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Construção de Edifícios Unidade 3 Estruturas e Instalações de uma Edificação Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria RAFAELA FRANQUETO AUTORIA Rafaela Franqueto Olá. Sou formada em Engenharia Ambiental, com uma experiência técnico-profissional na área de meio ambiente, construção civil de mais de 7 anos. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Projetos de Incêndio e Instalações Gerais ........................................12 Projeto para instalação predial de água fria e quente, esgoto e água pluvial ...................................................................................................................... 12 Projeto para instalação predial de prevenção de incêndio .......... 14 Projeto de instalação elétrica e luminotécnica ...................................... 16 Instalações Hidráulicas e de Concreto ............................................. 22 Instalações água fria, água quente, esgoto e pluviais.........................................22 Instalações água fria ....................................................................................................................22 Instalação predial de água fria ..........................................................................22 Materiais empregados em tubulações de água fria .........................24 Instalações água quente ..........................................................................................................27 Instalação predial de água quente ................................................................27 Materiais empregados em tubulações de água quente ...............29 Instalações para esgoto ........................................................................................................... 30 Instalação predial de esgoto ............................................................................. 30 Materiais empregados para instalação predial de esgoto ...........33 Instalações para água pluvial .................................................................................................34 Instalação predial de água pluvial .................................................................34 Materiais empregados para instalação de água pluvial ................37 Instalações de Incêndio ........................................................................... 39 Instalação predial de combate a incêndio: conceitos .................... 39 Proteção contra incêndio ......................................................................................45 Instalação predial de combate a incêndio: terminologia ............. 48 Instalações Elétricas em Baixa Tensão e Luminotécnica ......... 50 Componentes de instalação elétrica residencial ............................... 50 Compatibilização do projeto de instalações elétricas com os projetos técnicos complementares ..............................................................55 Características de projetos luminotécnicos ............................................ 56 Normas de projetos luminotécnicos..............................................................62 9 UNIDADE 03 Construção de Edifícios 10 INTRODUÇÃO Você sabia que a área de engenharia é uma das mais importantes na indústria e será responsável pela geração de empregos nos próximos anos? Isso porque a missão de todo engenheiro é solucionar problemas que a sociedade o entrega, por meio dos seus projetos. Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo! Para apresentar projetos, o engenheiro precisa ter o conhecimento e o domínio correto das informações. Dessa forma, é por isso e para isso que estamos aqui hoje, não é mesmo? Precisamos conhecer os conceitos básicos das áreas em que vamos atuar, para que todo o nosso conhecimento seja projetado e implementado para a sociedade, garantindo principalmente conforto e segurança aos usuários daquele ambiente em que serão inseridos. Sendo assim, vamos mergulhar nesse mundo dos projetos! Construção de Edifícios 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Projetar instalações de água fria, água quente, esgoto e pluviais usados na obra e na prevenção contra incêndios. 2. Implantar instalações em concreto e instalações hidráulicas. 3. Implantar instalações hidráulicas de incêndio. 4. Projetar e implantar instalações elétricas em baixa tensão e de luminotécnica. Construção de Edifícios 12 Projetos de Incêndio e Instalações Gerais OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender que, para a elaboração de um projeto de instalações prediais, é necessária a contratação de responsáveis técnicos capacitados para a atividade, pois o projeto envolve cálculos especializados que só um profissional habilitado está capacitado a fazer, havendo garantia legal de sua responsabilidade civil perante o CREA, por meio da emissão de uma ART – Anotação de Responsabilidade Técnica. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Projeto para instalação predial de água fria e quente, esgoto e água pluvial Vale a pena ressaltar que os projetos hidráulicos devem estar integrados aos projetos estruturais e se forem identificadas interferências, elas devem ser reduzidas ao mínimo. A distribuição de pontos de água, gás e esgoto em projetos de edificações requer conhecimentos prévios e critérios específicos para cada um desses itens. Faz-se necessário conhecer as fontes de gás e de aquecimento para que se possa escolher a mais adequada de acordo com os requisitos do projeto. Também deve-se ter a capacidade de identificar os pontos de instalação dos misturadores de água quente e fria e, ainda, saber reconhecer os espaços mais adequados para a implementação dos sistemas de água. A NBR 5626/98 (ABNT, 1998) reporta sobre o que compreende o projeto das instalações prediais de água fria, ou seja, inclusão de memorial descritivo e justificativo, cálculos, norma de execução, especificações dos materiais e equipamentos a serem utilizados, e a todas as plantas, esquemas hidráulicos, desenhos isométricos e outros além dos detalhes que se fizerem necessários ao perfeito entendimento dos elementos projetados. Construção de Edifícios 13 Não observar as normas pertinentesde cabelos etc.) e as tomadas de uso específico (TUE), com capacidade de 20 A (uso em chuveiro, lavadora de louças, torneira elétrica, geladeira, ar-condicionado, bomba da piscina, aparelho da sauna, motor de portões automáticos, geladeira etc.) para uso residencial ou comercial. Com relação aos pontos de iluminação, eles são os locais onde são instaladas as lâmpadas. Para instalação das lâmpadas, é necessária a utilização de um receptáculo, que é um adaptador para ligação delas. DEFINIÇÃO: Os receptáculos são popularmente conhecidos como “bocais”, sendo o modelo E27 o mais utilizado em instalações elétricas residenciais. Construção de Edifícios 52 Os condutores elétricos são utilizados para conduzir a corrente elétrica do ponto de alimentação até o componente a ser energizado. Esse componente pode ser fabricado em cobre e alumínio, ou seja, materiais condutores; sendo que o cobre é ainda mais utilizado devido a sua alta capacidade de condução de corrente elétrica. Importante ressaltar que fios e cabos são os exemplos mais comuns de condutores nas instalações elétricas. Entretanto, existe uma diferença fundamental entre eles, que é a flexibilidade. Os fios são próprios para instalações que não exijam dobras ou curvas, visto que são formados por um único fio de cobre de seção maior isolado com PVC, conferindo maior rigidez. Já os cabos são componentes ideais para instalações em que haja curvas, pois apresentam maior flexibilidade do que os fios. IMPORTANTE: A NBR 5410/2004 cita outras formas de isolação dos condutores elétricos, entretanto, eles devem ser isolados com policloreto de vinila (PVC). O PVC possui building wire flame (BWF), que é a proteção do condutor contra a propagação de chamas. Ainda, os condutores têm cores padronizadas pela NBR 4410/2004: azul-claro para condutor neutro e verde-amarela ou verde para condutor de proteção (PE). Condutores de fase e de comando não têm cores normalizadas, mas usualmente são empregados vermelho para primeira fase, e amarelo, preto ou branco para segunda fase ou comando de iluminação. Outra ressaltava para os condutores elétricos é em relação à qualidade. A qualidade é um dos fatores determinantes na hora da escolha dos condutores, visto que condutores de segunda categoria são mais baratos e devem ser evitados. Condutores de segunda categoria são confeccionados com a reutilização de fios e até mesmo do material isolante, o que pode ocasionar rachaduras pelo aquecimento do sistema, produzindo choques, curtos-circuitos e perigos de incêndio. Construção de Edifícios 53 Já os eletrodutos são condutos, podendo ser aparentes ou embutidos, destinados exclusivamente a conter ou abrigar os condutores elétricos. Os eletrodutos auxiliam as ligações entre todos os pontos de eletricidade e os quadros de luz. Esses componentes têm a função de proteger os condutores contra ações mecânicas e contra corrosão. Outra importante função é proteger a edificação contra perigos de incêndio, resultantes do superaquecimento dos condutores, por exemplo. As caixas são consideradas acessórios. Esses componentes têm várias funções: atuar de base para fixação de luminárias e/ou dispositivos de comando; enfiação, emendas e derivação de eletrodutos, além de possibilitar o acesso à fiação e manutenção das instalações elétricas. Por fim, há os dispositivos de proteção. Esses componentes são inseridos nos circuitos elétricos com o objetivo de interromper a circulação da corrente em caso de alguma anomalia. Para cada tipo de defeito, existe um dispositivo de proteção adequado. VOCÊ SABIA? Os defeitos mais comuns em instalações elétricas residenciais são: curto-circuito, sobrecarga, sobretensão e fugas de corrente. Alguns dispositivos de proteção que podem ser citados são: DTM, DPS, DR. O DTM é um dispositivo eletromecânico que protege os condutores elétricos e equipamentos ligados a sua jusante contracorrentes de sobrecargas ou correntes de curto-circuito; além de garantir a manobra do circuito elétrico para realização de uma eventual manutenção. Já o DPS tem como objetivo a proteção dos equipamentos elétricos contra surtos de tensão, como exemplo é o caso de raios. O DPS geralmente é instalado nos quadros de distribuição, sendo necessário um DPS para cada fase e um para o neutro, mas existem modelos que podem ser conectados localmente direto nos equipamentos. Construção de Edifícios 54 Por fim, O DR é o dispositivo que assegura a proteção de pessoas e animais em choques elétricos por contato indireto que acontecerem com fluxo de corrente para terra. O DR deve ser instalado no quadro de distribuição e proteger todos os ambientes úmidos da casa, como: cozinhas, banheiros, áreas de serviço. Na figura 7, é apresentado um exemplo de quadro de distribuição, em que estão instalados os três dispositivos de proteção. Figura 7 - Quadro de distribuição completo com os dispositivos de proteção Fonte: Adaptada de Clamper (2017). EXEMPLO: Se uma criança colocar seu dedinho ou qualquer objeto numa tomada, que tenha no sistema o dispositivo DR, o próprio dispositivo, de atuação imediata, interrompe a corrente assim que identifica anomalias, evitando choques. Enfim, para realizar um projeto elétrico de baixa tensão, é necessário definir a quantidade de pontos de iluminação, de tomadas de corrente e dispositivos de proteção, distribuir esses elementos pela planta baixa da residência. Construção de Edifícios 55 Compatibilização do projeto de instalações elétricas com os projetos técnicos complementares Durante o desenvolvimento de um projeto, é preciso considerar que os projetos de instalações elétricas precisam respeitar a legislação vigente e as recomendações técnicas. Outra consideração é compatibilizar o projeto elétrico com outros projetos técnicos complementares. A compatibilização identifica e corrige possíveis interferências entre os diferentes projetos, a fim de que, quando iniciado o processo de execução, não ocorram erros que gerem retrabalho, atrasos e desperdício de materiais. A compatibilização deve ser realizada tanto em projetos desenvolvidos em 2D quanto em modelos 3D, como os desenvolvidos em BIM, por exemplo. Em projetos bidimensionais, a compatibilização acontece por meio de sobreposição de plantas; já no caso de modelos 3D, as interferências são detectadas visualmente. BIM é uma sigla que vem do termo em inglês building information modelling. Em português significa “modelo de informação da construção”. O uso do BIM é importante para a virtualização do projeto, sendo possível identificar e corrigir possíveis erros e interferências, facilitando, assim, a compatibilização entre as disciplinas de um projeto de edificação. No contexto da compatibilização, uma solução possível para a passagem das tubulações de instalações elétricas é o uso de shafts (figura 8). Figura 8 - Exemplo de shaft para passagem de instalações elétricas Fonte: Comunidade da construção (2021). Construção de Edifícios 56 Shafts são dutos verticais destinados à passagem de tubulações e seu uso evita a quebra de alvenaria para passagem dos referidos tubos, conflitos com outras instalações, como conexões hidráulicas. Também facilitam a realização de futuras manutenções. REFLITA: A compatibilização dos projetos pode contribuir para que a obra seja entregue com qualidade, no tempo previsto e, o mais importante, satisfazendo as expectativas do cliente. Por fim, sem a realização da compatibilização entre as etapas do projeto, as interferências serão identificadas somente durante a execução, o que gerará retrabalho, atrasos e desperdício de materiais, entre outros inconvenientes. Características de projetos luminotécnicos A iluminação adequada, em qualquer espaço, possibilita a visualização correta do ambiente, de maneira a proporcionar que os usuários usufruam do local com segurança ao se movereme executarem as suas tarefas de maneira precisa, sem desconforto. A iluminação nos ambientes construtivos pode ser natural, artificial ou as duas juntas. Para que sejam elaborados de forma adequada, projetos luminotécnicos devem utilizar sistemas de iluminação (natural ou artificial) que busquem a harmonização da luminosidade, eficiência energética, decoração e escolhas do cliente. A iluminação natural e a artificial precisam ser projetadas em conjunto. Essa importância é porque ambas contribuem para o bem-estar dos indivíduos e, por isso, a realização de projetos luminotécnicos tornou-se essencial. Na figura 9, é mostrado um exemplo de uma cozinha com o uso em conjunto da iluminação natural e artificial. É fácil perceber que quando a iluminação não é projetada por meio de uma avaliação inicial do espaço, sem considerar as preferências dos clientes, ela pode provocar mal-estar, fadiga visual, dor de cabeça nos usuários, entre outros problemas. Por isso, a importância de elaborar os projetos nessa área. Construção de Edifícios 57 Figura 9 - Utilização de iluminação natural e artificial em conjunto Fonte: Pexels Em geral, a iluminação artificial tem base na iluminação natural, visto que o processo vital dos seres humanos é fortemente dependente da luz solar. Dessa forma, quanto mais a iluminação imitar o comportamento da luz natural em ambientes, mais fácil e muito mais confortável será a adaptação do ser humano a esse ambiente. Outra grande importância do projeto é em relação à economia da edificação. Essa importância é decorrente do que os clientes buscam, ou seja, priorizar um projeto energeticamente econômico no desenvolvimento de um projeto luminotécnico. Alguns dos fatores que podem contribuir para a economia de energia elétrica são: produção de luz, aspectos óticos das luminárias, controles, contexto de projeto, normas de projeto e desempenho ao longo da vida útil. Os projetos de iluminação de ambientes residenciais fazem parte de um projeto maior, que é o de interiores. Como o projeto luminotécnico residencial é voltado para residências e moradias, como casas e apartamentos, ele pode ser resumido em: • Escolha da lâmpada e da luminária mais adequadas. • Cálculo da quantidade de luminárias. Construção de Edifícios 58 • Disposição das luminárias no recinto. • Cálculo de viabilidade econômica. Com os itens descritos anteriormente, é possível realizar uma análise de espaços residenciais, com o objetivo de identificar as melhores soluções de iluminação para aquele ambiente. REFLITA: Um projeto bem elaborado e executado será um dos diferenciais de um projeto de interiores, já que os tipos de iluminação e lâmpadas utilizadas acarretam mudanças significativas. É importante frisar que uma boa iluminação se refere tanto à qualidade quanto à quantidade de iluminação. Dessa forma, a quantidade de luz que será aplicada em um ambiente precisa ser proporcional à dedicação e à qualidade. Para ambientes como sala de estar, o uso de arandelas de parede, abajures e spots embutidos ajuda a descentralizar e compartimentar os pontos da sala, visto que esse ambiente costuma ser o centro de reuniões familiares e servir para diversas atividades. Desse modo, uma iluminação versátil é a mais adequada. Já em sala de jantar, o que mais importa é a iluminação da mesa e, portanto, recomenda-se o uso de lustre. Nos quartos, por se tratar de ambiente de descanso, a iluminação precisa ser branda, para proporcionar o relaxamento da pessoa e induzir ao sono. Nesse sentido, tons amarelos são indicados, assim como o uso de luminárias pendentes e uma iluminação uniforme. Nos banheiros, é preciso aproximar a iluminação da luz natural, já que esse cômodo é utilizado para atividades de higiene; assim, exige-se o máximo de cuidados com as sombras. Como a cozinha é a área de intensa atividade, o ambiente exige uma iluminação forte e branca para que se possa ter melhor visualização no manuseio de alimentos e utensílios para alimentos, por segurança. Construção de Edifícios 59 REFLITA: Em ambientes residenciais, é necessário adaptar a iluminação para cada tipo de ambiente e para as atividades que serão desenvolvidas neles, de modo que seja eficiente. Ainda, em projeto luminotécnico residencial, é preciso considerar o perfil dos usuários da residência, a expectativa e hábitos dos usuários, a integração com todos os projetos restantes e a integração estética. A integração estética deve integrar conforto, beleza e performance; por isso, é importante identificar os elementos da arquitetura, de interiores do espaço e os móveis a fim de construir uma solução adequada. As lâmpadas e luminárias, como verificamos anteriormente, são elementos fundamentais nos projetos luminotécnicos. Dessa forma, são equipamentos responsáveis por mostrar os espaços, fornecendo-lhes vida e dinamismo A escolha desses itens é considerada uma das etapas mais importantes em um projeto, já que são esses equipamentos que serão os responsáveis por mostrar o espaço aos usuários. A primeira lâmpada elétrica funcional foi criada no ano de 1810 por Humphrey Davy, mas foi na década de 1880 que as lâmpadas incandescentes se tornaram comercialmente viáveis (TREGENZA; LOE, 2015). VOCÊ SABIA? Na metade do século XX, surgiram as primeiras lâmpadas de descarga destinadas ao mercado de consumo. Essas lâmpadas assumiram uma popularidade muito grande, na forma das lâmpadas fluorescentes tubulares e, no início do século XXI, na forma de lâmpadas fluorescentes compactas. No início do século XXI, começou a popularização de um terceiro tipo de lâmpada: os LEDs, devido ao seu baixo consumo elétrico. Na figura 10, é apresentado três tipos de lâmpadas utilizadas nas residências: incandescente, fluorescente e LED. Construção de Edifícios 60 Figura 10 - Lâmpadas utilizadas em residências: incandescente (a), fluorescente - lâmpadas de descarga (b) e LED (c) Fonte: Adaptado de Almeida (2015). As lâmpadas incandescentes têm seu funcionamento relativamente simples. Elas apresentam um filamento metálico no interior do bulbo transparente que é aquecido por uma corrente elétrica até o ponto de se tornar incandescente. Para evitar que o filamento derreta com a alta temperatura, utiliza-se o tungstênio (material com ponto de fusão elevado). Lâmpadas incandescentes, em condições normais, emitem luz a uma temperatura relativamente baixa, de 2.800 K, gerando aquela luz mais amarelada. As lâmpadas de descarga (exemplo: lâmpada fluorescente compacta com eletrodos em sua base) apresentam seu funcionamento bem diferente das lâmpadas incandescentes. No lugar de aquecer um filamento até que ele fique incandescente, nas lâmpadas de descarga, é o gás existente dentro de tubos que emite a luz. Nesse caso, para produzir a luminosidade, as lâmpadas contam com eletrodos nas extremidades dos tubos que, com a aplicação de alta voltagem, ionizam o gás, gerando a luz. Por fim, lâmpadas de LED são as que têm tecnologia mais avançada entre as atualmente disponíveis. Para esse tipo de lâmpada, no lugar de aquecer um filamento ou ativar um gás, a luz é feita pela ativação de um material sólido (chip de LED). Com relação às luminárias, elas são os dispositivos que ligam as lâmpadas ao espaço construído. As luminárias servem como suporte para as lâmpadas (incandescentes, de descarga ou de LED). Construção de Edifícios 61 REFLITA: O corpo humano é regulado por um ciclo hormonal que dura aproximadamente 24 horas. Ao longo do dia, hormônios são liberados de acordo com uma série de fatores. A luz tem a capacidade de regular o horário do sistema circadiano humano ao incidir na retina e informar o tempo e o dia para o relógio do cérebro. Nesse sentido, o uso de iluminação artificial de maneira inadequada pode prejudicar o ciclo hormonal do corpo humano (BARBOSA, 2010). No mercado, há diferentespara combate a incêndio, Rio de Janeiro, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410:2004. Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO/CIE 8995-1: Iluminação de ambientes de trabalho: parte 1: interior. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-1: Edificações habitacionais: desempenho: parte 1: requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ALMEIDA, C. Qual a diferença entre lâmpada: incandescente, fluorescente e led? [S.l], 2015. Disponível em: https://bit.ly/3BH2HfZ. Acesso em: 26 jul. 2021. Construção de Edifícios 66 BARBOSA, C. V. T. Percepc ̧ão da iluminac ̧ão no espac ̧o da arquitetura: preferências humanas em ambientes de trabalho. 2010. 238 p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) — Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: https://bit.ly/2VgNB1s. Acesso em: 26 jul. 2021. BORGES, R. S.; BORGES, W. L. Instalações prediais hidráulico- sanitárias e de gás. 4ª.[S.l] Ed.Pini, 1992. BRENTANO, Telmo. Instalações hidráulicas de combate a incêndios nas edificações. 4. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2011. CLAMPER. Clamper VCL Slim. [S.l], 2017. Disponível em: https://bit.ly/3zHLjap. Acesso em: 25 jul. 2021. CREDER, H. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. 6a.ed. [S.l]: Ed.LTC, 1996. CREDER, H.; COSTA, L. S. Instalações elétricas. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. 494 p. GOTO, H. Instalações hidrossanitárias. Brasília: NT Editora, 2017. SILVA, M. L. Iluminação: simplificando o projeto. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2014. TREGENZA, P.; LOE, D. Projeto de iluminação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. TIGRE. Manual técnico Tigre: orientações técnicas sobre instalações hidráulicas prediais. 5. edição. Joinville: TIGRE S. A., 2013. Construção de Edifícios _Hlk78496525 _Hlk78497359 _Hlk78497604 _Hlk78497480 _Hlk78471440 _Hlk78471455 _Hlk78471726 _Hlk78471503 _Hlk78471794 _Hlk78493607 _Hlk78472187 _Hlk78494280 _Hlk78493741 _Hlk78493668 _Hlk77530757 _Hlk78494625 _Hlk78498724 _Hlk78494833 _Hlk78495146 _Hlk78495116 _Hlk77531885 _Hlk78498254 _Hlk78498393 _Hlk78498403 _Hlk78498327 _Hlk78498310 _Hlk78498456 _Hlk78495706 _Hlk78495780 _Hlk78495754 _Hlk78495803 _Hlk78496002 _Hlk78495941 _Hlk78496089 _Hlk78496311 _Hlk77696534 _Hlk78496632 _Hlk78496684 _Hlk78496670 _Hlk78496851 _Hlk78497064 _Hlk78497217 _Hlk78497195 _Hlk77618216 _Hlk77618226 _Hlk78497395 _Hlk78497705 _Hlk78497933 _Hlk78497912 _Hlk78498100 _Hlk78498077 _Hlk78498155 Especificações dos projetos e legendas Projeto para instalação predial de água fria e quente, esgoto e água pluvial Projeto para instalação predial de prevenção de incêndio Projeto de instalação elétrica e luminotécnica Armadura para concreto Instalações água fria, água quente, esgoto e pluviais Instalações água fria Instalação predial de água fria Materiais empregados em tubulações de água fria Instalações água quente Instalação predial de água quente Materiais empregados em tubulações de água quente Instalações para esgoto Instalação predial de esgoto Materiais empregados para instalação predial de esgoto Instalações para água pluvial Instalação predial de água pluvial Materiais empregados para instalação de água pluvial Instalações incêndio Instalação predial de combate a incêndio: conceitos Proteção contra incêndio Instalação predial de combate a incêndio: terminologia Instalações elétricas em baixa tensão e luminotécnica Componentes de instalação elétrica residencial Compatibilização do projeto de instalações elétricas com os projetos técnicos complementares Características de projetos luminotécnicos Normas de projetos luminotécnicosà instalação de água fria, assim como possíveis deficiências no material utilizado na fabricação da tubulação, pode comprometer a qualidade da obra e ocasionar problemas construtivos. Ressalta-se que uma possível negligencia dos responsáveis pelos projetos e pelas construções aliado às características citadas anteriormente também podem produzir problemas. Já para projetos de instalação predial de água quente, é preciso considerar o uso dessa água. Essa importância é devido ao fato da diferença de temperatura entre os usos da água. Quando se trabalha em conjunto com projeto de instalação de água fria e quente, pode-se empregar os misturadores de água. DEFINIÇÃO: Os misturadores de água são dispositivos de controle de fluxo. Normalmente, os misturadores de água são confeccionados em bronze, ferro fundido, latão e PVC, de modo a satisfazer as especificações das normas vigentes. A localização dos pontos de instalação dos misturadores de água deve considerar sua utilização por todos os usuários, bem como algumas normas específicas, como: NBR 11815, NBR 14390, NBR 11535, NBR 15267. Para projetos de esgotamento sanitário, deve-se utilizar a simbologia apresentada pela ABNT NBR 8160/1999, indicando, em legenda, todos os componentes utilizados em projeto. A referida Norma apresenta a simbologia que deve ser utilizada no desenvolvimento dos projetos de esgoto sanitário. É importante ressaltar que projetos de água pluvial são sempre executados em conjunto com os demais, uma vez que podem ser considerados complementos das outras execuções. Ainda, eles precisam ser projetados e executados separadamente, ou seja, as diferentes águas não podem se encontrar no dimensionamento. Construção de Edifícios 14 Projeto para instalação predial de prevenção de incêndio A instalação predial de combate a incêndio pode ser classificada nos seguintes sistemas: sistemas móveis: extintores; sistemas fixos; sob comando: hidrantes e mangotinhos; automáticos: chuveiros automáticos (sprinklers); detectores de incêndio. Dessa forma, os projetos precisam apresentar algum desses sistemas. Os hidrantes são as tubulações utilizadas para captar a água para uso do corpo de bombeiros em caso de incêndio, principalmente. Ainda, os hidrantes são considerados pontos de tomada de água onde existem saídas que contêm válvulas com adaptadores, tampões, mangueiras e outros acessórios. Na figura 1, é mostrado um exemplo de hidrante. Figura 1- Exemplo de hidrante na rua Fonte: Pexels Com relação ao sistema de hidrantes, ele é do tipo sistema sob comando. Essa descrição é devido ao fato dele depender da ação do homem para entrar em funcionamento. O sistema é constituído por redes de tubulações fixas que, quando entram em funcionamento, transportam água até o ponto onde o incêndio precisa ser extinguido; além de reservatório; bombas de recalque, quando o reservatório for superior, e bomba jockey a fim de manter todo o sistema com pressão adequada; o próprio hidrante e os mangotinhos. Construção de Edifícios 15 DEFINIÇÃO: Os mangotinhos são as mangueiras (semirrígidas) constituídas de borracha reforçada, muito resistentes a pressão elevada e que não deformam quando são enrolados. O comprimento das mangueiras utilizados nos projetos é de 30 metros para hidrantes no interior de uma edificação e de 60 metros para a área externa. Geralmente, as mangueiras nas caixas de incêndio são de 15 m. Caso exista a necessidade de junção das mangueiras, o acoplamento é realizado pela união de rosca macho-fêmea ou de engate rápido. Outro sistema que pode ser empregado nos projetos é o de chuveiros automáticos. Esse sistema se refere a um sistema do tipo hidráulico fixo de combate a incêndio, constituídos por chuveiros (sprinklers), tipicamente, distribuídos por toda a área da edificação. De modo geral, o sistema consiste na distribuição da tubulação contíguo a uma central, da qual saem ramificações e estão instalados os sprinklers, variando de acordo com o dimensionamento adotado em projeto. É importante ressaltar e adicionar em projeto que, caso um sprinkler não seja suficiente para extinguir o fogo, o ar proveniente do fogo se espalha junto ao teto, atingindo os demais sprinklers, de modo a acioná- los. Portanto, assim os demais sprinklers são acionados até que toda a área atingida pelo fogo seja coberta pela aspersão de água. Os detectores de incêndios são dispositivos que entram em funcionamento quando há qualquer sinal de fogo. Esses detectores podem ser: automático, térmico, de fumaça, gás e de chamas. Detectores automáticos são projetados nas edificações onde há dificuldade de se identificar um princípio de incêndio ou em locais onde existem muitas pessoas envolvidas, como escolas, hospitais, entre outros. Construção de Edifícios 16 IMPORTANTE: Geralmente, o detector automático é projetado no teto da edificação, onde a concentração de ar quente é mais elevada. Os detectores térmicos são os dispositivos projetados para entrarem em acionamento quando há um aumento de temperatura acima do normal e, assim como os automáticos, são instalados no teto da edificação. Os detectores de fumaça, por sua vez, acusam a presença de fuligem (partículas) que pode aparecer no início de um incêndio. Os detectores de gás têm o mesmo princípio dos de fumaça, contudo os primeiros acusam a presença de gás e são muito utilizados nos projetos de prevenção contra incêndio. Por fim, os detectores de chama reagem aos raios ultravioletas e infravermelhos, devendo ser instalados em locais onde as chamas são a primeira consequência do fogo. Projeto de instalação elétrica e luminotécnica As instalações elétricas prediais são responsáveis por levar energia às edificações; juntamente dos projetos de telecomunicações e automação, elas propiciam funcionalidade, conforto e segurança. Entretanto, para serem eficazes, elas devem ser executadas de forma a prover o fornecimento adequado, suficiente e seguro de eletricidade. Para que isso ocorra, o desenvolvimento do projeto deve considerar as legislações e normas vigentes, bem como as recomendações de concessionárias e outros agentes reguladores. As instalações elétricas residenciais são compostas por diversos elementos. Essa composição vai desde condutores básicos até dispositivos de automação, quando necessário. O conhecimento dos elementos e de sua forma correta de utilização é necessário aos projetistas para garantir instalações confortáveis e seguras a seus usuários. Construção de Edifícios 17 Dessa forma, assim como os demais projetos, as instalações elétricas são regulamentadas por normas. DEFINIÇÃO: O projeto elétrico se refere à antecipação da instalação. Desse modo, é necessário que conste todos os detalhes no projeto, de maneira a destacar a localização dos pontos de utilização da energia elétrica (tomadas e lâmpadas), comandos das lâmpadas, caminho dos condutores, divisão da instalação em circuitos, a seção nominal dos condutores, a carga de cada circuito, a carga total, entre outros (CREDER; COSTA, 2016). Os projetos de instalações elétricas de uma residência precisam ser executados conforme as normas técnicas da ABNT e as normas das concessionárias locais. Além disso, existem alguns passos a serem seguidos para evitar um projeto confuso e sem as devidas informações técnicas necessárias. Na figura 2, é apresentado um exemplo de projeto elétrico com todos os detalhes citados. Figura 2 - Exemplo de parte do projeto de instalação de uma residência Fonte: Creder e Costa (2016, p. 86). Construção de Edifícios 18 Um projeto bem elaborado deve ser executado com precisão, de forma que permita fácil operação e fácil manutenção. O tempo gasto para elaborar um projeto não é tempo perdido, pois, durante o projeto, é possível já antecipar possíveis problemas, que se fossem detectados na execução, implicariam atrasosna obra e incremento nos gastos financeiros. IMPORTANTE: Mesmo uma instalação de pequena importância deve ser precedida de um projeto, croqui ou desenho para que seja executada com segurança e de forma correta. Para a execução de um projeto de instalações elétricas, são necessários quatro requisitos: memorial descritivo e de cálculo; conjunto de plantas, esquemas e detalhes; características técnicas do material a ser usado e as normas aplicáveis e, por fim, orçamento. Os memoriais são as partes escritas do projeto. Em geral, têm como objetivo registrar a forma como os cálculos foram executados e explicar as soluções técnicas adotadas. O memorial descritivo busca apresentar uma exposição dos materiais utilizados, das etapas do projeto, além de indicar o correto uso dos equipamentos e componentes, bem como a forma como serão implementadas as soluções técnicas. Já o memorial de cálculo é o documento que apresenta todos os cálculos de dimensionamento de condutores, disjuntores, eletrodutos e demais materiais elétricos. No memorial de cálculo, é definido o tipo de entrada de energia elétrica, o que envolve desde a entrada de fornecimento da concessionária de energia até a colocação dos cabos que alimentarão os quadros de distribuição dentro da obra. Uma das normas utilizadas é a NBR 5410/2004. Na NBR, são recomendados os seguintes dimensionamentos básicos: previsão de cargas, demanda provável, dimensionamento dos condutores, dimensionamento de eletrodutos e dimensionamento de dispositivos de proteção que compõem o quadro de distribuição da residência (ABNT, 2004). Construção de Edifícios 19 DEFINIÇÃO: Quadro de distribuição é onde se reúnem os circuitos de uma residência. Sua função é receber a energia elétrica que vem do padrão de entrada e dividi-la em circuitos elétricos independentes. A parte gráfica do projeto elétrico é constituída por um conjunto de desenhos técnicos, podendo ser apenas a planta geral da instalação, como também desenhos de detalhes e diagramas. A planta geral da instalação elétrica contém plantas da obra, que já apresentam os traços das paredes, janelas, portas. Nessa planta, são desenhados os trajetos dos eletrodutos, pontos de luz, localização correta dos quadros, dos interruptores, das tomadas e de todos os equipamentos a serem instalados, conforme apresentado na figura 2. Com relação ao projeto de luminotécnica, o foco é a iluminação. A iluminação é um elemento presente na vida dos seres humanos desde muito tempo. Atualmente, é considerado um item de suma importância nos projetos arquitetônicos. VOCÊ SABIA? Antigamente, o projeto luminotécnico era a última etapa dentro de um projeto arquitetônico. Antes, era praticada a ideia de conceber o layout da obra como um todo e, por último, pensava-se em como aplicar a iluminação. A necessidade humana e o destaque da luz foram importantes propulsores para a ciência e a indústria desenvolverem uma infinidade de lâmpadas e luminárias, cada qual com suas distintas características, que são descritas nos projetos luminotécnicos. Os projetos luminotécnicos contribuem para acentuar a expressão dos ambientes por meio da luz. A partir desse projeto, é possível assegurar as condições de saúde e conforto dos espaços e destacar os móveis, a decoração e/ou os produtos de uma loja. Construção de Edifícios 20 Em geral, o objetivo principal de um projeto luminotécnico é iluminar. Para isso, a viabilização de um sistema de iluminação depende de algumas variáveis e quesitos, como a funcionalidade, segurança, iluminação adequada, estética, imitação da natureza e a economia. Quando se fala em funcionalidade em projeto luminotécnico, isso significa deixar o ambiente/espaço otimizado para que as atividades desenvolvidas nele sejam eficazes e confortáveis. DEFINIÇÃO: Projeto luminotécnico se refere ao conjunto de muitas variáveis e fatores que irão influenciar na iluminação de um ambiente. No projeto, são evidenciados aspectos técnicos, como os cálculos ou quantidade de luz, além do gosto do usuário, no caso, os clientes (SILVA, 2014). Nesse sentido, funcionalidade e estética se correlacionam, visto que as duas são dependentes e podem oscilar entre mais e menos de acordo com a ambientação. Muitas vezes, nos projetos, a estética é determinada por funções espaciais da luz, como: • O destaque, relacionando a uma área pode ser isolado por meio de um jogo de contraste luminoso tanto para mais quanto para menos. • A separação, ou seja, o uso da luz pode favorecer a separação de ambientes e fazer a comunicação entre eles de maneiras distintas. • A conexão, deixando ambientes separados fisicamente para que possam se comunicar por meio da distribuição luminosa. • A hierarquia, isto é, por meio de orientação luminosa, que pode alterar a percepção de longo e curto, pode-se definir uma hierarquia espacial. • A luz e o movimento, ou seja, movimentos e ritmos em um ambiente podem ser definidos por sistemas luminosos, ao passo que paradas e locais de contemplação podem ser criados. Construção de Edifícios 21 Dessa forma, é fácil perceber que os projetos de iluminação são uma mescla de razão e emoção, trazendo novas maneiras de leituras de um ambiente. Entretanto, existe uma dificuldade em se tomar decisões em um projeto luminotécnico pelo fato dele ser influenciado por diferentes fatores, sendo o uso de iluminação natural ou artificial um dos maiores influentes. O uso da iluminação inadequada pode mudar um espaço, de maneira a ajudar ou prejudicar, até mesmo, uma decoração específica. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Aprendemos bastante coisa neste capítulo. Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo, vamos resumir tudo o que vimos. Neste capítulo, aprendemos de uma forma geral a composição de projetos de instalação de água fria, quente e pluvial, assim como compreendemos que o projeto de água pluvial precisa considerar os demais, mas precisa ser elaborado e executado separadamente para evitar contaminação das águas. Você deve ter aprendido que todo projeto precisa seguir normas específicas. A importância dessas normas faz com que os projetos se tornem externos, ou seja, todo profissional que tenha o conhecimento da norma pode interpretar aquele projeto sem que ocorra erros. Aí se verifica a correta elaboração, pois o projeto tem a função de prever algumas intempéries que possam ocorrer naquele ambiente, assim como proporcionar ao usuário daquela edificação que está sendo projetada qualidade de vida e principalmente segurança, de modo a evitar, assim, problemas. Construção de Edifícios 22 Instalações Hidráulicas e de Concreto Instalações água fria, água quente, esgoto e pluviais OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender que as instalações de água têm como objetivo realizar a distribuição da água em quantidade suficiente aos usuários. Você vai aprender os principais componentes de um sistema de instalação predial de água fria e quente. Conhecerá ainda a importância de planejar um sistema de coleta para esgoto e águas pluviais, denotando a importância de separar esses dois sistemas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Instalações água fria Instalação predial de água fria A instalação predial de água fria é regida pela NBR 5626/98 (ABNT, 1998). O sistema de instalação de água fria é composto por tubos, reservatórios, peças de utilização, equipamentos e outros componentes. Esse sistema é destinado a conduzir água fria da fonte de abastecimento aos pontos de utilização. Água fria é a água à temperatura dada pelas condições do ambiente, fornecida pela rede de abastecimento local. Seu uso é para alimentação e higiene das pessoas. Já a água potável é a água que atende ao padrão de potabilidade determinado pela Portarianº 36 do Ministério da Saúde. A instalação predial de água fria tem seu início com o abastecimento da rede pública. Após a chegada da água, ela passa pela caixa de registro (localizada fora da área residencial) até o registro entrada da residência (chamada de ramal predial) pelo hidrômetro e registro (MACINTYRE, 1986). O conjunto hidrômetro e registro é chamado de “cavalete”. Construção de Edifícios 23 Do cavalete, a água sai para uma ramificação com destino à caixa d’água, no interior da residência. Na caixa d’água, há um dispositivo denominado de torneira de boia, que tem como função manter o nível de água armazenada na caixa d’água e, em seguida, direcionar para as torneiras (figura 3). Figura 3 - Exemplo de torneira Fonte: Pexels Para realizar uma instalação predial, é preciso seguir o que a NBR 5626/98 (ABNT, 1998) relata e atender a alguns requisitos, como: preservar a potabilidade da água; assegurar o fornecimento de água em quantidade adequada, com pressões e velocidades compatíveis ao funcionamento dos aparelhos sanitários e demais componentes; proporcionar economia de água e energia, por meio do dimensionamento adequado; viabilizar a manutenção econômica; evitar níveis de ruídos inadequados ao ambiente; permitir o conforto, de modo a atender às demais exigências dos usuários. Construção de Edifícios 24 Materiais empregados em tubulações de água fria Água potável é um dos requisitos fundamentais para o avanço do saneamento básico no Brasil. Dessa forma é que a engenharia contribui para o setor por meio de novas tecnologias, desenvolvendo materiais mais duráveis para as instalações. A escolha adequada dos materiais e peças de utilização é o requisito básico para que o bom funcionamento das instalações seja alcançado. Atualmente, além dos tubos de aço carbono galvanizado e de cobre, existem outros materiais que têm uma extensa linha de conexões disponíveis no mercado, como o PVC. VOCÊ SABIA? O PVC é produzido a partir do sal e do petróleo, sendo um dos plásticos mais versáteis. Os registros históricos citam que o monômero de cloreto de vinila (MVC) foi sintetizado pela primeira vez em laboratório, em 1835, por Justus Von Liebig. A NBR 5626/98 (ABNT, 1998) cita alguns materiais que podem ser utilizados na instalação de água fria, como: • O cobre permite menores diâmetros no dimensionamento; durabilidade; custo elevado e diâmetros (Ø) usuais variam de 15 a 104 mm. O polipropileno apresenta resistência a temperaturas elevadas; resistência a produtos químicos e diâmetros (Ø) usuais variam de 20 a 160 mm. Já o PVC rígido tem facilidade de transporte e manuseio; utilizados em instalações de água a 20ºC e pressão máxima de 750 KPa (75 mH2O); baixa resistência ao calor (degradação por exposição prolongada ao sol); baixo custo e diâmetros (Ø) usuais variam de 15 até 100 mm. O concreto é utilizado para construção de reservatórios domiciliares de concreto armado. Por fim, não deve ser utilizado nas instalações prediais de água fria. Construção de Edifícios 25 • O ferro, para tubulações de água fria, não é muito recomendado. A água potável tem cloro e outros elementos em sua composição que aceleram a corrosão de tubulações de ferro, o que reduz a sua vida útil. Ainda, tubulação de ferro enferruja com o tempo, principalmente em edificações mais antigas. Nas edificações antigas, quando há falta de água, no momento que restabelece o fluxo, a sua coloração é marrom claro, não sendo indicada para consumo humano. Os materiais mais utilizados para instalação de água fria são o cloreto de polivinila (PVC rígido) e o cobre. Entretanto, qualquer material escolhido para a instalação deve respeitar parâmetros fixados pelas normas brasileiras. Quando são utilizados tubos e conexões de PVC rígido para as instalações de água fria, a NBR 5626/98 (ABNT, 1998) orienta sobre as pressões máximas e mínimas, com os seguintes valores recomendados: máxima pressão estática permitida de 40 mca (400 kPa) e a mínima pressão de serviço de 0,5 mca (5 kPa). Os materiais do tipo soldáveis para água fria (as juntas) são soldados a frio por meio de adesivo próprio. Esse tipo de material é leve, resistente a produtos químicos e tem excelente durabilidade, não sofrendo processos corrosivos. Em tubulações de PVC soldáveis (mais comuns para residências), tem-se a limpeza das extremidades das tubulações, lixação, aplicação de adesivo e união. Essa limpeza é executada com auxílio de serras, lixas, estopas, estilete, rebarbador, soluções limpadoras, pasta lubrificante, entre outras. Para a água fria, recomenda-se que as conexões sejam coladas. Para isso, após o corte, o cano deve ser lixado no local onde ficou a rebarba, bem como em seu entorno e aí deve ser levemente lixada. Depois, deve ser aplicado adesivo plástico PVC tanto na conexão como no cano. Construção de Edifícios 26 VOCÊ SABIA? O chumbo não deve ser utilizado em uso para água fria. O uso de soldas deve ser sem esse material, pois o chumbo, constituinte da solda, pode entrar em contato com a água e ser liberado, resultando em concentração acima da permitida pelo padrão de potabilidade. Outro tipo de material utilizado para águas frias são os tipos roscáveis. Esses materiais são aqueles em que as juntas são fabricadas com roscas para encaixe entre tubulações e conexões. Os tipos roscáveis têm paredes mais espessas, o que garante maior durabilidade em ambientes externos e, assim como o tipo soldável, apresentam boa resistência química. Além dos materiais utilizados para confecção das tubulações, existem vários componentes empregados nos sistemas prediais de água fria, como: tubos, conexões, válvulas, hidrômetros, bombas, registros, reservatórios, entre outros (CARVALHO JR, 2013). SAIBA MAIS: Caso queira se aprofundar no assunto, a empresa Tigre lançou um catálogo técnico com informações sobre todas as peças necessárias para instalação predial de água fria. Confira no link, clicando aqui. Outro material utilizado para águas frias é o polietileno reticulado (PEX), originado do polietileno. Ele pode ser considerado um novo produto para utilização nas instalações de água fria. Os tubos PEX normalmente são de cor branca translúcida. Esse tipo de tubo pode ser encontrado no comércio em dois tipos: monocamada (convencionais) e multicamada (tubos de alumínio). Os tubos monocamada são constituídos apenas pelo PEX, sendo bastante empregados em instalações de água fria e não sofrem alterações, devido a aditivos derivados do cimento. Construção de Edifícios https://www.tigre.com.br/themes/tigre2016/downloads/catalogos-tecnicos/ct-agua-fria.pdf. 27 Os tubos multicamadas são normalmente utilizados em instalações de água quente porque unem as propriedades de resistência mecânica e térmica dos tubos convencionais metálicos com a resistência à corrosão dos tubos plásticos. A camada de alumínio no interior das paredes do tubo multicamadas tem a função de absorver a expansão térmica e evitar a formação de trincas. A NBR 5626/1998 (ABNT, 1998) cita outros materiais que podem ser empregados, como aqueles em aço carbono galvanizado, cobre, ferro fundido galvanizado ou liga de cobre. Recentemente, novos materiais têm sido desenvolvidos, como o policloreto de vinila clorado (CPVC), o polipropileno (PPR). O CPVC tem sua composição semelhante ao PVC, diferenciado pela adição de cloro (policloreto de vinila clorado), o que torna o material mais resistente à pressão e à temperatura, além de estar mais maleável. Instalações água quente Instalação predial de água quente A instalação de água quente em residências destina-se a banhos, cozinhas, lavagem de roupas. A norma que rege o projeto e execução de instalações prediais de água quente é a NBR 7198/93 (ABNT, 1993). Para produzir água quente, é necessário que ocorra a transferência de uma fonte de calor para quea água atinja certa temperatura. As temperaturas mais usuais da água quente estão expressas no quadro 1. Quadro 1 - Temperaturas mais usuais de água quente Uso da água quente Temperatura (ºC) Banhos 35 a 50 Cozinhas 60 a 75 Lavanderias 75 a 80 Hospitais ≥ 100 Fonte: Borges; Borges (1992). Construção de Edifícios 28 A estimativa do consumo de água quente é dada pela fórmula (MACINTYRE, 2010): CD = C x P Onde: CD refere-se ao consumo diário de água quente (litros/ dia); C consumo diário “per capita” (litros/dia/pessoa) - (Quadro 2) e P é a população atendida. Quadro 2 - Consumo médio, por dia, de água quente em diferentes unidades Prédio Consumo (litros/dia) Alojamento provisório 24 por pessoa Casa popular/rural 36 por pessoa Residência 45 por pessoa Apartamento 60 por pessoa Quartel 45 por pessoa Escola (internato) 45 por pessoa Hotel (não incluso lavanderia e cozinha) 36 por hóspede Hospital 125 por leito Restaurantes 12 por refeição Lavanderia 15 para cada kg de roupa seca Fonte: Adaptado de Macintyre (1998). Para a estimativa, deve-se considerar a taxa de ocupação de acordo com a edificação (expressa nos códigos de obras de cada município). Como referência, adota-se duas pessoas por dormitório com até 12 m² e três pessoas por dormitório para áreas maiores de 12 m² (MACINTYRE, 1998). Construção de Edifícios 29 Materiais empregados em tubulações de água quente A NBR 7198/93 (ABNT, 1993) cita alguns materiais que podem fazer parte da instalação predial para água quente. Tradicionalmente, são utilizados os tubos e conexões de cobre e, recentemente, os de CPVC. O cobre tem resistência à corrosão e à pressão. Seu limite de temperatura fica acima do mínimo normalmente exigido. Esse tipo de material requer isolamento térmico, solda (geralmente estanho), exigindo mão-de-obra especializada. Dessa forma, apresenta custo elevado e vida útil longa. O ferro tem suas juntas rosquedas e isso exige mão-de- obra especializada. Além disso, apresenta alto coeficiente de dilatação, requerendo isolamento térmico. Por fim, tem custo elevado (menor que o cobre) e vida útil reduzida (comparado ao cobre). O CPVC (policloreto de vinila cloratado) é um termoplástico semelhante ao PVC. Suas juntas são soldáveis, exigindo mão-de-obra especializada. Tem limite de temperatura até 80ºC, com baixo coeficiente de dilatação, baixa condutividade térmica, baixo custo e vida útil longa. VOCÊ SABIA? O CPVC foi desenvolvido especialmente para a condução de água quente. O uso do CPVC exige instalação de uma termoválvula com termoelemento, devido à limitação de temperatura e não há necessidade de isolamento térmico, devido ao baixo coeficiente de dilação e térmico (CREDER, 1996). Para reduzir possíveis perdas de calor na instalação de água quente, faz-se uso de isolamento térmico, com material de baixa condutibilidade térmica, ou seja, que não dissipe o calor antes da água atingir as demais partes integrantes do sistema. Alguns exemplos de materiais que podem ser utilizados para o isolamento térmico são: lã de vidro, amianto em pó, cortiça moída, vermiculita, polietileno expandido, silicato de cálcio hidratado com fibra de amianto, silicato de magnésio hidratado, calhas de isopor, entre outros. Construção de Edifícios 30 Instalações para esgoto Instalação predial de esgoto A coleta e destinação final adequada do esgoto de uma edificação são importantes para a saúde e o conforto das pessoas que frequentam o ambiente. Cada componente de um esgotamento sanitário tem uma função e deve ser aplicado corretamente, obedecendo às normativas e seguindo as especificações de uso e instalação do fabricante. Tudo isso garante a melhor eficiência no conjunto de coleta, transporte e tratamento do esgoto. A norma que rege o projeto e execução dos sistemas prediais de esgoto é a NBR 8160/1999 (ABNT, 1999). Os principais componentes internos são: aparelho sanitário, bacia sanitária, desconector, ralo sifonado e seco, sifão, caixa sifonada, ramal de descarga e de esgoto, tubo de queda. IMPORTANTE: Todo aparelho sanitário deve impedir a contaminação da água potável, causada algumas vezes por retrossifonagem ou conexão cruzada. O aparelho sanitário (figura 4) é que recebe os dejetos ou águas servidas, interligando-se ao sistema de coleta de esgoto. Alguns exemplos de aparelhos sanitários são pia, lavatório, vaso sanitário, tanque. A bacia sanitária é um tipo de aparelho sanitário, como um vaso sanitário, porém recebe somente dejetos humanos. O desconector é um dispositivo capaz de impedir o retorno dos gases originados pelo esgoto. Um exemplo de desconector é o ralo sifonado, dotado de grelha na parte superior, para receber águas de chuveiros ou lavagens. Já o ralo seco não possui proteção de fecho hídrico e, dessa forma, não protege contra o retorno dos gases, mas é dotado de grelha em sua parte superior para receber águas de chuveiros ou lavagens. Construção de Edifícios 31 Figura 4- Exemplo de aparelho sanitário Fonte: Pexels O sifão é outro exemplo de desconector, utilizado para receber efluentes do sistema predial. A caixa sifonada é uma caixa provida de desconector, destinada a receber efluentes. Com relação aos ramais, os de descarga são tubulações que recebem diretamente o esgoto proveniente dos aparelhos sanitários e os de esgoto são as tubulações que recebem os esgotos dos ramais de descarga diretamente ou a partir de um desconector. IMPORTANTE: Ramais de descarga, de esgoto ou qualquer outro trecho que seja implantado com escoamento na horizontal precisam ter as declividades em função dos diâmetros. O tubo de queda é a tubulação posicionada na vertical, sempre necessária quando há edifícios com dois ou mais pavimentos, e que recebe os efluentes dos subcoletores, ramais de descarga e ramais de esgoto. Construção de Edifícios 32 No que se refere aos componentes externos, eles são instalados para coleta, transporte e destinação final adequada do esgoto gerado na edificação. Os componentes externos são: subcoletor, caixa de inspeção, caixa de gordura, caixa de passagem, coletor predial, coletor público, válvula de retenção. O subcoletor é a tubulação que recebe efluentes de um ou mais tubos de queda e ramais de esgoto. A caixa de passagem é a caixa destinada a permitir a junção de tubulações do subsistema de esgoto sanitário. Já sobre a caixa de inspeção, ela se refere a caixa instalada na parte externa da edificação, que recebe esgoto e permite a manutenção, limpeza, desobstrução, mudança de declividade ou mudança de direção de escoamento. Já a caixa de gordura é a que recebe águas servidas de pias de cozinha e é destinada a reter, em sua parte superior, gorduras, graxas e óleos. A caixa de gordura também necessita de manutenção. Os tipos de caixa de gordura que podem ser utilizadas são: caixa de gordura pequena (CGP); caixa de gordura simples (CGS); caixa de gordura dupla (CGD) e caixa de gordura especial (CGE), em que a adequada utilização depende do número de cozinhas da edificação projetada. VOCÊ SABIA? Caixas de inspeção e caixas de gordura podem ser construídas in loco, ou ser adquiridas em formas pré- fabricadas, cabendo ao projetista, junto ao cliente, a escolha do tipo a ser instalado. Já o coletor predial é o trecho de tubulação compreendido entre a última inserção do subcoletor, ramal de esgoto ou descarga, ou caixa de inspeção geral e o coletor público ou sistema particular. O coletor público, por sua vez, é referente a qualquer tubo da rede coletora, instalado na calçada ou na rua, que recebe esgoto diretamente dos coletores prediais. Por fim, a válvula de retenção tem o objetivo de impedir o retorno do esgoto (refluxo) para o coletor predial, além de dificultar o acesso de animais, como ratos e baratas para as instalações internas. Construção de Edifícios 33 Ainda, para o sistema de esgotamentosanitário, há os componentes do sistema de ventilação da tubulação, que têm o objetivo de conduzir os gases para a atmosfera e evitar que eles retornem para os ambientes. Os componentes para essa etapa são: coluna, ramal e barrilete de ventilação. A coluna de ventilação é o tubo ventilador vertical que se prolonga acima da edificação e cuja extremidade superior é aberta à atmosfera. A extremidade do tubo de ventilação deve ultrapassar a cobertura da edificação, estabelecendo uma distância mínima que impeça a penetração das águas das chuvas, bem como conter um dispositivo do tipo chaminé, tê ou de qualquer outro tipo que não permita a entrada de água. Ainda, toda coluna de ventilação deve ter diâmetro uniforme e uma inclinação mínima de 1%, de modo que qualquer líquido que porventura venha a ingressar nela possa escoar por gravidade para o ramal de descarga ou ramal de esgoto que esteja conectado. O ramal de ventilação se refere ao tubo ventilador que interliga o desconector, ou ramal de descarga, ou ramal de esgoto de um ou mais aparelhos sanitários a uma coluna de ventilação ou a um tubo ventilador primário. Por fim, o barrilete de ventilação é a tubulação horizontal com saída para a atmosfera em um ponto, destinada a receber dois ou mais tubos ventiladores. REFLITA: A instalação correta de todos os componentes é fundamental para o funcionamento do sistema de coleta predial. Cabe salientar que dispositivos mal instalados causam desconforto aos usuários e podem contribuir para a contaminação do ambiente ou do próprio sistema de abastecimento de água da edificação. Materiais empregados para instalação predial de esgoto Os materiais mais utilizados são as tubulações e conexões em PVC rígido série normal com as seguintes características: cor branca; comprimento dos tubos entre 3,0 e 6,0 m, tipo ponta e bolsa; as juntas do Construção de Edifícios 34 sistema soldável (com adesivo plástico) ou elástico (com anel de borracha); os diâmetros de 40, 50, 75, 100, 150 e 200; a temperatura máxima de trabalho de 45 ºC em regime não contínuo e a superfície interna lisa. Importante que você, como engenheiro, saiba que, para o esgoto, o ideal é a utilização de conexões unidas por meio de encaixe com o uso de anel de borracha, de modo a facilitar o trabalho e garantir a perfeita vedação. Quando os trechos de tubulações precisarem de maior resistência a impactos (internos e externos), como em tubos de queda, subcoletores ou ramais de despejo de máquinas de lavar louças, utilizam-se tubos e conexões de PVC rígido série reforçada (com maior espessura da parede). Essa tubulação normalmente é na cor bege pérola. Em casos especiais, pode ser utilizada a cerâmica vidrada. Esse tipo de material não pode ser exposto a choques e perfurações, nem deve estar em terrenos onde há probabilidade de ocorrência de recalques. Outro material utilizado é o ferro fundido, empregado em casos especiais. O ferro fundido deve apresentar revestimento adequado para o escoamento dos efluentes gerados (MACINTYRE, 1998). O ferro fundido é um material que pode ser enterrado, desde que devidamente protegido. Em geral, precisa apresentar as seguintes características: alta resistência contrachoques e alta resistência a produtos químicos; baixo nível de ruído na condução dos esgotos; ser incombustível e ter alta durabilidade. Instalações para água pluvial Instalação predial de água pluvial As instalações de águas pluviais devem ser projetadas separadamente de águas frias. Dessa forma, a instalação predial de águas pluviais se destina exclusivamente ao recolhimento e condução das águas pluviais, não se admitindo quaisquer interligações com outras instalações prediais. Construção de Edifícios 35 Em geral, o destino das águas pluviais pode ser: escoamento superficial; infiltração no solo por meio de poço absorvente; disposição na sarjeta da rua ou por tubulação enterrada no passeio; pelo sistema público, as águas pluviais chegam a um córrego ou rio; cisterna (reservatório inferior) de acumulação de água, para uso posterior. Os componentes de um sistema de água pluvial são: altura pluviométrica, área de contribuição, caixa de areia, calha, condutor horizontal e vertical, duração de precipitação, intensidade pluviométrica, perímetro molhado, período de retorno, ralo, seção molhada, tempo de concentração e vazão de projeto. A altura pluviométrica trabalha com o volume de água que é precipitada por unidade de área horizontal. As áreas de contribuição se relacionam às somas das áreas das superfícies que, interceptando chuva, conduzem as águas para determinado ponto da instalação. A caixa de areia é a caixa utilizada nos condutores horizontais destinados a recolher detritos por deposição. Com relação à calha, ela é um canal que recolhe a água de coberturas, terraços e similares e a conduz a um ponto de destino. IMPORTANTE: A inclinação das calhas de beiral e platibanda é um fator muito importante para projetos de instalação predial de água pluvial. Precisam apresentar uniformidade, com um valor mínimo de inclinação de 0,5%. As calhas de água- furtada, por seu turno, têm a inclinação de acordo com o projeto da cobertura daquela edificação. Para os condutores, os horizontais são as tubulações destinadas a recolher e conduzir águas pluviais até locais permitidos pelos dispositivos legais. Os condutores horizontais devem ser projetados, sempre que possível, com declividade uniforme, com valor mínimo de 0,5%. Já os verticais (figura 5) recolhem águas de calhas, coberturas, terraços e similares e as conduzem até a parte inferior do edifício. Construção de Edifícios 36 Figura 5 - Exemplo de condutores verticais: calhas Fonte: Pexels Devem ser projetados, sempre que possível, em uma só prumada. Quando houver necessidade de desvio, devem ser usadas curvas de 90º de raio longo ou curvas de 45º e devem ser previstas peças de inspeção. A duração de precipitação se refere ao intervalo de tempo definido para referência com objetivo de auxiliar na determinação de intensidades pluviométricas. Já a intensidade pluviométrica é o quociente entre a altura pluviométrica precipitada em um intervalo de tempo (mm/h). O perímetro molhado é a linha que tem como objetivo limitar a seção molhada junta às paredes e ao fundo dos condutores ou calhas. Para a seção molhada, o conceito muda um pouco, ou seja, esse componente busca relacionar a área útil de escoamento quando submetida a uma seção transversal de condutores ou calhas. O período de retorno, por sua vez, refere-se ao número médio de anos em que, para a mesma duração de precipitação, uma determinada intensidade pluviométrica é igualada ou ultrapassada apenas uma vez. O ralo é caixa dotada de grelha na parte superior, destinada a receber águas pluviais. Construção de Edifícios 37 Já o tempo de concentração se refere ao intervalo de tempo que vem decorrido desde o início da chuva ou precipitação e o momento em que toda a área de contribuição passa a colaborar para determinada seção transversal de calhas ou condutores. Por fim, a vazão de projeto é vazão de referência para o dimensionamento de condutores e calhas. Materiais empregados para instalação de água pluvial Nos telhados, empregam-se calhas que podem ser de aço galvanizado, folhas de flandres, cobre, aço inoxidável, alumínio, fibrocimento, PVC rígido, fibra de vidro, concreto ou alvenaria. VOCÊ SABIA? A NBR 10844/1989 (ABNT, 1989) é a norma que rege os materiais para as calhas. Nos condutores verticais, devem ser empregados tubos e conexões de ferro fundido, fibrocimento, PVC rígido, aço galvanizado, cobre, chapas de aço galvanizado, folhas de flandres, chapas de cobre, aço inoxidável, alumínio ou fibra de vidro. Nos condutores horizontais, devem ser empregados tubos e conexões de ferro fundido, fibrocimento, PVC rígido, aço galvanizado, cerâmicavidrada, concreto, cobre, canais de concreto ou alvenaria. Construção de Edifícios 38 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as tubulações e as conexões de PVC são leves e resistentes, de fácil manuseio, o que aumenta a produtividade, diminuindo o tempo de execução do serviço quando comparado à utilização de tubos e conexões de metal. Ainda, viu que para cada tipo de sistema hidrossanitário (água fria, quente, pluvial e esgotamento sanitário) é preciso um projeto específico, visto que cada um apresenta uma função única para o bom funcionamento de qualquer edificação. Ainda, você deve ter aprendido que utilizar os materiais adequados para a construção dos sistemas hidrossanitários é fundamental, visto que o emprego de algum material que não condiz com o sistema poderá ocasionar problemas, como deterioração de peças, enferrujamento e, por consequência, problemas de saúde para as pessoas que vão utilizar esses sistemas, principalmente os de água fria, em que o consumo potável é essencial. Construção de Edifícios 39 Instalações de Incêndio OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer e entender os detalhes das instalações de incêndio em instalações prediais. Em um primeiro momento, todos os incêndios parecem ser os mesmos. No entanto, para controlá-los com eficiência e inteligência, é importante saber quais materiais são os causadores do fogo. Dessa forma, você vai aprender sobre os conceitos básicos do que é o fogo, como ele se forma e as maneiras que se pode apagá-lo, sem causar mais estragos e acidentes. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Instalação predial de combate a incêndio: conceitos A existência de um incêndio é relacionada ao fogo e, portanto, o controle e extinção dele requerem a atuação de um profissional habilitado para a atividade. Existem muitos conceitos a serem trabalhados sobre o tema, como fontes de calor, métodos de extinção de focos de incêndios, combustão, entre outros. O fogo é considerado uma calamidade que pode causar inúmeros prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas. DEFINIÇÃO: O fogo é decorrente de uma reação química (combustão), em que o material com características de combustível se associa ao comburente a partir de uma fonte de calor (BRENTANO, 2011). Após iniciar o fogo, para que a combustão se mantenha, é preciso que as moléculas do material combustível transfiram calor, produzindo mais calor e, por consequência, esse aumento de calor propiciará a reação em cadeia. Construção de Edifícios 40 Portanto, passamos a ter mais um constituinte na composição do fogo. A reação em cadeia e a análise é voltada para o Tetraedro de Fogo (figura 6). Figura 6 – Triângulo do Fogo - Reação química em cadeia Fonte: Areaseg Formado o tetraedro, vamos conhecer os elementos componentes do fogo: combustível, comburente, calor, reação em cadeia. Com relação ao combustível, ele poder ser: sólido, líquido ou gasoso. O combustível sólido, podendo ser madeira, papel, entre outros, apresenta um mecanismo sequencial para ignição, devendo ser primeiramente aquecido, de modo a liberar vapores combustíveis. O contato dos vapores com o ar faz uma pequena fagulha entrar em combustão. Com relação ao combustível líquido (gasolina, álcool), ele vaporiza ao ser aquecido, devido à mistura do vapor com o ar, formando uma mistura inflamável, o que gera a combustão. Por fim, o combustível gasoso, como gás metano e GLP, forma uma mistura inflamável com o ar. O comburente é o elemento que ativa o fogo. Ou seja, é o agente químico que combina gases do combustível, formando uma mistura inflamável. DEFINIÇÃO: Como exemplo de comburente que ativa o fogo, pode-se citar o oxigênio ou cloro. Construção de Edifícios 41 Ressalta-se que em relação ao comburente, a percentagem de O2 no ar atmosférico é de 21% (quantidade suficiente para ativar uma combustão). Quando uma concentração de oxigênio é maior do que 15%, ela já é suficiente para que a combustão seja considerada completa. Quando a concentração de oxigênio é próxima de 13%, existe apenas a geração de brasas. Por fim, quando a concentração de oxigênio é inferior a 9%, não há combustão alguma. Quadro 1 - Componentes e as características do fogo Componente Características Comburente (exemplo: oxigênio, cloro) Agente químico que combina com gases do combustível, formando uma mistura inflamável. Elemento que ativa o fogo. Calor (exemplo: chama, atrito, superaquecimento de equipamento elétrico, faísca elétrica) Provoca o fogo. Proveniente da combinação de gases combustíveis e do comburente. Mantém a propagação do fogo. Reação em cadeia É a transferência de calor de uma molécula do material em combustão para uma molécula vizinha. A segunda molécula transfere o calor para a terceira e assim subsequente, entrando em combustão. Fonte: Adaptado de Brentano (2011). Com relação a propagação do fogo, essa etapa é decorrente de alguns fatores, como: quantidade, volume e espaçamento no local dos materiais combustíveis; tamanho das fontes de ignição; área das janelas; velocidade e direção do vento; dimensões do local. Todos esses fatores são relacionados à transmissão de calor, ocorrendo por condução, convecção e radiação. A condução ocorre pelo contato direto, proporcionando a transferência de molécula a molécula, de forma direta. Os incêndios que passam de um pavimento para outro, calor de uma laje para um carpet, cortinas do andar superior são exemplos de propagação por condução. A propagação por convecção ocorre pelo movimento de massa de fluido, que trocam de posição entre si. Nesse tipo de incêndio ocorre, Construção de Edifícios 42 por meio da massa de ar e gases quentes produzidos pelo fogo, o deslocamento do calor até outros materiais combustíveis, originando um novo foco de incêndio pela convecção. Por fim, a propagação por radiação ocorre por ondas de calor emitidas por um corpo aquecido, irradiando o calor para outras direções. Um exemplo desse tipo de incêndio é quando um material é aquecido e ele entra em combustão somente por estar próximo ao foco de fogo. Para iniciar um fogo, é preciso de um combustível embarcado para isso. Dessa forma, quase todos os materiais são combustíveis. Entretanto, devido à diferença de composição entre eles, alguns queimam de formas diferentes e exigem maneiras diversas de extinção. Em virtude da diferença de composição dos combustíveis e os diferentes métodos de extinção, os incêndios são divididos em quatro classes: A, B, C e D. Um incêndio Classe A é o que ocorre em materiais sólidos ou fibrosos comuns, que, ao se queimarem, deixam resíduos. Esses materiais queimam tanto em superfície quanto em profundidade. Alguns exemplos são as madeiras, os papéis, os tecidos, as espumas. Os incêndios Classe B são aqueles que ocorrem em materiais líquidos inflamáveis. Esses materiais queimam somente em sua superfície e não deixam resíduos. Como exemplo, pode-se citar a gasolina, bem como o querosene, o álcool, a tinta, entre outros. Já os incêndios Classe C são aqueles que ocorrem em equipamentos elétricos energizados, ou seja, aqueles equipamentos que se encontram conectados à corrente elétrica. Como exemplos dessa classe de incêndio, é possível citar máquinas e motores em geral, painéis elétricos, entre outros. VOCÊ SABIA? Quando o equipamento é desconectado da corrente elétrica, o incêndio passa a ser Classe “A”. Os incêndios Classe D são aqueles em que o fogo ocorre em metais pirofóricos, também chamados de ligas metálicas. Construção de Edifícios 43 DEFINIÇÃO: Metais ou materiais pirofóricos são aqueles mais propensos a um início de combustão espontânea quandofavorável para aquele incêndio. Caso a pressão seja suficiente, retira-se o extintor e leva-o para o local onde será utilizado. É importante lembrar que os extintores devem ser submetidos à manutenção, ao menos uma vez por ano, para garantir o bom estado de conservação do equipamento. Além dos extintores, existe outra forma de combate a incêndios: os hidrantes. Com relação aos hidrantes, são as tubulações existentes em uma rede hidráulica que objetivam a captação de água para utilização do corpo de bombeiros em casos de incêndios. Quando se fala em sistema de hidrantes, refere-se ao sistema sob comando que depende da ação de profissional habilitado para funcionar, sendo constituído por uma rede de tubulações fixas que levam água até o ponto do incêndio a ser combatido. VOCÊ SABIA? Existem 3 tipos de hidrantes: subterrâneos, coluna ou parede. Os subterrâneos ficam abaixo do nível do solo, sendo que uma parte fica dentro de um abrigo de alvenaria, enterrada e coberta com tampa metálica. O tipo coluna, também conhecido como emergente, sendo que uma das partes fica subterrânea e a outra acima do solo, em forma de coluna. E, por fim, o tipo parede é o que se vê com maior frequência, normalmente está embutido na parede dentro de um abrigo. Construção de Edifícios 48 Em suma, todos os componentes mencionados fazem parte do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndios (PPCI). O PPCI é obrigatório para instalações comerciais e industriais, locais de diversões públicas e residências com mais de uma economia e mais de um pavimento. Quanto à legislação que regulamenta o PPCI, ela é estadual. Por isso, é preciso verificar no seu Estado as normas relacionadas à prevenção de incêndio no site do corpo de bombeiros. Ainda, em relação ao PPCI, para a instalação contra incêndio, de acordo com a NBR 13.714 de 2000, apenas as edificações com área construída superior a 750 m² e/ou altura superior a 12 m devem ser protegidas por sistemas de instalações contra incêndio. Ou seja, o estacionamento, mesmo apresentando área total de 1.000 m², não precisa apresentar esse tipo de instalação, visto que ele tem apenas 350 m². Instalação predial de combate a incêndio: terminologia Em geral, as instalações de combate a incêndio objetivam a salvaguarda de bens materiais e vidas humanas durante uma catástrofe. Para elaborar e interpretar de forma adequada um projeto de instalações prediais de combate a incêndio, é imprescindível conhecer as terminologias referentes, com base na NBR 13714/2000 (ABNT, 2000). Entre as terminologias utilizadas, pode-se citar: bomba principal, de pressurização e de reforço; dispositivo de recalque; esguicho; reserva técnica de incêndio e os sistemas de hidrante. Com relação às bombas, a bomba principal faz referência a uma bomba hidráulica centrífuga que tem como objetivo o recalque de água para os sistemas de combate a incêndio. Já a bomba de pressurização é referente a uma bomba hidráulica centrífuga, que busca manter todo o sistema pressurizado em faixa pré-estabelecida. Por último, a bomba de reforço conceitua-se como a bomba hidráulica centrífuga que fornece água para hidrantes mais desfavoráveis hidraulicamente. Construção de Edifícios 49 VOCÊ SABIA? As bombas de pressurização também são conhecidas como Jockey. Os dispositivos de recalque são muito utilizados pelo corpo de bombeiros e permitem o recalque da água para o sistema. Os esguichos são os dispositivos adaptados na extremidade de uma mangueira, que tem como função dar direção e controle ao jato. O jato dos esguichos pode ser do tipo regulável ou compacto. No que diz respeito aos sistemas de hidrantes, eles são sistemas responsáveis pelo combate a incêndio e são compostos de: reserva de incêndio, bomba de incêndio, tubulações, hidrantes e demais acessórios. Por fim, a reserva técnica de incêndio se refere ao volume mínimo de água disponível para combate ao incêndio. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido o que é o fogo e os elementos que o compõem, assim como as formas de transmissão de calor. Aprendeu também sobre os diferentes métodos de extinção de fogo e a relação deles com a classe de incêndio que o fogo se enquadra. Você deve ter aprendido que ao utilizar um extintor inadequado para apagar um incêndio, você pode gerar mais prejuízos ao local. Ainda, você aprendeu que a água é considerada um extintor universal, entretanto, para algumas situações, o seu uso pode gerar choques ao usuário. Você ainda deve ter aprendido sobre os extintores e hidrantes, diferenciando cada tipo para cada classe de incêndio. Aprendeu ainda as terminologias empregadas nos projetos de instalação predial de combate a incêndio e a importância de conhecer e saber diferenciar tais projetos, para que não ocorram erros de interpretação. Construção de Edifícios 50 Instalações Elétricas em Baixa Tensão e Luminotécnica OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer e entender sobre a instalação elétrica em baixa tensão e a luminotécnica. Ainda, você irá conhecer os principais componentes da instalação em residência. Você verá, também, a importância da compatibilização de projetos para evitar retrabalhos e gastos desnecessários na execução de sua obra. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Componentes de instalação elétrica residencial Os projetos de instalações elétricas são essenciais para uma boa instalação. Para que a instalação elétrica seja funcional e segura, é necessário que ela seja construída por meio de projetos realizados conforme as exigências das normas técnicas. De acordo com a legislação, um projetista não pode executar incorretamente um projeto elétrico alegando desconhecimento das normas e dos procedimentos. Portanto, ele deve entender sobre como desenvolver um projeto elétrico. Em um projeto elétrico, é preciso definir e apresentar o sistema elétrico predial. Esse sistema permite o abastecimento da energia elétrica no interior das residências. O sistema é composto por um conjunto de dispositivos: dispositivos de proteção, dispositivos de comando da iluminação, condutores de corrente elétrica, tomadas de corrente e pontos de iluminação, eletrodutos, caixas. O interruptor é o equipamento responsável por estabelecer e interromper a corrente elétrica em um circuito elétrico. Os interruptores podem ser do tipo: simples de uma seção (interruptor comanda um único ponto de iluminação); simples de duas sessões ou interruptor duplo (um interruptor comanda simultaneamente dois pontos de iluminação); Construção de Edifícios 51 interruptor paralelo (dois interruptores comandam, a partir de dois pontos diferentes, um mesmo ponto de iluminação) e interruptor intermediário (instalado entre dois interruptores paralelos, permite o controle de um mesmo ponto de iluminação por mais de dois pontos). IMPORTANTE: Interruptor paralelo também é chamado de three-way e interruptor intermediário de four-way. As tomadas são os componentes empregados para o fornecimento de eletricidade para um equipamento. As tomadas mais comuns em uso residencial são as que fornecem a alimentação monofásica (127 V) ou bifásica (220 V). A maior parte das cidades do Brasil utiliza as tensões fase- neutro (127 V) e fase-fase (220 V), e os aparelhos costumam ser de 127 V, 220 V, ou ainda bivolt, ou seja, funcionam em ambas as voltagens. O cálculo de consumo é realizado com base na potência dos equipamentos utilizados e o tempo de uso de cada um deles. Nas instalações prediais, considera-se dois tipos de tomadas: tomadas de uso geral (TUG), com capacidade até 10 A (usadas para aparelhos de TV, rádio, DVD, som, liquidificador, ferro elétrico, secadortipos de luminárias, as quais são específicas para uso em diferentes situações. Em algumas situações, o ambiente exige que a luz seja emitida em um ângulo de 360°, como se a luminária fosse uma esfera luminosa, propiciando a emissão da luz para todos os lados de maneira uniforme. Em outras situações, pode ser mais eficiente que a luz se concentre em apenas um ponto no espaço. As principais categorias de luminárias são relacionadas à instalação, podendo ser: embutidas, sobrepostas, pendentes, trilhos e de parede. A seguir, é possível verificar as características para cada tipo de luminária. Luminárias embutidas são instaladas em ambientes com forro e mantêm uma borda de acabamento externa. A estrutura de fixação da lâmpada fica sobre o forro. Já as luminárias do tipo sobrepostas são utilizadas quando não é possível instalar luminárias embutidas ou quando é preciso criar um efeito arquitetônico ao ambiente. A instalação de luminárias sobrepostas é bem mais simples que as embutidas, devido ao fato de não precisar abrir o forro, já que sua fixação é normalmente feita com parafusos fixados diretamente no teto. Os pendentes são muito comuns em mesas de jantar e reunião, pois evitam sombras sobre as mesas. Nesse sentido, esse tipo de luminária é útil para realizar uma iluminação mais próxima do objeto iluminado. A forma de instalação é semelhante à das sobrepostas, com uma única diferença: existência de cabos de afastamento entre o teto e a luminária. Por sua vez, as luminárias do tipo trilho são alternativas interessantes para evitar a criação de furos no forro. A sua instalação pode se conectar à Construção de Edifícios 62 rede elétrica em um ponto e se estender por grandes distâncias (variando de 50 cm a 2 m) onde podem ser instaladas as luminárias. Por fim, em determinadas situações no ambiente, é preciso instalar elementos lumínicos nas paredes, com o objetivo de demarcar um acesso. Para alcançar esse objetivo, são empregadas as luminárias de parede. Luminárias de parede são semelhantes às de sobrepor, apenas com a diferença de serem instaladas verticalmente e emitirem luz para cima e para baixo. Normas de projetos luminotécnicos Qualquer projeto a ser executado precisa seguir determinadas normas técnicas, que apresentam dados que passaram por avaliações e análises a fim de atender às necessidades dos usuários e proporcionar um ambiente saudável para a realização das mais diversas atividades. Nesse sentido, a NBR ISO/CIE 8995-1 – Iluminação de ambientes de trabalho – Parte 1: Interior (ABNT, 2013) apresenta os dados para realização de projetos luminotécnicos em ambiente de trabalho. Essa norma apresenta os requisitos de iluminação, indicando os ambientes com as respectivas atividades, a iluminância mantida, o índice de ofuscamento unificado e o índice de reprodução de cor mínimo. Já a NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão (ABNT, 2008) estabelece condições para satisfazer as instalações elétricas de baixa tensão em edificações residenciais, comerciais, públicas, industriais, de serviços, agropecuárias, hortigranjeiras e qualquer outro uso para garantir segurança aos usuários e aos animais, assim como o funcionamento adequado da instalação e conservação de bens. A NBR 13531 – Elaboração de projetos de edificações – Atividades técnicas (ABNT, 1995) apresenta as atividades técnicas de projeto exigíveis para a construção de edificações, de modo a mostrar as etapas de projeto, com a indicação de todos os complementares. De acordo com essa NBR, o projeto de luminotécnica é parte integrante do projeto de instalações elétricas. Construção de Edifícios 63 Por fim, a NBR 15575-1 – Edificações Habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais (ABNT, 2013) apresenta o fator de luz diurna para o nível mínimo de desempenho em habitações, os níveis mínimos de desempenho de iluminamento geral para iluminação artificial, como o uso de domos ou cúpulas, os métodos de avaliação e as premissas de projeto. Domos ou cúpulas são aquelas aberturas feitas no telhado ou na laje, para proporcionar rigidez, iluminação natural e conforto térmico. São muito utilizados em shoppings, estádios, arenas esportivas e centros de eventos por reduzirem consideravelmente o consumo de ar-condicionado. Ainda, a NBR 15575-1/2013, indica que, em dormitórios e salas de estar, o peitoril de janelas deve estar no máximo a 100 cm do piso acabado, e a cota testeira do vão não deve ultrapassar 220 cm partindo do piso interno acabado. Essa exigência é para que o ambiente consiga atender às qualidades lumínicas de iluminação natural (ABNT, 2013). Na figura 11, é possível verificar a exigência das alturas. Figura 11 - Dimensões de aberturas indicadas para dormitórios e salas de estar como comunicação com o exterior Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2013, p. 26). Enfim, todas as normativas descritas se complementam, apresentando dados para a realização adequada de um bom projeto luminotécnico. Construção de Edifícios 64 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido a importância do projeto elétrico em edificações, bem como as principais etapas constituintes dos projetos. Você aprendeu e conheceu os componentes de um sistema elétrico, diferenciando-os e reconhecendo a importância de cada um deles no sistema. Aprendeu a importância da escolha correta dos materiais, principalmente quando se fala dos condutores, a fim de evitar problemas de sobrecarga de energia no sistema. Ainda, você aprendeu a importância da compatibilização dos projetos, sejam eles elétricos, hidráulicos, estruturais. Você lembra que com a compatibilização se pode evitar “dores de cabeça” na execução da obra, minimizando gastos financeiros desnecessários assim como evitar atrasos na construção. Você deve ter aprendido a importância da correta elaboração de um projeto luminotécnico para os ambientes de uma edificação. Isso porque a elaboração não adequada para os ambientes acarreta problemas aos usuários daquele espaço, podendo até inferir no seu sistema de sono, ocasionando problemas sérios na vida dessas pessoas. Ainda, você deve ter aprendido as principais características de um projeto, com ênfase na diferenciação dos ambientes, de modo a proporcionar aos usuários conforto e bem-estar na execução de suas atividades. Nesse mesmo sentido, você deve ter aprendido e conhecido os tipos de lâmpadas e luminárias disponíveis para execução dos ambientes de uma construção. Você aprendeu que, em determinados ambientes, uma luminária pode produzir um efeito muito melhor e mais satisfatório do que outro. Por fim, você conheceu as principais normas relacionadas a projetos luminotécnicos e a importância de conhecê-las e segui- las nos seus futuros projetos. E aí, gostou do conteúdo sobre elétrica e iluminação? Relembrou as principais informações? Mas lembre-se que aqui é só um resumo. Se ficou alguma dúvida, volte ao conteúdo! Construção de Edifícios 65 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10844: Instalações prediais de águas pluviais. Rio de Janeiro, 1989. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7198: Projeto e execução de instalações prediais de água quente. Rio de Janeiro, 1993. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13531: Elaboração de projetos de edificações: atividades técnicas. Rio de Janeiro: ABNT, 1995. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5626: instalação predial de água fria. Rio de Janeiro: ABNT, 1998. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8160:1999. Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução. Rio de janeiro: ABNT, 1999. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13.714: Sistemas de hidrantes e de mangotinhospara combate a incêndio, Rio de Janeiro, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410:2004. Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO/CIE 8995-1: Iluminação de ambientes de trabalho: parte 1: interior. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-1: Edificações habitacionais: desempenho: parte 1: requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ALMEIDA, C. Qual a diferença entre lâmpada: incandescente, fluorescente e led? 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Construção de Edifícios _Hlk78496525 _Hlk78497359 _Hlk78497604 _Hlk78497480 _Hlk78471440 _Hlk78471455 _Hlk78471726 _Hlk78471503 _Hlk78471794 _Hlk78493607 _Hlk78472187 _Hlk78494280 _Hlk78493741 _Hlk78493668 _Hlk77530757 _Hlk78494625 _Hlk78498724 _Hlk78494833 _Hlk78495146 _Hlk78495116 _Hlk77531885 _Hlk78498254 _Hlk78498393 _Hlk78498403 _Hlk78498327 _Hlk78498310 _Hlk78498456 _Hlk78495706 _Hlk78495780 _Hlk78495754 _Hlk78495803 _Hlk78496002 _Hlk78495941 _Hlk78496089 _Hlk78496311 _Hlk77696534 _Hlk78496632 _Hlk78496684 _Hlk78496670 _Hlk78496851 _Hlk78497064 _Hlk78497217 _Hlk78497195 _Hlk77618216 _Hlk77618226 _Hlk78497395 _Hlk78497705 _Hlk78497933 _Hlk78497912 _Hlk78498100 _Hlk78498077 _Hlk78498155 Especificações dos projetos e legendas Projeto para instalação predial de água fria e quente, esgoto e água pluvial Projeto para instalação predial de prevenção de incêndio Projeto de instalação elétrica e luminotécnica Armadura para concreto Instalações água fria, água quente, esgoto e pluviais Instalações água fria Instalação predial de água fria Materiais empregados em tubulações de água fria Instalações água quente Instalação predial de água quente Materiais empregados em tubulações de água quente Instalações para esgoto Instalação predial de esgoto Materiais empregados para instalação predial de esgoto Instalações para água pluvial Instalação predial de água pluvial Materiais empregados para instalação de água pluvial Instalações incêndio Instalação predial de combate a incêndio: conceitos Proteção contra incêndio Instalação predial de combate a incêndio: terminologia Instalações elétricas em baixa tensão e luminotécnica Componentes de instalação elétrica residencial Compatibilização do projeto de instalações elétricas com os projetos técnicos complementares Características de projetos luminotécnicos Normas de projetos luminotécnicos