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Estrutura de mercado e formação de preços
Prof.ª Maria Eduarda Barroso Perpétuo
Descrição
Compreender os processos de formação de preços e quantidades - base
de processos decisórios no dia a dia do mercado -, bem como a
avaliação da eficiência do equilíbrio de mercado.
Propósito
Os conceitos de curva de demanda, curva de oferta e equilíbrio de
mercado são fundamentais para o estudo da microeconomia e ajudam a
compreender como funciona o mecanismo de mercado.
Objetivos
Módulo 1
Demanda e oferta agregadas
Definir demanda e oferta agregadas.
Módulo 2
Formação de preços e quantidades de
equilíbrio
Descrever a formação de preços e quantidades de equilíbrio em um
mercado competitivo.
Módulo 3
Excedente do produtor e do consumidor
Definir excedente do produtor e do consumidor para aplicá-lo como
medida de bem-estar.
Módulo 4
Firma monopolista
Descrever o comportamento de uma firma monopolista.
Introdução
Vamos começar analisando uma estrutura de mercado
específica, os mercados competitivos. Em um mercado
competitivo, há muitos compradores e vendedores, de forma que
ninguém individualmente consegue alterar o preço do bem e nem
a quantidade que será comercializada em todo o mercado.
Quando um indivíduo não tem capacidade de afetar
individualmente os resultados do mercado, dizemos que ele não
possui poder de mercado e é tomador de preços.
Você deve estar se perguntando por que estudar mercados
competitivos e que outros tipos de estrutura existem. A escolha
para começarmos apresentando os mercados competitivos deve-
se ao fato de ser a estrutura mais simples e fácil de compreender.
A partir dela, temos uma base de comparação para as demais.
Veremos também como obter as curvas de oferta e demanda
agregadas. A partir dessas curvas, veremos como são definidos o
preço e a quantidade no equilíbrio de mercado, e como se alteram
com mudanças na economia. Além disso, apresentaremos os
conceitos de excedente do consumidor e do produtor, que serão
usados em análises de bem-estar. Por fim, estudaremos o
comportamento de mercado da firma monopolista, que é capaz
de afetar preços.

1 - Demanda e oferta agregadas
Ao �nal deste módulo, você será capaz de de�nir demanda e oferta agregadas.
Curva de demanda agregada
Você sabe o que são curvas de demanda individual e agregada? Confira
agora o conceito de cada uma delas!
Curva de demanda individual
Mostra quanto um consumidor está disposto a pagar para obter certa
quantidade de um bem ou serviço, ou quantas unidades irá adquirir para
cada preço.
Curva de demanda agregada
Representa a quantidade total que o conjunto de consumidores de uma
economia irá adquirir para cada preço.
Supondo que em certa economia existam N consumidores. A curva de
demanda agregada pelo bem X será a soma de todas as curvas de
demanda individuais por aquele bem:
Em que q1, q2, ..., qn são as demandas individuais de cada um dos N
consumidores.
Exemplo
Suponha que o preço da maçã seja R$1,00 e João e Maria
desejem comprar, respectivamente, 5 e 4 unidades. Então, a demanda
agregada desse preço é . Se o preço
aumenta para , talvez cada um passe a comprar apenas 3
maçãs, e teremos: .
Q = q1 + q2 + … + qn
(pmaçã)
Q (pmaçã  = R$1) = 5 + 4 = 9
R$2, 00
Q (pmaçã  = R$2) = 3 + 3 = 6
A demanda de cada consumidor para cada bem depende dos preços e
da renda individual. Assim, a demanda agregada depende dos preços e
também da distribuição de renda. A imagem, a seguir, ilustra a curva de
demanda agregada para um dado bem, mantendo a renda fixa:
Gráfico: Curva de demanda de um bem
Podemos notar que a curva de demanda agregada tem inclinação
negativa, ou seja, quanto maior o preço, menor a quantidade
demandada pelos consumidores, tudo o mais sendo constante. No
geral, as curvas de demanda possuem inclinação negativa, com
algumas exceções. Temos, então, a proposição de que, ceteris paribus,
um preço mais alto de um bem faz com que as pessoas queiram uma
quantidade menor deste bem.
Ceteris paribus
É uma expressão latina que significa “todo o mais constante”. Ou seja,
estamos analisando um elemento de cada vez.
Curva de Demanda Agregada
Acompanhe neste vídeo as curvas de demanda individual e agregada,
mostrando como a demanda total de uma economia é calculada a partir
das demandas individuais e como ela varia com o preço.
Elasticidade
Elasticidade-preço da demanda
É interessante ter uma medida da sensibilidade da demanda a
mudanças no preço e na renda, que também é conhecida como
elasticidade. A primeira delas é a elasticidade-preço da demanda
(denotada por ): é apenas a mudança percentual da quantidade
dividida pela mudança percentual no preço. Representamos a variação
da quantidade por e, portanto, a variação percentual é a razão
 (análoga para o preço).
Podemos escrever a expressão da elasticidade-preço e manipulá-la
ligeiramente:

ϵ
ΔQ
ΔQ/Q
Ou seja, a "inclinação da curva" é apenas o nome da razão entre a
variação da quantidade e a variação do preço ( : se o preço
aumenta em uma unidade , a inclinação informa
simplesmente quanto muda na quantidade demandada.
Comentário
O motivo para multiplicamos a inclinação da curva pela razão de preço e
quantidade é ter uma medida que independa da unidade de medida
utilizada: a elasticidade não tem unidade de medida, ao contrário do
preço (medido em reais, dólares etc.) e da quantidade (medido em
quilos, pacotes etc.).
No exemplo das maçãs, temos: (o preço aumentou de R$1,00
para R$2,00), a quantidade demandada total diminuiu de 9 para 6
maçãs), para valores iniciais e .
Substituindo na fórmula acima, obtemos uma elasticidade igual a 1/3
(interprete esse número a partir da definição de elasticidade).
O sinal da elasticidade-preço da demanda é, em geral, negativo, e por
isso costumamos nos referir ao seu módulo, de forma a permitir
comparações mais simples - ou seja, ignoramos o sinal, supostamente
negativo, salvo menção explícita em contrário.
O gráfico, a seguir, apresenta a elasticidade-preço da curva de demanda
linear. Como podemos observar, em uma curva de demanda linear, a
elasticidade-preço da demanda varia conforme a quantidade e o preço.
Gráfico: Elasticidade da demanda linear
Seja a curva de demanda linear igual a , em que a e b são
valores positivos quaisquer. A inclinação dessa curva é, portanto, -b.
Utilizando a fórmula da elasticidade apresentada, temos:
Quando , a elasticidade é 0 (zero). Quando , a elasticidade
tende ao infinito.
Para encontrarmos o valor de p para que a elasticidade seja, em módulo,
igual a 1, podemos resolver a equação abaixo para p.
Como pudemos observar no gráfico, a elasticidade é igual a 1 em valor
absoluto no ponto médio. Podemos classificar um bem, de acordo com
sua elasticidade-preço da demanda, como:
ϵ =
ΔQ/Q
Δp/p
=
ΔQ
Δp
×
p
Q
= inclinação da curva ×
p
Q
(ΔQ) Δp)
(Δp = 1)
Δp = 1
ΔQ
p = 1 Q = 9
Q = a − bp
ϵ = −b ×
p
Q
=
−bp
a − bp
p = 0 q = 0
ϵ = −1 =
−bp
a − bp
,  então
2bp = a,  logo  p =
a
2b
Elástico
Quando sua elasticidade-preço for maior do que 1 em módulo.
Um bem elástico é bastante sensível a variações no preço, e um
aumento de 1% faz a quantidade reduzir em mais do que 1% (são bens
dos quais os consumidores têm facilidade para abrir mão).
Inelástico
Quando sua elasticidade for menor do que 1 em módulo.
Uma curva de demanda inelástica é pouco sensível a variações no
preço, e um aumento de 1% ocasionará uma redução de menos de 1%
na quantidade.
Elasticidade unitária
Quando sua elasticidade for igual a 1 em módulo.
Uma curva de demanda com elasticidade unitária é aquela em que a
variação de 1% no preço leva a uma variação de 1% na quantidade
demandada.
A elasticidade-preço da demanda de determinado bem depende da
quantidade de substitutos próximos.
Exemplo
Suponha que pão e tapioca sejam considerados substitutos perfeitos.
Se o preço do pão aumenta, a demanda de pão iria para zero, de forma
que todos os consumidores prefeririam consumir tapioca,não usa a regra de produção ótima
em que a receita marginal é igual ao custo marginal,
e por isso, há uma diferença entre a quantidade
produzida de monopólio e de concorrência perfeita.
D
A curva de receita marginal do monopolista
encontra-se acima da curva de demanda.
E
Em monopólio, o excedente do consumidor é
transferido integralmente para o produtor.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EUm%20monop%C3%B3lio%20%C3%A9%20um%20mercado%20em%20que%20h%C3%A1%20ape
paragraph'%3EAl%C3%A9m%20disso%2C%20em%20um%20monop%C3%B3lio%2C%20uma%20parte%20do%2
Questão 2
Uma firma monopolista tem custo dado por , em
que é a quantidade produzida. O custo marginal (ou seja, o custo
para produzir uma unidade adicional) é dado por . O
preço de mercado é dado por (p(q)=20-q). A receita da firma
monopolista é simplesmente o preço multiplicado pela quantidade:
 . A receita marginal é
igual a .
A partir dessas informações, assinale a alternativa verdadeira.
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20monopolista%20faz%20receita%20marginal%20igual%20a%20custo%20marginal%20para
paragraph'%3EAssim%2C%20o%20lucro%20ser%C3%A1%20m%C3%A1ximo%20quando%20%24%24%24RMg%
paragraph'%3EUsando%20essa%20condi%C3%A7%C3%A3o%20e%20igualando%20as%20respectivas%20curva
paragraph%20u-centered'%3E%24%24%2420-
2q%3D2q%24%24%24%3Cbr%3E%24%24%2420%3D4q%24%24%24%3Cbr%3E%24%24%24q%3D5%24%24%24%
Considerações �nais
Ao longo deste conteúdo, desenvolvemos uma série de ferramentas
teóricas para entender o funcionamento dos mercados. Construímos as
C(q) = 10 + q2
q
CMg(q) = 2q
R(q) = p × q = (20 − q)q = 20q − q2
RMg(q) = 20 − 2q
A
O monopolista escolhe preço igual a custo marginal:
. Portanto, .20 − q = 2q q = 20/3
B
O monopolista escolhe preço igual a custo:
.20 − q = 10 + q2
C
O monopolista escolhe receita marginal igual a
custo marginal: , portanto, .20 − 2q = 2q q = 5
D
O monopolista escolhe o preço mais alto possível,
portanto, faz .q = 0
E
O monopolista escolhe a maior receita possível,
portanto, faz .q = 10
curvas de oferta e de demanda, estudamos a formação de preços e a
definição de quantidades transacionadas, e consideramos diferentes
estruturas de mercado - como competição perfeita e monopólio.
Apresentamos ainda critérios para avaliar se uma alocação de recursos
é “boa” em um sentido específico: eficiência de Pareto.
Esses instrumentos estarão presentes em qualquer análise econômica,
de estudos abstratos à prática cotidiana. Observe como esses conceitos
podem ser usados em debate sobre o possível investimento em uma
nova máquina ou sobre a definição de como distribuir tarefas entre os
funcionários, ou sobre uma política pública.
Podcast
Ouça agora um resumo sobre os principais assuntos abordados.

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Para uma compreensão mais aprofundada dos tópicos desenvolvidos,
sugerimos a leitura da obra a seguir:
ZINGALES, L; RAJAN, R. Salvando o capitalismo dos capitalistas. 1. ed.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
Referências
KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. 2. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2011
VARIAN, H. R. Microeconomia: uma abordagem moderna. 8. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2012
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javascript:CriaPDF()afinal, para os
consumidores, eles são perfeitamente equivalentes.
Caso um bem tenha muitos substitutos próximos, ele será
extremamente sensível a variações nos preços, e sua demanda será
bastante elástica. O oposto também vale: se um bem possui poucos
substitutos próximos, ele será pouco sensível a qualquer variação de
preço e, portanto, inelástico.
Elasticidade-renda da demanda
Além da elasticidade-preço, temos a elasticidade-renda da demanda,
que mede o quanto a quantidade demandada reage a variações da
renda.
Sua equação é análoga à da elasticidade-preço da demanda, sendo
nada mais do que a razão entre as variações percentuais da quantidade
(Q) e da renda (m):
A partir da elasticidade-renda, podemos classificar os bens em:
Normais
ϵ =
ΔQ/Q
Δm/m
Cuja demanda cresce devido ao aumento da renda, e cuja
elasticidade-renda é positiva.
Exemplos comuns de bens normais são produtos de qualidade
(como carne de primeira), que o consumidor quer adquirir em
maior quantidade quando sua renda aumenta.
Inferiores
Cuja demanda diminui devido ao aumento da renda, e cuja
elasticidade-renda é negativa.
Bens de baixa qualidade (como carne de segunda), por sua vez,
são frequentemente inferiores, porque os consumidores os
abandonam à medida que a renda aumenta.
Também classificamos bens cuja elasticidade-renda é maior do que 1,
como os de luxo, isto é, cuja demanda aumenta em mais de 1% quando
a renda aumenta em 1%. Quando a elasticidade-renda fica entre 0 (zero)
e 1, falamos em bens de necessidade (pense, por exemplo, em
remédios: você compraria o dobro se sua renda duplicasse?). É
frequente que a elasticidade-renda seja próxima de 1.
Receita e elasticidade
A essa altura você deve estar se perguntando se o conceito de
elasticidade tem alguma serventia para além de classificar os bens que
são vendidos. Na verdade, a elasticidade é uma ferramenta muito útil
para responder a perguntas como “o que acontecerá com a receita da
venda de batatas se o preço delas aumentar?
Por um lado, o aumento no preço das batatas faz com que os
vendedores ganhem mais por cada unidade de batata vendida. Por
outro, o aumento no preço fará com que a quantidade demandada
diminua. Como sabemos se o aumento no preço compensará a redução
na quantidade demandada? Basta olhar para a elasticidade-preço de
demanda!
Vamos começar a entender essa relação analisando a variação da
receita . Ela tem dois componentes e, para simplificar, vamos
olhar para cada um deles separadamente.
O primeiro componente se refere a quanto será ganho/perdido, a uma
certa quantidade sendo vendida, com uma variação no preço. Ou seja,
.
Por exemplo, considerando que 5 unidades de batatas são vendidas e
supondo que essa quantidade não se altere, uma variação no preço de
R$ 2 para R$ 3 resultará em um aumento da receita de 
.
O segundo componente da variação da receita se refere a qual valor
será ganho/perdido, a determinado preço, com a variação na
quantidade. Ou seja, .
Por exemplo, considerando que cada batata é vendida a 3 reais e
supondo que esse preço não se altere, uma variação na quantidade de 4
para 5 unidades resultará num aumento da receita de .
(ΔR)
q × Δp
5 × (3 − 2) = 5
pΔq
3 × (5 − 4) = 3
Somando ambos os componentes, podemos descrever a variação da
receita com a seguinte equação:
Receita
É o quanto se ganha com a venda de um bem, ou seja, é a quantidade
vendida multiplicada pelo preço do bem.
Para chegarmos a uma equação que nos permita entender qual é a
variação da receita quando o preço varia, vamos dividir a variação da
receita pela variação do preço:
Multiplicando o termo mais à direita da última equação por e
substituindo a fórmula da elasticidade-preço na equação, vamos chegar
à seguinte expressão:
Com essa última fórmula, fica fácil ver o que acontecerá com a receita
caso ocorra um aumento no preço . Como a quantidade
comercializada deve ser positiva , o sinal de dependerá do
sinal de .
Assim podemos constatar que:
A receita terá um aumento do preço se o bem se
encontrar na parte inelástica da curva de demanda ou
.
A receita permanecerá a mesma com um aumento do preço
 se o bem se encontrar na parte com elasticidade
unitária da curva de demanda ou .
A receita diminuirá com um aumento do preço se o
bem se encontrar na parte elástica da curva de demanda 
ou .
Usando um raciocínio semelhante ao anterior, podemos chegar a uma
expressão que nos diz quanto varia a receita quando há uma variação
pequena da quantidade. Para isso, vamos partir da mesma fórmula de
, mas dessa vez a dividiremos por .
Quanto varia a receita quando há uma variação pequena da
quantidade
Essa reação da receita a uma variação pequena da quantidade é chamada
de receita marginal, a qual é comumente abreviada pela sigla RMg.
ΔR = qΔp + pΔq
ΔR
Δp
= q + p
Δq
Δp
q
q
ΔR
Δp
= q + q
p
q
Δq
Δp
= q + qϵ = q(1 + ϵ)
(Δp > 0)
(q > 0) ΔR
Δp
(1 + ϵ)
( ΔR
Δp
> 0)
(ϵ > −1
|ϵ| 1)
ΔR Δq
Multiplicando por e substituindo o inverso da elasticidade-preço
da demanda na fórmula, nós obtemos a seguinte equação:
Para evitar confusões pela elasticidade-preço ser, às vezes, um número
negativo, podemos reescrever a receita marginal usando valor absoluto,
como a seguir:
Se a elasticidade for igual a -1, a receita marginal terá valor zero,
indicando que a receita não varia quando aumenta a venda. Se a
demanda for inelástica, ou seja, , a fração dentro dos parênteses
será maior do que 1, e a receita diminuirá quando a venda aumentar.
Esse fato ilustra que, caso estejamos na parte inelástica da curva de
demanda, para que sejam vendidas mais unidades, será preciso diminuir
muito o preço, provocando uma queda de receita.
Elasticidade
Acompanhe neste vídeo os conceitos de elasticidade-preço e
elasticidade-renda da demanda, e a relação entre elasticidade e receita
do ofertante.
Deslocamentos da curva de demanda
agregada
A lei da demanda diz que, todo o mais constante, um aumento do preço
faz com que a quantidade demandada se reduza. Contudo, existem
situações em que um aumento de preço faz com que a quantidade
aumente. Você deve estar se perguntando: “Como isso é possível?”.
ΔR
Δq
= q
Δp
Δq
+ p
q
Δp
Δq
p
p
RMg =
ΔR
Δq
= p(1 +
1
ϵ
)
RMg = p(1 −
1
|ϵ|
)
|ϵ|demandada é q3.
Agora que já compreendemos a diferença entre movimentos ao longo
da curva e deslocamento, podemos avançar e falar um pouco mais de
cada um dos motivos que fazem uma curva se deslocar.
Vamos começar pela mudança de renda, ilustrada na gráfico anterior.
A mudança na renda, em geral, leva as pessoas a
consumirem mais de um determinado bem, uma vez
que, em geral, os bens são normais.
Como vimos na parte de elasticidade-renda, um aumento de renda eleva
a quantidade demandada de bens normais e reduz a quantidade
demandada de bens inferiores.
Para entendermos como a mudança no preço relativo de bens
relacionados desloca a curva de demanda agregada, vamos a um
exemplo.
Exemplo
Suponha que pão e tapioca sejam substitutos: um aumento no preço da
tapioca fará com que os consumidores substituam o consumo de
tapioca por pão, elevando a quantidade demandada de pão. Esse
aumento leva a um deslocamento da curva de demanda agregada.
Agora, suponha que café e pão sejam complementares, afinal, nada
como um pão na chapa com cafezinho. Uma queda no preço do café
fará com que mais pessoas consumam café, mas como o consumo do
café é acompanhado do pão, ocorrerá um aumento na demanda por
pão, e a curva de demanda agregada do pão se deslocará.
Note que a redução do preço do café leva a um deslocamento ao longo
da curva de demanda agregada de café e um deslocamento para direita
da curva de demanda agregada de pão, de forma que o preço do pão se
mantém, mas a quantidade demandada aumenta.
A variação no número de consumidores desloca a curva de demanda
agregada pois, como vimos, ela é a soma das demandas individuais
(para cada preço). Já uma mudança nas preferências pode fazer com
que os consumidores demandem mais a cada preço (deslocando a
curva para a direita) ou menos (deslocando para a esquerda). Isso pode
ocorrer por questões culturais, por exemplo quando um ator famoso usa
uma determinada roupa, é comum que a demanda por essa roupa
aumente.
Por fim, a expectativa futura do preço do bem pode afetar a demanda no
presente. Como exemplo, temos as liquidações de ovos de Páscoa.
Muitas pessoas, sabendo que o preço se reduzirá após a Páscoa, irão
aguardar para consumir depois. Da mesma forma, expectativas sobre a
renda também afetam a demanda presente: se um indivíduo tem uma
expectativa de aumento de renda no futuro, ele pode aumentar sua
demanda por bens no presente, pagando parcelado.
Deslocamentos da curva de demanda
agregada
Acompanhe neste vídeo os fatores e as situações que podem deslocar a
curva de demanda agregada, e entenda os efeitos desse deslocamento.

Oferta agregada
Assim como a demanda agregada, estudamos também as curvas de
oferta das firmas. Estas curvas são individuais, assim com as curvas de
demanda dos consumidores.
Suponha que tenhamos N firmas que produzam determinado bem. Para
obtermos a curva de oferta agregada, devemos somar as curvas de
oferta individuais das N firmas.
A oferta agregada é apenas a soma horizontal das curvas de oferta
individuais.
Soma horizontal
Significa que fixamos um preço e somamos as quantidades, exatamente
como fizemos para a curva de demanda agregada.
A curva de oferta mede o quanto um produtor está
disposto a ofertar a cada preço.
Portanto, a curva de oferta agregada define, a cada preço P, a
quantidade do bem que será ofertada naquela indústria.
Para compreendermos melhor como construímos a oferta agregada,
vamos a um exemplo!
Suponha um mercado de pães com apenas dois produtores, Joana e
Gabriel.
Joana oferta 2 pães ao preço de R$1,00, e 5 pães quando o preço
é R$3,00.
Gabriel oferta 3 pães ao preço de R$1,00, e 7 pães quando o
preço é de R$3,00.
Nos gráficos, a seguir, temos nos painéis A e B a curva de oferta
individual desses produtores. Para chegarmos à oferta agregada desse
mercado, somemos a quantidade ofertada pelos dois produtores a cada
preço, de modo que a R$1,00 são ofertados 5 pães e a R$3,00 são
ofertados 12 pães. A curva de oferta agregada está ilustrada no painel C
da figura a seguir:
Gráfico: Curva de oferta agregada do pão
A curva de oferta agregada tem inclinação positiva, refletindo a
proposição de que preços mais altos levam a uma quantidade ofertada
S = S1 + S1 + … + Sn
maior.
Assim como a demanda agregada, existem acontecimentos que
deslocam a curva de oferta. A entrada de novos produtores no mercado,
por exemplo, desloca a oferta para a direita, fazendo com que, ao
mesmo preço, seja ofertada uma quantidade maior do bem em questão.
Para que haja um movimento ao longo da curva de oferta, é preciso que
seja ocasionado por variações no preço do bem cuja oferta agregada
esteja em análise.
Os motivos pelos quais a curva de oferta se desloca
são variados: mudanças na tecnologia, na expectativa,
no preço dos insumos, no número de produtores e nos
preços de bens e serviços relacionados.
A mudança do preço esperado no futuro pode levar um produtor a
fornecer mais ou menos quantidade daquele bem no presente. Uma
expectativa do aumento de preços futuro faz com que a oferta no
presente se reduza, deslocando a curva de oferta para a esquerda. Já
uma expectativa de queda dos preços no futuro leva ao aumento da
oferta no presente e desloca a curva de oferta para a direita.
Considere agora os insumos, ou seja, bens e serviços utilizados no
processo produtivo. Um aumento no preço dos insumos deixará o preço
do bem final mais alto.
Exemplo
Para produzir pão é preciso de trigo. Gabriel precisa de 10kg de farinha
de trigo por mês para produzir 100 pães, e paga R$2,00 no quilo de
farinha de trigo. Gabriel gasta R$20,00, e cobra R$0,50 por pão
produzido.
Assim, sua receita da venda de pães é de R$50,00. Se por algum motivo,
o preço do trigo sobe para R$3,00, para produzir 100 pães, Gabriel
gastará R$30,00. Sua receita de vendas continuará no valor de R$50,00,
contudo, seu lucro se reduzirá.
Dessa forma, é bem provável que Gabriel repasse parte da alta dos
preços dos insumos para o consumidor, e o preço do pão aumente
como consequência.
A tecnologia descreve a relação entre insumos e produto em um
processo produtivo. Um avanço tecnológico geralmente reduz o custo
de produção. Essa redução de custo permite que o produtor gaste uma
quantidade menor de insumo para produzir uma mesma quantidade de
um bem, de modo que a quantidade ofertada aumente e a curva de
oferta se desloque para a direita. Podemos observar isso no próximo
gráfico.
Gráfico: Deslocamento da oferta
Quando há um aumento no número de produtores naquele mercado, a
oferta se desloca para a direita, afinal, a oferta agregada nada mais é do
que a soma das ofertas individuais.
Há situações em que produtores produzem diversos
bens e não apenas um, como uma refinaria produz
gasolina e diesel, entre outros combustíveis, por
exemplo.
Quando um produtor oferta bens diferentes, a quantidade que ele está
disposto a ofertar dependerá conjuntamente dos preços dos bens que
ele produz.
Um aumento de preço do diesel faz com que uma refinaria produza
menos gasolina e mais diesel, deslocando para a direita a curva de
oferta do diesel e para a esquerda a oferta da gasolina. Isso acontece
porque, em termos produtivos, a gasolina e o diesel são substitutos.
Pode ser que também haja bens complementares na produção.
Oferta agregada
Entenda neste vídeo a construção da oferta agregada e entenda como
variações de preço, tecnologia e número de produtores influenciam essa
oferta.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A partir dos conhecimentos apresentados sobre demanda
agregada, considere as afirmativas a seguir:
I. A curva de demanda agregada possui inclinação positiva, pois, em
geral, um maior preço reduz a quantidade demandada.
II. A elasticidade-preço é uma medida de sensibilidade da demanda
agregada de um bem em relação ao preço, e quanto mais
substitutos um bem possui, menos elástica é a demanda.
III. Bernardo considera laranjae tangerina igualmente gostosas, e
as consome como se fossem substitutas. Uma geada acabou com
a safra de laranjas, mas não afetou a safra de tangerinas devido à
distância geográfica. Como resultado da geada, o preço da laranja
aumentou. Bernardo, quando foi à feira, se deparou com preços
mais altos da laranja. Ele comprará tangerinas em vez de laranjas.

IV. Uma redução do número de consumidores em um determinado
mercado faz com que a demanda agregada por um bem se reduza.
V. Batata frita e hambúrguer são considerados bens
complementares. Um aumento no preço do hambúrguer leva a uma
redução da quantidade demandada de batata frita.
Assinale a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20lei%20da%20demanda%20diz%20que%20quanto%20maior%20o%20pre%C3%A7o%2C%20
pre%C3%A7o%20da%20demanda%20%C3%A9%20uma%20medida%20de%20sensibilidade%20da%20demanda
Questão 2
Sobre a oferta agregada, considere as afirmativas a seguir:
I. A curva de oferta agregada é a soma vertical das curvas de oferta
individuais.
II. Existe uma curva de oferta agregada para cada mercado.
III. Uma mudança no preço do café aumenta a sua oferta, e,
portanto, ela se desloca para a direita.
IV. Uma nova tecnologia que permite a produção de 10 pedaços de
queijo a partir de 1 litro de leite foi descoberta recentemente por
cientistas e fazendeiros. Essa nova tecnologia deslocará a curva de
oferta de queijo para a direita.
V. Uma expectativa de aumento do preço no petróleo faz com que a
oferta de petróleo aumente no presente, deslocando a curva de
oferta para a direita.
Assinale a alternativa correta:
A As afirmativas III, IV e V são falsas.
B As afirmativas I, III, IV e V são verdadeiras.
C As afirmativas I e II são falsas.
D Apenas a afirmativa III é verdadeira.
E As afirmativas III e IV são verdadeiras.
A As afirmativas III e V são falsas.
B Somente a afirmativa IV é verdadeira.
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20curva%20de%20oferta%20agregada%20%C3%A9%20igual%20%C3%A0%20soma%20horiz
2 - Formação de preços e quantidades de equilíbrio
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever a formação de preços e quantidades de
equilíbrio em um mercado competitivo.
Oferta, demanda e equilíbrio
Neste vídeo, exploramos o conceito de equilíbrio em economia,
destacando a interação entre oferta e demanda agregadas para
determinar o preço de equilíbrio, em que as ações dos consumidores e
produtores se alinham sem incentivos para mudanças individuais.
Vimos os elementos essenciais para a determinação do equilíbrio: a
oferta e a demanda agregadas. Apresentaremos o conceito de equilíbrio
e vamos entender como o encontramos a partir da interação entre
oferta e demanda.
C As afirmativas I, III e V são falsas.
D As afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
E As afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
Quando já estivermos familiarizados com o equilíbrio, veremos um
pouco sobre excedente do consumidor e do produtor, medidas úteis de
bem-estar econômico.
Dizemos que há equilíbrio em determinada situação quando não há
incentivos para que qualquer agente econômico (consumidor ou firma)
altere seu comportamento individual, considerando o que os demais
agentes estão fazendo.
Segundo a definição de equilíbrio em Varian:
Todos os agentes escolhem a
melhor ação possível de acordo
com seus próprios interesses, e o
comportamento de cada pessoa é
coerente com o das outras.
(VARIAN, 2012, n. p.)
Isso significa que ninguém ficaria melhor caso decidisse agir
individualmente de forma diferente.
Para entender melhor o conceito de equilíbrio, imagine um
mercado de frutas onde os vendedores (produtores) e os
compradores (consumidores) interagem livremente.
Os consumidores têm uma ideia do quanto estão dispostos a
pagar por uma fruta. Se o preço for baixo, eles querem comprar
mais frutas. Se o preço for alto, eles compram menos frutas. Os
produtores sabem quanto custa para produzir frutas. Se o preço
de venda é alto, eles querem produzir e vender mais. Se o preço
de venda é baixo, eles preferem produzir menos, pois pode não
valer a pena.
Em uma situação de equilíbrio, os consumidores compram a
quantidade de frutas que desejam ao preço que estão dispostos
a pagar e os produtores vendem a quantidade de frutas que
desejam ao preço que não lhes dá prejuízo. No equilíbrio, todos
os consumidores que querem comprar frutas ao preço de
equilíbrio conseguem comprar, e todos os produtores que
querem vender frutas ao preço de equilíbrio conseguem vender.
Sabemos que, em um mercado competitivo, nenhum agente tem
capacidade de afetar o mercado, o preço e a quantidade total. Contudo,
o que determina o preço e a quantidade de equilíbrio é a interação
conjunta de todos os indivíduos nesse mercado.
Exemplo 
O preço de equilíbrio é aquele em que oferta e
demanda são iguais. A esse preço nenhum consumidor
poderia melhorar sua situação ao propor a compra por
um preço diferente, assim como nenhum produtor
poderia ficar melhor propondo vender o bem por outro
preço.
Como curvas de oferta e demanda representam as melhores escolhas
dos agentes envolvidos, quando elas se igualam em um preço de
equilíbrio denotado por , temos que o comportamento dos
consumidores e dos produtores são compatíveis. Em qualquer outro
preço, essa condição não seria satisfeita.
O preço de equilíbrio é o preço que ajusta o mercado,
garantindo que cada indivíduo que demande um bem
encontre um ofertante disposto a vendê-lo pelo mesmo
preço.
Visualmente, podemos encontrar o equilíbrio ao colocar as curvas de
oferta e demanda no mesmo diagrama, como no gráfico a seguir.
Gráfico: Equilíbrio
O ponto E é o ponto em que as curvas se cruzam, e oferta e demanda
são iguais; representa o preço de equilíbrio e é a quantidade de
equilíbrio.
Existe um princípio básico de que os mercados, com frequência, se
movem para o equilíbrio. Para melhor ilustrar esse princípio, observe o
seguinte gráfico:
Gráfico: Preço acima do equilíbrio
Suponha que o preço de mercado, isto é, o preço pelo qual o bem é
transacionado, seja igual a p', acima do equilíbrio.
A esse preço, a quantidade ofertada é , e a quantidade demandada é
.
Como a quantidade ofertada é maior do que a demandada, temos um
excedente, ilustrado pela diferença entre e .
Existem alguns produtores que não encontram consumidores para
comprar seus produtos. O excesso de oferta fornece incentivos para que
os produtores ofereçam um preço mais baixo, buscando atrair outros
consumidores. O preço vai sendo gradativamente reduzido, até chegar
no preço de equilíbrio. Portanto, sempre que o preço está acima do
equilíbrio, há um excesso de oferta, que faz o preço baixar até o
equilíbrio.
Agora, suponha que o preço esteja abaixo do preço de equilibrio, em ".
Observe o próximo gráfico:
Gráfico: Preço abaixo do equilíbrio
p∗
p∗ q∗
qs
qd
qs qd
p
Com o preço em ", a quantidade demandada é maior do que a
quantidade ofertada, e, portanto, há excesso de demanda ou escassez.
Nessa situação, existem consumidores que gostariam de comprar, mas
não conseguem, e então passam a oferecer preços mais altos. É
possível que os produtores notem que também podem cobrar um preço
maior. Em qualquer mecanismo, o resultado é o mesmo. O preço vai
aumentando gradualmente, atraindo novos produtores e expulsando
consumidores que não estão dispostos a pagar um preço mais alto.
Esse movimento acontece até o preço de equilíbrio, em que as
quantidades ofertada e demandada se igualam.
Mudanças na oferta, demanda e
equilíbrio
Este vídeo apresenta os fatores e as situações que podem deslocar a
curva de oferta agregada e analisa os efeitos desse deslocamento no
equilíbrio de mercado.
Como vimos anteriormente, há muitos eventos que deslocam as curvas
de oferta e demanda. Existem eventos que deslocama curva de
demanda, como um relatório médico afirmando que chocolate faz bem
à saúde, o que não tem efeito algum sobre a oferta. Da mesma forma,
existem situações que deslocam a oferta, como a entrada de novos
produtores de cacau, mas que não afetam a demanda.
O que acontece com o equilíbrio nesses dois eventos
descritos?
Quando um novo estudo médico divulgado credita benefícios ao
chocolate, a curva de demanda se desloca, como nesse gráfico:
Gráfico: Deslocamento positivo da demanda e novo equilíbrio
Você pode observar que o ponto mostra o equilíbrio correspondente
à curva de demanda original, , cujo preço de equilíbrio é , e a
quantidade de equilíbrio é .
O relatório médico divulgado faz com que a curva de demanda se
desloque positivamente, para a direita, de para . Ao preço
original, , o mercado não está mais em equilíbrio. Há um excesso de
demanda, uma escassez. O preço do chocolate aumenta, gerando um
aumento da quantidade ofertada. Esse aumento da quantidade ofertada
é um movimento ao longo da curva de oferta. Um novo equilibrio, , se
estabelece. Nesse ponto, oferta e demanda voltam a se cruzar. O
p
E1
D1 p∗
1
q∗
1
D1 D2
p1
∗
E2
equilíbrio ocorre com um preço mais alto e uma quantidade maior.
Isso reflete um princípio geral: quando a demanda de um bem aumenta,
seu preço e sua quantidade de equilíbrio também aumentam.
Suponha agora uma situação diferente. Pão e tapioca são substitutos.
Se o preço do pão cai, a demanda por tapioca diminui. O gráfico, a
seguir, ilustra esse evento:
Gráfico: Deslocamento negativo da demanda e novo equilíbrio
Observando a figura acima, vemos que a queda do preço do pão faz a
demanda por tapioca se deslocar, negativamente, para a esquerda. Ao
preço inicial , há um excesso de oferta, uma vez que a quantidade
ofertada é maior do que a quantidade demandada. O preço cai até que a
nova curva de demanda, , encontre a curva de oferta . Isso é
ilustrado no ponto , o novo equilíbrio. Nesse ponto, o preço e a
quantidade de equilibrio são menores. Assim, quando a demanda de um
bem se reduz, sua quantidade e preço de equilíbrio também se reduzem.
Considere agora outro gráfico:
Gráfico: Deslocamento positivo da oferta e o novo equilíbrio
Inicialmente, o mercado estava em equilíbrio, no ponto , em que as
curvas de oferta e demanda eram e , respectivamente. No ponto
, o preço de equilíbrio é , e a quantidade de equilíbrio é .
A entrada de novos produtores no mercado de cacau desloca a curva de
oferta para a direita. Assim, a nova curva de oferta é . Ao preço inicial
, há um excesso de oferta, que faz com que o preço se reduza, até
que a nova curva de oferta cruze com a curva de demanda. Esse ponto é
ilustrado por , o novo ponto de equilíbrio. Em , o novo preço de
equilíbrio é , e a nova quantidade de equilíbrio é . Portanto,
quando a oferta aumenta, o preço de equilíbrio diminui e a quantidade
de equilíbrio aumenta.
Nova Friburgo é uma cidade no estado do Rio de Janeiro que produz
hortaliças. Suponha que, em 2012, a cidade teve um verão atípico, com
altas temperaturas e pouca chuva. Esse fenômeno fez com que as
hortaliças morressem, ocasionado um deslocamento para a esquerda
da curva de oferta. O seguinte gráfico ilustra essa situação:
Deslocamento negativo da oferta e o novo equilíbrio
A curva de oferta passa, então, a ser . Ao preço inicial há um
excesso de demanda, que pressiona os preços para cima, que vão
subindo, gradualmente, até que a nova curva de oferta cruze com a
demanda. Isso é ilustrado pelo ponto , o novo equilíbrio. Nesse ponto,
o preço de equilíbrio é , e a quantidade de equilíbrio é . Portanto,
quando há uma redução da oferta, o preço de equilíbrio é mais alto e a
quantidade de equilíbrio é menor.
Por fim, veremos o que acontece quando há deslocamentos
simultâneos de oferta e demanda. No gráfico do painel A, temos um
grande deslocamento da demanda para a direita, e um pequeno
deslocamento da oferta para a esquerda, enquanto no gráfico do painel
B, a oferta se desloca bastante para a esquerda, e a demanda sofre um
pequeno deslocamento para a direita:
E2
p1
∗
D2 S
E2
E1
S1 D
E1 p1
∗ q1
∗
S2
p1
∗
E2 E2
p2
∗ q2
∗
S2 p1
∗
E2
p2
∗ q2
∗
Gráfico: Deslocamento simultâneo e novo equilíbrio
Esses deslocamentos podem ser imaginados como uma mudança nas
preferências por milho, junto com uma quebra de safra. A diferença
entre os dois painéis é a magnitude de deslocamento e é descrito da
seguinte forma:
Painel A
A demanda sofre um
deslocamento de
magnitude maior que a
oferta.
Painel B
A oferta sofre um
deslocamento maior do
que a demanda.
Nos dois painéis, o preço se move de para , conforme o
equilíbrio se move de para . Como no painel A a queda de oferta é
menor do que o aumento da demanda, a quantidade de equilíbrio
aumenta de para . Já no painel B, com retração da oferta maior
do que a expansão da demanda, a quantidade de equilíbrio é reduzida de
 para .
Esse exemplo nos permite constatar que, quando a oferta se reduz e a
demanda aumenta, o preço de equilíbrio aumenta, mas o que de fato
ocorre com a quantidade de equilíbrio dependerá de qual efeito é maior,
ou seja, qual deslocamento tem maior magnitude.
Quando oferta e demanda se deslocam em direções opostas, no geral,
podemos fazer algumas previsões, como:

Se a demanda aumenta e a oferta cai, o preço de equilíbrio sobe, mas a
quantidade dependerá de qual dos deslocamentos teve maior
magnitude.

Quando a demanda cai e a oferta aumenta, o preço de equilíbrio é
menor, mas o efeito sobre a quantidade de equilíbrio é ambíguo.
Se as duas curvas se deslocam no mesmo sentido, ou seja, oferta e
demanda se deslocam ambas para a esquerda ou para a direita,
podemos saber o efeito sobre a quantidade, mas não sobre o preço de
equilíbrio. Se oferta e demanda aumentam, a quantidade de equilíbrio é
maior, mas nada podemos dizer sobre o preço. Quando oferta e
demanda diminuem, a quantidade de equilíbrio é reduzida, mas, mais
uma vez, nada podemos afirmar sobre o preço de equilíbrio. Em ambos
os casos, o preço de equilíbrio dependerá de qual efeito prevalecerá.

p1
∗ p2
∗
E1 E2
q1
∗ q2
∗
q1
∗ q2
∗

Estática comparativa no modelo de
oferta e demanda
Neste vídeo, exploramos como a interação entre oferta e demanda
determina o equilíbrio de mercado, ilustrando o cálculo do preço de
equilíbrio e analisando o impacto causado no mercado pelo
deslocamento das curvas de oferta e demanda.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Adaptado de Krugman, 2011) Considere o mercado de pimentão
recheado, no qual há dois consumidores, Carolina e Mateus. A
tabela a seguir apresenta o preço de reserva dos consumidores. A
partir da tabela, assinale a alternativa correta.
A
Após uma nevasca, muitas pessoas querem
comprar removedores de neve de segunda mão nas
lojas de ferragens, gerando um excedente.
B
2005 foi um ano excelente para os vinhedos da
Califórnia, que produziram uma colheita recorde.
Esta colheita gerou uma escassez de vinho.
C
Depois de um furacão, os hotéis da Flórida
verificaram que muitas pessoas cancelam suas
férias, deixando-os com quartos vazios, havendo um
excedente.
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3ECom%20a%20nevasca%2C%20a%20demanda%20por%20removedores%20de%20neve%20aume
paragraph'%3EUma%20colheita%20recorde%20aumenta%20a%20oferta%20de%20vinhos%2C%20deslocando%
paragraph'%3EAlternativa%20correta.%20Um%20furac%C3%A3o%20reduz%20a%20demanda%20por%20quart
paragraph'%3ECom%20a%20tempestade%2C%20a%20demanda%20por%20%C3%A1gua%20mineral%20aume
paragraph'%3EA%20guerra%20no%20Oriente%20M%C3%A9dio%20provoca%20a%20destrui%C3%A7%C3%A3o
Questão 2
(Adaptado de Krugman, 2011) De tempos em tempos, um
fabricante de chips para computadores, como a Intel, produz um
novo tipo de chip mais rápido que o anterior. Com isso, a demanda
por computadoresque usam chips mais antigos cai, conforme
novos consumidores adiam as compras esperando o lançamento
do equipamento com a nova tecnologia. Os fabricantes de
computadores, por sua vez, aumentam a produção de máquinas
com chips antigos, buscando terminar o estoque destes produtos.
Com base nessas informações, assinale a alternativa correta sobre
o que ocorre no mercado de computadores com chip mais antigo.
D
Depois de uma tempestade, o rio que fornece água
a uma cidade norte-americana apresentou diversas
algas, o que impactou a distribuição de água potável
pela companhia local. Com medo de tomarem a
água com cheiro, gosto e cor diferentes, os
moradores passaram a comprar água mineral. Esta
situação gerou um excedente.
E
Após uma guerra no Oriente Médio, diversos poços
de produção de petróleo são destruídos, gerando um
excedente de gasolina no resto do mundo.
A
A curva de oferta desloca-se para a direita, e a de
demanda, para a esquerda. O preço de equilíbrio
neste mercado diminui, e a quantidade também.
B
A demanda desloca-se para a esquerda, e o novo
equilíbrio tem um preço e quantidade menores.
C
O deslocamento da curva de oferta para a direita
compensa o da curva de demanda para a esquerda,
e o novo equilíbrio tem preço e quantidade
exatamente iguais aos iniciais.
A curva de oferta desloca-se para a direita, e a de
demanda, para a esquerda. O preço de equilíbrio
neste mercado diminui, mas nada podemos afirmar
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EDe%20fato%2C%20o%20pre%C3%A7o%20ser%C3%A1%20menor%20no%20novo%20equil%C3%
3 - Excedente do produtor e do consumidor
Ao �nal deste módulo, você será capaz de de�nir excedente do produtor e do consumidor para
aplicá-lo como medida de bem-estar.
Excedente do consumidor e curva de
demanda
A curva de demanda é derivada a partir das preferências dos
consumidores, que, por sua vez, definem o quanto de bem-estar um
indivíduo obtém ao realizar transações em um mercado.
Considere, por exemplo, o mercado de roupas usadas. Uma calça jeans
usada pode não ser tão boa quanto uma nova, pois pode estar gasta,
manchada etc. O quanto isso incomoda alguém dependerá das
preferências de cada um.
Vitória pode valorizar uma roupa de brechó mais do que Fernando, que
só compraria uma roupa usada se fosse muito barata.
Esse exemplo ilustra um conceito importante, o de disposição a pagar.
D sobre o que ocorre com a quantidade do mesmo,
uma vez que dependerá de qual efeito tem
magnitude maior.
E
A curva de oferta e a curva de demanda se
deslocam para direita, aumentando a quantidade de
equilíbrio, mas nada podemos afirmar sobre o que
ocorre com o preço do mesmo, uma vez que
dependerá de qual efeito tem magnitude maior.
A disposição a pagar, ou preço reserva, reflete o preço
máximo que um consumidor está disposto a pagar por
determinado bem.
Um indivíduo não pagará mais do que este valor por um bem. Se o preço
é igual à disposição a pagar, o consumidor estará indiferente entre
comprar ou não.
O gráfico, a seguir, ilustra a disposição a pagar de três consumidores,
Júlia, Manuel e Beatriz, com preços de reserva de R$50,00, R$35,00 e
R$22,00, respectivamente:
Gráfico: Preço de reserva e excedente do consumidor
Seus preços de reserva estão acima do preço pelo qual o bem é vendido,
que é de R$10,00. O preço de reserva deles está acima do preço de
mercado e, portanto, eles irão realizar a transação. Há também aqueles
consumidores com preço de reserva abaixo do preço de mercado. Esses
indivíduos não irão comprar o bem.
A compra do bem por consumidores cuja disposição a
pagar é maior ou igual ao preço de mercado do bem
gera bem-estar para os mesmos.
Esse bem-estar pode ser medido, e é conhecido como excedente do
consumidor.
Nesse exemplo, podemos notar que cada comprador de um bem
alcança algum excedente individual. Ao somarmos os excedentes
individuais, chegamos ao excedente total dos consumidores. Supondo
que no exemplo acima só haja três consumidores no mercado, o
excedente total do consumidor é de: R$ 40,00 + R$ 25,00 + R$ 12,00 =
R$ 77,00.
O gráfico a seguir representa o excedente total do consumidor para um
grande mercado. Veja!
Excedente do consumidor
É a diferença entre o preço de reserva do consumidor e o preço de
mercado. Voltando à figura 16, o excedente de Júlia é igual a R$50,00 -
R$10,00 = R$ 40,00. Já o de Manuel é de R$35,00 - R$10,00 = R$25,00,
enquanto o de Beatriz é de R$22,00 - R$10,00 = R$12,00.
Gráfico: Excedente total do consumidor
Esse mercado possui tantos consumidores que a curva de demanda
agregada é contínua. O excedente total do consumidor é a área do
triângulo abaixo da curva de demanda e acima da linha do preço, sendo
igual a reais.
Quando o preço muda, o excedente do consumidor também varia. O
seguinte gráfico ilustra o que acontece quando o preço aumenta.
4(25−15)
2
= 20
A curva de demanda agregada é contínua
Isso significa que curva de demanda agregada deixa de ter o formato de
“escadinha” que estávamos usando anteriormente para o caso com apenas
3 consumidores e passa a ter o formato de reta negativamente inclinada
com o qual estamos acostumados. É como se agora o número de
consumidores é tão grande que tende ao infinito.
A área do triângulo
Lembre-se de que a área do triângulo pode ser calculada com a fórmula:
Gráfico: Mudança no preço e mudança no excedente
Com a redução do preço de R$ 15,00 para R$ 10,00, a quantidade
aumenta de 4 para 6 unidades. Com isso, o excedente total dos
consumidores aumenta pela área do gráfico destacada em azul escuro.
Podemos calcular o novo excedente total dos consumidores calculando
a área do novo triângulo formado entre a curva de demanda e a linha do
novo preço, ou seja, o novo excedente total dos consumidores será de
 reais.
Excedente do consumidor e curva de
demanda
Este vídeo explica o conceito de excedente do consumidor e a curva de
demanda, mostrando como a diferença entre a disposição a pagar dos
consumidores e o preço de mercado gera bem-estar econômico.
Excedente do produtor e curva de
oferta
Considere um grupo de amigos que querem vender discos usados, ou
seja, são vendedores em potencial. Como eles possuem preferências
distintas, cada vendedor em potencial terá um preço pelo qual estará
disposto a realizar a venda. Vejamos:
Área do triângulo =
base × altura
2
6(25−10)
2 = 30

Afonso
Não vende um disco por menos de R$9,00, mas por qualquer preço
acima deste.
Robson
Só aceita vender por, pelo menos, R$15,00.
Joaquim
Vende por qualquer preço acima de R$ 22,00, mas não vende por
menos.
Assim, podemos definir o custo econômico do vendedor como o menor
preço pelo qual o produtor está disposto a vender seu produto.
Custo econômico
O custo econômico é o total dos custos que uma empresa ou indivíduo
incorre para produzir um bem ou um serviço, considerando tanto os custos
explícitos quanto os implícitos. Os custos explícitos, também chamados de
“custos contábeis”, são despesas diretas e mensuráveis, como as despesas
com salários e matérias-primas. Os custos implícitos, também chamados
de “custos de oportunidade”, são os benefícios potenciais perdidos ao
escolher uma alternativa em detrimento de outra, como o benefício que se
poderia ganhar se o investimento ocorresse em outra atividade.
A diferença entre o preço que o produtor, de fato, vende o
produto e seu custo é o excedente do produtor.
Da mesma forma que foi possível obter a curva de demanda a partir da
disposição a pagar dos consumidores, podemos obter a curva de oferta
a partir dos custos dos produtores.
O gráfico, a seguir, ilustra a curva para um mercado de discos com três
produtores:
Gráfico: Custo individual e excedente do produtor
O excedente de Afonso equivale à área do retângulo mais escuro da
esquerda, o de Robson, à área do retângulo do meio, e o de Joaquim, a
do retângulo mais claro da direita.
Como no casodo excedente do consumidor, podemos somar os
excedentes individuais para chegarmos ao excedente total dos
produtores. Com um grande mercado e uma curva de oferta agregada
contínua, como no próximo gráfico, o excedente total dos produtores é a
área acima da curva de oferta e abaixo da linha do preço, sendo igual a
 reais:
Gráfico: Excedente total do produtor
4(10−0)
2
= 20
Assim como para o excedente do consumidor, mudanças de preço
afetam o excedente total. O gráfico, a seguir, ilustra o que ocorre quando
o preço aumenta:
Gráfico: Mudança no preço e no excedente
Com o aumento do preço de R$ 10,00 para R$ 15,00, a quantidade
ofertada aumenta de 4 para 6 unidades. Com isso, o excedente total dos
produtores aumenta pela área do gráfico destacada em azul claro.
Podemos calcular o novo excedente total dos produtores calculando a
área do novo triângulo formado entre linha do novo preço e a curva de
oferta agregada, ou seja, o novo excedente total dos produtores será de
 reais.
Excedente do produtor e curva de
oferta
Este vídeo explica o conceito e mostra como a diferença entre o preço
de venda e o custo mínimo de produção gera excedente do produtor e a
relação desse excedente com a curva de oferta.
Bem-estar e excedente
Um dos princípios fundamentais da Economia é que os mercados são,
frequentemente, uma maneira eficiente de alocar recursos. De forma
geral, a alocação de recursos pelo mercado torna a situação da
sociedade a melhor possível (não é sempre assim - você verá ao final
deste tema um caso em que isso não acontece). Por meio do excedente,
podemos entender o motivo disso ocorrer.
Tome como exemplo o mercado de livros e suponha que ele seja um
grande mercado competitivo. As curvas de oferta e de demanda desse
mercado estão representadas no gráfico adiante, junto com os
excedentes totais do consumidor e do produtor.
Gráfico: Equilíbrio de mercado e excedente
O equilíbrio do mercado de livros encontra-se no ponto E, com o preço
de R$45,00 e a quantidade de 100 unidades.
6(15−0)
2
= 45

A área em azul mais claro é igual ao excedente do consumidor, e a área
em azul mais escuro é igual ao excedente do produtor. Podemos
calcular o excedente total da sociedade ao somarmos as duas áreas.
O exemplo do mercado de livros deixa claro que há ganhos no comércio
tanto para os produtores quanto para os consumidores. Isso indica que
produtores e consumidores estão melhores, pois o mercado existe,
refletindo o princípio econômico sobre ganhos de troca, em que ocorrem
ganhos para ambos os lados de uma transação comercial.
Esses ganhos são a razão pela qual todos, quando fazem parte de uma
economia de mercado, estão em uma situação melhor do que se
fossem autossuficientes.
Participar de uma economia de mercado é melhor do
que ser autossuficiente, mas será que estão todos em
uma situação tão boa quanto possível?
Um critério útil para compararmos diferentes situações econômicas é o
de eficiência de Pareto. Para começar a defini-lo, primeiro vamos
delinear outro conceito, o de melhora de Pareto: se há uma forma
alternativa de melhorar a situação de um indivíduo sem piorar a situação
de outro, temos uma melhora de Pareto.
Exemplo
Se João está disposto a vender um produto por R$10,00, e Maria, a
comprá-lo por R$ 20, então, a venda a R$15,00 (ou a qualquer valor entre
R$10,00 e R$20,00) é uma melhora de Pareto, pois nenhum dos dois
perde e ao menos um fica em situação estritamente melhor.
Se uma situação admite uma melhoria de Pareto, dizemos que sua
alocação de recursos é Pareto ineficiente, ou seja, existem ações (ou
transações) que podem melhorar a situação de alguém sem prejudicar
ninguém. Se existe essa possibilidade, devemos exercê-la, ou não
faremos o melhor uso dos recursos disponíveis.
Caso seja impossível melhorar a situação de alguém sem piorar a de
outra pessoa (ou seja, se não houver melhorias de Pareto disponíveis),
dizemos que estamos em uma situação Pareto eficiente, ou,
simplesmente, que a alocação de recursos é eficiente no sentido de
Pareto, ou ainda ótima de Pareto. Há diferentes alocações eficientes de
Pareto, correspondendo a distribuições de recursos mais benéficas a
um ou outro agente econômico.
Supondo que em uma economia de mercado todas as trocas
voluntárias sejam realizadas, de modo a não haver mais possíveis
ganhos com trocas, obtemos um resultado conhecido como primeiro
teorema do bem-estar: todo equilíbrio em um mercado competitivo é
ótimo de Pareto. Em equilíbrio, um mercado competitivo esgota a
possibilidade de ganhos com novas trocas.
O segundo teorema do bem-estar nos diz que qualquer alocação ótima
de Pareto pode ser obtida como equilíbrio de mercado, bastando, então,
distribuir recursos e permitir que os agentes econômicos realizem
trocas voluntárias.
Para ilustrar esse teorema, suponhamos que exista um comitê que
busca melhorar o equilíbrio de mercado. A finalidade do comitê é
aumentar o excedente total. Para isso, eles pensam em três planos:
Alocação
Uma alocação é a distribuição dos recursos disponíveis entre os diferentes
indivíduos e as diferentes atividades produtivas.
Trocas voluntárias
Trocas voluntárias são transações onde todas as partes envolvidas
concordam livremente em negociar bens, serviços ou recursos, sem
coerção. Cada parte realiza a troca porque acredita que ficará em melhor
situação após a negociação. Por exemplo, um assalto não é uma troca
voluntária.
Realocar consumo entre consumidores
Na tentativa de realocar o consumo entre os consumidores, o
comitê realoca bananas entre Letícia e Lucas, cujos preços de
reserva são de R$1,00 e R$2,00, respectivamente. Com o preço
de equilíbrio da banana igual a R$1,50, Letícia compra o
produto, mas Lucas não. Se o consumo é realocado entre
Lucas e Letícia, o excedente do consumidor cairá, de forma que
só o equilíbrio de mercado gera o excedente de consumidor
mais alto possível, pois assegura que quem consome o bem é
aquele que mais o valoriza.
Realocar a venda entre produtores
De maneira análoga, o comitê decide realocar a produção entre
Arlindo e Teresa, cujos custos de produção de banana são,
respectivamente, de R$2,50 e R$0,50. Como o preço de
equilíbrio é de R$1,50, Arlindo não irá ofertar nenhuma unidade
neste mercado, mas Teresa o fará. Se o comitê reorganiza a
produção entre Teresa e Arlindo, impedindo a primeira de
ofertar neste mercado e induzindo o segundo a fazê-lo, o
excedente também cairá. Assim, o equilíbrio do mercado
competitivo gera o maior excedente do produtor possível.
Mudar a quantidade que será transacionada
Por fim, o comitê está convencido de que mudar a quantidade
transacionada vai melhorar o resultado. Sejam Letícia e Lucas
os compradores, e Arlindo e Teresa os produtores. Para reduzir
as vendas, o comitê terá de impedir que Arlindo venda para
Letícia. Como Lucas está disposto a pagar R$2,00, mas o custo
de Arlindo é de R$ 2,50, impedir esta venda reduz o excedente
total em R$ 2,50 - R$ 2,00 = R$0,50. Se o comitê opta por
aumentar a quantidade, forçando que Arlindo, que não ofertou
nada, venda à Letícia, que não comprou, a redução do
excedente total é de R$2,50 - R$0,50 = R$ 2,00.
Esse resultado independe do par de consumidores e produtores
escolhidos para exemplificar. Pode ser qualquer produtor que tenha um
custo de R$ 1,50 ou menos, e qualquer consumidor que tenha um preço
de reserva de R$ 1,50 ou mais. Portanto, impedir vendas reduz o
excedente total. Da mesma forma, qualquer um que não estivesse
comprando bananas estaria disposto a pagar menos de R$ 1,50, e
qualquer um que não tivesse vendido bananas tem um custo por
unidade maior que R$ 1,50.
Apesar de termos exemplificado os teoremas, existem algumas
ressalvas a serem feitas.
A primeira delas é que o conceito de eficiência de Pareto nada diz sobre
equidade, de forma que é possível que um resultado no qual um
indivíduo detenha toda a riqueza e os demais não tenham nada seja
Pareto eficiente.
A outrapelo monopolista é
negativamente inclinada. O gráfico, a seguir, ilustra isso:
Gráfico: Monopólio.
 representa o equilíbrio do mercado competitivo. Em o preço de
equilíbrio é , e a quantidade ofertada em equilíbrio é igual a .
Já no equilibbrio de monopólio, a quantidade ofertada de equilíbrio é
, ao preço .
Repare que não existe uma curva de oferta do monopolista. Isso ocorre
porque a curva de oferta mostra a quantidade que os produtores estão
dispostos a ofertar a qualquer preço de mercado dado, mas essa
situação não se aplica ao monopolista. Por ser a única produtora, a
firma monopolista pode observar a curva de demanda agregada e
escolher a quantidade que maximiza seu lucro, levando em conta sua
própria capacidade de influenciar o preço. Veremos mais sobre isso a
seguir.
Monopólio
Este vídeo aborda o conceito de monopólio, destacando como a falta de
competição permite ao monopolista controlar preços e quantidades
ofertadas, influenciado por barreiras de entrada e ausência de
substitutos próximos.
Ec Ec
Pc QC
Qm Pm

Escolha de preço e de quantidade
Provavelmente, você está se perguntando: “Como o monopolista
escolhe o preço para maximizar o lucro?”.
Como sabemos, um produtor que deseja maximizar seu lucro tem uma
ótima regra: produz a quantidade em que o custo marginal se torna igual
à receita marginal. A regra é válida para qualquer produtor, e a aplicação
desta leva a diferentes quantidades ofertadas, embora todas
maximizem o lucro.
Isso acontece porque a curva de demanda que um produtor enfrenta em
concorrência perfeita é diferente da enfrentada em monopólio.
Enquanto a curva do produtor perfeitamente competitivo é horizontal, a
do monopolista é negativamente inclinada.
Dessa forma, a receita marginal da firma competitiva é o preço de
mercado: se ela vende uma unidade a mais, sua receita adicional é o
preço de mercado daquele bem.
Horizontal
A curva de demanda “individual” enfrentada pelo produtor em um mercado
competitivo ser horizontal significa que ele perderá todas as suas vendas
caso decida aumentar, individualmente, o preço dos seus produtos. Por isso
dizemos que o produtor em um mercado competitivo é “tomador de
preços”.
Como o monopolista enfrenta uma curva de demanda negativamente
inclinada, a receita marginal do monopolista se altera conforme as
quantidades vendidas:
Quanto mais unidades ele vende, menor é o preço!
Isso ocorre exatamente porque a demanda de mercado (igual à
demanda do monopolista) é negativamente inclinada: quanto maior a
quantidade, menor o preço.
A tabela, a seguir, apresenta esta relação para um confeiteiro, que é
monopolista no mercado de sonhos:
Preço do sonho
(em R$)
Unidades Receita total Receita Marginal
10 0 10
9,5 1 19 9
8,5 2 25,5 7
8 3 32 7
Preço do sonho
(em R$)
Unidades Receita total Receita Marginal
7,5 4 37,5 6
6,5 5 39 2
6 6 42 3
5,5 7 44 2
5 8 45 1
4,5 9 45 0
4 10 44 -1
3,5 11 42 -2
3 12 39 -3
2,5 13 35 -4
2 14 30 -5
1,5 15 24 -6
1 16 17 -7
0,5 17 9 -8
0 18 0 -9
Tabela: Preço, receita total e receita marginal do monopolista.
Podemos observar que a receita marginal do sonho é menor do que o
preço pelo qual ele é vendido. Isso acontece porque o aumento da
oferta do monopolista tem dois efeitos sobre a receita, o efeito
quantidade, em que uma unidade a mais vendida aumenta a receita
total, e o efeito preço, em que, para vender uma unidade a mais, o
monopolista deve reduzir o preço de mercado de todas as demais
unidades, o que reduz a receita. Assim, a curva de receita marginal do
monopolista está sempre abaixo da curva de demanda, devido ao efeito
preço.
Para maximizar seu lucro, o monopolista irá, assim como um produtor
em competição perfeita, olhar o ponto em que custo marginal é igual à
receita marginal, como ilustrado na gráfico adiante:
Gráfico: Lucro de monopólio
Para encontrar o preço ótimo de monopólio, contudo, é preciso subir
verticalmente no ponto A até encontramos a curva de demanda, no
ponto B. Assim, a regra da quantidade ótima é válida para determinar a
quantidade escolhida pelo monopolista. O que muda é que, encontrada
essa quantidade, devemos usar a curva de demanda para encontrar o
preço. O polígono azul mostra o lucro de monopólio.
Escolha de preço e de quantidade
Esse vídeo analisa a escolha de produção do monopolista e o preço de
venda que maximiza o lucro do produtor.
Monopólio, concorrência perfeita e
bem-estar
Voltemos ao último gráfico. O equilíbrio competitivo é o ponto C. Como
o mercado é um monopólio, ou seja, há apenas um confeiteiro ofertando
o bem, seu equilíbrio ocorre no ponto B, a uma quantidade menor e a um
preço maior.
Assim, a primeira comparação simples entre
monopólio e concorrência perfeita nos permite
constatar que o monopolista produz uma menor
quantidade, em que , cobra um preço mais
alto, sendo , e tem lucro econômico
positivo de longo prazo - ou seja, há remuneração
extraordinária de fatores de produção.
Em competição perfeita, isso não ocorre: se uma firma tem lucro
econômico positivo, outras podem entrar no mercado cobrando um
pouco menos. As barreiras à entrada em um mercado monopolista,
porém, permitem que essa situação seja sustentável.
Como já sabemos algo sobre bem-estar, você deve estar se perguntando
qual é o impacto do monopólio sobre o excedente do produtor, do
consumidor e total.
O próximo gráfico apresenta dois painéis com o excedente do
consumidor, tanto para o mercado competitivo quanto para o
monopólio:
Gráfico: Painel A e B

Qm Pc = CMg
Comparandos os dois, temos o seguinte:
Painel A
Mostra o que acontece
em um mercado no qual
há concorrência
perfeita. Nesse caso, a
curva de custo marginal
reflete a curva de oferta.
O produto de equilíbrio
é Qc, e o preço Pc é
igual ao custo marginal
do bem. Cada firma tem
receita igual ao custo,
de forma que não há
excedente do produtor.
O excedente do
consumidor é igual à
área do triângulo azul,
que também é igual ao
excedente total.
Painel B
O monopolista produz
Qm e cobra Pm. Ele tem
um lucro igual à área do
polígono azul claro, que
é igual ao excedente do
produtor. Podemos
notar que este lucro foi
capturado dos
consumidores, uma vez
que o excedente do
consumidor passa a ser
igual à área do triângulo
azul escuro. Assim,
comparando o
excedente total do
painel A com o do
painel B, vemos que há
uma redução do
excedente e, portanto,
do bem-estar. A área do
triângulo laranja é igual
à perda de excedente, e
é conhecida como peso
morto, que nada mais é
do que a perda líquida
para a sociedade.
Consumidores e produtores têm sempre um conflito de interesses.
Contudo, no caso do monopólio, as perdas dos consumidores são
maiores que os benefícios do monopolista.
O monopólio é, portanto, uma fonte de ineficiência, no
sentido de Pareto: é possível melhorar a situação de
todos sem piorar a de ninguém - por exemplo, se a
firma monopolista produzir uma unidade a mais e
vendê-la a um preço maior que seu custo de produção,
mas menor que o preço de reserva do consumidor,
haverá ganho de troca. O monopolista, porém, não tem
incentivo a fazer isso porque seria obrigado a reduzir o
preço de todas as demais unidades vendidas, o que
diminuiria seu lucro.
Essa é a razão pela qual, com frequência, governos buscam impedir o
surgimento de monopólios.


Monopólio, concorrência perfeita e
bem-estar
Este vídeo apresenta a diferença entre o mercado monopolista e o
mercado com concorrência perfeita, assim como seus efeitos sobre o
cálculo do bem-estar da economia.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Considere as alternativas abaixo sobre monopólio e assinale a
alternativa correta.
Parabéns! A alternativa B está correta.
A
O monopólio é um mercado em que há apenas um
consumidor e diversos produtores.
B
No monopólio, a quantidade produzida é menor do
que em um mercado em que há concorrência
perfeita, e o preço é maior.
C
O monopolistanão usa a regra de produção ótima
em que a receita marginal é igual ao custo marginal,
e por isso, há uma diferença entre a quantidade
produzida de monopólio e de concorrência perfeita.
D
A curva de receita marginal do monopolista
encontra-se acima da curva de demanda.
E
Em monopólio, o excedente do consumidor é
transferido integralmente para o produtor.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EUm%20monop%C3%B3lio%20%C3%A9%20um%20mercado%20em%20que%20h%C3%A1%20ape
paragraph'%3EAl%C3%A9m%20disso%2C%20em%20um%20monop%C3%B3lio%2C%20uma%20parte%20do%2
Questão 2
Uma firma monopolista tem custo dado por , em
que é a quantidade produzida. O custo marginal (ou seja, o custo
para produzir uma unidade adicional) é dado por . O
preço de mercado é dado por (p(q)=20-q). A receita da firma
monopolista é simplesmente o preço multiplicado pela quantidade:
 . A receita marginal é
igual a .
A partir dessas informações, assinale a alternativa verdadeira.
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20monopolista%20faz%20receita%20marginal%20igual%20a%20custo%20marginal%20para
paragraph'%3EAssim%2C%20o%20lucro%20ser%C3%A1%20m%C3%A1ximo%20quando%20%24%24%24RMg%
paragraph'%3EUsando%20essa%20condi%C3%A7%C3%A3o%20e%20igualando%20as%20respectivas%20curva
paragraph%20u-centered'%3E%24%24%2420-
2q%3D2q%24%24%24%3Cbr%3E%24%24%2420%3D4q%24%24%24%3Cbr%3E%24%24%24q%3D5%24%24%24%
Considerações �nais
Ao longo deste conteúdo, desenvolvemos uma série de ferramentas
teóricas para entender o funcionamento dos mercados. Construímos as
C(q) = 10 + q2
q
CMg(q) = 2q
R(q) = p × q = (20 − q)q = 20q − q2
RMg(q) = 20 − 2q
A
O monopolista escolhe preço igual a custo marginal:
. Portanto, .20 − q = 2q q = 20/3
B
O monopolista escolhe preço igual a custo:
.20 − q = 10 + q2
C
O monopolista escolhe receita marginal igual a
custo marginal: , portanto, .20 − 2q = 2q q = 5
D
O monopolista escolhe o preço mais alto possível,
portanto, faz .q = 0
E
O monopolista escolhe a maior receita possível,
portanto, faz .q = 10
curvas de oferta e de demanda, estudamos a formação de preços e a
definição de quantidades transacionadas, e consideramos diferentes
estruturas de mercado - como competição perfeita e monopólio.
Apresentamos ainda critérios para avaliar se uma alocação de recursos
é “boa” em um sentido específico: eficiência de Pareto.
Esses instrumentos estarão presentes em qualquer análise econômica,
de estudos abstratos à prática cotidiana. Observe como esses conceitos
podem ser usados em debate sobre o possível investimento em uma
nova máquina ou sobre a definição de como distribuir tarefas entre os
funcionários, ou sobre uma política pública.
Podcast
Ouça agora um resumo sobre os principais assuntos abordados.

Explore +
Para uma compreensão mais aprofundada dos tópicos desenvolvidos,
sugerimos a leitura da obra a seguir:
ZINGALES, L; RAJAN, R. Salvando o capitalismo dos capitalistas. 1. ed.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
Referências
KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. 2. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2011
VARIAN, H. R. Microeconomia: uma abordagem moderna. 8. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2012
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