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Métodos e Sistemas de Custeio Módulo de Estudo 3 CUSTOS FIXOS IDENTIFICADOS E RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO - PARTE 2 Olá! Na aula anterior analisamos os custos fixos identificados e os investimentos identificados, bem como sua aplicação para os cálculos da taxa de retorno dos produtos e da empresa. Nesta aula, vamos continuar abordando o tema, porém com foco nas decisões de formação de preço (maximização do resultado; atendimento de pedidos especiais e custeio meta). Preço para maximização do resultado Primeiramente, é importante você saber que, na ciência econômica, o nível da demanda, ou seja, a quantidade procurada de um bem ou serviço tem uma relação inversa com o seu preço de venda. Quanto maior o preço de um bem ou serviço, menor será a quantidade demandada desse bem ou serviço e vice-versa. Desse modo, quanto mais eficiente for o processo de projeções da quantidade procurada em relação aos vários níveis viáveis de preços de mercado, mais correto será o resultado da definição do preço ótimo de cada bem ou serviço da organização. Devemos estar cientes que a determinação do volume de demanda de um produto não é tarefa das mais fáceis. Porém há empresas de consultorias especializadas em pesquisas de mercado, que utilizam métodos científicos robustos para auxiliar neste processo, além, é claro, da experiência da equipe de profissionais da empresa no seu Métodos e Sistemas de Custeio – Aula 9 Prof. Dr. José Milton Almeida da Silva mercado de atuação – que é um fator fundamental para a obtenção de bons resultados nesta área. Vamos analisar um exemplo para melhor compreensão! Suponha que a empresa iniciará a comercialização de um novo produto, cujos custos variáveis unitários são de R$ 250 e os custos fixos identificados são de R$ 2.000.000 por ano. Os resultados da pesquisa de mercado realizada por uma consultoria especializada, contratada pela empresa, prevê a demanda de mercado para cada um dos preços de venda avaliados, conforme indicado na tabela 1. Tabela 1 – Projeção de demanda (valores em R$) Preço unitári o Quantidad e demandad a (unidades) Custos variávei s unitário s Margem Contribuiçã o unitária Margem contribuiçã o total Custos fixos indiretos identificado s 2ª Margem contribuiçã o total 1.500 1.000 250 1.250 1.250.000 2.000.000 (750.000) 1.250 2.000 250 1.000 2.000.000 2.000.000 0 1.000 4.000 250 750 3.000.000 2.000.000 1.000.000 750 5.500 250 500 2.750.000 2.000.000 750.000 500 8.000 250 250 2.000.000 2.000.000 0 Fonte: Elaborada pelo autor Note que para os cálculos da 2ª margem de contribuição total, apresentadas na tabela 1, primeiro foram deduzidos os custos variáveis unitários do preço unitário de venda; depois, foi realizada a multiplicação entre a margem de contribuição unitária e quantidade demandada, chegando-se na margem de contribuição total; por último, foram deduzidos os custos fixos identificados para a apuração da 2ª margem de contribuição total, também denominada de margem de contribuição direta. Esse procedimento foi aplicado para cada um dos preços unitários avaliados na pesquisa. Conforme você pode perceber, quando analisamos os resultados da tabela 1, admitindo-se um preço unitário de R$ 1.500, somente 1.000 unidades serão demandadas ou absorvidas pelo mercado, o que resultará em uma 2ª margem de contribuição negativa em R$ 750.000. Para um preço unitário de R$ 1.250, são estimadas as vendas de 2.000 unidades, o que resultará em uma 2ª margem de contribuição nula. Já para um preço unitário de R$1.000, as projeções indicam a comercialização de 4.000 unidades, resultando em uma 2ª margem de contribuição de R$ 1.000.000. Perceba que, a partir de então, a 2ª margem de contribuição passa a ter comportamento decrescente, ou seja, a procura estimada para o produto com preços menores a R$ 1.000 por unidade, não é suficiente para cobrir a perda na margem de contribuição unitária derivada do menor preço unitário praticado. Portanto, o ponto ótimo de venda do produto compreende a venda de 4.000 unidades ao preço unitário de R$ 1.000. Nesse ponto, a 2ª margem de contribuição total da empresa será de R$ 1.000.000 no período. Formação de preços para o atendimento de pedidos especiais Vamos supor agora, que a empresa do exemplo anterior, esteja conseguindo comercializar 4.000 unidades do seu produto ao preço unitário de R$ 1.000. Nesse caso, conforme a tabela 1, ela está conseguindo obter uma 2ª margem de contribuição de R$ 1.000.000 por ano. Sendo assim, podemos definir sua estrutura de custo total unitário: Custo total unitário R$ Custos variáveis 250,00 Custos fixos identificados (R$ 2.000.000 ÷ 4.000) 500,00 750,00 Porém, a empresa ainda possui capacidade ociosa de 20%, ou seja, está utilizando apenas 80% da capacidade instalada. Desse modo, teria condições de produzir e comercializar mais 1.000 unidades do seu produto. Vamos considerar, então, que a empresa tenha recebido um pedido de encomenda especial de uma rede de lojas de varejo, que deseja adquirir um lote de 1.000 unidades do referido produto para fazer uma promoção de vendas de aniversário junto à sua clientela. O preço ofertado é R$ 500 por unidade do produto, ou seja, é menor que o custo total unitário. A empresa deve ou não aceitar o pedido especial? Importante destacar que não é comum as empresas comercializarem produtos por preços abaixo do seu custo total. Todavia, tal estratégia comercial pode ser vantajosa em algumas circunstâncias, desde que, não haja reflexos negativos sob a demanda de outros produtos ou clientes. Sendo assim, vamos analisar a proposta para a tomada de decisão fazendo uma análise incremental. Tabela 2 – Análise incremental Itens Em R$ Receita incremental (1.000 x R$ 500) 500.000 Custos incrementais - Custos variáveis (1.000 x R$ 250) (250.000) Resultado 250.000 Fonte: Elaborada pelo autor Com base na tabela 2, podemos determinar que, se a empresa aceitar o pedido especial, suas receitas sofrerão incremento de R$ 500.000. Os custos variáveis por sua vez serão mantidos em R$ 250 por unidade, totalizando um incremento de R$ 250.000. Já os custos fixos identificados não sofrerão qualquer incremento, dado que a empresa já possui a estrutura operacional suficiente para a produção adicional sem qualquer alteração, ou seja, há capacidade ociosa. Portanto, haverá um incremento de R$ 250.000 nos resultados da empresa como decorrência do pedido especial. Então, a decisão da empresa será de aceitação do pedido especial, pois haverá uma contribuição positiva aos seus resultados. Note, também, que mesmo que seja necessário algum incremento nos custos fixos identificados para a viabilização da produção para atender ao pedido especial, este poderá ser aceito, desde que o valor do incremento seja inferior a R$ 250.000 dos resultados adicionais, bem como tenha uma característica de custo temporário, ou seja, possa ser revertido após a entrega final da produção, tais como: contratação de mão de obra indireta temporária, custos de manutenção e limpeza, etc. Formação dos preços com a aplicação de uma taxa sobre os custos Um sistema menos sofisticado de formação dos preços de venda, mas muito utilizado na prática, é a aplicação de uma determinada margem de lucro pretendida sobre os custos de fabricação dos produtos. Por essa abordagem, a empresa determina o custo total por unidade e adiciona a margem de lucro pretendida, chegando então ao preço de venda do produto, conforme demonstrado na tabela 3. Tabela 3 – Cálculo do preço unitário de venda Margem de lucro esperada para 4.000 unidades em vendas 0% Ponto ótimo 33,33% 66,66% Quantidade vendida efetiva (unidades) 5.500 4.000 2.000 Custos fixos identificados - Total– R$ 2.000.000 2.000.000 2.000.000 - Por unidade – R$ 364 500 1.000 Custos variáveis por unidade – R$ 250 250 250 Custo total por unidade – R$ 614 750 1.250 Margem de lucro efetiva – R$ 136 250 0 Preço de venda por unidade – R$ 750 1.000 1.250 Fonte: Elaborada pelo autor Com base na tabela 3, podemos inferir que a empresa do nosso exemplo anterior, detém uma margem de lucro de 33,33% quando comercializa o seu produto ao preço de R$ 1.000 por unidade, o qual foi identificado como o ponto ótimo para a maximização do resultado total, dadas as características estimadas para a demanda de mercado (4.000 unidades). Porém, se a empresa não tivesse contratado uma consultoria especializada para realizar a pesquisa de mercado, não teria conhecimento do comportamento da demanda do seu produto em relação aos possíveis preços praticados. Sendo assim, uma alternativa seria a determinação da margem de lucro desejada para a determinação do preço de venda. No primeiro caso, vamos supor que a empresa desejasse uma margem de lucro sobre o custo total unitário de 66,66% (o dobro da margem no ponto ótimo), acreditando que pudesse vender as 4.000 unidades pelo preço de R$ 1.250 por unidade. Na realidade, porém, conforme a tabela 3, a quantidade comercializada se reduzirá à metade, ou seja, para apenas 2.000 unidades, aumentando o custo unitário total para R$ 1.250 e anulando a margem de lucro. Portanto, ao invés da empresa obter um lucro de R$ 500 por unidade (preço de R$ 1.250 menos o custo total de R$ 750 por unidade), na verdade atingirá apenas o ponto de equilíbrio, ou seja, lucro zero. No segundo caso, vamos supor que a empresa acreditasse que, num primeiro momento, conseguiria apenas atingir o ponto de equilíbrio (lucro zero), comercializando as 4.000 unidades ao preço de R$ 750 por unidade. Porém, conforme a tabela 3, efetivamente a quantidade demandada subiu para 5.500 unidades, reduzindo o custo unitário total para R$ 614 e gerando uma margem de lucro de R$ 136 por unidade, ou uma margem de 22% (R$ 136 divididos por R$ 614). Como você percebeu, essa abordagem de formação de preços é muito mais fácil e barata de ser aplicada, pois não depende do conhecimento prévio da demanda de mercado do produto. Contudo, conforme o nosso exemplo demonstrou, o resultado desejado pela empresa somente será efetivo se de fato a quantidade necessária de produtos for comercializada. Portanto, esse tipo de abordagem tem relevantes limitações, pois a seleção da margem de lucro adequada a ser aplicada também depende de boas estimativas em relação à demanda do mercado, requerendo pesquisas ou testes de mercado até uma decisão final. Conforme Jiambalvo (2013), outra limitação importante diz respeito à circularidade do modelo de cálculo em empresas industriais, pois devemos estimar a quantidade procurada para a determinação do preço de venda, porém o preço de venda tem reflexo direto na quantidade procurada do produto, pois há uma relação inversa entre preço de venda e quantidade vendida. Essa limitação, portanto, traz uma flagrante desvantagem para o processo de determinação dos preços. Custeio Meta O custeio meta é um processo de formação de preços que determina os custos dos produtos a partir dos seus preços de mercado ou de venda. Em face da elevada competitividade de mercado e das crescentes exigências dos clientes, as empresas não possuem muito espaço para a determinação dos preços ótimos a partir dos custos efetivos de produção, pois conforme comentado em nosso exemplo anterior, a procura tem uma relação inversa com o preço do produto. Nesse caso, a adoção do caminho inverso tem se mostrado uma ferramenta poderosa para determinar os desempenhos das empresas e o seu melhor posicionamento estratégico nos seus mercados de atuação. Desse modo, conforme figura 1, o processo de custeio meta inicia-se com pesquisas de mercado para as avaliações detalhadas dos produtos concorrentes e substitutivos, bem como para a detecção das necessidades e anseios dos clientes potenciais. O objetivo desse processo é determinar as características técnicas e preço requeridos para que o referido produto possa ser atrativo aos clientes potenciais. Figura 1 – O processo de custeio-meta Fonte: Jiambalvo (2013). Na segunda etapa, é definido o nível da margem de lucro desejada para que o produto seja de fato interessante à empresa, ou seja, para que demonstre o potencial de retorno (lucratividade ou rentabilidade) estabelecido pela alta administração em seu planejamento estratégico. Após a determinação do preço de venda e da margem de lucro chega-se ao custeio meta, ou seja, o custo total unitário alvo para que o produto seja viabilizado. Na última etapa, são executados os trabalhos técnicos para projetar um produto que atenda todas as características estabelecidas dentro do nível de custo estabelecido. Normalmente, este trabalho está a cargo da área de engenharia e/ou desenvolvimento de novos produtos, que buscará as melhores alternativas técnicas em designer (desenho), materiais, funções e outras caraterísticas para viabilizar o produto em termos mercadológicos. Note que, uma vez que o projeto do produto esteja concluído, cerca de 80% a 85% dos seus custos de produção não poderão mais ser reduzidos, uma vez que são as suas características técnicas que determinam os seus custos, portanto, é na fase de projeto e testes que todas as possibilidades de redução de custos devem ser analisadas. Você pode verificar pela figura 1 que, caso não se consiga atingir o custo meta estabelecido, todo o processo deverá ser reavaliado de forma a estudar novas alternativas tais como: alteração no preço de venda, ponderando o reflexo na demanda do produto; alteração na margem de lucro, ponderando a questão estratégica e de mercado da empresa; ou alteração no custo de produção, ponderando as possibilidades de modificações nas funcionalidades, usos de materiais alternativos e outras características que podem reduzir a atratividade do produto. Importante ainda destacar que o custeio meta exige que todos os departamentos da empresa atuem de forma conjunta e organizada, de forma a que cada um possa contribuir com sua parcela, dentro de sua especialidade, para a viabilização dos novos produtos e consequentemente para a continuidade do sucesso empresarial. Outras vantagens do custeio meta é fazer com que a empresa também tenha foco nos clientes, buscando compreender suas necessidades e expectativas, de modo a viabilizar os produtos mais atrativos e funcionais, bem como amplie suas parcerias com fornecedores, de modo não só a proporcionar a obtenção de custos menores, como também promover o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva. Vamos analisar um pequeno exemplo: Suponha que uma empresa realizou uma pesquisa de mercado junto aos seus potenciais clientes e detectou que há uma demanda estimada em 10.000 unidades mensais ao preço de R$ 100,00 por unidade de um produto qualquer. Considerando que a empresa deseja uma margem de lucro de 20%, o que equivale a R$ 20 por unidade, podemos determinar o custo meta do produto em R$ 80,00 por unidade (R$ 100 – R$ 20). O departamento de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, com base nas informações obtidas, desenvolve o projeto detalhado de um produto que tenha as características desejadas pelos clientes e que possa ser fabricado a um custo igual ou menor que R$ 80,00 por unidade. Se o projeto for viabilizado sob tais condições, é só iniciar a produção e comercializar o produto. Porém, caso não seja possível fabricar tal produto dentro das especificações desejadas ao custo de R$ 80,00 por unidade, o processo deverá ser reiniciado de forma a reavaliar a possibilidade de aumento no preço de venda, redução da margem de lucro desejada, ou modificaçõesno projeto que permitam reduzir os seus custos e mantê-lo dentro do custo meta. Está claro que alterações no projeto provocarão perdas das características inicialmente propostas e, cabe nova reavaliação dos reflexos de tais alterações junto aos clientes potenciais. Bons estudos! Referência JIAMBALVO, James. Contabilidade gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2013. IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE CUSTOS - PARTE 1 Olá! Nesta aula, vamos abordar a contabilidade de custos e sua relação com a contabilidade geral, bem como o processo de implantação de sistemas de custos, comentando as suas características fundamentais, a relação custo-benefício da geração das informações e as precauções necessárias para a adequada seleção e implantação do sistema que atenda os objetivos da organização. Contabilidade de custos Como é do seu conhecimento, a contabilidade de custos tem a função de produzir informações para todos os níveis gerenciais das organizações, visando a auxiliá-los em suas tarefas e decisões. É essencial que a contabilidade de custos funcione em total sintonia com a contabilidade geral, seguindo suas orientações em termos de políticas, diretrizes, critérios e procedimentos para que não haja incompatibilidade informacional, pois os dados gerados pela contabilidade de custos também alimentarão a contabilidade geral. Os objetivos da contabilidade de custos são determinados com base nas necessidades de informações demandadas pelos diversos níveis gerenciais da organização, os quais, segundo vários autores, podem resumidamente ser classificados em três grandes grupos. No primeiro grupo se enquadra o objetivo da mensuração do desempenho (rentabilidade, metas físicas, etc.), que mede os resultados individuais de cada centro Métodos e Sistemas de Custeio – Aula 10 Prof. Dr. José Milton Almeida da Silva de responsabilidade (também denominado de departamento, divisão, etc.) e os resultados gerais da empresa em seu conjunto. No segundo grupo estão incluídas as atividades de planejamento e controle das operações, ou seja, o controle dos custos de cada atividade de cada centro de responsabilidade de modo a possibilitar as comparações dos resultados obtidos com os resultados orçados ou padrões estabelecidos. A finalidade das atividades é detectar os eventuais desvios, suas causas e consequências, visando à proposição de ações corretivas que possibilitem a redução dos custos e a eficácia empresarial. O terceiro grupo abrange as funções de planejamento e de tomada de decisões estratégicas e/ou operacionais, que demandam um conjunto de informações, em geral não recorrentes, de modo a aumentar a qualidade das decisões do corpo gerencial. Para que a contabilidade de custos possa cumprir a sua missão com acurácia e eficácia, há necessidade da implantação de um sistema de custos que produzam as informações desejadas pelos administradores da empresa. Quando pensamos em sistema de custos, surgem dúvidas do tipo: Por que é necessário possuir um sistema de custos, se a empresa está crescendo, conseguindo novos clientes e comercializando os seus produtos aos preços de mercado? Porque, o fato de simplesmente aumentar as vendas e conseguir novos clientes, sem conhecer os seus custos de produção, comercialização, logística, etc. não é suficiente para garantir a lucratividade da operação. Na verdade essas ações sem planejamento e controle somente aumentam os riscos do negócio. A finalidade da empresa é fabricar e comercializar os seus produtos e serviços com o menor custo e o maior lucro possível. Então, se o futuro da empresa depende de uma relação favorável entre o custo de produzir e o preço de venda, como o gestor atingirá o seu objetivo de obter o maior resultado sem depender de um sistema de custos confiável. O lucro depende da adequada precificação do produto ou serviço e este processo depende da disponibilização de custos confiáveis e seguros. Sistemas de custos Afinal, o que é um sistema de custos? Pode-se dizer que um sistema de custos, mais do que um conjunto de hardware (parte física dos computadores) e software (programas dos computadores), é um conjunto de instrumentos inter-relacionados e interdependentes que usam critérios pré- estabelecidos, devidamente organizados, voltados à coleta, classificação, registro, acompanhamento, acumulação e interpretação dos gastos da empresa. Esse processo está voltado à composição dos gastos com a finalidade da formação dos custos dos produtos e dos serviços gerados pela empresa. Qual a finalidade do sistema de custos? O objetivo central do sistema de custos, por ocupar uma função estratégica na formação dos preços dos produtos e serviços, é produzir informações úteis para subsídio aos administradores. Nesse sentido, a contabilidade de custos tem como vantagem a sua capacidade de, a partir de dados históricos, estimados, padronizados e/ou produzidos, fornecer variadas informações de custos para atender as mais diferentes necessidades gerenciais. Portanto, todas as empresas têm uma dependência da implantação de sistemas de custos, devido às necessidades de informações para a avaliação dos estoques, para a determinação da rentabilidade e do desempenho das diversas operações ou divisões da empresa, para o planejamento, controle e administração do desenvolvimento das suas atividades de produção e para a tomada de decisões gerenciais que garantam o seu progressivo crescimento e perenidade nos negócios. A estrutura de um sistema de custos é basicamente composta por três elementos: método de custeio, que determina os gastos que fazem parte da apuração do custo dos produtos; forma de custeio, a qual está relacionada à dimensão da unidade de mensuração após a definição do método de custeio; e o sistema de acumulação, que define as rotinas para coleta, processamento e saída das informações, estando diretamente relacionado ao tipo de produto e ao processo de produção da empresa. Dessa forma, podemos definir resumidamente o sistema de custos como um conjunto de normas, fluxos e rotinas visando à geração das informações úteis aos seus usuários. Cabe destacar, porém, que o sucesso de um sistema de custos depende fundamentalmente dos profissionais (pessoas) envolvidos no processo, pois o sistema nada mais é do que um canal que coleta dados em vários pontos da organização, processa esses dados de acordo com as rotinas estabelecidas (softwares) e emite os relatórios específicos destinados aos diversos gestores. Então, nós podemos inferir que a qualidade dos relatórios emitidos pelo sistema de custos está intrinsicamente vinculada à qualidade dos dados coletados e processados, pois se o pessoal envolvido cometer erros ou não estiver comprometido com a qualidade das informações alimentadas no sistema, ele falhará em sua missão. Saiba que isso é muito comum, sendo que os problemas mais graves acontecem como decorrência da baixa escolaridade, desqualificação, incompetência e/ou desinteresse pelas atividades administrativas do pessoal de produção (chão de fábrica), o qual está muito envolvido nas fases iniciais de alimentação dos dados. Além disso, quando se inicia a implantação de um sistema de custeio em qualquer organização, normalmente há uma forte resistência das pessoas, em face da percepção do seu elevado custo financeiro, bem como do fato de que haverá um controle formal das suas atividades a partir de então. Isso ocorre porque, na fase da implantação do sistema há um incremento dos gastos no curto prazo em função do acréscimo de pessoas e equipamentos envolvidos no processo. Adicionalmente, há uma percepção de aumento na burocracia, uma vez que os gerentes, chefes e supervisores de departamentos são originários das áreas operacionais, os quais em geral possuem boa formação técnica,porém podem possuir baixa escolaridade e tendem a não se adaptarem com facilidade aos procedimentos administrativos impostos por um sistema de custeio em funcionamento. Por todas essas razões, tais reações em conjunto podem criar um clima de resistência ao processo de implantação do sistema de custos, tornar mais onerosa e até certo ponto prejudicar a qualidade das informações alimentadas ao sistema. Portanto, é necessário o tratamento adequado dessas questões logo na fase inicial, procurando envolver no processo as pessoas mais qualificadas de cada departamento e treiná- las continuamente para desenvolverem suas novas atividades na forma correta e comprometida com a preservação da qualidade das informações inseridas no sistema. Relação Custo-Benefício do sistema Você já sabe que “não há almoço grátis”. Desse modo, cada informação gerada pelo sistema de custos pode ou não trazer benefícios, porém com certeza terá um custo. Essa relação entre o custo e o benefício de cada informação ou relatório precisa ser muito bem avaliada quando da implantação do sistema, e mesmo depois, durante o seu funcionamento, precisa ser reavaliada constantemente, de preferência por um profissional qualificado e isento, não envolvido diretamente com o próprio sistema. No início do funcionamento do sistema a empresa tem um elevado gasto com a seleção e o treinamento ou contratação de profissionais especializados, todavia as primeiras informações produzidas são muitos relevantes para a gestão da empresa. Na fase seguinte, a adição de certo número de novas informações, bem como a melhoria da sua qualidade geram custos adicionais relativamente desprezíveis. Contudo, ao longo do tempo, a exigência de novas informações mais sofisticadas, que demandam novas rotinas e pessoas, pode gerar grande incremento dos custos do sistema, sem que tais informações gerem de fato benefícios relevantes. É comum serem emitidos relatórios diários com diversas informações que não são utilizadas pelos gestores, mas que continuam a serem produzidos porque estão previstos no desenho do sistema e, então, estão gerando custos desnecessários. Implantação do sistema de custos Conforme já comentado, as inovações e alterações de rotina nas empresas normalmente provocam dúvidas, medo, ansiedade nos profissionais envolvidos direta ou indireto no processo. Sendo assim, é recomendada a implantação do sistema de custos de forma gradativa, de modo a não gerar resistências por parte dos funcionários. A ideia é que haja o convencimento de todos os profissionais envolvidos no processo, motivando-os e treinando-os para contribuir para o sucesso do projeto. O processo deve ser iniciado pela demonstração do sistema a ser implantado e os benefícios que ele proporcionará às atividades do dia-a-dia de cada um. Como será o seu funcionamento, qual a participação de cada um no processo de alimentação e controle das informações, como funcionará o seu processamento dos dados e os relatórios que serão produzidos, os benefícios que trará para os gestores de todas as áreas em relação aos seus respectivos desempenhos e os reflexos da melhoria da qualidade nas decisões gerenciais da empresa como um todo. É importante, também, que cada informação a ser gerada pelo sistema seja uma das etapas na implantação e desenvolvimento do projeto. Por exemplo, pode-se iniciar pelo tratamento das informações relativas a cada matéria-prima consumida na produção, desde a correta alimentação dos dados até a constatação da qualidade dos resultados gerados, através da exaustiva realização dos testes necessários. Na sequência, inicia-se o mesmo processo para os materiais auxiliares, mão de obra direta, e assim por diante até que estejam devidamente alimentadas e testadas todas as informações necessárias para o correto funcionamento do sistema. Destaca-se que, para o adequado funcionamento da contabilidade de custos é fundamental que haja também a quantificação física (por exemplo: quantidade de requisições de materiais, ordens de produção, unidades produzidas, ordens trabalhadas, etc.) para todos os valores monetários imputados no sistema de custos. A associação entre dados monetários e físicos permitem a produção de indicadores com relevante poder informativo aos gestores. Note que, embora se deva evitá-las, na prática há certas situações em que não há condições para o levantamento dos dados físicos, quer seja por inviabilidade técnica ou pela desfavorável relação custo-benefício, sendo que nesses casos acabam sendo empregados modelos para estimação dos dados. Porém, é necessário garantir a confiabilidade e a irrelevância de tais estimações para não afetar a qualidade geral do sistema de custos. Seleção do sistema de custos Como você sabe, a escolha do sistema de custos é uma decisão muito importante para o sucesso do projeto. Essa fase envolve a seleção do pacote (software) adequado às reais necessidades e objetivos da empresa. Entre as alternativas, há a possibilidade do desenvolvimento de um sistema próprio, customizado, para a empresa, porém o seu elevado custo e o tempo necessário para o seu desenvolvimento são impeditivos relevantes. Uma segunda alternativa, muito aplicada na prática, é a utilização de sistemas de custos já desenvolvidos, que são comercializados por empresas especializadas em soluções de sistemas de contabilidade. Esses sistemas já estão testados e em operação em diversas outras empresas, de vários segmentos de negócios. Entretanto, deve-se ter muito cuidado para a escolha de um sistema que possua uma estrutura (framework) que atenda de fato às necessidades da empresa, adaptando-se ao seu processo de produção, de modo a atingir o objetivo da geração com acurácia das informações desejadas por parte da administração. Note que o fato de um sistema de custos atender perfeitamente aos objetivos da matriz de uma empresa, no exterior, não significa necessariamente que terá o mesmo comportamento na filial, no Brasil. Isso porque, normalmente, o sistema foi exaustivamente desenvolvido, aperfeiçoado e ajustado ao longo do tempo pelo pessoal da matriz, o qual já está plenamente adaptado com suas rotinas e resultados. Dessa forma, todas as recomendações para uma correta implantação de um sistema de custos na filial, já comentadas, deverão ser seguidas à risca para garantir o seu sucesso. Todavia, é claro, que o pessoal da matriz poderá trazer muita contribuição para o processo de implantação na filial, facilitando o processo de treinamento da equipe local. Outra questão importante a ser considerada quando da implantação do sistema de custos diz respeito ao estágio tecnológico empregado no processo de produção da empresa. Perceba que, se compararmos duas empresas que fabricam produtos iguais, porém com processos produtivos diferentes, o sistema de custos também deverá ser diferente, pois uma empresa talvez empregue uma maior proporção de mão de obra, enquanto outra possa utilizar um processo automatizado de produção, mudando a relevância de cada elemento do sistema de custos e, portanto, alterando a rotina de mensuração do consumo de insumos e avaliação dos gastos de produzir. Lembre-se que a medição de cada item tem um custo e, portanto, o enfoque do sistema deve ser na mensuração acurada dos itens mais relevantes do processo produtivo. Bons estudos! IMPLANTAÇÃO DE SISTEMAS DE CUSTOS - PARTE 2 Olá! Nesta aula, daremos sequência ao estudo do processo de implantação de sistemas de custos, comentando as funções da contabilidade de custos, as habilidades requeridas do profissional de custos, e as precauções necessárias para a adequada seleção e implantação do sistema que atenda os objetivos da organização. Funções da contabilidade de custos Deacordo com Hansen e Mowen (2009), para as finalidades da contabilidade de custos, os sistemas podem ser definidos como o conjunto coordenado de organismos, pessoas, procedimentos, critérios de avaliação e de apropriação, conceitos, princípios, objetivos, fluxos e relatórios, que vai coletar os dados de diversas fontes e transformá-los em informações úteis aos gestores das empresas. O sistema de custos tem um comportamento evolutivo, ou melhor, ele vai sendo desenvolvido ao longo do tempo de acordo com os desafios impostos pelos seus usuários. O profissional da contabilidade de custos vai adaptando progressivamente o sistema de custos para atender as necessidades apresentadas pelos diversos níveis gerenciais da organização. Seu trabalho consiste em organizar as rotinas para o registro, acumulação, organização, análise e intepretação dos dados e os critérios de identificação e apropriação dos custos aos diversos objetos de custeio, para produzir as informações Métodos e Sistemas de Custeio – Aula 11 Prof. Dr. José Milton Almeida da Silva que atendam as expectativas de todos os usuários do sistema, viabilizando as funções de projeção, decisão e ação corretiva. Entende-se por objeto de custeio todos os componentes da organização, os bens e serviços que produzem para uso próprio ou para a comercialização, as atividades de formação de estoques, de distribuição, armazenamento e logística, manutenção e outras, além de ações especiais como promoções, campanhas de mercado, etc. O gestor responsável por cada objeto tem necessidade das informações necessárias para o planejamento, acompanhamento e controle das suas metas, envolvendo determinado tipo de demanda à contabilidade de custos. Por exemplo: Vamos considerar que o gestor do departamento de manutenção da empresa esteja montando o seu orçamento para o próximo exercício social. Para tanto, ele demandará informações sobre os custos e despesas do seu departamento de modo a estabelecer e quantificar adequadamente as suas metas, as quais deverão estar em consonância com os objetivos estratégicos e operacionais da empresa. Nesse caso, portanto, a contabilidade de custos, como gestora do sistema de custos, terá condições de organizar e fornecer as informações solicitadas pelo departamento de manutenção a partir do seu banco de dados, no qual estão registrados e acumulados todos os dados referentes aos custos da empresa. Sendo assim, o profissional de custos em conjunto com o usuário terá condições de realizar uma adequada avaliação e interpretação dos dados, bem como executar as projeções necessárias para compor o orçamento do referido departamento, envolvendo, inclusive, ações corretivas, se for o caso. Habilidades exigidas do profissional de custos Considerando a importância da acurácia na apuração dos custos, além dos conhecimentos de contabilidade e de custos, torna-se preponderante que o profissional de custos conheça profundamente o processo produtivo da empresa, desde o planejamento e execução da produção, controle de qualidade e armazenamento, até o faturamento e despacho dos bens e serviços aos seus clientes. Também é fundamental o conhecimento do processo de inter-relação entre os diversos departamentos ou centros de responsabilidade da empresa. O profissional de custos também precisa dominar ou, no mínimo conhecer, os modelos matemáticos e estatísticos empregados no processo de estimações das informações necessárias para algumas decisões gerenciais envolvendo custos. Algumas vezes são necessárias as aplicações dessas técnicas para a solução de problemas mais complexos, que exigem o tratamento mais científico dos dados coletados. Mesmo que, normalmente especialistas sejam contratados nessas ocasiões, o profissional de custos deve estar apto a acompanhar e contribuir para que o trabalho atinja o objetivo desejado pela empresa. Também é exigido do profissional de custos um adequado e atualizado conhecimento da tecnologia da informação (TI), além da capacidade de leitura das necessidades dos seus usuários de modo a implantar e desenvolver um sistema de custeio que atenda verdadeiramente todas as demandas dos usuários com o menor custo possível, tanto para o investimento quanto para a manutenção do sistema, bem como esteja em conformidade com a natureza das operações e atividades da empresa. O desenho do sistema de custos precisa derivar de uma decisão conjunta entre o profissional de custos e os seus usuários. Portanto, também é importante que o profissional de custos adote ações para que os usuários do sistema de custos sejam mais bem treinados e possam conhecer os princípios, normas e procedimentos básicos da contabilidade, de forma a usufruir todo o seu potencial de geração de informações gerenciais. Para fechar o tópico, um erro muito comum que precisa ser evitado é decidir pela implantação de um sistema de custos, cujas informações se destinem a atender apenas as demandas do governo, notadamente para as questões tributárias. Claro que o governo é um dos usuários das informações, porém não é o mais importante. Na realidade são os usuários internos, ou seja, os diversos gestores da empresa que devem ser priorizados quando da implantação do sistema. Afinal está em jogo o sucesso e a continuidade da organização. Sistemas de acumulação de custos A contabilidade de custos aplica o sistema de acumulação de custos por Ordem de Produção quando a empresa fabrica e comercializa produtos e/ou serviços por encomenda. Nesse caso, os recursos consumidos pela produção (basicamente materiais, mão de obra e outras despesas de fabricação) são valorizados e debitados a cada produto, dado que são específicos e facilmente identificados. Já o sistema de acumulação por Processo Fabril é aplicado quando a empresa fabrica e comercializa produtos e/ou serviços em série, de forma contínua, ou em massa. Nesse caso, o objetivo é determinar e controlar os custos pelos departamentos, setores ou fases produtivas e dividi-los pela quantidade fabricada no processo, durante determinado período. O sistema de acumulação por Responsabilidade, por sua vez, é adotado para a identificação direta ou indiretamente dos custos por centro de responsabilidade (também denominado por departamento, setor, unidade, divisão, etc.). Um centro de responsabilidade pode ser tratado como uma miniempresa cujo gestor tem a responsabilidade objetiva de atingir as metas preestabelecidas e a responsabilidade contábil de planejar, projetar, autorizar, executar, controlar e adotar ações corretivas em relação aos seus custos e despesas. Há também o sistema de acumulação de Custos Previsionais (padrão ou estimado), o qual possui as finalidades de planejamento e controle das operações. O gestor realiza a previsão das operações, incluindo os custos e despesas, para um determinado período de tempo ou para a execução de uma determinada atividade. Os custos são acumulados à medida da evolução das operações ou atividades, permitindo ao gestor dispor de informações oportunas para o acompanhamento, análise e detecção das causas dos desvios ocorridos visando à rápida tomada de decisões corretivas. Note que quando os custos previsionais forem relacionados às operações com características que permitam a adoção do sistema de custos padronizados, este será gradativamente implantado. Porém, quando essas operações ou atividades não recorrentes não apresentarem tais características, será empregado o sistema de custos estimados. Vamos avaliar dois exemplos para compreender melhor quais são essas tais características: Primeiramente, imagine uma indústria com atividades de fabricação minuciosas e repetitivas que exigem um rigoroso controle físico. Nesse caso, é mais prático adicionar ao conjunto de medidas de controle operacional já existente um sistemade custos padronizados. Por outro lado, imagine uma indústria que produz bens específicos sob encomenda. Nesse caso, cada bem difere do outro, não havendo como padronizar as atividades, sendo, portanto, mais oportuno adotar o sistema de custos estimados. Os sistemas de acumulação de custos apresentados anteriormente podem se empregados com o método de custo por absorção (ou custo total), método de custo direto (ou variável) e com o método de custo baseado em atividades (ABC). Esses critérios de custeio se diferenciam pela abordagem dada aos custos indiretos e, por isso, cada qual produz informações gerenciais exclusivas, que visam a atender necessidades distintas dos gestores. Sistemas de informações das empresas É importante você saber que a contabilidade de custos e a contabilidade geral fazem parte de um sistema mais amplo de informações da organização, em geral, sob a responsabilidade da área de controladoria da empresa. A controladoria é a responsável por implantar, desenvolver, aplicar e coordenar o ferramental da Ciência Contábil nas empresas, nas suas mais diversas necessidades, desde as atividades de registro, acumulação dos dados e análise dos dados para fins de confecção das demonstrações contábeis até o processo de planejamento e controle do orçamento, e da adoção de ações corretivas visando ao atingimento das metas da organização. Na figura 1 está demonstrada uma sintetização das funções da controladoria. Figura 1 – Sistema de Informações Gerenciais Fonte: Adaptado de Padoveze (2010, p. 38) Com a evolução da tecnologia da informação, as funções da controladoria são totalmente dependentes dos sistemas de informações, pois hoje em dia não há como uma empresa gerenciar adequadamente o grande número de informações fora de um sistema. Dessa forma, a controladoria deve ser a gestora dos sistemas de informações de qualquer organização. Portanto, é responsabilidade da controladoria desenvolver, estabelecer e manter sistemas de contabilidade societária, de custos e gerencial nas empresas, com o objetivo do apropriado registro das transações e operações e o permanente controle interno, com suficiente flexibilidade para fornecer as informações demandadas pelos gestores para tomarem suas decisões e acompanharem os resultados dos negócios. A estrutura do sistema de informações pode ser relacionada à hierarquia das informações, de modo que as decisões estratégicas são suportadas pelos sistemas de apoio à decisão, as decisões táticas ou gerenciais são amparadas pelos sistemas de informações gerenciais e as decisões operacionais são balizadas pelos sistemas de apoio à transação, conforme apresentado na Figura 2. Figura 2 – Sistema de informações x hierarquia das informações Fonte: Arima (apud SCHMIDT, 2002, p. 83). Os sistemas de apoio à transação são sistemas simples que processam as operações do dia a dia da empresa de acordo com o comportamento dos fluxos físicos de materiais e produtos ou serviços. E geral, esse tipo de sistema possui como características: funcionamento padronizado e repetitivo; exatidão dos dados; falta de flexibilidade das informações; usa dados internos; produz relatórios de controle operacional e, quando estruturados para algumas decisões operacionais, relatórios gerenciais. Os profissionais de nível operacional são os seus principais usuários. Já os sistemas de informações gerenciais visam a dar assistência aos vários departamentos, fornecendo apoio às decisões de forma a identificar e corrigir problemas gerenciais. Também contribuem para o processo de planejamento e controle empresarial em nível gerencial, tratando os diversos bancos de dados dos sistemas de transações. Tem como principais características: semiestruturados para a tomada de decisões; ajustados às demandas das áreas funcionais, com ou sem repetições; pouco flexíveis na geração de informações; utilizam projeções, modelos e dados subjetivos; permitem consultas diversas; restrições quanto à entrada de dados; integrados às funções do negócio; utilizam dados internos e externos; geram informações analíticas e sintéticas, e projeções em certos casos. Os gestores de nível intermediários são os seus principais usuários. Para finalizar, um sistema de apoio à decisão facilita o acesso às informações relevantes internas e externas que permeiam os fatores críticos de sucesso das organizações de maneira amigável aos usuários. São sistemas desenvolvidos para usuários específicos, os quais trabalham com uma ampla gama de dados internos e externos, localizando e tratando os dados críticos, em tempo real, e realizando análises de tendências, emitindo gráficos e relatórios de exceção, e suportando as decisões estratégicas dos gestores. Esses sistemas são construídos a partir dos sistemas de apoio às transações existentes na organização. Os executivos do primeiro escalão são os seus principais usuários. Diferença entre dados, informações e conhecimento Quando estamos tratando dos sistemas de informações, precisamos diferenciar estes três elementos que interagem entre si. Sendo assim, vamos iniciar pelo significado de dados. Os dados são coletados nos ambientes interno e externo por intermédio dos processos organizacionais, os quais abrangem os elementos que representam os fatos, textos, gráficos, imagens estáticas, sons, segmentos de vídeo e outros. Os dados correspondem à matéria-prima a ser utilizada na produção de informações, mediante a aplicação de ações de processamento, estabelecimento de correlações, integrações, avaliações ou interpretações. Desse modo para serem tratados como informações, os dados precisam sofrer algum tipo de procedimento para se tornarem inteligíveis e passíveis de uso, tais como: formatação, tradução, fusão, impressão ou outro processamento qualquer, que no geral, são executados de forma automática pelo sistema. Após a transformação dos dados em informações, é empregado um processo de refinamento das informações, de modo a buscar alternativas de soluções para problemas, mediante o desenvolvimento de hipóteses e análises dos seus resultados, explanação e justificativas de sugestões, crítica de argumentos, etc. Portanto, o conhecimento é obtido por intermédio desse processo de transformação, integração, avaliação e interpretação dos diversos dados e informações acumuladas pelo sistema. A acumulação do conhecimento possibilita uma melhor compreensão dos problemas e de suas prováveis soluções. Nesse caso, fica estabelecido um processo de contínuo aprendizado à medida da progressiva interação com o ambiente que vai adicionando e processando novos dados e informações ao banco de dados, tornando-o cada vez mais eficaz e útil nas soluções de problemas futuros, ou seja, cria-se um círculo virtuoso. Bons estudos! Referências HANSEN, Don R.; MOWEN, Maryanne M. Gestão de custos. São Paulo: Cengage Learning, 2009. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. SCHMIDT, Paulo. Controladoria: agregando valor para a empresa. Porto Alegre: Bookman, 2002. CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES (ABC) - PARTE 1 Olá! Nesta aula, abordaremos o sistema de custeio baseado em atividades, Activity Based Costing, ou simplesmente, como é mais conhecido, o custeio ABC. Realizaremos a sua comparação com os métodos tradicionais de custeio ou custeio baseado em volumes (VBC) e discorreremos sobre as suas características, fundamentos, vantagens e desvantagens, bem como sobre as etapas necessárias para a sua implantação e funcionamento. Conforme já é do seu conhecimento, as organizações precisam de sistemas de custeio para cumprir três funções fundamentais. A primeira diz respeito à atividadede avaliação dos estoques, visando a determinar os custos dos produtos, mercadorias e/ou serviços vendidos e para a elaboração dos relatórios contábeis e financeiros; a segunda destina-se à estimação das despesas operacionais e custos dos produtos e serviços para fins de decisões operacionais no dia a dia; a terceira é proporcionar subsídios aos gestores quanto ao desempenho econômico-financeiro e eficácia do processo de produção para fins de decisões estratégicas e de planejamento. No entanto, a apropriação dos custos indiretos de produção é um dos principais problemas enfrentados pelas organizações. Esse problema tem se agravado ao longo do tempo em face do progressivo aumento da relevância dos custos indiretos em relação aos custos totais como decorrência das inovações tecnológicas. Além disso, o problema pode se tornar insustentável, uma vez que a expansão da competição em nível global torna o ambiente cada vez mais hostil às corporações, exigindo a geração de informações relevantes e confiáveis em relação aos custos e desempenho geral. Métodos e Sistemas de Custeio – Aula 12 Prof. Dr. José Milton Almeida da Silva Destaca-se que os custos indiretos estão presentes na grande maioria das organizações, uma vez que normalmente fabricam mais de um produto e/ou tipo de serviço. Portanto, os recursos disponíveis (insumos, mão de obra e ativos de capital) são muitas vezes compartilhados entre os diversos produtos e serviços, ou mesmo entre os departamentos da empresa. Assim, os custos indiretos associados a esses recursos não podem ser alocados diretamente aos produtos ou serviços, exigindo a criação de uma forma para a sua distribuição (denominada de rateio). Sendo assim, o desenvolvimento de um adequado processo de identificação dos custos indiretos é uma das missões mais importantes dos gestores das organizações, de modo a eliminar ou reduzir substancialmente a necessidade de alocações por rateios. Esse trabalho exige o amplo conhecimento do processo de produção da empresa, além dos propósitos de tal alocação. Métodos tradicionais de custeio Os métodos tradicionais de custeio, também denominados por Custo Baseado em Volume (VBC), adotam como pressupostos que são os produtos que consomem os recursos necessários para a sua fabricação e comercialização. Sendo assim, os Custos Indiretos de Fabricação (CIF) são apropriados aos produtos por intermédio de uma taxa calculada com base em critérios do tipo: horas de mão-de-obra direta; horas- máquina; custo do material consumido na produção; salários pagos sob a forma de mão-de-obra direta; etc. Por exemplo, conforme a figura 1, os custos indiretos são alocados aos grupos de custo de produção e, em seguida, aos produtos. Figura 1 – Método de Custeio Tradicional Fonte: Hansen e Mowen (2009, p. 385) Note que, no caso de alocações de custos indiretos com base na mão de obra direta, por exemplo, não está sendo considerado o fato de que, nos últimos anos, os custos indiretos evoluíram em face do aumento das atividades de apoio relacionadas à supervisão e ao planejamento das operações, à manutenção e à operação de equipamentos cada vez mais automatizados, enquanto que, a sua distribuição aos produtos continua baseada em um custo direto, cuja participação no custo total é cada vez menor. Desse modo, há indicações de que os custos dos produtos vendidos estão sendo calculados de forma incorreta, pois a base de apropriação é proporcionalmente pequena e não é aquela que de fato conduz os custos indiretos, ou seja, apresenta baixa correlação com esses custos. Na realidade, muitos custos indiretos são mais impactados pela complexidade de fabricação do que pelo volume do produto, resultando, em geral, que produtos simples de grande volume apresentem custos superestimados, enquanto produtos complexos de volume reduzido apresentem custos subestimados. As distorções são muitas e as informações geradas tendem a conduzir às decisões gerenciais equivocadas. O que é Custeio ABC? O método de custeio origina-se do inglês Activity Based Costing (ABC), ou Custeio Baseado em Atividades. Trata-se de uma abordagem que tenta solucionar o problema da alocação dos custos indiretos, mediante o seu direcionamento aos produtos com base nas atividades consumidas. O método consiste em alocar os recursos consumidos por atividades e destas para os produtos e/ou serviços. Por que usar o ABC? A aquisição de novas tecnologias e metodologias têm aumentado consideravelmente os custos indiretos das empresas. Assim, o método de custeio ABC procura amenizar as distorções na aplicação de sistemas de rateios dos custos indiretos, podendo ser considerado como um método de aperfeiçoamento do custeio por absorção. Uma vez que o custeio ABC parte da ideia de que as atividades consomem recursos e que os produtos consomem atividades, suas atenções estão voltadas aos processos realizados para a fabricação dos produtos e/ou execução dos serviços. Análise estratégica de custos Conforme vimos na aula anterior, podemos fazer correlações entre os sistemas de informações e a hierarquia das informações. Pois bem, os sistemas de custeio são sistemas de informações, portanto, podemos associar os métodos de custeio por absorção e custeio variável ao nível de controle operacional, servindo como apoio às transações, através do fornecimento de informações como o custo unitário dos produtos, rentabilidade, qualidade, produtividade, liquidez e oportunidades de investimentos, muito úteis para a gestão societária. Podemos ainda, associar o método de custeio variável ao nível de controle tático ou gerencial, servindo como apoio às decisões gerenciais de nível intermediário, através do fornecimento de informações relativas ao desempenho de produtos, departamentos, unidades estratégicas de negócios, dentre outras, muito úteis para as decisões que buscam a maximização da eficiência e da eficácia do negócio. Por último, podemos associar o método de custeio ABC ao nível de decisão estratégico, servindo como apoio às decisões da alta administração, através do fornecimento de informações que digam respeito às oportunidades de otimizar retornos estratégicos com vistas a buscar o aumento do grau de competitividade do negócio. Como funciona o método de custeio ABC Conforme já comentado, o método de custeio ABC assume como pressuposto básico que os recursos de uma empresa são consumidos por suas atividades e não pelos produtos que fabrica. Os produtos surgem como consequência das atividades consideradas estritamente necessárias para fabricá-los e/ou comercializá-los, e como forma de se atender as necessidades e desejos dos clientes. Portanto, o custeio ABC relaciona os custos relativos aos recursos consumidos com as atividades executadas e utiliza os geradores de custos das atividades para relacioná-los aos objetos de custeio, que podem ser produtos, serviços e clientes, conforme demonstrado na figura 2. Figura 2 – Método de Custeio ABC Fonte: Hansen e Mowen (2009, p. 393) Sabe-se que até mesmo o sistema de custeio ABC pode utilizar-se do rateio, mas o que ele faz essencialmente é o rastreamento do consumo dos recursos, porque ele não é mais um sistema de acumulação de custos para fins contábeis. Fundamentos do custeio ABC Na primeira etapa do custeio ABC são identificadas as principais atividades responsáveis pelos custos indiretos, as quais podem ou não estar relacionadas ao volume de produção. Na sequência os custos dos recursos consumidos são agrupados a cada uma dessas atividades. Finalmente, os custos são atribuídos aos produtos e serviços com base em medidas de atividades, denominadas como direcionadores de custos (base da alocação no custeio ABC). A seguir, temos as etapas de desenvolvimento do custeio ABC: Etapa 1: Identificaras principais atividades Ao desenvolver um sistema ABC, a organização identifica inicialmente as atividades que estão sendo executadas com os seus recursos diretos e de apoio. As atividades são descritas por verbos e seus objetos associados. Por exemplo: programar produção, transferir materiais, comprar materiais, inspecionar itens, responder aos clientes, melhorar produtos, lançar produtos, etc. Etapa 2: Determinar os custos por atividades É desenvolvido um mapa para incluir os custos relativos aos recursos e às atividades, usando geradores de custos de recursos. Dados do sistema financeiro da organização classificam os gastos por códigos: por exemplo, salários e benefícios, horas extras, materiais indiretos, viagens, telecomunicações, computação, manutenção, depreciação, etc. Os geradores de custos de recursos utilizam os gastos gerados por esse sistema, orientando-os a cada atividade executada com tais recursos. Isto permite o cálculo dos custos por atividades da organização. Vamos analisar um exemplo para melhor compreensão: Suponha que os gastos totais da empresa no período foram de R$ 834.150, distribuídos da seguinte forma: R$ 440.500 com salários e benefícios; R$ 150.310 com ocupação; R$ 202.610 com equipamentos e tecnologia e R$ 40.730 com materiais e suprimentos. Com base nos dados podemos realizar o mapeamento das atividades, uma vez que o custeio ABC desvia a análise de categorias de custos para atividades executadas, com base nos direcionadores de custos: Tabela 1 – Mapa dos custos por atividade do exemplo Atividades/Recursos Salários e benefícios Ocupação Equiptos e tecnologia Materiais e suprimentos Total R$ Processar pedidos de clientes 46.500 7.950 18.900 1.200 74.550 Comprar materiais 51.000 10.350 13.200 2.250 76.800 Programar ordens de compra 28.600 1.560 23.920 390 54.470 Transferir materiais 19.500 3.150 33.450 5.400 61.500 Preparar máquinas 54.600 910 6.240 260 62.010 Inspecionar itens 22.800 15.600 23.640 960 63.000 Manter informações sobre produtos 54.000 4.200 21.750 600 80.550 Executar mudanças de engenharia 68.600 44.800 37.660 3.360 154.420 Expedir pedidos 22.400 1.440 1.120 800 25.760 Lançar novos produtos 45.500 57.200 20.930 24.310 147.940 Solucionar problemas de qualidade 27.000 3.150 1.800 1.200 33.150 Total 440.500 150.310 202.610 40.730 834.150 Fonte: Elaborada pelo autor Etapa 3: Identificar os produtos, serviços e clientes da organização Considerando que a organização tem a necessidade de executar tais atividades para conceber, fabricar e entregar produtos e serviços aos seus clientes, essa etapa simplesmente consiste na identificação dos objetos de custeio, ou seja, os produtos, serviços e clientes da organização. Etapa 4: Selecionar geradores de custo da atividade A ligação entre as atividades e os objetos de custeio como produtos, serviços e clientes é feita por meio dos geradores de custo da atividade. Um gerador de custo da atividade é uma métrica quantitativa que permitirá distribuir o seu custo ao objeto de custeio. No quadro 1 são apresentados alguns exemplos: Quadro 1 – Geradores de custos das atividades Atividade Gerador de custos da atividade Usar máquinas Horas-máquina Preparar máquinas Horas de preparação Programar tarefas de produção Rodadas de produção Receber materiais Número de recebimentos de materiais Manter informações sobre produtos Número de produtos Lançar novos produtos Número de novos produtos lançados Fazer manutenção de máquinas Horas de manutenção Executar mudanças de engenharia Número de notificações de engenharia Processar pedidos de clientes Número de pedidos processados Comprar materiais Número de requisições de compra Transferir materiais Número de requisições de materiais Inspecionar itens Número de inspeções Expedir pedidos Número de caixas despachadas Fonte: Elaborado pelo autor Principais vantagens e desvantagens do método de custeio ABC Como principais vantagens do método de custeio ABC, podemos destacar as informações gerenciais relativamente fidedignas por meio da redução do rateio e, mesmo quando é necessário o rateio, usa critérios mais adequados, evitando as distorções encontradas nos métodos tradicionais. Isso permite uma melhoria nas decisões gerenciais, pois não haverá produtos “subcusteados” ou “supercusteados”; similarmente ao custeio por absorção, o método atende aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; a adoção do sistema torna obrigatória a implantação, manutenção e revisão de controles internos, o que aumenta a eficácia da gestão; também proporciona a melhor visualização dos fluxos dos processos; identifica de forma mais transparente os itens que consumem mais recursos; identifica o custo de cada atividade em relação aos custos totais da entidade; pode ser empregado em diversos tipos de empresas (industriais, comerciais, de serviços, com ou sem fins lucrativos), sendo bastante adequado às empresas de prestação de serviços, pela dificuldade de definição do que sejam custos, gastos e despesas nessas atividades; pode fornecer subsídios para a gestão econômica, custo de oportunidade e custo de reposição; possibilita a eliminação ou redução das atividades que não agregam valor ao produto; permite ações de melhoria contínua das tarefas para a redução de custos indiretos ou de overhead. Já entre as desvantagens do sistema destacam-se os elevados gastos para a sua implantação na empresa; a geração de informações confiáveis somente no longo prazo, pois nesse intermédio o sistema exigirá constantes revisões e ajustes até ficar pronto, o que é um motivo do seu alto custo; utiliza elevado volume de dados e possui grande volume de controles internos a serem implantados e avaliados, principalmente em empresas que possuem grande número de atividades; o conceito de atividade traz grandes dificuldades práticas na implantação; exige a reorganização da empresa antes da sua implantação; apresenta dificuldades de engajamento e comprometimento dos empregados e na integração das informações entre departamentos; exige a formulação de procedimentos padrões; tem maior preocupação em gerar informações estratégicas do que em aplicá-las; exige a qualificação e experiência dos profissionais envolvidos e, finalmente, o custeio ABC na sua forma teórica mais detalhada é impossível de ser aplicado na prática. Bons estudos! Referência HANSEN, Don R.; MOWEN, Maryanne M. Gestão de custos. São Paulo: Cengage Learning, 2009.