Prévia do material em texto
2 2 Ana Cristina Carvalho da Rocha Brena Jéssica dos Santos Edna Marques de Souza Julia da Silva e Silva Juliana Lima da Silva Kirstie Alley da Cruz Peres Rejane Martins de Oliveira Renata Francisca Nonato de Moraes Teoria da Inteligência: Cinestésica Corporal Manaus-AM 2024 Ana Cristina Carvalho da Rocha Brena Jéssica dos Santos Edna Marques de Souza Julia da Silva e Silva Juliana Lima da Silva Kirstie Alley da Cruz Peres Rejane Martins de Oliveira Renata Francisca Nonato de Moraes Teoria da Inteligência: Cinestésica Corporal Trabalho Solicitado pela Professora Ila Vito Lima de Souza, da disciplina Psicologia do Desenvolvimento e Teoria da Aprendizagem, para obtenção de nota de Participação, do semestre 2024.2 Manaus-AM 2024 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 4 TEORIA DA INTELIGÊNCIA 5 CRÍTICAS E LIMITAÇÕES DA TEORIA 7 ATIVIDADE PEDAGÓGICA: IMITANDO MOVIMENTOS 8 Habilidades de Acordo com a BNCC 8 Objetivo da Atividade 8 Recursos 8 Procedimentos Metodológicos 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 10 INTRODUÇÃO A Teoria das Inteligências Múltiplas, proposta por Howard Gardner em 1983, revolucionou a forma de entender as diferentes capacidades humanas, destacando a diversidade de inteligências além do tradicional Quociente de Inteligência (QI). Entre elas, a inteligência corporal-cinestésica tem um papel fundamental no desenvolvimento humano, especialmente durante a infância, quando o corpo é o principal veículo de expressão e aprendizado. Gardner (1994) define essa inteligência como a habilidade de resolver problemas e criar produtos utilizando o corpo de maneira coordenada e habilidosa, seja por meio de movimentos finos, como em trabalhos manuais, ou grosseiros, como nos esportes. Na educação infantil, essa inteligência se manifesta principalmente em atividades que envolvem movimento, exploração sensorial e imitação de gestos. Contudo, Gardner (1994) aponta que, embora a inteligência corporal seja inata em todas as pessoas, seu desenvolvimento no ambiente escolar muitas vezes é negligenciado ou restrito a disciplinas específicas, como a educação física. Isso limita o potencial de aprendizado integral da criança, uma vez que a inteligência corporal-cinestésica não é apenas fundamental para o desenvolvimento físico, mas também para a cognição, criatividade e bem-estar emocional. Ao propor atividades que integrem movimento, coordenação motora e expressão corporal, os educadores podem expandir o aprendizado além dos tradicionais métodos que priorizam as inteligências lógico-matemática e linguística. Atividades como a “dança das cadeiras com imitação de movimentos” permitem que as crianças desenvolvam suas capacidades motoras, enquanto estimulam a criatividade, a socialização e o respeito às regras em um ambiente lúdico e inclusivo. TEORIA DA INTELIGÊNCIA Na Teoria das Inteligências Múltiplas, Gardner (1994) afirma que o corpo em movimento, ao solucionar problemas, é considerado uma manifestação da inteligência humana, denominada de Inteligência Corporal Cinestésica. O autor afirma ser a impressionante capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos e as formas de comunicação utilizando o corpo, assim como também a capacidade de trabalhar habilmente com objetos, tanto os que envolvam movimentos finos dos dedos e das mãos, quanto os que exploram movimentos grosseiros do corpo. Para Gardner (1994) no ambiente escolar, as dimensões desta inteligência estão presentes e valorizadas em atividades extraclasses, de contraturno ou em poucas disciplinas, como a educação física. Desse modo, limita-se o desenvolvimento das competências humanas e inclina um princípio de padronização pessoal por meio da diretividade e predominância cultural de conteúdos da matemática/língua portuguesa. Portanto, a inteligência corporal-cinestésica tem suas características definidas como: [...] capacidade de usar o próprio corpo de maneiras altamente diferenciadas e hábeis para propósitos específicos assim como voltados a objetivos [...] capacidade de trabalhar habilmente com objetos, tanto os que envolvem movimentos motores finos dos dedos e mãos quanto os que exploram movimentos grosseiros do corpo. (Gardner, 1994, p. 161) Segundo Gardner (1994), os dois principais elementos da Inteligência Corporal Cinestésica podem existir juntos ou separadamente, são eles: o domínio aguçado sobre os movimentos de seu corpo, como os de dançarinos e nadadores; e, a capacidade de manipular objetos com destreza, como jogadores de esportes e/ou jogos com bola. Um sujeito pode apresentar em suas manifestações de Inteligência Corporal Cinestésica diferentes habilidades e capacidades, o autor menciona dançarinos famosos, esportistas, artesões, instrumentistas, inventores e atores para exemplificar formas maduras de expressão corporal em pessoas que demonstram esta inteligência. A Inteligência Corporal Cinestésica inclui a capacidade de unir o corpo e a mente para o desempenho físico perfeito. Começando com o controle de movimentos automáticos e voluntários, a inteligência cinestésica progride para usar o nosso corpo de maneiras extremamente diferenciadas e complexas. Campbel, Campbel e Dickinson (2000, p. 78). Gardner (2001) considera o movimento criativo como manifestação da Inteligência Corporal Cinestésica, afirmando ser um repertório motor mais amplo que facilita as soluções de problemas inseridos no contexto de atividades físicas e esportes. Para o autor, a criatividade e a inteligência envolvem a resolução de problemas e a criação de produtos, na prática de um esporte coletivo por exemplo, a manifestação da Inteligência Corporal Cinestésica poderá vir acompanhada de um movimento criativo, ou seja, de uma criação, desde que aceito pelas pessoas daquele ambiente cultural. Quando se pensa na estimulação desta inteligência, Brandl (2005) sugere um agir pedagógico aberto, no qual o estímulo não pode ser fechado, com intuito de uma única resposta ‘certa’, ressaltando que: [...] precisamos entender que, entre o estímulo dado até a resposta emitida, existe um intenso processo, individual, subjetivo, histórico, biológico, na qual se incluem sentimentos, significado, interesse, motivação, personalidade, que se auto-organizam. Brandl (2005, p. 81) O sujeito no seu processo de aprendizagem e de desenvolvimento necessita de estímulos que o façam valorizar o aprendizado, de forma que possa transferir os conhecimentos e experiências para sua vida e suas atividades cotidianas. Campbel, Campbel e Dickinson (2000) afirmam que a Inteligência Corporal Cinestésica é a base do conhecimento humano, pois é através das experiências sensório motoras que o sujeito experimenta a vida. Contudo, a prática de atividades físicas em geral e/ou de modalidades esportivas, assim como outras ações e práticas corporais, não são apenas fundamentos que tornam os indivíduos mais inteligentes, mas que contribuem positivamente para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida destes sujeitos. CRÍTICAS E LIMITAÇÕES DA TEORIA A teoria das inteligências múltiplas, proposta por Howard Gardner em 1983, trouxe uma visão mais diversificada sobre as capacidades humanas, destacando a inteligência cinestésica corporal como uma das oito formas de inteligência. Embora a teoria tenha sido amplamente aceita e valorizada em ambientes educacionais, ela não está isenta de críticas e limitações. Uma das principais críticas à inteligência cinestésica corporal, assim como a teoria das inteligências múltiplas em geral, é a falta de fundamentação empírica robusta. Gardner desenvolveu suas ideias com base em observações e estudos de caso, mas não há testes padronizados amplamente aceitos para medir de maneira objetiva essa forma de inteligência, o que dificulta sua validação científica, além disso, críticos como John White (2005) argumentam que as diferentes inteligências, incluindo a cinestésica, são na verdade subcomponentes de uma única inteligência geral (QI), ao invés de domínios independentes.Outra limitação envolve a aplicabilidade prática da teoria na educação. Embora a inclusão da inteligência cinestésica tenha promovido uma abordagem pedagógica mais diversificada, sua implementação efetiva nas salas de aula é um desafio. Muitas escolas não possuem infraestrutura, materiais ou formação adequada para desenvolver plenamente esse tipo de inteligência, limitando o seu potencial impacto no aprendizado dos alunos, isso também levanta questões sobre a viabilidade de adaptar currículos para atender a todas as inteligências de maneira equilibrada, uma vez que nem sempre há recursos ou tempo suficientes para abordar cada uma com profundidade. A ideia de que todas as inteligências têm o mesmo valor ou devem ser desenvolvidas de forma equitativa é alvo de questionamento. Críticos como Eysenck (2000) sugerem que algumas formas de inteligência, como a lógica-matemática e a linguística, têm uma importância mais central em nossa sociedade e economia, e que a ênfase nas demais inteligências pode desviar a atenção das áreas cognitivas que têm maior relevância para o sucesso acadêmico e profissional. ATIVIDADE PEDAGÓGICA: IMITANDO MOVIMENTOS Habilidades de Acordo com a BNCC (EI03CG03): Explorar diferentes formas de expressão corporal, como gestos, posturas, expressões faciais e imitação de movimentos, de forma individual e coletiva. Objetivo da Atividade Atividade tem como objetivo de desenvolver a percepção corporal, coordenação motora e o equilíbrio dos alunos, promovendo a expressão através do movimento e da imitação. Recursos · Cadeiras · Imagens de bonecos em diferentes movimentos · Música · Caixinha de som para reproduzir a música Procedimentos Metodológicos Reúna as crianças em um círculo e explique as regras da brincadeira, que será uma adaptação da tradicional "dança das cadeiras". Explique que, em vez de apenas sentarem nas cadeiras quando a música parar, as crianças deverão observar as imagens de um boneco fazendo diferentes movimentos (como pular, esticar os braços, tocar os pés, etc.) e imitá-los. Coloque cadeiras em círculo, com uma quantidade inferior ao número de crianças (por exemplo, 10 crianças e 9 cadeiras). Inicie a música e peça para as crianças dançarem ao redor das cadeiras e quando a música parar, em vez de apenas procurarem uma cadeira para sentar, você mostrará uma imagem de um boneco em uma posição ou movimento específico. As crianças que não conseguirem se sentar deverão imitar o movimento que o boneco está fazendo na imagem. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a inteligência corporal-cinestésica desempenha um papel crucial no desenvolvimento integral das crianças, especialmente na fase da educação infantil, quando o corpo é o principal meio de interação com o mundo. A partir da perspectiva de Gardner (1994), essa forma de inteligência é tão significativa quanto as habilidades lógico-matemáticas ou linguísticas, contribuindo não apenas para o desenvolvimento físico, mas também para a construção de conhecimento, expressão emocional e socialização. Atividades como a dança das cadeiras adaptada, que envolve a imitação de movimentos, exemplificam como a inteligência cinestésica pode ser estimulada de maneira lúdica e eficaz. Ao proporcionar às crianças a oportunidade de explorar gestos e posturas, tais atividades fortalecem a coordenação motora, o equilíbrio e a percepção corporal, além de promoverem habilidades cognitivas, como atenção, concentração e resolução de problemas. Essas experiências sensório-motoras, conforme apontado por Campbel, Campbel e Dickinson (2000), são fundamentais para a construção do conhecimento e para o desenvolvimento global da criança. É evidente que a inclusão de atividades voltadas à inteligência corporal-cinestésica no cotidiano escolar precisa ser mais valorizada e ampliada. Para isso, é essencial que o currículo contemple ações pedagógicas diversificadas, que incentivem a criança a aprender com o corpo em movimento. O agir pedagógico sugerido por Brandl (2005) destaca a importância de um ambiente aberto à criatividade, onde o estímulo não seja restrito a respostas únicas e corretas, mas sim, onde cada criança possa explorar sua individualidade e potencialidades. Portanto, é necessário que os educadores reconheçam o valor da inteligência corporal-cinestésica e busquem formas de integrá-la ao currículo, oferecendo oportunidades para que as crianças desenvolvam suas habilidades motoras e cognitivas de maneira equilibrada e inclusiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRANDL, C. E. H. A Estimulação da Inteligência Corporal Cinestésica no Contexto da Educação Física Escolar. 2005. Tese (Doutorado em Educação Física) - Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005. CAMPBELL, L.; CAMPBELL, B.; DICKINSON, D. Ensino e Aprendizagem por meio das Inteligências Múltiplas. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 1994. NISTA-PICCOLO, V. L. Pedagogia dos Esportes. Campinas: Papirus, 1999 ROSE JÚNIOR, D.; SILVA, T. A. F. As modalidades esportivas coletivas (MEC): história e caracterização. In: ROSE JÚNIOR, D. (org.). Modalidades Esportivas Coletivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. GARDNER, H.; KORNHABER, M. L.; WAKE, W. K. Inteligência: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Artmed, 1998. image1.png