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DEMOCRACIA
Sobre o Direitos
Humanos
Temas atuais e polêmicos, mas trabalharemos como:
Assuntos:
Direitos Humanos e Direitos Fundamentais: Questão Terminológica / Tratados Internacionais / Incorporação de um Tratado
Internacional/Evolução Histórica (mundo e Brasil) 
Classes Geracionais/Dimensões. Federalização das Graves Violações de Direitos Humanos.
Proteção Internacional dos Direitos Humanos / Sistema Universal da ONU / Antes da DUDH / Contexto / Fundamento Histórico
para a DUDH / Natureza da DUDH / Avanços Apresentados pela DUDH / Conteúdo
Julgados da CIDH – PIDCP (Pacto Internacional dos Direitos Civis Políticos) – PIDSC (Pacto Internacional dos Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais.).
Processo de Internacionalização dos DH – Controle de Convencionalidade.
Sistema Regional: Americano, Europeu, Africano, Asiático.
Sistema Global: Nações Unidas, Tribunal Penal Internacional, Comissão Interamericana. 
Comitê de Direitos Humanos (Teórico)
Convenções sobre o Direito da Criança/ Proteção da Mulher/ Idoso
Bibliografia
Principal
André de Carvalho Ramo –
Curso de Direitos
Humanos.
Valério Mazzuoli -
Curso de direitos Humanos
Outros 
André:
___. Processo Internacional
de Direitos Humanos.
___. Teoria Geral dos
Direitos Humanos na
Ordem Internacional
Valério:
Direito Internacional Público
(indicação utilitária, que
possui bons capítulos sobre
direitos humanos);
Fonte de Pesquisa
Flávia Piovesan: Justiça
Internacional sobre Direitos
Humanos;
- Sidney Guerra, Direito
Internacional dos Direitos
Humanos
Seminários
1) Necropolitica. Achille Mbembe.
2) Racismo Estrutual. Silvio Almeida.
3) Holocausto Brasileiro: Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil. Daniela Arbex.
4) Sapiens - Uma Breve História da Humanidade. Yuval Noah Harari. 
5) O diário de Anne Frank. Anne Frank.
6) 1984. George Orwell
7) Como as Democracias Morrem. Steven Levitsky e Daniel Ziblatt
8) Algoritmos de Destruição em Massa. Cathy O'Neil 
9) Big Tech: A ascensão dos dados e a morte da política. Evgeny Morozov
10) Modernidade Liquida. Zygmunt Bauman
vamos começar a aula...
Conceito
Os direitos humanos são direitos reconhecidos no plano internacional. 
Daí falar-se também em direito internacional dos direitos humanos. 
Por sua vez, direitos fundamentais são direitos reconhecidos no plano interno.
Direitos Humanos é um conceito que provém do Direito Internacional Público,
porque são protegidos por tratados e costumes internacionais e reclamados em
instâncias internacionais de proteção, tanto da ONU, quanto nos Comitês de DH, e
nos sistemas regionais como a Corte Europeia de DH, a Corte Interamericana de
DH e Corte Africana de DH.
A Corte Interamericana possui uma 
atuação subsidiária à justiça interna. 
Mesma interpretação é aplicada em relação ao
Tribunal Penal Internacional.
Conheça a
Corte IDH
2022-2023: Juez Ricardo C. Pérez Manrique, Presidente (Uruguay ), Juez Humberto
Antonio Sierra Porto, Vicepresidente (Colombia ), Juez Eduardo Ferrer Mac Gregor
Poisot (México ), Jueza Nancy Hernández López (Costa Rica ), Jueza Verónica Gómez
(Argentina ); Jueza Patricia Pérez Goldberg (Chile ) y Juez Rodrigo Mudrovitsch
(Brasil).
https://www.instagram.com/corteidhoficial/
https://www.instagram.com/corteidhoficial/
Termologias
Direitos do Homem x Direitos Fundamentais x Direitos Humanos
São aqueles que não estão
escritos ou inscritos, quer
na CF, em textos internos
ou em acordos
internacionais. São
direitos que provém do
direito natural; são direitos
inatos
 É expressão afeta ao direito
interno; é expressão afeta ao
Direito Constitucional; é
expressão afeta a ordem jurídica
estatal.
 Quando a CF/88 coloca em seu
Título II, dos direitos e garantias
fundamentais, com previsão de
aplicação imediata, não se trata
de direitos humanos, mas sim de
direitos fundamentais.
Direitos fundamentais podem
ser restritos. Direitos humanos
não podem ser tão restritos
 Direitos Humanos é
uma expressão afeta,
portanto, ao direito
internacional público e
principalmente aos
tratados internacionais
de proteção.
A nossa CF utilizou
forma tecnicamente
correta às terminologias
“direitos fundamentais e
direitos humanos”. Art.
5º, §3º da CF 
 
FUNDAMENTOS
 São três as principais teorias:
Teoria JUSNATURALISTA (PRINCIPAL): Os direitos humanos se
fundamentam em uma ordem superior, universal, imutável e inderrogável;
Teoria POSITIVISTA: Alicerça tais direitos na ordem jurídica posta, pelo que
somente seriam reconhecidos como direitos humanos aqueles positivados.
Teoria MORALISTA (DE PERELMAN): Fundamenta os direitos humanos na
“experiência e consciência moral de um determinado povo”, ou seja, na
convicção social acerca da necessidade da proteção de determinado valor.
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS
UNIVERSALIDADE INERÊNCIA TRANSNACIONALIDADE
HISTORICIDADE E PROIBIÇÃO DE RETROCESSO* 
INDISPONIBILIDADE, INALIENABILIDADE E IRRENUNCIABILIDADE
PROIBIÇÃO DE RETROCESSO 
“Efeito Cliquet” ou
princípio do não retorno
da concretização
Entrechment ou
entrincheiramento
Proteção contra
efeitos retroativos
Eliminação
Amesquiamento ou diminuição
é proibido por ofensa ao ato jurídico perfeito, 
à coisa julgada e ao direito adquirido
1. Estado Democrático de Direito;
2. Dignidade da pessoa humana;
3.
Aplicabilidade imediata das normas definidoras de
direitos fundamentais;
4. Proteção da confiança e segurança jurídica;
5. Cláusula pétrea prevista no art. 60, §4º, IV.
Fundamentos da Constituição brasileira para a proibição ao retrocesso
IMPRESCRITIBILIDADE
INDIVISIBILIDADE, INTERDEPENDÊNCIA E COMPLEMENTARIDADE 
PRIMAZIA DA NORMA MAIS FAVORÁVEL 
CARÁTER NÃO EXAUSTIVO DA LISTA DE FATORES DE DISCRIMINAÇÃO 
FONTES DO DIREITOS HUMANOS
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A formação do rol de normas de direitos humanos confunde-se com a história da
humanidade e é produto de diversas origens, que podem ser localizadas em
diferentes civilizações e que se apoiam nos mais variados fundamentos
Antiguidade
- Código de Hamurabi 1690 a.c
- Dez Mandamentos
- Lei das Doze Tábuas
Idade Média - Magna Carta, 1215
- Bill of Rights, 1689
Moderna/
Contemporânea
- Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia, de 1775
- Constituição dos EUA, de 1787
- Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789
A partir da segunda metade do século XIX, a preocupação com os direitos humanos passa a
abranger as questões sociais, emergindo ideários como o Marxismo.
Também no século XIX, a difusão de valores humanistas leva ao fortalecimento da preocupação
com a regulamentação da guerra, com vistas a diminuir seu impacto negativo sobre a vida
humana. É quando surge o direito humanitário.
O início do século XX, após a I Guerra, surgem as primeiras organizações internacionais que
atribuíram relevância à proteção dos direitos humanos: a Liga das Nações e a Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Após a II Guerra Mundial, os direitos humanos adquirem o caráter de prioridade da
sociedade internacional, mormente a partir da criação da ONU (1945) e da proclamação da
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
CLASSIFICAÇÃO
PRIMEIRA GERAÇÃO: Direitos civis e políticos, ou direitos de liberdade. Afirma-se a partir de
ideais iluministas e liberais em voga nos séculos XVIII e XIX e dos movimentos político-sociais
da descolonização da América Latina. Tais direitos são oponíveis contra o Estado.
SEGUNDA GERAÇÃO: Refere-se aos direitos econômicos, sociais e culturais. São também
conhecidos como “direitos de igualdade”. Relaciona-se com as consequências negativas da
Revolução Industrial e do liberalismo sobre significativos contingentes humanos. Exigem do
Estado prestações positivas.
TERCEIRA GERAÇÃO: São os “direitosde fraternidade”, de caráter difuso, que não se
distinguem especificamente a um indivíduo ou a um grupo social, mas ao próprio gênero
humano como um todo. Ex.: direito ao meio ambiente, à comunicação e ao patrimônio comum
da humanidade.
QUARTA GERAÇÃO (?) PAULO BONAVIDES defende a existência de uma quarta geração dos
direitos humanos, adequada ao período da globalização na área política e à formação de um
mundo marcado por fronteiras nacionais mais permeáveis, incluindo o direito à informação, à
democracia e ao pluralismo.
QUINTA GERAÇÃO (?) PAULO BONAVIDES defende ainda a existência de uma quinta geração de
direitos humanos, preocupada com a PAZ MUNDIAL, entendida como fundamento da ‘alforria
espiritual, moral e social dos povos, das civilizações e das culturas’ da forma de governar a
sociedade ‘de modo a punir terrorista, julgar criminoso de guerra, encarcerar o torturador, manter
invioláveis as bases do pacto social, estabelecer e conservar por intangíveis as regras, princípios e
cláusulas da comunhão política.
Para alguns autores, a caracterização dos direitos humanos em gerações
fere a indivisibilidade e a interdependência desses direitos, gerando uma
visão fragmentária e hierarquizada. Afinal, o surgimento desses direitos
não necessariamente se deu em caráter sucessivo, mas de forma
concomitante, quando não em ordem diversa, como cita Mazzuoli ao
recordar a criação da OIT em 1919, quando muitos direitos sociais se
consolidaram no campo internacional antes dos direitos políticos.
Também, certos direitos civis e políticos podem requerer aplicação
progressiva, como aqueles voltados a assegurar o bem-estar dos presos
no Brasil atual.
 Classificação conforme o Direito Internacional dos Direitos Humanos: 
1ª DIMENSÃO DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS, ‘a expansão da personalidade sem
interferência do Estado’ e ‘proteção dos atributos que caracterizam a personalidade moral
e física do indivíduo.’ Os direitos políticos seriam aqueles exercidos frente ao Estado ou no
Estado, consistindo em ‘poderes da pessoa de tomar parte na vida política e na direção dos
assuntos políticos de seu país.’
2ª DIMENSÃO DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS. José Afonso da Silva
afirma que têm uma dimensão institucional, baseada no poder estatal de regular o
mercado, em vista do interesse público. Os direitos sociais teriam a ver com ‘prestações
positivas proporcionadas pelo Estado.’ Os direitos culturais são os que se relacionam aos
elementos portadores de referência à identidade, à ação, à memória de uma sociedade,
sendo composto por bens físicos e espirituais.
3ª DIMENSÃO (?) Carlos Weis trata ainda da dimensão adicional dos direitos humanos, os
“direitos globais”, que corresponderiam aos direitos de terceira geração.
QUADRO RESUMO
FORÇA NORMATIVA
Na medida em que são consagrados em normas jurídicas, internacionais ou internas, os
direitos humanos ganham força vinculante, tornando-se modelos de conduta
obrigatórios para o Estado e para todos os membros da sociedade e cuja inobservância
enseja a possibilidade de sanções.
A Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia constitui a primeira declaração de
direitos fundamentais em sentido moderno, sendo anterior à Declaração dos Direitos do
Homem de do Cidadão Francesa
Julguem os itens em V ou F
Os direitos humanos são indivisíveis, como expresso na Declaração Universal dos
Direitos Humanos, a qual englobou os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e
culturais
O Estado-parte na Convenção Americana de Direitos Humanos tem o dever de punir os
responsáveis por crimes de lesa humanidade, não podendo aventar a prescrição
criminal para deixar de fazê-lo, mesmo que os fatos tenham ocorrido há mais de 20
(vinte) anos
A INTERPRETAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
1) máxima efetividade O critério da máxima efetividade exige que a interpretação de determinado direito conduza ao
maior proveito do seu titular, com o menor sacrifício imposto aos titulares dos demais direitos
em colisão.
Aplicabilidade integral - comandos são vinculantes
- direta ou imediata
2) interpretação pro homine O critério da interpretação pro homine exige que ainterpretação dos direitos humanos
seja sempre aquela mais favorável ao indivíduo. Grosso modo, a interpretação pro
homine implica reconhecer a superioridade das normas de direitos humanos, e, em
sua interpretação ao caso concreto, na exigência de adoção da interpretação que dê
posição mais favorável ao indivíduo
art. 29 da Convenção Americana de Direitos Humanos)
A INTERPRETAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
3) Primazia da norma mais favorável ao indivíduo
Defende a escolha, no caso de conflito de normas
(quer nacionais ou internacionais) daquela que seja
mais benéfica ao indivíduo
#ATENÇÃO: O princípio da primazia da norma mais favorável ao indivíduo sofre desgaste
profundo pelo reconhecimento da existência da interdependência e colisão aparente
entre os direitos, o que faz ser impossível a adoção desse critério no ambiente do século
XXI no qual há vários direitos (de titulares distintos) em colisão. Nesse ponto, cumpre
anotar a posição de Sarlet, que defende, nesses casos de colisão e na ausência de
possibilidade de concordância prática entre as normas, a prevalência da norma que
mais promova a dignidade da pessoa humana.
#PERGUNTA
No que consiste a interpretação “effet utile”? 
O princípio da efetividade (interpretação effet utile) dos TIDH é o princípio de interpretação
dos TIDH que determina que o conteúdo das normas abertas, provindo da interpretação
dinâmica, deve ser concretizado pelos aplicadores da lei. Assim, se houver mais de uma
possibilidade de interpretação de uma mesma norma, deve ser priorizada aquela que
melhor garanta a realização da finalidade do tratado, ou seja, a que garanta a sua maior
aplicação.
A resolução de conflitos entre direitos humanos:
Em face da força expansiva dos direitos humanos, da abertura do ordenamento
jurídico a esses direitos e da sua redação imprecisa, mediante uso de conceitos
indeterminados), ocorre o que se denomina “colisões aparentes”, as quais podem ser
de dois tipos:
Colisão de direitos em sentido estrito: Constatadas quando o exercício de
um determinado direito prejudica o exercício de outro direito do mesmo
titular ou titular diverso, podendo ocorrer em duas perspectivas:
Colisão de direitos em sentido amplo: Consiste no exercício de um
direito que conflita ou interfere no cumprimento de um dever de
proteção de um direito qualquer por parte do Estado.
Teoria interna: 
Por essa teoria, os conflitos são superados pela determinação do verdadeiro conteúdo dos
direitos envolvidos. Trata-se de fórmula de superação dos conflitos aparentes entre direitos
humanos, mediante o uso da interpretação sistemática e finalística, que determinaria o
verdadeiro conteúdo dos direitos envolvidos e a adequação desse conteúdo situação fática
analisada
A teoria interna impõe ao intérprete que conheça a natureza, estrutura, finalidades do
direito em análise, para que possa delinear seu âmbito de atuação. Tudo o que estiver fora
desse âmbito é uma conduta desprovida de amparo da ordem jurídica.
No STF, há precedentes nos quais está clara a ideia de combateàs pseudocolisões ou falsas colisões
de direitos, como se vê na seguinte decisão do Min. Gilmar Mendes: “Assinale-se que a ideia de
conflito ou de colisão de direitos individuais comporta temperamentos. É que nem tudo que se pratica
no suposto exercício de determinado direito encontra abrigo no seu âmbito de proteção. Destarte,
muitas questões tratadas como relações conflituosas de direitos individuais configuram conflitos
aparentes, uma vez que as práticas controvertidas desbordam da proteção oferecida pelo direito
fundamental em que se pretende buscar abrigo” (Extradição n. 896, Rel. Min. Carlos Velloso, decisão
monocrática proferida pelo Min. Presidente Gilmar Mendes, julgamento em 11-7-2008, DJE de 5-8-
2008, grifo não consta do original). No caso Ellwanger no Supremo Tribunal Federal, apesar de muitos
votosterem feito referência à proporcionalidade (teoria externa, como será visto abaixo), constou do
acórdão passagem típica de uma teoria interna, ao se defender que “O direito à livre expressão não
pode abrigar, em sua abrangência, manifestações de conteúdo imoral que implicam ilicitude penal. (...)
O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra o “direito à incitação ao racismo”,
dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como
sucede com os delitos contra a honra” (HC 82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa,
julgamento em 17-9-2003, Plenário, DJ de 19-3-2004).
Teoria externa: 
Adota a separação entre o conteúdo do direito e limites que lhe são impostos do exterior,
oriundos de outros direitos. Tem como objetivo a superação dos conflitos de direitos
dividindo o processo de interpretação dos direitos humanos em colisão em dois momentos
#PERGUNTA
O que se entende por “casos difíceis (hard cases)”? 
São casos nos quais há conflitos de direitos redigidos de forma genérica e imprecisa,
contendo valores morais contrastantes e sem consenso na comunidade sobre sua
resolução – insuficiência da teoria interna para solucioná-los – adoção da teoria externa
nestes casos resulta em maior transparência do raciocínio jurídico do intérprete.
A solução desse conflito deve ser feita pelo critério da proporcionalidade, considerado a
chave-mestra da teoria externa, pois garante racionalidade e controle da argumentação
jurídica que será desenvolvida para estabelecer os limites externos de um direito e
afastá-lo da regência de determinada situação fática.
Como funciona o critério de proporcionalidade?
Conceito:
Consiste na aferição da idoneidade, necessidade e equilíbrio da
intervenção estatal (por meio de lei, ato administrativo ou decisão
judicial) em determinado direito fundamental. Trata-se de uma
ferramenta de aplicação dos direitos humanos, em situação de limitação,
concorrência ou conflito, na busca de proteção.
1) Existência de lei ou ato administrativo que, ao incidir sobre determinado direito, o restrinja;
2) Existência de lei ou ato administrativo que, ao incidir sobre determinado direito, não o proteja
adequadamente;
3) Existência de decisão judicial que tenha que, perante um conflito de direitos humanos, optar
pela prevalência de um direito, limitando outro.
Situações típicas de invocação do critério da proporcionalidade na temática dos direitos humanos
CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE
a) Fiscalização e proibição do excesso dos atos limitadores do Estado;
b) Promoção de direitos, pela qual o critério da proporcionalidade fiscaliza os atos
estatais excessivamente insuficientes para promover um direito, gerando uma “proibição
da proteção insuficiente”;
c) Ponderação em um conflito de direitos, pela qual o critério da proporcionalidade é
utilizado pelo intérprete para fazer prevalecer um direito, restringindo outro.
FUNDAMENTOS
• implícitos na CF/88, na visão da doutrina e dos precedentes do STF, embora não haja
consenso;
• Estado Democrático de Direito;
• devido processo legal;
• dignidade humana e direitos fundamentais;
• princípio da isonomia;
• direitos e garantias decorrentes do regime e dos princípios da Constituição.
Ponderação de segundo grau
Duplo controle de proporcionalidade
A Constituição estabelece, em seu art. 5º, XI e o STF
no HC 93.050, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em
10-6-2008, Segunda Turma, DJE de 1º-8-2008. Ver
também HC 82.788/RJ, Rel. Min. Celso de Mello
Trata-se de avaliar se a aplicação de normas
que aparentemente não violariam direitos
fundamentais poderiam, no caso concreto,
resultar em violação de direitos.
TRATADOS INTERNACIONAIS
Incorporação de um Tratado Internacional:
Inicialmente, tem-se a celebração ou adesão do tratado, que ocorre no âmbito
internacional. O Congresso Nacional, por sua vez, aprovará o tratado através de decreto
legislativo. Alguns falam em ratificação do tratado. (art. 49, I da CF)
Após, o Presidente da República, no plano internacional, realizará a ratificação do tratado,
que singifica que o Brasil aprovou internamente o tratado e agora passa a ter eficácia no
plano internacional, vinculando os signatários.
No plano interno, por sua vez, o Presidente elaborará um decreto, equivalendo à
promulgação e à publicação interna, passando a ter eficácia dentro do território nacional.
Vale ressaltar que o quórum de aprovação do decreto legislativo, pelo Congresso
Nacional, é de maioria simples. Uma vez aprovado no plano interno, o tratado teria
paridade normativa com a lei ordinária.
O que acontece art. 5º, §2º?
Isso fez surgir o problema de definir o status normativo do tratado internacional sobre
direitos humanos, uma vez internalizado.
1- Corrente: O tratado internalizado seria norma materialmente constitucional, possuindo
esse status de norma constitucional, por ser o parágrafo segundo uma cláusula de
abertura, que reconhece a possibilidade de novos direitos.
Essa corrente entendia que os direitos humanos possuem um ponto central, que se
comunica com os direitos fundamentais, em última análise, representando uma tutela da
dignidade da pessoa humana.
2- Corrente: Os tratados não teriam status constitucional, pois não teriam sido submetidos
ao quórum necessário para a aprovação de uma emenda à Constituição. Diante disso, eles
teriam uma paridade com a lei ordinária.
A lei ordinária é aprovada pelo quórum de maioria simples, sendo o mesmo procedimento
adotado para a internalização de tratados sobre direitos humanos. O Supremo adotou a
tese da paridade normativa, antes da EC n° 45.
Surge, então, a EC n° 45, criando o mesmo quórum de EC para o tratado internacional
sobre direitos humanos. Art. 5, §3º?
Diante disso, algumas conclusões podem ser extraídas:
1-) TIDH aprovado na forma do art. 5°, §3° da CRFB teria equivalência com as emendas
constitucionais, fazendo parte do bloco de constitucionalidade. Não seria uma emenda,
mas seria equivalente a uma. Isso ocorreu com a Convenção de Nova York (que trata
dos dos Direitos das Pessoas com Deficiência), Tratado de Marraqueche ( para Facilitar
o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras
Dificuldades para Ter Acesso ao Texto Impresso)
2-) TIDH incorporado, mas não na forma do art. 5°, §3° da CRFB, geraria duas
possibilidades:
- a primeira seria a dos tratados sobre direitos humanos incorporados antes da EC 45;
- a segunda seria a dos tratados sobre direitos humanos incorporados depois da EC 45.
Em ambos os casos, o Supremo adotou a tese da supralegalidade, diante da qual o TIDH
incorporado seria infraconstitucional, mas teria natureza supralegal (abaixo da
Constituição, mas acima da lei). 
Havendo conflito do TIDH com a Constituição, prevalecerá esta última, em razão do
critério hierárquico. 
Dessa forma, cabe controle de constitucionalidade sobre TIDH aprovado sem a
observância do quórum do art. 5°, §3° da CRFB.
Em outra hipótese, se o conflito ocorrer entre o TIDH e a lei, prevalecerá o tratado, sendo
possível o controle de convencionalidade, e não o controle de constitucionalidade. 
A consequência jurídica prática é dizer que ocorreu a suspensão da eficácia da lei em
razão do tratado, sendo incorreto afirmar que o tratado revoga a lei ou que esta é nula
com base naquele.

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