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Pensamento Científico - Conteúdo Web 1

Videoaula (Aula 1) sobre formas de conhecimento: definição e distinção entre senso comum, religioso e filosófico; questões existenciais como estudo de caso; influência histórico-social na construção do saber; exemplos: voto feminino e uso de ervas medicinais.

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A CONSTRUÇÃO DO
CONHECIMENTO
CIENTÍFICO
Aula 1
AS DIFERENTES FORMAS DE
CONHECIMENTO
As diferentes formas de conhecimento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você já refletiu sobre o que é o conhecimento? Por que e como sabemos o
que sabemos? O que é possível conhecer? De acordo com o Dicionário
Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis (2023), o conhecimento pode ser
definido como o ato ou efeito de perceber/compreender por meio da razão
e/ou da experimentação. E o que isso quer dizer? Quer dizer que tudo o que
conhecemos é produto do nosso processo cognitivo (razão) ou vem daquilo
que vivenciamos (experimentação). Assim, entendemos que o ato de
conhecer é uma construção que se dá ao longo de nossas vidas.
Se o conhecimento é uma construção, ele se dá de diferentes maneiras e
podemos identificar diferentes tipos de construções. Vamos elencar três
delas: o senso comum (também chamado de conhecimento
empírico/popular/vulgar), o conhecimento religioso e o conhecimento
filosófico. A partir disso, vamos refletir sobre a seguinte situação: Em uma
sala de aula, três estudantes são desafiados pelo professor de Filosofia a
responderem a três questões, que são recorrentes ao longo da história:
1. De onde viemos?
2. Para onde vamos após a morte?
3. Por que estamos aqui?
Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adota uma postura diferente em
relação às respostas. Lucas vê o mundo a partir do conhecimento religioso;
Saulo interpreta as questões a partir do filosófico e, por fim, o último, Daniel,
por meio do senso comum.
E você, como responderia tais questionamentos? Ao decorrer da aula você
será capaz não apenas de entender como se dá a construção dos diversos
tipos de conhecimentos, mas também de identificá-los a partir de suas
particularidades. Bons estudos!
Vamos Começar!
De onde vem o nosso conhecimento? Esse é um questionamento que
muitas vezes não nos fazemos, mas é importante para compreendermos as
diferentes formas de interpretação dos fenômenos que nos cercam.
Segundo Aranha e Martins (2003), ao falar sobre conhecimento, podemos
fazer alusão ao ato de conhecer ou a aquilo que é produto do
conhecimento. O ato de conhecer é pertinente à relação que se dá entre a
consciência (aquele que busca conhecer) e o objeto (aquilo que vai ser
conhecido). Por sua vez, o produto do conhecimento é resultado do ato de
conhecer, sendo entendido como a soma dos saberes acumulados e
recebidos. Esses saberes sofrem influências sociais, culturais, econômicas,
políticas e históricas na sua constituição.
O ser humano é, por natureza, curioso e investigativo; sentimos a
necessidade de conhecer. Esse conhecimento é algo dinâmico, ou seja, está
em constante movimento e em constante transformação. A partir disso, é
possível compreender que o conhecimento vem sendo construído ao longo
da história, a partir de diferentes perspectivas, variando e se transformando
de acordo com o tempo histórico e com as diferentes regiões do planeta.
Isso quer dizer que a interpretação dos fatos e fenômenos que nos cercam
também se transformam à medida que a sociedade se transforma.
Basta percebermos que muitos valores, regras, visões econômicas, sociais,
políticas e culturais vigentes no nosso país na década de 1930, por
exemplo, não são os mesmos que nos guiam na atualidade. Para
compreendermos melhor, vamos pensar no direito ao voto, que para as
mulheres se concretizou apenas em 1932 de maneira facultativa. Nas
eleições de 1933, as mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira
vez, mas foi somente no ano de 1965 que o voto feminino foi equiparado ao
voto dos homens, se transformando em um dever social (Tosi, 2023).
Atualmente os partidos políticos têm inclusive cotas mínimas que devem
ser reservadas para a candidatura de mulheres em cada pleito eleitoral.
Essa reflexão é importante, pois nos ajuda a compreender como as
transformações na sociedade influenciam a nossa visão de mundo, a nossa
interpretação da realidade e a maneira como construímos o nosso
conhecimento a respeito das mais diversas questões, sejam elas sociais,
culturais, econômicas, políticas, etc. Esse processo, como já vimos, é
dinâmico, o que implica dizer que esse conhecimento está em constante
transformação. Existem diferentes formas de interpretarmos a realidade
que nos cerca, de chegarmos às respostas daquilo que nos inquieta. Desse
modo, podemos classificar o conhecimento em diferentes tipos, a depender
do tipo de resposta que damos a um determinado questionamento.
Siga em Frente...
Senso comum
Há quanto tempo os indivíduos usam ervas medicinais no tratamento de
doenças? Há muitos séculos. Você provavelmente já ouviu sobre como o
chá de boldo ajuda a melhorar a ressaca ou que, para melhorar o sono, chá
de camomila é “tiro e queda”. E que o açúcar cristal pode ser utilizado na
cicatrização de ferimentos, você sabia? Essas soluções, que parecem
simples e naturais, fazem parte da construção dos saberes de determinado
grupo; compõem a sua cultura, são transmitidas geração após geração, na
maioria das vezes sem questionamento. É o que chamamos de sabedoria
popular, conhecimento empírico ou senso comum.
Atualmente, há pesquisas científicas que indicam a eficácia bactericida e
cicatrizante do açúcar cristal; outras mostram como o boldo tem efeito
sobre a vesícula biliar e aumenta as secreções gástricas; encontram-se,
ainda, estudos que revelam as funções calmante, relaxante e ansiolítica
presentes nos compostos da camomila. Mas as questões citadas
anteriormente são de cunho científico e não fazem parte da construção do
senso comum. Na maioria das vezes, as pessoas apenas conhecem os
benefícios do uso das plantas, por exemplo, algo que é fundamentado na
percepção sensorial e na tradição, limitando-se a informações sobre o seu
uso (Köche, 2011).
Aranha e Martins (2003, p. 60) definem o senso comum como o
“conhecimento adquirido por tradição, herdado dos antepassados e ao qual
acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que
pertencemos”. É, portanto, um conhecimento adquirido por meio de
vivências construídas no dia a dia e que se dá pela relação e interação
contínua com o meio ambiente e/ou meio social em que estamos inseridos.
Assim, é um corpo de ideias e valores por meio das quais interpretamos a
realidade e buscamos as respostas para os nossos questionamentos e para
as nossas ações.
O senso comum é um conhecimento que não requer nenhum tipo de
exercício crítico, pois está ligado às vivências pessoais e ao interesse
prático; também não envolve nenhum tipo de verificação experimental para
tomar algo como verdade. Ele é considerado como passivo, ingênuo e
dotado de subjetividade, pois contenta-se com explicações superficiais e
imediatas; mistura-se com crenças e preconceitos; muitas vezes é
permeado por incoerências e se mostra resistente a mudanças. A revisão e
a crítica dos princípios que norteiam o senso comum, segundo Bunge
(1969, p. 20), ocorrem apenas quando “evidências espontâneas
proporcionam uma correção da interpretação anterior”.
Mas, atenção! Mesmo sendo consolidado como convicção, cultura ou
tradição, precisamos nos atentar para as características negativas desse
conhecimento, como a produção de sentenças, injustiças e opiniões
preconceituosas que são produzidas pelo senso comum e ganham espaço
na sociedade. Questões ligadas à xenofobia, ao racismo, à misoginia, à
homofobia, etc., estão assentadas em crenças infundadas e retrógradas
que contribuem para a perpetuação do ódio e da exclusão ao diferente
(Gallo, 2016).
Conhecimento religioso
Se você professa alguma fé, é possível que você já tenha ouvido dizer que a
fé é um mistério, é uma dádiva. Nosso intuito aqui é refletir sobre como
esse conhecimento se constrói, e não sobre uma crença especificamente.feita em laboratórios, pelas ciências
exatas e naturais. As ciências humanas também precisam ser incluídas
nesse campo científico, pois também produzem um conhecimento
sistematizado e confiável, pautado em elementos que buscam a verdade
para o entendimento dos fatos e fenômenos. Elas se consolidaram a partir
da evolução do modo de produção capitalista, a partir da racionalização dos
campos social, político, econômico e cultural da vida humana.
Em um primeiro momento, as ciências humanas tomaram como base as
ciências naturais para o desenvolvimento das suas perspectivas teóricas,
entendendo que era possível analisar os fatos e fenômenos sociais com a
mesma objetividade e distanciamento com que são analisadas as questões
naturais. Com o desenvolvimento das teorias e a transformação da
sociedade, surgiram outras teorias que contestaram esse olhar, entendendo
que não era possível analisar com tanta objetividade e distanciamento os
fenômenos sociais que apresentam características tão subjetivas e
particulares, e que muitas vezes não são passíveis de previsibilidade no seu
processo de experimentação.
Assim, essas questões são fundamentais para que se compreenda a
estruturação do pensamento moderno e contemporâneo, para que se
compreenda a maneira como a sociedade se estruturou ao longo dos anos
e quais foram as influências, as visões de mundo que atuaram nessas
transformações. Essas questões estão presentes também na nossa
atualidade e são importantes para a compreensão e análise de aspectos
que permeiam a nossa realidade.
É Hora de Praticar!
O conflito entre Israel e Palestina não é algo novo nem recente; ele existe há
muito tempo e tem nuances políticas, históricas, sociais, religiosas. Olhando
Reflita
A partir disso, reflita sobre os seguintes questionamentos:
A racionalização pela qual o mundo moderno passou e que ainda hoje
vivemos de fato é utilizada para a transformação da sociedade a partir de
uma perspectiva positiva ou o desenvolvimento da ciência também pode
ser usado de uma forma que pode ser considerado destrutivo/prejudicial?
Os diferentes tipos de conhecimento (senso comum, conhecimento
religioso, conhecimento filosófico e conhecimento científico) se
relacionam de alguma forma ou eles se estruturam e se desenvolvem de
maneira independente?
de uma perspectiva histórica, é possível entender que esse conflito
começou na década de 1940, quando o Reino Unido criou um “lar nacional”
para os judeus na região da Palestina (entre o rio Jordão e o Mar
Mediterrâneo) após a Segunda Guerra Mundial. Tal situação desagradou os
muçulmanos e, desde então, nunca houve um acordo de paz.
A tensão entre esses dois povos vem se intensificando ao longo dos anos e
parece estar longe de ser resolvido. Para compreender melhor as questões
que estão envolvidas nesse confronto, leia o texto: “O conflito entre Israel e
Palestina”, de Taís Lima Vieira, Paulo da Silva Cardoso e Laura de Almeida
Schefer.
Após a leitura do artigo, responda aos seguintes questionamentos:
De que forma o conflito entre judeus e muçulmanos pode ser
interpretado por meio do conhecimento religioso?
De que maneira o conhecimento científico nos auxilia a compreender
as questões envolvidas no confronto?
Bons estudos!
Reflita
Que tal voltar no conteúdo estudado e retomar os pontos principais que
podem ajudá-lo a responder os questionamentos levantados? Este é um
momento em que você poderá exercitar o que aprendeu!
Resolução do estudo de caso
As diferentes questões que envolvem o nosso cotidiano podem ser
interpretadas por diferentes visões de mundo, a partir de diferentes
conhecimentos. Isso serve para inúmeras situações com que nos
deparamos. As diferentes formas de conhecer nos auxiliam no nosso
cotidiano; em uma conversa informal; no nosso trabalho, no qual
precisamos estar informados e atentos; ou quando professamos alguma fé,
momento em que seguimos determinada doutrina.
Ao interpretar o conflito entre judeus e muçulmanos pela ótica religiosa, é
necessário compreender que os judeus enxergam a região como a Terra
Prometida, conforme descrito no Antigo Testamento. Assim, esse povo tem
um sentimento de pertença ligado àquela região. Por outro lado, o território
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
também é considerado sagrado pelos muçulmanos, que ocuparam a
Palestina (o território foi renomeado pelo Império Romano ainda na
Antiguidade) por volta do século VII d. C. e lá permaneceram até a
dominação turca no século XIV.
Por outro lado, olhando de uma perspectiva social, econômica e política,
existem outros fatores que estão ligados a essa disputa territorial, que vem
desde a Primeira Guerra Mundial, quando os britânicos assumiram o
controle do local. Após a Segunda Guerra Mundial e depois do Holocausto,
aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu. O plano
original previa a partilha do território controlado pelos britânicos entre
judeus e palestinos.
A disputa é por território e soberania. Israel reivindica a soberania sobre
Israel inteira, e afirma, após ocupar Jerusalém Oriental, que a cidade é sua
capital “eterna e indivisível”. Os palestinos querem Jerusalém Oriental como
sua capital. Existem assentamentos ilegais no território palestino e
refugiados palestinos em território israelense. Existem também interesses
militares envolvidos nos conflitos.
Para se aprofundar no assunto, você pode ouvir o episódio: Israel X
Palestina: a história do conflito, do podcast O Assunto, publicado no dia 13
de outubro de 2023.
Dê o play!
Assimile
Vamos olhar para uma linha do tempo pensando na transformação da
sociedade da Idade Média para a Idade Moderna e a construção do
conhecimento nesse período.
Fonte: elaborada pela autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
VIEIRA, Tais Lima; CARDOSO, Paulo da Silva; SCHEFER, Laura de Almeida. O
conflito entre Israel e Palestina. Revista Vianna Sapiens, Juiz de Fora, v. 9, n.
2, p. 334-357, 21 dez. 2018. Disponível em:
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305. Acesso
em: 19 out. 2023.
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305Dessa forma, o conhecimento religioso (ou teológico) pode se enriquecer do
conhecimento empírico, especialmente das tradições culturais e religiosas
cultivadas ao longo do tempo. Por exemplo, na preservação dos mitos
gregos de que os deuses reinavam nos céus, apropriada pelas religiões
politeístas.
A religião pode ser considerada uma forma de explicar a relação dos
indivíduos com a natureza, com os acontecimentos cotidianos e o sentido
da vida, ou seja, é uma visão de mundo que tem respostas próprias para as
questões que nos cercam. Assim, existe a crença de que tudo à nossa volta
acontece pela vontade de energias/entidades superiores/sobrenaturais
(Aranha; Martins, 2003). Podemos compreender então que a fé religiosa é a
responsável por sustentar o conhecimento religioso.  
É fato que existem diferentes crenças religiosas ao redor do mundo. Isto
posto, compreendemos que as diferentes crenças possuem os seus
próprios elementos, rituais, códigos de conduta que os regem; por exemplo:
o cristianismo, o judaísmo, as religiões de matriz africana, etc. Por outro
lado, o que elas têm em comum é que são centradas na fé, se baseiam em
verdades reveladas por Deus ou pelas divindades que cultuam. Por isso, as
religiões são consideradas dogmáticas, por se basearem em verdades,
fundamentos que não podem ser discutidos ou contestados (Gallo, 2016).
Esse tipo de conhecimento requer um elemento-chave para alcançá-lo, ao
menos da forma como defenderam diversos pensadores da Idade Média,
como Santo Agostinho, que é a iluminação religiosa como método para
conhecer a verdade ou a Deus. Assim, suas evidências não são verificadas,
não há preocupação com a racionalização e nem necessidade de
comprovação para que algo seja aceito como verdade, muitas vezes como
verdade absoluta. Por ser valorativo, o conhecimento religioso também
pode ser carregado de preconceitos e noções pré-estabelecidas sobre
diversas questões; por isso, devemos nos atentar a tais quesitos.
Conhecimento filosófico
“Só sei que nada sei!” Essa talvez seja a frase mais conhecida do filósofo
grego Sócrates, que viveu entre 470 e 399 a.C. Mas há quem diga que a
frase de Sócrates não foi exatamente essa, criando toda uma discussão a
respeito do assunto. Fato é que a frase nos leva a um dos pilares da
Filosofia: o pensamento crítico e reflexivo. Pensar de uma maneira crítica e
reflexiva nos permite interpretar a realidade em que estamos inseridos,
buscando por respostas que não estão prontas, que não se configuram
como verdades absolutas. Assim, permite-nos buscar possíveis relações de
causa e efeito entre os fenômenos e, a partir de escolhas mais racionais,
ressignificar a realidade em que estamos inseridos. Portanto, podemos
compreender que a Filosofia e o conhecimento filosófico se estruturam a
partir da razão (Aranha; Martins, 2003).
O conhecimento filosófico é amplo, abarcando diversos posicionamentos
ao longo da história da filosofia, especialmente o empírico e o racionalista.
Vamos nos aprofundar no empirismo e no racionalismo na próxima aula,
mas, basicamente, os filósofos empiristas entendiam que nossos
conhecimentos vinham da experiência, de tudo aquilo que vivemos. Já os
racionalistas defendiam que temos ideias inatas, nascemos com elas,
portanto, adquirimos conhecimento por meio da razão. Esse embate
epistemológico persistiu até a Idade Média e até mesmo atualmente. Há
diferentes olhares e diferentes interpretações a respeito de um mesmo
fenômeno (Gallo, 2016).
Assim como o senso comum e o conhecimento religioso, o conhecimento
filosófico se constituiu como uma visão de mundo a respeito de tudo o que
nos cerca, estando fundamentado na lógica, na argumentação, na
construção e na definição de conceitos. “Os conceitos não estão prontos e
acabados, mas estão sempre sendo criados e recriados, dependendo dos
problemas enfrentados a cada momento” (Gallo, 2016, p. 13). Desse modo,
a filosofia é de suma importância para nós, uma vez que nos auxilia na
compreensão da nossa existência, na reflexão sobre nossos valores e
posicionamentos frente às mais diversas situações.
Podemos entender que, em muitos momentos, a filosofia mantém com o
conhecimento religioso ou com o senso comum uma relação conflituosa,
uma vez que ela vai questionar as respostas prontas e as verdades
absolutas por eles apresentadas. Por outro lado, o conhecimento filosófico
apresenta maior afinidade com perspectivas mais abertas de
conhecimento, como o científico, por exemplo, em que o questionamento e
a correção são possíveis. Assim, é possível entender que o conhecimento
filosófico possui uma relação de absorção com o conhecimento científico,
contribuindo para o fornecimento de um tratamento conceitual adequado e
o levantamento de problemas sobre a realidade.
Vamos Exercitar?
Você se lembra dos três alunos que foram questionados pelo professor de
Filosofia sobre três pontos específicos? Agora que já compreendemos as
características do senso comum, do conhecimento religioso e do
conhecimento filosófico, é hora de pensar como esses alunos podem ter
respondido aos seguintes questionamentos:  
1. De onde viemos?
2. Para onde vamos após a morte?
3. Por que estamos aqui?
Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adotou uma postura diferente
em relação às respostas. Lucas, que vê o mundo a partir do conhecimento
religioso ligado ao cristianismo, atribuiu nossa origem à criação divina,
entendendo que o nosso maior propósito no mundo é servir a Deus;
também respondeu que, após a morte, vamos para o paraíso ou o inferno,
dependendo de como agimos durante nossas vidas. Saulo interpreta as
questões a partir do ponto de vista filosófico; assim, ele levantou outros
questionamentos, por exemplo, sobre os conceitos de morte e vida, o
conceito de origem e evolução, para refletir sobre as questões propostas.
Por fim, Daniel, por meio do senso comum, respondeu que depende do
contexto. Um indiano, provavelmente, responderia com base em suas
crenças culturais regionais, manifestando explicações de caráter hinduísta.
Nesse sentido, como foi explicado no texto, o conhecimento popular
absorve aspectos de outros conhecimentos que são incorporados
fortemente pela cultura.
Saiba Mais
1. Para conhecer mais sobre os diferentes tipos de conhecimento e a
relação de constituição entre eles, leia o artigo “Ciência, senso comum
e revoluções científicas: ressonâncias e paradoxos”, de Marivalde
Moacir Francelin.
FRANCELIN, Marivalde Moacir. Ciência, senso comum e revoluções
científicas: ressonâncias e paradoxos. Ciência da Informação, Brasília,
v. 33, n. 3, p. 26-34, dez. 2004.
2. Vamos falar de fé e respeito? Você sabia que o número de denúncias
de intolerância religiosa no Brasil aumentou 106% em apenas um ano?
Embora a liberdade religiosa seja assegurada pela Constituição, os
https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt#
https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt#
números apontam para a necessidade de uma mudança cultural; para
isso, é necessário muito diálogo. Como podemos trabalhar a favor da
liberdade religiosa?
Para se aprofundar nessas questões, ouça o episódio “Jesus e Exu:
Diálogos possíveis” do podcast Mamilos. Nesse episódio, há dois
convidados. Um deles é Claudia Alexandre, mestre e doutora em
Ciências da Religião; ela também é egbomi de Oxum e pesquisadora do
carnaval e das religiosidades de matriz africana. O outro é Leandro
Rodrigues, pastor e teólogo, presidente da Igreja Habitar, Líder do
Colegiado de Pastores e do Conselho Eclesiástico.
3. Saber mais a respeito do conhecimento filosófico é fundamental para
conseguirmos refletir a respeito de questões pertinentes ao nosso
cotidiano. Vamos adentrar nesse caminho lendo o capítulo a seguir, do
livro: Filosofia: Textos Fundamentais Comentados. Bons estudos!
BAKER, Ann. O que é filosofia? In: BONJOUR, Laurence; BAKER, Ann.
Filosofia: Textos fundamentais comentados. 2ª ed. PortoAlegre:
Artmed, 2010. cap. 1. p. 21-39.  
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BUNGE, Mario. La investigación científica. Barcelona: Colección Convivium,
Ariel, 1969.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2014.
GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo:
Scipione, 2016.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Científica: teoria da
ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2011.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo:
Melhoramentos, 2023. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536323633/pageid/18
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
TOSI, Marcela. Voto feminino: a história do voto das mulheres. 2023.
Disponível em: https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-
feminino/. Acesso em: 10 out. 2023.
Aula 2
A RACIONALIZAÇÃO DO
CONHECIMENTO NO MUNDO
MODERNO
A racionalização do conhecimento no
mundo moderno
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/
https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi um período marcado
por muitos conflitos e profundas transformações sociais. As Revoluções
Burguesas (Revolução Industrial e Revolução Francesa) e o Iluminismo
impulsionaram essas transformações, que nos influenciam até os dias
atuais. Mas você pode estar se perguntando: por que estamos falando
sobre as Revoluções Burguesas em uma disciplina de Pensamento
Científico? A resposta é simples: para compreendermos a constituição do
pensamento científico e as novas formas de interpretação da vida humana,
precisamos olhar para esse processo que ocasiona mudanças econômicas,
sociais, políticas e até mesmo culturais na sociedade ocidental. Assim,
vamos buscar responder aos seguintes questionamentos:
1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade
Média para a Idade Moderna?
2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição?
3. Como a maneira de interpretar o mundo se modificou?
Com o desenvolvimento da aula, você será capaz de entender a transição do
pensamento que vigorava na Idade Média para o pensamento Moderno, a
oposição entre o pensamento racionalista e o pensamento empirista e
como as Ciências Humanas foram ganhando espaço na sociedade e na
interpretação dos fenômenos. É hora de aprofundar nossos conhecimentos!
Bons estudos!
Vamos Começar!
A transição da Idade Média para a Idade Moderna marcou também a
mudança do modo de produção feudal para o capitalista. Foram diversos os
fatores que determinaram a queda do feudalismo e a ascensão do
capitalismo; vamos observar alguns deles no Quadro 1 a seguir:
Quadro 1 | Fatores determinantes na queda do feudalismo e ascensão do
capitalismo. Fonte: elaborado pela autora.
Esses são apenas alguns dos fatores envolvidos nesse movimento de
transição, e é importante lembrar que o processo foi gradual e aconteceu
em momentos diferentes nas diferentes regiões do planeta. Vamos olhar de
maneira mais específica para as Revoluções Burguesas, começando pela
Revolução Industrial (1760-1840), que teve início na Inglaterra. O sistema de
produção que era predominantemente agrário e artesanal passou para a
manufatura e a maquinaria, o que aumentou a eficácia da produção e
reduziu os custos. Consequentemente, surgiram grandes indústrias e o
trabalho em massa; o relógio é que passou a ditar o ritmo e o tempo do
QUEDA DO FEUDALISMO ASCENSÃO DO CAPITALISMO
Renascimento (séc. XIV – XVI):
movimento cultural que trouxe a
valorização da razão, da educação e a
busca do conhecimento.
Reforma protestante: contesta os
valores da Igreja Católica, que perde
poder.
Exploração do trabalho: múltiplos
impostos pagos pela população que
passava fome e sofria com as guerras e
mudanças climáticas.
Êxodo rural: as pessoas migraram dos
campos para as cidades buscando
melhores condições de vida.
 
Crescimento comercial e urbano:
expansão das rotas comerciais e
crescimento das cidades;
desenvolvimento de uma economia
monetária.
Surgimento do trabalho assalariado: no
sistema feudal, o trabalho era servil.
Surgimento e ascensão da burguesia:
pequenos comerciantes que foram
adquirindo poder econômico.
Revoluções Burguesas: Revolução
Industrial e Revolução Francesa.
Iluminismo.
 
trabalho. Assim, podemos entender que a Revolução Industrial modifica as
relações no modo de produção da sociedade (Giddens, 2005).
A queda da Bastilha em 14 de julho de 1789, uma fortaleza que era símbolo
da monarquia e do autoritarismo da época, marca o início da Revolução
Francesa. A população, insatisfeita com as condições sociais, econômicas
e com o regime monárquico, e impulsionada pela burguesia que detinha o
poder econômico, mas não o político, fez a Revolução. É importante
ressaltar que os ideais iluministas influenciaram de maneira decisiva o
movimento revolucionário. De maneira geral, a proposta era a
universalização dos direitos e liberdades individuais, e a abolição da
monarquia absolutista. Dessa forma, a Revolução Francesa modifica as
relações políticas e sociais que eram praticadas na sociedade (Fuini, 2022).
Nesse processo, a perspectiva iluminista é fundamental, com suas ideias
transformadoras do entendimento da sociedade. Na Idade Média, a Igreja
Católica exerceu forte influência no âmbito político, participando das
decisões; no âmbito econômico, recebendo parte dos impostos
arrecadados; e no âmbito social, determinando as regras de conduta moral.
Assim, a maneira de interpretar o mundo era teocêntrica, ou seja, Deus
estava no centro de todas as explicações e de todo o conhecimento
disponível e permitido na sociedade (Giddens, 2005).
O pensamento iluminista mudou essa maneira de entendimento,
valorizando a razão, o questionamento, a investigação e a experiência como
formas para obter conhecimento. Ocorreu então um deslocamento do
teocentrismo para o antropocentrismo, em que o ser humano se encontra
no centro das explicações e da busca pelo conhecimento. Os privilégios da
nobreza e do clero passaram a ser questionados, a Igreja Católica foi alvo
de profundas críticas pela maneira como se posicionava na sociedade e
houve a defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos
perante as leis. O século XVIII ficou conhecido como Século das Luzes
devido a tais mudanças (Gallo, 2016).
 
Siga em Frente...
Diferentes pensamentos na modernidade
Agora que já conhecemos a conjuntura em que se deu a transição da Idade
Média para a Idade Moderna, podemos avançar e compreender que, no
contexto de tais transformações. surgiram também diferentes olhares,
diferentes maneiras de interpretar o conhecimento. Além das revoluções de
cunho social, econômico e político, a sociedade passava também por uma
revolução científica, em que se buscavam novas formas de conhecer. Surge
então a questão do método para os diversos teóricos, que “centralizava as
atenções não apenas no conhecimento do ser (metafísica), mas sobretudo
no problema do conhecimento” (Aranha; Martins, 2003, p. 130).
Nesse sentido, vamos refletir a respeito dos teóricos racionalistas e
empiristas. Antes de nos aprofundarmos, precisamos compreender que o
intuito de todos eles era interpretar os fenômenos que os cercavam,
buscando compreender como adquirimos conhecimento e postulando
teorias para compreender a realidade.
O pensamento racionalista
O racionalismo é uma abordagem filosófica que enfatiza o papel da razão e
do pensamento lógico na aquisição de conhecimento.Os teóricos
racionalistas argumentam que existem verdades que podem ser conhecidas
independentemente da experiência sensorial. Assim, a origem do
conhecimento está na razão e no fato de termos ideias inatas, ou seja, que
já nascem com o ser humano. Sob essa ótica, os conhecimentos
matemáticos são certos, seguros, incontestáveis e não mudam; portanto,
podem servir de base para a solidez epistemológica (Aranha; Martins;
2003).
“Penso, logo existo!” Essa é a famosa máxima de René Descartes (1596-
1650), que é considerado o pai da filosofia moderna. Descartes buscou
encontrar respostas verdadeiras que não pudessem ser postas em dúvida,
por isso criou o método cartesiano. O autor conciliou um aspecto
importante para o desenvolvimento de suas obras e do seu método, o
chamado ceticismo metodológico. O ceticismo metodológico é a posição
que nos permite duvidar de certas conjecturas ou hipóteses que não foram
submetidas à prova. Essa posição é basicamente uma dúvida razoável,
nunca absoluta, na falta de boas evidências. Em resumo, essa é a posição
que norteia toda a atividade científica ainda hoje (Gallo, 2016).
Ao desenvolver um método que permita o acesso ao conhecimento
verdadeiro, Descartes cria quatro regras para o seu uso:
1. Só considerar verdadeiro aquilo que for claro, evidente e distinto por si.
2. Fazer uma análise minuciosa daquilo que nos causa dúvidas.
3. Síntese.
4. Revisão.
Assim, buscam-se encontrar as certezas, chegar à verdade. Descartes se
contrapõe aos empiristas, pois, na sua perspectiva, todos nós estamos
sujeitos, de algum modo e em algum momento, a sermos enganados pelos
sentidos. Conclui-se, então, que, se os sentidos nos enganarem uma única
vez que seja, já seria motivo suficiente para não fundamentar a verdade
sobre eles.
O pensamento empirista
O conhecimento empírico pressupõe que os fenômenos podem ser
conhecidos com base na observação e nas experiências sensíveis do
sujeito. Parte-se do entendimento de que aquilo que a experiência nos
mostra repetidas vezes nos dá a confiança de que continuará sempre se
repetindo; ou seja, os resultados colhidos serão sempre os mesmos. A
partir desse entendimento, uma demonstração de que não existem ideias
inatas, tampouco princípios morais inatos, se dá pela existência de uma
pluralidade significativa de culturas, costumes e valores diferentes.
John Locke (1632-1704) é considerado o fundador do empirismo moderno,
entendendo que o nosso conhecimento se dá por meio dos nossos
sentidos. Ele criticou a doutrina de que temos ideias inatas, pois, se fosse
assim, as crianças já as teriam. O seu entendimento é o de que possuímos
capacidades inatas como o raciocínio e a percepção, que são fundamentais
para a explicação da compreensão humana (Gallo, 2016).
Dessa forma, Locke entendia a mente humana como uma “tábula rasa”
(folha em branco) no nascimento, que vai sendo preenchida com o
conhecimento que é adquirido por meio da observação e das experiências
sensoriais de cada um. Ele se sentiu desafiado a descobrir o que podemos
conhecer e acabou concluindo que podemos conhecer aquilo que os
nossos sentidos nos permitem, pois, se algo nunca foi visto, nem ouvido,
nem cheirado, e assim por diante, esse algo não nos é, e nem poderá ser
conhecido (Aranha; Martins, 2003).
Ciências Naturais e Ciências Humanas
A partir do que estudamos até aqui, conseguimos perceber como a
modernidade trouxe um aspecto de racionalização para a vida humana. No
âmbito econômico, ela se materializou na consolidação do capitalismo nas
técnicas racionais de contabilidade e de administração, e na forma de
trabalho livre assalariado. No quesito político, houve a substituição da
autoridade centralizada medieval pelo Estado Moderno. A racionalização
cultural fundamentou o desencantamento do mundo, ou seja, o mundo
moderno só poderia ser entendido pela razão e pela ciência, sem necessitar
de mitos, temores e superstições (Giddens, 2005).
Foi nesse contexto que as Ciências Humanas emergiram, frutos desse
processo histórico, com o intuito de explicar e compreender essa nova
ordem social. As ideias de progresso, racionalismo e domínio do homem
sobre a natureza exerceram forte influência sobre a mentalidade da época.
O conhecimento científico também ganha corpo e se expande a partir da
evolução do modo de produção capitalista, já que não havia mais a
limitação imposta pela igreja em relação àquilo que era ou não permitido
conhecer.
Diante de tal cenário, as Ciências Naturais, que já estavam estabelecidas e
tinham prestígio e reconhecimento na sociedade, eram consideradas o
único meio possível para se chegar ao conhecimento, sendo seu método de
análise dos fatos e fenômenos o único válido, “devendo, portanto, ser
estendido a todos os campos da indagação e atividade humanas” (Aranha;
Martins, 2003, p. 140). De maneira geral, é possível admitir que as Ciências
Naturais se concentram em observações pertinentes ao mundo físico e
natural, se apoiando em experimentos controlados e observações
quantitativas.
As Ciências Humanas, ao emergirem no século XIX, precisavam ganhar
espaço e prestígio, mostrando que também poderiam produzir
conhecimentos confiáveis assim como os produzidos pelas Ciências da
Natureza. As humanidades centram seus estudos na sociedade, na cultura,
no comportamento humano, na linguagem, na história, na psicologia e em
muitos outros aspectos que estejam relacionados à experiência humana.
Assim, as observações podem ser de cunho qualitativo (mas não excluindo
as de cunho quantitativo); e as análises, mais subjetivas.
Entretanto, num primeiro momento, até a sua consolidação, as Ciências
Humanas se valeram dos métodos e das técnicas de pesquisa das Ciências
Naturais para a realização das primeiras pesquisas. Com o tempo, esse
cenário foi se modificando e novos métodos e técnicas, pertinentes a cada
área específica foram sendo desenvolvidos. Mas essa é uma conversa para
outro momento!
Vamos Exercitar?
Você se lembra dos nossos questionamentos iniciais? Agora que já
compreendemos a conjuntura de ascensão da Modernidade e seus
desdobramentos, é hora de responder:  
1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade
Média para a Idade Moderna?
2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição?
3. Como a maneira de interpretar o mundo se modificou?
Para respondermos de maneira correta a todas as questões, precisamos
nos lembrar de todo o contexto econômico, social e político que envolveu
tais questões. A transição da Idade Média para Idade Moderna marcou
também a queda do sistema feudal e a ascensão do sistema capitalista. É
importante nos lembrarmos das Revoluções Burguesas (Revolução
Industrial e Revolução Francesa) influenciadas pelos ideais iluministas.
Esses ideais trouxeram uma nova maneira de interpretar o mundo,
deslocando a perspectiva teocêntrica para a perspectiva antropocêntrica.
Elas proporcionaram uma racionalização dos conhecimentos, deixando de
lado explicações atreladas a questões supersticiosas e fantasiosas. As
mudanças foram profundas em todos os setores da sociedade, desde a
maneira como o trabalho passou a ser organizado, nas relações entre
patrões empregados, nas relações políticas, culturais, etc.
Saiba Mais
1. Vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito da consolidação do
capitalismo como sistema econômico e social vigente. Essa
compreensão é importante para que possamos entender a
estruturação da sociedade a partir de então. Para isso, assista ao filme
Tempos Modernos, um clássico de Charles Chaplin que retrata a vida
urbana nos Estados Unidos nos anos 1930. O filme retrata a vida na
sociedade industrial, criticando a alienação do operário nesse meio de
produção, a modernidade e o capitalismo crescente.
2. Compreender sobre os teóricos racionalistas e empiristas é
fundamental para, posteriormente entender a organização e o
desenvolvimento da ciência. Para isso, saiba mais sobre o tema a
partir das leiturasa seguir.
- LOURENÇO, Vitor Hugo. René Descartes e o cogito. In: LOURENÇO,
Vitor Hugo. Construção do pensamento filosófico na modernidade.
Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 3. p. 108-114.
- LOURENÇO, Vitor Hugo. John Locke e Ensaio sobre o entendimento
humano. In: LOURENÇO, Vitor Hugo. Construção do pensamento
filosófico na modernidade. Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 4. p. 145-
150.
3. A Igreja Católica, principalmente durante a Idade Média, exerceu forte
influência na sociedade ocidental. Ela determinava inclusive aquilo que
poderia ou não ser conhecido pelas pessoas, pois, assim, ela poderia
manter o seu domínio. Para se aprofundar nesse assunto, assista ao
filme O nome da eosa, roteiro de Andrew Birkin e Gérard Brach. O filme
mostra a história do monge franciscano William de Baskerville (Sean
Connery) e Adso von Melk (Christian Slater), que chegam a um
mosteiro no norte da Itália em 1327. Eles vão participar de um
conclave que vai decidir se a Igreja vai doar parte de suas riquezas,
mas a história muda quando uma série de assassinatos começa a
acontecer e William decide investigá-los, contrariando os
coordenadores do mosteiro.
 
 
Referências Bibliográficas
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
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ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: o
espetáculo da pobreza. São Paulo: Editora Brasiliense, 2004.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2014
FUINI, Pedro. Queda da Bastilha. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo, 2022. Disponível em:
https://www.fflch.usp.br/34302. Acesso em: 12 out. 2023.
GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo:
Scipione, 2016.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
Aula 3
A EPISTEMOLOGIA DO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
A epistemologia do conhecimento
científico
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
https://www.fflch.usp.br/34302
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Vamos caminhar para a compreensão da consolidação do conhecimento
científico como aquele utilizado para explicar a organização da sociedade
após as Revoluções Burguesas. A ciência, assim como os demais tipos de
conhecimento (senso comum, religioso e filosófico) busca chegar à verdade
por meio da investigação daqueles aspectos que mereçam ser
compreendidos ou interpretados. Dessa forma, o conhecimento científico
tem como objeto de estudo os fenômenos naturais e os sociais, olhando
para as particularidades de cada um e tendo teorias específicas para
explicá-los. E por que essa divisão é necessária? Devido ao fato de que cada
objeto de estudo requer uma forma específica de abordagem e
interpretação.
A partir disso, pensemos na seguinte situação: em uma aula de
Metodologia Científica, a professora está explicando para os alunos o
conceito de teoria e lhes apresenta duas vertentes teóricas no campo das
ciências humanas: o Positivismo e o Funcionalismo. Ao finalizar, a
professora solicita que os alunos elaborem um quadro resumo com a
definição de teoria e com as principais características de cada uma das
vertentes teóricas e seu principal representante. Para isso, é necessária a
compreensão de todos esses elementos. Bons estudos!
Vamos Começar!
O que é teoria?
Provavelmente você já ouviu falar em teoria, e você precisa saber que o
termo pode ter diferentes conotações dependendo do contexto em que é
utilizado. “A palavra teoria tem origem no verbo grego theorein cujo
significado é ‘ver’. A associação entre ‘ver’ e ‘saber’ é uma das bases da
ciência ocidental” (Minayo, 2013. p. 16). A palavra teoria pode ser utilizada
para se referir a uma crença ou uma ideia, sob outra perspectiva;
popularmente, é um termo usado em sentido oposto à prática. Pense na
carga teórica e na carga prática de um curso, por exemplo. Ou ainda pode
se referir a um componente do conhecimento científico que requer um
método próprio (Trentini, 1987). Vamos nos ater a essa última perspectiva
de teoria, que é a utilizada para o desenvolvimento de pesquisas, na busca
por respostas e por novos conhecimentos.
De acordo com Severino (2013, p. 90), a teoria pode ser definida como um
“conjunto de concepções sistematicamente organizadas; síntese geral que
se propõe a explicar um conjunto de fatos cujos subconjuntos foram
explicados pelas leis”. E o que isso quer dizer? A teoria é um conjunto de
princípios, ideias, ou conceitos que busca explicar algo em específico. É
construída a partir de observações, experimentos e análises sistemáticas
de dados. Pode ser utilizada para prever resultados de experimentos ou
observações futuras, além de fornecer um entendimento mais profundo de
como o mundo funciona (Trentini, 1987; Severino, 2013).
No contexto científico, uma teoria é um modelo ou um conjunto de
princípios que descreve fatos e fenômenos, sejam eles naturais ou sociais.
É importante ressaltar que a teoria não é algo que fica estagnado, que não
se modifica. Trata-se de uma explicação concebida e estruturada a partir de
evidências disponíveis no momento do seu desenvolvimento. Ela pode ser
modificada, aprimorada ou revista à medida que novas evidências surjam
ou sejam descobertas. A revisão contínua de uma teoria é fundamental para
o avanço do conhecimento em todas as áreas do saber (Koche, 2011;
Severino, 2013).
Dessa forma, compreendemos que são as teorias que iluminam as nossas
práticas; elas esclarecem a realidade para que possamos apreender o seu
funcionamento (Demo, 1992). Ampliam a nossa visão de mundo a respeito
daquilo que estamos estudando ou analisando, permitindo que tenhamos
mais clareza a respeito daquilo que está em questão. Teorias são
explicações da realidade, são as lentes por meio das quais olhamos para o
contexto em que estamos inseridos, permitindo a ressignificação das
nossas próprias concepções.
Perspectivas teóricas nas ciências humanas
Você se lembra de que falamos que o conhecimento científico tem como
objeto de estudo os fenômenos naturais e os sociais? A partir disso,
podemos entender que existem diversas teorias em diversos contextos,
como em disciplinas acadêmicas, nas ciências naturais, ciências
humanas/sociais, matemática, filosofia e em outras áreas do conhecimento
humano. Cada campo tem suas próprias definições e critérios específicos
para o desenvolvimento e liberdade de teorias. Assim, as teorias têm
implicações práticas e podem ser usadas para resolver problemas do
mundo real, desenvolver tecnologias, formular políticas públicas e muito
mais.
A partir disso, vamos pensar inicialmente nas ciências naturais e nas
ciências sociais. As ciências naturais são ramos da ciência que estudam a
natureza e seus aspectos mais gerais e fundamentais; as leis e regras
naturais que regem o mundo. As ciências sociais são ramos da ciência que
estudam os aspectos sociais do mundo humano, a vida social de indivíduos
e grupos humanos (Minayo, 2013). As ideias de progresso, racionalismo e
domínio do homem sobre a natureza exerceram forte influência sobre a
mentalidade do século XIX, impulsionando o desenvolvimento da ciência e
de novas formas de conhecer.
Dessa forma, as ciências sociais se desenvolveram nessa época, quando a
racionalidade das ciências naturais e de seu método havia obtido o
reconhecimentonecessário para substituir a religião na explicação da
origem, do desenvolvimento e da finalidade do mundo. Assim, com o
advento da Modernidade e as profundas transformações pelas quais a
sociedade passou, fez-se necessário uma nova forma de conhecimento que
fosse capaz de explicar tamanhas transformações. É nesse contexto que
surgem as ciências humanas e sociais e suas teorias.
Siga em Frente...
O positivismo
Pensar a sociedade e seus arranjos não é uma tarefa fácil, principalmente
frente à efervescência em que ela se encontrava no período de ascensão e
consolidação do capitalismo como sistema econômico vigente. Ainda
assim, o francês Auguste Comte (1798-1857) se dedicou a essa missão,
ficando conhecido como o “Pai da Sociologia”. Comte buscou explicar e
entender os fenômenos sociais a partir da nova ordem em que se
encontravam, tomando como base as perspectivas de análise das ciências
naturais (Aranha; Martins, 2003).
Para compreendermos a teoria positivista, precisamos recordar o processo
de transformação da sociedade moderna e dos modos de produção. Antes
do advento da máquina a vapor, a energia utilizada para a realização das
tarefas era a energia humana, animal ou natural (vento e água). As
mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial foram cruciais, o que
levou à concepção do cientificismo, entendimento em que “a ciência é
considerada o único conhecimento possível e o método das ciências da
natureza o único válido, devendo, portanto, ser entendido a todos os
campos da indagação e atividade humanas” (Aranha, Martins, 2003, p. 140).
Assim, o Positivismo derivou do cientificismo, isto é, da capacidade da
razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis
naturais. O intuito dessas novas concepções era desvendar as recentes
formas de organização e relações que vinham se transformando à medida
que a sociedade também se transformava. Dessa forma, a partir das
influências de sua época, Comte define a sociologia como uma física social,
mas toma os modelos da biologia para explicar a sociedade como um
organismo coletivo. Sob esta ótica, a sociedade humana é regulada por leis
naturais que atingem o funcionamento da vida social, econômica, política e
cultural.
De acordo com Gallo (2016), a teoria positivista teve grande influência nos
teóricos dos séculos XIX e XX. Comte, ao examinar o desenvolvimento da
inteligência humana, descreveu um princípio básico ao qual denominou
como a “lei dos três estados”. Segundo ele, o espírito humano teria passado
por três estados diferentes de desenvolvimento em sua relação com o
mundo. São eles: estado teológico, estado metafísico e estado positivo. Sob
tal visão, os seres humanos passam por esses estágios, do menos
desenvolvido (quando crianças) até ao mais desenvolvido (já adultos) ao
longo da vida. A passagem de um estado para outro se daria de forma lenta,
gradual e segura. No Quadro 1 a seguir, podemos observar as
características de cada estágio.
Quadro 1 | Estágios de desenvolvimento do pensamento de acordo com
Auguste Comte. Fonte: elaborado pela autora.
O funcionalismo
No final do século XIX, a Sociologia ainda estava se firmando como ciência
e buscava pelo seu objeto de estudo de forma clara e objetiva. Os primeiros
passos haviam sido dados com Auguste Comte; ele propôs que os
conceitos metafísicos fossem excluídos das explicações da nova ciência.
Mas não foi Comte o responsável por levar a Sociologia ao patamar de
disciplina científica reconhecida e respeitada na sociedade, obtendo
inclusive uma cadeira na Universidade de Bordeaux em 1887. Esse papel
coube ao francês Émile Durkheim (Moisés, 2022).
Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo, psicólogo social e filósofo
francês. Seu legado está relacionado à consolidação da Sociologia como
uma disciplina científica e à formação de uma escola de pensamento: o
Funcionalismo. Dessa forma, ele buscou a cientificidade no estudo das
ESTADO TEOLÓGICO ESTADO METAFÍSICO ESTADO POSITIVO
Explicação dos
fenômenos como
resultado de forças
divinas e sobrenaturais.
Explicações ingênuas e
infantis.
Predomínio da mitologia e
da teologia como
explicações do mundo.
Estágio mais evoluído que
o anterior.
As forças sobrenaturais
são substituídas por
forças abstratas.
Predomínio da Filosofia
como explicação do
mundo.
Estágio mais evoluído da
humanidade.
Os fatos e fenômenos são
explicados racionalmente,
pela causalidade.
Predomínio da Ciência
como explicação do
mundo.
humanidades, esteve empenhado em criar regras para a criação do método
sociológico e atribuir status de saber científico à sociologia. Influenciado
pelo Positivismo, Durkheim parte da objetividade para a construção do seu
método e do estabelecimento do seu objeto de estudos: os fatos sociais
(Aranha; Martins, 2003; Moisés, 2022).
O teórico francês, ao observar o contexto europeu do século XIX, concluiu
que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas e que havia muito
questionamento em torno delas. Os valores tradicionais que vinham da
Idade Média estavam dando lugar a novos valores e novas tradições. Com
tantas mudanças, muitas pessoas passaram a viver em condições
miseráveis; estavam desempregadas, doentes e marginalizadas. Durkheim
entendeu que, em uma sociedade integrada e funcionando de maneira
orgânica, essas pessoas não poderiam ser ignoradas, porque toda a
sociedade sofreria as consequências. Dessa forma, Durkheim buscou
regularidades e “leis” que pudessem ser encontradas na sociedade
(Durkheim, 2007).
Partindo de tais questões, no processo de sistematização da sociologia,
Durkheim toma conceitos pertencentes à medicina e à biologia para explicar
a sociedade e seu funcionamento. Sob tal perspectiva, a sociedade deveria
ser vista como um organismo vivo, um corpo social, em que são percebidos
fenômenos normais e outros patológicos (como se fossem uma doença)
que poderiam prejudicar a vida coletiva. Daí vem o nome da Sociologia
Durkheiminiana conhecida como Sociologia Funcionalista. Para que a
sociedade “funcione” corretamente, é necessário que todas as suas
instituições, as normas sociais e integração entre os indivíduos também
estejam funcionando; caso contrário, a sociedade estrará em estado de
anomia, ficará “doente” (Durkheim, 2007).
Para conseguir realizar tais análises, o pesquisador deve adotar uma
postura neutra, imparcial e objetiva dos fenômenos sociais, sem se perder
em questões vindas da subjetividade. Assim, Durkheim desenvolve seu
objeto de estudo: os fatos sociais. Era necessário identificar algo que
pudesse ser visto com regularidade na sociedade, a partir de suas
características exteriores e pensando na sua influência no comportamento
social. Os fatos sociais são, portanto, coisas. “A coisa se opõe à ideia, como
o que se conhece exteriormente ao que se conhece interiormente. É coisa
todo objeto de conhecimento que não é naturalmente compenetrável à
inteligência” (Durkheim, 1998 apud Aranha; Martins, 2003, p. 210).
 Sendo assim, o fato social é qualquer fenômeno presente na sociedade que
pode ser observado como um objeto, uma coisa. São “maneiras de agir, de
pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotados de um poder
de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele” (Durkheim,
2007, p. 3-4). E o que isso quer dizer? Que os seres humanos, inseridos em
uma sociedade ou em um grupo social, não agem, pensam ou sentem de
maneira autônoma. Existe uma força maior, vinda da sociedade, que o faz
pensar em conjunção com os demais. Os fatos sociais têm três
características: são gerais, exteriores e coercitivos. Vamos ver a explicação
de cada uma dessas características no Quadro 2:
Quadro 2 | Características do fato social. Fonte: elaborado pela autora.
Vamos Exercitar?
Agora é hora de retomarmos nossos questionamentos iniciais.
Compreendemos o que é teoria, as bases do Positivismo e do
Funcionalismo como perspectivas que nos auxiliam a interpretar os
fenômenosque nos cercam.   Vamos elaborar um quadro resumo com a
definição de teoria e com as principais características de cada uma das
vertentes teóricas e seu principal representante.
FATO SOCIAL
Geral Externo Coercitivo
Independe da
manifestação individual,
comum a todos os
membros de um grupo.
 
Independe da vontade e
existência do indivíduo.
Antes de seu
nascimento, o fato social
já existia e, mesmo após
sua morte, continuará
existindo.
Exercem pressão social
sobre os indivíduos. Essa
pressão pode ser
espontânea, moral ou
legal, e sua existência é
prova da existência do
fato social.
Figura 1 | Resumo das vertentes teóricas. Fonte: elaborado pela autora.
Saiba Mais
1. Você sabia que o lema da nossa bandeira, “Ordem e Progresso”, é de
origem positivista e deriva de uma frase de Auguste Comte? O
Positivismo não é apenas uma teoria fundada em meados do século
XIX e que não tem mais aplicação em nossos dias atuais. Muitas
pesquisas de cunho quantitativa tomam como base a teoria positivista.
Ela também tem influência na formação e estruturação da nossa
educação nacional. Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo
indicado a seguir.
OLIVEIRA, Claudemir Gonçalves de. A matriz positivista na educação
brasileira: uma análise das portas de entrada no período republicano.
Diálogos Acadêmicos, s/l., v.1, n.1, out./jan. 2010.
2. As teorias sociológicas nos auxiliam a olhar para muitas questões que
nos cercam em nosso cotidiano e nós, na maioria das vezes, não
refletimos sobre elas. Elas influenciam também outras teorias e outros
autores. O conceito de “fato social” de Émile Durkheim, por exemplo,
tem influência em alguns ramos da Antropologia, os quais também
servem para pensarmos nossa vida em sociedade. Assim, leia o artigo
a seguir para se aprofundar sobre o conceito de fatos sociais e como
eles estão presentes no nosso cotidiano.
OLIVEIRA, Bárbara Magalhães Aguiar de. A corrupção como fato social:
reciprocidade e trocas. Revista três pontos, Belo Horizonte, v.8, n. 1,
mar. 2011.
https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf
https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 3ª ed. São Paulo:
Cortez: Autores Associados, 1992.
DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins
Fontes, 2007.
GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo:
Scipione, 2016.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
KOCHE, José Carlos. Fundamentos da Metodologia Científica: teoria da
ciência e iniciação científica. Petrópolis: Vozes, 2011.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
MOISÉS, Pedro Callari Trivino. Émile Durkheim. In: Enciclopédia de
Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, Departamento de
Antropologia, 2022. Disponível em: https://ea.fflch.usp.br/autor/emile-
durkheim. Acesso em: 26 dez. 2023.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da
Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987.
Aula 4
https://ea.fflch.usp.br/autor/emile-durkheim
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Já compreendemos a consolidação do conhecimento científico como uma
nova forma para explicar a organização da sociedade ocidental após as
Revoluções Burguesas. É hora de olharmos para diferentes perspectivas
teóricas de análise da sociedade que emergiram nesse período e que ainda
são utilizadas para interpretarmos a realidade em que estamos inseridos e
para pensarmos o desenvolvimento de pesquisas científicas. A
compreensão das bases teóricas é fundamental; veremos que nenhuma
pesquisa pode ser desenvolvida sem uma boa fundamentação teórica.
Nesse sentido, vamos refletir sobre a seguinte situação: como tarefa para a
conclusão de uma disciplina, a aluna Luana precisa realizar uma pesquisa
de campo. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro que utilizam a
quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como elas se
relacionam no desenvolvimento das atividades. Luana está em dúvida sobre
qual perspectiva teórica deve utilizar para desenvolver sua pesquisa, o
Estruturalismo ou o Materialismo Histórico-Dialético. Diante dessa dúvida,
ela retoma suas anotações com os principais pontos de cada teoria para
poder entender qual delas a ajudará desenvolver de maneira mais eficiente
a pesquisa.
No decorrer desta aula, nossa tarefa é observar os pontos principais de
cada uma dessas teorias a fim de conseguir compreender a maneira como
cada uma delas propõe a análise da sociedade. Bons estudos!
Vamos Começar!
Para conseguirmos compreender a aplicação do Materialismo Histórico-
Dialético e do Estruturalismo no desenvolvimento de pesquisas e na análise
dos fenômenos, precisamos recordar alguns pontos que dizem respeito à
consolidação das ciências humanas. A transformação da sociedade é uma
questão que ainda atinge muitos teóricos; isso é algo que é constante em
nossa sociedade, pois vivemos em um processo dinâmico, que se encontra
constantemente em movimento, em transformação. Foi assim também que
ocorreu no processo de transição para a Idade Moderna e posteriormente
para a Contemporânea.
Muitas teorias foram desenvolvidas com o intuito de explicar as questões
sociais, culturais, relações de poder, relações econômicas e políticas que
vinham se rearranjando e que atingem diretamente a vida em sociedade.
Num primeiro momento, as ciências humanas e sociais se valeram dos
mesmos métodos e técnicas utilizados nas ciências naturais para a
investigação das questões anteriormente descritas. Podemos destacar o
Positivismo de Auguste Comte e o Funcionalismo de Émile Durkheim, que
buscaram responder a diversos questionamentos e resolver os problemas
sociais iminentes.
Nesse sentido, podemos admitir que
os objetivos da teoria consistem em descrever, explicar, predizer e
controlar fenômenos. Uma teoria descreve um fenômeno, quando ela
diz em que consiste o fenômeno. Quando uma teoria delineia o
“porquê” da ocorrência do fenômeno e porque ocorre com certa
regularidade, esta teoria explica o fenômeno. A função preditiva de uma
teoria é a potencialidade que a teoria tem de prever as condições sob
as quais o fenômeno ocorre (Trentini, 1987, p. 138). 
Dessa forma, no campo das ciências da natureza o critério da cientificidade
é atendido a partir de dois pontos: a dedução racional e a verificação
experimental. Isso quer dizer que o conhecimento científico é comprovado
quando é passível de repetição ou há a previsibilidade do seu
acontecimento em determinadas condições. Esses pressupostos
começaram a ser questionados por muitos teóricos na contemporaneidade,
pois, como seria possível adotar tais critérios pautados em tamanha
objetividade para pensar os fenômenos sociais? (Minayo, 2007).
A partir de tais questionamentos é que surgem outras perspectivas teóricas,
outras formas de análise e interpretação da sociedade e de todos os
fenômenos e questões que a ela são intrínsecos. Precisamos compreender
que “cada modalidade de conhecimento pressupõe um tipo de relação entre
sujeito e objeto e, dependentemente dessa relação, temos conclusões
diferentes(Severino, 2013, p. 94). Portanto, precisamos compreender que
não existe uma teoria melhor do que a outra. Assim como não existe um
conhecimento melhor do que o outro. Existem perspectivas diferentes,
olhares diferentes e que são mais adequados a depender do contexto em
que se encontram. Tendo isso em mente, vamos conhecer o Materialismo
Histórico-Dialético e o Estruturalismo.
Siga em Frente...
Materialismo Histórico-Dialético
As Revoluções Burguesas influenciaram fortemente o desenvolvimento de
teorias que buscaram desvendar e descrever as questões sociais. Não foi
diferente com o Materialismo Histórico-Dialético. Karl Marx (1818-1883),
criador da teoria que vamos conhecer, foi historiador, filósofo, sociólogo e
economista alemão de grande relevância para a compreensão das questões
sociais. É importante ressaltar que não vamos entrar na alternativa proposta
por Marx ao sistema capitalista, o sistema socialista. Esse não é o nosso
foco e levaríamos um tempo para compreender e desmistificar os pré-
conceitos que existem acerca do assunto. Entretanto, é relevante a
compreensão de que toda pesquisa pautada no método marxista,
invariavelmente, apresenta uma crítica ao sistema capitalista e aos seus
desdobramentos.
O avanço do sistema industrial, a intensificação dos conflitos trabalhistas e
consequentemente o aprofundamento das diferenças entre as classes
sociais são questões que levaram Marx a olhar de uma maneira crítica para
o sistema capitalista. Para ele, a divisão do trabalho seria a origem das
classes e das desigualdades sociais. As classes sociais, no olhar marxista,
são duas: a burguesia (classe dominante e detentora dos meios de
produção) e o proletariado (classe dominada e que precisa vender a sua
força de trabalho para garantir a sua subsistência). Os interesses dessas
duas classes não são passíveis de conciliação; assim, a luta, a disputa entre
essas classes sociais é inevitável. O motor da história, o que faz a história
se movimentar e a sociedade se modificar, é a luta entre essas classes
sociais (Marx, 2004).
As classes sociais e o conflito decorrente delas não tiveram sua origem na
modernidade com a ascensão e consolidação do capitalismo; essas
diferenças sempre existiram nas diferentes formas de organizações sociais.
O que a sociedade capitalista fez foi simplificar e aprofundar o antagonismo
entre essas classes.
Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase por toda parte,
uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala
graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios,
cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos,
mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes,
gradações especiais. A sociedade burguesa moderna, que brotou das
ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não
fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão,
novas formas de luta às que existiram no passado (Marx; Engels, 1980,
p. 8-9).
A compreensão desse aspecto é fundamental para entendermos a
construção do Materialismo Histórico-Dialético. Logo, as mudanças
históricas que resultam dos conflitos entre as classes sociais e os
fenômenos sociais são resultados da ação dos seres humanos em
contextos históricos e sociais específicos. Essas questões estão
interligadas e se influenciam mutuamente, criando o movimento e a
transformação da história e das sociedades. Olhando para essas questões
Marx vai discutir a sociedade a partir das condições materiais de existência.
E o que são as condições materiais de existência? É tudo aquilo que os
seres humanos produzem para a sua sobrevivência; elas dizem respeito à
interação dos seres humanos na natureza e dos meios de que dispõem para
suprir suas necessidades. Portanto, o trabalho e as relações que se dão a
partir dele são elementos fundamentais nesse contexto. A classe social a
qual cada indivíduo pertence é marcada pela posição por ele ocupada no
processo produtivo. É por meio do trabalho que os seres humanos
transformam a natureza e (re)produzem a sua existência. Dessa maneira, a
sociedade é entendida como um todo integrado (Marx, 2004).
No tocante à Dialética, Marx tem influência do filósofo Georg Wilhelm Hegel
(1770-1831). A dialética hegeliana defendia que os fatos (ideias) continham
em si um fenômeno intrínseco, o que proporcionava seu movimento de
antítese (negação) e síntese (nova ideia). Marx critica esse olhar ao
entender que não se parte da ideia para se fazer a história; deve-se partir
daquilo que é material. Para ele, os filósofos se limitaram a interpretar o
mundo de diferentes maneiras, mas era necessário transformá-lo (Marx,
2004; Marx, 2011).
A essência deste método consiste na ideia de que as sociedades se
transformam à medida que os seres humanos alteram seu modo de
(re)produzir. O estudo da sociedade começa quando se toma consciência
de que o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento
da vida social, política e intelectual em geral. Assim, compreende-se que os
modos de produção da vida material constituem os elementos que
condicionam o desenvolvimento de outras esferas sociais, como a política e
intelectual, por exemplo.
A originalidade de Marx foi relacionar a economia com a ideologia, ou seja,
estabelecer conexões entre modos de produção, dominação e consciência
de classe. Marx pretendia compreender os problemas sociais do século XIX
a partir de um novo método, o qual fosse capaz de analisar a complexidade
das relações humanas. O foco da análise está nas relações de produção,
que, segundo o autor, constituem a base das relações humanas e das
contradições sociais.
O Estruturalismo
Quando falamos em ciências humanas e sociais não, estamos nos referindo
somente à Sociologia como um campo científico; estamos nos referindo a
uma série de outros campos do conhecimento, como: antropologia, história,
direito, psicologia, sociologia, filosofia, ciência política, economia, serviço
social, comunicação, artes, teologia, etc. A Antropologia, enquanto ciência,
desenvolve estudos e pesquisas nas mais diversas áreas, quais sejam:
históricas, culturais, biológicas, físicas, psicológicas, linguísticas e sociais
(Oliveira; Melo; Araújo, 2018).
Partindo da perspectiva de que o objeto de estudo da Antropologia é
complexo e multifacetado, entendemos que não há uma única forma de
abordar os fenômenos que lhe são pertinentes. Dessa forma, existem
diferentes perspectivas teóricas na Antropologia para pensar tais questões,
como o Estruturalismo, o evolucionismo ou o funcionalismo. Essa é uma
questão pertinente às diversas áreas do conhecimento; na Psicologia, por
exemplo, podemos citar a psicanálise, a analítica, ou a humanista. No
Direito, temos o jusnaturalismo, o positivismo. Vamos focar no
Estruturalismo como uma corrente da Antropologia.
O Estruturalismo é uma abordagem teórica e metodológica que surgiu nas
ciências humanas no início do século XX, especialmente na linguística e na
antropologia. Esta corrente de pensamento buscou analisar e interpretar
características culturais e sociais de diferentes povos, enfatizando a
importância das estruturas básicas que moldam e sustentam essas
características. Ela se propôs a pensar o indivíduo como um ser que produz
cultura, ritos e manifestações diversas. O pensamento estruturalista se
desenvolveu de forma paralela ao funcionalista, e ambas as teorias
concordaram ao desenvolver uma visão sincrônica e globalizante do
fenômeno cultural (Marconi; Presotto, 2022; Oliveira; Melo; Araújo, 2018).
O principal representante do Estruturalismo foi Claude Lévi-Strauss (1908-
2009), o qual estudou amplamente os mitos em diferentes sociedades,
buscando encontrar elementos que se repetiam em todas elas, a fim de
encontrar uma estrutura comum. Dessa maneira, o antropólogo procurou
entender as particularidades de cada cultura e fazer relação com a
universalidade. Lévi- Strauss elabora algunsmodelos a fim de compreender
a estrutura. Segundo ele, para merecer o nome de estrutura, os modelos
devem, exclusivamente, satisfazer a quatro condições:
Em primeiro lugar, uma estrutura oferece o caráter de sistema. Ela
consiste em elementos tais que uma modificação qualquer de um
deles acarreta uma modificação em todos os outros. Em segundo lugar,
todo modelo pertence a um grupo de transformações, cada uma das
quais corresponde a um modelo da mesma família, de modo que o
conjunto destas transformações constitui um grupo de modelos. Em
terceiro lugar, as propriedades indicadas acima permitem prever de que
modo reagirá o modelo, em caso de modificação de um de seus
elementos. Enfim, o modelo deve ser construído de tal modo que seu
funcionamento possa explicar todos os fatos observados (Lévi-Strauss,
1967 apud Marconi; Presotto, 2022, p. 316).
O Estruturalismo busca entender as estruturas implícitas às bases, em vez
de se concentrar nas experiências individuais ou nos elementos
componentes de forma isolada. Isso significa que os estruturalistas
buscam identificar padrões, relações e regularidades que organizam o
mundo. Como exemplo, é possível citar o tabu do incesto, que consiste na
proibição de relações sexuais ou de casamento entre indivíduos que são
considerados parentes. Esse é um fundamento da vida social, visto que as
famílias não podem se fechar nelas mesmas, independentemente da forma
como esses grupos interpretam ou organizam o seu conceito de família ou
parentesco.
As pesquisas pautadas no Estruturalismo buscam a relação em termos
relacionais dos fenômenos. Dessa forma, a abordagem compreende que o
conhecimento do todo leva ao conhecimento das partes (visão
globalizante), utiliza-se de modelos na análise cultural e, a partir disso,
desenvolve uma compreensão ampla dessa realidade (Marconi; Presotto,
2022).
Vamos Exercitar?
Agora que compreendemos o Materialismo Histórico-Dialético e o
Estruturalismo, vamos retomar a nossa situação inicial. A aluna Luana
precisa realizar uma pesquisa de campo para a conclusão de uma das suas
disciplinas de graduação. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro
que utilizam a quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como
elas se relacionam no desenvolvimento das atividades. Qual teoria a
auxiliará de maneira mais eficaz para tanto?
A primeira coisa a entender é que não existe uma teoria melhor do que a
outra; todas elas expressam uma visão de mundo, um modo de interpretar,
de compreender o objeto em questão ou o fenômeno estudado. Outra
questão importante a ser ressaltada é que, quando um pesquisador adota
uma teoria para o desenvolvimento da sua pesquisa, ele está dizendo para o
seu leitor que partilha daquela visão de mundo, que ele enxerga os fatos e
fenômenos a partir daquele olhar. As teorias são lentes que utilizamos para
vislumbrar com mais clareza aquilo que estamos analisando.
A partir disso, Luana precisa compreender as bases tanto do Materialismo
Histórico-Dialético como do Estruturalismo para poder perceber qual das
duas teorias a auxiliará a olhar de maneira mais clara para aquilo que ela
pretende apreender ao observar os alunos na quadra poliesportiva. Ela
precisa identificar também qual das perspectivas condiz com a maneira
com que ela interpreta a realidade.
Saiba Mais
1. Karl Marx sem dúvidas é um dos pensadores mais controversos do
século XIX. Com ideias para além do seu tempo, ele revolucionou as
concepções políticas, econômicas, sociais e culturais até então
estabelecidas. Mas existem muitos pré-conceitos acerca da obra de
Marx, conceitos difundidos pelo senso comum, apresentados como
verdades, mas sem fundamentação. A publicação online da revista Cult
conta com uma série de textos explicativos da teoria marxista e textos
que ligam essa teoria a nossa realidade. Vamos aprofundar os
conhecimentos a respeito desse tema, desmistificando os
contrassensos que permeiam a teoria e o autor.
https://revistacult.uol.com.br/home/tag/karl-marx/
2. Conhecer os pensadores que desenvolveram as teorias é uma
ferramenta importante para compreender o contexto em que eles se
desenvolveram e partir de aí perceber os fatores que influenciaram
seus escritos. Você sabia que o antropólogo Claude Lévi-Strauss fez
pesquisas no Mato Grosso e na Amazônia e escreveu um dos mais
importantes livros de não ficção do século passado sobre o seu tempo
aqui no nosso país? Para se aprofundar no assunto, leia a reportagem:
“Saiba quem foi Claude Lévi-Strauss”, do G1 Globo.
 
 
 
 
Referências Bibliográficas
MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia:
uma introdução. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2022.
MARX, Karl. Grundisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboço da
crítica da econômica política. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011.
MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo,
2004.
MARX, Karl; Engels, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Nova Stella,
1980.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
OLIVEIRA, Carolina Bessa Ferreira de; MELO, Débora Sinflorio Silva; ARAÚJO,
Sandro Alves de. Fundamentos de Sociologia e Antropologia. Porto Alegre:
SAGAH, 2018.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
https://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1364819-5603,00-SAIBA+QUEM+FOI+CLAUDE+LEVISTRAUSS.html
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da
Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987.
Encerramento da Unidade
A CONSTRUÇÃO DO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta Unidade, que é “compreender os
diversos tipos de conhecimentos, identificando suas particularidades e
aplicações no mundo real, evidenciando suas consequências práticas e
implicações nas tomadas de decisão e, a partir dessa reflexão, conhecer a
epistemologia do conhecimento científico e suas perspectivas”, você deverá
primeiramente conhecer os conceitos fundamentais de: senso comum,
conhecimento religioso, conhecimento filosófico e conhecimento científico.
O senso comum é um tipo de conhecimento que não se preocupa em
questionar as verdades instituídas, aquilo que é apresentado previamente
como verdadeiro e é transmitido de geração para geração. O conhecimento
religioso ou teológico é dogmático, ou seja, não é passível de
questionamentos. É proveniente da iluminação divina e aquilo que vem de
Deus ou de uma divindade não deve ser questionado.
O conhecimento filosófico é aquele que não aceita uma verdade
previamente instituída; ele faz questionamentos e reflexões a respeito dos
fatos, daquilo que está em questão. É um questionamento fundamentando,
buscando estabelecer relações entre aquilo que está sendo analisado e as
correntes filosóficas existentes.
Por sua vez, o conhecimento científico tem sua origem a partir da evolução
do modo de produção capitalista. Era preciso um conhecimento que
explicasse como incrementar o desenvolvimento das forças produtivas, e
isso não era encontrado no senso comum, nem na religião, nem na filosofia.
Assim, a ciência determina seu objeto específico de investigação e cria um
método confiável pelo qual estabelece o controle desse conhecimento. Os
métodos rigorosos possibilitam estabelecer um conhecimento sistemático,
preciso, causal e objetivo que permite a descoberta de relações universais
entre os fenômenos, a previsão de acontecimentos e a ação sobre a
natureza de maneira mais segura.
É preciso se atentar para o fato de que, ao falar em ciência, não é feita
referência apenas àquele tipo de ciência cuja imagem muitas vezes nos é
passada pelo senso comum; aquela

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