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ORGANIZAÇÃO 
E LEGISLAÇÃO 
DA EDUCAÇÃO
Plano Nacional de Educação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identificar as 20 metas do Plano Nacional de Educação.
 Contrastar as metas previstas com as alcançadas.
 Reconhecer os riscos do descumprimento do Plano Nacional de 
Educação.
Introdução
O Ministério da Educação (MEC) elabora o Plano Nacional de Educação 
(PNE), que estipula quais são as metas e as estratégias necessárias para 
alcançar os resultados educacionais tanto na educação básica quanto 
na superior, além da origem dos recursos para o mesmo fim. O PNE em 
vigência foi aprovado pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 (BRASIL, 
2014a), e tem a duração de 10 anos, cobrindo, portanto, o período de 
2014 a 2024. Apresenta 20 metas que permitam alcançar os seguintes 
objetivos, conforme a Constituição Federal Brasileira de 1988:
I. erradicação do analfabetismo; II. universalização do atendimento escolar; III. 
melhoria da qualidade do ensino; IV. formação para o trabalho; V. promoção 
humanística, científica e tecnológica do País. VI. estabelecimento de meta 
de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto 
interno bruto (BRASIL, 1988, documento on-line).
Neste capítulo, você vai estudar essas 20 metas que compõem o PNE 
atual, analisando as que já foram alcançadas e conhecendo os riscos do 
não cumprimento do plano.
1 Metas do Plano Nacional de Educação 
2014-2024
Para que sejam alcançadas melhorias nos diferentes aspectos que envolvem 
a educação nacional, é necessária uma ferramenta capaz de prever, organi-
zar, propor e monitorar ações nas esferas da educação básica, que envolve a 
educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio e todas as modali-
dades educacionais envolvidas e a educação superior em nível de graduação 
e pós-graduação. O instrumento criado para atingir essa fi nalidade é o PNE 
2014-2024.
Desde a Emenda Constitucional nº 59, de 11 de novembro de 2009, o PNE 
deixou de ser uma disposição transitória da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996) para ser uma 
exigência constitucional, que abrange um período de 10 anos, articula o Sistema 
Nacional de Educação e apresenta o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) 
para financiar suas ações. Com base nas determinações do PNE, os estados 
e municípios também estabelecem seus respectivos planos para contemplar 
as demandas de suas incumbências específicas, somando os esforços para 
atingir os resultados exigidos. 
As 20 metas do PNE 2014-2024 podem ser divididas em quatro grandes 
blocos (BRASIL, 2014b): garantia do direito à educação básica de qualidade; 
redução das desigualdades e valorização da diversidade; valorização dos 
profissionais da educação; e educação superior. Confira no Quadro 1 as 
metas que visam à garantia do direito à educação básica de qualidade.
Meta 1 Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as 
crianças de 4 a 5 anos de idade e ampliar a oferta de educação 
infantil em creches, de forma a atender, no mínimo, 50% das 
crianças de até 3 anos até o final da vigência desse PNE.
Meta 2 Universalizar o ensino fundamental de 9 anos para 
toda a população de 6 a 14 anos e garantir que pelo 
menos 95% dos alunos concluam essa etapa na idade 
recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.
Quadro 1. Metas do PNE 2014-2024 para a garantia do direito à educação básica de qua-
lidade
(Continua)
Plano Nacional de Educação2
Fonte: Adaptado de Brasil (2014a).
Meta 3 Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população 
de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência deste 
PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%.
Meta 5 Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o 
final do 3º ano do ensino fundamental.
Meta 6 Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 
50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo 
menos, 25% dos(as) alunos(as) da educação básica.
Meta 7 Fomentar a qualidade da educação básica em todas as 
etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da 
aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais 
para o Ideb: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 
nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.
Meta 9 Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos 
ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência 
deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir 
em 50% a taxa de analfabetismo funcional.
Meta 10 Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação 
de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, 
na forma integrada à educação profissional.
Meta 11 Triplicar as matrículas da educação profissional técnica 
de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo 
menos 50% da expansão no segmento público.
Quadro 1. Metas do PNE 2014-2024 para a garantia do direito à educação básica de qua-
lidade
As metas da educação básica envolvem as incumbências de todos os entes 
federativos. Por exemplo, na área da educação infantil, os municípios são os 
principais responsáveis por universalizar o atendimento, buscando atender 
às metas e qualificar esse nível da educação. Da mesma forma, é um grande 
desafio nacional “assegurar o acesso pleno de crianças e jovens de 6 a 17 
anos ao ensino fundamental e médio, inclusive com ampliação da oferta 
(Continuação)
3Plano Nacional de Educação
de educação profissional. Esse trabalho exige colaboração constante entre 
redes estaduais e municipais e acompanhamento da trajetória educacional de 
cada estudante” (BRASIL, 2018, documento on-line). O PNE só será capaz 
de produzir resultados se houver integração e articulação entre os entes da 
Federação: União, estados, Distrito Federal e municípios. 
Visando à redução das desigualdades e à valorização da diversidade, foram 
estabelecidas as metas que constam no Quadro 2.
Fonte: Adaptado de Brasil (2014a).
Meta 4 Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento 
educacional especializado, preferencialmente na rede 
regular de ensino, com a garantia de sistema educacional 
inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas 
ou serviços especializados, públicos ou conveniados.
Meta 8 Elevar a escolaridade média da população de 18 a 
29 anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 anos de 
estudo no último ano de vigência deste plano, para as 
populações do campo, da região de menor escolaridade 
no País e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade 
média entre negros e não negros declarados à Fundação 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Quadro 2. Metas do PNE 2014-2024 para a redução das desigualdades e a valorização 
da diversidade
As metas 4 e 8 pretendem estender os cuidados da inclusão escolar a 
todas as instituições de ensino. Isso envolve desde a educação inclusiva, 
que compreende os alunos com deficiências de toda ordem, até aqueles que 
pertencem a categorias menos privilegiadas, citadas na meta 8: pessoas do 
campo, pobres e negros.
Por sua vez, o bloco de valorização dos profissionais da educação é com-
posto pelas metas presentes no Quadro 3.
Plano Nacional de Educação4
Fonte: Adaptado de Brasil (2014a).
Meta 15 Garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o 
Distrito Federal e os municípios, no prazo de 1 ano de vigência 
deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da 
educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 
61 da Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado 
que todos os professores e as professoras da educação básica 
possuam formação específica de nível superior, obtida em curso 
de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.
Meta 16 Formar, em nível de pós-graduação, 50% dos professores 
da educação básica, até o último ano devigência 
deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da 
educação básica formação continuada em sua área 
de atuação, considerando as necessidades, demandas 
e contextualizações dos sistemas de ensino.
Meta 17 Valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas 
de educação básica, de forma a equiparar seu rendimento 
médio ao dos(as) demais profissionais com escolaridade 
equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.
Meta 18 Assegurar, no prazo de 2 anos, a existência de planos de carreira 
para os(as) profissionais da educação básica e superior pública 
de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos(as) 
profissionais da educação básica pública, tomar como referência 
o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos 
termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.
Quadro 3. Metas do PNE 2014-2024 para a valorização dos profissionais da educação
Estabelecer as metas que buscam a valorização dos profissionais do ma-
gistério pode contribuir para o alcance de todos os principais objetivos do 
PNE atual. Essas metas envolvem o estabelecimento de planos de carreira, 
políticas salariais mais atrativas, condições de trabalho adequadas e progra-
mas eficientes de formação inicial e continuada. Para atingir essas metas, é 
necessário que todas as redes de ensino se envolvam, fortalecendo o sistema 
educacional brasileiro.
As metas referentes ao nível da educação superior constam no Quadro 4.
5Plano Nacional de Educação
Fonte: Adaptado de Brasil (2014a).
Meta 12 Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 
50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, 
assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo 
menos, 40% das novas matrículas, no segmento público.
Meta 13 Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a 
proporção de mestres e doutores do corpo docente em 
efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior 
para 75%, sendo, do total, no mínimo, 35% doutores.
Meta 14 Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-
-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação 
anual de 60.000 mestres e 25.000 doutores.
Quadro 4. Metas do PNE 2014-2024 para a educação superior
A formação dos professores da educação básica inicia justamente na educa-
ção superior. Por isso, quanto maior o acesso a um ensino superior de qualidade, 
melhor para o desenvolvimento nacional. Da mesma forma, ao incrementar o 
número de mestres e doutores que se titulam anualmente, busca-se ampliar a 
participação na produção de pesquisas e das ciências nacional e internacional.
Além desse grupo de metas, é preciso estipular a origem dos recursos 
para estabelecer as estratégias do PNE 2014-2024, além de propiciar espaços 
democráticos nas escolas para a participação da comunidade, conforme as 
metas 19 e 20 apresentadas no Quadro 5.
Fonte: Adaptado de Brasil (2014a).
Meta 19 Assegurar condições, no prazo de 2 anos, para a efetivação 
da gestão democrática da educação, associada a critérios 
técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública 
à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, 
prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.
Meta 20 Ampliar o investimento público em educação pública 
de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% do PIB 
do País no 5º ano de vigência desta Lei e, no mínimo, 
o equivalente a 10% do PIB ao final do decênio.
Quadro 5. Metas do PNE 2014-2024 para a gestão democrática e os recursos financeiros
Plano Nacional de Educação6
Como podemos perceber, a gestão democrática estabelecida na Constituição 
Federal de 1988 é reforçada com a meta 19 do PNE, proporcionando a parti-
cipação da sociedade nas questões educacionais. A meta 20 é importante por 
indicar um aumento significativo do PIB na área da educação, o que fornecerá 
os recursos necessários para alcançar todas as metas.
Para que as metas do PNE 2014-2024 possam ser monitoradas, é necessário 
coletar dados para os indicadores estatísticos utilizados. Esses dados, em grande 
parte, provêm da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 
(PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A 
PNAD “Visa produzir informações básicas para o estudo do desenvolvimento 
socioeconômico do País” (IBGE, 2015, documento on-line).
2 Metas do Plano Nacional de Educação 2014-
2024 alcançadas
O PNE deve ser monitorado e avaliado a cada biênio, diagnosticando como 
são alcançadas as metas propostas para o decênio, no caso atual, de 2014 a 
2024. Até 2020, por exemplo, foram produzidos os relatórios dos ciclos de 
2016, 2018 e 2020. Nesta seção, vamos analisar quais e como as metas traçadas 
no PNE 2014-2024 foram atingidas, com base no relatório do terceiro ciclo, 
isto é, o de 2020. Esse documento foi elaborado com um esforço coletivo e 
coordenado de pesquisadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), por meio da Diretoria de Estudos Educa-
cionais (Dired), articulados com as principais bases de dados nacionais. Esses 
dados são oriundos da PNAD do IBGE de 2013 a 2015 e da PNAD Contínua 
de 2016 a 2018 (IBGE, 2015, 2022).
A Prova Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) são 
importantes instrumentos de coleta de dados para monitorar algumas das 
metas do PNE. São instrumentos utilizados na construção de diagnósticos, 
aplicados no 5º e no 9º ano do ensino fundamental. Por meio de testes de língua 
portuguesa e matemática, verificam a qualidade do ensino ofertado nas escolas. 
Além disso, também envolvem um questionário com dados socioeconômicos 
sobre os alunos, professores e gestores das escolas.
A meta 1 do PNE, como vimos, trata da educação infantil e visava à 
universalização do acesso para todas as crianças de 4 e 5 anos até 2016. Ela 
encontra-se com 93,8% do resultado atingido. No entanto, quando tratamos 
da parte da meta que visava ao atendimento de 50% da população de 0 a 3 
anos nas creches, foram atingidos somente 35,7% desse público específico.
7Plano Nacional de Educação
A meta 2 trata da ampliação da escolarização para 9 anos e pretende 
garantir que todos os alunos de 6 a 14 anos tenham a conclusão do ensino 
fundamental. 98% dessa meta já foram atingidos. Quando se fala no percentual 
de pessoas que devem concluir o ensino fundamental até os 16 anos de idade, 
a meta estipulava 95% e, atualmente, foram atingidos 78,4% dessa população.
A meta 3 tem como foco a universalização do ensino médio a 100% da 
população de 15 a 17 anos de idade. Atualmente, a taxa bruta de matrículas, 
que envolve todos os estudantes matriculados, independentemente da faixa 
etária, já atingiu 92,9% dos alunos nessa etapa. Porém, o aumento na taxa de 
matrículas do ensino médio das pessoas de 15 a 17 anos (taxa de matrícula 
líquida) de 85% ainda não foi atingido: o resultado foi de 73,1%. Isso significa 
que ainda temos uma defasagem significativa para o ensino médio.
A meta 4, que trata da inclusão de pessoas com deficiência no interior da 
escola, pretende universalizar esse acesso na escola regular para os alunos 
entre 4 e 17 anos e já apresenta um índice de 92,7% de cumprimento.
A meta 5 propõe a alfabetização de todas as crianças até o fim do 3º ano 
do ensino fundamental. No entanto, a avaliação que seria aplicada em 2019 
foi cancelada e ocorreu apenas por amostragem no 2º ano do ensino funda-
mental. Os dados aqui apresentados foram gerados a partir das avaliações de 
larga escala realizadas pelo Saeb e pela Avaliação Nacional da Alfabetização 
(ANA), aplicada em 2016 (BRASIL, 2017b). 
Com base na ANA, os alunos são classificados em quatro níveis de acordo 
com suas capacidades apresentadas na avaliação: 1. elementar, 2. básico, 3. 
adequado e 4. desejado. Os níveis 1 e 2 são considerados insuficientes, e os 
níveis 3 e 4, suficientes. Em relação à escrita, são cinco níveis avaliados. Os 
níveis 1, 2 e 3 são considerados elementares e insuficientes, o nível 4 é ade-
quado, eo nível 5 é desejável. Esses dois últimos são, portanto, considerados 
suficientes. 
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) publicada 
em 2017, há uma expectativa de que os estudantes estejam alfabetizados até 
o 2º ano de escolarização (BRASIL, 2017a), mas o PNE compreende que as 
habilidades básicas de leitura, escrita e matemática devem estar consolidadas 
antes do 3º ano do ensino fundamental, considerado o fim do ciclo. Por isso, é 
preciso cuidado com os resultados, já que as avaliações estão sendo aplicadas 
no 3º ano do ensino fundamental. Confira no Quadro 6 os indicadores nacionais 
em leitura, escrita e matemática para esse 3º ciclo do monitoramento da Meta 5. 
Plano Nacional de Educação8
Fonte: Adaptado de Brasil (2020b).
Nível Proficiência Alunos (%)
Leitura
1. Elementar Insuficiente 22%
2. Básico Insuficiente 33%
3. Adequado Suficiente 32%
4. Desejado Suficiente 13%
Escrita
1. Elementar Insuficiente 14%
2. Elementar Insuficiente 17%
3. Elementar Insuficiente 2%
4. Adequado Suficiente 58%
5. Desejável Suficiente 8%
Matemática
1. Elementar Insuficiente 23%
2. Elementar Insuficiente 31%
3. Adequado Suficiente 18%
4. Desejável Suficiente 27%
Quadro 6. Níveis de proficiência em leitura, escrita e matemática para o 3º ano do ensino 
fundamental
Podemos observar que a proficiência em leitura concentra o maior per-
centual de alunos entre os níveis 2 e 3, considerados suficientes por estarem 
entre o básico e o adequado. Houve um aumento de dois pontos percentuais 
no nível 4 desde o último monitoramento, o que representa um leve avanço 
em relação ao nível desejado. Para a avaliação da escrita, como vimos, há 5 
níveis avaliados. Os resultados apontam que há uma concentração de alunos 
no nível 4, que corresponde ao nível adequado. Para a matemática, há quatro 
níveis de proficiência avaliados. Os níveis 1 e 2 são considerados elementares 
9Plano Nacional de Educação
e, portanto, insuficientes. O nível 3 é adequado, e o nível 4 é desejado. Os 
níveis 3 e 4 são considerados suficientes para a matemática. Em matemática, a 
maior parte dos alunos concentra-se no nível 2 (31%), considerado elementar, 
mas observa-se que, nos extremos (1 e 4), há praticamente o mesmo percentual 
de alunos (27%) no nível desejado, e 23% no nível insuficiente. Resumida-
mente, os dados evidenciam que a maioria dos alunos, ao final do 3º ano, tem 
nível suficiente em leitura, adequado em escrita e elementar em matemática. 
Portanto, há ainda muito a ser feito para melhorar esses resultados, que estão 
distantes do planejado pelo PNE.
Por sua vez, a meta 6 propõe a oferta da educação em tempo integral em 
50% das escolas públicas. Em 2017, foi atingido o percentual de 28,6% de 
escolas públicas. No entanto, em 2019 houve uma redução, totalizando 23,6% 
de escolas que apresentam ao menos um aluno atendido por mais de sete 
horas. Em relação a estender essa possibilidade de frequentar a escola em 
turno integral a 25% dos alunos da educação básica, a meta atingida também 
sofreu redução. Em 2017 era de 17,8% e, em 2019, passou para 14,9%. Os dados 
mostram, desse modo, que vem ocorrendo um distanciamento dos alunos nas 
escolas que oferecem ensino integral ou carga horária ampliada.
A meta 7 versa sobre a melhoria no Índice de Desenvolvimento da Educação 
Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental, nos anos finais do ensino 
fundamental e no ensino médio. O Quadro 7 apresenta as metas e o resultado 
já alcançado até 2019. Esses dados estão atualizados em relação ao próprio 
relatório analisado, pois os dados do Ideb foram publicados posteriormente à 
elaboração do 3º Relatório de monitoramento.
Fonte: Adaptado de Brasil (2020a).
Etapa da Educação 
Básica
Meta do IDEB 
para 2019
IDEB atingido 
em 2019
Anos iniciais do 
ensino fundamental
5,7 5,9
Anos finais do ensino 
fundamental
5,2 4,9
Ensino médio 5,0 4,4
Quadro 7. Ideb correspondente à meta 7 do PNE
Plano Nacional de Educação10
Como podemos observar em relação à meta 7, os anos iniciais apresentam-se 
em crescimento ascendente. Os dados mais alarmantes do Ideb dizem respeito 
aos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, que devem ser o foco 
de ações pontuais por parte dos estados e do Distrito Federal, principalmente 
para que se alcance a meta proposta.
A meta 8 se refere à ampliação da escolaridade da população de 18 a 29 
anos de idade para 12 anos de escolarização. Essa meta já se encontra no 
patamar de 11,6 anos. Em relação à população de 18 a 29 anos residente na 
área rural, por sua vez, a média atual se encontra em 10 anos. A população 
pertencente aos 25% mais pobres, conforme estipulado na meta, encontra-se 
com 9,8 anos de escolaridade. Já a disparidade que se deseja suprimir entre 
a escolaridade de pessoas negras e não negras para essa mesma faixa etária 
encontra-se em 89,8%. Isso significa, segundo os dados do IBGE (2022), que 
os alunos negros ainda apresentam um índice de escolaridade menor do que 
os demais, o que pretende ser corrigido com a meta.
A meta 9 tem como objetivo elevar a taxa de alfabetização da população 
com 15 anos ou mais. Já se encontra com 93,4%, faltando 6,6 pontos para que 
se atinja os 100% da meta. A taxa de analfabetismo funcional — a proposta 
é que seja reduzida em até 9,2% em 2024 para as pessoas de 15 anos ou mais 
— atingiu 14,1% em 2019.
A meta 10 pode ser considerada crítica em relação às demais, por se tratar 
da oferta de 25% das matrículas voltadas para a educação de jovens e adultos 
integradas à educação profissional. Esse atendimento, até o apurado no relatório 
analisado, havia atingido somente 1,3%.
A meta 11 trata sobre a expansão da oferta de educação profissional e 
tecnológica de nível médio, propondo, durante a vigência do PNE 2014-2024, 
4.808.838 matrículas. Até o momento, 1.874.974 matrículas foram realizadas, 
representando um aumento de 17% no período, o que indica que devem ser 
realizadas ações para que se amplie esse atendimento no ensino médio, so-
bretudo, nas escolas públicas. 
As taxas de matrículas propostas para a educação superior com a meta 12, 
que prevê uma elevação de 50%, já alcançaram o patamar de 37,4%. A taxa 
líquida de matrículas no ensino superior para pessoas de 18 a 24 anos atingiu 
25,5%. O problema dessa meta está na participação do segmento público 
na expansão, que fica somente com o universo de 12,7%. Isso significa que 
grande parte da oferta de educação superior que fez esses índices se elevarem 
é proveniente das instituições de ensino superior privadas.
11Plano Nacional de Educação
A meta 13, que enfatiza a qualificação dos docentes para o ensino superior, 
já foi plenamente atingida e ultrapassada. O número de mestres propostos 
era de 75%, e já existem 81,3%. O número de doutores proposto era de 35%, 
e já existem 44,1% em atuação com essa titulação nesse nível da educação.
A meta 14, também relacionada à educação superior, tinha como proposta 
a titulação de 60 mil mestres e 25 mil doutores anualmente. Em 2018, já se 
apresentavam 64,4 mil títulos de mestres e 22,9 títulos para doutores, chegando 
muito próximo de atingir a meta (BRASIL, 2020b).
A meta 15, que propõe que todos os docentes da educação básica tenham 
formação superior em curso de licenciatura para as áreas em que atuam, apre-
sentava os seguintes índices até o momento da geração dos dados analisados 
no 3º Relatório de Monitoramento do PNE 2020 (BRASIL, 2020b):
■ educação infantil: 54,8%;
■ anos iniciais do ensino fundamental: 66,1%;
■ anos finais do ensino fundamental: 53,2%;
■ ensino médio: 63,3%.
Em relação a essa meta em particular, percebemos que ainda existem 
muitos docentes sem formação superior específica para lecionar nas áreas 
em que atuam, mas vem ocorrendo um aumento ano a ano.
Na meta 16, existe a preocupação com a formação continuada e em nível 
de pós-graduação dos professores que atuam na educação básica. O proposto 
foi que 50% tivesse pós-graduação, o que se encontra em 41,3%. Em relaçãoà participação em processos de formação continuada, que devem existir para 
a totalidade dos professores, somente 38,3% alcançaram a meta durante o 
período observado.
A meta 17 busca a valorização do magistério por meio da equiparação 
salarial dos docentes da rede pública não federal em relação aos demais pro-
fissionais com escolaridade equivalente. Dos docentes em nível nacional, 
78,1% já a atingiram.
A meta 18 previa a existência de planos de carreira e remuneração para 
todo o sistema de ensino nos dois anos seguintes à implantação do PNE. Além 
disso, propunha que esses planos estivessem cumprindo com o piso salarial 
nacional até 2016. Os dados apresentados no 3º ciclo de monitoramento apontam 
que (BRASIL, 2020b):
Plano Nacional de Educação12
■ 100% dos estados e Distrito Federal têm plano de carreira e remuneração;
■ 85,2% preveem dois terços da carga horária para atividades de interação 
com os educandos;
■ o piso salarial do magistério é cumprido por 70,4% dos estados;
■ 81,5% das unidades da Federação declararam que os profissionais da 
educação básica que não integram o magistério têm plano de carreira 
e remuneração; 
■ 59,2% dos professores são efetivos.
A meta 19 avalia a gestão democrática no interior das escolas por diferentes 
indicadores. O percentual de escolas públicas brasileiras, das três esferas 
administrativas, que selecionam diretores por meio de processo seletivo qua-
lificado e eleição com participação da comunidade escolar é de 6,58%. Em 
relação aos colegiados intraescolares, constatou-se a presença de 37,60% de 
conselhos escolares, associações de pais e mestres e grêmios estudantis nas 
escolas públicas brasileiras. Além disso, constatou-se a existência de colegia-
dos extraescolares em todas as unidades federativas: 79,01% dos conselhos 
estaduais têm infraestrutura para seu funcionamento e capacitação de seus 
conselheiros. Os colegiados existentes são fóruns permanentes de educação, 
conselhos estaduais de educação, conselhos de acompanhamento e controle 
social do Fundeb e conselhos de alimentação escolar.
Por fim, a meta 20 prevê a ampliação do investimento público em educação 
para 7% do PIB do país até o quinto ano de vigência do plano, em 2019, 
e 10% do PIB para vigência em 2024. Observou-se que o “gasto público 
em educação pública em proporção ao PIB apresentou pequena queda no 
período analisado (5,1% em 2015 e 2016 e redução para 5,0% em 2017 e no 
resultado preliminar para 2018)”, evidenciando que ainda se faz necessá-
ria a valorização da educação para que os investimentos sejam ampliados 
(BRASIL, 2020b, p. 415). 
Note que foram criados diversos indicadores relativos aos gastos públicos e o inves-
timento na educação e que os dados aqui apresentados são apenas a síntese final 
apresentada no relatório do 3º ciclo (BRASIL, 2020b).
13Plano Nacional de Educação
3 Riscos do descumprimento do Plano Nacional 
de Educação
A análise das metas do PNE 2014-2024 permite identifi car que somente parte 
da meta 18, que trata da implantação do plano de carreira docente, foi plena-
mente atingida. As demais metas ainda precisam ser perseguidas e correm 
o risco de não serem plenamente atingidas caso não haja esforços pontuais 
por parte dos entes da Federação. O PNE foi criado com a intenção de buscar 
um aumento do alcance e da qualidade necessária ao sistema educacional 
brasileiro, fazendo a educação nacional ascender a um patamar melhor em 
comparação com outras nações avaliadas pela Organização para Cooperação 
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A OCDE é um fórum permanente que reúne 35 países vistos como aqueles que apre-
sentam melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil tem interesse em 
ingressar nesse conjunto. Além de auxílio aos países membros em questões econômicas, 
a OCDE preocupa-se com a melhoria da qualidade de vida, o acesso à educação e a 
redução das desigualdades sociais, entre outros. 
Atingir as metas do PNE “faz parte de uma estratégia política destinada 
a concretizar o objetivo constitucional de redução das desigualdades sociais, 
através da garantia de melhoria da qualidade da educação e ampliação de seu 
alcance social” (CARNAÚBA, 2017, p. 3). Logo, um dos riscos envolvidos no 
seu não cumprimento é a manutenção ou, até mesmo, a ampliação das desi-
gualdades históricas que acompanham a educação brasileira, principalmente 
quando são observados os fatores voltados às regiões mais vulneráveis e aos 
grupos culturais menos favorecidos. 
Outro ponto importante sobre o qual o Brasil tem procurado centrar 
esforços é a melhoria do Ideb, que envolve as metas 5 e 7, sobretudo no 
que diz respeito à leitura, à escrita e à matemática. O Ideb analisa o f luxo 
escolar e as médias obtidas nas avaliações realizadas pelos alunos. O 
objetivo é que esses índices aumentem constantemente, porque isso sig-
nificaria a ampliação do rendimento escolar e a diminuição do abandono 
e da repetência na escola.
Plano Nacional de Educação14
Analisando-se o PNE 2014-2024, nota-se que:
A realidade educacional brasileira hoje contém avanços importantes,
particularmente no que se refere às inflexões positivas experienciadas pelos
padrões da escolaridade básica nas últimas décadas. Excetuando-se os
limites ainda a serem superados para o acesso à educação infantil, crianças,
adolescentes e jovens têm transposto os portões da escola com a
oportunidade de vivenciar práticas educativas na perspectiva de usufruto
do direito à educação. Não obstante, os processos de ensino e
aprendizagem ainda se mostram insuficientes para garantir uma efetiva
escolarização de qualidade (AZEVEDO, 2015, p. 273).
Outro aspecto alarmante e que merece atenção quanto ao seu não cumpri-
mento diz respeito à pouca participação das comunidades escolares na gestão 
da escola, porque os espaços de gestão democrática têm se mostrado pouco 
desenvolvido em muitos estabelecimentos de ensino. Além disso, percebemos 
que muitas escolas municipais ainda não têm ao menos o processo de escolha 
de diretores de forma eletiva. 
Uma questão muito importante e que abala diretamente o alcance das metas 
propostas no PNE atual é o congelamento de gastos públicos com a proposta 
da Emenda Constitucional (PEC) 241/55, em vigor desde 2016 e que afeta o 
período de vigência deste e do próximo PNE. Ao realizar um estudo sobre os 
recursos públicos alocados para a área da educação no decorrer dos últimos 
anos e fazendo uma projeção para o futuro, Amaral (2016, p. 671) conclui que:
Não restam dúvidas de que o poder de “destruição” da metodologia da PEC
241/55 é devastador em todas as áreas sociais: educação, saúde,
previdência social e assistência social, podendo provocar um imenso
retrocesso na pirâmide social brasileira, cuja base se alargou
consideravelmente nos últimos anos, justamente devido à adoção de
políticas de distribuição de renda e inclusão social.
É muito importante, portanto, que haja recursos para que as estratégias do 
PNE possam ser colocadas em prática pelas instâncias responsáveis. A falta 
de recursos ou sua insuficiência acabam atingindo diretamente o alcance 
das metas, tornando o plano ineficaz e inoperante. Caso o PNE 2014-2024 
não se efetive, a parcela da população mais atingida será aquela desprovida 
de recursos financeiros suficientes para escolher entre estabelecimentos de 
ensino públicos ou privados. Isso reforça, também, a ideia de que continuará 
existindo mais qualidade na educação nos estabelecimentos privados e pagos.
15Plano Nacional de Educação
AMARAL, N. C. PEC 241/55: a “morte” do PNE (2014–2024) e o poder de diminuição 
dos recursos educacionais. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação, v. 
32, n. 3, p. 653-673, 2016.
AZEVEDO, J. M. L. Plano Nacional de Educação e planejamento: a questão da qualidade 
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BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino. 
Planejando a próxima década: conhecendo as 20 metas do Plano Nacional de Educação. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, 2014b. 
CARNAÚBA, M. C. P. Riscos do descumprimento das metas do PNE. Revista do 7º Con-
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IBGE. PNAD contínua. IBGE, 2022. Disponível em: https://painel.ibge.gov.br/pnadc/. 
Acesso em: 30 maio 2022.
Plano Nacional de Educação16

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