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Nome: Raquel Lima Carvalho da Silva Matrícula: 201903256674 Disciplina: Direito Constitucional Avançado I Prova AV2 de Direito Constitucional Avançado I 1) Com base na Lei nº 9.868/99 (artigos 10 a 12), bem como na sistemática subjacente à ação direta de inconstitucionalidade, defina e justifique a natureza jurídica da medida liminar proferida em ação direta de inconstitucionalidade (Valor 1,5 pontos). R: A Medida Liminar emana do Poder Geral Cautelar do Judiciário e tem como garantia primordial de que o provimento jurisdicional posterior, independente de qual for, estará garantido e será plenamente executado a seu tempo. Art. 102, I, p, da CF. É procedimento de caráter excepcional, à vista da presunção de constitucionalidade dos atos normativos. É importante frisar, que a natureza jurídica da liminar concedida em controle concentrado, é de antecipação da tutela. Assim, de acordo com a jurisprudência do STF, a providência liminar em ADI é o de suspender, até que haja o julgamento da ação, a eficácia da norma atacada, fazendo ressurgir a disposição legal anteriormente existente. Insta salientar, que a medida cautelar terá eficácia vinculante, ou seja, valerá contra todos, o assunto julgado erga omnes, e terá efeito “ex nunc”, quando for concedida, pois não irá retroagir. No entanto, é importante ressaltar, que ocorre salvo se o Tribunal intencionar que se faz necessário conceder-lhe eficácia retroativa conforme disposto no art. 11, §1º da Lei 9.868/99. Assim, enquanto a decisão que concede a cautelar tem eficácia “erga omnes” e “ex nunc”, a decisão de mérito tem eficácia “ex tunc”, ou seja, ela retroage àquele período que não havia sido atingido pela cautelar. 2) Considerando as modalidades do controle de constitucionalidade presentes no ordenamento pátrio, esclareça a natureza do controle de constitucionalidade exercido em sede de ação direta de inconstitucionalidade interventiva. Tal modalidade de controle de constitucionalidade se perfaz em exceção no ordenamento jurídico pátrio? Explique fundamentadamente (Valor 1,5 pontos). R: A ação Direta de Inconstitucionalidade Interventiva tem como um de seus principais objetivos os direitos e garantias fundamentais. A Constituição Federal em seu artigo 18 menciona que a organização político- administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, o Distrito Federal, os Estados, e os Munícipios, todos como autônomos. Como regra geral, podemos entender que nenhum ente federativo deverá intervir em qualquer outro. Porém, insta salientar que a Constituição Federal traz algumas exceções à regra, o que estabelece de forma aparente situações em que haverá a intervenção. Assim, no artigo 34 da Constituição Federal existem algumas hipóteses elencadas em que, a União intervirá nos Estados, Distrito Federal, e no artigo 35 da Constituição Federal podemos ver as hipóteses nos Municípios localizados em Território Federal e http://www.normaslegais.com.br/legislacao/lei-9868-1999.htm ainda os Estados poderão intervir nos Municípios conforme hipótese do artigo 35 da CF/88. 3) No contexto do controle de constitucionalidade estadual, defina o conceito de normas constitucionais de reprodução obrigatória. Em tais hipóteses, acaso uma decisão proferida pelo Tribunal de Justiça local, em sede de Representação de Inconstitucionalidade, deixar de aplicar norma de reprodução obrigatória por parte do Estado-membro, será cabível a interposição de Recurso Extraordinário para fins de submissão da controvérsia constitucional estadual ao Supremo Tribunal Federal? Explique fundamentadamente (Valor 1,5 pontos). R: As normas de reprodução obrigatória são as de observância compulsória no que se refere ao texto constitucional estadual. De acordo com o artigo 25, caput, da Constituição Federal elas decorrem da subordinação aos princípios consagrados na Constituição da República. Será admissível recurso extraordinário para o STF contra decisão do TJ no controle abstrato sempre que a norma da Constituição Estadual escolhida para a declaração da inconstitucionalidade da norma estadual ou municipal impugnada for de reprodução obrigatória da Constituição Federal. A eficácia será erga omnes na decisão do STF deste recurso extraordinário. Insta salientar, que isso só é possível quando o dispositivo da Constituição Estadual eleito como referência de controle é uma norma de reprodução obrigatória da Constituição Federal. 4) Em sede de ação declaratória de constitucionalidade, o denominado estado de incerteza sobre a validade de lei ou ato normativo federal se afigura em pressuposto objetivo para a propositura da referida ação direta? Analise justificadamente (Valor 1,5 pontos). A doutrina e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal estão em consonância a respeito de que a ação declaratória de constitucionalidade. Assim, terá somente lugar e será justificada em caso de ocorrência de um estado de incerteza que ocorra em proporções grandiosas e no que se refere à legitimidade da norma. Conforme menciona a doutrina Comentários à constituição do Brasil de Celso Ribeiro. (BASTOS, Celso Ribeiro. Comentários à constituição do Brasil. Vol. 4, São Paulo: Saraiva, 1997, tomo III/152). Desta forma, e para efeito no aspecto de interesse objetivo de agir do autor da ação declaratória conforme exposto na CF, art. 103, § 4º, torna-se indispensável que exista anteriormente controvérsia que coloque em risco a presunção juris tantum de constitucionalidade. 5) Tendo como premissa a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, disserte, sinteticamente, sobre o fenômeno da “síndrome da inefetividade das normas constitucionais” (Valor 2,0 pontos). R: É através da Síndrome da Inefetividade das Normas Constitucionais que podemos compreender a ausência de regulamentação adequada de normas de eficácia limitada, que são aquelas que necessitam de produção normativa infraconstitucional, impossibilitando o exercício de direitos previstos na Constituição. A ação direta de inconstitucionalidade por omissão é ação de controle abstrato e concentrado, ela tem por objetivo garantir a irrefutabilidade normativa da Constituição. Ela pode ser apenas ajuizada pelas autoridades, órgãos e entidades que estão previstos no art. 103 da CF. Assim, de acordo com o art. 103, § 2º, da CF e 12-H da Lei 9868/99, tem efeito erga omnes e vinculantes a decisão da ADO, mas segue a lógica não concretista, compondo-se em mera ciência da mora legislativa no que se refere ao Poder competente para providências que sejam necessárias.