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ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS (AVC) P R O F . V I C T O R F I O R I N I Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) 2NEUROLOGIA PROF. VICTOR FIORINI APRESENTAÇÃO: Seja muito bem-vindo(a) ao Resumo Estratégico de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) do Estratégia Med! Esse é o assunto mais frequente de Neurologia nas provas de Residência. Cerca de 15% das questões da especialidade são sobre o tema. As questões de AVC dividem-se entre AVC isquêmico (70%), AVC hemorrágico intraparenquimatoso (10%) e hemorragia subaracnóidea (20%). No caso dos AVCs isquêmicos, que são o tema mais frequente, as estatísticas de provas são as seguintes: @estrategiamed @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) 3NEUROLOGIA Este capítulo foi todo construído com base na Engenharia Reversa. Mais de 320 questões de AVC foram comentadas, alternativa por alternativa, e todo o conhecimento necessário para resolvê-las, sem que você fique com dúvidas, estará nas próximas páginas. Chamo a atenção para o tratamento da fase aguda do AVC isquêmico, o assunto mais frequente das provas. Leia com bastante calma. Saiba a fundo, memorize as tabelas e veja a videoaula. Ela ajuda a sedimentar o conhecimento. Em seguida, tente resolver Figura 1: Distribuição das questões sobre AVC isquêmico. as questões do nosso Sistema de Questões. Ele é a alma do nosso material. Se um bom cirurgião, ou cirurgiã, é aquele que tem maior habilidade prática, para quem está prestando concurso, sai na frente aquele que responde a mais questões. Sempre que possível, as respostas às questões serão acompanhadas de informações que podem ajudar na solução de questões parecidas, sem perder a objetividade. Tenha ótimos estudos e conte conosco! AVC Neuroanatomia Fatores de risco do AVCi Síndrome neurovascular NIHSS Imagem AIT Tratamento fase aguda Profilaxia secundária AVCi AVCh HSA 2% 5% 12% 1% 6% 4% 32% 9% 9% 20% Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 4 SUMÁRIO 1.0 ANATOMIA NEUROVASCULAR 6 1.1 IRRIGAÇÃO DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS 7 1.2 IRRIGAÇÃO DO DIENCÉFALO, TRONCO ENCEFÁLICO E CEREBELO 8 2.0 ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS ISQUÊMICOS 8 2.1 INTRODUÇÃO 8 2.2 FATORES DE RISCO 10 2.3 FISIOPATOLOGIA 11 2.4 ETIOPATOGENIA 12 2.5 SÍNDROMES NEUROVASCULARES 12 2.6 ESCALA DE AVC DO NIH (NIHSS) 15 2.7 EXAMES DE IMAGEM NA FASE AGUDA DO AVC ISQUÊMICO 15 2.8 TRATAMENTO DA FASE AGUDA DO AVC ISQUÊMICO 17 2.8.1 AVALIAÇÃO INICIAL 17 2.8.2 TROMBÓLISE ENDOVENOSA 18 2.8.2.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO PARA TROMBÓLISE 18 2.8.3 PRESSÃO ARTERIAL E DEXTRO 21 2.8.4 TROMBECTOMIA MECÂNICA 22 2.8.5 TRATAMENTO GERAL DO AVC ISQUÊMICO 24 2.9 ATAQUE ISQUÊMICO TRANSITÓRIO 25 2.10 INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA E PROFILAXIA SECUNDÁRIA 26 2.10.1 INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA – CLASSIFICAÇÃO DE TOAST 26 2.11.2 PROFILAXIA SECUNDÁRIA 27 Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 5 3.0 ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS HEMORRÁGICOS 28 3.1 AVC HEMORRÁGICO INTRAPARENQUIMATOSO 28 3.2 HEMORRAGIA SUBARACNÓIDEA (HSA) 30 3.2.1 INTRODUÇÃO 30 3.2.2 QUADRO CLÍNICO 30 3.2.3 INVESTIGAÇÃO 31 3.2.4 TRATAMENTO 33 3.2.4.1 PREVENÇÃO E TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES 33 3.2.5 PROGNÓSTICO 34 4.0 LISTA DE QUESTÕES 35 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 36 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 37 Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 6 CAPÍTULO 1.0 ANATOMIA NEUROVASCULAR Vamos começar falando da Anatomia Neurovascular, para que possamos entender melhor o que acontece nos casos de AVC. O encéfalo é irrigado por quatro grandes artérias que formam os sistemas anterior e posterior. O sistema anterior é formado pelas artérias carótidas internas direita e esquerda e seus ramos. Ele irriga dois terços anteriores dos hemisférios cerebrais. O sistema posterior é proveniente das artérias vertebrais direita e esquerda, que se unem dentro do crânio e formam a artéria basilar (sistema vertebrobasilar). Esse sistema é responsável pela irrigação do terço posterior dos hemisférios cerebrais, além do tronco encefálico e do cerebelo. Na região da base do crânio, os dois sistemas anastomosam-se e formam uma estrutura chamada polígono de Willis, formada pelas seguintes artérias: • Sistema anterior (carotídeo) - carótida interna, cerebral média, cerebral anterior e comunicante anterior; anterior do lado direito com o lado esquerdo (artéria comunicante anterior) e do sistema anterior de cada lado com o posterior (artéria comunicante posterior). As artérias carótidas internas fazem anastomose com as artérias cerebrais posteriores por meio das artérias comunicantes posteriores, unindo os sistemas anterior e posterior. No sistema anterior, os lados direito e esquerdo unem- se por meio da artéria comunicante anterior, que faz a anastomose entre a artéria cerebral anterior de um lado com a do outro (figura 2). • Sistema posterior (vertebrobasilar) - vertebrais, basilar, cerebral posterior, comunicante posterior e cerebelares. No polígono de Willis, encontramos a união do sistema Figura 2: Polígono de Willis e suas artérias. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 7 1.1 IRRIGAÇÃO DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS Nos hemisférios cerebrais, a irrigação obedece à seguinte distribuição (figuras 3 e 4): 4/5 anteriores da porção medial irrigada pelas artérias cerebrais anteriores, 1/5 posterior da porção medial, pelas artérias cerebrais posteriores e porção lateral, pelas cerebrais médias. A superfície inferior dos hemisférios é irrigada anteriormente pela cerebral anterior e posteriormente pela cerebral posterior. Figura 3: Vista lateral dos territórios de irrigação dos hemisférios cerebrais. Numa visão anterior do encéfalo, em um corte na altura das áreas motora primária e sensitiva primária, vemos que o homúnculo de Penfield é irrigado por duas artérias: cerebral anterior e cerebral média, conforme a figura 4. Figura 4: Irrigação do homúnculo de Penfield, mostrando o motivo de os déficits decorrentes de lesões corticais da artéria cerebral média (ACM) serem de predomínio braquiofacial e os da cerebral anterior (ACA) serem de predomínio crural. O lobo occipital contém neurônios da via visual e é irrigado pelo segmento distal da artéria cerebral posterior. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 8 1.2 IRRIGAÇÃO DO DIENCÉFALO, TRONCO ENCEFÁLICO E CEREBELO Os tálamos são irrigados principalmente pelas artérias cerebrais posteriores. As divisões do tronco encefálico são irrigadas, de modo geral, da seguinte forma: • mesencéfalo - artéria cerebral posterior; • ponte - artéria basilar; • bulbo - artérias vertebrais. A irrigação do cerebelo é feita por três vasos de cada lado: artéria cerebelar superior (SUCA), cerebelar anterior inferior (AICA) e cerebelar póstero inferior (PICA). CAPÍTULO 2.0 ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS ISQUÊMICOS 2.1 INTRODUÇÃO Em inglês, AVC é stroke, que também quer dizer “golpe”, “pancada” ou “soco”. A pessoa com AVC é aquela que vinha bem “e aí, pah”, algo acontece do nada, como em um golpe que faz a vítima ser nocauteada durante uma luta. Clinicamente, ela tem um sintoma de aparecimento súbito, abrupto. No AVC ocorre a redução ou perda súbita de determinadas funções neurológicas, causada por uma oclusão ou rompimento de uma artéria encefálica. Este é o segredo: se houver, em alguma questão, a palavra “SÚBITA”, sua principal hipótese deverá ser AVC! Quando a interrupção da circulação para um grupo de neurônios é temporária, reversível espontaneamentee não leva à morte celular, chamamos o evento de ataque isquêmico transitório (AIT). Caso haja morte de neurônios, para essa diferenciação. Dependendo do vaso comprometido, determinados neurônios serão lesados e o paciente terá um quadro típico. Cada território arterial encefálico afetado produzirá um conjunto de sinais e sintomas, o que recebe o nome de síndrome neurovascular. chamamos de AVC. Os exames de imagem serão fundamentais Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 9 O AVC é o resultado da morte de neurônios em um determinado território arterial encefálico. Clinicamente, teremos a instalação súbita de um déficit neurológico com características de alguma síndrome neurovascular. Figura 5: AVC é um déficit neurológico focal, de instalação súbita e de causa vascular encefálica. Os AVCs são classificados em isquêmicos e hemorrágicos (figura 6). Os isquêmicos são muito mais comuns, correspondendo a 85% dos casos, contra 15% dos hemorrágicos. A única forma confiável de identificar qual é o tipo do AVC é por meio de um exame de imagem. Figura 6: AVC isquêmico e hemorrágico. (adaptada de Shutterstock) Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 10 2.2 FATORES DE RISCO Os fatores de risco para AVC podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis. São considerados fatores não modificáveis aqueles sobre os quais não se consegue realizar nenhuma intervenção. Os principais fatores de risco para AVC isquêmico são os modificáveis. Nesse grupo, sem dúvida, a hipertensão arterial é o mais importante, elevando a chance de desenvolver um AVC em até 4 vezes. Ela está presente em 70% de todos os casos de AVC. A lista de fatores de risco para AVC isquêmico inclui as seguintes condições mostradas na tabela 1. Fator de Risco Risco de AVC Não modificáveis Idade Risco dobra a cada década após os 55 anos e aumenta exponencialmente após os 65 anos Sexo Masculino: risco 30% maior Etnia Risco é 2,4 vezes maior em afro descendentes, 2 vezes maior em hispânicos e asiáticos em comparação a caucasianos História familiar Risco é 1,9 vez maior em indivíduos com parentes de primeiro grau com AVC Modificáveis Hipertensão arterial 4 vezes maior Fibrilação atrial Valvar: 17 vezes maior Não valvar: aumento de 5% ao ano Diabetes mellitus 1,8-6 vezes maior Dislipidemia 1,5 vez maior Tabagismo 1,9 vez maior Etilismo Risco a partir de 40g por semana (1,6 vez maior) Estenose sintomática de artéria craniana 4,6% de risco em 2 anos Estenose sintomática de artéria cervical Aumento em 24,5% no risco Obesidade Aumento de 5% a cada 1 ponto de aumento do IMC Ansiedade Aumento de 33% Sedentarismo Aumento de 20-30% Tabela 1: Principais fatores de risco para AVC isquêmico e sua importância relativa. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 11 Figura 7: Penumbra x core isquêmico. 2.3 FISIOPATOLOGIA No AVC isquêmico, a oclusão de um vaso gera redução do fluxo sanguíneo para um grupo de neurônios e consequente perda de função dessas células. Em algumas áreas, ela é mais intensa e, em outras, ela é mais discreta. No core isquêmico, a queda do fluxo sanguíneo é tão intensa que esses neurônios morrem em poucos minutos. Na região de penumbra isquêmica, a queda do fluxo sanguíneo é menor, os neurônios ainda permanecem vivos, mas a quantidade de sangue e nutrientes disponíveis é tão pequena que é incompatível com o metabolismo celular. Em outras palavras, trata-se de uma região não funcionante, mas temporariamente viva. Se o fluxo sanguíneo adequado for restabelecido na área de penumbra, os neurônios retornam ao seu funcionamento normal e o paciente voltará a ter a função perdida que era exercida por esses neurônios (pode haver melhora do déficit!). Entretanto, caso isso não ocorra a tempo, haverá morte celular. A morte dos neurônios da penumbra é uma questão de tempo (figura 7). Portanto, tempo é cérebro. Quanto mais cedo for restabelecido o fluxo sanguíneo cerebral, maiores as chances de ser restaurado o funcionamento da penumbra. Com a morte dos neurônios, haverá entrada de sódio e água na célula, gerando o edema citotóxico. O aumento do volume do parênquima encefálico poderá causar aumento da pressão intracraniana, com consequente herniação cerebral e morte (leia mais no livro sobre Coma e alterações da consciência). Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 12 2.4 ETIOPATOGENIA Os principais fenômenos etiopatogênicos que promovem a isquemia e a penumbra isquêmica são a aterosclerose de grandes e pequenos vasos (causa mais comum), a cardioembolia e as causas mais raras, como a dissecção arterial. Na aterosclerose de grandes vasos, pode haver isquemia pela ruptura de uma placa com exposição do seu conteúdo lipídico, desencadeando uma cascata inflamatória e de coagulação com trombose in situ do vaso e interrupção do fluxo sanguíneo a partir dele. Um fragmento dessa placa também pode se soltar e causar oclusão distalmente (embolia arterioarterial). A aterosclerose de pequenos vasos causa o fenômeno conhecido como lacuna isquêmica, em que se observa pequenas áreas de infarto de dimensões inferiores a 1,5 cm de diâmetro. Os locais mais comuns são as regiões profundas do encéfalo, longe do córtex, como a cápsula interna (território das artérias lenticuloestriadas, ramos da artéria cerebral média), os tálamos, a ponte e o cerebelo. Algumas doenças cardíacas podem causar AVC devido à embolização de coágulos ou, no caso da endocardite, de material infeccioso. A principal delas é a fibrilação atrial, em que o aumento do átrio esquerdo leva à formação de um trombo que pode ser impulsionado para a circulação encefálica, ocluindo um vaso distalmente. Outras causas incluem infarto do miocárdio com áreas de acinesia e formação de trombo intracavitário, forame oval patente, miocardiopatias (no Brasil, lembre-se da doença de Chagas) e valvopatias. Nas dissecções arteriais, o endotélio rompe-se e forma-se uma falsa luz subendotelial, que, devido ao fato de a camada adventícia ser mais rígida, acaba produzindo um hematoma intramural, que pode estenosar ou ocluir a luz do vaso afetado. No caso das artérias cervicais, muito mais afetadas do que as intracranianas por esse mecanismo, a causa mais comum é o trauma. As dissecções são a causa mais comum de AVC em pacientes menores de 45 anos. As causas hematológicas e reumatológicas também fazem parte de etiologias de AVC isquêmico, principalmente em pacientes jovens. 2.5 SÍNDROMES NEUROVASCULARES Amigo(a) Estrategista, se tem uma coisa que cai nas questões de neurologia nas provas de Residência são as síndromes neurovasculares. As bancas mostram um caso clínico e perguntam, com base nos sinais e sintomas, qual é a artéria culpada. Na grande maioria das vezes, você vai ter um paciente com início súbito de sintomas. Isto é, igual em todos os casos. Agora, gostaria de fazer um pequeno resumo, na tabela a seguir, sobre as síndromes neurovasculares para ajudar na resolução de casos e, secundariamente, de questões sobre o tema. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 13 Topografia Déficit Sinais e sintomas associados Território Córtex Hemiparesia desproporcionada Predomínio braquiofacial Afasia ACME Heminegligência ACMD Predomínio crural Abulia ACA Cápsula interna Hemiparesia proporcionada Hemi-hipoestesia Lenticuloestriada Tronco Hemiparesia Paralisia do III NC com ou sem ataxia cerebelar Mesencéfalo (ACP) Paralisia do VI e VII NC com ou sem ataxia cerebelar Ponte (basilar) Disfagia, disartria, disfonia, soluços,ataxia cerebelar Bulbo (vertebral) Tetraparesia Com ou sem coma Ponte (basilar) Tabela 2: Resumo das principais síndromes neurovasculares motoras com suas topografias, achados clínicos e vasos acometidos. ACME: artéria cerebral média esquerda; ACMD: artéria cerebral média direita. ACA: artéria cerebral anterior; ACP: artéria cerebral posterior. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 14 Nos pacientes com dissecção de carótida interna (figura 8), encontraremos quadro de dor cervical e/ou de cabeça. Podemos observar a ocorrência de miose, semiptose palpebral e anidrose ipsilaterais à dissecção. Esses sinais compõem a chamada síndrome de Claude Bernard-Horner, devida a uma lesão da via do sistema nervoso simpático para a pupila. Para mais detalhes anatômicos da via simpática de inervação pupilar, leia nosso capítulo de Anatomia, Fisiologia e Semiologia Neurológica. Figura 8: Dissecção de artéria carótida interna, gerando síndrome de Horner. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 15 2.6 ESCALA DE AVC DO NIH (NIHSS) De acordo com as principais diretrizes de atendimento ao paciente com suspeita de AVC isquêmico, é indicado realizar um exame neurológico sistematizado, em que os déficits sejam anotados e graduados. Para isso, dispomos de alguns instrumentos clínicos, sendo o mais usado a Escala de AVC do NIH (National Institutes of Health). Na Escala de AVC do NIH, quanto mais déficits, maior a pontuação. Para indivíduos com exame neurológico normal, a pontuação da Escala do NIH é zero. 2.7 EXAMES DE IMAGEM NA FASE AGUDA DO AVC ISQUÊMICO Os exames de imagem são OBRIGATÓRIOS a todos os pacientes com quadro agudo de síndrome neurovascular. A TC de crânio é o exame mais usado na avaliação inicial dos pacientes com suspeita de AVC isquêmico. Entretanto, muitas vezes ela vem normal, porque pode demorar horas para que uma lesão isquêmica seja visível por essa técnica. Ainda assim, ela tem seu valor: diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico, pois as hemorragias aparecem imediatamente após sua instalação na tomografia. Na fase aguda do AVC, a função mais importante da tomografia é descartar hemorragia. Nas imagens tomográficas, a hemorragia aguda possui caráter mais claro (hiperdenso/hiperatenuante). Nas isquemias, o aspecto é mais escuro do que o resto do parênquima normal (hipodenso/hipoatenuante), como Não é necessário realizar o uso do contraste endovenoso na avaliação do paciente por tomografia de crânio para diferenciar o AVC isquêmico do hemorrágico. mostrado na figura a seguir. Figura 9: TC de crânio em corte axial mostrando área hipodensa em território da artéria cerebral média direita, sugestiva de AVC isquêmico. (fonte: Shutterstock) Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 16 Em alguns pacientes, podemos encontrar alterações sugestivas de isquemia em pouco tempo da instalação dos sintomas, os sinais precoces. Os achados mais característicos são as áreas de hipodensidade precoce, o sinal da artéria cerebral média hiperdensa (figura 10), apagamento de sulcos corticais e a perda da diferenciação entre substância branca e substância cinzenta. Figura 10: TC de crânio sem contraste mostrando sinal da artéria cerebral média hiperdensa (seta). (arquivo pessoal do Prof. Victor Fiorini) Existe um escore tomográfico chamado ASPECTS que analisa 10 locais do parênquima cerebral em 2 cortes tomográficos axiais adjacentes. Pacientes com escore baixo (pegadinhas. Para salvar os neurônios da zona de penumbra isquêmica, o tratamento com mais evidência é a trombólise, por meio da infusão de uma medicação endovenosa que faz a lise do trombo oclusivo. O trombolítico aprovado para uso na fase aguda do AVC é a alteplase, um ativador de plasminogênio tecidual recombinante (rt-PA). A trombólise pode ser realizada por via endovenosa até 4,5h do início dos sintomas (janela terapêutica). Considera-se o início dos sintomas o último momento em que o paciente foi visto normal. A alteplase é administrada em bólus de 10% da dose, seguindo-se 90% em bomba de infusão em 1 hora. A dose é de 0,9 mg/kg até o máximo de 90 mg. 2.8.2.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO PARA TROMBÓLISE Os trombolíticos são medicamentos que devem ser usados com cautela, pois aumentam o risco de sangramento. O mecanismo de ação é a fibrinólise por meio da ativação do plasminogênio em plasmina. A plasmina degrada a fibrina. Por essa razão, não é qualquer paciente que pode ser tratado com trombolíticos, mas só os que preencherem os critérios de inclusão e exclusão, mostrados nas tabelas seguintes. Critérios de inclusão para uso de alteplase no AVC isquêmico Idade maior que 18 anos Tempo de início de sintomas de até 4,5h Quadro sugestivo de AVC com déficit de intensidade significativa (NIHSS > 5 ou déficit incapacitante, por exemplo, afasia ou hemianopsia) Tabela 3: Critérios de inclusão para o uso de alteplase no AVC isquêmico. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 19 Os principais critérios de exclusão e de contraindicações são baseados em dois princípios: risco elevado de sangramento e área pequena de penumbra (infarto pequeno com pontuação baixa no NIH ou infarto extenso com imagem de isquemia grande na TC, sugerindo que o território da artéria já sofreu necrose quase completa, não sobrando neurônios de penumbra). Principais contraindicações de trombólise EV Idade 185 mmHg e PAD > 110 mmHg AVC isquêmico Nos últimos 3 meses Trauma grave Nos últimos 14 dias Cirurgia de grande porte Nos últimos 14 dias Neurocirurgia ou de coluna Nos últimos 3 meses AVC hemorrágico prévio A qualquer tempo Doenças do trato GI História de neoplasia ou sangramento nos últimos 21 dias Coagulopatias Plaquetas 1,7 ou TTPA > 40 s Heparina de baixo peso molecular Dose plena há menos de 24h Anticoagulantes diretos Dose há menos de 48h Outras Endocardite, dissecção aórtica, neoplasia intracraniana intra-axial Tabela 4: Contraindicações ao uso de trombolítico. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 20 Em alguns casos, apesar de empiricamente parecer que o risco de sangramento é elevado, já há estudos demonstrando que é seguro realizar trombólise em caso de AVC. Essas situações polêmicas estão descritas na tabela abaixo. Pontos polêmicos na avaliação de pacientes candidatos à trombólise de AVC isquêmico Idade > 80 anos Permitido (avaliar com cautela) NIHSS > 25 Início dos sintomas entre 3-4,5h Permitido (avaliar com cautela) Pressão arterial PAS > 185 mmHg e PAD > 110 mmHg Na entrada, mas reduzida após medicação Glicemiaamericano de progredir apenas com a trombectomia em casos de oclusão proximal e anterior. Já o número 2 deve lhe lembrar da importância de avaliar contraindicações à trombólise e as indicações (idade superior a 18 anos e NIHSS >5 e/ou déficit incapacitante como afasia, plegia ou negligência) Oclusão proximal e anterior (ACI e ACM)? SIM NÃO 1º 2º 6 TC de crânio ASPECTS > 6 Mismatch perfusão RM- mismatch FLAIR - Difusão (com menos de 1/3 ACM) Mismatch perfusão Trombólise Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 24 2.8.5 TRATAMENTO GERAL DO AVC ISQUÊMICO Algumas medidas são obrigatórias no tratamento dos pacientes com AVC isquêmico agudo. Essas medidas são mencionadas na tabela a seguir: Tratamento geral do AVC isquêmico agudo Suporte respiratório Manter saturação de O2 ≥ 95% Elevação da cabeceira 0-30° nas primeiras 24h Hidratação Hipotensão e a hipovolemia devem ser debeladas com cristaloides ou coloides Níveis de glicemia Entre 140-180 mg/dl (G50% se 39°C nas primeiras horas: pior prognóstico e maior mortalidade (medicar se > 38°C) Disfagia Realizar screening antes de iniciar dieta Dieta enteral Iniciar nos primeiros 7 dias Profilaxia de TVP Compressão pneumática intermitente, associada ao uso de aspirina *Não há evidências para o benefício de heparina Tabela 7: Tratamento geral do AVC isquêmico. Ao contrário do que ocorre no infarto agudo do miocárdio, o início do uso de antiplaquetários estará indicado em até 48h do início dos sintomas ou, nos pacientes submetidos à trombólise, após 24h do término da infusão do rt-PA. Quando indicada, veremos que a anticoagulação deve ser iniciada, no mínimo, a partir do 4º dia de déficit. Veremos, na parte de profilaxia secundária, as indicações de dupla antiagregação plaquetária e anticoagulação. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 25 2.9 ATAQUE ISQUÊMICO TRANSITÓRIO Uma situação que se confunde muito com o AVC isquêmico é o Ataque Isquêmico Transitório (AIT). No AIT, os sintomas são súbitos e de causa neurovascular, mas não há morte neuronal Pela definição clássica, a duração dos sintomas no AIT deve ser inferior a 24h. Entretanto, a definição mais aceita atualmente é a de que não pode haver evidência de morte neuronal pelos exames de imagem. porque o sangue volta a circular pelo tecido antes que essas células morram. O paciente fica sem qualquer déficit neurológico ao final do evento. A imensa maioria dos AITs melhoram antes de 1h e dificilmente o paciente chega sintomático ao pronto-socorro. Se isso acontecer, o examinador precisa colocar no enunciado da questão que houve “regressão completa dos sintomas espontaneamente”. Os pacientes com AIT devem ser avaliados quanto ao risco de desenvolverem um AVC, que é maior nas primeiras 48h. Para isso, usamos a escala ABCD2, atribuindo pontos e classificando o paciente conforme a tabela a seguir: Critério Especificação Pontuação A (age) > 60 anos +1 B (Bblood pressure) PAS > 140 mmHg ou PAD > 90 mmHg +1 C (clínica) Hemiparesia +2 Alteração de fala isolada +1 D (duração) 10-59 min +1 > 59 min +2 D (diabetes) +1 Tabela 8: Escore ABCD2 para avaliação de pacientes com risco de AVC isquêmico em até 90 dias. A pontuação da escala ABCD2 varia de 0 a 7. A interpretação da pontuação em relação ao risco de desenvolvimento de AVC isquêmico é a seguinte: • Baixo risco - 0-3 pontos; • Risco moderado - 4-5 pontos; • Alto risco - 6-7 pontos. De acordo com essa pontuação, pacientes com risco baixo a moderado poderiam ser liberados para reavaliação ambulatorial com exames de investigação etiológica em até 48h. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 26 2.10 INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA E PROFILAXIA SECUNDÁRIA Estrategista, depois de realizar o tratamento da fase aguda, tentando salvar o máximo de neurônios da penumbra por meio de medidas de reperfusão, deve ficar claro que o trabalho ainda não terminou. Como prosseguiremos, então? Aproveitamos que o paciente será internado para compensação clínica e realizamos os exames que poderão revelar a etiologia do quadro durante sua permanência no hospital. Assim, podemos iniciar o mais rápido possível, quando seguro, o tratamento profilático adequado. 2.10.1 INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA – CLASSIFICAÇÃO DE TOAST A classificação de TOAST divide os AVCs isquêmicos, de acordo com o mecanismo etiológico, em cinco grupos. Os exames solicitados aos pacientes com AVC isquêmico deverão investigar as causas mais comuns de cada grupo, levando em conta os dados clínicos (história, exame neurológico e resultado da neuroimagem inicial). A tabela a seguir mostra as principais características de cada tipo de AVC e os exames que devem ser solicitados para investigação etiológica. Mecanismo Territórios Exame físico Neuroimagem Exames complementares Ateromatose de grandes vasos Sempre o mesmo Sopro carotídeo, sopro sistêmico, assimetria de pulso temporal Infartos sempre no mesmo território Perfil lipídico, glicemia, HbA1c, angiografia (RM, TC ou cate), Doppler de carótidas e vertebrais, Doppler transcraniano Cardioembolia Variáveis Sopro cardíaco, sinais de insuficiência cardíaca, pulso arrítmico Infartos em territórios diferentes ECG (Holter ECG 24h), ecocardiograma, sorologia para Chagas Ateromatose de pequenos vasos Profundos (lacunas) Nada específico Infartos lacunares (reduzir a pressão intracraniana ou evitar que ela se eleve, além de não facilitar sangramentos. Essas medidas incluem os seguintes pontos: • dieta laxativa; 3.2.4.1 PREVENÇÃO E TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES A mortalidade em caso de ressangramento pode chegar a 78%. A maior incidência ocorre nas primeiras 24h (4,1%), podendo chegar a 20% dos casos até o 14º dia. Há duas maneiras de se evitar o ressangramento, desde que feitas precocemente: embolização ou clipagem cirúrgica do aneurisma. Um importante passo no tratamento é evitar a complicação mais temida: o vasoespasmo. Atualmente, o vasoespasmo é chamado de isquemia cerebral tardia. Ele pode ocorrer a partir Além do uso de nimodipino, o tratamento do vasoespasmo é realizado com a terapia dos 3 “Hs”: • Hipertensão (PAM em torno de 130); • Hemodiluição (hematócrito por volta de do 3º até o 21º dia, com pico entre o 5º e o 14º dia. Existe uma correlação entre a quantidade de sangue na tomografia e o risco de vasoespasmo, visto na escala de Fisher. O vasoespasmo afeta 30% dos pacientes e é responsável por 25% das mortes por HSA. Por causa do risco de vasoespasmo é que se mantém o paciente na UTI por 2 semanas e no hospital até o 21º dia. O vasoespasmo pode levar a uma isquemia grave, como se fosse um AVC isquêmico, muitas vezes evoluindo para morte encefálica. A prevenção do vasosespasmo é feita com nimodipino, que deve ser ofertado para todos os pacientes. 32%); • Hipervolemia, que atualmente foi substituída por euvolemia. O processo de absorção do líquor por meio das granulações aracnóideas pode ser comprometido na HSA, gerando hidrocefalia. O primeiro sinal tomográfico de hidrocefalia é a dilatação dos cornos temporais dos ventrículos laterais. Sua incidência é de 20- 30% dos casos. O tratamento é feito colocando-se provisoriamente uma válvula que drena o liquor para um saco coletor, em ambiente de UTI (derivação ventricular externa - DVE). Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 34 3.2.5 PROGNÓSTICO A mortalidade na HSA é de 30% e metade dos sobreviventes apresentará sequelas graves. Diversos fatores são apontados como marcadores prognósticos na HSA. Os três principais são idade, nível de consciência na admissão e a quantidade de sangue na tomografia (risco de vasoespasmo). Desses, o que melhor é capaz de avaliar o prognóstico é a escala de Hunt-Hess, que correlaciona o quadro clínico com a mortalidade, conforme a tabela abaixo: Grau Quadro clínico Mortalidade (%) I Assintomático, cefaleia leve 5 II Cefaleia moderada a grade ou paralisia de nervo oculomotor 5 III Sonolência, confusão, déficit focal leve 10 IV Torpor, localiza a dor 34 V Coma com posturas patológicas ou ausência de respostas 52 Tabela 12: Escala de Hunt-Hess, que leva em consideração o quadro clínico na entrada e relaciona-se ao prognóstico. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 35 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/yV4b Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 36 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAPÍTULO 1. AA Rabinstein et al. Update on Treatment of Acute Ischemic Stroke Continuum (Minneap Minn). 2020. 2. Dawn O. Kleindorfer et al, 2021 Guideline for the Prevention of Stroke in Patients With Stroke and Transient Ischemic Attack: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association 3. AHA/ASA Guidelines for the Early Management of Patients with Acute Ischemic Stroke (2019) 4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Manual de rotinas para atenção ao AVC / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013. 5. Octavio Marques Pontes-Neto e col. Neurologia vascular: tópicos avançandos. Atheneu , São Paulo, 2015. 6. Anthony S. Kim et al. Medical Management for Secondary Stroke Prevention Continuum (Minneap Minn). 2020 7. Bijoy K. Menon et al. Neuroimaging in acute stroke. Continuum (Minneap Minn). 2020 8. Natalia S. Rost et al. Cerebral small vessel disease. Continuum (Minneap Minn). 2020 9. Gisele S. Silva; Raul G. Nogueira et al. Endovascular treatment of acute ishemic stroke. Continuum (Minneap Minn). 2020. 10. Mas, J. L. et al. Patent foramen ovale closure or anticoagulation vs. antiplatelets after stroke. N. Engl. J. Med. 377, 1011–1021 (2017). 11. Campbell, B.C.V., De Silva, D.A., Macleod, M.R. et al. Ischaemic stroke. Nat Rev Dis Primers 5, 70 (2019). 12. Caplan, Louis R. Caplan's Stroke: A Clinical Approach. Cambridge University Press; 5th edition (October 27, 2016). Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 37 Estrategista, chegamos ao final do Resumo Estratégico mais importante da Neurologia e um dos mais importantes de toda a Medicina. É um assunto que possui altíssima probabilidade de cair na sua prova. Acreditamos que, depois de termos resolvido mais de 300 questões de doenças cerebrovasculares, temos uma razoável noção do que estamos falando nesse material. Leia com calma, tente entender, resolva as questões, veja o vídeo da aula e não tenha vergonha de nos questionar caso reste alguma dúvida! Será um enorme prazer poder ajudar! Para terminar, segue uma tabela com um resuminho para você lembrar das principais características dos acidentes vasculares cerebrais. 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS CAPÍTULO Doença AVCi AVCHIP AIT HSA Sintoma Focal Focal Focal Cefaleia súbita Duração > 24h > 24h 24h TC de crânio Normal ou hipodensidade Hiperdensidade no parênquima Normal Normal ou hiperdensidade em cisternas e sulcos RM de crânio Hipersinal de difusão Hipersinal T2 Normal Hipersinal T2 Liquor Normal Normal Normal Hemácias + Tratamento Trombólise ou conservador Cirurgia ou conservador Conservador Cirurgia ou clipagem do aneurisma Tabela 13: Comparação entre as principais características dos diferentes tipos de AVC. Esperamos ter conseguido esclarecer muitos conceitos e ajudar você no seu crescimento profissional! Um grande abraço e ótimos estudos! Prof. Victor Fiorini Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 38reduzir a pressão intracraniana ou evitar que ela se eleve, além de não facilitar sangramentos. Essas medidas incluem os seguintes pontos: • dieta laxativa; 3.2.4.1 PREVENÇÃO E TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES A mortalidade em caso de ressangramento pode chegar a 78%. A maior incidência ocorre nas primeiras 24h (4,1%), podendo chegar a 20% dos casos até o 14º dia. Há duas maneiras de se evitar o ressangramento, desde que feitas precocemente: embolização ou clipagem cirúrgica do aneurisma. Um importante passo no tratamento é evitar a complicação mais temida: o vasoespasmo. Atualmente, o vasoespasmo é chamado de isquemia cerebral tardia. Ele pode ocorrer a partir Além do uso de nimodipino, o tratamento do vasoespasmo é realizado com a terapia dos 3 “Hs”: • Hipertensão (PAM em torno de 130); • Hemodiluição (hematócrito por volta de do 3º até o 21º dia, com pico entre o 5º e o 14º dia. Existe uma correlação entre a quantidade de sangue na tomografia e o risco de vasoespasmo, visto na escala de Fisher. O vasoespasmo afeta 30% dos pacientes e é responsável por 25% das mortes por HSA. Por causa do risco de vasoespasmo é que se mantém o paciente na UTI por 2 semanas e no hospital até o 21º dia. O vasoespasmo pode levar a uma isquemia grave, como se fosse um AVC isquêmico, muitas vezes evoluindo para morte encefálica. A prevenção do vasosespasmo é feita com nimodipino, que deve ser ofertado para todos os pacientes. 32%); • Hipervolemia, que atualmente foi substituída por euvolemia. O processo de absorção do líquor por meio das granulações aracnóideas pode ser comprometido na HSA, gerando hidrocefalia. O primeiro sinal tomográfico de hidrocefalia é a dilatação dos cornos temporais dos ventrículos laterais. Sua incidência é de 20- 30% dos casos. O tratamento é feito colocando-se provisoriamente uma válvula que drena o liquor para um saco coletor, em ambiente de UTI (derivação ventricular externa - DVE). Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 34 3.2.5 PROGNÓSTICO A mortalidade na HSA é de 30% e metade dos sobreviventes apresentará sequelas graves. Diversos fatores são apontados como marcadores prognósticos na HSA. Os três principais são idade, nível de consciência na admissão e a quantidade de sangue na tomografia (risco de vasoespasmo). Desses, o que melhor é capaz de avaliar o prognóstico é a escala de Hunt-Hess, que correlaciona o quadro clínico com a mortalidade, conforme a tabela abaixo: Grau Quadro clínico Mortalidade (%) I Assintomático, cefaleia leve 5 II Cefaleia moderada a grade ou paralisia de nervo oculomotor 5 III Sonolência, confusão, déficit focal leve 10 IV Torpor, localiza a dor 34 V Coma com posturas patológicas ou ausência de respostas 52 Tabela 12: Escala de Hunt-Hess, que leva em consideração o quadro clínico na entrada e relaciona-se ao prognóstico. Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 35 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/yV4b Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 36 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAPÍTULO 1. AA Rabinstein et al. Update on Treatment of Acute Ischemic Stroke Continuum (Minneap Minn). 2020. 2. Dawn O. Kleindorfer et al, 2021 Guideline for the Prevention of Stroke in Patients With Stroke and Transient Ischemic Attack: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association 3. AHA/ASA Guidelines for the Early Management of Patients with Acute Ischemic Stroke (2019) 4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Manual de rotinas para atenção ao AVC / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013. 5. Octavio Marques Pontes-Neto e col. Neurologia vascular: tópicos avançandos. Atheneu , São Paulo, 2015. 6. Anthony S. Kim et al. Medical Management for Secondary Stroke Prevention Continuum (Minneap Minn). 2020 7. Bijoy K. Menon et al. Neuroimaging in acute stroke. Continuum (Minneap Minn). 2020 8. Natalia S. Rost et al. Cerebral small vessel disease. Continuum (Minneap Minn). 2020 9. Gisele S. Silva; Raul G. Nogueira et al. Endovascular treatment of acute ishemic stroke. Continuum (Minneap Minn). 2020. 10. Mas, J. L. et al. Patent foramen ovale closure or anticoagulation vs. antiplatelets after stroke. N. Engl. J. Med. 377, 1011–1021 (2017). 11. Campbell, B.C.V., De Silva, D.A., Macleod, M.R. et al. Ischaemic stroke. Nat Rev Dis Primers 5, 70 (2019). 12. Caplan, Louis R. Caplan's Stroke: A Clinical Approach. Cambridge University Press; 5th edition (October 27, 2016). Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 37 Estrategista, chegamos ao final do Resumo Estratégico mais importante da Neurologia e um dos mais importantes de toda a Medicina. É um assunto que possui altíssima probabilidade de cair na sua prova. Acreditamos que, depois de termos resolvido mais de 300 questões de doenças cerebrovasculares, temos uma razoável noção do que estamos falando nesse material. Leia com calma, tente entender, resolva as questões, veja o vídeo da aula e não tenha vergonha de nos questionar caso reste alguma dúvida! Será um enorme prazer poder ajudar! Para terminar, segue uma tabela com um resuminho para você lembrar das principais características dos acidentes vasculares cerebrais. 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS CAPÍTULO Doença AVCi AVCHIP AIT HSA Sintoma Focal Focal Focal Cefaleia súbita Duração > 24h > 24h < 24h (frequente < 1h) > 24h TC de crânio Normal ou hipodensidade Hiperdensidade no parênquima Normal Normal ou hiperdensidade em cisternas e sulcos RM de crânio Hipersinal de difusão Hipersinal T2 Normal Hipersinal T2 Liquor Normal Normal Normal Hemácias + Tratamento Trombólise ou conservador Cirurgia ou conservador Conservador Cirurgia ou clipagem do aneurisma Tabela 13: Comparação entre as principais características dos diferentes tipos de AVC. Esperamos ter conseguido esclarecer muitos conceitos e ajudar você no seu crescimento profissional! Um grande abraço e ótimos estudos! Prof. Victor Fiorini Estratégia MED Prof. Victor Fiorini | Resumo Estratégico | 2024 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC)NEUROLOGIA 38