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REVISÃO
DE
JULGADOS
STF E STJ
CADERNO DE REVISÃO
2° SEMESTRE DE 2023
T H I A G O S I M Õ E S P E S S O A
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
 
REVISÃO DE 
INFORMATIVOS E 
PRINCIPAIS 
JULGADOS 
 
 
2° SEMESTRE DE 2023 
INCLUI JULGADOS DISPONIBILIZADOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – STJ E PELO SUPREMO 
TRIBUNAL FEDERAL - STF 
 
 
 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
APRESENTAÇÃO 
 
Neste material, consta os principais julgados do Superior Tribunal de 
Justiça - STJ e do Supremo Tribunal Federal - STF disponibilizados pelas Cortes, 
seja por meio dos seus informativos mensais, edições especiais ou notícias 
veiculadas pelas Cortes e demais ferramentas de comunicação. 
Como se notará pelo material, a grande maioria dos julgados trazidos 
são do STJ, tendo em vista que cabe a esta Corte de Justiça, como atribuição 
primordial, a guarda da legislação federal, sendo o Código de Processo Civil, e, 
portanto, o direito processual civil, um dos seus maiores campos de atuação. 
Para que o leitor tenha um maior aproveitamento do material, cabe 
mencionar que o STJ é dividido em 03 Seções, sendo cada qual composta por 
02 Turmas. A 1ª Seção, composta pela 1ª e 2ª Turma, possui atribuição atrelada 
ao Direito Público1. A 2ª Seção, composta pela 3ª e 4ª Turmas, possui atribuição 
atrelada ao Direito Privado2. Já a 3ª Seção, composta pela 5ª e 6ª Turma, possui 
atribuição na área de Direito Penal3. 
Ainda existe na composição do STJ outros dois órgãos, sendo eles o 
Plenário, que possui competência administrativa: elege membros para os cargos 
diretivos e de representação, vota mudanças no regimento e elabora listas 
tríplices de indicados a compor o tribunal, bem como a Corte Especial, que é 
responsável por decidir recursos quando há interpretação divergente entre os 
órgãos especializados do Tribunal, bem como julga as ações penais contra 
governadores e outras autoridades. 
É de suma importância ter ciência desta organização do STJ, tendo em 
vista que os julgados (precedentes) terão maior ou menor grau de vinculação 
aos órgãos inferiores (Juízes, Tribunais Regionais e Estaduais, bem como aos 
próprios órgãos do STJ), a depender do órgão que tiver sido proferido. 
Não se esqueçam que o art. 927 do CPC traz o rol de precedentes 
vinculantes, sendo eles: I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle 
 
1 Ex.: Impostos, previdência, servidores públicos, indenizações do Estado, improbidade. 
2 Ex.: Comércio, consumo, contratos, família, sucessões. 
3 Ex.: Crimes em geral, federalização de crimes contra direitos humanos. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
concentrado de constitucionalidade; II - os enunciados de súmula vinculante; III 
- os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de 
demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial 
repetitivos; IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em 
matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria 
infraconstitucional; V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais 
estiverem vinculados. 
Assim, quanto maior o órgão em que proferido o precedente mais força 
vinculativa terá o julgado. Assim, sem entrar na discussão quanto a outros órgãos 
que não o STJ, temos a seguinte ordem de importância na Corte de Justiça: 
Corte Especial > Seções > Turmas. 
Frise-se que ao STF cabe a análise e guarda da Constituição Federal, 
de modo que a Corte Suprema somente é chamada a atuar para analisar a 
constitucionalidade de normas processuais constantes dos mais diversos 
diplomas legais, sendo o principal deles o Código de Processo Civil. 
Por fim, quero informa-los que o material se encontra dividido em 03 
capítulos. No 1° Capítulo serão colacionados julgados acerca do processo de 
conhecimento até a prolação da sentença; No 2° Capítulo se encontram os 
julgados referentes à fase recursal, precedentes e ações autônomas de 
impugnação; No 3° Capítulo constam os julgados atinentes à fase de execução, 
precatórios e falência. 
Insta esclarecer que os julgados foram organizados de acordo com a 
ordem cronológica de divulgação nos meios oficiais, sendo esta data utilizada 
como critério para inclusão ou não no material referente ao 2° Semestre de 2023 
(e não a data do julgamento em si). Também foram inseridos os julgados das 
Edições Especiais 14 e 15 do STJ, divulgados em Janeiro de 2024, por questão 
metodológica. 
Para mais informações acerca de atualização jurisprudencial referente 
ao 1° Semestre de 2023, recomenda-se a leitura dos Cadernos de Revisão 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
elaborados pelo autor nos temas de Recursos4 e Execução5 e disponíveis para 
download gratuito. 
Quanto ao autor que ora vos escreve, este atualmente é Procurador do 
Estado do Paraná e membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual – IBDP. 
No campo acadêmico, o autor é mestre em Direito, tendo também pós 
graduações em sentido estrito nas áreas de Processo Civil e Direito Tributário, 
sendo autor e coautor de inúmeras obras jurídicas, inclusive com títulos voltados 
ao estudo de concurso público. Atualmente também é professor de processo civil 
em cursos e pós graduações. 
Por fim, para se manter atualizado mensalmente acerca dos 
entendimentos dos Tribunais Superiores em matéria de Processo Civil, 
recomendo que sigam meu perfil profissional no Instagram: 
@Prof.ThiagoSimoes. 
 
 
4 Disponível em 
5 Disponível em 
https://www.academia.edu/105584887/Caderno_de_Revis%C3%A3o_Recursos_e_Precedentes
https://www.academia.edu/105584936/Caderno_de_Revis%C3%A3o_Execu%C3%A7%C3%A3o_e_Precat%C3%B3rios
https://www.academia.edu/105584936/Caderno_de_Revis%C3%A3o_Execu%C3%A7%C3%A3o_e_Precat%C3%B3rios
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
Sumário 
PRINCIPAIS JULGADOS DO 2° SEMESTRE DE 2023 NO TEMA DE PROCESSO DE 
CONHECIMENTO ATÉ A PROLAÇÃO DA SENTENÇA .................................................... 6 
PRINCIPAIS JULGADOS DO 2° SEMESTRE DE 2023 NO TEMA DE RECURSOS, 
PRECEDENTES E AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO ..................................... 29 
PRINCIPAIS JULGADOS DO 2° SEMESTRE DE 2023 NO TEMA DE EXECUÇÃO, 
PRECATÓRIOS, FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL .......................................... 40 
 
 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
PRINCIPAIS JULGADOS DO 2° SEMESTRE DE 2023 NO TEMA DE 
PROCESSO DE CONHECIMENTO ATÉ A PROLAÇÃO DA SENTENÇA 
 
1. O art. 382, § 4º, do Código de Processo Civil6, não pode ser interpretado em 
sua acepção literal, de modo a obstar qualquer manifestação da parte adversa 
no procedimento de antecipação de provas, em detida observância do 
contraditório. 
Reconhecida a existência de um direito material à prova, autônomo em si, ressai 
claro que, no âmbito da ação probatória autônoma, mostra-se de todo imprópria 
a veiculação de qualquer discussão acerca dos fatos que a prova se destina a 
demonstrar, assim como sobre as consequências jurídicas daí advindas. 
As ações probatórias autônomas guardam, em si, efetivos conflitos de interesses 
em torno da própria prova, cujo direito à produção constitui a própria causa de 
pedir deduzida e naturalmente, passível de ser resistida pela parte adversa, por 
meio de todas as defesas e recursos admitidos em nosso sistema processual, 
na medida em que sua efetivação importa, indiscutivelmente, na restrição de 
direitos. 
(REsp 2.037.088-SP, Relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por 
unanimidade, julgado em 7/3/2023) 
 
2. Em caso de dissolução, por decisão judicial, da associação autora de ação 
civil pública, é possível a substituição processual pelo Ministério Público. 
(AgInt no REsp 1.582.243-SP, Rel. Ministra Mariavencimento 
antecipado dos valores já liberados em contrato de financiamento firmado com 
a Caixa Econômica Federal, o que, de forma reflexa, comprometeria a 
continuidade dos serviços públicos de saneamento básico, além de causar grave 
lesão à ordem e à economia públicas. 
No caso, conquanto da companhia de abastecimento ser concessionária de 
serviço público, não restou efetivamente comprovado, de forma inequívoca, que 
a pretensão deduzida visa, efetivamente, à tutela do interesse público primário - 
assim entendido como a própria subsistência da prestação do serviço público, 
sujeito ao princípio da continuidade. 
(Inf. 797 de 05/12/2023. AgInt na SLS 3.204/SP. Corte Especial) 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
24. A Corte Especial do STJ esclareceu que não cabe sustentação oral no 
julgamento de agravo interno (AgInt) ou agravo regimental (AgRg) contra 
decisão que nega seguimento a recurso extraordinário (RE) interposto 
contra acórdão do STJ. 
O vice-presidente do STJ, ministro Og Fernandes – prolator da decisão 
monocrática em questão –, explicou que, nos termos do artigo 22, parágrafo 2º, 
inciso I, alínea "a", do Regimento Interno do STJ, a atribuição da vice-presidência 
em recursos extraordinários está restrita ao exame da admissibilidade. 
(PSusOr no AgRg no RE nos EDcl no AgRg no AGRAVO EM RECURSO 
ESPECIAL Nº 2.026.533/SP. Rel. Min. Og Fernandes. Corte Especial. Julgado 
em 19/04/2023). 
 
25. É indevida a majoração dos honorários recursais em recurso da parte 
vencedora para ampliar a condenação, ainda que tal recurso seja desprovido. 
O texto do §11 do art. 85 do CPC/15, prevê, expressamente, que somente serão 
majorados os 'honorários fixados anteriormente', de modo que, não havendo 
arbitramento de honorários pelas instâncias ordinárias, como na espécie, não 
haverá incidência da referida regra. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. EAREsp 1.847.842/PR. Corte Especial do 
STJ). 
 
26. A doença que acomete o advogado somente pode constituir justa causa para 
autorizar a interposição tardia de recurso se, sendo o único procurador da parte, 
estiver o advogado totalmente impossibilitado de exercer a profissão ou de 
substabelecer o mandato a colega seu para recorrer da decisão. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. AgInt no AREsp 1.223.183/RS. 4ª Turma) 
 
27. Compete às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de 
Justiça a competência para processar e julgar as Reclamações destinadas a 
dirimir divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e a 
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada em incidente de 
assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas, em 
julgamento de recurso especial repetitivo e em enunciados das Súmulas do STJ. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
(AgInt na Rcl 41.841-RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira 
Seção, por unanimidade, julgado em 8/2/2023). 
 
28. À falta de baliza normativa específica, revela-se viável que o conceito de 
jurisprudência dominante, para efeito do manejo do pedido de uniformização de 
interpretação de lei federal, busque parâmetros na dicção do art. 927 do CPC, 
adotando-se, como paradigmas utilizáveis pela parte requerente, decisões 
proferidas pelo STJ, originariamente, no âmbito de IRDRs, de IACs e de seus 
recursos especiais repetitivos. 
No entanto, também restou decidido que o conceito de “jurisprudência 
dominante” para esses casos também deve abranger as decisões em sede de 
embargos de divergência julgados pela Corte Especial ou pela Primeira Seção, 
bem como as teses fixadas em sede de julgamento de pedidos de uniformização 
de lei federal. 
Assim, jurisprudência dominante para estes fins é mais abrangente que 
julgamento de Recursos Repetitivos, IRDRs e IACs. 
(PUIL 825-RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, por unanimidade, 
julgado em 24/5/23.) 
 
29. O Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei somente é cabível no 
âmbito de processos de competência dos Juizados Especiais da Fazenda 
Pública dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os 
quais são regulados pela Lei n. 12.153/2009, e aqueles relacionados aos 
Juizados Especiais Federais, regidos pela Lei n. 10.259/2001. 
(AgInt no PUIL 3.272-MG, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino (in 
memorian), Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 14/3/2023, DJe 
16/3/2023) 
 
30. IRDR (incidente de resolução de demandas repetitivas) e IAC (incidente de 
assunção de competência) passaram a ser admitidos expressamente no âmbito 
dos Juizados Especiais da Fazenda Pública do Paraná, o que vem previsto agora 
no Regimento Interno do TJPR. 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Assim, atualmente, a competência para julgamento destes incidentes, bem como 
das reclamações decorrentes de violação de precedentes vinculantes no âmbito 
dos Juizados Especiais, será das Turmas de Uniformização de Jurisprudência, 
integrantes do sistema dos Juizados Especiais Estaduais. 
Porém, a eficácia destes precedentes se limitará aos juízes integrantes do 
sistema dos Juizados Especiais, perdendo ainda força vinculante em caso de 
superveniente julgamento de novo precedente vinculante no âmbito do Tribunal 
de Justiça naquilo que com ele conflitar. 
(Previsão Legal: (arts. 290, par. 3; 298, par. 9 e 10; 305, par. 2, 2-A e B; 306, par. 
1-A, 3 e 7; 308, par. 3 e 4; 379, par. 2, todos do Regimento Interno do TJPR). 
 
31. Possibilidade de desconstituição de título executivo sem a necessidade de 
ação rescisória no âmbito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, ainda 
que o feito tenha transitado em julgado sem vícios. Teses firmadas pelo STF no 
julgamento do Tema 100: 
a) É possível aplicar o artigo 741, parágrafo único, do CPC/1973, atual art. 
535, § 5º, do CPC/2015, aos feitos submetidos ao procedimento 
sumaríssimo, desde que o trânsito em julgado da fase de conhecimento 
seja posterior a 27.8.2001; 
b) É admissível a invocação como fundamento da inexigibilidade de ser o 
título judicial fundado em ‘aplicação ou interpretação tida como 
incompatível com a Constituição’ quando houver pronunciamento 
jurisdicional, contrário ao decidido pelo Plenário do Supremo Tribunal 
Federal, seja no controle difuso, seja no controle concentrado de 
constitucionalidade; 
c) O art. 59 da Lei 9.099/1995 não impede a desconstitui-ção da coisa 
julgada quando o título executivo judicial se amparar em contrarie-dade à 
interpretação ou sentido da norma conferida pela Suprema Corte, anterior 
ou posterior ao trânsito em julgado, admitindo, respectivamente, o manejo 
(i) de impugnação ao cumprimento de sentença ou (ii) de simples petição, 
a ser apre-sentada em prazo equivalente ao da ação rescisória.” 
Assim, se o pronunciamento do STF for anterior à formação do trânsito em 
julgado, deve ser admitida a impugnação ao cumprimento de sentença, pois 
descumprido cla-ramente precedente que deveria ter sido observado para a 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
hermenêutica da questão constitucional, o qual repercutiria na conclusão do 
caso concreto. 
De outro lado, na hipótese em que for posterior à coisa julgada, a insurgência 
deve ser arguida mediante simples petição, a ser apresentada em prazo 
equivalente ao da ação rescisória (2 anos), dada a necessidade de adotar 
procedimentos judiciais mais céleres e informais na resolução de conflitos de 
menor complexidade. Evidentemente, para possuir tamanha eficácia expansiva, 
é necessário que a manifestação do STF ocorra em sua composição plenária. 
Apesar do entendimento ser aplicável aos Juizados da Fazenda e Federal, abre 
brecha para futuras discussões quanto à aplicação também nos Juizados 
Especiais Cíveis, dada a existência de dispositivo idêntico no art. 525, parágrafo 
12, do CPC (Execução contra particulares). 
(RE 586.068/PR. Pleno do STF. Rel. Min. Rosa Weber. Julgadoem 09/11/2023). 
 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
PRINCIPAIS JULGADOS DO 2° SEMESTRE DE 2023 NO TEMA DE 
EXECUÇÃO, PRECATÓRIOS, FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
 
1. É constitucional o sequestro de verbas públicas pela autoridade judicial 
competente nas hipóteses do § 4º do art. 78 do ADCT, cuja normatividade veicula 
regime especial de pagamento de precatórios de observância obrigatória por 
parte dos entes federativos in 
adimplentes na situação descrita pelo caput do dispositivo. 
Originalmente, somente a preterição da ordem de pagamento ensejava a 
realização de sequestro da quantia necessária à satisfação do débito (CF/1988, 
art. 100, § 2º, na redação original) (1). No entanto, a partir da EC 30/2000, todas 
as modificações referentes à sistemática dos precatórios passaram a admitir o 
sequestro para a quitação das parcelas nas hipóteses de não alocação 
orçamentária para satisfazer os valores devidos, como, por exemplo, a previsão 
contida no art. 103 do ADCT (2). 
Nesse contexto, o regime especial do art. 78 do ADCT (3) é impositivo, visto que 
os precatórios se encontram vencidos, em desrespeito à normatividade geral 
sobre a matéria (CF/1988, art. 100). 
(RE 597.092/RJ, rel. min. Edson Fachin, Pleno STF, julgado virtual finalizado em 
23/06/2023). 
 
2. O cumprimento de sentença relativo a honorários sucumbenciais deve ser 
processado, em regra, no juízo que decidiu a causa principal, da qual proveio a 
verba honorária, ainda que se trate de vara especializada. Na decisão, o 
colegiado ressalvou a possibilidade de o exequente escolher outro juízo. 
O recurso julgado pela turma tratava de um caso em que, no cumprimento de 
sentença relativo a honorários fixados em ação de guarda, o juízo não conheceu 
do pedido de execução, por entender que a matéria era alheia à sua competência 
especializada e deveria ser processada em juízo cível. 
(Processo em Segredo de Justiça. Notícia veiculada no site do STJ no seguinte 
link: ). 
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/05072023-Em-regra--honorarios-sucumbenciais-serao-processados-no-juizo-que-decidiu-a-causa.aspx
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/05072023-Em-regra--honorarios-sucumbenciais-serao-processados-no-juizo-que-decidiu-a-causa.aspx
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/05072023-Em-regra--honorarios-sucumbenciais-serao-processados-no-juizo-que-decidiu-a-causa.aspx
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
3. As verbas relativas ao FGTS cobradas do Estado do Paraná por seus ex-
servidores temporários têm natureza fundiária. 
A Primeira Seção do STJ entende que das verbas relativas ao FGTS cobradas 
do Estado do Paraná por seus ex-servidores temporários, têm natureza 
fundiária, afastando-se, portanto, os critérios de atualização monetária previstos 
no Tema 905/STJ. 
Em virtude de a aplicação da tese firmada no Tema 731/STJ, estar atualmente 
sobrestada por força de decisão liminar proferida pelo Ministro Luís Roberto 
Barroso, nos autos da ADI 5.090/DF, a forma como serão atualizados os valores 
das verbas discutidas no feito deverá observar decisão definitiva a ser proferida 
pelo STF, no julgamento da referida ação direta de inconstitucionalidade. 
Dessa forma, é de se definir a natureza fundiária/FGTS das verbas cobradas do 
Estado do Paraná por seus ex-servidores temporários. Dispensa-se, por ora, a 
aplicação dos critérios de atualização monetária previstos no Tema 905/STJ, 
adotado pela Turma Recursal de origem, até que sobrevenha decisão definitiva 
sobre o assunto, pelo STF, no âmbito da ADI 5.090/DF, quando o Colegiado 
estadual, no que concerne aos índices de atualização monetária, deverá 
promover o eventual ajuste de sua decisão, em analogia com o iter indicado no 
art. 1.040 do CPC/2015. 
(Informativo 11, edição especial, STJ. AgInt no PUIL 1.249/PR, rel. min. Herman 
Benjamin, Primeira Seção, julgado em 12/04/2023) 
 
4. É possível à Defensoria Pública, na qualidade de curadora especial de réu 
revel, alegar impenhorabilidade de valores constritos no bojo de execução 
deflagrada contra o curatelado. 
(Informarivo 11, edição especial, STJ, REsp 1.801.939/RS, 1 Turma do STJ, 
julgado em 14/02/2023) 
 
5. A garantia da Execução Fiscal por fiança bancária ou seguro garantia não 
pode ser feita exclusivamente por conveniência do devedor, sendo legítima a 
recusa pela Fazenda Pública. 
CUIDADO. Quanto à execução entre particulares, o entendimento é outro. Nesse 
sentido, o STJ: É possível a substituição da penhora em dinheiro por seguro 
garantia judicial, observados os requisitos do art. 835, § 2o, do CPC/2015, 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
independentemente da discordância da parte exequente, ressalvados os casos 
de insuficiência, defeito formal ou inidoneidade da salvaguarda oferecida. (REsp 
2.034.482-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, 
julgado em 21/3/2023, DJe 23/3/2023). 
(Inf. 11, edição especial do STJ, AgInt no AREsp 1.840.734/GO, Primeira Turma, 
julgado em 05/06/2023) 
 
6. O Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que o art. 114 da Lei 
n. 8.213/91 veda, expressamente, a cessão de créditos previdenciários, 
afigurando-se nula qualquer cláusula que disponha de modo diverso. Caso 
julgado se tratava de cessão de crédito já constituído em ação judicial, 
culminando assim na expedição de precatório/ RPV. 
Porém, vale mencionar que o julgado se encontra em conflito com julgado 
recente da 1 Turma. Vejamos: O crédito inscrito em precatório oriundo de ação 
previdenciária pode ser objeto de cessão a terceiros. Portanto, a cessão de 
créditos inscritos em precatórios, autorizada pelo art. 100, §§ 13 e 14, da 
Constituição Federal, permite ao credor, mediante negociações entabuladas com 
eventuais interessados na aquisição do direito creditício com deságio, a 
percepção imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quitação 
da dívida pelo poder público, cujo notório inadimplemento fomenta a instituição 
de mercado dos respectivos títulos, abrangendo, inclusive, as parcelas de 
natureza alimentar (REsp 1.896.515-RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, 
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 11/4/2023, DJe 17/4/2023)14. 
(Inf. 11 edição especial do STJ, AgInt no REsp 1.923.742/RS, 2 Turma, julgado 
em 03/04/2023). 
 
7. Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a aplicação sucessiva das 
diversas faixas de alíquotas de honorários advocatícios dá-se quando o 
benefício econômico obtido pelo vencedor superar a primeira faixa do 
escalonamento contido no art. 85, § 3º, do CPC/2015, não havendo distinção se 
vencedora a Fazenda Pública ou a parte contrária. 
 
14 Diante disso, qual a ferramenta processual para atacar a decisão? R.: Embargos de Divergência, a ser 
julgado pela 1 Seção do STJ, pois é o órgão competente por uniformizar a jurisprudência das suas 
respectivas turmas. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
(Inf. 11, edição especial STJ, REsp 1.769.017/RS, 2 Turma, julgado em 
23/05/2023). 
 
8. Para reconhecer a impenhorabilidade, nos termos do art. 833, VIII, do 
CPC/2015, é imperiosa a satisfação de dois requisitos, a saber: (I) que o imóvel 
se qualifique como pequena propriedade rural, nos termos da lei, e (II) que seja 
explorado pela família. 
Portanto, a ausência de comprovação, pela parte executada, de que o imóvel 
penhorado é explorado pela família afasta a incidência da proteção da 
impenhorabilidade. 
(Informativo 12, edição especial STJ, REsp 1.913.234/SP, 2 Seção, julgado em 
08/02/2023) 
 
9. A mera decisão de desconstituição da personalidade jurídica pela Justiça 
trabalhista, por si só, não enseja oreconhecimento de usurpação da 
competência do juízo falimentar, porque não atinge direta e concretamente os 
bens da massa falida. 
(Inf. 12, edição especial do STJ, AgInt no CC 190.942/GO, 2 Seção, julgado em 
05/06/2023) 
 
10. A emissão de duplicata não constitui via adequada para a cobrança, da 
instituição credenciadora, de crédito titularizado por comerciante que aceita 
instrumentos de pagamento (cartões) na comercialização de produtos e serviços 
e que, em virtude de fraude praticada por terceiro, deixa de recebê-lo. 
Na relação jurídica existente entre as partes, é a autora que figura como 
prestadora de serviços à parte ré, ao disponibilizar-lhe meio de pagamento que, 
na atualidade, é utilizado pela esmagadora maioria de comerciantes (máquinas 
de processamento de pagamentos mediante cartão de crédito/débito). Hipótese 
em que a parte ré emitiu duplicata visando à cobrança de valor correspondente 
a prejuízos sofridos em decorrência de ato praticado por terceiro. A instituição 
credenciadora, ao efetuar pagamentos aos lojistas (liquidação de transação), 
não figura como compradora de suas mercadorias, tampouco como tomadora de 
serviços por eles prestados. Ao revés, são os lojistas que se utilizam dos serviços 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
prestados pela entidade credenciadora. Desse modo, conquanto sejam os 
lojistas credores das importâncias relativas à venda de seus produtos ou 
serviços, descontadas as taxas pertinentes, não podem exigi-las por meio da 
emissão de duplicatas, vinculados que estão esses títulos à existência de uma 
obrigação de pagar por produtos ou serviços adquiridos. Menos ainda poderiam 
utilizar tal expediente para viabilizar a cobrança de um suposto crédito resultante 
de responsabilidade civil. 
(Inf. 12, edição especial do STJ, REsp 2.036.764/SP, julgado em 07/02/2023) 
 
11. Após a prescrição cambial, o cheque perde os atributos cambiários, 
permitindo na ação monitória a discussão do negócio jurídico subjacente e a 
oposição de exceções pessoais a portadores precedentes ou ao próprio 
emitente, com o ônus da prova da ilicitude do negócio jurídico incumbido ao 
devedor. 
(Inf. 12, edição especial do STJ, 3 Turma, REsp 2.020.895/MG, julgado em 
28/02/2023) 
 
12. A prévia expedição de ofício às concessionárias de serviços públicos, para 
fins de localização do réu, antes de se autorizar a citação por edital, é facultativa. 
(Inf. 12, edição especial STJ, REsp 1.971.968/DF, 3 Turma, julgado em 
20/06/2023) 
 
13. Na execução de Cédula de Produto Rural em formato cartular, a exigência 
de apresentação do título original somente deve ocorrer diante de alegação 
concreta e motivada pelo devedor da falta de exigibilidade, liquidez e certeza do 
título. 
Nestes casos em que houver dúvida, o juiz poderá determinar o depósito do título 
em cartório ou na Secretaria, consoante possibilita o art. 425, par. 2, do CPC. 
(Inf. 12, edição especial STJ, REsp 2.013.526/MT, 3 Turma, julgado em 
28/02/2023) 
 
14. No caso de descumprimento do plano dentro do prazo de fiscalização judicial, 
o credor vai se habilitar na falência pelo valor original do crédito e nada obsta 
que prossiga na execução contra os coobrigados, com base no título executivo 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
que teve suas garantias restabelecidas, ainda que originalmente tenha aderido 
à cláusula de supressão de garantias, ressalvado as hipóteses em que o bem 
dado em garantia tenha sido alienado ou substituído. 
De outro lado, se o descumprimento der depois do prazo de fiscalização judicial, 
a novação terá se tornado definitiva, de modo que somente caberá ao credor 
requerer a execução específica do plano ou a decretação de falência. 
(Inf. 12, edição especial STJ, REsp 1.899.107/PR, 3 Turma, julgado em 
25/04/2023) 
 
15. O aval não se equipara à fiança no que diz respeito à possibilidade de usufruir 
do benefício de ordem, uma vez que o avalista é um responsável autônomo e 
solidário. 
(Inf. 12, edição especial STJ, AgInt no REsp 2.027.935/DF, 4 Turma, julgado em 
17/04/2023) 
 
16. O veículo adaptado para pessoa com mobilidade reduzida pode ter sua 
impenhorabilidade reconhecida, desde que efetivamente demonstrada sua 
essencialidade no caso concreto. 
No caso julgado, o STJ reconheceu a impenhorabilidade de veículo utilizado para 
transporte a tratamentos médicos permanentes. Em tais casos, embora não seja 
o único meio viável para sua locomoção, não há como considerar que o veículo 
em questão seja, para seu proprietário, uma mera conveniência, pois são 
notórias as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com mobilidade reduzida 
quando necessitam utilizar de transportes públicos nos seus deslocamentos 
diários. 
(Inf. 12, edição especial STJ, AgInt no REsp 1.945.680/SP, 4 Turma, julgado em 
12/06/2023) 
 
17. Havendo desconsideração da personalidade em proveito de sócio morador 
de imóvel de titularidade da sociedade devedora, haverá, na prática, desfalque 
do patrimônio social garantidor do cumprimento das obrigações da pessoa 
jurídica e, portanto, sendo a desconsideração via de mão dupla, poderão ser 
executados, para a satisfação da dívida da empresa, bens pessoais dos sócios 
até o limite do valor de mercado do bem subtraído da execução, 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
independentemente do preenchimento de requisitos como má-fé e desvio de 
finalidade previstos no caput do art. 50 do Código Civil. A confusão patrimonial 
de ordem prática entre a sociedade familiar e o sócio morador, base para o 
benefício, será igualmente a base para a excussão de bens particulares dos 
sócios. 
No caso concreto, versava a controvérsia sobre analisar a impenhorabilidade ou 
não de imóvel pertencente à sociedade empresarial e no qual se alega residirem 
a sócia e familiares, à luz da Lei n. 8.009/1990, que trata do bem de família 
(Inf. 12, edição especial do STJ, REsp 1.514.567/SP, julgado em 14/03/2023) 
 
18. Os certificados em poder das instituições de ensino, recomprados pelo FIES 
e que excederem os débitos previdenciários e tributários destas, estão sujeitos 
à penhora. 
(Inf. 12, edição especial STJ, REsp 1.760.784/DF, 4 Turma, julgado em 
06/06/2023) 
 
19. A certidão expedida em feito executivo, na forma do art. 94, II, § 4º, da Lei n. 
11.101/2005 enseja a presunção legal da insolvência do devedor e não cabe 
exigir do credor a prova dessa circunstância fático-jurídica. 
No caso, o pedido falimentar inicial veio amparado em certidão expedida por 
juízo que processa execução de título extrajudicial. No feito, a devedora não 
efetuou o pagamento da dívida ou depósito do valor exigido nem nomeou à 
penhora bens suficientes para a garantia do Juízo. 
(Inf. 12, edição especial do STJ, AgInt no AREsp 1.681.533/GO, julgado em 
24/04/2023) 
 
20. O imóvel alienado fiduciariamente não pode ser penhorado em execução de 
despesas condominiais de responsabilidade do devedor fiduciante. Para o 
colegiado, embora o devedor responda com seu patrimônio nesses casos, isso 
não se aplica à hipótese de imóvel em alienação fiduciária, pois ele integra o 
patrimônio de terceiro. 
Na origem do caso, um condomínio residencial ajuizou execução para receber 
cotas condominiais em atraso. O devedor opôs embargos à execução, alegando 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
a impossibilidade da penhora do apartamento, por ele estar alienado 
fiduciariamente a um banco. 
"No direito brasileiro, afirmar que determinado sujeito tem a responsabilidade 
pelo pagamento de um débito significa dizer, no âmbito processual, que o seu 
patrimônio pode ser usado para satisfazer o direito substancial do credor, na 
forma do artigo 789 do Código de Processo Civil (CPC)", disse a relatora do 
caso, a Min. Nancy Andrighi. 
De acordo com a ministra, por ser o devedor fiduciante responsável pelas 
despesas condominiais enquanto estiver na posse direta do apartamento,seu 
patrimônio deve ser usado para a quitação dos débitos – o que não inclui o imóvel 
alienado, já que este integra o patrimônio do credor fiduciário. 
Por outro lado, a relatora ressalvou que, embora não seja possível a penhora do 
imóvel alienado, é admitida a penhora do direito real de aquisição derivado da 
alienação fiduciária, nos termos do artigo 1.368-B do CC e do artigo 835, inciso 
XII, do CPC. 
CUIDADO: Posteriormente, houve a prolação de decisão em sentido contrário 
pela 4ª Turma, que assim julgou: Em execução por dívida condominial movida 
pelo condomínio edilício, é possível a penhora do próprio imóvel (e não do direito 
de crédito às parcelas pagas - direiro real de aquisição) que dá origem ao débito, 
ainda que esteja alienado fiduciariamente, devendo o condomínio exequente 
promover a prévia citação também do credor fiduciário, a fim de que venha 
integrar a execução, facultando-lhe a oportunidade de quitar o débito 
condominial. (Informativo n. 789 de 03/10/2023. REsp 2.059.278/SC. 4 Turma) 
(REsp 2.036.289/RS. 3ª Turma. Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 
18/03/2023). 
 
21. É nula a execução de cheque que não foi apresentado previamente ao banco 
sacado para pagamento, ante a ausência de exigibilidade do título, nos termos 
do artigo 803, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC). 
De acordo com o colegiado, a falta de apresentação do cheque ao banco impede 
o seu vencimento e, como consequência, a constituição do devedor em mora. 
No caso julgado, a parte ajuizou ação de execução de quatro cheques, no valor 
aproximado de R$ 160 mil. A executada opôs embargos à execução, afirmando 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
estarem ausentes os requisitos para a plena validade dos títulos executivos. As 
instâncias ordinárias não acolheram os embargos. 
(REsp 2.031.041/DF. 3ª Turma do STJ. Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 
14/03/2023). 
 
22. A pretensão de expedição de novo precatório ou requisição de pequeno valor, 
fundada nos arts. 2º e 3º da Lei 13.463/2017, sujeita-se à prescrição quinquenal 
prevista no art. 1º do Decreto 20.910/32 e tem, como termo inicial, a notificação 
do credor, na forma do § 4º do art. 2º da referida Lei 13.463/2017. 
Frise-se que no julgamento da ADI 5755/DF, o STF firmou o entendimento de 
que é inconstitucional o art. 2°, da Lei 13.463/2017, que determinava o 
cancelamento de precatórios requisitórios e RPVs depositados e não levantados 
pelo credor no prazo de 02 anos. No entanto, no julgamento dos Embargos de 
Declaração, o STF entendeu por bem modular os efeitos desta decisão, 
assentando que a decisão de mérito proferida nesta ação direta somente produz 
efeitos a partir da publicação da ata de julgamento meritório (06.7.2022). 
(Tema Repetitivo 1141. REsp 1.944.899/PE. 1ª Seção do STJ. Julgado em 
31/10/2023). 
 
21. A avaliação de bem penhorado realizada sem a substituição processual de 
parte falecida é nulidade relativa 
A Terceira Turma do STJ, em julgamento unânime, negou recurso de herdeira 
que buscava anular a avaliação de imóvel do falecido feita após a sua morte. 
Seguindo o voto do relator, o colegiado entendeu que, havendo omissão das 
partes interessadas em informar o óbito no processo, não é possível alegar 
prejuízo ou nulidade neste ato processual. 
A situação analisada pelo colegiado envolveu uma execução na qual esposo e 
esposa foram coexecutados após descumprirem acordo firmado com um banco. 
Em setembro de 2018, foi determinada a penhora em um imóvel dos 
coexecutados. No mês seguinte, o esposo morreu. Em dezembro daquele ano, 
ao apresentar impugnação à penhora, a esposa não comunicou nos autos o 
falecimento do esposo para fins de regularização processual. 
A avaliação do bem foi feita em 2019 e, no final daquele ano, uma das herdeiras 
ingressou no feito para informar a morte do pai. Mesmo com a suspensão do 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
processo determinada pelo juiz, não foi informado nos autos quem seria o 
inventariante. 
Em maio de 2020, uma das herdeiras buscou o reconhecimento de nulidade dos 
atos processuais após a morte do pai em razão da não regularização do polo 
passivo da ação de execução. O pedido foi rejeitado em primeira e segunda 
instâncias, e reiterado no recurso especial. 
(REsp 2.033.239/SP. 3ª Turma do STJ. Rel. Min. Marco Aurélio Bellize. Julgado 
em 14/02/2023). 
 
22. Os pais não podem ser cobrados por dívida escolar se o contrato foi 
celebrado por terceiro 
Para a Quarta Turma do STJ, a execução de dívida resultante do não pagamento 
de mensalidades escolares, quando a prestação dos serviços educacionais foi 
contratada por terceiro estranho à entidade familiar, não pode ser direcionada 
aos pais do aluno, que não participaram de tal contrato. 
 
Uma pessoa não pertencente à família assinou o contrato com a escola 
particular, como responsável financeira pelo estudante, mas, no decorrer do ano 
letivo, algumas parcelas não foram pagas, e a instituição de ensino pretendeu 
dirigir a execução da dívida contra os pais. O juízo de primeiro grau decidiu que 
eles não eram responsáveis solidários pelos débitos contratuais objeto da ação 
executória, entendimento mantido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. 
No recurso ao STJ, a instituição de ensino invocou a jurisprudência firmada a 
partir do julgamento do REsp 1.472.316, segundo a qual os pais são 
responsáveis solidários pelo pagamento das despesas escolares dos filhos, em 
decorrência do poder familiar, mesmo que um deles não faça parte do contrato, 
que acabou não sendo aplicado, em razão das diferenças fundamentais entre o 
precedente firmado e o caso sob análise do STJ. 
(AgInt no AREsp 571.709/SP. 4ª Turma. Rel. Min. Raul Araújo. Julgado em 
07/02/2023). 
 
23. Revisão do Tema 677 do STJ, que passou a ter a seguinte redação: Na 
execução, o depósito efetuado a título de garantia do juízo ou decorrente da 
penhora de ativos financeiros não isenta o devedor do pagamento dos 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
consectários de sua mora, conforme previstos no título executivo, devendo-se, 
quando da efetiva entrega do dinheiro ao credor, deduzir do montante final 
devido o saldo da conta judicial. 
No caso concreto julgado, restou decidido que o montante devido deveria ser 
calculado com a incidência dos juros de mora previstos na sentença transitada 
em julgado, até o efetivo pagamento da credora, deduzido o saldo do depósito 
judicial e seus acréscimos pagos pelo Banco depositário. 
(REsp 1.820.963/SP. Corte Especial do STJ. Rel. Min. Nancy Andrighi. 
19/10/2022). 
 
24. A pessoa jurídica pode recorrer contra penhora de bens de sócio para 
defender interesse próprio. A pessoa jurídica tem legitimidade para recorrer da 
decisão que decretou a penhora de bens de um sócio não integrante do polo 
passivo da ação, desde que o faça para defender interesse próprio e sem se 
envolver na esfera dos direitos do sócio. 
Com esse entendimento – já adotado em precedentes dos colegiados de direito 
privado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) –, a Terceira Turma determinou ao 
Tribunal de Justiça de Roraima (TJRO) que julgue o recurso apresentado por 
uma sociedade empresária contra o ato judicial que permitiu a constrição de 
ativos financeiros de outra empresa, sua sócia. 
Ademais, a relatora apontou que são frequentes as decisões judiciais que, sem 
amparo legal – já que não houve a instauração do incidente previsto nos artigos 
133 a 137 do Código de Processo Civil para investigar os requisitos da 
desconsideração da personalidade jurídica –, determinam o bloqueio de bens de 
pessoas jurídicas para garantir a execução de dívidas de seus sócios. 
Ela afirmou que tais decisões – como a do caso em análise – se equiparam à 
desconsideração da personalidade jurídica nos seus efeitos práticos, o que 
autoriza que sejam adotados em relação a elas os mesmos fundamentos que 
levam ao reconhecimentoda legitimidade recursal da sociedade empresária alvo 
da medida. 
(REsp 2.057.706/RO. 3ª Turma. Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 
13/06/2023). 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
25. Para a comprovação da mora nos contratos garantidos por alienação 
fiduciária, é suficiente o envio de notificação extrajudicial ao devedor no 
endereço indicado no instrumento contratual, dispensando-se a prova do 
recebimento, quer seja pelo próprio destinatário, quer por terceiros. 
(Informativo 782, de 15/08/2023. STJ. Recurso Repetitivo. Tema 1132. REsps 
1.951.662/RS, REsp 1.951.888/RS, 2 Seção) 
 
26. Considera-se fraudulenta a alienação, mesmo quando há transferências 
sucessivas do bem, feita após a inscrição do débito em dívida ativa, sendo 
desnecessário comprovar a má-fé do terceiro adquirente. 
(Inf. 782 - 15/08/2023, STJ. AgInt no AREsp 930.482/SP. 1 Turma) 
 
27. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou legal a 
prisão civil do devedor de alimentos pelo prazo máximo de três meses previsto 
no artigo 528, parágrafo 3º, do Código de Processo Civil (CPC) de 2015. Para o 
órgão julgador, essa regra revogou tacitamente o limite de 60 dias estabelecido 
no artigo 19, caput, da Lei 5.478/1968 (Lei de Alimentos). 
Ao não conhecer do pedido de habeas corpus de um devedor de pensão, o 
ministro relator, Marco Aurélio Bellizze, explicou que a regra da Lei de Alimentos, 
de 1968, foi revogada tacitamente pelo atual CPC, em observância ao critério 
cronológico para a solução de conflito aparente de normas previsto no parágrafo 
1º do artigo 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). 
(Processo em Segredo de Justiça. Disponível no sítio do STJ: 
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/180820
23-Para-Terceira-Turma--prisao-do-devedor-de-alimentos-por-ate-tres-meses-
prevalece-sobre-regra-
anterior.aspx?utm_source=brevo&utm_campaign=Edio%20de%2018082023&u
tm_medium=email) 
 
28. É possível a renegociação dos débitos de precatórios vencidos e dos que 
vencerão dentro do período previsto pela EC n. 109/2021. 
Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal adotou a compreensão no sentido 
de que o plano de pagamentos apresentados pelo devedor de precatórios ao 
respectivo Tribunal deve contemplar todo o passivo, de modo a formar um único 
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/18082023-Para-Terceira-Turma--prisao-do-devedor-de-alimentos-por-ate-tres-meses-prevalece-sobre-regra-anterior.aspx?utm_source=brevo&utm_campaign=Edio%20de%2018082023&utm_medium=email
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/18082023-Para-Terceira-Turma--prisao-do-devedor-de-alimentos-por-ate-tres-meses-prevalece-sobre-regra-anterior.aspx?utm_source=brevo&utm_campaign=Edio%20de%2018082023&utm_medium=email
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/18082023-Para-Terceira-Turma--prisao-do-devedor-de-alimentos-por-ate-tres-meses-prevalece-sobre-regra-anterior.aspx?utm_source=brevo&utm_campaign=Edio%20de%2018082023&utm_medium=email
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/18082023-Para-Terceira-Turma--prisao-do-devedor-de-alimentos-por-ate-tres-meses-prevalece-sobre-regra-anterior.aspx?utm_source=brevo&utm_campaign=Edio%20de%2018082023&utm_medium=email
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/18082023-Para-Terceira-Turma--prisao-do-devedor-de-alimentos-por-ate-tres-meses-prevalece-sobre-regra-anterior.aspx?utm_source=brevo&utm_campaign=Edio%20de%2018082023&utm_medium=email
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
montante global de débitos de precatórios, ainda que se refiram a parcelas 
vencidas e não pagas em período anterior ao advento da Emenda Constitucional 
n. 109/2021. 
Uma vez que o prazo de pagamento antes estabelecido pela EC n. 99/2017 (até 
31/12/2024) foi estendido pela EC n. 109/2021 para 31/12/2029, sem ressalva 
alguma quanto aos anos a que se referem os débitos em questão, apresenta-se 
indevida a discriminação realizada pela autoridade impetrada, no sentido de não 
autorizar a renegociação proposta pelo ora recorrente quanto às dívidas 
anteriores a 2021. 
(Informativo n. 783, 22/08/2023 - STJ. RMS 69.711/SP, 1 Turma) 
 
29. O deferimento de processamento da recuperação judicial em consolidação 
processual não impede a posterior análise do preenchimento dos requisitos para 
o pedido de recuperação em relação a cada um dos litisconsortes. 
(Informaitvo n. 783, 22/08/2023, STJ. REsp 2.068.263/SP, 3 Turma) 
 
30. O fato de a instituição financeira ser responsável pela correção monetária e 
pelos juros de mora após o depósito judicial não exime o devedor de pagar 
eventual diferença sobre os encargos, calculados de acordo com o título, que 
incidem até o efetivo pagamento. 
(Inf 783, 22/08/2023, STJ. AgInt no REsp 1.965.048/SP, 4 Turma) 
 
30. As ações de desapropriação observam na fase de cumprimento de sentença, 
no que couber, o regime do art. 27, § 1º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941, o que 
inclui os seus limites percentuais na fixação de honorários arbitrados com base 
em proveito econômico. 
(Inf. 783, 22/08/2023, STJ. REsp 2.075.692/SP, 2 Turma) 
 
31. Sociedades de economia mista, como o Metrô-DF, desde que prestem 
serviço público essencial em regime de exclusividade (monopólio natural) e sem 
intuito lucrativo, submetem-se ao regime constitucional de precatórios para o 
adimple-mento de seus débitos (1). 
(Informativo n. 1104 STF. ADPF 890) 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
32. A substituição de carta de fiança bancária por seguro garantia em execução 
fiscal não necessita de acréscimo de 30% sobre o valor do débito. 
O art. 656, § 2º, do CPC/1973 disciplina a questão relativa à necessidade de 
acréscimo financeiro (30%) ao valor do débito executado quando for requerida a 
substituição da penhora em dinheiro por carta de fiança ou seguro garantia 
judicial. 
Com efeito, mediante o simples confronto analítico entre o mencionado 
dispositivo legal e a situação fática dos autos, atestada pelo Tribunal de origem, 
percebe-se que o comando normativo, contido no art. 656, § 2º, do CPC/1973, 
não é suficiente para alterar o entendimento firmado pelo Juízo a quo, tendo em 
vista que disciplina a substituição da penhora em dinheiro por carta de fiança ou 
seguro garantia, questão jurídica diversa da tratada no presente recurso 
especial, referente à possibilidade de substituição da carta de fiança bancária 
originalmente apresentada por seguro garantia judicial. 
(Inf. 784 de 29/08/2023. REsp 1.887.012/RJ. 2 Turma do STJ) 
 
33. A Administração Pública pode inscrever em cadastros de restrição de crédito 
os seus inadimplentes, ainda que não haja inscrição prévia em dívida ativa. 
A expedição de uma certidão de dívida ativa - CDA visa a comprovar o débito do 
particular devedor, permitindo que o fisco adote medidas judiciais - por meio do 
ajuizamento de uma execução fiscal - para perseguir a quantia devida. Diante 
desse cenário, é possível perceber que a expedição de uma CDA para se 
autorizar a inscrição do devedor em cadastros de inadimplentes torna mais 
onerosa para a Administração a busca pelo pagamento de seus créditos. No 
julgamento do Tema n. 1026, destaca-se que o Ministro Og Fernandes, ao julgar 
o recurso repetitivo REsp n. 1.814.310-RS, entendeu que "sendo medida menos 
onerosa, a anotação do nome da parte executada em cadastro de inadimplentes 
pode ser determinada antes de exaurida a busca por bens penhoráveis". 
Em outras palavras, mutatis mutandi, a inscrição em cadastro de inadimplentes 
tende a efetivar o princípio da menor onerosidade, já que a negativação do nome 
do devedor é uma medida menos gravosa quando comparada com a necessária 
inscrição de dívida ativa. Nesse sentido, bastaria ao credor interessado 
comprovar a dívida com um documento que contenhaos elementos necessários 
para se reconhecer o débito, não sendo, necessariamente, a CDA. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
(Inf. 785 de 05/09.2023. AREsp 2.265.805/ES. 2 Turma) 
 
34. Na impugnação parcial ao cumprimento de sentença, é direito da parte 
exequente prosseguir com os atos executórios sobre a parte incontroversa da 
dívida, inclusive com realização de penhora. 
(Inf. 785 de 05/09/2023. REsp 2.077.121/GO. 3 Turma) 
 
35. Se a parte autora indica, na petição inicial, valor da causa incompatível com 
o proveito econômico pretendido, não pode, após o acolhimento do pedido em 
sentença, postular a alteração da quantia por ela mesmo alegada, com o fim de 
majorar a base de cálculos de honorários de sucumbência. 
No caso concreto, foi a própria parte (em recuperação judicial), já representada 
por advogado, quem atribuiu ao incidente de impugnação de crédito o módico 
valor de R$ 1.000,00 (mil reais), apesar de o crédito alcançar valor superior a R$ 
39.000.000,00 (trinta e nove milhões de reais), certamente com o objetivo de 
pagar custas menores e de prevenir grandes perdas, na hipótese de insucesso 
da impugnação, já que os honorários, nesse cenário, seriam fixados em valores 
baixos ou suportáveis. 
Diante disso, a pretensão do advogado da autora para corrigir o valor da causa 
apenas em embargos de declaração opostos em segundo grau caracteriza nítida 
violação ao princípio da boa-fé processual, tendo em vista que esperou a última 
fase do procedimento nas instâncias ordinárias -isto é, apenas após ter certeza 
da procedência da demanda - para apontar que a própria parte teria se 
equivocado. 
A postura do advogado subscritor da petição inicial do incidente de impugnação 
do crédito, caracteriza nítida tentativa de se valer da própria torpeza, além de 
caracterizar comportamento contraditório (tu quoque ou atos próprios), devendo 
ser rechaçada pelo Poder Judiciário. 
(Inf. 785 de de 05/09/2023. AgInt no AREsp 1.901.349/GO. 4 Turma). 
 
36. Em exibição incidental de documentos, cabe a presunção relativa de 
veracidade dos fatos que a parte adversa pretendia comprovar com a juntada 
dos documentos solicitados, sendo que, no julgamento da lide, as 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
consequências dessa veracidade serão avaliadas, em conjunto com as demais 
provas produzidas. 
No caso, pretende-se a extinção da execução sob o argumento de iliquidez do 
título, ante a não juntada dos extratos que demonstrariam a evolução da dívida. 
No entanto, ao realizar o distinguishing, a Corte local consignou que não há falar 
em iliquidez do título, pois a não juntada dos extratos não enseja a extinção da 
execução, sobretudo porque a parte exequente juntou os contratos, os quais 
permitiram verificar a higidez do título exequendo. 
Portanto, não há falar em iliquidez do título executivo ante a não juntada dos 
extratos bancários, pois a presunção (relativa) daí decorrente pode ser afastada 
pelo órgão julgador, como no caso, em que os contratos celebrados foram 
juntados e permitiram aferir a higidez da execução. 
(Inf. 785 de 05/09/2023. AgInt no AREsp 2.102.423/PR. 4 Turma) 
 
37. Quando a exceção de pré-executividade apresentada por terceiro em ação 
executiva for acolhida, levando à exclusão deste no polo passivo da execução, 
os honorários advocatícios devem ser fixados por equidade, nos termos do art. 
85, § 8º, do CPC/2015, uma vez que não se pode vincular a verba sucumbencial 
ao valor da causa dado na execução, sendo inestimável o proveito econômico 
por ela auferido. 
No caso, a exceção de pré-executividade havia sido apresentada pela esposa 
de um dos coobrigados, sendo acolhida. Isso levou à exclusão da esposa do 
polo passivo, mas não implicou a extinção da execução ou redução do valor 
cobrado, uma vez que se manteve válida a fiança no tocante à codevedora. 
(Inf. 785 de 05/09/2023. AgInt no REsp 1.739.095/PE. 4 Turma) 
 
38. Tema Repetitivo 1175: 
a) antes da vigência do § 7º do art. 22 do Estatuto da OAB (5 de outubro de 
2018), é necessária a apresentação dos contratos celebrados com cada um dos 
filiados ou beneficiários para que o sindicato possa reter os honorários 
contratuais sobre o montante da condenação; 
b) após a vigência do supracitado dispositivo, para que o sindicato possa reter 
os honorários contratuais sobre o montante da condenação, embora seja 
dispensada a formalidade de apresentação dos contratos individuais e 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
específicos para cada substituído, mantém-se necessária a autorização 
expressa dos filiados ou beneficiários que optarem por aderir às obrigações do 
contrato originário. 
(Inf. 787 de 19/09/2023. Tema repetitivo 1175, 1 Seção) 
 
39. O art. 109, § 3º, da CF/198815, com redação dada pela EC 103/2019, não 
promoveu a revogação (não recepção) da regra transitória prevista no art. 75 da 
Lei n. 13.043/201416, razão pela qual devem permanecer na Justiça Estadual as 
execuções fiscais ajuizadas antes da vigência da lei referida. 
(Inf. 787 de 19/09/2023. IAC 15, 1 Seção) 
 
40. A alienação de Unidade Produtiva Isolada por um valor muito superior ao 
preço mínimo previsto no plano de recuperação enseja, excepcionalmente, a 
convocação de assembleia geral de credores para que lhes seja demonstrada a 
nova situação econômica, com a respectiva alteração da proposta de pagamento 
dos créditos. 
(Inf. 788 de 26/09/2023. REsp 2.071.143/RJ. 3 Turma) 
41. A penhora, em execução, de saldo em conta de investimento sujeita-se ao 
regramento do art. 833, X, do Código de Processo Civil (impenhorabilidade até 
o montante de 40 salários-mínimos) - que incide, inclusive, nas execuções de 
natureza não alimentar -, ainda que o montante tenha sido transferido (seja 
oriundo) de conta vinculada do FGTS, afastando-se, assim, a impenhorabilidade 
absoluta de que trataria o art. 2º, § 2º, da Lei n. 8.036/1990. 
(Inf. 788 de 26/09/2023. REsp 2.021.651/PR. 5 Turma do STJ) 
 
42. É constitucional — pois inexistente violação ao princípio da separação dos 
Poderes (CF/1988, art. 2º) e aos direitos de propriedade (CF/1988, arts. 5º, 
“caput”, e 170, II), de acesso à justiça (CF/1988, art. 5º, XXXV), do devido 
processo legal (CF/1988, art. 5º, LIV) e da duração razoável do processo 
 
15 Art. 109, §3°: Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal em que forem parte 
instituição de previdência social e segurado possam ser processadas e julgadas na justiça estadual quando 
a comarca do domicílio do segurado não for sede de vara federal. 
16 Art. 75. A revogação do inciso I do art. 15 da Lei nº 5.010, de 30 de maio de 1966, constante do inciso 
IX do art. 114 desta Lei, não alcança as execuções fiscais da União e de suas autarquias e fundações 
públicas ajuizadas na Justiça Estadual antes da vigência desta Lei. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
(CF/1988, art. 5º, LXXVII) — disposi-tivo de emenda constitucional (EC 94/2016, 
no caso) que possibilita o uso eventual de depósitos judiciais com o fim 
específico de quitar precatórios atrasados. 
(Inf. 1110 STF de 06/10/2023. ADI 5.679/DF). 
 
43. De acordo com o STJ, não é possível a condenação da Fazenda Pública ao 
pagamento de honorários sucumbenciais nas hipóteses de extinção do processo 
executivo em razão da prescrição intercorrente, ainda que oferecida exceção de 
pré-executividade (também pode ser declarada de ofício). 
O reconhecimento da prescrição intercorrente não infirma a existência das 
premissas que autorizavam o ajuizamento da execução, relacionadas com a 
presunção de certeza e liquidez do título executivo e com a inadimplência do 
devedor, de modo que é inviável atribuir ao credor os ônus sucumbenciais com 
fundamento no princípio da causalidade, sob pena de indevidamente beneficiar 
a parte que não cumpriu oportunamente com a sua obrigação. 
(AgInt no REsp n. 1.993.985/MG, relator Ministro Sérgio Kukina,Primeira Turma, 
julgado em 6/3/2023). 
 
44. O regime especial de precatórios trazido pela Emenda Constitucional nº 
62/2009 aplica-se aos precatórios expedidos anteriormente a sua promulgação, 
observa-dos a declaração de inconstitucionalidade parcial quando do julgamento 
da ADI nº 4.425 e os efeitos prospectivos do julgado. 
 
(Inf. 1109 de 29/09/2023. RE 659.172/SP. Tema 519 RG) 
 
45. O deferimento de sequestro de rendas públicas para pagamento de 
precatório deve se restringir às hipóteses enumeradas taxativamente na 
Constituição Federal de 1988. 
Assim é inconstitucional o sequestro de verbas públicas para pagamento de 
crédito a portador de moléstia grave sem a observância das regras dos 
precatórios. 
No caso, haviam decisões dos órgãos inferiores reconhecendo a possibilidade 
de dispensa de precatórios para créditos superpreferencias de portadores de 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
doença grave, sob a alegação de que não seria possível, diante de sua condição, 
a espera pelo procedimento de pagamento de precatórios. 
(Inf. 1109 de 29/09/2023. RE 840.435/RS. Tema 598 RG) 
 
46. 3. A jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido da aplicação do princípio 
da causalidade na hipótese de extinção do processo em razão do 
reconhecimento da prescrição intercorrente (art. 85, § 10, do CPC/15). Todavia, 
após a alteração promovida pela Lei nº 14.195/2021, publicada em 26/08/2021, 
que alterou o § 5º do art. 921 do CPC/15, não serão imputados quaisquer ônus 
às partes quando reconhecida a referida prescrição. 
O disposto no art. 921, § 5º, do CPC/2015 aplica-se tanto à hipótese em que o 
juiz declara a prescrição intercorrente de ofício quanto à situação em que a 
prescrição intercorrente é reconhecida em decorrência de pedido formulado pelo 
executado. Afinal, o legislador não fez distinção e não há motivo razoável para 
fazê-la, já que as duas situações - prescrição decretada de ofício ou a 
requerimento - conduzem à mesma consequência, qual seja, a extinção do 
processo executivo e, em ambas, há prévia intimação do exequente. 
A legislação que versa sobre honorários advocatícios possui natureza híbrida 
(material-processual), de modo que o marco temporal para a aplicação das 
novas regras sucumbenciais deve ser a data de prolação da sentença (ou ato 
jurisdicional equivalente, quando diante de processo de competência originária 
de Tribunal). Assim, nas hipóteses em que prolatada sentença de extinção do 
processo após 26/08/2021, em razão do reconhecimento da prescrição 
intercorrente (art. 924, IV, do CPC/15), não é cabível a condenação ao 
pagamento de custas e honorários de sucumbência (art. 921, § 5º, do 
CPC/2015). 
Na hipótese dos autos, a sentença extinguiu o processo em 17/02/2022, ante o 
acolhimento do pedido de reconhecimento da prescrição intercorrente, sem 
condenação das partes ao pagamento de custas processuais e de honorários 
advocatícios, e o Tribunal de origem negou provimento às apelações interpostas. 
Considerando que a sentença foi proferida em data posterior a 26/08/2021, não 
era mesmo cabível atribuir à executada os ônus sucumbenciais. 
(REsp n. 2.075.761/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado 
em 3/10/2023, DJe de 9/10/2023). 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
47. A existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas impõe que 
as falências devem ser reunidas perante o juízo onde fica localizado o principal 
estabelecimento do devedor conforme estabelecido no art. 3º da Lei 
11.101/2005. 
(Inf. 789 de 03/10/2023. CC 183.402/MG. 2 Seção) 
 
48. No cumprimento de sentença, na hipótese de o credor não manifestar 
oposição aos termos do requerimento de cumprimento espontâneo apresentado 
pelo devedor, cabe ao juiz declarar satisfeita a obrigação e extinguir o processo 
em razão da preclusão. 
Tratava-se, na origem, de cumprimento de sentença que tinha por objeto ação 
de reembolso julgada procedente para reembolsar a sócio as ações a que tinha 
direito em decorrência da sua saída do quadro societário de sociedade anônima, 
conforme o valor patrimonial destas, a serem avaliadas por ocasião do 
pagamento. 
A sociedade empresária deu início ao cumprimento espontâneo da sentença, 
informando que o seu balanço patrimonial estava negativo, motivo pelo qual 
nada haveria a ser reembolsado. Intimado, o sócio retirante nada requereu, 
mesmo tendo feito carga dos autos. 
Nessa linha, apresentados os cálculos pela sociedade anônima, ainda que 
negativos e conforme interpretação unilateral da sentença, uma vez que 
devidamente intimado e silente o recorrido, somente se apresentava uma 
solução ao magistrado: a homologação dos cálculos. 
Sendo assim, ainda que ausente a declaração de homologação acima descrita, 
uma vez que não se poderia chegar a resultado diverso, cumpre reconhecer 
haver-se operado a preclusão temporal quanto a eventual direito de impugnação 
acerca dos cálculos e termos do cumprimento de sentença apresentados, o que, 
em última análise, convola-se em coisa julgada, preclusão máxima. 
(Inf. 789 de 03/10/2023. REsp 2.077.205/GO. 3 Turma) 
 
49. Em execução por dívida condominial movida pelo condomínio edilício, é 
possível a penhora do próprio imóvel (e não do direito de crédito às parcelas 
pagas - direiro real de aquisição) que dá origem ao débito, ainda que esteja 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
alienado fiduciariamente, devendo o condomínio exequente promover a prévia 
citação também do credor fiduciário, a fim de que venha integrar a execução, 
facultando-lhe a oportunidade de quitar o débito condominial. 
Cuidado: A 3ª Turma tem precedente em sentido contrário, afirmando que 
somente seria possível a penhora do direito real de aquisição (REsp 
2.036.289/RS. 3ª Turma. Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 18/03/2023). 
(Informativo. 789 de 03/10/2023. REsp 2.059.278/SC. 4 Turma) 
 
50. Embora a alteração no contrato social da sociedade empresária possa 
produzir efeitos desde logo, antes mesmo de seu registro na Junta Comercial ou 
no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, a produção de efeitos externos, em 
relação a terceiros, pressupõe que seja adequadamente formalizada e 
publicizada por intermédio de seu registro. 
(Inf. 789 de 03/10/2023. REsp 1.864.618/RJ. 4 Turma) 
 
51. Uma empresa do mesmo grupo econômico da parte executada só pode ter 
seus bens bloqueados se o incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica for previamente instaurado, não sendo suficiente mero redirecionamento 
do cumprimento de sentença contra quem não integrou a lide na fase de 
conhecimento. 
(Inf. 789 de 03/10/2023. REsp 1.864.620/SP. 4 Turma) 
 
52. É possível a inclusão das prestações alimentícias vencidas no curso da 
execução, ainda que o credor opte pelo procedimento da coerção patrimonial, 
previsto no art. 528, § 8º, do CPC/2015, em observância dos princípios da 
efetividade, da celeridade e da economia processual. 
(Inf. 790 de 10/10/2023. Processo em Segredo de Justiça. 4 Turma) 
 
53. Mesmo quando o devedor aliena o imóvel que lhe sirva de residência, deve 
ser mantida a cláusula de impenhorabilidade. 
As Turmas integrantes da Primeira Seção firmaram a tese segundo a qual, 
mesmo que o devedor aliene imóvel que sirva de residência sua e de sua família, 
deve ser mantida a cláusula de impenhorabilidade, porque o imóvel em questão 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
seria imune aos efeitos da execução, não havendo falar em fraude à execução 
na espécie. 
(Inf 791 de 18/10/2023. AgInt no AREsp 2.174.427/RJ) 
 
54. A Primeira Seção do STJ acolheu a proposta de afetação dos REsps 
2.045.491/DF, 2.045.191/DF e 2.045.193/DF ao rito dos recursos repetitivos, a 
fim de uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia: 
"possibilidade de cancelamento de precatórios ou Requisições de Pequeno Valor 
(RPV) federais, no período em que produziu efeitosjurídicos o art. 2º da Lei 
13.463/2017, apenas em razão do decurso do prazo legal de dois anos do 
depósito dos valores devidos, independentemente de qualquer consideração 
acerca da existência ou inexistência de verdadeira inércia a cargo do titular do 
crédito. 
Frise-se que no julgamento da ADI 5755/DF, o STF firmou o entendimento de 
que é inconstitucional o art. 2°, da Lei 13.463/2017, que determinava o 
cancelamento de precatórios requisitórios e RPVs depositados e não levantados 
pelo credor no prazo de 02 anos. No entanto, no julgamento dos Embargos de 
Declaração, o STF entendeu por bem modular os efeitos desta decisão, 
assentando que a decisão de mérito proferida nesta ação direta somente produz 
efeitos a partir da publicação da ata de julgamento meritório (06.7.2022). 
Por fim, vale esclarecer que o STJ julgou no fim de 2023 o Tema Repetitivo 1141, 
fixando a seguinte tese: A pretensão de expedição de novo precatório ou 
requisição de pequeno valor, fundada nos arts. 2º e 3º da Lei 13.463/2017, 
sujeita-se à prescrição quinquenal prevista no art. 1º do Decreto 20.910/32 e 
tem, como termo inicial, a notificação do credor, na forma do § 4º do art. 2º da 
referida Lei 13.463/2017 (Tema Repetitivo 1141. REsp 1.944.899/PE. 1ª Seção 
do STJ. Julgado em 31/10/2023). 
 
55. Segundo o entendimento do STJ, a nova redação do art. 51 do Código Penal 
não retirou o caráter penal da multa. Assim, embora se apliquem as causas 
suspensivas da prescrição previstas na Lei n. 6.830/80 e as causas interruptivas 
disciplinadas no art. 174 do Código Tributário Nacional, o prazo prescricional 
continua sendo regido pelo art. 114, inciso II, Código Penal. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Ademais, a jurisprudência desta corte, agora consolidada no âmbito da Terceira 
Seção após o julgamento do AgRg no REsp n. 1.983.259/PR (relator ministro 
Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/10/2022, DJe de 3/11/2022), é no sentido 
de que o dies a quo para a contagem da prescrição da pretensão executória é o 
trânsito em julgado para ambas as partes (AgRg no RHC 182.130/PA, relator 
ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 28/8/2023). 
(AgRg no REsp 1.998.804/TO, relator ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, 
julgado em 18/9/2023). 
56. Não se mostra admissível a restituição administrativa do indébito 
reconhecido na via judicial, sendo indispensável a observância do regime 
constitucional de precatórios, nos termos do art. 100 da Constituição Federal 
(RE 1.420.691/SP. Julgado em 08/08/2023. Plenário. Tema 1262 RG) 
 
57. O reconhecimento da prescrição da pretensão impede tanto a cobrança 
judicial quanto a cobrança extrajudicial do débito. 
Nesse sentido, ao cobrar extrajudicialmente o devedor, o credor está, 
efetivamente, exercendo sua pretensão, ainda que fora do processo. Se a 
pretensão é o poder de exigir o cumprimento da prestação, uma vez paralisada 
em razão da prescrição, não será mais possível exigir o referido comportamento 
do devedor, ou seja, não será mais possível cobrar a dívida. Logo, o 
reconhecimento da prescrição da pretensão impede tanto a cobrança judicial 
quanto a cobrança extrajudicial do débito. 
(Inf. 792 de 24/10/2023. REsp 2.088.100/SP. 3 Turma) 
 
58. Os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não podem 
instituir e cobrar anuidade das sociedades de advogados. 
(Inf. 793 de 31/10/2023. Tema 1179. REsps 2.015.612/SP e 2.014.023/SP. 
Primeira Seção) 
 
59. A manutenção do nome de devedor no cadastro de inadimplentes, após a 
quitação do débito perante o credor originário em favor do endossante, pode ser 
oposta ao endossatário se for comprovado que este tinha conhecimento sobre 
tais fatos, devendo ser afastada sua presunção de boa-fé. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
O STJ entende que é lícito eventual protesto realizado pelo endossatário em 
razão do inadimplemento do devedor, pois, uma vez endossada, a validade da 
duplicata condiciona-se à observância dos requisitos de forma e não à 
regularidade do saque. Por conseguinte, o endossatário também pode 
providenciar os atos necessários para eventual inscrição do nome do devedor 
no cadastro de inadimplentes. 
Todavia, após a quitação da dívida, a demora excessiva em retirar o nome de 
devedor do cadastro de órgão de proteção ao crédito como ato ilícito que gera o 
dever de indenizar. A jurisprudência do STJ é assente no sentido de que a 
manutenção indevida do nome do devedor no cadastro de inadimplentes enseja 
dano moral in re ipsa, ou seja, dano vinculado à própria existência do fato ilícito, 
cujos resultados são presumidos. 
(Inf. 793 de 31/10/2023. REsp 2.069.003/MS. 3 Turma) 
 
60. É constitucional o procedimento da Lei nº 9.514/1997 para a execução 
extrajudicial da cláusula de alienação fiduciária em garantia, haja vista sua 
compatibilidade com as garantias processuais previstas na Constituição Federal. 
(Inf. 1114 STF. RE 860.631/SP. Tema 982). 
 
61. Embora a previsão da averbação premonitória seja ordinariamente reservada 
à execução, pode o magistrado, com base no poder geral de cautela e 
observados os requisitos previstos no art. 300 do CPC, deferir tutela provisória 
de urgência de natureza cautelar no processo de conhecimento, com idêntico 
conteúdo à medida prevista para a demanda executiva (art. 829 do CPC). 
Este informativo é DE SUMA IMPORTÂNCIA para o instituto da fraude à 
execução, pois possibilitará a ciência de terceiros eventuais adquirentes e assim 
a consequente presunção de má-fé (scientia fraudis). 
(Inf. 789 de 03/10/2023. REsp 1.847.105/SP, 4 Turma) 
 
62. A despeito da natureza eminentemente processual, as astreintes também 
possuem traços de direito material, já que seu valor se reverterá ao titular do 
direito postulado na ação. Assim, a exigência da multa cominatória se dá por 
meio do procedimento de execução por quantia certa, inclusive com a incidência 
da sanção do art. 523, § 1º, do CPC/2015 (no caso concreto se tratava de 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
cumprimento provisório de sentença) em caso de não pagamento no prazo legal, 
não havendo falar em bis in idem. 
Ademais, no mesmo julgado, a Corte entendeu que a impenhorabilidade da 
quantia depositada em conta bancária, até o limite de 40 (quarenta) salários 
mínimos, é uma proteção destinada às pessoas naturais, não podendo ser 
estendida indistintamente às pessoas jurídicas, ainda que estas mantenham 
poupança como única conta bancária. 
(REsp 2.062.497/SP. Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze. 3ª Turma do STJ. Julgado 
em 03/10/2023). 
63. O exequente pode optar por ajuizar no Distrito Federal o cumprimento de 
sentença coletiva contra a União. 
A Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do 
REsp n. 1.243.887/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 12/12/2011, 
processado sob o regime do art. 543-C do CPC/1973, adotou entendimento 
sobre a competência para julgar a execução individual do título judicial em Ação 
Civil Pública, cabendo ao exequente escolher entre (i) o foro em que a Ação 
Coletiva foi processada e julgada e (ii) o foro do seu domicílio, nos termos dos 
arts. 98, § 2º, I, e 101, I, do CDC. 
O caso dos autos, contudo, possui peculiaridade que o distingue do precedente 
obrigatório da Corte Especial no recurso repetitivo REsp 1.243.887/PR, visto que 
o cumprimento de sentença aqui tratado foi manejado contra a União, havendo 
autorizativo no § 2º do art. 109 da Constituição Federal no sentido de que as 
causas intentadas contra a União poderão ser aforadas no Distrito Federal, além 
das hipóteses de aforamento no domicílio do autor, onde houver ocorrido o ato 
ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa. 
(Inf. 794 de 14/11/2023. CC 199.938/SP. 1 Seção) 
 
64. Havendo inequívoca ciência do devedor acerca de débito alimentar objeto de 
execução, não é ilegal (ou seja, é legal)a intimação de instauração de um 
segundo cumprimento de sentença na pessoa do seu advogado referente ao 
mesmo título judicial. 
Na origem, tramitavam dois cumprimentos de sentença de prestação alimentícia, 
envolvendo as mesmas partes - o paciente (executado) e sua filha (exequente) 
- e ambos sob o rito do art. 528 do CPC/2015 (prisão civil). O Juízo a quo, então, 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
dividiu a execução do débito alimentar da seguinte forma: No primeiro processo, 
como houve a prisão civil do executado, referente ao primeiro período, o 
Magistrado registrou que o cumprimento de sentença deveria tramitar pelo rito 
da penhora (CPC/2015, art. 523). Já no segundo processo, o cumprimento de 
sentença deveria prosseguir em relação às prestações vencidas no período 
posterior à prisão civil do executado e não incluído no primeiro processo. Neste, 
o rito seria o do art. 528 do CPC/2015, possibilitando a prisão civil do paciente. 
 
O Superior Tribunal de Justiça entende que a prisão civil somente pode ser 
decretada após a intimação pessoal do devedor para, em 3 (três) dias, pagar o 
débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo, não suprindo 
a mera intimação do procurador constituído, em obediência ao que determina o 
art. 528 do CPC/2015. 
O fundamento para que não seja admitida a intimação do devedor na pessoa de 
seu advogado, sem poderes específicos para tanto, consiste na necessidade de 
se ter a certeza da efetiva ciência do devedor de alimentos a respeito do 
cumprimento de sentença instaurado, a fim de lhe oportunizar o pagamento do 
débito, provar que o pagou ou demonstrar a impossibilidade de fazê-lo, 
notadamente em razão da grave consequência ocasionada pelo não 
cumprimento dessa obrigação, qual seja, a prisão civil. 
Na hipótese, contudo, o paciente teve ciência inequívoca da execução da dívida 
alimentar subjacente, tanto que chegou a ser preso no bojo do primeiro 
cumprimento de sentença instaurado. Assim, o fato de ter sido instaurado um 
segundo cumprimento de sentença não exige que o paciente seja novamente 
intimado pessoalmente, pois se trata do mesmo título judicial executado em 
relação ao primeiro cumprimento de sentença instaurado, mudando-se apenas 
o período correspondente ao débito executado. 
Somente se fosse instaurado um novo cumprimento de sentença referente a 
outro título judicial, é que seria necessária nova intimação pessoal do devedor. 
(Inf. 794 de 14/11/2023. Processo em Segredo de Justiça. 3 Turma) 
 
65. A resistência do exequente ao reconhecimento de prescrição intercorrente 
não é capaz de afastar o princípio da causalidade na fixação dos ônus 
sucumbenciais, mesmo após a extinção da execução pela prescrição. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Mesmo na hipótese de resistência do exequente - por meio de impugnação à 
exceção de pré-executividade ou aos embargos do executado ou de interposição 
de recurso contra a decisão que decreta a referida prescrição -, é indevido 
atribuir-se ao credor, além da frustração na pretensão de resgate dos créditos 
executados, também os ônus sucumbenciais com fundamento no princípio da 
sucumbência, sob pena de indevidamente beneficiar-se duplamente a parte 
devedora, que não cumpriu oportunamente com a sua obrigação, nem cumprirá. 
 
A causa determinante para a fixação dos ônus sucumbenciais, em caso de 
extinção da execução pela prescrição intercorrente, não é a existência, ou não, 
de compreensível resistência do exequente à aplicação da referida prescrição. 
É, sobretudo, o inadimplemento do devedor, responsável pela instauração do 
feito executório e, na sequência, pela extinção do feito, diante da não localização 
do executado ou de seus bens. 
Assim, em homenagem aos princípios da boa-fé processual e da cooperação, 
quando a prescrição intercorrente ensejar a extinção da pretensão executiva, em 
razão das tentativas infrutíferas de localização do devedor ou de bens 
penhoráveis, será incabível a fixação de honorários advocatícios em favor do 
executado, sob pena de se beneficiar duplamente o devedor pela sua 
recalcitrância. Deverá, mesmo na hipótese de resistência do credor, ser aplicado 
o princípio da causalidade, no arbitramento dos ônus sucumbenciais. 
Por fim, cumpre salientar que, após a vigência do art. 921, par. 5, do CPC, a 
extinção da execução por prescrição intercorrente afasta os ônus para ambas as 
partes. No entanto, no acórdão, o STJ deixou claro que nos casos julgados não 
se tratava de aplicação do artigo mencionado (o caso concreto era uma 
execução fiscal extinta por não localização de bens do devedor), cabendo assim 
a sucumbência a uma das partes. 
(Inf. 794 de 14/11/2024. EAREsp 1.854.589/PR. Corte Especial) 
 
66. De acordo com o STJ, a doação de bem de família a filho do executado não 
caracteriza fraude a execução (caso dos autos foi uma doação após a citação 
do devedor numa execução fiscal). 
Este entendimento se dá em razão da Corte ter entendimento consolidado no 
sentido de que a cláusula de impenhorabilidade se mantém após a alienação do 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
bem, ainda que durante a execução, caso se trate de bem de família, dado que 
seria impenhorável de qualquer forma na execução. 
(REsp 2.174.427/RJ. 1 Turma. Julgado em 18/11/2023) 
 
67. O Tribunal, por maioria, converteu o julgamento da medida cautelar em 
julgamento de mérito e conheceu da presente ação direta para julgá-la 
parcialmente procedente para: (i) dar interpretação conforme a Constituição ao 
caput do art. 107-A do ADCT, incluído pela Emenda Constitucional 114/2021 para 
que seus efeitos somente operem para o exercício de 2022; (ii) declarar a 
inconstitucionalidade, com supressão de texto, dos incisos II e III do art. 107-A 
do ADCT; (iii) declarar a inconstitucionalidade por arrastamento dos §§ 3º, 5º e 
6º do mesmo art. 107-A; (iv) declarar a inconstitucionalidade do art. 6º da 
Emenda Constitucional 114/2021, bem como dos arts. 100, § 9º, da Constituição 
Federal, e 101, § 5º, do ADCT, com redação estabelecida pelo art. 1º da EC 
113/21; (v) dar interpretação conforme a Constituição ao art. 100, § 11, da 
Constituição, com redação da EC 113/21, para excluir a expressão com auto 
aplicabilidade para a União de seu texto; (vi) reconhecer que o cumprimento 
integral do teor desta decisão insere-se nas exceções descritas no art. 3º, § 2º, 
da Lei Complementar 200/23, que institui o Novo Regime Fiscal Sustentável, 
cujos valores não serão considerados exclusivamente para fins de verificação do 
cumprimento da meta de resultado primário a que se refere o art. 4º, § 1º, da Lei 
Complementar 101, de 4 de maio de 2000, prevista na lei de diretrizes 
orçamentárias em que for realizado o pagamento; (vii) deferir o pedido para 
abertura de créditos extraordinários para quitação dos precatórios expedidos 
para os exercícios de 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026, quando excedentes do 
subteto fixado pelo art. 107-A do ADCT, deduzidas as dotações orçamentárias já 
previstas na proposta orçamentária para o exercício de 2024, estando presentes, 
no caso concreto, os requisitos constitucionais da imprevisibilidade e urgência 
previstos no § 3º do art. 167 da CF, e sendo possível a edição de medida 
provisória para o pagamento ainda no exercício corrente. 
Assim, Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou 
alterações implementadas em 2021 no regime constitucional de precatórios 
(Emendas Constitucionais 113 e 114), entre elas a que impunha um teto para o 
pagamento dessas despesas entre 2022 e 2026. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Neste contexto, o STF afirmou que a postergação do pagamento das dívidas de 
precatórios, que se mostrou medida proporcional e razoável para que o poder 
público pudesse enfrentar a situação decorrente de uma pandemia mundial em 
2022, a partir do exercício de 2023 caracteriza-secomo providência fora de 
esquadro com os princípios de accountability que constam do próprio Texto 
Constitucional. É dizer que a limitação a direitos individuais que inicialmente 
manifestou-se como um remédio eficaz para combater os distúrbios sociais 
causados pela COVID-19, neste momento caminha para se tornar um veneno 
com possibilidade de prejudicar severamente, em um futuro breve, o pagamento 
das mesmas despesas com ações sociais anteriormente prestigiadas. 
Ademais, nesta mesma ADI o STF entendeu pela constitucionalidade da Taxa 
Selic, inserido no sistema pelo art. 3°, da EC 113/2021, como índice de 
atualização, sendo composta por correção monetária e juros moratórios, sendo 
esta unificação um mecanismo de praticabilidade envolvendo a Fazenda 
Pública, não se confundindo este índice com a Taxa Referencial em nenhum 
aspecto. 
(ADIs 7064/DF e 7047/DF. Pleno do STF. Rel. Min. Luiz Fux. Julgado em 
01/12/2023) 
 
68. Em liquidação de sentença de título executivo que trata da indenização 
devida ao representante comercial pela rescisão contratual sem justa causa do 
contrato de distribuição de bebidas, é correta a apuração do valor indenizatório 
com a inclusão da parcela correspondente ao ICMS. 
A controvérsia residia em verificar se o ICMS integra a base de cálculo da 
indenização devida ao representante comercial pela rescisão sem justa causa 
do contrato. 
O título que transitou em julgado é claro, não só em aplicar, analogicamente, a 
Lei n. 4.886/1965, que cuida do contrato de representação, como também é 
expresso em consignar que o montante indenizatório corresponde a percentual 
do faturamento total auferido pela ora recorrente, nos dois últimos anos de 
vigência do contrato, deixando ainda assente que o cálculo é informado pelos 
parâmetros do art. 27, j, daquele diploma legal, sem fazer qualquer ressalva a 
respeito da exclusão do ICMS da base de cálculo. 
(Inf. 797 de 05/12/2023. AgInt no REsp 1.618.035/MG. 4 Turma) 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
69. São cabíveis honorários advocatícios pela rejeição da impugnação ao 
cumprimento de sentença arbitral, na hipótese em que se pleiteia anulação da 
sentença com fundamento nos arts. 26 e 32 da Lei n. 9.307/1996. 
A controvérsia residia em saber se são cabíveis honorários advocatícios pela 
rejeição da impugnação ao cumprimento de sentença arbitral, na hipótese em 
que se pleiteia anulação da sentença com fundamento nos arts. 26 e 32 da Lei 
n. 9.307/1996 (Lei de Arbitragem). 
Segundo precedente da Corte Especial, é cabível a condenação ao pagamento 
de honorários advocatícios quando o incidente processual for capaz de extinguir 
ou alterar substancialmente o próprio processo principal. 
A invalidação da sentença arbitral pode ser reconhecida em ação autônoma de 
nulidade (art. 33, § 1º, da Lei n. 9.307/1996) ou pleiteada por intermédio de 
impugnação ao cumprimento da sentença (art. 33, § 3º, da Lei n. 9.307/1996), 
quando estiver sendo executada judicialmente. 
A impugnação ao cumprimento de sentença arbitral, em que se busca a nulidade 
da sentença, possui potencial de encerrar ou modificar significativamente 
processo de execução judicial. 
Nesse aspecto, são cabíveis honorários advocatícios pela rejeição da 
impugnação ao cumprimento de sentença arbitral, na hipótese em que se pleiteia 
anulação da sentença. 
(Inf. 797 de 05/12/2023. REsp 2.102.676/SP. 4 Turma do STJ) 
 
70. É aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações 
jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da 
Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência 
da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo 
judicial transitado em julgado. 
Frise-se que o caso tratava de sucessão legislativa. Assim, o título executivo 
havia sido formado anteriormente à edição da Lei 11.960/2009, não havendo no 
precedente a discussão acerca da possibilidade de desconstituição de coisa 
julgada, o que ocorreria se o título executivo fosse posterior à edição da lei. 
(Tema de Repercussão Geral 1170. RE 1317982/ES. Sessão Virtual de 
01.12.2023 a 11.12.2023) 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
71. O art. 100, § 1º, da Constituição Federal traz um rol exemplificativo, de sorte 
que a definição da natureza alimentar das verbas nele elencadas encontra-se 
vinculada à destinação precípua de subsistência do credor e de sua família. 
No caso, a hipótese não versava a respeito de salários, vencimentos, proventos, 
pensões e suas complementações ou benefícios previdenciários. O precatório 
em tela referia-se a crédito oriundo de indenização devida pelo Estado da Bahia, 
em virtude da demora na concessão da aposentadoria do impetrante. 
(Inf. 798 de 12/12/2023. RMS 72.481/BA. 1 Turma do STJ) 
 
72. O exequente responde objetivamente pela reparação de eventuais prejuízos 
causados ao executado, tendo em vista o risco da execução. 
Cingia-se a controvérsia à análise atinente ao cumprimento dos requisitos 
previstos no art. 776 do CPC para viabilizar a responsabilização do exequente 
pelos danos provocados ao executado na hipótese de extinção da execução. 
O exequente é responsável pelos prejuízos que acarretar ao executado, quando 
buscar em juízo a satisfação de dívida inexistente ou inexequível, seja pela via 
executiva, seja pela via do cumprimento de sentença. Essa expressa 
responsabilização do exequente encontra-se prevista no sistema processual 
vigente, cujas normas dos arts. 520, I, e 776 do CPC apenas reproduzem as 
normas extraídas dos arts. 475-O e 574 do CPC/1973, não se tratando, pois, de 
inovação legislativa. 
A leitura do texto legal evidencia a irrelevância do elemento subjetivo do 
exequente para fins de atribuição de sua responsabilidade, razão por que pode-
se afirmar, em regra, a adoção da modalidade objetiva para responsabilização 
do exequente. Esse entendimento no sentido da responsabilidade objetiva do 
exequente vem sendo acolhido pacificamente por esta Corte Superior quando 
se está diante de cumprimento provisório de sentença, bem como nas hipóteses 
de execução de título extrajudicial. 
Também no que tange à responsabilização do exequente em hipóteses de 
cumprimento definitivo da sentença, tem-se admitido doutrinariamente a 
dispensa de perquirição de culpa. A questão da extinção da execução encontra-
se superada, em virtude da imutabilidade da decisão que efetivamente extinguiu 
o cumprimento de sentença arbitral. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
É fato consumado -albergado pela coisa julgada - a extinção do cumprimento da 
sentença arbitral, que se deu sob o fundamento de ausência dos requisitos de 
exequibilidade do título (certeza, liquidez e exigibilidade). Nesse cenário, deve 
prevalecer a imputação da responsabilidade civil objetiva do exequente, que 
deverá suportar o ônus da extinção definitiva da execução, compreendendo a 
reparação dos prejuízos concretos experimentados pela parte executada, ora 
recorrida, nos termos do art. 776 do CPC. 
Outrossim, no caso, a contratação de carta de fiança foi necessária para 
segurança de juízo, a fim de ensejar o contraditório e resguardar o executado da 
excussão patrimonial, que lhe seria ainda mais gravosa, com a inevitável 
penhora de valor de grande monta - valor executado de R$ 34.200.000,00 (trinta 
e quatro milhões e duzentos mil reais). Os custos comprovados dessa 
contratação, portanto, enquadram-se no conceito jurídico de prejuízo, sendo 
passível de ressarcimento, em hipóteses de extinção da demanda executiva. 
(Inf. 798 de 12/12/2023. REsp 1.931.620/SP. 4 Turma) 
 
73. Não é possível a determinação judicial à Fazenda Pública de adoção da 
prática jurisprudencial da execução invertida no cumprimento de sentença em 
procedimento comum. 
Na decisão, o STJ mencionou a obrigatoriedade da apresentação de cálculos no 
procedimentoIsabel Gallotti, Quarta Turma, 
por unanimidade, julgado em 14/2/2023) 
 
3. Ainda que o processo (ação civil pública) esteja em curso no STJ, havendo 
sentença transitada em julgado extinguindo associação, o Ministério Público 
Federal não possui legitimidade para substitui-la na ação civil proposta perante 
a Justiça estadual. 
Frise-se que no caso, houve a intimação do Ministério Público Estadual para 
assumir o polo ativo da demanda, que permaneceu inerte. 
 
6 Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da 
prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair. § 4º Neste procedimento, 
não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova 
pleiteada pelo requerente originário. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
(REsp 1.678.925-MG, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por 
maioria, julgado em 14/2/2023) 
 
4. De acordo com o STJ, adota-se a compreensão segundo a qual cabe à Justiça 
comum estadual e/ou distrital analisar as demandas cujo fundamento fático e 
jurídico possuem similitude com a insolvência civil (entendimento consolidado do 
STF no RE 678162) - como é a hipótese do superendividamento (art. 104-A, 
CDC) - ainda que exista interesse de ente federal, porquanto a exegese do art. 
109, I, da Constituição Federal, deve ser teleológica de forma a alcançar, na 
exceção da competência da Justiça Federal, as hipóteses em que existe o 
concurso de credores. 
(CC 193.066-DF, Relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, por 
unanimidade, julgado em 22/3/2023) 
 
5. A hipótese de impedimento de magistrado prevista no art. 144, IX, do CPC é 
aplicável no caso de litígio entre o juiz e o membro do Ministério Público baseada 
em suposta perseguição. 
(REsp 1.881.175-MA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por 
unanimidade, julgado em 14/3/2023) 
 
6. Com efeito, em demanda envolvendo Direito da Concorrência, não se mostra 
correta a presunção de vulnerabilidade da parte autora, não se justificando a 
inversão direta e automática determinada pelo art. 38 do CDC. 
Note-se que, na eventualidade de se verificar que, em determinada ação 
envolvendo Direito da Concorrência, seria particularmente impossível ou 
excessivamente dificultoso ao autor assumir o ônus da prova, é perfeitamente 
possível ao juízo da causa a distribuição dinâmica desse ônus, conforme autoriza 
o art. 373, § 1º, do CPC, que ocorreria ope judicis e especificamente para o caso 
concreto, diferentemente do quanto preconiza o art. 38 do CDC. 
Portanto, a disposição do Código de Defesa do Consumidor acerca do ônus 
probatório da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária, 
a princípio, não se aplica em demanda envolvendo concorrência desleal, 
notadamente em razão de também poder servir, caso admitida 
indiscriminadamente, como forma de utilizar o processo como instrumento 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
anticoncorrencial (sham litigation - quando o agente econômico se utiliza de um 
litigio simulado). 
(REsp 1.866.232-SP, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, 
por unanimidade, julgado em 21/3/2023, DJe 23/3/2023) 
 
7. Não cabe condenação em honorários advocatícios em incidente de 
desconsideração de personalidade jurídica (AgInt nos EDcl no REsp n. 
2.017.344/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 
20/3/2023). 
No entanto, em setembro de 2023, a 3ª Turma do STJ proferiu julgado em sentido 
contrário, dando ensejo, ao que tudo indica, a uma alteração de entendimento 
da Corte, passando a admitir a fixação de honorários sucumbenciais nos casos 
em que houver o indeferimento do pedido de desconsideração da personalidade 
jurídica, ou seja, quando este for julgado improcedente7. 
Assim, o indeferimento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica, 
tendo como resultado a não inclusão do sócio (ou da empresa) no polo passivo 
da lide, dá ensejo à fixação de verba honorária em favor do advogado de quem 
foi indevidamente chamado a litigar em juízo. 
Frise-se que o fator determinante para a condenação ao pagamento de 
honorários advocatícios não pode ser estabelecido a partir de critérios 
meramente procedimentais, devendo ser observado o êxito obtido pelo 
advogado mediante o trabalho desenvolvido. 
Assim, o CPC de 2015 superou o dogma da unicidade de julgamento, prevendo 
expressamente as decisões de resolução parcial do mérito, sendo consequência 
natural a fixação de honorários de sucumbência. 
Com isso, apesar da denominação utilizada pelo legislador, o procedimento de 
desconsideração da personalidade jurídico tem natureza jurídica de demanda 
incidental, com partes, causa de pedir e pedido. 
 
 
7 A Corte ainda não se manifestou expressamente acerca do cabimento de honorários sucumbenciais no 
caso do incidente ser deferido, ou seja, quando este for julgado procedente. Assim, ao menos por ora, 
entende-se que ainda prevalece o entendimento pelo não cabimento de honorários sucumbenciais 
quando o incidente for julgado procedente. Para mais informações acerca do tema, indica-se o seguinte 
artigo: 
https://www.migalhas.com.br/coluna/questao-de-direito/394120/stj-passa-a-admitir-honorarios-em-caso-de-improcedencia-do-idpj
https://www.migalhas.com.br/coluna/questao-de-direito/394120/stj-passa-a-admitir-honorarios-em-caso-de-improcedencia-do-idpj
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
8. É inconstitucional a regra de competência que autoriza os entes subnacionais 
a serem demandados em qualquer comarca do país, pois a fixação do foro deve 
se restringir aos seus limites territoriais. 
(ADI 5.492/DF e ADI 5.737/DF, rel. Min. Dias Toffoli, redator do acordao Min. 
Roberto Barroso, Pleno STF, julgado em 24/04/2023). 
 
9. O termo a quo do prazo prescricional da pretensão de restituição de valores 
de benefícios previdenciários complementares recebidos por força de decisão 
liminar posteriormente revogada é a data do trânsito em julgado do provimento 
jurisdicional em que a confirma, pois esse é o momento em que o credor toma 
conhecimento de seu direito à restituição, em que não mais será possível a 
reversão do aresto que revogou a decisão precária. 
(REsp 1.939.455-DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, por maioria, 
julgado em 26/4/2023) 
 
10. A reconvenção promovida em litisconsórcio com terceiro não acarreta a 
inclusão deste no polo passivo da ação principal. 
(REsp 2.046.666-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por 
unanimidade, julgado em 16/5/2023, DJe 19/5/2023) 
 
11. A ciência prévia da seguradora a respeito de cláusula arbitral pactuada no 
contrato objeto de seguro garantia resulta na sua submissão à jurisdição arbitral, 
pois o risco é objeto da própria apólice securitária e constitui elemento objetivo 
a ser considerado na avaliação da cobertura do sinistro pela seguradora, nos 
termos do artigo 757 do Código Civil. 
(REsp 1.988.894-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por 
unanimidade, julgado em 9/5/2023) 
 
12. A interrupção da prescrição, na forma prevista no § 1º do artigo 240 do Código 
de Processo Civil, retroagirá à data em que petição inicial reunir condições de se 
desenvolver de forma válida e regular do processo. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Assim, no caso de emenda da petição inicial por ordem judicial (inépcia, por 
exemplo), a retroação da prescrição se dará do ato do autor que emendar a peça 
e deixa-la em condições de desenvolver a citação de forma válida. 
(AgInt no AREsp 2.235.620-PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por 
unanimidade, julgado em 8/5/2023) 
 
13. Nas ações em que se busca o fornecimento de tratamento médico pelodos Juizados Especiais, com base na ADPF 219, julgada pelo STF. 
Porém, vale ressaltar que tanto no caso julgado, como na ADPF, tratavam-se de 
casos atrelados à União ou à autarquia federal, de modo que é discutível a 
aplicação dos precedentes às Fazenda Públicas Estaduais e Municipais, diante 
da diversidade do conteúdo fático (estrutura dos entes públicos) dos julgados. 
(Informativo 799 do STJ. 19/12/2023. AREsp 2.014.491-RJ, Rel. Ministro 
Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 12/12/2023). 
 
74. Para ficar de olho em 2024: A Corte Especial acolheu a proposta de afetação 
dos REsps n. 2.005.469/RJ, 2.027.163/RJ, 2.085.625/RJ, 2.091.784/RJ, 
2.014.924/RJ e 2.050.880/RJ ao rito dos recursos repetitivos, a fim de 
uniformizar o entendimento a respeito das seguintes controvérsias: "I. Tema 
Principal: Possibilidade de redirecionamento da execução a pessoa jurídica de 
direito público, em razão da insolvência de concessionária de serviço público, 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
ainda que aquela não tenha participado da fase de conhecimento e não conste 
do título executivo judicial; II. Tema Subsidiário: Termo inicial do prazo 
prescricional quinquenal para fins de redirecionamento da execução contra o 
ente público". - TEMA 1225 STJ. 
 
75. Para ficar de olho em 2024: A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação 
dos REsps n. 2.046.269/PR, 2.050.597/RO e 2.076.321/SP ao rito dos recursos 
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a respeito da seguinte 
controvérsia: "definir se é cabível a condenação ao pagamento de honorários 
advocatícios na exceção de pré-executividade acolhida para extinguir a 
execução fiscal, ante o reconhecimento da prescrição intercorrente, prevista no 
art. 40 da Lei n. 6.830/1980". - TEMA 1229 STJ 
 
76. É aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações 
jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da 
Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.690/2009, a partir da vigência 
da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo 
judicial transitado em julgado. 
Em virtude de os juros moratórios constituírem efeitos continuados do ato, a 
pretensão de recebimento se renova todo mês, de modo que inexiste ofensa à 
coisa julgada, pois não há desconstituição do título judicial exequendo, mas 
apenas aplicação de normas supervenientes cujos efeitos imediatos alcançam 
situações jurídicas pendentes, por força do princípio tempus regit actum. 
(Inf. 1120. RE 1.317.982/ES. Tema 1170 RG) 
 
77. O ente federado pode promover diretamente ação judicial contra operadora 
privada de plano de saúde para ressarcimento de valores referentes a prestação 
de serviço de saúde em cumprimento de ordem judicial (no caso o ente público 
realizou cirurgia em segurado de plano privado, mediante ordem judicial). 
Portanto, o procedimento administrativo (protagonizado pela ANS e com 
destinação final ao Fundo Nacional de Saúde) é uma das vias de ressarcimento 
(a prioritária, que atende os casos ordinários), mas não é o único meio de 
cobrança, não excluindo a possibilidade de o ente federado, demandado 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
diretamente pela via judicial, depois se valer da mesma via para cobrar, 
regressivamente, os valores que foi obrigado diretamente a custear. 
(Inf. 14 - Ed. Especial. 16/01/2024. REsp 1.945.959/RS. 1 Turma) 
 
78. É possível a penhora dos valores decorrentes de recompra dos Certificados 
financeiros do Tesouro Série E (CFT-E). 
 
A constrição de valores de recompra dos CFT-E equivale a penhora de crédito 
regulada pelo art. 855 do CPC, medida judicial cujo deferimento antecede a 
operação de resgate de títulos representativos de dívida mediante a vinculação 
das quantias futuras ao processo executivo, de modo a obstar o pagamento 
direto ao executado. 
(Inf. 14. 16/01/2024. REsp 2.039.092/SP. 1 Turma) 
 
79. O entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.201.993/SP (Tema 444), no 
sentido de que "a decretação da prescrição para o redirecionamento em face dos 
sócios em dissolução irregular impõe seja demonstrada a inércia da Fazenda 
Pública, no lustro que se seguiu à citação da empresa originalmente devedora", 
pode ser aplicado em relação aos demais responsáveis tributários, inclusive 
fiador da empresa executada. 
Também, quanto à interrupção do prazo prescricional, a orientação firmada pelo 
STJ é no sentido de que a adesão da devedora originária ao programa de 
parcelamento fiscal acarreta a interrupção da prescrição, e, havendo posterior 
exclusão daquele programa decorrente da sua inadimplência, a retomada da 
contagem do prazo ocorre por inteiro. 
(Inf. 14. 16/01/2024. AgInt nos EDcl no REsp 1.733.325/SP. 1 Turma) 
 
80. Aplica-se o entendimento exarado pelo STF no julgamento do ARE 
709.212/DF ao cumprimento de sentença coletiva que se pretende a execução 
individual dos direitos referentes à cobrança de valores não depositados no 
FGTS. 
Cingia-se a controvérsia em verificar qual o prazo prescricional para execução 
individual da sentença coletiva proferida nos autos da ação declaratória ajuizada 
por sindicato, que condenou a Caixa Econômica Federal ao pagamento, a 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
expensas do FGTS, das diferenças de correção monetárias das contas 
vinculadas a Fundo que são titulares os filiados ao sindicato, relativamente aos 
períodos de dezembro/88 a fevereiro/1989 e abril/1990. 
A partir do julgamento do ARE 709.212/DF, proferido pelo Supremo Tribunal 
Federal, em repercussão geral, assentou-se que não é trintenário, mas 
quinquenal, o prazo prescricional para a cobrança de valores não depositados 
do FGTS. Definiu-se que: "Para aqueles cujo termo inicial da prescrição ocorra 
após a data do presente julgamento, aplica-se, desde logo, o prazo de 5 anos. 
Por outro lado, para os casos em que o prazo prescricional já esteja em curso, 
aplica-se o que ocorrer primeiro: 30 anos, contados do termo inicial, ou 5 anos a 
partir desta decisão”. 
(Inf. 14. REsp 2.084.126/SP. 2 Turma) 
 
81. Ofende a coisa julgada a alteração de índices de juros e correção monetária 
posterior ao advento do CC/2002 e à Lei n. 11.960/2009. 
De modo contrário, a aplicação/modificação de tais consectários é possível em 
algumas circunstâncias: (a) quando não houver prévios debates sobre eles 
(AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.754.427/MS, Rel. Ministro Benedito 
Gonçalves, Primeira Turma, DJe 30/9/2021); (b) quando a lei que altera o regime 
de juros é superveniente à decisão que os fixou (AgInt no REsp n. 1.487.923/RS, 
Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 25/8/2021; AgInt no 
REsp n. 1.935.719/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 
31/8/2021); ou (c) se a decisão que os fixou é posterior a 17/5/2018, data em 
que o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento da ADI n. 2.332/DF (REsp 
n. 1.975.455/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 
7/4/2022). 
(Informativo 14 - Edição Especial. AgInt no REsp 2.097.689/PB. 2 Turma do STJ. 
Julgado em 04/12/2023) 
 
82. As vítimas de evento danoso possuem legitimidade para executar 
individualmente o Termo de Ajustamento de Conduta firmado por ente público 
que verse sobre direitos individuais homogêneos. 
Caso julgado: A tragédia do rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, 
ocorrida em 25 de janeiro de 2019 no Município de Brumadinho/MG, acarretou 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
inúmeras mortes e incomensuráveis prejuízos na vida dos indivíduos atingidos - 
de ordem material e moral -, bem como devastador e irreparável dano ambiental 
na região. Ou seja, a partir de um único evento danoso, foram violados, 
simultaneamente, direitos difusos, direitos coletivos stricto sensu e direitos 
individuais homogêneos. 
 
Conclusão: versando o ato negocial sobre direitos difusos e coletivosstricto 
sensu, são legitimados os órgãos públicos. Por outro lado, tratando-se de direitos 
individuais homogêneos, nada impede que os próprios lesados executem o título 
extrajudicial individualmente. Assim, há legitimidade dos indivíduos para 
executar individualmente o Termo de Ajustamento de Conduta firmado por ente 
público que verse sobre direitos individuais homogêneos. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. REsp 2.059.781/RJ. 3 Turma) 
 
83. A isenção prevista na Convenção de Nova Iorque (Decreto Legislativo n. 
56.826/1965) deve incidir sobre todos os procedimentos necessários à 
efetivação de decisão judicial que fixa a verba alimentar, entre eles o serviço 
bancário de remessa de valores para o exterior, independentemente de norma 
regulamentar editada pelo Banco Central do Brasil. 
Acerca da isenção das tarifas bancárias e da suposta violação do Decreto n. 
56.826/1965, consta do preâmbulo da Convenção de Nova Iorque a necessidade 
de resolver os problemas e vencer as dificuldades que envolvem "a execução de 
ações sobre prestação de alimentos ou o cumprimento de decisões relativas ao 
assunto", diante das "sérias dificuldades legais e práticas". 
A interpretação literal e isolada da norma poderia conduzir à conclusão de que 
as "isenções de custos e de despesas concedidas aos demandantes" 
abarcariam apenas as despesas judiciais. 
Contudo, o objetivo da isenção é o de facilitar "a obtenção de alimentos" e não 
apenas a propositura de uma ação de alimentos. Por isso, a facilitação de acesso 
aos alimentos inclui todos os mecanismos necessários para que o alimentante 
("demandado") possa cumprir as decisões judiciais que fixam a verba alimentar. 
Em outras palavras, deve englobar todos os procedimentos necessários para a 
efetivação da decisão judicial, entre eles o serviço bancário de remessa de 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
valores para o exterior, sob pena de não restarem afastados e vencidos os 
problemas e as dificuldades mencionadas na Convenção. 
Assim, a remessa para o exterior de verba alimentar fixada judicialmente 
representa a efetivação da decisão judicial e, consequentemente, a viabilização 
da obtenção dos alimentos, e culmina na conclusão de que a isenção prevista 
na Convenção de Nova Iorque deve incidir também sobre as tarifas bancárias 
exigidas em tal operação, independentemente de norma regulamentar editada 
pelo Banco Central do Brasil. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. REsp 1.705.928/SP. 3 Turma) 
 
84. Presume-se como indispensável para preservar a reserva financeira 
essencial à proteção do mínimo existencial do executado e de sua família, bem 
como de depósitos em caderneta de poupança ou qualquer outro tipo de 
aplicação financeira, o valor de quarenta salários mínimos. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. AgInt no REsp 2.018.134/PR. 3 Turma) 
 
85. É imprescindível o esgotamento dos meios executivos típicos para a 
utilização do sistema Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB) como 
medida executiva atípica. 
A controvérsia consistia em verificar a possibilidade de o magistrado, com base 
no seu poder geral de cautela, determinar a busca e a decretação de 
indisponibilidade de bens da parte executada por meio do sistema Central 
Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB). 
Frise-se que a adoção do CNIB atende aos princípios da razoabilidade e da 
proporcionalidade, bem como não viola o princípio da menor onerosidade do 
devedor, pois a existência de anotação não impede a lavratura de escritura 
pública representativa do negócio jurídico relativo à propriedade ou outro direito 
real sobre imóvel, exercendo o papel de instrumento de publicidade do ato de 
indisponibilidade. 
(Inf. 15 - ed. especial. 23/01/2024. REsp 1.963.178/SP. 3 Turma) 
 
86. A Defensoria Pública, no exercício da função de curadoria especial, faz jus à 
verba decorrente da condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais 
caso o seu assistido sagre-se vencedor na demanda. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
A controvérsia consiste em saber se são devidos honorários sucumbenciais na 
hipótese em que os embargos à execução são acolhidos para reconhecer a 
nulidade da citação por edital efetivada no processo de execução. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. REsp 1.912.281/AC. 3 Turma) 
 
87. Mesmo no sistema legal anterior à Lei n. 8.953/1994, a caracterização da 
fraude à execução, quando o credor não efetuou o registro imobiliário da 
penhora, dependia de prova de que o terceiro adquirente tinha ciência do ônus 
que recaía sobre o bem. 
Conforme entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pela Corte 
Especial no julgamento do REsp 956.943/PR (Tema 243), nos termos da Súmula 
375/STJ, "O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da 
penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente", sendo 
que, "inexistindo registro da penhora na matrícula do imóvel, é do credor o ônus 
da prova de que o terceiro adquirente tinha conhecimento de demanda capaz de 
levar o alienante à insolvência". 
Nos termos da referida tese, para o reconhecimento da ineficácia do ato de 
disposição do bem penhorado, além da alienação após a citação do devedor em 
demanda capaz de levar o alienante à insolvência, é necessário investigar se o 
credor levou a registro a penhora do bem alienado ou, em caso negativo, se o 
terceiro adquirente agiu de má-fé, não sendo viável a presunção de eventual má-
fé, mas a certeza de conduta nesse sentido, que deve ser comprovada pelo 
credor-exequente. 
Desde a redação original do o § 4º do art. 659, do CPC/1973 que dispunha que 
"A penhora de bens imóveis realizar-se-á mediante auto ou termo de penhora, e 
inscrição no respectivo registro", já era necessário registro da penhora para o 
reconhecimento de fraude à execução, sendo que a alteração do referido 
dispositivo pela Lei n. 11.382/2006, apenas deixou ainda mais clara a exigência. 
Trata-se de compreensão lógica que apenas foi sendo aprimorada pelos textos 
normativos que a consagram. Não faz sentido exigir-se de terceiro interessado 
na aquisição de bem imóvel que percorra o País buscando obter nos foros cíveis, 
trabalhistas e federais certidões negativas acerca de eventual existência de 
ações que possam reduzir à insolvência o proprietário do imóvel a ser adquirido. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Muito mais sensato e fácil é exigir que o próprio credor interessado na penhora 
do imóvel promova, na respectiva matrícula, o registro de sua pretensão ou 
constrição, de modo a dar amplo conhecimento a todos. 
(Inf. 15 - Ed Especial. 23/01/2024. AgInt no REsp 1.577.144/SP. 4 Turma)Estado, os honorários sucumbenciais podem ser arbitrados por apreciação 
equitativa, tendo em vista que o proveito econômico, em regra, é inestimável, por 
envolver questão constitucional à vida e/ou à saúde 
(AgInt no AREsp 1.719.420/RJ. Rel. Min. Sergio Kukina. 1° Turma. Julgado em 
12/06/2023). 
CUIDADO: Existe um precedente recente também da Segunda Turma que aplica 
entendimento diverso, afirmando que os honorários sucumbenciais em ações 
que visam o fornecimento de medicamentos não podem ser arbitrados por 
equidade, devendo seguir a regra geral sobre o proveito econômico obtido (REsp 
2.060.919-SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por 
unanimidade, julgado em 6/6/2023). 
 
14. Não atendido o prazo legal de 30 dias para formulação do pedido principal 
em tutela antecipada requerida em caráter antecedente, a medida concedida 
perderá a sua eficácia e o procedimento de tutela antecedente será extinto sem 
exame do mérito. 
O CPC/2015, ao estabelecer que o pedido principal deverá ser formulado nos 
mesmos autos em que requerida a tutela cautelar antecedente (art. 308), inovou 
no ordenamento jurídico, extinguindo a autonomia do processo cautelar. O prazo 
de 30 dias não é mais destinado ao ajuizamento de uma nova ação para buscar 
a tutela do direito assegurado pela medida cautelar, mas à formulação do pedido 
de tutela definitiva no processo já existente. Ou seja, a dedução do pedido 
principal é um ato processual, que produz efeitos no processo em curso. 
Consequentemente, o lapso temporal previsto no art. 308 do CPC/2015 têm 
natureza processual, devendo ser contado em dias úteis (art. 219 do CPC/2015), 
bem como o seu não cumprimento acarreta a preclusão (instituto de direito 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
processual), não se tratando assim de um prazo decadencial ou prescricional 
(instituições de direito material). 
Desse modo, efetivada integralmente a tutela cautelar requerida em caráter 
antecedente, incumbe ao autor formular o pedido principal dentro de 30 dias, o 
qual é contado na forma do art. 219 do CPC/2015, sob pena de perda da eficácia 
da tutela provisória e de extinção do procedimento sem resolução do mérito. 
(REsp 2.066.868-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por 
unanimidade, julgado em 20/6/2023) 
 
15. A partir da vigência do CPC de 2015, existindo cláusula compromissória 
arbitral estabelecida entre as partes, a pretensão de produção antecipada de 
provas, desvinculada da urgência, deve ser promovida diretamente perante o 
Tribunal arbitral, não subsistindo a competência (provisória e precária) do Poder 
Judiciário. 
(Inf. 12, edição especial do STJ, REsp 2.023.615/SP, 3 Turma, Julgado em 
14/03/2023) 
 
16. Não é cabível a denunciação da lide em demanda que busca a declaração 
de inexigibilidade de débito, pois não haverá uma condenação que justifique a 
introdução de uma nova lide dentro daquele processo principal. 
(Inf. 12, edição especial do STJ, REsp 1.763.709/RS, 3 Turma, julgado em 
25/04/2023) 
 
17. O juiz, ao reconhecer a ilegitimidade ad causam de um dos litisconsortes 
passivos e excluí-lo da lide, pode fixar os honorários advocatícios entre 3 e 5% 
do valor atualizado da causa, nos termos do art. 338, parágrafo único, do CPC. 
(Inf. 12, edição especial STJ, AgInt nos EDcl no REsp 1.902.149/DF, 3 Turma, 
julgado em 03/04/2023) 
 
18. O sócio de pessoa jurídica não possui legitimidade ativa para pleitear 
indenização, em nome próprio, por danos ao patrimônio da empresa, uma vez 
que eventual procedência no pedido beneficiaria diretamente a sociedade e 
contribuiria para a restauração do capital social prejudicado. 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Frise-se que interesse econômico não se confunde com interesse jurídico, 
sendo, pois, inidôneo conferir ao sócio legitimidade ativa ad causam para 
pleitear, em juízo, reparação por prejuízos alegadamente suportados em virtude 
de descumprimento de contrato que não figurou como parte. 
(Inf. 12, edição especial STJ, REsp 1.985.206/RJ, 4 Turma, julgado em 
11/04/2023) 
 
18. O pedido complementar de indenização por danos materiais formulado em 
ação diversa da referente à indenização já obtida, com trânsito em julgado, 
sendo as partes e a causa de pedir as mesmas, não está acobertado pela coisa 
julgada caso inclua danos não contemplados na primeira ação, ainda que 
decorrentes dos mesmos fatos. 
No caso concreto, extrai-se do contexto fático que, em uma primeira ação, as 
partes autoras obtiveram uma indenização contra empreiteiro que entregara obra 
de um prédio com diversos vícios, inclusive de estrutura, que prejudicava seu 
uso. Porém, durante o processo, foi constatado que os danos eram mais graves 
do que inicialmente estimado, exigindo uma reconstrução completa. Os autores 
limitaram o valor do pedido na primeira ação, que resultou em uma indenização 
menor. 
(Inf. 12, edição especial STJ, REsp 2.046.349/SP, 4 Turma, julgado em 
18/04/2023) 
 
19. O fato de os genitores transacionarem sobre parcelas pretéritas dos 
alimentos devidos à criança ou adolescente não configura, por si, conflito de 
interesse entre os representantes legais e o incapaz, devendo sempre ser 
analisadas as peculiaridades do caso concreto para avaliar a real necessidade 
de nomeação de curador especial. 
(Inf. 12, edição especial STJ, processo em segredo de justiça, 4 Turma, julgado 
em 20/06/2023) 
 
20. Se o réu é encontrado e citado em endereço diverso daquele fornecido pelo 
autor da ação, isso não o autoriza a supor que as futuras intimações dos atos 
processuais serão enviadas a esse mesmo local, a menos que assim ele 
requeira nos autos. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Ao procurar o réu para promover sua citação na ação de cobrança movida pelo 
banco, o oficial de Justiça o encontrou em um endereço diferente daquele 
indicado na petição inicial, que havia sido fornecido pelo próprio réu no termo de 
confissão de dívida. A citação foi feita ali, e o réu também foi intimado para 
comparecer à audiência de conciliação. 
Como a pandemia da Covid-19 não permitiu a realização da audiência, foi 
enviada ao endereço constante no processo a intimação para que o réu 
contestasse a ação no prazo legal, mas ele não foi encontrado. Informou-se que 
o local seria a residência de seus pais. Com o processo seguindo à revelia, o 
juízo declarou o réu presumidamente intimado e proferiu 
a sentença condenatória, que transitou em julgado. 
Na fase de cumprimento, o executado alegou nulidade da sentença por 
cerceamento de defesa, devido à falta de intimação, mas a impugnação foi 
rejeitada em primeira e segunda instâncias. 
Ao recorrer ao STJ, o devedor afirmou que não mudou de endereço após 
a citação e que as intimações deveriam ter sido remetidas para o local onde foi 
citado. Disse ainda que não constituiu advogado porque o prazo para 
contestação nem tinha começado a correr. 
Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) 
negou provimento a recurso que pedia a anulação da sentença na qual o 
recorrente foi condenado a pagar quase R$ 140 mil a um banco. Ele não 
constituiu advogado nem apresentou defesa, e, já na fase de cumprimento 
de sentença, alegou a nulidade das intimações remetidas ao endereço que 
constava na petição inicial. 
(REsp 2.028.157/MT. Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze. 3ª Turma. Julgado em 
13/06/2023) 
 
21. A comunicação de atos processuais, intimações e citações, por aplicativos 
de mensagens ou redes sociais, hoje, não possui nenhuma base ou autorização 
da legislação e não obedece às regras previstas na legislação atualmente 
existente para a prática dos referidos atos, de modo os atos processuais dessa 
forma comunicados são, em tese, nulos. 
A identificação e a localização de uma parte com um perfil em rede social é uma 
tarefa extremamente complexa e incerta, pois devem ser consideradasa 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
existência de homônimos, a existência de perfis falsos e a facilidade com que 
esses perfis podem ser criados, inclusive sem vínculo com dados básicos de 
identificação das pessoas, bem como a incerteza a respeito da entrega e efetivo 
recebimento do mandado de citação nos canais de mensagens criados pelas 
plataformas. 
Na hipótese, a alegada dificuldade ou impossibilidade de localização do 
executado e, consequentemente, de citá-lo pessoalmente, possui solução 
específica na legislação processual, que é, justamente, a citação por edital (arts. 
256 e seguintes do CPC/15), que pressupõe o esgotamento das tentativas de 
localização da parte a ser cientificada da ação. 
(REsp. 2.026.925/SP. Rel. Min. Nancy Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 
08/08/2023). 
 
CUIDADO: No entanto, cabe esclarecer que a mesma 3ª Turma do STJ tem 
entendimento no sentido de que a citação e/ou intimação por whatsapp pode ser 
considerada válida caso dê ciência inequívoca ao réu. 
Assim, a partir dessas premissas, se a citação for realmente eficaz e cumprir a 
sua finalidade, que é dar ciência inequívoca acerca da ação judicial proposta, 
será válida a citação efetivada por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp, 
ainda que não tenha sido observada forma específica prevista em lei, pois, nessa 
hipótese, a forma não poderá se sobrepor à efetiva cientificação que 
indiscutivelmente ocorreu8. 
(REsp 2.045.633/RJ. Rel. Min. Nancy Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 
08/08/2023). 
 
Por fim, vale salientar que o STJ entende que é inviável por qualquer forma a 
citação de requerido através do aplicativo whatsapp, nos casos de ações de 
 
8 No caso dos autos, o STJ entendeu que não restou comprovada a ciência inequívoca da parte, 
considerando assim o ato citatório nulo. Assim, a nulidade do ato citatório efetivado apenas pelo aplicativo 
de mensagens WhatsApp restou evidenciada porque: (i) o contato do oficial de justiça e o envio da 
mensagem contendo o mandado de citação e a contrafé se deram por meio de terceira pessoa, a filha da 
ré, não tendo havido a prévia certificação e identificação sobre se tratar da pessoa a ser citada; (ii) a 
entrega foi feita à pessoa que não sabe ler e escrever, de modo que, diante da impossibilidade de 
compreensão do teor do mandado e da contrafé, o citando analfabeto se equipara ao citando incapaz, 
aplicando-se a regra do art. 247, II, do CPC/15, que veda a citação por meio eletrônico ou por correio nessa 
hipótese. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
estado, dado que nestas situações é obrigatória a citação pessoal do réu, nos 
termos do artigo 247, inciso I, do Código de Processo Civil (AgInt na HDE n. 
8.563/EX, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, 
julgado em 12/9/2023). 
 
22. Incide a regra geral do art. 85, § 1º, do CPC, que autoriza o cabimento dos 
honorários de sucumbência na fase de cumprimento, quando a liquidação 
ostentar caráter litigioso. 
Também reconheceu o STJ que não cabe nestes casos a fixação por equidade, 
conforme precedente vinculante da Corte. 
No caso, envolvia-se a Fazenda Pública (Estado de Minas Gerais), bem como 
se tratava liquidação individual decorrente de Mandado de Segurança Coletivo, 
de modo que também seria devido honorários sucumbenciais na fase de 
execução, seja ela impugnada ou não. 
 
(Informativo 781 de 08/08/2023 do STJ. AgInt no AgInt no REsp 1.955.594/MG. 
1 Turma) 
 
23. A representação da criança ou adolescente por seus pais vincula-se à 
incapacidade civil e econômica do próprio menor, sobre o qual incide a regra do 
art. 99, § 3º, do CPC/2015, mas isso não implica automaticamente o exame do 
direito à gratuidade com base na situação financeira dos pais. 
(Informativo 781, de 08/08/2023, STJ. REsp 2.055.363/MG. 3 Turma) 
 
24. A Terceira Turma do STJ decidiu que não é responsabilidade do autor da 
ação o ressarcimento dos honorários advocatícios contratuais pagos pelo réu 
que foi substituído no processo em virtude do reconhecimento de sua 
ilegitimidade passiva, na forma do artigo 338 do Código de Processo Civil (CPC). 
Segundo o colegiado, a consequência para o autor que fez a substituição do polo 
passivo, nessa hipótese, é ter de reembolsar eventuais despesas processuais 
da pessoa apontada indevidamente como ré, além de pagar ao advogado dela 
os honorários sucumbenciais arbitrados pelo juiz; porém, no conceito de 
"despesas", não se inclui o valor do contrato firmado com o procurador para 
apresentação da defesa. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Na origem do caso, uma livraria em recuperação judicial ingressou com ação de 
despejo contra uma cafeteria, a qual alegou sua ilegitimidade. Feita a 
substituição do polo passivo, a livraria foi condenada a reembolsar as despesas 
tidas pela parte excluída e a pagar ao seu advogado honorários sucumbenciais 
de 3% do valor da causa9, como prevê o parágrafo único do artigo 338 do CPC. 
(REsp 2.060.972/SP. 3ª Turma. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 13/06/2023). 
 
25. A Terceira Turma do STJ entendeu que o benefício da gratuidade da justiça 
não engloba os emolumentos cobrados pelas juntas comerciais para a emissão 
de certidões de atos constitutivos das sociedades empresárias. 
 
Na fase de cumprimento de sentença de uma ação de indenização por danos 
morais, a fim de instruir eventual requerimento de desconsideração da 
personalidade jurídica, a parte autora havia pedido a expedição de ofício à Junta 
Comercial de Minas Gerais para que apresentasse cópias dos atos constitutivos 
averbados nos assentamentos da ré. 
(REsp 2.060.489/MG. Min. Nancy Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 20/06/2023) 
 
27. Para a Terceira Turma do STJ, é possível propor na Justiça comum a mesma 
ação que foi extinta no juizado especial, sem resolução de mérito, devido à 
desistência do autor. Segundo o colegiado, a atitude do autor que desiste da 
ação para ajuizá-la na Justiça comum não caracteriza má-fé processual, mas 
uma opção legítima pelo rito processual mais completo. 
Com base nesse entendimento, a turma negou provimento ao recurso especial 
de um prestador de serviços que alegou violação ao artigo 286, inciso II, do 
Código de Processo Civil (CPC), após o consumidor desistir da ação no juizado 
especial para iniciar a demanda na Justiça comum. 
(REsp 2.045.638/SP. Rel. Min. Nancy Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 
25/04/2023). 
 
 
9 Lembre-se que o juiz, ao reconhecer a ilegitimidade ad causam de um dos litisconsortes passivos e excluí-
lo da lide, pode fixar os honorários advocatícios entre 3 e 5% do valor atualizado da causa, nos termos do 
art. 338, parágrafo único, do CPC. (Inf. 12, edição especial STJ, AgInt nos EDcl no REsp 1.902.149/DF, 3 
Turma, julgado em 03/04/2023) 
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28. A Terceira Turma do STJ entendeu que o prazo prescricional para ajuizar 
pedido de indenização contra o tabelião, em razão dos danos materiais 
decorrentes de procuração nula lavrada por ele, começa a contar a partir do 
trânsito em julgado da sentença que reconheceu a nulidade. 
De acordo com os autos, a empresa autora da ação indenizatória negociou a 
compra de um imóvel com uma pessoa que possuía procuração supostamente 
passada pela proprietária. Após a concretização do negócio, a antiga dona do 
imóvel ajuizou ação declaratória de nulidade e cancelamento de registro e uma 
ação de reintegração de posse. A primeira, julgada procedente, transitou em 
julgado em 2017. 
Diante disso, em 2019, a empresa compradora do imóvel acionou judicialmente 
o tabelião, pedindo indenização pelos prejuízos sofridos em decorrência da 
lavratura de procuração pública com base em identidade falsa, e obteve êxito 
nas instâncias ordinárias, que reconheceram a legitimidade passiva do tabelião 
e afastaram a prescrição. 
 
No recurso especial dirigido ao STJ, o tabelião sustentou que o prazo de 
prescriçãoda reparação civil, de três anos nesse caso, deveria ser contado da 
data da lavratura da procuração, conforme o artigo 22, parágrafo único, da Lei 
8.938/1994. 
(REsp 2.043.325/GO. Rel. Min. Nancy Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 
18/04/2023). 
 
30. É constitucional o art. 11 da Resolução 125/2010 do CNJ, que permite a 
atuação de membros do Ministério Público, defensores públicos, procuradores e 
advoga-dos nos Centros Judiciários de Solução de Conflito e Cidadania. 
Assim, fica facultada a representação por advogado ou defensor público, medida 
que se revela incentivadora para uma atuação mais eficiente e menos 
burocratizada do Poder Judiciário para assegurar direitos. 
(Informativo 1104 STF. ADI 6324/DF) 
 
31. É inconstitucional — por violar os princípios do juiz natural, da razoabilidade 
e da proporcionalidade — o inciso VIII do art. 144 do Código de Processo Civil 
(CPC/2015), que estabelece que o magistrado está impedido de atuar nos 
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processos em que a parte seja cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, 
companheiro ou parente consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o 
terceiro grau, inclusive, ainda que essa mesma parte seja representada por 
advogado de escri-tório diverso. 
(Informativo 1104 STF. ADI 5953/DF) 
 
32. Com o ajuizamento, pelo consumidor, de ação perante o Poder Judiciário, 
presume-se a discordância dele em submeter-se ao juízo arbitral10, sendo nula 
a cláusula de contrato de consumo que determina a utilização compulsória da 
arbitragem. 
(Inf. 784 de 29/08/2023. EREsp 1.636.889/MG. 2 Seção do STJ) 
 
33. A impossibilidade de interposição de recurso prevista no § 4º do art. 382 do 
Código de Processo Civil de 2015 não enseja, por si só, a concessão de 
segurança, apesar de ser cabível o Mandado de Segurança contra a decisão em 
procedimento de produção antecipada de provas11, esta irrecorrível, cabendo 
assim, para a procedência da ação, a apreciação da eventual teratologia, da 
manifesta ilegalidade ou do abuso de poder no ato judicial atacado. 
A análise de cabimento do Mandado de Segurança não se confunde com a 
análise do seu mérito, que deve ser feita de acordo com cada caso concreto. 
No caso, requereu-se a intimação do perito para prestar esclarecimentos acerca 
de laudo pericial sem apresentar, na ocasião, os quesitos a serem respondidos, 
conforme determina o art. 477, § 3º, do CPC/2015. 
 
10 Com a promulgação da Lei de Arbitragem, passaram a conviver, em harmonia, três regramentos de 
diferentes graus de especificidade: (i) a regra geral, que obriga a observância da arbitragem quando 
pactuada pelas partes; (ii) a regra específica, aplicável a contratos de adesão genéricos, que restringe a 
eficácia da cláusula compromissória; e (iii) a regra ainda mais específica, incidente sobre contratos sujeitos 
ao Código de Defesa do Consumidor, sejam eles de adesão ou não, impondo a nulidade de cláusula que 
determine a utilização compulsória da arbitragem, ainda que satisfeitos os requisitos do art. 4º, § 2º, da 
Lei n. 9.307/1996. (REsp 1.785.783/GO, Terceira Turma, julgado em 5/11/2019) 
 
11 Neste sentido também: A jurisprudência do STJ reconhece ser cabível a impetração de mandado de 
segurança contra decisão proferida em procedimento de produção antecipada de provas, contra a qual 
não cabe recurso, nos termos do art. 382, § 4º, do CPC/2015, tal circunstância, por si só, não enseja a 
concessão da segurança, devendo ser apreciada a eventual teratologia, a manifesta ilegalidade ou o abuso 
de poder no ato judicial atacado. (AgInt no RMS 63.075/SP, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, 
Terceira Turma, julgado em 23/11/2020, DJe 1º/12/2020). 
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Antes do decurso do prazo estabelecido, a recorrente apresentou 6 quesitos. 
Todavia, um dia antes da data designada para a nova audiência, apresentou 36 
quesitos adicionais. Diante disso, no mesmo dia, o perito requereu a prorrogação 
do prazo para a análise desses novos quesitos, ocasião na qual o magistrado a 
quo reconheceu a intempestividade de todos os quesitos apresentados em 
ambas as manifestações da agravante, mantendo, contudo, a realização da 
audiência na data aprazada. 
Durante a realização da audiência, entretanto, o magistrado reconsiderou a 
decisão anterior e reputou tempestivos os primeiros 6 quesitos apresentados, 
ocasião na qual a ora agravante requereu a reabertura do prazo para 
apresentação de quesitos, pedido que foi imediatamente rejeitado. 
(Inf. 784 de 29/08/2023. AgInt no RMS 69.967/PR. 4 Turma do STJ). 
 
 
34. O entendimento fixado no tema repetitivo 995/STJ não obstou a viabilidade 
de reconhecimento do direito à prestação previdenciária nas hipóteses em que 
atendidas as regras de concessão em momento anterior ao ajuizamento da ação, 
apenas rechaçou-se a possibilidade de reafirmação da DER (data da entrada do 
requerimento) para a data de implemento dos requisitos correspondentes ao 
benefício, devendo o termo inicial, nessa hipótese, ser fixado na data da citação 
válida do INSS. 
Lembre-se que o STF no julgamento do Tema n. 350/STF, fixou orientação 
segundo a qual a concessão de benefícios previdenciários depende de prévio 
requerimento do interessado na seara administrativa, porquanto para configurar 
o interesse de agir é preciso estar caracterizada a necessidade de ir a juízo. 
(Inf. 785 de 05/09/2023. AgInt nos EDcl no REsp 2.004.888/RS, 1 Turma) 
 
35. A eficácia subjetiva da sentença coletiva abrange os substituídos 
domiciliados em todo o território nacional, desde que proposta por entidade 
associativa de âmbito nacional, em desfavor da União, na Justiça Federal do 
Distrito Federal (Inf. 785 de 05/09/2023. AgInt no AREsp 2.122.178/SP. 1 Turma) 
No entanto, cabe diferenciar do entendimento do STF, que em julgamento 
realizado pela sistemática da repercussão geral (Tema 499 - RE 612.043/PR) 
fixou a tese de que "a eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação 
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coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses 
dos associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição 
do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da 
propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do 
processo de conhecimento". 
Assim, este entendimento do STF SOMENTE se aplica as ações coletivas de rito 
ordinário, não se aplicando ao Mandado de Segurança Coletivo. 
Nessa linha, está bem delimitado e evidenciado no referido acórdão do STF que 
a tese relativa à limitação territorial dos efeitos da decisão coletiva diz respeito 
apenas às ações coletivas de rito ordinário, ajuizadas por associação civil, que 
agem em representação processual, não se estendendo tal entendimento aos 
sindicatos, que agem na condição de substitutos processuais, nem a outras 
espécies de ações coletivas, como, por exemplo, o mandado de segurança 
coletivo ou a ação civil pública (AgInt no REsp n. 1.993.350/RN, relator Ministro 
Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 19/09/2022) 
 
36. Se a parte autora indica, na petição inicial, valor da causa incompatível com 
o proveito econômico pretendido, não pode, após o acolhimento do pedido em 
sentença, postular a alteração da quantia por ela mesmo alegada, com o fim de 
majorar a base de cálculos de honorários de sucumbência. 
(Inf. 785 de de 05/09/2023. AgInt no AREsp 1.901.349/GO. 4 Turma). 
 
37. É assegurado o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria 
Pública, independentemente do ente público com que litiga. 
Assim, o STJ adequou seu entendimento ao RE 114005 (Tema RG 1.002 do 
STF), em que a Suprema Corte Fixou as seguintes teses: 1. É devido o 
pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando 
representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público,inclusive aquele que integra; 2. O valor recebido a título de honorários 
sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das 
Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição. 
(Inf. 786 de 13/09/2023. REsp 2.089.489/GO. 2 Turma) 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
38. O Ministério Público possui legitimidade para requerer, em ação civil pública, 
medida protetiva de urgência em favor de mulher vítima de violência doméstica, 
ainda que não se trate de direito transindividual, em razão de se tratar de direito 
indisponível. 
(Inf. 788 de 26/09/2023. REsp 1.828.546/SP. 6 Turma do STJ) 
 
39. A previsão do art. 210 da Lei n. 9.279/1996 de que o cálculo dos lucros 
cessantes será realizado pelo critério mais favorável ao prejudicado não pode 
levar à adoção de métodos arbitrários para sua aferição, sem ter havido perícia 
com conhecimento específico na área técnica das patentes em questão. 
Assim, percebe-se objetivamente que está caracterizada a ausência de amplo 
exercício de contraditório e ampla defesa, em decorrência da necessidade de 
realização de perícia técnica com conhecimento específico na área técnica das 
patentes, além do importante debate trazido de utilização de documento 
unilateralmente produzido pelo recorrido para comprovar o percentual de 
royalties. 
(Inf. 789 de 03/10/2022. REsp 1.848.863/SP. 3 Turma) 
 
40. Embora a previsão da averbação premonitória seja ordinariamente reservada 
à execução, pode o magistrado, com base no poder geral de cautela e 
observados os requisitos previstos no art. 300 do CPC, deferir tutela provisória 
de urgência de natureza cautelar no processo de conhecimento, com idêntico 
conteúdo à medida prevista para a demanda executiva (art. 829 do CPC). 
(Inf. 789 de 03/10/2023. REsp 1.847.105/SP, 4 Turma) 
 
41. Compete às turmas que compõem a Primeira Seção do STJ (estas turmas 
lidam com direito público) o julgamento de questões que envolvam os contratos 
de mútuo habitacional que impliquem comprometimento do Fundo de 
Compensação das Variações Salariais - FCVS. 
(Inf. 789 de 10/10/2023. CC 148.188/DF. Corte Especial) 
 
42. A efetivação de liminar concedida em ação de busca e apreensão de bem 
móvel, por Juízo onde se localize o bem, não atrai a sua competência para 
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eventual impugnação ao conteúdo dessa liminar, que deverá ser postulada 
perante o Juízo da causa que a concedeu. 
Da análise do art. 3º, § 12, do Decreto-Lei n. 911/1969, depreende-se que o seu 
propósito é facilitar ao credor a apreensão dos bens alienados fiduciariamente e 
que se encontrem situados em comarca de Juízo de competência territorial 
diversa do Juiz da causa onde se processa a ação de busca e apreensão, a 
evidenciar a sua similitude com a carta precatória, que é um meio de cooperação 
judiciária para a prática de atos judiciais, nos termos do que se depreende do 
art. 237, III, do CPC/2015, que não tem o condão de modificar a competência. 
(Inf. 794 de 14/11/2023. CC 186.137/PR. 2 Seção) 
 
43. A prerrogativa de intimação pessoal conferida à Defensoria Pública se aplica 
aos núcleos de prática jurídica das faculdades de Direito, públicas ou privadas. 
A lei processual estende, expressamente, o benefício do prazo em dobro a tais 
instituições, bem como às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em 
razão de convênios firmados com a Defensoria Pública (art. 186, § 3º, do CPC). 
A interpretação literal das referidas normas realmente autoriza a conclusão de 
que apenas a prerrogativa de cômputo em dobro dos prazos seria extensível aos 
escritórios de prática jurídica das instituições de ensino superior, mas não a 
prerrogativa da intimação pessoal. 
Todavia, deve-se interpretar as regras de modo sistemático e à luz de sua 
finalidade, do que se conclui, respeitosamente, que não há razão jurídica 
plausível para tratamento anti-isonômico nesse particular. 
(Inf. 794 de 14/11/2023. Processo em Segredo de Justiça. 3 Turma) 
 
44. Se o devedor fiduciante se escusa, por diversas vezes, de receber as 
intimações para purgar a mora em seu endereço comercial, conforme 
expressamente indicado no contrato de alienação fiduciária de imóvel, induzindo 
os Correios a erro ao indicar possível mudança de domicílio que nunca existiu, 
não há óbice à sua intimação por edital. 
(Inf. 794 de 14/11/2023. REsp 1.733.777/SP. 4 Turma) 
 
45. A majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do 
CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. 
Portanto, não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou 
parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e 
limitada a consectários da condenação. 
(Inf. 795 de 21/11/2023. REsps 1.864.633/RS, 1.865.223/SC E 1.865.553/PR. 
Tema 1059. Corte Especial do STJ) 
 
46. A pretensão à concessão inicial ou ao direito de revisão de ato de 
indeferimento, cancelamento ou cessação do BPC-LOAS não é fulminada pela 
prescrição do fundo de direito, mas tão somente das prestações sucessivas 
anteriores ao lustro prescricional previsto no art. 1º do Decreto n. 20.910/1932. 
No caso do BPC-LOAS, o direito de revisão do ato que indefere ou cessa a 
prestação assistencial não é completamente fulminado pela demora em 
exercitar-se o mencionado direito, ao contrário do que ocorre aos benefícios 
previdenciários, sobre os quais incide o prazo decadencial de dez anos, e a 
prescrição fulmina apenas as prestações sucessivas anteriores aos cinco anos 
da ação de concessão inicial ou de revisão, conforme o art. 103 da Lei 8.213/91. 
(Inf. 795 de 28/11/2023. REsp 1.803.530/PE. 1 Seção) 
 
47. As pessoas jurídicas de direito privado têm legitimidade (extraordinária) para 
formular pedido de suspensão de segurança quando prestadoras de serviço 
público ou no exercício de função delegada pelo Poder Público, desde que na 
defesa do interesse público primário, correspondente aos interesses da 
coletividade como um todo. 
No entanto, no caso concreto não se admitiu a utilização do pedido de suspensão 
de segurança, em razão de não se amoldar na hipótese legal. 
A controvérsia consistia em analisar se a decisão cuja suspensão dos efeitos se 
pleiteia, por interferir na composição acionária da empresa, implica vencimento 
antecipado dos valores já liberados em contrato de financiamento firmado com 
a Caixa Econômica Federal, o que, de forma reflexa, comprometeria a 
continuidade dos serviços públicos de saneamento básico, além de causar grave 
lesão à ordem e à economia públicas. 
No caso, conquanto da companhia de abastecimento ser concessionária de 
serviço público, não restou efetivamente comprovado, de forma inequívoca, que 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
a pretensão deduzida visava, efetivamente, à tutela do interesse público primário 
- assim entendido como a própria subsistência da prestação do serviço público, 
sujeito ao princípio da continuidade. 
(Inf. 797 de 05/12/2023. AgInt na SLS 3.204/SP. Corte Especial) 
 
48. Os custos decorrentes da contratação de advogado para o ajuizamento de 
ação, por si só, não são indenizáveis, sob pena de atribuir ilicitude a qualquer 
pretensão questionada judicialmente. 
Na origem, tratava-se de Ação de Indenização ajuizada em desfavor de 
prefeitura municipal, com o objetivo de obter o ressarcimento dos danos 
materiais advindos da contratação de advogados, técnicos e juristas renomados, 
para a defesa de seus interesses em processo em que fora autuado pela 
demolição de imóvel, em que se desenvolvia empreendimento imobiliário. 
(Inf. 797 de 05/12/2023. AgInt no AREsp 2.135.717/SP. 2 Turma) 
 
49. As entidades da administração indireta com personalidade jurídica de direito 
privado queatuam na prestação de serviços públicos essenciais, não têm 
finalidade lucrativa e não possuem natureza concorrencial estão sujeitas ao 
mesmo prazo de prescrição de cinco anos previsto para as pessoas jurídicas de 
direito público, conforme estabelecido no Decreto 20.910/1932 e no Decreto-Lei 
4.597/1942. 
(EREsp 1.725.030/SP. Rel. Min. Raul Araújo. Corte Especial do STJ. Julgado em 
14/12/2023) 
 
50. O prazo prescricional aplicável à pretensão de reembolso de despesas 
efetuadas por condômino com a manutenção da coisa em estado de indivisão é 
decenal pelo Código Civil de 2002 (art. 205) e vintenário pelo Código Civil de 
1916 (art. 177). 
 
(Inf. 799 de 19/12/2023. REsp 2.004.822/RS. 4 Turma) 
 
51. Os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados, em regra, com 
observância dos limites percentuais e da ordem de gradação da base de cálculo 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
estabelecida pelo art. 85, § 2º, do CPC/201512, sendo subsidiária a aplicação do 
art. 85, § 8º, do CPC/201513, apenas possível na ausência de qualquer das 
hipóteses do § 2º do mesmo dispositivo. 
(Inf. 799 de 19/12/2023. REsp 1.931.669/SP. 4 Turma) 
 
52. Compete à Justiça Federal julgar a causa, estabelecida entre particulares, 
que tem por objeto reintegração de posse de imóvel que faz parte de comunidade 
quilombola. 
(Inf. 14 - edição especial. 16/01/2024. CC 190.297-AP. 1 Seção) 
 
53. A regra do art. 43 do CPC pode ser superada, sempre em caráter 
excepcional, quando se constatar que o juízo perante o qual tramita a ação não 
é adequado ou conveniente para processá-la e julgá-la. 
Cingia-se a controvérsia em definir o Juízo competente para processar e julgar 
ação de guarda quando presentes indícios da prática de crime do genitor contra 
a criança e de condução inadequada e inconveniente do processo por um dos 
juízos abstratamente competentes. 
De acordo com a teoria da derrotabilidade das normas, as regras possuem 
exceções explícitas, previamente definidas pelo legislador, e exceções 
implícitas, cuja identificação e incidência deve ser conformada pelo julgador, a 
quem se atribui o poder de superá-la, excepcional e concretamente, em 
determinadas hipóteses. 
A exceção implícita, de caráter sempre excepcional, pode ser utilizada para 
superar a regrar quando a literalidade dela for insuficiente para resolver 
situações não consideradas pelo legislador ou quando, por razões de 
inadequação, ineficiência ou injustiça, o resultado da interpretação literal 
contrarie a própria finalidade da regra jurídica. 
 
12 Art. 85, §2º, CPC: Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento 
sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o 
valor atualizado da causa, atendidos: I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar de prestação do serviço; 
III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o 
seu serviço. 
13 Art. 85, §8º, CPC: Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando 
o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando 
o disposto nos incisos do § 2º. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
O art. 43 do CPC estabelece que o registro ou a distribuição da petição inicial 
são os elementos que definem a competência do juízo, pretendendo-se, com 
isso, colocar em salvaguarda o princípio constitucional do juiz natural. A regra da 
perpetuatio jurisdictionis também contempla duas exceções explícitas: a 
supressão do órgão judiciário em que tramitava o processo e a alteração 
superveniente de competência absoluta daquele órgão judiciário. 
Modernamente, o princípio do juiz natural tem sido objeto de releitura doutrinária, 
passando da fixação da regra de competência sob a ótica formal para a 
necessidade de observância da competência sob a perspectiva material, com 
destaque especial para o princípio da competência adequada, do qual deriva a 
ideia de existir, ainda que excepcionalmente, um forum non conveniens. 
A partir desses desenvolvimentos teóricos e estabelecida a premissa de que 
existam dois ou mais juízos abstratamente competentes, é lícito fixar, 
excepcionalmente, a competência em concreto naquele juízo que reúna as 
melhores condições e seja mais adequado e conveniente para processar e julgar 
a causa. 
Embora não seja de nossa tradição de civil law, a fixação da competência 
também com base em um juízo de melhor adequação é uma possibilidade 
bastante comum nos países de common law. A aplicação do instituto do forum 
non conveniens, tipicamente de common law - em que os procedimentos são 
mais flexíveis e adaptáveis -, em países de tradição romano-germânica, 
incluindo-se o Brasil, é particularmente complexa diante de um sistema interno 
de competências hermético e pouco flexível. 
Entretanto, a aplicação da teoria da superação das regras (ou da derrotabilidade 
das normas) é a saída correta para que se possa, sempre em caráter 
excepcional e diante de um hard case, como é a hipótese em exame, superar a 
imutabilidade da regra do art. 43 do CPC (que contém apenas duas exceções 
explícitas) para reconhecer que, nessa regra, também há uma exceção implícita, 
relacionada à inadequação e inconveniência do juízo em que tramita a ação com 
o deslocamento de sua competência para outro juízo abstratamente competente. 
Assim, conclui-se que a regra do art. 43 do CPC pode ser superada, sempre em 
caráter excepcional, quando se constatar que o juízo perante o qual tramita a 
ação não é adequado ou conveniente para processá-la e julgá-la. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. Processo em Segredo de Justiça. 2 Seção) 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
 
54. É possível, excepcionalmente, atribuir à associação de proteção veicular a 
responsabilidade pelo pagamento da indenização securitária, em solidariedade 
com o ente segurador que atue na condição de estipulante de seguro automotivo 
coletivo. 
A controvérsia consiste em definir se associação de proteção veicular, que 
atuava na condição de estipulante de seguro automotivo coletivo, possui 
legitimidade passiva ad causam, podendo ser responsabilizada solidariamente 
com o ente segurador, em ação que busca o pagamento da indenização 
securitária. 
(Inf. 15 a Ed. Especial. 23/01/2024. REsp 2.080.290/MG. 3 Turma) 
 
55. A Defensoria Pública, no exercício da função de curadoria especial, faz jus à 
verba decorrente da condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais 
caso o seu assistido sagre-se vencedor na demanda. 
A controvérsia consistia em saber se são devidos honorários sucumbenciais na 
hipótese em que os embargos à execução são acolhidos para reconhecer a 
nulidade da citação por edital efetivada no processo de execução. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. REsp 1.912.281/AC. 3 Turma) 
 
56. O advogado de núcleo de prática jurídica, quando designado para patrocinar 
causa de juridicamente necessitado ou de réu revel, ante a impossibilidade de a 
prestação do serviço ser realizada pela Defensoria Pública, possui direito aos 
honorários remuneratórios fixados pelo juiz e pagos pelo Estado. 
A controvérsia jurídica cingia-se a estabelecer se cabe ao advogado do núcleo 
de prática jurídica o direito à remuneração pelo trabalho desempenhado como 
defensor dativo, com pagamento a ser realizado pelo Estado. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. Processo em Segredo. 4 Turma) 
57. A doença que acomete o advogado somente pode constituir justa causa para 
autorizar a interposição tardia de recurso se, sendo o único procurador da parte, 
estiver o advogado totalmente impossibilitado de exercer a profissão ou de 
substabelecer o mandato a colega seu para recorrer da decisão. 
(Inf. 15 - Ed. Especial. 23/01/2024. AgInt no AREsp 1.223.183/RS. 4 Turma) 
 
Thiago Simões Pessoa- @Prof.ThiagoSimoes 
58. Para ficar de olho em 2024: A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação 
dos REsps 2.039.132/SP, 2.013.920/RJ, 2.035.296/SP, 1.971.965/PE e 
1.843.631/PE ao rito dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o 
entendimento a respeito da seguinte controvérsia: "definição acerca da 
(in)compatibilidade do Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica, 
previsto no art. 133 e seguintes do Código de Processo Civil, com o rito próprio 
da Execução Fiscal, disciplinado pela Lei n. 6.830/1980 e, sendo compatível, 
identificação das hipóteses de imprescindibilidade de sua instauração, 
considerando o fundamento jurídico do pleito de redirecionamento do feito 
executório”. 
 
59. Para ficar de olho em 2024: A Segunda Seção acolheu a proposta de 
afetação dos REsps 1.873.187/SP e 1.873.811/SP ao rito dos recursos 
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a respeito da seguinte 
controvérsia: "cabimento ou não da desconsideração da personalidade jurídica 
no caso de mera inexistência de bens penhoráveis e/ou eventual encerramento 
irregular das atividades da empresa". 
 
 
 
 
 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
PRINCIPAIS JULGADOS DO 2° SEMESTRE DE 2023 NO TEMA DE 
RECURSOS, PRECEDENTES E AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO 
 
1. A análise dos fundamentos que ensejaram a aplicação da multa pela 
interposição de embargos de declaração considerados protelatórios pela Corte 
de origem, demanda o revolvimento dos elementos fático-probatórios constantes 
dos autos, o que se mostra inviável por via especial, ante o óbice do enunciado 
da Súmula n. 7 do STJ. 
(Inf. 11, edição especial do STJ, AgInt no AgRg no REsp 1.232.574-SC, Rel. 
Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 
22/5/2023, DJe 26/5/2023). 
 
2. O único recurso cabível da decisão que nega seguimento aos recursos às 
instâncias superiores (STJ e STF), em virtude de o acórdão recorrido estar em 
consonância com tese firmada sob o rito dos recursos repetitivos ou da 
repercussão geral, é o agravo interno, a teor do expressamente previsto no art. 
1.030, § 2º, do CPC, de modo que se configura erro grosseiro a interposição de 
agravo em recurso especial, não se aplicando o princípio da fungibilidade. 
(Inf. 11, edição especial do STJ, AgInt no AREsp 2.148.444/PB, 2 Turma, julgado 
em 13/02/2023). 
 
3. O recorrente deve comprovar o recolhimento do preparo e do porte de 
remessa e retorno de acordo com os volumes existentes nos autos na 
interposição do recurso, independentemente da abertura de novos volumes após 
a data de protocolização do recurso. 
O propósito recursal consistia em definir se a abertura do segundo volume dos 
autos de um processo físico enseja a complementação das despesas de porte 
de remessa e retorno. 
(Informativo 12, edição especial do STJ. REsp 1.576.852-SP, Rel. Ministro Marco 
Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 7/3/2023). 
 
4. É possível interpor agravo em recurso especial após embargos de declaração 
contra a mesma decisão 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
Em julgamento de embargos de divergência, a Corte Especial do Superior 
Tribunal de Justiça (STJ) afastou a preclusão consumativa na hipótese de 
interposição de agravo, dentro do prazo legal, após o oferecimento de embargos 
de declaração contra decisão que inadmite recurso especial. 
Com esse entendimento, o colegiado determinou que a Segunda Turma 
prosseguisse no julgamento do agravo em recurso especial interposto por uma 
empresa. A turma de direito público, embora tenha reconhecido a tempestividade 
do agravo, aplicou a preclusão consumativa, em razão de a parte ter oposto, 
anteriormente, embargos de declaração à mesma decisão que inadmitiu o 
seu recurso especial. 
(EAREsp 2.039.129/SP. Rel. Min. Nancy Andrighi. Corte Especial. Julgado em 
21/06/2023). 
 
5. Possibilidade de inversão automática e implícita de honorários sucumbenciais 
em caso de provimento do recurso apresentado, ainda que não conste 
expressamente do acórdão esta inversão. 
Se o julgamento que era desfavorável à parte e justificava sua condenação aos 
ônus da sucumbência foi revisto e alterado para sentido oposto, isto é, 
favoravelmente a quem havia sido vencido, por razões processuais lógicas e 
óbvias, o mesmo deveria ter se sucedido com as verbas sucumbenciais. 
A reversão do julgamento anterior enseja, automática e implicitamente, também 
a reversão da condenação em honorários sucumbenciais. O que era devido à 
União, passou a ser devido à contraparte. 
(EDcl nos EDcl na PET nos EmbExeMS n. 3.901/DF, relator Ministro Reynaldo 
Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 2/3/2023). 
 
6. Os limites subjetivos e objetivos da coisa julgada não podem ser analisados 
pelo STJ na via do recurso especial, por infringir o disposto no enunciado da 
Súmula n. 7/STJ. 
Tratava-se o caso de recurso especial em que se pretendia, entre outros pontos, 
afastar o entendimento firmado em acórdão que declarou a inexigibilidade de 
título executivo com fundamento central na proteção dos efeitos da coisa julgada 
referente ao título executivo ora em discussão. 
(Informativo 781 de 08/08/2023. REsp 2.035.667/RJ, 2 Turma) 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
7. Não cabe agravo interno contra decisão do relator que, ao reconhecer que 
houve em agravo em recurso especial a integral refutação dos fundamentos 
adotados no juízo de admissibilidade feito na origem, dá provimento ao agravo 
em REsp e determina a sua reautuação como recurso especial. 
Isso se dá em razão de não importar prejuízo à parte contrária na medida em 
que se circunscreve a determinar, em última análise, o processamento regular 
do recurso especial, certo de que esse processamento pode resultar, inclusive, 
em nova análise da admissibilidade e, com isso, em novo juízo denegatório. 
(Inf. 781 de 08/08/2023, STJ. AgInt no AgInt no AREsp 2.119.020/CE. 2 Turma) 
 
8. O advogado tem legitimidade e interesse recursal para interpor recurso na 
tentativa de reverter em seu favor os honorários de sucumbência arbitrados em 
prol do patrono da outra parte. Segundo o colegiado, a legitimidade prevista no 
Estatuto da OAB subsiste mesmo na hipótese de honorários arbitrados em favor 
da parte adversa. 
Na origem da demanda, o juízo de primeira instância acolheu um pedido de 
reconhecimento e dissolução de união estável e condenou a autora da ação a 
pagar custas e honorários advocatícios. 
Por entender que foi vencedor no processo, o seu advogado recorreu da decisão, 
pleiteando a inversão da verba honorária. O tribunal de segunda instância não 
conheceu da apelação, sob o fundamento de que o advogado não 
teria legitimidade recursal, pois, como não houve honorários fixados em seu 
favor, sua esfera patrimonial não foi alcançada. 
(Processo em Segredo de Justiça. Disponibilizado no sítio do STJ na internet. 
Notícia pode ser acessada no seguinte link: 
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/160820
23-Advogado-tem-legitimidade-para-questionar-honorarios-e-tentar-reverte-los-
em-seu-favor.aspx). 
 
9. É desnecessário aguardar o trânsito em julgado para a aplicação do 
paradigma firmado em sede de recurso repetitivo. Assim, pelo entendimento 
atual das Cortes basta a publicação da ata de julgamento ou do acórdão. 
(Informativo 782 do STJ, de 15/08/2023. AgInt no REsp 2.060.149/SP. 2 Turma) 
 
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/16082023-Advogado-tem-legitimidade-para-questionar-honorarios-e-tentar-reverte-los-em-seu-favor.aspx
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/16082023-Advogado-tem-legitimidade-para-questionar-honorarios-e-tentar-reverte-los-em-seu-favor.aspx
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/16082023-Advogado-tem-legitimidade-para-questionar-honorarios-e-tentar-reverte-los-em-seu-favor.aspxThiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
10. A preclusão consumativa pela interposição de recurso enseja a 
inadmissibilidade do segundo inconformismo interposto pela mesma parte e 
contra o mesmo julgado, pouco importando se o recurso posterior é o adequado 
para impugnar a decisão e tenha sido interposto antes de decorrido o prazo 
recursal. 
A controvérsia visava definir se a interposição do recurso correto antes de 
decorrido o prazo recursal contra decisão já impugnada anteriormente pela 
mesma parte, mas por meio de recurso descabido - e que, por isso, não mereceu 
conhecimento -, teria o condão de suplantar o malferimento ao princípio da 
unirrecorribilidade. 
(Inf. 782 do STJ. 15/08/2023. REsp 2.075.284/SP. 3 Turma). 
 
11. A renúncia expressa ao prazo para interposição do recurso principal não pode 
ser estendida, de forma presumida e automática, ao prazo recursal do recurso 
adesivo, porquanto se trata de um direito exercitável somente após a intimação 
para contrarrazões ao recurso da parte contrária. 
Essa modalidade pressupõe uma conformação inicial à decisão judicial, pois a 
pretensão da parte era, em um primeiro momento, a de não se insurgir contra o 
provimento, mas passou a ter interesse em recorrer a partir do instante em que 
a parte contrária optou por se insurgir contra a decisão. 
(REsp 1.899.732/PR. 3ª Turma. Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze. Julgado em 
14/03/2023). 
 
12. Não cabe recurso ordinário constitucional em sede de execução em 
mandado de segurança. 
(Inf. 783 do STJ de 22/08/2023 - STJ. Pet 15.753/BA. 2 Turma) 
 
13. Os feriados de abrangência local previstos na Lei de Organização Judiciária 
do Distrito Federal e dos Territórios (Lei 11.697/2008) não precisam ser 
comprovados no ato de interposição do recurso, pois se trata de lei federal que 
organiza o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). 
Nesse caso, os feriados em questão merecem tratamento equivalente ao dos 
feriados nacionais. 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
(REsp 1.997.607/DF. Rel. Min. Nancy Andrighi. 3ª Turma. Julgado em 
28/02/2023) 
 
14. Para a aplicação do art. 1.025 do CPC/2015 e para o conhecimento das 
alegações da parte em sede de recurso especial, é necessário: a) a oposição 
dos embargos de declaração na Corte de origem; b) a indicação de violação do 
art. 1.022 do CPC/2015 no recurso especial; e, c) a matéria deve ser: i) alegada 
nos embargos de declaração opostos; ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a 
quo (não pode ser meramente aventada pelas partes ou citada no acórdão) e; 
iii) relevante e pertinente com a matéria. 
Trata-se, em suma, de controvérsia relacionada à aplicação do art. 1.025 do 
CPC, que assim dispõe: "Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os 
elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda 
que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal 
superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade". 
No caso, o STJ reafirmou sua jurisprudência já pacificada quanto aos requisitos. 
Apesar de não ser a melhor decisão, por exigir requisitos claramente na 
contramão da eficiência processual e primazia do julgamento de mérito, já é um 
alento se comparado com o CPC anterior, pois antes o STJ exigia praticamente 
os mesmos requisitos e ainda o acolhimento do recurso especial apenas gerava 
o efeito de anular a decisão anterior do Tribunal, retornando o feito para reanálise 
dos embargos de declaração. 
(Inf. 785 de 05/09/2023. EDcl no AgInt no AREsp 2.222.062/DF. 2 Turma) 
 
15. Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o 
conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja 
a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e 
indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 
1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 
8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de 
declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão 
Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) 
devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, 
relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 
1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, 
julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) VII - Embargos de declaração 
parcialmente acolhidos. 
(EDcl no AgInt no AREsp n. 2.222.062/DF, relator Ministro Francisco Falcão, 
Segunda Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023). 
 
16. Se a parte autora indica, na petição inicial, valor da causa incompatível com 
o proveito econômico pretendido, não pode, após o acolhimento do pedido em 
sentença, postular a alteração da quantia por ela mesmo alegada, com o fim de 
majorar a base de cálculos de honorários de sucumbência. 
(Inf. 785 de de 05/09/2023. AgInt no AREsp 1.901.349/GO. 4 Turma). 
 
17. Não é cabível agravo interno contra decisão que indefere o ingresso de 
terceiro na qualidade de amicus curiae em recurso especial representativo de 
controvérsia. 
(Inf. 788 de 26/09/2023. AgInt na Pet no REsp 1.908.497/RN, 1 Seção do STJ) 
 
18. A aplicação do art. 942 do CPC/2015 deve ser observada no julgamento não 
unânime dos embargos de declaração na hipótese em que, do julgamento dos 
embargos de declaração opostos contra o acórdão de apelação unânime, surge 
divergência que altera o resultado inicial. 
(Inf. 790 de 10/10/2023. AREsp 2.214.392/SP. 2 Turma do STJ) 
 
19. O dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) não é considerado feriado 
nacional, mas, sim, feriado local, o qual deve ser comprovado no momento da 
interposição do recurso, não se admitindo a comprovação posterior. 
(Inf. 790 de 10/10/2023. AgInt no AREsp 1.490.251/AL. 2 Turma do STJ) 
 
20. A técnica de ampliação de colegiado prevista no artigo 942 do CPC/2015 
aplica-se no julgamento de agravo de instrumento quando houver reforma por 
maioria de decisão de mérito proferida em liquidação por arbitramento. 
(REsp n. 1.931.969/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira 
Turma, julgado em 8/2/2022). 
Thiago Simões Pessoa - @Prof.ThiagoSimoes 
21. O recurso que insiste em não atacar especificamente os fundamentos da 
decisão recorrida seguidamente é manifestamente inadmissível (dupla aplicação 
do art. 932, III, do CPC/2015), devendo ser penalizado com a multa de 1%, sobre 
o valor atualizado da causa, prevista no art. 1.021, §4º, do CPC/2015. 
(Inf. 795 de 21/11/2023. Processo em Segredo de Justiça. 2 Turma do STJ) 
 
22. A majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do 
CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não 
conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. 
Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial 
do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e 
limitada a consectários da condenação. 
(Inf. 795 de 21/11/2023. REsps 1.864.633/RS, 1.865.223/SC E 1.865.553/PR. 
Tema 1059. Corte Especial do STJ) 
 
23. As pessoas jurídicas de direito privado têm legitimidade (extraordinária) para 
formular pedido de suspensão de segurança quando prestadoras de serviço 
público ou no exercício de função delegada pelo Poder Público, desde que na 
defesa do interesse público primário, correspondente aos interesses da 
coletividade como um todo. 
No entanto, no caso concreto não se admitiu a utilização do pedido de suspensão 
de segurança, em razão de não se amoldar na hipótese legal. 
A controvérsia consistia em analisar se a decisão cuja suspensão dos efeitos se 
pleiteia, por interferir na composição acionária da empresa, implica

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