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 A IMPORTÂNCIA DO ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO 
PARA A PREVENÇÃO DE ACIDENTES: Uma Análise Bibliográfica 
 
Maria Celina Rudnik 
RESUMO 
 
O presente artigo tem como propósito apresentar a importância do engenheiro de segurança 
do trabalho para a prevenção de acidentes. Para tanto, preliminarmente abordou-se o 
significado de acidentes do trabalho. Na sequência, analisou-se a definição de segurança do 
trabalho e qual a importância do CIPA. Após, foi apresentado as normas regulamentadoras 
que devem ser seguidas e a importância do uso de equipamentos de segurança. Em seguida, 
o estudo apresenta como funciona o trabalho de um engenheiro de segurança do trabalho. A 
relevância do estudo é justificada pela importância de um profissional de segurança do 
trabalho para evitar acidentes que tragam riscos à saúde e vida dos colaboradores. 
 
Palavras-Chave: Segurança; Engenharia; Prevenção. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A presente pesquisa possui como objetivo geral a análise, através de informações 
obtidas em perquirição bibliográfica, sobre a função, natureza e importância do Engenheiro 
de Segurança do Trabalho dentro de uma empresa, especialmente em relação ao papel 
desempenhado para evitar acidentes do trabalho. 
Mesmo nos dias atuais, com notórios avanços na tecnologia e conhecimentos 
sobre segurança, os padrões de organização do trabalho propiciam a ocorrência de danos 
para os colaboradores, sendo em acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais que podem 
resultar até mesmo em invalidez permanente ou morte. 
Os maiores desafios para a saúde do trabalhador são os acidentes do trabalho, 
que acontecem não pela ausência de legislação, mas pelo não cumprimento das normas de 
segurança, as quais tem como objetivo a proteção da integridade física do trabalhador na 
atuação de suas atividades, assim como o controle de perdas. Além do descumprimento das 
normas, ocorre falta de fiscalização e pouca conscientização dos empregadores (MATTOS 
e MÁSCULO, 2011). 
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Dessa forma, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2020), 
os acidentes de trabalho são considerados um problema de saúde pública, já que são 
acontecimentos potencialmente fatais e incapacitantes aos trabalhadores, episódios que 
provocam consequências econômicas e sociais. Ademais, são os culpados pelo maior 
número de mortes e incapacidades graves causados pelo trabalho em todo o mundo. 
Neste sentido, os profissionais de segurança do trabalho surgem para garantir a 
integridade dos colaboradores, diminuir custos eventuais gerados por acidentes, e melhorar 
o ambiente de trabalho das empresas. 
Daí surge o questionamento: qual é importância do uso eficaz da segurança do 
trabalho dentro de uma empresa? E mais, o engenheiro de segurança do trabalho realmente 
pode agregar a uma organização, otimizando os processos de segurança e ajudando a 
prevenir acidente do trabalho? São essas as questões que justificam esta pesquisa, isto é, para 
uma análise sobre a contribuição de um profissional qualificado na segurança do trabalho 
para uma organização. Deste modo, deixando claro o peso da matéria, é possível ponderar 
sobre a valorização e necessidade dos métodos em estudo. 
Assim, o presente trabalho foi realizado com os questionamentos norteadores 
acima, verificando, através de bibliografia correlata, o conceito de segurança do trabalho, 
normas regulamentadoras e aplicação dentro de uma empresa. Além disto, é realizada análise 
sobre a atuação de um engenheiro de segurança do trabalho. 
Destarte, considerando a importância da aplicação da engenharia e segurança do 
trabalho para o desenvolvimento total das empresas, a pesquisa explicativa realizada, por 
consequência, analisou a importância da utilização de um engenheiro de segurança do 
trabalho, profissional essencial para a garantia da vida e a saúde dos trabalhadores, conforme 
adiante exposto. 
 
2 DESENVOLVIMENTO 
 
2.1 Acidentes do Trabalho 
 
Referindo-se à acidente de trabalho, primeiramente, é necessário saber sua definição. 
De acordo com Gardinalli (2015), trata-se de um episódio inesperado decorrente do exercício 
da função do trabalhador a serviço da empresa, causando-o lesão corporal, perda ou 
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diminuição, permanente ou temporária, da capacidade de trabalhar ou até mesmo levando a 
morte. 
A Lei n.8.213 de 24 de julho de 1991 dispõe sobre os Planos de Benefícios da 
Previdência Social. De acordo com o art. 20, da mencionada lei, ponderam-se acidentes do 
trabalho, as seguintes formas: 
I. Doença profissional, de tal modo abrangida pelo exercício do trabalho 
peculiar a alguma atividade e constante da respectiva relação formada pelo 
Ministério do Trabalho e da Previdência Social; 
II. Doença do trabalho, adquirida em atribuição de condições especiais em que 
o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. 
Em complemento, o art. 21 da mencionada lei, correspondem também a acidente do 
trabalho: 
I. O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja 
contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da 
sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica 
para a sua recuperação; 
II. O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em 
consequência de: 
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou 
companheiro de trabalho; 
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa 
relacionada ao trabalho; 
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de 
companheiro de trabalho; 
d) ato de pessoa privada do uso da razão; 
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes 
de força maior; 
III. A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício 
de sua atividade; 
IV. O acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: 
a) Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da 
empresa; 
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b) Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar 
prejuízo ou proporcionar proveito; 
c) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada 
por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, 
independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de 
propriedade do segurado; 
d) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, 
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade 
do segurado. 
De acordo com Silva (2014), os acidentes são provocados por atitudes indevidas ou 
por condições impróprias de trabalho. Tais atitudes indevidas cometidas pelos empregados, 
podem provocar acidentes, enquanto as condições impróprias são aquelas presentes no 
ambiente de trabalho que podem gerar um acidente - ligadas direta ou indiretamente ao 
trabalhador - e proporcionam riscos de acidentes durante o desenvolvimento das atividades. 
O número de Acidentes do Trabalhos ocorridos no Brasil, são alarmantes. Dados 
divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, em 2022, o número total 
de acidentes de trabalho no Brasil foi de 612,9 mil, o que procede na média de 69 acidentes 
por hora. Em 2023, do total de acidentes, 2.538 resultaram em mortes de trabalhadores e 
quase 19 mil ficaram incapacitações permanentemente (ALMEIDA, 2024). 
Qualquer acidente de trabalho ocasiona perdas econômicas, podendo ser ao 
acidentado, ao empregador ou ainda ao país, de forma direta e indiretamente poderá causar 
despesas conexas a cuidados médicos ao acidentado, benefícios e outros fatores (SAAD, 
1981). 
Os acidentes de trabalho também acarretam amplos custos para o governo, sendo na 
autorização de aposentadorias e auxílios para as vítimas do acidente ou pensões para os 
dependentes do segurado, em casos de morte. Atos prevencionistas básicos poderiam 
impedir o acontecimentodesses acidentes e diminuir o elevado valor a ser pago por toda a 
sociedade (GARCIA, 2016). 
Para fazer a prevenção de acidentes do trabalho deve-se elaborar planos capazes de 
evitar ou diminuir suas ocorrências. Para que isso aconteça, a gestão da segurança a saúde 
do trabalhador precisa fazer parte da gestão da empresa e não apenas ser abordada como um 
item que necessita ser sustentado para cumprir a legislação. Um profissional prevencionista 
5 
 
se aproveitará, no decorrer de sua atuação, de várias ferramentas eficazes para essa 
prevenção (MATTOS e MÁSCULO, 2011). 
Desta maneira, nota-se que para garantir o valor da vida dos colaboradores de uma 
empresa e para preservar seu capital patrimonial, a empresa precisa investir em segurança 
do trabalho. 
 
2.2 Segurança do Trabalho 
 
A segurança do Trabalho pode ser definida como um conjunto de medidas técnicas, 
administrativas, médicas e, especialmente, educacionais e comportamentais, as quais devem 
ser utilizadas com o objetivo de prevenir acidentes, e extinguir condições e procedimentos 
inseguros no ambiente de trabalho. A segurança do trabalho ressalta também a importância 
de meios de prevenção postos para garantir a integridade e a capacidade de trabalho do 
contribuinte (FERREIRA e PEIXOTO, 2012). 
Por sua vez, Silva (2014) cita que a segurança do trabalho deve ser vista como um 
agente de produção que se atenta com a prevenção da integridade física do trabalhador, que 
estuda e identifica os fatores de risco e causas de acidentes e doenças ocupacionais avaliando 
seus ímpetos e efeitos. É, pois, a ciência com a meta de indicar medidas de intervenção 
técnica nos ambientes de trabalho de caráter a prevenir todas os feitios de agravos à saúde 
do colaborador. 
Este tópico tem se tornado uma grande preocupação da sociedade moderna. A 
prevenção de acidentes em projetos ou empreendimento é critério que abrange a diminuição 
dos elevados custos humanos e o consequente progresso das condições sociais (MARTINS 
et al, 2010). 
Dentro desse contexto, nasce a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), 
conjunto de pessoas formado por representantes dos empregados e do empregador, 
preparados para contribuir na prevenção de acidentes. A CIPA avalia que o acidente de 
trabalho é obra de causas que podem ser abolidas ou enfraquecidas (FERREIRA e 
PEIXOTO, 2012). 
A CIPA foi criada pelo Governo Federal no ano de1940, tendo como alvo a redução 
do amplo número de acidentes de trabalho nas empresas. O foco dessa comissão é localizar 
meios e soluções eficazes em fornecer segurança ao local de trabalho e ao trabalhador. O 
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colaborador que atua junto ao CIPA é o elo entre o empregador, os Serviços Especializados 
em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e os empregados (SILVA, 2014). 
No plano normativo, a NR 05 estabelece parâmetros sobre a Comissão Interna de 
Prevenção de Acidentes e de Assédio, e determina as principais atribuições da CIPA 
(BRASIL, 1978), sendo: 
a) Acompanhar o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos 
bem como a adoção de medidas de prevenção implementadas pela 
organização; 
b) Registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em conformidade com o 
subitem 1.5.3.3 da NR-01, por meio do mapa de risco ou outra técnica ou 
ferramenta apropriada à sua escolha, sem ordem de preferência, com 
assessoria do Serviço Especializado em Segurança e em Medicina do 
Trabalho - SESMT, onde houver; 
c) Verificar os ambientes e as condições de trabalho visando identificar 
situações que possam trazer riscos para a segurança e saúde dos 
trabalhadores; 
d) Elaborar e acompanhar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva 
em segurança e saúde no trabalho; 
e) Participar no desenvolvimento e implementação de programas relacionados 
à segurança e saúde no trabalho; 
f) Acompanhar a análise dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, nos 
termos da NR-1 e propor, quando for o caso, medidas para a solução dos 
problemas identificados; 
g) Requisitar à organização as informações sobre questões relacionadas à 
segurança e saúde dos trabalhadores, incluindo as Comunicações de 
Acidente de Trabalho - CAT emitidas pela organização, resguardados o 
sigilo médico e as informações pessoais; 
h) Propor ao SESMT, quando houver, ou à organização, a análise das condições 
ou situações de trabalho nas quais considere haver risco grave e iminente à 
segurança e saúde dos trabalhadores e, se for o caso, a interrupção das 
atividades até a adoção das medidas corretivas e de controle; 
7 
 
i) Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana 
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho - SIPAT, conforme 
programação definida pela CIPA; 
j) Incluir temas referentes à prevenção e ao combate ao assédio sexual e a 
outras formas de violência no trabalho nas suas atividades e práticas. 
Essenciais para a segurança do trabalhado são as Normas Regulamentadoras (NRs). 
Criadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), elas abrangem uma série de medidas 
e disposições que devem ser seguidas visando a integridade física do trabalhador e a 
responsabilidade trabalhista do empregador, qual é encarregado pelo não cumprimento das 
NRs. 
 
2.3 Normas Regulamentadoras e a Importância do uso de Equipamentos de Segurança 
 
As NRs são de execução obrigatória pelas empresas públicas e privadas estabelecidas 
no país. Determina as diretrizes a serem cumpridas o capítulo V da Lei n.6.514, de 22 de 
dezembro de 1977, que dispõe sobre Consolidação das Leis do Trabalho (MATTOS e 
MÁSCULO, 2011). 
As primeiras normas regulamentadoras foram publicadas pela portaria nº 3.214, de 8 
de junho de 1978 do Ministério do Trabalho. Ao longo dos anos foram elaboradas as demais 
normas, a fim de ampliar as garantias de segurança e saúde de trabalhadores. O 
desenvolvimento e a revisão das normas regulamentadoras são realizados seguindo o sistema 
tripartite paritário, recomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), através 
de comissões integradas por representantes do governo, de empregadores e de trabalhadores 
(MTE, 2020). 
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, as normas regulamentadoras em vigor 
são: 
• NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais; 
• NR-3 – Embarco e Interdição; 
• NR-4 – Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho; 
• NR-5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; 
• NR-6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI; 
• NR-7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional; 
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/1978/portaria_3-214_aprova_as_nrs.pdf
8 
 
• NR-8 – Edificações; 
• NR-9 – Avaliação e Controle das Exposições Ocupacionais a Agentes Físicos, 
Químicos e Biológicos; 
• NR-10 – Segurança em Instalação e Serviços em Eletricidade; 
• NR-11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais; 
• NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos; 
• NR-13 – Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações e Tanques Metálicos de 
Armazenamentos; 
• NR-14 – Fornos; 
• NR-15 – Atividades e Operações Insalubres; 
• NR-16 – Atividades e Operações Perigosas; 
• NR-17 – Ergonomia; 
• NR-18 – Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção; 
• NR-19 – Explosivos; 
• NR-20 – Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis; 
• NR-21 – Trabalhos a Céu Aberto; 
• NR-22 – Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração; 
• NR-23 – Proteção Contra Incêndios; 
• NR-24 – Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho; 
• NR-25 – Resíduos Industriais; 
• NR-26 – Sinalização de Segurança; 
• NR-28 – Fiscalização e Penalidades; 
• NR-29 – Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Portuário; 
• NR-30 – Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário; 
• NR-31- Segurança e Saúde no Trabalhona Agricultura, Pecuária Silvicultura, 
Exploração Florestal e Aquicultura; 
• NR-32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde; 
• NR-33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados; 
• NR-34 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, 
Reparação e Desmonte Naval; 
• NR-35 – Trabalho em Altura; 
9 
 
• NR-36 – Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de 
Carnes e Derivados; 
• NR-37 – Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo; 
• NR-38 – Segurança e Saúde no Trabalho nas Atividades de Limpeza Urbana e 
Manejo de Resíduos Sólidos. 
 
Sobre as disposições legais e regulamentares, Texeira (2005) descreve que, em caso 
de não cumprimento, tal ação causará ao empregador a aplicação das penalidades previstas 
na legislação pertinente. A responsabilidade civil refere-se não só ao real empregador, bem 
como todos aqueles que, de alguma maneira, possam ter colaborado para a ocorrência do 
acidente. Já para o empregado, é constituído ato faltoso a recusa do cumprimento das NRs, 
conforme disposto no art. 158 da Lei n.6.514, de 22 de dezembro de 1977, que dispõe sobre 
Consolidação das Leis do Trabalho. 
A utilização dos Equipamentos de Proteção Individual é regulamentada pela NR 6, 
sendo que o empregador deve fornecer estes equipamentos, fiscalizar o uso por parte de seus 
empregados, bem como promover ações e treinamentos que conscientizem os seus 
colaboradores da importância do uso dos EPI’s (MATTOS e MÁSCULO, 2011). 
EPI é definido como um aparelho ou produto de utilização individual pelo 
trabalhador, arquitetado e produzido com o objetivo de fornecer proteção contra os riscos 
ocupacionais existentes no ambiente de trabalho (BRASIL, 1978). 
 O Anexo I da NR 6 (BRASIL, 1978), lista os Equipamentos de Proteção Individual 
(EPI), sendo eles: 
A. EPI para proteção da cabeça: capacete e capuz ou balaclava; 
B. EPI para proteção de olhos e face: óculos, protetor facial e máscara de solda; 
C. EPI para proteção auditiva: protetor auditivo circum-auricular, de inserção e 
semiauricular; 
D. EPI para proteção respiratória: respirador purificador de ar não motorizado, 
respirador purificador de ar motorizado, respirador de adução de ar tipo linha 
de ar comprimido, respirador de adução de ar tipo máscara autônoma e 
respirador de fuga; 
E. EPI para proteção do tronco: vestimenta para proteção do tronco contra 
agentes térmicos, mecânicos, químicos, radiação ionizantes, umidade 
proveniente de precipitação pluviométrica e umidade proveniente de 
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operações com utilização de água. E em casos específicos colete à prova de 
balas; 
F. EPI para proteção dos membros superiores: luvas, mangas, braçadeira, creme 
protetor de segurança para proteção dos membros superiores contra agentes 
químicos e dedeira para proteção dos dedos contra agentes abrasivos e 
escoriantes. 
G. EPI para proteção dos membros inferiores: calçados, meias, peneiras e calças; 
H. EPI para proteção do corpo inteiro: macacão e vestimentas de corpo inteiro; 
I. EPI para proteção contra quedas de diferença de nível: cinturão de segurança 
com dispositivo trava-queda e cinturão de segurança com talabarte. 
Os equipamentos que protegem diversos trabalhadores ao mesmo tempo e otimizam 
o ambiente de trabalho são denominados de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC). Os 
EPCs são dispositivos empregados no local de trabalho com a intenção de proteger os 
empregados dos riscos recorrentes no local. Regularmente, os EPCs envolvem facilidades 
para os processos industriais e diminuem os efeitos de perdas em função de melhorias nos 
ambientes de trabalho. Equipamentos de proteção coletiva normalmente utilizados são os 
extintores de incêndio, sinalização de segurança e a devida proteção de partes de máquinas 
e equipamentos (BARSANO e BARBOSA, 2015). 
O engenheiro de segurança do trabalho tem o dever junto ou de acordo com o Serviço 
Especializado em Engenharia em Segurança e Medicina do trabalho (SESMT) e a CIPA, de 
determinar o tipo apropriado de equipamentos a serem utilizados - os quais precisam ser de 
acordo com os riscos que o trabalho oferece, as condições de trabalho - e estabelecer qual 
parte do corpo do funcionário deverá ser protegida e qual trabalhador deverá usar o EPI 
(ROSSO e OLIVEIRA, 2005). 
Outra questão importante é o treinamento dos trabalhadores durante o processo de 
utilização dos EPIs. Trata-se de fase essencial para conscientizar o trabalhador e apresentar 
todas as instruções pertinentes sobre a maneira correta de utilizar os equipamentos. Incumbe 
ao setor de segurança da empresa, juntamente com o engenheiro de segurança do trabalho, 
estabelecer o sistema de controle adequado. 
 
2.4 O Trabalho do Engenheiro de Segurança do Trabalho 
 
11 
 
 A necessidade de promover condições apropriadas para a execução de todas as 
atividades dentro da organização, prevenindo acidentes e doenças ocupacionais, induz as 
empresas à procura de profissionais com aptidões específicas nesta área, capazes de trabalhar 
com a questão da segurança de forma ampla e eficaz. Para aquisição dos conhecimentos 
necessários, os profissionais graduados em qualquer uma das áreas da engenharia, devem 
cursar uma pós-graduação em nível de especialização em Engenharia de Segurança do 
Trabalho, para então serem habilitados como especialistas em Segurança do Trabalho na 
gestão, prevenção e controle de riscos de acidentes nos ambientes de trabalho e nas 
atividades laborais dos setores produtivos da sociedade. Por consequência, favorece um 
melhor desempenho nas atividades profissionais e docentes em relação à prevenção de 
acidentes do trabalho e doenças ocupacionais (MARTINS et al, 2010). 
 De acordo com Rodrigues e Jahesch (2009), o Engenheiro de Segurança do Trabalho 
é o profissional que possui como objetivo à segurança do trabalhador em todas as instâncias 
de sua atuação dentro de uma empresa. É ele quem avalia o ambiente de trabalho, condições 
de higiene e segurança. Ainda, verifica se as normas regulamentadoras do Ministério do 
Trabalho e emprego estão sendo adotadas, para que o colaborador não seja oprimido ou 
tratado de feitio sub-humano pelos seus patrões. 
 Os deveres de um Engenheiro de Segurança do Trabalho são: proporcionar 
informações e auxiliar na elaboração de manuais, normas e programas de treinamento, 
referentes à segurança e prevenção de acidentes, padronizando os processos de trabalho; 
garantir que os materiais de segurança, uniformes e EPIs, sejam adequados às necessidades 
e condições de riscos; validar sistemas de combate a incêndios; avaliar escopos técnicos, 
emitir laudos, pareceres e relatórios; coordenar a interface entre os vários setores envolvidos 
na implantação de projetos, no que refere-se a área de segurança do trabalho; e coordenar 
junto as empresa projetistas, de construção e montagem, as tarefas de segurança no trabalho 
(GARCIA, 2016). 
 Ainda sobre o exposto acima, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – 
CONFEA, com a resolução n. 359 de 31 de julho de 1991, dispõe sobre o exercício 
profissional, o registro e as atividades do Engenheiro de Segurança do Trabalho e dá outras 
providências. De acordo com o art. 4 as atividades desses profissionais dentro dos Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT são: 
1. Supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente; 
https://normativos.confea.org.br/Ementas/Visualizar?id=407
12 
 
2. Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho, especialmente aos 
problemas de controle de risco, controle de poluição, higiene do trabalho, ergonomia, 
proteção contra incêndio e saneamento; 
3. Planejar e desenvolver a implantação de técnicas relativas a gerenciamento e 
controle de riscos; 
4. Vistoriar, avaliar, realizar perícias, emitir parecer, laudos técnicos e indicar medidas 
de controle sobre grau de exposiçãoa agentes agressivos de riscos físicos, químicos 
e biológicos, tais como poluentes atmosféricos, ruídos, calor, radiação em geral e 
pressões anormais, caracterizando as atividades, operações e locais insalubres e 
perigosos; 
5. Analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas, propondo medidas 
preventivas e corretivas; 
6. Propor políticas, programas, normas e regulamentos de Segurança do Trabalho; 
7. Elaborar projetos de sistemas de segurança e assessorar a elaboração de projetos de 
obras, instalação e equipamentos; 
8. Estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando seus pontos de risco e 
projetando dispositivos de segurança; 
9. Projetar sistemas de proteção contra incêndios, coordenar atividades de combate a 
incêndio e de salvamento e elaborar planos para emergência e catástrofes; 
10. Inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a segurança do Trabalho, 
delimitando áreas de periculosidade; 
11. Especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva e equipamentos de 
segurança, inclusive os de proteção individual e os de proteção contra incêndio, 
assegurando-se de sua qualidade e eficiência; 
12. Opinar e participar da especificação para aquisição de substâncias e equipamentos 
cuja manipulação, armazenamento, transporte ou funcionamento possam apresentar 
riscos, acompanhando o controle do recebimento e da expedição; 
13. Elaborar planos destinados a criar e desenvolver a prevenção de acidentes; 
14. Orientar o treinamento específico de Segurança do Trabalho e assessorar a 
elaboração de programas de treinamento geral, no que diz respeito à Segurança do 
Trabalho; 
13 
 
15. Acompanhar a execução de obras e serviços decorrentes da adoção de medidas de 
segurança, quando a complexidade dos trabalhos a executar assim o exigir, LDR - 
Leis Decretos, Resoluções Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia; 
16. Colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício de funções, apontando 
os riscos decorrentes desses exercícios; 
17. Propor medidas preventivas no campo da Segurança do Trabalho, em face do 
conhecimento da natureza e gravidade das lesões provenientes do acidente de 
trabalho, incluídas as doenças do trabalho; 
18. Informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou por meio de seus 
representantes, as condições que possam trazer danos a sua integridade e as medidas 
que eliminam ou atenuam estes riscos e que deverão ser tomadas. 
A NR n. 04, prevê ainda que, as atividades dos profissionais integrantes dos SESMT 
são essencialmente prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento de emergência, 
quando se tornar necessário (BRASIL, 2020). 
 Uma vez que fique claro o vínculo causal entre determinadas amostras de doenças e 
a exposição a determinados riscos, é possível o direcionamento de ações eficazes para 
eliminação, neutralização e prevenção da respectiva doença, também evitando o seu 
agravamento (JAHESCH, 2007). 
A antecipação dos riscos é a maneira mais eficiente de preservar o bem-estar e a 
integridade física dos trabalhadores e prevenir os riscos ocupacionais. Envolve a análise de 
projetos de novas instalações, métodos ou processos de trabalho, ou de alteração dos já 
existentes, visando identificar os riscos possíveis e adentrar medidas de segurança para sua 
diminuição ou eliminação. O Engenheiro de Segurança do Trabalho é essencial nessa etapa, 
atuando de forma eficaz, para garantir projetos que acabem com alguns riscos antecipados e 
neutralizar aqueles característicos à atividade ou aos equipamentos (LUDOVICE, 2014). 
 
3 CONCLUSÃO 
 
Através do que foi apresentado, é visível a importância e a necessidade de aplicar 
a segurança do trabalho para o desenvolvimento total de uma empresa, pois ao investir na 
segurança e saúde do trabalhador, o empregador, terá uma redução financeira significativa, 
além de diminui os riscos quanto a uma reclamação trabalhista, ou multa, seja por acidente 
14 
 
do trabalho ou doenças ocupacionais. Ademais, o empregado apresentará melhor rendimento 
tendo segurança para executar a sua função. 
Além disso, considerando o que foi apresentado nesta pesquisa, o principal 
motivo para investir no uso eficaz da segurança do trabalho dentro de uma empresa é a 
garantia a vida e a integridade física do trabalhador. 
Neste cenário, surge o Engenheiro de Segurança do Trabalho como o 
profissional qualificado que possui amplo conhecimento sobre as Normas 
Regulamentadoras e demais legislações que tratam a respeito do tema, e atua desde o 
planejamento até a gestão e fiscalização, a fim de identificar as necessidades da empresa e 
elaborar projetos para evitar acidentes e mortes. 
Para arrematar, conclui-se que o Engenheiro de Segurança do Trabalho é de 
extrema importância dentro de uma empresa, sendo na organização de programas de 
prevenção, na emissão de laudos técnicos que atestam as condições necessárias para a prática 
das atividades laborais, no planejamento e gestão para garantir a qualidade do ambiente, bem 
como na garantia da observância às determinações regidas pelas Normas Regulamentadoras 
que disciplinam diversas condições de trabalhos. Então, p afirmar é possível afirmar que o 
profissional agrega de forma extremamente positiva dentro de uma incorporação, otimizando 
os processos de segurança e ajudando a prevenir acidentes do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
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Trabalho. Brasília: Agência Brasil, 2024. Disponível em: . Acesso em 16 jul. 2024. 
BARSANO, Paulo Roberto; BARBOSA, Rildo Pereira. Segurança do Trabalho – Guia 
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Disponível em: . Acesso em 16 
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