeito de dois fármacos combinados é maior que quando dados 
separadamente. 
 
Antagonismo: Há antagonismo entre 2 drogas quando a intensidade do efeito de uma é reduzida pelo 
efeito da outra. 
 
A absorção do medicamento ocorre quando esse atravessa barreiras até atingir a circulação 
sanguínea. Pode ser definida como o transporte da droga do local de absorção até a corrente sanguínea. 
 
São considerados fatores importantes na absorção: 
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Idade: Os idosos por terem função hepática diminuída, menos massa muscular, função renal diminuída 
– precisam de doses menores com espaços maiores para evitar intoxicação. 
 
Recém-nascido: tem função renal inadequada, sistema metabólico diminuído. É necessário que se 
faça dosagem individualizada e monitoração cuidadosa. 
 
Outros: inanição, cardiopatas, alteração de função renal e hepática, etc. 
 
Os fármacos lipossolúveis são mais bem absorvidos. 
 
As principais vias de eliminação dos medicamentos são: rins, pulmões, sistema hepatobiliar, suor, 
saliva, leite. 
A absorção do medicamento ocorre quando esse atravessa barreiras até atingir a circulação 
sanguínea. Pode ser definida como o transporte da droga do local de absorção até a corrente sanguínea. 
Formas farmacêuticas 
 
Podemos definir formas farmacêuticas (ou preparações medicamentosas), como um medicamento 
disposto para seu uso imediato, e resultante da mistura de substâncias adequadas e convenientes para 
determinada finalidade terapêutica. 
 
Uma forma farmacêutica, como mistura que é, contém diversas substâncias que consoante a sua 
função têm nomenclatura diferente: 
 
- Substância Ativa: 
• Base 
• Adjuvante 
 
- Veículo: Excipiente Estabilizantes (intermediários) 
 
- Corretivos: 
• Edulcorantes 
• Corantes 
 
Substância ativa - A substância ativa é a parte farmacologicamente ativa de uma determinada forma 
farmacêutica. No caso de haver mais do que uma substância ativa, teremos: 
 
Base - é a substância ativa, considerada de maior atividade farmacológica, quer pelo seu potencial de 
ação, quer pelo seu volume ou quantidade; Ex: AAS. 
 
Adjuvante(s) - é a outra, ou outras, substâncias ativas que vão complementar ou reforçar a ação de 
base. Ex cafeína. 
 
Veículo - O veículo é a parte da forma farmacêutica que lhe confere a forma e o volume, e que confere 
ao preparado uma maior estabilidade física. Não tem ação farmacológica. 
 
Excipiente - é o veículo que unicamente tem uma ação passiva, pois destina-se a dar forma, e a 
aumentar o volume da forma farmacêutica até lhe dar um valor manuseável. 
 
Intermédio (ou intermediário) - é o veículo, que vai conferir à forma farmacêutica uma maior 
estabilidade física (ou seja, confere-lhe homogeneidade). Normalmente são usados nas formas 
farmacêuticas líquidas ou pastosas em que os diversos componentes têm, por vezes, tendência a 
separar-se por diferenças de osmolaridade - os intermédios mais correntemente empregados são 
substâncias tensoativas. 
 
Corretivo - O corretivo é uma substância que se junta à forma farmacêutica para lhe modificar as suas 
características organolépticas e visuais 
 
Edulcorantes - São os corretivos que conferem um sabor agradável à preparação (açúcar, mel, sal, 
etc.). 
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Classificação das formas Farmacêuticas 
 
Formas farmacêuticas magistrais - são aquelas cuja fórmula é da autoria do clínico, e que o 
farmacêutico prepara seguindo essas prescrições. 
 
Formas farmacêuticas oficinais - são aquelas cuja fórmula e técnica se encontram inscritas e 
descritas nas Farmacopeias em Formulários. 
 
Formas farmacêuticas de Especialidades - são aquelas que se encontram já preparadas e 
embaladas (especialidade farmacêutica), e que se apresentam sob um nome de fantasia ou sob uma 
denominação (comum ou científica) da substância ativa que entra na sua composição. São

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