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Trabalhos Científicos e Normas Metodológicas e Técnicas Rafaela Cordeiro Gama Neste e-book você conhecerá alguns pressupostos teórico metodológicos para a escrita de um trabalho científico. Além disso, conhecerá de maneira geral as normas ABNT para normalização gráfica dos trabalhos acadêmicos científicos. E por fim conhecerá a definição dos diferentes tipos de eventos científicos e a importância de participação nesses eventos para sua formação acadêmica. 2 Subtópicos Redação do trabalho científico: orientações metodológicas ������������������������������ 3 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������12 Apresentação das normas ABNT ��������������������13 Apresentação gráfica geral do trabalho ���������������������������������������18 Aspectos da digitação do trabalho �����������������������������������������������26 A técnica de indicação bibliográfica, citações e notas de rodapé ���������������������������������������������������������������������������������������������29 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������35 Eventos científicos: seminário, simpósio, mesa-redonda, painel, comunicação oral, palestra �����������������������������36 Considerações finais ���������������������������������������������������������������������42 Referências Bibliográficas & Consultadas ��43 3 Redação do trabalho científico: orientações metodológicas A principal forma de divulgação da produção e do co- nhecimento científico é por meio da escrita de um tra- balho científico. É claro, podem existir outras formas de divulgação, bem presente na contemporaneidade, como podcasts que falam sobre ciência, canais de vídeos em redes sociais, eventos científicos on-line etc. Entretan- to, a maneira de se registrar uma pesquisa prevalece a partir do texto escrito, esse que dá base também a essas outras formas de divulgação. Existem diferentes tipos de trabalho científico, que vão depender do objetivo do pesquisador, da estrutura que o pesquisador escolhe construir o seu trabalho e do lu- gar onde será publicado o texto. Temos por exemplo o artigo científico, o projeto de pesquisa, a resenha, a mo- nografia, o resumo, a dissertação, a tese etc. (MARCONI; LAKATOS, 2022). É necessário observar que cada um desses tipos de trabalho científico tem uma finalidade e um aprofundamento, mas o comum entre eles é a ne- cessidade de seguir com rigor técnico e metodológico a elaboração de cada um deles. 4 Esse rigor técnico e metodológico é importante porque a construção de um trabalho científico possui passos fundamentais, como nos explicita Demo (2013). Se- gundo o autor, para realizar uma construção científica é necessário seguir alguns passos que caracterizam o fazer científico. Demo (2013) explica que, ao se pretender realizar uma pesquisa científica, é necessário primeiramente levan- tar hipóteses sobre determinado assunto. Essas serão as hipóteses de trabalho, ou seja, se lançará “[...] uma suspeita explicativa ou a sugestão provisória de que certa forma de explicação poderia dar certo” (DEMO, 2013, p. 46). Assim como o nome sugere, a hipótese de trabalho é hipotética. A hipótese é uma construção do sujeito pesquisador fundamental para a elaboração de uma investigação e parte da curiosidade do pesquisador em relação à realidade. Essa curiosidade não deve ser somente para saber, mas também deve buscar a realidade de maneira crítica, se propondo a refletir sobre os temas levantados da realidade. Pode-se propor também elaborar soluções para os problemas observados, com vistas a contribuir com a construção do conhecimento científico sobre aquele problema de maneira prática (DEMO, 2013). 5 Independentemente do objetivo do investigador, as hi- póteses devem ser construídas como afirmações provi- sórias e passíveis de se confirmar ou não, podendo ser realizado de diferentes maneiras durante a investigação científica. Demo (2013) indica que a construção da hi- pótese se faz a partir de um exercício de criatividade do pesquisador, que se propõe a conhecer um tema e elaborar soluções ou explicações hipotéticas para os problemas levantados. A partir da hipótese construída, inicia-se a elaboração de um roteiro de trabalho, por exemplo, um pré-projeto ou um projeto de pesquisa. Nesse roteiro é importante ter em mente que se deve encontrar os caminhos para a realização do teste da hipótese, os quais são diversos, como Demo (2013, p. 47) nos explica: “O cerne da questão, contudo, em termos de roteiro de trabalho, é o teste da hipótese, para ave- riguarmos se a suspeita explicativa foi correta ou não, ou em que deve ser corrigida para satisfazer a explicação do fenômeno. Tal teste geralmente é pensado sob a forma de experimentação empírica, cercada de muitos cuidados estatísticos, mas isso é apenas uma versão do teste, mesmo que fosse reconhecida como a mais praticada. Há outras, como a discussão teórica, crítica, ou o teste de argumentos teóricos e práticos, no sentido de acei- tar, rejeitar ou reformular. O problema básico, em todo o caso, será conseguir transformar a hipótese 6 numa tese, porque tese é uma hipótese confirma- da, testada, e por isso aceita como comprovada. O autor explica que, principalmente dentro das ciências sociais, a tese (que é uma hipótese testada) também pode ser colocada em questão com o avanço do conhe- cimento científico e ser complementada ou substituída por outra tese. Ou seja, o conhecimento científico tem caráter transitório e se transforma continuamente. Segundo Demo (2013), existem elementos fundamentais a serem contemplados nesse roteiro de trabalho. Um de- les é a constituição de um quadro teórico de referências, em que se conhece as explicações anteriores daquele assunto e leva-se em consideração as produções clás- sicas (aquelas que formam o cânone de conhecimento daquele tema) e as produções contemporâneas (mais recentes acerca daquele tema). Outro elemento importante, segundo o autor, é a busca de material factual sobre o tema. Ou seja, se já existem explicações que demonstram fatos verdadeiros acerca do problema e se são aceitos ou não na comunidade científica como tal. Isso depende de o investigador conhecer outras pesquisas sobre o tema e se alguma delas tem um fato sobre ele que é reconhecido por ou- tros pesquisadores, pois também chegaram à mesma conclusão em suas investigações. Já o outro elemento importante a ser contemplado no roteiro de trabalho são os aspectos formais, relacionados a como será 7 estruturado o trabalho, quais capítulos serão escritos, qual a normalização seguida etc. Por fim, Demo (2013) destaca a importância da estru- turação das conclusões do trabalho. A partir daquela primeira parte, da hipótese, e com o desenvolvimento da investigação, quais foram as conclusões do pesqui- sador? As hipóteses iniciais se confirmaram ou não? O que se pode tirar como a contribuição do trabalho? O objetivo da investigação foi cumprido? Quais as lacunas que existiram? Quais as possibilidades de investigações futuras? Todas essas questões podem ser trazidas durante a con- clusão do trabalho. Nela, o investigar faz considerações acerca do objetivo e do caminho tomado, realizando pontes com o conhecimento científico já produzido sobre aquela temática. Será, então, a finalização do trabalho. Essa é uma estrutura básica, na qual se observa a im- portância do rigor técnico e metodológico. Claro que esse passo a passo não é, na prática, de forma linear. Por vezes o pesquisador necessita ir e voltar no texto, para observar especificidades ou então adicionar um novo referencial teórico. O importante é perceber que existem exigências específicas para a construção de uma pesquisa e de um trabalho científico, uma forma que vai para além dos “achismos”. 8 Toda pesquisa necessita estar fundamentada, deve trazer as contribuições anteriores e deve se preocupar também em contribuircom a construção do conheci- mento científico. Isso vai se aprofundando no percurso acadêmico do estudante-investigador. Uma tese, por exemplo, tem um aprofundamento maior na temática estudada do que um TCC. E além disso, os trabalhos acadêmicos possuem objetivos específicos, dependen- do do que você pretende divulgar. Para além dos aspectos técnicos de um trabalho cien- tífico, existem também os aspectos metodológicos. Demo (2013) explicita que o fazer científico é regido por princípios metodológicos, os quais regem toda a investigação. O autor afirma que esses princípios são: [...] posicionamentos básicos que admitimos de modo geral válidos e que orientam a conduta na pesquisa e na construção científica em geral. Por serem linhas hipotéticas, é claro que os podemos e devemos questionar, mesmo que façam parte de uma tradição forte. (DEMO, 2013, p. 50). O autor deixa claro que esses princípios básicos para o fazer científico partem de uma visão construída histori- camente pela sociedade ocidental, ao longo de séculos. Ou seja, o modo como fazemos ciência hoje é condicio- nada por o que foi constituído nos países ocidentais e no surgimento da ciência como observamos atualmente nas instituições de pesquisa. 9 FIQUE ATENTO Ocidente é um conceito muito discutido e criticado na contempo- raneidade. Entretanto, aqui se usa esse conceito para destacar um momento histórico de formação de uma cultura ocidental que tem origem na civilização greco-romana na Europa e que se expandiu por meio dos seus impérios e posteriormente por meio da colonização. Dessa forma, é um conjunto de países que teve grande influência em sua formação da cultura cristã, com descendência europeia. Entretanto, esse fazer científico condicionado aos pres- supostos metodológicos aqui apresentados, como por exemplo a suposta existência de uma ciência neutra – visão muito difundida no positivismo – sofre diferentes críticas na contemporaneidade. Se fala da importância de considerar outras formas de fazer ciência que eram desenvolvidas nas civilizações originárias, principalmente nos países que sofreram com a invasão colonizadora, ampliando a visão sobre os fenômenos de maneira crítica. Entretanto, a ciência não é neutra, pois é realizada por ser humanos que estão em uma situação social, condi- cionados a uma realidade (DEMO, 2013). Isso deve ser considerado durante uma investigação, para se ampliar a visão das possíveis variáveis que influenciam deter- minado fenômeno. 10 FIQUE ATENTO Positivismo é uma corrente filosófica que surge na Europa, entre os séculos 19 e 20. Ele se caracterizou pela negação de qualquer outro tipo de conhecimento como válido, afirmando que o pensamento científico constituído na época era a única forma de conhecimento verdadeiro. Destaca-se então a razão e a neutralidade científica como pilares fundamentais para a cons- trução de conhecimento, rechaçando outras formas possíveis. Demo (2013) então destaca que para fugir da “arro- gância ocidental” de que existe apenas uma forma de fazer ciência, é necessário assumir que o fazer cientí- fico é uma construção. Ou seja, nas investigações não conseguimos esgotar toda a explicação sobre os fenô- menos estudados. Existirá sempre a possibilidade de descoberta de algo novo sobre aquele fenômeno, seja em relação a uma transformação, ou em relação a uma análise considerando outros aspectos condicionantes daquele fenômeno. A realidade, de acordo com Demo (2013), nos condiciona ou determina de diferentes maneiras, e por isso o fazer científico deve levar isso em consideração. Esse é um aspecto metodológico importante na investigação, pois revê a maneira positivista de observar a realidade como algo passível de mudança apenas por desejo individual. Estamos inseridos numa realidade social específica e isso também vale para as ciências naturais, pois o modo de interpretação e análise de dados de um teste esta- 11 tístico, por exemplo, vai depender do referencial teórico que utilizo. Sobre a questão da realidade, Demo (2013, p. 52) nos explica: “A realidade não se rege principalmente através de intenções, boas vontades, decisões sub- jetivas, níveis de consciência, mas por condições objetivas dadas. O homem não faz simplesmente história, como um deus que magicamente conduz seu destino, mas a faz condicionado – segundo alguns –, ou determinado – segundo outros. Nesse sentido, observa-se que metodologicamente deve existir um rigor na pesquisa e que precisamos ter claro que esse rigor faz parte da produção científica. Estudar e pesquisar envolve questões teóricas, metodológicas e técnicas que fazem parte do processo de realização de um trabalho científico. Além disso, os trabalhos científicos em si são diversos. Podemos construir uma monografia, um artigo, uma tese, um resumo, uma resenha etc. E isso vai depender do objetivo da investigação e de onde será publicado. O importante é perceber o rigor técnico e metodológico necessários para a escrita do trabalho. 12 Considerações finais 9 A principal forma de divulgação da produção e do conhecimento científico é por meio da escrita de um trabalho científico. 9 É necessário observar que cada tipo de trabalho cien- tífico tem uma finalidade e um aprofundamento, mas é necessário seguir um rigor técnico e metodológico. 9 Ao se pretender realizar uma pesquisa científica, é necessário primeiramente levantar hipóteses sobre determinado assunto. 9 Independentemente do objetivo do investigador, as hipóteses devem ser construídas como afirmações provisórias e passíveis de se confirmar ou não. 9 A partir da hipótese construída, parte-se para a ela- boração de um roteiro de trabalho, por exemplo, um pré-projeto ou um projeto de pesquisa. 9 Existem elementos fundamentais a serem contem- plados no roteiro de trabalho: quadro teórico de refe- rências, fatos sobre o assunto e os aspectos formais. 9 As conclusões são importantes na estruturação do trabalho. 9 Toda pesquisa necessita estar fundamentada, deve trazer as contribuições anteriores e deve se preocupar em contribuir com o conhecimento científico. 9 Estudar e pesquisar envolve questões teóricas, me- todológicas e técnicas que fazem parte do processo de realização de um trabalho científico. 13 Apresentação das normas ABNT Neste subtópico iremos abordar as regras de norma- lização de trabalhos acadêmicos científicos segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Essa Associação é o órgão responsável no Brasil pela criação de normas técnicas de diferentes questões, como produtos, rotulagem, sistemas, entre outros. A ABNT também normaliza a produção de trabalhos acadêmicos no Brasil, especificando a forma como são apresentadas as estruturas dos trabalhos, as citações de outras obras, as listas de referências etc. Essas nor- mas são importantes para padronização dos trabalhos acadêmicos e também para facilitar o acesso à infor- mação apresentada nos trabalhos. Já imaginou se você escreve um trabalho acadêmico científico que não apresenta os objetivos ou a metodo- logia utilizada? Além disso, nas listas de referências, onde você apresenta as diferentes obras que teve acesso durante sua investigação, você não utiliza um padrão de apresentação das informações e não é possível di- ferenciar as obras, quais são livros, quais são artigos, quais são capítulo, etc. Como a outra pessoa que lerá o seu trabalho saberá o que são e como ter acesso a 14 essas obras? Por isso, o uso de normas técnicas para a formatação dos trabalhos científicos é importante. Existem outros tipos de normas que podem ser utiliza- das na escrita do trabalho acadêmico, como o estilo American Psychological Association (APA) e o estilo Vancouver. Essas são mais comumente utilizadas em outros países, mas também em algumas universidades no Brasil. No entanto, prevalece no país o uso das nor- mas da ABNT, podendo ter variações dessas normas de acordo com a universidade.Entretanto, utilizam-se dessas normas para direcionar a normalização. Mas existe um processo específico para a criação e elaboração de uma norma? Segundo a ABNT (2023), em seu site, para a elaboração de uma norma, deve ser apresentada uma demanda específica. Essa demanda pode ser apresentada por uma pessoa, uma empresa, entidade ou organismo que realiza um processo de regulamentação do tema a ser normatizado. A partir disso, a ABNT realiza o seguinte processo: “A pertinência da demanda é analisada pela ABNT e, sendo viável, o assunto é levado ao Co- mitê Técnico correspondente para inserção em seu Programa de Normalização Setorial (PNS). Caso não exista Comitê Técnico relacionado ao assunto, a ABNT propõe a criação de um novo Comitê Técnico, que pode ser um Comitê Brasi- leiro (ABNT/CB), um Organismo de Normalização 15 Setorial (ABNT/ONS) ou uma Comissão de Estu- do Especial (ABNT/CEE). O assunto é discutido amplamente pelas Comissões de Estudo, com a participação aberta a qualquer interessado, inde- pendentemente de ser ou não associado à ABNT, até atingir consenso, gerando então um Projeto de Norma (ABNT, 2023, s/p.). Dessa forma, qualquer pessoa pode participar do pro- cesso de criação e elaboração de uma norma específica. Assim, o processo de criação das Normas Brasileiras NBR relacionadas aos trabalhos científicos foi ampla- mente discutido, e essas normas passam por revisões de tempos em tempos. Por exemplo, a última revisão realizada foi a ABNT NBR 6023, a qual diz respeito à formatação das referências bibliográficas do trabalho. Essa foi atualizada em 2018 para incluir diferentes ti- pos de documentos e mídias (como os podcast), que oferecem informação científica para fundamentação de uma investigação. 16 Figura 1: Processo de elaboração e publicação de uma norma. Sim Análise do resultado da Consulta Nacional Consulta Nacional OK? N ão Demanda Programa de Normalização Setorial (PNS) Elaboração do Projeto de Norma Fonte: https://www.abnt.org.br/normalizacao/participar-da- elaboracao� Adaptado� Existem diversas ABNT NBR relacionadas aos trabalhos científicos: z NBR 6027, a qual trata da normalização do sumário; z NBR 6034, aborda a questão de normalização de índices; z NBR 6023, sobre a elaboração das referências bi- bliográficas de um trabalho; https://www.abnt.org.br/normalizacao/participar-da-elaboracao https://www.abnt.org.br/normalizacao/participar-da-elaboracao 17 z NBR 6024, a qual versa sobre a numeração progres- siva das seções de um documento escrito; z NBR 6028 relacionada à elaboração e à formatação de um resumo; z NBR 10520, a qual apresenta como realizar uma ci- tação de uma obra durante a escrita do trabalho; z NBR 6022, apresenta a estrutura e normalização de um artigo científico para publicação em periódico; z NBR 14724, que apresenta princípios gerais de apre- sentação de diferentes tipos de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, monografias etc.). Essas são algumas normas que podem servir de base para a formatação de seu trabalho acadêmico. Entretan- to, essas normas podem sofrer modificações de acordo com o programa de graduação ou pós-graduação que você está realizando, com a universidade e também com o periódico científico que você pretende realizar uma publicação. Por isso, é importante você sempre consultar as regras de normalização da instituição em que você está realizando um trabalho científico. Vamos então agora apresentar as especificidades das regras da ABNT em relação à apresentação gráfica geral do trabalho científico, os aspectos relacionados à digita- ção do trabalho e em relação à técnica de indicação das referências bibliográficas, citações e notas de rodapé. 18 Apresentação gráfica geral do trabalho Aqui vamos apresentar as especificidades gráficas necessárias para um trabalho acadêmico científico. Usaremos como base a NBR 14724 (ABNT, 2011), que fala sobre os princípios gerais para a elaboração dos trabalhos acadêmicos escritos para apresentação e ava- liação de outros profissionais. Essa NBR cita as outras publicações da ABNT afirmando que elas servem para complementar a normalização gráfica dos trabalhos científicos e são indispensáveis no processo. Em relação à estrutura do trabalho acadêmico científico, a NBR 14724 indica que ela é dividida em duas partes: a parte externa, que diz respeito à capa e lombada; e a parte interna, que diz respeito aos elementos pré-textuais, elementos textuais e os elementos pós-textuais. Dentro dessa divisão e dos seus respectivos elementos, existem aqueles que são de caráter obrigatório, ou seja, devem ser apresentados em qualquer trabalho, e aqueles de caráter opcional, que podem ser considerados ou não na normalização do trabalho. A seguir, na Figura 2, apresenta-se o esquema da es- truturação do trabalho acadêmico apresentado na NBR 14724 e quais são os elementos obrigatórios e os ele- mentos opcionais. 19 Figura 2: Esquema de estruturação do trabalho acadêmico. Parte externa Capa (obrigatório) Lombada (opcional) Parte interna Elementos pré-textuais Folha de rosto (obrigatório) Errata (opcional) Folha de aprovação (obrigatório) Dedicatória (opcional) Agradecimentos (opcional) Epígrafe (opcional) Resumo na língua vernácula (obrigatório) Resumo em língua estrangeira (obrigatório) Lista de ilustrações (opcional) Lista de tabelas (opcional) Lista de abreviaturas e siglas (opcional) Lista de símbolos (opcional) Sumário (obrigatório) Introdução Desenvolvimento Conclusão Elementos textuais Elementos pós-textuais Referências (obrigatório) Glossário (opcional) Apêndice (opcional) Anexo (opcional) Índice (opcional) Fonte: ABNT, 2011. Adaptado. A capa do trabalho acadêmico é um elemento da parte externa obrigatório e nela devem estar presentes as seguintes informações: 1. o nome da instituição onde se vai apresentar o tra- balho (opcional); 2. o nome do autor do trabalho; 3. o título do trabalho, o qual deve ser objetivo e con- ciso, identificando o conteúdo do trabalho para facili- tar a indexação em base de dados e a recuperação da informação; 20 4. o subtítulo, caso exista, sendo separado do título por dois pontos; 5. número do volume, se houver mais de um; 6. o local, ou seja, a cidade da instituição onde o tra- balho vai ser apresentado; 7. o ano em que o trabalho foi entregue à instituição. Excluindo o artigo científico produzido para publicação em periódicos (que possuem especificações de nor- malização de acordo com as revistas científicas), os trabalhos monográficos, multipaper ou os artigos produ- zidos nos programas de graduação e de pós-graduação das instituições de ensino superior apresentam uma capa. Por isso, esse é um elemento importante para a normalização. A lombada, segundo a NBR 14724, é um elemento op- cional e suas especificidades são apresentadas na NBR 12225 (ABNT, 2004). A definição de lombada apresentada no documento é a seguinte: “Parte da capa que reúne as margens internas ou dobras das folhas, sejam elas costuradas, grampeadas, coladas ou mantidas juntas de outra maneira; também chamada de dorso” (ABNT, 2004, p. 1). Na sua estrutura deve apresentar o nome do autor ou autores, o título, elementos alfanuméricos de identificação de volume (caso exista) e logomarca da instituição. 21 Sobre a parte interna do trabalho acadêmico, a NBR 14724 realiza uma divisão entre elementos pré-textuais, que são a folha de rosto, a errata (opcional), folha de aprovação, dedicatória (opcional), agradecimentos (op- cional), epígrafe (opcional), resumo em língua vernácula e em língua estrangeira, lista de ilustrações (opcional), lista de tabelas (opcional), lista de abreviaturas e siglas (opcional), lista de símbolos (opcional), e, por fim, o sumário. Vamos nos concentrar aqui na descrição dos elementos obrigatórios. A folha de rosto, elemento obrigatório, possui informa- ções no anverso e no verso da folha. No anverso devem ser apresentadas asseguintes informações: nome do autor; título e subtítulo (caso exista); número do vo- lume; em um bloco de texto o tipo de trabalho (tese, dissertação, TCC etc.), o objetivo da apresentação do trabalho (aprovação em disciplina, obtenção de algum grau acadêmico etc.), o nome da instituição e a área de concentração do trabalho; nome do orientador e do coorientador (caso exista); a cidade da instituição; e o ano de entrega do trabalho escrito. Perceba que são os elementos da capa com inserção de outras informações. 22 Figura 3: Exemplo de capa e de folha de rosto. Fonte: https://www.une.org.br/noticias/capa-de-trabalho-abnt- como-formatar-modelo-nas-regras-da-abnt� No verso da folha de rosto é apresentada a ficha ca- talográfica. Geralmente, essa ficha é elaborada pela responsável bibliotecária da biblioteca da instituição de ensino. Nela devem ser apresentados os dados de catalogação da publicação, conforme o Código de Ca- talogação Anglo-americano vigente (ABNT, 2011). Já a folha de aprovação, elemento pré-textual também obrigatório, é inserida na folha seguinte à folha de rosto. Nela devem constar: o nome do autor; título e subtítulo (se houver) do trabalho; tipo do trabalho; data de aprova- ção pela banca avaliadora e nome, titulação, assinatura https://www.une.org.br/noticias/capa-de-trabalho-abnt-como-formatar-modelo-nas-regras-da-abnt https://www.une.org.br/noticias/capa-de-trabalho-abnt-como-formatar-modelo-nas-regras-da-abnt 23 e nome da instituição dos componentes da banca. Essa última deve ser inserida após a aprovação (ABNT, 2011). Figura 4: Exemplo de folha de aprovação. Fonte: https://tccdescomplicado.com.br/ modelo-folha-de-aprovacao-abnt/� https://tccdescomplicado.com.br/modelo-folha-de-aprovacao-abnt/ https://tccdescomplicado.com.br/modelo-folha-de-aprovacao-abnt/ 24 Em relação aos resumos em língua vernácula e estran- geira, as especificações são indicadas pela NBR 6028 (ABNT, 2021). Os resumos devem ser concisos, objetivos e apresentarem os principais conteúdos do trabalho. Deve ser escrito em um parágrafo único e sua extensão, ou seja, o número de palavras, vai depender do trabalho o qual precederá. Após o resumo, deve-se apresentar as Palavras-chave, que são as palavras que representam o conteúdo do trabalho (ABNT, 2021). Por fim, nos elementos pré-textuais, deve ser apresenta- do obrigatoriamente o sumário. A normalização desse elemento é regida pela NBR 6027 (ABNT, 2012a). Nes- sa NBR é indicado a importância da NBR 6024 (ABNT, 2012b), a que trata da numeração progressiva das se- ções do documento escrito. Os sumários devem existir nas publicações de mono- grafias como o último elemento pré-textual e deve ser apresentado apenas em duas páginas (anverso e verso), com o título “Sumário” no início da página, centralizado. As tipografias do sumário devem seguir as utilizadas no momento de numeração das seções do documento e indicar, principalmente, a página onde inicia cada ses- são. Além disso, os elementos pré-textuais não devem aparecer no sumário. 25 Figura 5: Exemplo de Sumário. Fonte: ABNT, 2012a. Partindo para os elementos textuais, a NBR 14724 in- dica que o texto deve conter uma parte introdutória do trabalho, onde são apresentados os objetivos e a justificativa de elaboração. Além disso, deve detalhar o desenvolvimento do trabalho, no qual se apresenta o referencial teórico-metodológico, os resultados e a discussão comparativo do trabalho com o referencial, detalhando a pesquisa realizada. Finalizando, então, com a parte da conclusão ou as considerações finais, fechando o trabalho e apresentando possíveis desdo- bramentos e limitações do estudo (ABNT, 2011). 26 Por fim, os elementos pós-textuais são as referências bibliográficas, onde se apresentam as obras consultadas; o glossário (opcional); o apêndice (opcional), momento de apresentar os documentos produzidos na pesquisa; o anexo (opcional), apresentando os documentos utili- zados na pesquisa e que foram produzidos por outras pessoas; e o índice (opcional). As referências, elemento pós-textual obrigatório, são regidas pela NBR 6023, as quais serão abordadas poste- riormente no item “A técnica de indicação bibliográfica; citações e notas de rodapé”. Aspectos da digitação do trabalho A seguir, vamos apresentar as regras gerais para a apre- sentação gráfica de digitação do trabalho acadêmico científico, segundo a ABNT NBR 14724 (2011). Em relação ao formato, temos as seguintes indicações: z Texto na cor preta, com letra tamanho 12, com for- mato de papel A4 (21 cm x 29,7 cm); z As citações de mais de três linhas, notas de rodapé, paginação, ficha catalográfica, legendas e fontes das ilustrações e das tabelas devem ser apresentadas com tamanho da letra menor que 12, de maneira uniforme; z Elementos pré-textuais digitados no anverso da fo- lha, com exceção da ficha catalográfica, que deve ficar no verso da folha de rosto; 27 z Elementos textuais e pós-textuais em sequência, utilizando o anverso e o verso da folha; z Margens: para o anverso seria esquerda e superior de 3 cm e direita e inferior de 2 cm; e para o verso seria direita e superior de 3 cm e esquerda e inferior de 2 cm. Com relação ao espaçamento entre linhas, seguem-se as seguintes recomendações: z Todo o texto deve ser digitado com espaçamento entre linhas de 1,5 cm; z As citações de mais de três linhas, as notas de roda- pé, referências, legendas das ilustrações e das tabelas e o tipo de trabalho (texto apresentado na folha de ros- to) deve ter espaçamento simples entre linhas (1 cm); z Na lista de referências, cada obra deve ser separada entre si por um espaço simples em branco; z O alinhamento do tipo de trabalho da folha de rosto e na folha de apresentação deve ser do meio da página para a margem direita; z Os títulos dos elementos pré-textuais e pós-textuais que não possuem indicativo numérico (errata, agradeci- mentos, listas de ilustração, abreviaturas e siglas e lista de símbolos, resumos, sumário, referências, glossário, apêndices, anexos e índices) devem ser formatados em alinhamento central; 28 z Os indicativos de seção dos elementos textuais (que devem possuir indicativo numérico) devem ser alinhados à esquerda com espaçamento entrelinhas de 1,5 cm; z A folha de aprovação, a dedicatória e as epígrafes não devem ter indicados seus títulos na página. Em relação à paginação segue-se as seguintes recomendações: z As folhas com elementos pré-textuais devem ser contadas, mas não numeradas; z A capa não é contada para realização da numeração; z A numeração deve aparecer a partir da primeira folha dos elementos textuais, ou seja, na primeira folha da introdução (ou apresentação em alguns casos); z A numeração deve ser realizada em algarismos ará- bicos, no canto superior direito da folha (para trabalhos com parte escrita apenas no anverso); z Quando os elementos textuais forem escritos no an- verso e no verso, a numeração deve aparecer no verso no canto superior esquerdo; z Os elementos pós-textuais também são numerados e sequenciados junto com a parte textual do trabalho. Em relação às ilustrações e tabelas apresentadas ao longo do texto, segue as indicações da NBR 14724: 29 z A identificação da ilustração, ou seja, seu título, deve ser apresentada na parte superior, com a palavra que designa a ilustração (esquema, quadro, figura, imagem, tabela etc.); z Após a palavra que especifica a ilustração, deve aparecer a numeração, a qual deve ser realizada em sequência para cada tipo de ilustração; z Na parte inferior da ilustração deve-se apresentar a fonte consultada (elemento obrigatório); z Se a fonte for do próprio autor deve-se indicar tam- bém na parte inferior da ilustração; z A ilustração deve ser citada no texto, o mais pró- ximo possível da ilustração a que se refere e antes de ela aparecer; z As tabelas são formatadas a partir das indicações do Instituto Brasileiro de Geografiae Estatística (IBGE), com manual próprio. A técnica de indicação bibliográfica, citações e notas de rodapé Ao realizar a escrita de um texto, vamos citando os do- cumentos que consultamos ao longo da investigação. Um trabalho acadêmico científico deve ser realizado a partir da leitura de outras pesquisas e de levantamento teórico sobre o assunto estudado, para dar credibilidade. 30 Não construímos conhecimento científico do nada. Desde o levantamento de hipóteses até a discussão dos resultados utilizamos outros autores e documen- tos para contribuir com o processo de construção do conhecimento científico. Dessa forma, a quantidade de citações em um texto escrito será considerável, e por isso devem ser organizadas e padronizadas. A NBR 10520 (ABNT, 2002) é o documento que apresenta as regras de padronização das citações. A citação por norma é a “menção de uma informação extraída de outra fonte” (ABNT, 2002, p. 1). Pode acon- tecer também a citação de citação, quando se utiliza a informação de um texto que não se teve acesso ao original a partir de outro texto. Além disso, as citações podem ser separadas em dois tipos: citação direta, em que é realizada a transcrição textual de parte do docu- mento consultado; e a citação indireta, em que se rea- liza uma paráfrase do documento lido. Nos dois tipos devem ser apresentados o autor e o ano do documento, e na citação direta, especificamente, a página onde se encontra o trecho citado. De maneira geral, as citações devem apresentar o so- brenome do autor, a instituição responsável ou o título incluído na sentença (esses dois últimos casos ocor- rem se não existe autoria de pessoa física) em letras maiúsculas e minúsculas, e quando forem citadas entre parênteses devem ser em letras maiúsculas. Exemplo: Gama (2023) ou (GAMA, 2023). 31 As citações diretas, ou seja, aquelas que fazem a trans- crição textual de parte do documento, de até três linhas devem ser inseridas no próprio parágrafo, indicadas entre aspas duplas. Já as citações diretas com mais de três linhas devem ser separadas do parágrafo, com um recuo de 4 cm da margem esquerda, sem aspas e com tamanho de letra menor que o do texto (ABNT, 2002). Existem duas formas de fazer a chamada das referências: ou pelo sistema numérico ou pelo sistema autor-data (mais comumente utilizado). Em um texto escrito deve ser adotado apenas um deles de forma padronizada. As referências podem ser apresentadas no final do texto, nos elementos pós-textuais ou também no rodapé da página onde a citação foi realizada somente ao se uti- lizar o sistema autor-data (ABNT, 2002). No sistema numérico apresenta-se a citação direta ou indireta e indica-se entre parênteses ou utilizando o recurso superior à linha a numeração se remetendo à lista de referência. Já o sistema autor-data indica o sobrenome do autor, o nome da instituição ou o título do documento, e o ano que foi publicado o documento. As notas de rodapé, segundo a NBR 10520, podem ser separadas em dois tipos: notas de referências e notas explicativas. Nos dois tipos de notas a numeração é feita continuamente durante todo o texto com indicação de números arábicos. 32 As notas de referência apresentam no rodapé a referência do documento citado naquela página e dá possibilidade de, se aquele mesmo documento for citado em outros momentos do texto, usar as indicações id. (mesmo au- tor), ibid. (na mesma obra), apud (citado por, no caso de citação de autor que está na obra de outro autor) entre outros tipos de indicações abreviadas. Já as notas explicativas apresentam uma explicação acerca de determinado assunto que pode fugir do texto principal, mas que complementam aquele texto. São usados principalmente para explicar determinada ques- tão sem precisar utilizar parte do espaço para o texto do tema principal. Pode também indicar outras obras para consulta referente ao assunto tratado. Todas essas regras para citações fazem parte do proces- so de fazer referências das obras que são consultadas durante uma investigação, chamadas referências biblio- gráficas. As referências bibliográficas de um trabalho acadêmico derivam das obras consultadas e citadas ao longo do texto escrito. O documento que apresenta a norma para a formatação das referências bibliográfica é a NBR 6023 (ABNT, 2018), em que são apresentadas todas as especificações para cada tipo de obra. Ou seja, as referências bibliográficas irão ser apresen- tadas de acordo com o tipo de documento consultado e citado, em que cada um deles tem informações es- pecíficas que devem ser indicadas. Essa é uma parte 33 importante do trabalho acadêmico científico, pois ofere- cerá as informações sobre as obras para que os leitores possam consultá-las quando necessário. As referências, segundo a NBR 6023, são constituídas de elementos essenciais e de elementos complemen- tares. Os elementos essenciais são aqueles que são fundamentais para a identificação do documento, e estão “[...] estritamente vinculados ao suporte documen- tal e variam, portanto, conforme o tipo” de documento (ABNT, 2018, p. 4). Já os elementos complementares são informações que acrescentam outras característi- cas dos documentos. Em relação às regras gerais de apresentação das refe- rências, a NBR 6023 basicamente realiza as seguintes indicações: z Os elementos, tanto essenciais quanto complementa- res, devem ter uma ordem de apresentação padronizada dentro da referência de um documento; z Para documentos on-line apresenta-se o endereço eletrônico onde consultou-se aquele documento (Dis- ponível em:) e a data de acesso (Acesso em:), ao final da referência; z Em cada referência apresentada deve-se destacar algumas informações, dependendo do tipo de documento, com um tipo de recurso tipográfico (negrito, itálico ou 34 sublinhado) de forma padronizada, ou seja, se escolheu usar negrito deverá usá-lo em todas as referências; z Caso em alguma referência utilize um elemento complementar você terá que usar também em todas as referências um elemento complementar do documento; z Para cada tipo de documento existe uma forma de apresentar a sua referência. No tópico sete da NBR 6023 são apresentados diferen- tes modelos de referência para cada tipo de documento possível de citação no trabalho. É necessário se atentar aos detalhes de cada tipo e quais informações serão destacadas pelos recursos tipográficos. Assim, a for- matação das referências é um trabalho minucioso de extrema importância para realização de um trabalho escrito conciso. 35 Considerações finais 9 A ABNT normaliza a produção de trabalhos acadê- micos no Brasil, especificando a forma como são apre- sentadas as estruturas dos trabalhos. 9 Existem diferentes normas da ABNT para cada parte da estrutura de um trabalho, que são essenciais para a construção da escrita. 9 Em relação à estrutura do trabalho acadêmico cien- tífico, a NBR 14724 indica que ela é dividida em duas partes: a parte externa e a parte interna. 9 Existem elementos, dentro da divisão externa e in- terna, que são obrigatórios e outros que são opcionais. 9 Em relação aos aspectos da digitação do trabalho existem minuciosas formas de normalização da escrita. 9 O processo de citação e de construção da lista de referências bibliográfica é complexo, mas importante para a fidedignidade do trabalho científico. 36 Eventos científicos: seminário, simpósio, mesa-redonda, painel, comunicação oral, palestra A divulgação científica acontece de diferentes maneiras, por meio de defesa pública de dissertações e teses, de artigos científicos publicados em periódicos ou, principal- mente, por meio dos eventos científicos. Esses eventos são organizados pela própria comunidade acadêmica e são importantes para valorização e avanço do conheci- mento científico. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, 2016, p. 1) define evento científico da seguinte forma: “Evento Científicoé uma atividade que tem como objetivos: reunir especialistas e interessados em determinadas áreas do saber para discussão de temas que atendam a preocupações comuns, com vistas à atualização e ao progresso da pesqui- sa científica em uma área; divulgar resultados de pesquisa dos pesquisadores e colocá-la em debate com vistas a sua qualificação e validação no âmbito da comunidade científica; incentivar o desenvolvi- mento de campos de pesquisa ainda emergentes; e promover a formação de pesquisadores. 37 Dessa maneira, percebe-se a importância de diferen- tes investigadores, em diferentes níveis de pesquisa, participarem de eventos científicos, pois é um meio de contribuir com o avanço do conhecimento, mas também de conhecer e se atualizar sobre determinado assunto. Para isso, precisamos entender as definições e carac- terísticas de cada tipo de evento científico considerado pela CAPES. A CAPES (2016) apresenta 14 tipos de eventos científi- cos, são eles: congresso, simpósio, encontro, colóquio, workshop, reunião, seminário, painel, fórum, conferência, palestra e ciclo de palestras, jornada, feira ou mostra e escola. A seguir é apresentada a tabela com as defini- ções de cada um segundo CAPES: Tabela 1: Os tipos de eventos científicos. Congresso Reunião ou encontro de pesquisadores e/ou profis- sionais com interesse em pesquisa acadêmica com vistas à apresentação de resultados de pesquisa em andamento, de desenvolvimentos em uma dada linha de pesquisa ou estado da arte em um dado campo ou tópico de interesse. Pode incluir várias atividades, tais como mesas-redondas, conferên- cias, simpósios, palestras, comissões, painéis, mini- cursos, entre outras. 38 Simpósio Reunião de iniciativa de determinada comunidade científica em torno de um assunto específico com vistas a agregar resultados e considerações de modo a promover avanço no sentido de sua clari- ficação. Pesquisadores convidados apresentam suas considerações e/ou resultados sobre o tema, para debate amplo com um público com interesses comuns. Encontro Reunião de iniciativa de determinada comunidade científica na qual pesquisadores, docentes, estu- dantes de pós-graduação e de graduação ou outros profissionais têm a possibilidade de apresentar seus resultados de pesquisa e relatos de experiências em determinada área ou tema para colocá-los em debate, com vistas a qualificá-los e validá-los. Nos encontros também pode haver atividades, tais como mesas-redondas, conferências, palestras, painéis, minicursos, entre outras atividades de atualização e divulgação com vistas ao avanço da área, bem como debates sobre temas relevantes, atuais e polê- micos no âmbito da área. Colóquio Evento de menor porte do que um encontro, com vistas a intensificar o diálogo de pesquisadores, alunos e/ou profissionais em torno de um tópico ou questão específica, de modo a promover avanço no entendimento deste ou gerar questões a serem investigadas como continuidade. Workshop Reunião de pesquisadores e/ou técnicos que dão apoio à pesquisa, em torno do desenvolvimento de técnicas, metodologias ou práticas que sejam úteis à condução de pesquisa em determinado campo. O workshop pode ser conduzido por um pesquisador/ profissional ou sua condução pode ser compartilha- da em função de seus objetivos específicos. 39 Reunião Reunião de pesquisadores, podendo ser estendida a profissionais vinculados à atividade científica e aos alunos, para a apresentação e discussão de assun- tos pertinentes à atividade científica/acadêmica ou à gestão em ciência. Seminário Reunião de um grupo de estudos/pesquisa em torno de um tópico exposto oralmente por um ou mais dos participantes, usualmente relativo à pesquisa em andamento a ser discutida pelos participantes. Painel Exposição de visões, abordagens relativas a um tema por um pequeno número de especialistas. Usualmente, uma das atividades programadas em congressos. Fórum Tipo de reunião menos técnica cujo objetivo é envol- ver a efetiva participação de um público interessado para o tratamento de questões relevantes sobre de- senvolvimento científico, ações sociais em benefício de grupos específicos ou da humanidade em geral. Conferência Apresentação pública ou preleção sobre tema (assunto técnico, artístico, científico ou literário) de interesse de uma comunidade por parte de pesqui- sador/profissional/ especialista com notoriedade na área em que atua. Palestra e ciclo de palestras Sequência de apresentações públicas sobre deter- minado tema de interesse oriunda de iniciativas da parte de instituições científicas/educacionais ou profissionais para as quais a apresentação do produto da pesquisa acadêmica seja relevante, ou oriunda de redes de cooperação nacionais ou internacionais. Jornada Encontro curto (de um dia de duração), usualmen- te organizados por grupos de pesquisa, de âmbito regional ou local, para discutir assuntos de interesse do grupo. As conclusões podem definir linhas nor- teadoras para trabalho futuro. 40 Feira ou Mostra exposição pública de trabalhos, materiais e outros produtos decorrentes de atividade acadêmica (cien- tífica, literária, artística). Escola cursos monográficos intensivos ministrados por pesquisadores de notório saber em áreas relevantes Fonte: CAPES, 2016, p. 2-3. Adaptado. Existem também a mesa-redonda e a comunicação oral, as quais são formas de apresentação dentro de um evento científico. A mesa-redonda é um momento de discussão sobre determinado assunto, onde participam profissionais que podem apresentar sua opinião de ma- neira democrática acerca do assunto. Já a comunicação oral é o momento em que um investigador apresenta uma pesquisa que está em fase de desenvolvimento (parcial) ou uma investigação que já se encerrou, apre- sentando os resultados dela. Nessa comunicação existe também o momento de discussão e de problematização no grupo de investigadores. A CAPES (2016) possui dois critérios de avaliação des- ses eventos científicos. São eles: z Consolidação: é medida a partir da quantidade de versões de edição do evento. z Abrangência: é medida em cinco níveis – interna- cional, o qual abrange pesquisadores de diferentes países especialistas nas áreas do evento e abertura de chamada de trabalhos a nível internacional; nacio- nal, com os mesmos critérios do internacional, mas 41 no âmbito nacional; regional, que abarcam a região do evento, por exemplo, evento sobre a Amazônia, então deve abarcar investigadores na região; estadual, onde se considera a produção acadêmica do estado em que o evento acontece; e local, evento predominantemente voltado à comunidades científica da instituição onde está acontecendo. Dessa maneira, percebe-se que os eventos científicos podem ter diferentes níveis de abrangência, o que acar- reta um peso maior àqueles eventos que abrangem maior número de pessoas e investigações, como o nível nacional e internacional. Portanto, é importante você considerar, em seu processo de formação educacional, a participação em eventos cien- tíficos de diferentes níveis, pois neles pode-se conhecer a produção científica sobre o assunto de seu interesse. Além disso, você pode descobrir qual assunto gostaria de investigar ou estudar e ampliar seus conhecimentos sobre os temas discutidos no seu curso. 42 Considerações finais 9 A divulgação científica acontece de diferentes ma- neiras, principalmente por meio dos eventos científicos. 9 Os eventos são organizados pela própria comunida- de acadêmica e é importante para valorização e avanço do conhecimento científico. 9 A CAPES apresenta 14 tipos de eventos científicos, os quais apresentam definições e características dife- rentes entre si� 9 Os eventos científicos podem ter diferentes níveis de abrangência, o que acarreta um peso maior para aque- les eventos que abrangem maior número de pessoas e investigações. 9 É importante considerar a participação em eventos científicos dediferentes níveis, pois neles pode conhecer a produção científica sobre o assunto de seu interesse. 43 Referências Bibliográficas & Consultadas DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. São Paulo: Atlas, 2013. MARCONI, M.; LAKATOS, E. Fundamentos de Metodo- logia Científica. 9. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Como elaborar normas. 2023. Disponível em: https://www.abnt.org.br/normalizacao/participar-da- -elaboracao. Acesso em: 14 de junho de 2023. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10520: Informação e documentação – Ci- tações em documentos – Apresentação. 2002. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 12225: Informação e documentação – Lombada – Apresentação. 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 14724: informação e documentação – Tra- balhos acadêmicos – Apresentação. 2011. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6027: Informação e documentação – Su- mário – Apresentação. 2012a. https://www.abnt.org.br/normalizacao/participar-da-elaboracao https://www.abnt.org.br/normalizacao/participar-da-elaboracao 44 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6024: Informação e documentação – Nu- meração progressiva das seções de um documento – Apresentação. 2012b. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6023: Informação e documentação – Re- ferências – Elaboração. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6028: Informação e documentação – Resu- mo, resenha e recensão – Apresentação. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR – CAPES. Considerações sobre classificação de eventos� 2016. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/ centrais-de-conteudo/DOCUMENTO_CRITRIOS_EVEN- TOS__AREA_DE_ENSINO__46.pdf. Acesso em: 15 de junho de 2023. https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/DOCUMENTO_CRITRIOS_EVENTOS__AREA_DE_ENSINO__46.pdf https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/DOCUMENTO_CRITRIOS_EVENTOS__AREA_DE_ENSINO__46.pdf https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/DOCUMENTO_CRITRIOS_EVENTOS__AREA_DE_ENSINO__46.pdf Redação do trabalho científico: orientações metodológicas Considerações finais Apresentação das normas ABNT Apresentação gráfica geral do trabalho Aspectos da digitação do trabalho A técnica de indicação bibliográfica, citações e notas de rodapé Considerações finais Eventos científicos: seminário, simpósio, mesa-redonda, painel, comunicação oral, palestra Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas