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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA Prof.ª Dsc. Geanni Silveira ENSAIOS DOS MATERIAIS Qualquer projeto de engenharia, requer, para sua viabilização, um vasto conhecimento das características, propriedades e comportamento dos materiais disponíveis. O comportamento mecânico de qualquer material utilizado em engenharia é função de sua estrutura interna e de sua aplicação em projeto. ENSAIOS DOS MATERIAIS Os ensaios mecânicos dos materiais são procedimentos padronizados que compreendem testes, cálculos, gráficos e consultas a tabelas, tudo isso em conformidade com normas técnicas. Realizar um ensaio consiste em submeter um objeto já fabricado ou um material que vai ser processado industrialmente a situações que simulam os esforços que eles vão sofrer nas condições reais de uso, chegando a limites extremos de solicitação. ENSAIOS DOS MATERIAIS As duas finalidades mais importantes da execução dos ensaios são: • Permitir a obtenção de informações rotineiras do produto — ensaios de controle: no recebimento de materiais de fornecedores e no controle final do produto acabado. • Desenvolver novas informações sobre os materiais — no desenvolvimento de novos materiais, de novos processos de fabricação e de novos tratamentos 1. Quanto à integridade geométrica e dimensional da peça ou componente: - Destrutivos: provocam inutilização parcial ou total da peça; p. ex.: tração, dureza, fadiga, fluência, torção, flexão, tenacidade à fratura; - Não destrutivos: não comprometem a integridade da peça; p. ex.: raios X, raios g, ultras- som, partículas magnéticas, líquidos penetrantes. 2. Quanto à velocidade de aplicação da carga: - Estáticos: carga aplicada de maneira suficientemente lenta, induzindo a uma sucessão de estados de equilíbrio (processo quase estático); p. ex.: tração, compressão, flexão, dureza e torção; - Dinâmicos: carga aplicada rapidamente ou ciclicamente; p. ex.: fadiga e impacto; - Carga constante: carga aplicada durante um longo período; p. ex.: fluência. . CLASSIFICAÇÃO DOS ENSAIOS DOS MATERIAIS MÉTODOS DE ENSAIOS Determinam que os ensaios devem ser realizados em função da geometria da peça, do processo de fabricação e de acordo com as normas técnicas vigentes, podendo ser: • ensaios da própria peça; • ensaios de modelos; • ensaios em amostras; • ensaios em corpos de prova retirados de parte da estrutura. ENSAIO DE TRAÇÃO Trata-se de ensaio amplamente utilizado na indústria de componentes mecânicos, devido à vantagem de fornecer dados quantitativos das características mecânicas dos materiais. Dentre as principais destacam-se: • limite de resistência à tração; • limite de escoamento; • módulo de elasticidade; • módulo de resiliência; • módulo de tenacidade; • coeficiente de encruamento; • coeficiente de resistência; • parâmetros relativos à ductilidade (estricção e alongamento). ENSAIO DE TRAÇÃO Os resultados fornecidos pelo ensaio de tração são fortemente influenciados pela temperatura, velocidade de deformação, anisotropia do material, tamanho de grão, porcentagem de impurezas, bem como pelas condições ambientais. Esse tipo de ensaio utiliza corpos de prova preparados segundo as normas técnicas convencionais (no país, a norma técnica utilizada para materiais metálicos à temperatura ambiente é a NBR ISO 6892:2002, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT), e consiste na aplicação gradativa de carga de tração uniaxial crescente nas extremidades de um corpo de prova padronizado. O levantamento da curva de tensão de tração pela deformação sofrida pelo corpo consiste no resultado do teste de tração. ENSAIO DE TRAÇÃO As vantagens do ensaio podem ser resumidas: - na grande facilidade de sua aplicação; - na extensa flexibilidade do método (podendo ser utilizado desde tiras e arames até tarugos e blocos); - na amplitude de informações fornecidas pelo ensaio quanto à caracterização dos materiais, podendo ser utilizado em praticamente todos os materiais de aplicação em engenharia (polímeros, metais, cerâmicos, compósitos, madeira, entre outros). ENSAIO DE TRAÇÃO ENSAIO DE TRAÇÃO • Região de comportamento elástico - corresponde à primeira região de deformação do corpo de prova. Nessa região observa-se o fenômeno do efeito elástico, em que, ao cessar a aplicação de carga, o corpo de prova retoma suas dimensões originais. • Região de deslizamento de discordâncias - corresponde ao início da deformação plástica do material; nos estágios iniciais dessa deformação, a tensão pode sofrer oscilações que dependerão da acomodação das discordâncias no interior da rede cristalina do material. ENSAIO DE TRAÇÃO • Região de encruamento uniforme - corresponde ao encruamento propriamente dito, e, à medida que os planos cristalinos escorregam entre si, estes são gradativamente freados ou travados pelas discordâncias que atingem os contornos de grão, exigindo cada vez mais tensão para que a deformação continue. • Região de encruamento não uniforme - corresponde à última região de deformação; nesta passa a existir o processo de ruptura do corpo de prova. Para um material de alta capacidade de deformação permanente, o diâmetro do corpo de prova começa a decrescer rapidamente ao se ultrapassar a tensão máxima. Assim, a carga necessária para continuar a deformação diminui até a ruptura total. ENSAIO DE TRAÇÃO Cada região é definida pelas seguintes tensões: • Tensão proporcional (limite de proporcionalidade) – definida como a tensão máxima até́ a qual vale uma relação linear entre tensão e deformação. Estabelece o limite da deformação elástica. • Tensão de escoamento (limite de escoamento) – definida como a tensão de início da deformação plástica. Para alguns materiais, a passagem da região elástica para a plástica ocorrerá com uma oscilação nos níveis de tensão, em que se definem as tensões máximas e mínimas da flutuação. ENSAIO DE TRAÇÃO Cada região é definida pelas seguintes tensões: • Tensão máxima (limite de resistência à tração) – definida como a máxima tensão que o material suporta sem apresentar nenhum traço de fratura interna ou externa no corpo de prova. Após esse nível de tensão, o material iniciará o processo de fratura. • Tensão de ruptura – definida como a tensão na qual ocorrerá a fratura definitiva do corpo de prova. ENSAIO DE TRAÇÃO A deformação elástica de um corpo de prova é descrita por uma relação linear entre tensão e deformação, em que a constante de proporcionalidade é dada pelo módulo de elasticidade, também conhecido por módulo de Young (E). Para a região de comportamento elástico, tem-se que os principais parâmetros : • Módulo de elasticidade (E) – indica a rigidez do material; • Coeficiente de Poisson (v). • Módulo de resiliência (Ur). • Limite de proporcionalidade (sp) e limite de escoamento (se). • Efeito termoelástico. • Anelasticidade ENSAIO DE TRAÇÃO Estricção: É a redução percentual da área da seção transversal do corpo de prova na região onde vai se localizar a ruptura. A estricção determina a ductilidade do material. Quanto maior for a porcentagem de estricção, mais dúctil será o material. TRATAMENTOS TÉRMICOS De maneira geral os tratamentos térmicos consistem em aquecer os materiais até uma temperatura acima da temperatura de recristalização e na sequência resfriar de modo rápido em meios líquidos ou gasosos. Os tratamentos térmicos mais comuns são: recozimento, têmpera e revenimento. A têmpera e o revenido geralmente estão combinados, pois, enquanto o primeiro aumenta as propriedades de resistência, o segundo alivia as tensões excessivas. Já o recozimento é o contrário da têmpera; diminui as propriedades mecânicas dos materiais. TRATAMENTOS TÉRMICOS • Têmpera é um dos tratamentos térmicos destinados à obtenção de dureza nos aços. Consiste basicamente em aquecer o aço em um forno em temperatura acima da zona crítica(temperatura de recristalização) e resfriar rapidamente; • Revenido é aplicado nos aços temperados, com o objetivo de melhorar a ductilidade e reduzir as tensões internas. Consiste em aquecer a temperaturas inferiores à temperatura crítica, geralmente entre 400°C e 600°C; TRATAMENTOS TÉRMICOS • Recozimento: Tem o objetivo de remover as tensões devidas à conformação mecânica, melhorando a ductilidade. O recozimento mais comum é chamado de total ou pleno, onde o material é geralmente aquecido a uma temperatura acima da zona crítica (zona de austenitização), seguido de resfriamento lento, desligando o forno e mantendo as peças em seu interior. • Normalização – tem o objetivo de refinar o grão, principalmente em materiais fundidos, laminados ou forjados. É um tratamento preliminar a têmpera e ao revenido, a fim de produzir estruturas mais uniformes. Semelhante ao recozimento consiste no aquecimento a uma temperatura crítica e resfriamento em temperatura ambiental TRATAMENTOS TÉRMICOS Os tratamentos térmicos produzem modificações nos constituintes primários das ligas ferrosas, sem alterar a composição química, apenas as mecânicas. Existem também os tratamentos termo-químicos que podem ser produzidos nas superfícies destas ligas como: cementação, nitretação e cianetação. PROCESSOS DE FABRICAÇÃO O processo de fabricação é um procedimento realizado a fim de realizar transformações físicas e/ou químicas no material inicial com o objetivo de agregar valor a este material. O processo de fabricação é normalmente considerado uma operação unitária, isto é, uma etapa única da sequência de passos necessários para a transformação do material inicial no produto final. Uma operação unitária é em geral executada em um equipamento único e de modo independente das demais operações da fábrica. As operações de fabricação podem ser divididas em dois tipos principais: (1) operações de processamento e (2) operações de montagem. Uma operação de processamento transforma o material de um estado do acabamento em um estado mais avançado e sempre mais próximo do produto final desejado. Esta operação eleva o valor do produto por meio de mudança na geometria, nas propriedades e no aspecto do material. PROCESSOS DE FABRICAÇÃO PROCESSOS DE FABRICAÇÃO O processo de fabricação é um procedimento realizado a fim de realizar transformações físicas e/ou químicas no material inicial com o objetivo de agregar valor a este material. O processo de fabricação é normalmente considerado uma operação unitária, isto é, uma etapa única da sequência de passos necessários para a transformação do material inicial no produto final. Uma operação unitária é em geral executada em um equipamento único e de modo independente das demais operações da fábrica. As operações de fabricação podem ser divididas em dois tipos principais: (1) operações de processamento e (2) operações de montagem. Uma operação de processamento transforma o material de um estado do acabamento em um estado mais avançado e sempre mais próximo do produto final desejado. FUNDIÇÃO É um processo no qual metal fundido flui pela força da gravidade, ou por ação de outra força, num molde em que ele solidifica com a forma da cavidade do molde. O termo fundido é aplicado ao componente ou peça obtido por esse processo. É um dos processos de fabricação mais antigos, remontando seis mil anos. O princípio da fundição parece simples: fundir o metal, vertê-lo no molde e deixá-lo resfriar e solidificar; no entanto, existem vários fatores e variáveis que devem ser considerados para resultar numa operação bem-sucedida. A fundição de peças envolve a produção de geometrias mais complexas que são muito mais próximas da forma desejada final da peça ou do produto. FUNDIÇÃO Vantagens: • O processo de fundição pode ser aplicado a qualquer metal que possa ser aquecido até o estado líquido; • Alguns métodos de fundição são particularmente adequados à produção seriada. Desvantagens: • Essas incluem limitações em propriedades mecânicas, porosidade, baixa precisão dimensional e acabamento superficial; • Para alguns processos de fundição, riscos à segurança durante o processamento de metais líquidos quentes e problemas ambientais. FUNDIÇÃO FUNDIÇÃO Para efetuar uma operação de fundição, o metal é primeiro aquecido a uma temperatura elevada o suficiente para convertê-lo totalmente ao estado líquido. Ele é então vazado, ou de outra forma direcionado, à cavidade do molde. Tão logo o metal fundido atinge o molde, ele começa a resfriar. Quando a temperatura cai o suficiente (isto é, até a temperatura de solidificação para um metal puro), a solidificação, que envolve mudança de fase do metal, tem início. Para completar a mudança de fase, tempo é necessário e calor considerável é removido no processo. É durante essa etapa do processo que o metal assume a forma sólida da cavidade do molde e que muitas das propriedades e características do fundido são estabelecidas. Uma vez que o fundido se resfriou suficientemente, ele é removido do molde. Dependendo do método de fundição e metal empregados, pode ser necessário processamento posterior. FUNDIÇÃO A maioria das ligas solidifica numa faixa de temperatura ao invés de numa única temperatura. A faixa exata depende do sistema da liga e da composição pretendida. FUNDIÇÃO As ligas eutéticas constituem uma exceção ao processo geral pelo qual as ligas solidificam. A liga eutética é uma composição particular de um sistema de ligas no qual a temperatura solidus é igual à temperatura liquidus. Assim, a solidificação ocorre à temperatura constante (denominada temperatura eutética) em vez de se dar num intervalo de temperatura. Exemplos de ligas eutéticas utilizadas em fundição incluem ligas alumínio-silício (11,6% Si) e ferro fundido (4,3% C). FUNDIÇÃO Um metal puro solidifica a uma temperatura constante, temperatura de solidificação, que é igual à temperatura de fusão. O processo ocorre ao longo do tempo e é obtido através da curva de resfriamento. A solidificação propriamente dita leva um tempo, chamado tempo de solidificação local do fundido, durante o qual o calor latente de fusão é liberado para o molde. O tempo de solidificação total é o tempo entre o vazamento e o fim da solidificação. Após o fundido estar totalmente solidificado, o resfriamento continua a uma taxa indicada pela inclinação da curva de resfriamento. Por causa da extração de calor pela parede do molde, imediatamente após o vazamento, é formada uma fina camada de metal sólido na interface com o molde. A espessura da camada aumenta formando uma casca em volta do metal fundido à medida que a solidificação progride em direção ao centro da cavidade. A velocidade com que a solidificação avança depende da transferência de calor para o molde, assim como das propriedades térmicas do molde. CONFORMAÇÃO A conformação dos metais engloba extenso grupo de processos de manufatura, nos quais a deformação plástica é empregada na mudança de forma de peças metálicas. A deformação resulta da utilização de uma ferramenta, denominada comumente matriz em conformação dos metais, a qual, por sua vez, exerce tensões que ultrapassam o limite de escoamento do metal. O metal, portanto, se deforma plasticamente para tomar a forma determinada pela geometria da matriz. As componentes de tensão aplicadas para deformar plasticamente o metal são de modo usual compressivas. Todavia, alguns processos de conformação estiram o metal, enquanto outros dobram o metal, e ainda alguns aplicam tensões de cisalhamento ao metal. Para ser conformado com sucesso, o metal deve apresentar certas propriedades. As propriedades desejadas no material a ser conformado incluem baixa resistência ao escoamento e elevada ductilidade. Estas propriedades são influenciadas pela temperatura. A ductilidade é aumentada e a resistência ao escoamento é reduzida quando a temperatura de trabalhoé elevada. O efeito de temperatura se traduz nas divisões entre trabalho a frio, trabalho a morno e trabalho a quente. CONFORMAÇÃO Laminação: Este é um processo de deformação por compressão direta, no qual a espessura de uma placa ou chapa grossa é reduzida pela ação de dois cilindros com rotação em sentidos opostos. Os cilindros giram de modo a conformar e comprimir o metal na região de abertura entre eles CONFORMAÇÃO Forjamento: Uma peça é comprimida entre duas matrizes opostas, de modo que a geometria das matrizes é transmitida à peça de trabalho. O forjamento é tradicionalmente um processo de conformação a quente, porém várias operações de forjamento são realizadas a frio. CONFORMAÇÃO Extrusão: Este é um processo de compressão no qual o metal de trabalho é forçado a escoar pela abertura de uma matriz, transformando a seção transversal da peça a partir da geometria da matriz. CONFORMAÇÃO Trefilação: Neste processo de conformação, o diâmetro de um arame ou barra redonda é reduzido ao puxá-lo pela abertura de uma matriz. CONFORMAÇÃO As operações de conformação de chapas são em geral realizadas em processos de trabalho a frio e usualmente efetuadas por meio de um conjunto de ferramentas compostos de um punção e uma matriz. O punção é a parte positiva e a matriz a parte negativa do ferramental. O dobramento envolve a deformação de uma chapa fina ou grossa de metal para formar um ângulo ao longo de um eixo, que usualmente é uma aresta retilínea. A estampagem consiste na conformação de uma chapa de metal plana em uma forma côncava ou oca, tal como um copo, por estiramento do metal. Um prensa-chapas é empregado para manter o esboço pressionado enquanto o punção empurra a chapa metálica. Os termos estampagem de copo (cup drawing) e estampagem profunda (deep drawing) são frequentemente usados. CONFORMAÇÃO O processo de corte por conformação realiza a mudança da geometria através do cisalhamento do material até a ruptura. A operação de cisalhamento corta o esboço com auxílio de um punção e uma matriz, como mostra na Figura. Embora este processo possa ser excluído dos processos de conformação, pois não apresenta a deformação plástica continuamente, é uma operação comum e necessária à conformação de chapas.