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EXCELENTÍSSIMO DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 5ª VARA FEDERAL DA COMARCA DE JOINVILLE/SC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL Nº 5018309-96.2019.4.04.7201 
 
 
CRONNERTECK METALURGICA LTDA - EPP, pessoa jurídica de direito privado, já, 
devidamente, qualificada nos autos acima indicado, vem, por seu procurador, apresentar 
 
RESPOSTA À IMPUGNAÇÃO 
 
em face de embargos à execução promovidos contra a UNIÃO, pelos fatos e fundamentos que a 
seguir minudencia. 
 
 
-I- 
DOS FATOS 
 
 
O embargado ajuizou a Execução Fiscal buscando a satisfação de dívida referente a contribuição, conforme 
certidões de dívida ativas que acompanham a execução fiscal. 
Na presente Execução foi realizada a penhora de valores, conforme consta no Evento 13, razão pela qual 
esta parte passa a opor RÉPLICA a estes Embargos à Execução, pelos fundamentos que seguem: 
 
- II – 
DA ATRIBUIÇÃO DO EFEITO SUSPENSIVO 
 
Segundo o Código de Processo Civil, aos embargos à execução, em regra, não serão atribuídos efeitos 
suspensivos. A excepcionalidade de suspender o processo executivo está condicionada a alguns requisitos, tais como (art. 739-A, § 1º do 
CPC): a) existência de requerimento por parte do embargante, b) relevância dos fundamentos empregados, c) que a manutenção da 
tramitação da execução cause danos de incerta ou difícil reparação e d) presença de garantia suficiente a satisfazer o débito 
 
 
 
 
Em que pese o art. 739-A ao Código de Processo Civil estabelecer que os embargos do devedor somente 
terão efeito suspensivo desde que relevante a fundamentação e que o prosseguimento da execução possa manifestamente causar ao 
executado grave dano de difícil ou incerta reparação e caso o juízo esteja garantido. 
No entanto, esse dispositivo não se aplica à execução fiscal, que é tratada por lei própria e, no caso, pelo art. 
19 da Lei 6.830/80, devendo o CPC agir apenas de forma subsidiária. O referido artigo estabelece que, não sendo apresentados embargos, ou 
sendo estes rejeitados, a execução prosseguirá. O que se depreende da hermenêutica desse artigo é que os embargos à execução fiscal tem 
sempre efeito suspensivo. 
 A jurisprudência vem nesse mesmo sentido: 
Processo: AG 17018 SC 2007.04.00.017018-0 
Relator(a): ELOY BERNST JUSTO 
Julgamento: 15/10/2007 
Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA 
Publicação: D.E. 24/10/2007 
Ementa 
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - EFEITO SUSPENSIVO - ART. 19 DA LEI Nº 6.830/80 - 
ART. 739-A, § 1º, DO CPC - INAPLICABILIDADE. 
1. O que se depreende da leitura do art. 19 da Lei nº 6.830/80 é que, a contrario 
sensu, apresentados os embargos, a execução fiscal deve ser suspensa. 
2. A certidão de dívida ativa goza de presunção relativa de certeza e liquidez, 
podendo ser ilidida por prova inequívoca a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a 
que aproveite. 
3. Garantida a dívida e opostos embargos à execução fiscal, não pode o magistrado 
prosseguir com os atos executórios, pois a alienação do bem penhorado antes do 
julgamento dos embargos poderá acarretar ao dano de difícil reparação à parte 
executada, uma vez que, acaso julgada procedente aquela ação, não poderá ela 
obter de volta o bem alienado, tendo em vista os direitos assegurados pela lei civil 
ao adquirente de boa-fé. 
 
E do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul vem irretocável ensinamento do Desembargador 
Genaro José Baroni Borges, em voto recentíssimo, julgado em 04/04/2012: 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO 
FISCAL. EFEITO SUSPENSIVO AOS EMBARGOS. CABIMENTO. A Lei 11.382/2006, lei 
geral que introduziu profundas modificações no Código de Processo Civil no trato 
da Execução e dos Embargos, não derrogou a Lei 6.830/80, lei especial vigente que 
cuida da Execução Fiscal, especialmente os dispositivos que não apenas sinalizam 
como determinam expressamente a atribuição de efeito suspensivo aos Embargos. 
Agravo desprovido. Unânime. (Agravo de Instrumento Nº 70046013363, Vigésima 
Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Genaro José Baroni 
Borges, Julgado em 04/04/2012) 
 
 
 
 
 
E do teor do julgado extrai-se: 
Dentre as tantas alterações ao processo de execução disciplinado no CPC, a Lei 
11.382/2006 revogou o parágrafo 1º do art. 739, segundo o qual os embargos do 
executado deveriam ser recebidos sempre no efeito suspensivo. Alem disso, 
introduziu o art. 739-A que dispõe: 
“ Art. 739-A- Os embargos do executado não terão efeito suspensivo. 
Parágrafo 1º - O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito 
suspensivo aos embargos quando, sendo relevantes seus fundamentos, o 
prosseguimento da execução manifestamente possa causar ao executado grave 
dano de difícil ou incerta reparação, e desde que a execução já esteja garantida 
por penhora, depósito ou caução suficientes. 
Parágrafo 2º- A decisão relativa aos efeitos dos embargos poderá, a requerimento 
da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão 
fundamentada, cessando as circunstâncias que a motivaram. 
( ...).” 
Cumpre indagar da aplicabilidade do caput e do parágrafo 1º do Art. 739-A, do CPC, à Execução Fiscal. 
A questão não comporta precipitada ou menos avisada exegese. 
Há de ser dito de logo, o Código de Processo Civil é norma geral, enquanto a Execução Fiscal é regida 
por disposição especial – lei 6.830/80. 
Então, pode a disposição geral, ampla e posterior revogar a especial que lhe é anterior? 
Tenho que não, segundo a melhor regra de hermenêutica. A máxima “lex posterior generalis non 
derogat legi priori speciali”, como doutrina Carlos Maximiliano, “prevalece apenas no sentido de não 
poder o aparecimento da norma ampla causar, só por si, sem mais nada, a queda da autoridade da 
prescrição especial vigente. Na verdade, em princípio se não presume que a lei geral revogue a especial; 
é mister que esse intuito decorra claramente do contexto.” (Hermenêutica e Aplicação do Direito – 
Forense – nona edição – pag. 360). 
Tenho, então, que a lei 11.382/2006, lei geral que introduziu profundas modificações no Código de 
Processo Civil no trato da Execução e dos Embargos, não derrogou a Lei 6.830/80, lei especial vigente que 
cuida da Execução Fiscal. 
Para começar, a execução fiscal visa satisfazer crédito representado por título criado unilateralmente pela 
autoridade fazendária, no que já se distingue das execuções fundadas em outros títulos que nascem ou da 
vontade do obrigado (nota promissória, contrato, etc...) ou de sentença transitada em julgado. 
Alem disso, o Devedor só poderá opor-se à execução fiscal por meio de Embargos a partir (a) do deposito 
em dinheiro à ordem do juízo, (b) da juntada aos autos da prova da fiança bancária ou (c) da intimação da 
penhora. Para encurtar razões – após garantida a execução. (Lei 6.830/80 – art. 16, I,II e III e parágrafo 
único). 
Mais. Na Lei 6.830/80 constam diversos dispositivos que não apenas sinalizam como determinam 
expressamente a atribuição de efeito suspensivo aos Embargos. 
Vejamos: 
“ Art. 19- Não sendo embargada a execução ou sendo rejeitados os embargos, no caso de garantia 
prestada por terceiro, será este intimado, sob pena de contra ele prosseguir a execução nos próprios 
autos, para, no prazo de 15 ( quinze) dias: 
I- remir o bem, se a garantia for real; ou 
II- pagar o valor da dívida, juros e multa de mora e demais encargos, indicados na Certidão de Dívida Ativa 
pelos quais se obrigou se a garantia for fidejussória”. 
Portanto, só se não embargada a execução ou após rejeitados os embargos é que prosseguirá a 
execução contra o terceiro a ela vinculado, se não remir ou pagar a dívida no prazo de quinze dias. 
Evidente o efeito suspensivo. 
O artigo 24 da mesma Lei é mais incisivo. Transcrevo: 
 
 
 
 
“ Art. 24 – A fazenda Pública poderá adjudicar os bens penhorados: 
I-antes do leilão, pelo preço da avaliação,se a execução não for embargada ou se rejeitados os embargos; 
II- findo o leilão: 
A) se não houver licitante, pelo preço da avaliação; 
B) havendo licitantes, com preferência, em igualdade de condições com a melhor oferta, no prazo de 30 
(trinta) dias. 
Parágrafo Único – ( .......).” 
Assim, a Fazenda Pública somente poderá adjudicar os bens penhorados se não embargada a execução 
ou tenham sido rejeitados os Embargos, o que deixa evidente seu efeito suspensivo. Não fosse assim, a 
adjudicação poderia se dar antes mesmo de julgados. 
Tem mais. 
O depósito judicial somente poderá ser entregue à Fazenda após o trânsito em julgado da decisão (Lei 
6.830/80- art. 32, parágrafo 2º). 
Que decisão? A proferida nos Embargos. Por que não antes? Porque a lei lhes empresta efeito 
suspensivo. 
Por último, mas não menos importante, na execução geral os Embargos são agora admitidos sem 
garantia (CPC- art. 736). Como não há prévia constrição patrimonial, pressuposto que era de 
admissibilidade, é da lógica que não carecem do efeito suspensivo, salvo exceções expressamente 
previstas. Na Execução Fiscal, ao contrário, de pronto é vertida parcela do patrimônio do devedor para 
garantia, não sendo razoável admitir seu prosseguimento até a alienação sem antes submetido ao 
judiciário o título que a aparelha , pelas especiais características e circunstâncias de sua formação e 
constituição já acima mencionadas, que no ponto em tudo se diferenciam dos demais títulos – 
privados ou judiciais. 
 
Sendo assim, o embargante pede e requer que sejam recebidos os presentes embargos, atribuindo efeito 
suspensivo ao processo de execução, em face diante da presença dos requisitos necessários, como também, em homenagem aos princípios 
da menor onerosidade ao devedor e economia processual, pois a continuidade da execução resultará na prática de atos que se 
demonstrarão desnecessários. 
 
- III – 
DOS DESBLOQUEIO DOS VALORES 
A empresa executada foi surpreendida com o bloqueio da sua conta bancária que possui para 
movimentações financeiras de todos os gêneros, dentre eles os trabalhistas. 
 
A conta bloqueada recentemente tem o fim, como já ressaltado, de efetuar pagamento de suas obrigações 
trabalhistas constantes e decorrentes da sua folha de pagamento. Além de tais obrigações, tal conta movimenta o pagamento 
fornecedores e despesas operacionais. 
 
Por estar desprevenida e não possuir outra fonte de renda para suportar o pagamento de tais encargos, 
seu desespero é descomunal, não lhe restando outra alternativa, senão se socorrer ao Judiciário. 
 
 
 
 
 
Ora, caso não desbloqueada a conta, o pagamento de verbas referentes fornecedores, trabalhadores e 
demais despesas ficarão inviabilizadas, o que acarretará a quebra da empresa, com a consequente impossibilidade de arcar com 
os débitos aqui executados inclusive. 
 
Sendo assim, REQUER seja imediatamente desbloqueada a conta de titularidade da Executada, sob pena 
de, em ofensa ao princípio da proporcionalidade, acarretar prejuízos irreversíveis a Parte. 
3. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 
3.1 DOS REQUISITOS DA CDA 
O título executivo extrajudicial carece de legalidade, uma vez que não foram preenchidos todos os 
requisitos legais previstos no art. 202 do Código Tributário Nacional e na Lei de Execuções Fiscais, Lei n° 6.830, art. 2°, §§ 5° e 6°, 
in verbis: 
Art. 2º - (...) 
§ 5º - O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: 
I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou 
residência de um e de outros; 
II - o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de 
mora e demais encargos previstos em lei ou contrato; III - a origem, a natureza e o fundamento 
legal ou contratual da dívida; 
 
IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização 
monetária, bem como o respectivo fundamento legal e o termo inicial para o 
cálculo; 
V - a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida Ativa; e 
VI - o número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles 
estiver apurado o valor da dívida. 
§ 6º - A Certidão de Dívida Ativa conterá os mesmos elementos do Termo de 
Inscrição e será autenticada pela autoridade competente. 
 
 
 
Da simples análise das CDAs acostadas aos autos pelo embargado, percebe-se que o 
documento está em desconformidade com a legislação supra, eis que não foram observados os 
requisitos formais do título, qual seja o da certeza e o da liquidez. 
Na Certidão de Dívida Ativa não constam: 
 
a) a forma e os percentuais de juros e multa aplicados (LEF, art. 2°, II); 
 
b) o índice de correção monetária utilizado para a atualização da dívida e o seu fundamento 
legal. (LEF, art. 2°, IV). 
c) marco temporal de aplicação de juros, multa e correção monetária. 
 
Ademais, a legislação constante da certidão é esparsa e lacunosa, restringindo-se a citar 
artigos e leis sem qualquer menção da origem da dívida ou da legislação violada. 
A omissão constante na CDA impossibilita a perfeita análise do valor executado, o que 
restringe a defesa da embargante, pois não pode ela observar se os índices e percentuais aplicados são 
 
 
 
 
aqueles efetivamente devidos, o que acaba por afrontar os princípios constitucionais da ampla defesa e 
do contraditório, esculpidos no art. 5°, LV da CF/88. 
Limitou-se a Embargada a mencionar artigos e leis, precisando o contribuinte pressupor 
a forma que a Fazenda realizou os cálculos e chegou ao valor final da cobrança, situação que enseja a 
manifesta nulidade da CDA. 
Em caso análogo, assim se se manifestou o Ministro Benedito Gonçalves: 
 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM 
RECURSO ESPECIAL. MULTA ADMINISTRATIVA. CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. 
NULIDADE. AUSÊNCIA DE 
REQUISITO DE VALIDADE. 1. "A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido 
de que a Certidão de Dívida Ativa deve, obrigatoriamente, sob pena de 
nulidade, preencher todos os 
 
requisitos constantes do art. 202 do Código Tributário Nacional" (REsp 
781.797/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/05/2007). 2. No 
caso concreto, a CDA não atende a requisito previsto nos arts. 202, II, do CTN e 
2º, § 5º, inciso III, da Lei 6.830/80, na medida em que nela não constou o fato 
que deu origem à dívida, elemento indispensável para o adequado exercício do 
direito de defesa por parte do devedor. Precedentes: AgRg no REsp 1.224.975/SP, 
Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 19/3/2012; REsp 965.223/SP, Rel. Ministra 
Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21/10/2008. 3. Agravo Regimental não 
provido. AREsp n. 88.092 – SP. Grifamos. 
 
Ainda nesse sentido colaciona-se o julgado da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça 
referendando aos pressupostos da Certidão de Dívida Ativa, dispostos no artigo 202 do CTN, senão vejamos: 
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. 
NULIDADE DA CDA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. 
DECRETAÇÃO DE OFÍCIO. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de 
que a Certidão de Dívida Ativa deve, obrigatoriamente, sob pena de nulidade, 
preencher todos os requisitos constantes do art. 202 do Código Tributário 
Nacional. Conforme consignado nas instâncias ordinárias, a CDA que instrui a 
presente execução fiscal não atende a tais exigências de ordem legal, razão pela 
qual foi declarada nula. Desse modo, adotar entendimento em sentido contrário, 
reexaminando os requisitos de validade do título executivo, importaria ofensa à 
Súmula 7/STJ. 2. A norma do art. 2º, § 8º, da Lei 6.830/80, segundo a qual é 
permitida a substituição da CDA até a decisão de primeira instância, não foi 
examinada pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos declaratórios 
para suprir tal deficiência. Aplica-se ao caso o princípio estabelecido nas Súmulas 
282 e 356/STF. 3. De acordo com o que estabelecia o § 5º do art. 219 do Códigode Processo Civil, antes da alteração promovida pela Lei 11.280, de 16 de 
 
 
 
 
fevereiro de 2006, a prescrição não podia ser decretada de ofício pelo juiz quando 
a questão versava sobre direito patrimonial. 4. Porém, em se tratando de matéria 
tributária, após o advento da Lei 11.051, em 30 de dezembro de 2004, a qual 
introduziu o § 4º do art. 40 da Lei 6.830/80, passou-se a admitir a decretação de 
ofício da prescrição intercorrente, após prévia oitiva da Fazenda Pública. 5. 
Recurso especial parcialmente provido para afastar o reconhecimento de ofício da 
prescrição, subsistindo, contudo, a extinção do feito com fundamento na nulidade 
da Certidão de Dívida Ativa. (REsp 781.797/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/04/2007, DJ 
17/05/2007 p. 205). Grifamos. 
 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. 
CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. REQUISITOS PARA CONSTITUIÇÃO VÁLIDA. 
NULIDADE NÃO CONFIGURADA. 
Conforme preconiza os arts. 202 do CTN e 2º , § 5º da Lei nº 6.830/80, a 
inscrição da dívida ativa somente gera presunção de liquidez e certeza na medida 
que contenha todas as exigências legais, inclusive, a indicação da natureza do 
débito e sua fundamentação legal, bem como forma de cálculo de juros e de 
correção monetária. A finalidade desta regra de constituição do título é atribuir à 
CDA a certeza e liquidez inerentes aos títulos de crédito, o que confere ao 
executado elementos para opor embargos, obstando execuções arbitrárias. A 
pena de nulidade da inscrição e da respectiva CDA, prevista no art. 203 do CTN, 
deve ser interpretada cum granu salis. Isto porque o insignificante defeito formal 
que não compromete a essência do título executivo não deve reclamar por parte 
do exequente um novo processo com base em um novo lançamento tributário 
para apuração do tributo devido, posto conspirar contra o princípio da 
efetividade aplicável ao processo executivo extrajudicial. [...] 7. Agravo 
Regimental desprovido. (AgRg no Ag 485548/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.05.2003, DJ 19.05.2003 p.145). Grifamos. 
 
Assim, com base nos artigos 202 e 203 do CTN, as CDA’s são nulas por não ensejarem os 
pressupostos necessários de validade do título, em especial os índices de juros e correção (foi citado somente o 
dispositivo legal). Sendo o título executivo carecedor de liquidez, este não é exigível, sendo nula a presente 
execução devendo, portanto, ser determinada a extinção da execução fiscal. 
 
 
 
 
- IV – 
 
 
 
 
 
DA COBRANÇA DA TAXA SELIC – INCONSTITUCIONALIDADE 
 
A taxa SELIC foi utilizada como fator de correção monetária e juros no cálculo das 
contribuições que entende devidas pela Excipiente, incorrendo em novas ilegalidades e inconstitucionalidades, 
como adiante será demonstrado. A exigência de juros de mora equivalente à taxa média ajustada do Sistema 
Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre débitos tributários, conforme veiculado pela Lei nº 8.981/95 e 
artigo 13 da lei nº 9.065/95 é manifestamente inconstitucional. 
Para demonstrar essa afirmação, faz-se necessário um esclarecimento maior a 
respeito do SELIC e da forma de cálculo dessa taxa. O Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, 
implantado em outubro de 1979, veio trazer ao mercado de Letras do Tesouro Nacional e às operações de open-
market os aperfeiçoamentos necessários, tornando mais efetivo este instrumento de política monetária. 
Sua função era reorganizar em novas bases a coleta de dados e o fornecimento de 
resultados do mercado de títulos públicos. Através do SELIC esses recursos passaram a ser disponibilizados 
imediatamente, pois se eliminou a necessidade de emissão de cheques pelo Banco Central. 
E esse era o interesse do Banco Central, pois a rapidez na alteração dos níveis de 
reservas bancárias que determinam a liquidez monetária e as taxas de juros resultantes da oferta de moeda 
permitiu que os objetivos da política monetária das operações de Mercado Aberto fossem alcançados. 
Decorre daí que, indubitavelmente, o SELIC é um instrumento de política monetária, 
realizada através das taxas oferecidas em relação aos títulos disponibilizados por seu intermédio. Ou seja, essas 
taxas são flutuantes, e não correspondem, de maneira alguma, ao conceito de juros de mora. 
Outro aspecto que nos leva a mesma conclusão é o objetivo a que se destinam os 
recursos obtidos através dos títulos federais emitidos e negociados através do SELIC. Eles visam atender 
necessidades da União - quase sempre urgentes, ante à prodigalidade com que têm sido gastos os recursos da 
Nação - fato que determina invariavelmente o pagamento de elevadas taxas de modo a tornar os referidos títulos 
suficientemente atrativos. 
O Estado recorre freqüentemente a essa fonte de ingresso, pois representa recursos 
imediatos. A partir da edição das leis nºs 9.065/95 e 9.250/95, a Taxa Selic passou a integrar o campo do Direito 
Tributário, sendo aplicada a título de juros moratórios aos tributos federais pagos em atraso e, posteriormente, 
em sede de compensação ou restituição de tributos indevidamente recolhidos. 
Entretanto, apesar da reiterada aplicação da sobredita taxa, a mesma não deve 
permanecer como fator de indexação de débitos tributários, vez que contraria dispositivos expressos do Código 
Tributário Nacional, bem como da Carta Maior. 
O artigo 161 do CTN é claro quando dispõe: 
 
 
 
 
“O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de 
juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem 
prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de 
quaisquer medidas de garantia prestas nesta Lei ou em lei 
tributária. 
§1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, juros de mora são 
calculados à taxa de 1% ao mês”. 
 
Vê-se, inegavelmente, que o CTN prevê apenas a possibilidade de incidência de juros 
moratórios aos pagamentos de tributos em atraso. Nesta esteira de raciocínio, a índole remuneratória que 
caracteriza a Taxa Selic vai de encontro à previsão legal pátria. Ademais, o §1º do artigo acima referido, com 
força de lei complementar, estabelece que os juros serão de 1%, se a lei não dispuser em contrário. 
A lei ordinária não criou a Taxa Selic, apenas disciplinou sua aplicação - a verdade é que 
a mesma restou criada por resolução do Conselho Monetário Nacional. Assim, esta situação se contrapõe à 
norma complementar que permite a utilização de juros superior a 1% ao mês tão-somente no caso de lei 
dispondo de maneira contrária. 
A Taxa Selic, portanto, não pode ser aplicada ao caso à execuções fiscais, 
principalmente no âmbito da esfera federal, uma vez que seus critérios de cálculo não estão definidos em lei, 
mas em circulares do Banco Central.Esse entendimento, inegavelmente, é o majoritário: a taxa Selic não pode 
ser aplicada para corrigir execuções fiscais! 
Da mesma forma entende o juiz Mariano Leonel de Souza, do foro das execuções fiscais 
estaduais de São Paulo. Ele acolheu os argumentos dos advogados da empresa Earset do Brasil e determinou a 
aplicação de juros de 1% ao mês (na forma do artigo 161, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional). Ao 
proferir procedência dos embargos à execução, o magistrado discorre: "Prospera a insurgência da embargante 
contra a aplicação da 'Taxa Selic'. A Fazenda embasa a cobrança na lei nº 10.175/98, vigente a partir de 1999, 
que, no entanto, fere a Constituição Federal". 
O juiz baseou-se, ainda, na jurisprudência do TJ de São Paulo: 
 "De princípio, já para estes anos (1987 e 1988) seria inaplicável o índice porque, 
editada a lei que adotou para o Estado de São Paulo, nº 10.175/98, estaria 
retroagindo seus efeitos. Mas a impertinência do índice não tem, aí, seu 
fundamento maior, porque relativo ao caso específico. Tangencia a 
inconstitucionalidade".Nesse julgado, o TJSP reporta-se a um precedente do STJ(Resp nº 215.881) que, em 17 de fevereiro de 2000, declarou inconstitucional o 
parágrafo 4º do artigo 39, da lei nº 9.250/95, que estabeleceu a utilização da 
taxa Selic, "uma vez que esta taxa não foi criada por lei para fins tributários". (JTJ 
232/216). 
 
 
 
 
Por todas essas razões não se pode lançar mão de semelhante taxa a título de juros de 
mora que, como se sabe, não deve ir além da remuneração, do montante devido a título de tributo 
eventualmente não recolhido no prazo legal, pela mora. 
Qualquer quantia que ultrapasse a singela reparação da mora, tem efeito confiscatório, 
vedado pelo inciso IV, do artigo 150 da Constituição Federal. A utilização, portanto, de dita taxa, segundo os 
interesses e políticas governamentais, fere também o princípio da legalidade, sendo igualmente inconstitucional a 
delegação de competência prevista no artigo 14, I da Lei 8.981/95. 
Não se pode encerrar este tópico sem referir que a taxa SELIC é fixada unilateralmente 
pelo Poder Executivo, o que per si impede a sua exigência, visto que a consolidada jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça repugna índices estabelecidos unilateralmente. Neste sentido, é importante colacionar 
precedente da Colenda 4ª Turma, que, mesmo tratando de direito privado, é plenamente aplicável à espécie: 
 
DIREITO COMERCIAL. LEASING. ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. 
1. A orientação que veio a prevalecer nesta Corte repudia com 
veemência, possa o credor, a seu talante, estipular unilateralmente 
o índice de correção das prestações. 
2. Recurso especial conhecido, mas desprovido. 
(STJ, 4ª T., Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, REsp. 66.592/SC, in 
DJU 05/10/98) 
 
De todo exposto, conclui-se com hialina clareza que a exigência da taxa SELIC, como 
fator de juros ou correção monetária, afronta a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional e a consolidada 
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, impondo-se a sua substituição por juros de 1% ao mês, não 
capitalizados, e correção monetária calculada com base na variação da UFIR, visto que qualquer outra forma de 
calcular os juros encontrará obstáculo no parágrafo 3º do artigo 192 da Lei Maior. 
 
 -V- 
DA CORREÇÃO MONETÁRIA E DOS JUROS APLICADOS À MULTA 
Outro fato que demonstra a abusividade da cobrança realizada pelo Fisco é a incidência 
de juros e correção monetária sobre a multa, que por sua vez, já é aplicada sobre o tributo atualizado com juros 
e correção monetária. 
 
 
 
 
 
Não há previsão legal sobre a aplicação de juros sobre a multa, eis que os juros são 
uma penalidade impostas pelo não pagamento do tributo, sendo a multa outra penalidade imposta pelo 
inadimplemento. 
A aplicação de juros sobre a multa importa em aplicar uma penalidade sobre outra, o 
que gera locupletamento ilícito do exequente. Desta forma, a multa deve ser aplicada diretamente sobre o 
tributo atualizado, sem que sobre ela incida qualquer tipo de correção, sob pena de locupletamento ilícito do 
exequente. 
 
 -VI- 
 
DA NECESSIDADE DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO QUANTO A MULTA E JUROS 
 
Admitindo-se que Vossa Excelência entenda que não seja nula a CDA objeto da 
execução fiscal ora embargada, impede que se reconheça que o tributo é exação sujeita ao lançamento por 
homologação, no qual o contribuinte informa ao Fisco, o valor do crédito tributário. 
Portanto, o contribuinte realiza aquilo que podemos chamar de auto- imposição 
tributária. Considerando tal circunstância em caso de não pagamento do tributo a Fazenda remete o crédito 
formalizado pelo contribuinte imediatamente para inscrição em dívida ativa. 
Ocorre que, o procedimento adotado, de encaminhar para imediata inscrição em dívida 
ativa é absolutamente inconstitucional, na medida em que nesta oportunidade além do crédito tributário 
informado pelo contribuinte, inclui, ainda, multas e juros no suposto débito. 
Ora, ainda que se admita ser juridicamente possível ao Fisco o imediato 
encaminhamento do crédito tributário informado pelo contribuinte através da Guia, para inscrição em dívida 
ativa, sem anterior realização de auto de lançamento, conforme determina o art. 142 do CTN, circunstância esta 
que tem sido agasalhada pelos Tribunais Pátrios, não há como se admitir o mesmo com relação à multa e juros. 
Observe-se que quanto aos valores referentes às penalidades tributárias resta 
indispensável à realização de procedimento administrativo, no qual seja oportunizado ao sujeito passivo da 
exação exercer seu direito constitucionalmente garantido de defesa, na forma que determina o art. 5º, LV. 
 
Assim, por não ter sido oportunizado ao contribuinte o exercício da ampla defesa 
através de procedimento administrativo no que concerne às penalidades tributárias decorrentes do não 
pagamento do débito informado na Guia de Arrecadação, não há como se negar à absoluta nulidade das 
mesmas, o que deve ser declarado através da presente ação de embargos a execução, eis que inequívoco que o 
procedimento adotado pelo Fisco Estadual, em inscrever em dívida ativa valores que não foram objeto de 
procedimento administrativo fere frontalmente o princípio da ampla defesa esculpido no art. 5º, inciso LV da 
Constituição Federal. 
 
 
 
 
Resta inegável, portanto, que se afigura totalmente insubsistente a certidão de dívida 
ativa que embasa a presente execução, o que, determina seja apurado de pronto à extinção do feito executivo 
ora embargado. 
-V – DOS PEDIDOS 
 
À luz do todo exposto, requer sejam rechaçadas as argumentações trazidas pela União 
em contestação, reiterando-se os pedidos formulados na exordial. 
 
Termos em que pede e espera deferimento. 
Porto Alegre, 20 de agosto de 2020.

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