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CASTRO ALVES
ANTÔNIO FREDERICO DE CASTRO ALVES 
(Curralinho, hoje Castro Alves, Bahia, 1847 – Salvador, 1871) 
Filho do médico Antônio José Alves, também professor da Faculdade de Medicina de Salvador, e Clélia Brasília Castro, que faleceu quando ele tinha apenas 12 anos.
Entrou no Curso de Direito em Recife, onde já começava a campanha abolicionista, de que seria um dos primeiros líderes, junto a Tobias Barreto. 
Apaixona-se pela atriz Eugênia Câmara para quem escreve o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, levado à cena em Salvador, quando já o poeta se encaminhava para S. Paulo a fim de continuar os estudos. 
Por volta de 1869, feriu o pé acidentalmente durante uma caçada, contudo, o ferimento agravou-se e o pé de Castro Alves teve que ser amputado. 
Neste mesmo ano, houve agravamento da doença pulmonar do poeta, o que o fez retornar à Bahia já com tuberculose.
Dois anos após, em 1871 o estado de saúde de Castro Alves piorou ainda mais, levando ao falecimento precoce do poeta no dia 06 de julho.
A POESIA CONDOREIRA
“Meus versos foram feitos para serem gritados em praças públicas”
A POESIA CONDOREIRA
“É que para chorar as dores pequenas, Deus criou a afeição, para chorar a humanidade – a poesia”
CARACTERÍSTICAS DO AUTOR 
Amor pelas grandes causas humanas e sociais, com foco no abolicionismo;
Sua poesia se apresenta com eloquência, vibrátil e comovedora, de poderosa sugestão visual e impressão auditiva;
Comunicação direta com o povo
(Antonio Candido J. Aderaldo Castello 
Presença da Literatura Brasileira II)
“Castro Alves desloca o problema e leva ao primeiro plano o verdadeiro escravo do Brasil: um negro desarraigado de seu país e inserido à viva força num contexto paisagístico ao qual permanecerá sempre estranho” 
(Luciana Stegagno Picchio)
“Castro Alves é um poeta que une visualidade e oralidade [...] a visão é de quem contempla do alto, as asas do futuro, desde os filhos da África, livres, em sua terra, até as cenas da tragédia no mar que os torna escravos sob o açoite” 
(Carlos Nejar)
“Um poeta à altura dos gênios verdadeiros” 
(Mario de Andrade)
“A intenção pragmática dos seus cantos, escritos para serem declamados na praça pública, em teatros ou grandes salas – verdadeiros discursos de poeta-tribuno” 
(Manuel Bandeira)
O NAVIO NEGREIRO – TRAGÉDIA NO MAR (1869)
PARTE 1
O poeta evoca a beleza utilizando as imagens hiperbólicas do mar, do céu e do infinito. No final pergunta-se por que aquele barco foge dele. Pede então ajuda ao albatroz para aproximar-se da embarcação.
PARTE 2
Aqui o poeta faz um elogio aos marinheiros e às suas façanhas.
PARTE 3
Nas asas do albatroz, o poeta aproxima-se da embarcação e se espanta com o que vê. Neste momento há uma ruptura com a idealização e uma dolorosa tomada de consciência.
PARTE 4
Esta é a parte em que o poeta descreve os horrores do navio negreiro. A escravidão não poupa mulheres nem crianças. Negros são açoitados ao som de uma “orquestra” de sons sinistros como gritos, gemidos, chicotes e ferros, que ilustram uma cena infernal.
PARTE 5
A famosa apóstrofe que inicia e encerra esta parte constitui uma invocação, primeiramente a Deus, e em seguida para as próprias figuras titânicas da natureza (mar, astros, tempestades, tufão) para que se ponha um fim aos horrores da escravidão. O poeta contrasta o passado heroico e livre daqueles que eram escravizados com sua degradante condição atual.
PARTE 6
Indignado, o poeta denuncia que a bandeira brasileira, que simbolizara a liberdade na Independência, servia agora de mortalha (roupa fúnebre) aos escravos. Ao final do poema, há um apelo aos heróis do novo mundo (Cristóvão Colombo e José Bonifácio de Andrada) para ponham fim àquela situação vergonhosa.
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