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TURMALINA – NaFe3Al6(Si6O18)(BO3)3(OH)3(OH) (Schorlita)
A turmalina é um ciclosilicato relativamente comum, que pode ocorrer em vários tipos de rocha. É
uma pedra que alcança preços elevadíssimos no mercado de minerais de coleção e como pedra preciosa.
“Turmalina” na realidade não é um mineral, mas apenas um termo genérico aplicado aos membros
do Grupo da Turmalina, que é composto por 33 minerais diferentes, com uma enorme variedade
composicional. A turmalina mais comum é a schorlita, que macroscopicamente apresenta uma cor preta e,
por isso, no comércio é denominada de “turmalina negra”.
Em função das grandes variações de cor e algumas variações de hábito reconhece-se em torno de
duas dezenas de variedades de turmalina.
Ao microscópio a diferenciação dos membros do Grupo das Turmalinas é difícil, quase impossível,
exigindo o emprego de outras técnicas analíticas.
1. Características:
As características abaixo referem-se à schorlita.
Sistema Cristalino Cor Hábitos Clivagem
Trigonal, piramidal
ditrigonal.
Preto azulado a preto,
às vezes preto
amarronzado, raramente
preto esverdeado.
Prismas trigonais de
faces abauladas, pode
ser granular a acicular.
{11-20} indistinta
{10-11} indistinta.
Tenacidade
Quebradiça.
Maclas Fratura Dureza Mohs Partição
Raras. Irregular a conchoidal. 7 não
Traço Brilho Diafaneidade Densidade (g/cm3)
Branco acinzentado
a azulado.
Vítreo a resinoso. Transparente. 3,18 – 3,22
2. Geologia e depósitos:
A turmalina é típica de pegmatitos graníticos e veios hidrotermais de alta temperatura, sendo
acessória em granitos, granodioritos e rochas félsicas relacionadas.
Em rochas metamórficas, é comum em xistos, gnaisses, quartzitos e filitos. Também ocorre em
dolomitos e calcários metasomáticos (escarnitos) em zonas de metamorfismo de contato, bem como em
alguns cornubianitos.
Às vezes ocorre em greisen e em albititos relacionados a carbonatitos.
Pode ser encontrada em sedimentos (placers) e rochas sedimentares como arenitos (grauvaques).
3. Associações Minerais:
Em pegmatitos graníticos associa-se aos minerais típicos desta paragênese: quartzo (cristal de rocha
e enfumaçado), albita (clevelandita), feldspatos potássicos (microclínio), micas (muscovita, lepidolita), berilo
(água marinha), fluorita, topázio e outros.
Em rochas metamórficas a paragênese se altera e o número de minerais associados aumenta.
A dravita, outra turmalina muito comum, associa-se a quartzo, feldspatos (albita), micas (muscovita,
flogopita), carbonatos (calcita, magnesita), coríndon, anatásio e pirita.
4. MICROSCOPIA DE LUZ TRANSMITIDA:
Índices de refração: no: 1,660 – 1,672 ne: 1,635 – 1,650
ND Cor / pleocroísmo: incolor ou com cores intensas em amarelo, laranja, azul, verde, vermelho, preto
e marrom, com pleocroísmo. Seções longitudinais apresentam pleocroísmo
forte; seções basais apresentam pleocroísmo muito fraco ou não apresentam
pleocroísmo.
As cores geralmente apresentam distribuição desigual, com manchas e zonas
de tonalidades diferentes, com ou sem um padrão definido (bordas/centro).
Quando ocorre em cores muito escuras, pode simular um mineral opaco.
Relevo: médio a alto.
Clivagem: {110} e {101} fracas, muito mal desenvolvidas, normalmente não são visíveis em
lâmina delgada.
Hábitos: prismático longo com fraturas perpendiculares ao alongamento (diagnóstico!).
Seções basais podem ser arredondadas, triangulares ou hexagonais. Pode
formar agregados radiais de microcristais (“sóis”). Pode formar grãos
completamente xenomórficos (anédricos), que dificultam seu reconhecimento.
NC Birrefringência e cores
de interferência:
birrefringência moderada a alta, máxima 0,025, (ou 0,035 ou 0,040), com
cores de 2ª ordem: laranja, vermelho, azul. Mas as cores intensas das
turmalinas geralmente mascaram as cores de interferência.
Extinção: paralela nas seções longitudinais.
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: raras.
Zonação: frequentemente zonada; zonas tendem a triangulares em seções basais,
mas podem ser muito irregulares, em várias cores em manchas.
LC Caráter: U(-), pode ser biaxial sob stress, veja ângulo
2V ao lado. Usar seções basais para ver figura!
Ângulo 2V: pode ter um ângulo 2V
anômalo, pequeno, de até 10º.
Alterações: nunca altera. Turmalina e quartzo são dois minerais que nunca são encontrados com
alteração.
Pode ser confundida com: o forte pleocroísmo e o caráter uniaxial são diagnósticos. Muito típica é a
distribuição desigual de cores, com manchas irregulares de tonalidades diferentes distribuídas pelos grãos.
Turmalinas pretas podem ser confundidas com minerais opacos.
Turmalinas de cores fortes e nas seções basais, sem pleocroísmo, são mais difíceis de identificar.
Turmalinas muito pequenas exigem mais atenção para sua identificação.
Arfvedsonita pode ser similar, pois também mostra cores profundas, escuras.
Dumortierita, que pode ser azul ou rosa, pode ser bastante semelhante, o que exige cuidado.
Sillimanita, quando fibrosa e rosa, pode ser semelhante, mas possui SE(+).
Seção longitudinal de turmalina a ND com suas características típicas: hábito prismático longo, cores
fortes e zonadas, pleocroísmo de forte a fraco, fraturas perpendiculares ao alongamento, ausência de
clivagem e relevo alto. Acima da seção longitudinal há uma seção basal (arredondada).
Turmalina (dravita) em seção longitudinal, com o hábito prismático e as fraturas perpendiculares ao
alongamento características. À esquerda e no centro, a ND mostrando seu forte pleocroísmo, que pode ser
em várias cores diferentes. À direita, a NC, onde suas cores fortes mascaram as cores de interferência.
Seções basais de turmalina a ND. A forma “oficial” da seção basal é um triângulo de faces abauladas.
Entretanto, não são fáceis de encontrar e, por isso, não se constituem em uma feição que se possa usar
rotineiramente para a identificação da turmalina.
Abaixo, turmalinas com cores diferentes a ND. As mais escuras podem ser confundidas com um mineral
opaco por um observador desatento. Geralmente há alguma variação de cor, em zonas ou manchas, que
pode evoluir para uma zonação bem definida, geralmente com o núcleo da turmalina exibindo uma cor e a
borda exibindo outra cor, que podem ser tons diferentes da mesma cor ou mesmo cores diferentes.
Seções basais de turmalina a ND. Podem ocorrer também seções pseudo-hexagonais. Nestas seções
basais as cores variam muito, zonação é comum e o pleocroísmo é fraco a ausente. Se as turmalinas tiverem
hábito granular, não se observa nenhuma seção basal com estas formas, apenas grãos anédricos
(xenomórficos).
Nestas duas imagens, turmalinas de cor laranja intensa a ND (esquerda) e NC (direita). Observa-se que a
NC a cor laranja não predomina mais e é substituída por cores de interferência muito fortes, coloridas.
Turmalina com hábito capilar em quartzo a ND (esquerda) e a NC (direita), observada com a objetiva de
20x. São prismas longos e muito finos, incolores, que formam tufos com disposição radial ou então ocorrem
aleatoriamente dispersos nos cristais de quartzo. Apenas os cristais maiores de turmalina mostram alguma
cor e, mesmo assim, o pleocroísmo é difícil de perceber. Diagnósticos para turmalina são a extinção
paralela e o sinal de elongação negativo. A NC se percebe que alguns dos cristais de quartzo estão com
espessuras acima de 30-40 micra e, por isso, apresentam cores entre laranja e vermelho.
5. MICROSCOPIA DE LUZ REFLETIDA:
A microscopia de Luz Refletida evidentemente não é o método analítico recomendado para a
identificação da turmalina. Entretanto, é importante a confecção de uma lâmina ou seção polida para a
identificaçãodos minerais opacos que ocorrem associados à turmalina, como a pirita, por exemplo.
Preparação da amostra: a turmalina adquire um ótimo polimento com facilidade. O polimento é mais rápido
e fica de melhor qualidade que o polimento do quartzo, dos feldspatos e da calcita, por exemplo.
ND Cor de reflexão: Cinza escuro como quartzo e feldspatos. Da mesma cor que a cor mais
escura do pleocroísmo da calcita.
Pleocroísmo: Não
Refletividade: Baixa (