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. 1 SES-PE Técnico em Farmácia Conceitos básicos em farmacologia: droga, fármaco, medicamento, especialidade farmacêutica. Vias de administração de medicamentos ........................................................................................................ 1 Noções básicas em farmacotécnica: formas farmacêuticas sólidas, semissólidas, líquidas. Componentes de uma forma farmacêutica. Preparo de medicamentos estéreis e não estéreis ............ 12 Boas práticas de manipulação em farmácia hospitalar. Cálculos relacionados ao preparo de medicamentos ....................................................................................................................................... 26 Aspectos técnicos aplicados à infraestrutura física e controle de qualidade ...................................... 43 Organização das áreas de produção em centrais de manipulação ................................................... 51 Vidrarias e outros utensílios de laboratório ....................................................................................... 52 Limpeza, lavagem, desinfecção e esterilização ................................................................................ 57 Equipamentos de laboratório: Identificação, princípios de funcionamento, uso e conservação ......... 64 Controle da contaminação durante a manipulação de medicamentos estéreis e não estéreis .......... 64 Equipamentos de proteção individual e medidas de segurança ocupacional .................................... 65 Noções de biossegurança e manejo de resíduos em farmácia hospitalar ......................................... 77 Definições, conceituação de medicamentos, classificação de Psicotrópicos, Entorpecentes, Imunossupressores ............................................................................................................................... 82 Dispensação de Medicamentos ...................................................................................................... 104 Receita e notificação de receita de controle especial ...................................................................... 105 Aquisição ........................................................................................................................................ 110 logística e gestão de estoque ......................................................................................................... 110 Classificação e organização de medicamentos ............................................................................... 114 Fracionamento de medicamentos ................................................................................................... 115 Interpretação de bulas e orientação na utilização de medicamentos .............................................. 119 Interpretação de guias de Medicamentos (DEF, RENAME) ............................................................ 120 Interpretação de dosagens ............................................................................................................. 121 Atendimento e relacionamento com o público ................................................................................. 122 Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 2 Candidatos ao Concurso Público, O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho na prova. As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em contato, informe: - Apostila (concurso e cargo); - Disciplina (matéria); - Número da página onde se encontra a dúvida; e - Qual a dúvida. Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. Bons estudos! Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 1 Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br FARMACOLOGIA É a ciência que estuda como as substâncias químicas interagem com os sistemas biológicos. Como ciência nasceu em meados do século XIX. Se essas substâncias tem propriedades medicinais, elas são referidas como "substâncias farmacêuticas". O campo abrange a composição de medicamentos, propriedades, interações, toxicologia e efeitos desejáveis que podem ser usados no tratamento de doenças. Esta ciência engloba o conhecimento da história, origem, propriedades físicas e químicas, associações, efeitos bioquímicos e fisiológicos, mecanismos de absorção, biotransformação e excreção dos fármacos para seu uso terapêutico ou não. Principais objetivos da farmacologia: - propriedades medicinais de determinadas substâncias químicas (fármacos, remédios); - composição física e química dos fármacos; - absorção dos fármacos pelo organismo; - ação dos fármacos no combate de determinadas doenças; - efeitos das associações entre remédios diferentes; - excreção dos remédios pelo organismo; Essa ciência utiliza-se de conceitos e nomenclaturas próprias, sendo os principais: Farmacocinética: é definida como o estudo quantitativo do desenvolvimento temporal dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Sendo que: Absorção: A absorção é a passagem de substâncias do local de contato, que pode ser um órgão, a pele, os endotélios, para o sangue. Distribuição: é a passagem que ocorre da corrente sanguínea para líquido intersticial e intracelular. Biotransformação: a biotransformação submete o fármaco a reações químicas, geralmente mediadas por enzimas, que o convertem em um composto diferente do originalmente administrado. É a preparação para excreção, que ocorre geralmente no fígado para que, ao passar pelos túbulos renais, o fármaco não seja reabsorvido. Fármaco (pharmacon = remédio): É uma estrutura química conhecida com propriedade de modificar uma função fisiológica já existente, ou seja, substâncias ativas com ação terapêutica. Medicamento: É quando um fármaco se encontra em uma forma farmacêutica. Forma Farmacêutica: É a forma de apresentação do medicamento, podendo ser: Comprimidos, Cápsulas, Drágeas, Pílulas, Soluções, Suspenção, Emulsão, Óvulos, Pomadas, Supositórios. Placebo: é como se denomina um fármaco inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está a sendo tratado. Efeito Placebo: a administração de medicamentos pode produzir além do efeito farmacológico, um efeito adicional: o “efeito placebo”, que é um efeito psicológico que depende da fé ou confiança que o paciente tem no medicamento, na Unidade de saúde ou na pessoa que o orienta (geralmente o médico, a enfermagem e a pessoa do serviço de farmácia). Ex: Se ao tomar um comprimido de ácido acetilsalicílico, sentirmos alívio do sintoma (dor ou febre) em 5 minutos é considerado efeito placebo, pois são necessários 20 minutos para o efeito farmacológico deste medicamento ocorrer. Droga: é um composto químico de origem definida, capaz de interagir com um receptor específico e produzir um efeito farmacológico. Princípio Ativo: é o componente químico capaz de produzir efeito farmacológico. Efeito Farmacológico: o princípio ativo atua sobre determinadas células e órgãos ou em todo onormalmente preparadas por laboratórios farmacêuticos. Quanto à forma Física As formas farmacêuticas consoante a forma física em que se encontram, podem-se classificar como sólidas, pastosas, líquidas, gasosas e especiais. Sólidas são aquelas que encontram no estado sólido e são: cápsulas, comprimidos, comprimidos vaginais, drágeas, grânulos, hóstias, implantações, óvulos, papeis, pérolas, pílulas, pós, supositórios. Pastosas são aquelas que se encontram sob uma forma pastosa e são: cataplasmas, cremes, pastas, pomadas, unguentos. Líquidas são aquelas que estão no estado líquido e são: alcoolatos, alcoolaturas, álcoolaturas estabilizadas, colutórios, emulsões, enemas, linimentos, óleos medicinais, poções, tinturas, xaropes. Gasosas são aquelas que se apresentam sob uma forma gasosa (seca ou húmida), e são: fumigações e vaporizações. Especiais são aquelas formas farmacêuticas que, ou se podem apresentar em mais do que uma forma física, ou se encontram num estado da matéria diferente dos anteriores, e são: aerossóis, alimentos medicamentosos, ampolas, bandagens, banhos medicamentosos, colírios. Novas formas farmacêuticas são as formas farmacêuticas resultantes da adaptação de formas farmacêuticas tradicionais às novas tecnologias, ou então resultam de novos desenvolvimentos técnico-científicos Formas Farmacêuticas Sólidas CÁPSULAS São pequenos invólucros destinados a conter, um pó ou um líquido. Têm forma cilíndrica e são formados por duas partes que se encaixam. Se se destinam a conter um líquido as cápsulas devem ser soldadas. Quando as cápsulas contêm substâncias que sejam destruídas pelo suco gástrico, ou substâncias que se pretenda que atuem no intestino, então elas devem ser gastro-resistentes (o invólucro deverá ser: quitina ou glúten). ". DRÁGEAS São comprimidos revestidos por uma substância de modo a evitar a sua fácil desagregação, para proteger a substância ativa da umidade e luz, para ocultar características organolépticas indesejáveis, para facilitar a sua ingestão ou para proteger a substância ativa da destruição estomacal. Administram-se "per os". COMPRIMIDOS São formas farmacêuticas cilíndricas ou lenticulares, que resultam da compressão de um pó cristalino ou de um granulado em máquinas apropriadas. Frequentemente, junta-se à substância ativa um excipiente para lhe dar o volume conveniente. Podem ser administrados "via oral”, colocados subcutaneamente (implantes) ou aplicados localmente (comprimidos bocais e comprimidos vaginais). SUPOSITÓRIOS São formas farmacêuticas de forma cónica ou ovoide, destinadas a serem introduzidas na ampola retal, contendo um veículo de baixo ponto de fusão. Os excipientes usados podem ser Lipossolúveis (óleo de cacau ou sucedâneos) ou Hidrossolúveis (gelatina glicerinada ou polietilenoglicois de peso molecular elevado). O emprego de tais excipientes, com a particularidade de terem um baixo ponto de fusão, destinam-se a uma mais fácil administração e conservação por um lado, e à difusão das substâncias ativas na ampola retal, por outro.. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 19 PÓS São substâncias medicamentosas suficientemente divididas para que a sua administração se facilite. Podem ser SIMPLES (obtidos por pulverização de substâncias dessecadas à mais baixa temperatura possível não devendo ultrapassar os 45º C, ou 25ºC se estiverem presentes substâncias voláteis ou facilmente alteráveis) ou COMPOSTOS (resultantes da mistura cuidadosa de pós simples). A sua conservação deve ser feita ao abrigo da luz e da umidade. Os pós administram-se incorporados em poções, xaropes, cápsulas, papeis, comprimidos, ou ainda em aplicação tópica na pele. ÓVULOS São preparações destinadas a serem introduzidas na vagina. Os excipientes mais utilizados, que têm que ter baixo ponto de fusão, são a gelatina glicerinada para substâncias ativas hidrossolúveis, e a manteiga de cacau para substâncias ativas lipossolúveis. O peso médio do óvulo é de 12 a 15 gramas. Formas Farmacêuticas Pastosas CATAPLASMAS São preparações geralmente magistrais, de aplicação tópica na pele. Fazem-se com farinha (linhaça, amido, fécula, etc.) e água, que se misturam a aquecem, em lume brando até obter a consistência desejada. A sua aplicação é feita a quente, e o seu efeito (vasodilatação local) dura enquanto a temperatura do cataplasma se conserva elevada, devendo ser renovados periodicamente. CERATOS São um tipo de pomada, em que o excipiente é constituído por uma mistura de cera e óleo. CREMES São um tipo de pomada em que o excipiente utilizado é uma emulsão do tipo água/óleo (creme) ou óleo/água (cold-cream). PASTAS São pomadas espessas devido à grande quantidade de pós insolúveis que veiculam. Podem aparecer sob a forma de pastas dérmicas (aplicação tópica na pele) ou pastas orais (administração oral de antiparasitários). POMADAS São preparações farmacêuticas de consistência mole, destinadas a serem aplicadas externamente, para ação tópica ou geral, e também com fins de proteção e lubrificação. São preparadas misturando ou dissolvendo as substâncias ativas em excipientes, inócuos, não irritantes e de boa conservação. Quanto aos excipientes as pomadas classificam-se em: pomadas gordurosas (vaselina, banha, vaselina com lanolina, mistura de óleos, silicones); pomadas hidrófilas (vaselina hidrófila); pomadas hidrossolúveis (mistura de polietilenoglicois, glicerado de amido, gels); pomadas emulsivas (pomada rosada, creme hidrófilo, creme de estearato); pomadas resinosas (resina). Para facilitar a sua conservação podem-se empregar conservantes (álcool benzílico, parahidroxibenzoato de metilo) ou antioxidantes. SINAPISMOS “São folhas de papel, sem cola, uniformemente revestidas numas das faces com farinha de mostarda desengordurada e aderente por intermédio de substância aglutinante adequada. Molhada com água desenvolve cheiro irritante de essência de mostarda” (in FARMACOPEIA PORTUGUESA, IV Edição). São aplicados a frio e têm as mesmas funções dos cataplasmas. Desenvolvem ação vasodilatadora devido a processos irritativos locais. Formas Farmacêuticas Líquidas ALCOOLATOS São preparações farmacêuticas que se obtêm pela maceração alcoólica de plantas frescas, seguida de destilação. ALCOOLATURAS São preparações que resultam da ação dissolvente do álcool a frio nas graduações de 75, 80 ou 95º, sobre plantas frescas, com o objetivo de lhes retirar as substâncias ativas. COLUTÓRIOS São preparações magistrais destinadas a serem depostas na mucosa bocal ou oro-faríngea. São soluções viscosas devido à presença de glicerina ou mel. As substâncias ativas empregues são antissépticos. EMBORCAÇÕES "São banhos por aspersão de um líquido medicamentoso sobre qualquer parte enferma do corpo" (in Grande Dicionário da Língua Portuguesa, A, Morais Silva, 10ª edição, vol. IV; pp. 273). Podem ser gerais ou locais. São geralmente utilizados como alternativa aos banhos medicamentosos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 20 EMULSÕES São sistemas dispersos constituídos por duas fases líquidas, em que a fase dispersa pode ser a água e a contínua o óleo (tipo água em óleo, A/O) ou o contrário (tipo óleo em água, O/A). Para conferir às emulsões estabilidade satisfatória pode-se recorrer ao uso de substâncias que atuem sobre a viscosidade ou sobre a tensão interfacial (intermediários). ENEMAS (ou ENTEROCLISES) Ainda chamados clisteres, são formas farmacêuticas destinadas a serem introduzidas na porção terminal do intestino (ampola retal). Consoante o fim a que se destinam assim teremos: enemas evacuativos destinados a favorecer a evacuação das matérias fecais; enemas medicamentosos destinados quer a agir diretamente sobre a mucosa intestinal, quer a serem absorvidos por via retal; enemas alimentares, constituindo um método alternativo para a administração de soros alimentares;duche retal frio que ao contrário dos outros três tipos de enemas que devem ser administrados à temperatura corporal, este é administrado frio a fim de provocar um rápido efeito antipirético. LINIMENTOS São preparações oficinais ou magistrais, destinadas exclusivamente a uso externo, em unção ou fricção sobre a pele. Têm um efeito vasodilatador por ação do movimento mecânico de massagem. ÓLEOS MEDICINAIS São óleos de origem animal, vegetal ou mineral que entram na composição de diversas formas farmacêuticas, ou que as constituem por si sós. POÇÕES São formas farmacêuticas magistrais de preparação extemporânea, e que devem ser consumidas rapidamente. A substância ativa pode estar dissolvida, suspensa ou emulsionada. SOLUÇÕES São misturas de substâncias ativas (normalmente sólidas) em solventes líquidos (normalmente a água), em concentrações inferiores à sua solubilidade à temperatura ambiente. Podem constituir por si só uma forma farmacêutica, ou serem incorporadas noutras. TINTURAS São formas farmacêuticas oficinais que resultam da ação do álcool, por maceração ou lexivação, sobre produtos secos de origem animal, vegetal ou mineral. São portanto soluções alcoólicas, a 10 ou 20%, geralmente. Usam-se por via tópica, "per os" em poções ou xaropes. CHÁ OU INFUSÕES São formas farmacêuticas magistrais, também conhecida como "chás" ou "infusos". Resultam da ação da água sobre plantas secas, a fim de lhes retirar a substância ativa. As tisanas podem ser obtidas por vários processos: maceração - Ação prolongada da água à temperatura ambiente sobre a planta seca. Utiliza-se no caso de substâncias ativas termolábeis e fixas; digestão - Ação prolongada da água morna (40 - 50º C) sobre a planta seca. Utiliza-se para substâncias ativas termolábeis e pouco fixas; decocção - Ação da água desde a temperatura ambiente até à ebulição sobre a planta seca. Utiliza-se nos casos de substâncias ativas termo resistentes e altamente fixas; infusão - Ação instantânea da água fervente sobre plantas secas. VESICANTES São formas farmacêuticas líquidas, para aplicação tópica, também conhecidas como fogos líquidos. Têm uma ação rubefaciente e hiperemiante local. XAROPES São formas farmacêuticas em que a substância ativa, sob a forma de pó, líquido, etc., se encontra dissolvida numa solução aquosa açucarada concentrada (1 parte de água para 2 partes de açúcar). Esta preparação medicamentosa é administrada "per os". Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 21 Formas Farmacêuticas Gasosas FUMIGAÇÕES São gases resultantes da combustão de determinadas plantas, ou libertação de gases (p. ex. formol) com fins desinfetantes de espaços, ou dirigidos para as vias respiratórias com fins medicamentosos antissépticos - inalações. VAPORIZAÇÕES São formas farmacêuticas magistrais resultantes da libertação de vapor de água por si só, ou contendo antissépticos, e que se destinam a ser inalados. Formas Farmacêuticas Especiais Denominam-se formas farmacêuticas especiais aquelas que, ou não se podem facilmente inserir num determinado grupo, ou que têm inserção em mais do que um grupo. AEROSSOIS São formas farmacêuticas que se caracterizam por constituírem um "nevoeiro não molhante" formado por microgotas (diâmetro compreendido entre 0.05 e 0.2 µ). Formam uma suspensão coloidal, em que fase contínua é o gás e a fase dispersa o líquido, daí o seu nome. Este efeito obtém-se pela brusca descompressão de um gás que, conjuntamente com o líquido, se encontra encerrado dentro de uma cápsula AMPOLAS São tubos de vidro ou plástico, colorido ou incolor, estirados nos dois topos, ou pequenas "garrafas" seladas, que contém um líquido ou um pó (Servem para facilitar a esterilização e conservação do seu conteúdo. O pó é normalmente utilizado na preparação extemporânea de solutos injetáveis. O seu conteúdo, ou a preparação daí resultante, pode ser administrado por via parental, "per os" ou aplicado topicamente. BANDAGENS (ou LIGADURAS) As bandagens podem-se classificar em amovíveis ou inamovíveis, consoante possam ser facilmente retiradas para os tratamentos, ou fiquem até à cura sem serem mexidas. As primeiras são as ligaduras elásticas, ligaduras de gaze, etc., as segundas são as ligaduras gessadas (que constituem os aparelhos de gesso). As ligaduras amovíveis podem conter substâncias ativas incorporadas (antibióticos, queratoplásticos, protetores dérmicos, etc). BANHOS MEDICAMENTOSOS São formas farmacêuticas líquidas magistrais, onde se mergulha a totalidade (banhos medicamentosos gerais - ou parte do corpo (banhos medicamentosos locais).. COLÍRIOS São formas farmacêuticas destinadas a serem aplicadas sobre a mucosa ocular. Os colírios podem ser colírios secos (constituídos por pós porfirizados), colírios moles (também chamados de "pomadas oftálmicas") e colírios líquidos (destinados à instilação sobre a conjuntiva e podendo apresentar-se sob a forma de soluções ou suspensões). Os colírios devem ser isotónicos em relação à secreção lacrimal (nas formas líquida e pastosa), estéreis e não irritativos. SPRAYS São formas farmacêuticas semelhantes aos aerossóis, mas o diâmetro da partícula é maior (superior a 0.5 µ), pelo que podem ser considerados um "nevoeiro molhante" Lista de Formas Farmacêuticas Designação Vias de administração (1) Exclusivamente veterinária Açúcares or Aerossóis in, tp, tm Alcoolatos Alcoolaturas Alcoolaturas estabilizadas Ampolas Bandagens ou ligaduras tp Banhos medicamentosos tp Cápsulas or Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 22 Cataplasmas tp Cataplasmas sinapisados tp Ceratos tp Coleiras antiparasitárias tp s Colírios of Colutórios tm Comprimidos or Comprimidos vaginais tm Cremes tp, tm Drageias or Duche retal frio re Emborcações tp Emulsões Enemas ou enteroclises ou clisteres re Extratos Fumigações tp, in Grânulos or Hidrolatos Hóstias or Implantes pa Intratos ou extratos estabilizados Lápis tp Limonadas or Linimentos tp Melitos or Óleos medicinais Óvulos tm Oximeis or Papéis Pastas dérmicas tp Pérolas or Pílulas or Poções or Pomadas tp, tm Pomadas oftálmicas of Pós Saboretas or Sinapismos tp Soluções Sprays tp, tm Supositórios re Tinturas Tisanas ou infusos Unguentos tp Vaporizações in, tp, tm Velas tm Vesicantes ou fogos líquidos tp Xaropes or Pastas orais or (1) Sinonímia das abreviaturas das vias de administração IN: inalatória OF: oftálmica OR: oral PA: parenteral RE: retal TP: tópica na pele Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 23 UT: uterina TM: tópica em mucosas (exceto ocular) Texto adaptado de BRANDÃO, A. C. da C. Manipulação de soluções e medicamentos não estéreis Um medicamento não estéril é um medicamento que não exige condições estéreis durante sua manipulação. Ao preparar um medicamento desse tipo, é importante seguir algumas etapas básicas para evitar erros e reduzir o risco de contaminação: - Avaliar a adequação da prescrição em termos de segurança e uso indicado. - Fazer os cálculos necessários para determinar a quantidade de ingredientes necessária. - Identificar os equipamentos necessários para o preparo. - Fazer a higiene adequada das mãos. - Limpar a área de manipulação e os equipamentos necessários. - Usar os equipamentos de proteção individual (EPIs), incluindo luvas. - Manipular uma prescrição de uma vez só. Isso evita não apenas a contaminação, mas também outros erros médicos, como mistura de medicamentos. - Reunir todos os materiais necessários para manipulação. Como os manipuladores já avaliaram os ingredientes e equipamentos necessários, esse processo de separação do material é bem rápido. - Manipular omedicamento de acordo com a prescrição. - Avaliar as variações, como aquelas relacionadas a peso, mistura, limpidez, odor, cor, pH, etc. - Descrever e documentar a aparência do medicamento. - Rotular o medicamento, incluindo nome, número de identificação, data de validade, rubrica do manipulador, exigências de armazenamento e outras informações exigidas pela lei estadual. - Assinar e datar a prescrição. - Limpar completa e adequadamente todos os equipamentos e armazená-los de forma correta. - Limpar as mãos de acordo com os protocolos de higiene das mãos. As áreas de manipulação devem ter espaço adequado para equipamentos e materiais, de modo a evitar misturas entre ingredientes, rótulos e produtos acabados. Para evitar a contaminação, elas devem ser bem iluminadas e ventiladas e projetadas para minimizar a contaminação cruzada. Além disso, esses locais devem ser fisicamente separados das áreas de preparação estéril. Todas as áreas de manipulação não estéril devem estar limpas e sanitizadas. As instalações para lavagem das mãos e lixeiras – incluindo lixeiras para lixo hospitalar e não hospitalar – devem ser de fácil acesso, e deve ser realizada uma limpeza diária desses locais. Para evitar a contaminação dos medicamentos pelos farmacêuticos e por outros profissionais de assistência à saúde (PASs) que estejam doentes, as atividades devem ser limitadas para funcionários que apresentem sintomas de resfriado, gripe ou outras condições gastrintestinais ou infecciosas. Isso se aplica particularmente a todos os PAS com exantemas, pele ferida ou outras doenças cutâneas. Manipulação de soluções e medicamentos estéreis Diferentemente das soluções e dos medicamentos não estéreis, as soluções e os medicamentos estéreis devem ser preparados em ambiente estéril e com o uso de técnicas estéreis. Um ambiente estéril – ou sala limpa – é uma sala onde o número de partículas por metro cúbico de ar é controlado. A International Organization for Standardization (ISO) classifica as salas limpas de acordo com o número de partículas permitidas por volume de ar. As salas limpas para manipulação estéril costumam ser ISO classe 5, classe que tem menos de 100.000 partículas por metro cúbico de ar. O ar nas salas limpas é filtrado para excluir a poeira e constantemente recirculado através de filtros de particulado de ar de alta eficiência (HEPA) e/ou ultra filtro de penetração de ar (ULPA). Os PASs entram e deixam a sala através de airlocks e usam EPIs, como aventais, máscaras, gorros, luvas e propés, para manter rigorosa esterilidade. Equipamentos, produtos de limpeza e mobília dentro de uma sala limpa também são projetados para produzir um número mínimo de partículas. Com relação ao preparo de medicamento estéril, a USP define cinco níveis de risco, descritos a seguir, os quais relacionam o grau de risco de contaminação envolvido no processo de manipulação: 1. Categoria de uso imediato. Os medicamentos nessa categoria são preparados para uso em situações de emergência ou em situações nas quais a manipulação de baixo risco é perigosa para o paciente devido a atrasos. Esses tipos de medicamentos devem ser administrados dentro de 1h após o Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 24 preparo ou descartados, não sendo permitido seu armazenamento ou manipulação em batelada. Eles devem ser preparados usando técnicas assépticas. 2. Nível de baixo risco. Esses medicamentos são preparados a partir de ingredientes comerciais, usando equipamentos estéreis. Eles não incluem mais do que três ingredientes comercialmente disponíveis. Eles devem ser preparados em ambientes ISO classe 5 e com áreas buffer ISO classe 7 e antessalas ISO classe 8. 3. Nível de baixo risco com 12 horas além da data de uso. Esse tipo de medicamento deve ser preparado em um ambiente ISO classe 5, em uma área de manipulação que seja separada e tenha ar ambiente. 4. Nível de médio risco. Esses medicamentos incluem as preparações manipuladas a partir de produtos comerciais estéreis múltiplos para uso em vários pacientes ou várias vezes em um paciente. Eles também incluem preparações que exigem transferências múltiplas ou que consomem muito tempo. Eles devem ser preparados em ambientes ISO classe 5 e com áreas buffer ISO classe 7 e antessalas ISO classe 8. 5. Nível de alto risco. São medicamentos que estão contaminados ou que possuem elevado risco de contaminação. Eles podem incluir preparações estéreis a partir de ingredientes estéreis, preparações usando ingredientes estéreis em um ambiente que não seja ISO classe 5 ou preparações nas quais exista um prazo maior entre a manipulação e a esterilização. Todas as cinco categorias de risco exigem que os manipuladores executem o teste de media fill para técnica asséptica. O grau de complexidade envolvido nesse teste varia com o nível de risco. Existem várias outras questões com relação à manipulação de medicamentos estéreis sobre as quais a equipe de farmácia deve estar ciente, incluindo as seguintes: - Os ingredientes devem ter identidade, qualidade e pureza adequadas. - Recipientes abertos ou parcialmente usados devem ser adequadamente armazenados. - Produtos não estéreis com água devem ser esterilizados dentro de 6h. - Devem ser seguidos os procedimentos corretos e adequados de esterilização. Tais procedimentos são definidos por leis e regulamentos. - Os componentes usados para preparar os produtos são limpos, exatos e adequados. - São usados os procedimentos de manipulação corretos. - O ambiente de manipulação mantém a esterilidade ou a pureza dos itens. O ambiente deve ter uma indicação de ISO classe 5 e incluir a mobília adequada. As bancadas de fluxo laminar, as cabines de segurança biológica (CSBs) e os isoladores de retenção asséptica para manipulação são comuns nesses ambientes. - O potencial dano pelas substâncias adicionadas é avaliado antes da dispensação. - A embalagem adequada é selecionada para manter a esterilidade e a estabilidade. - Os rótulos são adequados e estão completos. - As datas para uso posterior estão adequadas e são baseadas em critérios científicos válidos. É importante que os farmacêuticos façam a higiene das mãos e usem EPIs ao preparar medicamentos estéreis. Eles também devem lavar mãos e antebraços imediatamente antes e após preparar os medicamentos e usar luvas estéreis e aventais ou macacões. Para evitar a contaminação cruzada, a área de manipulação estéril deve ser separada das atividades não essenciais para essa atividade. Qualquer sala de separação (buffer) ou antessala deve estar fisicamente separada da área de manipulação e incluir um diferencial de pressão positiva. Se não houver separação física, devem ser usados os princípios de deslocamento de fluxo de ar – como velocidade elevada do ar ou diferenciais de baixa pressão. Como ocorre com as áreas de preparação não estéril, as áreas de preparação estéril devem ser limpas e sanitizadas. Esses procedimentos devem ser adequados para as áreas ISO classe 5. Balcões, superfícies de trabalho e chão devem ser limpos todos os dias, e qualquer área de separação ou antessala deve ser higienizada todo mês. Deve ser feita observação visual das técnicas de limpeza e desinfecção de todos que trabalham ou não no setor de manipulação em intervalos específicos. Os PASs que trabalham na manipulação estéril da farmácia devem evitar trabalhar nessa área ou abreviar suas atividades se estiverem doentes. Teste ambiental para áreas de preparação estéril Para garantir que sejam mantidas as condições adequadas na área de manipulação estéril, o monitoramento ambiental deve ser feito rotineiramente. A contagem de partículas totais deve ser feita pelo menos a cada seis meses para todas as partes das áreas de manipulação estéril. A contagem deve Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 25 ser realizada caso a área seja realocada ou seforem feitas alterações físicas. Além disso, os hospitais devem fazer amostragem regular da superfície para testar a conformidade com os procedimentos de limpeza e desinfecção. As ações corretivas devem se basear nos níveis de contaminação microbiana e identificação dos micro-organismos. Educação dos profissionais de assistência à saúde sobre contaminação A educação e o treinamento das pessoas que trabalham na farmácia são essenciais para a prevenção e o controle de contaminação dos medicamentos estéreis. Esse treinamento deve incluir os procedimentos de preparo assépticos, as técnicas adequadas para a colocação de avental e luvas, os procedimentos de garantia da qualidade, os fatores de contaminação das áreas críticas e a conduta geral na área controlada. Esses esforços de educação devem ser documentados. http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/5348/farmacia.htm Questões 01. (Prefeitura de Campo Verde – MT – Atendente de Farmácia – CONSUPLAN) Qual dessas formas farmacêuticas NÃO pode ser classificada como líquida? (A) Soluções. (B) Xaropes. (C) Elixires. (D) Tinturas. (E) Aerossóis. 02. (Prefeitura de Poço Redondo – SE – Farmacêutico – CONSUPLAN) Qual dessas formas farmacêuticas NÃO é classificada como semissólida? (A) Pomadas. (B) Cremes. (C) Géis. (D) Cápsulas. (E) Pastas. 03. (EBSERH – Técnico de Farmácia – IBFC/2017) As formas farmacêuticas classificam-se em formas farmacêuticas líquidas, sólidas e semissólidas. Assinale a alternativa que apresenta uma forma farmacêutica semissólidas: (A) Emulsão. (B) Espuma. (C) Óleo. (D) Gel. (E) Coluntório. 04. (EBSERH – Técnico de Farmácia – Instituo AOCP/2017) A respeito dos princípios básicos de farmacotécnica, assinale a alternativa correta. (A) Pomadas são preparações semissólidas destinadas à aplicação externa que devem obrigatoriamente conter substâncias medicamentosas. (B) Cápsulas são formas farmacêuticas sólidas em que o fármaco está encerrado em um invólucro solúvel duro ou mole. As cápsulas duras estão disponíveis em tamanhos que variam do menor, 5, ao maior, 000. (C) Xaropes são soluções orais que contêm baixa concentração de sacarose ou outros açúcares. (D) Suspensões são preparações líquidas constituídas de partículas líquidas dispersas em uma fase líquida na qual são insolúveis. (E) Emulsões são sistemas bifásicos nos quais um sólido está disperso em outro na forma de pequenas gotículas. Gabarito 01.E / 02.D / 03.D / 04.B Comentários Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 26 01. Resposta: E Os aerossóis e vapores são classificados como gasosos e não líquidos. 02. Resposta: D As cápsulas (invólucro gelatinoso) é classificada como sólida, os semissólidos são as pomadas, cremes, geleias. 03. Resposta: D Os semissólidos são as pomadas, cremes, gel, geleias. 04. Resposta: B As cápsulas são pequenos invólucros destinados a conter, um pó ou um líquido. Têm forma cilíndrica e são formados por duas partes que se encaixam. São classificadas como sólidas. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), Farmácia Hospitalar e outros serviços de saúde definem-se como “unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por farmacêutico, ligada hierarquicamente à direção do hospital ou serviço de saúde e integrada funcionalmente com as demais unidades administrativas e de assistência ao paciente”. Neste contexto, a farmácia hospitalar deve desenvolver atividades clínicas e relacionadas à gestão. A farmácia é um setor do hospital que demanda elevados valores orçamentários e, por isso, o farmacêutico hospitalar deve assumir atividades gerenciais para contribuir com a eficiência administrativa e, consequentemente, com a redução dos custos. Por outro lado, a farmácia hospitalar também tem o objetivo de contribuir no processo de cuidado à saúde, por meio da prestação de assistência ao paciente com qualidade, que vise ao uso seguro e racional de medicamentos, conforme preconiza a Política Nacional de Medicamentos, regulamentada pela Portaria nº 3.916/98, do Ministério da Saúde. As atividades desenvolvidas pela farmácia hospitalar podem ser observadas sob o ponto de vista da organização sistêmica da Assistência Farmacêutica. Segundo a Resolução nº 338/04, do Conselho Nacional de Saúde, Assistência Farmacêutica é: (...) um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população. A Assistência Farmacêutica, no contexto hospitalar, engloba atividades relacionadas à logística, manipulação, controle de qualidade, atenção farmacêutica e farmácia clínica, conforme representado na Figura 1. Além disso, existem atividades intersetoriais, que requerem interação com outros setores do hospital. Figura 1 - Esquema da Assistência Farmacêutica no Âmbito Hospitalar Boas práticas de manipulação em farmácia hospitalar. Cálculos relacionados ao preparo de medicamentos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 27 A fim de estabelecer alguns parâmetros para as atividades hospitalares, a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH) publicou os Padrões Mínimos para a Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde. Um dos itens abordados são os recursos humanos na farmácia hospitalar. De acordo com este documento, a unidade de farmácia hospitalar, para proporcionar o desenvolvimento de processos seguros e sem sobrecarga ocupacional, deve contar com farmacêuticos e auxiliares em número adequado para a realização das suas atividades. O número mínimo de farmacêuticos recomendado dependerá das atividades desenvolvidas, da complexidade do cuidado e do grau de informatização e mecanização da unidade. Os farmacêuticos hospitalares deverão buscar continuamente melhorias nas condições técnicas e de trabalho, de forma a alcançar, além dos parâmetros recomendados como “padrões mínimos”, processos mais refinados e um ambiente mais seguro para o paciente. Recentemente, em 2010, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 4.283, que estabeleceu diretrizes relacionadas e estratégias, objetivando organizar, fortalecer e aprimorar as ações da assistência farmacêutica em hospitais, tendo como eixos estruturantes a segurança e a promoção do uso racional de medicamentos e de outras tecnologias em saúde. Esta Portaria reconhece como áreas de atuação da Farmácia Hospitalar: a gestão, a distribuição e a dispensação de medicamentos e produtos para a saúde, a manipulação e a unitarização de medicamentos, bem como o cuidado ao paciente, a informação sobre medicamentos e outras tecnologias em saúde e, inclusive, as atividades de ensino e pesquisa e educação continuada. Além disso, a farmácia hospitalar deve contar com farmacêuticos e auxiliares, necessários ao pleno desenvolvimento de suas atividades, considerando a complexidade do hospital, os serviços ofertados, o grau de informatização e mecanização, o horário de funcionamento e a segurança para o trabalhador e usuários. http://portal.crfsp.org.br/component/phocadownload/category/cartilhas-das-comissoes-assessoras-comites.html?download=6:cartilha-da-comissao-de-farmacia- hospitalar CÁLCULOS FARMACÊUTICOS A medição de volumes dos líquidos é outra das operações praticadas na farmácia. Faz-se utilizando instrumentos de vidro ou plástico (pipetas, provetas, cálices graduados, copos graduados), onde a escala cuja unidade fundamental é o “ml”.Conta-gotas: Alguns médicos prescrevem medicamentos para serem administrados na forma de gotas. É certo que podemos utilizar frascos conta-gotas ou pipetas com bulbos de borracha, mas qualquer destes processos não origina gotas com peso ou volume uniforme. A uniformidade depende de vários fatores como a densidade do líquido, a temperatura que o utilizaremos e a capilaridade. Podemos padronizar um conta-gotas, onde a uma temperatura de 25ºC, 20 gotas de água destilada correspondem a l g. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 28 Um medicamento líquido para uso interno, como um xarope, raramente é prescrito para ser administrado de uma só vez. Em regra destina-se a ser ingerido em doses fracionadas. É de se esperar que a farmácia forneça os copos ou colheres medidas para o paciente administrar o medicamento em casa. Mas, na prescrição médica podem estar indicado alguns utensílios domésticos. Assim relacionaremos alguns utensílios e suas medidas: - Colher de café = 2,5 ml de água - Colher de chá = 5 ml de água - Colher de sobremesa = 10 ml de água - Colher de sopa = 15 a 20 ml de água Conversão de Cálculos Uma das maiores causas de erro no aviamento de prescrições magistrais relaciona-se à “matemática farmacêutica” ou aos cálculos em farmácia. Apesar da maioria dos processos serem relativamente simples, um ponto decimal mal colocado ou um valor estimado erroneamente pode ter consequências sérias, levando inclusive à morte. Um profissional que não esteja preparado para executar esses cálculos não deve envolver-se com a manipulação magistral. É extremamente importante que o farmacêutico possua um excelente embasamento no que se refere à metodologia dos cálculos e nenhum erro pode ser tolerado nessa etapa vital do processo de manipulação. Para pós: Um bom exercício de conversão de cálculos é a seguinte fórmula: Zinco 40mg Cobre 2mg Vitamina C 60mg Vitamina E 30mg Betacaroteno 5.000UI Selênio 40mcg Manipule 30 cápsulas. Analisando cada matéria prima teremos: Se o ZINCO for fornecido diluído a 20%, devemos fazer o seguinte cálculo: 40 mg X 30 (cps) = 1.200 mg ou 1,2 g 1,2 g - 20 % X - 100 % Portanto 1,2 X 100 = 6 g. 20 Assim teremos que pesar 6 gramas de zinco. Alguns programas de computador necessitam de um fator de correção para o cálculo das fórmulas. Podemos achar um fator e aplicá-lo: 100 % = 5, se multiplicarmos o 1,2 g por 5 encontraremos o peso que devemos obter. 20 Se o COBRE for obtido em uma diluição de 13,66 %, aplicamos a regra de três ou calculamos o fator: _100_ = 7,32 13,66 Assim, 2 mg X 30 (cps) = 60 mg. 60 mg X 7,32 = 439,20 mg (total do sal que devemos pesar) Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 29 A VITAMINA C é pura, portanto faz-se o cálculo diretamente: 60 mg X 30 (cps) = 1.800 mg ou 1,8 g. A VITAMINA E compramos geralmente a 50%: 30 mg X 30 (cps) = 900 mg. Como é a 50 %, multiplica-se por 2. Pesaremos 1.800 mg ou 1,8 g. BETACAROTENO: pode vir dos distribuidores assim: 1.670 UI/mg, a 10 %. 5.000 UI X 30 (cps) = 150.000 UI Assim temos: 1 mg = 1.670 UI X = 150.000 Resultado: 89,82 mg. Mas, o produto é a 10%, então devemos converter se a prescrição não mencionar a diluição: pesaremos 898,20 mg do betacaroteno. SELÊNIO é geralmente adquirido a 0,2%. 40mcg = 0,04mg X 30 (cps) = 1,2mg x 500 = 600mg. Existem alguns princípios ativos que não devemos converter, pois utilizamos já na forma como os adquirimos: é o caso do Ginkgo biloba extrato seco a 24%, ácido lático a 50%, etc. Outro cálculo que nos deparamos é com líquidos e suas doses fracionadas: Exemplo: Ciproheptadina ......................3 mg Xarope simples qsp................5 ml Manipule 200 ml Para cada 5 ml de xarope simples, 3 mg de ciproheptadina. Portanto, é só sabermos quantas frações de 5 ml existe em 200 ml do total. 200 = 40 40 X 3 = 120 mg ou 5 3 mg (ciproheptadine) 5 ml (xarope) x 200 ml (xarope) Aplicando-se a regra de 3, teremos: x = 200 x 3 = 120 mg. 5 Outros cálculos na Farmácia Magistral Um farmacêutico necessita preparar um lote de um descongestionante oftálmico. Cada frasco deverá conter 15 ml. O conservante a ser utilizado é o cloreto de benzalcônio a 0,01 %. O farmacêutico dispõe de uma solução-estoque contento cloreto de benzalcônio a 17 %. Qual o volume da solução estoque para preparar os três frascos? 15 x 3 = 45 45 x 0,0001 = 0,0045 g 0,0045 17 ----------- = ---------- x = 0,026 mL x 100 Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 30 Uma solução anticolinérgica foi prescrita para um bebê, em uma dose de 0,25 mL. O conta-gotas que acompanha o medicamento libera 2 ml de líquido a cada 56 gotas. O farmacêutico deve instruir os pais para ministrarem quantas gotas para o bebê? 56 2 = 28 gotas / ml 1 28 X = 7 gotas ------ = ------- 0,25 X Formas anidras e formas hidratadas: Qual a quantidade de MgSO4. 7 H2O deve ser tomada para obter-se 5 g de MgSO4? Mg = 24 S = 32 O = 16 O peso molecular do MgSO4 é: Mg 1 x 24 = 24 S 1 x 32 = 32 O 4 x 16 = 64 120 o peso molecular do MgSO4. 7 H2O é: MgSO4 1 x 120 = 120 H 14 x 1 = 14 O 7 x 16 = 112 246 A quantidade de MgSO4. 7 H2O necessária será de: 120 5 -------- = --------- X = 10,25 g 246 X Assim, 10,25 g de MgSO4. 7 H2O conterão 5 g de MgSO4. Sistema métrico decimal: medidas de massa e volume Um sistema de medidas é um conjunto de unidades de medida que mantém algumas relações entre si. O sistema métrico decimal é hoje o mais conhecido e usado no mundo todo. Na tabela seguinte, listamos as unidades de medida de comprimento do sistema métrico. A unidade fundamental é o metro, porque dele derivam as demais. Unidades de Comprimento km hm dam m dm cm mm quilômetro hectômetr o decâmetr o metro decímetr o centímetr o milímetr o 1000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m Há, de fato, unidades quase sem uso prático, mas elas têm uma função. Servem para que o sistema tenha um padrão: cada unidade vale sempre 10 vezes a unidade menor seguinte. Por isso, o sistema é chamado decimal. E há mais um detalhe: embora o decímetro não seja útil na prática, o decímetro cúbico é muito usado com o nome popular de litro. As unidades de área do sistema métrico correspondem às unidades de comprimento da tabela anterior. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 31 São elas: quilômetro quadrado (km2), hectômetro quadrado (hm2), etc. As mais usadas, na prática, são o quilômetro quadrado, o metro quadrado e o hectômetro quadrado, este muito importante nas atividades rurais com o nome de hectare (ha): 1 hm2 = 1 ha. No caso das unidades de área, o padrão muda: uma unidade é 100 vezes a menor seguinte e não 10 vezes, como nos comprimentos. Entretanto, consideramos que o sistema continua decimal, porque 100 = 102. Unidades de Área km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2 quilômetro quadrado hectômetro quadrado decâmetro quadrado metro quadrado decímetro quadrado centímetro quadrado milímetro quadrado 1000000m2 10000m2 100m2 1m2 0,01m2 0,0001m2 0,000001m2 Agora, vejamos as unidades de volume. De novo, temos a lista: quilômetro cúbico (km3), hectômetro cúbico (hm3), etc. Na prática, são muitos usados o metro cúbico e o centímetro cúbico. Nas unidades de volume, há um novo padrão: cada unidade vale 1000 vezes a unidade menor seguinte. Como 1000 = 103, o sistema continua sendo decimal.Unidades de Volume km3 hm3 dam3 m3 dm3 cm3 mm3 quilômetro cúbico hectômetro cúbico decâmetro cúbico metro cúbico decímetro cúbico centímetro cúbico milímetro cúbico 1000000000m3 1000000m3 1000m3 1m3 0,001m3 0,000001m3 0,000000001m3 A noção de capacidade relaciona-se com a de volume. Se o volume da água que enche um tanque é de 7 000 litros, dizemos que essa é a capacidade do tanque. A unidade fundamental para medir capacidade é o litro (l); 1l equivale a 1 dm3. Cada unidade vale 10 vezes a unidade menor seguinte. Unidades de Capacidade kl hl dal l dl cl ml quilolitro hectolitro decalitro litro decilitro centímetro mililitro 1000l 100l 10l 1l 0,1l 0,01l 0,001l O sistema métrico decimal inclui ainda unidades de medidas de massa. A unidade fundamental é o grama. Unidades de Massa kg hg dag g dg cg mg quilograma hectograma decagrama grama decigrama centigrama miligrama 1000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m Dessas unidades, só têm uso prático o quilograma, o grama e o miligrama. No dia-a-dia, usa-se ainda a tonelada (t): 1t = 1000 kg. Formas de Expressão de Concentrações na Manipulação Farmacêutica A quantidade e a concentração dos componentes de uma preparação farmacêutica podem ser expressas de diferentes maneiras. A massa de fármaco pode ser dada em gramas, miligramas ou microgramas; a Unidade Internacional (UI) expressa a atividade específica das vitaminas contida em certa quantidade padrão, dentre outras. A concentração fornece a quantidade de fármaco presente em determinada quantidade de preparação (massa ou volume), por exemplo, amoxicilina 250 mg / 5 ml, dextrose 5% em água ou cápsulas contendo 200 mg de carbamazepina. As unidades de concentrações usuais na manipulação são: a) Porcentagem (%) pode ser definida com partes por cem (100). Utilizada nos compêndios oficiais para expressar a faixa de aceitação de uma forma de dosagem. Por exemplo: Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 32 Cápsulas de teofilina devem conter não menos que 90% e não mais que 110% do valor rotulado de teofilina anidra. Qual a faixa de teor para cápsulas de teofilina de 300 mg? 300 mg 100% 300 mg 100% X 90% X 110% X = 270 mg X = 330 mg As cápsulas podem conter de 270 mg a 330 mg de teofilina. b) % peso por volume, volume por volume ou peso por peso - Para sólidos em líquidos? % p / v: g em 100 ml - Para líquidos em líquidos? % v / v: ml em 100 ml - Para sólidos em sólidos? % p / p: g em 100 g c) Proporção quantidade em partes do fármaco no total de partes da preparação. Representada por “: - dois pontos”. Assim, em uma diluição 1:10 de biotina, entende-se que, em 10 partes de mistura, 1 parte é de biotina (1 g de biotina + 9 g de excipiente inerte). A interpretação correta seria misturar 1 parte da pomada de gentamicina (15 g) com 1 parte de vaselina branca (15 g). Neste caso, 50% da preparação seriam de pomada de gentamicina e 50% de base. Um modo errado de interpretar seria misturar 1 parte de pomada de gentamicina (10 g) com 2 partes de vaselina branca (20 g). A % de pomada de gentamicina cairia para 33,33%. Como consequência, a dose do fármaco estaria menor. d) Miligramas por mililitro a utilização da expressão mg / ml para preparações líquidas é a mais usual e não deixa qualquer margem de dúvida. Por exemplo, a concentração de acetato de hidrocortisona em uma suspensão oral é de 10 mg / 5 ml. Isto equivale dizer que, cada 1 ml da suspensão contém 2 mg do sal. Expressão de concentrações As concentrações definidas em percentagem são expressas como se segue: - Por cento p/p (peso em peso) ou % p/p - Expressa o número de g de um componente em 100 g de mistura. - Por cento p/v (peso em volume) ou % p/v - Expressa o número de g de um componente em 100 ml de solução. - Por cento v/v (volume em volume) ou % v/v - Expressa o número de ml de um componente em 100 ml de solução. - Por cento v/p (volume em peso) ou % v/p - Expressa o número de ml de um componente em 100 g de mistura. A expressão por cento, usada sem outra atribuição, significa: mistura de sólidos e semissólidos, por cento p/p; para soluções ou suspensões de sólidos em líquidos, por cento p/v; para soluções de líquidos, por cento v/v; para soluções de gases em líquidos, por cento p/v; para expressar teor de óleos essenciais em drogas vegetais, por cento v/p. Praticamente todas as operações farmacotécnicas envolvem algum tipo de cálculo. Os mais comuns são baseados em regra de três simples, empregados em cálculos de diluição, fator de correção ou equivalência, conversão de unidades dentre outros. É de extrema importância que o farmacêutico e sua equipe técnica tenham pleno conhecimento e entendimento destes cálculos, pois são essenciais para se produzir uma fórmula eficaz e segura ao paciente. Erros de cálculos podem levar à produção de fórmulas com teor diminuído ou aumentado de princípios ativos, gerando ineficácia na terapêutica ou incidência de efeitos adversos, que podem apresentar diferentes magnitudes ou, até mesmo, levar o paciente ao óbito. A seguir serão discutidos os principais cálculos empregados na rotina de produção de medicamentos magistrais. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 33 O resultado de uma medição deve ser representado pelo valor numérico da medida seguido pelo símbolo da unidade de medida em questão. Por exemplo: 25ºC; 100 g; 50 ml; 5%Um valor sem unidade de medida é apenas um número qualquer e, em muitos casos, pode não ter utilidade alguma. Razão Sejam dois números reais a e b, com b ≠ 0. Chama-se razão entre a e b (nessa ordem) o quociente a ÷ b, ou 𝑎 𝑏 . A razão é representada por um número racional, mas é lida de modo diferente. Exemplos a) A fração 5 3 lê-se: “três quintos”. b) A razão 5 3 lê-se: “3 para 5”. Os termos da razão recebem nomes especiais. O número 3 é numerador a) Na fração 5 3 O número 5 é denominador O número 3 é antecedente a) Na razão 5 3 O número 5 é consequente Exemplo 1 A razão entre 20 e 50 é 5 2 50 20 ; já a razão entre 50 e 20 é 2 5 20 50 . Exemplo 2 Numa classe de 42 alunos há 18 rapazes e 24 moças. A razão entre o número de rapazes e o número de moças é 4 3 24 18 , o que significa que para “cada 3 rapazes há 4 moças”. Por outro lado, a razão entre o número de rapazes e o total de alunos é dada por 7 3 42 18 , o que equivale a dizer que “de cada 7 alunos na classe, 3 são rapazes”. Razão entre grandezas de mesma espécie A razão entre duas grandezas de mesma espécie é o quociente dos números que expressam as medidas dessas grandezas numa mesma unidade. Exemplo Uma sala tem 18 m2. Um tapete que ocupar o centro dessa sala mede 384 dm2. Vamos calcular a razão entre a área do tapete e a área da sala. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 34 Primeiro, devemos transformar as duas grandezas em uma mesma unidade: Área da sala: 18 m2 = 1 800 dm2 Área do tapete: 384 dm2 Estando as duas áreas na mesma unidade, podemos escrever a razão: 75 16 1800 384 1800 384 2 2 dm dm Razão entre grandezas de espécies diferentes Exemplo 1 Considere um carro que às 9 horas passa pelo quilômetro 30 de uma estrada e, às 11 horas, pelo quilômetro 170. Distância percorrida: 170 km – 30 km = 140 km Tempo gasto: 11h – 9h = 2h Calculamos a razão entre a distância percorrida e o tempo gasto para isso: hkm h km /70 2 140 A esse tipo de razão dá-se o nome de velocidade média. Observe que: - as grandezas “quilômetro e hora” são de naturezas diferentes; - a notação km/h (lê-se: “quilômetros por hora”)deve acompanhar a razão. Exemplo 2 A Região Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) tem uma área aproximada de 927 286 km2 e uma população de 66 288 000 habitantes, aproximadamente, segundo estimativas projetadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 1995. Dividindo-se o número de habitantes pela área, obteremos o número de habitantes por km2 (hab./km2): 2/.5,71 927286 66288000 kmhab A esse tipo de razão dá-se o nome de densidade demográfica. A notação hab./km2 (lê-se: ”habitantes por quilômetro quadrado”) deve acompanhar a razão. Exemplo 3 Um carro percorreu, na cidade, 83,76 km com 8 L de gasolina. Dividindo-se o número de quilômetros percorridos pelo número de litros de combustível consumidos, teremos o número de quilômetros que esse carro percorre com um litro de gasolina: lkm l km /47,10 8 76,83 A esse tipo de razão dá-se o nome de consumo médio. A notação km/l (lê-se: “quilômetro por litro”) deve acompanhar a razão. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 35 Exemplo 4 Uma sala tem 8 m de comprimento. Esse comprimento é representado num desenho por 20 cm. Qual é a escala do desenho? Escala = 40:1 40 1 800 20 8 20 ou cm cm m cm orealcompriment onodesenhocompriment A razão entre um comprimento no desenho e o correspondente comprimento real, chama-se Escala. Proporção A igualdade entre duas razões recebe o nome de proporção. Na proporção 10 6 5 3 (lê-se: “3 está para 5 assim como 6 está para 10”), os números 3 e 10 são chamados extremos, e os números 5 e 6 são chamados meios. Observemos que o produto 3 x 10 = 30 é igual ao produto 5 x 6 = 30, o que caracteriza a propriedade fundamental das proporções: “Em toda proporção, o produto dos meios é igual ao produto dos extremos”. Exemplo 1 Na proporção 9 6 3 2 , temos 2 x 9 = 3 x 6 = 18; e em 16 4 4 1 , temos 4 x 4 = 1 x 16 = 16. Exemplo 2 Na bula de um remédio pediátrico recomenda-se a seguinte dosagem: 5 gotas para cada 2 kg do “peso” da criança. Se uma criança tem 12 kg, a dosagem correta x é dada por: kg x kg gotas 122 5 → x = 30 gotas Por outro lado, se soubermos que foram corretamente ministradas 20 gotas a uma criança, podemos concluir que seu “peso” é 8 kg, pois: pgotas kg gotas /20 2 5 → p = 8kg (nota: o procedimento utilizado nesse exemplo é comumente chamado de regra de três simples.) Propriedades da Proporção O produto dos extremos é igual ao produto dos meios: essa propriedade possibilita reconhecer quando duas razões formam ou não uma proporção. 9 12 3 4 e formam uma proporção, pois Produto dos extremos 36 9.4 = 36 12.3 Produto dos meios Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 36 A soma dos dois primeiros termos está para o primeiro (ou para o segundo termo) assim como a soma dos dois últimos está para o terceiro (ou para o quarto termo). 10 14 5 7 10 410 5 25 4 10 2 5 ou 4 14 2 7 4 410 2 25 4 10 2 5 A diferença entre os dois primeiros termos está para o primeiro (ou para o segundo termo) assim como a diferença entre os dois últimos está para o terceiro (ou para o quarto termo). 8 2 4 1 8 68 4 34 6 8 3 4 ou 6 2 3 1 6 68 3 34 6 8 3 4 A soma dos antecedentes está para a soma dos consequentes assim como cada antecedente está para o seu consequente. 8 12 10 15 8 12 28 312 2 3 8 12 ou 2 3 10 15 2 3 28 312 2 3 8 12 A diferença dos antecedentes está para a diferença dos consequentes assim como cada antecedente está para o seu consequente. 15 3 10 2 15 3 515 13 5 1 15 3 ou 5 1 10 2 5 1 515 13 5 1 15 3 Porcentagem A porcentagem é o resultado das frações que possuem denominadores iguais a 100; por isso são conhecidas como razões centesimais e podem ser representadas pelo símbolo "%". Portanto, valores expressos em porcentagem são considerados como valores relativos, como mostrado no exemplo a seguir: 20% de 100 g = 20 g, enquanto que 20% de 1000 g = 200 g. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 37 Cálculos com porcentagem são frequentemente empregados no nosso cotidiano, como em acréscimos ou reduções de preços, determinação de grupos populacionais e concentração de produtos, sempre tendo como base 100 unidades. Regra de Três Simples Os problemas que envolvem duas grandezas diretamente ou inversamente proporcionais podem ser resolvidos através de um processo prático, chamado regra de três simples. Exemplo 1: Um carro faz 180 km com 15L de álcool. Quantos litros de álcool esse carro gastaria para percorrer 210 km? Solução: O problema envolve duas grandezas: distância e litros de álcool. Indiquemos por x o número de litros de álcool a ser consumido. Coloquemos as grandezas de mesma espécie em uma mesma coluna e as grandezas de espécies diferentes que se correspondem em uma mesma linha: Distância (km) Litros de álcool 180 15 210 x Na coluna em que aparece a variável x (“litros de álcool”), vamos colocar uma flecha: Distância (km) Litros de álcool 180 15 210 x Observe que, se duplicarmos a distância, o consumo de álcool também duplica. Então, as grandezas distância e litros de álcool são diretamente proporcionais. No esquema que estamos montando, indicamos esse fato colocando uma flecha na coluna “distância” no mesmo sentido da flecha da coluna “litros de álcool”: Distância (km) Litros de álcool 180 15 210 x mesmo sentido Armando a proporção pela orientação das flechas, temos: x 15 210 180 7 6 6x = 7 . 15 6x = 105 x = 6 105 x = 17,5 Resposta: O carro gastaria 17,5 L de álcool. Exemplo 2: Viajando de automóvel, à velocidade de 60 km/h, eu gastaria 4 h para fazer certo percurso. Aumentando a velocidade para 80 km/h, em quanto tempo farei esse percurso? Solução: Indicando por x o número de horas e colocando as grandezas de mesma espécie em uma mesma coluna e as grandezas de espécies diferentes que se correspondem em uma mesma linha, temos: Velocidade (km/h) Tempo (h) 60 4 80 x Na coluna em que aparece a variável x (“tempo”), vamos colocar uma flecha: Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 38 Velocidade (km/h) Tempo (h) 60 4 80 x Observe que, se duplicarmos a velocidade, o tempo fica reduzido à metade. Isso significa que as grandezas velocidade e tempo são inversamente proporcionais. No nosso esquema, esse fato é indicado colocando-se na coluna “velocidade” uma flecha em sentido contrário ao da flecha da coluna “tempo”: Velocidade (km/h)Tempo (h) 60 4 80 x sentidos contrários Na montagem da proporção devemos seguir o sentido das flechas. Assim, temos: 3 4 60 804 x 4x = 4 . 3 4x = 12 x = 4 12 x = 3 Resposta: Farei esse percurso em 3 h. Exemplo 3: Ao participar de um treino de Fórmula 1, um competidor, imprimindo velocidade média de 200 km/h, faz o percurso em 18 segundos. Se sua velocidade fosse de 240 km/h, qual o tempo que ele teria gasto no percurso? Vamos representar pela letra x o tempo procurado. Estamos relacionando dois valores da grandeza velocidade (200 km/h e 240 km/h) com dois valores da grandeza tempo (18 s e x s). Queremos determinar um desses valores, conhecidos os outros três. Velocidade Tempo gasto para fazer o percurso 200 km/h 18 s 240 km/h x Se duplicarmos a velocidade inicial do carro, o tempo gasto para fazer o percurso cairá para a metade; logo, as grandezas são inversamente proporcionais. Assim, os números 200 e 240 são inversamente proporcionais aos números 18 e x. Daí temos: 200 . 18 = 240 . x 3 600 = 240x 240x = 3 600 x = 240 3600 x = 15 O corredor teria gasto 15 segundos no percurso. Fator de Correção (FCr) Fator utilizado para corrigir a diluição de uma substância, o teor de princípio ativo, o teor elementar de um mineral ou a umidade. Essas correções são feitas baseando-se nos certificados de análise das matérias-primas ou nas diluições feitas na própria farmácia. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 39 A Coordenação de Equivalência Farmacêutica da Gerência de Tecnologia Farmacêutica (CEFAR/GTGAR/GGMED/Anvisa) informa que, para efeito da avaliação do Certificado de Equivalência Farmacêutica, foi elaborada a árvore decisória para análise dos critérios que subsidiam a aprovação ou reprovação do Estudo de Equivalência Farmacêutica. Para fins de aplicação da árvore decisória, torna- se necessário o conhecimento da definição de equivalentes farmacêuticos e de ensaios informativos, dispostos pela Resolução - RDC 31/2010: “Equivalentes Farmacêuticos: são medicamentos que possuem mesma forma farmacêutica, mesma via de administração e mesma quantidade da mesma substância ativa, isto é, mesmo sal ou éster da molécula terapêutica, podendo ou não conter excipientes idênticos, desde que bem estabelecidos para a função destinada. Devem cumprir com os mesmos requisitos da monografia individual da Farmacopeia Brasileira, preferencialmente, ou com os de outros compêndios oficiais, normas ou regulamentos específicos aprovados/referendados pela Anvisa ou, na ausência desses, com outros padrões de qualidade e desempenho. Formas farmacêuticas de liberação modificada que requerem reservatório ou excesso podem conter ou não a mesma quantidade da substância ativa, desde que liberem quantidades idênticas da mesma substância ativa em um mesmo intervalo posológico”. “Ensaios Informativos: ensaios analíticos preconizados na monografia individual ou nos métodos gerais de compêndios oficiais ou, ainda, em normas e regulamentos aprovados/referendados pela Anvisa, para os quais não exista especificação definida, cujos resultados não devem ser utilizados para fins de comparação entre os Medicamentos Teste e de Referência/Comparador no Estudo de Equivalência Farmacêutica. Para tais ensaios, o medicamento teste deve cumprir com suas próprias especificações”. As informações relacionadas aos ensaios informativos estão preconizadas no Art. 13 da Resolução- RDC nº 31/2010. Diante do exposto, algumas especificações poderão ser alteradas ou serem divergentes entre o medicamento teste e referência, mediante justificativa técnica, desde que não comprometam o conceito de “equivalentes farmacêuticos”. Dentre essas especificações podemos incluir os exemplos mais corriqueiros e as exigências técnicas a serem atendidas: a. pH: serão aceitas especificações diferentes, desde que a empresa comprove tecnicamente, preferencialmente por meio de artigos publicados em literatura indexada, que não há interferência na eficácia do medicamento e apresente estudo de estabilidade na faixa de pH sugerida; b. Umidade: serão aceitas especificações diferentes, desde que tecnicamente justificadas e mediante apresentação de estudo de estabilidade. A metodologia para os ensaios abaixo especificados poderá ser modificada, mediante justificativa técnica e validação da metodologia analítica, conforme parâmetros da Resolução-RE nº. 899/2003. Nesse caso, tanto o medicamento teste quanto o referência deverão atender às especificações da metodologia utilizada. a. Ensaios cuja finalidade é o doseamento do(s) ativo(s) do(s) medicamento(s) em estudo. Estão incluídos nessa categoria: determinação do teor e uniformidade de doses unitárias; b. Ensaios para quantificação de substâncias químicas presentes em menor quantidade nos medicamentos testados. Estão incluídos nessa categoria: quantificação de impurezas e substâncias relacionadas; c. Ensaios para quantificação da dissolução do fármaco a partir de uma formulação, e de sua velocidade de dissolução. Estão incluídos nessa categoria: dissolução e perfil de dissolução; d. Ensaios de identificação do fármaco em uma formulação, não sendo necessária sua quantificação. Matérias-Primas que necessitam de correção A não correção ou correção indevida do teor de um princípio ativo em uma forma farmacêutica implicará em uma dose errada e consequentemente uma não conformidade passível de sanções legais. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 40 Quando devemos fazer a correção? - Quando a substância é comercializada na forma diluída. - Quando a substância é diluída na farmácia, por razões farmacotécnicas e de segurança. - Quando a substância é comercializada na forma de sal e a dose é administrada em relação a sua molécula base. - Quando a substância é comercializada na forma de sal ou base hidratada, e o produto de referência é dosificado em relação à base ou sal anidro. - Sais minerais ou minerais aminoácidos quelados em prescrições em que se deseja o teor elementar. - Correção do teor, quando o doseamento indicar valores menores do que o mínimo especificado na literatura. Cálculo do fator de correção: Fc = Peso molecular do sal Peso molecular da base Exemplo: Se tivermos que manipular uma receita contendo 60 cápsulas de ranitidina 150mg: Neste caso, as literaturas indicam o cloridrato de ranitidina para administração oral e o cálculo deverá ser feito em relação a sua base. Assim teremos: Peso molecular da ranitidina, cloridrato = 350.9 Peso molecular da ranitidina base = 314.4 Fc = 350.9 = 1,116 (1,12) 314.4 60 (cápsulas) X 150 mg X 1,12 = 10.080 mg Assim, teremos que utilizar 10,080 g de cloridrato de ranitidina para obtermos 150 mg de ranitidina base para cada cápsula. Para moléculas hidratadas: Fc = Peso molecular da molécula hidratada Peso molecular da molécula anidra Exemplo: Se tivermos que manipular uma receita contendo 30 cápsulas de amoxicilina 500 mg: Neste caso as literaturas indicam que a molécula de referência é anidra. Assim teremos: Peso molecular da amoxicilina tri hidratada = 419.5 Peso molecular da amoxicilina anidra = 365.4 Fc = 419.5 = 1.148 (1,15) 365.4 30 (cápsulas) X 500 mg X 1,15 = 17.250 mg Assim, teremos que pesar 17,250 g para obtermos 500 mg de amoxicilina base para cada cápsula. Referências Bibliográficas DANTAS, Solange Cecilia Cavalcante. Farmácia e Controle das Infecções Hospitalares. Pharmacia Brasileira nº 80 - Fevereiro/Março 2011. GOMES, M.J.V de M; REIS, A.M.M. Ciências Farmacêuticas:uma abordagem em Farmácia Hospitalar. 1a edição, São Paulo, Atheneu, 2000. KÜHNER, D.O.; OLIVEIRA, A.M. Gestão Farmacêutica: atividade lucrativa para o hospital. São Paulo: Segmento Farma Editores, 2010. MAIA, NETO, J.F. Farmácia Hospitalar e suas interfaces com a saúde. São Paulo: Rx, 2005. 316p. NOGUEIRA, H. Serviço de Farmácia nos Hospitais. Revista Brasileira de Farmácia nº 3/4, Março/Abril, 1961. 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Uso racional de medicamentos. Uso indiscriminado de antimicrobianos e resistência microbiana: uma guerra perdida? Brasília, v.1 n.4., mar. 2004. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Uso%20indiscriminado%20de%20antibióticos.pd. Acesso: 29/jun/2010. WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Alliance for Patience Safety. Forward Programme 2005. Disponível em: http://www.who.int/entity/patientsafety/en/. Acesso em: 29/jun/2010. Araújo, RQ de. Participação da Farmácia Hospitalar no Controle das Infecções Hospitalares. Disponível em: http://www.racine.com.br/participacao‑da‑farmacia ‑hospitalar‑no‑controle‑das‑infeccoes‑hospitalares/portal‑racine/setor‑hospitalar/farmacia‑hospitalar/participacao‑da‑farmacia‑hospitalar‑no‑controle‑das‑ infeccoes‑hospitalares Questões 01. (SEAP – DF – Farmácia – IADES) A farmácia hospitalar é uma unidade clínica administrativa e econômica, dirigida por profissional farmacêutico, ligada hierarquicamente à direção do hospital e integrada funcionalmente com as demais unidades de assistência ao paciente. A respeito das atribuições e das funções da farmácia hospitalar, assinale a alternativa incorreta. (A) Planejamento, aquisição, análise, armazenamento, distribuição e controle de medicamentos e de correlatos. (B) Desenvolvimento e (ou) manipulação de fórmulas magistrais e oficinais. (C) Dispensação e venda de medicamentos. (D) Desenvolvimento de pesquisas. (E) Desenvolvimento de atividades didáticas. 02. (EMSERH – Farmacêutico – FUNCAB/2016) Qual das alternativas a seguir NÃO se enquadra nos princípios da Farmácia Hospitalar? (A) Seu principal objetivo é contribuir no processo de cuidado à saúde, visando melhorar a qualidade da assistência prestada ao paciente. (B) A Farmácia Hospitalar é uma unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida por farmacêutico, sem vínculo hierárquico com a direção do hospital sendo, portanto, considerada uma unidade independente. (C) No campo de atuação clínica, o foco da Farmácia Hospitalar e de serviços de saúde deve estar no paciente e no atendimento de suas necessidades. (D) O desenvolvimento das ações da Farmácia Hospitalar vai além dos planos assistencial, econômico, de pesquisa e de ensino. (E) A atuação da Farmácia Hospitalar deverá ser pautada em conceitos da economia da saúde, modernas técnicas de controle de custos buscando o desenvolvimento de ações economicamente viáveis e soluções sustentáveis para a instituição hospitalar. 03. (EBSERH – Técnico em Farmácia – IBFC/2017) Alguns princípios ativos farmacêuticos são utilizados na sua forma de sal, e para alguns deles, na hora do cálculo farmacêutico, deve ser aplicado o fator de equivalência, que é o fator utilizado para fazer o cálculo da conversão da massa do sal ou éster para a massa do fármaco ativo. Assinale a alternativa que corresponde à quantidade total de pó que deverá ser pesado para o preparo de 20 cápsulas de ranitidina, cada uma na dose de 75 mg (miligramas), considerando que o pó utilizado será o cloridrato de ranitidina cujo fator de equivalência é 1,12: (A) 15 g (gramas) (B) 1,5 g (gramas) (C) 1,68 g (gramas) (D) 16,8 g (gramas) (E) 1,12 g (gramas) 04. (EBSERH – Técnico em Farmácia – Instituto AOCP/2016) Em um hospital, pretende-se preparar uma solução com concentração de 2%. Sabe-se que a concentração da solução inicial que será utilizada é de 50%. Qual volume dessa solução será necessário para obter 200 mL da solução desejada? Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 42 (A) 8 mL. (B) 10 mL. (C) 12 mL. (D) 15 mL. (E) 20 mL. 05. (UFSM – Técnico em Farmácia – UFSM/2017) Uma paciente pediátrica de dez meses de idade, pesando nove quilogramas (Kg) e com histórico familiar de rinite alérgica sazonal realizou uma consulta com seu pediatra por apresentar sibilo inspiratório (chiado), tosse e secreção nas vias áreas superiores. Após avaliação o médico prescreveu a seguinte receita: 1) Predsim® (Fosfato sódico de prednisolona) ‒ Solução Oral (3 mg/mL) ‒ Tomar: 3,5 mL, 1 vez ao dia, por 5 dias. 2) Allegra ® (Cloridrato de fexofenadina) ‒ Suspensão oral (6 mg/mL) ‒ Tomar: 2,5 mL, 2 vezes ao dia, por 7 dias. 3) Berotec® (Bromidrato de fenoterol) ‒ Solução gotas (5 mg/mL) ‒ Nebulizar 3 gotas de Berotec® + 3 mL de Soro Fisiológico, de 4 em 4 horas, por 5 dias. De acordo com a posologia prescrita pelo médico, quantos miligramas (mg) do princípio ativo a paciente toma por dia da solução oral de Fosfato Sódico de Prednisolona (3 mg/mL) e da suspensão oral de Cloridrato de Fexofenadina (6 mg/mL), respectivamente? (A) 3 mg e 6 mg. (B) 3,5 mg e 2,5 mg. (C) 3,5 mg e 5 mg. (D) 10,5 mg e 15 mg. (E) 10,5 mg e 30 mg. Gabarito 01.C / 02.B / 03.C / 04.A / 05.E Comentários 01. Resposta: C (...) um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial e visando ao acesso e ao seu uso racional. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população. 02. Resposta: B De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), Farmácia Hospitalar e outros serviços de saúde definem-se como “unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida porfarmacêutico, ligada hierarquicamente à direção do hospital ou serviço de saúde e integrada funcionalmente com as demais unidades administrativas e de assistência ao paciente”. 03.Resposta: C 20 (cápsulas) X 75 mg X 1,12 = 1,680 mg Assim, teremos que utilizar 1,680 g de cloridrato de ranitidina para obtermos 75 mg de ranitidina base para cada cápsula. 04.Resposta: A 50 % - 200 ml 2% - X 50 X = 200.2 X = 400/50 = 8 ml Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 43 05.Resposta: E Fosfato sódico de prednisolona 3 mg/ml – 3,5 ml 3 x 3,5 = 10,5 mg Cloridrato de fexofenadina 6 mg/ml – 5 ml 6 x 5 = 30 mg Local de atendimento – ambiente destinado aos serviços farmacêuticos clínicos1 Para que seja montado um SAF, a farmácia deve dispor de um espaço adequado para atendimento privado ou semiprivado de pacientes. No balcão, pode ser aceitável conversar e informar pacientes sobre suas prescrições ou sobre automedicação, mas não é possível desenvolver um atendimento clínico de alta qualidade em pé́ no balcão. Muitas farmácias no Brasil têm adaptado espaços para atendimento privado de pacientes, objetivando construir serviços ligados à atenção farmacêutica. A Figura 10.7 mostra o mesmo exemplo de planta baixa da farmácia comunitária de forma renovada, dando destaque à prestação de serviços ligados ao medicamento, com área de espera e espaços de cuidado farmacêutico semiprivatizo e privativo. Do ponto de vista do merchandising de produtos alheios, como cosméticos, a planta propõe uma área de autoatendimento que pode ser aberta e integrada à área de espera e ao caixa. Há diversas farmácias, principalmente as públicas ou as de manipulação, que eliminaram o balcão tradicional, optando pela criação de guichês semiprivados, nos quais os pacientes são atendidos sentados, com mais conforto e privacidade. Esse leiaute acolhe melhor o paciente, humaniza o serviço e permite que atendentes bem treinados realizem dispensação de medicamentos com bom nível de qualidade, podendo solicitar a presença do farmacêutico quando surgem problemas com a prescrição ou queixas de saúde pelo paciente. Esses espaços permitem a realização de consultas farmacêuticas para alguns tipos de serviços clínicos, como a dispensação especializada e o manejo de transtornos menores. Essa organização de atendimento ainda é rara em farmácias e drogarias tradicionais, mas tende a aumentar, na medida em que o respeito aos diretos do consumidor seja efetivamente exigido e que a 1 CORRER, Cassyano J.; OTUKI, Michel F. A Prática Farmacêutica na Farmácia Comunitária. Artmed. 2013. Aspectos técnicos aplicados à infraestrutura física e controle de qualidade Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 44 farmácia adquira maior responsabilidade social como estabelecimento de saúde, e não meramente comercial. Segundo a Anvisa, o ambiente destinado à atenção farmacêutica deve ser diverso daquele destinado à dispensação e à circulação de pessoas em geral, devendo o estabelecimento dispor de espaço especifico para esse fim. Não é necessário dispor de diversos ambientes separados para realização de cada procedimento, sendo todos os serviços farmacêuticos realizados no mesmo ambiente, destinado exclusivamente para esse fim. Na maioria das farmácias brasileiras, a criação desse ambiente pode se dar pela adaptação da sala de injetáveis, por exemplo, devendo-se registrar e aprovar o espaço junto à vigilância Sanitária local. O ambiente para prestação dos serviços que demandam atendimento individualizado deve garantir a privacidade e o conforto dos usuários, possuindo dimensões, mobiliário e infraestrutura compatíveis com as atividades e os serviços a serem oferecidos. Outras características básicas de um ambiente apropriado para a atenção farmacêutica e a realização da entrevista clinica estão descritas no Quadro 10.5. Segundo a Agencia, a atenção farmacêutica tem por objetivo a identificação e a resolução de problemas relacionados aos medicamentos e o uso racional de medica- mentos. No contexto do serviço de atenção farmacêutica, podem ser realizados a administração de medicamentos (injetáveis, nebulização), a determinação de parâmetros fisiológicos (pressão arterial, temperatura) e bioquímicos (glicemia capilar) ou o atendimento domiciliar. Esses procedimentos assistenciais básicos devem ser vistos como meio, e não como fim. É possível realizá-los de forma desarticulada de qualquer serviço clínico, mas isso seria indesejável do ponto de vista da gestão clínica do medicamento. Infelizmente, é isso que a maioria das farmácias comunitárias no Brasil faz hoje. Em todo atendimento, deve ser entregue uma declaração de serviço farmacêutico ao paciente, na qual se descrevem os resultados do atendimento, os dados sobre o medicamento administrado e as orientações ao paciente ou a indicação de medicamentos e respectiva posologia, quando houver. Além da RDC n° 44, de 17 de agosto de 2009,36 da Anvisa, o leitor deve consultar também legislações de seu Estado ou Município, as quais podem conter outras exigências além das aqui expostas. QUADRO 10.5 Características de um bom ambiente para a atenção farmacêutica Local privado. Mesa e cadeiras para atendimento sentado. A distância ideal entre farmacêutico e paciente deve estar entre 90 e 120 cm. Distancia acima de 150 cm pode transmitir muita impessoalidade, e distâncias menores que 90 cm interferem com o “espaço de privacidade” do paciente. Temperatura ambiente agradável e iluminação suficiente, de modo que farmacêutico e paciente possam se ver e possam ler materiais escritos com facilidade. Ambiente silencioso, sem ruídos externos significativos, telefones tocando, equipamentos barulhentos ligados, odores desagradáveis ou interrupções sucessivas. Local limpo e organizado, de modo que se crie uma atmosfera profissional, sem muitos fatores de distração e exageros decorativos. Entretanto, pode possuir toques pessoais, como objetos que o diferenciem do restante da farmácia e criem um ambiente aconchegante O ambiente deve ser provido de lavatório contendo água corrente e dispor de toalha de uso individual descartável, sabonete líquido, gel bactericida e lixeira com pedal e tampa. A altura em que farmacêutico e paciente devem estar sentados deve ser parecida, de modo que os olhos se alinhem na mesma altura. Não é recomendado que o farmacêutico sente-se em nível acima do paciente, pois isso causa intimidação. Algumas vezes, é útil ter o paciente sentado em um nível mais alto que o profissional, para dar a ele uma vantagem visual. Nessa posição, o paciente pode achar mais fácil estar aberto a questões. Devem-se minimizar as barreiras de comunicação entre profissional e paciente. A própria mesa é uma barreira que o farmacêutico pode eliminar, caso se sinta confortável com isso. Pode-se utilizar a lateral da mesa, ou mesas arredondadas, de modo que profissional e paciente formem um ângulo de 90 graus. O acesso ao sanitário, caso exista, não deve se dar por meio do ambiente destinado aos serviços farmacêuticos. O conjunto de materiais para primeiros-socorros deve estar identificado e de fácil acesso nesse ambiente. O procedimento de limpeza do espaço para a prestação de serviços farmacêuticos deve ser registrado e realizado diariamente no início e ao término do horário de funcionamento. O ambiente deve estar limpo antes de todos os atendimentos nele realizados, a fim de minimizar riscos à saúde dos usuários e dos funcionários do estabelecimento. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 45 A ampliação do escopo da assistência farmacêutica, pela incorporação de tecnologias de gestão clínica do medicamento, é uma forma de restabelecer a coerência entre as necessidades relacionadas aos medica- mentos da população e a organizaçãocorpo. O resultado é chamado de efeito farmacológico. Um medicamento em geral produz múltiplos efeitos e entre eles: Conceitos básicos em farmacologia: droga, fármaco, medicamento, especialidade farmacêutica. Vias de administração de medicamentos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 2 Efeito principal: É aquele que queremos obter. Ex: o efeito farmacológico principal do salbutamol é a dilatação dos brônquios (broncodilatação) que permite aliviar um paciente com crise de asma. Efeito colateral, indesejável ou adverso: Conforme o próprio nome está dizendo é um efeito que não desejamos, mas é produzido pelo mesmo medicamento. Frequentemente são inevitáveis e pouco graves, mas às vezes podem ser muito graves. Ex: o salbutamol, além de atuar sobre os brônquios, atua também sobre o coração provocando um aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia). É um efeito adverso, geralmente não grave. A farmacologia pode ser dividida em: Farmacologia geral, Farmacologia aplicada, Farmacodinâmica, Farmacocinética, Farmacotécnica, Farmacognosia, Farmacoterapêutica, Farmacologia clínica e Toxicologia. Farmacologia Geral: Estuda os conceitos básicos e comuns a todos os grupos de drogas. Farmacologia Aplicada: Estuda os fármacos reunidos em grupos de ação farmacológica similar. Farmacodinâmica: Estuda o local de ação, mecanismo de ação, ações e efeitos, efeitos terapêuticos e efeitos tóxicos de uma droga. Farmacocinética: Atende aos estudos sobre: Vias de administração, absorção distribuição, metabolismo e excreção de uma droga. Os caminhos percorridos por um medicamento no corpo do animal. Farmacotécnica: Trata-se da preparação de das formas farmacêuticas sob as quais os medicamentos são administrados: cápsulas, comprimidos, suspensões etc. A sua purificação e conservação, visando um melhor aproveitamento do medicamento no organismo do animal. Farmacognosia: Estuda a origem, as características, a estrutura, e composição química das drogas no seu estado natural sob a forma de órgãos ou organismos vegetais e animais, assim como seus extratos. Farmacoterapêutica: orientação do uso dos medicamentos para prevenção, tratamento e diagnósticos das enfermidades. Farmacologia Clínica: preocupa-se com os padrões de eficácia e segurança da administração de medicamentos aos animais, comparando informações obtidas em animais saudáveis com as obtidas no animal doente. Toxicologia: área próxima da farmacologia. Ciência que estuda os agentes tóxicos. Após essa análise geral sobre a farmacologia, veremos agora o destino, forma de absorção, distribuição, transformação e excreção dos fármacos em nosso organismo. Destino dos fármacos no organismo: qualquer substância que atue no organismo vivo pode ser absorvida por este, distribuída pelos diferentes órgãos, sistemas ou espaços corporais, modificada por processos químicos e finalmente eliminada. A farmacologia estuda estes processos e a interação dos fármacos com o homem e com os animais, os quais se denominam: Absorção - Para chegar na circulação sanguínea o fármaco deve passar por alguma barreira dada pela via de administração, que pode ser: cutânea, subcutânea, respiratória, oral, retal, muscular. Ou pode ser inoculada diretamente na circulação pela via intravenosa, sendo que neste caso não ocorre absorção, pois não transpassa nenhuma barreira, caindo diretamente na circulação. A absorção (nos casos que existe barreira) do fármaco, é como já foi citado anteriormente, fundamental para seu efeito no organismo. A maioria dos fármacos é absorvida no intestino, e poucos fármacos no estômago, os fármacos são melhor absorvidos quando estiverem em sua forma não ionizada, então os fármacos que são ácidos fracos serão absorvidos melhor no estômago que tem pH ácido, Exemplo(Àcido Acetil Salicilico), já os fármacos que são bases fracas, serão absorvidos principlamente no intestino, sendo que esse tem um pH mais básico que o do estômago. Os fármacos na forma de comprimido, passam por diversas fases de quebra, até ficarem na forma de pó e assim serem solubilizados e absorvidos, já os fármacos em soluções, não necessitam sofrer todo esse processo, pois já estão na forma solúvel, e podem ser rapidamente absorvidos. A seguir uma ordem de tempo de absorção, para várias formas farmacêuticas: Comprimido > Cápsula > Suspensão > Solução. Distribuição - Uma vez na corrente sanguínea o fármaco, por suas características de tamanho e peso molecular, carga elétrica, pH, solubilidade, capacidade de união a proteínas se distribui pelos distintos compartimentos corporais. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 3 Metabolismo ou Biotransformação - Muitos fármacos são transformados no organismo por ação enzimática. Essa transformação pode consistir em degradação (oxidação, redução, hidrólise), ou em síntese de novas substâncias como parte de uma nova molécula (conjugação). O resultado do metabolismo pode ser a inativação completa ou parcial dos efeitos do fármaco ou pode ativar a droga como nas "pródrogas" p.ex: sulfas. Ainda mudanças nos efeitos farmacológicos dependendo da substância metabolizada. Alguns fatores alteram a velocidade da biotransformação, tais como, inibição enzimática, indução enzimática, tolerância farmacológica, idade, patologias, diferenças de idade, sexo e espécie e e claro uso de outras drogas concomitantemente. Excreção - Finalmente, o fármaco é eliminado do organismo por meio de algum órgão excretor. Os principais são rins e fígado p.ex: através da bile, mas também são importantes a pele, as glândulas salivares e lacrimais, ocorre também a excreção pelas fezes. Os fármacos geralmente tem uma lipofília moderada, caso contrário eles não conseguiriam penetrar através da membrana das células com facilidade, e a via de excreção mais usada pelo organismo é a via renal, através da urina, então geralmente os fármcos como são mais apolares tendem a passar pelo processo de metabolização, que os torna mais polares e passíveis de serem eliminados pela urina, mas aí o que está sendo eliminado do organismo são os metabólitos do fármaco, já não é mais o fármaco. Já os fármacos que são polares são eliminados pela urina sem passar pela metabolização, e então o que está sendo eliminado agora é o fármaco mesmo e não seus metabólitos. Conceitos básicos em farmacologia: - Droga: qualquer substância química, exceto alimentos, capaz de produzir efeitos farmacológicos, ou seja, provocar alterações em um sistema biológico. - Fármaco: sinônimo de droga - Forma Farmacêutica: forma de apresentação do medicamento: comprimido, drágea, pílula, xarope, colírio, etc. - Remédio: palavra usada pelo leigo como sinônimo de medicamento e especialidade farmacêutica – remédio refere-se a qualquer procedimento que possa ser usado para tratamento de patologias. - Medicamento: droga ou preparação com drogas usadas terapeuticamente. - Nome Químico: diz respeito à constituição da droga. - Farmacopeia: livro que oficializa as drogas/medicamentos de uso corrente e consagrada como eficazes. - Dose: é a quantidade a ser administrada de uma vez a fim de produzir efeitos terapêuticos. - Dose letal: leva o organismo a falência (morte) generalizada. - Dose Máxima: É a maior quantidade de uma droga capaz de produzir efeitos terapêuticos. - Dose Mínima: É a menor quantidade de uma droga capaz de produzir efeitos terapêuticos. - Dose tóxica: É a maior quantidade de uma droga que causa efeitos adversos. - Posologia: É o estudo das doses. - Pró-droga: substância química que precisa transforma-se no organismo a fim de tornar-se uma droga ativa. - Latrogenia: problemas ou complicações resultantes de tratamentos clínicos ou cirúrgicos. - Placebo: palavra derivado do latim: “vou agradar”. Em farmacologia significa uma substância inativa administradas para satisfazer a necessidade psicológica do paciente.dos serviços farmacêuticos no Brasil. Faz-se necessário reduzir a fragmentação das ações de assistência farmacêutica, que hoje ocorrem de forma tecnicista, centradas no medicamento, e desarticuladas do processo de cuidado em saúde. A atenção farmacêutica, ou cuidado farmacêutico, consiste em um novo modelo de prática, cujos princípios éticos, filosóficos e clínicos podem colaborar com esse processo de ampliação dos serviços farmacêuticos. Os farmacêuticos devem estar preparados para assumir novas responsabilidades na equipe de saúde, indo além das ações gerenciais, ao encontro ao paciente e à promoção do uso racional de medicamentos e dos resultados terapêuticos positivos. A farmácia comunitária deve incorporar essas novas tecnologias, convertendo-se em um ponto de atenção à saúde articulado ao sistema de saúde como um todo. Essa incorporação de serviços deve, ainda, possibilitar o desenvolvimento de novas formas de remuneração farmacêutica e sustentabilidade financeira dos estabelecimentos. Qualidade dos Medicamentos Os medicamentos são utilizados no diagnóstico, na prevenção e no tratamento de doenças, ou também em uma melhor qualidade de vida. Desta forma, as condições de estocagem, distribuição e transporte desempenham papel fundamental para a manutenção dos padrões de qualidade dos medicamentos. Um dos componentes essenciais do sistema de fornecimento de medicamentos é a estocagem em local bem localizado, bem construído, bem organizado e seguro. Ter clareza sobre a qualidade dos medicamentos também permite distinguir o que está em jogo por trás de cada propaganda ou oferta comercial. Assim como são importantes na área da saúde, os medicamentos também são um bem chave para as empresas farmacêuticas, que vivem da sua venda. Estas empresas formam um dos setores industriais mais lucrativos do mundo, surgindo assim, um evidente conflito de interesses. Desta forma é importante enfatizar que um a importância no controle de qualidade de medicamentos irá garantir não só o lucro, mas sim o marketing de vendas da farmácia. Definições Embalagem – Invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento, removível ou não, destinado a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter especificamente ou não os produtos. Estocagem – Conservação racional e segura de medicamentos. Inspeção de qualidade – Conjunto de medidas destinadas a garantir, a qualquer momento, durante o processo de recebimento, estocagem e distribuição, as características originais do produto. Medicamento – É toda substância ou associação de substâncias utilizadas para modificar ou explorar sistemas fisiológicos ou estado patológico, para o benefício do receptor. Partida ou lote – Quantidade de um medicamento ou produto que se produz em um ciclo de fabricação, cuja característica essencial é a homogeneidade. Número do lote – Designação impressa no rótulo e na embalagem de medicamentos, que permita identificar a partida, série ou lote a que pertencem, para em caso de necessidades, localizar e rever todas as operações de fabricação e inspeção praticadas durante a produção. Quarentena – Período de tempo, durante o qual os medicamentos são retidos com proibição de seu emprego. Rótulo – Identificação impressa ou litografada, bem como dizeres pintados ou gravados a fogo, pressão, ou decalco, aplicada diretamente sobre recipiente, vasilhames, invólucros, envoltórios ou qualquer outro protetor de embalagem. Um medicamento é formado por: O princípio ativo ou fármaco (ou uma combinação deles), que vai exercer a ação farmacológica, e os ingredientes inativos, que denominamos de auxiliares de formulação e permitem transformar o fármaco em medicamento. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 46 Qualificação e responsabilidade do pessoal O pessoal envolvido na estocagem de medicamentos, tanto no seu manuseio, como no seu controle, deve possuir conhecimentos e experiência para o trabalho ao qual se propõe. A chefia do almoxarifado deve ser exercida por farmacêutico, por ser exigida perante a legislação específica tal responsabilidade pela guarda de medicamentos. O farmacêutico responsável deve receber de seus superiores todo o apoio necessário para um trabalho eficiente, como exigem as boas normas de estocagem de medicamentos. Tal apoio traduzir-se-á na autoridade e nos meios adequados que cada um deverá ter na esfera de suas atividades, para exercer, efetiva e responsavelmente suas tarefas, recebendo os materiais e pessoal necessário. Edifícios e instalações Qualquer edifício destinado a estocagem de medicamentos, deve ter área, construção e localização adequadas para facilitar sua manutenção, limpeza e operação, com espaço suficiente para estocagem racional dos medicamentos. Toda área alocada para estocagem deve destinar-se somente a esse propósito, além de oferecer condições de flexibilidade que permitam eventuais modificações futuras. Assim, devem ser consideradas como necessárias, as seguintes áreas: - de recepção; - de quarentena; - de expedição. - de estocagem - de medicamentos termolábeis - de medicamentos controlados - de imunobiológicos - de administração - de recebimento - de distribuição - instalações sanitárias - para os funcionários da área de estocagem - para os funcionários administrativos Os interiores dos almoxarifados devem apresentar superfícies lisas, sem rachaduras e sem desprendimento de pó, facilitando a limpeza e não permitindo a entrada de roedores, aves, insetos ou quaisquer outros animais. A iluminação, a ventilação e a umidade devem ser controladas, para evitar efeitos prejudiciais sobre os medicamentos estocados. O espaço ao redor dos almoxarifados deve ser urbanizado, a fim de impedir a formação de pó, permitir fácil acesso e manobra dos caminhões. Para se determinar a adequação das áreas, devem ser tidas em conta as seguintes condições: Compatibilidade das operações de estocagem e manipulação a serem conduzidas nos diferentes locais. Espaço suficiente para o fluxo racional de pessoal e materiais, visando reduzir ao mínimo o risco de: - mistura de diferentes medicamentos - mistura de lotes diferentes de um mesmo medicamento. Lixo O lixo coletado nas dependências do almoxarifado e em suas proximidades deve ser eliminado através de sistemas seguros e higiênicos. Lavatórios e instalações sanitárias Devem existir lavatórios e instalações sanitárias em condições de higiene perfeitas e separadas para uso do pessoal administrativo e para o pessoal da área de estocagem. Higiene Todas as áreas circundantes ou adjacentes ao almoxarifado, bem como seu interior, devem ser mantidos limpos, sem acúmulo ou formação de pó. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 47 Alimentação As refeições devem ser preparadas e ingeridas somente nos locais especialmente designados para tal, fora das áreas de estocagem e de escritório. Uniformes Nas áreas de trabalho, os funcionários deverão usar uniformes condizentes com o tipo de trabalho a executar. Higiene pessoal Devem existir instalações sanitárias, bem como chuveiros em número suficiente, para uso dos funcionários da área de estocagem, localizados nas proximidades dos locais de trabalho. Limpeza dos locais Os locais de trabalho e de estocagem devem ser mantidos limpos e isentos de pó e contaminação. O lixo deverá ser depositado em recipientes especiais, com tampa e deverão ser esvaziados e limpos, fora das áreas de estocagem. Equipamentos Todos os equipamentos usados no manuseio de medicamentos devem ser apropriados para o uso a que se destinam. Segurança Medidas apropriadas devem ser tomadas para a segurança dos almoxarifados, tanto para os medicamentos quanto para o pessoal que ali trabalha. Medidas rigorosas devem ser praticadas para a prevenção e combate a incêndios. É indispensável a instalaçãoadequada de equipamento contra incêndio. O pessoal deve sofrer treinamento periódico no combate a incêndio. Aconselha-se a existência de uma CIPA (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes) permanente. Recebimento de medicamentos Devem existir instruções por escrito, descrevendo com detalhes o recebimento, a identificação e o manuseio dos medicamentos. Elas devem indicar adequadamente os métodos de estocagem e definir os procedimentos burocráticos para com as outras áreas de organização. No ato do recebimento, cada entrada deve ser examinada quanto a sua documentação e fisicamente inspecionada para se verificar suas condições, rotulagem, tipo e quantidade. Se for o caso de recebimento de um produto com mais de um lote de fabricação, ele deve ser subdividido em quantos lotes forem necessários e estocados dessa forma. Os lotes que forem submetidos a amostragem ou os julgados passíveis de análise, devem ser conservados em quarentena até decisão do Controle de qualidade. Estocagem. Considerações gerais Toda e qualquer área destinada a estocagem de medicamentos deve ter condições que permitam preservar suas condições de uso. Nenhum medicamento poderá ser estocado antes de ser oficialmente recebido e nem liberado para entrega sem a devida permissão, também oficial. Os estoques devem ser inventariados periodicamente e qualquer discrepância devidamente esclarecida. Os estoques devem ser inspecionados com frequência para verificar-se qualquer degradação visível, especialmente se os medicamentos ainda estiverem sob garantia de seus prazos de validade. Medicamentos com prazos de validade vencidos, devem ser baixados do estoque e destruídos, com registro justificado por escrito pelo farmacêutico responsável, obedecendo ao disposto na legislação vigente. A estocagem, quer em estantes, armários, prateleiras ou estrados, deve permitir a fácil visualização para a perfeita identificação dos medicamentos, quanto ao nome do produto, seu número de lote e seu prazo de validade. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 48 A estocagem nunca deve ser efetuada diretamente em contato direto com o solo e nem em lugar que receba luz solar direta. As áreas para estocagem devem ser livres de pó, lixo, roedores, aves, insetos e quaisquer animais. Para facilitar a limpeza e a circulação de pessoas, os medicamentos devem ser estocados à distância mínima de 1 (um) metro das paredes. A movimentação de pessoas, escadas e veículos internos nas áreas de estocagem deve ser cuidadosa para evitar avarias e comprometimento e/ou perda de medicamentos. Embalagens parcialmente utilizadas devem ser fechadas novamente, para prevenir perdas e/ou contaminações, indicando a eventual quantidade faltante no lado externo da embalagem. A liberação de medicamentos para entrega deve obedecer a ordem cronológica de seus lotes de fabricação, ou seja, expedição dos lotes mais antigos antes dos mais novos. A presença de pessoas estranhas aos almoxarifados deve ser terminantemente proibida nas áreas de estocagem. Estocagem de medicamentos termolábeis Para os medicamentos que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, além das recomendações do item anterior, devem ser observadas as seguintes: O local de estocagem deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (± 2º). As medições de temperatura devem ser efetuadas de maneira constante e seguras, com registros escritos. Deverão existir sistemas de alerta que possibilite detectar defeitos no equipamento de ar condicionado para pronta reparação. Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros) Esses produtos, para manterem suas efetividades de uso, requerem condições ótimas de estocagem, especialmente no que se refere a temperatura. Assim, sem prejuízo das recomendações referente a Estocagem Recomendações Gerais, mais as seguintes, devem ser observadas. O manuseio de medicamentos imunobiológicos deve ter prioridade em relação aos demais, bem como sua liberação para entrega. Deve ser evitada, ao máximo, a exposição desses produtos a qualquer tipo de luz. As áreas de estocagem devem ser em equipamento frigorífico, constituído de refrigeradores, “freezers” e câmaras frias. - Refrigerador é o equipamento que permite temperaturas entre 4ºC e 8ºC. - “Freezer” é o equipamento que permite temperaturas não superiores a 10ºC. - Câmara fria é o equipamento que permite temperaturas entre 8ºC e 15ºC. Os equipamentos frigoríficos devem ser controlados diariamente por: - Termógrafos, nas câmaras frias. - Termômetros de máxima e mínima em refrigeradores e “freezers”. As medições de temperatura efetuadas devem ser registradas diariamente pelo responsável pelo almoxarifado e, qualquer anormalidade, corrigida no mais breve espaço de tempo. A distribuição dos produtos dentro dos equipamentos frigoríficos deve permitir a livre circulação do ar frio entre as diversas embalagens contidas nos mesmos. No caso das câmaras frias é aconselhável a existência de antecâmaras para evitar a perda desnecessária de frio, quando da abertura das portas dessas câmaras. As entradas e retiradas de produtos de qualquer equipamento frigorífico devem ser programadas antecipadamente, visando diminuir, ao máximo, as variações internas de temperatura. Os equipamentos frigoríficos devem estar permanentemente em funcionamento, ligados a rede elétrica local e sempre que possível, possuindo uma rede alternativa de energia (gerador) para atender eventuais faltas de energia no sistema. Cada equipamento do sistema frigorífico deve ter ligação exclusiva para evitar sobrecarga de energia elétrica e facilitar seu controle de uso. Tanto os refrigeradores como os “freezers”, devem ser aproveitados também para a produção de gelo, a ser utilizado na remessa dos produtos e para segurança do próprio equipamento e dos produtos que ele contém, numa eventual falha do seu sistema interno de resfriamento. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 49 Todo o pessoal do almoxarifado, especialmente os ligados a estocagem de medicamentos imunobiológicos, deve estar familiarizado com as técnicas de estocagem desses produtos, para poder atender qualquer situação de emergência, consequente a um eventual corte de energia elétrica ou defeito no sistema de refrigeração. Todos os equipamentos, geladeiras, “freezers” e câmaras frias, devem possuir um sistema de alarme confiável, que indique prontamente qualquer tipo de anormalidade em seu funcionamento. Estocagem de medicamentos de uso controlado Dada às características desses medicamentos, sua área de estocagem deve ser considerada de segurança máxima. Independentemente das recomendações contidas nos itens anteriores referente a Estocagem, onde elas couberem, esses medicamentos precisam estar em área isolada das demais, somente podendo ter acesso a ela o pessoal autorizado pelo farmacêutico responsável do almoxarifado. Os registros de entrada e de saída desses medicamentos, devem ser feitos de acordo com a legislação sanitária específica, sem prejuízo daquelas que foram determinadas pela própria administração do almoxarifado. Distribuição Deve existir um sistema de distribuição que permita a fácil identificação do seu destino. Para tanto, os registros de distribuição devem conter a identificação do produto, seu número de lote, nome e endereço do destinatário, data e quantidade enviada e o número da nota fiscal, ou do documento de despacho. Características do medicamento que podem determinar a qualidade A qualidade de um medicamento é determinada pelas características do próprio produto e pelo cumprimento das boas práticas de fabricação. Vejamos quais são as características principais: Identidade: indica que o produto contém de fato o que o fabricante diz que contém, ou seja, é a presença no produto farmacêutico dos ingredientes descritosno rótulo. Pureza: indica que o produto não sofreu contaminação por outras substâncias, sejam de origem química (ex: óleos ou solventes), biológica (ex: bactérias, fungos, sangue, tecidos orgânicos ou dejetos) ou física (ex: poeira ou outras partículas), ou mesmo de outros medicamentos. Potência: indica a capacidade do medicamento de produzir os resultados desejados. Esta característica está mais relacionada aos agentes anti-infecciosos, como os antibióticos e antirretrovirais. Concentração: é a quantidade do princípio ativo (fármaco) contida em uma unidade do medicamento - em um comprimido, uma ampola ou uma medida de líquido (colher-de-chá, colher-de- sopa, 5 ml, 15mL), por exemplo. Uniformidade: indica que todas as unidades daquele medicamento produzido (cada comprimido, cada ampola etc.) possuem a mesma quantidade de princípio ativo. Dois comprimidos produzidos pelo mesmo fabricante, portanto, devem ter quantidades iguais ou tão equivalentes de princípio ativo, que a diferença não interfira no efeito. Estabilidade: refere-se à capacidade do medicamento em manter suas características originais inalteradas durante o seu tempo de validade. Biodisponibilidade: Tudo o que até agora revisamos, nos mostra os cuidados seguidos para que quando tomemos um medicamento, o fármaco chegue ao nosso organismo e exerça o seu efeito. Mas agora é importante sabermos que o nosso organismo — vivo e em constante atividade — também exerce mudanças no fármaco que tomamos. A biodisponibilidade informa sobre essas relações. Todos os esforços anteriores para garantir qualidade visam promover que o medicamento esteja o mais biodisponível possível, de modo a exercer sua ação no organismo. A biodisponibilidade é particular para cada tipo de fármaco e deve estar dentro de um intervalo definido e aceitável. https://www.ebah.com.br/content/ABAAABXuwAB/controle-qualidade-medicamentos# Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 50 Questões 01. (UFMT – Técnico de Farmácia – UFMT) - A capacidade do produto farmacêutico manter suas propriedades químicas, físicas, microbiológicas e biofarmacêuticas dentro dos limites especificados durante todo o seu prazo de validade refere-se (A) ao controle de qualidade do medicamento. (B) à biotransformação do medicamento. (C) à estabilidade do medicamento. (D) à especificidade do medicamento. 02. (EBSERH – Técnico de Farmácia – Instituto AOCP/2016) - São boas práticas de armazenamento de medicamentos, EXCETO (A) armazenar medicamentos termolábeis em temperaturas entre 15°C e 30°C. (B) conservar os medicamentos nas embalagens originas, ao abrigo da luz externa. (C) estocar medicamentos isolados de produtos de limpeza. (D) manter distância entre os produtos para facilitar a circulação interna de ar. (E) não armazenar produtos diferentes no mesmo estrado ou prateleira para evitar possíveis trocas. 03. (Prefeitura de Mogi das Cruzes - SP – Farmacêutico – CAIP-IMES) - O correto armazenamento e conservação de medicamentos e correlatos em Farmácias e Drogarias é um fator crucial para a manutenção da qualidade desses produtos. São procedimentos adequados, EXCETO: (A) o ambiente de armazenamento deve ser mantido limpo, protegido da ação direta da luz solar, umidade e calor, de modo a preservar a identidade e integridade química, física e microbiológica, garantindo a qualidade e segurança dos produtos. (B) os produtos devem ser armazenados em gavetas, prateleiras ou suporte equivalente, afastados do piso, parede e teto, a fim de permitir sua fácil limpeza e inspeção. (C) a temperatura e umidade dos locais de armazenamento desses produtos devem ser monitoradas e registradas semanalmente. (D) deve ser definido em Procedimento Operacional Padrão (POP) a metodologia de verificação da temperatura e umidade, especificando faixa de horário para medida considerando aquela na qual há maior probabilidade de se encontrar a maior temperatura e umidade diariamente. 04. (Prefeitura de Cascavel - PR – Técnico em Farmácia – CONSUPLAN/2016) - O princípio ativo está presente em todos os medicamentos e possui a função de: (A) Dar sabor ao medicamento. (B) Dar coloração ao medicamento (C) Aumentar a absorção de excipientes (D) Exercer a ação farmacológica do medicamento. (E) Dar proteção gástrica em caso de medicamentos administrados por via oral. 05. (FIOCRUZ – Técnico em Saúde Pública - Farmácia – FIOCRUZ/2016) - O armazenamento de medicamentos diferencia-se de outros produtos devido às suas características singulares. A área destinada à segregação física dos materiais rejeitados, vencidos, recolhidos ou devolvidos de forma que esses produtos não sejam dispensados indevidamente é chamada de: (A) expedição. (B) CAF. (C) DML. (D) expurgo. (E) quarentena. Gabarito 01.D / 02.A / 03.C / 04.D / 05.E Comentários 01. Resposta: D A estabilidade refere-se à capacidade do medicamento em manter suas características originais inalteradas durante o seu tempo de validade. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 51 02. Resposta: A Os medicamentos termolábeis que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (± 2º). 03. Resposta: C A temperatura e umidade dos locais de armazenamento desses produtos devem ser monitoradas e registradas diariamente e havendo qualquer anormalidade deverá ser corrigida o mais breve possível. 04. Resposta: D Um medicamento é formado por: O princípio ativo ou fármaco (ou uma combinação deles), que vai exercer a ação farmacológica, e os ingredientes inativos, que denominamos de auxiliares de formulação e permitem transformar o fármaco em medicamento. 05. Resposta: E Quarentena trata-se do período de tempo, durante o qual os medicamentos são retidos com proibição de seu emprego. Boas Práticas de Manipulação de hormônios, antibióticos, citostáticos e substâncias sujeitas a controle especial2 A manipulação de hormônios, antibióticos, citostáticos, e substâncias sujeitas a controle especial deve seguir os padrões técnicos mínimos das Boas Práticas de Manipulação, acrescidos de (Anvisa, 2007): - Prescrições de substâncias sujeitas a controle especial devem seguir as diretrizes da Portaria SVS/MS no 344/98; - Dispensação mediante atenção farmacêutica (quando se tratar de antibióticos, reforçar a importância do período de tratamento informada pelo prescritor); - Autorização da Vigilância Sanitária para manipulação de tais produtos; - Deve haver uma sala específica para manipulação, com antecâmara que impeça o lançamento de pós no laboratório ou no meio ambiente e com local para pesagem; - Balanças e bancadas devem ser rigorosamente limpas antes e depois de cada pesagem; - Equipamentos e utensílios utilizados na manipulação devem ser separados e identificados por classes terapêuticas; - Os funcionários envolvidos na manipulação devem ser submetidos a exames específicos, e recomenda-se trabalhar num sistema de rodízio; - Pesagem com dupla checagem, sendo o farmacêutico responsável por uma. Boas Práticas de Manipulação de produtos estéreis A manipulação de produtos estéreis deve seguir os padrões técnicos mínimos das Boas Práticas de Manipulação, acrescidos de (Anvisa, 2007): - Produtos utilizados em terapia de nutrição parenteral devem seguir disposições da Portaria SVS/MS no 272/98; - Produtos utilizados em terapias antineoplásicas devem seguir as disposições da RDC no 220/04; - Os funcionários envolvidos na manipulação de produtos estéreis devem receber treinamento específico, inclusive, em relação aos processos de higiene; - O uniforme dos funcionários deve assegurar que não haverá́ liberação de partículas do manipulador e do tecido para o produto manipulado, devendo ser substituído a cada manipulação, sendo lavado e esterilizado por responsabilidadeda farmácia; - Áreas de manipulação de produtos estéreis com acesso restrito; - Além das áreas comuns que constam nos procedimentos mínimos, para manipulação de produtos estéreis, a farmácia tem de apresentar sala de limpeza, higienização e esterilização, sala ou local específico de pesagem, sala de manipulação exclusiva e sala de paramentação específica (antecâmara); 2 BERMAR, Kelly Cristina de Oliveira. Farmacotécnica Técnicas de Manipulação de Medicamentos. 1ª Ed. Érica. Organização das áreas de produção em centrais de manipulação Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 52 - Equipamentos e utensílios devem ser lavados e higienizados com produtos que foram avaliados em relação à atividade microbiana; - A água deve ser obtida no próprio estabelecimento, por destilação ou por osmose reversa, obedecendo às características farmacopeias de água para injetáveis; não poderá́ ser armazenada após 24 horas, a não ser que seja mantida em recirculação a uma temperatura igual ou superior a 80 °C, e devem ser feitos controles físico-químicos e microbiológicos; - Além dos testes de controle de qualidade já descritos nos padrões técnicos mínimos, para os produtos estéreis, deve-se inspecionar visualmente 100% das amostras, bem como realizar teste de esterilidade e teste de toxinas bacterianas. Boas Práticas de Manipulação de preparações homeopáticas A manipulação de preparações homeopáticas deve seguir os padrões técnicos mínimos das Boas Práticas de Manipulação, acrescidos de (Anvisa, 2007): - Funcionários envolvidos na manipulação devem estar higienizados e não odorizados; - A farmácia deve possuir uma sala exclusiva para manipulações homeopáticas com baixo índice de radiação e odores fortes e com os seguintes equipamentos: alcoômetro de Gay-Lussac e balança de uso exclusivo; - A prescrição do medicamento homeopático deve conter nomenclatura específica, potência, escala, método, forma farmacêutica, quantidades e unidades; - A tintura-mãe deve ser identificada com nome científico da droga, data de fabricação, prazo de validade, parte usada, conservação, grau alcoólico e número de lote; - A matriz deve ser identificada com dinamização, escala e método, insumo inerte e grau alcoólico, data da manipulação, prazo de validade e origem; - As preparações dispensadas devem conter nome da preparação, dinamização, escala e método, forma farmacêutica, quantidade e unidade, data da manipulação e prazo de validade. As vidrarias são, em sua maioria, instrumentos de vidro cristal ou temperado, para que as medidas sejam precisas e o recipiente não reaja com a substância contida nele. Entretanto, elas devem ser tratadas com o maior cuidado possível, principalmente porque o vidro utilizado nelas é mais trabalhado que os de outros vidros quaisquer, assim sendo mais caros, obviamente. Os materiais de metal podem servir para suporte e manuseamento das vidrarias. Existem também materiais de porcelana, de borracha ou plástico e materiais que são fontes de aquecimento. Vidrarias3 Note que as vidrarias são encontradas em vários tamanhos. Balão de fundo chato: utilizado como recipiente para conter líquido ou soluções, ou fazer reações com desprendimento de gases. Balão volumétrico: possibilita medidas de volumes exatos. Possui volume definido e nele se preparam as soluções. Inicialmente, a solução pode ser preparada em um béquer, em menor volume, e depois adicionada ao balão para completar o volume. 3 COMPRI-NARDY, Mariane B.; STELLA, Mércia Breda; OLIVEIRA, Carolina de. Prática de Laboratório de Bioquímica e Biofísica. Guanabara Koogan. Vidrarias e outros utensílios de laboratório Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 53 Béquer: serve para fazer reações entre soluções, dissolver substâncias sólidas, efetuar reações de precipitação e aquecer líquido. Mede volumes aproximados. Erlenmeyer: utilizado em titulações, aquecimento de líquidos, para dissolver substâncias e proceder a reações entre soluções. Usado principalmente para misturar substâncias líquidas. Proveta: não pode ser aquecida e serve para medir e transferir volumes de líquidos que, embora não exatos, são mais precisos do que de um béquer ou Erlenmeyer. Funil de haste longa: também não pode ser aquecido. Usado na filtração e para a retenção de partículas sólidas. Tubo de ensaio: empregado para fazer reações em pequena escala, principalmente em testes de reação em geral. Pode ser aquecido cuidadosamente direto sob a chama do bico de Bünsen. Existem Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 54 tubos especiais para centrífugas, utilizados em reações químicas, que formam substâncias insolúveis, e que necessita de uma precipitação rápida por meio de um centrifugador. Bureta: aparelho utilizado em analises volumétricas para dispensar líquidos com grande exatidão. Pode livrar-se de quantidades de volume variáveis, devido às marcas de graduação e extensão. Condensador: é utilizado na destilação e tem como finalidade condensar vapores gerados pelo aquecimento de líquidos. Pipeta graduada: utilizada para medir volumes pequenos e variáveis. Possui precisão superior à da proveta. Não pode ser aquecida. Pipeta volumétrica: usada para medir e transferir volumes fixos de líquidos. Não pode ser aquecida, pois possui grande precisão de medida. A pipeta volumétrica fornece a medida mais exata em laboratório. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 55 Nota. Atualmente, são muito utilizadas nos laboratórios as pipetas automáticas, que podem ter volumes variáveis e possibilitam a transferência de quantidades muito pequenas de líquidos, da ordem de microlitros. Vidro de relógio: é uma peça de vidro de forma côncava, usada em análises e evaporações, que não pode ser aquecida diretamente. Almofariz com pistilo: usado na trituração e pulverização de sólidos. Cadinho: peça, geralmente de porcelana, usada para aquecer substâncias a seco. Outros materiais Há ainda outros materiais importantes utilizados em práticas laboratoriais. São eles: Bico de Bünsen: é a fonte de aquecimento mais utilizada em laboratório. Atualmente tem sido substituído pelas mantas e chapas de aquecimento. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 56 Tripé́: sustentáculo para efetuar aquecimentos de soluções em diversas vidrarias de laboratório. É utilizado em conjunto com a tela de amianto. Tela de amianto: é um suporte para as peças a serem aquecidas, que tem como função distribuir uniformemente o calor recebido pelo bico de Bünsen. Pinça de madeira: usada para segurar o tubo de ensaio durante o aquecimento. Estante para tubo de ensaio: é usada para suporte de tubos de ensaio. Pisseta ou frasco lavador: usada para lavagens de materiais ou recipientes por meio de jatos de água, álcool ou outros solventes. Suporte universal: serve para sustentar peças em geral. Utilizado em operações como filtração, suporte para condensador, bureta, sistemas de destilação etc. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 57 Dessecador: utilizado para guardar substâncias em atmosfera com baixo índice de umidade. Questões 01. (FUB – Farmacêutico – CESP) Julgue o seguinte item, relativo ao uso de equipamentos e vidrarias em um laboratório de controle da qualidade de fármacos e medicamentos. O cadinho é uma peça de porcelana cuja finalidade é aquecer substâncias a seco e com grande intensidade de calor. ( ) Certo ( )Errado 02. (FUB – Farmacêutico – CESP) Julgue o seguinte item, relativoao uso de equipamentos e vidrarias em um laboratório de controle da qualidade de fármacos e medicamentos. O almofariz deve ser utilizado para trituração e pulverização de sólidos. ( ) Certo ( )Errado Gabarito 01.Certo / 02.Certo Comentários 01. Resposta: Certo Cadinho: peça, geralmente de porcelana, usada para aquecer substâncias a seco. 02. Resposta: Certo Almofariz com pistilo: usado na trituração e pulverização de sólidos. Limpeza de Vidrarias São chamados de “vidraria” todos os instrumentos fabricados em vidros e que são utilizados para medições e experiências dentro de um laboratório, tais como buretas, almofarizes, cálices e condensadores, cubas para coloração, frascos e pipetas. Por se tratarem de instrumentos aplicados em análises que exigem precisão e clareza, sua higienização é fundamental para que os resultados estejam corretos. Limpeza, lavagem, desinfecção e esterilização Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 58 A limpeza adequada de vidrarias e demais instrumentos de laboratório é fundamental para garantir a precisão dos resultados obtidos nas experiências e medições. Em geral, as vidrarias são utilizadas para a medição de variados tipos de substâncias líquidas, dia após dia, e que podem influenciar diretamente nos resultados quando não existe uma limpeza correta dos materiais de laboratório. Limpeza correta de limpeza de vidrarias e materiais de laboratório O primeiro passo para realizar uma limpeza correta de vidrarias e materiais de laboratório é saber quais os tipos de substâncias foram utilizados nos instrumentos. Isso porque existem métodos, produtos e tipos de limpezas específicos para soluções químicas comuns ou orgânicas. Confira as diferenças e detalhes de cada técnica: Soluções químicas comuns Para limpeza de soluções solúveis, como cloreto de sódio ou sacarose, é preciso limpar de três a quatro vezes com água deionizada. Em seguida, é necessário deixar o vidro secando antes de guardá- lo; Ao limpar vidrarias que acabaram de ser utilizadas com soluções insolúveis, como hexano ou clorofórmio, deve-se lavar com água deionizada e também deixar descansar na sequência. Repita o processo de três a quatro vezes e, se necessário, utilize solventes; Em vidrarias utilizadas para análises de HCI concentrado e outros ácidos fortes, a indicação é realizar a limpeza (de três a quatro vezes) sob um exaustor, lavando a vidraria em água corrente abundante; Bases fortes também exigem a limpeza sob exaustor e em uma fonte abundante de água corrente, como uma torneira. A vidraria, neste caso, também precisa secar naturalmente; Já no caso de bases e ácidos fracos, é preciso utilizar água deionizada e repetir a limpeza de três a quatro vezes antes de colocar o vidro para secar. Vidrarias especiais Quando utilizadas em química orgânica: deve-se lavar a vidraria com o solvente adequado e indicado pelo fabricante. Além disso, faça todo o processo com água deionizada (para solúveis em água) e etanol (solúveis em etanol). Caso precise esfregar a vidraria, utilize uma escova própria para vidro, com água quente e sabão, enxaguando abundantemente em água corrente; Para limpar buretas de laboratório, é preciso utilizar sabão e água quente, enxaguando a vidraria em água corrente e repetindo o processo de três a quatro vezes. Lembre-se: uma bureta precisa estar sempre 100% limpa; Balões volumétricos e pipetas laboratoriais: dependendo do produto químico utilizado, é preciso deixar tais vidrarias em molho de um dia para o outro em água morna com sabão. Após este período também é recomendável esfregar com escova adequada e enxaguar com água corrente. Dicas para limpeza correta de limpeza de vidrarias no laboratório É fundamentar evitar secar as vidrarias de laboratório com pano, toalha ou secador de ar. Isto é necessário devido a impurezas e pequenas fibras que podem grudar na vidraria e influenciar diretamente uma futura medição. Outra sugestão diz respeito à necessidade de utilizar uma vidraria que ainda está secando naturalmente: lave ela de duas a três vezes com acetona. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 59 Métodos Químicos e Físicos de Desinfecção e Esterilização de Materiais para uso em Ensaios Laboratoriais Assepsia: é o conjunto de medidas que utilizamos para impedir a penetração de microrganismos num ambiente que logicamente não os tem, logo um ambiente asséptico é aquele que está livre de infecção. Antissepsia: é o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de microrganismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos ou desinfetantes. A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos: degermação e antissepsia. É a destruição de micro-organismos existentes nas camadas superficiais ou profundas da pele, mediante a aplicação de um agente germicida de baixa causticidade, hipoalergenico e passível de ser aplicado em tecido vivo. Os detergentes sintéticos não-iônicos praticamente são destituídos de ação germicida. Sabões e detergentes sintéticos aniônicos exercem ação bactericida contra microrganismos muito frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias Gram negativas. Consequentemente, sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniônicos) devem ser classificados como degermantes, e não como antissépticos. Degermação: Vem do inglês degermation, ou desinquimação, e significa a diminuição do número de microrganismos patogênicos ou não, após a escovação da pele com água e sabão. É a remoção de detritos e impurezas depositados sobre a pele. Sabões e detergentes sintéticos, graças a sua propriedade de umidificação, penetração, emulsificação e dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora microbiana existente nas camadas superficiais da pele, também chamada flora transitória, mas não conseguem remover aquela que coloniza as camadas mais profundas ou flora residente. Fumigação: é a dispersão sob forma de partículas, de agentes desinfectantes como gases, líquidos ou sólidos. Desinfecção: é o processo pelo qual se destroem particularmente os germes patogênicos e/ou se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimento. Os esporos não são necessariamente destruídos. Esterilização: é processo de destruição de todas as formas de vida microbiana (bactérias nas formas vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos e ou químicos. Toda esterilização deve ser precedida de lavagem e enxaguadura do artigo para remoção de detritos. Esterilizantes: são meios físicos (calor, filtração, radiações, etc) capazes de matar os esporos e a forma vegetativa, isto é, destruir todas as formas microscópicas de vida. Esterilização: o conceito de esterilização é absoluto. O material é esterilizado ou é contaminado, não existe meio termo. Germicidas: são meios químicos utilizados para destruir todas as formas microscópicas de vida e são designados pelos sufixos "cida" ou "lise", como por exemplo, bactericida, fungicida, virucida, bacteriólise etc. Na rotina, os termos antissépticos, desinfetantes e germicidas são empregados como sinônimos, fazendo que não haja diferenças absolutas entre desinfetantes e antissépticos. Entretanto, caracterizamos como antisséptico quando a empregamos em tecidos vivo e desinfetante quando a utilizamos em objetos inanimados. Sanitização, neologismo do inglês sanitization, em que emprega sanitizer, tipo particular de desinfetante que reduz o número de bactérias contaminantes a níveis julgados seguros para as exigências de saúde pública. Antissépticos: Um antisséptico adequado deve exercer a atividade germicida sobre a flora cutaneomucosa em presença de sangue, soro, muco ou pus, semirritar a pele ou as mucosas. Muitos testes in vitro foram propostos para avaliar a ação de antissépticos, mas a avaliação definitiva desses germicidas só pode feita mediante testes in vivo. Os agentes que melhor satisfazem as exigências para aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o hexaclorofeno. Para a desinfecção das mãos temos: - Soluções antissépticas com detergentes (degermantes) e se destinam à degermação da pele, removendo detritos e impurezas e realizando antissepsia parcial. Como exemplos citam: Solução Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 60 detergente de PVPI a 10% (1% de iodo ativo); Solução detergente de clorhexidina a 4 %, com 4% de álcool etílico. - Solução alcoólica para antissepsia das mãos: Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 % (álcool etílico a 70%, com ou sem 2 % de glicerina); Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de glicerina. Técnicas de Esterilização Esterilização é a destruição de todos os organismos vivos, mesmo os esporos bacterianos, de um objeto. Para isso dispomos de agentes físicos e químicos. Meios de Esterilização: Físico: Calor seco (Estufa, Flambagem e Fulguração); Calor úmido (Fervura e Autoclave); Radiações (Raios alfa, Raios gama e Raios x). Químico: Desinfetantes - Para conseguir-se a esterilização, há vários fatores importantes: Das características dos microrganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das bactérias produtoras de esporos e o número de microrganismos e da característica do agente empregado para a esterilização. Esterilização pelo calor: A susceptibilidade dos organismos ao calor é muito variável e dependem de alguns fatores, e dentre eles citamos: - Variação individual de resistência, - Capacidade de formação de esporos, - Quantidade de água do meio, - ph do meio, - Composição do meio. Esterilização pelo calor seco: A incineração afeta os microrganismos de forma muito parecida a como afeta as demais proteínas. Os microrganismos são carbonizados ou consumidos pelo calor (oxidação), assim, podemos usar a chama para esterilizar (flambagem) e a eletricidade (fulguração). O aparelho mais comum para a esterilização pelo calor seco é a estufa, que consiste em uma caixa com paredes duplas, entre as quais circula ar quente, proveniente de uma chama de gás ou de uma resistência elétrica. A temperatura interior é controlada por um termostato. As estufas são usadas para esterilizar materiais ¨secos¨, como vidraria, principalmente as de precisão, seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes, gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina, etc. A esterilização acontece quando a temperatura no interior da estufa atinge de 160 oC a 170oC, durante 2 horas, ocorrendo destruição de microrganismos, inclusive os esporos. Deve-se salientar que a temperatura precisa permanecer constante por todo esse tempo, evitando-se abrir a porta da estufa antes de vencer o tempo. Esterilização pelo calor úmido: Podemos usar o calor das seguintes formas: Fervura: Foi um método correntemente usado na prática diária, mas não oferece uma esterilização completa, pois a temperatura máxima que pode atingir é 100°C ao nível do mar, e sabemos que os esporos, e alguns vírus, como o da hepatite, resistem a essa temperatura, alguns até por 45 h. Por outro lado, a temperatura de ebulição varia com a altitude do lugar. Cuidados na esterilização pela fervura: Devem-se eliminar as bolhas, pois estas protegem as bactérias - no interior da bolha impera o calor seco, e a temperatura de fervura (100°C), este calor é insuficiente para a esterilização; Devem-se eliminar as substâncias gordurosas e proteicas dos instrumentos, pois estas impedem o contato direto do calor úmido com as bactérias. Esterilização pelo vapor sob pressão (autoclave): Age através da difusão do vapor d'água para dentro da membrana celular (osmose), hidratando o protoplasma celular, produzindo alterações químicas (hidrólise) e coagulando mais facilmente o protoplasma, sob ação do calor. O autoclave é uma caixa metálica de paredes duplas, delimitando assim duas câmaras; uma mais externa que é a câmara de vapor, e uma interna, que é a câmara de esterilização ou de pressão de vapor. A entrada de vapor na câmara de esterilização se faz por uma abertura posterior e superior, e a saída de vapor se fazem por uma abertura anterior e inferior, devido ao fato de ser o ar mais pesado que o vapor. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 61 O vapor é admitido primeiramente na câmara externa com o objetivo de aquecer a câmara de esterilização, evitando assim a condensação de vapor em suas paredes internas. Sabe-se que 1 grama de vapor saturado sob pressão, libera 524 calorias ao se condensar. Ao entrar em contato com as superfícies frias o vapor saturado se condensa imediatamente, molhando e aquecendo o objeto, fornecendo assim dois fatores importantes para a destruição dos micro-organismos. O vapor d'água, ao ser admitido na câmara de esterilização é menos denso que o ar, e portanto empurra este para baixo, até que sai da câmara, e através de correntes de convecção, retira todo o ar dos interstícios dos materiais colocados na câmara. Ao condensar-se, reduz de volume, surgindo assim áreas de pressão negativa, que atraem novas quantidades de vapor. Desse modo, as disposições dos materiais a serem esterilizados dentro da autoclave devem obedecer a certas regras, formando espaços entre eles e facilitando o escoamento do ar e vapor, tendo-se em mente a analogia com o escoamento de água de um reservatório, evitando assim a formação de “bolsões” de ar seco (onde agiria apenas o calor seco, insuficiente para esterilizar nas temperaturas atingidas habitualmente pelo autoclave. A quantidade efetiva de água sob a forma de vapor dentro da câmara de pressão pode ser reduzida, de modo que, ao retirar-se os objetos esterilizados, estes estejam quase secos. A ação combinada de temperatura, pressão e da umidade são suficientes para uma esterilização rápida, de modo que vapor saturado a 750 mmHg e temperatura de 121ºC são suficientes para destruir os esporos mais resistentes, em 30 minutos. Essa é a combinação mais usada, servindo para todos os objetos que não estragam com a umidade e temperatura alta como panos meios bacteriológicos, soluções salinas, instrumentais (não os de corte), agulhas, seringas, vidraria (não as de precisão) etc. Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º C, o tempo cai para 6 minutos, podendo se assim evitar a ação destruidora do calor sobre panos e borracha. Em casos de emergência, usamos durante 2 minutos a temperatura de 132ºC e 1400 mmHg. Para testar a eficiência da esterilização em autoclave lançamos mão de indicadores, que pode ser tintas que mudam de cor quando submetidas a determinada temperatura durante certo tempo, ou tiras de papel com esporos bacterianos, que são cultivados em caldos após serem retirados do autoclave. Como exemplo citamos tubinho contendo ácido benzoico mais eosina, que tem ponto de fusão de 121ºC. Anidrido ftalico mais verde metila tem ponto de fusão de 132ºC. Ácido salicílico mais violeta de genciana tem ponto de fusão de 156ºC. Bioindicadores: Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo de cultura com açúcares mais um indicador de pH e esporos de bacilo Stearo thermophilus (espécie não patogênica), esporo estes que morrem quando submetidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a 48 horas a 55ºC, e se a esterilização foi suficiente a cor violeta não se altera. Podemos também usar cadarços embebidos com suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em esporulação acentuada) colocados no interior de um campo cirúrgico dobrado, que será colocado no centro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo de esterilização, o cadarço é enviado para cultura no laboratório. (o Bacilo subtilis não é patogênico eé um dos mais resistentes ao calor) Éter cíclico - Óxido de etileno: É um gás incolor, inflamável, tóxico, altamente reativo, é completamente solúvel em água, álcool, éter e muitos solventes orgânicos, borracha, couro e plásticos. É bactericida esporicida e virucida. Eficaz em temperatura relativamente baixa, penetra em substâncias porosas, não corroe ou danifica materiais, age rapidamente, removível rapidamente. Esterilização pelo óxido de etileno: Autorizado pelo Ministério da Saúde como agente químico para esterilização, portaria 930/1992. Necessita de três unidades: aparelho de autoclave combinado, gás e vapor; aparelho de comando que vai misturar o gás, e o freon na concentração pré-estabelecida e o aparelho aerador. Existem quatro condições que são primordiais e que guardam relação entre si para que o óxido de etileno se torne um agente esterilizante: - Tempo - o tempo de exposição ao gás varia de acordo com a temperatura do aparelho, - Temperatura - Geralmente utiliza a temperatura de 55oC e a exposição em 2 horas. Em temperaturas mais baixas necessitamos de exposições maiores e vice-versa. - Umidade relativa - usa de 20 a 40%, - Concentração do gás - usa a concentração de 450 mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser altamente inflamável quando puro, usamos misturar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%). Técnica - Preparo do material - deverão estar completamente limpos e secos. O material que os empacota deve ser permeável, flexível e forte para aguentar a manipulação normal do processo de esterilização. Usar fitas adesivas para identificação e indicadores de óxido de etileno dentro dos pacotes. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 62 - Não sobrecarregar o esterilizador para evitar bolsões isoladores e também o rompimento e abertura dos pacotes durante o aumento de pressão da câmara. - Aeração - o objetivo é ventilar para remover o gás contido no material esterilizado e sendo executado a 50ºC, o tempo varia de acordo com o tipo de material, assim: Borracha e material plástico fino = 6 horas; Borracha e material plástico grosso = 24 horas; Marca passos internos = 4 dias; Luvas, cateteres e outros materiais em invólucros de plásticos = 7 dias; Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7 dias. Vantagens - É bactericida, esporicida e virucida; - Agente esterilizante em temperatura relativamente baixa; - Facilmente removível; - Fácil de obter, armazenar e manusear; - Penetra em qualquer material permeável e poroso; - Esteriliza uma grande variedade de instrumentos e equipamentos sem danificar a maioria; - É método simples, eficaz econômico e seguro; - O material esterilizado pode ser estocado por período prolongado. Desvantagens - Necessita de controle cuidadoso da concentração de gás, temperatura e umidade. - A aparelhagem é cara e requer supervisão técnica especializada. - O gás etileno possui efeito tóxico. - O processo é demorado. - A utilização do aparelho é limitada a estabelecimentos grandes. Flambagem: O Ministério da Saúde, através da portaria 930 de 27 de agosto de 1992, relaciona a flambagem como meio possível de esterilização nos laboratórios de microbiologia para a manipulação de material biológico ou transferência de massa bacteriana pela alça bacteriológica e para a esterilização de agulhas, na vacina de BCG intradérmico. Radiação: A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termos sensíveis, (seringa de plástico, agulha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em baixas temperaturas, é um método disponível em escala industrial devido aos elevados custos de implantação e controle. Radiações ionizantes: (raios beta, gama, (cobalto), X, alfa). Tem boa penetrabilidade nos materiais mesmos já empacotados o que justifica a sal comodidade. Radiações não ionizantes: (raios ultravioleta, ondas curtas e raios infravermelhos) devido a sua baixa eficiência está vetado o seu uso pelo Ministério da Saúde desde 1992. Filtração é usada como controle ambiental, criando áreas limpas e áreas estéreis, podendo inclusive lançar utilizar se do fluxo laminar. Aldeído: Agente químico autorizado pelo Ministério da Saúde, (portaria 930/1992). Glutaraldeído a 2%, associada a um antioxidante, por 8 a 12 horas, é usado para esterilizar material de acrílica, cateteres, drenos, nylon, silicone, teflon, pvc, laringoscópios e outros); Formaldeído, usado tanto na forma líquida ou gasosa por 18 horas. Paraformaldeído, as pastilhas tem ação esterilizante na concentração de 3 gramas por 100 centímetros cúbico de volume do recipiente onde o material é esterilizado por um período de 4 horas a 50°C. Controle de Qualidade e Validação do Processo de Esterilização.4 Atualmente, sabe-se que para a escolha mais segura e econômica do método de esterilização a ser utilizado é muito importante a classificação dos artigos médico hospitalares, levando-se em conta o risco potencial de transmissão de infecção para o paciente. A utilização do vapor saturado sob pressão por meio de autoclaves, como processo de esterilização, é hoje considerado o método de maior segurança, pois os microrganismos são destruídos pela ação combinada de temperatura, pressão e u m idade, promovendo a termo coagulação e desnaturação das proteínas de sua estrutura genética celular. O vapor saturado sob pressão dentro da câmara das autoclaves circula por condução, penetrando através de objetos porosos, como os invólucros que 4 http://www.scielo.br/pdf/reben/v55n4/v55n4a09.pdf Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 63 envolvem os pacotes. O vapor saturado sob pressão é o meio de esterilização mais comumente usados para todos os artigos termo resistentes. Ressalta-se que, quando utilizamos o método de esterilização em autoclaves devemos levar em consideração o calor e a umidade, temperatura e pressão, qualidade do vapor e tempo de esterilização. A seleção de embalagens para o acondicionamento dos artigos médico- hospitalares merece atenção especial e devemos considerar que o processamento ocorre dentro de uma sequência de etapas até o momento do uso, sendo necessário cuidados em todas as etapas para evitar a contaminação. A Association of Operating Room Nurses (AORN, 2000), recomenda que o sistema de embalagem deve permitir a esterilização, manter a esterilidade do conteúdo até a abertura do pacote e possibilitar a entrega do conteúdo sem contaminá-lo. As embalagens utilizadas para esterilização devem apresentar as seguintes características: - ser apropriada para o (s) artigo (s) e método de esterilização; - prover integridade adequada de selagem e ser à prova de violação; - prover barreira adequada; - permitir a adequada remoção do ar; - proteger o conteúdo do pacote de danos físicos; - resistir a rasgos e perfurações; - ter uma relação custo/benefício positiva. As embalagens recomendadas para esterilização por vapor saturado sob pressão são as seguintes: - tecido de algodão cru, - duplo, sem goma, devem ser mantidas à temperatura ambiente (18 a 22° e), permanecer em uma umidade relativa de 35 a 70%. As embalagens de tecido devem ter sido lavadas recentemente antes do uso. A reesterilização sem a lavagem do tecido pode levar ao superaquecimento e ser um obstáculo para alcançar a esterilização. Reparos na embalagem nunca devem ser esticados nem tão pouco costurados, pois a costura cria buracos permanentes reduzindo a eficiência da barreira; - papéis - o uso como embalagem para esterilização é tão antigo quanto o tecido de algodão cru. Os papéis recomendados podem ser divididos em: - papel grau cirúrgico - normatizado pela NBR 1 2 946 da ABNT, deve ser resistente ao calor, tração e perfuração, não podendo conter amido e corantes, deve ser permeável ao calor e ao ETO (óxido de etileno ). Ele pode apresentar-se comduas faces de papel ou uma face de papel e outra com filme transparente; - papel Kraft - deve ser de superfície regular, não podendo apresentar furos. Devido a irregularidade deste papel e a presença de amido, este tipo de embalagem provavelmente venha a ser substituído; - papel crepado - é composto de celulose tratada, suportando temperaturas de até 1 500 e em condições de exposição de uma hora. Apresenta-se como principal alternativa ao tecido de algodão; - caixas metálicas - utilizadas na esterilização à vapor, somente sem tampas ou perfuradas e recobertas com embalagens permeáveis ao vapor; - não tecido de 1 00% polipropileno - (manta de polipropileno) usada em camada dupla apresenta propriedades de barreira microbiana. A escolha da embalagem apropriada para cada artigo deve contemplar as recomendações da AORN (2000) e as características da cada serviço de esterilização. Para obtermos um produto final de qualidade o processo de esterilização deve ser constante mente monitorado em todas as suas etapas por meio de indicadores químicos e biológicos. A questão do tempo pelo qual os artigos esterilizados podem permanecer estocados é um componente econômico de grande importância, pois menores prazos implicam maiores custos, relacionados ao consumo dos invólucros, fitas adesivas, fitas indicadoras do processo de esterilização, mão de obra, embalagem e controle dos artigos, consumo do equipamento esterilizador e desgaste do artigo processado, entre outros aspectos. O Centro de Material e Esterilização (CME) "é a unidade que responde pelo preparo, distribuição e controle dos materiais hospitalares e que tem por finalidade assegurar a quantidade e à qual idade necessárias a todo o hospital, para que os pacientes possam ser assistidos com segurança". Os autores acrescentam que compete ao enfermeiro o gerenciamento desta unidade, o qual deve buscar estratégias para a melhoria do controle dos artigos médico-hospitalares, "com a finalidade de facilitar a realização dos procedimentos necessários com a máxima segurança e qualidade para o cliente". Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 64 Equipamentos5 Conheça a seguir alguns equipamentos indispensáveis em um laboratório. Balança digital: é usada para medir massa de sólidos e líquidos não-voláteis com grande precisão. Banho-maria: é um aquecedor de água termostatizado por meio de resistência elétrica que atinge a temperatura máxima de 100°C. Centrífuga: serve para acelerar o processo de decantação. São aparelhos que, por meio da força centrífuga, forçam uma substância insolúvel em uma mistura líquido–sólido a se precipitar rapidamente. Estufa: é utilizada para secagem de material cujo controle de temperatura se dá́ por meio de termostato; em geral alcança até́ 300°C. Mufla: produz altas temperaturas. É utilizada, por exemplo, para calcinação com alcance de até́ 1.200°C. Agitador magnético: equipamento destinado a homogeneizar soluções que podem ou não possuir aquecimento próprio. Capela: é uma câmara de exaustão na qual são manuseadas substâncias ou realizados experimentos que originam gases tóxicos ou inflamáveis. Chuveiro e lava-olhos: equipamento de segurança utilizado no caso de acidentes no laboratório. O Ambiente para Manipulação de Produtos Estéreis6 O ambiente em que é realizado este procedimento é outro importante fator envolvido no processo de garantia da qualidade do medicamento estéril administrado ao paciente. O controle do ambiente em que é realizada a manipulação baseia- se no conceito de que microrganismos podem ser carregados por partículas em suspensão no ar e, portanto, contaminando as soluções em frascos e ampolas abertas, assim como os pontos críticos dos dispositivos de administração. Existem normas que estabelecem os limites (quantidade e dimensão) destas partículas em um ambiente controlado de manipulação de medicamentos injetáveis. Estas normas são aplicadas às indústrias de medicamentos e às farmácias de manipulação de produtos estéreis. No Brasil, no entanto, somente alguns poucos hospitais possuem uma área diferenciada dedicada à preparação, controle e dispensação da terapia parenteral prescrita, seja na forma de uma unidade centralizada no serviço de farmácia do hospital, ou em estacoes descentralizadas para atender grandes clinicas. Na grande maioria dos hospitais, o preparo dos medicamentos estéreis administrados aos pacientes é realizado em ambiente não controlado (postos de enfermagem), classicamente dividindo as atividades da enfermagem entre a assistência e o preparo dos medicamentos injetáveis. Técnica Asséptica de Preparação de Produtos Estéreis Para preservar as características iniciais de esterilidade dos medicamentos a serem administrados ao paciente, é necessário que eles sejam adequadamente manipulados, ou seja, que a técnica utilizada na manipulação evite a contaminação desses medicamentos ou dos dispositivos envolvidos no seu preparo e na sua administração. A técnica asséptica, como é conhecida, consiste em não expor os pontos críticos dos dispositivos e recipientes (todas as superfícies que irão entrar em contato com as soluções estéreis – agulhas, bicos de seringas e extremidades de encaixe de dispositivos de transferência) a superfícies não-estéreis (mãos, bancada, objetos presentes na área de manipulação e vestimentas). Para que a técnica seja efetiva, algumas outras condutas devem ser seguidas: 5 5 COMPRI-NARDY, Mariane B.; STELLA, Mércia Breda; OLIVEIRA, Carolina de. Prática de Laboratório de Bioquímica e Biofísica. Guanabara Koogan. 6 STORPIRTIS, Silvia; GONÇALVES, José Eduardo; CHIANN, Chang; GAI, Maria Nella. Ciências Farmacêuticas – Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica. Guanabara Koogan. Equipamentos de laboratório: Identificação, princípios de funcionamento, uso e conservação Controle da contaminação durante a manipulação de medicamentos estéreis e não estéreis Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 65 • as conversas e movimentos bruscos devem ser evitados para reduzir a quantidade de partículas em suspensão no ar; • apenas materiais essenciais ao preparo devem ser colocados na bancada. Os componentes devem ser dispostos na bancada de forma a evitar a interrupção do fluxo de ar sobre as superfícies críticas de agulhas, seringas, frascos e ampolas; • as mãos calcadas de luvas estéreis não devem tocar o uniforme, e devem ser mantidas, preferencialmente, dentro da área de manipulação (fora da zona de turbulência). Durante o processo, as luvas podem ser lavadas com um agente adequado (álcool 70%) e trocadas quando houver comprometimento da sua integridade. Segurança do Trabalho É o conjunto de medidas técnicas, médicas e educacionais, empregadas para prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente de trabalho quer instruindo ou convencionando pessoas na implantação de práticas preventivas. Acidente do Trabalho É o que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, que cause a morte, ou perda, ou redução permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Acidente de Trajeto Fica caracterizado como acidente de trabalho também aquele que ocorra na ida ou na volta do trabalho, ou o ocorrido no mesmo trajeto quando o trabalhador efetua as refeições na sua residência. Deixa de caracterizar-se o acidente quando o trabalhador tenha por vontade própria, interrompido ou alterado o trajeto normal. Doença Profissional É a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o da Previdência Social. Ex: Saturnismo (intoxicação provocada pelo chumbo) e Silicose (sílica).Doença do Trabalho É a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente (também constante da relação supracitada). Ex: Disacusia (surdez) em trabalho realizado em local extremamente ruidoso. Incidente No conceito prevencionista é todo acidente sem lesão física, sendo que esta conceituação permite a análise de todos os acidentes ocorridos, para que possamos descobrir as verdadeiras causas e as consequentes medidas de prevenção. Causas do Acidente do Trabalho Em um passado não muito distante, a responsabilidade do acidente do trabalho era colocada muito mais nos trabalhadores através dos atos inseguros, essa tendência acabou criando uma "consciência culposa" nos mesmos, sendo que era tendência a negligência, o descuido, a facilitação e o excesso de confiança serem apontados como causas dos acidentes. Equipamentos de proteção individual e medidas de segurança ocupacional Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 66 Atualmente com o avanço e a socialização das técnicas prevencionistas, o que queremos é apurar quais são as verdadeiras causas e não os culpados pelos acidentes do trabalho, portanto, não é que não exista o ato inseguro e a condição insegura, o que precisamos é compreendê-los melhor. - Condição insegura: é a condição do meio ambiente de trabalho, que causou o acidente, ou contribuiu para a sua ocorrência. - Fator pessoal de insegurança: é causa relativa ao comportamento humano, que propicia a ocorrência de acidentes. Ex: Doença na família, excesso de horas extras, problemas conjugais, etc. Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) A Lei nº 8.213/91 determina no seu artigo 22 que todo acidente de trabalho ou doença profissional deverá ser comunicado pela empresa ao INSS, sob pena de multa em caso de omissão. Tipos de CAT A. CAT inicial - acidente do trabalho, típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho. B. CAT reabertura - reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS. C. CAT comunicação de óbito - falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, ocorrido após a emissão da CAT inicial. A comunicação em epígrafe deverá ser feita ao INSS, em 24 horas úteis, em seis vias, com a seguinte destinação: 1. ao INSS 2. à empresa 3. ao segurado ou dependente 4. ao sindicato de classe do trabalhador 5. ao Sistema Único de Saúde (SUS) 6. à Delegacia Regional do Trabalho Técnicas de Investigação de acidentes A quem interessa a prevenção de acidentes? 1. Ao trabalhador: - assegura qualidade de vida - evita perda de rendimentos - mantém sua autoestima - trabalho como prazer, alegria, motivação para vida 2. Ao empregador: - ganhos de produtividade - preservação da imagem da empresa perante à comunidade - redução dos custos diretos e indiretos - diminuição de litígios trabalhistas - menor rotatividade da mão-de-obra 3. A sociedade/governo: - menores encargos previdenciários - imagem positiva da nação perante organismos internacionais - valorização do ser humano por meio de políticas públicas - diminuição do "Custo Brasil" A prevenção de acidentes deve obedecer a um processo dinâmico e constante que se caracterize por ações efetivamente prevencionistas que devem ser tomadas no sentido de evitar, eliminar, controlar ou impedir a evolução e consolidação dos riscos no ambiente de trabalho. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 67 A cuidadosa investigação de um acidente oferece elementos valiosos para a análise que deve ser feita, concluindo-se sobre suas causas e suas consequências. A análise dos acidentes fornece dados que se acumulam e possibilitam uma visão mais correta sobre as condições de trabalho nas empresas, com indicações sobre os tipos de acidentes mais comuns, as causas mais atuantes, a gravidade das consequências e os setores que necessitam de maior atenção do SESMT e da CIPA. Passos a serem seguidos: - Levantar os fatos, fazendo pesquisa no local do acidente e entrevistas com as pessoas envolvidas. - Ordenar os fatos e não fazer prejulgamentos. - Identificar as causas, sem querer achar um culpado. - Definir as medidas preventivas que visem eliminar o risco identificado. A realidade demonstra que a melhor maneira de evitar acidentes é praticar a prevenção, a análise de acidentes estruturada em fatos reais, com a participação efetiva de todos os envolvidos, proposição de medidas viáveis e consensuais para evitar a reincidência constituem-se em uma arma valiosa na prevenção de acidentes quer de ordem pessoal, quer de ordem material. Investigar um acidente é reconstituir o ocorrido através dos vestígios encontrados no local e através dos dados coletados nas indagações feitas junto aos elementos diretamente envolvidos com o acidente. Após as providências imediatas (socorro ao acidentado e marcha normal do processo), iniciar imediatamente, no próprio local do evento, a investigação do acidente que deve ser feita por todos os envolvidos na análise e deve necessariamente ser realizada no local do evento. A investigação deve ser a mais completa possível e não omitir os seguintes aspectos: - Tarefa no momento do acidente; - Descrição do acidente; - Equipamentos envolvidos; - Ferramentas utilizadas; - EPI's utilizados; - Produtos envolvidos; - Tipo de acidente; - Fator pessoal. Importância da Saúde do Trabalhador: A organização, no seu cotidiano, se depara com uma brutal concorrência no mercado, com isso a natureza do trabalho favorece uma vida sedentária, movimentos repetitivos e posturas incorretas. A busca inconstante pela produtividade e pela qualidade dos produtos e do serviço vem impondo condições extremamente insalubres e prejudiciais ao organismo humano (ROCHA, 2004). Um dos problemas que mais tem afetado as empresas são os distúrbios na saúde dos trabalhadores, na maioria das vezes ocasionados devido a uma organização do trabalho que envolve tarefas repetitivas, pressão constante por produtividade, jornada prolongada, além de tarefas fragmentadas, monótonas, que reprimem o funcionamento mental do trabalhador. Esses distúrbios trazem para os empresários, onerosas despesas com assistência médica, alto absenteísmo, pagamento de seguros e redução da produtividade e, para os trabalhadores, sofrimento, queixas de dores e, principalmente, falta de motivação no desenvolvimento das tarefas (MORAES, 2007). A promoção e proteção da saúde do trabalhador proporciona ao empregado uma vida melhor e provavelmente mais longa, com melhor saúde física e principalmente mais feliz. Este estado de felicidade não advém única e exclusivamente de um bem estar físico, mas principalmente de um bem estar interior decorrente das melhorias das relações pessoais que mantém no trabalho, além de passar a vivenciar o trabalho não como tortura e fonte de problemas, mas como algo prazeroso e desejável (ASFAHL, 2005). Porque é tão importante o bem estar e a saúde no trabalho? A resposta é simples, é só lembrarmos da quantidade de tempo que passamos em nossas atividades de trabalho, sem exagero podemos dizer que é a maior parte de nossas vidas, quando estamos acordados, e por meio dele (trabalho), é que realizamos grande parte das nossas aspirações (COSTA, 2005). O ambiente de trabalho deve ser visto como um todo, inserido na sociedade com toda a sua capacidade de agressão ou de proteção. Mudanças profundas, intensas e aceleradas no processo produtivo, aliadas à adversidade de situações de trabalho, adoção de novas tecnologias, de métodos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 68 gerenciais que deterioram as relações de trabalho, podem causar consequências negativas paraa saúde do trabalhador (FIALHO, 2006). A vivência depressiva em relação ao trabalho alimenta-se da sensação de adormecimento intelectual, na verdade, marca de alguma forma o triunfo do condicionamento em relação ao comportamento produtivo e criativo. As más condições físicas e psicológicas no ambiente laboral influenciam diretamente na qualidade de vida no trabalho, com reflexo nas relações interpessoais e na execução das funções. A relação entre o ambiente e o ser humano se configura no bem-estar físico e psicológico no trabalho, a qual se caracteriza por ser o sustentáculo para a eficácia na execução das tarefas organizacionais. O trabalhador que se encontra num ambiente laboral que prioriza sua integridade física, emocional e social, estará disposto, motivado para exercer de forma eficiente suas tarefas.(GRANDJEAN, 2005) Dentre isso, destacam-se os aspectos indispensáveis para um ambiente de trabalho saudável: - A promoção e prevenção do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as ocupações; - A prevenção da deterioração da saúde do trabalhador causada pelas condições de trabalho; - A colocação e manutenção do trabalhador em emprego adequado às suas aptidões físicas e psicológicas; Esses aspectos envolvem a promoção e preservação da saúde do trabalhador, em que se tornam necessários desenvolver medidas no ambiente organizacional, conforme o processo de trabalho desenvolvido, as quais se caracterizam como medidas ergonômicas, ou seja, a análise ergonômica do ambiente de trabalho (BELLUSCI, 2007). Adaptado de: BARBOSA, D. A. Prevenção e causas dos acidentes do trabalho. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, no exercício de suas atividades, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução, temporária ou permanente, da capacidade para o trabalho. O acidente do trabalho será caracterizado tecnicamente pela perícia médica do INSS, mediante a identificação do nexo entre o trabalho e o agravo. Considera-se estabelecido o nexo entre o trabalho e o agravo quando se verificar nexo técnico epidemiológico entre a atividade da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade, elencada na Classificação Internacional de Doenças (CID). Considera-se agravo para fins de caracterização técnica pela perícia médica do INSS a lesão, doença, transtorno de saúde, distúrbio, disfunção ou síndrome de evolução aguda, subaguda ou crônica, de natureza clínica ou subclínica, inclusive morte, independentemente do tempo de latência. Reconhecidos pela perícia médica do INSS a incapacidade para o trabalho e o nexo entre o trabalho e o agravo, serão devidas as prestações acidentárias a que o beneficiário tenha direito, caso contrário, não serão devidas as prestações. A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador, sendo também seu dever prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. Nos casos de negligência quanto às normas de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva, a previdência social proporá ação regressiva contra os responsáveis. O pagamento pela Previdência Social das prestações decorrentes do acidente do trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de terceiros. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. Desta comunicação receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo de apenas um dia útil. Nesta hipótese, a empresa permanecerá responsável pela falta de cumprimento da legislação. Caberá ao setor de benefícios do INSS comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela Previdência Social, das multas previstas para o descumprimento desta obrigatoriedade. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 69 Considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro. O segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente da percepção de auxílio-acidente. Vamos conferir os artigos 19, 20 e 21 da Lei 8.213/91 Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. § 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. § 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. § 3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. § 4º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento. Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. § 1º Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa; b) a inerente a grupo etário; c) a que não produza incapacidade laborativa; d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. § 2º Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho. Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos desta Lei: I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação; II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de: a) ato de agressão,Na farmacologia, agonista refere-se às ações ou estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. Os denominados antagonistas agem como bloqueadores dos receptores, ou seja, diminuem as respostas dos neurotransmissores, presentes no organismo. O antagonismo pode diminuir ou anular o efeito do agonista. Os antagonistas são classificados em: - parcial/total - reversível/irreversível - competitivo/alostérico O antagonista parcial não anula totalmente o efeito de um agonista, sendo este mais utilizado, já o total atua somente no problema, não interferindo nas partes que estão funcionando. Em caso de intoxicação é aconselhável o antagonista total, pois protege melhor o organismo. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 4 No antagonista reversível/irreversível, o agonista tem ao poder de reverter e o outro de inibir os efeitos do antagonista. Já o antagonista competitivo impede o agonista de se encaixar, competindo com o mesmo e o alostérico atua em receptores que tem o efeito diminuidor liberado pelo agonista. O efeito de um antagonista sobre o agonista se torna inferior devido as constantes estimulações. A Natureza das Drogas: Uma droga pode ser definida como qualquer substância capaz de produzir uma alteração em determinada função biológica através de suas ações químicas. Na maioria dos casos, a molécula da droga interage com uma molécula específica no sistema biológico, que desempenha um papel regulador, isto é, faz o papel de uma molécula receptora. Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/ Farmacocinética - é o estudo da velocidade com que os fármacos atingem o sítio de ação e são eliminados do organismo, bem como dos diferentes fatores que influenciam na quantidade de fármaco a atingir o seu sítio. Basicamente, estuda os processos metabólicos de absorção, distribuição, biotransformação e eliminação das drogas. Absorção - é a passagem do fármaco do local em que foi administrado para a circulação sistêmica. Constitui-se do transporte da substância através das membranas biológicas. Tratando-se da via de administração intravenosa, não se deve considerar a absorção, uma vez que, neste caso, o fármaco é administrado diretamente na corrente sanguínea. Alguns fatores influenciam a absorção, tais como: características físico-químicas da droga, veículo utilizado na formulação, perfusão sanguínea no local de absorção, área de absorção à qual o fármaco é exposto, via de administração, forma farmacêutica, entre outros. As principais vias de administração de fármacos são: via oral (a mais usada), via intravenosa, via intramuscular, via subcutânea, via retal. Cada uma dessas vias possui características próprias, que influenciam na absorção. Após a absorção do fármaco, um fração deste geralmente se liga a proteínas plasmáticas (principalmente a albumina) ou proteínas de tecidos, formando um complexo reversível. A outra fração circula livremente pelo fluido biológico. É importante frisar que apenas a porção livre, dissolvida no plasma, é farmacologicamente ativa. O complexo proteína-fármaco atua como um reservatório do fármaco no sangue. Esta relação droga ligada/ droga livre é definida por um equilíbrio. A ligação proteica geralmente é inespecífica, variando de acordo com a afinidade do fármaco pela proteína. Desse fato é que se explica o deslocamento de um fármaco por outro de maior afinidade pela proteína. Biodisponibilidade - indica a quantidade de drogas que atinge seu local de ação ou um fluido biológico de onde tem acesso ao local de ação. É uma fração da droga que chega à circulação sistêmica. Bioequivalência - é a equivalência farmacêutica entre dois produtos, ou seja, dois produtos são bioequivalentes quando possuem os mesmos princípios ativos, dose e via de administração, e apresentam estatisticamente a mesma potência. Distribuição - é a passagem de um fármaco da corrente sanguínea para os tecidos. A distribuição é afetada por fatores fisiológicos e pelas propriedades físico-químicas da substância. Os fármacos pouco lipossolúveis, por exemplo, possuem baixa capacidade de permear membranas biológicas, sofrendo assim restrições em sua distribuição. Já as substâncias muito lipossolúveis podem se acumular em regiões de tecido adiposo, prolongando a permanência do fármaco no organismo. Além disso, a ligação às proteínas plasmáticas pode alterar a distribuição do fármaco, pois pode limitar o acesso a locais de ação intracelular. Biotransformação ou metabolismo - é a transformação do fármaco em outra(s) substância(s), por meio de alterações químicas, geralmente sob ação de enzimas inespecíficas. A biotransformação ocorre principalmente no fígado, nos rins, nos pulmões e no tecido nervoso. Entre os fatores que podem influenciar o metabolismo dos fármacos estão as características da espécie animal, a idade, a raça e fatores genéticos, além da indução e da inibição enzimáticas. Indução enzimática - é uma elevação dos níveis de enzimas (como o complexo Citocromo P450) ou da velocidade dos processos enzimáticos, resultantes em um metabolismo acelerado do fármaco. Alguns fármacos têm a capacidade de aumentar a produção de enzimas ou de aumentar a velocidade de reação das enzimas. Como exemplo, podemos citar o Fenobarbital, um potente indutor que acelera o metabolismo de outro fármacos quanto estes são administrados concomitantemente. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 5 Inibição enzimática - caracteriza-se por uma queda na velocidade de biotransformação, resultando em efeitos farmacológicos prolongados e maior incidência de efeitos tóxicos do fármaco. Esta inibição em geral é competitiva. Pode ocorrer, por exemplo, entre duas ou mais drogas competindo pelo sítio ativo de uma mesma enzima. Metabólito - é o produto da reação de biotransformação de um fármaco. Os metabólitos possuem propriedades diferentes das drogas originais. Geralmente, apresentam atividade farmacológica reduzida e são compostos mais hidrofílicos, portanto, mais facilmente eliminados. Em alguns casos, podem apresentar alta atividade biológica ou propriedades tóxicas. Excreção ou eliminação - é a retirada do fármaco do organismo, seja na forma inalterada ou não de metabólitos ativos e/ou inativos. A eliminação ocorre por diferentes vias e varia conforme as características físico-químicas da substância a ser excretada. Meia-vida - a meia-vida (T1/2) é o tempo necessário para que a concentração plasmática de determinado fármaco seja reduzida pela metade. Supondo então que a concentração plasmática atingida por certo fármaco seja de 100 mcg/mL e que sejam necessários 45 minutos para que esta concentração chegue a 50 mcg/mL, a sua meia-vida é de 45 minutos. http://www.ebah.com.br Outros conceitos: Medicamentos Simples - Aqueles usados a partir de um único fármaco. Ex. Xarope de Vitamina C. Medicamento Composto - São aqueles preparados a partir de vários fármacos. Ex. Comprimido de Ácido Salicílico+ Cafeína. Medicamento de Uso Externo - São aqueles aplicáveis na superfície do corpo ou nas mucosas. Ex. Cremes, Xampus... Medicamentos de Uso Interno - São aqueles que se destinam à administração no interior do organismo por via bucal e pelas cavidades naturais (vagina, nariz, ânus, ouvidos, olhos etc.) Medicamentos Oficiais - São aqueles oficializados pela nas monografias. Medicamentos Oficinais ou de Manipulação - São aqueles preparados na própria farmácia, de acordo com normas e doses estabelecidas por farmacopeia ou formulários e com uma designação uniforme. Adição - Efeito combinado de dois fármacos. Efeito Adverso ou Indesejado- Ação diferente do efeito planejado. Potencialização - Efeito que ocorre quando um fármaco aumenta ou prolonga a ação de outro fármaco. Efeito Colateral - Efeitosabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do uso da razão; e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior; III - a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade; IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 70 § 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. § 2º Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, resultante de acidente de outra origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior. Princípios de ergonomia no trabalho. A palavra ergonomia é de origem grega, em que ERGO significa trabalho e NOMOS significa regras, normas, leis. Podemos entender que seriam as regras/normas/leis para a execução do trabalho. Se considerarmos como ciência, poderemos dizer que é a ciência aplicada em facilitar o trabalho executado pelo homem, sendo que aqui se interpreta a palavra “trabalho” como algo muito abrangente, em todos os ramos e áreas de atuação. Sendo, desta forma, uma ciência que pesquisa, estuda, desenvolve e aplica regras e normas a fim de organizar o trabalho, tornando este último compatível com as características físicas e psíquicas do ser humano. Alguns autores a consideram como ciência, outros como tecnologia. Segundo Montmollin, a ergonomia é uma ciência interdisciplinar que compreende a fisiologia e a psicologia do trabalho. Murrel a define como o estudo científico das relações entre o homem e o seu ambiente de trabalho. Self cita que ergonomia reúne os conhecimentos da fisiologia e psicologia e das ciências vizinhas aplicadas ao trabalho humano, na perspectiva de uma melhor adaptação ao homem dos métodos, meios e ambientes de trabalho. Wisner explica ergonomia como sendo o conjunto dos conhecimentos científicos relacionados ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência. Na definição de Couto é um conjunto de ciências e tecnologias que procura a adaptação confortável e produtiva entre o ser humano e seu trabalho, basicamente buscando adaptar as condições de trabalho às características do ser humano. Já Leplat nos informa que ergonomia é uma tecnologia, e não uma ciência, cujo objetivo é a organização dos sistemas homem-máquina. Segundo a Ergonomics Research Society, “Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento”. Segundo a International Ergonomics Association – IEA, a Ergonomia é a disciplina científica preocupada com o entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e métodos para projetar, de modo a otimizar, o bem- estar humano e a performance geral do sistema. Em 1960 a Organização Internacional do Trabalho − OIT define a ergonomia como sendo a: “Aplicação das ciências biológicas conjuntamente com as ciências da engenharia para lograr o ótimo ajustamento do homem ao seu trabalho, e assegurar, simultaneamente, eficiência e bem-estar” (MIRANDA, 1980). Algumas considerações sobre interações entre homem e seus ambientes de trabalho foram encontradas em alguns documentos da Grécia Antiga, em alguns outros artigos medievais com mais de cem anos na Alemanha. Falando em relação à história moderna da ergonomia, que surgiu no período entre 1939 a 1945 com a Segunda Grande Guerra, houve a necessidade de adaptação das armas utilizadas no combate ao homem, com o principal objetivo de obter vantagens sobre o adversário, além de preservar a própria sobrevivência. Para Abrahão e Pinho (2002), a importância da ergonomia nos anos 1940 se deu pela abordagem do trabalho humano e suas interações nos contextos social e tecnológico, buscando mostrar a complexidade dessas interações. A ergonomia trouxe a ideia de proteger o trabalhador dos riscos físicos, ambientais e psicológicos provocados, principalmente, pelo sistema capitalista, que visa sempre o lucro através do aumento da produção. Promovendo a intensificação da carga de trabalho e implementação do tempo de trabalho, sem se preocupar com o conforto do funcionário. Podemos exemplificar com o que aconteceu nos EUA, quando os norte-americanos construíram o projeto da cápsula espacial, em que o homem tentou adaptar qualquer tipo de máquina às características humanas. Mas o desconforto provocado aos astronautas no primeiro protótipo da cápsula espacial fez com que houvesse a necessidade de replanejar o tempo e os meios para a viagem ao espaço. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 71 É importante citarmos que o conforto do trabalhador é necessário para que tenha uma boa relação com o trabalho. Dentro das atribuições da ergonomia temos alguns domínios de especialização com competências mais profundas. São elas: - Ergonomia Física – versa sobre as características humanas anatômicas, antropométricas, fisiológicas e biomecânicas que se relacionam com a atividade física. Os tópicos relativos incluem posturas de trabalho, manipulação de materiais, movimentos repetitivos, lesões musculoesqueléticas relacionadas com o trabalho, layout do posto de trabalho, segurança e saúde. - Ergonomia Cognitiva – relata sobre os processos mentais, como a percepção, memória, raciocínio, e resposta motora, que afetam as interações entre humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes incluem a carga de trabalho mental, tomada de decisão, desempenho especializado, interação homem-computador, fiabilidade humana, stress do trabalho e formação relacionadas com a concepção homem-sistema. - Ergonomia Organizacional – diz respeito à otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo as suas estruturas organizacionais, políticas e processos. Os tópicos relevantes incluem comunicação, gestão de recursos de equipes, concepção do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, concepção participativa, “community ergonomics”, trabalho cooperativo, novos paradigmas do trabalho, cultura organizacional, organizações virtuais, tele trabalho e gestão da qualidade. Segundo HENDRICK (1992), a ergonomia possui quatro componentes identificáveis: - Tecnologia de interface homem-máquina ou ergonomia de Hardware – é aplicada no projeto de controles, displays e arranjo das estações de trabalho para otimizar a performance do sistema e diminuir as probabilidades de erros humanos; - Tecnologia da interface homem-ambiente ou ergonomia ambiental – que consiste no estudo das capacidades e limitações humanas em relação às demandas impostas pelas variações do ambiente. É utilizada afim de minimizar o estresse ambiental para a performance humana e também para proporcionar maior conforto e segurança, além do aumento da produtividade; - Tecnologia de interface usuário-sistema ou ergonomia de software – estuda como as pessoas conceitualizam e processam as informações. É frequentemente chamada de ergonomia cognitiva. A maior aplicação desta tecnologia é no projeto ou modificação de sistemas para aumento da usabilidade; - Tecnologia da interface homem-organização-máquina ou macro ergonomia – o foco central das três tecnologias da ergonomia é o operador individual, no time de operadores ou em níveis de subsistemas. A macro ergonomia tem seu foco na estrutura do sistema de trabalho como um todo, ou seja, em suas interfaces com os avanços tecnológicos, com o sistema organizacional e com a interface homem- máquina. Quando falamos em ergonomia temos que levar em consideração alguns pontos, como: - Produtividade da empresa; - Qualidade do produto; - Condições de trabalho; - Qualidade de vida dos trabalhadores. Alguns objetivos devem sempre ser levados em consideração, tais como: - Melhoria das condições ambientais; - Prevenção de acidentes de trabalho; - Prevenção de lesões por esforço repetitivo. Outra consideração que devemos ter, quando se trata de ergonomia, é a sua tríade básica de sustentação, composta por: - Eficiência - Segurança - Conforto Através desta tríade podemos observar que a eficiência de uma intervenção ergonômica é muito importante, tanto para justificar o trabalho do ergonomista como para melhoria das condições da empresa (financeira, econômica, social ou profissional). Além da própria melhoria da eficiência dos trabalhadores. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 72 A segurança é de extrema importância, tanto para os trabalhadores como para os empregados. A diminuição dos riscos indica uma maior preocupação com os funcionários. O conforto nos mostra que o indivíduo, quando em situações satisfatórias, produz e trabalha mais e com melhor humor. Tipos Principais Ergonomia de Correção: atua de maneira restrita, modificando os elementos parciais do posto de trabalho, como: Dimensões, Iluminação, Ruído, Temperatura, etc. Ergonomia de Concepção: Interfere amplamente no projeto do posto de trabalho, do instrumento, da máquina ou do sistema de produção, organização do trabalho e formação de pessoal. Ergonomia de Conscientização: Ensina o trabalhador a usufruir os benefícios de seu posto de trabalho: - Boa postura, uso adequado de mobiliários e equipamentos. - Implantação de pausas, ginástica laboral (antes, durante e depois da atividade) - Como conscientizar as pessoas da limitação de seu corpo. - Como treinar as pessoas a serem mais eficientes com seu corpo. Ergonomia Participativa: Estimulada pela presença de um Comitê Interno de Ergonomia (CIE): CIE – comissão que engloba representantes da empresa e dos funcionários, utiliza as ferramentas da ergonomia de conscientização para que haja o pleno usufruto do projeto ergonômico, seja esse implementado pela ergonomia de concepção ou de correção. Um CIE só funciona quando é simples, de baixo custo. Princípios da Ergonomia Princípio 1: Posição vertical - O corpo humano deve trabalhar na vertical ou posição neutra onde encontra seu melhor ponto de equilíbrio, com baixo nível de tensão dos músculos em geral. Para que seja possível esta postura o posto de trabalho deve proporcionar: - Altura adequada das bancadas: trabalho pesado, moderado ou leve. - Para trabalhos de escrita a bancada ou mesa na altura da linha epigástrica (parte superior do estômago). - Quando o trabalho envolver mais de um tipo de tarefa, analisar a tarefa de maior tempo e assim utilizar a altura da bancada adequada. - Na medida do possível dotar o posto com regulagem de altura. Principio 2: Boa situação mesa – cadeira: - Manter o tronco apoiado ajuda a aliviar a tensão muscular. - Durante a escrita manter a inclinação anterior do assento permitindo assim que utilize corretamente o assento e não posicionar-se na extremidade do mesmo. - Utilizar cadeira com rodízios a fim de evitar torcer o corpo e sim girar a cadeira. - Quando possível inclinar a superfície de trabalho. Princípio 3: Auxílio mecânico. - Diminuição do peso dos objetos deve ser uma prioridade constante em qualquer trabalho de ergonomia. - Utilizar carrinhos com elevação manual lenta. Princípio 4: Eliminar esforço estático: - Eliminar tronco encurvado corrigindo com altura adequada de bancada. - Sustentação de cargas pesadas através principalmente de suportes e correntes. - Evitar apertar pedais estando de pé se a frequência deste esforço for maior que 3 vezes por minuto, colocar o trabalhador sentado ou colocar atarefa para ser feita através de botões manuais. - Evitar braços acima do nível dos ombros; - Eliminar o manuseio, movimentação e carregamento de cargas muito pesadas. - Instituir a flexibilidade postural, pois é através desta que se consegue um bom revezamento dos esforços, sem sobrecarga. Principio 5: Melhorar a alavanca do movimento: - Melhoria de projeto de ferramentas manuais; motosserras, cortadeiras, etc. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 73 - Aumento do cabo de ferramentas, especialmente quando envolver esforço de distorcer uma porca. - Substituir o levantar por puxar; melhor ainda é empurrar. Princípio 6: Os instrumentos de controle devem estar dentro da área de alcance das mãos. Todos os objetos, ferramentas e controles a serem pegos/operados frequentemente devem estar dentro da área de alcance normal. Todos os objetos, ferramentas e controles a serem pegos/operados ocasionalmente devem estar dentro da área de alcance máximo. Alcance normal: entende-se por braços esticados na linha do ombro. Alcance Máximo: entende-se por braços esticados na linha do ombro e giro do tronco. Princípio 7: Evitar torcer e fletir o tronco ao mesmo tempo. Para evitar esforços deste tipo: - orientação ao trabalhador. - eliminar obstáculos das cargas que tenham que ser manuseadas. - reposicionar locais de armazenamento. - peças pesadas devem ser colocadas sobre caixas rasas, e estas sobre bancada. Princípio 8: Criar facilidades mecânicas no trabalho. Para evitar esforços desnecessários utilizar: - carrinhos; talhas com corrente; - gancho com corrente; - talhas mecânicas; - talhas com ventosas ou com prendedores laterais e dispositivos auxiliares para transportar tambores. Princípio 9: Utilizar o princípio PEPLOSP para manusear peças. PEPLOSP quer dizer: P- perto do corpo E- elevada na altura de 75 cm do piso P- pequena distância vertical entre a origem e o destino L- leve O- ocasionalmente S- simetricamente, sem ângulo de rotação do tronco P- pega adequada para as mãos Princípio 10: Usar análises biomecânicas para avaliar o risco das tarefas. Duas formas de análises são muito úteis: - Modelo biomecânico bidimensional da Universidade de Michigan. - Critério de NIOSH para avaliar o risco do levantamento manual de cargas. A aplicação destes princípios visa prevenir os riscos de lombalgias nas empresas em até 80%. A Ergonomia é a ciência do conforto, e é através dela que procuramos assegurar uma boa adaptabilidade entre o homem e seu trabalho, seus equipamentos, seu ambiente físico, suas ferramentas e muitos fatores que cercam seu sistema de trabalho. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 74 Códigos e símbolos específicos de Saúde e Segurança no Trabalho. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 75 Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 76 Questões 01. Assinale certo ou errado para a assertiva abaixo: Segurançado trabalho é o conjunto de medidas técnicas, médicas e educacionais, empregadas para prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente de trabalho quer instruindo ou convencionando pessoas na implantação de práticas preventivas. ( ) certo ( ) errado 02. Assinale certo ou errado para a assertiva abaixo: Acidente de trajeto é o que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, que cause a morte, ou perda, ou redução permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. ( ) certo ( ) errado 03. Quantos tipos de CAT existem em nosso país? (A) 03 (B) 02 (C) 05 (D) 04 04. Quanto a ergonomia, qual das alternativas abaixo está correta: (A) Ergonomia Física – relata sobre os processos mentais, como a percepção, memória, raciocínio, e resposta motora, que afetam as interações entre humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes incluem a carga de trabalho mental, tomada de decisão, desempenho especializado, interação homem-computador, fiabilidade humana, stress do trabalho e formação relacionadas com a concepção homem-sistema. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 77 (B) Ergonomia Cognitiva – versa sobre as características humanas anatômicas, antropométricas, fisiológicas e biomecânicas que se relacionam com a atividade física. Os tópicos relativos incluem posturas de trabalho, manipulação de materiais, movimentos repetitivos, lesões musculoesqueléticas relacionadas com o trabalho, layout do posto de trabalho, segurança e saúde. (C) Ergonomia Organizacional – diz respeito à otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo as suas estruturas organizacionais, políticas e processos. Os tópicos relevantes incluem comunicação, gestão de recursos de equipes, concepção do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, concepção participativa, “community ergonomics”, trabalho cooperativo, novos paradigmas do trabalho, cultura organizacional, organizações virtuais, teletrabalho e gestão da qualidade. Respostas 01. Resposta: certo Segurança do trabalho é o conjunto de medidas técnicas, médicas e educacionais, empregadas para prevenir acidentes, quer eliminando condições inseguras do ambiente de trabalho quer instruindo ou convencionando pessoas na implantação de práticas preventivas. 02. Resposta: errado Acidente de Trajeto Fica caracterizado como acidente de trabalho também aquele que ocorra na ida ou na volta do trabalho, ou o ocorrido no mesmo trajeto quando o trabalhador efetua as refeições na sua residência. Deixa de caracterizar-se o acidente quando o trabalhador tenha por vontade própria, interrompido ou alterado o trajeto normal. 03. Resposta: A -.CAT inicial - acidente do trabalho, típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho. -.CAT reabertura - reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS. -.CAT comunicação de óbito - falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, ocorrido após a emissão da CAT inicial. 04. Resposta: C Ergonomia Organizacional – diz respeito à otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo as suas estruturas organizacionais, políticas e processos. Os tópicos relevantes incluem comunicação, gestão de recursos de equipes, concepção do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, concepção participativa, “community ergonomics”, trabalho cooperativo, novos paradigmas do trabalho, cultura organizacional, organizações virtuais, teletrabalho e gestão da qualidade. A segurança7 nas atividades laboratoriais, a preservação da saúde e a proteção do meio ambiente são essenciais na prática moderna do laboratório destinado às atividades farmacêuticas, sejam elas de pesquisa, ensino, produção ou controle de medicamentos e alimentos, diagnostico laboratorial, entre outras. A prevenção ou a redução do risco de desenvolver doença profissional por exposição a diversos agentes, presentes no ambiente de laboratório, podem ser alcançadas pelo uso de práticas seguras nas atividades laboratoriais e de outras medidas que visam a preservar a saúde e o meio ambiente. A organização das atividades no laboratório é um aspecto fundamental para a segurança do pesquisador ou analista e para a garantia de resultados precisos e de qualidade. A falta de organização no ambiente de trabalho pode gerar situações de risco para o analista e para outros indivíduos presentes no local, além de promover danos às instalações prediais. As situações de risco predispõem à ocorrência de acidentes que podem ser irreversíveis, levando ao afastamento temporário ou definitivo do analista ou pesquisador. Portanto, é fundamental que qualquer atividade laboratorial seja previamente planejada e executada em ambiente seguro. 7 HIRATA, Mario Hiroyuki; HIRATA, Rosario Domingues Crespo; MANCINI FILHO, Jorge. Manual de Biossegurança. 2ª Ed. Manole. Noções de biossegurança e manejo de resíduos em farmácia hospitalar Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 78 No ambiente de laboratório, é preciso considerar as condições de trabalho e todos os fatores que oferecem risco ao analista, como as instalações, os locais de armazenamento, o manuseio de produtos químicos, as condições operacionais dos equipamentos, as bancadas, os equipamentos de proteção, entre outros. Práticas Seguras no Laboratório As práticas seguras no laboratório são um conjunto de procedimentos que visam reduzir a exposição dos analistas a riscos no ambiente de trabalho. Essas práticas compreendem a ordem e a limpeza dos materiais, a separação e a limpeza das áreas de trabalho, o manuseio adequado de equipamentos elétricos, substâncias químicas, materiais biológicos e radioativos, o uso adequado de equipamentos de proteção e segurança, entre outras. A limpeza das áreas do laboratório (bancadas, pisos, equipamentos, instrumentos e demais superfícies) deve ser realizada regular e imediatamente após o término de uma atividade. Essa tarefa é essencial para reduzir os riscos de contaminação acidental pelo analista ou por outro individuo presente no local. A desinfecção do ambiente é empregada antes e após a atividade laboratorial para prevenir contaminação com materiais ou produtos biológicos que ofereçam risco. Em algumas situações, é necessário o uso de radiação ultravioleta; portanto, cuidados devem ser tomados para evitar exposição a esse tipo de radiação. A descontaminação e a limpeza inicial de vidrarias, amostras biológicas ou equipamentos têm de ser realizadas regular e imediatamente após o derramamento de produtos químicos, radioativos ou biológicos. O manuseio e o transporte de vidrarias e de outros materiais devem ser realizados de forma segura. As vidrarias maiores têm de ser colocadas na parte posterior e à direita na bancada. Para o transporte das vidrarias, deve-se utilizar um suporte firme, evitando quedas e derramamentos. As vidrarias mal posicionadas ou transportadas podem causar acidentes e, se contiverem produtos tóxicos, os derramamentos podem gerar situações de emergência com consequências desastrosas. Outros materiais, como tubos de ensaio, estantes, placas, tubos de microcentrífuga e outros, precisam ser posicionados à frente da bancada, à esquerda do equipamento a ser utilizado, para oferecer mais conforto ao analista. Os fatores ergonômicos (posição do analista, dos instrumentos e dos materiais) devem ser considerados no planejamento e na execução das atividades laboratoriais. Os equipamentos têm de ser posicionados na parte direita anterior das bancadas, evitando-se que os cabos elétricos atravessem a área de trabalho. Os fios dos cabos elétricos devem estar bem protegidose identificados quanto à fonte (110V/220V) para evitar curtos ou outras situações de risco. Não devem ser utilizadas extensões elétricas para ligar equipamentos, pois elas podem afetar a estabilidade da energia ou gerar sobrecarga elétrica criando uma situação de emergência. Cabe ressaltar que cabos e fios soltos podem causar acidentes graves, principalmente no local de trânsito de pessoas. De acordo com a Norma Regulamentadora n°12 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, as áreas de circulação e os espaços em torno de equipamentos precisam ser dimensionados de modo que os analistas possam movimentar-se com segurança. Orientações para planejamento e organização das atividades laboratoriais Atividades Orientações Manuseio de equipamentos e instrumentos Verificar a disponibilidade e o funcionamento do equipamento; agendar a data e o horário de uso para os equipamentos de multiusuários; ter disponível o protocolo de uso e limpeza do equipamento; ter disponível o manual do equipamento e o nome do responsável para solucionar dúvidas de operação ou para as situações de emergência. Manuseio de vidraria e outros materiais Verificar o estado de limpeza, a presença de trincas e rachaduras, a resistência térmica, a resistência química e a compatibilidade com solventes e outros reagentes. Observar a necessidade de tratamento prévio (esterilização, descontaminação química ou biológica). Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 79 Preparo de reagentes e soluções Preparar antecipadamente as quantidades necessárias, observando as condições de armazenamento, a estabilidade e o prazo de validade. Observar se o reagente/solução deve ser preparado apenas no momento do uso. Seguir os procedimentos adequados de manuseio e armazenamento dos produtos químicos, observando a compatibilidade entre os mesmos Condições de segurança no laboratório Observar a necessidade do uso de equipamentos de proteção individual (EPI), tais como: óculos de segurança, máscaras, aventais, luvas e outros. Observar a necessidade do uso de equipamentos de proteção coletiva (EPC), como capela de segurança química para a manipulação de substâncias químicas tóxicas, cabine de segurança biológica para a manipulação de materiais biológicos, entre outros. Sinalização das áreas de trabalho Observar os sinais universais de indicação de risco químico, biológico, físico ou outro. As atividades de alto risco devem ser realizadas em área restrita e bem sinalizada. Os analistas e os visitantes autorizados devem ser informados sobre os riscos a que possam estar expostos. A sinalização dos materiais de combate a incêndio (extintores e hidrantes), das saídas de emergência e das rotas de fuga para situações de emergência também deve ser indicada nos ambientes laboratoriais e nos corredores de acesso. Tempo de execução da atividade É possível determinar o tempo necessário para a execução de uma atividade laboratorial, quando os materiais estão disponíveis e o procedimento é bem planejado. É importante ressaltar que as atividades realizadas por períodos muito longos e sem planejamento prévio predispõem a acidentes que podem causar danos irreparáveis à saúde do analista, principalmente pela falta de socorro imediato Procedimentos operacionais Elaborar e/ou ter disponíveis os procedimentos necessários para realizar as atividades laboratoriais. Os protocolos escritos auxiliam na otimização do trabalho, na redução do tempo gasto nas atividades laboratoriais e na redução dos riscos de acidentes. Práticas seguras As recomendações de práticas seguras de laboratório devem ser conhecidas e cumpridas, com a finalidade de reduzir a exposição dos analistas aos riscos ambientais. Registro das atividades Os reagentes, os materiais e os equipamentos utilizados, assim como os resultados e as análises de dados obtidos, devem ser registrados de modo a assegurar a rastreabilidade dos procedimentos experimentais realizados e dos dados obtidos. O manuseio e o armazenamento adequados de produtos químicos são necessários para evitar riscos, como queimaduras, explosões, incêndio e fumaça tóxica. Portanto, o conhecimento das propriedades das substâncias químicas em uso e os procedimentos de manuseio adequados reduzem significativamente as situações de risco ocupacional. Os frascos de produtos químicos têm de ser manipulados com cuidado e um carrinho deve ser usado para transportar um recipiente pesado ou vários recipientes de uma área para outra. Frascos de vidro com produtos químicos têm de ser transportados em recipientes de plástico ou borracha que os Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 80 protejam de vazamento e, quando quebrados, contenham o derramamento. Os materiais para contenção de derramamento de produtos químicos devem estar disponíveis em locais estratégicos. O manuseio de produtos químicos voláteis (solventes), metais, ácidos e bases fortes têm de ser realizado em capela de segurança química. As substâncias inflamáveis precisam ser manipuladas com extremo cuidado, evitando proximidade de equipamentos e fontes geradoras de calor. O uso de equipamento de proteção individual (EPI), como óculos de proteção, máscara facial, luvas, aventais e outros durante o manuseio de produtos químicos é obrigatório. Todos os produtos químicos e frascos com soluções e reagentes devem ser adequadamente identificados, com a indicação do produto, as condições de armazenamento, o prazo de validade e a toxicidade do produto. O laboratório deve ter disponível a Ficha de Informações sobre Segurança de Produtos Químicos (FISPQ), que contém informações sobre os riscos e os cuidados no manuseio do produto químico e também a conduta adequada em situações de emergência. As FISPQ devem ser acessíveis como parte de um manual de segurança ou operações. No laboratório, devem ser mantidas pequenas quantidades de produtos químicos, a fim de reduzir o risco de acidentes. Produtos químicos em grandes quantidades têm de ser armazenados em almoxarifados muito bem organizados, de acordo com a compatibilidade química, e administrados por pessoal qualificado. Os resíduos de produtos químicos devem ser acondicionados em recipientes adequados, em condições seguras, e encaminhados ao serviço de descarte de resíduos da instituição para o destino final. É preciso tomar cuidado no manuseio e no transporte de resíduos de produtos químicos de modo a preservar a saúde e o meio ambiente. Com a finalidade de reduzir a exposição do pessoal e o impacto ambiental, devem ser adotados procedimentos que visem a minimizar a geração de resíduos químicos e outros resíduos laboratoriais. Os materiais biológicos têm de ser manuseados de forma segura e em cabine de segurança biológica, de acordo com o nível do risco ambiental. Cuidados especiais precisam ser tomados para prevenir o risco de exposição acidental a culturas de microrganismos, sangue e outros líquidos corporais, provocados por acidentes ou instrumentos perfuro cortantes. Os materiais biológicos a serem transportados e descartados têm de ser adequadamente embalados para evitar derramamento acidental e identificados com o símbolo de resíduo infectante (Figura 2). Os resíduos de materiais biológicos devem ser descontaminados antes de serem descartados como resíduos da classe A. Procedimentos e precauções específicos devem ser seguidos no manuseio de materiais ou equipamentos que emitam radiação ionizante ou não ionizante. Os locais de armazenamento e as áreas de trabalho com materiais radioativos (radiação ionizante) precisam ser identificados com o símbolo específico, apresentado na Figura 3. O pessoal do laboratório deve estar capacitado a manipular os materiais que possuem radioisótopos, seguindo os procedimentos de aquisição, manuseio, descontaminação e descarte desses.Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 81 O uso de EPI e EPC é fundamental para a prática das atividades laboratoriais de forma a assegurar a saúde do pessoal e minimizar a possibilidade de acidentes. Tais equipamentos devem estar disponíveis no laboratório para executar procedimentos específicos que exijam seu uso. Para adquiri- los, deve-se considerar a relação custo/benefício, pois o afastamento do laboratorista acidentado e o tratamento dispensado à sua recuperação podem representar gastos elevados para a instituição, muitas vezes, superior ao custo do investimento em equipamentos de proteção e treinamento do pessoal de laboratório. As atividades administrativas, assim como os cálculos e a análise de resultados, devem ser realizadas em local separado da área de trabalho, para evitar contaminação e derramamento sobre manuais e livros de anotações e também reduzir a exposição dos analistas e demais trabalhadores a riscos desnecessários. O pessoal de apoio, responsável pela limpeza geral e pela lavagem da vidraria do laboratório, tem de ser orientado quanto aos cuidados na execução de suas tarefas. É preciso informar sobre os riscos ambientais a que pode estar exposto. Devem ser dadas orientações sobre o descarte adequado de lixo comum, resíduos biológicos, vidros quebrados e outros resíduos do laboratório. O pessoal de apoio não deve manusear frascos vazios que contenham substâncias químicas, pois estes têm de sofrer um tratamento previ de limpeza e depositados em locais próprios e protegidos para que não sejam uti- lizados para outras finalidades. Os uniformes, aventais e outras vestimentas de trabalho precisam ser compatíveis com o tipo de atividade a ser executada. As atividades laboratoriais exigem o uso de calça comprida, calcado baixo, fechado e confortável, e avental de mangas compridas. O uso de lentes de contato, maquiagem e adornos deve ser evitado. A pipetarem com a boca é terminantemente proibida; portanto, devem ser utilizados sistemas automáticos de pipetarem. A ingestão de líquidos corrosivos e tóxicos leva a consequências extremas, podendo causar queimaduras graves e provocar a morte. A ingestão de alimentos e bebidas e o uso de cosméticos, cabelos soltos, adornos e barba devem ser proibidos para evitar sua contaminação com produtos manuseados no laboratório e risco de acidentes durante a operação de equipamentos. Os ouvidos têm de estar desobstruídos de qualquer tipo de equipamento sonoro, pois os analistas precisam estar atentos a qualquer ruído estranho à sua volta, principalmente os emitidos pelos equipamentos em operação. A higienização das mãos deve ser feita com frequência durante o dia de trabalho, antes e após o contato com produtos químicos, radioativos ou biológicos, após a retirada das luvas, e antes de comer ou beber. Medidas de Controle e Proteção Outro aspecto a ser considerado na segurança das atividades laboratoriais é o conjunto de medidas de controle e proteção contra os riscos ambientais, como de proteção coletiva e individual, de organização do trabalho e de higiene e conforto. As medidas de proteção coletiva são as mais importantes, porque com elas o pessoal de laboratório fica protegido. As medidas de proteção individual, pelo emprego de EPI, são controles possíveis da exposição a agentes ambientais que, se adequadamente utilizados, protegem a saúde e a integridade física do pessoal de laboratório. A Norma Regulamentadora n° 6 do MTE determina o cumprimento das exigências legais para uso de EPI. Cabe lembrar que o uso deste tipo de equipamento possibilita apenas reduzir a probabilidade de risco à saúde e ao meio ambiente, pois o agente perigoso continua presente. Portanto, as medidas de proteção individual devem ser indicadas para situações em que há́ manuseio direto de agentes químicos, biológicos ou de outra natureza, e em situações específicas. As medidas organizacionais, no laboratório, têm a finalidade de proporcionar ambientes mais cooperativos e motivadores, evitando sacrifícios desnecessários do pessoal de laboratório. As medidas organizacionais, no laboratório, têm a finalidade de proporcionar ambientes mais cooperativos e motivadores, evitando sacrifícios desnecessários do pessoal de laboratório. As medidas de higiene e conforto também são indispensáveis na execução de atividades laboratoriais, principalmente quando há́ manuseio de produtos perigosos à saúde. As condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho estão definidas na Norma Regulamentadora n° 24 do MTE. Essas medidas estabelecem a higiene pessoal, que previne doenças ocupacionais e evita a transmissão de doenças contagiosas, e a disponibilidade de banheiros, lavatórios, vestiários, armários, bebedouros, refeitório e áreas de lazer. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 82 Caro leitor o assunto Definições, conceituação de medicamentos foi abordado no tópico Conceitos básicos em farmacologia: droga, fármaco, medicamento, especialidade farmacêutica. Vias de administração de medicamentos. Classificação Das Drogas As drogas são substâncias químicas de origem sintética, quando processadas industrialmente, ou natural, quando extraídas em altas concentrações a partir de órgãos vegetais (as folhas), ou de substâncias provenientes de secreção animal ou de estruturas fúngicas. O consumo contínuo, além de ocasionar a morte do indivíduo quando em altas quantidades (overdose), pode ocasionar sérias sequelas no sistema nervoso (lesões neuronais), no circulatório (tensões arteriais) e respiratório, bem como problemas de ordem social, envolvendo a marginalização de adolescentes atraídos pelo tráfico. As drogas podem ser classificadas de acordo com a ação: acentuada ou branda, sobre o sistema nervoso central: Perturbadoras – aquelas com efeito alucinógeno, acelerando o funcionamento do cérebro além do normal, causando perturbações na mente do usuário. Exemplo: LSD (sintetizadas a partir do ácido lisérgico), a maconha e o haxixe (produto e subproduto extraídos da planta Cannabis sativa), os solventes orgânicos (cola de sapateiro). Depressoras (as mais perigosas) – diminuem a atividade cerebral, deixando os estímulos nervosos mais lentos. Exemplo: tranquilizantes produzidos por indústrias farmacêuticas (antidepressivos, soníferos e ansiolíticos), o ópio, a morfina e a heroína (extraídos da planta Papoula somniferum). Estimulantes – substâncias que aumentam a atividade cerebral. Estimulam em especial áreas sensoriais e motoras. Integra esse grupo a cocaína e seus derivados (o crack), extraídos da folha da planta da coca, Erytroxylum coca. Drogas mistas – combinações de dois ou mais efeitos. A mais comum e conhecida desse grupo é o Ecstasy. Portanto, independente de sua classificação ou da substância utilizada, gera dependência química e causa sérios danos ao organismo da pessoa viciada, acometendo de forma irreversível o sistema nervoso. Texto adaptado de FONSECA, K. DROGAS QUE ATUAM EM NÍVEL DE SISTEMA NERVOSO CENTRAL As drogas psicotrópicas agem no sistema nervoso central, produzindo alterações de comportamento, humor e cognição. De acordo com a ação destas no organismo do indivíduo, um pesquisador francês, denominado Chaloult, classificou as drogas em três grandes grupos: Drogas estimulantes do sistema nervoso central: Estas substâncias aumentam a atividade cerebral, uma vez que imitam ou cooperam com os neurotransmissores estimulantes do organismo do indivíduo, como a epinefrina e dopamina. Assim, dão sensação de alerta, disposição e resistência, mas que, ao fim de seus efeitos, conferem cansaço, indisposição e depressão, devido à sobrecarga que o organismo se expôs. Algumas delas são: - nicotina - cafeína - anfetamina - cocaína - crack - merla Definições, conceituação de medicamentos, classificação de Psicotrópicos,Entorpecentes, Imunossupressores Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 83 Drogas depressoras do sistema nervoso central: Tais drogas apresentam uma diminuição das atividades cerebrais de seu usuário, deixando-o mais devagar, desligado e alheio; menos sensível aos estímulos externos. Algumas delas são: - álcool - inalantes/solventes - soníferos - ansiolíticos - antidepressivos - morfina Drogas perturbadoras do sistema nervoso central: São aquelas drogas cujos efeitos são relativos à distorção das atividades cerebrais, podendo causar perturbações quanto ao espaço e tempo; distorções nos cinco sentidos e até mesmo alucinações. Grande parte destas substâncias é proveniente de plantas, cujos efeitos foram descobertos por culturas primitivas, associando as experiências vivenciadas a um contato com o divino. Algumas delas são: - maconha - haxixe - ecstasy - cogumelo - LSD - medicamentos anticolinérgicos. Texto adaptado de ARAGUAIA, M. HIPNÓTICOS E SEDATIVOS Os agentes sedativo-hipnóticos produzem sedação, sono, inconsciência, anestesia cirúrgica, coma e depressão respiratória e da função cardiovascular dependendo da dose. Um fármaco sedativo é definido como um agente capaz de reduzir a excitação e exercer efeito calmante, sem induzir ao sono, embora produza sonolência. A sedação está relacionada à diminuição da estimulação estando associada a alguma redução da atividade motora e do processo de pensamento. Um agente hipnótico induz ao e/ou mantém o sono, semelhante ao estado de sono natural. Em altas doses, os hipnóticos podem levar à anestesia geral. Ambos os fármacos deprimem o SNC com leves diferenças nas relações de tempo e ação, assim como dose e ação. Esses agentes são classificados como: - Barbitúricos; - Benzodiazepínicos; - Hipnóticos não benzodiazepínicos. Barbitúricos Os barbitúricos (ou derivados do ácido barbitúrico) foram por muito tempo, a droga de escolha para o tratamento da insônia. O declínio de seu uso deu-se por vários motivos como: mortes por ingestão acidental, o uso em homicídios e suicídios, e principalmente pelo aparecimento de novas drogas como os benzodiazepínicos. Hoje em dia, os barbitúricos ainda são utilizados no tratamento de distúrbios convulsivos e na indução da anestesia geral. Os barbitúricos são produzidos através da condensação de derivados do ácido malônico e da ureia. Atualmente existem diversas barbitúricos disponíveis: Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 84 Nome Genérico Nome Comercial Duração da Ação Amobarbital Amytal Ação curta a intermediária Barbital Veronal Ação prolongada Butabarbital Butisol Ação curta a intermediária Fenobarbital Gardenal, Luminal Ação prolongada Hexobarbital Evipal Ação curta a intermediária Mefobarbital Mebaral Ação prolongada Pentobarbital Nembutal Ação curta a intermediária Secobarbital Seconal Ação curta a intermediária Tiamilal Surital Ação ultracurta Tiopental Delvinal Ação curta a intermediária Ação no organismo A principal ação do barbitúrico é sobre o Sistema Nervoso Central. Eles podem causar depressão profunda, mesmo em doses que não têm efeito sobre outros órgãos. A depressão pode variar sendo desde um efeito sedativo, anestésico cirúrgico, ou até a morte. Outro efeito dos barbitúricos é o de causar sono, podendo induzir apenas o relaxamento (efeito sedativo) ou o sono (efeito hipnótico), dependendo da dose utilizada. Absorção, Metabolismo e Excreção dos barbitúricos O uso de barbitúricos pode ser oral, intramuscular, endovenoso, ou retal. Independentemente da via de administração eles se distribuem uniformemente pelos tecidos. Após a absorção, eles se ligam a proteínas do sangue e vão agir principalmente no cérebro, devido ao seu alto fluxo sanguíneo. Os efeitos depressores aparecem entre 30 segundos e de 15 minutos, dependendo do tipo de barbitúrico utilizado. Os barbitúricos são metabolizados no fígado e excretados na urina Envenenamento Barbitúrico O envenenamento barbitúrico é um problema clínico significativo, podendo levar à morte em alguns casos. A dose letal do barbitúrico varia de acordo com muitos fatores, mas é provável que o envenenamento grave ocorra com a ingesta de uma só vez de doses dez vezes maiores que a dose hipnótica total. Se o álcool ou outros agentes depressores forem utilizados junto com o barbitúrico, as concentrações que causam morte são mais baixas. Em casos de envenenamento grave o paciente apresenta-se comatoso, com a respiração lenta ou rápida e curta, a pressão sanguínea baixa, pulso fraco e rápido, pupilas mióticas reativas à luz e volume urinário diminuído. As complicações que podem ocorrer são: insuficiência renal e complicações pulmonares (atelectasia, edema e broncopneumonia). O tratamento nestes casos é de suporte. Tolerância aos barbitúricos O uso crônico de barbitúricos pode levar ao desenvolvimento da tolerância. Isso ocorre tanto pelo aumento do metabolismo da droga, como pela adaptação do sistema nervoso central à droga. O grau de tolerância é limitado, já que há pouca ou nenhuma tolerância aos efeitos letais destes compostos. Benzodiazepínicos Os benzodiazepínicos produzem cinco efeitos principais no organismo: sedativos, hipnóticos, ansiolíticos, relaxantes musculares e anticonvulsivantes. Os efeitos descritos são diferentes conforme o benzodiazepínico, entretanto, as respostas citadas estão presentes em todos os eles. Por exemplo, o Midazolam (Dormonid), Flurazepam (Dalmadorm) e Flunitrazepam (Rohypnol) são benzodiazepínicos com propriedades eminentemente sedativo-hipnóticas; Eles são usados, também no preparo de pequenas cirurgias e exames laboratoriais. Por outro lado, o Alprazolam (Frontal) tem uma ação mais ansiolítica e menos sedativa. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 85 As propriedades descritas acima tornam os benzodiazepínicos úteis no tratamento da ansiedade, insônia, agitação, apreensões, espasmos musculares, abstinência do álcool e como pré-medicação nos procedimentos médicos ou odontológicos. Alguns benzodiazepínicos (entre eles o Rivotril) são também usados nas crises mioclônicas (contrações musculares súbitas e involuntárias), ausências (perda transitória de consciência), crises convulsivas tônico-clônicas e ainda, no tratamento da Doença do Pânico. Na maioria das vezes o benzodiazepínico é administrado por via oral, no entanto, ele também pode ser dado por via intravenosa, intramuscular ou retal. Atenção: o pico do efeito (ponto máximo da concentração sanguínea) do é alcançada mais rapidamente quando a via de administração for oral e não intramuscular. Assim sendo, havendo necessidade de rapidez, a via oral ou endovenosa é preferível à intramuscular. Duração das ações dos Benzodiazepínicos Os diferentes benzodiazepínicos existentes, Clordiazepóxido (Librium, Psicossedin); Diazepan (Valium, etc.); Clonazepam (Rivotril, etc.); Bromazepam (Lexotam, etc.); Alprazolan (Frontal e etc.); Lorazepam (Lorax, etc.); Cloxazolan, (Olcadil) e outros, são classificados como sendo de curto, médio e longo prazo quanto ao tempo que permanecem fazendo efeito (agindo) no organismo. Apoiados na duração do tempo de ação, pode-se deduzir que os benzodiazepínicos de tempo médio são os mais indicados para tratar a insônia. Já os benzodiazepínicos de duração maior são recomendados para o tratamento da Ansiedade Generalizada. Efeitos colaterais O novo grupo de drogas, inicialmente recebida com otimismo pela profissão médica, aos poucos produziu preocupações, em particular, o risco de dependência que se tornou evidente na década de 1980. Embora os antidepressivos com propriedades ansiolíticas foram introduzidos, e existe uma crescente consciência dos efeitos adversos dos benzodiazepínicos, eles continuama ser usados de forma exagerada e trivial para aliviar qualquer ansiedade. Os efeitos colaterais mais comuns dos benzodiazepínicos estão relacionados à sua ação sedativa e relaxante muscular, variando de indivíduo para indivíduo. A sedação produz a depressão, sonolência, tonturas, diminuição da atenção e concentração. A falta de coordenação muscular pode resultar em quedas e lesões, especialmente entre os idosos, além da dificuldade para andar. A diminuição da libido e dificuldade em ter ereção é um efeito colateral comum. A desinibição pode surgir levando a pessoa a ter uma conduta social inconveniente. A hipotensão e a respiração reprimida podem ser encontrada após o uso intravenoso. Efeitos colaterais menos comuns incluem náuseas e alterações do apetite, visão borrada, confusão, euforia, despersonalização e pesadelos. Casos de toxicidade hepática têm sido descritos, mas são raros. Efeitos a longo prazo Efeitos adversos tardios produzidos pelos benzodiazepínicos incluem uma deterioração geral da saúde mental e física que tendem a aumentar com o tempo. Nem todos, porém, enfrentam problemas com o uso a longo prazo. Os efeitos adversos podem incluir também o comprometimento cognitivo, bem como os problemas afetivos e comportamentais: agitação, dificuldade em pensar de forma construtiva, perda do desejo sexual, agorafobia e fobia social, ansiedade, depressão maior, perda de interesse em atividades de lazer e incapacidade de sentir ou de expressar as emoções. Além disso, pode ocorrer uma percepção alterada de si, do ambiente e nas relações sociais. Uso e abuso dos benzodiazepínicos Os benzodiazepínicos são comumente utilizados abusivamente e tomado em combinação com outras drogas de abuso. Em geral, os benzodiazepínicos são seguros e eficazes durante poucos dias, apesar dos prejuízos cognitivos e comportamentais, tais como a agressão e desinibição que podem ocorrer ocasionalmente. Os benzodiazepínicos tomados em overdoses podem causar inconsciência perigosa e profunda. No entanto, eles são muito menos tóxicos que seus antecessores, os barbitúricos (Gardenal, etc.). A morte raramente resulta quando um benzodiazepínico é a única droga tomada. Ele, junto a outros depressores do sistema nervoso central (álcool e opiáceos), gera um aumento da toxicidade. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 86 Os benzodiazepínicos provocaram uma história original. Eles foram os responsáveis pelo maior número de ações contra os fabricantes de medicamentos no Reino Unido, A disputa envolveu cerca de 14.000 pacientes e 1.800 escritórios de advocacia. A alegação básica foi a de que os fabricantes sabiam do potencial de dependência, mas, intencionalmente, não forneceram essa informação aos médicos. Enquanto isto, 117 médicos de clínica geral e 50 autoridades de saúde foram processados pelos pacientes supostamente atingidos pelo efeito indesejado dos benzodiazepínicos, isto é, a dependência e a difícil retirada do ansiolítico. Alastrou-se o sistema: alguns médicos passaram a exigir um formulário de consentimento assinado pelos clientes. Além disso, os médicos decidiram, antes de iniciar o tratamento, advertir seus pacientes dos possíveis riscos de dependência e da complicada retirada. Entretanto o processo judicial contra os fabricantes do remédio deu em nada. Idosos e os benzodiazepínicos Os efeitos adversos dos benzodiazepínicos são aumentados e os benefícios são diminuídos nos idosos. Os efeitos indesejáveis sobre a cognição neles podem ser confundidos e tratados como resultante da velhice ou de demência (Alzheimer e outras). Assim, os benefícios dos benzodiazepínicos são menores, e os riscos, maiores nos idosos. Os idosos têm o risco de aumentar a dependência e ficarem mais sensíveis aos efeitos adversos, tais como problemas de memória, sedação diurna, dificuldade de coordenação motora e aumento do risco de acidentes automobilísticos e quedas. O efeito a longo prazo dos benzodiazepínicos e a dependência deles em idosos pode assemelhar-se à demência, depressão ou síndromes de ansiedade e, progressivamente piorar ao longo do tempo. Os benzodiazepínicos devem ser prescritos aos idosos com cuidado, em doses baixas e por um curto período de tempo. Os benzodiazepínicos de vida curta ou intermediaria são os preferíveis para os idosos, como Oxazepam e Temazepam. Os benzodiazepínicos de alta potência Alprazolam e Triazolam e os benzodiazepínicos de longa duração não são recomendados para os idosos devido ao aumento dos efeitos adversos. O uso a longo prazo dos benzodiazepínicos tem sido associado ao aumento do risco de comprometimento cognitivo. Mas sua relação com a demência permanece inconclusiva. Os benzodiazepínicos são prescritos, às vezes, para tratar os sintomas comportamentais das demências. No entanto, à semelhança dos antidepressivos, eles não só têm pouca eficácia, como também podem piorar a demência. Hipnóticos não benzodiazepínicos Zolpidem e zaleplon são agentes hipnóticos que atuam seletivamente no receptor de benzodiazepínico subtipo ômega-1 (BZ1), acredita-se que esta seletividade esteja associada a um risco menor de dependência em comparação com os benzodiazepínicos. A ação ansiolítica, anticonvulsivante e miorrelaxante são pouco significativas clinicamente. Esses agentes não formam metabólitos ativos, sendo considerados hipnóticos de curta duração. - Zolpidem (5-10 mg) - derivado do imidazopiridínico com ação hipnótica e ação curta; eficácia comprovada na indução e na manutenção do sono. Possui tempo de meia-vida curto e relatos de sedação diurna mínima; - Zaleplon (5-20 mg) – derivado do pirazolopirimidima de ação curta; administrado no meio da noite. Possui efeitos sedativos residuais mínimos após 4 horas da administração. Seu metabolismo é inibido por cimetidina. O tratamento de pacientes com disfunção hepática deve ser monitorado. Os efeitos adversos destes fármacos hipnóticos são semelhantes aos descritos com o tratamento com os benzodiazepínicos de ação curta; efeito amnésico e incoordenação motora. Menor incidência no desenvolvimento de tolerância e dependência. Efeitos Colaterais: - Diarreia. - Amnésia Anterógrada (dificuldade de se lembrar de fatos recentes - esquecendo-se de fatos acontecidos pós o trauma nos casos de quando esse sintoma é causado por um trauma e não por um fármaco). - Efeito ressaca: Alucinações, fadiga, prejuízo da coordenação motora Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 87 (Tendo dificuldade na fala, diminuição da força e comprometimento do equilíbrio, tendo nesse ponto os mesmos efeitos do etanol - molécula que também se liga ao GABAA - consequentemente os barbitúricos e os benzodiazepínicos podem em caso de intoxicação causar efeitos parecidos também). Dificilmente apresenta dependência e tolerância, portanto o risco de abstinência é menor. O zolpidem é comumente indicado ao tratamento de insônia pelo seu efeito alto como depressor do SNC, passando do efeito sedativo e causando diretamente efeito de sonolência, induzindo ao sono (hipnótico). * O receptor GABAA é um dos dois canais iônicos ativado por ligante, responsável por mediar os efeitos do ácido gama-aminobutírico, o principal neurotransmissor inibidor no cérebro. ÁLCOOIS ALIFÁTICOS O etanol é formado por moléculas pequenas que são rápida e facilmente absorvidas após a ingestão. Parte do álcool presente em uma bebida é absorvida pelas paredes do estômago. Se o estômago estiver cheio, a comida reduz o contato do álcool com suas paredes e a absorção pode chegar a ser até seis vezes mais lenta do que se o estômago estiver vazio. O álcool absorvido é metabolizado no fígado, onde é transformado em CO2 e H2O. Assim, é papel do fígado se livrar do álcool ingerido. No entanto, se a ingestão de álcool for mais rápida do que o fígado consegue metabolizá-lo, o teor de etanol no sangueirá subir. Sua atuação se dá principalmente no cérebro, onde, primeiramente, altera a razão. A seguir, a fala e a visão são afetadas. Se a ingestão continuar, o próximo efeito é o da perda de coordenação motora. Finalmente, o indivíduo pode perder a consciência. Se o consumo de bebida alcoólica for rápido e em grande quantidade, pode acontecer de o indivíduo estar com muito álcool no estômago quando perder a consciência. Mesmo inconsciente, o nível de etanol no sangue da pessoa continua a aumentar, podendo conduzir à morte. O álcool não metabolizado pelo fígado é eliminado na urina e pelo ar expirado. Nisso se baseia o batómetro, aparelho que mede o teor de álcool no ar expirado pela pessoa e, em função do resultado da medida, infere seu nível de embriaguez. Entre os muitos riscos do consumo de álcool está a alta chance de uma pessoa embriagada se envolver em acidentes de automóvel. Outro risco se relaciona ao fato de algumas pessoas terem propensão para se tornar alcoólicos (anteriormente denominadas alcoólatras), ou seja, dependentes de etanol. O uso do álcool por longos períodos provoca inúmeros problemas de saúde. O esquema abaixo mostra alguns deles, entre os quais merecem destaque os que envolvem o fígado. O primeiro consiste na produção e na deposição de gordura nesse órgão. A seguir, vem a hepatite alcoólica, que é uma inflamação do fígado. Ambos os problemas regridem se o consumo cessar e uma boa dieta alimentar for retomada. No entanto, se o consumo prosseguir, poder-se-á desenvolver ao longo do tempo uma cirrose hepática, que consiste num acúmulo de proteínas fibrosas no fígado e que interferem em seu funcionamento. Como se trata de um órgão responsável por muitas reações químicas fundamentais à sobrevivência, a cirrose hepática pode ser fatal. Consequências: - Cérebro: abuso prolongado de álcool pode acelerar a degeneração de células do cérebro e comprometer as funções nervosas e cerebrais. O cérebro frequentemente apresenta, nesses casos, estruturas anormais como, por exemplo, estrias largas e profundas. - Esôfago: câncer do esôfago é uma possível consequência do abuso prolongado de álcool. O etanol é tóxico para as células da parede esofágica, aumentando a probabilidade de tumores. - Coração: altas doses de bebidas alcoólicas produzem aumento de pressão sanguínea, o que acarreta deposição de gordura e aumento de tamanho dos órgãos. Ataques cardíacos e morte podem ocorrer. - Fígado: o fígado é o principal órgão responsável pela metabolização do álcool. A ingestão prolongada de álcool pode conduzir à cirrose hepática, que leva à falha no funcionamento do fígado e à morte. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 88 - Ascite: o fluido produzido pelo fígado lesado preenche o abdome. - Estômago e Pâncreas: o etanol é tóxico para as células do estômago e pode conduzir à inflamação desse órgão (gastrite), com dor e hemorragia. Abuso de álcool também conduz à inflamação do pâncreas, que pode evoluir para falha pancreática e até morte. ANESTÉSICOS GERAIS São depressores do sistema nervoso central que produzem anestesia geral. Esta corresponde à abolição, de forma previsível e reversível, de percepção de sensações e de estado de consciência. A anestesia geral envolve a combinação dos seguintes elementos: inconsciência, amnésia, analgesia, relaxamento muscular e bloqueio de respostas neuro-humorais ao estresse anestésico-cirúrgico. Porém, nem sempre a presença de todos é necessária, nem com a mesma intensidade. Os anestésicos gerais classificam-se em agentes de inalação e intravenosos, usados em indução (estabelecimento do estado de inconsciência) e manutenção (preservação da perda de consciência e de adequados níveis de analgesia, relaxamento muscular e bloqueio de reflexos neurovegetativos) anestésicas. As necessidades decorrentes de cada procedimento anestésico-cirúrgico habitualmente levam à administração concomitante de anestésicos de inalação e intravenosos em indução e manutenção da anestesia, permitindo manuseio mais preciso e seguro das condições do paciente e favorecendo uso de menores doses, com redução de toxicidade. Efeitos da anestesia geral Em baixas doses: amnésia, euforia, analgesia, hipnose, excitação, hiperreflexia. Em altas doses: sedação profunda, relaxamento muscular, resposta motora diminuída, diminuição das respostas autônomas, proteção miocárdica contra isquemia, depressão cardiovascular/respiratória, hipotermia, náuseas, êmese e até mesmo ocasionando a morte na proporção de 1 : 250.000. ESTIMULANTES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Os medicamentos estimulantes centrais podem atuar em diferentes regiões do sistema nervoso central (SNC), sendo classificados de acordo com o local em que atuam de maneira predominante e, muitas vezes, até mesmo específica, em três grandes grupos: • Estimulantes corticais; • Estimulantes bulbares; • Estimulantes medulares. • Estimulantes Corticais Os fármacos deste grupo atuam de forma preponderante sobre os centros superiores. Nesta categoria encontramos a anfetamina e seus respectivos derivados e as metilxantinas (cafeína, teofilina, teobromina) e seus derivados. Causam, em graus distintos, alterações comportamentais; podem levar a excitação e euforia, reduzir a sensação de fadiga e aumentar a atividade motora. Anfetamina e derivados Este grupo de fármacos, na medicina humana, é utilizado no tratamento da obesidade, pois é inibidora do apetite. Além de inibir o apetite, as anfetaminas também podem, em certa dosagem, provocar um estado de excitação e sensação de poder. Seu uso foi popularizado durante a Segunda Guerra Mundial, na década de 50, para combater a fadiga causada pelo combate. O uso deste fármaco passou a ser comum entre os jovens. Conhecida entre eles como “bolinha” ou “rebite”, deixam o indivíduo “ligado”. A partir da década de 1970, iniciou-se o controle da comercialização, pois as anfetaminas passaram e ser consideradas drogas psicotrópicas, sendo, deste modo, ilegal seu uso sem acompanhamento médico adequado. As anfetaminas e seus derivados são simpatomiméticos de ação indireta. Inicialmente, produzem seus efeitos por liberar catecolaminas da terminação nervosa pré-sináptica, dentre outros mecanismos adicionais. Além disso, interagem com receptores de catecolaminas e têm uma pequena ação inibitória Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 89 da monoamina oxidase (MAO), especialmente a MAO-A, caracterizada por apresentar preferência pela serotonina. Por serem poderosos estimulantes do SNC, quando utilizados como droga de abuso, causam dependência física e psíquica. A remoção abrupta de tratamento prolongado resulta em depressão e, o uso continuado, psicose anfetamínica. Os mecanismos tóxicos destas substâncias envolvem a produção de radicais livres, os quais lesionam os neurônios do sistema nervoso central. Neste aspecto, a anfetamina e seus derivados exercem efeitos importantes sobre a função mental e o comportamento, e podem até produzir neurodegeneração. Metilxantinas e derivados As substâncias derivadas das xantinas são: cafeína, teofilina e teobromina, encontradas naturalmente em alimentos ou bebidas como o café, o chá, o chocolate e certos tipos de refrigerantes de sabor cola. São rapidamente absorvidas pelo organismo, após administração oral, parenteral e retal. Existem evidências de que este grupo de fármacos são antagonistas competitivos de receptores da adenosina, em contraposição a outras possíveis ações observadas com doses mais altas, como a translocação do cálcio, a inibição da fosfodiesterase ou a liberação de neurotransmissores, especialmente a noradrenalina. A teofilina apresenta grande importância no tratamento da asma, na doença pulmonar obstrutiva crônica, além de funcionar como estimulante do SNC. A cafeína é encontrada em certas plantas e utilizadapara o consumo em bebidas, na forma de infusão, como estimulantes. Dentre as três substâncias do grupo das xantinas, esta é a que mais atua sobre o SNC. Atua ainda sobre o metabolismo basal e eleva a síntese de suco gástrico. Doses terapêuticas dessa substância aumentam a capacidade de trabalho do músculo cardíaco, além de causar vasodilatação periférica. A teobromina, substância normalmente encontrada no fruto do Theobroma cacao, estando, portanto, normalmente presente no chocolate. Este é indicada para o tratamento de edema, ataques de angina sifilítica e angina degenerativa. Atualmente, esta substância é utilizada como vasodilatador, que auxilia na liberação da urina e estimulação do coração. Esta causa menor impacto no SNC. Mesmo que a teobromina não seja uma substância que leve ao vício, foi incriminada como causadora do vício em chocolate, pois este alimento afeta os níveis de serotonina. A teobromina pode causar efeitos colaterais como: insônia, tremores, inquietude, ansiedade, elevar a excreção de urina. Também pode causar perda de apetite, náuseas e vômitos. Estimulantes Bulbares São medicamentos que apresentam ações estimulantes nos centros bulbares, especialmente no centro respiratório e, em num segundo momento, no centro vasomotor, levando à exacerbada excitabilidade reflexa e, em doses maiores, convulsões. Também são chamados de analépticos. Atuam sobre o centro respiratório, elevando a ventilação pulmonar, efeito mais potente quando ocorre depressão deste centro pelo uso de barbitúricos, hidrato de cloral, entre outros. Nesta categoria estão englobados o doxapram, a niquetamida, o amifenazol, o etamivam, a picrotoxina e o pentilenotetrazol. Estimulantes medulares São fármacos que estimulam de preponderante a medula espinhal. O principal representante desta categoria é a estricnina, um alcalóide oriundo da planta Strychnus nux vomica. A estricnina age de forma indireta, inibindo seletivamente a neurotransmissão inibitória, o que leva ao aumento da atividade neuronal e aumento exagerado da atividade sensorial de todo o SNC. É um bloqueador de receptores da glicina, mediador dos neurônios medulares, causando hiperpolarização dos motoneurônios e inibindo as células de Renshaw, responsáveis pela condução seletiva de impulsos excitatórios alternados para músculos antagônicos. Além disso, em doses elevadas, a estricnina é também um inibidor da liberação do GABA, que é um dos principais neurotransmissores inibitórios do SNC. Este é um dos estimulantes centrais mais poderosos. Causa convulsões tônicas e simétricas em toda a musculatura esquelética, sendo estes efeitos desencadeados por estímulos ambientais. Texto adaptado de MELDAU, D. C. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 90 NEUROLÉPTICOS Os antipsicóticos ou neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, a qual pode encontrar-se aumentada em estados, por exemplo, de excitação e de agitação. Paralelamente eles atenuam também os sintomas neuropsíquicos considerados psicóticos, tais como os delírios e as alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente nas células nervosas que regulam os processos psíquicos no ser humano e a conduta em animais. Os neurolépticos são drogas lipossolúveis e, com isso, têm facilitada sua absorção e penetração no Sistema Nervoso Central. Os antipsicóticos têm sua primeira passagem pelo fígado, portanto, sofrem metabolização hepática. A grande maioria dos neurolépticos possui meia vida longa, entre 20 e 40 horas, e esse conhecimento é importante na medida em que permite prescrição em uma única tomada diária. Outra consequência desta meia vida longa é o fato de demorar aproximadamente cinco dias para se instalar estado estável da droga no organismo. Por causa disso, o uso contínuo dos antipsicóticos resulta num acúmulo progressivo no organismo, até que o nível se estabilize depois de alguns dias. O equilíbrio ideal seria atingir uma situação onde a quantidade absorvida seja igual à excretada. Neste momento ocorre chamado de Equilíbrio Plasmático. Mecanismo de Ação Apesar dos neurolépticos tradicionais bloquearem ora os receptores adrenérgicos, serotoninérgicos, ora os receptores colinérgicos e histaminérgicos, todos eles têm em comum a ação farmacológica de bloquear os receptores dopaminérgicos. É em relação a estes últimos que os estudos têm demonstrado os efeitos clínicos dos neurolépticos. O bloqueio dos outros receptores, além dos dopaminérgicos, estaria relacionado mais aos efeitos colaterais da droga do que aos terapêuticos. Atualmente, uma das hipóteses mais aceitas como sendo relacionadas na patogenia da esquizofrenia fala de uma combinação de hiperfunção da dopamina e hipofunção dos glutamatos no sistema neuronal, juntamente com um envolvimento pouco esclarecido dos receptores da serotonina (5HT2) e um balanço entre esses receptores com os receptores dopamínicos (D2). Os receptores da dopamina mais conhecidos são o D1 e o D2 (ambos pós-sinápticos), além dos receptores localizados no corpo do neurônio dopamínico e no terminal pré-sináptico. A atividade terapêutica dos antipsicóticos parece estar relacionada, principalmente, com o bloqueio da dopamina nos receptores pós-sinápticos do tipo D2. Os antipsicóticos tradicionais, tais como a Clorpromazina e o Haloperidol, são eficazes em mais de 80% dos pacientes com esquizofrenia, atuando predominantemente nos sintomas chamados produtivos ou positivos (alucinações e delírios) e, em grau muito menor, nos chamados sintomas negativos (apatia, embotamento e desinteresse). Duas vias, mesolímbicas e mesocorticais, são as envolvidas nos efeitos terapêuticos dos antipsicóticos. As vias mesolímbicas e mesocorticais confundem-se anatomicamente e ambas se originam no segmento ventral do mesencéfalo. A via mesolímbica inerva diversos núcleos subcorticais do Sistema Límbico: amígdala, núcleo acumbens, tubérculo olfatório e o septo lateral. A via mesocortical tem suas terminações sinápticas localizadas no córtex frontal, na parte anterior do giro do cíngulo e no córtex temporal medial. As primeiras suspeitas de que este era o sítio da atuação terapêutica surgiram pela observação da semelhança sintomatológica entre determinadas patologias dos lobos frontais e temporais com a esquizofrenia, além da notável importância do sistema límbico nas emoções e na memória. A dopamina liberada próxima aos capilares da circulação porto-hipofisária chega à hipófise anterior e acaba, dentre outros efeitos, por aumentar a liberação secundária de prolactina. Mais um efeito colateral indesejável. A hipotensão, sedação e tontura, efeitos colaterais comuns aos neurolépticos tradicionais, normalmente acontecem devido à capacidade desses medicamentos bloquearem também os receptores alfa-adrenérgicos. Efeitos Colaterais Entre os efeitos colaterais provocados pelos neurolépticos, o mais estudado é o chamado Impregnação Neuroléptica ou Síndrome Extrapiramidal. Essa situação é o resultado da ação do medicamento na via nigro-estriatal, onde parece haver um balanço entre as atividades dopaminérgicas e colinérgicas. Desta forma, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos provocará uma supremacia da atividade colinérgica e, Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 91 consequentemente, uma liberação dos sintomas ditos extrapiramidais. Estes efeitos colaterais, com origem no Sistema Nervoso Central, podem ser divididos em cinco tipos: 1 - Reação Distônica Aguda Este sintoma extrapiramidal ocorre com frequência nas primeiras 48 horas de uso de antipsicóticos, portanto, é uma das primeiras manifestações de impregnação pelo neuroléptico. Clinicamente se observam movimentos espasmódicos da musculatura do pescoço, boca, língua e às vezes um tipo crise oculógira, quando os olhos são forçadamente desviados para cima. A possibilidadedessa Reação Distônica deve estar sempre presente nas hipóteses de diagnóstico em prontos-socorros, para diferenciá-la dos problemas neurológicos circulatórios. O tratamento desse efeito colateral é feito à base de anticolinérgicos injetáveis intramusculares (Biperideno - Akineton®, por exemplo), e são sempre eficazes em poucos minutos. 2 - Parkinsonismo Medicamentoso Esse tipo de impregnação geralmente acontece após a primeira semana de uso dos antipsicóticos. Clinicamente há tremor de extremidades, hipertonia e rigidez muscular, hipercinesia e fácies inexpressiva. O tratamento com anticolinérgicos ou antiparkinsonianos é igualmente eficaz. Para prevenir o aparecimento desses desagradáveis efeitos colaterais muitos autores preconizam o uso concomitante ao antipsicótico de antiparkinsonianos (Biperideno - Akineton®) por via oral. Muitas vezes, pode haver desaparecimento de tais problemas após 3 meses de utilização dos neurolépticos, como se houvesse uma espécie de tolerância ou adaptação ao seu uso. Esse fato favorece uma possível redução progressiva na dose do antiparkinsoniano que comumente associamos ao antipsicótico no início do tratamento. Alguns autores preferem utilizar os antiparkinsonianos apenas depois de constatada a existência de efeitos extrapiramidais, entretanto, em nossa opinião essa não é a melhor prática. Sabendo antecipadamente da cronicidade do tratamento com neurolépticos e, principalmente, sendo as doses empregadas um pouco mais incisivas, será quase certa a ocorrência desses efeitos colaterais. Já que o paciente deverá utilizar esses neurolépticos por muito tempo, é desejável que tenham um bom relacionamento com eles. Ora, nenhum paciente aceitará de bom grado um medicamento capaz de fazê- lo sentir-se mal, como é o caso dos efeitos extrapiramidais. 3 - Acatisia A Acatisia ocorre, geralmente, após o terceiro dia de medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos como a Ração Distônica Aguda e o Parkinsonismo Medicamentoso, e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento antipsicótico com aquele medicamento e com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com frequência é necessária a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece, normalmente deve-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos ou de última geração. 4 - Discinesia Tardia Como o próprio nome diz, a Discinesia Tardia aparece após o uso crônico de antipsicóticos (geralmente após 2 anos). Clinicamente é caracterizada por movimentos involuntários, principalmente da musculatura oro-língua-facial, ocorrendo protusão da língua com movimentos de varredura latero-lateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos. A Discinesia Tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora em alguns casos possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou, paradoxalmente, aumentando-se a dose anteriormente utilizada. Procedimento questionável do ponto de vista médico. É importante sublinhar que, embora alguns estudos mostrem uma correlação entre o uso de antipsicóticos e esta síndrome, ainda não existem provas conclusivas da participação direta destes medicamentos na etiologia do quadro discinético. Alguns autores afirmam que a Discinesia Tardia é própria de alguns tipos de esquizofrenia mais deteriorantes. Tem sido menos frequente a Discinesia Tardia depois do advento dos Antipsicóticos Atípicos ou de última geração. 5 - Síndrome Neuroléptica Maligna Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 92 Trata-se de uma forma raríssima de toxicidade provocada pelo neurolépticos. É uma reação adversa dependente mais do agente agredido que do agente agressor, tal como uma espécie de hipersensibilidade à droga. Clinicamente se observa um grave distúrbio extrapiramidal acompanhado por intensa hipertermia (de origem central) e distúrbios autonômicos. A Síndrome Neuroléptica Malígna leva a óbito numa proporção de 20 a 30% dos casos. Os elementos fisiopatológicos desta síndrome são objeto de preocupação de pesquisadores e não há, até o momento, nenhuma conclusão sobre o assunto, nem se pode garantir, com certeza, ser realmente uma consequência dos neurolépticos. Além dos efeitos adversos dos neurolépticos tradicionais sobre o Sistema Nervoso Central, são observados reflexos de sua utilização em nível sistêmico. São seis as principais ocorrências colaterais: 1 - Efeitos Autonômicos Por serem, os antipsicóticos, drogas que desequilibram o sistema dopamina-acetilcolina, em algumas situações podemos encontrar efeitos colinérgicos, em outros efeitos anticolinérgicos. É o caso da secura da boca e da pele, constipação intestinal, dificuldade de acomodação visual e, mais raramente, retenção urinária. 2 - Cardiovasculares Alguns neurolépticos podem produzir alterações eletrocardiográficas, como por exemplo, um aumento do intervalo PR, diminuição do segmento ST e achatamento de onda T. Estas alterações são benignas e não costumam ter significado clínico. Das alterações cardiovasculares a mais comum é a hipotensão (postural ou não) a qual, como dissemos, decorre do bloqueio alfa-adrenérgico proporcionado por essas drogas. Na maioria das vezes a hipotensão desencadeada pela utilização de neurolépticos tradicionais proporciona apenas um certo incômodo ao paciente, entretanto, nos casos com comprometimento vascular prévio, como nas arterioscleroses, poderá precipitar um acidente vascular cerebral isquêmico, isquemia miocárdica aguda ou traumatismos por quedas. 3 - Endocrinológicos A ação dos neurolépticos no sistema túbero-infundibular repercute na hipófise anterior produzindo distúrbios hormonais. Embora incomum, esses antipsicóticos tradicionais podem produzir amenorréia (parada das menstruações) e, menos frequente, galactorréia (secreção de leite) e ginecomastia (aumento da mama). Todos esses efeitos são decorrentes das alterações na síntese de prolactina, ou seja, da hiperprolactinemia. Há também referências de alterações nos hormônios gonadotróficos e do crescimento, porém, ainda não há consenso conclusivo sobre isso. 4 - Gastrintestinais Tendo em vista a ação nos mecanismos da acetilcolina, os neurolépticos tradicionais podem ter boa ação antiemética. A constipação intestinal e boca seca também podem ser observadas durante o tratamento, como consequência dos efeitos anticolinérgicos. 5 - Oftalmológicos Embora raras, duas síndromes oftálmicas podem ser descritas com a utilização dos antipsicóticos tradicionais. A primeira pode ocorrer com uso da Clorpromazina em altas doses, e é consequência do depósito de pigmentos no cristalino. A segunda, com o uso de altas doses de Tioridazina, causando uma retinopatia pigmentosa. 6 - Dermatológicos Com uma incidência de 5 a 10% podemos encontrar o aparecimento de um rash cutâneo, foto- sensibilização e aumento da pigmentação nos pacientes em uso de Clorpromazina. Tipos de Antipsicóticos Os antipsicóticos podem ser divididos em três grupos: 1. Antipsicóticos Sedativos 2. Antipsicóticos Incisivos 3. Antipsicóticos Atípicos e de última geração ANSIOLÍTICOS. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 93 Existem medicamentos capazes de atuar sobre a ansiedade e tensão. Estas drogas foram chamadas de tranquilizantes, por tranquilizar a pessoa estressada, tensa e ansiosa. Atualmente, estes tipos de medicamentos são denominados de ansiolíticos, ou seja, que "destroem" (lise) a ansiedade. Quando falamos deimprevisível que não está relacionado à principal ação do fármaco. Medicamentos Placebos - São substâncias ou preparações inativas, administradas para satisfazer a necessidade psicológica do paciente de tomar drogas. Medicamentos Homeopáticos: são preparados a partir de substâncias naturais provenientes dos reinos animal, vegetal e mineral, e não apenas plantas como muitos acreditam. Origem dos medicamentos: Segundo a sua origem os medicamentos podem ser: Naturais: extraídos de órgãos, glândulas, plantas ou peçonhas de animais. Ex: Insulinas Sintéticos: preparados com o auxílio de matéria-prima natural, são resultados exclusivamente do trabalho de laboratórios. Ex: alguns antibióticos. Semissintético: resultam de alterações produzidas em substâncias naturais, com a finalidade de modificarem as características das ações por elas exercidas. Ação dos medicamentos: Os medicamentos agem no organismo vivo sob várias maneiras, produzindo efeito ou ação. Ação Local: Aquele que exerce seu efeito no local da aplicação. Pele: Através da aplicação direta. (aplicação de pomada em uma ferida). Corrente Sanguínea: contaste radiológico. Mucosa: Supositório retal, aplicação vaginal ou instilação na conjuntiva. Tipos de ação local. a) Antisséptico: Impede o desenvolvimento de microrganismos. Ex: álcool iodado, clorexidina. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 6 b) Adstringente: Medicamento que contrai o tecido. Ex: loção para fechar os poros. c) Irritante: Medicamentos que irritam os tecidos. d) Paliativo: Aplicado no local para alívio da dor. e) Emoliente: Lubrifica e amolece o tecido. f) Anestésico: Paralisa as terminações nervosas sensoriais. Ação Geral ou Sistêmica: para produzir um efeito geral, é necessário que o remédio caia na corrente sanguínea, pois através dela o medicamento atinge o órgão ou tecido sobre o qual tem ação específica. Tipos de ação geral ou sistêmica a) Estimulante: aumentam a atividade de um órgão ou tecido. EX: Cafeína estimula o SNC. b) Depressor: diminuem as funções de um tecido ou órgão Ex.: Morfina deprime o SNC. c) Cumulativo: medicamento cuja a eliminação é mais lenta do que sua absorção, e a concentração do mesmo vai aumentando no organismo. Ex.. Digitalina d) Anti-infecioso: Capaz de destruir os microrganismos responsáveis por uma infecção. e) Antagônicos: Quando as duas ou mais substâncias administradas têm efeito contrário. Ação Remota: Ocorre em partes distantes do organismo. Uma droga pode estimular um órgão que por sua vez estimula outro (digitalina = coração – aumenta a circulação = maior atividade diurética). Ação Local Geral: Uma droga aplicada poderá produzir um efeito local, ser absorvida e provocar um efeito geral. Ex: epinefrina aplicada na mucosa nasal = estanca a hemorragia = absorção da corrente circulatória = aumento da pressão arterial. Formas de Apresentação dos Medicamentos: Os medicamentos são apresentados no mercado nos seguintes estados: sólido, líquido e gasoso. Sólido: a) Comprimidos: possuem consistência sólida e formato variável. São obtidos pela compreensão em moldes da substância medicamentosa. b) Pó: Deve ser tomado em colheradas ou é acondicionado em saches. (fluimicil) c) Drágeas: O princípio ativo está no núcleo da drágea, contendo revestimento com goma-laca, açúcar e corante. São fabricados em drágeas os medicamentos que não devem ser administrados em forma de comprimidos, por apresentarem: sabor desagradável, exigem absorção no intestino, medicamentos que atacam a mucosa e/ou que devem ser deglutidos com facilidade. d) Cápsulas: O medicamento está revestido por um invólucro de gelatina para eliminar sabor desagradável, facilitar a deglutição e/ou facilitar a liberação do medicamento. e) Pastilhas: É um preparado sólido, de forma circular com o princípio ativo unido com açúcar e uma mucilagem para que a dissolução seja lenta na cavidade oral. f) Enema, clister, enteroclisma, lavagem ou irrigação: Sua composição varia de acordo com a indicação. g) Supositórios: óvulos ou lápis - tem formato cônico ou oval, destina-se à aplicação retal, pode ter ação local ou sistêmica. h) Pomadas: Formas pastosas ou semissólidas constituídas de veículos oleosos, o princípio ativo é o pó. i) Cremes: São exclusivamente para uso tópicos, na epiderme (com ação epidérmica, endodérmica), vaginais e retais. Líquidos: a) Soluções: mistura homogênea de líquidos ou de um líquido e um sólido. b) Xarope: Solução que contém dois terço de açúcar. c) Elixir: São preparações líquidas, hidroalcoólicas; açucaradas ou glicerinada, destinadas ao uso oral, contendo substâncias aromáticas e medicamentosas. d) Emulsão: Preparação feita de dois líquidos, óleo e água. e) Colírios: Soluções aquosas para uso na mucosa ocular. Gasosos: a) Gás: Oxigênio, carbogênio... b) Aerossol: com aerolin spray. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 7 Fatores que Modificam a Dosagem 1- IDADE 2- SEXO 3- CONDIÇÕES DO PACIENTE 4- FATORES PSICOLÓGICOS 5- FATORES AMBIENTAIS 6- TEMPERATURA 7- MÉTODO DE ADMINISTRAÇÃO 8- FATORES GENÉTICOS 9- PESO CORPORAL COMUNS UTILIZADAS EM PRESCRIÇÕES MÉDICAS ACM:.......................................................a critério médico AP/AMP .................................................................. ampola Cáp .........................................................................cápsula Ca ............................................................................. cálcio Col ............................................................................ colírio CP/comp ......................................................... comprimido Cpm .......................................conforme prescrição médica CR ............................................................................ creme DG .......................................................................... drágeas ENV ....................................................................... envelope EV ..................................................................... endovenoso FL ......................................................................... flaconete FR ............................................................................. frasco g ............................................................................... grama Gt/gts ......................................................................... gotas h ................................................................................ horas IM ................................................................. intra muscular IV ..................................................................... intra venoso KCI ........................................................ cloreto de potássio kg ...................................................................... quilograma L .................................................................................... litro mcg .................................................................. micrograma mEq .............................................................. miliequivalente mg........................................................................ miligrama Mg......................................................................... magnésio min. ........................................................................... minuto mL............................................................................. mililitro NaCI .......................................................... cloreto de sódio NPT ............................................... nutrição parenteral total PM .......................................................................... pomada seg .......................................................................... segundo S/N ................................................................. se necessário SC ......................................................................ansiolíticos estamos falando, praticamente, dos Benzodiazepínicos. De longe, os Benzodiazepínicos são as drogas mais usadas em todo o mundo e, talvez por isso, consideradas um problema da saúde pública nos países mais desenvolvidos. Os benzodiazepínicos são capazes de estimular no cérebro os mecanismos que normalmente equilibram estados de tensão e ansiedade. Ultimamente as pesquisas têm indicado a existência de receptores específicos para os Benzodiazepínicos no Sistema Nervoso Central (SNC), sugerindo a existência de substâncias endógenas (produzidas pelo próprio organismo) muito parecidas com os benzodiazepínicos. Tais substâncias seriam uma espécie de "benzodiazepínicos naturais", ou mais precisamente, de "ansiolíticos naturais". Aparentemente o efeito ansiolítico dos Benzodiazepínicos está relacionado com um sistema de neurotransmissores chamado gabaminérgico do Sistema Límbico. O ácido gama-aminobutírico (GABA) é um neurotransmissor com função inibitória, capaz de atenuar as reações serotoninérgicas responsáveis pela ansiedade. Os Benzodiazepínicos seriam, assim, agonistas (simuladores) deste sistema agindo nos receptores gabaminérgicos. Assim, quando, devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas do cérebro funcionam exageradamente, resultando num estado de ansiedade, os benzodiazepínicos exercem um efeito contrário, isto é, inibem os mecanismos que estavam funcionando demais e a pessoa fica mais tranquila e menos responsiva aos estímulos externos. Como consequência desta ação, os ansiolíticos produzem uma depressão da atividade do nosso cérebro que se caracteriza por: 1) diminuição de ansiedade; 2) indução de sono; 3) relaxamento muscular; 4) redução do estado de alerta. É importante notar que os efeitos dos benzodiazepínicos podem ser fortemente aumentados pelo álcool, e a mistura álcool + benzodiazepínico pode ser prejudicial. Os Benzodiazepínicos são utilizados nas mais variadas formas de ansiedade e, infelizmente, sua indicação não tem obedecido, desejavelmente, determinadas regras básicas. Os Benzodiazepínicos são ansiolíticos e nada mais que isso, não são antineuróticos, antipsicóticos ou antiinsônia, como podem estar pensando muitos clínicos e pacientes. Naturalmente podemos nos valer dos Benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a causa básica da ansiedade ainda não estiver sendo prontamente resolvida. No caso, por exemplo, de um paciente deprimido e, simultaneamente ansioso, os Benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não estiver fazendo o efeito desejável. Trata-se, neste caso, de uma associação medicamentosa provisória e benéfica ao paciente. Entretanto, com a progressiva melhora do quadro depressivo não haverá mais razões clínicas para a continuação dos Benzodiazepínicos e/ou ansiolíticos. Efeitos Colaterais Do ponto de vista orgânico, os benzodiazepínicos são bastante seguros, pois são necessárias altas doses (20 a 40 vezes mais altas que as habituais) para trazer efeitos mais graves. Nessas doses pode haver hipotonia muscular, dificuldade grande para ficar de pé e andar, a hipotensão, perda da consciência (desmaio). Com doses maiores a pessoa pode entrar em coma e morrer. O principal efeito colateral dos ansiolíticos benzodiazepínicos é a sedação e sonolência, variável de indivíduo para indivíduo e de acordo com a dose do medicamento. Um aumento da pressão intraocular teoricamente pode ocorrer mas, na clínica, trata-se de raríssima observação. Os efeitos teratogênicos (malformações fetais) são ainda objeto de estudo, porém, tendo em vista sua utilização clínica durante décadas, permite-se uma indicação mais flexível do diazepam durante a gravidez. A prática clínica tem demonstrado que a dependência aos Benzodiazepínicos pode acontecer, mas não invariavelmente. A tendência do paciente em aumentar a dose dos Benzodiazepínicos para obter o mesmo efeito, ou seja, a tolerância, acontece mas não é o mais comum. Em relação a isso notamos, no mais das vezes, uma má utilização da droga. Isto é, em não sendo tratada a causa básica da ansiedade e está se tornando mais intensa, haverá maior necessidade da droga. Essa maior necessidade da droga decorrente do aumento da ansiedade não deve, de forma alguma, ser confundida com o fenômeno da tolerância aos sintomas de abstinência aos Benzodiazepínicos, Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 94 embora possa ser possível com alguns deles, o que observamos com mais frequência é o retorno dos sintomas psíquicos que promoveram sua indicação por ocasião de sua retirada. Isso pode, eventualmente, ser confundido com abstinência na expressiva maioria dos casos. Ora, se a situação psicoemocional que determinou a procura da droga não foi decididamente resolvida, mas apenas protelada, então, retirando-se o ansiolítico os sintomas voltarão. Isso não pode ser tomado como síndrome de abstinência. Em alguns poucos casos, de fato, observamos sintomas de abstinência. Estes ocorrem, predominantemente, com o Clonazepam e Lorazepam. Quando ocorre a síndrome de abstinência ao benzodiazepínico, esta tem início cerca de 48 horas após a interrupção da droga e os sintomas correspondem à ansiedade acentuada, tremores, visão turva, palpitações, confusão mental e hipersensibilidade a estímulos externos. Antes de confirmar o diagnóstico de síndrome de abstinência convém observar, como alertamos, se tais sintomas não são os mesmos que anteriormente levaram o paciente a iniciar o tratamento. Os casos de dependência aos Benzodiazepínicos relatados na literatura ou constatados na clínica se prendem, na grande maioria das vezes, ao uso muito prolongado e com doses acima das habituais. Há uma tendência atual em se considerar o fenômeno da dependência ao Benzodiazepínico, até certo ponto, mais dependente de traços da personalidade do que de alguma característica da droga. Antes de considerarmos a dependência, pura e simplesmente, devemos ter em mente que, se o Benzodiazepínico não foi bem indicado e estiver sendo usado como paliativo de uma situação emocional não resolvida, como atenuante de uma situação vivencial problemática, como corretivo de uma maneira ansiosa de viver, enfim, como um "tapa-buracos" para alguma circunstância existencial anômala, então a sua supressão colocará à tona a penúria situacional em que se encontra a pessoa, dando assim a falsa impressão de dependência ou até de síndrome de abstinência. Ansiolíticos Benzodiazepínicos disponíveis no Brasil Nome químico Nome comercial Alprazolam Apraz, Frontal, Tranquinal, Altrox Bromazepam Lexotam, Deptran, Somalium, Sulpam Buspirona** Ansitec, Bromoprim, Buspanil, Buspar Clobazam Frizium, Urbanil Clonazepam Rivotril, Clonotril Clordiazepóxido Psicosedim Cloxazolam* Olcadil, Elum Diazepam Diazepam, Noam, Valium, Ansilive, Kiatrium Lorazepam* Lorax, Lorium, Mesmerim *-ansiolíticos usados também como hipnóticos devido a grande sonolência e sedação. **- considerado ansiolítico não-benzodiazepínico ANOREXÍGENOS. Os anorexígenos, também conhecidos como anotéticos ou anomirineronéticos, são medicamentos usados para induzir a anorexia a base de anfetamina, ou seja, a aversão à comida. Assim, são usados como poderosos remédios para emagrecer há mais de 30 anos. Porém, além disso, causam inúmeros efeitos colaterais, muitas vezes prejudiciais à saúde física e mental. Sendo assim, conheça melhor os anorexígenos para optar em usá-los ou não. Remédios Anorexígenos Os remédios anorexígenos mais comuns são os que levam em suas fórmulas o mazindol, o femproporex e a anfepramona. Alguns dos mais conhecidos são o Delgar, o Desobesi-M, o Fagolipo, o Fluril, o Hipofagin S 75 e o Moderine. Porém, como causam muito mais malefícios que benefícios, foram retirados do mercado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2011. Sendo assim,sua venda é proibida, com ou sem receita médica. Efeitos Colaterais Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 95 São vários os efeitos colaterais causados pelos anorexígenos porque agem diretamente sobre o sistema nervoso central, aumentado a excitação, a concentração, a atividade autônoma e também, diminuindo o apetite. Alguns desses medicamentos ainda aumentam a liberação dos neurotransmissores serotonina e dopamina, o que aumenta ainda mais a agitação e a falta de apetite e de sono. Além disso, há outros efeitos maléficos como a alteração de humor constante, as tontura, a arritmia cardíaca, o vômito, a sudorese, a confusão mental, a hipertensão arterial, a taquicardia, a dor de cabeça, o calafrio, o enjoo, a ansiedade, a verborragia e a confusão mental. Com isso, muitos usuários tiveram quadros graves de hipertensão pulmonar e de problemas cardiovasculares que os levaram à morte. Isso levou a proibição da venda desses remédios na Europa e nos Estados Unidos. Em outros casos, a depressão e a síndrome do pânico foram instaladas após a supressão do medicamento, além do retorno ao peso inicial ou até mesmo ao ganho de mais quilos que antigamente. Por isso, os pacientes tornaram-se ainda mais deprimidos e menos autoconfiantes que com o seu uso, o que gerou a dependência química. Por fim, pessoas que usavam intensamente os anorexígenos e conseguiram parar, apresentaram sintomas de abstinência como lentidão, depressão, pesadelos, ansiedade, fissura interna, sonolência, agitação e cansaço. Contra Indicações O uso dos anorexígenos é contraindicado para todos os casos, mas principalmente para pessoas que tiveram doenças psicóticas, transtorno de ansiedade, epilépticos, hipertensos, crianças, idosos, gestantes e lactantes. Pacientes com hipertireoidismo, doenças cardiovasculares e com glaucoma também devem ficar longe desses remédios. Com tantos efeitos colaterais, o melhor modo de emagrecer é saudavelmente, ou seja, com muita atividade física e alimentação balanceada. Sendo assim, procure um endocrinologista ou um nutricionista para que possam formular o seu cardápio corretamente. Esse procedimento pode ser mais demorado, mas certamente fará com que você continue com saúde e com o corpo esbelto por muito mais tempo. ANTIDEPRESSIVOS. Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, consequentemente, melhorando o conforto emocional e o desempenho de maneira global. Acredita-se que o efeito antidepressivo se dê às custas de um aumento da disponibilidade de neurotransmissores no SNC, notadamente da serotonina (5-HT), da noradrenalina ou norepinefrima (NE) e da dopamina (DA), juntamente com a diminuição no número dos neurorreceptores e aumento de sua sensibilidade. Ao bloquearem receptores 5HT2 (da serotonina) os antidepressivos também funcionam como antienxaqueca. O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica se dá através do bloqueio da recaptação da noradrenalina e da serotonina no neurônio pré-sináptico ou ainda, através da inibição da Monoaminaoxidase (MAO), que é a enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores. Será, portanto, nos sistemas noradrenérgico o serotoninérgico do Sistema Límbico o local de ação das drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade. Dividindo os antidepressivos em 4 grupos: 1 - Antidepressivos Tricíclicos (ADT) 2 - Inibidores da Monoaminaoxidase (IMAO) 3 - Inibid. Seletivos de Recap. da Serotonina 4 - Antidepressivos Atípicos Antidepressivos Tricíclicos (ADT) O local de ação dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. Este aumento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na recaptação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos. Há também, com o uso prolongado dos ADT, uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2, cuja estimulação do tipo feedback inibiria a liberação de NE. Desta forma, quanto menor o número destes receptores, menor seria sua estimulação e, consequentemente, mais NE seria liberada na Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 96 fenda. Portanto, dois mecanismos relacionados à recaptação; um inibindo diretamente a recaptação e outro diminuindo o número dos receptores. Em relação à farmacocinética dos ADT, é muito importante saber que o período de latência para a obtenção dos resultados terapêuticos é em torno de 3-4 semanas. Normalmente os resultados terapêuticos são iniciados após um período mínimo de 15 dias de utilização da droga e, não raro, podendo chegar até 30 dias. Os ADT são potentes anticolinérgicos e, por esta característica, justificam-se alguns de seus efeitos colaterais. Infelizmente, enquanto os efeitos terapêuticos exigem um longo período de latência, o mesmo não acontece com os efeitos colaterais. Estes aparecem imediatamente após a ingestão da droga e são responsáveis pelo grande número de pacientes que abandonam o tratamento antes dos resultados desejados. Vem daí a importância da orientação ao paciente. A - Efeitos Colaterais 1 - Oftalmológicos Pode-se observar com certa frequência alguma dificuldade de acomodação visual dependendo da dose do ADT, fato que não é tão importante a ponto de obrigar uma interrupção no tratamento. Midríase (dilatação da pupila) também é uma ocorrência que pode ser observada, tratando-se de uma consequência dos efeitos anticolinérgicos dos ADT. 2 - Gastrintestinais Secura na boca ocorre em quase 100% dos pacientes em doses terapêuticas dos ADT. Embora incômoda, esse sintoma pode perfeitamente ser suportável e em casos mais severos podemos ter como consequência gengivite e mesmo glossite. Constipação intestinal também acontece em quase 100% das vezes e é resolvido com a mudança no hábito alimentar ou com a utilização de laxantes. 3 - Cardiocirculatórios Os ADT podem provocar, principalmente no início do tratamento, um aumento na frequência cardíaca, mas as taquicardias importantes são de ocorrência rara. Embora tenha havido grandes preocupações no passado em relação ao potencial disrítmico dos ADT, na realidade, hoje se constata que podem ter uma atuação até antiarrítmica, principalmente quando a arritmia é consequência de problemas emocionais. Outro efeito circulatório que pode molestar o paciente é a ocorrência de hipotensão postural, também perfeitamente suportável e que não exige mudança na posologia. 4 - Endocrinológico Alguns trabalhos apontam um aumento nos níveis de prolactina e, paradoxalmente, outros autores demonstram diminuição e outros ainda, níveis inalterados. A mesma disparidade encontramos em relação aos trabalhos sobre alterações dos hormônios tireoideanos. Em relação ao eixo hipófise-suprarrenal também não há nada conclusivo. A maioria dos autores concorda em que não há alterações neste sistema. Entretanto, parece ser relevante o aumento nos níveis de hormônio do crescimento com o uso de desipramina, um metabólito da imipramina. 5 - Geniturinário A retenção urinária pode ser observada, principalmente, em pacientes homens e portadores de adenoma de próstata. Embora deva ser dado mais atenção a estes pacientes, tal ocorrência não é contraindicação absoluta ao uso dos ADT. Com muita frequência encontramos disúria em ambos os sexos. Na esfera sexual podemos ter uma diminuição da libido, retardamento do orgasmo e mais raramente, anorgasmia (em ambos sexos). Como frequentemente na depressão a libido já se encontra diminuída ou até abolida, com a melhora do quadro afetivo pelos ADT o paciente notar comumente uma melhora desta função, ao contrário do que poderíamos esperar se considerarmos apenas os efeitos colaterais. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 97 6 - Sistema Nervoso Central A sedaçãoinicial e sonolência são encontradas no início do tratamento, diminuindo sensivelmente após os 6 primeiros dias. Em doses terapêuticas a insônia, agitação e aumento da ansiedade não são comuns de se observar. Em pacientes mais idosos podemos encontrar a chamada "síndrome anticolinérgica central" com agitação, confusão mental, delírios e alucinações. Daí considerar-se a utilização de doses menores em tais pacientes. Em pessoas predispostas podem ocorrer convulsões do tipo generalizadas devido ao fato dos ADT diminuírem o limiar convulsígeno. 7 - Alterações Gerais Tremores finos das mãos são observados com certa frequência e respondem muito bem aos betabloqueadores (Propranolol). Sudorese excessiva pode também incomodar o paciente mas não necessita cuidado especial. É comum um ganho de peso e, às vezes, os pacientes referem impulso para comer doce. Apesar disso os estudos controlados sobre o metabolismo dos glicídios não revelam maiores explicações. C - Intoxicação Sinais de intoxicação começam a aparecer quando a ingestão de ADT ultrapassa 500 mg/dia, porém, a dose letal e maior que isso: varia entre 1.800 e 2.500 mg (a dose terapêutica é de 75-150 mg/dia). Na intoxicação por ADT podemos encontrar agitação ou sedação, midríase, taquicardia, convulsões generalizadas, perda da consciência, depressão respiratória, arritmia cardíaca, parada cardíaca e morte. Tendo em vista a grande afinidade proteica dos ADT, sua eliminação por diálise ou diurese é muito difícil. Nos casos de intoxicação está indicado o uso de anticolinesterásicos (Prostigmina IM ou EV) e medidas de sustentação geral. D - Indicações Os ADT, em geral, estão indicados para tratamento dos estados depressivos de etiologia diversa: depressão associada com esquizofrenia e distúrbios de personalidade, síndromes depressivas senis ou pré-senis, distimia, depressão de natureza reativa, neurótica ou psicopática, síndromes obsessivo- compulsivas, fobias e ataques de pânico, estados dolorosos crônicos, enurese noturna (a partir dos 5 anos e com prévia exclusão de causas orgânicas). A Amitriptilina (Tryptanol®, Amytril®) está mais indicada também para os casos de ansiedade associados com depressão, Depressão com sinais vegetativos, Dor neurogênica, Anorexia e nos casos de dor crônica grave (câncer, doenças reumáticas, nevralgia pós-herpética, neuropatia pós-traumática ou diabética). A Maprotilina (Ludiomil®), embora seja descrito pelo fabricante como tetracíclico, não se justifica uma abordagem em separado dos tricíclicos. Tem melhor indicação na depressão de início tardio (involutiva ou senil), depressão na menopausa e na depressão por exaustão (esgotamento). Alguns autores indicam a maprotilina para os casos de Depressão Mascarada (denominação antiga da Depressão Atípica com Sintomas Somáticos). Também é útil na depressão com ansiedade subjacente, devido sua capacidade sedativa (como a Amitriptilina). A Nortriptilina é um antidepressivo tricíclico cujo mecanismo de ação é desconhecido. Inibe a ação de certos neurotransmissores, como a histamina, a serotonina e a acetilcolina, e aumenta o efeito pressor da noradrenalina, mas bloqueia o da fenetilamina. A indicação mais habitual para a nortriptilina é para as síndromes depressivas de diversas etiologias; a depressão endógena parece responder melhor que outros estados depressivos. Depressão reativa, neurose reativa, neurose depressiva, coadjuvante da terapêutica hormonal na síndrome do climatério, arritmia ventricular, incontinência urinária. Inibidores Seletivos de Recaptação da Serotonina (ISRS) O efeito antidepressivo dos ISRS parece ser consequência do bloqueio seletivo da recaptação da serotonina (5-HT). A fluoxetina foi o primeiro representante dessa classe de antidepressivos e ela tem um metabólito ativo, a norfluoxetina. Esse metabólito é o ISRS que se elimina mais lentamente do organismo. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 98 As doses dos ISRS, seja a fluvoxamina, sertralina, paroxetina, fluoxetina ou outros, devem ser individualizadas para cada paciente. A incidência de efeitos colaterais anticolinérgicos, anti-histamínicos e alfa-bloqueantes, assim como o risco de superdosagem é menor nos ISRS que nos chamados antidepressivos tricíclicos (ADT). Estes últimos, causam mais efeitos colaterais que os ISRS, mais intolerância digestiva (até 21 % dos pacientes podem experimentar náuseas, anorexia, boca seca), sudorese excessiva, temores, ansiedade, insônia. Por outro lado, a fluoxetina tem se associado a alguns casos de acatisia, especialmente quando a dose é muito alta, e a estimulação de SNC parece maior com a fluoxetina que com outros ISRS. A fluvoxamina também parece produzir mais intolerância digestiva, sedação e interações farmacológicas que outros ISRS. A paroxetina origina mais sedação (também a fluvoxamina), efeitos anticolinérgicos e extrapiramidais que outros ISRS. Tem-se relatado sintomas de abstinência com a supressão brusca do tratamento com a paroxetina e com a venlafaxima. ANTIDEPRESSIVOS ISRS Nome Químico Nome Comercial Fluoxetina Prozac, Daforim, Deprax, Fluxene, Nortec, Verotina Nefazodona Serzone Paroxetina Aropax, Cebrilim, Pondera, Benepax Sertralina Zoloft, Tolrest, Novativ, Assert Citalopram Cipramil, Procimax, Cittá Indicações Os ISRS estão indicados para o tratamento dos Transtornos Depressivos, Transtorno obsessivo- compulsivo (TOC), Transtorno do Pânico, Transtornos Fóbico-Ansiosos, neuropatia diabética, dor de cabeça tensional crônica e Transtornos Alimentares. Nos casos de Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, alguns fabricantes de ISRS não recomendam essas drogas, como é o caso, por exemplo, da orientação da Nafazodona (Serzone®). Outros, como é o caso da Paroxetina (Aropax®), já preconizam-na também para Episódios Depressivos maiores ou severos. Outros, como é o caso do Citalopram (Cipramil®, Procimax®, etc), recomendam a substância para o tratamento das depressões e do abuso do álcool. Precauções A fluoxetina tem ação anorexígena com uma discreta redução do peso corporal durante seu uso. Nos pacientes sensíveis pode ocorrer rash cutâneo, urticária, incluindo febre, leucocitose e artralgias, edema. Esses sintomas de hipersensibilidade são extremamente raros. Antidepressivos Atípicos São os antidepressivos que não se caracterizam como Tricíclicos, como ISRS e nem como Inibidores da MonoAminaOxidase (IMAOs). Alguns deles aumentam a transmissão noradrenérgica através do antagonismo de receptores a2 (pré-sinápticos) no Sistema Nervoso Central, ao mesmo tempo em que modulam a função central da serotonina por interação com os receptores 5-HT2 e 5-HT3, como é o caso da Mirtazapina. A atividade antagonista nos receptores histaminérgicos H1 da Mirtazapina é responsável por seus efeitos sedativos, embora esteja praticamente desprovida de atividade anticolinérgica. ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS Nome Químico Nome Comercial Fluvoxamina Luvox Mianserina Tolvon Mirtazapina Remeron Reboxetina Prolift Tialeptina Stablon Trazodona Donarem Venlafaxina Efexor Duloxetina Cymbalta Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 99 Bupropiona Welbutrin, Zetron, Bup Ecitalopram Lexapro Outros atípicos são inibidores da recaptação de Serotonina e Norepinefrina, alguns inibindo também, a recaptação de dopamina. É o caso da Venlafaxina, da Mirtazapina. Algumas dessas drogas também costumam reduzir a sensibilidade dos receptores beta-adrenérgicos, inclusive após administração aguda, o que pode sugerir um início de efeito clínico mais rápido. Também estão aqui os inibidores da recaptação da Norepinefrina (Noradrenalina), como é o caso da Riboxetina. Alguns atípicos, como é o caso da Tianeptina, embora sejam serotoninérgicos, não inibem a recaptação da Serotonina no neurônio pré-sináptico, mas, induzem sua recaptaçãopelos neurônios da córtex, do hipocampo e do Sistema Límbico. Amineptina, outro atípico, é uma molécula derivada dos tricíclicos mas seu mecanismo de ação é essencialmente dopaminérgico, enquanto que os outros antidepressivos tricíclicos são essencialmente noradrenérgicos e serotoninérgicos. As melhoras sintomáticas poderão ser observadas a partir do 3º ao 5º dias e sobre o sono REM a partir do 20º dia de tratamento em posologia suficiente. Antidepressivos IMAOs Os chamados antidepressivos Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO) promovem o aumento da disponibilidade da serotonina através da inibição dessa enzima responsável pela degradação desse neurotransmissor intracelular. A monoaminoxidase (MAO), é uma enzima envolvida no metabolismo da serotonina e dos neurotransmissores catecolaminérgicos, tais como adrenalina, noradrenalina e dopamina. Os antidepressivos IMAOs são inibidores da MAO e, havendo uma redução na atividade MAO, produz-se um aumento da concentração destes neurotransmissores nos locais de armazenamento, em todo o SNC ou no sistema nervoso simpático. Acredita-se que a ação antidepressiva dos IMAOs se correlacione também, e principalmente, com alterações nas características dos neurorreceptores, alterações essas no número e na sensibilidade desses receptores, mais até do que com o bloqueio da recaptação sináptica dos neurotransmissores, propriamente dita. Isso explicaria o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. ANTIDEPRESSIVOS IMAOs Nome Químico Nome Comercial Tranilcipromina Parnate, Stelapar Moclobemida Aurorix Selegilina Elepril, Jumexil Indicações para Antidepressivos As indicações para o uso dos antidepressivos veem, progressivamente, sofrendo ampliação, de acordo com o melhor entendimento sobre a participação dos elementos emocionais em outros transtornos médicos, além da própria depressão. A própria manifestação clínica polimórfica da depressão já recomenda o uso desses medicamentos para os casos onde essa alteração afetiva se manifesta atipicamente. Indicações Formais - Estados Depressivos - Estados Ansiosos (Pânico...) - Estados Fóbicos - Estados Obsessivo-Compulsivos - Anorexia - Bulimia Segundas Indicações - Estados Hipercinéticos - Somatizações - Ejaculação Precoce - Doenças Psicossomáticas - Enxaqueca Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 100 - Dores neurogênicas Para ilustrar o manejo com antidepressivos, poderíamos didaticamente compará-los com o os antialérgicos; não importa se a manifestação da alergia se dá através de rinite, bronquite, sinusite, urticária, dermatite, etc. Para todos esses casos, tendo como base da patologia uma reação alérgica, estariam indicados antialérgicos indistintamente. Hoje nós sabemos que uma série de manifestações emocionais teria uma base depressiva, portanto, objetos do tratamento com antidepressivos; é o caso, por exemplo, da Síndrome do Pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, etc. Nesses casos o próprio paciente pode não se sentir clinicamente deprimido mas o afeto depressivo (inseguro e pessimista) estaria na base da manifestação ansiosa. OPIÁCEOS Ópio O ópio, que significa suco, em grego, é um látex, obtido através da incisão feita nos bulbos da papoula branca (Papaver somniferum), conhecida popularmente como papoula do Oriente. Depois de seco, o látex é transformado em pó de ópio. No pó de ópio, extraído da papoula, existem várias substâncias com grande atividade, sendo que as mais conhecidas são a morfina e a codeína. É possível obter também outra substância, a heroína, fazendo pequena modificação química na fórmula da morfina. Estas substâncias todas são chamadas de drogas opiáceas ou simplesmente opiáceos, ou seja, oriunda do ópio. Elas podem ser opiáceos naturais, quando não sofrem nenhuma modificação (morfina, codeína), ou opiáceos semissintéticos, quando são resultantes de modificações parciais das substâncias naturais do ópio (heroína). Várias substâncias com ação semelhante à dos opiáceos são produzidas em laboratório: a meperidina, o propoxifeno e a metadona são alguns exemplos. Estas substâncias totalmente sintéticas são chamadas de opióides (isto é, semelhantes aos opiáceos). São chamados também de narcóticos, drogas hipnoanalgésicas ou analgésicos narcóticos. São, ainda, classificados como substâncias entorpecentes. O próprio nome da planta de onde é extraído o ópio – Papaver somniferum, que em latim significa papoula sonífera – dá uma ideia da sua ação no organismo. Ele age como depressor do sistema nervoso central (SNC) fazendo com que o cérebro funcione mais devagar. Todos os derivados do ópio, naturais ou sintéticos, têm ação anestésica, diminuindo ou suprimindo a dor, e esse é o propósito da sua utilização em medicamentos. Todas as drogas do tipo opiáceo ou opióide têm basicamente os mesmos efeitos no SNC: diminuem a sua atividade, produzindo analgesia e hipnose (fazem dormir). As diferenças existentes são com relação à quantidade necessária para produzir os mesmos efeitos, ou seja, se são mais ou menos eficientes. Para algumas drogas, a dose necessária para este efeito é pequena, ou seja, elas são muito potentes, como a morfina e a heroína. Outras necessitam de doses maiores para produzir os mesmos efeitos, como a codeína e a meperidina. Algumas drogas podem ter também uma ação mais específica, como a codeína, por exemplo, utilizada nos medicamentos para acalmar a tosse. O ópio e seus derivados levam facilmente à dependência, tanto física quanto psíquica. O organismo humano se torna tolerante a todas as drogas narcóticas, assim como as de outros tipos. Ou seja, como o dependente não consegue se equilibrar sem sentir os seus efeitos, ele precisa tomar cada vez doses maiores. Os opiáceos em geral podem causar grande depressão respiratória e cardíaca. Em doses maiores, o usuário pode perder a consciência e ficar com cor azulada (cianose) porque a respiração se torna muito fraca e não oxigena o sangue adequadamente; a pressão arterial cai e o sangue não consegue circular direito, ocasionando o estado de coma. Se não houver atendimento imediato, pode levar à morte. (Azevedo, 2002) ALUCINÓGENOS Com o nome de drogas alucinógenas denomina-se um conjunto de substâncias naturais ou sintéticas capazes de atuar sobre o sistema nervoso de uma forma ainda não muito bem conhecida. A classificação mais consensualmente aceita para tal classe de substâncias psicoativas foi proposta por Jean Delay que as classifica como Dislépticas (modificadoras) em oposição aos compostos moleculares ou moléculas cujo efeito pode ser considerado como Lépticos (estimulantes) e Analépticos (depressores). A utilização destas drogas com fins recreativos oferecem sérios riscos. Distorcem os sentidos e confundem o cérebro e afetam a concentração, os pensamentos e a comunicação. As drogas sintéticas, a exemplo do LSD, Anticolinérgicos e ecstasy Metilenodioximetanfetamina com um grau de pureza maior podem causar a Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 101 confusão da noção de tempo e de espaço e causar um efeito similar ao sonho e às psicoses. Observe- se porém que nem todas as drogas que causam alucinações são consideradas alucinógenos, a exemplo da clássica visão dupla induzida pela intoxicação alcoólica ou por grandes doses de café tal como recentemente se constatou e foi amplamente divulgado. As drogas alucinógenas, em Portugal, drogas alucinógenas, são assim chamadas por um de seus possíveis e mais relatados efeitos que é a propriedade de causar alucinações (falsas percepções) e visões irreais ou oníricas aos seus utilizadores. Outros nomes propostos também estão associados a efeitos atribuídos e relatados tais como: Psicotomiméticos e Psicotogênicos por induzir efeitos semelhantes à psicose (mais especificamente as alucinoses e alucinações) ou as causar; Psicodélicos por sua propriedadede fazer aparecer ou revelar a psique oculta; Enteógeno pelo reconhecimento antropológico de que tal classe de substâncias é frequentemente utilizado nas mais diversas culturas em rituais religiosos. Esse último efeito atribuído também decorre da associação dessas substâncias à capacidade de facilitar a concentração ou meditação também descrita como expansão da consciência. No conjunto de alterações da consciência detectáveis por medidas do eletroencefalograma (eeg) situa-se na faixa das frequências alfa - a ou “sonhos lúcidos” entre a vigília plena e sono. No plano das interpretações psicológicas ou psicanalíticas situa-se entre os fenômenos de modificação das emoções e personalidade, superficialmente descritas como uma relação entre o ego e o mundo exterior/interior, análogo as interpretações que se dá ao satori zen–budista, efeitos da yoga ou transe das religiões de possessão africanas, gregas, indígenas entre outras. Na descrição da categoria Psicodislépticos, Goodman & Gilman referem-se a efeitos estimulantes e depressores simultâneos em diferentes sistemas (circuitos) de neurotransmissores ou regiões do cérebro, incluem os anticonvulsivantes não barbitúricos e relaxantes da musculatura esquelética narcoanalgésicos e analgésicos e antitérmicos psicotogênicos. Plantas & Moléculas O inventário de plantas (e elementos ativos) com propriedades alucinógenas proposto por Hofmann (apud: Fontana) inclui: - Lophophora williamsii (mescalina) da América do Norte e Central; - Rivea corymbosa - (Ergina) México (América Central); - Amanita muscaria (Muscimol, ácido ibotênico). Europa, Irã e Ásia; - Psilocybe mexicana (Psilocina, Psilocibina) México A. Norte e Central; - Psilocybe cubensis (Psilocina, Psilocibina) México Américas; - Peganum harmala (harmina) da Ásia e América do Sul; - Banisteria caapi (Harmina, Harmalina) Amazônia / componente da Ayahuasca América do Sul; - Piptadenia peregrina (Anadenanthera peregrina e Anadenanthera colubrina (Dimetiltriptamina) Orenoco / América do Sul; A essa lista que originalmente inclui a Cannabis sativa (haxixe) da Ásia, acerca da qual existe grande controvérsia, assim como também é controversa a inclusão da muscarina – substância derivada do cogumelo Amanita muscaria. Quanto à ampliação dessa classificação, nesse grupo deve-se acrescentar um conjunto de outras plantas que contém a N,N-Dimetiltriptamina a saber: Psychotria viridis (Chacrona, Chacruna) utilizada em combinação com a B. caapi por diversos grupos indígenas da Amazônia a Virola calophylla (V. theidora, V. rufula, V. colophylla) o Epena também da Amazônia, a Jurema (Mimosa hostilis ou M. nigra) do nordeste brasileiro incluindo entre estas sapos do gênero Bufos (Bufo alvarius; Bufo marinus ou Cururu) que contém a bufotenina em suas secreções que por sua vez corresponde a uma variação molecular da dimetiltriptamina. Observe-se também que alguns autores discordam quanto a identidade da planta que seria o ololiuhqui dos astecas/toltecas e contém ácido lisérgico são comuns referências à Rivea coribosa e a Ipomoea violácea (glórias-da-manhã). Essa última também utilizada em preparados homeopáticos do tipo floral. Efeitos Colaterais Estudos antropológicos ou etno farmacológicos com resultados consistentes sobre a utilização ritual e efeito dessas plantas ainda são incipientes. Mesmo os estudos de psicofarmacologia ainda não produziram resultados definitivos. Os relatos de psicose são escassos e se contrapõe as frequências observadas nas populações que tradicionalmente fazem uso. Estima-se para a esquizofrenia, por Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 102 inquéritos epidemiológicos, uma incidência em torno de 1% em populações urbanas das diversas Américas. O mesmo pode ser dito quanto a segurança de uso para gestantes, ou seja, seu potencial mutagênico e teratogênico há referência à diminuição da quantidade mobilidade de espermatozoides e fertilidade feminina com o uso de maconha (Cannabis sativa) um planta que, para muitos autores, não deveria ser incluída nessa categoria de substâncias e há referências à efeito clastogênico (quebra de cromossomos) em pesquisa com LSD in vitro e aumento do número de abortos (Goth, Mota). Deve-se ressaltar que esses estudos são isolados e não há quaisquer estatísticas massivas para comprová-los. Mecanismos de ação A semelhança das substâncias psicodélicas (como recomendamos designá-las no lugar de alucinógenas) com a Serotonina (5-HT) e Noradrenalina (NA) tem sido a maior pista para explicação do seu efeito. O LSD e a Psilocibina tem em comum a semelhança o núcleo indoletilamina da 5-HT e a Mescalina é um derivado da feniletilamina que por sua vez figura na NA. Contudo por ciclização, isto é fechamento da cadeia lateral, a mescalina pode gerar um composto semelhante a 5-HT. Estudos bioquímicos do composto da B. caapi e P. viridis presentes na bebida dos remanescentes indígenas do império inca a Ayahuasca ou Hoasca como é conhecida no Brasil apontam uma interação entre os inibidores da monoamina-oxidase I-MAO e o composto indólico. A N,N-Dimetiltriptamina (DMT) foi sintetizada pela primeira vez em 1931 (Manzke), isolada de duas plantas distintas por investigadores independentes, em 1946 (Gonçalves) da Mimosa hostilis e em 1955 (Fish, Jonson and Horning) da Piptadenia peregrina. O efeito da Jurema, Chacrona e outras plantas podem ser atribuídos presença pode ser atribuída a presença da N,N-DMT ou N,N-dimethyltryptamine (C12H16N2). Estudando rapés epena (paricá) de uso mágico medicinal entre tribos do norte da amazônia (Tukano, Waika, Araibo, Piaroa e Surara) Holmsted e Lindgren (1967) revelaram a presença de triptaminas (5 Metoxi-N,N, Dimetiltriptamina [5Meo-DMT] e N,N-Dimetiltrptamina [DMT]) e, apenas em 1 amostra (o parica dos Piaroa da região do Orinoco da Venezuela), encontraram além do N,N-DMT, e 5-Meo-DMT a bufoteína 5-OH-DMT junto com o alcaloide beta-carbolínico harmina. Na época observaram que essa composição molecular de triptaminas e betacarbolinas atua sinergicamente para o efeito psicoativo “...as betacarbolinas são inibidoras da monoamina-oxidase e podem potencializar a ação de indóis simples.”... (Holmsted e Lindgren, 1967). Nessa concepção não basta a presença do anel indólico para se obter o efeito psicodélico ou psicodisléptico dos rituais xamânicos. Psicotomiméticos e serotonina LSD, Psilocibina e Mescalina, variam quanto ao tempo de ação, produzem tolerância e tolerância cruzada, não produzem dependência fisiológica, as duas últimas estão associadas a vômitos como efeito colateral. Esse último efeito pode estar relacionado a alta concentração de 5HT (90% do disponível no organismo) é encontrada nas células enterocromafins do trato gastrointestinal ou a uma ainda não bem conhecida interferência nos centros de vômito e postura do bulbo. Em grandes doses esse neuro-hormônio é sedativo, sua ação depressiva entretanto é bloqueada pela clorpromazina (Himwich). É antagonizado pelo LSD o que levou a elaboração de teorias serontoninérgicas sobre a esquizofrenia, contudo outros antagonistas da serotonina não são alucinógenos (himwich, Barron et all). Há pesquisas que diferenciam os efeitos do LSD e Psilocibina nos diversos receptores da 5-HT e estudos com pontes radioligantes e experimentos funcionais apontam para o efeito agonista dessa classe de substancias sobre a serotonina (receptores 5-HT1a e 5-HT2). Segundo Graeff o LSD combina-se também com receptores da Dopamina reforçando por sua vez as hipóteses dopaminérgicas da esquizofrenia, pois diversos agentes antipsicóticos antagonizam competitivamente com a dopamina. A depressão e os Distúrbios Obsessivos Compulsivos (DOC) também estão associados aos níveis de serotonina e ambos os quadros psicopatológicos tem sido tratados (farmacologicamente) de modo - nem sempre - eficiente com bloqueadores de recaptação sináptica (fluoxetina)que aumentam a serotonina ativa. O surgimento e a explosão de vendas de novos anti- depressivos/anti-psicóticos demonstram que há certo fracasso no tratamento de milhares de casos. Pesquisas neuroetológicas associam os níveis desse neurotransmissor ao comportamento de liderança e agressividade. As funções da serotonina e seus diversos sítios receptores, portanto permanecem como o grande enigma para explicação do efeito psicodélico. O sucesso da utilização de substâncias alucinógenas no tratamento de depressão, alcoolismo e outras drogadições tem explorado a Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 103 compreensão dos sistemas bioquímicos referidos além dos efeitos psicossociais do contexto (set) de sua utilização ritual. As drogas estão com força total atingindo a sociedade de maneira geral, não importando sexo, idade, profissão, classe social ou etnia. Ainda mais influente do que nos anos anteriores, a dependência física e psicológica das pessoas com relação às drogas, tornou-se algo comum principalmente entre os jovens. A maconha, cocaína, crack, entre outros tipos de drogas são muito mais usados nos dias de hoje, e mesmo com o esforço das autoridades para impedir o tráfico dessas substâncias químicas é praticamente impossível bloquear o comércio para uso dos viciados. O tabaco e o álcool também são considerados tipos de droga, porém são legalizados, por isso mais comum o seu uso. Há tempos atrás fumar era hábito de pessoas de nível social mais alto, sendo considerado um hábito elegante; o que atualmente já está sendo mais recriminado e dispensado pela geração mais nova que possui o pensamento e a personalidade diferente da geração anterior. Há discussões em alguns países com o objetivo de legalizar também a maconha, como a venda de cigarros. Há quem apoie a ideia de legalização dessa droga, pois relatam que esse seria um meio de diminuir o tráfico dela já que seria legalizada. Porém, esse argumento não convenceu totalmente a população, e há quem não concorde com a opinião da legalização da maconha. Quanto às outras drogas, permanecem longe de serem legalizadas, pois são alucinógenos e causam consequências bem mais graves do que o tabaco, o álcool e a maconha, assim não seria possível a discussão de legalização desses outros tipos de drogas em qualquer país. Existem inúmeros casos de mortes causadas por overdose, muitos dos envolvidos nessa vida de dependência acabam morrendo por violência. A violência é uma das principais causas trazidas pela droga. Quem se envolve com esse tipo de assunto, dificilmente consegue sair depois que se arrepende, pois os envolvidos são pessoas de baixo nível psicológico e muitas vezes acabam em situações trágicas, além da dependência ser extremamente forte sendo praticamente insuperável. Por isso muitas pessoas afirmam que uma vez envolvido nas drogas, permanecerá para a vida toda. Obviamente há exceções de casos de pessoas que conseguiram se recuperar em clínicas especializadas para esse objetivo, tratamento com psicólogos, enfim, diversos recursos de ajuda que possibilitam a recuperação do paciente viciado em drogas, mas são casos raros de pessoas que realmente tem vontade e se esforçam para isso. A maioria da população que se envolve, acabam em presídios, sem estudos, sem profissão permanente, sem amigos, sem família e muitas vezes o resultado disso é uma séria doença ou a própria morte por meio da violência. Segundo o promotor de Justiça, César Danilo Ribeiro de Novais, vivemos em tempos terríveis. Dentre os males que assolam nossa sociedade, a droga figura como um de seus grandes expoentes. Esse mal atinge a humanidade principalmente de quatro formas: - a pessoa-usuária, que vive amarrada a um sistema de criminalidade para adquirir a droga, substância destruidora de sua própria saúde; - a família da pessoa usuária, que, dia após dia, é carcomida pelo sofrimento de acompanhar um ente querido destruir paulatinamente a própria vida, em razão de sua dependência química; - o Estado, por assistir sua autoridade sendo afrontada e confrontada pela ação dos traficantes; - a sociedade, que vive aterrorizada pelas ações criminosas, movidas em torno do tráfico de drogas: furta-se, rouba-se e mata-se em decorrência da droga. Fuga, negação da realidade, fonte de prazer, caminho para expandir a percepção, veneno. Todas essas definições podem ser usadas para falar das drogas, principalmente as ilegais. Hoje a sociedade sente o peso dos efeitos catastróficos que o uso indevido e indiscriminado das drogas pode fazer a uma pessoa e a sua família. O balanço das consequências que mudou o curso da história da humanidade, é devastador e difícil de se reparar. Numa época de opressão e luta de classes pelos mais variados tipos de direitos, a droga ganhou força entre as classes tornando-se um catalisador de coesão entre aqueles que defendiam uma causa em comum, até mesmo entre os intelectuais o seu uso passou ser aceito com naturalidade. As relações da sociedade com as drogas estão em discussão, como o problema de saúde pública e a questão de segurança, por exemplo. De todas as faixas etárias, os jovens são os mais envolvidos na questão. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 104 SISTEMA DE DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM FARMÁCIA AMBULATORIAL E HOSPITALAR Da mesma forma que uma Farmácia pública, uma Farmácia Hospitalar precisa estar organizada para dispensar adequadamente os produtos que dispõe para os pacientes. A escolha da forma de dispensação a ser adotada deve levar em consideração características de cada Hospital, e os recursos disponíveis para sua implantação. Os recursos resumem-se em financeiros e técnicos, sendo que neste último caso, ainda há uma carência de farmacêuticos especialistas no mercado capazes de implantar com eficiência um sistema de dispensação. Um sistema hospitalar de dispensação de medicamentos deve ter alguns objetivos importantes, dos quais destacamos: - Uso racional de medicamentos; - Redução de gastos com medicamentos; - Aumentar o controle sobre o uso dos medicamentos, permitindo acesso do farmacêutico às informações do paciente. - Diminuição dos erros de administração de medicamentos; - Colaboração na Farmacoterapia iniciada pelo médico; - Aumentar a segurança para o paciente; Podemos destacar 03 tipos de sistemas de dispensação de medicamentos, sendo: - Dose Coletiva; - Dose Individualizada; - Dose Unitária. Dose Coletiva: É o sistema pelo qual a farmácia fornece materiais e medicamentos, atendendo a um pedido feito pela unidade solicitante. Estas requisições são feitas em nome de setores, e não de pacientes, gerando total descontrole do uso. Na Dose Coletiva, a farmácia se torna um mero fornecedor de medicamentos, ocorrendo armazenamento em estoques descentralizados e retirando da farmácia a atividade de dispensação. Vantagens: - As movimentações do estoque são registradas com facilidade; - Custo de implantação muito baixo; - Baixo número de colaboradores na farmácia; - Horário de funcionamento da farmácia: reduzido. Desvantagens: - Formação de subestoques; - Dificuldades no controle logístico dos estoques; - Erros de administração de medicamentos; - Maior quantidade de perdas; - Dispensação feita pela enfermagem: desvio de atividade. Dose Individualizada: É um pré-requisito para implantação da Dose Unitária. Neste caso, a farmácia já recebe as solicitações de medicamentos através de uma transcrição de prescrição médica feita pela enfermagem, ou mesmo através de um pedido médico, só que sem esquema posológico rígido. Vantagens: - A Farmácia centraliza os estoques; - Quantidade reduzida de estoques, se comparado com a Dose Coletiva; - Menor quantidade de perdas e desvios; - Possibilidade de garantia de qualidade. Desvantagens: - Custo de implantação e nº de colaboradores é maior, em comparação àDose Coletiva; Dispensação de Medicamentos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 105 - Farmácia funciona em horário integral; - Erros de medicação ainda podem ocorrer; Dose Unitária: Sistema de dispensação existente nos Estados Unidos, já desde os anos 60, apresentando inúmera vantagens em relação aos outros modelos, principalmente pelo controle que proporciona à Farmácia, no que se refere ao consumo de medicamentos. Neste sistema os medicamentos são dispensados de acordo com a prescrição médica, sendo separados e identificados pelo nome do paciente, nº do leito e horário de administração. Objetivos da Dose Unitária: - Integrar o farmacêutico à equipe multidisciplinar; - Medicamento correto na hora certa; - Reduzir incidência de erros de administração de medicamentos; Vantagens: - Segurança na farmacoterapia: otimizada; - Redução dos custos; - Disponibiliza maior tempo para a enfermagem se dedicar ao paciente; - Promove a Instituição: qualidade; Desvantagens: - Custo de implantação, embora seja facilmente recuperado a curto ou médio prazo; - Investimento em contratação de colaboradores e treinamento; Portanto, com base nas informações acima, fica fácil identificar na Dose Unitária, um modelo eficaz e capaz de trazer algumas vantagens ao hospital, entretanto, ratificando o que já fora dito, há a necessidade de planejamento e do preenchimento de pré-requisitos, sem os quais fica impossível a introdução da dose unitária. O receituário médico é um documento muito importante da consulta. Nele, o profissional indica o caminho terapêutico a ser adotado e o medicamento usado no tratamento. Existem diferentes tipos de receita médica, com cores e formatos distintos de acordo com a categoria da substância que for prescrita. No Brasil, as normas estabelecidas determinam que o receituário médico seja escrito à tinta, com letra de forma, de maneira clara e por extenso. Além disso, os diferentes tipos de receita médica devem, necessariamente, conter: - Cabeçalho; - Informações do paciente; - Nome do medicamento; - Dosagem; - Orientações de como deve ser administrado; - Data, assinatura e número do registro do profissional. Quais são os tipos de receita médica? Receituário simples - Modelo mais comum. Usado para prescrição de medicamentos paliativos e de medicamentos de tarja vermelha. Têm modelos variados, respeitando sempre a legislação. Geralmente não há retenção da receita no momento da compra. Receituário para aquisição de antimicrobianos - usado para a categoria de medicamentos que inclui os antibióticos. Também possui modelos variados. Receituário de controle especial - usado para a compra de substâncias controladas ou sujeitas a controle especial. Este tipo de receituário possui três categorias, que devem ser utilizadas de acordo com a classe do medicamento a ser prescrito. Receita e notificação de receita de controle especial Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 106 Receituário de controle especial varia de acordo com o medicamento. Existem substâncias que precisam de um monitoramento mais rígido devido a forma como atuam no sistema nervoso central e pela capacidade de causar dependência física ou psíquica. Também são consideradas substâncias controladas os anabolizantes, as substâncias abortivas ou que causam má-formação fetal, além das substâncias que podem ser usadas na fabricação de entorpecentes e psicotrópicos. As receitas de controle especial diferenciam-se da seguinte maneira: Notificação de receita A - tem cor amarela e é usada para a prescrição de substâncias entorpecentes e psicotrópicas; Notificação de receita B - tem cor azul e é usada para substâncias psicotrópicas e psicotrópicas anorexígenas; Notificação de receita C - tem cor branca e é usada para anabolizantes, antirretrovirais, retinóicas de uso tópico, retinóicas de uso sistêmico e talidomida. No caso dos receituários para antimicrobianos e especiais, pede-se a identificação do paciente e/ou do comprador no momento da compra e, geralmente, a via original fica retida no local em que a medicação foi dispensada. https://www.pfizer.com.br/noticias/Como-entender-os-diferentes-tipos-de-receita-m%C3%A9dica Notificação de Receita8 A Notificação de Receita (NR) é o documento que, acompanhado da receita, autoriza a dispensação de medicamentos das listas A1 A2, A3, B1, B2, C2e C3. A Notificação de Receita deve conter somente uma substância e ficará retida pela farmácia ou drogaria no momento da compra do medicamento. A receita deve ser devolvida ao paciente devidamente carimbada, como comprovação do aviamento ou da dispensação. A notificação de Receita modelo de talonário oficial A, para as listas A1, A2 e A3, modelo de talonário – B, para as listas B1 e B2, modelo para os retinoides de uso sistêmico, lista C2 e modelo para a Talidomida, lista C3 deverá conter os itens referentes às alíneas a, b e c devidamente impressos e apresentando as seguintes características apontadas a seguir. Dados que devem ser impressos pela gráfica na notificação de Receita: - Sigla da Unidade da Federação; - Identificação da gráfica: nome, endereço e CNPJ/CGC impressos no rodapé́ de cada folha do talonário. Deverão constar também a numeração inicial e final concedidas ao profissional ou instituição e o número da Autorização para confecção de talonários emitida pela Vigilância Sanitária local; - Identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional com a sigla da respectiva Unidade da Federação; ou nome da instituição, endereço completo e telefone; - Identificação numérica: a sequência numérica será́ fornecida pela Autoridade Sanitária competente dos Estados, Municípios e Distrito Federal; - Símbolo indicativo: no caso da prescrição de retinoides deverá conter um símbolo de uma mulher grávida, recortada ao meio, com a seguinte advertência: «Risco de graves defeitos na face, nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto. Dados a serem preenchidos pelo médico ou profissional: - Identificação do usuário: nome e endereço completo do paciente, e, no caso de uso veterinário, nome e endereço completo do proprietário e identificação do animal; - Nome do medicamento ou da substância: prescritos sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade (em algarismos arábicos e por extenso) e posologia; - Data da emissão; - Assinatura do prescritor: quando os dados do profissional estiverem devidamente impressos no campo do emitente, este poderá́ apenas assinar a Notificação de Receita. No caso de o profissional 8 PEREIRA, Josimara Pinho. Aspectos Legais da Comercialização de Produtos em Farmácia. 1ª Ed. Érica. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 107 pertencer a uma instituição ou estabelecimento hospitalar, deverá identificar a assinatura com carimbo, constando a inscrição no Conselho Regional, ou manualmente, de forma legível. Dados a serem preenchidos pela farmácia: - Identificação do comprador: nome completo, número do documento de identificação, endereço completo e telefone; - Identificação do fornecedor: nome e endereço completo, nome do responsável pela dispensação e data do atendimento; - Identificação do registro: anotação da quantidade aviada, no verso, e, quando tratar-se de formulações magistrais, o número de registro da receita no livro de receituário. Notificação da Receita A É válida em todo o território nacional por 30 dias contados a partir da data de sua emissão, sendo necessário que seja acompanhada da receita com justificativa do uso quando para aquisição em outro estado. As farmácias e drogarias devem apresentar, dentro do prazo de 72 horas, à autoridade sanitárialocal, as Notificações de Receita A procedentes de outros estados para averiguação e visto. As Notificações de Receita A que contiverem medicamentos à base das substâncias constantes das listas A1 e A2 (entorpecentes) e A3 (psicotrópicas) deverão ser remetidas até́ o dia 15 do mês subsequente às Autoridades Sanitárias Estaduais ou Municipais e do Distrito Federal, através de relação em duplicata, que será́ recebida pela Autoridade Sanitária competente mediante recibo, as quais, após conferência, serão devolvidas no prazo de 30 dias. Poderão conter no máximo cinco ampolas e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade correspondente, no máximo, a 30 dias do tratamento. A Notificação de Receita A, para a prescrição dos medicamentos e substâncias das listas A1 e A2 (entorpecentes) e A3 (psicotrópicos), de cor amarela, será́ impressa a expensas da Autoridade Sanitária Estadual ou do Distrito Federal, contendo 20 folhas em cada talonário. Será́ fornecida gratuitamente pela Autoridade Sanitária competente do Estado, Município ou Distrito Federal aos profissionais e instituições devidamente cadastrados. Para o recebimento do talonário, o profissional ou o portador deverá estar munido do respectivo carimbo, que será́ aposto na presença da Autoridade Sanitária, em todas as folhas do talonário, no campo “Identificação do Emitente”. Notificação de Receita B1 É válida somente dentro do estado que concedeu a numeração por 30 dias contados a partir de sua emissão. Poderá́ conter no máximo cinco ampolas e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade correspondente, no máximo, a 60 dias de tratamento. Deve ser empregada para a prescrição de Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 108 medicamentos ou substâncias da lista B1. Devem ser prestada contas à Vigilância Sanitária através da escrituração eletrônica no SNGPC e figurar nos balanços trimestrais e anuais. Notificação de Receita B2 É válida somente dentro do estado que concedeu a numeração por 30 dias contados a partir de sua emissão. Poderá́ conter no máximo cinco ampolas e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade correspondente, no máximo, a 30 dias de tratamento. Deve ser empregada para a prescrição de medicamentos ou substâncias anorexígenas da lista B2. Devem ser prestadas contas à Vigilância Sanitária através da escrituração eletrônica no SNGPC e figurar no Balanço Mensal de Notificação de Receita B2, a ser entregue mensalmente aos órgãos de vigilância municipais pelas farmácias e droga- rias, nos Balanços de Medicamentos Psicotrópicos e Outros Sujeitos a Controle Especial (BMPO), nos Balanços de Substâncias Psicotrópicas e Outros Sujeitos a Controle Especial (BSPO) trimestrais e anuais. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 109 A partir da publicação da RDC 52/11, além de a sibutramina ter que ser prescrita na Notificação de Receita B2, de acordo com o estabelecido na RDC 58/07, o médico e o paciente terão também de assinar um Termo de Responsabilidade. O documento especificará que o médico esclareceu o paciente sobre os riscos da utilização da sibutramina e o paciente assinará que está́ ciente dos riscos. O documento será́ feito em três vias (uma para a farmácia ou drogaria dispensadora, uma para o paciente e outra para o médico). Notificação de Receita C2 A Notificação de Receita Especial C2 (retinoides de uso sistêmico), de cor branca, será́ impressa a expensas do médico prescritor ou da instituição à qual esteja filiado, e terá́ validade por um período de 30 dias, contados a partir de sua emissão, e somente dentro da Unidade Federativa que concedeu a numeração. Poderá́ conter no máximo cinco ampolas, e, para as demais formas farmacêuticas, a quantidade para o tratamento correspondente no máximo a 30 dias, contados a partir de sua emissão e somente dentro da Unidade Federativa que concedeu a numeração. Deverá estar acompanhada de «Termo de Consentimento Pós-Informação», fornecido pelos profissionais aos pacientes, alertando-os de que o medicamento é pessoal e intransferível, e das suas reações e restrições de uso. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 110 A função compras9 é um segmento essencial do departamento de materiais ou suprimentos. Tem por finalidade suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento certo com as quantidades corretas. É importante salientar que, nas modernas organizações hospitalares, essa função pode e deve ser exercida por farmacêuticos ou pessoas da área administrativa, gabaritadas para a atividade e com ampla experiência. A necessidade de comprar cada vez melhor é enfatiza-da por todos os empresários, juntamente com a necessidade de estocar em níveis adequados. Comprar bem é um dos principais meios para a redução dos custos hospitalares. Isso significa verificar cuidadosamente preços, prazos e qualidade do material e do serviço. A seleção de fornecedores é considerada posto-chave no processo de compras. A potencialidade do fornecedor deve ser confirmada, assim como suas instalações e seus produtos. É imprescindível o estabelecimento de critérios para o cadastramento de fornecedores, assim como são recomendáveis visitas periódicas e programas de auditoria, em especial no caso de fornecedores que interferem com a qualidade dos serviços prestados pelo hospital. Atividades Típicas da Seção de Compras 1. Pesquisa dos Fornecedores • estudo do mercado; • estudo dos materiais; • análise dos custos; • investigação das fontes de fornecimento; • desenvolvimento de fontes de materiais alternativos. 2. Aquisição • conferência de requisições; • análise das cotações; • decisão sobre comprar por meio de contratos ou no mercado aberto; • entrevista com vendedores; • negociação de contratos; • efetivação das encomendas de compras; • acompanhamento do recebimento de materiais. 3. Administração • manutenção de estoques mínimos; • transferências de materiais; • evitar excessos e obsolescência de estoques; • padronização de todos os aspectos possíveis. 4. Diversos • estimativa de custo; • descarte de materiais desnecessários, obsoletos ou excedentes; • preservação das relações comerciais recíprocas. A administração de recursos materiais10 no ambiente hospitalar confunde-se com as funções desempenhadas pela farmácia hospitalar. Muitas empresas prestadoras de serviços na área da saúde 9 CAVALLINI, Míriam Elias; BISSON, Marcelo Polacow. Farmácia Hospitalar Um Enfoque em Sistemas de Saúde. 2ª Ed. Manole. 10 CAVALLINI, Míriam Elias; BISSON, Marcelo Polacow. Farmácia Hospitalar Um Enfoque em Sistemas de Saúde. 2ª Ed. Manole. Aquisição logística e gestão de estoque Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 111 entendem que a questão logística é responsabilidade única e exclusiva de uma gerência de suprimentos ou de materiais, podendo o gerente ser um profissional farmacêutico, pois ninguém entende mais de medicamentos e materiais correlatos do que esse profissional, e esses itens chegam a representar, financeiramente, até́ 75% do que se consome em um hospital geral. O conveniente gerenciamento das atividades de administração de materiais e de medicamentos em um hospital representa diferencial de gestão e economia de recursos financeiros, os quais, na maioria dos hospitais, são escassos. Para assumir ações de gerência de logística, é necessário que o farmacêutico ou administrador hospitalar possua grande vivência e cursos de especialização na área, de modo que se garanta o emprego conveniente das modernas técnicas de gestão de materiais. Os profissionais que acreditam que a administração de materiais limita-se à administraçãode estoque incorrem em grande erro, pois esta é somente uma parcela da extensa matéria pertinente à função. Na realidade, a administração de materiais engloba suprimento de materiais e medicamentos, movimentação e controle de produtos, aquisição e padronização de itens, montagem de custos, estabelecimento do preço de venda de materiais e medicamentos utilizados por pacientes, muitas vezes cobrados de convênios médicos pelos hospitais. A administração de materiais compõe-se de dois subsistemas: 1. Administração de Materiais e Distribuição Física • compras; • recebimento; • planejamento; •controle de produção (manipulação), expedição, tráfego e estoques. 2. Coordenação Demanda/Suprimento • transporte; • armazenagem; • movimentação física de materiais; • embalagem; • controle de estoques; • seleção de locais para armazenagem; • processamento de pedidos; • atendimento ao cliente. O rápido crescimento de custos – em particular os de serviços de transporte e armazenagem – tem obrigado os hospitais a desenvolver técnicas matemáticas e adquirir equipamentos de informática capazes de tratar eficientemente a massa de dados necessários à análise de problemas logísticos. Há atualmente uma forte tendência, em hospitais e clínicas, de transferir as responsabilidades de administração dos estoques para os distribuidores e fabricantes – processo que pode ser conduzido por consignação e terceirização. Uma série de técnicas estão disponíveis para o gerenciamento de estoques, cada uma aplicável ao estágio em que o hospital se encontra. Uma preocupação que deve estar sempre presente em qualquer situação é a precisão das informações. Os maiores problemas gerados pela imprecisão de dados são: • má́ localização dos estoques; • armazenamento inadequado; • erros de cálculo nos relatórios de entrada e saída de materiais; • erros no recebimento; • esquecimento e atraso na emissão de documentos relativos a entrada e saída de materiais; • procedimentos inadequados de contagem física. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 112 CONTROLE DE ESTOQUE Recebimento de medicamentos Devem existir instruções por escrito, descrevendo com detalhes o recebimento, a identificação e o manuseio dos medicamentos. Elas devem indicar adequadamente os métodos de estocagem e definir os procedimentos burocráticos para com as outras áreas de organização. - No ato do recebimento, cada entrada deve ser examinada quanto a sua documentação e fisicamente inspecionada para se verificar suas condições, rotulagem, tipo e quantidade. - Se for o caso de recebimento de um produto com mais de um lote de fabricação, ele deve ser subdividido em quantos lotes forem necessários e estocados dessa forma. - Os lotes que forem submetidos a amostragem ou os julgados passíveis de análise, devem ser conservados em quarentena até decisão do Controle de Qualidade. Estocagem. Considerações gerais - Toda e qualquer área destinada a estocagem de medicamentos deve ter condições que permitam preservar suas condições de uso. - Nenhum medicamento poderá ser estocado antes de ser oficialmente recebido e nem liberado para entrega sem a devida permissão, também oficial. - Os estoques devem ser inventariados periodicamente e qualquer discrepância devidamente esclarecida. - Os estoques devem ser inspecionados com frequência para verificar-se qualquer degradação visível, especialmente se os medicamentos ainda estiverem sob garantia de seus prazos de validade. - Medicamentos com prazos de validade vencidos, devem ser baixados do estoque e destruídos, com registro justificado por escrito pelo farmacêutico responsável, obedecendo o disposto na legislação vigente. - A estocagem, quer em estantes, armários, prateleiras ou estrados, deve permitir a fácil visualização para a perfeita identificação dos medicamentos, quanto ao nome do produto, seu número de lote e seu prazo de validade. - A estocagem nunca deve ser efetuada diretamente em contato direto com o solo e nem em lugar que receba luz solar direta. - As áreas para estocagem devem ser livres de pó, lixo, roedores, aves, insetos e quaisquer animais. - Para facilitar a limpeza e a circulação de pessoas, os medicamentos devem ser estocados à distância mínima de 1(um) metro das paredes. - A movimentação de pessoas, escadas e veículos internos nas áreas de estocagem deve ser cuidadosa para evitar avarias e comprometimento e/ou perda de medicamentos. - Embalagens parcialmente utilizadas devem ser fechadas novamente, para prevenir perdas e/ou contaminações, indicando a eventual quantidade faltante no lado externo da embalagem. - A liberação de medicamentos para entrega deve obedecer a ordem cronológica de seus lotes de fabricação, ou seja, expedição dos lotes mais antigos antes dos mais novos. - A presença de pessoas estranhas aos almoxarifados deve ser terminantemente proibida nas áreas de estocagem. Estocagem de medicamentos termo lábeis Para os medicamentos que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, além das recomendações do tópico anterior, devem ser observadas as seguintes: - O local de estocagem deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (±2º). - As medições de temperatura devem ser efetuadas de maneira constante e segura, com registros escritos. - Deverão existir sistemas de alerta que possibilite detectar defeitos no equipamento de ar condicionado para pronta reparação. Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros) Esses produtos, para manterem suas efetividades de uso, requerem condições ótimas de estocagem, especialmente no que se refere a temperatura. Assim, sem prejuízo das recomendações do tópico Estocagem. Considerações Gerais, mais as seguintes, devem ser observadas. - O manuseio de medicamentos imunobiológicos deve ter prioridade em relação aos demais, bem como sua liberação para entrega. - Deve ser evitada, ao máximo, a exposição desses produtos a qualquer tipo de luz. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 113 - As áreas de estocagem devem ser em equipamento frigorífico, constituído de refrigeradores, “freezers” e câmaras frias. - Refrigerador é o equipamento que permite temperaturas entre 4ºC e 8ºC. - “Freezer” é o equipamento que permite temperaturas não superiores a -10ºC. - Câmara fria é o equipamento que permite temperaturas entre 8ºC e 15ºC. - Os equipamentos frigoríficos devem ser controlados diariamente por: Termógrafos, nas câmaras frias. Termômetros de máxima e mínima em refrigeradores e “freezers”. - As medições de temperatura efetuadas devem ser registradas diariamente pelo responsável pelo almoxarifado e, qualquer anormalidade, corrigida no mais breve espaço de tempo. - A distribuição dos produtos dentro dos equipamentos frigoríficos deve permitir a livre circulação do ar frio entre as diversas embalagens contidas nos mesmos. - No caso das câmaras frias é aconselhável a existência de antecâmaras para evitar a perda desnecessária de frio, quando da abertura das portas dessas câmaras. - As entradas e retiradas de produtos de qualquer equipamento frigorífico devem ser programadas antecipadamente, visando diminuir, ao máximo, as variações internas de temperatura. - Os equipamentos frigoríficos devem estar permanentemente em funcionamento, ligados a rede elétrica local e sempre que possível, possuindo uma rede alternativa de energia (gerador) para atender eventuais faltas de energia no sistema. - Cada equipamento do sistema frigorífico deve ter ligação exclusiva para evitar sobrecarga de energia elétrica e facilitar seu controle de uso. - Tanto os refrigeradores como os “freezers”, devem ser aproveitados também para a produção de gelo, a ser utilizado na remessa dos produtos e para segurança do próprio equipamento e dos produtos que ele contém, numa eventual falhado seu sistema interno de resfriamento. - Todo o pessoal do almoxarifado, especialmente os ligados a estocagem de medicamentos imunobiológicos, deve estar familiarizado com as técnicas de estocagem desses produtos, para poder atender qualquer situação de emergência, consequente a um eventual corte de energia elétrica ou defeito no sistema de refrigeração. - Todos os equipamentos, geladeiras, “freezers” e câmaras frias, devem possuir um sistema de alarme confiável, que indique prontamente qualquer tipo de anormalidade em seu funcionamento. Estocagem de medicamentos de uso controlado Dada às características desses medicamentos, sua área de estocagem deve ser considerada de segurança máxima. - Independentemente das recomendações contidas nos tópico Estocagem. Considerações Gerais, Estocagem de medicamentos termo lábeis e Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros), onde elas couberem, esses medicamentos precisam estar em área isolada das demais, somente podendo ter acesso a ela o pessoal autorizado pelo farmacêutico responsável do almoxarifado. - Os registros de entrada e de saída desses medicamentos, devem ser feitos de acordo com a legislação sanitária específica, sem prejuízo daquelas que foram determinadas pela própria administração do almoxarifado. Controle de validade de medicamentos A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), define prazo de validade como a data limite para utilização de um produto farmacêutico definido pelo fabricante, com base nos seus respectivos testes de estabilidade, mantidas as condições de armazenamento e transporte estabelecidas pelo mesmo. Normalmente, este é expresso em mês/ano, o que denota que o medicamento poderá ser usado, até o último dia do mês estipulado. Por exemplo, se um produto tem prazo de validade de 03/2014, significa que poderá ser utilizado até o dia 31 de março do ano 2014, respeitadas as orientações do fabricante. Entretanto, deve‑se considerar antecipadamente vencido o medicamento cuja posologia não possa ser inteiramente efetivada no prazo de validade ainda remanescente, como os anticoncepcionais que, para obtenção dos resultados esperados, devem ser ingeridos diariamente por 21 a 30 dias. Para um eficaz controle de validade, é indispensável uma estocagem adequada, onde os medicamentos fiquem distribuídos, de forma a permitir a fácil visualização da validade, ficando os produtos de vencimento próximo, colocados na frente dos demais. Sugere‑se, ainda, que sejam separados, em local específico, os medicamentos a vencer, nos próximos seis meses, facilitando a priorização de sua venda e a sua retirada do estoque, após o vencimento. O destino dos produtos vencidos deve ser definido e escrito no” Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde” (Resolução RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004). Constatado o vencimento, Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 114 os produtos devem ser acondicionados em caixas lacradas e armazenados em local devidamente identificado, até serem entregues à vigilância sanitária local. Os medicamentos sujeitos ao controle especial obedecem a critérios mais rígidos, devendo ser seu vencimento registrado no SNGPC (Resolução RDC nº 27, de 30 de março de 2007) e sua segregação feita em armários chaveados, até o recolhimento ou envio à Visa municipal. Legislação A legislação sanitária exige o controle da estabilidade dos medicamentos para definição e acompanhamento do prazo de validade do produto a ser comercializado - Resolução RE n.1 de 29.07.2005 – Guia para a realização de estudos de estabilidade; - RDC 210 de 04.08.2003 Boas Práticas para a fabricação de medicamentos; - RDC 67 de 08.10.2007 – Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais. Referências: BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – NBR ISO9000 2: Normas de Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade: diretrizes gerais para a aplicação nas normas ISO9001, 9002 e 9003, 2000. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº67, de 8 de outubro de 2007. Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 09 de outubro de 2007, Seção 1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº87, 21 novembro de 2008. Altera o Regulamento Técnico sobre Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 de novembro de 2008, Seção 1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº37, de 06 de julho de 2009. Trata da admissibilidade das Farmacopeias estrangeiras. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 08 de julho de 2009, Seção 1. Caro leitor o assunto referente a Classificação de medicamentos foi abordado no tópico Definições, conceituação de medicamentos, classificação de Psicotrópicos, Entorpecentes, Imunossupressores. Organização11 e Exposição dos Produtos Os medicamentos deverão permanecer em área de circulação restrita aos funcionários, não sendo permitida sua exposição direta ao alcance dos usuários do estabelecimento. Os medicamentos isentos de prescrição poderão permanecer ao alcance dos usuários para obtenção por meio de autosserviço no estabelecimento. De acordo com a Resolução da Anvisa RDC no 41/12, os medicamentos isentos de prescrição devem ficar em área separada da de produtos como cosméticos e dietéticos e devem ser organizados por princípio ativo para permitir a fácil identificação pelos consumidores. O texto exige que, na área destinada aos remédios isentos de prescrição, sejam afixados cartazes com a seguinte orientação: “Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico.” Também na área destinada aos medicamentos de venda sob prescrição médica deve estar exposto cartaz, em local visível ao público, contendo a seguinte orientação, de forma legível e ostensiva, que permita a fácil leitura a partir da área de circulação comum: “Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico.” Dispensação de Medicamentos A dispensação de medicamentos deve assegurar ao usuário o direito à informação e orientação quanto ao uso de medicamentos. São elementos importantes da orientação farmacêutica, entre outros, a ênfase no cumprimento da posologia, a influência dos alimentos, a interação com outros medica- mentos, o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições de conservação do produto. 11 PEREIRA, Josimara Pinho. Aspectos Legais da Comercialização de Produtos em Farmácia. 1ª Ed. Érica. Classificação e organização de medicamentos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 115 O estabelecimento deve manter à disposição dos usuários, em local de fácil visualização, a lista atualizada dos medicamentos genéricos. É o procedimento capaz de promover o uso racional de medicamentos por meio da dispensação de unidades farmacotécnicas ao usuário, na quantidade estabelecida pela prescrição médica, odontológica ou necessária ao tratamento correspondente, nos casos dos medicamentos isentos de prescrição, sob orientação e responsabilidade do farmacêutico. Isso ocorre a partir da subdivisão da embalagem de um medicamento em partes individualizadas, suficientes para atender ao tratamento clínico prescrito ou às necessidades terapêuticas do consumidor e usuário de medicamentos, quando isentos de prescrição. A embalagem que pode ser fracionada, chamada de embalagem primária fracionável, é especialmente desenvolvida pelo fabricante e aprovada pela Anvisa para essa finalidade. Ela vem acondicionada em uma embalagem externa, chamadasubcutâneo SF ........................................................... solução fisiológica SG ........................................................... solução glicosada SGF ....................................................... soro glicofisiológico SL ......................................................................... sublingual SNE ........................................................ sonda nasoenteral SNG .................................................... sonda nasogástrica Sol. .......................................................................... solução SP/Sup ............................................................... supositório SS/Susp ............................................................. suspensão SY .............................................................................. spray TB ................................................................................. tubo UI ................................................ unidades internacionais VD ................................................................................ vidro Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 8 VO ........................................................................... via oral VR .......................................................................... via retal XP ............................................................................ xarope Denominação Comum Brasileira (DCB) é a denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo aprovada pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária (Lei n.° 9.787/1999). Atualmente, com o advento do registro eletrônico, adquiriu uma concepção mais ampla e inclui também a denominação de insumos inativos, soros hiperimunes e vacinas, radiofármacos, plantas medicinais, substâncias homeopáticas e biológicas. Fonte: http://portal.anvisa.gov.br/denominacao-comum-brasileira Reação Adversa a Medicamentos Embora os medicamentos sejam formulados, indiscutivelmente sob critérios de proteção e segurança, convive-se com o risco associado ao seu uso. Motivos diversos expõem as pessoas a efeitos indesejados. A utilização de medicamentos em situações não indicadas ou em circunstâncias que desrespeitem os critérios de uso racional pode provocar danos. É comum haver consequências como intoxicação. Tipos Categorias de Frequência e Critérios de Gravidade das Reações Adversas a Medicamentos Reações adversas, tradicionalmente, foram separadas entre aquelas que se apresentavam como efeito farmacológico aumentado, também chamadas reações tipo A - aumentada - a partir de uma proposta mnemônica ou dose relacionadas, e aquelas que resultavam de um efeito aberrante, também chamadas reações tipo B - bizarras - não relacionadas à dose. Reações tipo A tendem a ocorrer com maior frequência e estão relacionadas à dose. São previsíveis e menos graves. Podem ser tratadas simplesmente com a redução da dose do medicamento. Tendem a ocorrer entre indivíduos que apresentem uma destas três características: 1) os indivíduos podem ter recebido dose maior que a que lhes é apropriada; 2) podem ter recebido quantidade convencional do medicamento, mas metabolizá-lo ou excretá-lo de forma mais lenta que o usual, apresentando níveis quantitativos muito elevados; 3) podem apresentar níveis normais do medicamento, porém, por alguma razão, são demasiadamente sensíveis a ele (10). Em contraste, reações tipo B tendem a ser incomuns. Classificação de reações adversas a medicamentos não relacionadas à dose, imprevisíveis e potencialmente mais graves. Quando ocorrem, frequentemente é necessária a suspensão do medicamento. Elas podem ser consequentes do que é conhecido como reações de hipersensibilidade ou reações imunológicas. Também podem constituir reações idiossincráticas ao medicamento ou ser consequentes de algum outro mecanismo. Por isso, reações tipo B são mais difíceis de predizer, ou mesmo de identificar, e representam o foco principal da farmacoepidemiologia (10). Com a inclusão de novos tipos de RAMs, atualmente são considerados os tipo A, B, C, D, E, F. Ainda assim, nem sempre é possível classificar uma RAM nessas categorias, uma vez que o mecanismo que leva à sua ocorrência pode não ser conhecido. O quadro seguinte apresenta essa classificação: Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 9 Tipo de reação Mnemônico Características Exemplos A: Relacionado à dose Aumento • Comum • Relacionada a um efeito farmacológico da droga • Esperada • Baixa mortlidade • Efeitos tóxicos: Intoxicação digitálica; síndrome serotoninérgica com ISRSs • Efeitos Colaterais:efeitos anticolinérgicos de antidepressivos tricíclicos B: Não relacionado à dose Bizarro • Incomum • Não relacionada a um efeito farmacológico da droga • Inesperada • Alta mortlidade • Reações imunológicas: hipersensibilidade à penicilina • Reações idiossincráticas: porfiria aguda, hipertermia maligna, pseudoalergia (ex.: rash em uso de ampicilina) C: Relacionado à dose e ao tempo de uso Crônico • Incomum • Relacionada ao efeito cumulativo do fármaco • Supressão do eixo hipotalâmicohipofisário- adrenal por corticosteroides D: Relacionado ao tempo de uso Atraso (do inglês, delayed) • Incomum • Normalmente relacionado à dose • Ocorre ou aparece algum tempo após o uso do medicamento • Teratogênese (ex.: adenocarcinoma associado ao dietiletilbestrol) • Carcinogênese • Discinesia tardia E: Abstinência Fim do uso (do inglês, end of use) • Incomum • Ocorre logo após a suspensão do medicamento • Síndrome de abstinência à opiáceos • Isquemia miocárdica (suspensão de â- bloqueador) F: Falha inesperada da terapia Falha • Comum • Relacionado à dose • Frequentemente causado por interação de medicamentos • Dosagem inadequada de anticoncepcional oral particularmente quando utilizados indutores enzimáticos Fonte: adaptado de Edwards; Aronson; 2000 (11). Quanto à frequência das RAMs, são consideradas as categorias seguintes: Classificação das reações adversas quanto à frequência Muito comum* >1/10 >10 % Comum (freqüente) >1/100 e 1% e 1/ 1.000 e 0.1% e 1/ 10.000 e 0.01% ede embalagem original para fracionáveis, facilmente identificada pela inscrição “EMBALAGEM FRACIONÁVEL”, na cor vermelha. O fracionamento começa com a avaliação da prescrição e termina com a dispensação, percorrendo os seguintes passos: - Avaliação da prescrição pelo farmacêutico. - Subdivisão da embalagem do medicamento em frações menores, realizada na área de fracionamento, a partir de sua embalagem original para fracionáveis, a fim de atender à quantidade prescrita ou às necessidades terapêuticas do consumidor e usuário de medicamentos, quando isentos de prescrição. - Acondicionamento das unidades fracionadas na embalagem da própria farmácia ou drogaria, contendo uma bula do medicamento correspondente. - Retorno das unidades remanescentes à embalagem original para fracionáveis, quando for o caso. - Rotulagem da embalagem destinada à dispensação direta ao usuário, contendo as informações exigidas pela RDC nº 80/2006. - Registro das operações relacionadas com a dispensação de medicamentos na forma fracionada. - Restituição da receita ao usuário, devidamente carimbada em cada item dispensado e assinada pelo farmacêutico. - Dispensação do medicamento fracionado. Importante: O fracionamento e a dispensação de medicamentos devem ser realizados no mesmo estabelecimento, sendo vedada a captação de prescrições oriundas de qualquer outro estabelecimento, ainda que da mesma empresa. O fracionamento deve ser realizado sob a supervisão e responsabilidade do farmacêutico, segundo as Boas Práticas para Fracionamento estabelecidas pela RDC nº 80/2006. Importante: A avaliação da prescrição e a dispensação dos medicamentos fracionados são atos que só o farmacêutico pode realizar. A delegação dos demais atos não exclui a responsabilidade do farmacêutico. Fracionamento de medicamentos Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 116 Quais os medicamentos que podem ser fracionados? Os medicamentos nas apresentações de bisnaga monodose, frasco-ampola, ampola, seringa preenchida, flaconete, sachê, envelope, blister e strip podem ser fracionados e dispensados de forma fracionada. Também são passíveis de fracionamento os medicamentos que se apresentam nas formas farmacêuticas de comprimidos, cápsulas, óvulos vaginais, drágeas, adesivos transdérmicos e supositórios. É preciso ainda que estejam acondicionados em embalagens especialmente desenvolvidas pelo fabricante para essa finalidade, com mecanismos que permitam a subdivisão em frações individualizadas. Desse modo, visa-se garantir a manutenção das características asseguradas na forma original. Essas embalagens são registradas na Anvisa e são facilmente identificadas pela inscrição “EMBALAGEM FRACIONÁVEL” no rótulo da embalagem secundária. Como são as embalagens desenvolvidas pelo fabricante e registradas pela Anvisa para fins de fracionamento? O fracionamento requer uma embalagem especial, que seja desenvolvida e registrada para esse fim, de modo a assegurar as condições necessárias para a manutenção da qualidade do medicamento no atendimento individualizado da prescrição. É oportuno destacar as seguintes características das embalagens relacionadas com o fracionamento: Acondicionamento que contém os medicamentos em embalagens primárias, as quais poderão ser subdivididas e dispensadas ao usuário para atender à prescrição. Sua identificação se dá pela inscrição “EMBALAGEM FRACIONÁVEL”, em caixa alta e na cor vermelha, localizada logo acima da faixa de restrição de venda ou posição equivalente, no caso de sua inexistência. Para os Medicamentos Genéricos, essa inscrição será localizada logo acima da faixa amarela que contém o logotipo definido pela legislação específica. As embalagens originais fracionáveis devem ser armazenadas de forma organizada, em local que, além das características comuns à estocagem de medicamentos, deve estar identificado de forma legível e ostensiva com a indicação “Embalagens Fracionáveis”, permitindo fácil distinção com relação às embalagens comuns (não fracionáveis). Importante: Após a ruptura do lacre ou selo de segurança, as embalagens que contêm os medicamentos fracionáveis devem ser armazenadas separadamente das demais, ainda que permaneçam no mesmo local de estocagem. Também é permitida a guarda de embalagens fracionáveis na área de fracionamento, desde que asseguradas as características indispensáveis de organização e de segurança. Acondicionamento que está em contato direto com o medicamento, capaz de assegurar a manutenção de sua qualidade e segurança. Contém mecanismos adequados à subdivisão da embalagem em frações individualizadas para viabilizar a dispensação de unidades farmacotécnicas ao usuário, sem contato do medicamento com o meio externo e em quantidade suficiente para atender ao tratamento prescrito. Importante: Após o fracionamento, as embalagens primárias fracionáveis remanescentes devem retornar para a embalagem original correspondente. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 117 É a menor unidade da embalagem obtida a partir da embalagem primária fracionável, sem qualquer contato do medicamento com o meio externo, preservando-se as características de qualidade e de segurança do produto até que este chegue ao usuário final, assim como os dados de identificação (nome, concentração do princípio ativo, nº de registro, lote, prazo de validade etc.). Cada embalagem primária fracionada registrada pela Anvisa deve conter as seguintes informações: • Nome comercial do medicamento, quando não se tratar de medicamento genérico, isento de registro, homeopático isento de registro e imunoterápico. • Denominação Comum Brasileira (DCB) ou, na sua falta, Denominação Comum Internacional (DCI), em letras minúsculas, ou nomenclatura botânica (gênero e espécie), no caso de fitoterápicos. • Concentração da substância ativa por unidade posológica, com exceção de medicamentos com mais de quatro fármacos. • Nome do titular do registro ou logomarca, desde que esta contenha o nome da empresa. • Número do registro (contendo até nove dígitos), número do lote e data de validade (mês/ano). • Via de administração, quando restritiva. • A expressão “Medicamento genérico Lei nº 9.787, de 1999” ou o logotipo caracterizado pela letra “G” estilizada e as palavras “Medicamento” e “Genérico”, conforme legislação específica, quando se tratar de medicamento genérico. • A expressão “Exija a bula”. Em que estabelecimentos o fracionamento pode ser realizado? O procedimento de fracionamento integra a dispensação de medicamentos, sendo desnecessária a expedição de nova licença ou autorização de funcionamento para execução desse procedimento. Portanto, o fracionamento de medicamentos a partir das embalagens especialmente desenvolvidas para essa finalidade pode ser realizado em qualquer farmácia ou drogaria que esteja funcionando regularmente perante os órgãos de Vigilância Sanitária competentes, desde que disponham de instalações adequadas ao procedimento e atendam às condições técnicas e operacionais estabelecidas na RDC n° 80/2006 e seus anexos. Quais as características que as farmácias e drogarias devem possuir para realizar o fracionamento? Além das condições sanitárias normalmente exigidas para o funcionamento regular de uma farmácia ou drogaria, elas devem possuir as seguintes características: • Área para o fracionamento (identificada e visível para o usuário). • Placa com identificação do nome completo do farmacêutico e do horário de sua atuação no estabelecimento, de forma legível e ostensiva para o público. • Indicação, em local visível para o público, contendo informações legíveis e ostensivas de que o fracionamento deve ser realizado sob a responsabilidade do farmacêutico. • Documentos comprobatórios quanto à regularidade de funcionamento do estabelecimento, expedidos pelos órgãos sanitáriosA participação ativa desses profissionais garante a efetividade da vigilância durante o período de comercialização dos “Os profissionais de saúde são os mais aptos a identificar as reações adversas a medicamentos, devido à sua estreita relação com os pacientes.” Como Notificar Suspeitas de RAM (Reação Adversa ao Medicamento) Todos os profissionais de saúde devem notificar as RAMs, mesmo quando houver dúvidas quanto à sua relação com determinado medicamento (6). A notificação deve ser remetida a instituições de saúde, desde que a instituição tenha profissional designado especificamente para recebê-la, aos centros de vigilância locais ou diretamente ao Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos, sediado da Unidade de Farmacovigilância da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As reações adversas graves e as reações não descritas ou pouco conhecidas merecem atenção especial e constituem o principal interesse da farmacovigilância. O formulário de notificação de suspeita de reação adversa a medicamento poderá ser preenchido e enviado por meio eletrônico em: https://www.anvisa.gov.br/multimidia/Formulario/ notifica_med.asp. Para preenchimento por escrito, encontra-se disponível no endereço eletrônico: http://www.anvisa.gov.br/servicos/form/farmaco/ notificacao_prof.pdf, e deve ser enviado por fax, pelo número (61) 448-1275, ou pelo correio à Unidade de Farmacovigilância, no seguinte endereço: SEPN 515, bloco B, 2º andar. Ed. Ômega. CEP: 70770-502. Brasília, DF. Reações Adversas a Medicamentos e Saúde Pública Apesar do avanço da farmacovigilância no mundo, os efeitos nocivos, conhecidos ou não, de medicamentos comercializados ainda acarretam grande impacto à saúde dos indivíduos. Por esse motivo, tornase de grande importância a utilização racional de medicamentos. Podem-se relatar alguns desastres relacionados a reações adversas. A talidomida, sintetizada em 1953, a partir de 1958 passou a ser prescrita e utilizada de forma indiscriminada, principalmente para o tratamento do enjôo matinal de mulheres grávidas. Com isso, provocou numerosos casos de má formação rara (focomelia) (14). Esse fato representou um marco para a farmacovigilância, pois estimulou a instalação de sistemas de monitorização da segurança de medicamentos e a elaboração de legislação específica (4,14). As substâncias fenfluramina e dextrofenfluramina foram proscritas no Brasil mediante a comprovação científica de que podem causar lesões nas válvulas cardíacas (15). Em 2001, houve a retirada da cerivastatina do mercado mundial por ocorrência de vários casos de rabdomiólise associados ao seu uso (16). Em outubro de 2001, o Kava-Kava (Piper methysticum L), um dos fitoterápicos mais utilizados no mundo para alívio dos sintomas da ansiedade e insônia, considerado inócuo, foi responsável por vinte e cinco casos de hepatotoxicidade na Suíça e Alemanha. Dentre estes, seis foram de insuficiência hepática grave, com, pelo menos, um óbito. Além da insuficiência hepática, o Kava-Kava apresenta interações com diversas substâncias, acarretando outras reações adversas graves (17). Em 2004, o rofecoxibe, um dos antiinflamatórios mais vendidos no mundo, também teve sua comercialização suspensa no mercado mundial, a partir de dados de estudos clínicos que evidenciaram a ocorrência de eventos cardiovasculares graves, se usado continuamente (18). As reações adversas a medicamentos refletem de forma negativa na saúde da população e aumentam os gastos com saúde. No ano de 1987, foram notificadas nos EUA, aproximadamente, 12 mil mortes e quinze mil hospitalizações por RAM (19). Um trabalho feito em 1994 estimou que um de cada mil pacientes hospitalizados sofre reação cutânea grave relacionada ao uso de medicamento (20). Em 1998, as reações adversas a medicamentos foram apontadas como a quarta causa mais frequente de morte nos EUA, superada apenas por infarto do miocárdio, câncer e acidentes vasculares cerebrais (21). Esses eventos são frequentemente passíveis de prevenção (22). Os eventos adversos no campo de medicamentos causaram aumento significativo na duração e custo da hospitalização, com prolongamento de 1,74 dias, em média. Além disso, foi demonstrado aumento no risco de morte de 1,88 (pde medicamentos aos animais, comparando informações obtidas em animais saudáveis com as obtidas no animal doente. ( ) Certo ( ) Errado 03. Composição física e química dos fármacos, excreção dos remédios pelo organismo e ação dos fármacos no combate de determinadas doenças são alguns dos principais objetivos da farmacologia. ( ) Certo ( ) Errado 04. A administração de medicamentos pode produzir além do efeito farmacológico, um efeito adicional – o “efeito placebo”. ( ) Certo ( ) Errado Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 12 Gabarito 01.Errado / 02.Certo / 03.Certo / 04.Certo Comentários 01. Resposta: Errado A farmacodinâmica estuda o local de ação, os efeitos de uma droga. 02. Resposta: Certo 03. Resposta: Certo Podemos destacar outros objetivos da farmacologia: propriedades medicinais de determinadas substâncias químicas, absorção dos fármacos pelo organismo e efeitos das associações entre remédios diferentes. 04. Resposta: Certo O efeito placebo é um efeito psicológico que depende da fé ou confiança que o paciente tem no medicamento ou na pessoa que o prescreve. PRINCÍPIOS BÁSICOS DE FARMACOTÉCNICA A farmacologia é a ciência que estuda como as substâncias químicas interagem com os sistemas biológicos. Como ciência nasceu em meados do século XIX. Se essas substâncias tem propriedades medicinais, elas são referidas como "substâncias farmacêuticas". O campo abrange a composição de medicamentos, propriedades, interações, toxicologia e efeitos desejáveis que podem ser usados no tratamento de doenças. Nos últimos anos a farmacologia adquiriu grande importância, não apenas para os médicos e droguistas, como também para biólogos investigadores que pesquisam e buscam produtos novos. Diversos bioquímicos do século XIX auxiliaram na construção desta ciência que estuda a ação das drogas. Porém, até o século passado era desconhecida a forma pela qual as drogas curavam, nem a biologia e a química estavam bem desenvolvidas. Principais objetivos da farmacologia: - propriedades medicinais de determinadas substâncias químicas (fármacos, remédios); - composição física e química dos fármacos; - absorção dos fármacos pelo organismo; - ação dos fármacos no combate de determinadas doenças; - efeitos das associações entre remédios diferentes; - excreção dos remédios pelo organismo; Essa ciência utiliza-se de conceitos e nomenclaturas próprias, sendo os principais: Farmacocinética: é definida como o estudo quantitativo do desenvolvimento temporal dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Sendo que: Absorção: A absorção é a passagem de substâncias do local de contato, que pode ser um órgão, a pele, os endotélios, para o sangue. Distribuição: é a passagem que ocorre da corrente sanguínea para líquido intersticial e intracelular. Biotransformação: a biotransformação submete o fármaco a reações químicas, geralmente mediadas por enzimas, que o convertem em um composto diferente do originalmente administrado. É a preparação para excreção, que ocorre geralmente no fígado para que, ao passar pelos túbulos renais, o fármaco não seja reabsorvido. Fármaco (pharmacon = remédio): É uma estrutura química conhecida com propriedade de modificar uma função fisiológica já existente, ou seja, substâncias ativas com ação terapêutica. Noções básicas em farmacotécnica: formas farmacêuticas sólidas, semissólidas, líquidas. Componentes de uma forma farmacêutica. Preparo de medicamentos estéreis e não estéreis Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 13 Medicamento: É quando um fármaco se encontra em uma forma farmacêutica. Forma Farmacêutica: É a forma de apresentação do medicamento, podendo ser: Comprimidos, Cápsulas, Drágeas, Pílulas, Soluções, Suspenção, Emulsão, Óvulos, Pomadas, Supositórios. Placebo: é como se denomina um fármaco inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está a sendo tratado. Efeito Placebo: a administração de medicamentos pode produzir além do efeito farmacológico, um efeito adicional: o “efeito placebo”, que é um efeito psicológico que depende da fé ou confiança que o paciente tem no medicamento, na Unidade de saúde ou na pessoa que o orienta (geralmente o médico, a enfermagem e a pessoa do serviço de farmácia). Ex: Se ao tomar um comprimido de ácido acetilsalicílico, sentirmos alívio do sintoma (dor ou febre) em 5 minutos é considerado efeito placebo, pois são necessários 20 minutos para o efeito farmacológico deste medicamento ocorrer. Droga: é um composto químico de origem definida, capaz de interagir com um receptor específico e produzir um efeito farmacológico. Princípio Ativo: é o componente químico capaz de produzir efeito farmacológico. Efeito Farmacológico: o princípio ativo atua sobre determinadas células e órgãos ou em todo o corpo. O resultado é chamado de efeito farmacológico. Um medicamento em geral produz múltiplos efeitos e entre eles: Efeito principal: É aquele que queremos obter. Ex: o efeito farmacológico principal do salbutamol é a dilatação dos brônquios (broncodilatação) que permite aliviar um paciente com crise de asma. Efeito colateral, indesejável ou adverso: Conforme o próprio nome está dizendo é um efeito que não desejamos, mas é produzido pelo mesmo medicamento. Frequentemente são inevitáveis e pouco graves, mas às vezes podem ser muito graves. Ex: o salbutamol, além de atuar sobre os brônquios, atua também sobre o coração provocando um aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia). É um efeito adverso, geralmente não grave. A farmacologia pode ser dividida em: Farmacologia geral, Farmacologia aplicada, Farmacodinâmica, Farmacocinética, Farmacotécnica, Farmacognosia, Farmacoterapêutica, Farmacologia clínica e Toxicologia. Farmacologia Geral: Estuda os conceitos básicos e comuns a todos os grupos de drogas. Farmacologia Aplicada: Estuda os fármacos reunidos em grupos de ação farmacológica similar. Farmacodinâmica: Estuda o local de ação, mecanismo de ação, ações e efeitos, efeitos terapêuticos e efeitos tóxicos de uma droga. Farmacocinética: Atende aos estudos sobre: Vias de administração, absorção distribuição, metabolismo e excreção de uma droga. Os caminhos percorridos por um medicamento no corpo do animal. Farmacotécnica: Trata-se da preparação de das formas farmacêuticas sob as quais os medicamentos são administrados: cápsulas, comprimidos, suspensões etc. A sua purificação e conservação, visando um melhor aproveitamento do medicamento no organismo do animal. Farmacognosia: Estuda a origem, as características, a estrutura, e composição química das drogas no seu estado natural sob a forma de órgãos ou organismos vegetais e animais, assim como seus extratos. Farmacoterapêutica: orientação do uso dos medicamentos para prevenção, tratamento e diagnósticos das enfermidades. Farmacologia Clínica: preocupa-se com os padrões de eficácia e segurança da administração de medicamentos aos animais, comparando informações obtidas em animais saudáveis com as obtidas no animal doente. Toxicologia: área próxima da farmacologia. Ciência que estuda os agentes tóxicos. Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 14 Boas práticas de manipulação de medicamentos A qualidade dos produtos magistrais depende muito do conhecimento científico, da capacitação profissional e competência técnica do farmacêutico e da contínua interação entre farmacêutico, prescritor e paciente. Entretanto, são fatores igualmente importantes e necessários à organização e o constante controle do farmacêutico sobre as técnicas de preparo, matérias-primas, equipamentos e instrumentos utilizados, condições de armazenamento dos insumos e produtos e da documentaçãosobre todos os procedimentos, materiais e recursos empregados na preparação dos produtos magistrais em todas as suas fases, incluindo aquelas posteriores à dispensação. A organização de um sistema integrado, documentado e rastreável de gestão que assegure o controle contínuo da obtenção dos medicamentos e das atividades exercidas na farmácia é fundamental para o sucesso terapêutico do paciente, possibilitando resguardar responsabilidades profissionais do médico e do farmacêutico, bem como o atendimento às normas sanitárias vigentes. O sistema de controle integrado por meio do qual é possível gerenciar a qualidade é denominado de Garantia da Qualidade. Garantia da Qualidade (GQ): A Garantia da Qualidade tem como objetivos: - assegurar a elaboração de especificações, procedimentos operacionais padrão (POP), manual de BPM, ordens de manipulação, metodologia analítica e especificações para matérias-primas, produtos e material de embalagem, controle das condições ambientais e programas de limpeza dos locais de trabalho, armazenamento e dispensação dos produtos e insumos, treinamentos de pessoal, auditorias e inspeções, calibração, manutenção e verificação de equipamentos e de instrumentos, entre outros procedimentos documentados; - garantir o cumprimento das especificações, procedimentos, controles, treinamentos, auditorias e demais tarefas listadas anteriormente, e prover seus registros; - zelar pelo gerenciamento dos registros e da documentação envolvida e de seu arquivamento; - providenciar o adequado dimensionamento físico e organização de espaços para a realização das diversas tarefas e para o armazenamento seguro de substâncias químicas, solventes, material de contraprova, reagentes, documentos, entre outros, bem como de alocação de equipamentos e pessoal; - prever e fornecer todos os subsídios necessários para garantir segurança e eficácia dos produtos obtidos na farmácia e para o atendimento das normas técnicas, fiscais e sanitárias vigentes. Nas BPM que constituem uma parte integrante da GQ, estão estabelecidos os requisitos mínimos para a avaliação farmacêutica da prescrição, manipulação, conservação, dispensação de produtos magistrais e oficinais, fracionamento de produtos industrializados, bem como os critérios para aquisição de matérias- primas e materiais de embalagem. As BPM são aplicadas por meio dos POP elaborados pelo farmacêutico responsável e que devem ser parte integrante do Manual de Boas Práticas de Manipulação. O farmacêutico é o profissional capacitado para criar, atualizar ou invalidar esses procedimentos. Todo POP deve ser redigido com linguagem clara e direta, descrever todas as etapas do procedimento a ser executado, incluir os materiais e equipamentos necessários e sua consulta ser de fácil acesso aos operadores. Somente pode ser executado por operadores previamente treinados e comprovadamente capacitados para o desempenho daquela atividade. Deve haver controle de cópias, datas de elaboração e modificação, e conter os nomes dos responsáveis pela elaboração, revisão e aprovação. Controle de Qualidade: A farmácia deve ter área destinada às atividades de Controle de Qualidade, cujas instalações estejam dimensionadas conforme a demanda e atendam a critérios adequados quanto à organização do espaço físico e equipamentos. As principais análises realizadas relacionam-se às diferentes fases de obtenção do produto magistral, a partir da aquisição dos insumos. Assim, nessa área são analisadas matérias-primas, produtos em processamento e produtos acabados. Os materiais de acondicionamento e embalagem também devem ser avaliados quanto às suas especificações. Matérias-primas e demais insumos: Na aquisição de matérias-primas e outros insumos é desejável que os fornecedores sejam qualificados por meio dos critérios estabelecidos pela legislação vigente, que incluem: a comprovação da regularidade do distribuidor perante aos órgãos de vigilância sanitária, a realização de uma auditoria in loco para verificar o cumprimento das boas práticas de fabricação ou de fracionamento, a correspondência dos resultados analíticos obtidos na farmácia com aqueles fornecidos pelo distribuidor (ou fabricante) e o histórico de fornecimento de matérias-primas e outros insumos aprovados conforme as especificações. As especificações de cada material ou insumo, elaboradas pela farmácia, devem ser fundamentadas nas monografias oficiais, preferencialmente da Farmacopeia Brasileira e, na sua falta, das demais Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 15 farmacopeias reconhecidas pelos órgãos de vigilância sanitária. Não havendo especificações oficiais, essas devem ser elaboradas em conformidade com o fabricante. Para a escolha apropriada das matérias- primas, quanto ao tipo de sal, grau de hidratação, tamanho de partícula, polimorfismo, isomeria, incompatibilidades com outras substâncias, estabilidade, o farmacêutico deve consultar a literatura científica relacionada e avaliar a mais adequada para o emprego, considerando a forma farmacêutica; composição da fórmula; tipo de veículo ou excipiente; estabilidade e pH, dentre outros parâmetros. Inspeção de Recebimento: A Inspeção de Recebimento é realizada no momento de entrega de todo material adquirido pela farmácia e deve ser conduzida por funcionário qualificado e devidamente treinado, que fará o registro adequadamente. Assim, fármacos, matérias-primas, materiais de acondicionamento e de limpeza, entre outros, devem ser submetidos à inspeção de recebimento. É fundamental verificar a integridade da embalagem e do rótulo e certificar que as condições de transporte da matéria-prima foram adequadas. Os materiais devem estar acompanhados de certificados de análise fornecidos pelo distribuidor ou fabricante, nos quais estão descritas as especificações e são indicados os métodos analíticos aplicados com seus respectivos resultados. As condições de armazenagem constantes no rótulo devem ser conferidas conforme dados científicos obtidos pelo farmacêutico e fazem parte das especificações. Com base nos critérios estabelecidos na legislação vigente, os rótulos têm que conter os itens obrigatórios. Controle de qualidade das matérias-primas, produtos acabados e em processo Enquanto as matérias-primas estiverem sob avaliação devem receber rótulos específicos, como por exemplo, “em quarentena” para indicar que elas não estão liberadas para o consumo, necessitando aguardar os resultados para tomada de decisão quanto à aprovação do material. É recomendável, portanto, que as matérias-primas em análise ou avaliação sejam armazenadas em local próprio e separadas daquelas em uso na farmácia, porém, sob condições controladas e adequadas. Os ensaios mínimos requeridos para as matérias-primas, produtos acabados e em processamento estão descritos e têm sua periodicidade definida na legislação sanitária, incluindo os ensaios físico- químicos e/ou microbiológicos para matérias-primas de origem vegetal ou sintética, água de abastecimento e purificada, bases galênicas e pós diluídos, entre outros. São também destacados os controles para produtos acabados na forma sólida e de baixo índice terapêutico, que têm de atender a requisitos específicos. Todas as etapas de obtenção do produto devem ser conferidas e registradas, como por exemplo, as pesagens, tomadas de volume, medições de pH durante o preparo, entre outras. Controle de qualidade da farmacotécnica ou controle do processo Todas as operações de preparo de medicamentos, cosméticos, suplementos nutricionais, entre outros, devem estar descritas em POP, acompanhadas por ordem de produção. A cada formulação deve corresponder documentação na qual as pesagens estejam registradas e conferidas. São consideradas etapas críticas as pesagens e tomadas de volume, determinações de pH, operações de diluição e mistura de pós, agitação e aquecimento. Essa última deve ter critérios bem estabelecidosquanto à temperatura e tempo de aquecimento. Na mistura de pós, para facilitar a obtenção de misturas homogêneas, recomendam-se as seguintes práticas farmacotécnicas: - sempre misturar pós de tenuidades semelhantes e, se preciso for, deverá haver operação de trituração e tamisação para homogeneizar o tamanho de partícula; - iniciar a mistura com o pó presente na fórmula em menor quantidade e ir adicionando os demais conforme a ordem de quantidade crescente; - usar indicador de mistura (corante permitido) quando houver necessidade de misturar pequena quantidade de substância ativa a uma grande massa de excipiente; - ainda no caso anterior, adotar o princípio da diluição geométrica; - após mistura dos pós, passar por tamis. Inspeções e Auditorias A GQ deve prever e promover inspeções e auditorias internas periódicas. Além de serem obrigatórias, com essas inspeções tem-se como objetivos assessorar no cumprimento das leis e regulamentos; corrigir falhas de BPM; detectar possíveis erros na manipulação ou no controle de qualidade; revisar os procedimentos com fins preventivos, para evitar a comercialização de produtos que coloquem em risco a Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 16 saúde pública; ajudar a implantar novos procedimentos ou técnicas; auxiliar na investigação de reclamações de efeitos secundários tóxicos, alterações, adulterações ou contaminações e aprimorar a qualidade dos medicamentos e assegurar sua eficácia e segurança. As auditorias e inspeções são baseadas nos roteiros de inspeção oficiais, incluindo, no mínimo, os requisitos dos órgãos de vigilância, podendo incluir itens específicos, de acordo com a necessidade que o farmacêutico julgar apropriada. Os relatórios das auditorias e inspeções devem ser redigidos em linguagem simples e direta, apontando os itens não conformes. Como resultado prático, cada não conformidade registrada no relatório deve ser avaliada imediatamente e indicados prazo e responsáveis pela sua correção. Manipulação de medicamentos sólidos, semissólidos, líquidos e injetáveis. É o processo de preparo e introdução de medicamento no organismo humano, visando obter efeitos terapêuticos. Naturais: podem ser de origem: - animal - as substâncias medicamentosas são extraídas de glândulas ou peçonhas de animais. Ex: peçonha de cobra. - vegetal - as substâncias são obtidas das diversas partes das plantas. - minerais - as substâncias são extraídas das fontes de minérios e empregadas sob a forma de elementos simples como: cloro, ferro, cálcio ou elementos compostos como sulfato de magnésio, bicarbonato de sódio, permanganato de potássio. Sintéticos: São os obtidos em laboratórios – podem também ser preparados com auxílio de matéria prima natural. Semissintéticos: Alteram-se as substâncias naturais objetivando modificar as características exercidas por elas. Quantidade prescrita do medicamento. Dose Mínima: É a menor quantidade da droga capaz de produzir efeito terapêutico. Dose Máxima: É a maior quantidade de uma droga, capaz de produzir efeito terapêutico, sem apresentar efeitos indesejáveis. Dose de Manutenção: É a dose necessária para manter os níveis desejáveis de medicamento na corrente sanguínea e tecidos durante o tratamento. Formas de apresentação dos Medicamentos Sólida: Pó, comprimido, drágeas (tem revestimento gelatinoso), óvulos, pílulas, supositório (semissólido), cápsulas (invólucro gelatinoso), pérola. Líquidos: Soluções, xarope, elixir, suspensão (agitar antes de usar), colírio, tintura, emulsão (combinação de dois líquidos que não se misturam totalmente). Gasosos: Aerossol, vapores, gasosos. Semissólidos: Pomadas, cremes, geleia. Drogas Irradiantes: Cobalto, césio, raios laser, iodo radioativo. Quando um fármaco modifica a ação do outro. Um fármaco pode diminuir ou potencializar a ação do outro. Pode alterar a forma como um fármaco é absorvido. Sinergismo: Quando o efeito de dois fármacos combinados é maior que quando dados separadamente. Antagonismo: Há antagonismo entre 2 drogas quando a intensidade do efeito de uma é reduzida pelo efeito da outra. A absorção do medicamento ocorre quando esse atravessa barreiras até atingir a circulação sanguínea. Pode ser definida como o transporte da droga do local de absorção até a corrente sanguínea. São considerados fatores importantes na absorção: Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 17 Idade: Os idosos por terem função hepática diminuída, menos massa muscular, função renal diminuída – precisam de doses menores com espaços maiores para evitar intoxicação. Recém-nascido: tem função renal inadequada, sistema metabólico diminuído. É necessário que se faça dosagem individualizada e monitoração cuidadosa. Outros: inanição, cardiopatas, alteração de função renal e hepática, etc. Os fármacos lipossolúveis são mais bem absorvidos. As principais vias de eliminação dos medicamentos são: rins, pulmões, sistema hepatobiliar, suor, saliva, leite. A absorção do medicamento ocorre quando esse atravessa barreiras até atingir a circulação sanguínea. Pode ser definida como o transporte da droga do local de absorção até a corrente sanguínea. Formas farmacêuticas Podemos definir formas farmacêuticas (ou preparações medicamentosas), como um medicamento disposto para seu uso imediato, e resultante da mistura de substâncias adequadas e convenientes para determinada finalidade terapêutica. Uma forma farmacêutica, como mistura que é, contém diversas substâncias que consoante a sua função têm nomenclatura diferente: - Substância Ativa: • Base • Adjuvante - Veículo: Excipiente Estabilizantes (intermediários) - Corretivos: • Edulcorantes • Corantes Substância ativa - A substância ativa é a parte farmacologicamente ativa de uma determinada forma farmacêutica. No caso de haver mais do que uma substância ativa, teremos: Base - é a substância ativa, considerada de maior atividade farmacológica, quer pelo seu potencial de ação, quer pelo seu volume ou quantidade; Ex: AAS. Adjuvante(s) - é a outra, ou outras, substâncias ativas que vão complementar ou reforçar a ação de base. Ex cafeína. Veículo - O veículo é a parte da forma farmacêutica que lhe confere a forma e o volume, e que confere ao preparado uma maior estabilidade física. Não tem ação farmacológica. Excipiente - é o veículo que unicamente tem uma ação passiva, pois destina-se a dar forma, e a aumentar o volume da forma farmacêutica até lhe dar um valor manuseável. Intermédio (ou intermediário) - é o veículo, que vai conferir à forma farmacêutica uma maior estabilidade física (ou seja, confere-lhe homogeneidade). Normalmente são usados nas formas farmacêuticas líquidas ou pastosas em que os diversos componentes têm, por vezes, tendência a separar-se por diferenças de osmolaridade - os intermédios mais correntemente empregados são substâncias tensoativas. Corretivo - O corretivo é uma substância que se junta à forma farmacêutica para lhe modificar as suas características organolépticas e visuais Edulcorantes - São os corretivos que conferem um sabor agradável à preparação (açúcar, mel, sal, etc.). Apostila gerada especialmente para: Ricardo Bomtempo de Souza 339.288.298-40 . 18 Classificação das formas Farmacêuticas Formas farmacêuticas magistrais - são aquelas cuja fórmula é da autoria do clínico, e que o farmacêutico prepara seguindo essas prescrições. Formas farmacêuticas oficinais - são aquelas cuja fórmula e técnica se encontram inscritas e descritas nas Farmacopeias em Formulários. Formas farmacêuticas de Especialidades - são aquelas que se encontram já preparadas e embaladas (especialidade farmacêutica), e que se apresentam sob um nome de fantasia ou sob uma denominação (comum ou científica) da substância ativa que entra na sua composição. São