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Clínica Médica de cães e gatos Data: 14/10/2024 (segunda feira) Professora: Adriana Coutinho DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO (Neurológico)- parte I É um sistema complexo de comunicação e controle no corpo do animal. Ele monitora ambiente interno e externo do animal e dirige atividades para manter o bem-estar do corpo do animal. · Iniciar e regular movimentos do corpo; · Regular as secreções das glândulas; · Recolher informações sobre ambiente externo através dos sentidos (sensorial) (visão, olfato, paladar, audição, tato e equilíbrio) e mecanismos para detectar dor, temperatura e pressão. · Coordenar sede, fome, raiva, medo e comportamento sexual apropriado para a sobrevivência. Células do SNC: · Neurônios; · Astrócitos; · Oligodendrócitos (oligodendroglia); · Micróglia; · Células ependimárias. O SNP é subdividido em: · SOMÁTICO (CORPO): está associado a musculatura esquelética. · AFERENTE: captura o estímulo da musculatura esquelética e conduzem os impulsos nervosos dos receptores para o sistema nervoso central (SNC). · EFERENTE: conduzem os impulsos nervosos do SNC para os órgãos efetores. O SNP Somático controla os movimentos voluntários e sensorial consciente. Nervo aferente- Também chamado de sensitivo, transmite os impulsos nervosos dos órgãos receptores para o SNC. Nervo eferente- Também chamado de motor, transmite os impulsos nervosos do SNC para os órgãos efetores, como músculos ou glândulas. · VISCERAL (VISCERAS): controla as funções involuntárias do organismo, como a pressão arterial, a motilidade gastrointestinal, a sudorese e a temperatura corporal. · AFERENTE: · EFERENTE: É dividido em: SISTEMA NERVOSO AUTONOMO (não temos controle do movimento) · SIMPÁTICO: Responsável pelo alerta e pelo aumento do gasto de energia. É ativado em situações de estresse ou exercício físico, e aumenta os batimentos cardíacos. Os neurônios simpáticos pós-ganglionares liberam noradrenalina, o que classifica o sistema como adrenérgico. · PARASSIMPÁTICO: Normaliza o funcionamento dos órgãos internos quando o perigo passa, e dirige as atividades dos órgãos nas situações de rotina. O principal nervo parassimpático é o nervo vago, que conduz informação sensorial dos órgãos internos para o encéfalo, e informação parassimpática eferente do encéfalo para os órgãos. Os neurônios parassimpáticos liberam acetilcolina, o que classifica o sistema como colinérgico. Meninges (conjunto de membranas que envolvem o encéfalo e a medula óssea): · Duramáter; · Aracnoide; · Pia Máter. Mecanismos de defesa: · Pele- barreira estrutural e funcional; · Calota craniana e vertebras; · Meninges e fluido cerebrospinal; · Barreira hematoencefálica; · Células de glia; · Resposta imunológica (imunidade inata e adaptativa). Portas de entrada: como as doenças chegam ao SNC? · Congênitas ou adquiridas; · Extensão direta: Trauma na calota craniana ou nos corpos vertebrais; · Hematógena: leitos capilares do parênquima e das meninges do SNC; · Tráfego de leucócitos; · Transporte anoxal retrogrado. Defeitos no fechamento do tubo neural (disrafias): · Anencefalia e hipoplasia prosencefálica (nasce com o tamanho reduzido); · Meningoencefalocele e crânio bífido (fechamento incompleto do crânio, fica pra fora); · Meningomiecele e espinha bífida (fechamento incompleto das vertebras da coluna, projeção da meninge ou da medula espinhal); · Lisencefalia (encéfalo com aspecto liso se assemelhando ao de aves); · Hipoplasia cerebelar (tamanho reduzido); · Seringomielia; · Hidrocefalia. Obs.: A grande maioria ocorre no desenvolvimento fetal (forma congênita, ou seja, o animal já nasce assim). A grande maioria delas são mais raras. Alterações congênitas: ANENCEFALIA (HIPOPLASIA PROSENCEFÁLICA) · Refere-se a ausência de cérebro, ou parte rostral do cérebro (hemisférios cerebrais); · Tronco encefálico geralmente preservado em vários níveis; · Resulta do desenvolvimento anormal do aspecto rostral do tubo neural; · Causa desconhecida, sendo extremamente rara. MENINGOENCEFALOCELE E CRÂNIO BÍFIDO · O crânio bífido é caracterizado por um defeito na linha dorsal e média do crânio (fechamento incompleto do crânio); · Pode ocorrer projeção da meninge e do cérebro, formando um saco coberto por pele; · Malformações rara de origem hereditária em suínos e gatos. MENINGOMIELONCELE E ESPINHA BÍFIDA: · Afeta principalmente a parte caudal da medula espinhal; · Caracterizada por defeito dorsal no fechamento de um ou vários arcos vertebrais que formam a coluna espinhal que cobre a medula espinhal; · Resulta de uma falha no tubo neural e nos arcos vertebrais; · Pode ocorrer herniação da meninge ou meninges e medula espinhal; · Descrita em várias espécies: equinos, bovinos, ovinos, cães (bulldogs ingleses) e gatos. LISENCEFALIA: · É uma anomalia de malformação caracterizada por redução no número das circunvoluções do cérebro e uma organização anormal das camadas do córtex; · No desenvolvimento fetal, a migração neuronal é interrompida, impedindo a formação dos giros e sulcos corticais normais; · O cérebro fica menor, mais leve e com um aspecto rudimentar. Apresentando superfície lisa e sem giros e sulcos normais (RARA). · Raças: Samoyeda, Fox terrier e Lhasa Apso. HIPOPLASIA CEREBELAR: · Associado a infecções virais em animais; · Os vírus infectam e destroem as células mitóticas, inicialmente da camada granular externa do cerebelo; · Ocorre necrose dessas células e hipoplasia de cerebelo (tamanho reduzido). SERINGOMIELIA: · Formação de cisto na medula espinhal (pode ser congênito de causa desconhecida ou adquirido por algum trauma); · O cisto não é circundado por células ependimárias e geralmente é separado do canal central medular; · Descrita em cães Weimaraner e bezerros; · Fatores associados: infecções durante a gestação, trauma no útero; · Sinais clínicos: ataxia, incontinência urinária, dificuldade respiratória, fraqueza muscular e reflexos proprioceptivos anormais. DISPLASIA DO OCCIPITAL (SÍNDROME DE CHIARI): · A displasia do occipital, é uma alteração dorsal do forame magno, também denominado de malformação congênita do forame magno ou malformação de Arnold- Chiari. · A displasia do occipital é uma enfermidade rara, e muitas vezes assintomática. · Está relacionada a cães de raças de pequeno porte. · Os sinais clínicos podem variar entre dor cervical, hiperestesia cervical (pescoço mais duro), mudanças de comportamento, protusão da língua, disfagia, distúrbios oculares como cegueira e estrabismo, alteração da pressão intracraniana, síncope, déficit motor e parestesia. · Doença rara; · Mal formação do osso occipital (na nuca); · Se for uma má formação discreta o animal pode ser assintomático, ou se for má formação grave vai prejudicar a medula espinhal. · Cavalier é a raça mais acometida; · Em alguns casos o tratamento é cirúrgico, ou até eutanásia. HIDROCEFALIA CONGÊNITA: · Mal formação congênita (já nasce assim) mais comum na medicina veterinária; · Causas associadas- infecções uterinas, em raças braquicefálicas pode ter fatores genéticos (afeta muito os chihuahuas); · A lesão básica ocorre devido a uma estenose do aqueduto mesencefálico que resulta em hidrocefalia não comunicante (o liquido se acumula apenas na região do ventrículo e não no espaço subaracnóidea); · Acumulo de liquido; · Acumulo excessivo de LCR; · Pode ser do tipo: · Não comunicante ou intraventricular: Ocorre quando há obstrução no sistema ventricular, impedindo a comunicação com o espaço subaracnoide. Isso pode ser causado por malformações congênitas, tumores encefálicos, processos inflamatórios ou hemorragias. · Comunicante ou extraventricular: ocorre quando a reabsorção do LCR pelas granulações aracnoides é deficiente. Isso pode ser causado por infecções, como a meningite, ou por hemorragias. Patogênese: · Após o bloqueio dos forames interventriculares, a pressão dos ventrículos aumenta; · Os ventrículos dilatam; · Atrofia ependimária; · Edema hidrostático da substância branca; · Degeneração e atrofia da mielina e dos axônios, com perda de substância branca. Alterações macroscópicas:· Dilatação do crânio; · Fontanelas proeminentes; · Aumento do sistema ventricular próximo a região de obstrução; · Diminuição da substância branca; · Em cães ocorre principalmente em raças braquicefálicas ou jovens, chihuahua, lhasa apso e poodle toy; · Fraco desenvolvimento da habilidade motora, atraso no aprendizado comportamental, convulsões e confusão eventual. HIDROCEFALIA ADQUIRIDA: Animal nasce bem, mas por algum motivo acontece a hidrocefalia, o animal já adulto suas estruturas craniais já estão fechadas, então dificilmente apresentará aumento de cabeça. · Traumas; · Neoplasias; · Processos obstrutivos do aqueduto mesencefálico. Caso clínico neurológico: · Resenha (espécie, idade, raça, sexo); · Histórico e anamnese (observação e interpretação). · Vacinação, e local onde o animal vive, evolução do problema; · Exame físico; · Exame ortopédico; · Exame neurológico. Identificar possível região acometida: 1- Encéfalo (SNC) - presença de sinais de cabeça; 2- Medula espinhal (SNC) - sem sinais de cabeça; 3- Nervos periféricos - sinais de neurônio motor inferior. Neurolocalização: 1- Estado mental: Nível de consciência (tronco encefálico SRAA -) normal, desorientação, estupor e coma. Comportamento (tálamo-cortical) - sinais de demência. 2- Postura: (cabeça, tronco e membros) - ventoflexão, inclinação, cifose, base larga, posição de Schiff-Sherrington, descerebelação, descerebração e indeterminado. 3- Locomoção (ataxia, paresia e paralisia). 4- Nervos cranianos. 5- Reações posturais; 6- Reflexos espinhais; 7- Teste de sensibilidade. DOENÇA VESTIBULAR: · Também conhecida como síndrome vestibular, é uma condição neurológica que afeta o equilíbrio e a coordenação do animal. Ela é causada por uma disfunção no sistema vestibular, que controla a orientação espacial e o equilíbrio do corpo. · Distúrbio súbito e não progressivo do equilíbrio; · É mais comum em cães idosos; · Está associada a uma otite crônica que afeta o ouvido interno (sist. vestibular periférico); · A inclinação de cabeça é uma anormalidade neurológica comum em cães e gatos; · Ela indica uma lesão do sistema vestibular, que consiste em partes centrais e periféricas. Funções: · O sistema vestibular é o maior sistema sensorial do corpo; · Responsável por manter o equilíbrio normal do indivíduo; · O aparelho vestibular é crítico para evitar reações inconscientes ao movimento e a gravidade; · Em um esforço para manter o equilíbrio, informações sobre a posição da cabeça e aceleração linear, rotacional e angular são coletadas de receptores. Manifestações clinicas: Podem envolver o sistema vestibular periférico ou central. 1- Inclinação de cabeça; 2- Perda de equilíbrio; 3- Marcha em círculos fechados; 4- Queda; 5- Rolamento; 6- Ataxia; 7- Nistagmo (movimentação incoordenada do olho); 8- Estrabismo. NISTAGMO · Oscilação rítmica involuntária dos globos oculares; · Doença vestibular periférica: horizontal ou rotatório; · Doença vestibular central: horizontal, rotatório ou vertical e pode mudar de direção quando a posição da cabeça é alterada, você movimenta a cabeça do animal, mas o olho não acompanha (NISTAGMO DE POSIÇÃO). Para localização das lesões: · A inclinação da cabeça indica disfunção vestibular; · Importante realização de exame físico e neurológico; · Localização da doença nos componentes centrais e periféricos. DOENÇA VESTIBULAR PERIFÉRICA: · Anormalidades dos componentes da orelha interna (labirinto membranoso): · Estado de consciência e atividade mental normal; · Nistagmos horizontais ou rotatórios; · Surdez simultânea (danos aos receptores internos do ouvido e VIII par dos nervos cranianos); · Síndrome de Horner (lesão do nervo facial e a inervação simpática do olho). Causas: 1- Otite média interna; 2- Neoplasia/ pólipos nasofaringeos felinos no ouvido médio; 3- Trauma; 4- Síndromes vestibulares congênitas; 5- Doença vestibular geriátrica canina; 6- Síndrome vestibular idiopática felina; 7- Ototoxicidade por aminoglicosídeos (uso indevido de antibióticos); 8- Ototoxicidade química (uma substância química que virou lesão); 9- Neuropatia associada a hipotireoidismo. DOENÇA VESTIBULAR CENTRAL: · Anormalidades do tronco encefálico e cerebelo; · Nistagmos verticais; · Nistagmo de posicionamento; · Déficit de neurônio motor superior; · Paresia ipsolateral; · Posicionamento proprioceptivo anormal; · Síndromes de Horner (uma pupila dilatada, a outra contraída e protusão da 3 pálpebra). Causas: 1- Trauma ou hemorragia; 2- Doenças infecciosas; 3- Meningoencefalite granulomatosa (cães); 4- Leucoencefalite necrosante (cães); 5- Neoplasia primaria ou metastica; 6- Infarto vascular; 7- Intoxicação por antibióticos como o metronidazol. Terapêutica: Baseada na identificação da causa se é periférica ou central; SV PERIFÉRICA: · Antibioticoterapia sistêmica de 4 a 8 semanas, baseado na cultura com antibiograma da secreção do ouvido; · Anti inflamatórios (corticoides 3 a 5 dias); Vestibulopatias centrais - identificação da causa, para terapêutica adequada. image6.png image7.png image8.jpeg image9.jpg image10.jpg image11.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png