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UNIDADE I Fisioterapia Traumatológica Funcional Profa. Weslany Campos FRATURAS A fratura é definida como uma condição em que há perda da continuidade óssea, resultado de uma força superior à sua elasticidade aplicada sobre ele. Luxação: consiste na perda da contiguidade das superfícies ósseas articulares, necessitando normalmente de um forte trauma ou instabilidade prévia. Fratura-luxação: quando há fratura do osso em região articular associada ou próxima a uma luxação. Fraturas: aspectos ortopédicos e reabilitação Segundo a etiologia (causa) - Fraturas traumáticas: resultam da aplicação de uma força sobre o osso maior que sua resistência. - Pode ocorrer no local de um impacto (fratura direta), em um local afastado da zona de impacto (por exemplo, fratura de cotovelo após levantamento de peso – fratura indireta), ou por contração muscular violenta (fratura por tração muscular – avulsão de fragmento ósseo). Correspondem às fraturas mais frequentes. ologia (causa) Fraturas: aspectos ortopédicos e reabilitação Fraturas por estresse (ou sobrecarga): ocorrem pela aplicação repetida e frequente de pequenas forças sobre um osso, que leva a fadiga e afundamento das trabéculas do osso, caracterizando a fratura (comum em corredores). Fraturas patológicas: ocorrem em um osso previamente fragilizado por uma doença (osteoporose ou tumor ósseo). Normalmente não há história de trauma anterior à fratura. Fraturas: Segundo o estado da pele • Fraturas fechadas: não há perfuração da pele, ela está íntegra e sem lesões. • Fraturas expostas ou abertas: a pele está lesionada e os tecidos estão expostos, pode ocorrer uma infecção bacteriana. Pode haver lesão de vasos sanguíneos ou nervos. Fraturas: Etiologia = sobrecarga Capacidade de absorção do osso geralmente é de 10 a 20 vezes o peso do corpo. Fatores internos: posição do corpo, músculos. Fatores externos: choque direto, escorregão, atropelamento ou batida. Mecanismo de lesão Diretos Indiretos Fraturas: etiologia e mecanismo de lesão Fonte: Wallpaper 11437 Segundo a etiologia (causa) Fraturas traumáticas Fraturas por estresse (ou sobrecarga) Fraturas patológicas Segundo o estado da pele Fraturas fechadas Fraturas expostas ou abertas Fraturas: classificação Segundo o traço de fratura Fraturas: classificação Fonte: Site Disciplina Online da Unip – Disciplina de Fisioterapia Traumatológica. https://adm.online.unip.br/frmConsultaConteudo.aspx Segundo o traço de fratura Esse tipo de classificação identifica qual foi a direção e o sentido em que a fratura acometeu no osso. Só é possível visualizar o traço da fratura com a utilização de um exame de imagem, como a radiografia. Segundo esse critério, as fraturas podem ser das seguintes formas: • Transversa: o osso fratura transversalmente em relação ao eixo. • Oblíqua: a fratura cresce na diagonal, pode ser classificada como exposta e desviada. • Espiralada: uma fratura em que um dos segmentos do osso roda. Fraturas: classificação • Cominutiva: caracterizada pela quebra do osso em mais de dois fragmentos, acontece principalmente devido a situações de alto impacto, como acidentes de carro, com arma de fogo ou quedas graves. • Compressão: ocorre normalmente nas vértebras; ocorre quando a parte em forma de bloco de um osso individual da coluna (vértebra) fica comprimida devido a um trauma. • Galho verde: é uma fratura em um osso jovem e suave que dobra e parcialmente quebra; o nome é uma analogia com um galho de madeira ainda verde, que similarmente quebra quando a parte de fora é dobrada. Fraturas: classificação Fraturas: classificação Aspectos clínicos das fraturas O quadro clínico de todas as lesões é fundamental para que fisioterapeutas tracem os objetivos e as condutas específicas e adequadas para cada lesão. As fraturas apresentam-se com o paciente queixando-se de dor e perda funcional. O exame físico revela deformidade do membro e, frequentemente, há uma atitude anormal dessa extremidade e uma postura antálgica. A região traumatizada mostra uma mobilidade anormal e, à movimentação do foco da fratura, pode-se perceber crepitação provocada pelo atrito das extremidades ósseas. Aspectos clínicos Quadro clínico: dor, perda funcional. Exame físico: deformidade do membro, postura antálgica, mobilidade anormal da região, na movimentação do foco da fratura – crepitação. Diagnóstico de imagem: radiografia. Devem ser realizadas incidências radiográficas em dois planos incluindo sempre as articulações proximal e distal. Aspectos clínicos e radiológicos FASE DE REPARO DA FRATURA É importante lembrar as fases da cicatrização que serão fundamentais no decorrer do processo de reabilitação das fraturas. A cicatrização óssea e o reparo das fraturas podem ser divididos em 3 fases. São elas: Reparo das Fraturas Fase inflamatória: hematoma e a proliferação celular. Fase de reparo: formação de calo ósseo. Consolidação clínica e radiográfica da fratura. Fase de remodelamento: remodelação óssea. Reparo das Fraturas Fonte: Adaptado de: Só Biologia. Remodelação óssea (sobiologia.com.br) Periósteo Cartilagem Osso novo Calo interno Fragmentos ósseos 1. Remoção de células mortas e de restos de matriz óssea, por faqocitose Hematoma da fratura Osso morto 4. Formação de calo ósseo com tecido ósseo primário Calo externo 3. Ossificação do tecido regenerado 2. Proliferação do periósteo Tempo de consolidação De modo geral, não existem regras rígidas sobre o tempo de consolidação. Sabe-se que em média o osso está com o calo ósseo duro formado em 3 meses e o processo de remodelação final pode durar até 2 anos. Mas são muitos os fatores e variáveis que influenciam direta ou indiretamente o processo de consolidação da fratura. Geralmente as crianças têm o osso cortical cicatrizado em 4 a 6 semanas, adolescentes em 6 a 8 semanas, e adultos em 10 a 18 semanas. consolidação Não existem regras rígidas sobre o tempo de consolidação. Calo ósseo duro: 3 meses Processo de remodelação final: até 2 anos. Fatores que influenciam a consolidação da fratura são: Aspecto mecânico: estabilidade do osso no local da fratura. (a mobilidade da fratura – força de cisalhamento – dificulta a irrigação do hematoma e, portanto, a consolidação). Aspecto biológico: condição da vascularização no local da fratura. (é necessária para a função osteogênica). Tempo de consolidação Infecção (osteomielite) Necrose avascular Pseudoartrose Consolidação viciosa Desvios angulares do membro e deformidades Sequelas e complicações • Infecção (osteomielite): a infecção óssea pode ocorrer em fraturas expostas e procedimentos cirúrgicos que atinjam o osso (tal como osteotomia) e é especialmente grave devido à baixa irrigação sanguínea • Necrose avascular: morte de parte do osso (necrose) algum tempo após a fratura • Pseudoartrose: é o atraso da consolidação da fratura ou a ausência total de consolidação. Ocorre a formação de uma articulação no foco da fratura • Consolidação viciosa: o osso se consolida fora da sua posição anatômica, pode acontecer devido à má redução da fratura ou de uma imobilização em posição inadequada • Desvios angulares do membro e deformidades: podem aparecer em decorrência de consolidações viciosas ou alterações articulares ocasionadas por falhas no processo de recuperação e reabilitação. Sequelas e complicações Fratura fechada x Fratura exposta Com desvio x Sem desvio Estável x Instável 4 princípios: Redução anatômica Estabilidade Preservação do suprimento sanguíneo Mobilização precoce ativa e carga no membro indolor Tratamento ortopédico 21 Redução: fechada (incruenta); aberta (cirúrgica) Imobilização: gesso, tala, enfaixamento, órtese Trações: cutâneas ou esqueléticas Osteossínteses: Internas – interfragmentar de suporte tutores Externas – fixadores externos Tratamento ortopédico O procedimento cirúrgico Podem ser utilizadas várias técnicas para o restabelecimentoda continuidade óssea por meio cirúrgico. São utilizados placas e parafusos, hastes intramedulares ou fios de Kirschner. Esses materiais utilizados para a fixação, normalmente metálicos, são denominados osteossínteses. As osteossínteses podem ser classificadas de uma maneira geral em internas e externas. As internas podem ser do tipo interfragmentar (parafusos, placas de autocompressão), de suporte (placas) ou tutores (fios de aço, hastes intramedulares). Já as externas são os fixadores externos, os quais podem ser lineares, semicirculares ou circulares. Tratamento ortopédico A presença de osteossínteses metálicas contraindica a utilização de alguns recursos de termoterapia. Assim, o recurso terapêutico a ser utilizado dependerá do método de fixação. Tratamento ortopédico – Cirúrgico Considerar: variáveis da fratura tipo de tratamento ortopédico fase da consolidação condições do paciente Objetivos: Consolidação da fratura Diminuir as consequências da fratura e da síndrome do imobilismo Reabilitação Lei de Wolff (1892) “O crescimento ósseo se adapta às forças colocadas sobre ele” Efeito Piezoelétrico Energia mecânica Atividade elétrica Reabilitação: consolidação da fratura Fonte: Netter (2019). o osso necessita de sobrecargas gravitacionais Inflamação (edema e dor) Atrofia e encurtamentos musculares Perda de massa óssea Contraturas teciduais e rigidez articular Perda da função local Complicações sistêmicas Reabilitação: síndrome do imobilismo Para auxiliar no processo de consolidação, o osso necessita de sobrecargas gravitacionais, sustentação de peso, compressões articulares, movimentação do membro e contração muscular isométrica (sempre respeitando as limitações de cada fase). Podem ser utilizados o ultrassom terapêutico de baixa intensidade, a eletroestimulação e a radiação laser AsGa (para ativação da cicatrização). Com a imobilização ocorre enfraquecimento do tecido conjuntivo, degeneração articular, atrofia muscular, desenvolvimento de contraturas, perda de massa óssea, rigidez articular, diminuição da circulação, inflamação (edema e dor), além de lesão dos tecidos moles com sangramento e formação de cicatriz. Reabilitação O plano de tratamento fisioterapêutico possui como objetivos: • Orientar o paciente: ensinar adaptações funcionais, informar o paciente sobre as limitações até que a fratura esteja radiologicamente cicatrizada. • Diminuir os efeitos da inflamação durante o período agudo: utilização de recursos de eletrotermoterapia (gelo) e elevação do membro. • Diminuir os efeitos da imobilização: exercícios isométricos intermitentes leves; exercícios de amplitude de movimento (ADM) ativa para articulações acima e abaixo da região imobilizada. • Promover proteção até que esteja radiologicamente cicatrizado: usar descarga de peso parcial no membro inferior e atividades não estressantes no membro superior. Tratamento fisioterapêutico • Iniciar exercícios ativos: exercícios de ADM ativa, isométricos suaves em múltiplos ângulos das articulações não afetadas. • Aumentar a mobilidade das articulações e dos tecidos moles: iniciar técnicas de mobilização articular com a força aplicada no sentido proximal em relação ao local de fratura em cicatrização. Para o alongamento muscular, aplicar força proximal ao local de cicatrização da fratura até que esteja radiologicamente cicatrizada. • Aumentar a força e a resistência muscular à fadiga: à medida que a ADM aumenta e o osso cicatriza, iniciar exercícios resistidos e repetitivos. • Melhorar a função cardiorrespiratória: iniciar exercícios aeróbicos seguros que não sobrecarreguem o local de fratura até que esteja cicatrizado. Tratamento fisioterapêutico Os resultados esperados são: uma boa cicatrização e remodelação óssea, ausência de sintomas clínicos e funcionalidade adequada. Cuidados importantes: não realizar sobrecarga na parte distal ao local de fratura, respeitar o tempo para descarga de peso no membro afetado e observar a possível presença de osteossíntese. Tratamento fisioterapêutico Eletrotermofototerapia Fortalecimento e alongamento muscular Estimulação da descarga de peso no MM Mobilizações e manipulações Reeducação funcional e proprioceptiva Recondicionamento cardiovascular e respiratório Reabilitação: recursos fisioterapêuticos A complicação da fratura causada por ausência de consolidação é chamada de: Necrose avascular. Pseudoartrose Osteonecrose. Osteomielite. Consolidação viciosa. Interatividade A complicação da fratura causada por ausência de consolidação é chamada de: Necrose avascular. Pseudoartrose Osteonecrose. Osteomielite. Consolidação viciosa. Resposta São falhas ósseas causadas pela repetida aplicação de carga mecânica, além do limite de tolerância de determinado osso. Interrupção de continuidade do tecido ósseo ou uma reação osteoblástica localizada sem aparente ruptura da cortical. É comum aos atletas de alto desempenho (alto impacto) e militares (marcha por longa distância), mas pode acometer qualquer pessoa que pratique atividade física. Fratura por estresse “stress” Resposta à atividade intensa Traumas repetitivos de pequena magnitude (atletas, soldados,...) Reação osteoblástica anormal Quebra óssea por fadiga Quadro clínico: dor, edema e deformidade Mecanismo de lesão Os ossos dos membros inferiores são os mais acometidos: 35% – metatarsos (corrida, caminhada, balé) e calcâneo (basquete e vôlei); tíbia (saltadores no 1/3 médio, corredores no 1/3 proximal ou distal, futebol, aeróbica); fíbula (corrida, patinação, aeróbica); fêmur (corrida, basquete, salto); ossos da pelve (corrida e caminhada); vértebras na coluna (ginástica, esqui aquático, futebol americano, salto em altura). Mulheres: 12x mais acometidas “A tríade da atleta feminina”: distúrbio alimentar; amenorreia; osteoporose. Incidência Diagnóstico Cintilografia óssea RNM Radiografia Objetivo: ganhar força muscular para ajudar a dissipar as forças excessivas transmitidas aos ossos. Correção de erros de treinamento. Repouso relativo. Substituição temporária da atividade física. Reeducar o gestual esportivo e as fases da marcha. Em casos de pseudoartrose: cirurgia de fixação interna: readaptação e redução anatômica apropriada, permite um retorno mais rápido ao treinamento ou esporte. Tratamento Cabe ao fisioterapeuta orientar os atletas quanto a: • Repouso • Calçado adequado • Substituição da atividade física Fisioterapia Utiliza pinos ou fios transfixantes que penetram perpendicularmente no esqueleto e são fixados uns aos outros por uma armação metálica. Fraturas abertas com danos de tecidos moles: apoio estável ao mesmo tempo que permite o tratamento das lesões dos tecidos moles. Tipos: linear e circular. Fixadores externos Desenvolvido em 1951 no Centro Ortopédico de Kurgan, na Rússia, pelo professor Gavrill Ilizarov. Permite: compressão, distração, transporte ósseo, remodelamento e o alongamento ósseo. Possibilita: correção de fraturas e deformidades ósseas, tratamento de infecções e até mesmo a substituição do emprego de próteses ou enxerto ósseo nas ressecções tumorais. Ilizarov- fixador externo circular Objetivo: promover a manutenção das funções de sustentação e locomoção do membro acometido, promovendo a mobilização precoce do paciente; contenção de fraturas e alongamentos ósseos (ossos longos). A possibilidade de colocação de carga precoce na extremidade atingida promove solicitação fisiológica na região dos fragmentos ósseos, estimulando a osteogênese com a aplicação do efeito piezoelétrico. Principal indicação: lesões/fraturas (ocasionadas de traumas de grande intensidade) em que há uma grande perda de substância de pele e de osso. Ilizarov Vantagens osteogênese imediata e rápida (qualquer idade) boa qualidade óssea trauma pequeno circular = > estabilidade permite carga imediata (máx. 250 Kg) permite movimento precoce Ilizarov Desvantagens forma e peso aceitação psicológica problemas locais (dor,infecção) dificuldade de contração muscular (fios) Pré-operatório Exame físico: ADM, FM, deformidades, função Orientação: tipo de aparelho liberdade funcional importância da carga importância do movimento cuidados Ilizarov: Fisioterapia Pós-operatório POi: prevenção de edema posicionamento 1 PO: ADM preexistente FM = 3 (mínimo) descarga de peso 2 PO: marcha progressiva (c/ auxiliares) APÓS: evoluir o tto. Fonte: Autoria própria. Fase de consolidação (o período é variável de acordo com o objetivo do fixador) É o período da formação do calo ósseo. Durante esse período de alongamento e formação gradativa do calo ósseo, o objetivo da reabilitação será evitar a perda de mobilidade articular, fraqueza muscular e dor. Essa é a fase da reeducação muscular. Última faseIlizarov: Fisioterapia (quarta – retirada do fixador – tempo variável) Após a remoção do fixador externo, ainda pode haver o risco de fratura óssea no local regenerado e onde os pinos estavam perfurando o osso. É comum os pacientes serem imobilizados por aparelho gessado ou com a colocação de uma órtese durante aproximadamente 1 mês. Ilizarov: Fisioterapia Leia as alternativas abaixo e marque aquela que NÃO apresenta as vantagens do método Ilizarov de fixador externo: Forma circular, com grande volume de componentes na montagem. Aplicação possível com lesões da pele e de partes moles. Ausência de gesto traumatizante ao nível do foco de fratura ou da corticotomia. Respeito à vascularização óssea e aos elementos vasculonervosos. Colocação em carga imediata e manutenção das funções articulares. Interatividade Leia as alternativas abaixo e marque aquela que NÃO apresenta as vantagens do método Ilizarov de fixador externo: Forma circular, com grande volume de componentes na montagem. Aplicação possível com lesões da pele e de partes moles. Ausência de gesto traumatizante ao nível do foco de fratura ou da corticotomia. Respeito à vascularização óssea e aos elementos vasculonervosos. Colocação em carga imediata e manutenção das funções articulares. Resposta TRAUMATOLOGIA DA COLUNA VERTEBRAL A coluna vertebral é uma das partes mais vitais do corpo humano, que apoia o tronco e possibilita os movimentos. Sua anatomia é extremamente concebida, e serve para várias funções, incluindo: • movimento; • equilíbrio; • postura ereta; • proteção da medula espinal; • absorção de choque. COLUNA VERTEBRAL COLUNA VERTEBRAL Espondilólise: defeito, malformação ou fratura da pars interarticular (primária ou causa). Espondilolistese: é o deslizamento anterior de uma vértebra sobre a vértebra inferior (secundária ou consequência). L4/L5: degenerativo L5/S1: traumático Espondilólise x Espondilolistese Fonte: Netter (2019). Espondilólise É associada a atividades executadas em hiperextensão da coluna como dança, ginástica e patinação artística. Manifesta-se como lombalgia sem irradiação para membros inferiores, mas é exacerbada pelas atividades em hiperextensão. Espondilolistese Nos atletas, o componente rotacional intenso e a sobrecarga mecânica podem levar a fraturas por estresse da pars interarticularis. Os adolescentes que apresentam dor lombar são comumente afetados e devem ser acompanhados com atenção para que o deslizamento não se acentue. A causa mais comum em crianças é uma espondilolistese ístmica, na qual a lesão ou defeito na pars interarticularis permite o deslizamento para diante da vértebra superior. Espondilólise x Espondilolistese Congênita: deficiência congênita das facetas. Ístmica: defeito típico na pars interarticularis, pode estar relacionada com fratura aguda. Traumática: fratura aguda do pedículo, da lâmina ou da faceta, mais comum no segmento L5/S1. Patológica: é o enfraquecimento do pedículo causado por fraqueza óssea (por exemplo: osteogênese imperfeita). Degenerativa: é o tipo mais comum, principalmente no segmento L4/L5. Pós-cirúrgica: falha de procedimento cirúrgico prévio. Classificação da espondilolistese Grau I – 0% a 25% Grau II – 25% a 50% Grau III – 50% a 75% Grau IV – 75% a 100% Grau V – mais de 100% ou espondiloptose (deslizamentos completo) Graus do escorregamento Fonte: Moore, Dalley e Agur (2014, p. 573). Healthy spine Grade 1: 75% Lombalgia, com piora na hiperextensão. Dificuldade p/ flexão do tronco. Compressão nervosa. Retração dos músculos isquiotibiais e dos paravertebrais lombares. Quando a espondilolistese estiver em grau avançado, na avaliação clínica se observará aumento da lordose lombar. Sintomas Realizado por radiografias anteroposteriores e laterais, tomografia computadorizada e RNM. A espondilólise sem deslocamento é vista melhor nas incidências oblíquas da coluna lombar. A espondilolistese é identificada nas radiografias em perfil com hiperflexão e hiperextensão da coluna lombar. Diagnóstico Colete (estabilização lombar) Alongamento de músculos isquiotibiais e paravertebrais Fortalecimento de músculos abdominais Tratamento conservador Descompressão Redução Artrodese “in situ” Fisioterapia pós-cirúrgica: estabilizar o segmento lombar, fortalecer a musculatura estabilizadora da pelve, manter a mobilidade e o tônus muscular das extremidades e prevenir as complicações respiratórias e vasculares. Tratamento cirúrgico Fraturas de coluna vertebral – cervical Fonte: Por Vias Seguras (2008). Os encostos de cabeça dos veículos se tornaram obrigatórios somente em 1997, e o principal objetivo dele é prevenir a lesão por hiperextensão em acidentes. A partir de janeiro de 2020 eles se tornaram obrigatórios também nos bancos traseiros. Fratura por chicote em hiperextensão Movimento da cabeça/torso relativamente ao veiculo Cabeça se movendo para trás Cabeça se movimenta para frente Elevação do Torso Movimentação frontal do Torso Direção do movimento do veículo Fratura por compressão: em cunha do corpo vertebral é produzida por uma força de flexão, não há fratura dos elementos posteriores. É uma lesão estável, mas pode progredir para possível deformidade cifótica progressiva. Fraturas de coluna vertebral – toracolombar Espondilólise e espondilolistese: componente rotacional intenso e sobrecarga mecânica podem levar a fraturas por estresse da pars interarticular. Lesões nos esportes Fonte: Wallpaper 11325 Lesões nos esportes Laceração do disco intervertebral: ao sofrer uma lesão rotacional aguda, o atleta sofre um “pop” na coluna com dor e espasmo reflexo súbito e intenso na coluna. Síndrome facetária: a rotação repetida pode causar deformidade do arco da lâmina, deformidade das superfícies articulares da articulação das facetas e protuberância anular. Lesões nos esportes A fratura da pars interarticular é chamada de: Espondilolistese. Espondilólise. Escorregamento. Fratura de compressão. Listese. Interatividade A fratura da pars interarticular é chamada de: Espondilolistese. Espondilólise. Escorregamento. Fratura de compressão. Listese. Resposta Fonte: Kapanji (2000). espondilólise espondilolistese Defeito B C TRAUMATOLOGIA DE QUADRIL E PELVE Articulação do Quadril Os problemas que afetam a virilha e a pelve são comuns. Adolescentes podem sofrer lesões na região pélvica, por exemplo, fraturas com avulsão e apofisite. Já os adultos comumente têm problemas com lesões por uso excessivo, mas podem ocorrer lesões como contusões da crista ilíaca, estiramento muscular e fraturas. As áreas mais suscetíveis à lesão na região pélvica são a sínfise púbica, ramos pubianos e áreas laterais às articulações sacroilíacas. Quadril Ocorre por um traumatismo, no mesmo momento da lesão que interrompe a irrigação sanguínea no foco de fratura ou pode ser provocada pelo uso de fixações internas (placas e parafusos) que alterem o sistema vascular. Necrose avascular da cabeça femoral Fonte: Netter (2015). É a necrose parcial ou total da cabeça do fêmur devido à diminuição do suprimento sanguíneo. Ramosarteriais retinaculares que nutrem a cabeça femoral e podem ser lesados no momento da fatura Artéria circunflexa femoral medial Artéria femoral profunda Diminuição do suprimento sanguíneo necrose achatamento da cabeça alteração da distribuição de cargas artrose de quadril Fisiopatologia Fonte: Banerjee et al. (2013). Sintomas: dor, rigidez articular, incongruência articular, atrofia muscular periarticular, limitação de ADM de extensão, abdução e rotação interna do quadril e postura antálgica com deformidade em flexão, adução e rotação externa do quadril. Compressão/irritação do nervo isquiático no seu trajeto por entre as fibras ou por baixo do músculo piriforme. Síndrome do Piriforme Fonte: Moore et al. (2014). Nervo ciático Músculo piriforme Nervo ciático Região da dor Causa: anormalidade anatômica do músculo ou do nervo, aumento da tensão do músculo piriforme (encurtamento, hipertrofia,…) Sintomas: dor localizada e irradiada (CIATALGIA) * Diagnóstico Diferencial de lombociatalgia Teste de elevação da perna retificada + Sinal de Freiberg (dor na rot. int. passiva do quadril) Tratamento: alívio da tensão do piriforme, relaxamento muscular, massoterapia (pompage, liberação miofascial), alongamento muscular. Síndrome do Piriforme Conjunto de disfunções que causam dor crônica na região da pelve (na virilha ou sínfise púbica). É relacionada a desequilíbrios musculares e inflamação da articulação sínfise púbica ou nos músculos adutores. Pubalgia Fonte: Lupselo (2018). MÚSCULOS ABDOMINAIS HÉRNIA ADUTORES SÍNFISE PÚBICA PUBALGIA LOCAL DA DOR Causa: sobrecarga (“overuse”), chute, corrida, exercícios abdominais ou traumática. Sintomas: dor progressiva, piora com esforço e melhora com repouso Exame físico: Manobra de Grava Futebol Atletismo Judô Pubalgia Fonte: Ferraz (2003). São causa comum de morte associada a traumatismos. Resultam de traumatismo direto ou da transmissão de forças pelo membro inferior. A gravidade dessas fraturas é na lesão associada de tecidos moles e na hemorragia que na fratura em si. Fraturas de pelve Fonte: Swiontkowski e Stovitz (2008). Fratura da cabeça do fêmur Fratura do acetábulo Fraturas Fonte: Suzuki (2014). Fonte: UFMG (2010). Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV • Tipo 1: fratura caudal à fossa. • Tipo 2: fratura acima da fossa. • Tipo 3: tipos 1 ou 2 com fratura do colo femoral. • Tipo 4: tipos 1 ou 2 com fratura do acetábulo. Fratura da cabeça do fêmur Fratura do colo do fêmur Fraturas Fonte: Dalley e Argur (2014). Fonte: Autoria própria. A fratura ocorre principalmente em idosos, com idade entre 66 e 76 anos, sendo mais comum em mulheres. O membro fica encurtado e coloca-se em acentuada rotação externa, qualquer movimento provoca dor. As radiografias de quadril confirmam o diagnóstico. O tratamento é cirúrgico, com a utilização de fixação interna de maneira estável para permitir a deambulação precoce. O membro deve ser mantido com poucos graus de rotação externa para preservar a redução da fratura. No pós-operatório, o paciente utilizará um meio de dispositivo auxiliar como andador ou muletas. A fisioterapia deve utilizar recursos para fortalecimento de membros superiores e do membro inferior contralateral, auxiliar nos cuidados de prevenção de escaras, evitar deformidades em pé equino e orientar exercícios respiratórios. Após 8 semanas pode se iniciar a mobilização passiva do quadril; o quadril deve ser protegido até haver um calo ósseo maduro e uma ponte óssea – após outras 4-6 semanas, quando o apoio de peso será permitido. Fratura de Colo de Fêmur Essas fraturas podem ser classificadas em quatro tipos do ponto de vista clínico: fratura com desvio, sem desvio, impactada e por estresse. Cerca de 2/3 das fraturas do colo femoral apresentam desvios. Fratura de Colo de Fêmur Tratamento • Fraturas por estresse: normalmente consolidam sem qualquer tipo de intercorrência. Após o diagnóstico, deve haver restrição da sustentação do peso corporal com utilização de andador ou muletas. Os pacientes devem ser orientados a não realizar exercícios de elevação da perna estendida e não usar o membro para produzir alavanca ao se levantar ou mudar de posição. Após 6 semanas, o apoio de peso parcial é liberado, com sustentação total em 12 semanas, desde que a fratura mostre evidência radiográfica. • Fraturas impactadas: podem ser tratadas com ou sem cirurgia. No método conservador o paciente é mantido no leito por alguns dias com o membro protegido do estresse rotacional por até 6 semanas. A fixação interna envolve a fixação com múltiplos parafusos, pois isso torna possível a sustentação imediata do peso corporal. Fratura de Colo de Fêmur • Fraturas com desvio: devem ser reduzidas e fixadas internamente; a fixação interna é realizada com três pinos e parafusos ou colocação de uma prótese. Os pacientes com fraturas por estresse, fraturas sem desvio ou fraturas impactadas podem queixar-se apenas de dor na virilha ou no joelho homolateral. Os pacientes com fraturas por estresse relatam história de aumento recente no nível de atividade física. Já os pacientes com fraturas sem desvio ou impactadas relatam história de traumatismo. Pacientes com fraturas do colo femoral desviadas queixam-se de dor em toda a região do quadril e ficam deitados com o membro acometido mais curto e rodado externamente. Fratura de Colo de Fêmur Fraturas (paciente) jXXXXXXXXXXXXXXXXX Fraturas Lesões de epífise: adolescentes Bursite: inflamação da bursa Síndrome da faixa iliotibial: atrito entre o músculo e a bursa Síndrome do impacto femoroacetabular: contato anormal entre cabeça-colo femoral e o rebordo acetabular "A cirurgia que fiz é um crime hoje” Lesões nos esportes Foto: Getty Images O tratamento conservador é a primeira fase do tratamento desses atletas, iniciando sobretudo com a restrição de atividades que provoquem os sintomas, na prescrição de anti-inflamatórios, analgésicos ou de injeções de corticoides para alívio da dor. A fisioterapia desempenha papel importante nesse processo, com objetivo de ganhar força, melhorar a mobilização articular ativa e passiva, educar o paciente para evitar movimentos e situações com grande amplitude articular e corrigir a biomecânica do movimento, tentando “afastar” o colo femoral do pinçamento. Os exercícios de alongamento, fortalecimento muscular e as técnicas de terapia manual e exercícios de estabilização segmentar podem ser associados a recursos de eletrotermofototerapia (laser de baixa intensidade e terapia combinada) para diminuição da dor e inflamação. Na fase final do tratamento, intensificam-se os exercícios de fortalecimento e treino sensório-motor (com exercícios Tratamento de equilíbrio e propriocepção), principalmente dos músculos-chave do controle da postura e movimento, como glúteo máximo, médio, piriforme, gêmeos e obturadores. Por fim, realiza-se uma análise da postura estática e dinâmica para guiar o treino funcional e a correção biomecânica do gestual esportivo. Na fisioterapia podem ser utilizados recursos para controlar a dor e a inflamação pós-operatória com a utilização de compressa de gelo em intervalos regulares. O paciente deve utilizar um dispositivo auxiliar, como as muletas, durante um período de 4 a 6 semanas. A progressão dos exercícios de fortalecimento muscular começa 2 semanas após cirurgia, principalmente do músculo glúteo médio. Os exercícios de fortalecimento com carga sobre o membro são permitidos após 4 a 6 semanas após a cirurgia, com particular interesse no quadríceps, nos flexores do quadril e nos glúteos. Progredir para o treino de atividades funcionais com bicicleta ergométrica pode ser usada assim que o paciente tolerar 12 a 24 semanas e os atletas só devem voltar ao ambiente competitivo em 12 a 32 semanas. Tratamento Fisioterapêutico A maior preocupação do esporte hoje é o trabalho de prevenção. Tratamento Fisioterapêutico Lesões nos esportes O impacto femoroacetabular consisteem um contato anormal entre a cabeça-colo femoral e o rebordo acetabular que irá provocar alterações degenerativas no “labrum” acetabular e cartilagem articular. Por este motivo, está associado frequentemente com o desenvolvimento prematuro de: Osteonecrose da cabeça femoral. Fraturas de colo de fêmur. Osteoartrite de quadril. Osteoporose proximal de fêmur. Condromalacea de quadril. Interatividade O impacto femoroacetabular consiste em um contato anormal entre a cabeça-colo femoral e o rebordo acetabular que irá provocar alterações degenerativas no “labrum” acetabular e cartilagem articular. Por este motivo, está associado frequentemente com o desenvolvimento prematuro de: Osteonecrose da cabeça femoral. Fraturas de colo de fêmur. Osteoartrite de quadril. Osteoporose proximal de fêmur. Condromalacea de quadril. Resposta BANERJEE, S. et al. Osteonecrosis of the hip: treatment options and outcomes. Orthop. Clin. North Am., v. 44, n. 4, p. 463-476, out. 2013. BELL, K. R. & HALAR, E. M. Relação da reabilitação com a inatividade. In: KOTTKE, F. .J.; LEHMANN, J.F. Tratado de medicina física e reabilitação de Krusen. 4. ed. São Paulo, Manole, 1994. BOLSON, J.; MONTEIRO, M.; QUINTELLA, T. Dez anos após aposentadoria, Guga afirma: A cirurgia que fiz é um crime hoje. Planeta Sportv, 2018. GRECCO, L. H. et al. Avaliação das formas de prevenção da pubalgia em atletas de alto nível – uma revisão bibliográfica. ConScientiae Saúde, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 279-285, 2007. Disponível em: https://cutt.ly/enwT5u2. Acesso em: 24 maio 2021. JAKIM, K.K. & SWEET, M.B. Delayed presentation of a vascular injury by an Ilizarov external fixator. Br J Accident Surg24: 135- 136, 1993. LIND T., KRONER K., JENSEN J. The epidemiology of the fractures of the proximal humerus. Arch Orthop Trauma Surg. 1989; 108(5):28-287. 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