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Leia as estrofes abaixo, que se referem a uma peça teatral de Gil Vicente. [...] Renego deste lavrar E do primeiro que o usou; Ó diabo que o eu dou, Que tão mau é d’aturar. Oh Jesus! Que enfadamento, E que raiva e que tormento, Que cegueira, e que canseira! Eu hei de buscar maneira D’algum outro aviamento. Coitada, assi hei de estar Encerrada nesta casa Como panela sem asa, Que sempre está num lugar? E assi hão de ser logrados Dous dias amargurados, Que eu possa durar viva? E assim hei de estar cativa Em poder de desfiados? [...] Assinale a alternativa correta acerca da obra a que estas estrofes pertencem.

Farsa de Inês Pereira é o título dado à peça, cujas estrofes foram apresentadas. Esta peça, considerada a mais humanista de Gil Vicente, retrata o comportamento amoral da degradante sociedade da época; os versos correspondem às falas de Inês, uma moça insatisfeita ao se ocupar das prendas domésticas.
As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Purgatório, em que a personagem principal é encarregada de conduzir as almas ao destino apropriado, após a morte. Pode-se observar que, nesta obra, a característica do Humanismo predominante é o antropocentrismo.
As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Inferno; as cenas ocorrem à margem de um rio, onde estão ancorados dois barcos: um é dirigido por um anjo e o outro é dirigido pelo diabo. Pode-se depreender que esta obra apresenta uma característica bem marcante do Humanismo: as decisões do homem prevalecem e o indivíduo possui em vida livre-arbítrio.
O nome da peça cujas estrofes foram apresentadas é breve sumário da história de Deus, obra em que Gil Vicente reafirma a certeza quanto à existência do inferno e ressalta uma importante característica do Humanismo: a demonstração da figura humana e suas expressões.
As estrofes apresentadas foram extraídas da seguinte obra de Gil Vicente: O velho da horta, peça de enredo, na qual se desenvolve uma ação contínua e encadeada em torno de um episódio extraído da vida real, em que a individualidade, característica do Humanismo, é valorizada.

(IFSP 2016). Leia o texto abaixo, um trecho do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, para assinalar a alternativa correta no que se refere à obra desse autor e ao Humanismo em Portugal. Nota: foram feitas pequenas alterações no trecho para facilitar a leitura. Vem um Frade com uma Moça pela mão, e um 1broquel e uma espada na outra, e um 1casco debaixo do 2capelo; e, ele mesmo fazendo a baixa, começou de dançar, dizendo: FRADE Tai-rai-rai-ra-rã; ta-ri-ri-rã; ta-rai-rai-rai-rã; tai-ri-ri-rã: tã-tã; ta-ri-rim-rim-rã. Huhá! DIABO Que é isso, padre?! Que vai lá? FRADE Deo gratias! Sou cortesão. DIABO Sabes também o tordião? FRADE Por que não? Como ora sei! DIABO Pois entrai! Eu tangerei e faremos um serão. Essa dama é ela vossa? FRADE Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu DIABO Fizestes bem, que é formosa! E não vos punham lá 3grosa no vosso convento santo? FRADE E eles fazem outro tanto! DIABO Que cousa tão preciosa... Entrai, padre reverendo! FRADE Para onde levais gente? DIABO Pera aquele fogo ardente que não temestes vivendo. FRADE Juro a Deus que não te entendo! E este hábito não me vale? DIABO Gentil padre mundanal, a Belzebu vos encomendo! 1 - broquel e casco – respectivamente, escudo e armadura para cabeça – são elementos por meio dos quais o autor descreve o frade. 2 - capelo – chapéu ou capuz usado pelos religiosos. 3 - pôr grosa – censurar.

A) A imagem cômica, mas condenável, de um frade que canta, dança e namora, trazendo consigo uma dama, é exemplo cabal do pressuposto das peças de Gil Vicente de que, rindo, é possível corrigir os costumes.
B) O destino do frade é exemplar no que se refere à principal característica da obra de Gil Vicente: a crítica severa, de sabor renascentista, à Igreja Católica, de cuja moral se distancia a obra do dramaturgo.
C) A proposta do teatro vicentino alegórico – especialmente a Trilogia das Barcas – era a montagem de peças complexas, de linguagem rebuscada, distante do falar popular, para criticar, nos termos da moral medieval, os homens do povo.
D) O sistema de valores que pode ser entrevisto nas peças de Gil Vicente, e especialmente no Auto da Barca do Inferno, revela uma mentalidade avessa aos valores da Idade Média.
E) O frade terá como destino o inferno porque é homem “mundanal”, ligado aos gozos do mundo material, em cujo pano de fundo percebe-se o sistema de valores do homem medieval, para o qual não há salvação após a morte.

O argumento da peça A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da farsa.

a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.
b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.
c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega.
d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.
e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.

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Questões resolvidas

Leia as estrofes abaixo, que se referem a uma peça teatral de Gil Vicente. [...] Renego deste lavrar E do primeiro que o usou; Ó diabo que o eu dou, Que tão mau é d’aturar. Oh Jesus! Que enfadamento, E que raiva e que tormento, Que cegueira, e que canseira! Eu hei de buscar maneira D’algum outro aviamento. Coitada, assi hei de estar Encerrada nesta casa Como panela sem asa, Que sempre está num lugar? E assi hão de ser logrados Dous dias amargurados, Que eu possa durar viva? E assim hei de estar cativa Em poder de desfiados? [...] Assinale a alternativa correta acerca da obra a que estas estrofes pertencem.

Farsa de Inês Pereira é o título dado à peça, cujas estrofes foram apresentadas. Esta peça, considerada a mais humanista de Gil Vicente, retrata o comportamento amoral da degradante sociedade da época; os versos correspondem às falas de Inês, uma moça insatisfeita ao se ocupar das prendas domésticas.
As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Purgatório, em que a personagem principal é encarregada de conduzir as almas ao destino apropriado, após a morte. Pode-se observar que, nesta obra, a característica do Humanismo predominante é o antropocentrismo.
As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Inferno; as cenas ocorrem à margem de um rio, onde estão ancorados dois barcos: um é dirigido por um anjo e o outro é dirigido pelo diabo. Pode-se depreender que esta obra apresenta uma característica bem marcante do Humanismo: as decisões do homem prevalecem e o indivíduo possui em vida livre-arbítrio.
O nome da peça cujas estrofes foram apresentadas é breve sumário da história de Deus, obra em que Gil Vicente reafirma a certeza quanto à existência do inferno e ressalta uma importante característica do Humanismo: a demonstração da figura humana e suas expressões.
As estrofes apresentadas foram extraídas da seguinte obra de Gil Vicente: O velho da horta, peça de enredo, na qual se desenvolve uma ação contínua e encadeada em torno de um episódio extraído da vida real, em que a individualidade, característica do Humanismo, é valorizada.

(IFSP 2016). Leia o texto abaixo, um trecho do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, para assinalar a alternativa correta no que se refere à obra desse autor e ao Humanismo em Portugal. Nota: foram feitas pequenas alterações no trecho para facilitar a leitura. Vem um Frade com uma Moça pela mão, e um 1broquel e uma espada na outra, e um 1casco debaixo do 2capelo; e, ele mesmo fazendo a baixa, começou de dançar, dizendo: FRADE Tai-rai-rai-ra-rã; ta-ri-ri-rã; ta-rai-rai-rai-rã; tai-ri-ri-rã: tã-tã; ta-ri-rim-rim-rã. Huhá! DIABO Que é isso, padre?! Que vai lá? FRADE Deo gratias! Sou cortesão. DIABO Sabes também o tordião? FRADE Por que não? Como ora sei! DIABO Pois entrai! Eu tangerei e faremos um serão. Essa dama é ela vossa? FRADE Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu DIABO Fizestes bem, que é formosa! E não vos punham lá 3grosa no vosso convento santo? FRADE E eles fazem outro tanto! DIABO Que cousa tão preciosa... Entrai, padre reverendo! FRADE Para onde levais gente? DIABO Pera aquele fogo ardente que não temestes vivendo. FRADE Juro a Deus que não te entendo! E este hábito não me vale? DIABO Gentil padre mundanal, a Belzebu vos encomendo! 1 - broquel e casco – respectivamente, escudo e armadura para cabeça – são elementos por meio dos quais o autor descreve o frade. 2 - capelo – chapéu ou capuz usado pelos religiosos. 3 - pôr grosa – censurar.

A) A imagem cômica, mas condenável, de um frade que canta, dança e namora, trazendo consigo uma dama, é exemplo cabal do pressuposto das peças de Gil Vicente de que, rindo, é possível corrigir os costumes.
B) O destino do frade é exemplar no que se refere à principal característica da obra de Gil Vicente: a crítica severa, de sabor renascentista, à Igreja Católica, de cuja moral se distancia a obra do dramaturgo.
C) A proposta do teatro vicentino alegórico – especialmente a Trilogia das Barcas – era a montagem de peças complexas, de linguagem rebuscada, distante do falar popular, para criticar, nos termos da moral medieval, os homens do povo.
D) O sistema de valores que pode ser entrevisto nas peças de Gil Vicente, e especialmente no Auto da Barca do Inferno, revela uma mentalidade avessa aos valores da Idade Média.
E) O frade terá como destino o inferno porque é homem “mundanal”, ligado aos gozos do mundo material, em cujo pano de fundo percebe-se o sistema de valores do homem medieval, para o qual não há salvação após a morte.

O argumento da peça A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da farsa.

a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.
b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.
c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega.
d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.
e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.

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Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 1/10
JACQUELINE
FERREIRA FARIAS
Avaliação Online (SALA EAD) - Capitulos/Referencias 1,2,3,4,5,6
Atividade finalizada em 13/11/2024 16:23:37 (2740854 / 1)
LEGENDA
Resposta correta na questão
# Resposta correta - Questão Anulada
X Resposta selecionada pelo Aluno
Disciplina:
LITERATURA PORTUGUESA E AFRICANAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA [1322972] - Avaliação com 20 questões, com o peso total de 50,00
pontos [capítulos - 1,2,3,4,5,6]
Turma:
Segunda Graduação: Licenciatura em Letras - Português p/ Licenciados - Grupo: AGOSTO/2024 - SGice0A170924 [143982]
Aluno(a):
91653175 - JACQUELINE FERREIRA FARIAS - Respondeu 20 questões corretas, obtendo um total de 50,00 pontos como nota
[363479_2167
00]
Questão
001
(IFSP - 2017). Leia as estrofes abaixo, que se referem a uma peça teatral de Gil
Vicente.
[...]
Renego deste lavrar
E do primeiro que o usou;
Ó diabo que o eu dou,
Que tão mau é d’aturar.
Oh Jesus! Que enfadamento,
E que raiva e que tormento,
Que cegueira, e que canseira!
Eu hei de buscar maneira
D’algum outro aviamento.
Coitada, assi hei de estar
Encerrada nesta casa
Como panela sem asa,
Que sempre está num lugar?
E assi hão de ser logrados
Dous dias amargurados,
Que eu possa durar viva?
E assim hei de estar cativa
Em poder de desfiados?
[...]
Assinale a alternativa correta acerca da obra a que estas estrofes pertencem.
X
Farsa de Inês Pereira é o título dado à peça, cujas estrofes foram apresentadas. Esta
peça, considerada a mais humanista de Gil Vicente, retrata o comportamento amoral
da degradante sociedade da época; os versos correspondem às falas de Inês, uma
moça insatisfeita ao se ocupar das prendas domésticas.
As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Purgatório, em
que a personagem principal é encarregada de conduzir as almas ao destino
apropriado, após a morte. Pode-se observar que, nesta obra, a característica do
Humanismo predominante é o antropocentrismo.
As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Inferno; as cenas
ocorrem à margem de um rio, onde estão ancorados dois barcos: um é dirigido por um
anjo e o outro é dirigido pelo diabo. Pode-se depreender que esta obra apresenta uma
característica bem marcante do Humanismo: as decisões do homem prevalecem e o
indivíduo possui em vida livre-arbítrio.
O nome da peça cujas estrofes foram apresentadas é breve sumário da história de
Deus, obra em que Gil Vicente reafirma a certeza quanto à existência do inferno e
ressalta uma importante característica do Humanismo: a demonstração da figura
humana e suas expressões.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 2/10
As estrofes apresentadas foram extraídas da seguinte obra de Gil Vicente: O velho da
horta, peça de enredo, na qual se desenvolve uma ação contínua e encadeada em
torno de um episódio extraído da vida real, em que a individualidade, característica do
Humanismo, é valorizada.
[363479_2168
68]
Questão
002
(UFGD-2010) No que tange à realidade sócio-histórica exposta na obra do escritor
moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula, no breve recorte acima, é correto afirmar
que os elementos grifados no excerto fazem analogia direta, respectivamente, a:
Moçambicanos / da luta / os pássaros.
Africanos / da guerra / os pássaros.
Moçambicanos / da vida / a vida.
X Moçambicanos / da guerra / a vida.
Africanos / da guerra / a vida.
[363479_2167
06]
Questão
003
(UFPA 2012). O monólogo dramático “O pranto de Maria Parda”, de Gil Vicente, é um
desses textos emblemáticos da produção de um dos mais respeitáveis autores
portugueses. A peça dispõe de um conteúdo pelo qual perpassam variados sentidos,
ligados a problemas sociais, a preconceito, à paródia, ao grotesco, enfim, nela se
encontra uma espécie de mosaico de informações de toda ordem. A riqueza de
questões suscitadas no monólogo ainda hoje pode ser considerada, como é da
natureza do texto vicentino, de atualidade indiscutível.
Com base no comentário acima, é correto afirmar, relativamente à linguagem e ao
conteúdo da peça de Gil Vicente, que
os taberneiros de Lisboa constituem uma espécie de coro, na peça, com a função de
comentar os lamentos expressos nas falas de Maria Parda.
Gil Vicente cria um personagem com as características referidas aqui: doente,
envelhecida, “sem gota de sangue nas veias”, de corpo “tão seco”.
X
há, na peça, uma enfática oposição ao uso de vinho, manifesta no discurso de
sacerdotes, escudeiros e barqueiros.
a linguagem da peça é rica de lamentos, pragas, pedidos, promessas e muitas
exclamações apelativas.
Maria Parda – mestiça, atrevida e sexualmente livre – é um personagem que
representa a base da pirâmide social lisboeta da época.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 3/10
[363479_2168
48]
Questão
004
(UFT-2020). Leia o fragmento para responder à QUESTÃO
Horácio não gostava de ser contestado, mas compreendeu não era bom tema de
conversa. Voltou à literatura, aconselhando os outros a lerem Drummond de Andrade,
na sua opinião o melhor poeta de língua portuguesa de sempre. Qual Camões, qual
Pessoa, Drummond é que era, tudo estava nele, até a situação de Angola se podia
inferir na sua poesia. Por isso vos digo, os portugueses passam a vida a querer-nos
impingir a sua poesia, temos de a estudar na escola, e escondem-nos os brasileiros,
nossos irmãos, poetas e prosadores sublimes, relatando os nossos problemas e numa
linguagem bem mais próxima da que falamos nas cidades. Quem não leu Drummond é
um analfabeto. Os outros iam comendo, trocando de vez em quando olhares
cúmplices. Até que Malongo e Vítor terminaram a refeição. Malongo despediu-se,
levantando-se, um analfabeto vos saúda. Vítor e Furtado riram, Horácio fingiu que não
ouviu. Agarrou no braço de Furtado e continuou a cultivá-lo com versos de Drummond
e os seus próprios, dedicados ao grande brasileiro.
Fonte: PEPETELA. A geração da utopia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 2000, p.
30-31 (fragmento).
No fragmento do romance do escritor angolano Pepetela, Horácio aconselha seus
amigos Malongo, Vítor e Furtado a lerem o poeta Drummond de Andrade.
Analise as afirmativas a seguir.
I. A poesia de Drummond é melhor que a de Camões e de Pessoa.
II. Há uma aproximação entre a literatura de Drummond e a realidade angolana.
III. Nas escolas portuguesas se estuda a poesia de Drummond.
IV. A poesia de Drummond está sendo usada para alfabetizar nas escolas angolanas.
V. As obras dos literatos brasileiros possuem uma linguagem próxima a dos angolanos
nas cidades.
Assinale a alternativa CORRETA.
Apenas a alternativa III está correta.
X Apenas as afirmativas I, II e V estão corretas.
Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas.
Apenas as afirmativas II, IV e V estão corretas.
Apenas as afirmativas I, III e V estão corretas.
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62]
Questão
005
(FCL - 2017). Sobre o foco narrativo de Mayombe, de Pepetela, é correto afirmar que:
O foco narrativo, que privilegia a constante interação dialógica entre os personagens,
configura-se em um universo à parte, independente do espaço onde se dão as ações
do romance.
A marca do foco narrativo é a da democratização da voz, articulada ao peso dos
monólogos nos quais cada narrador está mergulhado e dos quais nunca consegue sair
sem se transformar radicalmente.
A divisão do fio narrativo no romance, onde tudo convida à comunhão, constitui uma
necessária operação de fragmentação, disposta a marcar os dois lados antagônicos
em questão: o dos angolanos e o dos portugueses.
A fragmentação narrativa do romance é um sinal de que a autoridade, de que a
palavra é manifestação, não pode ser compartilhada e sim exercida de maneira
unívoca.
X
Assumido por vários narradores, cujas falas são organizadas por uma espécie de
narrador titular, o fio narrativo do romance é dividido e comungado pelos elementos
que vivem as ações do enredo.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 4/10
[363479_2167
93]
Questão
006
(FUVEST-1989). Na Lírica de Camões:
A mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.
X Encontra-seuma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.
Encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.
O verso usado para a composição dos sonetos é o redondilho maior.
Cantar a pátria é o centro das preocupações.
[363479_2167
03]
Questão
007
(IFSP 2016). Leia o texto abaixo, um trecho do Auto da Barca do Inferno, de Gil
Vicente, para assinalar a alternativa correta no que se refere à obra desse autor e ao
Humanismo em Portugal.
Nota: foram feitas pequenas alterações no trecho para facilitar a leitura.
Vem um Frade com uma Moça pela mão, e um 1broquel e uma espada na outra, e um
1casco debaixo do 2capelo; e, ele mesmo fazendo a baixa, começou de dançar,
dizendo:
FRADE Tai-rai-rai-ra-rã; ta-ri-ri-rã;
ta-rai-rai-rai-rã; tai-ri-ri-rã: tã-tã;
ta-ri-rim-rim-rã. Huhá!
DIABO Que é isso, padre?! Que vai lá?
FRADE Deo gratias! Sou cortesão.
DIABO Sabes também o tordião?
FRADE Por que não? Como ora sei!
DIABO Pois entrai! Eu tangerei
e faremos um serão.
Essa dama é ela vossa?
FRADE Por minha a tenho eu,
e sempre a tive de meu
DIABO
Fizestes bem, que é formosa!
E não vos punham lá 3grosa
no vosso convento santo?
FRADE E eles fazem outro tanto!
DIABO Que cousa tão preciosa...
Entrai, padre reverendo!
FRADE Para onde levais gente?
DIABO Pera aquele fogo ardente
que não temestes vivendo.
FRADE Juro a Deus que não te entendo!
E este hábito não me vale?
DIABO Gentil padre mundanal,
a Belzebu vos encomendo!
1 - broquel e casco – respectivamente, escudo e armadura para cabeça – são
elementos por meio dos quais o autor descreve o frade.
2 - capelo – chapéu ou capuz usado pelos religiosos.
3 - pôr grosa – censurar.
O frade terá como destino o inferno porque é homem “mundanal”, ligado aos gozos do
mundo material, em cujo pano de fundo percebe-se o sistema de valores do homem
medieval, para o qual não há salvação após a morte.
A proposta do teatro vicentino alegórico – especialmente a Trilogia das Barcas – era a
montagem de peças complexas, de linguagem rebuscada, distante do falar popular,
para criticar, nos termos da moral medieval, os homens do povo.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 5/10
X
A imagem cômica, mas condenável, de um frade que canta, dança e namora, trazendo
consigo uma dama, é exemplo cabal do pressuposto das peças de Gil Vicente de que,
rindo, é possível corrigir os costumes.
O destino do frade é exemplar no que se refere à principal característica da obra de Gil
Vicente: a crítica severa, de sabor renascentista, à Igreja Católica, de cuja moral se
distancia a obra do dramaturgo.
O sistema de valores que pode ser entrevisto nas peças de Gil Vicente, e
especialmente no Auto da Barca do Inferno, revela uma mentalidade avessa aos
valores da Idade Média.
[363479_2168
67]
Questão
008
(UFGD-2010).
Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A
paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca.
Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia
de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se
acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.
(COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)
No que tange à realidade sócio-histórica exposta na obra do escritor moçambicano Mia
Couto, Terra Sonâmbula, no breve recorte acima, é correto afirmar que os elementos
grifados no excerto fazem analogia direta, respectivamente, a:
Africanos / da guerra / os pássaros.
Africanos / da guerra / a vida.
X Moçambicanos / da guerra / a vida.
Moçambicanos / da luta / os pássaros.
Moçambicanos / da vida / a vida.
[363479_2168
54]
Questão
009
(UNIMONTES-2013). Leia com atenção o fragmento do conto “Vida Nova”, de
Pepetela.
Ngunga só se despediu de Mavinga. Explicou-lhe por que queria ir secretamente.
Pediu-lhe para não contar a ninguém aonde ia e não voltar a falar de Ngunga, que
tinha morrido nessa noite inesquecível. E não revelou o seu nome novo ao
Comandante. Partiu sozinho para a escola. Um homem tinha nascido dentro do
pequeno Ngunga.
(LAJOLO, 2006, p. 84.)
Assinale a alternativa INCORRETA.
O personagem Ngunga simboliza a esperança do povo africano na liberdade e na
capacidade de construção de seu próprio destino.
X
A narrativa conta a história de um jovem que recebe um nome novo para se integrar
aos velhos costumes da tribo.
Conforme o texto, o momento é de uma despedida, o que torna a narrativa bem tensa.
A mudança de nome do personagem assinala para a quebra de uma tradição e para o
início de uma nova vida.
O conto apresenta, poeticamente, um rito de passagem de um menino para um
homem renovado.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 6/10
[363479_2168
47]
Questão
010
Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa.
Mas mais frágil fica a bota.
Gonçalo M. Tavares, 1: poemas.
*Sesta: repouso após o almoço.
Considerando que se trata de um texto literário, uma interpretação que seja capaz de
captar a sua complexidade abordará o poema como
uma defesa da natureza.
um ataque às forças armadas.
X uma defesa da resistência civil.
um ataque à passividade.
uma defesa dos direitos humanos.
[363480_2163
58]
Questão
011
Senhor feudal
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.
Oswald de Andrade
O título do poema de Oswald leva o leitor de volta à Idade Média. Nela, como uma
canção de amor, a ideia de poder assume os seguintes conceitos:
saudades de pessoas distantes.
igualdade das pessoas.
idealização do amor.
X relação entre suserano e vassalo.
crenças religiosas.
[363480_2163
60]
Questão
012
(UNITAU) “O último poema
Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”
Manuel Bandeira. Libertinagem. 1930.
O poema acima se caracteriza como
uma oração.
um epitáfio.
X uma poética.
um madrigal.
um requiém.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 7/10
[363480_2163
91]
Questão
013
O cego Estrelinho era pessoa de nenhuma vez: sua história poderia ser contada e
descontada não fosse seu guia, Gigito Efraim. A mão de Gigito conduziu o desvistado
por tempos e idades. Aquela mão era repartidamente comum, extensão de um no
outro, siamensal. E assim era quase de nascença. Memória de Estrelinho tinha cinco
dedos e eram os de Gigito postos, em aperto, na sua própria mão.
O cego, curioso, queria saber de tudo. Ele não fazia cerimônia no viver. O sempre lhe
era pouco e tudo insuficiente. Dizia, deste modo:
- Tenho que viver já, senão esqueço-me.
Gigitinho, porém, o que descrevia era o que não havia.
O mundo que ele minuciava eram fantasias e rendilhados. A imaginação do guia era
mais profícua que papaeira. O cego enchia a boca de águas:
- Que maravilhação esse mundo. Me conte tudo, Gigito!
A mão do guia era, afinal, o manuscrito da mentira. Gigito Efraim estava como nunca
esteve S. Tomé: via para não crer. O condutor falava pela ponta dos dedos.
Desfolhava o universo, aberto em folhas. A ideação dele era tal que mesmo o cego,
por vezes, acreditava ver.
(...)
COUTO, Mia. “O cego Estrelinho”. In: Estórias Abensonhadas. Portugal; Editotial
caminho, 1994, pp.29 -30.
No excerto do conto "O cego Estrelinho", pode dizer-se que Mia Couto utiliza o
procedimento estilístico da intertextualidade, que consiste em construir uma relação
com um texto existente, a fim de construir uma narrativa. Desta forma, Mia Couto
interage com os ensinamentos cristãos tradicionais, a crença popular derivada de São
Tomás, um dos discípulos de Jesus Cristo, que ver é crer, e que o seu privilégio era
acreditar apenas naquilo que podia concretamente ver e confirmar por si próprio. No
entanto, nesta história, Mia Couto não diz "ver é acreditar", mas inverte este provérbio
popular. Depois de saber que Zigito descreve um mundo que não existe para o cego
Estrellinho, o narradorafirma que "Zigito Efraim vê para não acreditar, tal como São
Tomás nunca viu".
Face a tal afirmação, consideramos o seguinte:
Ele deve viver a vida como ela é, e viver no mundo como ele é (mesmo que este
mundo seja cheio de miséria e carência), para não ser enganado por um mundo
imaginário que separa o homem de sua vida real.
X
Há vislumbres de dois tipos de visão nesta história: uma visão mais realista e uma
visão mais original: a primeira caracteriza-se pelo relato de uma realidade mais crua,
descrevendo o mundo em que os personagens viveram - um mundo de miséria, de
guerra, de trevas para o Estrelinho, de cegueira. Uma visão é a de um mundo em que
as personagens viviam num mundo de miséria, guerra, escuridão e cegueira. A outra
visão, responsável pelo mundo inventado por Gigito, é caracterizada pela
representação de um mundo ideal, um mundo que poderia existir sem guerra.
Ao inverter o significado de provérbios comuns nesta história, Mia Couto está a romper
radicalmente com uma tradição comum que não é de origem africana mas de origem
cristã.
A utilização de procedimentos de intertextualidade nesta história posiciona Mia Couto
como um escritor que radicaliza as formas tradicionais de escrita no género dos contos
curtos.
Nesta história, o significado da inversão do provérbio "uma imagem vale mil palavras"
refere-se ao ato do Estrelinho de fingir acreditar na descrição de um mundo imaginário
que ouviu da Gigito. Mia Couto é negativamente crítico de um mundo que "escapa à
realidade".
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 8/10
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68]
Questão
014
O argumento da peça "A Farsa de Inês Pereira", de Gil Vicente, consiste na
demonstração do refrão popular "Mais quero asno que me carregue que cavalo que
me derrube". Identifique a alternativa que NÃO corresponde ao provérbio, na
construção da farsa.
O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega.
O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.
O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.
A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.
X
Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida
conjugal.
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92]
Questão
015
Em Terra sonâmbula, de Mia Couto, de que maneira os cadernos de Kindzu adquirem
importância para a sobrevivência do menino Muidinga em meio à guerra civil que
assola o país?
Sendo Muidinga semianalfabeto, os cadernos de Kindzu permitem que ele, à medida
que os decifra, perceba que a leitura é um poderoso instrumento de resistência ao
poder estabelecido.
Sendo Tuahir analfabeto, os cadernos de Kindzu permitem que Muidinga, ao lê-los,
entretenha o velho durante a longa viagem que intentam fazer para fugir da guerra.
Ao ler os cadernos de Kindzu, Muidinga finalmente identifica e localiza, ao final do
relato, seu irmão desaparecido no início da guerra.
Através dos cadernos de Kindzu, Muidinga percebe que Tuahir é na verdade seu pai,
apesar do esforço deste em manter a informação em segredo a fim de não
comprometer a fuga do local de conflito.
X
Ao ler os cadernos de Kindzu para o analfabeto Tuahir, Muidinga, ao se identificar com
o relato, assimila melhor seu próprio drama de resistência à guerra e a busca aos pais
desaparecidos.
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 9/10
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62]
Questão
016
. (CESUPA) Leia o texto para responder à questão
Amor
Poema mais ou menos de amor
Eu queria, senhora,
Ser o seu armário
E guardar seus tesouros
Como um corsário.
Que coisa louca:
Ser seu guarda-roupa!
Alguma coisa sólida,
Circunspecta e pesada
Nessa sua vida tão estabanada.
Um amigo da lei
(De que madeira não sei).
Um sentinela no seu leito
- com todo o respeito
Ah, ter gavetinhas
Para suas argolinhas
Ter um vão
Para o seu camisolão
E sentir o seu cheiro,
Senhora,
O dia inteiro.
Veríssimo, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva,
2001. (Adaptado)
Veríssimo, escritor contemporâneo, incorpora no seu poema Amor características
comuns às cantigas de amor medieval, uma vez que o eu lírico.
fingindo-se de peça de toucador, pretende descobrir os segredos de sua dama, de
forma a poder conquistá-la.
X
transmutado em armário, deseja servir sua senhora de forma a estar mais próximo a
ela, ser o seu sentinela.
semelhante ao trovador, presta vassalagem a sua senhor, amando-a e sendo
correspondido por ela.
transformado em espelho , ele pretende estar presente na vida de sua amada sempre
que ela precisar.
transformado em guarda-roupa, presta serviço à amada, protegendo-a de malfeitores,
para tê-la só para si.
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96]
Questão
017
Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A
paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca.
Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia
de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se
acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.
(COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)
No que tange à realidade sócio-histórica exposta na obra do escritor moçambicano Mia
Couto, Terra Sonâmbula, no breve recorte acima, é correto afirmar que os elementos
grifados no excerto fazem analogia direta, respectivamente, a
África / da guerra / da vida.
Moçambicano / Luta / Pássaro.
África/Guerra/Pássaros.
Moçambique / vida / vida.
X Moçambique / Guerra / Vida
Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 10/10
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77]
Questão
018
(Mackenzie) O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de "Os Lusíadas"
aparece em outro momento do poema. Isso acontece no episódio
do Gigante Adamastor.
X do Velho do Restelo.
de Inês de Castro.
do Concílio dos Deuses.
dos Doze de Inglaterra.
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85]
Questão
019
. — Traíste-me, Sem Medo. Tu traíste-me.
(...)
Sabes o que tu és afinal, Sem Medo? Es um ciumento. Chego a pensar se não és
homossexual. Tu querias-me só, como tu. Um solitário do Mayombe. (...) Desprezo-te.
(...) Nunca me verás atrás de uma garrafa vazia. (...) Cada sucesso que eu tiver, será a
paga da tua bofetada, pois não serei um falhado como tu.
Pepetela, Mayombe. Adaptado.
II
— Peço-te perdão, Sem Medo. Não te compreendi, fui um imbecil. E quis igualar o
inigualável.
Pepetela, Mayombe.
Esses excertos de Mayombe referem-se a conversas entre as personagens
Comissário e Sem Medo em momentos distintos do romance.
Em I e II, as falas do Comissário revelam, respectivamente,
Forte tensão homoafetiva entre ele e Sem Medo e aceitação da verdadeira orientação
sexual de sua parceira.
Incompatibilidade étnica entre ele e Sem Medo por pertencerem a gerações diferentes
e superando a inimizade tribal.
X
Decepção por Sem Medo não ter intervindo a seu favor na conversa com Ondina, e
desespero pelo companheiro caído.
A raiva que enfrentou o anticatolicismo de Sem Medo e a culpa que o atinge ao
perceber que sua bravura colocou seu companheiro em perigo.
Desconfiança da traição de Ondina e constatação de que não passa de uma crise de
ciúmes.
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78]
Questão
020
(Mackenzie) Assinale a alternativa correta sobre Camões.
Autor mais representativo da poesia medieval portuguesa, produziu, além de sonetos
satíricos, a obra épica Os lusíadas.
Influenciado pelo Humanismo português, aderiu ao cânone clássico de composição
poética, afastando-se, porém, das inovações métricas e dos modelos greco-romanos.
Introduziu o estilo cultista em Portugal, em 1580, explorando antíteses e paradoxos
nos poemas de temática religiosa.
Além de usar metros mais populares, utilizou-se da medida nova, especialmente nas
redondilhas que recriam, poeticamente, um quadro harmônico da vida e do mundo.
X
O tema do desconcerto do mundo é um dos aspectos característicos de sua poesia,
presente, por exemplo, nos sonetos de inspiração petrarquiana.

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