Logo Passei Direto
Buscar

língua portuguesa digital

Material sobre ortografia e fonologia: define fonema, ortoépia e prosódia; explica vogal, semivogal e consoante; descreve encontros vocálicos (hiato, ditongo decrescente/crescente, tritongo), encontros consonantais, dígrafos e dígrafos vocálicos; aborda significação contextual e literal com exemplo.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

LÍNGUA
PORTUGUESA
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 3
3
ORTOGRAFIA - FONOLOGIA 
 
A fonologia é a parte da gramática que estuda os sons 
da língua. É a fonologia que se ocupa com a ortoépia 
(correta pronúncia das palavras) e com a prosódia (correta 
acentuação das palavras). O objeto de estudo da fonologia é 
o fonema. Fonema é a menor unidade sonora da língua, 
capaz de estabelecer distinção entre as palavras. Há três 
tipos de fonemas: vogal, semivogal e consoante. 
 
OBS.: Não confunda fonema com letra. Fonema é o 
som; letra é a representação gráfica (escrita) do fonema. Por 
exemplo, o fonema /z/ pode ser representado pela letra z 
(batizar), pela letra s (casa) e pela letra x (exame). 
 
Vogal: É o fonema resultante da livre passagem do ar 
pela boca. A vogal é a base da sílaba, ou seja, não existe 
sílaba sem vogal, bem como não há duas vogais na mesma 
sílaba. São elas: a, e, i, o, u. 
 
Semivogal: É representada pelas letras e, i, o, u, 
quando estiverem na mesma sílaba com uma vogal. 
Portanto, só existe semivogal nos encontros vocálicos 
(ditongo e tritongo). 
 
Consoante: É o fonema produzido quando o ar, ao 
passar pela boca, encontra algum obstáculo. São 
consoantes: b, d, f, g (ga, go, gu), j (ge, gi, j) k (c ou qu), l, m 
(antes de vogal), n (antes de vogal), p, r, s (s, c, ç, ss, sc, sç, 
xc), t, v, x (inclusive ch), z (s, z), nh, lh, rr. 
 
OBS.: A letra a sempre é vogal; i e u geralmente são 
semivogais. Já as letras e e o ora são vogais, ora 
semivogais (quando soarem como i e u, respectivamente). 
 
Encontros Vocálicos: É o agrupamento de vogais e 
semivogais. Há três tipos de encontros vocálicos: 
 
Hiato = É a sequência de duas vogais, cada qual em 
uma sílaba diferente. 
Ex. Lu-a-na a-fi-a-do pi-a-da 
 
Ditongo = É a sequência de dois sons vocálicos na 
mesma sílaba. Quando a vogal estiver antes da 
semivogal, chama-se de Ditongo Decrescente e, quando a 
vogal estiver depois da semivogal, de Ditongo Crescente. 
Os ditongos são classificados ainda em oral e nasal, 
conforme ocorrer a saída do ar pelas narinas ou somente 
pela boca. 
Ex. Cai-xa = Ditongo decrescente oral. 
Cin-quen-ta = Ditongo crescente nasal. 
 
Tritongo = É a sequência de três sons vocálicos na 
mesma sílaba. Também pode ser oral ou nasal. 
Ex. A-guei = Tritongo oral. 
Sa-guão = Tritongo nasal. 
 
OBS.: As letras am e em, quando estiverem no fim da 
palavra, formam ditongo nasal. 
Ex. casaram (pronuncia-se ãu) 
querem (pronuncia-se ~ei) 
 
Encontros Consonantais: É o agrupamento de 
consoantes. Há três tipos: 
 
Puro ou Perfeito = É o agrupamento de consoantes, 
lado a lado, na mesma sílaba. 
Ex. Bra-sil, pla-ne-ta, a-dre-na-li-na. 
 
Disjunto ou Imperfeito = É o agrupamento de 
consoantes, lado a lado, em sílabas diferentes. 
Ex. ap-to, cac-to, as-pec-to. 
 
Fonético = É a letra x com som de ks. 
Ex. nexo - axila (pronuncia-se nekso, aksila) 
 
Dígrafos: É o agrupamento de duas letras 
representando um único som. Os principais dígrafos são rr, 
ss, sc, sç, xc, xs, lh, nh, ch, qu, gu. 
Ex. arroz, assar, nascer, desço, exceção, exsudar, 
alho, banho, cacho, querida, sangue. 
Dígrafo Vocálico: Também chamado Ressôo Nasal, 
são duas letras representando um único fonema vocálico. É 
representado pelas letras am, an, em, en, im, in, om, on, 
um, un, quando estiverem no final da sílaba. (am e em são 
dígrafos só no interior do vocábulo. 
Ex. tampa (pronuncia-se tãpa) 
canto (pronuncia-se kãtu) 
bomba (pronuncia-se bõba) 
 
SIGNIFICAÇÃO 
CONTEXTUAL DAS PALAVRAS 
 
Na significação contextual, o significado de um item 
lexical é determinado por elementos subjetivos associados 
aos itens lexicais que o acompanham. 
O significado do item lexical tem em consideração não 
só as suas propriedades semânticas, mas também o 
contexto em que é expresso e do qual fazem parte crenças e 
atitudes dos falantes, referências a entidades que os falantes 
conhecem ou convenções sociais. 
Por exemplo, a frase “O André caiu na armadilha” tem 
um significado distinto do significado frásico transmitido 
pelas propriedades semânticas das palavras. 
Com efeito, embora se deixe passar a afirmação “O 
André caiu e magoou-se”, sabemos que, na realidade, o 
falante, ao emitir tal declaração, quer dizer que “Alguém 
prejudicou o André”. 
A palavra armadilha não tem o significado literal de 
“artifício ou engenho para capturar animais ou pessoas”, 
mas, sim, de “estratagema para fazer enganar alguém”, 
“artifício enganador ou ardil”. 
O significado dado à palavra armadilha depende 
exclusivamente do contexto. 
O significado literal indica o que o item lexical 
tipicamente quer dizer, ou seja, o significado de uma palavra 
tal como é veiculado pelas suas propriedades semânticas, 
independentemente do contexto em que se insere e da 
intenção do falante ao enunciá-la. 
 O significado literal expressa, pois, a relação entre a 
estrutura linguística e o mundo (real e/ou possível). 
 
ORTOGRAFIA 
SEPARAÇÃO SILÁBICA 
 
A divisão silábica deve ser feita a partir da soletração, ou 
seja, dando o som total das letras que formam cada sílaba, 
respeitando-se a pronúncia. 
Usa-se o hífen para marcar a separação silábica. 
 
Não se separam os ditongos e tritongos: 
Ex. cai-xa, má-goa, re-ló-gio, Pa-ra-guai, en-xa-guei. 
 
Separam-se as vogais dos hiatos: 
Ex. sa-ú-de, hi-a-to, le-em, en-jo-o. 
 
Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, qu, gu: 
Ex. chu-va, te-lha, ba-nha, que-da, guei-xa. 
 
Separam-se os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc e xs: 
Ex. car-ro, pas-sar, nas-ce, cres-ço, ex-ce-to, ex-su-dar. 
 
Separam-se os encontros consonantais impuros: 
Ex. es-co-la, des-cas-car, res-to, e-ner-gia. 
 
Prefixos terminados em consoante: 
Ligados a palavras iniciadas por consoante: Cada 
consoante fica em uma sílaba, pois haverá a formação de 
encontro consonantal impuro. 
Ex. des-te-mi-do, trans-pa-ren-te, hi-per-mer-ca-do. 
 
Ligados a palavras iniciadas por vogal: A consoante 
do prefixo liga-se à vogal da palavra. 
Ex. su-ben-ten-di-do, tran-sal-pi-no, hi-pe-ra-mi-go. 
 
OBS.: Lembre-se de que não existe sílaba sem vogal. 
Por essa razão, a palavra pneu, por exemplo, não pode ser 
separada, já que o p, sozinho, não forma sílaba. Ex.: psi-co-
lo-gia, mne-mô-ni-ca. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 4
4
ACENTUAÇÃO GRÁFICA 
 
Sílaba tônica: É a sílaba pronunciada com maior 
intensidade em uma palavra. Quanto à posição da sílaba 
tônica, as palavras se classificam em: 
 
Oxítona: Palavra cuja sílaba tônica é a última. 
Ex. angu, crachá 
 
Paroxítona: Palavra cuja sílaba tônica é a penúltima. 
Ex. aluno, fácil 
 
Proparoxítona: Palavra cuja sílaba tônica é 
antepenúltima. 
Ex. elétrico, lâmpada 
 
OBS.: Palavras formadas por uma só sílaba são 
chamadas monossílabas. As monossílabas se dividem em: 
átonas (me, o, a, de, lhe, em, se) e tônicas (dor, mim, sol, 
ver, ti, luz) 
 
Sílaba subtônica: Só existe em palavras derivadas. 
Coincide com a tônica da palavra primitiva. 
Ex. cafezinho - A sílaba tônica é zi, e a subtônica, fe. 
 taxímetro - A sílaba tônica é xí, e a subtônica, ta. 
 
Atenção: As sílabas que não são tônicas nem subtônicas 
são chamadas átonas. 
 
REGRAS DE ACENTUAÇÃO 
 
(Atualizadas conforme o Acordo Ortográfico de 2008) 
 
Monossílabos Tônicos: Serão acentuados quando 
terminarem em A, E, O, seguidos ou não de s. 
Ex. pá, más, fé, Jês, dó, cós. 
 
Oxítonas: Serão acentuadas quando terminarem em A, 
E, O, seguidos ou não de s, e em EM, ENS. 
Ex. Corumbá, maracujás, rapé, massapê, filó, vovô, 
amém, parabéns. 
 
Paroxítonas: Serão acentuadas quando terminarem em 
L, I(S), N, U(S), R, X, Ã, ÃO, UM, UNS, PS, EI(S), ditongo 
crescente (s). 
Ex: fácil, táxi, pólen, bônus, caráter, fênix, ímã,no tempo. É 
o verbo sem ser conjugado, marcado pela terminação -r. 
Ex. Sonhar bem alto é quase um passo para levantar 
voo. 
OBS.: O infinitivo pode ser pessoal, ou seja, flexionado 
em pessoa (Ex. para tu cantares, para nós cantarmos) ou 
impessoal, não-flexionado (Ex. É proibido andar de bicicleta.) 
 
FLEXÕES DO VERBO 
Flexão de Pessoa: O verbo flexiona em pessoa (1ª, 2ª e 
3ª pessoas gramaticais) para concordar com o sujeito da 
oração. 
Ex. Eu trabalho / Tu trabalhas / Ele trabalha 
 
Flexão de Número: O verbo flexiona em número 
(singular e plural), concordando, geralmente, com o sujeito 
da oração. 
Ex. Eu canto / Nós cantamos 
 
Flexão de Modo: São três os modos verbais na língua 
portuguesa: Indicativo, Subjuntivo e Imperativo. 
 
1) Indicativo - Expressa certeza, isto é, o enunciado dá 
o fato como certo, preciso. Os tempos verbais do modo 
indicativo são: 
 
a - Presente: Indica fato que ocorre corriqueiramente ou 
no momento em que se fala. 
Ex. Todos os dias, caminho no parque. 
Ela estuda no Curso Oficial. 
 
b - Pretérito Perfeito: Indica fato que ocorreu no 
passado em determinado momento, observado depois de 
concluído. 
Ex. Ontem caminhei no parque. 
Ela estudou no Curso Oficial no ano passado. 
 
c - Pretérito Imperfeito: Indica fato que ocorria com 
frequência no passado, ou fato que não havia chegado ao 
final no momento em que estava sendo observado. 
Ex. Naquela época, eu caminhava no parque. 
Ela estudava no Curso Oficial, quando me conheceu. 
 
d - Pretérito Mais-que-perfeito: Indica fato ocorrido 
antes de outro no Pretérito Perfeito do Indicativo. 
Ex. Quando você foi ao parque, eu já caminhara 6 Km. 
 
e - Futuro do Presente: Indica fato que ocorre em 
momento posterior ao que se fala. 
Ex. Amanhã caminharei no parque pela manhã. 
Ela estudará no Curso Oficial no ano que vem. 
 
f - Futuro do Pretérito: Indica fato futuro, dependente 
de outro anterior a ele. 
Ex. Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse 
tanto. 
 
2) Subjuntivo - Expressa dúvida, possibilidade; ou seja, 
o enunciado coloca o fato como hipotético. 
Os tempos verbais do modo subjuntivo são: 
 
a - Presente: Indica desejo atual, dúvida que ocorre no 
momento da fala. 
Ex. Espero que eu caminhe bastante este ano. 
 
b - Pretérito Imperfeito: Indica condição, hipótese; 
normalmente é usado com o Futuro do Pretérito do 
Indicativo. 
Ex. Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse 
tanto. 
 
c - Futuro: Indica hipótese futura. 
Ex. Quando eu for à Europa, visitarei o Museu do 
Louvre. 
 
3) Imperativo - Expressa ordem, pedido, sugestão ou 
conselho. 
Ex. Caminhe todos os dias, para a saúde melhorar. / 
Traga-me um café bem forte, por favor. 
 
Flexão de Tempo: O tempo verbal refere-se ao 
momento em que ocorre o fato expresso pelo verbo. 
Os tempos simples já foram apresentados acima; 
vejamos agora os tempos compostos. 
 
Tempos Compostos: São formados por locuções 
verbais que têm como auxiliares os verbos ter e haver e 
como principal, qualquer verbo no particípio. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 16
16
São eles: 
 
a - Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: Indica 
fato que tem ocorrido com frequência. 
Ex. Eu tenho estudado demais ultimamente. 
 
b - Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: Indica 
desejo de que algo já tenha ocorrido. 
Ex. Espero que você tenha estudado o suficiente para 
conseguir a aprovação. 
 
c- Pretérito Mais-que-perfeito Composto do 
Indicativo: Indica fato passado anterior a outro, também 
passado. 
Ex. Ontem, quando você foi ao parque, eu já tinha 
caminhado 6 Km. 
 
d - Pretérito Mais-que-perfeito Composto do 
Subjuntivo: Indica condição, hipótese. 
Ex. Ela estaria menos cansada, se não tivesse 
trabalhado tanto. 
 
e - Futuro do Presente Composto do Indicativo: 
Indica fato que ocorre em momento posterior ao que se fala. 
Ex. Quando você chegar ao parque, eu já terei 
caminhado 6 Km. 
 
f - Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: Tem o 
mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. 
Ex. Eu teria caminhado todos os dias, se não fosse a 
falta de tempo. 
 
g - Futuro Composto do Subjuntivo: Indica fato 
hipotético no futuro. 
Ex. Quando você tiver terminado sua série de exercícios, 
eu caminharei 6 Km. 
 
h - Infinitivo Pessoal Composto: Indica ação passada 
em relação ao momento da fala. 
Ex. Para você ter comprado esse carro, necessitou de 
muito dinheiro. 
 
Vozes Verbais - Flexão de Voz: Indica se o sujeito 
pratica, ou recebe, ou pratica e recebe a ação verbal. 
01) Voz Ativa: O sujeito é agente, ou seja, pratica a 
ação verbal ou participa ativamente de um fato. 
Ex. As meninas exigiram a presença da diretora. 
A torcida aplaudiu os jogadores. 
 
02) Voz Passiva: O sujeito é paciente, ou seja, sofre a 
ação verbal. Pode ser: 
 
a - Sintética ou Pronominal_ É formada por verbo 
transitivo direto + pronome se (partícula ou pronome 
apassivador) 
Ex. Entrega-se encomenda. 
Compram-se roupas usadas. 
 
b - Analítica _ É formada por verbo auxiliar ser ou estar 
+ particípio do verbo principal. 
Ex. A encomenda foi entregue. 
As roupas foram compradas por uma elegante senhora. 
 
03) Voz Reflexiva: O sujeito, simultaneamente, pratica e 
sofre a ação. 
Essa voz será chamada simplesmente de reflexiva, 
quando o sujeito praticar a ação sobre si mesmo. 
Ex. Carla machucou-se. 
Tu te feristes? 
Eu me olhava no espelho. 
 
Há também a chamada de reflexiva recíproca, quando 
houver mais de um elemento como sujeito: um pratica a 
ação sobre o outro, que pratica a ação sobre o primeiro. 
Ex. Paula e Renato amam-se. 
Nós nos olhávamos amorosamente. 
 
OBS.: Na voz reflexiva, o pronome se significa “a si 
mesmo(s)”; enquanto na voz reflexiva recíproca o pronome 
se é sinônimo de “um ao outro” ou “uns aos outros”. 
 
Conversão de Voz 
Para efetivar a conversão da ativa para a passiva e vice-
versa, procede-se da seguinte maneira: 
1 - O sujeito da voz ativa passará a ser o agente da 
passiva. 
2 - O objeto direto da voz ativa passará a ser o sujeito da 
voz passiva. 
3 - Na passiva, o verbo ser estará no mesmo tempo e 
modo do verbo transitivo direto da ativa e o verbo principal 
ficará no particípio. 
 
Voz ativa 
A torcida aplaudiu os jogadores. 
- Sujeito = a torcida 
- Verbo transitivo direto = aplaudiu 
Objeto direto = os jogadores. 
 
Voz passiva analítica 
Os jogadores foram aplaudidos pela torcida. 
- Sujeito = os jogadores. 
- Locução verbal passiva = foram aplaudidos. 
- Agente da passiva = pela torcida. 
 
ADVÉRBIO 
 
Advérbio é a palavra invariável que modifica o verbo, um 
adjetivo, outro advérbio, ou até mesmo uma oração inteira, 
exprimindo uma circunstância. 
 
Locução Adverbial: É um conjunto de palavras que 
exerce a função de advérbio. 
Ex.: De modo algum irei lá. 
Às vezes, ela começava a chorar sem motivo. 
 
TIPOS DE ADVÉRBIOS 
DE MODO: Bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, 
depressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, à toa, à 
vontade, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa 
maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, 
em vão, calmamente, tristemente, propositadamente, 
pacientemente, etc. 
 
DE INTENSIDADE: Muito, demais, pouco, tão, menos, 
em excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, 
quanto, quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo, 
nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo, etc. 
 
DE TEMPO: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, 
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, 
doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, 
enfim, afinal, amiúde, breve, constantemente, entrementes, 
imediatamente, primeiramente, provisoriamente, etc. 
 
DE LUGAR: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, 
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, 
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, 
adentro,afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, 
externamente, a distancia, à distancia de, de longe, de perto, 
em cima... 
 
DE NEGAÇÃO: Não, nem, nunca, jamais, de modo 
algum, de forma nenhuma, tampouco, etc. 
 
DE DÚVIDA: Acaso, porventura, possivelmente, 
provavelmente, quiçá, talvez, quem sabe, etc. 
 
DE AFIRMAÇÃO: Sim, certamente, realmente, decerto, 
efetivamente, decididamente, realmente, etc. 
 
Palavras Denotativas 
Há uma série de palavras que se assemelham a 
advérbios. A Nomenclatura Gramatical Brasileira não faz 
nenhuma classificação especial para essas palavras, por 
isso elas são chamadas simplesmente de palavras 
denotativas. 
 
Podem exprimir ideia de: 
1) ADIÇÃO: Ainda, além disso, 
2) AFASTAMENTO: embora 
3) AFETIVIDADE: Ainda bem, felizmente, infelizmente 
4) APROXIMAÇÃO: quase, lá por, bem, uns, cerca de, 
por volta de 
5) DESIGNAÇÃO: eis 
6) EXCLUSÃO: Apenas, salvo, menos, exceto, só, 
somente, exclusive, sequer, senão, 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 17
17
7) EXPLICAÇÃO: isto é, por exemplo, a saber, ou seja 
8) INCLUSÃO: Até, inclusive, também, mesmo, ademais 
9) LIMITAÇÃO: só, somente, unicamente, apenas 
10) REALCE: Ex.: é que, cá, lá, não, mas, é porque, só, 
ainda, sobretudo. 
11) RETIFICAÇÃO: aliás, isto é, ou melhor, ou antes 
12) SITUAÇÃO: então, mas, se, agora, afinal 
 
Grau dos Advérbios 
Os advérbios, embora pertençam à categoria das 
palavras invariáveis, podem apresentar variações com 
relação ao grau. Além do grau normal, o advérbio pode-se 
apresentar no grau comparativo e no superlativo. 
 
- GRAU COMPARATIVO: quando a circunstância 
expressa pelo advérbio aparece em relação de comparação. 
Para indicar esse grau, utilizam-se as formas 
tão…quanto, mais…que, menos…que. 
=> comparativo de igualdade: 
Ex.: Chegarei tão cedo quanto você. 
=>comparativo de superioridade: 
Ex.: Chegarei mais cedo que você. 
=>comparativo de inferioridade: 
Ex.: Chegarei menos cedo que você. 
 
- GRAU SUPERLATIVO: nesse caso, a circunstancia 
expressa pelo advérbio aparecerá intensificada. 
O grau superlativo do advérbio pode ser formado tanto 
pelo processo sintético (acréscimo de sufixo), como pelo 
processo analítico (outro advérbio estará indicando o grau) 
=>superlativo sintético: formado com o acréscimo de 
sufixo. 
Ex.: Cheguei tardíssimo. 
=>superlativo analítico: expresso com um advérbio de 
intensidade. 
Ex.: Cheguei muito tarde. 
 
PREPOSIÇÃO 
 
Preposição é a palavra invariável que liga dois 
elementos da oração, subordinando um ao outro. Por 
exemplo, na frase Os alunos do colégio assistiram ao filme 
de Walter Salles, temos as preposições de e a. 
O termo que antecede a preposição é denominado 
regente; e o termo que a sucede, regido. 
 
Há dois tipos de preposição: 
1) Essenciais: por, para, perante, a, ante, até, após, de, 
desde, em, entre, com, contra, sem, sob, sobre, trás. As 
essenciais são as palavras que só desempenham a função 
de preposição. 
 
2) Acidentais: afora, fora, exceto, salvo, malgrado, durante, 
mediante, segundo, menos. As acidentais são palavras de 
outras classes gramaticais que eventualmente são empregadas 
como preposições. 
 
Locução Prepositiva: São duas ou mais palavras, 
exercendo a função de uma preposição: acerca de, a fim de, 
apesar de, através de, de acordo com, em vez de, junto de, 
para com, à procura de, à busca de, à distância de, além de, 
antes de, depois de, à maneira de, junto de, junto a, a par 
de, etc. 
 
Combinação: Junção de uma preposição com outra 
palavra, quando não há alteração fonética. 
Ex. ao (a + o); aonde (a + onde) 
 
Contração: Junção de uma preposição com outra 
palavra, quando há alteração fonética. 
Ex. do (de + o); neste (em + este); à (a + a) 
 
As preposições podem indicar diversas circunstâncias: 
- Lugar = Estivemos em São Paulo. 
- Origem = Essas maçãs vieram da Argentina. 
- Causa = Ele morreu, por cair de um andaime. 
- Assunto = Conversamos bastante sobre você. 
- Meio = Passeei de bicicleta ontem. 
- Posse = Recebeu a herança do avô. 
- Matéria = Comprei roupas de lã. 
CONJUNÇÃO 
 
As conjunções são vocábulos de função estritamente 
gramatical, utilizados para o estabelecimento da relação 
entre duas orações, ou ainda para relacionar dois termos 
que se assemelham gramaticalmente dentro da mesma 
oração. 
As conjunções podem ser de dois tipos principais: 
conjunções coordenativas ou conjunções subordinativas. 
 
1) Conjunções coordenativas: Vocábulos que 
estabelecem relações entre dois termos ou duas orações 
independentes entre si, que possuem as mesmas funções 
gramaticais. 
As conjunções coordenativas podem ser dos seguintes 
tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, 
explicativas. 
Ex. Entre, que está muito frio. 
Estava fazendo frio, mas ele saiu sem casaco. 
 
2) Conjunções subordinativas: Têm a função de 
estabelecer uma relação entre duas orações, relação esta 
que se caracteriza pela dependência do sentido de uma 
oração com relação à outra. Uma das orações completa ou 
determina o sentido da outra. 
As conjunções subordinativas são classificadas em: 
causais, concessivas, condicionais, comparativas, 
conformativas, consecutivas, proporcionais, finais e 
integrantes. 
Ex. Os balões sobem, porque são mais leves que o ar. 
Embora fosse inverno, ele saiu sem casaco. 
 
Locução Conjuntiva: Expressão que exerce a mesma 
função que a conjunção: ligar orações. 
 
Ex. à medida que, no entanto, ao passo que, visto que, 
etc. 
 
INTERJEIÇÃO 
 
As interjeições são os vocábulos de representação das 
emoções ou sensações dos falantes. Podem exprimir 
satisfação, espanto, dor, surpresa, desejo, terror, etc. 
O sentido deste tipo de vocábulo depende muito do 
contexto enunciativo em que se encontram e da forma como 
são pronunciados. 
Ex. Oh! 
Eia! 
Psiu! 
Ui! 
Nossa!!! 
 
Locução Interjetiva: Expressão formada por mais de 
um vocábulo, usada também para exprimir emoções e 
sensações. 
Ex. Cruz credo! 
Puxa vida! 
Arre égua! 
 
SINTAXE 
 
A Sintaxe é a parte da gramática que estuda a 
disposição das palavras na frase e das frases no discurso, 
bem como a relação lógica das frases entre si. 
Ao emitir uma mensagem verbal, o emissor procura 
transmitir um significado completo e compreensível. Para 
isso, as palavras são relacionadas e combinadas entre 
si. 
A sintaxe é um instrumento essencial para o manuseio 
satisfatório das múltiplas possibilidades que existem para 
combinar palavras e orações. 
Para o estudo da sintaxe, é importante diferenciar frase, 
oração e período: 
 
- Frase: É todo enunciado de sentido completo, podendo 
ser formada por uma só palavra ou por várias, podendo ter 
verbos ou não. 
Ex. Silêncio! 
O telefone está tocando. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 18
18
- Oração: É o enunciado que se organiza em torno de 
um verbo. 
Ex. Quem é você? 
O telefone está tocando. 
 
- Período: É a frase constituída de uma ou mais 
orações, formando um todo, com sentido completo. O 
período pode ser simples (com apenas uma oração) ou 
composto (com mais de uma oração). 
Ex. O telefone está tocando. 
Ele saiu, mas volta logo. 
 
TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO 
SUJEITO 
Sujeito é o ser a respeito do qual se informa algo. São os 
seguintes os tipos de sujeito: 
 
01) Sujeito Simples: É aquele que possui apenas um 
núcleo. 
O núcleo do sujeito será representado por um 
substantivo, por um pronome substantivo ou por qualquer 
palavra substantivada. Núcleo é a palavra mais significativa 
na função sintática. 
Ex. Os homens destroem a natureza. 
 
OBS.: Uma forma simples de se encontrar o sujeito de 
uma oração é perguntar ao verbo. Ex. Quem destrói a 
natureza? 
Resposta: Os homens(sujeito) Núcleo = homens. 
 
02) Sujeito Composto: É aquele que possui dois ou 
mais núcleos. 
Os núcleos do sujeito composto são, quase sempre, 
ligados pela conjunção e, pela conjunção ou, pela 
preposição com ou pelos conectivos correlatos assim 
...como, não só ... mas também, tanto ... como, tanto ... 
quanto, nem ... nem. 
Ex. Tanto os cientistas quanto os religiosos estão 
temerosos. 
 
03) Sujeito Oculto: Teremos sujeito oculto em três 
circunstâncias: 
 
a- Quando perguntarmos ao verbo quem é o sujeito e 
obtivermos como resposta os pronomes eu, tu, ele, ela, 
você, nós ou vós, sem surgirem escritos na oração. O 
sujeito oculto também pode ser chamado de sujeito elíptico, 
sujeito desinencial ou sujeito subentendido. 
Ex. Estudaremos a matéria toda. (suj. oculto: nós) 
 
b- Quando o verbo estiver no Imperativo, ou seja, quando o 
verbo indicar ordem, pedido, sugestão ou conselho. 
Ex. Estudem, meninos! (suj. oculto: vocês) 
 
c- Quando não houver sujeito escrito na oração, porém 
estiver claro em orações anteriores. 
Ex. Os governadores chegaram a Brasília ontem à 
noite. Terão um encontro com o presidente. 
Quem chegou a Brasília? 
Resp.: Os governadores. Núcleo = governadores. Sujeito 
Simples. 
Quem terá um encontro? 
Resposta: Não há sujeito escrito na oração, porém na 
oração anterior aparece, com clareza, quem é o sujeito = os 
governadores. Portanto, sujeito oculto. 
 
04) Sujeito Indeterminado: Ocorre quando a oração 
tem um sujeito, mas não é possível determina-lo. Há duas 
formas de se indeterminar o sujeito de uma oração: 
 
a- Com o verbo na terceira pessoa do plural, desde que 
não haja, no contexto, referência anterior ao sujeito. 
Ex. Deixaram uma bomba na casa do deputado. 
 
b- Com verbo que não seja Transitivo Direto na terceira 
pessoa do singular + se (índice de indeterminação do sujeito). 
Ex. Trata-se de uma questão muito grave. 
 
05) Sujeito Oracional: É o sujeito com verbo, ou seja, 
uma oração que exerce a função de sujeito. 
Ex. É preciso estudar mais. (Que é preciso? Resposta: 
estudar mais) 
 
OBS.: O sujeito oracional faz parte do período composto 
e é classificado como oração subordinada substantiva 
subjetiva. As orações subordinadas serão estudadas 
posteriormente. 
 
06) Sujeito Acusativo: É o sujeito de um verbo no 
infinitivo ou no gerúndio, em uma oração que funcione como 
objeto direto de outra, quando o verbo da oração principal for 
fazer, mandar, deixar (verbos causativos) ou sentir, ver e 
ouvir (verbos sensitivos). 
Ex. O garçom mandou a garota se retirar. 
 
No exemplo, temos um período composto. O sujeito da 
primeira oração é o garçom; e o sujeito da segunda oração é 
a garota, chamado de sujeito acusativo, porque integra uma 
oração subordinada substantiva objetiva direta que completa 
um dos verbos acima mencionados. 
 
07) Orações sem sujeito: Haverá oração sem sujeito 
(também chamado de sujeito inexistente) nos seguintes 
casos: 
 
a- Verbos que indiquem fenômeno da natureza. 
Ex. Choveu ontem. / Ventou demasiadamente. 
Se a frase tiver sentido figurado, haverá sujeito: 
Ex. Choveram papeizinhos coloridos sobre os 
soldados que desfilavam. 
 
b- Ser, estar, parecer, ficar, indicando fenômeno da 
natureza. 
Ex. É primavera, mas parece verão. 
Está frio hoje. 
 
c- Fazer, indicando fenômeno da natureza ou tempo 
decorrido. 
Ex. Faz dias friíssimos no inverno. 
Faz três dias que aqui cheguei. 
 
d- Haver, significando existir ou acontecer, ou indicando 
tempo decorrido. 
Ex. Houve muitos problemas naquela noite. 
Há dois anos ele esteve aqui em casa. 
 
e- Passar de, indicando horas. 
Ex. Já passa das 15h. 
 
f- Chegar de e bastar de, no imperativo. 
Ex. Chega de matéria. 
Basta de reclamações! 
 
g- Ser, indicando horas, datas e distância. O verbo ser é 
o único verbo impessoal que não fica obrigatoriamente na 
terceira pessoa do singular, pois concorda com o numeral. 
Ex. São duas horas. 
É um quilômetro daqui até lá. 
Hoje são 06 de maio. 
 
PREDICADO 
 
Predicado é aquilo que se informa sobre o sujeito. Então, 
retirando-se o sujeito de uma oração, tudo o que restar é o 
predicado. 
Para distinguir os tipos de predicado, é necessário 
estudar a predicação verbal. 
 
Predicação Verbal: É o estudo do comportamento do 
verbo na oração. É a partir da predicação verbal que 
analisamos se ocorre ação ou fato, se existe qualidade ou 
estado ou modo de ser de sujeito. 
Quanto à predicação verbal, os verbos podem ser: 
Intransitivos, Transitivos ou de Ligação. 
 
Verbos Intransitivos: São aqueles que não necessitam 
de complementação, pois já possuem sentido completo. 
Ex. Rei Hussein morre aos 63 anos. 
 
2ª parcela do IPVA vence a partir de hoje. 
 
OBS.: Há verbos intransitivos que vêm acompanhados 
de um termo acessório, exprimindo alguma circunstância 
(lugar, tempo, modo, causa, etc.) Não confunda esse 
elemento acessório com complemento de verbo. 
Ex. Garotinho diz que irá a Brasília para reunião. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 19
19
Aparentemente, o verbo ir apresenta complementação, 
pois quem vai, vai a algum lugar. Porém, "lugar" é uma 
circunstância e não complementação, como à primeira vista 
possa parecer. Todos os verbos que indicam destino ou 
procedência são verbos intransitivos, normalmente 
acompanhados de circunstância de lugar (adjunto adverbial). 
São eles ir, vir, voltar, chegar, morar, residir, situar-se, etc. 
 
Verbos Transitivos: São aqueles que necessitam de 
complementação, pois têm sentido incompleto. Dividem-se 
em três tipos: 
 
a- Transitivos diretos: exigem complemento 
(denominado objeto direto) sem preposição obrigatória. 
Ex. Presidente receberá governadores. 
Falta de verbas causa problemas. 
 
b- Transitivos indiretos: exigem complemento (objeto 
indireto) com preposição obrigatória. 
Ex. Eleitor obedece à convocação do TRE. 
População não acredita nos políticos. 
 
c- Transitivos diretos e indiretos (ou bitransitivos): 
exigem dois complementos: um sem e outro com preposição. 
Ex. Governador perdoa traição a deputado. 
Empresário doa lucros à UNICEF. 
 
Verbos de Ligação: São aqueles que servem para ligar 
o sujeito a seu atributo (qualidade), denominado Predicativo 
do Sujeito. Os principais verbos de ligação são ser, estar, 
parecer, permanecer, ficar, continuar. 
Ex. Investimento direto será menor em 2013. 
Matéria-prima fica mais cara. 
 
TIPOS DE PREDICADO 
 
Todo predicado tem um núcleo (uma palavra que contém 
a ideia principal). 
De acordo com o núcleo, o predicado se classifica em: 
 
1) Verbal: O núcleo é um verbo nocional, significativo 
(VT ou VI). 
Ex. A moça ensinava a meia dúzia de garotos. 
O aluno questionou o professor 
 
2) Nominal: O núcleo é um nome (substantivo, adjetivo, 
pronome); o verbo é de ligação. 
Ex. Minha namorada está atrasada. 
Nós ficamos alegres. 
A novela continua enfadonha. 
 
OBS.: No predicado nominal, o verbo tem tão pouca 
importância que podemos retirá-lo, sem haver perda 
significativa do entendimento: 
Ex. A novela enfadonha. 
Nós alegres. 
Minha namorada atrasada. 
 
3) Verbo-Nominal: Apresenta dois núcleos: um formado 
por um verbo que expressa ação (significativo) e outro, por 
um ou mais nomes que indicam uma qualidade ou estado do 
sujeito ou do objeto. É uma construção sintética que funde 
duas orações. 
Ex. Elas viajarão (ação) sozinhas (estado). 
A velha voltou (ação) para casa tranquila (estado). 
 
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 
 
COMPLEMENTO VERBAL: É o termo da oração que 
completa o sentido de um verbo. São dois: 
 
1) Objeto Direto: É o complemento, sem preposição, do 
verbo transitivo direto. 
Ex. Buscaram o carro de Maria. 
Janice quer liberdade e respeito. 
 
OBS.: Em alguns casos o objeto direto pode ser 
preposicionado. Ex. Ao homem a mulher consola (obj. prep. 
para evitar ambiguidade) / O assaltantesacou da arma (obj. 
prep. para dar ênfase) / Ele comeu do bolo (obj. prep. para 
realçar valor partitivo) / Casos obrigatórios: Rubião esqueceu 
a si (pron. oblíquo tônico) / Ela amava a quem nunca a 
amou. (pron. relativo quem) 
 
2) Objeto Indireto: É o complemento, com preposição 
obrigatória, do verbo transitivo indireto. 
Ex. Algumas alunas gostam de lutas marciais. 
Já assisti a esse filme várias vezes. 
 
COMPLEMENTO NOMINAL: É o termo da oração que 
completa o sentido de um substantivo abstrato, de um 
adjetivo ou de um advérbio. É sempre introduzido por 
preposição. 
Ex. O militar deve ter amor à Pátria. (o substantivo 
amor é completado pelo termo Pátria) 
José é igual ao pai. (o adjetivo igual é completado pelo 
termo pai) 
Agiu contrariamente ao esperado. (o advérbio 
contrariamente é completado pelo termo esperado) 
 
PREDICATIVO DO SUJEITO: É o termo que apresenta 
uma qualidade, modo de ser ou estado do sujeito. 
Ex. Maria estava impaciente. 
As crianças brincavam despreocupadas. 
Alegre, Juca foi embora. 
 
PREDICATIVO DO OBJETO: É o termo que apresenta 
uma qualidade, modo de ser ou estado do objeto. 
Ex. O vilarejo elegeu Otaviano prefeito. 
Chamavam-lhe falsário. 
 
AGENTE DA PASSIVA: É o elemento que pratica a 
ação quando o verbo da oração está na voz passiva. O 
agente da passiva é sempre introduzido por uma preposição. 
Ex. Os índios foram exterminados pelo colonizador. 
O testamento será lido por um advogado. 
 
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO 
 
ADJUNTO ADNOMINAL: São palavras que 
acompanham o substantivo, núcleo de uma função sintática, 
para caracterizá-lo, determiná-lo ou individualizá-lo. 
O adjunto adnominal pode ser representado por: 
adjetivos, artigos, numerais, pronomes e locuções adjetivas. 
Ex. As casas antigas eram mais trabalhadas. 
(referem-se ao núcleo do sujeito = casas) 
Ele acompanhava duas crianças pequenas. (referem-se 
ao núcleo do objeto = crianças) 
Paulo era o professor de matemática. (referem-se ao 
núcleo do predicativo = professor) 
 
OBS.: Não confunda adjunto adnominal com complemento 
nominal. Embora ambos possam se referir a substantivos 
abstratos, para diferenciá-los lembre-se de que o complemento 
nominal tem sentido passivo; enquanto o adjunto tem sentido 
ativo. Por exemplo: As críticas do ator ao diretor eram 
infundadas. Observe que temos dois elementos introduzidos por 
preposição, ambos se referindo ao substantivo abstrato críticas. 
O primeiro é adjunto, já que tem sentido ativo (do ator = o ator 
criticou). O segundo é complemento, pois tem sentido passivo 
(ao diretor = o diretor foi criticado) 
 
ADJUNTO ADVERBIAL: Termo que se refere ao verbo, 
ao adjetivo ou a outro advérbio, para indicar uma 
circunstância (tempo, lugar, causa, modo, concessão, etc.) 
 Ex. Só obtivemos os gabaritos do vestibular no dia 
seguinte. (adj. adv. tempo) 
O trânsito está engarrafado na Avenida Recife. (adj. adv. 
lugar) 
Os turistas foram recebidos alegremente. (adj. adv. modo) 
Estávamos tremendo de frio. (adj. adv. causa) 
 Vou sair com você. (adj. adv. companhia) 
Com a vassoura, retirou a sujeira da sala. (adj. adv. 
instrumento) 
Prefiro viajar de carro. (adj. adv. meio) 
Conversamos sobre economia. (adj. adv. assunto) 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 20
20
APOSTO: É o termo que tem por objetivo explicar, 
esclarecer, resumir, especificar ou comentar algo sobre um 
substantivo. 
Ex. Recife, a Veneza brasileira, sofre durante o 
período chuvoso. 
AMD_ fabricante de processadores _ vem ganhando 
mercado. 
Maria telefonou para os amigos: Júnior, André, Carla, 
Bianca e Dulce. 
O estado de Minas Gerais destaca-se na produção de 
leite e derivados. 
 
No último exemplo, observa-se o único tipo de aposto 
que não é separado por sinal de pontuação, o aposto 
especificador ou aposto de especificação. 
Para não confundi-lo com o adjunto adnominal, lembre-
se de que é possível estabelecer uma relação de igualdade 
entre o aposto e o substantivo a que ele se refere (estado = 
Minas Gerais). 
Já em A população de Minas Gerais é cordial, o termo 
sublinhado é adjunto adnominal, pois não há relação de 
igualdade (população não é = Minas Gerais). 
 
OBS.: O aposto pode aparecer anteposto ao termo a que 
se refere. Ex. Veneza brasileira , Recife está sofrendo com 
as chuvas. Ele também pode aparecer precedido de 
expressões explicativas. Ex. Algumas matérias, a saber, 
Matemática, Física e Química apresentam maiores 
dificuldades de aprovação no vestibular. 
 
VOCATIVO: É considerado um termo independente da 
oração porque não faz parte de sua estrutura. É usado para 
invocar, chamar, interpelar ou apelar a quem o falante se dirige. 
Ex. Menino, venha cá! 
Tenham calma, meus filhos. 
Você, Dora, reclama demais. 
 
PERÍODO COMPOSTO 
 
Período Composto é aquele que apresenta mais de uma 
oração, podendo ser formado por coordenação ou por 
subordinação. No período composto por coordenação, as 
orações são independentes, estando ligadas apenas pelo 
sentido. Já no período composto por subordinação, uma 
oração – a subordinada – depende da outra, denominada 
principal; ou seja, a ligação entre elas é semântica, mas 
também sintática. 
 
ORAÇÕES COORDENADAS 
 
As orações coordenadas que não apresentam conjunção 
são chamadas de assindéticas e as que têm conjunção, 
sindéticas. Estas últimas se classificam, de acordo com a 
conjunção que apresentam, em: 
 
1) Aditivas: Exprimem ideia de adição, sendo iniciadas 
pelas conjunções e, nem, mas também, mas ainda, etc. 
Ex. Adilson foi ao trabalho a pé e voltou de automóvel. 
Estudou não somente Português, como também Geografia. 
 
2) Adversativas: Exprimem uma ideia oposta à oração 
principal. Principais conjunções: mas, contudo, todavia, 
entretanto, porém, no entanto, senão. 
Ex. Argumentou durante duas horas, mas não 
convenceu. 
Nesse particular, você tem razão, contudo não me 
convenceu. 
 
3) Alternativas: Expressam alternância. São 
identificadas pelas conjunções ou, ora, quer, seja. 
Ex. A babá ora acariciava o nenê, ora beslicava-o. 
Quer você queira, quer não, iremos ao hospital. 
 
4) Conclusivas: Apresentam a conclusão da oração 
anterior. São introduzidas pelas conjunções logo, portanto, 
por fim, por conseguinte, assim, entre outras. 
Ex. Vivia zombando de todos; logo, não merecia 
complacência. 
O funcionário era muito competente; então, foi aprovado. 
5) Explicativas: Expressam explicação, justificativa. 
Conjunções e locuções utilizadas: isto é, ou seja, a saber, na 
verdade, pois, que, visto que. 
Ex. A criança devia estar doente, porque chorava de 
forma incessante. 
Venha para casa, que já é tarde. 
 
OBS.: A conjunção pois pode ser conclusiva ou explicativa. 
Se estiver antes do verbo, será conjunção explicativa. (Ex. José 
estava resfriado, pois tossia muito.) Entretanto, se a conjunção 
estiver após o verbo, será conclusiva. (Ex. Não tenho dinheiro; 
não posso, pois, pagar a conta.) 
 
ORAÇÕES SUBORDINADAS 
 
No período composto por subordinação sempre 
aparecem dois tipos de oração: oração principal e oração 
subordinada. 
 
Oração principal: é um tipo de oração que no período 
não exerce nenhuma função sintática e tem associada a si 
uma oração subordinada. 
 
Oração subordinada: é toda oração que se associa a 
uma oração principal e exerce uma função sintática (sujeito, 
objeto, adjunto adverbial etc.) em relação à oração principal. 
 
As orações subordinadas classificam-se, de acordo com 
seu valor ou função, em: 
Orações subordinadas substantivas 
1) Subjetivas: são aquelas que exercem a função de 
sujeito em relação à outra oração. 
Ex. Importa que nós estudemos continuamente. 
Sabe-se que a situação econômico-financeira ainda vai ficar 
pior. 
 
2) Objetivas diretas: são aquelas que exercem a função 
de objeto direto de outra oração. 
Ex. Informamos que osalunos sairão pela porta dos fundos. 
Amaral não sabia como realizar o sorteio. 
 
3) Objetivas indiretas: são aquelas que exercem a 
função de objeto indireto de outra oração. 
Ex. Ivo tinha se esquecido de que sua proposta não 
agradara. 
O jovem obedecia a quem se revelava superior. 
 
4) Completivas nominais: são aquelas que completam 
o sentido de um substantivo abstrato, de um adjetivo ou de 
um advérbio. 
Ex. Alencar estava esperançoso de que tudo se 
resolveria. 
 A população tem necessidade de que seus clamores sejam 
ouvidos. 
 
5) Predicativas: são aquelas que funcionam como 
predicativo do sujeito. Exemplos: 
Ex. O bom é que você não desconfia nunca. 
O certo era que Sérgio não se casaria. 
 
6) Apositivas: são aquelas que funcionam como aposto. 
Ex. Sua instrução foi única: estudar sempre. 
 Pedi-lhe um favor: que me chamasse às sete horas. 
 
OBS.: Para verificar se uma oração subordinada é 
substantiva, tente substituí-la pela palavra “isso”. Ex. Eles 
ignoram que o mundo é cheio de mistérios. / Eles ignoram isso. 
Se a substituição for possível, ou seja, se criar um enunciado 
lógico, é porque a oração realmente é substantiva. 
 
Orações subordinadas adjetivas 
1) Orações adjetivas explicativas: são aquelas que 
indicam qualidade inerente ao substantivo a que se referem. 
Justapõem-se a um substantivo já plenamente definido 
pelo contexto e são menos comuns que a restritiva. 
Além disso, as orações adjetivas explicativas podem ser 
eliminadas sem prejuízo do sentido. 
Têm função meramente estilística. 
Ex. O inverno suíço de 1987, que foi muito rigoroso, 
matou 100 pessoas. 
O lírio, que é branco, já não é símbolo de candura. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 21
21
2) Orações adjetivas restritivas: são aquelas que 
delimitam o sentido do substantivo antecedente. São 
indispensáveis ao sentido total da oração. 
Ex. Todo aluno que é estudioso é digno de aprovação.. 
 Não acredito no médico do qual me falaste. 
 O professor cujas orientações não são diretivas tem 
conseguido melhores resultados. 
 
OBS.: Todas as orações subordinadas adjetivas são 
introduzidas por pronome relativo (que, quem, o qual, quanto, 
onde, cujo). 
Para diferenciar a explicativa da restritiva, lembre-se de que 
a explicativa é separada por vírgula; a restritiva não. 
 
Orações subordinadas adverbiais 
1) Causais: são aquelas que modificam a oração 
principal apresentando uma circunstância de causa, isto é, 
respondem à pergunta "por quê?" feita à oração principal. 
Ex. Carlos saiu porque precisava espairecer. 
Nilo Lusa deixou o magistério porquanto sua saúde era 
precária. 
 
São conjunções causais: porque, pois, que, porquanto, 
visto que, como, uma vez que, já que. 
 
2) Comparativas: são aquelas que correspondem ao 
segundo termo de uma comparação. 
Ex. Marisa é tão boa digitadora quanto Teresa (é). 
 "A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro." 
São conjunções comparativas: como, mais que, menos 
que, assim como, bem como, tanto quanto. 
 
3) Consecutivas: são aquelas que apresentam a 
consequência do fato expresso na oração principal. 
Ex. Otávio bebia tanto que morreu de cirrose hepática. 
 Faça seu trabalho de tal modo que não venha a lastimar-se 
do resultado. 
 
São conjunções consecutivas: (tanto) que, (tão) que, (tal) 
que, (tamanho) que 
 
4) Concessivas: são aquelas que se caracterizam pela 
ideia de concessão que transmitem à oração principal. Têm 
sempre a ideia de “apesar de”. 
Ex. Ainda que faça frio, o jogo se realizará. 
Cristiano foi ao parque, embora estivesse chovendo. 
São conjunções concessivas: embora, posto que, se bem 
que, ainda que, desde que, conquanto, mesmo que, por mais 
que. 
 
5) Condicionais: são aquelas que transmitem ideia de 
condição à oração principal. 
Ex. Se o filme for ruim, sairei do cinema. 
Caso tivesse realizado as obras necessárias, não teria 
perdido a eleição. 
São conjunções condicionais: se, salvo se, senão, caso, 
desde que, exceto se, contanto que, a menos que, sem que. 
 
6) Conformativas: são aquelas que indicam 
conformidade com a ação expressa na oração principal. 
Ex. Conforme as últimas notícias, o mundo corre risco de 
uma guerra generalizada. 
Realizei seus desejos como você me havia sugerido. 
São conjunções conformativas: do modo que, assim 
como, bem como, de maneira que, de sorte que, de forma que, 
do mesmo modo que, segundo, como, conforme. 
 
7) Finais: são aquelas que indicam o objetivo, a 
finalidade do fato expresso na oração principal. 
Ex. Acenei-lhe para que silenciasse. 
Antônio Carlos falou baixinho a fim de que não fosse 
percebida sua revolta. 
 
São conjunções subordinativas finais: para que, a fim de 
que. 
8) Proporcionais: são aquelas que transmitem ideia de 
proporcionalidade à oração principal. 
Ex. À proporção que o tempo passa, a agonia recrudesce. 
 O barulho de algazarra aumenta à medida que se aproxima 
das crianças. 
 
São conjunções subordinativas proporcionais: à medida 
que, à proporção que, ao passo que, quanto mais...mais, quanto 
menos...menos. 
 
9) Temporais: são aquelas que indicam relação de 
tempo naquilo que se refere à ação expressa pela oração 
principal. 
Ex. Enquanto leio poesia, recupero o equilíbrio emocional. 
“Quando penso em você, fecho os olhos de saudade...” 
São conjunções subordinadas temporais: quando, 
enquanto, agora que, logo que, desde que, assim que, tanto 
que, apenas, antes que, até que, sempre que, depois que, cada 
vez que, tão logo. 
 
ORAÇÕES REDUZIDAS 
 
São denominadas orações reduzidas aquelas que não 
têm conjunção e que apresentam o verbo em uma das 
formas nominais, ou seja, infinitivo, gerúndio e particípio. 
Ex. Urge partir imediatamente. (Oração Sub. Subst. 
Subjetiva Reduzida de Infinitivo). 
Retornando de férias, volte ao trabalho. (Oração Sub. 
Adv. Temporal Reduzida de Gerúndio) 
O rapaz, pego em flagrante, tentou fugir. (Oração Sub. 
Adj. Explicativa Reduzida de Particípio) 
 
CONCORDÂNCIA VERBAL 
 
Estudar a concordância verbal é, basicamente, estudar o 
sujeito, pois é com este que o verbo concorda, em número e 
pessoa. Entretanto, há alguns casos que podem suscitar 
dúvidas e devem ser analisados mais detalhadamente. 
 
Coletivo: Quando o sujeito for um substantivo coletivo 
(bando, multidão, arquipélago, cacho, etc.) ou uma palavra 
no singular que indique diversos elementos (maioria, 
pequena parte, grande parte, metade, porção, etc.) poderão 
ocorrer duas circunstâncias: 
 
A) O coletivo funciona como sujeito, sem 
acompanhamento de qualquer adjunto: 
Nesse caso, o verbo ficará no singular, concordando 
com o coletivo, que é singular. 
Ex. A multidão invadiu o campo após o jogo. 
A maioria está contra as medidas do governo. 
 
B) O coletivo funciona como sujeito, acompanhado de 
restritivo no plural: 
Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, 
quanto no plural. 
Ex. A multidão de torcedores invadiu / invadiram o 
campo após o jogo. 
A maioria dos cidadãos está / estão contra as medidas 
do governo. 
 
Um milhão, um bilhão, um trilhão: O verbo deverá ficar 
no singular. Caso surja a conjunção e, o verbo ficará no 
plural. 
Ex. Um milhão de pessoas assistiu ao comício. 
Um milhão e cem mil pessoas assistiram ao comício. 
 
Mais de, menos de, cerca de...: Quando o sujeito for 
iniciado por uma dessas expressões, o verbo concordará 
com o numeral que vier imediatamente à frente. 
Ex. Mais de uma criança se machucou no brinquedo. 
Cerca de duzentos mil reais foram roubados. 
 
 
OBS.: Quando Mais de um estiver indicando 
reciprocidade ou a expressão estiver repetida, o verbo ficará 
no plural. Ex. Mais de uma pessoa agrediram-se. / Mais de 
um rapaz, mais de uma moça estiveram no evento. 
 
 
Nomes no plural: Quando houver um nome usado 
apenas no plural, deve-se analisar o elementoa que ele se 
refere: 
 
A) Se for nome de obra, o verbo tanto poderá ficar no 
singular, quanto no plural. 
Ex. Os Lusíadas imortalizou / imortalizaram Camões. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 22
22
B) Se for nome de lugar - cidade, estado, país... - o 
verbo concordará com o artigo; caso não haja artigo, o 
verbo ficará no singular. 
Ex. Os Estados Unidos comandam o mundo. 
Campinas fica em São Paulo. 
 
C) Se for um substantivo comum, o verbo só vai para o 
plural se o nome estiver determinado: 
Ex. Pêsames não traz conforto. 
Os pêsames não trazem conforto. 
 
Qual de nós / Quais de nós: Quando o sujeito contiver 
as expressões ...de nós, ...de vós ou ...de vocês, deve-se 
analisar o elemento que surgir antes dessas expressões: 
 
A) Se o elemento que surgir antes das expressões 
estiver no singular (qual, quem, cada um, alguém, algum...), 
o verbo deverá ficar no singular. 
Ex. Quem de nós irá conseguir o intento? 
Cada um de vocês deve cuidar do seu material. 
 
B) Se o elemento que surgir antes das expressões 
estiver no plural (quais, alguns, muitos...), o verbo tanto 
poderá ficar na terceira pessoa do plural, quanto concordar 
com o pronome nós ou vós. 
Ex. Alguns de nós irão / iremos conseguir o intento. 
Quais de vós trarão / trareis o que pedi? 
 
Pronome relativo: Quando o pronome relativo exercer a 
função de sujeito, deveremos analisar o seguinte: 
 
A) Pronome Relativo que: O verbo concordará com o 
elemento antecedente. 
Ex. Fui eu que quebrei a vidraça. 
Estes são os garotos que foram expulsos da escola. 
 
B) Pronome Demonstrativo o, a, os, as + Pronome 
Relativo que: O verbo concordará com o pronome 
demonstrativo. 
Ex. Fui eu o que quebrou a vidraça. 
Foram vocês os que me enganaram. 
 
C) Pronome Relativo quem: O verbo pode ficar na 3ª 
pessoa do singular ou concordar com o antecedente. 
Ex. Fui eu quem quebrou/quebrei a vidraça. 
Fomos nós quem quebrou/quebraram a vidraça. 
 
Um dos... que: Quando o sujeito for iniciado pela 
expressão Um dos que, deveremos analisar o seguinte: 
 
A) Se o elemento for o único a praticar a ação, o verbo 
ficará no singular. 
Ex. O Corinthians é um dos times paulistas que mais 
vezes foi campeão estadual. 
 
A frase tem o verbo no singular, pois é certo que, dos 
times de São Paulo, o Corinthians foi mais vezes campeão. 
 
B) Se o elemento não for o único a praticar a ação, o 
verbo ficará no plural. 
Ex. Casagrande é um dos ex-jogadores de futebol que 
trabalham como comentarista esportivo. 
 
A frase tem o verbo no plural, pois é certo que, além de 
Casagrande, há outros ex-jogadores de futebol, trabalhando 
como comentarista esportivo. 
 
Nenhum dos... Que: Quando o sujeito for iniciado pela 
expressão Nenhum dos que, o primeiro verbo ficará no 
plural, e o segundo, no singular. 
Ex. Nenhuma das pessoas que chegaram atrasadas 
tem justificativa. 
 
Porcentagem + Substantivo: Há três possibilidades 
nesse caso: 
 
A) Porcentagem + Substantivo, sem modificador da 
porcentagem: 
Facultativamente o verbo poderá concordar com a 
porcentagem ou com o substantivo. 
Ex. 1% da turma estuda muito. 
1% dos alunos estuda / estudam muito. 
10% da turma estuda / estudam muito. 
10% dos alunos estudam muito. 
 
B) Porcentagem + Substantivo, com modificador da 
porcentagem: O verbo concordará com o modificador 
(pronome demonstrativo, pronome possessivo, artigo...) 
Ex. Os 10% da turma estudam muito. 
Este 1% dos alunos estuda mais. 
 
C) Mais de, menos de, cerca de, perto de, antes da 
porcentagem: O verbo concordará apenas com o numeral da 
porcentagem. 
Ex. Mais de 1% dos alunos estuda muito. 
Menos de 10% da turma estudam muito. 
 
Pronomes de Tratamento: Fazem a concordância em 
terceira pessoa. 
Ex. Vossa Senhoria deve trazer seus documentos 
consigo. 
Vossa Excelência é um bom juiz. 
 
Sujeito Composto - Núcleos ligados pela conjunção 
"e" 
01) Verbo após os núcleos: Ficará no plural o verbo que 
estiver após o sujeito composto cujos núcleos sejam ligados 
pela conjunção e: 
Ex. Machado de Assis e Guimarães Rosa estão entre 
os melhores escritores do mundo. 
 
OBS.: Quando os núcleos forem sinônimos, verbos no 
infinitivo, ou estiverem formando gradação, o verbo deverá 
ficar no singular. 
Ex. A lisura e a honestidade frequenta pouco o 
Congresso Nacional. (lisura = honestidade). Cantar e 
dançar era a vida daquela menina. (Cantar, dançar – 
infinitivo) Um olhar, um aceno, um sorriso bastava para a 
paquera fluir. (olhar, aceno, sorriso _ Gradação) 
 
02) Verbo antes dos núcleos: Ficará no plural ou 
concordará com o núcleo mais próximo. 
Ex. Fugiram o cão e o gato. 
Fugiu o cão e o gato. 
 
Sujeito composto com pessoas gramaticais 
diferentes: A 1ª pessoa prevalece sobre as demais; se 
houver só 2ª e 3ª pessoas, a concordância é facultativa. 
Ex. Teté e eu passamos as férias em Santa Bárbara. 
Tu e Walmor estais/estão equivocados. 
 
Sujeito Composto - Núcleos ligados pela conjunção 
“ou” 
01) Havendo ideia de exclusão, o verbo ficará no 
singular. 
Ex. Victor ou Fábio será o goleiro titular da seleção. 
02) Não havendo ideia de exclusão, o verbo ficará no plural. 
Ex. Victor ou Fábio poderão ser convocados para a 
Copa de 2014. 
 
Aposto resumidor: 
O verbo ficará no singular, concordando com o aposto 
resumidor (tudo, nada, ninguém, isto, isso, aquilo...). 
Ex. Brinquedos, roupas, jogos, nada tirava a angústia 
daquele jovem. 
Amigos, parentes, companheiros de trabalho, ninguém 
se incomodou com sua ausência. 
 
Conectivos Correlatos: 
Quando o sujeito composto tem os elementos ligados 
por conectivos correlatos (assim... como, não só... mas 
também, tanto... como), o verbo ficará no plural. 
Ex. Tanto o irmão como a esposa ignoraram seu 
pedido de ajuda. 
Não só Pedro mas também Eduardo estão à sua procura. 
 
Verbo SER 
A) Quando o verbo “ser” e o predicativo do sujeito forem 
numericamente diferentes (um no singular, outro no plural), o 
verbo deverá ficar no plural. 
Ex. O vestibular são as esperanças dos estudantes. 
 
B) Havendo nome próprio de pessoa ou pronome 
pessoal, o verbo concordará com ele. 
Ex. Aline é as alegrias do namorado. 
A família éramos nós. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 23
23
C) Se o sujeito for uma quantidade no plural, e o 
predicativo do sujeito, palavra ou expressão como muito, 
pouco, o bastante, o suficiente, uma fortuna, uma miséria, o 
verbo ficará no singular. 
Ex. Cem reais é muito, por esse produto. 
Duzentos gramas de carne é pouco. 
 
D) Na indicação de horas ou distância, o verbo 
concordará com o numeral. 
Ex. Era meio-dia, quando ele chegou. 
São duas horas. 
 
E) Se o sujeito for o pronome interrogativo QUE ou 
QUEM, o verbo concordará com o predicativo: 
Ex. Quem eram aquelas garotas? 
Que são bromélias? 
 
Verbo Haver: É impessoal, no sentido de existir, de 
acontecer ou indicando tempo decorrido; por isso fica na 3ª 
pessoa do singular. 
Ex. Havia um mês, nós estávamos à sua procura. 
Poderá haver confrontos entre os grevistas. 
 
Verbo Fazer: 
É impessoal, indicando tempo decorrido e fenômeno 
natural; por isso fica na 3ª pessoa do singular. 
Ex. Deve fazer três meses que não o vejo. 
Faz 35º no verão, em Londrina. 
 
Verbos Dar, Bater e Soar (indicando horas): 
Concordam com o sujeito, que pode ser: 
 
A) o relógio, a torre, o sino... 
Ex. O relógio deu quatro horas. 
O sino soou cinco horas. 
 
B) as horas. 
Ex. o relógio, deram quatro horas. 
Soaram cinco horas, no sino da igreja. 
 
Verbo Parecer + infinitivo: 
Quando o verbo parecer surgir antes de outro verbo no 
infinitivo, duas ocorrências podem acontecer: 
 
A) Pode ocorrer a formação de uma locução verbal. 
Nesse caso, o verbo parecer concordará com o sujeito, e o 
verbo no infinitivo ficará invariável. 
Ex. As meninas parecem estarnervosas. 
Os alunos parecem estudar muito. 
 
B) Pode ocorrer a formação de um período composto, 
com o verbo parecer na oração principal, invariável, e o 
verbo no infinitivo, formando oração subordinada substantiva 
subjetiva reduzida de infinitivo, concordando com o sujeito. 
Ex. As meninas parece estarem nervosas. 
Os alunos parece estudarem muito. 
 
Verbo + Partícula Apassivadora: 
Verbo na voz passiva sintética, construída com o 
pronome se, concorda normalmente com o sujeito. 
A maneira mais fácil de se comprovar que a oração está 
na voz passiva sintética é passando-a para a voz passiva 
analítica: Alugam-se casas muda para Casas são alugadas. 
Ex. Entregam-se encomendas. 
Ouviram-se muitas histórias. 
 
Verbo+ Índice de Indeterminação do Sujeito: 
O pronome se, sendo índice de indeterminação do 
sujeito, deixa o verbo na terceira pessoa do singular. 
Haverá I.I.S. quando surgir na oração VI, sem sujeito 
claro; VTI, com OI; ou VL, com PS. 
Ex. Morre-se de fome no Brasil. 
Assiste-se a filmes interessantes. 
Aqui se está satisfeito. 
 
CONCORDÂNCIA NOMINAL 
 
Os adjetivos e as palavras adjetivadas concordam em 
gênero e número com os elementos a que se referem. 
Por exemplo: gatas malhadas e cachorros brancos. 
Quando o adjetivo surgir junto de mais de um substantivo, 
teremos regras especiais, que veremos agora: 
01) Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos 
Adjunto adnominal: Quando o adjetivo, posposto a dois 
ou mais substantivos de gêneros diferentes, funcionar como 
adjunto adnominal, concordará no masculino. 
Ex. O Estado compra carros e maçãs argentinos. 
 
Há dois casos em que o adjunto adnominal concordará 
apenas com o elemento mais próximo: 
 
A) Se qualificar apenas o elemento mais próximo: 
Ex. Comprei óculos e frutas frescas. 
 
B) Se os substantivos forem sinônimos: 
Ex. Desrespeitaram o povo e a gente brasileira. 
 
Predicativo do sujeito ou do objeto: Quando o adjetivo 
imediatamente posposto a dois ou mais substantivos 
funcionar como predicativo do sujeito ou como predicativo do 
objeto, deverá concordar com a soma dos elementos. 
Ex. O operário e a esposa, preocupados, saíram para o 
trabalho. 
Encontrei o operário e a esposa preocupados com a 
situação da empresa. 
 
OBS.: Uma maneira fácil de se estabelecer a diferença 
entre o adjunto adnominal e o predicativo é substituir o 
substantivo por um pronome: todos os adjuntos adnominais 
que gravitam ao redor do substantivo desaparecem. 
Portanto, se o adjetivo não desaparecer na substituição, 
será predicativo. Ex. Encontrei-os preocupados com a 
situação da empresa. 
 
02) Adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos 
Adjunto adnominal: Quando o adjetivo anteposto a dois 
ou mais substantivos funcionar como adjunto adnominal e 
estiver qualificando todos os substantivos apresentados, 
deverá concordar apenas com o elemento mais próximo. 
Ex. Trouxe belas rosas e cravos. 
Trouxe belos cravos e rosas. 
 
Predicativo do sujeito ou do objeto: Quando o adjetivo 
imediatamente anteposto a dois ou mais substantivos 
funcionar como predicativo do sujeito ou como predicativo do 
objeto, deverá concordar com a soma dos elementos. 
Ex. Preocupados, o operário e a esposa saíram para o 
trabalho. 
Encontrei preocupados com a situação da empresa o 
operário e a esposa. 
 
03) Dois ou mais adjetivos, modificando um só 
substantivo 
Quando houver apenas um substantivo qualificado por dois 
ou mais adjetivos, há duas maneiras de se construir a frase: 
 
A) Coloca-se o substantivo no plural e enumeram-se os 
adjetivos. 
Ex. Ele estuda as línguas inglesa e francesa. 
B) Coloca-se o substantivo no singular e, ao se enumerarem 
os adjetivos, acrescenta-se artigo a cada um deles. 
Ex. Ele estuda a língua inglesa e a francesa. 
 
Obrigado / Mesmo / Próprio 
Esses três elementos concordam com o substantivo ou 
com o pronome a que se referem, ou seja, se o substantivo 
for feminino plural, usam-se mesmas, próprias e obrigadas. 
Caso a palavra mesmo significar realmente, ficará 
invariável, pois será advérbio. 
Ex. Elas mesmas disseram, em coro: Muito obrigadas, 
professor. 
Os próprios jogadores reconheceram o erro. 
As meninas trouxeram mesmo o radialista. (realmente 
trouxeram) 
 
Só / Sós 
Essa palavra concordará com o elemento a que se 
refere, quando significar sozinho(s), sozinha(s); ficará 
invariável, quando significar apenas, somente. 
A locução a sós é sempre invariável. 
Ex. Só as garotas queriam andar sós; os meninos 
queriam a companhia delas. 
Gosto de estar a sós. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 24
24
Quite / Anexo / Incluso 
Esses três elementos concordam com o substantivo a 
que se referem. 
Ex. Deixarei as promissórias quites, para não ter 
problemas. 
Anexas, seguem as fotocópias dos documentos solicitados. 
Estão inclusos o café da manhã e o almoço. 
 
Meio 
Concordará com o elemento a que se referir, quando 
significar metade; ficará invariável, quando significar um 
pouco, mais ou menos. Quando formar substantivo 
composto, ambos os elementos variarão. 
Ex. Era meio-dia e meia. 
Ela estava meio nervosa. 
Os meios-fios foram construídos em lugar errado. 
 
Verbo de ligação + Predicativo do sujeito 
Quando o substantivo que integra o sujeito não estiver 
determinado, o verbo ser - ou qualquer outro verbo de ligação - 
ficará no singular e o predicativo do sujeito no masculino, 
singular. Se o sujeito vier determinado por qualquer palavra, a 
concordância do verbo e do predicativo será regular, ou seja, 
concordarão com o sujeito em número e pessoa. 
Ex. Caminhada é bom para a saúde. 
Esta caminhada está muito boa. 
É proibido entrada. 
É proibida a entrada. 
 
Menos / Pseudo 
Essas duas palavras são sempre invariáveis. 
Ex. Houve menos reclamações dessa vez. 
As pseudo-escritoras foram desmascaradas. 
 
Muito / Bastante / Pouco 
Quando modificarem substantivo, concordarão com ele, 
por serem pronomes indefinidos adjetivos; quando 
modificarem verbo, adjetivo, ou outro advérbio, ficarão 
invariáveis, por serem advérbios. 
Ex. Bastantes funcionários ficaram bastante revoltados 
com a empresa. 
 
Caro / Barato / Longe 
Se forem adjetivos, concordarão com o substantivo; se 
forem advérbios, não flexionarão. 
Ex. Esta blusa é muito cara. 
A blusa custou caro. 
Ele mora longe. 
Quero conhecer lugares longes. 
 
Possível 
Em expressões superlativas, como o mais, o menos, o 
melhor, o pior, as mais, os menos, os piores, as melhores, a 
palavra possível concordará com o artigo. 
Ex. Visitei cidades o mais interessantes possível. 
Visitei cidades as mais interessantes possíveis. 
 
REGÊNCIA VERBAL 
 
A regência verbal estuda a relação de dependência que se 
estabelece entre os verbos e seus complementos. Na realidade, 
o que estudamos na regência verbal é se o verbo é transitivo 
direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto ou intransitivo 
e qual é a preposição que se relaciona com ele. 
 
Verbos Transitivos Diretos 
1) Aspirar (significado: sorver, absorver) 
Ex. Como é bom aspirar a brisa da tarde. 
2) Assistir (significado: auxiliar, dar assistência) 
Ex. A enfermeira assistia o paciente. 
3) Visar (significado: mirar ou dar visto) 
Ex. O atirador visou o alvo, mas errou o tiro. 
O gerente visou o cheque do cliente. 
4) Querer (significado: desejar, tencionar) 
Ex. Quero que me digam quem é o culpado. 
5) Chamar (significado: convocar, mandar vir) 
Ex. Chamei todos os sócios para a reunião. 
6) Implicar (significado: acarretar, fazer supor) 
Ex. A crise econômica implicará demissões. 
7) Desfrutar e Usufruir são VTD sempre. 
Ex. Desfrutei os bens deixados por meu pai. 
8) Namorar é sempre VTD. 
Ex. Joanilda namorava o filho do delegado. 
9) Compartilhar é sempre VTD. 
Ex.Ela compartilhou o sofrimento e a alegria. 
10) Esquecer e Lembrar serão VTD, quando não forem 
pronominais, ou seja, caso não sejam usados com pronome, 
não serão usados também com preposição. 
Ex. Esqueci que havíamos combinado sair. 
Ela não lembrou o meu nome. 
 
OBS.: Somente verbos transitivos diretos admitem voz passiva. 
As exceções são obedecer (VTI), pagar (VTDI) e perdoar (VTDI), 
que, embora não sejam TD, podem ser colocados na voz passiva. 
 
Verbos Transitivos Indiretos 
1) Aspirar (significado: almejar, objetivar) 
Ex. Aspiramos a uma vaga naquela universidade. 
2) Visar (significado: almejar, objetivar) 
Ex. Sempre visei a uma vida melhor. 
3) Querer (significado: estimar) 
Ex. Quero aos meus amigos, como aos meus irmãos. 
4) Assistir (significado: ver ou ter direito) 
Ex. Gosto de assistir aos jogos do Santos. 
Assiste ao trabalhador o direito a férias. 
5) Custar (significado: ser difícil) 
Ex. Custa-me acreditar em você. 
6) Proceder (significado: dar início, executar) 
Ex. Os fiscais procederam à prova com atraso. 
7) Obedecer e desobedecer são sempre VTI. 
Ex. Obedeço a todas as regras da empresa. 
8) Revidar é sempre VTI. 
Ex. Ele revidou ao ataque instintivamente. 
9) Simpatizar e Antipatizar sempre são VTI, com a prep. 
com. Não são verbos pronominais, portanto não existe o 
verbo simpatizar-se, nem antipatizar-se. 
Ex. Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo 
com o irmão dela. 
10) Implicar (significado: perturbar) 
Ex. Não sei por que o professor implica comigo. 
11) Esquecer-se e lembrar-se serão VTI, com a prep. de, 
quando forem pronominais, ou seja, somente quando forem 
usados com pronome, poderão ser usados com a prep. de. 
Ex. Esqueci-me de que havíamos combinado sair. 
Ela não se lembrou do meu nome. 
12) Sobressair é sempre VTI, com a prep. em. Não é 
verbo pronominal, portanto não existe o verbo sobressair-se. 
Ex. Quando estava no colegial, sobressaía em todas as 
matérias. 
 
OBS.: Alguns verbos transitivos indiretos, que regem a 
preposição a, não admitem a utilização do complemento lhe. No 
lugar, deveremos colocar a ele(s), a ela(s). Dentre eles, destacam-
se os seguintes: Aspirar, visar, assistir(ver), aludir, referir-se, anuir. 
 
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos 
1) Chamar (significado: repreender) 
Ex. Chamei o menino à atenção, pois estava 
conversando. 
 
OBS.: A expressão “chamar a atenção” de alguém não 
significa repreender, e sim fazer-se notado. 
Ex. O cartaz chamava a atenção de todos que por ali 
passavam. 
 
2) Implicar (significado: envolver alguém) 
Ex. Implicaram o advogado em negócios ilícitos. 
3 ) Custar (significado: causar trabalho, transtorno) 
Ex. Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a 
família. 
4) Agradecer, Pagar e Perdoar são VTDI, com a prep. a. O 
objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa. 
Ex. Agradeci a ela o convite. 
Perdoo os erros ao amigo. 
5) Pedir é VTDI, com a prep. a. 
Ex. Pedimos dinheiro ao pai. 
 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 25
25
OBS.: O verbo pedir só pode ser utilizado com a 
preposição para quando houver a palavra licença, escrita ou 
subentendida. 
Ex. O aluno pediu (licença) para ir ao banheiro. 
 
6) Preferir é sempre VTDI, com a prep. a. Com esse 
verbo, não se deve usar mais, muito mais, mil vezes, nem 
que ou do que. 
Ex. Prefiro cinema a teatro. 
7) Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, 
informar, lembrar, noticiar, notificar, prevenir são VTDI, 
admitindo duas construções: 
Ex. Advertimos aos usuários que não nos 
responsabilizamos por furtos ou roubos. 
Advertimos os usuários de que não nos 
responsabilizamos por furtos ou roubos. 
 
Verbos Intransitivos 
1) Assistir (significado: morar) 
Ex. Assisto em Londrina desde que nasci. 
2) Custar (significado: ter preço) 
Ex. Estes sapatos custaram R$ 80,00. 
3) Proceder (significado: ter fundamento) 
Ex. Suas palavras não procedem! 
4) Ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer e dirigir-se são 
intransitivos. Esses verbos exigem a prep. a, na indicação de 
destino, e de, na indicação de procedência. 
Ex. Cheguei de Curitiba há meia hora. 
Vou a São Paulo no avião das 8h. 
 
OBS.: São erradas construções que apresentam um 
mesmo complemento para verbos de regências distintas. 
Ex. Conhecemos e duvidamos de José. 
(Correção: Conhecemos José e duvidamos dele.) 
 
REGÊNCIA NOMINAL 
 
A regência nominal estuda a relação entre os nomes 
(substantivos, adjetivos e advérbios) e os termos regidos por 
esses nomes. 
Essa relação é intermediada por uma preposição. 
Vejamos abaixo uma lista de nomes com a preposição 
que eles regem: 
Acessível a Acostumado a ou com 
Alheio a Alusão a 
Ansioso por Atenção a ou para 
Atento a ou em Benéfico a 
Compatível com Cuidadoso com 
Desatento a Desacostumado a ou com 
Desfavorável a Desrespeito a 
Estranho a Favorável a 
Fiel a Grato a 
Hábil em Habituado a 
Inacessível a Indeciso em 
Invasão de Junto a ou de 
Leal a Maior de 
Morador em Natural de 
Necessário a Necessidade de 
Nocivo a Ódio a ou contra 
Odioso a ou para Posterior a 
Preferência a ou por Preferível a 
Prejudicial a Próprio de ou para 
Próximo a ou de Querido de ou por 
Residente em Respeito a ou por 
Sensível a Simpatia por 
Simpático a Útil a ou para 
Versado em 
 
CRASE 
 
A palavra crase provém do grego (krâsis) e significa mistura. 
Na língua portuguesa, crase é a fusão de duas vogais 
idênticas, mas essa denominação visa a especificar 
principalmente a contração ou fusão da preposição a com os 
artigos definidos femininos (a, as) ou com os pronomes 
demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo. 
 
Para saber se ocorre ou não a crase, basta seguir três 
regras básicas: 
01) Só ocorre crase diante de palavras femininas, 
portanto, nunca use o acento grave diante de palavras que 
não sejam femininas. 
Ex. O sol estava a pino. (sem crase, pois pino não é 
palavra feminina). 
Ela recorreu a mim. (sem crase, pois mim não é palavra 
feminina). 
Exceção: Se antes da palavra masculina, estiver 
subentendida a expressão “à moda de” ou “à maneira de”, 
ocorrerá crase. 
Ex. Decorei minha casa à Luís XV. (à moda de Luís 
XV) 
02) Se a preposição a vier após um verbo que indica 
destino (ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se...), 
troque este verbo por outro que indique procedência (vir, 
voltar, chegar...). Se, diante do verbo que indicar 
procedência, surgir da, ocorrerá crase; caso contrário, não 
ocorrerá crase. 
Ex. Vou a Porto Alegre. (sem crase, pois “Venho de 
Porto Alegre”). 
Vou à Bahia. (com crase, pois “Venho da Bahia”). 
03) Se não houver verbo indicando movimento, troca-se 
a palavra feminina por outra masculina; se, diante da 
masculina, surgir ao, diante da feminina, ocorrerá crase. 
Ex. Assisti à peça. (com crase, pois “Assisti ao filme”). 
Ele respeita as regras. (sem crase, pois “Ele respeita os 
regulamentos”). 
 
Casos especiais 
01) Nos adjuntos adverbiais de modo, de lugar e de 
tempo, formados com palavra feminina, o uso do acento 
grave é obrigatório. 
Ex. à tarde, à noite, às pressas, às escondidas, às 
escuras, às tontas, à direita, à vontade. 
02) Nas locuções prepositivas e conjuntivas, formadas 
com palavras femininas, ocorre crase. 
Ex. à maneira de, à moda de, às custas de, à procura 
de, à espera de, à medida que. 
03) Diante do pronome relativo que ou da preposiçãode, 
quando houver fusão da preposição a com o pronome 
demonstrativo a, as (= aquela, aquelas), ocorre crase. 
Ex. Essa roupa é igual à que comprei ontem. (igual 
àquela que comprei ontem). 
04) Diante dos pronomes relativos a qual, as quais, 
quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir a 
preposição a, ocorre crase. 
Ex. A cena à qual assisti foi chocante. (Assiste à cena.) 
05) Quando o a estiver no singular, diante de uma 
palavra no plural, não ocorre crase. 
Ex. Não gosto de ir a festas desacompanhado. 
06) Diante de pronomes possessivos femininos, é 
facultativa a ocorrência de crase. 
Ex. Referi-me a sua professora. 
Referi-me à sua professora. 
07) Não ocorre crase antes de verbos. 
Ex. De repente, começou a chover. 
08) A palavra CASA: 
A palavra casa só terá artigo, se estiver especificada, 
portanto só ocorrerá crase diante da palavra casa nesse 
caso. 
Ex. Cheguei a casa antes de todos. 
Cheguei à casa de Ronaldo antes de todos. 
09) A palavra TERRA: 
Significando planeta, é substantivo próprio e tem artigo; 
consequentemente, quando houver a preposição a, ocorrerá 
a crase; significando chão firme, solo, só tem artigo, quando 
estiver especificada, portanto só nesse caso poderá ocorrer 
a crase. 
Ex. Os astronautas voltaram à Terra. 
Os marinheiros voltaram a terra. 
Irei à terra de meus avós. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 26
26
DICAS GERAIS DE GRAMÁTICA 
 
Emprego dos Porquês 
 
1) Porquê: É um substantivo, geralmente significando 
“motivo”, “causa”. 
Ex. Ninguém entende o porquê de tanta confusão. 
Quantos porquês existem na Língua Portuguesa? 
 
2) Por quê: Sempre que a palavra que estiver em final 
de frase, deverá receber acento, não importando qual seja o 
elemento que surja antes dela. 
Ex. Ela não me ligou e nem disse por quê. 
Você está rindo de quê? 
Você veio aqui para quê? 
 
3) Por que: Usa-se por que, quando houver a junção da 
preposição por com o pronome interrogativo que ou com o 
pronome relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode 
substituí-lo por qual razão, pelo qual, pela qual, pelos quais, 
pelas quais, por qual. 
Ex. Por que não me disse a verdade? 
(= por qual razão) 
Ester é a mulher por que vivo. 
(= pela qual) 
 
4) Porque: É uma conjunção, portanto estará ligando 
duas orações, indicando causa ou explicação. Para facilitar, 
dizemos que se pode substituí-lo por pois. 
Ex. Não saí de casa, porque estava doente. 
 (= pois) 
 
A palavra Que 
01) Substantivo: Significa “alguma coisa” e é 
antecedida por artigo, pronome ou numeral. Como 
substantivo, a palavra que é sempre acentuada. 
Ex. A decisão do tribunal teve um quê de corrupção. 
 
02) Advérbio: Intensifica adjetivos e advérbios. Nesse 
caso, pode ser substituída por quão ou muito; em geral, é 
usada em frases exclamativas. 
Ex. Que linda é essa garota! 
Que mal você fez a ela! 
 
03) Preposição: Equivale à preposição de em locuções 
verbais que tenham, como auxiliares, os verbos ter ou haver. 
Ex. Temos que estudar bastante. 
Tive que trazer todo o material. 
 
04) Interjeição: Exprime uma emoção, um estado de 
espírito; é sempre exclamativa e acentuada. 
Ex. Quê?! Você não dormiu em casa hoje?! 
 
05) Partícula Expletiva ou de Realce: Sua retirada não 
altera o sentido da frase. Pode também ser usada com o 
verbo ser, na locução é que. 
Ex. Nós é que precisamos de sua ajuda. 
Eles que procuraram você ontem. 
 
06) Pronome Interrogativo: Empregada em frases 
interrogativas. Quando estiver iniciando a frase, não se deve 
usar o antes do pronome. Quando estiver em final de frase, 
será acentuada. 
Ex. Que vocês farão hoje à noite? 
Vocês farão o quê? 
 
07) Pronome Indefinido: Aparece antes de substantivos 
em frases geralmente exclamativas. Pode ser substituída por 
quanto(s), quanta(s). 
Ex. Que sujeira! 
Que bagunça em seu quarto! 
 
08) Pronome Relativo: Relaciona orações, podendo ser 
substituída por o qual e suas flexões. 
Ex. Julguei belíssima a garota que (= a qual) você me 
apresentou. 
 
09) Conjunção: Liga duas orações, coordenadas ou 
subordinadas entre si. 
Ex. Venha até aqui, que precisamos conversar. 
Ele se esforçou tanto, que acabou desmaiando. 
 
A Palavra Se 
 
01) Pronome Reflexivo: Indica que o sujeito pratica a 
ação sobre si mesmo. Nesse caso, a palavra se equivale a 
“a si mesmo (a)(s)” e o verbo concorda com o sujeito. 
Ex. A menina machucou-se ao cair do brinquedo. 
 
02) Pronome Recíproco: Indica ação trocada entre os 
elementos que compõem o sujeito. Nesse caso, a palavra se 
significa “um(s) ao outro(s)” e o verbo concorda com o 
sujeito. 
Ex. Sandro e Carla se amam muito. 
 
03) Parte Integrante do Verbo: Aparece junto de verbos 
pronominais, que são os que não se conjugam sem pronome 
(suicidar-se, arrepender-se, queixar-se...). O verbo concorda 
com o sujeito. 
Ex. Alfredo suicidou-se depois que seus sócios se 
queixaram dele para o advogado. 
 
04) Partícula Expletiva ou de Realce: Pode ser retirado 
da frase sem alteração do seu sentido. Ocorrerá a partícula 
expletiva com verbo intransitivo que tenha sujeito claro. 
Ex. As nossas esperanças se foram para sempre. 
 
05) Pronome Apassivador: Forma, junto de um verbo 
transitivo direto, a voz passiva sintética; indica que o sujeito 
é paciente e, nesse caso, o verbo concorda com o sujeito. 
Ex. Compram-se carros usados. 
(= Carros usados são comprados) 
 
06) Índice de Indeterminação do Sujeito: Acompanha 
verbo que não seja transitivo direto, sem sujeito claro. Nesse 
caso, o verbo deverá ficar, obrigatoriamente, na terceira 
pessoa do singular. 
Ex. Necessita-se de pessoas qualificadas. 
Ainda se morre de tuberculose no Brasil. 
 
07) Sujeito Acusativo: Aparece em estruturas formadas 
pelos verbos fazer, mandar, deixar, ver, ouvir e sentir, 
seguidos de objeto direto na forma de oração reduzida 
(verbo no infinitivo ou no gerúndio). 
Ex. Ela deixou-se estar à janela. 
 
08) Conjunção Subordinativa Integrante : Inicia oração 
subordinada substantiva. 
Ex. Não sei se todos terão condições de acompanhar a 
matéria. 
 
09) Conjunção Subordinativa Condicional: Inicia 
oração subordinada adverbial condicional. 
Ex. Tudo estaria resolvido, se ele tivesse devolvido o 
dinheiro. 
 
Mas, Más e Mais 
 
1) Mas é uma conjunção adversativa e equivale a 
"porém". 
Ex. Eu iria ao cinema, mas não tenho dinheiro. 
 
2) Más é adjetivo feminino, plural de má. 
Ex. Infelizmente, o mundo está cheio de pessoas más. 
 
3) Mais é um advérbio de intensidade; tem sentido 
oposto a “menos”. 
Ex. Ela é a mais bonita da escola. 
 
Onde, Aonde e Donde 
 
1) Onde é utilizado com verbos que não indicam 
deslocamento. 
Ex. Onde você colocou a bolsa? 
 
2) Aonde é utilizado com verbos que indicam 
deslocamento. 
Ex. Aonde você foi ontem à noite? 
 
3) Donde é utilizado com verbos que indicam 
procedência. 
Ex. Donde tu vieste? 
OBS. Onde, Aonde e Donde só podem ser utilizados 
para se referir a lugar. 
 
Mal e Mau 
 
1) Mal é advérbio, antônimo de "bem". 
Ex. José estava se sentido mal. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 27
27
2) Mau é adjetivo, antônimo de "bom" 
Ex. A Chapeuzinho Vermelho encontrou o Lobo Mau. 
 
OBS.: Mal também é substantivo, podendo significar 
"doença, moléstia, aquilo que é prejudicial ou nocivo". 
Ex. O mal da sociedade moderna é a violência urbana. 
 
 
Ao encontro de e De encontro a 
 
1) Ao encontro de indica "ser favorável a", "ter posição 
convergente" ou "aproximar-se de". 
Ex. Suas ideias vêm ao encontro das minhas, por isso 
concordo com você. 
 
2) De encontro a indica oposição, choque, colisão. 
Ex. A polícia foi de encontro aos manifestantes, na 
tentativa de reprimi-los. 
 
Há e A (na expressão de tempo) 
 
1) Há é usado para indicar tempo decorrido, passado. 
Ex. Ele partiuhá duas semanas. 
 
2) A é usado para indicar tempo futuro. 
Ex. Ele partirá daqui a duas semanas. 
 
Acerca de, A cerca de e Há cerca de 
 
1) Acerca de é locução prepositiva equivalente a "sobre, 
a respeito de". 
Ex. Estávamos falando acerca de política. 
 
2) A cerca de significa “a aproximadamente”. 
Ex. Moro a cerca de 2 Km daqui. 
3) Há cerca de indica tempo decorrido aproximado. 
Ex. Viajamos há cerca de dois meses. 
 
 
Afim e A fim de 
 
1) Afim é adjetivo equivalente a "igual, semelhante". 
Ex. Aqueles alunos têm ideias afins. 
 
2) A fim de é locução prepositiva que indica finalidade. 
Ex. Ele veio a fim de estudar bastante. 
 
Senão e Se não 
 
1) Senão significa "caso contrário, a não ser". 
Ex. Nada fazia senão reclamar. 
 
2) Se não ocorre equivale a "se por acaso não". 
Ex. Se não estudar, ficará de castigo. 
Se não estudar, não sairá sábado à noite. 
 
Ao invés de e Em vez de 
 
1) Ao invés de significa "ao contrário de". 
Ex. Descemos a escada, ao invés de subir. 
 
2) Em vez de significa "no lugar de". 
Ex. Em vez de ir ao cinema, fui ao teatro. 
 
 
Estadia e Estada 
 
1) Estadia é usado para veículos em geral. 
Ex. Paguei a estadia do automóvel no estacionamento. 
 
2) Estada é usado para pessoas. 
Ex. Foi curta minha estada na cidade. 
 
Perca e Perda 
 
1) Perca é verbo. 
Ex. Não perca a paciência com tanta facilidade. 
 
2) Perda é substantivo. 
Ex. A perda de um ente querido traz muito sofrimento. 
 
 
Haja vista e Hajam vista 
 
1) Haja vista pode-se usar, havendo ou não a 
preposição a à frente, estando o substantivo posterior no 
singular ou no plural. 
Ex. Haja vista os problemas. 
Haja vista ao problema. 
 
2) Hajam vista pode-se usar, quando não houver a 
preposição a à frente e somente quando o substantivo 
posterior estiver no plural. 
Ex. Hajam vista os problemas. 
ESTILÍSTICA / FIGURAS DE LINGUAGEM 
 
A Estilística é a parte da gramática que estuda os 
recursos utilizados nos textos (principalmente literários) para 
conferir à mensagem mais impacto, estilo, beleza ou 
qualquer outro recurso expressivo. Esses recursos 
expressivos são chamados figuras de linguagem. 
São três as figuras de linguagem: figuras de sintaxe (ou 
construção); figuras de palavras e figuras de pensamentos. 
 
Figuras de sintaxe 
a) Elipse: Significa, em gramática, omissão. Quando se 
omite da frase algum termo ou palavra cujo sentido pode ser 
deduzido pelo contexto, tem-se a elipse. 
Ex. Solicitamos seja enviado o ofício. (elipse da 
conjunção que: Solicitamos que seja...) 
 
b) Zeugma: É a omissão de um termo que já apareceu 
antes, em alguma oração anterior. 
Ex. Na terra dele só havia mato; na minha, só prédios. 
(...na minha, só havia prédios) 
 
c) Pleonasmo: É a reiteração, o reforço de uma ideia já 
expressa por alguma palavra, termo ou expressão. 
É reconhecido como figura de sintaxe quando utilizado com 
fins estilísticos, como a ênfase intencional a uma ideia; sendo 
resultado da ignorância ou do descuido do usuário da língua, é 
considerado como um vício de linguagem (pleonasmo vicioso). 
Ex. “Eu nasci há dez mil anos atrás.” (Raul Seixas) 
“A ti trocou-te a máquina mercante.”(Gregório de Mattos) 
 
d) Inversão: É qualquer inversão da ordem natural de 
termos num enunciado, a fim de conferir-lhe especiais efeitos 
e reforços de sentido. Podem-se considerar como tipos de 
inversão o hipérbato, a anástrofe, a prolepse e a sínquise. 
Ex. Sua mãe eu nunca conheci / Compraram as 
mulheres vários presentes para os maridos. 
 
e) Assíndeto: É a ausência de conjunções 
coordenativas no encadeamento dos enunciados. 
Ex. Ela me olhava, lavava, olhava novamente, 
espirrava, voltava a trabalhar. 
 
f) Polissíndeto: É a repetição das conjunções 
coordenativas, com o fim de incutir no discurso a noção de 
movimento, rapidez e ritmo. 
Ex. Ela me olhava, e lavava, e olhava novamente, e 
espirrava, e voltava a trabalhar. 
 
g) Anacoluto: É a quebra da sequência sintática de uma 
frase. É como se o escritor de repente decidisse mudar de 
ideia, alterando a estrutura e o nexo sintáticos da oração. 
Ex. O José, sinceramente parece que ele está ficando 
louco. (perceba que O José deveria ser sujeito da oração, 
mas ficou sem predicado, solto na frase; houve a quebra da 
sequência sintática esperada). 
 
h) Silepse: É a concordância que se faz com a ideia, e 
não com a palavra expressa. É também chamada de 
concordância ideológica ou concordância figurada. Há três 
tipos de silepse: de gênero, de número e de pessoa. 
Ex. São Paulo realmente é linda. 
(silepse de gênero) 
Os paulistas somos bem tratados no Paraná. 
(silepse de pessoa) 
A gente não quer só alimento. Queremos amor e paz. 
(silepse de número) 
 
i) Repetição: É a repetição de palavras que tem por 
finalidade exprimir a ideia de insistência, progressão e 
intensificação. Quando se repetem adjetivos ou advérbios, é 
uma maneira de se fazer o grau superlativo. 
Ex. Gisele era linda, linda, linda. 
Enquanto tudo acontecia, a garota crescia, crescia. 
 
j) Onomatopeia: Consiste na criação de palavras com o 
intuito de imitar sons ou vozes naturais dos seres. É, na 
verdade, um dos processos de formação das palavras, que cabe 
à Morfologia. 
Ex. Ouviu o tilintar das moedas. 
Quando a insultei, slapt! 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 28
28
Figuras de palavras 
 
a) Comparação: É a comparação direta de qualificações 
entre seres, com o uso do conectivo comparativo (como, 
assim como, bem como, tal qual, etc.). 
Ex. Minha irmã é bondosa como um anjo. 
 
b) Metáfora: Assim como a comparação, consiste numa 
relação de semelhança de qualificações. É, porém, mais sutil 
e exige muita atenção do leitor para ser captada, porque 
dispensa os conectivos que aparecem na comparação. 
Ex. Minha irmã é um anjo. 
 
c) Metonímia: É a utilização de uma palavra por outra, 
devido a uma relação que existe entre elas. 
- O autor pela obra: Você já leu Camões? (algum livro de 
Camões) 
- O efeito pela causa: O rapaz encomendou a própria 
morte. (algo que causaria a sua própria morte) 
- O instrumento pela pessoa que o utiliza: Júlio é um 
excelente garfo. (Júlio come muito; o garfo é um dos 
instrumentos utilizados para comer) 
- O recipiente (continente) pelo conteúdo: Jonas já bebeu 
duas garrafas de uísque. (ele bebeu, na verdade, o conteúdo 
de duas garrafas de uísque) 
- O símbolo pela coisa significada: O povo aplaudiu as 
medidas tomadas pela Coroa. (a coroa, nessa acepção, é 
símbolo da monarquia, do rei). 
- O lugar pelo produto: Todos gostam de um bom 
madeira. (o vinho produzido na Ilha de Madeira). 
- A parte pelo todo: Havia várias pernas passeando no 
ônibus. (eram as pessoas que passeavam) 
- O abstrato pelo concreto: A juventude de hoje não 
pensa como a de antigamente. (Os jovens) 
- O singular pelo plural: O paulista adora trabalhar. (Os 
paulistas) 
- A espécie ou classe pelo indivíduo: "Andai como filhos 
da luz", recomenda-nos o Apóstolo. (refere-se a São Paulo, 
que foi um dos apóstolos) 
- A qualidade pela espécie: Os acadêmicos estão 
reunidos. (os membros da academia) 
- A matéria pelo objeto: Você tem fogo? (isqueiro) 
 
d) Sinestesia: É a figura que envolve mistura de 
percepções, mistura de sentidos. 
Ex. Você gosta de cheiro-verde? (cheiro – olfato , 
verde – visão) 
Que voz aveludada Renata tem! (voz – audição, 
aveludada – tato) 
 
e) Perífrase (ou antonomásia): É uma espécie de 
apelido que se confere aos seres, valorizando algum de seus 
feitos ou atributos. Ressalte-se que se consideram perífrases 
somente os "apelidos" de valor expressivo, nacionalmente 
relevantes e conhecidos. 
Ex. Gostoórgão, 
álbum, médiuns, tríceps, vôlei, relógio. 
 
Proparoxítonas: Todas as proparoxítonas são 
acentuadas. 
Ex. síndrome, ínterim, lêvedo, médico, árvore, sândalo. 
 
Ditongos abertos EI e OI: São acentuados, exceto em 
palavras paroxítonas. 
Ex. réis, anéis, ideia, dói, herói, jiboia. 
 
Ditongo aberto EU: Sempre é acentuado. 
Ex. véu, chapéu, fogaréu. 
 
Hiato: As letras I e U, quando formarem hiato com outra 
vogal e estiverem sozinhas na sílaba, ou seguidas de S, 
receberão acento. 
Ex. puída, país, construí-la, baú, ataúde, balaústre. 
 
 
OBS. 1: Há algumas exceções para a regra do hiato de I 
e U. Não são acentuados: 
1ª) Hiato de vogais idênticas _ xiita, sucuuba 
2ª) Hiato seguido pelo dígrafo NH _ rainha, bainha 
3ª) Hiato precedido de ditongo _ feiura, cauila, bocaiúva. 
 
 
Verbos TER e VIR: Recebem acento circunflexo na 3ª 
pessoa do plural do presente do indicativo. 
Ex. Ele tem / Eles têm 
Ele vem / Eles vêm. 
 
Já os verbos derivados de Ter e Vir recebem acento 
agudo na 3ª pessoa do singular e acento circunflexo na 3ª 
pessoa do plural. 
Ex. Ele detém / Eles detêm 
Ele intervém / Eles intervêm. 
 
Verbos CRER/DAR/LER/VER e seus derivados: 
Recebem acento circunflexo na 3ª pessoa do singular e têm 
E dobrado na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo 
(sem acento). 
Ex. Ele crê / Eles creem 
Ele vê / Eles veem 
Ele relê / Eles releem 
Ele descrê / Eles descreem 
 
Acento diferencial: A palavra pôde (pretérito perfeito) 
recebe acento para diferenciar de pode (presente). O verbo 
pôr recebe acento para diferenciar da preposição por. 
 
OBS.1: O acento diferencial foi eliminado nas palavras 
PARA, PERA, PELA, PELO, POLO. 
OBS.2: O trema também foi extinto em todas as palavras 
(Ex. frequente, cinquenta, linguiça). 
 
ORTOGRAFIA 
 
Emprego do Ç 
01) Utilizamos o sufixo -ção nas palavras derivadas de 
vocábulos terminados em -to, -tor, -tivo e os substantivos 
derivados de verbos: 
Ex. erudito = erudição 
exceto = exceção 
setor = seção 
intuitivo = intuição 
educar = educação 
exportar = exportação 
repartir = repartição 
 
02) Emprega-se -tenção nos substantivos 
correspondentes aos verbos derivados do verbo ter. 
Ex. manter = manutenção 
reter = retenção 
deter = detenção 
conter = contenção 
 
Emprego do S 
01) Nas palavras derivadas de verbos terminados em -
nder e –ndir. 
Ex. pretender = pretensão 
defender = defesa, defensivo 
compreender = compreensão 
fundir = fusão 
expandir = expansão 
 
02) Nas palavras derivadas de verbos terminados em -
erter, -ertir e -ergir. 
Ex. perverter = perversão 
converter = conversão 
divertir = diversão 
imergir = imersão 
 
03) Emprega-se -puls- nas palavras derivadas de 
verbos terminados em –pelir; e -curs-, nas palavras 
derivadas de verbos terminados em -correr. 
Ex. expelir = expulsão 
impelir = impulso 
compelir = compulsório 
concorrer = concurso 
discorrer = discurso 
percorrer = percurso 
 
04) Nas palavras terminadas em -oso e -osa, com 
exceção de gozo. 
Ex. gostosa, saboroso, gasoso 
 
05) Nas palavras terminadas em -ase, -ese, -ise e -ose, 
com exceção de gaze e deslize. 
Ex. fase, crase, tese, osmose, análise. 
 
06) Nas palavras femininas terminadas em -isa. 
Ex. poetisa, papisa, Marisa. 
 
07) Em toda a conjugação dos verbos pôr, querer e 
usar. 
Ex. Eu pus Ele quis Nós usamos 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 5
5
08) Nas palavras terminadas em -ês e -esa, que 
indicarem nacionalidade, origem e títulos de nobreza. 
Ex. português, dinamarquesa, tailandesa, duquesa, 
marquês. 
 
09) Nos verbos terminados em -isar, quando a palavra 
primitiva já possuir o -s-. 
Ex. análise = analisar 
liso = alisar 
pesquisa = pesquisar 
paralisia = paralisar 
 
10) Nos diminutivos de palavras escritas com -s-. 
Ex.: casinha, asinha, portuguesinho, Inesita. 
 
OBS.: Ç ou S? Após ditongo, emprega-se -ç-, quando 
houver som de ss, e escreve-se com -s-, quando houver 
som de z. Ex. eleição, traição, lousa, coisa. 
 
Emprego do Z 
1) Nas palavras terminadas em -ez e -eza, que são 
substantivos derivados de adjetivos: 
Ex. limpo = limpeza 
lúcido = lucidez 
nobre = nobreza 
pobre = pobreza 
belo = beleza 
 
2) Nos verbos terminados em -izar, quando a palavra 
primitiva não possuir -s-. 
Ex. economia = economizar 
terror = aterrorizar 
frágil = fragilizar 
 
OBS.: Cuidado, pois há algumas exceções! 
Ex. catequese = catequizar 
síntese = sintetizar 
hipnose = hipnotizar 
batismo = batizar 
 
3) Nos diminutivos terminados em -zinho e -zito, quando 
a palavra primitiva não possuir -s- . 
Ex. mulherzinha, arvorezinha, alemãozinho, 
aviãozinho, pezinho 
 
Emprego de SS 
01) Nas palavras derivadas de verbos terminados em -
ceder. 
Ex. anteceder = antecessor 
exceder = excesso 
conceder = concessão 
 
02) Nas palavras derivadas de verbos terminados em -
primir. 
Ex. imprimir = impressão 
comprimir = compressa 
deprimir = depressivo 
 
03) Nas palavras derivadas de verbos terminados em -
gredir. 
Ex. agredir = agressão 
progredir = progresso 
transgredir = transgressor 
 
04) Nas palavras derivadas de verbos terminados em -
meter. 
Ex. comprometer = compromisso 
 intrometer = intromissão 
prometer = promessa 
 
Emprego do J 
01) Nas palavras derivadas dos verbos terminados em -
jar. 
Ex. trajar = traje, eu trajei 
encorajar = que eles encorajem 
viajar = que eles viajem 
 
02) Nas palavras derivadas de vocábulos terminados em 
-ja. 
Ex. loja = lojista 
gorja = gorjeta, gorjeio 
canja = canjica 
 
03) Nas palavras de origem tupi, africana ou popular. 
Ex. jiló, pajé, jiboia, jirau 
 
Emprego do G 
01) Em todas as palavras terminadas em -ágio, -égio, -
ígio, -ógio, -úgio. 
Ex. pedágio, colégio, sacrilégio, prestígio, relógio, 
refúgio. 
 
02) Nas palavras terminadas em -gem, com exceção de 
pajem e lambujem: 
Ex. viagem (subst.), coragem, personagem, ferrugem, 
penugem. 
 
Emprego do X 
01) Nas palavras iniciadas por mex-, com exceção de 
mecha. 
Ex. mexilhão, mexerica, mexer 
 
02) Nas palavras iniciadas por enx-, com exceção das 
derivadas de vocábulos iniciados por ch- e da palavra 
enchova. 
Ex. enxada, enxerto, enxerido, enxurrada. 
 
03) Após ditongo, com exceção de recauchutar e 
guache. 
Ex. ameixa, deixar, queixa, feixe, peixe 
 
UIR e OER 
Os verbos terminados em -uir e -oer terão as 2ª e 3ª 
pessoas do singular do Presente do Indicativo escritas com -
i-. 
Ex. tu possuis, ele possui, tu constróis, ele constrói, tu 
móis, ele mói 
 
UAR e OAR 
Os verbos terminados em -uar e -oar terão todas as 
pessoas do Presente do Subjuntivo escritas com -e-. 
 
Ex. Que eu efetue, Que tu efetues, Que vós entoeis, Que 
eles entoem. 
 
EMPREGO DO HÍFEN 
 
As regras a seguir referem-se ao uso do hífen em 
palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem 
funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, 
aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, 
extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, 
multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, 
semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc. 
 
1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra 
iniciada por h. Ex. anti-higiênico, anti-histórico, co-herdeiro, 
macro-história, super-homem. 
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano 
perde o h). 
 
2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal 
diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. 
Ex. aeroespacial,muito da obra do Poeta dos Escravos 
(antonomásia para Castro Alves). 
Tu gostas da Terra da Garoa? (antonomásia para a 
cidade de São Paulo) 
 
Figuras de pensamentos 
 
a) Antítese: É a aproximação de palavras ou expressões 
que exprimem ideias contrárias, adversas. 
Ex. Carlos, jovem de idade e velho de espírito, aproximou-se. 
 
b) Eufemismo: É uma maneira de, por meio de 
palavras mais polidas, tornar mais suave e sutil uma 
informação de cunho desagradável e chocante. 
Ex. Infelizmente, ele partiu desta para melhor. (em vez 
de “ele morreu”) 
 
c) Gradação: É a maneira ascendente ou descendente 
como as ideias podem ser organizadas na frase. 
Ex. Ela queria dominar o bairro, a cidade, o país, o 
mundo. 
 
d) Ironia: Figura que consiste em dizer, com intenções 
sarcásticas e zombadoras, exatamente o contrário do que se 
pensa, do que realmente se quer afirmar. 
Ex. O “nobre” deputado era acusado de cometer mais 
de sete crimes. 
 
e) Hipérbole: Modo exagerado de exprimir uma ideia. 
Ex. Estou morrendo de sede. 
“Queria querer gritar setecentas mil vezes...” 
(Caetano Veloso) 
 
f) Prosopopeia (ou personificação): É a atribuição de 
características humanas a seres não-humanos, ou de seres 
animados a seres inanimados. 
Ex. Depois que o sol me cumprimentou, dirigi-me à 
cozinha. 
g) Retificação: Consiste em corrigir uma afirmação 
anterior. 
Ex. Os deputados se reuniram para trabalhar. Ou 
melhor, para fazer-nos pensar que iriam trabalhar. 
 
LEITURA, INTERPRETAÇÃO 
E COMPREENSÃO DE TEXTO 
 
A interpretação de textos exigida nos concursos públicos 
requer dos candidatos muita atenção e cuidado. 
Os concursos apresentam questões interpretativas que 
têm por finalidade a identificação de um leitor autônomo. 
Portanto, o candidato deve compreender os níveis 
estruturais da língua por meio da lógica, além de necessitar 
de um bom léxico (vocabulário) internalizado. 
As frases produzem significados diferentes de acordo 
com o contexto em que estão inseridas. 
Então, torna-se necessário sempre fazer um confronto 
entre todas as partes que compõem o texto. 
Além disso, é fundamental apreender as informações 
apresentadas por trás do texto e as inferências que ele 
possibilita. Esse procedimento justifica-se por um texto ser 
sempre produto de uma postura ideológica do autor diante 
de uma temática qualquer. 
 
Uso e Adequação da Língua às Situações de 
Comunicação: Níveis de linguagem 
A língua pertence a todos os membros de uma 
comunidade e é uma entidade viva em constante mutação. 
Novas palavras são criadas ou assimiladas de outras 
línguas, à medida que surgem novos hábitos, objetos e 
conhecimentos. Os dicionários vão incorporando esses 
novos vocábulos (neologismos), quando consagrados pelo 
uso. De fato, quem determina as transformações linguísticas 
e os níveis de linguagem é o conjunto de usuários, estejam 
escrevendo ou falando, uma vez que tanto a língua escrita 
quanto a oral apresentam variações condicionadas por 
diversos fatores: regionais, sociais, culturais, etc. 
Embora as variações linguísticas e os níveis da 
linguagem sejam condicionados pelas circunstâncias, tanto a 
língua falada quanto a escrita cumprem sua finalidade, que é 
a comunicação. 
A língua escrita obedece a normas gramaticais e será 
sempre diferente da língua oral, mais espontânea, solta, 
livre, visto que acompanhada de mímica e entonação, que 
preenchem importantes papéis significativos. 
Mais sujeita a falhas, a linguagem empregada 
coloquialmente, no dia a dia, difere substancialmente do 
padrão culto. 
Com base nessas considerações, não se deve reger o 
ensino da língua pelas noções de certo e errado, mas pelos 
conceitos de adequado e inadequado, que são mais 
convenientes e exatos, porque refletem o uso da língua nos 
mais diferentes contextos. 
Não se espera que um adolescente, reunido a outros em 
uma lanchonete, assim se expresse: “Vamos ao shopping 
assistir a um filme”, mas se aceita: “Vamos no shopping 
assistir um filme”. 
Por outro lado, não seria adequado a um professor 
universitário assim se manifestar: “Fazem dez anos que 
participo de palestras nesta Universidade, nas quais sempre 
houveram estudantes interessados”. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 29
29
Dessa forma, pode-se falar em dois níveis de linguagem: 
 
Nível informal ou coloquial: É aquele usado 
espontânea e fluentemente pelo povo. 
Mostra-se quase sempre rebelde à norma gramatical e é 
carregado de vícios de linguagem (solecismo - erros de 
regência e concordância; barbarismo - erros de pronúncia, 
grafia e flexão; cacofonia; pleonasmo), expressões vulgares, 
gírias e preferência pela coordenação, que ressalta o caráter 
oral e popular da língua. 
A linguagem popular está presente nas mais diversas 
situações: conversas familiares ou entre amigos, anedotas, 
irradiação de esportes, programas de TV, novelas, textos 
publicitários, etc. 
Ex.: “Onde cê vai?” 
“Ele tá com sede.” 
 “Cheguei na escola.” 
“Esse livro é pra mim ler.” 
 
Nível culto ou padrão: É aquele ensinado nas escolas e 
serve de veículo às ciências em que se apresenta com 
terminologia especial. 
É usado pelas pessoas instruídas das diferentes classes 
sociais e caracteriza-se pela obediência às normas 
gramaticais. 
Mais comumente usado na linguagem escrita e literária, 
reflete prestígio social e cultural. É mais artificial, mais 
estável, menos sujeito a variações. 
Está presente nas aulas, conferências, sermões, 
discursos políticos, comunicações científicas, noticiários de 
TV, programas culturais, etc. 
Ex. “Passe-me o sal, por favor.” 
“Cheguei à escola.” 
“Esse livro é para eu ler.” 
 
Variações Linguísticas: Regionalismos ou falares locais 
são variações geográficas do uso da língua padrão, quanto 
às construções gramaticais, empregos de certas palavras e 
expressões e do ponto de vista fonológico. 
Há, no Brasil, por exemplo, falares amazônico, 
nordestino, baiano, fluminense, mineiro, sulino. 
Além de sofrer variações de região para região, a língua 
também sofre alterações entre os diversos grupos sociais, 
devido a fatores econômicos, culturais, etários, profissionais, 
etc. 
 
Elementos do Processo Comunicativo e Funções da 
Linguagem 
O processo comunicativo envolve os seguintes 
elementos: 
1) Emissor: Aquele que emite a mensagem, codificando-
a em palavras. 
2) Receptor: Quem recebe a mensagem e a decodifica, 
ou seja, apreende a ideia. 
3) Mensagem: É o próprio texto transmitido, aquilo que 
passa do emissor para o receptor. 
4) Código: É o sistema linguístico escolhido para a 
transmissão e recepção da mensagem. 
5) Canal: Meio pelo qual a mensagem é transmitida. 
6) Referente: Conteúdo da mensagem, objeto ou 
situação a que a mensagem se refere. 
Considerando o destaque que é dado a cada um 
desses elementos, há seis funções básicas da 
linguagem verbal: 
 
Função Emotiva / Expressiva 
É centralizada no emissor. Como o próprio nome já diz, 
tem o papel de exprimir emoções, impressões pessoais a 
respeito de determinado assunto. 
Por esse motivo, ela normalmente vem escrita em 
primeira pessoa e de forma bem subjetiva. 
Em textos que utilizam a função emotiva, há uma 
presença marcante de figuras de linguagem, mensagens 
subentendidas, etc. 
Os textos que mais comumente utilizam esse tipo de 
linguagem são as cartas, as poesias líricas, as memórias, as 
biografias, entre outros. 
Ex.: “É bonito ser amigo, mas, confesso, é tão difícil 
aprender!” (Fernando Pessoa) 
 
Função Referencial 
Esse tipo de linguagem é centralizado no referente. 
Como seu foco é transmitir a mensagem da melhor maneira 
possível, a linguagem utilizada é objetiva, recorrendo a conceitos 
gerais, vocabulário simples e claro ou, dependendo do público-
alvo, vocabulário mais adequado a ele. 
Há objetividade nas informações e clareza nas ideias. 
Prevalece o uso da terceira pessoa,o que torna o texto 
ainda mais impessoal. 
Os textos que normalmente fazem uso dessa função são 
os jornalísticos e os científicos. 
Ex.: “Bancos terão novas regras para acesso de 
deficientes.” (Jornal O Popular, 16 out. 2008) 
 
Função Apelativa / Conativa 
Como sugere o nome, essa função serve para fazer 
apelos, pedidos, para comover ou convencer alguém a 
respeito do que se diz. 
Centralizada no receptor, procura influenciá-lo em seus 
pensamentos ou ações. É bastante frequente o uso da 
segunda pessoa, dos vocativos e dos imperativos. 
Essa função é aplicada particularmente nas 
propagandas ou outros textos publicitários, e também em 
campanhas sociais. 
Ex.: “Não perca a chance de ir ao cinema pagando 
menos.” (Propaganda do ItaúCard) 
 
Função fática 
Centraliza-se no canal. 
Tem o objetivo de estabelecer um contato ou 
comunicação, não necessariamente com uma carga 
semântica aparente. 
É utilizada em saudações, cumprimentos do dia a dia, 
expressões idiomáticas, marcas orais, etc. 
Ex.: “Alô!” (ao atender o telefone) 
“Entendeu?” (durante um diálogo) 
 
Função poética 
Caracteriza-se basicamente pelo uso de linguagem 
figurada, metáforas e demais figuras de linguagem, rima, 
métrica, etc. 
É semelhante à linguagem emotiva, sendo que não 
necessariamente revela sentimentos ou impressões a 
respeito do mundo. 
Essa função é aplicada em poesias, músicas e em 
algumas obras literárias, centralizando a própria mensagem. 
Ex.: “Sou um mulato nato/ no sentido lato / mulato 
democrático do litoral...” (Caetano Veloso) 
 
Função metalinguística 
Caracteriza-se por utilizar a metalinguagem, ou seja, o 
código explicando o próprio código. 
Está presente principalmente em dicionários e 
gramáticas, mas pode ocorrer também em poesias, obras 
literárias, etc. 
Ex. “A poesia é incomunicável/ Fique torto no seu 
canto / Não ame” (Carlos Drummond de Andrade) 
 
Denotação e Conotação 
Sabe-se que não há associação necessária entre 
significante (expressão gráfica, palavra) e 
significado, pois essa ligação representa uma convenção. 
É baseado nesse conceito de signo linguístico 
(significante + significado) que se constroem as noções de 
denotação e conotação. 
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado 
nos dicionários, o chamado sentido verdadeiro, real. 
(Ex. O gato tinha o pelo macio e branco.) 
Já o uso conotativo das palavras é a atribuição de um 
sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, 
depende do contexto. 
Sendo assim, estabelece-se, numa determinada 
construção frasal, uma nova relação entre significante e 
significado. 
(Ex. O vizinho fez um gato no poste de luz.) 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 30
30
O sentido conotativo também é chamado de linguagem 
figurada. 
Os textos literários exploram bastante as construções de 
base conotativa, numa tentativa de extrapolar o espaço do 
texto e provocar reações diferenciadas em seus leitores. 
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o 
conceito de polissemia (possibilidade que a palavra tem de 
apresentar várias significações). 
Algumas palavras, dependendo do contexto, assumem 
múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra ponto: 
ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz... 
Nesse caso, não se está atribuindo um sentido figurado 
à palavra ponto, e sim ampliando sua significação através de 
expressões que lhe completem e esclareçam o sentido. 
 
Discurso Direto e Indireto 
Em uma narrativa, o narrador pode apresentar a fala das 
personagens através do discurso direto ou do discurso 
indireto. 
No discurso direto, o narrador coloca os personagens em 
cena e cede-lhes a palavra; isto é, o próprio personagem fala. 
Para construir o discurso direto, usa-se o travessão e 
certos verbos especiais, que chamamos de verbos de 
elocução ou verbos dicendi. 
São exemplo de verbos de elocução os verbos falar, 
dizer, responder, retrucar, indagar, declarar, exclamar, etc. 
Na seguinte passagem do romance "Vidas Secas", de 
Graciliano Ramos, ficamos sabendo do sofrimento e da 
rudeza de Fabiano, o protagonista, através da forma como 
ele se dirige ao filho: 
"Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O 
menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. 
_ Anda, condenado do diabo_ gritou-lhe o pai." 
No discurso indireto, o narrador "conta" o que o 
personagem disse. Conhecemos suas palavras 
indiretamente. 
A passagem mencionada acima ficaria assim: 
"O pai gritou-lhe que andasse, chamando-o de 
condenado do diabo." 
Há, ainda, uma terceira forma de conhecer o que as 
personagens dizem. É o discurso indireto livre. 
Nesse caso o narrador passa do discurso indireto para o 
direto sem usar nenhum verbo dicendi ou travessão. 
Por exemplo, numa outra passagem de Vidas Secas, o 
narrador usa o discurso indireto livre para caracterizar a 
personagem de seu Tomé: 
“Seu Tomé da bolandeira falava bem, estragava os olhos 
em cima de jornais e livros, mas não sabia mandar: pedia”. 
Esquisitice de um homem remediado ser cortês. Até o 
povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a 
ele. Ah! Quem disse que não obedeciam?" 
Podemos observar que a última reflexão não é do 
narrador, mas sim do personagem, pensando sobre a 
questão. 
 
GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS: 
CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS 
 
Os textos, independentemente do gênero a que 
pertencem, se constituem de sequências com determinadas 
características linguísticas, como classe gramatical 
predominante, estrutura sintática, predomínio de 
determinados tempos e modos verbais, relações lógicas. 
Assim, dependendo dessas características, temos os 
diferentes tipos textuais. 
Se os gêneros textuais são inúmeros, os tipos textuais 
são limitados: Narrativo, descritivo, argumentativo, 
explicativo ou expositivo, injuntivo ou instrucional. 
 
Tipos e Gêneros textuais 
Narrativo: tipo textual predominante em gêneros como 
crônica, romance, fábula, piada, novela, conto de fadas etc. 
Descritivo: tipo textual predominante em gêneros como 
retrato, anúncio, classificado, lista de ingredientes de uma 
receita, guias turísticos, listas de compras, legenda, 
cardápio, entre outros. 
Argumentativo: tipo textual predominante em gêneros 
como manifesto, sermão, ensaio, editorial de um jornal, 
crítica, monografia, redações dissertativas, tese de 
doutorado etc. 
Explicativo ou expositivo: tipo textual predominante em 
gêneros como aulas expositivas, conferências, capítulo de 
livro didático, verbetes de dicionários, enciclopédias, entre 
outros. 
Instrucional ou injuntivo: tipo textual predominante em 
gêneros como horóscopo, propaganda, bula, receita 
culinária, manual de instruções de um aparelho, livros de 
autoajuda etc. 
Ao se falar em tipo textual , costuma-se utilizar o adjetivo 
predominante. 
Observe: 
- gênero romance - tipo textual predominante: narrativo; 
- carta de opinião - tipo textual predominante: 
argumentativo; 
- manual de instruções - tipo textual predominante: 
injuntivo. 
 
Sequências textuais 
Sequência narrativa: é marcada pela temporalidade; 
como seu material é o fato e a ação, a progressão temporal 
é essencial para seu desenrolar, ou seja, desenvolve-se 
necessariamente numa linha e num determinado espaço. 
Sequência descritiva: nesse tipo de sequência, 
marcada pela espacialidade, não há sucessão de 
acontecimentos no tempo, mas sim a apresentação de uma 
imagem que busca reproduzir o estado do ser descrito, em 
um determinado momento. 
Sequência argumentativa: é aquela em que se faz a 
defesa de um ponto de vista, de uma ideia, ou em que se 
questiona algum fato. 
Intenta-se persuadir o leitor ou ouvinte, fundamentando o 
que se diz com argumentos de acordo com o assunto ou 
tema, a situação ou o contexto e o interlocutor; 
Caracteriza-se pela progressão lógica de ideias e requer 
uma linguagem mais sóbria, objetiva, denotativa.Sequência explicativa ou expositiva: intenta explicar 
dar informações a respeito de alguma coisa. O objetivo é 
fazer com que o interlocutor/ adquira um saber, um 
conhecimento que até então não tinha. 
É fundamental destacar que, nos textos explicativos, não 
se faz defesa de uma ideia, de um ponto de vista, - 
características básicas do texto argumentativo. 
Os textos explicativos tratam da identificação de 
fenômenos, de conceitos, de definições. 
Sequência injuntiva ou instrucional: a marca 
fundamental da sequência injuntiva ou instrucional é o verbo 
no imperativo (injuntivo é sinônimo de "obrigatório", 
"imperativo"), ou outras formas que indicam ordem, 
orientação. 
Lembre-se de que o texto injuntivo é aquele no qual 
predomina a função conativa/apelativa, e tenta convencer o 
receptor (quem ouve) a atender a vontade do emissor(quem 
fala). 
 
Como Ler e Entender Bem um Texto 
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a 
informativa e de reconhecimento e a interpretativa. 
A primeira deve ser feita de maneira cautelosa, por ser o 
primeiro contato com o novo texto. 
Dessa leitura, extraem-se informações sobre o conteúdo 
abordado e prepara-se o próximo nível de leitura. 
Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar 
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar 
uma frase para resumir a ideia central de cada parágrafo. 
Esse tipo de procedimento aguça a memória visual, 
favorecendo o entendimento. 
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação 
seja subjetiva, há limites. 
A preocupação deve ser a captação da essência do 
texto, a fim de responder às interpretações que a banca 
considerou pertinentes. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 31
31
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação 
daquele texto com outras formas de cultura, outros textos e 
manifestações de arte da época em que o autor viveu. 
Se não houver essa visão global dos momentos literários 
e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. 
Não se podem dispensar as dicas que aparecem na 
referência bibliográfica da fonte e na identificação do autor. 
A última fase da interpretação concentra-se nas 
perguntas e opções de resposta. 
Nesse momento, são fundamentais marcações de 
palavras como não, exceto, errada, respectivamente, etc., 
que fazem diferença na escolha adequada. 
Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o 
conceito do "mais adequado", isto é, o que responde melhor 
ao questionamento proposto. 
Por isso, uma resposta pode estar certa para responder 
à pergunta, mas não ser a adotada como gabarito pela 
banca examinadora por haver uma outra alternativa mais 
completa. 
Cabe ressaltar que algumas questões apresentam um 
fragmento do texto transcrito para ser a base de análise. 
Nunca deixe de retornar ao texto, mesmo que 
aparentemente pareça ser perda de tempo. 
A descontextualização de palavras ou frases, certas 
vezes, é também um recurso para instaurar a dúvida no 
candidato. 
Leia a frase anterior e a posterior para ter ideia do 
sentido global proposto pelo autor. Dessa maneira, a 
resposta será mais consciente e segura. 
 
MARCAS DE TEXTUALIDADE: 
INTERTEXTUALIDADE 
 
A expressão intertextualidade se refere, basicamente, à 
influência de um texto sobre outro. 
Na verdade, em diferentes graus, todo texto é um 
intertexto, pois, ao escrever, estabelecemos um diálogo - às 
vezes inconsciente, às vezes não - com tudo o que já foi 
escrito. 
Assim, cada texto é como um elo na corrente de 
produções verbais; cada texto retoma textos anteriores, 
reafirmando uns e contestando outros. 
Quando a intertextualidade é intencional, ela pode se 
manifestar em diferentes níveis. 
 
Vejamos cada um deles: 
- Epígrafe: é um fragmento de texto que serve de lema 
ou divisa de uma obra, capítulo, ou poema. Costuma existir 
um vínculo entre a epígrafe e o texto que vem abaixo dela; 
nesses casos, a epígrafe dá apoio temático ao texto - ou 
resume o sentido, a motivação dele. Massaud Moisés 
observa que o exame atento das epígrafes pode "nos 
fornecer uma ideia da doutrina básica de um poeta ou 
romancista, o seu nível intelectual etc.". 
 
- Citação: é a frase ou passagem de certa obra que um 
autor reproduz (com indicação do autor original) como 
complementação, exemplo, ilustração, reforço ou abonação 
daquilo que ele pretende dizer ou demonstrar. 
 
- Alusão: é toda referência, direta ou indireta, 
propositada ou casual, a certa obra, personagem, situação 
etc., pertencente ao mundo literário, artístico, mitológico etc. 
No geral, a alusão insere a obra que a contém numa tradição 
comum julgada digna de preservar-se. Camões, por 
exemplo, ao dizer, em Os Lusíadas, "cessem do sábio Grego 
e do Troiano / As navegações grandes que fizeram", alude a 
Ulisses (herói da Odisseia) e Eneias (herói da Eneida). 
 
- Paráfrase: é a interpretação, explicação ou nova 
apresentação de um texto (ou parte dele) com o objetivo de 
ou torná-lo mais inteligível ou sugerir um novo enfoque para 
o seu sentido. Veja, por exemplo, o poema abaixo, de Carlos 
Drummond de Andrade, no qual o poeta parafraseia o 
poema "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias: 
- Europa, França e Bahia 
Meus olhos brasileiros sonhando exotismos. 
Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um 
caranguejo. 
Os cais bolorentos de livros judeus 
e a água suja do Sena escorrendo sabedoria. 
O pulo da Mancha num segundo, 
Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas. 
Tarifas bancos fábricas trustes craques. 
Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas 
[formam um tapete para Sua Graciosa Majestade 
Britânica pisar. 
E a lua de Londres como um remorso. 
[...] 
Chega! 
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos. 
Como era mesmo a "Canção do Exílio"? 
Eu tão esquecido de minha terra... 
Ai terra que tem palmeiras 
onde canta o sabiá! 
 
- Paródia: trata-se de uma composição literária que 
imita, cômica ou satiricamente, o tema ou/e a forma de uma 
obra séria. 
O intuito da paródia consiste em ridicularizar uma 
tendência ou um estilo que, por qualquer motivo, se torna 
conhecido ou dominante. Como exemplo, o poema "Canto 
de Regresso à Pátria", de Oswald de Andrade, que parodia a 
"Canção do Exílio", de Gonçalves Dias: 
 
Minha terra tem palmares 
Onde gorjeia o mar 
Os passarinhos daqui 
Não cantam como os de lá 
Minha terra tem mais rosas 
E quase que mais amores 
Minha terra tem mais ouro 
Minha terra tem mais terra 
Ouro terra amor e rosas 
Eu quero tudo de lá 
Não permita Deus que eu morra 
Sem que volte para lá 
Não permita Deus que eu morra 
Sem que volte pra São Paulo 
Sem que veja a Rua 15 
E o progresso de São Paulo 
 
- Tradução: traduzir consiste em passar um texto (ou 
parte dele) escrito numa determinada língua para o 
equivalente em outra língua. Na opinião de alguns 
estudiosos, a tradução pode ser estudada no âmbito da 
intertextualidade, pois é uma forma de recriação a partir de 
um texto-fonte. 
- Pasticho (ou pastiche): imitação servil e grosseira de 
uma obra literária. 
 
Alguns Conceitos Importantes 
É muito comum, entre os candidatos a um cargo público, 
a preocupação com a interpretação de textos. 
Isso acontece porque lhes faltam informações 
específicas a respeito dessa tarefa constante em provas de 
concursos públicos. Por isso, vão aqui alguns conceitos que 
poderão ajudar no momento de responder as questões 
relacionadas a textos: 
 
TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e 
relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz 
de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar 
e decodificar). 
 
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas frases. 
Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz 
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando 
condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. 
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o 
relacionamentoentre as frases é tão grande que, se uma 
frase for retirada de seu contexto original e analisada 
separadamente, poderá ter um significado diferente daquele 
inicial. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 32
32
INTERTEXTUALIDADE - comumente, os textos 
apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores 
e a outros textos por meio de citação, alusão, paráfrase, etc. 
Esse tipo de recurso denomina-se intertextualidade. 
 
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sintaxe que 
relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. 
Em outras palavras, a coesão se dá quando, através de um 
pronome relativo, uma conjunção (conectivo), um pronome 
pessoal ou outro vocábulo, há uma relação correta entre o 
que se vai dizer e o que já foi dito. 
 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro objetivo da 
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia 
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias e 
as argumentações, ou explicações, que levem ao 
esclarecimento das questões apresentadas na prova. 
 
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: 
 
1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos 
fundamentais de uma argumentação, de um processo, de 
uma época (nesse caso, procuram-se os verbos e os 
advérbios, os quais definem o tempo). 
 
2. COMPARAR – é descobrir as relações de 
semelhança ou de diferenças entre as situações 
apresentadas no texto. 
 
3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo apresentado 
com uma realidade, opinando a respeito. 
 
4. RESUMIR – é concentrar as ideias centrais e/ou 
secundárias em um só parágrafo. 
 
5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com outras 
palavras, mantendo seu sentido original. 
 
Para interpretar de forma adequada, dependendo do 
texto, fazem-se necessários: 
a) Conhecimento histórico – literário (escolas e 
gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática; 
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do 
texto) e semântico; 
c) Capacidade de observação e de síntese; e 
d) Capacidade de raciocínio. 
 
INTERPRETAR x COMPREENDER 
 
INTERPRETAR 
SIGNIFICA 
COMPREENDER 
SIGNIFICA 
- EXPLICAR, 
COMENTAR, JULGAR, 
TIRAR CONCLUSÕES, 
DEDUZIR. 
- TIPOS DE ENUNCIADOS 
• Através do texto, 
INFERE-SE que... 
• É possível DEDUZIR 
que... 
• O autor permite 
CONCLUIR que... 
• Qual é a INTENÇÃO do 
autor ao afirmar que... 
- INTELECÇÃO, 
ENTENDIMENTO, ATENÇÃO 
AO QUE REALMENTE ESTÁ 
ESCRITO. 
- TIPOS DE ENUNCIADOS:
• O texto DIZ que... 
• É SUGERIDO pelo autor que...
• De acordo com o texto, é 
CORRETA ou ERRADA a 
afirmação... 
• O narrador AFIRMA... 
 
ERROS DE INTERPRETAÇÃO MAIS COMUNS 
a) Extrapolação (“viagem”): Ocorre quando se sai do 
contexto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer 
por conhecimento prévio do tema, quer pela imaginação. 
b) Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção 
apenas a um aspecto, ou a um trecho do texto, esquecendo 
que um texto é um conjunto de ideias, o que pode ser 
insuficiente para o total entendimento do tema desenvolvido. 
c) Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias 
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões 
equivocadas e, consequentemente, errando a questão. 
 
Dicas para interpretação de texto 
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do 
assunto; 
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não 
interrompa a leitura, vá até o fim, ininterruptamente; 
03. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas; 
04. Voltar ao texto tantas vezes quantas precisar; 
05. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as 
ideias do autor; 
06. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para 
melhor compreensão; 
07. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, 
parte) do texto correspondente; 
08. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de 
cada questão; 
09. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), 
não, correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, 
exceto, e outras; palavras que aparecem nas perguntas e 
que, às vezes, podem confundir o candidato; 
10. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, 
procurar a mais exata ou a mais completa; 
11. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um 
fundamento de lógica objetiva; 
12. Cuidado com as questões voltadas para dados 
superficiais; 
13. Não se deve procurar a verdade exata dentro 
daquela resposta, mas a opção que melhor se enquadre no 
sentido do texto; 
14. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras 
denuncia a resposta; 
15. Procure estabelecer quais foram as opiniões 
expostas pelo autor, definindo o tema e a mensagem. 
 
REESCRITURA DE FRASES: OPERAÇÕES DE 
SUBSTITUIÇÃO, DESLOCAMENTO E ALTERAÇÃO 
 
Paráfrase 
A Paráfrase é um texto que procura tornar mais claro e 
objetivo aquilo que se disse em outro texto. Portanto, é 
sempre a reescritura de um texto já existente, uma espécie 
de 'tradução' dentro da própria língua. 
O autor da paráfrase deve demonstrar que entendeu 
claramente a ideia do texto. Além disso, são exigências de 
uma boa paráfrase: 
- Utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto 
original. 
- Não omitir nenhuma informação essencial. 
- Não fazer qualquer comentário acerca do que se diz no 
texto original. 
- Utilizar construções que não sejam uma simples 
repetição daquelas que estão no original e, sempre que 
possível, um vocabulário também diferente. 
Figuras de estilo, Figuras ou Desvios de linguagem são 
nomes dados a alguns processos que priorizam a palavra ou 
o todo para tornar o texto mais rico e expressivo ou buscar 
um novo significado, possibilitando uma reescritura correta 
de textos. Podem-ser: 
 
FIGURAS DE PALAVRAS 
1. metáfora: consiste numa alteração de significado por 
traços de similaridade entre dois conceitos. Normalmente, 
uma palavra que designa uma coisa passa a designar outra, 
por haver entre elas traços de semelhança. A metáfora é, 
pois, uma comparação implícita, isto é, sem o conectivo 
comparativo. 
Ex.: “Meu pensamento é um rio subterrâneo.” 
(Fernando Pessoa) 
Observe que, no contexto, “rio subterrâneo” passa a 
designar “pensamento”, por haver entre estes dois 
elementos alguma semelhança. A metáfora vem, pois, 
evidenciar tal semelhança. 
OBS.: Na frase “Meu pensamento é como um rio 
subterrâneo”. Não há metáfora, e sim comparação. 
Outros exemplos de metáfora: 
Aquela mulher é uma víbora. Suas palavras são um 
bálsamo. 
“Éramos nós / Estreitos nós / Enquanto tu / És laço 
frouxo ... (Chico Buarque e Ruy Guerra) 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 33
33
2. Metonímia ou sinédoque: como a metáfora, consiste 
numa transposição de significado, isto é, uma palavra que 
usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro 
significado. Todavia, a transposição de significados não mais 
é feita com base em traços de semelhança, e sim por existir 
um relacionamento entre eles. 
Observe: 
Pão para quem tem fome. (“pão” em lugar de “alimento”) 
Não tinha teto em que se abrigasse. (“teto” em lugar de 
“casa”) 
Nas horas de folga escutava Mozart. (o autor em lugar 
da obra) 
OBS.: Atualmente não se tem mais feito a distinção entre 
metonímia e sinédoque, uma vez que que o conceito de 
sinédoque está contido no de metonímia. 
 
3. Catacrese: é o emprego de palavras fora do seu 
significado real; entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se 
percebe que estão sendo empregadas em sentido figurado. 
As metáforas desgastadas ou viciadas são consideradas 
catacrese. 
Exs.: 
Quando embarquei no avião, fui dominado pelo medo. 
O pé da mesa estava quebrado. 
O pé de laranja foi serrado. 
Não deixe de colocar dois dentes de alho na comida. 
OBS.: A catacrese ocorre quando, por falta de um termo 
específico para designar um conceito, toma-se outro por 
empréstimo. Note que, por falta de uma palavra específica 
para designar o objeto quesustenta o tampo da mesa, 
tomamos por empréstimo a palavra pé e a usamos fora do 
seu sentido habitual. Verifique ainda que essa transposição 
tem por fundamento a vaga semelhança entre um conceito e 
outro. 
 
4. Antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um 
nome por uma expressão que o identifique com facilidade. 
Exemplos.: 
Os quatros rapazes de Liverpool (em vez de Beatles); 
O maior estádio do mundo (em vez de Maracanã); 
A Cidade Eterna (em vez de Roma). 
 
5. Sinestesia: consiste em se mesclar numa mesma 
expressão sensações percebidas por diferentes órgãos do 
sentido. 
Exemplos: 
A luz crua da madrugada invadia meu quarto. 
Um áspero sabor de indiferença a atormentava. 
 
COERÊNCIA E COESÃO TEXTUAL 
 
Na construção de um texto, assim como na fala, usamos 
mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão do 
que é dito, ou lido. 
Esses mecanismos linguísticos que estabelecem a 
conectividade e retomada do que foi escrito ou dito, são os 
referentes textuais e buscam garantir a coesão textual para 
que haja coerência, não só entre os elementos que 
compõem a oração, como também entre a sequência de 
orações dentro do texto. 
Essa coesão também pode muitas vezes se dar de modo 
implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os 
participantes do processo têm com o tema. Por exemplo, o 
uso de uma determinada sigla, que para o público a quem se 
dirige deveria ser de conhecimento geral, evita que se lance 
mão de repetições inúteis. 
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha 
imaginária - composta de termos e expressões - que une os 
diversos elementos do texto e busca estabelecer relações de 
sentido entre eles. 
Dessa forma, com o emprego de diferentes 
procedimentos, sejam lexicais (repetição, substituição, 
associação), sejam gramaticais (emprego de pronomes, 
conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases, 
orações, períodos, que irão apresentar o contexto – decorre 
daí a coerência textual. 
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o 
apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa 
incoerência é resultado do mau uso daqueles elementos de 
coesão textual. Na organização de períodos e de parágrafos, 
um erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais 
prejudica o entendimento do texto. Construído com os 
elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal. 
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enunciado 
não se constrói com um amontoado de palavras e orações. 
Elas se organizam segundo princípios gerais de 
dependência e independência sintática e semântica, 
recobertos por unidades melódicas e rítmicas que 
sedimentam estes princípios”. 
Desta lição, extrai-se que não se deve escrever frases 
ou textos desconexos – é imprescindível que haja uma 
unidade, ou seja, que essas frases estejam coesas e 
coerentes formando o texto. 
Além disso, relembre-se que, por coesão, entende-se 
ligação, relação, nexo entre os elementos que compõem a 
estrutura textual. 
 
Há diversas formas de se garantir a coesão entre os 
elementos de uma frase ou de um texto: 
1. Substituição de palavras com o emprego de 
sinônimos, ou de palavras ou expressões do mesmo campo 
associativo. 
2. Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, 
o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / 
desgaste / desgastante). 
3. Repetição na ligação semântica dos termos, 
empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, 
e não uma redundância - resultado da pobreza de 
vocabulário. Por exemplo, “Grande no pensamento, grande 
na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu 
desconhecido e só.” (Rocha Lima) 
4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece com 
base na maior especificidade do significado de um deles. Por 
exemplo, mesa (mais específico) e móvel (mais genérico). 
5. Emprego de hiperônimos - relações de um termo de 
sentido mais amplo com outros de sentido mais específico. 
Por exemplo, felino está numa relação de hiperonímia com 
gato. 
6. Substitutos universais, como os verbos vicários (ex.: 
Necessito viajar, porém só o farei no ano vindouro) 
A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de 
conectivos, como certos pronomes, certos advérbios e 
expressões adverbiais, conjunções, elipses, entre outros. 
A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado 
anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O 
jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas as 
suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, 
estabelece a relação entre as duas orações). 
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a 
propriedade de fazer referência ao contexto situacional ou ao 
próprio discurso. 
Exerce, por excelência, essa função de progressão 
textual, dada sua característica: são elementos que não 
significam, apenas indicam, remetem aos componentes da 
situação comunicativa. 
Já os componentes concentram em si a significação. 
Elisa Guimarães nos ensina a esse respeito: 
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais 
indicam os participantes do ato do discurso”. 
“Os pronomes demonstrativos, certas locuções 
prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, 
referenciam o momento da enunciação, podendo indicar 
simultaneidade, anterioridade ou posterioridade”. 
“Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); 
ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de 
(pretérito); de agora em diante, no próximo ano, depois de 
(futuro).” 
Esse conceito será de grande valia quando tratarmos do 
uso dos pronomes demonstrativos. Somente a coesão, 
contudo, não é suficiente para que haja sentido no texto, 
esse é o papel da coerência, e coerência se relaciona 
intimamente a contexto. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 34
34
São variadas as maneiras como os diversos autores 
descrevem e classificam os mecanismos de coesão. 
Consideramos que é necessário perceber como esses 
mecanismos estão presentes no texto (quando estão) e de 
que maneira contribuem para sua tessitura, sua organização. 
Para Mira Mateus (1983), "todos os processos de 
sequencialização que asseguram (ou tornam recuperável) 
uma ligação linguística significativa entre os elementos que 
ocorrem na superfície textual podem ser encarados como 
instrumentos de coesão." 
 
Esses instrumentos se organizam da seguinte forma: 
- Coesão 
- Gramatical: frásica, interfrásica (junção), temporal, 
referencial (anáfora e catáfora) 
- Lexical: reiteração, substituição (sinonímia - antonímia 
- hiperonímia - hiponímia) 
 
Coesão Gramatical 
Faz-se por meio das concordâncias nominais e verbais, 
da ordem dos vocábulos, dos conectores, dos pronomes 
pessoais de terceira pessoa (retos e oblíquos), pronomes 
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, 
relativos, diversos tipos de numerais, advérbios (aqui, ali, lá, 
aí), artigos definidos, de expressões de valor temporal. 
De acordo com o quadro antes apresentado, passamos a 
ver separadamente cada um dos tipos de conexão gramatical, a 
saber, frásica, interfrásica, temporal e referencial. 
 
Coesão Frásica - este tipo de coesão estabelece uma 
ligação significativa entre os componentes da frase, com base 
na concordância entre o nome e seus determinantes, entre o 
sujeito e o verbo, entre o sujeito e seus predicadores, na ordem 
dos vocábulos na oração, na regência nominal e verbal. 
Exemplos: 
1) Florianópolis tem praias para todos os gostos, 
desertas, agitadas, com ondas, sem ondas, rústicas, 
sofisticadas. 
 
Concordância nominal 
Praias desertas, agitadas, rústicas, sofisticadas 
(subst) (adjetivos) 
 
Todos os gostos 
(pron) (artigo) (substantivo) 
 
Concordância verbal 
Florianópolis tem 
 (sujeito) (verbo) 
 
2) A voz de Elza Soares é um patrimônio da música 
brasileira. Rascante, oclusiva, suingada, é algo que poucas 
cantoras, no mundointeiro, têm. 
 
Concordância nominal 
voz rascante, oclusiva, suingada 
poucas cantoras 
música brasileira 
mundo inteiro 
 
Concordância verbal 
voz é 
cantoras têm 
 
Com respeito à ordem dos vocábulos na oração, 
deslocamentos de vocábulos ou expressões dentro da 
oração podem levar a diferentes interpretações de um 
mesmo enunciado. 
Observe estas frases: 
a) O barão admirava a bailarina que dançava com um 
olhar lânguido. 
A expressão com um olhar lânguido, devido à posição 
em que foi colocada, causa ambiguidade, pois tanto pode se 
referir ao barão como à bailarina. 
Para deixar claro um ou outro sentido, é preciso alterar a 
ordem dos vocábulos. 
O barão, com um olhar lânguido, admirava a bailarina 
que dançava. 
O barão admirava a bailarina que, com um olhar 
lânguido, dançava. 
b) A moto em que ele estava passeando lentamente saiu 
da estrada.. 
A análise deste período mostra que ele é formado de 
duas orações: 
A moto saiu da estrada e em que ele estava passeando. 
A qual das duas, no entanto, se liga o advérbio lentamente? 
Da forma como foi colocado, pode se ligar a qualquer uma 
das orações. Para evitar a ambiguidade, recorremos a uma 
mudança na ordem dos vocábulos. Poderíamos ter, então: 
A moto em que lentamente ele estava passeando saiu 
da estrada. 
A moto em que ele estava passeando saiu lentamente 
da estrada. 
Também em relação à regência verbal, a coesão pode 
ficar prejudicada se não forem tomados alguns cuidados. Há 
verbos que mudam de sentido conforme a regência, isto é, 
conforme a relação que estabelecem com o seu 
complemento. 
Por exemplo, o verbo assistir é usado com a preposição 
a quando significa ser espectador, estar presente, 
presenciar. 
Exemplo: A cidade inteira assistiu ao desfile das escolas 
de samba. 
Entretanto, na linguagem coloquial, este verbo é usado 
sem a preposição. 
Por isso, com frequência, temos frases como: Ainda não 
assisti o filme que foi premiado no festival. Ou A peça que 
assisti ontem foi muito bem montada (ao invés de a que 
assisti). 
No sentido de acompanhar, ajudar, prestar 
assistência, socorrer, usa-se com proposição ou não. 
Observe: 
O médico assistiu ao doente durante toda a noite. Os 
Anjos do Asfalto assistiram as vítimas do acidente. 
No que diz respeito à regência nominal, há também 
casos em que os enunciados podem se prestar a mais de 
uma interpretação. 
Se dissermos: A liquidação da Mesbla foi realizada no 
fim do verão, podemos entender que a Mesbla foi liquidada, 
foi vendida ou que a Mesbla promoveu uma liquidação de 
seus produtos. 
Isso acontece porque o nome liquidação está 
acompanhado de um outro termo (da Mesbla). 
Dependendo do sentido que queremos dar à frase, 
podemos reescrevê-la de duas maneiras: 
A Mesbla foi liquidada no fim do verão. 
A Mesbla promoveu uma liquidação no fim do verão. 
 
Coesão Interfrásica - designa os variados tipos de 
interdependência semântica existente entre as frases na 
superfície textual. 
Essas relações são expressas pelos conectores ou 
operadores discursivos. 
É necessário, portanto, usar o conector adequado à 
relação que queremos expressar. 
Seguem exemplos dos diferentes tipos de conectores 
que podemos empregar: 
a) As baleias que acabam de chegar ao Brasil saíram da 
Antártida há pouco mais de um mês. No banco de Abrolhos, 
uma faixa com cerca de 500 quilômetros de água rasa e 
cálida, entre o Espírito Santo e a Bahia, as baleias encontram 
as condições ideais para acasalar, parir e amamentar. As 
primeiras a chegar são as mães, que ainda amamentam os 
filhotes nascidos há um ano. Elas têm pressa, porque é difícil 
conciliar amamentação e viagem, já que um filhote tem 
necessidade de mamar cerca de 100 litros de leite por dia 
para atingir a média ideal de aumento de peso: 35 quilos por 
semana. Depois, vêm os machos, as fêmeas sem filhote e, 
por último, as grávidas. Ao todo, são cerca de 1000 baleias 
que chegam a Abrolhos todos os anos. Já foram dezenas de 
milhares na época do descobrimento, quando estacionavam 
em vários pontos da costa brasileira. Em 1576, Pero de 
Magalhães Gândavo registrou ter visto centenas delas na baía 
de Guanabara. (Revista VEJA) 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 35
35
b) Como suas glândulas mamárias são internas, ela 
espirra o leite na água. 
c) Ao longo dos meses, porém, a música vai sofrendo 
pequenas mudanças, até que, depois de cinco anos, é 
completamente diferente da original. 
d) A baleia vem devagar, afunda a cabeça, ergue o 
corpanzil em forma de arco e desaparece um instante. Sua 
cauda, então, ressurge gloriosa sobre a água como se fosse 
uma enorme borboleta molhada. A coreografia dura 
segundos, porém tão grande é a baleia que parece um balé 
em câmara lenta. 
e) Tão grande quanto as baleias é a sua discrição. 
Nunca um ser humano presenciou uma cópula de jubartes, 
mas sabe-se que seu intercurso é muito rápido, dura apenas 
alguns segundos. 
f) A jubarte é engenhosa na hora de se alimentar. Como 
sua comida costuma ficar na superfície, ela mergulha e nada 
em volta dos peixes, soltando bolhas de água. Ao subir, as 
bolhas concentram o alimento num círculo. Em seguida, a 
baleia abocanha tudo, elimina a água pelo canto da boca e 
usa a língua como uma canaleta a fim de jogar o que 
interessa goela adentro. 
g) Várias publicações estrangeiras foram traduzidas, 
embora muitas vezes valha a pena comprar a versão original. 
h) Como guia de Paris, o livro é um embuste. Não espere, 
portanto, descobrir através dele o horário de funcionamento dos 
museus. A autora faz uma lista dos lugares onde o turista pode 
comprar roupas, óculos, sapatos, discos, livros, no entanto, não 
fornece as faixas de preço das lojas. 
i) Se já não é possível espantar a chicotadas os 
vendilhões do templo, a solução é integrá-los à paisagem da 
fé. (...) As críticas vêm não só dos vendilhões ameaçados de 
ficar de fora, mas também das pessoas que frequentam o 
interior do templo para exercer a mais legítima de suas 
funções, a oração. 
j) Na verdade, muitos habitantes de Aparecida estão 
entre a cruz e a caixa registradora. Vivem a dúvida de 
preservar a pureza da Casa de Deus ou apoiar um 
empreendimento que pode trazer benesses materiais.(idem) 
l) A Igreja e a prefeitura estimam que o shopping deve 
gerar pelo menos 1000 empregos. 
m) Aparentemente boa, a infraestrutura da Basílica se 
transforma em pó em outubro, por exemplo, quando num 
único fim de semana surgem 300 mil fiéis. 
n) O shopping da fé também contará com um centro de 
eventos com palco giratório. 
 
CONECTORES: 
. e (exemplos a, d, f) - liga termos ou argumentos. 
. porque (exemplo a), já que (exemplo a), como 
(exemplos b, f) - introduzem uma explicação ou justificativa. 
. para (exemplos a, i), a fim de (exemplo f) - indicam 
uma finalidade. 
. porém (exemplos c, d), mas (e) , embora (g) , no 
entanto (h) - indicam uma contraposição. 
. como (exemplo d) , tão ... que (exemplo d), tão ... 
quanto (exemplo e) - indicam uma comparação. 
. portanto (h) - evidencia uma conclusão. 
. Depois (a) , por último (a), quando (a), já (a), ao 
longo dos meses (c), depois de cinco anos (c), em 
seguida (f), até que (c) - servem para explicar a ordem dos 
fatos, para encadear os acontecimentos. 
. então (d) - operador que serve para dar continuidade 
ao texto. 
. se (exemplo i) - indica uma forma de condicionar uma 
proposição a outra. 
. não só...mas também (exemplo i) - serve para 
mostrar uma soma de argumentos. 
. na verdade (exemplo j) - expressa uma generalização, 
uma amplificação. 
. ou (exemplo j) - apresenta um disjunção 
argumentativa, uma alternativa. 
. por exemplo (exemplo m) - serve para especificar o 
que foi dito antes. 
. também (exemplo n) - operador para reforçar mais um 
argumento apresentado. 
Ainda dentro da coesão interfrásica, existe o processo de 
justaposição, em que a coesão sedá em função da 
sequência do texto, da ordem em que as informações, as 
proposições, os argumentos vão sendo apresentados. 
Quando isto acontece, ainda que os operadores não 
tenham sido explicitados, eles são depreendidos da relação 
que está implícita entre as partes da frase. 
 
O trecho abaixo é um exemplo de justaposição. 
Foi em cabarés e mesas de bar que Di Cavalcanti fez 
amigos, conquistou mulheres, foi apresentado a medalhões 
das artes e da política. Nos anos 20, trocou o Rio por longas 
temporadas em São Paulo; em seguida foi para Paris. 
Acabou conhecendo Picasso, Matisse e Braque nos cafés de 
Montparnasse. Di Cavalcanti era irreverente demais e 
calculista de menos em relação aos famosos e poderosos. 
Quando se irritava com alguém, não media palavras. Teve 
um inimigo na vida. O também pintor Cândido Portinari. A 
briga entre ambos começou nos anos 40. Jamais se 
reconciliaram. Portinari não tocava publicamente no nome de 
Di. (Revista VEJA) 
Há, neste trecho, apenas uma coesão interfrásica 
explicitada: trata-se da oração "Quando se irritava com 
alguém, não media palavras". Os demais possíveis 
conectores são indicados por ponto e ponto-e-vírgula. 
 
Coesão Temporal - uma sequência só se apresenta 
coesa e coerente quando a ordem dos enunciados estiver de 
acordo com aquilo que sabemos ser possível de ocorrer no 
universo a que o texto se refere, ou no qual o texto se insere. 
Se essa ordenação temporal não satisfizer essas 
condições, o texto apresentará problemas no seu sentido. 
A coesão temporal é assegurada pelo emprego 
adequado dos tempos verbais, obedecendo a uma 
sequência plausível, ao uso de advérbios que ajudam a 
situar o leitor no tempo (são, de certa forma, os conectores 
temporais). 
 
Exemplo: 
A dita Era da Televisão é, relativamente, nova. Embora 
os princípios técnicos de base sobre os quais repousa a 
transmissão televisual já estivessem em experimentação 
entre 1908 e 1914, nos Estados Unidos, no decorrer de 
pesquisas sobre a amplificação eletrônica, somente na 
década de vinte chegou-se ao tubo catódico, principal peça 
do aparelho de tevê. 
Após várias experiências por sociedades eletrônicas, 
tiveram início, em 1939, as transmissões regulares entre 
Nova Iorque e Chicago - mas quase não havia aparelhos 
particulares. A guerra impôs um hiato às experiências. 
A ascensão vertiginosa do novo veículo deu-se após 
1945. 
No Brasil, a despeito de algumas experiências 
pioneiras de laboratório (Roquete Pinto chegou a 
interessar-se pela transmissão da imagem), a tevê só foi 
mesmo implantada em setembro de 1950, com a 
inauguração do Canal 3 (TV Tupi), por Assis 
Chateaubriand. 
Nesse mesmo ano, nos Estados Unidos, já havia cerca 
de cem estações, servindo a doze milhões de aparelhos. 
Existem hoje mais de 50 canais em funcionamento, em 
todo o território brasileiro, e perto de 4 milhões de 
aparelhos receptores. [dados de 1971] (Muniz Sodré, A 
comunicação do grotesco) 
Temos, neste parágrafo, a apresentação da trajetória 
da televisão no Brasil, e o que contribui para a clareza 
desta trajetória é a sequência coerente das datas: entre 
1908 e 1914, na década de vinte, em 1939, 
Após várias experiências por sociedades eletrônicas, 
(época da) guerra, após 1945, em setembro de 1950, 
nesse mesmo ano, hoje. 
Embora o assunto neste tópico seja a coesão temporal, 
vale a pena mostrar também a ordenação espacial que 
acompanha as diversas épocas apontadas no parágrafo: 
nos Estados Unidos, entre Nova Iorque e Chicago, no 
Brasil, em todo o território brasileiro. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 36
36
Coesão Referencial - neste tipo de coesão, um 
componente da superfície textual faz referência a outro 
componente, que, é claro, já ocorreu antes. Para esta 
referência são largamente empregados os pronomes 
pessoais de terceira pessoa (retos e oblíquos), pronomes 
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, 
relativos, diversos tipos de numerais, advérbios (aqui, ali, lá, 
aí), artigos. Exemplos: 
 
a) Durante o período da amamentação, a mãe ensina os 
segredos da sobrevivência ao filhote e é arremedada por ele. 
A baleiona salta, o filhote a imita. Ela bate a cauda, ele 
também o faz. (Revista VEJA) 
. ela, a - retomam o termo baleiona, que, por sua vez, 
substitui o vocábulo mãe. 
. ele - retoma o termo filhote 
. ele também o faz - o retoma as ações de saltar, bater, 
que a mãe pratica. 
 
b) Madre Teresa de Calcutá, que em 1979 ganhou o 
Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com os destituídos do 
mundo, estava triste na semana passada. Perdera uma 
amiga, a princesa Diana. Além disso, seus problemas de 
saúde agravaram-se. Instalada em uma cadeira de rodas, 
ela mantinha-se, como sempre, na ativa. Já que não podia ir 
a Londres, pretendia participar, no sábado, de um ato em 
memória da princesa, em Calcutá, onde morava há quase 
setenta anos. Na noite de sexta-feira, seu médico foi 
chamado às pressas. Não adiantou. Aos 87 anos, Madre 
Teresa perdeu a batalha entre seu organismo debilitado e 
frágil e sua vontade de ferro e morreu vítima de ataque 
cardíaco. O Papa João Paulo II declarou-se "sentido e 
entristecido". Madre Teresa e o papa tinham grande 
afinidade. (Revista VEJA) 
. que, seu, seus, ela, sua referem-se a Madre Teresa. 
. princesa retoma a expressão princesa Diana. 
. papa retoma a expressão Papa João Paulo II. 
. onde refere-se à cidade de Calcutá. 
Há ainda outros elementos de coesão, como Além 
disso, já que, que introduzem, respectivamente, um 
acréscimo ao que já fora dito e uma justificativa. 
 
c) Em Abrolhos, as jubartes fazem a maior esbórnia. 
Elas se reúnem em grupos de três a oito animais, sempre 
com uma única fêmea no comando. É ela, por exemplo, que 
determina a velocidade e a direção a seguir. Os machos vão 
atrás, na expectativa de ver se a fêmea cai na rede, com o 
perdão do trocadilho,e aceita copular. Como há mais machos 
que fêmeas, elas copulam com vários deles para ter certeza 
de que engravidarão. (Revista VEJA) 
Neste exemplo, ocorre um tipo bastante comum de 
referência - a anafórica. Os pronomes elas (que retoma 
jubartes), ela (que retoma fêmea), elas (que se refere a 
fêmeas) e deles (que se refere a machos) ocorrem depois 
dos nomes que representam. 
 
d) Ele foi o único sobrevivente do acidente que matou a 
princesa, mas o guarda-costas não se lembra de nada. 
(Revista VEJA) 
 
e) Elas estão divididas entre a criação dos filhos e o 
desenvolvimento profissional, por isso, muitas vezes, as 
mulheres precisam fazer escolhas difíceis. (Revista VEJA) 
Nas letras d, e temos o que se chama uma referência 
catafórica. Isto acontece porque os pronomes Ele e Elas, 
que se referem, respectivamente a guarda-costas e 
mulheres aparecem antes do nome que retomam. 
 
f) A expedição de Vasco da Gama reunia o melhor que 
Portugal podia oferecer em tecnologia náutica. Dispunha 
das mais avançadas cartas de navegação e levava pilotos 
experientes. (Revista VEJA) 
 
Temos neste período uma referência por elipse. O 
sujeito dos verbos dispunha e levava é A expedição de 
Vasco da Gama, que não é retomada pelo pronome 
correspondente ela, mas por elipse, isto é, a concordância 
do verbo - 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do 
indicativo - é que indica a referência. 
Existe ainda a possibilidade de uma ideia inteira ser 
retomada por um pronome, como acontece nas frases a 
seguir: 
a) Todos os detalhes sobre a vida das jubartes são 
resultado de anos de observação de pesquisadores 
apaixonados pelo objeto de estudo. Trabalhos como esse 
vêm alcançando bons resultados. (Revista VEJA) 
. O pronome esse retoma toda a sequência anterior. 
b) Se ninguém tomar uma providência, haverá um 
desastre sem precedentes na Amazônia brasileira. Ainda há 
tempo de evitá-lo.(Revista VEJA) 
. O pronome lo se refere ao desastre sem precedentes 
citado antes. 
c) A lei é umabsurdo do começo ao fim. Primeiro, 
porque permite aos moradores da superquadra isolar uma 
área pública, não permitindo que os demais habitantes 
transitem por ali. Segundo, o projeto não repassa aos 
moradores o custo disso, ou seja, a responsabilidade pela 
coleta de lixo, pelos serviços de água e luz e pela instalação 
de telefones. Pelo contrário, a taxa de limpeza pública seria 
reduzida para os moradores. Além disso, a aprovação do 
texto foi obtida mediante emprego de argumentos 
falsos.(Revista VEJA) 
Este texto apresenta diferentes tipo de elementos de 
coesão. 
. ali - faz referência a área pública, anteriormente citada. 
. disso - retoma o que é considerado um absurdo dentro 
da nova lei. Ao mesmo tempo, disso é explicado a partir do 
operador ou seja. 
. ou seja, pelo contrário - conectores que introduzem 
uma retificação, uma correção. 
. Além disso - conector que tem por função acrescentar 
mais um argumento ao que está sendo discutido. 
. Primeiro e Segundo - estes conectores indicam a 
ordem dos argumentos, dos assuntos. 
 
Coesão Lexical 
Neste tipo de coesão, usamos termos que retomam 
vocábulos ou expressões que já ocorreram, porque existem 
entre eles traços semânticos semelhantes, até mesmo 
opostos. Dentro da coesão lexical, podemos distinguir a 
reiteração e a substituição. Por reiteração entendemos a 
repetição de expressões linguísticas; neste caso, existe 
identidade de traços semânticos. 
Este recurso é, em geral, bastante usado nas 
propagandas, com o objetivo de fazer o ouvinte/leitor reter o 
nome e as qualidades do que é anunciado. 
Observe, nesta propaganda da Ipiranga, quantas vezes 
é repetido o nome da refinaria. 
Em 1937, quando a Ipiranga foi fundada, muitos 
afirmavam que seria difícil uma refinaria brasileira dar certo. 
Quando a Ipiranga começou a produzir querosene de 
padrão internacional, muitos afirmavam, também, que 
dificilmente isso seria possível. 
Quando a Ipiranga comprou as multinacionais Gulf Oil e 
Atlantic, muitos disseram que isso era incomum. 
E, a cada passo que a Ipiranga deu nesses anos todos, 
nunca faltaram previsões que indicavam outra direção. 
Quem poderia imaginar que a partir de uma refinaria 
como aquela a Ipiranga se transformaria numa das 
principais empresas do país, com 5600 postos de 
abastecimento anual de 5,4 bilhões de dólares? 
E, que além de tudo, está preparada para o futuro? 
É que, além de ousadia, a Ipiranga teve sorte: a gente 
estava tão ocupado trabalhando que nunca sobrou muito 
tempo para prestar atenção em profecias. (Revista VEJA) 
 
Outro exemplo: 
A história de Porto Belo envolve invasão de 
aventureiros espanhóis, aventureiros ingleses e 
aventureiros franceses, que procuraram portos naturais, 
portos seguros para proteger suas embarcações de 
tempestades. 
A substituição é mais ampla, pois pode se efetuar por 
meio da sinonímia, da antonímia, da hiperonímia, da 
hiponímia. Vamos ilustrar cada um desses mecanismos por 
meio de exemplos. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 37
37
Sinonímia 
a) Pelo jeito, só Clinton insiste no isolamento de Cuba. 
João Paulo II decidiu visitar em janeiro a ilha da Fantasia. 
(Revista VEJA) 
Os termos assinalados têm o mesmo referente. 
Entretanto, é preciso esclarecer que, neste caso, há um 
julgamento de valor na substituição de Cuba por ilha da 
Fantasia, numa alusão a lugar onde não há seriedade. 
b) Aos 26 anos, o zagueiro Júnior Baiano deu uma 
grande virada em sua carreira. Conhecido por suas 
inconsequentes "tesouras voadoras", ele passou a agir de 
maneira mais sensata, atitude que já levou até a Seleção 
Brasileira. 
Patrícia, a esposa, e os filhos Patrícia Caroline e Patrick 
são as maiores alegrias desse baiano nascido na cidade de 
Feira de Santana. "Eles são a minha razão de viver e lutar 
por coisas boas", comenta o zagueiro. 
Na galeria do ídolos, Júnior Baiano coloca três craques: 
Leandro, Mozer a Aldair. "Eles sabem tudo de bola, diz o 
jogador. 
O zagueiro da Seleção só questiona se um dia terá o 
mesmo prestígio deles. 
Deixando para trás a fase de desajustado e brigão, o 
zagueiro rubro-negro agora orienta os mais jovens e 
aposta nesta nova geração do Flamengo. (Jornal dos Sports) 
Este tipo de procedimento é muito útil para evitar as 
constantes repetições que tornam um texto cansativo e 
pouco atraente. 
Observe quantas diferentes maneiras foram empregadas 
para fazer alusão à mesma pessoa. 
Dentro desse parágrafo, observamos ainda outros 
mecanismos de coesão já vistos anteriormente: sua, ele, o, 
que retomam o jogador Júnior Baiano, e deles, que retoma 
os três craques. 
c) Como uma ilha entre as pessoas que se comprimiam 
no abrigo do bonde, o homem mantinha-se concentrado no 
seu serviço. 
Era especialista em colorir retrato e fazia caricatura em 
cinco minutos. No momento, ele retocava uma foto de 
Getúlio Vargas, que mostrava um dos melhores sorrisos do 
presidente morto. 
d) Vestia um camisolão azul, sem cintura. Tinha cabelos 
longos como Jesus e barbas longas. Nos pés calçava 
sandálias para enfrentar o pó das estradas e, a cabeça, 
protegia-a do sol inclemente com um chapelão de abas 
largas. Nas mãos levava um cajado, como os profetas, os 
santos, os guiadores de gente, os escolhidos, os que sabiam 
o caminho do céu. Chamava os outros de "meu irmão". Os 
outros chamavam-no "meu pai". Foi conhecido como 
Antônio dos Mares, uma certa época, e também como 
Irmão Antônio. Os mais devotos o intitulavam "Bom Jesus", 
"Santo Antônio". De batismo, era Antônio Vicente Mendes 
Maciel. Quando fixou sua fama, era Antônio Conselheiro, 
nome com o qual conquistou os sertões e além. (Revista 
VEJA) 
Os vocábulos assinalados indicam a sinonímia para o 
nome de Antônio Conselheiro. 
Por ser um parágrafo rico em mecanismos de coesão, 
vale a pena mostrar mais alguns deles. 
Por exemplo, o sujeito de vestia, tinha, calçava, levava, 
chamava, foi conhecido, fixou é sempre o mesmo, isto é, 
Antônio Conselheiro, mas só ao final do texto esse sujeito é 
esclarecido. 
Dizemos, então, que, neste caso, houve uma referência 
por elipse. 
Chamavam-no e o intitulavam - os pronomes oblíquos no 
e o retomam a figura de Antônio Conselheiro. 
Da mesma forma, o pronome a (protegia-a) refere-se ao 
nome cabeça, e o possessivo sua (sua fama) tem como 
referente o mesmo Antônio Conselheiro. 
e) Depois do ciclo Romário, o Flamengo entra na era 
Sávio. Pelo menos é essa a intenção do presidente Kleber 
Leite. O dirigente nega a intenção do clube em fazer de seu 
atacante uma moeda de troca. "No ano passado me 
ofereceram US $ 9 milhões e mais o passe do Romário pelo 
Sávio e eu não fiz negócio", lembrou. Segundo Kleber, o 
jogador tem categoria suficiente para se transformar em um 
ídolo nacional. Por falar em prata da casa, o presidente do 
Flamengo, apoiado por Zico, vai apostar nos jovens valores 
do clube para o segundo semestre. Ele acha que, mantendo 
a base, com Sávio, Júnior Baiano, Athirson, Evandro e Lúcio, 
o time rubro-negro terá condições de chegar às finais do 
Campeonato Brasileiro e Supercopa. (Jornal dos Sports) 
As expressões assinaladas em negrito se referem à 
mesma pessoa. 
Na verdade, temos em dirigente um sinônimo de fato, 
enquanto as outras substituições podem ser chamadas de 
elipses parciais, embora todas remetam ao presidente do 
clube carioca. 
Existe igualmente sinonímia entre Sávio, atacante e 
jogador. 
f) Penando para tentar reduzir a conta dos direitos e 
benefícios dos trabalhadores, todo governante europeu hoje 
em dia baba de inveja dos Estados Unidos - o país do 
cada um por si e o governo, de preferência, bem longe 
dessas questões. Pois foi justamente na terra do vale-tudo 
entre patrão e empregado que 185000 filiados de um 
sindicato cruzaram os braços neste mês e pararam por 
quinze dias a UPS, a maior empresa de entregas terrestres 
do mudo. (Revista VEJA) 
Não podemos deixarde apontar que, neste exemplo, os 
sinônimos escolhidos para Estados Unidos se revestem de 
um juízo de valor, são denominações de caráter pejorativo. 
 
Antonímia - é a seleção de expressões linguísticas com 
traços semânticos opostos. Exemplos: 
a) Gelada no inverno, a praia de Garopaba oferece no 
verão uma das mais belas paisagens catarinenses. 
Hiperonímia e Hiponímia - Por hiperonímia temos o caso 
em que a primeira expressão mantém com a segunda uma 
relação de todo-parte ou classe-elemento. 
Por hiponímia designamos o caso inverso: a primeira 
expressão mantém com a segunda uma relação de parte-
todo ou elemento-classe. 
Em outras palavras, essas substituições ocorrem quando 
um termo mais geral - o hiperônimo - é substituído por um 
termo menos geral - o hipônimo, ou vice-versa. 
Os exemplo ajudam a entender melhor. 
a) Tão grande quanto as baleias é a sua discrição. 
Nunca um ser humano presenciou uma cópula de jubartes, 
mas sabe-se que seu intercurso é muito rápido, dura apenas 
alguns segundos.(Revista VEJA) 
b) Em Abrolhos, as jubartes fazem a maior esbórnia. 
Elas se reúnem em grupos de três a oito animais, sempre 
com uma única fêmea no comando. É ela, por exemplo, que 
determina a velocidade e a direção a seguir. (Idem) 
c) Dentre as 79 espécies de cetáceos, as jubartes são 
as únicas que cantam - tanto que são conhecidas também 
por "baleias cantoras". (Idem) 
d) A renda de bilro é a mais conhecida e criativa forma 
de artesanato catarinense. 
e) O litoral norte de Santa Catarina tem um verdadeiro 
festival de localidades famosas: a praia de Camboriú, a ilha 
de São Francisco do Sul, a enseada do Brito. (Idem) 
f) Dado que, entre os assentados, é expressivo o número 
de analfabetos, pode-se ter uma ideia de quanto é difícil 
elaborar um projeto ou usar novas tecnologias. Com pouco 
dinheiro e escassa assistência, eles costumam usar 
sementes de qualidade baixa e voltar-se para a produção de 
consumo familiar. Mesmo entre os instrumentos de trabalho 
mais corriqueiros, também há escassez brutal, e a maioria 
dos assentados não dispõe nem mesmo de uma pá ou de 
uma picareta. Entre eles, ainda que os sem-terra tenham 
escolhido a foice como um dos seus símbolos de luta pela 
reforma agrária, o instrumento mais comum ainda é a velha 
enxada.(Revista VEJA) 
 
Hiperônimos (termos mais gerais) 
baleias - animais - cetáceos - artesanato - litoral norte - 
instrumentos 
 
Hipônimos (termos mais específicos) 
jubartes - jubartes - baleias - renda de bilro - praia, ilha, 
enseada - pá, picareta, foice, enxada 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 38
38
Vale a pena apontar também a coesão lexical por 
sinonímia, entre assentados e sem-terra (exemplo f) e entre 
jubartes e baleias cantoras (exemplo c). Os pronomes eles 
(caso reto) e se (caso oblíquo) são exemplos de coesão 
gramatical 
 
DIVERSIDADE LINGUÍSTICA 
(LÍNGUA PADRÃO, LÍNGUA NÃO PADRÃO) 
 
LINGUAGEM FORMAL E INFORMAL 
Falado e Escrito / Formal e Informal 
 
Linguagem coloquial (Informal) 
Os dois amigos encontraram-se no pátio do colégio, na 
hora do intervalo, e Marcos perguntou: 
- Como é que é, Zé? Tá a fim de dar uns giros por aí 
depois da aula? 
- Normal! A gente pode chamar o Nandinho e ir pra uma 
esplanada - respondeu José bastante animado. 
- É isso. Vou nessa! - disse Marcos apertando o passo. 
 
Gíria 
A gíria é um elemento de linguagem que denota 
expressividade e revela grande criatividade, desde que, 
naturalmente, adequada à mensagem, ao meio e ao 
receptor. 
Mesmo que seja criativa a gíria só é admitida na língua 
falada. Sendo que a língua escrita a tolera. Só em casos 
especiais na comunicação entre amigos, familiares, 
namorados, sendo que isto é caracterizada pela linguagem 
informal. 
 
Linguagem formal 
No corredor de uma universidade, um eminente 
professor de Direito Penal encontra um ex-aluno, agora seu 
colega. O professor diz-lhe: 
- Que prazer encontrá-lo depois de tanto tempo! 
- Como está, professor? É bom revê-lo - sorriu o ex-
aluno emocionado. - O senhor nem pode imaginar o quanto 
me foram úteis os conhecimentos que adquiri nas suas 
aulas. 
- Você sempre foi um bom aluno. Tinha a certeza de que 
se tornaria um advogado notável. 
A distinção linguagem popular / linguagem cuidada, por 
exemplo, apoia-se num critério sociocultural, ao passo que a 
distinção linguagem informal / linguagem oratória se apoia 
sobretudo numa diferença de situação (o mesmo indivíduo 
não empregará a mesma linguagem ao fazer um discurso e 
ao conversar com amigos num bar). 
Ademais, na expressão oral, as incorreções gramaticais 
são geralmente em função de restrições materiais: 
dificilmente poderá um comentarista esportivo manter uma 
linguagem cuidada ao descrever e comentar uma partida ao 
vivo. De modo geral, a linguagem cuidada emprega um 
vocabulário mais preciso, mais raro, e uma sintaxe mais 
elaborada que a da linguagem comum. 
Para resolver esse impasse se poderia, à primeira vista, 
propor a obediência à norma na escrita e sua flexibilização 
na fala, o que, no entanto, seria ainda inexato. Na verdade, a 
dicotomia correta é formal versus informal e não escrito 
versus falado. 
Em circunstâncias formais, a comunidade espera que se 
empregue, seja escrevendo ou falando, a língua-padrão (cf. 
ing. standard language), entendida aqui como a variedade 
formal culta e até certo ponto supra regional do idioma, que 
corresponde, em parte ao menos, à língua descrita pela 
gramática escolar. 
Em situações informais, ao contrário, seja na fala ou na 
escrita, a expectativa da comunidade é que se empreguem 
as variedades informais da língua. 
Em outras palavras: o binômio decisivo para a 
obediência à norma gramatical é o referente ao grau de 
formalidade da comunicação e não à natureza oral ou escrita 
desta. Não se conclua daí, entretanto, que não haja 
correlação entre modalidade escrita e formalidade, por um 
lado, e entre informalidade e fala, por outro. 
De fato, a comunicação escrita tende a ser mais formal 
do que a falada. 
Na verdade, a oposição formal / informal é uma 
simplificação didática. Há no mínimo quatro graus de 
formalidade (registros) no português do Brasil: o ultraformal, 
o formal, o semiformal e o informal, de que são exemplos, 
respectivamente (no uso oral da língua); 
O discurso solene de um paraninfo numa cerimônia de 
formatura (ultraformal), uma conferência (formal), uma 
conversa entre cientistas que se conhecem há muito tempo 
sobre assunto de sua especialidade (que não ficará 
totalmente formal, pela intimidade existente entre os 
interlocutores, nem totalmente informal, pela natureza 
"intelectual" do assunto tratado) (semiformal) e a 
conversação diária (informal). 
Exemplos na modalidade escrita: 
- do ultra formal - certos textos jurídicos e um ou outro 
texto burocrático; 
- do formal - um verbete de enciclopédia; 
- do semiformal - uma crônica esportiva (na mídia 
impressa); 
- do informal - um bilhete. 
Ainda numa visão um tanto esquemática, mas 
didaticamente necessária, diríamos que a necessidade de 
obediência à norma gramatical existe no registro ultra formal 
e no formal, não existindo nos dois últimos. 
Além do grau de formalidade, outros fatores interferem 
na escolha do tipo de linguagem adequado a cada situação, 
a saber: 
- o status dos interlocutores; 
- o local, o assunto; 
- o gênero textual (o que é virtude num gênero pode ser 
defeito em outro); 
- a modalidade escrita ou oral e 
- a natureza monolocutiva ou interlocutiva, privada ou 
pública etc. da comunicação. 
O princípio geral, porém, é sempre o mesmo: o da 
adequação. 
 
Precisamos levar em conta 
- A quem nossos textos ou palavras se dirigem, ou seja, 
nosso interlocutor na interação verbal ou oral; 
- o assunto sobre o qual versa o texto ou a fala; 
- e o papel desempenhado pela língua. 
Essa distinção permite diferenciar linguagem informal de 
linguagemformal. 
Devemos ficar atentos para não utilizar, na redação de 
nossos textos na universidade ou na empresa, ou mesmo 
em nossas falas elementos próprios da linguagem informal e, 
portanto, inadequados à linguagem acadêmica ou 
empresarial e às vezes em interlocuções orais que requerem 
certa formalidade. 
Essas diferenças de situação envolvendo o tema, a 
forma de comunicação e os interlocutores são chamadas de 
registro e elas determinam diferentes níveis de linguagem: 
- mais formal, 
- menos formal; 
- mais distante, 
- menos distante. 
Nós também escolhemos níveis de linguagem diferentes 
conforme as situações de comunicação em que nos 
encontramos. 
Assim é que não usaremos em uma carta para a 
namorada, por exemplo, o mesmo tipo de linguagem que 
utilizamos para redigir um requerimento à diretoria da 
Faculdade. 
É importante estarmos conscientes da necessidade de 
adequação da linguagem às situações de interação e, 
especificamente, da importância da utilização de uma 
linguagem formal nos textos acadêmicos ou empresariais. 
Por isso, é muito importante que compreendamos o que 
se entende por registro, para podermos identificá-lo em 
situações concretas e fazer uso dele, adequando nossa 
linguagem às situações as mais diversas a que somos 
postos. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 39
39
REDAÇÃO – O TEXTO 
DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO 
 
Além da narração e da descrição, há um terceiro tipo de 
redação ou de discurso: a DISSERTAÇÃO. 
Dissertar é refletir, debater, discutir, questionar a respeito 
de um determinado tema, expressando o ponto de vista de 
quem escreve em relação a esse tema. 
Dissertar, assim, é emitir opiniões de maneira convincente, 
ou seja, de maneira que elas sejam compreendidas e aceitas 
pelo leitor; e isso só acontece quando tais opiniões estão bem 
fundamentadas, comprovadas, explicadas, exemplificadas, em 
suma: bem argumentadas (argumentar = convencer, influenciar, 
persuadir). 
A argumentação é o elemento mais importante de uma 
dissertação. 
Embora dissertar seja emitir opiniões, o ideal é que o seu 
autor coloque no texto seus pontos de vista como se não 
fossem dele e sim, de outra pessoa (de prestígio, famosa, 
especialista no assunto...), ou seja, de maneira impessoal, 
objetiva e sem prolixidade (sem “encher linguiça”). 
Para alcançar a impessoalidade, é importante que a 
dissertação seja elaborada com verbos e pronomes na 
terceira pessoa. 
O texto impessoal soa como verdade e, como já citado, 
fazer crer é um dos objetivos de quem disserta. 
Na dissertação, as ideias devem ser colocadas de 
maneira clara, coerente e organizadas de maneira lógica: 
a) o elo entre pontos de vista e argumento se faz de 
maneira coerente e lógica através das conjunções 
(=conectivos). É por isso que as conjunções são chamadas 
de marcadores argumentativos. 
 
b) todo texto dissertativo é composto por três partes 
coesas e coerentes: introdução, desenvolvimento e 
conclusão. 
A introdução é a parte em que se dá a apresentação do 
tema, através de um conceito ou de questionamento(s) que 
ele sugere. 
A seguir, apresenta-se um ponto de vista e seu 
argumento principal. Para que a introdução fique perfeita, é 
interessante seguir esses passos: 
1. Transforme o tema numa pergunta; 
2. Responda a pergunta (e obtém-se o ponto de vista); 
3. Coloque o porquê da resposta (e obtém-se o 
argumento). 
O desenvolvimento contém as ideias que reforçam o 
argumento principal, ou seja, os argumentos auxiliares e os 
fatos-exemplos (verdadeiros, reconhecidos publicamente). 
O desenvolvimento deve dar sustentação à tese, que é a 
ideia principal defendida pelo autor. 
A conclusão é a parte final da redação dissertativa, em 
que o autor deve "amarrar" resumidamente (se possível, 
numa frase) todas as ideias do texto para que o ponto de 
vista inicial se mostre irrefutável, ou seja, seja imposto e 
aceito como verdadeiro. 
Antes de iniciar a dissertação, no entanto, é preciso que 
seu autor: 
1. Entenda bem o tema; 
2. Reflita a respeito dele; 
3. Passe para o papel as ideias que o tema lhe sugere; 
4. Faça a organização textual (o "esqueleto do texto"), 
pois a quantidade de ideias sugeridas pelo tema é igual à 
quantidade de parágrafos que a dissertação terá no 
desenvolvimento do texto. 
 
Como fazer uma dissertação argumentativa 
Vamos supor que o tema proposto seja Nenhum 
homem é uma ilha. 
Primeiro, precisamos entender o tema. Ilha, 
naturalmente, está em sentido figurado, significando solidão, 
isolamento. 
Vamos sugerir alguns passos para a elaboração do 
rascunho de sua redação. 
1. Transforme o tema em uma pergunta: 
Nenhum homem é uma ilha? 
2. Procure responder essa pergunta, de um modo 
simples e claro, concordando ou discordando (ou, ainda, 
concordando em parte e discordando em parte): essa 
resposta é o seu ponto de vista. 
3. Pergunte a você mesmo o porquê de sua resposta, 
uma causa, um motivo, uma razão para justificar sua 
posição: aí estará o seu argumento principal. 
4. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem a 
defender o seu ponto de vista, a fundamentar sua posição. 
Esses serão argumentos auxiliares. 
5. Em seguida, procure algum fato que sirva de exemplo 
para reforçar a sua posição. Este fato-exemplo pode vir de 
sua memória visual, das coisas que você ouviu, do que você 
leu. Pode ser um fato da vida política, econômica, social. 
Pode ser um fato histórico. 
Ele precisa ser bastante expressivo e coerente com o 
seu ponto de vista. O fato-exemplo, geralmente, dá força e 
clareza à nossa argumentação. Esclarece a nossa opinião, 
fortalece os nossos argumentos. Além disso, pessoaliza o 
nosso texto, diferencia o nosso texto: como ele nasce da 
experiência de vida, ele dá uma marca pessoal à 
dissertação. 
6. A partir desses elementos, procure juntá-los num 
texto, que é o rascunho de sua redação. Por enquanto, você 
pode agrupá-los na sequência que foi sugerida: 
 
Os passos 
1) interrogar o tema; 
2) responder, com a opinião; 
3) apresentar argumento básico; 
4) apresentar argumentos auxiliares; 
5) apresentar fato- exemplo; 
6) concluir. 
 
Como ficaria o esquema 
 1º parágrafo: a tese 
 2º parágrafo: argumento 1 
 3º parágrafo: argumento 2 
 4º parágrafo: fato-exemplo 
 5º parágrafo: conclusão 
 
Exemplo de redação com esse esquema: 
 
Tema: Como encarar a questão do erro 
Título: Buscar o sucesso 
 
Tese: 
1º§ O homem nunca pôde conhecer acertos sem lidar 
com seus erros. 
 
Argumentação 
2º§ O erro pressupõe a falta de conhecimento ou 
experiência, a deficiência de sintonia entre o que se propõe a 
fazer e os meios para a realização do ato. Deriva-se de 
inúmeras causas, que incluem tanto a falta de informação, 
como a inabilidade em lidar com elas. 
 
3º§ Já acertar, obter sucesso, constitui-se na exata 
coordenação entre informação e execução de qualquer 
atividade. É o alinhamento preciso entre o que fazer e como 
fazer, sendo esses dois pontos indispensáveis e 
inseparáveis. 
 
Fato-exemplo 
4º§ Como atingir o acerto? A experiência é fundamental 
e, na maioria das vezes, é alicerçada em erros anteriores, 
que ensinarão os caminhos para que cada experiência ruim 
não mais ocorra. Assim, um jovem que presta seu primeiro 
vestibular e fracassa pode, a partir do erro, descobrir seus 
pontos falhos e, aos poucos, aliar seus conhecimentos à 
capacidade de enfrentar uma situação de nova prova e 
pressão. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 40
40
Esse mesmo jovem, no mercado de trabalho, poderá 
estar envolvido em situações semelhantes: seus momentos 
de fracasso estimularão sua criatividade e maior empenho, o 
que fatalmente levará a posteriores acertos fundamentais em 
seu trabalho. 
 
Conclusão 
5º§ Assim, a ocorrência dos erros nos atos humanos é 
inevitável. Porém,agroindustrial, anteontem, semianual, 
infraestrutura, plurianual. 
Exceção: o prefixo co geralmente aglutina-se, com o 
segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: 
coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, 
cooptar. 
 
3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal 
e o segundo elemento começa por consoante diferente de r 
ou s. 
Ex. anteprojeto, antipedagógico, coprodução, semideus, 
ultramoderno. 
 
4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal 
e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, 
duplicam-se essas letras. 
Ex. antirrábico, antissocial, contrarregra, cosseno, 
infrassom. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 6
6
5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se 
o segundo elemento começar pela mesma vogal. 
Ex. anti-ibérico, auto-observação, contra-atacar, micro-
ondas, semi-interno. 
 
6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen 
se o segundo elemento começar pela mesma consoante. 
Ex. inter-racial, sub-base, super-realista. 
 
Atenção: Nos demais casos, não se usa o hífen. 
Ex. hipermercado, intermunicipal, superproteção. 
 
OBS.: Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante 
de palavra iniciada por r (sub-região). Já com os prefixos 
circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por 
m, n e vogal (circum-navegação, pan-americano). 
 
7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o 
hífen se o segundo elemento começar por vogal. 
Ex. hiperacidez, interescolar, superinteressante. 
 
8. Com os prefixos vice, ex, sem, além, aquém, recém, 
pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. 
Ex. vice-prefeito, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, pós-
graduação, pré-história, pró-europeu, recém-casado, sem-terra. 
 
9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-
guarani: açu, guaçu e mirim. 
Ex. amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu. 
Além de ser empregado com os prefixos nos casos 
citados acima, o hífen também é utilizado na separação 
silábica (e-le-fan-te), serve para ligar pronome pessoal 
oblíquo a verbo (ofereço-lhe) e une os elementos nas 
palavras compostas. 
(Ex. guarda-roupa, beija-flor, corre-corre, greco-latino). 
 
PONTUAÇÃO 
 
Os sinais de pontuação são recursos gráficos próprios 
da linguagem escrita. Embora não consigam reproduzir toda 
a riqueza melódica da linguagem oral, eles estruturam os 
textos e procuram estabelecer as pausas e as entonações 
da fala. São eles: 
 
Vírgula ( , ) 
A vírgula indica uma pausa pequena, deixando a voz em 
suspenso à espera da continuação do período. 
Geralmente é usada: 
 
1) nas datas, para separar o nome da localidade. 
Ex. Brasília, 25 de agosto de 2011. 
 
2) após o uso dos advérbios "sim" ou "não", usados 
como resposta, no início da frase. 
Ex. _ Você gostou da festa? 
 _ Sim, eu adorei. 
 
3) após a saudação em correspondência (social e 
comercial). 
Ex. Atenciosamente, 
 
4) para separar termos de uma mesma função sintática. 
Ex. Comprei banana, maçã, laranja. 
 
5) para destacar elementos intercalados na oração, tais 
como: 
A – uma conjunção 
Ex. Ele estudou, não alcançou, porém, um bom resultado. 
 
B – um adjunto adverbial 
Ex. Essas crianças, com certeza, serão aprovadas. 
 
C – um vocativo 
Ex. Todos vocês, meus amigos, estão convidados 
 
D – um aposto 
Ex. Juliana, irmã de Maria, passou no vestibular. 
 
E – uma expressão explicativa ou corretiva (isto é, a 
saber, ou melhor, aliás, etc,) 
Ex. O amor, ou seja, o mais sublime sentimento 
humano, inicia-se em Deus. 
6) para separar termos deslocados de sua posição 
normal na frase. 
Ex. O documento, você trouxe? 
 
7) para separar elementos paralelos de um provérbio. 
Ex. Tal pai, tal filho. 
 
8) para indicar a elipse (omissão) de um termo. 
Ex. Daniel ficou alegre e eu, chateado. 
 
9) para separa orações intercaladas. 
Ex. O importante, disse ela, era a segurança da escola. 
 
10) para separar as orações coordenadas, exceto as 
aditivas. 
Ex. Vá devagar, que a rua é perigosa. 
 
ATENÇÃO! Embora a conjunção "e" seja aditiva, há 
três casos em que se usa a vírgula antes dela: 
1) Quando as orações coordenadas tiverem sujeitos 
diferentes. 
Ex. O homem vendeu o carro, e a mulher protestou. 
2) Quando a conjunção "e" vier repetida com a finalidade 
de dar ênfase (polissíndeto). 
Ex. E chora, e ri, e grita, e pula de alegria. 
3) Quando a conjunção "e" assumir valores distintos que 
não seja da adição (adversidade, consequência) 
Ex. Coitada! Estudou muito, e ainda assim não foi 
aprovada. 
 
11) para separar orações subordinadas substantivas e 
adverbiais, principalmente quando vêm antes da principal. 
Ex.Quando José encontrar o livro, vai comprá-lo para mim. 
 
12) para isolar as orações subordinadas adjetivas 
explicativas. 
Ex. A professora, que ainda estava na faculdade, 
dominava todo o conteúdo. 
 
Ponto-e-vírgula (;) 
O ponto-e-vírgula indica uma pausa um pouco mais 
longa que a vírgula e um pouco mais breve que o ponto. O 
emprego do ponto-e-vírgula depende muito do contexto em 
que ele aparece. Podem-se seguir as seguintes orientações 
para empregar o ponto-e-vírgula: 
 
1) Para separar duas orações coordenadas que já 
contenham vírgulas. 
Ex. Estive a pensar, durante toda a noite, em Diana, 
minha antiga namorada; no entanto, desde o último verão, 
estamos sem nos ver. 
 
2) Para separar enumeração após dois pontos: 
Ex. Os alunos devem respeitar as seguintes regras: 
- não fumar dentro do colégio; 
- não fazer algazarras na hora do intervalo; 
- respeitar os funcionários e os colegas; 
- trazer sempre o material escolar. 
 
Dois-pontos (:) 
 
1) Para iniciar uma enumeração: 
Ex. Compramos para a casa o seguinte: mesa, 
cadeiras, tapetes e sofás. 
 
2) Para introduzir a fala de uma personagem: 
Ex.Sempre que o professor Luís entra em sala-de-aula diz: 
__ Essa moleza vai acabar! 
 
3) Para esclarecer ou concluir algo que já foi dito: 
Ex. Subjetividade e Nacionalismo: essas são as 
características do Romantismo. 
 
Reticências ( ... ) 
 
1) Para indicar uma certa indecisão, surpresa ou dúvida 
na fala da personagem: 
Ex. João Antônio! Diga-me... você... me traiu? 
 
2) Para indicar que, num diálogo, a fala de uma 
personagem foi interrompida: 
Ex. __ Como todos já deram sua opinião, creio que... 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 7
7
3) Para indicar, numa citação, que certos trechos do 
texto foram exclusos: 
Ex. "No momento em que a tia foi pagar a conta, 
Joana pegou o livro..." (Clarice Lispector) 
 
Aspas ( " " ) 
As aspas têm como função destacar uma parte do texto. 
São empregadas: 
1) antes e depois de citações ou transcrições textuais. 
Ex. Como disse Machado de Assis: “A melhor 
definição de amor não vale um beijo.” 
2) para assinalar estrangeirismo, neologismos, gírias, 
expressões populares, ironia. 
Ex. O "lobby" dos fabricantes de pneus está cada vez 
mais explícito. 
Com a chegada da polícia, os três suspeitos "vazaram". 
Que "maravilha": Felipe tirou zero na prova! 
 
OBS.: Em trechos que já estiverem entre aspas, se 
necessário usá-las novamente, empregam-se aspas simples. 
Ex. "Tinha-me lembrado da definição que José Dias dera 
deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada'. Eu não sabia 
o que era oblíqua.” (Machado de Assis) 
 
Travessão ( – ) 
O travessão é um traço maior que o hífen e costuma ser 
empregado: 
1) no discurso direto, para indicar a fala da personagem 
ou a mudança de interlocutor nos diálogos. 
Ex. _ O que isso, mãe? 
 _ É seu presente de Natal, minha filha. 
2) para separar expressões ou frase explicativas, 
intercaladas. 
Ex. "E logo me apresentou à mulher – uma estimável 
senhora – e à filha." (Machado de Assis) 
3) para destacar algum elemento no interior da frase, 
podendoé preciso, acima de tudo, saber lidar com 
eles, conscientizar-se de cada ato falho e tomá-los como 
desafio, nunca se conformando, sempre buscando a 
superação e o sucesso. Antes do alcance da luz, será 
sempre preciso percorrer o túnel. 
 
Outro esquema interessante 
O texto abaixo, de Bertrand Russel, revela uma estrutura 
que o candidato poderá usar em sua redação. Leia o texto: 
 
Aquilo por que vivi 
Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, 
governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do 
conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da 
humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, 
impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por 
sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do 
desespero. 
Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – 
um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o 
resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. 
Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – 
essa solidão terrível através da qual nossa trêmula 
percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo 
frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do 
amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão 
que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, 
embora isso possa parecer demasiado bom para a vida 
humana, foi isso que – afinal – encontrei. 
Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria 
compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por 
que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força 
pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos 
acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o 
consegui. 
Amor e conhecimento, até ao ponto em que são 
possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a 
piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de 
dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas 
torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um 
fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e 
sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida 
humana. Anseio por avaliar o mal, mas não posso, e também 
sofro. 
Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado 
digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me 
fosse dada tal oportunidade. 
 (Bertrand Russel, Autobiografia. Rio de Janeiro, 
Civilização Brasileira, 1967). 
O texto, cujo tema está explícito no título – os motivos 
fundamentais da vida do autor – apresenta cinco parágrafos. 
No primeiro parágrafo, o autor revela as suas “três paixões”: 
amor, conhecimento e piedade. Em seguida, dedica três 
parágrafos, um para cada uma dessas paixões. O segundo 
parágrafo fala sobre a busca do amor; o terceiro, sobre a 
procura do conhecimento; e o quarto, sobre a importância do 
sentimento piedade diante do sofrimento. 
O quinto e último parágrafo realiza a conclusão do texto. 
Eis o esquema: 
1º§ - a, b, c; 
2º§ - a; 
3º§ - b; 
4º§ - c; 
5º§ - a, b, c. 
Observar a estrutura dos textos dissertativos é um bom 
momento de aprendizagem. Recomenda-se tal exercício aos 
concursandos: ler editoriais e artigos de jornais. 
Características do Texto Dissertativo 
1) Impessoalidade: Procure se distanciar do assunto 
abordado, tratando os fatos com objetividade. A 
impessoalidade confere maior credibilidade ao texto, como 
se ele contivesse verdades universais e inquestionáveis. 
Para alcançar a impessoalidade no texto, substitua 
expressões como “eu acho”, “no meu ponto de vista”, etc. 
por “É importante destacar...”, “Convém ressaltar...”, 
“Percebe-se...”, etc. 
 
2) Objetividade: Vá direto ao tema, não faça rodeios 
nem digressões. 
Não coloque emoções nem subjetividade no texto e 
utilize os adjetivos com moderação. 
Faça um texto conciso, “enxuto”: releia-o ao passar a 
limpo e retire tudo o que for desnecessário. 
 
3) Clareza: O texto dissertativo deve ser claro, de fácil 
entendimento. 
Para dar clareza ao texto, evite palavras rebuscadas, 
períodos muito longos e inversões na ordem da oração. 
A linguagem deve ser adequada e simples. 
Cuidado com ambiguidades no texto. 
 
4) Correção: Escreva conforme a norma culta da língua, 
respeitando as regras gramaticais. 
Fique atento à ortografia, pontuação, regência e 
concordância. 
 
5) Elegância: Não utilize expressões coloquiais, 
chavões, gírias, frases feitas. 
Evite a redundância, que é a repetição de uma ideia por 
meio de palavras diferentes (Ex. outra alternativa). 
Cuidado com a cacofonia, isto é, a formação de palavras 
chulas ou obscenas no encadeamento de vocábulos ou na 
separação de sílabas (Ex. Vou-me já). 
 
6) Coerência: A coerência é a correspondência entre as 
ideias do texto de forma lógica. 
Para que a coerência ocorra, as ideias devem se 
completar. Uma deve ser a continuação da outra. 
Caso não ocorra uma concatenação de ideias entre as 
frases, elas acabarão por se contradizer ou por quebrar a 
linha de raciocínio. 
A coerência é resultado da não contradição entre as 
partes do texto e do texto com relação ao mundo. 
 
7) Informatividade: O texto não pode apenas reproduzir 
o senso comum; é preciso que ofereça informações 
relevantes ao leitor. 
Evite afirmações óbvias, como “o homem depende da 
natureza para viver” ou “as crianças são o futuro do país”. 
Assim, para produzir um texto realmente informativo, é 
necessário pesquisar e confrontar diversas fontes sobre a 
mesma temática, a fim de que o texto apresente argumentos 
suficientes para levar o leitor a compreender seu raciocínio 
lógico e a aceitar seu ponto de vista. 
 
Dicas de redação 
- Leia muito, a leitura enriquece o vocabulário, você olha 
visualmente as palavras e envia para a sua memória a forma 
correta de escrita delas; 
- Escreva muito. Escreva em diários, faça poemas, copie 
receitas, utilize o recurso da escrita até mesmo para tornar a 
letra mais legível e bonita; 
- Treine fazer redação com temas que poderão ser 
relacionados com prova de concurso que irá fazer. Ou faça 
com temas da atualidade, notícias constantes nos meios de 
comunicação; 
- Seja crítico de si mesmo, revise os textos de treino, 
retire os excessos, deixe seu texto “enxuto”. 
- Cronometre o tempo que é gasto nas suas redações de 
treino e tente sempre diminuir o tempo gasto na próxima; 
- Não faça parágrafos prolongados; 
- Não ultrapasse as margens nem o limite de linhas 
estabelecidas na prova; 
- Seja objetivo: o que você gastaria três parágrafos para 
escrever tente colocar apenas em um; 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 41
41
- Mantenha o mesmo padrão de letra do início ao fim do 
texto. Não inicie com letra legível e arredondada, por exemplo, e 
termine com ela ilegível e “apressada”, isso dará uma péssima 
impressão para o examinador da banca quando for ler; 
- Não faça marcas, rabiscos, não suje e nem amasse 
sua redação; tenha o máximo de asseio possível; 
- Faça as redações de provas anteriores do concurso 
que você prestará; 
- Fique focado no enunciado do que a banca está 
pedindo, não redija um texto lindo, mas que está totalmente 
fora do tema. Nunca fuja do tema proposto; 
- Na introdução faça uma pequena abordagem, 
apresentação inicial, no desenvolvimento exponha suas 
ideias de forma clara, argumente e, por fim, na conclusão, 
feche o texto retomando o foco. Nunca inverta as ordens 
entre introdução, desenvolvimento e conclusão; 
- Use sinônimos, evite repetir as mesmas palavras; 
- Tenha seus argumentos fundamentados. Seja coeso e 
coerente; 
- Tenha domínio sobre pontuação, concordância, 
regência e ortografia; 
- Saiba colocar suas ideias no papel de forma que outros 
possam ler e entender realmente o que você quis dizer. 
 
ADEQUAÇÃO CONCEITUAL: PERTINÊNCIA, 
RELEVÂNCIA E ARTICULAÇÃO DOS ARGUMENTOS 
 
A questão da pertinência: Para convencer o leitor de 
que nossa posição sobre um assuntoé razoável, 
necessitamos muito mais do que emitir uma opinião pessoal. 
É preciso justificar, reunir dados ou exemplos que 
tenham credibilidade, ou seja, apresentar uma série de 
evidências que deem sustentação aos argumentos 
elaborados. 
As evidências indicam a pertinência dos argumentos 
expostos. 
Elas são apresentadas por meio de estratégias 
discursivas, isto é, de recursos que procuram fundamentar 
os argumentos. 
As estratégias podem ser a ênfase na objetividade, a 
utilização do testemunho de autoridade, o uso intenso de 
fatos-exemplo, etc. 
A seguir, são apresentados exemplos de como a 
argumentação pode ser desenvolvida com pertinência, a 
partir do tema “O papel social da televisão no Brasil”. 
 
Argumentação por exemplificação 
Já foi criada até uma campanha – "Quem financia a baixaria 
é contra a cidadania" – para que sejam divulgados os nomes 
das empresas que anunciam nos programas que mais recebem 
denúncias de desrespeito aos direitos humanos. 
O mais importante nessa iniciativa é a participação da 
sociedade, que pode abandonar a passividade e interferir na 
qualidade da programação que chega às casas dos brasileiros. 
 
Argumentação histórica 
Quem assiste à TV hoje talvez nem imagine que seu 
compromisso inicial, quando chegou ao País, há pouco mais de 
meio século, fosse com educação, informação e entretenimento. 
Não se pode negar que ela evoluiu: transformou-se na 
maior representante da mídia, mas em contrapartida 
esqueceu-se de educar, informa relativamente e entretém de 
maneira discutível. 
 
Argumentação por constatação 
Para além daquilo que a televisão exibe, deve-se levar 
em conta também seu papel social. 
Quem nunca renunciou a um encontro com um amigo ou 
a um passeio com a família para não perder a novela ou a 
participação de algum artista num programa de auditório? 
Ao que tudo indica, muitos têm elegido a tevê como 
companhia favorita. 
 
Argumentação por comparação 
Enquanto países como Inglaterra e Canadá têm leis que 
protegem as crianças da exposição ao sexo e à violência na 
televisão, no Brasil não há nenhum controle efetivo sobre a 
programação. 
Não é de surpreender que muitos brasileiros estejam 
defendendo alguma forma de censura sobre a TV aberta. 
 
Argumentação por testemunho 
Conforme citado pelo jornalista Nelson Hoineff, "o que a 
televisão tem de mais fascinante para quem a faz é 
justamente o que ela tem de mais nocivo para quem a vê: 
sua capacidade aparentemente infinita de massificação". 
De fato, mais de 80% da população brasileira têm esse 
veículo como principal fonte de informação e referência. 
 
A questão da relevância 
A ordem em que os argumentos são apresentados, sem 
dúvida, influencia na forma como são recebidos pelo leitor. 
Os argumentos devem ser apresentados, de preferência, 
em ordem crescente de relevância, ou seja, do argumento 
mais fraco para o mais forte. 
Isso prende a atenção do leitor, cada vez mais, às 
razões apresentadas. 
 
A questão da articulação 
Além de todos os aspectos gramaticais relevantes para a 
escrita de qualquer gênero textual, no texto dissertativo é 
extremamente importante a questão da articulação. 
Por não se caracterizar como uma lista de argumentos, 
esse texto pressupõe uma ligação entre suas diferentes 
partes, encaminhando-o a uma conclusão. 
Eis algumas palavras e expressões que cumprem essa 
função, contribuindo para a construção da coerência textual: 
 
Palavras ou 
expressões que: 
Exemplos: 
Anunciam a posição do 
autor diante do que 
está sendo enunciado 
“Observa-se que”, 
“Convém ressaltar”, 
“É importante destacar” 
“indubitavelmente”, 
“provavelmente”, 
“infelizmente”; 
Introduzem argumentos, 
estabelecendo relações 
lógicas entre as partes 
dos enunciados 
(orações, períodos) 
“porque”, “pois”, “por isso”, 
“embora”, “apesar de”, 
“para”, “a fim de”, 
“portanto”, “então”; 
Apresentam o 
fechamento, a 
conclusão do texto 
“consequentemente”, “por 
conseguinte”, “assim”, 
“então”, “desse modo”; 
Articulam o texto como 
um todo (grupos de 
períodos, parágrafos, 
partes maiores do 
texto) 
“em primeiro lugar (...) 
em segundo lugar (...) 
finalmente”, “afinal” 
“por um lado (...) 
por outro lado” 
 
A MULTIFORMIDADE DA LÍNGUA. 
 
Em uma linguagem sistemática e coerente podem 
ocorrer formas diferentes de se efetuar a língua, uma vez 
que variam no espaço – variação diatópica –, no tempo – 
variação diacrônica – e no indivíduo. 
Ao encontrarmos pessoas de regiões diferentes do 
Brasil, não raro nos deparamos com expressões linguísticas 
diferentes. 
Na fala de interioranos de São Paulo, por exemplo, o r é 
retroflexo, como em porta, celular; já na região Nordeste 
temos o uso das vogais o e e abertas, como em “Rónaldo”, 
“semente”. 
Segundo CAMACHO(1988) existem múltiplos fatores 
originando as variações, as quais recebem diferentes 
denominações. Eis alguns exemplos: 
- Dialetos – variações faladas por comunidades 
geograficamente definidas. Idioma é um termo intermediário 
na distinção dialeto-linguagem e é usado para se referir ao 
sistema comunicativo estudado quando sua condição a 
iguala a linguagem. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 42
42
- Socioletos – variações faladas por comunidades 
socialmente definidas. É a linguagem padrão estandardizada 
em função da comunicação pública e da educação. 
- Idioletos – é uma variação particular, isto é, o 
vocabulário especializado e/ou a gramática de certas 
atividades ou profissões. 
- Etnoletos – variação para um grupo étnico. 
- Ecoletos – um idioleto adotado por uma casa. 
 
É inegável as diferenças que existem dentro de uma 
mesma comunidade de fala. A partir de um ponto qualquer 
vão se assinalando diferenças à medida que se avança no 
espaço geográfico. Da mesma forma se constatam 
diferenças dentro de uma mesma área geográfica, 
resultantes das diferenças sociológicas tais como educação 
do indivíduo, sua profissão, grupos com os quais convive, 
enfim, sua identidade. Tudo isso pode interferir e operar 
como modelador à fala de alguém. 
 
ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS 
 
Abreviaturas: quando usar? 
- Pessoal e internamente, podem-se usá-las livremente, 
já que neste caso são de "consumo interno". 
- Em correspondência oficial e empresarial há 
abreviaturas consagradas que igualmente podem ser usadas 
livremente. Exemplos: Exmo., Ilmo. Sr., Sra., V. Exa., V. Sa. 
(todos os pronomes de tratamento), Ltda., S.A. ou S/A, a/c 
(aos cuidados), etc. 
- Há circunstâncias em que o uso de abreviaturas fica 
restrito a alguns casos. Em textos técnicos ou científicos, 
por exemplo, são poucos os casos. A rigidez não é absoluta, 
mas exige-se bom senso. São de uso consagrado e liberado, 
mesmo em textos técnico-científicos, além das mencionadas 
no item 2, acima, abreviaturas como : no, art., p. ou pág., cel, 
av., gen., a.C. ou A.C., entre outras. 
 
Abreviaturas: como formar? 
- Forma-se abreviatura com a primeira ou as primeiras 
letras da palavra, encerrando-se em consoante: cap. 
(capítulo), m. (masculino), art. (artigo); quando se trata de 
encontro consonantal, a abreviação é feita usando todo o 
encontro: dipl. (diploma), constr. (construção). 
- A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) fixa 
algumas abreviaturas com vogal final e outras na consoante 
inicial de encontros consonantais: ago. (agosto), téc. (técnico). 
- Devem ser mantidos os acentos e hífens que figuram 
nas palavras usadas de forma abreviada: séc. (século), dec.-
lei (decreto-lei). 
- No caso de abreviaturas em que se deveriam usar 
letras elevadas, devido à dificuldade de elevá-las e também 
devido à consagração de uso, admite-se colocar essas letras 
na mesma altura e em igual tamanho das demais, usando-se 
o ponto no final: cel. (cel - coronel), sra. (sra), dra. (dra). 
- No caso de o ponto abreviativocoincidir com o ponto 
final, não se deve repetir o ponto: etc. Quando ao ponto 
indicativo de abreviatura seguir outro sinal de pontuação, 
usam-se os dois: sra., sra.; sra.? 
- Há abreviaturas que servem para mais de uma palavra: 
v. (verbo, veja, vapor, você), p. (pé, página, palmo), gr. (grão, 
grátis, grau, grosa). 
- Há palavras e expressões contempladas com mais de uma 
abreviatura: f., fl., fol. (folha); a.C., A.C. (antes de Cristo). 
- No plural, em regra se acrescenta s: dras., sras., caps.; 
em alguns casos, dobram-se as letras (maiúsculas): AA. 
(autores). Às vezes as letras maiúsculas dobradas 
representam superlativos: DD. (digníssimo). 
- O erro mais freqüente é o uso da abreviatura sem o 
ponto que a encerra. 
 
Siglas: quando e como usar 
- Todas as letras da sigla deverão ser maiúsculas 
quando forem usadas apenas as iniciais das palavras que 
compõem o nome: PUC (Pontifícia Universidade Católica). 
São as chamadas siglas próprias ou puras. 
- Quando se usarem também outras letras que não as 
iniciais das palavras que formam o nome, prefere-se usar 
apenas inicial maiúsucula: Bacen (Banco Central), Copesul 
(Companhia Petroquímica do Sul). São as chamadas siglas 
impróprias ou impuras. 
- Quando se trata de siglas consagradas, podem ser 
usadas diretamente, sem escrever o nome das entidades por 
extenso. Caso contrário, na primeira vez que aparecerem no 
texto devem ser identificadas, entre parênteses ou 
separadas por travessão. Em trabalhos mais extensos, pode-
se também apresentar lista de siglas no início ou no final. 
 
Símbolos: quando e como usar? 
- Os símbolos são abreviados sem o uso de ponto: cm 
(centímetro), g (grama), min (minuto), kg (quilograma). 
- A forma do plural é sempre igual à do singular, sendo 
errado acrescentar s: m (metro e metros), l (litro e litros), km 
(quilômetro e quilômetros). 
- O uso dos símbolos é universal, podendo ser usados 
em quaisquer circunstâncias, ao contrário das abreviaturas. 
 
A REPETIÇÃO DE TERMOS NOS TEXTOS: 
DÊIXIS E ANÁFORA. 
 
Pronome: o que está no lugar do nome. Alguma 
“etimologia” e exemplos de um tipo só podem levar a concluir 
que tudo o que se pode dizer sobre pronomes está contido 
nesta definição. Mas as coisas são um pouco mais 
complexas, especialmente se forem consideradas algumas 
subdivisões (pessoais, demonstrativos etc.). Seguem-se 
duas anotações, só para mostrar que nem tudo é tão óbvio. 
1) há uma nítida diferença de funcionamento entre os 
pronomes eu/tu, de um lado, e ele, de outro. Ele até pode 
estar no lugar de nomes, mas eu/tu, não. Eu e tu referem-se 
sempre àquele que fala e àquele a quem a fala é dirigida, e 
não substituem nomes. Inclusive, a reversibilidade é total. 
Suponhamos a mais simples situação de diálogo, duas 
pessoas conversando. Uma pode dizer: - Eu te odeio. A 
resposta da outra pode ser: Eu também te odeio. 
Todos podemos perceber que: 
a) esses pronomes não substituem nomes, isto é, as 
falas não podem ser substituídas por Maria odeia José e por 
José também odeia Maria. Ou melhor, isto até pode ocorrer 
em condições especiais: ou se trata de crianças ou de 
personalidades que se referem a si mesmas em terceira 
pessoa (o papa declarou uma vez no Rio: O papa é carioca, 
ao invés de Eu sou carioca); 
b) eu se refere uma vez a Maria e outra a José, o mesmo 
ocorrendo com tu. E essa mudança de referência não é 
casual; depende de quem fala. 
Esta diferença de funcionamento tem algum reflexo na 
gramática. Por exemplo: eu e tu não têm marcas de gênero 
nem plural. Ou seja, eu e tu são formas invariáveis 
empregadas tanto por mulheres quanto por homens (e as 
eventuais concordâncias dependerão disso: Eu estou 
cansada/o; Você está envelhecido/a), e sempre 
individualmente. 
Nós e vós não são plurais de eu e de tu, isto é, nós não 
é uma soma de eu+eu (+eu...), e sim de eu+tu (+tu...) ou de 
eu+ele/s (+ele/s...) ou eu+tu+ele/s (+ele/s). Vós até pode 
referir-se a tu+tu (+tu...), se os ouvintes são muitos, mas 
também pode ser tu+ele/s (+ele/s). Ou seja, vós pode incluir 
também não-ouvintes. As variedades do português em que 
se usa você no lugar de tu exigem, evidentemente, outra 
análise, já que você pode receber flexão de número, embora 
não de gênero. Já ele pode ter flexão de gênero e de número 
(eles, ela, elas). Acrescente-se que pode referir-se a não-
humanos. Ou seja, além de ele não ser uma pessoa de 
discurso (não participa de conversa, embora possa ser 
assunto dela), também pode referir-se a animais (A gata... 
Ela...) e a objetos (O muro... Ele...). Os psicanalistas dirão 
que o elemento mais importante em qualquer conversa é ele 
(o super-ego, o pai...), e não como assunto, mas isso são 
outros quinhentos. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 43
43
Ao fenômeno das línguas representado por eu e tu 
(especialmente pela propriedade de poderem referir 
diferentemente a cada uso) se chama de dêixis e a cada um 
desses elementos, dêitico. 
Observe-se que advérbios como aqui, agora, antes, 
depois, aqui, lá, hoje, amanhã e até expressões como no 
ano passado são dêiticos (a referência de no ano passado 
depende do ano em que isso se enuncia; o mesmo vale para 
os outros casos, mutatis mutandis). 
2) Pronomes como ele, toda a série dos demonstrativos 
e mesmo advérbios e locuções como os acima mencionados 
podem ter um funcionamento dêitico e outro a que os 
linguistas chamam de anafórico. Isto é, pode-se usar ele 
para identificar uma pessoa que passa, até mesmo 
apontando com o dedo (Ele é o delegado), e então temos um 
caso de dêixis. Mas também se pode empregar ele para 
“substituir” um nome já enunciado - e temos então um caso 
de anáfora (Estava com Pedro. Ele...; Era uma vez um rei. 
Ele...). O que vale para ele vale para este, esse, aquele, 
assim, aí, lá etc. 
 
PARALELISMO 
 
Paralelismo é a correspondência de funções 
gramaticais e semânticas existentes nas orações. Além de 
melhorar a compreensão de texto, o fato de respeitar o 
paralelismo torna a sua leitura mais agradável. 
 
Exemplos: 
- Não só canta, como bolos é sua especialidade. 
- Não só canta, como faz bolos com especialidade. 
Apenas na segunda oração há a presença de 
paralelismo. Isso porque há uma relação de equivalência dos 
termos. 
O núcleo do primeiro período é o verbo cantar. O núcleo 
do segundo período é o verbo fazer. Assim, a oração 
apresenta uma estrutura simétrica, o que ocorre através dos 
dois verbos (canta, faz). 
Na primeira oração, o núcleo do primeiro período é 
o verbo cantar. No segundo período, porém, o núcleo é 
o substantivo bolos. 
Daí decorre que não houve correspondência entre 
ambos os períodos (canta, bolos). 
Lembre-se: Para que o paralelismo esteja presente no 
discurso, é preciso que haja simetria estrutural! 
Há dois tipos de paralelismo: sintático e semântico. 
 
Paralelismo sintático 
O paralelismo sintático, ou paralelismo gramatical, 
observa a ligação existente entre as funções sintáticas ou 
morfológicas dos elementos da oração. 
 
Exemplos: 
1) O que espero das férias: viagens, praia e visitar 
lugares diferentes. 
Há aqui uma quebra na estrutura da oração, a partir do 
momento em que se utiliza o verbo visitar em vez de 
continuar a sequência morfológica com substantivos. 
O ideal seria: O que espero das férias: viagens, praia e 
visitas a lugares diferentes. 
2) Quando eu der a notícia, eles ficariam tristes. 
Neste caso, ocorreu uma alternância nos tempos 
verbais. 
No primeiro período o verbo está no futuro do subjuntivo, 
o que obriga que o verbo do segundo período esteja no 
futuro do presente e não no futuro do pretérito. 
O correto seria assim: Quando eu der a notícia, eles 
ficarão tristes. 
Outra alternativa seria: Quando eu desse a notícia, eles 
ficariam tristes. 
 
Paralelismo semântico 
O paralelismo semântico observa a correspondência de 
valores existentes no discurso. 
Exemplos: 
1) O evento durou o dia todo e algumasdores nos pés. 
O sentido da oração foi interrompido. No que respeita à 
duração da festa era esperado algo como “O evento durou o 
dia todo e adentrou a noite.”, por exemplo. 
2) Preocupado, perguntou o quanto a namorada gostava 
dele. Ela respondeu que gostava milhares de reais que ele 
tinha no banco. 
Também neste caso, há ausência de paralelismo. A 
namorada deveria dizer que gostava muito ou pouco do 
namorado. Não faz sentido tentar estabelecer uma relação 
entre valor sentimental e quantia financeira. 
 
Casos frequentes 
1) não só ... mas também 
Sem paralelismo: Não só corrigiu os seus erros e é a 
ajuda do seu grupo de estudos. 
Com paralelismo: Não só corrigiu os seus erros, mas 
também ajudou o seu grupo de estudos. 
 
 
2) por um lado ... por outro 
Sem paralelismo: Por um lado, eu concordo com a 
atitude dela, por outro, eu acho que ela fez o que era certo. 
Com paralelismo: Por um lado, eu concordo com a 
atitude dela, por outro, fico preocupada com as 
consequências. 
 
 
3) quanto mais ... mais 
Sem paralelismo: Quanto mais eu o vejo, talvez não 
case com ele. 
Com paralelismo: Quanto mais eu o vejo, mais certeza 
tenho que não quero casar com ele. 
 
 
4) tanto ... quanto 
Sem paralelismo: Tanto foram convidados 
adultos e crianças. 
Com paralelismo: Tanto foram convidados 
adultos quanto crianças. 
 
 
5) ora ... ora, seja ... seja 
Sem paralelismo: Ora faz os deveres, mas não faz tudo. 
Com paralelismo: Ora faz os deveres, ora não faz. 
 
 
6) não ... nem 
Sem paralelismo: Não posso contar para o 
patrão, provavelmente para a patroa. 
Com paralelismo: Não posso contar para o 
patrão, nem para a patroa. 
 
 
7) primeiro ... segundo 
Sem paralelismo: Primeiro porque eu não como 
carne, segundo porque eu sou vegetariana. 
Com paralelismo: Primeiro porque eu não como 
carne, segundo porque não quero sair com você. 
 
Paralelismo na literatura 
O paralelismo costuma ser usado intencionalmente na 
literatura. É o caso do exemplo acima, em que a falta de 
paralelismo pode ser uma forma de trazer alguma 
comicidade ao texto. 
Nesses casos, a sua falta não deve ser considerada um 
erro. 
Na produção literária, a utilização do paralelismo pode 
ser um recurso para tornar o texto agradável. Assim, ele 
propicia a musicalidade dos poemas, tal como as figuras de 
linguagem. 
Na literatura, o paralelismo pode ser chamado de 
paralelismo anafórico. Isso porque na figura de 
sintaxe anáfora há uma tendência em seguir uma simetria 
sintática e semântica nas suas repetições no início dos 
versos. 
 
Exemplo: 
"Era uma estrela tão alta! 
Era uma estrela tão fria! 
Era uma estrela sozinha 
Luzindo no fim do dia." 
(Primeira estrofe do poema A Estrela, de Manuel 
Bandeira) 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 44
44
LEITURA: CAPACIDADE DE COMPREENSÃO E 
INTERPRETAÇÃO DO CONTEXTO SOCIAL, 
ECONÔMICO E CULTURAL (LEITURA DE MUNDO) 
 
Chamamos de leitura de mundo o conjunto de 
percepções que temos do mundo que nos cerca e que nos 
leva a formar um conceito sobre esse mundo e a interpretar 
as coisas, pessoas, fatos e relações, presentes nesse 
mundo, a partir desse conceito. 
Cada um de nós percebe a realidade de forma 
específica, particular em função das crenças e dos valores 
que adquirimos e desenvolvemos ao longo da vida e também 
em função das limitações de nossos sentidos. 
Alinhar percepções significa reduzir ao mínimo as 
discrepâncias perceptivas com relação à interpretação que 
temos de pessoas, coisas, fatos e relações. 
O que nos faz ver de forma diferente é o nosso “filtro 
perceptual”. Dele, fazem parte nossos valores, nossas 
limitações e nossas crenças, adquiridos através de nossas 
experiências, que são fruto da forma através da qual 
interagimos com pessoas, coisas, fatos e relações ao longo 
da nossa vida. 
O filtro perceptual é a nossa marca registrada, é a nossa 
forma individual de ver a realidade. 
Para crescermos, precisamos confrontar nossas 
percepções para que nossa forma de ver a realidade se 
amplie e passemos a enxergar coisas que não víamos antes. 
Até a adolescência, lutamos para construir uma opinião 
própria, uma forma específica de encarar o mundo e, quando 
nos tornamos adultos, precisamos aprender a abrir mão 
dessa visão peculiar se quisermos crescer e amadurecer. 
Para conseguir ver “além dos nossos olhos” temos que 
desenvolver nossa habilidade empática. 
Empatia é a habilidade de enxergarmos o mundo o mais 
próximo possível da forma como os outros enxergam. 
O olhar empático amplia o sentido que damos à 
realidade e é essa a essência do crescimento humano: 
ampliar, cada vez mais, o sentido que temos do mundo. 
Crescemos através de novas aprendizagens, que 
ocorrem a cada vez que acrescentamos novas informações 
ao sentido que construímos a respeito da realidade. 
A leitura para muitos é considerada simplesmente um 
hábito, porém, restringir a leitura a um mero hábito é 
demasiadamente simplório, pois a leitura é um processo 
bastante complexo. Cabe ainda ressaltar que “nenhuma 
metodologia de leitura, moderna ou não, garante, por si só, a 
existência de leitores efetivos” (MARTINS, 1994, p.42). 
Percebe-se, evidentemente, que o professor não precisa 
de tantos conselhos no que tange os problemas da leitura, 
pois ele sabe que seu aluno precisa ler. Urge antes de 
diferentes métodos e materiais, o conhecimento da 
historicidade de cada aluno sobre sua relação com a leitura, 
uma vez que a leitura precisa significar na vida do sujeito-
aluno, no momento em que isso acontecer, torna-se 
indiferente o método para o aluno. O gosto pelo processo da 
leitura é que determina a própria prática. 
Ler é uma das competências mais importantes a serem 
trabalhadas com o aluno, neste sentido, muito tem-se discutido 
para desenvolver o gosto da leitura e de transformar o aluno 
em um sujeito-leitor, pois o processo da leitura transcende a 
simples decodificação, visto que ler é um ato de compor 
significados, de (re)significar. Segundo Neves (2000, p.22) “ler 
não é tentar decifrar ou adivinhar de forma isenta o sentido de 
um texto, mas é, atribuir-lhe significados”. Afinal, ler é um ato 
de atribuir significados e de produzir sentidos não só em 
âmbito escolar, mas também na vida, participando da própria 
constituição do sujeito. Portanto, a importância de introduzir a 
leitura no cotidiano é fundamental para Bamberger (apud 
SOUZA 2003. 
A leitura envolve muito mais do que os elementos 
linguísticos presentes no texto, trata-se de efeitos de sentido, 
de subjetividade, de historicidade que estão presentes no 
processo da leitura. Conforme Rummelhart Mcclelland (apud 
DOLL, 2002, p.87). 
Nesse aspecto, denota-se um elemento importantíssimo: 
o de significar, pois a leitura só terá valor aos nossos alunos 
no momento em que ela assumir uma posição sócio 
axiológica, isto é, significar nas suas vidas. 
Uma vez que a compreensão não se dá apenas no 
texto, há elementos pertinentes que interferem, como o 
contexto, o conhecimento de mundo de cada leitor e a sua 
historicidade. 
Daí a importância de um outro olhar, o da ressignificação 
da leitura, podendo começar-se pelos textos literários. 
Também Paulo Freire (2003) ressaltava a necessidade de 
aprender a fazer a leitura do mundo, veiculando a linguagem 
e a realidade: a cosmovisão. 
Para tanto, é primordial contextualizar os textos lidos e 
explorar seus possíveis sentidos: a plurissignificação. 
Segundo Freire (2003, p.13) “[…] processo que envolvia uma 
compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na 
decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem 
escrita, mas que antecipa e se alonga na inteligência do 
mundo”. 
Também Bakhtin ressalta a importância da língua ser 
percebida de forma contextualizada, inserida e 
compreendida dentro de um contexto sócio histórico, e o 
mesmo deve acontecer com a leitura. 
Dessa forma, deve-se pensar a leitura não apenas como 
merareprodução de informações ou uma simples leitura 
mecânica, mas procurar desenvolver o gosto da leitura e da 
imaginação, utilizando-se de textos literários. 
Os textos literários são facilmente absorvidos e 
contextualizados, conforme a individualidade e a vida de 
cada um, em linguagem acessível, de modo que possam 
vivenciar e identificar-se com personagens, logo: significando 
a leitura. 
Uma leitura que não é mera reprodução ou 
decodificação, porém, algo significativo para a constituição 
de si próprio. 
Neste viés, a leitura assume papel importante na 
educação, pois ela pode vivenciar ficticiamente muitas 
situações e assim preparar-se para a vida. Portanto, esse 
encontro de significado na vida e para a vida também pode 
se dar por meio de significativas leituras. 
Neste sentido, “o texto literário é literário por permitir ao 
leitor transitar entre o mundo do escrito e do não escrito” 
(FERREIRA, 2001, p.44), e cada nova leitura novos 
significados são atribuídos, pois os significados mais 
profundos dos textos literários são “diferentes para cada 
pessoa, e diferente para a mesma pessoa em vários 
momentos de sua vida” (BETTELHEIM, 1980, p.21). 
Esses textos estão carregados de signos 
plurissignificativos e são atualizados a cada leitura com base 
na historicidade de cada sujeito. 
As investigações do autor soviético, Bakhtin, apontam 
para a importância do texto e o reconhecimento do papel do 
texto, como fulcro: lugar central de toda investigação sobre o 
homem, portanto, numa perspectiva de constituição do 
próprio sujeito ”Quaisquer que sejam os objetivos de um 
estudo, o ponto de partida só pode ser o texto.” (BAKHTIN, 
2003, p.330). 
Sendo assim, o texto literário pode desempenhar uma 
posição axiológica na vida, ou seja, o valor da leitura, não só 
para o aumento do conhecimento, mas da observação de 
aspectos valorativos da vida e da capacidade de 
comunicação com o mundo. 
Ademais, a leitura vai além do texto e começa antes do 
contato com ele, pois o leitor assume um papel atuante, 
deixando de ser apenas decodificador e ou receptor passivo. 
Isto porque, como já ressaltado anteriormente, cada construção 
do significado do texto baseia-se na historicidade de cada leitor. 
Além do mais, há outro elemento pertinente na leitura: a 
legibilidade do texto, ou seja, tanto o leitor quanto o autor 
ocupam um lugar social que interfere na relação com o texto. 
Logo, a legibilidade do texto se constitui num viés imaginário 
dos envolvidos nesse processo da leitura e não como um objeto 
que contém o sentido em si mesmo e pronto. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 45
45
A leitura de mundo precede a leitura da palavra, daí que 
a posterior leitura desta não possa prescindir da 
continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se 
prendem dinamicamente. 
A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura 
crítica implica a percepção das relações entre o texto e o 
contexto (FREIRE, 2003 p.11). 
É nessa perspectiva que a leitura não pode 
simplesmente ser um hábito, é um processo que angaria 
vários elementos complexos e constitutivos da e na vida. 
Ademais, sabemos que a leitura de um texto, um livro 
modifica o sujeito, produz efeitos de sentido. Implica 
considerar a relação com o “outro”, seja este um texto, uma 
ideia, um objeto ou uma pessoa, como algo que nos 
possibilita uma experiência, na qual modificamos esse 
“outro”, produzindo sentido a partir dele, e nos modificamos 
na interação com ele. (GROTTA, 2001, p.132) Neste sentido, 
é pouco considerar, aproveitar apenas leituras de livros 
didáticos, que, muitas vezes, são apáticos para os alunos. 
Precisa-se historicizar a leitura dos e para os alunos, a 
fim de promover interação e gosto pela leitura, pois segundo 
Larossa (apud GROTTA, 2001, p.133) “na leitura e na 
escrita, o eu não deixa de fazer, de se desfazer e se refazer”. 
Dessa forma, a leitura é um processo que participa da 
constituição da subjetividade dos sujeitos. 
 
TEXTO: 
OS DIVERSOS TEXTOS QUE SE APRESENTAM 
NO COTIDIANO, ESCRITOS NAS MAIS DIFERENTES 
LINGUAGENS VERBAIS E NÃO-VERBAIS 
 
Naturalmente há uma multiplicidade de códigos, 
passíveis de serem utilizados pelos seres humanos nos atos 
de comunicação. Cada um de nós utiliza vários desses 
códigos, por vezes em simultâneo. 
Tradicionalmente distingue-se entre códigos verbais 
(também chamados linguagens verbais) e códigos não 
verbais (ou linguagens não verbais). 
Por vezes, códigos dos dois tipos são utilizados em 
simultâneo, como acontece na banda desenhada. 
É evidente que o critério de distinção utilizado é o caráter 
verbal ou não verbal de um código, e isso porque, 
consensualmente, consideramos os códigos verbais (as 
línguas naturais) como os mais importantes. 
Tendo em consideração aquilo que foi dito até agora, 
podemos então definir alguns conceitos frequentemente 
utilizados na disciplina de Português. 
 
Linguagem — Capacidade que os seres humanos têm 
de transmitirem uns aos outros informações, utilizando 
signos; naturalmente está implícita na noção de linguagem, 
não apenas a utilização de signos pré-existentes, mas 
também a capacidade de criar novos signos, o que de fato 
acontece, sem que disso nos apercebamos claramente. 
 
Língua — É um sistema particular de signos e regras 
(código), historicamente determinado, através do qual se 
exerce a capacidade da linguagem. 
 
Fala — Designa a utilização individual e concreta de um 
sistema linguístico. 
A linguagem é uma capacidade inerente a todos os 
seres humanos, que os distingue dos demais seres vivos. 
Mas essa capacidade só pode ser exercida pelo recurso 
a uma língua (um código). Para que um ser humano (uma 
criança, por exemplo) possa comunicar é necessário que 
aprenda (ou crie) um código (linguístico ou não). 
O exercício da faculdade da linguagem exige a presença 
de uma língua. 
A língua é de natureza social, supra individual, na 
medida em que é um conjunto de signos e regras 
reconhecido pelos membros de uma dada comunidade, 
enquanto a fala é sempre individual, visto que designa a 
utilização que um dado indivíduo, num dado momento, faz 
da língua. 
O discurso é o produto do ato de fala. De fato, a fala é 
uma ação, um processo, que se esgota no próprio momento 
em que se conclui, mas que deixa um produto que perdura, 
ao menos virtualmente, para além do ato. 
O ato de falar perante uma dada assembleia esgota-se 
no próprio momento em que termina, mas o produto desse 
ato (o Sermão de Santo António aos peixes, do P. António 
Vieira, por exemplo) pode ser registrado num suporte durável 
e conservado para a posteridade. 
 
CONTEXTO COMUNICATIVO 
Intencionalmente, o esquema da comunicação 
apresentado atrás representa o contexto como uma caixa 
retangular que envolve os restantes cinco elementos 
(emissor, receptor, mensagem, código e canal). De fato, o 
contexto determina o tipo de comunicação estabelecido e 
dele, contexto, fazem parte todos os elementos que 
interferem no ato comunicativo. 
 
 
Interlocutores (emissor e receptor) 
O estatuto social, cultural, profissional dos interlocutores e a 
relação que existe entre eles condicionam necessariamente a 
comunicação. É fácil perceber que a relação comunicativa entre 
um chefe e o seu subordinado é diferente da que se estabelece 
entre dois colegas de trabalho. 
 
 
Situação espaço-temporal 
As circunstâncias de espaço e tempo integram também o 
contexto e condicionam a comunicação. 
A comunicação pode ser presencial, com os 
interlocutores no mesmo espaço, ou à distância, o que 
obriga à utilização de canais e "linguagens" diferenciados. 
Apenas a título de exemplo, repare que numa conversa 
telefônica as pessoas veem-se frequentemente obrigadas a 
fazer referência ao espaço onde se encontram, o que não 
seria necessário se estivessem frente a frente. 
Por outro lado, na comunicação à distâncianão é 
possível recorrer aos gestos e expressões faciais, que 
devem ser substituídos por recursos linguísticos. Mesmo em 
situação presencial e com os mesmos interlocutores, a 
interação comunicativa é diferente consoante o espaço 
concreto em que ela se efetua: imagine dois interlocutores 
num café e depois num espaço religioso... 
Relativamente ao tempo, a comunicação pode ser direta, 
se a mensagem é imediatamente recebida pelo receptor, ou 
diferida, quando entre a emissão e a recepção existe um 
intervalo temporal. 
A possibilidade (ou não) de reagir imediatamente a um ato 
de fala condiciona fortemente a comunicação. O exemplo mais 
evidente disso é a diferença que existe, e de que todos temos 
consciência, entre a linguagem oral e a linguagem escrita. 
Embora sejam variantes do mesmo código linguístico, é por 
demais evidente que existem entre elas diferenças substanciais. 
E na comunicação diferida é também necessário suprir a falta de 
linguagens auxiliares (gestos, mímica...). É também necessário 
ao emissor prever de alguma maneira a reação do receptor, de 
forma a antecipar uma resposta. 
 
Conhecimento que os interlocutores têm do mundo 
O saber que temos sobre o mundo em que vivemos 
determina igualmente a comunicação. Uma conversa sobre 
um determinado assunto será necessariamente diferente se 
envolver apenas especialistas ou se nela participarem, direta 
ou indiretamente, outras pessoas menos informadas. 
Por outro lado, os jovens e adultos não falam com uma 
criança do mesmo modo que falam entre si. 
 
Contexto verbal 
Outro elemento importante naquilo que designamos por 
"contexto comunicativo" é o próprio contexto verbal, isto é 
o(s) discurso(s) que a pouco e pouco se vai(vão) construindo 
num ato comunicativo, isto porque numerosos elementos 
linguísticos (os pronomes, por exemplo) só adquirem 
verdadeiramente sentido por referência a informações 
fornecidas anteriormente. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 46
46
ESTUDO E ANÁLISE 
DOS GÊNEROS TEXTUAIS: 
AVISO, ANÚNCIO, PROPAGANDA, TIRINHA, 
PIADA, CONTRACHEQUE, FÁBULA. 
 
AVISO 
 
O QUE É? 
É um documento escrito por meio do qual as empresas e 
instituições transmitem informações, ordens, convites, 
notificações a empregados ou a terceiros com quem elas 
tenham interesse em comum. 
 
COMO FAZER? 
- Deve ser escrito em papel timbrado (com a marca da 
instituição); 
- Deve conter apenas o teor da comunicação. O 
conteúdo deve ser escrito em linguagem e objetiva, para que 
não haja dúvidas quanto à interpretação; 
 
Sua estrutura é bem simples: 
Título, que é a palavra AVISO (em letras maiúsculas); 
Indicação da pessoa a quem se destina o aviso; 
Texto contendo a mensagem; 
Fecho simples (dispensável conforme o caso); 
Local e data; 
Assinatura, nome e qualificação (cargo) ou identificação 
do responsável. 
 
MODELO DE AVISO: 
 
AVISO 
 
AOS ESTUDANTES DO BECO DA CULTURA 
 
As Diretorias das Escolas do Beco da Cultura levam ao 
conhecimento de todos que, a partir do próximo mês de abril, 
darão inicio à pintura externa dos muros das escolas, e 
desejam informar àqueles estudantes que realizarão 
pinturas, desenhos e artes nestes, com a intenção de 
decorar e personalizar o patrimônio escolar que é de todos 
nós, devem comparecer à Diretoria no dia 1ode Abril para 
acertarmos as atividades e materiais. 
 
Atenciosamente, 
 
Juiz de Fora, 22 de março de 2021. 
 
(assinatura da diretora da Escola do Beco) 
Maria José Navarro. 
Diretora da Escola Sorrindo e Educando. 
 
OBS: este tipo de aviso acima pode ser distribuído 
individualmente ou afixado em local considerado visível 
pelos interessados, como os quadros de aviso. 
MODELO DE AVISO PRÉVIO: DISPENSA DO 
EMPREGADO SEM JUSTA CAUSA. 
 
Juiz de Fora, ...../..../..... 
Prezado 
Sr. José da Silva 
C.T.P.S no......, série.....Ba 
 
Ref. AVISO PRÉVIO 
Servimo-nos da presente para comunicar a V.Sa. que, a 
partir do dia .../.../..., seus serviços não mais serão utilizados 
por esta instituição, valendo esta carta como Aviso Prévio de 
30 (trinta) dias, de acordo com o que determina a legislação 
trabalhista vigente, a ser cumprido na forma da letra ... do 
quadro abaixo. 
Solicitamos seu comparecimento em nosso escritório no 
dia .../.../..., às ...horas, munido de sua CTPS, a fim, de 
receber seus direitos, conforme determina a legislação em 
vigor. 
Atenciosamente, 
 
(carimbo e assinatura da Instituição) 
ciente: .../.../... 
(assinatura do empregado) 
 
FORMA DE CUMPRIMENTO: 
- Trabalhar durante __ (______) dias, com redução de 
acordo com a opção abaixo; 
- Desobrigado do cumprimento (Aviso Prévio 
Indenizado). 
 
OPÇÃO DE CUMPRIMENTO: 
( ) Redução de 2 (duas) horas no inicio do trabalho; 
( ) Redução de 2 (duas) horas no final do trabalho; 
 
ANÚNCIO 
 
 
A todo instante nos deparamos com uma infinidade de 
propagandas, seja em outdoors, seja em panfletos 
espalhados pelas ruas ou através da mídia. Elas fazem parte 
dos chamados “gêneros textuais”, pois participam de uma 
situação sócio comunicativa entre as pessoas. 
A finalidade deste tipo de texto é de persuadir, ou seja, o 
anunciante (emissor) tem o objetivo de convencer o 
telespectador (receptor) sobre a boa qualidade de um 
determinado produto, convencendo-o a adquiri-lo. 
Isto nos remete à ideia daquele velho ditado popular, o 
qual diz que “a propaganda é a alma do negócio”, e se 
analisarmos, concluiremos que a afirmação é totalmente 
verídica, porque quanto mais criativo e objetivo for o anúncio, 
mais haverá a possibilidade de aceitação. 
Para isso, é importante saber o público-alvo, fator 
decisivo perante a elaboração das estratégias a serem 
aplicadas. 
 
Quanto à estrutura do texto em questão, ele compõe-se 
da seguinte forma: 
 
 
Título - Geralmente é bastante criativo e atraente, 
baseado em um jogo de palavras carregadas de linguagem 
conotativa, justamente com o intento de atrair o consumidor. 
 
Imagens - As mais inusitadas possíveis, dispostas de 
forma a chamar a atenção de acordo com as características 
do produto anunciado. 
 
Corpo do texto - Nesta parte é desenvolvida a ideia 
sugerida no título, com frases curtas, claras e objetivas, 
adequando o vocabulário aos interlocutores destinados. 
 
Identificação do produto ou marca - funciona como 
uma “assinatura” do anunciante. Ocorre também de aparecer 
o Slogan junto à marca anunciada, para dar mais ênfase à 
comunicação. Certos slogans são de nosso conhecimento. 
Como por exemplo: “TIM - Viver sem Fronteiras”, RED 
BULL - Te dá Asas! 
 
 
PROPAGANDA 
 
 
Você já dever ter ouvido falar de persuasão, não é 
mesmo? Vamos relembrar o significado desse termo? 
Persuasão vem do verbo persuadir: levar a crer ou a 
acreditar (Aurélio). Ou seja, é o ato de você tentar convencer 
o outro a acreditar em você. 
A propaganda, como já deve ter percebido, tem por 
objetivo justamente o que foi exposto na definição acima: 
tentar convencer o público de alguma coisa. 
Por isso, sempre quando vir ou ouvir um anúncio, 
lembre-se que os publicitários estão usando a linguagem 
persuasiva para conquistar você, seja através de palavras, 
de cores, de imagens, etc. E, principalmente, fazê-lo comprar 
mais e mais! 
 
A fabricação de uma propaganda exige saber: 
a) o produto: utilidade, características, qualidades, 
desvantagens e vantagens. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 47
47
b) o público: qual é o público-alvo: jovens, adolescentes, 
adultos, crianças. É importante determiná-lo para saber o 
tipo de linguagem que deverá ser utilizada. 
c) Objetivo: vender sempre é a principal meta. Contudo, 
pode ser apresentar algo novo, causar impacto, despertar a 
curiosidade, aumentar a venda ou audiência, etc. 
d) Estilo: cores, tamanhos, tipos de objetos, tipo de letra, 
pano de fundo, etc. 
Então,se o professor solicitar um trabalho sobre 
linguagem persuasiva com o uso da propaganda, já sabe, 
fique atento ao que foi exposto e bom trabalho! 
 
Curiosidade: 
A propaganda também é chamada de “merchandising”, 
que tem origem na palavra inglesa merchandiser que 
significa “negociante”. Como se vê, até na origem, a 
propaganda é um tipo de negociação: eu te convenço e você 
compra. 
 
TIRINHA 
 
As análises que se seguem têm o propósito de oferecer 
uma reflexão sobre os recursos linguísticos (verbais e não 
verbais) de que um autor se vale para transmitir uma 
determinada mensagem. 
Para isso, utilizaremos a “tirinha”, um gênero textual de 
cunho humorístico – às vezes político –, muito comum em 
jornais, cuja constituição se estabelece pela combinação de 
frases curtas – geralmente de efeito ambíguo – com 
desenhos que ilustram e complementam o sentido da obra. 
1. Jornal digital (tira do cartunista Glauco, presente no 
livro "Geraldão, vol.3: Ligadão, taradão na Televisão", mas 
retirada na folha online): 
 
 
 
Os verbos que aparecem no primeiro quadro da tira, 
"está" e "salve", estão, respectivamente, no presente do 
indicativo e no imperativo. 
Ambos nos remetem à ideia de que o que está sendo 
anunciado ocorre agora, e a solução pode ser encontrada 
também no presente. 
A primeira parte da frase, "o fim está próximo", já nos 
remete ao que virá, ou seja, é do conhecimento comum que 
"fim próximo" está relacionado ao fim do mundo. 
E essa hipótese é confirmada com a introdução da 
segunda oração da frase, "salve sua alma!". 
Por meio dessa expressão é possível perceber a 
complementação da primeira oração, bem como 
compreender o sentido real da frase. 
Ainda na primeira tira, é possível verificar a ausência de 
pontuação, bem como a de conectivos, salvo o ponto de 
exclamação no final da frase, com o claro intuito de impor 
uma ordem imediata ou, ao menos, uma sugestão veemente. 
Enquanto na primeira, o destaque fica por conta da voz 
de quem anuncia “o fim está próximo” e sugere “salve sua 
alma”, na segunda, apenas a voz questionadora de quem se 
interessa pelo anúncio se faz presente: "Como posso salvar 
minha alma?". 
Por meio dessa expressão, percebe-se que a intenção 
de quem anuncia começa a gerar resultados, haja vista o 
interesse de alguém sobre o que já foi anunciado. 
Nessa segunda tira os verbos "posso" e "salvar" estão no 
presente do indicativo e no infinitivo. 
Nota-se que a seleção de ambos não só dá continuidade 
no sentido da primeira tirinha como também o reforça, uma 
vez que eles também nos remetem à ideia de algo a 
acontecer agora e, em relação ao "salvar", obviamente, não 
alude a uma salvação imediatista, mas que se perpetuará 
em uma suposta vida pós morte. 
Na última tira, a fala é retomada pelo primeiro 
personagem - aquele que anuncia o problema e propõe a 
solução -, que logo trata de explicar as intenções do autor. 
Ou seja, já que o fim do mundo está próximo, salve ao 
menos sua alma. 
Mas, para isso, é imprescindível já ter um local 
reservado, e ele, o primeiro personagem, tem a solução, 
“disponibilizando” para venda um “magnífico terreno no vale 
do amanhecer!" 
A tira é, enfim, fechada com "chave de ouro", uma vez 
que, para dar ênfase à preciosidade do terreno a ser 
vendido/comprado, seu anunciante o define como 
"magnífico", exaltando sua beleza, sua utilidade 
incomparável. 
E tudo isso é reforçado pelo fato de o terreno estar 
situado em um local que se apresenta com ares de 
indiscutível grandiosidade: o "vale do amanhecer". 
Além de estar o dito terreno localizado em um "vale", o 
que nos remete à um local tranquilo, sereno, o léxico 
"amanhecer" sugere um momento futuro e, ao mesmo 
tempo, de começo, uma nova vida, uma nova "chance". 
Considerando o gênero textual escolhido, isto é, a tira, é 
possível perceber as características específicas do texto 
selecionado, a começar pelo seu arcabouço formado por 
quadros que separam as partes da história a ser contada, 
frases curtas, imagens verbais e não verbais. 
Contudo, percebe-se que a seleção dos léxicos está 
ligada não somente à estrutura do gênero, mas também ao 
público-alvo que, geralmente, são leitores assíduos desse 
tipo de texto, além de outros interessados no assunto. 
Assim, considerando a mídia em que a tira está 
veiculada (o jornal online), é possível perceber que quatro 
são as características que especificam o texto: a linguagem 
informal, a presença das linguagens (verbal e não verbal), a 
utilização de metáfora e a maneira direta de construção da 
mensagem, sem gorduras, ou seja, sem acessórios 
desnecessários. 
 
2. Jornal impresso (tira retirada do Jornal Estado de 
Minas: Vereda Tropical): 
 
 
O uso dos verbos no infinitivo "precisar" e "providenciar" 
nos dá a ideia de ação, que deverá ser executada por aquele 
que deseja abrir uma empresa "...precisa providenciar 37 
documentos para abrir a empresa." 
E o homem que está responsável pela abertura, para se 
certificar de que o outro o compreendeu, pergunta: 
"entende?" 
Ao que o outro responde com um "sim." No entanto, ele 
pensa "mas como diria o outro: burocracia de merda." 
Nessa última frase, o léxico "o outro" é alguém 
indefinido. “Como diria o outro” corresponde a “como se diz”, 
expressão muito utilizada no cotidiano. Há também nela a 
ideia de ira e inconformismo mediante a burocracia, que 
pode ser comprovada por ambas as linguagens (verbal e 
não-verbal). 
Ainda no último quadro, pelo uso do "balão", expressa-se 
a sua verdadeira vontade de, ao invés de agir com tanta 
calma e educação como fez, esbravejar, chutar tudo. 
 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 48
48
3. Jornal radiofônico (frase retirada do site da Central 
Brasileira de Notícias - CBN): 
“Lula não é um político, é um fenômeno religioso.” 
A frase de Jabor, além de respeitar a norma padrão, é ao 
mesmo tempo simples e sofisticada. Simples, porque não se 
vale de palavras rebuscadas ou pouco usuais, que mais 
servem para ostentar a competência do redator que para 
transmitir sua mensagem; sofisticada, porque usa com 
habilidade o recurso da vírgula para separar duas orações 
antagônicas (Lula não é um político – negativa) e (lula é um 
fenômeno religioso – afirmativa) dentro de uma única frase, 
suprimindo a repetição do substantivo Lula. 
O verbo no presente aponta para a intenção de manter a 
ideia sempre atual, em qualquer tempo que se leia a frase. 
Além disso, apela para a ironia, quando provoca o 
sentimento religioso das pessoas, ao propor uma analogia 
entre o político e alguma entidade santificada; sugerindo que 
só a fé mantém a lealdade de seus partidários. 
A linguagem é estritamente verbal e estimula o leitor à 
reflexão. 
O texto é curto; bem escrito; direcionado aos eleitores, 
tendo em vista a proximidade das eleições presidenciais; e 
apropriado ao veículo de divulgação – o rádio –, já que não 
precisa de elementos não-verbais que lhe deem suporte. 
 
4. Revista impressa (Nova Escola: Calvin): na tira não 
há nenhum uso de linguagem verbal. É a linguagem não-
verbal, utilizada quadro a quadro, que conduz o leitor à 
compreensão da mensagem que Calvin deseja propagar. 
 
 
 
No primeiro quadro, o personagem caminha com um 
guarda-chuva na mão. 
No segundo, começa a perceber a precipitação de 
alguns pingos de chuva. Já no terceiro, começa a abrir o 
guarda-chuva. Até aí, nenhum estranhamento – o autor 
passa a ideia de que o personagem lançará mão do guarda-
chuva para se proteger. 
De repente, no quarto e último quadrinho, a quebra da 
expectativa, do óbvio. 
A grande surpresa! 
Ao invés do esperado, o personagem aparece brincando 
dentro do guarda-chuva, que está virado ao contrário, cheio 
de água, como se fosse uma bela piscina. 
Talvez a escolha da linguagem não-verbal seja o que 
garanta o ápice da intenção do autor. Houvesse ele feito usoda linguagem verbal, seu propósito de prender a atenção do 
leitor até o desfecho da história provavelmente teria se 
perdido, antes mesmo do último quadro. 
Quadro a quadro, cada imagem vai instigando o leitor a 
fazer uso dos seus conhecimentos e, então, imaginar o que 
poderá acontecer posteriormente. E é quando, ao final, tudo 
é desfeito com total inversão das probabilidades inferidas 
pelo leitor. Esta tirinha pode parecer, em princípio, muito 
simplória e sem relevância, mas, na verdade, pode nos 
remeter a um provérbio chinês muito antigo e bonito que diz 
mais ou menos o seguinte: “Diante da chuva iminente, o tolo 
pragueja, o homem comum se conforma e o sábio planta.” 
O que ocorreu, foi que o personagem não se queixou 
nem se conformou simplesmente; o que ele fez, 
simbolicamente, foi plantar, isto é, aproveitar o que a chuva 
oferecia: a água. 
 
PIADA 
 
"Uma piada é um texto narrativo curto de final engraçado 
e às vezes surpreendente, cujo objetivo é provocar risos ou 
gargalhadas em quem a ouve ou lê". 
O senso de humor varia em cada cultura. 
O que é engraçado para um povo pode não ser para outro. 
 
 
ERRO DE E MAIL 
Um casal decide passar férias numa praia do Caribe, no 
mesmo hotel onde passou a lua de mel 20 anos antes. 
Por causa do trabalho, a mulher não pode viajar com o 
marido. 
Deixa para ir alguns dias depois. 
Quando o homem chega ao seu quarto do hotel, vê que 
há um computador com acesso à internet. 
Decide então enviar um e-mail à mulher, mas erra uma 
letra sem perceber e o envia a outro endereço. 
O e-mail é recebido por uma viúva que acabara de 
chegar do enterro do marido. 
Ao conferir seus e-mails, ela desmaia instantaneamente. 
O filho, ao entrar em casa, encontra a mãe caída perto 
do computador. 
 
 
Na tela está escrito: 
Querida esposa, 
Cheguei bem, provavelmente você se surpreenda ao 
receber noticias minhas por e-mail. Mas agora tem computador 
aqui e pode-se enviar mensagens às pessoas queridas. Acabo 
de chegar e já me certifiquei de que esta tudo preparado para 
você vir na sexta-feira que vem. E espero que a sua viajem seja 
tão tranquila como está sendo a minha. 
SÓ UM DETALHE: Não traga muita roupa, Aqui faz um 
calor infernal. 
 
FÁBULA 
 
 
Fábula é uma pequena narrativa em que se aproveita a 
ficção alegórica para sugerir uma verdade ou reflexão de 
ordem moral, com intervenção de pessoa, animais e até 
entidades inanimadas. 
(Moderno Dicionário de Língua portuguesa -Michaelis) 
 
 
Características das Fábulas 
A fábula trata de certas atitudes humanas, como a 
disputa entre fortes e fracos, a esperteza, a ganância, a 
gratidão, o ser bondoso, o não ser tolo. 
Muitas vezes, no finalzinho das fábulas aparece uma 
frase destacada chamada de MORAL DA HISTÓRIA, com 
provérbio ou não; outras vezes essa moral está implícita. 
Não há necessidade de descrever com muitos detalhes 
os personagens, pois o que representam nas fábulas 
(qualidades, defeitos) já é bastante conhecido. 
Tempo indeterminado na história. 
É breve, pois a história é só um exemplo para o 
ensinamento ou o conselho que o autor quer transmitir. 
Conflito entre querer / poder. 
O título não deve antecipar o assunto, pois não sobraria 
quase nada para contar. 
A resolução do problema deve combinar com a sua 
intenção ao contar a fábula e com a moral da história. 
Este texto representa uma releitura da fábula "A cigarra e 
a Formiga" original de Esopo. 
A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a 
Esopo e recontada por Jean de La Fontaine. 
Tendo a cigarra cantado durante o verão, apavorou-se 
com o frio da próxima estação. 
Sem mosca ou verme para se alimentar, com fome, foi 
ver a formiga, sua vizinha, pedindo-lhe alguns grãos para 
aguentar até vir uma época mais quentinha! 
- "Eu lhe pagarei", disse ela, 
- "Antes do verão, palavra de animal, os juros e também 
o capital". 
A formiga não gosta de emprestar, é esse um de seus 
defeitos. 
"O que você fazia no calor de outrora?" Perguntou-lhe 
ela com certa esperteza. 
- "Noite e dia, eu cantava no meu posto, sem querer dar-
lhe desgosto". 
- "Você cantava? Que beleza! Pois, então, dance agora!" 
	fr
	Português 2021também realçar o aposto. 
Ex. "Junto do leito meus poetas dormem – Dante, a 
Bíblia, Shakespeare e Byron – na mesa confundidos." (Álvares 
de Azevedo) 
 
SEMÂNTICA 
 
A semântica estuda o significado e a interpretação do 
significado de uma palavra, de um signo, de uma frase ou de 
uma expressão em um determinado contexto. 
Esse campo de estudo analisa, também, as mudanças 
de sentido que ocorrem nas formas linguísticas devido a 
alguns fatores, tais como tempo e espaço geográfico. 
 
Ambiguidade: Possibilidade de dupla interpretação para 
um mesmo enunciado. 
 
Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra 
tem de apresentar mais de um significado nos múltiplos 
contextos em que aparece. 
Ex. cabo (posto militar, acidente geográfico, parte da 
vassoura) 
 
Sinônimos: São palavras que apresentam, entre si, o 
mesmo significado. 
Ex. triste = melancólico 
resgatar = recuperar 
ratificar = confirmar 
digno = decente, honesto 
reminiscências = lembranças 
insipiente = ignorante. 
 
Antônimos: São palavras que apresentam, entre si, 
sentidos opostos, contrários. 
Ex. bom x mau bem x mal condenar x absolver 
simplificar x complicar 
 
Homônimos: São palavras iguais na forma e diferentes 
na significação. Há três tipos de homônimos: 
1) Homônimos Perfeitos _ Têm a mesma grafia e a 
mesma pronúncia. 
Ex. cedo (advérbio) e cedo (verbo ceder) meio 
(numeral) e meio (substantivo) 
2) Homônimos Homófonos _ Têm a mesma 
pronúncia e grafias diferentes. 
Ex. sessão (reunião) seção (repartição) e cessão (ato 
de ceder) 
3) Homônimos Homógrafos _ Têm a mesma grafia e 
pronúncias diferentes. 
Ex. almoço (refeição) e almoço (verbo almoçar) 
sede (vontade de beber) e sede (residência). 
 
Parônimos: São palavras de significação diferente, mas 
de forma parecida, semelhante. 
Ex. retificar e ratificar inflação e infração 
tráfico e tráfego eminente e iminente 
 
Segue abaixo uma lista com alguns homônimos e 
parônimos: 
- acender = atear fogo 
 ascender = subir 
- acerca de = a respeito de, sobre 
 há cerca de = faz, existe aproximadamente 
- afim = semelhante, com afinidade 
 a fim de = com a finalidade de 
- amoral = indiferente à moral 
 imoral = contra a moral, libertino, devasso 
- apreçar = marcar o preço 
 apressar = acelerar 
- arrear = pôr arreios 
 arriar = abaixar 
- bucho = estômago de ruminantes 
 buxo = arbusto ornamental 
- caçar = abater a caça 
 cassar = anular 
- cela = aposento 
 sela = arreio 
- censo = recenseamento 
 senso = juízo 
 cessão = ato de doar 
- seção = corte, divisão 
 sessão = reunião 
- chalé = casa campestre 
 xale = cobertura para os ombros 
- cheque = ordem de pagamento 
 xeque = lance do jogo de xadrez 
- comprimento = extensão 
 cumprimento = saudação 
- concertar = harmonizar, combinar 
 consertar = remendar, reparar 
- conjetura = suposição, hipótese 
 conjuntura = situação, circunstância 
- deferir = conceder 
 diferir = adiar 
- descrição = representação 
 discrição = ato de ser discreto 
- descriminar = inocentar 
 discriminar = diferençar, distinguir 
- despensa = compartimento 
 dispensa = desobrigação 
- despercebido = sem ser notado 
 desapercebido = desprevenido 
- eminente = nobre, alto, excelente 
 iminente = prestes a acontecer 
- esperto = ativo, inteligente, vivo 
 experto = perito, entendido 
- espiar = olhar sorrateiramente 
 expiar = sofrer pena ou castigo 
- estada = permanência de pessoa 
 estadia = permanência de veículo 
- flagrante = evidente 
 fragrante = aromático 
- incerto = duvidoso 
 inserto = inserido, incluso 
- incipiente = iniciante 
 insipiente = ignorante 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 8
8
- infligir = aplicar pena ou castigo 
 infringir = transgredir, violar, desrespeitar 
- intercessão = súplica, rogo 
 interse(c)ção = ponto de encontro de duas linhas 
- ratificar = confirmar 
 retificar = corrigir 
- soar = produzir som 
 suar = transpirar 
- sortir = abastecer 
 surtir = originar 
- tacha = pequeno prego 
 taxa = tributo 
- tachar = censurar, notar defeito em 
 taxar = estabelecer o preço 
 
Hipônimo: É a palavra que indica uma parte, um item 
específico de um todo. 
Ex. sabiá, curió, gavião, águia (pertencem ao grupo das 
aves, portanto são hipônimos da palavra AVE). 
 
Hiperônimo: É a palavra que indica o todo, do qual se 
originam várias partes ou ramificações. 
Ex. Calçado (Hiperônimo de sandália, tênis, sapato, etc.) 
Animal (Hiperônimo de vaca, zebra, gato, etc.) 
 
OBS.: A Hiponímia particulariza, enquanto a Hiperonímia 
generaliza. 
 
MORFOLOGIA 
 
Morfologia é o estudo da estrutura, da formação e da 
classificação das palavras. A peculiaridade da morfologia é 
estudar as palavras analisando-as isoladamente, 
independentes de contexto. 
 
ESTRUTURA DAS PALAVRAS 
Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores 
das palavras. 
Assim, compreendemos melhor o significado de cada 
uma delas. 
As palavras podem ser divididas em unidades menores, 
a que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas. 
 
Os elementos mórficos são os seguintes: 
 
1) Radical : É o elemento que contém o sentido básico 
do vocábulo. 
Ex. falar, comer, dormir, casa, carro. 
 
Palavras que apresentam o mesmo radical são 
chamadas de palavras cognatas e constituem uma família 
etimológica. Ex. árvore, arborizado, arvorismo, arbóreo. 
 
OBS.: Em se tratando de verbos, descobre-se o radical, 
retirando-se a terminação AR, ER ou IR. 
 
2) Vogal Temática : É uma vogal colocada após o 
radical, que o prepara para receber os demais elementos. 
Ex. cadeira, livro, casa. 
Os verbos apresentam as vogais temáticas A, E ou I, 
presentes à terminação verbal. Elas indicam a que 
conjugação o verbo pertence: 
- 1ª conjugação = vogal temática A 
 (comprar, amar) 
- 2ª conjugação = vogal temática E 
 (viver, beber) 
- 3ª conjugação = vogal temática I 
 (dormir, sentir) 
 
OBS.: O verbo pôr e seus derivados (supor, compor, 
repor, etc.) pertencem à 2ª conjugação, já que se originam 
do antigo verbo poer. 
 
3) Tema: É a junção do radical com a vogal temática. Se 
não existir a vogal temática, o tema e o radical serão o 
mesmo elemento. 
Ex. estuda = estud+a ferro = ferr+o leal = leal 
(radical e tema coincidem) 
 
4) Desinências: É o elemento que indica a flexão da 
palavra. Existem dois tipos de desinências: 
a) Desinências verbais 
- Modo-temporais = indicam o modo e o tempo. Ex. 
cantava (pretérito imperfeito do indicativo) 
- Número-pessoais = indicam a pessoa e o número. 
Ex. cantaram (3ª pessoa do plural) 
 
b) Desinências nominais 
- de gênero = indica o gênero da palavra. A palavra terá 
desinência nominal de gênero, quando houver a oposição 
masculino - feminino. 
Ex. cabeleireiro - cabeleireira. 
A vogal a será desinência nominal de gênero sempre 
que indicar o feminino de uma palavra, mesmo que o 
masculino não seja terminado em o. 
Ex. crua, ela, traidora. 
- de número =indica o plural da palavra. É a letra s, 
somente quando indicar plural. 
Ex. cadeiras, macacos 
 
5) Afixos: São elementos que se juntam ao radical para 
formar novas palavras. 
São eles: 
- Prefixo: É o afixo que aparece antes do radical. 
Ex. destampar, incapaz, amoral. 
- Sufixo: É o afixo que aparece depois do radical ou do 
tema. 
Ex. pensamento, acusação 
 
Vogais e consoantes de ligação: São vogais e 
consoantes que surgem entre dois morfemas, para tornar mais 
fácil e agradável a pronúncia de certas palavras. Ex. flores, 
bambuzal, gasômetro. As vogais e consoantes de ligação não 
são consideradas morfemas, mas simples elementos utilizados, 
principalmente, em palavras derivadas e compostas. 
 
PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
Haverá derivação quando, a partir de uma palavra 
primitiva na Língua Portuguesa, formar-se uma nova palavra, 
a derivada. 
Há seis tipos de derivação: 
 
Derivação Prefixal: a palavra derivada é obtida pela 
anexação de um prefixo à palavra primitiva. 
Ex. conceder, imoral, transplantar 
 
Derivação Sufixal: A palavra nova é obtida por 
acréscimo de sufixo. 
Ex. felizmente, moralidade 
 
Derivação Prefixal e Sufixal: A palavra nova recebe 
prefixo e sufixo. 
Ex. imoralidade, transplantado 
 
Derivação Parassintética: a palavra nova é obtida pelo 
acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por parassíntese, 
formam-se principalmente verbos. 
Ex. entristecer, enevoar 
 
OBS.: Não confunda a derivação parassintética com a 
prefixal e sufixal. 
No caso da parassíntese, a nova palavra só existe com 
ambos os afixos, pois o acréscimo é simultâneo. 
No caso de entristecer, por exemplo, não existe “entriste” 
(sem o sufixo) e nem “tristecer” (sem o prefixo). 
 
Há dois casos em que a palavra derivada é formada sem 
que haja a presença de afixos. São eles: 
 
Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por 
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na 
formação de substantivos derivados de verbos. 
Ex. pesca (subst. deriv. do verbo pescar) 
 
Derivação imprópria: a palavra nova é obtida pela 
mudança de categoria gramatical da palavra primitiva. Não 
ocorre, pois, alteração na forma, mas tão-somente na classe 
gramatical. 
Ex. o porquê 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 9
9
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais 
radicais para formar uma nova palavra. A composição pode 
ocorrer por: 
 
Justaposição: os elementos que formam o composto 
são postos lado a lado, sem que haja alteração fonética (a 
pronúncia não muda). 
Ex. passatempo, guarda-roupa, segunda-feira, girassol. 
 
Aglutinação: os elementos que formam o composto se 
aglutinam, havendo alteração fonética. 
Ex. aguardente (água+ardente), alvinegro (alvo+negro). 
 
Além da derivação e da composição, há alguns 
outros processos de formação de palavras: 
 
Hibridismo: É a formação de novas palavras a partir da 
união de radicais de idiomas diferentes. 
Ex. automóvel (grego+latim), sociologia (latim+grego), 
burocracia (francês+grego) 
 
Onomatopeia: Consiste em criar palavras, tentando 
imitar sons da natureza ou barulhos de máquinas. Ex. 
zunzum, cricri, tique-taque, pingue-pongue. 
 
Abreviação ou Redução Vocabular: Consiste na 
eliminação de um segmento da palavra, a fim de se obter 
uma forma mais curta. 
Ex. extra (de extraordinário), fone (de telefone) 
 
Siglas: São formadas pela combinação das letras iniciais de 
uma sequência de palavras que constitui um nome: 
Ex. IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
 
Empréstimo linguístico: É o aportuguesamento de 
palavras estrangeiras. 
Ex. estresse, bife, sutiã 
 
CLASSES DE PALAVRAS 
 
A Morfologia dividiu as palavras em dez classes 
(também chamadas de classes gramaticais ou classes 
morfológicas), considerando suas características e funções. 
São elas: substantivo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, 
verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição. 
 
SUBSTANTIVO 
 
Substantivo é a palavra variável que dá nome aos seres, 
lugares, objetos, sentimentos. Para transformar uma palavra 
de outra classe gramatical em um substantivo, basta 
precedê-la de artigo. 
 
O substantivo pode ser classificado em: 
Primitivo: palavras que não derivam de outras. 
Ex. flor, pedra, jardim. 
 
Derivado: vem de outra palavra existente na língua. 
Ex. floricultura , pedreira, jardineiro. 
 
Simples: tem apenas um radical. 
Ex. água, couve, sol 
 
Composto: tem dois ou mais radicais. 
Ex. água-de-cheiro, couve-flor, girassol. 
 
Concreto: designa seres reais ou fantásticos. 
Ex. homem, cadeira, anjo. 
 
Abstrato: designa sentimentos, ideias ou conceitos, cuja 
existência está vinculada a alguém ou a alguma outra coisa. 
Ex. justiça, amor, trabalho, 
 
Comum: denomina um conjunto de seres de maneira geral, 
ou seja, um ser sem diferenciar dos outros do mesmo conjunto. 
Ex. carro, aluno, cidade 
 
Próprio: denota um elemento individual, sendo grafado 
sempre com letra maiúscula. 
Ex. Fusca, Lucas, Ipatinga. 
 
Coletivo: um substantivo coletivo designa um nome 
singular dado a um conjunto de seres. 
Ex. legião, alcatéia, arquipélago. 
Flexão de gênero 
Os substantivos flexionam-se nos gêneros masculino e 
feminino e, quanto às formas, podem ser: 
 
Substantivos biformes: apresentam duas formas 
originadas do mesmo radical. 
Ex. menino - menina, traidor - traidora, aluno - aluna. 
 
Substantivos heterônimos: apresentam radicais 
distintos e dispensam artigo ou flexão para indicar gênero, 
ou seja, apresentam duas formas: uma para o feminino e 
outra para o masculino. 
Ex. arlequim - colombina, bode - cabra, homem – mulher. 
 
Substantivos uniformes: apresentam a mesma forma 
para os dois gêneros, podendo ser classificados em: 
 
Epicenos: referem-se a animais ou plantas e são 
invariáveis no artigo precedente, acrescentando as palavras 
macho e fêmea, para distinção do sexo do animal. Ex. a 
onça macho - a onça fêmea; o jacaré macho - o jacaré 
fêmea; a foca macho - a foca fêmea. 
 
Comuns de dois gêneros: o gênero é indicado pelo 
artigo precedente. Ex. o/a dentista; o/a gerente. 
 
Sobrecomuns: invariáveis no artigo precedente. 
Exemplos: a criança, o indivíduo, o algoz. 
 
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam 
também de significado. Eis alguns deles: 
- o caixa = o funcionário 
 a caixa = o objeto 
- o capital = dinheiro 
 a capital = sede de governo 
- o grama = medida de massa 
 a grama = a relva, o capim 
- o guia = cicerone 
 a guia = documento, formulário; meio-fio 
- o moral = estado de espírito 
 a moral = ética, conclusão 
 
Flexão de número 
Os substantivos apresentam singular e plural. Os 
substantivos simples fazem o plural da seguinte forma, se 
forem terminados em: 
 
1) n, vogal ou ditongo, acrescenta-se o s. 
Ex. elétrons, copos, cáries 
2) ão, substitui-se por ões, ães ou ãos. 
Ex. anões, cães, mãos 
3) r e z, acrescenta-se es. 
Ex. flores, luzes. 
4) x, são invariáveis. 
Ex. tórax, fênix 
5) al, el, ol, ul, trocam o l por is, com as seguintes 
exceções: "mal" (males), "cônsul" (cônsules), "mol" (mols), 
"gol" (gols). 
Ex. jornais, anéis. 
6) il, troca-se o l por is (quando oxítona) ou o il por eis 
(quando paroxítona). 
Ex. fuzis, projéteis. 
7) s, acrescenta-se es nas oxítonas e nas monossílabas; 
as demais ficam invariáveis. 
Ex. países, áses, lápis, ônibus. 
(Exceção: cais é invariável) 
 
Os substantivos compostos ligados por hífen flexionam-
se da seguinte forma: 
- se os elementos são formados por palavras repetidas 
ou por onomatopeia, só o segundo elemento varia (tico-ticos, 
pingue-pongues). 
- nos demais casos, somente os elementos 
originariamente substantivos, adjetivos e numerais variam 
(couves-flores, guardas-noturnos, amores-perfeitos, bem-
amados, vale-tudo). 
 
OBS.: Metafonia é a mudança no timbre da vogal o (que 
passa de fechada ‘ô’a aberta ‘ó’), observada no plural de 
alguns substantivos: ovo – ovos , posto – postos. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 10
10
Flexão de grau 
Os substantivos apresenta os graus aumentativo e 
diminutivo, que são formados por dois processos: 
 
Analítico: o substantivo é modificado por adjetivos que 
indicam sua proporção (rato grande, gato pequeno). 
 
Sintético: são utilizados sufixos. (ratão, gatinho) 
Alguns substantivos apresentam um diminutivo erudito, 
formado com os sufixos latinos ículo(a), ulo(a), únculo(a) e 
úsculo(a). 
 
Segue abaixo uma lista de diminutivos eruditos: 
corpo – corpúsculo 
cela – célula 
febre – febrícula 
feixe – fascículo 
globo – glóbulo 
grão – grânulo 
gota – gotícula 
homem – homúnculo 
monte – montículo 
nó – nódulo 
núcleo – nucléolo 
obra – opúsculo 
orelha – aurícula 
ovo – óvulo 
parte – partícula 
porção – porciúncula 
pele – película 
questão – questiúncula 
raiz – radícula 
rede – retículo 
verso – versículo 
 
ADJETIVO 
 
Adjetivo é a palavra que modifica um substantivo, 
atribuindo-lhe qualidade, estado ou modo de ser. Os 
adjetivos podem ser: 
 
1) Adjetivo explicativo _ Denota qualidade essencial 
do ser, qualidade inerente. 
Ex. Homem mortal, leite branco. 
 
2) Adjetivo restritivo _ Denota qualidade adicionada 
ao ser, ou seja, qualidade que pode ser retirada do 
substantivo. 
Ex. Homem inteligente, leite enriquecido. 
 
Quanto à formação, os adjetivos se classificam em: 
 
Primitivo: não se originam de outra palavra. 
Ex. verde 
 
Derivado: origina-se de uma palavra já existente. 
Ex. esverdeado 
 
Simples: apresenta somente um radical. 
Ex. azul 
 
Composto: apresenta mais de um radical. 
Ex. azul-marinho 
 
Adjetivo Pátrio: Indica a nacionalidade ou o lugar de 
origem do ser. 
Ex. acreano, belo-horizontino, estadunidense, porto-
riquenho, nordestino. 
 
Locução Adjetiva: É uma expressão que exerce a 
mesma função do adjetivo. 
Ex. olhos de águia (=aquilinos) 
carinha de anjo (= angelical) 
fé sem limite (=ilimitada) 
 
Flexão de gênero 
O adjetivo concorda com o substantivo a que se refere 
em gênero e número (masculino e feminino; singular e 
plural). Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser: 
 
Uniforme: apresenta uma única forma para os dois 
gêneros. 
Ex. amável, persistente 
Biforme: apresenta uma forma diferente para cada 
gênero. 
Ex. bonito/bonita, chinês/chinesa 
 
Flexão de número 
Os adjetivos simples se flexionam obedecendo às 
mesmas regras dos substantivos simples. Já no caso dos 
adjetivos compostos, somente o último elemento flexiona. 
Ex. cabelos castanho-escuros, obras anglo-
germânicas. 
 
OBS.: Caso o adjetivo seja representado por um 
substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que 
estiver qualificando um elemento for, originalmente, um 
substantivo, ela não se flexiona. 
Ex. motos vinho, comícios monstro, tons pastel, 
camisas branco-gelo, bandeiras amarelo-ouro. 
 
Azul-marinho, azul-celeste, furta-cor, ultravioleta e 
qualquer adjetivo composto iniciado por cor de ... são 
sempre invariáveis. 
Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha 
têm os dois elementos flexionados. 
 
Flexão de Grau 
1) Grau Comparativo: compara uma qualidade entre 
dois elementos ou duas qualidade de um mesmo elemento. 
São três os comparativos: 
- de superioridade: Para alguns alunos, Português é 
mais fácil que Química. 
- de igualdade: Para alguns alunos, Português é tão 
fácil quanto Química. 
- de inferioridade: Para alguns alunos, Português é 
menos fácil que Química. 
 
OBS.: Os adjetivos bom, mau, grande e pequeno têm 
formas sintéticas (melhor, pior, maior e menor); porém, em 
comparações feitas entre duas qualidades de um mesmo 
elemento, devem-se usar as formas analíticas mais bom, 
mais mau, mais grande e mais pequeno. 
Ex. Pedro é maior do que Paulo, pois se está 
comparando dois elementos, mas Pedro é mais grande que 
forte, pois se está fazendo a comparação de duas 
qualidades de um mesmo elemento. 
 
2) Grau Superlativo: engrandece a qualidade de um 
elemento. São dois os superlativos: 
 
Superlativo absoluto 
- analítico = o adjetivo é modificado por um advérbio. 
Ex. Carla é muito inteligente. 
- sintético = quando há o acréscimo de um sufixo. 
Ex. Carla é inteligentíssima. 
 
Superlativo relativo 
- de superioridade = Enaltece a qualidade do 
substantivo como "o mais" dentre todos os outros. 
Ex. Carla é a mais inteligente. 
 
- de inferioridade = Enaltece a qualidade do substantivo 
como "o menos" dentre todos os outros. 
Ex. Carla é a menos inteligente. 
 
ARTIGO 
 
É a palavra variável em gênero e número que precede 
um substantivo, determinando-o de modo preciso (artigo 
definido) ou vago (artigo indefinido). Os artigos classificam-
se em: 
01) Artigos Definidos: o, a, os, as. 
Ex. O garoto pediu dinheiro. (sabe-se quem é o garoto.) 
 
02) Artigos Indefinidos: um, uma, uns, umas. 
Ex. Um garoto pediu dinheiro. (Refere-se a um garoto 
qualquer, de forma genérica.) 
 
OBS.: O artigo tem a capacidade de substantivar qualquer 
palavra, isto é, ao precedermos uma palavra de artigo, 
automaticamente, ela passa a atuar como substantivo. 
Ex. Maria não aceitava um não como resposta. 
O andar do rapaz era trôpego e engraçado. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 11
11
Emprego dos artigos 
Ambos: Usa-se o artigo entre o numeral ambos e o 
elemento posterior, caso este exija o seu uso. 
Ex. Ambos os atletas foram declarados vencedores. 
(atletas é substantivo que exige artigo.) 
 
Todos: Usa-se o artigo entre o pronome indefinido 
todos e o elemento posterior, caso este exija o seu uso. 
Ex. Todas as leis devem ser cumpridas. 
 
Todo: Diante do pronome indefinido todo, usa-se o 
artigo, para indicar totalidade; não se usa, para indicar 
generalização. 
Ex. Todo o país participou da greve. (O país inteiro) 
 Todo país sofre por algum motivo. (Qualquer país, 
todos os países) 
 
Cujo: Não se usa artigo após o pronome relativo cujo. 
Ex. As mulheres, cujas bolsas desapareceram, ficaram 
revoltadas. (e não cujo as bolsas) 
 
Pronomes Possessivos: Diante de pronomes 
possessivos, o uso do artigo é facultativo. 
Ex. Encontrei seus amigos no Shopping. / Encontrei 
os seus amigos no Shopping. 
 
Nomes de pessoas: Diante de nome de pessoas, só se 
usa artigo para indicar afetividade ou familiaridade. 
Ex. O Pedrinho mandou uma carta a Fernando 
Henrique Cardoso. 
 
Casa: Só se usa artigo diante da palavra casa, se ela 
estiver especificada. 
Ex. Saí de casa há pouco. 
Saí da casa do Gilberto há pouco. 
 
Terra: Se a palavra terra significar "chão firme", só 
haverá artigo quando estiver especificada. Se significar 
planeta, usa-se com artigo. 
Ex. Os marinheiros voltaram de terra, pois irão à terra 
do comandante. 
 Os astronautas tiraram fotos da Terra. 
 
OBS.: Não se deve combinar com preposição o artigo 
que faz parte do nome de jornais, revistas, obras literárias, 
etc. 
(Ex. Li a notícia em O Estado.) 
De igual forma, não se combina com preposição o artigo 
que integra o sujeito de um verbo. 
(Ex. Está na hora de a onça beber água.) 
 
PRONOME 
 
Pronome é a palavra variável em gênero, número e 
pessoa que substitui ou acompanha o nome, indicando-o 
como pessoa do discurso. 
 
OBS.: São três as pessoas do discurso: 1ªpessoa = 
emissor (transmite a mensagem); 2ª pessoa = receptor 
(recebe a mensagem) e 3ª pessoa = referente (assunto da 
mensagem). 
Quando o pronome substituir um substantivo, será 
denominado pronome substantivo 
Ex. Ele é amigo de Pedro. 
Quando o pronome acompanhar um substantivo, será 
denominado pronome adjetivo. 
Ex. Pedro é meu professor. 
 
PRONOMES PESSOAIS 
Os pronomes pessoais são aqueles que indicam uma 
das três pessoas do discurso: a que fala, a com quem se fala 
e a de quem se fala. São de dois tipos: 
 
Pronomes pessoais do caso reto: são os que 
desempenham a função sintática de sujeito da oração _ eu, 
tu, ele, ela, nós, vós eles, elas. 
 
Pronomes pessoais do caso oblíquo: são os que 
desempenham a função sintática de complemento verbal 
(objeto direto ou indireto), complemento nominal, agente da 
passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal. 
Os pronomes pessoais oblíquos se subdividem em dois 
tipos: os átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes), 
que não são antecedidos por preposição e se apoiam 
diretamente no verbo; e os tônicos (mim, comigo, ti, contigo, 
ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas), 
precedidos por preposição. 
 
Emprego dos Pronomes Pessoais 
Eu e tu exercem a função sintática de sujeito. Mim e ti 
exercem a função sintática de complemento verbal ou 
nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre 
são precedidos de preposição. 
Ex. Trouxeram aquela encomenda para mim. 
Era para eu conversar com o diretor. 
 
Se, si, consigo são pronomes reflexivos ou recíprocos; 
portanto, só poderão ser usados na voz reflexiva ou na voz 
reflexiva recíproca. 
Ex. Quem não se cuida, acaba ficando doente. 
Gilberto trouxe consigo os três irmãos. 
 
Com nós ou com vós são usados quando, à frente, 
surgir qualquer palavra que indique quem "somos nós" ou 
quem "sois vós". Nos demais casos, usa-se sempre 
conosco ou convosco. 
Ex. Ele disse que sairia com nós dois. 
O engenheiro foi ao canteiro de obras conosco. 
 
OBS.: Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s) 
funcionarem como sujeito, não devem ser aglutinados com a 
preposição de. 
Ex. No momento de ele discursar, faltou-lhe a palavra. 
 
Os pronomes oblíquos átonos podem exercer diversas 
funções sintáticas nas orações. São elas: 
 
- Objeto Direto - me, te, se, o, a, nos, vos, os, as. 
Ex. Quando encontrar seu material, traga-o até mim. 
Respeite-me, garoto. 
 
- Objeto Indireto - me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. 
Ex. Traga-me as apostilas 
Obedecemos-lhe cegamente. 
 
Adjunto adnominal - me, te, lhe, nos, vos, lhes, 
quando indicarem posse. 
Ex. Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a 
herança. (a herança dele) 
 
Complemento nominal - me, te, lhe, nos, vos, lhes, 
quando complementarem o sentido de adjetivos, advérbios 
ou substantivos abstratos. 
Ex. Tenha-me respeito. (respeito a mim) 
 
Sujeito acusativo - me, te, se, o, a, nos, vos, os, as, 
quando estiverem em um período composto formado pelos 
verbos fazer, mandar, ver, deixar, sentir ou ouvir e um 
verbo no infinitivo ou no gerúndio. 
Ex. Deixei-a entrar atrasada. 
Mandaram-me conversar com ele. 
 
Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os pronomes 
o, a, os, as se transformarão em no, na, nos, nas. 
Ex. Quando encontrarem o material, tragam-no até 
mim. 
Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas terminações 
serão retiradas, e os pronomes o, a, os, as mudarão para lo, 
la, los, las. 
Ex. Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-
las até mim. 
Se o verbo terminar em mos, seguido de nos ou de vos, 
retira-se a terminação -s. 
Ex. Encontramo-nos ontem à noite. 
Se o verbo for transitivo indireto terminado em s, seguido 
de lhe, lhes, não se retira a terminação s. 
Ex. Tu obedeces-lhe? 
 
Pronomes de Tratamento: Constituem um tipo de 
especial de pronome pessoal. Os pronomes de tratamento, 
embora se refiram a 2ª pessoa gramatical, fazem 
concordância em 3ª pessoa. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 12
12
Pronomes 
de tratamento 
Abreviatura Usados para: 
Você V. 
Tratamento íntimo, 
familiar, informal. 
Senhor, 
Senhora 
Sr., Sr.ª 
Tratamento mais 
respeitoso, cerimonioso. 
Vossa 
Senhoria 
V. S.ª 
Textos escritos, como: 
correspondências, 
ofícios, cartas comerciais, 
requerimentos, etc. 
Vossa 
Excelência 
V. Ex.ª 
Altas autoridades, 
como: Presidente da 
República, Senadores, 
Embaixadores, 
Ministros de Estado, Juízes.
Vossa Eminência V. Em.ª Cardeais. 
Vossa Alteza V. A. Príncipes e duques. 
Vossa Santidade V.S. Papa. 
Vossa 
Reverendíssima 
V. Rev.mª 
Sacerdotes e Religiosos 
em geral. 
Vossa 
Paternidade 
V. P. 
Superiores de Ordens 
Religiosas. 
Vossa 
Magnificência 
V. Mag.ª 
Reitores de 
Universidades 
Vossa Majestade V. M. Reis e Rainhas. 
 
1. Ao se dirigir respeitosamente a uma autoridade, você 
usa o "Vossa". 
Ex. Vossa Excelência foi muito útil na resolução do 
problema. 
2. Ao se dirigir a outra pessoa, referindo-se àquela 
mesma autoridade, você usa o "Sua". 
Ex. Sua Excelência, o deputado José, foi muito útil na 
resolução do problema. 
3. Ao usar o pronome de tratamento como vocativo (para 
chamar, avisar, interpelar), dispensa-se o pronome 
possessivo (Vossa, Sua). 
Ex. Cuidado, Excelência. 
Perdão, Alteza! 
 
COLOCAÇÃO PRONOMINAL 
 
Como já mencionado anteriormente, o pronome oblíquo 
átono sempre se apoia no verbo, em relação ao qual pode 
ocupar três posições: próclise (antes do verbo), ênclise 
(depois do verbo) e mesóclise (no meio do verbo). Veremos 
a seguir as regras de colocação pronominal. 
 
1) Próclise: Ocorre próclise sempre que antes do verbo 
aparecer uma palavra atrativa, ou seja, um vocábulo que 
atraia o pronome para perto de si. São as seguintes as 
palavras atrativas: 
 
Palavras de sentido negativo 
Ex. Ninguém te fere sem tua permissão. 
 
Advérbios 
Ex. Aqui se faz, aqui se paga. 
 
Conjunções subordinativas 
Ex. Escrevi a frase, conforme me lembrava. 
 
Pronomes indefinidos 
Ex. Algo lhe perturba profundamente. 
 
Pronomes relativos 
Ex. Este é o rapaz que o convidou. 
 
Pronomes demonstrativos 
Ex. Isso nos convém no momento. 
 
Também ocorre próclise nas orações exclamativas (Ex. 
Quantas injúrias se cometeram naquele dia!), optativas (Ex. 
Deus te proteja.) e interrogativas (Ex. Quem lhe contou essa 
história?). 
A próclise será de rigor, ainda, em frases com 
preposição + verbo no infinitivo flexionado (Ex. Ao nos 
posicionarmos a favor dela, ganhamos alguns desafetos.) 
 
2) Ênclise: Ocorre ênclise nos seguintes casos: 
Quando o verbo iniciar a oração. 
Ex. Arrependi-me do que fiz a você. 
 
Com o verbo no imperativo afirmativo. 
Ex. Pecadores, arrependei-vos! 
 
Com o verbo no infinitivo impessoal. 
Ex. É preciso queixar-se menos e agradecer mais. 
Com o verbo no gerúndio. 
Ex. Leia poesia, estudando-se Literatura. 
 
OBS.: Se antes do verbo no gerúndio, houver a 
preposição em, ocorrerá próclise. Ex. Em se tratando de 
gastronomia, a Itália é perfeita.) 
 
Casos facultativos: Se antes do verbo houver pronome 
pessoal reto ou substantivo, admite-se tanto próclise quanto 
ênclise. 
Ex. Eu te amo ou Eu amo-te 
Os alunos se foram ou Os alunos foram-se. 
 
3) Mesóclise: Só ocorre mesóclise se o verbo estiver em 
um dos tempos verbais abaixo: 
 
Futuro do Presente 
Ex. Oferecer-lhe-á um buquê de flores. 
 
Futuro do Pretérito 
Ex. Queixar-me-ia de você todos os dias. 
 
OBS.: Verbos no Futuro do Presente e no Futuro do 
Pretérito jamais admitem ênclise. Mas se o verbo conjugado 
nesses tempos não estiver no início da frase, tanto 
poderemos usar próclise, quanto mesóclise. 
Ex. Eu me queixareide você ou Eu queixar-me-ei de 
você. Os alunos se esforçarão ou Os alunos esforçar-se-ão. 
 
COLOCAÇÃO PRONOMINAL 
NAS LOCUÇÕES VERBAIS 
 
01) Auxiliar + Infinitivo ou Gerúndio: Quando o verbo 
principal da locução verbal estiver no infinitivo ou no 
gerúndio, há duas colocações pronominais possíveis: 
Em relação ao verbo auxiliar, seguem-se as mesmas 
regras dos tempos simples, ou seja, próclise, em qualquer 
circunstância (menos em início de frase); mesóclise, com 
verbo no futuro; e ênclise, sem atração, nem futuro. 
Em relação ao verbo principal, deve-se colocar o 
pronome depois do verbo (ênclise). 
Ex. Eles se vão esforçar mais. Eles não se vão esforçar 
mais. Eles se irão esforçar mais. Eles vão-se esforçar mais. 
Eles ir-se-ão esforçar mais. Eles vão esforçar-se mais. Eles não 
vão esforçar-se mais. Eles irão esforçar-se mais. 
02) Auxiliar + Particípio: Quando o verbo principal da 
locução verbal estiver no particípio, o pronome oblíquo átono 
só poderá ser colocado junto do verbo auxiliar, nunca após o 
verbo principal. 
Ex. Eles se têm esforçado. Eles não se têm esforçado. 
Eles se terão esforçado. Eles têm-se esforçado. Eles ter-se-
ão esforçado. 
 
PRONOMES POSSESSIVOS 
 
São aqueles que indicam posse, em relação às três 
pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), teu(s), 
tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), 
vossa(s). 
 
Empregos dos pronomes possessivos 
 
01) O emprego dos possessivos de terceira pessoa 
seu(s), sua(s) pode dar duplo sentido à frase (ambiguidade). 
Ex. Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus 
documentos. 
Nesse caso, para evitar a ambiguidade, basta substituir o 
possessivo por dele ou dela. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 13
13
02) É facultativo o uso de artigo diante dos possessivos. 
Ex. Trate bem seus amigos. 
Trate bem os seus amigos. 
 
03) Não se devem usar pronomes possessivos diante de 
partes do próprio corpo. 
Ex. Vou lavar as mãos. (e não “minhas mãos”) 
Cuidado para não machucar os pés! 
 
OBS.: Não confunda a abreviação coloquial do pronome 
de tratamento senhor (“seu”), com o pronome possessivo de 
3ª pessoa. Ex. Seu João, como vai a família? 
v 
04) Os possessivos de 3ª pessoa também podem ser 
usados para indicar aproximação numérica, em vez de 
posse. 
Ex. A secretária devia ter seus 20 anos. (= 
aproximadamente 20 anos) 
 
PRONOMES DEMONSTRATIVOS 
 
São aqueles que situam os seres no tempo e no espaço, 
em relação às pessoas do discurso. 
 
01) Este(s), esta(s), isto: São usados para o que está 
próximo da 1ª pessoa e para o tempo presente. 
Ex. Este chapéu que estou usando é de couro. 
Este ano está sendo surpreendente. 
 
02) Esse(s), essa(s), isso: São usados para o que está 
próximo da 2ª pessoa e para o tempo passado recente. 
Ex. Esse chapéu que você está usando é de couro? 
Em novembro de 2009, inauguramos a loja. Até esse 
ano, nada sabíamos sobre comércio. 
 
03) Aquele(s), aquela(s), aquilo: São usados para o 
que está distante do falante e do ouvinte e para o tempo 
passado distante. 
Ex. Aquele chapéu que ele está usando é de couro? 
Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Londrina era 
uma cidade pequena. 
 
Outros usos dos demonstrativos 
01) Em uma citação oral ou escrita, usa-se este, esta, 
isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, e esse, essa, 
isso para o que já foi dito ou escrito. 
Ex. Esta é a verdade: existe a violência, porque a 
sociedade a permitiu. 
Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. A 
verdade é essa. 
 
02) Usa-se este, esta, isto em referência a um termo 
imediatamente anterior. 
Ex. O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser 
preservada. 
v 
03) Para estabelecer-se a distinção entre dois elementos 
anteriormente citados, usa-se este, esta, isto em relação ao 
que foi mencionado por último e aquele, aquela, aquilo, em 
relação ao que foi nomeado em primeiro lugar. 
Ex. Sabemos que a relação entre o Brasil e os Estados 
Unidos é de domínio destes sobre aquele. 
 
04) O, a, os, as são pronomes demonstrativos, quando 
equivalem a isto, isso, aquilo ou aquele(s), aquela(s). 
Ex. Não concordo com o que ele falou. (aquilo que ele 
falou) 
 
05) Os pronomes demonstrativos podem aparecer 
combinados com preposições. 
Ex. deste (de+este), nessa (em+essa), àquilo 
(a+aquilo). 
 
06) Os pronomes este, esse e aquele (e suas variações), 
quando contraídos com a preposição de, pospostos a 
substantivos, são usados apenas no plural. 
Ex. Com um frio desses não sairei de casa. 
 
07) As expressões por isso, além disso, não obedecem 
às regras convencionais; sua forma é fixa. 
 
PRONOMES INDEFINIDOS 
 
São aqueles que se referem à terceira pessoa do 
discurso de uma maneira vaga, imprecisa, genérica. São 
eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem, 
algum, alguns, alguma(s), nenhum, nenhuns, 
nenhuma(s), outro(s), outra(s), todo(s), toda(s), 
muito(s), muita(s), bastante(s), pouco(s), pouca(s), 
certo(s), certa(s), tanto(s), tanta(s), quanto(s), 
quanta(s), um, uns, uma(s), qualquer, quaisquer, além 
das locuções pronominais indefinidas cada um, cada 
qual, quem quer que, todo aquele que. 
 
Emprego dos Pronomes Indefinidos 
Algum: Adquire sentido negativo, quando estiver depois 
do substantivo. 
Ex. Amigo algum o ajudou. (Nenhum amigo) 
Algum amigo o ajudará. (Alguém) 
 
Cada: Não deve ser utilizado desacompanhado de 
substantivo ou numeral. 
Ex. As blusas custam dez reais cada uma (e não “dez 
reais cada”) 
 
Certo: Será pronome indefinido, quando anteceder 
substantivo e será adjetivo, quando estiver posposto a 
substantivo. 
Ex. Certas pessoas não se preocupam com os demais. 
As pessoas certas sempre nos ajudam. 
 
Qualquer: Não deve ser usado em sentido negativo. Em 
seu lugar, deve-se usar algum, posteriormente ao 
substantivo, ou nenhum. 
Ex. Ele entrou na festa sem qualquer problema. (frase 
inadequada gramaticalmente). 
 
Muito, pouco, bastante: Serão pronomes indefinidos, 
quando estiverem referindo-se a substantivo; caso 
modifiquem palavra que não seja substantivo, serão 
advérbios. 
Ex. Janice comprou muitas flores. (pron. indefinido) / 
Janice trabalha muito. (advérbio) 
 
Todo, toda: Usados com artigo, dão ideia de totalidade; 
usados sem artigo, significam qualquer, todos. 
Ex. Fiquei em cada todo o dia. (o dia inteiro) 
Todo dia telefono para ela. (todos os dias) 
 
 
OBS.: Se o pronome todo(a) estiver no plural, o emprego 
do artigo é obrigatório. Ex. Todos os cidadãos têm direito à 
liberdade. (e não “todos cidadãos”) 
 
PRONOMES INTERROGATIVOS 
 
São os pronomes que, quem, qual e quanto usados em 
frases interrogativas diretas ou indiretas. 
Ex. Que farei agora? - Interrogativa direta. 
Quanto te devo, meu amigo? - Interrogativa direta. 
Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. - 
Interrogativa indireta. 
 
01) Na expressão interrogativa Que é de? subentende-
se a palavra feito: Que é de José? (= Que é feito de José?) 
 
02) Não se deve usar a forma o que como pronome 
interrogativo; usa-se apenas que, a não ser que o pronome 
seja colocado depois do verbo. 
Ex. Que você faz? (e não “O que você faz?”) 
Você fará o quê? 
 
OBS.: Conforme alguns gramáticos, os advérbios 
interrrogativos onde, quando e como podem ser classificados 
como pronomes interrogativos adverbiais. 
Ex. Onde você mora? (pron. int. lugar) Quando você 
terá férias? (pron. int. tempo) Como ele fez isso? (pron. int. 
modo) 
 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 14
14
PRONOMES RELATIVOS 
 
São pronomes que substituem um termo da oração 
anterior, estabelecendo relação entre duas orações. São 
eles: que, quem, o qual (e flexões), cujo (e flexões), onde, 
quanto (e flexões). 
Ex. Não conhecemos o aluno. O aluno saiu. = Não 
conhecemos o aluno que saiu. 
 
Como sepode perceber, o que, na frase acima, está 
substituindo o termo aluno e está relacionando a segunda 
oração com a primeira. 
 
Emprego dos pronomes relativos 
1. Os pronomes relativos virão precedidos de preposição 
se a regência assim determinar. 
 
 Prep. Pron. 
Termo regente 
(que exige a preposição) 
Havia condições a que 
nos opúnhamos. 
(opor-se a) 
Havia condições com que 
não concordávamos. 
(concordar com) 
Havia condições de que 
desconfiávamos. 
(desconfiar de) 
Havia condições - que nos prejudicavam. 
Havia condições em que 
insistíamos. 
(insistir em) 
 
2. O pronome relativo quem só pode fazer referência a 
pessoa. 
Ex. Não conheço a médica de quem você falou. 
 
3. Quando o relativo quem aparecer sem antecedente 
explícito, é classificado como pronome relativo indefinido. 
Ex. Quem atravessou, foi multado. 
 
4. Quando possuir antecedente, o pronome relativo 
quem sempre virá precedido de preposição, mesmo que o 
verbo não exija. 
Ex. João era o filho a quem ele amava. 
 
5. O pronome relativo que é chamado de relativo 
universal, pois pode ser empregado com referência a 
pessoas, lugares ou coisas. 
Ex. Conheço bem a moça que saiu. 
Não gostei do vestido que comprei. 
 
6. O pronome relativo que pode ter por antecedente o 
demonstrativo o (a, os, as). 
Ex. Sei o que digo. (o pronome o equivale a aquilo) 
 
7. Quando precedido de preposição monossilábica, 
emprega-se o pronome relativo que. Com preposições de 
mais de uma sílaba, usa-se o relativo o qual (e flexões). 
Ex. Aquele é o machado com que trabalho. 
Aquele é o empresário para o qual trabalho. 
Exceções: As preposições sem e sob. Com elas, usa-se 
de preferência o qual (e flexões). 
 
8. O pronome relativo cujo (e flexões) é relativo 
possessivo e equivale a do qual, de que, de quem. 
Concorda em gênero e número com a coisa possuída. 
Ex. Cortaram as árvores cujos troncos estavam 
podres. 
 
9. O pronome relativo quanto, quantos e quantas são 
pronomes relativos quando seguem os pronomes indefinidos 
tudo, todos ou todas. 
Ex. Ele recolheu tudo quanto viu. 
 
10. O relativo onde só deve ser usado para indicar lugar. 
Ex. Esta é a terra onde habito. 
 
a) onde é empregado com verbos que não dão ideia de 
movimento. Pode ser usado sem antecedente. 
Ex. Nunca mais morei na cidade onde nasci. 
 
b) aonde é empregado com verbos que dão ideia de 
movimento e é resultado da combinação da preposição a + 
onde. 
Ex. As crianças não sabiam aonde ir. 
 
Função sintática dos pronomes relativos 
Para descobrir qual a função sintática exercida pelo 
pronome relativo na oração, basta substituí-lo por seu 
antecedente; a função exercida pelo antecedente será a 
mesma do pronome relativo. 
Ex.: Maria é a mulher de quem João gosta. 
(antecedente do pron. rel.: a mulher. – Fazendo a 
substituição: João gosta da mulher – da mulher = objeto 
indireto – função do pron. quem = obj. ind.) 
 
Bethânia era o bairro onde ele trabalhava. (antecedente 
do pron. rel.: o bairro – Fazendo a substituição: Ele 
trabalhava no bairro - no bairro = adj. adv. lugar – função do 
pron. onde = adj. adv.) 
 
NUMERAL 
 
É a palavra que indica a quantidade de elementos ou 
sua ordem de sucessão. Dependendo do que o numeral 
indica, ele pode ser: 
 
- Cardinal: É o numeral que indica a quantidade de 
seres. 
Ex. três, dez 
 
- Ordinal: É o numeral que indica ordem de sucessão, a 
posição ocupada por um ser numa determinada série. 
Ex. terceiro, décimo 
 
- Multiplicativo: É o numeral que indica a multiplicação 
de seres. 
Ex. triplo, décuplo 
 
- Fracionário: É o numeral que indica divisão, fração. 
Ex. meio, um quinto 
 
- Coletivo: É o numeral que indica uma quantidade 
específica de um conjunto de seres. 
Ex. par, dezena, dúzia, cento, milheiro, milhar 
 
 
Emprego dos Numerais 
 
01) Intercala-se a conjunção e entre as centenas e as 
dezenas e entre as dezenas e as unidades. 
Ex. 562.983.665 = Quinhentos e sessenta e dois milhões 
novecentos e oitenta e três mil seiscentos e sessenta e 
cinco. 
 
02) Na designação de séculos, reis, papas, príncipes, 
imperadores, capítulos, festas, feiras, etc., utilizam-se 
algarismos romanos. 
A leitura será por ordinal até X; a partir daí (XI, XII ...), 
por cardinal. Se o numeral preceder o substantivo, sempre 
será lido como ordinal. 
Ex. II Bienal Cultural = Segunda Bienal Cultural. 
Papa João Paulo II = Papa João Paulo segundo. 
Papa João XXIII = Papa João vinte e três. 
 
03) Na designação dos artigos de leis, decretos e 
portarias, utiliza-se o ordinal até o nono e o cardinal de dez 
em diante. 
Ex. Artigo 7º (sétimo); Artigo 21 (vinte e um). 
 
VERBO 
 
 
Verbo é a palavra que indica ação, praticada ou sofrida 
pelo sujeito; fato, de que o sujeito participa ativamente; 
estado ou qualidade do sujeito; ou fenômeno da natureza. 
 
Classificação dos verbos 
Os verbos classificam-se em: 
 
01) Verbos Regulares: são aqueles que não sofrem 
alterações no radical. 
Ex. trabalhar, trabalhei, trabalhou, trabalhava, 
trabalhamos. 
 - LÍNGUA PORTUGUESA - 
 
 15
15
02) Verbos Irregulares: são aqueles que sofrem 
pequenas alterações no radical. 
Ex. fazer, faço, fiz. 
trazer, trago, trouxera. 
 
03) Verbos Anômalos: são aqueles que apresentam 
radicais diferentes. 
Ex. ser, sou, é, fui, era, sois. 
ir, vou, fui, vamos, fostes. 
 
04) Verbos Defectivos: são aqueles que não 
apresentam conjugação completa. 
Ex. falir, reaver, precaver (não possuem as 1ª, 2ª e 3ª 
pessoas do presente do indicativo, nem o presente do 
subjuntivo inteiro). 
 
05) Verbos Abundantes: são aqueles que apresentam 
duas formas de mesmo valor. Geralmente a abundância 
ocorre no particípio. 
Ex. aceitado / aceito, entregado / entregue, limpado / 
limpo. 
 
OBS.: Os verbos abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, 
pôr, ver e vir só possuem o particípio irregular (que não é 
terminado em ado/ido): aberto, coberto, dito, escrito, feito, 
posto, visto, vindo. 
 
06) Verbos Pronominais: são aqueles que só se 
conjugam acompanhados de pronome oblíquo. 
Ex. queixar-se, arrepender-se, ajoelhar-se, suicidar-se, 
zangar-se. 
 
Locução Verbal _ Também chamada de conjugação 
perifrástica, a locução verbal é o conjunto formado por um 
verbo auxiliar mais um verbo principal. Nas locuções verbais 
é sempre o verbo auxiliar que flexiona, enquanto o verbo 
principal é apresentado no gerúndio ou no infinitivo. 
Ex. Estou lendo um ótimo romance. 
Amanhã deve chover. 
 
Conjugação verbal: Há três conjugações para os 
verbos da língua portuguesa: 
1ª conjugação: verbos terminados em -ar. 
Ex. amar, sonhar. 
2ª conjugação: verbos terminados em -er. 
Ex. viver, crescer. 
3ª conjugação: verbos terminados em -ir. 
Ex. sentir, sorrir. 
 
Formas Nominais do Verbo: São formas em que o 
verbo pode atuar como nome, ou seja, exercer funções 
sintáticas próprias de substantivo ou adjetivo. São três as 
formas nominais: 
 
1) Particípio: Expressa ações que já foram concluídas e 
pode ser empregado com ou sem verbo auxiliar. É marcado 
pelas terminações ado / ido. 
Ex. Terminada a festa, todos foram para casa. / 
Tínhamos falado pra ele ir à minha casa. 
OBS.: O particípio é a única forma nominal que flexiona 
em gênero e número, concordando com o substantivo a que 
se refere. 
Ex. copo quebrado / taças quebradas. 
 
 
2) Gerúndio: Expressa ações que ainda estão em 
andamento, ou simplesmente uma ação que está sendo feita 
no mesmo momento que outra, para dar assim a ideia de 
duração. É marcado pela terminação ndo. 
Ex. Chegando ao baile, a debutante se assustou. 
Ele estava voltando para casa, quando saímos. 
 
OBS.: Evite o “gerundismo”, vício de linguagem que 
consiste em utilizar o gerúndio de forma excessiva e artificial, 
para indicar ação futura. 
Ex. O atendente vai estar realizando uma pesquisa. 
 
3) Infinitivo: Expressa um ação sem situá-la

Mais conteúdos dessa disciplina