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Bases Biológicas e Histológicas 
 
 
Profa. Tatiana Amorim Muniz de Alencar 
 
 
E mail: tatiana.muniz@souunisuam.com.br 
Conteúdo da aula de hoje: 
• Tecidos Conjuntivos. 
Tecidos Conjuntivos 
 Tem origem embrionária nas células do mesoderma e são responsáveis pelo 
estabelecimento e manutenção da forma do corpo; 
 Composição: 
 Substância fundamental amorfa - constituída por proteogliganas (são 
formadas por uma proteína transportadora (proteína core), a que se ligam 
covalentemente diferentes cadeias de glicosaminoglicanos em quantidade 
variável.), glicosaminoglicanas (são polímeros lineares longos, e têm como 
base unidades dissacarídicas repetidas) e proteínas de adesão.; 
 Fibras - Proporcionam forças de tração e elasticidade. Colágenas, Elásticas e 
Reticulares; 
 Células - vários tipos celulares. 
• É vascularizado (exceto a cartilagem); 
• As moléculas que compõem a matriz extracelular do tecido conjuntivo conectam e 
ligam as células e órgãos, dando, desta maneira, suporte ao corpo. 
• Os tecidos conjuntivos estão localizados em vários sítios do organismo – 
associados a múltiplas funções – promover forma e sustentação a vários órgãos e 
promover uma barreira mecânica e imunológica para a entrada de agentes 
infecciosos – também estão envolvidos no controle do balanço energético, no 
caso do tecido adiposo; 
• São normalmente constituídos de células e grande quantidade de meio intersticial 
ou matriz extracelular – um dos elementos mais marcantes destes tecidos – 
presença de fibras de proteínas filamentosas (Longas e filamentosas - fibras do 
tecido conjuntivo) e também macromoléculas (glicoproteínas estruturais) 
interligadas em forma de rede, que em conjunto são chamadas de substância 
fundamental amorfa; 
• O papel fundamental dos vários tecidos conjuntivos pode ser inferido, em grande 
parte, pela abundância das fibras do tecido conjuntivo. 
• Fibras do Tecido Conjuntivo 
 As fibras do tecido conjuntivo se apresentam em quantidade variada – 
dependendo das necessidades particulares do tecido em questão. 
 Colágenas – formado pela proteína colágeno. Exerce função estrutural 
(resistência à tração – força aplicada em um corpo) e estão agrupados de 
acordo com sua estrutura e função: 
– Tipo I – fibras e feixes - Tendões, pele, ossos; 
– Tipo II – fibrilas (não forma fibras) – Cartilagens; 
– Tipo III – fibras – órgãos epiteliais – fígado, rins, glândulas endócrinas; 
hematopoiéticos – baço, linfonodos, medula óssea; modificação de forma 
e volume – útero; 
– Tipo IV – (não forma fibras e nem fibrilas) - Não se agregam: formam 
lâmina basal. 
 
 Implicações na saúde 
Queloides 
Espessamento localizado na pele, devido a um depósito excessivo de colágeno. 
Ocorre frequentemente em indivíduos da raça negra. 
Escorbuto 
Carência de vitamina C causa deficiências na reposição do colágeno (cofator das 
enzimas que participam da biossíntese do colágeno), degeneração do tecido 
conjuntivo - perda de dentes. 
 Elásticas 
 As fibras elásticas são estruturalmente distintas dos colágenos por serem mais 
delgadas; 
 Estas fibras sofrem intensa ramificação e se associam umas as outras – trama 
irregular; 
 São formadas predominantemente pela proteína Elastina (produzida pelos 
fibroblastos); 
 São responsáveis pela elasticidade do tecido, prendendo a pele aos músculos 
subjacentes, por exemplo, nos pulmões e parede dos vasos sanguíneos; 
 As fibras elásticas possuem alta capacidade de sofrer deformação mecânica, 
graças a forma contorcida da molécula de elastina. 
 Fibras Reticulares 
 As fibras reticulares possuem algumas características em comum com as fibras 
colágenas – primeiramente são compostas de colágeno III, além de exibirem 
formação de fibrilas com padrão estriado; 
 Apesar destas semelhanças, as fibras reticulares são muito mais delgadas em 
relação ás fibras colágenas – não formando fibras espessas ou mesmo feixes; 
 Possuem um padrão em forma de rede – reticulares; 
 São encontradas no tecido conjuntivo frouxo associado aos epitélios, pequenos 
vasos sanguíneos, nervos e células musculares; 
 Estas fibras também são encontradas em grande abundância nos órgãos 
hematopoiéticos – baço (remove as hemácias defeituosas), medula óssea e 
linfonodos – fornecendo arcabouço de sustentação das células destes órgãos. 
• Além das fibras do conjuntivo, a matriz extracelular contém grande número de 
macromoléculas interligadas; 
• No compartimento intersticial, os espaços não ocupados pelas fibras do conjuntivo 
são preenchidos por macromoléculas com características especiais – 
histologicamente são denominadas como substância fundamental amorfa – esta 
denominação foi criada, pois nos preparados histológicos convencionais essas 
áreas apareciam como “espaços vazios” – atualmente se sabe que esses espaços 
são, em verdade, preenchidos por grandes agregados de macromoléculas e água 
– proteoglicanas – que contêm uma proteína filamentosa central, ligada 
covalentemente às glicosaminoglicanas (GAGs – longos ploissacarídeos, 
responsáveis pela atração de muitas moléculas de água) – conferindo à matriz 
uma consistência gelatinosa – barreira para elementos maiores , como grandes 
moléculas e bactérias. 
• As células do Tecido Conjuntivo 
 Algumas células do tecido conjuntivo se originam localmente, enquanto outras são 
habitantes temporários deste tecido; 
 As células que não têm origem no próprio tecido conjuntivo são originárias do 
sangue e migram constantemente para o interior deste (lá permanecendo) em 
condições normais – desempenhando funções durante um certo período e, em 
seguida, iniciam um processo de morte celular programada – apoptose – onde há 
fragmentação do DNA e perda do citoplasma, cessando a atividade celular – são 
englobadas por macrófagos. Esta é uma forma rápida e econômica para controle 
do número de células do tecido conjuntivo, caso contrário – a população de 
células do tecido conjuntivo se tornaria progressivamente maior; 
 As principais células do tecido conjuntivo são: fibroblastos, macrófagos, 
linfócitos, plasmócitos e mastócitos. Os fibroblastos são os grandes 
responsáveis pela produção e manutenção da matriz extracelular, enquanto as 
outras células, em geral, estão envolvidas na defesa contra agentes agressores. 
 Fibroblastos 
 Na verdade, constituem um grupo heterogêneo de células, que podem apresentar 
desde alta atividade sintética até um estado de quiescência (parada temporária do 
desenvolvimento) – fibrócitos; 
 Os fibroblastos têm prolongamentos citoplasmáticos irregulares, com núcleos 
apresentando cromatina pouco densa e nucléolo (são organóides presentes em 
células eucarióticas, ligados principalmente à coordenação do processo 
reprodutivo das células) evidente. O citoplasma é rico em retículo endoplasmático 
rugoso e o aparelho de Golgi é bem desenvolvido; 
 São responsáveis pela formação das fibras colágenas, elásticas e reticulares – 
formação de toda matriz extracelular. Também produzem a substância 
fundamental. 
 Macrófagos 
 O macrófago é uma célula com grande mobilidade, graças a movimentação 
amebóide. Além disto, os macrófagos são facilmente identificáveis pela sua alta 
capacidade fagocitária; 
 Na microscopia eletrônica, nota-se que a superfície dos macrófagos é irregular, 
apresentando saliências e reentrâncias. O citoplasma possui muitos lisossomos, 
que se fundem e derramam suas enzimas nos vacúolos que contém material 
englobado – os fagossomos – responsáveis pela digestão do material 
fagocitado; 
 Os macrófagos estão envolvidos na fagocitose de restos celulares, oriundos de 
lesão tecidual, células tumorais (cancerosas), bactérias e elementos inertes que 
penetram no organismo. 
 Linfócitos 
 Os linfócitos estão entre as menores células do tecido conjuntivo – 
aproximadamente 7µm; 
 São produzidos na medula óssea e possuempequena quantidade de citoplasma, 
núcleo esférico e heterocromático (cromossomos bem condensados); 
 Estas células normalmente são encontradas em pequeno número no tecido 
conjuntivo e estão envolvidas principalmente na resposta imunológica. Na situação 
de uma lesão causada por micro-organismos, corpos estranhos, estímulos 
mecânicos e químicos, o número de linfócitos aumenta dramaticamente no local – 
no sentido de combater os estímulos lesivos; 
 Os linfócitos são mais frequentemente observados na lâmina própria (tecido 
conjuntivo das membranas mucosas) dos tratos respiratórios e gastrointestinal – 
barreira imunológica contra a entrada de patógenos e substâncias estranhas ao 
organismo; 
 São divididos basicamente em dois grandes grupos: linfócitos T – envolvidos na 
resposta imunológica celular e linfócitos B – responsáveis pela produção de 
anticorpos; 
 Em resposta à presença de antígenos (substâncias estranhas ao nosso 
organismo com capacidade de desencadear resposta imunológica), os linfócitos 
B sofrem intensa proliferação – se diferenciam em plasmócitos – células 
especializadas na produção de anticorpos. 
Em amarelo, 
partículas de vírus em 
células T murinas (de 
rato). 
 Plasmócitos 
 Os plasmócitos, que na verdade são linfócitos ativados, são menos frequentes no 
tecido conjuntivo, a não ser que haja inflamação associada; 
 Os plasmócitos, em resposta à presença de antígenos, sintetizam e secretam 
anticorpos específicos que vão se associar ao receptor de membrana dos 
mastócitos – consequências principais: diminuição ou mesmo extinção da ação 
patológica do antígeno e indução da resposta inflamatória local, através da ativação 
dos macrófagos e liberação de substâncias inflamatórias pelos mastócitos. 
 Mastócitos 
 Célula do tecido conjuntivo - diretamente envolvida no desencadeamento do 
processo inflamatório e resposta alérgica; 
 O mastócito possui grandes dimensões, formato arredondado. O núcleo do 
mastócito frequentemente não é visível, pois está encoberto pelos grânulos 
citoplasmáticos – contêm mediadores químicos da inflamação – ex: histamina 
(vasodilatador); 
 Os mastócitos também desencadeiam resposta frente a antígenos – que se 
expressa na liberação do conteúdo de seus grânulos – inflamação; 
 Quando da primeira exposição a um antígeno, células do sistema imunológico 
(plasmócitos) que produzem o anticorpo específico contra o antígeno proliferam 
intensamente. Os anticorpos (imunoglobulinas da classe IgE) produzidos pelos 
plasmócitos se ligam em receptores de membrana nos mastócitos, que quando 
expostos pela segunda vez ao antígeno, desencadeiam uma resposta. 
• Classificação do tecido conjuntivo: 
 De acordo com as diferentes características da composição de suas células e na 
proporção relativa entre os elementos da matriz extracelular, o tecido conjuntivo 
recebe diferentes nomes; 
 Pode ser classificado em: 
 Tecido conjuntivo propriamente dito (frouxo e denso); 
 Tecido conjuntivo de propriedades especiais 
- Adiposo – armazena gordura; 
- Cartilaginoso – constitui a cartilagem; 
- Ósseo – constitui os ossos; 
- Hematopoiético – origina as células do sangue. 
• Tecido Conjuntivo Propriamente Dito – TCPD 
 Os tecidos conjuntivos propriamente ditos tem a função de dar sustentação ao 
nosso corpo, servir como meio para trocas, proteção e armazenamento de 
gorduras; 
 O principal constituinte do TCPD é a matriz extracelular que é a união de 
diversas proteínas fibrosas e de substância fundamental amorfa. As fibras 
que compõem esse tecido são a de colágeno, elásticas e reticulares; 
 As fibras de colágeno e as elásticas exercem a função de formar paredes dentro 
dos órgãos dando origem ao estroma dos órgãos, que é um tecido de 
sustentação. As fibras elásticas podem oferecer tanto resistência como 
elasticidade aos tecidos; 
 A diversidade de moléculas do TCPD exerce importante papel de reserva para 
vários fatores que controlam a proliferação e diferenciação das células. Também 
através da matriz do TCPD ocorrem trocas de nutrientes entre células e os 
suprimentos sanguíneos; 
• Tipos de TCPD 
 Os tipos de TCPD se diferem em sua histologia, localização e funções – Tecido 
Conjuntivo Frouxo e Tecido Conjuntivo Denso; 
 Tecido Conjuntivo Frouxo: 
 Preenche os espaços vazios da pele; 
 Caracterizado por substância fundamental e fluido tecidual abundante, abrigando 
células fixas do tecido conjuntivo como: fibroblastos, células adiposas, 
macrófagos e mastócitos, assim como algumas células indiferenciadas. 
Também estão dispersas por toda a substância, fibras de colágeno, reticulares 
e elásticas, frouxamente entrelaçadas; 
 Pequenas fibras nervosas percorrem esse tecido amorfo, assim como vasos 
sanguíneos que abastecem as células com oxigênio e nutrientes; 
 Como esse tecido fica abaixo do epitélio dos tratos digestivos e respiratórios, ele 
é o local onde ocorre ao primeiro ataque do corpo aos antígenos, bactérias e 
outros invasores estranhos. Por isso o tecido conjuntivo frouxo contém muitas 
células transitórias que são responsáveis pela inflamação, reações alérgicas e 
respostas imunológicas. 
 Tecido Conjuntivo Denso 
 Contém a maioria dos componentes encontrados no tecido conjuntivo frouxo, 
porém, uma maior abundância de fibras e um menor número de células também 
encontradas no tecido conjuntivo frouxo, diferindo por ter muito mais fibras do 
que células; 
 Nesse tecido, a orientação e a disposição dos feixes de fibras de colágeno o 
tornam resistente à tração. Quando os feixes e fibras de colágeno estão 
dispostos ao acaso em o tecido é denominado como Tecido Conjuntivo 
Denso Não Modelado (irregular) - derme da pele, as cápsulas do baço, 
testículos, ovário, rim e nodos linfáticos. E quando os feixes e fibras estão 
dispostos em paralelo ou de uma maneira organizada, o tecido é 
denominado como Tecido Conjuntivo Denso Modelado (regular) - tendões, 
ligamentos (tecido fibroso, formado por tecido conjuntivo denso modelado). 
Cicatrização 
• Os fibroblastos migram para a região da pele ferida e tornam-se hipertrofiados - 
produzem grande quantidade de substância amorfa e fibras; 
• Em pouco tempo, o ferimento é recoberto por uma malha de fibroblastos e por 
pequenos vasos sanguíneos (angiogênese); 
• Os grandes fibroblastos adquirem a capacidade de contrair e fecham mais a 
lesão; 
• Ao final do processo, a cicatriz contem apenas fibrócitos, fibras compactas e 
uns vasos sanguíneos em processo de atrofiamento. 
Quelóides 
• Os quelóides são o resultado da proliferação celular de tecidos fibrosos, sendo 
que, nos quelóides, há um supercrescimento celular (hiperplasia), levando o 
tecido cicatricial a se tornar exagerado; 
• Eles acontecem em locais de trauma, cirurgia, úlceras de pressão, vacinas, 
acne e onde corpos estranhos perfuraram ou prejudicaram a pele.

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