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SINTAXE DO PERÍODO SIMPLES Português Eficaz | Professor Elias Santana Introdução A sintaxe do período simples é um tema fundamental nos estudos de língua portuguesa para concursos. Iremos explorar em detalhes os principais conceitos relacionados a esse tópico, fornecendo uma base sólida para o entendimento da estrutura das orações e seus elementos. 1. O Período Simples 1.1 Definição de Período Simples O período simples é uma unidade textual que vai da letra maiúscula até o ponto final e contém apenas uma oração, ou seja, um único verbo ou locução verbal. 1.2 Estrutura do Período Simples A estrutura básica do período simples é composta por dois termos essenciais: 1. Sujeito 1. Predicado O sujeito é o termo com o qual o verbo concorda, enquanto o predicado é tudo aquilo que não é sujeito. 1.3 Ordem Direta da Oração Na língua portuguesa, existe uma ordem preferencial para a organização dos termos na oração, conhecida como ordem direta ou canônica. Essa ordem segue o padrão: S + V + C + A Em que: 1. S = Sujeito 1. V = Verbo 1. C = Complemento 1. A = Adjunto adverbial Por exemplo: "O aluno (S) estudou (V) a lição (C) ontem à noite (A)." É importante ressaltar que, embora essa seja a ordem preferencial, a língua portuguesa permite inversões na sentença, o que pode alterar essa estrutura em determinados contextos. 2. O Sujeito 2.1 Definição de Sujeito O sujeito é o termo da oração com o qual o verbo estabelece concordância (concordância verbal). 2.2 Identificação do Sujeito Para identificar o sujeito em uma oração, podemos seguir alguns passos: 1. Localizar o verbo da oração 1. Fazer a pergunta "quem?" ou "o que?" antes do verbo 1. A resposta a essa pergunta será o sujeito Além disso, é importante observar algumas características do sujeito: 1. Não é separado do verbo por vírgula 1. Não é preposicionado (não começa com preposição) 1. Possui um núcleo, que é um substantivo sem preposição 2.3 Tipos de Sujeito · Sujeito Expresso O sujeito expresso é aquele que aparece claramente na oração, sendo facilmente identificável. Ele pode ser classificado em dois tipos: simples e composto. 1. Sujeito Simples O sujeito simples é aquele que possui apenas um núcleo, ou seja, um elemento principal que exerce a função de sujeito na oração. Exemplos: 1. O cachorro latiu durante a noite. 1. As crianças brincavam no parque. 1. A professora explicou a lição. Nestes exemplos, os termos "cachorro", "crianças" e "professora" são os núcleos dos sujeitos simples em suas respectivas orações. 2. Sujeito Composto O sujeito composto, por sua vez, é aquele que possui dois ou mais núcleos. Isso significa que há mais de um elemento exercendo a função de sujeito na oração. Exemplos: 1. O pai e a mãe chegaram do trabalho. 1. Carros, motos e bicicletas transitavam pela avenida. 1. O sol, a lua e as estrelas iluminam o céu. Nos exemplos acima, podemos observar que há mais de um elemento exercendo a função de núcleo do sujeito em cada oração. · Sujeito Não Expresso O sujeito não expresso é aquele que não aparece explicitamente na oração, mas pode ser identificado pelo texto ou pelo discurso. Existem dois tipos de sujeito não expresso: o elíptico (desinencial ou oculto) e o indeterminado. 1. Sujeito Elíptico (Oculto ou Desinencial) O sujeito elíptico, também chamado de oculto ou desinencial, é aquele que não está explícito na oração, mas pode ser facilmente identificado pelo texto ou pelo discurso. Este tipo de sujeito ocorre em três situações principais: 1. Quando o verbo está na primeira ou segunda pessoa do singular ou plural: 0. (Eu) Preciso estudar mais. 0. (Nós) Vamos ao cinema hoje à noite. 0. (Tu) Falas com muita eloquência. 0. (Vós) Sois muito gentis. 1. Quando o verbo está na terceira pessoa do singular: 1. (Ele/Ela) Chegou cedo hoje. 1. (Ele/Ela) Gosta muito de música clássica. 1. Quando o verbo está na terceira pessoa do plural, mas com referente textual: 2. Os alunos fizeram a prova. (Eles) Terminaram rapidamente. 2. As crianças brincavam no parque. (Elas) Corriam e pulavam sem parar. É importante notar que, no caso da terceira pessoa do singular ou plural, sempre haverá um referente textual que permite identificar o sujeito oculto. 2. Sujeito Indeterminado O sujeito indeterminado é aquele que não pode ser identificado pelo texto ou pelo discurso. Existem três formas principais de indeterminar o sujeito: 1. Verbo na terceira pessoa do plural sem referente textual: 0. Roubaram minha carteira ontem. 0. Dizem que vai chover amanhã. 0. Estão construindo um novo shopping na cidade. 1. Verbo na terceira pessoa do singular + partícula "se" (índice de indeterminação do sujeito): 1. Precisa-se de funcionários. 1. Vive-se bem nesta cidade. 1. Trabalha-se muito nesta empresa. 1. Verbo no infinitivo impessoal: 2. É importante preservar o meio ambiente. 2. Viver é aprender constantemente. 2. Sorrir faz bem à saúde. · Orações Sem Sujeito As orações sem sujeito são aquelas em que o verbo não possui um termo para estabelecer concordância. Nestes casos, o verbo é chamado de impessoal e sempre permanece na terceira pessoa do singular. Existem três situações principais em que ocorrem orações sem sujeito: 1. Verbos que indicam fenômenos da natureza Os verbos que indicam fenômenos naturais são sempre impessoais e, portanto, não admitem sujeito. Alguns exemplos são: 1. Choveu muito ontem. 1. Está nevando nas montanhas. 1. Ventava forte durante a tempestade. 1. Anoiteceu rapidamente. 1. Relampejou várias vezes durante a noite. 2. Verbo "haver" no sentido de "existir", "ocorrer" ou "acontecer" Quando o verbo "haver" é utilizado com o sentido de "existir", "ocorrer" ou "acontecer", ele se torna impessoal e, consequentemente, não admite sujeito. Exemplos: 1. Há muitas pessoas na fila do banco. 1. Houve um acidente na rodovia. 1. Haverá uma reunião importante amanhã. 1. Havia várias opções de sobremesa no buffet. É importante ressaltar que, nestes casos, o verbo "haver" deve sempre permanecer no singular, mesmo que o complemento esteja no plural. Além disso, é comum o uso incorreto do verbo "ter" no lugar de "haver" nessas situações, mas isso deve ser evitado na linguagem formal. 3. Verbos "haver" e "fazer" indicando tempo decorrido Quando os verbos "haver" e "fazer" são utilizados para indicar tempo transcorrido, eles também se tornam impessoais e não admitem sujeito. Exemplos: 1. Há cinco anos que não viajo para o exterior. 1. Faz dois meses que comecei a estudar francês. 1. Havia muito tempo que não nos víamos. 1. Fazia horas que esperávamos na fila. Assim como no caso anterior, estes verbos devem sempre permanecer no singular, independentemente do complemento. 2.4 Casos especiais de concordância verbal · Concordância com Sujeito Partitivo O que é um sujeito partitivo? Um sujeito partitivo é aquele cujo núcleo expressa uma ideia de parte de um todo. Palavras como "maioria", "minoria", "parte", "metade", frações e porcentagens são comumente usadas como núcleos de sujeitos partitivos. Regra geral de concordância com sujeito partitivo Quando o núcleo do sujeito é partitivo, a concordância verbal pode ser feita de duas formas: 1. Com o núcleo do sujeito 1. Com o termo que especifica o núcleo Exemplo: "A maioria das pessoas estuda/estudam português." Neste exemplo, temos: 1. Sujeito: "A maioria das pessoas" 1. Núcleo do sujeito: "maioria" 1. Termo que especifica o núcleo: "das pessoas" Ambas as formas de concordância são consideradas corretas: 1. "A maioria das pessoas estuda português." (concordância com o núcleo) 1. "A maioria das pessoas estudam português." (concordância com o termo especificador) Quando o núcleo do sujeito é uma porcentagem, aplicam-se as mesmas regras de concordância dos sujeitos partitivos. No entanto, é importante observar isto para números: 1. De 0 a 1,99999: singular 1. A partir de 2: plural Exemplo: "30% da sociedade não acredita/acreditam em Deus." Ambas as formas são corretas: 1. "30% da sociedade não acredita em Deus." (concordância com o núcleo) 1. "30% da sociedade não acreditam em Deus." (concordância com o termoespecificador) Porém, se o termo especificador estiver no plural, apenas a concordância no plural é possível: "30% dos brasileiros não acreditam em Deus." Quando o núcleo do sujeito é uma fração, a concordância é feita com o numerador da fração. Exemplo: "Um terço dos felinos possui/possuem problemas renais." Neste caso, ambas as formas são corretas: 1. "Um terço dos felinos possui problemas renais." (concordância com o numerador) 1. "Um terço dos felinos possuem problemas renais." (concordância com o termo especificador) · Concordância com Sujeito Composto Regra geral de concordância com sujeito composto A regra geral para sujeitos compostos é que o verbo deve ficar no plural. No entanto, existem algumas nuances importantes a serem consideradas. Sujeito composto anteposto ao verbo Quando o sujeito composto vem antes do verbo, a concordância deve ser feita obrigatoriamente no plural. Exemplo: "Português e direito preocupam em concursos." Neste caso, não seria correto dizer: "Português e direito preocupa em concursos." Sujeito composto posposto ao verbo Quando o sujeito composto vem depois do verbo, temos duas possibilidades de concordância: 1. Concordância no plural (considerando todos os núcleos) 1. Concordância com o núcleo mais próximo Exemplo: "Preocupam/Preocupa em concursos português e direito." Ambas as formas são consideradas corretas: 1. "Preocupam em concursos português e direito." (concordância com todos os núcleos) 1. "Preocupa em concursos português e direito." (concordância com o núcleo mais próximo) · Concordância com Locuções Verbais O que são locuções verbais? Locuções verbais são combinações de dois verbos que funcionam como uma unidade de significado. Elas são compostas por um verbo auxiliar e um verbo principal. Estrutura das locuções verbais 1. Verbo auxiliar: estabelece a concordância com o sujeito 1. Verbo principal: carrega o significado da locução Principais verbos auxiliares Os verbos auxiliares mais comuns em português são: 1. Ser 1. Estar 1. Ter 1. Haver 1. Ir 1. Dever 1. Poder Formas do verbo principal O verbo principal em uma locução verbal sempre aparece em uma das formas nominais: 1. Infinitivo (ex: cantar, correr, partir) 1. Particípio (ex: cantado, corrido, partido) 1. Gerúndio (ex: cantando, correndo, partindo) Pela regra, o verbo auxiliar concorda com o sujeito da oração. Exemplo: "As crianças vão correr no parque." "Eles estão cantando lá fora." Locuções com verbo impessoal Quando o verbo principal da locução é impessoal (como haver no sentido de existir), toda a locução se torna impessoal, e o verbo auxiliar fica sempre no singular. Exemplo: "Deve haver pessoas perdidas por aí." (correto) "Devem haver pessoas perdidas por aí." (incorreto) 1. forma não flexionada, que é sempre aceita. 3. Predicação verbal A predicação verbal refere-se à necessidade que o verbo tem (ou não) de complementos para formar o predicado. Os verbos podem ser classificados em: 1. Intransitivos 1. Transitivos Diretos 1. Transitivos Indiretos 1. Transitivos Diretos e Indiretos 1. De Ligação 3.1 Verbos Intransitivos São verbos que não transitam ou não ligam. Exemplo: "O bebê dormiu." OBS.: qualquer verbo pode ser intransitivo. 3.2 Verbos Transitivos Diretos São verbos que possuem um complemento (objeto direto) sem preposição. Exemplo: "João comprou um livro." 3.3 Verbos Transitivos Indiretos São verbos que possuem um complemento (objeto indireto) com preposição. Exemplo: "Maria gosta de chocolate." 3.3.4 Verbos Transitivos Diretos e Indiretos São verbos que possuem dois complementos: um objeto direto e um objeto indireto. Exemplo: "O professor entregou as provas aos alunos." OBS.: somente verbos de ação podem ser transitivos. 3.3.5 Verbos de Ligação São verbos que ligam o sujeito ao predicativo do sujeito. Exemplo: "A criança está feliz." OBS.: somente verbos de estado podem ser de ligação. 4. Demais estruturas sintáticas da língua portuguesa 4.1 Complementos Verbais Os complementos verbais são termos que completam o sentido de verbos transitivos. 4.1.1 Objeto Direto O objeto direto é o complemento dos verbos transitivos diretos. Ele não possui preposição. Exemplo: "O menino comeu o bolo." (O objeto direto é "o bolo") 4.1.2 Objeto Indireto O objeto indireto é o complemento dos verbos transitivos indiretos. Ele é preposicionado. Exemplo: "Ela confia em seus amigos." (O objeto indireto é "em seus amigos") 4.2 Complemento Nominal O complemento nominal é o termo que completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Exemplo: "O amor aos filhos é fundamental." (O complemento nominal é "aos filhos") 4.3 Agente da Passiva O agente da passiva é o termo que, na voz passiva, pratica a ação expressa pelo verbo. Exemplo: "O livro foi escrito por um autor famoso." (O agente da passiva é "por um autor famoso") 4.4 Adjunto Adnominal O adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina um substantivo. Exemplo: "O carro vermelho é meu." (O adjunto adnominal é “o” e "vermelho") 4.5 Adjunto Adverbial O adjunto adverbial é o termo que modifica o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio, expressando circunstâncias. Exemplo: "Ela cantou alegremente na festa." (O adjunto adverbial é "alegremente") 4.6 Aposto O aposto é um termo que explica, esclarece ou desenvolve outro termo da oração. Exemplo: "Paulo, o melhor aluno da turma, ganhou uma bolsa de estudos." (O aposto é "o melhor aluno da turma") 4.7 Vocativo O vocativo é um termo usado para chamar, invocar ou interpelar alguém ou algo personificado. Exemplo: "Maria, venha jantar!" (O vocativo é "Maria") image1.jpg image10.jpg