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Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 1/10 JACQUELINE FERREIRA FARIAS Avaliação Online (SALA EAD) - Capitulos/Referencias 1,2,3,4,5,6 Atividade finalizada em 13/11/2024 16:23:37 (2740854 / 1) LEGENDA Resposta correta na questão # Resposta correta - Questão Anulada X Resposta selecionada pelo Aluno Disciplina: LITERATURA PORTUGUESA E AFRICANAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA [1322972] - Avaliação com 20 questões, com o peso total de 50,00 pontos [capítulos - 1,2,3,4,5,6] Turma: Segunda Graduação: Licenciatura em Letras - Português p/ Licenciados - Grupo: AGOSTO/2024 - SGice0A170924 [143982] Aluno(a): 91653175 - JACQUELINE FERREIRA FARIAS - Respondeu 20 questões corretas, obtendo um total de 50,00 pontos como nota [363479_2167 00] Questão 001 (IFSP - 2017). Leia as estrofes abaixo, que se referem a uma peça teatral de Gil Vicente. [...] Renego deste lavrar E do primeiro que o usou; Ó diabo que o eu dou, Que tão mau é d’aturar. Oh Jesus! Que enfadamento, E que raiva e que tormento, Que cegueira, e que canseira! Eu hei de buscar maneira D’algum outro aviamento. Coitada, assi hei de estar Encerrada nesta casa Como panela sem asa, Que sempre está num lugar? E assi hão de ser logrados Dous dias amargurados, Que eu possa durar viva? E assim hei de estar cativa Em poder de desfiados? [...] Assinale a alternativa correta acerca da obra a que estas estrofes pertencem. X Farsa de Inês Pereira é o título dado à peça, cujas estrofes foram apresentadas. Esta peça, considerada a mais humanista de Gil Vicente, retrata o comportamento amoral da degradante sociedade da época; os versos correspondem às falas de Inês, uma moça insatisfeita ao se ocupar das prendas domésticas. As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Purgatório, em que a personagem principal é encarregada de conduzir as almas ao destino apropriado, após a morte. Pode-se observar que, nesta obra, a característica do Humanismo predominante é o antropocentrismo. As estrofes apresentadas referem-se à peça teatral Auto da Barca do Inferno; as cenas ocorrem à margem de um rio, onde estão ancorados dois barcos: um é dirigido por um anjo e o outro é dirigido pelo diabo. Pode-se depreender que esta obra apresenta uma característica bem marcante do Humanismo: as decisões do homem prevalecem e o indivíduo possui em vida livre-arbítrio. O nome da peça cujas estrofes foram apresentadas é breve sumário da história de Deus, obra em que Gil Vicente reafirma a certeza quanto à existência do inferno e ressalta uma importante característica do Humanismo: a demonstração da figura humana e suas expressões. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 2/10 As estrofes apresentadas foram extraídas da seguinte obra de Gil Vicente: O velho da horta, peça de enredo, na qual se desenvolve uma ação contínua e encadeada em torno de um episódio extraído da vida real, em que a individualidade, característica do Humanismo, é valorizada. [363479_2168 68] Questão 002 (UFGD-2010) No que tange à realidade sócio-histórica exposta na obra do escritor moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula, no breve recorte acima, é correto afirmar que os elementos grifados no excerto fazem analogia direta, respectivamente, a: Moçambicanos / da luta / os pássaros. Africanos / da guerra / os pássaros. Moçambicanos / da vida / a vida. X Moçambicanos / da guerra / a vida. Africanos / da guerra / a vida. [363479_2167 06] Questão 003 (UFPA 2012). O monólogo dramático “O pranto de Maria Parda”, de Gil Vicente, é um desses textos emblemáticos da produção de um dos mais respeitáveis autores portugueses. A peça dispõe de um conteúdo pelo qual perpassam variados sentidos, ligados a problemas sociais, a preconceito, à paródia, ao grotesco, enfim, nela se encontra uma espécie de mosaico de informações de toda ordem. A riqueza de questões suscitadas no monólogo ainda hoje pode ser considerada, como é da natureza do texto vicentino, de atualidade indiscutível. Com base no comentário acima, é correto afirmar, relativamente à linguagem e ao conteúdo da peça de Gil Vicente, que os taberneiros de Lisboa constituem uma espécie de coro, na peça, com a função de comentar os lamentos expressos nas falas de Maria Parda. Gil Vicente cria um personagem com as características referidas aqui: doente, envelhecida, “sem gota de sangue nas veias”, de corpo “tão seco”. X há, na peça, uma enfática oposição ao uso de vinho, manifesta no discurso de sacerdotes, escudeiros e barqueiros. a linguagem da peça é rica de lamentos, pragas, pedidos, promessas e muitas exclamações apelativas. Maria Parda – mestiça, atrevida e sexualmente livre – é um personagem que representa a base da pirâmide social lisboeta da época. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 3/10 [363479_2168 48] Questão 004 (UFT-2020). Leia o fragmento para responder à QUESTÃO Horácio não gostava de ser contestado, mas compreendeu não era bom tema de conversa. Voltou à literatura, aconselhando os outros a lerem Drummond de Andrade, na sua opinião o melhor poeta de língua portuguesa de sempre. Qual Camões, qual Pessoa, Drummond é que era, tudo estava nele, até a situação de Angola se podia inferir na sua poesia. Por isso vos digo, os portugueses passam a vida a querer-nos impingir a sua poesia, temos de a estudar na escola, e escondem-nos os brasileiros, nossos irmãos, poetas e prosadores sublimes, relatando os nossos problemas e numa linguagem bem mais próxima da que falamos nas cidades. Quem não leu Drummond é um analfabeto. Os outros iam comendo, trocando de vez em quando olhares cúmplices. Até que Malongo e Vítor terminaram a refeição. Malongo despediu-se, levantando-se, um analfabeto vos saúda. Vítor e Furtado riram, Horácio fingiu que não ouviu. Agarrou no braço de Furtado e continuou a cultivá-lo com versos de Drummond e os seus próprios, dedicados ao grande brasileiro. Fonte: PEPETELA. A geração da utopia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 2000, p. 30-31 (fragmento). No fragmento do romance do escritor angolano Pepetela, Horácio aconselha seus amigos Malongo, Vítor e Furtado a lerem o poeta Drummond de Andrade. Analise as afirmativas a seguir. I. A poesia de Drummond é melhor que a de Camões e de Pessoa. II. Há uma aproximação entre a literatura de Drummond e a realidade angolana. III. Nas escolas portuguesas se estuda a poesia de Drummond. IV. A poesia de Drummond está sendo usada para alfabetizar nas escolas angolanas. V. As obras dos literatos brasileiros possuem uma linguagem próxima a dos angolanos nas cidades. Assinale a alternativa CORRETA. Apenas a alternativa III está correta. X Apenas as afirmativas I, II e V estão corretas. Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. Apenas as afirmativas II, IV e V estão corretas. Apenas as afirmativas I, III e V estão corretas. [363479_2168 62] Questão 005 (FCL - 2017). Sobre o foco narrativo de Mayombe, de Pepetela, é correto afirmar que: O foco narrativo, que privilegia a constante interação dialógica entre os personagens, configura-se em um universo à parte, independente do espaço onde se dão as ações do romance. A marca do foco narrativo é a da democratização da voz, articulada ao peso dos monólogos nos quais cada narrador está mergulhado e dos quais nunca consegue sair sem se transformar radicalmente. A divisão do fio narrativo no romance, onde tudo convida à comunhão, constitui uma necessária operação de fragmentação, disposta a marcar os dois lados antagônicos em questão: o dos angolanos e o dos portugueses. A fragmentação narrativa do romance é um sinal de que a autoridade, de que a palavra é manifestação, não pode ser compartilhada e sim exercida de maneira unívoca. X Assumido por vários narradores, cujas falas são organizadas por uma espécie de narrador titular, o fio narrativo do romance é dividido e comungado pelos elementos que vivem as ações do enredo. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 4/10 [363479_2167 93] Questão 006 (FUVEST-1989). Na Lírica de Camões: A mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade. X Encontra-seuma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX. Encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos. O verso usado para a composição dos sonetos é o redondilho maior. Cantar a pátria é o centro das preocupações. [363479_2167 03] Questão 007 (IFSP 2016). Leia o texto abaixo, um trecho do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, para assinalar a alternativa correta no que se refere à obra desse autor e ao Humanismo em Portugal. Nota: foram feitas pequenas alterações no trecho para facilitar a leitura. Vem um Frade com uma Moça pela mão, e um 1broquel e uma espada na outra, e um 1casco debaixo do 2capelo; e, ele mesmo fazendo a baixa, começou de dançar, dizendo: FRADE Tai-rai-rai-ra-rã; ta-ri-ri-rã; ta-rai-rai-rai-rã; tai-ri-ri-rã: tã-tã; ta-ri-rim-rim-rã. Huhá! DIABO Que é isso, padre?! Que vai lá? FRADE Deo gratias! Sou cortesão. DIABO Sabes também o tordião? FRADE Por que não? Como ora sei! DIABO Pois entrai! Eu tangerei e faremos um serão. Essa dama é ela vossa? FRADE Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu DIABO Fizestes bem, que é formosa! E não vos punham lá 3grosa no vosso convento santo? FRADE E eles fazem outro tanto! DIABO Que cousa tão preciosa... Entrai, padre reverendo! FRADE Para onde levais gente? DIABO Pera aquele fogo ardente que não temestes vivendo. FRADE Juro a Deus que não te entendo! E este hábito não me vale? DIABO Gentil padre mundanal, a Belzebu vos encomendo! 1 - broquel e casco – respectivamente, escudo e armadura para cabeça – são elementos por meio dos quais o autor descreve o frade. 2 - capelo – chapéu ou capuz usado pelos religiosos. 3 - pôr grosa – censurar. O frade terá como destino o inferno porque é homem “mundanal”, ligado aos gozos do mundo material, em cujo pano de fundo percebe-se o sistema de valores do homem medieval, para o qual não há salvação após a morte. A proposta do teatro vicentino alegórico – especialmente a Trilogia das Barcas – era a montagem de peças complexas, de linguagem rebuscada, distante do falar popular, para criticar, nos termos da moral medieval, os homens do povo. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 5/10 X A imagem cômica, mas condenável, de um frade que canta, dança e namora, trazendo consigo uma dama, é exemplo cabal do pressuposto das peças de Gil Vicente de que, rindo, é possível corrigir os costumes. O destino do frade é exemplar no que se refere à principal característica da obra de Gil Vicente: a crítica severa, de sabor renascentista, à Igreja Católica, de cuja moral se distancia a obra do dramaturgo. O sistema de valores que pode ser entrevisto nas peças de Gil Vicente, e especialmente no Auto da Barca do Inferno, revela uma mentalidade avessa aos valores da Idade Média. [363479_2168 67] Questão 008 (UFGD-2010). Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte. (COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007) No que tange à realidade sócio-histórica exposta na obra do escritor moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula, no breve recorte acima, é correto afirmar que os elementos grifados no excerto fazem analogia direta, respectivamente, a: Africanos / da guerra / os pássaros. Africanos / da guerra / a vida. X Moçambicanos / da guerra / a vida. Moçambicanos / da luta / os pássaros. Moçambicanos / da vida / a vida. [363479_2168 54] Questão 009 (UNIMONTES-2013). Leia com atenção o fragmento do conto “Vida Nova”, de Pepetela. Ngunga só se despediu de Mavinga. Explicou-lhe por que queria ir secretamente. Pediu-lhe para não contar a ninguém aonde ia e não voltar a falar de Ngunga, que tinha morrido nessa noite inesquecível. E não revelou o seu nome novo ao Comandante. Partiu sozinho para a escola. Um homem tinha nascido dentro do pequeno Ngunga. (LAJOLO, 2006, p. 84.) Assinale a alternativa INCORRETA. O personagem Ngunga simboliza a esperança do povo africano na liberdade e na capacidade de construção de seu próprio destino. X A narrativa conta a história de um jovem que recebe um nome novo para se integrar aos velhos costumes da tribo. Conforme o texto, o momento é de uma despedida, o que torna a narrativa bem tensa. A mudança de nome do personagem assinala para a quebra de uma tradição e para o início de uma nova vida. O conto apresenta, poeticamente, um rito de passagem de um menino para um homem renovado. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 6/10 [363479_2168 47] Questão 010 Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa. Mas mais frágil fica a bota. Gonçalo M. Tavares, 1: poemas. *Sesta: repouso após o almoço. Considerando que se trata de um texto literário, uma interpretação que seja capaz de captar a sua complexidade abordará o poema como uma defesa da natureza. um ataque às forças armadas. X uma defesa da resistência civil. um ataque à passividade. uma defesa dos direitos humanos. [363480_2163 58] Questão 011 Senhor feudal Se Pedro Segundo Vier aqui Com história Eu boto ele na cadeia. Oswald de Andrade O título do poema de Oswald leva o leitor de volta à Idade Média. Nela, como uma canção de amor, a ideia de poder assume os seguintes conceitos: saudades de pessoas distantes. igualdade das pessoas. idealização do amor. X relação entre suserano e vassalo. crenças religiosas. [363480_2163 60] Questão 012 (UNITAU) “O último poema Assim eu quereria o meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.” Manuel Bandeira. Libertinagem. 1930. O poema acima se caracteriza como uma oração. um epitáfio. X uma poética. um madrigal. um requiém. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 7/10 [363480_2163 91] Questão 013 O cego Estrelinho era pessoa de nenhuma vez: sua história poderia ser contada e descontada não fosse seu guia, Gigito Efraim. A mão de Gigito conduziu o desvistado por tempos e idades. Aquela mão era repartidamente comum, extensão de um no outro, siamensal. E assim era quase de nascença. Memória de Estrelinho tinha cinco dedos e eram os de Gigito postos, em aperto, na sua própria mão. O cego, curioso, queria saber de tudo. Ele não fazia cerimônia no viver. O sempre lhe era pouco e tudo insuficiente. Dizia, deste modo: - Tenho que viver já, senão esqueço-me. Gigitinho, porém, o que descrevia era o que não havia. O mundo que ele minuciava eram fantasias e rendilhados. A imaginação do guia era mais profícua que papaeira. O cego enchia a boca de águas: - Que maravilhação esse mundo. Me conte tudo, Gigito! A mão do guia era, afinal, o manuscrito da mentira. Gigito Efraim estava como nunca esteve S. Tomé: via para não crer. O condutor falava pela ponta dos dedos. Desfolhava o universo, aberto em folhas. A ideação dele era tal que mesmo o cego, por vezes, acreditava ver. (...) COUTO, Mia. “O cego Estrelinho”. In: Estórias Abensonhadas. Portugal; Editotial caminho, 1994, pp.29 -30. No excerto do conto "O cego Estrelinho", pode dizer-se que Mia Couto utiliza o procedimento estilístico da intertextualidade, que consiste em construir uma relação com um texto existente, a fim de construir uma narrativa. Desta forma, Mia Couto interage com os ensinamentos cristãos tradicionais, a crença popular derivada de São Tomás, um dos discípulos de Jesus Cristo, que ver é crer, e que o seu privilégio era acreditar apenas naquilo que podia concretamente ver e confirmar por si próprio. No entanto, nesta história, Mia Couto não diz "ver é acreditar", mas inverte este provérbio popular. Depois de saber que Zigito descreve um mundo que não existe para o cego Estrellinho, o narradorafirma que "Zigito Efraim vê para não acreditar, tal como São Tomás nunca viu". Face a tal afirmação, consideramos o seguinte: Ele deve viver a vida como ela é, e viver no mundo como ele é (mesmo que este mundo seja cheio de miséria e carência), para não ser enganado por um mundo imaginário que separa o homem de sua vida real. X Há vislumbres de dois tipos de visão nesta história: uma visão mais realista e uma visão mais original: a primeira caracteriza-se pelo relato de uma realidade mais crua, descrevendo o mundo em que os personagens viveram - um mundo de miséria, de guerra, de trevas para o Estrelinho, de cegueira. Uma visão é a de um mundo em que as personagens viviam num mundo de miséria, guerra, escuridão e cegueira. A outra visão, responsável pelo mundo inventado por Gigito, é caracterizada pela representação de um mundo ideal, um mundo que poderia existir sem guerra. Ao inverter o significado de provérbios comuns nesta história, Mia Couto está a romper radicalmente com uma tradição comum que não é de origem africana mas de origem cristã. A utilização de procedimentos de intertextualidade nesta história posiciona Mia Couto como um escritor que radicaliza as formas tradicionais de escrita no género dos contos curtos. Nesta história, o significado da inversão do provérbio "uma imagem vale mil palavras" refere-se ao ato do Estrelinho de fingir acreditar na descrição de um mundo imaginário que ouviu da Gigito. Mia Couto é negativamente crítico de um mundo que "escapa à realidade". Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 8/10 [363480_2163 68] Questão 014 O argumento da peça "A Farsa de Inês Pereira", de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular "Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube". Identifique a alternativa que NÃO corresponde ao provérbio, na construção da farsa. O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega. O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês. O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba. A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento. X Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal. [363480_2163 92] Questão 015 Em Terra sonâmbula, de Mia Couto, de que maneira os cadernos de Kindzu adquirem importância para a sobrevivência do menino Muidinga em meio à guerra civil que assola o país? Sendo Muidinga semianalfabeto, os cadernos de Kindzu permitem que ele, à medida que os decifra, perceba que a leitura é um poderoso instrumento de resistência ao poder estabelecido. Sendo Tuahir analfabeto, os cadernos de Kindzu permitem que Muidinga, ao lê-los, entretenha o velho durante a longa viagem que intentam fazer para fugir da guerra. Ao ler os cadernos de Kindzu, Muidinga finalmente identifica e localiza, ao final do relato, seu irmão desaparecido no início da guerra. Através dos cadernos de Kindzu, Muidinga percebe que Tuahir é na verdade seu pai, apesar do esforço deste em manter a informação em segredo a fim de não comprometer a fuga do local de conflito. X Ao ler os cadernos de Kindzu para o analfabeto Tuahir, Muidinga, ao se identificar com o relato, assimila melhor seu próprio drama de resistência à guerra e a busca aos pais desaparecidos. Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 9/10 [363481_2163 62] Questão 016 . (CESUPA) Leia o texto para responder à questão Amor Poema mais ou menos de amor Eu queria, senhora, Ser o seu armário E guardar seus tesouros Como um corsário. Que coisa louca: Ser seu guarda-roupa! Alguma coisa sólida, Circunspecta e pesada Nessa sua vida tão estabanada. Um amigo da lei (De que madeira não sei). Um sentinela no seu leito - com todo o respeito Ah, ter gavetinhas Para suas argolinhas Ter um vão Para o seu camisolão E sentir o seu cheiro, Senhora, O dia inteiro. Veríssimo, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. (Adaptado) Veríssimo, escritor contemporâneo, incorpora no seu poema Amor características comuns às cantigas de amor medieval, uma vez que o eu lírico. fingindo-se de peça de toucador, pretende descobrir os segredos de sua dama, de forma a poder conquistá-la. X transmutado em armário, deseja servir sua senhora de forma a estar mais próximo a ela, ser o seu sentinela. semelhante ao trovador, presta vassalagem a sua senhor, amando-a e sendo correspondido por ela. transformado em espelho , ele pretende estar presente na vida de sua amada sempre que ela precisar. transformado em guarda-roupa, presta serviço à amada, protegendo-a de malfeitores, para tê-la só para si. [363481_2163 96] Questão 017 Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte. (COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007) No que tange à realidade sócio-histórica exposta na obra do escritor moçambicano Mia Couto, Terra Sonâmbula, no breve recorte acima, é correto afirmar que os elementos grifados no excerto fazem analogia direta, respectivamente, a África / da guerra / da vida. Moçambicano / Luta / Pássaro. África/Guerra/Pássaros. Moçambique / vida / vida. X Moçambique / Guerra / Vida Pincel Atômico - 26/11/2024 20:31:31 10/10 [363481_2163 77] Questão 018 (Mackenzie) O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de "Os Lusíadas" aparece em outro momento do poema. Isso acontece no episódio do Gigante Adamastor. X do Velho do Restelo. de Inês de Castro. do Concílio dos Deuses. dos Doze de Inglaterra. [363481_2163 85] Questão 019 . — Traíste-me, Sem Medo. Tu traíste-me. (...) Sabes o que tu és afinal, Sem Medo? Es um ciumento. Chego a pensar se não és homossexual. Tu querias-me só, como tu. Um solitário do Mayombe. (...) Desprezo-te. (...) Nunca me verás atrás de uma garrafa vazia. (...) Cada sucesso que eu tiver, será a paga da tua bofetada, pois não serei um falhado como tu. Pepetela, Mayombe. Adaptado. II — Peço-te perdão, Sem Medo. Não te compreendi, fui um imbecil. E quis igualar o inigualável. Pepetela, Mayombe. Esses excertos de Mayombe referem-se a conversas entre as personagens Comissário e Sem Medo em momentos distintos do romance. Em I e II, as falas do Comissário revelam, respectivamente, Forte tensão homoafetiva entre ele e Sem Medo e aceitação da verdadeira orientação sexual de sua parceira. Incompatibilidade étnica entre ele e Sem Medo por pertencerem a gerações diferentes e superando a inimizade tribal. X Decepção por Sem Medo não ter intervindo a seu favor na conversa com Ondina, e desespero pelo companheiro caído. A raiva que enfrentou o anticatolicismo de Sem Medo e a culpa que o atinge ao perceber que sua bravura colocou seu companheiro em perigo. Desconfiança da traição de Ondina e constatação de que não passa de uma crise de ciúmes. [363481_2163 78] Questão 020 (Mackenzie) Assinale a alternativa correta sobre Camões. Autor mais representativo da poesia medieval portuguesa, produziu, além de sonetos satíricos, a obra épica Os lusíadas. Influenciado pelo Humanismo português, aderiu ao cânone clássico de composição poética, afastando-se, porém, das inovações métricas e dos modelos greco-romanos. Introduziu o estilo cultista em Portugal, em 1580, explorando antíteses e paradoxos nos poemas de temática religiosa. Além de usar metros mais populares, utilizou-se da medida nova, especialmente nas redondilhas que recriam, poeticamente, um quadro harmônico da vida e do mundo. X O tema do desconcerto do mundo é um dos aspectos característicos de sua poesia, presente, por exemplo, nos sonetos de inspiração petrarquiana.