Logo Passei Direto
Buscar

apostila_do_curso_fisioterapia_no_cancer_de_mama_

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISPONÍVEL 24H 
MELHOR CUSTO BENEFÍFIO 
100% LEGALIZADO 
 
 
‘ 
Sumário 
 
Conceitos Importantes dos Tecidos Envolvidos ........................................................................ 7 
Substância fundamental amorfa ................................................................................................. 9 
Fibras colágenas ......................................................................................................................... 9 
Fibras elásticas ........................................................................................................................... 9 
Fibras reticulares ...................................................................................................................... 10 
Células próprias do tecido conjuntivo ...................................................................................... 10 
Sistema tegumentar .................................................................................................................. 10 
Estrutura do Sistema Tegumentar ............................................................................................ 11 
Hipoderme (tela subcutânea) .................................................................................................... 13 
Anexos da pele ......................................................................................................................... 13 
Vascularização e inervação ...................................................................................................... 14 
Sistema linfático ....................................................................................................................... 14 
Distribuição do Sistema Linfático ............................................................................................ 15 
Linfa ......................................................................................................................................... 15 
Topografia do sistema linfático ................................................................................................ 16 
Figura – Microestrutura do Sistema Linfático ........................................................................ 16 
Capilares linfáticos ................................................................................................................... 16 
Pré-coletores linfáticos ............................................................................................................. 17 
Coletores linfáticos ................................................................................................................... 17 
Troncos linfáticos ..................................................................................................................... 17 
Ducto linfático direito .............................................................................................................. 18 
Ducto torácico .......................................................................................................................... 18 
Ductos Linfáticos ..................................................................................................................... 18 
 
‘ 
Linfangions ............................................................................................................................... 19 
Válvulas linfáticas .................................................................................................................... 19 
Válvulas Linfáticas ................................................................................................................... 20 
Linfonodos ............................................................................................................................... 20 
Linfonodo ................................................................................................................................. 21 
Circulação linfática................................................................................................................... 21 
Circulação Linfática ................................................................................................................. 21 
A Mama .................................................................................................................................... 22 
Embriologia .............................................................................................................................. 23 
Anatomia .................................................................................................................................. 23 
Anatomia Mamária ................................................................................................................... 24 
Inervação .................................................................................................................................. 27 
Drenagem linfática do membro superior .................................................................................. 27 
Drenagem linfática da mama .................................................................................................... 28 
Drenagem Linfática da Mama .................................................................................................. 28 
Musculatura torácica ................................................................................................................ 29 
Musculatura Torácica ............................................................................................................... 29 
Fossa Axilar .............................................................................................................................. 30 
Estágios da carcinogênese ........................................................................................................ 35 
Câncer de Mama ....................................................................................................................... 37 
Aspectos gerais do câncer de mama ......................................................................................... 37 
Incidência ................................................................................................................................. 38 
Fatores de risco ......................................................................................................................... 38 
Radiações ionizantes; ............................................................................................................... 40 
 
‘ 
Classificação dos tumores mamários ....................................................................................... 40 
Tumores não-invasivos............................................................................................................. 41 
Doença de Paget ....................................................................................................................... 48 
Tumor filódes ........................................................................................................................... 48 
Metástases ................................................................................................................................ 48 
Alterações benignas da mama .................................................................................................. 49 
Câncer de mama masculino ...................................................................................................... 49 
Sinais e sintomas do câncer de mama ...................................................................................... 50 
Estadiamento ............................................................................................................................ 51 
Diagnóstico clínico das alterações mamárias ...........................................................................de 
desenvolver câncer de mama são: sexo masculino, menarca após os 14 anos, menopausa 
antes dos 45 anos, primeira gestação a termo e amamentação precoces (idade inferior a 
30 anos), prática de atividade física regular e hábitos alimentares saudáveis. 
 
Classificação dos tumores mamários 
 
O câncer de mama é classificado de acordo com o tipo de tecido no qual ele 
iniciou e com a extensão de sua disseminação. O câncer pode originar-se nas glândulas 
lactíferas, nos canais lactíferos, no tecido adiposo ou no tecido conjuntivo. Os diferentes 
tipos de cânceres de mama evoluem de forma diferente. As generalidades sobre os tipos 
particulares são baseadas nas similaridades quanto à forma como eles são descobertos, 
como eles evoluem e como eles são tratados. 
Alguns cânceres crescem muito lentamente e disseminam-se a outras partes do 
corpo (produzem metástases) apenas após tornarem-se muito grandes. Outros são mais 
agressivos, crescendo e disseminando-se rapidamente. No entanto, o mesmo tipo de 
câncer pode evoluir de maneira diferente em mulheres diferentes. 
Cerca de 50% dos casos de câncer de mama surgem no quadrante superior 
externo, 10% em cada um dos quadrantes restantes e 20% na região central ou 
 
41 
 
subareolar. 
 
Tumores não-invasivos 
 
São assim denominados por respeitarem a membrana basal epitelial. É um tumor 
localizado, geralmente em estágio inicial que não invadiu e nem se disseminou além do 
seu ponto de origem. Os tumores não-invasivos são responsáveis por grande parte dos 
cânceres de mama diagnosticados. 
 
Carcinoma ductal in situ (CDIS): 
 
Caracteriza-se por uma proliferação de células malignas dentro de um ducto, não 
ultrapassando os limites da membrana basal. Geralmente, inicia-se nas paredes dos 
canais lactíferos. Pode ocorrer antes ou após a menopausa. 
Essas células podem proliferar e obstruir completamente a luz dos ductos, 
causando sua dilatação e sua solidificação. À medida que a lesão progride, estendendo-
se através da membrana basal e invadindo o estroma, transforma-se em um carcinoma 
invasor. 
É um tumor quase sempre descoberto em fase subclínica, por meio de 
mamografia, através da presença de microcalcificações, antes de ser suficientemente 
grande para ser palpado. O seu tratamento atinge índice de curabilidade próximo de 
100% e é baseado em quadrantectomia ou mastectomia, dependendo da extensão do 
próprio tumor. 
Esse tipo de carcinoma pode ser dividido, histologicamente, em subtipos: 
comedocarcinoma, com detritos necróticos celulares, preenchendo os espaços ductais, 
lembrando comedões; micropapilar, caracterizado por projeções papilares homogêneas; 
cribriforme, com espaços glandulares nítidos e marcados; e sólido, com o lúmen 
ocupado por uma proliferação de células menores que as do tipo comedocarcinoma. 
Em termos de prognóstico, quanto maior o tamanho e o grau de necrose da 
lesão, maior o seu potencial para tornar-se invasora. As lesões do tipo 
comedocarcinoma apresentam prognóstico menos favorável comparado aos outros tipos 
histológicos. Aproximadamente 25% a 30% das lesões in situ, não-tratadas, 
desenvolvem carcinoma invasor nos próximos 10 anos. 
 
 
42 
 
Carcinoma ductal in situ 
 
Fonte: SUTTERHEALTH, 2008 
 
Carcinoma lobular in situ (CLIS) 
 
É de diagnóstico mais difícil, uma vez que não apresenta sintomatologia e não é 
detectável a mamografia, sendo geralmente um achado histológico, tendendo a ser 
multifocal, multicêntrico e bilateral. O carcinoma lobular in situ, que se origina nas 
glândulas lactíferas, geralmente ocorre antes da menopausa. 
A lesão caracteriza-se pela proliferação de células pequenas e uniformes no 
interior de ductos terminais e lóbulos, podendo, algumas vezes, estender-se a ductos 
extralobulares. Suas células apresentam baixas taxas proliferativas e são semelhantes às 
encontradas na hiperplasia lobular atípica, porém, nessa com acometimento menor. 
Segundo alguns autores, para caracterizar o CLIS, são necessários que pelo menos 
metade de um lóbulo esteja preenchido por células características. 
A evolução do CLIS pode ser bastante variável. Aproximadamente 20 a 30% das 
pacientes apresentarão desenvolvimento de carcinoma infiltrante em 15 anos, sendo 
50% em cada mama, 75% do tipo ductal invasor e 25% lobular invasor. Baseada nessa 
evolução, tal lesão é reconhecida como um marcador tumoral, embora alguns autores, 
recentemente, também lhe tenham atribuído um caráter precursor. 
 
43 
 
 
Carcinoma lobular in situ 
Fonte: SUTTERHEALTH, 2008 
 
 
Carcinomas invasivos 
 
Surgem quando as células epiteliais malignas ultrapassam a membrana basal, 
invadindo o estroma mamário. Os cânceres de mama invasivos podem ser localizados 
(confinados na mama) ou metastáticos (que se disseminaram a outras partes do corpo). 
Aproximadamente 80% dos cânceres de mama invasivos são ductais e cerca de 10% são 
lobulares. O prognóstico dos cânceres invasivos ductais e lobulares é similar. 
 
Carcinoma lobular infiltrante (CLI) 
 
O carcinoma lobular invasor constitui de 10 a 14% dos carcinomas mamários. A 
idade média do diagnóstico varia de 45 a 56 anos. A maioria das pacientes apresenta 
apenas um adensamento ou um endurecimento local mal definido, por vezes, surgindo 
como uma nodularidade palpável. Em lesões avançadas, pode haver retração de pele e 
fixação. Em geral, as calcificações não estão presentes na lesão, mas podem aparecer 
em lesões benignas adjacentes. O CLI tende a ser freqüentemente multifocal e/ou 
 
44 
 
multicêntrico. A bilateralidade é descrita em 6% a 28% dos casos. 
Histologicamente, a lesão caracteriza-se pela presença de células tumorais 
pequenas e homogêneas, semelhantes ao carcinoma lobular in situ, e crescem em "fila 
indiana" com um padrão concêntrico, circundando os ductos mamários residuais, com 
formação de crescimento "em alvo". Algumas vezes, observam-se vacúolos de secreção 
no citoplasma das células neoplásicas, deslocando o núcleo para a periferia da célula, 
conferindo à célula um aspecto de células em anel de sinete, sendo, então, classificada 
como um subtipo de carcinoma lobular invasor, chamado de carcinoma com células em 
anel de sinete. 
 
Carcinoma lobular infiltrante 
 
 
Fonte: SUTTERHEALTH, 2008 
 
Carcinoma ductal infiltrante (CDI) 
 
Tipo mais freqüente. O carcinoma ductal infiltrante representa 80% a 90% dos 
carcinomas da mama. Na verdade seu diagnóstico é por exclusão, feito quando a lesão 
não preenche os critérios diagnósticos para os tipos especiais de carcinoma mamário, 
sendo classificado como carcinoma ductal infiltrante sem outra especificação. Os 
carcinomas ductais de tipo especial (medular, tubular, etc.) compreendem 10 a 20% dos 
carcinomas invasivos. 
 
45 
 
Para que uma lesão seja classificada como de tipo especial, é necessário que ela 
seja composta quase que completamente (90% de um tumor) pelas características 
histológicas do tipo em questão. Quando um carcinoma ductal apresenta apenas 
pequenos focos de um tipo específico, o tumor continua sendo classificado como CDI. 
Macroscopicamente, forma um nódulo sólido ou uma área de condensação no 
parênquima, de coloração acinzentada ou branquicenta, em geral endurecidos, com 
consistência de pêra verde ao corte, o que depende da quantidade de fibrose de estroma, 
da elastose peritumoral e da presença de necrose e de calcificações relativamente 
grosseiras. As lesões podem ser espiculadas ou circunscritas. 
Histologicamente, o tumor é formado pela proliferação de elementos epiteliais 
com atipias citológicas relativamente acentuadas, com uma tendência diversa a formar 
estruturas pseudoglandulares ou semelhantes aos ductos, e com atividade mitótica 
variável. As características citológicas variam muito, podendo ser encontradas desde 
células pequenas com núcleos homogêneos até células grandes com núcleos irregulares 
e hipercromáticos. Nas margens damassa tumoral, as células neoplásicas infiltram-se 
para dentro do estroma e do tecido fibroadiposo e, com freqüência, há uma invasão dos 
espaços perivasculares e perineurais, bem como dos vasos sangüíneos e linfáticos. 
 
Carcinoma ductal infiltrante 
 
 
 
 
46 
 
Fonte: SUTTERHEALTH, 2008 
 
Carcinoma tubular 
 
 
Representa um dos tipos especiais de carcinoma ductal, muito bem diferenciado, 
constituindo 2% dos carcinomas da mama. Possui bom prognóstico e, para isso, a lesão 
deve ser constituída por, no mínimo, 75% de elementos característicos; caso contrário é 
considerado carcinoma tubular misto. Incidem em mulheres relativamente jovens, até 50 
anos. Geralmente, apresenta-se como tumor pequeno, dificilmente ultrapassando 4 cm. 
O tumor tem consistência firme endurecida, com coloração branco-acinzentada e 
aspecto estrelado ao corte. 
Histologicamente, a lesão é composta por proliferação de túbulos glandulares, de 
forma irregular, revestidos por uma única fila de células bem diferenciadas, 
homogêneas, freqüentemente apresenta secreção apócrina. O estroma adjacente aos 
túbulos é abundante, fibrótico e com elastose. 
Calcificações são encontradas em 50% dos casos, geralmente no componente 
intraductal, que pode ser visto em 60 a 80% dos tumores. A freqüência de 
acometimento de linfonodos axilares é baixa e o prognóstico é extremamente favorável. 
 
Carcinoma medular 
 
O carcinoma medular representa até 7% dos carcinomas mamários. Ocorre 
principalmente em mulheres mais jovens, até 35 anos, sobretudo se pertencentes a 
famílias com alterações genéticas em genes específicos para o câncer de mama. 
Macroscopicamente são tumores bem-delimitados, circunscritos, densos com 2 a 
3 cm de diâmetro, acinzentados, com consistência firme, sendo, muitas vezes, 
confundidos, no exame físico, com fibroadenomas. Pode ocorrer degeneração cística em 
tumores maiores. 
Histologicamente é caracterizado por células pouco diferenciadas, alto índice 
mitótico, presença de um intenso infiltrado linfoplasmocitário e um padrão sólido de 
células. Apesar de suas características histológicas de neoplasia pouco diferenciada e 
ausência de receptores hormonais, o carcinoma medular é uma neoplasia com 
prognóstico relativamente favorável. 
 
47 
 
 
Carcinoma mucinoso 
 
Também conhecido como colóide, mucóide ou gelatinoso, constitui de 1 a 2% 
dos carcinomas da mama em geral, e representa 7% dos carcinomas em mulheres 
maiores de 75 anos. Caracteriza-se pela presença de abundante secreção mucinosa no 
tumor, sendo que a quantidade relativa de mucina e de estroma determina a consistência 
da lesão, que pode ser macia, gelatinosa ou firme. Usualmente, o tumor é circunscrito e 
de aparência mucinosa ao corte. É considerado um tumor de bom prognóstico. 
 
Carcinoma papilífero 
 
Representa de 1% a 2% dos carcinomas mamários e caracteriza-se por uma 
arquitetura papilar do componente invasor e do intraductal. Ocorre mais freqüentemente 
nas mulheres mais idosas. Sua freqüência na área central da mama é 46%, sendo que 
22% a 34% das pacientes apresentam derrame papilar. O tumor é circunscrito, podendo 
ser lobulado e com um diâmetro médio de 3 cm ao diagnóstico, às vezes, apresenta 
componente cístico. Tem crescimento lento, podendo, em alguns casos, comprometer 
toda a mama, principalmente quando for cístico e invadir a pele. Pode haver dificuldade 
em distinguir histologicamente alguns papilomas papilíferos intraductais de um 
papiloma dos ductos. Também é considerado um tumor de bom prognóstico. 
 
 
Carcinoma inflamatório 
 
Representa de 1 a 3% dos cânceres de mama, sendo uma de suas formas mais 
agressivas, cuja apresentação clínica caracteriza-se pelo predomínio dos fenômenos 
inflamatórios da pele da mama (flogose, eritema, aumento da temperatura local e edema 
com espessamento cutâneo). Essa apresentação clínica resulta da embolização tumoral 
em vasos linfáticos dérmicos. O quadro pode evoluir para lesões ulcerativas. A maioria 
das pacientes possui um carcinoma invasivo subjacente, geralmente de volume grande e 
de localização central. 
Histologicamente caracteriza-se por uma invasão dos linfáticos da derme e, às 
vezes, o diagnóstico clínico não encontra correlação na histologia. O prognóstico dessas 
 
48 
 
lesões é ruim. Com a entrada da quimioterapia neoadjuvante no tratamento do 
carcinoma inflamatório, a taxa de sobrevida em cinco anos chega até 50%. 
 
Doença de Paget 
 
Representa 0,7 a 4% dos cânceres de mama. Caracteriza-se por alteração 
unilateral do mamilo e/ou da aréola, que pode incluir vesículas areolares recorrentes, 
eczema eritematoso crônico, lesão psoriática e até uma lesão erosiva. Prurido e aumento 
da sensibilidade são freqüentes. Geralmente, a lesão aparece na papila, estendendo-se à 
aréola e, raramente, à pele adjacente. Em praticamente todos os casos, é encontrada uma 
lesão maligna subjacente, sendo o carcinoma intraductal em 65% e o carcinoma ductal 
invasor em 30% das vezes. Aproximadamente 60% das pacientes com doença de Paget 
apresentam massa palpável, e as demais, geralmente, apresentam mamografias 
alteradas. O diagnóstico da patologia é realizado na microscopia em que se identificam 
células claras grandes com núcleos atípicos, denominadas células de Paget, 
concentradas na membrana basal da epiderme. 
 
 
 
Tumor filódes 
 
Neoplasia composta por elementos epiteliais e mesenquimais de comportamento 
bastante variável. Não é muito freqüente, representando 2 a 3% dos tumores 
fibroepiteliais. Apresenta maior freqüência entre os 30 e 40 anos de idade. 
Macroscopicamente, o tumor é arredondado, bem-circunscrito e firme, apresentando 
diâmetros que variam entre 5 e 20 cm. Ao corte, é acinzentado a branquicento, 
apresentando áreas sólidas e degeneração cística, podendo haver necrose e hemorragia. 
Microscopicamente, apresenta hipercelularidade estromal e elementos glandulares 
benignos. A quantidade e a aparência do componente estromal é que determinam se a 
neoplasia é um fibroadenoma ou um tumor filodes. 
 
Metástases 
 
Migração de doença de um órgão a outro a que não está diretamente ligado 
 
49 
 
anatomicamente. No câncer, as metástases são resultado de uma proliferação 
descontrolada de células tumorais que acabam rompendo barreiras teciduais até chegar a 
vias de transporte pelo organismo. A metástase do câncer de mama apresenta a seguinte 
ordem de predileção: ossos, pulmões, pleura, fígado, rins, cérebro e pele. 
 
Alterações benignas da mama 
 
As principais alterações benignas das mamas são o fibroadenoma e as alterações 
funcionais benignas da mama (AFBM). 
O fibroadenoma de mama é um nódulo de origem e evolução benigna que 
aparece geralmente entre 15 e 25 anos de idade. Quase sempre mede de 1 a 2 cm, é 
duro, móvel, único, não doloso, bem delimitado, como se fosse uma "bolinha de vidro" 
dentro da mama. Seu tratamento de rotina é a sua retirada por meio de pequena cirurgia, 
com incisão estética na região peri areolar. Em jovens, com ultra- sonografia de aspecto 
benigno e punção aspirativa afastando células malignas, pode-se optar por uma conduta 
observadora. 
As AFBM caracterizam-se por dar o espessamento mamário, geralmente com 
reforço pré-menstrual cíclico. Aparecem depois da adolescência, tendem a melhorar à 
gestação e lactações e desaparecem na menopausa. São alterações totalmente benignas. 
A chance de uma mulher com dor mamária vir a ter um tumor de mama é a mesma das 
outras mulheres, ou seja, quem tem dor mamária não tem risco elevado de câncer. A dor 
mamária é comum na mulher moderna, provavelmente em decorrência de ação 
hormonal continuada pelos estrogênios ovarianos, em pessoas que engravidam poucas 
vezes e quase não amamentam. 
 
Câncer de mama masculino 
 
 
Os homens podem apresentar câncer de mama, mas as chances dele ocorrer são 
de apenas 1% em comparação às chances das mulheres. Pelofato de ser incomum, ele 
raramente é cogitado como causa dos sintomas, seja pelo homem que apresenta o câncer 
como pelo médico. Conseqüentemente, o câncer de mama no homem com freqüência 
evolui até um estágio avançado antes de ser diagnosticado. O prognóstico é o mesmo 
que o de uma mulher com um câncer no mesmo estágio. O tratamento é praticamente o 
 
50 
 
mesmo, exceto pelo fato da cirurgia conservadora ser raramente utilizada e a 
importância do tratamento medicamentoso ou da radioterapia não ter sido demonstrada. 
 
Sinais e sintomas do câncer de mama 
 
No início, uma mulher com câncer de mama quase sempre é assintomática. 
Geralmente, o primeiro sintoma é um nódulo com consistência diferente do tecido 
mamário circunvizinho. A detecção de nódulos ou massa mamária é a principal queixa 
que leva as mulheres ao médico. Entretanto, 90% são causadas por alterações benignas. 
Massas de consistência de borracha e macias estão geralmente relacionadas com 
fibroadenomas em mulheres entre 20 e 30 anos e cistos em mulheres entre 30 e 40 anos, 
ambas as alterações benignas. Nódulos malignos são geralmente solitários, discretos, 
duros, sem aumento de sensibilidade local, em uma única mama, podendo em alguns 
casos estar aderido à pele ou parede muscular localizada debaixo da mama. 
Em mais de 80% dos casos de câncer de mama, a mulher descobre o nódulo por 
si. Os nódulos dispersos, sobretudo os localizados na região súpero- lateral, geralmente 
não são cancerosos. Um espessamento diferenciado e mais duro que ocorre em apenas 
uma mama pode ser um sinal de câncer. Nos estágios iniciais, o nódulo pode deslocar-
se livremente sob a pele quando empurrado com os dedos. Nos estágios mais 
avançados, o nódulo tende a aderir à parede torácica ou à pele que o reveste. 
Nesses casos, o nódulo torna-se totalmente fixo ou não pode ser deslocado 
separadamente da pele que o reveste. No câncer avançado, podem ocorrer nódulos 
aumentados de volume ou úlceras supurativas sobre a pele. Algumas vezes, a pele sobre 
o nódulo apresenta pequenas depressões e um aspecto coriáceo e parece a casca de 
laranja, exceto no que diz respeito à cor. 
A dor mamária (mastalgia) é raramente associada com câncer de mama estando 
geralmente relacionada com alterações benignas pré-menopausa ou em mulheres na 
pós-menopausa recebendo reposição estrogênica. A dor nesses casos está presente 
juntamente com um inchaço mamário. 
Eritema, edema, retração da pele ou do mamilo estão mais comumente 
associados com câncer de mama. A secreção do mamilo é considerada suspeita 
principalmente quando vêm de um único ducto, é espontânea e sanguinolenta. Secreção 
escura e que vem de mais de um ducto habitualmente é normal. Em caso de secreção 
láctea bilateral deve-se procurar a causa da produção de prolactina. 
 
51 
 
 
Estadiamento 
 
Estadiamento é a avaliação da extensão anatômica da doença e dos órgãos 
acometidos. O estádio da doença possibilita identificar a taxa de crescimento e extensão 
da neoplasia, o tipo de tumor e a relação tumor-hospedeiro. A classificação atualmente 
utilizada é a TNM, proposta pela Union Internationale Contre lê Cancer (UICC) e pelo 
American Joint Commitee on Cancer (AJCC) em 1988, onde T é a dimensão do tumor 
primário, N a presença ou ausência de metástase para linfonodos regionais e M a 
presença ou ausência de metástases à distância. 
Duas classificações são descritas para cada local anatômico objetivando auxiliar 
o planejamento terapêutico, oferecer subsídios para o prognóstico, permitir avaliação 
dos resultados do tratamento, proporcionar intercâmbio de informações entre diferentes 
centros, e fornecer elementos para a continuidade das pesquisas clínicas ligadas ao 
câncer mamário. 
De forma simplificada, o desenvolvimento do câncer de mama também pode ser 
classificado por estágios. Com informações do tamanho do tumor, comprometimento de 
linfonodos (avaliado na cirurgia) e metástases à distância, a doença é classificada em: 
- Estágio 0: carcinoma está in situ, ainda não se infiltrou pelos ductos ou 
lóbulos; 
- Estágio I: tumor pequeno que ainda não se espalhou pelos linfonodos. 
- Estágio IIa: tumor com menos de 2 centímetros que se infiltrou nos 
linfonodos axilares; tumor entre 2 e 5 centímetros, que não atingiu os linfonodos 
axilares ou quando não há evidência de tumor na mama, mas existe câncer nos 
linfonodos axilares. 
- Estágio IIb: quando o tumor tem de 2 a 5 centímetros e atinge linfonodos 
axilares ou é maior que 5 centímetros, mas não atinge linfonodos axilares. 
- Estágio IIIa: quando o tumor é menor que 5 centímetros, se espalhou pelos 
linfonodos axilares que estão aderidos uns aos outros ou a outras estruturas vizinhas ou 
é maior que 5 centímetros e atinge linfonodos axilares que podem ou não estar aderidos 
uns aos outros ou a outras estruturas vizinhas. 
- Estágio IIIb: o tumor infiltra a parede torácica ou causa inchaço ou 
ulceração da mama ou é diagnosticado como câncer de mama inflamatório. Pode ou não 
ter se espalhado para os linfonodos axilares, mas não atinge outros órgãos. 
http://pt.shvoong.com/tags/tumor/
 
52 
 
Estágio IIIc: tumor de qualquer tamanho que não se espalhou para partes 
distantes, mas que atinge linfonodos acima e abaixo da clavícula ou para linfonodos 
dentro da mama ou abaixo do braço. 
Estágio IV: tumor de qualquer tamanho que tenha se espalhado para outros 
locais do corpo como: ossos, pulmões, fígado ou cérebro. 
 
Diagnóstico clínico das alterações mamárias 
 
Uma história completa deve fazer parte de toda avaliação, além da 
sintomatologia, é importante observar a história menstrual (início, regularidade, 
menopausa, cirurgia ginecológica), história reprodutiva (número, paridade, problemas 
com a concepção ou parto), o uso de hormônios, uma história familiar de câncer de 
mama e uma história pessoal de câncer de mama ou doença de mama. 
Os exames periódicos são necessários, pois permite que o diagnóstico seja feito 
a tempo, às vezes, antes mesmo de provocar qualquer sintoma, aumentando a 
possibilidade de cura. Apesar das estatísticas, o câncer de mama é considerado uma 
doença curável, graças aos recursos terapêuticos disponíveis, desde que diagnosticada 
precocemente. Quatro em cinco casos de câncer de mama são diagnosticados pela 
própria paciente, através do auto-exame das mamas. 
Para a detecção precoce do câncer de mama recomenda-se: 
Rastreamento por meio do exame clínico da mama, para todas as mulheres a 
partir de 40 anos de idade, realizado anualmente. Este procedimento é ainda 
compreendido como parte do atendimento integral à saúde da mulher, devendo ser 
realizado em todas as consultas clínicas, independente da faixa etária; 
Rastreamento por mamografia, para as mulheres com idade entre 50 a 69 anos, 
com o máximo de dois anos entre os exames; 
Exame clínico da mama e mamografia anual, a partir dos 35 anos, para as 
mulheres pertencentes a grupos populacionais com risco elevado de desenvolver câncer 
de mama; 
Garantia de acesso ao diagnóstico, tratamento e seguimento para todas as 
mulheres com alterações nos exames realizados. 
São definidos como grupos populacionais com risco elevado para o 
desenvolvimento do câncer de mama: mulheres com história familiar de pelo menos um 
parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama, 
 
53 
 
abaixo dos 50 anos de idade; mulheres com história familiar de pelo menos um parente 
de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama bilateral ou 
câncer de ovário, em qualquer faixa etária; mulheres com história familiar de câncer de 
mama masculino; mulheres com diagnóstico histopatológico de lesão mamária 
proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ 
 
Auto-exame 
 
O processo de auto-exame é bem simples e requer apenas alguns minutos. A 
melhor época para fazer o exame é de 5 a 10 dias depois do início dociclo menstrual. 
Após a menopausa, as mulheres devem ser instruídas a fazer o auto- exame sempre no 
mesmo dia de cada mês. O exame pode ser realizado nas seguintes posições: 
- Posição 1: olhando no espelho em pé ou sentada, deve-se erguer os braços, 
colocando-os atrás da cabeça. Observar se há qualquer alteração nos seios. Em seguida, 
com as mãos na cintura, devem-se contrair os músculos do peito, para ver se já há 
alguma anormalidade. Finalmente, apertar o mamilo do seio, para ver se há a saída de 
algum líquido. 
 
Auto-exame das mamas – Posição 1. 
 
Fonte: PGR, 2008 
 
- Posição 2: no chuveiro, deve-se levantar o braço direito, colocando-o atrás 
da cabeça, com a mão esquerda ensaboada, juntar os dedos e palpar o seio direito, 
comprimindo-o contra as costelas, fazendo círculos. Depois, repetir o exame com o 
braço esquerdo para trás, palpando o seio esquerdo com a mão direita. 
 
54 
 
 
Auto-exame das mamas – Posição 2. 
 
 
Fonte: PGR, 2008 
 
- Posição 3: deitada de costas, com um travesseiro sob o ombro direito, 
examinar o seio direito com a mão esquerda, depois inverter o processo, sempre fazendo 
movimentos circulares ao redor do seio, pressionando cada parte do mesmo. 
 
Auto-exame das mamas – Posição 3. 
 
Fonte: PGR, 2008 
 
Deve-se procurar detectar: deformações ou alterações no formato das mamas, 
abaulamentos ou retrações, feridas ao redor do mamilo, mudança de cor ou da espessura 
da pele, do mamilo ou da aréola, caroços, massas, endurecimento das mamas ou axilas, 
saída de secreção pelos mamilos (pus, sangue ou leite). 
 
Exames não invasivos 
 
55 
 
 
Mamografia 
 
É o principal exame para diagnosticar o câncer de mama. A eficácia do método é 
alta, apresentando índice de 15% falso-negativos e 9% falso-positivos. Para que se 
obtenham bons resultados, é necessário que o exame seja bem indicado, sendo realizado 
de maneira correta, sempre bilateralmente e pelo menos com duas incidências 
(craniocaudal e médio lateral). Quanto às indicações da mamografia, podemos dividi-las 
em dois grupos: em relação ao rastreamento populacional e em pacientes sintomáticas 
e/ou com cirurgias prévias. As mamografias cuja imagem se traduz pela presença de 
microcalcificações agrupadas, confluentes e finas, sem tumor palpável ou não, devem 
ser valorizadas e investigadas. O exame mamográfico é importante também no 
diagnóstico e conduta das lesões não palpáveis. 
 
Ultra-sonografia 
 
É o exame imageológico que vem sendo utilizado em complementação à 
mamografia. A ultra-sonografia diagnostica massa palpável, quando a mamografia for 
inconclusiva ou negativa; diferencia entre massa cística ou sólida; é um método 
complementar à mamografia em mamas densas (displásicas, com próteses, jovens ou 
gestantes), exame inicial em gestantes; direciona biópsia para lesões visualizáveis 
ecograficamente, mesmo que não sejam palpáveis. 
 
 
TAC e IRM 
 
Tomografia axial computadorizada (TAC) e irradiação da ressonância magnética 
(IRM) são exames utilizados para avaliação de doença mamária e podem desempenhar 
um papel importante na avaliação das áreas da axila, mediastino e supraclavicular 
quanto à adenopatia, podendo também ajudar no estadiamento clínico dos processos 
malignos. 
 
Exames invasivos 
 
 
56 
 
Punção aspirativa com agulha fina e citologia aspirativa 
 
São métodos propedêuticos complementares importantes e têm grande valor 
preditivo de malignidade naquelas pacientes que apresentam nódulos. Utiliza-se uma 
seringa de 20 ml com agulha fina, que também poderá ser adaptada a uma 
empunhadeira, tornando-se mais fácil e segura a aspiração. É importante ressaltar que o 
método apresenta falsos resultados, encontrando-se índices de falso- negativos variando 
entre 2 e 10%, tendo como causa principal a escassez de células no esfregaço. 
Resultados citológicos negativos em tumores palpáveis não excluem câncer, pois a 
sensibilidade do método é de 80%. 
 
Biópsia 
 
Método invasivo que permite a retirada parcial (incisional) ou total (excisional) 
do tumor, permitindo assim, que se chegue ao diagnóstico definitivo através do estudo 
histopatológico. Pode-se utilizar durante o momento operatório (biópsia de congelação), 
quando ainda não se tem o diagnóstico definitivo feito através dos outros métodos. 
A biópsia é o único exame que determina a natureza correta da lesão, 
verificando a presença ou não de carcinoma. Os outros métodos propedêuticos 
permitem apenas o diagnóstico suspeito. Deve ser realizado sempre que ocorrer uma 
lesão dominante, independentemente de idade, estado gestacional, ou com suspeita 
clínica, mamográfica ou ultra-sonográfica; na presença de qualquer lesão radiológica 
suspeita, mesmo sem lesão dominante, deve-se adotar o mesmo procedimento. Toda 
lesão mamária, submetida à biópsia, deve ter sua natureza confirmada pela histologia 
antes de qualquer procedimento terapêutico. 
A biópsia pode ser feita por: punção simples com uma seringa munida de agulha 
pela qual se esvazia o conteúdo líquido dos tumores císticos e purulentos dos abscessos. 
O líquido aspirado deve ser examinado microscopicamente para pesquisa de células 
neoplásicas; punção-biópsia: realizada com agulha especial, utilizando-se uma pistola 
com trocarte para a retirada de fragmento do tumor a ser examinado pelo patologista. 
 
Cintilografia 
 
A medicina nuclear atua por meio de uma substância radioativa que é injetada na 
 
57 
 
veia ou ingerida pelo paciente. A quantidade de energia liberada pelo material 
radioativo é a menor possível, apenas o suficiente para fornecer a informação 
diagnóstica necessária. Esse material vai ser concentrado e/ou metabolizado por um 
determinado órgão, e a pequena quantidade da substância radioativa injetada no 
paciente será rastreada pelo equipamento, sendo possível que esse órgão seja 
visualizado e estudado. O equipamento enviará as informações obtidas para um 
computador e um software especializado faz o processamento dessas imagens, 
transformando-as em curvas ou em números, quando necessário. 
A cintilografia óssea pode ser usada para detectar a metástase óssea, que pode 
ocorrer após algum tipo de câncer. A cintilografia de mamas tem se mostrado útil na 
detecção dos carcinomas mamários, quando a mamografia se apresenta indeterminada. 
Em processos malignos, independente do tecido analisado, este método vem sendo 
empregado na avaliação de infiltração linfonodal e recidiva neste grupo de pacientes. 
 
Atipias citológicas: desvio da morfologia normal das células. 
 
Ciclo ovulatório: ciclo mensal de desenvolvimento do folículo; ovulação e 
formação do corpo lúteo no ovário. 
 
Citoplasma: fluido de aparência gelatinosa, rico em moléculas orgânicas e 
organelas, presente no interior das células e que circunda o núcleo celular. 
 
Comedões: lesões causadas por bloqueio sebáceo no folículo piloso. 
 
Contraceptivo oral: método hormonal utilizado para evitar a concepção ou 
gravidez 
 
Cromossomas: estrutura localizada no núcleo das células, composta de uma fita 
de DNA muito longa, associado à proteína, e que carrega toda a informação genética 
das características hereditárias de um organismo. 
 
DNA: polímero desoxirribonucleotídeo, material genético primário de todas as 
células. 
 
 
58 
 
Eczema: dermatite pápulo-vesicular que ocorre como reação a agentes 
endógenos e exógenos, caracterizada na fase aguda por eritema, edema associado com 
um exsudato seroso entre as células da epiderme e um infiltrado inflamatório na derme, 
exsudação e vesiculação, e encrostamento e escamação. 
 
Eritema: rubor cutâneo que ocorre em placas de tamanho e forma variáveis, 
provocado por congestão excessiva dos capilares. 
 
Estrogênios: hormônios sexuais femininos produzidos pelos ovários, pelos 
testículos, pelas glândulas supra-renais, pela placenta e por outros tecidos produtores de 
esteróides. Responsáveispelo desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos e 
utilizados no tratamento da menopausa ou na preparação de produtos anticoncepcionais. 
 
Fase lútea: estágio do ciclo menstrual em que o endométrio se torna mais 
espesso e mais vascularizado. 
 
Flogose: enrubescimento e calor decorrentes de inflamação. 
 
Gene: uma das unidades biológicas da herança, localizadas nos cromossomos; 
transmite a mensagem hereditária. 
 
Hemorragia: derramamento de sangue para fora do vaso sangüíneo. 
 
Hiperplasia: multiplicação anormal ou aumento no número de células normais, 
levando a um aumento do tamanho do órgão correspondente. 
 
Membrana celular: componente que delimita todas as células vivas. Ela 
estabelece a fronteira entre o meio intracelular e o meio exterior (ou meio extracelular). 
A membrana celular não é estanque, mas uma “porta” seletiva que a célula usa para 
captar os elementos do meio exterior que lhe são necessários para o seu metabolismo e 
para libertar as substâncias, que a célula produz e que devem ser enviadas para o 
exterior. 
 
Menarca: início da função menstrual. 
 
59 
 
 
Menopausa: momento, na vida da mulher, em que seus períodos menstruais 
terminam. É considerada menopausa, a não-ocorrência de períodos menstruais por 12 
meses consecutivos. Não são identificadas causas biológicas ou psicológicas para esse 
fato. É o final da fertilidade. A menopausa natural ocorre quando os ovários, 
naturalmente, começam a diminuir a produção de estrogênio e progesterona. A 
menopausa induzida ocorre quando os ovários são cirurgicamente removidos ou quando 
prejudicados pela radiação ou medicamentos. 
 
Necrose: processo patológico causado pela ação degradativa progressiva de 
enzimas, geralmente associado com trauma celular severo. É caracterizada por inchaço 
mitocondrial, floculação nuclear, lise celular descontrolada e por fim, morte celular. 
 
Neoplasia: crescimento celular descontrolado que sucede a ausência de 
demanda fisiológica. 
 
Nuliparidade: refere-se à mulher que nunca pariu 
 
Papiloma: tumor benigno epitelial circunscrito que se projeta da superfície 
circundante; mais precisamente, uma neoplasia benigna epitelial que consiste em 
projeções arborescentes de estroma fibrovascular recobertas por células neoplásicas. 
 
Progesterona: hormônio responsável pela manutenção da gravidez pela sua 
ação inibidora sobre o controle das contrações e da tonicidade do músculo uterino. 
Secretado pelo corpo lúteo, córtex adrenal e placenta. Além disso, fisiologicamente 
transforma a mucosa uterina, facilitando a fixação e o desenvolvimento do ovo 
fecundado. Age como agente anovulatório, quando administrado nos dias de 5-25 do 
ciclo menstrual. 
 
Prolactina: hormônio lactogênico da hipófise, essencial na indução de lactação 
em mamíferos parturiente e é sinergista do estrógeno. O hormônio também efetua a 
liberação da progesterona das células lúteas, que torna a mucosa uterina adequada para 
receber o ovo, caso ocorra à fertilização. 
Prurido: sensação de coceira intensa que produz a necessidade de friccionar ou 
 
60 
 
coçar a pele para obter alívio. 
 
Radiações: emissão e propagação de energia através da matéria ou do espaço, 
por meio de perturbações eletromagnéticas que apresentam duplo comportamento: 
como onda e como partículas: neste caso as partículas são conhecidas como fótons. 
 
O tratamento do câncer de mama 
 
O tratamento para o câncer de mama vem sofrendo mudanças bastante 
significativas nos últimos anos. Inicialmente, o tratamento cirúrgico realizado era a 
mastectomia radical preconizada por Halsted, que representava a tentativa cirúrgica de 
curar o câncer pela remoção da glândula mamária, dos músculos peitorais e dos 
linfonodos axilares e algumas vezes dos supraclaviculares e mamários internos. Nos 
últimos 40 anos, surgiram inúmeras propostas relacionadas ao tratamento cirúrgico, 
objetivando a preservação dos músculos peitorais, a conservação da mama e a 
minimização do esvaziamento axilar. A radioterapia e a quimioterapia passaram, então, 
a ser utilizadas como adjuvantes no tratamento. 
Atualmente, o tratamento do câncer de mama é interdisciplinar. A correta 
associação do tratamento cirúrgico e clínico. Além de suportes de outros profissionais 
da área da saúde tornaram-se indispensáveis quando se pensa em maior sobrevida, no 
controle local da doença e na manutenção da qualidade de vida e independência 
funcional dos pacientes. 
 
Tratamento cirúrgico 
 
O tratamento cirúrgico para o câncer de mama objetiva promover o controle 
local da patologia através da remoção de todas as células malignas, o que proporciona 
maior sobrevida e orienta a terapia complementar, define o estadiamento cirúrgico e 
identifica grupos de maior risco de metástase. Neste caso, também se incluem o 
esvaziamento axilar, que é feito visando o estadiamento cirúrgico da região, o controle 
da doença, a determinação do prognóstico e também a orientação da terapia 
complementar. 
Inicialmente, as cirurgias de mastectomia eram radicais, com retirada integral da 
glândula mamária e musculatura adjacente. No final da década de sessenta surgiram 
 
61 
 
novas técnicas de cirurgias conservadoras, nas quais os músculos peitorais são 
preservados, ocasionando seqüelas funcionais menores. Em resumo, o câncer de mama 
pode ser tratado com várias técnicas cirúrgicas, incluindo as cirurgias radicais 
(remoção de toda a mama) e as cirurgias conservadoras (remoção apenas do tumor e 
de uma porção do tecido circunvizinho). 
 
Cirurgias radicais de mama 
 
As cirurgias radicais são indicadas para os tumores iguais ou maiores que três 
centímetros. As técnicas modificadas que preservam um ou ambos os músculos 
peitorais são as mais empregadas, porque além de assegurarem resultados semelhantes à 
mastectomia radical de Halsted, facilitam a reconstrução e reduzem a morbidade. 
A opção pela técnica depende dos achados intra-operatórios, das circunstâncias 
clínicas e da idade da paciente. Sempre que se indicar uma mastectomia em pacientes 
com boas condições clínicas, deve-se considerar a possibilidade de se realizar a 
reconstrução mamária imediata. 
Cirurgia de mastectomia radical 
 
Fonte: ASSOCIAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO HOSPITAL 
UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA, 2008. 
 
Mastectomia radical de Halsted 
 
Está técnica preconiza a remoção de todo tecido mamário, dos músculos - 
peitoral maior e menor, como também dos linfonodos de todos os níveis linfonodais. 
Neste tipo de cirurgia, o resultado estético é muito ruim pela grande retirada de 
 
62 
 
músculos. As seqüelas funcionais também estão presentes na maioria dos casos. 
Atualmente é um procedimento incomum, devido à alta morbidade a ele 
associado e a resultados bastante satisfatórios de técnicas mais conservadoras. Porém, 
ainda é indicado para tumores em estádio clínico de comprometimento de pele ou 
músculos da parede torácica ou com mais de seis centímetros de diâmetro. 
 
Mastectomia radical modificada a Patey 
 
A grande diferença nesta técnica consiste na remoção do tecido mamário junto 
com o músculo peitoral menor e todo tecido axilar, mas sempre preservando o músculo 
peitoral maior, a fim de se conservar a silhueta e reduzir o grau de mutilações imposta à 
paciente. Está indicada em tumores que não podem ser extirpados com margens livres e 
para lesões de tamanho tão grande que a reconstrução cosmética e o controle regional 
não podem ser efetuados com segurança. 
 
Mastectomia radical modificada a Madden 
 
Esse tipo de cirurgia consiste na retirada da glândula mamária e também na 
remoção de linfonodos da região dos interpeitorais. Os músculos peitorais maior e 
menor são preservados. Esta cirurgia restringe-se aos casos especiais, por exemplo, 
tumores pequenos e multicêntricos, sem evidências clínicas ou macroscópicas de 
comprometimento axilar intenso. A indicação para essa cirurgia sãopara tumores de até 
3 cm, sem o acometimento da axila. Por ser menos invasiva, é bem tolerada pelas 
pacientes idosas. O músculo peitoral menor é fundamental para fixação deste ao 
músculo peitoral maior durante reconstrução imediata, criando, assim, uma 
possibilidade maior para implante de próteses. 
 
Mastectomia total 
 
A mastectomia total preserva ambos os músculos peitorais e não utiliza qualquer 
variante da dissecção axilar no tratamento do câncer de mama. Esta técnica é restrita, já 
que, diante de tumores invasivos, o esvaziamento axilar contém informações valiosas 
que orientam na escolha adequada do tratamento sistêmico coadjuvante. Consiste na 
retirada da glândula mamária, incluindo o complexo areolar e aponeurose do músculo 
 
63 
 
peitoral. Os linfonodos axilares são preservados. É indicada nos casos de: carcinoma 
ductal in situ; recidiva após cirurgia conservadora; lesões ulcerativas em pacientes com 
metástases a distância onde o controle local promove melhor qualidade de vida; 
pacientes idosas com risco cirúrgico elevado ou que não possuem adenopatias axilares 
palpáveis ou evidência de doença à distância; e em pacientes selecionadas para 
tratamento profilático. 
 
Cirurgias conservadoras de mama 
 
A cirurgia conservadora ficou consagrada mundialmente por apresentar os 
mesmos índices de cura do tratamento radical, conferindo, no entanto, qualidade de vida 
bastante superior devido à preservação da mama. Nos anos oitenta, com a publicação de 
estudos científicos, os cirurgiões perceberam que em tumores iniciais, a conservação da 
mama não afetava as taxas de sobrevida e o intervalo da doença. 
O tratamento cirúrgico conservador do câncer de mama compreende uma 
cirurgia limitada, possibilitando remover o tumor primário com uma margem de tecido 
mamário normal em torno da lesão, acrescido ou não da dissecção axilar, seguido da 
radioterapia, no intuito de eliminar a doença residual microscópica. 
As pacientes com tumores multicêntricos, ou com uma lesão grande em mama 
pequena, não se beneficiam desta técnica. Pacientes com lesão central envolvendo o 
complexo aréolo-papilar podem ser tratadas pela ressecção papilar, com atenção 
especial ao resultado estético. A idade avançada não é contra- indicação. 
A cirurgia conservadora preenche os pré-requisitos que norteiam o tratamento 
cirúrgico do câncer de mama, que são: máximo controle loco-regional, estadiamento, 
prognóstico semelhante com menor morbidade e mutilação. 
São pré-requisitos para se indicar uma cirurgia conservadora: realização de 
mamografia prévia; diâmetro tumoral menor que 3 cm; ausência de comprometimento 
da pele; tumor único; avaliação das margens cirúrgicas (no intra ou pós-operatório); 
proporção adequada entre volume da mama e do tumor (distorção menor do que 30%); 
facilidade de acesso ao sistema de saúde para garantia do seguimento do tratamento. 
 
Cirurgia conservadora de mama 
 
 
64 
 
 
Fonte: WIKIPEDIA, 2008. 
 
Quadrantectomia (segmentectomia) 
 
Consiste na remoção do quadrante da glândula mamária onde se localiza o 
tumor, com margens cirúrgicas de tecido normal de 2 a 2,5 cm, incluindo a ressecção da 
aponeurose subjacente ao tumor com ou sem segmento cutâneo. A quadrantectomia 
com esvaziamento axilar e radioterapia proporcionam melhores resultados em tumores 
até 2 cm. O tipo de incisão irá variar conforme o quadrante a ser retirado. Nos 
quadrantes superiores, as incisões geralmente são curvilíneas e concêntricas à aréola. Já 
nas regiões mediais, laterais e inferiores, usam-se incisões radiais. 
 
Tumorectomia 
 
Consiste na remoção do tumor com poucas margens de tecido circunjacente. 
Indicada para tumores com diâmetro máximo de 1,5 cm. Normalmente realiza-se uma 
incisão curvilínea acompanhando as linhas de força da pele. Para que a cirurgia seja 
realizada dentro dos princípios oncológicos, o mastologista deve planejá-la após 
criteriosa avaliação, através de exame físico e procedimento mamográfico de bom 
padrão técnico, a fim de que os resultados sejam os mais eficazes possíveis. 
A paciente deve ser informada da possibilidade de cirurgia de maior porte 
posteriormente, caso a histopatologia indique presença de lesão maligna difusa. Deve 
ser associada à linfadenectomia axilar e complementada pela radioterapia, oferecendo 
um bom resultado estético, porém com um índice de recidiva um pouco maior que as 
quadrantectomias. 
 
65 
 
 
Mastectomia subcutânea 
 
Consiste na retirada da glândula mamária, conservando os músculos peitorais e 
suas aponeuroses, pele e complexos areolopapilar. Atualmente, tem sido bastante 
questionada por deixar tecido mamário residual com possíveis alterações hiperplásicas e 
degenerações malignas. Uma série de complicações é associada a este procedimento, 
incluindo hematoma e subseqüente fibrose. 
 
Mastectomia higiênica 
 
Ressecção parcial da área do tecido mamário, indicada para estádios muito 
avançados, em que se realiza apenas uma “limpeza” local. 
Linfadenectomia axilar 
 
A linfadenectomia no tratamento do câncer de mama tem finalidade prognóstica, 
de planejamento terapêutico pós-operatório e de controle do câncer na axila. 
Os linfonodos regionais que serão avaliados são linfonodos axilares e os 
linfonodos mamários internos. Os linfonodos axilares estão localizados ao longo da veia 
axilar e suas tributárias, divididos nos seguintes níveis: nível I (inferiores) são os 
localizados externamente a borda lateral do músculo peitoral menor; nível II (médios) 
são os situados entre as bordas medial e lateral do músculo peitoral menor e os 
linfonodos interpeitorais e nível III (superiores) são os localizados dentro da borda 
medial do músculo peitoral menor, incluindo os gânglios subclaviculares, 
infraclaviculares ou apicais. Os linfonodos mamários internos são os linfonodos 
localizados nos espaços intercostais ao longo da borda do esterno na fáscia 
endotorácica. 
O comprometimento dos linfonodos axilares é o fator prognóstico isolado de 
maior importância, sendo que as pacientes com comprometimento dos mesmos terão 
uma evolução pior, tanto em termos de recidiva local quanto em relação às metástases à 
distância. A dissecção completa da axila envolve a retirada dos três níveis axilares e, 
como conseqüência, algumas complicações funcionais importantes podem ocorrer como 
a presença de seroma, hemorragia e linfedema. Devido a estas complicações, 
ultimamente tem sido bastante discutido sobre a validade das dissecções radicais, em 
 
66 
 
relação ao prognóstico. A dissecção dos níveis mais baixos (I e II) oferece a mesma 
informação, sendo de mais fácil execução e com risco mais baixo de complicações. 
Com relação ao planejamento terapêutico pós-operatório, a presença de 
linfonodos axilares metastáticos, associado a outros parâmetros como o tamanho do 
tumor, grau de invasão, tipo histológico, cinética celular, presença de receptores 
hormonais e a necrose tumoral são importantes na determinação da necessidade de 
tratamentos adjuvantes sistêmicos. 
Algumas técnicas de imagem foram estudadas, objetivando prevenir o 
esvaziamento ganglionar, ou limitá-los. Entre elas, a ultra-sonografia axilar no pré- 
operatório apresentou valor preditivo positivo importante, entretanto a sua sensibilidade 
foi insuficiente. A imunocintigrafia realizada com injeções subcutâneas tem sido 
reportada com uma boa sensibilidade, porém as séries são pequenas para demonstrar o 
seu papel no estadiamento da axila no pré-operatório. A linfocintilografia apresentou 
resultados insatisfatórios e com números insuficientes. 
 
Linfonodo sentinela 
 
Nas mulheres com tumor de diâmetro igual ou inferior a três centímetros, sem 
comprometimento nodal clinicamente aparente, pode ser utilizada, quando disponível, a 
técnica do linfonodo sentinela (LS) que visa identificar aquelas que necessitam ser 
submetidas à linfadenectomia axilar.É baseada na retirada do LS, que é o primeiro 
linfonodo a receber células metastáticas do tumor primário. O LS pode ser identificado 
pelo cirurgião por meio de injeção de corantes vitais e/ou radiofármacos, seguido de 
linfocintilografia e uso de detector portátil de irradiação. O exame citológico ou 
histológico é realizado pelo patologista para identificar ou descartar a presença de 
metástases. Esta técnica deve ser realizada por equipe multidisciplinar treinada 
(mastologista, patologista e médico nuclear). 
Constituem contra-indicações para a realização da técnica do LS: realização de 
biópsia prévia complicada por hematoma, presença de cicatrizes extensas, mamoplastia, 
quimioterapia neoadjuvante e gravidez. 
 
Linfonodo sentinela 
 
67 
 
 
Fonte: MULHER E SAÚDE, 2008. 
 
Complicações associadas à cirurgia de câncer de mama 
 
As seguintes complicações decorrentes do tratamento para câncer de mama 
encontram-se entre as mais relevantes: 
Seroma: complicação de grande prevalência. Ocorre como conseqüência da 
lesão dos vasos linfáticos e sanguíneos durante a ressecção cirúrgica da mama, dos 
linfáticos e dos tecidos adiposos associados à transudação da linfa e ao acúmulo de 
sangue no campo operatório; 
Lesão do nervo intercostobraquial: leva a alteração de sensibilidade na axila e 
região interna do braço, sendo motivo de queixas freqüentes e interferindo nas 
atividades de vida diária das mulheres; 
Lesão do nervo torácico longo: causa uma importante complicação 
denominada "escápula alada", que evolui com dor e diminuição dos movimentos da 
cintura escapular; 
Complicações cicatriciais: deiscência, infecção, necrose e retardo de 
cicatrização podem ocorrer; 
Limitação articular: disfunção freqüente que interfere diretamente nas 
atividades de vida diária e na qualidade de vida das pacientes; 
Linfedema: uma das disfunções mais relevantes e de maior impacto sobre a 
qualidade de vida, devido a sua alta prevalência, a sua cronicidade, e aos aspectos psico-
sócio-funcionais envolvidos com o seu aparecimento. 
 
Quimioterapia 
 
68 
 
 
Método terapêutico que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, 
no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, 
a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou antiblástica. 
Desde o início de sua utilização na década de 40, houve avanços crescentes da 
quimioterapia antineoplásica. Atualmente, existe quimioterápicos mais ativos e menos 
tóxicos, o que têm facilitado consideravelmente sua aplicação. 
Os agentes quimioterápicos destroem células tumorais por efeito citotóxico 
direto, que atinge também células normais. Portanto, a droga isolada ou a combinação 
de drogas precisa destruir mais eficazmente as células tumorais do que as normais. Este 
fato ocorre baseado em duas razões principais: as células tumorais têm taxa metabólica 
mais acentuada do que as células normais, a síntese de DNA nelas ocorre mais 
freqüentemente do que nas células normais e os mecanismos de reparo de danos 
subletais induzidos por drogas nas células normais são mais eficientes do que nas 
células tumorais. 
O DNA, material genético de todas as células, age como modelador na produção 
de formas específicas de RNA transportador, RNA ribossômico e RNA mensageiro e, 
deste modo, determina qual enzima irá ser sintetizada pela célula. As enzimas são 
responsáveis pela maioria das funções celulares, e a interferência nesses processos irá 
afetar a função e a proliferação tanto das células normais como das neoplásicas. A 
maioria das drogas utilizadas na quimioterapia antineoplásica interfere de algum modo 
nesse mecanismo celular, e a melhor compreensão do ciclo celular normal levou à 
definição clara dos mecanismos de ação da maioria das drogas. Foi a partir dessa 
definição que se classificou os quimioterápicos conforme a sua atuação sobre o ciclo 
celular em: 
 
- Ciclo-inespecíficos: atuam nas células que estão ou não no ciclo 
proliferativo; 
- Ciclo-específicos: atuam somente nas células em proliferação; 
- Fase-específicos: atuam em fases determinadas do ciclo celular. 
Os agentes antineoplásicos mais empregados no tratamento do câncer incluem 
os alquilantes polifuncionais, os antimetabólitos, os antibióticos antitumorais, os 
inibidores mitóticos e outros. Novas drogas estão sendo permanentemente isoladas e 
aplicadas experimentalmente em modelos animais antes de serem usadas no homem. 
 
69 
 
 
Formas de administração 
 
A quimioterapia pode ser realizada através da aplicação de um ou mais 
quimioterápicos. O uso de drogas isoladas (monoquimioterapia) mostrou-se ineficaz em 
induzir respostas completas ou parciais significativas, na maioria dos tumores, sendo 
atualmente de uso muito restrito. A poliquimioterapia é de eficácia comprovada e tem 
como objetivo atingir populações celulares em diferentes fases do ciclo celular, utilizar 
a ação sinérgica das drogas, diminuir o desenvolvimento de resistência às drogas e 
promover maior resposta por dose administrada. 
A quimioterapia pode ser administrada de diferentes maneiras: 
Intravenosa: forma mais comum. A aplicação do quimioterápico é feita 
diretamente na veia, normalmente no antebraço, podendo também ser aplicada em 
qualquer outro local. 
Oral: método mais cômodo e prático. A medicação, pílula, cápsula ou líquido é 
ingerido diretamente pela boca. 
Intramuscular: é ministrado o medicamento por injeção, diretamente no 
músculo do braço ou nádegas. O procedimento é rápido durando apenas alguns 
segundos. 
 
Intratecal: utilizado como forma de prevenção para alguns tipos de leucemia e 
linfoma que tem a tendência de se difundir para o sistema nervoso central. O método 
consiste em injetar a droga quimioterápica direto no líquido céfalo- raquidiano, para 
destruir qualquer célula doente. 
 
Classificação 
 
 
A quimioterapia pode ser utilizada em combinação com a cirurgia e a 
radioterapia. De acordo com as suas finalidades, classifica-se em: 
Curativa: quando é realizada com o objetivo de se conseguir o controle 
completo do tumor; 
Adjuvante: quando se segue à cirurgia curativa, tendo o objetivo de esterilizar 
células residuais locais ou circulantes, diminuindo a incidência de metástases à 
 
70 
 
distância. 
Neoadjuvante (prévia): quando indicada para se obter a redução parcial do 
tumor, visando permitir uma complementação terapêutica com a cirurgia e/ou 
radioterapia. 
Paliativa: quando não tem finalidade curativa. Usada com a finalidade de 
melhorar a qualidade da sobrevida do paciente. 
 
Critérios para aplicação da quimioterapia 
 
Para evitar os efeitos tóxicos intoleráveis dos quimioterápicos e que eles ponham 
em risco a vida dos pacientes, são obedecidos critérios para a indicação da 
quimioterapia. Em relação às condições gerais do paciente, estabelece-se que deve ter 
havido menos de 10% de perda do peso corporal desde o início da doença; deve existir 
ausência de contra-indicações clínicas para as drogas selecionadas e ausência de 
infecção ou infecção presente, mas sob controle. Também existem critérios específicos 
quando a contagem das células do sangue e dosagem de hemoglobina. 
 
Reações adversas e efeitos colaterais 
 
Como é impossível limitar o alcance das drogas utilizadas, os medicamentos 
destroem não só as células cancerosas, mas também outros tipos de células e tecidos 
saudáveis encontrados no corpo. 
Os efeitos terapêuticos e tóxicos dos quimioterápicos dependem do tempo de 
exposição e da concentração plasmática da droga. A toxicidade é variável para os 
diversos tecidos e depende da droga utilizada. 
A maioria dos efeitos colaterais desaparece gradualmente durante o período de 
recuperação (aplasia) entre os tratamentos, ou quando o tratamento é interrompido. 
Algumas drogas podem afetar a fertilidade. Mulheres podem ter o período 
menstrual irregular ou interrompido, ou mesmoapresentar sintomas de menopausa, 
como ondas de calor e ressecamento vaginal. Homens podem parar de produzir 
esperma. Alguns desses efeitos podem ser permanentes. Em crianças, a maioria 
apresenta índices normais de fertilidade quando adultos, entretanto, dependendo das 
drogas e da dosagem usada, algumas destas crianças podem ter problemas de fertilidade. 
Entre os sintomas mais comuns estão: alopécia, feridas na boca, dificuldades 
 
71 
 
para engolir, náuseas, vômitos, constipação, diarréia, infecções, anemia, sangramentos, 
leucopenia, plaquetopenia e mucosite. 
 
Radioterapia 
 
Método capaz de destruir células tumorais, empregando feixe de radiações 
ionizantes. Uma dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um determinado tempo, 
a um volume de tecido que engloba o tumor, buscando erradicar todas as células 
tumorais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, à custa das 
quais se fará a regeneração da área irradiada. 
A radioterapia utiliza os efeitos das irradiações eletromagnéticas no controle da 
evolução dos tumores. As principais fontes de irradiação são os aparelhos de RX para 
terapia superficial e semiprofunda e os isótopos radioativos, emissores de irradiação 
gama (Cobalto60, Césio137, Irídio192, Rádio226 e Iodo125). 
Os efeitos biológicos da irradiação ocorrem por deposição de energia (interação 
nas células normais e tumorais). Estes efeitos ocorrem de início, principalmente na 
molécula de água, produzindo o fenômeno de quebra de molécula com liberação de 
íons. Estes radicais irão reagir com componentes mais nobres da estrutura da célula – as 
moléculas de RNA e DNA – produzindo alterações de maior ou menor importância que 
podem ser subletais ou letais à célula, impedindo sua capacidade de divisão. Na 
verdade, a sensibilidade à irradiação da maioria das neoplasias malignas é maior quando 
comparada aos tecidos que circundam o tumor. Do ponto de vista da sensibilidade, 
também as células de um mesmo tumor diferem entre si, conforme sua capacidade de 
divisão. A velocidade da regressão tumoral representa o grau de sensibilidade que o 
tumor apresenta às radiações. Depende fundamentalmente da sua origem celular, do seu 
grau de diferenciação, da oxigenação e da forma clínica de apresentação. A maioria dos 
tumores radiossensíveis são radiocuráveis. Entretanto, alguns se disseminam 
independentemente do controle local; outros apresentam sensibilidade tão próxima à 
dos tecidos normais, que esta impede a aplicação da dose de erradicação. A curabilidade 
local só é atingida quando a dose de radiação aplicada é letal para todas as células 
tumorais, mas não ultrapassa a tolerância dos tecidos normais. 
Após cirurgias conservadoras, a radioterapia geralmente é aplicada em toda a 
mama da paciente, independente do tipo histológico, idade, uso de quimioterapia ou 
hormonioterapia ou mesmo com as margens cirúrgicas livres de comprometimento 
 
72 
 
neoplásico. 
 
Formas de radioterapia 
 
Existem duas formas básicas de aplicação de radioterapia: teleterapia e 
braquiterapia. 
Na teleterapia, a fonte de irradiação produz um feixe de raios que é emitido pelo 
equipamento à distância variável de 1 a 100 cm da pele do paciente e é dirigida ao 
tumor. Os principais aparelhos são os de RX convencional, os aceleradores lineares e as 
bombas de cobalto. 
Na braquiterapia, o isótopo radioativo emissor gama é colocado em contato 
direto com o tumor, sendo usada no tratamento dos tumores mais acessíveis ao 
radioterapeuta, como as neoplasias malignas do colo de útero, boca e pele. A 
braquiterapia tem a vantagem de irradiar o tumor com doses tumoricidas, dando 
proteção aos órgãos e estruturas que o envolvem, pela absorção progressiva da 
irradiação emitida com o aumento da distância da fonte. 
 
Classificação 
 
Classifica-se em 
Radical (curativa): quando se busca a cura total do tumor; 
Remissiva: quando o objetivo é apenas a redução tumoral; 
Profilática: quando se trata a doença em fase subclínica, isto é, não há volume 
tumoral presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas; 
Paliativa: quando se busca a remissão de sintomas como dor intensa, 
sangramento e compressão de órgãos, sem objetivar a cura; 
Ablativa: quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão, 
como, por exemplo, o ovário, para se obter a castração actínica. 
 
Critérios para aplicação da radioterapia 
 
Para definir a dose de irradiação a ser utilizada em determinado tecido é 
importante considerar que tanto tecidos normais como tumorais são atingidos por igual, 
porém, os tecidos normais recuperam-se mais rapidamente. Para a mesma dose 
 
73 
 
administrada, os tecidos recuperam-se mais dificilmente quando o volume irradiado é 
maior e uma determinada dose tem mais efeito sobre os tecidos se for dada em tempo 
mais curto. 
Nos planos de tratamento dos tumores profundos, a absorção da irradiação pela 
pele, pelo tecido conectivo, pelos músculos, ossos e órgãos incluídos no campo de 
irradiação tem que ser considerada e medida. 
As doses de radioterapia, mais comumente, são aplicadas diariamente por 
períodos de 3 a 7 semanas. Cada dose de irradiação é dada em períodos de tempo curtos, 
de 1 a 2 minutos de exposição. 
 
Efeitos adversos da radioterapia 
 
Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, desde que sejam 
respeitados os princípios de dose total de tratamento e a aplicação fracionada. 
Os efeitos colaterais podem ser classificados em imediatos e tardios. Os efeitos 
imediatos são observados nos tecidos que apresentam maior capacidade proliferativa, 
como as gônadas, a epiderme, as mucosas dos tratos digestivo, urinário e genital, e a 
medula óssea. Eles ocorrem somente se estes tecidos estiverem incluídos no campo de 
irradiação e podem ser potencializados pela administração simultânea de 
quimioterápicos. 
Manifestam-se clinicamente por anovulação ou azoospermia, epitelites, 
mucosites e mielodepressão (leucopenia e plaquetopenia) e devem ser tratados 
sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis. As reações agudas 
mais comuns são eritema, descamação e necrose de pele. 
Os efeitos tardios costumam aparecer após alguns meses, estando mais 
relacionados ao fracionamento, são irreversíveis e mais graves. Podemos citar: 
teleangiectasia, edema difuso de mama, retração de pele, alterações na pigmentação da 
mama, fibrose, necrose gordurosa, pneumonite actínica, linfedema, entre outros menos 
freqüentes. 
 
Hormonioterapia 
 
A manipulação do sistema endócrino é um procedimento bem estabelecido para 
o tratamento de algumas neoplasias malignas hormoniossensíveis. Até poucos anos, a 
 
74 
 
hormonioterapia era baseada em critérios empíricos, resultando em esquemas 
terapêuticos de administração variável em dosagens e intervalos. Os critérios adotados, 
em caso de carcinoma mamário eram o estado hormonal da paciente, indiretamente 
avaliado pela idade, e a distribuição predominante de metástases em ossos e partes 
moles. 
Novos subsídios endocrinológicos para a hormonioterapia antiblástica foram 
trazidos pela determinação da dosagem de receptores celulares específicos para 
estrogênios e progesterona em amostras tumorais, pelo estabelecimento de clara relação 
entre positividade do receptor e resposta terapêutica e pelos avanços verificados no 
conhecimento das interações entre receptores hormonais e processos bioquímicos 
intracelulares. Este desenvolvimento da hormonioterapia aplicou-se principalmente aos 
casos de câncer de mama e de endométrio. 
A hormonioterapia raramente tem objetivo curativo quando usada isoladamente. 
É usual sua associação, concomitante ou não, com a quimioterapia. 
A supressão hormonal pode ser obtida por meio de procedimentos cirúrgicos 
(ooforectomia, orquiectomia, adrenalectomia, hipofisectomia) e com o emprego de 
radiações (ooforectomia e hipofisectomia actínicas).Os medicamentos utilizados na 
hormonioterapia têm como ação ou a supressão ou o aumento dos níveis de hormonais. 
No câncer de mama, por exemplo, o estrógeno e a prolactina são os mitógenos 
dominantes dos tumores mamários, mas o verdadeiro papel da prolactina ainda não foi 
descoberto. O estrógeno é produzido no ovário, mas também em supra–renais e no 
tecido adiposo. A ação do estrógeno, em nível de proliferação ductal, pode servir como 
co-fator na gênese no câncer de mama. A importância deste fenômeno é representada 
pelo fato de que na paciente pós-menopausada a incidência de positividade para 
receptores é grande. A progesterona funciona provavelmente se contrapondo ao 
estrógeno, sendo capaz de atuar de forma benéfica tanto no câncer de mama como no 
de próstata. O verdadeiro mecanismo responsável por isto ainda é, em grande parte, 
desconhecido. 
 
Hormonioterapia cirúrgica 
 
A ooforectomia (retirada de um ou de ambos os ovários) cirúrgica é preferível à 
actínica, pois a supressão causada pela última demora mais a ocorrer e, com o tempo, os 
ovários podem voltar a produzir hormônios. Apenas em casos de contra-indicação 
 
75 
 
cirúrgica é que a ooforectomia actínica deve ser realizada. As indicações de 
ooforectomia são restritas às mulheres na pré-menopausa, com câncer avançado de 
mama (locorregional ou com metástases ósseas), devendo ser baseadas, sempre que 
possível, nas dosagens positivas de receptores hormonais. 
A adrenalectomia (retirada de uma ou ambas as glândulas supra-renais) é um 
procedimento de indicação limitada, devido à alta taxa de mortalidade pós- operatória. 
Pode ser indicada nos casos de metástases ósseas dolorosas, rebeldes a outros 
tratamentos, em mulheres na pré-menopausa com carcinoma de mama e receptores 
hormonais positivos e com resposta analgésica à ooforectomia prévia. Este método está 
sendo substituído pelo de supressão medicamentosa. 
A hipofisectomia (retirada da hipófise), seja cirúrgica ou actínica, só é indicada 
em mulheres com metástases ósseas dolorosas de câncer de mama rebeldes a outros 
métodos analgésicos, e com pouca expectativa de vida, sendo um método terapêutico de 
uso quase que totalmente abandonado. 
 
Hormonioterapia medicamentosa 
 
A hormonioterapia medicamentosa faz-se pela supressão ou adição de 
hormônios circulantes. Os principais são: 
Estrogênios e similares sintéticos: indicados no tratamento do câncer mamário 
em mulheres na pós-menopausa e para tratamento do câncer avançado de próstata; 
Antiestrogênios: indicados no tratamento do carcinoma mamário de mulheres e 
homens; 
Progestágenos e similares sintéticos: indicado na terapêutica do 
adenocarcinoma de endométrio. São utilizados na hormonioterapia do câncer mamário, 
como alternativa para o uso dos antiestrogênios; 
Corticosteróides: indicados como terapia de média duração (associados à 
quimioterapia de tumores de origem hemolinfopoética) ou de curta duração (metástases 
cerebrais e hepáticas, compressão da medula espinhal e hipercalcemia); 
Inibidores supra-renais: indicados no carcinoma irressecável ou residual da 
supra-renal. Representam uma terapêutica alternativa à adrenalectomia em carcinoma 
metastático de mama e de próstata. 
Androgênios: têm sido cada vez menos utilizados no tratamento do câncer. Sua 
utilização é questionável, mesmo quando indicados para melhorar condições associadas 
 
76 
 
ao câncer, tais como a mielodepressão; 
Antiandrogênios: indicados como alternativa terapêutica em caso de câncer de 
próstata visto as complicações psicológicas, oriundas da orquiectomia, e às 
cardiovasculares, provocadas pela estrogenioterapia; 
Inibidores da ação hipotalâmica e hipofisária: utilizados como alternativa 
terapêutica para a orquiectomia ou a estrogenioterapia, em câncer prostático; 
Hormônios tiroidianos: indicados nos tumores tiroidianos com o objetivo de 
suprimir seu crescimento. 
A apresentação farmacológica, a posologia e as vias de administração dos 
medicamentos variam de acordo com as indicações e a idade do paciente. 
Os hormônios utilizados na terapêutica do câncer, assim como os 
quimioterápicos, atuam sistemicamente e exercem seus efeitos citotóxicos tanto sobre as 
células tumorais como sobre as células normais. Não se deve esquecer que a ação 
terapêutica se acompanha de efeitos colaterais indesejáveis - relação que deve ser bem 
avaliada quanto ao planejamento e a escolha do tratamento. 
 
Tratamento do câncer de mama que se disseminou 
 
O câncer de mama pode disseminar-se (produzir metástases) para qualquer área 
do organismo. As áreas mais comuns são os pulmões, o fígado, os ossos, os linfonodos, 
o cérebro e a pele. O câncer pode ocorrer nessas áreas anos ou mesmo décadas após o 
diagnóstico inicial de câncer de mama e seu tratamento. Quando o câncer produz 
metástase em uma determinada área, é provável que ele também tenha se disseminado a 
outras áreas, mesmo quando ele não é detectado imediatamente. 
O câncer que se disseminou além da mama não tem cura, mas a maioria das 
mulheres que o apresentam sobrevivem pelo menos 2 anos e algumas, sobrevivem 10 a 
20 anos. O tratamento medicamentoso, além da cirurgia adequada, aumenta 
discretamente a sobrevida, mas a principal razão do tratamento é que os medicamentos, 
geralmente aliviam os sintomas e melhoram a qualidade de vida da paciente. 
 
Reconstrução mamária 
 
A reconstrução mamária é um procedimento cirúrgico que devolve o volume e o 
contorno da mama a mulher submetida à mastectomia, às vezes, complementado pela 
 
77 
 
reconstrução da aréola. 
Existem muitas decisões e escolhas envolvidas no processo de reconstrução 
mamária. Nem toda a mulher que realizou uma mastectomia ou quadrantectomia sente a 
necessidade de reconstruir a mama, mas para muitas, essa é uma importante parte da 
recuperação. 
Reconstruir a mama possibilita à mulher incorporar ao tratamento do câncer de 
mama conceitos de qualidade de vida, de integridade, com preservação da auto- imagem 
e, conseqüentemente, um processo de reabilitação menos traumático. 
A reconstrução da mama pode ser realizada no momento da mastectomia, como 
reparação imediata, ou mais tardiamente. A maioria das mulheres pode fazer a 
reconstrução imediata, exceto pacientes contra-indicadas para permanecer um longo 
período sob anestesia. 
Há várias técnicas de reconstrução mamária, sendo que as mais empregadas, 
atualmente, são três: reconstrução com retalhos abdominais, reconstrução com ou 
sem expansor tecidual e reconstrução com retalhos de musculatura dorsal. Não se 
pode dizer que uma seja melhor do que a outra, mas sim, que uma é mais adequada para 
um determinado caso. 
 
Figura - Reconstrução mamária com prótese 
 
 
Fonte: MSD, 2008 
 
78 
 
 
A escolha da técnica a ser utilizada vai depender principalmente das condições 
locais de pele e músculos (área que vai receber o expansor ou retalhos); das condições 
das áreas doadoras (costas, abdome, locais que cederão retalhos); biótipo; forma e 
volume da mama oposta; forma do tórax. Obedecidos estes fatores, consegue-se obter 
bons resultados, e devolve-se assim à paciente melhor condição de saúde, bem estar e 
integração social e profissional. Em boas condições, a reconstrução mamária imediata 
permite a continuidade do tratamento (quimioterapia e radioterapia). 
 
Técnicas cirúrgicas 
 
As técnicas para reconstrução da mama variam e dependem fundamentalmente 
da quantidade de tecido removido e de sua localização. As mais utilizadas são aquelas 
que fazem uso dos próprios tecidos da mama que através de seu reposicionamento 
preenchem os espaços vazios causados pela retirada do câncer, são os chamados 
retalhos locais associados ou não a mamoplastia (freqüentemente para se ter uma boa 
simetria entre as duas mamas, recomenda-se realizar a mamoplastia da mama 
contralateral, obtendo assim um melhor resultado estético das mamas). 
Nos casosde ressecções maiores, não se tendo tecido suficiente na própria mama 
para se realizar a reconstrução, lança-se mão da utilização de retalhos à distância ou da 
utilização de implantes mamários. 
 
Reconstrução com retalhos de musculatura abdominal 
 
Neste procedimento o cirurgião remove os tecidos da parte inferior do abdômen 
(pele, tecido subcutâneo e músculo reto-abdominal), situada entre a cicatriz umbilical e 
a parte superior do pubis e os leva através de um túnel até a região da mama a ser 
reconstruída. 
Nesta cirurgia a paciente precisa ter algum tipo de sobra de pele no abdômen. 
Um, entre os dois músculos abdominais, é levado até o local, servindo como fonte 
vascular, para irrigação sangüínea do retalho. Onde antes ficava o músculo, coloca-se 
uma tela de polipropileno (a mesma que se usa em cirurgias de hérnia). 
 
Reconstrução mamária com retalho abdominal 
 
79 
 
 
Fonte: CLUBE DA MAMA, 2008 
 
É uma cirurgia que além de reconstruir a mama, melhora a aparência do 
abdômen. No entanto, pode haver fraqueza muscular abdominal decorrente da retirada 
do músculo. As cicatrizes resultantes serão na mama reconstruída e no abdômen inferior 
(cicatriz horizontal e ao redor da cicatriz umbilical). 
 
Mama reconstruída com retalho abdominal 
Fonte: BIAZUS, 2008 
 
Assim como nas demais técnicas, poderá haver necessidade de mais tempo 
cirúrgico. O volume resultante da 1ª etapa cirúrgica poderá ser modificado numa 2ª, 
para que as duas mamas fiquem simétricas, oportunidade em que a aréola e o mamilo 
 
80 
 
também poderão ser refeitos. Em alguns casos, é necessária uma 3ª cirurgia. 
 
Reconstrução com expansor tecidual 
 
Um dos métodos de reconstrução mamária utiliza o expansor de tecidos e o 
implante mamário propriamente dito. É utilizada quando não se têm pele suficiente para 
se colocar um implante abaixo e se obter um formato adequado da mama. O expansor 
de tecidos é um tipo de implante temporário semelhante a um balão com um tipo 
especial de válvula que a paciente usa. Ele é colocado vazio, geralmente abaixo da pele 
e do músculo da parede torácica e gradualmente inflado através da válvula com soro 
fisiológico. Este tipo de reconstrução tem duas partes: 
Expansão do tecido: durante a mastectomia ou depois, coloca-se o expansor. 
Após alguns dias inicia-se a expansão com soro fisiológico através de uma pequena 
punção na válvula colocada. Com isso, a pele vai expandindo até alcançar um tamanho 
semelhante à mama que se deseja reproduzir. Estas expansões costumam ser semanais. 
Ao final de algumas semanas têm-se criado um envelope que servirá para a colocação 
do implante definitivo. 
Colocação do implante definitivo: após a remoção do expansor de tecidos é 
colocado o implante definitivo que poderá variar de tamanho e forma em função da 
expansão alcançada e da forma desejada, sendo geralmente de silicone gel ou semi-
sólido. 
 
Reconstrução da mama com expansor 
Fonte: CLUBE DA MAMA, 2008 
 
 
81 
 
Reconstrução sem expansores de tecidos 
 
Neste caso realiza-se já na primeira cirurgia a colocação do implante definitivo 
no local desejado. Esta técnica está restrita aos casos de mastectomia em que não é 
retirada grande quantidade de pele, desta forma o envelope cutâneo é suficiente para se 
colocar o implante e se dar uma boa forma à mama reconstruída. 
 
Reconstrução com retalhos de musculatura dorsal 
 
Quando o volume mamário não é muito grande, pode-se retirar um retalho de 
tecido da parede do tórax, juntamente com o músculo dorsal, para irrigar a área. Por não 
ser tão espesso quanto o retalho abdominal, o espaço pode ser completado com uma 
prótese. O tecido é tunelizado até a região da mastectomia e usado então para criar uma 
"nova mama". Um implante também pode ser utilizado nestes casos quando o tecido 
não for suficiente para criar a "nova mama". 
 
Reconstrução da mama com retalho dorsal 
Fonte: CLUBE DA MAMA, 2008 
 
Como este retalho é menor e mais fino que o retalho abdominal, geralmente é 
utilizado para reconstruir mamas pequenas, mesmo que se utilize um implante 
associado. Pode ocorrer perda temporária ou definitiva da força muscular e dificuldade 
com a movimentação do dorso e ombro. A cirurgia resulta em uma cicatriz no dorso 
horizontal que pode ser escondida pelo sutiã ou roupa de banho, além de outras 
 
82 
 
cicatrizes na mama reconstruída. Esta técnica tem a desvantagem de deixar uma cicatriz 
nas costas, porém, é a que melhor preenche o cavo axilar (vazio na axila), nos casos em 
que houve esvaziamento linfático. 
 
Reconstrução do complexo aréolo mamilar 
 
Esta última etapa cirúrgica reconstrói o complexo aréolo mamilar (CAM) e com 
isso faz com que as mamas fiquem ainda mais parecidas. A sua reconstrução é realizada 
sob anestesia local. Geralmente o mamilo é reconstruído com a pele do próprio local e a 
aréola com enxerto de pele da região inguinal. Apesar do resultado da reconstrução ser 
bom, quando a realizamos não se restabelece a sensibilidade da aréola nem do mamilo. 
Para que a coloração fique natural, recursos de tatuagem costumam ser utilizados. 
 
Simetrização 
 
Nesta nova cirurgia busca-se melhorar ainda mais o contorno da mama 
reconstruída e torná-la mais parecida com a mama contralateral. Geralmente são 
procedimentos que exigem uma breve estada no hospital e de repouso pós- operatório, 
podendo retornar as atividades normais em duas a três semanas. 
 
Intervenções interdisciplinares 
 
As ações interdisciplinares na atenção ao câncer de mama devem ser iniciadas a 
partir do diagnóstico, e devem fazer parte da atuação conjunta entre todos os 
profissionais de saúde, junto aos pacientes e familiares. Objetivam fazer uma junção 
entre conhecimentos e disciplinas, que intercedam efetivamente na qualidade de vida 
desta população após o tratamento, favorecendo de forma prioritária o seu retorno às 
atividades físicas, sociais e profissionais. 
A equipe interdisciplinar deverá ser composta por: médico, enfermeiro, 
psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, assistente social e nutricionista. 
A atuação interdisciplinar para a prevenção de complicações decorrentes do 
tratamento deve ser realizada em todas as fases: diagnóstico; durante e após o 
tratamento; na recorrência da doença e nos cuidados paliativos. Em cada uma dessas 
fases, é necessário conhecer e identificar as necessidades da mulher, os sintomas e suas 
 
83 
 
causas, e o impacto destes no seu cotidiano. Deve ser garantido o acesso às informações 
relacionadas aos direitos previstos em lei e adequação dos recursos que garantam uma 
atenção integral. 
 
Morbidade: indicador estatístico epidemiológico que define as relações normais 
e anormais de ocorrência de uma doença em determinada população, estabelecido pelos 
coeficientes de incidência e prevalência, aferindo o comportamento de uma doença em 
um grupamento populacional. 
 
Adenopatias: denominação de qualquer doença glandular e ganglionar, 
principalmente quando caracterizada pela tumefação e pelo aumento dos linfonodos. 
 
Alopecia: queda dos cabelos. 
 
Alquilantes: compostos que afetam as células em todas as fases do ciclo celular 
de modo inespecífico. Apesar de efetivos como agentes isolados para inúmeras formas 
de câncer, raramente produzem efeito clínico ótimo sem a combinação com outros 
agentes fase-específicos do ciclo celular. 
 
Anemia: redução dos glóbulos vermelhos do sangue. 
 
Antibióticos: grupo de substâncias com estrutura química variada que, embora 
interajam com o ADN e inibam a síntese deste ácido ou de proteínas, não atuam 
especificamente sobre uma determinada fase do ciclo celular. 
 
Antimetabólitos: afetam as células inibindo a biossíntese dos componentes 
essenciais do ADN e do ARN, impedindo a multiplicação e função normais da célula. 
 
Ciclo celular: seqüência ordenada de eventos pelos quais a célula duplica seu 
conteúdo52 
Tratamento cirúrgico ................................................................................................................ 60 
Cirurgias radicais de mama ...................................................................................................... 61 
Cirurgia de mastectomia radical ............................................................................................... 61 
Cirurgias conservadoras de mama ............................................................................................ 63 
Cirurgia conservadora de mama ............................................................................................... 63 
Mastectomia higiênica .............................................................................................................. 65 
Complicações associadas à cirurgia de câncer de mama .......................................................... 67 
Quimioterapia ........................................................................................................................... 67 
Formas de administração .......................................................................................................... 69 
Classificação ............................................................................................................................. 69 
Critérios para aplicação da quimioterapia ................................................................................ 70 
Reações adversas e efeitos colaterais ....................................................................................... 70 
Radioterapia ............................................................................................................................. 71 
Formas de radioterapia ............................................................................................................. 72 
 
‘ 
Classificação ............................................................................................................................. 72 
Critérios para aplicação da radioterapia ................................................................................... 72 
Efeitos adversos da radioterapia ............................................................................................... 73 
Tratamento do câncer de mama que se disseminou ................................................................. 76 
Reconstrução mamária ............................................................................................................. 76 
Figura - Reconstrução mamária com prótese .......................................................................... 77 
Técnicas cirúrgicas ................................................................................................................... 78 
Reconstrução com retalhos de musculatura abdominal............................................................ 78 
Reconstrução mamária com retalho abdominal ....................................................................... 78 
Mama reconstruída com retalho abdominal ............................................................................. 79 
Simetrização ............................................................................................................................. 82 
Intervenções interdisciplinares ................................................................................................. 82 
Principais disfunções físico-funcionais decorrentes da mastectomia ....................................... 84 
Edema ....................................................................................................................................... 85 
Conseqüências do linfedema após o tratamento para câncer de mama .............................. 89 
Seroma ...................................................................................................................................... 90 
Lesão nervosa ........................................................................................................................... 91 
Dor ............................................................................................................................................ 92 
Limitação de movimento .......................................................................................................... 93 
Alterações posturais ................................................................................................................. 93 
Fraqueza muscular .................................................................................................................... 94 
Retrações cicatriciais ................................................................................................................ 94 
Encarceramento nervoso .......................................................................................................... 95 
Palpação ................................................................................................................................... 97 
 
‘ 
Testes de força muscular ........................................................................................................ 101 
Volumetria .............................................................................................................................. 103 
Linfocintilografia ................................................................................................................... 103 
Recursos fisioterapêuticos ...................................................................................................... 104 
Orientações e cuidados gerais ................................................................................................ 104 
Drenagem linfática manual .................................................................................................... 105 
Contra-indicações ................................................................................................................... 107 
Componentes da drenagem linfática manual.......................................................................... 107 
Alongamentos ......................................................................................................................... 112 
Termoterapia .......................................................................................................................... 115 
Prescrição de órteses .............................................................................................................. 118 
Assistência fisioterapêutica em oncologia mamária .............................................................. 118 
REFERÊNCIA ....................................................................................................................... 131 
 
 
 
7 
 
Conceitos Importantes dos Tecidos Envolvidos 
 
Tecido epitelial 
 
Os tecidos epiteliais são formados por células intimamente unidas, com 
pouquíssimo material intercelular. Recobrem as superfícies do corpo e suas cavidades, 
além de formar glândulas. O tecido epitelial é avascular. Sua nutrição acontece por 
difusão dos nutrientes através da membrana basal, que o conecta ao tecido conjuntivo. 
A membrana basal promove a adesão entre os tecidos, permitindo, contudo, a difusão de 
alimentos, catabólitos e oxigênio. Os epitélios são inervados, recebendo terminações 
nervosas livres que formam uma rica rede intra-epitelial. O tecido epitelial pode ser 
classificado em duas categorias: epitélio de revestimento e epitélio glandular. 
 
Epitélio de revestimento 
 
Reveste as superfícies do corpo e as cavidades em geral. Apresenta diversas 
funções, dependendo do local em que ocorre. Pode ser simples (uma camada celular), 
estratificado (várias camadas) ou pseudo-estratificado, (as células da única camada 
apresentam núcleos em alturas diferentes, dando a impressão de estratificação). 
Suas células podem apresentar vários formatos,e divide-se em duas. 
 
Hemoglobina: pigmento encontrado nas hemácias do sangue dos vertebrados, 
em alguns invertebrados e nos músculos dos mamíferos e das aves. 
 
 
84 
 
Inibidores mitóticos: inibem processos de duplicação celular. Devido ao seu 
modo de ação específico, os inibidores mitóticos devem ser associados a outros agentes 
para maior efetividade da quimioterapia. 
 
Leucopenia: redução do número de glóbulos brancos do sangue (leucócitos). 
 
Mucosite: inflamação da mucosa, resultando em inflamação e eventual 
formação de pequenas ulcerações. É comum que se associe a uma infecção oportunista 
pela candida albicans (“sapinho”). 
 
Orquiectomia: remoção cirúrgica dos testículos. 
 
Plaquetopenia: redução do número de plaquetas. As plaquetas fazem parte do 
mecanismo de reparo dos vasos sangüíneos, evitando sangramentos. 
 
Teleangiectasias: dilatação permanente de vasos sanguíneos preexistentes 
(capilares, arteríolas, vênulas), criando pequenas lesões vermelhas focais, usualmente na 
pele ou membranas mucosas. 
 
Principais disfunções físico-funcionais decorrentes da mastectomia 
 
O câncer de mama tem sido considerado como uma patologia potencialmente 
curável, desde que seja realizado diagnóstico precoce e um tratamento adequado. No 
entanto, as seqüelas físicas e psicológicas deixadas por esta patologia podem ser 
inúmeras, sendo fundamentalmente necessário à atuação de uma equipe 
multidisciplinar. 
A fisioterapia desempenha um papel fundamental no contexto da melhoria da 
qualidade de vida da paciente, porque suas técnicas objetivam devolver a independência 
funcional, possibilitar o retorno às atividades da vida diária, prevenir disfunções físicas, 
proporcionando o bem-estar físico e emocional da paciente. 
O imobilismo do segmento corpóreo acometido pela doença oncológica ou por 
dor, ou secundário a procedimentos rádio ou quimioterápicos, imobilizações ou pós-
operatórios favorece o desenvolvimento de hipotrofias musculares, alterações tróficas 
da pele, edema de estase e de decúbito, linfedemas, alterações articulares com 
 
85 
 
limitações na ADM e descalcificação óssea, retrações músculo-tendíneas e 
ligamentares, podendo mesmo levar a alterações neurovegetativas. Dentre estas 
alterações, daremos destaque a algumas de maior relevância no câncer de mama. 
 
Edema 
 
Acúmulo de quantidades anormais de líquido nos espaços intercelulares ou nas 
cavidades do organismo. Macroscopicamente, apresenta-se como aumento de volume 
dos tecidos que cedem facilmente à pressão localizada, dando origem a uma depressão 
que rapidamente desaparece. Microscopicamente o edema se expressa por alargamento 
dos espaços entre os constituintes celulares. 
A quantidade de líquido nos espaços intersticiais depende da pressão capilar, da 
pressão do líquido intersticial, da pressão oncótica, da permeabilidade dos capilares, do 
número de capilares ativos, do fluxo linfático e do volume total de líquido extracelular. 
O surgimento do edema está ligado à circulação linfática, seja diretamente em 
conseqüência do aumento do aporte líquido ou, indiretamente, em conseqüência de uma 
patologia linfática específica. 
O edema é resultado do desequilíbrio verificado entre o aporte de líquido 
retirado dos capilares sanguíneos pela filtragem e drenagem deste líquido. O estado de 
equilíbrio é atingido quando as vias de drenagem são suficientes para evacuar o líquido 
trazido pela filtragem. Ocorre uma constante renovação do líquido intersticial na qual as 
células do corpo podem retirar os elementos necessários ao seu metabolismo. Se não 
houver interrupção, não ocorrerá edema. Quando o aporte de líquido filtrado se torna 
mais importante e o sistema de drenagem não aumenta em conseqüência disso, ocorre 
um desequilíbrio entre a filtragem e a evacuação a expensas desta última. Os tecidos se 
enchem de líquido, a pressão intratecidual aumenta e a pele se distende. O tecido incha 
e ocorre o edema. 
Existem dois extremos de edema: um ligado ao excesso de aporte de líquido e 
outro causado por insuficiência da rede de evacuação. Esse edema ligado ao excesso de 
aporte de líquido é de origem vascular. Clinicamente, ele apresenta o sinal de Godet ou 
cacifo, ou seja, uma pressão aplicada com o dedo o deprime e, após a supressão desta 
pressão, a depressão persiste. O outro tipo de edema aparece quando a drenagem é 
insuficiente, enquanto o aporte por filtragem é normal. 
As vias linfáticas possuem um poder de adaptação muito grande: elas podem 
 
86 
 
drenar uma média de 24 a 30 litros de linfa por dia. Pode ocorrer, entretanto, que, apesar 
de tudo, a rede seja insuficiente. O edema se instala, organiza e se torna fibroso, e as 
possibilidades de evacuação dependerão do seu grau de evolução e de organização. 
Clinicamente, ele não apresenta o sinal de Godet, não sendo, desta forma, possível 
deslocá-lo por meio de pressões. 
Após uma intervenção cirúrgica, como no caso de uma mastectomia, por 
exemplo, o edema ocorre como uma reação do acúmulo de fluido intersticial associado 
a mudanças na hemodinâmica capilar e perda da integridade linfo- vascular. 
Há um aumento da pressão oncótica tissular devido à elevada concentração de 
proteínas no interstício e uma elevação da pressão hidrostática decorrente de ajustes no 
eixo renina-aldosterona. O edema pós-operatório pode ser prolongado pela obstrução 
linfática secundária a danos nos vasos linfáticos. 
 
Linfedema 
 
Desenvolve-se a partir de um desequilíbrio entre a demanda linfática e a 
capacidade do sistema em drenar a linfa. Sendo as proteínas de alto peso molecular 
extravasadas para o interstício absorvidas exclusivamente pelo sistema linfático inicial, 
no momento que o mesmo perde sua capacidade de escoamento por destruição ou 
obstrução da via linfática em algum ponto de seu trajeto, ocasiona estagnação da linfa 
no vaso, e posterior extravasamento de volta ao interstício. 
O aumento da concentração de proteína no meio vascular causado pelo 
extravasamento e não absorções das mesmas geram alteração da pressão osmótica e 
acarreta a presença definitiva de fluído no interstício, o que constitui o linfedema. Uma 
vez que a linfa é um fluído com altas concentrações de proteínas, sua presença no 
interstício propicia a proliferação e cultura de germes, tornando o membro acometido 
sujeito a episódios de infecção, cada uma delas aumentando a perda de vasos linfáticos. 
A presença de proteínas gera também, fibrose, tornando o edema mais duro e menos 
responsivo a drenagem postural. 
Estudos indicam que o linfedema é o resultado de uma combinação de fatores, e 
não de uma única causa. No caso específico de linfedemas de membro superior de 
pacientes submetidas ao tratamento cirúrgico do câncer de mama, a radioterapia, 
processos infecciosos recorrentes, obesidade e incisões oblíquas são fatores que podem 
estar envolvidos. 
 
87 
 
O linfedema é uma das principais complicações do tratamento cirúrgico do 
câncer de mama. Pode ocorrer no pós-operatório imediato ou a qualquer momento do 
restante da vida da paciente, por isso é essencial manter atitudes preventivas com o 
membro homolateral permanentemente. É importante ressaltar que o linfedema pode se 
instalar tanto no membro superior homolateral a cirurgia, como também na mama e nos 
quadrantes mamários. 
 
Figura – Braço normal e braço acometido por linfedema 
 
 
Fonte: EASY CLINIC, 2008 
 
Classificação quanto à origem 
 
Podem ser primários: são subdivididos em precoce e congênito. O linfedema 
precoce é de etiologia desconhecida, ocorre nos membros inferiores, podendo ser 
decorrente de desequilíbrios hormonais ou falhas no desenvolvimento dos vasos 
linfáticos. O linfedema congênito aparece ao nascimento, sendo caracterizado por uma 
estrutura inadequada dos vasos linfáticos, que ocasionam linfangiectasia e conseqüente 
insuficiência valvular. Quando hereditário édenominado doença de Milroy. 
Podem ser secundários: quando decorrem de causas externas. As lesões teciduais 
graves podem levar ao desenvolvimento de linfedema quando afetam a estrutura e/ou o 
funcionamento dos vasos linfáticos. Em patologias como a filariose, insuficiência 
venosa crônica grave, recidivas de erisipela, linfangite ou celulite, o linfedema pode ser 
instalado, devido a quadros infecciosos e inflamatórios. Nos tratamentos oncológicos, a 
ressecção de gânglios e vasos linfáticos, constitui verdadeiro obstáculo à circulação 
 
88 
 
linfática, podendo desencadear o linfedema. Os efeitos colaterais da radioterapia 
adjuvante ao tratamento oncológico, como fibrose e radiodermite, podem prejudicar a 
circulação linfática superficial. 
 
Classificação quanto à instalação e os achados clínicos 
 
São classificados como agudos os linfedemas moderados e transitórios que 
ocorrem nos primeiros dias após a cirurgia como resultado da incisão dos canais 
linfáticos. Usualmente desaparecem em algumas semanas com a elevação do membro e 
o bombeamento muscular. Agudos com sintomatologia álgica são os linfedemas que 
ocorrem entre 4 a 6 semanas de pós-operatório, como resultado de linfangites ou flebites 
agudas. Este tipo de linfedema pode ser tratado com sucesso com a elevação do membro 
e medicação antiinflamatória. Agudos na forma de erisipela ocorrem, normalmente, 
após a picada de insetos ou pequenas lesões e queimaduras. Podem ser sobrepostos ao 
linfedema crônico. Esta forma de linfedema requer elevação do membro e antibióticos. 
As formas agudas são condições temporárias, com menos de seis meses de duração, 
sendo associadas a edemas depressíveis, sem alterações de pele. 
O linfedema crônico é a forma mais comum, sendo usualmente insidioso, com 
ausência de dor, não sendo associado a eritemas, sendo, normalmente, irreversível. 
 
Classificação quanto à intensidade 
 
Critério mais utilizado. O linfedema pode ser classificado em fases de I a IV: Os 
linfedemas de fase I são os que se desenvolvem após atividades físicas ou ao final do 
dia e melhoram espontaneamente ao repouso e aos estímulos linfáticos. Ocorre em 
decorrência de um pequeno aumento de linfa intersticial e alguma estase nos vasos 
linfáticos; os de fase II são espontaneamente irreversíveis, mas podem ser controlados 
com terapêuticas apropriadas. Possuem fibrose do fluido intersticial em algumas áreas 
e conseqüentemente, aumento da consistência da pele. O fluxo linfático se apresenta 
mais lento, havendo certo grau de estagnação da linfa em coletores e capilares. Os de 
fase III são irreversíveis e mais graves. Apresentam grau elevado de fibrose linfostática 
com grande estagnação da linfa nos vasos e capilares. Possuem alterações de pele 
importantes, tornando-se vulneráveis a erisipelas, eczemas, papilomatoses e fístulas 
linfáticas. Os de fase IV são as chamadas elefantíases, sendo irreversíveis e apresentam 
 
89 
 
complicações como papilomatose, queratoses, fistulas linfáticas e angiomas. Traduz a 
total falência dos vasos linfáticos. 
 
Classificação quanto à topografia 
 
O linfedema de grau A ocorre em pacientes que permanecem a maior parte do 
tempo sem edema, sendo portadoras de uma insuficiência linfática crônica e 
compensada, apresentando todas as medidas simétricas iguais e com ausência de edema 
em dorso de mão. 
O linfedema de grau B ocorre em pacientes permanentemente com edemas 
suaves, sem modificações estruturais da pele e do tecido celular, tendo pelo menos uma 
medida desigual no braço, antebraço ou mão. São subdivididos em tipo B1 (somente a 
circunferência do terço médio do braço está aumentada), tipo B2 (aumento da 
circunferência do terço médio do braço e terço superior do antebraço), tipo B3 (aumento 
da circunferência do terço médio do braço, do terço superior e inferior do antebraço), 
tipo B4 (aumento da circunferência em terço médio do braço, terço superior e inferior 
do antebraço e edema discreto ou grosseiro em dorso de mão). 
O linfedema de grau C ocorre em pacientes com modificações estruturais 
definitivas da pele e tecido celular, consistindo as verdadeiras elefantíases cirúrgicas, 
são subdivididas em tipo C1 (sem comprometimento do plexo braquial) e tipo C2 (com 
transtornos decorrentes do comprometimento braquial e sobrecarga, presença de 
transtornos subjetivos de dor e parestesias quase permanentes. Apresentando 
dificuldades de movimentos, ausência dos grandes sulcos que separam os braços e as 
partes mais distais, aumento de volume de forma rápida, e apresentando o braço com 
volumes grandes e flácidos). 
 
 
Conseqüências do linfedema após o tratamento para câncer de mama 
 
A presença do linfedema após o tratamento para câncer de mama representa uma 
série de problemas de ordem funcional, psicológica e social. 
As alterações tissulares provocadas pelo linfedema são de extrema importância e 
entre elas pode-se citar: aumento e dilatação dos canais tissulares pré-linfáticos e 
linfáticos iniciais, provocando um edema intercelular, fendas entre as células endoteliais 
 
90 
 
e a membrana basal e aumento da abertura das junções intercelulares; aumento da 
distância intercapilar, entre capilares e linfáticos iniciais, e entre células e capilares, 
dificultando os intercâmbios metabólicos, especialmente a difusão de gases, 
favorecendo a hipóxia tissular, que somados a acidose provocada pelo acúmulo de 
metabólitos iniciam as transformações que provocarão transtornos tróficos; acúmulo de 
proteínas provocando inflamação crônica, por aumento de fibroblastos, fibrina e fibras 
de colágeno levando ao fibroedema; na região afetada pelo edema, observa-se um 
aumento na concentração de linfócitos pequenos e um acúmulo de macrófagos na região 
afetada pelo edema; incidência de processos infecciosos, inflamatórios e degenerativos 
devido às alterações na homeostase e na imunidade loco-regional. 
A limitação da amplitude articular também vem sendo associada ao linfedema, 
causando importantes limitações físicas e estéticas. O linfedema também pode evoluir 
para o angiosarcoma, que apesar de ser raro, é bastante agressivo. 
As mulheres que desenvolvem linfedema após o tratamento para câncer de 
mama apresentam problemas psicossociais e dificuldades nas rotinas diárias importantes 
quando comparadas com aquelas que evoluem sem linfedema. Estudos demonstraram 
que essas mulheres apresentam importantes morbidades psiquiátricas como ansiedade e 
depressão, além de dificuldades consideráveis em suas atividades domésticas e 
relacionamentos familiares. O linfedema contribui para a alteração da imagem corporal, 
dificultando as relações pessoais e sexuais. 
De forma resumida, as complicações do linfedema podem ser: infecciosas 
(linfangites, erisipelas e micóticas); tróficas (hiperqueratose, verrucosidades, fístulas 
linfáticas, úlceras, elefantíase e deformidades nas unhas); osteoarticulares 
(deformidades, calosidades e desvios de coluna); neoplásicas (síndrome de Stewart- 
Treves); e psicológicas (depressão, complexo de inferioridade e alterações na imagem 
corporal). 
 
Seroma 
 
Coleção de líquidos formados após a retirada do dreno de sucção, com 
necessidade de aspiração, que ocorre em aproximadamente 35% das pacientes 
submetidas a tratamento cirúrgico. A ferida da cirurgia possui características que 
possibilitam o acúmulo de líquido neste local. Como a dissecção geralmente é extensa, 
resulta em um espaço morto que pode acumular linfa e sangue oriundo de lesões nos 
 
91 
 
vasos sanguíneos e linfáticos durante a cirurgia. Associado aos movimentos constantes 
da parede torácica, devido à respiração e a própria utilização incorreta do ombro, criam 
forças de cisalhamento que retardam a aderência dos tecidos locais proporcionando o 
acúmulo de líquidos. Fatores, como idade avançada, obesidade, hipertensão, 
heparinoterapia, tamanho da mama e mobilização precoceintensa e inadequada pode 
desencadear ou agravar a ocorrência do seroma. 
 
Infecção 
 
Ocorre com maior freqüência após a irradiação pré-operatória e em cirurgias 
mais extensas. Em geral, os fatores que contribuem para o surgimento são o acúmulo de 
líquido, a deiscência da ferida, os retalhos cutâneos finos e o comprometimento da 
depuração do líquido linfático em conseqüência da dissecção axilar. Outros fatores, 
como a idade, o estado nutricional e os mecanismos de defesa comprometidos, também 
podem contribuir para o desenvolvimento desta complicação. Os drenos de sucção 
utilizados no período pós-operatório agem como uma porta de entrada para as infecções. 
 
Lesão nervosa 
 
Freqüentemente no período pós-operatório são observadas alterações sensitivas 
e/ou motoras que podem ser secundários a compressão pelo tumor ou a lesões causadas 
pelo procedimento cirúrgico ou pela radioterapia. Os nervos que são freqüentemente 
mais lesados durante a cirurgia são: o nervo peitoral lateral e medial, que podem 
desencadear atrofia muscular e incapacidade no ombro; o nervo intercostobraquial, que 
quando lesado desencadeia parestesia cutânea na parte média superior do braço; o nervo 
toracodorsal, quando seccionado pode levar a fraqueza do grande dorsal, o que 
prejudica a adução e a rotação externa do ombro e o nervo torácico longo, que ao ser 
seccionado permite que a escápula se torne alada. 
Os distúrbios sensitivos causados pela lesão do plexo braquial pela irradiação, 
com conseqüente parestesia na região inervada, também devem ser avaliados. Caso 
esses distúrbios não sejam tratados é possível o agravamento do quadro com o 
surgimento de dores e distúrbios motores, partindo da região distal do membro. Em 
muitos casos é comum o surgimento de edema e deformidade. 
 
 
92 
 
Dor 
 
A dor é considerada um dos sintomas mais freqüentes nas neoplasias. É também 
o mais temido pelos pacientes oncológicos. Estima-se que 10% a 15% dos doentes de 
câncer apresentam dor de intensidade significativa nos casos de doença inicial. Com o 
aparecimento de metástases, a incidência da dor aumenta para 25% a 30% e nas fases 
muito avançadas da enfermidade, 60% a 90% dos pacientes referem dor de intensidade 
bastante expressiva. 
Dentro da oncologia, a dor pode ser de origem secundária a própria evolução da 
doença, aos procedimentos terapêuticos, diagnóstico e aos aspectos psicoafetivos 
associados a uma doença debilitante, progressiva e muitas vezes terminal. Em um 
doente portador de câncer, a dor é o principal motivo pela procura de atendimento 
médico. O mais indicado é o tratamento que reduz o quadro álgico ao eliminar a causa, 
porém isto nem sempre é possível. Freqüentemente, apesar da cura da doença, é comum 
o surgimento da dor como uma seqüela do tratamento cirúrgico. 
A presença de dor no período pós-operatório além de ser uma complicação do 
tratamento pode levar um grau maior de imobilidade, que estará prejudicando ainda 
mais a mobilidade e contribuindo para a instalação de linfedema. 
Diversas são as causas que podem levar ao surgimento da dor ao nível da 
incisão, como a própria incisão cirúrgica transversa que está sobre a musculatura 
torácica, o movimento do membro que estará tracionando a incisão e um processo de 
cicatrização retardada em pacientes submetidas à radioterapia. No período pós- 
operatório imediato é comum o aparecimento de dor do tipo nevrálgica associada à 
hipoestesia na base axilar e na face interna do braço, em conseqüência do próprio ato 
cirúrgico. Até mesmo o mau posicionamento do dreno aspirativo pode provocar dor do 
tipo queimação, pontada ou choque elétrico, podendo ser irradiada e exacerbada pelas 
mudanças de posição, pela mobilização escapular e pelos movimentos inspiratórios. 
Também é comum o surgimento de dor em região cervical e cintura escapular, 
devido à proteção muscular reflexa, que produz espasmo muscular na região cervical e 
ombro, a sensibilidade alterada da musculatura da cintura escapular que restringe a 
mobilidade ativa do ombro e, a diminuição no uso do membro superior, que predispõe 
ao desenvolvimento de ombro congelado crônico e aumenta a probabilidade de 
linfedema. 
No pós-operatório tardio é comum a persistência de dores que geram um grande 
 
93 
 
desconforto na paciente. Estas dores são bem delimitadas em pontos dolorosos 
localizados em músculos, ligamentos, tendões, áreas pericapsulares e fáscias. 
Caracterizando as síndromes dolorosas miofasciais. Esta dor decorre da imobilidade 
ocasionada pelas retrações músculo-aponeuróticas. 
 
Limitação de movimento 
 
A limitação de movimento articular em pacientes submetidas ao tratamento 
cirúrgico do câncer de mama, geralmente é decorrente do próprio processo do trauma 
cirúrgico, com a retirada de tecidos musculares, o que fatalmente gera retrações 
teciduais. A restrição de amplitude também pode ser decorrente da presença de 
linfedemas e retrações ou aderências teciduais. A retirada do músculo peitoral maior, 
que ocorre em alguns tipos de mastectomias radicais, é o que acarretará na maior perda 
de movimentos no membro superior. 
Os movimentos de abdução e a flexão do ombro serão os mais afetados, juntos 
com a rotação externa associada à adução. Em geral, esta limitação é conseqüência da 
dor e até mesmo da cicatriz cirúrgica, pois muitas mulheres submetidas ao tratamento 
cirúrgico não movimentam o membro superior por medo de “abrir” a cirurgia. 
Entretanto, o principal fator limitante é a modificação da cavidade axilar, que tem um 
importante desempenho na função articular; ao ser realizado o esvaziamento axilar, a 
serosidade local é retirada, o que pode levar ao desenvolvimento de aderências e 
dificuldades na movimentação desta articulação. 
O movimento também pode estar restrito por seqüelas da radioterapia. A 
radioterapia leva a uma fibrose subcutânea com fixação na musculatura inferior, esta 
fibrose causa uma redução na mobilidade articular. Em relação à extensão da cirurgia, 
quanto maior for à extensão maior será a secção de tecidos, em geral estas cirurgias 
extensas removem alguns músculos que são importantes para a estabilização e a 
mobilidade da articulação do ombro. O tipo de incisão utilizado também tem grande 
influência sobre a mobilidade da axila e do braço, uma incisão errada pode limitar em 
vários graus a amplitude. 
 
Alterações posturais 
 
Ao receber a notícia da doença, inconscientemente a mulher adota uma postura 
 
94 
 
incorreta como um mecanismo de defesa. Surgem então, contraturas da musculatura da 
região escapular (principalmente dos trapézios e dos adutores do ombro). Associado ao 
estado psicológico alterado, a mulher passa a apresentar dores miofasciais, mais 
freqüentes em região escapular, dorsal e escapular. 
Após o tratamento cirúrgico a mulher passa a ter uma imagem corporal alterada, 
conseqüente do fator mecânico, aspecto psicológico, sensação de mutilação e medo da 
dor. Essas alterações posturais são mais graves em pacientes submetidas à mastectomia, 
principalmente se tiver uma mama volumosa. Poderá ocorrer uma assimetria do tronco e 
um alinhamento anormal das escápulas, pois a falta da mama fará com que o ombro do 
mesmo lado se eleve e gira internamente, o que abduzirá a escápula provocando uma 
maior contratura muscular da região cervical e aumento da dor 
Em longo prazo é comum o surgimento de cifose e escoliose, devido à postura 
antálgica adotada na tentativa de esconder a ausência da mama ou mesmo devido à 
fraqueza muscular da cintura escapular. 
 
Fraqueza muscular 
 
Em cirurgias mais agressivas em que o músculo peitoral maior é removido, 
ocorre uma redução da força ativa do membro homolateral a cirurgia. Essa redução de 
força e mobilidade ativa do ombro superior envolvido é permanente. Devido a esta 
diminuição da força muscular, a biomecânica do ombro fica comprometida pelo uso de 
movimentos compensatórioscom os músculos trapézio superior e levantador da 
escápula. Isto pode causar compressão subacromial resultando em algias no ombro. A 
força em garra fica geralmente diminuída, principalmente como resultado de linfedema 
e conseqüentemente, surge rigidez secundária dos dedos. 
 
Retrações cicatriciais 
 
 As retrações cicatriciais diminuem a elasticidade da pele no local, dificultando 
a mobilização do membro superior. A paciente tenderá a não movimentar muito este 
membro podendo gerar um encurtamento da musculatura, principalmente do peitoral 
maior. Como a paciente evita mover o membro homolateral ao da cirurgia, a produção 
de líquido sinovial que depende dos movimentos de compressão e descompressão, tende 
a diminuir, assim como tende a haver um espessamento dos ligamentos e da cartilagem 
 
95 
 
articular. As retrações cicatriciais são um importante fator na diminuição da mobilidade 
do membro superior. 
Após a cirurgia, podem surgir complicações cicatriciais no local, como 
aderências, invaginações, infecções, deiscência, fibrose e hipertrofia. 
A aderência cicatricial é a complicação mais freqüente, tratando-se de um tecido 
fibroso que leva a uma fixação da superfície da pele ao tecido subcutâneo, às fáscias e 
músculos, que deveriam deslizar entre si. As reações inflamatórias devidas à 
cicatrização do tecido são responsáveis pelas aderências. Isto leva a uma retração que 
atinge aponeuroses, tendões e músculos da região cervicotoracobraquiais e da cavidade 
axilar. A situação pode ser agravada se ocorrer uma hiperatividade dos fibroblastos na 
reparação cicatricial, que originará a formação de uma bainha espessa e endurecida. 
Além de surgir como resultado da cirurgia, também pode ser conseqüência da 
fibrose causada pela radiação ou infecção da ferida, fazendo com que surjam aderências 
teciduais no tecido subjacente à mama na parede torácica. Conseqüentemente, estas 
aderências poderão resultar em uma diminuição da amplitude máxima de movimento do 
ombro envolvido e alterações posturais. O prejuízo funcional é grande. Cada tentativa 
de movimentação do membro provocará dores intensas, e caso não seja tratado, pode 
evoluir para uma capsulite adesiva. Essas adesões na parede torácica podem aumentar o 
risco de complicações pulmonares pós-operatórias, desconforto no pescoço, cintura 
escapular e coluna superior, além da perda de amplitude no ombro envolvido e 
desequilíbrios posturais. 
 
Encarceramento nervoso 
 
Geralmente acontecem em nível da saída cervical ou do ombro, manifestando-se 
na forma de uma síndrome do túnel do carpo. As pacientes relatam sensação de peso no 
braço, tensão, dor e parestesia. Com freqüência, essas sensações são percebidas ao 
longo do trajeto do nervo mediano ou cubital. A radioterapia e outros fatores mecânicos 
aumentam a probabilidade de ocorrência de compressão no canal. 
 
Alterações respiratórias 
 
Após a cirurgia para a retirada do câncer de mama, a paciente apresentará 
importantes alterações na dinâmica ventilatória. Estas pacientes encontrarão 
 
96 
 
dificuldades em elevar a caixa torácica, principalmente à porção superior; ocasionando 
uma diminuição dos volumes pulmonares e hipoventilação alveolar. Embora a cirurgia 
para a retirada do câncer de mama não invada o tórax, as pacientes podem desenvolver 
problemas pulmonares secundários a imobilidade. A respiração profunda pode ser 
dolorosa, logo a mobilização precoce pode evitar a maioria das complicações 
pulmonares. Com a instrução dos pacientes quanto aos malefícios da imobilidade e a 
estimulação da mobilidade no leito, podem-se evitar as complicações causadas pela 
imobilidade. 
Também é possível ocorrer disfunções respiratórias em conseqüência ao medo, à 
fibrose e aderência cicatricial, e até mesmo a retrações musculares. As posturas 
antálgicas (adução, depressão, protusão de ombro e rotação interna do ombro) na 
tentativa de esconder a ausência da mama ou mesmo fraqueza muscular dos músculos 
da cintura escapular vão ocasionar problemas como hipoventilação em hemitórax 
comprometido e deformidade como cifose e escoliose. 
Avaliação físico-funcional de pacientes mastectomizadas 
 
A avaliação fisioterapêutica pré-operatória é importante para o acompanhamento 
geral das conseqüências provenientes da cirurgia, elaboração de um prognóstico de 
recuperação e conscientização da paciente sobre a importância e os procedimentos da 
fisioterapia no pós-operatório. Nesta etapa o fisioterapeuta busca a anamnese e toda 
história clínica da paciente nos formulários hospitalares, pastas e prontuários. É feita a 
coleta dos dados, sinais vitais, ausculta pulmonar, avaliação das amplitudes de 
movimento globais e força muscular, postura e presença de deformidades. 
No entanto, a maioria das pacientes é encaminhada para assistência 
fisioterapêutica após o tratamento cirúrgico. Assim sendo, vamos enfocar a avaliação na 
condição pós-operatória. 
 
 
Anamnese 
 
Abordagem inicial da paciente. Neste momento, a história clínica é colhida. 
Além de dados de identificação pessoal, neste momento é importante coletarmos 
informações à cerca do surgimento da patologia, tipo de tratamento cirúrgico realizado, 
realização de terapias coadjuvantes e medicamentos em uso. Questionar a respeito da 
 
97 
 
presença de dor, alterações de sensibilidade e estado geral da paciente. 
 
Exame físico 
 
Composto por inspeção, palpação, avaliação de amplitude de movimento e força 
muscular. 
 
Inspeção 
 
Durante a Inspeção, busca-se observar a presença de alterações funcionais, local 
e extensão da cicatriz, coloração da pele, presença de fístulas, manchas, hematomas, 
equimoses, fibroses, edemas e linfedemas. A inspeção deve ser feita em ambas as 
mamas, de forma simétrica. Também é importante realizar uma análise da postura 
corporal e da presença de posicionamento antálgico. 
 
Palpação 
 
Verificar a presença de dor à palpação, edema, temperatura local (traduz o 
estado vascular local e geralmente encontra-se aumentada devido às alterações 
circulatórias e ao acúmulo de líquido em membro superior); sensibilidade geral 
(hipoestesia ou hiperestesia podem estar presentes por lesão do nervo durante a cirurgia 
ou por compressão devido a edemas e linfedemas. A percepção tátil, térmica e dolorosa 
em regiões adjacentes a cicatriz podem estar comprometidas); aderências cicatriciais 
(palpar a cicatriz e região adjacente procurando por aderência cicatricial que, poderá 
dificultar a movimentação do membro superior fazendo com que ocorra diminuição da 
ADM) e linfedema. Analisar também o trofismo muscular e cutâneo, dor e nódulos no 
tecido subcutâneo. 
 
Amplitude articular de movimento de MMSS (goniometria) 
 
Técnica de avaliação mais usada na prática da fisioterapia. É um instrumento de 
diagnóstico funcional, capaz de medir de forma objetiva amplitudes articulares através 
da utilização do goniômetro. O goniômetro é um instrumento durável, lavável e de 
baixo custo que pode ser aplicado em quase todas as articulações. Assemelha-se a um 
 
98 
 
transferidor, com dois braços longos, um fixo e outro móvel. Existe ainda um eixo, que 
deve estar alinhado com o eixo longitudinal dos seguimentos adjacentes à articulação. O 
centro deve ser posicionado sobre o eixo da articulação a ser examinada. 
 
 Figura – Goniômetro Universal 
Fonte: DA SAÚDE, 2008 
 
A medida e o registro das amplitudes articulares devem obedecer a certos 
preceitos de forma a minimizar possíveis erros: é fundamental conhecer os valores de 
referência considerados normais para cada movimento articular, considerando variáveis 
como: constituição física, idade, sexo, profissão. O comparativo com o lado 
contralateral do indivíduo também é um dado importante para comparação. 
Outras considerações importantes: realizar a mensuração com goniômetros 
válidos; explicar ao indivíduo o que vai ser executado e de quemaneira; posicionar o 
indivíduo corretamente; os pontos de referências anatômicas devem ser deixados 
descobertos; a posição inicial do seguimento a ser avaliado deve ser a posição zero 
(posição de partida), que é normalmente a posição de extensão; se existir dor na posição 
de partida, esta pode ser alterada e o teste deve ser executado na posição de maior 
conforto para o indivíduo; o movimento deve ser executado lentamente para permitir 
observar a resposta do indivíduo a sinais de dor ou desconforto; deve ser realizada a 
estabilização de segmentos adjacentes, para evitar compensações. 
 
Amplitude articular do ombro 
 
Flexão do ombro: os músculos responsáveis por este movimento são o peitoral 
maior (porção clavicular), o deltóide anterior, o coracobraquial, e o bíceps (porção 
curta). Neste teste, deve-se evitar a hiperextensão da coluna lombar, a abdução do 
ombro e a elevação da escápula; manter o cotovelo em extensão. Amplitude articular 
 
99 
 
normal: 0 - 180°. 
 
Figura – Goniometria: flexão do ombro 
 
 
 
Extensão do ombro: os músculos responsáveis por este movimento são o 
grande dorsal, redondo maior, deltóide posterior, tríceps e peitoral maior. Neste teste, 
deve-se evitar a flexão do tronco; a elevação e a adução da escápula e a abdução do 
ombro. Amplitude articular normal: 0°- 50°. 
 
Figura - Goniometria: extensão do ombro 
 
 
 
Abdução do ombro: os responsáveis por este movimento são o deltóide 
anterior e médio, o supra-espinhoso e o bíceps. Neste teste, deve-se evitar a flexão da 
coluna vertebral para o lado contralateral; a elevação da escápula e a flexão e extensão 
do braço. Amplitude articular normal: 0° - 180. 
 
100 
 
 
Figura – Goniometria: abdução do ombro 
 
 
Adução do ombro: os músculos responsáveis pelo movimento são o peitoral 
maior, grande dorsal, redondo maior, subescapular, coracobraquial. Neste teste, deve-se 
evitar a flexão ipsilateral da coluna vertebral; a depressão escapular e a rotação de 
tronco. Amplitude articular normal: 0°- 40°. 
 
Figura – Goniometria: adução do ombro 
 
 
 
Rotação externa do ombro: os músculos responsáveis por este movimento são 
o redondo menor, infra-espinhal e o deltóide posterior. Para a avaliação, o ombro é 
abduzido e a articulação do cotovelo é fletida em 90°, o antebraço move-se em sentido 
cranial. Amplitude articular normal: 0°- 90°. 
 
101 
 
 
Figura – Goniometria: rotação externa do ombro 
 
Rotação interna do ombro: os músculos responsáveis pelo movimento são o 
peitoral maior, grande dorsal, redondo maior, subescapular e o deltóide anterior. Para a 
avaliação, o ombro é abduzido e a articulação do cotovelo é fletida em 90°, o antebraço 
kove-se em sentido caudal. Amplitude articular: 0°- 65/90°. 
 
Figura – Goniometria: rotação interna do ombro 
 
Testes de força muscular 
 
Realizado manualmente pelo terapeuta com especificidade para cada grupo 
muscular conforme a sua ação. O grau de força exercido pelo paciente é graduado de 
acordo com tabelas específicas para os movimentos de flexão, extensão, abdução, 
adução e rotações do ombro. A força muscular pode estar diminuída devido ao desuso 
do membro pelo quadro álgico ou pela retirada de grupos musculares. 
 
 
102 
 
Avaliação do edema e do linfedema 
 
Perimetria 
 
Determina os valores de circunferência de um segmento corporal perpendicular 
ao eixo longitudinal do mesmo segmento. As medidas devem ser feitas em níveis 
estabelecidos em intervalos de tempo periódicos e, de modo geral, repetidas sempre 
pelo mesmo terapeuta. Para a comparação, as medidas devem ser realizadas num 
mesmo horário do dia. Um método aceito é verificar a circunferência a cada 5 cm ao 
longo de todo o membro. 
Nos membros superiores, tem-se como ponto de referência à fossa cubital. São 
realizadas mensurações da circunferência a cada 5 cm acima e abaixo da fossa cubital, 
conforme exemplo abaixo: 
 
Figura - Perimetria do braço 
 
 Fonte: EASY CLINIC, 2008 (modificada). 
 
Em todos esses pontos de referência, o avaliado deverá estar em pé, de lado para 
o avaliador, com os pés um pouco afastados, distribuindo o peso do corpo igualmente 
sobre os membros inferiores. As medidas devem ser feitas com a fita métrica bem 
ajustada sobre a parte a ser medida, não muito apertada a ponto de criar uma endentação 
na gordura, nem frouxa para que a fita deslize. A redução do 
edema (RE) pode ser avaliada através de uma comparação que quantifica a 
variação obtida entre as medidas tomadas do mesmo membro, antes e após o 
tratamento: 
 
103 
 
 
RE = 1 – (Medida pós) x 100 
 Medida pré 
 
Vários autores somente consideram linfedema aquele cujas diferenças de 
medidas, quando da realização da perimetria dos membros superiores for igual ou maior 
que 3 cm. Para outros autores, a simples diferença de 1 a 1.5 cm pode ser sinal de 
linfedema, e uma diferença inferior a 3 cm o linfedema é considerado leve; de 3 a 5 cm, 
moderado; e o linfedema severo é o que apresenta uma diferença superior a 5 cm, 
quando comparado as medidas de ambos os membros. 
 
Volumetria 
 
Como as medidas de circunferência podem não ter a precisão necessária na 
avaliação, à medida do volume do membro por deslocamento de água pode ser mais 
eficaz. A mensuração volumétrica é um modo mais acurado, ainda que mais demorado, 
de avaliação do tamanho do membro. Para realizar uma mensuração volumétrica, 
precisa-se de um volumímetro. O volumímetro é um tanque especialmente projetado, 
com uma calha para extravasamento. Também é preciso um cilindro graduado. Visto 
que o volume que a água ocupa é diferente a diferentes temperaturas é importante 
assegurar-se que mesma temperatura de água seja usada a cada mensuração 
subseqüente. 
Recomenda-se a seguinte fórmula para a quantificação da alteração de volume: 
 
RE = 1 – (Medida pós) x 100 
 Medida pré 
 
 
Linfocintilografia 
 
Sendo o linfedema conseqüente a uma redução do fluxo linfático, a melhor 
forma de se avaliar o paciente é a mensuração do fluxo, permitindo-nos a análise do 
problema (disfunção linfática) e não da conseqüência (edema), possibilitando então o 
diagnóstico de estase linfática antes do linfedema estar estabelecido. 
 
104 
 
O método utilizado para a mensuração do fluxo linfático é a linfocintilografia, 
na qual proteínas de alto peso molecular marcadas com material radioativo são injetadas 
no interstício e se acompanham a absorção e drenagem das mesmas através da via 
linfática. Com este exame, poderemos identificar grandes alterações de fluxo antes que 
o paciente desenvolva o edema, permitindo a prevenção do mesmo, analisar pontos de 
retenção (hipercaptação significativas em determinado linfonodo) para direcionar as 
técnicas de tratamento e avaliar resultados. 
 
 Objetivos da assistência fisioterapêutica pré e pós-operatória 
 
A fisioterapia, através da sua integração na equipe multidisciplinar, atua de 
maneira direta na prevenção, minimização ou regressão das seqüelas, apresentando 
importante papel no pré e pós-operatório do câncer de mama. Os principais objetivos da 
assistência fisioterapêutica são: 
Estimular a movimentação e a independência nas atividades; 
Prevenir ou diminuir as complicações respiratórias e circulatórias (TVP); 
Reduzir a dor; 
Manter força muscular e a amplitude de movimentos; 
Evitar encurtamentos musculares, atrofias e contraturas; 
Melhorar mobilidade e flexibilidade, coordenação e habilidade; 
Prevenir e tratar edemas e linfedemas; 
Promover a reeducação postural e a conscientização corporal; 
 
Recursos fisioterapêuticos 
 
 
Orientações e cuidados gerais 
 
 
A assistência fisioterapêutica não se resume aos atendimentos no pré e no pós-
operatório, sendo de extrema importância à inclusão no tratamento de orientações gerais 
e sobre a realização de exercícios diários, sendo estas destinadas a paciente,aos 
familiares e acompanhantes. 
As orientações fisioterapêuticas na fase ambulatorial devem ser iniciadas por 
 
105 
 
recomendações gerais relacionadas ao local cirúrgico e ao membro ipsilateral: 
Evitar verificar a pressão arterial, receber soro, tirar ou receber sangue ou aplicar 
injeções, vacinas ou acupuntura no membro superior ipsilateral a cirurgia (estes 
procedimentos facilitam o desencadeamento do linfedema); 
Evitar exposição excessiva ao sol, sendo indicado o “banho de sol” apenas no 
início da manhã ou no final da tarde (o aumento da temperatura promove uma 
vasodilatação periférica, estimulando uma maior ultrafiltração no interstício); 
Na higiene pessoal deve-se evitar o uso de água muito quente e fazer uso, 
preferencialmente, de sabonete neutro. 
Orientações sobre a realização diária dos exercícios respiratórios durante a 
fase ambulatorial, também são muito importantes para se estabelecer as condições 
pulmonares anteriores e evitar complicações respiratórias. Desta forma, a respiração 
diafragmática deve ser ensinada, podendo estar associada, de acordo com as condições 
gerais e com a evolução da paciente, aos exercícios de membros superiores e a alguns 
recursos fisioterapêuticos, tais como bastões, bolas, entre outros, com o objetivo 
principal de melhorar a expansibilidade pulmonar e as trocas gasosas. 
Orientações sobre a realização do auto-alongamento, podendo este ser 
realizado através de exercícios posturais simples, como, por exemplo, adução e abdução 
escapular, que buscam minimizar a postura antálgica previamente estabelecida, e de 
exercícios mais dinâmicos, tais como flexão, abdução e rotação dos ombros, que 
objetivam manter ou melhorar a mobilidade articular e a amplitude de movimento, não 
se esquecendo de valorizar a paciente de maneira global, evitando-se, assim, 
desequilíbrios estáticos inconvenientes, que possam provocar alterações posturais, dor 
ou desconforto adicional, possibilitando-se um melhor desempenho nas atividades da 
vida diária. Também é fundamental que, inicialmente, o número de repetições seja 
pequeno, progredindo proporcionalmente a evolução do quadro geral da paciente. 
Orientações sobre a realização diária da automassagem, com o intuito de 
estimular a circulação linfática superficial, auxiliando-se na prevenção do linfedema. 
Orientações sobre o auto-exame das mamas, especialmente na mama 
contralateral ao processo cirúrgico, com o objetivo de identificar precocemente qualquer 
alteração nesta região. 
 
Drenagem linfática manual 
 
 
106 
 
A drenagem linfática manual é uma técnica de massagem altamente 
especializada, representada por um conjunto de manobras suaves, lentas e rítmicas 
muito específicas, que atuam basicamente sobre o sistema linfático superficial, visando 
drenar o excesso de líquido acumulado no interstício, nos tecidos e dentro dos vasos, 
através das anastomoses superficiais. 
É uma técnica específica de massagem, introduzida por Vodder (Áustria) e mais 
recentemente por Leduc (Bruxelas). Outros cientistas interessaram-se pela drenagem 
linfática manual, como Földi, que estudou as vias linfáticas da cabeça e da nuca e suas 
interligações com o líquor cérebro-espinhal e Mislin, que examinou os mecanismos de 
motricidade dos capilares e dos vasos linfáticos. 
A ação da drenagem linfática manual, definida a partir de experimentos 
realizados em animais, foi em seguida verificada por numerosos estudos na clínica 
humana. As técnicas manuais de drenagem possuem uma ação evidente sobre as 
proteínas, como as massas líquidas. É uma técnica de massagem que visa o aumento da 
atividade linfocinética dos canais linfáticos normais e da motricidade do linfangion 
além do relaxamento e/ou amolecimento do tecido conjuntivo alterado. 
Para ser efetiva, a drenagem linfática manual deve ser aplicada por fisioterapeuta 
habilitado em linfoterapia, que conheça bem a anatomia, fisiologia e patologias 
linfáticas e que saiba aplicar com segurança todos os componentes da técnica. 
 
Efeitos 
 
Favorece a velocidade de transporte e processamento da linfa; 
Estimula a contração da musculatura lisa dos vasos linfáticos; 
Previne a formação de fibrose, através da remoção de proteínas do interstício; 
Exerce efeito vagotônico com ação sedante e analgésica sobre as estruturas 
tratadas, devido à ativação do sistema nervoso parassimpático; 
Produz relaxamento das fibras musculares esqueléticas; 
Aumenta a captação de oxigênio pelos tecidos, favorecendo a nutrição 
celular; 
Reduz o edema, através da remoção de líquido edematoso dos espaços 
teciduais para os vasos linfáticos; 
Aumenta a capacidade de reabsorção dos hematomas e equimoses; 
Melhora a distribuição hormonal e a resposta defensivo-imunitária; 
 
107 
 
Promove um retorno mais rápido da sensibilidade fina dos retalhos decolados; 
Promove relaxamento local e geral; 
 
Indicações 
 
Edemas e linfedemas; 
Fibro edema gelóide e lipoesclerose; 
Tratamento coadjuvante de cicatriz hipertrófica e queloideana; 
Acne e rosácea; 
Insuficiência venosa e linfática; 
Dermatites e eczemas; 
Contratura e tensão muscular; 
Distúrbios neurovegetativos e neuropsíquicos; 
Cefaléias e nevralgias; 
Estados pré e pós-operatórios e pós-traumáticos; 
Edema gestacional e síndrome pré-menstrual; 
Enfermidades crônicas das vias aéreas (rinites, sinusites, faringites). 
 
Contra-indicações 
 
 
Processos infecciosos agudos; 
Neoplasia; 
Trombose venosa profunda; 
Erisipela, flebites e tromboflebites agudas; 
Edemas oriundos de insuficiências renais ou hepáticas; 
História de hipotensão arterial; 
Hipertireoidismo não tratado; 
Asma brônquica de evolução grave e crises freqüentes. 
 
Componentes da drenagem linfática manual 
 
Ao executar a drenagem linfática manual é preponderante observar aspectos 
como o ritmo, a característica e a pressão das manobras, a harmonia dos movimentos e 
 
108 
 
o sentido orgânico do fluxo linfático. Se corretamente executada, a drenagem pode 
estimular a abertura dos linfáticos e aumentar o volume do fluxo da linfa em até 20 
vezes. 
A técnica deve ser realizada de maneira intermitente, suave e superficial. A 
elevação do segmento corpóreo facilita a drenagem venosa e linfática, não relacionada 
às mudanças de pressão efetiva naquele vaso, mas devido, ao efeito hidrostático. A não 
elevação do segmento corpóreo a ser tratado resulta na estase venosa e linfática, com 
drenagem reduzida. Como conseqüência, no sistema venoso haverá um aumento na 
pressão com aumento da pressão hidrostática. O ideal é associar as técnicas de 
drenagem linfática com a elevação do segmento. 
O ritmo de execução das manobras deve ser lento, em respeito ao mecanismo de 
transporte da linfa, cuja freqüência de contração é de 5 a 7 vezes por minuto. A pressão 
manual sobre o segmento a ser drenado deve ser suave e agradável, jamais 
ultrapassando o nível de 40mmHg. Pressões demasiadamente fortes podem obstruir e 
danificar os capilares linfáticos. 
A drenagem linfática manual é realizada com uma pressão muito leve, adaptada 
aos diferentes tecidos e patologias. Após um dano agudo, como uma cirurgia, a pressão 
usada é extremamente leve. Não são feitos deslizamentos na pele; a pele é empurrada e 
alongada, após isto, há uma fase de relaxamento onde não há pressão sendo aplicada, 
mas há um contato muito leve com a pele. A mudança permanente na pressão, de 
positiva para nula, cria um efeito de bombeamento e está em todos os movimentos. A 
direção de pressão depende da direção do fluxo linfático na pele. 
Parece interessante trabalhar sobre a zona imediatamente vizinha ao edema, e 
depois passar para o essencial do tempo sobre o próprio edema. Classicamente, a parte 
próxima e depois a parte distal são abordadas. Em seguida, são aplicados movimentos 
de vai-e-vem, com o deslocamento constante das mãos. A redução do linfedema 
somente irá continuar a acontecerapós o tratamento se a drenagem das áreas bloqueadas 
para as áreas adjacentes normais estiverem melhorando pelo aumento do tamanho e 
número de linfáticos que confluem de uma área drenada para outra (os linfáticos 
colaterais). 
Atualmente, a drenagem linfática manual está representada principalmente por 
duas técnicas: a de Leduc e a de Vodder. Ambas são baseadas nos trajetos dos coletores 
linfáticos e linfonodos, associando basicamente três categorias de manobras: manobras 
de captação, manobras de reabsorção e manobras de evacuação. A diferença entre elas 
 
109 
 
reside somente no local de aplicação. 
De modo geral, qualquer que seja a manobra, a massagem visa favorecer a 
reabsorção do edema e seu transporte, seja pelos sistemas venoso e linfático ou na sua 
ausência de meio intersticial em meio intersticial. 
A drenagem linfática manual representada pela técnica de Leduc é baseada no 
trajeto dos coletores linfáticos e linfonodos, associando basicamente duas manobras: 
manobras de captação (reabsorção) e manobras de evacuação (demanda). Na captação, 
os dedos imprimem sucessivamente uma pressão, sendo levado por um movimento 
circular do punho. Na evacuação, os dedos desenrolam- se a partir do indicador até o 
anular, tendo contato com a pele que é estirada no sentido proximal ao longo da 
manobra. Leduc preconiza a utilização de cinco movimentos. 
Drenagem dos linfonodos: realizada através do contato direto dos dedos 
indicador e médio do terapeuta com a pele do paciente, posicionados sobre os 
linfonodos e vasos linfáticos de maneira perpendicular. É executada com pressão 
moderada e de forma rítmica, baseada no processo de evacuação. A drenagem dos 
linfonodos visa à evacuação da linfa e deve ser realizada diretamente sobre as regiões 
ganglionares. Os dedos estabelecem contato com a pele, e em posição quase 
perpendicular exercem leve pressão no nível dos gânglios linfáticos. De acordo com a 
região anatômica esta manobra pode ser feita com os dedos indicadores e médios, com 
todos os dedos ou com os dedos de uma mão sobre a outra. 
Movimentos circulares com os dedos: realizados de maneira circular e 
concêntrica, utilizando desde o dedo indicador até o mínimo. A manobra de círculos 
fixos visa à captação de linfa, e é realizada no percurso das vias linfáticas ou em direção 
a essas vias. É realizada em movimentos circulares dos dedos, a pele é deslocada sob os 
dedos, ou seja, os dedos não deslizam sobre a pele. A pressão deve ser intermitente; 
Movimentos circulares com o polegar: realizada da mesma maneira que a 
anterior, só que com o polegar. 
Movimentos combinados: executada através da combinação dos dois 
movimentos descritos anteriormente. 
 
 Bracelete: mais utilizada quando o edema atinge grandes áreas. Pode ser feita 
uni ou bimanual de acordo com a necessidade. A manobra de pressão em bracelete visa 
o aumento do fluxo linfático, a ser recolhido em direção aos linfonodos regionais. É 
realizada por meio de pressões intermitentes. A fase de pressão deve durar em torno de 
 
110 
 
dois segundos, segue-se relaxamento com o mesmo tempo de duração e assim 
sucessivamente. Pode ser feita com uma ou ambas as mãos. 
 
Principais manobras da drenagem linfática manual segundo o método Vodder: 
 
 Círculos fixos: com a mão espalmada sobre a pele, os dedos realizam 
movimentos circulares, promovendo um estiramento do tecido, efetuando uma 
pressão/descompressão. São realizados de 5 a 7 vezes no mesmo local; 
 Movimentos de bombeamento: as mãos são acopladas no tecido a ser drenado, 
iniciando-se os movimentos ondulatórios, com pressões decrescentes da palma para os 
dedos, de forma intermitente (compressão/descompressão) num total de 5 a 7 
movimentos. A direção e o sentido da pressão da drenagem são determinados pela 
localização das vias; 
Movimento do “doador”: iniciado com as palmas das mãos posicionadas 
perpendicularmente às vias de drenagem, sendo a técnica baseada em manobras de 
arraste envolvendo uma combinação de movimentos. Primeiro toca-se com a borda 
medial da mão a área a ser drenada, seguido dos movimentos de pronação do antebraço 
e abdução do braço na seqüência, a outra mão com o polegar em extensão realiza um 
movimento de arraste com a borda lateral associando movimentos de supinação do 
antebraço com adução do braço. O movimento é repetido novamente na região 
imediatamente adjacente à região manipulada; 
Movimento giratório ou de rotação: empregado em superfícies planas. O braço 
é posicionado em leve abdução no plano da escápula, com o antebraço em máxima 
pronação. A mão que inicia o movimento toca a superfície do segmento com a face 
palmar e realiza um movimento e desvio ulnar na direção e sentido da drenagem 
proposta, simultaneamente aos movimentos de supinação e adução. A outra mão terá o 
mesmo posicionamento e realizará os mesmos movimentos descritos anteriormente, 
tendo-se o cuidado para que os movimentos sejam seqüenciais e rítmicos, alternando-se 
as mãos para a região imediatamente adjacente. O posicionamento das mãos depende da 
seqüência realizada, e podem ser posicionadas proximal ou distalmente, seguindo 
sempre o fluxo da linfa. 
 
Pressoterapia (compressão pneumática intermitente) 
 
 
111 
 
Realizada por um aparelho que insufla uma manga que envolve o membro 
edemaciado. Recomenda-se que seja utilizada a pressão de distal para proximal 
decrescente, sendo que as pressões exercidas não devem superar 40 mm Hg. Acima 
deste valor ocorre a compressão das vias venosas responsáveis pela drenagem do 
líquido excedente. As câmaras do aparelho podem ser únicas ou múltiplas, conectadas a 
um sistema compressor de ar, que realiza a compressão e descompressão em um 
intervalo de tempo. Quando todas as câmaras se enchem a unidade inflável é esvaziada, 
enchendo depois novamente; durante todo esse ciclo é gerada uma onda de pressão que 
atua como uma massagem, auxiliando na drenagem linfática. 
Seus principais efeitos são: redução do edema pelo aumento do fluxo linfático: 
que ocorre pelo aumento da pressão intersticial, favorecendo a entrada de líquidos e 
proteínas para dentro dos capilares linfáticos e pela compressão radial dos vasos 
linfáticos, favorecendo seu escoamento; aumento do fluxo venoso: como conseqüência 
do aumento da pressão intersticial, ocorre também aumento da pressão hidrostática, 
favorecendo a entrada de líquido nos capilares venosos. A compressão radial atua em 
toda extensão do membro, favorecendo seu escoamento sangüíneo e deslocamento 
proximal dos fluidos: caso haja alguma obstrução ou lesão de linfáticos, o líquido é 
levado para áreas onde haja linfáticos normais, que possam absorver o líquido que se 
encontra no espaço intersticial. 
O uso exclusivo da bomba pneumática deve ser evitado. Vários autores 
condenam o seu uso por diversas razões: o bombeamento não favorece a evacuação dos 
fluidos na região superior do membro afetado, e sim a congestiona; não é indicada no 
tratamento do linfedema na fase II e III, devido à presença de fibrose e cicatriz tecidual; 
traumatizam e danificam os vasos linfáticos superficiais, favorecendo a formação de 
fibroses linfáticas; pode levar a formação de linfedema nas regiões adjacentes; caso não 
haja uma compressão do membro entre as sessões, o edema retorna de forma mais 
acentuada; pode provocar fístulas na conexão proximal da bomba, favorecendo a 
entrada de bactérias, provocando processos inflamatórios e infecciosos. 
 
Cinesioterapia 
 
Utilização de movimentos como forma de tratamento, baseado no princípio que 
um órgão ou sistema se adapta aos estresses aos quais for submetido. Os exercícios 
terapêuticos envolvem aplicação e ajustes de estresses de forma apropriada para 
 
112 
 
produzir as adaptações desejadas sem provocar lesões. Os efeitos desta intervenção são 
cumulativos com a manutenção do processo. 
O objetivo da cinesioterapia é manterou melhorar a performance muscular, 
promovendo a melhora do estado funcional do indivíduo. As atividades físicas devem 
ser adequadas às capacidades de cada indivíduo. Os músculos dos doentes com afecções 
neoplásicas tornam-se atrofiados, tensos por dor e descondicionados por desuso ou 
desnutrição. Os músculos, funcionalmente sobrecarregados ou hipertônicos devido à 
dor, à sensibilização e às posturas antálgicas, passam a apresentar pontos-gatilho e 
pontos dolorosos. Os exercícios de alongamento procuram devolver ao músculo 
fadigado e encurtado o seu comprimento de repouso, condição fundamental para que 
adquira potência máxima. Após a fase inicial de dor intensa, os músculos devem ser 
fortalecidos para que possam exercer as atividades habituais. 
Exercícios ativos livres, passivos e ativos assistidos preservam ou aumentam a 
amplitude do movimento articular. O relaxamento de estruturas tensas ou contraturadas 
e o fortalecimento muscular podem ser proporcionados pelos exercícios isométricos, 
ativos livres e contra-resistidos. O programa de atividade física visa à restauração da 
função, força e trofismo muscular, o desenvolvimento da propriocepção, relaxamento 
muscular, e a restauração da flexibilidade articular e à prevenção da síndrome do 
desuso. 
 
Alongamentos 
 
Termo geral usado para descrever uma manobra terapêutica elaborada para 
aumentar o comprimento de estruturas de tecidos moles patologicamente encurtadas e 
desse modo aumentar a amplitude de movimento. Pode ser realizada passivamente ou 
de forma ativa. São realizados com o objetivo de manter a integridade articular e 
muscular, combatendo a fibrose, as contraturas e as aderências. 
 
 
Exercícios passivos 
 
 
Movimento dentro da ADM livre para um segmento, que é produzido 
inteiramente por uma força externa. Não há contração externa voluntária. Realizados 
 
113 
 
quando o paciente não é apto ou não se acha apto para mover ativamente um segmento 
do corpo, de modo a manter a integridade dos tecidos moles, evitarem a formação de 
contraturas, manterem a elasticidade muscular, melhorar a circulação periférica, auxiliar 
o processo de cicatrização, ajudar a manter a consciência do movimento do paciente. 
 
 
Exercícios ativos assistidos 
 
Tipo de exercício utilizado quando a assistência é feita por uma força externa, 
porque os músculos que iniciaram os movimentos precisam de assistência para 
completá-lo. Quando um paciente tem musculatura fraca usam-se esses exercícios para 
que o músculo alcance seu nível máximo e seja fortalecido progressivamente. 
 
 
Exercícios ativos livres 
 
Movimento ativo dentro da ADM que é produzido por uma contração ativa dos 
músculos que cruzam a articulação. Utilizado para as mesmas indicações dos exercícios 
passivos e assistido e ainda, manter a elasticidade e contratibilidade fisiológicas dos 
músculos e dar feedback sensorial muscular. 
 
Exercícios resistivos 
 
Forma de exercício ativo na qual uma contração muscular é resistida por uma 
força externa mecânica ou manual. Não deve ser aplicado em quadros inflamatórios 
agudos e em casos de dor articular ou muscular grave. 
 
Mobilização articular passiva 
 
Movimento passivo realizado pelo terapeuta com velocidade baixa o suficiente 
para que o paciente possa interromper o movimento. A técnica pode ser aplicada com 
um movimento oscilatório ou um alongamento mantido de modo a diminuir a dor ou 
aumentar a mobilidade. As técnicas são baseadas, preferencialmente em movimentos 
fisiológicos como: flexão, extensão, abdução, adução. 
 
114 
 
 
Exercícios metabólicos 
 
Realização de movimentos de flexão e extensão do tornozelo com o intuito de 
melhorar a circulação venosa e linfática, reduzindo o risco de desenvolver linfedema e 
melhorando o metabolismo local. 
 
Exercícios pendulares de Codman 
 
Técnica de automobilização que usa o efeito da gravidade para separar o úmero 
da cavidade glenóide. São movimentos oscilatórios com leve tração e que dão 
mobilidade precoce às estruturas articulares e líquido sinovial. 
O paciente deve posicionar-se em pé com o tronco fletido a 90º ou em decúbito 
ventral na mesa de tratamento com o ombro apoiado na beira da mesa. O braço fica 
pendurado solto para baixo a cerca de 90º de flexão. 
É iniciado um movimento de pêndulo do braço, podendo ser realizadas flexões, 
extensões, abduções e circundações. A técnica não deve causar dor. Pode- se adicionar 
um peso de meio quilo na mão para provocar uma força maior de tração. 
 
Eletroanalgesia 
 
A eletroanalgesia é a utilização de corrente elétrica, como recurso terapêutico no 
tratamento da dor. É bastante útil em quadros de dor cancerígena, pois promove 
analgesia através da melhora da circulação local e exerce por efeito contra-irritativo, 
ativação do sistema supressor de dor. 
 
A estimulação elétrica transcutânea (TENS) é o método que utiliza corrente 
elétrica de baixa voltagem aplicada à pele com finalidade analgésica e para se obter 
melhora da circulação tecidual. Pode ser utilizada em doentes que apresentam dor 
localizada causada por câncer e pelo traumatismo operatório, sendo pouco eficaz no 
tratamento das dores generalizadas. É contra-indicada em doentes com marca-passos 
cardíacos de demanda (mas não nos com freqüência fixa). 
O TENS convencional, com alta freqüência (cerca de 100 Hz) e comprimento de 
pulso entre 50 e 80 microssegundos ativam fibras aferentes A, sendo mais utilizado no 
 
115 
 
tratamento da dor aguda, enquanto que na dor crônica é recomendada a TENS com 
corrente com largura de pulso variando entre 100 e 200 microssegundos, e trens de 
pulso de baixa freqüência (entre 1 e 4 Hz). A baixa freqüência estimula liberação de 
endorfinas que prolongam a analgesia, enquanto que a alta freqüência proporciona 
maior conforto da aplicação. A variação de corrente retarda a acomodação das fibras 
nervosas e, como conseqüência, proporciona mais analgesia. As correntes de média 
freqüência podem ser de intensidades mais elevadas e como não produzem hiperemia ou 
cauterização são adequadas para o tratamento de afecções teciduais profundas. 
As microcorrentes também são adjuvantes extremamente eficazes em diversas 
patologias, com superior vantagem quando pensamos em terapia minimamente invasiva, 
pois ela é sensorialmente menos invasiva que as correntes terapêuticas mais usualmente 
utilizadas. A microcorrente é uma corrente polarizada que utiliza baixíssima 
amperagem, sendo mesmo subsensorial, que possui diversas respostas fisiológicas que 
gerarão adaptações benéficas aos tecidos lesados. A terapia com estimulação por 
microcorrente pode ser vista como uma catalisadora nos processos iniciais e de 
sustentação em numerosas reações químicas e elétricas que ocorrem no processo 
cicatricial, uma vez que acelera em até 500% a produção da adenosina trifosfato (ATP), 
sendo essa molécula a grande responsável pela síntese protéica e regeneração tecidual 
devido a sua participação em todos os processos energéticos da célula. O uso de 
microcorrente na área lesada ajuda na normalização da corrente elétrica biológica, 
aumentando a produção de ATP, resultando numa maior cicatrização e recuperação bem 
como minimizando a percepção de dor. 
 
Termoterapia 
 
A termoterapia pode ser realizada por adição ou por subtração (crioterapia). 
A termoterapia por adição é o emprego do calor superficial, por condução 
(parafina, compressa quente) e/ou convecção (infravermelho, forno de Bier) e profundo, 
por conversão (ondas curtas, microondas). Os efeitos fisiológicos da termoterapia por 
adição incluem analgesia, relaxamento muscular, vasodilatação, melhora da circulação 
local e do metabolismo, redução de edema, dessensibilização de cicatrizes operatórias, 
aumento da extensibilidade dos tecidos moles e redução 
da rigidez articular. Proporciona sensação de bem-estar e facilita a execução da 
cinesioterapia,pois reduz a resistência elástica e plástica dos componentes teciduais. 
 
116 
 
Em geral estes métodos não são recomendados em doentes com câncer, pois 
podem potencialmente disseminar células neoplásicas por favorecer os processos 
mitóticos, mas podem ser úteis no tratamento de seqüelas tardias. A termoterapia por 
adição é contra-indicada na fase aguda de processos inflamatórios, traumáticos ou 
hemorrágicos e quando há discrasias sangüíneas, isquemias ou estases venosas 
teciduais, radioterapia localizada, infecções regionais, implantes metálicos, aplicações 
sobre os olhos e útero gravídico, anormalidades cognitivas e hipoestesia regional que 
comprometem a percepção ou o relato da ocorrência de hipertermia e de queimaduras. 
Na termoterapia por subtração utiliza-se o frio para o tratamento de disfunções 
inflamatórias e traumáticas, principalmente agudas, e para diminuição do edema e 
indução do relaxamento muscular quando o calor superficial não é eficaz. A crioterapia 
leva à vasoconstrição por aumento da atividade neurovegetativa simpática e por ação 
direta do frio nos vasos sangüíneos, causando relaxamento muscular e analgesia em 
decorrência da redução da atividade dos fusos musculares, junção neuromuscular, 
velocidade de condução dos nervos periféricos e redução da atividade muscular reflexa. 
As contra-indicações são aplicação em áreas anestesiadas, em doentes com 
alteração do nível de consciência e da cognição, doença de Raynaud, crioglobulinemia, 
hemoglobinúria paroxística ao frio, insuficiência circulatória periférica e em casos de 
alergia ou intolerância ao frio. Nos processos artríticos ou de rigidez articular a contra-
indicação é relativa, pois em geral nestes casos o frio não é bem tolerado. 
Os banhos de contraste consistem na combinação de crioterapia e termoterapia 
por adição. Possuem intenso efeito vasomotor, sendo indicados quando objetiva-se 
efeito analgésico maior e resolução mais acentuada do edema. Não é, entretanto, 
recomendada em locais de radioterapia recente e em doentes com alergia ao frio. 
 
 
Recursos manuais 
 
A massoterapia, a massagem das zonas reflexas, a massagem transversa 
profunda, a do tecido conjuntivo e a dos pontos clássicos da acupuntura proporcionam 
relaxamento muscular, alívio da dor, da síndrome dolorosa miofascial, do edema e da 
estase linfática. É eficaz quando associada à cinesioterapia e à mobilização do segmento 
acometido. 
 
 
117 
 
Massagem clássica 
 
A massagem é útil em qualquer condição em que se deseje o alívio da dor, 
redução do edema ou mobilização de tecidos contraturados. Tem a indicação de evitar a 
fibrose articular, auxiliando a circulação local. Não deve ser realizada diretamente sobre 
áreas cancerosas, pelo risco de disseminação de metástases. 
 
Massagem do tecido conjuntivo 
 
Massagem profunda que visa promover liberação de fáscias contraturadas 
através de movimentos específicos e repetidos em forma de traços. Tem a finalidade de 
promover maior maleabilidade aos tecidos. Não deve ser aplicada de forma alguma 
diretamente sobre áreas cancerosas, devido ao seu grande componente sistêmico. 
 
Terapias posturais 
 
Estes exercícios têm por objetivo retornar rapidamente o esquema corporal da 
paciente, orientando-a que observe sua postura para uma melhor percepção global do 
corpo durante a terapia. Dentre essas técnicas, podemos citar o “iso- stretching”, o 
método pilates e a reeducação postural global (RPG), entre outras. A escolha de uma ou 
outra técnica vai depender de uma avaliação minuciosa do estado da paciente. 
 
Hidroterapia 
 
Os exercícios na água também são instrumentos que contribuem para melhorar a 
reabilitação dos doentes com dor. Na piscina terapêutica, os exercícios possibilitam 
reformulação da imagem e esquema corporal, melhoram o alinhamento postural, 
auxiliam na dessensibilização de áreas dolorosas via estimulação exteroceptiva, relaxam 
e melhoram a elasticidade e a força muscular e tendíneo- ligamentar. 
 
Acupuntura 
 
A acupuntura clássica, a eletroacupuntura e a acupuntura a laser podem ser 
utilizadas no tratamento da dor das afecções oncológicas. Atua estimulando estruturas 
 
118 
 
nervosas discriminativas dérmicas, subdérmicas e musculares que ativam o sistema 
supressor da dor na medula espinal e no encéfalo e promovem analgesia e relaxamento 
muscular. A acupuntura clássica emprega agulhas manipuladas por movimentos 
manuais de inserção e rotacionais; a eletroacupuntura consiste da estimulação elétrica 
dos pontos de acupuntura com agulhas metálicas; a acupuntura a laser apresenta 
mecanismo de ação incerta. A acupuntura clássica, de alta amplitude e baixa freqüência, 
tem propriedades aditivas, atua no sistema endorfinérgico e encefalinérgico e induz a 
liberação de ACTH pelo hipotálamo. 
Não há contra-indicações formais para a acupuntura, exceto a ocorrência de 
infecções cutâneas ou uso de eletroacupuntura em doentes com marca-passo cardíaco de 
demanda. As complicações são raras quando a acupuntura é aplicada por profissional 
preparado e são representadas por pneumotórax, infecções pela hepatite B e vírus 
HLTV2, quebra da agulha, lesões nervosas periféricas e perfuração de vasos 
sanguíneos. 
 
Prescrição de órteses 
 
As órteses e próteses são úteis na reabilitação dos doentes portadores de 
neoplasias com disfunção ou lesão de estruturas do aparelho locomotor e do sistema 
nervoso, pois previnem e minimizam as deformidades e as retrações músculo-tendíneas 
e articulares, melhoram a marcha, o alinhamento das estruturas músculo-esqueléticas, 
corrigem as posturas anormais e aceleram a cura das úlceras posturais. Em geral são 
confeccionadas sob medida com material termomoldável ou pré-fabricadas, como 
órteses de posicionamento para punho e mão e goteiras de polipropileno para membro 
inferior, com adaptações nos sapatos ou com faixas elásticas. Faixas elásticas, luvas e 
meias compressivas podem ser indicadas quando há edema linfático e de estase. Nos 
casos de amputação de segmentos corpóreos as próteses com finalidades funcionais e/ou 
estéticas são indicadas e fundamentais em casos de amputação do membro inferior, 
porque possibilitam independência para a marcha. 
 
Assistência fisioterapêutica em oncologia mamária 
 
O fisioterapeuta deve ter conhecimento aprofundado em oncologia mamária e 
das complicações pós-cirúrgicas da mastectomia, e preferencialmente ter realizado uma 
 
119 
 
prévia avaliação da paciente para elaborar um programa de reabilitação relacionando os 
estados pré e pós-operatórios. 
A execução de exercícios fisioterápicos que visam à integração psicofísica da 
mulher mastectomizada, é de primordial importância. Pode-se alcançar o objetivo 
mediante a combinação de exercícios específicos para a área afetada, utilizando-se 
procedimentos que facilitem o relaxamento muscular de forma dinâmica e global. Com 
a diminuição da tensão muscular, eleva-se o limiar de resistência à dor e, 
conseqüentemente, ocorre melhora no rendimento dos exercícios. 
A fisioterapia deve ser realizada precocemente, com a participação consciente da 
mulher, e não apenas de forma mecânica, para que ela tenha percepção de si mesma, 
como pessoa atuante e capaz de participar de seu processo de reabilitação. 
 
Pré-operatório 
 
O pré-operatório caracteriza-se pelo início da relação terapeuta-paciente, 
conscientização da necessidade de seguimento de toda a orientação quanto a alguns 
cuidados básicos e da participação do fisioterapeuta como elemento de apoio junto à 
equipe. O fisioterapeuta realiza uma avaliação físico-funcional e uma coleta de dados 
gerais da vida da paciente que poderão influir na sua recuperação física. É comum no 
pré-operatório a paciente verbalizar o medo da perda de sua capacidade de movimento e 
conseqüente improdutividade. A percepção desta capacidade nesta fase é essencial, 
considerando que o movimentoé vital à sobrevivência e é, portanto, a primeira forma de 
reabilitação da mulher operada. 
 
Pós-operatório imediato (POI) 
 
No P.O.I, o atendimento fisioterápico já pode ser realizado. Devemos iniciar 
pela reavaliação global da paciente. Verificando novamente os parâmetros aferidos 
antes da cirurgia. As orientações quanto ao correto posicionamento no leito são 
fundamentais. Deve-se iniciar também mobilização articular passiva leve do ombro, 
cotovelo, punho e mãos para evitar posturas viciosas, facilitar a circulação sanguínea do 
membro superior e prevenir bloqueios articulares. É importante que se respeite o limite 
da dor da paciente e que estejamos atentos ao componente psicológico embutido em 
uma cirurgia de mastectomia. 
 
120 
 
 
Figura – Posicionamento com membros superiores elevados 
 
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003. 
 
 
 
Primeiro dia pós-operatório até a alta hospitalar 
 
No dia seguinte à cirurgia, são iniciados os exercícios ativos. Numa primeira 
fase, devem ser realizados movimentos respiratórios profundos, alternados com 
relaxamento. Paralelamente, promove-se movimentação ativa livre ou assistida dos 
membros superiores. 
 
Tratamento ambulatorial 
 
Após a alta hospitalar, a paciente é encaminhada ao ambulatório de fisioterapia 
para acompanhamento individual e em grupo. Podem ser utilizados recursos como 
música para que os exercícios sejam desenvolvidos de forma prazerosa, propiciando 
relaxamento físico, mental e bem-estar. 
Os objetivos desta fase são vários incluindo melhora da ADM do membro do 
lado acometido (auxiliando o mais precocemente possível a aquisição do 
posicionamento para aplicação radioterápica), o favorecimento da circulação deste 
membro, bem como a melhora do sistema linfático, a conscientização quanto à postura 
adequada e esquema corporal, o estímulo a adequada cicatrização, a diminuição do 
quadro álgico, a prevenção ou minimização das complicações músculo-tendíneas, 
articulares e vasomotoras. 
 
Terapia física complexa (linfoterapia) 
 
121 
 
 
O tratamento do linfedema está baseado em técnicas já bem aceitas e descritas 
na literatura mundial. Este tratamento consiste de várias técnicas que atuam 
conjuntamente, dependendo da fase em que se encontra o linfedema, incluindo: 
cuidados com a pele, drenagem linfática manual (DLM), contenção na forma de 
enfaixamento ou por luvas/braçadeiras e cinesioterapia específica. O tratamento é 
dividido em duas fases, sendo que na primeira o objetivo é a redução do volume do 
membro, tendo a duração de 2 a 6 semanas, e a segunda é a fase de 
manutenção e controle do linfedema. 
 
Medidas de prevenção, higiene e cuidados com a pele 
 
Os cuidados com a pele devem ser realizados durante todo o tratamento. A pele 
deve ser avaliada com relação a sua hidratação, dermatite e processos inflamatórios e 
infecciosos e, quando necessário, o tratamento adequado deve ser empregado anterior 
ou concomitantemente à linfoterapia. Para prevenção e tratamento das infecções é 
fundamental realizar uma higiene rigorosa, com tratamento de micoses interdigitais 
usando-se antimicóticos tópicos e de lesões de pele com anti-sépticos, quando houver. 
Na prevenção das infecções usa-se a antibioticoterapia profilática. Nos surtos agudos de 
celulite, erisipela ou linfangite, o tratamento deve ser instituído inicialmente com 
antibióticos/quimioterápicos de amplo espectro, ajustando-os posteriormente de acordo 
com a cultura e antibiograma, se não houver melhora do quadro. 
 
Drenagem linfática manual (DLM) 
 
A drenagem linfática manual tem como objetivo favorecer as vias secundárias de 
drenagem linfática através de anastomoses linfo-linfáticas superficiais e também 
remover as áreas de fibrose dos tecidos acometidos. Está contra-indicada na presença de 
processos inflamatórios ou infecciosos agudos e em tromboses agudas. Nos casos de 
insuficiência cardíaca, obstrução da veia cava superior, inflamações crônicas, 
disfunções da tireóide, história de tromboses e câncer avançado, a DLM pode ser 
realizada com bastante cautela. Na primeira fase a DLM é realizada pelo fisioterapeuta, 
e após o término desta fase, a automassagem é ensinada a fim de estimular as 
anastomoses áxilo-axilares e áxilo-inguinais. 
 
122 
 
Nos casos de cirurgia unilateral, como a linfadenectomia axilar unilateral, a 
drenagem linfática pode obedecer à seqüência abaixo: 
Manobras ganglionares na região axilar oposta e na região inguinal homolateral; 
Manobras de ondas na linha interaxilar anterior, partindo do lado não afetado 
para o lado afetado, mas com pressão oposta; 
Manobras de ondas na região lateral do tronco (homolateral a cirurgia) seguindo 
da região inguinal para a axilar, com pressão oposta; 
Manobras combinadas; 
O mesmo que o terceiro passo, mas na região posterior com a paciente sentada; 
O mesmo que o quarto passo, com a paciente sentada; 
Manobras combinadas na região posterior com a paciente sentada; 
Manobras em ondas e combinadas em todo membro superior; 
Manobras de bracelete em todo o membro; 
Manobras em “S” na região afetada quando for indicado; 
Nos casos de cirurgia e de mama bilateral, com linfadenectomia axilar bilateral, 
a drenagem é diferente apenas no processo de evacuação, sendo que o de captação é 
exatamente igual ao da linfadenectomia axilar unilateral. A seqüência das manobras de 
evacuação é: 
Manobra de cinco pontos; 
Manobras ganglionares em região inguinal homolateral ao membro com 
linfedema; 
Manobras ganglionares na outra região inguinal; 
Manobras em ondas na região lateral do tronco do mesmo lado do membro 
afetado, partindo da região inguinal para axilar; 
Manobras em ondas na linha interinguinal, partindo da região inguinal 
contralateral para a homolateral, com pressão oposta; 
Manobras combinadas com direção áxilo-inguinal e inguino-inguinal; 
Repetir o quarto, quinto e sexto passo. 
 
Figura – Seqüência de manobras de DLM - Fonte: SANCHEZ, 2008 
 
 
123 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
124 
 
 
 
Enfaixamento compressivo 
 
O enfaixamento compressivo é de extrema importância durante a primeira fase 
do tratamento do linfedema, pois ao promover um suporte externo na pele, leva a um 
aumento da pressão intersticial com redução da ultrafiltração, melhora a eficácia do 
bombeamento muscular levando a um aumento do fluxo venoso e linfático, e não 
permite o refluxo causado pela insuficiência valvular. É contra- indicado na existência 
de infecções, arteriopatias, grandes alterações de sensibilidade e na hipertensão arterial 
grave. Ele não só mantém como incrementa a melhora da absorção de fluxos linfáticos 
conseguidas com a drenagem linfática prévia. Realizado na primeira fase da 
linfoterapia, sempre após a drenagem e mantido pela paciente até terapia seguinte, onde 
é refeito. Deve ser funcional de modo a permitir a realização de todos os movimentos 
diários e da cinesioterapia orientada. O enfaixamento provoca uma modificação na 
dinâmica capilar venosa, linfática e tissular. Os principais efeitos são: aumento da 
pressão intersticial com redução da ultrafiltração e conseqüente diminuição da pressão 
capilar sanguínea e aumento da pressão venosa e linfática; aumento da eficácia do 
bombeamento muscular e articular, o que aumenta o fluxo venoso e linfático; a pressão 
circular do enfaixamento ocasiona um estreitamento do lúmem das veias, evitando 
assim uma insuficiência valvular venosa; a diminuição do calibre acarreta uma 
aceleração do fluxo, servindo de profilaxia às tromboses; o volume sangüíneo nas 
extremidades enfaixadas é reduzido. 
 
Figura – Enfaixamento compressivo 
 
 
125 
 
Fonte: SANCHEZ, 2008 
 
Contenção elástica 
 
Na segunda fase de tratamento, o enfaixamento é substituído pelo uso de 
contenção elástica (braçadeiras/luvas), preferencialmente feita sob medida, devendo seu 
uso ser constante.como achatadas (epitélio 
pavimentoso), cúbicas (epitélio cúbico) ou cilíndricas (epitélio cilíndrico). O tecido 
pode ainda ser de transição, como na bexiga urinária, devido à mudança constante de 
formato mediada pela distensão muscular. 
 
Epitélio glandular 
 
Formado por um conjunto de células especializadas cuja função é a produção e 
liberação de secreção. As células secretoras são denominadas parênquima e o tecido 
conjuntivo no interior da glândula é denominado estroma. O estroma sustenta também 
vasos sangüíneos, linfáticos e nervos. Existem parâmetros para classificar os diferentes 
tipos glandulares, como o número de células e o local onde a secreção é lançada. 
Quanto ao número de células, as glândulas podem ser unicelulares (a secreção é 
realizada por células especializadas espalhadas entre outras células não-secretoras) ou 
multicelulares (a secreção é realizada por um conjunto de células). 
 
8 
 
Quanto ao local em que a secreção é lançada, as glândulas podem ser 
classificadas como endócrinas (glândulas sem ductos em que a secreção é lançada na 
corrente sangüínea e é distribuída para todo o corpo. A secreção endócrina é a secreção 
de hormônios, que atuam em locais distantes de onde foram produzidos); ou exócrinas 
(glândulas com ducto excretor que transportam a secreção glandular para a superfície do 
corpo ou para o interior de um órgão). 
 
Tecido conjuntivo 
 
Os tecidos conjuntivos caracterizam-se por apresentar tipos diversos de células, 
separadas por abundante material intercelular, que é sintetizado por elas e representado 
pelas fibras do conjuntivo e pela substância fundamental amorfa. Banhando este 
material e também as células, há uma pequena quantidade de fluido, o líquido 
intersticial. Este tipo de tecido é formado por células conjuntivas (blastos), que têm 
como função excretar colágeno e elastina. O conjuntivo forma o arcabouço que sustenta 
as partes moles, apoiando e ligando os outros tipos de tecido. 
Pode ser dividido em duas categorias principais: tecido conjuntivo propriamente 
dito e tecido conjuntivo de propriedades especiais. 
 
 
Tecido conjuntivo propriamente dito 
 
Não há predominância acentuada de nenhum dos elementos constituintes e suas 
fibras não apresentam um arranjo organizado. Pode ser frouxo (tecido de consistência 
delicada, flexível e pouco resistente às trações) ou denso (com predominância acentuada 
de fibras colágenas. Os conjuntivos densos podem ser irregulares, com feixes colágenos 
em trama tridimensional, conferindo ao tecido resistência às trações em qualquer 
direção ou regulares, com feixes colágenos seguindo uma organização fixa, em 
respostas a trações exercidas em um mesmo sentido, como por exemplo, nos tendões). 
 
Tecido conjuntivo de propriedades especiais 
 
Enquadram-se neste grupo os tecidos adiposo, elástico, reticular, mucoso, 
cartilaginoso e ósseo. 
 
9 
 
 
Substância fundamental amorfa 
 
Substância incolor, transparente e homogênea, formada principalmente por: 
glicosaminoglicanos, ácido hialurônico e glicoproteínas estruturais, caracterizada por 
preencher os espaços intercelulares e as fibras do tecido conjuntivo. Representa uma 
barreira à penetração de partículas estranhas no interior dos tecidos. É o elemento não 
fibroso da matriz, em que as células e outros elementos estão mergulhados. 
 
Fibras colágenas 
 
Tipo de fibra mais freqüente do tecido conjuntivo, sendo constituída por uma 
escleroproteína denominada colágeno. O colágeno é a proteína mais abundante do corpo 
humano, representando 30% das proteínas totais. Representa cerca de 70% do peso da 
pele seca e tem como função fornecer resistência e integridade estrutural a diversos 
órgãos e tecidos. 
Os tipos de colágenos mais freqüentes são: o tipo I, que é o mais abundante, 
encontrado nos tendões, ligamentos, derme, cápsula de órgãos, ossos e outros. É 
sintetizado pelos fibroblastos, odontoblastos e osteoblastos; o tipo II, encontrado nas 
cartilagens hialinas e sintetizado pelas células cartilaginosas; o tipo III, que forma as 
fibras reticulares e é produzido pelos fibroblastos e células reticulares; o tipo IV, 
presente nas lâminas basais e no tecido epitelial; o tipo V que se associa ao colágeno do 
tipo I para formar as fibrilas e é sintetizado pelos fibroblastos e o tipo VI, encontrado 
junto com o colágeno do tipo II e produzido pelos condroblastos. 
 
Fibras elásticas 
 
Fibras delgadas, sem estriações longitudinais, que se ramificam de forma 
irregular. São amareladas e tem como componente principal a elastina, uma 
escleroproteína muito mais resistente que o colágeno, e a microfibrila elástica, formada 
por uma glicoproteína especializada. Essas fibras cedem facilmente a trações mínimas, 
porém retornam rapidamente à sua forma original, tão logo cessem as forças 
deformantes. Suportam grandes trações. Por volta dos 30 anos, iniciam-se uma série de 
alterações degenerativas deste tipo de fibra, relacionadas ao envelhecimento intrínseco. 
 
10 
 
 
Fibras reticulares 
 
Fibras anastomosadas umas às outras que se dispõem formando uma estrutura 
semelhante a uma rede. Constituem o arcabouço interno das glândulas, através do qual 
as células epiteliais que formam o corpo das glândulas permanecem unidas. São fibras 
curtas, finas e inelásticas, compostas principalmente por um tipo de colágeno 
denominado reticulina. Os fibroblastos são responsáveis pela sua produção na maioria 
dos tecidos conjuntivos. 
 
Células próprias do tecido conjuntivo 
 
As células mais comuns do conjuntivo são os fibroblastos, responsáveis pela 
formação das fibras e do material celular amorfo. Eles sintetizam colágeno, 
mucopolissacarídeos e fibras elásticas. A forma ativa da célula é denominada 
fibroblasto e possui núcleo ovóide de cor clara. A forma inativa chama-se fibrócito e 
possui núcleo escuro e alongado. Mediante estímulos de cicatrização, o fibrócito 
reassume aspecto de fibroblasto. Nos adultos, os fibroblastos não se dividem com 
freqüência, entrando em mitose apenas quando há lesão do tecido conjuntivo. 
Além dos fibroblastos, dentro do tecido conjuntivo há os macrófagos, que 
desempenham papel importante na remoção de elementos intercelulares que se formam 
nos processos involutivos fisiológicos, como o retorno do útero ao tamanho original, 
após a gestação; as células mesenquimatosas indiferenciadas que possuem a capacidade 
de originar qualquer outra célula do tecido conjuntivo; os mastócitos; plasmócitos e 
leucócitos, que atuam nos processos inflamatórios e infecciosos; e finalmente os 
adipócitos que são células derivadas dos fibroblastos, que compõem o tecido adiposo e 
são especializadas no armazenamento de gorduras neutras. 
 
Sistema tegumentar 
 
É constituído pela pele e pela hipoderme, juntamente com os anexos cutâneos. O 
tegumento recobre toda a superfície do corpo, sendo constituído por uma porção 
epitelial, a epiderme e por uma porção conjuntiva, a derme. Abaixo e em continuidade 
com a derme está à hipoderme (tela subcutânea), que embora tenha a mesma morfologia 
 
11 
 
da derme, não faz parte da pele, que é formada por apenas duas camadas. A hipoderme 
serve de suporte da derme com os órgãos subjacentes, além de permitir a pele uma 
considerável amplitude de movimento. As principais funções do sistema tegumentar 
são: proteção, regulação da temperatura do organismo, excreção, sensibilidade tátil e 
produção de vitamina D. 
 
Estrutura do Sistema Tegumentar 
 
Fonte: VILELA, 2008 
 
Pele 
 
Arcabouço protetor do organismo humano, a pele é um grande órgão que 
representa aproximadamente 12% do peso seco total do corpo. Recobre o corpo 
protegendo-o da perda excessiva de água, do atrito e dos raios solares ultravioletas, 
graças a uma camada de queratina relativamente impermeável que recobre a epiderme. 
Também recebe estímulos do ambiente e colabora com mecanismos para regular aSeus principais objetivos são: manter as pressões intersticiais 
equilibradas, manter e otimizar os resultados obtidos na primeira fase da linfoterapia, 
evitar reincidivas do linfefema. São três as classes de compressão: classe I – de 18 a 24 
mmHg – suave compressão; classe II – de 25 a 35 mmHg – média compressão e classe 
III – de 36 a 46 mmHg – forte compressão 
 
Figura – Contenção elástica 
Fonte: SANCHEZ, 2008 
 
Cinesioterapia 
 
A cinesioterapia deve ser realizada com o membro enfaixado, na primeira fase, e 
com o uso de contenção elástica, na segunda fase de tratamento. Ela promove um 
aumento do fluxo linfático assim como favorece a reabsorção de proteínas. A 
 
126 
 
combinação de exercícios de flexibilidade, treinamento aeróbico e alongamentos 
associados aos outros recursos da linfoterapia, têm apresentado melhores resultados. Os 
portadores de patologias cardíacas e pulmonares apresentam contra-indicação relativa à 
prática de exercícios. 
Esses exercícios devem ser realizados preferencialmente de forma ativa, mas se 
a paciente não conseguir ou tiver medo, isso irá criar um primeiro contato manual, 
criando uma confiança no fisioterapeuta e permitindo uma participação mais eficaz. 
Iniciar os exercícios em articulações mais distais como punho e mão (flexão, 
extensão, abdução, adução) e cotovelo (pronação, supinação, flexão e extensão). O 
objetivo nessa fase é apenas iniciar a reabilitação sem dor. 
Numa fase em que a paciente tenha melhor confiança e quadro álgico diminuído, 
devemos realizar movimentos para cintura escapular: 
• Flexão de ombro a 90º com cotovelos estendidos; 
• Abdução de ombro a 90º com cotovelos estendidos; 
• Rotação interna e externa de ombro; 
• Elevação e relaxamento dos ombros; 
• Inclinação lateral de pescoço; 
• Rotação da cabeça; 
• Elevação alternada dos ombros; 
• Rotação interna do ombro com abdução de braço; 
• Abdução do braço a 90º com cotovelo em flexão 
 
Esses exercícios deverão ser aplicados de forma gradual, aumentando as 
repetições durante o dia, tanto na fase hospitalar como na sua casa. 
Os exercícios devem ser iniciados precocemente, sendo que até a terceira 
semana pós-operatória, limitados a 90º na flexão e abdução do membro superior afetado 
para evitar complicações cicatriciais. A inclusão em um programa fisioterápico deve ser 
recomendada o mais precoce possível. A automassagem linfática deverá ser ensinada, 
visando melhorar as vias secundárias de drenagem da linfa. 
As pacientes obesas devem ser incentivadas a restringir o peso corporal. 
As mulheres devem ter conhecimento sobre os sinais e sintomas iniciais dos 
processos infecciosos e do linfedema, para que comuniquem o médico e uma correta 
conduta terapêutica seja implantada. A equipe de saúde deve estar preparada para 
 
127 
 
diagnosticar e intervir precocemente. 
 
Figura – Exercícios ativos e de auto-alongamento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
128 
 
 
 Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003. 
 
 
Angiomas: tumor circunscrito formado por uma aglomeração de vasos 
sanguíneos (hemangioma) ou linfáticos (linfangioma). 
Atrofia muscular: perda do trofismo muscular decorrente da inatividade ou de 
denervações centrais ou periféricas. 
Capsulite: processo de aderência de pregas de uma cápsula articular, como 
seqüela inflamatória, promovendo restrição de movimentos articulares normais. 
Celulite: inflamação aguda das estruturas cutâneas, incluindo o tecido adiposo 
subjacente, geralmente produzida por um agente infeccioso e manifestada por dor, 
rubor, aumento da temperatura local, febre e mal estar geral. Nesse tipo de inflamação 
purulenta não há formação da membrana piogênica, ou seja, a coleção de pus não se 
encontra concentrada em uma cavidade, mas sim, difusa sobre o tecido. 
Cifose: vulgarmente chamada de corcundez é definida como um aumento 
anormal da concavidade anterior da coluna vertebral, sendo as causas mais importantes 
dessa deformidade, a má postura e o condicionamento físico insuficiente. 
Crioglobulinemia: crioglobulinas são imunoglobulinas circulantes ligadas a 
outras imunoglobulinas ou proteínas que se precipitam de forma reversível em baixas 
temperaturas. Os sintomas da crioglobulinemia do tipo I são decorrentes da oclusão 
vascular resultante da precipitação protéica. Crioglobulinemia mista (tipo II ou III) é 
uma doença por deposição de imunocomplexos. 
Deiscência cicatricial: separação completa ou parcial das bordas da ferida. 
Discrasias sangüíneas: qualquer alteração envolvendo os elementos celulares 
do sangue, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. 
Doença de Raynaud: condição que afeta o fluxo sanguíneo nas extremidades do 
corpo humano — mãos e pés, assim como os dedos destes, nariz, lóbulos das orelhas — 
quando submetidos a uma mudança de temperatura inferior ou estresse. 
Eczema: dermatite pápulo-vesicular que ocorre como reação a muitos agentes 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coluna_vertebral
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Deformidade&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Insuficiente&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sangue
 
129 
 
endógenos e exógenos, caracterizada na fase aguda por eritema, edema associado com 
um exsudato seroso entre as células da epiderme (espongiose) e um infiltrado 
inflamatório na derme, exsudação e vesiculação, e encrostamento e escamação; e sinais 
de escoriações e hiperpigmentação ou hipopigmentação ou ambas. 
Elefantíase (filariose): doença causada pelos parasitas nematóides Wuchereria 
bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori, comumente chamados filária, que se alojam 
nos vasos linfáticos, causando linfedema. Esta doença é também conhecida como 
elefantíase, devido ao aspecto de perna de elefante do paciente com esta doença. 
Erisipela (linfangite): infecção cutânea causada geralmente por bactérias de 
tipo streptococcus do grupo A e aureus. Cursa usualmente com eritema, edema e dor. 
Na maioria dos casos também com febre e leucocitose. 
Escoliose: desvio da coluna vertebral para a esquerda ou direita, resultando em 
um formato de "S". É um desvio da coluna no plano frontal acompanhado de uma 
rotação e de uma gibosidade (corresponde a uma latero-flexão vertebral). 
Fístulas linfáticas: comunicação anormal entre vasos linfáticos. 
Hemoglobinúria: perda de hemoglobina através da urina. 
Heparinoterapia: tratamento através da heparina, que é um fármaco 
(glicosaminoglicano sulfatado) do grupo dos anticoagulantes, usado no tratamento da 
trombose e outras doenças com coagulação sanguinea excessiva. 
Hiperestesia: aumento da sensibilidade em determinado local. 
Hipertrofia muscular: aumento do trofismo muscular. Hipoestesia: redução da 
sensibilidade em determinado local. Hipotrofia muscular: redução do trofismo 
muscular. 
Hipoventilação: redução das trocas gasosas pulmonares. 
Hipóxia: redução dos níveis de oxigênio celular. 
Isquemia: deficiência na irrigação de sangue em um órgão ou tecido devido à 
constrição ou obstrução de seus vasos sanguíneos. 
Linfangiectasia: dilatação patológica dos vasos linfáticos. 
Linfangite: processo infeccioso comprometendo um ou mais vasos linfáticos. 
Neuropatia: afecções que atingem os nervos do sistema nervoso central ou 
periférico. 
Papilomatoses: hiperplasia da derme papilar com alongamento e/ou 
alargamento das papilas dérmicas e alongamento das cristas epiteliais interpapilares 
para baixo. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nemat%C3%B3ide
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaso_linf%C3%A1tico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elefante
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pele
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bact%C3%A9rias
http://pt.wikipedia.org/wiki/Streptococcus
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coluna_vertebral
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquerda_e_direita
http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1rmaco
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Glicosaminoglicano&action=edit&redlink=1http://pt.wikipedia.org/wiki/Anticoagulante
http://pt.wikipedia.org/wiki/Trombose
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coagula%C3%A7%C3%A3o
 
130 
 
Parestesia: alteração na sensibilidade de determinado local. 
Plexo braquial: conjunto de nervos que partem da medula espinhal. Suas raízes, 
que saem dos forames intervertebrais, são cinco: C5, C6, C7, C8 e T1. 
Pneumotórax: acumulação de ar ou gás no espaço pleural, que pode ocorrer 
espontaneamente ou como resultado de trauma ou um processo patológico, ou ser 
introduzido deliberadamente. 
Queratose: alteração de pele, caracterizada por crescimento excessivo do 
epitélio cornificado. 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nervo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medula_espinhal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Forames_intervertebrais
 
131 
 
REFERÊNCIA 
 
ABDULLAH, T.; IDDON, J.; BARR, L.; BAILDAM, A.; BUNDRED, N. 
Prospective randomized controlled trial of preservation of the intercostobrachial nerve 
during axillary node clearance for breast cancer. British J Surgery. 85: 1443-5, 1998. 
ALCADIPANI, F.; ANTONANGELO, A. Linfáticos e câncer. In: 
VOGELFANG, D.Linfologia básica. São Paulo: Ícone, 1996. 
ANDRADE, J. I.; FILHO, I. J.; JÚNIOR, A. Z. Cirurgia geral: pré e pós-
operatório. São Paulo: Atheneu, 1995. 
ANDRADE, M. F. C. Diagnóstico e tratamento clínico do linfedema dos 
membros. 
Revista de Angiologia e Cirurgia Vascular. V. 10, n. 3, p. 117-120, 2001. 
ASSOCIAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO HOSPITAL UNIVERSITÁTIO DE 
BRASÍLIA. 
Confecções de próteses mamárias. Obtido via internet.
 Disponível em: (http://www.avhub.kit.net/protese_mamaria.htm). Acesso 
em: fev. 2008. 
AYERS, L. K. Câncer de mama: a resposta está em você. São Paulo: Paulus, 
1997. 
BAINES, C.J.; MILLER, B.A. Mammography versus clinical examination of the 
breast. J. Nat. Cancer. Inst. Monogr. n. 22, p.25-129, 1997. 
BARACAT, F.F. Cancerologia atual um enfoque multidisciplinar. Rio de 
Janeiro: ROCA, 2000. 
BARACHO, E. Fisioterapia aplicada à obstetrícia: aspectos de ginecologia e 
neonatologia. RJ: Medsi, 2002. 3ª ed. 
BARROS, A.; NAZÁRIO, A. Fatores de risco para o câncer de mama. In: 
Câncer da Mama: diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: Medsi, 1994. 
BARROS, A.C.S.D.; BARBOSA E.M.; GEBRIM, L.H. Diagnóstico e 
tratamento do câncer de mama. Projeto Diretrizes. Associação Médica Brasileira e 
Conselho Federal de Medicina. Agosto, 2001. 
 
 
BARROS, A.C.S.D.; CARVALHO, F.M.; SOUEN, J.S. Experiência com a 
avaliação intraoperatória das margens cirúrgicas no tratamento de carcinoma invasor 
http://www.avhub.kit.net/protese_mamaria.htm)
 
132 
 
inicial de mama: influência na conduta imediata. Rev. Ginecol. Obstet. n.11, p. 231-
236, 2000. 
BARROS, M.H. Fisioterapia: drenagem linfática manual. São Paulo: Robe, 
2001. 
BAUMGARTNET, R. N.; CHUMLEA, W. C.; ROCHE, A. F. Bioeletric 
impedance for body composition. Exercise and Sport Science Reviews. V. 18, p. 193-
224, 1990. 
BERGMANN, A. Prevalência de linfedema subseqüente a tratamento cirúrgico 
para câncer de mama no Rio de Janeiro. [mestrado]. Fundação Oswaldo Cruz. Escola 
Nacional de Saúde Pública, 2000. 142p. 
BIAZUS, J. Reconstrução da mama. Obtido via internet. Disponível em: 
(http://www.jorgebiazus.com.br/reconstrucao.htm). Acesso em: fev. 2008. 
BIAZÚS, JV. A mama. Obtido via internet. Disponível em 
(http://www.jorgebiazus.com.br/asmamas.htm). Acesso em jan. 2008. 
BILMORIA, M.M. The woman at increased risk for breast cancer: evaluation 
and management strategies. Cancer. n. 45, p. 263-278, 1995. 
BOYLE, F.; PILLAR, C.; REDMAN, S. e TURNER, J. Lymphoedema: 
prevalence, risk factores and managemente a review of research. v.15, n1. National 
Breast Cancer Centre. 1997. 
BOYLE, P. Overview of the main outcomes in breast-cancer prevention trials. 
Lancet. n. 361, p. 296-300, 2003. 
BRANDÃO, E. Tratamento do câncer de mama: tratamento sistêmico. In: 
CHAVES, I.; BRANDÃO, E.; LEITE, M.; SILVA, S. Mastologia: aspectos 
multidisciplinares. Belo Horizonte: Medsi, 1999. 
BRASIL. Instituto Nacional de Câncer. Atlas de mortalidade por câncer no 
Brasil 1979-1999/2002. Rio de Janeiro: INCA; 2002. 
BRASIL. Instituto Nacional de Câncer. Câncer no Brasil: dados dos registros de 
câncer de base populacional 2003. Rio de Janeiro: INCA; 2003. 
BRASIL. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa da incidência e 
mortalidade por câncer no Brasil 2003. Rio de Janeiro: INCA; 2003. 
BRENNAN, M.J.; MILLER, L.T. Overview of treatment options and review of 
the corrent role and use of compression garments, intermittent pumps, and exercise in 
the management of lymphedema. Cancer. v.83 n.12, p. 2821-7, 1998. 
BRENTANI, M. M; COELHO, F.R.G. Bases da oncologia: Lemar, 1998. 
http://www.jorgebiazus.com.br/reconstrucao.htm
http://www.jorgebiazus.com.br/asmamas.htm)
 
133 
 
BRITISH LYMPHOLOGY SOCIETY. Guidelines for the use of MLD and SLD 
in lymphoedema. Obtido via Internet. Disponível 
 em: (http://www.lymphoedema.org/bls/blsm0030.htm). Acesso em: fev. 2008. 
CAMARGO, M.; MARX, A. Reabilitação física no câncer de mama. São 
Paulo:Roca, 2000. 
CAMARGO, M.C.; MARX, A.G. Reabilitação física no câncer de mama. RJ: 
Roca, 2000. 
CÂNCER DE MAMA: EU SEI O QUE É ISSO. Reconstrução mamária. Obtido 
via internet. Disponível em: (http://www.cancerdemama.com.br/cui/cuirec0.htm). 
Acesso em fev. 2008. 
CASLEY-SMITH, J. How can lymphedema be treated? Obtido via Internet. 
Disponível em: (http://www.lymphoedema.org.au). Acesso em: fev. 2008. 
CASSAR, M.P. Manual de massagem terapêutica. São Paulo: Manole, 2001. 
CASTRO, A.A.; BURTHAN, E. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. 
Maceió: uncisal, 2003. 
CHAGAS, C. Câncer de mama: etiologia, fatores de risco e história natural. In: 
Franco, J. Mastologia: formação do especialista. Rio de Janeiro: Atheneu, 1997. 
CHAVES, I.; BRANDÃO, E.; LEITE, M.; SILVA, S. Mastologia: aspectos 
multidisciplinares. Belo Horizonte: Medsi, 1999. 
CK INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE APARELHOS ELETROMEDICINAIS. 
Técnicas de drenagem linfática na estética. Obtido via internet. Disponível em 
(http://www.ck.com.br/materias/2001_05_arquivos/0501.htm). Acesso em jan. 2008. 
CLUBE DA MAMA. Reconstrução mamária. Obtido via internet. Disponível 
em:http://www.clubedamama.org.br/materias.php?acao=ler&codigo=67&siteclube=1e..
. 85bd392022e6f8e57e0c7ac9f). Acesso em: fev. 2008. 
CORDEIRO, A. K.; BACARAT, F. F. Linfologia. São Paulo: Fundação Byk-
Procienx, 1990. 
CORNACK, D. H. Fundamentos de histologia. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 1996. 
CORNELL UNIVERSITY. Lymphatic system. Obtido via internet. Disponível 
em 
(http://instruct1.cit.cornell.edu/courses/biog105/pages/demos/105/unit7/lymphaticsys. 
html). Acesso em jan. 2008. 
CUZICK, J,; POWLES, T.; VERONESI, U.; FORBES, J.; EDWARDS, 
http://www.lymphoedema.org/bls/blsm0030.htm
http://www.cancerdemama.com.br/cui/cuirec0.htm
http://www.ck.com.br/materias/2001_05_arquivos/0501.htm)
http://www.clubedamama.org.br/materias.php?acao=ler&codigo=67&siteclube=1e...85bd392022e6f8e57e0c7ac9f
http://www.clubedamama.org.br/materias.php?acao=ler&codigo=67&siteclube=1e...85bd392022e6f8e57e0c7ac9f
http://www.clubedamama.org.br/materias.php?acao=ler&codigo=67&siteclube=1e...85bd392022e6f8e57e0c7ac9f
(http:/instruct1.cit.cornell.edu/courses/biog105/pages/demos/105/unit7/lymphaticsys.
 
134 
 
ASHLEY, S.; 
D’ANGELO, J.G. e FATTINI, C.A. Anatomia básica dos sistemas orgânicos. 
Rio de Janeiro: Atheneu, 1997. 
DAVIS, A.H. Lymph node. Obtido via internet. Disponível
 em http://gallery.hd.org/index.jsp. Acesso em jan. 2008. 
DEL GIGLIO, A. Câncer: introdução ao seu estudo e tratamento. São Paulo: 
Pioneira, 1999. 
DELGADO, G. L. Dor de origem oncológica: tratamento não-invasivo. São 
Paulo: Asta Médica, 1997. 
DIOGENES, L. B. Câncer de Mama. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. 
DUQUE, F.; DUQUE, A. Circulação linfática: princípios fisiológicos. In: 
GARRIDO, M, RIBEIRO, A. Linfangites e erisipelas.Rio de Janeiro: Revinter, 2000. 
2ed. 
EASY CLINIC. Linfedema. Obtido via internet. Disponível 
em:(http://www.easyclinic.org/trattamenti.asp?id=26). Acesso em: fev. 2008. 
EISENBERG, A.; KOIFMAN, S. Fatores prognósticos do câncer de mama. 
Revista Brasileira de Mastologia. 2000; 10 (2): 75-87. 
FERREIRA, M. L. S. M. Assistência à mulher com câncer de mama: análise dos 
periódicos nacionais. [Mestrado] Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, 
Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, 1993. 
 
FITZGIBBONS, P.L.; PAGE, D.L.; WEAVER, D. Prognostic factors in breast 
cancer. College of American Pathologists Consensus Statement 1999. Arch. Pathol. 
Lab. Med. n.124, p.966-978, 2000. 
FLETCHER, S.W.; ELMORE, J.G. Mamographic screening for breast cancer. 
N. Engl. J. Med. n.348, p.1672-1680, 2003. 
FOLDI, E. The treatment of lymphedema. Cancer. 1998; 83: 2833-4. 
FÖLDI, E., FÖLDI, M, WEISSLEDER, H. Conservative treatment of 
lynphoedema of the limbs. Angiol. J. Vasc. Dis. v.36, n.3, p.171 –180, 1990. 
FOLDI, E.; FOLDI, M.; WEISSLEDER, H. Conservative treatment of 
lymphoedema of the limbs. Angiol. J. Vasc. Dis. 36:171-80, 1985. 
FORONES, N.M.; JESUS-GARCIA, R.F.; TADOKORO, K.; FREIRE, C.A.R. 
Guia de Oncologia. Rio de Janeiro: Manole, 2005. 
GALLEGO, V.; ESPÓSITO, M. El masaje drenaje linfático manual, Madrid: 
http://gallery.hd.org/index.jsp
http://www.easyclinic.org/trattamenti.asp?id=26
 
135 
 
Mandala, 1993. 
GARDNER, E.; GRAY, D.J.; O’RAHILLY, R. Anatomia. RJ: Guanabara 
Koogan,1978. 
GARIBAY M.M.P.Fisiologia. Obtido via internet. 
Disponível em (http://201.116.18.153/laciencia/biologia/fisiologia/be3.htm). 
Acesso em jan. 2008. 
GARRIDO, M. Sistema linfático: embriologia e anatomia. In: GARRIDO, M, 
RIBEIRO, A. Linfangites e erisipelas. Rio de Janeiro: Revinter, 2000. 2ed. 
GARRIDO, M. Sistema linfático: embriologia e anatomia. In: GARRIDO, M, 
RIBEIRO, 
A. Linfangites e erisipelas. Rio de Janeiro: Revinter, 2000. 2ed. 
GARTNER, L.P.; HIATT, J.L. Tratado de histologia. RJ: Guanabara Koogan, 
1999. GERBER, L. A review of measures of lymphedema. Cancer. 83: 2803-4, 1998. 
GITIRANA, L.B. Laboratório de histologia animal e comparada. Instituto de 
Ciências Biomédicas - Departamento de Histologia e Embriologia. UFRJ. Obtido via 
internet. Disponível em (http://acd.ufrj.br/labhac) Acesso em jan. 2008. 
GODOY, J.M.P.; GODOY, F.G.G. Drenagem linfática manual: novo conceito. 
J. Vasc. Br. 3(1): 77-80, 2004. 
 
GOMES, R. Câncer da mama. In: Oncologia básica. Rio de Janeiro: Revinter, 
1997. GOSS, C.M. Gray anatomia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1977. 29ed. 
GUIMARÃES, L.J.M. Câncer de Mama. Obtido via internet. Disponível em: 
(http://www.ufv.br/dbg/BIO240/AC%20059.htm). Acesso em jan.2008. 
GUIRRO, E. C.; GUIRRO, R. R. Fisioterapia dermato-funcional: 
fundamentos,recursos e patologias. São Paulo: Editora Manole, 2004. 3ed. 
GUYTON, A.C. Fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988. 
6ed. 
HARRIS, S.R.; NIESEN-VERTOMMEN, S.L. Challenging the myth of 
exercise- induced lymphedema following breast cancer: a series of case reports. Journal 
of Surgical Oncology. 74 (2): 95-9, 2000. 
HOLLIS, M. Massagem na fisioterapia. São Paulo: Santos, 2001. 2ed. 
HOPPENFELD, S. Exame do ombro. In: Propedêutica ortopédica: coluna e 
extremidades. Rio de Janeiro. Atheneu, 1993. 
HSUEH, E.; HANSEN, N.; GIULIANO, A. Intraoperative lymphatic mapping 
http://201.116.18.153/laciencia/biologia/fisiologia/be3.htm)
http://201.116.18.153/laciencia/biologia/fisiologia/be3.htm)
http://acd.ufrj.br/labhac)
http://www.ufv.br/dbg/BIO240/AC%20059.htm)
 
136 
 
and sentinels lymph node dissection in breast cancer. C.A. Cancer. J. Clin. n.50, p. 279- 
291, 2000. 
HUMBLE, C. Lymphedema: incidence, pathophysiology, management, and 
nursing care. ONF. 22 (10): 1503-11, 1995. 
HUNTER, C.P.; REDMOND, C.K.; CHEN, V.W. Breast cancer: factors 
associated with stage at diagnosis in black and white women. J. Nat. Cancer. Inst. n.85, 
p.1129-1137, 1993. 
INSTITUTO NACIONAL DO CANCER (INCa/MS) - Pró-onco. Obtido via 
Internet. Disponível em (http://www.inca.org.br). Acesso em: fev. 2008. 
JOHNSON-THOMPSON, M.C.; GUTHRIE, J. Ongoing research to identify 
environmental risk factors in breast carcinoma. Cancer. n.88, p.1224-1229, 2000. 
JUNQUEIRA, L.C; CARNEIRO, J. Histologia básica. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 1999. 9ed. 
KARAPTSIAS, C. Técnicas de drenagem linfática.
 Revista brasileira de fisioterapia dermato-funcional, n.3, 2002. 
KASSEROLLER, R. G. The Vodder school: the Vodder method. Cancer. v. 83 
(12), p. 2840-2842, 1998. 
 
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 
São Paulo: Manole, 1998. 3ed. 
KOCH, H.A.; AZEVEDO, C.M.; BOECHAT, A.L. Radiologia da mama: 
qualidade em mamografia. Radiol. Bras. n. 29, p.257-269, 1996. 
KOCH, H.A.; PEIXOTO, J.E. Bases para um programa de detecção precoce do 
câncer de mama por meio da mamografia. Radiol. Bras. n.31, p.329-237, 1998. 
LEDUC, A.; LEDUC, O. Drenagem linfática: teoria e prática. São Paulo: 
Manole, 2000. 2ed. 
LERNER, R. Complete decongestive physiotherapy and the Lerner lymphedema 
services academy of lymphatic studies. Cancer; 83 (12): 2861 – 3, 1998. 
LYNCH, P.J. Breast normal anatomy cross-section with numbered legend 
arrows; 2007. Disponível em (http://www.patricklynch.net). Acesso em jan. 2008. 
MACEA, J.R.; FREGNANI, J.H.T.G. Anatomía de la pared torácica, axila y 
mama.Int. J. Morphol., v..24, n.4, p.691-704, 2006. 
MARCUCCI, F.C.I. O papel da fisioterapia nos cuidados paliativos a pacientes 
com câncer. Revista Brasileira de Cancerologia, 2005; v.51, n.1, p. 67-77. Obtido via 
 
137 
 
internet. Disponível em: (http://www.inca.gov.br/rbc/n_51/v01/pdf/revisao4.pdf). 
Acesso em: fev. 2008. 
MARX, A. G; CAMARGO, M. C. Reabilitação física no câncer de mama. São 
Paulo: Roca, 2000. 
MEDICAL LOOK. Câncer. Obtido via internet.
 Disponível em: (http://www.medicalook.com/diseases_images/cancer.gif). 
Acesso em jan.2008. 
MEEK, A.G. Breast radiotherapy and lymphedema. Cancer. 83 (12): 2788-97, 
1998 MELLO, N. A. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. 
MILLER, A.; BRUNA, J.; BENINSON, J. A universally clinical classification 
of lymphedema. Angiology. 50 ( 3): 189-92, 1999. 
MILLER, B.A.; FEUER, E.J.; HANKEY, B.F. Recent incidence trends for 
breast cancer in women andthe relevance of early detection: an update. C.A. Cancer. J. 
Clin. n.43, p.27-41, 1993. 
 
MINISTÉRIO DA SAÚDE - INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. 
Orientações fisioterápicas – Mastologia: Orientações aos pacientes. n. 422, 2003 
MINISTÉRIO DA SAÚDE - União Internacional Contra o Câncer (UICC): 
TNM Classificação dos tumores malignos. Centro de documentação do Ministério da 
Saúde, 1989. 4ed. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde - 
Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev). 
Falando sobre câncer de mama. Rio de Janeiro: MS/INCA, 2002. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. 
Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev). 
Controle do câncer de mama – Documento de consenso, 2004. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. 
Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev). 
Falando sobre câncer de mama – Rio de Janeiro: MS/INCA, 2002. 
MORAES, M. F. Clínica brasileira de cirurgia: Princípios da cirurgia 
oncológica. Atheneu: São Paulo, 1996. 
MSD. Distúrbios das mamas. Obtido via internet.
 Disponível em: 
(http://www.msdbrazil.com/msdbrazil/patients/manual_Merck/mm_sec22_238.html). 
http://www.inca.gov.br/rbc/n_51/v01/pdf/revisao4.pdf)
http://www.medicalook.com/diseases_images/cancer.gif
http://www.msdbrazil.com/msdbrazil/patients/manual_Merck/mm_sec22_238.html)
http://www.msdbrazil.com/msdbrazil/patients/manual_Merck/mm_sec22_238.html)
 
138 
 
Acesso em: fev.2008. 
MULHER E SAÚDE. Linfonodo sentinela. Obtido via internet. Disponível em: 
(http://www.mulheresaude.med.br/cancer_mama.asp#cirurgico). Acesso em: fev.2008. 
NATIONAL BREAST CANCER CENTRE (NBCC). Lymphedema: prevalence, 
risk factors and management. Obtido via Internet. Disponível em: 
(http://www.nbcc.org.au). Acesso em: fev. 2008. 
O’SULLIVAN, S. B.; SCHMITZ, T. J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. São 
Paulo: Manole, 1993. 2ª ed. 
OLIVEIRA, H. C.; SIMÕES, P. M.; LOPES, P. V. C. Ambulatório de oncologia 
ginecológica. Atheneu: Rio de Janeiro, 1986. 
 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Breast cancer. Obtido via 
Internet. Disponível em: (http://www.who.int/en/). Acesso em: fev. 2008. 
PAIN, S. J.; PURUSHOTHAM, A. D. Lymphoedema following surgery for 
breast cancer. Cambridge Breast Unit. v. 87, p. 1128-1141, 2001. 
PEREZ, M.C.J. Tratamento clínico do linfedema. In: PITTA, G.B.B.; CASTRO, 
A.A.; 
BURIHAN, E. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: 
UNCISAL,ECMAL e LAVA. Disponível 
em (http://www.lava.med.br/livro/pdf/carmen_linfedema.PDF). Acesso em: fev. 
2008. 
PGR - PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA. Saúde da Mulher: auto-
exame das mamas. Obtido via internet. Disponível 
 em: (http://www.pgr.mpf.gov.br/pgr/saude/sm/amama.htm) Acesso em jan.2008. 
PINOTTI, J.A.; BARROS, A.C.S.D.; TEIXEIRA, L.C. Carcinoma invasor 
inicial de mama: efeito do tratamento orientado pela avaliação intraoperatória das 
margens cirúrgicas sobre o prognóstico oncológico. Rev. Soc. Bras. Mastol. n.10, 
p.169-76, 2000. 
REISS, M; REISS, G. Manual lumph drainage – indications, uses and risks. Med 
Monatsschr Pharm. v. 25, p. 88-90, March, 2002. 
RIBEIRO, B. Drenagem linfática. Obtido via internet. Disponível em 
(http://www.esteticderm.com.br/artigos/drenagem.htm). Acesso em: fev. 2008. 
RODRIGUES, C.F.S. Anatomia aplicada do sistema linfático. In: PITTA, 
G.B.B.; 
http://www.mulheresaude.med.br/cancer_mama.asp#cirurgico
http://www.who.int/en/
http://www.lava.med.br/livro/pdf/carmen_linfedema.PDF)
http://www.pgr.mpf.gov.br/pgr/saude/sm/amama.htm)
http://www.esteticderm.com.br/artigos/drenagem.htm
 
139 
 
ROSS, J. Contents of human biology. The lymphatic system. Obtido via internet. 
Disponível em: (http://www.jdaross.mcmail.com/blgyhmpg.htm). Acesso em fev. 2008. 
SABBI, R. A. Câncer: Conheça o Inimigo. Revinter: Rio de Janeiro, 2000 
SAMPAIO, S.A.P.; CASTRO, R.M.; RIVITTI. Dermatologia básica. São Paulo: 
Artes Médicas, 1992. 3ed. 
SÁNCHEZ, M. P. M. Linfedema postmastectomía: manejo en rehabilitación. 
Obtido via internet. Disponível em: (http://www.boloncol.com/boletin-22/linfedema- 
postmastectomia-manejo-en-rehabilitacion.html). Acesso em: mar. 2008. 
SARLI, F. Il tumore della mammella. Obtido via internet. Disponível em: 
http://sarli.8m.com/k_prevenction/k_mammella.html. Acesso em: fev. 2008. 
SILVA, H.M.S.; AVELAR, T. C. Câncer de mama: orientações práticas para o 
paciente e a família. São Paulo: Revinter, 2000. 
SOBOTTA, J: Atlas de anatomia humana. RJ: Guanabara Koogan, 2006. 22ed. 
SUTTERHEALTH. Breast Câncer. Obtido via internet. Disponível em: 
(http://cancer.sutterhealth.org/). Acesso em jan.2008. 
TAVASSOLI, F.A.; DEVILLE, P. World Health Organization classification of 
tumors. Pathology andgenetics of tumors of the breast and female genital organs. Lyon: 
IARC. Press; 2003. 
TRANAS MED, 2008. Anatomy of the breast and axilla Obtido via internet. 
Disponível em (http://www.breastdiseases.com/anat.htm). Acesso em jan. 2008. 
VILELA, A.L.M. Sistema tegumentar. Obtido via internet. Disponível em 
(http://www.afh.bio.br/tegumentar/tegumentar.asp#derme). Acesso em jan. 2008. 
VOGELFANG, D. Linfologia Básica. São Paulo: Ícone, 1995. VOGELFANG, 
D. Linfologia básica. São Paulo: Ícone, 1995. 
WEISS, N.S. Breast cancer mortality in relation to clinical breast examination 
and breast self-examination. Breast J. n.9, p.86-89, 2003. 
WIKIPEDIA. Chirurgia della mammella. Obtido via internet. Disponível em: 
(http://it.wikipedia.org/wiki/Chirurgia_della_mammella). Acesso em: fev. 2008. 
WÜNSH FILHO, V.; MONCAU, J.E. Mortalidade por câncer no Brasil 1980-
1995. Padrões regionais e tendências temporais. Rev. Assoc. Med. Bras. n.48, p.250-
257, 2002. 
 
http://www.jdaross.mcmail.com/blgyhmpg.htm
http://www.boloncol.com/boletin-22/linfedema-postmastectomia-manejo-en-rehabilitacion.html
http://www.boloncol.com/boletin-22/linfedema-postmastectomia-manejo-en-rehabilitacion.html
http://sarli.8m.com/k_prevenction/k_mammella.html
http://cancer.sutterhealth.org/)
http://www.breastdiseases.com/anat.htm)
http://www.afh.bio.br/tegumentar/tegumentar.asp#derme
http://it.wikipedia.org/wiki/Chirurgia_della_mammella
 
 
 
 
 
OBRIGADO POR ESTUDAR CONOSCO! 
REALIZE A AVALIAÇÃO NO SITE PARA OBTER O SEU CERTIFICADO. 
 
 
WWW.VENES.COM.BR 
http://www.venes.com.br/temperatura corporal, por meio de vasos e glândulas, oferecendo uma grande superfície 
de dispersão calórica e evaporação. Compõe-se por duas camadas principais: a 
epiderme, que é a camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas 
e a derme que é a camada mais profunda composta por tecido conjuntivo denso e 
irregular. 
 
 
12 
 
Epiderme 
 
Superfície mais externa da pele, formada por um revestimento de células 
sobrepostas. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo, chegando a 1,5mm 
na região plantar. É formada por quatro camadas. 
A camada córnea é a mais superficial. Embora seja de pequena espessura, sua 
capacidade de retenção hídrica conserva a superfície da pele macia. Essa camada forma 
uma cobertura ao redor de toda a superfície do corpo e protege o organismo contra a 
invasão de vários tipos de agressores do meio externo. As células mais superficiais são 
continuamente eliminadas como resultado da abrasão, como, por exemplo, pelo atrito 
com a roupa e substituídas por células oriundas das camadas mais profundas da 
epiderme. 
Logo abaixo, está à camada granulosa, formada por células que já estão em 
franca degeneração. Caracteriza-se por conter grânulos de querato-hialina relacionados 
ao fenômeno de queratinização dos epitélios. 
Abaixo da camada granulosa, está à camada espinhosa, composta por células de 
aspecto espinhoso com importante função na manutenção da coesão das células da 
epiderme e, conseqüentemente na resistência ao atrito. 
A camada germinativa é a camada mais profunda e apresenta intensa atividade 
mitótica gerando novas células. É responsável pela constante renovação da epiderme, 
fornecendo células para substituir as que são perdidas na camada córnea. Nesse 
processo as células partem da camada germinativa e vão sendo deslocadas para a 
periferia até a camada córnea, num período de 21 a 28 dias. 
 
Derme 
 
É uma espessa camada de tecido conjuntivo sobre a qual se apóia a epiderme. 
Está conectada com a fáscia dos músculos subjacentes por uma camada de tecido 
conjuntivo frouxo, a hipoderme. Na derme há fibras elásticas, reticulares e muitas fibras 
colágenas. Apresenta vasos sanguíneos, linfáticos e inervações. 
Contém glândulas especializadas e órgãos dos sentidos. Sua superfície externa é 
muito irregular e varia de região para região. É composta por duas camadas: 
A mais externa é a camada papilar, constituída por tecido conjuntivo frouxo e 
assim denominada porque as papilas dérmicas constituem sua parte mais importante. A 
 
13 
 
função das papilas é aumentar a zona de contato da derme com a epiderme, trazendo 
maior resistência à pele. Estende-se pouco abaixo das bases da papila onde se une à 
camada reticular. Apresenta rico suprimento sanguíneo. A camada reticular é a mais 
espessa, constituída por tecido conjuntivo denso, e é assim denominada devido ao fato 
de que os feixes de fibras colágenas que a compõem entrelaçam-se como uma rede. 
 
Hipoderme (tela subcutânea) 
 
Tecido sobre o qual a pele repousa, formada por tecido conjuntivo que varia do 
tipo frouxo ao denso nas várias localizações e nos diferentes indivíduos. A hipoderme 
não faz parte da pele, porém a fixa às estruturas subjacentes. Pode ter uma camada 
variável de tecido adiposo dependendo da região do corpo. Além da função de 
reservatório energético, a hipoderme apresenta a função de isolamento térmico, 
modelagem da superfície corporal, absorção de choques e preenchimento para a fixação 
de órgãos. 
Compõe-se por duas camadas. A superficial é chamada de areolar e possui 
adipócitos globulares e volumosos. É ricamente irrigada. A mais profunda é chamada de 
lamelar e é onde ocorre aumento de espessura no ganho de peso. 
 
Anexos da pele 
 
Na pele existem várias estruturas anexas: os pêlos, as unhas e as glândulas. Os 
pêlos se originam de uma invaginação da epiderme, o folículo piloso. São visíveis 
externamente por sua haste e estão distribuídos por quase todo o corpo. Em 
certas regiões exercem papel de proteção, principalmente nas aberturas do corpo. 
As unhas são lâminas córneas formadas pela camada córnea. Em sua 
extremidade proximal uma estreita prega da epiderme se estende, formando o eponíquio 
(cutícula). Possuem coloração rosada e crescem cerca de 1 mm por semana. 
As glândulas sebáceas são encontradas anexas aos pêlos em todas as regiões do 
corpo, sendo mais numerosas, mas de menor volume, nas regiões onde os pêlos são 
abundantes. Sua secreção é uma mistura complexa de lipídios cuja função é a 
lubrificação da pele, além da ação bactericida. 
As glândulas sudoríparas distribuem-se em quase todo o corpo. Seu número 
varia em cada região e diminui com a idade. A estimulação dos nervos simpáticos faz 
 
14 
 
com que estas glândulas secretem um fluido de cloreto de sódio, uréia, sulfatos e 
fosfatos a depender de fatores como temperatura e umidade do meio e atividade 
muscular. 
 
Vascularização e inervação 
 
Há dois plexos arteriais que suprem à pele. Um se situa entre a derme e a 
hipoderme e outro entre as camadas: papilar e reticular. Há três plexos venosos. Dois na 
posição das artérias e um na região da derme. 
As sensações cutâneas como tato, dor, calor e frio são captadas por receptores 
especializados. Os receptores para dor são terminações nervosas livres situadas abaixo 
da epiderme. As sensações táteis são dadas pelos corpúsculos de Paccini e de Meissner, 
a sensação de frio pelos corpúsculos de Krause e a de calor pelos de Ruffini. 
 
 Sistema linfático 
 
O sistema linfático é uma via acessória da circulação sanguínea, pela qual 
líquidos, proteínas e pequenas células provenientes do interstício são devolvidas ao 
sistema venoso. É um sistema fechado, intimamente ligado a circulação sanguínea, 
importante na manutenção da homeostase corporal. Tem sua origem embrionária no 
mesoderma, desenvolvendo-se junto aos vasos sanguíneos. 
São três as funções básicas do sistema linfático: ativação da resposta 
inflamatória para o controle de infecções e defesa contra os agentes invasores; o retorno 
do excesso de líquido intersticial e de proteínas à corrente sanguínea e a absorção de 
lipídios. É seu papel transportar as células mortas ou imunocompetentes, as partículas 
inorgânicas, às proteínas, os lipídeos, as bactérias, os vírus e os produtos do 
catabolismo. 
O sistema linfático não possui um elemento de bombeamento como o sistema 
circulatório sangüíneo. A circulação linfática acontece por meio de contrações do 
sistema muscular ou de pulsações de artérias próximas aos vasos linfáticos. 
 
 
15 
 
Distribuição do Sistema Linfático 
 
Fonte: CORNELL UNIVERSITY, 2008. 
 
Linfa 
 
Líquido incolor e viscoso com composição quase igual a do plasma sanguíneo. 
Consistem principalmente de água, eletrólitos e proteínas que escapam do sangue 
 
16 
 
através dos capilares. O que difere a linfa do sangue é a ausência de células sanguíneas. 
Representa aproximadamente 15% do peso corporal e seu escoamento diário no nível do 
ducto torácico fica em torno de 2 a 5 litros, podendo alcançar 20 litros em caso de um 
aumento patológico de demanda. O fluxo da linfa é relativamente lento. Cerca de três 
litros de linfa penetram no sistema cardiovascular em 24 horas. Em média, o fluxo total 
de linfa é da ordem de 1,5 ml por minuto. 
 
Topografia do sistema linfático 
 
A rede linfática é formada pelos capilares linfáticos, que desembocam, nos pré-
coletores, que por sua vez, desembocam nos vasos coletores e por fim nos troncos 
linfáticos. 
 
Figura – Microestrutura do Sistema Linfático 
 
 
Fonte: CK, 2001 
 
Capilares linfáticos 
 
A rede linfática tem seu início nos capilares linfáticos. Os capilares são os 
menores vasos condutores e possuem células endoteliais que se sobrepõem em escamas, 
formando microválvulas que se tornam pérvias, permitindo sua abertura ou fechamento, 
conforme o afrouxamentoou a tração dos filamentos de proteção. Quando tracionados, 
os filamentos permitem a penetração de água, partículas, pequenas células e moléculas 
 
17 
 
de proteínas no interior do capilar, iniciando então a formação da linfa. O refluxo 
linfático não ocorre devido ao fechamento das microválvulas linfáticas. 
A rede capilar linfática é rica em anastomoses, sobretudo na pele, onde os 
capilares linfáticos estão dispostos de forma superficial e profunda, em relação à rede 
capilar sanguínea. O mesmo não ocorre nos vasos e ductos linfáticos. Nos capilares 
linfáticos, os espaços intercelulares são mais amplos, permitindo que as trocas líquidas 
entre o interstício e o capilar linfático ocorram facilmente não só de dentro para fora, 
como de fora para dentro do vaso. 
 
Pré-coletores linfáticos 
 
Os pré-coletores possuem estrutura semelhante ao capilar linfático. Seu 
endotélio é recoberto por tecido conjuntivo, que em certos pontos se prolonga 
juntamente com as células endoteliais, para o lúmen do vaso, formando as válvulas que 
direcionam o fluxo da linfa. Seguem um trajeto sinuoso e possuem fibras colágenas, 
elementos elásticos e musculares, que lhe proporcionam propriedades de alongamento e 
contratibilidade. 
 
Coletores linfáticos 
 
O coletor linfático quer superficial ou profundo, possui numerosas válvulas 
bivalvulares, sendo os espaços compreendidos entre cada válvula denominados 
linfangions. São os vasos mais calibrosos, possuindo estrutura semelhante a das grandes 
veias. Compõem-se por três camadas: a túnica íntima, mais interna, com fibras elásticas 
longitudinais que formam numerosas válvulas; a túnica média, que envolve a anterior e 
possui células da musculatura lisa, responsáveis pela contratilidade do vaso e pela 
propulsão da linfa e a túnica adventícia, mais externa e espessa formada por fibras 
colágenas longitudinais e por terminações nervosas. Os coletores podem ser pré-nodais 
(aferentes) ou pós-nodais (eferentes). 
 
Troncos linfáticos 
 
Os troncos linfáticos, ou coletores terminais são vasos de maior calibre que 
recebem o fluxo linfático, e compreendem os vasos linfáticos lombares, intestinais, 
 
18 
 
mediastinais, subclávios, jugulares e descendentes intercostais. A união dos troncos 
intestinais, lombares e intercostais forma o ducto torácico. Os troncos jugulares, 
subclávios e broncos mediastinal direito formam o ducto linfático direito. 
 
Ducto linfático direito 
 
O ducto linfático direito corre ao longo da borda medial do músculo escaleno 
anterior na base do pescoço e termina na junção da veia subclávia direita com a veia 
jugular interna direita. Seu orifício possui duas válvulas semilunares, que evitam a 
entrada de sangue venoso. Recolhe a linfa oriunda do membro superior e hemitórax 
direito, do pescoço e da cabeça. 
 
 Ducto torácico 
 
O ducto torácico é o maior tronco linfático e geralmente desemboca na junção da 
veia jugular interna com a veia subclávia, do lado esquerdo. Origina-se na cisterna do 
quilo, uma dilatação situada anteriormente a segunda vértebra lombar, onde 
desembocam os vasos que recolhem o quilo intestinal. Recebe a linfa oriunda dos 
membros inferiores, do hemitronco esquerdo, do pescoço e da cabeça, além do membro 
superior esquerdo. 
 
 
Ductos Linfáticos 
 
 
 
19 
 
 
Fonte: CK, 2001 
 
 
Linfangions 
 
O linfangion é a unidade funcional do sistema linfático, responsável pela 
propulsão da linfa. Sua estrutura corresponde a um segmento com uma camada 
muscular central e válvulas formadas por prolongamentos da túnica íntima em ambas as 
extremidades. A borda de um linfangion forma a válvula do seguinte. 
A propulsão da linfa se inicia quando o linfangion apresenta sua válvula inicial 
aberta e a final fechada, então começa a se encher de linfa e quando estiver totalmente 
cheio, a linfa pressiona suas paredes estimulando as fibras musculares da túnica média 
que abrem à válvula final e fecham à inicial. Esse processo acontece sucessivamente nos 
linfagions seguintes, num movimento peristáltico, com pulsações variando entre oito e 
vinte e duas vezes por minuto, resultando em fluxo circulante no organismo de 2 a 5 
litros de linfa em situações normais. 
Válvulas linfáticas 
 
Os vasos linfáticos possuem válvulas que asseguram o fluxo da linfa numa só 
direção, ou seja, para o coração. Assim como para as veias, as válvulas linfáticas se 
projetam na direção da corrente linfática e estão dispostas de tal maneira que permitem 
um escoamento livre em direção aos grandes vasos linfáticos e impedem o refluxo. 
As válvulas dos vasos linfáticos são formadas por finas camadas de tecido 
 
20 
 
fibroso, cobertas em ambas as faces por endotélio. Quanto à sua forma, as válvulas são 
semilunares; estão inseridas por sua borda convexa à parede do vaso, sendo a borda 
côncava livre e dirigida no sentido da corrente. 
Nos vasos linfáticos, as válvulas são mais numerosas próximo aos linfonodos e 
são encontradas mais freqüentemente nos vasos linfáticos do pescoço e do membro 
superior do que nos do membro inferior. A parede do vaso linfático logo acima do local 
de inserção de cada válvula é dilatada em uma bolsa ou seio, que dá a esses vasos, 
quando distendidos, o aspecto nodoso ou em rosário. 
 
Válvulas Linfáticas 
 
Fonte: CK, 2001 
 
Linfonodos 
 
Também conhecido por gânglios ou nodos linfáticos, são aglomerados de tecido 
retículo-endotelial revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo, que se dispõem ao 
longo dos vasos do sistema linfático. Apresentam variações na forma, 
tamanho e coloração,ocorrendo normalmente em grupos. 
Estão geralmente situados na face anterior das articulações, ao longo do trajeto 
dos vasos 
sanguíneos, como ocorre no pescoço e nas cavidades torácicas, abdominal e 
pélvica. Na axila e na região inguinal são abundantes, sendo inclusive palpáveis. 
São constituídos por dois tipos de células: as células reticulares, cuja 
atividade primordial é a fagocitose e a pinocitose e as células linfóides, 
essenciais no mecanismo das reações imunológicas. 
Desempenham em geral o papel de reguladores da corrente linfática. O número 
de linfonodos varia entre as regiões e os indivíduos, e seu volume também é variável, 
 
21 
 
ocorrendo um importante aumento com a idade, emdecorrência dos processos 
patológicos ou agressões que a área de drenagem tenha sofrido. 
 
Linfonodo 
 
Fonte: DAVIS, 2008 
Circulação linfática 
 
As circulações linfáticas e sanguíneas estão intimamente relacionadas. As 
moléculas pequenas vão, em sua maioria, diretamente para o sangue, sendo conduzidas 
pelos capilares sanguíneos, e as grandes partículas alcançam a circulação através do 
sistema linfático. Entretanto, mesmo macromoléculas passam para o sangue via 
capilares venosos, sendo que o maior volume do fluxo venoso faz com que, no total, o 
sistema venoso capte muito mais proteínas que o sistema linfático. Contudo, a pequena 
drenagem linfática é vital para o organismo ao baixar a concentração protéica média dos 
tecidos e propiciar a pressão tecidual negativa fisiológica que previne a formação do 
edema e recupera a proteína extravasada. 
 
Circulação Linfática 
 
22 
 
 
Fonte: CK, 2001 
 
Ao fluir pelos capilares, pré-coletores e coletores, o fluxo linfático proveniente 
de várias regiões do corpo, desemboca nos dois principais ductos coletores do corpo 
humano: o canal linfático direito e o ducto torácico. Os ductos coletores transportam a 
linfa em direção às cadeias ganglionares. 
O transporte da linfa pode ser explicado pela hipótese de Starling sobre o 
equilíbrio existente entre os fenômenos de filtração e reabsorção que ocorrem nas 
terminações capilares. A água, rica em elementos nutritivos, sais minerais e vitaminas, 
ao deixar a luz do capilar arterial, desembocam no interstício, onde as células retiram os 
elementos necessários ao seu metabolismoe eliminam os produtos de degradação 
celular. Em seguida, o líquido intersticial, através das pressões exercidas, retoma a rede 
de capilares venosos. 
Várias pressões são responsáveis pelas trocas através do capilar sanguíneo: a 
pressão hidrostática sanguínea impulsiona o fluido pela membrana capilar, em direção 
ao interstício. A pressão osmótica sanguínea tende a movimentar o fluido do interstício 
em direção ao capilar. A pressão de filtração surge da relação entre as pressões 
hidrostáticas e osmóticas. A pressão tissular é a pressão exercida sobre o fluido livre nos 
canais tissulares. 
 
A Mama 
 
23 
 
 
As mamas são órgãos pares, situados na parede anterior do tórax. São estruturas 
complexas, consideradas anexos cutâneos. Externamente, cada mama, na sua região 
central, apresenta uma aréola e uma papila. Na papila mamária exteriorizam-se 15 a 20 
orifícios ductais, que correspondem às vias de drenagem das unidades funcionantes, que 
são os lobos mamários. A função fisiológica principal das mamas é a produção do leite 
para a amamentação, porém desempenham papel relevante na sensualidade feminina, 
embelezam a silhueta do corpo feminino e desempenham também função erógena. 
 
Embriologia 
 
A formação das mamas, no desenvolvimento embrionário, se dá a partir do 
ectoderma ventral e do mesoderma subjacente. O ectoderma dá origem ao sistema 
ductal, e o mesoderma aos tecidos conjuntivo e adiposo. As glândulas mamárias 
 
desenvolvem-se ao longo das linhas lácteas, que se estendem deste a futura axila 
até a futura região inguinal. Após o nascimento, as mamas permanecem rudimentares no 
homem, enquanto na mulher modificam-se de acordo com a idade induzidas pelos 
hormônios sexuais femininos. As mulheres mais jovens apresentam mamas com maior 
quantidade de tecido glandular, densas e firmes. Ao se aproximar da menopausa, o 
tecido mamário vai se atrofiando e sendo substituído progressivamente por tecido 
gorduroso, até se constituir, quase exclusivamente, de gordura e resquícios de tecido 
glandular. 
 
Anatomia 
 
A mama está posicionada no interior da fáscia superficial da parede anterior do 
tórax sobre a segunda e a sexta costelas e ventralmente sobre os músculos da região 
peitoral. É um órgão par, com variações de peso e formato de mulher para mulher. A 
superfície cutânea da mama é fina, elástica e mais clara, podendo ser dividida em três 
regiões: periférica, areolar e papilar. 
A região periférica é dotada de glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas, pêlos 
e veias superficiais. A região areolar possui tamanho variável entre 3 a 6 cm, é 
centralizada, pouco rugosa, rósea ou acastanhada, devido à existência de células ricas 
 
24 
 
em pigmentos melânicos. Na aréola encontram-se glândulas sebáceas, sudoríparas e 
areolares acessórias; estas glândulas sebáceas produzem saliências na superfície, 
constituindo os tubérculos de Morgagni, já as glândulas areolares acessórias aumentam 
de volume durante a gestação e passam a ser conhecidas como tubérculos de 
Montgomery. A região papilar é uma projeção cilíndrica, erétil, localizada no centro da 
aréola, desprovida de glândulas sebáceas, de onde desembocam de quinze a vinte ductos 
lactíferos dos respectivos lobos da glândula mamária. A papila possui tamanho variável 
e é revestida por um epitélio escamoso estratificado queratinizado, recoberta por um 
tecido cutâneo espesso e rugoso, onde desembocam os ductos principais. 
 
 
A mama tem como limites à borda medial do esterno e o músculo grande dorsal 
lateralmente, a linha axilar anterior ou média e a clavícula superiormente, e 
inferiormente, o sulco submamário podendo, às vezes, atingir a parede abdominal 
superior. Na porção superior, a glândula se estende externamente até a axila, 
constituindo um prolongamento (prolongamento axilar de Spencer). 
 
 
Anatomia Mamária 
 
 
 
 
Fonte: MACEA e FREGNANI, 2006. 
 
25 
 
 
A superfície posterior da mama está localizada sobre a fáscia profunda do tórax, 
revestida pelos músculos: grande peitoral, serrátil maior, músculos oblíquos abdominais 
externos e a parte superior da bainha do reto abdominal. O termo seio corresponde ao 
espaço entre as mamas, que é mais pronunciado quanto maior for o volume mamário, e 
não a mama propriamente dita. 
A glândula mamária encontra-se envolvida por uma fáscia mamária, composta 
por uma cápsula superficial e outra profunda, sendo que dentre estas existem várias 
projeções de tecido fibroso orientadas perpendicularmente à pele, definidas como 
ligamentos suspensores da mama ou ligamentos de Cooper. 
 
Estrutura da glândula mamária 
 
O tecido mamário é um parênquima epitelial formado por dois sistemas: o 
lobular e o ductal, envolvidos por tecido conjuntivo fibroso e adiposo, vasos 
sanguíneos, linfáticos e nervos. O sistema lobular é formado pelos lobos mamários que 
são a unidade anatomo-funcional da mama, em número de 10 a 20, que são constituídos 
pelo agrupamento de inúmeros lóbulos (pequenas formações saculares reunidas em 
número de 10 a 100). Já o sistema ductal é constituído por um ducto principal e suas 
ramificações intra e extralobulares (ductos galactóforos). 
 
Estrutura da Glândula Mamária 
 
26 
 
 
 
Fonte: BIAZÚS, 2008 
 
O alvéolo mamário envolve o ducto galactóforo, e ao redor da luz do ducto 
encontram-se as células lactóforas que produzem o leite materno. No mesmo local 
também estão às células mioepiteliais que se contraem espremendo a célula galactófora. 
O leite produzido acumula-se nas ampolas lactóforas (dilatação dos 
ductos principais). 
 
Estrutura da Glândula Mamária 
 
 
1. Caixa torácica - 2. Músculos peitorais - 3. Lóbulos mamários - 4. 
Superfície do mamilo - 5. Aréola 6. Ductos lactíferos - 7. Tecido adiposo - 8. Pele 
Fonte: LYNCH, 2007 
 
Circulação arterial e venosa 
 
A mama é ricamente irrigada, principalmente pelas artérias originadas da artéria 
torácica interna via ramos perfurantes intercostais,que atravessam do segundo ao quarto 
espaço intercostal, vascularizando o músculo peitoral maior e a parte medial da 
 
27 
 
glândula. Também recebem vários ramos da artéria axilar,principalmente dos ramos 
torácico lateral e toracoacromial,e ramos cutâneos anteriores e laterais das artérias 
intercostais, do terceiro ao quinto espaço intercostal, irrigando a porção superior da 
mama. As artérias intercostais, ramos da aorta e da subclávia também atravessam o 
grande peitoral e irrigam a face profunda da mama. A artéria torácica externa, com 
origem na região da axila, irriga a metade externa da mama. 
O retorno venoso é representado por três grupos de veias: ramos perfurantes que 
alcançam a veia mamária interna, ramos que chegam diretamente à veia axilar e ramos 
que alcançam as veias intercostais. Em geral, o retorno venoso acompanha a arquitetura 
do sistema arterial. 
 
Inervação 
 
A mama é inervada pelos ramos da porção anterior dos 2º ao 6º nervos 
intercostais, ramos do plexo cervical e do nervo intercostobraquial. A inervação deriva 
primariamente do quarto, quinto e sexto nervos intercostais na região superior da mama. 
Parte da pele na metade superior da mama é inervada pelo terceiro e quarto ramos do 
plexo cervical, especificamente dos ramos anterior e medial do nervo supraclavicular. 
A extremidade da papila contém inúmeras terminações nervosas sensoriais livres 
e corpúsculos de Meissner. A aréola contém um pequeno número destas estruturas. 
Também são encontrados plexos neuronais ao redor dos folículos pilosos da pele que 
rodeia a aréola e corpúsculos de Pacini. Esta rica inervação sensorial, principalmente da 
aréola e da papila, possui grande importância funcional, já que o ato de sucção 
desencadeia uma série de mecanismos neuro-humorais e nervosos que levam a liberação 
de leite, sendo essencial para a lactação. 
 
Drenagem linfática do membro superior 
 
Os linfáticos do membro superiordividem-se em superficiais, localizados na 
derme, no tecido celular subcutâneo e profundo, localizado abaixo dos superficiais. 
Os coletores linfáticos profundos, menos numerosos, acompanham os feixes 
vásculo-nervosos em toda a extensão do membro superior, em direção à região axilar, 
sendo que na altura do cotovelo, podem existir um ou dois linfonodos supratrocleares, 
que recebem linfáticos aferentes vindos da região anterior do antebraço e cotovelo. A 
 
28 
 
drenagem preferencial se dá para a axila, para onde convergem os linfáticos superficiais. 
Os vasos linfáticos profundos possuem dois coletores radiais profundos, na palma da 
mão, acompanhando a artéria radial e se anastomosam na altura da prega do cotovelo. 
Existem dois coletores ulnares profundos que sobem ao longo dos vasos ulnares até a 
prega do cotovelo. A partir desses coletores, há dois ou três coletores umerais. 
Os coletores linfáticos superficiais espalham-se por todo o tecido supra- 
aponeurótico, acompanhando a veia superficial radial, mediana e ulnar, em direção ao 
oco-axilar. Estão distribuídos por toda a superfície do membro, sendo mais densos nos 
dedos e na face palmar da mão. 
Os coletores interósseos anteriores e posteriores percorrem o antebraço e, em 
seguida, o braço, coletando a linfa trazida pelos capilares. A drenagem é feita 
principalmente pela face ântero-interna do antebraço e braço, passando pelos gânglios 
supratrocleares, atingindo finalmente a região axilar. 
Na região axilar, os linfonodos dispõem-se em grupos, podendo ser divididos 
sob o ponto de vista topográfico, em três níveis: no primeiro nível, os linfonodos estão 
localizados a partir da margem medial do músculo subescapular, tendo como limite à 
margem lateral do músculo peitoral menor. No segundo nível estão localizados na 
região abaixo do músculo peitoral menor. No terceiro nível estão localizados a partir da 
margem medial do músculo peitoral menor, tendo como limite o músculo subclávio, 
considerando o ápice da axila em termos de dissecção cirúrgica. 
 
Drenagem linfática da mama 
 
A rede linfática da mama é bastante rica, tanto superficialmente, como no 
parênquima glandular. Os linfáticos superficiais formam parte de um plexo que drena a 
linfa de toda a área superior da região ântero-lateral da parede torácica. 
Os linfáticos do parênquima glandular originam-se numa rede perilobular 
seguindo os canais galactóforos em direção às vias axilar, mamária interna e 
infraclavicular transpeitoral, indo esta última em direção à cadeia supraclavicular. 
 
Drenagem Linfática da Mama 
 
29 
 
 
Fonte: TRANAS MED, 2008 
 
Os linfáticos da mama chegam à axila através de dois troncos coletores oriundos 
do plexo subareolar: o lateral, que recebe colaterais da metade superior da mama e 
segue acompanhando a borda do músculo peitoral menor; e o medial,formado por 
vasos procedentes da parte mediana e inferior do plexo subareolar, descendo através de 
uma curvatura na concavidade superior, contornando a aréola. Esses dois coletores vão 
em direção aos linfonodos axilares da mama, onde terminam no grupo axilar ou central. 
Embora as vias laterais e mediais sejam responsáveis pela maior parte da 
drenagem lin ática da mama, há duas outras vias que vão diretamente aos linfonodos do 
ápice da axila que são: via transpeitoral, que recebe linfáticos do plexo 
retromamário; e a via retropeitoral, nem sempre existente, compreendendo 
dois a 
três coletores de drenagem do quadrante súpero-medial da mama. 
 
Musculatura torácica 
 
A mama apresenta uma íntima relação com a parede torácica. Os músculos e os 
elementos ósseos das cinturas escapulares e membros superiores recobrem 
grande parte da parede torácica anterior lat ral e posterior. Qualquer abordagem 
mama irá repercutir funcionalmente sobre homolateral. 
 
Musculatura Torácica 
 
30 
 
 
Fonte: TRANAS MED, 2008 
 
A parede torácica é composta por 12 vértebras torácicas, 12 costelas com suas 
cartilagens costais e o esterno. Os espaços entre as costelas são preenchidos pelos 
músculos intercostais externos e internos. Tem-se ainda a clavícula, local de inserção
 dos músculos subclávio e peitoral maior. A escápula situa-se 
posteriormente, e é um ponto importante de fixação dos músculos subescapular na face 
anterior; na borda medial insere-se o músculo serrátilmaior; na apófise coracobraquial, 
insere-se a porção curta do bíceps e o peitoral menor. 
 
 Fossa Axilar 
 
A cavidade axilar une a região cervical, região torácica e membro superior, 
tendo uma função importante sobre os movimentos da articulação do ombro. Outra 
função da cavidade axilar é a proteção do feixe vasculo-nervoso axilar que é limitado 
anteriormente pela paredemusculoaponeurótica anterior,pelo gradil costal 
internamente e externamente pelo músculo subescapular, grande dorsal e redondo 
maior. 
Na base da cavidade axilar localiza-se o ligamento suspensório da axila, os 
coletores e nodos linfáticos e a lâmina celulo-adiposa. Esta lâmina é a unidade funcional 
da articulação do ombro, pois permite o deslizamento interescapulotorácico. Consiste 
 
31 
 
em uma simples bolsa gordurosa que faz com que todas as estruturas da axila deslizem 
entre si permitindo os movimentos do ombro. 
 
Avascular: relativo ao que não possui tecido de vascularização. 
 
Cartilagem hialina: tipo de tecido cartilaginoso cuja substância fundamental, 
de aparência amorfa, é muito resistente e elástica. A cartilagem hialina é a mais 
abundante dos tecidos cartilaginosos. Constitui o anel da traquéia e dos brônquios, 
assim como as partes cartilaginosas do nariz e das costelas, e recobre as superfícies 
ósseas articulares (joelho, cotovelo, punho, etc.). 
 
Cloreto de sódio: sal de sódio, que desempenha um papel biológico importante 
na manutenção da pressão osmótica do sangue e tecidos e na manutenção de balanços 
eletrolíticos. 
 
Condroblastos: célula cartilaginosa jovem, de origem conjuntiva, mergulhada 
na substância fundamental da cartilagem em vias de formação, da qual deriva o 
condrócito. 
 
Corpúsculos de Meissner: receptores táteis, alongados ou ovóides, encontrados 
dentro das papilas dérmicas. São numerosos nos dedos das mãos e dos pés. Apresentam 
uma bainha fina de tecido conjuntivo e, no seu interior, células achatadas que 
subdividem o corpúsculo em pequenos compartimentos transversais. 
 
Corpúsculos de Krause: equivalentes aos corpúsculos de Meissner na pele, 
presentes também nos lábios, língua e órgãos genitais. Apresenta-se como uma 
dilatação com terminações nervosas ramificadas, envolta por uma cápsula conjuntiva. 
 
Corpúsculos de Paccini: mecanorreceptores de pressão que se apresentam sob a 
forma de uma terminação nervosa, envolvida por camadas concêntricas de tecido 
conjuntivo rico em fibrilas, cujas células são contínuas com o endoneuro. Presente nas 
camadas: subcutânea da pele, nos ligamentos, periósteo, peritônio, mesentério, pâncreas 
e outras vísceras. 
 
 
32 
 
Corpúsculos de Ruffini: presentes na pele e nas articulações. Os terminais são 
associados com fibrilas colágenas na cápsula, confundindo-se com o colágeno dérmico. 
Uma fibra mielinizada entra na cápsula e divide-se em pequenos ramos não 
mielinizados. Semelhantes aos bulbos terminais de Krause, porém são mais achatados. 
 
Difusão: fenômeno de transporte de matéria em que um soluto é transportado 
devido aos movimentos das moléculas de um fluido. Estes movimentos fazem com que, 
do ponto de vista macroscópico, seja transportado soluto das zonas de concentração 
mais elevada para as zonas de concentração mais baixa. 
 
Ectoderme: camada exterior de um embrião em desenvolvimento. Forma-se 
durante a gastrulação, no estágio em que o sistema digestivo primitivo está se formando. 
 
Eletrólitos: condutor iônico, líquido, sólido ou pastoso, que ao ser dissolvido na 
água, forma uma solução que pode conduzir eletricidade.Eritrócitos: glóbulo vermelho, formado na medula óssea, que consiste em célula 
sem núcleo, de cor avermelhada, composta de proteína denominada hemoglobina, 
responsável pelo transporte do oxigênio que irá nutrir as células do organismo. 
 
Escleroproteínas: nome genérico das proteínas de consistência dura, insolúveis 
na água, com alto peso molecular. Suas funções principais são estrutura e suporte. 
 
Fagocitose: englobamento de partículas sólidas pela célula, através da 
membrana celular - a partícula é envolvida num vacúolo digestivo, a partir do qual a 
matéria digerida passa depois para o citoplasma. 
 
Fibrilas: pequenas fibras rearranjadas. 
 
Fosfatos: sais inorgânicos do ácido fosfórico. 
 
Glicosaminoglicanas: são glicídios de alto peso molecular formados pela 
polarização de uma unidade constituída por ácido urônico e hesoxamina. Doenças 
relacionadas são chamadas de mucopolissacaridoses. São poliânions (muitos grupos 
 
33 
 
negativos) podendo ligar-se a muitos cátions (sódio, geralmente). São muito hidrófilas. 
 
Glicoproteínas estruturais: são proteínas associadas a glicídios. Fibronectina é 
uma proteína de aderência para colágeno e glicosaminoglicanas. A laminina é outra 
responsável pela aderência das células epiteliais às lâminas basais. 
 
Homeostase: processo sangüíneo fisiológico mantido em estado de equilíbrio 
dinâmico constante pelo organismo. 
 
Lipídios: substância orgânica que é composta de ácidos graxos, insolúvel em 
água, formando uma reserva calórica para o organismo ou fornecendo elementos para 
produção de compostos complexos como hormônios. 
 
Mesoderma: tecido que forma folheto embrionário que se localiza entre a 
ectoderme e endoderme. 
 
Mucopolissacarídeos: são polímeros de condensação que geralmente contêm 
centenas de moléculas de monossacarídeos interligadas por pontes oxídicas. 
 
Odontoblastos: célula responsável pela síntese ou produção da dentina, a 
camada situada na parte de baixo do esmalte, sua principal função é a dentinogênese. 
 
Osteoblastos: células de revestimento responsáveis pelos constituintes da 
matriz, como o colágeno e a camada básica de proteoglicanos e glicoproteínas e se 
originam do tecido mesenquimal. O principal produto dos osteoblastos é o colágeno tipo 
1. 
 
Peristaltismo: contrações segmentares da musculatura lisa, que configura a 
atividade motora de vísceras, como intestino e ureteres. 
 
Pinocitose: processo de endocitose em que a célula engloba uma substância em 
estado líquido por transporte ativo através da membrana celular. É um sistema de 
alimentação celular complementar à fagocitose. 
 
 
34 
 
Plasma sanguíneo: hemocomponente rico em fatores de coagulação. 
 
Proteínas: grande molécula composta de uma ou mais cadeias de aminoácidos 
dispostas em uma ordem específica, determinada pela seqüência base dos nucleotídeos 
no código de DNA da proteína. As proteínas são necessárias para a estrutura, função e 
regulação das células, dos tecidos e dos órgãos do corpo. Cada proteína tem uma função 
única. São componentes essenciais para os músculos, pele, ossos e para o corpo como 
um todo. A proteína é um dos três tipos de nutrientes usados como fontes de energia 
pelo corpo. 
 
Sulfatos: sais inorgânicos do ácido sulfúrico 
 
Uréia: um composto gerado no fígado a partir da amônia produzida pela 
desaminação dos aminoácidos. É o principal produto final do catabolismo das proteínas 
e constitui aproximadamente metade do total de sólidos urinários. 
 
Considerações sobre o processo de carcinogênese 
 
Os seres vivos são formados por unidades microscópicas chamadas células, 
constituídas basicamente por três partes: membrana celular, a parte mais externa; o 
citoplasma, que é o corpo da célula; e o núcleo, sua parte mais interna, onde estão os 
cromossomas. Os cromossomas são compostos de unidades menores chamadas genes, 
por sua vez formados pelo ácido desoxirribonucléico, o DNA. Através do DNA, os 
cromossomas transmitem informações relativas à organização, forma, atividade e 
reprodução celular. 
As células do corpo humano se reproduzem através de um processo chamado 
divisão celular. Em condições normais, esse processo é ordenado e controlado e é 
responsável pela formação, crescimento e regeneração dos tecidos saudáveis do corpo. 
Frente a situações como agressões ambientais, exposição a certos agentes biológicos ou 
mesmo por predisposição genética, o comportamento das células pode alterar-se. As 
células perdem a capacidade de limitar e controlar o seu próprio crescimento e passam a 
se multiplicar rapidamente e sem nenhum controle. O resultado desse crescimento 
celular desordenado é a produção do que se conhece como tumor. 
Podemos dividir os tumores em: benignos quando as células tumorais crescem 
 
35 
 
lentamente e são semelhantes às do tecido normal. Geralmente podem ser removidos 
totalmente através de cirurgia e na maioria dos casos não tornam a crescer, raramente 
constituindo um risco de vida e malignos (cancerígenos) quando as células tumorais 
crescem rapidamente, não são semelhantes às células que lhes deram origem e por isto 
não respeitam a estrutura e funções do órgão onde estão crescendo. Além disso, são 
capazes de invadir estruturas próximas e espalhar-se para diversas regiões do 
organismo. 
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em 
comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, 
podendo ramificar-se para outras regiões do corpo. Se o câncer se inicia em tecidos 
epiteliais, como pele ou mucosas, ele é chamado carcinoma. Se começa em tecidos 
conjuntivos, é chamado sarcoma. 
As células cancerosas desenvolvem-se a partir de células normais em um 
processo complexo denominado carcinogênese. 
A primeira etapa nesse processo é a iniciação, na qual uma alteração do material 
genético da célula a instrui para tornar-se cancerosa. A alteração do material genético da 
célula é ocasionada por um agente denominado carcinógeno. Uma alteração genética na 
célula pode torná-la mais suscetível. Mesmo a irritação física crônica pode tornar as 
células mais propensas a se tornarem cancerosas. Na etapa seguinte, a promoção, uma 
célula que iniciou sua alteração torna-se cancerosa. A promoção não tem efeito sobre as 
células não iniciadas. Portanto, para ocorrer o câncer, são necessários vários fatores, 
freqüentemente a combinação de uma célula suscetível e um carcinógeno. O último 
estágio é o da progressão, caracterizado pela multiplicação descontrolada, sendo um 
processo irreversível. O câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das 
primeiras manifestações clínicas da doença. 
 
Estágios da carcinogênese 
 
36 
 
 
 
Fonte: MEDICALLOOK, 2008 
Mesmo quando uma célula torna-se cancerosa, o sistema imune freqüentemente 
consegue destruí-la antes que ela se duplique e estabeleça um câncer. É mais provável 
que o câncer se desenvolva quando o sistema imune está comprometido. No entanto, o 
sistema imune não é à prova de erros; o câncer pode escapar à vigilância protetora desse 
sistema mesmo quando ele está funcionando normalmente. 
Uma grande quantidade de fatores genéticos e ambientais aumenta o risco de 
desenvolvimento de câncer. A história familiar é um fator importante. Algumas famílias 
apresentam um risco significativamente mais elevado de apresentar certos tipos de 
câncer em comparação com outras. Os indivíduos com anormalidades cromossômicas 
apresentam maior risco de câncer. Fatores ambientais como o tabagismo e a exposição a 
certos produtos químicos também aumentam o risco de câncer. 
Os diversos tipos de câncer representam um grave problema mundial na área de 
saúde pública, acometendo, a cada ano, milhões de pessoas das quais mais da metade, 
evoluem para o óbito em decorrência da patologia. O conhecimento científico atual 
ainda não conseguiu determinar medidas comprovadamente eficazes deprevenção 
primária para os diversos tipos de câncer. A detecção precoce é o objetivo principal das 
 
37 
 
equipes de saúde, para diminuir a mortalidade e as mutilações funcionais destes 
pacientes e aumentar a qualidade de vida. Entres as ações desenvolvidas pelos órgãos 
públicos estão às campanhas educativas para o estímulo à realização periódica de 
exames que possibilitam detecção precoce e orientações para o auto-exame. Quanto 
mais precoce o diagnóstico, melhores as condições de tratamento e maior a sobrevida 
dos acometidos. 
 
Câncer de Mama 
 
Aspectos gerais do câncer de mama 
 
O câncer de mama é uma patologia complexa e heterogênea, que consiste na 
formação de um tumor maligno a partir da multiplicação exagerada e desordenada de 
células anormais, podendo apresentar-se através de inúmeras formas clínicas e 
morfológicas, diferentes graus de agressividade tumoral e um importante potencial 
metastático. O tempo médio para ocorrer à duplicação celular, no câncer de mama, é de 
100 dias. O tumor pode ser palpável quando atinge 1 cm de diâmetro. Uma esfera de 
1cm contém aproximadamente 1 bilhão de células que é o resultado de 30 duplicações 
celulares. Portanto, uma célula maligna levará 10 anos para se tornar um tumor de 1cm. 
A maioria das pacientes com diagnóstico de câncer de mama possivelmente já 
dever ter o câncer cinco ou dez anos antes da sua detecção, e uma porcentagem 
substancial já possui metástases estabelecidas por vários anos, mesmo que não sejam 
detectadas por exames físico, radiográficos, cintilográficos ou ressonância magnética. 
A partir da instalação do tumor primário de mama, ocorrerá a sua propagação às 
estruturas vizinhas e à distância, podendo esta ser por: via direta, atingindo 
seqüencialmente os ductos, parênquima mamário, podendo progredir até o tecido 
perimamário, culminando com a invasão de tecidos adjacentes; via linfática, que ocorre 
concomitante com a disseminação sanguínea, através da embolização das células 
neoplásicas ao serem veiculadas pela linfa; e por via vascular, originando-se a partir de 
pequenas veias intramamárias. 
Embora o câncer de mama não apresente muitos sinais e sintomas, quase sempre 
ele é descoberto pela própria paciente através da observação de alterações mamárias, 
tais como a presença de nódulos, mudanças repentinas no tamanho das mamas, retração 
cutânea ou mamilar e/ou escoamento sanguinolento, durante a realização do auto-
 
38 
 
exame. 
 
Incidência 
 
No Brasil, o câncer de mama é o mais freqüente em incidência e mortalidade no 
sexo feminino, apresentando curva ascendente a partir dos 25 anos de idade e 
concentrando a maioria dos casos entre os 45 e 50 anos. Representa aproximadamente 
20% do total de casos diagnosticados e 15%, em média, das mortes por câncer. É mais 
comum em mulheres de classe social alta e entre aquelas que vivem nas grandes cidades 
do que naquelas que vivem no campo. 
A análise das tendências nas taxas de mortalidade por câncer de mama 
observadas no Brasil aponta para um aumento progressivo na taxa de mortalidade entre 
1979 a 1998, na idade acima de 50 anos. Em faixas etárias mais precoces a mortalidade 
permanece estável nos últimos 20 anos. Estima-se que o câncer de mama se manterá 
como a primeira causa de morte por câncer no Brasil ainda por alguns anos. 
 
Fatores de risco 
 
O termo risco refere-se à probabilidade de um evento indesejado ocorrer. Do 
ponto de vista epidemiológico, o termo é utilizado para definir a probabilidade de que 
indivíduos sem certa doença, mas expostos a determinados fatores, adquiram esta 
moléstia. Os fatores que se associam ao aumento do risco de se contrair uma doença são 
chamados fatores de risco. 
Atualmente, a gênese do câncer de mama e seus fatores de risco vêm recebendo 
uma importante consideração, uma vez que estes fatores são cruciais quando se pensa na 
prevenção do câncer de mama. Vários fatores contribuem para o desenvolvimento de 
um determinado câncer, e visto que alguns desses fatores podem ser removidos do meio 
ambiente, uma proporção de cânceres pode ser prevenida. Os principais fatores 
associados a um risco aumentado de desenvolver câncer de mama são: 
- Sexo feminino: 01 homem para cada 100 mulheres; 
- Idade: é mais raro entre os jovens, existindo um aumento crescente dos 
índices de incidência por idade até a menopausa. Aproximadamente 60% dos cânceres 
de mama ocorrem em mulheres com idade entre 50 e 60 anos; 
- Estado civil: as mulheres solteiras apresentam incidência menor de câncer 
 
39 
 
de mama, quando comparadas com as casadas; 
- Cor da pele: mulheres brancas apresentam um índice global maior de 
incidência de câncer de mama que mulheres negras; 
- Doença mamária benigna prévia: o fato de a mulher ter apresentado uma 
doença mamária benigna parece aumentar o risco apenas em mulheres com uma maior 
quantidade de canais lactíferos. Mesmo nessas mulheres, o risco é moderado, exceto 
quando é detectada uma estrutura tissular anormal (hiperplasia atípica) em uma biópsia 
ou quando a mulher tem uma história familiar de câncer de mama; 
- Câncer de mama prévio: mulheres que já sofreram um câncer de mama in 
situ ou invasivo apresentam o maior risco. Após a remoção da mama doente, o risco de 
câncer na mama remanescente é de aproximadamente 0,5 a 1,0% a cada ano; 
- Fatores relacionados à vida reprodutiva feminina – primeira gestação 
após os 30 anos, menarca anterior aos 11 anos, menopausa após os 55 anos, 
nuliparidade, ciclos menstruais de curta duração: as mulheres com menarca precoce 
têm um risco maior em relação aquelas com menarca tardia e longos ciclos irregulares. 
Esta observação sugere que o ciclo ovulatório regular aumenta o risco de câncer de 
mama, uma vez que os níveis de estrogênio são maiores durante a fase lútea normal, e o 
índice de exposição acumulativa ao estrogênio é maior; 
- História familiar de câncer de mama: o câncer de mama em uma parente 
de primeiro grau (mãe, irmã, filha) aumenta o risco 2 a 3 vezes. O câncer de mama em 
parentes distantes (avó, tia, prima) aumenta o risco discretamente. O câncer de mama, 
com importante componente genético, ocorre na idade jovem, com probabilidade maior 
de bilateralidade, aparecendo em vários membros da família em três ou mais gerações; 
- Gene do câncer de mama: existem dois genes diferentes ligados ao câncer 
de mama. Quando uma mulher possui um desses genes as suas chances de desenvolver 
a doença são muito altas. No entanto, se ela desenvolver câncer de mama, as chances de 
óbito pela patologia não são necessariamente maiores que as de qualquer outra mulher 
com câncer de mama. Mulheres que podem possuir um desses genes são aquelas com 
uma alta incidência de câncer de mama na família (normalmente, várias mulheres de 
cada uma de três gerações tiveram câncer de mama); 
- Terapia de reposição hormonal combinada (estrogênio e progesterona): 
após a menopausa, a terapia de reposição hormonal com estrogênio durante 10 a 20 
anos pode aumentar o risco discretamente. A terapia de reposição hormonal que 
combina o estrogênio com a progesterona pode aumentar o risco, mas isto ainda não foi 
 
40 
 
confirmado; 
- Uso prolongado de contraceptivos orais: a maioria dos estudos não 
demonstra relação entre o uso de contraceptivos orais e o desenvolvimento posterior do 
câncer de mama, excetuando-se, possivelmente, as mulheres que utilizaram esses 
medicamentos durante muitos anos; 
- Dieta desequilibrada: rica em gordura animal e pobre em fibras; 
- Obesidade após a menopausa: o risco é um pouco mais elevado para as 
mulheres obesas na pós-menopausa, mas não existem provas de que uma dieta 
específica contribui para o desenvolvimento do câncer de mama; 
- 
Radiações ionizantes; 
 
Padrão socioeconômico elevado; Ausência de atividade sexual; Residência 
em área urbana. 
 
Por outro lado, os principais fatores associados a um risco diminuído