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02/05/2022 21:50 Temas Contemporâneos em Psicologia
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Autoria: Me. Pablo Mateus dos Santos Jacinto 
Revisão técnica: Ma. Luana Pinto Moraes
TEMAS CONTEMPORÂNEOS EM
PSICOLOGIA
MÍDIAS E PRODUÇÃO
DE SUBJETIVIDADE: O
PSICÓLOGO E O USO
DE MEIOS
TECNOLÓGICOS E AS
DEMANDAS DO
MUNDO
02/05/2022 21:50 Temas Contemporâneos em Psicologia
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Introdução
Quais impactos as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)
promoveram na prática da Psicologia? Como entender a relação entre mídia e
Psicologia? Quais cuidados precisamos tomar no trabalho desenvolvido por
meio dos recursos tecnológicos? Provavelmente, essas perguntas não seriam
feitas há 20 ou 30 anos. Por outro lado, hoje é impossível pensar a Psicologia
sem o suporte das tecnologias.
Mesmo antes do início da pandemia da Covid-19, a Psicologia evoluía
contribuindo com a formulação dos meios de comunicação. Evoluíam também
os estudos voltados à compreensão sobre como a mídia e as tecnologias
reverberam na subjetividade e na saúde mental dos sujeitos.
Nesta unidade, discutiremos com profundidade esse conjunto de temáticas,
mesmo que ainda sejam incipientes as pesquisas sobre Psicologia e mídia, além
de, recentemente, haver uma explosão de investigações sobre Psicologia e as
TICs. Ao longo da unidade, você conhecerá quais são as principais inquietações
teóricas a esse propósito e as orientações práticas de trabalho no contexto
contemporâneo. Bons estudos!
 
Tempo estimado de leitura: 50 minutos.
No �m do século XIV, Gutenberg (1390-1468) revolucionou o mundo da
comunicação ao elaborar um mecanismo capaz de reproduzir informações em
ampla escala: a imprensa. Materiais que anteriormente eram transcritos e
reproduzidos de modo manual passaram a ser produzidos com maior agilidade,
reduzindo assim o custo de produção e comercialização e ampliando o acesso
da população aos recursos escritos.
4.1 Mídia e Direitos Humanos
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Figura 1 - Imprensa e difusão de informações
Fonte: klom, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Imagem de uma máquina de impressão antiga.
Mídia é uma palavra de origem latina (media) que se refere a um instrumento
mediador, intermediário. Seu papel, independentemente do formato em que se
manifeste, é gerar uma ponte comunicadora entre partes. Espaços de
comunicação também se relacionam com estratégias de aprendizado. É por isso
que, de acordo com Ferreira (2014), as informações transmitidas por meios
midiáticos podem carregar ensinamentos que são acatados pela sociedade
diante da legitimação da mídia perante a opinião pública. 
O que pode ser potência também pode servir de base para a manutenção de
estereótipos e deturpações. Informações falsas e discriminatórias podem ser
transmitidas pela mídia em formatos explícitos ou implícitos, trazendo impacto
ao comportamento social e nas subjetividades individuais. Falaremos um pouco
sobre essa relação entre mídia e subjetividade e buscaremos conectar esse
debate com pontos de interesse da Psicologia.
Moreira (2010, S. p.) de�ne mídia como referente aos “[...] meios de
comunicação em geral, que atingem a grande massa, abrigando, pois, os
grandes veículos com reconhecida in�uência sobre as pessoas”. Desse modo,
incluem-se como componentes de mídia:
4.1.1 Mídia e subjetividade
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De acordo com o autor, no início da difusão dos materiais escritos, após a
criação da imprensa, já havia a preocupação dos eclesiásticos acerca do acesso
coletivo aos textos religiosos. Outra preocupação se referia ao consumo de
materiais impróprios, visto que a leitura representa um espaço privado
relativamente apartado da explicitude pública. Percebe-se, portanto, que desde
os primórdios do acesso humano à mídia havia uma relação entre esse objeto,
as relações de poder que o englobam e a construção de subjetividades.
Figura 2 - Subjetividade e mídia
Fonte: SFIO CRACHO, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Na imagem, há um homem negro sentado em
um sofá olhando e sorrindo para um celular.
A in�uência da mídia na subjetividade tem sido trabalhada, no campo da
Psicologia, nos estudos sobre violência, moda, relações parentais, vícios e saúde
mental (MOREIRA, 2010; ABJAUDE et al., 2020). A mídia televisiva, em especial
os mecanismos de notícia e publicidade;
os �lmes;
as novelas e outros produtos de entretenimento;
a gama de portais veiculados por meio virtual.
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diante do grande acesso e con�abilidade, é associada à criação de realidades e
fortalecimento de narrativas que, dentre outros aspectos, contribui com a
construção de opiniões e emoções referentes a fenômenos apresentados
substancialmente. Aliada ao recurso da internet, a mídia opera diretamente na
percepção de espaço e tempo, gerando uma compreensão de proximidade entre
pessoas e os conteúdos acessados pelo sujeito. 
Para Moreira (2010), as propagandas seguem sendo o principal veículo
in�uenciador, pois têm a capacidade de criar hábitos e verdades. Especialmente
no cenário da internet, a constância da propaganda e sua inserção nos
momentos mais sutis do seu uso garantem uma naturalização e maior
internalização das informações transmitidas. Outro fator a se pontuar é o maior
direcionamento dos conteúdos propagandísticos, cada vez mais associados aos
per�s individuais. A mídia, portanto, dita normas. Constitui-se de relações de
sentido que vinculam um sujeito a discursos sociais meticulosamente
orientados.
Outros impactos subjetivos mais explicitamente danosos também têm sido
investigados. Dentre eles, destacam-se os estudos sobre saúde mental e uso de
ferramentas midiáticas, especialmente a internet. Abreu, Eiseinstein e Estefenon
(2013) avaliaram como o consumo exagerado da internet pode trazer riscos à
saúde mental. O termo "dependência por computador" foi criado em 1991 e,
Em "A mídia brasileira e as regras de responsabilização dos adolescentes
em con�ito com a lei - Parte I: Construindo uma mentalidade", a ANDI -
Comunicação e Direitos buscou avaliar a cobertura jornalística sobre
crimes praticados por adolescentes. Analisando oito jornais impressos
(quatro nacionais e quatro regionais); quatro revistas e um telejornal, de
1º/04/13 a 15/05/13, em seu relatório, observa uma evidente defesa da
redução da maioridade penal e uma superexposição dos crimes graves.
Essa posição contribui para a formação de uma mentalidade socialmente
difundida contrária às medidas protetivas perante crianças e
adolescentes em vulnerabilidade e a favor da maior repressão penal
contra esse público (ANDI, 2013).
ESTUDO DE CASO
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dentre suas características, a alegação da excitação no uso do computador e
sua substituição em relação aos relacionamentos sociais. Esse conceito evoluiu
e, atualmente, é comum o uso do termo “dependência de internet”.
Ainda segundo Abreu, Eiseinstein e Estefenon (2013, p. 98), os critérios
diagnósticos acatados para a identi�cação dessa dependência envolvem:
Preocupação excessiva com a internet;
Necessidade de aumentar o tempo conectado
(online) para ter a mesma satisfação;
Exibir esforços repetidos para diminuir o tempo
de uso da internet;
Apresentar irritabilidade e/oudepressão;
Quando o uso da internet é restringido,
apresentar labilidade emocional (internet vivida
como uma forma de regulação emocional);
Permanecer mais tempo conectado (online) do
que o programado;
Ter o trabalho e as relações familiares e sociais
em risco pelo uso excessivo;
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Os autores complementam que ainda há pouco tratamento especí�co voltado
para combater essa dependência, porém, estratégias como terapias de apoio,
aconselhamento psicológico, intervenções familiares voltadas a reparar o
vínculo rompido com a dependência e intervenções psicoterápicas de linha
cognitiva têm demonstrado bons resultados.
Figura 3 - Impacto da mídia na saúde mental
Fonte: Prostock-studio, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Imagem de um jovem sentado à frente de um
computador e com fones de ouvido
aparentemente abalado por perder um jogo
online.
Outra faceta da in�uência da mídia e saúde mental se refere ao processo de
exposição a noticiários com informações de difícil assimilação. Bazán et al.
(2020) realizaram uma investigação com uma população exposta a notícias
sobre a pandemia da Covid-19. Constataram uma grande variedade de meios
pelos quais essas informações eram acessadas: 
Mentir aos outros a respeito da quantidade de
horas conectado à internet;
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Mesmo havendo diversidade na natureza da notícia (boa, informativa, trágica
etc.), notou-se uma correlação entre o volume acessado e experiências de
estresse e sofrimento psíquico. Nesse contexto especí�co, havia alta carga
afetiva relacionada às especi�cidades da pandemia, o que dá base para um
sentimento de ambiguidade e incertezas quanto às informações acessadas.
Em outra pesquisa, realizada pelo Conselho Regional de Psicologia da Bahia
(CRP-03, 2021) acerca das experiências de psicólogas(os) perante a pandemia,
constatou-se que a redução do consumo de informações foi encarada como
uma estratégia defensiva frente aos sentimentos gerados nesse cenário.
Observa-se, portanto, que, mesmo em situações cujo uso ativo e voluntário dos
meios midiáticos não seja encarado como problemático pelo sujeito, cada vez
mais há uma fusão entre os meios de comunicação e a vida cotidiana, o que
estabelece um �uxo quase compulsório de transmissão de informações. Poucos
estudos têm realizado análises sobre os impactos desse fenômeno por parte da
Psicologia.
aplicativos de mensagens;
meios tradicionais (rádio e TV);
internet;
comunicação boca a boca, dentre outros.
"The Social Dilemma” é um documentário lançado em 2020 que realiza
uma análise sobre o poder da mídia na sociedade mundial, interferindo
política e subjetivamente na vida das populações. O documentário pode
ser encontrado na Net�ix.
VOCÊ QUER VER?
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Diante das evidências, observa-se que é inegável a existência da relação entre
mídia e subjetividade. A vivência humana atravessada pela mídia constitui um
novo habitat, o qual é demarcado por densa rede de estímulos,
condicionamentos e sensações (SILVA; BRAZ; SILVA, 2011). À Psicologia cabe
compreender essa interseção e avaliar sua interferência no desenvolvimento
humano e em todos os contextos de inserção pro�ssional.
Em 2016, o Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina e a Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC; CRP-12, 2017) realizaram a pesquisa intitulada
“Mídia e Psicologia: tecendo conexões”. Dentre seus objetivos, buscou
compreender como a(o) pro�ssional de Psicologia se relaciona com a mídia,
seja como ferramenta de trabalho ou solidi�cação de saberes sobre o tema.
A pesquisa identi�cou que as(os) pro�ssionais de Psicologia respondentes
utilizam as mídias para �ns de lazer, estudo e trabalho. A obtenção de
informações sobre a pro�ssão foi observada, com destaque ao uso dos canais
o�ciais do Sistema Conselhos de Psicologia e bases de dados acadêmicas. Na
época, foi pouco expressiva a utilização das mídias para divulgação pro�ssional.
4.1.2 Psicologia, mídia e Direitos Humanos
Netnogra�a: Realizando Pesquisa Etnográ�ca Online
Autor: Robert V. Kozinets
Ano: 2014
Comentário: Em seus estudos antropológicos, Kozinets têm demonstrado
como o convívio humano no contexto virtual se assemelha bastante às
práticas comunitárias corpo a corpo. Desse modo, pesquisas etnográ�cas
passam a ser possíveis em espaços como blogs e sites, redes sociais
virtuais, comentários de vídeos, dentre outros. O livro apresenta um passo
a passo para a realização desse formato de investigação e seu uso pode
ser de grande valia para pro�ssionais e estudantes pesquisadoras(es) em
tempos de distanciamento social.
VOCÊ QUER LER?
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Mesmo antes da pandemia provocada pela Covid-19, debates sobre a
participação da Psicologia em espaços midiáticos têm sido travados. Isso
porque o uso da mídia, às vezes, extrapola o simples ato de divulgação da
atuação e envolve a transmissão do saber psicológico a um público mais amplo.
A associação da Psicologia com posicionamentos anticientí�cos,
preconceituosos e antiéticos em plataformas de ampla divulgação revela uma
demanda de cuidado cada vez mais necessária.
Partimos, então, do pressuposto de que o discurso compartilhado subjaz a
prática social. Das distintas teorias da Psicologia social, a Teoria das
Representações Sociais ganhou espaço nos estudos sobre mídia, pois, por meio
dela, podemos compreender quais são os discursos formulados sobre temas
expressos nos meios de comunicação e, a partir daí, observar seus re�exos no
modo de pensar e agir do público que consome esse material. Nesse contexto,
de acordo com Álvares e Garrido (2006, p. 18), as representações sociais são
“[...] sistema de valores, noções e práticas que proporcionam ao indivíduo os
meios para orientá-los no contexto social”. 
O Malabarizando é um podcast que busca trazer discussões de interesse
à Psicologia e áreas a�ns por meio desse recurso midiático crescente.
Uma vantagem de espaços como esse se refere à produção e difusão de
conteúdos que resguardam o rigor cientí�co, porém, formulados de modo
a atingir públicos gerais, incluindo aquele com per�l não acadêmico. O
Malabarizando apresenta uma linguagem acessível voltada
principalmente aos habitantes das favelas e periferias brasileiras
(MALABARIZANDO, 2021).
Acesse (https://malabarizando.com/)
VOCÊ QUER VER?
https://malabarizando.com/
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A pandemia da Covid-19 teve como di�cultadora a escassez de
informações precisas sobre o vírus. Das notícias apresentadas
no início da crise sanitária, poucas tinham fundamento
cientí�co, pois os estudos ainda estavam iniciando, o que gerou
estados de pânico e controvérsias. De acordo com Pereira et al.
(2020), junto à pandemia de Covid-19 nasceram o estado de
pânico social, em nível global, e a sensação do isolamento
social, a qual desencadeia sentimentos como angústia,
insegurança e medo, que podem se estender até depois de
controlado o vírus.
Fonte: PEREIRA, M. D. et al. A pandemia de COVID-19, o
isolamento social, consequências na saúde mental e estratégias
de enfrentamento: Uma revisão integrativa. Research, Society
and Development, São Paulo, v. 9, n. 7, 2020.
 
Lendo o trecho apresentado em consonância com o que foi
estudado até o momento, entendemos queo impacto da mídia
no sentimento experienciado pela população se justi�ca porque:
a) a mídia é dotada de aceitação social, portanto, pode
in�uenciar no modo como as pessoas sentem e se comportam
frente aos fenômenos noticiados.
(ATIVIDADE NÃO PONTUADA)
TESTE SEUS CONHECIMENTOS
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Não vamos nos aprofundar aqui nessa teoria, porém, cabe destacar como a
análise da mídia permite diagnosticar, ao mesmo tempo, como algumas
categorias são representadas socialmente e nos orienta sobre como garantir
uma forma de comunicação e�caz e não violadora. Pensando por essa via,
Moura e Melo (2014) organizaram um guia voltado à comunicação com respeito
aos Direitos Humanos. Apesar de não ser um material oriundo do campo da
Psicologia, suas re�exões são extremamente alinhadas aos debates do fazer
psicológico na contemporaneidade por intermédio dos meios de comunicação.
 
a) Pessoas com de�ciência
É fundamental não reproduzir estereótipos negativos acerca das pessoas com
de�ciência. Apesar de, historicamente, estarmos situados em um momento que
preza pela inclusão, em detrimento da segregação, práticas excludentes
permanecem entranhadas na prática social. Sugere-se evitar termos como
"portador de de�ciência", "especial” e “excepcional" ou outros eufemismos, bem
como termos capacitistas como "retardado” e “aleijado”.
 
b) Questão de gênero e sexualidade
Gênero e sexualidade são considerados tabus no Brasil. Referências na mídia à
população LGBTQIA+ são carregadas de preconceitos explícitos ou velados
(LOURO, 2018). As resoluções CFP nº 01/2018 e nº 01/1999 orientam
b) não há relação de in�uência da mídia na experiência subjetiva
humana, pois esta se distancia do cotidiano social.
c) a mídia não possui responsabilidade sobre aquilo que noticia,
pois não pode gerar impacto social.
d) a Psicologia comprovou que apenas notícias negativas podem
gerar impacto nos hábitos e nos comportamentos humanos.
e) apenas a publicidade é geradora de impactos na subjetividade
humana. Notícias e conteúdos de entretenimento não
apresentam essa característica.
VERIFICAR
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pro�ssionais de Psicologia a não realizarem qualquer posicionamento público
que estereotipe orientações sexuais e identidades de gênero, nem associe os
demarcadores da sexualidade humana a transtornos psicológicos. Conheça
exemplos de atos de violência simbólica a serem evitados.
c) População negra
Carneiro [S. d.] menciona que os meios de comunicação não apenas repassam
informações, mas instruem e constroem lógicas de representação. Há na mídia
brasileira uma manutenção de estereótipos voltados à população negra:
Sugere-se rever a linguagem apresentada, evitando termos como "denegrir",
"humor negro", "passado e futuro negros", dentre outros que associam a
negritude ao negativo.
 
d) Crianças e adolescentes
Toda a comunicação voltada a crianças e adolescentes deve ser orientada pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Importa ponderar sobre a
participação ativa de crianças e adolescentes em conteúdos midiáticos, pois
associação à criminalidade;
sexualização;
negação da cultura negra;
racismo religioso, dentre outros.
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sua voz deve ser levada em consideração, ainda que a sociedade adultocêntrica
não valorize o que a população infantil tem a dizer. O próprio termo "infantil" é
utilizado muitas vezes de modo pejorativo, o que deve ser evitado.
Pontua-se a necessidade de preservação da identidade e integridade da criança
e do adolescente. Em notícias de cunho delicado, que possam promover
constrangimento e vexação, é fundamental que seja preservada a identidade das
crianças e adolescentes envolvidos. Isso porque é comum, em programas
sensacionalistas, a superexibição de adolescentes e crianças (especialmente
pobres e negras) em reportagens sobre violência, abuso e criminalidade.
Esse tipo de exposição, além de promover impacto psicológico ao sujeito,
fortalece uma visão social negativa em relação à infância pobre, sem trazer
contribuições para a mudança da estrutura social que promove essa
vulnerabilidade. A utilização do termo "menor" é contraindicada, já que associa
crianças e adolescentes ao per�l do Código de Menores. Termos como "pivete",
"meninas(os) de rua", dentre outros, também possuem conotação negativa e
devem ser evitados.
Figura 4 - Relação infância e mídia
Fonte: Dani Llao Calvet, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Na imagem, há um menino negro deitado de
bruços em um sofá, segurando o queixo com as
mãos, assistindo TV.
e) População idosa 
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Estereótipos voltados à população idosa também fazem parte do discurso social
brasileiro. Esse grupo é frequentemente associado à passividade,
incompetência, descarte, peso orçamentário, dentre outros. Debates e lutas em
defesa da população idosa e valorização desses sujeitos como cidadãos ainda
são incipientes e necessários. Mesmo na Psicologia do desenvolvimento, ainda
se observa uma relação entre velhice e declínio desenvolvimental, fortalecendo a
relação entre idosos e inferioridade em relação aos demais grupos etários.
Atente-se para o uso de alguns termos.
Em comunicação, portanto, o exagero e o eufemismo podem acabar
invisibilizando realidades e impedindo posições críticas quanto aos temas
apresentados.
Utilize os termos "velhice" ou "população idosa".
Lembre-se de que associações como "terceira
idade" e "melhor idade" caíram em desuso.
Saiba que “melhor idade” é relacionada a um ideal
romantizado de velhice, muitas vezes demarcado
por um elitismo apartado das experiências da
maior parte da população.
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Figura 5 - Velhice e subjetividade
Fonte: oneinchpunch, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Na imagem, há seis idosos, homens e mulheres,
sentados em um banco de praça. Há os que
estão usando celular, os que estão lendo e uma
que está tricotando.
Principalmente no mundo atual, demarcado pelo uso das tecnologias e alta
exposição, há uma penetração da Psicologia em espaços midiáticos, seja para a
divulgação do seu trabalho, solicitação de análises públicas, seja para a
realização de consultorias de comunicação. Os cuidados apresentados são
fundamentados teoricamente e orientam a(o) pro�ssional a um exercício ético
da pro�ssão. Por isso, a seguir, aprofundaremo-nos no uso das Tecnologias da
Informação e Comunicação (TICs) como ferramenta de trabalho, ampliando a
discussão aqui realizada. 
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Perceba que, ao trabalharmos as relações entre Psicologia e mídia, há inúmeras
interseções possíveis. Podemos observar:
4.2 Atuação do psicólogo no contexto virtual
relação entre mídia e produção de subjetividades, na qual
dialogamos sobre a in�uência do consumo de
informações por intermédio dos recursos midiáticos nos
modos de agir, pensar e sentir humanos;
Selecione uma reportagem que apresente como
temática algum dos públicos discutidos neste
tópico. Analise os discursos apresentados na
reportagem, identi�cando se são condizentes
com a proposta dos Direitos Humanos ou se, em
alguma medida, violam e estereotipam o grupoem questão. Apresente uma proposta de
melhoria, trazendo pontos que poderiam ser
escritos de modo mais condizente com a ética
pro�ssional da(o) psicóloga(o). Compartilhe sua
análise com colegas e professores!
VAMOS PRATICAR?
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Neste tópico veremos que, embora a Psicologia como ciência e pro�ssão tenha
lentamente se apropriado dos meios de comunicação para a prestação de
serviços e quali�cação da atuação, no contexto pandêmico houve uma
ampliação desse uso. 
A atuação pro�ssional do psicólogo, historicamente, caracteriza-se como uma
atividade presencial, em seus distintos campos de atuação (notadamente saúde,
educação, organizações, justiça e assistência social), e tem sofrido de modo
intenso as modi�cações decorrentes da pandemia. A recomendação em relação
à priorização do desenvolvimento de serviços de maneira remota, a partir do uso
de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), tem transformado a
prática psicológica em muitas áreas.
impactos negativos da mídia à saúde mental, seja pela
adição de uso de certas Tecnologias da Informação e
Comunicação (TICs), seja pelo acesso irrestrito a
informações potencialmente impactantes;
Tecnologias da Informação e Comunicação e mídia como
aliadas na promoção da saúde.
4.2.1 Dificuldades e potencialidades da Psicologia praticada
por intermédio de Tecnologias da Informação e Comunicação
Mesmo a avaliação psicológica pode ser realizada com apoio de
ferramentas tecnológicas e de modo online! Para tanto, é fundamental
que os instrumentos utilizados tenham sido aprovados para utilização
nesse formato, com evidências cientí�cas da sua validação. Na pandemia
da Covid-19, o Conselho Federal de Psicologia publicou uma nota
orientativa sobre o uso de testes psicológicos
informatizados/computadorizados e/ou de aplicação remota/online (CFP,
2020). 
VOCÊ SABIA?
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Embora seja recente tal formato de atendimento psicológico no Brasil, Pieta
(2014) se refere a pesquisas realizadas em países europeus, Estados Unidos e
Austrália que demonstram a efetividade desse modelo de atuação. São
pontuados, dentre outros aspectos, a redução de custos e a facilidade do acesso
da população a uma maior gama de serviços.
Figura 6 - Psicoterapia online
Fonte: Albina Gavrilovic, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
Na imagem, há uma mulher negra sentada em
um sofá segurando um notebook nas pernas.
Pelo notebook, está tendo um atendimento de
saúde online.
O vínculo terapêutico a distância foi também alvo de investigação.
Tradicionalmente, a presença é associada à possibilidade de uma relação
transferencial entre o usuário do serviço psicológico e o pro�ssional de
Psicologia. O advento do atendimento remoto pôs psicólogas(os) a
questionarem sobre a possibilidade de construção de vínculo e, mesmo diante
da sua existência, indagarem sobre sua qualidade.
Faria (2019) se refere ao uso da linguagem terapêutica como diverso entre o
atendimento presencial e virtual. O toque e as expressões corporais são menos
ou nada acessados pelo formato remoto e fundamentais na modalidade
presencial. Especi�camente segundo a abordagem gestáltica, o favorecimento
do vínculo e efetivação da psicoterapia são, segundo Faria (2019, p. 80),
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oriundos de uma postura terapêutica que envolva “[...] presença e atenção;
aceitação e con�rmação; amor e compaixão; interesse e cuidado; inclusão e
respeito; capacidade para o diálogo; espontaneidade; congruência, entre outros”.
A pesquisa mencionada demonstra que, mesmo em contexto virtual, é possível
estabelecer um vínculo terapêutico que permite a prática psicológica e�caz.
Observa-se, hoje, uma ampliação das formas de atendimento online, envolvendo
todas as abordagens teóricas da Psicologia e variados campos de atuação. Em
pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03,
2021), constatou-se que pro�ssionais de algumas áreas passaram a trabalhar de
modo remoto. Acompanhe!
Área da saúde. 
Educação. 
Assistência social, organizacional e do trabalho. 
Gestão. 
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A mudança regulatória mais importante se refere à necessidade de cadastro
da(o) psicóloga(o) na plataforma E-psi, mantida pelo Conselho Federal de
Psicologia, na qual é necessário indicar qual serviço será prestado por meio
remoto e quais os cuidados que a(o) pro�ssional planeja manter para resguardar
eticamente a pro�ssão.
Vimos, ao longo desta disciplina, como a Psicologia se insere na defesa dos
Direitos Humanos em suas práticas, em qualquer espaço de atuação. A
divulgação pro�ssional também é encarada como uma parte do trabalho da(o)
psicóloga(o) e regulada pelas resoluções do Conselho Federal de Psicologia.
De acordo com o Código de Ética Pro�ssional do psicólogo:
4.2.2 Aspectos éticos da atuação psicológica a distância
Art. 20 – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços,
Docência. 
Clínica. 
Hospitalar, dentre outras. 
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A divulgação de posicionamentos pro�ssionais na mídia também é regulada por
normativas éticas. O quadro seguinte demonstra a preocupação entre atuação
psicológica em meios de comunicação.
por quaisquer meios, individual ou coletivamente:
a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de
registro;
b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações
profissionais que possua;
c) Divulgará somente qualificações, atividades e recursos
relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou
regulamentadas pela profissão;
d) Não utilizará o preço do serviço como forma de
propaganda;
e) Não fará previsão taxativa de resultados;
f) Não fará autopromoção em detrimento de outros
profissionais;
g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de
outras categorias profissionais;
h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades
profissionais. (CFP, 2015).
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Quadro 1 - Atuação profissional em contexto midiático e ética em Psicologia
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.
#PraCegoVer
No quadro, são apresentados os artigos
referentes à atuação da(o) psicóloga(o) na mídia
presentes nas Resoluções CFP nº 01/1999, CFP nº
18/2002 e CFP nº 01/2018.
Os exemplos apresentados revelam como a exposição da ciência e pro�ssão
psicológica no contexto midiático é encarada como parte do escopo da prática
pro�ssional. Desse modo, diante da compreensão do impacto desses
posicionamentos nos veículos de massa, cabe à(ao) psicóloga(o) estar atenta(o)
aos aspectos éticos que embasam seu fazer.  
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Quanto à prestação de serviços psicológicos por meio de Tecnologias da
Informação e Comunicação (TICs), o principal documento regulatório é a
Resolução CFP nº 11/2018 (CFP, 2018). Ao analisar a história desse formato de
atendimento no país, pode-se considerar que, no Brasil, é recente a autorização
de prestação de serviços por meio das TICs. Em termos normativos,esse
modelo inicia em 2012, com a promulgação da primeira resolução que previa a
realização de atendimentos remotos – a Resolução CFP nº 011/2012 (CFP,
2012). Essa resolução pontua algumas questões. 
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2
A(o) psicóloga(o), a mídia e a ética pro�ssional
Autor: CRP-SP
Ano: 2015
Comentário: O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo dispõe de
uma série de guias orientadores com resumos sobre demandas éticas.
Um dos folhetos elaborados discute o tema “A(o) psicóloga(o), a mídia e
a ética pro�ssional”. Apesar de breve, o material escrito reforça o
posicionamento do Sistema Conselhos acerca dessa linha de atuação,
envolvendo atendimentos, pronunciamentos e entrevistas com
pro�ssionais por meio das TICs.
Acesse
(http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/pdf/001_A(o)%20psic%C3
%B3loga(o),%20a%20m%C3%ADdia%20e%20a%20%C3%A9tica%20pro�ss
ional.pdf)
VOCÊ QUER LER?
http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/pdf/001_A(o)%20psic%C3%B3loga(o),%20a%20m%C3%ADdia%20e%20a%20%C3%A9tica%20profissional.pdf
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Em processo de construção desse fazer, a resolução referida permitia
atendimento psicoterapêutico apenas em caráter experimental. Apesar do
avanço tecnológico, era possível perceber uma regulamentação ainda bastante
limitante acerca da atuação da Psicologia no contexto virtual, sob a
argumentação da escassez de estudos que comprovassem a efetivação dos
atendimentos psicológicos mediados por TICs, bem como a falta de preparação
institucional em regular e �scalizar esse tipo de exercício pro�ssional.
Sob críticas acerca da insu�ciência da Resolução CFP nº 011/2012 diante da
expansão das TICs, bem como do próprio campo de atuação pro�ssional da
Psicologia, o Sistema Conselhos de Psicologia do Brasil elaborou e publicou a
Resolução CFP nº 011/2018 (CFP, 2018). Pautada em estudos sobre a
efetivação do trabalho da(o) psicóloga(o) mediado por TICs e na análise do
Sistema Conselhos sobre a realidade de atuação pro�ssional da categoria no
Brasil, essa resolução amplia o rol de possibilidades de práticas nesse contexto.
Todas as funções pautadas na resolução anterior passam a ser autorizadas por
meio das TICs não apenas como recursos eventuais, mas podem responder à
integralidade do trabalho. Reitera-se a necessidade de cuidados técnicos e
éticos para a realização do trabalho nessa con�guração, incluindo a necessidade
de registro do pro�ssional em plataforma própria do Conselho Federal de
Psicologia (CFP), visando centralizar informações sobre quem atua nessa
modalidade, bem como facilitar medidas de orientação e �scalização.
Essa trajetória normativa da atuação revela que o trabalho pro�ssional mediado
por TICs no Brasil é recente. Desse modo, estudos e referências sobre essa
realidade de atuação são incipientes. Em 2020, quando começa a pandemia da
Covid-19, a atuação da Psicologia mediada por TICs no Brasil estava no segundo
ano de vigência. Nesse cenário, mesmo pro�ssionais que não atuavam nessa
modalidade foram forçados, pela nova realidade, a buscar atualização técnica,
bem como adaptação pessoal, para se enquadrarem em diversas formas de
trabalho não presencial.
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Torna-se necessário, com isso, compreender a realidade de trabalho em que
pro�ssionais de Psicologia se encontram, identi�cando as principais mudanças
na atuação pro�ssional, quais relações essas mudanças têm com as
experiências mediadas por TICs, bem como quais seus impactos na condução e
no resultado das ações realizadas.
Um campo emergente na prática da Psicologia se refere à atuação em situações
de emergências e desastres. Com raízes nos estudos da Psiquiatria e da
Sociologia dos desastres, essa área consiste na sistematização de práticas
pro�ssionais pautadas no conhecimento e técnicas psicológicas visando intervir
junto à população e instituições perante situações de emergências e desastres.
Temas como “trauma”, “luto”, “resiliência”, dentre outros, passam a ser
abordados de modo constante, por meio de pesquisas que procuram
compreender como o trabalho da(o) psicóloga(o) pode auxiliar indivíduos e
populações a se proteger, encarar e se reconstruir após situações de desastre.
4.3 Psicologia das emergências e dos desastres
e a atuação com a mídia
Enrico Quarantelli foi o sociólogo responsável por difundir a Sociologia
dos desastres, trazendo extensas contribuições para os estudos nessa
área. Suas pesquisas desmisti�caram, por exemplo, a interpretação sobre
desastres como de�nidos exclusivamente pela intensidade do evento
adverso. Quarantelli nos provou que devemos considerar, ao avaliarmos
um desastre, a relação entre as características do grupo social atingido e
o evento desastroso. É o que nos explica, por exemplo, por que
populações vulnerabilizadas sofrem mais do que populações mais ricas
diante das mesmas condições adversas.
VOCÊ O CONHECE?
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Para tanto, são estabelecidas ações em todos os momentos da ocorrência de
um desastre: pré-desastre, durante o desastre, e pós-desastre (CFP, 2006).
Qual é, então, a função da Psicologia intermediando informações aos veículos
de comunicação nessas ocasiões? Vimos que o acesso a conteúdo midiático
pode gerar impactos na saúde mental, o que foi demonstrado a partir de estudos
sobre notícias acerca da Covid-19 (BAZÁN et al., 2020). Em casos que envolvem
vítimas e estas possuem pouca informação acerca do ocorrido, a qualidade da
informação prestada é crucial. Atuando em instituições de saúde, assistência
social, educação, dentre outras que exercem atividades durante desastres, ou
nos espaços de gestão, a(o) psicóloga(o) pode auxiliar no intermédio com os
veículos de comunicação, buscando prestar apenas as informações su�cientes
e precisas, de modo a evitar situações de pânico e favorecer o enfrentamento à
adversidade vivenciada.
Pré-
desast
re 
Durant
e o
desast
re 
Após o
desast
re 
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De modo a auxiliar esse processo, Zenatti e Sousa (2010) organizaram um
manual de comunicação em desastres. O documento, apesar de voltado aos
veículos de comunicação, traz importantes contribuições para psicólogas(os)
que eventualmente tenham que intermediar o fornecimento de informações à
mídia ao acompanhar situações de desastre em sua prática pro�ssional.
Quando falamos sobre vítimas de um desastre, não tratamos apenas das
vítimas diretas. Entendemos que as vítimas podem se encontrar em seis
níveis distintos: 1) pessoas que sofrem o impacto direto do desastre; 2)
familiares diretos das vítimas do primeiro nível; 3) integrantes das
equipes de primeira resposta; 4) a comunidade envolvida no desastre; 5)
aquelas pessoas que �cam sabendo do acontecimento; 6) aqueles que
deveriam estar, mas não estavam no lugar do evento, por diversos
motivos (CFP, 2006).
VOCÊ SABIA?
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A depender de onde a(o) psicóloga(o) atue, é possível alinhar o trabalho
psicoeducativo voltado às comunidades e as orientações do referido manual,
garantindo intervenções nos três momentos de um desastre.
Pré-desastre - atuação preventiva. A comunicação deve
ampliar o acesso à informação para públicos leigos,
buscando preparar a sociedade a situações de desastre
ao divulgar ações de prevenção e preparação. Deve-se, por
exemplo, alertarpara riscos climáticos ou habitacionais
(construções em encostas, margens de rios, dentre
outros). Outra estratégia importante é ampliar a con�ança
da população em órgãos públicos de gestão de riscos e
desastres (notadamente, a Defesa Civil), o que favorecerá
o acato a orientações, caso necessário.
Durante o desastre - durante o desastre, é importante:
noticiar os espaços a serem evitados para reduzir o risco;
garantir informe e�caz do número e identi�cação das
Selecione um campo de atuação da Psicologia
(escolar, social, hospitalar, jurídica, dentre
outros) e apresente uma análise na qual aponte
as vantagens e desvantagens de um
atendimento remoto nesse contexto. Busque
avaliar os cenários com base nos estudos
apresentados na unidade e compartilhe com
seus colegas!
VAMOS PRATICAR?
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vítimas; evitar imagens traumatizantes de indivíduos
mortos ou feridos, especialmente por entender que estas
serão acessadas por familiares; garantir uma atualização
das redes das instituições públicas atuantes no processo;
orientar a população acerca de espaços de cuidado
organizados para acolher as vítimas.
Pós-desastre - garantir a circulação de informações sobre
redes de políticas públicas e benefícios eventuais
concedidos à população vítima dos desastres; informar
acerca de espaços de atendimento médico e psicológico
disponíveis à população; realizar a divulgação periódica
das consequências do evento, de modo a ampliar o
acompanhamento e a assistência à população atingida.
A Psicologia das emergências e desastres foi formulada, ao
longo do século XX, a partir de estudos e formas de intervenção
perante situações adversas, como catástrofes naturais e
provocadas pelo homem. A prática psicológica nesse contexto
pode abranger todas as etapas de um desastre: antes, durante e
após sua ocorrência.
 
(ATIVIDADE NÃO PONTUADA)
TESTE SEUS CONHECIMENTOS
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Pensando na prática pro�ssional da Psicologia como
intermediadora, junto à mídia, em situações de desastres,
analise as a�rmativas a seguir.
 
I. Antes da ocorrência do desastre, a Psicologia pode se aliar
aos veículos de comunicação para divulgar estratégias de
prevenção aos riscos.
II. Durante o desastre, é preciso orientar os veículos de
comunicação a apresentarem notícias falsas que acalmem a
população quanto ao ocorrido.
III. Após a ocorrência do desastre, a mídia pode auxiliar
orientando a população quanto aos serviços de saúde e
assistência social disponíveis às vítimas.
IV. Após a ocorrência do desastre, a Psicologia pode se aliar à
mídia para avaliar a situação e propor estratégias de
organização social que evitem eventos semelhantes.
 
Está correto o que se a�rma em:
a) I, II, III e IV.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) I e IV.
e) I, III e IV.
VERIFICAR
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Encerramos esta unidade, na qual tivemos a oportunidade de dialogar acerca de
uma interface da atuação da Psicologia bastante incipiente e ainda em
desenvolvimento. Esperamos que você, estudante, aproprie-se cada vez mais
desse conteúdo e desenvolva uma ação crítica e implicada com os Direitos
Humanos diante do novo cenário pro�ssional que se delineia. 
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
CONCLUSÃO
compreender a relação entre mídia e subjetividade;
identi�car a interface entre Psicologia, mídia e Direitos
Humanos;
conhecer a prática psicológica por meio de Tecnologias da
Informação e Comunicação;
apropriar-se da regulamentação ética sobre Psicologia em
interface com a mídia;
conhecer a atuação da Psicologia em situações de
emergências e desastres, bem como sua contribuição na
veiculação de informações adequadas nesses contextos.
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ABJAUDE, S. A. R. et al. Como as mídias sociais in�uenciam na saúde
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Regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios
de tecnologias da informação e da comunicação e revoga a Resolução
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https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2002/12/resolucao2002_18.PDF
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02/05/2022 21:50 Temas Contemporâneos em Psicologia
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02/05/2022 21:50 Temas Contemporâneos em Psicologia
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